ACONSELHAMENTO REFLEXÕES INICIAIS
Abase para o aconselhamento, está na fé cristã e na possibilidade de ajuda
oferecida no seio da teologia, especificamente no ramo da teologia prática e no
contexto da igreja, onde quer que esteja atuando.
O aconselhamento, segundo suas diversas funções pode ser útil em situações que
requerem apoio, para encorajamento, exortação à mudança, reflexão, expressão de
sentimentos, auto conhecimento, confissão e discipulado.
3.
ACONSELHAMENTO DEFINIÇÃO
“dimensão da“poimênica” (pastoral) que utiliza uma variedade de métodos
terapêuticos e espirituais de cura para ajudar as pessoas a lidar com suas crises,
conflitos e problemas numa forma que conduz ao crescimento e a experimentar a
cura do seu estado de fraqueza, abatimento, sem energia.”
Para Clinebell, o aconselhamento tem uma função reparadora quando o
crescimento das pessoas é prejudicado ou bloqueado devido a crises.
Poimênica, por sua vez, é entendida por Clinebell como ministério, um serviço de
ajuda “amplo e inclusivo de cura e crescimento mútuo”, no seio da comunidade em
todos os momentos da vida.
4.
ACONSELHAMENTO - CRISTÃOCARACTERÍSTICAS
É realizado por um cristão;
É centrado em Cristo (Cristo não é um adendo ao aconselhamento, mas é a alma e o
coração do aconselhamento, a solução para os problemas. Isto contrata com o
caráter antropocêntrico das psicologias modernas);
É apoiado e exercido pela igreja (a Igreja é meio principal pelo qual Deus trás as
pessoas ao seu convívio e as conforma ao caráter de Cristo);
É totalmente baseado nas escrituras sagradas
Assim, a característica mais importante do aconselhamento cristão: Ele é teocêntrico e
não antropocêntrico. Visa glorificar a Deus e não tem como premissa básica apenas
o prazer e a felicidade do homem, somente
ACONSELHAMENTO – MOTIVAÇÃO
“Nãohavendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há
segurança.” (Pv 11:14)
"Direção", no texto, refere-se a "orientação náutica", comparando o caminhar da
vida ao navegar de um barco. Ambos necessitam de referência para não desviar ou,
até mesmo, corrigir os desvios da caminhada.
"Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim". João
14:16:
7.
PROVÁVEIS DEMANDAS DEACONSELHAMENTO
Problemas da vida. (Jo 16:33; Rm 8:37)
Crescimento espiritual. (Hb 5:12-14)
Conflitos íntimos. (Sl 42:5)
Questões emocionais (Pv 10:12; Pv 16:24)
Encorajamento (Fp 4:13; II Co 12:9)
Orientação e suporte em momentos de perda
(Jo 16:20; Fp 4:19)
Orientação em situação de dúvidas de conduta ou comportamento. (Hb 12:14; I Pe
1:16)
8.
GÊNESE E EVOLUÇÃODO ACONSELHAMENTO
Segundo Schneider-Harpprecht, “o termo‘aconselhamento pastoral’ é uma tradução
para o português da palavra inglesa pastoral counseling, usada especialmente no
contexto norte-americano do século 20”
Nos primeiros séculos o aconselhamento pastoral recebia o nome de “cura das
almas”. “a palavra cura d’almas aparece pela primeira vez no diálogo de Platão,
intitulado Laches”
9.
GÊNESE E EVOLUÇÃODO ACONSELHAMENTO
No AT o aconselhamento está vinculado à idéia da luta do ser humano em resgatar
sua relação com Deus. A vida em comunidade estava ligada ao culto, à sabedoria
popular e ao sistema jurídico vigente, obviamente.
Os sacerdotes, anciões e juízes eram os agentes do aconselhamento. Os sacerdotes
interviam em situações de conflito.
