VENDA PROIBIDA
geografia
VESTIBULAR+ENEM2018
W W W . G U I A D O E S T U D A N T E . C O M . B R
VENDA PROIBIDA
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Fundadaem1950
VICTORCIVITA ROBERTOCIVITA
(1907-1990) (1936-2013)
ConselhoEditorial:VictorCivitaNeto(Presidente),ThomazSoutoCôrrea(Vice-Presidente),
AlecsandraZapparoli, GiancarloCivitaeJoséRobertoGuzzo
PresidentedoGrupoAbril: WalterLongo
DiretoraEditorialePublisherdaAbril:AlecsandraZapparoli
DiretordeOperações: FábioPetrossiGallo
DiretordeAssinaturas:RicardoPerez
DiretoradaCasaCor:LíviaPedreira
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DiretorEditorial–EstilodeVida:SérgioGwercman
DiretordeRedação:FabioVolpe
Diretor de Arte: Fábio Bosquê Editores: Ana Prado, Fábio Akio Sasaki, Lisandra Matias, Paulo Montoia
Repórter: Ana Lourenço Analista de Informações Gerenciais: Simone Chaves de Toledo Analista de
Informações Gerenciais Jr.: Maria Fernanda Teperdgian Designers: Dânue Falcão, Vitor Inoue Estagiários:
Giovanna Fontenelle, Marcela Coelho, Sophia Kraenkel Atendimento ao Leitor: Sandra Hadich, Walkiria
Giorgino CTI Andre Luiz Torres, Marcelo Augusto Tavares, Marisa Tomas PRODUTO DIGITAL Gerentes de
Produto: Pedro Moreno e Renata Aguiar
COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Consultoria: Arno Aloisio Goettems Texto: Arno Aloisio Goettems, Cristina
Carmo e Yuri Vasconcelos. Infografia e ilustração: 45 Jujubas, Alex Argozino e Mario Kanno (Multi-SP)
Revisão: Bia Mendes e texxto comunicação
www.guiadoestudante.com.br
GE GEOGRAFIA 2018 ed.10 (ISBN 978-85-69522-25-6) é uma publicação da Editora Abril. Distribuída em todo o
paíspelaDinapS.A.DistribuidoraNacionaldePublicações,SãoPaulo.
A PUBLICAÇÃO não admite publicidade redacional.
IMPRESSA NA GRÁFICA ABRIL Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, CEP 02909-900 – Freguesia do Ó -
São Paulo - SP
VENDA PROIBIDA
5
GE GEOGRAFIA 2018
O passo final é reforçar os estudos sobre atualidades, pois as pro-
vas exigem alunos cada vez mais antenados com os principais fatos
que ocorrem no Brasil e no mundo. Além disso, é preciso conhecer
em detalhes o seu processo seletivo – o Enem, por exemplo, é bem
diferente dos demais vestibulares.
 COMOOGEPODEAJUDARVOCÊO GE Enem e o GE Fuvest são verda-
deiros “manuais de instrução”, que mantêm você atualizado sobre
todos os segredos dos dois maiores vestibulares do país. Com duas
edições no ano, o GE ATUALIDADES traz fatos do noticiário que
podem cair nas próximas provas – e com explicações claras, para
quem não tem o costume de ler jornais nem revistas.
Umplanopara
osseusestudos
Este GUIA DO ESTUDANTE GEOGRAFIA oferece uma ajuda e tanto
para as provas, mas é claro que um único guia não abrange toda a preparação
necessária para o Enem e os demais vestibulares.
É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE tem uma série de publicações
que, juntas, fornecem um material completo para um ótimo plano de estudos.
O roteiro a seguir é uma sugestão de como você pode tirar melhor proveito de
nossos guias, seguindo uma trilha segura para o sucesso nas provas.
O primeiro passo para todo vestibulando é escolher com clareza
a carreira e a universidade onde pretende estudar. Conhecendo o
grau de dificuldade do processo seletivo e as matérias que têm peso
maior na hora da prova, fica bem mais fácil planejar os seus estudos
para obter bons resultados.
 COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE PROFISSÕES traz todos os
cursos superiores existentes no Brasil, explica em detalhes as carac-
terísticas de mais de 270 carreiras e ainda indica as instituições que
oferecem os cursos de melhor qualidade, de acordo com o ranking
de estrelas do GUIA DO ESTUDANTE e com a avaliação oficial do MEC.
Para começar os estudos, nada melhor do que revisar os pontos
mais importantes das principais matérias do Ensino Médio. Você
pode repassar todas as matérias ou focar apenas em algumas delas.
Além de rever os conteúdos, é fundamental fazer muito exercício
para praticar.
 COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ Além do GE GEOGRAFIA, que você
já tem em mãos, produzimos um guia para cada matéria do Ensino
Médio: GE HISTÓRIA , Português, Redação, Matemática, Biologia,
Química e Física. Todos reúnem os temas que mais caem nas pro-
vas, trazem muitas questões de vestibulares para fazer e têm uma
linguagem fácil de entender, permitindo que você estude sozinho.
CAPA: 45 JUJUBAS
1 Decida o que vai prestar
2 Revise as matérias-chave
3 Mantenha-se atualizado
APRESENTAÇÃO
Os guias ficam um ano nas bancas –
com exceção do ATUALIDADES, que
é semestral. Você pode comprá-los
também pelo site do Guia do Estudante:
guiadoestudante.com.br
FALE COM A GENTE:
Av. das Nações Unidas, 7221, 18º andar,
CEP 05425-902, São Paulo/SP, ou email para:
guiadoestudante.abril@atleitor.com.br
CALENDÁRIO GE 2017
Veja quando são lançadas
as nossas publicações
MÊS PUBLICAÇÃO
Janeiro
Fevereiro GE HISTÓRIA
Março GE ATUALIDADES 1
Abril GE GEOGRAFIA
Maio
GE QUÍMICA
GE PORTUGUÊS
Junho
GE BIOLOGIA
GE ENEM
GE REDAÇÃO
Julho GE FUVEST
Agosto
GE ATUALIDADES 2
GE MATEMÁTICA
Setembro GE FÍSICA
Outubro GE PROFISSÕES
Novembro
Dezembro
VENDA PROIBIDA
CARTA AO LEITOR
6 GE GEOGRAFIA 2018
D
esde1880,quandoatemperaturadoplaneta
começouasermedida,apopulaçãodaTer-
ra não enfrentou um ano tão quente como
o de 2016. É o que diz a Agência Oceânica
eAtmosféricadosEstadosUnidos(NOAA,
nasiglaeminglês),umadasprincipaisau-
toridades nesse âmbito. A temperatura média global no ano
passado foi 0,94 grau Celsius acima da média do século XX.
Equilíbrio
alterado
Teria 2016 sido um ano atípico em termos climáticos?
Nada disso. A temperatura do planeta no ano passado bateu
o recorde, que era de 2015, que por sua vez quebrou a maior
marca de 2014 – três recordes seguidos. Isso sem contar que,
desde 1976, a temperatura global vem se mantendo acima da
média histórica. Ou seja, não estamos falando de um ponto
fora da curva, mas sim de uma tendência praticamente
consolidada: o planeta está mais quente.
A elevação da temperatura global diz muito respeito às
atividades humanas, principalmente em razão das emissões
degasesqueintensificamoefeitoestufa.Comoconsequência,
observamosextremosclimáticosquevãodeintensastempes-
tadesasecasprolongadas,passandopeloderretimentodogelo
do Ártico até picos de calor em diversas cidades do planeta.
A Geografia é a disciplina que se propõe a estudar o espaço
geográfico e suas constantes transformações. Como você verá
nesta publicação, muitas dessas alterações são estimuladas
por fenômenos naturais, como uma erupção vulcânica ou o
ALISTER
DOYLE/REUTERS
VENDA PROIBIDA
7
GE GEOGRAFIA 2018
ENXUGANDO GELO
Crianças brincam
em um iceberg na
costa da Groenlândia:
aquecimento
global provoca o
desprendimento de
grandes blocos de gelo
ciclo hidrológico. Mas sob qualquer aspecto que você analisar
a litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera, a marca do
homem estará lá, alterando o equilíbrio da natureza.
ÉporissoqueoGUIADOESTUDANTEGEOGRAFIApro-
põeoestudodasdefiniçõesedosconceitosreferentesaostemas
mais importantes da Geografia física associado aos principais
assuntoscontemporâneos.Dessaformaépossívelacompanhar
todo o dinamismo inerente à disciplina e conseguir assimilar
melhor como a ação antrópica e a Geografia se relacionam.
Tudoissoacompanhadodeumamploconjuntodeinformações
naformadetextos,resumos,simulados,mapaseinfográficos.
ParacomplementarseuaprendizadodeGeografia,também
recomendamos o GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES,
que é lançado duas vezes por ano e aborda os aspectos mais
relacionadosaostemascontemporâneosdaGeografiahumana.
Um abraço,
 Fábio Sasaki, editor – fabio.sasaki@abril.com.br
8 EM CADA 10
APROVADOS NA
USP USARAM O
GUIA DO
ESTUDANTE
Oselodequalidadeacimaéresultadodeumapes-
quisarealizadacom300estudantesaprovadosem
três dos principais cursos da Universidade de São
Paulo: Direito, Engenharia e Medicina.
 8 em cada 10 entrevistados na
pesquisa usaram algum conteúdo do
GUIA DO ESTUDANTE durante sua
preparação para o vestibular.
TESTADO E APROVADO!
