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ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA




                     GILMAR ZAMPIERI




               INTRODUÇÃO À TEOLOGIA




                    PORTO ALEGRE, 2004
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                              INTRODUÇÃO À TEOLOGIA


       Inicio expondo alguns pontos que me pareceram fundamentais para uma introdução à
teologia. Digo alguns pontos porque uma introdução a uma área do conhecimento é sempre
seletiva. É impossível tratar em de tudo em espaço de tempo reduzido. Isso por um lado. Por
outro lado gostaria que ficasse desde já como pressuposto de que uma introdução sempre é
um abrir o leque das questões que serão aprofundadas no decorrer do curso como um todo.
Cada etapa desse curso cumpre uma função específica. A minha função não será
aprofundar questões específicas, mas “despertar” o desejo para conhecer mais. É
exatamente isso que me proponho. Despertar o desejo natural que temos para conhecer,
aprofundar a nossa fé. Espero que consiga isso. E não espero outra coisa.
       Vamos aos pontos:
1- Introdução geral e problematização
1.1- Pressupostos/atitudes do fazer teológico
1.1.1- Fé no mistério
1.1.2- Amor às “coisas” da revelação
1.1.3- Estudar ou fazer teologia
1.1.4- Compromisso com o Povo de Deus
1.2- Contextualização atual da teologia: cruzamento de duas experiências antagônicas. (Uma
de esperança e outra de suspeita)
A) ESPERANÇA
1- Na era da teologia para leigos
2- Na era do pluralismo e reino do diálogo inter-religioso
3- Uma pastoral mais exigente
4- Sede de espiritualidade
5- Pluridiversidade de lugares teológicos
B) SUSPEITA
1- Imediatismo
2- Espiritualismo
3- Controle centralizador
4- Separação entre teologia/ pastoral
5- O espírito do tempo
2- Questões nucleares
a) O QUE É TEOLOGIA?
b) O que estuda e em que perspectiva?
c) Enfoques teológicos?
d) Teologia para que?
e) As formas ou níveis do discurso teológico
3- TEOLOGIA E MÉTODO
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1-Introdução geral e problematização


        Prá começo de conversa é bom demarcar uma série de pressupostos/atitudes gerais que
devem ser como que pano de fundo, ou tela, em que se dependura o universo do FAZER
TEOLÓGICO.
                  Pressuposto: Posto antes, antes da base mesmo...é o alicerce sobre a qual se
constrói a casa...


1-      FÉ NO MISTÉRIO


        O pressuposto dos pressupostos é a fé no mistério. Esse pressuposto tem relação com o
caráter próprio do fundamento da TEOLOGIA: Deus. É preciso ter em conta que todo
SABER tem seu mistério ( seu lado ainda não, seu lado de sombra, seu lado fascinante e
tremendo que nos encanta e nos põe suspensos). Até mesmo o saber científico. Basta ver, por
exemplo, os insondáveis mistérios que se escondem no campo da medicina. Continua como
um grande mistério a cura do câncer, do prolongamento da vida, da AIDS etc... Nem tudo é
luz na ciência, mesmo que ela se proponha a tudo clarear pela LUZ da Razão. Não há resposta
última e absoluta sobre as pergunta da física ou cosmologia etc... Os cientistas ainda estão
atrás de uma explicação sintética da origem do universo,...sem falar do futuro do universo em
expansão ou em refluxo....A ciência não trabalha com a hipótese do mistério, Deus não joga
dados e por tanto deve haver uma explicação para tudo, se ainda não se chegou é apenas
déficit do nosso conhecimento....UMA grande diferença com a teologia que não parte do
pressuposto de tudo responder, mas de compreender.
        Se assim é com a ciência em geral, muito mais com a teologia por tratar do
MISTÉRIO DOS MISTÉRIOS: DEUS. Quem se propõe fazer teologia tem que saber que se
está pisando em terreno misterioso e para isso é bom que soe aos ouvidos aquela voz de Deus
dirigida a MOISÉS: “Tire as sandálias dos teus pés, porque este lugar em que está é uma terra
santa” (Ex, 3,5). Só com essa atitude de reverência religiosa consegue-se penetrar e avançar
no mundo da teologia. Sem essa atitude básica corre-se sério risco de praticar uma teologia
secularizada...
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       Nesse sentido é que se diz que não se pode fazer teologia sem fé...E quando se diz
FÉ quer-se dizer que estamos diante do sagrado e misterioso. A fé acontece antes e depois de
toda a palavra, de toda a tentativa de SABER,...não se tem fé porque se conhece, mas apesar
do conhecer. A atitude de fé na ciência está na segurança e na funcionalidade testada e
provada pela experiência...em teologia não há prova, e por isso mesmo exige-se fé...Toda
prova em teologia acaba em ato de fé...assim é com a nossa maior prova, a ressurreição...A fé
é anterior a teologia...A fé não pode ser um resultado das demonstrações racionais sobre
DEUS E A REVELAÇÃO (TEODICÉIA)...A teologia não é a própria fé, a teologia procede
da Fé, interprete-a, empenha-se em compreendê-la, especialmente através de uma reflexão
sistemática. Nesse sentido TEOLOGIA É CIÊNCIA DA FÉ. Uma ciência com
particularidades, como veremos no decorrer do curso. Voltaremos mais adiante sobre essas
questões.
       Para concluir: Não tenhamos a pretensão e o desejo de tudo conhecer e tudo
desvendar, tirar o véu e ver face a face. Isso é uma tentação, é preciso deixar o mistério ser
mistério e entrar na dinâmica dele e crer por causa disso. Se buscarmos prova para tudo, a
nossa fé não se sustentará. Fé em virtude do mistério, do absurdo como diz Kierkegaard. O
que é central na nossa fé é mistério impenetrável totalmente pela razão: a encarnação, a
crucificação, e a ressurreição.
       Mistério vem de muein: “fechar a boca”, “fechar os olhos”. Os olhos e a boca são
fechados porque o mistério transcende o ato de ver e falar. Aquilo que deixa de ser mistério
depois de se revelar não deveria ser chamado mistério propriamente.


2-     AMOR ÀS “COISAS” DA REVELAÇÃO


       Além dessa atitude, ou pressuposto básica que é a fé no mistério, há uma segunda que
é o AMOR pelas coisas da fé. Amar é desejar. Desejo é sempre algo que nos falta. Não se
ama algo que se tem. Se já temos desfrutamos. Essa lição que vem da filosofia e da psicologia
é importante também na teologia. É preciso desejar o que nos falta. Em teologia nos falta o
aprofundamento, a reflexão, sobre um dado primeiro que é a fé. E não uma reflexão pela
reflexão, não o conhecimento pelo conhecimento. O saber só tem sentido para nos tornar
melhores. Amor às coisas da revelação. É preciso alimentar o amor, e aqui se alimenta com
LEITURA, com participação, com busca, com desejo mesmo..com gosto pelas coisas da
revelação....gosto pela bíblica sem ser carola ou fundamentalista....mas para não ser é preciso
esforço, leitura, aprofundamento...
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       Como tomar gosto pela Teologia? Eu diria que teologia é uma fruta que se aprecia
enquanto se come. E o apetite vem comendo. Isso significa que é preciso vencer as
resistências para chegar ao saboreio total da fruta. Para isso é preciso esforço, dar tempo, se
debruçar sobre o objeto do amor. O conhecimento se dá do simples ao complexo como numa
relação amorosa humana. No início uma leve atração, que se não alimentada pode morrer. Tal
como o Amor, a teologia é uma tarefa permanente. Precisa ser renovada constantemente. Para
isso é preciso fazer uma teologia orante e não só teologia racional. Em relação ao estudo
especificamente falando vale a pena ouvir a sabedoria milenar do oriente: “Os cinco meios
externos para progredir no estudo são: mestre, livro, casa, condiscípulos e orelhas. Os cinco
meios internos para o estudante ter sucesso são: saúde, mente desperta, boa conduta,
aplicação e gosto pela leitura”....
       Muitas coisas se opõem ao estudo da teologia:
- a cultura de massa baseada na comunicação audiovisual que a todos afeta, inclusive o
teólogo. O lado passivador e sensacionalista pouco favorável a reflexão pessoal continuada.
- O ativismo pastoral ou não, que dispensa o aprofundamento em nome da ação.
- Um clima de hedonismo e materialismo que dificulta a mente a escarpar as montanhas mais
puras e elevadas, como são as da fé.
- Uma cultura dominada pelo saber instrumental. Vivemos um tempo em que o saber que não
seja operacional ou técnico, parece ser coisa de desocupado...E outros


3-     ESTUDAR OU FAZER TEOLOGIA?


       Uma outra atitude ou pressuposto importante a ter presente no começo da teologia é
quanto a alternativa ESTUDAR OU FAZER TEOLOGIA? A opção recai aqui para o
FAZER...O Estudar dá a impressão de algo que se adquire e se aprende. Aprender dá a
impressão que teologia é algo fixo, morto...uma coisa que se pode pegar, dominar, reproduzir
e adquirir como se adquire um carro e que se registra em nome próprio. Teologia não é só um
SABER a ser transmitido e que alguém se apropria. Teologia é coisa viva, uma coisa que se
movimenta, que nos escapa, que nos puxa, que nos impulsiona para frente. Não se pode
imaginar que teologia seja resposta pronta e que sirva como um CATECISMO. Nesse sentido
para fazer teologia tem que se estar implicado nela...tem que haver uma disposição ao novo,
ao instigante, ao ainda-não....É um FAZER em aberto...é uma obra ABERTA como diz
ECO...Uma obra em que o artista principal não é o Professor, e nem propriamente o ALUNO,
mas o Espírito de Deus. Nesse sentido professor e aluno tem que estar aberto a um terceiro
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que interpela e convoca para a frente... E por isso ambos abertos aos sinais dos tempos...
Abertos as perguntas e apelos novos que vem da igreja e da sociedade....ter uma atitude crítica
para ler nos acontecimentos a “mão invisível de Deus”...para isso tem que se apropriar da
“fábrica de fazer teologia”... tem que passar pela história, pelas escolas teológicas, pela
teologia bíblica, teologia patrística, monástica, moderna e contemporânea para chegar a
Teologia da Libertação... Os grandes Teólogos da libertação são grandes por conhecer e saber
fazer teologia por dentro da fábrica mesmo do fazer teológico... para isso tiveram que se
debruçar sobre a tradição...conhecer bem Agostinho, Tomás... Ranher etc...


