“Suor do Sol” e o espírito do primeiro coração
Os Incas que, também, acreditavam que o ouro era “o suor do sol”. Verdade hoje distante
de ser metáfora Astrofísica. O ouro, como a maioria dos metais pesados, é forjado dentro das
estrelas através de um processo chamado fusão nuclear.
A teoria do "Big Bang" (Musoni – na Cruz Bakongo) nos explica que, durante a
formação do universo há cerca de 14 bilhões de anos, apenas os elementos mais leves foram
formados - Hidrogênio (Número Atômico 1) e Hélio (N.A. 2), com vestígios de Lítio (N.A. 3) e
Berílio (N.A. 4). À medida que a nuvem de poeira e gases cósmicos do Big Bang esfriou, as
estrelas se formaram, e estas então agrupadas e formam galáxias. Algumas centenas de milhões
de anos depois, as primeiras estrelas arderam com incêndios nucleares, que obrigaram os
elementos mais leves a criar elementos ligeiramente mais pesados em reações nucleares
liberando enorme quantidade de energia. As estrelas evoluem com essas mudanças na
diversidade de elementos. A fusão nuclear aumenta o peso atômico dos elementos e reduz seu
número de partículas. O termo nucleossíntese de supernova é usado para descrever a criação de
elementos durante a evolução e explosão de uma estrela pré-supernova, um conceito exposto
por Fred Hoyle em 1954. Um estímulo para o desenvolvimento da teoria da nucleossíntese foi a
descoberta de variações na abundâncias de elementos encontrados no universo. A energia
liberada das reações de fusão nuclear representava a longevidade do Sol como fonte de calor e
luz. Em 1939, em um artigo intitulado “Produção de energia nas estrelas”, Hans Bethe analisou
as diferentes possibilidades de reações pelas quais o Hidrogênio é fundido em Hélio. Ele definiu
dois processos que ele acreditava serem as fontes de energia nas estrelas. O primeiro, a reação
em cadeia de prótons com prótons, é a fonte de energia dominante em estrelas com massas até
cerca da massa do Sol. O segundo processo, o ciclo Carbono-Nitrogênio-Oxigênio (CNO), que
também foi considerado por Carl Friedrich von Weizsäcker em 1938, é mais importante em
estrelas mais massivas. Esses trabalhos diziam respeito à geração de energia capaz de manter as
estrelas quentes. Uma descrição física clara da cadeia de próton e do ciclo CNO aparece em um
livro de texto de 1968. No entanto, os dois artigos de Bethe não abordaram a criação de núcleos
mais pesados. Essa teoria foi iniciada por Fred Hoyle em 1946 com seu argumento de que uma
coleção de núcleos muito quentes se reuniria em ferro. Hoyle seguiu isso em 1954 com um
grande artigo descrevendo como os estágios avançados de fusão dentro das estrelas
sintetizariam elementos entre o carbono e o ferro na massa. Este é o trabalho dominante na
nucleossíntese estelar. Forneceu o roteiro para a forma como os elementos mais abundantes na
Terra foram sintetizados a partir do hidrogênio inicial e do hélio, deixando claro como esses
elementos abundantes aumentaram a diversidade galáctica à medida que a galáxia envelhecia.
Chegamos à queima do Silício para formação de Ferro, estágio final da fusão para estrelas que
colapsam e explode como uma supernova.
Uma versão da Tabela Periódica indicando a origem dos elementos – incluindo a síntese
nuclear estelar dos elementos. Todos os elementos além do Laurencium103
também
produzidos em laboratórios não estão incluídos.
Voltando aos Incas, há duas teorias sobre o ouro. Na primeira ele chegou à Terra há
duzentos milhões de anos após a formação do planeta quando meteoritos repletos de ouro e
outros metais bombardearam a superfície. Durante a formação da Terra, o ferro derretido
afundou em seu centro para fazer o núcleo. Isso levou consigo a grande maioria dos metais
preciosos do planeta. A outra é que ele se formou após a colisão de duas estrelas de nêutrons
que geram ondas gravitacionais carregadas de energia suficiente para uma explosão de raios
gama, as mais poderosas do universo, suficiente para criar Ouro e outros elementos pesados
(Astrophysical Journal Letters). Os Elementos químicos artificiais que fazem crescer a Tabela
Periódica são apenas 90 dos 116 elementos conhecidos que ocorrem naturalmente, logo os
outros 26 vieram no desenvolvimento de usinas e máquinas nucleares conhecidas como
aceleradores de partículas. Os cientistas descobriram que, ao permitir que os nêutrons rápidos
colidissem com o isótopo comum do urânio conhecido como U238
em um reator nuclear, o
"novo" elemento Plutônio foi feito, amaldiçoadamente para uso militar na Bomba de Nagasaki.
As rochas são um processo evolutivo final que
inicia no nucleossíntese estelar que é responsável pela
diversidade de elementos químicos naturais nas estrelas
que mudam devido às reações de fusão nuclear nos
núcleos e seus mantos sobrepostos. Entre estupefação e
fascinação fique sabendo que toda essa dança cósmica de
partículas e energia se transformando em novos
elementos precisa ser entendida para compreendermos o
universo dos micróbios, pois eles, há mais de 3,8 bilhões
de anos são as testemunhas oculares e primeiros
interventores com seu metabolismo neste processo.
Como seria fantástica a universidade se
aprendêssemos sobre solo, vida e natureza, mas
infelizmente deixou de ser assim.
Exergia para a sobrevivência e o corpo do segundo coração
A mudança da matriz natureza para a matriz agroquímica teve seus benefícios,
principalmente para quem não possuía natureza. Para quem a possuía ficou com o passivo
econômico e socioambiental. Hoje vive o problema da mudança de matriz tecnológica da
agroquímica para a biotecnologia, pois enquanto a primeira trabalha com morte, esterilidade e
quantificação através de números diretos, a segunda, diametralmente trabalha com vida,
fertilidade e sua qualidade superior a quantidade desprovida de qualidade. A palavra que se
pode usar para entender isso é “ecopoiese” usada por Lynn Margulis e Carl Sagan trabalhando
para levar micróbios para a vivificação ou revivificação de Marte.
Repetimos: A “ecopoiese”, no contexto hightech é a vivificação de um ambiente
esterilizado, através da inoculação natural de microrganismos, no caso, o exangue solo da
Revolução Verde e Agronegócios. Em Goethe entenda desde o micróbio radioativo à
“espiritualidade ultrassocial” no seu aforismo na busca humana, transcendente ao significado da
vida, em especial no conjunto de valores camponeses que compõe a agricultura muito além do
“res cogitans” cartesiano, pois não é necessária erudição para entender a coevolução entre
insetos e reprodução das plantas com economia de energia para ambos acionando todas as
ferramentas da vida, desde um pelo para a captura de pólen, néctar de ou perfume de atração e
excitação.
A vida na água e superfície do planeta necessita de energia para seu metabolismo e
autopoiese. Autopoiese é a capacidade de um ser vivo de recuperar, restaurar ou reconstruir
órgãos e tecidos. A primeira forma de energia aproveitável foi a presente nos minerais; depois
a energia da fermentação da matéria orgânica dos cadáveres, pois continha Carbono,
Nitrogênio, Enxofre, e por último desde o aproveitamento da luz solar para a síntese de
alimentos. A integração dessas três formas de energia nos seres vivos continua em evolução que
leva a mais e mais diversidade. Dia a dia surgem novas formas de vida, entretanto, na sociedade
"O nitrogênio em nosso DNA, o cálcio em nossos
dentes, o ferro em nosso sangue, o carbono em nossa
torna de maçã foram elaborados no interior de estrelas
em colapso. Somos feitos de material estelar." Carl
Sagan, COSMOS. Imagem: Créditos, Futurism.
industrial a cada minuto o envenenamento, contaminação, e destruição de processos e suportes
vitais elimina essa biodiversidade.
A vida migrou dos oceanos para as águas doces, e dali à terra firme onde forma o solo.
Nele cumprimos a ação ultrassocial de produzir alimentos e quanto maior a biodiversidade
melhor é, mas isso contraria o dogma da economia regente na Sociedade Industrial: “Quanto
mais escasso um bem, mais preço tem, pois não importa seus outros valores”. O mais valioso
no planeta é o solo ultrassocial, que é menos de 13% do total da superfície emersa das águas.
Contudo, diariamente há erosão e devastação de milhares de hectares, e a tecnologia tem tudo a
ver com esse desastre.
Em 1965 em um solo do Paquistão era aplicado 1 kg de Uréia e produzia 11 kg de arroz;
em 1995, trinta anos depois, no mesmo solo a mesma uréia só produzia 3 kg de arroz. O dado
projetado para 2025, trinta anos à frente é que no mesmo solo, a mesma uréia produzirá menos
de 0,3 kg de arroz, pois o solo perdeu seu Carbono, Nitrogênio, Enxofre e a diversidade
mineral. Este é o epitáfio da Agricultura Moderna do Barão von Liebig e Revolução Verde da
Fundação Rockefeller com o apressamento da “sustentabilidade” na nova matriz tecnológica da
Biotecnologia, que propõem os mesmos erros anteriores.
A vida microbiana ou “microbioma” migra para o nosso interior colonizando as células e
interior de órgãos de forma que temos mil vezes mais células de microrganismos em nossos
órgãos, que participam de nosso metabolismo, aparelhos e glândulas. Sua quase totalidade está
nos intestinos e participam na digestão e por ter uma gigantesca rede de células nervosas
(neurônios) passou a se denominar “nosso segundo cérebro” e é parte atuante do nosso sistema
imunológico formado lentamente nos mais de 130 milhões de anos nos seres ultrassociais
primitivos.
A Teoria da Seleção dos mais Fortes e Aptos para explicar a Evolução Natural da Vida,
de Darwin foi bem aproveitada no Império Britânico para justificar suas ações. Não obstante, a
sobrevivência é mais facilmente alcançada através da cooperação como podia ser observado na
natureza, mas contraditava com o “vitorianismo” inglês. As simbioses entre bactérias, algas,
fungos ou a formação de simbiose entre eles alcançaram os seres ultrassociais onde
microrganismos em seu trato digestivo, antigamente conhecidos como microflora faz grande
parte da transformação dos alimentos, auxilia na digestão e produção de protetores para a saúde.
Ela hoje é mais conhecida como “microbioma”. Diariamente um ser humano excreta dez mil
bilhões de indivíduos do microbioma.
O aproveitamento dos micróbios do rúmen dos herbívoros permitiu o descobrimento dos
antidiarreicos na medicina e os biofertilizantes enriquecidos na agricultura. Seu metabolismo
extracorpóreo possibilitou valorizar a vida no sistema ultrassocial restaurando o uso de
micróbios. A obra de Piotr Kropotkin “O apoio Mútuo”, levou Kozo-Poliansky a escrever sobre
a Endosimbiogênese. É o pequeno, fraco e numeroso quem sustenta e garante o forte,
diminuindo suas vulnerabilidades, permitindo maior resiliência. Logo, quanto mais diversidade
há no microbioma maior é o benefício mútuo para nossa saúde pelo que a ciência atual
denominando os intestinos de nosso segundo cérebro.
Sem exagero, a indústria de alimentos com seus produtos e tecnologia é a grande
responsável pelas alergias e síndromes imunes deficientes, ademais de perda de biodiversidade
na natureza, agricultura e microbioma do solo e humano/animal, conhecida como “disbiose”
nos nossos intestinos com comprometimento de nosso sistema imunológico, qualidade de vida e
saúde individual e coletiva. Repetimos, disbiose é o inverso de biodiversidade, favorecendo
seres oportunistas como Salmonellas e Clostridium que colonizam os intestinos afetados por ela
(síndrome do intestino inflamado).
A epidemia de Disbiose atinge hoje mais de um milhão de pessoas e matou mais de 50
mil somente nos EEUU. O tratamento adotado pelas autoridades de saúde é o Transplante de
Microbioma Fecal (Fecal Microbiome Transplantation). Contra esse absurdo escatológico
buscamos outros caminhos com a Saúde no Solo, em que solo sano, plantas sanas, alimentos
sano, nutrição ultrassocial, pessoas saudáveis, fechando o ciclo com a consciência do Biopoder
Camponês.
Civilização do milho – origem,
diversidade e a celebração do “Inti
Raymi” em nossa América.
