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Palestra para o Cibercomunica 5.0/ Ciberdemocracia

    Os novos modos de envolvimento e cooperação entre eleitores, candidatos e
                        partidos a partir das campanhas online

                                      Camilo Aggio1




A palestra consiste na extração de algumas experiências e reflexões produzidas em
minha dissertação de mestrado acerca das possibilidades e constituições de novas
formas de envolvimento e cooperação entre cidadãos e agentes políticos a partir das
campanhas online. O que se entende por campanhas online aqui? É a utilização da
internet por partidos e candidatos em disputas eleitorais.

Fiz uma pesquisa relativamente extensa no que diz respeito a trabalhos dedicados à
utilização da internet por agentes políticos em períodos eleitorais. O volume de
experiências analisadas abrange países como Japão, Cingapura, Brasil, Alemanha,
Finlândia, Grécia, Itália, Reino Unido, Australia e, mais recorrentemente, Estados
Unidos. É possível identificar quatro questões pilares, muito caras para as reflexões em
torno das campanhas online. São elas: O valor da informação política não mediada, a
paridade de disputa, a interatividade e o engajamento e mobilização. Para os propósitos
dessa palestra, me dedicarei às duas últimas questões, uma vez que pretendo salientar os
potenciais de caráter mais participativos que envolvem ações de envolvimento e
cooperação entre os eleitores e as campanhas.

Antes de nos debruçarmos sobre as questões da interatividade e do engajamento e
mobilização, faz-se necessário situar, no espectro da comunicação e da ciência política,
as preocupações e perspectivas atreladas aos estudos dedicados às campanhas online.
Grande parte da literatura vê na utilização da internet, a possibilidade de constituição de
novas formas ou fortalecimento/otimização de novos modos de realizações de
campanhas eleitorais. Mas não se trata, apenas, de fornecer aos partidos e candidatos
novas ferramentas, dispositivos e mecanismos para a formulação de estratégias visando
o simples alcance de um maior número de votos. Assim como a internet é tratada, sob a
perspectiva do Estado, como um ambiente de comunicação capaz de promover maiores

1
 Doutorando do Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade
de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. camiloaggio@gmail.com
mecanismos de transparência, accoutability, prestação de serviços públicos e maior
participação civil na condução dos negócios públicos, as campanhas online são também
vistas como instrumentos capazes de reparar deficiências ou melhor qualificar aspectos
da democracia, no contexto específico das disputas eleitorais.

Para tal elaboração, muitos autores se valem de diagnósticos que sustentam (a) uma
crise dos partidos políticos nas democracias liberais contemporâneas devido, em grande
parte, ao distanciamento dos eleitores destas agremiações e da sociabilidade
contemporânea, que prediz que os cidadãos tendem, cada vez mais, a sustentar
prioridades, interesses e convicções mais difusas e complexas que não se adéquam,
incondicionalmente, às diretrizes ideológicas de um partido; (b) O baixo interesse e
envolvimento político dos cidadãos devido aos poucos mecanismos de comunicação
para a promoção de maior diálogo e participação em esferas públicas variadas, seja no
interior do Estado, seja na condução de projetos e plataformas que sustentam uma
determinada candidatura. O uso da internet em campanhas, portanto, poderia contribuir
para a redução ou eliminação do hiato que vêm se estabelecendo entre os agentes
políticos dispostos a exercer nossas representações políticas no interior do Estado e os
cidadãos que elegem estes mandatários.

Desse modo, as campanhas online contribuiriam para uma relação de envolvimento e
proximidade maior dos cidadãos com o campo da política já no momento das
campanhas eleitorais. Tal potencial traria correções ou reforços de princípios e valores
democráticos, ao menos num modelo de democracia onde a participação civil, para além
do voto, é um requisito valioso.

Escolho a interatividade como a primeira questão para tratar das novas formas de
envolvimento e relação entre eleitores e campanhas. É fundamental, antes, destacar o
que se entende por interatividade no centro desta discussão. Alguns autores da
comunicação e da cibercultura utilizam o termo “interatividade” para se referir a
relações entre sujeitos, recursos e representações de aparatos tecnológicos. Portanto, não
raramente, encontramos expressões como “recursos interativos”, “mais interativo” que
se referem, em resumo, à possibilidade do sujeito interagir com elementos de um
determinado aparelho para acessar conteúdos diversos, optar por opções diversas de
apresentação desses materiais, ajustar modos de apresentação, contratar serviços, etc. O
outro sentido, que usamos aqui, diz respeito à interação humana mediada por
computador. E não apenas a interação com os recursos dos dispositivos tecnológicos
que usamos.

