r--------------------------------------------------                                                  _
"




                     Além desta condição, foram definidas outras, dentre as quais é
             preciso citar: 1. a implantação de uma base naval e a complexo portuário
             de Anhatomirim, situado no Continente, próximo ao limite norte da Ilha; 2.
             a ~ criação   de   redes    de    integração     rodoviária    dentro     da    "área
             metropolitana"; e 3. a integração destas rodovias com a BR-282 (Lages-
             Florianópolis), para criação do "sub-pólo de desenvolvimento em Lages".
            Deve-se ressaltar      que a condição       básica do Plano constituía-se          na
            "...implantação, em caráter de absoluta prioridade, do Plano Urbano de
            Florianópolis e área conurbada." (33) (Plano, 1971: 37).


                   o Plano    Urbano de Florianópolis apoiava-se, em linhas gerais, na
            idéia de que deveriam ocorrer duas áreas de expansão urbana: uma área
            ao longo da BR-101, no trecho dos municípios de São José, Palhoça e
            Biguaçu e a outra, e mais importante, na costa leste da Ilha. Na área de
            expansâo-contmentaí       ao longo da BR-101, seriam implantados o setor

            militar, o setor universitário estadual (UDESC), além do setor industrial e
            pesqueiro. A expansão urbana de Florianópolis, na Ilha, ocorreria na orla
            leste, na área denominada pelo Plano de Setor Oceânico Turístico da
            Ilha, abrangendo       o trecho    entre   a Praia da Joaquina            (Lagoa   da
            Conceição) até o Campeche, mais ao sul (Ver Figura 17-c).                       Foram
            elaborados     modelos de ocupação do solo para toda esta orla atlântica,

            metropolitana em particular e de toda a comunidade barriga-verde, por
            meiado uso de todos os recursos para a divulgação da análise técnica
            da situação estadual e da validade da linha de ação proposta para a
            solução do problema." (Plano, 1971: 33).
            Deveriam ainda promover a Capital "no interior do Estado, como em todo
            o termono nacional; usando-se como meio-base a televisão." (Plano,'
            1971: 35)

            33 - No totatóPlano propunha um conjunto de 26 projetos de médio e
            qrandeporte; dosquaiscitamos    aqui os mais significativos. A listagem
            daspropostas sstão-novoteme     1 do Plano de Desenvolvimento
            Integrado, pp.3846'Ef 51...,59.
r-
                                                                                                     ,."'

     ~~--~~~~~----~--------------------------------
                                                                                           102       ,''



       situada a sudeste da Ilha, que deveria ser urbanizada                     e receber a
       expansão das áreas residenciais e de lazer dacidade. (34)


              Além do desenvolvimento do setor continental               próximo à BR-101 e
       do Setor Oceânico Turístico, o Plano previa ainda e "com prioridade
       absoluta     sobre    todos    os   demais     projetos",    a criação      do   centro
       Metropolitano, situado na área urbana central, da Ilha e do Continente,
       voltado para a Baía Sul. Neste Centro Metropolitano estava prevista uma
       série de grandes intervenções que consolidariam o centro administrativo-
       institucional-financeiro      da "área metropolitana",       a saber: a nova ponte
       Ilha-Continente'     e um grande         aterro   para dar suporte         às diversas
                                                                                                 I
       conexões viárias, aos Terminais Rodoviários estadual e municipal,                   ao    
       Centro Cívico,' ao Túnel do Morro do Penhasco                     e aos prédios     d~
       legislativo, judiciário e executivo.


              Dentre as intervenções mais importantes para a viabilizaçãodas
       intenções pretendidas         no Plano, sobressaía-se,         sem dúvida, aquelas
       relativas ao sistema viário inter e íntra-urbanot»). A intervenção prioritária
       era o eixo viário de integração Continente-Ilha, que. se dirigia para área



       34 - Foram definidos modelos de ocupação no município de São José e
       municípios próximos de Florianópolis, conectados pela BR-101. Na Ilha,
       "foram detalhados vários tipos de urbanização: pata o centro histórico,
       para os morros, para os terrenos dos "Ibteamentos de chácaras", para o
       Saco dos timôes; para a Trindade, para o Itacorubi e,finalmente, para a
       zona da Lagoa (balilêário)." (Plano, 1971; v.1:151).

       35 - O Plano de Desenvolvimento Integrado propunha um complexo
       rodoviário em toda área da micro-região dePlorianópolis e conexões com
       outras rodovias estaduais e federais dê Santa Catarina. Propunha, ainda,
       na mícro-reqíãoaunteqração       com o sistema aeroviário e aquático
       (marítimo e fluvial), Qtransporte'rodoviário,  no entanto, sempre foi
       tratado de formà'pri".ilégiCidanoPlano>Emfunção       do interesse do
       presenteestudb;;irerndSri()sater,apen~sàs      proposições.viárias. relativas
       ao municlpio'de Florianópolis: As propostas viárias do Plano Integrado
       estão expostas nOiVolurne t (pp, 38.::70) eiVolumé.'3 (pp.1-113).
.      i
                                                                                      '.'~-'-"~-'~~'-' ~--1
                                                                                                          !
                                                                                      103



 sudeste da Ilha . Esse eixo viário era definido pela Via Expressa                   que
 tinha o seguinte percurso: iniciava-se no entroncamento com a BR-101,
 transpunha o trecho continental e a nova ponte IIhac, Continente, passava
 pelo Centro Metropolitano na Ilha, atravessava um túnel sob o Morro do
 J;?enhascoaté o Saco dos Limões, dirigindo-se para a costa leste da.llha.
 área do Setor Oceânico Turístico. A nova ponte Ilha-Continente e o Túnel
 do Penhasco, que possuíam conexão com a                        Via Expressa, seriam
.implantados na parte sul do Morro da Cruz (Ver Figura 17-b e Figura 17-
 c).   Posteriormente,      o trecho      da Via      Expressa      no" Continente    foi
 denominada BR-282 e a sua continuidade                  na Ilha foi chamada deVia
 Expressa      Sul. O principal acesso à cidade universitária seria feito pelo
 Saco dos Limões, através de uma derivação desta via expressa. (36)


          O Plano Urbano propunha um sistema hierarquizadode                         vias
 urbanas em Florianópolis. A Via Expressa                estaria integrada com uma
 rede de vias de tráfego rápido. As vias de trânsito              rápido,.por    sua vez;
 seriam integradas às vias setoriais,as              quais estariam, ligadas às vias
 locais, situadas nas áreas residenciais.           Conforme indica: a Figura 17.;.b;
 foram propostas uma série de vias de tráfego rápido tanto no continente
 como nos bairros centrais da Ilha. Na área urbana                       da Ilha foram



. 36 - "O sistema de via expressa, eixo principal de circulação urbana,tem
  seu nascimento na BR-101,( ...) Esta via, na parte continental, é.composta
  de seis pistas de alta velocidade, três em cada sentido, separadas por
  ufT7cante/rqg~2 metros. Ao/ado de cada trêspistas,sepa~d.é!$porum
  canteirode   ·15 metros, haverá duas pistas de tráfego em um sentido.
  Estas receberão· a finalidade de disciplínarosacessos      e séJidasâs pistas
  de alta velocídade( ...) No fim do elevado, na Ilha, a via expressa entra em
  um túnel no MOrio.daPrainha, em pistas superpostes as quais, na saida,
  no Saco dosU",q~'~"!f3Rõ~m o tráfego no sentido normal. (..)     oo   Saco
  dos "Limões emêJianie;a viéJexpressa continuariadandóacessoâ           Cidade .~
  Universi~ária, a~.€~t~,diodeF.utf3,qol,ao Aeroporto, ~oC9mple~0 Turístico
  do. Campéche4.:.ã(jióâ.1fJáeór/êeição, Hipódromó,' Parque de Exposições
  da Ressacada e Setor de Grandes Áreas, para locação futura de Clubes
  de Golfe, Autódromo, etc." (Plano, 1971, vol.3, p.81-82).
F




                                                                                                   104            -"



    propostas vias de trânsito rápido contornando a área da península                              e o
    Morro da Cr-uz, através de anel viário formado' pela continuidade da avo
                   ~~
    Beira-Mar Norte em conexão com a Via Expressa Sul. O Plano previa,
    ainda, na área urbana, vias de trânsito rápido cruzando a península e o
    Morro da Cruz, no sentido                       norte-sul,      efetuando   conexão        entre a
    Agronômica e a Via Expressa Sul. (Ver Figura 17-b)


            O Plano Urbano definia ainda um complexo rodoviário ao longo da
    Ilha, garantindo acessibilidade a todos locais considerados de interesse
    turístico.   O sistema            viário       proposto      absorvia    antigas   estradas     já
    existentes   e implantava             também            novas conexões      rodoviárias.      Das
    estradas então utilizadas, no final da década de 60, com.exceção                               do
    acesso ao aeroporto (ao sul) e do acesso ao Morro da Lagoa (a leste),
    ambos. pavimentados               com paralelepípedos,           todas as demais vias não
    possuíam pavimentação. Constituíam estradas                           estreitas e sinuosas.     O
    Plano propunha um circuito rodoviário ao redor da Ilha, que totalizavam
    116 km. de estradas com novas implantações, mais amplas e asfaltadas
    (Plano, 1971 ,v.3:p.90). Considerava as seguintes rodovias                         estaduais ao      --   ;,~'
                                                                                                         -':-;';'1....-..


    longo da Ilha (Ver Figura 02):
    a) SC-1 (atual SC~401, norte) - acesso ao norte da IIha,seg!Jindo pela
    costa oeste; passando por Santo Antônio de Lisboa, Canasvieiras                                 e
    Ingleses do Rio Vermelho;
    b) SC-2 e SC-91 (atual SC~401, sul) - acesso ao sul da Ilha, atualmente
    passando pelo aeroporto; Ribeirão da Ilha; Tapera e Caiacangaçu;
    c) SC-93 (atual SC-404) - ligação entre a SC-401, no Itacorubi, até a
    Lagoa da Conceição. situada a leste da Ilha;
    d)SC-97 (atuaLSC-40a)-ligação                         entre aSC-401 e a Praia de Jurerê;
                        '. >.......      ......•... ..'
                                             . ....                   .                   .~
    e).SC-98 (tr~ch({(j?latY~ISç;~,4Qp)-.ligação                   até o Pântanodo.Sul;
105


f) SC-403, ligação entre SC-401/norte e Canasvieiras (antigo trecho da
SC-1);
g) SC-405, ligação entre' a SC-401/sul e Campeche e Alto Ribeirão;
h) SC-406, ligação entre Ingleses do Rio Vermelho (ao norte) e Pântano
do Sul, pela costa leste da Ilha.                                                  e




       o Plano     previa, no Setor Oceânico Turístico, a ligação rodoviária
pela orla leste entre a Praia da Joaquina, Praia do Campeche                 e o Morro
das Pedras -        a chamada Via Parque          - que fazia conexão com a Via
Expressa Sul.


       É importante ressaltar que, apesar do Plano Urbano considerar os
Balneários de Canasvieiras e de Jurerê, situados ao norte da Ilha, como
"importantes pontos turísticos", estes foram, no entanto,              relegados       ao
sexto lugar na lista de prioridades de ação (37) . Não foram previstos

nestes balneários investimentos urbanos semelhantes aos definidos para
o Setor Oceânico Turístico.


       "Em relação aos balneários, principalmente ao de Canasvieiras,
       quase nada pudemos fazer, em virtude da falta de levantanrentos
       cadastrais. Para lá não foi possfvel o estudo de modelos porque a
       área já estáurbanizada e muito construída. A nossa proposição se
       resume numa recomendação e até, num veemente apelo, no



37 - Na definição das áreas de intervenção prioritárias para consecussão
dos planos de desenvolvimento turístico, o Plano de Desenvolvimento
Integrado propõe:
'~ fim de se evitar dispersão de esforços e recursos, e se alcançar os
objetivos a menor prazo e maior eficiência, mister se faz definir as áreas
prioritárias de ação pela seguinte ordem: 1. Lagoa da Conceição,
Praia da Joaquina, Barra da Lagoa e Praia do Campeche; 2. Termas de
Santo Amaro da Imperatriz; 3. Ribeirão da Ilha; 4. Morro da Cruz e
televisão (urbanização e paisagem); 5. Farol dos Naufragados e Ilha de
Araçatuba, extremo sul da Ilha; e 6. Canasvieiras e Jurem." Plano,
1971, vol. 3: 240.
í
                                                                                            106


           sentido de que sejam evitadas as avenidas à beira-mar, não só em
           Canasvieiras mas nos outros bstneénos em desenvolvimento,
           proscrevendo aqui a Copecebenizeçêo." (Plano, 1971,v.1:144)


           o Plano     de Desenvolvimento Integrado propôs, além da criação da
    Área Metropolitana de Florianópolis, uma estrutura técnico-administràtiva
    da região metropolitana         de âmbito estadual e, ainda, um modelo de
    organização técnico-administrativa           dos municípios envolvidos.         O Plano
    Urbano de      Florianópolis definiu, como relatou-se acima, uma série de
    grandes obras no município que iriam transformar a área metropolitana
    no   "grande       centro    polarizado!",      fator     gerador   de    "integração    e
    desenvolvimento estaduaf'.           Mostrava-se, portanto, fundamental,          para a

    consecussão        das      idéias    e   propostas         contidas     no   Plano     de
    Desenvolvimento          Integrado,       que     estas      fossem      absorvidas      e         ~,
                                                                                                  ,-~
    concretizadas em âmbito estadual e que o Plano Urbano de Florianópolis
    fosse institucionalizado e as grandes obras implantadas a nível municipal.                    .;   '-----,




           Para garantir a institucionalização              do Plano Urbano, tanto a nível
    metropolitano como municipal, uma série de reformulações na legislação
    urbana de Florianópolis foi proposta pelo ESPLAN , "...desde a legislação
    tributária e a relativa aos funcionários públicos, aos códigos de postura e
    de eatticeções''    (Plano, 1971 :214). Foram encaminhados, em 1971, para
    serem apreciados e aprovados pela Câmara Municipal de Florianópolis,
    três anteprojetos de lei: a Lei do Plano Urbano (novo Plano Diretor), o
    Código de Edificações e a Lei sobre Loteamentos, Desmembramentose

    Arruamentos.
"'-.1
                                                                                                           i - .~.
                                                                                                         - ,-"-"<. -, '
                                                                                                           !




                                                                                             107



2.5.3 ,- Análise do Plano Urbano frente ao processo de ocupação
territoria I.




       Devem-se       ressaltar    alguns           aspectos   desse       Plano    que "são
importantes no presente estudo e para o entendimento das disputas que
ocorriam entre as frações das elites locais, na produção do espaço
urbano. O Plano de Desenvolvimento Integrado privilegiava, como vimos,~
duas    áreas    em especial:      a área            urbana    central,    onde     previa    a!
implantação do Centro Metropolitano e, ainda, a área sudeste da Ilha, 
Lagoa-Campeche, onde seria implantado o Setor Oceânico Turístico.                              J
       A intenção de privilegiar a área sudeste da Ilha fica evidente ao ')
constatar-se que o eixo viário principal - a única Via Expressa prevista                           11
                                                                                                   11
                                                                                                   I,
neste Plano Urbano de Florianópolis -, direcionava-se da BR-101 para                               V
esta região, conectando-se com a Via Parque. O Plano Integrado garantia                             )
acessibilidade    rodoviária a todas as regiões ~a Ilha, privilegiando, no                         I
entanto, a área do Campeche.


       Esta     determinação      em   privilegiar         a   área       sudeste   da   Ilha
demonstrava-se      de forma tão marcante no Plano de Desenvolvimento
Integrado que os primeiros estudos sobre a localização da nova ponte
Ilha-Continente, propunham sua implantação ainda mais ao sul da área
central (Ver Figura 17-c). O primeiro estudo da nova ponte efetuava a
ligação, no Continente, a partir da                 Ponta da Salga, na Praia do Meio
(Coqueiros),     direcionando-se    mais ao sul da Ilha para a planície da
Ressacada. Esta ponte, cujo estudo foi elaborado por volta de 1.~67, teria
4 km de extensão:      O .sequndo .estudo foi efetuado após o conhecimento
de que uma ponte pênsil"s~.r!Jelh~nte e com o mesmo tempo de uso da


                                            >   '
f'


     ~~------~~~~~.~,.~,--------~==--------------------------------      .....   _..~   ... ~~--   .~:=   .....•




                                                                                                                   108



         Ponte Hercílio Luz, teria desabado em Ohio-EUA, colocando sob suspeita                                              r


         a estabilidade da Ponte local e a necessidade de sua interdição (38). Em
         vista disso, a equipe propôs a nova ponte mais próxima da área central,
         saindo da Ponta do Fett (Coqueiros), no Continente, direcionando-se para
         o Morro do Penhasco, ao sul do Morro da Cruz (Plano, 1971: 124-12'4). A
         terceira solução proposta, e posteriormente           executada, definia a nova
         ponte ainda mais próxima da área central, apoiada              num grande aterro.
         No entanto, mesmo nesta terceira alternativa, a Via Expressa-Sul seguia
         diretamente para um Túnel no Morro do Penhasco, direcionando-se                                           no
         sentido sul da Ilha (39).


               É importante ser evidenciado também que, no Plano Integrado, não ,
         era prevista nenhuma outra via expressa além da Via Expressa Sul, que                                           v
         ligava a BR-101 ao Setor Oceânico Turistico, a sudeste da Ilha. Portanto, )
         a   Via deContomo       Norte-Ilha, objeto deste estudo, não se encontrava
         proposta no Plano Integrado com características              de via expressa. A
         proposta viária para esta área norte, como vimos, considerava a Av.
                                                         .      .                                                   ~
         Beira-Mar Norte, que estava em fase de conclusão, e que permaneceria 
                                                    -                           I
         com apenas duas pistas. Previa que a avenida Beira-Mar Norte teria     !
                                                                                !
         continuidade e faria parte do anel viário ao redor do Morro da Cruz, f
                                                                                                                         i
                                                                                                                         /
        . devendo ser implantada uma via com duas pistas                 até o .campus ~


        38 - O acidente ocorreu em15 de dezembro de 1967 com a Ponte "Point
        Pleasant Bridge", no Ohio River, EUA. '~ ponte norte-americana,
        semelhante àHercílio Luz,/igava os EstadosdeOhioe        West Virgínia. E,
        naquele dia a ponte ruiu por processo de fadiga, tendo se rompido um
        doS elos principais de sustentação da estrutura." In Governo do Estado. A
        Ponte Colombo Salles. Publicação, comemorativa de inauguração, 1975,
        28 pp.

        39 - O projeto da nova ponte, atual Ponte Colombo Salles, foi elaborado '
        pelo Consórcio de escritóríos contratado pelo governo estadual em
        complementaçãô 'aÓ4fabalho·do' ESPLAN, O'ccnsórcto era formado pelo
        Escritório J~C.FigüeiredoFerraz,escritório     Croce; Aflalo & Gasperini e
        ainda 'pelo'arqUitetoiPê'dróPaulc{dê{MeloSaraiva.
.



]
~
     ,
    ./

         ...




                                                                                                              109



               UFSC e deste até o Saco dos Limões, conectando-se ali com a Via
               Expressa Sul. Esta extensa via que constituiria o anel viário norte teria,
               portanto, características de avenida de trânsito .rápído e não de via
               expressa. (Ver Figuras 17-b e 19).


                        Outro aspecto que indicava o tratamento privilegiado da área
               sudeste da Ilha era a proposta, contida no Plano, de transferir o aeroporto
               da Ressacada, situado próximo ao Campeche,. para o norte da Ilha. O
               novo Aeroporto          do Rio       Vermelho, de       classe         internacional,    seria
               implantado na área norte da Ilha,' próximo a Canasvieiras, evitando "o
               inconveniente dos estridentes ruídos e estrondos das aeronaves sobre a
               vida urbana". (40) Ou seja, a atividade aeroportuária, que por suas
               inconvenientes. características desvalorizava a área, deveria sair da
               região sul e ser implantada próximo aos balneários ao norte da Ilha.

                                                                                                        <:::::L---       ~

                        É    preciso   ressaltar,    portanto,       que   este       Plano   Urbano          de                 )
               Floríanópoüs,       vinculado    ao    Plano      de    Desenvolvimento             Integrado,                :
               priorizava a expansão urbana de Florianópolis na direção sudeste,                                         I   f

                                                                                                                         i
               contrariando o processo que vinha sendo produzido na cidade até-aquele                                    I
               momento. Como foi visto, havia interesse dos setores heqemônicos das
                                                                 .                -           ..
                                                                                                                     i
                                                                                                                     I


                                                                                                                     t
               elites       em   manter suas áreas residenciais            ao norteua
                                                                        península e 
                                                                                                         .

               direcionar sua expansão para a direção da .Tríndade e dos balneários 
                                                                                                                             
               situados ao norte e leste da Ilha. Ocorria, portanto, intensa pressão para                                        
                                                                                                                                 
               que os investimentos estatais se mantivessem nestas áreas, como até                                               J


               então vinha ocorrendo.                                                              ~




               40 -In Planolntegr:Fldo;:}/1:40. A proposta e justificativas sobre a
               transterêncíarío.aeropono     para o nor;te,d~ílha' estãoexpressasno  Plano
               Integrado, op~cit/,Nolume 1,~PP.:~!3-:~Q,54.;.6J~; olume 3, pp.37-51.
                                                                   v
i




                                                                                         110
                                                                                                           . -e--,
                                                                                                       .     - .....




            Dentro desse quadro, muitas das proposições do Plano Integrado
    encontravam forte resistência entre setores influentes de Florianópolis. A                                   '•.....

    própria equipe do Plano' registrou que, entre os obstáculos que tiveram
    que vencer, estavam        li •••   a força de grandes interesses econ6micos e
    políticos contrariados." (Plano, 1971: v.1: 79).                                    ••
                                                                                                                   '~



           o anteprojeto     de Lei do novo Plano Diretor de Florianópolis, parte
    integrante     do      Plano        de    Desenvolvimento'     Integrado      da   Área'
    Metropolitana de Florianópolis, foi concluído             em 1970     e    encaminhado
                                                                                                           ..     --..
    para ser aprovado pela Câmara Municipal de Plortanópoüs. Durante o
    processo de tramitação do Plano Diretor na Câmara evidenciaram-se                        as
    divergências    existentes entre as elites locais em relação à Jocalização
    das áreas prioritárias       de expansão e de investimentos                urbanos. Em
    função das pressões de parte de setores influentes, descontentes com
    prioridades dos investimentos definidas pelo Plano e com a localização
    das desapropriações         previstas      para abertura de avenidas,          o Plano
    permaneceu       em tramitação           durante   seis   anos (H).   Defendendo         a
    expansão urbana príoritária e os investimentos públicos para o norte da
    Ilha, o setor hegemônico das elites foi obrigado a aceitar a aprovação do
    Plano Diretor, sob pena de perderem os recursosadvindos                     do governo                 '. 'Y-,

    federal através do PROGRES - Programa de Vias: Expressas, que exigia
                                                                                                           .        ~
    respaldo do Plano Urbano para o financiamento das obras viárias.
                                                                                                            ....-:-""
                                                                                                           .~{~




    41 - Em entrevista à Revista Visão, em janeiro de 1975, o arquiteto.
    Gama D'Eça atribui a engavetamento do Plano pela Câmara Municipal,
    "... a uma inércia premeditada que serve apenas para perpetuar                                         :';;h
    privilégios inconfessáveis'~, onde: procurava responsabilizar interesses
                                                                                                           (c1
    imobiliários das oligarquias pela obstrução na aprovação do Plano                                       "·'iJ __
                                                                                                                   .••..



    Diretor. Nareportagemde':Femando        de Moraes, "A melhor capital do
    Brasil", Revista Visão', ·13'd~naneiro de 1975, pp.22-27.                                                ?"f~.

                                                                                                           ~~~
                                                                                                           ~
                                                                                                        ""'--"
                                                                                                  ..... ~.
111


       o Plano Diretor foi    aprovado em 1976, pela Lei n.1440/76 (42). As
diversas    alterações    efetuadas    no    anteprojeto      de       lei     consistiram,
principalmente, na supressão de todas as referências que vinculavam
este Plano Urbano com o Plano de Desenvolvimento Integrado. Manteve-
se, no entanto, na ocasião da aprovação, o Setor Oceânico Turístico
como principal eixo de expansão urbana e de expansão programada. De
qualquer forma, mesmo com essas e outras alterações que, como
veremos no Capítulo 3, foram feitas na Lei n.1440/76, o Plano veio
legitimar e servir de orientação para todas as grandes intervenções
viárias feitas nas décadas de 70 e início de 80 em Florianópolis.




2.6 - A implantação do complexo rodoviário.




       A década de 70 caracterizou-se                pelo grande número de
intervenções do Estado no espaço urbano. Em consonância com a
conjuntura econômica e as diretrizes definidas pelo governo federal,
estes investimentos em Florianópolis foram destinados, principalmente, à
implantação      dos     sistemas     rodoviários     inter        e         intra-urbanos.
                                                              1.



Paralelamente a estas ações, ocorria o incremento da construção civil em




42 - o ante-projeto de lei que regulamentava os Loteamentos Urbanos,
Desmembramentos e Arruamentos foi aprovado pela lei n. 1215, de
28/05/1974, As alterações efetuadas para a aprovação procuraram retirar
qualquer.vinculaçãoda-nova    Lei com a Lei do Plano Urbano, na época
ainda nãoaprovadc.etemoém       com o Plano de Desenvolvimento
Integrado. Suprimiram.,.se também as reterênciase delimitações das
áreas urbanasede      expansão urbana definidas pelo ESPLAN. O Código
de EdificaçõeS;,elab()rado tam,B~m pela equipe do ESPLAN, foi aprovado
pela Lein.·1246 de1~/09/19]Z:.4~~;
~------------~~--------------~~------------------------------~,~
                                                                                   112



    Florianópolis, que também repercutia no crescente aumento populacional
    dos municípios de São José e Palhoça, conurbados com a Capital (43).


