O Setor Externo
2
Fundamentos do Comércio Internacional
A Taxa de Câmbio
Variáveis que afetam as Exportações e as Importações Agregadas
Políticas Externas
O Balanço de Pagamentos
A Internacionalização da Economia
3
O que leva os países a comercializarem entre si ?
Teoria das Vantagens Comparativas: formulada por David Ricardo em 1817; sugere
que cada país deva especializar-se na produção daquela mercadoria em que é
relativamente mais eficiente (ou que tenha um custo relativamente menor).
Desvantagens: é uma teoria estática, não leva em consideração a evolução das
estruturas de oferta e demanda, nem as relações de preços entre os produtos
negociados.
Teoria Moderna do Comércio Internacional (Modelo de Hecksher – Ohlin): postula
que as vantagens comparativas e, logo, a direção do comércio, estarão dadas pela escassez
ou abundância relativa dos fatores de produção.
Fundamentos do Comércio Internacional
4
Taxa de câmbio nominal: é o preço da moeda (divisa) estrangeira em temos da moeda
nacional ou vice-versa. No caso do Brasil é quanto se precisa em termos da moeda nacional
(Real) para se comprar uma unidade de uma moeda estrangeira. Seu preço é determinado pela
oferta e demanda de divisas. Ex.:
Brasil: U$ 1,00 = R$ 5,75
Exterior: R$ 1,00 = U$ 0,17
Obs.: Como no Brasil a definição de câmbio é “diferente”; um aumento da taxa de câmbio
implica em desvalorização e uma redução implica em valorização...
Ex.: U$ 1,00 = R$ 5,10  U$ 1,00 = R$ 5,50  Desvalorização
Oferta de Divisas: depende do volume de exportações e da entrada de capitais externos;
Demanda de Divisas: depende do volume das importações e da saída de capitais externos
(amortização de empréstimos, remessa de lucros, pagamentos de juros, etc.).
Taxa de Câmbio e Regimes Cambiais
5
OFERTA DE DIVISAS > DEMANDA DE DIVISAS
Aumenta a disponibilidade de moeda estrangeira
(valorização cambial)
OFERTA DE DIVISAS < DEMANDA DE DIVISAS
Diminui a disponibilidade de moeda estrangeira
(desvalorização cambial)
Taxa de Câmbio e Regimes Cambiais
6
Taxa Fixa de Câmbio: o Banco Central fixa a taxa de câmbio:
• Maior previsibilidade aos agentes do mercado.
• Evita aumentos de preços de produtos importados, sendo, portanto, útil para controle da
inflação.
Taxa de Câmbio Flutuante: a taxa é determinada pelo mercado de divisas (oferta
e de demanda):
• Dirty Floating: (mais adotado) regime de câmbio flutuante, mas com intensa atuação do
Banco Central, na venda e na compra, que procura mantê-la em níveis relativamente
estáveis;
• Minibanda cambiais: o regime é flutuante, porém dentro de limites fixados pelo Banco
Central.
Taxa de Câmbio e Regimes Cambiais
7
Taxa de Câmbio e Regimes Cambiais
Câm
bio Flutuante
(Flexível)
 BCfixa a taxa de câm
bio;  Om
ercado determ
ina a taxa de câm
bio;
 BC é obrigado a disponibilizar
reservas cam
biais.
 BC nãoé obrigadoa disponibilizar reservas
cam
biais.
 Maior controle da inflação (custo
das im
portações).
 Política m
onetária m
ais independente do
câm
bio.
 Reservas cam
biais m
ais protegidas de
ataques especulativos.
 Reservas cam
biais vulneráveis a
ataques especulativos;
 Ataxa de câm
bio fica m
uito dependenteda
volatilidade do m
ercado financeiro nacional e
internacional;
 A política m
onetária (taxa de
juros) fica dependente do volum
e de
reservas cam
biais.
 Maior dificuldade de controle das pressões
inflacionárias, devido às desvalorizações
cam
biais.
Desvantagens
Câm
bio Fixo
Características
V
antagens
8
Valorização (apreciação)
Taxa de câmbio cai
(moeda nacional mais forte)
Importadores pagarão menos reais por dólar e tendem a importar mais,
aumentando a concorrência com os nacionais (âncora cambial).
Pressão pela queda dos preços internos
(Aumenta a eficiência produtiva, pelo aumento da competição)
Efeito das Variações na Taxa de Câmbio sobre Exportações
e Importações (Controle da Inflação)
+ Política de Abertura Comercial
(liberação de Importação)
Custos:
• Setor Exportador (perde mercado pelo alto custo relativo de seu produto).