4-     Compromisso Com o Povo


       Todo saber humano é serviço à vida. Um texto de São Bernardo é paradigmático na
enumeração e qualificação dos vários tipos de saber:
       “Há os que querem saber só para saber.- E isso é torpe curiosidade. (Desonesto,
impudico, Infame, vil, abjeto, ignóbil).
       Hás os que querem saber para aparecer. – e isso é torpe vaidade...
       Há ainda os que querem saber para vender sua ciência, por exemplo, em troca de
dinheiro e de honras. –E isso é um torpe ganho.
       Mas há também os que querem saber para edificar – e isso é caridade.
       Há ainda os que querem saber para se edificarem a si mesmo. – e isso é prudência”.
       A prática teológica com mais forte razão não pode terminar no puro saber, mas no
compromisso da fé e da caridade, no ministério da palavra e na luta pela libertação, enfim, na
Práxis. TEORIA- PRÁTICA= PRÁXIS (Reflexão feita ação e ação refletida).
       Não basta saber O QUE, mas importa saber para QUE. Em teologia é importante a
pergunta: a quem interessa? A verdade teológica deve fecundar a vida e produzir vida. A
teologia é portanto um ministério e o teólogo um servidor, servidor da Palavra em favor do
POVO. Para isso não se pode fazer teologia alienada, desligada da realidade que deve
iluminar.
       CLODOVIS COLOCA AQUI TRÊS FORMAS DE COMPROMISSO COM O
POVO
1-          Ao nível da causa. Luta ao lado do pobre e não somente simpatia intelectual e
moral. Importa que se tenha um contato físico. E que se defenda as suas causas. É preciso
estar lá onde o povo está. A teologia não pode ser de gabinete. Aqui luta-se pelos pobres.
2-          AO nível da caminhada. Não só o contato e a vivência ao lado do pobre. Mas
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também luta-se com ele. É preciso dividir o tempo entre o trabalho teórico e o prático na
organização das lutas do povo dando aquilo que tem de específico, elementos teóricos,
pedagógicos e políticos.
3-         AO Nível das condições de vida. Aqui luta-se como pobre. É preciso encarnar o
jeito do pobre viver. Isso supõe uma inserção profunda na vida dos pobres. É preciso para isso
optar pela inserção social. Viver onde o pobre vive.
Existe um privilégio hermenêutico dos pobre. Deus esconde as coisas dele dos sábios e ao
entendidos e as revela aos pobres. Um exame acurado da história poderia nos mostra o
estreito entrelaçamento entre pobreza e sabedoria. SÓCRATES, BUDA ETC...Do ponto de
vista bíblico é possível fazer teologia silogizada sobre a libertação, mas então estaremos
perdendo algo essencial que é a “opção histórica de DEUS pelos pobres”...Não se discute aqui
quem é esse pobre, e o que significa pobreza, se é a real ou a do coração etc....essa é uma
questão importante mas que vai além do limite aqui...ver p. 178ss.
       Finalmente é preciso se perguntar aqui: Qual a contribuição específica que a prática
traz a inteligência da fé?
       A “força de inteligibilidade” da prática, ou sua “espessura epistemológica”( isso
significa dizer qual a relevância da prática para o conhecimento teológico) consiste
principalmente em dois pontos:
1-         A PRÁTICA PROVOCA O CONHECIMENTO: E isso de muitos modos: a)
levantando problemas concretos que a teologia transforma em questões teológicas. Por
exemplo: a prática do aborto, a prática das separações entre casais, a prática do clone, a
prática de paróquias que se vem sem atendimento por falta de padres...ou a prática de
resistências dos pobres na luta pela participação e direitos sócio-político e eclesiais....ou até
mesmo a prática abominável da guerra...etc..A rigor a prática não responde, mas interroga.
Levanta questões. Cabe a reflexão teológica iluminar e buscar respostas.
.
       2- A PRÁTICA VERIFICA O CONHECIMENTO DO TEÓLOGO: Verificar significa
literalmente: tornar verdadeiro, reconhecer por verdadeiro.          É o momento que equivale
à ciência de experimentação e verificação. Com isso dá um certo acabamento ao discurso
teológico. Só na prática o conhecimento teológico se completa, se perfaz, se consuma. Só
quando praticada a fé se mostra em plena luz. Só quando Francisco beijou o leproso ele pode
ter certeza do processo de conversão levado a efeito.
       Como conclusão: a prática não responde, interroga, não conhece, reconhece. Francisco
reconheceu a Deus no beijo ao leproso. Com isso temos o movimento completo. Não só a fé
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ilumina a vida, mas a vida ilumina a fé. Essa dialética é a maior contribuição da Teologia da
Libertação.   NÃO     SÓ   FÉ-TEOLOGIA-VIDA,          MAS     VIDA-TEOLOGIA-FÉ---É          A
DIALÉTICA FRUTÍFERA DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO. Não é pura indução mas um
levar a um momento superior como método complementar.


                                   A FALA DA AMADA

       Certa vez, passeando pela China, um jovem estudante conheceu uma menina de rara
beleza. Foi um encantamento mútuo e silencioso, uma vez que um desconhecia o idioma do
outro. Isso, porém, não impedira que se tocassem em sua alma. O estudante regressa a seu
país, prometendo, mais a si mesmo do que a ela, retornar um dia, para viver em definitivo sob
as luzes daquele amor.
       De volta em casa, a ansiosa espera de que o carteiro lhe trouxesse um primeiro sinal de
sua amada. Teria ela em igual intensidade se afeiçoado a ele? Tê-lo-ia, quem sabe, esquecido?
Mais alguns dias e chega a primeira carta. O regozijo mal lhe cabe no peito. Os signos ali
inscritos, ainda que completamente ininteligíveis, são como ou tesouro inestimável, pois
guardam em si o coração de sua amada. Às pressas, ele procura um tradutor. Quer saber tudo.
O significado ordinário de cada palavra e o seu possível velado sentido. Quem sabe não
estaria ali, cravada no profundo de um daqueles sinais, uma declaração de amor.
Imediatamente, ele responde a carta, dizendo a ela de sua afeição e saudade.
       Cartas vêm e vão, até que o jovem começa a sentir um certo incômodo no fato de ter
que recorrer sempre a um tradutor. Estaria ele descrevendo com fidelidade a largueza e a
profundidade de seu amor? O jovem começa a estudar chinês. As mensagens da amada
continuam chegando às suas mãos. Mas, a fim de que suas próprias respostas fossem precisas
em estilo, em beleza e nuanças semânticas, ele protela sempre de novo suas cartas. Os anos se
vão. Os estudos multiplicam-se, acuram-se e culminam numa brilhante tese sobre a
diversidade dialetal da língua chinesa, fazendo daquele jovem um renomado perito em
sinologia (estudo do que se relaciona com a china). As feições da amada, porém, submergem
na obscuridade de uma vaga lembrança. Vez por outra, sobressaltavam-no ainda uma doce
saudade e o ligeiro desejo de voltar àquele país, mas os compromissos acadêmicos e a idade
avançada já não permitem uma tal aventura. Era o triste fim de uma história repleta de
promessas de felicidade: ele dominava agora, notavelmente, a fala da amada, escapara-lhe,
porém, falar com ela de coração a coração, a ponto de perdê-la. Ele aprendeu por amor e
desaprendeu a amar.
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2-     SINAIS DE ESPERANÇA E A PERMANÊNCIA DE SUSPEITAS EM
RELAÇÃO À TEOLOGIA.


       Quero concluir essa introdução e problematização acenando para alguns pontos
levantados pelo Pe. Libânio, que me parecem importantes como começo de conversa.



A- SINAIS DE ESPERANÇA:
1.             Na era da teologia de e para leigos:
       Teologia já não é patrimônio de profissionais, ou sacerdotes.... Cada vez mais
assistisse ao aumento da procura da teologia por parte de LEIGOS que buscam clarear,
compreender, aprofundar a sua fé dentro de uma sociedade plural e com variadas ofertas
religiosas e de valores...É o protagonismo dos leigos tomando forma com apropriação
intelectual...Dioceses, institutos, paróquias, estão abrindo espaço exigido pelos próprios
LEIGOS que buscam formação...isso demonstra a MAIORIDADE do cristão leigo e um
enriquecimento da própria igreja...Sinal de esperança e vitalidade.
       DE LEIGOS: não só no nível de teologia popular, mas também no nível da teologia
profissional, acadêmica. Ex. Maria Clara Bingemer, Faustino Teixeira, Yung Mo sung etc. É
evidente que ainda é território de cléricos.
2.             NO REINO DO PLURALISMO E DO DIÁLOGO:
       Na base de todo o pluralismo está a Bíblia...A experiência bíblica é uma experiência
histórica e não metafísica unificante...por isso encontramos na bíblia uma pluralidade de
teologias e perspectivas....O exemplo mais clássico aqui são os próprios evangelhos....por que
não temos um único evangelista? E a interpretação de PAULO dos evangelhos??’ Uma única
fé mas, manifesta, e entendida de muitas formas... Como reflexo disso, e da sociedade que é
plural, temos a pluralidades de teologias... Não se pode falar sem mais em Teologia. É certo
que há núcleos comuns como veremos e perspectivas, mas há na realidade várias teologias.
Isso dá uma dinamicidade muito grande..teologia feminista, holística, da libertação,
ecumênica, do diálogo inter-religioso. Entra aqui em cheio o debate entre a universalidade e a
particularidade da teologia...
       Diálogo. Diálogo é a palavra de ordem da contemporaneidade. Até que a igreja
católica era a única e reinava triunfante, não precisava de diálogo. No máximo se tolerava as
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outras expressões. Hoje não mais. Diálogo para dentro da igreja e para fora, para dentro da
teologia católica e cristão e para fora da teologia confessional. Diálogo aberto, sem
dogmatismo para apreender do outro, das outras manifestações, das outras religiões. O futuro
será de diálogo entre as religiões ou será de intolerância e guerra entre as religiões.
3.             Uma pastoral mais exigente...
       A revolução industrial com o deslocamento da economia agrícola para uma economia
industrial urbana globalizada está a exigir uma nova forma de fazer pastoral...o forte acento na
comunicação tecnológica com mil possiblidades apresenta-se como um grande desafio
atual...reciclagem dos agentes... PASTORAL URBANO EM QUESTAO...INTERNET
ETC....Tudo isso é um desafio para o fazer teológico. É fundamental que se pense novas
formas de evangelização e não se repita as velhas fórmulas de fazer pastoral. Inclusive as
velhas fórmulas da CEBs... É preciso um verdadeiro choque pastoral para a urbanidade. É
preciso entender a lógica descentralizada das cidades para fazer uma boa evangelização e por
conseguinte uma teologia pertinente aos nossos tempos. Pensar a pastoral para além da
estrutura tradicional da paróquia que se concentra em sacramentos e em um vínculo passivo
tanto do sacerdote ou dirigente, quanto do fiel. É preciso quebrar a lógica do sacramentalismo
e formalismo da tradição. CRIAÇÃO, CRIATIVIDADE É A PALAVRA DE ORDEM.
4.             Sede de Espiritualidade... Inteligência racional, emocional e espiritual....onda
de livros de auto-ajuda...esoterismo...espiritismo etc....mas também grupos espirituais que
aprofundam sem cair no emocionalismo...A postura aqui é de acompanhamento crítico com os
movimentos espirituais... Como diz RAHNER... O Cristão do futuro ou será místico, ou não
será cristão....Uma profunda e afetiva comunicação entre Deus e o homem... Espiritualidade é
fazer experiência do amor gratuito de Deus,..é uma mudança de coração de pedra para um
coração de carne... Em qualquer ambiente que se vai, da empresa a sala de aula, quando se
mexe com a questão da espiritualidade a recepção é imediata. Agora, é preciso pensar a
espiritualidade como uma vida no ESPÍRITO Santo, e não como pietismo, oração, fuga do
mundo, intimismo etc...
5. Pluridiversidade de lugares teológicos: A teologia clássica conheceu os famosos lugares
teológicos....(ESCRITURA        E    MAGISTÉRIOS           E    TEÓLOGOS          SOBRETUDO
TOMAS)...a modernidade sensível as angústias e esperanças do homem pôs em evidência a
EXPERIENCIA HUMANA como lugar teológico enquanto “lugar de sentido”...
Privelegiaram-se as experiências carregadas de densidade existencial: dor, a morte, angústia, o
vazio, existencial etc...A teologia da libertação, por sua vez, pôs em evidência outro lugar
teológico priviligiado: O POBRE. Com esses dois novos lugares teológicos a teologia se
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enriqueceu...Não se pode mais pensar uma teologia dedutiva, que parte de verdades e
imponha práticas. Hoje é preciso pensar a teologia como reflexão da fé, da prática, da
experiência de vida. A vida é o lugar privilegiado de se fazer teologia.


