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U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 
EDIFÍCIOS SUSTENTÁVEIS – “GREEN BUILDINGS”: 
REVISÃO DO ESTADO DA ARTE 
Filipe A.D. Moleiro 1, Nuno M.F. Almeida 2 e Susana I.R. Ribeiro 3 
1 Escola Superior de Tecnologia e Gestão - Instituto Politécnico de Leiria; 2110692@my.ipleiria.pt 
2 Escola Superior de Tecnologia e Gestão - Instituto Politécnico de Leiria; 2110760@my.ipleiria.pt 
3 Escola Superior de Tecnologia e Gestão - Instituto Politécnico de Leiria; 2110421@my.ipleiria.pt 
RESUMO: Neste trabalho será feita uma revisão do estado da arte do tema Green Buildings, onde 
será explicado o conceito que está subjacente ao mesmo mas também onde serão identificados 
conceitos que são de alguma forma idênticos (“Net Zero Energy Buildings”,”Passive House”, etc). 
Para materializar estes conceitos será feita uma revisão das ferramentas mais utilizadas para medir, 
quantificar e avaliar os edifícios (LCA, LEED, BREEAM, etc), tendo em conta os parâmetros que 
habitualmente avaliam (eficiência no uso de água, energia, materiais, poluição, resíduos, etc), 
fazendo um apontamento acerca do panorama português. Concluiu-se que esta proliferação de 
conceitos e ferramentas de avaliação conduzem a uma dificuldade acrescida para o esclarecimento 
dos utilizadores, até porque de uma forma genérica almejam o mesmo objetivo geral – a 
sustentabilidade. Relativamente ao aspeto económico, apesar de terem um custo inicial mais elevado, 
de um modo geral estas soluções são vantajosas a médio prazo, mantendo as condições de conforto 
para o qual são projetadas, melhorando a pegada ecológica dos edifícios. Urge uma maior 
disseminação e consciencialização destas práticas junto dos maiores intervenientes no processo 
construtivo, para o qual se recomendam um continuado investimento em investigação, partilha de 
conhecimento, legislação e adoção de práticas construtivas amigas do ambiente e investidores. 
PALAVRAS-CHAVE: Construção sustentável, LCA, LEED, BREEAM, NZEB.
U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 
INTRODUÇÃO 
Ao longo da história da humanidade o Homem tem vindo a desenvolver a sua atividade 
construtiva com base na sua inventividade, recorrendo aos recursos naturais como matéria-prima. 
À medida que os processos construtivos se foram desenvolvendo, novos materiais 
foram sendo introduzidos, novos produtos, máquinas e um sem fim de aplicações no sentido 
de proporcionar não só um local de abrigo, mas acima de tudo um lar – onde todas as 
condições de conforto possam ser preenchidas. Todas estas atividades no entanto, geram 
resíduos, desperdício, perdas energéticas. É referido em vários estudos [1-5], que 
aproximadamente 20-40% de todo o consumo de energia nos países desenvolvidos se deve 
aos edifícios. O impacto negativo dos edifícios estende-se ainda às emissões atmosféricas, 
resíduos sólidos, uso de recursos naturais, uso de água, entre outros [6]. 
Dada a limitada existência de recursos naturais, bem como devido ao impacto negativo 
no ambiente destas atividades, têm sido criadas técnicas, conceitos e até legislação que 
permitem, a partir de energias renováveis e métodos construtivos específicos, criar edifícios 
“amigos do ambiente” (balanço energético positivo e não poluentes), mas também mantendo 
todos os níveis de conforto para o qual são projetados mantendo ainda os níveis de 
investimento e rendibilidade dentro dos parâmetros desejados. Este conceito de ter edifícios 
sustentáveis, de uma forma simplista, aliado a determinados procedimentos é o chamado 
“Green Building”. Este trabalho pretende dar a conhecer o estado da arte deste tema de uma 
forma global, focando ainda o caso português. Para tal serão introduzidos os conceitos deste e 
outros temas que se assemelham a este para que se tenha uma visão global deste assunto e de 
seguida serão introduzidas as ferramentas que estão na base da quantificação da eficiência de 
cada edifício, para que se possa atribuir determinada classificação ao mesmo, classificação 
esta que nos indica se realmente se trata de um Green Building ou não, e se o for, que tipo de 
Green Building (mais ou menos eficiente). Depois da introdução dos conceitos e ferramentas 
será feita uma análise com base em estudos e casos de estudo de vantagens e desvantagens da 
utilização deste conceito. Estes conceitos e métodos são, até ao momento, de aplicação 
voluntária, ou seja, parte da iniciativa dos intervenientes no processo construtivo de optarem 
por usá-los (embora hajam metas ambientais a cumprir pelos países devido às alterações 
climáticas e efeitos de estufa). 
Conforme já foi referido, paralelamente ao conceito do tema em estudo existem outros 
conceitos que em muito se assemelham ou cruzam com o Green Buildings numa ótica de 
sustentabilidade (Fig.1), e que será importante perceber quais são, e como podem acrescentar 
valor ou não.