                                                                                             :"       ...• -

           Desde o final da década de 60 desenvolviam-se            procedimentos e
    articulações para viabilizar estas intervenções. O Governo do Esta€fo já
                                                                                             '   ..,....
    estava, neste período, empenhado em implantar algumas das propostas
    contidas no Plano de Desenvolvimento            Integrado da Micro-Região       de
    Floríanópotis   ainda em elaboração.       Procurava' conseguir verbas para

    investir na implantação do Porto de Anhatomirim,            na nova ponte (atual
    Ponte Colombo Salles) e no sistema rodoviário, criando acessibilidade
    não apenas dentro do município de Florianópolis,            mas também a nível
                                                                                                   ,
                                                                                                      
    regional.   Em 1969, o ex-governador         Ivo Silveira    (1966-71)    elaborou
    extenso documento       enviado ao Governo Federal (44), onde solicitava
    verbas para:


    a) concluir a rodovia BR-101 (antiga BR-59), trecho Santa Càtarina, com
    503 km de extensão, cuja obra havia sido iniciada em 1940;
    b) implantar o Porto de Anhatomirim,      com área de 5,8 km2, cujo custo foi
    orçado em US$ 9.800.000,00;
                                                                                             t4",
                                                                                                 <"'"
    c) implantar a BR-282, que ligava a Capital ao extremo oeste catarinense,                :~:h
                                                                                                       r-

    passando por Lages e o Vale do Rio do Peixe;
                                                                                                 ... ~

                                                                                                 ~",~----.
    d) pavimentar as seguintes rodovias estaduais em Florianópolis:                Av.
    Beira-Mar Norte (2,3 krn); Av. Ivo Silveira (4,5 km, que ligava a cabeceira
                                                                                         ,        .,

    43 - No período 1970-1980, as populações dos municípios de
    Florianõpolis, São José e Palhoça apresentavam, respectivamente, as
    segUintes taxasde crescimento anual: 3,11%, 7,52% e 6,30%. In
                                                                                                 ~- )-
    18GE. Censo Demoqráflco, Rio de Janeiro, 1982-83, vol.t. tomo 4, n.21.                        ',~Yi~
    Ver Tabela 01.                                                            .
                                                                                                 'L'f"
                                                                                                 t '(
    44 - Solicitação deverbaefetuada em 1969, junto ao Governo Federal. In
                                                                                                 ,"
                                                                                                 ,.
                                                                                                  ~':"'-(.,
    Documento de' Pr'ograma"de-Govemo    de Ivo Silveira - 1966171, voí.ll.                       ,            -
                                                                                             '~'f-
113



continental da ponte à BR-1 01, na direção sul); a rodovia SC-01 (28 km,
atual SC-401, ligação com os balneários norte); a rodovia   SC-91 (4 km,
atual continuação da SC-401 ao sul, ligação com o aeroporto); e a
rodovia SC-93 (6 km, atual SC-404, ligação com a Lagoa da Conceição).
Solicitava verba, através de empréstimos da Alpina/Suíça, com garantia
do Banco do Brasil, no valor de US$ 10.000.000,00.
e) construir uma nova ponte de ligação Ilha-Continente, "para substituir a
atual Ponte Hercílio Luz", com custo previsto de US$ 8.000.000,00.

                                                                              ,
      Parte das verbas pleiteadas foram obtidas. Não houve negociação         !
                                                                              !

de recursos para a implantação do Porto de Anhatomirim e da BR-282.
No final da década de 60 e início da década de 70, foram executadas               
                                                                                  i
                                                                                  i
algumas daquelas obras, em especial: a pavimentação da Avenida Beira-
                                                                               I
Mar Norte, a conclusão da BR-101 e, ainda, tiveram início as obras da
                                                                              I
Ponte Colombo Sa"es e da rodovia SC-401 para o norte da Ilha. Estas           I
                                                                              I




duas últimas obras foram posteriormente suspensas e retomadas apenas          I
                                                                             -l
em 1972.


      A conclusão da rodovia BR-101, em 1971, garantiu a interfigação
da região de Florianópolis a outras capitais e áreas produtoras estaduais             
e regionais. Este acesso rodoviário foi fundamental para o incremento e                   ')
solidificação do turismo que vinha se desenvolvendo em Florianópor~
desde a década de 60. A BR-101          ajudou a impulsionar   o uso do
transporte rodoviário e também a execução das grandes obras viárias na
cidade, que deram acesso a localidades com potencial turístico e até

então inacessíveis.

                                                                ",
      Nessa mesma época tiveram início as obras de terraplanagem dos
primeiros 8 _quilornêtt()~.da rÔ,d~vi~ SC-401 (norte), que dá acesso aos
~------~~~----~--~-----------------------                                                              ...   '
                                                                                                                   -~



                                                                                                                   ,



                                                                                                                   1 .
                                                                                                                       •.......




                                                                                                                   1 _
                                                                                                 114
                                                                                                                   (~

                                                                                                             :'+;'
   balneários norte da Ilha. Esta rodovia inicia-se no bairro do Itacorubi e                                   L
   conduz aos balneários de Canasvieiras, Jurerê e Ingleses, em conexão
   com a SC-402 e a SC-403. É interessante notar que; dentre as rodovias

   previstas       no     município,        as    duas    obras        priorizadas    para     serem             )-

  executadas, na virada da década de 60 para 70, foram a Avenida Beira':'
   Mar Norte e a SC-401,                que vieram            a facilitar o acesso às zonas
  residenciais do norte da península e aos balneários situados ao norte da
   Ilha.


            A execução das obras viárias foram desenvolvidas                           com maior
  intensidade no decorrer da década de 70. O programa de governo de                                          .
                                                                                                             ,,1
                                                                                                                       --..
  Colombo          Salles    (1971-1975)          priorizou    o setor de transportes           e a
  expansão industrial. Este programa, denominado Ação Catarinense de
  Desenvolvimento,            apoiava-se no Programa de Metas e Bases para a
  Ação, do Presidente Médici e, também, absorvia muitas das proposições
                                                                                                                 i_-"



  do       Plano     de      Desenvolvimento             Integrado       da     Micro-Região      de
  Florianópolis,         assim como do Plano Diretor, que na época aguardava
  aprovação na Câmara Municipal de Florianópolis.                                                        "r-

                                                                                                         ..f ": -
                                                                                                             ""',",
           O governador Colombo Salles sintetizava o seu projeto de governo                              ~.;/'

                                                                                                         r~  ...•/'
  na palavra         "modernização",             que deveria     ocorrer      se houvessem:       a)
  'mudanças        institucionais;     b)    um elenco de projetos disciplinados                para
  possibilitar       a      ampliação       das      rendas;      c)     o    fortalecimento    dos
  desempenhos privados; e d) a realização da "integração estadual, pela

  seleção      e fortalecimento         de um polo urbano oinemico,                    aceito pela
  coletividade, e por ela valorizado." (45).




  45 - In Projeto Catarinense de Desenvolvimento. Mensagem do
  Governador Colombo Saííes à Assembléia Legislativa. 1971, p.14.
1
                                                                                                 115



               Deve-se notar que este último fator definido pelo Programa de
      Governo       privilegiava      uma   das       principais   diretrizes      do   Plano     de
      Desenvolvimento         Integrado de Florianópolis, que elegia a Capital como
      "pólo     urbano      dinâmico".      Esta      meta    garantiria     os     investimentos
      governamentais          para a região        de Florianópolis.        Ao justificá-Ias,         o
      governador fez referências às disputas 'que ocorriam entre as oligarquias
      locais que, inclusive, estavam .ímpedíndo a aprovação do Plano Diretor:
      "Porque a verdadeira democracia impõe a superação                           das oligarquias
      estaduais      e municipais,       a renovação         de valores      e a reforma         das_
      instituições não vacilarei em impulsionar as transformações do panorama
      político ... O Projeto Catarinense, do ponto de vista institucionel,                   tem a
      serena       intenção     de    quebrar       o monopólio        do       poder. ..".(Projeto

      Catarinense, 1971:14)


               O Projeto Catarinense propunha, entre as 16 rodovias estaduais
      que deveriam ter execução prioritária, "com vistas à imeçreçõo micro-
      regionaf',     os     seguintes     trechos      rodoviários     de       Florianópolis:        a
      implantação         e pavimentação        dos     28   km do trecho           Florianópolis-
      Canasvieiras-Ingleses          (SC-401) e a pavimentação dos 8 km do trecho
      Florianópolis-Base       Aérea, ao sul. A Via Expressa-Sul, principal rodovia
      do Plano Integrado de Florianópolis, não se constituía, porém, numa obra

r-.
 I
      prioritária do governo estadual.


              O Programa do Governo, identificado com as ações federais,
      adotava      uma série de projetos            e subprojetos          nas diversas      áreas
      programadas, que exigiriam vultosos investimentos mas que, segundo
      argumentava, estariam coerentes com a posição assumida de ".:.explorar
                                                                 .~
      ao máximo os recursos externos e a capacidade de endividamento do
116



Tesouro" (46). Esta disposição de investimentos e a certeza de que não

faltaria apoio financeiro para as obras previstas refletiam o momento
político e econômico, auge do chamado "milagre brasileiro".


       Neste contexto,     e legitimados      pelos planos     existentes,     foram
efetuados grandes investimentos urbanos em Florianópolis e em todo o
estado, principalmente      no setor rodoviário.      O impulso que ajudou a
viabilizar as obras previstas foi a criação, em 1972, através de Decreto
.                                                                              .



do Governo Federal, do Programa             Especial de Vias Expressas - o
PROGRES. Este programa, administrado pelo DNER, possuía dotações
incluídas no orçamento       deste órgão, e destinava-se         a financiar       "...0
planejamento,     construção,     melhoramentos,       e operações       de        vias
expressas urbanas, anéis viários, estradas de contorno, travessia de
cidades e acessos a centros urbanos ou a terminais de passageiros e
cargas"; além de financiamento        de estudos para definição de sistemas
viários e prioridades de projetos (47).     O PROGRES procurava, acimade
tudo, viabilizar as metas previstas pelo Governo Federal de integração
nacional, através da expansão da rede rodoviária              urbana e regional,
garantindo a disseminação do transporte rodoviário.


       Foram reiniciados os projetos e a execução de diversas obras a
partir de 1972, a maior parte delas com recursos vindos do PROGRES                         . r<




46 - In Projeto Catarinense, op.cit.,p.109. "O volume de investimentos
para a execução do projeto pode ser havido como elevado. Na verdade,
é. É elevado, propositalmente. Dimensionou-se a capacidade dinâmica
do Tesouro, em condições de expansão com as que estão em curso no
país e no Estado." op.cit.,p.108.

4T-VerArtigo  1.0, Parágrafo 1.oe2.o,    do Decreto N.o 71.273·de 30.
de outubro de 1972 que cria o Programa Especial de Vias Expressas -
PROGRES,instituídopeloex-     Presidente da República Emílio Médici.
1
                                                                                            -- '._- -I

                                                                                      117                I
                                                                                                         I
                                                                                                         i
 (48). A rodovia SC-401-norte, no trecho que efetua a ligação do Itacorubi
 com os balneários ao norte (Canasvieiras-Ingleses), teve início em
 fevereiro de 1972 e foi concluída a pavimentação-.em março de 1974.
 Esta rodovia, que garantiu acessibilidade aos balneários norte da Ilha,
 possui 28 km de extensão. As rodovias             SC-402 e SC-403 que; em

 conexão com a SC-401-norte, fazem, respectivamente, a ligação com os
 balneários de Jurerê e Canasvieiras,           também foram concluídas em
. 1974. O projeto paisagístico, dos 32 km destas estradas ao norte da Ilha,
 foi implantado em 1977. (Ver Figura 02)


      . Ao mesmo tempo vinham sendo iniciadas as obras da nova ponte e
 executados os aterros na Ilha e no Continente, que deveriam apoiar os
 acessos à Ponte, a malha viária e, no caso da Ilha, os diversos
 equipamentos urbanos e edifícios de uso institucional. Tanto a nova
 ponte, denominada Ponte Governador Colombo Salles, como o grande
 aterro construído na Ilha, próximo à área central da cidade, e ainda, a
 malha viária, apoiavam-se no Plano de Desenvolvimento Integrado.__
                                                                  J~~)--j
                                                     .                       ------
 (Ver Figura 09 e Figura 17-b)


      As obras da Ponte Colombo Salles, juntamente com os acessos e
oAterro    Continental, foram iniciados em agosto de 1972 e concluídas
em fevereiro de 1975. O aterro feito no Continente foi executado para


48 - Os recursos financeiros advindos do PROGRES, por força de
convênios entre o DNER e os goVernos municipais ou estaduais,
fínanclavamfodo projeto e a execução da obra ou, ainda, apenas
algumas etapas, entre outras: os estudos preliminares, os projetos de
engenharia,.a execução de terraplanagem, os aterros, as obras de arte
especiais (pontes.viádutos). pavimentação, iluminação, paisagismo e
sinalização.      .                                                     .~

49 _kPontéColombo'Salles   possui no total, contando os viadutos de
acesso, 1.227mefr'Ôs de comprimento, e situa-se a cerca de 350 metros
da ponte Hercílio Luz.
f




                                                                                       118



    servir de    acesso à Ponte Colombo Salles e também à terceira                   ponte
    prevista para ser implantada paralela a esta               é que só foi concluída em       ,"             --
    1991, a Ponte Pedro Ivo Campos. O Aterro Continental foi projetado
                                                                                                              ..•...•.
    também para a implantação de uma futura avenida à Beira-Mar ligando
                                                                                                  '"',




    os bairros de Coqueiros e Estreito.                                                      ';,:~
                                                                                                         ., "<,




            O grande aterro       implantado na Ilha, próximo à área central de
                                                                                               -'',
                                                                                                  r-


    Florianópolis, foi chamado de Aterro da Baía Sul. Sua execução deu-se
    por processo hidráulico, entre 1972 a 1974, constituindo área de 611.000
    m2 (50). Neste aterro estava previsto o Centro Metropolitano que, a partir
                                                                                             -,              ,--.
    da implantação        dos grandes           equipamentos    definidos   no Plano de
    Desenvolvimento       Integrado, viria a consolidar o centro administrativo-
    institucional-financeiro      da        "área   metropolitana".         Como     vimos
    anteriormente, a criação deste Centro Metropolitano, de acordo com o
    Plano de Desenvolvimento               Integrado, deveria ter     "prioridade absoluta
    sobre todos os demais projetos", sendo que sobre o Aterro da Baía Sul
    deveria ser iniciada a futura Via Expressa Sul.
                                                                                                  .~ J
                                                                                               "'.i-
                                                                                              ..         ,
                                                                                             C~)~

           Neste período ainda foram concluídas as obras da rodovia SC-404,
                                                                                             ~ •• t:J.


                                                                                             9,'--"
    que efetua a ligação entre o trevo da SC-401-norte, no bairro Itacorubi,
    com a Lagoa .da Conceição, situada a leste da Ilha. A implantação da SC-


    50 -     O custo dos aterros e dos acessos, na Ilha e no Continente, e
    ainda da Ponte Colombo Salles, a preços da época, foram da ordem de
    US$24 milnõesde-délares-Não        estão computados neste valor o aterro
                                                                                                  .      '
                                                                                              .;,
    mecânico que precisou ser efetivado, posteriormente, sobre o aterro da
    Baía Sul, os planos e obras de urbarazaçâo.: as tramas viárias, o projeto e
                                                                                             Q
    obras de paisagismo e, ainda, os equipamentos urbanos ali implantados.
    O projeto da ponte e acessos foi feito pelo consórcio formado pelo                       ltJ,'--'    .
    EscritórioLC.   FigueiredoFerrãz,  Croce, Aflalo & Gasperini Arquitetos
    Ltda.e pelo arquitetQ!,PedroPaulo de.Meío Saraiva. A ponte foi                           q~
                                                                                ",            ,.'"
    executada. pela C(:)n~trntora Norberto Odebrecht e o acesso no lado da
    Ilha, pela Construtora·;SinodaSA:    InGoverno do Estado. A Ponte
    Colombo Salles:'1975,;pp.25-26 .




                                       .   o·
119



 404, em 1973, ajudou a impulsionar ainda mais a expansão urbana para
 a região situada a nordeste do centro da cidade que, como veremos
 adiante, começava também a ser ocupada pelas empresas estatais. (Ver
 Figura 22)

                                                                                  '-"'--~       '


          A política de incentivo ao transporte rodoviário teve continuidade e 
                                                                                                     

 foi reforçada no Governo de Antônio Carlos Konder Reis (1975-79) que,                               
                                                                                                         i
 além de eleger como maior prioridade de seu governo a execução do                                       !
 Programa Rodoviário,         definiu como lema de governo, frase bastante
 difundida na época: "governar é encurtar        oisténcies". (51)


          Uma série de rodovias, que possuíam grande interesse turístico e
 objetivavam     dar acesso      a todos     os balneários       ao redor da Ilha,
 começaram a ser implantadas.          Foram iniciadas as obras da SC-401-sul;
,que faz conexão entre o centro da cidade e o aeroporto.                 Contrataram-se
também estudos para as obras da SC-406, rodovia que efetua a ligação
 na costa leste da Ilha, entre os balneários de Ingleses, Lagoa e Pântano
 do Sul, com 47 km de extensão.             Esta obra foi concluída no início da
 década de 80. Desenvolveram-se             também estudos e iniciaram-se as,
 obras da rodovia SC-405 que, com 33 km de extensão, efetua a ligação

 entre o Aeroporto, Ribeirão da Ilha e Pântano do Sul. (Ver Figura 02)


          A mais significativa obra viária do município, iniciada em 1977, foi
-a via expressa denominada Via de Contorno Norte-Ilha. Sua execução
foi definida,     como veremos        adiante,    como    prioritária.     Tomou-se         a


  51 -o   Governo Konder Reis propunha-se, em seu Programa Rodoviário
. Estadual, investir recursos; através de operações de crédito, no valor de "
                         .

  US$200 milhões de dólares no período 1975-79. Deste total foram
                                                                              .
  efetivamente rscebldesze investidos em torno de US$ 132 milhões de
  délares.Jn BORNHAUSEN,.Jorge~Mensagem          à Assembléia Legislativa.
  abri1/1979.
120


primeira via expressa         intra-urbana    a ser construída        na cidade, com
grande importância no processo de organização territorial das classes
sociais em Florianópolis.


                                                                                              ;";/'..

        Durante a execução da Via de Contorno Norte-Ilha, o Governo do
Estado contratou o Projeto de Engenharia da Avenida Beira-Mar Norte
Continental, com 8 km de extensão, e o projeto da Via Expressa Sul,
prevista com 18 km de extensão. Estas duas avenidas não foram até o
momento implantadas (52).


        Deve-se evidenciar que, durante a década de 70, com exceção da
pavimentação da Avenida Ivo Silveira e outros logradouros já existentes,
não foi executada nenhuma grande obra viária na parte continental.
Apesar da alta concentração populacional existente no lado continental
da    cidade,     onde   habitava     1/3    da   população      do    município,   os
investimentos urbanos do Estado foram efetuados, fundamentalmente, na ,-,
Ilha. (53)                                                                   ---------   ~/




52- No final da década de 80, recomeçaram a surgir grandes interesses
de alguns setores sociais e governamentais pela implantação destas
duas avenidas, que, no entanto, em função da nova conjuntura
econômica e política, têm enfrentado obstáculos. Em1989,oex~prefeito                            }   -
                                                                                               J .--.
Esperidião Amin cóhséquíu, sob protestos, aprovar na Câmara Municipal
o projeto da avo Beira-Mar Norte Continental, pretendendo construí-Ia
através de recursos do setor privado. Reportagem do Jornal O Estado
faz a seguinte consideração:
 tiA Beira-Mar Norte Continental é um dos projetos de "impacto" do
prefeito, .. na:ân§ia ,c.tfJ"çem§olidare$truturas perereoeber: turistas em
             >.



Florianópolis, como setoe para a cidade e estímulo à iniciativa privada,
masque: naré.alicJacJese. configura ne entrega de terras públicas, com
retomo muito abaixo do real valor das propriedades." Jornal O Estado,
30/07/1989.

53 - No Censo det~aO;;aparte-continental do município era habitada
por 63.992pesso~s".q~e.representavam         34% do total de habitantes de
Florianópolis. Est~sJja(jostornam-se     ainda mais expressivos se
considerarmos(q~e.â":á~eae()l1ltinentaljcontaeom.    apenas 12,5 km2, que
representa··apenáS;Q',c7:'%'ldottotâUdgterritório municipal. Fonte: IBGE,
.. -....l;. __   . __   -=-   _




2.7 - A transferência das empresas estatais.
                                                                                   121

                                                                                                                           I
       Em meados da década de 70, paralelamente aos investimentos
viários,     começaram          a ocorrer      as primeiras transferências das
instalações estatais para a área nordeste, na direção da Trindade. Entre
as instalações mais significativas, deve-se citar: o Hospital                 Infantil                                     1   !




.Joana de Gusmão (1979), instalado próximo à Casa do Governador, na
Agronômica; a sede da TELESC, Telecomunicações de Santa Catarina
(1974/76); a sede da EMPASC, Empresa Estatal de Pesquisa Agrícola
(1977); o Centro de Treinamento do BESC, Banco do Estado de Santa
Catarina (1979); a primeira etapa do Centro de Ciências Agrárias da
UFSC (1977). Todas estas últimas instituições foram implantadas no
bairro doltacorubi, ao longo da rodovia SC-404, concluída em 1974. (Ver
Figura 22)


       Entre as empresas estatais implantadas na região, a transferência
e a construção       da sede      da ELETROSUL          (1978), numa grande área
vizinha ao campus da UFSC, repercutiu na organização urbana e na
dinâmica imobiliária. A centralização da sede da ELETROSUL em
Florianópolis exigiu a transferência de muitos funcionários e familiares
que, em sua maioria, vieram do Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre.
Naquela época, o alto poder aquisitivo de sua diretoria e de seu corpo
técnico e administrativo e, ainda, o grande número de funcionários, em
tomo de      2.000    pessoas,' contribuíram         para dinamizar o mercado
imobiliário e ampliar o fluxo de veículos na região. (54) (Figura 22)

Dados Gerais .doCenso     Demográfico    de 1980, Arquivo de Setores
Censitários.

54..; Segundo o sn: Datton.Ancrade-dlretcr   da ACEML(Associação
Catarinensede<:Empresas Imobiliárias), ••... o surto do mercado imobiliário
122




       A política econômica do governo de repassar recursos, obtidos a
partir de empréstimos         externos,    além    de financiar     programas      para
execução de grandes obras urbanas, também criou                    programas onde,
indiretamente,    direcionava verbas para expansão de outros setores da
indústria da construção civil. Com características semelhantes, mas com

recursos menores que o PROGRES,              foi criado nos anos 70 o PREMESU
- Programa de Expansão e Melhoramento                 das Instalações do Ensino
Superior -, subordinado ao MEC.           Através do repasse do financiamento
do 810,     coordenado      pelo    PREMESU,       foram    ocorrendo        sucessivos
investimentos no campus universitário da UFSC. No final da década de
70 foi aplicada uma imensa soma de recursos na construção de edifícios
que gerou, no .período 1980-84, a conclusão de 57.417,30 m2 de área

construída no campus. (Ver Tabela 09)


       No final da década de 70 o campus universitário                 da UFSC, na
Trindade, contava com 61.830,74 m2 de área construída.                  A população
que freqüentava o campus da Trindade e o Centro de Ciências Agrárias
no Itacórubi constituía-se de, aproximadamente,             10.000 alunos e 3.000
docentes e servidores. (55)




em Florianópolís começou há 15 anos com a vinda da Eletrosul, que foi
um grande marco, porque atrás dela vieram uma série de empresas
prestadoras de serviço a ela.". Afirma ainda que existiu uma Florianópolis
antes e outra depois daEletrosul, Extraída de entrevista inédita
concedida aos arquitetos Uno Peres e Manoel Andrade, em 1991.

55 - Dados obtidos no Relatório    Geral da UFSC-1979, voU e Relatório
Geral UFSC-1980.
123



2.8 - Análise das repercussões das ações do Estado na dinâmica
imobiliária.




         o   processo de intenso investimento                                                                   estatal na Ilha, durante a
década de 70, privilegiou a área situada a nordeste-leste da península
                                                                                                                           ~
central,     região            que já vinha                                                   sendo        objeto          de crescente             interesse
imobiliário desde a década de 50. (Ver Tabela 06).                                                                               Deve-se ressaltar
que essa área norte-nordeste-Ieste,                                                                       num período de oito                     anos, foi
favorecida pela implantação da Avenida Beira-Mar Norte, da SC-401, da
SC-404 e, principalmente, pela decisão de implantar uma via expressa
conectando toda região - a Via de Contorno Norte.


        Isto não significa que tenham inexistido nas áreas continentais
repercussões destas ações. Algumas das obras viárias do período, em
especial      a execução                          da. Ponte                                     Colombo             Salles,     colaboraram                      para
desenvolver                 a .ocupação dos bairros situados na orla continental sul,
como Coqueiros,                  Bom Abrigo e Itaguaçu. Nesta área, como vimos,
grandes glebas de terra haviam sido adquiridas, já na. década de qQ,
aguardando futura valorização. A construção da Ponte, conectando estas
localidades, à Ilha, ampliou o interesse dosínvestkíores                                                                           pela área,oncie
foram lançados diversos                                             empreendimentos                                 imobiliários     destinados às
classes de mais alta renda.                                                         No período de 1970-79 os loteamentos
aprovados               na área representaram                                                             23% do total          de     loteamentos
aprovadosnomlJnicípiO.(Ver                                                     Tabela 06)


        Esta aproximação de parte das elites pela orla sul continental, no
                                                                .


entanto, nãe,}f~2~:ziH;~ap(im~:zia que a ocupação da r~giãpsi.tu~d~,;(3
norte/norde$teqêiê(~él;,c,efltral
             ..::<'.' "-".,,.<-,- ". ~':"
               -',"i'   ,          ,'''''7 .~ _' ,_:.,: "."'-y·':-_·"·'-"'f_.:.'_
                                                      _
                                                                                    .da cidade, na ..lIha, desfrutava juntºªQs
                                                                                    '- .. '     o"~ _.:         -    -:'  -c:· ~.:..r·;::'·;':;:.;
                                                                                                                                          ':';.   -:_":-'::;;-
./

                                                                                              -             ~;~
                                                                                          -_. _.-.--'-:"~-.;:~




                                                                                    124


 setores hegemônicos das elites. Os investimentos estatais efetuados e
                                                                                                            " .--.....

 previstos na região norte/nordeste da área urbana, em especial os                                              : -.......•.
                                                                                                                •..

 viários, vieram a íncrernentar os interesses imobiliários na área.

