Este documento apresenta:
1) Testes realizados às novas Triumph Tiger 800 XRx e XCx de 2015 e à remodelada Honda VFR800X Crossrunner;
2) Um comparativo entre as KTM RC 125 e Yamaha YZF-R 125;
3) Uma entrevista com o ator e motociclista Keanu Reeves.
+ Usada domês:
Suzuki V-Strom 650
+ Moto de Culto:
Honda VF1000R
...E AINDA
Viver...
Ao Sul - II Moto Gamer Keanu Reeves
O mundo das motos
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dezembro
DESPORTO CBR600RR TEN KATE
l Teste à Campeã Mundial de Supersport
Honda
Crossrunner
Triumph
Tiger 800
XRx / XCx
Comparativo
l Yamaha YZF-R 125
l KTM RC 125
Testámos...
Protótipo muito próximo
da Africa Twin 1000
que chega no verão!
Futura Africa Twin
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SUMÁRIO 12/2014
42 Triumph Tiger 800 XRx/XCx 2015: já testámos
a segunda geração das Tiger 800
74
92
Ao Sul: segunda parte desta
viagem em voo livre, até Istambul na
companhia de uma Daelim 125
Keanu Reeves: ator
consagrado e motociclista convicto
INTRO ///
4 A Indian em Portugal; o renascer das
italianas SWM; revelado o Dakar 2015;
as novidades da SYM; Consultório
jurídico; Editorial; Mercado, etc.
14 Crónica de Miguel Oliveira
16 Moto Gamer - Saboteur II
19 Projeto CS_05 Zen
TESTES + TÉCNICA ///
20 Novidades 2015
A segunda dose de novos modelos
chegou-nos de Milão, com novidades
esperadas e diversas surpresas
42 Triumph Tiger 800 2015
Ainda há pouco foram apresentadas
e já as pudemos testar: primeiro
contacto com as Tiger 800 XRx e XCx
48 Honda VFR800X Crossrunner
Já rodámos com a Crossrunner 2015,
profundamente remodelada
52 Comparativo
KTM RC 125 / Yamaha YZF-R 125
90 Moto de Culto
Honda VF1000R
ÁREA DE SERVIÇO ///
8 Ficha técnica
Staff e contactos
58 Usada do mês
Suzuki V-Strom 650
60 Shopping
Equipamento e acessórios
61 Action Team
62 Preços das motos novas
69 Mercado
REPORTAGEM ///
92 Entrevista: Keanu Reeves
Ator, fundador de uma marca de motos
e motociclista, Keanu Reeves fala-nos
do seu amor pelas duas rodas
DESPORTO ///
84 Contacto competição
Honda CBR600RR Ten Kate, campeã
mundial com Michael Van Der Mark
MOTOTURISMO ///
74 Ao Sul - II
De Lisboa a Istambul numa 125 cc
23 Aprilia RSV4 RR/RF / Tuono 1100
20 BMW S1000XR
22 BMW F800R
24 Ducati 1299 Panigale
26 Ducati Multistrada 1200 DVT
28 Honda RC213V-S
30 Honda True Adventure Prototype
48 Honda VFR800X Crossrunner
84 Honda CBR600RR Ten Kate
90 Honda VF1000R
32 Kawasaki Ninja H2
34 Kawasaki Z300
35 KTM 1050 Adventure
52 KTM RC 125
39 MV Agusta Stradale 800
58 Suzuki V-Strom 650
42 Triumph Tiger 800 XRx / XCx
36 Yamaha YZF-R1 / R1M
38 Yamaha MT-09 Tracer
52 Yamaha YZF-R 125
MOTOS NESTA EDIÇÃO ///
4.
4 12/2014
UMPOUCO CONTRA A CORRENTE,
no que respeita à ressaca da crise económica
global que alguns países já atravessam, ou
à permanente luta para sair do buraco que
tantos outros, como o nosso, continuam a
viver, a verdade é que estamos a assistir a um
dos momentos mais prolíficos na indústria
motociclística de que tenho memória.
Num ano em que, separados por um mês, se
realizaram dois grandes salões internacionais,
seria de esperar que as marcas se dividissem,
umas apresentando as suas principais
novidades na Intermot, em Colónia, e outras
na EICMA, em Milão. Mas o que aconteceu foi
uma verdadeira chuva de estrelas em ambos
os certames, uma impressionante dose dupla
de sonhos em duas rodas, uns mais perto da
nossa realidade e outros que, para a maior
parte de nós, ficarão apenas no inalcançável
patamar onde residem as verdadeiras
estrelas.
Convenhamos: sonhar em ter uma Honda
RC213V-S ou uma Kawasaki Ninja H2R
na garagem é equivalente a ligar para a
Angelina Jolie a combinar um jantar e, na
realidade, ela virar-se para o lado e dizer
“ó Brad, olha aí pelos miúdos que eu vou
à Amadora jantar com o meu amigo Zé”.
Então, porque é que as marcas fazem
motos como estas? Porque podem! Porque
são uma afirmação de poder, de alta
tecnologia, são superstars. Não são para
todos, nem poderiam ser, ou perderiam esse
estatuto. Voltamos às estrelas de cinema:
se víssemos a Nicole Kidman todos os dias
a comprar pão, ou na fila da peixaria no
hipermercado, perdia o brilho – e é o brilho
que distingue uma estrela.
Felizmente que existem, pois provam que
as grandes marcas, as pessoas que as fazem,
continuam também a ser guiadas pela sua
paixão pelas motos.
E não é por isso que deixámos de ter um
amplo leque de novidades 2015 para todos
os gostos. Ora digam lá, se entre os modelos
apresentados nesta edição (EICMA) e aqueles
que vos mostrámos há um mês (Intermot),
não há pelo menos um que vos fazia
atirarem-se já de cabeça? Eu já tenho duas ou
três que me encheram as medidas… Foi revelada num evento especial no
concessionário Harley-Davidson Lisboa,
uma parceria entre a icónica marca de
motos americana e a banda rock
Xutos&Pontapés. A parceria resulta na
produção de uma série da Iron 883,
denominada de “Edição Especial
Xutos&Pontapés”, e que serve para celebrar
os 35 anos de carreira da banda
portuguesa. Os elementos da banda
envolveram-se nas várias fases de criação
desta edição especial da Iron, cujo maior
destaque são as várias pinturas disponíveis
e personalizadas por Miguel Leiria
(Purafúria). A H-D Xutos&Pontapés estará à
venda em exclusivo no mercado
português, com um PVP de 10.790€.
A reconhecida loja Moto Ponto, dedicada
aos acessórios para o mundo das duas
rodas, celebra a 6 de dezembro o seu 22º
Aniversário com um dia em cheio na loja
Moto Ponto II: às 10h00 as portas estão
abertas a todos os clientes e amigos e, a
partir das 15h00 vai ter lugar a 1ª Exposição
fotográfica “Em duas rodas pelo Mundo”,
em que 12 viajantes foram convidados a
expor imagens que retratam o que é o
espírito de quem gosta de viajar de moto.
Um júri composto por representantes da
Moto Ponto, da Goldenbat e da
MOTOCICLISMO irá escolher a melhor foto,
sendo que os visitantes do aniversário
também podem votar e as suas escolhas
valem 50% do resultado final.
O prémio da foto vencedora é um capacete
Schuberth C3 Pro. Além disso, a Moto
Ponto vai ter muitas outras surpresas ao
longo do dia! Já sabe: a 6 de dezembro
todos os caminhos vão dar à Moto Ponto II
na Avenida Dom Vasco da Gama Nº 39 - A
1400-127 Lisboa.
SUPERSTARS
editorial
Luís Carlos
Sousa
Diretor
lcsousa@motorpress.pt
H-D apresentou “Edição
Especial Xutos&Pontapés”
Moto Ponto celebra 22º
aniversário em dezembro!
5.
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No Salãode Milão foi apresentada a nova gama
da histórica e renascida marca italiana SWM.
Para muitos SWM pode não significar muito, mas de facto são
as iniciais da marca italiana Speedy Working Motors. Este ano, na
EICMA, a SWM regressou através de uma parceria entre italianos
e chineses. Pelas mãos do diretor técnico Ampelio Macchi e com
o investimento por parte do grupo chinês Shineray, liderado por
Daxing Gong, a SWM apresentou uma nova gama de seis
modelos para estrada e “off-road”, sendo que foi precisamente
nas motos e competições de TT que a marca conquistou títulos e
prestígio desde os anos 70 do século passado. Sem esquecer as
ligações com elementos clássicos, como os famosos depósitos
de design trapezoidal nas motos de estilo “retro” Grand Milano,
Gran Turismo e Silver Vase, a SWM aposta em tecnologias
modernas como motores DOHC com cilindradas entre os 300 e
650 cc, injeção eletrónica e homologação Euro3. Além das motos
que podemos ver aqui, e que serão a grande referência da marca,
a SWM revelou ainda modelos Enduro e Supermoto, estando
prevista a chegada de novidades com motores de 125 cc para
atrair os mais jovens. Com o poderio financeiro do grupo
Shineray, e com o design e produção das motos a ser feito em
Itália, a SWM promete motos fiáveis e com preços competitivos! SWM Grand Turismo 440
SWM G. Milano Special
SWM Grand Milano 440
SWM Silver Vase 440
SWM
renasce!
6.
6 10/2014
Asduas marcas de motos do Grupo Polaris, a Indian e a Victory, chegam
a Portugal já no início do ano pela mão da Luzeiro.
A Luzeiro, representante no nosso país de marcas como a Aprilia, Moto Guzzi, Royal
Enfield e Ural, entre outras, passa a deter a importação exclusiva para Portugal das duas
marcas de motos do Grupo Polaris – a Victory, lançada em 1998 pelo gigante norte-americano,
e a renascida Indian, uma das marcas mais emblemáticas da história do
motociclismo. Fundada em 1901, a Indian abriu falência em 1953, seguindo-se meio
século conturbado até ser adquirida pela Polaris em 2011, o que lhe deu finalmente a
estrutura o poder financeiro para o regresso à ribalta. Os contactos com a Luzeiro
iniciaram-se há um ano, num projeto que integra desde o início a Victory. Aliás, foi a bem
sucedida década e meia de experiência com a Victory que permitiu à Polaris um
lançamento da Indian assente em bases técnicas sólidas - exemplo disso são os cinco
anos de garantia de fábrica oferecidos para as suas motos. O aumento das gamas será
gradual e sustentado, e a Victory poderá, inclusivamente, lançar-se na produção de
modelos mais abrangentes, enquanto a Indian se manterá numa linha mais clássica, sem,
no entanto, renegar os seus pergaminhos desportivos, como fica patente no bloco de
1200 cc e refrigeração líquida das novas Scout, que debita 100 cv.
Em Portugal, para além da loja na sua sede, em Massamá, que será inaugurada em
janeiro já com os modelos de 2015, a Luzeiro conta ter ainda mais um ou dois
concessionários em todo o país, com uma resposta muito eficaz em termos de peças e
motos a partir da plataforma logística sedeada na Bélgica.
Indian em Portugal
José Marques, responsável da
Luzeiro, está confiante no sucesso
desta aposta dupla em que a
empresa se lança agora
Victory - a marca de
motos lançada pelo
grupo Polaris também
chega a Portugal em
conjunto com a Indian
As Victory assumem uma postura mais
arrojada e moderna, e a sua gama pode vir
a expandir-se para outros segmentos mais
populares e acessíveis ao grande público
Fundada em 1901, a
histórica marca norte-
-americana está
finalmente de volta ao
trilho do sucesso
8.
8 12/2014
FIM:Ippolito
derrota Viegas
Vito Ippolito derrotou Jorge Viegas nas eleições
para a Federação Internacional de Motociclismo.
Após um período de campanha eleitoral, realizou-se em novembro a
eleição para a presidência da Federação Internacional de
Motociclismo, na Assembleia Geral da FIM, em Jerez de la Frontera.
Com o português Jorge Viegas a concorrer contra o atual presidente
Vito Ippolito, na contagem dos votos das 103 federações filiadas na
FIM, os resultados deram vitória a Ippolito, que foi reeleito com 62
votos a favor contra 41 votos de Jorge Viegas, mantendo por mais
quatro anos um cargo que é seu desde 2006. Estas eleições ficam, no
entanto, marcadas pelas alegações do jornal britânico Sunday Times,
de que houve “compra encapotada” de votos, envolvendo a federação
do Qatar. O jornal indica que Ippolito prometeu ao presidente da
federação qatari, Nasser Khalifa Al Attiyah, apoio em futuras eleições
para a FIM e lugar como vice-presidente caso fosse reeleito. Assim, Al
Attiyah convidou um conjunto de presidentes de federações para uma
estadia de luxo no Qatar, a pretexto da última ronda do Mundial
Superbike, com direito a presentes e tratamento VIP. Resta perceber se
as suspeitas conseguem ser provadas...
Redação
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Motocykl
Suécia
Motorrad
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Töff
Grupo editorial presente em 19 países, entre os quais 20 revistas de motos em 16 países.
Vito Ippolito vai
permanecer como
presidente da
FIM, após nova
reeleição
Jorge Viegas
acabou derrotado
nestas eleições
para a presidência
da FIM
9.
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Ausgabe
18 / 2013
Ausgabe 6 / 2013
Ausgabe
6 / 2013
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POR SEGUNDO
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PREPARADO PARA
O SRC-SYSTEMTM
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LEVE: APENAS 1570 g (tamanho M)
COMPACTO: 2 CALOTAS EXTREMAMENTE COMPACTAS
SILENCIOSO: APENAS 82 (DB(A)
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REGRESSO À AÇÃO
“DESAFIEI O DR. SÉRGIO CASTANHEIRA, Chefe de
Gabinete do Secretário de Estado do Desporto, a participar
na Baja Portalegre 500, para promover o motociclismo em
geral e a sua prática desportiva em particular. O repto foi
aceite com a condição de eu o acompanhar na aventura.
A ideia foi desde o início apoiada por todos na FMP: o Tó
Manel assumiu logo o cargo de “team manager”, o Armando,
o Zé Rita e a Susana trataram da logística, licenças, inscrições
e demais documentação, o Bernardo “Professor” Vilar tornou-se
nosso conselheiro desportivo, o Dani ocupou-se das
motos e equipamentos, que o Pedro e o Rodrigo também
logo disponibilizaram.
Em duas semanas apenas preparámos documentação, motos,
equipamentos, assistência e até realizámos um treino…
As duas motos – as
portuguesas AJP PR5
250 normalmente
utilizadas pela
Comissão de Enduro no
Campeonato Nacional
– foram “preparadas”
na própria AJP sob
a supervisão do seu
fundador António Pinto.
O treino foi realizado
sob a orientação do
Bernardo Vilar nas suas
instalações da Espírito
d’Aventura, no Pinhal
Novo.
Logo no paddock em Portalegre fomos recebidos como
verdadeiros pilotos, com assistência da J. Saraiva Racing (Zé
Carlos, Nuno e Daniela) e equipamentos Kenny cedidos pela
HPires (Nuno Caetano).
É difícil descrever o dia do prólogo, tem de ser “vivido”.
Sexta-feira 8h30m da manhã e já uma multidão de
espectadores aguardava os concorrentes. Ali iria permanecer
até ao final do dia, numa verdadeira festa do desporto
motorizado, incentivando e aplaudindo os pilotos de motos,
quads, UTV’s, buggys e automóveis.
No dia seguinte, uma etapa num percurso bem escolhido,
com diferentes tipos de piso e de dificuldades, zonas
espetáculo bem desenhadas, paisagens fantásticas, e
sempre com muito público a assistir.
Ambos concluímos a prova (categoria Promoção Baja), o que
no caso do Dr. Sérgio Castanheira foi um feito extraordinário, pois
nunca antes havia participado em qualquer corrida de motos.
No meu caso, que não competia há mais de quinze anos, apesar
de ter furado o pneu traseiro e de ter ficado sem travão da frente,
diverti-me imenso e pude constatar como piloto a realidade
desta mítica prova, uma vez mais bem organizada pela equipa
do ACP dirigida pelo Orlando Romana.
Obrigado a todos os que apoiaram e tornaram possível esta
ação de promoção do motociclismo.”
Após mais de quinze anos retirado das lides, o
Presidente da Federação de Motociclismo de
Portugal, Manuel Marinheiro, regressou à
competição com uma participação na Baja
Portalegre, e convidámo-lo a relatar a
experiência.
Manuel Marinheiro
10.
10 12/2014
NOVASREGRAS VÃO SIMPLIFICAR
ALTERAÇÃO DE REGISTO DE PROPRIEDADE
O CONSELHO DE MINISTROS DO PAS-SADO
DIA 23 DE OUTUBRO DE 2014
aprovou a criação do procedimento es-pecial
para o registo de propriedade de
veículos adquiridos por contrato verbal
de compra e venda, visando simplificar a
regularização da propriedade.
De acordo com o comunicado divulgado pelo
Conselho de Ministros, este regime especial
permite que o registo seja requerido apenas
pelo vendedor, com base em documentos de-monstrativos
da transmissão, com notificação
à parte contrária a cargo do serviço de registo.
Torna-se assim possível efetuar e acelerar
o registo de propriedade de veículos a favor
do atual proprietário, sem prejuízo para a se-gurança
jurídica.
Atualmente, é ao novo proprietário de um
automóvel que cabe a tarefa de regularizar o
registo de propriedade no prazo de 60 dias a
contar da data da venda, junto dos serviços
ou conservatórias do registo automóvel. A
não regularização do registo implica a ma-nutenção
de responsabilidades para aquele
que se mantém como titular do registo de
propriedade, ou seja, o antigo dono.
A grande vantagem face ao regime atual é a
de conferir ao vendedor a possibilidade de re-gistar
a transmissão de propriedade do veículo
automóvel sem depender da intervenção do
comprador, isto é, o vendedor deixará de estar
na dependência da ação do comprador.
Podendo o vendedor, à luz deste novo pro-cedimento
especial, desde que junte prova
de que notificou o comprador para o efeito,
registar a transmissão da propriedade do veí-culo
e desonerar-se, a partir da data da refe-rida
transmissão, de qualquer responsabilida-de
legal ou obrigação fiscal relativa ao veículo
transmitido, nomeadamente, obrigação legal
de subscrever um seguro automóvel, reali-zação
da inspeção periódica obrigatória (no
caso dos automóveis), pagamento de porta-gens,
que pode dar origem a uma dívida e
posterior execução fiscal e pagamento de IUC
(imposto único de circulação).
Questão, aliás, muito polémica nos últimos
dois anos, dado que a Autoridade Tributária
tem nos últimos anos notificado milhares de
contribuintes para o pagamento de IUC’s de
veículos que em muitos dos casos já não lhes
pertencem, situação essa se deve em parte ao
regime registal atual (que implica a intervenção
e assinatura das duas partes no negócio) e que a
criação do procedimento especial para o registo
de propriedade de veículos adquirida por con-trato
verbal de compra e venda visa alterar.
Esta alteração legislativa carece ainda de pu-blicação
em Diário da República, a qual quan-do
ocorrer permitirá conhecer em detalhe, os
mecanismos e procedimentos inerentes às
novas regras do Registo Automóvel.
Na sequência da aprovação da criação do
procedimento especial para o registo de pro-priedade
de veículos adquiridos por contrato
verbal de compra e venda, o Governo en-globou
na sua proposta para Orçamento de
Estado (OE) para o ano de 2015 uma possível
medida para evitar que o vendedor, antigo
dono, tenha de pagar IUC, a proposta de al-teração
do Orçamento do Estado para 2015
apresentada pelo Governo prevê um prazo
de um ano para que este possa reclamar e,
assim, evitar o pagamento do IUC.
“A alteração da titularidade do direito de
propriedade efetuada ao abrigo do procedi-mento
especial para registo de propriedade
de veículos adquirida por contrato verbal de
compra e venda, releva para efeitos de IUC,
desde a data da transmissão, quando aque-le
pedido for apresentado pelo vendedor no
prazo de um ano após o decurso do prazo
para cumprimento do registo obrigatório”,
refere a proposta de alteração.
Ou seja, os partidos da maioria vêm, atra-vés
de uma adenda ao Código de IUC, dar
a possibilidade de o antigo proprietário de
um veículo denunciar a não transferência
da propriedade do automóvel por parte do
novo dono, uma vez verificada a necessida-de
do pagamento do IUC.
Todavia, como já supra referido, teremos que
aguardar pela publicação do diploma que vier
regulamentar esta matéria, e por outro lado,
será igualmente necessário aguardar pela vo-tação
e aprovação do OE para que toda a infor-mação
sobre este assunto seja disponibilizada.
Pedro Homem Duque
Advogado Consultório Jurídico
Enviem as vossas questões legais relacionadas com o motociclismo para a nossa secção de Consultório Jurídico, através do endereço de e-mail motociclismo@motorpress.pt
A F.M.P. anunciou, em comunicado, a aprovação em Conselho de
Ministros de um decreto-lei que estabelece o regime jurídico da
aprovação, atribuição de matrícula, alteração de características e
inspeção de veículos participantes em competições desportivas, para
efeitos de circulação na via pública. Segundo a FMP, atualmente,
“o Código da Estrada só admite a circulação destes veículos desde que
matriculados e dispondo dos sistemas, componentes ou acessórios
aprovados. No entanto, ao serem objeto de alterações para
participarem em competições desportivas, muitos dos referidos
veículos deixam de estar conformes com a regulamentação existente
e, consequentemente, deixam de poder ser matriculáveis”. Mediante
o preenchimento de vários parâmetros, como emissão de matrícula
especial pela FMP, veículos de competição podem circular na via
pública 48 horas antes e depois de uma prova organizada sob égide da
respetiva federação. Mais informações visite www.fmotoportugal.pt .
Circulação de veículos de competição
11.
A Nova CB500Xvem agora equipada de série com acessórios que são essenciais para aproveitar ao máximo o seu espírito de aventura. Aproveite já esta oferta no seu concessionário Honda. Carta de condução A2 | Potência máxima: 48 cv/8.500 rpm | Consumo de combustível: 3,7l/100 km | PVPR: 6.199€ Preço inclui oferta de acessórios em campanha, ISV e IVA à taxa em vigor. Não inclui despesas de documentação, preparação e eco-valor dos pneus no valor de 350€. Preço não inclui despesas de transporte para os Arquipélagos da Madeira e dos Açores. OFERTAVIDRO TOURINGOFERTAKIT FARÓISDE NEVOEIROC/BARRAS SUPORTECB500XOFERTAS ASSIMSÃO MUITO À FRENTEwww.facebook.com/ HondaPortugalMotos
12.
12 12/2014
Paradar cor ao seu stand no Salão de Milão -
EICMA, a Polini criou uma versão especial de uma
Vespa 50S. Denominada de “Vespa Polini Oro”,
esta scooter reluzente é feita através da
combinação de 500 folhas de ouro de 23
quilates! E não é só por fora que a Vespa Oro
brilha, pois lá dentro grita um motor com kit
Polini de 130 cc, sendo que o escape é o
desenvolvido pela Polini para a Vespa Primavera
125 e o carburador é um Polini CP de 24 mm. A
intervenção nesta Vespa incidiu ainda na
cambota, embraiagem, admissão, relações de
caixa e ignição. Uma bomba a dois tempos!
Foram finalmente reveladas as primeiras
informações sobre a 37ª edição do Dakar, a
sétima em território sul-americano. Desta
feita o Dakar regressa ao formato “loop”,
com partida a 4 de janeiro e final a 17 em
Buenos Aires, Argentina, passando pela
Bolívia e Chile, obrigando pilotos e equipas
a percorrer mais de 9.000 km, sendo 4.800
contra o relógio, e muitos acima dos 3.600
metros de altitude! Nesta edição estarão à
partida vários pilotos portugueses: Paulo
Gonçalves e Hélder Rodrigues
(Honda Team HRC), Ruben Faria
(Red Bull KTM) e Mário Patrão
(Suzuki). Quanto a outros pilotos em
destaque, de referir Marc Coma (KTM), Joan
Barreda (Team HRC) e ainda Olivier Pain e
Juan Pedrero na equipa Yamaha, sendo
que este ano não teremos Cyril Després,
que trocou as motos pelos automóveis.
Fique atento a www.motociclismo.pt para
saber tudo sobre o Dakar 2015.
37º Dakar vai percorrer mais de 9.000 km na
Argentina, Bolívia e Chile
Nos números
acumulados do mês de
outubro, nada de novo a
assinalar relativamente
ao mercado das duas
rodas em Portugal, a não
ser que se vai verificando,
cada vez mais, que o
mercado apenas
apresenta números
positivos no segmento
acima dos 125 cc. Aliás,
este segmento apresenta
mesmo números
bastante interessantes de
quase 18% de
crescimento ao longo
deste ano. Nos restantes
segmentos a situação
negativa é quase total,
exceto nas vendas de 50
a 125 cc que estão
praticamente com
crescimento zero.
Só escapam as
mais de 125 cc
Dados:
ACAP
Sport
News
Portugueses sem sorte
no GP de Macau
Realizou-se em novembro mais uma edição do
mítico Grande Prémio de Macau em motos. As
cores lusas contavam com André Pires e Nuno
Caetano à partida, mas Pires, logo nos treinos de
qualificação, ficou fora de ação devido a queda
e falhou mesmo a corrida. Já Nuno Caetano foi
melhorando o seu tempo ao longo dos treinos
até à corrida, mas um mau arranque deixou-o
sem grandes hipóteses de lutar por melhor
resultado do que o 19º lugar final. Quanto à
vitória, essa ficou nas mãos de Suart Easton, que
assim venceu este GP pela quarta vez na carreira.
Enduro em força na Lousã
Em dezembro a Lousã vai receber o Classic
Enduro e a estreia do “Enduroc” em Portugal. O
Montanha Clube, da Lousã, volta a estar bem
ativo na região que ganhou o título de “reserva
nacional de Enduro”. Assim, e já no primeiro fim
de semana de dezembro, nos dias 6 e 7, o clube
da Lousã vai organizar duas provas: o Louzan
Classic Enduro no dia 6 de dezembro, e, no
dia seguinte, a primeira prova portuguesa do
Enduroc, competição com enorme popularidade
em Espanha e que chega agora a paragens
lusas. Para mais informações visite
www.enduroc-portugal.com .