� Pesquisa quantitativa feita nos dias 13 e 14/2/2017.
� Total de estudantes aprovados nesses cursos: 1.566.
� Margem de erro amostral: 5 pontos percentuais.
MAIS CONTEÚDO PARA VOCÊ
As publicações do GE contam agora com o recurso
mobileview.Essatecnologiapermitequevocêaces-
se, com seu smartphone, conteúdos extras em algu-
mas aulas e reportagens dos nossos guias. A presen-
ça desses conteúdos, principalmente em forma de
vídeos,serásempreidentificadacomoíconeabaixo:
Usar o recurso mobile view é simples:
1• Baixe em seu smartphone o
aplicativo Blippar. Ele está disponível,
gratuitamente, para aparelhos com
sistema Android e iOS em lojas virtuais
como Google Play e AppleStore.
2• Depois, basta abrir o aplicativo e usar
o celular nas matérias que apresentam
o ícone do mobile view – seguindo as
orientações em cada página.
VENDA PROIBIDA
SUMÁRIO
8 GE GEOGRAFIA 2018
 Geografia
VESTIBULAR + ENEM
2018
CARTOGRAFIA
10 Imagens de satélite contra a pobreza Odesenvolvimentomapeado
12 Elementos do mapa Dicas para entender os elementos cartográficos
14 Coordenadas geográficas Aprenda a identificar pontos no mapa
16 Fusos horários Como os países acertam os seus relógios
18 Tipos de mapa Os diferentes aspectos retratados pela cartografia
20 ProjeçõesAs formas de representar o espaço geográfico
22 Comocainaprova+ResumoQuestõescomentadasesíntesedaseção
LITOSFERA
24 Zelândia, o continente submerso A mais nova extensão de terra
26 Composição e estrutura geológica As camadas internas do planeta
28 Tipos de relevo Depressões, planaltos, planícies e montanhas
30 Placas tectônicas Os grandes blocos que modelam o relevo
32 Relevo em movimento A ação de forças internas e externas na Terra
36 Relevo do Brasil O processo de formação do terreno nacional
38 Recursos minerais Conheça suas características geológicas
40 Características dos solos Processo de formação e fertilidade
42 Deslizamentos e inundações Os efeitos da ocupação desordenada
44 Contaminação dos solos Um dos principais problemas ambientais
46 Comocainaprova+Resumo Questõescomentadasesíntesedaseção
HIDROSFERA
48 Uma esperança na aridez do sertão O Nordeste e a seca
50 A distribuição de água no planeta Onde está a água no globo
52 Água salgada Oceanos e mares ajudam a equilibrar a vida na Terra
56 Água doce Asreservasqueguardamolíquidoqueconsumimos
58 Tsunami Tremoresnofundodomarprovocamondasdedestruição
60 Bacias hidrográficas do Brasil Asfontesdeáguadonossoterritório
62 Escassez hídrica no mundo Onde a falta de água já provoca crise
64 Escassez hídrica no Brasil TorneirassecasnoNordesteenoSudeste
66 Poluição hídrica Osefeitosperversosdacontaminaçãodaságuas
68 Comocainaprova+ResumoQuestõescomentadasesíntesedaseção
ATMOSFERA
70 Um cético do clima no poder Donald Trump e sua agenda energética
72 Camadas da atmosfera A estrutura de gás que envolve o planeta
73 Meteorologia Os principais fenômenos que influenciam o clima
76 El Niño e La Niña Entenda esses fenômenos meteorológicos
77 Ciclone Os efeitos devastadores da perturbação atmosférica
78 Climas do mundo As características das dez classificações climáticas
80 Climas do Brasil Osseisprincipaisgruposclimáticosdopaís
82 Poluição do ar Osefeitosdaemissãodegasesnocivosàatmosfera
84 Aquecimento global Asalteraçõesclimáticascausadaspelohomem
86 Os efeitos das mudanças climáticas Osriscosquepodemosenfrentar
88 Energias renováveis As alternativas para evitar a poluição do ar
90 Acordo de Paris e Protocolo de Kyoto Reduçãodasemissõesempauta
92 Comocainaprova+ResumoQuestõescomentadasesíntesedaseção
BIOSFERA
94 A Amazônia sob risco de “savanização” A floresta tropical em perigo
96 Ecologia O ciclo natural que sustenta a vida no planeta
98 A evolução do planeta InfográficomostraaorigemdavidanaTerra
100 Vegetação no mundo As características das formações vegetais
106 Biomas brasileiros A rica biodiversidade do país sob ameaça
110 Preservação e conservação Osmecanismosdeproteçãoambiental
111 Código Florestal NovaleiregulamentaousodaterranoBrasil
112 Conferências ambientais Oseventosemqueoambientalismoépauta
114 Comocainaprova+ResumoQuestõescomentadasesíntesedaseção
ATLAS
116 OmundoemresumoUmperfilsocioeconômicoefísicodoscontinentes
126 O Brasil em resumo As cinco regiões brasileiras em fatos e números
RAIO X
132 As preciosas informações contidas nos enunciados das questões
SIMULADO
134 32 questões para você aplicar os seus conhecimentos
GLOSSÁRIO
146 Os principais conceitos básicos que você encontrará na publicação
RAFAEL ARENAS/REUTERS
OBRA DA NATUREZA
Uma nuvem de fumaça
e poeira colore o céu
de Puerto Montt, no
Chile: vulcão Calbuco
entrou em atividade
em 2015 pela primeira
vez em 50 anos
VENDA PROIBIDA
9
GE GEOGRAFIA 2018
VENDA PROIBIDA
GLOSSÁRIO
146 GE GEOGRAFIA 2018
AÇÕES ANTRÓPICAS Açõesdohomemno
meioambiente,comoaconstruçãodecidades,
indústrias,estradas, odesmatamentoparaa
implantaçãodaagropecuária,entreoutras.
ASSOREAMENTO Excesso de sedimentos nos
leitos de rios e lagos.
AQUÍFERO Extensos depósitos de águas
subterrâneas em áreas continentais, como o
Aquífero Guarani, na América do Sul.
AUSTRAL Sul.
BACIA HIDROGRÁFICA Áreadelimitadapelos
divisoresdeágua,ouseja,poraltitudesmaiorese
quecompreendeumrioprincipal,seusafluentese
subafluentes,oslagoseaságuassubterrâneas.
BOREAL Norte.
CLIMA Sucessão habitual dos tipos de tempo
atmosférico. Para classificar os tipos de clima,
são necessários registros de temperatura e
pluviosidade de, no mínimo, 30 anos.
CORRENTES DE CONVECÇÃO Correntes
de materiais (ar, magma, água...) que se
movem devido à diferença de temperatura e,
consequentemente, de densidade.
CROSTA Porção externa e sólida do planeta
Terra formada por rochas, minerais e solos e
com profundidades que variam entre 6 e 75
quilômetros, aproximadamente.
DEPRESSÃO ABSOLUTA Forma de relevo onde
predomina a erosão e que apresenta altitude
menor que a do nível do mar.
DEPRESSÃO RELATIVA Forma de relevo
com altitude inferior à dos planaltos e com
predomínio da erosão sobre a sedimentação.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Desenvolvimento que atende às necessidades
das gerações presentes sem comprometer as
necessidades das futuras gerações.
Conceitos
básicos
Os principais termos que
você precisa saber para
estudar Geografia
ECOSSISTEMA São sistemas dinâmicos
resultantes da interdependência entre fatores
físicos do meio ambiente – como atmosfera,
solo e água – e os seres vivos que o habitam.
EQUINÓCIO Dia do ano em que os raios solares
incidem diretamente sobre a linha do Equador,
marcando o início da primavera ou do outono
nos hemisférios Norte e Sul.
EROSÃODesgastedasrochaspormeiodeagentes
externosouexógenos,comoaschuvas,osventos,
asgeleiras,osrios,osoceanos,entreoutros.
GPS (GLOBAL POSITIONING SYSTEM) Sistema
dePosicionamentoGlobal,formadopor24
satélitesemórbitasa20.200quilômetrosao
redordaTerra.Osistemapermitealocalização
dequalquerpontodasuperfícieterrestrecom
receptoresmóveiseteminúmerasaplicações,
comoidentificarrotasdenavegação,porexemplo.
INTEMPERISMO Conjunto de forças
físicas, químicas e biológicas associadas à
decomposição das rochas.
ISTMO Faixaestreitadeterrasqueligadois
continentesououtrasextensasáreaseterras
emersas.EntreosmaisconhecidosestãooIstmo
deSuezeoIstmodoPanamá.
LATITUDE Medida em graus da distância de
um ponto qualquer da superfície terrestre em
relação à linha do Equador.
LITOSFERA Parte sólida externa da crosta
terrestre, formada por rochas.
LONGITUDE Medida em graus da distância de
um ponto qualquer da superfície terrestre em
relação ao meridiano de Greenwich.
MANTO Camada geológica da Terra composta
de material fundido, o magma, que se encontra
entre 350 e 2.900 quilômetros de profundidade.
MERIDIANO Linhas imaginárias que cruzam a
Terra no sentido norte-sul, de um polo ao outro
do globo. Os meridianos nos indicam a longitude.
MERIDIONAL Sul.
MIGRAÇÃO Migrante é a pessoa que passa a
morar em local diferente daquele em que vivia
anteriormente. No local de onde a pessoa sai ela
é considerada um emigrante e no local onde ela
passa a se fixar é considerada um imigrante.
NÚCLEO (DA TERRA) Parte interna do planeta,
composta dos minerais ferro e níquel.