Desse modo, a interatividade nas campanhas online se refere a empreendimentos que
permitam estabelecer um regime dialógico entre eleitores, membros dos partidos e
campanhas e candidatos. Na tônica da participação, a possibilidade de estabelecimento
de comunicação direta entre usuários em ambientes online, é um dos grandes
diferenciais da internet quando em comparação com os meios de comunicação
tradicionais. Ainda que o rádio e a televisão permitam a inserção de múltiplas vozes e
atores sociais, contribuindo para certos níveis de interação, a internet permite que
instituições, atores políticos e sociais diversos empreendam suas próprias iniciativas a
prescindir da mediação de alguma empresa de comunicação (ainda que seja
fundamental salientar a importância do papel dessas instituições na contextualização,
oferta de interpretações e articulações de sentido das narrativas políticas)

Desse modo, enquanto a comunicação dos meios tradicionais se dá num regime quase
integral de verticalidade, a internet tem o potencial de permitir o estabelecimento de
regimes dialógicos, portanto, do estabelecimento de comunicação horizontal entre os
sujeitos.

As campanhas online, então, diferentemente dos esforços de comunicação de candidatos
e partidos em outras esferas mediáticas, oferecem a possibilidade de estabelecer
iniciativas que permitem uma maior e mais direta aproximação entre o cidadão eleitor e
seus candidatos, bem como com os partidos e membros das campanhas.

Este seria, para muitos autores, o grande potencial político e social para as campanhas
eleitorais nas democracias contemporâneas. Num aspecto amplo, de maior extensão,
algumas perspectivas sustentam que o potencial político da internet está em fazer com
que os cidadãos participem com mais ênfase nos processos políticos e na condução dos
negócios públicos. Ou vislumbra-se que ,através das campanhas online, os cidadãos
tenham a primeira oportunidade de participar contribuindo com a construção de um
projeto político e, posteriormente, estendendo esta participação para o contexto
administrativo governamental em si.
Há um trabalho pilar, que reúne um conjunto de reflexões salutares sobre a
interatividade nos esforços de campanha, bem como reflexões sobre os obstáculos que
incidem contra o estabelecimento de um maior regime dialógico entre os agentes
políticos e eleitores.

Este trabalho foi desenvolvido por uma cientista política chamada Jennifer Strommer-
Galley em 2000 e suas reflexões reverberam os juízos e análises sobre as campanhas
online até hoje. Para a autora, o grande trabalho democrático, ou o grande trabalho da
democracia não estaria em oferecer apenas oportunidades para que sujeitos façam
doações para as campanhas ou consumam informações políticas produzidas pelos
partidos e candidatos, mas sim na possibilidade do estabelecimento de um regime mais
participativo e deliberativo, incluindo qualquer cidadão interessado em uma
determinada campanha.

O raciocínio de Stromer-Galley é um pouco mais complexo do que o simples
estabelecimento de bate-papo nos ambientes digitais das campanhas. A autora se esforça
em estabelecer um parâmetro normativo de como as campanhas online deveriam
funcionar. E nesta perspectiva, Stromer-Galley, razoavelmente, sustenta que o caráter
participativo nas campanhas online devem ser compostos por propósitos distintos, mas
complementares: os eleitores podem usar estes mecanismos para (a) promover maior
transparência e esclarecimento dos candidatos sobre os projetos de políticas públicas e
plataformas de campanha, (b) tirar dúvidas e fornecer sugestões e (c) num nível de
participação mais elevado, interferir em agendas e na constituição dos projetos,
constituindo, de fato, uma relação política de teor mais deliberativo, na medida em que
torna a candidatura um projeto de caráter mais coletivo que abriga diversos atores
interessados nas campanhas. A utilização de e-mails, fóruns, chat-rooms, dentre outras
ferramentas atreladas aos web sites dos candidatos, seriam os canais para que fossem
estabelecidos os encontros com estes propósitos.

Bem, no que tange ao primeiro e segundo propósitos, relativos à transparência, mas
também no esclarecimento de projetos de políticas públicas e plataformas de campanha,
a interatividade exigiria um outro diferencial das campanhas online: As características
particulares de informações fornecidas sem a mediação de alguma empresa de
comunicação. Com tamanha liberdade, as campanhas poderiam fornecer informações
detalhadas e substanciais que definem seus projetos políticos, com detalhes de
cronogramas, planejamento orçamentários, justificativas sobre determinadas prioridades
e exigências, etc. Não obstante, também serviria para que os candidatos e partidos
absorvessem as demandas e prioridades contidas em reivindicações de eleitores de
determinadas regiões, bairros, grupos, movimentos etc.

O terceiro propósito, aquele relativo a uma participação mais deliberativa e com maior
poder de interferência, poderia partir dos resultados das iniciativas dos dois primeiros
tipos que relatei agora. As campanhas devem criar mecanismos que garantam ao eleitor
que suas sugestões foram consideradas, contempladas e fornecer as avaliações e
justificativas para a consideração ou não das sugestões/reivindicações.

Bem, sabemos que empreendimentos desse tipo podem apenas ser desenvolvidos com o
propósito de criação de uma imagem de um candidato e partido, remetendo a qualidades
de atenção, respeito, interesse e comprometimento frente à população. No entanto, tal
resultado pode estar atrelado a empreendimentos sérios que tenham como convicção
ideológica a incorporação das demandas, reivindicações e sugestões dos cidadãos
eleitores, através de plataformas digitais e online que permita uma comunicação
descentralizada e difusa. Mas quais seriam as estratégias e procedimentos que
garantiriam a seriedade e funcionalidade de empreendimentos deste tipo?

