O ÍndioEnfeitiçado
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O Índio
EnfeitiçadoUbirani Yaraima Aruana
2019
O ÍndioEnfeitiçado
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Prefacio
Uma festa na aldeia tupinambá comemorava um antigo ritual de passagemque
iniciava jovens índios a uma nova vida adulta dentro da tribo, durante o percurso da
festança o cacique Yenan interrompe bruscamente as solenidades, sobre suas mãos
anunciava o motivo torpe, ele carregava pelos colares de açaí, dois índios ordeiros, seus
gritos frenéticos delatavam uma violação no rito da tribo, sua descoberta traria aos
olhos do povo tupi, uma grande traição, o índio chamado Yaol da tribo guajajaras, foi
pego as beiras da margem esquerda do rio amazonas, em mutua compilação carnal,com
a índia da tribo tupinambá chamada Natuia.
A índia em questão era a princesa da aldeia, ela seria dada como presente ao
índio que vencesse o rito de passagem cerimonial. Esta violação foi imediatamente
comunicada ao pajé da tribo katoa, que ao verificar a gravidade da desonra, atribuiu
uma sentença severa ao jovem casal traidor.
Yaol receberia como punição, um forte e terrível feitiço, que incluía a
mortificação da alma, ele deveria ser amarrado a uma canoa, que seria envolvida e
empalhada com as folhas de bananeiras campestres e em seguida entregue a ira do
Yacará, ou seja, a ira do rio amazonas, que reclamado e devorado por suas águas, o
tornaria prisioneiro vitalício, um rei no fundo do seu rio, transformando-o no decorrer
de sete luas, em um ancião decrepito, um guardião daquelas águas. Nestas condições a
magiao manteria como um servo do rio, um escravoda Yacará pelo resto da eternidade.
Ela, no entanto, receberia apenas um castigo, que a transformaria em algo bem
comum a floresta,elapermaneceria consciente, viveriaimersa ao rio e entres as plantas,
sendo ela também parte do rio, ela deveria ficar presa a nascente do rio amazonas, sua
função será cuidar e resguardar das proeminências das águas, ela ainda deveria
lamentar e chorar eternamente sobre as biqueiras d’águas adjacentes a nascente deste
rio e sendo assimseu pecado, ela deveria alimentar as águas do rio comas suas próprias
lagrimas, para que o rio amazonas nunca fique sem água.
A lenda do índio enfeitiçado conta que este ritual de punição aconteceu sobre o
sol do meio dia, as beiras do rio amazonas, ou seja, quando o sol se posicionou encima
de toda aldeia, muitos moradores de Manaus dizem que é fácil saber quando a índia
Natuia está chorando de saudades, pelo o amor do índio Yaol, pois a nascente do rio
amazonas transborda, e quando issoacontece,toda a tarde, sempre depois do meio dia,
sucessivamentechove, e de forma continua, isto ininterruptamente acontece no mesmo
horário e regularmente.
Reza a lenda, que quando Yaol se libertar do feitiço ele subirá o rio amazonas na
mesma canoa que foi punido e resgatara o seu grande amor, a índia Natuia, do leito da
nascente do rio, e neste dia será fácil de saber que isso aconteceu, por que o rio, semas
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lagrimas da princesa da tribo tupinambá para ao alimentar as águas do amazonas, o rio
secará, e virará areia.
Neste aspecto, enquanto o rio não secar, é sinal que a índia Natuia, ainda sofre
solitária de amor na nascente do rio, e o índio enfeitiçado Yaol, ainda assombra as
margens do rio, navegando e levando para o fundo do amazonas, vários jovens que
possuiem seus corações, as desilusões de amores desencantados. Esta história temuma
magia muito forte que mesmo se não for quebrada pelas forças do amor, sempre se
manterá viva nos corações dos apaixonados.
Rusgat Niccus
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Autobiografia
Nome: Ubirani Yaraima Aruana
Data de Nascimento: 04/06/1969
Cidade Natal: Bélem - PA
Nome do Pai: Upiara Yaraima Aruana
Nome da Mãe: Anahí Aymane Aruana
Conjuge: Tuane Aiyra Itapema
Ocupação: Chefe de Tribo e Artesão
Profissão: Representante de Causas Indígenas do Governo do Pará em Paragominas,
Comerciante, Poeta e Escritor
Bairro onde Morou na Infância: Aldeia Taguatinga
Locais onde Trabalhou: Centro de Artesanato de Beléme Representante Indígena em
Paragominas
Formação Academica: Segundo Grau Completo (Ensino Medio)
Lugares onde Morou: Pará, Maranhão e Piaui
Ideologia Politica: Esquerda de Vanguarda
Gosto Musical: Cantos do folclore Tupi-Guarani
Gosto Gastronomico: Peixes, Cobras, Cutias, Farinha d´água, e Pimenta
Religião: Sem Religião
Altura: 1,65 mts
Etinia / Raça: Indígena
Cor da Pele: Parda
Cor dos Olhos: Pretos e Pequenos
Cor dos Cabelos: Pretos Claros, Lisos e Compridos
Postura Fisica: Estatura Média
Tipo Fisico: Magro, Dedos pequenos, Pés pequenos e Pernas Curtas
Tipo Fisico Facial: Nariz pequeno e Afinado, Cabeça Oval e Queixo Arredondado
Trajes Habituais:
Idade Atual: 30 anos
Euteronimo: Ubirani Yaraima
Escritor: Roosevelt Ferreira Abrantes
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Ubirani Yaraima Aruana
O poeta Ubirani Yaraima Aruana tem a alma intenta e emersa num universo próprio e
imaginativo, seu idealismo holístico, perambula largamente pelo inanimado das coisas
insanas, seu gosto pelo vinho revitalizar sua emoção excêntrica e a sua perspicaz
inteligência, acentua a sua dinâmica neoclássica.
Nascido em Belémdo Pará no dia 04 de Junho de 1969, sua vida literária é marcada pela
paixão as escritas ultrarromânticas de Lord Byron e Alvares de Azevedo, seu amor pelas
artes plásticas, principalmente as das escolas Renascentistas o intuíram na criação de
seu gênero poético e plástico,porem é o seu romance com o teatro, a música,o cinema,
e ahistória geral da humanidade, foi o que lhe fez ter uma incrível fascinaçãopelos livros
e pela arte em geral.
Sua história é ligada ao amor pela escrita modernista de Carlos Drummond de Andrade,
e completamente apaixonado por esta arte, propôs-se inicialmente a escrever peças
teatrais, pensamentos soltos, crônicas diversas e por último dedicou-se as poesias
clássicas, está, no entanto, é até hoje a sua maior paixão natural.
Sua escritasempre seassemelhou às folhas secas de umoutono trivial,sendo ritualístico
em sua descrição textual, compele o seu ensejo místico a repetição paisagística da
metalinguística impressa, boêmio entre as artes, transgredi a composição das formas
inerentes de sua retorica, e sendo altruísta em sua prosa fácil, remete-se ao delírio do
prazer tênue das formas nuas de sua poesia sexualista.
Vemos em suas obras a expressão de textos poéticos tristes e efêmeros, a coesão alegre
de um enredo romântico inteligente, conflituoso, lascivo, firme, tenebroso, encantador
e tempestuoso. Seus muitos papeis e facetas, muitas ainda em branco, ficamtingidos a
cinzas e a fel, algumas letras poéticas ficam ao cargo do leitor colori-los, mais a grande
maioria de nós, prefere engoli-los dentro de si mesmo.
Rusgat Niccus
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Muitos retornavam para as beiras do rio, acomodando-se em troncos de arvores,
nas gramíneas ou no chão de terra batida, outros que cobriam uma área maior, voltavam
de suas buscas completamente desanimados. Muitos outros que cobriram uma área
ainda mais extensa, se afastaram tanto do local onde possivelmente ocorreu o
afogamento, que muitos ribeirinhos e pescadores experientes, apresentavam um nítido
cansaço em sua fisionomia, naquele momento a busca não teve êxito.
Rusgat Niccus
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A Primeira Grande Guerra Indígena
A cerca de 3.000 anos, antes mesmo que os portugueses e as suas caravelas,
desembraçassem nas terras freteis e grandiosas do Amazonas, um terrível conflito
travado entre Tupinambás e Guajajaras, havia se transformado em uma guerra
continental, envolvendo milhares de tribos circunvizinhas. Esta agitação causou
milhares de mortes, destruição de povoados, devastação dos meios naturais, extinção
de aldeias inteiras e perdas culturais inimaginavelmente graves.
A floresta era queimada diuturnamente e os rios amargavam o doce de suas águas,
devido aos milhares de corpos que se amontoavam em suas margens. Plainando ainda
horrivelmente sobre o leito, permanecia inerte, o sangue dos guerreiros, que habitando
as laminas d´água, pintavam de forma terrível em vermelho escuro, vários aglomerados
de pedras e vegetações,uma visãode inferno, nunca visto antes pelas aldeias indígenas.
Havia também milhares de corvos amontoados sobre as enormes arvores, muitos
esperavam sossegadamente por um bom banquete, outros, no entanto, apresavam-se
em meio ao caos, e sem si importar com as agitações deste conflito, eles dilaceram os
índios que estavam mortos.
Infelizmente muitos outros animais acabavam morrendo em consequência das
barbaridades que o fogo promove sobre a vegetaçãoralae densa,alguns destes animais,
muitos típicos e até endêmicos da silvestre Amazônia, foram sumariamente sacrificados
em homenagem aos deuses. No entanto, os seres mágicos que moravam nas matas,
haviam abandonado todas as tribos.
Algumas tribos dissidentes ainda tentavam organizar tributos, homenagens e oferendas,
objetivando sobremaneira o fim da guerra. Mais os deuses permaneciam calados e
inertes frente ao caos que devorava e engolia a floresta tropical.
A grande floresta amargava sangueindígena e os céus incrivelmente nublado e fervente,
denunciava o quanto era frio o temperamento dos deuses. Muitos índios acreditavam
que as divindades celestiais haviamvirado as suas costas para as aldeias. A guerra havia
cegado os homens, mais eles não conseguiam ver essas coisas.
A guerra arrastava-se por três intermináveis longos anos, ambas as tribos, haviam
perdidos muitos grandes guerreiros e as aldeias estavampraticamente vazias. Mulheres
e crianças agora faziam uma nova frente de reforço para o conflito. E pintados dos pés
até a cabeça, suas flechas velozes atravessavam os crânios inimigos com mais
efervescência, nitidez eficiência e brutalidade.
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A guerra não dava sinais de trégua e muitos estavam determinados a eliminar o seu
inimigo. O conflito tornava-se a cada dia mais quente e mais destrutivo, e os homens
ficavam mais determinados, rancorosos e mordazes.
O calor de uma guerra sempre aumentava vertiginosamente antes de seu fim, mais o
fim seria acompanhado por uma extinção em massa de seu próprio povo. Nada os faria
para com o conflito, a não ser que Yatumã devolvesse a jovem princesa Tumaia que ele
roubou da aldeia Tupinambá.
Uma subversão diplomática, envolvendo o amor de jovens, habitantes de aldeias
distintas, uma falha de comunicação que acabou revolvido e resolvido sobre uma
declaração arbitraria, um preludio de guerra. Mais com proporções desoladoras. Muitos
índios guerreavam, afrontavam e matavam, mais a maioria nem sabia porque lutavam.
O amor devia ser algo para unir pessoas, povos e até aldeias, mais o amor de Yatumã e
Tumaia, fez nascer algo que eles nem sabiamque existia, algo maior que a própria vida,
uma contraposição ao amor, o próprio ódio.
Aqui nascia o ódio, revoltava-se Yatumã quando observou o tamanho do desastre que
o seu amor casou a sua aldeia e as muitas outras. Aquilo precisava ter um fim, as tribos
tinham que terminar com aquele conflito, ninguém mais precisaria morrer por causa do
amor que ele sentia por Tumaia.
Yatumã correu então até o meio da batalha, apontou a sua flecha para o alto e gritando,
gruiu bravamente para os demais índios que lutavam arduamente contra os seus
inimigos. A suafecha foi disparada para o alto, mas o que ele atingiu,assombrou atodos
que lutavam sobre aquela planície.
O olhar de todos os índios, estavam voltados para o alto dos céus e imersos sobre o
objeto que estacionou sobre as suas cabeças, muitos ficaram aterrorizados e medrosos.
A tarde ensolarada havia virado noite e ainda sem saber o que era aquilo, muitos
abandonavam as suas armas, outros sentavam-se sobre a relva, e alguns poucos
correriam para a mata fechada existente próximo a planície.
Yatumã havia atingido algo que provocou a fúria do deus sol, e estando zangado, ele
havia apagadoo seubrilho no alto dos céus. Definitivamente o grande brilho amarelado,
estava muito zangado com todos, e muitos índios já esperavam pelo pior.
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O Estranho Prato de Fogo que veio dos Céus...
Inusitadamente o céu se abriu, e a floresta antes escura, clareou novamente
absurdamente o local da batalha, a planície aonde estavam revelou-se límpida e
vermelha, e o escampado da mata, ficou exposto, e todos seentreolharam com espanto
e muito medo. Um brilho indiferente, vindo do alto dos céus, agora ofuscava os olhos
de todos os índios, parecia que o sol havia descido do firmamento, mais ele
incrivelmente não os queimava.
Todos estavam intranquilos, pois não tinham certeza do que observavam, alguns
falavam que aquele era o próprio deus sol, mais a maioria já não sabia o que aquilo
representava.
Quanto o brilhou cessou, algo gigantesco surgiu no horizonte, e observamos que o sol
estava em seu lugar, mas aquele objeto, aquela coisa que brilhava, aquela aberração
enorme, não estava no lugar certo.
Aquilo era algo novo na paisagem, e nenhum indígena em toda a sua vida, jamais tinha
observado algo parecido como aquilo. O objeto estranho tinha a forma de um prato, ou
o formato de uma cuia, as suas bordas em círculo quase perfeito, pegavam fogo, aquilo
estava literalmente em chamas.
Alguns índios abaixarama cabeças, outros fecharam os olhos, outras ainda continuaram
olhando, e outros caminharam para perto do objeto. Todos estavam maravilhados,
alguns estavam contentes, mais a maioria estava assustada e com muito medo.
Minuto depois, um somfino e estridente ouve-se sair de dentro do objeto, um facho de
luz esquio surge, e iluminando um círculo de índios que havia sobre a planície, um
pequeno índio guerreiro tupinambá foi mais incidido e envolvido pela luz. Era o índio
Yatumã.
Todos ficaram apavorados, mais ninguém sabia o que aquilo significava. O índio
Guajajaras Yatumã ficou inerte e assustado, mais não se sentiu ameaçado. Seu corpo
começou a brilhar muito e a luz incidida sobre ele, parecia levanta os seus pés do chão.
Seu íntimo encheu-se de alegriae de contemplação, e ainda flutuando, disseaos demais
indígenas que o olhavam inertemente.
- Sou o escolhido...
- Sou um deles...
- Sou um deus...
- Esta luz é infinita.....
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Yatumã se sentia envolvida pela luz de um deus, e que até se sentia como a um deles,
ele os ouvia e os sentia...... E continuando, o jovem repetia que era o escolhido, repetia
que era um deus....... As duas tribos em guerra, imediatamente ajoelharam-se sobre o
chão, e jogando os arcos e as fechas sobre a terra, desistiamum a um de continuarem
com aquele conflito. Todos ficaram maravilhados com Yatumã, e muitos agora o
olhavam com certa devoção e muita paixão.
O objeto começou a girar sobre ele mesmo, e freneticamente foi seafastando do campo
de batalha, a luz que acompanhava o pequeno índio Yatumã, o levava vagarosamente
para dentro do invólucro. Os indígenas inevitavelmente maravilhados, ajoelharam-se
com maior firmeza, muitos colocaram a cabeçasobre a terra, outros abriram seus olhos,
muitos ergueram os seus rostos para o alto, e milhares levantaram as mãos em direção
ao objeto estranho. Yatumã subia para o infinito do céu azul, e sendo aclamado pela
multidão indígena, foi glorificado pelo seu povo, sendo chamado de Thuthukaia.
O objeto de fogo havia levado Yatumã... E todos os índios entenderam que os deuses o
levaram embora como um sinal de paz para a tribos... Os indígenas então, não tinham
mais motivo para se odiarem, muitos já confraternizavam a maravilha que havia
acontecido diante de seus olhos, e os abraços, os beijos e os choros formavam um
consentimento contratual e consensual.
Todos entenderam o que havia ocorrido sobre a planície, o próprio deus vivo veio sobre
eles, e ele desejavam o fim da guerra. Muitos entendiam que o jovem Yatumã, era
realmente o escolhido e por isso ele não teve medo e sem relutar foi fazer visita a
morada dos deuses.
Agora Yatumã era chamado pelos indígenas com o deus sol, ou de Thuthukaia, todos os
Tupinambás, Guajajaras e outros povos indígenas deviam reverencia-lo. Seu nome não
seria mais Yatumã, todos deviam chama-lo de Thuthukaia, o novo deus dos índios, dos
tupis e de todos os guaras. Yatuma não seria mais apenas um jovem índio guerreiro que
foi levado para mora nas estrelas.
Ele era agora era como um deus e habitaria para todo o sempre as estrelas que existiam
entre os céus. Infelizmente a jovem Tumaia, o amor da vida de Yatumã, ficaria sozinha
sobre a terra, desolada, esquecida e condenada a viver sem o seu amor.
Eladeveria ficar para sempre olhando para as estrelas dos céus,esperando eternamente
pela volta do seu amor Yatumã. Os índios relatam que as suas lagrimas foram tantas que
originaram o rio amazonas. E que dos fios de seus cabelos nasceram dezenas de outros
rios e riachos.
Tumaia naquele mesmo dia também desapareceu da planície tupinambá, muitos índios
relatam que o próprio Yatumã voltou para busca-la. Mais isto nunca pode ser
comprovado por nenhum índio Tupinambá ou Guajajara.
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O Amor.... Um Caminho sem Volta...
O sol alaranjado brilhava em meio as inúmeras nuvens cinzas do céu daquela
manhã de outono, e o dia frio e cinerício, molhava as penas de meu colar
caprichosamente ornamentado, aquele dia deveria ser, só mais uma manhã gélida e
comum na floresta alta, mas os ventos atípicos que sobravam do mar, balançavam
fortemente as arvores mais finas do Amazônia tropical.
Eu estava sozinho sobre pedra caída, um lugar lindo que habitava solitariamente
o meio da mata virgem, os mais antigos diziamque o nome daquele lugar sugeria a algo
que caiu das estrelas dos céus, o objeto era tão grande como uma rocha e foi devido ao
impacto daquela coisa que deu origem aquela linda e imensa pedra no meio do rio.
Avistava-sedo alto de pedra caídaa grande aldeia guajajarás, mas aquele momento, não
foi a gigantesca aldeia que chamou a minha atenção.
O índio chamado Yaol ao sair para caçar naquela manhã, não imaginou que o
destino o colocaria em uma situação única de êxtase. Apesar de ter se perdido de seu
grupo de caçar, e tendo que ficar sozinho por mais de um mês caminhando a esmo pela
imensa floresta amazônica, viu pela primeira vez o que os seus olhos, nunca tinham
avistado antes, e se o amor existia, e se ele tinha forma, o contorno do amor se fez
presente naquele dia, o amor estava nua e bela e encontra-se a sua frente.
A jovem índia que Yaol olhava, estava banhando sorridentemente debaixo de
uma linda e pequeno cachoeira, aquele era um lugar que ele mesmo nunca havia visto
na vida, mas nunca um lugar ficou tão lindo, como a presença de um outro espetáculo
da natureza que se manifestava naquele estante.
E elese perguntava, podia o amor ter tanta beleza, podia o amor existire se fazer
deusa, quanto aquela índia, que beleza imensurável, como aquele rio perene era lindo,
como aquela deusa íngreme podia existir, ela em sua sutileza de amor vil, refletia um
inesperado equilíbrio natural com a existência divinal.
Naquele instante Yaol olhava nitidamente para ela e conjuntamente a isto
observava também de forma preocupada para seu arco e flecha, em seu arco haviam
quarenta e seis marcas, aquelas eram balizas devidamente computadas, um número
exato de dias que ficou perdido e desorientado na mata.
Aqueles laivos foram feitos com a ponta de sua lança, marcas que reproduziam
exatamente em igual proporção do mesmo número de noites que dormiu esquio e
sozinho na mata escura. Àquele instante de sua pequena existência, já não tinha
esperanças de encontra o caminho de volta para sua aldeia, apesar de crescer na mata,
aquele território era desconhecido e perigo para Yaol.
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Mas aquele momento, um sonho de índia, pintada de preto e vermelho,
envolvida com penas lisas e compridas, e com as mãos devidamente empunhadas, ia
retirando o excesso de água de seu cabelo comprido, aquela imagem encantava-o, e
como peixe de rio se viu ferido pela lança desta caçadora, aquele era um minuto trivial,
o seu coração desconhecia aquele extremo sentimento solto, toda a razão do mundo
era insana e eloquente, e nem mesmo a saudade de seus companheiros de caçar lhe
prostrava ao desanimo.
A fome também lhe incomodou um pouco o juízo, mais nada lhe parecia tão a
miragem quanto aquela menina Índia. Mesmo com dois dias sem uma boa caçar que
lhes respeitasse a barriga, foi suficiente para esquecer aquele instante de delírio febril.
Yaol a observava de longe, sua traquinagem remetia-se a um treinamento de
caçar real, como a quem se esgueira para uma caçar que não pode ser perdida, e
caminhando devagar, deslizava pelas folhas úmidas de juçara nanica, mantendo é claro
o cuidado, par não fazer ruídos ou qualquer outro tipo de som que pudesse afugenta-la,
quando ficou próximo o suficienteda pequena, resolveu permanecer inerte, e de láficou
admirando aquele peixe bonito, que só os rios podem prover.
A Índia sem perceber nada continuava o seu ritual de banho, sua preocupação
maior, eram com os compridos cabelos, que eram massageados com uma erva que ele
ainda não conhecia, a água tomava cores diversas, o preto e o vermelho estavam
predominantes, e ora se intercalavam em meio a água da cachoeira, tudo isso ao passo
que ela ia tirando as pinturas rupestres de seu corpo.
Ela realmente era linda, pensava o índio malvadamente em sua consternação,
Yaol nunca havia visto tamanha perfeição, e jamais viu alguma Índia em sua aldeia que
se quer se parecesse com ela. Aquela Índia era verdadeiramente muito confina e o seu
íntimo a desejava com um amor tão tênue, que mal cabia em seu peito. Aquele
sentimento era diferente, e jamais, em todo a sua curta existência, nunca sentiu nada
igual e em tamanha plenitude e demasia, como agora o sentia.
Querendo ver a pequena melhor e ainda mais de perto, o seu desejo intimo e
trivial, resolveu lhe direciona para um dos galhos perdidos e solitário de um cajueiro,
mais antes de pôr o primeiro pé em seu tronco, uma flecha fincou-se rapidamente entre
um de seus dedos, zumbindo-lhe os ouvidos tépidos de seu medo, em seguida uma voz
branda e ameaçadora advertia-o, deixando o seu ímpeto completamente inerte e solto.
Quando o dono daquela voz se aproximou, sua sombra parecia quatro vezes
maior do que o seu corpo, e o quebra de gravetos sobre seus pés anunciava, que aquele
individuo era estupidamente grande, a ponta de uma lança erguida agora sobre o meu
pescoço, voltou a lhe ameaça, e o algoz agora estava de pé e a sua frente.
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Duas perguntas frias e espirituosas exigiam respostas rápidas, e o emissor as
exigia urgentemente, uma dela ressoou friamente ameaçadora... – O que faz aqui índio
insolente.... Norteou o índio grande sem furta-lhe a medida plena, e perguntando
novamente exigiu uma resposta... – O que estava olhando.... Aquele instante era certo
que ele não viu o que eu via, ou com toda certeza, não estaria mais vivo, então ergui
minha cabeça para confronta-lo, sua feição ameaçadora me causou susto e um medo
imediato, mas virei com cautela, uma das mãos para com o dedo aponta em direção
contraria aonde estava cachoeira, mas quando visualizei de canto de olho as imensas
pedras aonde a Índia estava sentada, não havia mais nada, ela sumira como a um vento,
como a uma aparição, ela tinha ido embora, o que para mim foi um alivio ou sorte.
O índio enorme pintado a minha frente perguntava novamente para mim as
mesmas perguntas, e com o dedo continuando estendido para a direção contraria a
cachoeira, reafirmava a minha tese, ratificando que olhava para o jequitibá, e sem
acredita em minha afirmativa, foi abruptamente advertido, mas desta vez fiquei calado
e de maneira truculenta fui levado pelos braços até aaldeiadele. Ao chegar nesta aldeia,
ela não parecia muito diferente da minha, suas estalagens eramgrandes e ovais, porem
a sua língua um pouco diferente do meu povo, mas seu dialeto era perfeitamente
entendível, as índias daquele povoado estavam todas à beira do rio, escamando,
destrinchando e escalando os peixes, o cheiro de mandioca torrada estava perfumando
o ar, a fome fez-se ressurgir e o meu organismo pedia desesperadamente por uma
alimentação sadia.
Como intruso fui apresentado ao chefe da aldeia e uma horda de índios veio ao
meu encontro querendo saber mais sobre minha pessoa. Um pajé jogou algo sobre
minha cabeça e falando de maneira assombrada me cuspia todo ao falar e ao gesticular
enormes brandimentos que eu não entendia, um outro índio mais assustado, me
chamava de hatabata, hatabata, hatabata e amaldiçoado-me rapidamente, puxou pela
suaflecha e direcionando-a em minha direção, gruiu um somforte e lívido, imagineique
aquele seria o meu fim, mas durante aquela conversa tosca, uma pequena Índia tomou
por mim uma defesa.
Aquele alvoroço chamou a atenção de outras índias e índios, que saíram das
beiras dos rios e das ocas para ver o que acontecia comigo. Muitos tomaram a frente da
pequena que me defendia, mas poucos se importavam com minha própria vida. Uma
outra Índia muito zangada que parecia falar por outras índias, invadiu o julgamento,
gritou duas ou três palavras para o cacique e levou-me pelo braço para uma de suas ocas
pequena e ali cuidou de mim até que os ânimos abaixassem.
Não sabia se ficava contente ou apreensivo, mas como quase fui morto, e como
não saberia do porquê de tanta selvageria e ódio, resolvi pedir clemencia e ajuda aquela
anciã, minha estatura era pequena, e eu não lhes aferia perigo, mais todos agiram como
se eu fosse uma ameaça para a sua tribo, pelo menos foi algo que consegui entender
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entre as palavras proferidas por eles, algumas eram bem lucidas para entender, outras
agressivas para confiar, mas as palavras povo, guerra e guajá, repetiam-se
exageradamente.
Mas mesmo prisioneiro, uma coisa me deixava feliz, era a visão da jovem índia
que vir ainda cedo próximo ao rio, banhando naquela cachoeira, a Índia anciã que me
protegeu de ser morto a horas atrás, e que ariscou sua vida por mim, me olhava
analiticamente por cima dos ombros, ela não sabia, mais eu amava a Índia que residia a
oca ao lado, mais cedo havia dito isto aquela velha, mais acho que ela não me
compreendeu, e de alguma forma tinha que dizer isto a ela, mas sabia o que eu queria
seria algo muito ariscado de fazer.
Tarde da noite, tive uma surpresa inesperada, ela a pequena Índia, a mesma que
vir na cachoeira, veio até a oca aonde eu estava, mais ela não parecia feliz, ao falar
comigo percebi algumas duras palavras que foram ditas de forma sucinta e agressiva,
mas eu não as entendia, mas sabia que eram duras, agarrando em minhas mãos ela
arrastava-me para fora da oca, apontando-me um caminho para mata, parecia dizer, vá
embora, mais eu queria está com ela. A Índia mais velha nos surpreendeu em nossa
conversa perigosa e me cumprimentando advertiu, falando em minha língua nativa, ou
próximo a ela, e desta vez eu consegui entender.
Em poucas palavras ele repetia, você é um guajá, nossas tribos estão em guerra,
vá embora, ou vai morrer aqui. Agora ficava nítido o que escutava, guajá era guajajará,
o nome de minha tribo, e apontando para as minhas pinturas frisadas na pele, ela
repetia, não era nada bom eu está ali,elaqueria que eu fosseembora ecom muito medo
dos índios enormes que moravam naquela aldeia, foi o que fiz, fui embora daquela
aldeia.
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Um Amor Reencontrado no Meio da Mata...
Já era dia quando resolvi para de caminhar, e após a minha facilitada fuga,
percebi que ainda estava com fome, afinal os meus opressores, não tiveram a gentileza
de me alimentar, mas um cativo deve exigir muito em uma prisão, agora bem mais
cansado do que antes, decidi cessa um pouco a minha fuga e fui dormir próximo ao alto
de uma arvore, ao lado de um leito de rio desconhecido pra mim, aquela era uma mata
estranha, havia muitas expostas e muita vegetação rasteira, mas aquele momento, este
seria o melhor lugar para ter o mínimo de segurança possível e se abrigar em uma bela,
alto e forte arvore como esta seria o ideal.
Mas mal preguei os olhos evários zunidos fazia-seouvir na mata, pareciamdois assobios
frouxos, seguidos de um bem fino ao final, quando olhei para baixo, lá estava ela, a
pequena índia que vir tomando banho na cachoeira muitas horas atrás, aquilo não podia
está acontecendo, eu simplesmente não acreditava, ela estava com um filhote de um
animal estranho sobre os ombros, parecia ser um javali, mas não tinha certeza, e nas
mãos ela tinha algumas raízes coloridos e verdes, parecia que ela perguntava-me algo
que só a fome podia entender, era uma oferta de comida, e comida das boas.
Fizemos uma boa fogueira e assando o que ela chamou de Cutia ali mesmo, era
a nossa primeira refeição como conjunta, assimimaginava enamorado por ela, até que
foi prazerosa, e sua presença não foi nada parecido com aqueles gritos agressivos que a
vir proferir contra mim horas atrás em sua aldeia, ela assemelhava-se mais gentil e
amável, ainda com o gosto da carne na boca a surpreendi com um beijo, algo que ela
não aceitou bem, e a priori pensei ter agindo precipitadamente, mas depois saia de sua
boca um grande sorriso que logo me surpreendeu invictamente com uma reciproca
muito boa.
A convite dela passei a ir à aldeia Tupinambá as escondidas, o risco de ser
encontrado e morto era grande, mais o meu amor por aquela curumim não me deixava
pensar em minha vida, o que importava eram os seus lábios, seus carinhos e claro o seu
gosto de menina mulher, nossos encontros sempre acontecia no mesmo lugar, o local
aonde a vir linda pela primeira vez.
Naquele mesmo dia ela me mostrou o seu lugar secreto e preferido, havia uma
gruta escondida entre as pedras, e somente ela conhecia o seu caminho, aquele lugarejo
também se tornou o nosso cantinho preferido, ali por diversos dias fizemos amor, as
vezes nos víamos pela manhã, outras vezes a noite, e com o passar dos dias, nos
encontrávamos com mais frequência e demora, eas vezes ficávamos o dia inteiro juntos,
e aquele sentimento, era algo que não cabia mais dentro de nós mesmos, e como tudo
na vida chega um momento em que não havia espaço para segredos e o amor de ambos
já havia tomado proporções que se expandiam a territórios que ficavam além das
estrelas que habitavam o céu, nosso amor havia se tornado maior, ele havia ficado
O ÍndioEnfeitiçado
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uniforme e ele era tão gigantesco que nem mesmos Thuthukaia que veio das estrelas
dos céus e que fez da terra a sua morada, teria o poder de nos separar.
O ÍndioEnfeitiçado
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A Descoberta de um Segredo....
Paotaki também amava a Índia Natuia, e mesmo já sabendo a algum tempo do
romance secreto do guajajarás com a pequena tupinambá, ele guardava consigo esta
informação importante para chantageá-la na hora que fosse oportuna e muito prospera
a seu favor. Natuia não desconfiava de nada, mais Paotaki agora a seguia com mais
frequência, obcecado pelo amor que mantinha pela menina, suas atividades de pesca e
coleta ficavam por vários dias comprometida.
O seu coração enchia-se de ciúme, e a raiva por Yaol aumentava
consideravelmente, inúmeras conjecturas, muitas delas bem ruins, já passeavamemsua
mente biltre, que naquele momento achava-se dominada por uma paixão adolescente.
Ressentido, pensava em algumas exclamações orbitais, como um guajajarás pode ter o
amor de uma tupinambá, como ela pode nos trair com um inimigo, como o deus sol
Thuthukaia pode deixar isto acontecer com a nossa tribo, e que mal fizemos a rainha do
rio para que permitisse isso também.
Tomado pelo ciúme Paotaki resolve por seu plano em pratica, e em uma de suas
saídas para se encontra com Yaol, ele a surpreende durante a sua caminhada, e ao
revelar o que sabe sobre os dos amantes, exige da Índia que ele tenha dela o mesmo
que Yaol tem em seus deleites.
Natuia se protege das acusações e negando tudo desconversa sobre o assunto
abordado pelo seu algoz, Paotaki então revela o seu segredo que está escondido dentro
da gruta e ameaçado a pequena Índia ele exige novamente que a partir daquele dia que
ela também seja dele, Natuia rejeitando o seu pedido esdrúxulo, desfere de maneira vil
um tapa no rosto de Paotaki, que revoltado a empurra com força para o chão,
machucando-a bastante, com muita raiva Paotaki a ameaça, seu segredo não está
seguro comigo Natuia, e espero que a aldeia hoje à noite, não saiba deste seu romance
traidor com um guajá, espero que pense até lá e me diga outra resposta favorável.
Depois do que aconteceu e tendo mais uma tarde de amor com Yaol, Natuia
mostrava-se diferente, algo a incomodava, sua mente estava em outro lugar, e Yaol
apreciando aquele momento, não gostou de vê-la tão mal, algumas conversas a mais,
alguns risos a menos, e muitas perguntas sem respostas, infelizmente nada fizeram a
pequena falar. Natuia saiu da gruta como se quisesse falar algo, mais talvez aquele
problema sóela pudesseresolver, Yaolconcordou e deixou Natuia parti semsaber o que
sua amada realmente sentia.
A noite chegou na aldeia, Paotaki esperava pacientemente por uma decisão da
pequena, ele a queria naquela madrugada, de outra forma falaria ao conselho do chefe
da tribo e aos anciões do namoro e do guajá que ela abrigará no seio dos limites da
aldeia, ambos sabiam que uma traição dessa natureza não teria perdão, mas Paotaki
preferia vê-la morta, do que ver novamente os dois juntos.
O ÍndioEnfeitiçado
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Natuia pensou muito sobre o assunto,e também refletiu sobre o que aconteceria
com Yaol se as ameaças de Paotaki fossem levadas a frente, a tribo não teria piedade
duas vezes, a primeira já foi uma sorte não ter sido morto por Yenan, que costuma ser
cruel com povos adversários.
Sua fuga facilitada foi um prêmio concedido a Yaol, afinal ninguém o seguiu,
deixando-o livre para volta a sua aldeia. Ninguém me puniu por facilitar a fuga dele e
minha mãe fingiu que não viu nada até agora. Portanto não devo vira as costa a minha
própria sorte.
Natuia não podia tornar difícil as coisas, se por um acaso pegassem Yaol
residindo em terras tupinambás e sobre sua guarita, ambos estariam condenados a
morte ou a coisas piores, como rituais de banimento eterno e por feitiçaria de mata. O
pajé da tribo katoa, era conhecido pelas práticas milenares de seus encantamentos,
conhecimentos que ele afirma ter vindo do próprio rio amazonas, onde supostamente
advindas da moradora e rainha do rio. Ninguém nunca a viu, mas todos os anos sempre
um índio da aldeia some de forma misteriosa reclamado pelas águas do gigante
adormecido.
Quando cheguei à biqueira, Paotaki já me esperava, aquele local onde venderia
minha honra, para compra o seu silencio, era o único local da aldeia que talvez não
houvesse ninguém para nos observar, Paotaki parecia nervoso, e ainda muito ansioso
tentou me beijar várias vezes, agarrando-me com selvageria, aquele momento era
detestável, eu não o queria, mais precisava fazer aquilo, tentei ganhar tempo e pedir
que ele pegasse para mim, um pouco de água na biqueira.
Suas intenções eram as mais biltres e seu hálito plainava um estado tão vil como
a um cão danado, depois que bebi um pouco da água que ele me trouxe, começaram
novamente os seus ataques e o meu desejo principiava a minha renúncia. Não
conseguiria viver com aquilo, e a morte já me parecia uma saída mais feliz, de repente
um silencio calou o folego frenesi de Paotaki, e algumas gotas de sangue ainda quente
caíram sobre os meus seios pequenos e frágeis, quando levantei o rosto vi a flecha
enterrada na garganta de Paotaki, e uma mão fina e pequena se estendia em minha
direção, era o Yaol, o meu choro, deu lugar a um sorriso esticado, e o abraço dele, mais
uma vez se fez forte sobre mim, sua atitude me fez ver que ele entendia tudo o que se
passava ali, nosso olhares já se entendiam muito bem.
Quando expliquei a Yaol sobre as chantagens que Paotaki tinha feito, Yaol já
sabia que algo não caminhava bem no coração de sua amada, e mesmo especulando, o
seu sentimento lhe avisava que algo estava acontecendo, e ali tinha algo de errado, e
foi este pressentimento ruim que o fez segui-la naquela dia.
O ÍndioEnfeitiçado
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Paotaki estava morto, e isto agora era um problema, um membro da tribo
tupinambá estava caído e suas terras beberam sangue jovem, em tese, um termo de
vingança será declarado e eles iram associar a minha recente visita a sua aldeia, com a
morte de Paotaki, você meu amor não está mais segura aqui, terá que vim comigo, eles
vão querer o sangue de um guajajarás, e a menos que isso não se cumpra, a paz não
será selada. Eles viram atrás de mim, e logo associaram você ao nosso amor.
O ÍndioEnfeitiçado
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O Caminho de Volta a Aldeia....
Os dois resolveram caminhar mata a dentro, e Yaol rezavam para achar o
caminho de volta á sua aldeia guajajarás, depois de vinte e seis dias caminhando pela
mata, Natuia revela a Yaol que gostaria de volta a sua própria aldeia, ela enfrentaria os
seus pais e a tribo, talvez eles a perdoaria, enxergariam que aquele ato foi uma
ingenuidade de crianças e eles provavelmente não lhes fariam mal algum, talvez até os
aceitavamcomo um membro permanente, e em relação amorte de Paotaki, sefalassem
das chantagens e do ato heroico de defende-la, talvez fossem perdoados.
No entanto Yaol pensava diferente, àquela altura alguém já teria ido a biqueira
busca por água e certamente também iriam achar o corpo do jovem Paotaki, eles, no
entanto também notaria a sua falta, e muitos na aldeia avaliariam a única situação
possível, que eu havia matado Paotaki e que em seguida a levei embora da aldeia para
ser minha prisioneira. Seriamos mortos de qualquer maneira, o certo a fazer é busca
refúgio em minha aldeia e tentar no conselho da tribo uma espécie de pacto, para
evitarmos uma guerra.
Depois de sessenta dias caminhando perdido pela mata fechada, um estampido
de águas vertendo sobre pedras chamou a atenção de Yaol,que mudou a direção de seu
trajeto rumo aquele barulho, que parecia-lhe muito familiar, minutos depois um clarão
no meio da mata se abriu de forma majestosa, um lindo rio curvilíneo apresentava-se
para os dois índios. Yaol bebia de suas águas com uma sede sem fim, enquanto Natuia
banhava como se nunca houvesse feito isto antes em sua vida, esse rio chicoteoso é
chamado pela minha tribo de grande serpente e de tudo se tira daqui para viver, desde
os peixes, a água para beber, e o banho para matar o calor.
Yaol dizia agora a Natuia que estavam no caminho certo, mais algumas
caminhadas e estariam em sua aldeia, o sol brilhava diferente aquela manhã, e o céu
parecia mais bonito do que antes, a dias não viam o sol devido a mata fechada, mas
agora seria só a grande estrela a nos guiar e nada mais.
Depois de algumas horas de caminhada o sol parecia nos deixa, ele despedia-se
no horizonte, seus raios amarelados, ficavamcada vez mais alaranjados e com o cair da
noite tudo ficaria mais difícil. Ainda bem que a aldeia já se mostrava próxima, mesmo
de longe conseguia ver dois pequenos índios brincando e banhando na beira do rio
serpenteoso, àquela alegria inocente dos dois jovens índios o deixou motivado e feliz,
Natuia parecia sentir o mesmo, ela não tirava os olhos do rio e a cada pé de planta que
era costumeiro a minha vivencia de infância, era para ela um mar de novidade.
Na margem esquerda do rio, já se via as mulheres enfileiradas, lavando e
retirando dos peixes as tripas e as ovas, os primeiros eram jogados no rio, o segundo
cozindo na panela de barro, os peixes eram assados na folha da bananeira sobre a
fogueira, e tudo era comido com os dedes e as mãos, os peixes eram servidos com um
O ÍndioEnfeitiçado
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belo angu de farinha de madioca e a pimenta dava um gosto todo especial a farinha
molhada.
Uma índia ao me ver próximo da aldeia, largou os peixes que tinha nas mãos e
jogou tudo no chão, ela corria e gritava pelo meu nome, eu sem conhece-la devida a
distância que ainda existia da primeira oca, não retribui seu ensejo a primeira vista,
tentei puxar pela mente uma fisionomia próxima, mas não a reconhecia, seu choro me
lembrava bem a minha mãe, mas ela eu não conseguia vê-la em meio aos outros índios
que ali estavam, de repente aquele escândalo de mulher e o seu berreiro exagerado, fez
com que os homens da aldeia descessem para as bordas do rio, logo um mar de gente
veio ver a quem aquela índia desgovernada e enlouquecia gritava com tanto afinco.
Apenas minutos depois vir a minha mãe sentada sobre uma torra de madeira,
sem acreditar no que via, mal conseguia me ver, ou levanta de onde estava, seus olhos
marejavam uma tormenta de lagrimas, a saudade mal cabia no peito, tomou conta de
sua alma.
Muitos me beijavame abraçavam-me como nunca fizeram antes, outros apenas
me olhavam, e me interrogaram com os olhos de forma assombrada, alguns já me
davam como morto, outros simplesmente olhavam-me com a um fantasma. Depois que
me perdi na mata naquela manhã fatídica, muitos já me consideravam como parte
inerte da floresta, e muitos deduziram o que possivelmente ocorreu comigo, muitos
revelaram que a floresta havia me engolido vivo, outros afirmavam que algo como um
animal grande havia me devorado, como uma onça, um jacaré, ou mesmo uma sucuri
ou jiboia.
Minha mãe quando me viu, quase quebrou todos os meus ossos de tanto que
me apertou, meu pai, este sim não acreditava no que via, seu filho estava vivo, estava
bem, e também estava acompanhado. A índia ao seu lado não estava perceptível devido
a alegria da tribo ao ver o pequeno Yaol de volta ao rebanho, mas depois da euforia a
menina um pouco diferente logrou de imediato algumas objeções. Neste instante os
olhos da aldeia se voltaram para a pequena Natuia, que mesmo estando calada,
assustou a todos quando ouviram da boca de Yaol que ela estava junto com ele, e que
juntos passariam a viver na tribo com todo mundo.
Seu paiainda consternado, ficou pávido com que o filho dizia, aquilo não era uma
brincadeira de Yaol, ele conhecia os olhos de seu filho, e seu brilhante sorriso já diziam
tudo, e ao continuar apresentando a pequena índia, a aldeia ficou em polvorosa, e em
tácita.
Afinal os mais antigos da aldeia, reconheciam aquelas marcas e pinturas em seu
rosto e em seu corpo, um aviso de mal presságio estava anunciado, ela era da tribo
guerreira tupinambá, com certeza a levar em conta a sua idade os anciões não a
deixariam sair sozinha de sua aldeia, o que concluímos que Yaol a roubo-a de sua tribo.
O ÍndioEnfeitiçado
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Opai de Yaol pediu para que ele seexplicassepara o conselho de anciões da tribo
guajajaras, advertiu que ele não poderia esconder nenhum fato, deveria revelar todos
os acontecimentos importantes que ocorreram em sua vida, enquanto esteve fora da
aldeia.
Ao perceber o alvoroço do povo e o clima que aquelas novidades trouxeram,
Motaki o cacique da aldeia, insurgiu energicamente sobre aquele assunto, persuadindo
furiosamente os mais exaltados, semalarde deu boas vindas a jovem tupinambá, dando
fim aquelas inúmeras perguntas desidiosas, ele convidou a jovem para que ela se
recolher a oca das demais índias da aldeia, e sugeriu que também devia se limpar e se
desfazer de suas marcas e pinturas corporais, afinal ela seria agora uma guajajara e não
mais uma tupinambá, o mesmo disseaYaol,emseguidapediu aos dois que sejuntassem
a todos os outros da aldeia, deveriam comer e beber junto com a tribo, mas tarde nos
reuniremos em um conselho e falaremos sobre o assunto, esperamos com fé que as
atitudes dos dois jovens índios aqui presentes não atraiam mais uma nova guerra para
estas terras. Pois não queremos dar mais sangue para que a terra beba, já chega de
guerras, eu apenas almejo a paz entre nossos povos.
Mais tarde um grupo de índios erguia uma grande fogueira que iluminava toda
aldeia, os índios envoltos de suas chamas colocavam um a um o seu alimento para ser
compartilhado, não demorou muito e uma enorme reunião indígena estava estalada,
todos comiam e bebiammutuamente com alegria,cantorias dispares eramentoadas em
meio a comilança e os risos das crianças entorpecia os corações mais exacerbados.
Enfrente a grande fogueira uma outra reunião mais restrita tomava uma forma
mais pujante, e poucos índios ficavam ali para conversar sobre aquele assunto penoso
que envolveria fatos recentes de interesse da aldeia, Xinama o pajé da tribo, convocava
os anciões e os mais espiritualizados para participar do concluiu.
Depois de ter ouvido atentamente os relatos proeminentes dois jovens, Motaki
debruçou algumas palavras sobre os ouvidos de Xinama, eram cochichos monossílabos
diversos e muitos soavam um tanto estranhos, aquilo emitiu aos demais da tribo, um
tom que parecia ameaçar as suas vidas, suas expressões faciais não eram nada boas, e
depois de ter compartilhado o que falavamaos demais membros da tribo, este tom se
confirmou.
Várias discursões apimentadas vararam por quase uma madrugada inteira, e o
consenso correu apenas para um lugar, um acordo unilateral devia ser pactuado com os
tupinambás, mais este entendimento de como isto seria feito, deveria ter os chifres de
Bunua na tratado, ele saberia o que nos aconselhar.
Pela manhã ao nascer do grande sol, faremos uma longa viagem até o lago
místico de Tucuia onde mora o encantado Bunua, as respostas que queremos estão com
O ÍndioEnfeitiçado
23
ele, quando voltarmos a tribo devemos estar prontos para enfrenta a fúria dos
Tupinambás, pois entendo que a tribo deles já está a caminho de nossa aldeia.
O ÍndioEnfeitiçado
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O Conselho de Bunua....
O sol tinha uma pigmentação amarelada particular naquela manhã, e as trilhas
dentro da mata fechada, hora iluminava, hora escurecia, as nossas vistas, luzes que se
apresentavam de forma neutras e límpidas, cores que espelhavam os tons esverdeados
das diversas plantas, reflexos luminosos, multicoloridos, que clareavam os insetos e
outros pequenos animais, bichos que por si só, já eram lindos.
Durante a caminhada que proporcionaria a visitade aconselhamento comBunua, aíndia
forasteira observava vários animais que ela nunca tinha visto antes, aquelas terras eram
mesmo magicas, e Yaol estava certo desta vez.
Natuia a cada passo que dava ficava mais encantada, algumas arvores mal podia se ver
os topos, outras literalmente trepavam seus galhos ou seus troncos em outras plantas,
elas eram diversas e grandiosas, a maioria possuía troncos largos e folhagens largas, e
todas se perdiam no alto do céu azulado. Aquele lado da floresta dos guajá, era muito
mais bonita do que a floresta de sua aldeia, dizia Natuia a seu amado Yaol.
Natuia estava maravilhada com o que via, seu ímpeto pulava em seu coração,
mas Yaol e os demais pareciam não liga para o que viam, naturalmente aquelas belezas
jáfaziamparte de seus olhos amais tempo do que os meus, então amagia destafloresta
já não os encantava tanto.
A visita a Bunua estavam com alguns dias de caminhada, seus pés encardidos e
doloridos, eram a prova deste mártires intenso, tudo aquilo valeria apena, disse Yaol, o
que você vai ver, poucos verão, minutos depois o brilho incandescente de flores brancas
e amarelas,contemplava uma vereda enorme, lotados com réstias azuladas,uma planta
típica e endêmica daquele lugar, outras plantas tão bonitas quanto as réstias, algumas
outras delas iam antecipando as belezas que ainda viriam pela frente, via-se agora ao
longe um lago gigantesco, comáguas límpidas que estavamcheias de vitorias regias, no
meio do lago havia uma arvore de grosso troco e muito alta, aquela carnaubeira era
única naquele lugar solitário dizia Yaol.
Mas uma interlocução contraria, advertia o jovem e descuidado Yaol, a árvore
em questão, menino travesso, é um ipê amarelo, dizia Xinama corrigindo-o, antes que
ele falasse mais alguma coisa errada sobre aquela mística árvore, o interlocutor do
grupo resolveu tomar a frente para falar.
Durante o verão suas flores ministravam e pintavam inúmeras e delicadas
pétalas douradas, que dependendo das emoções e das motivações intimas de cada índio
que a tocasse, revelar-se-ia de mil maneiras distintas, os mais terríveis segredos ínfimos
e internos de cada um que as profanassem. Todos tinham e admiração aquela arvore, o
seu poder é realmente místico, e algo sobrenatural lhe governa a vida, aquela não era
uma cedro-branco qualquer, apesar de estar aparentemente seca, sem folhas ou sem
O ÍndioEnfeitiçado
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flores hoje, ela ainda possuir uma magia terna em suas seivas, fluidos que podem ser
consumidas para inúmeras curas.
Havia também enormes pedras que a envolvia, e o seu caule possuía outros
mistérios ocultos e efêmeros que se desmanchavam durante o dia, ao seu redor
também havia gramíneas iluminadas, que escondiam animais microscópios e
inteligentes, diziam também os mais velhos que as tais pedras que a protegem, eram
regidas por encantamentos promíscuos e profanos, algo que foi cuspido pelos deuses
dos céus, e quando sua casa metálica caiu na terra, resolveram habitar aqui
temporariamente, eles caminhavam como pessoas feito agente, mas elas voavam em
pequenos pássaros de ferro, que ressoavam barulhos terríveis, quando foram embora,
nos deixaram esta arvore magica, e entediados com a mata e com o rio, voltaram para
entre as estrelas do céu escuro, nos deixando sozinhos aqui na floresta.
Sobre as estas mesmas pedras, algumas delas boiam e afundam de maneira
rotineiramente magica, algo de muito misterioso e curioso, se não bizarro, acontece a
elas, pois sabemos que pedras não devem boiar, mais aqui elas submergem e afundam.
Elas parecemproteger algo, ou alguma coisa, mais os nossos antigos dizem que
ela nos protege de eventuais inimigos, e este foi o propósito de nosso deus quando por
aqui veio em seu pássaro de fogo. Ao fim da visita a Bunua se via milhões de gafanhotos
que acariciavam cada folha seca que caia no chão, montando uma manta protetora
natural, uma espécie de ponte que indicava um caminho, ele queria que
atravessássemos o leito do lago para encontramos a arvore encantada.
Aquela cena era magica aos olhos de Natuia, mais o surpreendente, ainda
aconteceria, surgia em sua frente a árvore que tanto se falou durante o percurso do
caminho, sobre a arvore, inúmeros gafanhotos, caminhavam de dentro dela, faziamisto
de forma enfileirada e amontoada, unindo-se mutuamente, replicando-a em uma forma
instável de movimentos aleatórios, até que seus movimentos ao se compilasse em uma
única estrutura firme de um animal estranho e desconhecido para ela.
Ao final daquela dança estranha, o formato de algo que mais se parecia com um
Peixe-boi ou um Boto se mostrou a todos, finalmente o encantado Bunua, se fez
presente e exigiu que Natuia viesse até ele e se reverenciasse. Em seguida pediu que a
jovem índia desamarrasse os seus próprios cabelos e de forma proeminente, tocasse a
sua língua áspera, ao ser tocado, o encantado Bunua, disse a jovem, seja o que for que
veio buscar, você terá menina, pense nas perguntas e todas as suas respostas lhes serão
dadas.
Natuia fez-lhe uma única pergunta e ao ouvir as respostas, ficou com os
pensamentos intempestivos, emuito assustadapeloque viu e ouviu de Bunua, elapediu
a Xinama que todos voltassem a aldeia e que ela fosse entregue aos tupinambás, sua
presença na tribo guajajarás, traria para a aldeia as asas da morte de Tycara, esta
O ÍndioEnfeitiçado
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entidade maléfica, uma ave de três metros e que atrai mal agouro e morte, alémde ser
extremamente malvada, possuía uma personalidade terrível.
Bunua lhe mostrou em sua mente, quando tocou em sua língua a visão de um
futuro com mortes terrivelmente cruéis, milhares de índios morreriam por causa dela,
as mensagens tinham uma conotação única, que uma guerra viria, e esta batalha tinha
uma real chance de acabar definitivamente com as duas tribos, Natuia e Yaol seriam
responsabilizados, e suas almas seriam devoradas pelo grande rio amazonas.
Depois da decisão tomada por Natuia, fica claro que ela deveria retorna a sua
aldeia, Bunua entendendo que tudo foi absolvido, se desfaz de seu corpo temporário e
elerapidamente retornou ao seu mundo etéreo, em seguida Xinama eMotaki percebem
que aquele manifesto nobre da menina, haja vista o seu espanto, tenha alguma
razoabilidade e justificação para tal sacrifício, Yaol aturdido reclina e declina sobre a
decisão de sua amada, e pede que ela reveja sua atitude, seu coração não admitiria esta
perda, e nada que ela fizesse o faria aceita tal posição.
Natuia relata que isto tem que ser feito, e entende a dor que isto causara a
ambos, mais senada for protelado, o contrário a istoacontecera, ou seja,ummal terrível
e sem precedentes cairá sobre as duas tribos.
Depois de ter conversado com Bunua, Xinama se ajoelhou sobre a arvore
encantada, e abrindo um furo no tronco da arvore, recolheu um filete fino de soro de
seu caule e colocou sobre uma tigela de cuia e a amarrou reforçadamente. Aquela
quantidade de seiva seria o bastante para o ritual que fariama noite. O fim do conselho
com Bunua estava desfeito, o encontro com a arvore foi favorecida e eles poderiam
retorna para casa.
Natuia ratificavadizendo a Yaolque as aldeias poderiam ser poupadas e as tribos
deveriam se entender depois de minha justificativa, sacrifícios devem ser feitos, e o
nosso amor Yaol deve se sucumbir para o bem maior de todos, milhares de pessoas
inocentes não podem perder avida por nós dois,isto seria egoísmo enão amor, jásomos
maior que isto, então, ajude-me a pacificar as nossas tribos.
Yaol com os olhos penetrados em sua amada, ficou em silencio, e sem muito o
que dizer sobre aquela decisão,pareceu momentaneamente concordar com ela,mesmo
contrariando os seus sentimentos. Um mar de silencio absurdamente tênue, tomou
conta da caminhada que eles faziam de volta a aldeia, e a tristeza parecia reina nos
corações dos dois jovens.
Natuia disfarçando aquela dor, dizia confortando os índios que a olhavam
compenetrados em suamazela, temos que caminhar aindamais depressa, sintoas claro-
vidências ainda dentro de mim, como se Bunua estivesse dentro do meu corpo
O ÍndioEnfeitiçado
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caminhando comigo, vamos caminhemos, não quero que estabatalha aconteça, minhas
visões devem ser evitadas, Bunua tem que está errado sobre isto.
Suas visões mostravam os tupinambás caminhando para a aldeia guajajarás, e
suas passadas eram cada vez mais largas e rápidas, eles estavam fortemente armados
de ódio, vingança, flechas e lanças.
Yenan é um líder que não admite falhas emsuas batalhas, e geralmente, ele não
costuma ter piedade de seus inimigos, o confronto será terrível, e talvez eu seja a única
pessoa que pode interferir neste fim terrível.
Natuia não quis dizer mais detalhes aos demais companheiros de caminhada o
que viu em suas visões, mais o seu semblante era bem convencedor, uma destas
imagens,relatava elasozinha para semesma, não poderia acontecer, aquele rio coberto
por sangue, as ocas incendiadas, crânios pendurados por lanças, mulheres amarradas
em pedras no meio do rio e afogadas pela enchente, homens perfurados com lanças e
fechas da cabeça até os pés. Aquilo ressoava a uma fúria terrivelmente cruel e
desumana, a aldeia no final da guerra estava repleta de carcaça de peixes, restos de
comida, muito sangue e gente morta por todo os lados, mas isto definitivamente não se
realizaria, eu devia impedir este massacre.
O ÍndioEnfeitiçado
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A Fúria Tupinambá....
Depois de vários dias de caminhada, um rio curvilíneo e gigantesco se
apresentava a tribo tupinambá, um a um matematicamente iam colocando os pés a
beira daquele rio, não demorou muito e todos já estavam enfileirados, amontoados ,
armados e prontos para atacar. As margens do rio serpenteoso agora tinha um
verdadeiro mar de gente, todos eles estavam muito bem pintados e enfeitados para
guerrear. A guerra era uma arte, e arte vos pintavam para guerra.
Todos os tupinambás, no entanto, permaneciam parados e a olhar o seu inimigo
com cautela, os índios mais aguerridos planejavam ali mesmo as margens do rio, que
métodos de ataques fariampara começar a invasão. A aldeia guajajaras inusitadamente
parecia está despreparada, aparentemente a vida e a normalidade reinava naquela
comunidade tribal e isto parecia transcorrer sem muitas alterações, não havia homens
de guarda, nem armas, nem olheiros para avisar possíveis invasões.
Yenan concluiu que a vantagem da surpresa garantiria a tribo tupinambá uma
vitória certa, e os guajajarás amargariam eternamente pelo erro de não se prepararem
para o ataque que os extinguiria definitivamente da faseda terra, Cutoia um índio muito
espirituoso e também jovem, ficou empolgado com a sua primeira guerra, e agindo sem
autorização de Yenan, resolve aponta seu arco para cima e comemorando, atirou uma
flecha para o alto, incitado pelo ensejo de sangue e mortes que aconteceria naquele
local.
No entanto a flecha disparada por Cutoia faz um percurso maior do que o
desejado, e ela acaba atravessando simetricamente para o outro lado do rio de forma
despretensiosa, emseguidagritos sãoacompanhados de uma correria na aldeia inimiga,
a flecha insidiosa havia acertado o pescoço de um pequeno infante índio, que
mortalmente cai sem vida próximo a inúmeras mulheres que ali mutacavam os seus
peixes.
Neste instante uma parcela pequena da aldeia guajajarás visualiza os inúmeros
índios agressores, devidamente pintados no outro lado do rio, e acertadamente muitos
correm e gritam alertando a tribo de um provável ataque, um índio adulto guajá
observando o que estava em curso na margem oposta ao rio, decidiu principiar uma
correria até a oca adjacente a sua, para avisa os homens guerreiros da aldeia que
descansavam tranquilamente em suas redes, certamente seu aviso provocaria uma
reação de proteção a invasão que proeminentemente orquestrada pelos possíveis
inimigos, antes porém, que ele pudesse avisar aos demais companheiros guajajarás,
uma outra flecha foi atirada, desta vez, de forma intencional por Yenan, a flecha
atravessou o peito esquerdo do denunciador derrubando-o ao chão, isto instaurou de
forma generalizada gritos exaltados de ataque ao inimigo, que moveram os tupinambás
a atravessar o rio em posição de guerra.
O ÍndioEnfeitiçado
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No entanto o efeito surpresa estava destituído, e Yenan ao ver o que Cutoia fez
o agredia verbalmente pela irresponsabilidade, aquele ato inescrupuloso será
oportunamente firmado e repudiado, índios não matavam crianças índias em suas
guerras e Cutoia certamente pagará pelo seu ato irresponsável.
Yenan era um guerreiro cruel em suas batalhas,mais crianças e mulheres deveria
ter mortes mais respeitadas e ou até serem dispensadas da eminente morte.
Os índios tupinambás nadavam com fúria e força sobre o rio curvilíneo, alguns
ficavam pelo caminho, arrastados pela correnteza de suas águas, outros chegavam a
margem oposta empunhando lanças e arcos, e derrubando os inimigos sem lhes dar
chance ou qualquer outra defesa.
Yenan pediu ao restante da tribo que atravessassemo rio e que a invasão fosse
rápida e cruel, deixem de fora desta guerra as crianças e as mulheres, aos demais, não
poupem ninguém, quero que esta aldeia vire uma área desértica, depois de feito isto
queimem tudo e se acharem Natuia e o seu sequestrador os tragam a mim.
A guerra começou e aos poucos os guajajarás que foram alertados combatiam a
invasão, tentado sobremaneira defender a aldeia, o embate sem dúvidas era algo
desigual e se via naquele momento muitos guajás mortos sobre o chão daquela terra,
alguns batalhavam no rio, ou em suas margens, outros guerrilhavam na mata fechada,
mas a luta de verdade tinha como palco principal o meio da aldeia guajá, as lanças
tupinambás atravessavam pescoços e tórax dos guajajarás, e as flechas finas e longas
destes últimos perfuravam o peito e os crânios dos tupinambás.
Um dos guajajarás ferido conseguiu avisar àqueles que na mata exerciam
naquele dia sua atividade de pesca e coleta diária, de repente um turbilhão de índios
guajás saiamdas matas e de diversas direções atingido vários tupinambás mortalmente,
uma chuva de flechas, lanças e dardos envenenados irrompiam-se transladando e
transfixando os invasores, que inocuamente iam tombando um atrás do outro. Como
uma tormenta o embate entre as tribos aumentou acirradamente, e como formigas
taturanas comedouras de carne, eles agrediam-se mutuamente, e um sobre o outro o
confronto turbinava-se como a um ódio furioso que nunca se viu.
Aquele momento o cenário era desolador, a terra guajajarás estava embebida
em sangue, e o rio manchado de um vermelho incomum, nem parecia ser mais aquele
gigante curvilíneo e majestoso, sua coloração esverdeada, dada pelos musgos que
habitavam as margens, sumia envolta aquele mar de sangue, e o rio entre os índios, as
fechas e sangue morto, estava intrepidamente coagulando, fator que ia afogando os
peixes e outros seres vivos dele dependentes, as matas ciliares agora também
agonizavam freneticamente entre as margens virgens.
O ÍndioEnfeitiçado
30
Naquele instante já se fazia presente inúmeras aves, que observando tudo do
alto, prévio que todo o fim de guerra acaba em cadáveres, e carcaças são comida para
aves de rapina.
A guerra possibilitava as aves quem escolher energicamente como presa fácil
para devorarem, e neste caso haviam muitos índios, as aves de rapinas, urubus e alguns
corvos, pousavamnumerosamente sobre o chão ensanguentado, e ferozmente bicavam
alguns mortos, ou alguns moribundos com uma fúria de fome insaciável.
Um índio com o seu arco e flecha empunho em uma de suas mãos, resolve para
de guerrear para ver uma das cenas mais bizarras de sua vida, mesmo de longe ele
consegue reconhecer a ave do mal, que apenas tinha ouvido falar em contos cantados
no meio de sua aldeia, seu povo vinha relatando suas lendas a milhares de anos, mas
nunca poderia crer que aquilo fosse real, de fato Tycara a ave deusa da morte, estava
naquele lugar, e ela caminhava entre os corpos dos índios.
E comendo suas carnes como os abutres o fazem, seuaspecto era terrível, aquela
ave meio animal e meio humana despertava os piores medos, ainda que não sentidos
até agora em um homem.