B- PERMANÊNCIA DE SUSPEITAS CONTRA A TEOLOGIA:
1. A partir da pastoral imediatista “popular”:
       Há na sociedade um jogo de poder-dominação aceito pelas classes populares e
reproduzido...Uns sabem e tem poder, outros não sabem e se submetem....Esse mesmo
esquema se reproduz dentro da igreja como reflexo... Teólogos e clérigos sabem e a eles cabe
o conhecimento,...Aos leigos cabe apreende-los e praticar....Essa postura levou nos últimos
anos a camadas de leigos mais conscientes a suspeitarem da teologia por ser também centro
de dominação teórica e ideológica, preterindo-a em nome da PRÁTICA gerando
anticlericalismo e anti-teoria... Por outro lado temos a tendência conservadora que suspeita da
teologia moderna e a teologia da libertação favorecendo que se reproduza o esquema de
dominação da sociedade...fazer teologia seria para esse grupo, perigoso para a fé, caindo
assim para um pietismo simplista...
2.             A partir de uma perspectiva espiritualista:
       Teologia e espiritualidade se reclamam uma a outra, contudo há uma onda de
espiritualidade de cunho emocional arredia a teologia,...a postura parece ser: “Prefiro não
refletir sobre a fé, para não perde-la”...é uma atitude infantil que em nada contribui para o
amadurecimento da fé, mas é uma atitude forte dentro da sociedade e da igreja...
3.             A partir de maior controle centralizador:
       Polo central do magistério e Teólogos...uma tensão complicada...A liberdade
acadêmica do teólogo está sob suspeita...casos recentes a acentuam-....BOFF, Jacques
Depuis,...e outros...Fala-se de um inverno na IGREJA...depois da primavera eclesial do Pré-
Vaticano com os movimentos litúrgicos, bíblicos, pastoral....a renovação de praticamente
todos os ramos da teologia feita então...a coleção teologia da libertação foi o último esforço
sistemático antes da virada conservadora...50 volumes previstos...mas anda com
dificuldades...o clima de liberdade foi substituído por um certo rigor vigilante, controlador de
expressão. Três teologias estão sob suspeita: LIBERAL EUROPÉIA, DA LIBERTAÇÃO
LATINO AMERICA...E A TEOLOGIA DAS RELIGIÕES DO MUNDO ASIÁTICO...
4.               Distância entre teologia e pastoral: Há um divórcio entre teologia e
pastoral....a pastoral acusa a teologia de ser abstrata e se preocupar com o sexo dos anjos....a
teologia acusa a pastorar de imediatismo e espontaneísmo...esse divórcio produz no aluno
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uma perigosa separação...é preciso um equilíbrio, o momento da síntese da pastoral teológica
e da teologia pastoral...
5.                O ESPÍRITO DO TEMPO ATUAL: A maior dificuldade para o fazer
teológico talvez seja hoje exatamente o espírito do tempo. A atmosfera cultural que
respiramos é adversa ao fazer teológico. Vivemos um tempo de falta de consistência nos
valores, nos princípios, há uma onda fortemente marcada pela relatividade de todas as teorias
e práticas. Tudo o que é sólido desmancha no ar. Todo pensamento que se mostre seguro é
criticado como totalitário ou conservador. Por outro lado assistimos hoje aquilo que um
teólogo brasileiro Clodovis Boff chama de tempo de niilismo ou se quiser a perda completa de
SENTIDO PARA A VIDA....Com a perda de sentido volta-se cada vez mais para a imediatez,
para o pragmático, para o prazer dos sentidos, para o aqui e agora, ninguém mais está disposto
a sacrificar o presente em nome do futuro ou de valores e princípios. A era do VAZIO...isso
por um lado é suspeita e por outro é uma chance...como dialogar com esse homem e mulher
do nosso tempo?
       CONCLUSÃO:
       Como diz Libânio, “Começa-se a teologia precisamente numa encruzilhada. A via da
suspeita cruza o caminho da busca. O estudante de teologia, ao olhar para um lado, vê os
inúmeros marcos da suspeita. Mas, olhando para o outro lado, lá estão também os sinais
apontando para procura insistente de teologia que responda aos reclamos da atualidade”.
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2- QUESTÕES NUCLEARES


A)                    O QUE É TEOLOGIA
               Theós: Deus
               Logos: tratado, estudo, SABER, CIÊNCIA.


Teologia: atividade da fé que deseja saber: “fides quaerens intellectum”
                      ATO 1

         REVELAÇÃO-                    FÉ-                       TEOLOGIA- ato 2


PROPOSTA
Fundamento da fé e da teologia.    RESPOSTA         Existencial
A teologia cristã não é um esforço
Do homem para chegar a DEUS.                     Comunitária
É Deus mesmo que vem ao homem e
Se revela por um ato de AMOR primeiro.      Prática


                                                                  Fé consciente.
                                                           Inteligência da fé. Crítica e
aprofundamento da própria resposta a revelação e os desígnios de Deus. É a sistematização do
ato 1. É o confronto racional de esclarecimento entre o que é nossa fé e prática com a fé e a
prática de DEUS em Jesus Cristo. Fé adulta, fé consciente. Por isso exige método.

        Disciplinas: QUE FALAM DE DEUS- Trindade, Cristologia, Criação.
                        Do lado da Fé: Liturgia, Moral, espiritualidade, eclesiologia, pastoral,
ecumenismo etc....No fundo teologia é articular os dois pólos de forma crítica e hermenêutica,
isto é, de interpretação do que é a vontade de Deus na ação humana, e o que é da vontade do
homem na ação de Deus. A articulação da relação, eis o que é a teologia.


O QUE É TEOLOGIA?            É preciso ser bem objetivo aqui. Teologia é inteligência da fé
que por sua vez se articula e se defronta constantemente com a Revelação de Deus. Por isso
temos um esquema simples.

               DEUS ----HOMEM-mulher


              Teologia - É a ciência do diálogo entre Deus e o homem. Como se faz isso?
Bem, isso é o que se verá durante todo o curso. O paradigma desse diálogo é a história do
povo de Deus na bíblia. E por isso a concentração em temas bíblicos. Mas chamo a atenção
aqui. É sempre diálogo. Fala de Deus e fala e ação humana. PARA ESCLARECER
MELHOR ESSA RELAÇÃO PASSAMOS AO SEGUNDO PONTO.
14



b) O Que estuda a teologia e em que perspectiva?
Como em toda a ciência é preciso distinguir o objeto material do objeto formal.
      OBJETO MATERIAL                                    OBJETO FORMAL
       Em teologia o objeto material é Deus            É a partir de onde se fala de Deus.
       e depois tudo o mais. Portanto tudo             E aqui trata-se pois da fé e da
       pode ser teologizável.                          revelação. Objeto formal diz
                                                       respeito ao aspecto, a dimensão, a
                                                       face. É o ponto de vista, a ótica
                                                       sobre o qual se fala de Deus.


Tomemos um exemplo para entender o que significa o objeto formal.


                                                            Um poeta-
                    Um capitalista                          INSPIRAÇÃO
                    NEGÓCIO                 FLOR




                                                           Um jardineiro
                                                           CUIDADO
                               Um enamorado
                               AMOR



        O interesse específico, a perspectiva, a visão, o enfoque é a forma de captar o mesmo
objeto material. E a perspectiva é o que caracteriza o objeto FORMAL. Isso é de extrema
importância porque conforme a perspectiva temos teologias diferentes e ciências diferentes. O
físico não vê no universo numa perspectiva de fé. Deus é uma hipótese inútil, dizem os
cientistas. O cientista vai ver o universo a partir das leis próprias da funcionalidade material.
        Em síntese: o objeto formal da teologia é Deus enquanto revelado e recebido na fé.
Fazer teologia é diferente do que fazer filosofia da religião ou teodiceia que procura provar
Deus pela razão.

O OBJETO MATERIAL: o objeto material é o sobre o que se processa o conhecimento. Em
teologia o objeto material é DEUS. Mas não só Deus. É Deus e tudo o mais. Tudo pode ser
objeto quando lido a luz da fé e da revelação. A teologia não tem por objeto um objeto entre
outros. E aqui se distingue a teologia de outras ciência que sempre tem um objeto particular e
não vê a partir do todo. Deus é determinante de tudo, e então qualquer objeto pode ser objeto
do teólogo. (UMA FLOR, UM ATO, UM ENTE DA CRIAÇÃO, UM ACONTECIMENTO
DA HISTÓRIA) É evidente que Deus é o primeiro objeto. O mundo, o homem são objetos
segundos. Como diz Tomás: “A teologia não trata por igual de DEUS e das criaturas, mas de
Deus principalmente, e das criaturas na medida em que se relacionam com Deus como a seu
princípio ou fim”. É aqui que entra a teologia da libertação e que fala da história e das lutas
15

dos pobres dizendo que estão falando de DEUS. Se não se tem essa compreensão pode-se
achar que o homem e a história não são lugares teológicos. Sob o enfoque de Deus toda a
criação pode ser tratada.

UM ESQUEMA:
TEOLOGIA            Á LUZ DA FÉ-REVELAÇAO                       DEUS (objeto direto)

                                                         O MUNDO (objeto indireto)

                      Objeto formal ou

                             Perspectiva (como)           Objeto material (o que)

IMPORTANTE:
1-Teologia não é discurso do homem sobre Deus. Deus é sujeito e objeto ao mesmo tempo. O
teólogo explicita a fala de Deus. Fora disso se cai no subjetivismo.
2-Tudo é teologizável, mas nem tudo convém. Voltaire dizia que a teologia “fala de tudo e
mais um pouco”. É preciso ver a relevância histórica ou pastoral de se desenvolver este ou
aquele tema da teologia. Os anjos são uma parte da criação. Que relevância teológica tem? Se
bem que hoje tem mesmo...rs..OS POBRES E O REINO DE DEUS é objeto relevante para
nós da América latina. Além do que o pobre e e sua libertação é uma temática capital na
bíblia. Não é o pobre o centro da teologia, mas Deus. Mas o pobre ocupa no projeto de Deus
um lugar de destaque. ESTÁ certamente entre os primeiros dos “objetos segundos”, se assim
se pode dizer.
3- Reducionismo epistemológico.
        - Há uma redução epistemológica (isto é, de método de conhecimento, de como se
           dá o conhecimento e seus procedimentos) quando se acha que se está fazendo
           teologia quando se fala das “coisas religiosas”. Há aqui uma redução de objeto,
           deixando de fora toda a outra realidade criacional. Não se vê que se pode falar de
           Deus a partir das coisas do mundo. SEM DUALISMOS. Ou não se vê que se pode
           falar do mundo do ponto de vista religioso. ESSA POSIÇÃO é representada por
           um pretenso espiritualismo, o de não misturar as coisas sagradas com as profanas.
           Como se isso fosse possível. Rahner: Não é possível falar de Deus senão falando
           do homem, E FALAR DO HOMEM É FALAR DE DEUS.
        - Há reducionismo epistemológico quando se pensa que se está fazendo teologia só
           por que se fala de DEUS, sem reparar o COMO se fala de DEUS. Reduz-se assim
           o fazer teológico ao objeto e não se contempla a forma. Nesse sentido se cai no
           ramo das ciências da religião e não propriamente na teologia.


c) NOVOS ENFOQUES TEOLÓGICOS:
        Não reduzir a teologia ao objeto, mas por em evidência na perspectiva do sujeito
significa dizer que em cada momento histórico aparecerá enfoques diversos que são pertinente
para o sujeito que vê. Trata-se pois de perspectivas, óticas ou pontos de vista que investem a
totalidade da teologia. São ângulos a partir dos quais se faz teologia. É o que chamamos
tecnicamente de ENFOQUES TEOLÓGICOS SEMPRE A LUZ DA FÉ.
        Foco, enfoque, concentração do foco (ponto onde convergem os raios da luz). Foco
pode significar ainda o ponto onde se forma o PUS, OU ponto sede de qualquer doença. Algo
está mal, e por isso focaliza-se sobre ele para de alguma forma o curar.
16

        ENFOQUES: SEXISTA (teologia feminista), ECOLÓGICO, ÉTNICO, teologia das
religiões.
        Só uma palavra rápida sobre a teologia feminista. Ao meu ver é uma das teologia,
juntamente com a do diálogo inter-religioso, mais promissora para a igreja. Chegou o tempo
da mulher ser respeitada dentro da igreja. Elas sustentam a igreja do ponto de vista
organizacional mas ainda são tratadas como secundárias do ponto de vista efetivo das
decisões e das conduções finais das coisas da igreja. Na sociedade civil isso é algo que está
sendo superado faz tempo. Na igreja ainda vivemos o patriarcalismo.