Variação % Unidades Unidades
M otociclos +125 cc 2014 2013
Outubro 30,7% 473 362
Acumulado de 2014 17,9% 4325 3668
Motociclos +50 a 125 cc
Outubro -11,9% 699 793
Acumulado de 2014 0,1% 9415 9406
Ciclomotores 50 cc
Outubro -6,5% 187 200
Acumulado de 2014 -4,7% 2073 2176
Moto4 / ATV +50 cc
Outubro -39,6% 32 53
Acumulado de 2014 -20,6% 423 533
Dados de outubro 2014
Motociclos
+ 125 cc
Honda 1209
Yamaha 791
BMW 724
Kawasaki 244
Suzuki 197
KTM 196
SYM 141
Ducati 135
Piaggio 134
H.-Davidson 129
Motociclos 50+125cc
Honda 2794
Keeway 2323
SYM 1695
Yamaha 1125
Kymco 789
Top Marcas – Acumulado
Moto 4/ATV
Yamaha 82
Suzuki 56
Kawasaki 50
SYM 36
Kymco 26
Top Modelos
1º Honda PCX125 1942
2º Keeway Superlight 125 823
3º SYM GTS 125 510
4º Honda NC750X 420
5º Keeway RKV 125 326
6º BMW R1200GS 323
7º SYM Wolf 125 288
8º Yamaha MT-07 282
9º Honda CBF125 249
10º Honda Vision 110 247
Polini revelou uma Vespa feita em... ouro!
Vespa Polini Oro:
uma 50S muito especial!
14.
Miguel
Oliveira
crónica
O lá a todos! Após um sólido 7o lugar no GP da Austrália,
em Phillip Island, fiquei bastante motivado para a corrida
de Sepang, a última de uma ronda de três corridas
consecutivas fora da Europa. Sepang é um circuito onde as condições
de aderência não são as melhores, com grandes retas, onde uma boa
aspiração é necessária para se fazer um bom tempo.
Todo o fim de semana correu bastante bem, senti-me muito bem,
sobretudo no domingo no warm-up, em que tinha o melhor ritmo para
a corrida com pneus usados, o que me deixou motivado e tranquilo.
Infelizmente, um toque na primeira volta, na entrada da curva da contra
reta, deitou tudo por terra. Era altura de começar a pensar na última
corrida do campeonato e garantir, pelo menos, o Top 10 no ranking final.
Valência é um circuito um pouco particular, pois tem um
sentido contrário aos ponteiros do relógio e onde se curva
desproporcionalmente mais para a esquerda do que para a direita.
Foi todo um Grande Prémio de despedida da minha parceria com a
Mahindra e, por isso, foi especial. Comecei a corrida um pouco atrás na
grelha, mas consegui rodar num ritmo muito bom e o grupo da frente
não se distanciou muito, o que facilitou a minha recuperação.
Na última volta tinha o Brad Binder à minha frente, piloto com
o qual estava empatado em pontos no campeonato. Sabia que,
se queria um Top 10 no campeonato tinha de ficar à sua frente na
corrida, algo que apenas consegui numa ultrapassagem nos limites,
na última curva da última volta! Graças a algo que nem sei bem como
explicar-vos, não caí e consegui terminar no 8º lugar, garantindo
assim a 10ª posição final no campeonato, um pouco aquém dos
objetivos por mim delineados para esta temporada…
Assim se fechou mais um capítulo da minha carreira que, em dois
anos de trabalho e alguns dissabores, significaram o acreditar num
projeto que ainda era apenas uma folha de papel, e em que contribuí
para que pudesse lutar taco a taco com marcas com tanta história no
motociclismo de Velocidade como a KTM e a Honda. Uma grande
conquista e um grande motivo de orgulho profissional.
Era, então, altura de pensar mais a sério na minha mudança
para KTM. Logo em seguida ao G.P. de Valência fomos até ao
circuito de Jerez de la Frontera, onde pude pela primeira vez
montar-me na nova moto. Foi algo especial, pois quando cheguei à
box lá estavam os meus novos técnicos, o Aki Ajo e os responsáveis
pelo desenvolvimento da KTM, iniciando assim um novo capitulo,
na tão esperada por todos KTM.
Montei-me na moto e fiz os primeiros ajustes, avanços, pedais,
manetes, tudo aquilo que me faria sentir confortável para poder
começar a pilotá-la. No dia seguinte, a manhã estava chuvosa, mas
a previsão indicava melhorias para a tarde, altura em que tive o
primeiro contacto com a moto em pista.
Saí para a pista e, quando regressei, abri a viseira com um sorriso de
orelha a orelha dentro do capacete. Eles olharam para mim de uma forma
um pouco estranha... O meu técnico pergunta: “...a moto, que tal?” Eu tirei
o capacete e disse que era boa, mas com um sorriso que se me escapava
de vez em quando. “Claro que é fantástica”, pensei eu para mim!
Não foi um teste muito claro porque estava a chover, mas
ainda assim, com a pista um pouco molhada, fui capaz de rodar em
tempos muito próximos do recorde do circuito.
Fomos então até Valência para três intensivos dias de testes,
onde pude habituar-me mais à moto e conhecer melhor a forma de
trabalhar de todos.
Para além de experimentar muitas coisas, tive a oportunidade
de rodar com o protótipo de 2015 e, embora tenha menos
aceleração, fui capaz de rodar tão rápido como com a moto de 2014.
Ainda é um protótipo e em muito se vai melhorar, o que me deixa
antever boas perspetivas para 2015.
Agora é altura da pausa de inverno, para onde vou com a
sensação de que estou a trabalhar com pessoas extremamente
apaixonadas por este desporto, pela competição e que, sobretudo,
estão muito motivadas por trabalhar comigo! Este inverno vou
dedicar-me à minha preparação para a próxima época.
Não quero deixar de agradecer a vocês e aos meus
patrocinadores, todo o apoio que me dão, assim como desejar-vos
um Feliz Natal e Próspero Ano de 2015!
Um abraço!
Com o término da ligação de dois anos à Mahindra
e o arranque dos primeiros testes com a KTM, Miguel
Oliveira vive o início de um novo capítulo na sua
carreira, que nos conta na primeira pessoa
UM NOVO CAPÍTULO
14 12/2014
15.
De Taiwan chegamàs nossas estradas em 2015 algumas
novidades interessantes com assinatura da SYM. Entre elas
destacamos a “bestseller” GTS125i / 300i, que agora estará
disponível na versão Sport. A GTS Sport conta com detalhes a
vermelho como logótipo bordado no assento, ecrã mais
pequeno e a potência do motor aumenta para os 14,75 cv. A
Maxsym 600i passa a estar disponível com ABS, punhos
aquecidos e espelhos retráteis. Outras novidades SYM
incluem uma totalmente nova Citycom 300i CBS, que usa o
novo motor monocilíndrico de 278 cc, travagem combinada
e luzes em LED para um “look” fora do comum, enquanto as
Wolf 300 Classic e Cafe Racer são uma forma da marca
celebrar o seu 60º aniversário. Estas motos de aspeto mais
clássico ou mais desportivo, contam com motor refrigerado
por líquido equipado com veio de equilíbrio para conter as
vibrações. Mais novidades em www.sym.pt .
Honda apresenta utilitária CB125F
Gigante japonês Honda apresentou, na “ressaca” do Salão
de Milão, uma última novidade para 2015: a CB125F. Esta é a
nova utilitária que vem substituir a CBF125, agora com uma
semelhança a modelos mais potentes como a CB500F ou a
CB650F, e repleta de pormenores que a tornam mais
agradável esteticamente. Mas o “remake” não fica por aí! O
motor tem novo desenho da cabeça para melhorar a
resposta a baixos e médios regimes, o PGM-Fi foi atualizado,
resultando num aprimorar da entrega de potência, numa
mais eficaz resposta ao acelerador e redução do consumo. A
ciclística recebe um novo quadro que proporciona uma nova
geometria, e as jantes crescem das atuais 17 para 18
polegadas. Mais informações em www.honda.pt .
Faça-se á estrada com os seus amigos e usufrua da melhor experiência
social de condução que alguma vez imaginou! A intercomunicação
alternada “1+8” permite-lhe contactar por comandos de voz com 8
motociclistas num raio de 1,6 km. O G9x proporciona-lhe também
ligações a 4 motociclistas em modo de conferência. Ligue dois
telemóveis em simultâneo e faça e receba chamadas totalmente mãos-livres.
A incorporação de tecnologia inteligente de Reconhecimento
de Voz, traduz-se na liberdade e comodidade de poder controlar o
equipamento por voz, sem ter de tirar as mãos do guiador da sua moto.
Se procura diversão, poderá ouvir as suas músicas favoritas através do
seu smartphone ou de um leitor de MP3 com A2DP e partilhá-las com o
seu passageiro através da tecnologia “Music Sharing”. Com o G9x, pode
ainda ouvir as suas estações preferidas através do rádio FM integrado.
Agora, também é possível configurar o seu G9x utilizando a aplicação
SmartSet Android da Cardo (disponível gratuitamente via Google Play)
ou ligando-se à plataforma Cardo Community® através da internet para
uma experiência social mais ampla.
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Novidades SYM para 2015!
16.
16 12/2014
NESTASEQUELA do original Saboteur de 1985
assumimos o papel de Nina, a irmã do falecido herói
do primeiro jogo. Sim, é importante saber todos os
pormenores e dramas familiares dos personagens
antes de nos metermos em qualquer aventura
virtual. Curioso que, muito antes da Lara Croft ter
nascido, já existiam heroínas a dar o corpo ao
manifesto e a salvar o mundo de todos os males e
desgraças, em vez de se limitarem a esperar que
sejam salvas quais princesas ou donzelas em apuros.
Ao longo dos anos tive a oportunidade de
experimentar as duas versões em alturas
diferentes, Spectrum e C64, mas agora, ao
compará-las lado a lado, posso dizer que as
diferenças são de pormenor. Ambas são muito
bem conseguidas, embora seja a versão
Commodore a minha favorita, por ter a ação mais
rápida e os movimentos mais fluidos e intuitivos.
Não é comum encontrar jogos igualmente bons
nestas duas plataformas.
A nossa entrada no jogo é original, numa asa-delta,
e depois de aterrarmos dá-se início a uma cruzada
por um enorme complexo labiríntico de túneis,
salas e divisões onde a ajuda de um bom mapa é
fundamental. No meu caso, sempre procurei
encontrar nos mais de 700 (!!) ecrãs a bendita moto,
esse era o meu verdadeiro objetivo. Para nos
dificultar a tarefa não podiam faltar guardas, uns
pouco simpáticos pumas e até morcegos.
A imensidão da área de jogo e a variedade de
missões prometem muitas horas de
entretenimento e uma verdadeira imersão na pele
de “saboteur”. Era uma enorme festa quando
conseguia finalmente encontrar a moto e fugir
disparado pelo túneis em direção à liberdade. É
certo que nunca terminava as missões, como, por
exemplo, encontrar as 14 “punched tape” (alguém
ainda se lembra disso?) e introduzi-las no terminal a
fim de impedir o lançamento do míssil nuclear.
Pormenores... O que interessa é fugir de moto!
Excelentes fontes de informação;
www.lemon64.com
www.planetemu.net
Participe! Comente e partilhe ideias, sugira jogos
para análise, responda aos desafios.
POR: PAULO TOMÁS
Saboteur II – Avenging Angel 1987
Considerar o Saboteur 2 como um autêntico jogo de motos poderá não ser óbvio, mas quando penso neste jogo a imagem
que me assalta é a de uma miúda ninja, com roupas apertadas, em cima de uma - não menos interessante - moto preta.
Para um homem de gostos simples são motivos suficientes para explorar este clássico do Spectrum e Commodore 64.
Reparem no gesto técnico perfeito
Sai da frente, bichaninho!!
Isto mais parece o Ikea…
Um final digno de um filme
18.
18 10/2014
Atemporada 2015 do Mundial de Velocidade
tem muitas novidades de pilotos que trocam
de equipa! Fique a conhecer quem vai para onde.
2015 começa a parecer-se com o que será a melhor temporada da era moderna do
Mundial de Velocidade, não só porque as regras técnicas parecem trazer de volta o
espetáculo para as pistas, como ao nível dos pilotos vamos ter várias novidades em todas
as categorias. E começamos pela mais importante de todas para as cores lusas: Miguel
Oliveira estará aos comandos de uma KTM da equipa Red Bull Ajo em Moto3, e as
primeiras impressões, após testes realizados em novembro em Jerez e Valência, deixam
antever uma temporada memorável para o nosso “MIG44”, onde o título de Moto3 está,
verdadeiramente, ao seu alcance! Quanto à categoria principal, MotoGP, destaque aos
regressos de Marco Melandri e Alex de Angelis, o primeiro para a Gresini Aprilia e o
segundo para a Ioda Racing, a chegada de Loris Baz para a NGM Forward Yamaha - que
também conta com Stefan Bradl, e, ainda no campo dos mais “velhos”, a entrada de
Eugene Laverty para a equipa Drive M7 Aspar Honda. Quanto aos mais novos, Jack Miller
(CWM LCR Honda) é um dos pilotos a ter em conta pois deu o salto direto das Moto3
para as MotoGP. Outro “rookie” a ter em atenção, é o espanhol Maverick Viñales, que foi
escolhido pela Suzuki para fazer equipa com Aleix Espargaró (que saiu da NGM Forward
Yamaha). Quanto às principais equipas, a única que conta com novo piloto é a Ducati,
pois Andrea Iannone estará ao lado de Andrea Dovizioso, com Cal Crutchlow a sair para a
CWM LCR Honda. Nas Moto2 teremos ainda mais equilíbrio, pois Esteve Rabat (campeão)
mantém-se e passa a ter como companheiro o atual campeão de Moto3, Alex Márquez,
nas Marc VDS, além de vermos a chegada de Alex Rins para a Paginas Amarillas HP40.
Moto GP:
as novidades!
LISTA DE INSCRITOS
Nº Piloto Equipa/Moto
4 – Andrea Dovizioso Ducati Team – Ducati
6 – Stefan Bradl NGM Forward – Forward Yamaha
8 – Hector Barberá Avintia Racing – Ducati
9 – Danilo Petruci Pramac Racing – Ducati
15 – Alex de Angelis Octo Ioda Racing – n.d.
17 – Karel Abraham Cardion AB – Honda
19 – Alvaro Bautista Factory Aprilia Gresini – Aprilia
25 – Maverick Viñales Suzuki – Suzuki
26 – Dani Pedrosa Repsol Honda – Honda
29 – Andrea Iannone Ducati Team – Ducati
33 – Marco Melandri Factory Aprilia Gresini - Aprilia
35 – Cal Crutchlow CWM LCR – Honda
38 – Bradley Smith Monster Yamaha Tech3 – Yamaha
41 – Aleix Espargaró Suzuki – Suzuki
43 – Jack Miller CWM LCR – Honda
44 – Pol Espargaró Monster Yamaha Tech3 – Yamaha
45 – Scott Redding Marc VDS Racing – Honda
46 – Valentino Rossi Movistar Yamaha – Yamaha
50 – Eugene Laverty Drive M7 Aspar – Honda
63 – Mike di Meglio Avintia Racing – Ducati
68 - Yonny Hernandez Pramac Ducati – Ducati
69 – Nicky Hayden Drive M7 Aspar – Honda
76 – Loris Baz NGM Forward – Forward Yamaha
93 – Marc Marquez Repsol Honda – Honda
99 – Jorge Lorenzo Movistar Yamaha – Yamaha
MOTO GP
Nº Piloto Equipa/Moto
2 – Jesko Raffin SAG Team – Kalex
3 – Simone Corsi NGM Forward – Kalex
4 – Randy Krummenacher JiR Moto2 – n.d.
5 – Johan Zarco Ajo Motorsport – Kalex
8 – Gino Rea AGT Rea Racing – Kalex
10 – Thitipong Warokorn APH PTT Pizza SAG –Kalex
11 – Sandro Cortese Dynavolt Intact GP – Kalex
12 – Thomas Luthi Derendinger Racing Interwetten – Kalex
19 – Xavier Simeon Federal Oil Gresini – Kalex
21 – Franco Morbidelli Italtrans Racing – Kalex
22 – Sam Lowes Speed Up – Speed Up
23 – Marcel Schrotter Tech3 – Tech3
25 – Azlan Shan Idemitsu Honda – Kalex
30 – Takaaki Nakagami Idemitsu Honda – Kalex
36 – Mika Kallio Italtrans Racing – Kalex
39 – Luis Salom Paginas Amarillas HP40 – Kalex
40 – Alex Rins Paginas Amarillas HP40 – Kalex
49 – Axel Pons AGR – Kalex
53 – Tito Rabat Marc VDS Racing – Kalex
55 – Hafhiz Syahrin Petronas Raceline Malasia – Kalex
60 – Julian Simon QMMF Racing – Speed Up
66 – Florian Alt Octo IodaRacing – Suter
70 – Robin Mulhauser Technomag Racing Interwetten – Kalex
73 – Alex Marquez Marc VDS Racing – Kalex
77 – Dominique Aegerter Technomag Racing Interwetten – Kalex
88 – Ricky Cardus Tech3 – Tech3
94 – Jonas Folger AGR Team – Kalex
95 – Anthony West QMMF Racing – Speed Up
96 – Louis Rossi Tasca Racing Scuderia – Tech3
MOTO 2
Nº Piloto Equipa/Moto
5 – Romano Fenati SKY VR46 - KTM
9 – Scott Derue RW Racing GP - Honda
10 – Alexis Masbou Saxoprint RTG - Honda
11 – Matteo Ferrari San Carlo Italia - Mahindra
16 - Andrea Migno SKY VR46 - KTM
17 - John McPhee Saxoprint RTG - Honda
19 - Alessandro Tonucci Ambrogio Racing - Mahindra
20 – Fabio Quartaro Estrella Gallicia 0,0 - Honda
21 - Francesco Bagnaia Mapfre Aspar - Mahindra
22 – Ana Carrasco BOE41 RBA - KTM
23 - Niccolo Antonelli Ongetta Rivacold - Honda
24 - Tatsuki Suzuki CIP - Mahindra
29 – Stefano Manzi San Carlo Italia - Mahindra
31 – Niklas Ajo BOE41 RBA - KTM
32 – Isaac Vinales Calvo - Husqvarna
33 – Enea Bastianini Gresini Racing - Honda
40 – Daryn Binder Ambrogio Racing - MAHINDRA
41 – Brad Binder Red Bull Ajo - KTM
44 – Miguel Oliveira Red Bull Ajo - KTM
50 - Hiroki Ono Kiefer Racing - Honda
52 – Danny Kent Kiefer Racing - Honda
55 – Andrea Locatelli Gresini Racing - Honda
57 – Eric Granado Calvo - Husqvarna
58 - Juanfran Guevara Mapfre Aspar - Mahindra
63 - Zulfhami Khairuddin S.I.C. - KTM
65 - Philipp Oettl TT Motion Events - KTM
84 - Jakub Kornfeil CIP - Mahindra
88 – Jorge Martin Mapfre Aspar - Mahindra
91 – Gabriel Rodrigo BOE41 RBA - KTM
95 – Jules Danilo Ongetta-Rivacold - Honda
98 – Karel Hanika Red Bull Ajo - KTM
99 – Jorge Navarro Estrella Gallicia 0,0 - Honda
MOTO 3
Pilotos a ter em conta:
Miguel Oliveira
(em cima),
Jack Miller
(à direita) e
Maverick Viñales
(em baixo)
19.
A caminho dofim...
P arece que foi ontem que
deixámos a Yamaha SR400,
futura CS_05 Zen, cheia de fita
cola e cartões, nas instalações
da Brandon Parts! E hoje olhamos para ela, e as
soldaduras ainda cruas e a chapa ainda nua, são a
prova inegável que tanto a It roCkS!bikes como o
mestre Jorge Brandão não têm estado parados.
O quadro já foi cortado, o cantilever está
pronto e testado, o amortecedor está no sítio
e a baquet já tem o aspeto que deveria ter e
já faz parte integrante do conjunto! A atenção
agora fica virada para o sistema de escape,
que por esta hora já deve
ir a caminho da oficina dos
Escapes Escorpião para um
“radical makeover”.
Claro que ainda estamos
longe do fim, mas a este ritmo…
Entretanto, numa realidade paralela, aqui
na redação continuamos a nossa missão de
conseguir equipamentos e acessórios de
grande qualidade para rechear este projeto.
Tarefa difícil, mas que se revela extrema-mente
gratificante quando grandes marcas
acedem a emprestar o seu prestígio a este
nosso desafio. Depois da Bridgestone, da MXT
e da Renthal, a Motogadget é a nova marca a
enfeitar o conjunto. E chega-nos pela mão da
351WORKS - Style & Garment, a loja “online”
que representa a marca em Portugal. Assim, o
Motoscope Mini que tinha sido
a primeira escolha para este
projeto, vai efetivamente ser o
painel de instrumentos da Zen!
No próximo mês há mais!
Como tinhamos prometido na passada edição, a Zen vai em bom ritmo
a caminho da sua nova imagem...
Texto: Rogério Carmo Fotos: It roCkS!bikes
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A metamorfose da nossa
Yamaha SR400 continua a
processar-se de forma eficaz
20.
20 12/2014
novidades2015
Com uma imagem
desportiva e, de certa
forma, aventureira,
a nova XR não passa
despercebida
BMW S1000 XR
É apenas o quarto modelo
a utilizar o motor quatro
cilindros em linha mais atual
da BMW, mas nem por isso
a S1000XR merece menos destaque. Bem
pelo contrário! Esta XR é um contra-ataque
da BMW aos rivais da Ducati e à renovada
Multistrada 1200. Estamos, portanto, na
presença de uma moto que deverá ser uma
das mais procuradas nos concessionários da
BMW quando chegar em meados de 2015.
A começar pelo motor. O quatro em linha
descende da poderosa unidade criada para
abastecer de potência a desportiva S1000RR,
mas que, no entanto, sofreu uma dieta e perdeu
alguns cavalos. A S1000XR conta por isso com
160 cavalos de potência e um binário máximo
de 112 Nm, sendo que o binário aparece na sua
totalidade abaixo das 10.000 rpm.
A acompanhar as prestações do motor,
instalado como elemento de reforço num
quadro dupla trave em alumínio, o que
garante rigidez e manutenção de um peso
total de 228 kg (a cheio), encontramos uma
ciclística que complementa a dinâmica de
uma moto para qualquer campo de batalha
asfaltado. Comparando com a naked
S1000R, a XR ganha maior estabilidade fruto
do aumento para 1548 mm da distância
entre eixos, além da melhoria na tração
conferida pelo pneu traseiro na medida
190/55. Com um conjunto de suspensões
ajustáveis, destacamos o curso de 150 mm
da roda da frente, enquanto na traseira
o curso da roda é de 140 mm. Assim,
a BMW garante que a XR oferece uma
condução confortável, conforto esse que é
exponenciado pela posição de condução
característica deste tipo de motos, com o
condutor a segurar-se a um guiador largo e
elevado, o assento a ficar a 840 mm do solo
para permitir um maior controlo da moto
em andamento e excelente visão da estrada
à sua frente. Convém não esquecer que a
BMW instala de série, ABS, como auxiliar
dos potentes travões Brembo que mordem
discos frontais de 320 mm através de pinças
de quatro pistões.
E agora entramos na melhor
parte: eletrónica e design, além dos
respetivos opcionais. É um facto que esta
novidade “sport-adventure” pode, e deve
ser aproveitada quaisquer que sejam as
condições de condução. Para isso, a BMW
ajuda o condutor instalando de série o
controlo automático de estabilidade e dois
21.
www.motociclismo. pt 21
SPORT
mapas de motor – Rain e Road. Mas se
quisermos elevar as prestações dinâmicas
da S1000XR a outro patamar, então
podemos adicionar os modos de condução
Pro, que desbloqueiam os mapas Dynamic
e Dynamic Pro, além de que a BMW instala
nesse “pack” eletrónico o controlo dinâmico
de tração e ainda o ABS Pro, que permite
ao condutor travar mesmo quando está
em inclinação, sem sofrer de bloqueio das
rodas devido à utilização de sensores de
inclinação. Convém também não esquecer
que a BMW oferece a possibilidade de
instalar suspensões com controlo eletrónico
Dynamic ESA.
Se tudo isto não for suficiente para
destacar a S1000XR da concorrência, então
a BMW deu uso a um dos seus argumentos
mais conhecidos: o design. Esta XR mistura
num único modelo elementos das motos
turísticas, “adventure” e desportivas da
BMW. As carenagens laterais assimétricas
são um elemento chave na construção desta
imagem dinâmica e fluída, tal como são
as óticas frontais que, à primeira vista até
parecem simétricas, mas que na realidade
mantêm a assimetria habitual cortesia de
máscaras de farol. Uma última nota para
o facto do ecrã frontal poder ser ajustado,
manualmente, em duas posições.
BMW Motorrad finalmente
responde à Ducati e lança a
“sport adventure” S1000XR.
Além disso, a marca de
Munique revelou na EICMA
a renovada naked F800R.
TRAIL
Motor
Tipo: 4T, tetracilíndrico em linha,
refrigeração por líquido
Distribuição: DOHC, 4 válvulas p/cilindro
Cilindrada: 999 cc
Diâmetro x curso: 80 x 49,7 mm
Potência declarada: 160 cv às 11.000 rpm
Binário declarado: 112 Nm às 9.250 rpm
Alimentação: injeção eletrónica BMS-X
Embraiagem: multidisco em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Transm. secundária: por corrente
Ciclística
Quadro: dupla trave em alumínio
Suspensão dianteira: forquilha invertida de 46 mm,
com 150 mm de curso, ajustável
em compressão e extensão
Suspensão traseira: monoamortecedor, com 140 mm,
ajustável em extensão
Travão dianteiro: 2 discos de 320 mm,
pinças de 4 pistões, ABS
Travão traseiro: disco de 265 mm, ABS
Medidas dos pneus: 120/70-17’’ (T) / 190/55-17’’ (T)
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1548 mm
Altura do assento: 840 mm
Capacid. do depósito: 20 litros
Peso a cheio: 228 kg
Preço: por definir
Disponibilidade: junho de 2015
Ficha técnica
22.
22 12/2014
NOVIDADES2015
BMW F800R / Novas Aprilia
Um modelo que foi remodelado
para 2015 é a naked de média cilindrada
F800R. Para atacar as estradas com maior
confiança e performances melhoradas, a
BMW retocou esta naked um pouco por
todo o lado. E começamos pelo motor. A
F800R continua a utilizar o motor bicilíndrico
paralelo que já conhecemos desde 2009.
Porém, a marca alemã conseguiu aumentar
a potência para os 90 cv, com o binário
a manter-se inalterado. Igualmente
interessante é o facto da BMW ter decidido
alterar algumas das características que
fazem parte da F800R desde início: as óticas
assimétricas foram substituídas por uma
ótica de maiores dimensões, a forquilha
telescópica é agora invertida com fixação
radial das pinças de travão, fornecidas pela
Brembo, e que incluem ABS de dois canais,
com o sistema frontal a contar com sensor de
pressão extra para melhor modular a pressão
do hidráulico. A transmissão da F800R foi
também modificada, sendo que a primeira e
segunda relação são mais curtas.
