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Amber - Moda Inclusiva para Homens
Amber - Inclusive Fashion for Men
Ana Cláudia Nalini; Barbara Cuevas; Evelin Nicomédio; Fabíola Rampasso;
Fernanda Fuini; Gabriela Rodrigues; Gabriella Maldi; Laura Azevedo; Letícia
Sarmento; Luanda Jabur; Luiza Cervone; Mariana Scabia; Marília Bondança;
Priscyla Bordoni; Viviane Zuim1
Orientadores: Prof. Ms. Eloise Navalon e Prof. Ms. Álvaro Santos Gregório
Filho.
RESUMO
Este projeto faz uma breve abordagem sobre a questão do deficiente físico e
sua inclusão na sociedade como cidadão através da Moda. Estudos sobre
definições de deficiência locomotora, preconceito e direitos, resultam na
proposta de uma moda inclusiva, para todos. Pesquisas de campo foram
efetuadas para auxiliar no diagnóstico de um público alvo. O projeto é
composto por um modelo de negócios, estratégias de comunicação, identidade
da marca, além de doze looks, dos quais seis foram confeccionados e expostos
em um ensaio fotográfico.
Palavras-chave: Moda, inclusão social, deficiência física, não deficientes,
paraplegia, paraplegia adquirida, adaptabilidade, versatilidade.
ABSTRACT
This project makes a brief discussion about the issue of the physically
handicapped and their inclusion in society as citizens. Studies about definitions
of physical disability, prejudice and their rights, result in the proposal of an
1
Alunas do 6° semestre dos cursos de graduação Design de Moda e graduação Negócios da
Moda, da Universidade Anhembi Morumbi. Endereços eletrônicos:
aninha_clau27@hotmail.com; barbara.cuevas@hotmail.com; eve.lin.ha@hotmail.com;
fabi.rampasso@outlook.com; fernandafuini@gmail.com; gabriela.rodrigues92@gmail.com;
gabriellamaldi@yahoo.com.br; laure_nha@hotmail.com; lelemfs@hotmail.com;
luandajabur@gmail.com; luizacervone@hotmail.com; marivaz_scabia@hotmail.com;
marilia.bondanca@uol.com.br; pri_bordoni@hotmail.com; vigozuim@gmail.com.
2
inclusive fashion, for everyone. Field surveys were conducted in order to help
on diagnosis of a target audience. The project is composed by a business
model, communication strategies, brand identity, and twelve looks, from which
six were made and displayed in a photo shoot.
Keywords: Fashion, social inclusion, physical disability, non-physical
handicapped, paraplegia, acquired paraplegia, adaptability, versatility.
INTRODUÇÃO
O texto deste artigo ilustra a trajetória do projeto intercursos que conta
com o tema “Inclusão social: pessoas com deficiência no aparelho locomotor”,
onde foram realizados estudos de suas definições e características, passando
por questões como o preconceito por parte da sociedade, de fatores históricos
dos quais o mesmo deriva, de aspectos legais, além da problemática quanto ao
uso de vestuário e as respostas propostas pela moda inclusiva. Paraplegia foi
escolhida como subtema, tratando das dificuldades sociais e aspectos
ergonômicos.
Ao longo das pesquisas referenciais, chegou-se à Paraplegia Adquirida
como objeto de estudo, apresentando suas causas, questões psicológicas e
sociais enfrentadas pelos portadores dessa variação de deficiência locomotora.
Das pesquisas de campo, foi possível identificar as necessidades do
público alvo, que originou as concepções de coleção direcionada à homens
cadeirantes e não cadeirantes, além da identidade da marca. Ambos buscam
satisfazer seus usuários de forma versátil e respeitando as peculiaridades de
cada um.
Da coleção contendo doze looks, seis foram confeccionados, seguindo
informações obtidas durante as etapas do projeto. Posteriormente, foi feito um
vídeo publicitário, peça gráfica e ensaio fotográfico para apresentar a marca e
sua coleção.
3
1 INCLUSÃO SOCIAL: PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO APARELHO
LOCOMOTOR
Clemente (2003, p. 17) mostra que conhecer cada tipo de deficiência é
um dos primeiros passos para que a sociedade dita “normal” se aproxime das
pessoas portadoras e passe a conviver com suas diferenças. Para o autor,
deficiência é uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração
social, que leva à necessidade do uso de equipamentos, adaptações, meios e
recursos especiais a fim de receber ou transmitir informações necessárias ao
desempenho de funções. É possível citar a Paraplegia que é a perda total das
funções motoras dos membros inferiores, a Tetraplegia que é perda total das
funções motoras dos membros inferiores e superiores, a Ausência de membros
inferiores e / ou superiores e a Amputação que é a perda total ou parcial de um
determinado membro ou segmento de membro2
.
A inclusão social é uma proposta de construção de cidadania para estas
pessoas. Para Bartalotti (2006, p. 23), deve haver na sociedade inclusiva todos
os segmentos sociais ao transformar um modo de ser, pensar e agir que se
torna um processo de mão dupla onde pessoas com deficiência e não
deficientes precisam mudar. Esta mudança se dá com a percepção da
sociedade e do próprio deficiente sobre suas reais limitações e sua posição
como cidadão. É necessário o papel de ambos para a inserção destes à
educação, que resulta na conquista da qualificação profissional que, por sua
vez, se dá através da acessibilidade: o direito de ir e vir.
A explicação para o baixo nível educacional ou para o
desemprego de um deficiente não deveria ser buscada
nas restrições provocadas pela lesão, mas nas barreiras
sociais que limitam a expressão de suas capacidades.
(DINIZ. 2003. P. 2)
Além de constar na Constituição Federal de 1988, há latente no
inconsciente coletivo que “todos são iguais perante a lei (...)” 3
. Este argumento
2
Conceito de Pessoa com Deficiência Física. Disponível em: http://www.abrami.org.br/.
3
Artigo 5º da Constituição Federal. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L10098.htm
4
enfatiza os direitos a liberdade e igualdade que remete à autonomia que todos
os cidadãos possuem. A questão também é apontada no artigo 3º da
Declaração dos Direitos das Pessoas Portadores de Deficiência:
Às pessoas portadoras de deficiência, assiste o direito,
inerente a todo a qualquer ser humano, de ser respeitado,
sejam quais forem seus antecedentes, natureza e
severidade de sua deficiência. Elas têm os mesmos
direitos que os outros indivíduos da mesma idade, fato
que implica desfrutar de vida decente, tão normal quanto
possível. (CLEMENTE. 2003. P. 40)
Segundo Clemente (2003, p. 19), as pessoas portadoras de
necessidades especiais são vítimas de preconceito, da falta de transporte
adequado e também de condições de acessibilidade o que, muitas vezes as
mantém fora da escola, do mercado de trabalho e dos momentos de lazer, o
que resulta no isolamento e falta de convivência com outras pessoas.
Os portadores de mobilidades reduzidas também se deparam com a
ausência de roupas adaptadas às suas condições. Outra questão é que a
moda atua hoje como uma importante ferramenta de expressão da
personalidade dos indivíduos, que faz se sentirem inseridos em grupos ou
“tribos”. Neste caso, pessoas com deficiências não conseguem usufruí-la como
gostariam devido à falta de conforto, praticidade e adaptação para seus corpos,
o que anula o poder de escolha para elevação da autoestima.
Se levado em conta o fato de que a deficiência física não
condiz com os padrões atuais de beleza, pode-se
perceber ainda mais a importância que o vestuário
representa na vida dessas pessoas. Esses indivíduos
fazem mais esforço que as pessoas não deficientes no
sentido de se vestirem bem, como uma forma de
compensarem a sua deficiência e tentarem amenizar a
sensação de fazer parte de um grupo excluído da
sociedade. (CARVALHO; WOLTZ. 2008. P. 53)
5
De acordo com relatos de entrevistados paraplégicos para o projeto de
intercursos em questão, há uma real carência de roupas especiais, com tecidos
mais leves, de toque macio e ausentes de bolsos traseiros, o que evitam
feridas pelo corpo. Buscam também roupas de fácil manuseio que facilitem o
processo de vestir-se e despir-se: abertura maior na parte superior, bolsos sob
as pernas, com fechos nas laterais de velcro ou até mesmo de botões de
plástico.
Para propor uma solução que concilie as necessidades de adaptação de
vestuário e a expressão da identidade do indivíduo, a moda inclusiva busca
inseri-lo na sociedade levando em consideração a diversidade humana e os
variados tipos de corpos, atendendo as necessidades dos deficientes e não
deficientes.
Neste caso, o aprofundamento sobre problemas que excluem pessoas
portadoras de deficiência requer conhecimentos específicos que trazem à tona
o que foi, o que é e o que poderá ser criado para a melhoria da qualidade de
vida a todos. O texto a seguir apresenta o cenário da paraplegia e trará
maiores detalhes desse caso em particular.
2 PARAPLEGIA
Os estudos de Vasconcellos e Ribeiro (2010, p. 75), afirmam que a
paraplegia, tanto por consequência de uma lesão medular como por paralisia
cerebral, levam famílias a se confrontarem com perdas significativas, que
implicam em mudanças de funcionamento e estrutura. Essas mudanças são
complexas, demandam uma flexibilidade que não é comum a todas as
estruturas familiares. Isso sem falar no fato de que a paraplegia pode se
constituir como um fator de risco ao equilíbrio e bem-estar psicológico tanto da
família enquanto o sistema como para seus membros.
6
Fig. 1: Imagem de dois cadeirantes paraplégicos.