       Do ponto de vista teológico a teologia feminista é responsável na consciência que
temos hoje de que homem e mulher foram feitos com igual dignidade e que portanto diante de
Deus a superioridade de um sobre outro é algo cultural e deve ser encarado como tal. E o
esforço das feministas é justamente mostrar como foi se constituindo historicamente uma
consciência e estrutura machista dentro da igreja. Para isso vão até a bíblia para mostrar as
ambiguidades dela em relação à mulher, o machismo ora direto ora velado. Fazem num
primeiro momento um processo metodológico de desconstrução, de crítica, às vezes forte e
provocadora. Num segundo momento propõe um novo relacionamento baseado na diferença
sim, mas em pé de igualdade de condições inspiradas em Jesus Cristo que valorizava por igual
homem e mulher.

       O resultado já aparece, mas ainda estamos a caminho. O certo é que a teologia hoje,
como um todo tem que ser feita com nova sensibilidade, que respeito o corpo como um todo,
e não somente seja expressão da racionalidade.


c) TEOLOGIA PARA QUE?

Estamos aqui diante de algo muito importante no universo teológico. Como perspectiva de
introdução à teologia me parece fundamental. Estamos falando do objetivo da teologia. O que
estará em questão aqui não será o seu objeto, mas sim o seu OBJETIVO, sua missão.
       Qual o objetivo, a finalidade da teologia?

        Em resumo daria para se dizer que teologia não existe para si mesma. Ela existe para
outra coisa: a fé, o amor, a prática evangélica, enfim a vida cristã. Na história podemos
perceber três acentos na finalidade da teologia. Teologia serve para conhecer, conhecer para
amar, e amar para praticar. Nessa formulação ficam sintetizadas as três correntes que discutem
a finalidade da teologia.
       CONHECIMENTO                    AMOR               AÇÃO

       1-(Tomismo)              2- (franciscanismo)    3- (teologia da libertação)

       1-        Direta e imediatamente a teologia existe para conhecer os desígnos de Deus.
                 É uma finalidade irrecusável. Se a teologia não se propuser esse objetivo
                 ninguém mais se proporá. Isso é fundamental. Sem essa finalidade cai-se na
                 funcionalização da teologia. Porém não se pode parar nele.

       2-        Indireta e mediatamente existe para amar e servir a Deus. Há uma finalidade
17

                  decisiva: praticar a vontade de Deus. Esse deve ser um objetivo sempre
                  presente no teólogo cristão.

       3-         A teologia existe também como práxis de transformação tanto no nível
                  pessoal como no nível estrutural. Temos aqui a teologia da libertação.

       Disso se depreende que teologia não é uma ciência do tipo teórica e nem
simplesmente prática.

       A tradição clássica distingue dois tipos de ciências. Ciência teórica e ciência prática.

       CIÊNCIA TEÓRICA                             CIÊNCIA PRÁTICA

       - Visa o conhecimento                         - visa a ação

       -    lida com verdades universais              - lida com verdades particulares

       -    seu fim é o saber pelo saber              - seu fim é em vista do fazer.

       -    apreende as causas últimas               - causa a própria realidade
       É uma ciência dupla: é uma ciência prática-teórica e teórica-prática. Ela visa os dois
objetivos concomitantemente. O conhecimento e a prática. Não existe corrente que seja
exclusivista nos objetivos. Apenas nota-se acentos circunstanciais. A diferença entre as várias
escolas é somente de Acento. A escola tomista diz que é mais “uma ciência do que prática”.
Seria uma ciência teórica-prática. A escola franciscana diz que é mais prática que teórica.
Uma ciência prática-teórica. A teologia da libertação tenta um meio termo. Seria então uma
ciência prática-teórica-prática.

       d) As formas ou níveis do discurso teológico

       Ordinariamente considera-se teologia o que fazem os chamados teólogos. E tal é o
sentido comum e estrito ou técnico da “teologia”. Todavia, também os pastores assim como
os simples fiéis pensam a seu modo a fé. E na medida em que o fazem eles também fazem
teologia.

       Daí surgem três formas ou níveis fundamentais de teologia: teologia profissional,
teologia pastoral e teologia popular. São três linguagens teológicas distintas.

       1- Teologia Popular: é O modo de teologizar que pertence ao senso comum e tem a
forma da linguagem ordinária. É a teologia do senso dos fiéis. É guiada pelo espírito da
verdade como diz João 16,13. É a medicina popular da teologia. A seu modo a medicina
popular é medicina. É marcadamente espontânea. A seu modo a teologia popular é teologia.
18

       Como se processa? É uma teologia oral e falada. A linguagem preferencial é a poesia,
o canto, o desenho, o gesto, o símbolo, a dramatização. É o caminho que a cultura popular
expressa sua visão das coisas e isso também no campo da fé. Não necessariamente é uma
teologia alienante e acrítica. A seu modo é crítica e até utópica. O povo sabe onde dói.

       Onde se processas? No cotidiano da vida, nos pequenos encontros de famílias, nos
grupos de jovens, na catequese, nas celebrações, nas partilhas da palavra, círculos bíblicos.

       MEIOS: Boletins, folhetos, roteiros litúrgicos, cartilhas, roteiros para grupos etc...

       OBS. É o momento que o povo se faz sujeito da caminhada da própria fé e da igreja. É
o povo que se faz sujeito da própria teologia.

       LER TESTEMUNHO DE CLODOVIS BOFF, in: LIBÂNIO p. 201.

       2- Teologia Pastoral:É a forma ou o nível de teologia voltada para a evangelização.
Tem seus procedimentos próprios, sua linguagem definida e destinatários. Situa-se no meio
entre a reflexão existencial concreta e a teologia acadêmica. Essa incorporou o método
conhecido como VER, JULGAR, AGIR, CELEBRAR E AVALIAR. É uma teologia feita em
centros de formação, grupos do CEBI, e em centros de teologia para leigos. Os textos das
campanhas das Fraternidades promovidos pelo instituto nacional de pastoral é um bom
exemplo dessa teologia. Em assembléias diocesanas e até curso de formação para leigos que
refletem a sua fé sistematicamente. São infinitos os centros de aprofundamento teológico em
vista a pastoral que se espalham em todo país. Teologia para leigos da ESTEF é um bom
exemplo disso. Os assessores vão construindo o saber teológico junto com o povo em vista da
ação pastoral mais qualificada.

       3- Teologia profissional ou acadêmica: A teologia do terceiro nível denomina-se
acadêmica ou profissional. É o que geralmente se entende por teologia. É a reflexão crítica e
sistemática da fé. Pratica-se essa teologia na academia, nas universidades. Compreende o
grau acadêmico de bacharelado, mestrado e doutorado. Se o bacharelado capacita no mínimo
para uma teologia pastoral, o mestrado e doutorado capacita para uma maior sistematização
dos vários elementos da teologia e suas articulações como veremos na discussão sobre o
método. É assim que se forma os profissionais e pesquisadores na área da teologia e que
sustentam e reproduzem os centros acadêmicos da igreja. O lugar privilegiado é a academia, a
sala de aula, os congressos etc. Já não basta ler folhetos e boletins mas é preciso esquentar a
cadeira, fazer esquemas, ler artigos de ponta, livros, teses,....

       O teólogo acadêmico tem uma dupla inserção: um pé na comunidade eclesial e um pé
19

na academia. Tanto num lugar quanto no outro ele está a serviço do povo de Deus. Tem um
momento de assessoria e um momento de produção teórica. O povo sempre o acompanha,
levantando questões que vem de baixo e organizando sistematicamente essas questões. Na
comunidade ele faz teologia COM O POVO, na academia A PARTIR DO POVO.



               AS TRÊS FORMAS DE ELABORAÇÃO TEOLÓGICA:

                       Teologia Popular       Teologia Pastoral         Teologia
                                                                        Profissional
Descrição              Espontânea e difusa    Mais       orgânica     e Mais    elaborada       e
                                              ligada ao povo            com rigor
Lógica                 Da vida cotidiana      Da ação prática           Da ciência

Método                 Evangelho- vida        Ver, julgar, agir.        MH, MSA

Lugar                  CEBs,          grupos Centros de pastoral        Institutos teológicos
                       diversos
Momentos altos         Encontro de CEBs       Assembleias               Congressos
                                              pastorais                 teológicos
Produtores             Animadores      leigos Pastores e agentes de Teólogos de profissão
                       em geral               pastoral
Produção oral          Testemunhos,           Palestras, relatórios     Cursos, assessorias
                       celebrações
Produção escrita       Roteiros, cartilhas    Pregação,doc.             Artigo, livros
                                              pastorais


                                     TIPOS DE TEÓLOGOS(as)

        Há três tipos de teólogos conforme a sua postura frente ao fazer teológico:

        1- Há os teólogos(as)-formigas. Só transmitem o que recolhem dos outros. São
almoxarifes, guardas de armazém. Para eles, teologia é saber o que os outros teólogos
disseram e não como é mesmo a verdade em questão. Esses são os teólogos eruditos. Como
enciclopedistas, sabem tudo sobre um assunto determinado, mas nada acrescentam de novo e
próprio. São teólogos de gabinete. Parecem-se mais geladeiras, que conservam as coisas, que
a estômagos, que digerem, assimilam e transformam as coisas em substância pessoal.
20

       2- Há os teólogos(as)-aranhas. Esses são a antítese do tipo anterior. Tiram tudo de si e
daí constroem suas teias teóricas. São especuladores de grande criatividade. Não importa se
suas elucubrações tem fundamento bíblico ou na realidade. O gosto pela abstração os leva a
ser perderem nas nuvens do racionalismo abstrato ou do idealismo puro.

       3- Há, por fim, os teólogos(as)-abelhas. Esses representam a síntese dos dois
modelos anteriores. Eles tiram o néctar de todas as flores, o digerem e o transformam no mel
de suas sínteses pessoais. Esses são os teólogos realmente cultos: a partir de uma boa base de
informação ou erudição fundamental, partem para a criação com pertinência prática e
histórica.


                               TEOLOGIA E MÉTODO
      Teologia não se faz espontaneamente. Espontânea é a fé. A teologia, ciência da fé, exige
método. Nada se faz com rigor sem método rigoroso. E o que se entende por método?
        A etimologia da palavra nos diz o que se entende por método no seu sentido bem
geral. A palavra método significa “segundo o caminho”, indica seguimento, busca. Em sua
etimologia, a palavra aponta para o que se faz ou se conhece usando um caminho. Nesse
sentido é plenamente aplicável à teologia. O modo de ser da verdade divina , paradoxalmente
mais que em qualquer outro campo, é estar oculta; e requer um método, uma via de acesso
precisa e regularmente seguida. O conjunto de procedimentos destinados a assegurar a
compreensão e a posse da verdade teológica, não pode ser arbitrário.

       Quando se fala de método em teologia o interesse não é discutir essa ou aquela
teologia em particular e nem se preocupa com tratados teológicos, mas especificamente sobre
a PRÁTICA teológica. O método diz respeito não a teologia, mas ao teologizar. Diz respeito
ao exercício mesmo do fazer teológico. Não responde o problema do que é teologia, ou qual
sua missão e finalidade, mas como se faz teologia.
       O método tem a ver com o processo teológico: os elementos que estão em jogo e as
regras de sua articulação interna. Isso porque teologia não se faz de qualquer jeito, mas tem
um processo como num processo judicial. A causa pode ser boa, mas se se falhar no processo
perde-se a causa. Poderíamos ainda comparar o método e seus elementos com uma receita de
bolo. Para se fazer um bolo é preciso os ingredientes e o modo de preparar (método). O
método são os passos: é a combinação dos ingredientes seguindo passos, um caminho.
QUAIS OS ELEMENTOS E QUAIS AS SUAS ARTICULAÇÕES INTERNAS DO FAZER
TEOLÓGICO?
21




                            2-Escritura                      12- Razão
                                                   1-FÉ


              3- a igreja                                                   11-
                                                                        Linguagem
        4- o senso
        dos fiéis
                                                                              10- filosofia e
                                                                              ciências

        5-Tradição
                                          TEOLOGIA
                                                                              9-Outras
                                                                              teologias
        6- Dogma
                                                            8-Prática
                                   7- Magistério



A método tratará de todos esses elementos em sua articulação interna no fazer teológico. É
disso que ser trata quando se fala em método em teologia.
REGRAS DE ARTICULAÇÃO: A articulação desses elementos obedece a uma logicidade no
fazer teológico, por exemplo:
        - A FÉ deve ter a primazia absoluta na teologia
        - A Bíblia é o primeiro testemunho a ser ouvido
        - A Razão deve estar a serviço da compreensão do dado revelado
        - A prática é a uma fonte de teologia, assim como uma de suas finalidades.
        - A linguagem da teologia é a da analogia, pois só ela se adequa ao mistério.
        - O magistério é o critério de autenticidade etc...
        - Quanto aos processos internos: antes de tudo é preciso ouvir os testemunhos da fé,
           em seguida, aprofundar o seu conteúdo e finalmente defronta-lo com a prática.
OBS. ESTE É EM GRANDES LINHAS O MÉTODO DA TEOLOGIA.