A posição de condução foi remodelada
através da utilização de um guiador
ligeiramente mais largo, enquanto que,
para maior conforto, a F800R conta com
poisa-pés mais baixos e fixos mais à frente e
um assento de 790 mm de altura. Olhando
para a aparência, a BMW também decidiu
refrescar a imagem da moto. As coberturas
do radiador, das entradas de ar laterais
e o guarda-lamas, além das novas jantes
foram todas modificadas. Opcionalmente
podemos instalar na nova F800R
suspensões eletrónicas ESA ou controlo
automático de estabilidade.
Motor
Tipo: 4T, bicilíndrico em linha,
refrigeração por líquido
Distribuição: DOHC, 4 válvulas p/cilindro
Cilindrada: 798 cc
Diâmetro x curso: 82 x 75,6 mm
Potência declarada: 90 cv às 8.000 rpm
Binário declarado: 86 Nm às 5.800 rpm
Alimentação: injeção eletrónica
Caixa: 6 velocidades
Transm. secundária: por corrente
Ciclística
Quadro: dupla trave em alumínio
Suspensão dianteira: forquilha invertida,
com 125 mm de curso
Suspensão traseira: monoamortecedor, ajustável
em pré-carga, extensão e comp.,
com 125 mm de curso
Travão dianteiro: 2 discos de 320 mm,
pinças de 4 pistões, ABS
Travão traseiro: disco de 265 mm, ABS
Medidas dos pneus: 120/70-17’’ (F) / 180/55-17’’ (T)
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1526 mm
Altura do assento: 790 mm
Capacid. do depósito: 15 litros
Peso a cheio: 202 kg
Preço: por definir
Disponibilidade: fevereiro de 2015
Ficha técnica
O condutor usufrui de
maior controlo sobre
a nova F800R, cortesia
de um guiador mais
largo
Da enorme lista de
acessórios, destacamos
a tampa do assento ou
as suspensões ESA
e controlo
de estabilidade
23.
www.motociclismo. pt 23
201 cv italianos
A Aprilia apresentou-se em
Milão com uma, ou melhor,
duas boas surpresas no seu
“lineup”: a RSV4 RR/RF e a
nova Tuono V4 1100. Após ter reconquistado
os títulos do Mundial de Superbike, a marca
de Noale não fez por menos e renovou a
RSV4 para 2015. O motor V4 foi aprimorado
e anuncia nada menos do que 201 cavalos
de potência às 13.000 rpm. Foi possível
atingir este valor porque a Aprilia dotou-o
de novidades a vários níveis: reduziram as
fricções internas, otimizaram a combustão
e melhoraram a fluidez dos óleos no motor,
a caixa de ar foi redesenhada, os injetores
são totalmente novos e as trompetas de
admissão de comprimento variável podem
agora percorrer uma distância maior. Mas as
novidades não ficam por aqui! A Aprilia faz
questão de destacar que a nova RSV4RR é a
primeira moto de estrada a utilizar um par de
servomotores que controla, cada um, os corpos
de acelerador de cada bloco de cilindros. Assim
conseguem controlar, de forma independente,
as válvulas de admissão e respetiva quantidade
de combustível para cada bloco de cilindros.
Tudo isto incluído numa moto que perdeu
1,5 kg de peso, atingindo os 180 kg de peso a
seco. Claro que para manter os selvagens 201
cv sob controlo a marca italiana inclui nesta
moto a nova geração do aclamado “pack”
tecnológico APRC, que permite efetuar ajustes
ao sistema mesmo em andamento. Ao nível
da ciclística, e apesar do quadro em alumínio
permanecer relativamente intocado, a verdade
é que o braço oscilante cresce 14 mm em
comprimento, e o motor sai de fábrica fixo ao
quadro na sua posição mais baixa, para melhor
equilíbrio do conjunto.
Mas se a “normal” RR não é a RSV4 que
está à procura, então não há problema! A
Aprilia recorreu ao que de melhor o seu
departamento de competição oferece e criou
a versão RF, ainda mais exótica. Esta versão
limitada a apenas 400 unidades, apesar de
manter o motor e mesma base da RSV4 RR,
adiciona ao equipamento o pacote Aprilia
Race, que inclui suspensões topo de gama
Öhlins, jantes forjadas em alumínio e um
esquema de cores e gráficos especiais para
a RSV4RF. Uma última nota para o facto do
pacote Aprilia Race poder ser instalado na
versão RR, como opcional.
Já a supernaked Tuono V4 (em baixo)
aumenta de cilindrada para os 1100 cc.
Com isso a Tuono regista 175 cv. A Aprilia
melhorou a posição de condução e facilidade
de utilização, baixando o assento em 15 mm
e reduzindo a largura do guiador, além de
utilizar um “ecrã” mais alto. O braço oscilante
está 6 mm mais comprido. Tal como na RSV4,
a Tuono V4 também estará disponível em
duas versões, a RR, e a moto
mais colorida, a RR Factory,
com melhor
equipamento.
Aprilia tem “dois
amores”: RF À esquerda
ou RR à direita. Qual
delas a melhor...
24.
24 12/2014
Depoisde brilhar no Salão
de Colónia com a nova
Scrambler, de estilo “retro”
e que foi recentemente
considerada a “mais bonita” do Salão de
Milão – EICMA, a Ducati, revelou aquela que
será uma das desportivas a ter em conta no
próximo ano: a Panigale. Alguns dos nossos
leitores podem pensar que esta moto que
aparece nestas páginas é a antiga 1199. Mas
o que, de facto, o caro leitor está a ver aqui,
é a nova Ducati 1299 Panigale, que chega
também na versão S, melhor equipada. A
primeira grande novidade é o “crescimento”
da Panigale: a desportiva italiana passa
a contar com um motor bicilíndrico
Superquadro com nada menos do que 1285
cc! O bicilíndrico recebe novos pistões com
116 mm de diâmetro, mantendo o curso nos
60,8 mm. O novo motor eleva ainda mais as
prestações, pois a partir de agora, e sob o
controlo do acelerador eletrónico, o condutor
tem 205 cv de potência às 10.500 rpm e um
binário que atinge os 144,6 Nm às 8.750 rpm!
A isto temos ainda de somar, ou melhor,
subtrair, o peso da Panigale que desceu para
os 166,5 kg a seco. Na ciclística destaca-se
a descida de 4 mm do pivot do monobraço
oscilante, o que melhora a geometria deste
elemento em relação ao pinhão de ataque.
Tal como anteriormente, também a nova
1299 Panigale oferece aos clientes Ducati a
possibilidade de elegerem a moto com um
de dois níveis de equipamento, o que afeta
a ciclística, nomeadamente as suspensões.
Enquanto a versão base da 1299 Panigale
tem forquilha Marzocchi com bainhas de
50 mm, a Panigale S eleva as prestações
através da inclusão de uma forquilha Öhlins
com bainhas de 43 mm, que contam com
função “semi-ativa” de controlo eletrónico
das afinações em ambos os eixos. Ao nível
dos travões, pinças Brembo M50 fazem “as
honras da casa”.
Ao nível da eletrónica teremos um dos
“packs” mais avançados do mundo, que foi
especificamente desenvolvido para controlar
a 1299: três mapas de motor diferentes,
medidor de inércia que possibilitou a
instalação de ABS com função “cornering” e
o “anti-wheelie”, além dos habituais controlo
de tração ou controlo do travão motor,
estes últimos também eles uma novidade,
pois incluem um sistema de calibração
automática de acordo com a dimensão do
pneu ou a relação final de transmissão.
De destacar ainda que a Ducati evoluiu
NOVIDADES 2015
Ducati 1299 Panigale
1300 cc
PARA A PANIGALE
A Panigale não
é só agressiva
na performance!
Os LED’s são imagem
deste modelo da Ducati
25.
www.motociclismo. pt 25
o “quickshift”. Na 1299 este sistema
permite a passagem de caixa tanto a subir
de relações como ajuda nas reduções,
conseguindo assim, além de reduzir o
esforço do condutor, manter o conjunto
mais equilibrado nas travagens fortes, facto
especialmente notório numa utilização em
circuito. Para facilitar o ajuste da eletrónica
em movimento foram instalados, no punho
esquerdo, novos botões (na versão base
estão disponíveis como opcional) que
permitem afinar o controlo de tração, o
controlo do travão motor ou o “anti-wheelie”.
Talvez ofuscada pela revelação da
nova 1299 Panigale, a realidade é que
podemos, e devemos, prestar atenção
ao que a Ducati fez na profundamente
remodelada Multistrada 1200. A grande
novidade da nova geração da MTS1200 é o
seu motor Testastretta 11º que, a partir de
agora, inclui o sistema DVT – Desmodromic
Variable Timing, recentemente divulgado.
Este DVT é o primeiro sistema de controlo de
abertura variável das válvulas que aciona, de
forma independente, as válvulas de admissão
e de escape através do controlo das árvores
de cames. Não só permitiu o aumento da
potência da Multistrada para os 160 cv, como
ainda melhorou a entrega de binário ao
longo da gama de rotações e, apesar de tudo
isto, melhorou os consumos em 8%. Além de
outras modificações, a Multistrada destaca-se
pela inclusão na eletrónica do sistema de
controlo de inércia, que permite por sua vez
a utilização do ABS com função “cornering”
aumentando a segurança em condução,
permitindo travar sem medo, mesmo quando
Com a evolução do motor Superquadro, a Ducati eleva as
prestações da Panigale para um patamar de excelência,
acompanhando, claro, com imensa eletrónica instalada.
Enquanto as versões base e S têm motor
Superquadro a crescer de acordo com o
nome, a exótica Panigale R tem 1299 na
denominação mas o seu motor mantém-se
nos 1198 cc originais, pois esta é a moto
que a Ducati utiliza para homologação no
Mundial de Superbike. Recebe o mesmo
“pack” eletrónico da Panigale S, mas adi-ciona
o sistema de aquisição de dados com
GPS. Mais do que isso, a R ganha cambota
com equilíbrio por tungsténio e pistões
retirados da Superleggera. As suspensões
Öhlins são mecânicas, tem bateria especial
e o sistema de escape é “full” titânio.
Panigale R - 1299 só no nome
Visualmente pouco
mudou, mas
a verdade é que
estamos perante
uma Panigale
de outro nível!
Motor
Tipo: 4T, bicilíndrico em L,
refrigeração por líquido
Distribuição: desmodrómica, 4 vál. p/cilindro
Cilindrada: 1285 cc
Diâmetro x curso: 116 x 60,8 mm
Potência declarada: 205 cv às 10.500 rpm
Binário declarado: 144,6 Nm às 8.750 rpm
Alimentação: injeção eletrónica
Embraiagem: multidisco em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Ciclística
Quadro: monocoque em alumínio
Suspensão dianteira: forquilha invertida de 50 mm,
totalmente ajustável
(na S bainhas de 43 mm,
afinação eletrónica)
Suspensão traseira: monoamortecedor totalmente
ajustável (na S monoamortecedor
com afinação eletrónica)
Travão dianteiro: 2 discos de 330 mm,
pinças de 4 pistões, ABS
Travão traseiro: disco de 245 mm, ABS
Medidas dos pneus: 120/70-17’’ (f) / 200/55-17’’ (t)
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1437 mm
Altura do assento: 830 mm
Capacid. do depósito: 17 litros
Peso a cheio: 190,5 kg
Preço: 21.399 € a 30.299 €
Disponibilidade: março de 2015
Ficha técnica
26.
26 12/2014
NOVIDADES2015
Motor
Tipo: 4T, bicilíndrico em L,
refrigeração por líquido
Distribuição: desmodrómica, 2 vál. p/ cilindro
Cilindrada: 1198,4 cc
Diâmetro x curso: 106 x 67,9 mm
Potência declarada: 160 cv às 9.500 rpm
Binário declarado: 136 Nm às 7.500 rpm
Alimentação: injeção eletrónica
Embraiagem: multidisco em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Ciclística
Quadro: em aço tubular, tipo treliça
Suspensão dianteira: forquilha invertida de 48 mm,
totalmente ajustável
(na S afinações são eletrónicas)
Suspensão traseira: monoamortecedor totalmente
ajustável (na S monoamortecedor
com afinação eletrónica)
Travão dianteiro: 2 discos de 330 mm
pinças de 4 pistões, ABS
Travão traseiro: disco de 265 mm, ABS
Medidas dos pneus: 120/70-17’’ (f) / 190/55 -17’’ (t)
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1529 mm
Altura do assento: 825 a 845 mm
Capacid. do depósito: 20 litros
Peso a cheio: 232 kg (na S: 235 kg)
Preço: 17.299 € a 18.849€
Disponibilidade: março de 2015
Ficha técnica
a moto está inclinada. Todas as Multistrada
passam a contar de série com controlo de
velocidade, enquanto a MTS1200 S e versão
D-Air, além das suspensões semi-ativas
Skyhook atualizadas, têm ainda um novo
sistema de iluminação totalmente em LED,
que inclui função “cornering” para iluminação
extra quando a moto inclina em curva.
Mas a Ducati renovou a Multistrada
noutro aspeto: a ciclística. O quadro tubular
tipo treliça é agora muito mais comprido,
e chega ao centro da moto, abraçando
por completo o motor. Com isso a Ducati
melhora a rigidez estrutural da MTS, e a
juntar a esta modificação do quadro, a marca
italiana adiciona ainda um sub-quadro
traseiro em alumínio, também ele totalmente
novo. Esteticamente falando, a nova
Multistrada 1200 continua a ser um caso de
“amor/ódio”. Há quem goste e há também
quem não goste, mas, para satisfazer os
seus críticos, a Ducati suavizou as formas do
bico frontal, que inclui novas entradas de
ar de maiores dimensões. Visualmente as
óticas foram também redesenhadas, sendo
agora de seis projetores LED, enquanto a
imagem da moto, fluída e aerodinâmica,
é exponenciada pela utilização de menos
parafusos. Os plásticos são encaixados uns
nos outros, em vez de serem aparafusados,
e também os cabos e tubos foram melhor
integrados na estrutura.
O painel da MTS é
totalmente digital e
uma maravilha
tecnológica,
rivalizando com as
óticas LED
Ducati MTS 1200 DVT
28 12/2014
Um dos maiores focos de interesse no Salão de Milão foi o stand da Honda, mas, ao contrário do que esperava, as surpresas não foram modelos em versão final de produção, mas sim duas verdadeiras estrelas dadas a conhecer ainda sob a designação oficial de “protótipos” – uma autêntica MotoGP de estrada, a RC213V-S, e a True Adventure Prototype, que mais não é do que a versão quase final da tão esperada Africa Twin do século XXI.
Começando pela RC213V-S, fica desde já o aviso à navegação: quem pensava que esta V4 seria uma réplica de MotoGP para ser vendida a um preço elevadíssimo, digamos, ao nível dos cerca de 60 mil euros que eram pedidos pela Ducati Desmosedici RR, desengane-se… É que o preço não vai ser apenas “elevado”, vai ser astronómico, tornando a RC213V-S na moto de produção mais cara de sempre.
O valor não é oficial, e as diversas fontes apontam números algo divergentes, mas a garantia é que andará na casa dos 200 mil euros! Mais ainda, algumas fontes bem informadas deram a entender que o valor poderia ser mesmo de 213 mil euros, para uma edição muito limitada que seria de somente 213 unidades. A título de exemplo, refira-se que a Desmosedici RR teve uma edição de 1500 unidades devido à forte procura, pois a intenção inicial era de produzir apenas 500 unidades. Existe também quem indique um valor inferior, justificando que o preço referência seria, não em euros, mas sim 213 mil dólares, o que, neste caso, daria apenas uns módicos 170 mil euros…
Duas certezas são que a RC213V-S terá a
NOVIDADES 2015
Honda RC213V-SMEIASSURPRESAS
29.
www.motociclismo. pt 29
A RC213V-S e a True Adventure Prototype
(a base da futura Africa Twin) foram
reveladas ainda como protótipos, mas ambas
muito perto das versões finais de produção.
Motor
1000 cc, quatro cilindros em V
Potência estimada
+ 200 cv
Quadro
dupla trave em alumínio
Disponível
2015, em edição limitada a 200 unidades
Preço (estimativa)
cerca de 200 mil euros
Marc Márquez entrou
em palco aos comandos
desta RC213V-S
VIDEO
CLIQUE AQUI
30.
30 12/2014
NOVIDADES2015
Honda True Adventure Prototype
sua versão final de produção ainda em 2015 e que esta terá muito poucas diferenças face às unidades mostradas em Milão – uma versão estática decorada com a bandeira do Japão e uma segunda, com carenagens em carbono, que entrou em palco a funcionar conduzida pelo próprio Marc Márquez.
No que respeita a elementos de ordem técnica, mais uma vez a Honda não revelou qualquer dado, mas as informações que recolhemos apontam para que seja de facto uma réplica de estrada da RC213V de MotoGP, eventualmente aproximando-se mais da nova versão Open, a RC213V-RS. Sem recurso, é claro, a muitos elementos exclusivos das MotoGP “full factory”, como a caixa seamless. O motor será um V4 de 1000 cc com as mesmas medidas de diâmetro e curso das motos de Márquez & Cia (81 x 48.5 mm), mas com uma embraiagem multidisco em banho de óleo a substituir a embraiagem a seco da MotoGP. A potência será, seguramente, bem acima dos 200 cv, uma vez que superar a fasquia das duas centenas de cavalos já é comum para a mais recente geração de superdesportivas.
Na ciclística figuram equipamento da Brembo na travagem e Öhlins nas suspensões, as mesmas marcas que assinam aqueles elementos nas RC213V oficiais, mas as medidas dos pneus são mais conservadoras, pelo menos neste protótipo, sendo de 180/55-17’’ atrás (nem sequer um 190??) e 120/70-17’’ à frente.
Obviamente, com esta moto tão exclusiva, fica de parte a possibilidade, que chegou a colocar-se quando se falou de uma nova superdesportiva Honda V4, desta ser a substituta da Fireblade no Mundial de SBK. Resta-nos continuar a sonhar com uma V4 derivada do MotoGP... mas ao alcance das bolsas dos comuns mortais.
Mas, se a RC213V-S despertou um interesse fora do comum um pouco por toda a parte, pois não é todos os dias que se anuncia a moto de produção (ainda que limitada) mais cara de sempre, a verdade é que o outro protótipo revelado em Milão pela Honda, a True Adventure Prototype, não lhe terá ficado atrás. Até com uma vantagem: com esta, os nossos sonhos, não estando limitados por orçamentos milionários, podem muito mais facilmente tornar-se realidade.
É que este protótipo não é, afinal, mais do que a versão muito próxima do modelo final de produção que será lançado já no verão de 2015, e que terá a responsabilidade de trazer de volta ao universo do motociclismo a mítica
Em lugar do V-twin da
anterior, a Africa Twin
do séc. XXI terá um
bicilíndrico paralelo
com cerca de 1000 cc
31.
www.motociclismo. pt 31
designação “Africa Twin”. Uma nova Africa Twin
será, muito provavelmente, a moto pela qual os
fãs da Honda mais ansiaram, o regresso à gama
da marca de uma trail de aventura “a sério”, sem
medo de maus caminhos, um modelo que lhes
tem vindo consecutivamente a ser negado
na última década, através do lançamento de
motos cujas capacidades eram eminentemente
estradistas. Mas, finalmente, essa espera
chegou ao fim.
A True Adventure Prototype vai dar origem
à Africa Twin do século XXI, sucedendo aos
modelos que criaram uma legião de admira-dores
ao longo dos anos em que estiveram em
produção, desde 1988 a 2003, a XRV 650 (1988
e 1989) e a XRV750.
Ao contrário das suas antecessoras, esta
nova “twin” não terá um motor bicilíndrico com
configuração em V, mas sim um bicilíndrico
paralelo, com a cilindrada a subir para os 1000
cc, ou muito perto disso. Os rumores mais
insistentes apontam para que a designação
final do modelo seja de CRF1000 Africa Twin,
fazendo a ponte com a imagem das CRF Rally
da marca, que alinham no Dakar e no Mundial
de Ralis TT, embora, como é óbvio, neste caso
se tratem de monoclíndricas, como todas as
motos da gama CRF.
Em todo o caso, a garantia é de que não
teremos de esperar até ao final de 2015, no
próximo salão de Milão, para conhecer a versão
final de produção, pois a nova Africa Twin
deverá ser revelada ao público já no próximo
verão e a sua imagem final será quase idêntica
à do protótipo com “decoração enlameada” que
conhecemos na EICMA, à exceção de alguns
pormenores estéticos e de elementos como o
escape, que será diferente no modelo de série.
Para além dos dois protótipos, o stand
da Honda em Milão acabou por não exibir
mais nenhuma novidade absoluta. Foram
mostradas as Crossrunner e Forza 125, que
haviam sido apresentadas um mês antes, e as
Gold Wing em edição do 40º aniversário do mo-delo,
com a Gold Wing, bem como a F6B e F6C
a exibirem novas decorações comemorativas e
um emblema alusivo a esta efeméride.
No que respeita a novas decorações para
2015, a Honda celebrou mais um título mundial
de MotoGP com novas versões “Repsol” da
CBR1000RR Fireblade e Fireblade SP, CBR125R e
da scooter NSC50R.
Novas cores foram também mostradas
para refrescar a imagem de alguns modelos
já conhecidos da gama, nomeadamente a
VFR1200F, a VFR1200X Crosstourer, a CB1000R,
a CB500F e CB500X.
Durante a apresentação Honda no Salão de
Milão estiveram presentes os membros da
formação da marca para 2015 nos rallye-
-raids, equipa que estará presente já no
próximo Dakar.
Entre eles continuam a figurar os dois
portugueses Hélder Rodrigues e Paulo
Gonçalves, permanecendo na equipa tam-bém
o espanhol Joan “Bang Bang” Barreda.
A equipa fica completa com os mais recen-tes
recrutas da formação oficial HRC, que já
correram em outubro no Rali de Marrocos,
a espanhola Laia Sanz e o chileno Jeremías
Israel Esquerre. Os cinco pilotos apadrinha-ram
a apresentação da True Adventure
Prototype, que teve o “input” destes du-rante
o processo de desenvolvimento.
Team HRC presente
A True Adventure
Prototype é uma
versão muito próxima
do modelo final de
produção em série
32.
XXXII 12/2014
NOVIDADES2015
P U B L I R E P O R T A G E M
D a trail viajante Crosstourer
- e da VFR1200, que com
ela partilha o motor V4 -,
às mais pequenas CB500F
e CB500X, passando pela streetfighter
CB1000R e pelas versões “Repsol” das
desportivas da gama, a Honda apresenta
para 2015 várias novas propostas de
decoração, que podem ver nestas páginas.
QUE CÔR?
CB
500X
VFR
1200F
VFR
1200X Crosstourer
...E QUER EM
Novas propostas de cores
para diversos modelos já
conhecidos foram
apresentadas ao público
em Milão.
Honda
32 12/2014
AKawasaki, depois de ter brilhado no Salão de Colónia com a deslumbrante e poderosa Ninja H2R, chegou ao Salão de Milão - EICMA - com alguns “trunfos” na manga!
O grande destaque foi a apresentação da muito esperada versão estradista da Ninja H2, mas a Kawasaki mostrou ainda uma renovada GTR1400 e duas 250 SL - em formato Ninja e Z -, enquanto a última grande novidade é a Z300.
Quanto à estrela principal, a nova Ninja H2, esta “besta” de potência e tecnologia, além do motor de quatro cilindros em linha de 998 cc, equipado com compressor, vem equipada também com luzes, espelhos e suporte de matrícula.
A atenção vai necessariamente para potência que nasce no interior deste motor único, cuja potência atinge os 200 cv, e sobe para os 210 cv assim que o “ram-air” entra em ação (a saber ligeiramente a pouco quando temos em conta que a versão de uso exclusivo em pista, a H2R, atinge os estratosféricos 310 cv!). O compressor volumétrico responsável por estes valores de referência foi desenvolvido totalmente e em exclusivo com os próprios recursos da Kawasaki Heavy Industries, e permite, além da impressionante cavalagem, oferecer à Ninja H2 uma enorme dose de binário extra em toda a gama de rotações.
Além do mais, cada motor sobrealimentado da Ninja H2 é montado por um único especialista, um mestre artesão, para que quando a moto estiver a ser “abusada” pelo seu proprietário, estejam garantidos os maiores níveis de fiabilidade e um elevadíssimo controlo de qualidade.
Mas claro que este elevado nível de potência apenas pode ser utilizado em estrada, por um comum mortal, se tiver um excelente pacote de eletrónica para o controlar… e por isso é que a Ninja H2 também oferece controlo de tração, controlo de arranque, “quickshift” eletrónico, sistema de ABS na travagem e ainda funções diversas que permitem regular, por exemplo, o nível de intervenção do travão motor.
Tudo na Ninja H2 é feito sem olhar a qualquer limite, desde o quadro treliça, passando pela nova forquilha de 43 mm Kayaba AOS-II a óleo e ar, até à transmissão especial, que, tal como a forquilha, faz a sua estreia numa moto de produção em série,
NOVIDADES 2015
Kawasaki Ninja H2POTÊNCIAFASCINANTEConstruída para seduzir os corações mais incrédulos, a nova H2 é mais do que uma moto, é uma afirmação de poder por parte da casa de Akashi.
35.
www.motociclismo. pt 33
sendo até agora de uso exclusivo nas motos
de competição.
A produção das Ninja H2 e H2R será
bastante reduzida, e as encomendas já
começam a chegar aos importadores.
Quem também decidiu aparecer
completamente renovada, nesta festa
que é a EICMA, foi a GTR1400. Para o novo
ano, a Grande Turismo da Kawasaki recebe
pequenas mas importantes alterações,
que visam sobretudo aumentar o conforto
de uma moto que sempre mostrou
performances elevadas. Os destaques nesta
renovação são a utilização de um novo
ecrã, maior, que continua a ser regulado
eletricamente, um novo assento de
condutor que facilita o acesso ao solo e um
assento de passageiro mais largo e plano.
210 CV DE POTÊNCIA (com o efeito Ram-air)
acompanhados de 140,4 Nm de binário, só são
possíveis com a ajuda de um compressor volu-métrico.
A unidade instalada na H2 (e na sua
irmã gémea H2R) foi completamente desen-volvida
pela própria Kawasaki, que conjugou
esforços entre os seus departamentos de tur-binas
de gás, aeroespacial e desenvolvimento
tecnológico. Mas mais componentes da moto
recorreram às sinergias do grupo, como foi o
caso, por exemplo, do desenho dos espelhos
retrovisores que desempenham uma função
estabilizadora a alta velocidade.
