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O aconselhamento é, primariamente, uma
relação em que uma pessoa, o ajudador,
busca assistir outro ser humano nos
problemas da vida. De modo diferente das
discussões casuais entre amigos, a relação
de ajuda, pelo menos para os profissionais,
é caracterizada por um propósito claro —
ajudar o aconselhado.
O QUE É ACONSELHAMENTO ?
Aconselhamento cristão é o aconselhamento ou
psicoterapia baseado na fé cristã.
Ele pode descrever uma variedade de
modalidades e práticas de aconselhamento e
pode ser oferecido por indivíduos com vários tipos
de educação e credenciais
Algumas pessoas escolhem o aconselhamento
cristão em vez de outros tipos de aconselhamento
e tratamento de saúde mental porque se sentem
mais confortáveis ​​com o gerenciamento de
questões de saúde mental ou problemas pessoais
em um contexto religioso.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO?
Em alguns casos, conselheiros licenciados, assistentes
sociais clínicos e psicólogos ou psiquiatras que são de fé
cristã podem oferecer serviços de saúde mental de
orientação religiosa e, portanto, podem anunciar seus
serviços como aconselhamento cristão, a fim de atrair
clientes que estariam interessados ​​na combinação de
espiritualidade com tratamento em saúde mental. Embora
esses profissionais possam atender aos padrões de
licenciamento profissional em sua área, eles podem ou
não ter treinamento específico em teologia ou
aconselhamento de orientação espiritual. Alguns podem
simplesmente integrar suas crenças religiosas em sua
prática profissional, enquanto outros podem buscar
treinamento adicional e certificação de escolas cristãs ou
associações de aconselhamento profissional.
O ouvir é uma habilidade rara.
Ainda mais ouvir integralmente e com
empatia o outro. Geralmente quando se
acha alguém que aparentemente ouve,
pode se ter na realidade alguém que
apenas fica em silêncio ouvindo os próprios
pensamentos enquanto o outro fala e que
seletivamente ouve, imbuído de
preconceitos e censuras ao outro.
PRINCIPIOS BÁSICOS DE
ACONSELHAMENTO
Ouvir uma pessoa é saber que ali há um
corpo que fala além de apenas uma palavra
que diz.
Ouvir uma pessoa é saber que há um outro
diferente de nós e não apenas similar pelos
valores cristãos.
Ouvir uma pessoa é saber que apesar de
convertida, é uma pessoa com conflitos
interiores, típicos do humano.
É imprescindível saber que no mesmo
tempo em que a pessoa fala, nossos
pensamentos de censura e repreensão,
falam também. Não dê ouvidos a eles.
Apenas à fala da pessoa nesse primeiro
momento.
Para os cristãos, um outro Ser que falará
com você com certeza nesses momentos é
o Espírito Santo de Deus. Seu agir é
imprevisível no sentido do momento e da
direção que Ele quer dar para aquela
pessoa.
APORTE NO
ACONSELHAMENTO CRISTÃO
Para os cristãos, a oração pode ser
realizada no meio do processo de
aconselhamento cristão, antes dos
questionamentos e depois da fala inicial da
pessoa.
Orem e depois continue o processo.
Controle os impulsos de dar sermões e
contar histórias nesse momento e de
caminhar por explanações bíblicas vagas,
a pessoa quase sempre não ouvirá, a não
ser a própria angústia. Por isso ajudar a
pensar essa angústia, a elaborar essa
angústia biblicamente é o foco do
aconselhamento.
Muitos aconselhamentos de cristãos são
ineficazes, pois os pastores confundem a
função do Púlpito com a função
aconselhadora.
A exposição da Bíblia não é um momento
proibido, mas deve ser em momentos em
que a capacidade de a pessoa ouvir já se
restabeleceu. O conselheiro deve estar
sensível para isso.
Há momentos em que a pessoa não ouve,
só fala, pois o nível de angústia é grande.
Se o conselheiro passa uma mensagem de
falante, isso se irradia para a comunidade e
sua função fica comprometida. Esteja
atento para as motivações latentes de seu
liderado.
ALGUNS PROCESSOS DO
ACONSELHAMENTO CRISTÃO
Ofereça um clima de escuta sem
censura, com empatia, liberdade de fala,
aceitação total e interesse em entender.