                                                                              ·_------~                    ~~~
         A quantidade de loteamentos aprovados na área da Trindade                                 ~_.",
 obteve um leve crescimento, passando de 27% ria década de 60 para                                    I
                                                                                                      I




 29% do total de lotearnentos aprovados na década de 70. Deve-se                                          ..:

 considerar, no entanto, que as glebas            loteadás    na região      possuíam                 I     <2"'-


 grandes dimensões, vindo a reorganizar os bairros da Trindade, Itacorubi,                            I ,e'"
                                                                                                      I $;~
 Córrego Grande e Pantanal. Entre estes loteamentos deve-se citar: o                              I '
                                                                                                  f
 Jardim Santa Mônica, loteado pelas Irmãs da Divina Providência (1970);                           ! - {,,-
                                                                                                 !
 o   Parque     São       Jorge          ell     (1973-82);    o    Jardim      Cidade
 UniversitáriafTercasa (1973); o Jardim Flor da Ilha I e 11 (1974-81); e o
                                                                                                                ~;~
                                                                                                            .~:~h
Jardim Anchieta, loteado pelos padres jesuítas (1975), (Ver Tabela 06 e                                         &    i-
                                                                                                                '~J--..,

Figuras 21-a, 21-b e 21-c). A ocupação destas áreas não foi imediata,
ocorrendo com' maior intensidade a partir do final, da                  década de 70.

Deve-se considerar ainda que, no decorrer da década de 70,a
acessibilidade para a região ao redor do carnpus universitário ainda era
precária, existindo um maior fluxo de veículos' com o centro da cidade                        I
                                                                                              í~
                                                                                                                ·t:l~
pelo contorno sul,        através do PantanallCarvoeira e Saco dos Limões.                   I                  ~
Esta situação só iria se alterar com a implantação da Via de Contorno                        !
. Norte-Ilha no final da década.--~/                                                                            1'"

                                                                                                                '~J",


       Entre os indicadores           da ampliação destesiriteresses       imobiliários
por esta região, um dos mais expressivos são fornecidos pela Tabela dos
Desmembramentos aprovados no período. (Ver Tabelas 07)


       A aprovação da Lei N.01215, de 1974, que                    regulamentou os
                      ,           ,




Lotearnentos, . Desmembramentos                e Arruamentos       de    Florianópolis,
125



reduziu as solicitações de aprovação de loteamentos junto à Prefeitura
Municipal.     A nova legislação urbana definia, para a execução de novos
loteamentos, exigências até então inexistentes. Entre os novos requisitos
constava a obrigatoriedade            de dotar os loteamentos de áreas verdes,
equipamentos urbanos e comunitários, circulação' e lazer, que deveriam
representar, no mínimo, 35% da área total da gleba (56). Regulamentava,
também,       as    dimensões         de        vias     de     circulação,      quadras,       lotes,
declividades, além de exigências relativas aos projetos técnicos.


        Esta nova legislação, a Lei N°.1.215/74, que pretendia disciplinar o
processo de ocupação e parcelamento do solo em Florianópolis, reduzia,
evidentemente,         a    margem         de     lucro       dos     promotores        imobiliários;
impelindo-os       a       procurarem           outros        meios       de     executarem        os
parcelamentos       do solo e os empreendimentos                        (57). A legalização dos
parcelamentos,       através dós desmembramentos,                        passou a ser um dos
meios mais utilizados a partir da metade da década de 70.


        Os desmembramentos,            considerados subdivisão de áreas urbanas
com     aproveitamento           do   sistema          viário       existente,    não     possuíam




56 - Ver Artigo 15, item 1, da Lei N°. 1.215174. Este artigo sofreu,
posteriormente, diversas alterações, através da Lei N°. 1.330175 e
também do Decreto N°. 135177. Este último definia o percentual de 35%
nas zonas urbanas e 45% nas zonas de urbanização prioritária. Na
década, de 80, alguns artigos deste Decreto foram alterados pela Lei N°.
2.193/85.

57 - Deve-se considerar também a aprovação em 1979 da nova lei
federal de loteamentos, a Lej'N0.6.766179,a qual instituía pesadas penas
para o loteador cl.éln~~stino .€:!, para os donos de cartórios que
registrassem'loteamettos     clandestinos, alémda possibilidade legal do
comprador sus~~f,,~lP~9J~!"fIe.ntQ"   ~019t.e.ador para depó~ito em juizo, Esta
lei' federal garãritiú êbnáiÇõêsparà quê' instrumentos legais, como a Lei
NO.1.215174,.çon§~g~t§§~rn9m~rgfi~~ia,             diminuindo o número de
loteamentosclantléstlnds     e  iITég'dlárés: .: .      .
~    ..   r-; .-.      . .. , -~   ~'-"";;3:-

                                                                                                                            ..   _._._~...


                                                                                                                      126



regulamentação                   tão rigorosa                          como a dos loteamentos             e garantiam                      ---",
comercialização total da propriedade.


      Este fato é confirmado pela redução do número de loteamentos
aprovados e, ao mesmo tempo, pelo excepcional aumento no número de
desmembramentos                         aprovados a partir da segunda metade da década de
70 (Ver Tabelas 07). No período 1971-76, foram aprovados, em números
absolutos,        11             solicitações                          de    desmembramentos            no-~'~município,

ampliando, no período 1977-81, para 337 desmembranientos                                                    aprovados.
Deve-se notar, no                        período 1977-81, o grande número de solicitações
                                                                                                                                              .-,
efetuadas        no setor nordeste/leste                                      da área     urbana    e também         nos               e.
                                                                                                                                       '-'o
                                                                                                                                                  '-_




                                                                                                                                       -. ~
balneários norte, que representava, respectivamente, 35% e 26% do total                                                                -      -

dos desmembramentos aprovados em Florianópolis.


      É interessante                          evidenciar                    também   que 9 grande          número     de
desmembramentos solicitados na região nordeste/leste, período 1977-81,
coincide, exatamente, com o início da execução da Via de Contorno
Norte, que, não casualmente, foi implantada ao longo destes bairros.
                                                                                                                                         th
      As     diversas                    leis                urbanas         aprovadas    paralelamente        a     este
                                                                                                                                        ~h
                                                                                                                                         ~-
crescimento            dos              empreendimentos                         imobiliários,      da    indústria    da
                                                                                                                                           ~~·~t
                                                                                                                                           y/"',
construção civil e da rápida expansão urbana, propunham-se a restringir
os   abusos        e          a         regular                    o    processo     de   expansão        urbana      em
                                                                                                                                              0"
desenvolvimento,                       assim como a preservar setores da cidade onde se
instalavam as populações de mais alta renda. Foram aprovados, como
vimos, a Lei N°.1.440/76 (Plano Diretor), a Lei N°.1.215174 (Loteamentos,
Desmembramentos                          e Arruamentos)                       e a Lei N0.1.246/74 (qódigo             de
             >

Obras), baseados nos ante-projetos de lei elaborados pelo' ESPLAN.--A .'

Lei que regulamenta os condomínios foi elaborada em 1978, Lei N°.
127


1.566/78. É importante ressaltar também a criação do IPUF, Instituto de
Planejamento Urbano de Florianópolis, pela Lei N° .1.494/77, cujo corpo
técnico passou a elaborar o planejamento urbano-municipal.


        No período posterior à   aprovação destas leis urbanas," foram
surgindo alterações elaboradas       pelo poder executivo e legislativo
municipal que representavam o relaxamento ou a revisão das medidas
aprovadas. Muitas das alterações efetuadas nas leis, como veremos no
Capítulo 3, vieram a garantir a implantação da Via de Contorno Norte-
Ilha.
                                                                         ----   .... ,

                                                                                     '
                                                                                         
        Durante a década de 70, portanto, foram se reproduzindo os                           i
                                                                                             I
                                                                                             I

empreendimentos imobiliários na região situada a norte e a nordeste da
                                                                                         I
                                                                                         f
área central e nos balneários ao norte da Ilha, em especial loteamento~ e                !




condomínios dirigidos aos setores sociais de mais alta renda. Ao mesmo
tempo,    o   Estado   desenvolveu   ações   nestas   áreas, através   da
transferência das instalações estatais, das. definições na legislaçã()
urbana, dos investimentos urbanos e da execução das obras viárias que
                                                                 .'    -.-:,~'~ I
incentivaram o processo de transferência das camadas de altax~~ncta                 I
para estas regiões, culminando com a implantação, no final da década,             i
                                                                                í
da Via de Contorno Norte-Ilha.                                   ~_~_~
-.,
                                                                                                                                                                                                                      ...
                                                                                                                                                                                                                       r

                                                                                                                                                                                                                        -...---.....




CAPÍTULO 3


A VIA DE CONTORNO NORTE-ILHA
                                                                                                                                                                                       •
                                                                                                                                                                                           •


        Durante a ié~;a<ta'''der7j~t
                                    consolidou-se a ocupação .espaci.êl, pelo
                                                                                                                                                                              o
setor hegemônico das elites, . na direção da avenida Beira-Mar Norte '.~-•..
                                                                  .""
                                                                      e
nos balneários situados ao norte da Ilha. Iniciou-se também a ocupação
por faixas populacionais de mais alta renda de algumas áreas próximas
ao campus da UFSC na-Trindade,                                                                                                                  a partir dos investimentos estatais e                                    .     .~

dos loteamentos e condomínios que ali vinham sendo implantados.

                                                                                                                                                                                                                        { --/'"'


        Neste processo                                                                  de ocupação"                                                     tiveram     grande         importância: as
                                                                                                                                                                                                                "   ,   sÓ.
                                                                                                                                                                                                                        t,,;::~
diversas          obras                              viárias
                            executadas pelo Estado, que garantiram
                                 '"--     ''-'---'- ...•. _.. .... --~ - •.. -..-~-., .. _-..••....".•.......,..--._    •...                                  -..    :"...                         '.""


acessibilidade a estas áreas da Ilha. A Avenida Beira-Mar Norte facilitou                                                                                                                                               ~,
           -.--     .-   ••• _,   •• ~ ••.•   "   ••• ""' ..•••••••••   o"••.   0'" -~-.L_ ~.' ~~,.,.~         .::!I-- ... :~-:'" -:. '
                                                                                                                         _                : •.. ,,:,                                           •



o acesso à área norteda                                                                        península, enquanto que as rodovias SC-401,                                                                              'h
                                                                                                                                                                                                                        .{,"


                                                                                                                                                                                                                        {~,;,.i--....

SC-402, SC-403 e a SC-404 permitiram                                                                                                                           a ocupação           dos balneários
situados ao norte da Ilha e na área da Lagoa da Conceição. Em meados                                                                                                                                                    -:~"'h

                                                                                                                                                                                                                        (~~
da década de 70, interessava                                                                                                         às elites melhorar                           as condições             de
acessibilidade                                às                           regiões                            onde                                     pretendiam       localizar      suas        áreas                 li
                                                                                                                                                                                                                          ,"--

residenciais e seus balneários. Privilegiavam as seguintes obras viárias:                                                                                                                                                t~~
                                                                                                                                                                                                                         t
                                                                                                                                                                                                                         tJ~
1. a ligação viária entre a Av. Beira-Mar Norte e as pontes de ligação'                                                                                                                                                 ~~
                                                                                                                                                                                                                         r-r-;
                                                                                                                                                                                        .~
Ilha-Continente na área central da cidade;
._------_._-_._._.----._.~.---~-.;......,....~~-------------....,---
                                                                                     .-."   .~- .----'~   -'---




                                                                                                                     129




       2. a conexão viária entre a Av. Beira-Mar. Norte e a bifurcação das
      rodovias SC-401 e SC-404, no Itacorubi;

       3. o acesso viário da área central da cidade à região do campus
 r
      universitário, na Trindade.


             Destes três trechos viários citados, os dois primeiros constituíam
      extensões para servir, durante o verão, à população que utilizava os
      balneários localizados no norte da Ilha. O acesso do centro da cidade à
      região do campus da UFSC, na Trindade, podia ser efetuado por dois
      percursos: a) pelo contorno norte do Morro da Cruz, através do bairro
      Agronômica; b) pelo contorno sul, através do bairro do Saco dos Limões,

,0    que dava acesso ao campus pela Carvoeira ou pelo bairro Pantanal. O
      percurso pelo contorno sul, através do Saco dos Limões,por ser menor e
      mais rápido, apresentava,                              na época, o maior fluxo de veículos.                    No
      entanto,   estes antigos acessos, em função da implantação do campus
      universitário,          das demais instalações estatais e dos emprendimentos
      imobiliários na região da Trindade, tornaram-se                          precários e insuficientes
      para atender ao novo tráfego.


             O aperfeiçoamento dos acessos rodoviários da área central a estas
      regiões estava previsto, como vimos, no Plano de Desenvolvimento
      Integrado e no Plano Diretor de Florianópolis através de duas vias: ao
      norte, pela implantação da continuidade viária da Av. Beira-Mar Norte e,
      ao sul, pela Via Expressa Sul. Em função das determinações                                                  destes
      planos, que definiam prioridade para a execução da Via Expressa Sul,
      havia o entendimento. de que o acesso do centro da. cidade para o
      campus universitário. seria efetuado primeiramente                         pelo lado s1JI,através
                   .   '   .. ~":';~-- ~.;.-; ,. : -..;:.,

      de uma derivaçãodaviaexpressa.
16'




I
                     ~------
      ~--------~~--~~--                                                          ~                          ~



                                                                                         130




               Durante a implantação do Aterro da Baía Sul ~ da Ponte Colombo
        Salles,   o Governo Estadual        assinou convênio com o DNER/Secretaria
        dos Transportes,       com    interveniência    da Prefeitura     Municipal, ,.para            ::~


        execução do sistema viário da Ilha e dos projetos de engenharia, às
        custas dos recursos do PROGRES.            Neste convênio, celebrado em 1973,
        portanto, antes da aprovação do Plano Diretor pela Câmara Municipal,
        'previa-se a execução das seguintes obras:


               ... "0 prolongamento da Avenida Beira-Mar Norte até o campus
               universitário, o túnel do Penhasco, optativamente pela orla
               marítima, prolongando-se até o aeroporto, com derivações
               para o Gampeche e, novamente, para o campus universitário.
               Nos termos do convênio retro mencionado, cabe à Prefeitura
               Municipal, a construção da via de ligação com a Praia do
               Gampeche. A ponte sim, porém o acesso à BR-101/SG não.
               As obras viárias do continente fazem parte da BR-282, cujo
               marco zero foi fixado na cabeceira oeste da nova ligação ilha-
               continente." ,(1)


               Deve-se observar que, até aquele momento, não estava prevista a
        implantação de uma via expressa ao norte da área central da Ilha, mas
        apenas do "prolongamento         da Avenida Beira-Mar Norte até o campus                            .,.-r--,

        universitário",   conforme o Plano de Desenvolvimento              Integrado    (Ver
        Figura 17-b). Não foi considerado neste primeiro convênio o trecho da


        1 _ Trecho do ofício NO.5009174, expedido pelo Engenheiro Chefe do 160. Distrito
        Rodoviário. Federal do DNER, Altamiro da Silveira, e encaminhado ao ESPLAN.
        Nessa época ocorria uma certã polêmica entre os diversos setores envolvidos com a              .     ',....,
        implantação do~sistemavi;3!Ío;que debatiam sobre a conveniência da Via Expressa                      ;
                                                                                                            ',....,   -
        Sul transpor o Morro do' Penhasco (Morro da Cruz) através de túnel, confqrme o
                                                                                                           ;J
        plano do ESPU>.N;';:ou.···ãtravésdocontornodo  morro pela orla marítima. Esta última               '~   "

        opção era ostensivamente rejeitada pelo ESPLAN. In ESPLAN/BESC                                 .
                                                                                                           ~+-,
                                                                                                            i



        Empteendil11entos'e tún~rrió:iM6dUloIndutor-Setor Oceânico Turístico da Ilha de                    ~
                                                                                                           Y",


        Santa Catarina.Projeto    prioritárioNoA. Memorial, 1974, voiume1, pp.8-10.                         ,
                                                                                                           .3
                                                                                                            ,'"
                                                                                                       .~
                                                                                                   ,            "'"
                                                                                               ',·>',,,,'1
131




BR-282 - ligação entre a Via Expressa Sul, a Ponte Colombo Salles e a
BR-101     - que atravessaria        a parte      continental,    mantendo-se    os
investimentos destes recursos do PROGRES apenas nas obras viárias
da Ilha.


      Até 1974, ainda que o Plano Diretor não estivesse aprovado, os
órgãos     estaduais    responsáveis      pelas    intervenções    viárias   vinham
absorvendo as determinações              deste Plano e do Plano Integrado,
inclusive a que definia prioridade à construção da Via Expressa Sul,
entendendo-a como a única via expressa constante do plano.                       A
prioridade    na      execução      da    Via     Expressa   Sul     desagradava,
principalmente, as frações da classe dominante que pleiteavam a
conclusão das conexões que iriam melhorar a acessibilidade                      aos
balneários do norte da Ilha.




3.1 - O Estudo de Tráfego da Via de Contorno Norte e da Via
Expressa Sul.




      As mudanças no Governo do Estado e na direção dos diversos
orgãos, em especial, no DER-SC, vieram a alterar as prioridades. Em
1975 a Secretaria dos Transportes e Obras e o DER lançaram o Edital
de Concorrência N°; 20/75 para que fosse efetuado o Estudo de Tráfego
de duas vias expressas, da Via de Contorno Norte e da Via Expressa Sul
e,"também, para execução do Projeto Final de Engenharia da Viade
Contorno     Norte;    Entre   as   determinações      definidas    pele, .DER ,e
apresentadas no Edital N°.20/75, deve-se ressaltar as seguintes:
132




        1. A execução destas duas vias expressas objetiva prover a Ilha de Santa                    '"
        Catarina de vias de fluxo rápido para atender à demanda de veículos
        gerada e atraída pelos pólos localizados     no Continente, no Centro da
                                                                                ,.
        cidade, nos balneários ao norte e a leste, no campus universitário e no
        Aeroporto. Pretende, ainda, solucionar os congestionamentos       existentes
        no contorno norte do Morro da Cruz, na Rua Frei Caneca;
        2. Os Estudos de Tráfego deverão ser desenvolvidos        de forma a servir
        tanto para o Projeto Final de Engenharia       da Via de Contorno Norte,
        objeto do contrato, como também para o da           Via Expressa Sul, a ser
        colocado em licitação;

        3. O estudo        de capacidade   dos   sistemas    deverão   considerar     o
        estabelectrnento    da categoria funcional de Vias Expressas para estas
        duas vias;
r   f 4.   A Via de Contorno Norte será a primeira a ser executada, devendo,
    I para as estimativas do tráfego futuro, ser utilizado     o ano meta inicial de
                                                                                                   "




     1978 .para a Via de Contorno Norte e o ano meta inicial de 1981 para a
        Via Expressa Sul;
        5. Será destinada, na Via de Contorno Norte, uma faixa de tráfego para                   ~.,j",

        uso exclusivo      de ônibus. As novas pistas desta via expressa       serão              'j~


        utilizadas para o tráfego de passagem eo tráfego local será retido nas
        ruas e avenidas existentes;
        6. A Via Expressa Sul, que possibilita a ligação do Aterro da Baía Sul,                         ,-

        pelo contorno de José Mendes, até o Saco dos Limões e Pantanal e daí
        para o leste e o sul da Ilha, com derivação para o campus universitário e                   .J
                                                                                                        ~

        o Aeroporto, não necessita, a partir do Saco dos Limões, "das m€!smas
        medidas queo trecho anterior r por atender   a áreas com menor solicitação                 .,."
                                                                                           ."·(~1
        de tráfego";                                                                       .   ~ - ------.
                                                                                                 ~-
                                                                                                 __
                                                                                                  3
133


                                                                                          .;


7. A análise do sistema viário e da demanda pesquisada deverá indicar o
                                                                                           !
dimensionamento adequado das vias considerando-se o tráfego existente
e o projetado.


       A empresa COPAVEL S/A elaborou durante o ano de 1976 os
Estudos de Tráfego,            primeira parte do contrato do Projeto Final de
Engenharia       da      Via    de   Contorno       Norte,   trecho     "Nova    Ponte-
Entroncamento          SC-401/SC-404,          e    Derivação    para     o     Campus
Universitário'fs).    Seguindo as determinações do Edital e as Normas de
procedimento         do DER-SC, os estudos apresentaram               uma     etapa de
levantamentos e caracterização da situação atual e, uma segunda etapa
onde se desenvolveram as estimativas do tráfego futuro.


       Partindo da definição de um zoneamento da região em estudo e
das áreas de influência das vias expressas, a empresa consultora efetuou
uma série de levantamentos            sócio-econômicos       destas áreas e, ainda,
pesquisas de tráfego que serviriam de apoio para alocaçãoeprojeção                  de
tráfego   das    vias.    Destes     estudos       interessa-nos,· em especial,     as
pesquisas de tráfego, as previsões, as recomendações e as análises dos
resultados,     que nos permitem confrontar a situação e as demandas
existentes com as intenções e os investimentos viários previstos. (Ver
Anexo 02)




2 - A empresa, COPAVEL S/A'" Consultoria de Engenharia, vencedora da .
concorrência, assinou com oDER-SC o contrato PJ-072175, para a elaboração do
Estudode Tráfego<eido·projetb:Final de Engenharia da Via de Contorno Nol1:e::O
Estudo de Tráfego foi concluído em setembro de 1976. O Projeto Final de
Engenharia foi concluídoem fevereiro de 1978. Ver: DER-SC/COPAVEL S/A.
Projeto de Engenharia. Relatório Especial de Estudo de Tráfego. 1976, 357pp.
---_._---_   .... _---------- .._.   __ ..   _.   -----   - .__   ._-~.



                                                                                                                      134                  ~




                        As pesquisas de tráfego consistiram de: a) pesquisas de origem e
      destino,                  nos dias úteis e finais                          de semanas,     para caracterizar     os
      deslocamentos;                                          b)    contagens   volumétricas    classificatórias,    para
      complementar as pesquisas dos postos de origem/destino;                                               c) avaliação
      dos tempos de percurso em trechos de interesse para os estudos de
      traçado. Esta pesquisas foram realizadas na segunda quinzena de janeiro
      de 1976, portanto, período de férias escolares. Este fato exigiu que as
      pesquisas fossem "complementadas                                             com estimativas     das viagens de
      escolares,                        a partir do levantamento                    do número de matrículas         e da
      localização dos principais palas geradores desse tipo de tráfego: áreas
      residenciais                                e de trabalho,           e áreas onde se situam as instituições
      escolares." (Estudo de Tráfego, 1976:53).                                                                                             -'o




                       Organizados                                os diversos componentes   que intervêm nos pontos
      estudados, foi elaborada a quantificação do volume de tráfego existente                                                  ·"0

                                                                                                                                  .. r>.
      nos 13 locais avaliados. Para efeito de comparação entre os fluxos do                                                   ~.j
                                                                                                                               '1'
      contorno ao norte e ao sul do Morro da Cruz, considerando, inclusive,a                                                   0
                                                                                                                               .:      ~-
      especificidade                                 da época da pesquisa, devem-se ressaltar os seguintes                     ::jr"



      volumes de tráfego: a Rua Delminda Silveira,                                              no contorno norte do
                                                                                                                               {L
                                                                                                                              .-f~~.
                                                                                                                              '-C.';:'r--,
                                                                                                                                  :    ..
      Morro, na Agronômica, apresentou o total de Volume Diário Médio (VDM)                                                    ,~,-""


      de 14.934 veículos (13.908 de automóveis,                                             267 de ônibus e 759 de
                                                                                                                               , ..   -:~
                                                                                                                               1;
                                                                                                                               "-~
      caminhões) e o VDM do tráfego do contorno sul do morro, pelo Bairro de
                                                                                                                               ~'j
      José Mendes, foi                                            de 9.455 veículos (8.180 automóveis, 616 ônibus e            .      ./"
                                                                                                                               :.       "-
                                                                                                                                  -'r--
      659 caminhões).                                             Por outro lado, do VDM de 16.171 veículos que                ',:..;.
                                                                                                                                      .r-
      contornavam                                 o norte do Morro (Agronômica),               a grande parcela que           . )
                                                                                                                                    r-.
                                                                                                                               : I
                                                                                                                               .. J
      dirigia-se para os. balneários norte e leste representavam,                                          pelos dados            .,~ ,.
                                                                                                                              ~:
                                                                                                                               ' ....
                                                                                                                                   1'
                                                                                                                               :i~

      levantados na Estrada das Três Pontes (av. da Saudade), o-total de                                                      '~~~
                                                                                                                                    .;,,~
                                                                                                                              (.j
                                                                                                                                ."
                                                                                                                             (.:j
                                                                                                                            . 'r~     --:r'----
                                                                                                                              .••.;J-
                                                                                                                                        ~
                                                                                                                              tJ
                                                                                                                              f
                                                                                                                                    -.f'
                                                                                                                                    :i.&..._
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                                                               ••...... "".- _~.~




                                                                                         135




9.414 VDM (8.781 automóveis, 175 ônibus e 458 caminhões), ou seja,
63% do total. (Ver Tabela "Volumes de Tráfego Existente", Anexo O~)
                                                     -.

