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O DESENHO COMO FERRAMENTA DE
DESENVOLVIMENTO NO PROCESSO EDUCATIVO:
CONCEPÇÃO E ANÁLISE
Aline Cristina Lopes Rodrigues
Cristina Filomena Baizi Boaro
Maria Aparecida Ferreira da Costa Carvalho
Paula Dias de Oliveira
Faculdade Interativa COC
Curso de Pedagogia
Pólo: São José do Rio Pardo – SP
Orientadora: Profa. Ms. Muriel Carmo Lameira Ancelmo
RESUMO
O presente estudo investiga o processo de desenvolvimento da personalidade, das capacidades
motora, cognitiva, lingüística e intelectual da criança e seu comportamento, através do
desenho. Na investigação, utilizamos como fontes os materiais didáticos produzidos (livros,
revistas, internet), alguns documentos pedagógicos, psicopedagógicos e psicológicos,
possibilitando uma real aprendizagem e ampliando o nosso olhar. Assim, mostraremos que o
desenho, instituto eminentemente humano, é o buscar dentro de si a sua palavra através de um
risco ou traço. É um processo de conhecimento, de enfrentamento interno e da realidade
externa. É deixar a mão correr, brincar, seguindo os olhos e o coração, deixando os
pensamentos e sensações marcados no papel. Acreditamos na eficiência da ARTE como um
dos recursos para o alcance do desbloqueio e o aflorar dos sentimentos e da expressão. Em
linhas gerais, estes são os aspectos que serão tratados com maior envergadura no decorrer
desse trabalho.
Palavras - chave: desenhos, diagnósticos, investigação, aprendizagem.
2
INTRODUÇÃO
O propósito, por assim dizer, deste estudo é possibilitar àqueles que nunca estudaram
a pedagogia, ou mesmo aos já formados, o conhecimento da importância do desenho,
desmistificando-se preconceitos arraigados em nossa sociedade e fazendo com que as relações
fáticas já existentes no nosso meio social possam ser, quando discutidas, encaradas
naturalmente.
Veremos que o desenho, produto eminentemente humano, é o buscar dentro de si a
sua palavra através de um risco ou traço. É um processo de conhecimento, de enfrentamento
interno e da realidade externa.
Acreditamos, assim como Lelis (2001), “na eficiência da ARTE como um dos
recursos para o alcance do desbloqueio e o aflorar dos sentimentos e da expressão!” (p. 12-
13).
Em linhas gerais, estes são os aspectos que serão tratados com maior envergadura no
decorrer desse trabalho. No primeiro capítulo tratamos da parte histórica do desenho para
entender a sua evolução. No segundo capítulo tratamos do desenho na fase educacional, sua
importância, seu desenvolvimento e a avaliação desses desenhos para o entendimento do que
se passa com a criança. No terceiro e último capítulo tratamos da extrema importância da
parceria “escola-família” para o completo desenvolvimento da criança.
1. O DESENHO E AS SUAS BASES HISTÓRICAS
Segundo estudos encontrados no “portalsaofrancisco”, a história do desenho começa
quase que ao mesmo tempo em que a do homem. Assim, sabemos que “o desenho” surgiu
como uma forma das pessoas se comunicarem facilitando o desenvolvimento de uma
linguagem falada e escrita. Nas cavernas ficaram gravados, por meio de desenhos, os hábitos
e experiências dos ditos “homens das cavernas” que usavam as pinturas rupestres como forma
de se expressar e comunicar antes mesmo que se consolidasse uma linguagem verbal. Para o
homem pré-histórico, a arte cumpria a função de um domínio mágico sobre as forças da
natureza. Ao desenhar um bisão nas profundezas de uma caverna, supunha ter poderes sobre
ele. A Arte era produzida pelo homem caçador:
3
Fig. 1 – Desenho de bisões encontrados nas cavernas.
Fonte: www.meirelg.files.wordpress.com
Não queremos com isso afirmar que a prática do desenho tenha surgido ates da fala,
mas, sem sombra de dúvidas a expressão por meio de pinturas facilitou a comunicação dos
povos primitivos.
O interessante dos povos pré-históricos é que não havia distinção clara entre o objeto
natural e o objeto artístico produzido. Ele não tinha consciência da produção simbólica e seu
raciocínio mágico levava-o a não diferenciar a ação artística da ação sobre a natureza. Tendo
poderes sobre a imagem do bisão, supunha ter poderes sobre a caça.
Na civilização egípcia, a Arte tinha uma função religiosa e ganhou um status
sagrado. Reassegurava a crença na imortalidade da alma e eternizava o poder dos faraós. Sua
produção era feita pelos sacerdotes e possuía leis rígidas de representação que se mantinham
por várias dinastias. Para os egípcios uma grave condenação para alguém após a morte é ter
raspados todos os desenhos e inscrições de sua tumba:
Fig. 2 – Desenho Egípcio
Fonte: www.portalsaofrancisco.com.br
4
Os chineses e os povos do continente americano desenvolveram cada qual um
sistema diferente de desenhar, com significados próprios que caracterizaram cada população.
Da mesma forma ocorreu na antigüidade clássica, quando gregos e romanos utilizaram o
desenho para representar seus deuses.
Já na Mesopotâmia o desenho foi utilizado para criar representações da terra e de
rotas, mas de forma bastante primitiva. Assim, com a expansão do Império Romano é que
nasceu a representação cartográfica de rotas comerciais e domínios.
2. O DESENHO NO PROCESSO EDUCATIVO
Como vimos, o desenho é a primeira manifestação da escrita humana e é a primeira
forma de expressão usada pala criança. É a representação de como a criança lê o mundo,
enxerga a vida, expressa o que sente. Nesse sentido procuramos investigar a relação entre
Arte e o desenvolvimento do desenho na Educação Infantil.
Acreditamos que o desenho é uma ação espontânea e que não precisa ser
desenvolvido com uma ação pedagógica ou que o aluno precisa reproduzir figuras já criadas
ou até mesmo infantilizadas pelos adultos pintando-as dentro dos seus limites, recortando-as e
colando-as. É preciso deixar a criança livre!
A prática de Arte na Educação Infantil deve proporcionar a criatividade e, para o
alcance desse objetivo o adulto (educadores e pais) deve atuar como agente mediador. A Arte
deve ser uma atividade cultivada, assim como o desenho como forma de produção desta
expressão artística. A escola, juntamente com os pais, nesta concepção, aparece como
promotora de uma Cultura Artística, levando em consideração as condições internas
(desenvolvimento) e as condições externas (aprendizagem) na criança.
Nesse sentido, a importância, tanto para os educadores como para os pais, do
conhecimento das etapas do desenho, é fundamental para avaliar e intervir com uma ação
pedagógica durante o processo. Tão logo, o adulto precisa conhecer e entender as etapas do
Desenho Infantil, a fim de não emitir juízos de valores e querer a mera reprodução de figuras
estereotipadas.
O desenho é uma linguagem com características próprias individuais e de culturas
5
coletivas. Valorizar os rabiscos, experimentar vários materiais como: giz de cera, lápis de cor,
canetão, carvão e os de diversos suportes como papel, chão papelão, areia, parede (conforme a
idade da criança), bem como desenvolver as produções através de descobertas individuais e
coletivas é, proporcionar um melhor entendimento sobre a importância do desenho para as
crianças pequenas.