Compêndio tecnológico
A H2 é um produto que
exibe orgulhosamente a
“Kawasaki River Mark”,
um logotipo que remonta
ao ano de 1870 e que
distingue apenas criações
exclusivas da marca
Motor
Tipo: 4T, 4 cilindros em linha,
refrigeração líquida
Distribuição: DOHC, 4 válvulas p/cilindro
Cilindrada: 998 cc
Potência declarada: 200 cv às 11.000 rpm
Binário declarado: 133,5 Nm às 10.500 rpm
Alimentação: injeção eletrónica;
compressor volumétrico
Embraiagem: multidisco em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Ciclística
Quadro: tubular em aço, tipo treliça
Suspensão dianteira: forquilha invertida de 43 mm,
completamente ajustável
Suspensão traseira: monoamortecedor Uni-Track
completamente ajustável
Travão dianteiro: 2 discos de 330 mm,
c/ pinças de 4 pistões, ABS
Travão traseiro: disco de 250 mm, ABS c/ pinça
de 2 pistões opostos
Medidas dos pneus: 120/70-17’’ (F) / 200/55-17’’ (T
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1455 mm
Altura do assento: 825 mm
Capacid. do depósito: 17 litros
Peso a cheio: 238 kg
Preço: 26.900 €
Disponibilidade: abril de 2015
Ficha técnica
36.
34 12/2014
Motor
Tipo: 4T, bicilíndrico paralelo,
c/ refrigeração por líquido
Distribuição: DOHC, 4 válvulas p/cilindro
Cilindrada: 296 cc
Diâmetro x curso: 62 x 49 mm
Potência declarada: 39 cv às 11.000 rpm
Binário declarado: 27 Nm às 10.000 rpm
Alimentação: injeção eletrónica BMS-X
Embraiagem: multidisco em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Ciclística
Quadro: em aço tubular
Suspensão dianteira: forquilha convencional de
37 mm, com 120 mm de curso
Suspensão traseira: monoamortecedor Uni-trak
a gás, ajustável em pré-carga,
com 132mm de curso
Travão dianteiro: disco recortado de 290 mm,
pinças de 2 pistões
Travão traseiro: disco recortado de 220 mm c/
pistão duplo
Medidas dos pneus: 110/70-17’’ (F) / 140/70-17’’ (T)
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1515 mm (1530 mm na RS)
Altura do assento: 790 mm (820 mm na RS)
Capacid. do depósito: 17 litros
Peso a cheio: 168 kg (170 kg versão c/ ABS)
Preço: por definir
Disponibilidade: por definir
Ficha técnica
Nas cilindradas mais pequenas, e já a
pensar nos motociclistas recém chegados
ao nosso fabuloso mundo mas que
procuram dar o salto para motos de maior
porte, a Kawasaki aposta forte no próximo ano
com a apresentação da lindíssima naked Z300,
a versão despida da desportiva Ninja 300.
Trata-se de uma moto que combina
o estilo agressivo que caracteriza as Z da
Kawasaki, com as performances elevadas
das desportivas Ninja da casa de Akashi.
O motor da Z300 é um bicilíndrico
paralelo de 296 cc, DOHC com oito válvulas,
capaz de debitar 39 cv de potência,
disponibilizando um binário de 27 Nm. Na
embraiagem podemos encontrar instalado
um sistema deslizante para facilitar e tornar
mais seguras as reduções de caixa.
Na travagem, o disco de travão
da frente, em pétala, tem 290 mm de
diâmetro e é mordido por uma pinça de
dois pistões, enquanto que na roda de trás
o disco de 220 mm é mordido por uma
pinça de pistão duplo . O ABS é opcional. A
forquilha convencional de 37 mm oferece
um curso de 120 mm, enquanto que o
monoamortecedor traseiro garante um
curso de 132mm. Prometendo uma elevada
manobrabilidade, a distância entre eixos
é de 1405 mm e a altura do assento ao
solo é bastante modesta, piscando o olho
aos condutores de mais baixa estatura e
garantindo muita confiança do alto dos
seus escassos 785 mm. Os pneus são de
medidas 110/70 -17’’ na frente e 140/70
-17’’ na traseira. Prometendo uma grande
autonomia temos o depósito com uma
capacidade de 17 litros.
O mais recente membro da família “Z”
da Kawasaki tem um motor bicilíndrico
com 296 cc de capacidade
Uma linha
muito agressiva
caracteriza a
nova Z300
NOVIDADES 2015
Kawasaki Z300 / KTM 1050 Adventure
37.
www.motociclismo. pt 35
KTM1050 Adventure
Mais leve e
mais fácil de
conduzir
Motor
Tipo: 4T, bicilíndrico em V a 75º,
c/ refrigeração por líquido
Distribuição: DOHC, 4 válvulas p/cilindro
Cilindrada: 1050 cc
Diâmetro x curso: 103 x 63 mm
Potência declarada: 94 cv
Binário declarado: n.d.
Alimentação: injeção eletrónica
Embraiagem: PASC hidráulica deslizante
Caixa: 6 velocidades
Ciclística
Quadro: tubular em aço cromo-molibdénio
Suspensão dianteira: forquilha invertida WP, 43 mm
com 185 mm de curso
Suspensão traseira: monoamortecedor WP,
com 190 mm de curso
Travão dianteiro: 2 discos de 320 mm,
pinças de 4 pistões, ABS Bosch 9M
Travão traseiro: disco de 267 mm c/ pinça de
dois pistões, ABS Bosch 9M
Medidas dos pneus: 120/70-17’’ (F) / 180/55-17’’ (T)
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1560 mm
Altura do assento: 850 mm
Capacid. do depósito: 23 litros
Peso a seco / cheio: 212 / 230 kg
Preço: 13.635 €
Disponibilidade: março de 2015
Ficha técnica
A KTM apresentou em Milão a
nova 1050 Adventure, uma
versão mais acessível em
alternativa às 1190 Adventure
e Adventure R e 1290 Super Adventure,
alargando para quatro modelos a sua gama
de motos “travel enduro”.
Esta nova 1050 pretende ser mais acessível
sob vários aspetos, desde o preço à facilidade de
condução.
No fundo, uma moto mais leve e mais
baixa, para quem não precisa dos 150 e 160
cv debitados pelas 1190 e 1290, nem de toda
a panóplia de tecnologia que acompanha
esses modelos de topo.
Mas não se pense com isto que a
1050 não conta com eletrónica à altura da
reputação das Adventure, pelo contrário:
a nova Adventure “light” conta com ABS e
controlo de tração como equipamento de
série, sendo que o controlo de tração tem
três níveis de atuação (Sport, Street e Rain)
e o ABS Bosch 9M+ pode ser desligado,
existindo ainda um modo “off road”, opcional,
que permite o bloqueio da roda traseira
mantendo o ABS na roda dianteira.
O motor da 1050 Adventure parte da
base do mesmo bicilíndrico em V das 1190,
mas com cilindros de menor diâmetro e
curso, debitando “apenas” 95 cavalos, mas
garantindo uma forte aceleração desde
baixas rotações e garantindo uma velocidade
máxima a rondar os 200 km/hora.
O assento encontra-se a 850 mm do solo
e o peso a seco é de 212 kg (230 kg com o
depósito de 23 litros atestado), um valor
muito interessante para a classe.
A nível de ciclística, a 1050 está
servida por material de topo, com
suspensões WP (forquilha invertida
de 43 mm e monoamortecedor
totalmente regulável) e travões
a cargo da Brembo. As jantes
montam pneus de 110/70-
19’’ na frente e 150/70-17’’
na traseira. O depósito de
combustível com 23 litros
de capacidade promete uma
autonomia bastante aceitável
e, à semelhança das suas irmãs
mais crescidas, os intervalos entre
revisões são de 15.000 km.
38.
36 12/2014
Foi com pompa e muita circunstância, e com a ajuda de algumas caras bem conhecidas, como Valentino Rossi e Jorge Lorenzo, que a Yamaha desvendou finalmente a nova geração da desportiva YZF-R1 e a sua versão exótica, denominada de YZF-R1M.
A verdade é que a desportiva de eleição de Iwata foi profundamente remodelada, não apenas na aparência, que é agora um exercício de estilo futurista bastante aproximado das linhas da YZR-M1 que a marca utiliza em MotoGP.
O motor mantém a sua estrutura de quatro cilindros em linha, utilizando a mesma técnica de cambota de planos cruzados e caráter “big bang”. Foi, no entanto, modificado relativamente à configuração com que foi apresentado em 2009, e passa agora a disponibilizar 200 cv de potência (valor que aumenta com a entrada em funcionamento do “ram-air”).
O peso do conjunto, a cheio, desce para os 199 kg, cortesia da utilização, entre outros pormenores, de um sub-quadro e jantes em magnésio, enquanto o quadro Deltabox em alumínio foi redesenhado em conjunto com o novo braço oscilante, reduzindo a distância entre eixos para apenas 1405 mm.
Na eletrónica, a nova YZF-R1 destaca-se pela utilização de tecnologia proveniente do MotoGP, como é o caso do novo sensor de inércia tridimensional, de seis eixos. Este sistema inclui o controlo de tração sensível à inclinação, controlo do deslize lateral da roda traseira, controlo do levantar da roda DA PISTA PA frente da novaR1 tenta dissimularos faróis para separecer ainda maiscom a versão de competiçãoNOVIDADES 2015Yamaha YZF-R1
39.
www.motociclismo. pt 37
da frente em aceleração, quickshift para
troca de caixa suave e rápida, controlo
de arranque e ainda um sistema de ABS
desportivo para a travagem.
Na ciclística as suspensões estão a cargo
da Kayaba, que desenvolveu uma nova
forquilha de 43 mm, totalmente regulável.
Outra alteração em relação ao que se
conhecia da R1, é a utilização de novas
pinças monobloco de quatro pistões, que
mordem discos de 320 mm.
Se ao nível do design a nova Yamaha
YZF-R1 se destaca pela maior semelhança com
a M1 de MotoGP, a verdade é que o elemento
em maior destaque é a carenagem frontal que
ostenta uma grande entrada de ar central.
A iluminação é agora feita através de um
conjunto de luzes em LED, desenhadas não
só para poupar no peso, como também para
passarem despercebidas ao máximo quando a
moto está desligada.
Para além da versão base, a Yamaha
criou ainda a YZF-R1M, uma versão da
desportiva que tem como objetivo aniquilar
a concorrência em pista!
Esta versão M, em tudo semelhente
à versão normal exceção feita à medida
do pneu traseiro, um 200/55 17, conta, no
entanto, com materiais mais exóticos no
seu fabrico, como é o caso das carenagens
integralmente fabricadas em fibra de
carbono e cobertas por uma pintura
especial, das suspensões eletrónicas da
Öhlins, de uma unidade de controlo que
permite aceder à telemetria e afinações da
moto através do telemóvel ou de um tablet,
e também um par de pneus especificamente
desenvolvidos pela Bridgestone.
Motor
Tipo: 4T, 4 cilindros em linha,
refrigeração por líquido
Distribuição: DOHC, 4 válvulas p/cilindro
Cilindrada: 998 cc
Diâmetro x curso: 79 x 50,9 mm
Potência declarada: 200 cv às 13.500 rpm
Binário declarado: 112,4 Nm às 11.500 rpm
Alimentação: injeção eletrónica
Embraiagem: multidisco em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Transm. secundária: por corrente
Ciclística
Quadro: Deltabox em alumínio
Suspensão dianteira: forquilha invertida de 43 mm,
com 120 mm de curso
Suspensão traseira: Monoamortecedor, ajustável,
com 140 mm de curso
Travão dianteiro: 2 discos de 320 mm,
pinças de 4 pistões, ABS
Travão traseiro: disco de 220 mm,
pinças de dois pistões, ABS
Medidas dos pneus: 120/70-17’’ (F) / 190/55-17’’ (T)
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1405 mm
Altura do assento: 855 mm
Capacid. do depósito: 17 litros
Peso a cheio: 199 kg
Preço: por definir
Disponibilidade: por definir
Ficha técnica
RA A ESTRADA
A renovada R1 disponibiliza o que de melhor a
tecnologia tem para oferecer em termos de ajudas
eletrónicas, bem como um motor que debita 200 cv.
A nova geração da R1 utiliza um novo sensor de inércia tridimensional, para
analisar as forças dinâmicas e adaptar a injeção em conformidade.
A R1M é uma
moto exclusiva
e refinada
A Yamaha YZF-R1M estará dis-ponível
em número limitado e a sua
aquisição terá de ser feita através de
pré reserva num website específico,
criado pela Yamaha para esse efeito.
O preço tampouco é conhecido,
mas, provavelmente, não vai ser apenas
com um subsídio de Natal que alguém
a vai conseguir comprar!
R1M: a versão mais exclusiva
40.
38 12/2014
Asegunda novidade mais importante
que a Yamaha mostrou, em estreia
absoluta na EICMA, foi outra versão da
sua mais recente tricilíndrica da série
MT (Masters of Torque): a Tracer, que se
assume como a faceta mais turística da
impressionante MT-09.
Para esse efeito, a nova MT-09 Tracer
conta com acessórios específicos como
equipamento de série, como é o caso do
descanso central, da tomada de 12V, do
controlo de tração e do ecrã e guiador
mais elevados e ajustáveis, e, claro, de um
depósito de combustível com a capacidade
aumentada para os 18 litros.
A eletrónica, nomeadamente o
conhecido “D-Mode”, que altera a entrega
de potência do motor, foi especificamente
desenvolvida para se adaptar às
necessidades de uma moto deste género,
muito mais polivalente, permitindo ao
seu condutor alternar, facilmente, entre
três modos de ignição de acordo com as
condições atmosféricas ou do piso.
O motor tricilíndrico permanece
inalterado em relação ao da MT-09, ou seja,
oferece 115 cv de potência.
O ABS faz parte do equipamento de
série e, apesar das suspensões serem
exatamente as mesmas, a grande diferença
face à MT-09 vai notar-se sobretudo na
posição de condução, já que o assento fica
mais alto entre 3 e 4,5 cm, com uma posição
de condução mais direita. Quanto ao peso
final do conjunto, a Tracer acusa mais 9 kg
que a MT-09 na balança, a cheio, sobretudo
devido ao depósito de combustível com
maior capacidade, cifrando-se nos 210 kg.
Motor
Tipo: 4T, tricilíndrico em linha, c/
refrigeração por líquido
Distribuição: DOHC, 4 válvulas p/cilindro
Cilindrada: 847 cc
Diâmetro x curso: 78 x 59,1 mm
Potência declarada: 115 cv às 10.000 rpm
Binário declarado: 85 Nm às 8.500 rpm
Alimentação: injeção eletrónica
Embraiagem: multidisco em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Transm. secundária: por corrente
Ciclística
Quadro: tipo diamante, em alumínio
Suspensão dianteira: forquilha invertida de 43 mm,
com 137 mm de curso
Suspensão traseira: Monoamortecedor, ajustável
com 130 mm de curso
Travão dianteiro: 2 discos de 298 mm,
c/ pinças de 4 pistões, ABS
Travão traseiro: disco de 245 mm Ø,
c/ dois pistões e ABS
Medidas dos pneus: 120/70-17’’ (F) / 180/55-17’’ (T)
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1440 mm
Altura do assento: 845 - 860 mm
Capacid. do depósito: 18 litros
Peso a cheio: 210 kg
Preço: por definir
Ficha técnica Para 2015 a TMax passou por algumas modificações.
Embora o motor bicilíndrico de 530 cc se mantenha
intocado, a maxiscooter desportiva da Yamaha recebe
uma nova forquilha de 43 mm, pinças de travão radiais,
ignição “keyless” e, na consola central, encontramos
uma conveniente tomada de 12V. A nível estético a TMax
recebe algumas ligeiras alterações, sendo as principais
o novo desenho do frontal.
O mais recente
membro da família
Masters of Torque
tem vocação estradista
e dá pelo nome de
MT-09 Tracer!
TMax 530 foi retocada
NOVIDADES 2015
Yamaha Tracer / MV Agusta Stradale 800
41.
www.motociclismo. pt 39
Motor
Tipo: 4T, tricilíndrico em linha,
refrigeração por líquido
Distribuição: DOHC, 4 válvulas p/cilindro
Cilindrada: 798 cc
Diâmetro x curso: 79 x 54,3 mm
Potência declarada: 115 cv às 11.000 rpm
Binário declarado: 78,5 Nm às 9.000 rpm
Alimentação: injeção eletrónica MVICS EM2.0
Embraiagem: multidisco em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Transm. secundária: por corrente
Ciclística
Quadro: em treliça de tubo de aço
Suspensão dianteira: Marzocchi invertida de 43 mm,
com 150 mm de curso
Suspensão traseira: Monoamortecedor Sachs
completamente regulável,
com 150 mm de curso
Travão dianteiro: 2 discos de 320 mm , com
pinças de 4 pistões, ABS Bosch 9+
Travão traseiro: disco de 220 mm, ABS Bosch 9+
Medidas dos pneus: 120/70-17’’ (F) / 180/55-17’’ (T)
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1460 mm
Altura do assento: 870 mm
Capacid. do depósito: 16 litros
Peso a seco: 181 kg
Preço: por definir
Ficha técnica A grande estrela do stand
da MV Agusta foi, sem
dúvida, a nova Stradale
800 que, na prática,
é uma nova versão da Rivale, melhor
preparada para percorrer maiores
distâncias.
A adição de um ecrã frontal e malas
laterais, com luzes embutidas, tal como
o assento ligeiramente mais baixo,
tornam esta Stradale numa moto mais
apelativa para os viajantes.
Nesta versão, o já bem conhecido
motor tricilíndrico de 798 cc vê a sua
potência descer, disponibilizando agora
115 cavalos às 11.000 rpm (menos dez
que na Rivale), tal como o binário que
também foi ligeiramente reduzido.
Como tal, a velocidade máxima
anunciada também é substancialmente
inferior à do modelo mais desportivo.
A ciclística mantém-se praticamente
inalterada relativamente à Rivale, com a
única diferença no amortecedor traseiro
que tem um curso de funcionamento
superior em dois centímetros,
e uma distância entre eixos
também ligeiramente
superior, concretamente em mais cinco
centímetros.
O condutor da MV Agusta Stradale
800 vai também poder contar com
vários mapas de funcionamento do
motor, e pode igualmente selecionar
entre oito níveis de funcionamento do
controlo de tração, tal como usufruir de
um sistema de assistência eletrónica à
passagem de caixa (quickshift).
O quadro em treliça, as suspensões
Marzocchi na frente e Sachs na traseira,
tal como os travões Brembo, são
equipamento habitual na MV Agusta,
pelo que a Stradale não seria exceção!
Esta moto recebe ainda o mais
recente ABS da Bosch, o 9 Plus, que
inclui a capacidade de detetar e eliminar
o levantar da roda traseira sob as forças
da travagem.
A nova MV Agusta Stradale 800
vai estar disponível em três esquemas
cromáticos diferentes: cinza metálico e
branco pérola, vermelho e prata, bronze
metálico e branco pérola.
MV Agusta Stradale 800
42.
NOVIDADES 2015
Outrosmodelos
A HUSQVARNA ESTÁ DE REGRESSO com uma moto
para atacar o asfalto! Da original Concept 701, revelada há
um ano atrás, nasceu a 701 Supermoto que é a visão da
Husqvarna do que deve ser uma moto para “arruaçar”. Esta a
versão refinada da 701 é, basicamente, uma KTM vestida com
as cores da Husqvarna. Este regresso da marca aos modelos
de estrada inclui um motor monocilíndrico de 690 cc, retirado
da KTM 690 SMC R, que foi trabalhado para disponibilizar
nada menos do que 67 cv de potência! O quadro é tipo
treliça, as suspensões estão a cargo da WP, a embraiagem
deslizante APTC facilita as reduções e o acionamento da caixa
de velocidades, os travões contam com auxílio do ABS e,
claro está, a 701 Supermoto não podia deixar de contar com
acelerador eletrónico acoplado a diferentes mapas de motor.
A Husqvarna 701 Supermoto estará disponível para entrega a
partir do outono de 2015.
A MARCA TAIWANESA KYMCO
redefine a sua estratégia de ataque
ao segmento das maxiscooter,
lançando na EICMA duas novidades.
A primeira, e mais importante, é
a Downtown, que cresce para os
320 cc, mais 21 cc do que a versão
atual. Esta popular Kymco oferece
melhores prestações a baixas
rotações fruto dos 30 cv de potência
extraídos do monocilíndrico, uma
transmissão com um funcionamento
mais suave e uma redução
nos consumos. Com bastantes
retoques visuais, nomeadamente
a carenagem frontal com uma
entrada de ar central proeminente,
a nova Dowtown 350i oferece como
equipamento de série travagem
combinada com ABS. Sendo a base
desta Downtown utilizada pela
Kawasaki para a J300, será que
teremos uma “J350i” em breve?
A segunda novidade é a Agility
Maxi 300i, ou “A’maXi” como a
Kymco se refere no “press kit”. O
motor é um monocilíndrico de
270 cc capaz de desenvolver uns
saudáveis e económicos 23 cv de
potência. Com um design agressivo
e uma conjugação atraente de cores
vivas, a Agility Maxi tem, tal como a
Downtown, travagem com sistema
ABS proveniente a Bosch.
EM HINCKLEY DERAM liberdade total a duas equipas de
trabalhadores para customizar duas Bonneville, e o resultado está
à vista: TFC1 Bobber e TFC2 Scrambler. A Bobber destaca-se pela
utilização de uma forquilha “girder” com dois amortecedores FOX
Racing e o motor foi rodado no seu eixo vertical em 180º e obrigou
à recolocação dos componentes internos. Os elementos estuturais
foram unidos através de uma técnica especial, que eliminou a
necessidade do quadro em aço tubular ter de ser soldado. Já a TFC2
Scrambler aposta numa imagem “off-road”. O objetivo da equipa
TFC2 foi de criar uma moto que una a manobrabilidade e capacidade
todo-o-terreno com a tecnologia atual. O motor foi também bastante
modificado e conta com 90 cv de potência. Na ciclística destaque
para o monobraço retirado da Speed Triple, mas invertido, enquanto
a forquilha é assinada pela Nitron, com tratamento antifricção. A
Triumph vai revelar no Salão de Birmingham qual a versão preferida
dos fãs. Talvez para dar início a uma série limitada da Bonneville...
Husqvarna
701 Supermoto
Kymco Downtown 350i e
Agility Maxi 300i
Triumph
Bobber e Scrambler
43.
www.motociclismo. pt 41
EM ITÁLIA SABEM COMO como criar motos que chamam
a atenção, e prova disso é a concept MGX-21 da Moto Guzzi. Este
protótipo de estilo “custom-cruiser” é, na realidade, uma versão
muito alterada da conhecida plataforma utilizada na California
1400. Envolta numa “pintura” quase integral em fibra de carbono,
que lhe confere uma aparência de moto de competição, e ao
mesmo tempo uma sensualidade acima da média devido aos
pequenos apontamentos em vermelho “racing”, a MGX-21
destaca-se também pela utilização de uma jante frontal com 21’’,
totalmente fechada em fibra de carbono. Na traseira afilada a
Moto Guzzi integra os paineis
laterais na secção
central com luzes
embutidas, enquanto a
frente fica protegida por
uma semi-carenagem
aerodinâmica. O motor
V-twin refrigerado por
ar continua a ser o
escolhido pela Moto
Guzzi.
BORGO PANIGALE É O LOCAL onde a Ducati fabrica motos
verdadeiramente especiais e, este ano, na EICMA, a icónica
marca italiana apresentou o que será a edição de colecionador
da Diavel: a Titanium. Se a normal Diavel é uma “powercruiser”
de respeito, então a Titanium, limitada a 500 unidades, eleva
o nível de respeito a outro patamar! A pintura exclusiva com
acabamento titânio na máscara do farol frontal e no depósito
de combustível, acentua as formas poderosas da Diavel e do seu
motor Testastretta 11º DS, que
se mantém intocado. Outras
alterações incluem entradas
de ar de maiores dimensões
em fibra de carbono, tampa do
assento traseiro maior e com
novo design, enquanto algumas
peças passam a ser feitas em
carbono como os guarda-lamas.
Destaque ainda para os
coletores que têm acabamento
cerâmico em preto.
...e ainda
Tendo em vista as necessidades de transporte de
mais equipamento, a Vespa apresenta a Primavera
Touring que inclui grelhas cromadas à frente e atrás,
assento castanho, ecrã, uma pintura especial e uma
placa a assinalar a versão. A Touring está disponível
com os vários motores da Vespa de 2 e 4 tempos.
Também a PX recebe o “tratamento” Touring.
A Vespa entra na “onda” das versões especiais e
limitadas, com a versão Bellissima da 946. Apesar
de manter as características técnicas inalteradas,
a Bellissima conta com assento monoposto feito
à mão, grelha traseira cromada, pintura especial
e punhos com acabamento exclusivo. A Vespa
entrega ainda um assento para passageiro.
Aproveitando a plataforma da California
1400, a Moto Guzzi alarga a gama de
“cruisers” com a nova Audace, uma versão
mais agressiva, com o escape e vários
acabamentos em preto mate, assento
monolugar, suspensões e jantes diferentes e
um pneu 200 atrás.
Se a versão naked Z250SL é para utilização
urbana, a Ninja 250SL é a versão totalmente
carenada. O motor é o mesmo para ambas,
um monocilíndrico de 249cc, o quadro treliça
também, e nas suspensões destaque para a
forquilha invertida com bainhas de 37 mm,
com afinações mais desportivas.
A Triumph revelou o seu “lado negro” em
Milão ao mostrar a Rocket X, versão que
comemora os 10 anos de produção da
poderosa Rocket III de quase 2300 cc e que
será produzida numa edição limitada de 500
unidades. A Rocket X destaca-se pela pintura
integralmente em preto.
As 401 Svart Pilen (Black Arrow) e 401 Vit
Pilen (White Arrow), são protótipos com
monocilíndrico de 400 cc, suspensões WP e
peso de 135 kg. A Vit Pilen (na imagem) é a
versão cafe racer, enquanto a Svart Pilen é
a scrambler. A marca deverá produzir estas
motos num futuro próximo, talvez 2016...
Outra das presenças elogiadas na MV Agusta
na EICMA deste ano foi a, também turística,
Turismo Veloce 800 e versão mais exclusiva
Lusso. Para 2015 esta moto ganha um “pack”
eletrónico MVICS 2.0, além de contar, na versão
Lusso, com suspensões eletrónicas semi-ativas
entre outros detalhes de luxo.
