Gustavo de Melo
Gabriel Goudak
Mateus Ferreira
• A Revolta da Chibata foi um importante movimento social ocorrido, no
início do século XX, na cidade do Rio de Janeiro. Começou no dia 22
de novembro de 1910.
• Neste período, os marinheiros brasileiros eram punidos com
castigos físicos. As faltas graves eram punidas com 25
chibatadas (chicotadas). Esta situação gerou uma intensa
revolta entre os marinheiros.
• O estopim da revolta ocorreu quando o marinheiro
Marcelino Rodrigues foi castigado com 250 chibatadas,
por ter ferido um colega da Marinha, dentro do
encouraçado Minas Gerais. O navio de guerra estava
indo para o Rio de Janeiro e a punição, que ocorreu na
presença dos outros marinheiros, desencadeou a revolta.
• O motim se agravou e os revoltosos chegaram a matar o
comandante do navio e mais três oficiais. Já na Baia da
Guanabara, os revoltosos conseguiram o apoio dos
marinheiros do encouraçado São Paulo. O clima ficou tenso
e perigoso.
• Marinheiros , oprimidos racial e socialmente.
• Participação de 2300/2400 marinheiros.
• Não havia oficiais envolvidos, apenas marinheiros, cabos e
sargentos, na sua maioria pobres, negros e pardos, mas
também brancos.
• O líder da revolta, João Cândido (conhecido como o Almirante
Negro), redigiu a carta reivindicando o fim dos castigos físicos,
melhorias na alimentação e anistia para todos que participaram da
revolta.
Caso não fossem cumpridas as reivindicações, os revoltosos ameaçavam
bombardear a cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil).
• Diante da grave situação, o
presidente Hermes da Fonseca
resolveu aceitar o ultimato dos
revoltosos. Porém, após os
marinheiros terem entregues as
armas e embarcações, o
presidente solicitou a expulsão
de alguns revoltosos. A
insatisfação retornou e, no
começo de dezembro, os
marinheiros fizeram outra
revolta na Ilha das Cobras.
• Esta segunda revolta foi fortemente reprimida pelo governo,
sendo que vários marinheiros foram presos em celas
subterrâneas da Fortaleza da Ilha das Cobras. Neste local,
onde as condições de vida eram desumanas, alguns prisioneiros
faleceram. Outros revoltosos presos foram enviados para a
Amazônia, onde deveriam prestar trabalhos forçados na
produção de borracha.
• A revolta foi retratada pela novela Lado a Lado, da Rede
Globo. Um dos personagens principais, Zé Maria (Lázaro
Ramos), era um dos marinheiros rebeldes e lutou pelo fim dos
açoites ao lado do amigo Chico (César Mello).
• Podemos considerar a Revolta da Chibata como mais uma
manifestação de insatisfação ocorrida no início da República.
Embora pretendessem implantar um sistema político-econômico
moderno no país, os republicanos trataram os problemas sociais
como “casos de polícia”. Não havia negociação ou busca de
soluções com entendimento. O governo quase sempre usou a
força das armas para colocar fim às revoltas, greves e outras
manifestações populares.
“Liberdade” e “abaixo
a chibata” eram
gritadas pelos
marujos.
O “pessoal do
porão”-
maquinistas
do São Paulo
Dos navios se ouviam gritos de “Viva a liberdade”, e “Abaixo a
chibata”.
Oficialidade rebelde do encouraçado São Paulo (o terceiro da esquerda para a direita é
André Avelino, confundido futuramente com João Candido
Correria no Rio de Janeiro, após tiros de canhão
Sociedade e governo em pânico
Fuga de famílias abastadas – observe-se a criadagem negra e mestiça
Charge da época ironizando a Correria no Rio de Janeiro
Canhões na Praia de Santa Luiza/RJ – população ao fundo
Oficiais do Exército observando a esquadra rebelde
Tropas no alto do
Morro do Castelo
João Candido e demais revoltosos, na presença do jornalista Júlio de Medeiros
(Jornal do Comércio)
Reivindicações - Mensagem enviada ao governo
“Rio de Janeiro, 22 de novembro de 1910
Il.mo e Ex.mo Sr. Presidente da República Brasileira
Cumpre-nos comunicar a V. Ex.a, como Chefe da Nação brasileira:
Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podendo mais suportar a escravidão na Marinha brasileira, a
falta de proteção que a Pátria nos dá; e até então não nos chegou; rompemos o negro véu que nos cobria aos olhos do
patriótico e enganado povo.
Achando-se todos os navios em nosso poder, tendo a seu bordo prisioneiros todos os oficiais, os quais têm sido os
causadores da Marinha brasileira não ser grandiosa, porque durante vinte anos de República ainda não foi bastante
para tratar-nos como cidadãos fardados em defesa da Pátria, mandamos esta honrada mensagem para que V. Ex.a
faça aos marinheiros brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da República nos facilita, acabando com a
desordem e nos dando outros gozos que venham engrandecer a Marinha brasileira; bem assim como: retirar os oficiais
incompetentes e indignos de servir à Nação brasileira. Reformar o código imoral e vergonhoso que nos rege, a fim de
que desapareça a chibata, o bolo e outros castigos semelhantes; aumentar o nosso soldo pelos últimos planos do ilustre
Senador José Carlos de Carvalho, educar os marinheiros que não têm competência para vestir a orgulhosa farda,
mandar pôr em vigor a tabela de serviço diário, que a acompanha.
