Avaliação da aprendizagem em
Educação Matemática
PROF. DRA. KEILA TATIANA BONI
31/ 08/ 2025
DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA
CÂMPUS CORNÉLIO PROCÓPIO
Consideremos o seguinte caso...
Andréa é professora de matemática do 6º ano
do Ensino Fundamental. Lucas é um de seus
alunos e a matemática se configura um grande
desafio para compreendê-la. Andréa percebeu
que Lucas se interessa por cores e como iria
começar o conteúdo de frações, optou por
utilizar as réguas de fração em uma perspectiva
de Resolução de Problemas.
Andréa notou que Lucas apresentou uma melhor
compreensão do conteúdo, bem como um
engajamento para aprender. Andréa estava
convicta de que a criança tinha aprendido o
conteúdo, “fechando” o trimestre com a média
10,0.
Todavia, os alunos da turma de Andréia foram
submetidos a uma prova elaborada pelo
município. Lucas não apresentou um bom
rendimento: ele errou TODAS as questões que
tinham frações.
Avaliação de Rendimento X Avaliação de Aprendizagem
“Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998), é
fundamental que os resultados expressos pelos instrumentos de
avaliação, sejam eles provas, trabalhos, registros das atitudes dos
alunos ou qualquer outro utilizado, forneçam ao professor
informações sobre as competências de cada aluno em resolver
problemas, em utilizar a linguagem matemática adequadamente
para comunicar suas ideias, em desenvolver raciocínios e análises e
em integrar todos esses aspectos no seu conhecimento
matemático” (Buriasco, 2002, p. 258).
Avaliação do processo de aprendizagem dos estudantes
Avaliação como Prática de Investigação
Avaliação da aprendizagem (avaliação formativa) pode ser tomada
como prática de investigação e como oportunidade de
aprendizagem.
“um processo de buscar conhecer ou, pelo menos, obter esclarecimentos,
informes sobre o desconhecido por meio de um conjunto de ações
previamente projetadas e/ou planejadas que procura seguir os rastros, os
vestígios, esquadrinhar, seguir a pista do que é observável, conhecido”.
(Buriasco; Ferreira; Ciani, 2009, p. 75).
Avaliação como Prática de Investigação
A avaliação da aprendizagem matemática deve ser vista como um processo
de investigação, uma atividade compartilhada por professores e alunos, de
caráter sistemático, dinâmico e contínuo, o que possibilita, entre outras
coisas,
• valorizar o que o estudante sabe;
• repensar o significado atribuído ao erro;
• ter informações do trabalho que vem sendo desenvolvido com os
estudantes;
• investigar como alunos organizam o pensamento ao resolver tarefas;
• obter informações a respeito de conteúdos que os estudantes já sabem;
Avaliação como Prática de Investigação
• conhecer estratégias e procedimentos utilizados pelos estudantes para
resolver tarefas;
• buscar indícios das dificuldades dos estudantes;
• mudar o foco tradicional de trabalhar os resultados da avaliação;
• mudar de atitude em relação à avaliação;
• revelar saberes docentes e discentes;
• considerá-la como uma ação didática incorporada aos processos de
ensino e de aprendizagem, de acordo com a perspectiva metodológica
adotada pelo professor;
• refletir as ações e escolhas didáticas;
Avaliação como Prática de Investigação
• dar ênfase às trajetórias percorridas pelos alunos;
• tornar a sala de aula um ambiente para pesquisa por meio da análise da
produção escrita;
• evidenciar a continuidade do processo de avaliação;
• regular as dinâmicas propostas de aula;
• esquadrinhar como os alunos estão e investigar a aprendizagem
pressupondo uma interrogação constante;
• propor ações didáticas para lidar com o erro.
(Silva; Buriasco, 2023, p. 4-5).
Instrumentos de Avaliação
O ideal é utilizar um
conjunto de
instrumentos de
características diferentes
e coerentes com o
objetivo de que a
avaliação seja
oportunidade de
aprendizagem.
(Pedrochi Junior; Buriasco,
2019).
• provas ou testes escritos;
• provas ou testes orais;
• simulados;
• avaliações on-line;
• questionários;
• lista de exercícios;
• seminário;
• autoavaliação;
• observação de desempenho;
• estudo de caso;
• produção audiovisual;
• produção coletiva e/ou individual de pesquisas;
• resumos;
• relatórios;
• caderno do aluno;
• avaliações entre pares; etc.
E a Avaliação Somativa?
 deve ter os mesmo objetivos subjacentes ao processo de ensino e
de aprendizagem e, portanto, à avaliação formativa;
 não deve ter instrumentos específicos;
 deve ser utilizada para fornecer feedbacks a cada aluno a respeito
de seu rendimento e da sua aprendizagem.
