Teopoesia



        Certa vez, eu vi o sertão e fiquei impactado com a vegetação morta, os riachos secos, os açudes sem
água... Depois de certo tempo voltei ao mesmo local e já havia chovido. Que diferença! Estava verde! Os
riachos corriam, nos açudes havia água e até peixes.

       Não poderia imaginar que no meio daquela realidade marcada por sinais de morte pudesse brotar a
vida. A primeira palavra que saltou à mente: PÁSCOA! Impossível não me lembrar da passagem da morte à
vida.

       Olhar o sertão fez com que eu me enxergasse por dentro. Pude ver minha história para dar-me conta de
que eu havia experimentado o mesmo. De lá para cá, fui percebendo que cinco certezas me foram invadindo. A
primeira que vivo e sinto isto, quando respiro. A segunda que morro e percebo o mesmo, quando me vejo no
espelho.

       Disseram-me, certa vez, que não temos um dia marcado para morrer. Morremos aos poucos, dia após
dia! De certo, não tínhamos também dia determinado para nascer. Então, assustei-me com a terceira certeza de
que não consigo controlar a vida ou a morte. Eu razão, capaz de inquietar-me com o passado e sonhar com o
futuro querendo entender ou controlar tudo. E o tempo presente?

        Este me faz entender que vivo e morro ao mesmo tempo! Portanto, agora sei que a morte e a vida
constituem as faces de uma moeda chamada existência! Pus a perguntar-me para que servia a minha
existência.

       No intervalo de tempo, entre uma piscada e outra, a inspiração e a expiração, nasceu a quarta certeza:
Deus me ama e por isso consigo amar! Encontrei no absurdo da minha existência o Absoluto que nos ama. Tal
experiência fez com que minha moeda (existência) ganhasse valor (sentido).

        E que “chuva” modificou a minha paisagem interior, já que a chuva fez o sertão se transformar!?
Certamente, o Amor incondicional e gratuito de Deus que experimentei através das pessoas. Isto proporcionou
a festa da PÁSCOA na minha existência!

        Hoje, uso óculos pascais para enxergar as realidades desafiadoras ou marcadas por sinais de morte
para transformá-las. Sigo meu caminho – existência – acolhendo Deus que se comunica e refletindo o
experimentado. Daí nasceu a quinta certeza de que posso fazer teologia – poesia. Teopoeta! Só depois que vi
aquele sertão e dei-me conta que Deus cria e re-cria. Ele se fez um grande poeta!



Franklin Alves Pereira,sj

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    Teopoesia Certa vez, eu vi o sertão e fiquei impactado com a vegetação morta, os riachos secos, os açudes sem água... Depois de certo tempo voltei ao mesmo local e já havia chovido. Que diferença! Estava verde! Os riachos corriam, nos açudes havia água e até peixes. Não poderia imaginar que no meio daquela realidade marcada por sinais de morte pudesse brotar a vida. A primeira palavra que saltou à mente: PÁSCOA! Impossível não me lembrar da passagem da morte à vida. Olhar o sertão fez com que eu me enxergasse por dentro. Pude ver minha história para dar-me conta de que eu havia experimentado o mesmo. De lá para cá, fui percebendo que cinco certezas me foram invadindo. A primeira que vivo e sinto isto, quando respiro. A segunda que morro e percebo o mesmo, quando me vejo no espelho. Disseram-me, certa vez, que não temos um dia marcado para morrer. Morremos aos poucos, dia após dia! De certo, não tínhamos também dia determinado para nascer. Então, assustei-me com a terceira certeza de que não consigo controlar a vida ou a morte. Eu razão, capaz de inquietar-me com o passado e sonhar com o futuro querendo entender ou controlar tudo. E o tempo presente? Este me faz entender que vivo e morro ao mesmo tempo! Portanto, agora sei que a morte e a vida constituem as faces de uma moeda chamada existência! Pus a perguntar-me para que servia a minha existência. No intervalo de tempo, entre uma piscada e outra, a inspiração e a expiração, nasceu a quarta certeza: Deus me ama e por isso consigo amar! Encontrei no absurdo da minha existência o Absoluto que nos ama. Tal experiência fez com que minha moeda (existência) ganhasse valor (sentido). E que “chuva” modificou a minha paisagem interior, já que a chuva fez o sertão se transformar!? Certamente, o Amor incondicional e gratuito de Deus que experimentei através das pessoas. Isto proporcionou a festa da PÁSCOA na minha existência! Hoje, uso óculos pascais para enxergar as realidades desafiadoras ou marcadas por sinais de morte para transformá-las. Sigo meu caminho – existência – acolhendo Deus que se comunica e refletindo o experimentado. Daí nasceu a quinta certeza de que posso fazer teologia – poesia. Teopoeta! Só depois que vi aquele sertão e dei-me conta que Deus cria e re-cria. Ele se fez um grande poeta! Franklin Alves Pereira,sj