Próximo ao rio havia uma cena ainda mais grotescas, alguns cães selvagens
pareciam esperar por algum momento oportuno, e consideravam comer os restos de
carnes sobremaneira humanas que sobrasse após as aves terem se alimentado.
Aquela cena não seria sobrenatural se não fosse tão real aos meus olhos
humanos, Tycara é um ser monstruoso e sobremaneira é terrivelmente malvada.
O ÍndioEnfeitiçado
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A Intervenção de Yutia e o fim da Grande Guerra....
As guerras não possuem verdadeiramente nada de tão glorioso, além de
carregarem consigo muita dor, elas apenas trazem conflitos, discórdias, vinganças e
muitas mortes. Havia muito sangue e muitos mortos naquele chão guajajarás, mais o
conflito não cessava, o embate demonstrava-se insolúvel, e os sinais de uma guerra
ainda maior deveria continuar, quando está aqui acabar.
Momentos depois o brilho do sol do meio dia apagou-se literalmente do céu, e
no centro da aldeia viu-se pousar silenciosamente uma imensa ave que cobriu todo o
escampado ao redor da tribo, Yutia uma ave encantada, que sempre protegeu os índios
desde os primórdios, abriu suas gigantescas garras sobre o chão guajajarás, e
denunciando um pouso estratégico, logo principiou a captura imediata a rainha daquela
desordem, fisgada pelas grossas unhas de Yutia, Tycara que se deleitava sobre as
inúmeras carcaças humanas, rende-se ao poder majestoso e imponente da ave do meio
dia.
Seguidamente a esta ação um grito escultural, se ouve gruindo da garganta
inflamada de Yutia, aquele gesto era algo conhecido pelas duas tribos, Yutia havia
rasgadoo crânio de Tycara e após ter devorado o cérebro dela, e de ter colocado o corpo
dela ao chão, o fim da guerra estava selado.
Yutia engolindo severamente Tycara, gruia neste momento duas ou três sonoras
averbações em direção aos índios ali envolvidos na guerra. O entendimento disso foi
repassado a uma criança Guajá, que longo repetiu o que a ave protetora lhe havia
enviado ao tímpano.
Uma trégua aquela guerra deveria ser feita, e as exigências dos Tupinambás
deveriam ser atendidas e os culpados por aquele sangue ter sido derramado na aldeia
Guajajarás deveriam sofre as punições severas. A índia Natuia deveria ser devolvida aos
Tupinambás e Yaol julgado adequadamente por seu crime de a assassinato e rapto. E o
sangue da criança Guajajarás morta nesta guerra deveria ser restituída, dito isto, um
tribunal indígena deveria ser aberto e oferecido ao deus sol Thuthukaia.
O sol voltou a brilhar e batendo as asas como a um trovão muito forte, Yutia
voava até o sol onde ele entrou majestoso e soberano. Ambas as tribos adoravam Yutia
a milênios, e suaproteção sempre causou bons retornos de paz as tribos em guerra, eles
não o contrariariam jamais. E fielmente todas as palavras de Yutia seria respeitada e
ratificada pelo consenso de todos. Aquilo que foi falado será feito, aquilo feito será
cumprido.
As armas então foram caindo uma a uma ao chão, e cada tribo
orquestradamente foi carregando cada membro morto de sua tribo, o cemitério
indígena guajajarás foioferecido aos tupinambás para enterrar os seus mortos, algoque
O ÍndioEnfeitiçado
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prontamente foi aceito, os feridos foram ali mesmo cuidados, dentro ou fora das ocas
guajás.
O rio estava completamente desconstituído de suas belezas, e assim como o
chão daquela terra, que estavam inteiramente pintados de vermelho, suas águas e as
suas matas e arvores jaziam banhados de sangue, muitos índios nem acreditavam que o
ódio exacerbado, motivado por vingança, os levariam a ser tão intolerantes. Alguns
índios buscaram em meio a mata lugares ideais para refletir, outros lamentavam
chorando os seus mortos.
Natuia, Yaol e os outros índios que retornavam de sua buscar espiritual por
respostas a guerra que viria, concluiu ao ver as cores vermelhas das águas do rio, que
sua tentativa de evitar o grande mal da guerra, já não era possível, o cheiro forte de
sangue e de peixes mortos, já afugentava alguns animais que faziam uso de suas águas,
e do alto da cabeceira do rio percebia-se os olhares de algumas aves moribundas,
principiando esperanças de colher alguma carne humana esquecida sobre o campo de
batalha.
Ao entra na aldeia seus olhos se encheram de lagrimas e ao se ajoelhar viu que
sua fuga, seu amor e seu desejo de ser livre, de certa forma era a culpada daquelas
mortes terem acontecido. Yaol não podia imaginar que uma guerra era assim, muitos
amigos seus não estavam mais entre os vivos e isto lhe causou grande dor.
Yaol perguntou entristecido a Motaki se o seu amor por Natuia era capaz de ter
gerado nos homens, aquele horror que se realizou em sua aldeia, por que nossas tribos
precisamse odiar, o que este ato ruim fará mudar os dias que viram. Xinama insólito em
seu íntimo pensamento refletiu, as tribos são feitas por homens, e as guerras também,
o amor são sentidos pelos homens e o ódio também. A terra nunca nos negou nada,
pelo contrário, nos deu a água para beber, a terra para planta, a noite para dormir e o
sol para nos aquecer, e o que fazemos é apenas macular e destruir tudo o que
Thuthukaia o nosso grande deus sol criou.
As vezes penso que temos mais semelhanças com Tycara do que com
Thuthukaia. Muitas vezes nem sabemos de verdade o que é realmente este ato de amar,
principalmente quando nos prezamos a disposição de guerrear. O certo Yaol é que os
Tupinambás e os Guajajarás já se odiavam a muito tempo, e antes mesmo de seu amor
ter nascido no coração de Natuia e em seu coração, estas diferenças entre nosso povo
e os povos deles, deve o quanto antes melhor revisada pelos chefe e caciques, talvez
esta guerra envolvendo o amor de vocês, não seja de todo um mal, talvez este amor,
seja o princípio para que estes estranhamentos acabem, quem sabe se um grande e
verdadeiro amor, não ponha fima esta ignorância, você é corajoso, forte e honrado, ela
tem bondade, amor e uma grande tenuidade em seu coração de menina, espero que
O ÍndioEnfeitiçado
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estas qualidades, nos der de alguma forma, a esperança de um fim justo a toda essa
insanidade, uma alienação que nunca ficou muito bem ponderada entre nossos povos.
No fim daquela noite, já entrando pela madrugada, os índios das duas tribos que
sobreviveram aquela efêmera e grande guerra, agora conversavam, estavam todos
reunidos, sentados um ao lado do outro, embora distintos em seus posicionamentos,
procuravam se entender com base emuma mesma tutela, em uma mesma ideia de paz,
que os levassem a um consenso bem justificado.
Contudo ainda que temporariamente unidos sobre aquela égide imposta por
Yutia, Natuia ainda era motivo de impasse sobre o acerto de um acordo, depois de dois
dias e três noites inteiras de discursões, as averbações continuavam a inflamar as
conversações e junto a isso, também se queimavam os corações impacientes dos
guerreiros, as índias temiam que a qualquer momento, aquela oca de palha viesse a
incendiar de tanto ódio que ainda estava envolvido no calor dos pós batalha.
Alguns acordos porem eram resolvidos prontamente, outros, no entanto, em
diversas partes geravam controversas, as tréguas sobre a guerra apesar de caminharem
sobre uma fina linha de um arco, pouco a pouco se resolvia, os ajustes deveriam ser
tomados objetivamente, sobretudo respeitando o que dissera a grande ave encantada,
Yutia tinha regras severas e punições ainda mais cruéis se algo fosse descumprido.
Pela manhã os homens foram aos poucos abandonando a oca, de maneira
singular percebeu-se que os ânimos estavammenos exaustados, isto significava que um
acordo de paz sobre aquelas regras, deviam esta prosperando e logo tudo seria
prontamente atendido.
Depois de algum tempo as conversas realizadas sobre a guarda e sigilo dos
homens foi plenamente divulgada, um acordo foi acatado unanimemente pelo conselho
e por hora era o que devia ser respeitado, Natuia tinha que retornar à aldeia Tupinambá
e deveria cumprir com as suas obrigações de princesa da tribo, esta notícia porem
chocou Yaol, que somente ficou sabendo daquela noticia, pela boca de Ximana, Natuia
nunca revelou isto a Yaol.
Ela retornaria a tribo tupinambá e cumpriria com todas as obrigações que
nascerá para realizar, ela deveria se casar com um índio mais forte e aguerrido da tribo,
e este eleito sairia do tupinambá que vencesse o cerimonial de passagem que
aconteceria na aldeia daqui a algumas semanas, o ritual deveria cela o fim àquele
conflito, eas suas desavenças econtraversões ficariamesquecidas,a paz e a honra neste
compromisso fecharia os canais de ódio envolvendo as duas tribos, a morte do
Tupinambá na biqueira praticada por Yaol, foi paga pela morte da criança Guajá que
Cutoia vitimou, e o resto de nossas dívidas que mutuamente geramos esta liquidada em
consonância com os acordos previsto no conselho.
O ÍndioEnfeitiçado
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Uma outra dívida muito importante, também foi assegurada, sabemos do
sentimento de Yaol por Natuia, isto para nós é inviável, ele, no entanto, não deverá
tentar busca-la em nossa tribo, ou sobre efeito de nosso acordo, tudo será quebrado e
desta fez a guerra não terá fim, nem Yutia será capaz de nos impedi, pois seremos três
vezes mais cruéis do que foi esta guerra que travamos aqui. Temporariamente nossas
dividas,diferenças econtradições estão esquecidas,apaz deve reina enquanto horamos
o nosso acordo.
Natuia olhava para Yaol com o seu coração completamente destruído, seus olhos
cobertos de lagrimas não podiam mentir, o seuamor jamais negavao amor a seuamado
Yaol. Aquela decisão concordada com o conselho, já era esperada, ela não tinha muita
escolha e nem o que defender, todas as arguições, estavam tomadas e entre os índios
não se retroagiria nem uma vírgula e nem um ponto final. Yaol por outro lado também
não podia fazer nada para mudar o seu destino, mesmo se quisesse, o destino de Natuia
não pertencia a ela, tudo já estava escrito pelo povo a que ela pertencia, e logo um
casamento seria realizado após os cerimoniais de passagem.
Minutos depois tudo foi ratificado e de pronto atendido, o conselho estava
desfeito e a reunião finalmente teve um veredicto aceito. Para infelicidade de Yaol,
Natuia seria de fato levada embora da aldeia Guajajarás. Um adeus de amor entre os
dois, não foi possível, e nem podia ser viável, os dois nem tiveram tempo para as
despedidas formais, tudo porem ocorria como planejado, ambos deveria esquecer algo
que dificilmente sairia de suas vidas, e o sentimento chamado paixão ou amor deveria
cair no esquecimento profundo das águas do rio amazonas.
O ÍndioEnfeitiçado
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O Retorno de Natuia a Aldeia Tupinambá....
Os guajajarás foram muito benevolentes, e para garantir a volta dos tupis a aldeia
tupinambá, observando que o caminho seria árduo, eles em sua graciosidade,
providenciaram muitos sextos com comida, a maioria abastecidos com carne de cutia,
jaboti, frutas, legumes, pimentas e óleos diversos.
O trajeto será muito longo, mais as nossas noites, terão o bastante para nos
alimentar, os vários outros sextos, ainda possuía peixes, carne de porcos selvagens e
muita farinha de mandioca, tudo era bem-vindo, afinal quarenta dias de caminhada,
soava como algo quase interminável aos meus pés.
Vez ou outra ouvia-se nas madrugadas enquanto dormíamos, choros finos,
curtos e solúveis, o vento não era sutil, carregava todo aquele sofrimento até os meus
ouvidos, Natuia chorava e lamentava os fatos que a levaram a perder o seu amor, Yaol
não era apenas um menino de uma aldeiaestranha, ele não era alguémque ela quisesse
longe de seu ímpeto coração, Natuia não via nele nenhum perigo, nem mesmo
conseguia ver motivos para odiá-lo.
Que razões o seu povo, a sua tribo, havia julgado para mantê-los longe um do
outro, que mal hediondo fizemos para pagar pelos erros de um passado que não
pertenceu ao nossoamor, elenão é um monstro para serdetestado, não devemos pagar
por fatos inerentes ao erro de outras pessoas, sem dúvidas, ele é mais do que isso, ele
foi o único índio que me enxergou pelo o que eu sou, viu por dentro de mim coisas que
ninguém pensou em ver, despertou sentimentos que ninguém antes o fez emergir, ele
não só roubou o meu seu sossego, ou a minha razão de ser, ele encheu o meu espirito
de paz, inundou os seus sentimentos com o seu amor, e sem notar, ele também levou
consigo o meu coração, sem dúvidas, ele é agora o meu dono, sou escrava de seu
coração, prisioneira de seu amor eterno.
Os índios tupinambás caminhavam taciturnamente pela mata fechada, sempre
em ritmo de marcha, acelerando quando possível os passos, obviamente aceitando a
boa vontade da floresta, e sempre que esta deixava espaço para que isto fosse
alcançado, nós aproveitávamos o seu ensejo tropical.
Buatega calculava que estávamos há pelo menos, vinte e cinco dias caminhando,
seu arco era marcado de forma sistemática assim que o dia amanhecia, o registro da
passagem do tempo pacientemente homologado, ditava a tribo viajante as decisões
futuras que deviam ser tomadas, apesar de estarem com o entendimento vazio de sua
localização, o fato de estarem parcialmente perdidos, ainda não os deixaram mórbidos
com a loucura da mata.
O ÍndioEnfeitiçado
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Em uma coisa os índios tupinambás concordavam, e arriscavam uma opinião
como certa, eles já estavam longe dos territórios guardados pelos guajajarás, Buatega
que guiava o caminho à frente da tribo, especulava que precisava encontra apenas um
vestígio peculiar de fauna típica da floresta tupinambá para localizar o caminho certo
que os levaria a aldeia, os enfileirados jacarandás gigantes erama pista que precisavam,
ao cair da noite a preocupação aumentava, e o fato de estarem parcialmente perdidos,
começava a tomar corpo nas conversas entre os índios.
Mais um dia amanheceu sobre os índios tupinambás naquela imensa floresta
fechada, há algum tempo não se via o brilho nítido do sol se sobressair sobre as altas
arvores, via-se apenas cipós, galhos e enormes folhas caudalosas, o chão estava sempre
úmido, e a temperatura sempre amena, as vezes o chão mesclava-se coberto por folhas
mortas e outras folhas recém caída das arvores, também observava-se que em vários
outros pontos da floresta havia uma certa transição entre calor e frio, , mas grande parte
do tempo a floresta encontrava-se úmidas e fria em boa parte da caminhada.
Os pés eram os membros que mais sofriam, ficavam molhados e encharcados
diuturnamente, a vermelhidão latente entre nossos dedos, denunciavam como os
bichos de lama consumiam a carne viva e frágil dentre nossas unhas, alguns índios
sonhavam em ver o sol aquela manhã, queriam sentir aquele queimar suave e meio
febril em seus rostos e saboreando o calor refletido na pele, desejavam ao final da
caminhada, mergulhar em um dos profundos rios de sua aldeia.
Entre as copas das arvores já se via o sol bem no alto, acima de suas cabeças, a
caminhada tinha atéaquele momento meio dia de caminhada, o resultado era bom, mas
aquele dia pela manhã alguns índios chegaram ao consenso, e admitiram que talvez
estivessemperdidos na grande mãe floresta, a verdade e que eles não sabiamao certo
aonde estavam, e também não sabiam que caminho deveriam trilhar.
Natuia não quis interromper as discursões acaloradas entre os homens da tribo,
mas pareciaque Bunua, o boto encantado do lagoTucuia, um ser encantado que já tinha
o prazer apresentado de ver o seu poder bem diante de seus olhos, verificou que algo
tinha a magia dele envolvida sobre o fato de estarem perdidos.
Ele provavelmente sugeria-lhe agora um novo favorecimento, mais uma saída
temporária para aquele atual estado de aflição, os índios tupinambás agora todos ao
redor da pequena índia e com as atenções sobre ela, logo viram ao longo da mata, e em
acima das arvores, uma chuva de insetos voadores, que se formava tenuamente, um
zunido inesperado agitou-se de maneira terrível, e o som que eles emitiam, invadiam
serenamente toda amata, um estampido único fez sentir eouvir, e cores e luzes diversas
mudaram de uma só vez todo o verde da floresta fechada, parte dos insetos bailava em
frente a Natuia, e cobrindo parte da mata, eles mutuamente direcionavam a menina
para uma outra parte da floresta, era uma localidade contraria a que Buatega aponta
O ÍndioEnfeitiçado
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inicialmente em sua trajetória orbital, seguidamente uma metamorfose eloquente
modificava-se tenuamente, sobrepondo-se várias formas e contornos estranhos, Bunua
afirmativamente queria que eles caminhasse por esta outra trilha.
Muitos índios amedrontados com aquela cena indiferente, contrariaram a
menina, acusando-a de por ventura está sendo enganada pela situação adversa
apresentada à sua frente, aquilo talvez pudesse ser Tycara a ave da morte querendo
devora-los em seu lago de ossos. A lenda rezada era que Tycara aparecia em meio a
mata, oferecendo ajuda a índios perdidos de sua tribo durante as caçadas, e estes eram
conduzidos a uma trilha diferente na mata, até caírem em seu lago ou lodo que
efervescente em ossos, os consumiriamvivos, as ossadas que se viameram exatamente
das vítimas que foram devoradas por ela.
No entanto, outro ser magicomandado por Bunua apareceu por trás das arvores,
era um curupira de pele alaranjada, ele continuava falando a Natuia que ela deveria
seguir em frente, assimcomo foi indicado pelos gafanhotos anteriormente. E trepando
ligeiramente sobre aquela arvores imensa, o curupira sumiu no topo da copa da arvores.
Minutos depois um saci também aparece mais a frente sobre a mata rasteira, e
novamente os adverte a seguir em frente. O saci, no entanto, apenas lhe pediu uma
fruta que estava no sexto de Natuia, aquilo seria sua forma de pagamento, pois ele seria
o guia da tribo até que eles saíssem de parte da floresta que era amaldiçoada.
Por isso eles andavamem círculos e perdidos, o ser monstruoso e dono daquela
parte da mata, não os deixaria sair dali, e um a um eles os devoraria. Sorte da tribo que
a jovem Natuia é bem apreciada por Bunua. Ele gostou dela.
Os tupinambás não sabiam quem era Bunua, mas a oferta daquele ser de pés
tortos e para trás das costas, parecia uma ótima oferta para quem está perdido. Um
consenso para segui-lo estava sendo amarrado e parcialmente aceito.
Mas Natuia estava convicta que aquele ser não era Tycara e sim Bunua, eles
deveriam confiar em mim, pois ela já o tinha visto antes, e desde este dia, ela confiava
no naquele ser magico, ele viu em seu desejo intimo o meu pedido de ajuda, e
conseguindo ouvi-la, se fez presente aqui entre nós, e resolveu nos dar ajudar.
Bunua ouvindo aquelas conversas contrarias e os inúmeros desentendimentos
que se reformulavam as novas ideias a respeito de um novo caminho a seguir, resolveu
por si mesmo abrir a mata até o alto dos céus, o sol então, foi visto nitidamente gigante
e brilhante, e isto finalmente lhes conferiu uma aceitação consensual pelo caminho
proposto, um novo dialogo então, seria aberto para entender o que Natuia afirmava, e
a confiançaem suas falas seriamretomadas a despeito do que sediziam do ser chamado
Bunua.
O ÍndioEnfeitiçado
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Como eles poderiam acredita em um ser magico que para eles não existia, que
contribuições ou oferendas este ser desejada, quais pagamentos exigiria de seu povo,
quais pretensões haviam por trás daquela ajuda inesperada.
Natuia acreditada no que falava para os seus companheiros de caminhada,
revelava que o encantado não queria apenas lhes apontar uma saída,paralonge daquela
floresta fechada e maldita, mais também lhes alertar de algum acontecimento futuro,
mais primeiro este ser queria nos tirar dali e nos livra de uma ameaça presente.
Os avisos de perigos que enfrentariam na aldeia, talvez necessitassem de um
bom entendimento e corações mais abertos, Bunua queria pressa e sugeriu aos insetos
que os atacassem, empurrando-os para o caminho rente ao lago encantado de Tucuia,
local onde ele jazia a esperar pelos viajantes.
Momentos mais tarde um lago brilhante surgiu no meio da trilha e inúmeras
pedras submergiram e imergiam sobre as águas apontando-lhes um caminho trilhado
até uma arvores grandiosa, ela jazia majestosa e solitária em meio ao lago colorido,
aquela imagem nos fazia lembrar de recordações de sonhos infantis, a muito tempo
guardados em nossas memorias, aquela visão era a de uma ilha encrustada e a esmo,
perdida no meio da mata, ungida no meio de paraíso ébrio, onde aquele lago intrépido,
residia solto em meio as rosas amareladas, nitidamente porém, via-se claramente que
aquele lugar era apenas uma fatia de terra circundada por águas doces, envolta a muitas
vitorias regias e flores bronquissimamente alongadas.
Minutos depois surgiram em suas frentes inúmeros insetos voadores de todos os
tipos e cores, que mutuamente iam se transformando um a um em pequenos
gafanhotos cinzas,aquela chuva fina de insetos,caiamagora sobre o solo, amontoando-
se uns sobre os outros, o que em fração de segundos, uma dezena de milhares de
gafanhotos se unirem em uma fusão incrível, provocando uma metamorfose ainda mais
diferente. Aquela transformação, foi um pouco mais ante casual e atípica, aquela nova
forma que se apresentou a Natuia, era um pouco diferente do que ela viu dias atrás,
porém os gafanhotos e outros animais, já eram algo esperado, mas nada era tão bonito
agora, como o que foi presentado agora a seus companheiros. Bunua se mostrava
grandioso e maior em sua linda majestade magica, o próprio sol se alaranjou para que
ele brilhasse sobre a terra opaca e verde.
Os gafanhotos se transformaram rapidamente em um lindíssimo boto róseo, era
Bunua aquele ser magico, disto eu tinha certeza, não tinha dúvidas sobre o que
visualizava, ele era o responsável pelos seres mágicos que nos guiaram até aquele local
escondido sobre a mata fechada.
E encantando-se bem em nossas frentes, ele foi clareando o rosto de todos que
se admiraram com a magia, seu poder magico era incrível, ele possuía luzes coloridas
que explodiam de dentro dele, e sua voz parecia a tormenta de mil trovões, suas
O ÍndioEnfeitiçado
39
palavras foram curtas e rápidas,e a mensagem foi inseridaem nossas mentes, logo após
Yenan ter tocado na língua do animal magico.
Minutos depois, como a um sonho revelado, algumas pessoas pareciam dormir
em pé e desatentas, estando muitas incrédulas ao que viam em suas mentes, ele
novamente respirou em nós as suas intempestividades futura, e novamente vimos mais
atrocidades que cairiam sobre a tribo tupinambá, como a uma doença grave, o médico
da floresta Bunua relatou que eles deveriam agircom sabedoria as mensagens reveladas
ou então destruiriam a aldeia inteira que habitavam e chamavam de lar, aconselhou-os
que não se agisse com tanta severidade aos que amam ou com aqueles que ainda iram
amar, em seguida Bunua apontou-lhes o caminho que eles deveriam trilhar e da mesma
forma que surgiu, se desfez em milhões de pétalas de rosas brancas, sumindo-se
efemeramente entre as arvores da mata.
Alguns índios não o entenderam plenamente, quando Bunua os advertiu sobre a
severidade com o amor presente e o amor futuro, mais alguns acreditavam que o
encantado, se referia a Yaol e a Natuia, mas a tribo entendeu que aquilo era um fato
passado e não se discutiria isto novamente.
Em seguida todos voltaram a caminhar em direção ao apontamento que Bunua
lhes ensinara como caminho de volta para casa, estando na aldeia revisariam os vários
avisos ameaçadores que ouviram do encantado no lago Tucuia.
O ÍndioEnfeitiçado
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A Teimosia de Yaol....
Ao chegarem na aldeia tupinambá muitos índios não acreditavam em que seus
olhos enxergavam, com os guerreiros da tribo estava a índia Natuia, alguns aldeões
acreditavam que ela já estivesse do outro lado do rio Apokue, muitos índios confiavam
que o grande devorador, havia levado alma dos dois para as grandes estrelas do céu.
Muitos tinham isto como verdade, ou pelo menos que isso era passivo de uma
verdade, isto se devia a morte de Paotaki, muitos índios atribuíram que o guajá que foi
surpreendido andando nos arredores da aldeia, estivesse envolvido com o feito que
tirou a vida do grande índio Paotaki na biqueira, e juntando este fato ao sumiço da
menina Natuia, que naquele dia havia sido vista na companhia do estrangeiro,
justificaram que ela teria algum envolvimento com a morte do jovem índio, muitos
acreditavam que ela seriauma traidora de seu próprio povo, eaos traidores recair fortes
iras, o azado rio Apokue trataria de dar fim aos dois fugitivos.
Os fortes índios tupinambás ao tomarem conhecimento do que houve a Paotaki,
tentaram rastrear os dois fujões, mas nada encontraram na floresta,jugou-se então uma
outra hipótese, que o assassino de Paotaki, também houvesse feito algo parecido a
pobre menina, ou seja, que ele havia matado a linda Natuia, assim como ele o fez a
Paotaki, dando fim a corpo da menina, atirando-a no rio profundo.
A grande verdade é que ninguém sabia muito o que de fato aconteceu de
verdade na biqueira, não se sabia quemlibertou o prisioneiro, e não se sabia nada sobre
Natuia, o que se sabia era que Paotaki estava morto, que o prisioneiro havia fugido e
que Natuia havia sumido da aldeia.
E como acharamapenas um corpo, o de Paotaki, elaera considerada uma fugitiva
traidora, pois até então não haviamencontrado o corpo dela em lugar algum, que fosse
próximo a aldeia, fizeramvarreduras fora dos perímetros pertencentes aos tupis e nada
foi encontrado, deduziu-se também que ela talvez tivesse sido levada pelo índio guajá
como prisioneira, e o único lugar para onde ele levaria a pequena, seria para a aldeia
guajajarás, todos acabam voltando para casa, e foi nisto que os guerreiros tupinambás
se apegaram, e foi encima disso que os tupis resolveram ir resgata-la. Todos os tupis se
engajaram para traze-la de volta para aldeia Tupinambá.
Os tupinambás não poderiam acreditar, que a menina simplesmente havia
desaparecido da tribo, o mais obvio é que Tycara havia devorado a jovem enquanto
estivesse perdida no meio da mata, outros índios é claro argumentaram que talvez o
guajá, estivesse mantendo a jovem presa em algumponto da floresta, cogitando leva-la
consigo para o alto do rio Apokue, mais dias depois que Hautu achou o rastro dos dois
índios fujões próximo a gruta da cachoeira, muitos índios entenderam que o guajá a
mantinha consigo a um bom tempo, a gruta tinha sinais que condiziam a uma moradia
temporária, este foi o ápice perigoso, que os fizeram sair da aldeia tupinambá e
O ÍndioEnfeitiçado
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declararem guerra aos Guajajarás, o ódio inflamou-se nos corações mais pequenos, e o
pretexto de apenas resgata-la, não tinha mas sustentação, eles procurariam os guajás
por vingança, a morte de Paotaki não ficaria em vão.
Todos os índios que foram em direção ao rio Jukaua, ou como os guajajarás o
chamam de a grande serpente, tinham em mente a esperança de apenas encontrarem
o índio guajá que matou Paotaki, mas se eles encontrarem a aldeia guajá, e neste
aspecto não evitariam o confronto.
O Fato acabou se concretizado, e como se ouviu da boca dos guerreiros, alguns
acontecimentos são inevitáveis e improrrogáveis, algumas provisões acabam por se
culminar como verdades absolutas, e como eles pensavam desde o início, as discursões
sobre o que aconteceu a Paotaki, ensejavam-se uma premissa de guerra.
A guerra ocorreu, muitos guajajaras morreram, fizemos a terra deles beber
sangue, mas os tupinambás não mataram Yaol, o índio que matou Paotaki, o indio que
roubou nossa Natuia, o homem que nos provocou ódio e nos levou a guerra, ele ainda
estava vivo, e ainda por cima desonrou a jovem Natuia, princesa de sua aldeia.
Houve a guerra, sim houve a batalha, muitos morreram, e ambas as partes
tiveram baixas terríveis, um jovem infante guajajaras morreu inocentemente. O jovem
era apenas um índio pequeno, ele era ainda criança, um jovem aldeão do povo Guajá.
Sabemos que ele foi morto acidentalmente, não matamos crianças em nossas
guerras, provavelmente Tycara nos punirá por isso é claro, e pagaremos por nosso erro
vil e biltre. Lamentamos a morte do infante, isto fez com que nossa dor, pagasse pela
dor deles, um acordo foi feito, e felizmente encontramos Natuia e a devolvemos ao seu
lar, a aldeia dos Tupinambás.
As mulheres indígenas estavam contentes e confirmaram aos guerreiros que
aquela noite teria uma grande festa, sua vitória seria contada aos grandes deuses e os
futuros guerreiros os homenageariam. Natuia estava de volta ao lar, e ela não era uma
traidora, nem fugira com o prisioneiro, seu resgate foi feito com maestria pelos nossos
guerreiros tupis, e nossa princesa está de volta a sua casa. A aldeia está em festa, e o
que se espera são os muitos sorrisos, a alegria do povo está de volta a lar tupinambá e
muito comida e bebida movimentaria as festividades da grande aldeia.
No entanto Bunua poderia está certo novamente em seus avisos, algo poderia
comprometer a paz entre os povos Tupinambá e os guataparás, e Yaol seria novamente
o motivo para novas guerras, ele em sua teimosia de menino apaixonado, havia
acompanhado todo o trajeto que os tupinambás fizeram até chegar a aldeia, ele se
manteve distante do grupo, mas muito próximo de Natuia em seus pensamentos.
O ÍndioEnfeitiçado
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Seus passos seguiam de perto a tribo tupinambá, e depois que a tribo se
encontrou com o encantado Bunua, os quinze dias restante que sobraram para
chegarema aldeia tupinambá, ficou mais fácil de percorrer sozinho, pois Yaoljáconhecia
aquelas arvores quando se perdeu ali pela primeira vez.
Yaol se preparava para fazer acampamento próximo a aldeia dos inimigos,
aquele era um local familiar e estratégico para ele, não era muito próximo a cachoeira
e nem muito longe da aldeia tupi, a cachoeira lhe lembrava aonde viu Natuia banhando
pela primeira vez, e isto lhe inspirava em seu intuito paterno de requere-la de volta
como amada e amante, ele decididamente queria o seu amor de volta, no entanto,
aquela cachoeira era uma linda imagem que ele sempre associou a destreza com que
ela escovava com os dedos os seus belos cabelos, as suas mãos e unhas também eram
fortes recordações que passeavam em seu corpo enquanto namoravam nus sobre
aquelas águas limpidas.
Sua teimosia poderia lhe custar caro, disto ele sabia bem, aquele desejo por
Natuia, não colocaria apenas a sua vida em risco, mais a vida de sua amada também, e
isto o levaria muito além do que um simples e prospero confronto, aquela atitude
egoísta poderia gerar uma nova guerra entre as duas tribos, inúmeras outras vidas
estavam em jogo, e estas vidas dependiam do acordo de paz que foi selado entre os
líderes da duas aldeias, o seu amor poderia jogar várias vidas em uma guerra que talvez
não tivesse mais fim.
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Yaol é Descoberto na Aldeia....
A noite caia silenciosamente no meio da mata, e yaol sentia o seu corpo perdi
por aquele sono que só os justos sabem sonhar, aquela sentimento de dormência era
algo único, ainda mais quando os seus sonhos sempre contavam com a presença tênue
de Natuia, os seus pés doíam a vários dias, e depois de muito caminhar, está sentado
sobre aquelaimensa rocha, visualizandoaquele bonito luar, remetia-lhe lembranças dos
dias e das noites que viveu junto com a sua amada naquela gruta, que existia escondida
dentro da cachoeira, eu daria tudo para esta naquela gruta agora mesmo com a minha
amada, mais sei que os guerreiros tupinambás, também sabemque se eu fosse atrás de
Natuia, o primeiro lugar que eles vasculhariam, seria aquele local.
Quando eu era menino, lembro-me que aminha tribo ensinavaaos infantes,uma
habilidade única de continuar a nos encontra durante os sonhos, fazendo o que fazíamos
durante o dia, vivendo a noite enquanto dormíamos, éramos andantes de sonhos,
continuávamos vivendo a noite, como se acordados estivéssemos, só que pescávamos,
fazíamos coleta, caçávamos e banhávamos no rio, através do sono, fazíamos todas as
tarefas cotidianas que desejávamos realizar.
Aquilo era como viver acordado dentro de nossos sonhos, isto era incrível. Ao
amanhecer relatávamos o que vivenciamos e todos relatavam as mesmas histórias, ou
seja, estávamos conectados através dos sonhos, aquilo realmente estava acontecendo
na vida real só que nos sonhos, estávamos vivendo dentro de nossos sonhos.
O sono era uma espécie de extensão da vida que se vivia acordado, para a noite,
que se vivia dormindo, várias vezes nestes treinos noturnos, os membros das tribos, se
encontrando nos sonhos e continuavam vivendo afazeres que vivenciaram durante o
dia. As brincadeiras, as conversas, os banhos de rio, as caminhadas na mata, as visitas a
lugares novos que se achava na floresta, as brincadeiras comos animais, a pesca, dentre
outras coisas.
A vida em nossa tribo era muito intensa, e sempre nos víamos com certa
regularidade, a noite, assimcomo o dia, era uma coisa só, acordar e dormir não tinha
tanta distinção, continuávamos vivendo enquanto dormíamos, e dormíamos enquanto
vivíamos.
Lembro que em uma certa guerra, há muitos anos atrás, nossa tribo quase
perdeu um confronto importante contra os xavantes, mas antes que aquela guerra nos
levasse a principiar um fim terrível, os deuses dos sonhos nos ajudaram. Em uma noite
indiferente, um guerreiro de nossa tribo, teve no mínimo uma ideia inusitada, e
resolvendo ele dormir encima de uma arvore bem alta, enquanto a guerra lá embaixo
seguia-se sangrenta, entrou em um contato imediato com os outros membros de nossa
aldeia, através dos sonhos, desta forma conseguimos juntos, invadir a aldeia dos
xavantes, vimos onde eles estavam agrupados, e que armas possuíam, quantos
O ÍndioEnfeitiçado
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membros eles eram, onde escondiam-se e como conseguiam água e comida, para se
manter na guerra, isto foi importante para sabermos os pontos fracos de nosso inimigo
e assimcombateríamos com mais eficiência e eficácia, a guerra seria vencida, e desta
maneira, foi o que aconteceu na vida real.
Em fim conseguir dormir, meu coração estava mais calmo e sensato, mas horas
depois, fortes tambores no meio da noite ecoaram um ritmo dançante alucinante, do
alto daquela pedra se via um clarão ao norte da floresta e com os folguedos se via junto
uma espessa fumaça que era visualizada de longe. Aquela festa era com certeza o
resultado da parcial vitória que os Tupinambás conseguiram obter na grande guerra em
terras guataparás, e provavelmente eles comemoravam a volta de sua princesa, a linda
Natuia, e aquele pacto que foi firmado entre os lideres após a guerra, também significou
uma grande vitória para o povo dela, as comemorações eram todas justas, e o povo
tinha a suas razões para comemorar.
Nos próximos dias eles realizariam os cerimoniais de passagem, Natuia deveria
se casar com o grande vencedor do cerimonial e os rituais selariam o amor forjado pela
tradição cultural, e os dois deveriam ficar ligados para sempre através deste pacto
ritualístico insano, Yaol tinha que fazer algo, certamente algo teria que ser feito para ter
o seu amor de volta, aquela decisão do conselho de anciões não era justa com o seu
amor.
Enquanto a festa caminhava em seu ritmo dançante na aldeia tupinambá, Yaol
tentaria dormir, e pensaria em algo prático e silencioso para retirar Natuia de dentro de
sua aldeia. Um sono profundo finalmente veio e Yaol dormiu singelamente sobre os
brilhos das estrelas e do luar incandescente daquela noite, minutos depois já acordado
dentro de seu sonho, resolveu espiar Natuia na aldeia tupinambá, a madrugada estava
alegre, e todos da tribo tupi, com exceção de umas poucas crianças, alguns velhos e seis
mulheres, estavam acordados, a grande maioria participava da festa, muitos dançavam,
alguns bebiam, outros comiam, e muitos namoravam entres as ocas e sobre a beira do
rio.
A fogueira naquele instante era alimentada por mais madeira seca, e o fogaréu
aumentava as suas chamas, os tambores colocados próximo ao calor fogo, esticavamo
couro amolecido pelas batucadas.
Yaol caminhava entre os Tupinambas sem ser visto e visitando cada oca ali
instalada, seguia investigando cada pedacinho da aldeia sem nada ver ou percebesse
pela presença da pequena Natuia, o rio também foi vasculhado, e nem lá aonde algumas
índias banhavam, ela estava presente, a biqueira aonde tinha alguns casais de jovens
índios namorando, também não se via Natuia, e mesmo no meio da aldeia, entre a festa
e as rodas de conversas, não se encontrava ela.
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Minha inquietação era ansiosamente angustiante, e o meu medo era que ela
fizesse alguma bobagem, sentimento que até certo ponto estava correto em se pensar,
minutos depois um choro fino fez ouvir, aquele não era um choro qualquer, era um
choro de amor perdido, um soluçar solitário de amor, um tipo de tristeza típica a
corações abandonados.
Aquele era um choro fino e continuo, e enquanto eu caminhava sonhando pela
mata, identifique o gotejar de uma lagrima vinda do alto de uma arvore, aquelas
lagrimas estavam próximas a gruta aonde vivíamos o nosso amor, e recorrendo a vista
para o alto da arvore vir a minha belaNatuia debruçada sobre os galhos daquele enorme
jequitibá, seu choro banhava a pedra seca da cachoeira, e o local aonde as águas do rio
não chegavam, somente se via um pequeno córrego de água, feito por suas lagrimas,
sua dor era sentida por mim e neste momento uma forte tristeza aplacou-se em meu
coração, o que se fez dominante, um sentimento de culpa em todo o meu ser naquele
instante.
Estando o meu espirito perto dela tentei de alguma forma impedi-la de se jogar
contra as pedras, mas eu não conseguia me comunicar com Natuia, vir que era isso que
ela queria fazer, sua posição suicida estava bem descrita e solicita aquele desejo biltre.
Quando me aproximei dela, ouvir as suas lamentações, ouvir ela dizer que sua vida não
fazia mais sentido, e percebi em seus lábios a tristeza erma que brotava de seu coração,
ela falava a verdade, ela deseja morrer naquele instante, ela também, assimcomo eu,
não desejava viver sem amor, não suportava viver sem mim, e eu também sentia o
mesmo. Meu amor era maior do que aquelas estrelas no céu, e o amor dela por mim era
exatamente igual ao meu amor. Nosso amor era puro como o solque viria anascer daqui
a algumas horas.
Quando vir o que se principiava a acontecer, voltei o mais rápido que pude, para
perto de meu corpo e tentei acordar a minha mente de meu sono profundo,
definitivamente eu iria até aonde ela estava, ela não estava tão longe de mim,
estávamos relativamente próximos um do outro, mais de alguma forma, eu não
conseguia me levantar, eu não conseguia acordar, estava preso em meu sonho, está
acordado era vital para socorrer Natuia, mas estava preso em mim mesmo, acorrentado
a meu sonho, sufocado em meu sono tênue.
Eu precisava acordar rapidamente, ou do contrário, pela manhã veria Natuia
morta sobre aquelas pedras, verdadeiramente não conseguiria viver semela, e acabaria
morrendo sem o seu amor. Aquilo parecia mais um pesadelo, e esse sonho era o mais
terrível deles, tentei volta até aonde ela estava, e continuaria até o fim de meu sono,
lutando para tentar detê-la de sua loucura.
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Mas àquela altura da madrugada os caminhos até a cachoeira se apagaram de
meu sonho e simplesmente não os encontrava no meio da mata, a trilha havia se
desmanchado, e eu estava perdido na mata dentro de meu sonho, sempre que pensava
nela, os meus sonhos me levavama outros caminhos diversos,estavaagora literalmente
perdido, e estando abandonado pelo meu próprio sonho, e estando preso dentro de
mim, tentei grita e acorda, mais nada me fazia levanta daquela pedra onde meu corpo
estava deitado.
Quando cansei de procura-la algo estranho acontecia a meu corpo físico, algo ou
alguém me tocava, e enfim subitamente acordei, alguém me pegava pelas mãos e
também me tocava nos lábios,quando abrir os olhos me assustei,mais quando vir quem
me acordara, retribuir-lhe o que os seus lábios me davam, era Natuia a me beijar
fortemente e pelo jeito que me agarrava, já me beijava tacitamente a algumas horas.
A sensação era de estar morto e o céu se abria majestoso para a minha alma,
aquilo devia ser um anjo, e assim continuou acreditando Natuia enquanto me beijava
chorando, quando acordei o meu coração bateu em compasso com o coração dela, e
milhões de sorrisos se aplacaram um sobre o outro, uma felicidade eternamente
gigantesca tomou conta de nossos sentimentos, e juntos sobre aquela imensa pedra
choramos de felicidade, e estando um ao lado do outro, chovamos juntos de felicidade.
Natuia revelou que sentiu a minha presença no alto daquela arvore e quando ela
também adormeceu naquele lugar inapropriado, viu em sonho quando eu voltei para
procura o meu corpo, e foi aí que ela teve a certeza de onde eu estava, e como estava,
e assim chegou a mim.
Depois dos milhões de beijos e da curta saudade estirada que lhe abrilhantou a
vida, Yaol e Natuia foram surpreendidos por uma ponta de fecha que os ameaçava
esticada sobre o punho de um arco inflexível, sobre as costas de Yaol, um índio
tupinambá ameaçava-lhe distintamente, a felicidade dos dois não demorou muito e
naquele início de manhã, ambos seriam levados até aldeia e entregues aos líderes dos
guerreiros tupis.
O cerimonial seria daqui a duas noites, a contar daquele instante, o índio que os
surpreendeu dizia a Natuia que o seu desfavor se descumpria a trégua e o tratado de
paz e ao que foi prometido e já acordado no conselho seria desfeito, aquela traição não
seria perdoada, desta maneira ambos sofreriam uma punida severa, Yaol quebrará o
acordo que envolvia a paz entre as duas tribos e assim como Natuia, a tribo tinha um
ponto de vista austero, o povoado não a perdoaria, e neste aspecto ela teria feito o
mesmo que Yaol, neste entendimento os dois teriam um fim terrível, e suapunição seria
quase certa e igual ao será apresentado a Natuia.
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A Revogação de um Acordo de Paz....
Mitaage sabia que daquele local aonde achou os dois traidores até a aldeia
tupinambá levaria um pouco mais do que alguns passos longos de uma enfadonha
caminhada, o mesmo tempo que gastou em oneração para seguir a jovem Natuia até a
cachoeira, o cerimonial não demoraria a acontecer, e dois dias e uma noite que estava
previsto para acontecer a cerimonia não tardaria em incide-se.
Otempo era majestoso, e logo os dias passariamrapidamente como poeira entre
os dedos, os dois traidores deveriam apressar os passos, pois a minha ansiedade de
entrega-los pulava dentro de minha garganta. Yaol seria um cativo saudoso, os homens
da tribo adorariam vê-lo novamente e desta vez, tudo ocorreria sem piedade ou
intromissões.
Ele, no atual momento, deveria obedecer a cada ordem que lhe fosse imposta,
nenhuma tentativa de fugaseriaaceita,e como um bom arqueiro, Mitaage não hesitaria
em atravessauma, duas ou sepreciso, três ou mais flechas no peito de Yaol. No entanto,
se ele fosse esperto, até o final daquela caminhada, ele seria um obediente cativo, e até
que chegássemos a aldeia, lugar aonde seria entregue e morto, deviria ficar quieto e
obediente como a um cão do mato.
No meio da caminhada um temporal típico, despencou sobre a floresta tropical
que já estava humilda e lívida a vários dias, Natuia demostrando cansaço e aparentando
um certo mal-estar,vislumbrava estádoente aquele momento de cativo, o corpo quente
e as tonturas repentinas as faziam caminhar vagarosamente e de forma inertemente
constante puxava pela boca ar para respirar, Mitaage não lhe dava muita atenção e
exigia da jovem que tomasse foco, folego e agilidade em seus passos, todos deveriam
continuar caminhando, a chuva não pararia tão cedo, muitos menos eles parariam de
caminhar.
Alguns minutos depois Natuia caia sofrível e desmaiadasobre uma poça de água,
rente a um jacarandá, Yaol mesmo sofrendo ameaças de uma morte iminente, reagiu
ao ímpeto de seu coração, mesmo que aquilo o colocasse em risco, deu de ombros com
Mitaage e pegando Natuia pelo quadril, socorreu a jovem antes que ela se afogasse
naquela terra lamacenta.
Natuia ao recobra os seus sentidos, consternou-se avidamente sobre os olhos do
homem que lhe salvava, sua pele aparentemente pálida assingelava umar frio de morte
em seu rosto, seguidamente outra surpresa apenou ainda mais Yaol, que sofridamente
via o seu amor naquelas condições deploráveis de saúde.
Inesperadamente Natuia regugitou de maneira biltre um liquido espesso e
fetido, que acalentou ruminantemente as mãos cumpridas de Yaol, logo depois ouviu-
se um grito fino e gruído de suas cordas vocais, seu devaneio frouxo lapidou-se
O ÍndioEnfeitiçado
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sonoramente sua dor vil pela floresta vazia. O som de sua garganta, sofrivelmente
mesclada com dor frouxa de mulher e menininha, fez orquestrar inúmeras trombetas
solitárias, que ecoando doloridos ecos de consternação e angústia, seu choro frio
demonstrava um moribundo vazio sentimental, cheio de lamentos ébrios e vis.
Certamente aquilo logo denunciaria um apertado e comprimido mal está físico que
comprimia de maneira feroz a sua barriga, causando-lhe bastante dor e um estado
crítico deplorável.
Um gritou de piedade, direcionado a Mitaage foi declarado por Yaol, em auto e
bom som, sua dor gigantesca, não era tão diferente dos de Natuia, que parecia morrer,
bem na frente dele, ambos precisavam de sua ajuda, e ele não podia negar aquilo aos
dois, continuar aquela caminhada, com Natuia naquele estado, era de uma crueldade e
malvada incompreensão.
Verdadeiramente aquilo não era encenação, Mitaage compreendia
perfeitamente o que se desenrolava àquele momento, talvez Natuia provavelmente
nem chegaria a pôr os pés na aldeia, talvez a vida lhe deixaria ali mesmo.
Os dois então resolveram procurar um local protegido da chuva, passariam a
noite abrigados sobre uma cabana improvisada, e se ela resistisse ao mal súbito que lhe
atacou, retomariam aquela caminhada pela manhã bem cedo, Yaol ainda com lagrimas
sobre o rosto e extremamente abatido, pedia insistentemente desculpas a Mitaage pelo
o que fez a Natuia. Yaol se sentia culpado pelo o que acontecia a sua amada, tudo aquilo
pelo que ela passava naquele instante era sim culpa sua, depois também agradeceu a
Mitaage por ter entendido o sofrimento de sua amada e de ter ajudado a jovem em
repouso.
Mitaage sentiu sinceridade nas palavras de Yaol, e sem falar muito, e ainda
estando comovido pela triste cena que via, dirigiu sua atenção para as matas do lago
Haiko, ali havia um ecossistema de ambiente único, a floresta escondia aquele local a
milênios, poucos índios tupinambás conheciam os secretos caminhos que levavam até
a entrada do lago,muitas ervas cresciamalide forma completamente indiferente a todo
o resto da flora existente naquela região, nada era análoga aquelas plantas milagrosas,
a energia que habitava aquele lugar talvez não pertencesse aquele mundo.
Mitaage também não entendia por que Yaol arriscava tudo, inclusive a própria
vida por causa de uma única mulher, afinal o que estava em risco era todo o povo
guajajaras, pois aquele seu atrevimento, condenou ele, e a todos de sua aldeia a morte.
Yenan era um guerreiro impiedoso, forte, aguerrindo e malvado, todos os outros
guerreiros tupis o admiravam pela sua bravura e coragem, sem dúvidas, ninguém era
tão completo guerreiro como ele. Sua liderança apagaria da face da terra a existência
do povo de Yaol.
O ÍndioEnfeitiçado
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Certamente o amor que ele sentia por Natuia não valia tanto esforço, o amor de
uma mulher não é uma justificativa para uma guerra, tão pouco, um amor, não é um ato
romântico que visadesprezar acoletividade de um povo, e as paixões não podem coloca
avida de uma aldeiainteira sobre amira de lanças efecha. Yaol certamente éum egoísta
e inescrupuloso ser individualista.
Mitaage olhava para as margens do pequeno lago que se enchia bem a sua
frente, o lago tinha muitas histórias, e os mais antigos sempre faziam suas orações no
leito de seus córregos. A mãe d’água que governa estas águas eoutras águas espalhadas
pelos vários rios e nasceste, sempre emerge do leito do rio para a margem de suas
bordas para caminhar pela mata pela manhã, e ao anoitecer ela sempre retorna para o
fundo do rio para descansa os olhos sobre o leito de suas águas.
Vez e outra quando alguém a chamava, ela geralmente parava para uma boa
conversa, outras vezes realizava pedidos estranhos que os pajés solicitavam a ela. Este
ser magico, as vezes era pego em relações sexuais com curumins curiosos, e as vezes
quando elagostavamuito de um desses jovens ou seelaseapaixonasse,elaos arrastava
para o fundo do rio, local de onde eles nunca voltavam.
Sua relação com os homens era estranha e de vassalagem mutua, ora sendo
adorada, ora sendo odiada e repudiada, as vezes era amada pelos homens e detestada
pelas mulheres.
Sobre o lago encantado reza a lenda que as suas águas podiam curar todas as
enfermidades do corpo de um homem e as ervas que cresciamali próximas ao seu leito,
foram todas plantadas por povos que vieram das estrelas dos céus e que a muito tempo
fizeram morada sobre aquelas terras, e que coabitando juntos com os nossos ancestrais,
compartilharam conhecimento e suas tecnologias biológicas. Pouco se sabe sobre
aquele lugar, mais os índios mais velhos, também diziam que até os deuses, que vieram
juntos com aqueles que moravam entre as estrelas do céu, fizeram uso e morada
naquele local.
Quando amanheceu Yaol foi surpreendido pelo gesto misterioso de seucarrasco,
ele havia preparado uma pequena porção medicinal curativa para Natuia, em poucas
palavras Mitaage disse que as ervas tinham sido diluídas na água do logo Haiko, e que
isto a deixaria melhor e se tudo desse certo ela ficaria curada pelo cair da noite.
Yaol em silencio agradeceu em voz baixa a gentileza de Mitaage, e ainda
chorando muito, rezava para que Natuia sobrevivesse aquela enfermidade misteriosa,
Thuthukaia não o teria esquecido, não abandonaria o seu servo, Yaol ao fim de sua
oração, sabia que seria atendido logo pela manhã, e sua amada viveria, ambos lutariam
contra o conselho tupinambá, e as suas suplicas teriam a seu favor, o reconhecimento
de sua paixão, e de seu verdadeiro amor por uma de suas filhas tupinambás.
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Yaol acreditava que o amor, que nasceu entre os dois, libertaria definitivamente
as duas tribos, o ódio que alimentou durante séculos inúmeras guerras entre seus povos,
enfim encontraria na paixão dos dois jovens, motivos suficientes para unir as tribos, e
isto não seria motivo de destruição, mais sim de um novo recomeço, uma nova
oportunidade construção de amizade.
Somente o amor traria de volta o fim destes conflitos tão terríveis, o mal não
mais assolaria os seus povos e o nosso deus Thuthukaia nos recompensaria com mais
abundância e fertilidade, nossas terras teriam mais fertilidades, nossos rios teriam mais
peixes e em nossas aldeias nasceriammais crianças, os filhos do amazonas, teriam mais
netos, e o nosso solo sagrado, seria admirado pelos seres mágicos da floresta, este chão
húmido tupinambá e guajajaras seriam um lugar único e viveríamos em harmonia.
A noite haviaacabado e o sol principiava seus primeiros raios nos céus da floresta
húmida e tropical, Natuia ainda não estava de fato totalmente recobrada de sua saúde,
mas já falava um pouco, nos ouvia e entendia, comia demasiadamente mal, bebia água
apenas aos goles, e bem timidamente arriscava alguns passos para ficar em pé. Mas já
estava bem melhor do que na noite anterior.
Algumas interfaces ainda tímidas, se embolsou no olhar pequeno da menina, e
algo ainda mais importante foi notado, sua feição desenhou um sorriso gostoso, que se
abriu de maneira bonita e singela em seu semblante mimoso e solto, Natuia de fato
tinha recobrado a consciência. Aos poucos ela retomava o equilíbrio emocional e físico
que se esperava.
Um beijo tênue e majestoso foi dado por Yaol em seu rosto, e uma felicidade
nunca vista em Natuia rasgou-se de um lado a outro em sua boca, vislumbrado com a
sua amada, verificou que de certa maneira ela demostrava que em parte tudo estava
muito bem agora, e ainda fraca, arriscou comer uma pequena porção de frutas e um
peixe, beliscou um pouco do mamão, saboreando-o singelamente.
Mitaage olhava aquela demonstração de amor de longe, e afastando-se
sentimental de seus prisioneiros tentou mostra certo desprezo, mais involuntariamente,
estava nítido que aquele sentimento já havia o contaminado, e como a um adolescente,
pescando peixes em um rio raso, também libertou todos os peixes que acabava de
pescar, e como a um peixe que luta para não ser pego, se entregou de vez ao anzol de
seu pescador.
Mas Mitaage teria que ser firme e ordeiro, fiel a sua tribo, eles deveriam pôr os
pés na mata ainda ao amanhecer, mais tudo levavaa crer que passariammais uma noite
ali, esperando com que Natuia viesse a melhorar de sua frágil saúde.
O ÍndioEnfeitiçado
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Mitaage não tinha dúvidas de sua melhora, sabia que ela acordaria bem naquela
manhã, afinal também sabia de onde vinha a cura da pequena, sempre acreditou nas
ervas do lago Hiako, e sabia do poder grandioso daquelas águas.
A cerimonia ritualística seria aquela noite, e ambos deveriam esta àquela hora
presos e em processo de julgamento, isto é o que devia ter acontecido, Yenan com toda
a sua sabedoria, ditaria as ordens do que fazer com os traidores de nosso povo,
verdadeiramente eu não devo me envolver com os sentimentos alheios a minha
atribuição e pueril e metódica, sou um guerreiro, e guerreiros cumpre as ordens de sua
tribo, mas também é fato, que eu não levaria alguém neste estado deplorável para ser
execrada e massacrada emmais um dia de caminhada, aliais a vida é o motivo de nosso
festejo, e eu não vou levar o corpo de um índio morto para a aldeia, e muito menos faria
no dia do cerimonial de passagem.
Afinal Xinama me cobraria severamente sobre este ato respeitoso, eu deveria
zelar pelo bem-estar da saúde de nossos inimigos, até por que as pelejas que deveriam
ser aferidas ao infortúnio dos traidores, já seriam por elas mesmas, bastante cruéis e
acidas, tudo deveria ser aplicado conforme as regras da tribo, e as punições deveriam
ser atribuídas enquanto os mesmos ainda estivessem vivos e conscientes, somente
assim saberiam o preço de sua desonra.
Apesar do coração de Mitaage ter passado por alguns instantes de fragilidade e
de ter cogitado em seu íntimo uma compaixão desmedida, o calor voraz de seu ímpeto
de guerreiro, gritou mais alto do que seu baixo altruísmo. Natuia já apresentava
melhoras significativas e Yaol mesmo com um porte físico um pouco mais fraco do que
o de Mitaage, conseguiria conduzir a menina com segurança até a aldeia.
Mitaage possuía agora uma voz ensopadamente mais grave e ruidosa do que
antes, sua fala possuía umtom mais firme e Yaol o desconhecia novamente, o humor do
guerreiro mudou como um rio em uma enxurrada, seu ímpeto estava revolvido em um
redemoinho de águas violenta que se empuxavam tenebrosamente para o fundo de um
sentimento vazio e agressivo, sua voz estava forte como uma tormenta em meio a uma
selva desconhecida, e as suas exigências logo tomaram um corpo apreensivo. Não
demorou muito e todos estavamnovamente caminhando mata adentro, o trajeto tinha
um compasso mais lento, mais caminhavam.
Por duas vezes antes de chegarem a aldeia, Yaol carregou a sua amada em seus
braços, ainda exausto pelo esforço, continuou permanentemente junto a ela, e mesmo
atento a sua frágil respiração, tentava acalma os ânimos de seu coração amendoado,
vez por outra recorriam a alguns cipós no meio da mata, cortando-os e aproximando os
tubos dos cipós em direção a boca de Natuia, libertava a cede da menina em prevês
goles, no entanto, ao passo que ela ingeria a água de seus cipós regozijava-se
firmemente o ânimo de sua respiração ofegante. Natuia porem, ainda estava pálida e
O ÍndioEnfeitiçado
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enfraquecida, e isto preocupava o coração apaixonado de Yaol, que temia
desesperadamente pela vida de sua amada.
Natuia parecia ter uma cede interminável, e as vezes a pequena engasgava-se
fortuitamente em exageros ao beber agua daquele fio de cipó. Muito de seus engasgos
seriam devidos provavelmente a velocidade absurda com que bebia cada jato de água,
naturalmente a proporção que engolia, também vomitava, e suas regurgitações
estavam sempre niveladas em par de igualdade com as mesmas quantidades de água
que ingeria, em certas ocasiões o liquido era expelido pelas narinas, e a rispidez com
que lutava para beber água o preocupava bastante.
Natuia tentava resmungar algumas palavras inaudíveis, determinadas palavras
faziam menção as dores que sentia em seu abdome, suas reclamações inflamavam o
coração perdido de seu amado, que implorava aos deuses pela salvação de sua bela
Natuia.
A ingestão que fazia de água era sobremaneira algo de uma força descomunal,
sua inquietude lhe exprimia uma expressão facial horrível, tudo isto orquestrado na luta
com que fazia para engolir o liquido desejado, Yaol ainda colado ao rosto de sua amada,
rezava firmemente para que o seu amor não a deixasse, ele continuaria a lutar para não
ver a sua eterna Yenemaiana não morresse sobre o sol de Thuthukaia.
Aquele caminho no meio da mata lhe parecia uma eterna misericórdia divina, e
suas orações agora era todas direcionadas a mãe de todos os rios, Yenemaiana, já que
Thuthukaia o havia abandonado, recorreu ao colo feminino de sua genitora, ela não o
abandonaria naquela situação tão difícil. Seu choro fino era com certeza ouvido pelos
deuses que moravam ébrios e insólitos nas estrelas do céu, e se eles nos ouviam, por
que não faziam nada, por que permitiriam que Natuia morresse, mas a sua dor, no
entanto, estava sendo devorada por Tycara, Yaol jamais abandonaria o seu amor,
Yenemaiana não a deixaria subir para o céu crespado de estrelas mortas.
Yenemaiana a guardiã e senhora de todos os rios, deusa da criação da vida que
mora nas águas, ouviria as suplicas de seu criado, ela foi o ser celeste que salvou o índio
Yaol de morrer afogado em um rio quando era bem pequeno, uma triste inundação que
ocorreu a alguns anos atrás na aldeia Guajajaras, e que quase o levou para a vida fria de
outro mundo que se esconde entre as estrelas do céu. Sua devoção e respeito a
Yenemaiana sempre foi forte e verdadeira, mais também muito importante em suavida,
Yaol sempre que podia rezava e chamava pelo nome de sua senhora e rainha, mãe de
todos os rios.
Depois de suas orações a Yenemaiana o sofrimento de Natuia dava sinais
importantes de alivio, a febre a deixava tenuemente, e as dores que sentia deram-lhe
uma pequena trégua, Natuia já aparentava um pouco de sobriedade, e vendo o esforço
de sua amada em resistir, Yaol inspirava-a tenuemente a não desistir de sua vida.
O ÍndioEnfeitiçado
53
Thuthukaia as vezes era um deus criador cruel, e em vários momentos de sua vida, ela
quase nunca o ajudou, principalmente quando ele mais precisava de sua eterna e
humilde divindade.
Algumas horas depois, a caminhada rente a mata escampada, pleiteava-se o
início frio de um fim insólito que não desejava vivenciar, sobre seus ombros, brotavam
várias e grandes arvores que só aquele pedaço de chão estranho, insistia emnascer em
meus olhos, minutos depois, já se podia ver no alto do céu, um clarão luminoso e
gigantesco, aquele clarão intenso e não natural, denunciava algo não habitual, era uma
fumaça diferente e junto a ela também ouvia-se muita cantoria, outras manifestações
atípicas a meu ouvido, acompanhavam outros ruídos estranhos que eram emitidos por
eles e junto aquele som enfadonho, zunia a sonoridades de muitos tambores, aquilo
sem dúvidas seria iminentemente um sinal do qual precisava para agir, Yaol desejava
lutar, desejava ficar ser livre.
O ritual havia começado, e se nada fosse feito, eu e Natuia poderíamos ser
mortos naquela noite, uma injuria patriarcal como está não seria tolerada, e estando
mais uma vez no seio da aldeia e entre os guerreiros, uma segunda vez não seria
perdoada, aquele dia, provavelmente seria a minha última respiração ofegante sobre as
terras tupinambás.
Meu atrevimento seria agora algo mais do que tolerável, e o cacique e guerreiro
Yenan, não teria piedade de nossas vidas, no entanto, algo de concreto teria que ser
feito, e o quanto antes, melhor, aquele tumulto de gente, som e batucada seria
aproveitada por Yaol, os três andarilhos caminhavam sobre aquela relva cinzenta, e o
endereço já conhecido pelos destinatários era imemoráveis a todos, naquele instante
os tambores zuniam mais fortemente em meio ao silencio opaco de seus corações
juvenis, o terror inabitável, jazia freno no vazio de suas mentes e o cheiro de terra
molhada não lhes trazia emoções felizes.
O calafrio da solidão aparentemente vazia da floresta, silenciava o medo que se
aproximava, e o barulho dos tambores frenéticos e voluptuosos, havia se implantado
tão rápido em suas emoções, quanto a um corte sobre rosto, feito por fechas lançadas
sobre o inimigo desatento.
O medo pairava até sobre o clima da mata, e aquelas duas criaturas de Deus,
apesarde encurraladas,não sabiamsepoderiam naquele momento ter o fortuito desejo
de ter medo ou o receio de não poder lutar por suas vidas.
Estaangustiajá lhes soava algotórrido e mais terrível do que a própria eminencia
de morte, o desejo de matar o seu escravizador, somente aumentava em seu peito, e
aquele desejo impuro, não só lhe parecia medonho e avassalador como o anseio por
liberdade a qualquer custo.
O ÍndioEnfeitiçado
54
Yaol repetia em ampla e boa voz, o que falava para dentro si, somos duas
criaturas frutos desta grande mãe terra, que Yenan tenha piedade de nosso amor, que
ele reconsidere o seu julgamento sobre nós. E que Thuthukaia e Yenemaiana toque
sobre seus corações julgadores. E voltado os olhos para o seu opressor largou o
pontiagudo galho de arvore sobre o chão e desistiu de matar o seu algoz. Natuia
concordou com o olhar sobre a decisão do amando e amendoado tudo, ressentiu-se
tacitamente sobre a agressão que prévio impetra.
Para Natuia e Yaol o som aturdido e furioso dos tambores, não lhes soavam bem
aos ouvidos, suas almas estava em umintrépido leito de morte, seus corações pareciam
estar tristes e lamentavam antecipadamente o seu fim cruel.