Fig. 1_Elementos que compõ 
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IPLEIRIA, Maio 2014 
compõem o triângulo da sustentabilidade de um empreendimento 
[7] 
O conceito de sustentabilidade aplicado aos edifícios (Green Building), surge d 
crescente necessidade de minimizar os 
garantindo no entanto um equilíbrio socioeconómico. 
sustentabilidade do processo construtivo 
impactos ambientais, maximizar as condições de confor 
investimento para os promotores e comunidade em geral, e finalmente, levar em consideração 
o ciclo de vida do projeto 
medição de vários parâmetros 
térmica e eficiência dos materiais 
al. [3], adotando estratégias de redução da procura energética, aumento da eficiência 
energética e pela aplicação de técnicas de design passivas. 
mundial – World Green Building Council 
órgãos aderentes existentes em vários países. Estes organismos mediante a avaliação de vários 
parâmetros atribuem uma cotação em forma de pontuação ao edifício avaliado mediante o seu 
desempenho. A título de exemplo, o Green 
parâmetros (management, indoor environmental quality, energy, transport, water, material, 
land use and ecology, emissions, and inovation) separando os edifícios em várias categorias 
(Education, Office, Industrial, Healthcare, Office Interiors, Retail Ce 
Multiunit Residential, Communities, and Interiors) 
conseguidos é atribuída uma classificação: 4 Star (45 
74 pontos – Australian Excelence) e 6 Star (mais de 75 pont 
devido à 
impactos ambientais provocados pela construção, 
Este conceito procura 
ste garantir a 
assentando em 4 vetores principais: minimizar os 
conforto dos ocupantes, 
to retorno do 
[8]. Estas linhas orientadoras são colocadas em prática através da 
parâmetros, entre os quais: : eficiência energética do edifício, performance 
[9], os níveis pretendidos são atingidos, segundo 
, Joelsson et 
Atualmente e 
existe um órgão 
(WGBC), que coordena a atividade dos vários 
Building Council Australia (GBCA) avalia 
9 
Centre, ntre, Public Building e 
Interiors). Mediante o número de pontos 
45-59 pontos – Best Practice), 5 Star (60 
pontos – World Leader) 
60- 
[10]. 
Existem no entanto, outros conceitos que seguem uma idêntica linha de pensamento: 
Os “Net Zero Energy Buildings” Buildings 
(NZEB) são edifícios onde os gastos energéticos anuais 
deverão ser compensados por ganhos energéticos provenientes d 
de e energias renováveis. Ou 
seja, através do uso de energias renováveis conseguir produzir a energia suficiente para 
compensar a energia necessária para consumo. 
eficiência energética dos edifícios (Energy Performa 
até ao final de 2020 todos os edifícios novos deverão ser “nearly zero energy buildings”, ou 
seja, ter um balanço energético praticamente nulo 
Efetivamente a diretiva Europeia relativa à 
Performance of Buildings – 
[11]. 
EPBD) especifica que 
Por outro lado podemos também falar no conceito “Smart Building” 
(Edifício 
Inteligente), também um conceito que existe há vários anos, e que ganhou alguma relevância 
na última década. De uma forma simples, consiste em tirar partido dos vários equipamentos
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tecnológicos existentes que possam munir um edifício de forma a melhorar a sua performance 
energética (aumentando eficiência e logo reduzindo impacto ambiental), e a aumentar o 
conforto dos ocupantes [12]. 
Outro conceito existente é o “Passive House” (casa passiva), que surgiu nos anos 90 
na Alemanha e que consiste na adoção de práticas de projeto e de construção específicas com 
o objetivo de maximizar a eficiência energética dos vários elementos construtivos (paredes, 
tetos, janelas, pavimentos…), bem como das diversas redes instaladas com o propósito de 
minimizar as perdas energéticas. Este conceito incide particular atenção no controlo da 
insulação e pontos de sombreamento, permitindo manter o conforto dos ocupantes (sem 
recurso a equipamentos de aquecimento/arrefecimento) durante maior número de horas, 
reduzindo consequentemente o consumo de recursos energéticos e reduzindo também a 
poluição afeta aos mesmos. Materializando este conceito, a quantificação é posteriormente 
feita, fixando limites para as necessidades energéticas de aquecimento, para as necessidades 
energéticas de arrefecimento, para as necessidades de energia primária, estanquidade ao ar, 
oscilação da temperatura interior e duração do excesso de temperatura. Mais informações 
podem ser consultadas em [13-14]. 
FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO E VALIDAÇÃO DE EDIFÍCIOS 
Para que todos os conceitos anteriormente descritos sejam colocados em prática 
(quantificados/parametrizados), têm sido criadas diversas ferramentas/metodologias que 
permitem avaliar e implementar as medidas preconizadas em cada conceito. Algumas das 
mais comuns internacionalmente são: “Leadership in Energy Environmental Design” (LEED) 
- é um dos sistemas mais utilizados, de origem norte americana, e à semelhança de outros, 
utiliza um software de simulação (Building Performance Simulation – BPS), que lhe permite 
prever as necessidades e performances energéticas dos edifícios. Estes diferentes sistemas de 
avaliação utilizados (LEED ou outros), têm sido alvo de diversos estudos (p.e. [15-17]), no 
sentido de perceber as discrepâncias que apresentam uns face aos outros. O sistema LEED é 
dividido em diferentes áreas de atuação (new construction and major renovations, existing 
buildings, commercial interiors, core and shell, schools, retail, healthcare, homes, 
neighborhood development) e utiliza várias categorias de avaliação, às quais são atribuídas 
pontos: Sustainable site (26 créditos disponíveis), Water efficiency (10 créditos disponíveis), 
Energy and atmosphere (35 créditos disponíveis), Materials and resources (14 créditos 
disponíveis), Indoor environmental quality (15 créditos disponíveis) e Innovation (6 créditos 
disponíveis). Aos pontos totais angariados é atribuída uma classificação (Platinum: >80, 
Gold: 60-79, Silver: 50-59 e Certified: 40-49) [15]. 
Por outro lado existe também o “Building Research Establishment – Environmental 
Assessment Method” (BREEAM) é um sistema semelhante ao LEED, foi criado no Reino 
Unido e é também um sistema bastante disseminado pelo mundo. As suas áreas de atuação 
são várias (New construction, Refurbishment, Code for sustainable homes, Communities, In-use), 
tendo categorias de avaliação às quais são atribuídas pontos e peso face à avaliação final 
(Management, Health and Wellbeing, Energy, Transport, Materials, Waste, Land use and 
ecology, Pollution e Innovation). A classificação final é dividida em vários escalões 
(Outstanding: >85%, Excellent: 70%, Very Good: 55%, Good: 45%, Pass: 30% e 
Unclassified: <30%). [15].