Sendo assim, segundo os ensinamentos de Coll e Teberosky (2002), o que se
pretende em aulas de artes, é colocar as crianças em contato direto com a arte, com
experiências de fazer formas artísticas e tudo que entra em jogo nessa ação criadora como, por
exemplo, os recursos pessoais, habilidades, pesquisa de materiais e técnicas, a relação entre
perceber, imaginar e realizar um trabalho de arte; como também a experiência de refletir
sobre a arte como objeto de conhecimento onde importam dados sobre a cultura em que o
trabalho artístico foi realizado, a história da arte e os elementos e princípios formais que
constituem a produção artística, tanto de artistas quanto dos próprios alunos.
O desenho precisa ser sempre valorizado pelos educadores e a importância desta
valorização deve ser compreendida e compartilhada pelos pais, pois toda aprendizagem tem
seu valor e o desenho é forma de aprendizagem.
Quando a criança é valorizada naquilo que sabe, sente prazer em aprender. A criança
busca respeito e aprovação dos adultos e essa valoração pelo qual ela passa faz parte do
processo de desenvolvimento na forma de expressão. Se esse progresso não for valorizado, a
criança pode se retrair sentindo-se inferiorizada e incapaz. É certo que todos nós temos
capacidades e quando somos valorizados naquilo que sabemos, desenvolvemos cada vez mais
capacidades.
Nesse sentido, todos nós, pais ou educadores, temos que ter em mente que a criança
se expressa através do desenho e coloca sua vida no papel, com toda a emoção. Quando a
criança se sentir madura, usará com mais facilidade os símbolos gráficos com os quais já vem
tendo contato.
2.1 ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO
Estudos realizados desde o século XX com o francês Georges-Henri Luquet (1969),
o austríaco Viktor Lowenfeld (1977), mostram que através do desenho de uma criança é
6
possível analisar seu caráter, sua personalidade, temperamento e carências. Eles viam na
produção infantil uma forma de entender o desenvolvimento psicológico, sendo possível
também descobrir e reconhecer as fases pelas quais a criança está passando e quais são as suas
dificuldades, como seus pontos positivos. Ao longo dessa seção, destacaremos os quatro
estágios de desenvolvimento do desenho apresentados por Luquet (1969) que são: Realismo
fortuito, Realismo fracassado, Realismo intelectual e o Realismo visual.
Segundo o autor, de início, a criança desenha pelo prazer de riscar sobre o papel e
tenta várias formas de ocupar a folha. Esses primeiros traços aparentemente são sem nexo e
Luquet (1969) os chama de “Garatujas”, onde as crianças pequenas desenham na tentativa de
representar o que interpretam do mundo à sua volta, revelando, assim, o seu olhar. Por volta
dos 18 meses, a criança já se mostra interessada por esses traços e essa fase é denominada por
“Realismo Fortuito”, onde o desenho não possui significado e como o traçado não representa
verdadeiramente nada, ela vai dar a interpretação que ocorrer no momento.
Com muita sutileza, portanto, as garatujas revelam o olhar da criança e são
representadas pelas figuras a seguir:
Fig. 3 - Desenho de Garatuja
Fonte: http://br.monografias.com/trabalhos913/desenho-palavras-palavra/desenho-palavras-palavra2.shtml
Fig.4 - Desenho de Garatuja
7
Fonte: http://caderninho.wordpress.com/page/17/?archives-list=1
Tais desenhos de garatuja assinalam, segundo Luquet (1969), o período de
desenvolvimento da coordenação motora fina necessária para a manipulação de lápis, caneta,
pincel, entre outros. Os desenhos produzidos sobre o suporte como a folha de papel, parede ou
chão, são o resultado do "exercício" da coordenação de ações motoras. Ainda não é possível
detectar o destrismo (uso preferencial da mão direita) e o sinestrismo (uso preferencial da mão
esquerda). Nas figuras números 3 e 4, acima demonstradas, verificamos que o desenho
extrapola as bordas da folha de papel.
Mais tarde, o desenho evidencia-se de modo mais ordenado, com movimentos mais
circulares, ocupando o limite do papel, aparecendo as linhas verticais, depois as horizontais e
por fim as paralelas. Nesta fase o desenho pretende ser realista, embora não consiga por
motivos de ordem física e psíquica (a criança ainda não controla os movimentos gráficos) e
psíquica (a atenção é muito limitada e descontínua). Ainda segundo Luquet (1969) há também
o chamado “Realismo Falhado” (2 e 3 anos), onde as maiores dificuldades são ao nível das
proporções dos elementos do desenho. É muito freqüente vermos desenhos que são só braços,
ou os cabelos são mais compridos que as pernas. As figuras são um pouco estranhas, pois
criança ainda não percebe claramente as posições dos elementos do desenho:
Fig. 5 - Desenho de Garatuja
Fonte: http://fases-do-desenho.pbworks.com/etapas-gr%C3%A1ficas
Entre os 3 e até mais ou menos 6 ou 7 anos, o realismo é ainda muito diferente do
que nos desenhos de um adulto. Nesse contexto, um desenho realista para a criança é aquele
que contém todos os elementos que ela atribui a esse objeto. Esta fase é denominada por
8
Luquet (1969) como “Realismo Intelectual”, onde a visão da criança é subjetiva e
egocêntrica:
Fig.6 - Desenho de criança na fase do realismo intelectual
Fonte: http://fases-do-desenho.pbworks.com/etapas-gr%C3%A1ficas
O “Realismo Visual”, segundo o autor, se dá por volta dos 7 anos de idade, onde a
criança começa a criticar os seus desenhos e a corrigir gradualmente os erros da fase anterior.
Há uma mescla de realismo intelectual com o realismo visual e uma evolução da atenção, mas
por volta dos 12 anos o realismo intelectual já está per perfeitamente adquirido.
Através de todo esse desenvolvimento Luquet (1969) aconselha que o professor
apresente à criança diferentes tipos de desenhos e obras de artes a fim de que elas tenham a
oportunidade de reformular suas idéias e construir novos conhecimentos. Assim, “o desenho
para a criança é uma forma de diversão; um jogo como qualquer outro” (LUQUET, 1969, p.
15).
Por meio do desenho, a criança cria e recria individualmente formas expressivas,
integrando percepção, imaginação, reflexão e sensibilidade, que podem então ser apropriadas
pelas leituras simbólicas de outras crianças e adultos.
O desenho está também intimamente ligado com o desenvolvimento da escrita. Parte
atraente do universo adulto, a escrita exerce uma verdadeira fascinação sobre a criança. Desde
muito cedo ela tenta imitar a escrita dos adultos. Porém, mais tarde, quando ingressa na escola
verifica-se uma diminuição da produção gráfica, já que a escrita (considerada mais
importante) passa a ser concorrente do desenho.
Luquet (1969) ainda nos apresenta o desenho como possibilidade de brincar, o
desenho como possibilidade de falar, de registrar, marcar o desenvolvimento da infância,
porém, o autor destaca que em cada estágio, o desenho assume um caráter próprio. Estes
estágios definem maneiras de desenhar que são bastante similares em todas as crianças, apesar
9
das diferenças individuais de temperamento e sensibilidade. Esta maneira de desenhar própria
de cada idade varia, inclusive, muito pouco de cultura para cultura.