É subdividido em núcleo externo (material
fundido) e núcleo interno (material sólido).
PARALELO Linhas perpendiculares aos
meridianos, que cruzam a Terra no sentido
leste-oeste. Os paralelos determinam a latitude.
PEGADA ECOLÓGICA Área (em hectares)
necessária para suprir as necessidades das
populações, de acordo com seus modos de vida.
PLACAS TECTÔNICAS Partes da crosta terrestre
delimitadas por falhas geológicas.
PLANALTO Forma de relevo na qual os
processos de erosão superam a sedimentação.
PLANÍCIE Forma de relevo relativamente plana
na qual predomina a sedimentação e, em geral,
está localizada em altitudes menores que as do
seu entorno.
PLUVIOSIDADE Volume de chuvas em um
determinado tipo de clima.
ROTAÇÃO Movimento da Terra em torno do seu
próprio eixo imaginário.
SEDIMENTAÇÃO Deposição dos sedimentos após
o processo de erosão e transporte feito pelos
agentes erosivos (rios, geleiras, ventos etc.).
SETENTRIONAL Norte.
SOLSTÍCIO Diadoanoemqueosraiossolares
incidemdiretamentesobreumdostrópicos
(CâncerouCapricórnio),marcandooiníciodo
verãooudoinvernonoshemisfériosNorteeSul.
TECTONISMO Conjunto de fenômenos
geológicos responsáveis pela movimentação e
fragmentação da crosta terrestre.
TRANSLAÇÃO Movimento da Terra em torno
do Sol.
TROPOSFERA Parte inferior da atmosfera
terrestre, entre as altitudes de zero a 12 mil
metros, aproximadamente.
ZONAS TÉRMICAS As três faixas do globo com
médias de temperatura semelhantes: zona
equatorial ou intertropical, zonas temperadas
Norte e Sul (entre os trópicos e os círculos
polares) e as zonas polares Norte e Sul.
VENDA PROIBIDA
10 GE GEOGRAFIA 2018
CARTOGRAFIA
1 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
 Os elementos cartográficos ..........................................................................12
 Coordenadas geográficas..............................................................................14
 Fusos horários ..................................................................................................16
 Tipos de mapas.................................................................................................18
 Projeções cartográficas..................................................................................20
 Como cai na prova + Resumo.......................................................................22
A
imagem que ilustra a página ao lado, da
península coreana iluminada durante
a noite, foi captada por astronautas da
Estação Espacial Internacional (ISS) há três
anos e revela um cenário intrigante: enquanto os
territórios da Coreia do Sul e da China cintilam
com o clarão gerado pela iluminação das cidades
desses países, a Coreia do Norte encontra-se
quase totalmente na escuridão. A exceção é
a capital, Pyongyang, facilmente identificada
como um ponto iluminado no meio do breu.
Para além da simples curiosidade, a análise
da intensidade da iluminação em imagens no-
turnas do nosso planeta revela indiretamente
o grau de desenvolvimento econômico daquela
região. Por essa lógica, quanto mais claro é um
certo lugar, mais rico ele é, já que a luz é uma
necessidade humana básica, e as pessoas ten-
dem a usá-la mais na medida em que são mais
ricas. Consequentemente, a escuridão indica
os lugares menos desenvolvidos.
Por isso, fotografias noturnas do planeta feitas
do espaço têm sido cada vez mais utilizadas por
economistas como uma ferramenta importante
para estimar o grau de riqueza e de pobreza
de regiões do globo – principalmente aquelas
carentes de dados econômicos mais acurados,
como muitos países da África Subsaariana. Des-
sa forma, é possível identificar os bolsões de
pobreza com maior precisão e encaminhar as
ações públicas necessárias.
Mas não se pode tomar esse dado isoladamen-
te. A simples observação da imagem noturna
pode levar a imprecisões, já que um bairro pobre,
mas com alta densidade populacional, pode
ter o mesmo nível de luminosidade de uma
vizinhança rica, mas esparsamente povoada.
Por isso, um estudo divulgado por pesquisado-
res da Universidade de Stanford, nos Estados
Unidos, sugere a combinação da análise das
imagens noturnas com fotos diurnas de alta
resolução – ao verificar também o local durante
o dia, mostrando quão urbanizado é o lugar, a
metodologia tende a ser mais precisa.
Essesestudossãoumbomexemplodecomoa
cartografia nos fornece informações imprescin-
díveis para mostrar a
realidadedediferentes
localidades e fomen-
tar o estabelecimento
de políticas públicas.
Neste capítulo, você
ficará ainda mais por
dentrodalinguageme
dopoderdosmapasno
estudo da Geografia.
Fotos noturnas feitas do espaço são uma nova ferramenta
para medir níveis de desenvolvimento no planeta e
identificar as regiões mais carentes
Imagens de satélite
contra a pobreza
UM PAÍS NO BREU
Imagem mostra detalhe
da Ásia: a área iluminada
à direita é a Coreia do Sul
e no alto à esquerda está
a China. A mancha escura
com um ponto iluminado
no meio é a Coreia do Norte
VENDA PROIBIDA
11
GE GEOGRAFIA 2018
NASA
VENDA PROIBIDA
12 GE GEOGRAFIA 2018
CARTOGRAFIA OS ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS
A cartografia é dotada de
uma linguagem própria,
com símbolos, indicadores e
representações. Veja a seguir
algumas dicas para interpretar
corretamente os mapas
T
udo começou quando o homem
pré-histórico passou a desenhar
no interior das cavernas a loca-
lização de seu entorno. Foi assim que
surgiramosprimeirosmapas.Àmedida
que o homem foi conquistando novos
espaços,cruzandomareseaprimorando
as técnicas cartográficas, os mapas se
tornarammaissofisticados.Hoje,coma
ajudadepoderosossatélites,atémesmo
as mais inóspitas regiões do planeta são
reproduzidas com alta precisão.
Com o passar dos séculos, os mapas
tiveram importantes funções estratégi-
cas: ajudaram a impulsionar a expansão
marítimo-comercial europeia no século
XV e atualmente são fundamentais para
que as administrações públicas desen-
volvam projetos de organização territo-
rial. Com os mapas, é possível realizar
variados tipos de levantamento, seja ele
político, socioeconômico ou ambiental.
Por isso, eles são imprescindíveis ao
estudo da geografia física e humana e
à compreensão dos principais temas
que movem o mundo.
Qualquer representação geométri-
ca da superfície terrestre, ou mesmo
de parte dela, pode ser considerada
um mapa – desde o desenho pouco
apurado do homem pré-histórico até
o mais completo planisfério produzido
pela Nasa recentemente. Sejam eles
rudimentares, sejam eles complexos,
é importante ressaltar que os mapas
possuem uma linguagem própria, com
símbolos, indicadores e representações
que facilitam sua interpretação. Conhe-
ça mais os recursos utilizados pelos
cartógrafos para reproduzir diferentes
informações gráficas.
TÍTULO
O título é a nossa
primeira aproximação
com o mapa. Observá-lo
com atenção pode
“encurtar” o caminho
da sua leitura e
compreensão, pois
nos permite conhecer,
de imediato, qual é o
conteúdo representado.
Em geral, vem
acompanhado do
ano em que os dados
foram coletados.
LEGENDA
A legenda é um dos elementos mais importantes
do mapa, pois dá significado aos indicadores nele
representados. Ela informa se os dados são percentuais
ou absolutos, além do significado de cores, símbolos,
linhas e demais recursos utilizados.
A leitura da legenda deve ser feita em conjunto com a
visualização da distribuição dos dados no mapa. Neste
exemplo, as manchas mais escuras mostram os locais
onde há maior concentração de pessoas por quilômetro
quadrado. Note que o mapa não fornece os nomes
dos países. Essas informações você pode aprender por
meio da leitura atenta dos mapas políticos. Trata-se,
aliás, de uma dica interessante: os mapas sempre
se complementam. Portanto, ao estudar Geografia,
lembre-se de olhar para os mapas com a mesma
atenção que você olha para os textos, fotografias,
gráficos e tabelas.
O fascinante
universo
dos mapas
FONTE
A fonte informa a
origem (instituição,
pesquisa etc.) dos dados
utilizados para compor
o mapa.
VENDA PROIBIDA
13
GE GEOGRAFIA 2018
ROSA DOS VENTOS
A rosa dos ventos indica
a orientação geográfica,
ou seja, para que lado se
encontram, no mapa, os
pontos cardeais (norte,
sul, leste e oeste). Pode
parecer bem óbvio que
o norte esteja na parte
superior do mapa, pois
essa é uma convenção
internacional.
Entretanto, em alguns
tipos de mapas, como as
plantas cartográficas e
em projeções azimutais
ou planas, o norte nem
sempre se encontra na
parte superior do mapa.
ESCALA
A escala indica a relação entre o espaço verdadeiro
e seu correspondente no mapa. A escala gráfica
apresentada no mapa acima mostra que 1 centímetro
equivale a 1.237,5 quilômetros nas dimensões reais.
Já a escala numérica do mapa ao lado nos mostra que
cada centímetro reproduzido equivale a 55,5 milhões de
centímetros – ou 555 quilômetros nas dimensões reais.
Ao analisar os dois mapas, também é possível
comparar reproduções cartográficas feitas em escalas
pequenas e grandes. No mapa acima, reproduzido
em uma escala pequena é possível identificar
os continentes, a divisão política dos países e os
oceanos, além dos locais com maior concentração
de habitantes. Já no mapa ao lado, em escala maior,
vemos uma área mais restrita – no caso, o território
brasileiro. Assim, é possível observar os detalhes do
contorno do país e identificar com mais precisão as
áreas de maior densidade demográfica.