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/bahia-testa-terapia-com-celulas-tronco-em-
paraplegicos
Do ponto de vista ergonômico, pessoas paraplégicas possuem
particularidades distintas das pessoas não deficientes. Além do fato de
permanecerem sentadas devido ao trauma do qual foram submetida, de acordo
com Grave (2004, p. 76), há a questão da sensibilidade afetada, as alterações
físicas, dificuldades ao vestir-se e procurar roupas apropriadas ao seu estado.
Traz consequências também para o funcionamento dos órgãos internos,
podendo repercutir na própria sobrevivência do individuo. A adesão à
reabilitação esta estreitamente ligada ao engajamento do paciente nos
procedimentos de autocuidado, que lhe conferem uma melhor qualidade de
vida, tanto sob a óptica física, como psicológica.
3 PARAPLEGIA ADQUIRIDA
A paraplegia também pode ser adquirida e, muitas vezes, permanece
presente durante toda a vida de seu portador. Para Ribas (2003, p. 28-29), as
doenças infecciosas que adultos e crianças podem ter, geram sequelas e estas
podem causar a paraplegia. Há também doenças não infecciosas, como
hipertensão, que podem acometer derrames e consequentemente a
hemiplegia, e as doenças das artérias, que levam às amputações. Ainda há
possibilidade de adquirir em acidentes de parto, trabalho, armas de fogo ou
trânsito.
7
De acordo com Kovácks (1977, p. 201), a perda de um movimento,
desfiguração, dano ou deterioração de uma parte do organismo, alterarão a
potencialidade do sujeito, tanto na vida pessoal e afetiva, quanto profissional,
podendo relacionar a situação a um processo de perda por morte. Este fato
pode dar origem a uma série de sentimentos e reações que se inicia pelo
choque, em seguida negação, passando pela raiva, barganha e depressão, até
chegar à aceitação. Porém, para Vash (1988, p. 90), as reações dependem de
como e quando esta aconteceu, o tipo de deficiência, gravidade, autoestima,
recursos internos, apoio familiar, renda, tecnologia disponível, dentre outros.
A interrupção da vida dita “normal” na fase adulta atropela
planos em todos os contextos vividos, dificultando
retornos pela incapacidade transitória de relacionar-se
com o próprio corpo. A paralisação dos movimentos
inferiores – condição específica do paraplégico – a
ausência de mobilidade, o esvaziamento da sensibilidade,
a precariedade da sexualidade e descontroles
esfincterianos, retomam o adulto, sendo homem grande
ou mulher feita, à condição de recém-nascido. (TEIXEIRA.
2010. P. 63).
A partir das alterações em seu cotidiano que surge a necessidade de
adaptar-se a sua nova condição. Neste caso, Novaes (1975, p. 42) afirma que
a reabilitação surge como aliada ao processo, pois visa tanto à recuperação do
órgão ou membro afetado, como no resgate pleno do indivíduo, restaurando
sua posição ativa e útil à sociedade, buscando o máximo de desenvolvimento e
integração nos diversos setores de sua vida.
Mesmo sem pernas para andar, eu amo, trabalho e
participo da vida na medida em que me integro à sua
finalidade: existir transcendo-me. Simplesmente vivo.
Mesmo ajudado em muitos momentos. Mas recebo ajuda
apenas como ajuda. Não como dependência. Minha
paralisia me faz acreditar sempre na ciência e nos
8
homens. Embora saiba – em razão mesmo da ciência e
dos homens – que a força mais forte esteja na crença em
mim mesmo. (PECCI, 2004, p. 135).
Ao ter consciência dos fatos, o deficiente terá condições de reiniciar sua
vida de outra maneira, buscando também recolocar-se no mercado de trabalho
para custear seu sustento ou retomando os estudos. Para viver em sociedade,
deverá ultrapassar as barreiras arquitetônicas com sua cadeira de rodas e as
do preconceito advindos de outras pessoas ou em si mesmo.
4 PÚBLICO-ALVO
A pesquisa do público-alvo foi feita da aplicação de questionários
quantitativos, em seguida efetuada uma filtragem destes, onde perguntas e
respostas foram selecionadas se adequando a um grupo específico. A partir
daí, segue a fase qualitativa, contendo entrevistas com homens, os quais se
adequavam às enquetes filtradas a fim de aprofundar as observações e
conhecimentos sobre o público.
Somam o total de trinta entrevistados na primeira fase da pesquisa e
quinze na segunda, que contém questões abertas4
, múltipla escolha5
, de
caracterização6
e filtro7
.
Definimos o público-alvo como homens contemporâneos (apreciam viver
sua época atual) de aproximadamente 25 a 40 anos, que buscam
independência financeira para obter uma condição de vida estável, confortável.
Consequentemente, se preocupam em se tornar bem sucedidos em relação ao
trabalho. Os meios de transporte que mais utilizam são o carro próprio e o táxi,
tanto para o trabalho, quanto para se locomover no lazer.
Suas principais preocupações são com a saúde e a aparência física,
portanto praticam esportes e vão à academia com frequência, utilizam alguns
produtos básicos de cuidados com o cabelo, cremes de barbear e uso diário de
perfumes. A alimentação é considerada e procuram ter uma dieta saudável,
4
Dá ao entrevistado a oportunidade de expor seu ponto de vista sem restrições.
5
Pergunta para qual é possível a aceitação de mais de uma alternativa.
6
Usada para identificar as características do entrevistado.
7
Usada para verificar se a pessoa correta está sendo entrevistada.
9
porém não têm o peso como maior preocupação. Nota-se que há um cuidado
com aparência física, mas esta se dá moderadamente.
São homens que fazem parte de um grupo de amigos e sempre
procuram sair acompanhados destes. Outra aspiração desse público é
encontrar uma companheira que possa acompanhá-lo aos lugares e ajudá-lo
nas tarefas do dia a dia.
Para o lazer costumam viajar para lugares para se divertir com os
amigos como, por exemplo, o litoral de São Paulo. Frequentam shoppings para
fazer compras, jantar ou ir ao cinema. Neste último, preferem assistir filmes de
suspense ou ficção científica, no mínimo, duas vezes por mês. Possuem uma
vida noturna ativa, frequentando, aos finais de semana, bares, restaurantes e
casas noturnas. As baladas que mais frequentam são as que estão na moda
no momento, assim como as músicas que escutam, como sertanejo, eletrônica
e pop. Preferem restaurantes modernos, frequentados por jovens, onde haja
música alta e o ambiente se assemelhe às baladas.
Fig. 2: Imagens do público-alvo formado por cadeirantes paraplégicos e não cadeirantes.
Fonte: Acervo do grupo cedido pelos entrevistados.
Uma das preocupações destes homens é com as roupas que estão
vestindo, procurando estar bem arrumados. Entretanto, eles não procuram
informações sobre tendências de moda em sites, revistas e afins, apenas
fazem uso das referências que estão ao seu redor e de influências de amigos,
considerando o design e o conforto das peças aspectos importantes na hora de
10
comprar. Faz uso de acessórios como óculos de sol para compor o look e
compram roupas, no mínimo, uma vez ao mês.
Apreciam tecnologia, possuem alto interesse por inovações, gadgets e
aparelhos eletrônicos. Além disso, possuem smartphones, ficam 24 horas por
dia conectados. Fazem uso de redes sociais (como Facebook) diariamente
para interagir com os amigos, marcar encontros, discutir sobre futebol, lutas e
outros esportes, obter informações de jornais ou portais que costumam ler,
como Folha de São Paulo, Terra e Uol, e para compartilhar os bons momentos
de suas vidas, como, por exemplo, uma promoção no trabalho ou uma nova
namorada. Postam fotos praticando esportes, na academia, no trabalho, na
balada ou realizando outra atividade, em média quatro vezes por semana na
rede social Instagram.
Seus principais medos e dores são a não realização profissional, de não
alcançar independência, ficarem deslocados, excluídos de algum grupo e
envelhecer rápido.
5 PAINEL ICONOGRÁFICO
O painel iconográfico enfatiza desde a questão de inclusão social,
dificuldades encontradas pelos portadores de deficiência no aparelho
locomotor, barreiras arquitetônicas, até sua condição de homem, cadeirante ou
não, que busca viver plenamente.
11
Fig. 3: Imagem do Painel Iconográfico.
6 ELEMENTOS FORMAIS PROJETUAIS
Os elementos formais projetuais da coleção foram desenvolvidos a partir
da ideia de inclusão social.
6.1.1. Cartela de Cores
A cartela escolhida é composta por cores que ilustram o conceito de
inclusão social e de liberdade.
13-4404TC11-0601TC
11-0710TC
17-4427TC
14-4214TC 19-4025TC
12
Cartela Jeans Tavex:
SC 2873
cor: R70
nuance: 743
JD 0888
cor: 591
nuance: 455
JD 092E
cor: 582
nuance: 655
50102A
cor: 559
nuance: 655
JD 092T
cor: 559
nuance: 655
0846
cor: 53H
nuance: 455
6.1.2. Estudo de Formas e Ergonômico
A partir do estudo realizado a respeito da inclusão social, paraplegia e
paraplegia adquirida chegamos a um estudo de formas, onde foi pensado em
cada problema do consumidor e sugerido soluções para aumentar o conforto e
a satisfação do mesmo. Na pesquisa estão presentes formas amplas em
determinadas partes da peça, pensando no conforto do usuário, cós mais alto e
traseiro mais largo para se encaixar melhor ao corpo. Zíperes e outros
aviamentos foram pensados especificamente para facilitar o vestir e o despir do
consumidor. Estes estão estrategicamente colocados para não machuca-los, e
também focando na versatilidade das peças, podendo o usuário fazer uso da
mesma de diversas maneiras.
6.1.3. Estudos de Materiais / Cartela de tecidos
De acordo com as pesquisas teóricas e de campo foram selecionados
malhas e tecidos que ofereçam durabilidade, conforto ao usuário. Temos como
base meia-malha, tricoline, denim e denim com elastano. Os dois últimos foram
cedidos pela empresa Tavex.
