Parada Cardíaca Relacionada
à Anestesia
Conceitos, Causas e Protocolos de Prevenção e
Manejo
Curso de Anestesiologia | Segurança do Paciente
Introdução
Parada Cardíaca Relacionada à Anestesia (PCRA)
Evento Raro, mas de Extrema Gravidade
Um dos desfechos mais temidos na prática
anestésica, com potencial para
consequências devastadoras
Importante para Segurança do Paciente
Compreender a PCRA é crucial para
aprimorar práticas clínicas e minimizar sua
ocorrência
Apesar dos Avanços
Apesar dos progressos na medicina e
tecnologia, a PCRA ainda ocorre e pode ter
desfechos graves
Objetivo da Apresentação
Explorar definição, incidência, causas, fatores
de risco, e estratégias de prevenção e manejo
da PCRA
"A prevenção da PCRA é a estratégia mais importante para garantir a segurança do
paciente, dada a gravidade do evento."
Definição e Incidência
Definição de PCRA
Parada Cardíaca Relacionada à Anestesia
(PCRA) é definida como:
• Evento de parada cardíaca durante administração de
anestesia ou dentro de 24h pós-interrupção
• Possui relação causal direta com fármacos ou técnicas
anestésicas empregadas
Importante:
Distingue-se de paradas cardíacas decorrentes
exclusivamente da condição cirúrgica ou
comorbidades pré-existentes
Incidência
Incidência Geral
1 em 10.000-20.000
anestesias
Mortalidade Atual
1 em 100.000-200.000
anestesias
Evolução Histórica: Na década de 1980, a mortalidade relacionada à anestesia era de 1 em 5.000 a 1 em
10.000 anestesias, demonstrando aeficácia das medidas de segurança e monitoramento.
Causas Principais
Categorização das causas de Parada Cardíaca Relacionada à Anestesia (PCRA)
Via Aérea/Respiratória
• Hipóxia (ventilação inadequada, intubação
esofágica, broncoespasmo grave)
• Hipercapnia
• Aspiração pulmonar
Cardiovascular
• Hipovolemia (hemorragia)
• Isquemia miocárdica
• Arritmias graves
• Embolia pulmonar
Medicamentosa
• Reações anafiláticas
• Superdosagem de anestésicos
• Hipercalemia induzida por succinilcolina
Outras
• Sepse
• Distúrbios eletrolíticos graves
• Trauma cirúrgico direto
Hipóxia e Hipovolemia
São frequentemente citadas como as causas mais comuns de PCRA, representando fatores críticos
que requerem vigilância constante durante a anestesia.
Fatores de Risco
Fatores Relacionados ao Paciente
Comorbidades
Doença cardíaca preexistente, doença pulmonar
crônica, doença renal crônica, diabetes mellitus
Idade Extrema
Pacientes pediátricos (neonatos e lactentes) e
idosos, devido a reservas fisiológicas limitadas
Classificação ASA
Pacientes com ASA III, IV ou V têm risco
significativamente maior de complicações
Estado Físico
Obesidade mórbida, desnutrição, estado de
choque pré-operatório
Fatores Relacionados ao
Procedimento
Cirurgia de Emergência
Procedimentos de emergência estão associados
a risco aumentado devido à falta de otimização
pré-operatória
Tipo de Cirurgia
Cirurgias de grande porte, cardíacas, vasculares,
torácicas e neurocirurgias apresentam maior
risco
Duração da Cirurgia
Procedimentos prolongados podem aumentar o
risco de complicações
Técnica Anestésica
Anestesia geral pode ter risco ligeiramente maior
em comparação com anestesia regional
A combinação de fatores de risco aumenta significativamente o risco de PCRA. A avaliação pré-anestésica rigorosa é fundamental para
identificar e mitigar esses riscos.
Estratégias de Prevenção
A prevenção da PCRA envolve uma abordagem multifacetada que abrange a avaliação pré-operatória,
monitoramento adequado, planejamento anestésico e comunicação eficaz da equipe.