VENDA PROIBIDA
14 GE GEOGRAFIA 2018
CARTOGRAFIA COORDENADAS GEOGRÁFICAS
P
ara encontrar determinado lu-
gar, como a casa de alguém ou
um órgão público, precisamos
de um endereço, não é mesmo? Sa-
bendo o nome da cidade, do bairro, da
rua e o número da casa, chegaremos
ao destino. No entanto, nem todas as
regiões do planeta têm um endereço
com essas informações. Por isso, para
obtermos a localização de qualquer
ponto ou área da superfície terrestre,
BRASÍLIA
EQUADOR
15º47’S
47º55’O
MERIDIANODEGREENWICH
TRÓPICODECAPRICÓRNIO
CÍRCULOPOLARANTÁRTICO
CÍRCULOPOLARÁRTICO
TRÓPICODECÂNCER
utilizamos as coordenadas geográficas.
Trata-se de um sistema obtido a partir
do cruzamento de uma rede de linhas
imaginárias – os meridianos e paralelos:
• Os meridianos cruzam a Terra no
sentido norte-sul, de um polo ao outro
do globo. Os meridianos nos indicam a
longitude, que é a distância expressa
em graus entre um local no mapa e o
meridiano de Greenwich.
Localização precisa
Um sistema de eixos horizontais e verticais constituem
as coordenadas geográficas, que nos ajudam a identificar
qualquer posição na superfície terrestre
• Osparalelossãolinhasperpendiculares
aosmeridianos,quecruzamaTerrano
sentidoleste-oeste.Elesdeterminama
latitude,tambémexpressaemgraus,e
nosindicamadistânciaentreumlocal
no planisfério e a linha do Equador.
Para localizar qualquer ponto na su-
perfícieterrestreésófazerocruzamento
do meridiano com o paralelo e obter os
dados referentes a latitude e longitude.
MERIDIANO DE GREENWICH
O meridiano de Greenwich, que ganhou esse nome
por passar pela cidade de Greenwich, na Inglaterra,
divide o planeta em Ocidente e Oriente. A partir dele, as
distâncias são contabilizadas de zero a 180 graus, tanto
para leste quanto para oeste. A longitude de um lugar é
a sua distância até o meridiano de Greenwich – quanto
mais distante, maior será sua longitude. A longitude
de Brasília, por exemplo, é de 47º55’O – lê-se 47 graus e
55 minutos de longitude oeste. Ou seja, Brasília está a
cerca de 47 graus a oeste do meridiano de Greenwich.
Também é comum informar no lugar das iniciais dos
pontos cardeais (N, S, L e O) um sinal de + (positivo)
para as latitudes norte e longitudes leste e, em
contrapartida, um sinal de – (negativo) para as
latitudes sul e longitudes oeste.
LINHA DO EQUADOR
AlinhadoEquadoréequidistanteemrelaçãoaospolos
NorteeSuldaTerraeservecomoreferênciaparatraçar
osparalelos,comoostrópicosdeCâncereCapricórnioe
oscírculospolaresÁrticoeAntártico.Eladivideoplaneta
emporçãonorte,ousetentrional,esul,oumeridional.
AslinhasquepartemdoEquadorsãodivididasdezero
a90grausparaasduasdireções.Alatitudedeumlugar
édeterminadaporsuadistânciaemrelaçãoàlinhado
Equador–quantomaislonge,maisaltaéalatitudedeum
ponto.AlatitudedeBrasília,porexemplo,é15º47’S–lê-se
15grause47minutosdelatitudesul.Ouseja,acidade
ficaapoucomaisde15grausaosuldalinhadoEquador.
VENDA PROIBIDA
15
GE GEOGRAFIA 2018
POR QUE AS COORDENADAS
SÃO MEDIDAS EM GRAUS?
Geralmente as distâncias são medidas em metros ou quilômetros.
Por que então a latitude e a longitude são medidas em graus? Ocorre
que, apesar de a maioria dos planisférios não mostrar isso, estamos
tratando da medida de uma superfície curva, pois a Terra tem a forma
arredondada. Assim, essas medidas equivalem à abertura do ângulo
entre as linhas imaginárias traçadas a partir do centro da Terra até a
linha do Equador (latitude) e do centro da Terra até o Meridiano de
Greenwich (longitude). Veja o exemplo de Brasília, nas figuras abaixo:
SAIBA MAIS
BÚSSOLAS, PORTULANOS E GPS
Da Idade Média (séculos V a XV) ao período das Grandes Navegações
(séculos XV a XVII), a localização geográfica era obtida por meio da
observação dos astros – a posição do Sol durante o dia e das cons-
telações e da Lua à noite, por exemplo. As distâncias e as direções
a serem seguidas eram obtidas pela leitura atenta da bússola e das
Cartas Portulanas ou Mapas Portulanos.
A bússola, cuja invenção é creditada aos chineses, foi fundamental
para a navegação marítima no período das Grandes Navegações. Sua
agulha imantada alinha-se com os polos magnéticos Norte e Sul da
Terra e, dessa forma, permite que o navegador possa localizar-se e
seguir na direção desejada. O desenvolvimento das Cartas Portulanas
também facilitou a navegação, à medida que traziam as linhas de rumo
para orientar o trajeto das embarcações, além de mostrar detalhes do
litoral e a indicação dos principais portos, baías e cidades, como mostra
este exemplo que representa o Mar Mediterrâneo e o seu entorno.
Atualmente,dispomosdetecnologiasinfinitamentemaisprecisaspara
obter as coordenadas geográficas e identificar praticamente qualquer
lugar no planeta. Esses dados são facilmente levantados pelo GPS
(Global Positioning System), um sistema composto por 24 satélites
que fornece a um aparelho receptor sua posição exata na superfície
terrestre. As informações são visualizadas a partir de aparelhos de
GPS, celulares e computadores de bordo em automóveis, aviões e
navios e são fundamentais para a navegação terrestre, marítima ou
aérea hoje em dia.
[1] ALEX ARGOZINO [2] REPRODUÇÃO
[1]
[2]
Fonte:AtlasGeográficoMundial.EditoraFundamento,2007.p.4
VENDA PROIBIDA
16 GE GEOGRAFIA 2018
CARTOGRAFIA FUSOS HORÁRIOS
O
s fusos horários foram estabele-
cidos porque, em razão do mo-
vimento de rotação da Terra, as
várias porções da superfície terrestre
são iluminadas de forma diferencia-
da no decorrer do dia. Para dar uma
volta completa em torno de si, o pla-
neta gira 360º e faz isso em um dia, ou
seja, em 24 horas. Dessa forma, foram
determinadas 24 faixas longitudinais
(no sentido norte-sul do globo) de 15º.
Cada faixa, denominada de fuso horário
teórico ou astronômico, corresponde,
portanto, a 1 hora.
O fuso de referência do horário mun-
dial é o de Greenwich, localidade situ-
ada em Londres, na Inglaterra. Esse
fuso se estende 7º30’ a oeste e 7º 30’ a
leste do Meridiano de Greenwich, tam-
bém chamado de Meridiano 0º. A par-
tir dele, foram definidos os demais
fusos teóricos – indo para leste, acres-
centa-se uma hora a cada fuso; para
oeste, subtrai-se uma hora.
Entretanto, esses limites teóricos
dos fusos horários, delimitados a cada
15º, não coincidem com os limites dos
países. Por isso, foram criados os fusos
horários práticos, também conhecidos
como fusos civis ou políticos. Esses
fusos respeitam os limites políticos dos
países, pois consideram os interesses
de cada nação em fazer parte de um ou
de outro fuso, de acordo, por exemplo,
com a integração econômica, política e
sociocultural com as regiões vizinhas.
Como os limites das linhas são uma
convenção, os fusos acabam sendo
maleáveis. Em novembro de 2013, por
exemplo, o Brasil passou a ter quatro
fusos horários, em vez de três. Com a
medida, os fusos do estado do Acre e
de parte do Amazonas foram modifica-
dos, a partir de uma leve adaptação do
meridiano. E essas mudanças ocorrem
no mundo todo. Em 2016, a Rússia, que,
com sua vastidão territorial tinha nove
fusos horários, decidiu aumentar para
11. Além disso, alguns países adotam as
chamadas “horas fracionadas”, como o
Irã (3 horas e meia a mais em relação ao
fuso de Greenwich) e a Índia (5 horas
e meia a mais em relação ao fuso de
Greenwich).