A trajetoria de suas vidas beirava a um termino que se extinguiria na aldeia
tupinambá, algodeveria ser pensando, articulado e feito. Suas vidas dependiam de certa
eficiência, de certa força, e de um proeminente e rápido ataque.
Aquilo lhe aparentava uma atitude um tanto ríspida ou estupida, mais tudo até
aquele momento já lhe era um ensejo perigoso e iminentemente fugaz. Yaol tinha
muitas dúvidas e preocupações em sua tentativa de ataque a Mitaage, apesar de ter
desistido da proeza minutos atrás, esse desejo de liberdade lhe refutava a mente
novamente, mas a sua defesa e fuga dependiam de um certo grau de assertividade e de
conclusão em seus golpes. Mais definitivamente não o mataria.
A sua amada Natuia com certeza era a mais importante dentre as suas muitas
dúvidas, a vida de sua pequena estava de mãos dadas aos erros e fracassos que talvez
viesseater em sua manobrável defesa.O seu opressor jáos tratava como reféns de uma
morte, há um certo tempo, então a sua sentença já estava confirmada, sem dúvida
alguma, ou eles morreriam na mata emconfronto com Mitaage, ou morreriam na aldeia
depois de um julgamento injusto e cruel.
Algo realmente deveria ser feito e antes que cheguemos a ser apresentados aos
guerreiros da aldeia tupinambá. Yaol pensaria em algo bem planejado para a sua última
defensiva para retira Natuia daquele cheiro de ódio que certamente viria de sua própria
aldeia, grande parte deste ódio que sofreriam, viria do próprio Mitaage, que apesar de
solicito, demonstrou nas últimas horas o quanto seria cruel, e até aquele momento
apenas se mostrou um ótimo opressor, certamente poucos prisioneiros de sua tribo
escapavam de suas garras vorazes.
Ao finalde seu pensamento, Yaolainda não haviafinalizado todas as suas oitivas,
e sem ter fechado outras possibilidades de ofensiva, sua mente planejava algo de
impacto, mas nada devia comprometer a vida e saúde de sua linda Natuia.
O ÍndioEnfeitiçado
55
O ataque a Mitaage não foi uma surpresa, e o início da briga assustou Natuia,
mais ela, também sabia que aquilo era algo necessário, Yaol depois de ter inviabilizado
a opressiva de seu algoz, que os ameaçava com um arco e uma flecha provavelmente
envenenada, começarem uma briga corporal interminavelmente absurda, Mitaage era
maior e mais forte do que Yaol, mais o desejo de salva a sua amada Natuia, era dez mil
vezes mais forte e superior a fragilidade do pequeno índio Yaol, mesmo em
desvantagem, Yaol contou com a sua mente astuciosa e com um pouco de malicia, e
durante a briga intensa, estava ele em uma onerosa relação de vantagem a Mitaage,
certamente a luta estava definida e tudo levava a vitória inevitável de Yaol.
Mas o confronto entre os dois de repente virou de lado, e Mitaage revolvia-se
em recuperação de sua curta perda de forças, foi quando este experiente índio se
desvencilhou das mãos opressoras de Yaol e pegando-o pela garganta, o esganou
lentamente, até levar o jovem e pequeno índio a quase perca de todos os sentidos vitais.
Yaol agora se encontrava perdido, e sua tentativa frustrada de ataque somente o
colocou em um perigo ainda mais eminente e sôfrego.
Aquele dia definitivamente seria o seu fim, e quase sem consciência, viu que o
amor por Natuia seria algo que não poderia ser vivido sobre terra, pois o ódio entres as
tribos, amorte de Paotaki, o rapto de Natuia, a recente guerra sangrentae até a violação
do pacto, tornou o seu amor inviável e improvável.
Ainda asfixiado pelo seu iminente opressor e quase desacordado, Yaol viu uma
luz de salvação que pousava lentamente sobre uma arvore, diante de seus olhos uma
ave sobrenatural imensa, fechou as suas asas sobre a mata densa, ela lhe indicava a
solução para o fim da luta.
Infelizmente ele não conseguia distingui que ave era essa, mas ela tentava lhe
ajuda, não ficou claro e sua mente, se quem ele via era Tycara ou Yutia, mas seja quem
for sinalizou o que ele deveria fazer. Yaol agiu rapidamente e com o rosto voltado para
o chão úmido, seus olhos observaram a esquerda de seu braço estendido na mata, duas
das flechas que caíram do suporte de Mitaage enquanto lutavam, mas a ave
sobrenatural lhe apontava uma outra fecha, exatamente uma terceira flecha que se
encontrava mais próximo ao seu rosto, ela estava enroscada sobre as folhas secas, e
camuflada pela densa mata fechada, não foi percebido por Mitaage.
Yaol não poderia recusa ajuda, e dependendo de que ave sobrenatural lhe
apontou uma saída, ele a usaria naquele momento de terror. A ajuda teria um preço, e
sobre valores ele discutiria depois com a entidade que o socorreu.
Neste momento Yaol viu que sua sorte poderia ter mudado e utilizando as
poucas forças que ainda lhe restavam, pegou por esta última flecha e as transfixou no
ombro de Mitaage,a fecha atravessou o dorso de sua costa,e varou tenuemente o peito
esquerdo de seu inimigo, causando-lhe quase que instantânea a sua morte, aquilo foi
O ÍndioEnfeitiçado
56
sem dúvida alguma um ato de sorte, além de ser um ataque inesperado e também
mortal.
Mitaage expressou um último olhar intranquilo e desacreditado, Yoal viu a vida
o deixar pelos olhos amendoados, suas mãos foram perdendo força e aos poucos, o
pequeno e mirado índio Yaol voltava a respirar, o corpo de seu agressor caiu morto
sobre seu peito, esmagando-o contra o chão, no entanto, era incrível que o ferimento
terrível que o mortificou, foi causado justamente por uma de suas próprias flechas, uma
arma que deveria defende-lo, mas ela apenas causou-lhe a sua própria morte.
Como a vida é intrigante e ingrata, pensava Yaol sobre a própria sorte, minutos
atrás éramos reféns e condenados a morte certa e agora estamos livres. No entanto é
uma pena ter causado a dor e mais uma morte a pessoas que não mereciam morrer, e
ainda com as fechas sobre as mãos relutava os pensamentos impuros que residiam
sobre sua mente, a perfuração certamente causou-lhe um grave ferimento mortal, que
em questão de instante lhe imobilizou encurtando de forma imediata a vida.
Yaol estava sôfrego e cansado, a luta corporal causou-lhe grandes danos, mais só
o fato de ver o seu inimigo desfalecido e vencido, isto já lhe causara muita satisfação,
ele e a sua Natuia podiam refazer o caminho de volta para a aldeia Guajajaras e por lá
espera pelo pior.
Suas condições físicas não eram as melhores, mais ainda assim, conseguiam
reuniu forças para retirar o corpulento Mitaage de cima de si mesmo, ao vira-lo de lado,
Yaol não havia percebido que ambos estavam sobre as beiras de um grande precipício,
aquela era uma formação rochosa inacabada da natureza.
Aquele lugar era usado para contemplação do rei Sol, muitos índios faziam
daquele espaço, um reduto de oração e de contato com Yutia. O corpo de Mitaage
escorregava lentamente para a boca do grande morro, que mesmo sendo impedido de
cair daquele barranco por Yaol, acabou por precipitasse do alto da planície, pois o peso
do corpo de Mitaage, a fragilidade de sua força corporal de Yaol, mais a gravidade do
ângulo em que o corpo estava posicionado, não impediu o acontecimento do que já era
obvio. Ele acabou caindo e rolando até as margens do grande rio tupinambá, ficou preso
sobre uma arvore, provavelmente ficaria inerte sobre amata virgem por alguns dias,até
que alguns índios tupinambás, ao pescarem ou ao usarem o rio para o banho diário, o
encontrariam em avançado estado de decomposição.
Aquilo certamente causaria mais ódio e atrairia uma nova e interminável guerra
entre as tribos tupinambás e guajajaras, o selo da vida estava compilado, e o destino de
Yaol e Natuia estavam novamente nas mãos de Tycara e Yutia.
O ÍndioEnfeitiçado
57
Yaol tinha pressa e não perderia tempo em tira Natuia dos limites territoriais da
tribo tupinambá, Yaol a pegou pelo colo, a beijou fortemente em seus lábios e a
carregou por outras trilhas que seriam completamente desconhecidas até para ele
mesmo, mas seu amor o levaria em direção a aldeia Guajajaras, disto ele tinha certeza,
afinal, se não fosse assim, por que a grande ave sobrenatural, havia o ajudado contra
Mitaage.
Minutos depois, a floresta se fechava sobre os seus corpos pequenos, e logo que
se passaram algumas horas de caminhada, o ritmo do índio Yaol diminuía
inevitavelmente, o que protelava em demasia, um cansaço natural em seu ânimo.
Depois de alguns minutos Yaol finalmente parou a caminhada, colocou a sua amada
Natuia sobre uma folha de uma bananeira e caiu desfalecido ao lada dela.
Natuia mesmo adoentada foi ao socorro de seu príncipe de penas e tinta,
observou que Mitaage não foi o único a sofre golpes mortais, uma outra ponta de lança,
também gravava o corpo de Yaol, ele foi ferido ainda de forma severa, provavelmente
isto deve ter acontecido durante a luta corporal, ambos travavam golpes entre, e no
auge do calor da briga, talvez Yaol nem tenha sentido o empuxo da lamina de pedra que
o atingiu.
Natuia sabia que a caminhada devia ser interrompida, e que Yaol precisava
passar por cuidados sérios de saúde, ou do contrário, não viveria até o anoitecer, a índia
astuta resolveu arrasta-lo até um lugarque ambos já conheciam, eque não estavamuito
longe deles, era a velha gruta da cachoeira que antes serviu como um ninho de amor, e
agora poderia salva a vida de seu amado.
Após ter retirado a ponta de flecha e de ter limpo o local do ferimento, Natuia
reuniu as suas poucas energias para procura relvas e plantas que pudesse curar e fecha
os furos profundos feitos por Mitaage no corpo de Yaol, ela também aproveitaria para
procura relvas que lhe curariam do mal que atacava lentamente o seu corpo. Alimento
e água também foram observados por Natuia, que também os trouxe para dentro da
gruta, isto era necessário para os manterem vivos por dois ou três dias, esta era uma
medida temporária, pois ambos deveriam permanecer escondidos e bem protegidos de
seus futuros algoz.
Afinal, quando os índios tupinambás encarregados pela caça, pesca e coleta
diária, ao encontrarem o corpo de Mitaage próximo a beira do rio e naquelas condições,
eles imediatamente mobilizaram buscas incansáveis pelo assassino de seu companheiro
de aldeia.
Neste aspecto, um breve momento de reclusão é o melhor a ser feito, o ideal é
que fiquemos escondido aqui nesta gruta, pois ao ficarmos expostos a mata densa e
entregues a luz da lua e do sol, ainda completamente, fragilizados, sobressaltados e
sôfregos, seriamos presas fáceis aos guerreiros. A floresta úmida e fechada também nos
O ÍndioEnfeitiçado
58
entregaria com solenidade, muito devido aos sons que a bicharada fariadurante o nosso
trajeto.
Depois daquela noite, embora Yaol tenha sofrido bastante com as febres e as
dores de um início de hemorragia interna, tudo havia acabado bem naquela manhã de
outono, as plantas e as raízes que Natuia tinha coletado, agiram perfeitamente no
controle das enfermidades, e até as suas fortes dores abdominais, jaziam com certas
normalidades em seu corpo pequeno, ambos se sentiam muito bem, e as pernas já
tinham a forças necessárias para fugirem dos perímetros habitados pelos tupinambás.
Até aquela ocasião, já havia se passado algumas horas do princípio da manhã,
Natuia porém, planejava fica dois ou três dias inteiros até que os ânimos na sua aldeia
baixasse as temperaturas, muito do esforço e da decisão da pequena salvou os dois de
uma perseguição implacável, Natuia ao preferir ficar escondida na gruta, ganhou tempo
para ficar curada e forte, o mesmo podia ser atribuído a Yaol, aquelas atitudes
resolveram em parte, alguns de seus piores problemas, agora ambos pensavam em
como sairiam sem ser vistos pelos caçadores tupinambás, Natuia revelou a Yaol que os
guerreiros tupinambás, são ótimos rastreadores, e neste aspecto, não importa para
onde se caminhe, eles no fim de tudo, acabaram por nos acharem.
Natuia falava estas palavras com uma convicção tênue, Yaol também sabia das
artes do rastreamento, pois a sua tribo compactuava dos mesmos ensinamentos e das
práticas milenares, pois ambas as tribos, receberam os conhecimentos ancestrais em
tempos próximos e remotos, tudo levava a crer que os mesmos deuses que moravam
nas estrelas e que visitavam os tupinambás, eram os mesmo que acompanharam os
povos de seu avó guajajaras, foram eles, os mesmo deuses dos tupis, que repassaram
estes ensinamentos, assim como outros conhecimentos importantes, e todos foram
repassados a seu povo em inúmeras visitas e em vários tempos diversos, tudo isto foi
feito ainda na antiguidade.
Isto foi ensinado a seu povo a milhares de anos, um conhecimento que era
passado desde a terra remota, até a terra idealizada por aqueles que faziam morada nas
estrelas, tudo o que era feito entre as estrelas dos céus, foi devidamente copiado para
a terra, e isto foi repetidamente aparelhado até que fossem concluídos como o
planejado. Isto foi possível aos que viviam na terra enquanto se formava os primeiros
seres vivos.
Quando os deuses vieram morar aqui na terra, muitos conhecimentos foram
difundidos e repassados aos nossos povos. Os nossos antepassados sempre nos enchiam
de conhecimentos e práticas, e mesmo quando alguns de nós, éramos convidados para
visitar os deuses em sua morada, algumas delas acima das estrelas que existiam entre
as nossas estrelas.
O ÍndioEnfeitiçado
59
Quando voltávamos das estrelas,os conhecimentos adquiridos e recebidos eram
a nossa contrapartidas para transformamos o nosso espaço geográfico, e como eles
viviam entre o trajeto percorrido da terra até as estrelas, e das estrelas até a terra,
geralmente tínhamos que acompanha-los, alguns voltavam, outros não, mas
contidamente, éramos as vezes convidados a sermos engolidos pelos seus pássaros de
ferros que cuspiam fogo, e neles voávamos da terra até a morada deles nas estrelas, e
fazíamos isso repetidas vezes, até que seu proposito se findassem.
Eles nos davam conhecimento, alguns objeto e construções, e nós retribuíamos
com as pedras amarelados e brilhantes que eles nos pediam para extrair da terra. Vez e
outra, um outro pássaro de ferro bem maior do que a nossa aldeia, acho que vinte vezes
maior, pousava sobre o rio e o secava momentaneamente, o liquido entrava na ave de
ferro e era lavada para a sua terra nos céus. Era desta forma que compartilhávamos de
suas dadivas e de seus proventos, e assimcontinuamos por séculos até que eles foram
embora e nunca mais voltaram.
Tudo isso se viabilizava pelo contato próximo que tínhamos com a morada dos
deuses, algumas das construções que eles ergueram aqui na terra, muitas se pareciam
com o que ele possuíam nos céus, também se vivia aqui na terra, muito das benesses
que eles usufruíam em sua terra natal, alguns dos índios viajantes do pássaro de ferro,
relatavam que muito do que se tinha aqui na terra, era algo parecido com o que se tinha
nos céus, os povos que viviam nas estrelas não ensinariam mais coisas aos Tupinambás
do que aos Guajajaras, ou construiriam mais daquelas coisas de pedras do que fariama
outros povos e disto Yaol sabia, pois todas as histórias do seu povo, eram praticamente
iguais ao povo de Natuia, uma coisa ou outra os diferenciava, mais sobretudo, eram
povos quase iguais, com histórias e deuses, completamente iguais.
Yaol tinha rápida certeza que esconderia os seus passos do inimigo enquanto
caminhassem dentro da mata, seu avó o ensinará a fazer isto, ele recordava-se pouco
das lições ensinadas pelo velho, mais sabia o que deveria fazer, pelo menos o bastante
para sumir da vista de seus inimigos, emtempos de guerra tribal, Yaol viu muitos guajás
utilizarem esta técnica para escapar de seus inimigos triviais, isto muitas vezes era o
mais sensato e necessário a se fazer em tempos de fortes agressões vizinhas a sua tribo
e neste entendimento, Yaol tinha a seguridade que eles nunca seriam achados.
Agora Yaol tinha esta única preocupação, mais pelo menos não tinham, mais
Mitaage como seu carrasco e opressor, e estando livres, tinham uma chance de
recomeçar a vida do zero, e esta nova oportunidade não seria desperdiçada, eles
lutariam até o fim pelo o seu amor.
O ÍndioEnfeitiçado
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Uma Fuga de Amor mal planejada....
A noite começava a cair, a lua enfim reinava sozinha no seu límpido, hoje
inusitadamente não havia estrelas, somente o brilho gigantesco da lua, que
ocasionalmente possuía um lumiar equilibradamente inédito e novo, aquele seu brilho
nunca fora visto antes por Yaol,suacoloração oscilavaentre um vermelho fogo, amarelo
ouro, e uma cor branca igual a espuma do mar.
O mar era um sonho que Yaol viu apenas uma vez na vida, e como o viu ainda
infante, quase não tinha recordações de seu imenso esplendor, o vai e vem das ondas
era algo que ainda reinava em sua pouca lembrança de menino, mais o gosto do sal em
seu rosto e na sua língua, era algo totalmente inesquecível.
Enquanto caminhavam Yaol teve uma súbita mudança em seus planos iniciais de
fuga, e resolveu mudar abruptamente a sua linha de trajetória, a sua rota agora era
delineado pelo sonho que tivera na noite anterior, seu instinto agora conduzia a sua
rota, neste instante, pegou Natuia pelos braços e irrompeu caminho em direção ao rio
Tupinambá, depois que chegasse ao rio, atravessariam e seguiriam rumo ao mar.
À primeira vista Natuia achou aquela ideia um pouco precipitada e um tanto
desmedida, isto a assustou de verdade, o mar era para ela um demônio que a tudo
tragava, e que tudo engolia,levando tudo o que viviasobre elepara o fundo de seulargo
e eterno leito de águas azul escuro.
Natuia ainda não conhecia o mar, mas apenas as histórias que contavam sobre
ele, é claro que os rios, lagos e as pequenas porções de terras que circundavam a aldeia
Tupinambá era todo o mundo que ela conhecia, além é claro das terras e do rio Guajá
que ainda a alguns meses o conheceu com Yaol.
Yaol pediu que a amada confiasse em seu guerreiro amado, pois ele nunca a
desapontaria, e jamais a colocaria em perigo, além do mais, eles não morariam sobre o
mar, mas residiriam em uma das muitas terras antes dele, lugar aonde poderiam
construir a sua oca, coleta frutos exóticos e pescar peixes muito diferentes em suas
águas salgadas, peixes estes que nunca veriam em um rio de água doce.
Esta objetividade em mudar de trajeto, também traria a eles uma outra boa
objeção, depois que eles atravessassemorio, ficaria impossível aos tupinambás rastreá-
los até o mar, e neste entendimento ficaríamos livres da incompreensão, da fúria e do
ódio de nossos povos, viveríamos o nosso amor sem a intervenção de seus estupidos
julgamentos.
O ÍndioEnfeitiçado
61
Natuia finalmente depois de um longo e dolorido sofrimento, voltava a sorriu,
sentiu que enfim viveria o seu amor com Yaol, e que a felicidade tinha no final de tudo,
voltado ao seu lugar de origem, a sua terra natal, ao seu coração de menina, que em
breve queria viver uma vida de mulher, e de ser mulher do índio Yaol.
Agora faltava pouco para atravessarem o rio, Yaol já ouvia o som trepido e
soluçante do grande rio tupinambá em sua enorme majestade, as corredeiras batidas
de suas águas estavam próximas e até o cheiro incomum da terra molhada entupia de
forma feliz as suas narinas finas.
No entanto o seu ouvido extremamente atinado também ouviu outro som
atípico incongruente sobre a mata, seu ímpeto foi rápido e forte, e inusitadamente se
pôs de joelhos sobre o chão com os ouvidos colados a terra fria, ouviu um caminhar
nitidamente diferenciado, continuo, acelerado, pujante e bastante enumerado.
Yaol desconfiava que os tupinambás haviam enfim lhe rastreado, isto
demonstrou que o seu ato engenhoso de tentar camuflar os vestígios de suas pegadas,
não logrou êxito, pelo contrário, seu rastro os levou até as bordas do rio que planejava
ser atravessado, ele fechou o semblante e olhando dentro dos olhos de Natuia, sorriu
fragilmente e disse-lhe, fomos descobertos, neste sentido, os tupinambás não estavam
tão longe de sua atual localização, Yaol de forma ofegante, pedia para que Natuia
apressasse os passos, pois os tupinambás haviam lhes achado, e uma vez descobertos,
seriam alvo fáceis para as flechas inimigas, instantes depois o som da marcha íngreme
dos guerreiros alteava-se a cada quatro pés em sua direção, e o coro cantado dos índios
tupinambás aumentava conforme avançavam, o coração de Yaol apertava-se contraído
as paredes de seu peito, imaginando o desfecho que aquele jogo lhe traria.
Depois de transpassarem um grande jatobá, o rio emergiu gigante e majestoso
sobre as suas frontes, os passos de Yaol agora galopavam e davam um compasso ainda
maior para contra os de Natuia, que naquele instante quase não o acompanhava de tão
demasiadamente célere e frenético, que estavam em seu intuito.
Seus pés enfim tocaram as águas do rio tupinambá, sua luta contra a correnteza
forte do rio não os impedia de continuar brigando pela liberdade e pelos seus amores,
o desejo era sublime, mas nem os braços seguros de Yaol, conteriam a ira implacável
dos fortes guerreiros tupinambás, pois uma surpresa insegura e previsível já os impedia
de continuar em seu objetivo tênue.
Um grupo de índios guerreiros já nos esperava em uma margem a cima do rio,
todos estavamem pé ou deitados sobre as grandes pedras que dividiam o grande rio, a
maioria deles já nos apontavam suas inúmeras e impressionantes flechas
alongadíssimas, todas elas estavam mirantes em nossa direção, um assobio discreto,
curto e fino, mas também audível, comunicava um alerta de ensejos e de advertências,
indicando que já estávamos cercados, outros índios já nos envolvia por trás das arvores,
O ÍndioEnfeitiçado
62
outros caminhavam sobre as águas do rio, nos impedido de retroceder, outros ainda, já
sependuravam nas arvores e nos cipós,enquanto outros diversos, jános assinalavacom
as suas lanças compridas, um outro grupo de 15 a 20 índios, sorridentemente nós
recepcionava com destreza e desprezo, outros alguns nós denunciavam com o bico da
boca, alertando outros índios que jaziam perto do rio caudaloso, que nos
aproximávamos aos cílios da margem, repetidamente uma alegria dúbia esterilizou-se
entre todos os índios, e uma histeria cantada em vários dialetos diferentes nos
assustava, os minutos seguintes nos prove-o uma certa desorientação geográfica, e
nitidamente o medo nos revolveu a flor da pele, a vista ficou turva momentaneamente,
e quando levantei o rosto para o sol, localizeino alto do morro Tycara,o enorme exército
tupinambá, que armado e enfurecido até os dentes, sangravam-se pelas pupilas todo o
seu ódio.
Aquele era o nosso fim, estávamos cercados, e com medo, mas isto não era tudo,
o grande guerreiro tupinambá Mitaage, que a três noites, deveria estar no outro lado
da vida, nos braços quentes de Thuthukaia, apareceu vivo e forte a frente dos guerreiros
tupinambás, ele não parecia tão morto, pelo contrário, mesmo aparentando está
debilitado, frágil e exausto, sorriu em minha direção como a um verdadeiro fantasma,
um demônio vivo reencarnado na terra, sua expressão de ódio nos mortificou com um
frio violento e ameaçador.
Minutos depois, Mitaage gritava com a força de seus pulmões, palavras
inaudíveis e não compreensíveis, mais os incentivos eram uma comunicação de ódio, e
todas as palavras remetia-se a inflamar ainda mais os corações dos demais amigos
guerreiro Tupinambás, em um tom mais ameno ele recitava altivos agressivos aos tupis,
ao passo que Natuia traduzia-me com uma expressão de terror em sua fala.....
Mitaage – Yaol..... seu contraventor e enganador..... Hoje..... Vou pessoalmente
comer o seu coração em nossa cerimonia sagrada.... Garanto a você..... Que tu.... Nunca
mais verás o sol novamente..... Seu Guajá maldito...... dispersa-se de sua Natuia e da
face da terra...... pois você morrera hoje em nossa fogueira.......
Natuia ao terminar a tradução para Yaol, caia desanimada sobre os pés do rio
tupinambá, o seu coração estava sobre leito de morte, sua mente jazia aos prantos e
chorando milhões de gotas doces, suas lagrimas afetuosas e frágeis umidificavamo solo
secoda floresta impávida, suatristeza aguava o chão, como o mar inundava a praia, suas
lagrimas pareciam tormentas d’águas em uma cachoeira no verão, sua tristeza era
igualmente a água da chuva, que rapidamente se juntam trilhões de gotas d´água que
correm para o rio em questão de instantes.
Minutos depois os seus olhos tênues e pequeninos se desmancharam como a
muitas nuvens claras que sobreiam a sua aldeia, e assimcomo as chuvas que molham
as terras secas no verão, seu corpo nunca ficou tão despedaço, diante de tanta tristeza
O ÍndioEnfeitiçado
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por não ver neste acontecimento uma luz robusta que laminasse o imenso espaço
escuro de seu coração.
Os índios tupinambás comemoravam muito o seu incrível feito, e ao cerca-los,
todos se regozijavam muito pela captura dos desonrosos, Mitaage dava as ordens
necessárias para o massacre iminente de seus inimigos, paus e cipós erram arrancadas
da mata, e sequencialmente a isto, eles os amarravam como a bichos ou a animais de
caça, e pendurando-os pelas mãos e pernas, faziam o caminho de volta até aldeia
Tupinambá.
O chefe da aldeia ficaria contente com o novo presente que receberia, e junto a
isto uma vingança e retratação seria enfim julgada pela tribo, pois o pior algoz dos
tupinambás, fora capturado vivo, e o sangue derramado de seu amigo Paotaki, será em
fim vingado.
Os índios tupinambás caminhavam com certa urgência pela mata, seus passos
freneticamente marchados, associados conjuntamente ao barulho dos tambores que
tamborilavam festivamente, assinalava que a aldeia conjurada como inimiga de seu
povo, causar-lhe-ia agora doloridas lembranças em yaol. Somados a isto um fino grito
de guerra era anunciado pelos guerreiros, aquele som horrível e odioso, davam luz ao
grau de severidade que se propagava ao futuro dos dois jovens índios.
O ódio parecia um norte que não teria volta e ensejo a discursões, até porque o
fator complicador estava amarado e pendurado a uma estaca, como a um porco da
mata, que logo seria servido como jantar em uma típica e honrosa comemoração, tanto
Yaol, como Natuia, estavam inteiramente envolvidos, ambos até então, haviam
descumprido um acordo tribal, que decidido em um conselho de líderes guerreiros,
sacramentou uma paz que não devia ser quebrada, tal acordo foi pessoalmente
oficializado na presença do próprio Yutia, e isto não seria perdoável.
Neste aspecto, ambos deveriam ser aprisionados, castigados, julgados e depois
punidos, em regra a punição para tais atos graves na tribo tupinambá era uma
condenação à morte. Mas Mitaage o mais cruel guerreiro da tribo, não ficaria infeliz em
fazer isto, ele próprio daria cabo dos dois odiosos desordeiros.
A noite do cerimonial de passagem que se iniciou a alguns dias, seria um ótimo
momento para se aplicar algo com tamanha crueldade, e como a gravidade das
acusações envolviamvários crimes contra guerreiros e índios tupinambás, isso não seria
difícil de se prover na aldeia um clima doloroso e de peso de consciência aos cidadãos,
pelo contrário, a morte de Paotaki, o quase assassinato do próprio Mitaage, o
envolvimento de uma índia tupi com um índio guaja, e a quebra de um acordo de paz,
seria um prato cheio para qualquer julgamento cruel. Mitaage um dos líderes dos
guerreiros saberia aproveitar certamente está ocasião.
O ÍndioEnfeitiçado
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Yaol ao ver o clarão no meio da mata ficou com o coração novamente aflito, e
ao voltar a ouvir o rufla dos tambores, sentiu-se ainda mais desesperado, sua alma
estava em um eterno pranto de morte. O peito ofegante, já lhe dava indícios sérios de
um princípio ataque cardíaco, algo eminentemente doloroso se aproximava dos dois
jovens e Yaol ao pensar em Natuia, sentia que desta vez iria realmente perde-la, e desta
vez seria para o todo sempre.
A entrada na aldeia Tupinambá não foi nada agradável, éramos hostilizados com
uma energia terrível, muitos nos olhavam como a verdadeiros monstros e alguns
aldeãos mesmo em uma passiva festividade, nos agredia atirando comida, bebida e
outros objetos, a fogueira planava majestosa em suas chamas absurdamente altas,
outras pequenas fogueiras, assavamalguns animais de pequeno porte e vários peixes,
comida que seria consumida durante o cerimonial.
Fomos colocados no meio da aldeia e pendurados como comida fresca em
suportes improvisados, ficando suspensos em uma posição horizontal, vários índios
dançavam e bebiam em comemoração a Yutia, que foi o ser celestial, que primeiro
salvou a tribo Tupinambá de uma enorme epidemia, enviada por Tycara, uma doença
invisível tão forte, que praticamente instalou a própria morte no meio da aldeia
tupinambá, na época esta doença dizimou sozinha, mais da metade da tribo, e isso foi a
exatamente dois séculos atrás, mais ninguém esquecia do feiro de Yutia. Ninguém
esquecia do dia em que a grande ave, salvou a aldeia desta grande peste.
Tycara é uma ave demônio, deusa da morte, muito temida pelos Tupinambas,
mais também ela é muito temida pelo Guajajarás, que também tem em Yutia, um
pássaro encantado, que cuida dos indígenas, ele é como um libertador, um salvador de
povos que vivem nas florestas, é ele que sempre enfrenta e derrota Tycara.
E por isso os tupinambás veneram tanto a ave deus Yutia.... Sem ele o povo
morreria de fome, morreria de sede, e doenças gravíssimas aniquilaria o seu povo e os
rios e peixes, assimcomo todos os animais, deixariam a vida na terra, todas as arvores
secariam e as biqueiras d’água agonizariam em seus leitos de areia e pedras. Yutia era
sim nosso protetor e amigo.
O ÍndioEnfeitiçado
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Um dia Interminável na Aldeia Tupinambá....
Na aldeia tupinambá, um cerimonial ritualístico começava a torna cinza a noite
do quinto dia da semana, as fogueiras acesas incendiavamas festividades que chegavam
com o brilho do pequeno astro solto nos céus, aquelas danças que socavam o chão
morno, não era uma comemoração comum, ou um rito solene de inverno, ou apenas
uma festa ordinária.
Os céus estavam com um colorido diferente, o brilho dos olhos de meus irmãos
estavam aperolados, a noite esta vermelha, e a copa das arvores jaziam sobre o clarão
cinzas das fogueiras, uma nuvem de fumaça, aquela era uma noite em que uma lua de
sangue se fez presente nos céus, e a sua forma, parecia dobra de tamanho nos céus,
geralmente muitas comemorações duravam de duas a três semanas, mas esta
festividade em particular era efêmera e frenesi, alguns índios mais habituados, e com
vivencias mais ativas aquele evento, diziam que tais cantos e festas faziam parte de um
culto antigo, e tudo tinha referências a Yutia, uma ave encantada que desde a
antiguidade protegia o povo que mora nas florestas.
Ancestralmente, mas não conjuntamente, estas práticas milenares, costumou-se
ter as suas realizações, entre os índios mais velhos e mais sábios da tribo, as reuniões e
as festividades do ritual de passagem, com as festas a Yutia, começaram a intercambia
um processo de mudança de fases, principalmente as que elevavam o espirito jovem
das crianças para um estado biológico prematuro, que estabelecia uma relação entre
ser uma criança e ser um adulto, esta cerimônia configurasse como um processo que
dar poder a criança indígena para superar problemas na sua fase adulta.
Isto era feito em duas ocasiões, a primeira quando crianças, se dava no estágio
curto, pois as almas destes pequenos, estavam a pouco tempo na terra, e como tinham
acabado de virem do plano celeste, suas almas recentemente abertas ao plano terreno,
ficaria exposto ao plano etéreo, facilitando assimo contato com o criador de todas as
coisas, todos Índios acreditam que a energia da divindade que nos criaram, ainda
estavam presentes e latentes nos pequenos.
A segunda ocasião, estava nos rituais eleitos para os anciões, e aqui estava o
efeito contrário destas reuniões, pois acreditassemque estes senis,estãomais próximos
de abandonar a terra, e logo estarão no plano etéreo, e, portanto, mais próximo do
criador.
Estes dois rituais de passagem,tinhacomo vinculo, tentar uma comunicação com
o sagrado, com o divino, como o todo poderoso, com o criado de todos os indígenas e
de tudo o que é vivo na terra.
O ÍndioEnfeitiçado
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Esta comemoração ritualística, apesar de ser muito antiga em várias aldeias
indígenas, também é uma festa de cunho cerimonial que sempre floresceu no meio de
aldeias Tupi-guaranis, cujo povo irmão os Ynamabares, foram os primeiros a realizarem
estas festividades. Os responsáveis pela origemdos rituais de passagem também foram
os primeiros povos a habitarem aquelas terras.
Os Yanomames foram os povos que deram origem a todos os demais povos que
primeiramente residiram estas matas, Yutia os criou a parti da nascente do amazonas,
todos os outros povos então ao se desmembrarem em outras pequenas facções,
formaram grupos maiores, até virarem aldeias gigantescas, como a dos tupinambás,
Yanamabares e outros povos.
Os Guaitacazes também se estalaramsobre o braço do rio gigantesco e em meio
tantos moradores ilustres, também habitavam a muitos séculos os grandes Guajajaras,
este povo, sempre foi identificado como sol que inicia a manhã, e são deles a expressão
de que a felicidade só é boa quando compartilhada.
Estas manifestações grupais originam-se exatamente durantes estas festividades
anuais, chamadas de festas vermelhas, comemorações típicas iniciadas pelos
Yanamabares, que sempre durante o mesmo luar, e sobre a mesma grande pedra,
realizavam a sua grande festa sagrada de Yutia.
Esta festa podia ser vista e comtemplada todos os anos no mesmo local e na
mesma data, e sempre do alto da montanha Anuatijuca, onde podiam ser vistos, vários
homens carregavam todo tipo de troncos de arvores, pedras enormes e até animais
vivos, eles usavam as costas como apoio, e ao demonstrarem o quanto eram bravos
guerreiros, suas plantações, caças e coletas, deveriam se multiplica e frutifica o ano
inteiro, Yutia deveria abençoa-los pessoalmente sobre aquela madrugada festiva e
assim se confirmava. Estas festanças, sempre comemoravam também a dupla
reverencia que o povo aludia a grande lua vermelha.
Durante estas semanas de comemorações muitos índios eram vistos comas suas
vastas pinturas corporais, penas ornamentais, e caças extravagantes sobre os ombros,
tudo era feito para agradecer a Yutia, também se via uma grande fogueira vertical, aliais
é estaenorme fogueira que anuncia aos aldeãos de todas as partes que estavamabertas
o início das comemorações.
O ritual de passagemda vida infantil, para a vida adulta dos índios é também em
grande parte relacionadas plano etéreo, e ao criador de todas as coisas, que através do
seu enorme poder que envolve a facilidade de destruir e de construir tudo em sua volta,
sempre ajudou os índios neste aspecto da vida, delineando a limitada evolução do
movimento cíclico do universo, fazendo da locomoção das estrelas, um recomeço para
vida eterna dos índios, esta perspectiva era exatamente vinculada com a força que se
estabeleceu entre os povos indígenas e os grandes Deuses, que ao continuarem o
O ÍndioEnfeitiçado
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caminho da evolução, se tornaram guia de sua própria jornada, isto os alicerçou na
construção de uma identidade, relacionando-os com a mãe terra, e reafirmando-os a
um estado mais completo de harmonia e equilíbrio entre os que desejamou queriam o
desejo de serem iguais a eles no universo paralelo, como os deuses o eram no início da
criação.
Muitos tupinambás, assim como outros povos indígenas, têm esta ave
sobrenatural como graça e fortaleza, os antigos afirmam que Yutia, é uma antiga estrela
celeste,e como algumas estrelas do céu se apagam, Yutia deixou de ser um astro celeste
para reencarna-se em forma de pássaro para proteger o nosso povo, é por isso que não
se ver mais o brilho da estrela aonde ele residia, pois ela se apagou para poder residir
na terra.
Yutia pertence a uma constelação uniforme do sistema interestelar, por bilhões
de anos viveu solitária,mas hoje a suaespécieseespalhou pelo cosmo, como o seu povo
é algo único e diferente, seus predomínios e conquistas não tiveram resistências de
outras civilizações, muitos índios dizem que no passado, esta ave antiga havia vindo do
alto dos céus, sobre a constela que fica atrás das três estrelas que ficam enfileiradas no
céu, mas hoje nosso povo sabe que a sua constelação fica atrás do nosso grande sol.
Quando Yutia emergiu de sua morada, viu que a navegação entre a sua estrela
até a terra, era algo necessário e proeminente. E querendo fazer residência junto a
nosso povo, teve em seu intento a benesse de compartilhar o seu conhecimento para
ajudar a nossa aldeia.
Quando nos viu aqui sozinhos e perdidos, quis nos proteger e nos fazer
companhia sobre a terra. E instigado sobre o quer éramos, como vivíamos e por que
estávamos aqui, quis também se entender como forma de vida celeste e viu em nossas
mazelas as mesmas perguntas que ele mesmo tinha sobre si, muitas dessas perguntas
sobre o que é a vida, tanto Yutia como o povo indígena, também os tinha como
questionamento holístico.
Quanto ao seu antigo lar, a ave sobrenatural, relatava que era um lugar solitário,
sombrio e inerte, quanto nos viu aqui, sobre este planeta, ele via movimento, vida e
biodiversidades para interagir. E desta forma entendendo os povos desta constelação
distante, quis morar com os indígenas deste lado da terra.
Após estes dias de festa e de muita comemoração a chegada de Yutia na terra, a
aldeia tupinambá se preparava para comemora um outro ritual de passagem, algo que
os lembrava de outras passagens da vida, aquele dia era algo diferente, o
acompanhamento de forma literal de seus novos membros adultos, passaria por
anormalidades sobrenaturais.
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Aquilo iria definir quais rumos a tribo iria tomar ao longo de seu percurso de vida
tribal, outro fator muito importante para a tribo, era o que simbolizava a tramitação
para a vida adulta, vários eram os testes de sobrevivência aplicados no interior da
floresta, alguns índios, após submeterem-se a duras caminhadas, e a muitos dias mata
a dentro, eram propositalmente largados a própria sorte, e estando sozinhos e em
qualquer lugar ermo, deveriam volta para as suas casas comalgopara comer ealimentar
as suas famílias.
Muitos dos pequenos índios conseguiram voltar para as ocas, alguns triunfaram
grandemente, outros fracassaram desgraçadamente, um ou dois índios traziam caças
tão grandes que mal podiam transporta, outros poucos, carregavam sobre os ombros,
uma caça tão ínfima, tão leve e magra que nem dava para alimentar as suas próprias
lombrigas, outros, no entanto, não traziam absolutamente nada, mal conseguiam falar,
caminhar ou ter folego para respirar.
A fome os corroía, era um mal indomável, e as suas mentes exauridas, os
deformava de tal maneira, que até os bichos selvagens que habitava as matas, se
recusavam a ataca-los.
A rainhas das águas sorriam e debochavam daqueles pobres vermes, os peixes
bailavam um som demoníaco sobre o corpo cansados dos jovens. Aquilo era um terror
a parte provocado pela floresta, um mau que os traia e os sucumbiam ao desejo da
própria morte.
Outros infelizmente, não retornavam para as suas famílias, a floresta insana e
voraz, guardava em parte de suas matas um mau tão terrível, que muitos jamais
retornariam para conta as histórias que viveram. Em algumas localidades haviam
belezas extremas, solidarias e ao amparo da paz, mais poucas outras, abrigava-se as
raízes e o início do próprio mau que existia sobre a terra. Um mau tão cruel, que a
própria floresta os bania do convívio com os outros seres vivos e não vivos.
Muitos índios não conheciam estaparte que habita o mau, o lagoMufua abrigava
um ser cruel e malvada, quando zangada engolia os distraídos, os arrogantes e os mais
fracos, estes últimos jamais eram vistos com vida sobre a aldeia.
Durante estes dias, o sol teimava em brilhar ameno e frio sobre a aldeia, estes
dias eram chamados pelos índios de o retorno dos novos adultos. Para os que chegavam,
um som de tambor alegre se abria em ocas que jaziam a sua família em espera, para
quem não retornava, um choro fino e tenaz, fechava o termino de espera em suas ocas,
outros índios permaneciam com as ocas abertas até que seu filho em teste, voltasse da
floresta, muitos ficavammeses eaté anos esperando pelavolta de seus filhos, que nunca
voltavam.
O ÍndioEnfeitiçado
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Estas receptividades, no entanto, sempre eram interrompidas e intercaladas
pelo o cacique da aldeia,que ao saber de uma notícia que até então não era aceitacomo
verdade, ao ser confirmada, tornava-se acessível e acolhida pelo grupo de anciões.
Quem voltava era festejado, quem ficava retido pela floresta era rejeitado e
assimdeveria permanecer as tradições, ninguém da aldeia era autorizado a resgatar os
que se foram e ficaram perdidos na grande mãe floresta, pois se não retornaram, era
por que a floresta não os queria na aldeia, e neste entendimento, devimos respeito a
natureza, aqueles que estavam perdidos, seriam parte da mata e a mata não os
libertaria.
Quando se passou o tempo de retorno, um grande aglomerado de chefes tribais
se reuniu em conclamação, os anciões juntavam-se a beira das cinzas da grande
fogueira, a anunciavam o fim dos testes. No entanto, a reunião tinha outros motivos
para conversa e discutir. Uma violação grave estava sendo denunciada e comunicada as
lideranças do povo tupinambá, algo muito ruim surgia das mãos dos guerreiros, e em
breve um novo ritual da tribal, deveria reuni-los sobre outra grande fogueira.
As comemorações dos que voltavam ao teste da floresta, teriam as suas cortinas
suspensas temporariamente, a aldeia permaneceu vazia por três dias e duas noites
inteiras, o motivo era uma caçar de violação, e isto mobilizou todos os fortes guerreiros
de seu povo.
Minutos depois aampla aldeiaficou cheiae movimentada pelos fortes guerreiros
que retornava da grande caçada. Um índio estrangeiro era trago pelo seu colar de
sementes, e jogado aos pés dos anciões, aquele prisioneiro era o índio chamado Yaol,
elefoi pego nabeira do rio tupinambá coma índia fugitivae traidora de seu povo Natuia,
eles foram pegos em uma ritmada caminha sobre o sol do meio dia. Os dois
provavelmente planejavam atravessa o rio e deveriam caminhar rente em direção ao
grande mar azul.
A ira aflorada no rosto de Mitaagee aincompreensão do que sevia no semblante
do cacique, apenas denunciava que algo de muito grave ocorreu nas terras tupis.
Geralmente estas caçadas manifestavam-se ou por traição, desordem, descrença ou
desrespeitos as tradições, ou por desvio inadequado e flagrante delito de conjunção
carnal com membros de fora da aldeia.
A índia em questão, presa por Mitaage seria dada como noiva ao índio vencedor
do cerimonial ritualístico, o noivo de Natuia seria aquele que primeiro retornasse da
fúria que a floresta implementava contra aqueles que a desafiava.
A grande jornada de retorno dos novos adultos durante o cerimonial de
passagem era algo muito respeitada e abundantemente venerada por todos os
tupinambás.
O ÍndioEnfeitiçado
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Quando os crimes foram relatados ao cacique, uma comunicação interna foi
repassada aos anciões. Um movimento atípico os mantiveram atônitos e incrédulos,
aquilo simplesmente era algo profano e desonroso. Aquele ato foi algo ultrajante, esta
violação deve ser imediatamente comunicada ao pajé da tribo, o rigoroso katoa deve
sabe do que houve dentro dos perímetros da aldeia, minutos depois ao identificarem a
verdade dos fatos, não se tinha outra saída, a não ser atribuir uma sentença severa ao
jovem casal.
O conselho de anciões, já se encontrava reunido, e até aquele momento, muito
havia sido discutido e conversado, a fumaça subia até o alto dos céus, e acesa sobre o
chão firme e queimando como uma fornalha enlouquecida, uma nova fogueira era
erguida, ela habilmente seriao alimento em chamas das muitas rodas de discursões que
seriam abertas sobre aquele caso.
Após ser acesasobre madeira nova, e queimando folhas ainda verdes ecom seiva
ainda no talo, o julgamento trilhava por um caminho vil e biltre que não tinha volta, e
pelo conteúdo da conversa, tudo seria cultivado, com muita dor, crueldade e sem
nenhum espaço para piedades ou culpas. O acertado sobre o assunto já estava traçado,
e até aquele instante, o veredito para poder punir os infratores, deveria sair a qualquer
momento daquela reunião.
Os mais curiosos levavam de ouvido a ouvido todas as possíveis decisões que
iam sendo costuradas pelos anciões, fatos não confirmados que logo se espalhavam e
semultiplicavam, semqualquer conclusão, aaldeiainteira esperava, mas ninguém sabia
do resultado final.
Alguns acreditavam no obvio, ele deveria ser entregue ao rio amazonas, que o
devoraria rapidamente em suas águas escuras e traiçoeiras, esta seria a punição mais
justa e ainda mais terrível para casos desta natureza.
Ainda podia se pensar em um forte feitiço tupi, que atribuído as duras tradições
dos mais antigos, deveria ser feito sobre sigilo dos grandes deuses que caminham pela
manhã, e abertos aos deuses que andavam pela noite. Esta punição sempre era
destinada aos que recaiam em desgraça profunda, geralmente os crimes de violações
de tratados, acordos e contratos tribais, normalmente a alma imortal do condenado,
passaria pela clausula do enterro de imersão, isto incluiria a forma mais severa de
castigo e o ritual contaria com imposições sobrenaturais que seriam pagas pelos
tupinambás por dois séculos inteiros, isto somente era imposto aos altos traidores, e
nestes caso a própria ave do mau Tycara viria busca-lo em seu casulo de imersão.
Neste caso,Yaol seriasubmetido ao ritual de imersão, ou seja,eleseriadebelado
a uma exclusão total de sua vida, tanto da terrena, como da espiritual. O jovem índio
deveria ser amarrado a uma canoa, e o lacre seria feito com amarras de cipós verdes,
oriunda de um jatobá ancião, e selada com seiva de uma carnaúba.
O ÍndioEnfeitiçado
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A canoa seria envolvida e amordaçada em palha de palmeira nova e em fim
fechada com folhas de bananeiras mortas, antes o seu corpo seria embalsamado com
seiva de seringueira, e ainda vivo deveria ser entregue a ira de Yacará, um dos seres
místicos e donos do rio amazonas.
Após o presente, Yacará iria reclama-lo para si em sua cama de água, devorá-lo-
ia com as suas fortes correntezas, afogando-o eternamente em suas águas gélidas, este
ato tornaria Yaol um prisioneiro, e preso no fundo do rio, deveria decompor-se
lentamente no decorrer de sete luas vermelhas, até eu seu corpo inerte, tomasse a
forma de um ancião, com a imagem física reconstruída pelo feitiço, ele se tornaria o
mais novo guardião daquelas águas, nestas condições a magia o manteria como um
servo do rio, sendo um escravo de Yacará pelo resto da eternidade. Tycara seria a
responsável por leva a alma do traidor até Yacará, que o devoraria no fundo de águas
até o fim dos tempos.
Ela, no entanto, receberia um castigo íngreme e perverso, um corretivo
conhecido pelos antigos como “a primeira aliança”, ou como todos o chamavam na
tribo, como “a primeira”, este castigo era chamado desta forma por ser aplicado a
primeira, a um indígena Ynamabares que violou as tradições milenares do povo tupi,
esta penalidade ocupa o topo de uma lista de punições, mas esta punição somente era
permitida em último caso e em graus específicos de perturbações as tradições. Até por
que a condição de severidade empregada exigia a presença de seres desconhecidos e os
pagamentos cobrados eram bem mais difíceis de cumprimento, este detinha ritos
desumanos e cruéis.
Mas Natuia era da realeza, uma princesa entre os índios tupinambás, as
tradições revelam que ela dever ser punida com o primeiro castigo. Isto não era um
problema a ser discutido, pois as tradições eram claras enquanto a isto.
Esta possibilidade de punição já estava decidida, pois princesas e outras castas
de importância dentre de tribos devem ser severamente castigadas para servirem de
exemplo a outros índios. Natuia deveria seguir o curso de seu destino, e assimcomo os
outros índios que transgrediram as tradições dos tupis, ela deveria segui para a prisão
húmida.
A prisão húmida era um lugar vil e biltre, que ficava afastado da aldeia, naquele
lugar havia uma arvore petrifica muito antiga e sobrenatural que possuía sobre a sua
raiz um lodo terrível e interminavelmente longo, parte daquela floresta estava imersa
aquele lodo horrível, alguns antigos afirmavam que a arvores sagrada , se alimentava
especificamente deste lodo, mantendo-a viva enquanto houvesse tribos e punições,
grande parte de suas emanações fétidas provinham de suas raízes áreas, e a lama
incomum, era formada dos corpos de índios que já foram homens e mulheres vivos.
O ÍndioEnfeitiçado
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Todos os punidos eram amarrados ao tronco da grande arvore majestosa,muitos
eram alimentados, e limpos por seus familiares até que a arvores os consumisse por
completo, mais a grande maioria era deixada para trás, e antes de seremdevorados pela
arvores sagrada, morria de sede e de fome.
As pessoas punidas nesta arvore, eram amarradas pelo quadril sobre o tronco da
grande sagrada, suas mãos acorrentadas aos galhos mais altos, esticavam o dorso de
suas grade espinhal,o que causavafortes dores as costas do indivíduo, alguns índios não
resistiame tinha seus corpos irrompidos pela força aplicada ao efeito estilingue, o resto
de seus corpos, tórax e pernas e pés, eram mergulhados sobre lodo fétido, muitas raízes
expostas eram vistas ao lado do tronco da arvore, as suas raízes ficavamtão próxima ao
corpo dos punidos, para facilitar o que viria pela frente, a arvore os devoraria ainda
vivos, e ela começaria pelos pés de sua vítima.
Natuia deveria ser vestida com uma roupa caldosa, feitas com os ramos de uma
bananeira rustica, seu corpo seria banhado e cimentado com a seiva de uma carnaúba
solitária, suas penas, cocares e colares seriam perfeitamente ornamentados e
adornados com as penas lisas, pequenas e belas de um sóbrio beija-flor silvestre, e os
seus seios e pelves seriam faceirados, decorados, adornados, amarrados e trancafiados
para sempre a sete amarras fortes, feitas por cipós sobrenaturais, e a sua pela seria
aromatizada, harmonizada e banhados tenuemente com o mel mais puro de todas as
abelhas.
Seu destino ficaria ligado e preso a grande arvore sagrada e a sua alma seria
tragada pelo lodo Yukutamia, ela deveria ficar pela eternidade retida entre as rochas
que abrigam ao solo impuro, e desse lugar, em regra, ela nunca mais deveria ser
libertada, devendo ainda em seu clausulocasulo,chorar por mil anos, um choro que não
teria um fim.
As margens do rio amazonas teriam a função intima de controlar a passagemdo
tempo e do clima, e a prisão que manteria a princesa em seu cárcere, seria uma obra
magica, feita pelos próprios deuses, e isto não permitiriam fugas, mantendo-a presa.
Os leitos das margens virgens deveriam cuidar e resguarda a prisão húmida, e as
nascente dos rios perenes, proveriam de forma prolongada a manutenção de água para
mata a sede e o suprimento de comida para abarca a fome que viesse a sucumbir as
dores da menina Natuia.
Ela ainda deveria respeita o ato rogatória de punição, ou seja,ela não teria o livre
arbítrio de seus olhos, não os devendo fechar e nem os secar aleatoriamente, deixando-
os sempre livres para todas as lacrimas que viesse a fluírem de suas retinas, ao prol da
eternidade de sua vida.
O ÍndioEnfeitiçado
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O seu choro porem precisaria ter um começo, mas nunca um fim, suas lagrimas
virariam laminas d’águas agridoces que necessitariam atravessar a eternamente em
prominência a manutenção dos rios, as suas lamentações porem, deveriam alimentar os
tornados, as enchentes, os tsunamis,os trovões e os gigantes relâmpagos que nasceriam
dos céus.
No entanto, as diversas nascentes,aparti de seuclausulo infinito, possuiriam dos
olhos de Natuia, as águas necessárias que alimentariam os rios que nasceriam
adjacentes a outros que são perenes. E ainda dos seus olhos, brotariam mais
precipitações de lagrimas inesgotáveis, com o intuito único de nunca mais fazer um rio
se sentir sôfrego, fazendo com que os curtos e pequenos outros rios do amazonas,
voltem à mingua seus olhos d’água doce. Neste castigo, fique ela, a princesa dos
tupinambás, disponível com fontes de água viva, por toda a eternidade.
Os índios tupinambás também deveriam ter vigilância sobre a prisão húmida, e
ter cuidado amplo com a prisão que mantem Yoal no fundo do rio amazonas, pois na
possibilidade de uma fuga, ele iria resgata a alma de sua amada Natuia do alto das
pedras encantadas, onde se encontrava a arvore sagrada.
O indicio desta possibilidade se verificaria com a seca total do leito de águas do
rio amazonas, rio que após a concretização do feitiço aplicado a Yaol, ficaria ele elegido
como o guardião de suas águas, devendo protege-lo eternamente. A seca premente
seria um grave sinal da fuga de Yaol, pois se a índia Natuia, responsável por manter as
contiguas águas intermitentes, fosse resgatada de sua prisão, por seu amado, o rio
certamente morreria, e com a sua morte, todos os índios padeceriam do mesmo mal.
Os tupinambás devem ficar vigilantes aos seus punidos e as suas prisões, pois
estas possibilidades nãodevem seconcretizar, e nunca podem ser consumados, por isto,
o barco em que ele foi trancafiado, empalhado e amarrado, segue protegido pelo rio, e
pela magia forte que o cerca a milhões de anos, magia sobrenatural que não pode ser
quebrada.
O ÍndioEnfeitiçado
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O Selo Fechado de duas Punições Sombrias....
Depois que aquele dia sobre o rio tupinambá nos apresentou a prisão e aos
eletivos julgamentos erigidos pela tribo aonde nasci e cresci, vir que o selo da vida se
fechava, e que as tradições eram mais fortes que o amor que eu e Yaol sentia um pelo
outro.
Vir que o nossoamor não mudaria o rumo de nossas aldeias,esentirque aguerra
e o ódio estalado entre nosso povo permaneceriam por várias gerações. Aquilo era algo
que não compreendia, por um tupinambá não pode se apaixonar por um guajajaras, por
que atritos do passado nos separam tanto de sermos felizes. Nossas tribos são como
irmãs, viemos dos mesmas facções e clãs, temos a mesmas origens, viemos dos
Yanamabares, somos filhos do mesmo sangue, e temos até os mesmos deuses.
Por que nos tornamos inimigos, o que nos levar a guerreamos tanto nesta terra,
quais são os motivos que ainda nos leva a matamos tanto em nossas batalhas
desnecessárias.
Nossas diferenças são surreais, pois apenas um rio, nos separa de um contato
mais próximo, apenas uma conversa, nos deixa mais afastados e muito parecidos com
os animais de nossa floresta.
Aquele ritual era desnecessário, as nossas vidas deveriam passar por um
processo melhor de julgamento, eu e o yaol não mereceríamos tamanha crueldade. Não
deveríamos pagar com a vida os ônus de uma tradição rudimentar e atrasada. O
pagamento não seria justo, nós não seriamos mais as mesmas pessoas e nem o nosso
povo, seria mais o mesmo povo, após nos castigar com a primeira aliança.
A primeira aliança, ou “a primeira” era um castigo muito cruel e nefasto, o que
não acontecia pelo rito ancestral, ocorria pelo rito pessoal do ódio, a nova fase de
hormonal que viria dos novos chefes tribais, estavamcompletamente carrego de ego e
centralismos individuais, Mitaage e Yenam se sentiam como verdadeiros deuses sobre
a tribo e sobre a terra, o feitiço e castigo alocados e despendidos a mim e ao Yaol, era a
prova mais real de tudo o que se passava na aldeia, os acorrentamento aconteceriam, e
vidas inocentes estariaminflamadas ao vento como um rio que nunca retrocede e se vai
para todo o sempre.
O ÍndioEnfeitiçado
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O Castigo Aplicado a Natuia....
Após o longo e alvoraçado grande julgamento que condenou a jovem índia
Natuia a prisão húmida, vários aldeões apesar de considerarem legitimo todas as
acusações, acharam que o preço a ser pago, foi bastante severo, e alguns até acharam
que o peso que foi coloca sobre a menina, foi posto sobre ombros e corações ainda
despreparado para a vida, pois a criminosa ainda era uma infante, uma menina. A aldeia
tupinambá não estava mais em festa, e muitos consideravam-se em luto pela jovem
guria.
Natuia agora era preparada pelas mulheres da própria tribo para ser selada
eternamente junto a grande arvore, seus cabelos foram lavados, a pele estava sendo
embebida em mel, e os seus seios e pelves eram envolvidos com a polpa em natura das
fibras da juçara.
Minutos depois ela passaria pelos procedimentos de amarrações e de
fechamento de suas zonas erógenas, procedimentos tão cruéis e fortes que
submeteriam órgãos tão frágeis a artifícios muito severos. A técnica envolveria feitos
artesanais orquestrado com a fibras de cipós verdes, e toda a área designada, seria
entrançada, amordaçada, trancafiada e selada em seiva de carnaúba virgem, aquele já
era a passo final de procedimento de selagem eterna.
Um vestido alongado era produzido, trançado e costurado na oca ao lado, muitas
mãos femininas trabalhavam com afinco para que as folhas de bananeiras, ganhassem
o formato correto estipulado pelas matriarcas, que segundo e conforme as tradições
mais antigas,deveriam seguiras oitivas e exigênciade um protocolo reformulado, aquilo
era uma tentativa de imitarem as lindas vitorias regias que reinava no lago Tumuia, o
ritmo de desfloração mutua no inverno, deveria ser repetida no vestido de Natuia.
Muitas folhas eram trazidas com certos cuidados pelos homens, e a seiva para
embalsama-la também seguia o mesmo tratamento célere, o liquido era carregada com
sutileza em diversas cuias, e todas eram devidamente guardadas e preparadas pelas
anciãs da aldeia.
A princesa tupinambá iria para a prisão húmida, disto Natuia tinha certeza, mas
os anciões não ligariam para o amor que ela sentia por Yaol, o seu íntimo sentimento
estava em trevas, e muitas dúvidas caminhavam por sua mente infantil, ela não tinha
certeza do que viria pela frente, e apesar de ser ainda uma menina ingênua, não saberia
como pedir por socorro.
E neste instante viu-se pela primeira vez a lagrima tênue e triste de Natuia cair
sobre a terra seca dos tupinambás, minutos depois, ouviu-se fora da oca uma chuva fina
e tácita que molhava com calma e sutileza o início daquela tarde. Alguém parecia chorar
O ÍndioEnfeitiçado
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por Natuia, mas com certeza não era Yutia, pois Natuia não tinha mais fé na ave
sobrenatural que a abandonou quando ela mais precisou de proteção.
Ela receberia seu castigo, provaria que era forte, mais sabia que está punição era
injusta e muito pesada e cruel. Ela seria transformada em parte concomitante do rio,
devendo ficarpresa anascente do rio amazonas, localonde hoje residiaaarvore sagrada
dos deuses.
Sua punição deveria estar ligada aos cuidados e resguardos das águas
proeminentes que existiamsobre toda a floresta, ela ainda deveria lamenta-se e chorar
eternamente sobre todas as biqueiras d’águas que existisse adjacente a nascentes de
rios, alimentando as suas águas, com as próprias lagrimas, evitado que os rios viessem
a ficar sem água.
Depois que o castigo foi efetivado, e que Natuia foi entregue a grande arvore,
que morava no lodo íngreme, os índios tupinambás verificavam que sempre ao meio
dia, as nuvens dos céus,tratavam de esconder o sol,mais ainda com alguns raios solares
sobre a aldeias, via-se que uma pequena garoa, uma espécie de chuva fina, despencava
sobre as ocas. O chão de terra preta não se molhava completamente, mais o cheiro
atípico do solo, invadia nostalgicamente as narinas dos seus habitantes.
Natuia parecia chora sobre a aldeia, e muitos se perguntavam se o que foi feito
a menina, era mesmo necessário ou correto. Seguir as tradições com aquele peso de
crueldade seria o certo a fazer, ou as suas crenças precisavam ser repensadas.
Muitos acreditavam que era mesmo a jovem Natuia chorando sobre a aldeia, e
o cheiro peculiar de terra molhada, era a suaalmaquerendo sairdo plano etéreo. Depois
da chuva, verificava-se que uma tormenta de águas invadia as cabeceiras de todos os
rios, provocando uma inundação terrível, ninguém podia pescar, banhar e cuidar da
farinha, dos peixes mutacados e dos objetos de cozinha que deveriam ser lavados.
Enquanto chovia, ou mesmo, depois de seu lamento de lagrimas, ninguém
entrava no rio, após a condenação de Natuia,os rios não ficaramseguros,pelo contrário,
eles ameaçavam a vida dos índios que ainda andavam pela terra.
O ÍndioEnfeitiçado
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O Feitiço Atribuído a Yaol....
Yaol estava sendo preparado para o seu sepultamento, os índios tupinambás o
enterrariam vivo no rio amazonas, Yacará o esperava com paciência deitado sobre a
lamina d´água do leito do rio volumoso. Tycara repousava friamente sobre uma arvore
corpulenta, e aguardando que a alma do jovem abandonasse o seu corpo, sacudia
lentamente todas as penas de suas asas para no momento certo ataca-la.
Alguns índios falavam em sepultamento, por que o ritual de embalsamento o
lacraria ainda vivo dentro aa canoa. O feitiço foi preparado pelo próprio pajé da aldeia,
e tudo seria realizado sem a ministração de aldeões, geralmente os seus pupilos
buscariam os ingredientes, preparariam os suportes e matérias para o processo de
trancamento e eram eles também que cuidariam dos preparativos do corpo do punido.
Mas desta vez katoa queria fazer todo o processo sozinho, a última vez que ele
participou de um ritual de trancamento espiritual, ele era apenas um aprendiz, o
processo foi realizado quando era jovem, eu tinha apenas de vinte e três anos, e na
ocasião cometemos erros, e o aprisionado disseminou uma espécie de doença, ou peste
que matou mais de um terço da aldeia, sem conta com os mortos de várias outras
aldeias, que ficaram quase vazias por longos dez anos.
Desta vez ele não deixaria espaços para erros, ele queria que tudo ficasse
prefeito, e que todas as amarrações sobrenaturais, ficassem livres de falhas, as
delimitações e restrições àentrada de suaoca causavamcuriosidade, temeridade, tesão
e muito medo.
Mas tudo seria realizado como manda a tradição tupinambá, o punido seria
tratado com todo o respeito que cada prisioneiro e traidor recebe em suas aldeias. O
remédio seria amargo, cruel, mas necessário. Yaol ficaria recluso e trancado no mundo
etéreo, sua reencarnação não poderia rasga ou transpassar a seda de introspecção que
envolvia os dois mundos.
Yaol ficaria preso para sempre entre os dois mundos, não estaria vivo, por que
não possuía mais um corpo físico, e não estaria entre os mortos, por que a sua alma
ainda ficaria preso sobre o leito do rio.