• Setores protegidos que passarão a sofrer concorrência.
9
Desvalorização(depreciação)
Taxa de câmbio sobe
(moeda nacional mais fraca)
Pode proporcionar um aumento nas Exportações e redução das Importações (leva
um certo tempo p/ essa resposta)
Pressão sobre os custos de produção
(Aumento no custo das Importações,
incluindo produtos essenciais (demanda inelástica) Ex: Petróleo. )
Efeito das Variações na Taxa de Câmbio sobre Exportações
e Importações (Controle da Inflação)
Custos:
• Aumento do nível geral de preços – inflação de custos (pass-through)
10
As transações internacionais são influenciadas pelos preços internacionais. Os dois
preços internacionais mais importantes são a taxa de câmbio nominal e a taxa de
câmbio real.
• Taxa de câmbio nominal: é a taxa à qual se pode trocar a moeda de um país
pela moeda de outro país;
• Taxa de câmbio real: é a taxa à qual se pode trocar os bens e serviços de um
país pelos bens e serviços de outro país, ou seja, compara o preço de bens
domésticos e internacionais na economia doméstica. A taxa de câmbio real é o
preço em reais de uma cesta de bens estrangeiros, em relação à uma cesta
brasileira.
A taxa de câmbio real é um fator chave na determinação de quanto um
país exporta e importa.
Taxa de Câmbio Real e Nominal
*
Tx de Câmbio Nominal*Preço Externo
Tx de Câmbio Real
Preço Interno
eP
R
P
  
Exemplo:
Preço de um automóvel produzido no Brasil = R$ 15.000,00
Preço de um automóvel produzido nos EUA = US$ 12.000,00
e = taxa de câmbio nominal = R$ 1,00/US$ 1,00
R = taxa de câmbio real = (1,00 X 12.000) / 15.000 = 0,8
Conclusão: o automóvel norte-americano é 20% mais barato que o brasileiro.
Supondo agora e = R$ 1,25/US$ 1,00  R = 1,0
Desvalorização real da moeda brasileira: o automóvel norte-americano passou a ter o mesmo
preço que o brasileiro.
O mesmo resultado poderia ser obtido com uma elevação do preço em US$ nos eua e/ou com
uma redução do preço em R$ no Brasil.
% R = % e + % P* - % P
11
Taxa de Câmbio Real e Nominal
16
Qdo a taxa real de juro Interna aumenta em relação à Externa
Tendência de aumento do fluxo de capitais
financeiros internacionais para o país
Aumentando a oferta de divisas (dólar)
Promovendo uma queda na taxa de
Câmbio (valorização da moeda nacional)
Paralelamente, os
nacionais ficam
atraídos a investir no
mercado interno de
capitais, diminuindo
a saída de divisas do
país e, assim, a
demanda de divisas.
Taxa de Câmbio Real e Nominal (Paridade da Taxa de
Juros)
17
Exportações:
onde:
P*
= preços externos (de nossos produtos) em dólares
Pi
= preços internos (domésticos) em reais
e = taxa de câmbio (reais por dólar)
Yw= Renda Mundial
Sub = Subsídios e incentivos às exportações
Importações:
onde:
P*
= preços externos (de nossos produtos) em dólares
Pi
= preços internos (domésticos) em reais
e = taxa de câmbio (reais por dólar)
Yw = Renda Nacional
Tm = Tarifas e barreiras às importações ( Tm )
Variáveis que afetam as Importações e Exportações
Agregadas
*, , , ,
i
X f P P e Yw Sub

   
 
  
 
*, , , ,
i
m
M f P P e Y T

   
 
  
 
18
Política Cambial
• Regime de taxas fixas de câmbio
• Regime de taxas flutuantes de câmbio (Dirty Floating)
• Regime de bandas cambiais (banda inferior e superior em que o câmbio pode flutuar)
Política Comercial
• Alterações das Tarifas sobre Importações:
Substituição de Importações: imposto sobre importações maiores;
Abertura comercial ou liberalização das importações: imposto
sobre importações menores);
• Regulamentação do Comércio Exterior
Entraves burocráticos
Barreiras qualitativas
Políticas Externas
19
Definição: registro contábil de todas as transações de um país com o resto do
mundo. Envolve tanto transações com bens e serviços como transações com
capitais físicos e financeiros.