13
Fig. 4: Imagens dos tecidos utilizados.
14
6.1.4. Coleção
6.
15
16
Fig. 5: Croquis da coleção
17
6.1.4. Looks Confeccionados
18
Fig. 6: Croquis confeccionados da coleção.
7 CONCEITO IMAGÉTICO
O conceito imagético da coleção traduz de forma abstrata, metafórica e
poética os anseios do público alvo: ser livre, ter autonomia de suas próprias
ações e seguir em frente, independente das frustrações do dia a dia na cidade.
Destas ideias, originou-se um poema que posteriormente, derivou o vídeo
publicitário de divulgação da marca e coleção.
"Ir: verbo intransitivo
Trânsito, transito
Como água de chuva
Que tende aguar a terra,
Transforma a vida,
Rios em que não me repito
E desaguo na imensidão do oceano
Feito gota.
19
Que seja!
Transo!
Pelos sentidos,
Pelos pelos,
Pela pele...
AGORA
Me reconheço
Máquina perfeita
Em conformidade total
No grande formigueiro."
8 IDENTIDADE DA MARCA
De acordo com as pesquisas realizadas com o público alvo, percebeu-se
a necessidade de roupas que não atrapalhassem seus movimentos, mas que
tivessem informação de moda, que fossem esteticamente agradáveis e,
principalmente, casuais, para as atividades corriqueiras do dia-a-dia.
Com base nestes dados foi criada a marca Amber. Calumma Amber é
uma espécie de camaleão que vive na Ilha de Madagascar, na África. Uma de
suas principais características é o mimetismo (suas cores podem variar de
acordo com o ambiente, com a intensidade da luz ou até mesmo com seu
humor). Com isso, camaleões se caracterizam como seres altamente
adaptáveis a diferentes ambientes, e possuem grande capacidade de
camuflagem em seu habitat.8
A Amber tem como propósito oferecer para homens roupas casuais, com
design diferenciado e inovador, que sejam adaptadas e acessíveis às pessoas
com deficiência e vistam diferentes tipos de corpos, independente de suas
condições.
8
Disponível em: http://reptile-
database.reptarium.cz/species?genus=Calumma&species=amber
20
As vendas ocorrerão por meio de uma loja física que se localizará no
Shopping Morumbi, pois, conforme pesquisa de campo, percebeu-se que o
publico alvo dá preferência a lojas de shopping, devido à acessibilidade
oferecida pelo ambiente, e reside na região sul de São Paulo. Além disso este
shopping encontra-se em uma localização estratégica, de fácil acesso pela
Marginal Pinheiros.
A marca investirá em um pós venda eficiente, com serviços de ajustes e
customização de todas as peças da coleção. Os clientes poderão solicitar aos
vendedores o ajuste ou customização, de acordo com suas necessidades, dos
produtos adquiridos por ele. Haverá uma tabela de preços para os serviços
básicos, e os mais complexos passarão por uma análise da equipe de ajustes e
será feito um orçamento baseado nas particularidades de cada serviço. As
peças que sofrerem ajustes básicos serão entregues de volta ao consumidor
em, no máximo, três dias úteis, e as peças com ajustes mais complexos,
dependendo do serviço, poderão ser entregues em até 15 dias úteis.
 Essência da marca:
- Versátil: As roupas da marca podem ser usadas de diversas maneiras e em
diferentes ocasiões.
 Identidade essencial:
- Despojada: Oferece produtos casuais, com design diferenciado.
- Confortável: Se preocupa com o conforto de seus clientes, proporcionando
roupas que não atrapalhem seus movimentos, e visa a satisfação dos mesmos.
- Atenciosa: Sua maior preocupação é o bem estar e a satisfação dos clientes,
por conta disso investe em uma pós venda eficiente.
- Acessível: Os produtos são pensados para se adaptarem a diferentes tipos de
corpos, independente de suas condições físicas, inclusive de pessoas com
deficiências.
 Identidade estendida:
- Atual: Procura sempre estar atualizada com as últimas inovações de moda
inclusiva e de tecnologia.
- Prática: Seus produtos têm como objetivo não limitar os movimentos de seus
consumidores e serem fáceis de usar.
- Contemporânea: A marca possui o espírito da época, levando em
consideração os hábitos e costumes atuais de seus consumidores.
21
- Inovadora: A marca está sempre desenvolvendo produtos inovadores, que
tragam novidades úteis para seus clientes e facilitem a realização de suas
atividades do dia-a-dia.
8.1. Identidade visual
Fig. 7: Logo da marca Amber.
O logo da marca é composto por uma figura de um camaleão mais o
nome Amber, as cores utilizadas são o preto e o amarelo. Âmbar, em
português, é o nome dado à uma cor amarelada, por conta deste fato escolheu-
se a cor amarelo como ponto de destaque para o logo, e o preto para criar
contraste.
9 MODELO DE NEGÓCIO
Modelo de negócio “é a forma como uma organização cria, entrega e
captura valor, seja ele econômico social ou outra forma de valor”
(OSTEWALDER, 2006). Para este projeto foi utilizado o modelo canvas, que é
composto de nove blocos que juntos descrevem as principais partes de um
negócio, são eles.
Bloco 01 – Segmento de cliente:
Homens de classe A e B, que possuam ou não deficiência física,
especificamente paraplegia, que trabalham e possuam vida social ativa.
Bloco 02 – Proposta de valor:
Benefícios funcionais: Os produtos são pensados para todos os tipos de
corpos com suas diferentes particularidades. As roupas vestem tanto pessoas
22
deficientes quanto pessoas não deficientes e ainda, a marca conta com
serviços de customização e ajustes para a roupa de adequar exatamente ao
corpo do cliente. Os produtos têm como objetivo proporcionar maior conforto,
serem práticos de usar e não atrapalhar os movimentos dos usuários.
Benefícios emocionais: Ao comprar uma peça da Amber, o cliente se
sente especial por estar adquirindo um produto de uma marca que foi
desenvolvido a partir de suas necessidades.
Benefícios de auto expressão: Ao usarem a marca os clientes buscam
se auto afirmar como pertencentes de um estilo jovem e despojado.
Bloco 03 – Canais:
Canal direto de distribuição. A empresa será responsável pela entrega
de seus produtos, sem que haja nenhum intermédio no processo de
distribuição.
Motivos: Relacionamento mais próximo com o cliente; Minimização de
custos; Maior controle sobre a cadeia de distribuição.
Canais de comunicação: Site, Facebook, Twitter, Instagram, SACs por
telefone e email.
Bloco 04 – Relacionamento com o cliente:
Assistência pessoal de vendedores no ponto de venda (loja física)
Internet: Redes Sociais onde há forte presença do público alvo.
(Facebook, Instagram, Twitter) e site próprio da marca.
Serviços de atendimento ao cliente por telefone e por email.
Serviços de ajustes e customização das roupas, através de orçamento
feito na própria loja.
Bloco 05 – Fontes de receita:
Venda de roupas por meio de uma loja física própria localizada no
Shopping Morumbi.
23
Bloco 06 – Recursos-chave:
Recursos físicos: Loja, instalações fabris, matéria prima.
Recursos intelectuais: Criação de coleções.
Recursos humanos: Equipe de designers apta a criar coleções com a
mesma identidade, que sirvam tanto para homens com paraplegia, quanto para
os que não a possuem. Equipe de vendas qualificada para atender o público da
marca.
Recursos financeiros: Custo total do projeto = R$ 4.213.240,39.
Bloco 07 – Atividades- chave:
Desenvolver coleções de roupas casuais para homens jovens,
portadores ou não de deficiência física (para este conforme necessidades
especiais), que sejam versáteis e proporcionem maior conforto ao cliente.
Bloco 08 – Parceiros-chave:
Fornecedor de tecido: Tavex, maior produtora mundial do denim, tecido
utilizado para a fabricação do jeans. Possui tecnologia para a criação de
tecidos confortáveis para pessoas portadoras de deficiência física, que sejam
de aparência próxima ao jeans.
Bloco 09 – Estrutura de custos:
Aluguel da loja, marketing, funcionários, infraestrutura, matéria prima.
10 PLANO DE COMUNICAÇÃO
Foi criado um plano de comunicação para o projeto com o objetivo de
apresentar a Amber para seu público alvo e despertar interesse deste para que
conheçam a loja no dia da inauguração e, que a partir disto, se tornem clientes
fieis da marca.
Como mídia principal será desenvolvido um website com visualização/
rolagem horizontal, que funcionará como uma revista para os consumidores da
marca. Neste site, os clientes poderão encontrar diversos assuntos
relacionados aos seus estilos de vida, que englobam informações sobre
24
inclusão social, direitos das pessoas com deficiência, dicas de saúde e beleza,
lugares para sair a noite, orientações sobre como usar os produtos da marca e
os benefícios proporcionados, histórias inspiradoras de pessoas que
superaram problemas na vida e de homens que obtiveram sucesso em suas
carreiras, e, além disso, informações sobre a marca e onde encontrar os
produtos.
Uma página da Amber no Facebook servirá como mídia de apoio
atraindo os clientes para o site, que como comprovado na pesquisa de público
alvo relatada acima, estão presentes diariamente nesta rede social. Com as
funcionalidades do Facebook, os clientes poderão compartilhar a página com
os amigos e assim a marca terá mais visibilidade. Nesta plataforma, também
serão realizadas promoções com os clientes para atrair mais atenção para o
lançamento da marca. Como, por exemplo, “os 100 primeiros que curtirem o
post sobre a loja ganham 10% de desconto na primeira compra no dia da
inauguração”.