2.2 A AVALIAÇÃO ATRAVÉS DO DESENHO
A Psicopedagogia tem como interesse a forma como a criança pensa e não
propriamente o que ela aprende. Ao olhar a aprendizagem a psicopedagogia busca
compreender como as crianças utilizam os elementos do seu sistema cognitivo e emocional
para aprender, bem como a sua relação com o conhecimento, a qual é permeada pela figura do
professor e pela escola.
Desde criança todos nós gostamos muito de desenhar. Basta um cantinho vazio
de papel ou qualquer outro lugar que possamos rabiscar! Por vezes achamos que esses
desenhos não apresentam nenhum significado, porém psicopedagogos e psicólogos nos
advertem que esses desenhos apresentam diversas interpretações e é por meio de um processo
avaliativo e não só do desenho isolado, que é possível detectar algo importante que a criança
esteja tentando nos transmitir.
É justamente por meio deste processo que tais profissionais buscam detectar, por
exemplo, problemas emocionais, comportamentais, escolares, no âmbito familiar, depressão,
entre outros. Se o problema realmente existir a criança deve ser encaminhada a um
profissional para realização da terapia adequada.
Ao longo do tratamento o psicopedagogo vai colecionando os desenhos. Assim pode
ter uma idéia clara da evolução da criança e, ao mesmo tempo, assegurar-se que a psicoterapia
está obtendo os efeitos desejados.
Segundo Silva (2007), em seus estudos sobre os testes psicológicos e as suas
práticas, existem processos a serem obedecidos pelos profissionais para o melhor diagnóstico.
Os desenhos de casas, árvores e pessoas (HTP – House – Tree – Person) favorecem a
avaliação destes três processos que são: adaptativo, expressivo e projetivo. Essas técnicas são
usadas como testes de personalidade e instrumentos que medem as características emocionais,
motivacionais e intrapessoais, mas, são habitualmente utilizadas em ambientes clínicos e de
aconselhamento.
10
Assim, destacamos os processos de Hammer (1991) para o melhor entendimento de
como se dá o desenvolvimento das crianças em seus desenhos. Sendo assim, temos:
1º) Processo Adaptativo
Consiste na adequação da produção gráfica ao tema proposto, bem como na adequação
do desenho ao grupo etário e ao nível sócio-cultural da criança. O objetivo é verificar se a
produção correspondeu ao esperado para a sua idade e para o seu nível cultural, bem como se
o desenho correspondeu às solicitações que foram feitas.
Para Hummer (1991), os itens de análise e interpretação do processo adaptativo são:
Adaptação gráfica: consiste em verificar se o desenho está de acordo com o
esperado para cada faixa etária e para o nível sócio-cultural da criança.
Adaptação ao tema: consiste em verificar se os desenhos estão de acordo com as
instruções dadas. Permite avaliar se a produção é convencional, original ou
fantasiosa.
Debochar do examinador ou da situação de avaliação: o sujeito deliberadamente
se opõe às instruções, ridicularizando a situação e irritando o examinador. É uma
conduta mais comum em adolescentes.
2º) Processo Expressivo
Neste caso, deve ser analisado no conjunto dos desenhos, pois tal processo diz respeito
à forma do sujeito desenhar, às qualidades gráficas que dão estilo e organização ao desenho,
correspondendo assim, às características de expressão do sujeito.
Para Hummer (1991), os itens de análise e interpretação do processo expressivo são os
seguintes:
Posição da folha que é o ambiente delimitado pelas bordas de papel: quando o
sujeito modifica radicalmente posição em que o papel foi apresentado (se a folha
é apresentada na horizontal, o sujeito a coloca na vertical e vice-versa), a hipótese
levantada é a de que o sujeito pode ter um espírito curioso e cheio de iniciativa,
com tendências à oposição.
Tamanho do desenho em relação à folha: oferece pistas sobre a relação entre o
sujeito (a criança) e o ambiente, fornecendo indicativos sobre a auto-estima,
sentimentos de inferioridade ou superioridade, sentimentos de inadequação,
fantasias compensatórias, entre outras. Nesse sentido, o tamanho do desenho
11
deve ser considerado em relação à área total da folha que ele ocupa, de modo que
desenhos muito grandes que chegam a ocupar toda a folha evidenciam uma
agressividade direcionada ao ambiente, revelando características de descarga
motora ou de controle interno ineficiente. Quando exageradamente grandes,
saindo do papel, indicam uma tendência em compensar sentimentos de
inferioridade refletindo um desejo intenso de expansão que desrespeita os limites
do meio.
Localização do desenho na folha revelando a adaptação do sujeito ao meio e
como ele o manipula: quanto mais para cima estiver o desenho, maior a
tendência de buscar satisfação na fantasia. As figuras presas à margem do papel
podem significar falta de confiança, medo de ações independentes e necessidade
de apoio; as figuras em diagonal podem significar perda de equilíbrio e
insegurança.
Tipos de linhas e consistência do traçado: o tipo de linha (determinado pela
pressão do lápis sobre o papel) e o traçado (conjunto formado pelo comprimento
e movimento da linha) indicam a manifestação de energia, vitalidade e iniciativa.
Correções e retoques: revelam insatisfação com a produção, indicando áreas do
desenho que oferecem dificuldades ao sujeito.
Sombreamento: indicador de ansiedade, conflitos, descontentamento aberto e
consciente. Quanto mais extensa a área de sombreamento, maior a ansiedade.
Resistências: são evidenciadas nos casos de rejeição à tarefa proposta. Podem ser
evidenciadas nas seguintes formas:
o Na negação em desenhar: indica intenso sentimento de inferioridade e de
negativismo, sensação de ser inadequado para o cumprimento da tarefa ou,
dificuldade em arriscar-se e em receber julgamentos.
o Na omissão de algumas partes do desenho: indícios de problemas e
conflitos em relação à parte omitida.
Detalhes no desenho: existem alguns detalhes que são essenciais como, por
exemplo: porta, parede e telhado na CASA; tronco e copa na ÁRVORE; cabeça
(com boca, olhos e nariz), tronco, braços e pernas nas PESSOAS.
Seqüência: diz respeito à atividade psicomotora, oferecendo indicativos sobre a
quantidade de energia e a disposição do examinando.
12
Simetria: existe a preocupação em estabelecer igualdade entre os lados do
desenho. Está associada à necessidade de segurança e equilíbrio interno, bem
como ao apego a esquemas fixos (rigidez) e necessidade de controle. A falta total
de simetria pode ser indicativa de desorganização mental.
3º) Processo Projetivo:
O Processo Projetivo foi desenvolvido por Buck (2003) que denominou como técnica
H. T. P. (Desenho casa – árvore e pessoa). É um teste de personalidade e a seleção destes três
elementos tem por base o seu significado simbólico.
A natureza das técnicas projetivas se caracteriza por realizar uma avaliação global da
personalidade e diferencia-se pelas tarefas que são relativamente não-estruturadas e permitem
uma variedade muito grande de respostas revelando a nossa personalidade.
Buck (2003), em seus estudos, interpreta a casa como o lar e suas implicações como
o clima de vida doméstica e as inter-relações familiares. A árvore pode ser interpretada como
a própria pessoa e nos permite investigar o que se costuma chamar de auto-imagem; os
aspectos projetados na árvore se associam a conteúdos mais profundos da personalidade.