O que garante que um instrumento é
adequado à avaliação formativa é o uso
que se faz dele.
A avaliação somativa:
E o caso do aluno Lucas?
Recapitulando...
 Avaliação como Prática de Investigação;
 Diversidade de instrumentos avaliativos;
 Avaliação Somativa.
Proposta de atividade
Fundamentando-se na aula e em pesquisas complementares,
escreva suas compreensões para o seguinte excerto:
“Considera-se que o essencial da avaliação não
reside na atribuição de valor, mas na ação de
‘fazer aparecer o valor’”.
(Buriasco; Ferreira, Ciani, 2009).
Referências
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.
BURIASCO, Regina Luzia de Corio. Sobre avaliação em Matemática: uma reflexão. Educação em Revista, Belo Horizonte,
n. 36, dez. 2002. p. 255-264.
BURIASCO, Regina Luzia de Corio; FERREIRA, Pamela Emanueli Alves; CIANI, Andréia Büttner. Avaliação como prática de
investigação (alguns apontamentos). Bolema, Rio Claro (SP), ano 22, n. 33, 2009. p. 69-96.
ESTEBAN, Maria Teresa. O que sabe quem erra? Reflexões sobre avaliação e fracasso escolar. Petrópolis: De Petrus et
Alii, 2013.
GARNICA, Antonio Vicente Marafioti. Erros e Leitura Positiva: propostas, exercícios e possibilidades. I Jornada Nacional de
Educação Matemática e XIV Jornada Regional de Educação Matemática, Passo Fundo. 2006.
PEDROCHI JUNIOR, Osmar. BURIASCO, Regina Luzia de Corio. A avaliação como fio condutor da prática pedagógica. Rev.
Ens. Educ. Cienc. Human., v. 20, n. 4, 2019. p. 370-377.
SILVA, Gabriel dos Santos e; BURIASCO, Regina Luzia de Corio. O erro na avaliação como prática de investigação e como
oportunidade de aprendizagem. HISTEMAT, SBHMat, v. 9, 2023. p. 1-17.
Prova didática sobre avaliação em Educação matemática

Prova didática sobre avaliação em Educação matemática

  • 1.
    Avaliação da aprendizagemem Educação Matemática PROF. DRA. KEILA TATIANA BONI 31/ 08/ 2025 DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA CÂMPUS CORNÉLIO PROCÓPIO
  • 3.
    Consideremos o seguintecaso... Andréa é professora de matemática do 6º ano do Ensino Fundamental. Lucas é um de seus alunos e a matemática se configura um grande desafio para compreendê-la. Andréa percebeu que Lucas se interessa por cores e como iria começar o conteúdo de frações, optou por utilizar as réguas de fração em uma perspectiva de Resolução de Problemas.
  • 4.
    Andréa notou queLucas apresentou uma melhor compreensão do conteúdo, bem como um engajamento para aprender. Andréa estava convicta de que a criança tinha aprendido o conteúdo, “fechando” o trimestre com a média 10,0. Todavia, os alunos da turma de Andréia foram submetidos a uma prova elaborada pelo município. Lucas não apresentou um bom rendimento: ele errou TODAS as questões que tinham frações.
  • 5.
    Avaliação de RendimentoX Avaliação de Aprendizagem
  • 7.
    “Segundo os ParâmetrosCurriculares Nacionais (BRASIL, 1998), é fundamental que os resultados expressos pelos instrumentos de avaliação, sejam eles provas, trabalhos, registros das atitudes dos alunos ou qualquer outro utilizado, forneçam ao professor informações sobre as competências de cada aluno em resolver problemas, em utilizar a linguagem matemática adequadamente para comunicar suas ideias, em desenvolver raciocínios e análises e em integrar todos esses aspectos no seu conhecimento matemático” (Buriasco, 2002, p. 258).
  • 8.
    Avaliação do processode aprendizagem dos estudantes
  • 9.
    Avaliação como Práticade Investigação Avaliação da aprendizagem (avaliação formativa) pode ser tomada como prática de investigação e como oportunidade de aprendizagem. “um processo de buscar conhecer ou, pelo menos, obter esclarecimentos, informes sobre o desconhecido por meio de um conjunto de ações previamente projetadas e/ou planejadas que procura seguir os rastros, os vestígios, esquadrinhar, seguir a pista do que é observável, conhecido”. (Buriasco; Ferreira; Ciani, 2009, p. 75).
  • 10.
