A poesia de
Fernando Pessoa
ortónimo
A poesia de Fernando Pessoa ortónimo
sentir
O fingimento artístico
pensar
Inconsciência Consciência
Felicidade Infelicidade
A poesia de Fernando Pessoa ortónimo
O fingimento artístico
Os poemas «Autopsicografia» e «Isto» instituem a verdadeira Arte Poética de
Pessoa, iniciando uma aprendizagem do não sentir, que sobrepõe o conhecimento
racional ao afetivo. O poema torna-se, assim, uma construção de sentido e não
uma construção sentida, porque se baseia na palavra que é a abstração suprema,
nas palavras do próprio Pessoa, «uma intelectualização da sensibilidade». O
poeta, um ser que se completa para além da perceção sensorial, é alguém que
recorre a truques verbais para a construção de verdades poéticas.
RAMOS, Auxília, e BRAGA, Zaida, 2010. Poemas de Fernando Pessoa. Ortónimo e Heterónimos.
Porto: Ideias de Ler (p. 11)
A dor de pensar
• Tensões:
– pensar/sentir
– consciência/inconsciência
– pensamento/vontade
– fingimento/sinceridade
• Intelectualização permanente
• Inveja e desejo de inconsciência
Aquilo a que chamamos dor de pensar, em
Fernando Pessoa, deriva de um estado emotivo
perturbado e insatisfeito, relativamente ao
entendimento da vida e dos seus mistérios, um
entendimento que o poeta procura de forma
muitas vezes angustiada.
REIS, Carlos, 2019. Fernando Pessoa. Porto: Porto Editora (p. 25)
A poesia de Fernando Pessoa ortónimo
A poesia de Fernando Pessoa ortónimo
A dor de pensar
«O que em mim sente ‘stá pensando» – o pensamento racional está na origem do
ser incapaz de verdadeiramente sentir, sensitivamente, instintivamente, como
quem descobre o mundo sem pré-conceitos, sem nada dele saber. [...]
O tema da dor de pensar, de ser lúcido, é um tema-chave [...] da poesia ortónima
[...].
PAIS, Amélia Pinto, 2005. História da Literatura em Portugal – Uma Perspetiva Didática. Vol. 3.
Porto: Areal Editores (p. 72)
A poesia de Fernando Pessoa ortónimo
Sonho e realidade
Realidade
• Tédio existencial (desalento e angústia)
• Introspeção e autoanálise (estranheza e desconhecimento do “eu”)
• Fragmentação interior (drama da identidade perdida)
Sonho
• Refúgio e evasão
A poesia de Fernando Pessoa ortónimo
A nostalgia da infância
• Tempo de pureza, felicidade, inconsciência e unidade
• Saudade intelectual e literariamente trabalhada
Insatisfeito com o presente e incapaz de o viver em plenitude, Pessoa refugia-se numa
infância, regra geral, desprovida de experiência biográfica e submetida a um processo
de intelectualização.
RAMOS, Auxília, e BRAGA, Zaida, 2010. Poemas de Fernando Pessoa. Ortónimo e Heterónimos.
Porto: Ideias de Ler (p. 14)
A poesia de Fernando Pessoa ortónimo
Linguagem, estilo e estrutura
• Versificação de inspiração tradicional (quadra ou quintilha, verso curto,
frequentemente em redondilha)
• Regularidade estrófica, métrica e rimática
• Vocabulário simples, naturalidade sintática e pontuação emotiva
• Musicalidade da linguagem (rima e aliterações)
• Simplicidade estilística (comparações, metáforas, repetições e paralelismos)
• Exploração de símbolos
A poesia de Fernando Pessoa ortónimo
A poesia do ortónimo desenvolve-se a partir de uma peculiar teoria do
fingimento artístico, abordado nos poemas «Autopsicografia» e «Isto». Estas
composições configuram uma arte poética pessoana, segundo a qual o poeta
é um «fingidor», no sentido de alguém que recria os sentimentos por meio da
imaginação, da inteligência. Esta atitude de intelectualização dos sentimentos,
que o verso «o que em mim sente ‘stá pensando» sintetiza, provoca no sujeito
poético a dor de pensar e desencadeia nele o desejo de conseguir uma
«inconsciência consciente » ou de se evadir das circunstâncias que o mantêm
em sofrimento. Daí a valorização do sonho, como fuga possível à realidade, e
a recorrente nostalgia da infância, época conotada com a felicidade, a
inconsciência e a unidade do «eu». Em termos formais, a poesia do ortónimo
segue uma versificação regular e tradicional, dando destaque ao ritmo e à
musicalidade.
A tendência para a despersonalização levou Pessoa a multiplicar-se e a
desenvolver, à luz de diferentes filosofias, a sua reflexão existencial, tendo
atribuído vidas, crenças e vozes poéticas distintas a diferentes heterónimos.