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  • 1. 1 ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA GILMAR ZAMPIERI INTRODUÇÃO À TEOLOGIA PORTO ALEGRE, 2004
  • 2. 2 INTRODUÇÃO À TEOLOGIA Inicio expondo alguns pontos que me pareceram fundamentais para uma introdução à teologia. Digo alguns pontos porque uma introdução a uma área do conhecimento é sempre seletiva. É impossível tratar em de tudo em espaço de tempo reduzido. Isso por um lado. Por outro lado gostaria que ficasse desde já como pressuposto de que uma introdução sempre é um abrir o leque das questões que serão aprofundadas no decorrer do curso como um todo. Cada etapa desse curso cumpre uma função específica. A minha função não será aprofundar questões específicas, mas “despertar” o desejo para conhecer mais. É exatamente isso que me proponho. Despertar o desejo natural que temos para conhecer, aprofundar a nossa fé. Espero que consiga isso. E não espero outra coisa. Vamos aos pontos: 1- Introdução geral e problematização 1.1- Pressupostos/atitudes do fazer teológico 1.1.1- Fé no mistério 1.1.2- Amor às “coisas” da revelação 1.1.3- Estudar ou fazer teologia 1.1.4- Compromisso com o Povo de Deus 1.2- Contextualização atual da teologia: cruzamento de duas experiências antagônicas. (Uma de esperança e outra de suspeita) A) ESPERANÇA 1- Na era da teologia para leigos 2- Na era do pluralismo e reino do diálogo inter-religioso 3- Uma pastoral mais exigente 4- Sede de espiritualidade 5- Pluridiversidade de lugares teológicos B) SUSPEITA 1- Imediatismo 2- Espiritualismo 3- Controle centralizador 4- Separação entre teologia/ pastoral 5- O espírito do tempo 2- Questões nucleares a) O QUE É TEOLOGIA? b) O que estuda e em que perspectiva? c) Enfoques teológicos? d) Teologia para que? e) As formas ou níveis do discurso teológico 3- TEOLOGIA E MÉTODO
  • 3. 3 1-Introdução geral e problematização Prá começo de conversa é bom demarcar uma série de pressupostos/atitudes gerais que devem ser como que pano de fundo, ou tela, em que se dependura o universo do FAZER TEOLÓGICO. Pressuposto: Posto antes, antes da base mesmo...é o alicerce sobre a qual se constrói a casa... 1- FÉ NO MISTÉRIO O pressuposto dos pressupostos é a fé no mistério. Esse pressuposto tem relação com o caráter próprio do fundamento da TEOLOGIA: Deus. É preciso ter em conta que todo SABER tem seu mistério ( seu lado ainda não, seu lado de sombra, seu lado fascinante e tremendo que nos encanta e nos põe suspensos). Até mesmo o saber científico. Basta ver, por exemplo, os insondáveis mistérios que se escondem no campo da medicina. Continua como um grande mistério a cura do câncer, do prolongamento da vida, da AIDS etc... Nem tudo é luz na ciência, mesmo que ela se proponha a tudo clarear pela LUZ da Razão. Não há resposta última e absoluta sobre as pergunta da física ou cosmologia etc... Os cientistas ainda estão atrás de uma explicação sintética da origem do universo,...sem falar do futuro do universo em expansão ou em refluxo....A ciência não trabalha com a hipótese do mistério, Deus não joga dados e por tanto deve haver uma explicação para tudo, se ainda não se chegou é apenas déficit do nosso conhecimento....UMA grande diferença com a teologia que não parte do pressuposto de tudo responder, mas de compreender. Se assim é com a ciência em geral, muito mais com a teologia por tratar do MISTÉRIO DOS MISTÉRIOS: DEUS. Quem se propõe fazer teologia tem que saber que se está pisando em terreno misterioso e para isso é bom que soe aos ouvidos aquela voz de Deus dirigida a MOISÉS: “Tire as sandálias dos teus pés, porque este lugar em que está é uma terra santa” (Ex, 3,5). Só com essa atitude de reverência religiosa consegue-se penetrar e avançar no mundo da teologia. Sem essa atitude básica corre-se sério risco de praticar uma teologia secularizada...
  • 4. 4 Nesse sentido é que se diz que não se pode fazer teologia sem fé...E quando se diz FÉ quer-se dizer que estamos diante do sagrado e misterioso. A fé acontece antes e depois de toda a palavra, de toda a tentativa de SABER,...não se tem fé porque se conhece, mas apesar do conhecer. A atitude de fé na ciência está na segurança e na funcionalidade testada e provada pela experiência...em teologia não há prova, e por isso mesmo exige-se fé...Toda prova em teologia acaba em ato de fé...assim é com a nossa maior prova, a ressurreição...A fé é anterior a teologia...A fé não pode ser um resultado das demonstrações racionais sobre DEUS E A REVELAÇÃO (TEODICÉIA)...A teologia não é a própria fé, a teologia procede da Fé, interprete-a, empenha-se em compreendê-la, especialmente através de uma reflexão sistemática. Nesse sentido TEOLOGIA É CIÊNCIA DA FÉ. Uma ciência com particularidades, como veremos no decorrer do curso. Voltaremos mais adiante sobre essas questões. Para concluir: Não tenhamos a pretensão e o desejo de tudo conhecer e tudo desvendar, tirar o véu e ver face a face. Isso é uma tentação, é preciso deixar o mistério ser mistério e entrar na dinâmica dele e crer por causa disso. Se buscarmos prova para tudo, a nossa fé não se sustentará. Fé em virtude do mistério, do absurdo como diz Kierkegaard. O que é central na nossa fé é mistério impenetrável totalmente pela razão: a encarnação, a crucificação, e a ressurreição. Mistério vem de muein: “fechar a boca”, “fechar os olhos”. Os olhos e a boca são fechados porque o mistério transcende o ato de ver e falar. Aquilo que deixa de ser mistério depois de se revelar não deveria ser chamado mistério propriamente. 2- AMOR ÀS “COISAS” DA REVELAÇÃO Além dessa atitude, ou pressuposto básica que é a fé no mistério, há uma segunda que é o AMOR pelas coisas da fé. Amar é desejar. Desejo é sempre algo que nos falta. Não se ama algo que se tem. Se já temos desfrutamos. Essa lição que vem da filosofia e da psicologia é importante também na teologia. É preciso desejar o que nos falta. Em teologia nos falta o aprofundamento, a reflexão, sobre um dado primeiro que é a fé. E não uma reflexão pela reflexão, não o conhecimento pelo conhecimento. O saber só tem sentido para nos tornar melhores. Amor às coisas da revelação. É preciso alimentar o amor, e aqui se alimenta com LEITURA, com participação, com busca, com desejo mesmo..com gosto pelas coisas da revelação....gosto pela bíblica sem ser carola ou fundamentalista....mas para não ser é preciso esforço, leitura, aprofundamento...
  • 5. 5 Como tomar gosto pela Teologia? Eu diria que teologia é uma fruta que se aprecia enquanto se come. E o apetite vem comendo. Isso significa que é preciso vencer as resistências para chegar ao saboreio total da fruta. Para isso é preciso esforço, dar tempo, se debruçar sobre o objeto do amor. O conhecimento se dá do simples ao complexo como numa relação amorosa humana. No início uma leve atração, que se não alimentada pode morrer. Tal como o Amor, a teologia é uma tarefa permanente. Precisa ser renovada constantemente. Para isso é preciso fazer uma teologia orante e não só teologia racional. Em relação ao estudo especificamente falando vale a pena ouvir a sabedoria milenar do oriente: “Os cinco meios externos para progredir no estudo são: mestre, livro, casa, condiscípulos e orelhas. Os cinco meios internos para o estudante ter sucesso são: saúde, mente desperta, boa conduta, aplicação e gosto pela leitura”.... Muitas coisas se opõem ao estudo da teologia: - a cultura de massa baseada na comunicação audiovisual que a todos afeta, inclusive o teólogo. O lado passivador e sensacionalista pouco favorável a reflexão pessoal continuada. - O ativismo pastoral ou não, que dispensa o aprofundamento em nome da ação. - Um clima de hedonismo e materialismo que dificulta a mente a escarpar as montanhas mais puras e elevadas, como são as da fé. - Uma cultura dominada pelo saber instrumental. Vivemos um tempo em que o saber que não seja operacional ou técnico, parece ser coisa de desocupado...E outros 3- ESTUDAR OU FAZER TEOLOGIA? Uma outra atitude ou pressuposto importante a ter presente no começo da teologia é quanto a alternativa ESTUDAR OU FAZER TEOLOGIA? A opção recai aqui para o FAZER...O Estudar dá a impressão de algo que se adquire e se aprende. Aprender dá a impressão que teologia é algo fixo, morto...uma coisa que se pode pegar, dominar, reproduzir e adquirir como se adquire um carro e que se registra em nome próprio. Teologia não é só um SABER a ser transmitido e que alguém se apropria. Teologia é coisa viva, uma coisa que se movimenta, que nos escapa, que nos puxa, que nos impulsiona para frente. Não se pode imaginar que teologia seja resposta pronta e que sirva como um CATECISMO. Nesse sentido para fazer teologia tem que se estar implicado nela...tem que haver uma disposição ao novo, ao instigante, ao ainda-não....É um FAZER em aberto...é uma obra ABERTA como diz ECO...Uma obra em que o artista principal não é o Professor, e nem propriamente o ALUNO, mas o Espírito de Deus. Nesse sentido professor e aluno tem que estar aberto a um terceiro
  • 6. 6 que interpela e convoca para a frente... E por isso ambos abertos aos sinais dos tempos... Abertos as perguntas e apelos novos que vem da igreja e da sociedade....ter uma atitude crítica para ler nos acontecimentos a “mão invisível de Deus”...para isso tem que se apropriar da “fábrica de fazer teologia”... tem que passar pela história, pelas escolas teológicas, pela teologia bíblica, teologia patrística, monástica, moderna e contemporânea para chegar a Teologia da Libertação... Os grandes Teólogos da libertação são grandes por conhecer e saber fazer teologia por dentro da fábrica mesmo do fazer teológico... para isso tiveram que se debruçar sobre a tradição...conhecer bem Agostinho, Tomás... Ranher etc... 4- Compromisso Com o Povo Todo saber humano é serviço à vida. Um texto de São Bernardo é paradigmático na enumeração e qualificação dos vários tipos de saber: “Há os que querem saber só para saber.- E isso é torpe curiosidade. (Desonesto, impudico, Infame, vil, abjeto, ignóbil). Hás os que querem saber para aparecer. – e isso é torpe vaidade... Há ainda os que querem saber para vender sua ciência, por exemplo, em troca de dinheiro e de honras. –E isso é um torpe ganho. Mas há também os que querem saber para edificar – e isso é caridade. Há ainda os que querem saber para se edificarem a si mesmo. – e isso é prudência”. A prática teológica com mais forte razão não pode terminar no puro saber, mas no compromisso da fé e da caridade, no ministério da palavra e na luta pela libertação, enfim, na Práxis. TEORIA- PRÁTICA= PRÁXIS (Reflexão feita ação e ação refletida). Não basta saber O QUE, mas importa saber para QUE. Em teologia é importante a pergunta: a quem interessa? A verdade teológica deve fecundar a vida e produzir vida. A teologia é portanto um ministério e o teólogo um servidor, servidor da Palavra em favor do POVO. Para isso não se pode fazer teologia alienada, desligada da realidade que deve iluminar. CLODOVIS COLOCA AQUI TRÊS FORMAS DE COMPROMISSO COM O POVO 1- Ao nível da causa. Luta ao lado do pobre e não somente simpatia intelectual e moral. Importa que se tenha um contato físico. E que se defenda as suas causas. É preciso estar lá onde o povo está. A teologia não pode ser de gabinete. Aqui luta-se pelos pobres. 2- AO nível da caminhada. Não só o contato e a vivência ao lado do pobre. Mas
