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PROJECTO CROSS-MEDIAO CASO DO JORNAL i
Sinopse Cross-media é um processo comunicativo no qual se utilizam múltiplas plataformas de modo integrado para a transmissão de conteúdos (Erdal, 2007:52).  Em Marketing e Publicidade, as estratégias de cross-media são utilizadas  com o intuito de, por um lado, fazer chegar a informação ao público-alvo através de todos os meios online e offline à disposição, chegando muitas vezes a personalizá-la. Por outro lado, com a utilização de tecnologias móveis e da internet, as campanhas de cross-media visam a interactividade, incentivando a participação do público no desenvolvimento da campanha, do produto ou do serviço. Isto é a cultura de convergência. Também os media utilizam cada vez mais a multiplicidade de plataformas para transmitir notícias. Por isso, um meio de comunicação social moderno não tem apenas leitores, telespectadores ou ouvintes. Um jornal impresso, por exemplo, tem leitores das suas edições em papel, mas tem também ouvintes dos podcasts e espectadores dos vídeos que coloca no seu site ou que disponibiliza através das aplicações para dispositivos móveis. Contudo, no caso dos media, o cruzamento de plataformas é menos integral, sendo que a interacção é menos determinante para o resultado do produto (a informação). Neste caso, trata-se essencialmente da produção de conteúdo para mais do que uma plataforma (Erdal, 2007:52). Ao longo desta apresentação, irei demonstrar o caso do Jornal i enquanto meio de comunicação utilizador de múltiplas plataformas de interacção com o público.
O jornal i foi pela primeira vez para as bancas a 7 de Maio de 2009.  Este diário que, segundo a Society for News Design, tem o melhor design do mundo, faz uma grande aposta no multimédia. Na altura do seu lançamento, o então director, Martim AvillezFigueiredo, referiu que cada jornalista tem um kit composto por um telemóvel (que captará imagens e sons), um tripé e um microfone. À direita está uma capa da versão impressa do jornal, que é facilmente acedida através do site. Edição papel
No endereço http://www.ionline.pt pode acompanhar-se os últimos acontecimentos do mundo e usufruir de vários serviços que optimizam a procura, partilha e opinião sobre notícias ou reportagens.  O site é a plataforma que serve de ponte para todos os outros meios  a que o utilizador pode aceder para receber ou veicular informação. Site
No site do jornal i, é possível aceder não só a notícias transmitidas textuais, mas também audiovisuais. Os canais iTV e iFotogaleria possibilitam a visualização dos acontecimentos através de vídeos ou fotos que registem os momentos mais importantes de um determinado acontecimento. iTV e Fotogaleria
Com o intuito de aproximar a marca “jornal i” do seu público-alvo, o site expõe um inquérito sobre um tema da actualidade, onde os internautas poderão sentir a sua opinião valorizada. Por outro lado, disponibilizam uma newsletter, para que os seus subscritores possam ser os primeiros a saber das grandes novidades do jornal. Newsletter e inquérito
iRepórter A secção iRepórter é aquela que permite uma maior participação na notícia por parte do leitor. Afinal, é ele quem elabora os textos e imagens que, posteriormente, são publicadas quer no site quer na edição impressa. Este poderá ser o exemplo mais flagrante da cultura da convergência neste jornal, visto que se trata de um cruzamento de meios efectuado de forma participativa pelos seus receptores.
Comentários e Actividade online Todas as notícias podem ser comentadas pelos visitantes do site www.ionline.pt. Para que tal aconteça pode ser efectuado um registo no site ou o login com as contas de utilizador do Facebook ou do Twitter, estabelecendo uma coexistência da actividade em ambas as plataformas. Tomando como exemplo a conta do Facebook, os seus utilizadores podem assinalar com “Gosto” uma notícia do site que, depois, ela surgirá nas actualizações do seu perfil, para que todos os amigos daquela rede social possam ver. Na página inicial do site é ainda possível visualizar todos os últimos comentários efectuados às notícias ou, se assim se entender limitar essa visualização apenas aos comentários efectuados por pessoas que pertençam a uma rede restrita. Também é possível ser-se seguidor dos comentários de determinado utilizador ou recomendá-los a outras pessoas. Deste modo, para além da interactividade internauta-jornal fomenta-se a partilha e debate de opiniões entre leitores, desenvolvendo correntes de opinião de forma participativa.