O mundo etéreo não receberia a sua alma, e por tanto, ele ficaria em um estado
de transição, perdido entre os vivos, e renegado entre os mortos, ele ficaria vagando
entre o céu e a terra, tendo como descanso único o rio que deveria proteger, e para
garantir que seu espirito caminhe para outras moradas da terra, o seu corpo físico e
morto, ficará preso e marrado no fundo do rio amazonas, e assimpermanecerá, entre a
vida e a morte.
O ÍndioEnfeitiçado
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O forte feitiço tupinambá tinha forte tradições, e os mais antigos,repassavamde
forma ora todos os ritos para que não sejam perdidos, tudo deveria ser feito sobre
segredo, e os grandes deuses que peregrinam pela manhã, não poderiam saber o que
os homens faziam aqui na terra.
No entanto, tudo ficaria abertos para os deuses que trafegavam pela noite. Pois
seriam eles que disponibilizariam a magia necessária para manter Yaol preso sobre o
grande rio amazonas.
Esta punição terrível era destinada as pessoas que se desgraçavam pelo o que
faziam em detrimento as tribos indígenas. Comumente as delinquências e
transgressões,estavamreferidas ou relacionadas a ajustes,concordatas e pactos tribais,
normalmente a alma imortal do execrado, sobreviria a clausula de imersão, isto
compreenderia a forma mais austera de repreensão.
O ritual contaria com cominações sobrenaturais que seriam pagas pelos
tupinambás em um outro momento da vida, geralmente estes pagamentos seriam
cobrados a todas as gerações vindouras.
Habilmente estes contratos passariam a ser cobrados depois de dois séculos
inteiros, esta imposição, tinha como encargo um alto preço, devido ao alto grau de
energia que seria ministrada.
Comumente isto acontecia em punições ministradas aos traidores e mentirosos,
que colocando a aldeia em perigo, deviam ser rapidamente banidos de suas terras,
nestes casos extremos a própria ave do submundo, a malvada Tycara, viria busca o
casulo de imersão do condenado.
Yaol seria submetido a este ritual de imersão, o mais grave e cruel ritual dos
tupinambás. Ele seria debelado a exclusão total da vida, a terrena seria apagada, e a
espiritual trancafiado junto com a sua prisão feita de madeira e seiva.
O jovem Yaol deveria ser enlaçado a uma canoa, e o lacre, que o manteria preso,
seria todo feito com as amarras um cipó verde encontrado apenas no lodo Yukutamia,
alguns cipós adjacentes, também eram tragos de outra parte da floresta, certas peças
vinham oriundas de um jatobá ancião, e tudo seriaselado com seivade uma carnaubeira
que vivia no centra da mata vigiada.
A canoa seria envolvida com palhas de palmeirais da mata vigiada e o seu centro
seria amordaçadas com os cipós verdes do lodo Yukutamia, boa parte da embarcação
será fechada com folhas de bananeiras mortas, mas antes que o rio o leve para o fundo,
o seu corpo será embalsamado com seiva de seringueira virgem, e vivo deveria ser
entregue a ira de Yacará.
O ÍndioEnfeitiçado
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Yacará um ser perverso que sempre morou nas águas do amazonas, era um dos
seres místicos mais cruéis que os tupis conheciam, ele se alto intitulava um dono, um
mandante do grande rio.
Yacará espera pelo seu presente, seu reclame saia pela boca dos pássaros mais
malditos que havia na floresta, seu canto era horrível e feio. E muitas crianças e até os
adultos tinham medo de sua ira perversa.
A cama d’águaesperava por Yaol, o seu maléfico do rio queria devorá-lo, o canto
de agouro das aves que ele dominava, fazia revolve ondas fortes sobre as águas calmas
do rio perene.
As fortes correntezas aumentavam e Yacará somente queria afoga o seu mais
novo convidado. Ele permaneceria eternamente em suas águas gélidas, Yaol se tornaria
um prisioneiro no fundo do rio, suaalma vagariasomente pelo leito destas águas e nada
mais.
Seu corpo entraria em decomposição letárgica, e ao decorrer das setes luas
vermelhas, ele tomaria a forma de um ancião, reconstruído pelo feitiço, o seu novo
corpo o tornaria guardião daquelas águas, e nestas condições a magia o manteria como
um servo do rio, permanecendo assim como a um escravo.
Yacará reinaria sobre seu corpo pelo resto da eternidade. Tycara porem, seria o
responsável por leva a alma do traidor a Yacará, pelo menos uma vez no ano, para que
ela o revolvesse pedaços de sua matriz eterna, renovando o contrato. Assim Yacará o
devoraria de forma lenta no fundo de suas águas, e faria isso até o fim dos tempos.
Foi neste período que várias índias sumiam de suas aldeias. Grande parte delas
estavambanhando sobre as águas do rio. Muitas aldeias do grande amazonas, relataram
ao seus pajés o sumiço de suas índias,boaparte delas desapareciamde forma misteriosa
em regiões ribeirinhas.
O rio amazonas contava com várias aldeias e muitas tribos, e diversos aldeões
relatavam que um ancião que se transmutava em um belo índio aparecia na cabeceira
dos rios, atraindo índias bonitas para o meio do leito do amazonas, geralmente o
encantamento forte as levava para o encontro forçado, que ao final as induzia para o
fundo do rio, carregadas por este índio misterioso.
Milhares de mulheres morreram desta forma trágica e poucas pessoas se
mostraram com coragem para segui-lo e detê-lo. Alguns índios que participaram do de
um ritual de trancamento, falam que o índio em questão, trata-se de Yaol, ele navega
pelas bordas do rio procurando por Natuia, a sua eterna amada, e ao ver que não é a
sua predileta apreciada, a arrasta para o fundo do rio em vingança aos povos
tupinambás.
O ÍndioEnfeitiçado
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Uma Tribo Arrependida....
Uma reunião tribal formou-se às pressas sobre o rio tupinambá, guerreiros,
caciques e pajés de várias partes do amazonas solicitavam por uma urgente formação
de uma assembleiamatricial, alguns assuntos precisavamde explicações. Estas reuniões
matriciais eram solicitadas em caráter de extrema emergência social, especialmente
quando problemas em comum atinjam uniformemente vários povoados.
Uma explosão de fenômenos sobrenaturais perturbava a ordem natural
vivenciadas pelos índios em suas aldeias, pois os rios, os mares, os bichos e as florestas
tropicais estão em anormalidade, causando eventos desastrosos e terríveis.
Havia uma extensão enormes de terras indígenas sendo atacada por seres
extremamente desconhecidos e malévolos. Seres sobrenaturais e eventos naturais da
própria natureza estavam levando embora os índios de seus povoados. As pessoas
estavam assustadas e temerosas, mulheres sumiam de seus banhos e lavagens em
cabeceira de rios, crianças eram arrastadas para o fundo de lagos, tormentas volumosas
de águas comumente calmas, afogavamíndios pescadores, e a florestas engolias jovens
e sumia com eles antes do teste e dos ritos de passagem.
Algo de ruim aconteceu aqui nesta aldeia tupinambá que alterou o ritmo e a
ordem natural da mãe natureza, muitos representantes de várias aldeias e de outras
tribos, estavam bastante apreensivos e preocupados com as recentes ondas de terror
que assolava as aldeias. Os guerreiros e caciques do amazonas solicitavam por
explicações legitimas e razoáveis.
Os índios queriam aclarações do povo tupi, sobre as recentes ondas
sobrenaturais que ceifaram várias vidas indígenas em povoados distintos, muitos
caciques buscavam explicações sobre um ritual de trancamento e sobre a execução de
uma prisão húmida que recentemente foi realizada, muitos pajés relataram que
receberam em seus sonhos, muitos pedidos de ajuda, algumas almas perambulavam
perdidas entre a terra e o mundo etéreo, e havia muito sofrimento relacionando aíndios
que um dia moraram nesta aldeia.
Estes dois rituais devem ser aplicados em casos extremos, e nunca devem ser
realizados sem comunicação previa aos demais povos, pois as forças que são empregas
nestas cerimonias solicitamdiálogos com seres muitos poderosos e temperamentais, e
nada está completamente afastado, pelo contrário, tudo está intrinsecamente ligado,
movimentando energia compartilhada e misturada a outros povos.
Tudo está conectado e relacionado, pois a natureza é algo único e de
pertencimento coletivos de todos os povos indígenas, um fato realizado e relacionado é
um fato dividido e compartilhado, as ações de um povo é a responsabilidades de um
O ÍndioEnfeitiçado
81
outro povo, o que atinge uma aldeia, afeta uma outra que está próxima, pois as
responsabilidades de um ato são compartilhadas com todos os outros povos.
O que se queria naquele momento era ouvir e entender o que se passou na
aldeia tupinambá, os pajés e caciques estrangeiros solicitavam por explicações coesas e
justificáveis, o líder do povo dos Yanamabares, exigiamos nomes, e as formas com que
foram apenadas estas pessoas na aldeia tupi.
As exigências continhamperguntas factivas e proeminentes, e insistindo sobre o
duplo silencio dos tupis, continuavam, quem eram os apenados, como foram feitos os
rituais e por que foram realizados sobre estas condições extremas, quais foram as suas
justificativas.
Os índios peregrinos estavam afoitos e questionadores, os tupinambás
rompendo o silenciotenebroso, pediam calmaaos amigos adventícios, e solicitandoque
os acompanhassem até a aldeia tupi, responderiam a todas as interjeições.
O ÍndioEnfeitiçado
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A Liberdade Temporária de Yaol....
Quando chegaram a aldeia tupinambá katoa solicitou que todos se sentasseme
fizessem um grande círculo envolta da grande fogueira, Yenan solícitos que os demais
guerreira, buscassem comida, água e Yascua, uma bebida forte feita com ervas
fermentadas.
Yenan ainda pediu para que uma outra parte dos guerreiros fosse a mata para
buscar galhos e torras secas e bem grossas para alimenta a fogueira que seria acessa
durante a reunião. Enquanto os preparativos para reunião eram provisionados, Katoa e
o chefe da aldeia mãe, o Yanamabaré Tchaucotoco, conversavam particularmente sobre
o que acontecerá na aldeia nos últimos meses. Os relatos impressionavam o índio
Yanamabaré, e se tudo aquilo fosse verdade, as punições foram justas e aceitáveis.
No entanto, uma das punições realizadas dentro dos limites daaldeiatupinambá,
não era bem vista por Tchaucotoco, pois realizações com alto grau de magia, deveriam
primeiro passar pela “convenção dos muitos”, ainda mais uma penalidade tão pesada e
danosa atribuída a alguém da realeza indígena.
Uma princesa deveria ter mais tempo para a sua defesa, afinal, apesar das duras
acusações, ela ainda era alguém da nobreza da tribo, e os seus familiares deveriam ser
consultados e ouvidos.
Mas o que houve foi a realização de um julgamento movido por ódio, rancor e
desprezo, suas interjeições foram rápidas e apuradas em menos de dois dias, este tipo
de procedimento, levanta suspeições e contradições perigosas ao resultado da
penalidade. Ambos deveriam ser ouvidos, confrontados e alinhados, mas pelo que vir,
nenhum dos dois prisioneiros receberam qualquer tipo de compaixão ou zelo pelos seus
opressores, eles não tiveram tempo de se despedirem de seus entes queridos, e nem
tempo de defesa ao contraditório aceitável.
Tchaucotoco entendeu que o garoto Yaol cometeu um crime realmente muito
grave e ele sim deveria ser punido com o feitiço de trancamento e ser selado em sua
canoa de amarrações, mas a jovem menina tupi, sofreu excessos, desonras, agressão e
desrespeitos gravíssimos, ela foi injustamente condenada, e a severidade da aplicação
punitiva teve vícios e erros demasiadamente assisados.
A avaliação de Tchaucotoco remetia a uma alusão grotesca com que a clave dos
tupinambás remediou, a determinação por enclausura a menina sofreu cometimentos
de ideias contraditórias irregulares e terríveis. A jovem princesa, a menina Natuia
certamente pagou caro com a vida, e os tupis eraram em castiga-la daquela forma tão
cruel.
O ÍndioEnfeitiçado
83
A prisão húmida é algo para ser realizado sempre em contraversões de crimes
extremos, fato que não foi identificado no crime supostamente realizado por Natuia.
A fogueira ia sendo erguida e montada pelos tupis, comida e bebida eram
distribuídas e colocadas sobre as folhas de bananeira, o fogo foi acesso, e clarão
iluminou as ocas opacas do povoado.
Os preparativos estavam terminados e a “convenção dos muitos, começaria, os
índios se amontoavam em pequenos grupos e os líderes de cada povoado,
centralizavam-se no meio e a frente da grande fogueira.
O índio Yanamabare tomou a fala e sendo curto em sua oratória, replicou o que
ouviu de Katoa, ao finaliza, exigiu que a jovem Natuia fosse libertada de seu castigo. Ela
deveria ser solta de seu cativeiro, a prisão húmida deveria ser aberta, e como pago do
erro terrível, o índio Yaol deveria também ser liberto.
Os índios tupinambás erraram com as medidas de julgamento, e pelo que foi
dito, o pajé desta aldeia, agiu por vingança e ódio, as motivações nestes casos, devem
retroceder as penalidades aplicadas. O que houve aqui a meses atrás foi um equívoco
desnecessário e cruel, estas punições não têm validade, e os excesso devem ser
corrigidos, esses jovens índios devem ser libertados de suas prisões. Ou eles nos
culparam pelo o erro que lhes foram atribuídos pelo resto da eternidade.
Enquanto eles forem cativos deste feitiço, nossos ocas,rios,matas, mares, grutas
e lagos serão um risco para nossos filhos, mulheres e amigos, seremos reféns do ódio
do menino Yaol, que pelo visto somente descansará quando tiver em seus braços a
menina Natuia. Este garoto irmãos, tem que ser libertado.
Mas o povo tupinambá reagiu contrariamente ao discurso de Tchaucotoco, e
irados, faziamdeclarações e insultos inaudíveis em direção à frente da grande fogueira,
local aonde discursava Tchaucotoco. O povo gritava palavras de ódio contra a libertação
de Natuia e Yaol. E muitos ameaçavam e tumultuavam a assembleia, principiando um
pequeno movimento de guerra entre as tribos.
Yenan tomou uma posição de destaque, e ecoando a sua voz sobre os demais
guerreiros, armou-se com várias proeminências que justificava a punição aos donos
índios traidores. Arcos e fechas eram desembainhadas de seus coletes, e lanças e facas
de vários feitios e tamanhos eram mostradas sobre beira da fogueira em plena a luz dia,
os ânimos iamexaltavam-seao passo que o discurso vigoroso de Yenan transcorria pelas
mentes dos mais altivos, e já se viammuitos tupinambás e vários guerreiros forasteiros,
afrontando-se uns aos outros.
Katoa não queria sangue inocente sobre suas terras, e exigia que Yenan parasse
com o discurso de ódio, uma frente de batalha se formou uma à frente da outra, e
O ÍndioEnfeitiçado
84
mesmos arriscando um banho de sangue em sua própria aldeia, Yenan não dava trégua
a sua concepção de verdade. E reafirmando o que teria feito aos dois jovens índios, ele
ridicularizava Tchaucotoco.
As armas estavam todas a mostra e o sangue nos olhos dos irmãos índios
ruflavam nos corações quente dos Yanamabares e dos Tupinambás. A crise política e
ética das duas tribos seconfrontavam e estavamde lados completamente opostos, uma
dialética existencial e cultural das tradições orais estava sofrendo como uma prova de
fogo terrível patrocinada por Yenan.
As demais tribos se dividiram entre os Yanamabares e Tupinambás e outras
tribos afirmavam que a causa maior, era outra, ou seja, os vários sumiços de moças,
jovens e crianças, e homens em plena atividade laboral que estavam sendo engolidos
pelos os rios, lagos e as matas de nossa grande mãe floresta. E se estes fatos estavam
ou não relacionados com os rituais que foram tratados nesta aldeia, deveriam ser
esclarecidas e sanadas.
O consenso era algo difícil para envolver muitas cabeças pensantes, pois cada
tribo defendia algo que lhe era certo e trivial, no entanto, chefes tribais devem escolher
o que é melhor para as suas tribos, e sacrifício devem ser literalmente algo a ser feito.
Um dos líderes tribais mais antigo e muito respeitado por todos, tomou o lugar
de Yenan, e solicitou a palavra, o que foi prontamente atendido pelo guerreiro. Afinal
ninguém ousava desafiar o que Ayumanima falava ou o que ele contrariava, seus muitos
anos dentro de várias aldeias dava-lhe notoriedade de rei.
Ayumanima se virou para Yenan e falando de maneira breve discursou…. – Suas
palavras, guerreiro Yenan, são fortes, bravas e conquistadoras, e respeito a sua bravura
de líder e de homem de guerra, sei que todos os povos o temem e o odeiam, mas eu
não o temo e não o desejo mal algum, mas apesar de não saber das artes da guerra,
tenho a meu favor a dialética, o conhecimento e a magia de todas as florestas, logos e
rios dentro de mim, e isto me acompanha desde quando nasci.
Enquanto você discursava Yaol esteve presente, e a sua alma estava inflamada
de um ódio que jamais vir ou ouvir falar, e sobre lamentos e guerras você entende bem,
mas das magias sobrenaturais e sobre o amor, você não entende nada.
O que vocês fizeram com a amor destes dois jovens aqui nesta aldeia foi algo
cruel e macabro, e ao separa-los vocês apenas tornaram mais fortes o amor dos dois.
Ela está presa na prisão húmida e não pode sair, mais Yaol usa os rios a seu favor, e
caminhas por entre todas as aguas, e nós sabemos que aonde Natuia está, não é rio ou
lago, mata ou floresta, aquele é um lugar ermo, e Yaol não pode entra.
O ÍndioEnfeitiçado
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Sua procura por Natuia não vai ter fim, e ele ceifará quantas vidas forem
necessárias para ter o seu amor de volta ao lar. Ele usara todos os rios, lagos e matas
descampadas, florestas e cachoeiras abandonadas como refúgio para atrair inocentes
para o convívio escuro de um rio profundo. Ele engolira cada irmão que estiver aqui, e
de maneira austera acabará devorando você Yenan.
Todos ouviram com terror as declarações de Ayumanima e muitos sesilenciaram
com o que ele acabava de relatar. E continuando ele explicitava, que o que foi feito a
Natuia foi desproporcional, até por que os crimes de maior poder ofensivo, foi praticado
por Yaol e ele sim mereceu a punição devia, mais o que vemos é que o amor desse
homem por Nossa bela Natuia não era algo fútil, seu amor era real e verdadeiro. Este
índio arriscou não somente a vida dele, mas a vida de um povo inteiro que morava em
sua aldeia.
Nunca vir amor igual, e mesmo depois de sua morte física, sua alma continua a
procurar a sua amada amante Natuia, o plano etéreo não o subjugou, não lhe apagou o
amor que morava em seu coração. Seu amor por Natuia continua vivo em seu ser. E ele
ainda continua procurando-a até acha-la.
Devíamos nos envergonhar, pois condenamos dois frágeis índios, ainda infantes
e não conhecedores do amor, suas responsabilidades foram exteriorizadas muito cedo,
e ambos não faziam ideia do grau de suas culpas. O peso foi maior que o suporte, e a
punição maior que a culpa. O que houve aqui foi uma conjugação de ódio, um
ajuizamento por motivações pessoais, e se os tupinambás não gostam dos guajajaras,
deviam trava guerras com guerreiros e não com crianças que acabaram de descobrir o
amor.
Se não nos retratamos com o amor puro deste dois, seremos aprisionados por
nossas culpas até o fim dos tempos. Devemos libertar Yaol e deixa-lo que ele resgate a
sua amada Natuia, e esperaremos que ele não nos puna pelo erro de nossos amigos
tupinambás.
O silencio ficou tênue e mórbido dentro da aldeia, Yenan não quis objetar, pois
a maioria concordava com o mestre Ayumanima. Natuia estava isolada em sua prisão
húmida, e Yaol a procurava como a um guerreiro solitário em tempos de guerra tribal.
O desejo da tribo de liberta a canoa que aprisionava o índio Yaol, não somente
era o seu desejo, como era a melhor opção a se fazer. Katoa estando mais lucido,
concordou com o chefe maior e unanimemente as tribos abaixavam as suas lanças e os
seus arcos.
Todos acreditavam que o melhor era libertar o amor dos dois jovens, e ambas as
tribos concordaram que o ajuizamento dos tupinambás, foi feito em uma ocasião de
ódio e desprezo ao índio Yaol.
O ÍndioEnfeitiçado
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Katoa se propôs a desfazer o feitiço que sobrepujava a canoa que aprisionava a
alma de Yaol, e Ayumanima consentindo esse desejo correto e afirmativo, desejou
ajuda-lo. E como um acordo geral, todas as tribos reunidas resolveram que Yaol seria
liberto, e deixariam que ele resgatasse a amada Natuia.
O ritual foi preparado e as amarrações sobre a canoa de Yaol foram desfeitas,
Yenan não gostou do que estava observando e sutilmente revelou a dois ou a três
amigos guerreiros que aquilo era um erro. A tribo não poderia liberta aquele que já
morava no fundo do rio.
A fogueira ardia pela madrugada frienta e os óleos de ervas e frutos silvestres,
jaziamem fogo e curtume, a mistura de ervas, trariam para a superfície aquele que jazia
solitário sobre o rio, a libertação proeminente do jovem índio Yaol era um fato
consolidado.
Todas as ervas eramsutilmente posicionadas e misturadas rente aos vários potes
de cerâmica, cada pote possuía um ou dois ingredientes, tudo era movido e revolvido
sobre temperatura padrões, a receita pedia abrandamento e fluidez continua em seus
processos de anulação e desfazimentos de magia,tudo deveria respeita a contemplação
dos deuses. O caldeirão gigante de barro era mexido de forma constante e sem
intervalos para descansos, isto era feito para que os ingredientes não ficassemmornos
e rezas antigas foram recitadas sobre a ungida tabua cuneiforme que delimitava e
reafirmavam as ações ritualísticas.
Depois que os rituais foram preparados, Katoa saiuda oca com uma cuia na mão,
cheia até borda com as misturas de ervas magicas que ele havia aprontado e
comunicado o feito dirigiu-se para o leito do rio para derrama a mistura sobre as águas
do amazonas.
Após ter feito isso viu-se submergir do fundo do rio tupinambá a canoa que
aprisionava o corpo de Yaol, logo em seguida observou-se que as correntezas do rio,
travavam uma briga intermitente, onde ouvia-se e via-se uma disputa entre magias
poderosas, algumas dessas magias querendo manter o corpo de Yaol sobre o fundo do
rio, e outras querendo leva-lo para as comprometedoras correntezas.
Ao fim da disputa as águas ficaram calmas e os novos donos do corpo de Yaol
carregaram a canoa que o envolvia, desamarrando os cipós verdes que as prendia a
tampa da embarcação.
Os emaranhados de fios de cipó verdes, como magica profana, foram um a um
sendo desfeitas, e as muitas amarrações sobrenaturais sumiam da canoa, finalmente o
leito do rio Yamarokem, um dos muitos nomes do rio tupinambá, responsabilizou-se por
levar o que restou de Yaol para o caminho infinito de suas correntezas magicas.
O ÍndioEnfeitiçado
87
Yaol ao ver seu corpo decrépito sendo carregado pelas correntezas incertas
daquelas águas, viu que a sua alma estava livre, estava liberta para caminha além das
águas dos rios e lagos que o subjugavam e lhe trancafiava. As matas, as florestas e a
terra seca das aldeias podiam ser alcançadas.
A possibilidades era real, a magia foi desfeita, e o rio abandonava-o ligeiramente,
sentiu que a água podia lhe afoga, então nadou até a superfície, Yaol ao ver o horizonte
pelalamina retilínea do peito do rio, sorriu alegremente, e subindo pelas bordas do leito,
foi em direção a aldeia tupinambá, local aonde foi condenada, surrado e mutilado, e
todo esse sofrimento causado por amar um membro daquela aldeia. Yenan era um alvo
que Yaol queria confrontar e destruir. Mitaage era um sujeito que nem valia a pena
matar, e ao passar por ele apenas o olhou friamente, suas contas agora era com Yenan,
depois acertaria com Mitaage a recepção que ele lhe presenteou no dia de sua captura.
Ao confronta-lo na borda da fogueira, Yaol desconheceu o forte guerreiro Yenan,
aquele forte guerreiro parecia ter medo em seu coração, e a coragem tão temidas pelos
seus opositores sumia de sua face destemida, olhando o seu carrasco em seus olhos,
Yaol procurava pelo homem que um dia lhe prendeu sobre o rio, aonde estava a virtude
que eledisponibilizava em suas guerras e em suas oratórias, o seumedo fedia,e os ratos
molhados daquela aldeia eram mais corajosos do que ele.
Yaol ficou desapontado, era bem mais fácil leva-lo para o fundo do rio agora do
que matá-lo de susto na frente de todos os tupinambás. Aquilo seria uma desonra para
um forte guerreiro. O mais agressivo de todos os heróis da mata estava com medo de
um índio jovem como eu. Sinceramente Yenan era patético e covarde.
Os olhos de Yaol rebolavam feito duas bolas de fogo, e a sua fronte agora
agressiva, compelia os olhos de seu carrasco, sua energia sobrenatural demonstrava
toda a sua ira sobre-humana, a vontade de Yaol era de mata-lo, e sufocando-o com as
mãos viu que o seu desejo mortal era menor do que ver a sua pela Natuia.
Largando o seu pescoço, Yaol o cheirava como a um moribundo, e a já com a
língua solta sussurrava ameaças brutais, ele o devoraria como a uma garota perdida na
mata. Yenan contraia-se em seu medo e como a um cão covarde desviava os olhos que
estavam enterrados sobre Yaol. Mas aquele dia as suas ponderações estavam sobre
outra ótica, o jovem índio, recém liberto de sua prisão sobrenatural, tinha um só desejo.
Primeiro queria ver o rosto lindo de Natuia, depois ele a libertaria de sua prisão. Yenan
estava temporariamente com a sua vida intacta, e os acertos de contas, viriam depois,
Mitaage também teria um merecido fim. Yaol não os esqueceria.
O ÍndioEnfeitiçado
88
A Busca por Natuia....
Yaol virou e abandonado a tribo, rasgou o meio da aldeia como a um tornado
feroz, quebrando arvores, rompendo o solo seco, e arrastando ocas e pessoas que
estavam em seu caminho. Yenan foi poupado temporariamente, mas Yaol não o tinha
esquecido, pois o interesse do jovem índio no presente momento era a busca pela bela
Natuia, a prisão húmida receberia a visita de um forte guerreiro pela manhã.
Tudo naquela manhã estava se mostrado muito bem convidativo, sua liberdade
está acertada e Natuia podia ser libertada. A sua fácil presença no lodo negro da prisão
húmida não ofereceria qualquer resistência. O convite não fora feito a Yaol, e a arvore
sagrada não gostaria de vê-lo sobre seus domínios de terra, mas Natuia o veria aquela
manhã, isto era um fato que não tinha outro resultado.
Quando Yaol chegou ao alto do monte Churucutiua visualizou a enorme arvore
sagrada que os deuses das estrelas haviam plantado sobre a terra, ela era
exuberantemente linda, e o seu tronco majestoso era de um verde musgo muito
cintilante e vivaz, a ceiva que brotava de seus galhos e flores pareciam pequenas
cachoeiras que se derramavam formando pequenos filamentos finos de água corrente.
Todos estes filamentos culminavam para um pequeno morro que se deitava
sobre o início da floresta vitrificada, a mais perigosas de todas a matas do perímetro
amazônico, nenhum índio jamais as adentro.
Naquele local verificava-se a formação de uma pequena cachoeira, onde
avistava-sepequenos roedores e outros animais,consumindo as suas doces águas.Vista
mais de perto, Yaol observava que os seus galhos e flores possuíam contornos diversos
e curvilíneos, alguns galhos possuíam compridos aleatórios, outros deformavam-se em
continuidades grossas eunificadas.As flores eram coloridas ebem diversificadas,aquela
arvore possuía uma flor de cada planta vivente que florava sobre a terra. As suas flores
e perfumes eram um espetáculo lindo de observa.
Havia também um imenso espaço graminhado e bastante florido, aonde se
sentia mais perfume diversos e de todas as flores que caiam de seus galhos, um tapete
de flores, inundava de beleza o chão frio daquela manhã de outono. Algo reinavam
sobre uma paz esplendorosa sobre aquele lugar.
Quando criança meus pais reproduziam relatos antigos sobre este lugar, mas
nada se parecia com o que ouviu de seus genitores, e se perguntando várias vezes, e
ainda descrente do que seus olhos viam, regozijava-se distraidamente sobre a
localização correta do local aonde Natuia poderia estar presa.
O ÍndioEnfeitiçado
89
O local relatado por seus pais, descriam um outro cenário, pois no monte
Chucurutiua deveria existir uma enorme arvore petrificada, e junta a ela, a presença do
lodo Yucutamia, e a presença de vários corpos sobre a lama fétida, deveria está exposta
sobre o lugar. Pelo menos assimrezava a lenda, e os contos sobre como era este lugar.
Muitos condenados por traição, eram tragos de todas as aldeias para este lugar, aqui
estes traidores eram amarrados e enterrados ainda vivos. E os seus corpos eram
devorados pelas raízes da arvore sagradas. O lodo Yucutamia, fazia o resto da digestão.
Yaol estava desapontado e triste..... Ele esperava ver ainda sobre os raios de sol,
o rosto lindo de sua amada Natuia. E ajoelhado e choroso, se debruçou sobre o tronco
e as raízes expostas da grande arvore.
Mas Natuia o estava vendo e sentindo-o..... E sorrindo ardentemente, ela
ventilou perfumes sobre o seu amado..... Um galho frondoso se deslocou e o afagou
solenemente, e ainda acariciando a sua face, os ergueu e o direcionou para cima, em
direção a grande arvore.
Novamente uma segunda onda de perfume tomou conta do lugar e já com a face
erguida, ele percebeu que a arvore e todo aquele lugar era a própria jovem Natuia. Ela
se comunicava com ele, mas a sua fala era através de manifestações biológicas e
naturais. Yaol levantou-se e ao identifica a alma da sua amada dentro daquela arvore,
sentiu o seu amor reflorescendo em seu coração. Imediatamente a abraçou fortemente
pelo tronco da arvore, e entendendo que ela havia absolvido todo aquele lugar,
reformulo-a para um aspecto mais agradável e feliz. Natuia afirmava que aquele local
não seria mais um lugar de sofrimento e punições. E os índios deveriam procura outras
formas de punir as pessoas, pois aquele lugar estava transformado. Apenas o bem e a
paz reinaria sobre os seus domínios territoriais.
Yaol estava feliz e disse-lhe que havia uma coisa boa para lhe falar, antes
justificando-se relatou que nunca a havia esquecido, e ele a procurou por todo esse
tempo, sua prisão no fundo daquele rio jamais o deteve definitivamente, e por vários
rios e lagos ele caminhou incansavelmente em busca de seu amor perdido.
Yaol relatou que fez alguns atos bem ruins, mas muito ruins mesmo, ele porem,
havia se arrependido bastante do que logrou, mas sabia que em grande parte dos seus
feitos, haviam as subordinações atribuídas ao que feitiço, boa parte do tempo em que
estava sobre o domínio do dono do rio, permanecia enclausurado sobre a sua mente,
mantendo escondido o seu inconsciente. Eleme dominava boa parte do tempo, e alguns
atos foram bem ruins para ser aceitos.
O ÍndioEnfeitiçado
90
Natuia sabia das condições das punições e perdoava o seu grande amor Yaol
pelos seus feitos ruins, e ainda o reconfortando disse para ele não se preocupar com as
pessoas que ele levou para o fundo do rio, ela mesma os levou para Yamaratuiama, eles
nunca mais sentiram frio, fome e medo. Todos eles viveram para sempre ao lado do lago
Tuicamanama. E o rio sagrado que alimenta o lago, lhes provera muitos peixes e água
boa em abundancia para beber e banhar.
Yaol entendendo a sua amada viu que ela era mais sensata e nobre do que ele, e
seu orgulho em ama-la havia aumentado ainda mais em seu ímpeto coração. Sua
emoção porem queria lhe pedir algo que mudaria o seu estado atual. Natuia teria que
tomar uma decisão muito séria e forte. Isto lhes traria felicidades eternas. Mais mudaria
o estado de felicidade que ela se encontrava, para um estado de felicidade que ele
almejava, porem a decisão final era sua em quere-lo ou não.
Sobre suas mãos havia uma cuia com as ervas e frutas sagradas, devidamente
fermentadas e curadas sobre uma reza forte de quebra de feitiço e liberação de prisões.
Aquilo a libertaria de sua prisão húmida, mas o lugar que você transformou, retornaria
para o seu estado anterior, resguardando de direito o espaço delimitado ao inquilino
que já havia habitado aquele lugar antes dela. O velho morador daquele local retornaria
a sua velha morada, libertando você de seu castigo.
Natuia entristeceu-se sobre o grande monte, o seu coração estavadividido, a sua
alma estava em luta, ela queria o amor de Yaol, porém, não queria ver mais nenhum
índio vivendo sobre os terríveis castigos que aquele lugar proporcionava, afinal, se ela
fosse embora, o mal retornaria e habitaria aquele lugar. Com a sua saída, o lodo
retornaria, e a vida podre que antes existia, tomaria aquele lugar, a arvore retomaria o
seu estado mórbido, e aquele lugar seria novamente um espaço para migrações de
vários povos para punir índios.
Seu coração estava dividido entre o amor e a dor que retornaria para aquele
lugar, novamente a vida lhe causava dubiedades cruéis, e a sua omissão em um lugar,
seria a permissão em outro.
Yaol apesar de triste desejava o melhor para a sua amada, e se aquela nova vida
a agradava, ele viveria ali, naquele lugar cuidando da arvore que ela se tornou. Ele
podaria os seus galhos, adubaria as suas raízes, regaria com água fresca as terras
próximas a seu caule, e afastaria cupins, ervas daninhas e animais que fizessem ninhos
indesejáveis em seu tronco.
Yaol estava pronto para ama-la de qualquer forma, o seu amor era único e
somente Natuia o teria, pois,o seucoração não tinha mais função para ele, aquele órgão
pulsante vivia em desejo a ela, e em função dela.
O ÍndioEnfeitiçado
91
Após ouvir todas estas palavras doces e sinceras de seu amado Yaol, a jovem
Natuia recitava sobre o que acontecia em seu coração, e decidida, foi deixando a
estrutura física da arvore, e o seu espirito, transpassou-se pelo plano etéreo, rompendo
o espaço entre os mundos. E abraçando-o, roubou-lhe um beijo demorado.
Natuia então pediu para que o seu amado Yaol a libertasse de sua prisão, mas
antes que ele o fizesse a jovem índia queria lhe mostrar um mundo que somente ela
tinha acesso, e pegando o seu amado pelas mãos o levou para o plano etéreo, os dois
então aproveitaram por semanas o convívio em Yamaratuima, e o contato físico foi algo
que os dois sentiam falta, ambos passavamhoras a fios em beijos quentes e calorosos,
mas nada era tão bom como a lascivinidade do ato sexual.
Os dois amaram-se intensamente e o mundo parecia ter parado a sua roda
giratória, o tempo estava inertemente solido e o amor os aquecia durante a noite fria.
Natuia ainda lhe queria mostra o lago Tuicamanama, que era simplesmente lindo, suas
aguas verdes plainavam sobre o sol amarelado e as muitas vitorias regias cintilavamas
luzes do espelho d’água que resplandecia sobre aquela paisagem.
Ambos estavam felizes e o dia passava com uma calmaria revigorante, naquela
manhã aproveitavam a planície alaranjada, um tapete de flores cobria todo o campo da
serra, os dois planejaram passar mais um dia inteiro juntos, e várias atividades lhe
remetia a vida antiga que tinham sobre a terra. Eles pescaram, coletaram, caminharam,
sorriram, comeram muitas frutas e viram o sol os deixa naquela tarde. Aquele era um
lugar de sonhos, e nada na terra se parecia com Yamaratuima, naquele espaço
expendido, somente havia lugar para a felicidades, aquele era um lugar paz. Durante a
noite um outro espetáculo surgia nos céus, a grande lua vermelha rasgava as estrelas
miúdas que teimavam em brilhar a seu lado, tudo aquilo era muito belo, e a noite
somente tinha beleza por que Yaol estava ao seu lado.
Horas mais tarde resolveram banhar de rio, apesar do vento frio, as suas águas
estavam mornas e agradáveis, uma cachoeira solitária os chamava a atenção, aquele
novo lugar lhes somou na mente memorias lindas que viveram sobre a terra, sobre a
mata amazônica. A cachoeira seria agora o seu lugar preferido naquele lugar. E desta
forma passaram meses se amando sobre a grande pedra que habitava a cachoeira,
apenas saindo para beber água e se alimentarem com frutas frescas e sadias.
Depois de alguns meses enamorando, Natuia revelou que deveriam voltar ao
plano físico da terra, ela queria se ver livre de sua prisão e viver o seu amor com Yaol. O
amor era o único sentimento que vivia em seu coração.
Quando retornaram a plano físico, Yaol fez o que Natuia queria e atendendo ao
seu pedido, ele derramou as misturas magicas e fermentadas próximo as raízes da
arvore encantada, liberando a sua amada de seu castigo eterno.
O ÍndioEnfeitiçado
92
A Seca do Rio Amazonas....
Natuia aceitou a proposta de seu amado e livre de sua prisão voltou com Yaol
para aldeia que um dia lhe baniu da terra que tanto amava, vendo-a como traidora, os
dois entraram pela frente do arraial, e caminhando para o centro do povoado se dirigiu
para a grande fogueira, aonde todos estavamreunidos. Muitos cidadãos se espantaram
com a audácia da jovem índia, afinal, ela não deveria estar ali, muitos índios a odiavam,
e Yaol não era bem-vindo.
Depois de tudo o que ocorreu, como ela ainda desejava fazer parte do grupo, e
aonde eles viveriam. Yaol alertou a sua amada, que os olhos de sua aldeia a desejavam
com maldade, e muitos não facilitariam a vida ou a pós vida dos dois.
Yaol ainda não compreendia o que havia ocorrido em sua vida, ele ainda não
tinha entendido que a sua composição física, não estava mais entre os vivos, seu corpo
foi carregado pela correnteza do grande rio amazonas, e os seres mágicos que conduzia
os seus restos mortais, provavelmente haviam o escondido na mata em alguma gruta
perdida e solitária. Foi preciso que o índio Yanamabare Tchaucotoco, fala-lhe a verdade.
Yaol ficou assustadono início,teve dúvidas do que ouvia, e não achou que aquilo
fosse possível, mas depois do que aconteceu sobre o leito do rio amazonas e de ter
vivenciado a dura experiência de quase morrer afogado, sentiu que águas do rio invadia
a sua garganta e pulmões.
Mas logo após de ser desamarrado de seu encalistramento viu que a liberdade
fora possível e por isso estava tão feliz. Mas tudo não passava de uma ilusão romântica,
e nada do que viveu era realmente uma verdade absoluta,aqueles cipós sobre suacanoa
ainda o preservava preso a seu feitiço.
Ele queria acredita em sua liberdade, sentiu de fato que estava vivo e achou que
estava com o seu corpo físico intacto e vivaz, sem dúvida o que sentiu naquele dia
parecia ser bastante real, pois a sua mente viu a pressão da água sobre o corpo, e o
turvo das águas emseus olhos, viu que aquela condição, impossibilitava-o de enxerga o
leito grosseiro do rio, e as muitas rugas na pele, causada pela agua fria e forte, fizeram-
me pensar que tudo era autêntico.
Até agora o sentimento de ter a água doce, entrando em minha garganta,
causava-me um medo estranho de afogamento legitimo, achei que estava livre de
verdade, que o feitiço maldito havia saído de mim e me deixado, e que mediocremente,
aquela liberdade, aquele medo pueril e a assombrosa escuridão que o fundo rio me
causava, seria apenas mais uma triste visão de um passado que deveria esquecer.
O ÍndioEnfeitiçado
93
Algo então inesperado e infeliz tomou conta de seu coração, e ele enfim
compreendia que nada era real, no mundo real, pois tudo acontecia no mundo irreal da
existência etérea, tudo era uma projeção de sua alma, e tanto ele quanto Natuia viviam
no plano etéreo, existindo eternamente entre o plano físicoe o sobrenatural. Yaolenfim
percebeu que não estava mais vivo.
A bela Natuia consentia com a cabeça, concordando com o que o seu amado
acabavade recitar em seu profano entender. No entanto, Natuia explicava-lheque nada
daquilo importava, por que os dois já estavam juntos e era exatamente isso que mais
importava, pois ambos se amariam aqui ou em outro plano da existência, desde que
houvesse amor.
Minutos depois uma índia infante chamou a atenção de Natuia devido às fortes
declarações que emitia, a garota relatava a suamãe algoimprovável ou impossível.Seus
relatos eram assombrosos e terríveis, mas o seu choro infinito e incomodo da pequena
índia, calou a entrada da aldeia tupinambá, e muitos aldeões agora relatam as mesmas
notícias improváveis.
Um outro índio também desacreditado pelo o que acabava de ver, corria
atarantado em direção a grande fogueira, e estando em pranto de choro desmedido e
irregular, denunciava também que as águas do rio amazonas tinham desaparecido de
seu leito, e todos os peixes e outros animais aquáticos, agonizavam sofregamente na
terra húmida de suas margens.
Os homens da aldeia foram em direção ao grande rio, e ao chegarem em suas
bordas, o que se via era algo inimaginável, aquilo simplesmente era surreal, algo
apocalíptico. As águas do gigante serpentinoso haviam sumido de seu canal, e a grande
lamina d’água principal que existia, evaporou do seu leito, em seu lugar sobraram
pedras, areia e muitos troncos e galhos de arvores mortas. Era como se o rio em passo
de mágica houvesse desaparecido, aquilo parecia obra de alguma magica demoníaca, o
rio havia secado, ele estava morto, literalmente morto.
Muitos índios se perguntavam se isso era mesmo possível, como um rio inteiro e
gigante como o amazonas, minga e some do dia para noite, como algo desta natureza
poderia simplesmente seca. Aquilo era racionalmente impossível.
O pajé da tribo revelou que a verdade era algo difícil de se ouvir, que magias
eram reais, e que rios poderiam sumir, a prova disso e que temos hoje na aldeia, dois
índios que apesar de mortos, hoje andam com os vivos. Yaol e Natuia eram provas vivas
do sobrenatural, que ambas existiam, ou coexistem e vivem paralelas emnosso sistema
mecânico real do mundo físico.
O ÍndioEnfeitiçado
94
Mas o que hoje aqui hoje foi o desequilíbrio da natureza, e tenho quase acerteza,
que os eventos de hoje, tem fortes ligações com estes dois jovens que quebraram as
regras de uma realidade natural. O rio não foi embora, ele nos abandonou, ele tomou
um outro curso, e talvez ele nunca mais retornará, a aldeia tupinambá passara por um
teste de fogo sobre-humano, e se nada for feito, todos nós morreremos de fome e de
sede.
Katoa ordenou a Mitaage e a Yenan que dessemordens aos guerreiros para que
eles fossem até as aldeias vizinhas e levassem o comunicado que haveria uma nova
assembleia de anciões, o assunto era referente ao rio amazonas, que não será segredo,
visto que todos o viram sumir em seus povoados.
Dias depois uma enorme quantidade de guerreiros e de todas as partes do
amazonas, estavamassentados sobre terras tupis, o assunto era grave e certo, os índios
se reunião para uma guerra diferente, seu inimigo era desconhecido e perigoso, seja
quem for é extremamente perigoso, pois ele tem o poder de comandar ás aguas doces
dos rios. No fim da tarde, todos estavam apostos, e os guerreiros queriam entender
quem era este novo inimigo, o por que ele mexia com os recursos naturais da própria
terra, que planos ele possuía e o que ele queria dos índios.
O índio katoa responderia a todas as perguntas, mais antes precisavam entender
com o que, ou com quem estavam lutando. Os pajés de todas as aldeias estavam mais
uma vez reunidos em assembleiae novamente tentariam resolver o caos que seabarcou
sobre a grande floresta. Agora era tempo de tentar saber, ou de tentar entender o que
acontecia sobre a terra aonde eles habitavam.
Estamos a três dias semas águas de nosso grande rio, e para matar a nossa sede
e a nossa fome, estamos utilizamos as águas de biqueiras e dos lagos, mas as águas
desses lugares possuem uma vasão baixa no volume de suas águas e os lagos produzem
poucos peixes e sabemos que em muitos lugares a situação é a mesma enfrentada por
todos os índios e como não se conhece o motivo desta nova crise, não sabemos se estas
fontes de água não estão prestes a acabarem, por tanto temos que agir, e temos que
ser rápidos.
Após muitas discursões várias hipóteses sugiram ao longo e alguns dias, mas
nenhuma delas era perfeitamente plausível para o que acontecia no amazonas, os fatos
não eram precisos e nem as suas causas.
No entanto, as explicações que todos queriam, vieram em um sonho coletivo,
onde todos os povos e aldeias viram e ouviam as mensagens relatadas pelo próprio
Yutia. O sonho parecia vida real, e muitos estavam preocupados e não entendiam Yutia
em suas palavras. Apenas Tchaucotoco e Ayumanima entenderam as mensagens
enviadas para os aldeões. Mas antes que algo fossem relatado, estes dois grandes
líderes precisavam conversa e entender mais sobre o assunto e as gravidades das
O ÍndioEnfeitiçado
95
informações. Mais dois dias inteiros se passaramna aldeia dos tupinambás, e os líderes
tribais mais importantes do maior clã que já se reunião em toda a nossa história
indígena, nunca viu tanto segredo e tanta proteção a uma informação.
O povo se reunia em volta da grande fogueira, e muitos aldeões já mostravam
impaciência e revolta com tanto segredo e desinformação. O grande povo tupinambá
também perdia a paciência com os Yanamabares e os Yanumanis.
A noite caia novamente sobre a aldeia e os dois líderes tribais continuavam a
manter sobre sete chaves o segredo que foi revelado em sonhos para todos sem
indígenas, ambos permaneciam enclausurados e em discursões acaloradas. Vicissitudes
que pareciam não ter mais fim.
O dia raio na aldeia e finalmente Tchaucotoco e Ayumanima tinham todas as
explicações que o povo precisava saber. Convocaram imediatamente todos os índios
que estavamsobre as terras tupinambás para ouvir os motivos pelo qual o rio amazonas
havia secado e em seguida relatariam quais decisões seriam determinadas.
Os grandes líderes convocaram também a presença de Natuia e Yaol, e
solicitarama Katoa que ele fizesse um ritual de convocação sobrenatural para que eles
tivessem presentes durante aquelas audiências, pois eles deveram estar nesta reunião
importante. Muitos índios não entenderam o motivo da presença dos dois jovens, afinal
eles não faziam mais parte deste plano físico, eles pertenciam ao plano etéreo. As
sumulas indicadas pelos líderes tribais estavamequivocadas, e muito do que foi dito até
o momento não fazia muito sentindo.
Ao terminar as explicações sobre tudo o que ocorreu em relação ao sumiço das
águas sagradas do rio amazonas, Ayumanima resumia que quanto o castigo de Natuia
foi revogado, as lagrimas que deveriam alimentar eternamente o nosso grande rio,
simplesmente diminuiu o volume das aguas, e nós sabemos que um rio, sem nascente
morrer por falta de aguas que os alimentem.
Ocastigode Natuia foibem amarrado, e foram vocês tupinambás que a elegeram
e a delegaram com estas obrigações e penalidades de cunho eterno, as cláusulas
compactuadas com o dono rio foram bastante claras, eela, amenina Natuia, substituiria
definitivamente a nascente natural do rio amazonas que reinava solenemente na
morada dos deuses estrelares, sobre o monte Chucurutiua, suas lagrimas alimentariam
os leitos de todos os rios, e a cachoeira que reside sobre o monte ficaria a salvo, pois
continuaria alimentada pelo choro da jovem, esta clausula deveria manter vivo para
sempre o nosso rio.
O ÍndioEnfeitiçado
96
Mas os diversos erros que estas punições absurdas, foram de forma arbitrárias
imergidas aos jovens inocentes, apenas causaram dor e desalento para todos os povos
indígenas desta terra, vocês tupis erraram com esses jovens e o seu ódio por uma nação
irmã condenaram-nos como nação indígena.
Hoje o jorrar de águas do nosso rio não existe mais, ele se encontra extinto, está
morto, e somente uma pessoa pode traze-lo a vida, semente esta menina pode fazer o
nosso grande amazonas, nascer novamente do plano etéreo, não há outra possibilidade,
não existe outro caminho, somente as suas lagrimas reabilitaramas antigas corredeiras,
somente a sua alma fará com que o rio retome as suas águas curvilíneas e límpidas.
Esta jovem é a nossa esperança, sem ela, rio mingará até secar completamente,
e os lagos e biqueiras que ainda existem despareceram para sempre. Natuia se fez
presente em parte do discurso, a bela índia não ouvir tudo, mas sabia o bastante para
saber que o rio secou por sua causa.
Quando optou pelo o amor de Yaol, deixou-se de lado o amor pelo o que era um
bem natural, um bem de todos, deixou-se de lado toda a natureza, a biodiversidade que
vivia no amazonas.
Yoala olhava com tristeza, pois no fundo de seu coração, ele saberiaqual decisão
final, ela tomaria, diante daquela nova escolha que recaia sobre a sua vida, apesar da
jovem Natuia o amar tanto, ela tinha como opção a razão e não o coração, seu amor era
algo único e maior, e amar a Yoal nunca foi uma opção, mais uma decisão, uma doação,
um privilegio, a maior realização de amor que teve em sua vida.
E exatamente por ama-lo tanto em sua vida, elaamaria primeiro a todos os seres
vivos que dependeriam de seu coração e de seu amor. Ela definitivamente cumpriria
com o seu destino de princesa, com os planos que os seus pais arquitetaram desde de
menininha e mais uma vez ela sentia que as tradições venceriam o amor.
O amor era algo incomum e único, e todos devia ter e amar alguém em suas
curtas vidas, apesar do fardo Natuia se sentia feliz, por que pior do que não amar, é
nunca ter amado ninguém emvida, elateve sorte, amou Yaolem vida, em morte e sobre
e além a morte e ela estava grata por isso, estava feliz por yaol ter doado o seu amor a
ela e não a outra índia.
Ela estava decidida, e ratificando a sua razão, não haveria nenhuma objeção ou
discussãosobre o caso,ela simplesmente sacrificariaoseu amor pessoal,pelo amor que
existia dentro dela, pelo o amor ao povo indígena e pelo o amor maior que sentia pela
mãe natureza.
O ÍndioEnfeitiçado
97
Katoa porem advertia a moça, que desta vez um feitiçoseria feito para aprisiona-
la no alto do monte sagrada onde jazia sozinha a arvores dos deuses, local onde as
primeiras águas nasceram originalmente. O chefe tribal ainda a alertou do fardo e do
compromisso, pois um castigopode serdesfeito, mais um feitiço de aprisionamento não
pode ser desvinculado.
E informando sobre as penalidades reafirmou que o rio está seco por que ela
havia abandonado o seu choro eterno, e sem as suas lagrimas o rio permaneceria seco
e morto para todo o sempre. Neste aspecto Yaol foi alertado, e se concordasse com o
que estava sendo imposto a Natuia, ela nada poderia fazer.
Um ritual novo seria feito é ela retornaria o seu posto de lamentos e choros, pois
o rio precisaria de suas lagrimas para poder se manter vivo e com águas límpidas. Yaol
concordara com o sacrifíciode Natuia, pois observou que era issoque aamada desejava,
e para ele não importava se ela voltasse a ser uma arvore sagrada que ceivasse lagrimas
para manter o nosso grande rio.
O amazonas era maior que todos os índios, e o nosso amor deveria ser usado
para salvar a nossa grande floresta e mãe de todas as vidas biológicas existentes sobre
a terra. Yoal concordava, e estava seguro de sua decisão, mais ele tinha um desejo, uma
objeção, uma clausula, para que tudo fosse aceito.
Os indígenas teriamo seu rio de volta, mas tudo isso somente seria feito, desde
que ele também se tornasse um grande rio, e que ela, também fosse um outro rio, ou
parte do rio que ele fosse transformado.... Desta forma eles estariam unidos,
caminhariam juntos, manteriam o seu amor vivo, descendo as correntezas rio abaixo,
tropeçado sobre as pedras, limando sobre os rios, curvilineando lagos e cachoeiras, a
até desemborcarem em um estuário amplo, caminhando rente ao mar infinito,
beijando-se pela eternidade infinita.
Katoa achou aquele ato um tanto rude e desmedido, tudo o que sefez até aquele
momento foi para proteger o seu povo, mas aquele índio afronho e atrevido não perdia
a oportunidade de insultar os tupinambás. Depois de tudo o que ele fez sobre nossas
terras, depois de ter causado tanto tumulto e desrespeito as nossas tradições, ainda
tenta nos desonrar com pedidos mórbidos e inviáveis.
Nenhum índio tupi vai seuni hoje a um guará, nenhuma forma de relaçãonatural
será permitida, e qualquer ligação intrínseca e sobrenatural consistira em admissão
solicita, nosso povo não os aceitamos nem como pessoas, imaginem se vamos aceita-lo
como um rio, não o veneraremos e nem o aceitaremos como um ungido em nosso clã,
nunca o aceitaremos ao lado de nossaprincesa, e jamais admitiremos que a nossafutura
rainha e governadora do rio amazonas, reconheça-se como guaja sobre pretexto de
amor, neste aspecto e sobre qualquer forma, isso não será aceito.
O ÍndioEnfeitiçado
98
Yaol então olhando para a sua amada Natuia sinalizou que desta forma nenhum
pacto ou ritual seria realizado, nenhum sacrifício sobre estes termos será aceito, e,
portanto, ele não concordava com o abrigue e pediu que o rito que a colocaria
novamente sobre a sua prisão anterior fosse rechaçada e negada.
Todas as tribos locais relutaram contra a arrogância de Katoa que até aquele
momento se recusava em tentar apaziguar as tribos, e ainda amargo em suas palavras,
preocupa-se com o orgulho, a vaidade, poder e dominação. O ódio e a separação de
tribos de mesma raça, ainda eram um fator ímpar em suas prorrogativas.
Suas relutantes opiniões não foram muito longe, Tchaucotoco novamente
interveio e sem discursos rompeu as negativas do amigo e confirmou que pelo bem de
todos os índios, pela manutenção do rio amazonas e pelo amor integro que todos
deveriam ter pela mãe terra, iam teria o seu desejo atendido.
Apenas uma ressalva seria notoriamente revisada e qualificada. Suas exigências
teriam um meio termo, e nem tudo seriaatendido, afinalamagiaque fariamestas coisas
acontecerem tinham regras e maneiras protocolares para realizações de magia. Alguns
cumprimentos ritualísticos e normas magicas seriamprontamente aceitas e executadas.
Yaol então agradeceu as interversões e aceitava o que estivessesendo oferecido,
desde que sobre o pactual, estivessemos termos que os deixassemviver juntos, sendo
assim, se ele pudesse está perto de Natuia, objetando tê-la ao seu lado para o resto da
eternidade, tudo podia ser apreciado. Tchaucotoco concordou com o índio e aceitando
os seus termos, pediu para que Katoa preparasse as ervas e procedimentos dos ritos.
O ÍndioEnfeitiçado
99
O Amor Retornado ao seu Lugar de Origem.....
O rito havia acabado e Natuia foi levada para o alto do monte sagrado, suas
lagrimas volveram a dar vazão ao rio amazonas, rio que antes secava sofregamente
sobre a terra ariada, a vida regressava fortemente para todo o monte, lugar aonde
residiasolitária a arvore sagrada.As lindas pradarias, campos e bosques tornaram a ficar
floridas, e o antigo estado inerte e petrificado da grande sagrada revolvia-se sobre si
mesma, requalificando-se e tomando vida e ceiva sobre seu caule, o lodo que existia,
estava lentamente desaparecendo dando lugar ao lago límpido que antes havia sido
construído por Natuia, a segregação que fizera, aos poucos contornava o lugar antes
triste e sem vida, a um lugar florido e muito perfumado.
As laminas d’água formadas por suas lagrimas, voltarama precipitasse em forma
de pequenas linhas de água doce e os filetes que se uniam um a um, formavam
delicadamente encurtados riachos, lagoas e corredeiras, por fim tudo emborcaria em
uma enorme cachoeira tênia, que se derramava precipitando-se do alto do monte,
formando assim os vários rios que moravam nas planícies do amazonas.
Em pouco tempo todos os rios do amazonas voltaram a seu estado natural e
muitos rios adjacentes tiveram de volta as suas grandes e gigantesca laminas d águas,
algumas com vazões menores, outras com abundantes despejos de camoecas.
A vida havia tomado o seu restauro vítreo e aos poucos os índios ribeirinhos e os
de mata densa, retornavam ao trato do cotidiano. Natuia tomou a forma de uma arvore
sagrada e o seu amado Yaol voltou ao convívio do rio que lhe aprisionou, mas desta vez
tudo estava diferente. Ambos eram libertos e não mais escravos de seus feitiços e
castigos.
Natuia se tornou uma governanta assídua da verdade e da paz, uma princesa
com vestes de rainha, uma rainha com a beleza e a juventude de uma princesa. Ela não
era mais uma escrava do monte, mas sim uma cuidadora daquele espaço etéreo.
Aquele lugar seria hoje um lugarde visitaçãoe austeridade, proporcionando para
todos os indígenas luz, amor e esperanças, o monte não serio mais um lugar dirimido
para o horror e dores, e a sua função principal como encantada, estava em alimentar
diariamente as águas intermitentes do rio amazonas, trazendo contemplação e
vicissitudes a todos os viajantes que a requeria como hospedes.
Natuia manteria a sua alma permanentemente vinculada a arvore sagrada, mas
ela não seria uma prisioneira, podendo caminhar por onde quisesse e a qualquer hora
do dia ou da noite.
O ÍndioEnfeitiçado
100
Yaol retornava ao rio que antes lhe aprisionou, mas agora, ele era o próprio rio
e o rio era ele próprio, e ambos se conjugavam em um ser único físico e sobrenatural.
Ele cuidariados seres viventes de suas águas e se manifestaria quando requisitado pelos
indígenas.
Yaol prometeu que manteria a limpidez de suas águas e resguardaria todos os
peixes em condições numerosas e saudáveis,garantindo a abundância e a sobrevivência
de todos os ecossistemas que habitavam os seus vários leitos.
A vida seria respeitada em suas laminas de água doces, ele vigiaria para que as
suas margens fossem sempre húmidas e férteis, tornando frondosas e úberes os
mangues e seus nichos adjacentes. Ele regaria os pequenos riachos, fontes, lagos,
biqueiras e cachoeiras. Sempre cuidando para que eles ficassem cheios de vida.
Yaol havia se tornado um rio respeitado e forte, promovendo fertilidade em
suas margens, abundancia de peixes em suas águas e mantendo cheios de vida os lagos
e outros córregos.
No entanto, tudo isso lhe proporcionava prazer, mais eram as noites que
ficavam lindas e atraentes não somente para o bravo Yaol. Os índios infantes e
enamorados usavamo espetáculo que o encontro de dois rios novos que acabavam de
se formam produziam sobre a floresta amazônica, os índios da nova geração pós seca,
os chamavam de Rio negro eRio Solimões, mas para os mais íntimos e mais enamorados,
eram lembrados e reconhecidos com os dois índios Natuia e Yoal.
Durante a noite Natuia deixava o monte sagrado para se transforma em um rio,
suas águas eram extremamente claras e por isso a chamavam de Rio Solimoes. Yoal
porém já estava deitado sobre seu leito, mas quando peregrinava as suas águas e os
seus braços caudalosos para leitos desconhecidos de outros rios, inundava pequenos
córregos e riachos, e as suas águas escuras que corriam sempre para outros rios,
buscavam atentamente pelas águas brancas que o seu amor Solimões plainava sobre o
luar.
Os índios chamavam Yaol de Rio Negro por causa de suas águas turva e as vezes
negras.Mas eram a turbulentas aguas agitadas que lhe dava fama entre os índios. Todos
chamavam aquele delírio, as corredeiras que ele promovia em suas águas, redemoinho
investido ou pororoca enroscada, o resultado disso é que ele sempre acabava
encontrando a bela Natuia.
Ambos tinham temperamento bem distintos, e por serem tão diferentes o
humor de um atrapalhava a serenidade do outro. Era fácil entender quando os dois
estavam brigados ou amando-se sobre águas. Quando chovia a noite, ficava claro que
Natuia estava triste por ter se desentendido com Yaol. E quando era Yaol que estava
O ÍndioEnfeitiçado
101
zangando ouvia-se o chiado agudo de suas aguas revolverem-se sobre as ondas
provocadas pelas inúmeras pororocas.
Em tempos de muitas brigas entre os dois amantes verificava-se que águas
claras de Natuia ficavam espumadas e volúveis, e Yaol como sempre carregava vários
sedimentos, com areia, troncos e galhos de arvores para a superfície de sua lamina de
água.
Os dois eram sim diferentes, um com águas claras e o outro com águas escuras,
e isto refletia bem as suas personalidades, eles jamais se misturavam, eram diferentes,
mais eles se amavam muito, era fácil entender quando aconteciam as pazes entre os
dois, ambos os rios se revolviam enamorados um sobre o outros, aquela dança de aguas
volumosas pareciam se mistura, mas isso nunca acontecia, eles se esfregavam um no
outro, se embolavam, e contornavam-se, enquanto se amavam.
Aqueles movimentos atípicos sobre águas, causavamsons e ruídos barulhentos,
chiados inaudíveis e finos, e notadamente descoloradas, a suas águas transmutavam-se
uma sobre a outra revelando fenômenos incríveis e sobrenaturais, via-se que ambos
estavamjuntos e estando felizes coloriam os céus comos seus splachs de água cuspidos
para alto das nuvens.
Estes eventos geralmente provocavam corredeiras, pequenos tsunamis e até
enchentes de vazões menores. Todas as noites eram quase iguais. Yoal com as suas
águas negras corria para as pedras para alcança a sua amada, o rio negro era incansável.
Natuia toda impávida, permanecia parada e inerte, sossegadamente descansada e com
as duas pernas cruzadas, erguia-se vez e outra, para ver se Yaol chegava. As suas águas
claras fluíam docemente para outros rios e todos sabiam que aquela calmaria, tratava-
se dela, era Natuia, a doce Solimoes.
Quando suas águas exógenas se encontravam, o amor se revolvia sobre as
laminas de seus leitos, as águas ora límpidas, ora escuras, embalavam os corações dos
jovens que acabavamde seapaixonar, os índios que seenamorados, serendiam as todas
as histórias de amor que se falavam de Yaol e Natuia.
Vários jovens amantes, contemplavam-se do amor que acontecia sobre as águas
daquele rio e mesmo espiando-se de longe, as margens das aldeias eramumótimo local
para reproduzir o que se passava no meio do rio, ou seja, ao amor que os dois faziam
sobre o luar.
As noites de lua cheia, sempre proporcionaram agradáveis espetáculos naturais,
e a lua vermelha era um espetáculo lindo e muito diferente, aquelas noites ocasiões
perfeitas para namorar, e entre estes dias comuns, geralmente os mais quentes, as
noites de luar vermelhas eram as mais escolhidas pelos índios para se enamorarem
sobre a beira do rio.
O ÍndioEnfeitiçado
102
Pois aquelas noites eram os dias em que natuia e Yaol passavam um dia inteiro
e duas noites revolvidos um sobre o outro na lamina d’água, e ambos iluminados pelo
clarão do luar, podiam ser vistos nus e se amando com os seus corpos humanos.
Muitos índios usavamestas datas atípicas para reafirmarem o amor que sentiam
um pelos outros, alguns casavam, outros realizavam pedidos de amor, vários desejama
volta de um amor perdido, ou simplesmente realizavam o que Natuia e Yaol faziam
sobre as águas, ali se geravam e se promoviam novas vidas sobre a terra, e a vinda de
filhos era algo comumente feito e realizado sobre aqueles escampados.