      Em relação ao fluxo de veículos atraídos para a região do campus
                                                                   "
universitário, os estudos de tráfego indicavam que os veículos que se
dirigiam   para o campus pelo lado norte, através          da Rua Lauro
Unhares, representavam um VDM de 3.907 veículos (3533 automóveis,
86 ônibus e 288 caminhões). O veículos que se dirigiam     ao campus pelo
lado sul, passando pelo Saco dos Limões, podiam alcançar o campus
através de dois acessos:    pela Rua Capitão Romualdo de Barros
(Carvoeira),   que apresentou   VDM total    de 3.787 veículos                        (3.072
automóveis,    411 ônibus e 304 caminhões)     ou pela Rua Deputado
Antônio Edu Vieira, que apresentou total de VDM de 2.841 veículos
(2.442 automóveis, 174 ônibus e 225 caminhões). Portanto, a quantidade
de veículos que se dirigiam à região do campus pelo lado sul do Morro
da Cruz representava um total VDM de 6.628 veículos. (Ver Tabela
"Volumes de Tráfego Existente", Anexo 02)


      O maior volume de tráfego para o campus universitário através do
contorno sul já era esperado pois, apesar das difíceis condições dos três
acessos viários, o percurso desenvolvido    pelo Saco dos Limões era o
menos extenso e o que exigia o menor tempo. Este fato foi confirmado
nos estudos que avaliaram o tempo de percurso, que indicaram que o
tempo médio gasto pelos automóveis entre a cabeceira da Ponte Hercílio
Luz e o campus, pelo contorno        norte, era de 13 minutos e 45
segundos, enquanto que o tempo         médio   dos automóveis                       .entre .a
cabeceira da Ponte Colombo Salles e ocarnpus      pelo contomó.súlera
de 9 minutose_45'.segundos.      Através de ônibus o tempo médio~(tÉr
-
                                                                                     ~---
                                                                                    ".
                                                                                                "
                                                                                            ".: ~
                                                                                     ._.;.--~ ..


                                                                                        "'-'"-~:~

                                                                          136



percurso também indicava uma diferença semelhante:            os ônibus que

faziam o contorno norte utilizavam o tempo médio de 19 minutos e 15
segundos e aqueles que faziam o percurso sul, utilizavam o tempo médio
de 15 minutos. (Ver Tabela "Tempos Médios de Percurso", Anexo 02)


       Em função das exigências do DER-SC de estabelecer a categoria
funcional de via expressa para a Via de Contorno Norte e, ainda, de

dotá-Ia de     uma faixa de uso exclusivo       de ônibus, _os estudos de
capacidade deste sistema definiram a seguinte proposição: o projeto da
Via de Contorno Norte seria "caracterizado por uma via expressa, com
três faixas de tráfego por sentido, uma dessas para uso exclusivo de
ôntbus,-inexistência de acostamentos e controle parcial de acesso ... -suas
faixas de tráfego foram dimensionadas com a largura de 3,60 m. " (Estudo
de Tráfego,1976:260).   Estes estudos previam também que as pistas da
via expressa deveriam estar separadas das vias de trânsito rápido local,
inclusive, ao longo da Av. Beira-Mar Norte.


       No dimensionamento      da Via Expressa Sul, "Ievando em conta
indicações fornecidas pelo DER-SC para a rodovia, partiu-se da -hipótese

de tratá-Ia como expressa desde seu trecho inicial na Ponte Colombo
                                                                                             -       ,------.
Salles até o Pantanal e daí até a Cidade Universitária, e, do Pantanal
para o Campeche e a derivação para o Aeroporto            em pista simples,
                                                                                            .:::-    ..
impondo-se    o acostamento     plano ...". Sobre   as alternativas    para a

transposição do morro, o relatório indicou que, para efeito deste estudo,
não haveria diferença "seja por um túnel indicado nos Planos ...da
Prefeitura   MuniCipal-de   Florianópolis,   seja pelo   Contorno     de José
               .....•
                                                                                                    -/'


Mendes, em aterro pela orfa da Bete Sul, como fornecido peib DER-Se
para a diretriZda,rocJovia, porquanto não haverá interferência do tráfego
137




 local na ligação desses nós ... as ligações de José Mendes com o centro
 e continente, são mentides na via existente, aestineae exclusivamente ao
 tráfego local." (Estudo de Tráfego,                    1976: 303). Por outro lado, nas

conclusões o relatório demonstra uma inclinação para a solução definida
 pelo túnel que, até aquele momento, não tinha apoio do DER. (3)


         Entre as recomendações finais, a empresa consultora ressaltav
que,     das      categorias       de     veículos       que     compunham            o tráfego        de
Florianópolis,       o automóvel apresentava 90% de participação, devendo,
pelas projeções efetuadas, manter valores semelhantes                              até a década de
90. Evidenciavam que, "mesmo evoluindo a taxas de crescimento baixas, .
o tráfego de automóveis                 deverá, ao final do século, impor granqes
solicitações         ao     sistema        de      ligação       da     Ilha     ao      Continente".
Recomendavam               que,     apoiados        num      Plano      Diretor,      deveriam        ser
estabelecidas           estratégias      para     o desenvolvimento               de um sistema
eficiente      de transportes           de passageiros,           podendo,        inclusive,     serem
considerados         "sistemas de maior capacidade do que o transporte por
coletivos (6nibus)". (Estudo de Tráfego, 1976:351-352)


         Nas conclusões do Estudo de Tráfego, são indicados os trechos
das duas         vias     expressas        que deveriam            ser atendidos . paralela             e
prioritariamente:


3 _ liA transposição de José Mendes, seja por túnel, ou aterro na orla da Baía Sul, é
 questão em ouecontrovérsiespere             seleçãO da:alterhativa eedoter, talvez venha a
 exigir muito mais do que uma análise econômica ... Sob o ponto de vista do tráfego, o
.túnelapresentEifá vántagehs'porpermitir           soluçõeS mais expontâneas paiaás                -
 intersecções ~ §~rel'/lproj~Jad.as (..).0 que traduzir-se-á emreduçêo deçustqsde
 operação,'a lôrigo.ófcizo":'Ndel1tanto,        evidenciam que i·... ambas(soluçõ~s)"             ...' .
 apresentarã.p.. ~lJ{5tq$,.yqi(f3ri.o~,e,{e,~açJo.s·:..ainda, que o.utrC!.~a$pl3çto$.r~~ji,~fIYmJ1~.
                                                  e,                                    i
 avaliaÇão, PÓI~,;t iél s8iiú/ãiYpelocorttomoem
                    •.                                    aterro," airrdi3:q(jeâicaÍ1&eexq'iilêl1t~"""
 tratamento visua1i"nã.o P9cJf?rf!dei~ar de retirar as características naturais da f3npqsta.,"
 (Estudo de Trife-~Jo: 1976: 353)'                                                 '. '       .""     '. ,
----- 0---- ---_   -o----=-"'~~--~==-----------------~,C

                                                                                                                           138




    ~,




         "Na Via de Contorno Norte, a ligação da avenida à - Ponte
                                                  --.     .~---~- .. --_._----                           -



         Colombo Setles, o trecho da altura da Avenida Mauro Ramos
         atéiiEstrad~- das Três p~nt~~, e daI até a;;;f~;caç;o-da
                                                 ." ..   --                    .--   -'   ....   --"..
                                                                                                             -ic=
                                                                                                             ------
                                                                                                                      0-




         401/SC-40i:f.,;oO                                                                                                                '~




         Na Via Expressa -Sul, a transposição de José Mendes e a"
         derivação para a cidade universitária." (Estudo de Tráfego,
         1976:354)


         É interessante             notar que a maior              parte    dos trechos                         viários
recomendados                 como prioritários           pelo Relatório do Estudo de Tráfego
coincidiam            com      aqueles   pleiteados           por setores     das                elites               para   I
aperfeiçoar o tráfego para os balneários ao norte da Ilha, a península                                                           i
                                                                                                                                 I
norte e para a área da Trindade. Nestas regiões, como vimos,                                                 situavam- '
se grandes interesses ímobüiános e também desenvolvia-se                                            a ocupaçã-o _
pela população de mais alta renda.


         o Estudo            de Tráfego justificava estes resultados evidenciando que                                            ckvA--        o"

as variáveis sócio-econômicas                (população, famílias com renda superior,
frota de automóveis,                empregos             de renda superior,     índice diário de
construção, matrículas em cursos médio e superior, comércio e serviços,
etc) utilizadas nas correlações, e que caracterizavam                          as diversas zonas
de tráfego; eram variáveis que exerciam: influência na produção e atração-
de tráfego.            Depois de estabelecidas                as correlações         no conjunto de
matrizes e equações utilizadas, algumas destas zonas, ondesituavah1-se
as populações de mais alta renda, aprésentaram as maiores projeções
de crescimento               de tráfego gerado, exigindo, portanto, as íntervenções
mais imediatas. (Estudo de Tráfego,1976:147-175).                           Em outras palavras:
                                                                                                                                          '~,,{
as áreas onde habitam e trabalham as populações de mais'aitaterida
                                                                                                                                          C~~
são as áreas que apresentam                      maior quantidade de tráfego geradO e
_   ..   _---------_._-------~~---~----------------
                                                                      139




tráfego atraído, principalmente de automóveis, apresentando, portanto,
maior projeção de crescimento de tráfego e maior premência de obras
viárias.




3.1.1 - Considerações sobre o Estudo de Tráfego.




      A avaliação do Estudo de Tráfego exige que se efetue duas
ressalvas aos procedimentos da pesquisa que se mostram importantes
pois poderiam vir a alterar os resultados obtidos.   A primeira delas diz
respeito à época de realização da pesquisa de tráfego, na segunda
quinzena de janeiro, período de férias escolares. Este fato altera      a
quantidade do tráfego. de veículos na região da UFSC quando não
apenas os alunos encontram-se em férias, mas grande parte do corpo
docente e de funcionários. A adequação proposta pela            .empresa
consultora, de complementar a pesquisa com estimativas das viagens
escolares, não consegue garantir exatidão dos dados, seja na.localização
da origem do tráfego, do percurso ou mesmo no tipo de transporte
utilizado para os deslocamentos.     Por outro Iado.. durante o verão,
ampliava-se consideravelmente o tráfego de veículos na Rua Delminda
Silveira (Agronômica) e Rua das Três Pontes (Av. da Saudade -
Itacorubi), acesso principal para os veículos que se dirigiam para os
balneários ao norte e leste da Ilha. As alterações do Volume Diário Médio
(VDM) entre o período de alta e baixa temporada            são bastante
significativas, sendo importante que -tivesse ocorrido. o .Ievaritamento
destes dois períodos para uma projeção mais precisa. (Ver avarlaçâo do
VDM durante o ano nas Tabelas 10, 11 e 12).
140




       Deve-se       ressaltar    no entanto          que,   mesmo   considerando     a
inadequação da época da pesquisa, os acessos pelo lado sul do campus
universitário apresentaram VDM bastante superior, tanto de automóveis
                                                                                 "
como de ônibus: os acessos pelo sul apresentaram volume diário médio
de 5.514 automóveis e 585 ônibus enquanto que o acesso ao campus
pelo norte apresentou volume diário médio de 3.533 automóveis e de 86
ônibus. (Ver Anexo 02)


       o segundo     aspecto que precisa ser esclarecido é que, por não ter
sido solicitado pelo DER-SC, todo o Estudo de Tráfego desenvolvido pela
COPAVEL não considerou a possibilidade de implantação de programas
como o do Setor Oceânico           Turístico,        no Campeche.    Este programa
integrava o Plano Diretor, que se encontrava em debate na Câmara
Municipal e que foi aprovado no período de conclusão do Relatório. No
Estudo de Tráfego considerou-se a importância da Via Expressa Sul não
pela sua conexão com o Campeche                      mas, principalmente,   pela sua
solicitação no trecho que liga o centro da cidade ao campus da UFSC. O
Estudo evidenciava,     por outro lado, que o trecho da Via de Contorno                     ..~

Norte que liga a Av. das Três Pontes (Av. da Saudade) ao campus
universitário   "não terá maior   siqntnceao no que se refere às solicitações
de tráfego", devendo, pelas projeções efetuadas, ter uma brusca redução

a partir da inauguração da derivação da Via Expressa Sul para o campus.
(Estudo de Tráfego, 1976: 192,214,352)
                                                                                                 ..
                                                                                                r>
                                                                                             ,,
                                                                                            , (,--...
       O   que interessa ressaltar é que, nas recomendações                 finais do       -o<.;a

                                                                                                r
Estudo de Tráfego, procurou-se alertar que alterações relevantes' como a                    .."",
                 .                              ..




                                                                                             ';:.
                                                                                           .:&
141



                                                                                              .1
 aprovação e implantação do projeto Oceânico Turístico, exigiriam a
 reavaliação dos Estudos,de Tráfego, modificando, se_~s
                                                      resultados:

       IfÉ importante frisar que se vier a ser levada à realidade a
       fixação do núcleo hebitecione! Conjunto Oceânico do                          s

       Campeche, é necessário que a administração venha a
       reavaliar os estudos aqui apresentados, pois nesse caso não
       só os trechos envolvidos estarão sub-dimensionedos, como
       também deverá ser reajustada a eloceçêo dos parâmetros
       sôcto-econõmlcos por zona de tráfego; porquanto a população
       a se fixar no referido conjunto resultará de migrações de
       outras zonas de tráfego. " (Estudo de Tráfego, 1976: 353)


       Esta       condicionante   expressa   nas    conclusões   do            Estudo
. representava, certamente, limitações ao encaminhamento que vinha
 ocorrendo para execução destas obras viárias. Este Estudo de Tráfego,
                                                                      ~   ".    ~
 além de ser instrumento fundamental para a elaboração do Projeto Final
 de Engenharia, tinha importante papel na legitimação das decisões do
 Governo Estadual e DER-SC, em relação às intervenções viárias:
 confirmava a prioridade na construção da Via de Contorno Norte,
 mantinha     a sua categoria funcional de Via Expressa e, ainda,
                                                                      :    ,"           _.
 demonstrava a urgência na execução do acesso viário à região do
                                                     ..',


campus universitário, ainda que através da execução da derivação viária
da Via Expressa Sul.


      Deve-se considerar          que a aprovação     do Plano   Diretor de
 Florianópolis (Lei N°. 1440/76) nessa mesma época, entrando em vigor o
sistema viário proposto pelo ESPLAN e apresentando o Setor Oceânico
Turístico, como área de expansão urbana programada, exigia, em-tese, a
              .   '-'."   ,


reavaliação do Estudp de Tráfego. A aprovação da Lei N°.1..440/76
retirava 'daquele'~do~:~~en!o técnico o seu caráter legitimad~r, criando,
1lI~
                                                                                                 s-,
                                                                                     142
                                                                                                 iír'"" .
                                                                                                 :i~-
                                                                                                     .'
                                                                                                 :!!
                                                                                                         '

 portanto,     obstáculos    para a consecuC?ão, das metas              viárias     que          !li
                                                                                                         -r-,
                                                                                                    11
 interessavam aos setores hegemônicos das elites irnplantar.                                             '

                                                                                                     I~
                                                                                                           ,
                                                                                                    Ig
                                                                                               " '",
                                                                                                I!j
                                                                                               ,':>-,
                                                                                    ..
3.2 - As alterações na legislação urbana.                                                           li
                                                                                                           '


                                                                                                         r'""
                                                                                                    !~
                                                                                                         r'
                                                                                                    lil -
                                                                                                           <,
                                                                                                l~~
                                                                                                _.;
                                                                                               ',:;--.,
          A    Lei   N°.1.440/76,    que     regulamentava      o   Plano    Diretor,          ,~
                                                                                               ,,'

considerava,     em    seu Artigo     5°.,   o Setor    Oceânico     Turístico      (Rio       t~
                                                                                               '~l'"
Vermelho, Campeche,         Lagoa e Ressacada) como áreas de Expansão                                ",r'""

                                                                                                ,        '"
Urbana Programada e, ao mesmo tempo, como já vimos, não efetuava                               }
                                                                                               -..::~
                                                                                                     fi.
proposições aos balneários situados ao norte da Ilha (4). Deve-se. lembrar
                                                                                               ,t"=:'
ainda que distinguia uma única via expressa de integração Continente-                          'I[:'
                                                                                                 -~~
Ilha, a Via Expressa Sul, que efetuava a ligação' do Setor Oceânico
                                                                                               "r
Turístico com as rodovias regionais.

                                                                                               O'jih
                                                                                                     r
       A aprovação do Plano Diretor, por outro lado, ao mesmo tempo que                              h
facilitava a manutenção do convênio firmado entre os governos federal,                          'r-
                                                                                               li",
estadual e municipal para receber recursos do PROGRES - Programa de
Vias Expressas-       também gerava novas limitações.          O·Decreto Federal
                                                                                               :~
                                                                                                h
                                                                                                '~
N0.71.273/72, que criou o PROGRES, no Parágrafo 2°. de seu Artigo 1°.,
                                                                                               "h
definia que "nó planejamento e execução do Programa lever-se-êo em
                                                                                                ,~




                                                                                               t~
conta os Planos Diretores que regulem o desenvolvimento de áreas                                           -
                                                                                                     ih
urbanas." , exigindo que as obras financiadas com os recursos do                                     'f,
                                                                                               'h
 4 _A Lei NO; 1.440176, em seu Artigo 5°. dispõe: "São áreas de Expansão Urbana                       ~
 Programada: a) o setor Central Metropolitano, proposto na quase totalidade §obre               'h
 acrescidos d?:malitnha;b}o:setorUniversitário  Federal; c) o setor.Oceénicoõe-.
 Turismo,comp1e.Xo,qéi,PitacionaUigado à Recreação, ao Jazere à promoçêo de
turismo, abrangefldo' ,?reade Rio Vermelho, Campeche, Lagoa e Ressacada; d)
 outras que venneme ser definidas pelo órgão Municipal de Planejamento."
                                                                                                -.



                                                                                             .'-~
                                                                                                     "~


                                                                                                "~




                                                                                           .......~
                                                                                               ",",
143




programa estivessem respaldadas e fossem condizentes com os Planos
Urbanos em vigor.



       Havia, portanto, diversos obstáculos legais que precisariam ser
                                                                                  "
transpostos para que as obras da Via. de Contorno Norte-Ilha fossem
concretizadas. Os obstáculos foram resolvidos de duas maneiras: a
primeira, através de alterações na legislação urbana e a segunda, pelas
'imposições arbitrárias, que as condições políticas da época permitiam.


       No período       1976-78 houver~          diversas    mudanças        na       Lei
N°.1.440/76 que regulamentava o Plano Diretor, algumas das quais
vieram a favorecer não apenas o processo de implantação viária mas
também as ocupações e os interesses imobiliários que ocorriam na
região norte e leste da cidade. Deve-se destacar as alterações
provocadas pela Lei N°.1.516/77, pelo Decreto N°.100/77 e pela Lei
N°.1.570/78, que legitimaram a Via de Contorno Norte e, ainda,
facilitaram o desenvolvimento imobiliário em curso. (5)


       A Lei N°. 1.516177,        aprovada em junho de 1977, efetuava
alterações e complementações à Lei do Plano Diretor. Definia qüe·o
município deveria ser dividido em Zona Urbana, Zona de Urbaritzação
Prioritária e Zona de Urbanização Diferida. Efetuava, no Artigo 1°., as

seguintes caracterizações destas zonas:




                                                                         "

5_ A aprovaçãodal.:.éi NO 1440176 e as alterações do período forarnefetuadas
durante a primeira gestão do ex-Prefeito Esperidião Amin Helou Filho (1976-78) na
Prefeitura de Florianópolis.
1lIí'~
                                                                         144
                                                                                                I'",,,,
                                                                                                ;II~




                                                                                            .~~"
                                                                                                ~~
       "1°. - Zona Urbana é a área de urbanização contínua, com                                 III
      perímetro delimitado em Lei.                                                                     '"

        2°. - Zona de Urbanização Prioritária é a que se constitui dos                          1lI
                                                                                                     ;"
      balneários, das áreas de interesse turístico e das partes                              11
                                                                                            .. ,~

      adjacentes à zona urbana propriamente dita, que venham a                                  eIIi
                                                                                            ;;:~
      ser objeto de regulamentação de uso e' de procedimentos de •.
                                                                                                l~"
      urbanização estabelecidos em orçamentos plurianuais de                                    llt~
                                                                                                     /
      investimentos.                                                                            !.~

      3°. - Zona de urbanização Diferida são as áreas não incluídas
      nas zonas de urbanização prioritária é que só serão                                   l~~
      parceladas ou urbanizadas a partir de uma das seguintes
      hipóteses: a) alteração do Plano e Estruturação do espaço de
      Florianópolis; b) plano de urbanização vinculado a estudos de
                                                                                            .-~
                                                                                            . "'~.
                                                                                        :~-.~.t-,
                                                                                                ~."
                                                                                                ~
      viabilidade econômica e/ou social, observados critérios de
                                                                                                fi.'"
      adequação de distâncias do Trabalho - habitação - lazer,
      aceito pelos órgãos técnicos competentes da Municipalidade."                               '"
                                                                                                 ~
                                                                                                  ,.-..,
                                                                                                 I;

      Mantinha-se ainda o mesmo limite urbano, citado anteriormente,                             ~~
                                                                                        . }--.•
                                                                                                 ,
                                                                                                     I
                                                                                                 ;;.-....,
definido pela Lei N°.898/68. A nova Lei N°.1.516/77, além de' determinar
um novo zoneamento do município, regulamentava o parcelamento e
ocupação do solo das Zonas de Urbanização Prioritária (ZUP) e das
                                                                                       .~
Áreas Verdes. A     maior importância desta Lei, para os investimentos
                                                                                        (~
junto à Via de Contorno Norte, foi a nova classificação, pela qual toda                tll
                                                                                                  "
região dos Balneários situados ao norte da llha- passaram a serem
                                                                                            ·h
considerados Zona .dELUr:panização Prioritária.    Constituindo-se estes                'c~                  .
                                     . _.

Balneários uma ZUP e ainda a área de maior interesse turístico em
Florianópolis, justificava-se,   portanto, a prioridade na execução das
obras da Via de Contorno Norte em detrimento da Via Expressa Sul.                      -~
                                                                                                .~




      Através do Decreto         N0.100 de agosto de 1977, o executivo
municipal. liberou para construções as faixas de domínio '{jas vias


                                                                                                r
                                                                                 .'l
                                                                               " .J"
                                                                               "~   .. ~.
I,......,




                                                                                           145




            expressas e avenidas de todo sistema viário previsto no Plano Diretor,
            nos seguintes termos:

                   ''Art 1°. - Até serem aprovados pela Câmara dos Vereadores
                   os traçados definitivos da Via Expressa BR-282, da' Via de
                   Contorno Norte de Florianópolis, e das Vias 01 - G1 - J1 - M1
                   - K 1 - F 1, ficam liberados, para fins de construção, os terrenos
                   atingidos pela faixa de domínio de seus traçados originais,
                   quando não coincidentes com aqueles definidos em Projeto
                   Final de Engenharia.
                    Art.20. - À medida em que forem definidos os traçados das
                   vias a que se refere o artigo anterior, e para seus efeitos,
                   serão declaradas         de. utilidade pública para fins de
                   desapropriação, as áreas e propriedades por eles atingidos. "


                   Deve-se       ressaltar   que este Decreto foi aprovado       durante    o
            processo de elaboração dos             Estudos e Projetos de Eng,enharia; de
            licitação e início das primeiras obras viárias, portanto, num momento de
            expectativas e mudanças na dinâmica imobiliária e de. incremento da
            construção -civil. Neste período, como veremos adiante, estavam em
            curso o Projeto de Engenharia e o Projeto de Desapropriação da Via de
            Contorno Norte. Logo, já havia sido definido o traçado da via, ainda que
            não tivesse sido aprovado pela Câmara de Vereadores, como exigia o
            Art. 10. do Decreto N°. 100/77.


                  Evidentemente,         liberar   o   aumento   de   benfeitorias    nestas
            propriedades, às vésperas da aprovação dos traçados das vias, criaria
            obstáculos à aprovação dos mesmos em função do descontentamento
            dos proprietários a seremdesapropríados        e, também, um maior ônus aos

            cofres públicos ..                                                   '.
146



         A Lei N°. 1.570/78 efetuou diversas, alterações no Plano Diretor

 (Lei N°.1.440/76) e foi aprovada quando já havi~~ sido iniciadas as
 obras da Via de Contorno Norte. Esta lei garantiu legitimidade à
 execução desta Via Expressa cujadecisão              pelo DER-SC de iniciar as
                                                                                 e

 obras    foi,    como     veremos,   completamente       irregular.   Entre outras
 disposições, esta Lei alterou o Art.õv. da Lei N°.1.440/76, que passou a
 vigorar da seguinte forma:


         ''Art.5°. - São consideradas Zonas de Expansão Urbana as
         Zonas de Urbanização Prioritária estabelecidas na lei N°.
         1.516fl7."


         Com ~sta alteração na            Lei do Plano Diretor, as Zonas de

~_E~ansão ur~-ª-~r,                        portanto, "os Balneários, as áreas de
 interesse   turístico     e as partes   adjacentes   à     zona urbana ". Esta
 alteração deixou de privilegiar, em especial, o setor Oceânico Turístico
 que, pelo Plano Diretor, era considerado área de expansão urbana
 programada. Considerando-se que esta mesma Lei ampliava o limite
 urbano e, ainda, que praticamente toda orla da Ilha constituía-se, em
 maior ou menor grau, área de interesse turístico, pode-se dizer que com
 esta alteração ocorreu uma diluição onde praticamente toda Ilha tomava-
 se área de expansão urbana.


         Outro aspecto alterado          pela Lei N°.1.570/78 e que estava
 vinculado       ao    Plano' de 'Desenvolvimento         Integrado,   foi   a   nova
 abrangência          do .Centro Metropolitano,   que teve       excluída a área
 continental, permanecendo nessa condição apenas a área, central da
                                                                       .~
 Ilha. O Art.29~:,8a~,~pu yr aseçuínte redação:
                         at

                             ':..
147



        "0 Centro Metropolitano     é a éree do Setor Central
        Metropolitano assinalado na planta PIF-SJ3, excluída a Zona
        Continental, e -cuja ordenação espacial - conferirá novas
        dimensões ao centro da Capital."

                                                                          .. .
        A Lei N°.1.570/78       também   revogou    a Lei N°. 1.515/77        que
 complementava    o Plano Diretor na definição das áreas nas quais não
 poderiam ser admitidos usos plurifamiliares.       A alteração, expressa no
. Anexo do Art. 7°., reduziu a abrangência         destas áreas facilitando      o
 processo de verticalização      na área urbana. Na região da Trindade
 estabeleceu   alterações   pelas   quais   liberava   diversas   ruas para a
 construção de condomínios plurifamiliares.