  • 7. 7 também luta-se com ele. É preciso dividir o tempo entre o trabalho teórico e o prático na organização das lutas do povo dando aquilo que tem de específico, elementos teóricos, pedagógicos e políticos. 3- AO Nível das condições de vida. Aqui luta-se como pobre. É preciso encarnar o jeito do pobre viver. Isso supõe uma inserção profunda na vida dos pobres. É preciso para isso optar pela inserção social. Viver onde o pobre vive. Existe um privilégio hermenêutico dos pobre. Deus esconde as coisas dele dos sábios e ao entendidos e as revela aos pobres. Um exame acurado da história poderia nos mostra o estreito entrelaçamento entre pobreza e sabedoria. SÓCRATES, BUDA ETC...Do ponto de vista bíblico é possível fazer teologia silogizada sobre a libertação, mas então estaremos perdendo algo essencial que é a “opção histórica de DEUS pelos pobres”...Não se discute aqui quem é esse pobre, e o que significa pobreza, se é a real ou a do coração etc....essa é uma questão importante mas que vai além do limite aqui...ver p. 178ss. Finalmente é preciso se perguntar aqui: Qual a contribuição específica que a prática traz a inteligência da fé? A “força de inteligibilidade” da prática, ou sua “espessura epistemológica”( isso significa dizer qual a relevância da prática para o conhecimento teológico) consiste principalmente em dois pontos: 1- A PRÁTICA PROVOCA O CONHECIMENTO: E isso de muitos modos: a) levantando problemas concretos que a teologia transforma em questões teológicas. Por exemplo: a prática do aborto, a prática das separações entre casais, a prática do clone, a prática de paróquias que se vem sem atendimento por falta de padres...ou a prática de resistências dos pobres na luta pela participação e direitos sócio-político e eclesiais....ou até mesmo a prática abominável da guerra...etc..A rigor a prática não responde, mas interroga. Levanta questões. Cabe a reflexão teológica iluminar e buscar respostas. . 2- A PRÁTICA VERIFICA O CONHECIMENTO DO TEÓLOGO: Verificar significa literalmente: tornar verdadeiro, reconhecer por verdadeiro. É o momento que equivale à ciência de experimentação e verificação. Com isso dá um certo acabamento ao discurso teológico. Só na prática o conhecimento teológico se completa, se perfaz, se consuma. Só quando praticada a fé se mostra em plena luz. Só quando Francisco beijou o leproso ele pode ter certeza do processo de conversão levado a efeito. Como conclusão: a prática não responde, interroga, não conhece, reconhece. Francisco reconheceu a Deus no beijo ao leproso. Com isso temos o movimento completo. Não só a fé
  • 8. 8 ilumina a vida, mas a vida ilumina a fé. Essa dialética é a maior contribuição da Teologia da Libertação. NÃO SÓ FÉ-TEOLOGIA-VIDA, MAS VIDA-TEOLOGIA-FÉ---É A DIALÉTICA FRUTÍFERA DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO. Não é pura indução mas um levar a um momento superior como método complementar. A FALA DA AMADA Certa vez, passeando pela China, um jovem estudante conheceu uma menina de rara beleza. Foi um encantamento mútuo e silencioso, uma vez que um desconhecia o idioma do outro. Isso, porém, não impedira que se tocassem em sua alma. O estudante regressa a seu país, prometendo, mais a si mesmo do que a ela, retornar um dia, para viver em definitivo sob as luzes daquele amor. De volta em casa, a ansiosa espera de que o carteiro lhe trouxesse um primeiro sinal de sua amada. Teria ela em igual intensidade se afeiçoado a ele? Tê-lo-ia, quem sabe, esquecido? Mais alguns dias e chega a primeira carta. O regozijo mal lhe cabe no peito. Os signos ali inscritos, ainda que completamente ininteligíveis, são como ou tesouro inestimável, pois guardam em si o coração de sua amada. Às pressas, ele procura um tradutor. Quer saber tudo. O significado ordinário de cada palavra e o seu possível velado sentido. Quem sabe não estaria ali, cravada no profundo de um daqueles sinais, uma declaração de amor. Imediatamente, ele responde a carta, dizendo a ela de sua afeição e saudade. Cartas vêm e vão, até que o jovem começa a sentir um certo incômodo no fato de ter que recorrer sempre a um tradutor. Estaria ele descrevendo com fidelidade a largueza e a profundidade de seu amor? O jovem começa a estudar chinês. As mensagens da amada continuam chegando às suas mãos. Mas, a fim de que suas próprias respostas fossem precisas em estilo, em beleza e nuanças semânticas, ele protela sempre de novo suas cartas. Os anos se vão. Os estudos multiplicam-se, acuram-se e culminam numa brilhante tese sobre a diversidade dialetal da língua chinesa, fazendo daquele jovem um renomado perito em sinologia (estudo do que se relaciona com a china). As feições da amada, porém, submergem na obscuridade de uma vaga lembrança. Vez por outra, sobressaltavam-no ainda uma doce saudade e o ligeiro desejo de voltar àquele país, mas os compromissos acadêmicos e a idade avançada já não permitem uma tal aventura. Era o triste fim de uma história repleta de promessas de felicidade: ele dominava agora, notavelmente, a fala da amada, escapara-lhe, porém, falar com ela de coração a coração, a ponto de perdê-la. Ele aprendeu por amor e desaprendeu a amar.
  • 9. 9 2- SINAIS DE ESPERANÇA E A PERMANÊNCIA DE SUSPEITAS EM RELAÇÃO À TEOLOGIA. Quero concluir essa introdução e problematização acenando para alguns pontos levantados pelo Pe. Libânio, que me parecem importantes como começo de conversa. A- SINAIS DE ESPERANÇA: 1. Na era da teologia de e para leigos: Teologia já não é patrimônio de profissionais, ou sacerdotes.... Cada vez mais assistisse ao aumento da procura da teologia por parte de LEIGOS que buscam clarear, compreender, aprofundar a sua fé dentro de uma sociedade plural e com variadas ofertas religiosas e de valores...É o protagonismo dos leigos tomando forma com apropriação intelectual...Dioceses, institutos, paróquias, estão abrindo espaço exigido pelos próprios LEIGOS que buscam formação...isso demonstra a MAIORIDADE do cristão leigo e um enriquecimento da própria igreja...Sinal de esperança e vitalidade. DE LEIGOS: não só no nível de teologia popular, mas também no nível da teologia profissional, acadêmica. Ex. Maria Clara Bingemer, Faustino Teixeira, Yung Mo sung etc. É evidente que ainda é território de cléricos. 2. NO REINO DO PLURALISMO E DO DIÁLOGO: Na base de todo o pluralismo está a Bíblia...A experiência bíblica é uma experiência histórica e não metafísica unificante...por isso encontramos na bíblia uma pluralidade de teologias e perspectivas....O exemplo mais clássico aqui são os próprios evangelhos....por que não temos um único evangelista? E a interpretação de PAULO dos evangelhos??’ Uma única fé mas, manifesta, e entendida de muitas formas... Como reflexo disso, e da sociedade que é plural, temos a pluralidades de teologias... Não se pode falar sem mais em Teologia. É certo que há núcleos comuns como veremos e perspectivas, mas há na realidade várias teologias. Isso dá uma dinamicidade muito grande..teologia feminista, holística, da libertação, ecumênica, do diálogo inter-religioso. Entra aqui em cheio o debate entre a universalidade e a particularidade da teologia... Diálogo. Diálogo é a palavra de ordem da contemporaneidade. Até que a igreja católica era a única e reinava triunfante, não precisava de diálogo. No máximo se tolerava as
  • 10. 10 outras expressões. Hoje não mais. Diálogo para dentro da igreja e para fora, para dentro da teologia católica e cristão e para fora da teologia confessional. Diálogo aberto, sem dogmatismo para apreender do outro, das outras manifestações, das outras religiões. O futuro será de diálogo entre as religiões ou será de intolerância e guerra entre as religiões. 3. Uma pastoral mais exigente... A revolução industrial com o deslocamento da economia agrícola para uma economia industrial urbana globalizada está a exigir uma nova forma de fazer pastoral...o forte acento na comunicação tecnológica com mil possiblidades apresenta-se como um grande desafio atual...reciclagem dos agentes... PASTORAL URBANO EM QUESTAO...INTERNET ETC....Tudo isso é um desafio para o fazer teológico. É fundamental que se pense novas formas de evangelização e não se repita as velhas fórmulas de fazer pastoral. Inclusive as velhas fórmulas da CEBs... É preciso um verdadeiro choque pastoral para a urbanidade. É preciso entender a lógica descentralizada das cidades para fazer uma boa evangelização e por conseguinte uma teologia pertinente aos nossos tempos. Pensar a pastoral para além da estrutura tradicional da paróquia que se concentra em sacramentos e em um vínculo passivo tanto do sacerdote ou dirigente, quanto do fiel. É preciso quebrar a lógica do sacramentalismo e formalismo da tradição. CRIAÇÃO, CRIATIVIDADE É A PALAVRA DE ORDEM. 4. Sede de Espiritualidade... Inteligência racional, emocional e espiritual....onda de livros de auto-ajuda...esoterismo...espiritismo etc....mas também grupos espirituais que aprofundam sem cair no emocionalismo...A postura aqui é de acompanhamento crítico com os movimentos espirituais... Como diz RAHNER... O Cristão do futuro ou será místico, ou não será cristão....Uma profunda e afetiva comunicação entre Deus e o homem... Espiritualidade é fazer experiência do amor gratuito de Deus,..é uma mudança de coração de pedra para um coração de carne... Em qualquer ambiente que se vai, da empresa a sala de aula, quando se mexe com a questão da espiritualidade a recepção é imediata. Agora, é preciso pensar a espiritualidade como uma vida no ESPÍRITO Santo, e não como pietismo, oração, fuga do mundo, intimismo etc... 5. Pluridiversidade de lugares teológicos: A teologia clássica conheceu os famosos lugares teológicos....(ESCRITURA E MAGISTÉRIOS E TEÓLOGOS SOBRETUDO TOMAS)...a modernidade sensível as angústias e esperanças do homem pôs em evidência a EXPERIENCIA HUMANA como lugar teológico enquanto “lugar de sentido”... Privelegiaram-se as experiências carregadas de densidade existencial: dor, a morte, angústia, o vazio, existencial etc...A teologia da libertação, por sua vez, pôs em evidência outro lugar teológico priviligiado: O POBRE. Com esses dois novos lugares teológicos a teologia se