Estes elementos são analisados separadamente e depois em conjunto. Nesse sentido temos,
então, segundo as considerações do autor:
Casa (desenvolvimento do sujeito): Os elementos essenciais na casa são: o
telhado, as paredes, as portas, as janelas e acessórios (chaminé, linha do solo e
etc.). A ausência desses elementos essenciais levantaria a hipótese da presença de
transtornos mais graves ou probabilidade de problemas psicopatológicos. Já a
representação mais lógica e estruturada, melhores são as condições de
funcionamento do ego. O desenho da casa simboliza o lugar onde são buscados
os afetos, a segurança e as necessidades básicas que encontram preenchimento na
vida familiar.
Árvore (o seu crescimento): simbolicamente atinge ao aspecto mais profundo e
básico da personalidade. É um auto-retrato inconsciente da auto-imagem.
Pessoa (figura humana – expressão da integração da personalidade): As
crianças de 3 a 4 anos de idade representam a figura humana com um círculo e,
neste círculo são incorporados o tórax, os olhos, a boca e o nariz. A ausência dos
braços a partir dos 6 anos passa a ser uma preocupação e aos 10 anos é
extremamente significativa. Aos 5 anos de idade os braços são desenhados como
13
extensão da cabeça. Por volta dos 8 anos, a figura humana assume proporções
mais objetivas e realistas, sugerindo a separação entre a cabeça e o corpo (o
pescoço simboliza a ligação entre o físico e o metal).
3. PARCERIA ESCOLA E FAMÍLIA
Além de jogo e diversão, o desenho é para a criança um modo de comunicação.
Muitas são as perguntas e dúvidas que rodeiam pais e principalmente os profissionais da
educação, como por exemplo: O que faço quando não consigo decifrar o desenho de uma
criança? Devo perguntar o que ela desenhou? E se eu não achar bonito? Como devo reagir?
Devemos (pais e professores) demonstrar interesse pelos desenhos de nossos filhos e
alunos, perguntando-lhes o que é e conversar sobre o que desenharam. Isso irá proporcionar
momentos de interação que são muito importantes para a criança. Nesse sentido uma atitude
interessante a ser tomada é a guarda das obras de arte da criança com a data em que foram
feitas para mais tarde lhe mostrar, ou colocá-las na parede do quarto ou no mural da classe
onde a criança estuda ou na sua própria casa. A atenção aos desenhos irá contribuir, sem
sombra de dúvidas, para a construção de uma boa auto-estima.
Na concepção de Buck (2003), “os desenhos também estimulam o estabelecimento
de interesse, conforto e confiança” (p.02).
É preciso respeitar os ritmos de cada criança e permitir que ela possa desenhar
livremente, explorando diversos materiais e suportes. Compreendendo ou não seu conteúdo,
nenhum rabisco é feito ao acaso, todos têm um sentido e demonstram a forma de pensar e de
interpretar o mundo da criança.
Desenhar é uma das atividades que dá mais prazer às crianças. É a sua forma especial
de comunicar as suas idéias e sentimentos. É, por assim dizer, a mais pura expressão dos
sentimentos e, além disso, uma das melhores diversões. Tão logo, desenhar é um ato natural,
constituindo-se uma forma de expressão pela qual a criança mostra como ela vê o mundo e
como se projeta nele.
Pode-se afirmar que os desenhos infantis resultam, em grande parte, da imaginação
das crianças, assim como ocorrem nos sonhos. Porém, existem desenhos que revelam muito
mais que fantasias e lembranças do cotidiano, cujos conteúdos podem conter desejos
inconscientes, medos, alegrias, angústias, traumas, entre outros. Por isso, é de máxima
14
importância que o educador, entre outros profissionais da educação infantil, dominem as
técnicas da leitura do desenho infantil em abordagem psicopedagógica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O universo estudado através desta monografia acabou se mostrando muito maior do
que a princípio se imaginava. Na busca das colaborações que os estudiosos nos deram sobre o
tema, verificou-se um grande número de publicações, o que resultou numa referência
bibliográfica que dentro de seus limites, oferece uma visão geral das obras sobre o assunto e
quem se interessar em aprofundar-se sobre o tema.
Entender essas obras torna-se um processo de conhecimento da história da
humanidade, pois se verifica que o estudo do traço infantil e suas significações se deram em
um período da história da sociedade ocidental, onde o homem começava a avançar rumo ao
aprofundamento de seus conhecimentos científicos de maneira nunca feita antes.
Olhar a criança como um ser pensante e a construção de um sistema educacional que
atendesse as necessidades dela, influenciou decisivamente a maneira com que os estudiosos
passaram a tratar a produção gráfica infantil.
Esse trabalho nos evidenciou que a melhor maneira de um adulto lidar com uma
criança é dando a ela liberdade de expressão. O presente estudo mostrou aos professores e
pais, conscientes do processo de desenvolvimento de crianças, que atrelada a essa liberdade
de expressão, as mesmas devem ter estímulo constante apoiado em direcionamento e
conhecimento formal, pois suas posturas interferem significativamente na produção e no
desenvolvimento da grafia infantil. Pais e professores precisam entender urgentemente o peso
que têm nesse processo, para poderem agir de modo a contribuir e orientar, potencializando o
sucesso na aprendizagem e no perfeito desenvolvimento da criança.
Por fim, desenhar estimula a capacidade de enxergar além e aumenta a percepção do
homem sobre seu espaço, suas relações com o mundo, sua comunicação e entendimento de si
mesmo.
15
REFERÊNCIAS
BUCK, J. N. H-T-P: casa-árvore-pessoa, técnica projetiva de desenho: manual e guia de
interpretação. São Paulo: Vetor. 2003.
CAMPOS, D. M. O teste do desenho como instrumento de diagnóstico da personalidade:
validade, técnica de aplicação e normas de interpretação. Petrópolis: Vozes, 1999.
COLL, C.; TEBEROSKY, A. Aprendendo arte: conteúdos essenciais para o ensino
fundamental. São Paulo: Ática, 2002.
HAMMER, E. F. Aplicações clínicas dos desenhos projetivos. São Paulo: Casa do
Psicólogo, 1991.
HISTÓRIA DA ARTE, DESENHOS RUPESTRES, CIVILIZAÇÕES EGÍPCIA, CHINESA
E MESOPOTÂMICA. Disponíveis em:
<http://www.portalsaofrancisco.com.br>
<http://www.infoescola.com/artes/historia-do-desenho>. Acesso em 01 Out. 2010.
IAVELBERG, R. O desenho cultivado da criança: práticas e formação de educadores. Artigo
publicado em 2009. Revista Escola. Disponível em:
<http://revistaescola.abril.com.br>. Acesso em 30 Set. 2010.
LELIS, S. C. C. Psicopedagogia e arte: um diálogo possível no processo de ensinar-
aprender. (Monografia). Centro de Estudos e Atendimentos Psicopedagógicos de Uberlândia e
Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo, Uberlândia, 2001.
LOWENFELD, V.; BRITTAIN, W. L. Desenvolvimento da capacidade criadora. São
Paulo: Mestre Jou, 1977.
LUQUET, G. H. O desenho infantil. Barcelos: Cia Editora do Minho. 1969.