"O Inti Raymi é uma celebração ancestral que começa no
mês de junho, indicando o solstício de verão que marca o
fim de um ciclo agrícola. São dias sagrados, o milho
amadureceu e é o momento de colhê-lo; a terra cumpriu
um ciclo e deu seus frutos aos povos. É hora de agradecer
ao sol e à Pachamama, para serem recíprocos de coração
como nossos ancestrais fizeram, dançando, pisoteando,
cantando, com rituais e oferendas, convidando os
ancestrais e os espíritos da natureza”. (Katza
Cachiguango, Cotama).
A reprodução, nascimento, crescimento,
envelhecimento e morte constitui o mistério da vida, e para
o nômade, a trilha dos animais significa o início de uma espiritualidade penitente como garantia
de sobrevivência. Essa espiritualidade nasce da responsabilidade pré-ultrassocial de garantir os
alimentos de todos, e assim, evolui através dos tempos a criar um tempo dentro do espaço da
natureza, a agricultura, está sim ação ultrassocial. (PINHEIRO, p. 480 2019).
Ao decifrar as estações e criar calendários, os povos tradicionais se fixam na terra e inicia
a agricultura. ‘A agricultura evoluiu assim pela necessidade do alimento e demais manufaturas.
Mas, nos últimos sessenta anos o poder da agricultura industrial se preocupou em estimular
aspectos místicos, esotéricos entre aqueles que lutam contra seu modelo de agricultura
mercantil-industrial-financeira subvertendo valores de paz e bonança.’ (PINHEIRO, P. 484
2019)
As mais antigas civilizações da América – desde os olmecas e teotihuacanos na
Mesoamérica, até os incas e quechuas na região andina da Sudamérica – estiveram
acompanhadas em seu desenvolvimento pelo cultivo do cereal milho. Junto ao desenvolvimento
científico e tecnológico o passado está sendo estudado e decifrado vários dos enigmas que
rodeiam a domesticação deste cultivo. Para esta civilizações antigas e seu resgate em nossos
dias atuais, o milho é um alimento sagrado por sua qualidade ultrassocial, desde o cultivo ao
preparo e consumo.
“O milho – Zea mays - não é uma espécie que venha de uma evolução de 150 milhões de
anos. Ele é o resultado da intervenção humana, sua criação e tem menos de vinte mil anos. Logo
os genes do milho têm pouquíssima variabilidade de uma espécie para outra. Os milhos diferem
dos Tripsacums, seus ancestrais, por apenas dois genes.
Imagens: Tripsacum dactyloides
Se todas as espécies e variedades de milho são tão homogêneas geneticamente, como
explicar sua grande biodiversidade, pois conhecemos espigas de milho que têm 3 centímetros de
comprimento e outras com 90 centímetros e ambas possuem os mesmos genes.
Imagens: Zea mays "fraise" e Zea mays “Jala”
O que o homem conseguiu na domesticação do milho foi criar múltiplas funções por
meio de sua interação com o meio ambiente, fazendo que um mesmo gene tenha mais de trinta
tipos de proteínas diferentes conforme as condições de cultivo.
Torna-se necessário conhecer esta grande variabilidade. Somente os camponeses
mexicanos, peruanos, bolivianos e colombianos tem está memória e história registrada. Este é o
grande valor que há por detrás de cada espécie de milho cultivada nos últimos vinte mil anos
e está é a grande importância das populações e comunidades tradicionais.
Quando a ciência diz que o homem e o rato têm 99,5% de mesmos genes, poderemos
esperar que em poucos anos teremos condições de encontrar quais os principais fatores e
condições culturais e ambientais necessitam um determinado gene para comportar-se de forma
tal no rato, que não no homem.” (PINHEIRO, manuscritos)
‘Em 1983 a pesquisadora estadunidense Bárbara McClintock recebeu o Prêmio Nobel em
Fisiologia pelo descobrimento dos elementos genéticos móveis nos cromossomos do milho.’
(HERNÁNDES/Greenpeace México, 2012)
“Veremos então que o importante não é a inserção
de um transgene (OGM – organismo geneticamente
modificado – os denominados transgênicos), mas o
conhecimento de todo o potencial do gene que temos em
nossos genomas.
O importante então são as proteínas que estão
potencializadas nos cromossomas e isto é muito mais
importante que a inserção de um gene de interesse de
determinada empresa.
Materializar o conhecimento das populações tradicionais de nossos indígenas,
camponeses, quilombolas e outras é fundamental para a agricultura, nutricêuticos, cosméticos,
fármacos e produtos bioindustriais.
Infelizmente a heteronomia não permite esta visão e
estudos.” (PINHEIRO, manuscritos)
Desta forma uma parte da ciência tem sido pirata. Por
modificar e esconder toda essa evolução. A semente do
milho foi roubada, e levada para os Estados Unidos sendo
um dos pilares da “Revolução Verde”. Ela retorna às
comunidades de maneira invasiva, mentirosa, híbrida e
agora transgênicas, destruindo tradições, culturas e
modificando totalmente a economia e sociedade em torno
das comunidades rurais que a mais de 70 anos produziam a
semente de milho nativo que se espalhou pelo mundo.
Nos anos 80, Pat Roy Mooney, denuncia os perigos da perda da biodiversidade e da
concentração de capital e poder nas mãos das empresas de biotecnologia, principalmente das
que produzem sementes. Essas denúncias tornaram mundialmente conhecidas através do seu
livro O Escândalo das Sementes.
Na atualidade, a conservação em bancos de
germoplasma de milho ou conservação ex situ é a estratégia
dominante pois está ligada à trajetória tecnológica dos países
desenvolvidos e, ainda mais, porque as restrições financeiras
de muitos países menos desenvolvidos não permitem a
implementação da conservação in situ. Se prevê que em
poucos anos, o descuido e a falta de atenção às comunidades
rurais nas que se encontram a maior porcentagem do
germoplasma nativo pode impactar negativamente a diversidade
do milho. Também se antecipa que as políticas públicas, de pressão multilaterais e de
multinacionais, promovem tecnologias de intensivo aporte de capital, que vem expulsando os
camponeses de sua terra, além de extinguir os recursos genéticos do milho, em outras palavras o
surgimento do milho transgênicos é o maior crime lesa humanidade. [Para entendermos isso,
tem um livro (Genes alterados, verdade adulteradas, do advogado Steve Druker [estudamos
esse livro, recebido do professor Sebastião Pinheiro quem o traduziu. Me enviou para fazer a
correção; está disponível em pdf]. O advogado Druker foi quem fez uma solicitação a FDA
(Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos) americana; ele foi a FDA e
fez uma petição: eu, de acordo com a primeira emenda, e quinta emenda, requeiro os dados
sobre os transgênicos nos EE.UU. Não deram bola para ele, não recebeu respostas. Ele
esperou um período até protocolar e fez a segunda petição, novamente, não obteve resposta.
Então ele entrou com uma petição em um juiz federal, e disse assim: eu fiz uma petição, não
deram bola, fiz a segunda vez e não tive respostas, então queria perguntar aos senhores (juiz
Super Ethanol dos Estados Unidos
Milho híbrido – EEUU Pioneer.
supremo) se a primeira emenda e quinta emenda está em vigor no país? O juiz federal
determinou que todo material classificado ou não, aí azedou a coisa, classificado como
material secreto; tinham que ser colocado em disposição dele. Ele recebeu em uma sala 44 mil
documentos oficiais do governo americano da FDA. Pois lá vocês sabem, se não cumprir a lei
a coisa canta; canta e canta mesmo. Ele recebeu e contratou uma equipe de biólogos e
ambientalistas e foram todos estudar: é o livro! O livro saiu em 2015 e foi traduzido. O original
ganhei de presente dos mexicanos. Agora, os mexicanos traduziram o livro e foram pedir ao
autor licença para traduzir, mas já estava traduzido, é proibido, então Druker pegou o livro e
mandou para Espanha; pois se ler um livro no idioma mexicano você fica perdido por ter
muitas palavras nativas...]
O milho se torna então o cereal que mais importância tem
em vários setores da economia em escala mundial durante o
século XX e no início do século XXI. Nos países industrializados,
o milho se utiliza principalmente como forragem, matéria prima
para a produção de alimentos processados e, recentemente, para a
produção de etanol. Pelo contrário, em alguns países da América
Latina, e cada vez mais em países africanos, uma grande
porcentagem do milho que se produz ou importa se destina ao
consumo humano. Neste sentido, o milho tem sido um fator de
sobrevivência para os camponeses e indígenas que habitam na
maioria os países do continente americano.
Referências:
- Agroecologia 7.0 – Sebastião Pinheiro, 2019. Fundação Juquira Candiru Satyagraha.
- El origen e la diversidade del maíz en el continente americano – José Antonio Serratos
Hernández, Universidade Autónoma de la ciudad de México. Greenpeace México, 2ª Edição,
2012.
Milpa, a Roça Mexicana, Sistemas
Agroecológicos Milpeiras/os e Nutrição
Ultrassocial.
A milpa é uma criação cultural mesoamericana, que
implica o cultivo de milho associado com diversas plantas
(ao menos feijão, abóboras e pimentas), que se abre dentro
de um ecossistema e reproduz muitos das interações e
princípios ecológicos do ambiente em que se dão. Ainda
mais, é fortalecida por gerações com a expressão de uma
cosmovisão local incrível em arte, cerimoniais, e
simbologias, como Homshuk, o deus do maíz.
Podemos dizer que a denominação genérica,
ecossistemas, estão distribuídos dentro de um território,
possuí suas características físicas, biológicas e evolutivas
sociais e econômicas por gerações, e a biodiversidade deste
território, integra os vários agrossistemas – milpas, que
agora também possui sua agrobiodiversidade, e após a chegada da indústria e erosão:
agrodiversidade, que se define como o conjunto de plantas domesticadas e cultivadas em uma
comunidade agrícola, etnias, milpas. Dos produtos domesticados e semidomesticados na milpa
é citado mais de 100 espécies de plantas.
A agrodiversidade entre as milpas estão ligadas a aspectos socioculturais, ecológicos,
biológicos, agronômicos, bromatológicos, econômicos e sociobiopolíticas; na tese que analiso,
também as une a um contexto socioeconômico e organização sociocultural.
Assim entendemos a milpa como um agrossistema de policultivos mais representativos
do México, surgida a mais de 4000 mil anos, no tempo pré-hispânico, até meados do século
XX, e atualmente cada vez mais regenerada após as baixas do envolvimento populista e a
introdução da agricultura moderna – revolução verde. O México é um dos centros de origem da
agricultura. Todo seu patrimônio foi construído por diferentes povos ligados em diversos
contextos ambientais e históricos.
Nikolai Vavilov, cientista russo, biólogo, geneticista, geógrafo, agrônomo e especialista
do melhoramento de espécie vegetais, após sua viagem pelo mundo 1916, propôs que na
Mesoamérica, a agricultura se originou em zonas áridas e nos bosques subtropicais. A milpa
como policultivos tem como centro de dispersão o milho que foi o produto da experimentação,
de ensaios e erros em diferentes paisagens, mas foi o resultado de uma habilidade milenar e
experiência hortícola das populações locais do mosaico ecológico mesoamericano. O teosintle
luxurius, ancestral do milho, introduzido em pequenas clareiras do bosque tropical, pode ter
sido utilizado como cana-de-açúcar, para obter o doce e a elaboração do álcool por mais de 100
anos; depois de sua difusão, teve evidência de uma variedade de um milho comestível – Zea
mays.
O incremento na estrutura do milho foi um dos avanços tecnológicos que permitiu
depender cada vez mais deste grão e seus acompanhantes. O cultivo do milho esteve
acompanhado da produção de sementes, como cucurbitáceas e leguminosas, cuja domesticação
iniciou antes do milho. Dos estudos de materiais arqueobotânicos, abóboras e feijões datam de
7000 a.C.; milho, 5100 a.C., mandioca 4600 a.C. e algodão 2500 a.C.; os primeiros
agrossistemas agroecológicos milpeiras datam de 5000 a 2500 a.C.
É factível supor que os avanços na agricultura associados aos policultivos e “nutrição
ultrassocial” (cozinhar), sendo a base tecnológica (atualmente por resiliência cultural, luta
camponesa, continua a ser...) que permitiu os avanços do formativo ou pré-clássico médio
(1600-600 a.C.), caracterizado pela aparição de uma maior divisão social e especialização do
trabalho e centros cerimoniais e aldeias agrícolas. Richerson e Boyd explicam a evolução da
ultrassociabilidade humana pressupondo uma interação entre herança cultural e herança
genética e traça-se um paralelo com a história natural que nos oferece Tomasello das origens da
cultura humana e do papel que desempenha na coordenação social.
