NACIONAL
            Banco de Portugal
                                                                                                      Ponto de vista
            Trinta e oito
            processos abertos                                                                      À nossa custa
            em 2011
            » Paulo Ribeiro Pinto

            O Banco de Portugal instaurou,
                                                                           Francisco Sarsfield Cabral
            no ano passado, 38 processos de                                                    Jornalista
            contra-ordenação a instituições de
            crédito.
            O supervisor bancário emitiu mais       A troika é vista por muitos portugueses como maléfica, porque
            de um milhar de recomendações           – sem legitimidade democrática – nos impõe grandes sacrifícios.
            e fiscalizou, ainda, mais de 5.100       Esquece-se que a troika zela pelo cumprimento das condições de
            campanhas de publicidade, sendo         quem nos emprestou dinheiro (Comissão Europeia, BCE e FMI),
            que nem todas passaram no crivo do      evitando-nos a bancarrota. Condições que constam de um memo-
            banco central. O Banco de Portugal      rando negociado pelo anterior governo do PS e também subscrito
            obrigou 43 instituições de crédito a    pelo PSD e pelo CDS.
PÁG.        modificarem 128 campanhas publi-
            citárias e exigiu mesmo a suspensão


09
                                                    Não é preciso concordar com todas as posições da troika para jul-
            de três delas.
            Este número é inferior ao registado     gar positivo ela vir trimestralmente a Portugal controlar o cum-
            em 2010, facto que a instituição in-    primento do memorando. Sem esta vigilância, provavelmente dei-
            terpreta como um sinal de progres-      xaríamos muita coisa na mesma.
            so no cumprimento das normas em
            vigor.                                  A procuradora Maria José Morgado disse há dias que a troika veio
            Das campanhas alteradas, 73% en-        arrumar a casa. E que graças a esta se estão a descobrir gastos do
            volveram produtos de crédito ao         Estado que não ficavam registados no Orçamento. Assim poderá
            consumo, a maior parte por viola-
                                                    melhorar a transparência das contas públicas, isto é, da aplicação
            ção do princípio da transparência,
                                                    do nosso dinheiro.
            pela omissão ou dissimulação de
            informação necessária à correcta
            avaliação do produto divulgado ou       Um exemplo: o ex-juiz do Tribunal de Contas Carlos Moreno consi-
            ainda pela informação estar em le-      dera chocante a rentabilidade que o Estado garantiu aos privados
            tras de tamanho muito reduzido.         nas célebres PPP. À nossa custa, claro.
            De Janeiro a Dezembro, foram ins-
            taurados 38 processos de contra-or-
            denação, 24 por incumprimento de
            regras próprias que regem o sector.    PPP
            No relatório de supervisão compor-
            tamental, a instituição liderada por
            Carlos Costa analisou 14.697 recla-
                                                   Avelino Jesus diz que os contratos são
            mações de clientes bancários.          um “descalabro completo”
            Em 2011, as reclamações contra
            instituições de crédito que deram      O professor do Instituto Su-
            entrada no Banco de Portugal fo-       perior Técnico, Avelino Je-
            ram inferiores em 3% às recebidas      sus, disse, esta manhã, no
            no ano anterior. Em 41% das recla-     Parlamento, que os contra-
            mações encerradas não se verifi-        tos das Parcerias Público-
            caram indícios de infracção pelas      Privadas (PPP) são um “des-
            instituições.                          calabro completo”, por não
                                                                                                                                    DR




            As reclamações mais frequentes in-     terem limites aos gastos.
            cidiram sobre matérias ligadas aos     O professor, que se demitiu
            depósitos.                             do grupo de trabalho que deveria analisar as parcerias e avaliar o seu
            O Banco de Portugal dedicou espe-      impacto nas contas públicas, está hoje, ao longo do dia, a ser ouvido pela
            cial atenção ao cumprimento de         comissão de inquérito às PPP no sector ferro- -rodoviário.
            regras nos depósitos. O supervisor     “A forma como os contratos estão elaborados permite um descalabro
            realizou mais de 800 acções sobre      completo nos valores que podem vir a ser apresentados no futuro. Os
            este tipo de serviço bancário, em      contratos são muito abertos, são o resultado da negociação entre o poder
            mais de meia centenas de institui-     político e as empresas que estão no terreno e, quando digo que podem
            ções.                                  vir a ser acrescentados 20% a 30%, quero dizer que não temos maneira de
            Ao longo do ano passado, houve         fazer um cálculo rigoroso, porque, sendo contratos abertos, permitem um
            menos queixas, mas, em contrapar-      empolamento quase indefinido”, explicou.
            tida, são cada vez mais os que têm     Avelino Jesus justificou, ainda, a demissão do grupo de trabalho pela ma-
            razão: seis em cada 10 clientes, em    nifesta falta de informação e acesso a documentos que, diz, eram “arran-
            média.                                 cados à força”.