REVISTA NOVA ESCOLA. Disponível em:
<http://revistaescola.abril.com.br>
<www.algosobre.com.br/.../teste-do-desenho-um-espelho-da-alma.html>. Acesso em 02 Out.
2010.
SILVA, V. G. Os testes psicológicos e as suas práticas. Artigo publicado em 2007. Disponível
em:
< http://www.algosobre.com.br>. Acesso em 02 Out. 2010.

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  • 1. 1 O DESENHO COMO FERRAMENTA DE DESENVOLVIMENTO NO PROCESSO EDUCATIVO: CONCEPÇÃO E ANÁLISE Aline Cristina Lopes Rodrigues Cristina Filomena Baizi Boaro Maria Aparecida Ferreira da Costa Carvalho Paula Dias de Oliveira Faculdade Interativa COC Curso de Pedagogia Pólo: São José do Rio Pardo – SP Orientadora: Profa. Ms. Muriel Carmo Lameira Ancelmo RESUMO O presente estudo investiga o processo de desenvolvimento da personalidade, das capacidades motora, cognitiva, lingüística e intelectual da criança e seu comportamento, através do desenho. Na investigação, utilizamos como fontes os materiais didáticos produzidos (livros, revistas, internet), alguns documentos pedagógicos, psicopedagógicos e psicológicos, possibilitando uma real aprendizagem e ampliando o nosso olhar. Assim, mostraremos que o desenho, instituto eminentemente humano, é o buscar dentro de si a sua palavra através de um risco ou traço. É um processo de conhecimento, de enfrentamento interno e da realidade externa. É deixar a mão correr, brincar, seguindo os olhos e o coração, deixando os pensamentos e sensações marcados no papel. Acreditamos na eficiência da ARTE como um dos recursos para o alcance do desbloqueio e o aflorar dos sentimentos e da expressão. Em linhas gerais, estes são os aspectos que serão tratados com maior envergadura no decorrer desse trabalho. Palavras - chave: desenhos, diagnósticos, investigação, aprendizagem.
  • 2. 2 INTRODUÇÃO O propósito, por assim dizer, deste estudo é possibilitar àqueles que nunca estudaram a pedagogia, ou mesmo aos já formados, o conhecimento da importância do desenho, desmistificando-se preconceitos arraigados em nossa sociedade e fazendo com que as relações fáticas já existentes no nosso meio social possam ser, quando discutidas, encaradas naturalmente. Veremos que o desenho, produto eminentemente humano, é o buscar dentro de si a sua palavra através de um risco ou traço. É um processo de conhecimento, de enfrentamento interno e da realidade externa. Acreditamos, assim como Lelis (2001), “na eficiência da ARTE como um dos recursos para o alcance do desbloqueio e o aflorar dos sentimentos e da expressão!” (p. 12- 13). Em linhas gerais, estes são os aspectos que serão tratados com maior envergadura no decorrer desse trabalho. No primeiro capítulo tratamos da parte histórica do desenho para entender a sua evolução. No segundo capítulo tratamos do desenho na fase educacional, sua importância, seu desenvolvimento e a avaliação desses desenhos para o entendimento do que se passa com a criança. No terceiro e último capítulo tratamos da extrema importância da parceria “escola-família” para o completo desenvolvimento da criança. 1. O DESENHO E AS SUAS BASES HISTÓRICAS Segundo estudos encontrados no “portalsaofrancisco”, a história do desenho começa quase que ao mesmo tempo em que a do homem. Assim, sabemos que “o desenho” surgiu como uma forma das pessoas se comunicarem facilitando o desenvolvimento de uma linguagem falada e escrita. Nas cavernas ficaram gravados, por meio de desenhos, os hábitos e experiências dos ditos “homens das cavernas” que usavam as pinturas rupestres como forma de se expressar e comunicar antes mesmo que se consolidasse uma linguagem verbal. Para o homem pré-histórico, a arte cumpria a função de um domínio mágico sobre as forças da natureza. Ao desenhar um bisão nas profundezas de uma caverna, supunha ter poderes sobre ele. A Arte era produzida pelo homem caçador:
  • 3. 3 Fig. 1 – Desenho de bisões encontrados nas cavernas. Fonte: www.meirelg.files.wordpress.com Não queremos com isso afirmar que a prática do desenho tenha surgido ates da fala, mas, sem sombra de dúvidas a expressão por meio de pinturas facilitou a comunicação dos povos primitivos. O interessante dos povos pré-históricos é que não havia distinção clara entre o objeto natural e o objeto artístico produzido. Ele não tinha consciência da produção simbólica e seu raciocínio mágico levava-o a não diferenciar a ação artística da ação sobre a natureza. Tendo poderes sobre a imagem do bisão, supunha ter poderes sobre a caça. Na civilização egípcia, a Arte tinha uma função religiosa e ganhou um status sagrado. Reassegurava a crença na imortalidade da alma e eternizava o poder dos faraós. Sua produção era feita pelos sacerdotes e possuía leis rígidas de representação que se mantinham por várias dinastias. Para os egípcios uma grave condenação para alguém após a morte é ter raspados todos os desenhos e inscrições de sua tumba: Fig. 2 – Desenho Egípcio Fonte: www.portalsaofrancisco.com.br
  • 4. 4 Os chineses e os povos do continente americano desenvolveram cada qual um sistema diferente de desenhar, com significados próprios que caracterizaram cada população. Da mesma forma ocorreu na antigüidade clássica, quando gregos e romanos utilizaram o desenho para representar seus deuses. Já na Mesopotâmia o desenho foi utilizado para criar representações da terra e de rotas, mas de forma bastante primitiva. Assim, com a expansão do Império Romano é que nasceu a representação cartográfica de rotas comerciais e domínios. 2. O DESENHO NO PROCESSO EDUCATIVO Como vimos, o desenho é a primeira manifestação da escrita humana e é a primeira forma de expressão usada pala criança. É a representação de como a criança lê o mundo, enxerga a vida, expressa o que sente. Nesse sentido procuramos investigar a relação entre Arte e o desenvolvimento do desenho na Educação Infantil. Acreditamos que o desenho é uma ação espontânea e que não precisa ser desenvolvido com uma ação pedagógica ou que o aluno precisa reproduzir figuras já criadas ou até mesmo infantilizadas pelos adultos pintando-as dentro dos seus limites, recortando-as e colando-as. É preciso deixar a criança livre! A prática de Arte na Educação Infantil deve proporcionar a criatividade e, para o alcance desse objetivo o adulto (educadores e pais) deve atuar como agente mediador. A Arte deve ser uma atividade cultivada, assim como o desenho como forma de produção desta expressão artística. A escola, juntamente com os pais, nesta concepção, aparece como promotora de uma Cultura Artística, levando em consideração as condições internas (desenvolvimento) e as condições externas (aprendizagem) na criança. Nesse sentido, a importância, tanto para os educadores como para os pais, do conhecimento das etapas do desenho, é fundamental para avaliar e intervir com uma ação pedagógica durante o processo. Tão logo, o adulto precisa conhecer e entender as etapas do Desenho Infantil, a fim de não emitir juízos de valores e querer a mera reprodução de figuras estereotipadas. O desenho é uma linguagem com características próprias individuais e de culturas
  • 5. 5 coletivas. Valorizar os rabiscos, experimentar vários materiais como: giz de cera, lápis de cor, canetão, carvão e os de diversos suportes como papel, chão papelão, areia, parede (conforme a idade da criança), bem como desenvolver as produções através de descobertas individuais e coletivas é, proporcionar um melhor entendimento sobre a importância do desenho para as crianças pequenas. Sendo assim, segundo os ensinamentos de Coll e Teberosky (2002), o que se pretende em aulas de artes, é colocar as crianças em contato direto com a arte, com experiências de fazer formas artísticas e tudo que entra em jogo nessa ação criadora como, por exemplo, os recursos pessoais, habilidades, pesquisa de materiais e técnicas, a relação entre perceber, imaginar e realizar um trabalho de arte; como também a experiência de refletir sobre a arte como objeto de conhecimento onde importam dados sobre a cultura em que o trabalho artístico foi realizado, a história da arte e os elementos e princípios formais que constituem a produção artística, tanto de artistas quanto dos próprios alunos. O desenho precisa ser sempre valorizado pelos educadores e a importância desta valorização deve ser compreendida e compartilhada pelos pais, pois toda aprendizagem tem seu valor e o desenho é forma de aprendizagem. Quando a criança é valorizada naquilo que sabe, sente prazer em aprender. A criança busca respeito e aprovação dos adultos e essa valoração pelo qual ela passa faz parte do processo de desenvolvimento na forma de expressão. Se esse progresso não for valorizado, a criança pode se retrair sentindo-se inferiorizada e incapaz. É certo que todos nós temos capacidades e quando somos valorizados naquilo que sabemos, desenvolvemos cada vez mais capacidades. Nesse sentido, todos nós, pais ou educadores, temos que ter em mente que a criança se expressa através do desenho e coloca sua vida no papel, com toda a emoção. Quando a criança se sentir madura, usará com mais facilidade os símbolos gráficos com os quais já vem tendo contato. 2.1 ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO Estudos realizados desde o século XX com o francês Georges-Henri Luquet (1969), o austríaco Viktor Lowenfeld (1977), mostram que através do desenho de uma criança é