    Avaliação como Práticade Investigação A avaliação da aprendizagem matemática deve ser vista como um processo de investigação, uma atividade compartilhada por professores e alunos, de caráter sistemático, dinâmico e contínuo, o que possibilita, entre outras coisas, • valorizar o que o estudante sabe; • repensar o significado atribuído ao erro; • ter informações do trabalho que vem sendo desenvolvido com os estudantes; • investigar como alunos organizam o pensamento ao resolver tarefas; • obter informações a respeito de conteúdos que os estudantes já sabem;
  • 11.
    Avaliação como Práticade Investigação • conhecer estratégias e procedimentos utilizados pelos estudantes para resolver tarefas; • buscar indícios das dificuldades dos estudantes; • mudar o foco tradicional de trabalhar os resultados da avaliação; • mudar de atitude em relação à avaliação; • revelar saberes docentes e discentes; • considerá-la como uma ação didática incorporada aos processos de ensino e de aprendizagem, de acordo com a perspectiva metodológica adotada pelo professor; • refletir as ações e escolhas didáticas;
  • 12.
    Avaliação como Práticade Investigação • dar ênfase às trajetórias percorridas pelos alunos; • tornar a sala de aula um ambiente para pesquisa por meio da análise da produção escrita; • evidenciar a continuidade do processo de avaliação; • regular as dinâmicas propostas de aula; • esquadrinhar como os alunos estão e investigar a aprendizagem pressupondo uma interrogação constante; • propor ações didáticas para lidar com o erro. (Silva; Buriasco, 2023, p. 4-5).
  • 14.
    Instrumentos de Avaliação Oideal é utilizar um conjunto de instrumentos de características diferentes e coerentes com o objetivo de que a avaliação seja oportunidade de aprendizagem. (Pedrochi Junior; Buriasco, 2019). • provas ou testes escritos; • provas ou testes orais; • simulados; • avaliações on-line; • questionários; • lista de exercícios; • seminário; • autoavaliação; • observação de desempenho; • estudo de caso; • produção audiovisual; • produção coletiva e/ou individual de pesquisas; • resumos; • relatórios; • caderno do aluno; • avaliações entre pares; etc.
  • 15.
    E a AvaliaçãoSomativa?  deve ter os mesmo objetivos subjacentes ao processo de ensino e de aprendizagem e, portanto, à avaliação formativa;  não deve ter instrumentos específicos;  deve ser utilizada para fornecer feedbacks a cada aluno a respeito de seu rendimento e da sua aprendizagem. O que garante que um instrumento é adequado à avaliação formativa é o uso que se faz dele. A avaliação somativa:
  • 16.
    E o casodo aluno Lucas?
  • 17.
    Recapitulando...  Avaliação comoPrática de Investigação;  Diversidade de instrumentos avaliativos;  Avaliação Somativa.
  • 18.
    Proposta de atividade Fundamentando-sena aula e em pesquisas complementares, escreva suas compreensões para o seguinte excerto: “Considera-se que o essencial da avaliação não reside na atribuição de valor, mas na ação de ‘fazer aparecer o valor’”. (Buriasco; Ferreira, Ciani, 2009).
  • 19.
    Referências BRASIL. Parâmetros CurricularesNacionais: Matemática. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. BURIASCO, Regina Luzia de Corio. Sobre avaliação em Matemática: uma reflexão. Educação em Revista, Belo Horizonte, n. 36, dez. 2002. p. 255-264. BURIASCO, Regina Luzia de Corio; FERREIRA, Pamela Emanueli Alves; CIANI, Andréia Büttner. Avaliação como prática de investigação (alguns apontamentos). Bolema, Rio Claro (SP), ano 22, n. 33, 2009. p. 69-96. ESTEBAN, Maria Teresa. O que sabe quem erra? Reflexões sobre avaliação e fracasso escolar. Petrópolis: De Petrus et Alii, 2013. GARNICA, Antonio Vicente Marafioti. Erros e Leitura Positiva: propostas, exercícios e possibilidades. I Jornada Nacional de Educação Matemática e XIV Jornada Regional de Educação Matemática, Passo Fundo. 2006. PEDROCHI JUNIOR, Osmar. BURIASCO, Regina Luzia de Corio. A avaliação como fio condutor da prática pedagógica. Rev. Ens. Educ. Cienc. Human., v. 20, n. 4, 2019. p. 370-377. SILVA, Gabriel dos Santos e; BURIASCO, Regina Luzia de Corio. O erro na avaliação como prática de investigação e como oportunidade de aprendizagem. HISTEMAT, SBHMat, v. 9, 2023. p. 1-17.