U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 
Os sistemas anteriormente descritos fazem uma avaliação do ciclo de vida dos 
materiais/produtos mais ou menos extensiva quantificando no seu percurso os seus impactos 
ambientais e energéticos, no entanto, existe um conceito que é o “Life Cycle Assessment” 
(LCA), que é utilizado pelos anteriores (mas não na sua plenitude), que é mais extensivo. Ou 
seja, LCA é um sistema de análise e acompanhamento da eficiência de vários aspetos 
(principalmente energéticos e de impacto ambiental), ao longo de todo o ciclo de vida de um 
edifício. O seu âmbito engloba os impactos desde a extração da matéria-prima, passando pela 
manufatura e acabando nos resíduos gerados (na demolição, por exemplo) e métodos 
reciclagem – habitualmente chamado de “cradle to grave”. Mais informação em [4,18]. 
Existem no entanto muitas mais ferramentas similares, utilizadas em todo o mundo: 
Green Building Council of Australia (GBCA – Australia), Green Mark Scheme (Singapura), 
DGNB (Alemanha), Comprehensive Assessment System for Built Environment Efficiency 
(CASBEE, Japão), Pearl Rating System for Estidama (Abu Dhabi Urban Planning Council), 
Lider A (Portugal), SB Tool (Canada, com uma adaptação para português: SB Tool PT), etc. 
Todas utilizam conceitos semelhantes, formas de atuação com as suas características próprias, 
mas que procuram essencialmente objetivos comuns: eficiência energética, menores impactos 
ambientais, manutenção do conforto dos utilizadores, inovação. 
Pode ainda ser questionada a possibilidade de aliar a estas ferramentas conceitos e 
metodologias que estão atualmente em franco crescimento, podendo também acrescentar 
valor ao que já é feito, referimo-nos ao “Building Information Modeling (BIM) – movimento 
que se pretende afirmar como uma mudança de procedimentos desde o projeto à manutenção 
do edifício, procurando incluir em todo este processo informação paramétrica de cada 
elemento construtivo, que maximize a eficiência e minimize os desperdícios/resíduos 
ampliando a comunicação entre todos os intervenientes do processo [19]. É pertinente pensar 
que facilmente este conceito poderá ser utilizado em simbiose com o LEED, BREEAM, ou 
outro similar na obtenção de um Green Building [20], o mesmo acontece com o “Lean 
Construction”, ou seja partindo dos conceitos de gestão de processos produtivos como o “lean 
manufactoring”, dos quais a empresa Ford foi pioneira, ou mesmo o “lean thinking” e 
aplicando estas metodologias à gestão de empreendimentos (projeto – construção – recursos 
humanos – materiais…), chegamos, resumidamente aquilo que chamam Lean Construction. O 
objetivo deste conceito passa (também), por atingir um equilíbrio entre o uso de recursos 
humanos e materiais, permitindo às empresas reduzir custos, eliminar desperdícios e cumprir 
prazos [21]. Mais uma vez podemos depreender que é um conceito que se aproxima do tema 
deste trabalho. 
ANÁLISE QUALITATIVA DO CONCEITO GREENBUILDING E DAS FERRAMENTAS MAIS 
UTILIZADAS PARA A SUA APLICAÇÃO 
Conhecendo agora o tema em questão e o que o rodeia (seja em termos de sinergias 
movimentadas, seja em termos de possíveis sinergias), importa perceber se este conceito é 
realmente viável? Se é efetivamente mais proveitoso? Existem numerosos estudos acerca 
deste tema, em países desenvolvidos e em países em desenvolvimento, estudos que apontam 
as inúmeras vantagens de seguir as pisadas Green Building, estudos relacionados com o 
impacto económico no preço de mercado deste tipo de edifícios, mas também estudos que 
confrontam os custos de uma construção “Green” versus construção tradicional [22-25]. 
Efetivamente a maioria refere vantagens energéticas e ambientais neste tipo de construção,
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apontando um maior custo inicial, mas conseguindo ao longo do tempo ter o retorno 
financeiro [26]. Existem, no entanto, estudos focados na satisfação e conforto dos ocupantes e 
não apenas na eficiência energética/impacto ambiental e que defendem haver uma 
discrepância na perceção da qualidade deste tipo de construção por parte dos seus 
utilizadores. Ou seja, os melhores Green Buildings foram melhor classificados que os 
melhores edifícios convencionais, no entanto entre os piores classificados também se situam 
os Green Buildings, o que mostra haver ainda algum percurso a fazer no que concerne à 
consciencialização dos utilizadores e suas práticas de uso [27-28]. Segundo o estudo realizado 
por Li et al., a China como um dos maiores emissores de dióxido de carbono do mundo, bem 
como um dos maiores consumidores de energia, necessita urgentemente de aderir ao 
movimento Green Building e existem efetivamente, alguns projetos piloto a emergir nesta 
área, mas considera ainda serem pouco significativos e a necessitar de maior divulgação, 
investimento em investigação e legislação [29]. Num caso de estudo realizado em Israel [30], 
conclui-se que um Green Building apresenta um custo inicial mais elevado (até 10%), mas 
que acaba por trazer um retorno financeiro num futuro próximo devido às políticas 
construtivas e ambientais implementadas. 