Mas em si mesmo a milpa teve seus momentos difíceis de um agrossistema sujeito as
limitações que os impõem as condições de água, umidade, ventos, solos e as intervenções
humanas para compensar as possibilidade produtivas (Aguilar et. al. 2003). A Milpa, antes um
policultivos, agora um agrossistema erodido, praticamente convertido em monoculturas,
perdendo parte da riqueza de cultivos destinados para a alimentação local.
No princípio do século XVII, a Coroa espanhola reconheceu sua república de indígenas e
do território receberam títulos primordiais do Virrey Marques de Guadalcazar em 1619.
Posteriormente compraram terras privadas e mais tarde estalaram juízes como pecuaristas de
Chinameca entre 1700 e 1703 por limite de terras. Se deu a luta pelo espaço com duas lógica de
manejo: os indígenas que necessitavam da terra para o desenvolvimento da milpa e terra de
descanso (barbecho), como ainda de espaços de caça, pesca e recoletores; no entanto, os
espanhóis a requeriam para a pecuária extensiva.
No final da década de 50 as comunidades milpeiras começam a sofrer mudanças
substanciais pelas políticas de modernização. Podemos citar três os impactos no tempo, como as
influências da modernização industrial, as primeiras políticas populistas e depois as políticas
neoliberais da globalização.
Referência: Tese, Erosão da Agrodiversidade na milpa – José Luiz Blanco Rosas.
Analisa a perda de cultivos nos agroecossistemas milpa de 1960 a 1996.
Uma releitura do livro “1499”: capítulo 3. Ano 6.501 a.C.:
Revolução agrícola “made in Brazil”
por Elvira Eliza França
O uso da terra preta de índio e os estudos sobre a
origem e a domesticação de vegetais
O jornalista Reinaldo José Lopes inicia o capítulo
falando sobre a hipótese de haver partes consideráveis da
mata da floresta que não são naturais, mas sim culturais, isto
é, produzidas pelo homem, antes mesmo da conquista
europeia. Essa hipótese sobre a intervenção dos primeiros
habitantes, na domesticação de espécies vegetais, toma como
base a presença da terra preta de índio, que é um tipo de
solo rico em nutrientes, encontrado nos arredores dos lugares
onde foi constatada a presença de assentamentos humanos
no passado. A terra preta é uma indicação de que, naquele
local, pode ter sido inventada uma estratégia para o monitoramento do solo, e isso revolucionou
a produção de alimentos na floresta, durante o período pré-histórico.
Antes da chegada de Colombo e Cabral, a Amazônia possuía grande diversidade agrícola,
e isso ficou evidenciado nos terrenos escavados pelos arqueólogos e geólogos, onde a terra preta
foi encontrada. Em 2010, em Rondônia, o arqueólogo Renato Knipis encontrou uma camada de
terra preta com a idade de quase 8.000 anos, onde seria construída a Usina Hidrelétrica Santo
Antônio. A terra preta de Rondônia foi a mais antiga encontrada no Brasil e indica a presença
de atividade agrícola no solo amazônico, muito tempo antes da presença dos europeus em nosso
território (LOPES, p. 86).
Arqueólogo mostra fragmentos cerâmicos em sítio no que hoje é a UHE de Santo
Antônio (RO) (Foto: SAE/Divulgação)
A Amazônia é muito ampla e envolve territórios de diferentes países vizinhos do Brasil
(Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname, Venezuela), e os
estados brasileiros de Rondônia, Amazonas, Acre, Roraima, Pará, Amapá. Tocantins, Mato
Grosso e Maranhão. Segundo Lopes, o vasto território amazônico possui florestas com
diferentes tipos de solo, e, dependendo do lugar, há florestas em terra firme, em áreas que ficam
alagadas, em savanas e campos abertos, assim como há as matas que estão sujeitas à seca, além
de algumas poucas regiões que são montanhosas (LOPES, p. 86). Nesse contexto de
biodiversidade e de condições climáticas variadas, também se encontram variações sociais e
culturais nos povos que habitam este vasto território.
De acordo com dados investigados para a produção do livro, Lopes, menciona que as
técnicas agrícolas surgiram no mundo depois do final da Era do Gelo, isto é, há 10.000 anos.
Foi nesse período que surgiram mudanças na vegetação, porque o clima ficou mais quente e
úmido e várias espécies de animais mamíferos de grande porte não conseguiram sobreviver e
desapareceram. Então, depois da extinção dos animais, os humanos tiveram que garantir sua
sobrevivência por meio da exploração dos ambientes onde poderiam obter caça, pesca e coleta
de frutos. Assim, num processo lento, e às vezes quase imperceptível, surgiu a agricultura. Os
achados arqueológicos da atualidade ajudam a identificar a época em que tal fato aconteceu.
Gustavo Politis, arqueólogo argentino da Universidade Nacional do Centro, em Buenos
Aires, estudou a tribo dos Nukak, que são indígenas que vivem na Amazônia, na fronteira do
estado do Amazonas com a Colômbia. O local fica longe dos rios e as pessoas da tribo
apresentam características típicas dos caçadores-coletores pré-cabralianos, que se alimentavam
de vegetais domesticados. Os Nukak apresentam 5% de vegetais na dieta alimentar, que possui
113 espécies de plantas: 90 delas crescem naturalmente na floresta, representando quase 80%.
Esses indígenas também se deslocam frequentemente de lugar, montando cabanas rudimentares
e abrindo clareiras na mata para obter luminosidade. A presença deles, nos territórios em que
habitam temporariamente, altera a composição química do solo, devido à presença do carvão
das fogueiras, da liberação de dejetos (urina e fezes), de restos de comida e de sementes que
eles deixam no local em que vivem. (LOPES, p. 90).
Os indícios das pesquisas levam a crer que os Nukak vivem de modo muito semelhante
aos habitantes primitivos da região, que andavam em bandos de caçadores-coletores e que
podiam permanecer num local por algum tempo, vivendo de modo sedentário. Os especialistas
acreditam que foram grupos assim que fizeram a semeadura da castanha-do-pará (Bertholletia
excelsa) pela região Norte e em países vizinhos. Essa hipótese deve-se ao fato de constatarem
grande concentração de árvores nos lugares específicos, que hoje são denominados de
castanhais. A árvore da castanha tem uma existência longa, que vai de 500 a 1.000 anos de vida,
e sua distribuição geográfica parece artificial, segundo as análises das árvores, feitas pelos
especialistas. O mesmo é observado em outras espécies vegetais, que sobrevivem em locais
distantes do habitat natural, num solo que foi alterado pela ação humana, no qual há presença de
carvão. Esse é o caso das palmeiras que crescem originalmente em locais altos, mas que
também estão presentes em locais baixos, em solo onde há camadas de carvão (LOPES, p. 91).
Brilli, uma garota Nukak pintada com uma aura, em Guaviare, Colômbia (Foto: Piers
Calvert/ACNUR)
A queima de partes da floresta é uma metodologia utilizada para o plantio que perdurou
até os dias atuais, da mesma forma que era feito na pré-história. Lopes cita uma pesquisa
realizada em 2012, pelo Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia – INPA, no interflúvio dos
rios Madeira-Purus, no Amazonas, para a produção de um inventário de árvores. Nessa
pesquisa, também foi analisada a quantidade de carvão no solo, onde havia achados
arqueológicos. Os pesquisadores constataram que havia 40% de árvores úteis no raio de 20 km
dos rios, e elas fornecem frutos como alimento. A proporção de carvão no solo aumentava
quanto mais distantes as árvores estavam dos cursos dos rios ou dos igarapés, e onde as terras
são menos férteis. Essas partes da floresta que foram manipuladas pela ação humana são
denominadas de florestas antropogênicas. Elas possuem árvores frutíferas e também atraem
animais como “antas, porcos-do-mato, veados, etc.” (LOPES, p. 92). Por isso, tais florestas se
tornam alvo da caça humana, aumentando a oferta de alimento.
A existência de plantas e animais nas proximidades dos acampamentos humanos em que
foram encontrados achados arqueológicos, evidenciam a presença humana no local por período
longo, mesmo que as pessoas não ficassem ali permanentemente, pois podiam se deslocar por
um tempo e depois retornar. Certos vegetais que demoram menos tempo para serem utilizados
como alimentos – como o cará e o inhame – são típicos da região onde o solo é de terra preta.
Tais vegetais podem ser resultado do manejo humano no plantio de vegetais, para assegurar a
alimentação da geração seguinte. Portanto, para os povos pré-cabralianos, certas características
das plantas podiam servir de critério para a escolha do que manejar, como por exemplo o “sabor
agradável, polpa firme, produção abundante e rápida de frutos, etc.” (LOPES, p. 94).
O conhecimento humano acumulado por séculos ou milênios, sobre a alteração do
ambiente das plantas, faz com que certas plantas tenham perdido a capacidade de sobreviver na
natureza, competindo com outras espécies nativas. Por isso, atualmente elas só conseguem ser
produzidas mediante o monitoramento humano. Foi no contexto da seleção natural das plantas,
produzidas pelas mãos do homem, que se deu a domesticação dos vegetais que agora não se
reproduzem mais em ambientes selvagens, tal como acontecia em tempos primitivos (LOPES,
p. 94).
As plantas domesticadas, que foram manipuladas pelo homem, concentram outros
nutrientes como carboidratos, gordura ou proteína, e podem produzir frutos maiores, mais
saborosos e nutritivos, quando comparadas às plantas selvagens. Lopes cita a pupunha (Bactris
gasipaes), que foi domesticada, porque fornece madeira além dos frutos, além de um saboroso
palmito. As frutas das variedades que sofreram a ação humana são 20% maiores do que os
frutos selvagens e há frutos que são mais ricos em óleo e amido (LOPES, p.95).
No estudo para a elaboração do inventário sobre espécies nativas domesticadas, foram
listadas 83 espécies. Para a realização desse estudo, é feita a análise para identificação dos
resquícios de pólen (no fundo dos lagos ou das fezes humanas), dos fitólitos (pedrinhas de sílica
maiores, presentes nas folhas e nos caules das plantas domesticadas), e grãos de amido
(encontrados nos dentes dos esqueletos arqueológicos) (LOPES, p. 96). Essas metodologias têm
ajudado a identificar o período do início do cultivo de plantas, que data de até 8.000 anos em
países como Colômbia, Equador e Panamá.
No Brasil, os achados têm levado mais em conta a terra preta e as cerâmicas, que são
típicas das populações de plantadores. Além disso, os botânicos também estudam o DNA dos
vegetais, para investigar a relação de parentesco entre diferentes espécies (LOPES, p. 96-7).
Lopes sugere que as plantas que hoje são cultivadas estejam próximas geograficamente de suas
parentes selvagens.
A mandioca e o milho são espécies que, no final do século XV, estavam presentes em
todas as américas. Dessas espécies, a mandioca (Manihot esculenta) está presente na
alimentação de 800 milhões de pessoas, sendo uma fonte importante de carboidratos. Os
pesquisadores de achados arqueológicos constataram, na costa do Peru, presença da mandioca
há 8.000 anos. No Brasil, esse vegetal apresenta uma grande diversidade genética, com mais de
50 espécies no Planalto Central. A mandioca selvagem (M. esculenta flabellifolia) é típica do
sudeste da Amazônia, mas também está presente em regiões da Bolívia. Os pesquisadores
acreditam que os primeiros habitantes brasileiros que fizeram uso a mandioca viviam no norte
do Mato Grosso, Rondônia e Acre. A diferença entre o clima seco do Peru e do clima úmido e
quente da Amazônia, faz com que neste último contexto ocorra um apodrecimento mais rápido
da raiz da planta, que é utilizada como alimento.
Apesar de a mandioca ser um alimento muito consumido atualmente, na época dos
grandes assentamentos amazônicos pré-cabralinos, o preparo desse vegetal requeria muito
cuidado, para que não liberasse moléculas de cianeto, pois podiam matar quem se alimentasse
dela. Há relatos de exploradores espanhóis do século XVI que abordam fatos sobre pessoas
famintas que se alimentaram da mandioca selvagem sem fazer um preparo cuidadoso e
morreram em decorrência disso. Os especialistas dizem que, no decorrer do tempo, ocorreu uma
seleção natural da mandioca amarga ou brava, para que a planta se tornasse doce e deixasse de
ser perigosa para a alimentação humana. Além disso, no decorrer dos tempos, também foram
desenvolvidas técnicas de processamento da mandioca brava para extrair o veneno: a mandioca
brava é mais econômica e resistente, cresce em solos ácidos e pobres da floresta e pode ser
cultivada em grande escala (LOPES, p. 98-9).