As redes sociais Instagram e Twitter também serão usadas para interagir
com os clientes da Amber, criar um relacionamento mais próximo e atrair maior
visibilidade. Na primeira, serão compartilhadas fotos e vídeos dos produtos da
marca e de assuntos que correspondem com os interesses do público; na
segunda, serão compartilhadas informações rápidas e diretas com os
consumidores. É importante ressaltar que todas as redes sociais são
interligadas e conectadas, com o mesmo objetivo de levar o cliente para a
mídia principal que é o website.
Aproximadamente um mês antes da inauguração da loja será enviado
um press-release para a imprensa informando sobre a marca, para portais
como Terra, Globo.com, Folha de São Paulo e Uol, que segundo pesquisa
realizada são os sites de notícia que o público mais acessa. Além disso, uma
parceria será formada com blogs de cadeirantes e/ou pessoas com deficiências
para que estes divulguem a marca em suas plataformas; e o anúncio do
lançamento também será disparado no portal Terra em botão navbar9
em
9
Botão navbar refere-se ao tipo de formato de publicidade localizado nas abas de navegação
do menu de sites. Disponível em: http://publicidade.terra.com.br/index.php/formato/ver/384
25
formato retangular. A divulgação também acontecerá nas páginas da marca no
Facebook, Twitter e Instagram.
A divulgação do vídeo publicitário será feita em salas de cinema em São
Paulo. O período de mostra do vídeo será de três cines semanas, que vão de
sexta-feira até quinta-feira com uma média de inserções de 35 vezes por cine
semana.
11 PROPOSTA IMPULSIONADORA
A proposta impulsionadora da marca será a realização de uma festa
chamada “AmberMove” que acontecerá no clube Royal em São Paulo duas
vezes por ano, antes do lançamento de cada coleção. A escolha da festa se
reflete numa das principais atividades do público-alvo da marca. Durante a
festa será realizada uma ação promocional da marca que consistirá numa tela
touchscreen na qual os clientes, através de um jogo interativo, poderão fazer
combinações com os produtos da marca.
O vídeo publicitário será transmitido durante a festa em um telão
instalado dentro do clube. Os copos, garrafas de bebidas e os ambientes serão
personalizados com a identidade visual da marca e será oferecida uma bebida
exclusiva chamada “amber”. O nome da festa é uma justaposição do nome da
marca com a palavra em inglês “move” que traduz movimento, palavra que faz
parte da identidade essencial da marca. Também será utilizada dentro da festa
a mídia spotwater, uma cortina de névoa (vapor seco) que servirá como tela de
projeção para o logo da marca.
O evento objetiva transgredir as formas tradicionais de publicidade e
permitir que o consumidor tenha o controle de sua experiência com a marca,
estimulando uma carga emocional intensa e comunicando a sua identidade de
marca de uma forma direcionada.
12 ESTRATÉGIAS DE ATENDIMENTO
Pensando na acessibilidade, o projeto da loja física possui características
a fim de que seja um local confortável para o público cadeirante. São estes:
Corredores largos (espaço entre 1,20 m e 1,50m) e portas também mais largas,
26
(com no mínimo, 90 cm de largura); Rampas de acesso e piso sem
irregularidades, para melhor locomoção; As araras e o caixa devem ter a altura
reduzida (média entre 1,10m e 1,20m de altura); Provadores amplos (com pelo
menos 1,50m x 150m), capacitando assim o cadeirante de girar 360º, e com
barras de apoio.
Ainda dentro da loja, percebemos a necessidade de colocar um sofá ou
poltronas de espera fora do provador, já que nem todos os clientes costumam ir
ás compras sozinhos, porém, alguns não precisam que este acompanhante
entre junto no provador.
Além disso, a marca oferece treinamento aos funcionários, para que os
mesmos saibam a maneira correta de atender bem ao público com deficiência,
conforme cartilha anexa.
13 CUSTOS
Para a realização do plano de comunicação citado anteriormente foi
realizado um levantamento de custos com base no Manual de Preços e
Serviços Digitais da APADI - Associação Paulista das Agências Digitais
(ABRADI, 2013) e no Mídia Kit do Portal Terra. Portanto, o investimento inicial
necessário está relacionado abaixo:
SERVIÇO CUSTOS
Planejamento, arquitetura, criação,
implementação e conteúdo
institucional do website
R$ 20.000
Parcerias com blogs R$ 2.000,00
Veiculação do vídeo publicitário no
cinema
R$ 150.000,00
Anúncio no portal Terra.com R$ 100.000
TOTAL R$ 272.000
27
Para a montagem e instalação da loja, de aproximadamente 70m2 que
estará localizada no Shopping Morumbi, apresenta-se os seguintes custos
iniciais:
SERVIÇO CUSTOS
Luva Shopping Morumbi R$ 3.080.000,00
Aluguel loja R$ 46.200,00
Infraestrutura (sistemas de TI etc) R$ 230.00,00
Arquitetura (projeto, reformas etc) R$ 154.000,00
Decoração (moveis etc) R$ 231.000,00
Visual Merchandising R$ 38.500,00
Custos fixos R$ 154.000,00
Equipe R$ 5.760,00
TOTAL R$ 3.939.460,00
Os custos para a produção/confecção das roupas deste projeto estão
relacionados abaixo:
SERVIÇO CUSTOS
Modelagem R$ 800,00
Costura R$ 600,00
Tecidos (Jeans, Flanela, Suedine) R$ 231,07
Aviamentos (Botões, zíper, elástico,
linhas)
R$ 149,32
TOTAL R$ 1.780,39
Portanto, o custo total inicial do projeto, contemplando o plano de
comunicação, o negócio e a confecção das roupas, será de R$ 4.213.240,39.
Nota-se que o custo total inicial para a implementação deste projeto é elevado.
Sem um alto investimento de empresas interessadas a realização do projeto
seria inviável.
28
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir de estudos realizados a respeito da Inclusão Social, Paraplegia e
Paraplegia Adquirida, concluímos a importância da difusão do conhecimento
sobre estes aspectos à sociedade. Quando apresentadas as reais limitações
das pessoas portadoras de deficiência no aparelho locomotor, será mais efetivo
o conviveu harmônico entre ambas e a adoção de políticas públicas que
possam inseri-las, cada vez mais na sociedade. Percebemos que a moda
inclusiva é mais que uma necessidade: é um divisor de águas que permite
verdadeira transformação no modo de ser das pessoas.
Quanto à coleção, percebemos que para produzi-la de maneira inclusiva,
adequando às pesquisas referenciais e ao público alvo, foi importante gerar
todo um processo de experimentações que envolveram estudos de ergonomia
e anatomia, das matérias-primas e o não beneficiamento de tecidos ou peças.
Encontramos nestas algumas dificuldades em não aplicar costuras em locais
tradicionais das roupas, porém, nos programamos para que cada passo fosse
cumprido de acordo com um cronograma.
Desde o início houve a preocupação em estabelecer a identidade da
marca do projeto de acordo com as análises dos costumes do público alvo, que
derivou o conceito imagético da coleção. Foi possível entender, com a
realização deste projeto, as principais necessidades deste público em relação à
experiência de compra no ponto de venda e às estratégias de atendimento
específicas para suas particularidades. Além disso, percebeu-se que este nicho
de mercado possui um alto potencial de consumo, entretanto ainda é pouco
explorado pelas empresas de moda.
Optamos por realizar o ensaio fotográfico em estúdio, facilitando o
processo quanto à escolha de iluminação adequada e para obtermos
resultados mais precisos para a criação do vídeo publicitário.
Percebemos a importância das disciplinas oferecidas durante o semestre
letivo (Documentação Técnica de Moda, Produção de Moda, Modelagem
Plana, Branding, Estratégias Mercadológicas, Gestão do Varejo) e cada uma
29
contribuiu oferecendo maior visibilidade sobre possíveis soluções nas
diferentes etapas do projeto.
Finalizamos, satisfeitas por desenvolvê-lo da maneira como planejamos
e com a certeza que carregaremos a lição de que todos nós somos
responsáveis por transmitir e receber conhecimento para eliminarmos o
preconceito da sociedade. É preciso agir e pensar em um todo.
REFERÊNCIAS
Calumma Amber. Disponível em http://reptile-
database.reptarium.cz/species?genus=Calumma&species=amber. Acessado
em: 20 de outubro de 2013.
Dados da Deficiência. Disponível em: http://www.isocial.com.br/dados-da-
deficiencia.php. Acessado em: 11 setembro de 2013.
GRAVE, Maria de Fátima. A modelagem sob a ótica da ergonomia. São
Paulo: Zennex Publishing, 2004.
FEBRABAN, 2012. Atendendo bem pessoas com deficiência. Disponível
em:
http://www.febraban.org.br/arquivo/cartilha/cartilha_arquivos/cartilha_atendimen
to.pdf. Acessado em 25 de novembro de 2013.
KOVÁCS, M.J. Deficiência adquirida e qualidade de vida - possibilidades
de intervenção psicológica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.
Manual de Convivência. Disponível em:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/Manual_de
_Convivencia_1259846019.pdf. Acessado em: 15 de setembro de 2013.
Manual de preços e serviços digitais da Apadi. Disponível em:
http://www.abradi.com.br/wp-content/themes/abradi/extras/pdfs/manual-de-
precos-e-servicos-digitais-apadi.pdf. Acessado em: 10 de novembro de 2013.
MASINI, E.A.F.S. et al. Deficiência: alternativas de intervenção. São Paulo:
Casa do Psicólogo, 1997. P.95-125.
NOVAES, M. H. Psicologia aplicada à reabilitação. Rio de Janeiro: Imago,
1975.
30
OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business Model Generation. Inovação em
Modelos de Negócios. São Paulo: Alta Books, 2011.