Escutar é uma ciência e possui
princípios que devem ser seguidos para
que haja eficiência e eficácia no
processo de escuta do aconselhamento.
Ouça, ouça e ouça muito.
Forneça feedback que está ouvindo,
compreendendo e entendendo, independente de
estar concordando ou não com as atitudes
relatadas.
Não ofereça um ambiente de censura e
repreensão nessa primeira etapa de escuta.
Apenas ouça, não ouça seus pensamentos e
conjecturas sobre o caso.
Ouça a pessoa, sua fala, suas emoções, seus
sentimentos e seu corpo que se comunica
também o tempo todo.
Utilize uma atenção flutuante, que é a
capacidade de ouvir tudo sem selecionar,
focar ou concentrar em partes da fala para
análise paralela na mente enquanto se
escuta o outro.
Essa atenção flutuante é a capacidade de
oferecer escuta a toda a fala sem se focar
numa parte dela para análise ou reflexão.
Às vezes o conselheiro ouve com
seletividade e ao mesmo tempo em que
pensa. Isto é prejudicial.
Os estudos de teorias sobre a
personalidade e sobre a psicologia,
psicanalise, aumentam a capacidade de
ouvir.
Quanto mais conhecimento tiver sobre
como é o funcionamento psicodinâmico do
ser humano, maior é a capacidade de se
ouvir na totalidade todas as partes da
psique: a fala consciente, a fala
inconsciente, a fala dos sintomas e a fala
do corpo.
Quando se entende que a mente é um
misto de ‘carne’ com espírito se
entende que na pessoa coexiste uma
força que a impele de fazer algo e ao
mesmo tempo uma outra força que
impede de fazer esse algo.
Como Paulo dissera: “o que quero não
faço, já o que não quero esse faço...”
Perguntas podem ser feitas para a
escuta se aprimorar. Mas que sejam
perguntas que esclareçam a fala da
pessoa.
Intervenções curtas para esclarecer
não devem ser feitas no momento em
que a fala representa um desabafo ou
uma catarse emocional, onde o fluxo
não deve ser interrompido.
Para ouvir com empatia, coloque-se no
lugar da pessoa.
Ela tem o direito de sentir raiva, impulsos
violentos e agressivos, afinal é um ser
humano. O problema é o que ela faz com
esses impulsos e como os controla. Por
isso, demonstre uma escuta acolhedora,
sem repreensão, até em momentos em que
ela estiver dizendo, por exemplo ‘ai, que
vontade de matar aquele homem’.
Não censure pensamentos pecaminosos de
pronto. Aborde o tema depois com cuidado
e pelas ‘beiradas’, quase sempre se
percebera que esses pensamentos nunca
seriam postos em ação.
Esses pensamentos pecaminosos são
resultado de um aprendizado de vida
traumático na infância, um aprendizado
emocional, um aprendizado oriundo dos
pais, de como resolver problemas.
Aumente a capacidade de
autoconhecimento da pessoa: aumentar a
capacidade de olhar para si para os seus
sentimentos e expressões e
comportamentos. Ajude-a a demonstrar
suas expressões, seus sentimentos e suas
emoções. Por exemplo: ‘percebo que essa
ansiedade atrapalha em muito a sua
capacidade de trabalhar em calma’, ou
‘noto que o fato de o seu marido não te
ouvir causa em você uma raiva muito
grande e que você não expressa’.
Espelhe a fala, resuma a fala para
mostrar que a entendeu e para checar
se entendeu. Esse resumo e
espelhamento da fala da pessoa
oferecem a possibilidade de
demonstrar que ela está sendo
acolhida e respeitada em sua
individualidade pelo simples fato de
estar sendo ouvida com atenção e
compreendida.
Após a escuta integral da pessoa, da
problemática principal, ofereça
questionamentos.
Questionamentos que permitam pensar
sobre esse momento em que ela está
vivendo.
Ao invés de oferecer o conselho, indague
sobre o melhor caminho com base na
Bíblia. Estimule a pessoa a encontrar a
própria solução para a sua questão.
Ofereça momentos de clarificação da fala
da pessoa.
Em alguns momentos a própria situação de vida
da pessoa está confusa para ela. Faça perguntas
como: ‘o que você acha que isso quer dizer?’ ou
‘você pode pensar melhor nessa situação para
buscar entender o que está acontecendo?’.