Mandioca do município de Juruti, no Pará (Foto: Preta Terra)
As pesquisas também levam a evidências de que o abacaxi (Ananas comosus) tenha
origem na região Norte do Amazonas, próximo às Guianas. Antes mesmo da conquista
europeia, teve uma distribuição ampla desse fruto pelas Américas. O cacau (Theobroma cacao),
teve sua origem no México, e era considerado o “alimento dos deuses”, porque, segundo a
mitologia, foi descoberto pelas divindades e era usado como bebida. Os parentes selvagens do
cacau, de acordo com pesquisas genéticas, foram encontrados na fronteira do Brasil com o Peru
e com a Colômbia. O cacau é considerado uma planta semidomesticada, porque mesmo quando
seu cultivo é abandonado pelo homem, a planta consegue sobreviver. Apesar da fruta ser mais
conhecida pelo uso da semente para produzir o chocolate, seu uso tradicional é da polpa e o
processo de domesticação é ainda incipiente. A vinda do cacau do México para o Brasil pode ter
ocorrido por conexões comerciais, e aconteceu há 3.000 anos (LOPES, p.100).
As pimentas (do gênero Capsicum) têm uma grande ocorrência na Amazônia brasileira e
boliviana. A batata-doce (Ipomea batatas) e o tabaco (Nicotiana tabacum) tiveram origem na
região amazônica, assim como o açaí (Euterpe oleracea), o cupuaçu (Theobroma grandiflorum)
e o guaraná (Paullinia cupana). Contudo, o milho (Zea mays) era cultivado no México há 9.000
anos, e se espalhou para a América do Sul. A data da aparição do milho na América do Sul é de
7.000 anos atrás, nas regiões altas da Colômbia e do Equador.
As análises de DNA das plantas, realizadas por Fábio Oliveira Freitas, da Embrapa
Recursos Genéticos e Biotecnologia, sugerem que tanto o milho quanto o feijão (Phaseolus
vulgaris) chegaram ao Brasil antes da chegada dos europeus. Em investigações realizadas em
sítios arqueológicos no norte de Minas Gerais, foi identificada a época em que se deu a presença
do milho: entre 1.000 e 300 anos. Contudo, esse vegetal já estava presente no Uruguai (mas) há
3.000 anos) (LOPES, p. 101-2).
Há probabilidade de que as abóboras (gênero Curcubita) e o algodão (Gossypium
barbadense) tenham vindo da costa do continente. O amendoim (Arachis hypogaea) foi
domesticado no sul da Bolívia ou norte da Argentina, próximo à fronteira com o Mato Grosso.
Dados dos estudos sobre o genoma do amendoim domesticado, comparado com a espécie
selvagem, organizados por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Embrapa, indicaram
a presença da intervenção direta do homem na domesticação do amendoim. Os pesquisadores
denominam as abóboras, o algodão e o amendoim, produzidos na América do Sul, como
“plantas forasteiras” (LOPES, p. 102).
Lopes dá uma ênfase especial à “terra preta de índio”, e à “terra mulata”, que é um pouco
mais clara e menos fértil do que a primeira. Ambas estão muito presentes nos sítios
arqueológicos, localizados na calha do rio Amazonas, ilha de Marajó, Rondônia, Acre, Alto
Xingu, Guianas, Peru e Colômbia (LOPES, p. 103). Esse tipo de terra encontra-se próximo às
margens dos rios e afluentes, assim como nos interflúvios (onde os rios se encontram) e ainda
em áreas remotas. Até o presente momento, arqueólogos ou geólogos conseguiram analisar
apenas 0,3% das áreas de floresta com terra preta. Eles acreditam que o método de cultivo
primitivo consistia na derrubada da mata e na sua queimada, assim como na utilização posterior
das cinzas como fertilizante. Esse procedimento tinha duração por alguns anos, até que a chuva
e o calor esgotassem a fertilidade do solo, que era mantida com a decomposição de matéria
orgânica.
Os pesquisadores já encontraram terra preta com mais de um metro de profundidade, e
com níveis altos dos nutrientes “fósforo, cálcio, zinco e magnésio” (LOPES, p. 104). O que
chamou a atenção deles foi o fato de a terra preta “segurar” os nutrientes por longo tempo, por
séculos até milênios, sendo utilizada com eficiência por produtores rurais até o presente
momento. Além disso, a terra preta hoje é vendida como fertilizante para jardinagem. Esse tipo
de terra é denominado de “antropogênica”, porque é resultado da ação humana.
Arqueólogos do Projeto Amazônia Central em sítio do município de Urucurituba, no
Amazonas (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)
As análises de laboratório acusam que na terra preta estão presentes pequeninos
fragmentos de carvão, resultantes da queima lenta e incompleta de vegetais. São
microfragmentos de ossos, geralmente de peixes; de cerâmica; e de fezes, que podem ser
humanas e de alguma espécie de mamífero onívoro, que se alimentavam de animais e vegetais
(LOPES, p. 105).
A descoberta dos registros mais antigos de terra preta aconteceu em Rondônia, e foi
datada de 8.000 e 6.000 anos. Contudo, a produção da terra preta, de modo mais intensivo,
parece ser mais recente: no começo da Era Cristã, quando houve o aparecimento de grupos que
viviam de modo sedentário na região amazônica.
Os pesquisadores associam a presença da terra preta com a presença de antigas aldeias de
grande porte, como no entorno de Manaus (na Amazônia Central), no Xingu, e em locais em
que provavelmente ficavam os resíduos das moradias, formando morrinhos ou em formato de
anel. Por isso, os estudiosos no assunto dizem que esses locais poderiam ser resultantes de um
“sistema de manejo de resíduos” (LOPES, p. 106). Na verdade, a pesquisa sobre essa
“tecnologia arqueológica” para a produção da terra preta pode desvendar uma grande solução
para a retenção do carbono no solo, o que pode ajudar a agricultura ser mais produtiva e
sustentável atualmente (LOPES, p. 106-7).
O presente texto é uma releitura do livro “1499: O Brasil antes de Cabral”, de autoria
do jornalista Reinaldo José Lopes, formado pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor
em literatura inglesa, colunista e blogueiro da editoria de Ciência da Folha de São Paulo. Ele
produz reportagens sobre o trabalho de cientistas que investigam o passado remoto e por isso
seu livro apresenta informações sobre várias áreas de conhecimento, dentre elas arqueologia,
paleontologia e biologia evolutiva.
Fontes:
AZEVEDO, Ana Lúcia. O crânio de Luzia, a mais antiga habitante das Américas, pode
ter desaparecido no incêndio do Museu Nacional.
BETTIM, Felipe. Como Luzia, a mulher mais antiga do Brasil, renasceu das cinzas.
HECKENBERGER, Michael J.; KUIKURO, Afukaka; KUIKURO, Urissapá Tabata;
RUSSELL, J. Christian; SCHMIDT, Morgan; FAUSTO, Carlos; and FRANCHETTO,
Bruna. Amazonia 1492: Pristine Forest or Cultural Parkland?. Sep. 2003, Science 301: p. 1710-
1714.
LOPES, Reinaldo José Lopes. Luzia: a vítima mais preciosa do incêndio do Museu
Nacional.
WATANABE, Phillipe. Luzia, fóssil humano mais antigo das Américas, faz parte de
acervo do Museu Nacional.
PIVETTA, Marcos. A América de Luzia. Boletim Fapesp de maio de 2012.
Nota sobre a propaganda para TV nacional do CREA SP. Oliver Blanco Eng. Agr.
Quem alimenta, senhores CREA, máfia paulista, e não somente por uma razão ética,
social, histórica e econômica, como também pela nobre e campesina espiritualidade, assim
portanto, quem sempre tem nos alimentado é a família camponesa, ou os agricultores familiares
que hoje em São Paulo, resquícios de uma cultura caipira, dos quase extintos referenciais de
nossa agriCultura e Cultura: de etnias tradicionais indígenas, dos quilombolas e dos modus
operandis da agricultura das missões no Sul do país. Hoje resgatadas pela agroecologia
camponesa e consciência cidadã nos centros urbanos de consumos coletivos, assentamentos da
reforma agrária brasileira e outros.
O camponês é por gerações o único e que por resiliência ainda, sobrevive do campo,
resistem, existem, como também a tão importante luta pela reforma agrária no Brasil – que faz
parte de uma evolução da recampesinação atualmente no mundo todo. Recampesinar não é o
retorno a terra e sim a regeneração de uma estrutura atualizada de agricultura camponesa.
Atualmente falar em Reforma Agrária, parece que ainda é se viver o fracasso do Plano
Cruzado no país, quando as tática que o establishment sempre utilizaram, e ainda se utiliza, para
derrotar as propostas, os estudos no mundo e no Brasil dialético/acadêmico sobre a importância
das ações, dos parâmetros do índice GINI, às mudança de estrutura agrária para que seu povo,
sua soberania, sua viabilidade e suportabilidade dos recursos naturais, assim como maiores
equidade social, etc. tenha uma vida mais justa e que, tem sido abjetamente desvinculada de
uma agenda prioritária nas administrações e gestão (gestores) pública em nível federal, estadual
e municipal.
Os exemplo da viabilidade de uma reforma agrária maciça são muitos e que nos levam à
questão: por que ainda não se fez a Reforma Agrária no Brasil?
“Nenhuma nação moderna se desenvolveu sem antes enfrentar o problema agrário” José
Sarney discurso presidencial 1985. Quiçá entendemos, seria por causa dos homens e sua falácia
e política retrógradas em causa própria, família Sarney, mire o Maranhão atualmente, precisou
colocar um comunista para que aquilo não se acabasse, ou entendemos que o Sarney quis dizer,
latifúndio é a solução, que o problema seria os conflitos da minoria, adotando um modelo de
agricultura dependente, que destrói o meio ambiente, envenena os solos, a água, e deixam
milhares de famílias sofrendo para o enriquecimento de poucos e acúmulo financeiro
monstruoso de multinacionais de capitais exógenos.
O Brasil, em sua pífia e morosa projetada reforma agrária, conseguiu e tem uma
participação de quase 43 milhões de hectares em regeneração social, econômica e ambiental;
tanto no controle das Mudanças Climáticas, como na regeneração de terras arrasadas,
desmineralizadas, e erodidas pelo modelo de agricultura adotado e dominante há quase 70 anos,
o camponês, nesta história toda, objeto e nunca sujeito, consegue ser maior, pois presta o
serviço mais importante para a sociedade, além da soberania social para assegurar um alimento
saudável, pelo menos para nossas crianças, que nas atuais políticas públicas se ampliaram e que
hoje estão ameaçadas pela mudança de “poder” no Governo; como também a vivificação do
comércio econômico local sendo uma característica desta evolução social. Mesmo com poucos
investimentos, pois se eles acontecem são para os disfarces de um pseudodesenvolvimento
municipalizados (hoje papados pelas multinacionais do Agronegócios – que não é nosso, ainda).
Portanto, a agronomia nunca alimentou ninguém, quem sempre alimentou foram os
camponeses, esse é seu Biopoder Camponês, este e seu legado histórico.
Olhem para o Estado de São Paulo está inteiramente contaminada por Agrotóxicos, e
nitratos no subsolo! Os lugares possíveis de baixa contaminação é onde possui membrana, solo
vivo. Onde se adotou o modelo de biotecnologia camponesa e agroecologia. Qual é a
fiscalização que o CREA tem feito durante todo esse tempo para chegar ao ponto de criar uma
propaganda em nível nacional com a petulância do desrespeito ao Camponês, quando na
realidade a água está contaminada na torneira; os alimentos estão contaminados (9.300 doses
diárias aceitáveis), o prato do brasileiro, o PF, é tóxico, pois agora as culturas transgênicas,
desmineralizadas, estão sendo dessecadas com Glyphosato e as terras arrasadas e concentradas
nos pseudos-latifúndios? O que vocês têm feito CREA, além de se reunir para comer carne e
beber cerveja? Barriga e atrofia do cérebro, todo comodidade custa caro.
As lagartixas não fazem perguntas.
“O outro lado da dificuldade de conceber a mudança é a dificuldade em aceitá-la, e que é
outro dos temas recorrentes da nossa história. Para os seres humanos, a mudança pode ser
esmagadora. A mudança é exigente com a nossa mente, nos leva para longe da área em que nos
sentimos mais confortáveis, quebra nossos hábitos mentais, produz confusão e desorientação.
Isso requer que nos despojemos de nossos velhos modos de pensar, e que o despojamento não
seja nossa escolha, mas imposição. Além disso, muitas vezes as mudanças desencadeadas pelo
progresso científico perturbam os sistemas de crenças que um grande número de pessoas
compartilha e que possivelmente afetam suas profissões e modos de vida. Como resultado,
novas idéias científicas freqüentemente enfrentam resistência, indignação e ridicularização.”