Muitos banhavam nus sobre aquelas águas, mais a maioria preferia ver o
espetáculo dos dois enamorados que se envolvia emaranhados sobre aquela lamina
d’água.
Com o tempo aqueles ritos se espalhavampara outras aldeias, e jovens índios de
várias outras tribos migravam para aquele lugarejopróximo aopovoado dos tupinambás
só para comtemplar o amor de Natuia e Yaol.
Os jovens índios sempre se reunião sobre a planícies banhadas pelos dois rios, o
Rio Negro e o Rio Solimoes. Muitos buscavam enamoravam-se sobre o grande luar
vermelho que plainava sobre aqueles céus, e muitos usavam o exemplo do amor que
Yaol e Natuia deixaram sobre a terra, repetindo-os amplamente sobre os demais índios.
Muitos refletiam sobre as muitas histórias que os antigos falavam sobre os dois
apaixonados.
Alguns dos anciões afirmavam que o amor é algo que jamais morre, a paixão não
desaparece, e a vida não se acaba com o fim do corpo mortificado, o amor apenas se
transforma, e a paixão apenas muda de forma, tudo migra para outras direções, tudo
caminha rumo ao desconhecido, o sentimento de amor jamais acaba, e a paixão
verdadeira nunca se apaga, o amor muda de navegação, o amor troca de lema e os
sentimentos guardados no coração, estes ficam sempre eternos, ficam congelados, e
quando menos se espera, ele se aquecem novamente nos cernes de quem sabe nada
por rios e amores mais profundos de sua vida.
FIM
O ÍndioEnfeitiçado
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Bibliografia
Nome do Mocinho: Yaol, um indio guajajarás
Nome da Mocinha: Natuia, uma india tupinambá
Nome do Cacique: Yenan, tupinambá
Nome do Cacique: Motaki, guajajarás
Nome do Pajé: Katoa, tupinamba
Nome do Pajé: Xinama, guajajarás
Nome do deus do rio amazonas: Yacara
Nome do rio: Amazonas
Onde Ocorre: Numa Aldeia
Como Ocorre: Em um cerimonial, ritual de passagem da vida infantil para adulta.
Onde ele fica Preso: No fundo do rio Amazonas
Onde ela fica Presa: Nas nascentes do rio amazonas
Punição para Ele: Feitiço
Punição para Ela: Castigo
Nome do Vilão: Paotaki, tupinamba
Animal Encantado (Boto): Bunua
Pássaro Encantado: Yutia
Lago Encantado: Tucuia
Ave Deusa da Morte: Tycara
Nome do rio Tupinamba: Apokue, o devorador
Nome do rio Guajajarás: Jukaua, a grande serpente
Nome do Deus Sol Indigena: Thuthukaia
Nome da Deusa dos rios: Yenemaiana
Nome das Aldeias: Tupinamba e guajajarás
Etnia: Indígena
Estado: Amazonas
Cidade: Manaus
País: Brasil

O Índio Enfeitiçado (conto)

  • 1.
  • 2.
    O ÍndioEnfeitiçado 2 Prefacio Uma festana aldeia tupinambá comemorava um antigo ritual de passagemque iniciava jovens índios a uma nova vida adulta dentro da tribo, durante o percurso da festança o cacique Yenan interrompe bruscamente as solenidades, sobre suas mãos anunciava o motivo torpe, ele carregava pelos colares de açaí, dois índios ordeiros, seus gritos frenéticos delatavam uma violação no rito da tribo, sua descoberta traria aos olhos do povo tupi, uma grande traição, o índio chamado Yaol da tribo guajajaras, foi pego as beiras da margem esquerda do rio amazonas, em mutua compilação carnal,com a índia da tribo tupinambá chamada Natuia. A índia em questão era a princesa da aldeia, ela seria dada como presente ao índio que vencesse o rito de passagem cerimonial. Esta violação foi imediatamente comunicada ao pajé da tribo katoa, que ao verificar a gravidade da desonra, atribuiu uma sentença severa ao jovem casal traidor. Yaol receberia como punição, um forte e terrível feitiço, que incluía a mortificação da alma, ele deveria ser amarrado a uma canoa, que seria envolvida e empalhada com as folhas de bananeiras campestres e em seguida entregue a ira do Yacará, ou seja, a ira do rio amazonas, que reclamado e devorado por suas águas, o tornaria prisioneiro vitalício, um rei no fundo do seu rio, transformando-o no decorrer de sete luas, em um ancião decrepito, um guardião daquelas águas. Nestas condições a magiao manteria como um servo do rio, um escravoda Yacará pelo resto da eternidade. Ela, no entanto, receberia apenas um castigo, que a transformaria em algo bem comum a floresta,elapermaneceria consciente, viveriaimersa ao rio e entres as plantas, sendo ela também parte do rio, ela deveria ficar presa a nascente do rio amazonas, sua função será cuidar e resguardar das proeminências das águas, ela ainda deveria lamentar e chorar eternamente sobre as biqueiras d’águas adjacentes a nascente deste rio e sendo assimseu pecado, ela deveria alimentar as águas do rio comas suas próprias lagrimas, para que o rio amazonas nunca fique sem água. A lenda do índio enfeitiçado conta que este ritual de punição aconteceu sobre o sol do meio dia, as beiras do rio amazonas, ou seja, quando o sol se posicionou encima de toda aldeia, muitos moradores de Manaus dizem que é fácil saber quando a índia Natuia está chorando de saudades, pelo o amor do índio Yaol, pois a nascente do rio amazonas transborda, e quando issoacontece,toda a tarde, sempre depois do meio dia, sucessivamentechove, e de forma continua, isto ininterruptamente acontece no mesmo horário e regularmente. Reza a lenda, que quando Yaol se libertar do feitiço ele subirá o rio amazonas na mesma canoa que foi punido e resgatara o seu grande amor, a índia Natuia, do leito da nascente do rio, e neste dia será fácil de saber que isso aconteceu, por que o rio, semas
  • 3.
    O ÍndioEnfeitiçado 3 lagrimas daprincesa da tribo tupinambá para ao alimentar as águas do amazonas, o rio secará, e virará areia. Neste aspecto, enquanto o rio não secar, é sinal que a índia Natuia, ainda sofre solitária de amor na nascente do rio, e o índio enfeitiçado Yaol, ainda assombra as margens do rio, navegando e levando para o fundo do amazonas, vários jovens que possuiem seus corações, as desilusões de amores desencantados. Esta história temuma magia muito forte que mesmo se não for quebrada pelas forças do amor, sempre se manterá viva nos corações dos apaixonados. Rusgat Niccus
  • 4.
    O ÍndioEnfeitiçado 4 Autobiografia Nome: UbiraniYaraima Aruana Data de Nascimento: 04/06/1969 Cidade Natal: Bélem - PA Nome do Pai: Upiara Yaraima Aruana Nome da Mãe: Anahí Aymane Aruana Conjuge: Tuane Aiyra Itapema Ocupação: Chefe de Tribo e Artesão Profissão: Representante de Causas Indígenas do Governo do Pará em Paragominas, Comerciante, Poeta e Escritor Bairro onde Morou na Infância: Aldeia Taguatinga Locais onde Trabalhou: Centro de Artesanato de Beléme Representante Indígena em Paragominas Formação Academica: Segundo Grau Completo (Ensino Medio) Lugares onde Morou: Pará, Maranhão e Piaui Ideologia Politica: Esquerda de Vanguarda Gosto Musical: Cantos do folclore Tupi-Guarani Gosto Gastronomico: Peixes, Cobras, Cutias, Farinha d´água, e Pimenta Religião: Sem Religião Altura: 1,65 mts Etinia / Raça: Indígena Cor da Pele: Parda Cor dos Olhos: Pretos e Pequenos Cor dos Cabelos: Pretos Claros, Lisos e Compridos Postura Fisica: Estatura Média Tipo Fisico: Magro, Dedos pequenos, Pés pequenos e Pernas Curtas Tipo Fisico Facial: Nariz pequeno e Afinado, Cabeça Oval e Queixo Arredondado Trajes Habituais: Idade Atual: 30 anos Euteronimo: Ubirani Yaraima Escritor: Roosevelt Ferreira Abrantes
  • 5.
    O ÍndioEnfeitiçado 5 Ubirani YaraimaAruana O poeta Ubirani Yaraima Aruana tem a alma intenta e emersa num universo próprio e imaginativo, seu idealismo holístico, perambula largamente pelo inanimado das coisas insanas, seu gosto pelo vinho revitalizar sua emoção excêntrica e a sua perspicaz inteligência, acentua a sua dinâmica neoclássica. Nascido em Belémdo Pará no dia 04 de Junho de 1969, sua vida literária é marcada pela paixão as escritas ultrarromânticas de Lord Byron e Alvares de Azevedo, seu amor pelas artes plásticas, principalmente as das escolas Renascentistas o intuíram na criação de seu gênero poético e plástico,porem é o seu romance com o teatro, a música,o cinema, e ahistória geral da humanidade, foi o que lhe fez ter uma incrível fascinaçãopelos livros e pela arte em geral. Sua história é ligada ao amor pela escrita modernista de Carlos Drummond de Andrade, e completamente apaixonado por esta arte, propôs-se inicialmente a escrever peças teatrais, pensamentos soltos, crônicas diversas e por último dedicou-se as poesias clássicas, está, no entanto, é até hoje a sua maior paixão natural. Sua escritasempre seassemelhou às folhas secas de umoutono trivial,sendo ritualístico em sua descrição textual, compele o seu ensejo místico a repetição paisagística da metalinguística impressa, boêmio entre as artes, transgredi a composição das formas inerentes de sua retorica, e sendo altruísta em sua prosa fácil, remete-se ao delírio do prazer tênue das formas nuas de sua poesia sexualista. Vemos em suas obras a expressão de textos poéticos tristes e efêmeros, a coesão alegre de um enredo romântico inteligente, conflituoso, lascivo, firme, tenebroso, encantador e tempestuoso. Seus muitos papeis e facetas, muitas ainda em branco, ficamtingidos a cinzas e a fel, algumas letras poéticas ficam ao cargo do leitor colori-los, mais a grande maioria de nós, prefere engoli-los dentro de si mesmo. Rusgat Niccus
  • 6.
    O ÍndioEnfeitiçado 6 Muitos retornavampara as beiras do rio, acomodando-se em troncos de arvores, nas gramíneas ou no chão de terra batida, outros que cobriam uma área maior, voltavam de suas buscas completamente desanimados. Muitos outros que cobriram uma área ainda mais extensa, se afastaram tanto do local onde possivelmente ocorreu o afogamento, que muitos ribeirinhos e pescadores experientes, apresentavam um nítido cansaço em sua fisionomia, naquele momento a busca não teve êxito. Rusgat Niccus
  • 7.
    O ÍndioEnfeitiçado 7 A PrimeiraGrande Guerra Indígena A cerca de 3.000 anos, antes mesmo que os portugueses e as suas caravelas, desembraçassem nas terras freteis e grandiosas do Amazonas, um terrível conflito travado entre Tupinambás e Guajajaras, havia se transformado em uma guerra continental, envolvendo milhares de tribos circunvizinhas. Esta agitação causou milhares de mortes, destruição de povoados, devastação dos meios naturais, extinção de aldeias inteiras e perdas culturais inimaginavelmente graves. A floresta era queimada diuturnamente e os rios amargavam o doce de suas águas, devido aos milhares de corpos que se amontoavam em suas margens. Plainando ainda horrivelmente sobre o leito, permanecia inerte, o sangue dos guerreiros, que habitando as laminas d´água, pintavam de forma terrível em vermelho escuro, vários aglomerados de pedras e vegetações,uma visãode inferno, nunca visto antes pelas aldeias indígenas. Havia também milhares de corvos amontoados sobre as enormes arvores, muitos esperavam sossegadamente por um bom banquete, outros, no entanto, apresavam-se em meio ao caos, e sem si importar com as agitações deste conflito, eles dilaceram os índios que estavam mortos. Infelizmente muitos outros animais acabavam morrendo em consequência das barbaridades que o fogo promove sobre a vegetaçãoralae densa,alguns destes animais, muitos típicos e até endêmicos da silvestre Amazônia, foram sumariamente sacrificados em homenagem aos deuses. No entanto, os seres mágicos que moravam nas matas, haviam abandonado todas as tribos. Algumas tribos dissidentes ainda tentavam organizar tributos, homenagens e oferendas, objetivando sobremaneira o fim da guerra. Mais os deuses permaneciam calados e inertes frente ao caos que devorava e engolia a floresta tropical. A grande floresta amargava sangueindígena e os céus incrivelmente nublado e fervente, denunciava o quanto era frio o temperamento dos deuses. Muitos índios acreditavam que as divindades celestiais haviamvirado as suas costas para as aldeias. A guerra havia cegado os homens, mais eles não conseguiam ver essas coisas. A guerra arrastava-se por três intermináveis longos anos, ambas as tribos, haviam perdidos muitos grandes guerreiros e as aldeias estavampraticamente vazias. Mulheres e crianças agora faziam uma nova frente de reforço para o conflito. E pintados dos pés até a cabeça, suas flechas velozes atravessavam os crânios inimigos com mais efervescência, nitidez eficiência e brutalidade.
  • 8.
    O ÍndioEnfeitiçado 8 A guerranão dava sinais de trégua e muitos estavam determinados a eliminar o seu inimigo. O conflito tornava-se a cada dia mais quente e mais destrutivo, e os homens ficavam mais determinados, rancorosos e mordazes. O calor de uma guerra sempre aumentava vertiginosamente antes de seu fim, mais o fim seria acompanhado por uma extinção em massa de seu próprio povo. Nada os faria para com o conflito, a não ser que Yatumã devolvesse a jovem princesa Tumaia que ele roubou da aldeia Tupinambá. Uma subversão diplomática, envolvendo o amor de jovens, habitantes de aldeias distintas, uma falha de comunicação que acabou revolvido e resolvido sobre uma declaração arbitraria, um preludio de guerra. Mais com proporções desoladoras. Muitos índios guerreavam, afrontavam e matavam, mais a maioria nem sabia porque lutavam. O amor devia ser algo para unir pessoas, povos e até aldeias, mais o amor de Yatumã e Tumaia, fez nascer algo que eles nem sabiamque existia, algo maior que a própria vida, uma contraposição ao amor, o próprio ódio. Aqui nascia o ódio, revoltava-se Yatumã quando observou o tamanho do desastre que o seu amor casou a sua aldeia e as muitas outras. Aquilo precisava ter um fim, as tribos tinham que terminar com aquele conflito, ninguém mais precisaria morrer por causa do amor que ele sentia por Tumaia. Yatumã correu então até o meio da batalha, apontou a sua flecha para o alto e gritando, gruiu bravamente para os demais índios que lutavam arduamente contra os seus inimigos. A suafecha foi disparada para o alto, mas o que ele atingiu,assombrou atodos que lutavam sobre aquela planície. O olhar de todos os índios, estavam voltados para o alto dos céus e imersos sobre o objeto que estacionou sobre as suas cabeças, muitos ficaram aterrorizados e medrosos. A tarde ensolarada havia virado noite e ainda sem saber o que era aquilo, muitos abandonavam as suas armas, outros sentavam-se sobre a relva, e alguns poucos correriam para a mata fechada existente próximo a planície. Yatumã havia atingido algo que provocou a fúria do deus sol, e estando zangado, ele havia apagadoo seubrilho no alto dos céus. Definitivamente o grande brilho amarelado, estava muito zangado com todos, e muitos índios já esperavam pelo pior.
  • 9.
    O ÍndioEnfeitiçado 9 O EstranhoPrato de Fogo que veio dos Céus... Inusitadamente o céu se abriu, e a floresta antes escura, clareou novamente absurdamente o local da batalha, a planície aonde estavam revelou-se límpida e vermelha, e o escampado da mata, ficou exposto, e todos seentreolharam com espanto e muito medo. Um brilho indiferente, vindo do alto dos céus, agora ofuscava os olhos de todos os índios, parecia que o sol havia descido do firmamento, mais ele incrivelmente não os queimava. Todos estavam intranquilos, pois não tinham certeza do que observavam, alguns falavam que aquele era o próprio deus sol, mais a maioria já não sabia o que aquilo representava. Quanto o brilhou cessou, algo gigantesco surgiu no horizonte, e observamos que o sol estava em seu lugar, mas aquele objeto, aquela coisa que brilhava, aquela aberração enorme, não estava no lugar certo. Aquilo era algo novo na paisagem, e nenhum indígena em toda a sua vida, jamais tinha observado algo parecido como aquilo. O objeto estranho tinha a forma de um prato, ou o formato de uma cuia, as suas bordas em círculo quase perfeito, pegavam fogo, aquilo estava literalmente em chamas. Alguns índios abaixarama cabeças, outros fecharam os olhos, outras ainda continuaram olhando, e outros caminharam para perto do objeto. Todos estavam maravilhados, alguns estavam contentes, mais a maioria estava assustada e com muito medo. Minuto depois, um somfino e estridente ouve-se sair de dentro do objeto, um facho de luz esquio surge, e iluminando um círculo de índios que havia sobre a planície, um pequeno índio guerreiro tupinambá foi mais incidido e envolvido pela luz. Era o índio Yatumã. Todos ficaram apavorados, mais ninguém sabia o que aquilo significava. O índio Guajajaras Yatumã ficou inerte e assustado, mais não se sentiu ameaçado. Seu corpo começou a brilhar muito e a luz incidida sobre ele, parecia levanta os seus pés do chão. Seu íntimo encheu-se de alegriae de contemplação, e ainda flutuando, disseaos demais indígenas que o olhavam inertemente. - Sou o escolhido... - Sou um deles... - Sou um deus... - Esta luz é infinita.....
  • 10.
    O ÍndioEnfeitiçado 10 Yatumã sesentia envolvida pela luz de um deus, e que até se sentia como a um deles, ele os ouvia e os sentia...... E continuando, o jovem repetia que era o escolhido, repetia que era um deus....... As duas tribos em guerra, imediatamente ajoelharam-se sobre o chão, e jogando os arcos e as fechas sobre a terra, desistiamum a um de continuarem com aquele conflito. Todos ficaram maravilhados com Yatumã, e muitos agora o olhavam com certa devoção e muita paixão. O objeto começou a girar sobre ele mesmo, e freneticamente foi seafastando do campo de batalha, a luz que acompanhava o pequeno índio Yatumã, o levava vagarosamente para dentro do invólucro. Os indígenas inevitavelmente maravilhados, ajoelharam-se com maior firmeza, muitos colocaram a cabeçasobre a terra, outros abriram seus olhos, muitos ergueram os seus rostos para o alto, e milhares levantaram as mãos em direção ao objeto estranho. Yatumã subia para o infinito do céu azul, e sendo aclamado pela multidão indígena, foi glorificado pelo seu povo, sendo chamado de Thuthukaia. O objeto de fogo havia levado Yatumã... E todos os índios entenderam que os deuses o levaram embora como um sinal de paz para a tribos... Os indígenas então, não tinham mais motivo para se odiarem, muitos já confraternizavam a maravilha que havia acontecido diante de seus olhos, e os abraços, os beijos e os choros formavam um consentimento contratual e consensual. Todos entenderam o que havia ocorrido sobre a planície, o próprio deus vivo veio sobre eles, e ele desejavam o fim da guerra. Muitos entendiam que o jovem Yatumã, era realmente o escolhido e por isso ele não teve medo e sem relutar foi fazer visita a morada dos deuses. Agora Yatumã era chamado pelos indígenas com o deus sol, ou de Thuthukaia, todos os Tupinambás, Guajajaras e outros povos indígenas deviam reverencia-lo. Seu nome não seria mais Yatumã, todos deviam chama-lo de Thuthukaia, o novo deus dos índios, dos tupis e de todos os guaras. Yatuma não seria mais apenas um jovem índio guerreiro que foi levado para mora nas estrelas. Ele era agora era como um deus e habitaria para todo o sempre as estrelas que existiam entre os céus. Infelizmente a jovem Tumaia, o amor da vida de Yatumã, ficaria sozinha sobre a terra, desolada, esquecida e condenada a viver sem o seu amor. Eladeveria ficar para sempre olhando para as estrelas dos céus,esperando eternamente pela volta do seu amor Yatumã. Os índios relatam que as suas lagrimas foram tantas que originaram o rio amazonas. E que dos fios de seus cabelos nasceram dezenas de outros rios e riachos. Tumaia naquele mesmo dia também desapareceu da planície tupinambá, muitos índios relatam que o próprio Yatumã voltou para busca-la. Mais isto nunca pode ser comprovado por nenhum índio Tupinambá ou Guajajara.
  • 11.
    O ÍndioEnfeitiçado 11 O Amor....Um Caminho sem Volta... O sol alaranjado brilhava em meio as inúmeras nuvens cinzas do céu daquela manhã de outono, e o dia frio e cinerício, molhava as penas de meu colar caprichosamente ornamentado, aquele dia deveria ser, só mais uma manhã gélida e comum na floresta alta, mas os ventos atípicos que sobravam do mar, balançavam fortemente as arvores mais finas do Amazônia tropical. Eu estava sozinho sobre pedra caída, um lugar lindo que habitava solitariamente o meio da mata virgem, os mais antigos diziamque o nome daquele lugar sugeria a algo que caiu das estrelas dos céus, o objeto era tão grande como uma rocha e foi devido ao impacto daquela coisa que deu origem aquela linda e imensa pedra no meio do rio. Avistava-sedo alto de pedra caídaa grande aldeia guajajarás, mas aquele momento, não foi a gigantesca aldeia que chamou a minha atenção. O índio chamado Yaol ao sair para caçar naquela manhã, não imaginou que o destino o colocaria em uma situação única de êxtase. Apesar de ter se perdido de seu grupo de caçar, e tendo que ficar sozinho por mais de um mês caminhando a esmo pela imensa floresta amazônica, viu pela primeira vez o que os seus olhos, nunca tinham avistado antes, e se o amor existia, e se ele tinha forma, o contorno do amor se fez presente naquele dia, o amor estava nua e bela e encontra-se a sua frente. A jovem índia que Yaol olhava, estava banhando sorridentemente debaixo de uma linda e pequeno cachoeira, aquele era um lugar que ele mesmo nunca havia visto na vida, mas nunca um lugar ficou tão lindo, como a presença de um outro espetáculo da natureza que se manifestava naquele estante. E elese perguntava, podia o amor ter tanta beleza, podia o amor existire se fazer deusa, quanto aquela índia, que beleza imensurável, como aquele rio perene era lindo, como aquela deusa íngreme podia existir, ela em sua sutileza de amor vil, refletia um inesperado equilíbrio natural com a existência divinal. Naquele instante Yaol olhava nitidamente para ela e conjuntamente a isto observava também de forma preocupada para seu arco e flecha, em seu arco haviam quarenta e seis marcas, aquelas eram balizas devidamente computadas, um número exato de dias que ficou perdido e desorientado na mata. Aqueles laivos foram feitos com a ponta de sua lança, marcas que reproduziam exatamente em igual proporção do mesmo número de noites que dormiu esquio e sozinho na mata escura. Àquele instante de sua pequena existência, já não tinha esperanças de encontra o caminho de volta para sua aldeia, apesar de crescer na mata, aquele território era desconhecido e perigo para Yaol.
  • 12.
    O ÍndioEnfeitiçado 12 Mas aquelemomento, um sonho de índia, pintada de preto e vermelho, envolvida com penas lisas e compridas, e com as mãos devidamente empunhadas, ia retirando o excesso de água de seu cabelo comprido, aquela imagem encantava-o, e como peixe de rio se viu ferido pela lança desta caçadora, aquele era um minuto trivial, o seu coração desconhecia aquele extremo sentimento solto, toda a razão do mundo era insana e eloquente, e nem mesmo a saudade de seus companheiros de caçar lhe prostrava ao desanimo. A fome também lhe incomodou um pouco o juízo, mais nada lhe parecia tão a miragem quanto aquela menina Índia. Mesmo com dois dias sem uma boa caçar que lhes respeitasse a barriga, foi suficiente para esquecer aquele instante de delírio febril. Yaol a observava de longe, sua traquinagem remetia-se a um treinamento de caçar real, como a quem se esgueira para uma caçar que não pode ser perdida, e caminhando devagar, deslizava pelas folhas úmidas de juçara nanica, mantendo é claro o cuidado, par não fazer ruídos ou qualquer outro tipo de som que pudesse afugenta-la, quando ficou próximo o suficienteda pequena, resolveu permanecer inerte, e de láficou admirando aquele peixe bonito, que só os rios podem prover. A Índia sem perceber nada continuava o seu ritual de banho, sua preocupação maior, eram com os compridos cabelos, que eram massageados com uma erva que ele ainda não conhecia, a água tomava cores diversas, o preto e o vermelho estavam predominantes, e ora se intercalavam em meio a água da cachoeira, tudo isso ao passo que ela ia tirando as pinturas rupestres de seu corpo. Ela realmente era linda, pensava o índio malvadamente em sua consternação, Yaol nunca havia visto tamanha perfeição, e jamais viu alguma Índia em sua aldeia que se quer se parecesse com ela. Aquela Índia era verdadeiramente muito confina e o seu íntimo a desejava com um amor tão tênue, que mal cabia em seu peito. Aquele sentimento era diferente, e jamais, em todo a sua curta existência, nunca sentiu nada igual e em tamanha plenitude e demasia, como agora o sentia. Querendo ver a pequena melhor e ainda mais de perto, o seu desejo intimo e trivial, resolveu lhe direciona para um dos galhos perdidos e solitário de um cajueiro, mais antes de pôr o primeiro pé em seu tronco, uma flecha fincou-se rapidamente entre um de seus dedos, zumbindo-lhe os ouvidos tépidos de seu medo, em seguida uma voz branda e ameaçadora advertia-o, deixando o seu ímpeto completamente inerte e solto. Quando o dono daquela voz se aproximou, sua sombra parecia quatro vezes maior do que o seu corpo, e o quebra de gravetos sobre seus pés anunciava, que aquele individuo era estupidamente grande, a ponta de uma lança erguida agora sobre o meu pescoço, voltou a lhe ameaça, e o algoz agora estava de pé e a sua frente.
  • 13.
    O ÍndioEnfeitiçado 13 Duas perguntasfrias e espirituosas exigiam respostas rápidas, e o emissor as exigia urgentemente, uma dela ressoou friamente ameaçadora... – O que faz aqui índio insolente.... Norteou o índio grande sem furta-lhe a medida plena, e perguntando novamente exigiu uma resposta... – O que estava olhando.... Aquele instante era certo que ele não viu o que eu via, ou com toda certeza, não estaria mais vivo, então ergui minha cabeça para confronta-lo, sua feição ameaçadora me causou susto e um medo imediato, mas virei com cautela, uma das mãos para com o dedo aponta em direção contraria aonde estava cachoeira, mas quando visualizei de canto de olho as imensas pedras aonde a Índia estava sentada, não havia mais nada, ela sumira como a um vento, como a uma aparição, ela tinha ido embora, o que para mim foi um alivio ou sorte. O índio enorme pintado a minha frente perguntava novamente para mim as mesmas perguntas, e com o dedo continuando estendido para a direção contraria a cachoeira, reafirmava a minha tese, ratificando que olhava para o jequitibá, e sem acredita em minha afirmativa, foi abruptamente advertido, mas desta vez fiquei calado e de maneira truculenta fui levado pelos braços até aaldeiadele. Ao chegar nesta aldeia, ela não parecia muito diferente da minha, suas estalagens eramgrandes e ovais, porem a sua língua um pouco diferente do meu povo, mas seu dialeto era perfeitamente entendível, as índias daquele povoado estavam todas à beira do rio, escamando, destrinchando e escalando os peixes, o cheiro de mandioca torrada estava perfumando o ar, a fome fez-se ressurgir e o meu organismo pedia desesperadamente por uma alimentação sadia. Como intruso fui apresentado ao chefe da aldeia e uma horda de índios veio ao meu encontro querendo saber mais sobre minha pessoa. Um pajé jogou algo sobre minha cabeça e falando de maneira assombrada me cuspia todo ao falar e ao gesticular enormes brandimentos que eu não entendia, um outro índio mais assustado, me chamava de hatabata, hatabata, hatabata e amaldiçoado-me rapidamente, puxou pela suaflecha e direcionando-a em minha direção, gruiu um somforte e lívido, imagineique aquele seria o meu fim, mas durante aquela conversa tosca, uma pequena Índia tomou por mim uma defesa. Aquele alvoroço chamou a atenção de outras índias e índios, que saíram das beiras dos rios e das ocas para ver o que acontecia comigo. Muitos tomaram a frente da pequena que me defendia, mas poucos se importavam com minha própria vida. Uma outra Índia muito zangada que parecia falar por outras índias, invadiu o julgamento, gritou duas ou três palavras para o cacique e levou-me pelo braço para uma de suas ocas pequena e ali cuidou de mim até que os ânimos abaixassem. Não sabia se ficava contente ou apreensivo, mas como quase fui morto, e como não saberia do porquê de tanta selvageria e ódio, resolvi pedir clemencia e ajuda aquela anciã, minha estatura era pequena, e eu não lhes aferia perigo, mais todos agiram como se eu fosse uma ameaça para a sua tribo, pelo menos foi algo que consegui entender
  • 14.
    O ÍndioEnfeitiçado 14 entre aspalavras proferidas por eles, algumas eram bem lucidas para entender, outras agressivas para confiar, mas as palavras povo, guerra e guajá, repetiam-se exageradamente. Mas mesmo prisioneiro, uma coisa me deixava feliz, era a visão da jovem índia que vir ainda cedo próximo ao rio, banhando naquela cachoeira, a Índia anciã que me protegeu de ser morto a horas atrás, e que ariscou sua vida por mim, me olhava analiticamente por cima dos ombros, ela não sabia, mais eu amava a Índia que residia a oca ao lado, mais cedo havia dito isto aquela velha, mais acho que ela não me compreendeu, e de alguma forma tinha que dizer isto a ela, mas sabia o que eu queria seria algo muito ariscado de fazer. Tarde da noite, tive uma surpresa inesperada, ela a pequena Índia, a mesma que vir na cachoeira, veio até a oca aonde eu estava, mais ela não parecia feliz, ao falar comigo percebi algumas duras palavras que foram ditas de forma sucinta e agressiva, mas eu não as entendia, mas sabia que eram duras, agarrando em minhas mãos ela arrastava-me para fora da oca, apontando-me um caminho para mata, parecia dizer, vá embora, mais eu queria está com ela. A Índia mais velha nos surpreendeu em nossa conversa perigosa e me cumprimentando advertiu, falando em minha língua nativa, ou próximo a ela, e desta vez eu consegui entender. Em poucas palavras ele repetia, você é um guajá, nossas tribos estão em guerra, vá embora, ou vai morrer aqui. Agora ficava nítido o que escutava, guajá era guajajará, o nome de minha tribo, e apontando para as minhas pinturas frisadas na pele, ela repetia, não era nada bom eu está ali,elaqueria que eu fosseembora ecom muito medo dos índios enormes que moravam naquela aldeia, foi o que fiz, fui embora daquela aldeia.
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    O ÍndioEnfeitiçado 15 Um AmorReencontrado no Meio da Mata... Já era dia quando resolvi para de caminhar, e após a minha facilitada fuga, percebi que ainda estava com fome, afinal os meus opressores, não tiveram a gentileza de me alimentar, mas um cativo deve exigir muito em uma prisão, agora bem mais cansado do que antes, decidi cessa um pouco a minha fuga e fui dormir próximo ao alto de uma arvore, ao lado de um leito de rio desconhecido pra mim, aquela era uma mata estranha, havia muitas expostas e muita vegetação rasteira, mas aquele momento, este seria o melhor lugar para ter o mínimo de segurança possível e se abrigar em uma bela, alto e forte arvore como esta seria o ideal. Mas mal preguei os olhos evários zunidos fazia-seouvir na mata, pareciamdois assobios frouxos, seguidos de um bem fino ao final, quando olhei para baixo, lá estava ela, a pequena índia que vir tomando banho na cachoeira muitas horas atrás, aquilo não podia está acontecendo, eu simplesmente não acreditava, ela estava com um filhote de um animal estranho sobre os ombros, parecia ser um javali, mas não tinha certeza, e nas mãos ela tinha algumas raízes coloridos e verdes, parecia que ela perguntava-me algo que só a fome podia entender, era uma oferta de comida, e comida das boas. Fizemos uma boa fogueira e assando o que ela chamou de Cutia ali mesmo, era a nossa primeira refeição como conjunta, assimimaginava enamorado por ela, até que foi prazerosa, e sua presença não foi nada parecido com aqueles gritos agressivos que a vir proferir contra mim horas atrás em sua aldeia, ela assemelhava-se mais gentil e amável, ainda com o gosto da carne na boca a surpreendi com um beijo, algo que ela não aceitou bem, e a priori pensei ter agindo precipitadamente, mas depois saia de sua boca um grande sorriso que logo me surpreendeu invictamente com uma reciproca muito boa. A convite dela passei a ir à aldeia Tupinambá as escondidas, o risco de ser encontrado e morto era grande, mais o meu amor por aquela curumim não me deixava pensar em minha vida, o que importava eram os seus lábios, seus carinhos e claro o seu gosto de menina mulher, nossos encontros sempre acontecia no mesmo lugar, o local aonde a vir linda pela primeira vez. Naquele mesmo dia ela me mostrou o seu lugar secreto e preferido, havia uma gruta escondida entre as pedras, e somente ela conhecia o seu caminho, aquele lugarejo também se tornou o nosso cantinho preferido, ali por diversos dias fizemos amor, as vezes nos víamos pela manhã, outras vezes a noite, e com o passar dos dias, nos encontrávamos com mais frequência e demora, eas vezes ficávamos o dia inteiro juntos, e aquele sentimento, era algo que não cabia mais dentro de nós mesmos, e como tudo na vida chega um momento em que não havia espaço para segredos e o amor de ambos já havia tomado proporções que se expandiam a territórios que ficavam além das estrelas que habitavam o céu, nosso amor havia se tornado maior, ele havia ficado
  • 16.
    O ÍndioEnfeitiçado 16 uniforme eele era tão gigantesco que nem mesmos Thuthukaia que veio das estrelas dos céus e que fez da terra a sua morada, teria o poder de nos separar.
  • 17.
    O ÍndioEnfeitiçado 17 A Descobertade um Segredo.... Paotaki também amava a Índia Natuia, e mesmo já sabendo a algum tempo do romance secreto do guajajarás com a pequena tupinambá, ele guardava consigo esta informação importante para chantageá-la na hora que fosse oportuna e muito prospera a seu favor. Natuia não desconfiava de nada, mais Paotaki agora a seguia com mais frequência, obcecado pelo amor que mantinha pela menina, suas atividades de pesca e coleta ficavam por vários dias comprometida. O seu coração enchia-se de ciúme, e a raiva por Yaol aumentava consideravelmente, inúmeras conjecturas, muitas delas bem ruins, já passeavamemsua mente biltre, que naquele momento achava-se dominada por uma paixão adolescente. Ressentido, pensava em algumas exclamações orbitais, como um guajajarás pode ter o amor de uma tupinambá, como ela pode nos trair com um inimigo, como o deus sol Thuthukaia pode deixar isto acontecer com a nossa tribo, e que mal fizemos a rainha do rio para que permitisse isso também. Tomado pelo ciúme Paotaki resolve por seu plano em pratica, e em uma de suas saídas para se encontra com Yaol, ele a surpreende durante a sua caminhada, e ao revelar o que sabe sobre os dos amantes, exige da Índia que ele tenha dela o mesmo que Yaol tem em seus deleites. Natuia se protege das acusações e negando tudo desconversa sobre o assunto abordado pelo seu algoz, Paotaki então revela o seu segredo que está escondido dentro da gruta e ameaçado a pequena Índia ele exige novamente que a partir daquele dia que ela também seja dele, Natuia rejeitando o seu pedido esdrúxulo, desfere de maneira vil um tapa no rosto de Paotaki, que revoltado a empurra com força para o chão, machucando-a bastante, com muita raiva Paotaki a ameaça, seu segredo não está seguro comigo Natuia, e espero que a aldeia hoje à noite, não saiba deste seu romance traidor com um guajá, espero que pense até lá e me diga outra resposta favorável. Depois do que aconteceu e tendo mais uma tarde de amor com Yaol, Natuia mostrava-se diferente, algo a incomodava, sua mente estava em outro lugar, e Yaol apreciando aquele momento, não gostou de vê-la tão mal, algumas conversas a mais, alguns risos a menos, e muitas perguntas sem respostas, infelizmente nada fizeram a pequena falar. Natuia saiu da gruta como se quisesse falar algo, mais talvez aquele problema sóela pudesseresolver, Yaolconcordou e deixou Natuia parti semsaber o que sua amada realmente sentia. A noite chegou na aldeia, Paotaki esperava pacientemente por uma decisão da pequena, ele a queria naquela madrugada, de outra forma falaria ao conselho do chefe da tribo e aos anciões do namoro e do guajá que ela abrigará no seio dos limites da aldeia, ambos sabiam que uma traição dessa natureza não teria perdão, mas Paotaki preferia vê-la morta, do que ver novamente os dois juntos.
  • 18.
    O ÍndioEnfeitiçado 18 Natuia pensoumuito sobre o assunto,e também refletiu sobre o que aconteceria com Yaol se as ameaças de Paotaki fossem levadas a frente, a tribo não teria piedade duas vezes, a primeira já foi uma sorte não ter sido morto por Yenan, que costuma ser cruel com povos adversários. Sua fuga facilitada foi um prêmio concedido a Yaol, afinal ninguém o seguiu, deixando-o livre para volta a sua aldeia. Ninguém me puniu por facilitar a fuga dele e minha mãe fingiu que não viu nada até agora. Portanto não devo vira as costa a minha própria sorte. Natuia não podia tornar difícil as coisas, se por um acaso pegassem Yaol residindo em terras tupinambás e sobre sua guarita, ambos estariam condenados a morte ou a coisas piores, como rituais de banimento eterno e por feitiçaria de mata. O pajé da tribo katoa, era conhecido pelas práticas milenares de seus encantamentos, conhecimentos que ele afirma ter vindo do próprio rio amazonas, onde supostamente advindas da moradora e rainha do rio. Ninguém nunca a viu, mas todos os anos sempre um índio da aldeia some de forma misteriosa reclamado pelas águas do gigante adormecido. Quando cheguei à biqueira, Paotaki já me esperava, aquele local onde venderia minha honra, para compra o seu silencio, era o único local da aldeia que talvez não houvesse ninguém para nos observar, Paotaki parecia nervoso, e ainda muito ansioso tentou me beijar várias vezes, agarrando-me com selvageria, aquele momento era detestável, eu não o queria, mais precisava fazer aquilo, tentei ganhar tempo e pedir que ele pegasse para mim, um pouco de água na biqueira. Suas intenções eram as mais biltres e seu hálito plainava um estado tão vil como a um cão danado, depois que bebi um pouco da água que ele me trouxe, começaram novamente os seus ataques e o meu desejo principiava a minha renúncia. Não conseguiria viver com aquilo, e a morte já me parecia uma saída mais feliz, de repente um silencio calou o folego frenesi de Paotaki, e algumas gotas de sangue ainda quente caíram sobre os meus seios pequenos e frágeis, quando levantei o rosto vi a flecha enterrada na garganta de Paotaki, e uma mão fina e pequena se estendia em minha direção, era o Yaol, o meu choro, deu lugar a um sorriso esticado, e o abraço dele, mais uma vez se fez forte sobre mim, sua atitude me fez ver que ele entendia tudo o que se passava ali, nosso olhares já se entendiam muito bem. Quando expliquei a Yaol sobre as chantagens que Paotaki tinha feito, Yaol já sabia que algo não caminhava bem no coração de sua amada, e mesmo especulando, o seu sentimento lhe avisava que algo estava acontecendo, e ali tinha algo de errado, e foi este pressentimento ruim que o fez segui-la naquela dia.
  • 19.
    O ÍndioEnfeitiçado 19 Paotaki estavamorto, e isto agora era um problema, um membro da tribo tupinambá estava caído e suas terras beberam sangue jovem, em tese, um termo de vingança será declarado e eles iram associar a minha recente visita a sua aldeia, com a morte de Paotaki, você meu amor não está mais segura aqui, terá que vim comigo, eles vão querer o sangue de um guajajarás, e a menos que isso não se cumpra, a paz não será selada. Eles viram atrás de mim, e logo associaram você ao nosso amor.
  • 20.
    O ÍndioEnfeitiçado 20 O Caminhode Volta a Aldeia.... Os dois resolveram caminhar mata a dentro, e Yaol rezavam para achar o caminho de volta á sua aldeia guajajarás, depois de vinte e seis dias caminhando pela mata, Natuia revela a Yaol que gostaria de volta a sua própria aldeia, ela enfrentaria os seus pais e a tribo, talvez eles a perdoaria, enxergariam que aquele ato foi uma ingenuidade de crianças e eles provavelmente não lhes fariam mal algum, talvez até os aceitavamcomo um membro permanente, e em relação amorte de Paotaki, sefalassem das chantagens e do ato heroico de defende-la, talvez fossem perdoados. No entanto Yaol pensava diferente, àquela altura alguém já teria ido a biqueira busca por água e certamente também iriam achar o corpo do jovem Paotaki, eles, no entanto também notaria a sua falta, e muitos na aldeia avaliariam a única situação possível, que eu havia matado Paotaki e que em seguida a levei embora da aldeia para ser minha prisioneira. Seriamos mortos de qualquer maneira, o certo a fazer é busca refúgio em minha aldeia e tentar no conselho da tribo uma espécie de pacto, para evitarmos uma guerra. Depois de sessenta dias caminhando perdido pela mata fechada, um estampido de águas vertendo sobre pedras chamou a atenção de Yaol,que mudou a direção de seu trajeto rumo aquele barulho, que parecia-lhe muito familiar, minutos depois um clarão no meio da mata se abriu de forma majestosa, um lindo rio curvilíneo apresentava-se para os dois índios. Yaol bebia de suas águas com uma sede sem fim, enquanto Natuia banhava como se nunca houvesse feito isto antes em sua vida, esse rio chicoteoso é chamado pela minha tribo de grande serpente e de tudo se tira daqui para viver, desde os peixes, a água para beber, e o banho para matar o calor. Yaol dizia agora a Natuia que estavam no caminho certo, mais algumas caminhadas e estariam em sua aldeia, o sol brilhava diferente aquela manhã, e o céu parecia mais bonito do que antes, a dias não viam o sol devido a mata fechada, mas agora seria só a grande estrela a nos guiar e nada mais. Depois de algumas horas de caminhada o sol parecia nos deixa, ele despedia-se no horizonte, seus raios amarelados, ficavamcada vez mais alaranjados e com o cair da noite tudo ficaria mais difícil. Ainda bem que a aldeia já se mostrava próxima, mesmo de longe conseguia ver dois pequenos índios brincando e banhando na beira do rio serpenteoso, àquela alegria inocente dos dois jovens índios o deixou motivado e feliz, Natuia parecia sentir o mesmo, ela não tirava os olhos do rio e a cada pé de planta que era costumeiro a minha vivencia de infância, era para ela um mar de novidade. Na margem esquerda do rio, já se via as mulheres enfileiradas, lavando e retirando dos peixes as tripas e as ovas, os primeiros eram jogados no rio, o segundo cozindo na panela de barro, os peixes eram assados na folha da bananeira sobre a fogueira, e tudo era comido com os dedes e as mãos, os peixes eram servidos com um
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    O ÍndioEnfeitiçado 21 belo angude farinha de madioca e a pimenta dava um gosto todo especial a farinha molhada. Uma índia ao me ver próximo da aldeia, largou os peixes que tinha nas mãos e jogou tudo no chão, ela corria e gritava pelo meu nome, eu sem conhece-la devida a distância que ainda existia da primeira oca, não retribui seu ensejo a primeira vista, tentei puxar pela mente uma fisionomia próxima, mas não a reconhecia, seu choro me lembrava bem a minha mãe, mas ela eu não conseguia vê-la em meio aos outros índios que ali estavam, de repente aquele escândalo de mulher e o seu berreiro exagerado, fez com que os homens da aldeia descessem para as bordas do rio, logo um mar de gente veio ver a quem aquela índia desgovernada e enlouquecia gritava com tanto afinco. Apenas minutos depois vir a minha mãe sentada sobre uma torra de madeira, sem acreditar no que via, mal conseguia me ver, ou levanta de onde estava, seus olhos marejavam uma tormenta de lagrimas, a saudade mal cabia no peito, tomou conta de sua alma. Muitos me beijavame abraçavam-me como nunca fizeram antes, outros apenas me olhavam, e me interrogaram com os olhos de forma assombrada, alguns já me davam como morto, outros simplesmente olhavam-me com a um fantasma. Depois que me perdi na mata naquela manhã fatídica, muitos já me consideravam como parte inerte da floresta, e muitos deduziram o que possivelmente ocorreu comigo, muitos revelaram que a floresta havia me engolido vivo, outros afirmavam que algo como um animal grande havia me devorado, como uma onça, um jacaré, ou mesmo uma sucuri ou jiboia. Minha mãe quando me viu, quase quebrou todos os meus ossos de tanto que me apertou, meu pai, este sim não acreditava no que via, seu filho estava vivo, estava bem, e também estava acompanhado. A índia ao seu lado não estava perceptível devido a alegria da tribo ao ver o pequeno Yaol de volta ao rebanho, mas depois da euforia a menina um pouco diferente logrou de imediato algumas objeções. Neste instante os olhos da aldeia se voltaram para a pequena Natuia, que mesmo estando calada, assustou a todos quando ouviram da boca de Yaol que ela estava junto com ele, e que juntos passariam a viver na tribo com todo mundo. Seu paiainda consternado, ficou pávido com que o filho dizia, aquilo não era uma brincadeira de Yaol, ele conhecia os olhos de seu filho, e seu brilhante sorriso já diziam tudo, e ao continuar apresentando a pequena índia, a aldeia ficou em polvorosa, e em tácita. Afinal os mais antigos da aldeia, reconheciam aquelas marcas e pinturas em seu rosto e em seu corpo, um aviso de mal presságio estava anunciado, ela era da tribo guerreira tupinambá, com certeza a levar em conta a sua idade os anciões não a deixariam sair sozinha de sua aldeia, o que concluímos que Yaol a roubo-a de sua tribo.
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    O ÍndioEnfeitiçado 22 Opai deYaol pediu para que ele seexplicassepara o conselho de anciões da tribo guajajaras, advertiu que ele não poderia esconder nenhum fato, deveria revelar todos os acontecimentos importantes que ocorreram em sua vida, enquanto esteve fora da aldeia. Ao perceber o alvoroço do povo e o clima que aquelas novidades trouxeram, Motaki o cacique da aldeia, insurgiu energicamente sobre aquele assunto, persuadindo furiosamente os mais exaltados, semalarde deu boas vindas a jovem tupinambá, dando fim aquelas inúmeras perguntas desidiosas, ele convidou a jovem para que ela se recolher a oca das demais índias da aldeia, e sugeriu que também devia se limpar e se desfazer de suas marcas e pinturas corporais, afinal ela seria agora uma guajajara e não mais uma tupinambá, o mesmo disseaYaol,emseguidapediu aos dois que sejuntassem a todos os outros da aldeia, deveriam comer e beber junto com a tribo, mas tarde nos reuniremos em um conselho e falaremos sobre o assunto, esperamos com fé que as atitudes dos dois jovens índios aqui presentes não atraiam mais uma nova guerra para estas terras. Pois não queremos dar mais sangue para que a terra beba, já chega de guerras, eu apenas almejo a paz entre nossos povos. Mais tarde um grupo de índios erguia uma grande fogueira que iluminava toda aldeia, os índios envoltos de suas chamas colocavam um a um o seu alimento para ser compartilhado, não demorou muito e uma enorme reunião indígena estava estalada, todos comiam e bebiammutuamente com alegria,cantorias dispares eramentoadas em meio a comilança e os risos das crianças entorpecia os corações mais exacerbados. Enfrente a grande fogueira uma outra reunião mais restrita tomava uma forma mais pujante, e poucos índios ficavam ali para conversar sobre aquele assunto penoso que envolveria fatos recentes de interesse da aldeia, Xinama o pajé da tribo, convocava os anciões e os mais espiritualizados para participar do concluiu. Depois de ter ouvido atentamente os relatos proeminentes dois jovens, Motaki debruçou algumas palavras sobre os ouvidos de Xinama, eram cochichos monossílabos diversos e muitos soavam um tanto estranhos, aquilo emitiu aos demais da tribo, um tom que parecia ameaçar as suas vidas, suas expressões faciais não eram nada boas, e depois de ter compartilhado o que falavamaos demais membros da tribo, este tom se confirmou. Várias discursões apimentadas vararam por quase uma madrugada inteira, e o consenso correu apenas para um lugar, um acordo unilateral devia ser pactuado com os tupinambás, mais este entendimento de como isto seria feito, deveria ter os chifres de Bunua na tratado, ele saberia o que nos aconselhar. Pela manhã ao nascer do grande sol, faremos uma longa viagem até o lago místico de Tucuia onde mora o encantado Bunua, as respostas que queremos estão com
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    O ÍndioEnfeitiçado 23 ele, quandovoltarmos a tribo devemos estar prontos para enfrenta a fúria dos Tupinambás, pois entendo que a tribo deles já está a caminho de nossa aldeia.
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    O ÍndioEnfeitiçado 24 O Conselhode Bunua.... O sol tinha uma pigmentação amarelada particular naquela manhã, e as trilhas dentro da mata fechada, hora iluminava, hora escurecia, as nossas vistas, luzes que se apresentavam de forma neutras e límpidas, cores que espelhavam os tons esverdeados das diversas plantas, reflexos luminosos, multicoloridos, que clareavam os insetos e outros pequenos animais, bichos que por si só, já eram lindos. Durante a caminhada que proporcionaria a visitade aconselhamento comBunua, aíndia forasteira observava vários animais que ela nunca tinha visto antes, aquelas terras eram mesmo magicas, e Yaol estava certo desta vez. Natuia a cada passo que dava ficava mais encantada, algumas arvores mal podia se ver os topos, outras literalmente trepavam seus galhos ou seus troncos em outras plantas, elas eram diversas e grandiosas, a maioria possuía troncos largos e folhagens largas, e todas se perdiam no alto do céu azulado. Aquele lado da floresta dos guajá, era muito mais bonita do que a floresta de sua aldeia, dizia Natuia a seu amado Yaol. Natuia estava maravilhada com o que via, seu ímpeto pulava em seu coração, mas Yaol e os demais pareciam não liga para o que viam, naturalmente aquelas belezas jáfaziamparte de seus olhos amais tempo do que os meus, então amagia destafloresta já não os encantava tanto. A visita a Bunua estavam com alguns dias de caminhada, seus pés encardidos e doloridos, eram a prova deste mártires intenso, tudo aquilo valeria apena, disse Yaol, o que você vai ver, poucos verão, minutos depois o brilho incandescente de flores brancas e amarelas,contemplava uma vereda enorme, lotados com réstias azuladas,uma planta típica e endêmica daquele lugar, outras plantas tão bonitas quanto as réstias, algumas outras delas iam antecipando as belezas que ainda viriam pela frente, via-se agora ao longe um lago gigantesco, comáguas límpidas que estavamcheias de vitorias regias, no meio do lago havia uma arvore de grosso troco e muito alta, aquela carnaubeira era única naquele lugar solitário dizia Yaol. Mas uma interlocução contraria, advertia o jovem e descuidado Yaol, a árvore em questão, menino travesso, é um ipê amarelo, dizia Xinama corrigindo-o, antes que ele falasse mais alguma coisa errada sobre aquela mística árvore, o interlocutor do grupo resolveu tomar a frente para falar. Durante o verão suas flores ministravam e pintavam inúmeras e delicadas pétalas douradas, que dependendo das emoções e das motivações intimas de cada índio que a tocasse, revelar-se-ia de mil maneiras distintas, os mais terríveis segredos ínfimos e internos de cada um que as profanassem. Todos tinham e admiração aquela arvore, o seu poder é realmente místico, e algo sobrenatural lhe governa a vida, aquela não era uma cedro-branco qualquer, apesar de estar aparentemente seca, sem folhas ou sem
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    O ÍndioEnfeitiçado 25 flores hoje,ela ainda possuir uma magia terna em suas seivas, fluidos que podem ser consumidas para inúmeras curas. Havia também enormes pedras que a envolvia, e o seu caule possuía outros mistérios ocultos e efêmeros que se desmanchavam durante o dia, ao seu redor também havia gramíneas iluminadas, que escondiam animais microscópios e inteligentes, diziam também os mais velhos que as tais pedras que a protegem, eram regidas por encantamentos promíscuos e profanos, algo que foi cuspido pelos deuses dos céus, e quando sua casa metálica caiu na terra, resolveram habitar aqui temporariamente, eles caminhavam como pessoas feito agente, mas elas voavam em pequenos pássaros de ferro, que ressoavam barulhos terríveis, quando foram embora, nos deixaram esta arvore magica, e entediados com a mata e com o rio, voltaram para entre as estrelas do céu escuro, nos deixando sozinhos aqui na floresta. Sobre as estas mesmas pedras, algumas delas boiam e afundam de maneira rotineiramente magica, algo de muito misterioso e curioso, se não bizarro, acontece a elas, pois sabemos que pedras não devem boiar, mais aqui elas submergem e afundam. Elas parecemproteger algo, ou alguma coisa, mais os nossos antigos dizem que ela nos protege de eventuais inimigos, e este foi o propósito de nosso deus quando por aqui veio em seu pássaro de fogo. Ao fim da visita a Bunua se via milhões de gafanhotos que acariciavam cada folha seca que caia no chão, montando uma manta protetora natural, uma espécie de ponte que indicava um caminho, ele queria que atravessássemos o leito do lago para encontramos a arvore encantada. Aquela cena era magica aos olhos de Natuia, mais o surpreendente, ainda aconteceria, surgia em sua frente a árvore que tanto se falou durante o percurso do caminho, sobre a arvore, inúmeros gafanhotos, caminhavam de dentro dela, faziamisto de forma enfileirada e amontoada, unindo-se mutuamente, replicando-a em uma forma instável de movimentos aleatórios, até que seus movimentos ao se compilasse em uma única estrutura firme de um animal estranho e desconhecido para ela. Ao final daquela dança estranha, o formato de algo que mais se parecia com um Peixe-boi ou um Boto se mostrou a todos, finalmente o encantado Bunua, se fez presente e exigiu que Natuia viesse até ele e se reverenciasse. Em seguida pediu que a jovem índia desamarrasse os seus próprios cabelos e de forma proeminente, tocasse a sua língua áspera, ao ser tocado, o encantado Bunua, disse a jovem, seja o que for que veio buscar, você terá menina, pense nas perguntas e todas as suas respostas lhes serão dadas. Natuia fez-lhe uma única pergunta e ao ouvir as respostas, ficou com os pensamentos intempestivos, emuito assustadapeloque viu e ouviu de Bunua, elapediu a Xinama que todos voltassem a aldeia e que ela fosse entregue aos tupinambás, sua presença na tribo guajajarás, traria para a aldeia as asas da morte de Tycara, esta
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    O ÍndioEnfeitiçado 26 entidade maléfica,uma ave de três metros e que atrai mal agouro e morte, alémde ser extremamente malvada, possuía uma personalidade terrível. Bunua lhe mostrou em sua mente, quando tocou em sua língua a visão de um futuro com mortes terrivelmente cruéis, milhares de índios morreriam por causa dela, as mensagens tinham uma conotação única, que uma guerra viria, e esta batalha tinha uma real chance de acabar definitivamente com as duas tribos, Natuia e Yaol seriam responsabilizados, e suas almas seriam devoradas pelo grande rio amazonas. Depois da decisão tomada por Natuia, fica claro que ela deveria retorna a sua aldeia, Bunua entendendo que tudo foi absolvido, se desfaz de seu corpo temporário e elerapidamente retornou ao seu mundo etéreo, em seguida Xinama eMotaki percebem que aquele manifesto nobre da menina, haja vista o seu espanto, tenha alguma razoabilidade e justificação para tal sacrifício, Yaol aturdido reclina e declina sobre a decisão de sua amada, e pede que ela reveja sua atitude, seu coração não admitiria esta perda, e nada que ela fizesse o faria aceita tal posição. Natuia relata que isto tem que ser feito, e entende a dor que isto causara a ambos, mais senada for protelado, o contrário a istoacontecera, ou seja,ummal terrível e sem precedentes cairá sobre as duas tribos. Depois de ter conversado com Bunua, Xinama se ajoelhou sobre a arvore encantada, e abrindo um furo no tronco da arvore, recolheu um filete fino de soro de seu caule e colocou sobre uma tigela de cuia e a amarrou reforçadamente. Aquela quantidade de seiva seria o bastante para o ritual que fariama noite. O fim do conselho com Bunua estava desfeito, o encontro com a arvore foi favorecida e eles poderiam retorna para casa. Natuia ratificavadizendo a Yaolque as aldeias poderiam ser poupadas e as tribos deveriam se entender depois de minha justificativa, sacrifícios devem ser feitos, e o nosso amor Yaol deve se sucumbir para o bem maior de todos, milhares de pessoas inocentes não podem perder avida por nós dois,isto seria egoísmo enão amor, jásomos maior que isto, então, ajude-me a pacificar as nossas tribos. Yaol com os olhos penetrados em sua amada, ficou em silencio, e sem muito o que dizer sobre aquela decisão,pareceu momentaneamente concordar com ela,mesmo contrariando os seus sentimentos. Um mar de silencio absurdamente tênue, tomou conta da caminhada que eles faziam de volta a aldeia, e a tristeza parecia reina nos corações dos dois jovens. Natuia disfarçando aquela dor, dizia confortando os índios que a olhavam compenetrados em suamazela, temos que caminhar aindamais depressa, sintoas claro- vidências ainda dentro de mim, como se Bunua estivesse dentro do meu corpo
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    O ÍndioEnfeitiçado 27 caminhando comigo,vamos caminhemos, não quero que estabatalha aconteça, minhas visões devem ser evitadas, Bunua tem que está errado sobre isto. Suas visões mostravam os tupinambás caminhando para a aldeia guajajarás, e suas passadas eram cada vez mais largas e rápidas, eles estavam fortemente armados de ódio, vingança, flechas e lanças. Yenan é um líder que não admite falhas emsuas batalhas, e geralmente, ele não costuma ter piedade de seus inimigos, o confronto será terrível, e talvez eu seja a única pessoa que pode interferir neste fim terrível. Natuia não quis dizer mais detalhes aos demais companheiros de caminhada o que viu em suas visões, mais o seu semblante era bem convencedor, uma destas imagens,relatava elasozinha para semesma, não poderia acontecer, aquele rio coberto por sangue, as ocas incendiadas, crânios pendurados por lanças, mulheres amarradas em pedras no meio do rio e afogadas pela enchente, homens perfurados com lanças e fechas da cabeça até os pés. Aquilo ressoava a uma fúria terrivelmente cruel e desumana, a aldeia no final da guerra estava repleta de carcaça de peixes, restos de comida, muito sangue e gente morta por todo os lados, mas isto definitivamente não se realizaria, eu devia impedir este massacre.
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    O ÍndioEnfeitiçado 28 A FúriaTupinambá.... Depois de vários dias de caminhada, um rio curvilíneo e gigantesco se apresentava a tribo tupinambá, um a um matematicamente iam colocando os pés a beira daquele rio, não demorou muito e todos já estavam enfileirados, amontoados , armados e prontos para atacar. As margens do rio serpenteoso agora tinha um verdadeiro mar de gente, todos eles estavam muito bem pintados e enfeitados para guerrear. A guerra era uma arte, e arte vos pintavam para guerra. Todos os tupinambás, no entanto, permaneciam parados e a olhar o seu inimigo com cautela, os índios mais aguerridos planejavam ali mesmo as margens do rio, que métodos de ataques fariampara começar a invasão. A aldeia guajajaras inusitadamente parecia está despreparada, aparentemente a vida e a normalidade reinava naquela comunidade tribal e isto parecia transcorrer sem muitas alterações, não havia homens de guarda, nem armas, nem olheiros para avisar possíveis invasões. Yenan concluiu que a vantagem da surpresa garantiria a tribo tupinambá uma vitória certa, e os guajajarás amargariam eternamente pelo erro de não se prepararem para o ataque que os extinguiria definitivamente da faseda terra, Cutoia um índio muito espirituoso e também jovem, ficou empolgado com a sua primeira guerra, e agindo sem autorização de Yenan, resolve aponta seu arco para cima e comemorando, atirou uma flecha para o alto, incitado pelo ensejo de sangue e mortes que aconteceria naquele local. No entanto a flecha disparada por Cutoia faz um percurso maior do que o desejado, e ela acaba atravessando simetricamente para o outro lado do rio de forma despretensiosa, emseguidagritos sãoacompanhados de uma correria na aldeia inimiga, a flecha insidiosa havia acertado o pescoço de um pequeno infante índio, que mortalmente cai sem vida próximo a inúmeras mulheres que ali mutacavam os seus peixes. Neste instante uma parcela pequena da aldeia guajajarás visualiza os inúmeros índios agressores, devidamente pintados no outro lado do rio, e acertadamente muitos correm e gritam alertando a tribo de um provável ataque, um índio adulto guajá observando o que estava em curso na margem oposta ao rio, decidiu principiar uma correria até a oca adjacente a sua, para avisa os homens guerreiros da aldeia que descansavam tranquilamente em suas redes, certamente seu aviso provocaria uma reação de proteção a invasão que proeminentemente orquestrada pelos possíveis inimigos, antes porém, que ele pudesse avisar aos demais companheiros guajajarás, uma outra flecha foi atirada, desta vez, de forma intencional por Yenan, a flecha atravessou o peito esquerdo do denunciador derrubando-o ao chão, isto instaurou de forma generalizada gritos exaltados de ataque ao inimigo, que moveram os tupinambás a atravessar o rio em posição de guerra.
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    O ÍndioEnfeitiçado 29 No entantoo efeito surpresa estava destituído, e Yenan ao ver o que Cutoia fez o agredia verbalmente pela irresponsabilidade, aquele ato inescrupuloso será oportunamente firmado e repudiado, índios não matavam crianças índias em suas guerras e Cutoia certamente pagará pelo seu ato irresponsável. Yenan era um guerreiro cruel em suas batalhas,mais crianças e mulheres deveria ter mortes mais respeitadas e ou até serem dispensadas da eminente morte. Os índios tupinambás nadavam com fúria e força sobre o rio curvilíneo, alguns ficavam pelo caminho, arrastados pela correnteza de suas águas, outros chegavam a margem oposta empunhando lanças e arcos, e derrubando os inimigos sem lhes dar chance ou qualquer outra defesa. Yenan pediu ao restante da tribo que atravessassemo rio e que a invasão fosse rápida e cruel, deixem de fora desta guerra as crianças e as mulheres, aos demais, não poupem ninguém, quero que esta aldeia vire uma área desértica, depois de feito isto queimem tudo e se acharem Natuia e o seu sequestrador os tragam a mim. A guerra começou e aos poucos os guajajarás que foram alertados combatiam a invasão, tentado sobremaneira defender a aldeia, o embate sem dúvidas era algo desigual e se via naquele momento muitos guajás mortos sobre o chão daquela terra, alguns batalhavam no rio, ou em suas margens, outros guerrilhavam na mata fechada, mas a luta de verdade tinha como palco principal o meio da aldeia guajá, as lanças tupinambás atravessavam pescoços e tórax dos guajajarás, e as flechas finas e longas destes últimos perfuravam o peito e os crânios dos tupinambás. Um dos guajajarás ferido conseguiu avisar àqueles que na mata exerciam naquele dia sua atividade de pesca e coleta diária, de repente um turbilhão de índios guajás saiamdas matas e de diversas direções atingido vários tupinambás mortalmente, uma chuva de flechas, lanças e dardos envenenados irrompiam-se transladando e transfixando os invasores, que inocuamente iam tombando um atrás do outro. Como uma tormenta o embate entre as tribos aumentou acirradamente, e como formigas taturanas comedouras de carne, eles agrediam-se mutuamente, e um sobre o outro o confronto turbinava-se como a um ódio furioso que nunca se viu. Aquele momento o cenário era desolador, a terra guajajarás estava embebida em sangue, e o rio manchado de um vermelho incomum, nem parecia ser mais aquele gigante curvilíneo e majestoso, sua coloração esverdeada, dada pelos musgos que habitavam as margens, sumia envolta aquele mar de sangue, e o rio entre os índios, as fechas e sangue morto, estava intrepidamente coagulando, fator que ia afogando os peixes e outros seres vivos dele dependentes, as matas ciliares agora também agonizavam freneticamente entre as margens virgens.