Muitas vezes, a angústia vem da incapacidade de
entender o que se passa consigo mesma, com o
corpo e com a família; o que se sente e o que se
deveria fazer nessas situações desconhecidas.
Estimular o esclarecimento é muito útil na medida
em que põe a pessoa para buscar o entendimento
de sua problemática.
Sugestões e caminhos podem ser
sugeridos, mas não impostos. Antes de
oferecer uma sugestão, estimule o
esclarecimento da sua situação de vida.
Apenas descrever o que acontece é uma
boa técnica para pensar sobre a própria
problemática.
A técnica de esclarecimento difere da de
reflexão na medida em que aquela visa a
descrever o que se passa nos detalhes, já a
reflexão, busca ‘os porquês’, ’os pra quês’.
O uso das duas deve ser concomitante e com a
experiência de aconselhamento se consegue
discernir entre o momento de usar cada uma
delas.
Já a técnica de confrontação visa corrigir a fala da
pessoa e trazer à consciência de forma mais clara
algum comportamento inadequado e não-cristão.
Por exemplo, a pessoa diz: ‘eu apenas reajo às
ignorâncias de meu esposo’ e o conselheiro diria
‘vamos ser sinceros, você responde com
ignorância também a ignorância dele, não é
verdade?’.
Isso deve ser feito em momento certo, depois que
o vínculo e a confiança entre os dois se
estabeleceram. Depois que a pessoa teve um
momento de escuta ativa e empática.
Oferecer confrontação logo de início sem ouvir os
desabafos é um grave erro que compromete a
capacidade de a pessoa falar.
Junto dessa técnica pode ser empregada a
técnica do silêncio, que comunica à pessoa:
‘pense nisso agora’.
A técnica do silêncio pode ser usada em diversos
momentos, como no de confrontação e no
momento em que a pessoa estiver precisando
elaborar por si mesma a dor que sente.
Em alguns momentos esse silêncio do
conselheiro em momentos de pranto pode
demonstrar que a pessoa tem que aprender a
lidar e a elaborar essa dor, pois nem sempre
poderá contar com um braço para ajudá-la.
Nos momentos de pranto, silêncio e palavras
confortantes podem coexistir.
LIMITES DE UM ACONSELHAMENTO
Enfim, o conselheiro não deve
reduzir o aconselhamento à
prática de conselhos, sugestões
de decisões e com pregação de
sermões, mas o ouvir e o
apenas ouvir é uma técnica
muito poderosa e importante.
O ouvir deve ser praticado de maneira
integral com atenção às dimensões de
palavras, pensamentos, emoções e corpo,
que se expressam através de organização
e escolha das palavras, seleção da
temática e do aspecto da temática da fala,
tom de voz, falhas de voz, silêncios,
gaguejos, atos falhos, irregularidades nos
volumes de voz, postura corporal, gestual,
comunicação inconsciente, movimento de
olhos, dentre alguns outros.
O conselheiro deve saber discernir quando
a pessoa quer uma sugestão bíblica e
quando quer apenas desabafar e ser
ajudado a pensar. Esse ouvir não deve ser
estéril. É um ouvir que visa oferecer a
diminuição da angustia, que visa o
esclarecimento das questões espirituais da
pessoa e que visa também
encaminhamentos profissionais e
sugestões bíblicas.
Pessoas que tem um bom nível de
amadurecimento (autonomia de decisões e
autocontrole das emoções) apenas
precisam desabafar e ou serem ajudados a
pensar, raramente precisam de conselhos
diretos e frequentes. Outras pessoas
precisam de sugestões mais simples e
diretas, mas se deve ter consciência de que
o fornecimento frequente de conselhos
pode produzir um círculo vicioso que se
torna fonte de dependência psicológica.
Vale aqui ressaltar aquela história entre um
Doutor para um estudante de medicina: o
estudante pergunta: ‘Doutor, se é tão
simples retirar um apêndice, por que 7 anos
numa faculdade para aprender medicina?’.
E na sua sabedoria e experiência responde
o Doutor: ‘Filho, retirar um apêndice é fácil,
posso te ensinar isso em 10 minutos. O que
vai levar 7 anos de tempo é a
aprendizagem do que fazer quando algo
der errado’.