Vespa Primavera Touring
Vespa 946 Bellissima
Moto Guzzi Audace
Kawasaki Ninja e Z250 SL
Triumph Rocket X
MV Agusta Turismo Veloce
Ducati Diavel Titanium
Husqvarna Concepts 401
Moto Guzzi MGX-21
44.
42 03/2010
TESTE
Triumph Tiger 800 XRx / XCx
A eletrónica permite personalizar por
completo o caráter das XC/XR melhor
equipadas. Caráter do motor continua a
surpreender. Comportamento irrepreensível
das suspensões WP na XC
Posição de condução elevada na XC penaliza
estaturas mais baixas. Resposta pouco limpa
a baixas rotações.
12/2014
45.
www.motociclismo. pt 43
C onvém recordar que, quando
foi lançada em 2010, a Tiger
800 já era um modelo em
gestação no seio do construtor
britânico. Em 2007 começaram a surgir os
designs iniciais. Todavia, a meio de 2008, a
BMW lança a F 800GS e a Triumph abrandou o
processo de desenvolvimento para estudar a
sua concorrente.
Agora, quatro anos depois de ter sido
colocada no mercado, a Tiger 800 atingiu a
interessante cifra de 35.000 unidades vendidas,
nas suas duas versões, tornando-se no modelo
com mais sucesso da gama. Estes quatro anos
também permitiram estudar e ouvir todos
os “inputs” dados pelos clientes da marca,
bem como analisar aquilo que a imprensa foi
escrevendo sobre os dois modelos.
Ponto fulcral a reter: o aparecimento
de dois novos modelos um por versão com
mais equipamento e mais electrónica e
denominadas com a sigla “X” que iremos
esmiuçar mais à frente. Para já, convém reter
aquilo que está por detrás do lançamento de
novas Tiger 800 XR e XC, e das versões x”.
A base continua a ser a mesma, o três
cilindros que, ao longo dos anos, nas suas
mais diversas versões, tem recebido os mais
rasgados elogios da imprensa. Porém, agora
temos uma nova versão com o comando
da abertura do acelerador a ser feito pela
tecnologia “ride by wire”, que permite uma
melhoria em termos de sensações oferecidas e
o controlo total do condutor sobre a sua moto,
com toda a tecnologia em termos de eletrónica
focada no utilizador (ver caixa).
Um dos campos onde a Tiger era
penalizada em relação à concorrência era
nos consumos. A adoção de novos injetores
permite uma maior pressão da injeção de
3 bar para 3,5 bar, garantindo uma mais
eficiente atomização da mistura ar/gasolina e
que, conjugados com as novas condutas de
admissão, melhoram de forma exponencial a
eficiência da combustão dentro dos cilindros.
As novas árvores de cames com um
perfil diferente têm uma nova elevação,
enquanto que as molas das válvulas oriundas
das Daytona permitem um controlo mais
preciso da distribuição. A caixa de filtro de ar
foi renovada nas três condutas que levam o
ar até ao corpo dos injetores, permitindo um
aumento da área total, tendo como resultado
prático uma reposta mais limpa e eficiente
do motor. Ainda no campo da melhoria
da resposta e eficiência do propulsor, a
Triumph introduziu um novo radiador com
termóstato modificado, que permite uma
melhoria da eficiência e redução das emissões,
De 2010 para cá a Tiger 800 assumiu um papel de destaque na gama da
Triumph. De projeto com os pés bem assentes no chão a “best seller”, a Tiger
que é agora lançada tem tudo para continuar a ser um caso sério de vendas.
A XC está equipada com as novas bainhas WP de 43 mm ajustáveis em
compressão e extensão. Posição de condução melhorada nas duas versões
As grande diferenças entre a XC e a XR: as bainhas e as rodas de
21’’ na XC e de 19’’ na XR
FOCADA NA
TECNOLOGIA
Texto: Rodrigo Castro Fotos: Triumph
46.
44 12/2014
TESTE
Triumph Tiger 800 XRx / XCx
O Cruise Control é também uma importante adição que aumenta o
conforto em longas tiradas. Na XC o amortecedor WP pode ser ajustado
em extensão e pré carga da mola
Ode à
tecnologia
A TIGER 800 é a primeiro modelo do segmento Trail de média/
alta cilindrada a vir equipada com aquilo que a Triumph designa de
“Rider Modes”, ou seja, modos de condução específicos para cada
tipo de utilização mas que podem ser totalmente personalizáveis,
de acordo com as preferências de cada um: Estrada, Fora de Estrada
e Chuva. As versões “X” da XR e da XC também permitem escolher
entre três modos para o Controlo de Tração e ABS consoante
a utilização: Estrada, Fora de Estrada e totalmente desligado, e
também quatro modos para os mapas do acelerador: Desportivo,
Estrada, Fora de Estrada e Chuva.
Os mapas de acelerador só têm influência na resposta do
acelerador e nada mais, não existe qualquer limitação da potência
máxima entregue. Ao contrário do que acontece noutras marcas,
somente a abertura do acelerador é que feita de forma diferenciada
conforme a opção escolhida. No entanto, os modos de pilotagem
adequados ao utilizador podem ser totalmente ajustados em
termos da forma de funcionamento do ABS e Controlo de Tração.
Por exemplo, em modo “Off Road”, o ABS não atua na roda traseira
e entra em funcionamento somente em situações limite na roda
dianteira, enquanto que o controlo de tração permite a derrapagem
controlada da roda traseira. Todavia, podemos escolher entre desligar
por completo o ABS e também o controlo de tração. No modo “Road”
também existe a opção entre controlo total por parte da eletrónica
(ABS, Mapas e Controlo de Tração) ou desligar tudo.
Tudo isto só é possível com a utilização da tecnologia “Ride by
Wire”, muito em voga na indústria automóvel e que elimina por
completo os cabos que comandam a abertura da borboleta do
acelerador, existindo um pequeno servo motor de comando elétrico,
que efetua todas as operações e que abre toda uma janela de
oportunidades para uma maior inclusão da tecnologia e eletrónica na
forma como nos relacionamos com as nossas motos.
A mudança de Showa para WP nas suspensões da XC melhorou
de forma significativa a eficácia em pisos de terra, com um
comportamento mais seguro e intuitivo
47.
www.motociclismo. pt 45
principalmente nos arranques a frio. A Triumph
também anuncia que este é um dos motores
mais “limpos” da gama, como resultado da
introdução de um segundo sistema de injeção
de ar com o intuito de oxidar os gases de
escape, enquanto que o catalisador tem mais
células, permitindo reduzir a quantidade de
metais preciosos utilizados na suas construção.
Na prática, temos a Triumph a anunciar que o
depósito de 19 litros dá para cumprir cerca de
374 quilómetros, ou seja uma média a rondar
os cinco litros aos 100 quilómetros percorridos.
O anterior alternador de 675w, claramente
sobredimensionado, foi substituído por um
novo de menores dimensões, de 476w e,
também, de menor inércia, mas mantendo
uma entrega de potência sem rival neste
segmento e que permite alimentar todo o
tipo de acessórios (luzes de nevoeiro, punhos
e assentos aquecidos, sistemas de navegação)
sem quebras de energia.
No campo das melhorias do propulsor
em termos de prestações, nota para as novas
“touches” das válvulas que passam a estar
mais perto dos lóbulos da árvore de cames,
enquanto que o novo tensor da corrente
distribuição, em conjugação com os dentes do
carreto da distribuição permitem uma resposta
mais precisa do motor.
A caixa de velocidades foi alvo de
melhorias no mecanismo do seletor de
mudanças e também nos garfos.
Em termos estéticos também há
novidades, com uma grelha lateral do radiador
que, para além do impacto em termos visuais,
também permite uma dissipação mais eficaz
do ar quente que circunda as pernas nos
dias de mais calor. A nova pintura do quadro
e motor denominada de “Titanium“ tem
um aspeto robusto e confere uma maior
agressividade. A ponteira de escape também
passa a estar coberta por uma proteção de
plástico, enquanto que os poisa pés têm um
novo encosto lateral.
Na XC as bainhas Showa foram substituídas
por unidades WP de 43 mm com 220 mm
de curso, com possibilidade de afinar a
compressão e extensão, enquanto que o
amortecedor traseiro WP permite afinar a pré-carga
da mola e também a extensão.
Em termos ergonómicos, os guiadores
foram reposicionados nas duas versões mais
para a frente e também em termos de altura. Os
apoios dos guiadores também são ajustáveis,
permitindo assim encaixar uma multitude de
estaturas. Tal como nos anteriores modelos,
o assento tem duas afinações em altura, com
860-840mm para a XC e 830-810mm para a XR.
“Debitadas” as mais importantes
alterações nos dois modelos, fica por saber
o que representam na estrada, em termos de
sensações, aquilo que a Triumph modificou
na nova Tiger 800. Mais uma vez foi o sul
de Espanha que serviu de palco para uma
apresentação com estradas conhecidas de
alguns “periodistas”, com um primeiro dia
totalmente dedicado à XR num troço de
alcatrão de 170 km que nos levou a subir a
Serra de Las Nieves até Ronda sobre uma
temperatura perto do gélido nas altitudes para
lá dos 1300 metros. O andamento em pelotão
compacto limitou o desfrutar em pleno da XR
que, ao longo do dia, mostrou ter um motor
ligeiramente mais eficaz que o anterior mas
ao mesmo tempo super fácil de conduzir, com
o habitual binário que nos permite andar por
tudo quanto é lado em 6ª velocidade. Fomos
tirando partido dos modos de condução sem
que pudéssemos tirar verdadeiras conclusões.
Somente no modo Rain se nota que o motor
custa a desenvolver potência, embora a
Triumph anuncie que, ao contrário das outras
marcas, o sistema de gestão do motor não
limita a potência que situa nos 95 cv, mas antes
a forma como abre a borboleta do acelerador.
Com uma boa dose de quilómetros, mais
uns quantos para fazer fotos, constatámos
As proteções do motor
fazem parte do
equipamento da versão
“x” da XC, enquanto que o
assento “Confort” é um
acessório original na XRx
48.
46 12/2014
TESTE
Triumph Tiger 800 XRx / XCx
Motor
Tipo: tricilíndrico em linha, 4T,
refrigeração por liquido
Distribuição: DOHC, 4 válvulas p/cilindro
Cilindrada: 799 cc
Diâmetro x curso: 74 x 61.9 mm
Potência declarada: 95 cv às 9.250 rpm
Binário declarado: 79 Nm às 7850 rpm
Alimentação: Injeção eletrónica
Arranque: elétrico
Embraiagem: discos em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Transm. secundária: por corrente
Ciclística
Quadro: berço simples em aço com tubo
de secção tubular, motor portante
Suspensão dianteira: forquilha invertida Showa 43 mm
180 mm de curso (WP 43 mm,
220 mm de curso)
Suspensão traseira: monoamortecedor Showa,
180 mm de curso,
(WP 215 mm de curso)
Travão dianteiro: dois discos de 308 mm
Travão traseiro: disco de 255 mm
Medidas dos pneus: 110/80-19 (90/90-21)/ 150/70-17’’
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1,555mm (1,568mm)
Altura do assento: 810 mm (845mm)
Capacid. do depósito: 19 litros
Peso a seco: 213 kg / 216 kg versão X
(218 kg / 221 kg versão X)
Preço: por definir
Ficha técnica
a validade do assento 3D denominado de
Confort, que utiliza um gel com especificações
médicas que melhora de forma substancial a
forma como nos sentimos ao longo de muitos
quilómetros e horas em cima da moto.
A posição de condução, mais elevada
do guiador na XR torna também tudo mais
agradável em termos de sensações, já que
deixamos de sentir aquele sobrecarregar dos
punhos que era notório na Tiger de 2010.
O segundo dia estava reservado à XC,
com uma nova subida até Ronda pela Serra
mas depois encaminhados até Zahara onde,
do alto da fortaleza, pudemos observar o rio
Guadalete desta vez já com temperaturas
muito mais amenas. Pela manhã deveríamos
ter experimentado a XC em pisos de terra,
mas o Off Road ficou reservado a meia dúzia
de quilómetros num trilho largo e com pouca
tração que, mesmo assim, deu para notar uma
coisa: a melhoria notável do comportamento
das suspensões WP em relação às Showa do
anterior modelo. Mais reatividade da dianteira,
melhor leitura do terreno e, acima de tudo, a
capacidade de poder alterar as regulações da
compressão e extensão nas bainhas que se
comportam de forma brilhante numa moto
com mais de 200 kg de peso.
O mapa Off Road limita a derrapagem da
roda traseira, o ABS não atua na roda traseira e
só é ativado à última na roda dianteira, mesmo
assim, optamos por um rider mode totalmente
personalizável, desligando por completo o
controlo de tração e o ABS para obter mais
controlo na terra.
Partindo para a estrada o nosso guia era
David Lopez, responsável pelo departamento
de desenvolvimento da Triumph na Catalunha
e, estando inserido no grupo dos “nuestros
hermanos”, o ritmo passou a ser totalmente
distinto. Desta vez sim, houve oportunidade
para espremer a XC em estrada com uma
subida à Serra feita num ritmo francamente
mais de acordo com as expetativas do
utilizador latino. Pessoalmente, a XC continua a
ser a moto que melhor se adapta ao meu estilo
de condução, pelo facto de ter uma roda de 21’’
na dianteira uma posição de condução elevada,
que se encaixa mais no estilo “Off Road” mas
que penaliza as estaturas mais baixas, devido
ao acréscimo de 14,5mm em termos de altura
do guiador em relação ao modelo anterior.
Desta vez com quase 180 km para cumprir
em estradas sinuosas e brilhantes em termos
de encadeamento, comprovámos que os
consumos se ficaram nuns comedidos 5,6 litros
aos 100 km, tendo em conta que o ritmo em
algumas alturas era bastante vivo.
As prestações são muito semelhantes
entre os dois modelos e somente se notam
diferenças nas sensações em estrada, com uma
XR mais precisa na inserção em curva, fruto da
utilização da roda de 19’’, e suspensões mais
adaptadas à circulação em estrada.
O três cilindros continua a ser o
melhor cartão de visita da Tiger,
agora mais comedido nos
consumos, menos poluente e
totalmente “personalizável”
Ponto final
Os números falam por si: a Tiger 800 é o mo-delo
de maior sucesso da marca britânica e,
como tal, seria de esperar que as alterações
introduzidas trouxessem algo de novo para os
clientes da marca. Um motor mais comedido
em termos de consumo, mantendo o caráter
que é habitual no três cilindros e a opção de
personalizar de forma completa e total os
modos de condução, trazendo um pouco mais
de sensações em estrada e fora dela. XC ou
XR, a escolha é vossa mas a minha escolha
já está feita...
Triumph Tiger 800 XR (XC)
48 12/2014
Partindoda base da nova
VFR 800F, que tivemos
oportunidade de vos
apresentar na edição de
outubro passado, a Honda reformulou a sua
Crossrunner, o modelo turístico desportivo
de aventura, apresentado em 2011, que
lançou a marca japonesa no mundo das
“Crossover”. E redefiniu-a como sendo uma
moto ágil com uma posição de condução
elevada, capaz de proporcionar uma
condução e um manuseamento fáceis, seja
em estrada ou em ambiente urbano, mesmo
numa utilização diária.
Equipada de origem com sistema de
controlo de tração regulável e que pode ser
desligado, ABS, punhos aquecidos, piscas
“inteligentes” e iluminação integral por LED,
a nova Crossrunner oferece, relativamente à
sua antecessora e para além de uma estética
mais fresca e “leve”, inspirada na sua irmã
mais crescida - a VFR1200X Crosstourer -,
uma posição de condução corrigida cuja
principal diferença reside no guiador mais
largo, que contribui significativamente
para uma condução muito mais relaxada e
descomprometida.
Em termos mecânicos, a nova Honda
VFR800X Crossrunner é em quase tudo
semelhante à VFR800F. Mesmo até nas
especificações do motor.
O que realmente muda, em termos
de ciclística, são as suspensões que nesta
versão oferecem um maior curso em ambos
os eixos (mais 25mm na frente e mais 28mm
na traseira).
E como é que isto resulta na prática?
Pois foi precisamente por isso que a
Honda reuniu a imprensa especializada
europeia em Málaga para que, na fabulosa
montanha russa rodoviária que circunda
a Serra de Ronda, pudéssemos avaliar os
predicados deste seu novo modelo.
E a verdade é que esta versão resulta
mesmo muito bem! Todos as qualidades da
versão “F” são potenciadas pela posição de
condução mais natural e confortável deste
modelo, sendo que a suspensão de maior
curso não se faz notar, mesmo quando
solicitada muito para lá dos limites razoáveis
numa condução em estrada.
A afinação mais macia que a da versão
“F” contribui bastante para um grande
conforto em viagem. Na travagem, há um
afundamento da forquilha superior ao da
versão F, mas o desempenho dos hidráulicos
é de muito bom nível e o comportamento
do conjunto não sai penalizado. Até porque
o guiador largo e mais elevado ajuda a
suportar o esforço de travagem sem castigar
os braços nem os pulsos e, ainda, torna a
VFR mais rápida nas mudanças de direção.
Em andamento, o motor V4 reage sem
hesitações, com o seu forte ronco a servir a
banda sonora, e sempre bem servido pela
caixa de velocidades muito bem escalonada
e tão suave que quase não se sente a falta
do “quick shift” nas reduções (a versão que
nos foi disponibilizada para este teste estava
equipada com esse opcional que, tal como
na versão F, apenas funciona para subir as
relações de caixa), pois basta apanhar o
jeito e a embraiagem passa a ser um item
praticamente supérfluo. Pelo menos em
ritmo normal.
O V4 ainda foi sujeito a uma revisão da
TESTE
Honda VFR 800 X Crossrunner
A Honda fez uma reformulação da sua Crossrunner.
Com uma ciclística renovada e um V4 aprimorado,
esta “crossover” ganhou realmente uma nova vida.
Texto: Rogério Carmo Fotos: Honda
NOVA
VIDA
51.
www.motociclismo. pt 49
Motor: Regularidade e som
impressionantes
Suspensão: Firme, confortável e a
garantir um desempenho acima da média
Já agora... Apesar do equipamento
bastante completo, numa moto deste
segmento fazia falta uma proteção dos
punhos e uma tomada de 12V
52.
50 12/2014
eletrónicae a Honda anuncia consumos
reduzidos em 10%. Segundo o WMTC mode
(o padrão de consumo utilizado pela Honda
em todos os seus modelos) esta nova VFR
consegue valores a rondar os 5,3 litros
aos 100. Durante o teste, e sem qualquer
preocupação ecológica ou económica,
registei um consumo de 6,9 litros aos 100
km. Outros colegas da imprensa também
presentes no evento conseguiram valores
mais baixos, alguns a rondarem os 6,3 l/100
km, mas aposto que não se divertiram tanto
como eu com o ronco do V4.
De qualquer forma, a autonomia é
elevada, e quem conseguir reproduzir
os valores indicados pelo fabricante vai
desfrutar de uma autonomia a rondar os
quatrocentos quilómetros.
Mas a Crossrunner vale efetivamente
pelo conjunto. Logo na primeira abordagem
é impossível não reparar na qualidade de
construção e de acabamentos, com todos
os comandos a proporcionarem um toque
sólido, preciso e muito sensível.
A posição de condução é muito
ergonómica (pelo menos tendo como
referência os meus 85 quilos e os meus 180
cm de altura), a proteção aerodinâmica
também é elevada, a estética apresenta-se
bastante moderna e arejada e o monobraço
oscilante é exclusivo na sua classe.
A primeira coisa que notei mal comecei a
rolar, foi que parecia que já a conhecia desde
sempre. É muito intuitiva e fácil de inserir na
trajetória que queremos.
Só não me foi possível testar a
iluminação de LED, mas, sendo igual à da
VFR versão “F”, deve também dar vontade de
fazer grandes tiradas à noite!
A gama de acessórios é bastante
completa, permitindo configurar a
Crossrunner de acordo com as nossas
exigências pessoais.
A pergunta que normalmente me
fazem é se lhe mudava alguma coisa?
Mudar propriamente não, mas
acrescentava! Mas também não era muito!
TESTE
Honda VFR 800X Crossrunner
Motor
Tipo: 4T, 4 cil. em V a 90º,
refrigeração por líquido
Distribuição: DOHC, 4 válvulas por cilindro
Cilindrada: 782 cc
Diâmetro x curso: 72 mm x 48 mm
Potência declarada: 105 cv às 10.250 rpm
Binário declarado: 75 Nm às 8.500 rpm
Alimentação: inj. elet. multiponto PGM-FI
Embraiagem: multidisco c/ molas helicoidais
Caixa: 6 velocidades
Ciclística
Quadro: dupla trave em alumínio
Suspensão dianteira: forquilha de 43 mm, HMAS
ajustável c/ 145 mm de curso
Suspensão traseira: monoamortecedor Pro Link,
ajustável c/ 148 mm de curso
Travão dianteiro: dois discos de 310 mm, c/
pinça radial de 4 pistões e ABS
Travão traseiro: disco de 256 mm,
pinça de 2 pistões, c/ ABS
Medidas dos pneus: 120/70-17’’ (F) / 180/55-17’’ (T)
Pneus utilizados: Pirelli Scorpion
Peso e
dimensõES
Distância entre eixos: 1475 mm
Altura do assento: 815 / 835 mm
Capacid. do depósito: 20,8 litros
Peso a cheio: 242 kg
Garantia: 2 anos
Preço: 12.300 euros
Ficha técnica
A posição de condução
desafogada e elevada
é a grande mais valia
desta versão X
da Honda VFR
53.
www.motociclismo. pt 51
Os punhos aquecidos fazem parte do
equipamento de série. O controlo de tração
e o ABS também
O painel de instrumentos em LCD
“negativo” é muito legível e completo
Ponto final
Uma estética muito agradável, um potente
motor V4, um monobraço oscilante, uma
qualidade de construção acima da mé-dia,
uma ciclística de referência seja em
termos de comportamento em curva seja
em termos de agilidade, uma posição de
condução elevada e muito ergonómica e
um grande nível de equipamento de série,
tornam esta nova VFR800X Crossrunner
numa opção muito válida para quem
pretenda uma moto polivalente a todos
os níveis.
Curvas?
Pois venham elas!
A Crossrunner não se
deixa intimidar
e transmite
uma grande
confiança
A Honda desenvolveu uma grande gama de
acessórios para personalizar a Crossrunner
Para começar, resolvia a questão do
Quickshift! Disponível apenas para subir
na escala de relações de caixa, acaba por
resultar um pouco confuso em condução
de montanha, onde a necessidade de trocar
frequentemente de mudança nos leva
muitas vezes ou a esquecer a existência da
funcionalidade, ou a enfiar uns valentes
pregos nas reduções.
Mas a questão nem é essa, pois alguma
concorrência já disponibiliza este sistema
para subir e para descer na escala das
relações, o que se torna um grande aliado
em viagem, sobretudo com passageiro,
ou com mau tempo, mais do que tudo em
estradas de montanha.
Passando à frente, a ausência de
proteções de punhos é outra falta grave
numa moto deste género, tal como a
ausência de uma tomada de 12v que
permita carregar um telefone ou um GPS.
Prevê-se que a Crossrunner chegue aos
concessionários ainda a tempo do Pai Natal
poder distribuir algumas unidades aos que
melhor se portaram ao longo do ano.
Portanto, se se portou bem e se é fã
dos motores V4 e da marca da asa dourada,
então não se distraia e marque um test
drive, para poder pedir uma ainda em
tempo útil!
54.
KTM RC 125/YamahaYZF-R 125
Duas das 125 cc mais
entusiasmantes passaram
pelas nossas mãos, num
comparativo que decide
qual é a campeã! RC ou
YZF-R: só uma pode ganhar.
Texto: Bruno Gomes Fotos: João Carlos Oliveira
52 12/2014
DE CAMPEÃS!
DUELO
Desde que a YZF-R125 chegou
ao mercado europeu,
vinda das longínquas
terras japonesas de Iwata,
que rapidamente esta 125 desportiva se
transformou numa das motos preferidas
do seu segmento. A Yamaha tinha, até
agora, um domínio quase incontestado
neste mundo “ecológico” com motores a
quatro tempos. Mas, em Mattighofen, os
responsáveis da KTM não acharam piada à
situação. As motos desportivas de asfalto
não são desconhecidas à KTM, pois tanto
em competição como na estrada têm várias
opções que dominaram, ou pelo menos
colocaram em xeque a muita concorrência.
Foi, por isso, com satisfação que o mundo
das duas rodas assistiu à apresentação da
família RC – Race Competition.
Tecnicamente falando, as escolhas de
cada fabricante, tanto ao nível do motor
como na ciclística, são diferenciadas entre
si, sempre com atenção às necessidades
de uma desportiva para utilização diária. A
Yamaha aposta no conhecido e comprovado
quadro Deltabox, enquanto a KTM coloca
na RC125 o quadro em aço tubular, tipo
treliça. No interior os motores são ambos
monocilíndricos, mas enquanto a RC125 tem
um pistão de diâmetro maior e que percorre
um curso mais pequeno, a YZF-R125 é o
oposto. Com isso a japonesa atinge uma
maior linearidade na entrega de potência
e binário, mas o motor da RC consegue
manter o esforço por mais 700 rpm, o que
lhe garante uma ligeira vantagem quando
as rotações chegam ao limite. Para equilibrar
a balança nas performances a YZF-R125
consegue ser melhor tanto nas acelerações
como, principalmente, nas recuperações: dos
50 aos 80 km/h demora quase menos três
COMPARATIVO
55.
www.motociclismo. pt 53
segundos do que a RC125! Uma eternidade
em motos que são desenhadas para ganhar
todas as décimas de segundo.
A suportar as performances do motor e
a complementar a rigidez estrutural estão
suspensões que, embora com afinação
de cariz desportivo, são ainda assim
“confortáveis” o suficiente. A KTM não
fez por menos e escolheu para a RC125
uma forquilha WP de bainhas com 43 mm
(dimensão igual às da RC8R!), enquanto a
Yamaha coloca na YZF-R125 uma forquilha
de 41 mm, sendo a diferença entre ambas
o curso de 130 mm na Yamaha, enquanto
56.