Tem V. Ex.a o prazo de 12 horas para mandar-nos a resposta satisfatória, sob pena de ver a Pátria aniquilada.
Bordo do encouraçado São Paulo, em 22 de novembro de 1910.
Nota: Não poderá ser interrompida a ida e volta do mensageiro.
Marinheiros”
João Cândido, ao lado
do marinheiro Antônio
Ferreira de Andrade, lê o
decreto da Anistia
obre as águas da Guanabara: marujos do Minas Gerais no momento em que a bandeira vermelha foi retirad
do mastro.
Dia 27/11 - João Cândido bate continência ao Cap. Pereira Leite – o fim
da revolta e da chibata na Marinha estava decretado.
João Candido e os marinheiros revoltosos depois da Revolta:
Sede do Batalhão Naval – Ilha das Cobras
(bombardeada em dezembo de 1910)
Centenas de marinheiros (inclusive anistiados) foram detidos
João Candido conduzido à Ilha das Cobras em 24 de dezembro de 1910
Bordados de João Candido após a revolta – reveladores do amor próprio ferido
João Candido –
perseguição e símbolo
de luta
Falecimento em 06/12/1869 aos 89 anos por cancêr – enterro sob
vigilância policial
O Mestre-Sala Dos Mares
(Elis Regina - Composição: João Bosco/Aldir Blanc)
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas
Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então
Glória aos piratas
Às mulatas, às sereias
Glória à farofa
à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais
Mas salve
Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo
BIBLIOGRAFIA
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_da_Chibata
http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/revolta_chibata.htm
http://www.infoescola.com/historia/revolta-da-chibata/
http://www.historiabrasileira.com/brasil-republica/revolta-da-chibata/
http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/revolta-chibata-joao-
candido-almirante-negro-602782.shtml
http://www.arquivoestado.sp.gov.br/exposicao_chibata/
http://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/a-revolta-da-chibata.htm

Revolta da chibata - História

  • 1.
    Gustavo de Melo GabrielGoudak Mateus Ferreira
  • 2.
    • A Revoltada Chibata foi um importante movimento social ocorrido, no início do século XX, na cidade do Rio de Janeiro. Começou no dia 22 de novembro de 1910.
  • 4.
    • Neste período,os marinheiros brasileiros eram punidos com castigos físicos. As faltas graves eram punidas com 25 chibatadas (chicotadas). Esta situação gerou uma intensa revolta entre os marinheiros.
  • 5.
    • O estopimda revolta ocorreu quando o marinheiro Marcelino Rodrigues foi castigado com 250 chibatadas, por ter ferido um colega da Marinha, dentro do encouraçado Minas Gerais. O navio de guerra estava indo para o Rio de Janeiro e a punição, que ocorreu na presença dos outros marinheiros, desencadeou a revolta. • O motim se agravou e os revoltosos chegaram a matar o comandante do navio e mais três oficiais. Já na Baia da Guanabara, os revoltosos conseguiram o apoio dos marinheiros do encouraçado São Paulo. O clima ficou tenso e perigoso.
  • 6.
    • Marinheiros ,oprimidos racial e socialmente. • Participação de 2300/2400 marinheiros. • Não havia oficiais envolvidos, apenas marinheiros, cabos e sargentos, na sua maioria pobres, negros e pardos, mas também brancos.
  • 7.
    • O líderda revolta, João Cândido (conhecido como o Almirante Negro), redigiu a carta reivindicando o fim dos castigos físicos, melhorias na alimentação e anistia para todos que participaram da revolta.
  • 9.
    Caso não fossemcumpridas as reivindicações, os revoltosos ameaçavam bombardear a cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil).
  • 10.
    • Diante dagrave situação, o presidente Hermes da Fonseca resolveu aceitar o ultimato dos revoltosos. Porém, após os marinheiros terem entregues as armas e embarcações, o presidente solicitou a expulsão de alguns revoltosos. A insatisfação retornou e, no começo de dezembro, os marinheiros fizeram outra revolta na Ilha das Cobras.
  • 12.
    • Esta segundarevolta foi fortemente reprimida pelo governo, sendo que vários marinheiros foram presos em celas subterrâneas da Fortaleza da Ilha das Cobras. Neste local, onde as condições de vida eram desumanas, alguns prisioneiros faleceram. Outros revoltosos presos foram enviados para a Amazônia, onde deveriam prestar trabalhos forçados na produção de borracha.
  • 15.
    • A revoltafoi retratada pela novela Lado a Lado, da Rede Globo. Um dos personagens principais, Zé Maria (Lázaro Ramos), era um dos marinheiros rebeldes e lutou pelo fim dos açoites ao lado do amigo Chico (César Mello).