Créditos:
Exportações de Bens e Serviços
Recebimento de Doações e Indenização de Estrangeiros
Recebimento de Empréstimos de Estrangeiros
Recebimento de Reembolso de Capital do Estrangeiro
Venda de Ativos para Estrangeiros
Recebimento de Fretes, etc
Débitos:
Importações de Bens e Serviços
Pagamentos de Doações e Indenizações a Estrangeiros
Pagamentos de Capital Emprestado por Estrangeiros
Reembolsos de Capital a Estrangeiros
Compras de Ativos de Estrangeiros
Pagamentos de fretes, etc
Balanço de Pagamentos
20
O BP apresenta dois tipos de transações:
• Autônomas (espontâneas): motivadas pelos interesses dos
agentes (empresas, consumidores, governo);
• Compensatórias (induzidas): destinadas a financiar o saldo
final das transações autônomas (“zerar” as contas do BP)
Balanço de Pagamentos
21
Balanço de Pagamentos
A – Balança de Transações Correntes (BTC ou Saldo em Conta Corrente do BP = A1 + A2 + A3)
A1 – Balança Comercial
A1.1 – Exportações (FOB): débito
A1.2 – Importações (FOB): crédito
A2 – Balança de Serviços e Rendas
A2.1 – Transportes (fretes, etc) e Seguros
A2.2 – Viagens Internacionais e Turismo
A2.3 – Rendas de Capital (lucros, juros, dividendos, lucro reinvestido pelas multinacionais)
A2.4 – Royalties e licenças
A2.5 – Diversos (serviços governamentais – embaixadas, consuladodos, representações no
exterior, etc)
A3 – Transferências Unilaterais Correntes (donativos)
B – Conta Capital e Financeira (Balança (movimento) de Capitais)
B1 – Investimentos direto líquido (instalação e participação do capital de multinacionais no país)
B2 – Reinvestimentos (reinvestimentos de multinaiconais já instaladas no país)
B3 – Empréstimos e Financiamentos a Longo e Médio Prazo (Banco Mundial, etc)
B4 – Empréstimos a Curto Prazo
B5 – Amortizações de Empréstimos e Financiamentos
B6 – Empréstimos de Regularização do FMI (problemas de liquidez)
B7 – Capitais a Curto Prazo (aplicações no mercado financeiro)
C – Erros e Omissões
Saldo do Balanço de Pagamentos (A + B + C)
D – Transações Compensatórias (Financiamento Oficial Compensatório)
D1 – Variação de Reservas = - SBP
22
1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005
A1. BALANÇA COMERCIAL 10,5 (3,5) (5,6) (6,8) (6,6) (1,2) (0,7) 2,7 13,1 24,8 33,7 44,8
Exportações FOB 43,5 46,5 47,7 53,0 51,1 48,0 55,1 58,2 60,4 73,1 96,5 118,3
Importações FOB (33,1) (50,0) (53,3) (59,7) (57,7) (49,2) (55,8) (55,6) (47,2) (48,3) (62,8) (73,6)
A2. SERVIÇOS E RENDAS (14,7) (18,5) (20,4) (25,5) (28,3) (25,8) (25,0) (27,5) (23,1) (23,5) (25,3) (34,1)
Juros (6,4) (8,2) (9,8) (10,6) (12,1) (15,2) (15,9) (14,9) (13,1) (13,0) (13,4) (13,5)
Lucros e Dividendos (2,5) (2,6) (2,4) (5,6) (6,9) (4,1) (3,6) (5,0) (5,2) (5,6) (7,3) (12,7)
Viagens Internacionais (1,2) (2,4) (3,6) (4,4) (4,3) (1,4) (2,1) (1,5) (0,4) 0,2 0,4 (0,9)
Outros (fretes, royalties, etc) (4,6) (5,3) (4,6) (4,9) (5,0) (5,1) (3,4) (6,1) (4,4) (5,0) (4,9) (7,0)
A3. TRANSF. UNILAT. CORR 2,4 3,6 2,4 1,8 1,5 1,7 1,5 1,6 2,4 2,9 3,3 3,6
BAL.TRANS.COR =A1+A2+A3 (1,8) (18,4) (23,5) (30,5) (33,4) (25,3) (24,2) (23,2) (7,6) 4,2 11,7 14,2
B. CAPITAL E FINANCEIRA 19.1 29,1 34,0 25,8 29,7 17,3 19,3 27,1 8 4,4 (7,3) (8,8)
Investimentos Diretos 8,1 4,7 9,4 17,1 26,1 30,1 29,8 24,9 16,6 10,1 18,2 12,7
Emprést/Financ. (líquido) 11,0 24,4 24,6 8,7 3,6 (12,8) (10,5) 2,2 (8,6) (5,7) (25,5) (21,5)
C=ERROS E OMISSÕES 0,3 2,2 (1,8) (3,3) (4,3) 0,2 2,6 (0,5) (0,07) (0,1) (2,1) (1,1)
SPB = A+B+C 17,6 12,9 8,7 (7,9) (8,0) (7,8) (2,3) (0,5) 0,3 8,5 2,2 4,3
D=- SBP =VAR. RESERVAS (17,6) (12,9) (8,7) 7,9 8,0 7,8 2,3 0,5 (0,3) (8,5) (2,2) (4,3)
FONTE: Banco Central
(US$ bilhões)
Balanço de Pagamentos do Brasil
23
Organismos Financeiros Internacionais
Mudanças na economia após a Segunda Guerra Mundial levaram ao surgimento de
órgãos de fomento ao desenvolvimento econômico e financeiro.