54 12/2014
KTMRC 125/Yamaha YZF-R 125
YAMAHA YZF-R 125
KTM RC 125
A pinça radial Bybre de dois pistões “morde”
um disco de 300 mm e a KTM conta com ABS
de série, que pode ser desligado
A travagem da YZF-R125 é mais potente e
reativa... mas não tem ABS de série, sistema
que está disponível como extra
É uma opção tradicional em Mattighofen,
mas não deixa de impressionar o esbelto
quadro em aço tubular tipo treliça
Ao contrário da adversária, a R125 tem
ponteira maior, que confere ao conjunto
uma aparência mais corpulenta
O assento traseiro simula uma tampa. A
espuma é mole e os apoios para as mãos
estão bem integrados mas mal colocados
O passageiro conta com assento aderente,
mas não tem apoios para se segurar, sendo a
espuma um pouco mais dura que a da KTM
a KTM oferece apenas 125 mm. A única
possibilidade de afinação ao nível das
suspensões é no amortecedor traseiro, pois
ambas podem ser ajustadas em pré-carga,
mas, tal como referimos, as escolhas
técnicas são bastante diferenciadas entre si,
e a moto laranja apresenta um curso atrás
que atinge confortáveis 150 mm enquanto
a moto de Iwata permite que a roda traseira
percorra apenas 114 mm. Na travagem,
e apesar de ser claramente mais eficaz
em potência, a YZF-R125 não conta com
auxílio de ABS para dosear a pinça frontal
de quatro pistões, enquanto a KTM instala
como equipamento de série o ABS, que,
inclusivamente, pode ser desligado.
Mas todo o desenvolvimento
técnico tem de ser comprovado em
estrada e está, por isso, na hora do
caro leitor seguir viagem comigo e com
o nosso estimado diretor, aos comandos
destas duas supersport. Sentados lado a
lado, cada um na sua máquina, ficamos
rapidamente esclarecidos sobre qual das
duas consegue acomodar um condutor de
maior estatura. As formas avantajadas da
YZF-R125 permitem que o condutor se sinta
mais apoiado e, inclusivamente, o depósito
de combustível conta com uma secção
superior mais larga que permite apoiar os
joelhos em curva. Por seu lado a KTM fez um
ótimo trabalho ao dotar esta RC de formas
esguias e compactas. Ao nível da posição de
condução, a austríaca consegue ser melhor
porque os avanços não são tão baixos e
fechados como os da rival e, mesmo com
os poisa-pés elevados, a RC125 não obriga
a fazer muita força nos antebraços para
A RC 125 é uma verdadeira moto
de pista! Uma ciclística “rijinha”,
exponenciada pelo assento de
condutor duro, mas compensada
pela boa posição de condução
COMPARATIVO
57.
www.motociclismo. pt 55
As nossas Medições
Desempenho do motor Regime do motor 1/rpm x 1000123456789101112131415KTM RC 12512,2 kW (17 CV) às 10000/rpm 12 Nm às 7800/rpmYamaha YZF- R 12511,5 kW (16 CV) às 9300/rpm 13 Nm às 8000/rpm051015 Binário em Nm (Newtonmetro) kW CV3691215258111414710131617181920210437651312111098
Dos permitidos 15 cv, a Yamaha ultrapassa ligeiramente esse valor, enquanto a KTM atinge mais 2 cv do que o permitido. Mas a potência no limite das rotações não é tudo, como demonstra o gráfico. Devido ao seu curso mais longo, a YZF-R125 mostra-se mais potente ao longo de todo o regime de rotações, e isso sente-se em condução, embora atinja o seu máximo ligeiramente abaixo da RC 125.
Potência medida à cambota. Medições em banco de testes Dynojet 250, corrigido para 95/1/EG, desvio máximo das medições de ± 5 %
Ficha técnica e medições
MOTOR
Tipo
Distribuição
Cilindrada
Diâmetro x Curso
Potência declarada
Binário declarado
Taxa de compressão
Alimentação
Arranque
Embraiagem
Caixa
Transmissão secundária
CICLÍSTICA
Quadro
Suspensão dianteira
Suspensão traseira
Travões: frente
trás
Assistência à travagem
Medidas dos pneus
MEDIÇÕES E PESOS
Distância entre eixos
Distância ao solo
Altura do assento
Capacidade do depósito
Peso a seco
Peso (ordem de marcha)
Garantia
Intervalos de serviço
Velocidade máxima
Aceleração 0-80 Km/h
0-100 Km/h
Recuperação 50-80 Km/h
Consumo
Autonomia
Preço base
Preço da versão testada
4T, monocilíndrico, com refrigeração por líquido
DOHC, 4 válvulas
124,7 cc
58 x 47,2 mm
15 cv às 9.500 rpm 12 Nm às 8.000 rpm 12,6:1
injeção eletrónica elétrico
multidisco em banho de óleo
6 velocidades
por corrente em aço tubular, tipo treliça
forquilha invertida, bainhas de 43 mm, 125 mm de curso
monoamortecedor ajustável em pré-carga, 150 mm curso
disco de 300 mm,
pinça radial de 4 pistões
disco de 230 mm
ABS, desconectável
110/70-17 (f) / 150/60-17 (t) 1.340 mm
178,5 mm
820 mm
10 litros (aproximadamente)
135 kg
n.d.
2 anos
a cada 7.500 km
126 km/h
9,4 segundos
16,5 segundos
14,3 segundos
2,8 litros / 100 km
357 km
4.797 euros
4.797 euros
4T, monocilíndrico, com
refrigeração por líquido
SOHC, 4 válvulas
124,7 cc
52 x 58,6
15 cv às 9.000 rpm
12,4 Nm às 8.000 rpm
11,2:1
injeção eletrónica
elétrico
multidisco em banho de óleo 6 velocidades
por corrente
em aço, tipo Deltabox
forquilha invertida, bainhas
de 41 mm, 130 mm de curso
monoamortecedor ajustável em pré-carga, 114 mm curso
disco de 292 mm,
pinça radial de 4 pistões
disco de 230 mm
-
100/80-17 (f) / 130/70-17 (t)
1.335 mm
155 mm
825 mm
11 ,5 litros
n.d.
140 kg
2 anos
a cada 6.000 km
126 km/h
8,5 segundos
14,8 segundos
11,4 segundos
2,4 litros / 100 km
479 km
4.525 euros
4.525 euros
KTM
RC 125
Yamaha
YZF-R 125
MEDIÇÕES
suportar o nosso peso. Infelizmente o conforto na KTM é diminuído pelo assento duro, enquanto o da Yamaha, apesar de não ser muito mais mole, é mais acolchoado, dando assim uma ligeira vantagem à moto japonesa.
Já em andamento, os monocilíndricos mostram o que valem. Em aceleração fica claro que a Yamaha YZF-R125 tem uma boa vantagem, chegando mais rapidamente aos 137 km/h de velocidade máxima que visualizei no painel digital. Por seu lado a KTM RC125 não arranca de forma tão
A Yamaha tem, pelas suas formas,
mais facilidade de acomodar um
condutor de maior estatura.
A posição de condução é, no
entanto, mais agressiva
58.
56 12/2014
KTMRC 125/Yamaha YZF-R 125
decidida, mas sentimos o motor de 124,7 cc a “encher o peito” e a ir ganhando força com o passar das rotações. Felizmente ambas demonstram uma excelente suavidade de funcionamento, tendo em conta as elevadas rotações que estes “mono” atingem. Por falar em suavidade, é também nos momentos de aceleração que se verifica o melhor trabalho feito pela KTM ao nível da caixa de velocidades, pois subir desde 1ª até à 6ª velocidade na RC125 é uma ação suave e quase instantânea, enquanto na YZF-R125 ficamos com uma sensação de estarmos a acionar uma caixa mais mecanizada. Ambas têm uma relação final de transmissão bem escalonada para qualquer situação, e isso acaba por trazer ao condutor maior satisfação. E satisfação é o que qualquer um vai ter ao conduzir uma destas desportivas em estradas com curvas.
A KTM RC125 conta com uma excelente ciclística para suportar os andamentos mais vivos, onde rapidamente se destacam as suspensões WP. A frente é rápida e incisiva no ataque às trajetórias mais fechadas, e a estabilidade é a toda à prova, mesmo quando encontramos asfalto irregular. A leitura que a forquilha faz do que se passa debaixo da roda frontal é excelente, e a confiança é muito elevada porque não sentimos a frente a baixar nem é demasiado dura quando travamos. O conjunto mostra-se estável mesmo quando transportamos passageiro, e a utilização de pneus 110 à frente e 150 na traseira melhora o comportamento em curva, mas as borrachas MFR são pouco aderentes. Para controlar os excessos a KTM instala, como equipamento de série, travagem com ABS. Apesar deste auxílio, a travagem é mesmo o ponto mais fraco da RC. A pinça radial Bybre de quatro pistões até “morde” um disco de 300 mm. Mas a potência não está lá, e temos a necessidade de apertar mais a manete para a sentir travar a sério. Por seu lado, a Yamaha brilha neste particular. A pinça radial é de quatro pistões, e o disco de 292 mm até poderia levar a acreditar que seria menos eficaz. No entanto, a YZF-R125 demonstra uma uma potência imediata, e é realmente eficaz para desacelerar a moto, perdendo um pouco o “feeling” na manete: será que posso apertar mais um pouco antes de bloquear a roda? Esta é uma dúvida com que ficamos, pois como não contamos com ABS – sistema introduzido em 2015 como extra –, inevitavelmente ficamos com menos confiança quando discutimos uma travagem contra a RC125, lado a lado, a ver quem consegue entrar primeiro na curva. A Yamaha é uma supersport em todos os sentidos! Extremamente ágil devido à menor distância entre eixos, apenas 1.335 mm, as suspensões estão quase ao nível da KTM se a conduzirmos em ritmo agressivo, embora a moto japonesa não consiga absorver tão bem as irregularidades. Também de referir que a YZF-R125 apresenta uma tendência para ficar com a frente mais ligeira quando transportamos passageiro, que não tem, ao contrário da KTM, apoios para se agarrar. Com a traseira carregada a frente perde a certeza demonstrada quando apenas tem que suportar o peso do condutor, mas, para compensar, a Yamaha escolheu uns mais aderentes Michelin Pilot Street.
Duas últimas notas para a qualidade de construção/design, e ainda para a proteção aerodinâmica. Quanto à primeira, qualquer das motos em análise está num nível elevado. Será quase impossível dizer que uma é melhor do que outra. Se, por exemplo, temos de enaltecer o design da traseira da KTM RC125, que parece ser uma tampa mas que na realidade é um assento para passageiro, que se pode mesmo definir como confortável, ou a atenção dada à qualidade das soldaduras nos vários tubos do quadro, na Yamaha YZF-R125 destaca-se
Pontuar estas
pequenas grandes
desportivas não foi
tarefa fácil e obrigou a
prolongadas conversas
COMPARATIVO
59.
www.motociclismo. pt 57
Pontuação
máxima
KTM
RC 125
Yamaha
YZF-R 125
PONTUAÇÃO FINAL 500 372 387
25
25
25
25
15
15
10
140
25
25
15
10
15
90
20
10
10
20
10
15
15
100
30
30
20
10
90
30
30
20
80
São, sem dúvida, duas motos com
uma ciclística específica para curvar.
A RC faz a diferença por ser estável e
não alterar o comportamento
quando transporta passageiro.
Num capítulo onde é dada
predominância à ergonomia, a KTM
mostra-se mais “rider friendly”, tanto
para condutor como para passageiro.
A Yamaha tem travões potentes,
mas pouco feeling na manete e falta
de ABS, pontos negativos que dão
vitória à rival.
O preço inferior (nesta versão ainda
sem ABS) e os consumos mais baixos
deram a vitória à Yamaha.
A vantagem da Yamaha é
conseguida pelo motor mais rápido a
acelerar e em recuperações. A
suavidade da KTM não chega para
compensar a diferença de prestações.
AVALIAÇÃO
Vencedora Ciclística: KTM
Vencedora Quotidiano: KTM
Vencedora Motor: Yamaha
Vencedora Segurança: KTM
Vencedora Custos: Yamaha
Apesar de perder em mais
categorias, a Yamaha YZF-R125
vence devido ao motor que
apresenta perfomances de campeã!
MOTOR Recuperações
Acelerações
Velocidade máxima
Comportamento geral do motor
Resposta ao acelerador
Suavidade de funcionamento
Arranque
Soma parcial
CICLÍSTICA Maneabilidade
Estabilidade em curva
Distância ao solo em curva
Conforto da suspensão
Comportamento com passageiro
Soma parcial
QUOTIDIANO Ergonomia - condutor
Ergonomia - passageiro
Proteção aerodinâmica
Equipamento
Acomodação de bagagem
Autonomia
Acabamentos
Soma parcial
SEGURANÇA Potênc. de travagem
Doseamento de travagem
Travagem com passageiro
Sistema ABS
Soma parcial
CUSTOS Preço da unidade ensaiada
Consumos médios
Revisões - intervalos
Soma parcial
POSIÇÃO 2º 1º
KTM RC 125
Bom começo para a KTM neste segmento. A RC125
consegue ser melhor em muitas coisas do que a
YZF-R125, mas o motor, apesar de bom, fica atrás
da japonesa e isso fez a diferença nas contas finais.
Foi um bom esforço... mas faltou um “danoninho”.
Yamaha YZF-R 125
Apesar da forte oposição da KTM, esta geração da
YZF-R125 mantém-se um passo à frente da
concorrência e é a campeã! O motor japonês
apresenta performances entusiasmantes e até
gasta pouco. A Yamaha está de parabéns.
1
2
12
14
24
20
15
15
7
107
21
23
14
7
12
77
15
6
8
18
0
10
12
69
20
21
13
10
64
12
25
18
55
22
23
24
22
15
13
9
128
24
21
11
5
9
70
12
4
6
18
0
14
13
67
28
20
15
0
63
15
28
16
59
a qualidade da pintura, ou a forma como
todos os plásticos encaixam uns nos outros,
sem esquecer que o assento do passageiro
tem um forro antiderrapante. Já em relação
à segunda nota, a proteção aerodinâmica,
e sendo a Yamaha aquela que melhor
acomoda um condutor maior, é a RC125
que oferece a melhor proteção, cortesia
do ecrã frontal generoso que envolve por
completo a frente, de aparência discutível,
e de um depósito que tem no seu topo uma
secção mais baixa para podermos encaixar
o capacete quando vamos a fundo. Já a
Yamaha tem uma frente minimalista ao
nível da proteção, e os ombros do condutor
facilmente são fustigados pelo vento, mas
somos brindados por um painel digital
de maiores dimensões e mais legível,
escondido por detrás do ecrã mais afilado.
O painel é demasiado compacto para leitura
fácil das “info’s”, mas muito completo
Com a muita informação bem dividida,
a Yamaha tem um painel mais atraente
YAMAHA YZF-R 125
KTM RC 125
60.
58 12/2014
Emmais de dez anos no mercado, esta bicilíndrica multiusos
granjeou uma reputação de companheira fiável. Para os
compradores conscientes e em busca de uma boa relação
preço/qualidade, eis uma usada que não o deixará mal.
As alterações sofridas em finais de 2011 vieram
dar uma nova imagem a esta 650 da Suzuki,
mais moderna e atrativa. E, na verdade, o novo
modelo C7 (imagem principal) ostenta um
desenho mais homogéneo, para além de um silenciador um
pouco mais elegante, dois cavalos mais de potência e um
motor ligeiramente mais picante. O assento ficou também
mais confortável e o sistema de ABS funciona melhor que o
seu antecessor.
No entanto, o lançamento do novo modelo não fez as
vendas dispararem, até porque o sucesso da V-Strom 650
original – a WVB1, produzida de 2004 a 2011 – tinha já sido
assinalável, e a segunda geração manteve os mesmos valores
e caráter base. Os interessados na pequena V-Strom são
clientes que sabem exatamente o que querem: uma máquina de
turismo irrepreensível por pouco dinheiro. E isto pode obter-se
tanto na original WVB1 como na mais recente C7.
A aparência é, provavelmente, de importância
secundária para muitos potenciais compradores. Mas a lista
de factos pelos quais se opta por comprar esta “seis e meio“ é
longa: boa ergonomia para condutor e passageiro, consumo
reduzido de combustível (podem fazer-se 100 km com menos de
quatro litros de gasolina), bons travões (a partir de 2007 também
com ABS), uma ciclística formidável, compacta, estável em curva,
boa resposta da direção e grande conforto em condução. E
fiabilidade mecânica! Já tem 50.000 km? Isto não tira o sono aos
proprietários de uma V-Strom, porque o motor V2 de 72 cavalos
é considerado extremamente fiável. E vender uma V-Strom
650 no mercado de motos em segunda mão é, habitualmente,
uma ação que atrai muitos
interessados.
segunda mão
Usada do mês
PORMENORES
SUZUKI V-STROM
650
A segunda geração da Suzuki
V-Strom 650, o modelo tipo C7,
surgiu no final de 2011
2004 2012
O rígido e volumoso quadro
em alumínio da 650 não é
exatamente indicado para
uma trail que queira passear
em pistas de terra. A
V-Strom tem o seu ambiente
de eleição no asfalto
Na mais recente C7 o
painel está mais
arrumado, com um bem
conseguido conta-rotações
e um display
digital com a informação
bem organizada
Na primeira série temos
este painel tripartido, com
velocímetro e conta-rotações
analógicos
complementados por
informação digital ao
centro
No modelo original (a WVB1, de 2004 a 2011)
nem todos apreciavam o silenciador grande
e as linhas afiladas. Mas funcionava de modo
impecável - e isso é que conta!
61.
www.motociclismo. pt 59
Melhorar o que já é bom, assim fazem muitos motociclistas. No caso da
V-Strom 650 encontramos unidades no mercado de usados com diversos
tipos de equipamento extra instalado.
É o caso do transporte de bagagem, com recurso a top cases e malas laterais,
mas também encontramos muitas com proteções laterais e de carter
instalados, ecrã mais elevado ou mesmo o descanso central, que
era um opcional proposto pela marca. A nível mecânico, também encontra-mos
quem tenha trocado de amortecedor por um elemento mais resistente,
o que faz sentido quando se viaja com pendura e bagagem, ou trocado para
uma relação final de transmissão mais curta, bem como um novo silenciador.
Em termos de problemas técnicos a relatar, não há notícias de nada sinto-mático
nas DL 650, desde que tenham uma manutenção regular.
ACESSÓRIOS COMUNS
EVOLUÇÃO
2004 Lançamento oficial do pri-meiro
modelo, a WVB1, com as pri-meiras
unidades a serem entregues
aos clientes no final de 2003, nas co-res
azul, negro e cinza-prateado.
2005 É eliminado o botão de ligar/
desligar luzes de médios e mínimos.
2007 Homologação de acordo com
as normas Euro 3. Introdução do
ABS. Alterações nas cabeças do mo-tor
e no sistema de ignição, bem co-mo
nos mapas. Braço oscilante mais
longo, com a distância entre eixos a
aumentar de 1540 para 1555 mm. O
peso a seco aumentou 7 kg.
2008 Segmentos, alternador e regu-lador
de tensão modificados.
2010 Alterações nos apoios da cam-bota,
motor de arranque e manete de
embraiagem.
2011 Ligeiras modificações no veio
de saída da caixa de velocidades. As co-res
disponíveis neste último ano de pro-dução
do modelo original são verme-lho,
preto, cinzento e branco.
2012 Modelo para a gama de 2012,
lançado ainda no verão de 2011, com
diversas alterações na estética e ergo-nomia,
painel de instrumentos, motor,
escape, subquadro, novas suspensões e
um novo sistema de ABS (da Bosch), etc.
O seu preço, nova, é de 8.999,00 €
Edições nº 152 (T), 155 (TC), 173
(TC), 189 (TC), 205 (TC), 216 (T),
245 (T + U), 253 (T)
T: Teste; N: Novidades; TC: Teste
Comparativo; U: Usada
Edições atrasadas:
assinaturas@motorpress.pt
Sites relacionados:
www.vstrom.info
www.vstromportugal.com
www.stromtrooper.com
www.vsari.com
www.v-strom.co.uk
Na MOTOCICLISMO
Com pouco mais de 3.500 € na mão pode-mos
iniciar uma busca, embora seja raro
encontrar unidades do ano de estreia, 2004,
abaixo dos 3.500 €. Embora se possa con-tar
com algum metal mal tratado e um ou
outro risco, por parte de proprietários mais
negligentes, é possível encontrar modelos
com dez anos e com quilometragens a ron-dar
os 40 mil quilómetros, num estado ra-zoável.
No entanto, o ideal é aumentar um
pouco o orçamento e procurar uma unidade um pouco mais recente, com menos de 30 mil quilómetros e que tenha tido
apenas um ou dois proprietários. De preferência já com ABS (a partir de 2007). Na casa dos cinco mil euros já encontramos
modelos com menos quilometragem e muito bem mantidos, mas existe sempre uma variante a considerar: a quantidade de
acessórios extras que se encontram montados, e que, como pode ver no texto acima, por ser muito variada.
A SITUAÇÃO NO MERCADO
(Tipo C7, modelo a partir de 2012 ) Ficha técnica
Motor
Tipo: 4T, bicilíndrico em V
a 90º, DOHC, 8 válv.
Cilindrada: 645 cc
Diâmetro x curso: 81 x 62.6 mm
Potência declarada: 72 cv às 9.000 rpm
Caixa: 6 velocidades
Transm. secundária: por corrente
Ciclística
Quadro: dupla trave
em alumínio
Suspensão dianteira: forquilha de 43 mm,
reg. em pré-carga
Suspensão traseira: monoamortecedor,
reg. em pré-carga
Travão dianteiro: dois discos (ABS)
Travão traseiro: disco (ABS)
Medidas dos pneus: 110/80-19’’ (F)
150/70-17’’ (T)
Peso e
dimensõES
Altura do assento: 835 mm
Capacid. do depósito: 20 litros
Peso a cheio: 214 kg
Medições
Velocidade máxima: 185 km/h
Aceleração:
0-100 km/h 4,2 segundos
Recuperações:
60-100 km/h 5,4 segundos
Consumo: 4,5 lt/100 km
WVB1 / DL 650 2004–2006 3.500 - 5.000 €
WVB1 / DL 650 / A 2007–2009 3.900 - 5.500 €
WVB1 / DL 650 / A 2010–2011 5.700 - 6.000 €
Modelo Anos Preços
As V-Strom da 2ª geração, a partir de 2012, que se encon-tram
à venda novas por 8.999 €, são ainda difíceis de en-contrar
em 2ª mão, razão porque não existe aqui cotação.
Mesmo equipada com malas laterais e top case, a V-Strom
650 proporciona uma boa habitabilidade
62.
Acessórios e equipamento
shopping
Schuberth
Metropolitan 1
Este capacete "open", através das várias
opções de personalização, é indicado
para vários tipos de motos. Fabricado em
fibra de vidro, o "M1" tem auscultadores
e microfone instalados no forro, estando
preparado para receber o intercomunicador
SRC-System. Pesa 1395 gr, e está
disponível nos tamanhos do XS ao XXL.
Disponível a partir de fevereiro de 2015.
Informações: Goldenbat
Contacto: 219 824 326
Pirelli Scorpion Trail II
Pneu desenvolvido para motos tipo "adventure",
mas com utilização predominante em pisos
de asfalto. Conta com novo desenho do rasto,
especificamente novos rasgos laterais para
melhor escoamento da água, tem dois compostos
de borracha para maior resistência sem perder
aderência e uma carcaça mais rígida para suportar
as exigências das motos mais pesadas e potentes.
O Scorpion Trail II pode ser personalizado com
etiquetas e outros logótipos na zona lateral.
Informações: Multimoto / Soc. Com. do Vouga
Contacto: 256 000 200 / 234 601 500
Assento Shad
para Yamaha MT-09
Se precisa de maior conforto na sua MT-09, a
Shad tem a solução! Um assento com espuma 3D
Mesh, que não altera a forma conforme o passar
do tempo. Possui uma almofada em poliuretano
para acabamento macio e confortável. Este assento
é totalmente impermeável, incluindo as costuras,
possuindo uma secção central que reduz a pressão
nas costas do condutor.
Informações: Multimoto
Contacto: 256 000 200
Kit reparação pneus IXS
Este kit IXS tem todas as ferramentas necessárias
para reparar um furo de um pneu da sua moto. No
interior da bolsa de transporte estão botijas de gás,
tiras de reparação e a solução de borracha, sem
esquecer a ferramenta adequada.
Informações: L8 Xpress
Contacto: comercial@l8xpress.com
Auscultadores
Harley-Davidson
Para este inverno a Harley-Davidson propõe
auscultadores para uso com smartphones,
notebooks, leitores MP3 e outros dispositivos.
com a típica "caveira", são cobertos por pêlo
sintético para proteção e aquecimento das
orelhas nos dias mais frios.
Informações: www.harley-davidson.com
Luvas Harley-Davidson
Uma das propostas da Harley-Davidson para
o público feminino nesta época natalícia, são
estas luvas fabricadas em malha acrílica com
desenhos "Custom Skull Fair Isle". Podem ser
utilizadas totalmente fechadas, ou com as
pontas dos dedos abertas prendendo a aba
ao botão nas costas da mão.
Informações: www.harley-davidson.com
PVP: 30,00 €
PVP: 56,00 € PVP: 35,00 €
PVP: 312,73 €
PVP: sob consulta
PVP: desde 399,00 €
60 12/2014
63.
> DESCONTOS >CURSOS de CONDUÇÃO AVANÇADA > TRACK DAYS
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74 12/2014
VIAGEM
Lisboa / Istambul de 125 cc - II
AO SUL
Sanremo, 9 de outubro. Arranjo lugar num parque de
campismo e cozinho uma massa com atum ao relento.
Está uma noite perfeita, lua cheia, calor, o mar bate a
uns sete metros da minha tenda. A certa altura, sinto
que os flashes de luz que pensava que eram de um
farol se tornam estranhamente intensos. Levanto-me e vou até à cerca
de arbustos do parque de campismo. A alguns quilómetros de distância
(não sei dizer quantos), a noite está longe de estar a ser doce. Debaixo de
uma massa de nuvens assustardora há uma tempestade de relâmpagos
como eu nunca vi. Os raios rasgam o céu ininterruptamente, sem uma
respiração, sem um segundo de descanso. Volto para tenda e reforço
tudo o que posso contra a chuva, enrolo o PC e a máquina fotográfica em
sacos de plástico, confirmo a segurança das estacas e preparo as malas
para uma possível fuga rápida para lugar seguro.
10 de outubro, Laigueglia Nada de chuva para mim, felizmente.
Oiço nas notícias que, em Génova, a tempestade chegou a causar
mortos. A cidade está um caos, dizem. Inundações, estradas cortadas,
gente desalojada. Por cima de mim o céu continua claro e eu continuo a
avançar. Paro numa pequena vila da costa italiana, Laigueglia, para beber
café, e pergunto a um grupo de raparigas se conhecem algum hostel
barato. Depois de eu negar todas as hipótese por serem demasiado caras
para o meu orçamento, oferecem-se para me dar guarida. Vou saltando
um pouco como uma batata quente de mão em mão até Cinzia decidir
que fico com ela. Natural de Laigueglia, Cinzia passa agora a sua vida
entre os países da Ásia e a pequena vila da Liguria. No Verão trabalha
no que houver em turismo em Laigueglia, o bar da mãe, o restaurante
do irmão, etc., e no Inverno parte para a Ásia e passa o resto do ano a
desfrutar os rendimentos.