  • 6. 6 possível analisar seu caráter, sua personalidade, temperamento e carências. Eles viam na produção infantil uma forma de entender o desenvolvimento psicológico, sendo possível também descobrir e reconhecer as fases pelas quais a criança está passando e quais são as suas dificuldades, como seus pontos positivos. Ao longo dessa seção, destacaremos os quatro estágios de desenvolvimento do desenho apresentados por Luquet (1969) que são: Realismo fortuito, Realismo fracassado, Realismo intelectual e o Realismo visual. Segundo o autor, de início, a criança desenha pelo prazer de riscar sobre o papel e tenta várias formas de ocupar a folha. Esses primeiros traços aparentemente são sem nexo e Luquet (1969) os chama de “Garatujas”, onde as crianças pequenas desenham na tentativa de representar o que interpretam do mundo à sua volta, revelando, assim, o seu olhar. Por volta dos 18 meses, a criança já se mostra interessada por esses traços e essa fase é denominada por “Realismo Fortuito”, onde o desenho não possui significado e como o traçado não representa verdadeiramente nada, ela vai dar a interpretação que ocorrer no momento. Com muita sutileza, portanto, as garatujas revelam o olhar da criança e são representadas pelas figuras a seguir: Fig. 3 - Desenho de Garatuja Fonte: http://br.monografias.com/trabalhos913/desenho-palavras-palavra/desenho-palavras-palavra2.shtml Fig.4 - Desenho de Garatuja
  • 7. 7 Fonte: http://caderninho.wordpress.com/page/17/?archives-list=1 Tais desenhos de garatuja assinalam, segundo Luquet (1969), o período de desenvolvimento da coordenação motora fina necessária para a manipulação de lápis, caneta, pincel, entre outros. Os desenhos produzidos sobre o suporte como a folha de papel, parede ou chão, são o resultado do "exercício" da coordenação de ações motoras. Ainda não é possível detectar o destrismo (uso preferencial da mão direita) e o sinestrismo (uso preferencial da mão esquerda). Nas figuras números 3 e 4, acima demonstradas, verificamos que o desenho extrapola as bordas da folha de papel. Mais tarde, o desenho evidencia-se de modo mais ordenado, com movimentos mais circulares, ocupando o limite do papel, aparecendo as linhas verticais, depois as horizontais e por fim as paralelas. Nesta fase o desenho pretende ser realista, embora não consiga por motivos de ordem física e psíquica (a criança ainda não controla os movimentos gráficos) e psíquica (a atenção é muito limitada e descontínua). Ainda segundo Luquet (1969) há também o chamado “Realismo Falhado” (2 e 3 anos), onde as maiores dificuldades são ao nível das proporções dos elementos do desenho. É muito freqüente vermos desenhos que são só braços, ou os cabelos são mais compridos que as pernas. As figuras são um pouco estranhas, pois criança ainda não percebe claramente as posições dos elementos do desenho: Fig. 5 - Desenho de Garatuja Fonte: http://fases-do-desenho.pbworks.com/etapas-gr%C3%A1ficas Entre os 3 e até mais ou menos 6 ou 7 anos, o realismo é ainda muito diferente do que nos desenhos de um adulto. Nesse contexto, um desenho realista para a criança é aquele que contém todos os elementos que ela atribui a esse objeto. Esta fase é denominada por
  • 8. 8 Luquet (1969) como “Realismo Intelectual”, onde a visão da criança é subjetiva e egocêntrica: Fig.6 - Desenho de criança na fase do realismo intelectual Fonte: http://fases-do-desenho.pbworks.com/etapas-gr%C3%A1ficas O “Realismo Visual”, segundo o autor, se dá por volta dos 7 anos de idade, onde a criança começa a criticar os seus desenhos e a corrigir gradualmente os erros da fase anterior. Há uma mescla de realismo intelectual com o realismo visual e uma evolução da atenção, mas por volta dos 12 anos o realismo intelectual já está per perfeitamente adquirido. Através de todo esse desenvolvimento Luquet (1969) aconselha que o professor apresente à criança diferentes tipos de desenhos e obras de artes a fim de que elas tenham a oportunidade de reformular suas idéias e construir novos conhecimentos. Assim, “o desenho para a criança é uma forma de diversão; um jogo como qualquer outro” (LUQUET, 1969, p. 15). Por meio do desenho, a criança cria e recria individualmente formas expressivas, integrando percepção, imaginação, reflexão e sensibilidade, que podem então ser apropriadas pelas leituras simbólicas de outras crianças e adultos. O desenho está também intimamente ligado com o desenvolvimento da escrita. Parte atraente do universo adulto, a escrita exerce uma verdadeira fascinação sobre a criança. Desde muito cedo ela tenta imitar a escrita dos adultos. Porém, mais tarde, quando ingressa na escola verifica-se uma diminuição da produção gráfica, já que a escrita (considerada mais importante) passa a ser concorrente do desenho. Luquet (1969) ainda nos apresenta o desenho como possibilidade de brincar, o desenho como possibilidade de falar, de registrar, marcar o desenvolvimento da infância, porém, o autor destaca que em cada estágio, o desenho assume um caráter próprio. Estes estágios definem maneiras de desenhar que são bastante similares em todas as crianças, apesar
  • 9. 9 das diferenças individuais de temperamento e sensibilidade. Esta maneira de desenhar própria de cada idade varia, inclusive, muito pouco de cultura para cultura. 2.2 A AVALIAÇÃO ATRAVÉS DO DESENHO A Psicopedagogia tem como interesse a forma como a criança pensa e não propriamente o que ela aprende. Ao olhar a aprendizagem a psicopedagogia busca compreender como as crianças utilizam os elementos do seu sistema cognitivo e emocional para aprender, bem como a sua relação com o conhecimento, a qual é permeada pela figura do professor e pela escola. Desde criança todos nós gostamos muito de desenhar. Basta um cantinho vazio de papel ou qualquer outro lugar que possamos rabiscar! Por vezes achamos que esses desenhos não apresentam nenhum significado, porém psicopedagogos e psicólogos nos advertem que esses desenhos apresentam diversas interpretações e é por meio de um processo avaliativo e não só do desenho isolado, que é possível detectar algo importante que a criança esteja tentando nos transmitir. É justamente por meio deste processo que tais profissionais buscam detectar, por exemplo, problemas emocionais, comportamentais, escolares, no âmbito familiar, depressão, entre outros. Se o problema realmente existir a criança deve ser encaminhada a um profissional para realização da terapia adequada. Ao longo do tratamento o psicopedagogo vai colecionando os desenhos. Assim pode ter uma idéia clara da evolução da criança e, ao mesmo tempo, assegurar-se que a psicoterapia está obtendo os efeitos desejados. Segundo Silva (2007), em seus estudos sobre os testes psicológicos e as suas práticas, existem processos a serem obedecidos pelos profissionais para o melhor diagnóstico. Os desenhos de casas, árvores e pessoas (HTP – House – Tree – Person) favorecem a avaliação destes três processos que são: adaptativo, expressivo e projetivo. Essas técnicas são usadas como testes de personalidade e instrumentos que medem as características emocionais, motivacionais e intrapessoais, mas, são habitualmente utilizadas em ambientes clínicos e de aconselhamento.