Avaliação Pré-Anestésica
Identificação e otimização de comorbidades pré-existentes
Avaliação detalhada do histórico de alergias e reações adversas
Classificação ASA para estratificação de risco
Monitoramento Adequado
Monitoramento contínuo de ECG, pressão arterial, SpO2 e
EtCO2
Monitoramento invasivo conforme a complexidade do paciente
Vigilância constante dos sinais vitais e resposta do paciente
Planejamento Anestésico
Seleção apropriada de agentes anestésicos e técnicas
Cálculo preciso das doses de medicamentos
Preparação para via aérea difícil e equipamentos de emergência
Comunicação Eficaz
Briefing pré-operatório com toda a equipe
Comunicação clara e concisa durante o procedimento
Debriefing pós-operatório para revisão e aprendizado
Protocolo de Manejo
Resposta Coordenada à PCRA no Ambiente Cirúrgico
1 Identificação e Resposta Inicial
Iniciar compressões torácicas de alta qualidade e
acionar equipe de emergência imediatamente
2 Otimização da Via Aérea e Ventilação
Garantir via aérea patente e oxigenação adequada
3 Desfibrilação Precoce
Realizar desfibrilação para ritmos chocáveis
(fibrilação ventricular/taquicardia ventricular sem
pulso)
Abordagem em Equipe
• Responsável por compressões torácicas
• Operador de ventilador/oxigenador
• Administrador de medicamentos
• Registrador de todos os eventos e intervenções
Busca e Reversão das Causas Específicas
Identificar e corrigir hipóxia, hipovolemia,
hipo/hipercalemia, hipotermia, acidose,
pneumotórax, tamponamento cardíaco, toxinas e
trombose
Administração de Medicamentos
Epinefrina e vasopressina conforme algoritmos do ACLS
Transporte e Continuidade
Preparar plano para transporte do paciente para
UTI após estabilização
Documentação Detalhada
Registar todos os eventos e intervenções para análise
posterior e melhoria contínua da segurança do paciente
Conclusão
Parada Cardíaca Relacionada à Anestesia (PCRA)
A PCRA é um evento raro, porém de extrema gravidade, com potencial para desfechos devasta
A prevenção, fundamentada em vigilância contínua e rigorosa, é a pedra angular para
mitigar sua ocorrência
O treinamento constante e a preparação da equipe para uma resposta rápida e
organizada são cruciais para otimizar o prognóstico dos pacientes
A educação continuada em segurança do paciente permanece, portanto, um pilar
essencial na prática anestésica moderna

Reanimação Cardiopulmonar: Suporte Avançado de Vida (ACLS) — Protocolos e Diretrizes Atualizadas

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    Parada Cardíaca Relacionada àAnestesia Conceitos, Causas e Protocolos de Prevenção e Manejo Curso de Anestesiologia | Segurança do Paciente
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    Introdução Parada Cardíaca Relacionadaà Anestesia (PCRA) Evento Raro, mas de Extrema Gravidade Um dos desfechos mais temidos na prática anestésica, com potencial para consequências devastadoras Importante para Segurança do Paciente Compreender a PCRA é crucial para aprimorar práticas clínicas e minimizar sua ocorrência Apesar dos Avanços Apesar dos progressos na medicina e tecnologia, a PCRA ainda ocorre e pode ter desfechos graves Objetivo da Apresentação Explorar definição, incidência, causas, fatores de risco, e estratégias de prevenção e manejo da PCRA "A prevenção da PCRA é a estratégia mais importante para garantir a segurança do paciente, dada a gravidade do evento."
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    Definição e Incidência Definiçãode PCRA Parada Cardíaca Relacionada à Anestesia (PCRA) é definida como: • Evento de parada cardíaca durante administração de anestesia ou dentro de 24h pós-interrupção • Possui relação causal direta com fármacos ou técnicas anestésicas empregadas Importante: Distingue-se de paradas cardíacas decorrentes exclusivamente da condição cirúrgica ou comorbidades pré-existentes Incidência Incidência Geral 1 em 10.000-20.000 anestesias Mortalidade Atual 1 em 100.000-200.000 anestesias Evolução Histórica: Na década de 1980, a mortalidade relacionada à anestesia era de 1 em 5.000 a 1 em 10.000 anestesias, demonstrando aeficácia das medidas de segurança e monitoramento.