Enquanto Cinzia vai trabalhar eu passeio por Laigueglia. Não estou
a fazer esta viagem durante o verão para tentar encontrar algo das terras
que seja mais do que a fachada superficial do turismo. Seja como for, para
a maioria das vilas e cidades da costa, é tarde demais:
No areal de Laigueglia vejo um homem a reparar redes de pesca à
mão. Aproximo-me. Com o pescador estão mais dois homens. A conversa
inicia-se instantaneamente. Emilio Grollero, o mais novo dos três,
quando percebe a viagem que estou a fazer fala-me das suas viagens
de juventude. “Que inveja. Sempre quis fazer essa viagem. (...) Uma das
coisas mais bonitas que vi na vida, tinha uns 20 anos, foi na Roménia. As
festas dos acampamentos de ciganos. Agora apareces-me tu aqui e eu
apercebo-me que, “cazzo”, o tempo passa sem dares por ela. Vais adiando
e depois é tarde demais.”
Falamos sobre a vida em Laigueglia. No verão a vila enche-se
de turistas e no inverno morre. Emilio saca uma folha A4 do bolso e
mostra-ma. Tem uma lista de nomes. “Estás ver esta gente toda? São os
pescadores desta terra...” Aponta para o nome Paolo “Blu”. “Este aqui, vês?
É dos poucos desta lista que ainda estão vivos e o único que ainda pesca.
É este homem que está à tua frente - Paolo “Blu”, o último pescador de
Laigueglia.” Os panfeltos turísticos ainda dizem que Laigueglia é uma
terra de pescadores, mas, como muitas das cidades da costa do Sul,
Segunda parte de uma viagem pelas paisagens e gentes deste Sul que
também é o nosso. Numa 125 cc a caminho de Istambul, o viajante cruza a
realidade da “época baixa”, conhece ninfas e pescadores... e volta a partir.
Texto e fotos: Miguel Afonso Carranca
76 12/2014
Laiguegliaestá é a tornar-se numa terra de nada. Sem um trabalho próprio, com cada vez menos locais, as cidades e as vilas vão perdendo, pouco a pouco, sem que ninguém repare, a personalidade, a vida. Às vezes é a beleza a causa de morte. Ficam os monumentos, os recantos castiços, as fachadas, mas por trás só há apartamentos vazios à espera do regresso dos turistas. São terras e terras que se tornam ocas, como pessoas que perderam o brilho nos olhos. Deixo-me estar um bocado à conversa. Comparam-se línguas (dizem-me que o dialeto local tem uma sonoridade muito parecida ao português), trocam-se conselhos e histórias, e nos momentos de silêncio há uma estranha consciência que estamos no fim de qualquer coisa, como se aquele pedaço de areia em que estamos sentados não fosse parte do areal, mas sim a última ponta de uma península, o extremo da terra, de onde só conseguimos ver, para um futuro demasiado breve, um mar frio, estéril de gente. À noite volto ao café onde primeiro encontrei as raparigas. Juntou- se um grupinho de amigos para um churrasco e eu fui convidado. Há até farofa. cortesia de Ayla, brasileira radicada já há anos em Laigueglia. À volta da mesa há muita conversa e insultos amigáveis por causa do futebol. São quase todos de clubes diferentes. Antonio, um velhote de Torino que serve como uma espécie de mascote do grupo, faz-me toda uma extensiva introdução ao tema “Porque é que as pessoas da Juve não são boa gente”. Uma das raparigas aproxima-se sorrateiramente por trás dele e grita-lhe aos ouvidos: - Juventus! - Criminale! - responde-lhe Antonio, de face irada e braços no ar, antes voltar a atacar os grelhados. 12 de outubro Na estrada, debaixo de chuva. De Laigueglia tento seguir para um ostello que a internet me disse que existe perto de Savona. O equipamento impermeável só é 100% à prova de água quando não chove. Passados dez minutos já tenho os pés e as mãos a pingar. A água na viseira do capacete corta-me visibilidade. Há uma bifurcação e eu vou-me chegando à faixa da esquerda. As placas indicam os mesmos nomes para os dois lados e só no último instante é que percebo que a faixa em que estou vai para a autoestrada. Dou um toque no travão de trás para reduzir velocidade e passar à faixa da direita. A partir daí é tudo muito rápido (mas ao mesmo tempo em câmara lenta). A roda traseira bloqueia e começa a patinar. Largo travão e tento voltar a ganhar controlo sobre a moto. As rodas não guiam nada. Estou a deslizar de lado e a aproximar-me rapidamente do rail metálico. Dou toques curtos no travão da frente para desacelerar. Vou cada vez mais perto do chão e não tenho como voltar a por a Bonnie na vertical. É inevitável. Impacto. Vou de cabeça e joelho contra o rail. Merda, não quero acabar já isto. Apalpo a perna e tento perceber se está tudo no sítio. Parece que sim. A proteção de chuva e as calças estão rasgadas, vê-se um bocado de sangue mas está tudo a funcionar. A Bonnie está meio enfiada dentro do rail. O apoio do travão traseiro está partido e os manómetros estão tortos e desconjuntados. A chuva continua a cair e eu tento erguer a moto sozinho. Escorregamos e caímos outra vez. Param italianos em dois carros que me vêm ajudar. Erguemos a Bonnie. O motor ainda funciona. Não tenho outra hipótese que não seja seguir. É domingo, não há mecânicos abertos, e eu não tenho sítio para ficar. Ainda tremo de nervos quando volto a fazer-me à estrada, ainda debaixo de chuva, e agora sem o travão de trás. Vou dar a uma aldeia onde estão a fazer uma espécie de festa de S. Martinho. Os homens estão à volta das brasas a assar castanhas e carne, os putos correm de um lado para o outro. Quero ficar mas tenho de encontrar abrigo antes que anoiteça. Os homens indicam-me um atalho pelo meio da serra. Uma estradinha de pouco mais de um metro e meio de largura,
VIAGEM
Lisboa / Istambul de 125 cc - II
TERRAS QUE SE TORNAM OCAS, COMO PESSOAS QUE PERDERAM O BRILHO DOS OLHOS
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VIAGEM
Lisboa / Istambul de 125 cc - II
RUAS REPLETAS DE GENTE COM
A IDADE
IMORTAL
DE 21 ANOS
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www.motociclismo. pt 79
às vezes de alcatrão, às vezes de gravilha. É bonito que dói e faz-me lembrar casa, a Lousã, Trás-os-Montes. Cheira a couves, a terra molhada, a estrume e a queimadas. Subimos em primeira, o conta-quilómetros a bater entre os 0 e os 10 km/hora. Chego a Cadibona e encontro o hostel. Bato à porta, chamo, mas ninguém me responde. Passa um casal de carro que me diz para ir a um café perto, falar com um tipo chamado Carlo. No café há uns locais que metem conversa comigo. Aquiles, um aposentado à volta dos 70 anos, fala-me da sua vida de marinheiro, das suas viagens de reformado e das coisas que agora o preocupam. “Diz-me uma coisa: em Portugal vocês também têm pretos? É que isto aqui está cheio deles. Pretos, marroquinos, indianos. Só deus é que sabe onde é que este país vai parar...” Entretanto, chega um marroquino que se senta e conversa connosco. Passadas umas horas, Carlo leva-me ao Ostello. É uma antiga escola primária desativada por não existirem crianças na aldeia. Para além de mim, no grande edifício, só há um operário que ainda não voltou do trabalho. Não há net em lado nenhum, por isso não tenho maneira de comunicar para casa. Enquanto cozinho mais uma massa com atum, e sem acreditar que o telemóvel ainda tenha saldo, tento enviar uma mensagem ao meu irmão a dizer onde estou. Sinto a côr e o calor da tentativa de comunicação a desvanecerem-se no ar frio da escola primária vazia. Lá fora continua a chover. 13 de outubro, Cadibona Carlo prometeu tentar ajudar-me a reparar a moto e, às nove da manhã é isso que nos pomos a fazer. Entre as ferramentas e o óleo, fala-me do “Movimento 5 Stelle”. “Este país está entregue aos bichos. Se não são as multinacionais é a máfia. Temos um Sul riquíssimo que tem as mãos atadas pelas teias de anos e anos de controlo das mesmas famílias. Se dantes era à força agora é pior. Os filhos foram à universidade e tornaram-se criminosos de alto nível. A nossa política está toda controlada por forças que estão a milhares de quilómetros de distância do comum italiano. Nós queremos transformar isso de uma vez por todas. Olha aqui.” - Carlo mostra-me fotos de uma grande manifestação, milhares e milhares de pessoas na rua. “Isto foi esta semana. Sabes quanto é que as televisões falaram sobre isso? Nada. Cada canal é controlado por um partido diferente.” Entretanto, na garagem onde há uma Ducati e dois Fiat Cinquecento, Carlo faz um trabalho de artista na Bonnie, deixando o travão melhor do que estava antes da queda. Connosco estão Silvio e o pai de Carlo. Como dois putos, Silvio e Carlo vão trocando calduços e insultos amigáveis enquanto procuram soluções para os meus problemas. No fim a Bonnie está pronta para andar e travar, e eu não tenho desculpas para me esconder da chuva. Sigo. 13 de outubro, Acqui Terme “É seguir, é seguir”, mas se calhar desta vez eu devia era ter ficado paradinho no hostel. Passados pouco mais do que 10 minutos na estrada deparo-me com um camião despistado que bloqueia completamente o caminho. Um carabinieri indica-me um caminho alternativo e lá vou outra vez para o bosque e para as subidas e descidas agudas. Outra dezena de minutos depois a chuva acentua-se. Fiz pouco mais que vinte quilómetros e já estou decidido a encontrar um sítio para encostar e passar o resto do dia e a noite. A chuva intensa transforma-se em bolas de granizo do tamanho de berlindes e eu refugio-me debaixo de um prédio até a coisa acalmar. Quando volto à estrada vejo uma placa a indicar um hostel e aceito o sinal. Volto a subir e subir, só para descobrir que o sinal não me aceita a mim: O hostel está fechado até ao próximo verão. Sigo até Acqui Terrme
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VIAGEM
Lisboa / Istambul de 125 cc - II
debaixo de relâmpagos e chuva violenta. Encontro o hotel mais barato da vila quando já se está a fazer noite. No quarto tento secar as roupas e as botas, mas não há aquecedor nem secador que cheguem para a água que absorvi. Depois de comer qualquer coisa volto ao hotel e encontro o dono. Ficamos umas horas à conversa. Ivo Tavella articula finalmente uma ideia que se vinha desenhando na minha cabeça: “Parece que há um plano para a Itália e para os países do Sul. Cada vez produzimos menos, os políticos dizem-nos que devemos investir no Turismo. Mas já pensaste na diferença do cérebro de um hoteleiro e de um engenheiro, por exemplo? Achas que é bom passar a vida inteira num nível de esforço reduzido a confirmar se há toalhas limpas nos quartos? Há macacos que conseguem fazer isso. A Itália era um grande país. Será que agora nos devemos reduzir a isto? E depois? Depois do verão, como é que é?”. No final seremos povos subservientes, ansiosos por ficar com os trocos dos países do Norte que realmente trabalham para produzir e acumular riqueza. “Deseja mais um café?”, “A sua água está suficientemente quente?” 14 de outubro, Parma Nem as botas nem as luvas estão secas quando me faço à estrada. Também não valeria a pena porque continua a chover. Faço uns bons quilómetros até Piacenza e a atmosfera dá- me uma pausa. Paro um bocado. A cidade é agradável, há sol e gente bonita pelas ruas, mas depois de bater às portas dos sitios mais baratos para dormir e de me dizerem que não há lugar, tenho de voltar a seguir. Chego a Cremona já de noite. Toco à campaínha do único hostel e recebo uma resposta curta e seca: “Não há camas”, o que é longe de bom, já que eu não tenho mais plano nenhum. Caminho carregado com as malas até encontrar um resturante com Wifi. Enquanto como uma pizza descubro que o hostel mais próximo é em Parma. Faço-me mais uma vez à estrada. Perco-me, dou nós nos nervos. Ando para trás e para frente em estradinhas à volta da grande cidade. Já passa da meia noite quando descubro o sítio. Mais uma vez o Ostello della Gioventù está longe de ter um “ambiente jovem”. No meu quarto há um sul-africano que está a fazer um estágio a jogar rugby e um italiano do Sul que dorme cá porque está em transição de trabalhos, logo, de apartamentos. Desço para fumar um cigarro e cruzo-me com um casal que está a subir as escadas. Ele à volta dos 40 e com ar de pintas, e ela africana, à volta dos 20 e com ar de prostituta. Ponho-me a fumar e o tipo da receção junta-se a mim. Queixa-se como se não houvesse amanhã. “Há sete anos que faço isto. Estou por aqui! Esta gaja é uma bêbeda do pior!” Ele desenvolve o tema e eu vou ouvindo. Quando vou mudar de assunto o casal desce. Ela cambaleia. Está de cerveja na mão e saca um cigarro. O tipo de receção, que se estava a queixar dela, oferece-lhe lume. “Não quero nada teu.” A miúda põe-se a gozá-lo. “Tu és um albanês de merda, não és? Eu não quero nada com gente assim”. “Cala-te! Tu nem sabes falar italiano! És de onde? Da Etiópia? E árabe, percebes?” O da receção aproxima a cara da dela e diz-lhe coisas em árabe que soam a insulto feio. O pintas quase não participa: “Não se ofendam”, diz a certa altura. “Tu, faz-me um favor e leva-me esta gaja daqui que hoje não a aturo. Esse quarto aí ao lado está cheio de albaneses, um povo de merda, também o digo, mas não é bom ofender assim as pessoas em voz alta. Leva-a, por favor!” O pintas sorri sem mover
SERÁ QUE HÁ UM PLANO PARA OS PAÍSES DO SUL? QUE NOS
DEVEMOS REDUZIR A ISTO?
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os músculos à volta dos olhos: “eu vou é para casa.” A rapariga aproxima-se e eles falam um bocado em voz baixa. O tipo saca notas da carteira. “Só mais isto, para pagar o quarto. Depois falamos.” O pintas afasta-se no seu Alfa Romeo. A miúda continua a insultar o outro, que agora está bem mais suave. Algo me diz que ainda vão passar algum tempo juntos esta noite. “Aquilo é que é um homem. É aos mil euros de cada vez. Não é como tu, que nem chegas aos 100.” O tipo não lhe responde direto, entra em modo irónico. “Que idade é que tu tens?”, “23”, “És muito jovem.” “Obrigada.” “E qual é o teu nome, mesmo?”, “Honey. O meu nome é Honey...” 15 de outubro, Ilha das Ninfas de Bolonha Chuva, trovões, lama, espetas contra rails, horas perdido à noite no meio do nada. Velejo a Bonnie até à ilha de Bolonha. A chuva continua a cair sobre nós e sobre o mar de alcatrão, mas, quando nos aproximamos do porto, o sol desponta. Depois de atracar a nau igual, procuro pela ilha o meu contacto de Couchsurfing. À porta de um palácio que reconheço pelo número da porta, chamo por SMS para que me recebam. Quem são estas raparigas que se dirigem a mim, serão deusas? Paula é alta, longilínea, os olhos claros, os gestos doces. Fina, leve, quase transparente, move-se em passos que não tocam o chão, olha-me através de feições celestiais que só podem ser trabalho harmonioso dos deuses. E como é que podem estar juntas? Manuela é a Medusa ou fez um pacto com o Diabo. Cabelo preto, olhos pretos vibrantes de um desenho negro alucinante, fluorescentes de tanta escuridão. O corpo próximo da terra, feito de terra, dentro da terra, desperto como o de um gato. Sigo-as até ao interior do palácio onde moram com outros estudantes. Elas oferecem-me uma cadeira e sentam-se em cima da mesa. O meu corpo está sujo, o cabelo oleoso, as minhas calças ainda têm manchas de sangue. Todo eu sou fabricado de tecido mortal e agora maravilho-me, detrás da minha camada de estrada, a observar estes dois seres vindos de outros mundos. Oferecem-me fumo, que eu aceito, e depois de um banho, seguimos para a noite da ilha. Por todo o lado as ruas estão repletas de gente da idade imortal de 21 anos. São milhares e milhares, de corpos e caras sem cicatrizes nem rugas, copo na mão e charro nos lábios; a sabedoria da Universidade, o prazer da noite, o futuro em aberto. 16 de outubro Ainda debaixo dos vapores etílicos da noite anterior, seguimos até outro palácio, onde moram mais estudantes. As ninfas ouvem um tipo de música específico: Reggae. Ouvimo-lo na noite anterior, continuamos a ouvi-lo agora, vamos ouvi-lo pela noite dentro, e ouvi-lo-emos amanhã e até eu voltar a navegar na minha nau igual para outras paragens. Passamos a tarde entretidos com jogos de cartas e fumo. Quando a noite desce, surge outra ninfa, Martina, uma espécie de futura mãe dos teus filhos, muito italiana, de sorriso fácil e olhos quentes, com um fraquinho pela mortalidade e cansaço dos homens, e que, por isso, lhes prepara manjares. Todas as minhas ninfas, embora agora habitem esta ilha, foram geradas no Sul de Itália, umas em Puglia, outras na Sicília. Martina traz com ela iguarias vindas dessas terras distantes: pomodori secchi,
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caponata, salciccia secca, duas saladas magistralmente temperadas, uma de azeitonas e outra de cenoras, e scombro. Banqueteamo-nos, bebemos e fumamos. Entre os sabores que nos inundam os lábios, as bocas e os nervos, as ninfas deixam-me entrever um sombrio segredo sobre as suas vidas. Algo mudará dentro de pouco tempo. A Universidade vai acabar, o mundo do emprego e do desemprego vai absorvê-las e roubar-lhes os seus poderes. Algures no final deste ano, todas elas terão de tomar grandes decisões sobre o futuro, talvez até (crueldade inimaginável), aprender a viver como meros mortais. Algumas serão expulsas da ilha, terão de voltar para as terras em que foram geradas, vaguear pelo Mundo. Como os homens, estarão expostas aos elementos, terão de procurar os próprios alimentos, deixarão de dançar a sua beleza todas as noites ao som de reggae e terão de viver como o resto de nós. E ninguém as prepara para isso, ninguém lhes ensina como fazer a transição. Esse dia virá, elas sabem-no, mas o que acontecerá a partir daí é um mistério a que só os Deuses têm acesso. E que fazer, se nenhuma outra alternativa existe? Dançar. Esse dia chegará, mas ainda não chegou hoje. Hoje, depois do banquete, saímos para a noite da ilha e juntamo- -nos aos outros imortais de 21 anos, celebramos a noite e a celestial vida desta ilha. Mas eu, eu não sou um imortal. Eu sou feito de carne e ossos e sangue, e sinto o fumo e a música das ninfas a sugarem-me a energia - a minha energia mortal feita de medo e de vontade - a minha única gasolina, que me obriga a chicotear os meus cavalos e a seguir. Talvez com a ajuda de algum Deus que me protege mas que não se me revela, consigo quebrar o feitiço. Os meus olhos desviam-se da beleza das ninfas e salvo-me de passar o resto da vida apático a contemplá-las. Fujo para a minha companheira nau igual e zarpo da ilha. De volta ao mar de alcatrão, sinto meu coração em tumulto. Tanta beleza. Quão sedutora esta vida dos deuses. Que perigo para um mortal. 21 de Outubro, Veneza Pela Strada Romea em direcção a Veneza. Um nevoeiro impossível, a paisagem parece de um conto de Poe. Há prostitutas nos recantos da estrada a mostrar os corpos aos camionistas que me ultrapassam e me dão chicotadas de vento. Passa-se alguma coisa com a bateria da Bonnie. As luzes estão a a perder força e acabo por ter de desligá-las antes que que se desvaneçam completamente. O nevoeiro cerrado faz do dia um final de tarde constante, mas é melhor não ter luzes assim do que na noite cerrada. Venho a Veneza para ver uma das cidades mais turísticas do mundo, mas tenho uma surpresa à minha espera. Chego a um hostel numa vilazinha do subúrbio e o que encontro, em vez de turistas, é um pequeno campo de refugiados. São uns quarenta africanos que chegaram em embarcações sobrelotadas e improvisadas a Lampedusa, e que agora esperam uma entrada real na Europa. Não têm visto que lhes permita trabalhar, não falam a língua. Alguns estão por aqui há anos. Passeiam, comem, conversam uns com os outros e mais nada. Estão num limbo minimamente confortável onde nada se desenvolve. Sentamo- nos nas escadas do edificio e trocam-se histórias. Os mais novos têm 17 anos e cruzaram meia África, o Mediterrâneo, estiveram presos na Líbia. Há algo de muito perverso na maneira como estas pessoas estão aqui arrumadas, neste mundinho à parte da Europa onde os brancos bebem capuccinos. As horas passam e as narrativas vão-se acumulando. Mortes no deserto, mães desaparecidas para sempre. Milhares, milhões de filhos de mães e pais de filhos a atirarem-se ao desconhecido, à fronteira da morte. De fuga da escravatura em fuga da escravatura, num movimento preso sem fim à vista.
86.
84 12/2008
HondaCBR600RR Ten Kate
2014
TesTE COMpeTição
CAMPEÃ
DO MUNDO
87.
A CBR600RR regressou
aos títulos mundiais de
Supersport pela mão de
Michael Van Der Mark e,
claro, da Ten Kate Racing.
Fomos testar a nova
Campeã Mundial perto
da sede da equipa, em
Assen.
Texto: Alan Cathcart Fotos: Kel Edge
www.motociclismo. pt 85
Michael Van Der Mark
ascende às SBK na
próxima temporada
88.
86 12/2014
TESTECOMPETIÇÂO
Honda CBR600RR Ten Kate
A o vencer na época finda o título de Construtores no Campeonato do Mundo de Supersport, a Honda não só o fez pela décima vez desde que esta competição alcançou o estatuto de Mundial, em 1999, como o conseguiu com a moto que inventou a classe de 600 Supersport, a CBR600F, apresentada no salão de Paris em outubro de 1986. Desde então, foram fabricadas mais de 800 mil unidades desta e da sua sucessora mais orientada para a pista, a CBR600RR, tornando-a na mais vendida – e certamente a mais lucrativa – moto desportiva jamais concebida, comercializada na maior parte dos países e espinha dorsal de corridas de Velocidade a vários níveis em muitos deles. 2014 foi mais um ano bem sucedido para a formação holandesa Ten Kate Racing (TKR), a equipa que conseguiu a referida sucessão de títulos para a Honda, bem como nove coroas de pilotos até agora, a últimas das quais tinha sido a de 2010 com Kenan Sofuoglu. Desde então a série de conquistas tinha secado, com a CBR600RR a ser aparentemente ultrapassada por modelos mais desportivos da Yamaha e Kawasaki, mas, este ano, houve um regresso ao futuro, com a conquista dos títulos de pilotos e construtores, ainda mais saborosos por terem produzido o primeiro Campeão Mundial holandês na Velocidade em 40 anos, Michael Van Der Mark. A oportunidade de testar a Campeã do Mundo de Supersport em Assen – apenas a 40 km do quartel-general da equipa em Nieuwleusen – deu-me uma boa perspetiva de como a Ten Kate conseguiu reconquistar a supremacia para a Honda numa classe que esta inventou há quase trinta anos atrás. Tornou-se imediatamente óbvio, na volta em que saí para a pista, que a resposta ao acelerador estava afinada de forma muito agressiva, para uma saída das curvas em força, não só na relação mais baixa mas também em segunda e terceira. Isto custou-me algum tempo de adaptação numa curva apertada como o gancho de Strubben, por detrás das boxes de Assen. Mas, nas outras curvas mais rápidas, o modo como a Honda disparava à saída era verdadeiramente explosivo – fiquei contente por ter à minha disposição o mapa de ignição mais suave, dos dois que o piloto pode escolher para usar no final da corrida com os pneus gastos. Esta resposta inicial é o cartão de visita para os impressionantes regimes médios desta Honda, com um empurrão forte a partir das 8.000 rpm e até acender a luz vermelha no topo do painel após as 15.800 rpm, a avisar que está na altura de passar para uma mudança mais alta. A performance em alta é igualmente notável, digna de uma superbike de há alguns anos atrás, embora nunca tenha puxado a sério por uma sexta velocidade no sinuoso traçado atual de Assen. “A Kawasaki e a MV são melhores em baixos regimes que a Honda, e é por isso que a resposta inicial ao acelerador é tão agressiva, para contrariar esse facto”, diz-me Michael após o teste. “Eu levo-a até acender a luz para trocar de caixa, mas tento nunca chegar ao corte de ignição, uma vez que, sem ride by wire, o corte é brusco e perdemos ritmo. Mas temos melhores regimes médios que os outros, e a nossa moto tem sido a mais veloz o ano todo em velocidade
A CBR600 já deu nove títulos de Supersport
a pilotos Honda
89.
www.motociclismo. pt 87
Gerrit Ten Kate
O Mago das Supersport
LARGAMENTE ACLAMADO EM TODO O MUNDO como o mago
da preparação Supersport, tendo desenvolvido os motores Honda da
sua própria equipa que, para além de terem ganho títulos mundiais
de Superbik e de Supersport, bem como campeonatos europeus de
Superstock 600, conseguiram também, sob a forma de réplicas, levar os
seus clientes a vencer campeonatos em diversas partes do globo, Gerrit
Ten Kate é o engenheiro dos engenheiros – o guru da performance
que os seus rivais admiram e tentam emular.
OK, Gerrit – qual é o segredo do vosso sucesso? Que dicas podes
dar sobre como fazer um motor de produção, de uma moto de estrada,
entregar níveis tão improváveis de performance extra? “Bem, antes de
mais a injeção eletrónica de combustível veio tornar o trabalho bem mais
fácil, uma vez que esteja devidamente calibrado e tivermos aprendido a
mapeá-lo corretamente”, diz-nos Gerrit. “É mais fácil de entender do que
os carburadores e não é sensível a alterações meteorológicas. Começamos
pela resposta em baixas, e certificamo-nos de que escolhemos da prateleira
as melhores bielas e pistões, que todas se equiparam o mais possível entre
elas. Depois passamos para os cárteres, verificamos se têm um bom fluir do
óleo, e procuramos uma boa cambota, com uma superfície limpa que não
tenha demasiados poros, como acontece com algumas. Também verificamos
o fator equilíbrio, e ficamos apenas com as melhores.