Creio, fundamentalmente, que a informação extensa e qualificada daquilo que define
uma campanha é o fator diferencial que pode garantir um regime de resposividade,
cooperação e transparência daquilo que define uma candidatura política. O
esclarecimento dos eleitores interessados em interagir e interferir nas campanhas
devem, necessariamente, se dar através do provimento de informações extensas e
detalhadas sobre como os projetos políticos, as plataformas e diretrizes de uma
campanha pretendem ser aplicados numa eventual administração. Em posse de
conteúdos tão valiosos, diversos atores sociais e grupos podem avaliar com precisão o
valor das campanhas enquanto projetos políticos, permitindo, na interação com
candidatos e partidos, tecerem críticas, solicitarem maiores detalhes e esclarecimentos
ou fazendo sugestões.

Não há dúvidas de que, num cenário ideal como o projetado acima, os mecanismos de
interação online permitem uma aproximação e, possivelmente, vinculação dos
indivíduos a determinadas campanhas, independente destes sujeitos serem vinculados a
algum partido, agremiação ou grupo político. A interatividade e a informação política
extensa e qualificada permitiriam que qualquer cidadão interessado, num esforço
particular e individual, estabelecesse interações e adquirisse esclarecimentos que o
permita se envolver politicamente e qualificar sua decisão sobre o voto de modo
criterioso e razoável.

Engajamento e mobilização


O segundo modo de envolvimento que gostaria de destacar se refere à questão chave do
engajamento e da mobilização. Ainda que este modo de participação e envolvimento
não pressuponha uma interferência tão robusta do eleitor nas campanhas, como
pressupõe o modelo ideal da interatividade, seu valor político e democrático ganha
novos contornos com as iniciativas digitais de partidos e candidatos em disputas
eleitorais.


Antes de tudo, a definição de mobilização utilizada aqui se refere: “Aos processos pelos
quais partidos, candidatos, ativistas e grupos induzem outras pessoas a participar
politicamente para ganhar eleições, aprovar orçamentos, modificar leis e regras e
influenciar políticas públicas.” Esta definição é feita por um autor de nome Krueger
(2006) que se dedica a verificar as virtudes e deficiências dos modos online de
engajamento e mobilização política e das formas tradicionais presenciais.


É o que as campanhas online permitem como novo instrumento de comunicação
política: Servir como plataforma de suporte a ações presenciais de campanha ou
funcionar como um conjunto de mecanismos e instrumentos para que os eleitores se
engajem e empreendam esforços de mobilização em prol de uma campanha nos
ambientes digitais. E isso não é pouco em termos de dividendos políticos. Acho
fundamental salientar que o envolvimento com uma campanha significa a vinculação de
suas necessidades, prioridades, orientações, valores e ideologias às diretrizes, projetos e
plataformas de uma determinada candidatura. A partir disto, os sujeitos engajado,
podem se tornar peças chaves e fundamentais para a condução de uma campanha ao
longo dos campeonatos eleitorais. O caráter ativo destes cidadãos, portanto, é
fundamental.


Seguindo a tipologia funcional proposta anteriormente, tratemos primeiro dos modos
tradicionais de engajamento e mobilização. As campanhas online podem funcionar
como plataformas de comunicação entre os eleitores e destes com membros das
campanhas com a finalidade de organizar eventos e ações presenciais.
Fóruns, quadros eletrônicos, e-mails, redes sociais, salas de bate-papo, dentre outros,
são ferramentas que permitem      uma otimização na comunicação e organização de
simpatizantes para desenvolverem atividades como distribuição de materiais impressos,
visitas a domicílios, formação de reuniões em comunidades, caminhadas, discussão com
amigos e vizinhos, adesão à comícios, à palestras, encontros variados, etc. Tais
atividades podem ser elaboradas e coordenadas pelas campanha, divulgando em seus
web sites e em outros ambientes digitais, convocando os eleitores. No entanto, as ações
a partir de instrumentos e ferramentas das campanhas online permitem que os próprios
eleitores estabeleçam suas próprias redes sociais, baseadas em localização e interesses
comuns para a organização de suas próprias atividades em prol de uma candidatura.
Existem dois casos pilares na história americana pré-obama. O de Jesse Ventura, que
concorreu ao governo de Minessotta em 2000 e o de Howard Dean, concorrendo às
primárias democratas em 2004. O primeiro disputou por um partido da terceira via, ou
seja, disputou contra os dois maiores partidos dos Estados Unidos, utilizando fóruns de
comunicação que o permitiram divulgar suas agendas de atividades e visitas aos
condados e municípios, bem como permitiu, efetivamente, que seus eleitores se
comunicassem através desta plataforma online e organizassem suas atividades.
Howard Dean, considerado um azarão nas primárias de 2004, conseguiu reunir um
conjunto expressivo de eleitores ao redor da sua candidatura, permitindo uma
visibilidade pública inimaginável no início de sua campanha e a arrecadação de 1/3 do
total de doações. Seu grande diferencial foi ter identificado uma proto-rede social
chamada Meetup, que consistia num site de relacionamento rudimentar onde os usuários
identificavam sujeitos com afinidades e interesses similares, dentro de sua localização,
e, a partir destes contatados, realizavam encontros presenciais. Muitos simpatizantes de
Howard Dean localizaram outros simpatizantes em suas regiões e promoveram diversas
atividades, expandindo o conhecimento de sua campanha e conquistando um maior
número de votos.
Um autor de nome Hindman sustenta a tese de que a utilização da internet para fins de
engajamento e mobilização permite o recrutamento de um corpo muito mais extenso de
voluntários, com maior dispersão e amplitude geográfica do que se dependesse apenas
dos eleitores já engajados na campanha. Há a possibilidade de fazer como que novos
eleitores, antes não engajados, se envolvam com as campanhas e promovam, de modos
diversos, ações em prol de uma candidatura. Há ainda, uma consideração razoável que
sustenta a tese de que muitos eleitores nunca se engajaram, de fato, em algum tipo de
campanha, por falta de convites de partidos, grupos ou outras organizações e
instituições.