PECCI, João Carlos. Minha profissão é andar. São Paulo: Summus Editorial
Ltda, 1980.
RIBAS, João B. Cintra. O que são pessoas deficientes. São Paulo:
Brasiliense, 2003.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para
todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
TEIXEIRA, Ângela Maria. Vida revirada: o acontecer humano diante da
deficiência adquirida na fase adulta. São Paulo: Juruá, 2010.
Tabela de preços. Disponível em:
http://publicidade.terra.com.br/index.php/precos/index. Acessado em: 10 de
novembro de 2013.
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Intercurso

  • 1. 1 Amber - Moda Inclusiva para Homens Amber - Inclusive Fashion for Men Ana Cláudia Nalini; Barbara Cuevas; Evelin Nicomédio; Fabíola Rampasso; Fernanda Fuini; Gabriela Rodrigues; Gabriella Maldi; Laura Azevedo; Letícia Sarmento; Luanda Jabur; Luiza Cervone; Mariana Scabia; Marília Bondança; Priscyla Bordoni; Viviane Zuim1 Orientadores: Prof. Ms. Eloise Navalon e Prof. Ms. Álvaro Santos Gregório Filho. RESUMO Este projeto faz uma breve abordagem sobre a questão do deficiente físico e sua inclusão na sociedade como cidadão através da Moda. Estudos sobre definições de deficiência locomotora, preconceito e direitos, resultam na proposta de uma moda inclusiva, para todos. Pesquisas de campo foram efetuadas para auxiliar no diagnóstico de um público alvo. O projeto é composto por um modelo de negócios, estratégias de comunicação, identidade da marca, além de doze looks, dos quais seis foram confeccionados e expostos em um ensaio fotográfico. Palavras-chave: Moda, inclusão social, deficiência física, não deficientes, paraplegia, paraplegia adquirida, adaptabilidade, versatilidade. ABSTRACT This project makes a brief discussion about the issue of the physically handicapped and their inclusion in society as citizens. Studies about definitions of physical disability, prejudice and their rights, result in the proposal of an 1 Alunas do 6° semestre dos cursos de graduação Design de Moda e graduação Negócios da Moda, da Universidade Anhembi Morumbi. Endereços eletrônicos: aninha_clau27@hotmail.com; barbara.cuevas@hotmail.com; eve.lin.ha@hotmail.com; fabi.rampasso@outlook.com; fernandafuini@gmail.com; gabriela.rodrigues92@gmail.com; gabriellamaldi@yahoo.com.br; laure_nha@hotmail.com; lelemfs@hotmail.com; luandajabur@gmail.com; luizacervone@hotmail.com; marivaz_scabia@hotmail.com; marilia.bondanca@uol.com.br; pri_bordoni@hotmail.com; vigozuim@gmail.com.
  • 2. 2 inclusive fashion, for everyone. Field surveys were conducted in order to help on diagnosis of a target audience. The project is composed by a business model, communication strategies, brand identity, and twelve looks, from which six were made and displayed in a photo shoot. Keywords: Fashion, social inclusion, physical disability, non-physical handicapped, paraplegia, acquired paraplegia, adaptability, versatility. INTRODUÇÃO O texto deste artigo ilustra a trajetória do projeto intercursos que conta com o tema “Inclusão social: pessoas com deficiência no aparelho locomotor”, onde foram realizados estudos de suas definições e características, passando por questões como o preconceito por parte da sociedade, de fatores históricos dos quais o mesmo deriva, de aspectos legais, além da problemática quanto ao uso de vestuário e as respostas propostas pela moda inclusiva. Paraplegia foi escolhida como subtema, tratando das dificuldades sociais e aspectos ergonômicos. Ao longo das pesquisas referenciais, chegou-se à Paraplegia Adquirida como objeto de estudo, apresentando suas causas, questões psicológicas e sociais enfrentadas pelos portadores dessa variação de deficiência locomotora. Das pesquisas de campo, foi possível identificar as necessidades do público alvo, que originou as concepções de coleção direcionada à homens cadeirantes e não cadeirantes, além da identidade da marca. Ambos buscam satisfazer seus usuários de forma versátil e respeitando as peculiaridades de cada um. Da coleção contendo doze looks, seis foram confeccionados, seguindo informações obtidas durante as etapas do projeto. Posteriormente, foi feito um vídeo publicitário, peça gráfica e ensaio fotográfico para apresentar a marca e sua coleção.
  • 3. 3 1 INCLUSÃO SOCIAL: PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO APARELHO LOCOMOTOR Clemente (2003, p. 17) mostra que conhecer cada tipo de deficiência é um dos primeiros passos para que a sociedade dita “normal” se aproxime das pessoas portadoras e passe a conviver com suas diferenças. Para o autor, deficiência é uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, que leva à necessidade do uso de equipamentos, adaptações, meios e recursos especiais a fim de receber ou transmitir informações necessárias ao desempenho de funções. É possível citar a Paraplegia que é a perda total das funções motoras dos membros inferiores, a Tetraplegia que é perda total das funções motoras dos membros inferiores e superiores, a Ausência de membros inferiores e / ou superiores e a Amputação que é a perda total ou parcial de um determinado membro ou segmento de membro2 . A inclusão social é uma proposta de construção de cidadania para estas pessoas. Para Bartalotti (2006, p. 23), deve haver na sociedade inclusiva todos os segmentos sociais ao transformar um modo de ser, pensar e agir que se torna um processo de mão dupla onde pessoas com deficiência e não deficientes precisam mudar. Esta mudança se dá com a percepção da sociedade e do próprio deficiente sobre suas reais limitações e sua posição como cidadão. É necessário o papel de ambos para a inserção destes à educação, que resulta na conquista da qualificação profissional que, por sua vez, se dá através da acessibilidade: o direito de ir e vir. A explicação para o baixo nível educacional ou para o desemprego de um deficiente não deveria ser buscada nas restrições provocadas pela lesão, mas nas barreiras sociais que limitam a expressão de suas capacidades. (DINIZ. 2003. P. 2) Além de constar na Constituição Federal de 1988, há latente no inconsciente coletivo que “todos são iguais perante a lei (...)” 3 . Este argumento 2 Conceito de Pessoa com Deficiência Física. Disponível em: http://www.abrami.org.br/. 3 Artigo 5º da Constituição Federal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L10098.htm
  • 4. 4 enfatiza os direitos a liberdade e igualdade que remete à autonomia que todos os cidadãos possuem. A questão também é apontada no artigo 3º da Declaração dos Direitos das Pessoas Portadores de Deficiência: Às pessoas portadoras de deficiência, assiste o direito, inerente a todo a qualquer ser humano, de ser respeitado, sejam quais forem seus antecedentes, natureza e severidade de sua deficiência. Elas têm os mesmos direitos que os outros indivíduos da mesma idade, fato que implica desfrutar de vida decente, tão normal quanto possível. (CLEMENTE. 2003. P. 40) Segundo Clemente (2003, p. 19), as pessoas portadoras de necessidades especiais são vítimas de preconceito, da falta de transporte adequado e também de condições de acessibilidade o que, muitas vezes as mantém fora da escola, do mercado de trabalho e dos momentos de lazer, o que resulta no isolamento e falta de convivência com outras pessoas. Os portadores de mobilidades reduzidas também se deparam com a ausência de roupas adaptadas às suas condições. Outra questão é que a moda atua hoje como uma importante ferramenta de expressão da personalidade dos indivíduos, que faz se sentirem inseridos em grupos ou “tribos”. Neste caso, pessoas com deficiências não conseguem usufruí-la como gostariam devido à falta de conforto, praticidade e adaptação para seus corpos, o que anula o poder de escolha para elevação da autoestima. Se levado em conta o fato de que a deficiência física não condiz com os padrões atuais de beleza, pode-se perceber ainda mais a importância que o vestuário representa na vida dessas pessoas. Esses indivíduos fazem mais esforço que as pessoas não deficientes no sentido de se vestirem bem, como uma forma de compensarem a sua deficiência e tentarem amenizar a sensação de fazer parte de um grupo excluído da sociedade. (CARVALHO; WOLTZ. 2008. P. 53)
  • 5. 5 De acordo com relatos de entrevistados paraplégicos para o projeto de intercursos em questão, há uma real carência de roupas especiais, com tecidos mais leves, de toque macio e ausentes de bolsos traseiros, o que evitam feridas pelo corpo. Buscam também roupas de fácil manuseio que facilitem o processo de vestir-se e despir-se: abertura maior na parte superior, bolsos sob as pernas, com fechos nas laterais de velcro ou até mesmo de botões de plástico. Para propor uma solução que concilie as necessidades de adaptação de vestuário e a expressão da identidade do indivíduo, a moda inclusiva busca inseri-lo na sociedade levando em consideração a diversidade humana e os variados tipos de corpos, atendendo as necessidades dos deficientes e não deficientes. Neste caso, o aprofundamento sobre problemas que excluem pessoas portadoras de deficiência requer conhecimentos específicos que trazem à tona o que foi, o que é e o que poderá ser criado para a melhoria da qualidade de vida a todos. O texto a seguir apresenta o cenário da paraplegia e trará maiores detalhes desse caso em particular. 2 PARAPLEGIA Os estudos de Vasconcellos e Ribeiro (2010, p. 75), afirmam que a paraplegia, tanto por consequência de uma lesão medular como por paralisia cerebral, levam famílias a se confrontarem com perdas significativas, que implicam em mudanças de funcionamento e estrutura. Essas mudanças são complexas, demandam uma flexibilidade que não é comum a todas as estruturas familiares. Isso sem falar no fato de que a paraplegia pode se constituir como um fator de risco ao equilíbrio e bem-estar psicológico tanto da família enquanto o sistema como para seus membros.