I. Acordo de Bretton Woods
• Estabeleceu o padrão dólar-ouro, consagrando o dólar como moeda internacional,
baseando sua conversibilidade nas reservas de ouro;
• 1971 – rompimento do acordo pelos EUA e adoção de taxas de câmbio flutuantes.
II. Fundo Monetário Internacional
• Tem como objetivo promover a cooperação monetária entre as nações;
• Ajuda a problemas conjunturais no BP e estimula o comércio internacional.
III. Banco Mundial (Banco Mundial de Reconstrução e Desenvolvimento – Bird)
• Captador e fornecedor de crédito para investimentos produtivos em países
subdesenvolvidos.
IV. Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt)
• Regras e instituições que regulem o comércio internacional.
24
Fluxos Comerciais e Financeiros internacionais crescem a taxas maiores que o
próprio crescimento da economia mundial. O Grau de Abertura aumenta que quase
todos os países.
Grau de Abertura = Exportações + Importações
PIB
Globalização Produtiva e Financeira
Países 1980 1990 1998
ALEMANHA 28,7 30,8 25,7
ARGENTINA 8,0 7,5 11,7
AUSTRÁLIA 17,4 17,1 20,7
BRASIL 10,0 6,8 8,9
CANADÁ 27,4 25,4 40,6
CHILE 21,0 32,7 27,7
CHINA n.d. 15,7 20,1
COLÔMBIA 13,6 17,7 17,1
CORÉIADOSUL 37,6 30,1 42,2
EST
ADOSUNIDOS 10,4 10,4 12,1
FRANÇA 22,1 22,5 24,7
ÍNDIA 8,3 8,4 11,9
Fonte: Banco Mundial
25
Globalização Produtiva: produção e distribuição de valores dentro
de redes em escala mundial, com o acirramento da concorrência entre
grandes grupos multinacionais. Contribui para a melhoria do padrão
de vida em escala mundial.
Conseqüências Perversas:
• Aumento do desemprego estrutural em muitos países
• A tendência de desnacionalização do setor produtivo
• Concentração da produção e comércio em grandes empresas.
Necessidade de maior atuação do Estado (Regulamentação)
Globalização Produtiva e Financeira
26
Globalização Financeira: crescimento do fluxo financeiro
internacional, baseado mais no mercado de capitais que no sistema de
crédito. São afetados por expectativas e políticas cambiais e
monetárias.
Principais características:
• perda da importância do crédito bancário e crescimento dos mercados de
títulos;
• crescimento dos chamados investidores institucionais (fundos de pensão,
seguradoras, fundos mútuos etc.)
• processo de liberalização financeira;
• crescimento da participação dos países emergentes nos mercados internacional
de títulos (beneficiado pelas baixas taxas de juros nos países desenvolvidos);
• inovações financeiras: derivativos, modelos de risco etc.;
• progressos na tecnologia de comunicação.
Globalização Produtiva e Financeira
27
Vantagens:
• Eleva a liquidez internacional: maiores possibilidades de financiamento de
déficits em transações correntes;
• No Brasil, a entrada de capitais de curto prazo teve uma vantagem adicional:
ao possibilitar a valorização da taxa de câmbio, contribuiu para o sucesso do
Plano Real (âncora cambial).