As campanhas online também inauguram uma nova forma de engajamento e
mobilização. São aquelas que se referem a ações e atividades circunscritas aos
ambientes digitais. Nas fases iniciais da utilização da internet por partidos e candidatos,
os recursos para que os sujeitos realizassem algum tipo de ação digital em prol de um
campanha eram restritos, como a utilização de e-mails, etc.           Com o advento e
popularização dos media sociais, ou sites de relacionamento como Facebook, MySpace,
Twitter, YouTube, Flickr, a diversificação e alcance das de atividades de engajamento e
mobilização ganharam contornos mais sólidos e importantes.


A partir das redes sociais, onde a quase totalidade daqueles sujeitos online mantém
contas, perfis e participam de comunidades, as campanhas puderam bolar estratégias
para que suas mensagens políticas circulassem por uma rede extensa de indivíduos e
atingisse um grau de visibilidade impossível se dependessem apenas da disposição dos
sujeitos em visitar os web sites das candidaturas. Mas o engajamento e mobilização
online não definem os sujeitos apenas como unidades de repasse das mensagens que são
produzidas no seio das campanhas. Pressupõem também – e como no caso de Obama,
foi incentivado – a produção de conteúdos particulares por parte dos cidadãos
envolvidos. Significa que, se valendo de blogs, redes sociais e compartilhadores de
conteúdo, os eleitores engajados podem expor às suas redes sociais online, textos,
áudios e vídeos, com propósitos distintos, produzidos por eles próprios, como registro
de atividades, reuniões, declarações de líderes comunitários, debates ou então conteúdos
escritos, opinativos ou não, sobre sua posição frente a uma determinada candidatura.
Desse modo, além de unidades operacionais que fazem circular conteúdos das
campanhas, os eleitores engajados em atividades digitais também cooperam com as
campanhas produzindo conteúdos próprios. O resultado de tantos esforços pode fazer
com que as mensagens e conteúdos de campanha tomem proporções virais, ou seja,
numa série de replicações dentro de redes sociais digitais variadas, as mensagens e
conteúdos de campanha podem se espalhar como um vírus que se espalha dentro de um
organismo vivo.
Dois bons exemplos: Peter Franchot´s, candidato a vereador por Maryland, recrutou
80% do seu voluntariado através do Faacebook. Realizaram cerca de 80 mil ligações e
distribuíram cerca de 50 mil materiais impressos de campanha em eventos presenciais.


Obama, além de ter produzido uma quantidade extensa de conteúdos de sua campanha
para a web, especialmente os conteúdos audiovisuais postados no Youtube, também
desenvolveu estratégias para que seus eleitores se engajassem em uma série de
atividades digitais. Inclusive, criou o MyBo, uma rede social locada em seu web site,
onde os indicadores que compõem os perfis dos eleitores e, consequentemente, definem
o acúmulo de capital social, é definido pela extensão e quantidade de atividades
realizadas e da rede social que conseguem construir.


A estratégia de Obama já seguia uma fórmula que vinha sendo construída desde 2004,
nas campanhas de Howard Dean, mas também nas de George Bush e John McCain: “A
verdadeira história do ativismo online não está exatamente no ato das pessoas
fornecerem seus números de cartão de crédito para a campanha, mas sim no que as
pessoas fazem para se certificarem que o candidato se eleja e o que a campanha está
fazendo para se certificar que essas pessoas que passam um grande período online
fazem parte do processo.”


Por fim, as campanhas online, no que tange ao engajamento e à mobilização desenham
o seguinte horizonte: “Novos atores inseridos no processo, velhos atores mantidos e
formas novas e tradicionais convivendo mutuamente num panorama de campanha
política ampliada e potencializada quando se trata do envolvimento e da mobilização de
eleitores em torno de uma ideologia, significados, propostas, diretrizes e projetos
políticos. É dessa maneira que o tópico do engajamento e da mobilização deve ser
tratado e não a partir de medidas comparativas de legitimidade que parecem ecoar certa
nostalgia, conservadorismo ou resistência.