Acertando os ponteiros
Com base nos meridianos e no sistema de
rotação da Terra, o sistema de fusos horários
ajuda a organizar as horas em diversas
localidades do globo
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
TRÓPICO DE CÂNCER
CÍRCULO ANTÁRTICO
CÍRCULO ÁRTICO
EQUADOR
A N T Á R T I C A
Brasília
Lima
Cidade
do México
Ilhas Galápagos
Honolulu
Tonga
Georgetown
Dacar
Trípoli
Cairo
Berlim
Luanda
Cidade
do Cabo
Maputo
Jerusalém
Riad
Nairóbi
Adis-Adeba
Moscou
Samara
Teerã
Astana
Nova
Délhi
Pequim
Tóquio
Hong
Kong
Seul
Pyongyang
Jacarta
Melbourne
Sydney
Manila
Lisboa
Londres
Paris
Bogotá
Cidade do
Panamá
Nova York
Ottawa
Washington
Vancouver
Los Angeles
San Francisco
Tijuana
Buenos
Aires
+13
+13
-3
+9
+5
+3
+4
+12
-9
Wellington
Reykjavik
Ilhas da Linha
Ilhas
Marquesas
Ilha
Pitcairn
Ilha
de Páscoa
Ilhas
Malvinas
Ilhas
Geórgia
do Sul
Taiti
Paramaribo
Belém
La Paz
Rio Branco
Cuiabá
Assunção
Manaus
Caracas
Santo
Domingo
Quito
Seattle
Edmonton
Anchorage
Whitehorse
Açores
Samoa
Santiago Montevidéu
Houston Miami
Havana
New
Orleans
Chicago
St. Louis
Halifax
St. John’s
Montreal
Winnipeg
Denver
Phoenix
Túnis
Argel
Casablanca
Lagos
Abidjan
Johannesburgo
Antananarivo
Cartum
Campala
Lusaka
Kinshasa
Windhoek
Fernando
de Noronha
Bagdá
Murmansk
Helsinque
São
Petersburgo
Roma
Viena
Estocolmo
Oslo
Istambul
Atenas
Kiev
Varsóvia
Dublin
Madri
Meca Mascate
Yangun
Bangcoc
Dili
Adelaide
Brisbane
Perth
Cingapura
Colombo
Mumbai
Karachi
Calcutá
Katmandu
Lhasa
Ashkhabad
Tashkent
Cabul Xi’an
Ulan
Bator
Irkutsk
Vladivostok
Xangai
Taipé
Petropavlovsk
Magadan
Yakutsk
Yekaterinburgo
Ilhas
Chatham
Oceano Pacífico
Oceano Pacífico
Oceano Ártico Oceano Ártico
Oceano
Atlântico
Oceano
Índico
Manágua
Kiribati
+3
Omsk
+6
+8
+5
Hanói
1h 2h 3h 4h 5h 6h 7h 8h 9h 10h 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h 18h 19h 20h 21h 22h 23h 0h
0h
-12 +12
-11 +11
-10 +10
-9 +9
-7 +7
-6 +6
-5 +5
-4 +4
-3 +3
-2 +2
-1 +1
0
-8 +8
150º O 120º 90º 60º 60º 90º 120º 150º L 180º
180º 30º 30º
0º
HorárioUniversal
deGreenwich
Horáriofracionado
LinhaInternacionaldeData
+8
Krasnoyarsk
Bucareste Novosibirsk
Fonte: World Time Zone
N
1.780 km
OLHA A HORA! Para determinar o horário em
um país, deve-se aumentar uma hora no relógio
para cada fuso a leste de Greenwich e diminuir
uma hora para cada fuso a oeste dele
VENDA PROIBIDA
17
GE GEOGRAFIA 2018
HORÁRIO DE VERÃO
Comohoráriodeverão,oBrasilmantémseus
quatrofusos,masmudaadisposiçãodeles,pois
asregiõesSul,SudesteeCentro-Oesteadiantam
o relógio em uma hora. O objetivo é aproveitar
melhoraluzsolar,jáque,duranteoverão,quan-
tomaioralatitude,maiorofotoperíodo–oSol
nasce mais cedo e se põe mais tarde.
A medida provoca uma importante redução
no consumo de energia durante os horários de
maior consumo, sobretudo das 18h às 20h, o
quereduzasobrecarganosistemaelétricoeos
riscos de apagões. Nos estados localizados em
latitudes mais baixas (mais próximos da linha
do Equador), como no Nordeste e Norte, há
pouca variação do fotoperíodo e, por isso, não
compensa fazer a mudança para o horário de
verão. Nesses estados, mesmo que houvesse
alguma economia de energia à tarde, a mu-
dança provocaria um aumento no consumo
de energia no início da manhã.
Ohoráriodeverãocomeçanoterceirodomin-
go de outubro e termina no terceiro domingo
de fevereiro. Se neste último for carnaval, o
encerramento fica para o domingo seguinte.
VENEZUELA MUDA FUSO HORÁRIO CRIADO POR
CHÁVEZ PARA POUPAR ENERGIA
A Venezuela reverteu nesta sexta-feira (15) uma mudança de fuso
horário de meia hora que foi uma das marcas registradas do governo
do falecido presidente Hugo Chávez.
Chávez atrasou os relógios do país 30 minutos em 2007 para que as
crianças pudessem acordar para ir à escola com luz do sol.
Mas seu sucessor, Nicolás Maduro, decidiu retomar o sistema ante-
rior, quatro horas atrás do Horário do Meridiano de Greenwich (GMT,
na sigla em inglês), para ter mais luz solar no final da tarde, quando
o consumo de energia chega ao máximo. (...)
G1, 15/4/2016
SAIU NA IMPRENSA
OS FUSOS HORÁRIOS DO BRASIL
Exemplos da variação dos horários nos fusos brasileiros quando
em Londres (fuso de referência) são 15 horas
As regiões Sul, Sudeste e Nordeste, o Distrito Federal e os estados
de Goiás, do Tocantins, Pará e Amapá acompanham o horário de
Brasília. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e a
maior parte do Amazonas têm uma hora a menos. Já um pequeno
trecho do Amazonas e o Acre passaram a ter duas a menos que Brasília
com a mudança de fuso implementada em 2013.
Com as alterações, o Brasil ficou com quatro fusos horários. No
alto, os relógios mostram os diversos horários quando é meio-dia em
Brasília. Note como Fernando de Noronha e as ilhas oceânicas estão
mais “adiantados” em relação aos horários do Brasil continental:
nessas regiões já são 13 horas.
DF
PA
GO
AP
MA
PI
BA
CE
PE
SP RJ
ES
AC
AM
RR
RO
MT
MS
PR
SC
MG
TO
RS
11h
10h 12h 13h
Atol das
Rocas (RN)
3’52’S
33’50’O
Penedos de
S. Pedro e
S. Paulo (RN)
3’56’S
29’22’O
Fernando de
Noronha (PE)
3’50’S
32’24’O
*Em relação ao
horário de Greenwich
-4h
-5h
-2h
-3h
FUSO
HORÁRIO*
RN
PB
AL
SE
1h
entram no
horário de verão
não entram no
horário de verão
SAIBA MAIS
VENDA PROIBIDA
18 GE GEOGRAFIA 2018
Grandes
Lagos
Aconcágua
6.959m
Mte.McKinley
6.194m
Amazonas
C
o
r
d
i
l
h
e
i
r
a
d
o
s
A
n
d
e
s
Apalaches
Picoda
Neblina
3.014m
S
ã
o
F
r
a
n
c
i
s
c
o
M
i
s
s
i
s
s
i
p
p
i
Montanha
s
Rochosas
CARTOGRAFIA TIPOS DE MAPA
Veja como as diversas formas
de representar o espaço
geográfico podem alterar
o modo como enxergamos
o planeta
R
epresentação: é essa a ideia
que norteia a construção de
um mapa. Ocorre que, obvia-
mente, o tamanho e a complexidade
do planeta não cabem no papel. Desse
modo, é preciso fazer escolhas para
conseguir mostrar, num espaço tão res-
trito, o máximo daquilo que comporta
o mundo real.
Dessas escolhas é que resultam as
diversas maneiras de representar um
território, que pode se dar com base
em focos variados, como seus aspectos
físicos, políticos ou sociais. Cada um
desses recortes, por sua vez, abarca ou-
tras subdivisões. A representação física
do planeta, por exemplo, engloba mapas
de hidrografia e relevo, entre outros.
Todas essas divisões são importantes
tanto por seu caráter teórico, ao faci-
litar o estudo de uma área, quanto pela
aplicação prática desse conhecimento,
ao nortear a implantação de políticas
de saúde ou ambientais.
Entretanto,comtantaspossibilidades,
é preciso atenção na hora de ler os ma-
pas e avaliar as conclusões tiradas com
base em sua análise. Afinal, como vimos,
eles mostram apenas uma parte da re-
alidade. Assim, dependendo do ponto
de vista adotado para sua construção,
eles podem acabar servindo para in-
fluenciar – positiva ou negativamente –
o modo como enxergamos determina-
da área ou algum fenômeno. Confira a
seguir alguns dos principais tipos de
mapas e o que eles representam.
Vários mapas,
diferentes
leituras
MAPAS FÍSICOS
Este tipo de mapa destaca as
características físicas da superfície
terrestre, em especial de relevo e
hidrografia. Geralmente, as diferentes
faixas de altitudes são apresentadas por
meio de uma sequência de cores: nas terras
emersas, os tons em verde são usados para
altitudes mais baixas, seguidos do amarelo,
laranja e marrom, sucessivamente, para as
altitudes mais elevadas.
Também constam nos mapas físicos
denominações das unidades de relevo
que se destacam no território, como
cadeias montanhosas, serras, planaltos
e planícies, bem como os picos mais
elevados. Quanto à hidrografia, são
representados com traços azuis os
grandes rios e seus principais afluentes
e subafluentes. Os principais lagos
também são identificados.
MAPAS POLÍTICOS
É este recorte que dá aos mapas a cara
que mais conhecemos: os continentes
divididos em países, os países divididos
em regiões e estas, em cidades (veja,
ao lado, os 35 países do continente
americano). Seu objetivo é simplesmente
demarcar os limites entre territórios, que
podem mudar no decorrer dos anos.
As fronteiras entre as nações, por
exemplo, sofreram muitas mudanças no
decorrer da história. As atualizações do
mapa-múndi atingiram número recorde
no século XX, por causa do turbilhão de
eventos ocorridos no período, como o
desmembramento da ex-União Soviética.