No NT vivemos um contexto de uma sociedade multicultural e muitireligiosa, em
situação de injustiça social onde o evangelho se estendia ao cuidado aos
desfavorecidos na prátia da cominunhão;m
Agora no NT os agentes do aconselhamento são todos os crentes, bem evidente nas
expressões “uns aos outros”
10.
GÊNESE E EVOLUÇÃODO ACONSELHAMENTO
Na Reforma protestante Lutero tirao peso da penitência como um abuso praticado
como forma de aconselhamento pastoral.
A descoberta da graça como dádiva de Deus muda esse quadro.
O viés segundo scheneider é que houve aqui uma centralizaão na figura do sistema
controlador e “pastocêntrico”
11.
ACONSELHAMENTO - CONCEITO
APoimênica e o aconselhamento pastoral em primeiro lugar como uma expressão da
vida comunitária e não como uma tarefa reservada para os pastores e outros
especialistas da igreja
12.
MÉTODOS E MODELOSDE ACONSELHAMENTO
O modelo fundamentalista de Jay Adams
O modelo evangelical de Gary Collins
O modelo holístico de libertação e crescimento de Clinebell.
13.
MODELO FUNDAMENTALISTA DEJAY ADAMS
Este modelo de aconselhamento promovido pelo teólogo americano Jay Adams tem
na Bíblia o único fundamento teórico, rechaçando qualquer tipo de contribuição
científica como meio auxiliar, como a psicologia, valendo-se da graça de Deus para
toda e qualquer solução, desde que haja arrependimento.
não há reflexão sobre o contexto social, histórico e cultural do aconselhamento
Para ele as psicopatologias fogem da alçada e competência tanto da Teologia
quanto dos teólogos
14.
MODELO FUNDAMENTALISTA DEJAY ADAMS
[...] doenças psíquicas têm a sua raiz no pecado concreto da pessoa.
O seu método é a conversão que confronta a pessoa com o mal que
ela faz (alcoolismo, medo, falta de fé), a responsabiliza pelos seus
atos e busca uma nova orientação (SCHNEIDER-HARPPRECHT, 2005, p. 303)
.
15.
MODELO EVANGELICAL
No modeloevangelical uma das figuras que aparecem como expoente é o psicólogo
Gary Collins. Efetivamente pela formação acadêmica que tem, é fácilperceber ao
longo de suas obras a relevância que ele inferiu no encontro entre a psicologia e a
teologia, sobretudo na contribuição com relação ao aconselhamento.
Entre os autores evangelicais existe uma forte tendência de usar a psicologia para
realizar um aconselhamento mais efetivo”
Collins, no entanto, enfatiza o valor das escrituras e de Deus na caminhada no
aconselhamento.
Collins Utiliza técnicas psicológicas tradicionais juntamente com práticas espirituais,
como a leitura bíblica e a oração.
16.
MODELO EVANGELICAL
[...] todaverdade tem origem em Deus, inclusive a verdade sobre as pessoas por ele
criadas. Deus revelou esta verdade através da Bíblia, a sua palavra escrita à
humanidade, mas também permitiu-nos descobrir a verdade mediante a experiência
e os métodos de investigação científica. A descoberta deve estar sempre de acordo
e ser confrontada com o padrão da verdade bíblica revelada (SCHNEIDER-
HARPPRECHT, 2005, p. 304)
17.
MODELO EVANGELICAL
A fimde ajudar as pessoas, o aconselhamento busca estimular o desenvolvimento da
personalidade; ajudar os indivíduos a enfrentarem mais eficazmente os problemas
da vida, os conflitos íntimos e as emoções prejudiciais; prover encorajamento e
orientação para aqueles que tenham perdido alguém querido ou estejam sofrendo
uma decepção; e para assistir as pessoas cujo padrão de vida lhes cause frustração
e infelicidade.
(COLLINS, Gary R. Aconselhamento cristão. São Paulo: Vida Nova, 1998. p. 12)
18.