Desvantagens:
• Eleva a vulnerabilidade externa do país frente a crises financeiras
internacionais. Exemplo: vulnerabilidade da economia brasileira nos anos 90;
• Taxas de câmbio e juros mais instáveis;
• Efeito contágio
• Conspira contra a globalização produtiva
Globalização Produtiva e Financeira

Macroeconomia_Setor Externo_Fundamentos.pptx

  • 1.
  • 2.
    2 Fundamentos do ComércioInternacional A Taxa de Câmbio Variáveis que afetam as Exportações e as Importações Agregadas Políticas Externas O Balanço de Pagamentos A Internacionalização da Economia
  • 3.
    3 O que levaos países a comercializarem entre si ? Teoria das Vantagens Comparativas: formulada por David Ricardo em 1817; sugere que cada país deva especializar-se na produção daquela mercadoria em que é relativamente mais eficiente (ou que tenha um custo relativamente menor). Desvantagens: é uma teoria estática, não leva em consideração a evolução das estruturas de oferta e demanda, nem as relações de preços entre os produtos negociados. Teoria Moderna do Comércio Internacional (Modelo de Hecksher – Ohlin): postula que as vantagens comparativas e, logo, a direção do comércio, estarão dadas pela escassez ou abundância relativa dos fatores de produção. Fundamentos do Comércio Internacional
  • 4.
    4 Taxa de câmbionominal: é o preço da moeda (divisa) estrangeira em temos da moeda nacional ou vice-versa. No caso do Brasil é quanto se precisa em termos da moeda nacional (Real) para se comprar uma unidade de uma moeda estrangeira. Seu preço é determinado pela oferta e demanda de divisas. Ex.: Brasil: U$ 1,00 = R$ 5,75 Exterior: R$ 1,00 = U$ 0,17 Obs.: Como no Brasil a definição de câmbio é “diferente”; um aumento da taxa de câmbio implica em desvalorização e uma redução implica em valorização... Ex.: U$ 1,00 = R$ 5,10  U$ 1,00 = R$ 5,50  Desvalorização Oferta de Divisas: depende do volume de exportações e da entrada de capitais externos; Demanda de Divisas: depende do volume das importações e da saída de capitais externos (amortização de empréstimos, remessa de lucros, pagamentos de juros, etc.). Taxa de Câmbio e Regimes Cambiais
  • 5.
    5 OFERTA DE DIVISAS> DEMANDA DE DIVISAS Aumenta a disponibilidade de moeda estrangeira (valorização cambial) OFERTA DE DIVISAS < DEMANDA DE DIVISAS Diminui a disponibilidade de moeda estrangeira (desvalorização cambial) Taxa de Câmbio e Regimes Cambiais
  • 6.
    6 Taxa Fixa deCâmbio: o Banco Central fixa a taxa de câmbio: • Maior previsibilidade aos agentes do mercado. • Evita aumentos de preços de produtos importados, sendo, portanto, útil para controle da inflação. Taxa de Câmbio Flutuante: a taxa é determinada pelo mercado de divisas (oferta e de demanda): • Dirty Floating: (mais adotado) regime de câmbio flutuante, mas com intensa atuação do Banco Central, na venda e na compra, que procura mantê-la em níveis relativamente estáveis; • Minibanda cambiais: o regime é flutuante, porém dentro de limites fixados pelo Banco Central. Taxa de Câmbio e Regimes Cambiais
  • 7.
    7 Taxa de Câmbioe Regimes Cambiais Câm bio Flutuante (Flexível)  BCfixa a taxa de câm bio;  Om ercado determ ina a taxa de câm bio;  BC é obrigado a disponibilizar reservas cam biais.  BC nãoé obrigadoa disponibilizar reservas cam biais.  Maior controle da inflação (custo das im portações).  Política m onetária m ais independente do câm bio.  Reservas cam biais m ais protegidas de ataques especulativos.  Reservas cam biais vulneráveis a ataques especulativos;  Ataxa de câm bio fica m uito dependenteda volatilidade do m ercado financeiro nacional e internacional;  A política m onetária (taxa de juros) fica dependente do volum e de reservas cam biais.  Maior dificuldade de controle das pressões inflacionárias, devido às desvalorizações cam biais. Desvantagens Câm bio Fixo Características V antagens
  • 8.