                                                                                    r/com renascença comunicação multimédia, 2012

À Nossa custa & PPP's

  • 1.
    NACIONAL Banco de Portugal Ponto de vista Trinta e oito processos abertos À nossa custa em 2011 » Paulo Ribeiro Pinto O Banco de Portugal instaurou, Francisco Sarsfield Cabral no ano passado, 38 processos de Jornalista contra-ordenação a instituições de crédito. O supervisor bancário emitiu mais A troika é vista por muitos portugueses como maléfica, porque de um milhar de recomendações – sem legitimidade democrática – nos impõe grandes sacrifícios. e fiscalizou, ainda, mais de 5.100 Esquece-se que a troika zela pelo cumprimento das condições de campanhas de publicidade, sendo quem nos emprestou dinheiro (Comissão Europeia, BCE e FMI), que nem todas passaram no crivo do evitando-nos a bancarrota. Condições que constam de um memo- banco central. O Banco de Portugal rando negociado pelo anterior governo do PS e também subscrito obrigou 43 instituições de crédito a pelo PSD e pelo CDS. PÁG. modificarem 128 campanhas publi- citárias e exigiu mesmo a suspensão 09 Não é preciso concordar com todas as posições da troika para jul- de três delas. Este número é inferior ao registado gar positivo ela vir trimestralmente a Portugal controlar o cum- em 2010, facto que a instituição in- primento do memorando. Sem esta vigilância, provavelmente dei- terpreta como um sinal de progres- xaríamos muita coisa na mesma. so no cumprimento das normas em vigor. A procuradora Maria José Morgado disse há dias que a troika veio Das campanhas alteradas, 73% en- arrumar a casa. E que graças a esta se estão a descobrir gastos do volveram produtos de crédito ao Estado que não ficavam registados no Orçamento. Assim poderá consumo, a maior parte por viola- melhorar a transparência das contas públicas, isto é, da aplicação ção do princípio da transparência, do nosso dinheiro. pela omissão ou dissimulação de informação necessária à correcta avaliação do produto divulgado ou Um exemplo: o ex-juiz do Tribunal de Contas Carlos Moreno consi- ainda pela informação estar em le- dera chocante a rentabilidade que o Estado garantiu aos privados tras de tamanho muito reduzido. nas célebres PPP. À nossa custa, claro. De Janeiro a Dezembro, foram ins- taurados 38 processos de contra-or- denação, 24 por incumprimento de regras próprias que regem o sector. PPP No relatório de supervisão compor- tamental, a instituição liderada por Carlos Costa analisou 14.697 recla- Avelino Jesus diz que os contratos são mações de clientes bancários. um “descalabro completo” Em 2011, as reclamações contra instituições de crédito que deram O professor do Instituto Su- entrada no Banco de Portugal fo- perior Técnico, Avelino Je- ram inferiores em 3% às recebidas sus, disse, esta manhã, no no ano anterior. Em 41% das recla- Parlamento, que os contra- mações encerradas não se verifi- tos das Parcerias Público- caram indícios de infracção pelas Privadas (PPP) são um “des- instituições. calabro completo”, por não DR As reclamações mais frequentes in- terem limites aos gastos. cidiram sobre matérias ligadas aos O professor, que se demitiu depósitos. do grupo de trabalho que deveria analisar as parcerias e avaliar o seu O Banco de Portugal dedicou espe- impacto nas contas públicas, está hoje, ao longo do dia, a ser ouvido pela cial atenção ao cumprimento de comissão de inquérito às PPP no sector ferro- -rodoviário. regras nos depósitos. O supervisor “A forma como os contratos estão elaborados permite um descalabro realizou mais de 800 acções sobre completo nos valores que podem vir a ser apresentados no futuro. Os este tipo de serviço bancário, em contratos são muito abertos, são o resultado da negociação entre o poder mais de meia centenas de institui- político e as empresas que estão no terreno e, quando digo que podem ções. vir a ser acrescentados 20% a 30%, quero dizer que não temos maneira de Ao longo do ano passado, houve fazer um cálculo rigoroso, porque, sendo contratos abertos, permitem um menos queixas, mas, em contrapar- empolamento quase indefinido”, explicou. tida, são cada vez mais os que têm Avelino Jesus justificou, ainda, a demissão do grupo de trabalho pela ma- razão: seis em cada 10 clientes, em nifesta falta de informação e acesso a documentos que, diz, eram “arran- média. cados à força”. r/com renascença comunicação multimédia, 2012