  • 18.
    • Podemos considerara Revolta da Chibata como mais uma manifestação de insatisfação ocorrida no início da República. Embora pretendessem implantar um sistema político-econômico moderno no país, os republicanos trataram os problemas sociais como “casos de polícia”. Não havia negociação ou busca de soluções com entendimento. O governo quase sempre usou a força das armas para colocar fim às revoltas, greves e outras manifestações populares.
  • 19.
    “Liberdade” e “abaixo achibata” eram gritadas pelos marujos.
  • 20.
  • 21.
    Dos navios seouviam gritos de “Viva a liberdade”, e “Abaixo a chibata”.
  • 22.
    Oficialidade rebelde doencouraçado São Paulo (o terceiro da esquerda para a direita é André Avelino, confundido futuramente com João Candido
  • 23.
    Correria no Riode Janeiro, após tiros de canhão Sociedade e governo em pânico
  • 24.
    Fuga de famíliasabastadas – observe-se a criadagem negra e mestiça
  • 25.
    Charge da épocaironizando a Correria no Rio de Janeiro
  • 26.
    Canhões na Praiade Santa Luiza/RJ – população ao fundo
  • 27.
    Oficiais do Exércitoobservando a esquadra rebelde
  • 28.
    Tropas no altodo Morro do Castelo
  • 29.
    João Candido edemais revoltosos, na presença do jornalista Júlio de Medeiros (Jornal do Comércio)
  • 30.
    Reivindicações - Mensagemenviada ao governo
  • 31.
    “Rio de Janeiro,22 de novembro de 1910 Il.mo e Ex.mo Sr. Presidente da República Brasileira Cumpre-nos comunicar a V. Ex.a, como Chefe da Nação brasileira: Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podendo mais suportar a escravidão na Marinha brasileira, a falta de proteção que a Pátria nos dá; e até então não nos chegou; rompemos o negro véu que nos cobria aos olhos do patriótico e enganado povo. Achando-se todos os navios em nosso poder, tendo a seu bordo prisioneiros todos os oficiais, os quais têm sido os causadores da Marinha brasileira não ser grandiosa, porque durante vinte anos de República ainda não foi bastante para tratar-nos como cidadãos fardados em defesa da Pátria, mandamos esta honrada mensagem para que V. Ex.a faça aos marinheiros brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da República nos facilita, acabando com a desordem e nos dando outros gozos que venham engrandecer a Marinha brasileira; bem assim como: retirar os oficiais incompetentes e indignos de servir à Nação brasileira. Reformar o código imoral e vergonhoso que nos rege, a fim de que desapareça a chibata, o bolo e outros castigos semelhantes; aumentar o nosso soldo pelos últimos planos do ilustre Senador José Carlos de Carvalho, educar os marinheiros que não têm competência para vestir a orgulhosa farda, mandar pôr em vigor a tabela de serviço diário, que a acompanha. Tem V. Ex.a o prazo de 12 horas para mandar-nos a resposta satisfatória, sob pena de ver a Pátria aniquilada. Bordo do encouraçado São Paulo, em 22 de novembro de 1910. Nota: Não poderá ser interrompida a ida e volta do mensageiro. Marinheiros”
  • 32.
    João Cândido, aolado do marinheiro Antônio Ferreira de Andrade, lê o decreto da Anistia obre as águas da Guanabara: marujos do Minas Gerais no momento em que a bandeira vermelha foi retirad do mastro.
  • 33.
    Dia 27/11 -João Cândido bate continência ao Cap. Pereira Leite – o fim da revolta e da chibata na Marinha estava decretado.
  • 34.
    João Candido eos marinheiros revoltosos depois da Revolta:
  • 35.
    Sede do BatalhãoNaval – Ilha das Cobras (bombardeada em dezembo de 1910)
  • 36.
    Centenas de marinheiros(inclusive anistiados) foram detidos
  • 37.
    João Candido conduzidoà Ilha das Cobras em 24 de dezembro de 1910
  • 38.
    Bordados de JoãoCandido após a revolta – reveladores do amor próprio ferido
  • 39.
  • 40.
    Falecimento em 06/12/1869aos 89 anos por cancêr – enterro sob vigilância policial
  • 41.
    O Mestre-Sala DosMares (Elis Regina - Composição: João Bosco/Aldir Blanc) Há muito tempo nas águas da Guanabara O dragão do mar reapareceu Na figura de um bravo feiticeiro A quem a história não esqueceu Conhecido como o navegante negro Tinha a dignidade de um mestre-sala E ao acenar pelo mar na alegria das regatas Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas Jovens polacas e por batalhões de mulatas Rubras cascatas Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas Inundando o coração do pessoal do porão Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então Glória aos piratas Às mulatas, às sereias Glória à farofa à cachaça, às baleias Glória a todas as lutas inglórias Que através da nossa história não esquecemos jamais Salve o navegante negro Que tem por monumento as pedras pisadas do cais Mas salve Salve o navegante negro Que tem por monumento as pedras pisadas do cais Mas faz muito tempo
  • 42.