  • 10. 10 Assim, destacamos os processos de Hammer (1991) para o melhor entendimento de como se dá o desenvolvimento das crianças em seus desenhos. Sendo assim, temos: 1º) Processo Adaptativo Consiste na adequação da produção gráfica ao tema proposto, bem como na adequação do desenho ao grupo etário e ao nível sócio-cultural da criança. O objetivo é verificar se a produção correspondeu ao esperado para a sua idade e para o seu nível cultural, bem como se o desenho correspondeu às solicitações que foram feitas. Para Hummer (1991), os itens de análise e interpretação do processo adaptativo são: Adaptação gráfica: consiste em verificar se o desenho está de acordo com o esperado para cada faixa etária e para o nível sócio-cultural da criança. Adaptação ao tema: consiste em verificar se os desenhos estão de acordo com as instruções dadas. Permite avaliar se a produção é convencional, original ou fantasiosa. Debochar do examinador ou da situação de avaliação: o sujeito deliberadamente se opõe às instruções, ridicularizando a situação e irritando o examinador. É uma conduta mais comum em adolescentes. 2º) Processo Expressivo Neste caso, deve ser analisado no conjunto dos desenhos, pois tal processo diz respeito à forma do sujeito desenhar, às qualidades gráficas que dão estilo e organização ao desenho, correspondendo assim, às características de expressão do sujeito. Para Hummer (1991), os itens de análise e interpretação do processo expressivo são os seguintes: Posição da folha que é o ambiente delimitado pelas bordas de papel: quando o sujeito modifica radicalmente posição em que o papel foi apresentado (se a folha é apresentada na horizontal, o sujeito a coloca na vertical e vice-versa), a hipótese levantada é a de que o sujeito pode ter um espírito curioso e cheio de iniciativa, com tendências à oposição. Tamanho do desenho em relação à folha: oferece pistas sobre a relação entre o sujeito (a criança) e o ambiente, fornecendo indicativos sobre a auto-estima, sentimentos de inferioridade ou superioridade, sentimentos de inadequação, fantasias compensatórias, entre outras. Nesse sentido, o tamanho do desenho
  • 11. 11 deve ser considerado em relação à área total da folha que ele ocupa, de modo que desenhos muito grandes que chegam a ocupar toda a folha evidenciam uma agressividade direcionada ao ambiente, revelando características de descarga motora ou de controle interno ineficiente. Quando exageradamente grandes, saindo do papel, indicam uma tendência em compensar sentimentos de inferioridade refletindo um desejo intenso de expansão que desrespeita os limites do meio. Localização do desenho na folha revelando a adaptação do sujeito ao meio e como ele o manipula: quanto mais para cima estiver o desenho, maior a tendência de buscar satisfação na fantasia. As figuras presas à margem do papel podem significar falta de confiança, medo de ações independentes e necessidade de apoio; as figuras em diagonal podem significar perda de equilíbrio e insegurança. Tipos de linhas e consistência do traçado: o tipo de linha (determinado pela pressão do lápis sobre o papel) e o traçado (conjunto formado pelo comprimento e movimento da linha) indicam a manifestação de energia, vitalidade e iniciativa. Correções e retoques: revelam insatisfação com a produção, indicando áreas do desenho que oferecem dificuldades ao sujeito. Sombreamento: indicador de ansiedade, conflitos, descontentamento aberto e consciente. Quanto mais extensa a área de sombreamento, maior a ansiedade. Resistências: são evidenciadas nos casos de rejeição à tarefa proposta. Podem ser evidenciadas nas seguintes formas: o Na negação em desenhar: indica intenso sentimento de inferioridade e de negativismo, sensação de ser inadequado para o cumprimento da tarefa ou, dificuldade em arriscar-se e em receber julgamentos. o Na omissão de algumas partes do desenho: indícios de problemas e conflitos em relação à parte omitida. Detalhes no desenho: existem alguns detalhes que são essenciais como, por exemplo: porta, parede e telhado na CASA; tronco e copa na ÁRVORE; cabeça (com boca, olhos e nariz), tronco, braços e pernas nas PESSOAS. Seqüência: diz respeito à atividade psicomotora, oferecendo indicativos sobre a quantidade de energia e a disposição do examinando.