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Os novos modos de envolvimento e cooperação entre eleitores, candidatos e partidos a partir das campanhas online - Camilo aggio

  • 1. Palestra para o Cibercomunica 5.0/ Ciberdemocracia Os novos modos de envolvimento e cooperação entre eleitores, candidatos e partidos a partir das campanhas online Camilo Aggio1 A palestra consiste na extração de algumas experiências e reflexões produzidas em minha dissertação de mestrado acerca das possibilidades e constituições de novas formas de envolvimento e cooperação entre cidadãos e agentes políticos a partir das campanhas online. O que se entende por campanhas online aqui? É a utilização da internet por partidos e candidatos em disputas eleitorais. Fiz uma pesquisa relativamente extensa no que diz respeito a trabalhos dedicados à utilização da internet por agentes políticos em períodos eleitorais. O volume de experiências analisadas abrange países como Japão, Cingapura, Brasil, Alemanha, Finlândia, Grécia, Itália, Reino Unido, Australia e, mais recorrentemente, Estados Unidos. É possível identificar quatro questões pilares, muito caras para as reflexões em torno das campanhas online. São elas: O valor da informação política não mediada, a paridade de disputa, a interatividade e o engajamento e mobilização. Para os propósitos dessa palestra, me dedicarei às duas últimas questões, uma vez que pretendo salientar os potenciais de caráter mais participativos que envolvem ações de envolvimento e cooperação entre os eleitores e as campanhas. Antes de nos debruçarmos sobre as questões da interatividade e do engajamento e mobilização, faz-se necessário situar, no espectro da comunicação e da ciência política, as preocupações e perspectivas atreladas aos estudos dedicados às campanhas online. Grande parte da literatura vê na utilização da internet, a possibilidade de constituição de novas formas ou fortalecimento/otimização de novos modos de realizações de campanhas eleitorais. Mas não se trata, apenas, de fornecer aos partidos e candidatos novas ferramentas, dispositivos e mecanismos para a formulação de estratégias visando o simples alcance de um maior número de votos. Assim como a internet é tratada, sob a perspectiva do Estado, como um ambiente de comunicação capaz de promover maiores 1 Doutorando do Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. camiloaggio@gmail.com
  • 2. mecanismos de transparência, accoutability, prestação de serviços públicos e maior participação civil na condução dos negócios públicos, as campanhas online são também vistas como instrumentos capazes de reparar deficiências ou melhor qualificar aspectos da democracia, no contexto específico das disputas eleitorais. Para tal elaboração, muitos autores se valem de diagnósticos que sustentam (a) uma crise dos partidos políticos nas democracias liberais contemporâneas devido, em grande parte, ao distanciamento dos eleitores destas agremiações e da sociabilidade contemporânea, que prediz que os cidadãos tendem, cada vez mais, a sustentar prioridades, interesses e convicções mais difusas e complexas que não se adéquam, incondicionalmente, às diretrizes ideológicas de um partido; (b) O baixo interesse e envolvimento político dos cidadãos devido aos poucos mecanismos de comunicação para a promoção de maior diálogo e participação em esferas públicas variadas, seja no interior do Estado, seja na condução de projetos e plataformas que sustentam uma determinada candidatura. O uso da internet em campanhas, portanto, poderia contribuir para a redução ou eliminação do hiato que vêm se estabelecendo entre os agentes políticos dispostos a exercer nossas representações políticas no interior do Estado e os cidadãos que elegem estes mandatários. Desse modo, as campanhas online contribuiriam para uma relação de envolvimento e proximidade maior dos cidadãos com o campo da política já no momento das campanhas eleitorais. Tal potencial traria correções ou reforços de princípios e valores democráticos, ao menos num modelo de democracia onde a participação civil, para além do voto, é um requisito valioso. Escolho a interatividade como a primeira questão para tratar das novas formas de envolvimento e relação entre eleitores e campanhas. É fundamental, antes, destacar o que se entende por interatividade no centro desta discussão. Alguns autores da comunicação e da cibercultura utilizam o termo “interatividade” para se referir a relações entre sujeitos, recursos e representações de aparatos tecnológicos. Portanto, não raramente, encontramos expressões como “recursos interativos”, “mais interativo” que se referem, em resumo, à possibilidade do sujeito interagir com elementos de um determinado aparelho para acessar conteúdos diversos, optar por opções diversas de apresentação desses materiais, ajustar modos de apresentação, contratar serviços, etc. O outro sentido, que usamos aqui, diz respeito à interação humana mediada por