  • 6. 6 Fig. 1: Imagem de dois cadeirantes paraplégicos. Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/bahia-testa-terapia-com-celulas-tronco-em- paraplegicos Do ponto de vista ergonômico, pessoas paraplégicas possuem particularidades distintas das pessoas não deficientes. Além do fato de permanecerem sentadas devido ao trauma do qual foram submetida, de acordo com Grave (2004, p. 76), há a questão da sensibilidade afetada, as alterações físicas, dificuldades ao vestir-se e procurar roupas apropriadas ao seu estado. Traz consequências também para o funcionamento dos órgãos internos, podendo repercutir na própria sobrevivência do individuo. A adesão à reabilitação esta estreitamente ligada ao engajamento do paciente nos procedimentos de autocuidado, que lhe conferem uma melhor qualidade de vida, tanto sob a óptica física, como psicológica. 3 PARAPLEGIA ADQUIRIDA A paraplegia também pode ser adquirida e, muitas vezes, permanece presente durante toda a vida de seu portador. Para Ribas (2003, p. 28-29), as doenças infecciosas que adultos e crianças podem ter, geram sequelas e estas podem causar a paraplegia. Há também doenças não infecciosas, como hipertensão, que podem acometer derrames e consequentemente a hemiplegia, e as doenças das artérias, que levam às amputações. Ainda há possibilidade de adquirir em acidentes de parto, trabalho, armas de fogo ou trânsito.
  • 7. 7 De acordo com Kovácks (1977, p. 201), a perda de um movimento, desfiguração, dano ou deterioração de uma parte do organismo, alterarão a potencialidade do sujeito, tanto na vida pessoal e afetiva, quanto profissional, podendo relacionar a situação a um processo de perda por morte. Este fato pode dar origem a uma série de sentimentos e reações que se inicia pelo choque, em seguida negação, passando pela raiva, barganha e depressão, até chegar à aceitação. Porém, para Vash (1988, p. 90), as reações dependem de como e quando esta aconteceu, o tipo de deficiência, gravidade, autoestima, recursos internos, apoio familiar, renda, tecnologia disponível, dentre outros. A interrupção da vida dita “normal” na fase adulta atropela planos em todos os contextos vividos, dificultando retornos pela incapacidade transitória de relacionar-se com o próprio corpo. A paralisação dos movimentos inferiores – condição específica do paraplégico – a ausência de mobilidade, o esvaziamento da sensibilidade, a precariedade da sexualidade e descontroles esfincterianos, retomam o adulto, sendo homem grande ou mulher feita, à condição de recém-nascido. (TEIXEIRA. 2010. P. 63). A partir das alterações em seu cotidiano que surge a necessidade de adaptar-se a sua nova condição. Neste caso, Novaes (1975, p. 42) afirma que a reabilitação surge como aliada ao processo, pois visa tanto à recuperação do órgão ou membro afetado, como no resgate pleno do indivíduo, restaurando sua posição ativa e útil à sociedade, buscando o máximo de desenvolvimento e integração nos diversos setores de sua vida. Mesmo sem pernas para andar, eu amo, trabalho e participo da vida na medida em que me integro à sua finalidade: existir transcendo-me. Simplesmente vivo. Mesmo ajudado em muitos momentos. Mas recebo ajuda apenas como ajuda. Não como dependência. Minha paralisia me faz acreditar sempre na ciência e nos
  • 8. 8 homens. Embora saiba – em razão mesmo da ciência e dos homens – que a força mais forte esteja na crença em mim mesmo. (PECCI, 2004, p. 135). Ao ter consciência dos fatos, o deficiente terá condições de reiniciar sua vida de outra maneira, buscando também recolocar-se no mercado de trabalho para custear seu sustento ou retomando os estudos. Para viver em sociedade, deverá ultrapassar as barreiras arquitetônicas com sua cadeira de rodas e as do preconceito advindos de outras pessoas ou em si mesmo. 4 PÚBLICO-ALVO A pesquisa do público-alvo foi feita da aplicação de questionários quantitativos, em seguida efetuada uma filtragem destes, onde perguntas e respostas foram selecionadas se adequando a um grupo específico. A partir daí, segue a fase qualitativa, contendo entrevistas com homens, os quais se adequavam às enquetes filtradas a fim de aprofundar as observações e conhecimentos sobre o público. Somam o total de trinta entrevistados na primeira fase da pesquisa e quinze na segunda, que contém questões abertas4 , múltipla escolha5 , de caracterização6 e filtro7 . Definimos o público-alvo como homens contemporâneos (apreciam viver sua época atual) de aproximadamente 25 a 40 anos, que buscam independência financeira para obter uma condição de vida estável, confortável. Consequentemente, se preocupam em se tornar bem sucedidos em relação ao trabalho. Os meios de transporte que mais utilizam são o carro próprio e o táxi, tanto para o trabalho, quanto para se locomover no lazer. Suas principais preocupações são com a saúde e a aparência física, portanto praticam esportes e vão à academia com frequência, utilizam alguns produtos básicos de cuidados com o cabelo, cremes de barbear e uso diário de perfumes. A alimentação é considerada e procuram ter uma dieta saudável, 4 Dá ao entrevistado a oportunidade de expor seu ponto de vista sem restrições. 5 Pergunta para qual é possível a aceitação de mais de uma alternativa. 6 Usada para identificar as características do entrevistado. 7 Usada para verificar se a pessoa correta está sendo entrevistada.
  • 9. 9 porém não têm o peso como maior preocupação. Nota-se que há um cuidado com aparência física, mas esta se dá moderadamente. São homens que fazem parte de um grupo de amigos e sempre procuram sair acompanhados destes. Outra aspiração desse público é encontrar uma companheira que possa acompanhá-lo aos lugares e ajudá-lo nas tarefas do dia a dia. Para o lazer costumam viajar para lugares para se divertir com os amigos como, por exemplo, o litoral de São Paulo. Frequentam shoppings para fazer compras, jantar ou ir ao cinema. Neste último, preferem assistir filmes de suspense ou ficção científica, no mínimo, duas vezes por mês. Possuem uma vida noturna ativa, frequentando, aos finais de semana, bares, restaurantes e casas noturnas. As baladas que mais frequentam são as que estão na moda no momento, assim como as músicas que escutam, como sertanejo, eletrônica e pop. Preferem restaurantes modernos, frequentados por jovens, onde haja música alta e o ambiente se assemelhe às baladas. Fig. 2: Imagens do público-alvo formado por cadeirantes paraplégicos e não cadeirantes. Fonte: Acervo do grupo cedido pelos entrevistados. Uma das preocupações destes homens é com as roupas que estão vestindo, procurando estar bem arrumados. Entretanto, eles não procuram informações sobre tendências de moda em sites, revistas e afins, apenas fazem uso das referências que estão ao seu redor e de influências de amigos, considerando o design e o conforto das peças aspectos importantes na hora de
  • 10. 10 comprar. Faz uso de acessórios como óculos de sol para compor o look e compram roupas, no mínimo, uma vez ao mês. Apreciam tecnologia, possuem alto interesse por inovações, gadgets e aparelhos eletrônicos. Além disso, possuem smartphones, ficam 24 horas por dia conectados. Fazem uso de redes sociais (como Facebook) diariamente para interagir com os amigos, marcar encontros, discutir sobre futebol, lutas e outros esportes, obter informações de jornais ou portais que costumam ler, como Folha de São Paulo, Terra e Uol, e para compartilhar os bons momentos de suas vidas, como, por exemplo, uma promoção no trabalho ou uma nova namorada. Postam fotos praticando esportes, na academia, no trabalho, na balada ou realizando outra atividade, em média quatro vezes por semana na rede social Instagram. Seus principais medos e dores são a não realização profissional, de não alcançar independência, ficarem deslocados, excluídos de algum grupo e envelhecer rápido. 5 PAINEL ICONOGRÁFICO O painel iconográfico enfatiza desde a questão de inclusão social, dificuldades encontradas pelos portadores de deficiência no aparelho locomotor, barreiras arquitetônicas, até sua condição de homem, cadeirante ou não, que busca viver plenamente.
  • 11. 11 Fig. 3: Imagem do Painel Iconográfico. 6 ELEMENTOS FORMAIS PROJETUAIS Os elementos formais projetuais da coleção foram desenvolvidos a partir da ideia de inclusão social. 6.1.1. Cartela de Cores A cartela escolhida é composta por cores que ilustram o conceito de inclusão social e de liberdade. 13-4404TC11-0601TC 11-0710TC 17-4427TC 14-4214TC 19-4025TC
  • 12. 12 Cartela Jeans Tavex: SC 2873 cor: R70 nuance: 743 JD 0888 cor: 591 nuance: 455 JD 092E cor: 582 nuance: 655 50102A cor: 559 nuance: 655 JD 092T cor: 559 nuance: 655 0846 cor: 53H nuance: 455 6.1.2. Estudo de Formas e Ergonômico A partir do estudo realizado a respeito da inclusão social, paraplegia e paraplegia adquirida chegamos a um estudo de formas, onde foi pensado em cada problema do consumidor e sugerido soluções para aumentar o conforto e a satisfação do mesmo. Na pesquisa estão presentes formas amplas em determinadas partes da peça, pensando no conforto do usuário, cós mais alto e traseiro mais largo para se encaixar melhor ao corpo. Zíperes e outros aviamentos foram pensados especificamente para facilitar o vestir e o despir do consumidor. Estes estão estrategicamente colocados para não machuca-los, e também focando na versatilidade das peças, podendo o usuário fazer uso da mesma de diversas maneiras. 6.1.3. Estudos de Materiais / Cartela de tecidos De acordo com as pesquisas teóricas e de campo foram selecionados malhas e tecidos que ofereçam durabilidade, conforto ao usuário. Temos como base meia-malha, tricoline, denim e denim com elastano. Os dois últimos foram cedidos pela empresa Tavex.