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    O ÍndioEnfeitiçado 30 Naquele instantejá se fazia presente inúmeras aves, que observando tudo do alto, prévio que todo o fim de guerra acaba em cadáveres, e carcaças são comida para aves de rapina. A guerra possibilitava as aves quem escolher energicamente como presa fácil para devorarem, e neste caso haviam muitos índios, as aves de rapinas, urubus e alguns corvos, pousavamnumerosamente sobre o chão ensanguentado, e ferozmente bicavam alguns mortos, ou alguns moribundos com uma fúria de fome insaciável. Um índio com o seu arco e flecha empunho em uma de suas mãos, resolve para de guerrear para ver uma das cenas mais bizarras de sua vida, mesmo de longe ele consegue reconhecer a ave do mal, que apenas tinha ouvido falar em contos cantados no meio de sua aldeia, seu povo vinha relatando suas lendas a milhares de anos, mas nunca poderia crer que aquilo fosse real, de fato Tycara a ave deusa da morte, estava naquele lugar, e ela caminhava entre os corpos dos índios. E comendo suas carnes como os abutres o fazem, seuaspecto era terrível, aquela ave meio animal e meio humana despertava os piores medos, ainda que não sentidos até agora em um homem. Próximo ao rio havia uma cena ainda mais grotescas, alguns cães selvagens pareciam esperar por algum momento oportuno, e consideravam comer os restos de carnes sobremaneira humanas que sobrasse após as aves terem se alimentado. Aquela cena não seria sobrenatural se não fosse tão real aos meus olhos humanos, Tycara é um ser monstruoso e sobremaneira é terrivelmente malvada.
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    O ÍndioEnfeitiçado 31 A Intervençãode Yutia e o fim da Grande Guerra.... As guerras não possuem verdadeiramente nada de tão glorioso, além de carregarem consigo muita dor, elas apenas trazem conflitos, discórdias, vinganças e muitas mortes. Havia muito sangue e muitos mortos naquele chão guajajarás, mais o conflito não cessava, o embate demonstrava-se insolúvel, e os sinais de uma guerra ainda maior deveria continuar, quando está aqui acabar. Momentos depois o brilho do sol do meio dia apagou-se literalmente do céu, e no centro da aldeia viu-se pousar silenciosamente uma imensa ave que cobriu todo o escampado ao redor da tribo, Yutia uma ave encantada, que sempre protegeu os índios desde os primórdios, abriu suas gigantescas garras sobre o chão guajajarás, e denunciando um pouso estratégico, logo principiou a captura imediata a rainha daquela desordem, fisgada pelas grossas unhas de Yutia, Tycara que se deleitava sobre as inúmeras carcaças humanas, rende-se ao poder majestoso e imponente da ave do meio dia. Seguidamente a esta ação um grito escultural, se ouve gruindo da garganta inflamada de Yutia, aquele gesto era algo conhecido pelas duas tribos, Yutia havia rasgadoo crânio de Tycara e após ter devorado o cérebro dela, e de ter colocado o corpo dela ao chão, o fim da guerra estava selado. Yutia engolindo severamente Tycara, gruia neste momento duas ou três sonoras averbações em direção aos índios ali envolvidos na guerra. O entendimento disso foi repassado a uma criança Guajá, que longo repetiu o que a ave protetora lhe havia enviado ao tímpano. Uma trégua aquela guerra deveria ser feita, e as exigências dos Tupinambás deveriam ser atendidas e os culpados por aquele sangue ter sido derramado na aldeia Guajajarás deveriam sofre as punições severas. A índia Natuia deveria ser devolvida aos Tupinambás e Yaol julgado adequadamente por seu crime de a assassinato e rapto. E o sangue da criança Guajajarás morta nesta guerra deveria ser restituída, dito isto, um tribunal indígena deveria ser aberto e oferecido ao deus sol Thuthukaia. O sol voltou a brilhar e batendo as asas como a um trovão muito forte, Yutia voava até o sol onde ele entrou majestoso e soberano. Ambas as tribos adoravam Yutia a milênios, e suaproteção sempre causou bons retornos de paz as tribos em guerra, eles não o contrariariam jamais. E fielmente todas as palavras de Yutia seria respeitada e ratificada pelo consenso de todos. Aquilo que foi falado será feito, aquilo feito será cumprido. As armas então foram caindo uma a uma ao chão, e cada tribo orquestradamente foi carregando cada membro morto de sua tribo, o cemitério indígena guajajarás foioferecido aos tupinambás para enterrar os seus mortos, algoque
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    O ÍndioEnfeitiçado 32 prontamente foiaceito, os feridos foram ali mesmo cuidados, dentro ou fora das ocas guajás. O rio estava completamente desconstituído de suas belezas, e assim como o chão daquela terra, que estavam inteiramente pintados de vermelho, suas águas e as suas matas e arvores jaziam banhados de sangue, muitos índios nem acreditavam que o ódio exacerbado, motivado por vingança, os levariam a ser tão intolerantes. Alguns índios buscaram em meio a mata lugares ideais para refletir, outros lamentavam chorando os seus mortos. Natuia, Yaol e os outros índios que retornavam de sua buscar espiritual por respostas a guerra que viria, concluiu ao ver as cores vermelhas das águas do rio, que sua tentativa de evitar o grande mal da guerra, já não era possível, o cheiro forte de sangue e de peixes mortos, já afugentava alguns animais que faziam uso de suas águas, e do alto da cabeceira do rio percebia-se os olhares de algumas aves moribundas, principiando esperanças de colher alguma carne humana esquecida sobre o campo de batalha. Ao entra na aldeia seus olhos se encheram de lagrimas e ao se ajoelhar viu que sua fuga, seu amor e seu desejo de ser livre, de certa forma era a culpada daquelas mortes terem acontecido. Yaol não podia imaginar que uma guerra era assim, muitos amigos seus não estavam mais entre os vivos e isto lhe causou grande dor. Yaol perguntou entristecido a Motaki se o seu amor por Natuia era capaz de ter gerado nos homens, aquele horror que se realizou em sua aldeia, por que nossas tribos precisamse odiar, o que este ato ruim fará mudar os dias que viram. Xinama insólito em seu íntimo pensamento refletiu, as tribos são feitas por homens, e as guerras também, o amor são sentidos pelos homens e o ódio também. A terra nunca nos negou nada, pelo contrário, nos deu a água para beber, a terra para planta, a noite para dormir e o sol para nos aquecer, e o que fazemos é apenas macular e destruir tudo o que Thuthukaia o nosso grande deus sol criou. As vezes penso que temos mais semelhanças com Tycara do que com Thuthukaia. Muitas vezes nem sabemos de verdade o que é realmente este ato de amar, principalmente quando nos prezamos a disposição de guerrear. O certo Yaol é que os Tupinambás e os Guajajarás já se odiavam a muito tempo, e antes mesmo de seu amor ter nascido no coração de Natuia e em seu coração, estas diferenças entre nosso povo e os povos deles, deve o quanto antes melhor revisada pelos chefe e caciques, talvez esta guerra envolvendo o amor de vocês, não seja de todo um mal, talvez este amor, seja o princípio para que estes estranhamentos acabem, quem sabe se um grande e verdadeiro amor, não ponha fima esta ignorância, você é corajoso, forte e honrado, ela tem bondade, amor e uma grande tenuidade em seu coração de menina, espero que
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    O ÍndioEnfeitiçado 33 estas qualidades,nos der de alguma forma, a esperança de um fim justo a toda essa insanidade, uma alienação que nunca ficou muito bem ponderada entre nossos povos. No fim daquela noite, já entrando pela madrugada, os índios das duas tribos que sobreviveram aquela efêmera e grande guerra, agora conversavam, estavam todos reunidos, sentados um ao lado do outro, embora distintos em seus posicionamentos, procuravam se entender com base emuma mesma tutela, em uma mesma ideia de paz, que os levassem a um consenso bem justificado. Contudo ainda que temporariamente unidos sobre aquela égide imposta por Yutia, Natuia ainda era motivo de impasse sobre o acerto de um acordo, depois de dois dias e três noites inteiras de discursões, as averbações continuavam a inflamar as conversações e junto a isso, também se queimavam os corações impacientes dos guerreiros, as índias temiam que a qualquer momento, aquela oca de palha viesse a incendiar de tanto ódio que ainda estava envolvido no calor dos pós batalha. Alguns acordos porem eram resolvidos prontamente, outros, no entanto, em diversas partes geravam controversas, as tréguas sobre a guerra apesar de caminharem sobre uma fina linha de um arco, pouco a pouco se resolvia, os ajustes deveriam ser tomados objetivamente, sobretudo respeitando o que dissera a grande ave encantada, Yutia tinha regras severas e punições ainda mais cruéis se algo fosse descumprido. Pela manhã os homens foram aos poucos abandonando a oca, de maneira singular percebeu-se que os ânimos estavammenos exaustados, isto significava que um acordo de paz sobre aquelas regras, deviam esta prosperando e logo tudo seria prontamente atendido. Depois de algum tempo as conversas realizadas sobre a guarda e sigilo dos homens foi plenamente divulgada, um acordo foi acatado unanimemente pelo conselho e por hora era o que devia ser respeitado, Natuia tinha que retornar à aldeia Tupinambá e deveria cumprir com as suas obrigações de princesa da tribo, esta notícia porem chocou Yaol, que somente ficou sabendo daquela noticia, pela boca de Ximana, Natuia nunca revelou isto a Yaol. Ela retornaria a tribo tupinambá e cumpriria com todas as obrigações que nascerá para realizar, ela deveria se casar com um índio mais forte e aguerrido da tribo, e este eleito sairia do tupinambá que vencesse o cerimonial de passagem que aconteceria na aldeia daqui a algumas semanas, o ritual deveria cela o fim àquele conflito, eas suas desavenças econtraversões ficariamesquecidas,a paz e a honra neste compromisso fecharia os canais de ódio envolvendo as duas tribos, a morte do Tupinambá na biqueira praticada por Yaol, foi paga pela morte da criança Guajá que Cutoia vitimou, e o resto de nossas dívidas que mutuamente geramos esta liquidada em consonância com os acordos previsto no conselho.
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    O ÍndioEnfeitiçado 34 Uma outradívida muito importante, também foi assegurada, sabemos do sentimento de Yaol por Natuia, isto para nós é inviável, ele, no entanto, não deverá tentar busca-la em nossa tribo, ou sobre efeito de nosso acordo, tudo será quebrado e desta fez a guerra não terá fim, nem Yutia será capaz de nos impedi, pois seremos três vezes mais cruéis do que foi esta guerra que travamos aqui. Temporariamente nossas dividas,diferenças econtradições estão esquecidas,apaz deve reina enquanto horamos o nosso acordo. Natuia olhava para Yaol com o seu coração completamente destruído, seus olhos cobertos de lagrimas não podiam mentir, o seuamor jamais negavao amor a seuamado Yaol. Aquela decisão concordada com o conselho, já era esperada, ela não tinha muita escolha e nem o que defender, todas as arguições, estavam tomadas e entre os índios não se retroagiria nem uma vírgula e nem um ponto final. Yaol por outro lado também não podia fazer nada para mudar o seu destino, mesmo se quisesse, o destino de Natuia não pertencia a ela, tudo já estava escrito pelo povo a que ela pertencia, e logo um casamento seria realizado após os cerimoniais de passagem. Minutos depois tudo foi ratificado e de pronto atendido, o conselho estava desfeito e a reunião finalmente teve um veredicto aceito. Para infelicidade de Yaol, Natuia seria de fato levada embora da aldeia Guajajarás. Um adeus de amor entre os dois, não foi possível, e nem podia ser viável, os dois nem tiveram tempo para as despedidas formais, tudo porem ocorria como planejado, ambos deveria esquecer algo que dificilmente sairia de suas vidas, e o sentimento chamado paixão ou amor deveria cair no esquecimento profundo das águas do rio amazonas.
  • 35.
    O ÍndioEnfeitiçado 35 O Retornode Natuia a Aldeia Tupinambá.... Os guajajarás foram muito benevolentes, e para garantir a volta dos tupis a aldeia tupinambá, observando que o caminho seria árduo, eles em sua graciosidade, providenciaram muitos sextos com comida, a maioria abastecidos com carne de cutia, jaboti, frutas, legumes, pimentas e óleos diversos. O trajeto será muito longo, mais as nossas noites, terão o bastante para nos alimentar, os vários outros sextos, ainda possuía peixes, carne de porcos selvagens e muita farinha de mandioca, tudo era bem-vindo, afinal quarenta dias de caminhada, soava como algo quase interminável aos meus pés. Vez ou outra ouvia-se nas madrugadas enquanto dormíamos, choros finos, curtos e solúveis, o vento não era sutil, carregava todo aquele sofrimento até os meus ouvidos, Natuia chorava e lamentava os fatos que a levaram a perder o seu amor, Yaol não era apenas um menino de uma aldeiaestranha, ele não era alguémque ela quisesse longe de seu ímpeto coração, Natuia não via nele nenhum perigo, nem mesmo conseguia ver motivos para odiá-lo. Que razões o seu povo, a sua tribo, havia julgado para mantê-los longe um do outro, que mal hediondo fizemos para pagar pelos erros de um passado que não pertenceu ao nossoamor, elenão é um monstro para serdetestado, não devemos pagar por fatos inerentes ao erro de outras pessoas, sem dúvidas, ele é mais do que isso, ele foi o único índio que me enxergou pelo o que eu sou, viu por dentro de mim coisas que ninguém pensou em ver, despertou sentimentos que ninguém antes o fez emergir, ele não só roubou o meu seu sossego, ou a minha razão de ser, ele encheu o meu espirito de paz, inundou os seus sentimentos com o seu amor, e sem notar, ele também levou consigo o meu coração, sem dúvidas, ele é agora o meu dono, sou escrava de seu coração, prisioneira de seu amor eterno. Os índios tupinambás caminhavam taciturnamente pela mata fechada, sempre em ritmo de marcha, acelerando quando possível os passos, obviamente aceitando a boa vontade da floresta, e sempre que esta deixava espaço para que isto fosse alcançado, nós aproveitávamos o seu ensejo tropical. Buatega calculava que estávamos há pelo menos, vinte e cinco dias caminhando, seu arco era marcado de forma sistemática assim que o dia amanhecia, o registro da passagem do tempo pacientemente homologado, ditava a tribo viajante as decisões futuras que deviam ser tomadas, apesar de estarem com o entendimento vazio de sua localização, o fato de estarem parcialmente perdidos, ainda não os deixaram mórbidos com a loucura da mata.
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    O ÍndioEnfeitiçado 36 Em umacoisa os índios tupinambás concordavam, e arriscavam uma opinião como certa, eles já estavam longe dos territórios guardados pelos guajajarás, Buatega que guiava o caminho à frente da tribo, especulava que precisava encontra apenas um vestígio peculiar de fauna típica da floresta tupinambá para localizar o caminho certo que os levaria a aldeia, os enfileirados jacarandás gigantes erama pista que precisavam, ao cair da noite a preocupação aumentava, e o fato de estarem parcialmente perdidos, começava a tomar corpo nas conversas entre os índios. Mais um dia amanheceu sobre os índios tupinambás naquela imensa floresta fechada, há algum tempo não se via o brilho nítido do sol se sobressair sobre as altas arvores, via-se apenas cipós, galhos e enormes folhas caudalosas, o chão estava sempre úmido, e a temperatura sempre amena, as vezes o chão mesclava-se coberto por folhas mortas e outras folhas recém caída das arvores, também observava-se que em vários outros pontos da floresta havia uma certa transição entre calor e frio, , mas grande parte do tempo a floresta encontrava-se úmidas e fria em boa parte da caminhada. Os pés eram os membros que mais sofriam, ficavam molhados e encharcados diuturnamente, a vermelhidão latente entre nossos dedos, denunciavam como os bichos de lama consumiam a carne viva e frágil dentre nossas unhas, alguns índios sonhavam em ver o sol aquela manhã, queriam sentir aquele queimar suave e meio febril em seus rostos e saboreando o calor refletido na pele, desejavam ao final da caminhada, mergulhar em um dos profundos rios de sua aldeia. Entre as copas das arvores já se via o sol bem no alto, acima de suas cabeças, a caminhada tinha atéaquele momento meio dia de caminhada, o resultado era bom, mas aquele dia pela manhã alguns índios chegaram ao consenso, e admitiram que talvez estivessemperdidos na grande mãe floresta, a verdade e que eles não sabiamao certo aonde estavam, e também não sabiam que caminho deveriam trilhar. Natuia não quis interromper as discursões acaloradas entre os homens da tribo, mas pareciaque Bunua, o boto encantado do lagoTucuia, um ser encantado que já tinha o prazer apresentado de ver o seu poder bem diante de seus olhos, verificou que algo tinha a magia dele envolvida sobre o fato de estarem perdidos. Ele provavelmente sugeria-lhe agora um novo favorecimento, mais uma saída temporária para aquele atual estado de aflição, os índios tupinambás agora todos ao redor da pequena índia e com as atenções sobre ela, logo viram ao longo da mata, e em acima das arvores, uma chuva de insetos voadores, que se formava tenuamente, um zunido inesperado agitou-se de maneira terrível, e o som que eles emitiam, invadiam serenamente toda amata, um estampido único fez sentir eouvir, e cores e luzes diversas mudaram de uma só vez todo o verde da floresta fechada, parte dos insetos bailava em frente a Natuia, e cobrindo parte da mata, eles mutuamente direcionavam a menina para uma outra parte da floresta, era uma localidade contraria a que Buatega aponta
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    O ÍndioEnfeitiçado 37 inicialmente emsua trajetória orbital, seguidamente uma metamorfose eloquente modificava-se tenuamente, sobrepondo-se várias formas e contornos estranhos, Bunua afirmativamente queria que eles caminhasse por esta outra trilha. Muitos índios amedrontados com aquela cena indiferente, contrariaram a menina, acusando-a de por ventura está sendo enganada pela situação adversa apresentada à sua frente, aquilo talvez pudesse ser Tycara a ave da morte querendo devora-los em seu lago de ossos. A lenda rezada era que Tycara aparecia em meio a mata, oferecendo ajuda a índios perdidos de sua tribo durante as caçadas, e estes eram conduzidos a uma trilha diferente na mata, até caírem em seu lago ou lodo que efervescente em ossos, os consumiriamvivos, as ossadas que se viameram exatamente das vítimas que foram devoradas por ela. No entanto, outro ser magicomandado por Bunua apareceu por trás das arvores, era um curupira de pele alaranjada, ele continuava falando a Natuia que ela deveria seguir em frente, assimcomo foi indicado pelos gafanhotos anteriormente. E trepando ligeiramente sobre aquela arvores imensa, o curupira sumiu no topo da copa da arvores. Minutos depois um saci também aparece mais a frente sobre a mata rasteira, e novamente os adverte a seguir em frente. O saci, no entanto, apenas lhe pediu uma fruta que estava no sexto de Natuia, aquilo seria sua forma de pagamento, pois ele seria o guia da tribo até que eles saíssem de parte da floresta que era amaldiçoada. Por isso eles andavamem círculos e perdidos, o ser monstruoso e dono daquela parte da mata, não os deixaria sair dali, e um a um eles os devoraria. Sorte da tribo que a jovem Natuia é bem apreciada por Bunua. Ele gostou dela. Os tupinambás não sabiam quem era Bunua, mas a oferta daquele ser de pés tortos e para trás das costas, parecia uma ótima oferta para quem está perdido. Um consenso para segui-lo estava sendo amarrado e parcialmente aceito. Mas Natuia estava convicta que aquele ser não era Tycara e sim Bunua, eles deveriam confiar em mim, pois ela já o tinha visto antes, e desde este dia, ela confiava no naquele ser magico, ele viu em seu desejo intimo o meu pedido de ajuda, e conseguindo ouvi-la, se fez presente aqui entre nós, e resolveu nos dar ajudar. Bunua ouvindo aquelas conversas contrarias e os inúmeros desentendimentos que se reformulavam as novas ideias a respeito de um novo caminho a seguir, resolveu por si mesmo abrir a mata até o alto dos céus, o sol então, foi visto nitidamente gigante e brilhante, e isto finalmente lhes conferiu uma aceitação consensual pelo caminho proposto, um novo dialogo então, seria aberto para entender o que Natuia afirmava, e a confiançaem suas falas seriamretomadas a despeito do que sediziam do ser chamado Bunua.
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    O ÍndioEnfeitiçado 38 Como elespoderiam acredita em um ser magico que para eles não existia, que contribuições ou oferendas este ser desejada, quais pagamentos exigiria de seu povo, quais pretensões haviam por trás daquela ajuda inesperada. Natuia acreditada no que falava para os seus companheiros de caminhada, revelava que o encantado não queria apenas lhes apontar uma saída,paralonge daquela floresta fechada e maldita, mais também lhes alertar de algum acontecimento futuro, mais primeiro este ser queria nos tirar dali e nos livra de uma ameaça presente. Os avisos de perigos que enfrentariam na aldeia, talvez necessitassem de um bom entendimento e corações mais abertos, Bunua queria pressa e sugeriu aos insetos que os atacassem, empurrando-os para o caminho rente ao lago encantado de Tucuia, local onde ele jazia a esperar pelos viajantes. Momentos mais tarde um lago brilhante surgiu no meio da trilha e inúmeras pedras submergiram e imergiam sobre as águas apontando-lhes um caminho trilhado até uma arvores grandiosa, ela jazia majestosa e solitária em meio ao lago colorido, aquela imagem nos fazia lembrar de recordações de sonhos infantis, a muito tempo guardados em nossas memorias, aquela visão era a de uma ilha encrustada e a esmo, perdida no meio da mata, ungida no meio de paraíso ébrio, onde aquele lago intrépido, residia solto em meio as rosas amareladas, nitidamente porém, via-se claramente que aquele lugar era apenas uma fatia de terra circundada por águas doces, envolta a muitas vitorias regias e flores bronquissimamente alongadas. Minutos depois surgiram em suas frentes inúmeros insetos voadores de todos os tipos e cores, que mutuamente iam se transformando um a um em pequenos gafanhotos cinzas,aquela chuva fina de insetos,caiamagora sobre o solo, amontoando- se uns sobre os outros, o que em fração de segundos, uma dezena de milhares de gafanhotos se unirem em uma fusão incrível, provocando uma metamorfose ainda mais diferente. Aquela transformação, foi um pouco mais ante casual e atípica, aquela nova forma que se apresentou a Natuia, era um pouco diferente do que ela viu dias atrás, porém os gafanhotos e outros animais, já eram algo esperado, mas nada era tão bonito agora, como o que foi presentado agora a seus companheiros. Bunua se mostrava grandioso e maior em sua linda majestade magica, o próprio sol se alaranjou para que ele brilhasse sobre a terra opaca e verde. Os gafanhotos se transformaram rapidamente em um lindíssimo boto róseo, era Bunua aquele ser magico, disto eu tinha certeza, não tinha dúvidas sobre o que visualizava, ele era o responsável pelos seres mágicos que nos guiaram até aquele local escondido sobre a mata fechada. E encantando-se bem em nossas frentes, ele foi clareando o rosto de todos que se admiraram com a magia, seu poder magico era incrível, ele possuía luzes coloridas que explodiam de dentro dele, e sua voz parecia a tormenta de mil trovões, suas
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    O ÍndioEnfeitiçado 39 palavras foramcurtas e rápidas,e a mensagem foi inseridaem nossas mentes, logo após Yenan ter tocado na língua do animal magico. Minutos depois, como a um sonho revelado, algumas pessoas pareciam dormir em pé e desatentas, estando muitas incrédulas ao que viam em suas mentes, ele novamente respirou em nós as suas intempestividades futura, e novamente vimos mais atrocidades que cairiam sobre a tribo tupinambá, como a uma doença grave, o médico da floresta Bunua relatou que eles deveriam agircom sabedoria as mensagens reveladas ou então destruiriam a aldeia inteira que habitavam e chamavam de lar, aconselhou-os que não se agisse com tanta severidade aos que amam ou com aqueles que ainda iram amar, em seguida Bunua apontou-lhes o caminho que eles deveriam trilhar e da mesma forma que surgiu, se desfez em milhões de pétalas de rosas brancas, sumindo-se efemeramente entre as arvores da mata. Alguns índios não o entenderam plenamente, quando Bunua os advertiu sobre a severidade com o amor presente e o amor futuro, mais alguns acreditavam que o encantado, se referia a Yaol e a Natuia, mas a tribo entendeu que aquilo era um fato passado e não se discutiria isto novamente. Em seguida todos voltaram a caminhar em direção ao apontamento que Bunua lhes ensinara como caminho de volta para casa, estando na aldeia revisariam os vários avisos ameaçadores que ouviram do encantado no lago Tucuia.
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    O ÍndioEnfeitiçado 40 A Teimosiade Yaol.... Ao chegarem na aldeia tupinambá muitos índios não acreditavam em que seus olhos enxergavam, com os guerreiros da tribo estava a índia Natuia, alguns aldeões acreditavam que ela já estivesse do outro lado do rio Apokue, muitos índios confiavam que o grande devorador, havia levado alma dos dois para as grandes estrelas do céu. Muitos tinham isto como verdade, ou pelo menos que isso era passivo de uma verdade, isto se devia a morte de Paotaki, muitos índios atribuíram que o guajá que foi surpreendido andando nos arredores da aldeia, estivesse envolvido com o feito que tirou a vida do grande índio Paotaki na biqueira, e juntando este fato ao sumiço da menina Natuia, que naquele dia havia sido vista na companhia do estrangeiro, justificaram que ela teria algum envolvimento com a morte do jovem índio, muitos acreditavam que ela seriauma traidora de seu próprio povo, eaos traidores recair fortes iras, o azado rio Apokue trataria de dar fim aos dois fugitivos. Os fortes índios tupinambás ao tomarem conhecimento do que houve a Paotaki, tentaram rastrear os dois fujões, mas nada encontraram na floresta,jugou-se então uma outra hipótese, que o assassino de Paotaki, também houvesse feito algo parecido a pobre menina, ou seja, que ele havia matado a linda Natuia, assim como ele o fez a Paotaki, dando fim a corpo da menina, atirando-a no rio profundo. A grande verdade é que ninguém sabia muito o que de fato aconteceu de verdade na biqueira, não se sabia quemlibertou o prisioneiro, e não se sabia nada sobre Natuia, o que se sabia era que Paotaki estava morto, que o prisioneiro havia fugido e que Natuia havia sumido da aldeia. E como acharamapenas um corpo, o de Paotaki, elaera considerada uma fugitiva traidora, pois até então não haviamencontrado o corpo dela em lugar algum, que fosse próximo a aldeia, fizeramvarreduras fora dos perímetros pertencentes aos tupis e nada foi encontrado, deduziu-se também que ela talvez tivesse sido levada pelo índio guajá como prisioneira, e o único lugar para onde ele levaria a pequena, seria para a aldeia guajajarás, todos acabam voltando para casa, e foi nisto que os guerreiros tupinambás se apegaram, e foi encima disso que os tupis resolveram ir resgata-la. Todos os tupis se engajaram para traze-la de volta para aldeia Tupinambá. Os tupinambás não poderiam acreditar, que a menina simplesmente havia desaparecido da tribo, o mais obvio é que Tycara havia devorado a jovem enquanto estivesse perdida no meio da mata, outros índios é claro argumentaram que talvez o guajá, estivesse mantendo a jovem presa em algumponto da floresta, cogitando leva-la consigo para o alto do rio Apokue, mais dias depois que Hautu achou o rastro dos dois índios fujões próximo a gruta da cachoeira, muitos índios entenderam que o guajá a mantinha consigo a um bom tempo, a gruta tinha sinais que condiziam a uma moradia temporária, este foi o ápice perigoso, que os fizeram sair da aldeia tupinambá e
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    O ÍndioEnfeitiçado 41 declararem guerraaos Guajajarás, o ódio inflamou-se nos corações mais pequenos, e o pretexto de apenas resgata-la, não tinha mas sustentação, eles procurariam os guajás por vingança, a morte de Paotaki não ficaria em vão. Todos os índios que foram em direção ao rio Jukaua, ou como os guajajarás o chamam de a grande serpente, tinham em mente a esperança de apenas encontrarem o índio guajá que matou Paotaki, mas se eles encontrarem a aldeia guajá, e neste aspecto não evitariam o confronto. O Fato acabou se concretizado, e como se ouviu da boca dos guerreiros, alguns acontecimentos são inevitáveis e improrrogáveis, algumas provisões acabam por se culminar como verdades absolutas, e como eles pensavam desde o início, as discursões sobre o que aconteceu a Paotaki, ensejavam-se uma premissa de guerra. A guerra ocorreu, muitos guajajaras morreram, fizemos a terra deles beber sangue, mas os tupinambás não mataram Yaol, o índio que matou Paotaki, o indio que roubou nossa Natuia, o homem que nos provocou ódio e nos levou a guerra, ele ainda estava vivo, e ainda por cima desonrou a jovem Natuia, princesa de sua aldeia. Houve a guerra, sim houve a batalha, muitos morreram, e ambas as partes tiveram baixas terríveis, um jovem infante guajajaras morreu inocentemente. O jovem era apenas um índio pequeno, ele era ainda criança, um jovem aldeão do povo Guajá. Sabemos que ele foi morto acidentalmente, não matamos crianças em nossas guerras, provavelmente Tycara nos punirá por isso é claro, e pagaremos por nosso erro vil e biltre. Lamentamos a morte do infante, isto fez com que nossa dor, pagasse pela dor deles, um acordo foi feito, e felizmente encontramos Natuia e a devolvemos ao seu lar, a aldeia dos Tupinambás. As mulheres indígenas estavam contentes e confirmaram aos guerreiros que aquela noite teria uma grande festa, sua vitória seria contada aos grandes deuses e os futuros guerreiros os homenageariam. Natuia estava de volta ao lar, e ela não era uma traidora, nem fugira com o prisioneiro, seu resgate foi feito com maestria pelos nossos guerreiros tupis, e nossa princesa está de volta a sua casa. A aldeia está em festa, e o que se espera são os muitos sorrisos, a alegria do povo está de volta a lar tupinambá e muito comida e bebida movimentaria as festividades da grande aldeia. No entanto Bunua poderia está certo novamente em seus avisos, algo poderia comprometer a paz entre os povos Tupinambá e os guataparás, e Yaol seria novamente o motivo para novas guerras, ele em sua teimosia de menino apaixonado, havia acompanhado todo o trajeto que os tupinambás fizeram até chegar a aldeia, ele se manteve distante do grupo, mas muito próximo de Natuia em seus pensamentos.
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    O ÍndioEnfeitiçado 42 Seus passosseguiam de perto a tribo tupinambá, e depois que a tribo se encontrou com o encantado Bunua, os quinze dias restante que sobraram para chegarema aldeia tupinambá, ficou mais fácil de percorrer sozinho, pois Yaoljáconhecia aquelas arvores quando se perdeu ali pela primeira vez. Yaol se preparava para fazer acampamento próximo a aldeia dos inimigos, aquele era um local familiar e estratégico para ele, não era muito próximo a cachoeira e nem muito longe da aldeia tupi, a cachoeira lhe lembrava aonde viu Natuia banhando pela primeira vez, e isto lhe inspirava em seu intuito paterno de requere-la de volta como amada e amante, ele decididamente queria o seu amor de volta, no entanto, aquela cachoeira era uma linda imagem que ele sempre associou a destreza com que ela escovava com os dedos os seus belos cabelos, as suas mãos e unhas também eram fortes recordações que passeavam em seu corpo enquanto namoravam nus sobre aquelas águas limpidas. Sua teimosia poderia lhe custar caro, disto ele sabia bem, aquele desejo por Natuia, não colocaria apenas a sua vida em risco, mais a vida de sua amada também, e isto o levaria muito além do que um simples e prospero confronto, aquela atitude egoísta poderia gerar uma nova guerra entre as duas tribos, inúmeras outras vidas estavam em jogo, e estas vidas dependiam do acordo de paz que foi selado entre os líderes da duas aldeias, o seu amor poderia jogar várias vidas em uma guerra que talvez não tivesse mais fim.
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    O ÍndioEnfeitiçado 43 Yaol éDescoberto na Aldeia.... A noite caia silenciosamente no meio da mata, e yaol sentia o seu corpo perdi por aquele sono que só os justos sabem sonhar, aquela sentimento de dormência era algo único, ainda mais quando os seus sonhos sempre contavam com a presença tênue de Natuia, os seus pés doíam a vários dias, e depois de muito caminhar, está sentado sobre aquelaimensa rocha, visualizandoaquele bonito luar, remetia-lhe lembranças dos dias e das noites que viveu junto com a sua amada naquela gruta, que existia escondida dentro da cachoeira, eu daria tudo para esta naquela gruta agora mesmo com a minha amada, mais sei que os guerreiros tupinambás, também sabemque se eu fosse atrás de Natuia, o primeiro lugar que eles vasculhariam, seria aquele local. Quando eu era menino, lembro-me que aminha tribo ensinavaaos infantes,uma habilidade única de continuar a nos encontra durante os sonhos, fazendo o que fazíamos durante o dia, vivendo a noite enquanto dormíamos, éramos andantes de sonhos, continuávamos vivendo a noite, como se acordados estivéssemos, só que pescávamos, fazíamos coleta, caçávamos e banhávamos no rio, através do sono, fazíamos todas as tarefas cotidianas que desejávamos realizar. Aquilo era como viver acordado dentro de nossos sonhos, isto era incrível. Ao amanhecer relatávamos o que vivenciamos e todos relatavam as mesmas histórias, ou seja, estávamos conectados através dos sonhos, aquilo realmente estava acontecendo na vida real só que nos sonhos, estávamos vivendo dentro de nossos sonhos. O sono era uma espécie de extensão da vida que se vivia acordado, para a noite, que se vivia dormindo, várias vezes nestes treinos noturnos, os membros das tribos, se encontrando nos sonhos e continuavam vivendo afazeres que vivenciaram durante o dia. As brincadeiras, as conversas, os banhos de rio, as caminhadas na mata, as visitas a lugares novos que se achava na floresta, as brincadeiras comos animais, a pesca, dentre outras coisas. A vida em nossa tribo era muito intensa, e sempre nos víamos com certa regularidade, a noite, assimcomo o dia, era uma coisa só, acordar e dormir não tinha tanta distinção, continuávamos vivendo enquanto dormíamos, e dormíamos enquanto vivíamos. Lembro que em uma certa guerra, há muitos anos atrás, nossa tribo quase perdeu um confronto importante contra os xavantes, mas antes que aquela guerra nos levasse a principiar um fim terrível, os deuses dos sonhos nos ajudaram. Em uma noite indiferente, um guerreiro de nossa tribo, teve no mínimo uma ideia inusitada, e resolvendo ele dormir encima de uma arvore bem alta, enquanto a guerra lá embaixo seguia-se sangrenta, entrou em um contato imediato com os outros membros de nossa aldeia, através dos sonhos, desta forma conseguimos juntos, invadir a aldeia dos xavantes, vimos onde eles estavam agrupados, e que armas possuíam, quantos
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    O ÍndioEnfeitiçado 44 membros eleseram, onde escondiam-se e como conseguiam água e comida, para se manter na guerra, isto foi importante para sabermos os pontos fracos de nosso inimigo e assimcombateríamos com mais eficiência e eficácia, a guerra seria vencida, e desta maneira, foi o que aconteceu na vida real. Em fim conseguir dormir, meu coração estava mais calmo e sensato, mas horas depois, fortes tambores no meio da noite ecoaram um ritmo dançante alucinante, do alto daquela pedra se via um clarão ao norte da floresta e com os folguedos se via junto uma espessa fumaça que era visualizada de longe. Aquela festa era com certeza o resultado da parcial vitória que os Tupinambás conseguiram obter na grande guerra em terras guataparás, e provavelmente eles comemoravam a volta de sua princesa, a linda Natuia, e aquele pacto que foi firmado entre os lideres após a guerra, também significou uma grande vitória para o povo dela, as comemorações eram todas justas, e o povo tinha a suas razões para comemorar. Nos próximos dias eles realizariam os cerimoniais de passagem, Natuia deveria se casar com o grande vencedor do cerimonial e os rituais selariam o amor forjado pela tradição cultural, e os dois deveriam ficar ligados para sempre através deste pacto ritualístico insano, Yaol tinha que fazer algo, certamente algo teria que ser feito para ter o seu amor de volta, aquela decisão do conselho de anciões não era justa com o seu amor. Enquanto a festa caminhava em seu ritmo dançante na aldeia tupinambá, Yaol tentaria dormir, e pensaria em algo prático e silencioso para retirar Natuia de dentro de sua aldeia. Um sono profundo finalmente veio e Yaol dormiu singelamente sobre os brilhos das estrelas e do luar incandescente daquela noite, minutos depois já acordado dentro de seu sonho, resolveu espiar Natuia na aldeia tupinambá, a madrugada estava alegre, e todos da tribo tupi, com exceção de umas poucas crianças, alguns velhos e seis mulheres, estavam acordados, a grande maioria participava da festa, muitos dançavam, alguns bebiam, outros comiam, e muitos namoravam entres as ocas e sobre a beira do rio. A fogueira naquele instante era alimentada por mais madeira seca, e o fogaréu aumentava as suas chamas, os tambores colocados próximo ao calor fogo, esticavamo couro amolecido pelas batucadas. Yaol caminhava entre os Tupinambas sem ser visto e visitando cada oca ali instalada, seguia investigando cada pedacinho da aldeia sem nada ver ou percebesse pela presença da pequena Natuia, o rio também foi vasculhado, e nem lá aonde algumas índias banhavam, ela estava presente, a biqueira aonde tinha alguns casais de jovens índios namorando, também não se via Natuia, e mesmo no meio da aldeia, entre a festa e as rodas de conversas, não se encontrava ela.
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    O ÍndioEnfeitiçado 45 Minha inquietaçãoera ansiosamente angustiante, e o meu medo era que ela fizesse alguma bobagem, sentimento que até certo ponto estava correto em se pensar, minutos depois um choro fino fez ouvir, aquele não era um choro qualquer, era um choro de amor perdido, um soluçar solitário de amor, um tipo de tristeza típica a corações abandonados. Aquele era um choro fino e continuo, e enquanto eu caminhava sonhando pela mata, identifique o gotejar de uma lagrima vinda do alto de uma arvore, aquelas lagrimas estavam próximas a gruta aonde vivíamos o nosso amor, e recorrendo a vista para o alto da arvore vir a minha belaNatuia debruçada sobre os galhos daquele enorme jequitibá, seu choro banhava a pedra seca da cachoeira, e o local aonde as águas do rio não chegavam, somente se via um pequeno córrego de água, feito por suas lagrimas, sua dor era sentida por mim e neste momento uma forte tristeza aplacou-se em meu coração, o que se fez dominante, um sentimento de culpa em todo o meu ser naquele instante. Estando o meu espirito perto dela tentei de alguma forma impedi-la de se jogar contra as pedras, mas eu não conseguia me comunicar com Natuia, vir que era isso que ela queria fazer, sua posição suicida estava bem descrita e solicita aquele desejo biltre. Quando me aproximei dela, ouvir as suas lamentações, ouvir ela dizer que sua vida não fazia mais sentido, e percebi em seus lábios a tristeza erma que brotava de seu coração, ela falava a verdade, ela deseja morrer naquele instante, ela também, assimcomo eu, não desejava viver sem amor, não suportava viver sem mim, e eu também sentia o mesmo. Meu amor era maior do que aquelas estrelas no céu, e o amor dela por mim era exatamente igual ao meu amor. Nosso amor era puro como o solque viria anascer daqui a algumas horas. Quando vir o que se principiava a acontecer, voltei o mais rápido que pude, para perto de meu corpo e tentei acordar a minha mente de meu sono profundo, definitivamente eu iria até aonde ela estava, ela não estava tão longe de mim, estávamos relativamente próximos um do outro, mais de alguma forma, eu não conseguia me levantar, eu não conseguia acordar, estava preso em meu sonho, está acordado era vital para socorrer Natuia, mas estava preso em mim mesmo, acorrentado a meu sonho, sufocado em meu sono tênue. Eu precisava acordar rapidamente, ou do contrário, pela manhã veria Natuia morta sobre aquelas pedras, verdadeiramente não conseguiria viver semela, e acabaria morrendo sem o seu amor. Aquilo parecia mais um pesadelo, e esse sonho era o mais terrível deles, tentei volta até aonde ela estava, e continuaria até o fim de meu sono, lutando para tentar detê-la de sua loucura.
  • 46.
    O ÍndioEnfeitiçado 46 Mas àquelaaltura da madrugada os caminhos até a cachoeira se apagaram de meu sonho e simplesmente não os encontrava no meio da mata, a trilha havia se desmanchado, e eu estava perdido na mata dentro de meu sonho, sempre que pensava nela, os meus sonhos me levavama outros caminhos diversos,estavaagora literalmente perdido, e estando abandonado pelo meu próprio sonho, e estando preso dentro de mim, tentei grita e acorda, mais nada me fazia levanta daquela pedra onde meu corpo estava deitado. Quando cansei de procura-la algo estranho acontecia a meu corpo físico, algo ou alguém me tocava, e enfim subitamente acordei, alguém me pegava pelas mãos e também me tocava nos lábios,quando abrir os olhos me assustei,mais quando vir quem me acordara, retribuir-lhe o que os seus lábios me davam, era Natuia a me beijar fortemente e pelo jeito que me agarrava, já me beijava tacitamente a algumas horas. A sensação era de estar morto e o céu se abria majestoso para a minha alma, aquilo devia ser um anjo, e assim continuou acreditando Natuia enquanto me beijava chorando, quando acordei o meu coração bateu em compasso com o coração dela, e milhões de sorrisos se aplacaram um sobre o outro, uma felicidade eternamente gigantesca tomou conta de nossos sentimentos, e juntos sobre aquela imensa pedra choramos de felicidade, e estando um ao lado do outro, chovamos juntos de felicidade. Natuia revelou que sentiu a minha presença no alto daquela arvore e quando ela também adormeceu naquele lugar inapropriado, viu em sonho quando eu voltei para procura o meu corpo, e foi aí que ela teve a certeza de onde eu estava, e como estava, e assim chegou a mim. Depois dos milhões de beijos e da curta saudade estirada que lhe abrilhantou a vida, Yaol e Natuia foram surpreendidos por uma ponta de fecha que os ameaçava esticada sobre o punho de um arco inflexível, sobre as costas de Yaol, um índio tupinambá ameaçava-lhe distintamente, a felicidade dos dois não demorou muito e naquele início de manhã, ambos seriam levados até aldeia e entregues aos líderes dos guerreiros tupis. O cerimonial seria daqui a duas noites, a contar daquele instante, o índio que os surpreendeu dizia a Natuia que o seu desfavor se descumpria a trégua e o tratado de paz e ao que foi prometido e já acordado no conselho seria desfeito, aquela traição não seria perdoada, desta maneira ambos sofreriam uma punida severa, Yaol quebrará o acordo que envolvia a paz entre as duas tribos e assim como Natuia, a tribo tinha um ponto de vista austero, o povoado não a perdoaria, e neste aspecto ela teria feito o mesmo que Yaol, neste entendimento os dois teriam um fim terrível, e suapunição seria quase certa e igual ao será apresentado a Natuia.
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    O ÍndioEnfeitiçado 47 A Revogaçãode um Acordo de Paz.... Mitaage sabia que daquele local aonde achou os dois traidores até a aldeia tupinambá levaria um pouco mais do que alguns passos longos de uma enfadonha caminhada, o mesmo tempo que gastou em oneração para seguir a jovem Natuia até a cachoeira, o cerimonial não demoraria a acontecer, e dois dias e uma noite que estava previsto para acontecer a cerimonia não tardaria em incide-se. Otempo era majestoso, e logo os dias passariamrapidamente como poeira entre os dedos, os dois traidores deveriam apressar os passos, pois a minha ansiedade de entrega-los pulava dentro de minha garganta. Yaol seria um cativo saudoso, os homens da tribo adorariam vê-lo novamente e desta vez, tudo ocorreria sem piedade ou intromissões. Ele, no atual momento, deveria obedecer a cada ordem que lhe fosse imposta, nenhuma tentativa de fugaseriaaceita,e como um bom arqueiro, Mitaage não hesitaria em atravessauma, duas ou sepreciso, três ou mais flechas no peito de Yaol. No entanto, se ele fosse esperto, até o final daquela caminhada, ele seria um obediente cativo, e até que chegássemos a aldeia, lugar aonde seria entregue e morto, deviria ficar quieto e obediente como a um cão do mato. No meio da caminhada um temporal típico, despencou sobre a floresta tropical que já estava humilda e lívida a vários dias, Natuia demostrando cansaço e aparentando um certo mal-estar,vislumbrava estádoente aquele momento de cativo, o corpo quente e as tonturas repentinas as faziam caminhar vagarosamente e de forma inertemente constante puxava pela boca ar para respirar, Mitaage não lhe dava muita atenção e exigia da jovem que tomasse foco, folego e agilidade em seus passos, todos deveriam continuar caminhando, a chuva não pararia tão cedo, muitos menos eles parariam de caminhar. Alguns minutos depois Natuia caia sofrível e desmaiadasobre uma poça de água, rente a um jacarandá, Yaol mesmo sofrendo ameaças de uma morte iminente, reagiu ao ímpeto de seu coração, mesmo que aquilo o colocasse em risco, deu de ombros com Mitaage e pegando Natuia pelo quadril, socorreu a jovem antes que ela se afogasse naquela terra lamacenta. Natuia ao recobra os seus sentidos, consternou-se avidamente sobre os olhos do homem que lhe salvava, sua pele aparentemente pálida assingelava umar frio de morte em seu rosto, seguidamente outra surpresa apenou ainda mais Yaol, que sofridamente via o seu amor naquelas condições deploráveis de saúde. Inesperadamente Natuia regugitou de maneira biltre um liquido espesso e fetido, que acalentou ruminantemente as mãos cumpridas de Yaol, logo depois ouviu- se um grito fino e gruído de suas cordas vocais, seu devaneio frouxo lapidou-se
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    O ÍndioEnfeitiçado 48 sonoramente suador vil pela floresta vazia. O som de sua garganta, sofrivelmente mesclada com dor frouxa de mulher e menininha, fez orquestrar inúmeras trombetas solitárias, que ecoando doloridos ecos de consternação e angústia, seu choro frio demonstrava um moribundo vazio sentimental, cheio de lamentos ébrios e vis. Certamente aquilo logo denunciaria um apertado e comprimido mal está físico que comprimia de maneira feroz a sua barriga, causando-lhe bastante dor e um estado crítico deplorável. Um gritou de piedade, direcionado a Mitaage foi declarado por Yaol, em auto e bom som, sua dor gigantesca, não era tão diferente dos de Natuia, que parecia morrer, bem na frente dele, ambos precisavam de sua ajuda, e ele não podia negar aquilo aos dois, continuar aquela caminhada, com Natuia naquele estado, era de uma crueldade e malvada incompreensão. Verdadeiramente aquilo não era encenação, Mitaage compreendia perfeitamente o que se desenrolava àquele momento, talvez Natuia provavelmente nem chegaria a pôr os pés na aldeia, talvez a vida lhe deixaria ali mesmo. Os dois então resolveram procurar um local protegido da chuva, passariam a noite abrigados sobre uma cabana improvisada, e se ela resistisse ao mal súbito que lhe atacou, retomariam aquela caminhada pela manhã bem cedo, Yaol ainda com lagrimas sobre o rosto e extremamente abatido, pedia insistentemente desculpas a Mitaage pelo o que fez a Natuia. Yaol se sentia culpado pelo o que acontecia a sua amada, tudo aquilo pelo que ela passava naquele instante era sim culpa sua, depois também agradeceu a Mitaage por ter entendido o sofrimento de sua amada e de ter ajudado a jovem em repouso. Mitaage sentiu sinceridade nas palavras de Yaol, e sem falar muito, e ainda estando comovido pela triste cena que via, dirigiu sua atenção para as matas do lago Haiko, ali havia um ecossistema de ambiente único, a floresta escondia aquele local a milênios, poucos índios tupinambás conheciam os secretos caminhos que levavam até a entrada do lago,muitas ervas cresciamalide forma completamente indiferente a todo o resto da flora existente naquela região, nada era análoga aquelas plantas milagrosas, a energia que habitava aquele lugar talvez não pertencesse aquele mundo. Mitaage também não entendia por que Yaol arriscava tudo, inclusive a própria vida por causa de uma única mulher, afinal o que estava em risco era todo o povo guajajaras, pois aquele seu atrevimento, condenou ele, e a todos de sua aldeia a morte. Yenan era um guerreiro impiedoso, forte, aguerrindo e malvado, todos os outros guerreiros tupis o admiravam pela sua bravura e coragem, sem dúvidas, ninguém era tão completo guerreiro como ele. Sua liderança apagaria da face da terra a existência do povo de Yaol.
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    O ÍndioEnfeitiçado 49 Certamente oamor que ele sentia por Natuia não valia tanto esforço, o amor de uma mulher não é uma justificativa para uma guerra, tão pouco, um amor, não é um ato romântico que visadesprezar acoletividade de um povo, e as paixões não podem coloca avida de uma aldeiainteira sobre amira de lanças efecha. Yaol certamente éum egoísta e inescrupuloso ser individualista. Mitaage olhava para as margens do pequeno lago que se enchia bem a sua frente, o lago tinha muitas histórias, e os mais antigos sempre faziam suas orações no leito de seus córregos. A mãe d’água que governa estas águas eoutras águas espalhadas pelos vários rios e nasceste, sempre emerge do leito do rio para a margem de suas bordas para caminhar pela mata pela manhã, e ao anoitecer ela sempre retorna para o fundo do rio para descansa os olhos sobre o leito de suas águas. Vez e outra quando alguém a chamava, ela geralmente parava para uma boa conversa, outras vezes realizava pedidos estranhos que os pajés solicitavam a ela. Este ser magico, as vezes era pego em relações sexuais com curumins curiosos, e as vezes quando elagostavamuito de um desses jovens ou seelaseapaixonasse,elaos arrastava para o fundo do rio, local de onde eles nunca voltavam. Sua relação com os homens era estranha e de vassalagem mutua, ora sendo adorada, ora sendo odiada e repudiada, as vezes era amada pelos homens e detestada pelas mulheres. Sobre o lago encantado reza a lenda que as suas águas podiam curar todas as enfermidades do corpo de um homem e as ervas que cresciamali próximas ao seu leito, foram todas plantadas por povos que vieram das estrelas dos céus e que a muito tempo fizeram morada sobre aquelas terras, e que coabitando juntos com os nossos ancestrais, compartilharam conhecimento e suas tecnologias biológicas. Pouco se sabe sobre aquele lugar, mais os índios mais velhos, também diziam que até os deuses, que vieram juntos com aqueles que moravam entre as estrelas do céu, fizeram uso e morada naquele local. Quando amanheceu Yaol foi surpreendido pelo gesto misterioso de seucarrasco, ele havia preparado uma pequena porção medicinal curativa para Natuia, em poucas palavras Mitaage disse que as ervas tinham sido diluídas na água do logo Haiko, e que isto a deixaria melhor e se tudo desse certo ela ficaria curada pelo cair da noite. Yaol em silencio agradeceu em voz baixa a gentileza de Mitaage, e ainda chorando muito, rezava para que Natuia sobrevivesse aquela enfermidade misteriosa, Thuthukaia não o teria esquecido, não abandonaria o seu servo, Yaol ao fim de sua oração, sabia que seria atendido logo pela manhã, e sua amada viveria, ambos lutariam contra o conselho tupinambá, e as suas suplicas teriam a seu favor, o reconhecimento de sua paixão, e de seu verdadeiro amor por uma de suas filhas tupinambás.
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    O ÍndioEnfeitiçado 50 Yaol acreditavaque o amor, que nasceu entre os dois, libertaria definitivamente as duas tribos, o ódio que alimentou durante séculos inúmeras guerras entre seus povos, enfim encontraria na paixão dos dois jovens, motivos suficientes para unir as tribos, e isto não seria motivo de destruição, mais sim de um novo recomeço, uma nova oportunidade construção de amizade. Somente o amor traria de volta o fim destes conflitos tão terríveis, o mal não mais assolaria os seus povos e o nosso deus Thuthukaia nos recompensaria com mais abundância e fertilidade, nossas terras teriam mais fertilidades, nossos rios teriam mais peixes e em nossas aldeias nasceriammais crianças, os filhos do amazonas, teriam mais netos, e o nosso solo sagrado, seria admirado pelos seres mágicos da floresta, este chão húmido tupinambá e guajajaras seriam um lugar único e viveríamos em harmonia. A noite haviaacabado e o sol principiava seus primeiros raios nos céus da floresta húmida e tropical, Natuia ainda não estava de fato totalmente recobrada de sua saúde, mas já falava um pouco, nos ouvia e entendia, comia demasiadamente mal, bebia água apenas aos goles, e bem timidamente arriscava alguns passos para ficar em pé. Mas já estava bem melhor do que na noite anterior. Algumas interfaces ainda tímidas, se embolsou no olhar pequeno da menina, e algo ainda mais importante foi notado, sua feição desenhou um sorriso gostoso, que se abriu de maneira bonita e singela em seu semblante mimoso e solto, Natuia de fato tinha recobrado a consciência. Aos poucos ela retomava o equilíbrio emocional e físico que se esperava. Um beijo tênue e majestoso foi dado por Yaol em seu rosto, e uma felicidade nunca vista em Natuia rasgou-se de um lado a outro em sua boca, vislumbrado com a sua amada, verificou que de certa maneira ela demostrava que em parte tudo estava muito bem agora, e ainda fraca, arriscou comer uma pequena porção de frutas e um peixe, beliscou um pouco do mamão, saboreando-o singelamente. Mitaage olhava aquela demonstração de amor de longe, e afastando-se sentimental de seus prisioneiros tentou mostra certo desprezo, mais involuntariamente, estava nítido que aquele sentimento já havia o contaminado, e como a um adolescente, pescando peixes em um rio raso, também libertou todos os peixes que acabava de pescar, e como a um peixe que luta para não ser pego, se entregou de vez ao anzol de seu pescador. Mas Mitaage teria que ser firme e ordeiro, fiel a sua tribo, eles deveriam pôr os pés na mata ainda ao amanhecer, mais tudo levavaa crer que passariammais uma noite ali, esperando com que Natuia viesse a melhorar de sua frágil saúde.
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    O ÍndioEnfeitiçado 51 Mitaage nãotinha dúvidas de sua melhora, sabia que ela acordaria bem naquela manhã, afinal também sabia de onde vinha a cura da pequena, sempre acreditou nas ervas do lago Hiako, e sabia do poder grandioso daquelas águas. A cerimonia ritualística seria aquela noite, e ambos deveriam esta àquela hora presos e em processo de julgamento, isto é o que devia ter acontecido, Yenan com toda a sua sabedoria, ditaria as ordens do que fazer com os traidores de nosso povo, verdadeiramente eu não devo me envolver com os sentimentos alheios a minha atribuição e pueril e metódica, sou um guerreiro, e guerreiros cumpre as ordens de sua tribo, mas também é fato, que eu não levaria alguém neste estado deplorável para ser execrada e massacrada emmais um dia de caminhada, aliais a vida é o motivo de nosso festejo, e eu não vou levar o corpo de um índio morto para a aldeia, e muito menos faria no dia do cerimonial de passagem. Afinal Xinama me cobraria severamente sobre este ato respeitoso, eu deveria zelar pelo bem-estar da saúde de nossos inimigos, até por que as pelejas que deveriam ser aferidas ao infortúnio dos traidores, já seriam por elas mesmas, bastante cruéis e acidas, tudo deveria ser aplicado conforme as regras da tribo, e as punições deveriam ser atribuídas enquanto os mesmos ainda estivessem vivos e conscientes, somente assim saberiam o preço de sua desonra. Apesar do coração de Mitaage ter passado por alguns instantes de fragilidade e de ter cogitado em seu íntimo uma compaixão desmedida, o calor voraz de seu ímpeto de guerreiro, gritou mais alto do que seu baixo altruísmo. Natuia já apresentava melhoras significativas e Yaol mesmo com um porte físico um pouco mais fraco do que o de Mitaage, conseguiria conduzir a menina com segurança até a aldeia. Mitaage possuía agora uma voz ensopadamente mais grave e ruidosa do que antes, sua fala possuía umtom mais firme e Yaol o desconhecia novamente, o humor do guerreiro mudou como um rio em uma enxurrada, seu ímpeto estava revolvido em um redemoinho de águas violenta que se empuxavam tenebrosamente para o fundo de um sentimento vazio e agressivo, sua voz estava forte como uma tormenta em meio a uma selva desconhecida, e as suas exigências logo tomaram um corpo apreensivo. Não demorou muito e todos estavamnovamente caminhando mata adentro, o trajeto tinha um compasso mais lento, mais caminhavam. Por duas vezes antes de chegarem a aldeia, Yaol carregou a sua amada em seus braços, ainda exausto pelo esforço, continuou permanentemente junto a ela, e mesmo atento a sua frágil respiração, tentava acalma os ânimos de seu coração amendoado, vez por outra recorriam a alguns cipós no meio da mata, cortando-os e aproximando os tubos dos cipós em direção a boca de Natuia, libertava a cede da menina em prevês goles, no entanto, ao passo que ela ingeria a água de seus cipós regozijava-se firmemente o ânimo de sua respiração ofegante. Natuia porem, ainda estava pálida e
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    O ÍndioEnfeitiçado 52 enfraquecida, eisto preocupava o coração apaixonado de Yaol, que temia desesperadamente pela vida de sua amada. Natuia parecia ter uma cede interminável, e as vezes a pequena engasgava-se fortuitamente em exageros ao beber agua daquele fio de cipó. Muito de seus engasgos seriam devidos provavelmente a velocidade absurda com que bebia cada jato de água, naturalmente a proporção que engolia, também vomitava, e suas regurgitações estavam sempre niveladas em par de igualdade com as mesmas quantidades de água que ingeria, em certas ocasiões o liquido era expelido pelas narinas, e a rispidez com que lutava para beber água o preocupava bastante. Natuia tentava resmungar algumas palavras inaudíveis, determinadas palavras faziam menção as dores que sentia em seu abdome, suas reclamações inflamavam o coração perdido de seu amado, que implorava aos deuses pela salvação de sua bela Natuia. A ingestão que fazia de água era sobremaneira algo de uma força descomunal, sua inquietude lhe exprimia uma expressão facial horrível, tudo isto orquestrado na luta com que fazia para engolir o liquido desejado, Yaol ainda colado ao rosto de sua amada, rezava firmemente para que o seu amor não a deixasse, ele continuaria a lutar para não ver a sua eterna Yenemaiana não morresse sobre o sol de Thuthukaia. Aquele caminho no meio da mata lhe parecia uma eterna misericórdia divina, e suas orações agora era todas direcionadas a mãe de todos os rios, Yenemaiana, já que Thuthukaia o havia abandonado, recorreu ao colo feminino de sua genitora, ela não o abandonaria naquela situação tão difícil. Seu choro fino era com certeza ouvido pelos deuses que moravam ébrios e insólitos nas estrelas do céu, e se eles nos ouviam, por que não faziam nada, por que permitiriam que Natuia morresse, mas a sua dor, no entanto, estava sendo devorada por Tycara, Yaol jamais abandonaria o seu amor, Yenemaiana não a deixaria subir para o céu crespado de estrelas mortas. Yenemaiana a guardiã e senhora de todos os rios, deusa da criação da vida que mora nas águas, ouviria as suplicas de seu criado, ela foi o ser celeste que salvou o índio Yaol de morrer afogado em um rio quando era bem pequeno, uma triste inundação que ocorreu a alguns anos atrás na aldeia Guajajaras, e que quase o levou para a vida fria de outro mundo que se esconde entre as estrelas do céu. Sua devoção e respeito a Yenemaiana sempre foi forte e verdadeira, mais também muito importante em suavida, Yaol sempre que podia rezava e chamava pelo nome de sua senhora e rainha, mãe de todos os rios. Depois de suas orações a Yenemaiana o sofrimento de Natuia dava sinais importantes de alivio, a febre a deixava tenuemente, e as dores que sentia deram-lhe uma pequena trégua, Natuia já aparentava um pouco de sobriedade, e vendo o esforço de sua amada em resistir, Yaol inspirava-a tenuemente a não desistir de sua vida.
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    O ÍndioEnfeitiçado 53 Thuthukaia asvezes era um deus criador cruel, e em vários momentos de sua vida, ela quase nunca o ajudou, principalmente quando ele mais precisava de sua eterna e humilde divindade. Algumas horas depois, a caminhada rente a mata escampada, pleiteava-se o início frio de um fim insólito que não desejava vivenciar, sobre seus ombros, brotavam várias e grandes arvores que só aquele pedaço de chão estranho, insistia emnascer em meus olhos, minutos depois, já se podia ver no alto do céu, um clarão luminoso e gigantesco, aquele clarão intenso e não natural, denunciava algo não habitual, era uma fumaça diferente e junto a ela também ouvia-se muita cantoria, outras manifestações atípicas a meu ouvido, acompanhavam outros ruídos estranhos que eram emitidos por eles e junto aquele som enfadonho, zunia a sonoridades de muitos tambores, aquilo sem dúvidas seria iminentemente um sinal do qual precisava para agir, Yaol desejava lutar, desejava ficar ser livre. O ritual havia começado, e se nada fosse feito, eu e Natuia poderíamos ser mortos naquela noite, uma injuria patriarcal como está não seria tolerada, e estando mais uma vez no seio da aldeia e entre os guerreiros, uma segunda vez não seria perdoada, aquele dia, provavelmente seria a minha última respiração ofegante sobre as terras tupinambás. Meu atrevimento seria agora algo mais do que tolerável, e o cacique e guerreiro Yenan, não teria piedade de nossas vidas, no entanto, algo de concreto teria que ser feito, e o quanto antes, melhor, aquele tumulto de gente, som e batucada seria aproveitada por Yaol, os três andarilhos caminhavam sobre aquela relva cinzenta, e o endereço já conhecido pelos destinatários era imemoráveis a todos, naquele instante os tambores zuniam mais fortemente em meio ao silencio opaco de seus corações juvenis, o terror inabitável, jazia freno no vazio de suas mentes e o cheiro de terra molhada não lhes trazia emoções felizes. O calafrio da solidão aparentemente vazia da floresta, silenciava o medo que se aproximava, e o barulho dos tambores frenéticos e voluptuosos, havia se implantado tão rápido em suas emoções, quanto a um corte sobre rosto, feito por fechas lançadas sobre o inimigo desatento. O medo pairava até sobre o clima da mata, e aquelas duas criaturas de Deus, apesarde encurraladas,não sabiamsepoderiam naquele momento ter o fortuito desejo de ter medo ou o receio de não poder lutar por suas vidas. Estaangustiajá lhes soava algotórrido e mais terrível do que a própria eminencia de morte, o desejo de matar o seu escravizador, somente aumentava em seu peito, e aquele desejo impuro, não só lhe parecia medonho e avassalador como o anseio por liberdade a qualquer custo.