A mais recente alteração no mapa político
ocorreu em 2011, com o desmembramento
do Sudão, que deu origem ao Sudão
do Sul. Em suma, aparecer ou não no
mapa significa ter a própria existência
reconhecida pelo resto do mundo.
VENDA PROIBIDA
19
GE GEOGRAFIA 2018
SAIBA MAIS
ANAMORFOSES, OS MAPAS DISTORCIDOS
Os mapas têm como objetivo apresentar de forma mais fiel possível
o espaço geográfico, certo? Mais ou menos. Existem alguns tipos de
representação cartográfica que distorcem o tamanho e o traçado das
regiões para reforçar o efeito comparativo sobre o tema apresentado.
Esses mapas recebem o nome de anamorfoses e costumam cair nos
vestibulares com certa frequência.
Nesta anamorfose, o tamanho de cada país é proporcional ao seu
Produto Interno Bruto (PIB) e não à sua extensão territorial. Logo,
chama a atenção o aumento de tamanho dos Estados Unidos, dono
da maior economia do mundo, com 18 trilhões de dólares. Por sua vez,
note como o Canadá, que tem a segunda maior extensão territorial
do planeta, atrás apenas da Rússia, ficou representado de uma forma
bem menor nesta anamorfose. Isso acontece porque o gigantismo de
sua área não é proporcional ao seu PIB. Já o mapa do Brasil apresenta
poucas distorções na comparação entre economia e área.
MAPAS TEMÁTICOS
São mapas que representam dados
sobre determinados temas, permitindo
observar as características de uma
região e estabelecer comparações
entre os países apresentados. Os temas
abordados podem ser os mais diversos,
da economia à cultura, passando por
demografia e meio ambiente.
Neste exemplo, os países da América são
agrupados a partir de sua classificação
no ranking mundial do Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH).
O indicador, apurado pela Organização
das Nações Unidas (ONU), serve
para medir as variações no padrão
de qualidade de vida das diferentes
populações do globo, levando em conta
três fatores: educação, longevidade e
renda. Ao observarmos o mapa de IDH
do continente americano acima,
notamos que Estados Unidos, Canadá,
Chile e Argentina são as únicas nações
com IDH muito alto, enquanto o Haiti é a
única nação com baixo desenvolvimento
humano. O Brasil, junto com países como
Venezuela e México, tem IDH alto.
Índice de
Desenvolvimento
Humano (2015)
Muito Alto
Alto
Médio
Baixo
Dados não disponíveis
Estados Unidos
Canadá
Argentina
Chile
Cuba
Venezuela
Haiti
Brasil
México
PARA IR ALÉM
Confira dezenas de
anamorfoses sobre os
mais diversos temas no site
www.worldmapper.org.
Estados Unidos
Canadá
Brasil
VENDA PROIBIDA
20 GE GEOGRAFIA 2018
CARTOGRAFIA PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS
A
o longo dos séculos, os cartó-
grafos vêm se empenhando em
desenvolver mapas-múndi da
forma mais fiel possível. O problema é
que a Terra tem um formato esférico,
com um leve achatamento nos polos.
O maior desafio na criação dos mapas,
portanto, é representar este planeta
esférico em uma superfície plana. Para
ter uma ideia da dificuldade de fazer
essa transposição, no decorrer dos anos
surgiram mais de 200 tipos de projeção
cartográfica. E todas apresentam algum
tipo de distorção.
Forma e
conteúdo
O desafio de reproduzir a
superfície esférica da Terra
em um mapa plano levou ao
surgimento de uma infinidade
de projeções cartográficas.
Conheça a seguir os tipos
mais comuns
Equador
Greenwich
Trópico de Capricórnio
Trópico de Câncer
60˚
60˚
20˚
20˚
Trópico de Câncer
Equador
180˚
160˚
140˚
120˚ 100˚ 80˚ 60˚
40˚
20˚
0˚
G
r
e
e
n
w
i
c
h
Polo
Norte
PROJEÇÃO CILÍNDRICA
Este tipo de projeção é produzido como
se um cilindro envolvesse a esfera
terrestre e fosse então planificado.
A projeção cilíndrica ainda consegue
representar com menos distorções as
baixas latitudes.
PROJEÇÃO CÔNICA
Neste tipo de projeção, a representação
é feita como se um cone envolvesse
o planeta e depois fosse planificado.
Esta projeção é utilizada para mapas
de latitudes médias, pois nessa região a
distorção é menor.
PROJEÇÃO PLANA
OU AZIMUTAL
O mapa é construído sobre um plano que
tangencia algum ponto da superfície
terrestre. Seu uso mais comum é para
melhorar a visibilidade das regiões
polares e de suas proximidades.
AS DIFERENTES REPRESENTAÇÕES DA ESFERA TERRESTRE
Dependendo da figura geométrica utilizada para desenvolver o mapa, as projeções podem ser classificadas da seguinte forma:
VENDA PROIBIDA
21
GE GEOGRAFIA 2018
CONFORME
Prioriza a forma, ou seja, o contorno
dos continentes e oceanos e distorce
a área, principalmente nas latitudes
maiores. Na Projeção de Mercator ao
lado, a Groenlândia, que tem cerca de
2,8 milhões de quilômetros quadrados,
aparece no mapa com quase o mesmo
tamanho da África, com seus mais de
30 milhões de quilômetros quadrados.
EQUIVALENTE
Mantém a equivalência da área,
ou seja, a proporção entre as áreas
reais e sua representação nos mapas.
No entanto, as formas ficam distorcidas,
como a América do Sul e a África, que
aparecem mais alongadas no mapa, como
se nota na Projeção de Peters.
EQUIDISTANTE
Representa com maior fidelidade as
distâncias, por isso é frequentemente
adotada para definir rotas aéreas e
marítimas. No entanto, ela distorce as
formas e as áreas. As projeções planas ou
azimutais, descritas na página ao lado,
também são consideradas equidistantes.
ARBITRÁRIA OU AFILÁTICA
Não se prende totalmente a nenhuma
regra, distorcendo tanto a área como
a forma, porém sem exagerar essas
distorções, buscando um resultado
mais equilibrado. O exemplo mais
representativo é a Projeção de Robinson,
utilizada na maior parte dos atlas
e livros escolares.
DIFERENTES PROJEÇÕES CAUSAM POLÊMICA
As projeções também podem ser classificadas de acordo com os parâmetros utilizados
para conservar ou distorcer as áreas:
SAIBA MAIS
AS IMAGENS DE SATÉLITES
Ossatélitessãoinstrumentosessenciaispara
a obtenção de imagens da superfície terres-
tre com grande riqueza de detalhes. A partir
dessas informações, os cartógrafos produzem
mapas temáticos, monitoram problemas am-
bientais, como o desmatamento e a poluição
daságuas,descobremnovasriquezas,comoja-
zidasminerais,entreinúmerasoutrasfunções.
Aobtençãodeimagensdesatélitefazpartede
umconjuntodetécnicasconhecidascomosen-
soriamentoremoto.Comoaprópriaexpressão
jádiz,trata-sedeumaformadeobterimagens
com sensores localizados à distância. Depen-
dendodasvariaçõesqueascaracterísticasfísi-
casdasuperfícieterrestreapresentam,ocorrem
diferentesíndicesdereflexãodaluzsolaroudas
radiaçõesdossensoresativosdossatélites.As
águas,porexemplo,tendemaabsorvermaior
quantidadedeenergia,enquantoconstruções
(prédios,estradas,pontesetc.)oumesmoosolo
expostorefletemmaisaenergiaincidente.Desta
forma, é possível identificar as características
naturaisedaocupaçãohumanadeumadeter-
minadaárea.Existemaindafiltrosutilizadospara
realçaralgumacaraterística,comoasvariações
do relevo, dos recursos minerais, da vegetação
ou das águas, por exemplo.
CORES E TEXTURAS Nesta imagem da região
metropolitana de São Paulo, as porções de
água estão representadas na cor preta, as áreas
urbanizadas na cor rosa, a vegetação na cor
verde e o solo exposto na cor marrom
INPE
VENDA PROIBIDA
22 GE GEOGRAFIA 2018
COMO CAI NA PROVA
1.(Fuvest 2017) Anamorfose geográfica representa superfícies dos países
em áreas proporcionais a uma determinada quantidade.
Observe as seguintes anamorfoses:
Nasalternativasapresentadas,ostítulosqueidentificamdeformacorretaas
anamorfoses I e II são, respectivamente:
a) Transporte aéreo e Transporte ferroviário.
b) População urbana e População rural.
c) População total e Produto Interno Bruto.
d) Ocorrência de HIV e Ocorrência de malária.
e) Exportação de armas e Importação de armas
RESOLUÇÃO
A anamorfose possui uma força comunicativa poderosa e cartograficamente
temopapeldevalorizarcertosfenômenosgeográficos,provocandoasubversão
da forma com o propósito de revelar o assunto retratado. Para responder este
tipo de questão é preciso identificar o grau de distorção das áreas dos países no
mapa. Além disso, o conhecimento geral de temas da geografia física e humana
é fundamental para saber a quais assuntos o mapa estará relacionado.
No caso desta questão, as alternativas levam às seguintes reflexões:
AafirmativaAéincorretaporquepaísescomoJapãoeChinatêmfortemovimento
aéreo e o transporte ferroviário é maior em países desenvolvidos;
AafirmativaBéincorretaporquenãosóospaísesdesenvolvidosregistramaltos
percentuais de população urbana;
AafirmativaCéincorretaporqueEstadosUnidos,Rússia,Brasil,China,Índiasão
os países mais populosos;
AafirmativaDéincorretaporqueaocorrênciadoHIVémaiornocontinenteafricano.