  • 3. computador. E não apenas a interação com os recursos dos dispositivos tecnológicos que usamos. Desse modo, a interatividade nas campanhas online se refere a empreendimentos que permitam estabelecer um regime dialógico entre eleitores, membros dos partidos e campanhas e candidatos. Na tônica da participação, a possibilidade de estabelecimento de comunicação direta entre usuários em ambientes online, é um dos grandes diferenciais da internet quando em comparação com os meios de comunicação tradicionais. Ainda que o rádio e a televisão permitam a inserção de múltiplas vozes e atores sociais, contribuindo para certos níveis de interação, a internet permite que instituições, atores políticos e sociais diversos empreendam suas próprias iniciativas a prescindir da mediação de alguma empresa de comunicação (ainda que seja fundamental salientar a importância do papel dessas instituições na contextualização, oferta de interpretações e articulações de sentido das narrativas políticas) Desse modo, enquanto a comunicação dos meios tradicionais se dá num regime quase integral de verticalidade, a internet tem o potencial de permitir o estabelecimento de regimes dialógicos, portanto, do estabelecimento de comunicação horizontal entre os sujeitos. As campanhas online, então, diferentemente dos esforços de comunicação de candidatos e partidos em outras esferas mediáticas, oferecem a possibilidade de estabelecer iniciativas que permitem uma maior e mais direta aproximação entre o cidadão eleitor e seus candidatos, bem como com os partidos e membros das campanhas. Este seria, para muitos autores, o grande potencial político e social para as campanhas eleitorais nas democracias contemporâneas. Num aspecto amplo, de maior extensão, algumas perspectivas sustentam que o potencial político da internet está em fazer com que os cidadãos participem com mais ênfase nos processos políticos e na condução dos negócios públicos. Ou vislumbra-se que ,através das campanhas online, os cidadãos tenham a primeira oportunidade de participar contribuindo com a construção de um projeto político e, posteriormente, estendendo esta participação para o contexto administrativo governamental em si. Há um trabalho pilar, que reúne um conjunto de reflexões salutares sobre a interatividade nos esforços de campanha, bem como reflexões sobre os obstáculos que
  • 4. incidem contra o estabelecimento de um maior regime dialógico entre os agentes políticos e eleitores. Este trabalho foi desenvolvido por uma cientista política chamada Jennifer Strommer- Galley em 2000 e suas reflexões reverberam os juízos e análises sobre as campanhas online até hoje. Para a autora, o grande trabalho democrático, ou o grande trabalho da democracia não estaria em oferecer apenas oportunidades para que sujeitos façam doações para as campanhas ou consumam informações políticas produzidas pelos partidos e candidatos, mas sim na possibilidade do estabelecimento de um regime mais participativo e deliberativo, incluindo qualquer cidadão interessado em uma determinada campanha. O raciocínio de Stromer-Galley é um pouco mais complexo do que o simples estabelecimento de bate-papo nos ambientes digitais das campanhas. A autora se esforça em estabelecer um parâmetro normativo de como as campanhas online deveriam funcionar. E nesta perspectiva, Stromer-Galley, razoavelmente, sustenta que o caráter participativo nas campanhas online devem ser compostos por propósitos distintos, mas complementares: os eleitores podem usar estes mecanismos para (a) promover maior transparência e esclarecimento dos candidatos sobre os projetos de políticas públicas e plataformas de campanha, (b) tirar dúvidas e fornecer sugestões e (c) num nível de participação mais elevado, interferir em agendas e na constituição dos projetos, constituindo, de fato, uma relação política de teor mais deliberativo, na medida em que torna a candidatura um projeto de caráter mais coletivo que abriga diversos atores interessados nas campanhas. A utilização de e-mails, fóruns, chat-rooms, dentre outras ferramentas atreladas aos web sites dos candidatos, seriam os canais para que fossem estabelecidos os encontros com estes propósitos. Bem, no que tange ao primeiro e segundo propósitos, relativos à transparência, mas também no esclarecimento de projetos de políticas públicas e plataformas de campanha, a interatividade exigiria um outro diferencial das campanhas online: As características particulares de informações fornecidas sem a mediação de alguma empresa de comunicação. Com tamanha liberdade, as campanhas poderiam fornecer informações detalhadas e substanciais que definem seus projetos políticos, com detalhes de cronogramas, planejamento orçamentários, justificativas sobre determinadas prioridades e exigências, etc. Não obstante, também serviria para que os candidatos e partidos
  • 5. absorvessem as demandas e prioridades contidas em reivindicações de eleitores de determinadas regiões, bairros, grupos, movimentos etc. O terceiro propósito, aquele relativo a uma participação mais deliberativa e com maior poder de interferência, poderia partir dos resultados das iniciativas dos dois primeiros tipos que relatei agora. As campanhas devem criar mecanismos que garantam ao eleitor que suas sugestões foram consideradas, contempladas e fornecer as avaliações e justificativas para a consideração ou não das sugestões/reivindicações. Bem, sabemos que empreendimentos desse tipo podem apenas ser desenvolvidos com o propósito de criação de uma imagem de um candidato e partido, remetendo a qualidades de atenção, respeito, interesse e comprometimento frente à população. No entanto, tal resultado pode estar atrelado a empreendimentos sérios que tenham como convicção ideológica a incorporação das demandas, reivindicações e sugestões dos cidadãos eleitores, através