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    O ÍndioEnfeitiçado 54 Yaol repetiaem ampla e boa voz, o que falava para dentro si, somos duas criaturas frutos desta grande mãe terra, que Yenan tenha piedade de nosso amor, que ele reconsidere o seu julgamento sobre nós. E que Thuthukaia e Yenemaiana toque sobre seus corações julgadores. E voltado os olhos para o seu opressor largou o pontiagudo galho de arvore sobre o chão e desistiu de matar o seu algoz. Natuia concordou com o olhar sobre a decisão do amando e amendoado tudo, ressentiu-se tacitamente sobre a agressão que prévio impetra. Para Natuia e Yaol o som aturdido e furioso dos tambores, não lhes soavam bem aos ouvidos, suas almas estava em umintrépido leito de morte, seus corações pareciam estar tristes e lamentavam antecipadamente o seu fim cruel. A trajetoria de suas vidas beirava a um termino que se extinguiria na aldeia tupinambá, algodeveria ser pensando, articulado e feito. Suas vidas dependiam de certa eficiência, de certa força, e de um proeminente e rápido ataque. Aquilo lhe aparentava uma atitude um tanto ríspida ou estupida, mais tudo até aquele momento já lhe era um ensejo perigoso e iminentemente fugaz. Yaol tinha muitas dúvidas e preocupações em sua tentativa de ataque a Mitaage, apesar de ter desistido da proeza minutos atrás, esse desejo de liberdade lhe refutava a mente novamente, mas a sua defesa e fuga dependiam de um certo grau de assertividade e de conclusão em seus golpes. Mais definitivamente não o mataria. A sua amada Natuia com certeza era a mais importante dentre as suas muitas dúvidas, a vida de sua pequena estava de mãos dadas aos erros e fracassos que talvez viesseater em sua manobrável defesa.O seu opressor jáos tratava como reféns de uma morte, há um certo tempo, então a sua sentença já estava confirmada, sem dúvida alguma, ou eles morreriam na mata emconfronto com Mitaage, ou morreriam na aldeia depois de um julgamento injusto e cruel. Algo realmente deveria ser feito e antes que cheguemos a ser apresentados aos guerreiros da aldeia tupinambá. Yaol pensaria em algo bem planejado para a sua última defensiva para retira Natuia daquele cheiro de ódio que certamente viria de sua própria aldeia, grande parte deste ódio que sofreriam, viria do próprio Mitaage, que apesar de solicito, demonstrou nas últimas horas o quanto seria cruel, e até aquele momento apenas se mostrou um ótimo opressor, certamente poucos prisioneiros de sua tribo escapavam de suas garras vorazes. Ao finalde seu pensamento, Yaolainda não haviafinalizado todas as suas oitivas, e sem ter fechado outras possibilidades de ofensiva, sua mente planejava algo de impacto, mas nada devia comprometer a vida e saúde de sua linda Natuia.
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    O ÍndioEnfeitiçado 55 O ataquea Mitaage não foi uma surpresa, e o início da briga assustou Natuia, mais ela, também sabia que aquilo era algo necessário, Yaol depois de ter inviabilizado a opressiva de seu algoz, que os ameaçava com um arco e uma flecha provavelmente envenenada, começarem uma briga corporal interminavelmente absurda, Mitaage era maior e mais forte do que Yaol, mais o desejo de salva a sua amada Natuia, era dez mil vezes mais forte e superior a fragilidade do pequeno índio Yaol, mesmo em desvantagem, Yaol contou com a sua mente astuciosa e com um pouco de malicia, e durante a briga intensa, estava ele em uma onerosa relação de vantagem a Mitaage, certamente a luta estava definida e tudo levava a vitória inevitável de Yaol. Mas o confronto entre os dois de repente virou de lado, e Mitaage revolvia-se em recuperação de sua curta perda de forças, foi quando este experiente índio se desvencilhou das mãos opressoras de Yaol e pegando-o pela garganta, o esganou lentamente, até levar o jovem e pequeno índio a quase perca de todos os sentidos vitais. Yaol agora se encontrava perdido, e sua tentativa frustrada de ataque somente o colocou em um perigo ainda mais eminente e sôfrego. Aquele dia definitivamente seria o seu fim, e quase sem consciência, viu que o amor por Natuia seria algo que não poderia ser vivido sobre terra, pois o ódio entres as tribos, amorte de Paotaki, o rapto de Natuia, a recente guerra sangrentae até a violação do pacto, tornou o seu amor inviável e improvável. Ainda asfixiado pelo seu iminente opressor e quase desacordado, Yaol viu uma luz de salvação que pousava lentamente sobre uma arvore, diante de seus olhos uma ave sobrenatural imensa, fechou as suas asas sobre a mata densa, ela lhe indicava a solução para o fim da luta. Infelizmente ele não conseguia distingui que ave era essa, mas ela tentava lhe ajuda, não ficou claro e sua mente, se quem ele via era Tycara ou Yutia, mas seja quem for sinalizou o que ele deveria fazer. Yaol agiu rapidamente e com o rosto voltado para o chão úmido, seus olhos observaram a esquerda de seu braço estendido na mata, duas das flechas que caíram do suporte de Mitaage enquanto lutavam, mas a ave sobrenatural lhe apontava uma outra fecha, exatamente uma terceira flecha que se encontrava mais próximo ao seu rosto, ela estava enroscada sobre as folhas secas, e camuflada pela densa mata fechada, não foi percebido por Mitaage. Yaol não poderia recusa ajuda, e dependendo de que ave sobrenatural lhe apontou uma saída, ele a usaria naquele momento de terror. A ajuda teria um preço, e sobre valores ele discutiria depois com a entidade que o socorreu. Neste momento Yaol viu que sua sorte poderia ter mudado e utilizando as poucas forças que ainda lhe restavam, pegou por esta última flecha e as transfixou no ombro de Mitaage,a fecha atravessou o dorso de sua costa,e varou tenuemente o peito esquerdo de seu inimigo, causando-lhe quase que instantânea a sua morte, aquilo foi
  • 56.
    O ÍndioEnfeitiçado 56 sem dúvidaalguma um ato de sorte, além de ser um ataque inesperado e também mortal. Mitaage expressou um último olhar intranquilo e desacreditado, Yoal viu a vida o deixar pelos olhos amendoados, suas mãos foram perdendo força e aos poucos, o pequeno e mirado índio Yaol voltava a respirar, o corpo de seu agressor caiu morto sobre seu peito, esmagando-o contra o chão, no entanto, era incrível que o ferimento terrível que o mortificou, foi causado justamente por uma de suas próprias flechas, uma arma que deveria defende-lo, mas ela apenas causou-lhe a sua própria morte. Como a vida é intrigante e ingrata, pensava Yaol sobre a própria sorte, minutos atrás éramos reféns e condenados a morte certa e agora estamos livres. No entanto é uma pena ter causado a dor e mais uma morte a pessoas que não mereciam morrer, e ainda com as fechas sobre as mãos relutava os pensamentos impuros que residiam sobre sua mente, a perfuração certamente causou-lhe um grave ferimento mortal, que em questão de instante lhe imobilizou encurtando de forma imediata a vida. Yaol estava sôfrego e cansado, a luta corporal causou-lhe grandes danos, mais só o fato de ver o seu inimigo desfalecido e vencido, isto já lhe causara muita satisfação, ele e a sua Natuia podiam refazer o caminho de volta para a aldeia Guajajaras e por lá espera pelo pior. Suas condições físicas não eram as melhores, mais ainda assim, conseguiam reuniu forças para retirar o corpulento Mitaage de cima de si mesmo, ao vira-lo de lado, Yaol não havia percebido que ambos estavam sobre as beiras de um grande precipício, aquela era uma formação rochosa inacabada da natureza. Aquele lugar era usado para contemplação do rei Sol, muitos índios faziam daquele espaço, um reduto de oração e de contato com Yutia. O corpo de Mitaage escorregava lentamente para a boca do grande morro, que mesmo sendo impedido de cair daquele barranco por Yaol, acabou por precipitasse do alto da planície, pois o peso do corpo de Mitaage, a fragilidade de sua força corporal de Yaol, mais a gravidade do ângulo em que o corpo estava posicionado, não impediu o acontecimento do que já era obvio. Ele acabou caindo e rolando até as margens do grande rio tupinambá, ficou preso sobre uma arvore, provavelmente ficaria inerte sobre amata virgem por alguns dias,até que alguns índios tupinambás, ao pescarem ou ao usarem o rio para o banho diário, o encontrariam em avançado estado de decomposição. Aquilo certamente causaria mais ódio e atrairia uma nova e interminável guerra entre as tribos tupinambás e guajajaras, o selo da vida estava compilado, e o destino de Yaol e Natuia estavam novamente nas mãos de Tycara e Yutia.
  • 57.
    O ÍndioEnfeitiçado 57 Yaol tinhapressa e não perderia tempo em tira Natuia dos limites territoriais da tribo tupinambá, Yaol a pegou pelo colo, a beijou fortemente em seus lábios e a carregou por outras trilhas que seriam completamente desconhecidas até para ele mesmo, mas seu amor o levaria em direção a aldeia Guajajaras, disto ele tinha certeza, afinal, se não fosse assim, por que a grande ave sobrenatural, havia o ajudado contra Mitaage. Minutos depois, a floresta se fechava sobre os seus corpos pequenos, e logo que se passaram algumas horas de caminhada, o ritmo do índio Yaol diminuía inevitavelmente, o que protelava em demasia, um cansaço natural em seu ânimo. Depois de alguns minutos Yaol finalmente parou a caminhada, colocou a sua amada Natuia sobre uma folha de uma bananeira e caiu desfalecido ao lada dela. Natuia mesmo adoentada foi ao socorro de seu príncipe de penas e tinta, observou que Mitaage não foi o único a sofre golpes mortais, uma outra ponta de lança, também gravava o corpo de Yaol, ele foi ferido ainda de forma severa, provavelmente isto deve ter acontecido durante a luta corporal, ambos travavam golpes entre, e no auge do calor da briga, talvez Yaol nem tenha sentido o empuxo da lamina de pedra que o atingiu. Natuia sabia que a caminhada devia ser interrompida, e que Yaol precisava passar por cuidados sérios de saúde, ou do contrário, não viveria até o anoitecer, a índia astuta resolveu arrasta-lo até um lugarque ambos já conheciam, eque não estavamuito longe deles, era a velha gruta da cachoeira que antes serviu como um ninho de amor, e agora poderia salva a vida de seu amado. Após ter retirado a ponta de flecha e de ter limpo o local do ferimento, Natuia reuniu as suas poucas energias para procura relvas e plantas que pudesse curar e fecha os furos profundos feitos por Mitaage no corpo de Yaol, ela também aproveitaria para procura relvas que lhe curariam do mal que atacava lentamente o seu corpo. Alimento e água também foram observados por Natuia, que também os trouxe para dentro da gruta, isto era necessário para os manterem vivos por dois ou três dias, esta era uma medida temporária, pois ambos deveriam permanecer escondidos e bem protegidos de seus futuros algoz. Afinal, quando os índios tupinambás encarregados pela caça, pesca e coleta diária, ao encontrarem o corpo de Mitaage próximo a beira do rio e naquelas condições, eles imediatamente mobilizaram buscas incansáveis pelo assassino de seu companheiro de aldeia. Neste aspecto, um breve momento de reclusão é o melhor a ser feito, o ideal é que fiquemos escondido aqui nesta gruta, pois ao ficarmos expostos a mata densa e entregues a luz da lua e do sol, ainda completamente, fragilizados, sobressaltados e sôfregos, seriamos presas fáceis aos guerreiros. A floresta úmida e fechada também nos
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    O ÍndioEnfeitiçado 58 entregaria comsolenidade, muito devido aos sons que a bicharada fariadurante o nosso trajeto. Depois daquela noite, embora Yaol tenha sofrido bastante com as febres e as dores de um início de hemorragia interna, tudo havia acabado bem naquela manhã de outono, as plantas e as raízes que Natuia tinha coletado, agiram perfeitamente no controle das enfermidades, e até as suas fortes dores abdominais, jaziam com certas normalidades em seu corpo pequeno, ambos se sentiam muito bem, e as pernas já tinham a forças necessárias para fugirem dos perímetros habitados pelos tupinambás. Até aquela ocasião, já havia se passado algumas horas do princípio da manhã, Natuia porém, planejava fica dois ou três dias inteiros até que os ânimos na sua aldeia baixasse as temperaturas, muito do esforço e da decisão da pequena salvou os dois de uma perseguição implacável, Natuia ao preferir ficar escondida na gruta, ganhou tempo para ficar curada e forte, o mesmo podia ser atribuído a Yaol, aquelas atitudes resolveram em parte, alguns de seus piores problemas, agora ambos pensavam em como sairiam sem ser vistos pelos caçadores tupinambás, Natuia revelou a Yaol que os guerreiros tupinambás, são ótimos rastreadores, e neste aspecto, não importa para onde se caminhe, eles no fim de tudo, acabaram por nos acharem. Natuia falava estas palavras com uma convicção tênue, Yaol também sabia das artes do rastreamento, pois a sua tribo compactuava dos mesmos ensinamentos e das práticas milenares, pois ambas as tribos, receberam os conhecimentos ancestrais em tempos próximos e remotos, tudo levava a crer que os mesmos deuses que moravam nas estrelas e que visitavam os tupinambás, eram os mesmo que acompanharam os povos de seu avó guajajaras, foram eles, os mesmo deuses dos tupis, que repassaram estes ensinamentos, assim como outros conhecimentos importantes, e todos foram repassados a seu povo em inúmeras visitas e em vários tempos diversos, tudo isto foi feito ainda na antiguidade. Isto foi ensinado a seu povo a milhares de anos, um conhecimento que era passado desde a terra remota, até a terra idealizada por aqueles que faziam morada nas estrelas, tudo o que era feito entre as estrelas dos céus, foi devidamente copiado para a terra, e isto foi repetidamente aparelhado até que fossem concluídos como o planejado. Isto foi possível aos que viviam na terra enquanto se formava os primeiros seres vivos. Quando os deuses vieram morar aqui na terra, muitos conhecimentos foram difundidos e repassados aos nossos povos. Os nossos antepassados sempre nos enchiam de conhecimentos e práticas, e mesmo quando alguns de nós, éramos convidados para visitar os deuses em sua morada, algumas delas acima das estrelas que existiam entre as nossas estrelas.
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    O ÍndioEnfeitiçado 59 Quando voltávamosdas estrelas,os conhecimentos adquiridos e recebidos eram a nossa contrapartidas para transformamos o nosso espaço geográfico, e como eles viviam entre o trajeto percorrido da terra até as estrelas, e das estrelas até a terra, geralmente tínhamos que acompanha-los, alguns voltavam, outros não, mas contidamente, éramos as vezes convidados a sermos engolidos pelos seus pássaros de ferros que cuspiam fogo, e neles voávamos da terra até a morada deles nas estrelas, e fazíamos isso repetidas vezes, até que seu proposito se findassem. Eles nos davam conhecimento, alguns objeto e construções, e nós retribuíamos com as pedras amarelados e brilhantes que eles nos pediam para extrair da terra. Vez e outra, um outro pássaro de ferro bem maior do que a nossa aldeia, acho que vinte vezes maior, pousava sobre o rio e o secava momentaneamente, o liquido entrava na ave de ferro e era lavada para a sua terra nos céus. Era desta forma que compartilhávamos de suas dadivas e de seus proventos, e assimcontinuamos por séculos até que eles foram embora e nunca mais voltaram. Tudo isso se viabilizava pelo contato próximo que tínhamos com a morada dos deuses, algumas das construções que eles ergueram aqui na terra, muitas se pareciam com o que ele possuíam nos céus, também se vivia aqui na terra, muito das benesses que eles usufruíam em sua terra natal, alguns dos índios viajantes do pássaro de ferro, relatavam que muito do que se tinha aqui na terra, era algo parecido com o que se tinha nos céus, os povos que viviam nas estrelas não ensinariam mais coisas aos Tupinambás do que aos Guajajaras, ou construiriam mais daquelas coisas de pedras do que fariama outros povos e disto Yaol sabia, pois todas as histórias do seu povo, eram praticamente iguais ao povo de Natuia, uma coisa ou outra os diferenciava, mais sobretudo, eram povos quase iguais, com histórias e deuses, completamente iguais. Yaol tinha rápida certeza que esconderia os seus passos do inimigo enquanto caminhassem dentro da mata, seu avó o ensinará a fazer isto, ele recordava-se pouco das lições ensinadas pelo velho, mais sabia o que deveria fazer, pelo menos o bastante para sumir da vista de seus inimigos, emtempos de guerra tribal, Yaol viu muitos guajás utilizarem esta técnica para escapar de seus inimigos triviais, isto muitas vezes era o mais sensato e necessário a se fazer em tempos de fortes agressões vizinhas a sua tribo e neste entendimento, Yaol tinha a seguridade que eles nunca seriam achados. Agora Yaol tinha esta única preocupação, mais pelo menos não tinham, mais Mitaage como seu carrasco e opressor, e estando livres, tinham uma chance de recomeçar a vida do zero, e esta nova oportunidade não seria desperdiçada, eles lutariam até o fim pelo o seu amor.
  • 60.
    O ÍndioEnfeitiçado 60 Uma Fugade Amor mal planejada.... A noite começava a cair, a lua enfim reinava sozinha no seu límpido, hoje inusitadamente não havia estrelas, somente o brilho gigantesco da lua, que ocasionalmente possuía um lumiar equilibradamente inédito e novo, aquele seu brilho nunca fora visto antes por Yaol,suacoloração oscilavaentre um vermelho fogo, amarelo ouro, e uma cor branca igual a espuma do mar. O mar era um sonho que Yaol viu apenas uma vez na vida, e como o viu ainda infante, quase não tinha recordações de seu imenso esplendor, o vai e vem das ondas era algo que ainda reinava em sua pouca lembrança de menino, mais o gosto do sal em seu rosto e na sua língua, era algo totalmente inesquecível. Enquanto caminhavam Yaol teve uma súbita mudança em seus planos iniciais de fuga, e resolveu mudar abruptamente a sua linha de trajetória, a sua rota agora era delineado pelo sonho que tivera na noite anterior, seu instinto agora conduzia a sua rota, neste instante, pegou Natuia pelos braços e irrompeu caminho em direção ao rio Tupinambá, depois que chegasse ao rio, atravessariam e seguiriam rumo ao mar. À primeira vista Natuia achou aquela ideia um pouco precipitada e um tanto desmedida, isto a assustou de verdade, o mar era para ela um demônio que a tudo tragava, e que tudo engolia,levando tudo o que viviasobre elepara o fundo de seulargo e eterno leito de águas azul escuro. Natuia ainda não conhecia o mar, mas apenas as histórias que contavam sobre ele, é claro que os rios, lagos e as pequenas porções de terras que circundavam a aldeia Tupinambá era todo o mundo que ela conhecia, além é claro das terras e do rio Guajá que ainda a alguns meses o conheceu com Yaol. Yaol pediu que a amada confiasse em seu guerreiro amado, pois ele nunca a desapontaria, e jamais a colocaria em perigo, além do mais, eles não morariam sobre o mar, mas residiriam em uma das muitas terras antes dele, lugar aonde poderiam construir a sua oca, coleta frutos exóticos e pescar peixes muito diferentes em suas águas salgadas, peixes estes que nunca veriam em um rio de água doce. Esta objetividade em mudar de trajeto, também traria a eles uma outra boa objeção, depois que eles atravessassemorio, ficaria impossível aos tupinambás rastreá- los até o mar, e neste entendimento ficaríamos livres da incompreensão, da fúria e do ódio de nossos povos, viveríamos o nosso amor sem a intervenção de seus estupidos julgamentos.
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    O ÍndioEnfeitiçado 61 Natuia finalmentedepois de um longo e dolorido sofrimento, voltava a sorriu, sentiu que enfim viveria o seu amor com Yaol, e que a felicidade tinha no final de tudo, voltado ao seu lugar de origem, a sua terra natal, ao seu coração de menina, que em breve queria viver uma vida de mulher, e de ser mulher do índio Yaol. Agora faltava pouco para atravessarem o rio, Yaol já ouvia o som trepido e soluçante do grande rio tupinambá em sua enorme majestade, as corredeiras batidas de suas águas estavam próximas e até o cheiro incomum da terra molhada entupia de forma feliz as suas narinas finas. No entanto o seu ouvido extremamente atinado também ouviu outro som atípico incongruente sobre a mata, seu ímpeto foi rápido e forte, e inusitadamente se pôs de joelhos sobre o chão com os ouvidos colados a terra fria, ouviu um caminhar nitidamente diferenciado, continuo, acelerado, pujante e bastante enumerado. Yaol desconfiava que os tupinambás haviam enfim lhe rastreado, isto demonstrou que o seu ato engenhoso de tentar camuflar os vestígios de suas pegadas, não logrou êxito, pelo contrário, seu rastro os levou até as bordas do rio que planejava ser atravessado, ele fechou o semblante e olhando dentro dos olhos de Natuia, sorriu fragilmente e disse-lhe, fomos descobertos, neste sentido, os tupinambás não estavam tão longe de sua atual localização, Yaol de forma ofegante, pedia para que Natuia apressasse os passos, pois os tupinambás haviam lhes achado, e uma vez descobertos, seriam alvo fáceis para as flechas inimigas, instantes depois o som da marcha íngreme dos guerreiros alteava-se a cada quatro pés em sua direção, e o coro cantado dos índios tupinambás aumentava conforme avançavam, o coração de Yaol apertava-se contraído as paredes de seu peito, imaginando o desfecho que aquele jogo lhe traria. Depois de transpassarem um grande jatobá, o rio emergiu gigante e majestoso sobre as suas frontes, os passos de Yaol agora galopavam e davam um compasso ainda maior para contra os de Natuia, que naquele instante quase não o acompanhava de tão demasiadamente célere e frenético, que estavam em seu intuito. Seus pés enfim tocaram as águas do rio tupinambá, sua luta contra a correnteza forte do rio não os impedia de continuar brigando pela liberdade e pelos seus amores, o desejo era sublime, mas nem os braços seguros de Yaol, conteriam a ira implacável dos fortes guerreiros tupinambás, pois uma surpresa insegura e previsível já os impedia de continuar em seu objetivo tênue. Um grupo de índios guerreiros já nos esperava em uma margem a cima do rio, todos estavamem pé ou deitados sobre as grandes pedras que dividiam o grande rio, a maioria deles já nos apontavam suas inúmeras e impressionantes flechas alongadíssimas, todas elas estavam mirantes em nossa direção, um assobio discreto, curto e fino, mas também audível, comunicava um alerta de ensejos e de advertências, indicando que já estávamos cercados, outros índios já nos envolvia por trás das arvores,
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    O ÍndioEnfeitiçado 62 outros caminhavamsobre as águas do rio, nos impedido de retroceder, outros ainda, já sependuravam nas arvores e nos cipós,enquanto outros diversos, jános assinalavacom as suas lanças compridas, um outro grupo de 15 a 20 índios, sorridentemente nós recepcionava com destreza e desprezo, outros alguns nós denunciavam com o bico da boca, alertando outros índios que jaziam perto do rio caudaloso, que nos aproximávamos aos cílios da margem, repetidamente uma alegria dúbia esterilizou-se entre todos os índios, e uma histeria cantada em vários dialetos diferentes nos assustava, os minutos seguintes nos prove-o uma certa desorientação geográfica, e nitidamente o medo nos revolveu a flor da pele, a vista ficou turva momentaneamente, e quando levantei o rosto para o sol, localizeino alto do morro Tycara,o enorme exército tupinambá, que armado e enfurecido até os dentes, sangravam-se pelas pupilas todo o seu ódio. Aquele era o nosso fim, estávamos cercados, e com medo, mas isto não era tudo, o grande guerreiro tupinambá Mitaage, que a três noites, deveria estar no outro lado da vida, nos braços quentes de Thuthukaia, apareceu vivo e forte a frente dos guerreiros tupinambás, ele não parecia tão morto, pelo contrário, mesmo aparentando está debilitado, frágil e exausto, sorriu em minha direção como a um verdadeiro fantasma, um demônio vivo reencarnado na terra, sua expressão de ódio nos mortificou com um frio violento e ameaçador. Minutos depois, Mitaage gritava com a força de seus pulmões, palavras inaudíveis e não compreensíveis, mais os incentivos eram uma comunicação de ódio, e todas as palavras remetia-se a inflamar ainda mais os corações dos demais amigos guerreiro Tupinambás, em um tom mais ameno ele recitava altivos agressivos aos tupis, ao passo que Natuia traduzia-me com uma expressão de terror em sua fala..... Mitaage – Yaol..... seu contraventor e enganador..... Hoje..... Vou pessoalmente comer o seu coração em nossa cerimonia sagrada.... Garanto a você..... Que tu.... Nunca mais verás o sol novamente..... Seu Guajá maldito...... dispersa-se de sua Natuia e da face da terra...... pois você morrera hoje em nossa fogueira....... Natuia ao terminar a tradução para Yaol, caia desanimada sobre os pés do rio tupinambá, o seu coração estava sobre leito de morte, sua mente jazia aos prantos e chorando milhões de gotas doces, suas lagrimas afetuosas e frágeis umidificavamo solo secoda floresta impávida, suatristeza aguava o chão, como o mar inundava a praia, suas lagrimas pareciam tormentas d’águas em uma cachoeira no verão, sua tristeza era igualmente a água da chuva, que rapidamente se juntam trilhões de gotas d´água que correm para o rio em questão de instantes. Minutos depois os seus olhos tênues e pequeninos se desmancharam como a muitas nuvens claras que sobreiam a sua aldeia, e assimcomo as chuvas que molham as terras secas no verão, seu corpo nunca ficou tão despedaço, diante de tanta tristeza
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    O ÍndioEnfeitiçado 63 por nãover neste acontecimento uma luz robusta que laminasse o imenso espaço escuro de seu coração. Os índios tupinambás comemoravam muito o seu incrível feito, e ao cerca-los, todos se regozijavam muito pela captura dos desonrosos, Mitaage dava as ordens necessárias para o massacre iminente de seus inimigos, paus e cipós erram arrancadas da mata, e sequencialmente a isto, eles os amarravam como a bichos ou a animais de caça, e pendurando-os pelas mãos e pernas, faziam o caminho de volta até aldeia Tupinambá. O chefe da aldeia ficaria contente com o novo presente que receberia, e junto a isto uma vingança e retratação seria enfim julgada pela tribo, pois o pior algoz dos tupinambás, fora capturado vivo, e o sangue derramado de seu amigo Paotaki, será em fim vingado. Os índios tupinambás caminhavam com certa urgência pela mata, seus passos freneticamente marchados, associados conjuntamente ao barulho dos tambores que tamborilavam festivamente, assinalava que a aldeia conjurada como inimiga de seu povo, causar-lhe-ia agora doloridas lembranças em yaol. Somados a isto um fino grito de guerra era anunciado pelos guerreiros, aquele som horrível e odioso, davam luz ao grau de severidade que se propagava ao futuro dos dois jovens índios. O ódio parecia um norte que não teria volta e ensejo a discursões, até porque o fator complicador estava amarado e pendurado a uma estaca, como a um porco da mata, que logo seria servido como jantar em uma típica e honrosa comemoração, tanto Yaol, como Natuia, estavam inteiramente envolvidos, ambos até então, haviam descumprido um acordo tribal, que decidido em um conselho de líderes guerreiros, sacramentou uma paz que não devia ser quebrada, tal acordo foi pessoalmente oficializado na presença do próprio Yutia, e isto não seria perdoável. Neste aspecto, ambos deveriam ser aprisionados, castigados, julgados e depois punidos, em regra a punição para tais atos graves na tribo tupinambá era uma condenação à morte. Mas Mitaage o mais cruel guerreiro da tribo, não ficaria infeliz em fazer isto, ele próprio daria cabo dos dois odiosos desordeiros. A noite do cerimonial de passagem que se iniciou a alguns dias, seria um ótimo momento para se aplicar algo com tamanha crueldade, e como a gravidade das acusações envolviamvários crimes contra guerreiros e índios tupinambás, isso não seria difícil de se prover na aldeia um clima doloroso e de peso de consciência aos cidadãos, pelo contrário, a morte de Paotaki, o quase assassinato do próprio Mitaage, o envolvimento de uma índia tupi com um índio guaja, e a quebra de um acordo de paz, seria um prato cheio para qualquer julgamento cruel. Mitaage um dos líderes dos guerreiros saberia aproveitar certamente está ocasião.
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    O ÍndioEnfeitiçado 64 Yaol aover o clarão no meio da mata ficou com o coração novamente aflito, e ao voltar a ouvir o rufla dos tambores, sentiu-se ainda mais desesperado, sua alma estava em um eterno pranto de morte. O peito ofegante, já lhe dava indícios sérios de um princípio ataque cardíaco, algo eminentemente doloroso se aproximava dos dois jovens e Yaol ao pensar em Natuia, sentia que desta vez iria realmente perde-la, e desta vez seria para o todo sempre. A entrada na aldeia Tupinambá não foi nada agradável, éramos hostilizados com uma energia terrível, muitos nos olhavam como a verdadeiros monstros e alguns aldeãos mesmo em uma passiva festividade, nos agredia atirando comida, bebida e outros objetos, a fogueira planava majestosa em suas chamas absurdamente altas, outras pequenas fogueiras, assavamalguns animais de pequeno porte e vários peixes, comida que seria consumida durante o cerimonial. Fomos colocados no meio da aldeia e pendurados como comida fresca em suportes improvisados, ficando suspensos em uma posição horizontal, vários índios dançavam e bebiam em comemoração a Yutia, que foi o ser celestial, que primeiro salvou a tribo Tupinambá de uma enorme epidemia, enviada por Tycara, uma doença invisível tão forte, que praticamente instalou a própria morte no meio da aldeia tupinambá, na época esta doença dizimou sozinha, mais da metade da tribo, e isso foi a exatamente dois séculos atrás, mais ninguém esquecia do feiro de Yutia. Ninguém esquecia do dia em que a grande ave, salvou a aldeia desta grande peste. Tycara é uma ave demônio, deusa da morte, muito temida pelos Tupinambas, mais também ela é muito temida pelo Guajajarás, que também tem em Yutia, um pássaro encantado, que cuida dos indígenas, ele é como um libertador, um salvador de povos que vivem nas florestas, é ele que sempre enfrenta e derrota Tycara. E por isso os tupinambás veneram tanto a ave deus Yutia.... Sem ele o povo morreria de fome, morreria de sede, e doenças gravíssimas aniquilaria o seu povo e os rios e peixes, assimcomo todos os animais, deixariam a vida na terra, todas as arvores secariam e as biqueiras d’água agonizariam em seus leitos de areia e pedras. Yutia era sim nosso protetor e amigo.
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    O ÍndioEnfeitiçado 65 Um diaInterminável na Aldeia Tupinambá.... Na aldeia tupinambá, um cerimonial ritualístico começava a torna cinza a noite do quinto dia da semana, as fogueiras acesas incendiavamas festividades que chegavam com o brilho do pequeno astro solto nos céus, aquelas danças que socavam o chão morno, não era uma comemoração comum, ou um rito solene de inverno, ou apenas uma festa ordinária. Os céus estavam com um colorido diferente, o brilho dos olhos de meus irmãos estavam aperolados, a noite esta vermelha, e a copa das arvores jaziam sobre o clarão cinzas das fogueiras, uma nuvem de fumaça, aquela era uma noite em que uma lua de sangue se fez presente nos céus, e a sua forma, parecia dobra de tamanho nos céus, geralmente muitas comemorações duravam de duas a três semanas, mas esta festividade em particular era efêmera e frenesi, alguns índios mais habituados, e com vivencias mais ativas aquele evento, diziam que tais cantos e festas faziam parte de um culto antigo, e tudo tinha referências a Yutia, uma ave encantada que desde a antiguidade protegia o povo que mora nas florestas. Ancestralmente, mas não conjuntamente, estas práticas milenares, costumou-se ter as suas realizações, entre os índios mais velhos e mais sábios da tribo, as reuniões e as festividades do ritual de passagem, com as festas a Yutia, começaram a intercambia um processo de mudança de fases, principalmente as que elevavam o espirito jovem das crianças para um estado biológico prematuro, que estabelecia uma relação entre ser uma criança e ser um adulto, esta cerimônia configurasse como um processo que dar poder a criança indígena para superar problemas na sua fase adulta. Isto era feito em duas ocasiões, a primeira quando crianças, se dava no estágio curto, pois as almas destes pequenos, estavam a pouco tempo na terra, e como tinham acabado de virem do plano celeste, suas almas recentemente abertas ao plano terreno, ficaria exposto ao plano etéreo, facilitando assimo contato com o criador de todas as coisas, todos Índios acreditam que a energia da divindade que nos criaram, ainda estavam presentes e latentes nos pequenos. A segunda ocasião, estava nos rituais eleitos para os anciões, e aqui estava o efeito contrário destas reuniões, pois acreditassemque estes senis,estãomais próximos de abandonar a terra, e logo estarão no plano etéreo, e, portanto, mais próximo do criador. Estes dois rituais de passagem,tinhacomo vinculo, tentar uma comunicação com o sagrado, com o divino, como o todo poderoso, com o criado de todos os indígenas e de tudo o que é vivo na terra.
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    O ÍndioEnfeitiçado 66 Esta comemoraçãoritualística, apesar de ser muito antiga em várias aldeias indígenas, também é uma festa de cunho cerimonial que sempre floresceu no meio de aldeias Tupi-guaranis, cujo povo irmão os Ynamabares, foram os primeiros a realizarem estas festividades. Os responsáveis pela origemdos rituais de passagem também foram os primeiros povos a habitarem aquelas terras. Os Yanomames foram os povos que deram origem a todos os demais povos que primeiramente residiram estas matas, Yutia os criou a parti da nascente do amazonas, todos os outros povos então ao se desmembrarem em outras pequenas facções, formaram grupos maiores, até virarem aldeias gigantescas, como a dos tupinambás, Yanamabares e outros povos. Os Guaitacazes também se estalaramsobre o braço do rio gigantesco e em meio tantos moradores ilustres, também habitavam a muitos séculos os grandes Guajajaras, este povo, sempre foi identificado como sol que inicia a manhã, e são deles a expressão de que a felicidade só é boa quando compartilhada. Estas manifestações grupais originam-se exatamente durantes estas festividades anuais, chamadas de festas vermelhas, comemorações típicas iniciadas pelos Yanamabares, que sempre durante o mesmo luar, e sobre a mesma grande pedra, realizavam a sua grande festa sagrada de Yutia. Esta festa podia ser vista e comtemplada todos os anos no mesmo local e na mesma data, e sempre do alto da montanha Anuatijuca, onde podiam ser vistos, vários homens carregavam todo tipo de troncos de arvores, pedras enormes e até animais vivos, eles usavam as costas como apoio, e ao demonstrarem o quanto eram bravos guerreiros, suas plantações, caças e coletas, deveriam se multiplica e frutifica o ano inteiro, Yutia deveria abençoa-los pessoalmente sobre aquela madrugada festiva e assim se confirmava. Estas festanças, sempre comemoravam também a dupla reverencia que o povo aludia a grande lua vermelha. Durante estas semanas de comemorações muitos índios eram vistos comas suas vastas pinturas corporais, penas ornamentais, e caças extravagantes sobre os ombros, tudo era feito para agradecer a Yutia, também se via uma grande fogueira vertical, aliais é estaenorme fogueira que anuncia aos aldeãos de todas as partes que estavamabertas o início das comemorações. O ritual de passagemda vida infantil, para a vida adulta dos índios é também em grande parte relacionadas plano etéreo, e ao criador de todas as coisas, que através do seu enorme poder que envolve a facilidade de destruir e de construir tudo em sua volta, sempre ajudou os índios neste aspecto da vida, delineando a limitada evolução do movimento cíclico do universo, fazendo da locomoção das estrelas, um recomeço para vida eterna dos índios, esta perspectiva era exatamente vinculada com a força que se estabeleceu entre os povos indígenas e os grandes Deuses, que ao continuarem o
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    O ÍndioEnfeitiçado 67 caminho daevolução, se tornaram guia de sua própria jornada, isto os alicerçou na construção de uma identidade, relacionando-os com a mãe terra, e reafirmando-os a um estado mais completo de harmonia e equilíbrio entre os que desejamou queriam o desejo de serem iguais a eles no universo paralelo, como os deuses o eram no início da criação. Muitos tupinambás, assim como outros povos indígenas, têm esta ave sobrenatural como graça e fortaleza, os antigos afirmam que Yutia, é uma antiga estrela celeste,e como algumas estrelas do céu se apagam, Yutia deixou de ser um astro celeste para reencarna-se em forma de pássaro para proteger o nosso povo, é por isso que não se ver mais o brilho da estrela aonde ele residia, pois ela se apagou para poder residir na terra. Yutia pertence a uma constelação uniforme do sistema interestelar, por bilhões de anos viveu solitária,mas hoje a suaespécieseespalhou pelo cosmo, como o seu povo é algo único e diferente, seus predomínios e conquistas não tiveram resistências de outras civilizações, muitos índios dizem que no passado, esta ave antiga havia vindo do alto dos céus, sobre a constela que fica atrás das três estrelas que ficam enfileiradas no céu, mas hoje nosso povo sabe que a sua constelação fica atrás do nosso grande sol. Quando Yutia emergiu de sua morada, viu que a navegação entre a sua estrela até a terra, era algo necessário e proeminente. E querendo fazer residência junto a nosso povo, teve em seu intento a benesse de compartilhar o seu conhecimento para ajudar a nossa aldeia. Quando nos viu aqui sozinhos e perdidos, quis nos proteger e nos fazer companhia sobre a terra. E instigado sobre o quer éramos, como vivíamos e por que estávamos aqui, quis também se entender como forma de vida celeste e viu em nossas mazelas as mesmas perguntas que ele mesmo tinha sobre si, muitas dessas perguntas sobre o que é a vida, tanto Yutia como o povo indígena, também os tinha como questionamento holístico. Quanto ao seu antigo lar, a ave sobrenatural, relatava que era um lugar solitário, sombrio e inerte, quanto nos viu aqui, sobre este planeta, ele via movimento, vida e biodiversidades para interagir. E desta forma entendendo os povos desta constelação distante, quis morar com os indígenas deste lado da terra. Após estes dias de festa e de muita comemoração a chegada de Yutia na terra, a aldeia tupinambá se preparava para comemora um outro ritual de passagem, algo que os lembrava de outras passagens da vida, aquele dia era algo diferente, o acompanhamento de forma literal de seus novos membros adultos, passaria por anormalidades sobrenaturais.
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    O ÍndioEnfeitiçado 68 Aquilo iriadefinir quais rumos a tribo iria tomar ao longo de seu percurso de vida tribal, outro fator muito importante para a tribo, era o que simbolizava a tramitação para a vida adulta, vários eram os testes de sobrevivência aplicados no interior da floresta, alguns índios, após submeterem-se a duras caminhadas, e a muitos dias mata a dentro, eram propositalmente largados a própria sorte, e estando sozinhos e em qualquer lugar ermo, deveriam volta para as suas casas comalgopara comer ealimentar as suas famílias. Muitos dos pequenos índios conseguiram voltar para as ocas, alguns triunfaram grandemente, outros fracassaram desgraçadamente, um ou dois índios traziam caças tão grandes que mal podiam transporta, outros poucos, carregavam sobre os ombros, uma caça tão ínfima, tão leve e magra que nem dava para alimentar as suas próprias lombrigas, outros, no entanto, não traziam absolutamente nada, mal conseguiam falar, caminhar ou ter folego para respirar. A fome os corroía, era um mal indomável, e as suas mentes exauridas, os deformava de tal maneira, que até os bichos selvagens que habitava as matas, se recusavam a ataca-los. A rainhas das águas sorriam e debochavam daqueles pobres vermes, os peixes bailavam um som demoníaco sobre o corpo cansados dos jovens. Aquilo era um terror a parte provocado pela floresta, um mau que os traia e os sucumbiam ao desejo da própria morte. Outros infelizmente, não retornavam para as suas famílias, a floresta insana e voraz, guardava em parte de suas matas um mau tão terrível, que muitos jamais retornariam para conta as histórias que viveram. Em algumas localidades haviam belezas extremas, solidarias e ao amparo da paz, mais poucas outras, abrigava-se as raízes e o início do próprio mau que existia sobre a terra. Um mau tão cruel, que a própria floresta os bania do convívio com os outros seres vivos e não vivos. Muitos índios não conheciam estaparte que habita o mau, o lagoMufua abrigava um ser cruel e malvada, quando zangada engolia os distraídos, os arrogantes e os mais fracos, estes últimos jamais eram vistos com vida sobre a aldeia. Durante estes dias, o sol teimava em brilhar ameno e frio sobre a aldeia, estes dias eram chamados pelos índios de o retorno dos novos adultos. Para os que chegavam, um som de tambor alegre se abria em ocas que jaziam a sua família em espera, para quem não retornava, um choro fino e tenaz, fechava o termino de espera em suas ocas, outros índios permaneciam com as ocas abertas até que seu filho em teste, voltasse da floresta, muitos ficavammeses eaté anos esperando pelavolta de seus filhos, que nunca voltavam.
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    O ÍndioEnfeitiçado 69 Estas receptividades,no entanto, sempre eram interrompidas e intercaladas pelo o cacique da aldeia,que ao saber de uma notícia que até então não era aceitacomo verdade, ao ser confirmada, tornava-se acessível e acolhida pelo grupo de anciões. Quem voltava era festejado, quem ficava retido pela floresta era rejeitado e assimdeveria permanecer as tradições, ninguém da aldeia era autorizado a resgatar os que se foram e ficaram perdidos na grande mãe floresta, pois se não retornaram, era por que a floresta não os queria na aldeia, e neste entendimento, devimos respeito a natureza, aqueles que estavam perdidos, seriam parte da mata e a mata não os libertaria. Quando se passou o tempo de retorno, um grande aglomerado de chefes tribais se reuniu em conclamação, os anciões juntavam-se a beira das cinzas da grande fogueira, a anunciavam o fim dos testes. No entanto, a reunião tinha outros motivos para conversa e discutir. Uma violação grave estava sendo denunciada e comunicada as lideranças do povo tupinambá, algo muito ruim surgia das mãos dos guerreiros, e em breve um novo ritual da tribal, deveria reuni-los sobre outra grande fogueira. As comemorações dos que voltavam ao teste da floresta, teriam as suas cortinas suspensas temporariamente, a aldeia permaneceu vazia por três dias e duas noites inteiras, o motivo era uma caçar de violação, e isto mobilizou todos os fortes guerreiros de seu povo. Minutos depois aampla aldeiaficou cheiae movimentada pelos fortes guerreiros que retornava da grande caçada. Um índio estrangeiro era trago pelo seu colar de sementes, e jogado aos pés dos anciões, aquele prisioneiro era o índio chamado Yaol, elefoi pego nabeira do rio tupinambá coma índia fugitivae traidora de seu povo Natuia, eles foram pegos em uma ritmada caminha sobre o sol do meio dia. Os dois provavelmente planejavam atravessa o rio e deveriam caminhar rente em direção ao grande mar azul. A ira aflorada no rosto de Mitaagee aincompreensão do que sevia no semblante do cacique, apenas denunciava que algo de muito grave ocorreu nas terras tupis. Geralmente estas caçadas manifestavam-se ou por traição, desordem, descrença ou desrespeitos as tradições, ou por desvio inadequado e flagrante delito de conjunção carnal com membros de fora da aldeia. A índia em questão, presa por Mitaage seria dada como noiva ao índio vencedor do cerimonial ritualístico, o noivo de Natuia seria aquele que primeiro retornasse da fúria que a floresta implementava contra aqueles que a desafiava. A grande jornada de retorno dos novos adultos durante o cerimonial de passagem era algo muito respeitada e abundantemente venerada por todos os tupinambás.
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    O ÍndioEnfeitiçado 70 Quando oscrimes foram relatados ao cacique, uma comunicação interna foi repassada aos anciões. Um movimento atípico os mantiveram atônitos e incrédulos, aquilo simplesmente era algo profano e desonroso. Aquele ato foi algo ultrajante, esta violação deve ser imediatamente comunicada ao pajé da tribo, o rigoroso katoa deve sabe do que houve dentro dos perímetros da aldeia, minutos depois ao identificarem a verdade dos fatos, não se tinha outra saída, a não ser atribuir uma sentença severa ao jovem casal. O conselho de anciões, já se encontrava reunido, e até aquele momento, muito havia sido discutido e conversado, a fumaça subia até o alto dos céus, e acesa sobre o chão firme e queimando como uma fornalha enlouquecida, uma nova fogueira era erguida, ela habilmente seriao alimento em chamas das muitas rodas de discursões que seriam abertas sobre aquele caso. Após ser acesasobre madeira nova, e queimando folhas ainda verdes ecom seiva ainda no talo, o julgamento trilhava por um caminho vil e biltre que não tinha volta, e pelo conteúdo da conversa, tudo seria cultivado, com muita dor, crueldade e sem nenhum espaço para piedades ou culpas. O acertado sobre o assunto já estava traçado, e até aquele instante, o veredito para poder punir os infratores, deveria sair a qualquer momento daquela reunião. Os mais curiosos levavam de ouvido a ouvido todas as possíveis decisões que iam sendo costuradas pelos anciões, fatos não confirmados que logo se espalhavam e semultiplicavam, semqualquer conclusão, aaldeiainteira esperava, mas ninguém sabia do resultado final. Alguns acreditavam no obvio, ele deveria ser entregue ao rio amazonas, que o devoraria rapidamente em suas águas escuras e traiçoeiras, esta seria a punição mais justa e ainda mais terrível para casos desta natureza. Ainda podia se pensar em um forte feitiço tupi, que atribuído as duras tradições dos mais antigos, deveria ser feito sobre sigilo dos grandes deuses que caminham pela manhã, e abertos aos deuses que andavam pela noite. Esta punição sempre era destinada aos que recaiam em desgraça profunda, geralmente os crimes de violações de tratados, acordos e contratos tribais, normalmente a alma imortal do condenado, passaria pela clausula do enterro de imersão, isto incluiria a forma mais severa de castigo e o ritual contaria com imposições sobrenaturais que seriam pagas pelos tupinambás por dois séculos inteiros, isto somente era imposto aos altos traidores, e nestes caso a própria ave do mau Tycara viria busca-lo em seu casulo de imersão. Neste caso,Yaol seriasubmetido ao ritual de imersão, ou seja,eleseriadebelado a uma exclusão total de sua vida, tanto da terrena, como da espiritual. O jovem índio deveria ser amarrado a uma canoa, e o lacre seria feito com amarras de cipós verdes, oriunda de um jatobá ancião, e selada com seiva de uma carnaúba.
  • 71.
    O ÍndioEnfeitiçado 71 A canoaseria envolvida e amordaçada em palha de palmeira nova e em fim fechada com folhas de bananeiras mortas, antes o seu corpo seria embalsamado com seiva de seringueira, e ainda vivo deveria ser entregue a ira de Yacará, um dos seres místicos e donos do rio amazonas. Após o presente, Yacará iria reclama-lo para si em sua cama de água, devorá-lo- ia com as suas fortes correntezas, afogando-o eternamente em suas águas gélidas, este ato tornaria Yaol um prisioneiro, e preso no fundo do rio, deveria decompor-se lentamente no decorrer de sete luas vermelhas, até eu seu corpo inerte, tomasse a forma de um ancião, com a imagem física reconstruída pelo feitiço, ele se tornaria o mais novo guardião daquelas águas, nestas condições a magia o manteria como um servo do rio, sendo um escravo de Yacará pelo resto da eternidade. Tycara seria a responsável por leva a alma do traidor até Yacará, que o devoraria no fundo de águas até o fim dos tempos. Ela, no entanto, receberia um castigo íngreme e perverso, um corretivo conhecido pelos antigos como “a primeira aliança”, ou como todos o chamavam na tribo, como “a primeira”, este castigo era chamado desta forma por ser aplicado a primeira, a um indígena Ynamabares que violou as tradições milenares do povo tupi, esta penalidade ocupa o topo de uma lista de punições, mas esta punição somente era permitida em último caso e em graus específicos de perturbações as tradições. Até por que a condição de severidade empregada exigia a presença de seres desconhecidos e os pagamentos cobrados eram bem mais difíceis de cumprimento, este detinha ritos desumanos e cruéis. Mas Natuia era da realeza, uma princesa entre os índios tupinambás, as tradições revelam que ela dever ser punida com o primeiro castigo. Isto não era um problema a ser discutido, pois as tradições eram claras enquanto a isto. Esta possibilidade de punição já estava decidida, pois princesas e outras castas de importância dentre de tribos devem ser severamente castigadas para servirem de exemplo a outros índios. Natuia deveria seguir o curso de seu destino, e assimcomo os outros índios que transgrediram as tradições dos tupis, ela deveria segui para a prisão húmida. A prisão húmida era um lugar vil e biltre, que ficava afastado da aldeia, naquele lugar havia uma arvore petrifica muito antiga e sobrenatural que possuía sobre a sua raiz um lodo terrível e interminavelmente longo, parte daquela floresta estava imersa aquele lodo horrível, alguns antigos afirmavam que a arvores sagrada , se alimentava especificamente deste lodo, mantendo-a viva enquanto houvesse tribos e punições, grande parte de suas emanações fétidas provinham de suas raízes áreas, e a lama incomum, era formada dos corpos de índios que já foram homens e mulheres vivos.
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    O ÍndioEnfeitiçado 72 Todos ospunidos eram amarrados ao tronco da grande arvore majestosa,muitos eram alimentados, e limpos por seus familiares até que a arvores os consumisse por completo, mais a grande maioria era deixada para trás, e antes de seremdevorados pela arvores sagrada, morria de sede e de fome. As pessoas punidas nesta arvore, eram amarradas pelo quadril sobre o tronco da grande sagrada, suas mãos acorrentadas aos galhos mais altos, esticavam o dorso de suas grade espinhal,o que causavafortes dores as costas do indivíduo, alguns índios não resistiame tinha seus corpos irrompidos pela força aplicada ao efeito estilingue, o resto de seus corpos, tórax e pernas e pés, eram mergulhados sobre lodo fétido, muitas raízes expostas eram vistas ao lado do tronco da arvore, as suas raízes ficavamtão próxima ao corpo dos punidos, para facilitar o que viria pela frente, a arvore os devoraria ainda vivos, e ela começaria pelos pés de sua vítima. Natuia deveria ser vestida com uma roupa caldosa, feitas com os ramos de uma bananeira rustica, seu corpo seria banhado e cimentado com a seiva de uma carnaúba solitária, suas penas, cocares e colares seriam perfeitamente ornamentados e adornados com as penas lisas, pequenas e belas de um sóbrio beija-flor silvestre, e os seus seios e pelves seriam faceirados, decorados, adornados, amarrados e trancafiados para sempre a sete amarras fortes, feitas por cipós sobrenaturais, e a sua pela seria aromatizada, harmonizada e banhados tenuemente com o mel mais puro de todas as abelhas. Seu destino ficaria ligado e preso a grande arvore sagrada e a sua alma seria tragada pelo lodo Yukutamia, ela deveria ficar pela eternidade retida entre as rochas que abrigam ao solo impuro, e desse lugar, em regra, ela nunca mais deveria ser libertada, devendo ainda em seu clausulocasulo,chorar por mil anos, um choro que não teria um fim. As margens do rio amazonas teriam a função intima de controlar a passagemdo tempo e do clima, e a prisão que manteria a princesa em seu cárcere, seria uma obra magica, feita pelos próprios deuses, e isto não permitiriam fugas, mantendo-a presa. Os leitos das margens virgens deveriam cuidar e resguarda a prisão húmida, e as nascente dos rios perenes, proveriam de forma prolongada a manutenção de água para mata a sede e o suprimento de comida para abarca a fome que viesse a sucumbir as dores da menina Natuia. Ela ainda deveria respeita o ato rogatória de punição, ou seja,ela não teria o livre arbítrio de seus olhos, não os devendo fechar e nem os secar aleatoriamente, deixando- os sempre livres para todas as lacrimas que viesse a fluírem de suas retinas, ao prol da eternidade de sua vida.
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    O ÍndioEnfeitiçado 73 O seuchoro porem precisaria ter um começo, mas nunca um fim, suas lagrimas virariam laminas d’águas agridoces que necessitariam atravessar a eternamente em prominência a manutenção dos rios, as suas lamentações porem, deveriam alimentar os tornados, as enchentes, os tsunamis,os trovões e os gigantes relâmpagos que nasceriam dos céus. No entanto, as diversas nascentes,aparti de seuclausulo infinito, possuiriam dos olhos de Natuia, as águas necessárias que alimentariam os rios que nasceriam adjacentes a outros que são perenes. E ainda dos seus olhos, brotariam mais precipitações de lagrimas inesgotáveis, com o intuito único de nunca mais fazer um rio se sentir sôfrego, fazendo com que os curtos e pequenos outros rios do amazonas, voltem à mingua seus olhos d’água doce. Neste castigo, fique ela, a princesa dos tupinambás, disponível com fontes de água viva, por toda a eternidade. Os índios tupinambás também deveriam ter vigilância sobre a prisão húmida, e ter cuidado amplo com a prisão que mantem Yoal no fundo do rio amazonas, pois na possibilidade de uma fuga, ele iria resgata a alma de sua amada Natuia do alto das pedras encantadas, onde se encontrava a arvore sagrada. O indicio desta possibilidade se verificaria com a seca total do leito de águas do rio amazonas, rio que após a concretização do feitiço aplicado a Yaol, ficaria ele elegido como o guardião de suas águas, devendo protege-lo eternamente. A seca premente seria um grave sinal da fuga de Yaol, pois se a índia Natuia, responsável por manter as contiguas águas intermitentes, fosse resgatada de sua prisão, por seu amado, o rio certamente morreria, e com a sua morte, todos os índios padeceriam do mesmo mal. Os tupinambás devem ficar vigilantes aos seus punidos e as suas prisões, pois estas possibilidades nãodevem seconcretizar, e nunca podem ser consumados, por isto, o barco em que ele foi trancafiado, empalhado e amarrado, segue protegido pelo rio, e pela magia forte que o cerca a milhões de anos, magia sobrenatural que não pode ser quebrada.
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    O ÍndioEnfeitiçado 74 O SeloFechado de duas Punições Sombrias.... Depois que aquele dia sobre o rio tupinambá nos apresentou a prisão e aos eletivos julgamentos erigidos pela tribo aonde nasci e cresci, vir que o selo da vida se fechava, e que as tradições eram mais fortes que o amor que eu e Yaol sentia um pelo outro. Vir que o nossoamor não mudaria o rumo de nossas aldeias,esentirque aguerra e o ódio estalado entre nosso povo permaneceriam por várias gerações. Aquilo era algo que não compreendia, por um tupinambá não pode se apaixonar por um guajajaras, por que atritos do passado nos separam tanto de sermos felizes. Nossas tribos são como irmãs, viemos dos mesmas facções e clãs, temos a mesmas origens, viemos dos Yanamabares, somos filhos do mesmo sangue, e temos até os mesmos deuses. Por que nos tornamos inimigos, o que nos levar a guerreamos tanto nesta terra, quais são os motivos que ainda nos leva a matamos tanto em nossas batalhas desnecessárias. Nossas diferenças são surreais, pois apenas um rio, nos separa de um contato mais próximo, apenas uma conversa, nos deixa mais afastados e muito parecidos com os animais de nossa floresta. Aquele ritual era desnecessário, as nossas vidas deveriam passar por um processo melhor de julgamento, eu e o yaol não mereceríamos tamanha crueldade. Não deveríamos pagar com a vida os ônus de uma tradição rudimentar e atrasada. O pagamento não seria justo, nós não seriamos mais as mesmas pessoas e nem o nosso povo, seria mais o mesmo povo, após nos castigar com a primeira aliança. A primeira aliança, ou “a primeira” era um castigo muito cruel e nefasto, o que não acontecia pelo rito ancestral, ocorria pelo rito pessoal do ódio, a nova fase de hormonal que viria dos novos chefes tribais, estavamcompletamente carrego de ego e centralismos individuais, Mitaage e Yenam se sentiam como verdadeiros deuses sobre a tribo e sobre a terra, o feitiço e castigo alocados e despendidos a mim e ao Yaol, era a prova mais real de tudo o que se passava na aldeia, os acorrentamento aconteceriam, e vidas inocentes estariaminflamadas ao vento como um rio que nunca retrocede e se vai para todo o sempre.
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    O ÍndioEnfeitiçado 75 O CastigoAplicado a Natuia.... Após o longo e alvoraçado grande julgamento que condenou a jovem índia Natuia a prisão húmida, vários aldeões apesar de considerarem legitimo todas as acusações, acharam que o preço a ser pago, foi bastante severo, e alguns até acharam que o peso que foi coloca sobre a menina, foi posto sobre ombros e corações ainda despreparado para a vida, pois a criminosa ainda era uma infante, uma menina. A aldeia tupinambá não estava mais em festa, e muitos consideravam-se em luto pela jovem guria. Natuia agora era preparada pelas mulheres da própria tribo para ser selada eternamente junto a grande arvore, seus cabelos foram lavados, a pele estava sendo embebida em mel, e os seus seios e pelves eram envolvidos com a polpa em natura das fibras da juçara. Minutos depois ela passaria pelos procedimentos de amarrações e de fechamento de suas zonas erógenas, procedimentos tão cruéis e fortes que submeteriam órgãos tão frágeis a artifícios muito severos. A técnica envolveria feitos artesanais orquestrado com a fibras de cipós verdes, e toda a área designada, seria entrançada, amordaçada, trancafiada e selada em seiva de carnaúba virgem, aquele já era a passo final de procedimento de selagem eterna. Um vestido alongado era produzido, trançado e costurado na oca ao lado, muitas mãos femininas trabalhavam com afinco para que as folhas de bananeiras, ganhassem o formato correto estipulado pelas matriarcas, que segundo e conforme as tradições mais antigas,deveriam seguiras oitivas e exigênciade um protocolo reformulado, aquilo era uma tentativa de imitarem as lindas vitorias regias que reinava no lago Tumuia, o ritmo de desfloração mutua no inverno, deveria ser repetida no vestido de Natuia. Muitas folhas eram trazidas com certos cuidados pelos homens, e a seiva para embalsama-la também seguia o mesmo tratamento célere, o liquido era carregada com sutileza em diversas cuias, e todas eram devidamente guardadas e preparadas pelas anciãs da aldeia. A princesa tupinambá iria para a prisão húmida, disto Natuia tinha certeza, mas os anciões não ligariam para o amor que ela sentia por Yaol, o seu íntimo sentimento estava em trevas, e muitas dúvidas caminhavam por sua mente infantil, ela não tinha certeza do que viria pela frente, e apesar de ser ainda uma menina ingênua, não saberia como pedir por socorro. E neste instante viu-se pela primeira vez a lagrima tênue e triste de Natuia cair sobre a terra seca dos tupinambás, minutos depois, ouviu-se fora da oca uma chuva fina e tácita que molhava com calma e sutileza o início daquela tarde. Alguém parecia chorar
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    O ÍndioEnfeitiçado 76 por Natuia,mas com certeza não era Yutia, pois Natuia não tinha mais fé na ave sobrenatural que a abandonou quando ela mais precisou de proteção. Ela receberia seu castigo, provaria que era forte, mais sabia que está punição era injusta e muito pesada e cruel. Ela seria transformada em parte concomitante do rio, devendo ficarpresa anascente do rio amazonas, localonde hoje residiaaarvore sagrada dos deuses. Sua punição deveria estar ligada aos cuidados e resguardos das águas proeminentes que existiamsobre toda a floresta, ela ainda deveria lamenta-se e chorar eternamente sobre todas as biqueiras d’águas que existisse adjacente a nascentes de rios, alimentando as suas águas, com as próprias lagrimas, evitado que os rios viessem a ficar sem água. Depois que o castigo foi efetivado, e que Natuia foi entregue a grande arvore, que morava no lodo íngreme, os índios tupinambás verificavam que sempre ao meio dia, as nuvens dos céus,tratavam de esconder o sol,mais ainda com alguns raios solares sobre a aldeias, via-se que uma pequena garoa, uma espécie de chuva fina, despencava sobre as ocas. O chão de terra preta não se molhava completamente, mais o cheiro atípico do solo, invadia nostalgicamente as narinas dos seus habitantes. Natuia parecia chora sobre a aldeia, e muitos se perguntavam se o que foi feito a menina, era mesmo necessário ou correto. Seguir as tradições com aquele peso de crueldade seria o certo a fazer, ou as suas crenças precisavam ser repensadas. Muitos acreditavam que era mesmo a jovem Natuia chorando sobre a aldeia, e o cheiro peculiar de terra molhada, era a suaalmaquerendo sairdo plano etéreo. Depois da chuva, verificava-se que uma tormenta de águas invadia as cabeceiras de todos os rios, provocando uma inundação terrível, ninguém podia pescar, banhar e cuidar da farinha, dos peixes mutacados e dos objetos de cozinha que deveriam ser lavados. Enquanto chovia, ou mesmo, depois de seu lamento de lagrimas, ninguém entrava no rio, após a condenação de Natuia,os rios não ficaramseguros,pelo contrário, eles ameaçavam a vida dos índios que ainda andavam pela terra.
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    O ÍndioEnfeitiçado 77 O FeitiçoAtribuído a Yaol.... Yaol estava sendo preparado para o seu sepultamento, os índios tupinambás o enterrariam vivo no rio amazonas, Yacará o esperava com paciência deitado sobre a lamina d´água do leito do rio volumoso. Tycara repousava friamente sobre uma arvore corpulenta, e aguardando que a alma do jovem abandonasse o seu corpo, sacudia lentamente todas as penas de suas asas para no momento certo ataca-la. Alguns índios falavam em sepultamento, por que o ritual de embalsamento o lacraria ainda vivo dentro aa canoa. O feitiço foi preparado pelo próprio pajé da aldeia, e tudo seria realizado sem a ministração de aldeões, geralmente os seus pupilos buscariam os ingredientes, preparariam os suportes e matérias para o processo de trancamento e eram eles também que cuidariam dos preparativos do corpo do punido. Mas desta vez katoa queria fazer todo o processo sozinho, a última vez que ele participou de um ritual de trancamento espiritual, ele era apenas um aprendiz, o processo foi realizado quando era jovem, eu tinha apenas de vinte e três anos, e na ocasião cometemos erros, e o aprisionado disseminou uma espécie de doença, ou peste que matou mais de um terço da aldeia, sem conta com os mortos de várias outras aldeias, que ficaram quase vazias por longos dez anos. Desta vez ele não deixaria espaços para erros, ele queria que tudo ficasse prefeito, e que todas as amarrações sobrenaturais, ficassem livres de falhas, as delimitações e restrições àentrada de suaoca causavamcuriosidade, temeridade, tesão e muito medo. Mas tudo seria realizado como manda a tradição tupinambá, o punido seria tratado com todo o respeito que cada prisioneiro e traidor recebe em suas aldeias. O remédio seria amargo, cruel, mas necessário. Yaol ficaria recluso e trancado no mundo etéreo, sua reencarnação não poderia rasga ou transpassar a seda de introspecção que envolvia os dois mundos. Yaol ficaria preso para sempre entre os dois mundos, não estaria vivo, por que não possuía mais um corpo físico, e não estaria entre os mortos, por que a sua alma ainda ficaria preso sobre o leito do rio. O mundo etéreo não receberia a sua alma, e por tanto, ele ficaria em um estado de transição, perdido entre os vivos, e renegado entre os mortos, ele ficaria vagando entre o céu e a terra, tendo como descanso único o rio que deveria proteger, e para garantir que seu espirito caminhe para outras moradas da terra, o seu corpo físico e morto, ficará preso e marrado no fundo do rio amazonas, e assimpermanecerá, entre a vida e a morte.