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  • 1.
    A poesia de FernandoPessoa ortónimo
  • 2.
    A poesia deFernando Pessoa ortónimo sentir O fingimento artístico pensar Inconsciência Consciência Felicidade Infelicidade
  • 3.
    A poesia deFernando Pessoa ortónimo O fingimento artístico Os poemas «Autopsicografia» e «Isto» instituem a verdadeira Arte Poética de Pessoa, iniciando uma aprendizagem do não sentir, que sobrepõe o conhecimento racional ao afetivo. O poema torna-se, assim, uma construção de sentido e não uma construção sentida, porque se baseia na palavra que é a abstração suprema, nas palavras do próprio Pessoa, «uma intelectualização da sensibilidade». O poeta, um ser que se completa para além da perceção sensorial, é alguém que recorre a truques verbais para a construção de verdades poéticas. RAMOS, Auxília, e BRAGA, Zaida, 2010. Poemas de Fernando Pessoa. Ortónimo e Heterónimos. Porto: Ideias de Ler (p. 11)
  • 4.
    A dor depensar • Tensões: – pensar/sentir – consciência/inconsciência – pensamento/vontade – fingimento/sinceridade • Intelectualização permanente • Inveja e desejo de inconsciência Aquilo a que chamamos dor de pensar, em Fernando Pessoa, deriva de um estado emotivo perturbado e insatisfeito, relativamente ao entendimento da vida e dos seus mistérios, um entendimento que o poeta procura de forma muitas vezes angustiada. REIS, Carlos, 2019. Fernando Pessoa. Porto: Porto Editora (p. 25) A poesia de Fernando Pessoa ortónimo
  • 5.
    A poesia deFernando Pessoa ortónimo A dor de pensar «O que em mim sente ‘stá pensando» – o pensamento racional está na origem do ser incapaz de verdadeiramente sentir, sensitivamente, instintivamente, como quem descobre o mundo sem pré-conceitos, sem nada dele saber. [...] O tema da dor de pensar, de ser lúcido, é um tema-chave [...] da poesia ortónima [...]. PAIS, Amélia Pinto, 2005. História da Literatura em Portugal – Uma Perspetiva Didática. Vol. 3. Porto: Areal Editores (p. 72)
  • 6.
    A poesia deFernando Pessoa ortónimo Sonho e realidade Realidade • Tédio existencial (desalento e angústia) • Introspeção e autoanálise (estranheza e desconhecimento do “eu”) • Fragmentação interior (drama da identidade perdida) Sonho • Refúgio e evasão
  • 7.
    A poesia deFernando Pessoa ortónimo A nostalgia da infância • Tempo de pureza, felicidade, inconsciência e unidade • Saudade intelectual e literariamente trabalhada Insatisfeito com o presente e incapaz de o viver em plenitude, Pessoa refugia-se numa infância, regra geral, desprovida de experiência biográfica e submetida a um processo de intelectualização. RAMOS, Auxília, e BRAGA, Zaida, 2010. Poemas de Fernando Pessoa. Ortónimo e Heterónimos. Porto: Ideias de Ler (p. 14)
  • 8.
    A poesia deFernando Pessoa ortónimo Linguagem, estilo e estrutura • Versificação de inspiração tradicional (quadra ou quintilha, verso curto, frequentemente em redondilha) • Regularidade estrófica, métrica e rimática • Vocabulário simples, naturalidade sintática e pontuação emotiva • Musicalidade da linguagem (rima e aliterações) • Simplicidade estilística (comparações, metáforas, repetições e paralelismos) • Exploração de símbolos
  • 9.
    A poesia deFernando Pessoa ortónimo A poesia do ortónimo desenvolve-se a partir de uma peculiar teoria do fingimento artístico, abordado nos poemas «Autopsicografia» e «Isto». Estas composições configuram uma arte poética pessoana, segundo a qual o poeta é um «fingidor», no sentido de alguém que recria os sentimentos por meio da imaginação, da inteligência. Esta atitude de intelectualização dos sentimentos, que o verso «o que em mim sente ‘stá pensando» sintetiza, provoca no sujeito poético a dor de pensar e desencadeia nele o desejo de conseguir uma «inconsciência consciente » ou de se evadir das circunstâncias que o mantêm em sofrimento. Daí a valorização do sonho, como fuga possível à realidade, e a recorrente nostalgia da infância, época conotada com a felicidade, a inconsciência e a unidade do «eu». Em termos formais, a poesia do ortónimo segue uma versificação regular e tradicional, dando destaque ao ritmo e à musicalidade. A tendência para a despersonalização levou Pessoa a multiplicar-se e a desenvolver, à luz de diferentes filosofias, a sua reflexão existencial, tendo atribuído vidas, crenças e vozes poéticas distintas a diferentes heterónimos.