        Finalmente,   através   da Lei N°.1.570/78,      foi   revogada   a Lei
 N°.898/68, sendo ampliado e estabelecido          novo limite urbano, assim
 descrito:

        "1 - A área urbana Continental, delimitada ao norte e ao sul
       pelo Oceano Atlântico e a oeste pela linha aemercetotie dos
       limites entre os Municípios de Florianópolis e São José.
       Il - A área urbana Insular, delimitada ao norte por uma linha,
       partindo do OceanO Atlântico através do rio do Mel a~é a
       altitude de 100 (cem) metros, seguindo por esta em direção
       ao sul até a localidade de Pirajubaé e, deste ponto por uma
       linha imaginária paralela à Rodovia Jorge Lacerda, a uma
       distância de 300 (trezentos) metros até a Estrada da
       Ressacada, paralela a esta a 300 (trezentos) metros, até
       encontrar a faixa de domínio do Aeroporto Hercílio Luz,
       seguindo deste ponto por uma linha paralela à pista, até o
       Oceano Atlântico." (Ver Figura 09)


       Em julho-de      1978, uma semana        após a aprovação - da Lei
 N0.1.570/78, ocorreu. a assinatura do segundo Termo de Aditamento e
148

                                                                                             ..           '"




 Ratificação ao Convênio Especial. de Cooperação,                     Compromisso       e
 Delegação de Encargos, celebrado em 26 de dezembro de 1973, entre o
                            ,                                -   <




 DNER e o Governo do Estado com a interveniência da Prefeitura
 Municipal de Florianópolis, para utilização dos recursos do PROGRES.
                                                                                  ,~



 Estes recursos estavam destinados a custear as obras da Via Expressa
 Sul e do "prolongamento         da Avenida Beira-Mar Norte até o campus
 universitário" no limite máximo de Cr$ 120.000.000,00 (cento e vinte                        ;.          -',..--...,


.milhões de cruzeiros) equivalentes, em 1973, a aproximadamente US$
 19.300.000,00 (dezenove milhões e trezentos mil dólares). (6)



                                                                                                 .             "

 3.3 - A Via de Contorno Norte-Ilha.




        Estas alterações na legislação urbana vieram a transpor os
 obstáculos à legitimação e regulamentação               das obras da Via de
 Contorno     Norte.   No entanto,      antes    mesmo     de        aprovadas   estas           ,             .
                                                                                                               -,

 alterações   na legislação urbana de Florianópolis e, ainda, antes do
                                                                                                 . J,..-....

 repasse de verbas do PROGRES e da conclusão do Projeto Final de                                  .-
                                                                                                  ""d,
                                                                                                            ,~




                                                                                                               "
 Engenharia desta Via Expressa, o Governo Estadual, através do DER-
 SC, resolveu dar o fato como consumado, iniciando as obras da Via de
 Contorno Norte-Ilha.




  6._ A reportagerrisobre a assinatura deste segundo Termo de Aditamento e Re-                       ,             ,
                                                                                                            .'
  RatificaÇão ooconcênio.rcetebrado em 1973 com o ONER, não esclarecesetnouve
  alguma alteráÇãbncivalor      dos recursos do PROGRES, em função da i'nud~hÇâ',dO'
  caráterda Vià,deContómo Norte para Via Expressa. In Jornal doDER-SCfAflo '3,'
. no.32,'jÚlhÔI197S;'p:'11 ',': .' '.'                                   '      .

                                                                                                       .,        .




                                                                                             ,           .-'''''''''
---------------,--~----;-~--~,;.......------------------                                     ..•
                                                                                      149




         No início de 1977 o DER-SC efetuou a licitaçâo para a execução
 dá implantação da primeira etapa da Via de Contorno Norte, o trecho
 entre o Palácio do Governo e a                    Avenida     da Saudade, até o
 entroncamento das rodovias SC-401 e SC-404, no Itacorubi. Este trecho
                                                                                     "
 viário era fundamental para garantir acessibilidade aos balneários ao
 norte e leste da Ilha. As obras da Via de Contorno Norte foram iniciadas
 em abril de 1977 e o seu Projeto Final de Engenharia foi concluído
 apenas em fevereiro de 1978. Portanto, as obras foram executadas
 durante quase um ano, apoiando-se apenas no ante-projeto.


         Esta   iniciativa    do   DER-SC       apresentava-se,       evidentemente,
 completamente irregular. Em entrevista ao maior jornal diário da época,
                      .
 o então Diretor-Geral do DER-SC, Antônio Carlos Werner, ressaltou a
 coragem da iniciativa, justificou a possibilidade de executar a obra sem
 o Projeto de Engenharia devido à capacidade dos engenheiros do DER
 e, ainda, negou que tivesse sido repreendido pelo DNER por sua atitude
 (7).


        "Nós, quando assumimos, recebemos um sistema carente de
        soluções urgentes. E não tínhamos, na realidade, nenhum
        projeto. A Via de Contorno Noitenos parecia, assim; que era .o
        que a cidade necessiteve urgeptefTJ~nte... Na realid~~e,_
        projetos, somente agora' Florianópolis está conhecendo. Você
        vê que são seis, e nõo tínhamos nenhum f). O projeto é o

 7 - Trechos da entrevista do Diretor-Geral do DER-SC, eng. Antônio Carlos Werner ,
 durante a gestão do Governador Konder Reis. Entrevista concedida a jornalistas do
 Jornal "0 Estado" e publica da em 20104f18.                            .