MODELO HOLÍSTICO DELIBERTAÇÃO E
CRESCIMENTO
Howard Clinebell é o idealizador deste modelo“o ministério amplo e inclusivo de cura
e crescimento mútuo dentro de uma congregação e de sua comunidade”
Nesse modelo o diálogo entre psicologia, mais especificamente a psicologia
humanística, e o aconselhamento é fundamental. Clinebell afirma que, “em nosso
mundo de contínua mudança, a poimênica e o aconselhamento pastoral precisam ser
guiados por uma visão evolutiva” (CLINEBELL, 2007, p. 24.)
19.
MODELO HOLÍSTICO DELIBERTAÇÃO E
CRESCIMENTO
Clinebell utiliza uma abordagem integrada que considera a totalidade da
experiência humana, incluindo aspectos emocionais, físicos, espirituais, sociais, e
intelectuais.
Utiliza uma ampla gama de técnicas, incluindo terapia de grupo, aconselhamento
individual, e métodos de crescimento pessoal que abrangem todas as dimensões da
vida.
20.
CONTEXTO ATUAL
grande influênciado pensamento
capitalista no mundo da pós-modernidade
“as
pessoas são seduzidas pelo apelo dos objetos, ao invés de lidarem criativamente
com sua vida. A vida passa pela concretude da aquisição de algo – infelizmente
também na esfera do religioso” (WONDRACEK, Karin H. K. Aconselhamento em
tempos de barbárie: sofrimento, vida e
encarnação. Estudos Teológicos, São Leopoldo, v. 50 n. 2, p. 273-287, jul./dez.
2010. p. 277.)
21.
CONTEXTO ATUAL ECLESIÁSTICO
constatarpastores centralizadores moldados em um formato arcaico
Ministério de ação pastoral ou poimênica foi transformado em ação daqueles e
daquelas que foram ordenados para o ofício pastoral. Perdemos a dimensão do carisma da
exortação, aquele dom em que as pessoas são capacitadas pelo Espírito Santo para
sentarem
ao lado daqueles e daquelas que de alguma maneira precisam de apoio
A aceitação da psicologia e de seus conceitos como conteúdo que pode e deve ser
integrado foi dando aos pastores e pastoras conhecimentos que os transformam em
“especialistas”
22.
O LUGAR DAPSICOLOGIA
Com o advento do pensamento científico e da descoberta das
causas biológicas e naturais da doença, também a cura tende a ser
desvinculada da influência de poderes sobrenaturais e, por
conseguinte, da esfera de ação do sacerdote. As doenças físicas e
psíquicas passam de forma crescente, a ser da competência secular
do médico. Ao sacerdote fica reservada a tarefa de ministrar à
“alma”, considerada como uma esfera acientífica e atemporal do ser
Humano (HOCH, Lothar C. Psicologia a serviço da libertação: possibilidades e limites da
Psicologia na
pastoral de aconselhamento. Estudos Teológicos, São Leopoldo, n. 3, ano 25, 1985. p. 254.)
23.
O LUGAR DAPSICOLOGIA
Os valores da psicoterapia são maravilhosos, pois permitem encontros do homem
consigo mesmo, entretanto, se mostra limitada e deficiente por raramente terem
comprometimento com a integralidade do ser humano, como o faz em parte a
logoterapia,
criada por Viktor Frankl.
24.
A INTERFACE ENTREA PSICOLOGIA E A TEOLOGIA
No estreitamento entre o aconselhamento e a psicologia, um objetivo comum a ambas
as áreas é o bem-estar, o desenvolvimento e o cuidado ao ser humano.
O cuidado, então é a área comum mas não será uma apologia da ciência em
detrimento à ação divina.
(ROSA, Alexandre. Interface psicologia e aconselhamento pastoral: o cuidado nas crises atrávés da
psicologia pastoral. 2012. 66 f. Dissertação (Mestrado em Teologia) - Faculdades EST, São Leopoldo,
2012.p.35)
25.