Todos os padrões saem da Natureza e não da mente humana.
“Mas da mesma forma que a ciência desempenha papéis fundamentais na formação dos
padrões de pensamento humano, não é menos verdade que os padrões do pensamento humano
tiveram um papel decisivo na formação de nossas teorias científicas.” E a ciência é, como
Einstein apontou, "tão subjetiva e psicologicamente condicionada quanto qualquer outro
ramo do esforço humano".
Livro: “..cujas idéias só podem ser compreendidas através de um exame das situações
pessoais, psicológicas, históricas e sociais que a moldaram.”

Proteoma do milho

  • 1.
    “Suor do Sol”e o espírito do primeiro coração Os Incas que, também, acreditavam que o ouro era “o suor do sol”. Verdade hoje distante de ser metáfora Astrofísica. O ouro, como a maioria dos metais pesados, é forjado dentro das estrelas através de um processo chamado fusão nuclear. A teoria do "Big Bang" (Musoni – na Cruz Bakongo) nos explica que, durante a formação do universo há cerca de 14 bilhões de anos, apenas os elementos mais leves foram formados - Hidrogênio (Número Atômico 1) e Hélio (N.A. 2), com vestígios de Lítio (N.A. 3) e Berílio (N.A. 4). À medida que a nuvem de poeira e gases cósmicos do Big Bang esfriou, as estrelas se formaram, e estas então agrupadas e formam galáxias. Algumas centenas de milhões de anos depois, as primeiras estrelas arderam com incêndios nucleares, que obrigaram os elementos mais leves a criar elementos ligeiramente mais pesados em reações nucleares liberando enorme quantidade de energia. As estrelas evoluem com essas mudanças na diversidade de elementos. A fusão nuclear aumenta o peso atômico dos elementos e reduz seu número de partículas. O termo nucleossíntese de supernova é usado para descrever a criação de elementos durante a evolução e explosão de uma estrela pré-supernova, um conceito exposto por Fred Hoyle em 1954. Um estímulo para o desenvolvimento da teoria da nucleossíntese foi a descoberta de variações na abundâncias de elementos encontrados no universo. A energia liberada das reações de fusão nuclear representava a longevidade do Sol como fonte de calor e luz. Em 1939, em um artigo intitulado “Produção de energia nas estrelas”, Hans Bethe analisou as diferentes possibilidades de reações pelas quais o Hidrogênio é fundido em Hélio. Ele definiu dois processos que ele acreditava serem as fontes de energia nas estrelas. O primeiro, a reação em cadeia de prótons com prótons, é a fonte de energia dominante em estrelas com massas até
  • 2.
    cerca da massado Sol. O segundo processo, o ciclo Carbono-Nitrogênio-Oxigênio (CNO), que também foi considerado por Carl Friedrich von Weizsäcker em 1938, é mais importante em estrelas mais massivas. Esses trabalhos diziam respeito à geração de energia capaz de manter as estrelas quentes. Uma descrição física clara da cadeia de próton e do ciclo CNO aparece em um livro de texto de 1968. No entanto, os dois artigos de Bethe não abordaram a criação de núcleos mais pesados. Essa teoria foi iniciada por Fred Hoyle em 1946 com seu argumento de que uma coleção de núcleos muito quentes se reuniria em ferro. Hoyle seguiu isso em 1954 com um grande artigo descrevendo como os estágios avançados de fusão dentro das estrelas sintetizariam elementos entre o carbono e o ferro na massa. Este é o trabalho dominante na nucleossíntese estelar. Forneceu o roteiro para a forma como os elementos mais abundantes na Terra foram sintetizados a partir do hidrogênio inicial e do hélio, deixando claro como esses elementos abundantes aumentaram a diversidade galáctica à medida que a galáxia envelhecia. Chegamos à queima do Silício para formação de Ferro, estágio final da fusão para estrelas que colapsam e explode como uma supernova. Uma versão da Tabela Periódica indicando a origem dos elementos – incluindo a síntese nuclear estelar dos elementos. Todos os elementos além do Laurencium103 também produzidos em laboratórios não estão incluídos. Voltando aos Incas, há duas teorias sobre o ouro. Na primeira ele chegou à Terra há duzentos milhões de anos após a formação do planeta quando meteoritos repletos de ouro e outros metais bombardearam a superfície. Durante a formação da Terra, o ferro derretido afundou em seu centro para fazer o núcleo. Isso levou consigo a grande maioria dos metais preciosos do planeta. A outra é que ele se formou após a colisão de duas estrelas de nêutrons que geram ondas gravitacionais carregadas de energia suficiente para uma explosão de raios gama, as mais poderosas do universo, suficiente para criar Ouro e outros elementos pesados (Astrophysical Journal Letters). Os Elementos químicos artificiais que fazem crescer a Tabela Periódica são apenas 90 dos 116 elementos conhecidos que ocorrem naturalmente, logo os outros 26 vieram no desenvolvimento de usinas e máquinas nucleares conhecidas como aceleradores de partículas. Os cientistas descobriram que, ao permitir que os nêutrons rápidos colidissem com o isótopo comum do urânio conhecido como U238 em um reator nuclear, o "novo" elemento Plutônio foi feito, amaldiçoadamente para uso militar na Bomba de Nagasaki.
  • 3.
    As rochas sãoum processo evolutivo final que inicia no nucleossíntese estelar que é responsável pela diversidade de elementos químicos naturais nas estrelas que mudam devido às reações de fusão nuclear nos núcleos e seus mantos sobrepostos. Entre estupefação e fascinação fique sabendo que toda essa dança cósmica de partículas e energia se transformando em novos elementos precisa ser entendida para compreendermos o universo dos micróbios, pois eles, há mais de 3,8 bilhões de anos são as testemunhas oculares e primeiros interventores com seu metabolismo neste processo. Como seria fantástica a universidade se aprendêssemos sobre solo, vida e natureza, mas infelizmente deixou de ser assim. Exergia para a sobrevivência e o corpo do segundo coração A mudança da matriz natureza para a matriz agroquímica teve seus benefícios, principalmente para quem não possuía natureza. Para quem a possuía ficou com o passivo econômico e socioambiental. Hoje vive o problema da mudança de matriz tecnológica da agroquímica para a biotecnologia, pois enquanto a primeira trabalha com morte, esterilidade e quantificação através de números diretos, a segunda, diametralmente trabalha com vida, fertilidade e sua qualidade superior a quantidade desprovida de qualidade. A palavra que se pode usar para entender isso é “ecopoiese” usada por Lynn Margulis e Carl Sagan trabalhando para levar micróbios para a vivificação ou revivificação de Marte. Repetimos: A “ecopoiese”, no contexto hightech é a vivificação de um ambiente esterilizado, através da inoculação natural de microrganismos, no caso, o exangue solo da Revolução Verde e Agronegócios. Em Goethe entenda desde o micróbio radioativo à “espiritualidade ultrassocial” no seu aforismo na busca humana, transcendente ao significado da vida, em especial no conjunto de valores camponeses que compõe a agricultura muito além do “res cogitans” cartesiano, pois não é necessária erudição para entender a coevolução entre insetos e reprodução das plantas com economia de energia para ambos acionando todas as ferramentas da vida, desde um pelo para a captura de pólen, néctar de ou perfume de atração e excitação. A vida na água e superfície do planeta necessita de energia para seu metabolismo e autopoiese. Autopoiese é a capacidade de um ser vivo de recuperar, restaurar ou reconstruir órgãos e tecidos. A primeira forma de energia aproveitável foi a presente nos minerais; depois a energia da fermentação da matéria orgânica dos cadáveres, pois continha Carbono, Nitrogênio, Enxofre, e por último desde o aproveitamento da luz solar para a síntese de alimentos. A integração dessas três formas de energia nos seres vivos continua em evolução que leva a mais e mais diversidade. Dia a dia surgem novas formas de vida, entretanto, na sociedade "O nitrogênio em nosso DNA, o cálcio em nossos dentes, o ferro em nosso sangue, o carbono em nossa torna de maçã foram elaborados no interior de estrelas em colapso. Somos feitos de material estelar." Carl Sagan, COSMOS. Imagem: Créditos, Futurism.
  • 4.
    industrial a cadaminuto o envenenamento, contaminação, e destruição de processos e suportes vitais elimina essa biodiversidade. A vida migrou dos oceanos para as águas doces, e dali à terra firme onde forma o solo. Nele cumprimos a ação ultrassocial de produzir alimentos e quanto maior a biodiversidade melhor é, mas isso contraria o dogma da economia regente na Sociedade Industrial: “Quanto mais escasso um bem, mais preço tem, pois não importa seus outros valores”. O mais valioso no planeta é o solo ultrassocial, que é menos de 13% do total da superfície emersa das águas. Contudo, diariamente há erosão e devastação de milhares de hectares, e a tecnologia tem tudo a ver com esse desastre. Em 1965 em um solo do Paquistão era aplicado 1 kg de Uréia e produzia 11 kg de arroz; em 1995, trinta anos depois, no mesmo solo a mesma uréia só produzia 3 kg de arroz. O dado projetado para 2025, trinta anos à frente é que no mesmo solo, a mesma uréia produzirá menos de 0,3 kg de arroz, pois o solo perdeu seu Carbono, Nitrogênio, Enxofre e a diversidade mineral. Este é o epitáfio da Agricultura Moderna do Barão von Liebig e Revolução Verde da Fundação Rockefeller com o apressamento da “sustentabilidade” na nova matriz tecnológica da Biotecnologia, que propõem os mesmos erros anteriores. A vida microbiana ou “microbioma” migra para o nosso interior colonizando as células e interior de órgãos de forma que temos mil vezes mais células de microrganismos em nossos órgãos, que participam de nosso metabolismo, aparelhos e glândulas. Sua quase totalidade está nos intestinos e participam na digestão e por ter uma gigantesca rede de células nervosas (neurônios) passou a se denominar “nosso segundo cérebro” e é parte atuante do nosso sistema imunológico formado lentamente nos mais de 130 milhões de anos nos seres ultrassociais primitivos. A Teoria da Seleção dos mais Fortes e Aptos para explicar a Evolução Natural da Vida, de Darwin foi bem aproveitada no Império Britânico para justificar suas ações. Não obstante, a sobrevivência é mais facilmente alcançada através da cooperação como podia ser observado na natureza, mas contraditava com o “vitorianismo” inglês. As simbioses entre bactérias, algas, fungos ou a formação de simbiose entre eles alcançaram os seres ultrassociais onde microrganismos em seu trato digestivo, antigamente conhecidos como microflora faz grande parte da transformação dos alimentos, auxilia na digestão e produção de protetores para a saúde. Ela hoje é mais conhecida como “microbioma”. Diariamente um ser humano excreta dez mil bilhões de indivíduos do microbioma. O aproveitamento dos micróbios do rúmen dos herbívoros permitiu o descobrimento dos antidiarreicos na medicina e os biofertilizantes enriquecidos na agricultura. Seu metabolismo extracorpóreo possibilitou valorizar a vida no sistema ultrassocial restaurando o uso de micróbios. A obra de Piotr Kropotkin “O apoio Mútuo”, levou Kozo-Poliansky a escrever sobre a Endosimbiogênese. É o pequeno, fraco e numeroso quem sustenta e garante o forte, diminuindo suas vulnerabilidades, permitindo maior resiliência. Logo, quanto mais diversidade
  • 5.