  • 13. 13 Fig. 4: Imagens dos tecidos utilizados.
  • 15. 15
  • 16. 16 Fig. 5: Croquis da coleção
  • 18. 18 Fig. 6: Croquis confeccionados da coleção. 7 CONCEITO IMAGÉTICO O conceito imagético da coleção traduz de forma abstrata, metafórica e poética os anseios do público alvo: ser livre, ter autonomia de suas próprias ações e seguir em frente, independente das frustrações do dia a dia na cidade. Destas ideias, originou-se um poema que posteriormente, derivou o vídeo publicitário de divulgação da marca e coleção. "Ir: verbo intransitivo Trânsito, transito Como água de chuva Que tende aguar a terra, Transforma a vida, Rios em que não me repito E desaguo na imensidão do oceano Feito gota.
  • 19. 19 Que seja! Transo! Pelos sentidos, Pelos pelos, Pela pele... AGORA Me reconheço Máquina perfeita Em conformidade total No grande formigueiro." 8 IDENTIDADE DA MARCA De acordo com as pesquisas realizadas com o público alvo, percebeu-se a necessidade de roupas que não atrapalhassem seus movimentos, mas que tivessem informação de moda, que fossem esteticamente agradáveis e, principalmente, casuais, para as atividades corriqueiras do dia-a-dia. Com base nestes dados foi criada a marca Amber. Calumma Amber é uma espécie de camaleão que vive na Ilha de Madagascar, na África. Uma de suas principais características é o mimetismo (suas cores podem variar de acordo com o ambiente, com a intensidade da luz ou até mesmo com seu humor). Com isso, camaleões se caracterizam como seres altamente adaptáveis a diferentes ambientes, e possuem grande capacidade de camuflagem em seu habitat.8 A Amber tem como propósito oferecer para homens roupas casuais, com design diferenciado e inovador, que sejam adaptadas e acessíveis às pessoas com deficiência e vistam diferentes tipos de corpos, independente de suas condições. 8 Disponível em: http://reptile- database.reptarium.cz/species?genus=Calumma&species=amber
  • 20. 20 As vendas ocorrerão por meio de uma loja física que se localizará no Shopping Morumbi, pois, conforme pesquisa de campo, percebeu-se que o publico alvo dá preferência a lojas de shopping, devido à acessibilidade oferecida pelo ambiente, e reside na região sul de São Paulo. Além disso este shopping encontra-se em uma localização estratégica, de fácil acesso pela Marginal Pinheiros. A marca investirá em um pós venda eficiente, com serviços de ajustes e customização de todas as peças da coleção. Os clientes poderão solicitar aos vendedores o ajuste ou customização, de acordo com suas necessidades, dos produtos adquiridos por ele. Haverá uma tabela de preços para os serviços básicos, e os mais complexos passarão por uma análise da equipe de ajustes e será feito um orçamento baseado nas particularidades de cada serviço. As peças que sofrerem ajustes básicos serão entregues de volta ao consumidor em, no máximo, três dias úteis, e as peças com ajustes mais complexos, dependendo do serviço, poderão ser entregues em até 15 dias úteis.  Essência da marca: - Versátil: As roupas da marca podem ser usadas de diversas maneiras e em diferentes ocasiões.  Identidade essencial: - Despojada: Oferece produtos casuais, com design diferenciado. - Confortável: Se preocupa com o conforto de seus clientes, proporcionando roupas que não atrapalhem seus movimentos, e visa a satisfação dos mesmos. - Atenciosa: Sua maior preocupação é o bem estar e a satisfação dos clientes, por conta disso investe em uma pós venda eficiente. - Acessível: Os produtos são pensados para se adaptarem a diferentes tipos de corpos, independente de suas condições físicas, inclusive de pessoas com deficiências.  Identidade estendida: - Atual: Procura sempre estar atualizada com as últimas inovações de moda inclusiva e de tecnologia. - Prática: Seus produtos têm como objetivo não limitar os movimentos de seus consumidores e serem fáceis de usar. - Contemporânea: A marca possui o espírito da época, levando em consideração os hábitos e costumes atuais de seus consumidores.
  • 21. 21 - Inovadora: A marca está sempre desenvolvendo produtos inovadores, que tragam novidades úteis para seus clientes e facilitem a realização de suas atividades do dia-a-dia. 8.1. Identidade visual Fig. 7: Logo da marca Amber. O logo da marca é composto por uma figura de um camaleão mais o nome Amber, as cores utilizadas são o preto e o amarelo. Âmbar, em português, é o nome dado à uma cor amarelada, por conta deste fato escolheu- se a cor amarelo como ponto de destaque para o logo, e o preto para criar contraste. 9 MODELO DE NEGÓCIO Modelo de negócio “é a forma como uma organização cria, entrega e captura valor, seja ele econômico social ou outra forma de valor” (OSTEWALDER, 2006). Para este projeto foi utilizado o modelo canvas, que é composto de nove blocos que juntos descrevem as principais partes de um negócio, são eles. Bloco 01 – Segmento de cliente: Homens de classe A e B, que possuam ou não deficiência física, especificamente paraplegia, que trabalham e possuam vida social ativa. Bloco 02 – Proposta de valor: Benefícios funcionais: Os produtos são pensados para todos os tipos de corpos com suas diferentes particularidades. As roupas vestem tanto pessoas
  • 22. 22 deficientes quanto pessoas não deficientes e ainda, a marca conta com serviços de customização e ajustes para a roupa de adequar exatamente ao corpo do cliente. Os produtos têm como objetivo proporcionar maior conforto, serem práticos de usar e não atrapalhar os movimentos dos usuários. Benefícios emocionais: Ao comprar uma peça da Amber, o cliente se sente especial por estar adquirindo um produto de uma marca que foi desenvolvido a partir de suas necessidades. Benefícios de auto expressão: Ao usarem a marca os clientes buscam se auto afirmar como pertencentes de um estilo jovem e despojado. Bloco 03 – Canais: Canal direto de distribuição. A empresa será responsável pela entrega de seus produtos, sem que haja nenhum intermédio no processo de distribuição. Motivos: Relacionamento mais próximo com o cliente; Minimização de custos; Maior controle sobre a cadeia de distribuição. Canais de comunicação: Site, Facebook, Twitter, Instagram, SACs por telefone e email. Bloco 04 – Relacionamento com o cliente: Assistência pessoal de vendedores no ponto de venda (loja física) Internet: Redes Sociais onde há forte presença do público alvo. (Facebook, Instagram, Twitter) e site próprio da marca. Serviços de atendimento ao cliente por telefone e por email. Serviços de ajustes e customização das roupas, através de orçamento feito na própria loja. Bloco 05 – Fontes de receita: Venda de roupas por meio de uma loja física própria localizada no Shopping Morumbi.