  • 11. 11 enriqueceu...Não se pode mais pensar uma teologia dedutiva, que parte de verdades e imponha práticas. Hoje é preciso pensar a teologia como reflexão da fé, da prática, da experiência de vida. A vida é o lugar privilegiado de se fazer teologia. B- PERMANÊNCIA DE SUSPEITAS CONTRA A TEOLOGIA: 1. A partir da pastoral imediatista “popular”: Há na sociedade um jogo de poder-dominação aceito pelas classes populares e reproduzido...Uns sabem e tem poder, outros não sabem e se submetem....Esse mesmo esquema se reproduz dentro da igreja como reflexo... Teólogos e clérigos sabem e a eles cabe o conhecimento,...Aos leigos cabe apreende-los e praticar....Essa postura levou nos últimos anos a camadas de leigos mais conscientes a suspeitarem da teologia por ser também centro de dominação teórica e ideológica, preterindo-a em nome da PRÁTICA gerando anticlericalismo e anti-teoria... Por outro lado temos a tendência conservadora que suspeita da teologia moderna e a teologia da libertação favorecendo que se reproduza o esquema de dominação da sociedade...fazer teologia seria para esse grupo, perigoso para a fé, caindo assim para um pietismo simplista... 2. A partir de uma perspectiva espiritualista: Teologia e espiritualidade se reclamam uma a outra, contudo há uma onda de espiritualidade de cunho emocional arredia a teologia,...a postura parece ser: “Prefiro não refletir sobre a fé, para não perde-la”...é uma atitude infantil que em nada contribui para o amadurecimento da fé, mas é uma atitude forte dentro da sociedade e da igreja... 3. A partir de maior controle centralizador: Polo central do magistério e Teólogos...uma tensão complicada...A liberdade acadêmica do teólogo está sob suspeita...casos recentes a acentuam-....BOFF, Jacques Depuis,...e outros...Fala-se de um inverno na IGREJA...depois da primavera eclesial do Pré- Vaticano com os movimentos litúrgicos, bíblicos, pastoral....a renovação de praticamente todos os ramos da teologia feita então...a coleção teologia da libertação foi o último esforço sistemático antes da virada conservadora...50 volumes previstos...mas anda com dificuldades...o clima de liberdade foi substituído por um certo rigor vigilante, controlador de expressão. Três teologias estão sob suspeita: LIBERAL EUROPÉIA, DA LIBERTAÇÃO LATINO AMERICA...E A TEOLOGIA DAS RELIGIÕES DO MUNDO ASIÁTICO... 4. Distância entre teologia e pastoral: Há um divórcio entre teologia e pastoral....a pastoral acusa a teologia de ser abstrata e se preocupar com o sexo dos anjos....a teologia acusa a pastorar de imediatismo e espontaneísmo...esse divórcio produz no aluno
  • 12. 12 uma perigosa separação...é preciso um equilíbrio, o momento da síntese da pastoral teológica e da teologia pastoral... 5. O ESPÍRITO DO TEMPO ATUAL: A maior dificuldade para o fazer teológico talvez seja hoje exatamente o espírito do tempo. A atmosfera cultural que respiramos é adversa ao fazer teológico. Vivemos um tempo de falta de consistência nos valores, nos princípios, há uma onda fortemente marcada pela relatividade de todas as teorias e práticas. Tudo o que é sólido desmancha no ar. Todo pensamento que se mostre seguro é criticado como totalitário ou conservador. Por outro lado assistimos hoje aquilo que um teólogo brasileiro Clodovis Boff chama de tempo de niilismo ou se quiser a perda completa de SENTIDO PARA A VIDA....Com a perda de sentido volta-se cada vez mais para a imediatez, para o pragmático, para o prazer dos sentidos, para o aqui e agora, ninguém mais está disposto a sacrificar o presente em nome do futuro ou de valores e princípios. A era do VAZIO...isso por um lado é suspeita e por outro é uma chance...como dialogar com esse homem e mulher do nosso tempo? CONCLUSÃO: Como diz Libânio, “Começa-se a teologia precisamente numa encruzilhada. A via da suspeita cruza o caminho da busca. O estudante de teologia, ao olhar para um lado, vê os inúmeros marcos da suspeita. Mas, olhando para o outro lado, lá estão também os sinais apontando para procura insistente de teologia que responda aos reclamos da atualidade”.
  • 13. 13 2- QUESTÕES NUCLEARES A) O QUE É TEOLOGIA Theós: Deus Logos: tratado, estudo, SABER, CIÊNCIA. Teologia: atividade da fé que deseja saber: “fides quaerens intellectum” ATO 1 REVELAÇÃO- FÉ- TEOLOGIA- ato 2 PROPOSTA Fundamento da fé e da teologia. RESPOSTA Existencial A teologia cristã não é um esforço Do homem para chegar a DEUS. Comunitária É Deus mesmo que vem ao homem e Se revela por um ato de AMOR primeiro. Prática Fé consciente. Inteligência da fé. Crítica e aprofundamento da própria resposta a revelação e os desígnios de Deus. É a sistematização do ato 1. É o confronto racional de esclarecimento entre o que é nossa fé e prática com a fé e a prática de DEUS em Jesus Cristo. Fé adulta, fé consciente. Por isso exige método. Disciplinas: QUE FALAM DE DEUS- Trindade, Cristologia, Criação. Do lado da Fé: Liturgia, Moral, espiritualidade, eclesiologia, pastoral, ecumenismo etc....No fundo teologia é articular os dois pólos de forma crítica e hermenêutica, isto é, de interpretação do que é a vontade de Deus na ação humana, e o que é da vontade do homem na ação de Deus. A articulação da relação, eis o que é a teologia. O QUE É TEOLOGIA? É preciso ser bem objetivo aqui. Teologia é inteligência da fé que por sua vez se articula e se defronta constantemente com a Revelação de Deus. Por isso temos um esquema simples. DEUS ----HOMEM-mulher Teologia - É a ciência do diálogo entre Deus e o homem. Como se faz isso? Bem, isso é o que se verá durante todo o curso. O paradigma desse diálogo é a história do povo de Deus na bíblia. E por isso a concentração em temas bíblicos. Mas chamo a atenção aqui. É sempre diálogo. Fala de Deus e fala e ação humana. PARA ESCLARECER MELHOR ESSA RELAÇÃO PASSAMOS AO SEGUNDO PONTO.
  • 14. 14 b) O Que estuda a teologia e em que perspectiva? Como em toda a ciência é preciso distinguir o objeto material do objeto formal. OBJETO MATERIAL OBJETO FORMAL Em teologia o objeto material é Deus É a partir de onde se fala de Deus. e depois tudo o mais. Portanto tudo E aqui trata-se pois da fé e da pode ser teologizável. revelação. Objeto formal diz respeito ao aspecto, a dimensão, a face. É o ponto de vista, a ótica sobre o qual se fala de Deus. Tomemos um exemplo para entender o que significa o objeto formal. Um poeta- Um capitalista INSPIRAÇÃO NEGÓCIO FLOR Um jardineiro CUIDADO Um enamorado AMOR O interesse específico, a perspectiva, a visão, o enfoque é a forma de captar o mesmo objeto material. E a perspectiva é o que caracteriza o objeto FORMAL. Isso é de extrema importância porque conforme a perspectiva temos teologias diferentes e ciências diferentes. O físico não vê no universo numa perspectiva de fé. Deus é uma hipótese inútil, dizem os cientistas. O cientista vai ver o universo a partir das leis próprias da funcionalidade material. Em síntese: o objeto formal da teologia é Deus enquanto revelado e recebido na fé. Fazer teologia é diferente do que fazer filosofia da religião ou teodiceia que procura provar Deus pela razão. O OBJETO MATERIAL: o objeto material é o sobre o que se processa o conhecimento. Em teologia o objeto material é DEUS. Mas não só Deus. É Deus e tudo o mais. Tudo pode ser objeto quando lido a luz da fé e da revelação. A teologia não tem por objeto um objeto entre outros. E aqui se distingue a teologia de outras ciência que sempre tem um objeto particular e não vê a partir do todo. Deus é determinante de tudo, e então qualquer objeto pode ser objeto do teólogo. (UMA FLOR, UM ATO, UM ENTE DA CRIAÇÃO, UM ACONTECIMENTO DA HISTÓRIA) É evidente que Deus é o primeiro objeto. O mundo, o homem são objetos segundos. Como diz Tomás: “A teologia não trata por igual de DEUS e das criaturas, mas de Deus principalmente, e das criaturas na medida em que se relacionam com Deus como a seu princípio ou fim”. É aqui que entra a teologia da libertação e que fala da história e das lutas
  • 15. 15 dos pobres dizendo que estão falando de DEUS. Se não se tem essa compreensão pode-se achar que o homem e a história não são lugares teológicos. Sob o enfoque de Deus toda a criação pode ser tratada. UM ESQUEMA: TEOLOGIA Á LUZ DA FÉ-REVELAÇAO DEUS (objeto direto) O MUNDO (objeto indireto) Objeto formal ou Perspectiva (como) Objeto material (o que) IMPORTANTE: 1-Teologia não é discurso do homem sobre Deus. Deus é sujeito e objeto ao mesmo tempo. O teólogo explicita a fala de Deus. Fora disso se cai no subjetivismo. 2-Tudo é teologizável, mas nem tudo convém. Voltaire dizia que a teologia “fala de tudo e mais um pouco”. É preciso ver a relevância histórica ou pastoral de se desenvolver este ou aquele tema da teologia. Os anjos são uma parte da criação. Que relevância teológica tem? Se bem que hoje tem mesmo...rs..OS POBRES E O REINO DE DEUS é objeto relevante para nós da América latina. Além do que o pobre e e sua libertação é uma temática capital na bíblia. Não é o pobre o centro da teologia, mas Deus. Mas o pobre ocupa no projeto de Deus um lugar de destaque. ESTÁ certamente entre os primeiros dos “objetos segundos”, se assim se pode dizer. 3- Reducionismo epistemológico. - Há uma redução epistemológica (isto é, de método de conhecimento, de como se dá o conhecimento e seus procedimentos) quando se acha que se está fazendo teologia quando se fala das “coisas religiosas”. Há aqui uma redução de objeto, deixando de fora toda a outra realidade criacional. Não se vê que se pode falar de Deus a partir das coisas do mundo. SEM DUALISMOS. Ou não se vê que se pode falar do mundo do ponto de vista religioso. ESSA POSIÇÃO é representada por um pretenso espiritualismo, o de não misturar as coisas sagradas com as profanas. Como se isso fosse possível. Rahner: Não é possível falar de Deus senão falando do homem, E FALAR DO HOMEM É FALAR DE DEUS. - Há reducionismo epistemológico quando se pensa que se está fazendo teologia só por que se fala de DEUS, sem reparar o COMO se fala de DEUS. Reduz-se assim o fazer teológico ao objeto e não se contempla a forma. Nesse sentido se cai no ramo das ciências da religião e não propriamente na teologia. c) NOVOS ENFOQUES TEOLÓGICOS: Não reduzir a teologia ao objeto, mas por em evidência na perspectiva do sujeito significa dizer que em cada momento histórico aparecerá enfoques diversos que são pertinente para o sujeito que vê. Trata-se pois de perspectivas, óticas ou pontos de vista que investem a totalidade da teologia. São ângulos a partir dos quais se faz teologia. É o que chamamos tecnicamente de ENFOQUES TEOLÓGICOS SEMPRE A LUZ DA FÉ. Foco, enfoque, concentração do foco (ponto onde convergem os raios da luz). Foco pode significar ainda o ponto onde se forma o PUS, OU ponto sede de qualquer doença. Algo está mal, e por isso focaliza-se sobre ele para de alguma forma o curar.
  • 16. 16 ENFOQUES: SEXISTA (teologia feminista), ECOLÓGICO, ÉTNICO, teologia das religiões. Só uma palavra rápida sobre a teologia feminista. Ao meu ver é uma das teologia, juntamente com a do diálogo inter-religioso, mais promissora para a igreja. Chegou o tempo da mulher ser respeitada dentro da igreja. Elas sustentam a igreja do ponto de vista organizacional mas ainda são tratadas como secundárias do ponto de vista efetivo das decisões e das conduções finais das coisas da igreja. Na sociedade civil isso é algo que está sendo superado faz tempo. Na igreja ainda vivemos o patriarcalismo. Do ponto de vista teológico a teologia feminista é responsável na consciência que temos hoje de que homem e mulher foram feitos com igual dignidade e que portanto diante de Deus a superioridade de um sobre outro é algo cultural e deve ser encarado como tal. E o esforço das feministas é justamente mostrar como foi se constituindo historicamente uma consciência e estrutura machista dentro da igreja. Para isso vão até a bíblia para mostrar as ambiguidades dela em relação à mulher, o machismo ora direto ora velado. Fazem num primeiro momento um processo metodológico de desconstrução, de crítica, às vezes forte e provocadora. Num segundo momento propõe um novo relacionamento baseado na diferença sim, mas em pé de igualdade de condições inspiradas em Jesus Cristo que valorizava por igual homem e mulher. O resultado já aparece, mas ainda estamos a caminho. O certo é que a teologia hoje, como um todo tem que ser feita com nova sensibilidade, que respeito o corpo como um todo, e não somente seja expressão da racionalidade. c) TEOLOGIA PARA QUE? Estamos aqui diante de algo muito importante no universo teológico. Como perspectiva de introdução à teologia me parece fundamental. Estamos falando do objetivo da teologia. O que estará em questão aqui não será o seu objeto, mas sim o seu OBJETIVO, sua missão. Qual o objetivo, a finalidade da teologia? Em resumo daria para se dizer que teologia não existe para si mesma. Ela existe para outra coisa: a fé, o amor, a prática evangélica, enfim a vida cristã. Na história podemos perceber três acentos na finalidade da teologia. Teologia serve para conhecer, conhecer para amar, e amar para praticar. Nessa formulação ficam sintetizadas as três correntes que discutem a finalidade da teologia. CONHECIMENTO AMOR AÇÃO 1-(Tomismo) 2- (franciscanismo) 3- (teologia da libertação) 1- Direta e imediatamente a teologia existe para conhecer os desígnos de Deus. É uma finalidade irrecusável. Se a teologia não se propuser esse objetivo ninguém mais se proporá. Isso é fundamental. Sem essa finalidade cai-se na funcionalização da teologia. Porém não se pode parar nele. 2- Indireta e mediatamente existe para amar e servir a Deus. Há uma finalidade