 8.~Ref~r.e-~,~ ~5?~~L~!~t()!)      eQ~()men.<:i~dospelo qER,SF das seguint.e~qbras: 1)
 Via de Contómo' Norte:;lIha; -2)Av. Beira-Mar Norte-Continenterô)       Via Expressa Sul;
 4)Urbanização do-Aterro daBaia Sul; 5) Terminal de Passageiros RitaMarià~·,ê)SG- .
 40ê, "rodovia pela costa leste da Ilha, desde a Praia dos /nglesesaté o extremosúl;
 contomanc1o'ap911ta;:e~sugin,do;pêlo.Ribeirão da/lha, pela direção node:'-~·Jor;i;íâi:"O
 Estado;' ;:20l04f7,8::-;rh J::<;,'j     .~:;;,. ....,::,;;'
                                                    .
~~~----~---=~~~----~--~===-------------------------------                                     ;~~


                                                                                   150   1-----
                                                                                         ~
                                                                                         rt'~
                                                                                         ..
                                                                                          !"

        documento básico sem o qual não se chega a nada. O da Via
                                                                                         J®~
                                                                                         ~~
        de Contorno Norte nos foi entregue pronto no dia 8 de fevereiro
                                                                                              1 --.
        de 1978. Durante um ano nós trabalhamos com bsse no ante-
                                                                                         ~'"
        projeto. E fizemos isso com toda segurança, por causa do
        corpo de engenheiros que o DER tem. "


          Ao ser indagado sobre os riscos de uma obra ser executada pelo
   ante-projeto e, ainda,   sobre o fato de ter sido repreendido pelo DNER,
   respondeu:

        "Eu não corn nsco nenhum... Uma obra dessa envergadura
        tinha, realmente, que ser iniciada da forma como eu iniciei. E
        para isso precisa coragem; precisa de uma equipe como o
        DER dispõe; e precisa também ter a experiência que eu tenho.
        Tudo foi feito de acordo com o DNER. "                                                {,
                                                                                         ,(,
                                                                                          111"---"

                                                                                         'Ji:/--'

   3.3.1 - Descrição e execução da Via de Contorno Norte-Ilha.                           pl"'
                                                                                          ~f/


                                                                                         .~~



                                                                                         '.

                                                                                          !Ir'
         A Via de Contorno Norte-Ilha, segundo o projeto definido pelo
                                                                                         "jpV

   DER-SC, constítur-se numa via expressa com 9,5 km. de extensão, que                   "j',
                                                                                         ..
   faz a ligação entre o anel viário da Ponte Colombo Salles, no aterro da
   Baía Sul, até o entroncamento        das rodovias SC-401 e SC-404, no
   Itacorubi, com derivação      para o campus      universitário   da UFSC, na

   Trindade.


         A implantação da Via de Contorno Norte-Ilha, segundo o Projeto
   Final de Engenharia (9), pretendia atingir os seguintes objetivos:                    ,!!l--

                                                                                         '1jI"

   9 _ O Projeto Final de Engenharia da Via de Contorno Norte foi elaborado pela         "!h
   COPAVEL S/A- Consultoriade.Engenharia,     contratada pelo DER-SC, através do         lJ-
                                                                                         ~L
                                                                                         l~
                                                                                         t~_

As intervenções viárias e as transformações do espaço urbano. A via de contorno norte-ilha - parte 3

  • 1.
    r-------------------------------------------------- _ " Além desta condição, foram definidas outras, dentre as quais é preciso citar: 1. a implantação de uma base naval e a complexo portuário de Anhatomirim, situado no Continente, próximo ao limite norte da Ilha; 2. a ~ criação de redes de integração rodoviária dentro da "área metropolitana"; e 3. a integração destas rodovias com a BR-282 (Lages- Florianópolis), para criação do "sub-pólo de desenvolvimento em Lages". Deve-se ressaltar que a condição básica do Plano constituía-se na "...implantação, em caráter de absoluta prioridade, do Plano Urbano de Florianópolis e área conurbada." (33) (Plano, 1971: 37). o Plano Urbano de Florianópolis apoiava-se, em linhas gerais, na idéia de que deveriam ocorrer duas áreas de expansão urbana: uma área ao longo da BR-101, no trecho dos municípios de São José, Palhoça e Biguaçu e a outra, e mais importante, na costa leste da Ilha. Na área de expansâo-contmentaí ao longo da BR-101, seriam implantados o setor militar, o setor universitário estadual (UDESC), além do setor industrial e pesqueiro. A expansão urbana de Florianópolis, na Ilha, ocorreria na orla leste, na área denominada pelo Plano de Setor Oceânico Turístico da Ilha, abrangendo o trecho entre a Praia da Joaquina (Lagoa da Conceição) até o Campeche, mais ao sul (Ver Figura 17-c). Foram elaborados modelos de ocupação do solo para toda esta orla atlântica, metropolitana em particular e de toda a comunidade barriga-verde, por meiado uso de todos os recursos para a divulgação da análise técnica da situação estadual e da validade da linha de ação proposta para a solução do problema." (Plano, 1971: 33). Deveriam ainda promover a Capital "no interior do Estado, como em todo o termono nacional; usando-se como meio-base a televisão." (Plano,' 1971: 35) 33 - No totatóPlano propunha um conjunto de 26 projetos de médio e qrandeporte; dosquaiscitamos aqui os mais significativos. A listagem daspropostas sstão-novoteme 1 do Plano de Desenvolvimento Integrado, pp.3846'Ef 51...,59.
  • 2.
    r- ,."' ~~--~~~~~----~-------------------------------- 102 ,'' situada a sudeste da Ilha, que deveria ser urbanizada e receber a expansão das áreas residenciais e de lazer dacidade. (34) Além do desenvolvimento do setor continental próximo à BR-101 e do Setor Oceânico Turístico, o Plano previa ainda e "com prioridade absoluta sobre todos os demais projetos", a criação do centro Metropolitano, situado na área urbana central, da Ilha e do Continente, voltado para a Baía Sul. Neste Centro Metropolitano estava prevista uma série de grandes intervenções que consolidariam o centro administrativo- institucional-financeiro da "área metropolitana", a saber: a nova ponte Ilha-Continente' e um grande aterro para dar suporte às diversas I conexões viárias, aos Terminais Rodoviários estadual e municipal, ao Centro Cívico,' ao Túnel do Morro do Penhasco e aos prédios d~ legislativo, judiciário e executivo. Dentre as intervenções mais importantes para a viabilizaçãodas intenções pretendidas no Plano, sobressaía-se, sem dúvida, aquelas relativas ao sistema viário inter e íntra-urbanot»). A intervenção prioritária era o eixo viário de integração Continente-Ilha, que. se dirigia para área 34 - Foram definidos modelos de ocupação no município de São José e municípios próximos de Florianópolis, conectados pela BR-101. Na Ilha, "foram detalhados vários tipos de urbanização: pata o centro histórico, para os morros, para os terrenos dos "Ibteamentos de chácaras", para o Saco dos timôes; para a Trindade, para o Itacorubi e,finalmente, para a zona da Lagoa (balilêário)." (Plano, 1971; v.1:151). 35 - O Plano de Desenvolvimento Integrado propunha um complexo rodoviário em toda área da micro-região dePlorianópolis e conexões com outras rodovias estaduais e federais dê Santa Catarina. Propunha, ainda, na mícro-reqíãoaunteqração com o sistema aeroviário e aquático (marítimo e fluvial), Qtransporte'rodoviário, no entanto, sempre foi tratado de formà'pri".ilégiCidanoPlano>Emfunção do interesse do presenteestudb;;irerndSri()sater,apen~sàs proposições.viárias. relativas ao municlpio'de Florianópolis: As propostas viárias do Plano Integrado estão expostas nOiVolurne t (pp, 38.::70) eiVolumé.'3 (pp.1-113).
  • 3.
    . i '.'~-'-"~-'~~'-' ~--1 ! 103 sudeste da Ilha . Esse eixo viário era definido pela Via Expressa que tinha o seguinte percurso: iniciava-se no entroncamento com a BR-101, transpunha o trecho continental e a nova ponte IIhac, Continente, passava pelo Centro Metropolitano na Ilha, atravessava um túnel sob o Morro do J;?enhascoaté o Saco dos Limões, dirigindo-se para a costa leste da.llha. área do Setor Oceânico Turístico. A nova ponte Ilha-Continente e o Túnel do Penhasco, que possuíam conexão com a Via Expressa, seriam .implantados na parte sul do Morro da Cruz (Ver Figura 17-b e Figura 17- c). Posteriormente, o trecho da Via Expressa no" Continente foi denominada BR-282 e a sua continuidade na Ilha foi chamada deVia Expressa Sul. O principal acesso à cidade universitária seria feito pelo Saco dos Limões, através de uma derivação desta via expressa. (36) O Plano Urbano propunha um sistema hierarquizadode vias urbanas em Florianópolis. A Via Expressa estaria integrada com uma rede de vias de tráfego rápido. As vias de trânsito rápido,.por sua vez; seriam integradas às vias setoriais,as quais estariam, ligadas às vias locais, situadas nas áreas residenciais. Conforme indica: a Figura 17.;.b; foram propostas uma série de vias de tráfego rápido tanto no continente como nos bairros centrais da Ilha. Na área urbana da Ilha foram . 36 - "O sistema de via expressa, eixo principal de circulação urbana,tem seu nascimento na BR-101,( ...) Esta via, na parte continental, é.composta de seis pistas de alta velocidade, três em cada sentido, separadas por ufT7cante/rqg~2 metros. Ao/ado de cada trêspistas,sepa~d.é!$porum canteirode ·15 metros, haverá duas pistas de tráfego em um sentido. Estas receberão· a finalidade de disciplínarosacessos e séJidasâs pistas de alta velocídade( ...) No fim do elevado, na Ilha, a via expressa entra em um túnel no MOrio.daPrainha, em pistas superpostes as quais, na saida, no Saco dosU",q~'~"!f3Rõ~m o tráfego no sentido normal. (..) oo Saco dos "Limões emêJianie;a viéJexpressa continuariadandóacessoâ Cidade .~ Universi~ária, a~.€~t~,diodeF.utf3,qol,ao Aeroporto, ~oC9mple~0 Turístico do. Campéche4.:.ã(jióâ.1fJáeór/êeição, Hipódromó,' Parque de Exposições da Ressacada e Setor de Grandes Áreas, para locação futura de Clubes de Golfe, Autódromo, etc." (Plano, 1971, vol.3, p.81-82).
  • 4.
    F 104 -" propostas vias de trânsito rápido contornando a área da península e o Morro da Cr-uz, através de anel viário formado' pela continuidade da avo ~~ Beira-Mar Norte em conexão com a Via Expressa Sul. O Plano previa, ainda, na área urbana, vias de trânsito rápido cruzando a península e o Morro da Cruz, no sentido norte-sul, efetuando conexão entre a Agronômica e a Via Expressa Sul. (Ver Figura 17-b) O Plano Urbano definia ainda um complexo rodoviário ao longo da Ilha, garantindo acessibilidade a todos locais considerados de interesse turístico. O sistema viário proposto absorvia antigas estradas já existentes e implantava também novas conexões rodoviárias. Das estradas então utilizadas, no final da década de 60, com.exceção do acesso ao aeroporto (ao sul) e do acesso ao Morro da Lagoa (a leste), ambos. pavimentados com paralelepípedos, todas as demais vias não possuíam pavimentação. Constituíam estradas estreitas e sinuosas. O Plano propunha um circuito rodoviário ao redor da Ilha, que totalizavam 116 km. de estradas com novas implantações, mais amplas e asfaltadas (Plano, 1971 ,v.3:p.90). Considerava as seguintes rodovias estaduais ao -- ;,~' -':-;';'1....-.. longo da Ilha (Ver Figura 02): a) SC-1 (atual SC~401, norte) - acesso ao norte da IIha,seg!Jindo pela costa oeste; passando por Santo Antônio de Lisboa, Canasvieiras e Ingleses do Rio Vermelho; b) SC-2 e SC-91 (atual SC~401, sul) - acesso ao sul da Ilha, atualmente passando pelo aeroporto; Ribeirão da Ilha; Tapera e Caiacangaçu; c) SC-93 (atual SC-404) - ligação entre a SC-401, no Itacorubi, até a Lagoa da Conceição. situada a leste da Ilha; d)SC-97 (atuaLSC-40a)-ligação entre aSC-401 e a Praia de Jurerê; '. >....... ......•... ..' . .... . .~ e).SC-98 (tr~ch({(j?latY~ISç;~,4Qp)-.ligação até o Pântanodo.Sul;
  • 5.
    105 f) SC-403, ligaçãoentre SC-401/norte e Canasvieiras (antigo trecho da SC-1); g) SC-405, ligação entre' a SC-401/sul e Campeche e Alto Ribeirão; h) SC-406, ligação entre Ingleses do Rio Vermelho (ao norte) e Pântano do Sul, pela costa leste da Ilha. e o Plano previa, no Setor Oceânico Turístico, a ligação rodoviária pela orla leste entre a Praia da Joaquina, Praia do Campeche e o Morro das Pedras - a chamada Via Parque - que fazia conexão com a Via Expressa Sul. É importante ressaltar que, apesar do Plano Urbano considerar os Balneários de Canasvieiras e de Jurerê, situados ao norte da Ilha, como "importantes pontos turísticos", estes foram, no entanto, relegados ao sexto lugar na lista de prioridades de ação (37) . Não foram previstos nestes balneários investimentos urbanos semelhantes aos definidos para o Setor Oceânico Turístico. "Em relação aos balneários, principalmente ao de Canasvieiras, quase nada pudemos fazer, em virtude da falta de levantanrentos cadastrais. Para lá não foi possfvel o estudo de modelos porque a área já estáurbanizada e muito construída. A nossa proposição se resume numa recomendação e até, num veemente apelo, no 37 - Na definição das áreas de intervenção prioritárias para consecussão dos planos de desenvolvimento turístico, o Plano de Desenvolvimento Integrado propõe: '~ fim de se evitar dispersão de esforços e recursos, e se alcançar os objetivos a menor prazo e maior eficiência, mister se faz definir as áreas prioritárias de ação pela seguinte ordem: 1. Lagoa da Conceição, Praia da Joaquina, Barra da Lagoa e Praia do Campeche; 2. Termas de Santo Amaro da Imperatriz; 3. Ribeirão da Ilha; 4. Morro da Cruz e televisão (urbanização e paisagem); 5. Farol dos Naufragados e Ilha de Araçatuba, extremo sul da Ilha; e 6. Canasvieiras e Jurem." Plano, 1971, vol. 3: 240.
  • 6.
    í 106 sentido de que sejam evitadas as avenidas à beira-mar, não só em Canasvieiras mas nos outros bstneénos em desenvolvimento, proscrevendo aqui a Copecebenizeçêo." (Plano, 1971,v.1:144) o Plano de Desenvolvimento Integrado propôs, além da criação da Área Metropolitana de Florianópolis, uma estrutura técnico-administràtiva da região metropolitana de âmbito estadual e, ainda, um modelo de organização técnico-administrativa dos municípios envolvidos. O Plano Urbano de Florianópolis definiu, como relatou-se acima, uma série de grandes obras no município que iriam transformar a área metropolitana no "grande centro polarizado!", fator gerador de "integração e desenvolvimento estaduaf'. Mostrava-se, portanto, fundamental, para a consecussão das idéias e propostas contidas no Plano de Desenvolvimento Integrado, que estas fossem absorvidas e ~, ,-~ concretizadas em âmbito estadual e que o Plano Urbano de Florianópolis fosse institucionalizado e as grandes obras implantadas a nível municipal. .; '-----, Para garantir a institucionalização do Plano Urbano, tanto a nível metropolitano como municipal, uma série de reformulações na legislação urbana de Florianópolis foi proposta pelo ESPLAN , "...desde a legislação tributária e a relativa aos funcionários públicos, aos códigos de postura e de eatticeções'' (Plano, 1971 :214). Foram encaminhados, em 1971, para serem apreciados e aprovados pela Câmara Municipal de Florianópolis, três anteprojetos de lei: a Lei do Plano Urbano (novo Plano Diretor), o Código de Edificações e a Lei sobre Loteamentos, Desmembramentose Arruamentos.
  • 7.
    "'-.1 i - .~. - ,-"-"<. -, ' ! 107 2.5.3 ,- Análise do Plano Urbano frente ao processo de ocupação territoria I. Devem-se ressaltar alguns aspectos desse Plano que "são importantes no presente estudo e para o entendimento das disputas que ocorriam entre as frações das elites locais, na produção do espaço urbano. O Plano de Desenvolvimento Integrado privilegiava, como vimos,~ duas áreas em especial: a área urbana central, onde previa a! implantação do Centro Metropolitano e, ainda, a área sudeste da Ilha, Lagoa-Campeche, onde seria implantado o Setor Oceânico Turístico. J A intenção de privilegiar a área sudeste da Ilha fica evidente ao ') constatar-se que o eixo viário principal - a única Via Expressa prevista 11 11 I, neste Plano Urbano de Florianópolis -, direcionava-se da BR-101 para V esta região, conectando-se com a Via Parque. O Plano Integrado garantia ) acessibilidade rodoviária a todas as regiões ~a Ilha, privilegiando, no I entanto, a área do Campeche. Esta determinação em privilegiar a área sudeste da Ilha demonstrava-se de forma tão marcante no Plano de Desenvolvimento Integrado que os primeiros estudos sobre a localização da nova ponte Ilha-Continente, propunham sua implantação ainda mais ao sul da área central (Ver Figura 17-c). O primeiro estudo da nova ponte efetuava a ligação, no Continente, a partir da Ponta da Salga, na Praia do Meio (Coqueiros), direcionando-se mais ao sul da Ilha para a planície da Ressacada. Esta ponte, cujo estudo foi elaborado por volta de 1.~67, teria 4 km de extensão: O .sequndo .estudo foi efetuado após o conhecimento de que uma ponte pênsil"s~.r!Jelh~nte e com o mesmo tempo de uso da > '
  • 8.
    f' ~~------~~~~~.~,.~,--------~==-------------------------------- ..... _..~ ... ~~-- .~:= .....• 108 Ponte Hercílio Luz, teria desabado em Ohio-EUA, colocando sob suspeita r a estabilidade da Ponte local e a necessidade de sua interdição (38). Em vista disso, a equipe propôs a nova ponte mais próxima da área central, saindo da Ponta do Fett (Coqueiros), no Continente, direcionando-se para o Morro do Penhasco, ao sul do Morro da Cruz (Plano, 1971: 124-12'4). A terceira solução proposta, e posteriormente executada, definia a nova ponte ainda mais próxima da área central, apoiada num grande aterro. No entanto, mesmo nesta terceira alternativa, a Via Expressa-Sul seguia diretamente para um Túnel no Morro do Penhasco, direcionando-se no sentido sul da Ilha (39). É importante ser evidenciado também que, no Plano Integrado, não , era prevista nenhuma outra via expressa além da Via Expressa Sul, que v ligava a BR-101 ao Setor Oceânico Turistico, a sudeste da Ilha. Portanto, ) a Via deContomo Norte-Ilha, objeto deste estudo, não se encontrava proposta no Plano Integrado com características de via expressa. A proposta viária para esta área norte, como vimos, considerava a Av. . . ~ Beira-Mar Norte, que estava em fase de conclusão, e que permaneceria - I com apenas duas pistas. Previa que a avenida Beira-Mar Norte teria ! ! continuidade e faria parte do anel viário ao redor do Morro da Cruz, f i / . devendo ser implantada uma via com duas pistas até o .campus ~ 38 - O acidente ocorreu em15 de dezembro de 1967 com a Ponte "Point Pleasant Bridge", no Ohio River, EUA. '~ ponte norte-americana, semelhante àHercílio Luz,/igava os EstadosdeOhioe West Virgínia. E, naquele dia a ponte ruiu por processo de fadiga, tendo se rompido um doS elos principais de sustentação da estrutura." In Governo do Estado. A Ponte Colombo Salles. Publicação, comemorativa de inauguração, 1975, 28 pp. 39 - O projeto da nova ponte, atual Ponte Colombo Salles, foi elaborado ' pelo Consórcio de escritóríos contratado pelo governo estadual em complementaçãô 'aÓ4fabalho·do' ESPLAN, O'ccnsórcto era formado pelo Escritório J~C.FigüeiredoFerraz,escritório Croce; Aflalo & Gasperini e ainda 'pelo'arqUitetoiPê'dróPaulc{dê{MeloSaraiva.
  • 9.
    . ] ~ , ./ ... 109 UFSC e deste até o Saco dos Limões, conectando-se ali com a Via Expressa Sul. Esta extensa via que constituiria o anel viário norte teria, portanto, características de avenida de trânsito .rápído e não de via expressa. (Ver Figuras 17-b e 19). Outro aspecto que indicava o tratamento privilegiado da área sudeste da Ilha era a proposta, contida no Plano, de transferir o aeroporto da Ressacada, situado próximo ao Campeche,. para o norte da Ilha. O novo Aeroporto do Rio Vermelho, de classe internacional, seria implantado na área norte da Ilha,' próximo a Canasvieiras, evitando "o inconveniente dos estridentes ruídos e estrondos das aeronaves sobre a vida urbana". (40) Ou seja, a atividade aeroportuária, que por suas inconvenientes. características desvalorizava a área, deveria sair da região sul e ser implantada próximo aos balneários ao norte da Ilha. <:::::L--- ~ É preciso ressaltar, portanto, que este Plano Urbano de ) Floríanópoüs, vinculado ao Plano de Desenvolvimento Integrado, : priorizava a expansão urbana de Florianópolis na direção sudeste, I f i contrariando o processo que vinha sendo produzido na cidade até-aquele I momento. Como foi visto, havia interesse dos setores heqemônicos das . - .. i I t elites em manter suas áreas residenciais ao norteua península e . direcionar sua expansão para a direção da .Tríndade e dos balneários situados ao norte e leste da Ilha. Ocorria, portanto, intensa pressão para que os investimentos estatais se mantivessem nestas áreas, como até J então vinha ocorrendo. ~ 40 -In Planolntegr:Fldo;:}/1:40. A proposta e justificativas sobre a transterêncíarío.aeropono para o nor;te,d~ílha' estãoexpressasno Plano Integrado, op~cit/,Nolume 1,~PP.:~!3-:~Q,54.;.6J~; olume 3, pp.37-51. v
  • 10.
    i 110 . -e--, . - ..... Dentro desse quadro, muitas das proposições do Plano Integrado encontravam forte resistência entre setores influentes de Florianópolis. A '•..... própria equipe do Plano' registrou que, entre os obstáculos que tiveram que vencer, estavam li ••• a força de grandes interesses econ6micos e políticos contrariados." (Plano, 1971: v.1: 79). •• '~ o anteprojeto de Lei do novo Plano Diretor de Florianópolis, parte integrante do Plano de Desenvolvimento' Integrado da Área' Metropolitana de Florianópolis, foi concluído em 1970 e encaminhado .. --.. para ser aprovado pela Câmara Municipal de Plortanópoüs. Durante o processo de tramitação do Plano Diretor na Câmara evidenciaram-se as divergências existentes entre as elites locais em relação à Jocalização das áreas prioritárias de expansão e de investimentos urbanos. Em função das pressões de parte de setores influentes, descontentes com prioridades dos investimentos definidas pelo Plano e com a localização das desapropriações previstas para abertura de avenidas, o Plano permaneceu em tramitação durante seis anos (H). Defendendo a expansão urbana príoritária e os investimentos públicos para o norte da Ilha, o setor hegemônico das elites foi obrigado a aceitar a aprovação do Plano Diretor, sob pena de perderem os recursosadvindos do governo '. 'Y-, federal através do PROGRES - Programa de Vias: Expressas, que exigia . ~ respaldo do Plano Urbano para o financiamento das obras viárias. ....-:-"" .~{~ 41 - Em entrevista à Revista Visão, em janeiro de 1975, o arquiteto. Gama D'Eça atribui a engavetamento do Plano pela Câmara Municipal, "... a uma inércia premeditada que serve apenas para perpetuar :';;h privilégios inconfessáveis'~, onde: procurava responsabilizar interesses (c1 imobiliários das oligarquias pela obstrução na aprovação do Plano "·'iJ __ .••.. Diretor. Nareportagemde':Femando de Moraes, "A melhor capital do Brasil", Revista Visão', ·13'd~naneiro de 1975, pp.22-27. ?"f~. ~~~ ~ ""'--" ..... ~.
  • 11.
    111 o Plano Diretor foi aprovado em 1976, pela Lei n.1440/76 (42). As diversas alterações efetuadas no anteprojeto de lei consistiram, principalmente, na supressão de todas as referências que vinculavam este Plano Urbano com o Plano de Desenvolvimento Integrado. Manteve- se, no entanto, na ocasião da aprovação, o Setor Oceânico Turístico como principal eixo de expansão urbana e de expansão programada. De qualquer forma, mesmo com essas e outras alterações que, como veremos no Capítulo 3, foram feitas na Lei n.1440/76, o Plano veio legitimar e servir de orientação para todas as grandes intervenções viárias feitas nas décadas de 70 e início de 80 em Florianópolis. 2.6 - A implantação do complexo rodoviário. A década de 70 caracterizou-se pelo grande número de intervenções do Estado no espaço urbano. Em consonância com a conjuntura econômica e as diretrizes definidas pelo governo federal, estes investimentos em Florianópolis foram destinados, principalmente, à implantação dos sistemas rodoviários inter e intra-urbanos. 1. Paralelamente a estas ações, ocorria o incremento da construção civil em 42 - o ante-projeto de lei que regulamentava os Loteamentos Urbanos, Desmembramentos e Arruamentos foi aprovado pela lei n. 1215, de 28/05/1974, As alterações efetuadas para a aprovação procuraram retirar qualquer.vinculaçãoda-nova Lei com a Lei do Plano Urbano, na época ainda nãoaprovadc.etemoém com o Plano de Desenvolvimento Integrado. Suprimiram.,.se também as reterênciase delimitações das áreas urbanasede expansão urbana definidas pelo ESPLAN. O Código de EdificaçõeS;,elab()rado tam,B~m pela equipe do ESPLAN, foi aprovado pela Lein.·1246 de1~/09/19]Z:.4~~;
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    ~------------~~--------------~~------------------------------~,~ 112 Florianópolis, que também repercutia no crescente aumento populacional dos municípios de São José e Palhoça, conurbados com a Capital (43). :" ...• - Desde o final da década de 60 desenvolviam-se procedimentos e articulações para viabilizar estas intervenções. O Governo do Esta€fo já ' ..,.... estava, neste período, empenhado em implantar algumas das propostas contidas no Plano de Desenvolvimento Integrado da Micro-Região de Floríanópotis ainda em elaboração. Procurava' conseguir verbas para investir na implantação do Porto de Anhatomirim, na nova ponte (atual Ponte Colombo Salles) e no sistema rodoviário, criando acessibilidade não apenas dentro do município de Florianópolis, mas também a nível , regional. Em 1969, o ex-governador Ivo Silveira (1966-71) elaborou extenso documento enviado ao Governo Federal (44), onde solicitava verbas para: a) concluir a rodovia BR-101 (antiga BR-59), trecho Santa Càtarina, com 503 km de extensão, cuja obra havia sido iniciada em 1940; b) implantar o Porto de Anhatomirim, com área de 5,8 km2, cujo custo foi orçado em US$ 9.800.000,00; t4", <"'" c) implantar a BR-282, que ligava a Capital ao extremo oeste catarinense, :~:h r- passando por Lages e o Vale do Rio do Peixe; ... ~ ~",~----. d) pavimentar as seguintes rodovias estaduais em Florianópolis: Av. Beira-Mar Norte (2,3 krn); Av. Ivo Silveira (4,5 km, que ligava a cabeceira , ., 43 - No período 1970-1980, as populações dos municípios de Florianõpolis, São José e Palhoça apresentavam, respectivamente, as segUintes taxasde crescimento anual: 3,11%, 7,52% e 6,30%. In ~- )- 18GE. Censo Demoqráflco, Rio de Janeiro, 1982-83, vol.t. tomo 4, n.21. ',~Yi~ Ver Tabela 01. . 'L'f" t '( 44 - Solicitação deverbaefetuada em 1969, junto ao Governo Federal. In ," ,. ~':"'-(., Documento de' Pr'ograma"de-Govemo de Ivo Silveira - 1966171, voí.ll. , - '~'f-
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    113 continental da ponteà BR-1 01, na direção sul); a rodovia SC-01 (28 km, atual SC-401, ligação com os balneários norte); a rodovia SC-91 (4 km, atual continuação da SC-401 ao sul, ligação com o aeroporto); e a rodovia SC-93 (6 km, atual SC-404, ligação com a Lagoa da Conceição). Solicitava verba, através de empréstimos da Alpina/Suíça, com garantia do Banco do Brasil, no valor de US$ 10.000.000,00. e) construir uma nova ponte de ligação Ilha-Continente, "para substituir a atual Ponte Hercílio Luz", com custo previsto de US$ 8.000.000,00. , Parte das verbas pleiteadas foram obtidas. Não houve negociação ! ! de recursos para a implantação do Porto de Anhatomirim e da BR-282. No final da década de 60 e início da década de 70, foram executadas i i algumas daquelas obras, em especial: a pavimentação da Avenida Beira- I Mar Norte, a conclusão da BR-101 e, ainda, tiveram início as obras da I Ponte Colombo Sa"es e da rodovia SC-401 para o norte da Ilha. Estas I I duas últimas obras foram posteriormente suspensas e retomadas apenas I -l em 1972. A conclusão da rodovia BR-101, em 1971, garantiu a interfigação da região de Florianópolis a outras capitais e áreas produtoras estaduais e regionais. Este acesso rodoviário foi fundamental para o incremento e ') solidificação do turismo que vinha se desenvolvendo em Florianópor~ desde a década de 60. A BR-101 ajudou a impulsionar o uso do transporte rodoviário e também a execução das grandes obras viárias na cidade, que deram acesso a localidades com potencial turístico e até então inacessíveis. ", Nessa mesma época tiveram início as obras de terraplanagem dos primeiros 8 _quilornêtt()~.da rÔ,d~vi~ SC-401 (norte), que dá acesso aos
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    ~------~~~----~--~----------------------- ... ' -~ , 1 . •....... 1 _ 114 (~ :'+;' balneários norte da Ilha. Esta rodovia inicia-se no bairro do Itacorubi e L conduz aos balneários de Canasvieiras, Jurerê e Ingleses, em conexão com a SC-402 e a SC-403. É interessante notar que; dentre as rodovias previstas no município, as duas obras priorizadas para serem )- executadas, na virada da década de 60 para 70, foram a Avenida Beira':' Mar Norte e a SC-401, que vieram a facilitar o acesso às zonas residenciais do norte da península e aos balneários situados ao norte da Ilha. A execução das obras viárias foram desenvolvidas com maior intensidade no decorrer da década de 70. O programa de governo de . ,,1 --.. Colombo Salles (1971-1975) priorizou o setor de transportes e a expansão industrial. Este programa, denominado Ação Catarinense de Desenvolvimento, apoiava-se no Programa de Metas e Bases para a Ação, do Presidente Médici e, também, absorvia muitas das proposições i_-" do Plano de Desenvolvimento Integrado da Micro-Região de Florianópolis, assim como do Plano Diretor, que na época aguardava aprovação na Câmara Municipal de Florianópolis. "r- ..f ": - ""',", O governador Colombo Salles sintetizava o seu projeto de governo ~.;/' r~ ...•/' na palavra "modernização", que deveria ocorrer se houvessem: a) 'mudanças institucionais; b) um elenco de projetos disciplinados para possibilitar a ampliação das rendas; c) o fortalecimento dos desempenhos privados; e d) a realização da "integração estadual, pela seleção e fortalecimento de um polo urbano oinemico, aceito pela coletividade, e por ela valorizado." (45). 45 - In Projeto Catarinense de Desenvolvimento. Mensagem do Governador Colombo Saííes à Assembléia Legislativa. 1971, p.14.
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    1 115 Deve-se notar que este último fator definido pelo Programa de Governo privilegiava uma das principais diretrizes do Plano de Desenvolvimento Integrado de Florianópolis, que elegia a Capital como "pólo urbano dinâmico". Esta meta garantiria os investimentos governamentais para a região de Florianópolis. Ao justificá-Ias, o governador fez referências às disputas 'que ocorriam entre as oligarquias locais que, inclusive, estavam .ímpedíndo a aprovação do Plano Diretor: "Porque a verdadeira democracia impõe a superação das oligarquias estaduais e municipais, a renovação de valores e a reforma das_ instituições não vacilarei em impulsionar as transformações do panorama político ... O Projeto Catarinense, do ponto de vista institucionel, tem a serena intenção de quebrar o monopólio do poder. ..".(Projeto Catarinense, 1971:14) O Projeto Catarinense propunha, entre as 16 rodovias estaduais que deveriam ter execução prioritária, "com vistas à imeçreçõo micro- regionaf', os seguintes trechos rodoviários de Florianópolis: a implantação e pavimentação dos 28 km do trecho Florianópolis- Canasvieiras-Ingleses (SC-401) e a pavimentação dos 8 km do trecho Florianópolis-Base Aérea, ao sul. A Via Expressa-Sul, principal rodovia do Plano Integrado de Florianópolis, não se constituía, porém, numa obra r-. I prioritária do governo estadual. O Programa do Governo, identificado com as ações federais, adotava uma série de projetos e subprojetos nas diversas áreas programadas, que exigiriam vultosos investimentos mas que, segundo argumentava, estariam coerentes com a posição assumida de ".:.explorar .~ ao máximo os recursos externos e a capacidade de endividamento do