SEMPRE BUSQUE CONHECIMENTO!

Material complementar aconselhamento cristão 3.pdf

  • 1.
  • 2.
    O aconselhamento é,primariamente, uma relação em que uma pessoa, o ajudador, busca assistir outro ser humano nos problemas da vida. De modo diferente das discussões casuais entre amigos, a relação de ajuda, pelo menos para os profissionais, é caracterizada por um propósito claro — ajudar o aconselhado. O QUE É ACONSELHAMENTO ?
  • 3.
    Aconselhamento cristão éo aconselhamento ou psicoterapia baseado na fé cristã. Ele pode descrever uma variedade de modalidades e práticas de aconselhamento e pode ser oferecido por indivíduos com vários tipos de educação e credenciais Algumas pessoas escolhem o aconselhamento cristão em vez de outros tipos de aconselhamento e tratamento de saúde mental porque se sentem mais confortáveis ​​com o gerenciamento de questões de saúde mental ou problemas pessoais em um contexto religioso. ACONSELHAMENTO CRISTÃO?
  • 4.
    Em alguns casos,conselheiros licenciados, assistentes sociais clínicos e psicólogos ou psiquiatras que são de fé cristã podem oferecer serviços de saúde mental de orientação religiosa e, portanto, podem anunciar seus serviços como aconselhamento cristão, a fim de atrair clientes que estariam interessados ​​na combinação de espiritualidade com tratamento em saúde mental. Embora esses profissionais possam atender aos padrões de licenciamento profissional em sua área, eles podem ou não ter treinamento específico em teologia ou aconselhamento de orientação espiritual. Alguns podem simplesmente integrar suas crenças religiosas em sua prática profissional, enquanto outros podem buscar treinamento adicional e certificação de escolas cristãs ou associações de aconselhamento profissional.
  • 5.
    O ouvir éuma habilidade rara. Ainda mais ouvir integralmente e com empatia o outro. Geralmente quando se acha alguém que aparentemente ouve, pode se ter na realidade alguém que apenas fica em silêncio ouvindo os próprios pensamentos enquanto o outro fala e que seletivamente ouve, imbuído de preconceitos e censuras ao outro. PRINCIPIOS BÁSICOS DE ACONSELHAMENTO
  • 6.
    Ouvir uma pessoaé saber que ali há um corpo que fala além de apenas uma palavra que diz. Ouvir uma pessoa é saber que há um outro diferente de nós e não apenas similar pelos valores cristãos. Ouvir uma pessoa é saber que apesar de convertida, é uma pessoa com conflitos interiores, típicos do humano.
  • 7.
    É imprescindível saberque no mesmo tempo em que a pessoa fala, nossos pensamentos de censura e repreensão, falam também. Não dê ouvidos a eles. Apenas à fala da pessoa nesse primeiro momento. Para os cristãos, um outro Ser que falará com você com certeza nesses momentos é o Espírito Santo de Deus. Seu agir é imprevisível no sentido do momento e da direção que Ele quer dar para aquela pessoa.
  • 8.
    APORTE NO ACONSELHAMENTO CRISTÃO Paraos cristãos, a oração pode ser realizada no meio do processo de aconselhamento cristão, antes dos questionamentos e depois da fala inicial da pessoa. Orem e depois continue o processo.
  • 9.
    Controle os impulsosde dar sermões e contar histórias nesse momento e de caminhar por explanações bíblicas vagas, a pessoa quase sempre não ouvirá, a não ser a própria angústia. Por isso ajudar a pensar essa angústia, a elaborar essa angústia biblicamente é o foco do aconselhamento. Muitos aconselhamentos de cristãos são ineficazes, pois os pastores confundem a função do Púlpito com a função aconselhadora.
  • 10.
    A exposição daBíblia não é um momento proibido, mas deve ser em momentos em que a capacidade de a pessoa ouvir já se restabeleceu. O conselheiro deve estar sensível para isso. Há momentos em que a pessoa não ouve, só fala, pois o nível de angústia é grande. Se o conselheiro passa uma mensagem de falante, isso se irradia para a comunidade e sua função fica comprometida. Esteja atento para as motivações latentes de seu liderado.
  • 11.