É pertinente fazer neste ponto um paralelismo entre o que está a ser feito 
internacionalmente com o que está a ser feito em Portugal. Atualmente existem já algumas 
empresas a atuar com estes princípios (adotando por razões várias os diferentes conceitos 
existentes: Green Building, NZEB, Passive House…), e utilizando as várias ferramentas 
disponíveis (LCA, LEED, BREEAM, SB Tool PT ou Lider A, entre outras). A escolha sobre 
o tipo de ferramenta de avaliação a utilizar tem sido objeto de vários estudos [31-34]. Cabeza 
et al. referem que os inúmeros estudos feitos acerca da utilização de LCA têm sido acerca de 
edifícios exemplares, ou seja, já de si edifícios projetados para serem de baixo consumo 
energético focando pouco a aplicação LCA em edifícios tradicionais, bem como uma falta de 
padronização nos métodos de avaliação praticados devido a características intrínsecas aos 
vários países (tipo edifício, clima, regulamentos locais, etc) [4], ou seja torna-se difícil 
padronizar os procedimentos para adaptá-los diretamente a um determinado país, o que 
poderá atrasar a integração dos Green Buildings nesse país. Em [16] refere-se que as várias 
ferramentas são efetivamente muito semelhantes, embora cada uma com suas características 
próprias mas todas têm uma grande subjetividade em alguns campos pois dependem de 
inspeções e opiniões técnicas individuais e defendem ainda que seja qual for a ferramenta 
adotada o critério “Energia” é o que mais peso tem na classificação final.
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Fig. 2_Sonae Maia Business Center – 1º Edifício LEED Gold da Península Ibérica 
No domínio português, podemos dizer que Portugal está alerta, está a inteirar-se destes 
temas, e têm já em fase de crescimento este tipo de construção, embora, o consumidor tenha 
de ser melhor informado, ter uma maior consciência ecológica e abertura tomando ele próprio 
a iniciativa de querer estas soluções. 
CONCLUSÕES 
Procurou-se com este trabalho mostrar o estado da arte do tema ”Green Buildings”, face à sua 
dimensão internacional mas também dar uma perspetiva da sua situação em Portugal. 
Indicaram-se as ferramentas usadas para a implementação destes conceitos e possíveis 
parcerias a fazer. Analisaram-se algumas vantagens e desvantagens desta solução e conclui-se 
que face à necessidade de poupança de recursos naturais que existe atualmente é de facto 
imperioso tomar medidas que minimizem e até mesmo erradiquem os impactos ambientais e 
os resíduos e poluição provocados pela construção e por todos os processos envolvidos com a 
mesma, apesar do custo inicial ser ligeiramente mais elevado é compensatório a prazo. 
Achou-se que a proliferação de conceitos que embora tenham características próprias servem 
basicamente um mesmo propósito (sustentabilidade), e a variedade de nomes acaba por 
confundir o utilizador/consumidor. As ferramentas de avaliação utilizadas são genericamente 
semelhantes, mas destacam-se o LEED e o BREEAM devido à sua maior disseminação. O 
fator “energia” é o mais preponderante na avaliação que é feita aos edifícios e para a 
atribuição da classificação, fator este que acaba por estar intrinsecamente ligado ao aspeto 
ambiental (maior eficiência – menor consumo – menor impacto ambiental), mas também ao 
aspeto socioeconómico (uma vez que infere no conforto do utilizador e nos seus gastos 
financeiros). Deverá ser feito um esforço adicional na divulgação destas práticas junto de 
todos os intervenientes destes processos (público em geral, projetistas, construtores, entidades 
públicas…), de modo a aligeirar e apressar o processo de implementação destas práticas, 
alertando a importância dos vários estudos efetuados bem como reafirmando a necessidade de
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investir em mais estudos para que o conhecimento seja cada vez maior e a sua disseminação 
cada vez mais rápida. 
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  • 1. U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 EDIFÍCIOS SUSTENTÁVEIS – “GREEN BUILDINGS”: REVISÃO DO ESTADO DA ARTE Filipe A.D. Moleiro 1, Nuno M.F. Almeida 2 e Susana I.R. Ribeiro 3 1 Escola Superior de Tecnologia e Gestão - Instituto Politécnico de Leiria; 2110692@my.ipleiria.pt 2 Escola Superior de Tecnologia e Gestão - Instituto Politécnico de Leiria; 2110760@my.ipleiria.pt 3 Escola Superior de Tecnologia e Gestão - Instituto Politécnico de Leiria; 2110421@my.ipleiria.pt RESUMO: Neste trabalho será feita uma revisão do estado da arte do tema Green Buildings, onde será explicado o conceito que está subjacente ao mesmo mas também onde serão identificados conceitos que são de alguma forma idênticos (“Net Zero Energy Buildings”,”Passive House”, etc). Para materializar estes conceitos será feita uma revisão das ferramentas mais utilizadas para medir, quantificar e avaliar os edifícios (LCA, LEED, BREEAM, etc), tendo em conta os parâmetros que habitualmente avaliam (eficiência no uso de água, energia, materiais, poluição, resíduos, etc), fazendo um apontamento acerca do panorama português. Concluiu-se que esta proliferação de conceitos e ferramentas de avaliação conduzem a uma dificuldade acrescida para o esclarecimento dos utilizadores, até porque de uma forma genérica almejam o mesmo objetivo geral – a sustentabilidade. Relativamente ao aspeto económico, apesar de terem um custo inicial mais elevado, de um modo geral estas soluções são vantajosas a médio prazo, mantendo as condições de conforto para o qual são projetadas, melhorando a pegada ecológica dos edifícios. Urge uma maior disseminação e consciencialização destas práticas junto dos maiores intervenientes no processo construtivo, para o qual se recomendam um continuado investimento em investigação, partilha de conhecimento, legislação e adoção de práticas construtivas amigas do ambiente e investidores. PALAVRAS-CHAVE: Construção sustentável, LCA, LEED, BREEAM, NZEB.