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    116 Tesouro" (46). Estadisposição de investimentos e a certeza de que não faltaria apoio financeiro para as obras previstas refletiam o momento político e econômico, auge do chamado "milagre brasileiro". Neste contexto, e legitimados pelos planos existentes, foram efetuados grandes investimentos urbanos em Florianópolis e em todo o estado, principalmente no setor rodoviário. O impulso que ajudou a viabilizar as obras previstas foi a criação, em 1972, através de Decreto . . do Governo Federal, do Programa Especial de Vias Expressas - o PROGRES. Este programa, administrado pelo DNER, possuía dotações incluídas no orçamento deste órgão, e destinava-se a financiar "...0 planejamento, construção, melhoramentos, e operações de vias expressas urbanas, anéis viários, estradas de contorno, travessia de cidades e acessos a centros urbanos ou a terminais de passageiros e cargas"; além de financiamento de estudos para definição de sistemas viários e prioridades de projetos (47). O PROGRES procurava, acimade tudo, viabilizar as metas previstas pelo Governo Federal de integração nacional, através da expansão da rede rodoviária urbana e regional, garantindo a disseminação do transporte rodoviário. Foram reiniciados os projetos e a execução de diversas obras a partir de 1972, a maior parte delas com recursos vindos do PROGRES . r< 46 - In Projeto Catarinense, op.cit.,p.109. "O volume de investimentos para a execução do projeto pode ser havido como elevado. Na verdade, é. É elevado, propositalmente. Dimensionou-se a capacidade dinâmica do Tesouro, em condições de expansão com as que estão em curso no país e no Estado." op.cit.,p.108. 4T-VerArtigo 1.0, Parágrafo 1.oe2.o, do Decreto N.o 71.273·de 30. de outubro de 1972 que cria o Programa Especial de Vias Expressas - PROGRES,instituídopeloex- Presidente da República Emílio Médici.
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    1 -- '._- -I 117 I I i (48). A rodovia SC-401-norte, no trecho que efetua a ligação do Itacorubi com os balneários ao norte (Canasvieiras-Ingleses), teve início em fevereiro de 1972 e foi concluída a pavimentação-.em março de 1974. Esta rodovia, que garantiu acessibilidade aos balneários norte da Ilha, possui 28 km de extensão. As rodovias SC-402 e SC-403 que; em conexão com a SC-401-norte, fazem, respectivamente, a ligação com os balneários de Jurerê e Canasvieiras, também foram concluídas em . 1974. O projeto paisagístico, dos 32 km destas estradas ao norte da Ilha, foi implantado em 1977. (Ver Figura 02) . Ao mesmo tempo vinham sendo iniciadas as obras da nova ponte e executados os aterros na Ilha e no Continente, que deveriam apoiar os acessos à Ponte, a malha viária e, no caso da Ilha, os diversos equipamentos urbanos e edifícios de uso institucional. Tanto a nova ponte, denominada Ponte Governador Colombo Salles, como o grande aterro construído na Ilha, próximo à área central da cidade, e ainda, a malha viária, apoiavam-se no Plano de Desenvolvimento Integrado.__ J~~)--j . ------ (Ver Figura 09 e Figura 17-b) As obras da Ponte Colombo Salles, juntamente com os acessos e oAterro Continental, foram iniciados em agosto de 1972 e concluídas em fevereiro de 1975. O aterro feito no Continente foi executado para 48 - Os recursos financeiros advindos do PROGRES, por força de convênios entre o DNER e os goVernos municipais ou estaduais, fínanclavamfodo projeto e a execução da obra ou, ainda, apenas algumas etapas, entre outras: os estudos preliminares, os projetos de engenharia,.a execução de terraplanagem, os aterros, as obras de arte especiais (pontes.viádutos). pavimentação, iluminação, paisagismo e sinalização. . .~ 49 _kPontéColombo'Salles possui no total, contando os viadutos de acesso, 1.227mefr'Ôs de comprimento, e situa-se a cerca de 350 metros da ponte Hercílio Luz.
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    f 118 servir de acesso à Ponte Colombo Salles e também à terceira ponte prevista para ser implantada paralela a esta é que só foi concluída em ," -- 1991, a Ponte Pedro Ivo Campos. O Aterro Continental foi projetado ..•...•. também para a implantação de uma futura avenida à Beira-Mar ligando '"', os bairros de Coqueiros e Estreito. ';,:~ ., "<, O grande aterro implantado na Ilha, próximo à área central de -'', r- Florianópolis, foi chamado de Aterro da Baía Sul. Sua execução deu-se por processo hidráulico, entre 1972 a 1974, constituindo área de 611.000 m2 (50). Neste aterro estava previsto o Centro Metropolitano que, a partir -, ,--. da implantação dos grandes equipamentos definidos no Plano de Desenvolvimento Integrado, viria a consolidar o centro administrativo- institucional-financeiro da "área metropolitana". Como vimos anteriormente, a criação deste Centro Metropolitano, de acordo com o Plano de Desenvolvimento Integrado, deveria ter "prioridade absoluta sobre todos os demais projetos", sendo que sobre o Aterro da Baía Sul deveria ser iniciada a futura Via Expressa Sul. .~ J "'.i- .. , C~)~ Neste período ainda foram concluídas as obras da rodovia SC-404, ~ •• t:J. 9,'--" que efetua a ligação entre o trevo da SC-401-norte, no bairro Itacorubi, com a Lagoa .da Conceição, situada a leste da Ilha. A implantação da SC- 50 - O custo dos aterros e dos acessos, na Ilha e no Continente, e ainda da Ponte Colombo Salles, a preços da época, foram da ordem de US$24 milnõesde-délares-Não estão computados neste valor o aterro . ' .;, mecânico que precisou ser efetivado, posteriormente, sobre o aterro da Baía Sul, os planos e obras de urbarazaçâo.: as tramas viárias, o projeto e Q obras de paisagismo e, ainda, os equipamentos urbanos ali implantados. O projeto da ponte e acessos foi feito pelo consórcio formado pelo ltJ,'--' . EscritórioLC. FigueiredoFerrãz, Croce, Aflalo & Gasperini Arquitetos Ltda.e pelo arquitetQ!,PedroPaulo de.Meío Saraiva. A ponte foi q~ ", ,.'" executada. pela C(:)n~trntora Norberto Odebrecht e o acesso no lado da Ilha, pela Construtora·;SinodaSA: InGoverno do Estado. A Ponte Colombo Salles:'1975,;pp.25-26 . . o·
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    119 404, em1973, ajudou a impulsionar ainda mais a expansão urbana para a região situada a nordeste do centro da cidade que, como veremos adiante, começava também a ser ocupada pelas empresas estatais. (Ver Figura 22) '-"'--~ ' A política de incentivo ao transporte rodoviário teve continuidade e foi reforçada no Governo de Antônio Carlos Konder Reis (1975-79) que, i além de eleger como maior prioridade de seu governo a execução do ! Programa Rodoviário, definiu como lema de governo, frase bastante difundida na época: "governar é encurtar oisténcies". (51) Uma série de rodovias, que possuíam grande interesse turístico e objetivavam dar acesso a todos os balneários ao redor da Ilha, começaram a ser implantadas. Foram iniciadas as obras da SC-401-sul; ,que faz conexão entre o centro da cidade e o aeroporto. Contrataram-se também estudos para as obras da SC-406, rodovia que efetua a ligação na costa leste da Ilha, entre os balneários de Ingleses, Lagoa e Pântano do Sul, com 47 km de extensão. Esta obra foi concluída no início da década de 80. Desenvolveram-se também estudos e iniciaram-se as, obras da rodovia SC-405 que, com 33 km de extensão, efetua a ligação entre o Aeroporto, Ribeirão da Ilha e Pântano do Sul. (Ver Figura 02) A mais significativa obra viária do município, iniciada em 1977, foi -a via expressa denominada Via de Contorno Norte-Ilha. Sua execução foi definida, como veremos adiante, como prioritária. Tomou-se a 51 -o Governo Konder Reis propunha-se, em seu Programa Rodoviário . Estadual, investir recursos; através de operações de crédito, no valor de " . US$200 milhões de dólares no período 1975-79. Deste total foram . efetivamente rscebldesze investidos em torno de US$ 132 milhões de délares.Jn BORNHAUSEN,.Jorge~Mensagem à Assembléia Legislativa. abri1/1979.
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    120 primeira via expressa intra-urbana a ser construída na cidade, com grande importância no processo de organização territorial das classes sociais em Florianópolis. ;";/'.. Durante a execução da Via de Contorno Norte-Ilha, o Governo do Estado contratou o Projeto de Engenharia da Avenida Beira-Mar Norte Continental, com 8 km de extensão, e o projeto da Via Expressa Sul, prevista com 18 km de extensão. Estas duas avenidas não foram até o momento implantadas (52). Deve-se evidenciar que, durante a década de 70, com exceção da pavimentação da Avenida Ivo Silveira e outros logradouros já existentes, não foi executada nenhuma grande obra viária na parte continental. Apesar da alta concentração populacional existente no lado continental da cidade, onde habitava 1/3 da população do município, os investimentos urbanos do Estado foram efetuados, fundamentalmente, na ,-, Ilha. (53) --------- ~/ 52- No final da década de 80, recomeçaram a surgir grandes interesses de alguns setores sociais e governamentais pela implantação destas duas avenidas, que, no entanto, em função da nova conjuntura econômica e política, têm enfrentado obstáculos. Em1989,oex~prefeito } - J .--. Esperidião Amin cóhséquíu, sob protestos, aprovar na Câmara Municipal o projeto da avo Beira-Mar Norte Continental, pretendendo construí-Ia através de recursos do setor privado. Reportagem do Jornal O Estado faz a seguinte consideração: tiA Beira-Mar Norte Continental é um dos projetos de "impacto" do prefeito, .. na:ân§ia ,c.tfJ"çem§olidare$truturas perereoeber: turistas em >. Florianópolis, como setoe para a cidade e estímulo à iniciativa privada, masque: naré.alicJacJese. configura ne entrega de terras públicas, com retomo muito abaixo do real valor das propriedades." Jornal O Estado, 30/07/1989. 53 - No Censo det~aO;;aparte-continental do município era habitada por 63.992pesso~s".q~e.representavam 34% do total de habitantes de Florianópolis. Est~sJja(jostornam-se ainda mais expressivos se considerarmos(q~e.â":á~eae()l1ltinentaljcontaeom. apenas 12,5 km2, que representa··apenáS;Q',c7:'%'ldottotâUdgterritório municipal. Fonte: IBGE,
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    .. -....l;. __ . __ -=- _ 2.7 - A transferência das empresas estatais. 121 I Em meados da década de 70, paralelamente aos investimentos viários, começaram a ocorrer as primeiras transferências das instalações estatais para a área nordeste, na direção da Trindade. Entre as instalações mais significativas, deve-se citar: o Hospital Infantil 1 ! .Joana de Gusmão (1979), instalado próximo à Casa do Governador, na Agronômica; a sede da TELESC, Telecomunicações de Santa Catarina (1974/76); a sede da EMPASC, Empresa Estatal de Pesquisa Agrícola (1977); o Centro de Treinamento do BESC, Banco do Estado de Santa Catarina (1979); a primeira etapa do Centro de Ciências Agrárias da UFSC (1977). Todas estas últimas instituições foram implantadas no bairro doltacorubi, ao longo da rodovia SC-404, concluída em 1974. (Ver Figura 22) Entre as empresas estatais implantadas na região, a transferência e a construção da sede da ELETROSUL (1978), numa grande área vizinha ao campus da UFSC, repercutiu na organização urbana e na dinâmica imobiliária. A centralização da sede da ELETROSUL em Florianópolis exigiu a transferência de muitos funcionários e familiares que, em sua maioria, vieram do Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Naquela época, o alto poder aquisitivo de sua diretoria e de seu corpo técnico e administrativo e, ainda, o grande número de funcionários, em tomo de 2.000 pessoas,' contribuíram para dinamizar o mercado imobiliário e ampliar o fluxo de veículos na região. (54) (Figura 22) Dados Gerais .doCenso Demográfico de 1980, Arquivo de Setores Censitários. 54..; Segundo o sn: Datton.Ancrade-dlretcr da ACEML(Associação Catarinensede<:Empresas Imobiliárias), ••... o surto do mercado imobiliário
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    122 A política econômica do governo de repassar recursos, obtidos a partir de empréstimos externos, além de financiar programas para execução de grandes obras urbanas, também criou programas onde, indiretamente, direcionava verbas para expansão de outros setores da indústria da construção civil. Com características semelhantes, mas com recursos menores que o PROGRES, foi criado nos anos 70 o PREMESU - Programa de Expansão e Melhoramento das Instalações do Ensino Superior -, subordinado ao MEC. Através do repasse do financiamento do 810, coordenado pelo PREMESU, foram ocorrendo sucessivos investimentos no campus universitário da UFSC. No final da década de 70 foi aplicada uma imensa soma de recursos na construção de edifícios que gerou, no .período 1980-84, a conclusão de 57.417,30 m2 de área construída no campus. (Ver Tabela 09) No final da década de 70 o campus universitário da UFSC, na Trindade, contava com 61.830,74 m2 de área construída. A população que freqüentava o campus da Trindade e o Centro de Ciências Agrárias no Itacórubi constituía-se de, aproximadamente, 10.000 alunos e 3.000 docentes e servidores. (55) em Florianópolís começou há 15 anos com a vinda da Eletrosul, que foi um grande marco, porque atrás dela vieram uma série de empresas prestadoras de serviço a ela.". Afirma ainda que existiu uma Florianópolis antes e outra depois daEletrosul, Extraída de entrevista inédita concedida aos arquitetos Uno Peres e Manoel Andrade, em 1991. 55 - Dados obtidos no Relatório Geral da UFSC-1979, voU e Relatório Geral UFSC-1980.
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    123 2.8 - Análisedas repercussões das ações do Estado na dinâmica imobiliária. o processo de intenso investimento estatal na Ilha, durante a década de 70, privilegiou a área situada a nordeste-leste da península ~ central, região que já vinha sendo objeto de crescente interesse imobiliário desde a década de 50. (Ver Tabela 06). Deve-se ressaltar que essa área norte-nordeste-Ieste, num período de oito anos, foi favorecida pela implantação da Avenida Beira-Mar Norte, da SC-401, da SC-404 e, principalmente, pela decisão de implantar uma via expressa conectando toda região - a Via de Contorno Norte. Isto não significa que tenham inexistido nas áreas continentais repercussões destas ações. Algumas das obras viárias do período, em especial a execução da. Ponte Colombo Salles, colaboraram para desenvolver a .ocupação dos bairros situados na orla continental sul, como Coqueiros, Bom Abrigo e Itaguaçu. Nesta área, como vimos, grandes glebas de terra haviam sido adquiridas, já na. década de qQ, aguardando futura valorização. A construção da Ponte, conectando estas localidades, à Ilha, ampliou o interesse dosínvestkíores pela área,oncie foram lançados diversos empreendimentos imobiliários destinados às classes de mais alta renda. No período de 1970-79 os loteamentos aprovados na área representaram 23% do total de loteamentos aprovadosnomlJnicípiO.(Ver Tabela 06) Esta aproximação de parte das elites pela orla sul continental, no . entanto, nãe,}f~2~:ziH;~ap(im~:zia que a ocupação da r~giãpsi.tu~d~,;(3 norte/norde$teqêiê(~él;,c,efltral ..::<'.' "-".,,.<-,- ". ~':" -',"i' , ,'''''7 .~ _' ,_:.,: "."'-y·':-_·"·'-"'f_.:.'_ _ .da cidade, na ..lIha, desfrutava juntºªQs '- .. ' o"~ _.: - -:' -c:· ~.:..r·;::'·;':;:.; ':';. -:_":-'::;;-
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    ./ - ~;~ -_. _.-.--'-:"~-.;:~ 124 setores hegemônicos das elites. Os investimentos estatais efetuados e " .--..... previstos na região norte/nordeste da área urbana, em especial os : -.......•. •.. viários, vieram a íncrernentar os interesses imobiliários na área. ·_------~ ~~~ A quantidade de loteamentos aprovados na área da Trindade ~_.", obteve um leve crescimento, passando de 27% ria década de 60 para I I 29% do total de lotearnentos aprovados na década de 70. Deve-se ..: considerar, no entanto, que as glebas loteadás na região possuíam I <2"'- grandes dimensões, vindo a reorganizar os bairros da Trindade, Itacorubi, I ,e'" I $;~ Córrego Grande e Pantanal. Entre estes loteamentos deve-se citar: o I ' f Jardim Santa Mônica, loteado pelas Irmãs da Divina Providência (1970); ! - {,,- ! o Parque São Jorge ell (1973-82); o Jardim Cidade UniversitáriafTercasa (1973); o Jardim Flor da Ilha I e 11 (1974-81); e o ~;~ .~:~h Jardim Anchieta, loteado pelos padres jesuítas (1975), (Ver Tabela 06 e & i- '~J--.., Figuras 21-a, 21-b e 21-c). A ocupação destas áreas não foi imediata, ocorrendo com' maior intensidade a partir do final, da década de 70. Deve-se considerar ainda que, no decorrer da década de 70,a acessibilidade para a região ao redor do carnpus universitário ainda era precária, existindo um maior fluxo de veículos' com o centro da cidade I í~ ·t:l~ pelo contorno sul, através do PantanallCarvoeira e Saco dos Limões. I ~ Esta situação só iria se alterar com a implantação da Via de Contorno ! . Norte-Ilha no final da década.--~/ 1'" '~J", Entre os indicadores da ampliação destesiriteresses imobiliários por esta região, um dos mais expressivos são fornecidos pela Tabela dos Desmembramentos aprovados no período. (Ver Tabelas 07) A aprovação da Lei N.01215, de 1974, que regulamentou os , , Lotearnentos, . Desmembramentos e Arruamentos de Florianópolis,
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    125 reduziu as solicitaçõesde aprovação de loteamentos junto à Prefeitura Municipal. A nova legislação urbana definia, para a execução de novos loteamentos, exigências até então inexistentes. Entre os novos requisitos constava a obrigatoriedade de dotar os loteamentos de áreas verdes, equipamentos urbanos e comunitários, circulação' e lazer, que deveriam representar, no mínimo, 35% da área total da gleba (56). Regulamentava, também, as dimensões de vias de circulação, quadras, lotes, declividades, além de exigências relativas aos projetos técnicos. Esta nova legislação, a Lei N°.1.215/74, que pretendia disciplinar o processo de ocupação e parcelamento do solo em Florianópolis, reduzia, evidentemente, a margem de lucro dos promotores imobiliários; impelindo-os a procurarem outros meios de executarem os parcelamentos do solo e os empreendimentos (57). A legalização dos parcelamentos, através dós desmembramentos, passou a ser um dos meios mais utilizados a partir da metade da década de 70. Os desmembramentos, considerados subdivisão de áreas urbanas com aproveitamento do sistema viário existente, não possuíam 56 - Ver Artigo 15, item 1, da Lei N°. 1.215174. Este artigo sofreu, posteriormente, diversas alterações, através da Lei N°. 1.330175 e também do Decreto N°. 135177. Este último definia o percentual de 35% nas zonas urbanas e 45% nas zonas de urbanização prioritária. Na década, de 80, alguns artigos deste Decreto foram alterados pela Lei N°. 2.193/85. 57 - Deve-se considerar também a aprovação em 1979 da nova lei federal de loteamentos, a Lej'N0.6.766179,a qual instituía pesadas penas para o loteador cl.éln~~stino .€:!, para os donos de cartórios que registrassem'loteamettos clandestinos, alémda possibilidade legal do comprador sus~~f,,~lP~9J~!"fIe.ntQ" ~019t.e.ador para depó~ito em juizo, Esta lei' federal garãritiú êbnáiÇõêsparà quê' instrumentos legais, como a Lei NO.1.215174,.çon§~g~t§§~rn9m~rgfi~~ia, diminuindo o número de loteamentosclantléstlnds e iITég'dlárés: .: . .
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    ~ .. r-; .-. . .. , -~ ~'-"";;3:- .. _._._~... 126 regulamentação tão rigorosa como a dos loteamentos e garantiam ---", comercialização total da propriedade. Este fato é confirmado pela redução do número de loteamentos aprovados e, ao mesmo tempo, pelo excepcional aumento no número de desmembramentos aprovados a partir da segunda metade da década de 70 (Ver Tabelas 07). No período 1971-76, foram aprovados, em números absolutos, 11 solicitações de desmembramentos no-~'~município, ampliando, no período 1977-81, para 337 desmembranientos aprovados. Deve-se notar, no período 1977-81, o grande número de solicitações .-, efetuadas no setor nordeste/leste da área urbana e também nos e. '-'o '-_ -. ~ balneários norte, que representava, respectivamente, 35% e 26% do total - - dos desmembramentos aprovados em Florianópolis. É interessante evidenciar também que 9 grande número de desmembramentos solicitados na região nordeste/leste, período 1977-81, coincide, exatamente, com o início da execução da Via de Contorno Norte, que, não casualmente, foi implantada ao longo destes bairros. th As diversas leis urbanas aprovadas paralelamente a este ~h ~- crescimento dos empreendimentos imobiliários, da indústria da ~~·~t y/"', construção civil e da rápida expansão urbana, propunham-se a restringir os abusos e a regular o processo de expansão urbana em 0" desenvolvimento, assim como a preservar setores da cidade onde se instalavam as populações de mais alta renda. Foram aprovados, como vimos, a Lei N°.1.440/76 (Plano Diretor), a Lei N°.1.215174 (Loteamentos, Desmembramentos e Arruamentos) e a Lei N0.1.246/74 (qódigo de > Obras), baseados nos ante-projetos de lei elaborados pelo' ESPLAN.--A .' Lei que regulamenta os condomínios foi elaborada em 1978, Lei N°.
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    127 1.566/78. É importanteressaltar também a criação do IPUF, Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, pela Lei N° .1.494/77, cujo corpo técnico passou a elaborar o planejamento urbano-municipal. No período posterior à aprovação destas leis urbanas," foram surgindo alterações elaboradas pelo poder executivo e legislativo municipal que representavam o relaxamento ou a revisão das medidas aprovadas. Muitas das alterações efetuadas nas leis, como veremos no Capítulo 3, vieram a garantir a implantação da Via de Contorno Norte- Ilha. ---- .... , ' Durante a década de 70, portanto, foram se reproduzindo os i I I empreendimentos imobiliários na região situada a norte e a nordeste da I f área central e nos balneários ao norte da Ilha, em especial loteamento~ e ! condomínios dirigidos aos setores sociais de mais alta renda. Ao mesmo tempo, o Estado desenvolveu ações nestas áreas, através da transferência das instalações estatais, das. definições na legislaçã() urbana, dos investimentos urbanos e da execução das obras viárias que .' -.-:,~'~ I incentivaram o processo de transferência das camadas de altax~~ncta I para estas regiões, culminando com a implantação, no final da década, i í da Via de Contorno Norte-Ilha. ~_~_~
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    -., ... r -...---..... CAPÍTULO 3 A VIA DE CONTORNO NORTE-ILHA • • Durante a ié~;a<ta'''der7j~t consolidou-se a ocupação .espaci.êl, pelo o setor hegemônico das elites, . na direção da avenida Beira-Mar Norte '.~-•.. ."" e nos balneários situados ao norte da Ilha. Iniciou-se também a ocupação por faixas populacionais de mais alta renda de algumas áreas próximas ao campus da UFSC na-Trindade, a partir dos investimentos estatais e . .~ dos loteamentos e condomínios que ali vinham sendo implantados. { --/'"' Neste processo de ocupação" tiveram grande importância: as " , sÓ. t,,;::~ diversas obras viárias executadas pelo Estado, que garantiram '"-- ''-'---'- ...•. _.. .... --~ - •.. -..-~-., .. _-..••....".•.......,..--._ •... -.. :"... '."" acessibilidade a estas áreas da Ilha. A Avenida Beira-Mar Norte facilitou ~, -.-- .- ••• _, •• ~ ••.• " ••• ""' ..••••••••• o"••. 0'" -~-.L_ ~.' ~~,.,.~ .::!I-- ... :~-:'" -:. ' _ : •.. ,,:, • o acesso à área norteda península, enquanto que as rodovias SC-401, 'h .{," {~,;,.i--.... SC-402, SC-403 e a SC-404 permitiram a ocupação dos balneários situados ao norte da Ilha e na área da Lagoa da Conceição. Em meados -:~"'h (~~ da década de 70, interessava às elites melhorar as condições de acessibilidade às regiões onde pretendiam localizar suas áreas li ,"-- residenciais e seus balneários. Privilegiavam as seguintes obras viárias: t~~ t tJ~ 1. a ligação viária entre a Av. Beira-Mar Norte e as pontes de ligação' ~~ r-r-; .~ Ilha-Continente na área central da cidade;
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    ._------_._-_._._.----._.~.---~-.;......,....~~-------------....,--- .-." .~- .----'~ -'--- 129 2. a conexão viária entre a Av. Beira-Mar. Norte e a bifurcação das rodovias SC-401 e SC-404, no Itacorubi; 3. o acesso viário da área central da cidade à região do campus r universitário, na Trindade. Destes três trechos viários citados, os dois primeiros constituíam extensões para servir, durante o verão, à população que utilizava os balneários localizados no norte da Ilha. O acesso do centro da cidade à região do campus da UFSC, na Trindade, podia ser efetuado por dois percursos: a) pelo contorno norte do Morro da Cruz, através do bairro Agronômica; b) pelo contorno sul, através do bairro do Saco dos Limões, ,0 que dava acesso ao campus pela Carvoeira ou pelo bairro Pantanal. O percurso pelo contorno sul, através do Saco dos Limões,por ser menor e mais rápido, apresentava, na época, o maior fluxo de veículos. No entanto, estes antigos acessos, em função da implantação do campus universitário, das demais instalações estatais e dos emprendimentos imobiliários na região da Trindade, tornaram-se precários e insuficientes para atender ao novo tráfego. O aperfeiçoamento dos acessos rodoviários da área central a estas regiões estava previsto, como vimos, no Plano de Desenvolvimento Integrado e no Plano Diretor de Florianópolis através de duas vias: ao norte, pela implantação da continuidade viária da Av. Beira-Mar Norte e, ao sul, pela Via Expressa Sul. Em função das determinações destes planos, que definiam prioridade para a execução da Via Expressa Sul, havia o entendimento. de que o acesso do centro da. cidade para o campus universitário. seria efetuado primeiramente pelo lado s1JI,através . ' .. ~":';~-- ~.;.-; ,. : -..;:., de uma derivaçãodaviaexpressa.
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    16' I ~------ ~--------~~--~~-- ~ ~ 130 Durante a implantação do Aterro da Baía Sul ~ da Ponte Colombo Salles, o Governo Estadual assinou convênio com o DNER/Secretaria dos Transportes, com interveniência da Prefeitura Municipal, ,.para ::~ execução do sistema viário da Ilha e dos projetos de engenharia, às custas dos recursos do PROGRES. Neste convênio, celebrado em 1973, portanto, antes da aprovação do Plano Diretor pela Câmara Municipal, 'previa-se a execução das seguintes obras: ... "0 prolongamento da Avenida Beira-Mar Norte até o campus universitário, o túnel do Penhasco, optativamente pela orla marítima, prolongando-se até o aeroporto, com derivações para o Gampeche e, novamente, para o campus universitário. Nos termos do convênio retro mencionado, cabe à Prefeitura Municipal, a construção da via de ligação com a Praia do Gampeche. A ponte sim, porém o acesso à BR-101/SG não. As obras viárias do continente fazem parte da BR-282, cujo marco zero foi fixado na cabeceira oeste da nova ligação ilha- continente." ,(1) Deve-se observar que, até aquele momento, não estava prevista a implantação de uma via expressa ao norte da área central da Ilha, mas apenas do "prolongamento da Avenida Beira-Mar Norte até o campus .,.-r--, universitário", conforme o Plano de Desenvolvimento Integrado (Ver Figura 17-b). Não foi considerado neste primeiro convênio o trecho da 1 _ Trecho do ofício NO.5009174, expedido pelo Engenheiro Chefe do 160. Distrito Rodoviário. Federal do DNER, Altamiro da Silveira, e encaminhado ao ESPLAN. Nessa época ocorria uma certã polêmica entre os diversos setores envolvidos com a . ',...., implantação do~sistemavi;3!Ío;que debatiam sobre a conveniência da Via Expressa ; ',...., - Sul transpor o Morro do' Penhasco (Morro da Cruz) através de túnel, confqrme o ;J plano do ESPU>.N;';:ou.···ãtravésdocontornodo morro pela orla marítima. Esta última '~ " opção era ostensivamente rejeitada pelo ESPLAN. In ESPLAN/BESC . ~+-, i Empteendil11entos'e tún~rrió:iM6dUloIndutor-Setor Oceânico Turístico da Ilha de ~ Y", Santa Catarina.Projeto prioritárioNoA. Memorial, 1974, voiume1, pp.8-10. , .3 ,'" .~ , "'" ',·>',,,,'1
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    131 BR-282 - ligaçãoentre a Via Expressa Sul, a Ponte Colombo Salles e a BR-101 - que atravessaria a parte continental, mantendo-se os investimentos destes recursos do PROGRES apenas nas obras viárias da Ilha. Até 1974, ainda que o Plano Diretor não estivesse aprovado, os órgãos estaduais responsáveis pelas intervenções viárias vinham absorvendo as determinações deste Plano e do Plano Integrado, inclusive a que definia prioridade à construção da Via Expressa Sul, entendendo-a como a única via expressa constante do plano. A prioridade na execução da Via Expressa Sul desagradava, principalmente, as frações da classe dominante que pleiteavam a conclusão das conexões que iriam melhorar a acessibilidade aos balneários do norte da Ilha. 3.1 - O Estudo de Tráfego da Via de Contorno Norte e da Via Expressa Sul. As mudanças no Governo do Estado e na direção dos diversos orgãos, em especial, no DER-SC, vieram a alterar as prioridades. Em 1975 a Secretaria dos Transportes e Obras e o DER lançaram o Edital de Concorrência N°; 20/75 para que fosse efetuado o Estudo de Tráfego de duas vias expressas, da Via de Contorno Norte e da Via Expressa Sul e,"também, para execução do Projeto Final de Engenharia da Viade Contorno Norte; Entre as determinações definidas pele, .DER ,e apresentadas no Edital N°.20/75, deve-se ressaltar as seguintes:
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    132 1. A execução destas duas vias expressas objetiva prover a Ilha de Santa '" Catarina de vias de fluxo rápido para atender à demanda de veículos gerada e atraída pelos pólos localizados no Continente, no Centro da ,. cidade, nos balneários ao norte e a leste, no campus universitário e no Aeroporto. Pretende, ainda, solucionar os congestionamentos existentes no contorno norte do Morro da Cruz, na Rua Frei Caneca; 2. Os Estudos de Tráfego deverão ser desenvolvidos de forma a servir tanto para o Projeto Final de Engenharia da Via de Contorno Norte, objeto do contrato, como também para o da Via Expressa Sul, a ser colocado em licitação; 3. O estudo de capacidade dos sistemas deverão considerar o estabelectrnento da categoria funcional de Vias Expressas para estas duas vias; r f 4. A Via de Contorno Norte será a primeira a ser executada, devendo, I para as estimativas do tráfego futuro, ser utilizado o ano meta inicial de " 1978 .para a Via de Contorno Norte e o ano meta inicial de 1981 para a Via Expressa Sul; 5. Será destinada, na Via de Contorno Norte, uma faixa de tráfego para ~.,j", uso exclusivo de ônibus. As novas pistas desta via expressa serão 'j~ utilizadas para o tráfego de passagem eo tráfego local será retido nas ruas e avenidas existentes; 6. A Via Expressa Sul, que possibilita a ligação do Aterro da Baía Sul, ,- pelo contorno de José Mendes, até o Saco dos Limões e Pantanal e daí para o leste e o sul da Ilha, com derivação para o campus universitário e .J ~ o Aeroporto, não necessita, a partir do Saco dos Limões, "das m€!smas medidas queo trecho anterior r por atender a áreas com menor solicitação .,." ."·(~1 de tráfego"; . ~ - ------. ~- __ 3