    ALGUNS PROCESSOS DO ACONSELHAMENTOCRISTÃO Ofereça um clima de escuta sem censura, com empatia, liberdade de fala, aceitação total e interesse em entender. Escutar é uma ciência e possui princípios que devem ser seguidos para que haja eficiência e eficácia no processo de escuta do aconselhamento.
  • 12.
    Ouça, ouça eouça muito. Forneça feedback que está ouvindo, compreendendo e entendendo, independente de estar concordando ou não com as atitudes relatadas. Não ofereça um ambiente de censura e repreensão nessa primeira etapa de escuta. Apenas ouça, não ouça seus pensamentos e conjecturas sobre o caso. Ouça a pessoa, sua fala, suas emoções, seus sentimentos e seu corpo que se comunica também o tempo todo.
  • 13.
    Utilize uma atençãoflutuante, que é a capacidade de ouvir tudo sem selecionar, focar ou concentrar em partes da fala para análise paralela na mente enquanto se escuta o outro. Essa atenção flutuante é a capacidade de oferecer escuta a toda a fala sem se focar numa parte dela para análise ou reflexão. Às vezes o conselheiro ouve com seletividade e ao mesmo tempo em que pensa. Isto é prejudicial.
  • 14.
    Os estudos deteorias sobre a personalidade e sobre a psicologia, psicanalise, aumentam a capacidade de ouvir. Quanto mais conhecimento tiver sobre como é o funcionamento psicodinâmico do ser humano, maior é a capacidade de se ouvir na totalidade todas as partes da psique: a fala consciente, a fala inconsciente, a fala dos sintomas e a fala do corpo.
  • 15.
    Quando se entendeque a mente é um misto de ‘carne’ com espírito se entende que na pessoa coexiste uma força que a impele de fazer algo e ao mesmo tempo uma outra força que impede de fazer esse algo. Como Paulo dissera: “o que quero não faço, já o que não quero esse faço...”
  • 16.
    Perguntas podem serfeitas para a escuta se aprimorar. Mas que sejam perguntas que esclareçam a fala da pessoa. Intervenções curtas para esclarecer não devem ser feitas no momento em que a fala representa um desabafo ou uma catarse emocional, onde o fluxo não deve ser interrompido.
  • 17.
    Para ouvir comempatia, coloque-se no lugar da pessoa. Ela tem o direito de sentir raiva, impulsos violentos e agressivos, afinal é um ser humano. O problema é o que ela faz com esses impulsos e como os controla. Por isso, demonstre uma escuta acolhedora, sem repreensão, até em momentos em que ela estiver dizendo, por exemplo ‘ai, que vontade de matar aquele homem’.
  • 18.
    Não censure pensamentospecaminosos de pronto. Aborde o tema depois com cuidado e pelas ‘beiradas’, quase sempre se percebera que esses pensamentos nunca seriam postos em ação. Esses pensamentos pecaminosos são resultado de um aprendizado de vida traumático na infância, um aprendizado emocional, um aprendizado oriundo dos pais, de como resolver problemas.
  • 19.
    Aumente a capacidadede autoconhecimento da pessoa: aumentar a capacidade de olhar para si para os seus sentimentos e expressões e comportamentos. Ajude-a a demonstrar suas expressões, seus sentimentos e suas emoções. Por exemplo: ‘percebo que essa ansiedade atrapalha em muito a sua capacidade de trabalhar em calma’, ou ‘noto que o fato de o seu marido não te ouvir causa em você uma raiva muito grande e que você não expressa’.
  • 20.
    Espelhe a fala,resuma a fala para mostrar que a entendeu e para checar se entendeu. Esse resumo e espelhamento da fala da pessoa oferecem a possibilidade de demonstrar que ela está sendo acolhida e respeitada em sua individualidade pelo simples fato de estar sendo ouvida com atenção e compreendida.
  • 21.
    Após a escutaintegral da pessoa, da problemática principal, ofereça questionamentos. Questionamentos que permitam pensar sobre esse momento em que ela está vivendo. Ao invés de oferecer o conselho, indague sobre o melhor caminho com base na Bíblia. Estimule a pessoa a encontrar a própria solução para a sua questão. Ofereça momentos de clarificação da fala da pessoa.
  • 22.