    há no microbiomamaior é o benefício mútuo para nossa saúde pelo que a ciência atual denominando os intestinos de nosso segundo cérebro. Sem exagero, a indústria de alimentos com seus produtos e tecnologia é a grande responsável pelas alergias e síndromes imunes deficientes, ademais de perda de biodiversidade na natureza, agricultura e microbioma do solo e humano/animal, conhecida como “disbiose” nos nossos intestinos com comprometimento de nosso sistema imunológico, qualidade de vida e saúde individual e coletiva. Repetimos, disbiose é o inverso de biodiversidade, favorecendo seres oportunistas como Salmonellas e Clostridium que colonizam os intestinos afetados por ela (síndrome do intestino inflamado). A epidemia de Disbiose atinge hoje mais de um milhão de pessoas e matou mais de 50 mil somente nos EEUU. O tratamento adotado pelas autoridades de saúde é o Transplante de Microbioma Fecal (Fecal Microbiome Transplantation). Contra esse absurdo escatológico buscamos outros caminhos com a Saúde no Solo, em que solo sano, plantas sanas, alimentos sano, nutrição ultrassocial, pessoas saudáveis, fechando o ciclo com a consciência do Biopoder Camponês. Civilização do milho – origem, diversidade e a celebração do “Inti Raymi” em nossa América. "O Inti Raymi é uma celebração ancestral que começa no mês de junho, indicando o solstício de verão que marca o fim de um ciclo agrícola. São dias sagrados, o milho amadureceu e é o momento de colhê-lo; a terra cumpriu um ciclo e deu seus frutos aos povos. É hora de agradecer ao sol e à Pachamama, para serem recíprocos de coração como nossos ancestrais fizeram, dançando, pisoteando, cantando, com rituais e oferendas, convidando os ancestrais e os espíritos da natureza”. (Katza Cachiguango, Cotama). A reprodução, nascimento, crescimento, envelhecimento e morte constitui o mistério da vida, e para o nômade, a trilha dos animais significa o início de uma espiritualidade penitente como garantia de sobrevivência. Essa espiritualidade nasce da responsabilidade pré-ultrassocial de garantir os alimentos de todos, e assim, evolui através dos tempos a criar um tempo dentro do espaço da natureza, a agricultura, está sim ação ultrassocial. (PINHEIRO, p. 480 2019). Ao decifrar as estações e criar calendários, os povos tradicionais se fixam na terra e inicia a agricultura. ‘A agricultura evoluiu assim pela necessidade do alimento e demais manufaturas. Mas, nos últimos sessenta anos o poder da agricultura industrial se preocupou em estimular
  • 6.
    aspectos místicos, esotéricosentre aqueles que lutam contra seu modelo de agricultura mercantil-industrial-financeira subvertendo valores de paz e bonança.’ (PINHEIRO, P. 484 2019) As mais antigas civilizações da América – desde os olmecas e teotihuacanos na Mesoamérica, até os incas e quechuas na região andina da Sudamérica – estiveram acompanhadas em seu desenvolvimento pelo cultivo do cereal milho. Junto ao desenvolvimento científico e tecnológico o passado está sendo estudado e decifrado vários dos enigmas que rodeiam a domesticação deste cultivo. Para esta civilizações antigas e seu resgate em nossos dias atuais, o milho é um alimento sagrado por sua qualidade ultrassocial, desde o cultivo ao preparo e consumo. “O milho – Zea mays - não é uma espécie que venha de uma evolução de 150 milhões de anos. Ele é o resultado da intervenção humana, sua criação e tem menos de vinte mil anos. Logo os genes do milho têm pouquíssima variabilidade de uma espécie para outra. Os milhos diferem dos Tripsacums, seus ancestrais, por apenas dois genes. Imagens: Tripsacum dactyloides Se todas as espécies e variedades de milho são tão homogêneas geneticamente, como explicar sua grande biodiversidade, pois conhecemos espigas de milho que têm 3 centímetros de comprimento e outras com 90 centímetros e ambas possuem os mesmos genes.
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    Imagens: Zea mays"fraise" e Zea mays “Jala” O que o homem conseguiu na domesticação do milho foi criar múltiplas funções por meio de sua interação com o meio ambiente, fazendo que um mesmo gene tenha mais de trinta tipos de proteínas diferentes conforme as condições de cultivo. Torna-se necessário conhecer esta grande variabilidade. Somente os camponeses mexicanos, peruanos, bolivianos e colombianos tem está memória e história registrada. Este é o grande valor que há por detrás de cada espécie de milho cultivada nos últimos vinte mil anos e está é a grande importância das populações e comunidades tradicionais. Quando a ciência diz que o homem e o rato têm 99,5% de mesmos genes, poderemos esperar que em poucos anos teremos condições de encontrar quais os principais fatores e condições culturais e ambientais necessitam um determinado gene para comportar-se de forma tal no rato, que não no homem.” (PINHEIRO, manuscritos) ‘Em 1983 a pesquisadora estadunidense Bárbara McClintock recebeu o Prêmio Nobel em Fisiologia pelo descobrimento dos elementos genéticos móveis nos cromossomos do milho.’ (HERNÁNDES/Greenpeace México, 2012) “Veremos então que o importante não é a inserção de um transgene (OGM – organismo geneticamente modificado – os denominados transgênicos), mas o conhecimento de todo o potencial do gene que temos em nossos genomas. O importante então são as proteínas que estão potencializadas nos cromossomas e isto é muito mais importante que a inserção de um gene de interesse de determinada empresa.
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    Materializar o conhecimentodas populações tradicionais de nossos indígenas, camponeses, quilombolas e outras é fundamental para a agricultura, nutricêuticos, cosméticos, fármacos e produtos bioindustriais. Infelizmente a heteronomia não permite esta visão e estudos.” (PINHEIRO, manuscritos) Desta forma uma parte da ciência tem sido pirata. Por modificar e esconder toda essa evolução. A semente do milho foi roubada, e levada para os Estados Unidos sendo um dos pilares da “Revolução Verde”. Ela retorna às comunidades de maneira invasiva, mentirosa, híbrida e agora transgênicas, destruindo tradições, culturas e modificando totalmente a economia e sociedade em torno das comunidades rurais que a mais de 70 anos produziam a semente de milho nativo que se espalhou pelo mundo. Nos anos 80, Pat Roy Mooney, denuncia os perigos da perda da biodiversidade e da concentração de capital e poder nas mãos das empresas de biotecnologia, principalmente das que produzem sementes. Essas denúncias tornaram mundialmente conhecidas através do seu livro O Escândalo das Sementes. Na atualidade, a conservação em bancos de germoplasma de milho ou conservação ex situ é a estratégia dominante pois está ligada à trajetória tecnológica dos países desenvolvidos e, ainda mais, porque as restrições financeiras de muitos países menos desenvolvidos não permitem a implementação da conservação in situ. Se prevê que em poucos anos, o descuido e a falta de atenção às comunidades rurais nas que se encontram a maior porcentagem do germoplasma nativo pode impactar negativamente a diversidade do milho. Também se antecipa que as políticas públicas, de pressão multilaterais e de multinacionais, promovem tecnologias de intensivo aporte de capital, que vem expulsando os camponeses de sua terra, além de extinguir os recursos genéticos do milho, em outras palavras o surgimento do milho transgênicos é o maior crime lesa humanidade. [Para entendermos isso, tem um livro (Genes alterados, verdade adulteradas, do advogado Steve Druker [estudamos esse livro, recebido do professor Sebastião Pinheiro quem o traduziu. Me enviou para fazer a correção; está disponível em pdf]. O advogado Druker foi quem fez uma solicitação a FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos) americana; ele foi a FDA e fez uma petição: eu, de acordo com a primeira emenda, e quinta emenda, requeiro os dados sobre os transgênicos nos EE.UU. Não deram bola para ele, não recebeu respostas. Ele esperou um período até protocolar e fez a segunda petição, novamente, não obteve resposta. Então ele entrou com uma petição em um juiz federal, e disse assim: eu fiz uma petição, não deram bola, fiz a segunda vez e não tive respostas, então queria perguntar aos senhores (juiz Super Ethanol dos Estados Unidos Milho híbrido – EEUU Pioneer.
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    supremo) se aprimeira emenda e quinta emenda está em vigor no país? O juiz federal determinou que todo material classificado ou não, aí azedou a coisa, classificado como material secreto; tinham que ser colocado em disposição dele. Ele recebeu em uma sala 44 mil documentos oficiais do governo americano da FDA. Pois lá vocês sabem, se não cumprir a lei a coisa canta; canta e canta mesmo. Ele recebeu e contratou uma equipe de biólogos e ambientalistas e foram todos estudar: é o livro! O livro saiu em 2015 e foi traduzido. O original ganhei de presente dos mexicanos. Agora, os mexicanos traduziram o livro e foram pedir ao autor licença para traduzir, mas já estava traduzido, é proibido, então Druker pegou o livro e mandou para Espanha; pois se ler um livro no idioma mexicano você fica perdido por ter muitas palavras nativas...] O milho se torna então o cereal que mais importância tem em vários setores da economia em escala mundial durante o século XX e no início do século XXI. Nos países industrializados, o milho se utiliza principalmente como forragem, matéria prima para a produção de alimentos processados e, recentemente, para a produção de etanol. Pelo contrário, em alguns países da América Latina, e cada vez mais em países africanos, uma grande porcentagem do milho que se produz ou importa se destina ao consumo humano. Neste sentido, o milho tem sido um fator de sobrevivência para os camponeses e indígenas que habitam na maioria os países do continente americano. Referências: - Agroecologia 7.0 – Sebastião Pinheiro, 2019. Fundação Juquira Candiru Satyagraha. - El origen e la diversidade del maíz en el continente americano – José Antonio Serratos Hernández, Universidade Autónoma de la ciudad de México. Greenpeace México, 2ª Edição, 2012.
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    Milpa, a RoçaMexicana, Sistemas Agroecológicos Milpeiras/os e Nutrição Ultrassocial. A milpa é uma criação cultural mesoamericana, que implica o cultivo de milho associado com diversas plantas (ao menos feijão, abóboras e pimentas), que se abre dentro de um ecossistema e reproduz muitos das interações e princípios ecológicos do ambiente em que se dão. Ainda mais, é fortalecida por gerações com a expressão de uma cosmovisão local incrível em arte, cerimoniais, e simbologias, como Homshuk, o deus do maíz. Podemos dizer que a denominação genérica, ecossistemas, estão distribuídos dentro de um território, possuí suas características físicas, biológicas e evolutivas sociais e econômicas por gerações, e a biodiversidade deste território, integra os vários agrossistemas – milpas, que agora também possui sua agrobiodiversidade, e após a chegada da indústria e erosão: agrodiversidade, que se define como o conjunto de plantas domesticadas e cultivadas em uma comunidade agrícola, etnias, milpas. Dos produtos domesticados e semidomesticados na milpa é citado mais de 100 espécies de plantas. A agrodiversidade entre as milpas estão ligadas a aspectos socioculturais, ecológicos, biológicos, agronômicos, bromatológicos, econômicos e sociobiopolíticas; na tese que analiso, também as une a um contexto socioeconômico e organização sociocultural. Assim entendemos a milpa como um agrossistema de policultivos mais representativos do México, surgida a mais de 4000 mil anos, no tempo pré-hispânico, até meados do século XX, e atualmente cada vez mais regenerada após as baixas do envolvimento populista e a introdução da agricultura moderna – revolução verde. O México é um dos centros de origem da agricultura. Todo seu patrimônio foi construído por diferentes povos ligados em diversos contextos ambientais e históricos. Nikolai Vavilov, cientista russo, biólogo, geneticista, geógrafo, agrônomo e especialista do melhoramento de espécie vegetais, após sua viagem pelo mundo 1916, propôs que na Mesoamérica, a agricultura se originou em zonas áridas e nos bosques subtropicais. A milpa como policultivos tem como centro de dispersão o milho que foi o produto da experimentação, de ensaios e erros em diferentes paisagens, mas foi o resultado de uma habilidade milenar e experiência hortícola das populações locais do mosaico ecológico mesoamericano. O teosintle luxurius, ancestral do milho, introduzido em pequenas clareiras do bosque tropical, pode ter sido utilizado como cana-de-açúcar, para obter o doce e a elaboração do álcool por mais de 100
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    anos; depois desua difusão, teve evidência de uma variedade de um milho comestível – Zea mays. O incremento na estrutura do milho foi um dos avanços tecnológicos que permitiu depender cada vez mais deste grão e seus acompanhantes. O cultivo do milho esteve acompanhado da produção de sementes, como cucurbitáceas e leguminosas, cuja domesticação iniciou antes do milho. Dos estudos de materiais arqueobotânicos, abóboras e feijões datam de 7000 a.C.; milho, 5100 a.C., mandioca 4600 a.C. e algodão 2500 a.C.; os primeiros agrossistemas agroecológicos milpeiras datam de 5000 a 2500 a.C. É factível supor que os avanços na agricultura associados aos policultivos e “nutrição ultrassocial” (cozinhar), sendo a base tecnológica (atualmente por resiliência cultural, luta camponesa, continua a ser...) que permitiu os avanços do formativo ou pré-clássico médio (1600-600 a.C.), caracterizado pela aparição de uma maior divisão social e especialização do trabalho e centros cerimoniais e aldeias agrícolas. Richerson e Boyd explicam a evolução da ultrassociabilidade humana pressupondo uma interação entre herança cultural e herança genética e traça-se um paralelo com a história natural que nos oferece Tomasello das origens da cultura humana e do papel que desempenha na coordenação social. Mas em si mesmo a milpa teve seus momentos difíceis de um agrossistema sujeito as limitações que os impõem as condições de água, umidade, ventos, solos e as intervenções humanas para compensar as possibilidade produtivas (Aguilar et. al. 2003). A Milpa, antes um policultivos, agora um agrossistema erodido, praticamente convertido em monoculturas, perdendo parte da riqueza de cultivos destinados para a alimentação local. No princípio do século XVII, a Coroa espanhola reconheceu sua república de indígenas e do território receberam títulos primordiais do Virrey Marques de Guadalcazar em 1619. Posteriormente compraram terras privadas e mais tarde estalaram juízes como pecuaristas de Chinameca entre 1700 e 1703 por limite de terras. Se deu a luta pelo espaço com duas lógica de manejo: os indígenas que necessitavam da terra para o desenvolvimento da milpa e terra de descanso (barbecho), como ainda de espaços de caça, pesca e recoletores; no entanto, os espanhóis a requeriam para a pecuária extensiva.