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    O ÍndioEnfeitiçado 78 O fortefeitiço tupinambá tinha forte tradições, e os mais antigos,repassavamde forma ora todos os ritos para que não sejam perdidos, tudo deveria ser feito sobre segredo, e os grandes deuses que peregrinam pela manhã, não poderiam saber o que os homens faziam aqui na terra. No entanto, tudo ficaria abertos para os deuses que trafegavam pela noite. Pois seriam eles que disponibilizariam a magia necessária para manter Yaol preso sobre o grande rio amazonas. Esta punição terrível era destinada as pessoas que se desgraçavam pelo o que faziam em detrimento as tribos indígenas. Comumente as delinquências e transgressões,estavamreferidas ou relacionadas a ajustes,concordatas e pactos tribais, normalmente a alma imortal do execrado, sobreviria a clausula de imersão, isto compreenderia a forma mais austera de repreensão. O ritual contaria com cominações sobrenaturais que seriam pagas pelos tupinambás em um outro momento da vida, geralmente estes pagamentos seriam cobrados a todas as gerações vindouras. Habilmente estes contratos passariam a ser cobrados depois de dois séculos inteiros, esta imposição, tinha como encargo um alto preço, devido ao alto grau de energia que seria ministrada. Comumente isto acontecia em punições ministradas aos traidores e mentirosos, que colocando a aldeia em perigo, deviam ser rapidamente banidos de suas terras, nestes casos extremos a própria ave do submundo, a malvada Tycara, viria busca o casulo de imersão do condenado. Yaol seria submetido a este ritual de imersão, o mais grave e cruel ritual dos tupinambás. Ele seria debelado a exclusão total da vida, a terrena seria apagada, e a espiritual trancafiado junto com a sua prisão feita de madeira e seiva. O jovem Yaol deveria ser enlaçado a uma canoa, e o lacre, que o manteria preso, seria todo feito com as amarras um cipó verde encontrado apenas no lodo Yukutamia, alguns cipós adjacentes, também eram tragos de outra parte da floresta, certas peças vinham oriundas de um jatobá ancião, e tudo seriaselado com seivade uma carnaubeira que vivia no centra da mata vigiada. A canoa seria envolvida com palhas de palmeirais da mata vigiada e o seu centro seria amordaçadas com os cipós verdes do lodo Yukutamia, boa parte da embarcação será fechada com folhas de bananeiras mortas, mas antes que o rio o leve para o fundo, o seu corpo será embalsamado com seiva de seringueira virgem, e vivo deveria ser entregue a ira de Yacará.
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    O ÍndioEnfeitiçado 79 Yacará umser perverso que sempre morou nas águas do amazonas, era um dos seres místicos mais cruéis que os tupis conheciam, ele se alto intitulava um dono, um mandante do grande rio. Yacará espera pelo seu presente, seu reclame saia pela boca dos pássaros mais malditos que havia na floresta, seu canto era horrível e feio. E muitas crianças e até os adultos tinham medo de sua ira perversa. A cama d’águaesperava por Yaol, o seu maléfico do rio queria devorá-lo, o canto de agouro das aves que ele dominava, fazia revolve ondas fortes sobre as águas calmas do rio perene. As fortes correntezas aumentavam e Yacará somente queria afoga o seu mais novo convidado. Ele permaneceria eternamente em suas águas gélidas, Yaol se tornaria um prisioneiro no fundo do rio, suaalma vagariasomente pelo leito destas águas e nada mais. Seu corpo entraria em decomposição letárgica, e ao decorrer das setes luas vermelhas, ele tomaria a forma de um ancião, reconstruído pelo feitiço, o seu novo corpo o tornaria guardião daquelas águas, e nestas condições a magia o manteria como um servo do rio, permanecendo assim como a um escravo. Yacará reinaria sobre seu corpo pelo resto da eternidade. Tycara porem, seria o responsável por leva a alma do traidor a Yacará, pelo menos uma vez no ano, para que ela o revolvesse pedaços de sua matriz eterna, renovando o contrato. Assim Yacará o devoraria de forma lenta no fundo de suas águas, e faria isso até o fim dos tempos. Foi neste período que várias índias sumiam de suas aldeias. Grande parte delas estavambanhando sobre as águas do rio. Muitas aldeias do grande amazonas, relataram ao seus pajés o sumiço de suas índias,boaparte delas desapareciamde forma misteriosa em regiões ribeirinhas. O rio amazonas contava com várias aldeias e muitas tribos, e diversos aldeões relatavam que um ancião que se transmutava em um belo índio aparecia na cabeceira dos rios, atraindo índias bonitas para o meio do leito do amazonas, geralmente o encantamento forte as levava para o encontro forçado, que ao final as induzia para o fundo do rio, carregadas por este índio misterioso. Milhares de mulheres morreram desta forma trágica e poucas pessoas se mostraram com coragem para segui-lo e detê-lo. Alguns índios que participaram do de um ritual de trancamento, falam que o índio em questão, trata-se de Yaol, ele navega pelas bordas do rio procurando por Natuia, a sua eterna amada, e ao ver que não é a sua predileta apreciada, a arrasta para o fundo do rio em vingança aos povos tupinambás.
  • 80.
    O ÍndioEnfeitiçado 80 Uma TriboArrependida.... Uma reunião tribal formou-se às pressas sobre o rio tupinambá, guerreiros, caciques e pajés de várias partes do amazonas solicitavam por uma urgente formação de uma assembleiamatricial, alguns assuntos precisavamde explicações. Estas reuniões matriciais eram solicitadas em caráter de extrema emergência social, especialmente quando problemas em comum atinjam uniformemente vários povoados. Uma explosão de fenômenos sobrenaturais perturbava a ordem natural vivenciadas pelos índios em suas aldeias, pois os rios, os mares, os bichos e as florestas tropicais estão em anormalidade, causando eventos desastrosos e terríveis. Havia uma extensão enormes de terras indígenas sendo atacada por seres extremamente desconhecidos e malévolos. Seres sobrenaturais e eventos naturais da própria natureza estavam levando embora os índios de seus povoados. As pessoas estavam assustadas e temerosas, mulheres sumiam de seus banhos e lavagens em cabeceira de rios, crianças eram arrastadas para o fundo de lagos, tormentas volumosas de águas comumente calmas, afogavamíndios pescadores, e a florestas engolias jovens e sumia com eles antes do teste e dos ritos de passagem. Algo de ruim aconteceu aqui nesta aldeia tupinambá que alterou o ritmo e a ordem natural da mãe natureza, muitos representantes de várias aldeias e de outras tribos, estavam bastante apreensivos e preocupados com as recentes ondas de terror que assolava as aldeias. Os guerreiros e caciques do amazonas solicitavam por explicações legitimas e razoáveis. Os índios queriam aclarações do povo tupi, sobre as recentes ondas sobrenaturais que ceifaram várias vidas indígenas em povoados distintos, muitos caciques buscavam explicações sobre um ritual de trancamento e sobre a execução de uma prisão húmida que recentemente foi realizada, muitos pajés relataram que receberam em seus sonhos, muitos pedidos de ajuda, algumas almas perambulavam perdidas entre a terra e o mundo etéreo, e havia muito sofrimento relacionando aíndios que um dia moraram nesta aldeia. Estes dois rituais devem ser aplicados em casos extremos, e nunca devem ser realizados sem comunicação previa aos demais povos, pois as forças que são empregas nestas cerimonias solicitamdiálogos com seres muitos poderosos e temperamentais, e nada está completamente afastado, pelo contrário, tudo está intrinsecamente ligado, movimentando energia compartilhada e misturada a outros povos. Tudo está conectado e relacionado, pois a natureza é algo único e de pertencimento coletivos de todos os povos indígenas, um fato realizado e relacionado é um fato dividido e compartilhado, as ações de um povo é a responsabilidades de um
  • 81.
    O ÍndioEnfeitiçado 81 outro povo,o que atinge uma aldeia, afeta uma outra que está próxima, pois as responsabilidades de um ato são compartilhadas com todos os outros povos. O que se queria naquele momento era ouvir e entender o que se passou na aldeia tupinambá, os pajés e caciques estrangeiros solicitavam por explicações coesas e justificáveis, o líder do povo dos Yanamabares, exigiamos nomes, e as formas com que foram apenadas estas pessoas na aldeia tupi. As exigências continhamperguntas factivas e proeminentes, e insistindo sobre o duplo silencio dos tupis, continuavam, quem eram os apenados, como foram feitos os rituais e por que foram realizados sobre estas condições extremas, quais foram as suas justificativas. Os índios peregrinos estavam afoitos e questionadores, os tupinambás rompendo o silenciotenebroso, pediam calmaaos amigos adventícios, e solicitandoque os acompanhassem até a aldeia tupi, responderiam a todas as interjeições.
  • 82.
    O ÍndioEnfeitiçado 82 A LiberdadeTemporária de Yaol.... Quando chegaram a aldeia tupinambá katoa solicitou que todos se sentasseme fizessem um grande círculo envolta da grande fogueira, Yenan solícitos que os demais guerreira, buscassem comida, água e Yascua, uma bebida forte feita com ervas fermentadas. Yenan ainda pediu para que uma outra parte dos guerreiros fosse a mata para buscar galhos e torras secas e bem grossas para alimenta a fogueira que seria acessa durante a reunião. Enquanto os preparativos para reunião eram provisionados, Katoa e o chefe da aldeia mãe, o Yanamabaré Tchaucotoco, conversavam particularmente sobre o que acontecerá na aldeia nos últimos meses. Os relatos impressionavam o índio Yanamabaré, e se tudo aquilo fosse verdade, as punições foram justas e aceitáveis. No entanto, uma das punições realizadas dentro dos limites daaldeiatupinambá, não era bem vista por Tchaucotoco, pois realizações com alto grau de magia, deveriam primeiro passar pela “convenção dos muitos”, ainda mais uma penalidade tão pesada e danosa atribuída a alguém da realeza indígena. Uma princesa deveria ter mais tempo para a sua defesa, afinal, apesar das duras acusações, ela ainda era alguém da nobreza da tribo, e os seus familiares deveriam ser consultados e ouvidos. Mas o que houve foi a realização de um julgamento movido por ódio, rancor e desprezo, suas interjeições foram rápidas e apuradas em menos de dois dias, este tipo de procedimento, levanta suspeições e contradições perigosas ao resultado da penalidade. Ambos deveriam ser ouvidos, confrontados e alinhados, mas pelo que vir, nenhum dos dois prisioneiros receberam qualquer tipo de compaixão ou zelo pelos seus opressores, eles não tiveram tempo de se despedirem de seus entes queridos, e nem tempo de defesa ao contraditório aceitável. Tchaucotoco entendeu que o garoto Yaol cometeu um crime realmente muito grave e ele sim deveria ser punido com o feitiço de trancamento e ser selado em sua canoa de amarrações, mas a jovem menina tupi, sofreu excessos, desonras, agressão e desrespeitos gravíssimos, ela foi injustamente condenada, e a severidade da aplicação punitiva teve vícios e erros demasiadamente assisados. A avaliação de Tchaucotoco remetia a uma alusão grotesca com que a clave dos tupinambás remediou, a determinação por enclausura a menina sofreu cometimentos de ideias contraditórias irregulares e terríveis. A jovem princesa, a menina Natuia certamente pagou caro com a vida, e os tupis eraram em castiga-la daquela forma tão cruel.
  • 83.
    O ÍndioEnfeitiçado 83 A prisãohúmida é algo para ser realizado sempre em contraversões de crimes extremos, fato que não foi identificado no crime supostamente realizado por Natuia. A fogueira ia sendo erguida e montada pelos tupis, comida e bebida eram distribuídas e colocadas sobre as folhas de bananeira, o fogo foi acesso, e clarão iluminou as ocas opacas do povoado. Os preparativos estavam terminados e a “convenção dos muitos, começaria, os índios se amontoavam em pequenos grupos e os líderes de cada povoado, centralizavam-se no meio e a frente da grande fogueira. O índio Yanamabare tomou a fala e sendo curto em sua oratória, replicou o que ouviu de Katoa, ao finaliza, exigiu que a jovem Natuia fosse libertada de seu castigo. Ela deveria ser solta de seu cativeiro, a prisão húmida deveria ser aberta, e como pago do erro terrível, o índio Yaol deveria também ser liberto. Os índios tupinambás erraram com as medidas de julgamento, e pelo que foi dito, o pajé desta aldeia, agiu por vingança e ódio, as motivações nestes casos, devem retroceder as penalidades aplicadas. O que houve aqui a meses atrás foi um equívoco desnecessário e cruel, estas punições não têm validade, e os excesso devem ser corrigidos, esses jovens índios devem ser libertados de suas prisões. Ou eles nos culparam pelo o erro que lhes foram atribuídos pelo resto da eternidade. Enquanto eles forem cativos deste feitiço, nossos ocas,rios,matas, mares, grutas e lagos serão um risco para nossos filhos, mulheres e amigos, seremos reféns do ódio do menino Yaol, que pelo visto somente descansará quando tiver em seus braços a menina Natuia. Este garoto irmãos, tem que ser libertado. Mas o povo tupinambá reagiu contrariamente ao discurso de Tchaucotoco, e irados, faziamdeclarações e insultos inaudíveis em direção à frente da grande fogueira, local aonde discursava Tchaucotoco. O povo gritava palavras de ódio contra a libertação de Natuia e Yaol. E muitos ameaçavam e tumultuavam a assembleia, principiando um pequeno movimento de guerra entre as tribos. Yenan tomou uma posição de destaque, e ecoando a sua voz sobre os demais guerreiros, armou-se com várias proeminências que justificava a punição aos donos índios traidores. Arcos e fechas eram desembainhadas de seus coletes, e lanças e facas de vários feitios e tamanhos eram mostradas sobre beira da fogueira em plena a luz dia, os ânimos iamexaltavam-seao passo que o discurso vigoroso de Yenan transcorria pelas mentes dos mais altivos, e já se viammuitos tupinambás e vários guerreiros forasteiros, afrontando-se uns aos outros. Katoa não queria sangue inocente sobre suas terras, e exigia que Yenan parasse com o discurso de ódio, uma frente de batalha se formou uma à frente da outra, e
  • 84.
    O ÍndioEnfeitiçado 84 mesmos arriscandoum banho de sangue em sua própria aldeia, Yenan não dava trégua a sua concepção de verdade. E reafirmando o que teria feito aos dois jovens índios, ele ridicularizava Tchaucotoco. As armas estavam todas a mostra e o sangue nos olhos dos irmãos índios ruflavam nos corações quente dos Yanamabares e dos Tupinambás. A crise política e ética das duas tribos seconfrontavam e estavamde lados completamente opostos, uma dialética existencial e cultural das tradições orais estava sofrendo como uma prova de fogo terrível patrocinada por Yenan. As demais tribos se dividiram entre os Yanamabares e Tupinambás e outras tribos afirmavam que a causa maior, era outra, ou seja, os vários sumiços de moças, jovens e crianças, e homens em plena atividade laboral que estavam sendo engolidos pelos os rios, lagos e as matas de nossa grande mãe floresta. E se estes fatos estavam ou não relacionados com os rituais que foram tratados nesta aldeia, deveriam ser esclarecidas e sanadas. O consenso era algo difícil para envolver muitas cabeças pensantes, pois cada tribo defendia algo que lhe era certo e trivial, no entanto, chefes tribais devem escolher o que é melhor para as suas tribos, e sacrifício devem ser literalmente algo a ser feito. Um dos líderes tribais mais antigo e muito respeitado por todos, tomou o lugar de Yenan, e solicitou a palavra, o que foi prontamente atendido pelo guerreiro. Afinal ninguém ousava desafiar o que Ayumanima falava ou o que ele contrariava, seus muitos anos dentro de várias aldeias dava-lhe notoriedade de rei. Ayumanima se virou para Yenan e falando de maneira breve discursou…. – Suas palavras, guerreiro Yenan, são fortes, bravas e conquistadoras, e respeito a sua bravura de líder e de homem de guerra, sei que todos os povos o temem e o odeiam, mas eu não o temo e não o desejo mal algum, mas apesar de não saber das artes da guerra, tenho a meu favor a dialética, o conhecimento e a magia de todas as florestas, logos e rios dentro de mim, e isto me acompanha desde quando nasci. Enquanto você discursava Yaol esteve presente, e a sua alma estava inflamada de um ódio que jamais vir ou ouvir falar, e sobre lamentos e guerras você entende bem, mas das magias sobrenaturais e sobre o amor, você não entende nada. O que vocês fizeram com a amor destes dois jovens aqui nesta aldeia foi algo cruel e macabro, e ao separa-los vocês apenas tornaram mais fortes o amor dos dois. Ela está presa na prisão húmida e não pode sair, mais Yaol usa os rios a seu favor, e caminhas por entre todas as aguas, e nós sabemos que aonde Natuia está, não é rio ou lago, mata ou floresta, aquele é um lugar ermo, e Yaol não pode entra.
  • 85.
    O ÍndioEnfeitiçado 85 Sua procurapor Natuia não vai ter fim, e ele ceifará quantas vidas forem necessárias para ter o seu amor de volta ao lar. Ele usara todos os rios, lagos e matas descampadas, florestas e cachoeiras abandonadas como refúgio para atrair inocentes para o convívio escuro de um rio profundo. Ele engolira cada irmão que estiver aqui, e de maneira austera acabará devorando você Yenan. Todos ouviram com terror as declarações de Ayumanima e muitos sesilenciaram com o que ele acabava de relatar. E continuando ele explicitava, que o que foi feito a Natuia foi desproporcional, até por que os crimes de maior poder ofensivo, foi praticado por Yaol e ele sim mereceu a punição devia, mais o que vemos é que o amor desse homem por Nossa bela Natuia não era algo fútil, seu amor era real e verdadeiro. Este índio arriscou não somente a vida dele, mas a vida de um povo inteiro que morava em sua aldeia. Nunca vir amor igual, e mesmo depois de sua morte física, sua alma continua a procurar a sua amada amante Natuia, o plano etéreo não o subjugou, não lhe apagou o amor que morava em seu coração. Seu amor por Natuia continua vivo em seu ser. E ele ainda continua procurando-a até acha-la. Devíamos nos envergonhar, pois condenamos dois frágeis índios, ainda infantes e não conhecedores do amor, suas responsabilidades foram exteriorizadas muito cedo, e ambos não faziam ideia do grau de suas culpas. O peso foi maior que o suporte, e a punição maior que a culpa. O que houve aqui foi uma conjugação de ódio, um ajuizamento por motivações pessoais, e se os tupinambás não gostam dos guajajaras, deviam trava guerras com guerreiros e não com crianças que acabaram de descobrir o amor. Se não nos retratamos com o amor puro deste dois, seremos aprisionados por nossas culpas até o fim dos tempos. Devemos libertar Yaol e deixa-lo que ele resgate a sua amada Natuia, e esperaremos que ele não nos puna pelo erro de nossos amigos tupinambás. O silencio ficou tênue e mórbido dentro da aldeia, Yenan não quis objetar, pois a maioria concordava com o mestre Ayumanima. Natuia estava isolada em sua prisão húmida, e Yaol a procurava como a um guerreiro solitário em tempos de guerra tribal. O desejo da tribo de liberta a canoa que aprisionava o índio Yaol, não somente era o seu desejo, como era a melhor opção a se fazer. Katoa estando mais lucido, concordou com o chefe maior e unanimemente as tribos abaixavam as suas lanças e os seus arcos. Todos acreditavam que o melhor era libertar o amor dos dois jovens, e ambas as tribos concordaram que o ajuizamento dos tupinambás, foi feito em uma ocasião de ódio e desprezo ao índio Yaol.
  • 86.
    O ÍndioEnfeitiçado 86 Katoa sepropôs a desfazer o feitiço que sobrepujava a canoa que aprisionava a alma de Yaol, e Ayumanima consentindo esse desejo correto e afirmativo, desejou ajuda-lo. E como um acordo geral, todas as tribos reunidas resolveram que Yaol seria liberto, e deixariam que ele resgatasse a amada Natuia. O ritual foi preparado e as amarrações sobre a canoa de Yaol foram desfeitas, Yenan não gostou do que estava observando e sutilmente revelou a dois ou a três amigos guerreiros que aquilo era um erro. A tribo não poderia liberta aquele que já morava no fundo do rio. A fogueira ardia pela madrugada frienta e os óleos de ervas e frutos silvestres, jaziamem fogo e curtume, a mistura de ervas, trariam para a superfície aquele que jazia solitário sobre o rio, a libertação proeminente do jovem índio Yaol era um fato consolidado. Todas as ervas eramsutilmente posicionadas e misturadas rente aos vários potes de cerâmica, cada pote possuía um ou dois ingredientes, tudo era movido e revolvido sobre temperatura padrões, a receita pedia abrandamento e fluidez continua em seus processos de anulação e desfazimentos de magia,tudo deveria respeita a contemplação dos deuses. O caldeirão gigante de barro era mexido de forma constante e sem intervalos para descansos, isto era feito para que os ingredientes não ficassemmornos e rezas antigas foram recitadas sobre a ungida tabua cuneiforme que delimitava e reafirmavam as ações ritualísticas. Depois que os rituais foram preparados, Katoa saiuda oca com uma cuia na mão, cheia até borda com as misturas de ervas magicas que ele havia aprontado e comunicado o feito dirigiu-se para o leito do rio para derrama a mistura sobre as águas do amazonas. Após ter feito isso viu-se submergir do fundo do rio tupinambá a canoa que aprisionava o corpo de Yaol, logo em seguida observou-se que as correntezas do rio, travavam uma briga intermitente, onde ouvia-se e via-se uma disputa entre magias poderosas, algumas dessas magias querendo manter o corpo de Yaol sobre o fundo do rio, e outras querendo leva-lo para as comprometedoras correntezas. Ao fim da disputa as águas ficaram calmas e os novos donos do corpo de Yaol carregaram a canoa que o envolvia, desamarrando os cipós verdes que as prendia a tampa da embarcação. Os emaranhados de fios de cipó verdes, como magica profana, foram um a um sendo desfeitas, e as muitas amarrações sobrenaturais sumiam da canoa, finalmente o leito do rio Yamarokem, um dos muitos nomes do rio tupinambá, responsabilizou-se por levar o que restou de Yaol para o caminho infinito de suas correntezas magicas.
  • 87.
    O ÍndioEnfeitiçado 87 Yaol aover seu corpo decrépito sendo carregado pelas correntezas incertas daquelas águas, viu que a sua alma estava livre, estava liberta para caminha além das águas dos rios e lagos que o subjugavam e lhe trancafiava. As matas, as florestas e a terra seca das aldeias podiam ser alcançadas. A possibilidades era real, a magia foi desfeita, e o rio abandonava-o ligeiramente, sentiu que a água podia lhe afoga, então nadou até a superfície, Yaol ao ver o horizonte pelalamina retilínea do peito do rio, sorriu alegremente, e subindo pelas bordas do leito, foi em direção a aldeia tupinambá, local aonde foi condenada, surrado e mutilado, e todo esse sofrimento causado por amar um membro daquela aldeia. Yenan era um alvo que Yaol queria confrontar e destruir. Mitaage era um sujeito que nem valia a pena matar, e ao passar por ele apenas o olhou friamente, suas contas agora era com Yenan, depois acertaria com Mitaage a recepção que ele lhe presenteou no dia de sua captura. Ao confronta-lo na borda da fogueira, Yaol desconheceu o forte guerreiro Yenan, aquele forte guerreiro parecia ter medo em seu coração, e a coragem tão temidas pelos seus opositores sumia de sua face destemida, olhando o seu carrasco em seus olhos, Yaol procurava pelo homem que um dia lhe prendeu sobre o rio, aonde estava a virtude que eledisponibilizava em suas guerras e em suas oratórias, o seumedo fedia,e os ratos molhados daquela aldeia eram mais corajosos do que ele. Yaol ficou desapontado, era bem mais fácil leva-lo para o fundo do rio agora do que matá-lo de susto na frente de todos os tupinambás. Aquilo seria uma desonra para um forte guerreiro. O mais agressivo de todos os heróis da mata estava com medo de um índio jovem como eu. Sinceramente Yenan era patético e covarde. Os olhos de Yaol rebolavam feito duas bolas de fogo, e a sua fronte agora agressiva, compelia os olhos de seu carrasco, sua energia sobrenatural demonstrava toda a sua ira sobre-humana, a vontade de Yaol era de mata-lo, e sufocando-o com as mãos viu que o seu desejo mortal era menor do que ver a sua pela Natuia. Largando o seu pescoço, Yaol o cheirava como a um moribundo, e a já com a língua solta sussurrava ameaças brutais, ele o devoraria como a uma garota perdida na mata. Yenan contraia-se em seu medo e como a um cão covarde desviava os olhos que estavam enterrados sobre Yaol. Mas aquele dia as suas ponderações estavam sobre outra ótica, o jovem índio, recém liberto de sua prisão sobrenatural, tinha um só desejo. Primeiro queria ver o rosto lindo de Natuia, depois ele a libertaria de sua prisão. Yenan estava temporariamente com a sua vida intacta, e os acertos de contas, viriam depois, Mitaage também teria um merecido fim. Yaol não os esqueceria.
  • 88.
    O ÍndioEnfeitiçado 88 A Buscapor Natuia.... Yaol virou e abandonado a tribo, rasgou o meio da aldeia como a um tornado feroz, quebrando arvores, rompendo o solo seco, e arrastando ocas e pessoas que estavam em seu caminho. Yenan foi poupado temporariamente, mas Yaol não o tinha esquecido, pois o interesse do jovem índio no presente momento era a busca pela bela Natuia, a prisão húmida receberia a visita de um forte guerreiro pela manhã. Tudo naquela manhã estava se mostrado muito bem convidativo, sua liberdade está acertada e Natuia podia ser libertada. A sua fácil presença no lodo negro da prisão húmida não ofereceria qualquer resistência. O convite não fora feito a Yaol, e a arvore sagrada não gostaria de vê-lo sobre seus domínios de terra, mas Natuia o veria aquela manhã, isto era um fato que não tinha outro resultado. Quando Yaol chegou ao alto do monte Churucutiua visualizou a enorme arvore sagrada que os deuses das estrelas haviam plantado sobre a terra, ela era exuberantemente linda, e o seu tronco majestoso era de um verde musgo muito cintilante e vivaz, a ceiva que brotava de seus galhos e flores pareciam pequenas cachoeiras que se derramavam formando pequenos filamentos finos de água corrente. Todos estes filamentos culminavam para um pequeno morro que se deitava sobre o início da floresta vitrificada, a mais perigosas de todas a matas do perímetro amazônico, nenhum índio jamais as adentro. Naquele local verificava-se a formação de uma pequena cachoeira, onde avistava-sepequenos roedores e outros animais,consumindo as suas doces águas.Vista mais de perto, Yaol observava que os seus galhos e flores possuíam contornos diversos e curvilíneos, alguns galhos possuíam compridos aleatórios, outros deformavam-se em continuidades grossas eunificadas.As flores eram coloridas ebem diversificadas,aquela arvore possuía uma flor de cada planta vivente que florava sobre a terra. As suas flores e perfumes eram um espetáculo lindo de observa. Havia também um imenso espaço graminhado e bastante florido, aonde se sentia mais perfume diversos e de todas as flores que caiam de seus galhos, um tapete de flores, inundava de beleza o chão frio daquela manhã de outono. Algo reinavam sobre uma paz esplendorosa sobre aquele lugar. Quando criança meus pais reproduziam relatos antigos sobre este lugar, mas nada se parecia com o que ouviu de seus genitores, e se perguntando várias vezes, e ainda descrente do que seus olhos viam, regozijava-se distraidamente sobre a localização correta do local aonde Natuia poderia estar presa.
  • 89.
    O ÍndioEnfeitiçado 89 O localrelatado por seus pais, descriam um outro cenário, pois no monte Chucurutiua deveria existir uma enorme arvore petrificada, e junta a ela, a presença do lodo Yucutamia, e a presença de vários corpos sobre a lama fétida, deveria está exposta sobre o lugar. Pelo menos assimrezava a lenda, e os contos sobre como era este lugar. Muitos condenados por traição, eram tragos de todas as aldeias para este lugar, aqui estes traidores eram amarrados e enterrados ainda vivos. E os seus corpos eram devorados pelas raízes da arvore sagradas. O lodo Yucutamia, fazia o resto da digestão. Yaol estava desapontado e triste..... Ele esperava ver ainda sobre os raios de sol, o rosto lindo de sua amada Natuia. E ajoelhado e choroso, se debruçou sobre o tronco e as raízes expostas da grande arvore. Mas Natuia o estava vendo e sentindo-o..... E sorrindo ardentemente, ela ventilou perfumes sobre o seu amado..... Um galho frondoso se deslocou e o afagou solenemente, e ainda acariciando a sua face, os ergueu e o direcionou para cima, em direção a grande arvore. Novamente uma segunda onda de perfume tomou conta do lugar e já com a face erguida, ele percebeu que a arvore e todo aquele lugar era a própria jovem Natuia. Ela se comunicava com ele, mas a sua fala era através de manifestações biológicas e naturais. Yaol levantou-se e ao identifica a alma da sua amada dentro daquela arvore, sentiu o seu amor reflorescendo em seu coração. Imediatamente a abraçou fortemente pelo tronco da arvore, e entendendo que ela havia absolvido todo aquele lugar, reformulo-a para um aspecto mais agradável e feliz. Natuia afirmava que aquele local não seria mais um lugar de sofrimento e punições. E os índios deveriam procura outras formas de punir as pessoas, pois aquele lugar estava transformado. Apenas o bem e a paz reinaria sobre os seus domínios territoriais. Yaol estava feliz e disse-lhe que havia uma coisa boa para lhe falar, antes justificando-se relatou que nunca a havia esquecido, e ele a procurou por todo esse tempo, sua prisão no fundo daquele rio jamais o deteve definitivamente, e por vários rios e lagos ele caminhou incansavelmente em busca de seu amor perdido. Yaol relatou que fez alguns atos bem ruins, mas muito ruins mesmo, ele porem, havia se arrependido bastante do que logrou, mas sabia que em grande parte dos seus feitos, haviam as subordinações atribuídas ao que feitiço, boa parte do tempo em que estava sobre o domínio do dono do rio, permanecia enclausurado sobre a sua mente, mantendo escondido o seu inconsciente. Eleme dominava boa parte do tempo, e alguns atos foram bem ruins para ser aceitos.
  • 90.
    O ÍndioEnfeitiçado 90 Natuia sabiadas condições das punições e perdoava o seu grande amor Yaol pelos seus feitos ruins, e ainda o reconfortando disse para ele não se preocupar com as pessoas que ele levou para o fundo do rio, ela mesma os levou para Yamaratuiama, eles nunca mais sentiram frio, fome e medo. Todos eles viveram para sempre ao lado do lago Tuicamanama. E o rio sagrado que alimenta o lago, lhes provera muitos peixes e água boa em abundancia para beber e banhar. Yaol entendendo a sua amada viu que ela era mais sensata e nobre do que ele, e seu orgulho em ama-la havia aumentado ainda mais em seu ímpeto coração. Sua emoção porem queria lhe pedir algo que mudaria o seu estado atual. Natuia teria que tomar uma decisão muito séria e forte. Isto lhes traria felicidades eternas. Mais mudaria o estado de felicidade que ela se encontrava, para um estado de felicidade que ele almejava, porem a decisão final era sua em quere-lo ou não. Sobre suas mãos havia uma cuia com as ervas e frutas sagradas, devidamente fermentadas e curadas sobre uma reza forte de quebra de feitiço e liberação de prisões. Aquilo a libertaria de sua prisão húmida, mas o lugar que você transformou, retornaria para o seu estado anterior, resguardando de direito o espaço delimitado ao inquilino que já havia habitado aquele lugar antes dela. O velho morador daquele local retornaria a sua velha morada, libertando você de seu castigo. Natuia entristeceu-se sobre o grande monte, o seu coração estavadividido, a sua alma estava em luta, ela queria o amor de Yaol, porém, não queria ver mais nenhum índio vivendo sobre os terríveis castigos que aquele lugar proporcionava, afinal, se ela fosse embora, o mal retornaria e habitaria aquele lugar. Com a sua saída, o lodo retornaria, e a vida podre que antes existia, tomaria aquele lugar, a arvore retomaria o seu estado mórbido, e aquele lugar seria novamente um espaço para migrações de vários povos para punir índios. Seu coração estava dividido entre o amor e a dor que retornaria para aquele lugar, novamente a vida lhe causava dubiedades cruéis, e a sua omissão em um lugar, seria a permissão em outro. Yaol apesar de triste desejava o melhor para a sua amada, e se aquela nova vida a agradava, ele viveria ali, naquele lugar cuidando da arvore que ela se tornou. Ele podaria os seus galhos, adubaria as suas raízes, regaria com água fresca as terras próximas a seu caule, e afastaria cupins, ervas daninhas e animais que fizessem ninhos indesejáveis em seu tronco. Yaol estava pronto para ama-la de qualquer forma, o seu amor era único e somente Natuia o teria, pois,o seucoração não tinha mais função para ele, aquele órgão pulsante vivia em desejo a ela, e em função dela.
  • 91.
    O ÍndioEnfeitiçado 91 Após ouvirtodas estas palavras doces e sinceras de seu amado Yaol, a jovem Natuia recitava sobre o que acontecia em seu coração, e decidida, foi deixando a estrutura física da arvore, e o seu espirito, transpassou-se pelo plano etéreo, rompendo o espaço entre os mundos. E abraçando-o, roubou-lhe um beijo demorado. Natuia então pediu para que o seu amado Yaol a libertasse de sua prisão, mas antes que ele o fizesse a jovem índia queria lhe mostrar um mundo que somente ela tinha acesso, e pegando o seu amado pelas mãos o levou para o plano etéreo, os dois então aproveitaram por semanas o convívio em Yamaratuima, e o contato físico foi algo que os dois sentiam falta, ambos passavamhoras a fios em beijos quentes e calorosos, mas nada era tão bom como a lascivinidade do ato sexual. Os dois amaram-se intensamente e o mundo parecia ter parado a sua roda giratória, o tempo estava inertemente solido e o amor os aquecia durante a noite fria. Natuia ainda lhe queria mostra o lago Tuicamanama, que era simplesmente lindo, suas aguas verdes plainavam sobre o sol amarelado e as muitas vitorias regias cintilavamas luzes do espelho d’água que resplandecia sobre aquela paisagem. Ambos estavam felizes e o dia passava com uma calmaria revigorante, naquela manhã aproveitavam a planície alaranjada, um tapete de flores cobria todo o campo da serra, os dois planejaram passar mais um dia inteiro juntos, e várias atividades lhe remetia a vida antiga que tinham sobre a terra. Eles pescaram, coletaram, caminharam, sorriram, comeram muitas frutas e viram o sol os deixa naquela tarde. Aquele era um lugar de sonhos, e nada na terra se parecia com Yamaratuima, naquele espaço expendido, somente havia lugar para a felicidades, aquele era um lugar paz. Durante a noite um outro espetáculo surgia nos céus, a grande lua vermelha rasgava as estrelas miúdas que teimavam em brilhar a seu lado, tudo aquilo era muito belo, e a noite somente tinha beleza por que Yaol estava ao seu lado. Horas mais tarde resolveram banhar de rio, apesar do vento frio, as suas águas estavam mornas e agradáveis, uma cachoeira solitária os chamava a atenção, aquele novo lugar lhes somou na mente memorias lindas que viveram sobre a terra, sobre a mata amazônica. A cachoeira seria agora o seu lugar preferido naquele lugar. E desta forma passaram meses se amando sobre a grande pedra que habitava a cachoeira, apenas saindo para beber água e se alimentarem com frutas frescas e sadias. Depois de alguns meses enamorando, Natuia revelou que deveriam voltar ao plano físico da terra, ela queria se ver livre de sua prisão e viver o seu amor com Yaol. O amor era o único sentimento que vivia em seu coração. Quando retornaram a plano físico, Yaol fez o que Natuia queria e atendendo ao seu pedido, ele derramou as misturas magicas e fermentadas próximo as raízes da arvore encantada, liberando a sua amada de seu castigo eterno.
  • 92.
    O ÍndioEnfeitiçado 92 A Secado Rio Amazonas.... Natuia aceitou a proposta de seu amado e livre de sua prisão voltou com Yaol para aldeia que um dia lhe baniu da terra que tanto amava, vendo-a como traidora, os dois entraram pela frente do arraial, e caminhando para o centro do povoado se dirigiu para a grande fogueira, aonde todos estavamreunidos. Muitos cidadãos se espantaram com a audácia da jovem índia, afinal, ela não deveria estar ali, muitos índios a odiavam, e Yaol não era bem-vindo. Depois de tudo o que ocorreu, como ela ainda desejava fazer parte do grupo, e aonde eles viveriam. Yaol alertou a sua amada, que os olhos de sua aldeia a desejavam com maldade, e muitos não facilitariam a vida ou a pós vida dos dois. Yaol ainda não compreendia o que havia ocorrido em sua vida, ele ainda não tinha entendido que a sua composição física, não estava mais entre os vivos, seu corpo foi carregado pela correnteza do grande rio amazonas, e os seres mágicos que conduzia os seus restos mortais, provavelmente haviam o escondido na mata em alguma gruta perdida e solitária. Foi preciso que o índio Yanamabare Tchaucotoco, fala-lhe a verdade. Yaol ficou assustadono início,teve dúvidas do que ouvia, e não achou que aquilo fosse possível, mas depois do que aconteceu sobre o leito do rio amazonas e de ter vivenciado a dura experiência de quase morrer afogado, sentiu que águas do rio invadia a sua garganta e pulmões. Mas logo após de ser desamarrado de seu encalistramento viu que a liberdade fora possível e por isso estava tão feliz. Mas tudo não passava de uma ilusão romântica, e nada do que viveu era realmente uma verdade absoluta,aqueles cipós sobre suacanoa ainda o preservava preso a seu feitiço. Ele queria acredita em sua liberdade, sentiu de fato que estava vivo e achou que estava com o seu corpo físico intacto e vivaz, sem dúvida o que sentiu naquele dia parecia ser bastante real, pois a sua mente viu a pressão da água sobre o corpo, e o turvo das águas emseus olhos, viu que aquela condição, impossibilitava-o de enxerga o leito grosseiro do rio, e as muitas rugas na pele, causada pela agua fria e forte, fizeram- me pensar que tudo era autêntico. Até agora o sentimento de ter a água doce, entrando em minha garganta, causava-me um medo estranho de afogamento legitimo, achei que estava livre de verdade, que o feitiço maldito havia saído de mim e me deixado, e que mediocremente, aquela liberdade, aquele medo pueril e a assombrosa escuridão que o fundo rio me causava, seria apenas mais uma triste visão de um passado que deveria esquecer.
  • 93.
    O ÍndioEnfeitiçado 93 Algo entãoinesperado e infeliz tomou conta de seu coração, e ele enfim compreendia que nada era real, no mundo real, pois tudo acontecia no mundo irreal da existência etérea, tudo era uma projeção de sua alma, e tanto ele quanto Natuia viviam no plano etéreo, existindo eternamente entre o plano físicoe o sobrenatural. Yaolenfim percebeu que não estava mais vivo. A bela Natuia consentia com a cabeça, concordando com o que o seu amado acabavade recitar em seu profano entender. No entanto, Natuia explicava-lheque nada daquilo importava, por que os dois já estavam juntos e era exatamente isso que mais importava, pois ambos se amariam aqui ou em outro plano da existência, desde que houvesse amor. Minutos depois uma índia infante chamou a atenção de Natuia devido às fortes declarações que emitia, a garota relatava a suamãe algoimprovável ou impossível.Seus relatos eram assombrosos e terríveis, mas o seu choro infinito e incomodo da pequena índia, calou a entrada da aldeia tupinambá, e muitos aldeões agora relatam as mesmas notícias improváveis. Um outro índio também desacreditado pelo o que acabava de ver, corria atarantado em direção a grande fogueira, e estando em pranto de choro desmedido e irregular, denunciava também que as águas do rio amazonas tinham desaparecido de seu leito, e todos os peixes e outros animais aquáticos, agonizavam sofregamente na terra húmida de suas margens. Os homens da aldeia foram em direção ao grande rio, e ao chegarem em suas bordas, o que se via era algo inimaginável, aquilo simplesmente era surreal, algo apocalíptico. As águas do gigante serpentinoso haviam sumido de seu canal, e a grande lamina d’água principal que existia, evaporou do seu leito, em seu lugar sobraram pedras, areia e muitos troncos e galhos de arvores mortas. Era como se o rio em passo de mágica houvesse desaparecido, aquilo parecia obra de alguma magica demoníaca, o rio havia secado, ele estava morto, literalmente morto. Muitos índios se perguntavam se isso era mesmo possível, como um rio inteiro e gigante como o amazonas, minga e some do dia para noite, como algo desta natureza poderia simplesmente seca. Aquilo era racionalmente impossível. O pajé da tribo revelou que a verdade era algo difícil de se ouvir, que magias eram reais, e que rios poderiam sumir, a prova disso e que temos hoje na aldeia, dois índios que apesar de mortos, hoje andam com os vivos. Yaol e Natuia eram provas vivas do sobrenatural, que ambas existiam, ou coexistem e vivem paralelas emnosso sistema mecânico real do mundo físico.
  • 94.
    O ÍndioEnfeitiçado 94 Mas oque hoje aqui hoje foi o desequilíbrio da natureza, e tenho quase acerteza, que os eventos de hoje, tem fortes ligações com estes dois jovens que quebraram as regras de uma realidade natural. O rio não foi embora, ele nos abandonou, ele tomou um outro curso, e talvez ele nunca mais retornará, a aldeia tupinambá passara por um teste de fogo sobre-humano, e se nada for feito, todos nós morreremos de fome e de sede. Katoa ordenou a Mitaage e a Yenan que dessemordens aos guerreiros para que eles fossem até as aldeias vizinhas e levassem o comunicado que haveria uma nova assembleia de anciões, o assunto era referente ao rio amazonas, que não será segredo, visto que todos o viram sumir em seus povoados. Dias depois uma enorme quantidade de guerreiros e de todas as partes do amazonas, estavamassentados sobre terras tupis, o assunto era grave e certo, os índios se reunião para uma guerra diferente, seu inimigo era desconhecido e perigoso, seja quem for é extremamente perigoso, pois ele tem o poder de comandar ás aguas doces dos rios. No fim da tarde, todos estavam apostos, e os guerreiros queriam entender quem era este novo inimigo, o por que ele mexia com os recursos naturais da própria terra, que planos ele possuía e o que ele queria dos índios. O índio katoa responderia a todas as perguntas, mais antes precisavam entender com o que, ou com quem estavam lutando. Os pajés de todas as aldeias estavam mais uma vez reunidos em assembleiae novamente tentariam resolver o caos que seabarcou sobre a grande floresta. Agora era tempo de tentar saber, ou de tentar entender o que acontecia sobre a terra aonde eles habitavam. Estamos a três dias semas águas de nosso grande rio, e para matar a nossa sede e a nossa fome, estamos utilizamos as águas de biqueiras e dos lagos, mas as águas desses lugares possuem uma vasão baixa no volume de suas águas e os lagos produzem poucos peixes e sabemos que em muitos lugares a situação é a mesma enfrentada por todos os índios e como não se conhece o motivo desta nova crise, não sabemos se estas fontes de água não estão prestes a acabarem, por tanto temos que agir, e temos que ser rápidos. Após muitas discursões várias hipóteses sugiram ao longo e alguns dias, mas nenhuma delas era perfeitamente plausível para o que acontecia no amazonas, os fatos não eram precisos e nem as suas causas. No entanto, as explicações que todos queriam, vieram em um sonho coletivo, onde todos os povos e aldeias viram e ouviam as mensagens relatadas pelo próprio Yutia. O sonho parecia vida real, e muitos estavam preocupados e não entendiam Yutia em suas palavras. Apenas Tchaucotoco e Ayumanima entenderam as mensagens enviadas para os aldeões. Mas antes que algo fossem relatado, estes dois grandes líderes precisavam conversa e entender mais sobre o assunto e as gravidades das
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    O ÍndioEnfeitiçado 95 informações. Maisdois dias inteiros se passaramna aldeia dos tupinambás, e os líderes tribais mais importantes do maior clã que já se reunião em toda a nossa história indígena, nunca viu tanto segredo e tanta proteção a uma informação. O povo se reunia em volta da grande fogueira, e muitos aldeões já mostravam impaciência e revolta com tanto segredo e desinformação. O grande povo tupinambá também perdia a paciência com os Yanamabares e os Yanumanis. A noite caia novamente sobre a aldeia e os dois líderes tribais continuavam a manter sobre sete chaves o segredo que foi revelado em sonhos para todos sem indígenas, ambos permaneciam enclausurados e em discursões acaloradas. Vicissitudes que pareciam não ter mais fim. O dia raio na aldeia e finalmente Tchaucotoco e Ayumanima tinham todas as explicações que o povo precisava saber. Convocaram imediatamente todos os índios que estavamsobre as terras tupinambás para ouvir os motivos pelo qual o rio amazonas havia secado e em seguida relatariam quais decisões seriam determinadas. Os grandes líderes convocaram também a presença de Natuia e Yaol, e solicitarama Katoa que ele fizesse um ritual de convocação sobrenatural para que eles tivessem presentes durante aquelas audiências, pois eles deveram estar nesta reunião importante. Muitos índios não entenderam o motivo da presença dos dois jovens, afinal eles não faziam mais parte deste plano físico, eles pertenciam ao plano etéreo. As sumulas indicadas pelos líderes tribais estavamequivocadas, e muito do que foi dito até o momento não fazia muito sentindo. Ao terminar as explicações sobre tudo o que ocorreu em relação ao sumiço das águas sagradas do rio amazonas, Ayumanima resumia que quanto o castigo de Natuia foi revogado, as lagrimas que deveriam alimentar eternamente o nosso grande rio, simplesmente diminuiu o volume das aguas, e nós sabemos que um rio, sem nascente morrer por falta de aguas que os alimentem. Ocastigode Natuia foibem amarrado, e foram vocês tupinambás que a elegeram e a delegaram com estas obrigações e penalidades de cunho eterno, as cláusulas compactuadas com o dono rio foram bastante claras, eela, amenina Natuia, substituiria definitivamente a nascente natural do rio amazonas que reinava solenemente na morada dos deuses estrelares, sobre o monte Chucurutiua, suas lagrimas alimentariam os leitos de todos os rios, e a cachoeira que reside sobre o monte ficaria a salvo, pois continuaria alimentada pelo choro da jovem, esta clausula deveria manter vivo para sempre o nosso rio.
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    O ÍndioEnfeitiçado 96 Mas osdiversos erros que estas punições absurdas, foram de forma arbitrárias imergidas aos jovens inocentes, apenas causaram dor e desalento para todos os povos indígenas desta terra, vocês tupis erraram com esses jovens e o seu ódio por uma nação irmã condenaram-nos como nação indígena. Hoje o jorrar de águas do nosso rio não existe mais, ele se encontra extinto, está morto, e somente uma pessoa pode traze-lo a vida, semente esta menina pode fazer o nosso grande amazonas, nascer novamente do plano etéreo, não há outra possibilidade, não existe outro caminho, somente as suas lagrimas reabilitaramas antigas corredeiras, somente a sua alma fará com que o rio retome as suas águas curvilíneas e límpidas. Esta jovem é a nossa esperança, sem ela, rio mingará até secar completamente, e os lagos e biqueiras que ainda existem despareceram para sempre. Natuia se fez presente em parte do discurso, a bela índia não ouvir tudo, mas sabia o bastante para saber que o rio secou por sua causa. Quando optou pelo o amor de Yaol, deixou-se de lado o amor pelo o que era um bem natural, um bem de todos, deixou-se de lado toda a natureza, a biodiversidade que vivia no amazonas. Yoala olhava com tristeza, pois no fundo de seu coração, ele saberiaqual decisão final, ela tomaria, diante daquela nova escolha que recaia sobre a sua vida, apesar da jovem Natuia o amar tanto, ela tinha como opção a razão e não o coração, seu amor era algo único e maior, e amar a Yoal nunca foi uma opção, mais uma decisão, uma doação, um privilegio, a maior realização de amor que teve em sua vida. E exatamente por ama-lo tanto em sua vida, elaamaria primeiro a todos os seres vivos que dependeriam de seu coração e de seu amor. Ela definitivamente cumpriria com o seu destino de princesa, com os planos que os seus pais arquitetaram desde de menininha e mais uma vez ela sentia que as tradições venceriam o amor. O amor era algo incomum e único, e todos devia ter e amar alguém em suas curtas vidas, apesar do fardo Natuia se sentia feliz, por que pior do que não amar, é nunca ter amado ninguém emvida, elateve sorte, amou Yaolem vida, em morte e sobre e além a morte e ela estava grata por isso, estava feliz por yaol ter doado o seu amor a ela e não a outra índia. Ela estava decidida, e ratificando a sua razão, não haveria nenhuma objeção ou discussãosobre o caso,ela simplesmente sacrificariaoseu amor pessoal,pelo amor que existia dentro dela, pelo o amor ao povo indígena e pelo o amor maior que sentia pela mãe natureza.
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    O ÍndioEnfeitiçado 97 Katoa poremadvertia a moça, que desta vez um feitiçoseria feito para aprisiona- la no alto do monte sagrada onde jazia sozinha a arvores dos deuses, local onde as primeiras águas nasceram originalmente. O chefe tribal ainda a alertou do fardo e do compromisso, pois um castigopode serdesfeito, mais um feitiço de aprisionamento não pode ser desvinculado. E informando sobre as penalidades reafirmou que o rio está seco por que ela havia abandonado o seu choro eterno, e sem as suas lagrimas o rio permaneceria seco e morto para todo o sempre. Neste aspecto Yaol foi alertado, e se concordasse com o que estava sendo imposto a Natuia, ela nada poderia fazer. Um ritual novo seria feito é ela retornaria o seu posto de lamentos e choros, pois o rio precisaria de suas lagrimas para poder se manter vivo e com águas límpidas. Yaol concordara com o sacrifíciode Natuia, pois observou que era issoque aamada desejava, e para ele não importava se ela voltasse a ser uma arvore sagrada que ceivasse lagrimas para manter o nosso grande rio. O amazonas era maior que todos os índios, e o nosso amor deveria ser usado para salvar a nossa grande floresta e mãe de todas as vidas biológicas existentes sobre a terra. Yoal concordava, e estava seguro de sua decisão, mais ele tinha um desejo, uma objeção, uma clausula, para que tudo fosse aceito. Os indígenas teriamo seu rio de volta, mas tudo isso somente seria feito, desde que ele também se tornasse um grande rio, e que ela, também fosse um outro rio, ou parte do rio que ele fosse transformado.... Desta forma eles estariam unidos, caminhariam juntos, manteriam o seu amor vivo, descendo as correntezas rio abaixo, tropeçado sobre as pedras, limando sobre os rios, curvilineando lagos e cachoeiras, a até desemborcarem em um estuário amplo, caminhando rente ao mar infinito, beijando-se pela eternidade infinita. Katoa achou aquele ato um tanto rude e desmedido, tudo o que sefez até aquele momento foi para proteger o seu povo, mas aquele índio afronho e atrevido não perdia a oportunidade de insultar os tupinambás. Depois de tudo o que ele fez sobre nossas terras, depois de ter causado tanto tumulto e desrespeito as nossas tradições, ainda tenta nos desonrar com pedidos mórbidos e inviáveis. Nenhum índio tupi vai seuni hoje a um guará, nenhuma forma de relaçãonatural será permitida, e qualquer ligação intrínseca e sobrenatural consistira em admissão solicita, nosso povo não os aceitamos nem como pessoas, imaginem se vamos aceita-lo como um rio, não o veneraremos e nem o aceitaremos como um ungido em nosso clã, nunca o aceitaremos ao lado de nossaprincesa, e jamais admitiremos que a nossafutura rainha e governadora do rio amazonas, reconheça-se como guaja sobre pretexto de amor, neste aspecto e sobre qualquer forma, isso não será aceito.
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    O ÍndioEnfeitiçado 98 Yaol entãoolhando para a sua amada Natuia sinalizou que desta forma nenhum pacto ou ritual seria realizado, nenhum sacrifício sobre estes termos será aceito, e, portanto, ele não concordava com o abrigue e pediu que o rito que a colocaria novamente sobre a sua prisão anterior fosse rechaçada e negada. Todas as tribos locais relutaram contra a arrogância de Katoa que até aquele momento se recusava em tentar apaziguar as tribos, e ainda amargo em suas palavras, preocupa-se com o orgulho, a vaidade, poder e dominação. O ódio e a separação de tribos de mesma raça, ainda eram um fator ímpar em suas prorrogativas. Suas relutantes opiniões não foram muito longe, Tchaucotoco novamente interveio e sem discursos rompeu as negativas do amigo e confirmou que pelo bem de todos os índios, pela manutenção do rio amazonas e pelo amor integro que todos deveriam ter pela mãe terra, iam teria o seu desejo atendido. Apenas uma ressalva seria notoriamente revisada e qualificada. Suas exigências teriam um meio termo, e nem tudo seriaatendido, afinalamagiaque fariamestas coisas acontecerem tinham regras e maneiras protocolares para realizações de magia. Alguns cumprimentos ritualísticos e normas magicas seriamprontamente aceitas e executadas. Yaol então agradeceu as interversões e aceitava o que estivessesendo oferecido, desde que sobre o pactual, estivessemos termos que os deixassemviver juntos, sendo assim, se ele pudesse está perto de Natuia, objetando tê-la ao seu lado para o resto da eternidade, tudo podia ser apreciado. Tchaucotoco concordou com o índio e aceitando os seus termos, pediu para que Katoa preparasse as ervas e procedimentos dos ritos.
  • 99.
    O ÍndioEnfeitiçado 99 O AmorRetornado ao seu Lugar de Origem..... O rito havia acabado e Natuia foi levada para o alto do monte sagrado, suas lagrimas volveram a dar vazão ao rio amazonas, rio que antes secava sofregamente sobre a terra ariada, a vida regressava fortemente para todo o monte, lugar aonde residiasolitária a arvore sagrada.As lindas pradarias, campos e bosques tornaram a ficar floridas, e o antigo estado inerte e petrificado da grande sagrada revolvia-se sobre si mesma, requalificando-se e tomando vida e ceiva sobre seu caule, o lodo que existia, estava lentamente desaparecendo dando lugar ao lago límpido que antes havia sido construído por Natuia, a segregação que fizera, aos poucos contornava o lugar antes triste e sem vida, a um lugar florido e muito perfumado. As laminas d’água formadas por suas lagrimas, voltarama precipitasse em forma de pequenas linhas de água doce e os filetes que se uniam um a um, formavam delicadamente encurtados riachos, lagoas e corredeiras, por fim tudo emborcaria em uma enorme cachoeira tênia, que se derramava precipitando-se do alto do monte, formando assim os vários rios que moravam nas planícies do amazonas. Em pouco tempo todos os rios do amazonas voltaram a seu estado natural e muitos rios adjacentes tiveram de volta as suas grandes e gigantesca laminas d águas, algumas com vazões menores, outras com abundantes despejos de camoecas. A vida havia tomado o seu restauro vítreo e aos poucos os índios ribeirinhos e os de mata densa, retornavam ao trato do cotidiano. Natuia tomou a forma de uma arvore sagrada e o seu amado Yaol voltou ao convívio do rio que lhe aprisionou, mas desta vez tudo estava diferente. Ambos eram libertos e não mais escravos de seus feitiços e castigos. Natuia se tornou uma governanta assídua da verdade e da paz, uma princesa com vestes de rainha, uma rainha com a beleza e a juventude de uma princesa. Ela não era mais uma escrava do monte, mas sim uma cuidadora daquele espaço etéreo. Aquele lugar seria hoje um lugarde visitaçãoe austeridade, proporcionando para todos os indígenas luz, amor e esperanças, o monte não serio mais um lugar dirimido para o horror e dores, e a sua função principal como encantada, estava em alimentar diariamente as águas intermitentes do rio amazonas, trazendo contemplação e vicissitudes a todos os viajantes que a requeria como hospedes. Natuia manteria a sua alma permanentemente vinculada a arvore sagrada, mas ela não seria uma prisioneira, podendo caminhar por onde quisesse e a qualquer hora do dia ou da noite.
  • 100.
    O ÍndioEnfeitiçado 100 Yaol retornavaao rio que antes lhe aprisionou, mas agora, ele era o próprio rio e o rio era ele próprio, e ambos se conjugavam em um ser único físico e sobrenatural. Ele cuidariados seres viventes de suas águas e se manifestaria quando requisitado pelos indígenas. Yaol prometeu que manteria a limpidez de suas águas e resguardaria todos os peixes em condições numerosas e saudáveis,garantindo a abundância e a sobrevivência de todos os ecossistemas que habitavam os seus vários leitos. A vida seria respeitada em suas laminas de água doces, ele vigiaria para que as suas margens fossem sempre húmidas e férteis, tornando frondosas e úberes os mangues e seus nichos adjacentes. Ele regaria os pequenos riachos, fontes, lagos, biqueiras e cachoeiras. Sempre cuidando para que eles ficassem cheios de vida. Yaol havia se tornado um rio respeitado e forte, promovendo fertilidade em suas margens, abundancia de peixes em suas águas e mantendo cheios de vida os lagos e outros córregos. No entanto, tudo isso lhe proporcionava prazer, mais eram as noites que ficavam lindas e atraentes não somente para o bravo Yaol. Os índios infantes e enamorados usavamo espetáculo que o encontro de dois rios novos que acabavam de se formam produziam sobre a floresta amazônica, os índios da nova geração pós seca, os chamavam de Rio negro eRio Solimões, mas para os mais íntimos e mais enamorados, eram lembrados e reconhecidos com os dois índios Natuia e Yoal. Durante a noite Natuia deixava o monte sagrado para se transforma em um rio, suas águas eram extremamente claras e por isso a chamavam de Rio Solimoes. Yoal porém já estava deitado sobre seu leito, mas quando peregrinava as suas águas e os seus braços caudalosos para leitos desconhecidos de outros rios, inundava pequenos córregos e riachos, e as suas águas escuras que corriam sempre para outros rios, buscavam atentamente pelas águas brancas que o seu amor Solimões plainava sobre o luar. Os índios chamavam Yaol de Rio Negro por causa de suas águas turva e as vezes negras.Mas eram a turbulentas aguas agitadas que lhe dava fama entre os índios. Todos chamavam aquele delírio, as corredeiras que ele promovia em suas águas, redemoinho investido ou pororoca enroscada, o resultado disso é que ele sempre acabava encontrando a bela Natuia. Ambos tinham temperamento bem distintos, e por serem tão diferentes o humor de um atrapalhava a serenidade do outro. Era fácil entender quando os dois estavam brigados ou amando-se sobre águas. Quando chovia a noite, ficava claro que Natuia estava triste por ter se desentendido com Yaol. E quando era Yaol que estava
  • 101.
    O ÍndioEnfeitiçado 101 zangando ouvia-seo chiado agudo de suas aguas revolverem-se sobre as ondas provocadas pelas inúmeras pororocas. Em tempos de muitas brigas entre os dois amantes verificava-se que águas claras de Natuia ficavam espumadas e volúveis, e Yaol como sempre carregava vários sedimentos, com areia, troncos e galhos de arvores para a superfície de sua lamina de água. Os dois eram sim diferentes, um com águas claras e o outro com águas escuras, e isto refletia bem as suas personalidades, eles jamais se misturavam, eram diferentes, mais eles se amavam muito, era fácil entender quando aconteciam as pazes entre os dois, ambos os rios se revolviam enamorados um sobre o outros, aquela dança de aguas volumosas pareciam se mistura, mas isso nunca acontecia, eles se esfregavam um no outro, se embolavam, e contornavam-se, enquanto se amavam. Aqueles movimentos atípicos sobre águas, causavamsons e ruídos barulhentos, chiados inaudíveis e finos, e notadamente descoloradas, a suas águas transmutavam-se uma sobre a outra revelando fenômenos incríveis e sobrenaturais, via-se que ambos estavamjuntos e estando felizes coloriam os céus comos seus splachs de água cuspidos para alto das nuvens. Estes eventos geralmente provocavam corredeiras, pequenos tsunamis e até enchentes de vazões menores. Todas as noites eram quase iguais. Yoal com as suas águas negras corria para as pedras para alcança a sua amada, o rio negro era incansável. Natuia toda impávida, permanecia parada e inerte, sossegadamente descansada e com as duas pernas cruzadas, erguia-se vez e outra, para ver se Yaol chegava. As suas águas claras fluíam docemente para outros rios e todos sabiam que aquela calmaria, tratava- se dela, era Natuia, a doce Solimoes. Quando suas águas exógenas se encontravam, o amor se revolvia sobre as laminas de seus leitos, as águas ora límpidas, ora escuras, embalavam os corações dos jovens que acabavamde seapaixonar, os índios que seenamorados, serendiam as todas as histórias de amor que se falavam de Yaol e Natuia. Vários jovens amantes, contemplavam-se do amor que acontecia sobre as águas daquele rio e mesmo espiando-se de longe, as margens das aldeias eramumótimo local para reproduzir o que se passava no meio do rio, ou seja, ao amor que os dois faziam sobre o luar. As noites de lua cheia, sempre proporcionaram agradáveis espetáculos naturais, e a lua vermelha era um espetáculo lindo e muito diferente, aquelas noites ocasiões perfeitas para namorar, e entre estes dias comuns, geralmente os mais quentes, as noites de luar vermelhas eram as mais escolhidas pelos índios para se enamorarem sobre a beira do rio.
  • 102.
    O ÍndioEnfeitiçado 102 Pois aquelasnoites eram os dias em que natuia e Yaol passavam um dia inteiro e duas noites revolvidos um sobre o outro na lamina d’água, e ambos iluminados pelo clarão do luar, podiam ser vistos nus e se amando com os seus corpos humanos. Muitos índios usavamestas datas atípicas para reafirmarem o amor que sentiam um pelos outros, alguns casavam, outros realizavam pedidos de amor, vários desejama volta de um amor perdido, ou simplesmente realizavam o que Natuia e Yaol faziam sobre as águas, ali se geravam e se promoviam novas vidas sobre a terra, e a vinda de filhos era algo comumente feito e realizado sobre aqueles escampados. Muitos banhavam nus sobre aquelas águas, mais a maioria preferia ver o espetáculo dos dois enamorados que se envolvia emaranhados sobre aquela lamina d’água. Com o tempo aqueles ritos se espalhavampara outras aldeias, e jovens índios de várias outras tribos migravam para aquele lugarejopróximo aopovoado dos tupinambás só para comtemplar o amor de Natuia e Yaol. Os jovens índios sempre se reunião sobre a planícies banhadas pelos dois rios, o Rio Negro e o Rio Solimoes. Muitos buscavam enamoravam-se sobre o grande luar vermelho que plainava sobre aqueles céus, e muitos usavam o exemplo do amor que Yaol e Natuia deixaram sobre a terra, repetindo-os amplamente sobre os demais índios. Muitos refletiam sobre as muitas histórias que os antigos falavam sobre os dois apaixonados. Alguns dos anciões afirmavam que o amor é algo que jamais morre, a paixão não desaparece, e a vida não se acaba com o fim do corpo mortificado, o amor apenas se transforma, e a paixão apenas muda de forma, tudo migra para outras direções, tudo caminha rumo ao desconhecido, o sentimento de amor jamais acaba, e a paixão verdadeira nunca se apaga, o amor muda de navegação, o amor troca de lema e os sentimentos guardados no coração, estes ficam sempre eternos, ficam congelados, e quando menos se espera, ele se aquecem novamente nos cernes de quem sabe nada por rios e amores mais profundos de sua vida. FIM
  • 103.
    O ÍndioEnfeitiçado 103 Bibliografia Nome doMocinho: Yaol, um indio guajajarás Nome da Mocinha: Natuia, uma india tupinambá Nome do Cacique: Yenan, tupinambá Nome do Cacique: Motaki, guajajarás Nome do Pajé: Katoa, tupinamba Nome do Pajé: Xinama, guajajarás Nome do deus do rio amazonas: Yacara Nome do rio: Amazonas Onde Ocorre: Numa Aldeia Como Ocorre: Em um cerimonial, ritual de passagem da vida infantil para adulta. Onde ele fica Preso: No fundo do rio Amazonas Onde ela fica Presa: Nas nascentes do rio amazonas Punição para Ele: Feitiço Punição para Ela: Castigo Nome do Vilão: Paotaki, tupinamba Animal Encantado (Boto): Bunua Pássaro Encantado: Yutia Lago Encantado: Tucuia Ave Deusa da Morte: Tycara Nome do rio Tupinamba: Apokue, o devorador Nome do rio Guajajarás: Jukaua, a grande serpente Nome do Deus Sol Indigena: Thuthukaia Nome da Deusa dos rios: Yenemaiana Nome das Aldeias: Tupinamba e guajajarás Etnia: Indígena Estado: Amazonas Cidade: Manaus País: Brasil