de plataformas digitais e online que permita uma comunicação descentralizada e difusa. Mas quais seriam as estratégias e procedimentos que garantiriam a seriedade e funcionalidade de empreendimentos deste tipo? Creio, fundamentalmente, que a informação extensa e qualificada daquilo que define uma campanha é o fator diferencial que pode garantir um regime de resposividade, cooperação e transparência daquilo que define uma candidatura política. O esclarecimento dos eleitores interessados em interagir e interferir nas campanhas devem, necessariamente, se dar através do provimento de informações extensas e detalhadas sobre como os projetos políticos, as plataformas e diretrizes de uma campanha pretendem ser aplicados numa eventual administração. Em posse de conteúdos tão valiosos, diversos atores sociais e grupos podem avaliar com precisão o valor das campanhas enquanto projetos políticos, permitindo, na interação com candidatos e partidos, tecerem críticas, solicitarem maiores detalhes e esclarecimentos ou fazendo sugestões. Não há dúvidas de que, num cenário ideal como o projetado acima, os mecanismos de interação online permitem uma aproximação e, possivelmente, vinculação dos indivíduos a determinadas campanhas, independente destes sujeitos serem vinculados a algum partido, agremiação ou grupo político. A interatividade e a informação política extensa e qualificada permitiriam que qualquer cidadão interessado, num esforço particular e individual, estabelecesse interações e adquirisse esclarecimentos que o
  • 6. permita se envolver politicamente e qualificar sua decisão sobre o voto de modo criterioso e razoável. Engajamento e mobilização O segundo modo de envolvimento que gostaria de destacar se refere à questão chave do engajamento e da mobilização. Ainda que este modo de participação e envolvimento não pressuponha uma interferência tão robusta do eleitor nas campanhas, como pressupõe o modelo ideal da interatividade, seu valor político e democrático ganha novos contornos com as iniciativas digitais de partidos e candidatos em disputas eleitorais. Antes de tudo, a definição de mobilização utilizada aqui se refere: “Aos processos pelos quais partidos, candidatos, ativistas e grupos induzem outras pessoas a participar politicamente para ganhar eleições, aprovar orçamentos, modificar leis e regras e influenciar políticas públicas.” Esta definição é feita por um autor de nome Krueger (2006) que se dedica a verificar as virtudes e deficiências dos modos online de engajamento e mobilização política e das formas tradicionais presenciais. É o que as campanhas online permitem como novo instrumento de comunicação política: Servir como plataforma de suporte a ações presenciais de campanha ou funcionar como um conjunto de mecanismos e instrumentos para que os eleitores se engajem e empreendam esforços de mobilização em prol de uma campanha nos ambientes digitais. E isso não é pouco em termos de dividendos políticos. Acho fundamental salientar que o envolvimento com uma campanha significa a vinculação de suas necessidades, prioridades, orientações, valores e ideologias às diretrizes, projetos e plataformas de uma determinada candidatura. A partir disto, os sujeitos engajado, podem se tornar peças chaves e fundamentais para a condução de uma campanha ao longo dos campeonatos eleitorais. O caráter ativo destes cidadãos, portanto, é fundamental. Seguindo a tipologia funcional proposta anteriormente, tratemos primeiro dos modos tradicionais de engajamento e mobilização. As campanhas online podem funcionar
  • 7. como plataformas de comunicação entre os eleitores e destes com membros das campanhas com a finalidade de organizar eventos e ações presenciais. Fóruns, quadros eletrônicos, e-mails, redes sociais, salas de bate-papo, dentre outros, são ferramentas que permitem uma otimização na comunicação e organização de simpatizantes para desenvolverem atividades como distribuição de materiais impressos, visitas a domicílios, formação de reuniões em comunidades, caminhadas, discussão com amigos e vizinhos, adesão à comícios, à palestras, encontros variados, etc. Tais atividades podem ser elaboradas e coordenadas pelas campanha, divulgando em seus web sites e em outros ambientes digitais, convocando os eleitores. No entanto, as ações a partir de instrumentos e ferramentas das campanhas online permitem que os próprios eleitores estabeleçam suas próprias redes sociais, baseadas em localização e interesses comuns para a organização de suas próprias atividades em prol de uma candidatura. Existem dois casos pilares na história americana pré-obama. O de Jesse Ventura, que concorreu ao governo de Minessotta em 2000 e o de Howard Dean, concorrendo às primárias democratas em 2004. O primeiro disputou por um partido da terceira via, ou seja, disputou contra os dois maiores partidos dos Estados Unidos, utilizando fóruns de comunicação que o permitiram divulgar suas agendas de atividades e visitas aos condados e municípios, bem como permitiu, efetivamente, que seus eleitores se comunicassem através desta plataforma online e organizassem suas atividades. Howard Dean, considerado um azarão nas primárias de 2004, conseguiu reunir um conjunto expressivo de eleitores ao redor da sua candidatura, permitindo uma visibilidade pública inimaginável no início de sua campanha e a arrecadação de 1/3 do total de doações. Seu grande