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    No final dadécada de 50 as comunidades milpeiras começam a sofrer mudanças substanciais pelas políticas de modernização. Podemos citar três os impactos no tempo, como as influências da modernização industrial, as primeiras políticas populistas e depois as políticas neoliberais da globalização. Referência: Tese, Erosão da Agrodiversidade na milpa – José Luiz Blanco Rosas. Analisa a perda de cultivos nos agroecossistemas milpa de 1960 a 1996. Uma releitura do livro “1499”: capítulo 3. Ano 6.501 a.C.: Revolução agrícola “made in Brazil” por Elvira Eliza França O uso da terra preta de índio e os estudos sobre a origem e a domesticação de vegetais O jornalista Reinaldo José Lopes inicia o capítulo falando sobre a hipótese de haver partes consideráveis da mata da floresta que não são naturais, mas sim culturais, isto é, produzidas pelo homem, antes mesmo da conquista europeia. Essa hipótese sobre a intervenção dos primeiros habitantes, na domesticação de espécies vegetais, toma como base a presença da terra preta de índio, que é um tipo de solo rico em nutrientes, encontrado nos arredores dos lugares onde foi constatada a presença de assentamentos humanos no passado. A terra preta é uma indicação de que, naquele local, pode ter sido inventada uma estratégia para o monitoramento do solo, e isso revolucionou a produção de alimentos na floresta, durante o período pré-histórico. Antes da chegada de Colombo e Cabral, a Amazônia possuía grande diversidade agrícola, e isso ficou evidenciado nos terrenos escavados pelos arqueólogos e geólogos, onde a terra preta foi encontrada. Em 2010, em Rondônia, o arqueólogo Renato Knipis encontrou uma camada de terra preta com a idade de quase 8.000 anos, onde seria construída a Usina Hidrelétrica Santo Antônio. A terra preta de Rondônia foi a mais antiga encontrada no Brasil e indica a presença de atividade agrícola no solo amazônico, muito tempo antes da presença dos europeus em nosso território (LOPES, p. 86).
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    Arqueólogo mostra fragmentoscerâmicos em sítio no que hoje é a UHE de Santo Antônio (RO) (Foto: SAE/Divulgação) A Amazônia é muito ampla e envolve territórios de diferentes países vizinhos do Brasil (Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname, Venezuela), e os estados brasileiros de Rondônia, Amazonas, Acre, Roraima, Pará, Amapá. Tocantins, Mato Grosso e Maranhão. Segundo Lopes, o vasto território amazônico possui florestas com diferentes tipos de solo, e, dependendo do lugar, há florestas em terra firme, em áreas que ficam alagadas, em savanas e campos abertos, assim como há as matas que estão sujeitas à seca, além de algumas poucas regiões que são montanhosas (LOPES, p. 86). Nesse contexto de biodiversidade e de condições climáticas variadas, também se encontram variações sociais e culturais nos povos que habitam este vasto território. De acordo com dados investigados para a produção do livro, Lopes, menciona que as técnicas agrícolas surgiram no mundo depois do final da Era do Gelo, isto é, há 10.000 anos. Foi nesse período que surgiram mudanças na vegetação, porque o clima ficou mais quente e úmido e várias espécies de animais mamíferos de grande porte não conseguiram sobreviver e desapareceram. Então, depois da extinção dos animais, os humanos tiveram que garantir sua sobrevivência por meio da exploração dos ambientes onde poderiam obter caça, pesca e coleta de frutos. Assim, num processo lento, e às vezes quase imperceptível, surgiu a agricultura. Os achados arqueológicos da atualidade ajudam a identificar a época em que tal fato aconteceu. Gustavo Politis, arqueólogo argentino da Universidade Nacional do Centro, em Buenos Aires, estudou a tribo dos Nukak, que são indígenas que vivem na Amazônia, na fronteira do estado do Amazonas com a Colômbia. O local fica longe dos rios e as pessoas da tribo apresentam características típicas dos caçadores-coletores pré-cabralianos, que se alimentavam de vegetais domesticados. Os Nukak apresentam 5% de vegetais na dieta alimentar, que possui 113 espécies de plantas: 90 delas crescem naturalmente na floresta, representando quase 80%. Esses indígenas também se deslocam frequentemente de lugar, montando cabanas rudimentares e abrindo clareiras na mata para obter luminosidade. A presença deles, nos territórios em que habitam temporariamente, altera a composição química do solo, devido à presença do carvão
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    das fogueiras, daliberação de dejetos (urina e fezes), de restos de comida e de sementes que eles deixam no local em que vivem. (LOPES, p. 90). Os indícios das pesquisas levam a crer que os Nukak vivem de modo muito semelhante aos habitantes primitivos da região, que andavam em bandos de caçadores-coletores e que podiam permanecer num local por algum tempo, vivendo de modo sedentário. Os especialistas acreditam que foram grupos assim que fizeram a semeadura da castanha-do-pará (Bertholletia excelsa) pela região Norte e em países vizinhos. Essa hipótese deve-se ao fato de constatarem grande concentração de árvores nos lugares específicos, que hoje são denominados de castanhais. A árvore da castanha tem uma existência longa, que vai de 500 a 1.000 anos de vida, e sua distribuição geográfica parece artificial, segundo as análises das árvores, feitas pelos especialistas. O mesmo é observado em outras espécies vegetais, que sobrevivem em locais distantes do habitat natural, num solo que foi alterado pela ação humana, no qual há presença de carvão. Esse é o caso das palmeiras que crescem originalmente em locais altos, mas que também estão presentes em locais baixos, em solo onde há camadas de carvão (LOPES, p. 91). Brilli, uma garota Nukak pintada com uma aura, em Guaviare, Colômbia (Foto: Piers Calvert/ACNUR) A queima de partes da floresta é uma metodologia utilizada para o plantio que perdurou até os dias atuais, da mesma forma que era feito na pré-história. Lopes cita uma pesquisa realizada em 2012, pelo Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia – INPA, no interflúvio dos rios Madeira-Purus, no Amazonas, para a produção de um inventário de árvores. Nessa pesquisa, também foi analisada a quantidade de carvão no solo, onde havia achados arqueológicos. Os pesquisadores constataram que havia 40% de árvores úteis no raio de 20 km dos rios, e elas fornecem frutos como alimento. A proporção de carvão no solo aumentava quanto mais distantes as árvores estavam dos cursos dos rios ou dos igarapés, e onde as terras são menos férteis. Essas partes da floresta que foram manipuladas pela ação humana são denominadas de florestas antropogênicas. Elas possuem árvores frutíferas e também atraem
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    animais como “antas,porcos-do-mato, veados, etc.” (LOPES, p. 92). Por isso, tais florestas se tornam alvo da caça humana, aumentando a oferta de alimento. A existência de plantas e animais nas proximidades dos acampamentos humanos em que foram encontrados achados arqueológicos, evidenciam a presença humana no local por período longo, mesmo que as pessoas não ficassem ali permanentemente, pois podiam se deslocar por um tempo e depois retornar. Certos vegetais que demoram menos tempo para serem utilizados como alimentos – como o cará e o inhame – são típicos da região onde o solo é de terra preta. Tais vegetais podem ser resultado do manejo humano no plantio de vegetais, para assegurar a alimentação da geração seguinte. Portanto, para os povos pré-cabralianos, certas características das plantas podiam servir de critério para a escolha do que manejar, como por exemplo o “sabor agradável, polpa firme, produção abundante e rápida de frutos, etc.” (LOPES, p. 94). O conhecimento humano acumulado por séculos ou milênios, sobre a alteração do ambiente das plantas, faz com que certas plantas tenham perdido a capacidade de sobreviver na natureza, competindo com outras espécies nativas. Por isso, atualmente elas só conseguem ser produzidas mediante o monitoramento humano. Foi no contexto da seleção natural das plantas, produzidas pelas mãos do homem, que se deu a domesticação dos vegetais que agora não se reproduzem mais em ambientes selvagens, tal como acontecia em tempos primitivos (LOPES, p. 94). As plantas domesticadas, que foram manipuladas pelo homem, concentram outros nutrientes como carboidratos, gordura ou proteína, e podem produzir frutos maiores, mais saborosos e nutritivos, quando comparadas às plantas selvagens. Lopes cita a pupunha (Bactris gasipaes), que foi domesticada, porque fornece madeira além dos frutos, além de um saboroso palmito. As frutas das variedades que sofreram a ação humana são 20% maiores do que os frutos selvagens e há frutos que são mais ricos em óleo e amido (LOPES, p.95). No estudo para a elaboração do inventário sobre espécies nativas domesticadas, foram listadas 83 espécies. Para a realização desse estudo, é feita a análise para identificação dos resquícios de pólen (no fundo dos lagos ou das fezes humanas), dos fitólitos (pedrinhas de sílica maiores, presentes nas folhas e nos caules das plantas domesticadas), e grãos de amido (encontrados nos dentes dos esqueletos arqueológicos) (LOPES, p. 96). Essas metodologias têm ajudado a identificar o período do início do cultivo de plantas, que data de até 8.000 anos em países como Colômbia, Equador e Panamá. No Brasil, os achados têm levado mais em conta a terra preta e as cerâmicas, que são típicas das populações de plantadores. Além disso, os botânicos também estudam o DNA dos vegetais, para investigar a relação de parentesco entre diferentes espécies (LOPES, p. 96-7). Lopes sugere que as plantas que hoje são cultivadas estejam próximas geograficamente de suas parentes selvagens. A mandioca e o milho são espécies que, no final do século XV, estavam presentes em todas as américas. Dessas espécies, a mandioca (Manihot esculenta) está presente na
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    alimentação de 800milhões de pessoas, sendo uma fonte importante de carboidratos. Os pesquisadores de achados arqueológicos constataram, na costa do Peru, presença da mandioca há 8.000 anos. No Brasil, esse vegetal apresenta uma grande diversidade genética, com mais de 50 espécies no Planalto Central. A mandioca selvagem (M. esculenta flabellifolia) é típica do sudeste da Amazônia, mas também está presente em regiões da Bolívia. Os pesquisadores acreditam que os primeiros habitantes brasileiros que fizeram uso a mandioca viviam no norte do Mato Grosso, Rondônia e Acre. A diferença entre o clima seco do Peru e do clima úmido e quente da Amazônia, faz com que neste último contexto ocorra um apodrecimento mais rápido da raiz da planta, que é utilizada como alimento. Apesar de a mandioca ser um alimento muito consumido atualmente, na época dos grandes assentamentos amazônicos pré-cabralinos, o preparo desse vegetal requeria muito cuidado, para que não liberasse moléculas de cianeto, pois podiam matar quem se alimentasse dela. Há relatos de exploradores espanhóis do século XVI que abordam fatos sobre pessoas famintas que se alimentaram da mandioca selvagem sem fazer um preparo cuidadoso e morreram em decorrência disso. Os especialistas dizem que, no decorrer do tempo, ocorreu uma seleção natural da mandioca amarga ou brava, para que a planta se tornasse doce e deixasse de ser perigosa para a alimentação humana. Além disso, no decorrer dos tempos, também foram desenvolvidas técnicas de processamento da mandioca brava para extrair o veneno: a mandioca brava é mais econômica e resistente, cresce em solos ácidos e pobres da floresta e pode ser cultivada em grande escala (LOPES, p. 98-9). Mandioca do município de Juruti, no Pará (Foto: Preta Terra) As pesquisas também levam a evidências de que o abacaxi (Ananas comosus) tenha origem na região Norte do Amazonas, próximo às Guianas. Antes mesmo da conquista europeia, teve uma distribuição ampla desse fruto pelas Américas. O cacau (Theobroma cacao), teve sua origem no México, e era considerado o “alimento dos deuses”, porque, segundo a mitologia, foi descoberto pelas divindades e era usado como bebida. Os parentes selvagens do cacau, de acordo com pesquisas genéticas, foram encontrados na fronteira do Brasil com o Peru e com a Colômbia. O cacau é considerado uma planta semidomesticada, porque mesmo quando seu cultivo é abandonado pelo homem, a planta consegue sobreviver. Apesar da fruta ser mais conhecida pelo uso da semente para produzir o chocolate, seu uso tradicional é da polpa e o