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    133 .; 7. A análise do sistema viário e da demanda pesquisada deverá indicar o ! dimensionamento adequado das vias considerando-se o tráfego existente e o projetado. A empresa COPAVEL S/A elaborou durante o ano de 1976 os Estudos de Tráfego, primeira parte do contrato do Projeto Final de Engenharia da Via de Contorno Norte, trecho "Nova Ponte- Entroncamento SC-401/SC-404, e Derivação para o Campus Universitário'fs). Seguindo as determinações do Edital e as Normas de procedimento do DER-SC, os estudos apresentaram uma etapa de levantamentos e caracterização da situação atual e, uma segunda etapa onde se desenvolveram as estimativas do tráfego futuro. Partindo da definição de um zoneamento da região em estudo e das áreas de influência das vias expressas, a empresa consultora efetuou uma série de levantamentos sócio-econômicos destas áreas e, ainda, pesquisas de tráfego que serviriam de apoio para alocaçãoeprojeção de tráfego das vias. Destes estudos interessa-nos,· em especial, as pesquisas de tráfego, as previsões, as recomendações e as análises dos resultados, que nos permitem confrontar a situação e as demandas existentes com as intenções e os investimentos viários previstos. (Ver Anexo 02) 2 - A empresa, COPAVEL S/A'" Consultoria de Engenharia, vencedora da . concorrência, assinou com oDER-SC o contrato PJ-072175, para a elaboração do Estudode Tráfego<eido·projetb:Final de Engenharia da Via de Contorno Nol1:e::O Estudo de Tráfego foi concluído em setembro de 1976. O Projeto Final de Engenharia foi concluídoem fevereiro de 1978. Ver: DER-SC/COPAVEL S/A. Projeto de Engenharia. Relatório Especial de Estudo de Tráfego. 1976, 357pp.
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    ---_._---_ .... _---------- .._. __ .. _. ----- - .__ ._-~. 134 ~ As pesquisas de tráfego consistiram de: a) pesquisas de origem e destino, nos dias úteis e finais de semanas, para caracterizar os deslocamentos; b) contagens volumétricas classificatórias, para complementar as pesquisas dos postos de origem/destino; c) avaliação dos tempos de percurso em trechos de interesse para os estudos de traçado. Esta pesquisas foram realizadas na segunda quinzena de janeiro de 1976, portanto, período de férias escolares. Este fato exigiu que as pesquisas fossem "complementadas com estimativas das viagens de escolares, a partir do levantamento do número de matrículas e da localização dos principais palas geradores desse tipo de tráfego: áreas residenciais e de trabalho, e áreas onde se situam as instituições escolares." (Estudo de Tráfego, 1976:53). -'o Organizados os diversos componentes que intervêm nos pontos estudados, foi elaborada a quantificação do volume de tráfego existente ·"0 .. r>. nos 13 locais avaliados. Para efeito de comparação entre os fluxos do ~.j '1' contorno ao norte e ao sul do Morro da Cruz, considerando, inclusive,a 0 .: ~- especificidade da época da pesquisa, devem-se ressaltar os seguintes ::jr" volumes de tráfego: a Rua Delminda Silveira, no contorno norte do {L .-f~~. '-C.';:'r--, : .. Morro, na Agronômica, apresentou o total de Volume Diário Médio (VDM) ,~,-"" de 14.934 veículos (13.908 de automóveis, 267 de ônibus e 759 de , .. -:~ 1; "-~ caminhões) e o VDM do tráfego do contorno sul do morro, pelo Bairro de ~'j José Mendes, foi de 9.455 veículos (8.180 automóveis, 616 ônibus e . ./" :. "- -'r-- 659 caminhões). Por outro lado, do VDM de 16.171 veículos que ',:..;. .r- contornavam o norte do Morro (Agronômica), a grande parcela que . ) r-. : I .. J dirigia-se para os. balneários norte e leste representavam, pelos dados .,~ ,. ~: ' .... 1' :i~ levantados na Estrada das Três Pontes (av. da Saudade), o-total de '~~~ .;,,~ (.j ." (.:j . 'r~ --:r'---- .••.;J- ~ tJ f -.f' :i.&..._
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    .- .. ••...... "".- _~.~ 135 9.414 VDM (8.781 automóveis, 175 ônibus e 458 caminhões), ou seja, 63% do total. (Ver Tabela "Volumes de Tráfego Existente", Anexo O~) -. Em relação ao fluxo de veículos atraídos para a região do campus " universitário, os estudos de tráfego indicavam que os veículos que se dirigiam para o campus pelo lado norte, através da Rua Lauro Unhares, representavam um VDM de 3.907 veículos (3533 automóveis, 86 ônibus e 288 caminhões). O veículos que se dirigiam ao campus pelo lado sul, passando pelo Saco dos Limões, podiam alcançar o campus através de dois acessos: pela Rua Capitão Romualdo de Barros (Carvoeira), que apresentou VDM total de 3.787 veículos (3.072 automóveis, 411 ônibus e 304 caminhões) ou pela Rua Deputado Antônio Edu Vieira, que apresentou total de VDM de 2.841 veículos (2.442 automóveis, 174 ônibus e 225 caminhões). Portanto, a quantidade de veículos que se dirigiam à região do campus pelo lado sul do Morro da Cruz representava um total VDM de 6.628 veículos. (Ver Tabela "Volumes de Tráfego Existente", Anexo 02) O maior volume de tráfego para o campus universitário através do contorno sul já era esperado pois, apesar das difíceis condições dos três acessos viários, o percurso desenvolvido pelo Saco dos Limões era o menos extenso e o que exigia o menor tempo. Este fato foi confirmado nos estudos que avaliaram o tempo de percurso, que indicaram que o tempo médio gasto pelos automóveis entre a cabeceira da Ponte Hercílio Luz e o campus, pelo contorno norte, era de 13 minutos e 45 segundos, enquanto que o tempo médio dos automóveis .entre .a cabeceira da Ponte Colombo Salles e ocarnpus pelo contomó.súlera de 9 minutose_45'.segundos. Através de ônibus o tempo médio~(tÉr
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    - ~--- ". " ".: ~ ._.;.--~ .. "'-'"-~:~ 136 percurso também indicava uma diferença semelhante: os ônibus que faziam o contorno norte utilizavam o tempo médio de 19 minutos e 15 segundos e aqueles que faziam o percurso sul, utilizavam o tempo médio de 15 minutos. (Ver Tabela "Tempos Médios de Percurso", Anexo 02) Em função das exigências do DER-SC de estabelecer a categoria funcional de via expressa para a Via de Contorno Norte e, ainda, de dotá-Ia de uma faixa de uso exclusivo de ônibus, _os estudos de capacidade deste sistema definiram a seguinte proposição: o projeto da Via de Contorno Norte seria "caracterizado por uma via expressa, com três faixas de tráfego por sentido, uma dessas para uso exclusivo de ôntbus,-inexistência de acostamentos e controle parcial de acesso ... -suas faixas de tráfego foram dimensionadas com a largura de 3,60 m. " (Estudo de Tráfego,1976:260). Estes estudos previam também que as pistas da via expressa deveriam estar separadas das vias de trânsito rápido local, inclusive, ao longo da Av. Beira-Mar Norte. No dimensionamento da Via Expressa Sul, "Ievando em conta indicações fornecidas pelo DER-SC para a rodovia, partiu-se da -hipótese de tratá-Ia como expressa desde seu trecho inicial na Ponte Colombo - ,------. Salles até o Pantanal e daí até a Cidade Universitária, e, do Pantanal para o Campeche e a derivação para o Aeroporto em pista simples, .:::- .. impondo-se o acostamento plano ...". Sobre as alternativas para a transposição do morro, o relatório indicou que, para efeito deste estudo, não haveria diferença "seja por um túnel indicado nos Planos ...da Prefeitura MuniCipal-de Florianópolis, seja pelo Contorno de José .....• -/' Mendes, em aterro pela orfa da Bete Sul, como fornecido peib DER-Se para a diretriZda,rocJovia, porquanto não haverá interferência do tráfego
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    137 local naligação desses nós ... as ligações de José Mendes com o centro e continente, são mentides na via existente, aestineae exclusivamente ao tráfego local." (Estudo de Tráfego, 1976: 303). Por outro lado, nas conclusões o relatório demonstra uma inclinação para a solução definida pelo túnel que, até aquele momento, não tinha apoio do DER. (3) Entre as recomendações finais, a empresa consultora ressaltav que, das categorias de veículos que compunham o tráfego de Florianópolis, o automóvel apresentava 90% de participação, devendo, pelas projeções efetuadas, manter valores semelhantes até a década de 90. Evidenciavam que, "mesmo evoluindo a taxas de crescimento baixas, . o tráfego de automóveis deverá, ao final do século, impor granqes solicitações ao sistema de ligação da Ilha ao Continente". Recomendavam que, apoiados num Plano Diretor, deveriam ser estabelecidas estratégias para o desenvolvimento de um sistema eficiente de transportes de passageiros, podendo, inclusive, serem considerados "sistemas de maior capacidade do que o transporte por coletivos (6nibus)". (Estudo de Tráfego, 1976:351-352) Nas conclusões do Estudo de Tráfego, são indicados os trechos das duas vias expressas que deveriam ser atendidos . paralela e prioritariamente: 3 _ liA transposição de José Mendes, seja por túnel, ou aterro na orla da Baía Sul, é questão em ouecontrovérsiespere seleçãO da:alterhativa eedoter, talvez venha a exigir muito mais do que uma análise econômica ... Sob o ponto de vista do tráfego, o .túnelapresentEifá vántagehs'porpermitir soluçõeS mais expontâneas paiaás - intersecções ~ §~rel'/lproj~Jad.as (..).0 que traduzir-se-á emreduçêo deçustqsde operação,'a lôrigo.ófcizo":'Ndel1tanto, evidenciam que i·... ambas(soluçõ~s)" ...' . apresentarã.p.. ~lJ{5tq$,.yqi(f3ri.o~,e,{e,~açJo.s·:..ainda, que o.utrC!.~a$pl3çto$.r~~ji,~fIYmJ1~. e, i avaliaÇão, PÓI~,;t iél s8iiú/ãiYpelocorttomoem •. aterro," airrdi3:q(jeâicaÍ1&eexq'iilêl1t~""" tratamento visua1i"nã.o P9cJf?rf!dei~ar de retirar as características naturais da f3npqsta.," (Estudo de Trife-~Jo: 1976: 353)' '. ' ."" '. ,
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    ----- 0---- ---_ -o----=-"'~~--~==-----------------~,C 138 ~, "Na Via de Contorno Norte, a ligação da avenida à - Ponte --. .~---~- .. --_._---- - Colombo Setles, o trecho da altura da Avenida Mauro Ramos atéiiEstrad~- das Três p~nt~~, e daI até a;;;f~;caç;o-da ." .. -- .-- -' .... --".. -ic= ------ 0- 401/SC-40i:f.,;oO '~ Na Via Expressa -Sul, a transposição de José Mendes e a" derivação para a cidade universitária." (Estudo de Tráfego, 1976:354) É interessante notar que a maior parte dos trechos viários recomendados como prioritários pelo Relatório do Estudo de Tráfego coincidiam com aqueles pleiteados por setores das elites para I aperfeiçoar o tráfego para os balneários ao norte da Ilha, a península i I norte e para a área da Trindade. Nestas regiões, como vimos, situavam- ' se grandes interesses ímobüiános e também desenvolvia-se a ocupaçã-o _ pela população de mais alta renda. o Estudo de Tráfego justificava estes resultados evidenciando que ckvA-- o" as variáveis sócio-econômicas (população, famílias com renda superior, frota de automóveis, empregos de renda superior, índice diário de construção, matrículas em cursos médio e superior, comércio e serviços, etc) utilizadas nas correlações, e que caracterizavam as diversas zonas de tráfego; eram variáveis que exerciam: influência na produção e atração- de tráfego. Depois de estabelecidas as correlações no conjunto de matrizes e equações utilizadas, algumas destas zonas, ondesituavah1-se as populações de mais alta renda, aprésentaram as maiores projeções de crescimento de tráfego gerado, exigindo, portanto, as íntervenções mais imediatas. (Estudo de Tráfego,1976:147-175). Em outras palavras: '~,,{ as áreas onde habitam e trabalham as populações de mais'aitaterida C~~ são as áreas que apresentam maior quantidade de tráfego geradO e
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    _ .. _---------_._-------~~---~---------------- 139 tráfego atraído, principalmente de automóveis, apresentando, portanto, maior projeção de crescimento de tráfego e maior premência de obras viárias. 3.1.1 - Considerações sobre o Estudo de Tráfego. A avaliação do Estudo de Tráfego exige que se efetue duas ressalvas aos procedimentos da pesquisa que se mostram importantes pois poderiam vir a alterar os resultados obtidos. A primeira delas diz respeito à época de realização da pesquisa de tráfego, na segunda quinzena de janeiro, período de férias escolares. Este fato altera a quantidade do tráfego. de veículos na região da UFSC quando não apenas os alunos encontram-se em férias, mas grande parte do corpo docente e de funcionários. A adequação proposta pela .empresa consultora, de complementar a pesquisa com estimativas das viagens escolares, não consegue garantir exatidão dos dados, seja na.localização da origem do tráfego, do percurso ou mesmo no tipo de transporte utilizado para os deslocamentos. Por outro Iado.. durante o verão, ampliava-se consideravelmente o tráfego de veículos na Rua Delminda Silveira (Agronômica) e Rua das Três Pontes (Av. da Saudade - Itacorubi), acesso principal para os veículos que se dirigiam para os balneários ao norte e leste da Ilha. As alterações do Volume Diário Médio (VDM) entre o período de alta e baixa temporada são bastante significativas, sendo importante que -tivesse ocorrido. o .Ievaritamento destes dois períodos para uma projeção mais precisa. (Ver avarlaçâo do VDM durante o ano nas Tabelas 10, 11 e 12).
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    140 Deve-se ressaltar no entanto que, mesmo considerando a inadequação da época da pesquisa, os acessos pelo lado sul do campus universitário apresentaram VDM bastante superior, tanto de automóveis " como de ônibus: os acessos pelo sul apresentaram volume diário médio de 5.514 automóveis e 585 ônibus enquanto que o acesso ao campus pelo norte apresentou volume diário médio de 3.533 automóveis e de 86 ônibus. (Ver Anexo 02) o segundo aspecto que precisa ser esclarecido é que, por não ter sido solicitado pelo DER-SC, todo o Estudo de Tráfego desenvolvido pela COPAVEL não considerou a possibilidade de implantação de programas como o do Setor Oceânico Turístico, no Campeche. Este programa integrava o Plano Diretor, que se encontrava em debate na Câmara Municipal e que foi aprovado no período de conclusão do Relatório. No Estudo de Tráfego considerou-se a importância da Via Expressa Sul não pela sua conexão com o Campeche mas, principalmente, pela sua solicitação no trecho que liga o centro da cidade ao campus da UFSC. O Estudo evidenciava, por outro lado, que o trecho da Via de Contorno ..~ Norte que liga a Av. das Três Pontes (Av. da Saudade) ao campus universitário "não terá maior siqntnceao no que se refere às solicitações de tráfego", devendo, pelas projeções efetuadas, ter uma brusca redução a partir da inauguração da derivação da Via Expressa Sul para o campus. (Estudo de Tráfego, 1976: 192,214,352) .. r> ,, , (,--... O que interessa ressaltar é que, nas recomendações finais do -o<.;a r Estudo de Tráfego, procurou-se alertar que alterações relevantes' como a .."", . .. ';:. .:&
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    141 .1 aprovação e implantação do projeto Oceânico Turístico, exigiriam a reavaliação dos Estudos,de Tráfego, modificando, se_~s resultados: IfÉ importante frisar que se vier a ser levada à realidade a fixação do núcleo hebitecione! Conjunto Oceânico do s Campeche, é necessário que a administração venha a reavaliar os estudos aqui apresentados, pois nesse caso não só os trechos envolvidos estarão sub-dimensionedos, como também deverá ser reajustada a eloceçêo dos parâmetros sôcto-econõmlcos por zona de tráfego; porquanto a população a se fixar no referido conjunto resultará de migrações de outras zonas de tráfego. " (Estudo de Tráfego, 1976: 353) Esta condicionante expressa nas conclusões do Estudo . representava, certamente, limitações ao encaminhamento que vinha ocorrendo para execução destas obras viárias. Este Estudo de Tráfego, ~ ". ~ além de ser instrumento fundamental para a elaboração do Projeto Final de Engenharia, tinha importante papel na legitimação das decisões do Governo Estadual e DER-SC, em relação às intervenções viárias: confirmava a prioridade na construção da Via de Contorno Norte, mantinha a sua categoria funcional de Via Expressa e, ainda, : ," _. demonstrava a urgência na execução do acesso viário à região do ..', campus universitário, ainda que através da execução da derivação viária da Via Expressa Sul. Deve-se considerar que a aprovação do Plano Diretor de Florianópolis (Lei N°. 1440/76) nessa mesma época, entrando em vigor o sistema viário proposto pelo ESPLAN e apresentando o Setor Oceânico Turístico, como área de expansão urbana programada, exigia, em-tese, a . '-'." , reavaliação do Estudp de Tráfego. A aprovação da Lei N°.1..440/76 retirava 'daquele'~do~:~~en!o técnico o seu caráter legitimad~r, criando,
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    1lI~ s-, 142 iír'"" . :i~- .' :!! ' portanto, obstáculos para a consecuC?ão, das metas viárias que !li -r-, 11 interessavam aos setores hegemônicos das elites irnplantar. ' I~ , Ig " '", I!j ,':>-, .. 3.2 - As alterações na legislação urbana. li ' r'"" !~ r' lil - <, l~~ _.; ',:;--., A Lei N°.1.440/76, que regulamentava o Plano Diretor, ,~ ,,' considerava, em seu Artigo 5°., o Setor Oceânico Turístico (Rio t~ '~l'" Vermelho, Campeche, Lagoa e Ressacada) como áreas de Expansão ",r'"" , '" Urbana Programada e, ao mesmo tempo, como já vimos, não efetuava } -..::~ fi. proposições aos balneários situados ao norte da Ilha (4). Deve-se. lembrar ,t"=:' ainda que distinguia uma única via expressa de integração Continente- 'I[:' -~~ Ilha, a Via Expressa Sul, que efetuava a ligação' do Setor Oceânico "r Turístico com as rodovias regionais. O'jih r A aprovação do Plano Diretor, por outro lado, ao mesmo tempo que h facilitava a manutenção do convênio firmado entre os governos federal, 'r- li", estadual e municipal para receber recursos do PROGRES - Programa de Vias Expressas- também gerava novas limitações. O·Decreto Federal :~ h '~ N0.71.273/72, que criou o PROGRES, no Parágrafo 2°. de seu Artigo 1°., "h definia que "nó planejamento e execução do Programa lever-se-êo em ,~ t~ conta os Planos Diretores que regulem o desenvolvimento de áreas - ih urbanas." , exigindo que as obras financiadas com os recursos do 'f, 'h 4 _A Lei NO; 1.440176, em seu Artigo 5°. dispõe: "São áreas de Expansão Urbana ~ Programada: a) o setor Central Metropolitano, proposto na quase totalidade §obre 'h acrescidos d?:malitnha;b}o:setorUniversitário Federal; c) o setor.Oceénicoõe-. Turismo,comp1e.Xo,qéi,PitacionaUigado à Recreação, ao Jazere à promoçêo de turismo, abrangefldo' ,?reade Rio Vermelho, Campeche, Lagoa e Ressacada; d) outras que venneme ser definidas pelo órgão Municipal de Planejamento." -. .'-~ "~ "~ .......~ ",",
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    143 programa estivessem respaldadase fossem condizentes com os Planos Urbanos em vigor. Havia, portanto, diversos obstáculos legais que precisariam ser " transpostos para que as obras da Via. de Contorno Norte-Ilha fossem concretizadas. Os obstáculos foram resolvidos de duas maneiras: a primeira, através de alterações na legislação urbana e a segunda, pelas 'imposições arbitrárias, que as condições políticas da época permitiam. No período 1976-78 houver~ diversas mudanças na Lei N°.1.440/76 que regulamentava o Plano Diretor, algumas das quais vieram a favorecer não apenas o processo de implantação viária mas também as ocupações e os interesses imobiliários que ocorriam na região norte e leste da cidade. Deve-se destacar as alterações provocadas pela Lei N°.1.516/77, pelo Decreto N°.100/77 e pela Lei N°.1.570/78, que legitimaram a Via de Contorno Norte e, ainda, facilitaram o desenvolvimento imobiliário em curso. (5) A Lei N°. 1.516177, aprovada em junho de 1977, efetuava alterações e complementações à Lei do Plano Diretor. Definia qüe·o município deveria ser dividido em Zona Urbana, Zona de Urbaritzação Prioritária e Zona de Urbanização Diferida. Efetuava, no Artigo 1°., as seguintes caracterizações destas zonas: " 5_ A aprovaçãodal.:.éi NO 1440176 e as alterações do período forarnefetuadas durante a primeira gestão do ex-Prefeito Esperidião Amin Helou Filho (1976-78) na Prefeitura de Florianópolis.
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    1lIí'~ 144 I'",,,, ;II~ .~~" ~~ "1°. - Zona Urbana é a área de urbanização contínua, com III perímetro delimitado em Lei. '" 2°. - Zona de Urbanização Prioritária é a que se constitui dos 1lI ;" balneários, das áreas de interesse turístico e das partes 11 .. ,~ adjacentes à zona urbana propriamente dita, que venham a eIIi ;;:~ ser objeto de regulamentação de uso e' de procedimentos de •. l~" urbanização estabelecidos em orçamentos plurianuais de llt~ / investimentos. !.~ 3°. - Zona de urbanização Diferida são as áreas não incluídas nas zonas de urbanização prioritária é que só serão l~~ parceladas ou urbanizadas a partir de uma das seguintes hipóteses: a) alteração do Plano e Estruturação do espaço de Florianópolis; b) plano de urbanização vinculado a estudos de .-~ . "'~. :~-.~.t-, ~." ~ viabilidade econômica e/ou social, observados critérios de fi.'" adequação de distâncias do Trabalho - habitação - lazer, aceito pelos órgãos técnicos competentes da Municipalidade." '" ~ ,.-.., I; Mantinha-se ainda o mesmo limite urbano, citado anteriormente, ~~ . }--.• , I ;;.-...., definido pela Lei N°.898/68. A nova Lei N°.1.516/77, além de' determinar um novo zoneamento do município, regulamentava o parcelamento e ocupação do solo das Zonas de Urbanização Prioritária (ZUP) e das .~ Áreas Verdes. A maior importância desta Lei, para os investimentos (~ junto à Via de Contorno Norte, foi a nova classificação, pela qual toda tll " região dos Balneários situados ao norte da llha- passaram a serem ·h considerados Zona .dELUr:panização Prioritária. Constituindo-se estes 'c~ . . _. Balneários uma ZUP e ainda a área de maior interesse turístico em Florianópolis, justificava-se, portanto, a prioridade na execução das obras da Via de Contorno Norte em detrimento da Via Expressa Sul. -~ .~ Através do Decreto N0.100 de agosto de 1977, o executivo municipal. liberou para construções as faixas de domínio '{jas vias r .'l " .J" "~ .. ~.
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    I,......, 145 expressas e avenidas de todo sistema viário previsto no Plano Diretor, nos seguintes termos: ''Art 1°. - Até serem aprovados pela Câmara dos Vereadores os traçados definitivos da Via Expressa BR-282, da' Via de Contorno Norte de Florianópolis, e das Vias 01 - G1 - J1 - M1 - K 1 - F 1, ficam liberados, para fins de construção, os terrenos atingidos pela faixa de domínio de seus traçados originais, quando não coincidentes com aqueles definidos em Projeto Final de Engenharia. Art.20. - À medida em que forem definidos os traçados das vias a que se refere o artigo anterior, e para seus efeitos, serão declaradas de. utilidade pública para fins de desapropriação, as áreas e propriedades por eles atingidos. " Deve-se ressaltar que este Decreto foi aprovado durante o processo de elaboração dos Estudos e Projetos de Eng,enharia; de licitação e início das primeiras obras viárias, portanto, num momento de expectativas e mudanças na dinâmica imobiliária e de. incremento da construção -civil. Neste período, como veremos adiante, estavam em curso o Projeto de Engenharia e o Projeto de Desapropriação da Via de Contorno Norte. Logo, já havia sido definido o traçado da via, ainda que não tivesse sido aprovado pela Câmara de Vereadores, como exigia o Art. 10. do Decreto N°. 100/77. Evidentemente, liberar o aumento de benfeitorias nestas propriedades, às vésperas da aprovação dos traçados das vias, criaria obstáculos à aprovação dos mesmos em função do descontentamento dos proprietários a seremdesapropríados e, também, um maior ônus aos cofres públicos .. '.
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    146 A Lei N°. 1.570/78 efetuou diversas, alterações no Plano Diretor (Lei N°.1.440/76) e foi aprovada quando já havi~~ sido iniciadas as obras da Via de Contorno Norte. Esta lei garantiu legitimidade à execução desta Via Expressa cujadecisão pelo DER-SC de iniciar as e obras foi, como veremos, completamente irregular. Entre outras disposições, esta Lei alterou o Art.õv. da Lei N°.1.440/76, que passou a vigorar da seguinte forma: ''Art.5°. - São consideradas Zonas de Expansão Urbana as Zonas de Urbanização Prioritária estabelecidas na lei N°. 1.516fl7." Com ~sta alteração na Lei do Plano Diretor, as Zonas de ~_E~ansão ur~-ª-~r, portanto, "os Balneários, as áreas de interesse turístico e as partes adjacentes à zona urbana ". Esta alteração deixou de privilegiar, em especial, o setor Oceânico Turístico que, pelo Plano Diretor, era considerado área de expansão urbana programada. Considerando-se que esta mesma Lei ampliava o limite urbano e, ainda, que praticamente toda orla da Ilha constituía-se, em maior ou menor grau, área de interesse turístico, pode-se dizer que com esta alteração ocorreu uma diluição onde praticamente toda Ilha tomava- se área de expansão urbana. Outro aspecto alterado pela Lei N°.1.570/78 e que estava vinculado ao Plano' de 'Desenvolvimento Integrado, foi a nova abrangência do .Centro Metropolitano, que teve excluída a área continental, permanecendo nessa condição apenas a área, central da .~ Ilha. O Art.29~:,8a~,~pu yr aseçuínte redação: at ':..
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    147 "0 Centro Metropolitano é a éree do Setor Central Metropolitano assinalado na planta PIF-SJ3, excluída a Zona Continental, e -cuja ordenação espacial - conferirá novas dimensões ao centro da Capital." .. . A Lei N°.1.570/78 também revogou a Lei N°. 1.515/77 que complementava o Plano Diretor na definição das áreas nas quais não poderiam ser admitidos usos plurifamiliares. A alteração, expressa no . Anexo do Art. 7°., reduziu a abrangência destas áreas facilitando o processo de verticalização na área urbana. Na região da Trindade estabeleceu alterações pelas quais liberava diversas ruas para a construção de condomínios plurifamiliares. Finalmente, através da Lei N°.1.570/78, foi revogada a Lei N°.898/68, sendo ampliado e estabelecido novo limite urbano, assim descrito: "1 - A área urbana Continental, delimitada ao norte e ao sul pelo Oceano Atlântico e a oeste pela linha aemercetotie dos limites entre os Municípios de Florianópolis e São José. Il - A área urbana Insular, delimitada ao norte por uma linha, partindo do OceanO Atlântico através do rio do Mel a~é a altitude de 100 (cem) metros, seguindo por esta em direção ao sul até a localidade de Pirajubaé e, deste ponto por uma linha imaginária paralela à Rodovia Jorge Lacerda, a uma distância de 300 (trezentos) metros até a Estrada da Ressacada, paralela a esta a 300 (trezentos) metros, até encontrar a faixa de domínio do Aeroporto Hercílio Luz, seguindo deste ponto por uma linha paralela à pista, até o Oceano Atlântico." (Ver Figura 09) Em julho-de 1978, uma semana após a aprovação - da Lei N0.1.570/78, ocorreu. a assinatura do segundo Termo de Aditamento e
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    148 .. '" Ratificação ao Convênio Especial. de Cooperação, Compromisso e Delegação de Encargos, celebrado em 26 de dezembro de 1973, entre o , - < DNER e o Governo do Estado com a interveniência da Prefeitura Municipal de Florianópolis, para utilização dos recursos do PROGRES. ,~ Estes recursos estavam destinados a custear as obras da Via Expressa Sul e do "prolongamento da Avenida Beira-Mar Norte até o campus universitário" no limite máximo de Cr$ 120.000.000,00 (cento e vinte ;. -',..--..., .milhões de cruzeiros) equivalentes, em 1973, a aproximadamente US$ 19.300.000,00 (dezenove milhões e trezentos mil dólares). (6) . " 3.3 - A Via de Contorno Norte-Ilha. Estas alterações na legislação urbana vieram a transpor os obstáculos à legitimação e regulamentação das obras da Via de Contorno Norte. No entanto, antes mesmo de aprovadas estas , . -, alterações na legislação urbana de Florianópolis e, ainda, antes do . J,..-.... repasse de verbas do PROGRES e da conclusão do Projeto Final de .- ""d, ,~ " Engenharia desta Via Expressa, o Governo Estadual, através do DER- SC, resolveu dar o fato como consumado, iniciando as obras da Via de Contorno Norte-Ilha. 6._ A reportagerrisobre a assinatura deste segundo Termo de Aditamento e Re- , , .' RatificaÇão ooconcênio.rcetebrado em 1973 com o ONER, não esclarecesetnouve alguma alteráÇãbncivalor dos recursos do PROGRES, em função da i'nud~hÇâ',dO' caráterda Vià,deContómo Norte para Via Expressa. In Jornal doDER-SCfAflo '3,' . no.32,'jÚlhÔI197S;'p:'11 ',': .' '.' ' . ., . , .-'''''''''
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    ---------------,--~----;-~--~,;.......------------------ ..• 149 No início de 1977 o DER-SC efetuou a licitaçâo para a execução dá implantação da primeira etapa da Via de Contorno Norte, o trecho entre o Palácio do Governo e a Avenida da Saudade, até o entroncamento das rodovias SC-401 e SC-404, no Itacorubi. Este trecho " viário era fundamental para garantir acessibilidade aos balneários ao norte e leste da Ilha. As obras da Via de Contorno Norte foram iniciadas em abril de 1977 e o seu Projeto Final de Engenharia foi concluído apenas em fevereiro de 1978. Portanto, as obras foram executadas durante quase um ano, apoiando-se apenas no ante-projeto. Esta iniciativa do DER-SC apresentava-se, evidentemente, completamente irregular. Em entrevista ao maior jornal diário da época, . o então Diretor-Geral do DER-SC, Antônio Carlos Werner, ressaltou a coragem da iniciativa, justificou a possibilidade de executar a obra sem o Projeto de Engenharia devido à capacidade dos engenheiros do DER e, ainda, negou que tivesse sido repreendido pelo DNER por sua atitude (7). "Nós, quando assumimos, recebemos um sistema carente de soluções urgentes. E não tínhamos, na realidade, nenhum projeto. A Via de Contorno Noitenos parecia, assim; que era .o que a cidade necessiteve urgeptefTJ~nte... Na realid~~e,_ projetos, somente agora' Florianópolis está conhecendo. Você vê que são seis, e nõo tínhamos nenhum f). O projeto é o 7 - Trechos da entrevista do Diretor-Geral do DER-SC, eng. Antônio Carlos Werner , durante a gestão do Governador Konder Reis. Entrevista concedida a jornalistas do Jornal "0 Estado" e publica da em 20104f18. . 8.~Ref~r.e-~,~ ~5?~~L~!~t()!) eQ~()men.<:i~dospelo qER,SF das seguint.e~qbras: 1) Via de Contómo' Norte:;lIha; -2)Av. Beira-Mar Norte-Continenterô) Via Expressa Sul; 4)Urbanização do-Aterro daBaia Sul; 5) Terminal de Passageiros RitaMarià~·,ê)SG- . 40ê, "rodovia pela costa leste da Ilha, desde a Praia dos /nglesesaté o extremosúl; contomanc1o'ap911ta;:e~sugin,do;pêlo.Ribeirão da/lha, pela direção node:'-~·Jor;i;íâi:"O Estado;' ;:20l04f7,8::-;rh J::<;,'j .~:;;,. ....,::,;;' .
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    ~~~----~---=~~~----~--~===------------------------------- ;~~ 150 1----- ~ rt'~ .. !" documento básico sem o qual não se chega a nada. O da Via J®~ ~~ de Contorno Norte nos foi entregue pronto no dia 8 de fevereiro 1 --. de 1978. Durante um ano nós trabalhamos com bsse no ante- ~'" projeto. E fizemos isso com toda segurança, por causa do corpo de engenheiros que o DER tem. " Ao ser indagado sobre os riscos de uma obra ser executada pelo ante-projeto e, ainda, sobre o fato de ter sido repreendido pelo DNER, respondeu: "Eu não corn nsco nenhum... Uma obra dessa envergadura tinha, realmente, que ser iniciada da forma como eu iniciei. E para isso precisa coragem; precisa de uma equipe como o DER dispõe; e precisa também ter a experiência que eu tenho. Tudo foi feito de acordo com o DNER. " {, ,(, 111"---" 'Ji:/--' 3.3.1 - Descrição e execução da Via de Contorno Norte-Ilha. pl"' ~f/ .~~ '. !Ir' A Via de Contorno Norte-Ilha, segundo o projeto definido pelo "jpV DER-SC, constítur-se numa via expressa com 9,5 km. de extensão, que "j', .. faz a ligação entre o anel viário da Ponte Colombo Salles, no aterro da Baía Sul, até o entroncamento das rodovias SC-401 e SC-404, no Itacorubi, com derivação para o campus universitário da UFSC, na Trindade. A implantação da Via de Contorno Norte-Ilha, segundo o Projeto Final de Engenharia (9), pretendia atingir os seguintes objetivos: ,!!l-- '1jI" 9 _ O Projeto Final de Engenharia da Via de Contorno Norte foi elaborado pela "!h COPAVEL S/A- Consultoriade.Engenharia, contratada pelo DER-SC, através do lJ- ~L l~ t~_