A ÉTICA NOACONSELHAMENTO
A Questão do Sigilo
Dilemas Éticos
O “Poder” Pastoral
QUANTO À ABORDAGEMDIRETIVA
Orientação Espiritual: O conselheiro desempenha um papel ativo, oferecendo conselhos
baseados em ensinamentos bíblicos e princípios cristãos.
Pode incluir a interpretação e aplicação de passagens bíblicas para abordar problemas
específicos.
O conselheiro pode recomendar práticas espirituais, como oração, leitura bíblica e participação
em atividades da igreja.
Estrutura e Controle: A sessão é estruturada e direcionada pelo conselheiro, que lidera o
processo e define as etapas a serem seguidas.
Pode incluir o estabelecimento de metas espirituais e práticas de disciplinas espirituais.
Foco em Resultados Espirituais e Práticos: Visa a resolução de problemas com base em uma visão
cristã, como a superação de tentações, fortalecimento da fé, ou reconciliação de
relacionamentos.
Pode buscar uma mudança comportamental que reflete os valores cristãos.
28.
QUANTO À ABORDAGEMNÃO-DIRETIVA
Autonomia do aconselhando: O conselheiro adota um papel facilitador, encorajando-o a explorar
suas próprias questões espirituais e pessoais.
Promove a autoexploração e o crescimento espiritual através da reflexão pessoal.
Escuta Ativa e Empatia: Enfatiza a escuta ativa e a aceitação incondicional oferecendo um ambiente
seguro para exressão de preocupações experiências espirituais.
O conselheiro reflete os sentimentos e pensamentos do aconselhando sem impor suas próprias
interpretações ou soluções.
Foco no Processo Espiritual: Valoriza o processo de crescimento espiritual autoconhecimento,
permitindo que o cliente desenvolva suas próprias compreensões e ações em relação à sua fé.
Incentiva o aconselhando a buscar sua própria conexão com Deus e a explorar relacionamento
espiritual.
Intervenção Mínima:O conselheiro evita dirigir a conversa ou fornecer soluções específicas,
encorajando o aconselhando a encontrar suas próprias respostas e caminhos de crescimento espiritual.
29.
SOBRE O PROCESSO
Observea queixa (o sintoma) mas saiba que ele pode ser somente a ponta do
iceberg
“Existem em cada ser humano, desejos que ele prefere não comunicar a outros e
desejos que ele próprio não quer admitir” (FREUD, 1900, p. 195)
30.
AS FASES OUETAPAS DO PROCESSO DE
ACONSELHAMENTO
1. Conexão
2. Exploração Inicial
3. Exploração Em Profundidade
4. Intervenção
5. Encerramento
6. Monitoramento Posterior
31.
REFERÊNCIAS
ADAMS, Jay E.Conselheiro Capaz. Editora Fiel Ltda., São Paulo, 1977.
CLINEBELL, HOWARD. Aconselhamento Pastoral – Modelo Centrado em Libertação e Crescimento, São Paulo, Paulinas,
1987.
COLLINS, Gary R. Aconselhamento cristão. São Paulo: Vida Nova, 1998.
FREUD, S. A Interpretação dos sonhos (1900) 1900). São Paulo: Companhia das Letras, 2019. Obras Completas, v. 4.
FRIESEN, ALBERT. Cuidando do Ser. Curitiba, Editora Evangélica Esperança, 2000.
HURDING, ROGER F. A Árvore da Cura – Modelos de Aconselhamento e de Psicoterapia. São Paulo, Vida Nova, 1988.
KHOL, Manfred Waldemar; BARRO, Antônio Carlos. Aconselhamento Cristão Transformador. Londrina, Descoberta, 2006.
PATTERSON, L. E. Eisenberg S. O processo de aconselhamento, tradução Magaly Alonso. - 3- ed. – São Paulo : Martins
Fontes, 2003.
VASSÃO, Eleny. Aconselhamento a Pacientes Terminais. Luz Para o Caminho, Campinas, 1996.
SCHEEFFER, Ruth. Teorias de Aconselhamento. Atlas, São Paulo, 1986