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    Causas Principais Categorização dascausas de Parada Cardíaca Relacionada à Anestesia (PCRA) Via Aérea/Respiratória • Hipóxia (ventilação inadequada, intubação esofágica, broncoespasmo grave) • Hipercapnia • Aspiração pulmonar Cardiovascular • Hipovolemia (hemorragia) • Isquemia miocárdica • Arritmias graves • Embolia pulmonar Medicamentosa • Reações anafiláticas • Superdosagem de anestésicos • Hipercalemia induzida por succinilcolina Outras • Sepse • Distúrbios eletrolíticos graves • Trauma cirúrgico direto Hipóxia e Hipovolemia São frequentemente citadas como as causas mais comuns de PCRA, representando fatores críticos que requerem vigilância constante durante a anestesia.
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    Fatores de Risco FatoresRelacionados ao Paciente Comorbidades Doença cardíaca preexistente, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, diabetes mellitus Idade Extrema Pacientes pediátricos (neonatos e lactentes) e idosos, devido a reservas fisiológicas limitadas Classificação ASA Pacientes com ASA III, IV ou V têm risco significativamente maior de complicações Estado Físico Obesidade mórbida, desnutrição, estado de choque pré-operatório Fatores Relacionados ao Procedimento Cirurgia de Emergência Procedimentos de emergência estão associados a risco aumentado devido à falta de otimização pré-operatória Tipo de Cirurgia Cirurgias de grande porte, cardíacas, vasculares, torácicas e neurocirurgias apresentam maior risco Duração da Cirurgia Procedimentos prolongados podem aumentar o risco de complicações Técnica Anestésica Anestesia geral pode ter risco ligeiramente maior em comparação com anestesia regional A combinação de fatores de risco aumenta significativamente o risco de PCRA. A avaliação pré-anestésica rigorosa é fundamental para identificar e mitigar esses riscos.
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    Estratégias de Prevenção Aprevenção da PCRA envolve uma abordagem multifacetada que abrange a avaliação pré-operatória, monitoramento adequado, planejamento anestésico e comunicação eficaz da equipe. Avaliação Pré-Anestésica Identificação e otimização de comorbidades pré-existentes Avaliação detalhada do histórico de alergias e reações adversas Classificação ASA para estratificação de risco Monitoramento Adequado Monitoramento contínuo de ECG, pressão arterial, SpO2 e EtCO2 Monitoramento invasivo conforme a complexidade do paciente Vigilância constante dos sinais vitais e resposta do paciente Planejamento Anestésico Seleção apropriada de agentes anestésicos e técnicas Cálculo preciso das doses de medicamentos Preparação para via aérea difícil e equipamentos de emergência Comunicação Eficaz Briefing pré-operatório com toda a equipe Comunicação clara e concisa durante o procedimento Debriefing pós-operatório para revisão e aprendizado
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    Protocolo de Manejo RespostaCoordenada à PCRA no Ambiente Cirúrgico 1 Identificação e Resposta Inicial Iniciar compressões torácicas de alta qualidade e acionar equipe de emergência imediatamente 2 Otimização da Via Aérea e Ventilação Garantir via aérea patente e oxigenação adequada 3 Desfibrilação Precoce Realizar desfibrilação para ritmos chocáveis (fibrilação ventricular/taquicardia ventricular sem pulso) Abordagem em Equipe • Responsável por compressões torácicas • Operador de ventilador/oxigenador • Administrador de medicamentos • Registrador de todos os eventos e intervenções Busca e Reversão das Causas Específicas Identificar e corrigir hipóxia, hipovolemia, hipo/hipercalemia, hipotermia, acidose, pneumotórax, tamponamento cardíaco, toxinas e trombose Administração de Medicamentos Epinefrina e vasopressina conforme algoritmos do ACLS Transporte e Continuidade Preparar plano para transporte do paciente para UTI após estabilização Documentação Detalhada Registar todos os eventos e intervenções para análise posterior e melhoria contínua da segurança do paciente
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    Conclusão Parada Cardíaca Relacionadaà Anestesia (PCRA) A PCRA é um evento raro, porém de extrema gravidade, com potencial para desfechos devasta A prevenção, fundamentada em vigilância contínua e rigorosa, é a pedra angular para mitigar sua ocorrência O treinamento constante e a preparação da equipe para uma resposta rápida e organizada são cruciais para otimizar o prognóstico dos pacientes A educação continuada em segurança do paciente permanece, portanto, um pilar essencial na prática anestésica moderna