    Em alguns momentosa própria situação de vida da pessoa está confusa para ela. Faça perguntas como: ‘o que você acha que isso quer dizer?’ ou ‘você pode pensar melhor nessa situação para buscar entender o que está acontecendo?’. Muitas vezes, a angústia vem da incapacidade de entender o que se passa consigo mesma, com o corpo e com a família; o que se sente e o que se deveria fazer nessas situações desconhecidas. Estimular o esclarecimento é muito útil na medida em que põe a pessoa para buscar o entendimento de sua problemática.
  • 23.
    Sugestões e caminhospodem ser sugeridos, mas não impostos. Antes de oferecer uma sugestão, estimule o esclarecimento da sua situação de vida. Apenas descrever o que acontece é uma boa técnica para pensar sobre a própria problemática. A técnica de esclarecimento difere da de reflexão na medida em que aquela visa a descrever o que se passa nos detalhes, já a reflexão, busca ‘os porquês’, ’os pra quês’.
  • 24.
    O uso dasduas deve ser concomitante e com a experiência de aconselhamento se consegue discernir entre o momento de usar cada uma delas. Já a técnica de confrontação visa corrigir a fala da pessoa e trazer à consciência de forma mais clara algum comportamento inadequado e não-cristão. Por exemplo, a pessoa diz: ‘eu apenas reajo às ignorâncias de meu esposo’ e o conselheiro diria ‘vamos ser sinceros, você responde com ignorância também a ignorância dele, não é verdade?’.
  • 25.
    Isso deve serfeito em momento certo, depois que o vínculo e a confiança entre os dois se estabeleceram. Depois que a pessoa teve um momento de escuta ativa e empática. Oferecer confrontação logo de início sem ouvir os desabafos é um grave erro que compromete a capacidade de a pessoa falar. Junto dessa técnica pode ser empregada a técnica do silêncio, que comunica à pessoa: ‘pense nisso agora’.
  • 26.
    A técnica dosilêncio pode ser usada em diversos momentos, como no de confrontação e no momento em que a pessoa estiver precisando elaborar por si mesma a dor que sente. Em alguns momentos esse silêncio do conselheiro em momentos de pranto pode demonstrar que a pessoa tem que aprender a lidar e a elaborar essa dor, pois nem sempre poderá contar com um braço para ajudá-la. Nos momentos de pranto, silêncio e palavras confortantes podem coexistir.
  • 27.
    LIMITES DE UMACONSELHAMENTO Enfim, o conselheiro não deve reduzir o aconselhamento à prática de conselhos, sugestões de decisões e com pregação de sermões, mas o ouvir e o apenas ouvir é uma técnica muito poderosa e importante.
  • 28.
    O ouvir deveser praticado de maneira integral com atenção às dimensões de palavras, pensamentos, emoções e corpo, que se expressam através de organização e escolha das palavras, seleção da temática e do aspecto da temática da fala, tom de voz, falhas de voz, silêncios, gaguejos, atos falhos, irregularidades nos volumes de voz, postura corporal, gestual, comunicação inconsciente, movimento de olhos, dentre alguns outros.
  • 29.
    O conselheiro devesaber discernir quando a pessoa quer uma sugestão bíblica e quando quer apenas desabafar e ser ajudado a pensar. Esse ouvir não deve ser estéril. É um ouvir que visa oferecer a diminuição da angustia, que visa o esclarecimento das questões espirituais da pessoa e que visa também encaminhamentos profissionais e sugestões bíblicas.
  • 30.
    Pessoas que temum bom nível de amadurecimento (autonomia de decisões e autocontrole das emoções) apenas precisam desabafar e ou serem ajudados a pensar, raramente precisam de conselhos diretos e frequentes. Outras pessoas precisam de sugestões mais simples e diretas, mas se deve ter consciência de que o fornecimento frequente de conselhos pode produzir um círculo vicioso que se torna fonte de dependência psicológica.
  • 31.
    Vale aqui ressaltaraquela história entre um Doutor para um estudante de medicina: o estudante pergunta: ‘Doutor, se é tão simples retirar um apêndice, por que 7 anos numa faculdade para aprender medicina?’. E na sua sabedoria e experiência responde o Doutor: ‘Filho, retirar um apêndice é fácil, posso te ensinar isso em 10 minutos. O que vai levar 7 anos de tempo é a aprendizagem do que fazer quando algo der errado’. SEMPRE BUSQUE CONHECIMENTO!