  • 2. U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 INTRODUÇÃO Ao longo da história da humanidade o Homem tem vindo a desenvolver a sua atividade construtiva com base na sua inventividade, recorrendo aos recursos naturais como matéria-prima. À medida que os processos construtivos se foram desenvolvendo, novos materiais foram sendo introduzidos, novos produtos, máquinas e um sem fim de aplicações no sentido de proporcionar não só um local de abrigo, mas acima de tudo um lar – onde todas as condições de conforto possam ser preenchidas. Todas estas atividades no entanto, geram resíduos, desperdício, perdas energéticas. É referido em vários estudos [1-5], que aproximadamente 20-40% de todo o consumo de energia nos países desenvolvidos se deve aos edifícios. O impacto negativo dos edifícios estende-se ainda às emissões atmosféricas, resíduos sólidos, uso de recursos naturais, uso de água, entre outros [6]. Dada a limitada existência de recursos naturais, bem como devido ao impacto negativo no ambiente destas atividades, têm sido criadas técnicas, conceitos e até legislação que permitem, a partir de energias renováveis e métodos construtivos específicos, criar edifícios “amigos do ambiente” (balanço energético positivo e não poluentes), mas também mantendo todos os níveis de conforto para o qual são projetados mantendo ainda os níveis de investimento e rendibilidade dentro dos parâmetros desejados. Este conceito de ter edifícios sustentáveis, de uma forma simplista, aliado a determinados procedimentos é o chamado “Green Building”. Este trabalho pretende dar a conhecer o estado da arte deste tema de uma forma global, focando ainda o caso português. Para tal serão introduzidos os conceitos deste e outros temas que se assemelham a este para que se tenha uma visão global deste assunto e de seguida serão introduzidas as ferramentas que estão na base da quantificação da eficiência de cada edifício, para que se possa atribuir determinada classificação ao mesmo, classificação esta que nos indica se realmente se trata de um Green Building ou não, e se o for, que tipo de Green Building (mais ou menos eficiente). Depois da introdução dos conceitos e ferramentas será feita uma análise com base em estudos e casos de estudo de vantagens e desvantagens da utilização deste conceito. Estes conceitos e métodos são, até ao momento, de aplicação voluntária, ou seja, parte da iniciativa dos intervenientes no processo construtivo de optarem por usá-los (embora hajam metas ambientais a cumprir pelos países devido às alterações climáticas e efeitos de estufa). Conforme já foi referido, paralelamente ao conceito do tema em estudo existem outros conceitos que em muito se assemelham ou cruzam com o Green Buildings numa ótica de sustentabilidade (Fig.1), e que será importante perceber quais são, e como podem acrescentar valor ou não.
  • 3. Fig. 1_Elementos que compõ U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA IPLEIRIA, Maio 2014 compõem o triângulo da sustentabilidade de um empreendimento [7] O conceito de sustentabilidade aplicado aos edifícios (Green Building), surge d crescente necessidade de minimizar os garantindo no entanto um equilíbrio socioeconómico. sustentabilidade do processo construtivo impactos ambientais, maximizar as condições de confor investimento para os promotores e comunidade em geral, e finalmente, levar em consideração o ciclo de vida do projeto medição de vários parâmetros térmica e eficiência dos materiais al. [3], adotando estratégias de redução da procura energética, aumento da eficiência energética e pela aplicação de técnicas de design passivas. mundial – World Green Building Council órgãos aderentes existentes em vários países. Estes organismos mediante a avaliação de vários parâmetros atribuem uma cotação em forma de pontuação ao edifício avaliado mediante o seu desempenho. A título de exemplo, o Green parâmetros (management, indoor environmental quality, energy, transport, water, material, land use and ecology, emissions, and inovation) separando os edifícios em várias categorias (Education, Office, Industrial, Healthcare, Office Interiors, Retail Ce Multiunit Residential, Communities, and Interiors) conseguidos é atribuída uma classificação: 4 Star (45 74 pontos – Australian Excelence) e 6 Star (mais de 75 pont devido à impactos ambientais provocados pela construção, Este conceito procura ste garantir a assentando em 4 vetores principais: minimizar os conforto dos ocupantes, to retorno do [8]. Estas linhas orientadoras são colocadas em prática através da parâmetros, entre os quais: : eficiência energética do edifício, performance [9], os níveis pretendidos são atingidos, segundo , Joelsson et Atualmente e existe um órgão (WGBC), que coordena a atividade dos vários Building Council Australia (GBCA) avalia 9 Centre, ntre, Public Building e Interiors). Mediante o número de pontos 45-59 pontos – Best Practice), 5 Star (60 pontos – World Leader) 60- [10]. Existem no entanto, outros conceitos que seguem uma idêntica linha de pensamento: Os “Net Zero Energy Buildings” Buildings (NZEB) são edifícios onde os gastos energéticos anuais deverão ser compensados por ganhos energéticos provenientes d de e energias renováveis. Ou seja, através do uso de energias renováveis conseguir produzir a energia suficiente para compensar a energia necessária para consumo. eficiência energética dos edifícios (Energy Performa até ao final de 2020 todos os edifícios novos deverão ser “nearly zero energy buildings”, ou seja, ter um balanço energético praticamente nulo Efetivamente a diretiva Europeia relativa à Performance of Buildings – [11]. EPBD) especifica que Por outro lado podemos também falar no conceito “Smart Building” (Edifício Inteligente), também um conceito que existe há vários anos, e que ganhou alguma relevância na última década. De uma forma simples, consiste em tirar partido dos vários equipamentos