Com os widgets do ionlinetorna-se mais fácil aceder às últimas notícias. Estas aplicações permitem que os utilizadores coloquem no seu blogue ou site uma pequena janela que é automaticamente actualizada com o conteúdo do jornal. Desta forma, a publicação pode ganhar uma certa ubiquidade online, visto que pode estar presente em todos os sites, assim queiram os seus administradores. Widgets
Para uma aumentar o nível de ubiquidade, o jornal i aderiu às potencialidades dos dispositivos móveis, disponibilizando os seus conteúdos em versões para iPhone, iPod Touch, iPad e Blackberry. Os dispositivos móveis incentivam a interactividade permanente do utilizador, com a constante actualização das notícias e consequente comentário ou partilha nas redes sociais. Tal como o jornal impresso, estes dispositivos móveis podem levar-se para todo o lado, com as vantagens da interactividade e dos conteúdos digitais. Por eles passará o futuro óptimo da cultura de convergência.  iMOBILE
Reflexão O jornal i é um bom exemplo da utilização de uma estratégia de cross-media enquanto processo comunicativo em múltiplas plataformas em simultâneo. Através do iRepórter e da partilha e seguimento de comentários, este diário consegue no seu site chegar muito perto de uma completa cultura de convergência, em que os receptores são aos mesmo tempo emissores, contribuindo para o desenvolvimento de, neste caso, notícias e opiniões. Com a edição impressa e o iMobile torna-se possível contactar com o jornal em todo o lado e, no segundo caso, desenvolve-se a possibilidade de visualizar e  interagir com notícias, vídeos da iTV e imagens da iFotogaleria. Assim, com o audiovisual presente no site e nas aplicações para dispositivos móveis, consegue-se complementar a informação presente na edição impressa. Os widgets e todas as ferramentas de partilha fazem com que as notícias do jornal i possam ser acedidas por um número infindável de internautas sem que eles tenham sequer de entrar no site, numa dinâmica participativa pelos seus seguidores online. O cruzamento de meios é uma realidade sólida nas mais variadas áreas da comunicação. Nos jornais, a sua plenitude ainda não foi atingida. A participação dos leitores é sempre limitada pois, muitas vezes, entra em conflito com os interesses profissionais dos próprios jornalistas que, numa dinâmica de participação integrada, podem perder a sua importância. Independentemente de todas as limitações, pode concluir-se que, tomando como exemplo o caso do jornal i, os jornais não são mais um conjunto de folhas de papel barato, cada vez mais se tornam complexos e sofisticados, utilizando uma multiplicidade de meios que os fazem atravessar “áreas de jurisdição” das televisões, das rádios e dos sites de notícias, tendo sempre em vista a maior aproximação ao seu público-alvo.
Referências Artigos Erdal, 2007: Researching Media ConvergenceandCrossmediaNewsProduction. Internet. Disponível em http://www.nordicom.gu.se/common/publ_pdf/255_erdal.pdf Sites http://www.ionline.pt http://www.prograde.com/files/SalesCatalyst_Whitepaper.pdf http://www.trentin.com.br/cross-media.php http://www.publico.pt/Media/jornal-i-ganha-premio-de-melhor-design-do-mundo_1480421 http://www.dn.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=1222104&seccao=Media&page=-1 Pedro Santos 39386

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  • 2. Sinopse Cross-media é um processo comunicativo no qual se utilizam múltiplas plataformas de modo integrado para a transmissão de conteúdos (Erdal, 2007:52). Em Marketing e Publicidade, as estratégias de cross-media são utilizadas com o intuito de, por um lado, fazer chegar a informação ao público-alvo através de todos os meios online e offline à disposição, chegando muitas vezes a personalizá-la. Por outro lado, com a utilização de tecnologias móveis e da internet, as campanhas de cross-media visam a interactividade, incentivando a participação do público no desenvolvimento da campanha, do produto ou do serviço. Isto é a cultura de convergência. Também os media utilizam cada vez mais a multiplicidade de plataformas para transmitir notícias. Por isso, um meio de comunicação social moderno não tem apenas leitores, telespectadores ou ouvintes. Um jornal impresso, por exemplo, tem leitores das suas edições em papel, mas tem também ouvintes dos podcasts e espectadores dos vídeos que coloca no seu site ou que disponibiliza através das aplicações para dispositivos móveis. Contudo, no caso dos media, o cruzamento de plataformas é menos integral, sendo que a interacção é menos determinante para o resultado do produto (a informação). Neste caso, trata-se essencialmente da produção de conteúdo para mais do que uma plataforma (Erdal, 2007:52). Ao longo desta apresentação, irei demonstrar o caso do Jornal i enquanto meio de comunicação utilizador de múltiplas plataformas de interacção com o público.
  • 3. O jornal i foi pela primeira vez para as bancas a 7 de Maio de 2009. Este diário que, segundo a Society for News Design, tem o melhor design do mundo, faz uma grande aposta no multimédia. Na altura do seu lançamento, o então director, Martim AvillezFigueiredo, referiu que cada jornalista tem um kit composto por um telemóvel (que captará imagens e sons), um tripé e um microfone. À direita está uma capa da versão impressa do jornal, que é facilmente acedida através do site. Edição papel
  • 4. No endereço http://www.ionline.pt pode acompanhar-se os últimos acontecimentos do mundo e usufruir de vários serviços que optimizam a procura, partilha e opinião sobre notícias ou reportagens. O site é a plataforma que serve de ponte para todos os outros meios a que o utilizador pode aceder para receber ou veicular informação. Site
  • 5. No site do jornal i, é possível aceder não só a notícias transmitidas textuais, mas também audiovisuais. Os canais iTV e iFotogaleria possibilitam a visualização dos acontecimentos através de vídeos ou fotos que registem os momentos mais importantes de um determinado acontecimento. iTV e Fotogaleria
  • 6. Com o intuito de aproximar a marca “jornal i” do seu público-alvo, o site expõe um inquérito sobre um tema da actualidade, onde os internautas poderão sentir a sua opinião valorizada. Por outro lado, disponibilizam uma newsletter, para que os seus subscritores possam ser os primeiros a saber das grandes novidades do jornal. Newsletter e inquérito
  • 7. iRepórter A secção iRepórter é aquela que permite uma maior participação na notícia por parte do leitor. Afinal, é ele quem elabora os textos e imagens que, posteriormente, são publicadas quer no site quer na edição impressa. Este poderá ser o exemplo mais flagrante da cultura da convergência neste jornal, visto que se trata de um cruzamento de meios efectuado de forma participativa pelos seus receptores.