Logo,arespostaquerepresentaamelhoropçãoéaquelaqueenvolveocomércio
mundialdearmas.EUA,paísesdeEuropaOcidentaleRússiasãograndesprodutores
e exportadores. Já Índia e Paquistão (em tensão por disputa territorial), Japão e
Coreia do Sul (temerosos por ameaças da Coreia do Norte) e países do Oriente
MédioedonortedaÁfrica(envolvidoscomaçõesterroristasefundamentalismo
islâmico) são grandes importadores de armamentos.
Resposta: E
2.(Mackenzie 2016)
Escala : 1:15.000
CombasenomapaeemseusconhecimentossobreEscalasCartográficaseFusos
HoráriosMundiais,qualalternativacontempla,corretaerespectivamente,as
seguintes perguntas.
I. Qual a distância linear entre os dois pontos atingidos pelas explosões, em
Bruxelas, sabendo que a distância entre os dois pontos no mapa é de 7 cm?
II. SabendoqueoataqueaoAeroportoInternacionaldeZaventem–Bruxelas
– Bélgica ocorreu às 8h do dia 22/03/2016, país localizado a 15º Leste de
Greenwich,quehorasosrelógiosbrasileirosmarcavamemseufusoprincipal,
horário de Brasília, localizado a 45o
Oeste de Greenwich?
a) 150 metros; 4h do dia 21/03/2016.
b) 1.500 metros; 20h do dia 21/03/2016.
c) 1.050 metros; 4h do dia 22/03/2016.
d) 10.500 metros; 20h do dia 22/03/2016.
e) 105.000 metros; 4h do dia 23/03/2016.
RESOLUÇÃO
I – A escala numérica indicada no mapa aponta 1: 15.000. Ou seja, para cada 1
centímetro no mapa temos, na realidade, 15.000 centímetros, ou 150 metros.
Em uma distância linear de 7 centímetros, temos a seguinte correspondência:
1 cm — 150 m
7 cm — x
x= 1050 m
II – Devemos considerar a localidade de Bruxelas a 15° Leste de Greenwich e de
Brasíliaa45°Oeste.Cadafusoequivalea1horaecorrespondea15°.Logo,adiferença
entreasduaslocalidadesapontadasnaquestãoéde4fusos,oequivalentea4horas.
Comonosentidolesteashorasaumentamenosentidooesteashorasdiminuem,
podemosconcluirque,nomomentodoatentadoexecutadoemBruxelasàs8horas,
os relógios brasileiros marcavam na sua hora oficial quatro horas a menos, pois
BrasíliaselocalizamaisaoestedaBélgica.Comissoahoraregistradafoide4horas.
Resposta: C
VENDA PROIBIDA
23
GE GEOGRAFIA 2018
RESUMO
Cartografia
ELEMENTOS DOS MAPAS São as informações que acompa-
nhamosmapaseaelesdãosignificado.Osprincipaiselementos
sãootítulo,alegenda(indicaosignificadodossímbolos,cores
e demais recursos utilizados nos mapas), a rosa dos ventos
(indica os pontos cardeais), a fonte dos dados e a escala, que
determina a proporção em que o mapa foi feito, comparado
à superfície real.
COORDENADAS GEOGRÁFICASSãovaloresemgraus,minutos
e segundos obtidos a partir do cruzamento dos meridianos
(linhas imaginárias traçadas no sentido norte-sul) e dos para-
lelos (linhas imaginárias traçadas no sentido leste-oeste). As
coordenadassãofundamentaisparaalocalizaçãodequalquer
pontoouáreanasuperfícieterrestre.Opontodereferênciados
paralelos é a linha do Equador, enquanto dos meridianos é o
meridiano de Greenwich. Os paralelos determinam a latitude
e os meridianos indicam a longitude.
FUSOS HORÁRIOS São faixas longitudinais (que se estendem
nosentidonorte-sulnogloboterrestre)criadasparaorganizara
horamundial.Inicialmenteforamdeterminadas24faixas,cada
uma com 15 graus. A hora adotada em cada país, no entanto,
foi regulamentada com base nos fusos horários práticos, que
acompanham os limites territoriais dos países ou estados,
de acordo com os interesses político-econômicos regionais.
O ponto de referência do horário mundial é o meridiano de
Greenwich, na Inglaterra: indo para leste, adianta-se o relógio;
para oeste, deve-se atrasá-lo. Muitos países adotam o horário
de verão, adiantando o relógio em uma hora para aproveitar
melhor a luz solar e reduzir o consumo de energia.
TIPOS DE MAPAS De acordo com o tipo de informação que
representam, os mapas podem ser classificados como: mapas
políticos, que mostram os limites político-territoriais dos
países; mapas físicos, com as principais características de
relevo e hidrografia; e os mapas temáticos, que representam
algum tema ou assunto específico, como dados econômicos,
populacionais ou ambientais. As anamorfoses aumentam ou
diminuem o tamanho dos países ou continentes de acordo
com os dados quantitativos que estão sendo representados.
PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS São técnicas utilizadas para
representar a Terra, que é esférica, em uma superfície plana.
Asprincipaisprojeçõessãoclassificadasdeacordocomafigura
geométrica utilizada para representar a superfície terrestre:
cilindro (projeção cilíndrica); cone (projeção cônica) e plano
(projeção plana ou azimutal). Há distorções em todas as pro-
jeções, sendo que em cada uma se prioriza uma determinada
propriedade: a área, a forma ou as distâncias. A projeção de
Mercator é mais precisa nas distâncias, mas distorce as áreas.
Já a projeção de Peters privilegia o tamanho da área, porém
não consegue apresentar as formas de maneira fiel.
3.(Unicamp2017)Arepresentaçãocartográficadosfatosgeográficosavançou
consideravelmente, nas últimas décadas, sobretudo a partir do emprego de
tecnologias modernas utilizadas pela Cartografia, por exemplo, as imagens
SRTM, como a que será vista a seguir:
a) ExpliqueporqueaGroenlândiaeaPenínsulaArábica,quepossuemaproxima-
damente a mesma superfície no mapa-múndi acima, apresentam dimensões
tão discrepantes, e indique qual é a projeção desse mapa-múndi.
b) Defina escala cartográfica e indique se o mapa acima apresenta uma escala
grande ou pequena.
RESOLUÇÃO
a) O mapa apresentado na questão foi feito em uma projeção cilíndrica do tipo
conforme idealizada por Mercartor. Este mapa prioriza a forma e o contorno
dos continentes. No entanto, ele distorce o tamanho e a proporção das áreas
continentais. As áreas de baixa latitude, mais próximas da linha do Equador,
são reproduzidas de forma mais fiel, como acontece com a Península Arábica.
Já as regiões de alta latitude, como a Groenlândia, são apresentadas em um
tamanho proporcionalmente maior do que de fato são.
b) A escala cartográfica permite que se estabeleça uma relação entre o espaço
real e a área apresentada no mapa. O mapa-múndi reproduzido na questão
temescalapequena–elamostrapoucosdetalhes,priorizandoaapresentação
de uma área de abrangência maior.
 SAIBA MAIS
As escalas numéricas são expressas por uma fração cujo numerador é a
medida no mapa e o denominador é a medida correspondente ao terreno.
Ex: 1:50.000 ou 1/50.000 – 1 cm no mapa corresponde a 50.000 cm no terreno).
O tamanho da escala é tanto menor quanto maior for o denominador. Veja na
tabelaabaixocomootamanhodaescalaserelacionacomafinalidadedomapa:
Tamanho Escala Finalidade do Mapa
Grande
1:50 / 1:100 Plantas arquitetônicas e de engenharia
1:500 a 1: 20.000 Plantas urbanas; projetos de engenharia
Média 1: 25.000 a 1:250.000 Mapas topográficos
Pequena Acima de 1: 250.000 Atlas geográficos; globos
VENDA PROIBIDA
24 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA
2 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
 Composição e estrutura geológica.............................................................26
 Tipos de relevo..................................................................................................28
 Placas tectônicas .............................................................................................30
 Relevo em movimento....................................................................................32
 Relevo do Brasil................................................................................................36
 Recursos minerais...........................................................................................38
 Características dos solos...............................................................................40
 Deslizamento de terra e inundações........................................................42
 Contaminação dos solos................................................................................44
 Como cai na prova + Resumo.......................................................................46
maioremrelaçãoaoentornoedetémumacrosta
mais espessa que a do leito oceânico – quatro
característicascomunsaoscontinentesvalidados.
Embora seja natural pensarmos que um con-
tinente deva estar inteiramente na superfície,
os pesquisadores argumentam que o fato de
Zelândia ter apenas 6% de suas terras emersas
não lhe tira o direito de ser vista como tal. “É o
menor e mais fino continente já encontrado, e o
fatodeestartãosubmerso,masnãofragmentado,
o torna útil para explorar a coesão e desintegra-
ção da crosta continental”, aponta Mortimer.
Como não existe um organismo internacional
que reconheça formalmente os continentes, a
Zelândia só irá fazer parte da lista se a comuni-
dade científica aceitar os argumentos dos pes-
quisadores neozelandeses e passar a citá-la em
seus trabalhos. Dessa forma, o novo continente
quase inteiramente
submerso do Pacífico
passariaaserensinado
nas aulas de Geogra-
fia. Enquanto isso não
acontece, você apren-
denocapítuloaseguir
todos os tradicionais
fenômenos do relevo
e de sua formação.