  • 12. 12 Simetria: existe a preocupação em estabelecer igualdade entre os lados do desenho. Está associada à necessidade de segurança e equilíbrio interno, bem como ao apego a esquemas fixos (rigidez) e necessidade de controle. A falta total de simetria pode ser indicativa de desorganização mental. 3º) Processo Projetivo: O Processo Projetivo foi desenvolvido por Buck (2003) que denominou como técnica H. T. P. (Desenho casa – árvore e pessoa). É um teste de personalidade e a seleção destes três elementos tem por base o seu significado simbólico. A natureza das técnicas projetivas se caracteriza por realizar uma avaliação global da personalidade e diferencia-se pelas tarefas que são relativamente não-estruturadas e permitem uma variedade muito grande de respostas revelando a nossa personalidade. Buck (2003), em seus estudos, interpreta a casa como o lar e suas implicações como o clima de vida doméstica e as inter-relações familiares. A árvore pode ser interpretada como a própria pessoa e nos permite investigar o que se costuma chamar de auto-imagem; os aspectos projetados na árvore se associam a conteúdos mais profundos da personalidade. Estes elementos são analisados separadamente e depois em conjunto. Nesse sentido temos, então, segundo as considerações do autor: Casa (desenvolvimento do sujeito): Os elementos essenciais na casa são: o telhado, as paredes, as portas, as janelas e acessórios (chaminé, linha do solo e etc.). A ausência desses elementos essenciais levantaria a hipótese da presença de transtornos mais graves ou probabilidade de problemas psicopatológicos. Já a representação mais lógica e estruturada, melhores são as condições de funcionamento do ego. O desenho da casa simboliza o lugar onde são buscados os afetos, a segurança e as necessidades básicas que encontram preenchimento na vida familiar. Árvore (o seu crescimento): simbolicamente atinge ao aspecto mais profundo e básico da personalidade. É um auto-retrato inconsciente da auto-imagem. Pessoa (figura humana – expressão da integração da personalidade): As crianças de 3 a 4 anos de idade representam a figura humana com um círculo e, neste círculo são incorporados o tórax, os olhos, a boca e o nariz. A ausência dos braços a partir dos 6 anos passa a ser uma preocupação e aos 10 anos é extremamente significativa. Aos 5 anos de idade os braços são desenhados como
  • 13. 13 extensão da cabeça. Por volta dos 8 anos, a figura humana assume proporções mais objetivas e realistas, sugerindo a separação entre a cabeça e o corpo (o pescoço simboliza a ligação entre o físico e o metal). 3. PARCERIA ESCOLA E FAMÍLIA Além de jogo e diversão, o desenho é para a criança um modo de comunicação. Muitas são as perguntas e dúvidas que rodeiam pais e principalmente os profissionais da educação, como por exemplo: O que faço quando não consigo decifrar o desenho de uma criança? Devo perguntar o que ela desenhou? E se eu não achar bonito? Como devo reagir? Devemos (pais e professores) demonstrar interesse pelos desenhos de nossos filhos e alunos, perguntando-lhes o que é e conversar sobre o que desenharam. Isso irá proporcionar momentos de interação que são muito importantes para a criança. Nesse sentido uma atitude interessante a ser tomada é a guarda das obras de arte da criança com a data em que foram feitas para mais tarde lhe mostrar, ou colocá-las na parede do quarto ou no mural da classe onde a criança estuda ou na sua própria casa. A atenção aos desenhos irá contribuir, sem sombra de dúvidas, para a construção de uma boa auto-estima. Na concepção de Buck (2003), “os desenhos também estimulam o estabelecimento de interesse, conforto e confiança” (p.02). É preciso respeitar os ritmos de cada criança e permitir que ela possa desenhar livremente, explorando diversos materiais e suportes. Compreendendo ou não seu conteúdo, nenhum rabisco é feito ao acaso, todos têm um sentido e demonstram a forma de pensar e de interpretar o mundo da criança. Desenhar é uma das atividades que dá mais prazer às crianças. É a sua forma especial de comunicar as suas idéias e sentimentos. É, por assim dizer, a mais pura expressão dos sentimentos e, além disso, uma das melhores diversões. Tão logo, desenhar é um ato natural, constituindo-se uma forma de expressão pela qual a criança mostra como ela vê o mundo e como se projeta nele. Pode-se afirmar que os desenhos infantis resultam, em grande parte, da imaginação das crianças, assim como ocorrem nos sonhos. Porém, existem desenhos que revelam muito mais que fantasias e lembranças do cotidiano, cujos conteúdos podem conter desejos inconscientes, medos, alegrias, angústias, traumas, entre outros. Por isso, é de máxima
  • 14. 14 importância que o educador, entre outros profissionais da educação infantil, dominem as técnicas da leitura do desenho infantil em abordagem psicopedagógica. CONSIDERAÇÕES FINAIS O universo estudado através desta monografia acabou se mostrando muito maior do que a princípio se imaginava. Na busca das colaborações que os estudiosos nos deram sobre o tema, verificou-se um grande número de publicações, o que resultou numa referência bibliográfica que dentro de seus limites, oferece uma visão geral das obras sobre o assunto e quem se interessar em aprofundar-se sobre o tema. Entender essas obras torna-se um processo de conhecimento da história da humanidade, pois se verifica que o estudo do traço infantil e suas significações se deram em um período da história da sociedade ocidental, onde o homem começava a avançar rumo ao aprofundamento de seus conhecimentos científicos de maneira nunca feita antes. Olhar a criança como um ser pensante e a construção de um sistema educacional que atendesse as necessidades dela, influenciou decisivamente a maneira com que os estudiosos passaram a tratar a produção gráfica infantil. Esse trabalho nos evidenciou que a melhor maneira de um adulto lidar com uma criança é dando a ela liberdade de expressão. O presente estudo mostrou aos professores e pais, conscientes do processo de desenvolvimento de crianças, que atrelada a essa liberdade de expressão, as mesmas devem ter estímulo constante apoiado em direcionamento e conhecimento formal, pois suas posturas interferem significativamente na produção e no desenvolvimento da grafia infantil. Pais e professores precisam entender urgentemente o peso que têm nesse processo, para poderem agir de modo a contribuir e orientar, potencializando o sucesso na aprendizagem e no perfeito desenvolvimento da criança. Por fim, desenhar estimula a capacidade de enxergar além e aumenta a percepção do homem sobre seu espaço, suas relações com o mundo, sua comunicação e entendimento de si mesmo.
  • 15. 15 REFERÊNCIAS BUCK, J. N. H-T-P: casa-árvore-pessoa, técnica projetiva de desenho: manual e guia de interpretação. São Paulo: Vetor. 2003. CAMPOS, D. M. O teste do desenho como instrumento de diagnóstico da personalidade: validade, técnica de aplicação e normas de interpretação. Petrópolis: Vozes, 1999. COLL, C.; TEBEROSKY, A. Aprendendo arte: conteúdos essenciais para o ensino fundamental. São Paulo: Ática, 2002. HAMMER, E. F. Aplicações clínicas dos desenhos projetivos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1991. HISTÓRIA DA ARTE, DESENHOS RUPESTRES, CIVILIZAÇÕES EGÍPCIA, CHINESA E MESOPOTÂMICA. Disponíveis em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br> <http://www.infoescola.com/artes/historia-do-desenho>. Acesso em 01 Out. 2010. IAVELBERG, R. O desenho cultivado da criança: práticas e formação de educadores. Artigo publicado em 2009. Revista Escola. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br>. Acesso em 30 Set. 2010. LELIS, S. C. C. Psicopedagogia e arte: um diálogo possível no processo de ensinar- aprender. (Monografia). Centro de Estudos e Atendimentos Psicopedagógicos de Uberlândia e Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo, Uberlândia, 2001. LOWENFELD, V.; BRITTAIN, W. L. Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo: Mestre Jou, 1977. LUQUET, G. H. O desenho infantil. Barcelos: Cia Editora do Minho. 1969. REVISTA NOVA ESCOLA. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br> <www.algosobre.com.br/.../teste-do-desenho-um-espelho-da-alma.html>. Acesso em 02 Out. 2010. SILVA, V. G. Os testes psicológicos e as suas práticas. Artigo publicado em 2007. Disponível em: < http://www.algosobre.com.br>. Acesso em 02 Out. 2010.