  • 8. Comentários e Actividade online Todas as notícias podem ser comentadas pelos visitantes do site www.ionline.pt. Para que tal aconteça pode ser efectuado um registo no site ou o login com as contas de utilizador do Facebook ou do Twitter, estabelecendo uma coexistência da actividade em ambas as plataformas. Tomando como exemplo a conta do Facebook, os seus utilizadores podem assinalar com “Gosto” uma notícia do site que, depois, ela surgirá nas actualizações do seu perfil, para que todos os amigos daquela rede social possam ver. Na página inicial do site é ainda possível visualizar todos os últimos comentários efectuados às notícias ou, se assim se entender limitar essa visualização apenas aos comentários efectuados por pessoas que pertençam a uma rede restrita. Também é possível ser-se seguidor dos comentários de determinado utilizador ou recomendá-los a outras pessoas. Deste modo, para além da interactividade internauta-jornal fomenta-se a partilha e debate de opiniões entre leitores, desenvolvendo correntes de opinião de forma participativa.
  • 9. Com os widgets do ionlinetorna-se mais fácil aceder às últimas notícias. Estas aplicações permitem que os utilizadores coloquem no seu blogue ou site uma pequena janela que é automaticamente actualizada com o conteúdo do jornal. Desta forma, a publicação pode ganhar uma certa ubiquidade online, visto que pode estar presente em todos os sites, assim queiram os seus administradores. Widgets
  • 10. Para uma aumentar o nível de ubiquidade, o jornal i aderiu às potencialidades dos dispositivos móveis, disponibilizando os seus conteúdos em versões para iPhone, iPod Touch, iPad e Blackberry. Os dispositivos móveis incentivam a interactividade permanente do utilizador, com a constante actualização das notícias e consequente comentário ou partilha nas redes sociais. Tal como o jornal impresso, estes dispositivos móveis podem levar-se para todo o lado, com as vantagens da interactividade e dos conteúdos digitais. Por eles passará o futuro óptimo da cultura de convergência. iMOBILE
  • 11. Reflexão O jornal i é um bom exemplo da utilização de uma estratégia de cross-media enquanto processo comunicativo em múltiplas plataformas em simultâneo. Através do iRepórter e da partilha e seguimento de comentários, este diário consegue no seu site chegar muito perto de uma completa cultura de convergência, em que os receptores são aos mesmo tempo emissores, contribuindo para o desenvolvimento de, neste caso, notícias e opiniões. Com a edição impressa e o iMobile torna-se possível contactar com o jornal em todo o lado e, no segundo caso, desenvolve-se a possibilidade de visualizar e interagir com notícias, vídeos da iTV e imagens da iFotogaleria. Assim, com o audiovisual presente no site e nas aplicações para dispositivos móveis, consegue-se complementar a informação presente na edição impressa. Os widgets e todas as ferramentas de partilha fazem com que as notícias do jornal i possam ser acedidas por um número infindável de internautas sem que eles tenham sequer de entrar no site, numa dinâmica participativa pelos seus seguidores online. O cruzamento de meios é uma realidade sólida nas mais variadas áreas da comunicação. Nos jornais, a sua plenitude ainda não foi atingida. A participação dos leitores é sempre limitada pois, muitas vezes, entra em conflito com os interesses profissionais dos próprios jornalistas que, numa dinâmica de participação integrada, podem perder a sua importância. Independentemente de todas as limitações, pode concluir-se que, tomando como exemplo o caso do jornal i, os jornais não são mais um conjunto de folhas de papel barato, cada vez mais se tornam complexos e sofisticados, utilizando uma multiplicidade de meios que os fazem atravessar “áreas de jurisdição” das televisões, das rádios e dos sites de notícias, tendo sempre em vista a maior aproximação ao seu público-alvo.
  • 12. Referências Artigos Erdal, 2007: Researching Media ConvergenceandCrossmediaNewsProduction. Internet. Disponível em http://www.nordicom.gu.se/common/publ_pdf/255_erdal.pdf Sites http://www.ionline.pt http://www.prograde.com/files/SalesCatalyst_Whitepaper.pdf http://www.trentin.com.br/cross-media.php http://www.publico.pt/Media/jornal-i-ganha-premio-de-melhor-design-do-mundo_1480421 http://www.dn.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=1222104&seccao=Media&page=-1 Pedro Santos 39386