  • 17. 17 decisiva: praticar a vontade de Deus. Esse deve ser um objetivo sempre presente no teólogo cristão. 3- A teologia existe também como práxis de transformação tanto no nível pessoal como no nível estrutural. Temos aqui a teologia da libertação. Disso se depreende que teologia não é uma ciência do tipo teórica e nem simplesmente prática. A tradição clássica distingue dois tipos de ciências. Ciência teórica e ciência prática. CIÊNCIA TEÓRICA CIÊNCIA PRÁTICA - Visa o conhecimento - visa a ação - lida com verdades universais - lida com verdades particulares - seu fim é o saber pelo saber - seu fim é em vista do fazer. - apreende as causas últimas - causa a própria realidade É uma ciência dupla: é uma ciência prática-teórica e teórica-prática. Ela visa os dois objetivos concomitantemente. O conhecimento e a prática. Não existe corrente que seja exclusivista nos objetivos. Apenas nota-se acentos circunstanciais. A diferença entre as várias escolas é somente de Acento. A escola tomista diz que é mais “uma ciência do que prática”. Seria uma ciência teórica-prática. A escola franciscana diz que é mais prática que teórica. Uma ciência prática-teórica. A teologia da libertação tenta um meio termo. Seria então uma ciência prática-teórica-prática. d) As formas ou níveis do discurso teológico Ordinariamente considera-se teologia o que fazem os chamados teólogos. E tal é o sentido comum e estrito ou técnico da “teologia”. Todavia, também os pastores assim como os simples fiéis pensam a seu modo a fé. E na medida em que o fazem eles também fazem teologia. Daí surgem três formas ou níveis fundamentais de teologia: teologia profissional, teologia pastoral e teologia popular. São três linguagens teológicas distintas. 1- Teologia Popular: é O modo de teologizar que pertence ao senso comum e tem a forma da linguagem ordinária. É a teologia do senso dos fiéis. É guiada pelo espírito da verdade como diz João 16,13. É a medicina popular da teologia. A seu modo a medicina popular é medicina. É marcadamente espontânea. A seu modo a teologia popular é teologia.
  • 18. 18 Como se processa? É uma teologia oral e falada. A linguagem preferencial é a poesia, o canto, o desenho, o gesto, o símbolo, a dramatização. É o caminho que a cultura popular expressa sua visão das coisas e isso também no campo da fé. Não necessariamente é uma teologia alienante e acrítica. A seu modo é crítica e até utópica. O povo sabe onde dói. Onde se processas? No cotidiano da vida, nos pequenos encontros de famílias, nos grupos de jovens, na catequese, nas celebrações, nas partilhas da palavra, círculos bíblicos. MEIOS: Boletins, folhetos, roteiros litúrgicos, cartilhas, roteiros para grupos etc... OBS. É o momento que o povo se faz sujeito da caminhada da própria fé e da igreja. É o povo que se faz sujeito da própria teologia. LER TESTEMUNHO DE CLODOVIS BOFF, in: LIBÂNIO p. 201. 2- Teologia Pastoral:É a forma ou o nível de teologia voltada para a evangelização. Tem seus procedimentos próprios, sua linguagem definida e destinatários. Situa-se no meio entre a reflexão existencial concreta e a teologia acadêmica. Essa incorporou o método conhecido como VER, JULGAR, AGIR, CELEBRAR E AVALIAR. É uma teologia feita em centros de formação, grupos do CEBI, e em centros de teologia para leigos. Os textos das campanhas das Fraternidades promovidos pelo instituto nacional de pastoral é um bom exemplo dessa teologia. Em assembléias diocesanas e até curso de formação para leigos que refletem a sua fé sistematicamente. São infinitos os centros de aprofundamento teológico em vista a pastoral que se espalham em todo país. Teologia para leigos da ESTEF é um bom exemplo disso. Os assessores vão construindo o saber teológico junto com o povo em vista da ação pastoral mais qualificada. 3- Teologia profissional ou acadêmica: A teologia do terceiro nível denomina-se acadêmica ou profissional. É o que geralmente se entende por teologia. É a reflexão crítica e sistemática da fé. Pratica-se essa teologia na academia, nas universidades. Compreende o grau acadêmico de bacharelado, mestrado e doutorado. Se o bacharelado capacita no mínimo para uma teologia pastoral, o mestrado e doutorado capacita para uma maior sistematização dos vários elementos da teologia e suas articulações como veremos na discussão sobre o método. É assim que se forma os profissionais e pesquisadores na área da teologia e que sustentam e reproduzem os centros acadêmicos da igreja. O lugar privilegiado é a academia, a sala de aula, os congressos etc. Já não basta ler folhetos e boletins mas é preciso esquentar a cadeira, fazer esquemas, ler artigos de ponta, livros, teses,.... O teólogo acadêmico tem uma dupla inserção: um pé na comunidade eclesial e um pé
  • 19. 19 na academia. Tanto num lugar quanto no outro ele está a serviço do povo de Deus. Tem um momento de assessoria e um momento de produção teórica. O povo sempre o acompanha, levantando questões que vem de baixo e organizando sistematicamente essas questões. Na comunidade ele faz teologia COM O POVO, na academia A PARTIR DO POVO. AS TRÊS FORMAS DE ELABORAÇÃO TEOLÓGICA: Teologia Popular Teologia Pastoral Teologia Profissional Descrição Espontânea e difusa Mais orgânica e Mais elaborada e ligada ao povo com rigor Lógica Da vida cotidiana Da ação prática Da ciência Método Evangelho- vida Ver, julgar, agir. MH, MSA Lugar CEBs, grupos Centros de pastoral Institutos teológicos diversos Momentos altos Encontro de CEBs Assembleias Congressos pastorais teológicos Produtores Animadores leigos Pastores e agentes de Teólogos de profissão em geral pastoral Produção oral Testemunhos, Palestras, relatórios Cursos, assessorias celebrações Produção escrita Roteiros, cartilhas Pregação,doc. Artigo, livros pastorais TIPOS DE TEÓLOGOS(as) Há três tipos de teólogos conforme a sua postura frente ao fazer teológico: 1- Há os teólogos(as)-formigas. Só transmitem o que recolhem dos outros. São almoxarifes, guardas de armazém. Para eles, teologia é saber o que os outros teólogos disseram e não como é mesmo a verdade em questão. Esses são os teólogos eruditos. Como enciclopedistas, sabem tudo sobre um assunto determinado, mas nada acrescentam de novo e próprio. São teólogos de gabinete. Parecem-se mais geladeiras, que conservam as coisas, que a estômagos, que digerem, assimilam e transformam as coisas em substância pessoal.
  • 20. 20 2- Há os teólogos(as)-aranhas. Esses são a antítese do tipo anterior. Tiram tudo de si e daí constroem suas teias teóricas. São especuladores de grande criatividade. Não importa se suas elucubrações tem fundamento bíblico ou na realidade. O gosto pela abstração os leva a ser perderem nas nuvens do racionalismo abstrato ou do idealismo puro. 3- Há, por fim, os teólogos(as)-abelhas. Esses representam a síntese dos dois modelos anteriores. Eles tiram o néctar de todas as flores, o digerem e o transformam no mel de suas sínteses pessoais. Esses são os teólogos realmente cultos: a partir de uma boa base de informação ou erudição fundamental, partem para a criação com pertinência prática e histórica. TEOLOGIA E MÉTODO Teologia não se faz espontaneamente. Espontânea é a fé. A teologia, ciência da fé, exige método. Nada se faz com rigor sem método rigoroso. E o que se entende por método? A etimologia da palavra nos diz o que se entende por método no seu sentido bem geral. A palavra método significa “segundo o caminho”, indica seguimento, busca. Em sua etimologia, a palavra aponta para o que se faz ou se conhece usando um caminho. Nesse sentido é plenamente aplicável à teologia. O modo de ser da verdade divina , paradoxalmente mais que em qualquer outro campo, é estar oculta; e requer um método, uma via de acesso precisa e regularmente seguida. O conjunto de procedimentos destinados a assegurar a compreensão e a posse da verdade teológica, não pode ser arbitrário. Quando se fala de método em teologia o interesse não é discutir essa ou aquela teologia em particular e nem se preocupa com tratados teológicos, mas especificamente sobre a PRÁTICA teológica. O método diz respeito não a teologia, mas ao teologizar. Diz respeito ao exercício mesmo do fazer teológico. Não responde o problema do que é teologia, ou qual sua missão e finalidade, mas como se faz teologia. O método tem a ver com o processo teológico: os elementos que estão em jogo e as regras de sua articulação interna. Isso porque teologia não se faz de qualquer jeito, mas tem um processo como num processo judicial. A causa pode ser boa, mas se se falhar no processo perde-se a causa. Poderíamos ainda comparar o método e seus elementos com uma receita de bolo. Para se fazer um bolo é preciso os ingredientes e o modo de preparar (método). O método são os passos: é a combinação dos ingredientes seguindo passos, um caminho. QUAIS OS ELEMENTOS E QUAIS AS SUAS ARTICULAÇÕES INTERNAS DO FAZER TEOLÓGICO?
  • 21. 21 2-Escritura 12- Razão 1-FÉ 3- a igreja 11- Linguagem 4- o senso dos fiéis 10- filosofia e ciências 5-Tradição TEOLOGIA 9-Outras teologias 6- Dogma 8-Prática 7- Magistério A método tratará de todos esses elementos em sua articulação interna no fazer teológico. É disso que ser trata quando se fala em método em teologia. REGRAS DE ARTICULAÇÃO: A articulação desses elementos obedece a uma logicidade no fazer teológico, por exemplo: - A FÉ deve ter a primazia absoluta na teologia - A Bíblia é o primeiro testemunho a ser ouvido - A Razão deve estar a serviço da compreensão do dado revelado - A prática é a uma fonte de teologia, assim como uma de suas finalidades. - A linguagem da teologia é a da analogia, pois só ela se adequa ao mistério. - O magistério é o critério de autenticidade etc... - Quanto aos processos internos: antes de tudo é preciso ouvir os testemunhos da fé, em seguida, aprofundar o seu conteúdo e finalmente defronta-lo com a prática. OBS. ESTE É EM GRANDES LINHAS O MÉTODO DA TEOLOGIA.