  • 4. U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 tecnológicos existentes que possam munir um edifício de forma a melhorar a sua performance energética (aumentando eficiência e logo reduzindo impacto ambiental), e a aumentar o conforto dos ocupantes [12]. Outro conceito existente é o “Passive House” (casa passiva), que surgiu nos anos 90 na Alemanha e que consiste na adoção de práticas de projeto e de construção específicas com o objetivo de maximizar a eficiência energética dos vários elementos construtivos (paredes, tetos, janelas, pavimentos…), bem como das diversas redes instaladas com o propósito de minimizar as perdas energéticas. Este conceito incide particular atenção no controlo da insulação e pontos de sombreamento, permitindo manter o conforto dos ocupantes (sem recurso a equipamentos de aquecimento/arrefecimento) durante maior número de horas, reduzindo consequentemente o consumo de recursos energéticos e reduzindo também a poluição afeta aos mesmos. Materializando este conceito, a quantificação é posteriormente feita, fixando limites para as necessidades energéticas de aquecimento, para as necessidades energéticas de arrefecimento, para as necessidades de energia primária, estanquidade ao ar, oscilação da temperatura interior e duração do excesso de temperatura. Mais informações podem ser consultadas em [13-14]. FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO E VALIDAÇÃO DE EDIFÍCIOS Para que todos os conceitos anteriormente descritos sejam colocados em prática (quantificados/parametrizados), têm sido criadas diversas ferramentas/metodologias que permitem avaliar e implementar as medidas preconizadas em cada conceito. Algumas das mais comuns internacionalmente são: “Leadership in Energy Environmental Design” (LEED) - é um dos sistemas mais utilizados, de origem norte americana, e à semelhança de outros, utiliza um software de simulação (Building Performance Simulation – BPS), que lhe permite prever as necessidades e performances energéticas dos edifícios. Estes diferentes sistemas de avaliação utilizados (LEED ou outros), têm sido alvo de diversos estudos (p.e. [15-17]), no sentido de perceber as discrepâncias que apresentam uns face aos outros. O sistema LEED é dividido em diferentes áreas de atuação (new construction and major renovations, existing buildings, commercial interiors, core and shell, schools, retail, healthcare, homes, neighborhood development) e utiliza várias categorias de avaliação, às quais são atribuídas pontos: Sustainable site (26 créditos disponíveis), Water efficiency (10 créditos disponíveis), Energy and atmosphere (35 créditos disponíveis), Materials and resources (14 créditos disponíveis), Indoor environmental quality (15 créditos disponíveis) e Innovation (6 créditos disponíveis). Aos pontos totais angariados é atribuída uma classificação (Platinum: >80, Gold: 60-79, Silver: 50-59 e Certified: 40-49) [15]. Por outro lado existe também o “Building Research Establishment – Environmental Assessment Method” (BREEAM) é um sistema semelhante ao LEED, foi criado no Reino Unido e é também um sistema bastante disseminado pelo mundo. As suas áreas de atuação são várias (New construction, Refurbishment, Code for sustainable homes, Communities, In-use), tendo categorias de avaliação às quais são atribuídas pontos e peso face à avaliação final (Management, Health and Wellbeing, Energy, Transport, Materials, Waste, Land use and ecology, Pollution e Innovation). A classificação final é dividida em vários escalões (Outstanding: >85%, Excellent: 70%, Very Good: 55%, Good: 45%, Pass: 30% e Unclassified: <30%). [15].
  • 5. U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 Os sistemas anteriormente descritos fazem uma avaliação do ciclo de vida dos materiais/produtos mais ou menos extensiva quantificando no seu percurso os seus impactos ambientais e energéticos, no entanto, existe um conceito que é o “Life Cycle Assessment” (LCA), que é utilizado pelos anteriores (mas não na sua plenitude), que é mais extensivo. Ou seja, LCA é um sistema de análise e acompanhamento da eficiência de vários aspetos (principalmente energéticos e de impacto ambiental), ao longo de todo o ciclo de vida de um edifício. O seu âmbito engloba os impactos desde a extração da matéria-prima, passando pela manufatura e acabando nos resíduos gerados (na demolição, por exemplo) e métodos reciclagem – habitualmente chamado de “cradle to grave”. Mais informação em [4,18]. Existem no entanto muitas mais ferramentas similares, utilizadas em todo o mundo: Green Building Council of Australia (GBCA – Australia), Green Mark Scheme (Singapura), DGNB (Alemanha), Comprehensive Assessment System for Built Environment Efficiency (CASBEE, Japão), Pearl Rating System for Estidama (Abu Dhabi Urban Planning Council), Lider A (Portugal), SB Tool (Canada, com uma adaptação para português: SB Tool PT), etc. Todas utilizam conceitos semelhantes, formas de atuação com as suas características próprias, mas que procuram essencialmente objetivos comuns: eficiência energética, menores impactos ambientais, manutenção do conforto dos utilizadores, inovação. Pode ainda ser questionada a possibilidade de aliar a estas ferramentas conceitos e metodologias que estão atualmente em franco crescimento, podendo também acrescentar valor ao que já é feito, referimo-nos ao “Building Information Modeling (BIM) – movimento que se pretende afirmar como uma mudança de procedimentos desde o projeto à manutenção do edifício, procurando incluir em todo este processo informação paramétrica de cada elemento construtivo, que maximize a eficiência e minimize os desperdícios/resíduos ampliando a comunicação entre todos os intervenientes do processo [19]. É pertinente pensar que facilmente este conceito poderá ser utilizado em simbiose com o LEED, BREEAM, ou outro similar na obtenção de um Green Building [20], o mesmo acontece com o “Lean Construction”, ou seja partindo dos conceitos de gestão de processos produtivos como o “lean manufactoring”, dos quais a empresa Ford foi pioneira, ou mesmo o “lean thinking” e aplicando estas metodologias à gestão de empreendimentos (projeto – construção – recursos humanos – materiais…), chegamos, resumidamente aquilo que chamam Lean Construction. O objetivo deste conceito passa (também), por atingir um equilíbrio entre o uso de recursos humanos e materiais, permitindo às empresas reduzir custos, eliminar desperdícios e cumprir prazos [21]. Mais uma vez podemos depreender que é um conceito que se aproxima do tema deste trabalho. ANÁLISE QUALITATIVA DO CONCEITO GREENBUILDING E DAS FERRAMENTAS MAIS UTILIZADAS PARA A SUA APLICAÇÃO Conhecendo agora o tema em questão e o que o rodeia (seja em termos de sinergias movimentadas, seja em termos de possíveis sinergias), importa perceber se este conceito é realmente viável? Se é efetivamente mais proveitoso? Existem numerosos estudos acerca deste tema, em países desenvolvidos e em países em desenvolvimento, estudos que apontam as inúmeras vantagens de seguir as pisadas Green Building, estudos relacionados com o impacto económico no preço de mercado deste tipo de edifícios, mas também estudos que confrontam os custos de uma construção “Green” versus construção tradicional [22-25]. Efetivamente a maioria refere vantagens energéticas e ambientais neste tipo de construção,