    8 Valorização (apreciação) Taxa decâmbio cai (moeda nacional mais forte) Importadores pagarão menos reais por dólar e tendem a importar mais, aumentando a concorrência com os nacionais (âncora cambial). Pressão pela queda dos preços internos (Aumenta a eficiência produtiva, pelo aumento da competição) Efeito das Variações na Taxa de Câmbio sobre Exportações e Importações (Controle da Inflação) + Política de Abertura Comercial (liberação de Importação) Custos: • Setor Exportador (perde mercado pelo alto custo relativo de seu produto). • Setores protegidos que passarão a sofrer concorrência.
  • 9.
    9 Desvalorização(depreciação) Taxa de câmbiosobe (moeda nacional mais fraca) Pode proporcionar um aumento nas Exportações e redução das Importações (leva um certo tempo p/ essa resposta) Pressão sobre os custos de produção (Aumento no custo das Importações, incluindo produtos essenciais (demanda inelástica) Ex: Petróleo. ) Efeito das Variações na Taxa de Câmbio sobre Exportações e Importações (Controle da Inflação) Custos: • Aumento do nível geral de preços – inflação de custos (pass-through)
  • 10.
    10 As transações internacionaissão influenciadas pelos preços internacionais. Os dois preços internacionais mais importantes são a taxa de câmbio nominal e a taxa de câmbio real. • Taxa de câmbio nominal: é a taxa à qual se pode trocar a moeda de um país pela moeda de outro país; • Taxa de câmbio real: é a taxa à qual se pode trocar os bens e serviços de um país pelos bens e serviços de outro país, ou seja, compara o preço de bens domésticos e internacionais na economia doméstica. A taxa de câmbio real é o preço em reais de uma cesta de bens estrangeiros, em relação à uma cesta brasileira. A taxa de câmbio real é um fator chave na determinação de quanto um país exporta e importa. Taxa de Câmbio Real e Nominal * Tx de Câmbio Nominal*Preço Externo Tx de Câmbio Real Preço Interno eP R P   
  • 11.
    Exemplo: Preço de umautomóvel produzido no Brasil = R$ 15.000,00 Preço de um automóvel produzido nos EUA = US$ 12.000,00 e = taxa de câmbio nominal = R$ 1,00/US$ 1,00 R = taxa de câmbio real = (1,00 X 12.000) / 15.000 = 0,8 Conclusão: o automóvel norte-americano é 20% mais barato que o brasileiro. Supondo agora e = R$ 1,25/US$ 1,00  R = 1,0 Desvalorização real da moeda brasileira: o automóvel norte-americano passou a ter o mesmo preço que o brasileiro. O mesmo resultado poderia ser obtido com uma elevação do preço em US$ nos eua e/ou com uma redução do preço em R$ no Brasil. % R = % e + % P* - % P 11 Taxa de Câmbio Real e Nominal
  • 12.
    16 Qdo a taxareal de juro Interna aumenta em relação à Externa Tendência de aumento do fluxo de capitais financeiros internacionais para o país Aumentando a oferta de divisas (dólar) Promovendo uma queda na taxa de Câmbio (valorização da moeda nacional) Paralelamente, os nacionais ficam atraídos a investir no mercado interno de capitais, diminuindo a saída de divisas do país e, assim, a demanda de divisas. Taxa de Câmbio Real e Nominal (Paridade da Taxa de Juros)
  • 13.
    17 Exportações: onde: P* = preços externos(de nossos produtos) em dólares Pi = preços internos (domésticos) em reais e = taxa de câmbio (reais por dólar) Yw= Renda Mundial Sub = Subsídios e incentivos às exportações Importações: onde: P* = preços externos (de nossos produtos) em dólares Pi = preços internos (domésticos) em reais e = taxa de câmbio (reais por dólar) Yw = Renda Nacional Tm = Tarifas e barreiras às importações ( Tm ) Variáveis que afetam as Importações e Exportações Agregadas *, , , , i X f P P e Yw Sub             *, , , , i m M f P P e Y T            
  • 14.
    18 Política Cambial • Regimede taxas fixas de câmbio • Regime de taxas flutuantes de câmbio (Dirty Floating) • Regime de bandas cambiais (banda inferior e superior em que o câmbio pode flutuar) Política Comercial • Alterações das Tarifas sobre Importações: Substituição de Importações: imposto sobre importações maiores; Abertura comercial ou liberalização das importações: imposto sobre importações menores); • Regulamentação do Comércio Exterior Entraves burocráticos Barreiras qualitativas Políticas Externas
  • 15.