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    processo de domesticaçãoé ainda incipiente. A vinda do cacau do México para o Brasil pode ter ocorrido por conexões comerciais, e aconteceu há 3.000 anos (LOPES, p.100). As pimentas (do gênero Capsicum) têm uma grande ocorrência na Amazônia brasileira e boliviana. A batata-doce (Ipomea batatas) e o tabaco (Nicotiana tabacum) tiveram origem na região amazônica, assim como o açaí (Euterpe oleracea), o cupuaçu (Theobroma grandiflorum) e o guaraná (Paullinia cupana). Contudo, o milho (Zea mays) era cultivado no México há 9.000 anos, e se espalhou para a América do Sul. A data da aparição do milho na América do Sul é de 7.000 anos atrás, nas regiões altas da Colômbia e do Equador. As análises de DNA das plantas, realizadas por Fábio Oliveira Freitas, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, sugerem que tanto o milho quanto o feijão (Phaseolus vulgaris) chegaram ao Brasil antes da chegada dos europeus. Em investigações realizadas em sítios arqueológicos no norte de Minas Gerais, foi identificada a época em que se deu a presença do milho: entre 1.000 e 300 anos. Contudo, esse vegetal já estava presente no Uruguai (mas) há 3.000 anos) (LOPES, p. 101-2). Há probabilidade de que as abóboras (gênero Curcubita) e o algodão (Gossypium barbadense) tenham vindo da costa do continente. O amendoim (Arachis hypogaea) foi domesticado no sul da Bolívia ou norte da Argentina, próximo à fronteira com o Mato Grosso. Dados dos estudos sobre o genoma do amendoim domesticado, comparado com a espécie selvagem, organizados por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Embrapa, indicaram a presença da intervenção direta do homem na domesticação do amendoim. Os pesquisadores denominam as abóboras, o algodão e o amendoim, produzidos na América do Sul, como “plantas forasteiras” (LOPES, p. 102). Lopes dá uma ênfase especial à “terra preta de índio”, e à “terra mulata”, que é um pouco mais clara e menos fértil do que a primeira. Ambas estão muito presentes nos sítios arqueológicos, localizados na calha do rio Amazonas, ilha de Marajó, Rondônia, Acre, Alto Xingu, Guianas, Peru e Colômbia (LOPES, p. 103). Esse tipo de terra encontra-se próximo às margens dos rios e afluentes, assim como nos interflúvios (onde os rios se encontram) e ainda em áreas remotas. Até o presente momento, arqueólogos ou geólogos conseguiram analisar apenas 0,3% das áreas de floresta com terra preta. Eles acreditam que o método de cultivo primitivo consistia na derrubada da mata e na sua queimada, assim como na utilização posterior das cinzas como fertilizante. Esse procedimento tinha duração por alguns anos, até que a chuva e o calor esgotassem a fertilidade do solo, que era mantida com a decomposição de matéria orgânica. Os pesquisadores já encontraram terra preta com mais de um metro de profundidade, e com níveis altos dos nutrientes “fósforo, cálcio, zinco e magnésio” (LOPES, p. 104). O que chamou a atenção deles foi o fato de a terra preta “segurar” os nutrientes por longo tempo, por séculos até milênios, sendo utilizada com eficiência por produtores rurais até o presente momento. Além disso, a terra preta hoje é vendida como fertilizante para jardinagem. Esse tipo de terra é denominado de “antropogênica”, porque é resultado da ação humana.
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    Arqueólogos do ProjetoAmazônia Central em sítio do município de Urucurituba, no Amazonas (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real) As análises de laboratório acusam que na terra preta estão presentes pequeninos fragmentos de carvão, resultantes da queima lenta e incompleta de vegetais. São microfragmentos de ossos, geralmente de peixes; de cerâmica; e de fezes, que podem ser humanas e de alguma espécie de mamífero onívoro, que se alimentavam de animais e vegetais (LOPES, p. 105). A descoberta dos registros mais antigos de terra preta aconteceu em Rondônia, e foi datada de 8.000 e 6.000 anos. Contudo, a produção da terra preta, de modo mais intensivo, parece ser mais recente: no começo da Era Cristã, quando houve o aparecimento de grupos que viviam de modo sedentário na região amazônica. Os pesquisadores associam a presença da terra preta com a presença de antigas aldeias de grande porte, como no entorno de Manaus (na Amazônia Central), no Xingu, e em locais em que provavelmente ficavam os resíduos das moradias, formando morrinhos ou em formato de anel. Por isso, os estudiosos no assunto dizem que esses locais poderiam ser resultantes de um “sistema de manejo de resíduos” (LOPES, p. 106). Na verdade, a pesquisa sobre essa “tecnologia arqueológica” para a produção da terra preta pode desvendar uma grande solução para a retenção do carbono no solo, o que pode ajudar a agricultura ser mais produtiva e sustentável atualmente (LOPES, p. 106-7). O presente texto é uma releitura do livro “1499: O Brasil antes de Cabral”, de autoria do jornalista Reinaldo José Lopes, formado pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em literatura inglesa, colunista e blogueiro da editoria de Ciência da Folha de São Paulo. Ele produz reportagens sobre o trabalho de cientistas que investigam o passado remoto e por isso seu livro apresenta informações sobre várias áreas de conhecimento, dentre elas arqueologia, paleontologia e biologia evolutiva.
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    Fontes: AZEVEDO, Ana Lúcia.O crânio de Luzia, a mais antiga habitante das Américas, pode ter desaparecido no incêndio do Museu Nacional. BETTIM, Felipe. Como Luzia, a mulher mais antiga do Brasil, renasceu das cinzas. HECKENBERGER, Michael J.; KUIKURO, Afukaka; KUIKURO, Urissapá Tabata; RUSSELL, J. Christian; SCHMIDT, Morgan; FAUSTO, Carlos; and FRANCHETTO, Bruna. Amazonia 1492: Pristine Forest or Cultural Parkland?. Sep. 2003, Science 301: p. 1710- 1714. LOPES, Reinaldo José Lopes. Luzia: a vítima mais preciosa do incêndio do Museu Nacional. WATANABE, Phillipe. Luzia, fóssil humano mais antigo das Américas, faz parte de acervo do Museu Nacional. PIVETTA, Marcos. A América de Luzia. Boletim Fapesp de maio de 2012. Nota sobre a propaganda para TV nacional do CREA SP. Oliver Blanco Eng. Agr. Quem alimenta, senhores CREA, máfia paulista, e não somente por uma razão ética, social, histórica e econômica, como também pela nobre e campesina espiritualidade, assim portanto, quem sempre tem nos alimentado é a família camponesa, ou os agricultores familiares que hoje em São Paulo, resquícios de uma cultura caipira, dos quase extintos referenciais de nossa agriCultura e Cultura: de etnias tradicionais indígenas, dos quilombolas e dos modus operandis da agricultura das missões no Sul do país. Hoje resgatadas pela agroecologia camponesa e consciência cidadã nos centros urbanos de consumos coletivos, assentamentos da reforma agrária brasileira e outros. O camponês é por gerações o único e que por resiliência ainda, sobrevive do campo, resistem, existem, como também a tão importante luta pela reforma agrária no Brasil – que faz parte de uma evolução da recampesinação atualmente no mundo todo. Recampesinar não é o retorno a terra e sim a regeneração de uma estrutura atualizada de agricultura camponesa. Atualmente falar em Reforma Agrária, parece que ainda é se viver o fracasso do Plano Cruzado no país, quando as tática que o establishment sempre utilizaram, e ainda se utiliza, para derrotar as propostas, os estudos no mundo e no Brasil dialético/acadêmico sobre a importância das ações, dos parâmetros do índice GINI, às mudança de estrutura agrária para que seu povo, sua soberania, sua viabilidade e suportabilidade dos recursos naturais, assim como maiores equidade social, etc. tenha uma vida mais justa e que, tem sido abjetamente desvinculada de uma agenda prioritária nas administrações e gestão (gestores) pública em nível federal, estadual e municipal.
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    Os exemplo daviabilidade de uma reforma agrária maciça são muitos e que nos levam à questão: por que ainda não se fez a Reforma Agrária no Brasil? “Nenhuma nação moderna se desenvolveu sem antes enfrentar o problema agrário” José Sarney discurso presidencial 1985. Quiçá entendemos, seria por causa dos homens e sua falácia e política retrógradas em causa própria, família Sarney, mire o Maranhão atualmente, precisou colocar um comunista para que aquilo não se acabasse, ou entendemos que o Sarney quis dizer, latifúndio é a solução, que o problema seria os conflitos da minoria, adotando um modelo de agricultura dependente, que destrói o meio ambiente, envenena os solos, a água, e deixam milhares de famílias sofrendo para o enriquecimento de poucos e acúmulo financeiro monstruoso de multinacionais de capitais exógenos. O Brasil, em sua pífia e morosa projetada reforma agrária, conseguiu e tem uma participação de quase 43 milhões de hectares em regeneração social, econômica e ambiental; tanto no controle das Mudanças Climáticas, como na regeneração de terras arrasadas, desmineralizadas, e erodidas pelo modelo de agricultura adotado e dominante há quase 70 anos, o camponês, nesta história toda, objeto e nunca sujeito, consegue ser maior, pois presta o serviço mais importante para a sociedade, além da soberania social para assegurar um alimento saudável, pelo menos para nossas crianças, que nas atuais políticas públicas se ampliaram e que hoje estão ameaçadas pela mudança de “poder” no Governo; como também a vivificação do comércio econômico local sendo uma característica desta evolução social. Mesmo com poucos investimentos, pois se eles acontecem são para os disfarces de um pseudodesenvolvimento municipalizados (hoje papados pelas multinacionais do Agronegócios – que não é nosso, ainda). Portanto, a agronomia nunca alimentou ninguém, quem sempre alimentou foram os camponeses, esse é seu Biopoder Camponês, este e seu legado histórico. Olhem para o Estado de São Paulo está inteiramente contaminada por Agrotóxicos, e nitratos no subsolo! Os lugares possíveis de baixa contaminação é onde possui membrana, solo vivo. Onde se adotou o modelo de biotecnologia camponesa e agroecologia. Qual é a fiscalização que o CREA tem feito durante todo esse tempo para chegar ao ponto de criar uma propaganda em nível nacional com a petulância do desrespeito ao Camponês, quando na realidade a água está contaminada na torneira; os alimentos estão contaminados (9.300 doses diárias aceitáveis), o prato do brasileiro, o PF, é tóxico, pois agora as culturas transgênicas, desmineralizadas, estão sendo dessecadas com Glyphosato e as terras arrasadas e concentradas nos pseudos-latifúndios? O que vocês têm feito CREA, além de se reunir para comer carne e beber cerveja? Barriga e atrofia do cérebro, todo comodidade custa caro. As lagartixas não fazem perguntas. “O outro lado da dificuldade de conceber a mudança é a dificuldade em aceitá-la, e que é outro dos temas recorrentes da nossa história. Para os seres humanos, a mudança pode ser esmagadora. A mudança é exigente com a nossa mente, nos leva para longe da área em que nos sentimos mais confortáveis, quebra nossos hábitos mentais, produz confusão e desorientação. Isso requer que nos despojemos de nossos velhos modos de pensar, e que o despojamento não
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    seja nossa escolha,mas imposição. Além disso, muitas vezes as mudanças desencadeadas pelo progresso científico perturbam os sistemas de crenças que um grande número de pessoas compartilha e que possivelmente afetam suas profissões e modos de vida. Como resultado, novas idéias científicas freqüentemente enfrentam resistência, indignação e ridicularização.” Todos os padrões saem da Natureza e não da mente humana. “Mas da mesma forma que a ciência desempenha papéis fundamentais na formação dos padrões de pensamento humano, não é menos verdade que os padrões do pensamento humano tiveram um papel decisivo na formação de nossas teorias científicas.” E a ciência é, como Einstein apontou, "tão subjetiva e psicologicamente condicionada quanto qualquer outro ramo do esforço humano". Livro: “..cujas idéias só podem ser compreendidas através de um exame das situações pessoais, psicológicas, históricas e sociais que a moldaram.”