  • 6. U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 apontando um maior custo inicial, mas conseguindo ao longo do tempo ter o retorno financeiro [26]. Existem, no entanto, estudos focados na satisfação e conforto dos ocupantes e não apenas na eficiência energética/impacto ambiental e que defendem haver uma discrepância na perceção da qualidade deste tipo de construção por parte dos seus utilizadores. Ou seja, os melhores Green Buildings foram melhor classificados que os melhores edifícios convencionais, no entanto entre os piores classificados também se situam os Green Buildings, o que mostra haver ainda algum percurso a fazer no que concerne à consciencialização dos utilizadores e suas práticas de uso [27-28]. Segundo o estudo realizado por Li et al., a China como um dos maiores emissores de dióxido de carbono do mundo, bem como um dos maiores consumidores de energia, necessita urgentemente de aderir ao movimento Green Building e existem efetivamente, alguns projetos piloto a emergir nesta área, mas considera ainda serem pouco significativos e a necessitar de maior divulgação, investimento em investigação e legislação [29]. Num caso de estudo realizado em Israel [30], conclui-se que um Green Building apresenta um custo inicial mais elevado (até 10%), mas que acaba por trazer um retorno financeiro num futuro próximo devido às políticas construtivas e ambientais implementadas. É pertinente fazer neste ponto um paralelismo entre o que está a ser feito internacionalmente com o que está a ser feito em Portugal. Atualmente existem já algumas empresas a atuar com estes princípios (adotando por razões várias os diferentes conceitos existentes: Green Building, NZEB, Passive House…), e utilizando as várias ferramentas disponíveis (LCA, LEED, BREEAM, SB Tool PT ou Lider A, entre outras). A escolha sobre o tipo de ferramenta de avaliação a utilizar tem sido objeto de vários estudos [31-34]. Cabeza et al. referem que os inúmeros estudos feitos acerca da utilização de LCA têm sido acerca de edifícios exemplares, ou seja, já de si edifícios projetados para serem de baixo consumo energético focando pouco a aplicação LCA em edifícios tradicionais, bem como uma falta de padronização nos métodos de avaliação praticados devido a características intrínsecas aos vários países (tipo edifício, clima, regulamentos locais, etc) [4], ou seja torna-se difícil padronizar os procedimentos para adaptá-los diretamente a um determinado país, o que poderá atrasar a integração dos Green Buildings nesse país. Em [16] refere-se que as várias ferramentas são efetivamente muito semelhantes, embora cada uma com suas características próprias mas todas têm uma grande subjetividade em alguns campos pois dependem de inspeções e opiniões técnicas individuais e defendem ainda que seja qual for a ferramenta adotada o critério “Energia” é o que mais peso tem na classificação final.
  • 7. U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 Fig. 2_Sonae Maia Business Center – 1º Edifício LEED Gold da Península Ibérica No domínio português, podemos dizer que Portugal está alerta, está a inteirar-se destes temas, e têm já em fase de crescimento este tipo de construção, embora, o consumidor tenha de ser melhor informado, ter uma maior consciência ecológica e abertura tomando ele próprio a iniciativa de querer estas soluções. CONCLUSÕES Procurou-se com este trabalho mostrar o estado da arte do tema ”Green Buildings”, face à sua dimensão internacional mas também dar uma perspetiva da sua situação em Portugal. Indicaram-se as ferramentas usadas para a implementação destes conceitos e possíveis parcerias a fazer. Analisaram-se algumas vantagens e desvantagens desta solução e conclui-se que face à necessidade de poupança de recursos naturais que existe atualmente é de facto imperioso tomar medidas que minimizem e até mesmo erradiquem os impactos ambientais e os resíduos e poluição provocados pela construção e por todos os processos envolvidos com a mesma, apesar do custo inicial ser ligeiramente mais elevado é compensatório a prazo. Achou-se que a proliferação de conceitos que embora tenham características próprias servem basicamente um mesmo propósito (sustentabilidade), e a variedade de nomes acaba por confundir o utilizador/consumidor. As ferramentas de avaliação utilizadas são genericamente semelhantes, mas destacam-se o LEED e o BREEAM devido à sua maior disseminação. O fator “energia” é o mais preponderante na avaliação que é feita aos edifícios e para a atribuição da classificação, fator este que acaba por estar intrinsecamente ligado ao aspeto ambiental (maior eficiência – menor consumo – menor impacto ambiental), mas também ao aspeto socioeconómico (uma vez que infere no conforto do utilizador e nos seus gastos financeiros). Deverá ser feito um esforço adicional na divulgação destas práticas junto de todos os intervenientes destes processos (público em geral, projetistas, construtores, entidades públicas…), de modo a aligeirar e apressar o processo de implementação destas práticas, alertando a importância dos vários estudos efetuados bem como reafirmando a necessidade de
  • 8. U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 investir em mais estudos para que o conhecimento seja cada vez maior e a sua disseminação cada vez mais rápida. REFERÊNCIAS [1] Hoseini AHG, Dahlan ND, Berardi U, Hoseini AG, Makaremi N, Hoseini G. 2013. Sustainable energy performances of green buildings: A review of current theories, implementations and challenges. Renewable and Sustainable Energy Reviews. 25. pp.1-17. [2] Yang RJ, Zou PXW. 2014. Stakeholder – associated risks and their interactions in complex green building projects: A social network model. Building and Environment. 73. pp.208-222. [3] Joelssen A, Gustavsson L, 2009. District heating and energy efficiency in detached houses of differing size and construction. Applied Energy. 86(2). pp.126-134. [4] Cabeza LF, Rincón L, Vilariño V, Pérez G, Castell A.2014. Life cycle assessment (LCA) and life cycle energy analysis (LCEA) of buildings and the building sector: A review. Renewable and Sustainable Energy Reviews. 29. pp.394-416. [5] Vatalis KI, Manoliadis O, Charalampides G, Platias S, Savvidis S. 2013. Sustainability componentes affecting decisions for green building projects. Procedia Economics and Finance. 5. pp. 747-756. [6] Levin H. 1997. Systematic evaluation and assessment of building Environmental performance (SEABEP). Paper for presentation to “Building and Environment”. pp.9-12. [7] Alnaser, NW, Flanagan R, Alnaser WE. 2008. Model for calculating the sustainable building index (SBI) in the kingdom of Bahrain. Energy and Buildings. 40(11). pp.2037- 2043. [8] Robichaud L, Anantatmula V. 2011. Greening Project Management Practices for Sustainable Construction., J. Manage. Eng., 27(1). pp.48–57. [9] Mwasha A, Williams RG, Iwaro J. 2011. Modeling the performance of residential building envelope: The role of sustainable energy performance indicators. Energy and Buildings. 43(9). pp.2108-2117. [10] Zuo J, Zhao ZY.2014. Green building research-current status and future agenda: A review. Renewable and Sustainable Energy Reviews. 30. pp.271-281.