    19 Definição: registro contábilde todas as transações de um país com o resto do mundo. Envolve tanto transações com bens e serviços como transações com capitais físicos e financeiros. Créditos: Exportações de Bens e Serviços Recebimento de Doações e Indenização de Estrangeiros Recebimento de Empréstimos de Estrangeiros Recebimento de Reembolso de Capital do Estrangeiro Venda de Ativos para Estrangeiros Recebimento de Fretes, etc Débitos: Importações de Bens e Serviços Pagamentos de Doações e Indenizações a Estrangeiros Pagamentos de Capital Emprestado por Estrangeiros Reembolsos de Capital a Estrangeiros Compras de Ativos de Estrangeiros Pagamentos de fretes, etc Balanço de Pagamentos
  • 16.
    20 O BP apresentadois tipos de transações: • Autônomas (espontâneas): motivadas pelos interesses dos agentes (empresas, consumidores, governo); • Compensatórias (induzidas): destinadas a financiar o saldo final das transações autônomas (“zerar” as contas do BP) Balanço de Pagamentos
  • 17.
    21 Balanço de Pagamentos A– Balança de Transações Correntes (BTC ou Saldo em Conta Corrente do BP = A1 + A2 + A3) A1 – Balança Comercial A1.1 – Exportações (FOB): débito A1.2 – Importações (FOB): crédito A2 – Balança de Serviços e Rendas A2.1 – Transportes (fretes, etc) e Seguros A2.2 – Viagens Internacionais e Turismo A2.3 – Rendas de Capital (lucros, juros, dividendos, lucro reinvestido pelas multinacionais) A2.4 – Royalties e licenças A2.5 – Diversos (serviços governamentais – embaixadas, consuladodos, representações no exterior, etc) A3 – Transferências Unilaterais Correntes (donativos) B – Conta Capital e Financeira (Balança (movimento) de Capitais) B1 – Investimentos direto líquido (instalação e participação do capital de multinacionais no país) B2 – Reinvestimentos (reinvestimentos de multinaiconais já instaladas no país) B3 – Empréstimos e Financiamentos a Longo e Médio Prazo (Banco Mundial, etc) B4 – Empréstimos a Curto Prazo B5 – Amortizações de Empréstimos e Financiamentos B6 – Empréstimos de Regularização do FMI (problemas de liquidez) B7 – Capitais a Curto Prazo (aplicações no mercado financeiro) C – Erros e Omissões Saldo do Balanço de Pagamentos (A + B + C) D – Transações Compensatórias (Financiamento Oficial Compensatório) D1 – Variação de Reservas = - SBP
  • 18.
    22 1994 1995 19961997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 A1. BALANÇA COMERCIAL 10,5 (3,5) (5,6) (6,8) (6,6) (1,2) (0,7) 2,7 13,1 24,8 33,7 44,8 Exportações FOB 43,5 46,5 47,7 53,0 51,1 48,0 55,1 58,2 60,4 73,1 96,5 118,3 Importações FOB (33,1) (50,0) (53,3) (59,7) (57,7) (49,2) (55,8) (55,6) (47,2) (48,3) (62,8) (73,6) A2. SERVIÇOS E RENDAS (14,7) (18,5) (20,4) (25,5) (28,3) (25,8) (25,0) (27,5) (23,1) (23,5) (25,3) (34,1) Juros (6,4) (8,2) (9,8) (10,6) (12,1) (15,2) (15,9) (14,9) (13,1) (13,0) (13,4) (13,5) Lucros e Dividendos (2,5) (2,6) (2,4) (5,6) (6,9) (4,1) (3,6) (5,0) (5,2) (5,6) (7,3) (12,7) Viagens Internacionais (1,2) (2,4) (3,6) (4,4) (4,3) (1,4) (2,1) (1,5) (0,4) 0,2 0,4 (0,9) Outros (fretes, royalties, etc) (4,6) (5,3) (4,6) (4,9) (5,0) (5,1) (3,4) (6,1) (4,4) (5,0) (4,9) (7,0) A3. TRANSF. UNILAT. CORR 2,4 3,6 2,4 1,8 1,5 1,7 1,5 1,6 2,4 2,9 3,3 3,6 BAL.TRANS.COR =A1+A2+A3 (1,8) (18,4) (23,5) (30,5) (33,4) (25,3) (24,2) (23,2) (7,6) 4,2 11,7 14,2 B. CAPITAL E FINANCEIRA 19.1 29,1 34,0 25,8 29,7 17,3 19,3 27,1 8 4,4 (7,3) (8,8) Investimentos Diretos 8,1 4,7 9,4 17,1 26,1 30,1 29,8 24,9 16,6 10,1 18,2 12,7 Emprést/Financ. (líquido) 11,0 24,4 24,6 8,7 3,6 (12,8) (10,5) 2,2 (8,6) (5,7) (25,5) (21,5) C=ERROS E OMISSÕES 0,3 2,2 (1,8) (3,3) (4,3) 0,2 2,6 (0,5) (0,07) (0,1) (2,1) (1,1) SPB = A+B+C 17,6 12,9 8,7 (7,9) (8,0) (7,8) (2,3) (0,5) 0,3 8,5 2,2 4,3 D=- SBP =VAR. RESERVAS (17,6) (12,9) (8,7) 7,9 8,0 7,8 2,3 0,5 (0,3) (8,5) (2,2) (4,3) FONTE: Banco Central (US$ bilhões) Balanço de Pagamentos do Brasil