  • 23. 23 Bloco 06 – Recursos-chave: Recursos físicos: Loja, instalações fabris, matéria prima. Recursos intelectuais: Criação de coleções. Recursos humanos: Equipe de designers apta a criar coleções com a mesma identidade, que sirvam tanto para homens com paraplegia, quanto para os que não a possuem. Equipe de vendas qualificada para atender o público da marca. Recursos financeiros: Custo total do projeto = R$ 4.213.240,39. Bloco 07 – Atividades- chave: Desenvolver coleções de roupas casuais para homens jovens, portadores ou não de deficiência física (para este conforme necessidades especiais), que sejam versáteis e proporcionem maior conforto ao cliente. Bloco 08 – Parceiros-chave: Fornecedor de tecido: Tavex, maior produtora mundial do denim, tecido utilizado para a fabricação do jeans. Possui tecnologia para a criação de tecidos confortáveis para pessoas portadoras de deficiência física, que sejam de aparência próxima ao jeans. Bloco 09 – Estrutura de custos: Aluguel da loja, marketing, funcionários, infraestrutura, matéria prima. 10 PLANO DE COMUNICAÇÃO Foi criado um plano de comunicação para o projeto com o objetivo de apresentar a Amber para seu público alvo e despertar interesse deste para que conheçam a loja no dia da inauguração e, que a partir disto, se tornem clientes fieis da marca. Como mídia principal será desenvolvido um website com visualização/ rolagem horizontal, que funcionará como uma revista para os consumidores da marca. Neste site, os clientes poderão encontrar diversos assuntos relacionados aos seus estilos de vida, que englobam informações sobre
  • 24. 24 inclusão social, direitos das pessoas com deficiência, dicas de saúde e beleza, lugares para sair a noite, orientações sobre como usar os produtos da marca e os benefícios proporcionados, histórias inspiradoras de pessoas que superaram problemas na vida e de homens que obtiveram sucesso em suas carreiras, e, além disso, informações sobre a marca e onde encontrar os produtos. Uma página da Amber no Facebook servirá como mídia de apoio atraindo os clientes para o site, que como comprovado na pesquisa de público alvo relatada acima, estão presentes diariamente nesta rede social. Com as funcionalidades do Facebook, os clientes poderão compartilhar a página com os amigos e assim a marca terá mais visibilidade. Nesta plataforma, também serão realizadas promoções com os clientes para atrair mais atenção para o lançamento da marca. Como, por exemplo, “os 100 primeiros que curtirem o post sobre a loja ganham 10% de desconto na primeira compra no dia da inauguração”. As redes sociais Instagram e Twitter também serão usadas para interagir com os clientes da Amber, criar um relacionamento mais próximo e atrair maior visibilidade. Na primeira, serão compartilhadas fotos e vídeos dos produtos da marca e de assuntos que correspondem com os interesses do público; na segunda, serão compartilhadas informações rápidas e diretas com os consumidores. É importante ressaltar que todas as redes sociais são interligadas e conectadas, com o mesmo objetivo de levar o cliente para a mídia principal que é o website. Aproximadamente um mês antes da inauguração da loja será enviado um press-release para a imprensa informando sobre a marca, para portais como Terra, Globo.com, Folha de São Paulo e Uol, que segundo pesquisa realizada são os sites de notícia que o público mais acessa. Além disso, uma parceria será formada com blogs de cadeirantes e/ou pessoas com deficiências para que estes divulguem a marca em suas plataformas; e o anúncio do lançamento também será disparado no portal Terra em botão navbar9 em 9 Botão navbar refere-se ao tipo de formato de publicidade localizado nas abas de navegação do menu de sites. Disponível em: http://publicidade.terra.com.br/index.php/formato/ver/384
  • 25. 25 formato retangular. A divulgação também acontecerá nas páginas da marca no Facebook, Twitter e Instagram. A divulgação do vídeo publicitário será feita em salas de cinema em São Paulo. O período de mostra do vídeo será de três cines semanas, que vão de sexta-feira até quinta-feira com uma média de inserções de 35 vezes por cine semana. 11 PROPOSTA IMPULSIONADORA A proposta impulsionadora da marca será a realização de uma festa chamada “AmberMove” que acontecerá no clube Royal em São Paulo duas vezes por ano, antes do lançamento de cada coleção. A escolha da festa se reflete numa das principais atividades do público-alvo da marca. Durante a festa será realizada uma ação promocional da marca que consistirá numa tela touchscreen na qual os clientes, através de um jogo interativo, poderão fazer combinações com os produtos da marca. O vídeo publicitário será transmitido durante a festa em um telão instalado dentro do clube. Os copos, garrafas de bebidas e os ambientes serão personalizados com a identidade visual da marca e será oferecida uma bebida exclusiva chamada “amber”. O nome da festa é uma justaposição do nome da marca com a palavra em inglês “move” que traduz movimento, palavra que faz parte da identidade essencial da marca. Também será utilizada dentro da festa a mídia spotwater, uma cortina de névoa (vapor seco) que servirá como tela de projeção para o logo da marca. O evento objetiva transgredir as formas tradicionais de publicidade e permitir que o consumidor tenha o controle de sua experiência com a marca, estimulando uma carga emocional intensa e comunicando a sua identidade de marca de uma forma direcionada. 12 ESTRATÉGIAS DE ATENDIMENTO Pensando na acessibilidade, o projeto da loja física possui características a fim de que seja um local confortável para o público cadeirante. São estes: Corredores largos (espaço entre 1,20 m e 1,50m) e portas também mais largas,
  • 26. 26 (com no mínimo, 90 cm de largura); Rampas de acesso e piso sem irregularidades, para melhor locomoção; As araras e o caixa devem ter a altura reduzida (média entre 1,10m e 1,20m de altura); Provadores amplos (com pelo menos 1,50m x 150m), capacitando assim o cadeirante de girar 360º, e com barras de apoio. Ainda dentro da loja, percebemos a necessidade de colocar um sofá ou poltronas de espera fora do provador, já que nem todos os clientes costumam ir ás compras sozinhos, porém, alguns não precisam que este acompanhante entre junto no provador. Além disso, a marca oferece treinamento aos funcionários, para que os mesmos saibam a maneira correta de atender bem ao público com deficiência, conforme cartilha anexa. 13 CUSTOS Para a realização do plano de comunicação citado anteriormente foi realizado um levantamento de custos com base no Manual de Preços e Serviços Digitais da APADI - Associação Paulista das Agências Digitais (ABRADI, 2013) e no Mídia Kit do Portal Terra. Portanto, o investimento inicial necessário está relacionado abaixo: SERVIÇO CUSTOS Planejamento, arquitetura, criação, implementação e conteúdo institucional do website R$ 20.000 Parcerias com blogs R$ 2.000,00 Veiculação do vídeo publicitário no cinema R$ 150.000,00 Anúncio no portal Terra.com R$ 100.000 TOTAL R$ 272.000
  • 27. 27 Para a montagem e instalação da loja, de aproximadamente 70m2 que estará localizada no Shopping Morumbi, apresenta-se os seguintes custos iniciais: SERVIÇO CUSTOS Luva Shopping Morumbi R$ 3.080.000,00 Aluguel loja R$ 46.200,00 Infraestrutura (sistemas de TI etc) R$ 230.00,00 Arquitetura (projeto, reformas etc) R$ 154.000,00 Decoração (moveis etc) R$ 231.000,00 Visual Merchandising R$ 38.500,00 Custos fixos R$ 154.000,00 Equipe R$ 5.760,00 TOTAL R$ 3.939.460,00 Os custos para a produção/confecção das roupas deste projeto estão relacionados abaixo: SERVIÇO CUSTOS Modelagem R$ 800,00 Costura R$ 600,00 Tecidos (Jeans, Flanela, Suedine) R$ 231,07 Aviamentos (Botões, zíper, elástico, linhas) R$ 149,32 TOTAL R$ 1.780,39 Portanto, o custo total inicial do projeto, contemplando o plano de comunicação, o negócio e a confecção das roupas, será de R$ 4.213.240,39. Nota-se que o custo total inicial para a implementação deste projeto é elevado. Sem um alto investimento de empresas interessadas a realização do projeto seria inviável.
  • 28. 28 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir de estudos realizados a respeito da Inclusão Social, Paraplegia e Paraplegia Adquirida, concluímos a importância da difusão do conhecimento sobre estes aspectos à sociedade. Quando apresentadas as reais limitações das pessoas portadoras de deficiência no aparelho locomotor, será mais efetivo o conviveu harmônico entre ambas e a adoção de políticas públicas que possam inseri-las, cada vez mais na sociedade. Percebemos que a moda inclusiva é mais que uma necessidade: é um divisor de águas que permite verdadeira transformação no modo de ser das pessoas. Quanto à coleção, percebemos que para produzi-la de maneira inclusiva, adequando às pesquisas referenciais e ao público alvo, foi importante gerar todo um processo de experimentações que envolveram estudos de ergonomia e anatomia, das matérias-primas e o não beneficiamento de tecidos ou peças. Encontramos nestas algumas dificuldades em não aplicar costuras em locais tradicionais das roupas, porém, nos programamos para que cada passo fosse cumprido de acordo com um cronograma. Desde o início houve a preocupação em estabelecer a identidade da marca do projeto de acordo com as análises dos costumes do público alvo, que derivou o conceito imagético da coleção. Foi possível entender, com a realização deste projeto, as principais necessidades deste público em relação à experiência de compra no ponto de venda e às estratégias de atendimento específicas para suas particularidades. Além disso, percebeu-se que este nicho de mercado possui um alto potencial de consumo, entretanto ainda é pouco explorado pelas empresas de moda. Optamos por realizar o ensaio fotográfico em estúdio, facilitando o processo quanto à escolha de iluminação adequada e para obtermos resultados mais precisos para a criação do vídeo publicitário. Percebemos a importância das disciplinas oferecidas durante o semestre letivo (Documentação Técnica de Moda, Produção de Moda, Modelagem Plana, Branding, Estratégias Mercadológicas, Gestão do Varejo) e cada uma
  • 29. 29 contribuiu oferecendo maior visibilidade sobre possíveis soluções nas diferentes etapas do projeto. Finalizamos, satisfeitas por desenvolvê-lo da maneira como planejamos e com a certeza que carregaremos a lição de que todos nós somos responsáveis por transmitir e receber conhecimento para eliminarmos o preconceito da sociedade. É preciso agir e pensar em um todo. REFERÊNCIAS Calumma Amber. Disponível em http://reptile- database.reptarium.cz/species?genus=Calumma&species=amber. Acessado em: 20 de outubro de 2013. Dados da Deficiência. Disponível em: http://www.isocial.com.br/dados-da- deficiencia.php. Acessado em: 11 setembro de 2013. GRAVE, Maria de Fátima. A modelagem sob a ótica da ergonomia. São Paulo: Zennex Publishing, 2004. FEBRABAN, 2012. Atendendo bem pessoas com deficiência. Disponível em: http://www.febraban.org.br/arquivo/cartilha/cartilha_arquivos/cartilha_atendimen to.pdf. Acessado em 25 de novembro de 2013. KOVÁCS, M.J. Deficiência adquirida e qualidade de vida - possibilidades de intervenção psicológica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997. Manual de Convivência. Disponível em: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/Manual_de _Convivencia_1259846019.pdf. Acessado em: 15 de setembro de 2013. Manual de preços e serviços digitais da Apadi. Disponível em: http://www.abradi.com.br/wp-content/themes/abradi/extras/pdfs/manual-de- precos-e-servicos-digitais-apadi.pdf. Acessado em: 10 de novembro de 2013. MASINI, E.A.F.S. et al. Deficiência: alternativas de intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997. P.95-125. NOVAES, M. H. Psicologia aplicada à reabilitação. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
  • 30. 30 OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business Model Generation. Inovação em Modelos de Negócios. São Paulo: Alta Books, 2011. PECCI, João Carlos. Minha profissão é andar. São Paulo: Summus Editorial Ltda, 1980. RIBAS, João B. Cintra. O que são pessoas deficientes. São Paulo: Brasiliense, 2003. SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997. TEIXEIRA, Ângela Maria. Vida revirada: o acontecer humano diante da deficiência adquirida na fase adulta. São Paulo: Juruá, 2010. Tabela de preços. Disponível em: http://publicidade.terra.com.br/index.php/precos/index. Acessado em: 10 de novembro de 2013. TEIXEIRA, Ângela Maria. Vida revirada: o acontecer humano diante da deficiência adquirida na fase adulta. São Paulo: Juruá, 2010.