  • 9. U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 [11] Mohamed A, Hasan A, Sirén K. 2014. Fulfillment of net-zero energy building (NZEB) with four metrics in a single family house with different heating alternatives. Applied Energy. 114. pp.385-399. [12] Ozkan NB, Davidson R, Bicket M, Whitmarsh L. 2013. Social barriers to the adoption os smart homes. Energy Policy. 63. pp.363-374. [13] Galvin R. 2014. Are passive houses economically viable? A reality-based, subjectivist approach to cost-benefit analyses. Energy and Buildings. (In Press, Accepted Manuscript). [14] Rohdin P, Molin A, Moshfegh B. 2014. Experiences from nine passive houses in Sweden – Indoor thermal environment and energy use. Building an Environment. 71. pp.176-185. [15] Schwartz Y, Raslan R. 2013. Variations in results of building energy simulation tools, and their impact on BREEM and LEED ratings: A case study. Energy and Buildings. 62. pp.350-359. [16] Ferreira J, Pinheiro MD, Brito J. 2014. Portuguese sustainable construction assessment tools benchmarked with BREEAM and LEED: An energy analysis. Energy and Buildings. 69. pp.451-463. [17] Lee WL, Burnett J. 2008. Benchmarking energy use assessment ok HK-BEAM, BREEAM and LEED. Building and Environment. 43. pp.1882-1891. [18] Joshi S.1999. Product environmental life-cycle assessment using input-output techniques. Journal of Industrial Ecology. 3(2-3). pp.95-120. [19] Volk R, Stengel J, Schultmann F. 2014. Building Information Modeling (BIM) for existing buildings – Literature review and future needs. Automation in Construction. 38. pp.109-127. [20] Azhar S, Carlton WA, Olsen D, Ahmad I. 2011. Building information modeling for sustainable design and LEED rating analysis. Automation in Construction. 20(2). pp.217-224. [21] Marhani MA, Jaapar A, Bari NAAB, ZM. 2013. Sustainability through construction approach: A literature review. Procedia – Social and Behavioral Sciences. 101. pp.90-99. [22] Bianchini F, Hewage K. 2012. How “green” are the green roofs? Lifecycle analysis of green roof materials. Building and Environment. 48. pp.57-65. [23] Feng H, Hewage K. 2014. Energy saving performance of green vegetation on LEED certified buidings. Energy and Buildings. 75. pp.281-289. [24] Popescu D, Bienert S, Schützenhofer C, Boazu R. 2012. Impact of energy efficiency measures on the economic value of buildings. Applied Energy. 89(1). pp.454-463. [25] Gou Z, Lau SSYL, Zhang Z. 2012. A comparison of indoor environmental satisfaction between two green buildings and conventional building in China. Journal of Green Building. 7(2). pp.89-104.
  • 10. U.C. de Seminário - ESTG/IPLEIRIA, Maio 2014 [26] Ross A, Alcalá ML, Small III AA. 2007. Modeling the Private Financial Returns from Green Building Investments. Journal of Green Building. 2(1). pp.97-105. [27] Gou Z, Prasad D, Lau SSY. 2013. Are green buildings more satisfactory and comfortable? Habitat International. 39. pp.156-161. [28] Deuble MP, Dear RJ de. 2012. Green occupants for green buildings. The missing link? Building and Environment. 56. pp.21-27. [29] Li Y, Yang L, He B, Zhao D. 2014. Green building in China: Needs great promotion. Sustainable Cities and Society. 11. pp.1-6. [30] Gabay H, Meir IA, Schwartz M, Werzberger E. 2014. Cost-benefit analysis of green buildings: An Israeli office buildings case study. Energy and Buildings. 76. pp.558-564. [31] Mateus R, Neiva S, Bragança L, Mendonça P, Macieira M. 2013. Sustainability assessment of an innovative lightweight building technology for partition walls – Comparison with conventional technologies. Building and Environment. 67. pp.147-159. [32] Panão MJNO. 2014. Revisiting cooling energy requirements of residential buildings in Portugal in light of climate change. Energy and Buildings. 76. pp.354-362. [33] Asadi E, Costa JJ, Silva MG. 2011. Indoor air quality audit implementation in a hotel building in Portugal. Building and Environment. 46(8). pp.1617-1623. [34] Aelenei L, Gonçalves H. 2014. From solar building design to zero energy buildings: Performance insights of an office building. Energy Procedia. 48. pp.1236-1243.