diferencial foi ter identificado uma proto-rede social chamada Meetup, que consistia num site de relacionamento rudimentar onde os usuários identificavam sujeitos com afinidades e interesses similares, dentro de sua localização, e, a partir destes contatados, realizavam encontros presenciais. Muitos simpatizantes de Howard Dean localizaram outros simpatizantes em suas regiões e promoveram diversas atividades, expandindo o conhecimento de sua campanha e conquistando um maior número de votos. Um autor de nome Hindman sustenta a tese de que a utilização da internet para fins de engajamento e mobilização permite o recrutamento de um corpo muito mais extenso de voluntários, com maior dispersão e amplitude geográfica do que se dependesse apenas dos eleitores já engajados na campanha. Há a possibilidade de fazer como que novos eleitores, antes não engajados, se envolvam com as campanhas e promovam, de modos
  • 8. diversos, ações em prol de uma candidatura. Há ainda, uma consideração razoável que sustenta a tese de que muitos eleitores nunca se engajaram, de fato, em algum tipo de campanha, por falta de convites de partidos, grupos ou outras organizações e instituições. As campanhas online também inauguram uma nova forma de engajamento e mobilização. São aquelas que se referem a ações e atividades circunscritas aos ambientes digitais. Nas fases iniciais da utilização da internet por partidos e candidatos, os recursos para que os sujeitos realizassem algum tipo de ação digital em prol de um campanha eram restritos, como a utilização de e-mails, etc. Com o advento e popularização dos media sociais, ou sites de relacionamento como Facebook, MySpace, Twitter, YouTube, Flickr, a diversificação e alcance das de atividades de engajamento e mobilização ganharam contornos mais sólidos e importantes. A partir das redes sociais, onde a quase totalidade daqueles sujeitos online mantém contas, perfis e participam de comunidades, as campanhas puderam bolar estratégias para que suas mensagens políticas circulassem por uma rede extensa de indivíduos e atingisse um grau de visibilidade impossível se dependessem apenas da disposição dos sujeitos em visitar os web sites das candidaturas. Mas o engajamento e mobilização online não definem os sujeitos apenas como unidades de repasse das mensagens que são produzidas no seio das campanhas. Pressupõem também – e como no caso de Obama, foi incentivado – a produção de conteúdos particulares por parte dos cidadãos envolvidos. Significa que, se valendo de blogs, redes sociais e compartilhadores de conteúdo, os eleitores engajados podem expor às suas redes sociais online, textos, áudios e vídeos, com propósitos distintos, produzidos por eles próprios, como registro de atividades, reuniões, declarações de líderes comunitários, debates ou então conteúdos escritos, opinativos ou não, sobre sua posição frente a uma determinada candidatura. Desse modo, além de unidades operacionais que fazem circular conteúdos das campanhas, os eleitores engajados em atividades digitais também cooperam com as campanhas produzindo conteúdos próprios. O resultado de tantos esforços pode fazer com que as mensagens e conteúdos de campanha tomem proporções virais, ou seja, numa série de replicações dentro de redes sociais digitais variadas, as mensagens e conteúdos de campanha podem se espalhar como um vírus que se espalha dentro de um organismo vivo.
  • 9. Dois bons exemplos: Peter Franchot´s, candidato a vereador por Maryland, recrutou 80% do seu voluntariado através do Faacebook. Realizaram cerca de 80 mil ligações e distribuíram cerca de 50 mil materiais impressos de campanha em eventos presenciais. Obama, além de ter produzido uma quantidade extensa de conteúdos de sua campanha para a web, especialmente os conteúdos audiovisuais postados no Youtube, também desenvolveu estratégias para que seus eleitores se engajassem em uma série de atividades digitais. Inclusive, criou o MyBo, uma rede social locada em seu web site, onde os indicadores que compõem os perfis dos eleitores e, consequentemente, definem o acúmulo de capital social, é definido pela extensão e quantidade de atividades realizadas e da rede social que conseguem construir. A estratégia de Obama já seguia uma fórmula que vinha sendo construída desde 2004, nas campanhas de Howard Dean, mas também nas de George Bush e John McCain: “A verdadeira história do ativismo online não está exatamente no ato das pessoas fornecerem seus números de cartão de crédito para a campanha, mas sim no que as pessoas fazem para se certificarem que o candidato se eleja e o que a campanha está fazendo para se certificar que essas pessoas que passam um grande período online fazem parte do processo.” Por fim, as campanhas online, no que tange ao engajamento e à mobilização desenham o seguinte horizonte: “Novos atores inseridos no processo, velhos atores mantidos e formas novas e tradicionais convivendo mutuamente num panorama de campanha política ampliada e potencializada quando se trata do envolvimento e da mobilização de eleitores em torno de uma ideologia, significados, propostas, diretrizes e projetos políticos. É dessa maneira que o tópico do engajamento e da mobilização deve ser tratado e não a partir de medidas comparativas de legitimidade que parecem ecoar certa nostalgia, conservadorismo ou resistência. .
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