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    23 Organismos Financeiros Internacionais Mudançasna economia após a Segunda Guerra Mundial levaram ao surgimento de órgãos de fomento ao desenvolvimento econômico e financeiro. I. Acordo de Bretton Woods • Estabeleceu o padrão dólar-ouro, consagrando o dólar como moeda internacional, baseando sua conversibilidade nas reservas de ouro; • 1971 – rompimento do acordo pelos EUA e adoção de taxas de câmbio flutuantes. II. Fundo Monetário Internacional • Tem como objetivo promover a cooperação monetária entre as nações; • Ajuda a problemas conjunturais no BP e estimula o comércio internacional. III. Banco Mundial (Banco Mundial de Reconstrução e Desenvolvimento – Bird) • Captador e fornecedor de crédito para investimentos produtivos em países subdesenvolvidos. IV. Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt) • Regras e instituições que regulem o comércio internacional.
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    24 Fluxos Comerciais eFinanceiros internacionais crescem a taxas maiores que o próprio crescimento da economia mundial. O Grau de Abertura aumenta que quase todos os países. Grau de Abertura = Exportações + Importações PIB Globalização Produtiva e Financeira Países 1980 1990 1998 ALEMANHA 28,7 30,8 25,7 ARGENTINA 8,0 7,5 11,7 AUSTRÁLIA 17,4 17,1 20,7 BRASIL 10,0 6,8 8,9 CANADÁ 27,4 25,4 40,6 CHILE 21,0 32,7 27,7 CHINA n.d. 15,7 20,1 COLÔMBIA 13,6 17,7 17,1 CORÉIADOSUL 37,6 30,1 42,2 EST ADOSUNIDOS 10,4 10,4 12,1 FRANÇA 22,1 22,5 24,7 ÍNDIA 8,3 8,4 11,9 Fonte: Banco Mundial
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    25 Globalização Produtiva: produçãoe distribuição de valores dentro de redes em escala mundial, com o acirramento da concorrência entre grandes grupos multinacionais. Contribui para a melhoria do padrão de vida em escala mundial. Conseqüências Perversas: • Aumento do desemprego estrutural em muitos países • A tendência de desnacionalização do setor produtivo • Concentração da produção e comércio em grandes empresas. Necessidade de maior atuação do Estado (Regulamentação) Globalização Produtiva e Financeira
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    26 Globalização Financeira: crescimentodo fluxo financeiro internacional, baseado mais no mercado de capitais que no sistema de crédito. São afetados por expectativas e políticas cambiais e monetárias. Principais características: • perda da importância do crédito bancário e crescimento dos mercados de títulos; • crescimento dos chamados investidores institucionais (fundos de pensão, seguradoras, fundos mútuos etc.) • processo de liberalização financeira; • crescimento da participação dos países emergentes nos mercados internacional de títulos (beneficiado pelas baixas taxas de juros nos países desenvolvidos); • inovações financeiras: derivativos, modelos de risco etc.; • progressos na tecnologia de comunicação. Globalização Produtiva e Financeira
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    27 Vantagens: • Eleva aliquidez internacional: maiores possibilidades de financiamento de déficits em transações correntes; • No Brasil, a entrada de capitais de curto prazo teve uma vantagem adicional: ao possibilitar a valorização da taxa de câmbio, contribuiu para o sucesso do Plano Real (âncora cambial). Desvantagens: • Eleva a vulnerabilidade externa do país frente a crises financeiras internacionais. Exemplo: vulnerabilidade da economia brasileira nos anos 90; • Taxas de câmbio e juros mais instáveis; • Efeito contágio • Conspira contra a globalização produtiva Globalização Produtiva e Financeira