Em seguida prestamos muita atenção às medidas – todos os prepa-radores
o fazem, mas isto é muito importante num motor Honda em que
temos um carreto numa extremidade da cambota, e temos de registar
tudo ou teremos problemas com isso.”
Mas o tipo de potência que vence Campeonatos Mundiais de Supers-port
e se tornou imagem de marca das motos da Ten Kate vem, principal-mente,
da cabeça do motor – o que faz Gerrit nesta área? “Procuramos
por uma boa unidade, com as sedes das válvulas bem instaladas e com
todas as condutas de dimensões idênticas, o que nem sempre é o caso num
produto de produção em massa. Desbastamos a cabeça para a aumentar a
compressão, tal como as regras nos permitem, e, depois, começamos a tra-balhar
nas condutas – não retiramos muito metal nem polimos as condutas,
pois se estiveram demasiado lisas não
funciona. O que fazemos é dar muita
atenção às suas dimensões, pois estas
têm de ser o mais aproximadas possível. Se
não acertarmos nesta fase, OK, o motor funciona,
mas não conseguimos extrair os últimos dois ou três cavalos, e
é isto que faz diferença em pista numa classe como a de Supersport, onde
há restrições a nível de preparação.
Isto pode levar várias horas de banco de ensaio para acertar, mas o
banco acaba por nos dizer que encontrámos o caminho certo e, então,
tentamos replicar o mesmo trabalho em todas as outras. Usamos vál-vulas
de origem, como é obrigatório, e alternamos entre as cames do
kit de fábrica e outras que desenvolvemos nós próprios, dependendo
do circuito – construímos motores diferentes para os circuitos sinuosos
e para os rápidos. As nossas cames dão-nos um pouco mais em médias,
enquanto que as do kit favorecem mais a potência em altos regimes.”
No entanto, tal como muitos clientes satisfeitos em todo o Mundo
podem confirmar, a TKR não tem problemas em vender uma moto me-canicamente
idêntica à de Michael Van Der Mark por 80 mil euros, seja
com eletrónica MoTeC ou HRC. Dez dessas CBR600RR foram vendidas
para a época de 2014, de um total de 50 motos vendidas para todo
o Mundo, que incluíram, não só as Supersport e Supertock 600, mas
também algumas RC250R de Moto3 preparadas pela Ten Kate.
“Mas o mercado mudou bastante nos últimos tempos”, refere Gerrit, “uma
vez que na maioria dos países não existe uma classe 100% de Supersport ao
nível que temos no Mundial, com a maior parte dos campeonatos a passa-rem
para competições de tipo Superstock. Muito do que fazemos agora são
montagens de motores para Superstock, mas as tolerâncias das Honda de
produção em massa tornaram-se muito, muito reduzidas. Eles estão a fazer
um trabalho muito bom para uma moto de produção em série, só que isso
não é tão bom para nós, enquanto preparadores! Fazendo só a montagem
significa que conseguimos tirar apenas mais cinco cavalos face ao motor de
origem, por isso eles estão a tirar-nos o negócio!”
90.
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máxima,apesar de eu ser tão alto e de pilotar com os cotovelos de fora, algo que não consigo evitar.” A postura de Michael é, de facto, fora do comum, com a sua Honda a ter uma altura do assento ao solo notavelmente superior à superbike de Johnny Rea que pilotei nesse mesmo dia, e com poisa-pés elevados, apesar das longas pernas do jovem holandês, mas colocados bem para trás. Isto resulta numa posição bastante “esticada” ao longo da moto, o que, calculo, seja o modo como ele ajuda na aerodinâmica. “Sento-me sempre bastante em baixo na moto – acho que vem dos meus tempos da Aprilia 125 Junior Cup há dez anos, quanto tínhamos de trabalhar para sermos o mais aerodinâmicos que fosse possível, numa moto que era bastante lenta”, diz Michael. “O meu estilo é sair da moto nas curvas, mas manter-me bem em baixo e inclinado para a frente, o que ajuda a impedir que a frente levante.” A meio da primeira volta que fiz em Assen com esta Honda Campeã do Mundo, recordei-me logo porque é que gosto tanto de pilotar estas motos: somos nós que mandamos, não a moto, como acontece nas MotoGP e em algumas superbikes. Isto quer dizer que nos podemos deliciar em dar o máximo, dentro das nossas capacidades e nível de talento, e sermos recompensados em diversão e bons tempos por volta. Mais de 147 cavalos numa moto que pesa 158 kg com o depósito a meio entregam uma performance entusiasmante, especialmente pois, para uma moto campeã, nas curvas apertadas da zona interior do circuito, após a resposta feroz inicial ao acelerador, a entrega de potência parece surpreendentemente refinada e suave no seu crescendo, com um bom sobre-regime em altas rotações, e mesmo quando a luz de troca de mudança começa a piscar. Pelos padrões de Supersport, parece quase irrelevante qual a mudança com que espicaçamos a Honda TKR, graças à enorme e inesperada faixa de potência utilizável para uma 600, que entrega um forte e irresistível empurrão à saída das curvas. Parece realmente improvável o facto de estarmos a pilotar uma 600 cc, e não uma moto de 750 cc ou mesmo maior. Mas, para além disto e como sempre ao longo da última década em que tenho testado as campeãs de Supersport da TKR, a agilidade é realmente o ponto forte da CBR, muito graças às suas proporções minimalistas que, no entanto, não são tão minúsculas pelos padrões de Supersport como as da, ainda mais pequena, Yamaha R6, que comparativamente mais parece uma 250GP a 4 tempos (é mais pequena que uma Moto2). Quando a deitamos numa curva, mesmo ainda agarrados aos eficazes travões radiais, a Honda cola-se ao centímetro à trajetória escolhida, tornando a velocidade em curva ainda maior devido à redução do travão- motor graças à embraiagem deslizante. Esta moto pequena e leve sente-se muito reativa e ágil, é fácil fazer com que cumpra o que lhe pedimos, e, em simultâneo, sente-se que é equilibrada e previsível, de modo algum nervosa, apesar da geometria de direção bastante agressiva e do pouco peso. Muda de direção muito bem, com o pneu dianteiro colado à pista, mesmo quando vamos aumentando a velocidade de passagem em curva com o decorrer das voltas. “A frente é uma das melhores coisas desta moto – nunca temos de nos preocupar com ela, o pneu simplesmente cola-se ao
TESTE COMPETIÇÂO
Honda CBR600RR Ten Kate
A Ten Kate continua a fazer magia nos seus motores de Supersport e, na moto de Van Der Mark, extraiu 147 cv amplamente utilizáveis
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Uma moto reativa e
rápida de direção mas,
em simultâneo, estável
e que inspira confiança
Michael
Van Der Mark
A TRAJETÓRIA DE MICHAEL VAN DER MARK,
“a.k.a.” Magic Mikey, rumo ao motociclismo de nível
mundial começou em 2005, aos 12 anos de idade,
quando o seu pai Henk o levou para um parque in-dustrial
perto da sua casa em Gouda, a capital holan-desa
do queijo, para experimentar a Aprilia RS125R
de estrada que lhe tinha comprado para correr na
Aprilia Junior Cup desse ano. Faltava apenas uma
semana para a primeira corrida e Michael nunca tinha
conduzido uma moto antes, apenas uma “acelera”!
Mas o facto de Henk Van Der Mark ter sido um piloto
de topo na Resistência nos anos 80 significava que
Michael tinha as corridas de moto no sangue.
Só correu mal uma coisa – após o final da sua
primeira reta, metendo mudanças pela primeira vez
e com Henk a segui-lo no carro da família, o pequeno
Michael achou que era pequeno demais para chegar
ao chão com os pés e deixou-se cair para o lado junto
com a moto. “Ele cresceu um bocadinho desde essa
altura!”, brinca Henk, “e não demorou muito a ser mais
rápido do que eu.”
Nessa época de estreia em 2005 foi 4º no Apri-lia
Junior Cup, e 2º no ano seguinte, antes de passar
para o campeonato holandês Open em 2007, numa
Honda RS125R. Aí foi novamente vice-Campeão,
sendo proclamado Rookie do Ano, e na época se-guinte
conseguiu o título, enquanto ganhava valio-sa
experiência como wild card em algumas corridas
dos campeonatos alemão e espanhol. Também fez
uma estreia em Grande Prémio, sendo 26º em Assen
como wild card. Em 2009 Michael ganhou o título
holandês de 125GP pelo segundo consecutivo. Uma
época completa de GP desenhava-se para 2010, mas
a falta de fundos fez a equipa de Michael abandonar
as 125GP, levando-o a mudar de campeonato e correr
com uma CBR600RR da Ten Kate na última prova do
Europeu de Superstock 600, em Magny Cours. Foi
7º nessa corrida de estreia – a sua primeira numa
4T – assegurando um lugar para a época seguinte.
Michael foi então 3º no final da temporada de 2011
de STK600, somando quatro vitórias em dez corridas,
para se sagrar Campeão na época seguinte. Este título
valeu-lhe a promoção para as Supersport em 2013,
sempre com a Ten Kate, tendo subido ao pódio logo na
primeira corrida. Terminou o ano em 4º, apesar de um
pé partido a meio da época e, pelo caminho, venceu
as 8 Horas de Suzuka na sua corrida de estreia com
uma superbike, fazendo equipa com Leon Haslam e
Takumi Takahashi – a mesma equipa que repetiria o
feito em 2014. Este ano conquistou o título mundial
de Supersport a duas corridas do fim, tornando-se no
primeiro Campeão do Mundo holandês na disciplina
de Velocidade em 40 anos.
Com dois títulos em quatro épocas na Ten
Kate, era inevitável subisse ao Mundial de SBK em
2015, com um contrato de dois anos. “Estou muito
feliz com este próximo passo”, diz Michael. “Tem sido
uma grande experiência estar com esta equipa e nunca
esteve sequer em questão ir para qualquer outro sítio.
O Mundial de SBK em 2015 vai ser muito interessante –
existe um novo regulamento técnico que deverá jogar em
favor da Honda e julgo que teremos algumas surpresas.
Embora a eletrónica seja uma grande mudança para
mim, já mostrei que posso pilotar uma superbike e mal
posso esperar para começar”.
Tendo obtido a carta de condução de camiões
aos 18 anos, Michael entrou para o negócio da família,
trabalhando para a empresa de camionagem do seu
pai. No primeiro ano no Mundial de Supersport, em
2013, ainda conduzia camiões quando não tinha corri-das,
o que lhe deixava menos tempo para preparação
física, mas isso parou na época finda, durante a qual se
pôde dedicar muito mais à sua preparação e condição
física. “O meu treinador pessoal é um antigo treinador de
boxe com 80 anos, que ainda consegue dar um gancho
de direita devastador! Passar mais tempo com ele este
ano tornou-me mais ágil, forte e bem preparado. Estou
muito melhor equipado para suportar as exigências das
corridas, tanto física como mentalmente. A corrida de
Suzuka foi realmente difícil este ano devido à chuva
torrencial, por isso, embora fisicamente não tenha sido
tão árdua, foi muito dura mentalmente e tenho certeza
de que o meu treino compensou. Mas ainda estou a
treinar para colocar um bom gancho de direita!”
chão”, reforça Michael Van Der Mark. “A
travagem é também muito boa este ano,
depois de termos encontrado um melhor
modo de gerir o travão-motor – e as novas
pastilhas SBS fazem com que não seja tão
agressiva, mas muito consistente. Nunca
agarram, por muito que apertemos o travão,
apenas vão parando a moto de forma muito
forte. Só uso o travão traseiro em curvas
longas, para ajudar a endireitar a moto à
saída. Ao travar para curvas lentas desço as
mudanças todas de uma vez, até à segunda, e
depois temos de esperar um pouco para meter
primeira, se for preciso, porque de outro modo
não entra.”
Esta é uma moto compacta, rápida de
direção, que podemos alternar de ângulo
em ângulo facilmente numa chicane
ou numa sequência de curvas, mas que
também é ultra estável em curvas longas – e
continua muito, muito rápida, agora ainda
com mais potência e entregue durante
mais tempo. É reativa mas também inspira
confiança, e é completamente intuitiva de
se pilotar. É um pacote completo e bem
composto, uma Campeã do Mundo digna,
o tapete voador que levou Magic Mikey ao
título de Supersport.
92.
90 12/2014
moTode culTo
Honda VF 1000R Um V4 de 998 cc com comando
de cames por carretos e uma
potência máxima de 122 cv,
um recorde para a época
93.
www.motociclismo. pt 91
HONDA VF 1000 R
Há exatamente trinta anos, a Honda lançava a sua primeira desportiva 1000 cc de produção com
motor V4. A vida comercial da VF1000R não foi longa e a sua carreira em competição acabou por
não ser a desejada, mas a fórmula do sucesso tinha começado. Texto: L.C. Sousa Fotos: Markus Jahn; Arquivo Numa altura em que a Honda anuncia, como podem ler
noutra secção desta revista, o protótipo – praticamente
o produto final – daquela que será a moto de série
mais cara do Mundo, a fabulosa RC213V-S que navega
na esteira do sucesso em MotoGP da moto que lhe deu origem, vale a
pena recordar que, há trinta anos atrás, nem tudo foram rosas para outra
Honda V4 de 1000 cc, a VF1000R.
Depois do seu primeiro V4 produzido em série, lançado em 1982 para
equipar as VF750S, ou V45 nos Estados Unidos, a Honda quis avançar para
a conquista das mais importantes competições no crucial mercado norte-americano,
nomeadamente o Campeonato AMA TT-F1 e as prestigiadas
200 Milhas de Daytona. Nesse mesmo ano, Freddie Spencer e Mike
Baldwin alinharam na Daytona 200 com a revolucionária FWS1000,
equipada com um V4 de 1024 cc que debitava mais de 150 cavalos.
As FWS perderam a corrida devido aos pneus, com o traseiro a ter
de ser trocado durante a corrida (ao contrário das rivais), mas a
temporada terminaria em glória com Mike Baldwin a vencer o título de
TT Formula 1 aos comandos de uma FWS, que se tornaria na primeira
moto a quatro tempos a triunfar naquele campeonato.
E foi tendo como ponto de partida a FWS que surgiu a VF1000R.
Esta desportiva topo de gama, supostamente a base para usar em
competições de TT F1 na América e na Europa, bem como nas corridas
de Resistência, chegou à Europa em março de 1984, a par da estradista
VF1000F que, ao contrário da R, apenas tinha uma pequena
carenagem em torno da ótica e dos avanços.
Nos Estados Unidos e no Canadá a R apenas chegaria um ano
depois, em 1985, satisfazendo os insistentes pedidos do mercado
americano, que se lamentava de apenas ter direito à versão F. As
diferenças entre as duas não se ficavam apenas pela estética, pois
o bloco de 998 cc foi bastante alterado para a versão R, que tinha o
comando das cames por carretos, ao contrário da F, que era por
corrente, e existiam ainda outras diferenças ao nível da ergonomia,
travões e suspensões.
Com 122 cv declarados (113 cv na versão F), a VF1000R tornava-se
na moto de série mais potente do momento e, ao marcar 240 km/h,
uma das mais rápidas, coroa que não manteve pois cedo foi superada
pela primeira das Ninja, a Kawasaki GPZ 900R.
Mas aos números de potência da VF1000R somavam-se também
outros não tão agradáveis: o peso excessivo. Acusando 272 kg em
ordem de marcha - com óleo e o depósito de 25 litros de gasolina cheio
-, pesava bem mais que as suas rivais e mesmo que a VF1000F, que era
cerca de 20 kg mais leve. Para além disto, a R, que contava com uma
melhor resposta em baixas e médias rotações, debitava a sua potência
máxima por volta das 9.500 rpm, enquanto a F continuava a puxar até
às 11.000 rpm, entregando efetivamente mais potência que a sua irmã
desportiva em altos regimes. Para além disto, segundo os relatos dos
testes da época, a VF1000R era pesada de direção, volumosa e instável
em travagem, pelo que, quem optava pelas Honda nas competições
com motos de produção, acabava por escolher a VF1000F.
Por todas estas razões, e porque a aceitação no mercado também
foi modesta, VF1000R foi descontinuada no início de 1988. Mas a Honda
sabia que estava no caminho certo e a verdade é que as V4 acabaram
por triunfar, tanto no mercado como em competição – e, aqui, seja em
motores a 4 tempos como a 2T. De facto, enquanto a VFR750F iniciava a
sua trajetória triunfante nos mercados europeu e norte-americano e a
VFR750R RC-30 viria a tornar-se na primeira Campeã Mundial de
Superbike, em 1988 e 1989, as dois tempos NSR500 V4 faziam história
no Mundial de Velocidade. E o “V” da vitória continua, até hoje, a
engrossar o palmarés da Honda em MotoGP.
FICHA TÉCNICA: 4 cilindros em V a 90º, 998 cc; DOHC, 4 válvulas p/cilindro; potência
máxima declarada de 122 cv às 10.000 rpm; binário máximo 92 Nm às 8.000 rpm; di-mensões
77 x 53.6 mm; taxa de compressão 10.2:1; quadro perimetral em aço, for-quilha
com bainhas de 41 mm, ajustável em três vias, 155 mm de curso, amortece-dor
Pro-Link ajustável em três vias, 123 mm de curso. Travagem: dois discos com
pinça de dois pistões (F), disco com pinça de pistões opostos (T); medidas dos
pneus 120/80-16’’ (F) e 140/80-17’’ (T); distância entre eixos 1505 mm; altura do as-sento
810 mm; distância mínima ao solo de 135 mm; peso a seco declarado de 238
kg (272 kg com gasolina, óleo e água); 0-100 km/hora em 3,4 segundos.
MERCADO: Com a VF1000R a assumir cada vez mais o estatuto de mo-to
clássica, sendo peça importante no historial dos V4 Honda e sem
números de produção massificados, é raro encontrar online mode-los
em bom estado abaixo da fasquia dos 4000/5000 €. Geralmente
bem para cima deste valor.
INTERNET: www.honda.vf1000.com ou www.hondavf1000r.fr
são duas boas fontes de informação
Trinta anos depois, a VF1000R é hoje
uma moto muito cobiçada no
mercado de usadas
www.motociclismo. pt 93
S egundo consta no seu perfil, Keanu Reeves desloca- se quase exclusivamente de moto e só teve dois automóveis ao longo da vida. Desde a Kawasaki de enduro que foi a sua primeira moto à Norton que se seguiu e que marcou o início da sua paixão pelas motos da marca inglesa, a primeira das muitas que teve, até às motos que vai comprando para rodar enquanto está em filmagens – já teve uma Suzuki GS1100E e uma GSX-R 750, uma BMW 750 de 1974, uma Kawasaki KZ 900, uma Moto Guzzi e uma Harley-Davidson Shovelhead de 1984, entre outras – o ator de nacionalidade canadiana ganhou o estatuto de motociclista convicto. Será que ainda o é? “Mais do que nunca”, confirma o próprio. “Andar de moto é uma das melhores coisas que podemos fazer para desanuviar a cabeça; sentir o movimento e a velocidade.” Agora com 50 anos de idade – sim, o homem que desempenhou o papel de um dos adolescentes preguiçosos que viajavam no tempo em “Bill & Ted’s Excellent Adventure” já atingiu o meio século -, o amor de Reeves pelas duas rodas está quase tão bem documentado como a sua presença no grande ecrã. Com tantos pontos altos na carreira - dos quais “Matrix” é um bom exemplo - como passos em falso, tais como “Drácula de Bram Stoker”, a passagem de Keanu Reeves pelo cinema tem sido uma montanha russa, algo que se reflete na sua busca apaixonada pelas emoções da vida na estrada. Mas, apesar de todas as atribulações da sua carreira – que ele espera agora relançar com o seu novo filme, “John Wick” -, Reeves sempre recusou a deixar que isto o afetasse demasiado. As motos ajudaram nisto, bem como o seu novo projeto com a Arch Motorcycles Company, que desenha motos para fazerem a “ligação entre o moderno e o clássico, o estilo e a performance, a customização e a produção em série.” No seu site da Arch, Keanu Reeves gaba-se de ter feito “dezenas de milhar de milhas em toda a espécie de motos, por todo o Mundo”, mas, ao contrário do que sucede com a maioria dos petrolheads, o seu amor pelas motos não começou enquanto adolescente no Canadá.
Texto: Georgina Langford / Motociclismo
Para além da sua carreira como ator, Keanu Reeves também é reconhecido como motociclista convicto e, mais recentemente, co-fundador da sua própria marca de motos, a Arch Motorcycles.
A ESTRADADE KEANU
Longe das suas motos quando está fora em filmagens, Reeves costuma comprar uma moto no local. À direita, com a Arch KRGT-1
96.
94 12/2014
ENTREVISTA
Keanu Reeves
À margem da sua carreira
no cinema, a mais recente
aventura de Keanu Reeves
foi o lançamento da Arch Motorcycles
em parceria com Gard Hollinger, tam-bém
ele um artista, mas da custom-ização
de motos. A sua experiência
como motociclista deu a Reeves uma
boa perspetiva do que deve ser a moto
ideal, e, em 2007, a busca por essa moto
levou o ator a travar conhecimento com
o construtor Gard Hollinger, de Los An-geles.
Com o tempo e as conversas entre
os dois, ficou claro que partilhavam a
mesma visão sobre o tema e decidiram
avançar para um projeto comum. Dos
esboços e modelos 3D nasceu uma
marca, a Arch Motorcycles. O protótipo
daquele que viria a ser o primeiro mod-elo
da Arch, a KRGT-1, nasceu com base
numa H-D Dyna Wide Glide de Reeves,
e a versão de produção passou a estar
disponível em 2013, mas com diversas
alterações face ao protótipo. O motor
foi criado especificamente para a Arch
pela S&S, um bicilíndrico em V a 45º
de 2032 cc, debitando 121 cavalos
medidos à roda, mas o que verdadei-ramente
chama a atenção na KRGT-1
são os componentes da ciclística e a
aparência final, limpa, pura e agressiva.
O quadro tubular em aço tem vários
componentes em alumínio maquinado,
as suspensões estão entregues à Öh-lins,
com uma forquilha invertida com
bainhas de 43 mm, totalmente regu-lável,
e um amortecedor Race Tech na
traseira. As jantes ultraleves BST são
feitas em carbono, montando um lar-go
pneu traseiro de 240/40-18’’ e um
dianteiro de 120/70-19’’, e nelas estão
fixos discos de travão ISR com pinças
monobloco de montagem radial, de
seis pistões na frente e quatro pistões
atrás. O preço para tudo isto? 78 mil
dólares (62 mil euros), na versão base,
com diversos elementos suscetíveis de
serem feitos à medida para o cliente,
tanto a nível de conforto e ergonomia
como de performance.
A aventura da
Arch Motorcycles
A Arch KRGT-1:
121 cv à roda,
ciclística de topo
e... 62 mil euros
97.
“Não, não começouaí, eu aprendi a andar de moto relativamente tarde na minha vida. Comecei aos 22 anos, quando estava a filmar num estúdio em Munique, na Alemanha. Havia uma rapariga que andava por ali com uma bela Kawasaki de enduro e, um dia, pedi-lhe para ela me ensinar a andar de moto. E foi assim que aprendi a andar, rodando com essa moto pelos estúdios quando ela não a estava usar, e quando voltei para Los Angeles comprei a primeira moto parecida com essa que encontrei. Ainda tenho uma foto dela.” No entanto, esta história não teve um final feliz. “Infelizmente, desapareceu quando a emprestei a um amigo e foi roubada quando estava parada em frente à casa dele.” A sua substituta foi uma “Norton de 1971, amarelo-canário. Depois disso fui a um sítio chamado Supertwins, que existia aqui em Los Angeles nos anos oitenta, e acabei por comprar também uma Norton Commando de 1973, que ainda tenho hoje em dia,” diz-nos. Essa moto já não é, no entanto, levada aos limites como acontecia na juventude do ator. “Já não ando tão depressa como antes”, confessa, referindo as lesões como razão. “Não é que me surja uma sensação de medo, só que já tive a minha dose de acidentes, uma rotura no baço e muita pele raspada, de modo que, realmente, já não sinto tanto a necessidade de testar os meus limites. E também já não uso o andar de moto como um meio de me livrar da raiva ou frustração, como costumava acontecer. Quando era mais novo, costumava pegar na moto, sair para a estrada e andar o mais rápido que pudesse, basicamente deixando toda a raiva na estrada. Mas, após umas quantas quedas, começamos a pensar que, se calhar, esse não é realmente o melhor estado de espírito para se estar quando conduzimos uma moto a alta velocidade!”, diz-nos a rir. Se é verdade que Keanu Reeves abrandou na estrada, os seus filmes, no entanto, continuam tão cheios de adrenalina como sempre. Ele sempre esteve no seu melhor quando a ação é intensa, e “John Wick”, um thriller no qual Keanu protagoniza um antigo assassino profissional em busca de uma vingança brutal contra a mafia russa, permite que ele se entregue “a um papel em que sentimos tanto a intensidade emocional da personagem como a sua capacidade de agir em função disso”. Apesar do seu amor pelas motos, Reeves também está ainda, claramente, apaixonado pela sua profissão de ator. “Adoro ser ator, é a minha arte. Eu odiava a escola e, quando tinha 15 anos, cheguei ao pé da minha mãe e disse-lhe, “Não há problema se eu for ator?” Ela respondeu algo como, “claro, o que tu quiseres!” Três semanas mais tarde comecei a ter aulas de representação. Quanto ao representar em si, acho que é um pouco como ouvi o Anthony Hopkins dizer uma vez: vais aprendendo ao fazê-lo, é como pintar. A arte e o talento envolvido, o modo como se trabalha, é similar ao criar uma obra na tela. Quanto mais o fazemos, mais aprendemos.”
“Já não uso as motos como um meio para
me livrar da raiva
ou da frustração”
01/2015
Nº 285
O primeiro teste à nova moto “hipster” da Ducati,
num ambiente muito especial que vai colocar à
prova as suas capacidades e realçar a sua imagem
Este ano, avance para a viagem que tem
estado a adiar: eis dez propostas para
andar de moto nos cinco continentes
Outros testes
- Kawasaki Versys 1000 e 650
- BMW R 1200 R
Viagem
Chega ao fim a aventura “Ao Sul”, que
durante três meses nos levou de Lisboa
a Istambul numa 125 cc
DUCATI
SCRAMBLER
DEZ DESTINOS
DE SONHO PARA 2015
OUTROS TEMAS ///
O teste a uma moto
de alma estradista e
coração selvagem, a
MT-09 Tracer
YAMAHA
TRACER
TAMBÉM DISPONÍVEL
RSV4 & FRIENDS
Uma Aprilia RSV4 Factory, alguns amigos
e, ainda, a moto de Sylvain Guintoli