O NOVO CONTINENTE
Representação da Terra
mostra a Zelândia, em volta
do tracejado em vermelho:
apenas a Nova Zelândia,
ao sul, e a pequena ilha da
Nova Caledônia, ao norte,
estão acima do nível do mar
U
m artigo publicado em fevereiro de
2017 na revista científica da Geological
Society of America (GSA) propõe uma
mudança significativa nos livros de Geografia.
Segundo o estudo liderado pelo geólogo neoze-
landês Nick Mortimer, o mundo teria um novo
continente: a Zelândia. O território possui 4,9
milhões de quilômetros quadrados (cerca de
60% da área do Brasil) e localiza-se no sudo-
este do Oceano Pacífico, ao lado da Austrália.
Detalhe: 94% de suas terras são submersas, e
as únicas porções acima do nível do mar são as
ilhas de Nova Zelândia e Nova Caledônia, dis-
tantes cerca de 2.400 quilômetros uma da outra.
AformaçãodaZelândiaestariarelacionadaao
mesmo fenômeno que deu origem aos demais
continentes: a deriva continental. A Pangeia,
a grande e única extensão de terra que existia
há 225 milhões de anos, foi se fragmentando
gradativamente até dar forma aos continentes
que conhecemos atualmente.
A Zelândia se descolou da Austrália e da An-
tárticaesubmergiu,masaindaassimpoderiaser
considerada um continente. É o que defende o
estudo de Mortimer, com base em critérios geo-
lógicos.Dadoscoletadosporsatélitemostramque
a Zelândia tem uma área bem definida, é dotada
de uma geologia distinta, possui uma elevação
Território localizado no sudoeste do
Oceano Pacífico tem apenas 6% de sua
área acima do nível do mar
Zelândia,
o continente
submerso
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
 Composição e estrutura geológica.............................................................26
 Tipos de relevo..................................................................................................28
 Placas tectônicas .............................................................................................30
 Relevo em movimento....................................................................................32
 Relevo do Brasil................................................................................................36
 Recursos minerais...........................................................................................38
 Características dos solos...............................................................................40
 Deslizamento de terra e inundações........................................................42
 Contaminação dos solos................................................................................44
 Como cai na prova + Resumo.......................................................................46
APONTE O CELULAR PARA AS
PÁGINAS E VEJA VÍDEO SOBRE
A FORMAÇÃO DA ZELÂNDIA
(MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)
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25
GE GEOGRAFIA 2018
MARIO KANNO/MULTISP
VENDA PROIBIDA
26 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA GEOLÓGICA
O
termolitos,emgrego,significa“pedra”ou
“rocha”. Portanto, conhecer a litosfera é
saberliteralmenteondeestamospisando,
já que ela dá nome à camada sólida que reveste a
esfera terrestre. Essa rigidez em sua superfície,
aliás, é uma característica que nem todos os pla-
netaspossuem.NoSistemaSolar,alémdaTerra,
somenteoutrostrês(Mercúrio,VênuseMarte)são
classificadoscomoplanetasrochosos.Osdemais
(Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) são gigantes
gasosos e não possuem uma crosta rochosa.
A litosfera é composta pela crosta e por uma
partedomantosuperior,conformeilustraaima-
Por
dentro
do globo
Conheça as
características
das camadas
internas do
planeta e como
o relevo foi
formado ao
longo dos anos
Manto inferior
Manto superior
Fonte: ALMANAQUE ABRIL
Crosta
Núcleo externo
Núcleo
central
CROSTA
É a parte superior ou externa da litosfera,
encontrada tanto nas áreas continentais (crosta
continental) como submersas pelos oceanos
(crosta oceânica). A crosta continental apresenta
espessuras que variam de 30 a 70 quilômetros,
aproximadamente, com rochas mais densas na
parte inferior e menos densas na porção superior,
próxima da superfície. A crosta oceânica, por sua
vez, tem espessura entre 6 e 7 quilômetros de
profundidade e é constituída predominantemente
por rochas mais densas.
gem abaixo. É sobre ela que o relevo ganha seus
contornos,formandodesdedepressõesatécadeias
montanhosas.Alémdessascamadas,aTerrapossui
outraspartesemsuaestruturainternaigualmente
sólidas, como o núcleo interno, ou fluidas, como
omantoeonúcleoexterno.Conheceressaestru-
turaesuadinâmicaéfundamentalparaentender
fenômenos como os terremotos, as atividades
vulcânicas e os tsunamis, por exemplo, e assim
poderbuscarosmeiosdeseprotegercontraseus
efeitos devastadores.
Veja abaixo as características das diferentes
camadas da Terra:
TETO DAS AMÉRICAS O Monte Aconcágua, na Argentina, é o ponto mais alto do continente americano, medindo 6.959 metros
AS CAMADAS DA TERRA
APONTE O CELULAR PARA AS
PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA
SOBRE ESTRUTURAS GEOLÓGICAS
(MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)
VENDA PROIBIDA
27
GE GEOGRAFIA 2018
A estrutura geológica
A estrutura geológica e mineralógica da crosta está na base do modo de vida das populações
humanas, uma vez que fornece dezenas de recursos necessários à vida, como a produção de ali-
mentos (obtidos por meio do cultivo do solo), os materiais utilizados na construção de moradias
(tijolos, cimento, ferro), a geração de energia (petróleo, urânio), entre inúmeros outros. Confira
a seguir as principais estruturas geológicas da litosfera:
FORMAÇÃO DAS ESTRUTURAS GEOLÓGICAS
Escudo
cristalino
Dobramentos
modernos
Bacias
sedimentares
2,5 bilhões
4,5 bilhões 250 milhões
ArqueozoicaProterozoica Paleozoica Mesozoica Cenozoica
65 milhões
570 milhões
ESCUDOS CRISTALINOS
São os terrenos mais antigos da crosta terrestre,
formados pelo choque de massas continentais
ocorrido há centenas de milhões de anos durante
a era Pré-Cambriana (Arqueozoica e Proterozoica).
Os escudos cristalinos são constituídos de rochas
magmáticas, ou seja, trata-se do magma – material
líquido-pastoso proveniente do manto – em estado
sólido. As rochas magmáticas dividem-se em duas
categorias: as extrusivas, como o basalto, que são
formadas com o esfriamento rápido do magma na
superfície terrestre; e as intrusivas, como o granito, que
são resfriadas lentamente dentro da crosta terrestre.
Os escudos cristalinos também exibem as rochas
metamórficas, que são o resultado da transformação
das rochas magmáticas, sedimentares ou mesmo
de outras metamórficas, por meio de processos
químicos e físicos nas grandes profundidades
da Terra. O mármore, por exemplo, é formado
do calcário quando esse é submetido a altas
temperaturas e pressão.
BACIAS SEDIMENTARES
Foram formadas nas eras Paleozoica e Mesozoica,
com a erosão das rochas dos escudos cristalinos –
após o desgaste dos maciços, seus sedimentos foram
depositados em regiões mais baixas. O acúmulo
desses detritos, somado aos restos orgânicos, leva à
formação de rochas sedimentares pelo processo de
MANTO SUPERIOR
É a parte da estrutura
interna da Terra que se
encontra logo abaixo
da crosta e vai até cerca
de 400 quilômetros
de profundidade.
Juntamente com a
crosta, a parte superior
do manto, formada por
rochas sólidas, constitui
a litosfera.
MANTO INFERIOR
Constituído por rochas fundidas diante das
elevadas temperaturas, o manto inferior
estende-se de 400 a 2.900 quilômetros de
profundidade. É nessa parte que se formam
as correntes de convecção do magma: o
contato com o núcleo externo aumenta as
temperaturas desses materiais, que são
impulsionados em direção ao manto
superior, onde se “resfriam” e, mais densos,
tornam a descer para perto do núcleo, onde
novamente são aquecidos e reiniciam o ciclo.
NÚCLEO
EXTERNO
Localizado na
faixa entre 2.900 e
5.100 quilômetros,
é constituído por
dois minerais
predominantes:
o níquel e o ferro,
totalmente fundidos
pelas elevadas
temperaturas.
NÚCLEO CENTRAL
O núcleo central constitui a
camada que fica entre 5.100
quilômetros e o centro da
Terra, a 6.378 quilômetros.
É constituído de uma liga
metálica formada por ferro
e níquel, porém em estado
sólido em função da elevada
pressão a que é submetido. Seu
movimento de rotação é maior
do que o do restante da Terra.
litificação. Essa deposição é feita em camadas.
O calcário, presente em cavernas, o arenito e o
carvão são exemplos de rochas sedimentares.
DOBRAMENTOS MODERNOS
Trata-se das formações mais recentes da crosta
terrestre, surgidas do choque de placas ocorrido entre
o fim da era Mesozoica e o início da Cenozoica.
As rochas são mais flexíveis e situam-se na zona de
contato entre as placas tectônicas. Nessa região de
grande instabilidade e frequentes movimentos sísmicos
encontram-se montanhas e vulcões ativos e extintos.
PARA IR ALÉM
O filme Viagem ao
Centro da Terra, de
Eric Brevig, baseado
na obra de Júlio Verne,
conta a história de
um grupo de pessoas
que descobre um
caminho para o núcleo
do planeta. Essa obra
de ficção apresenta
características
geológicas internas
da Terra.
iSTOCK PHOTO
VENDA PROIBIDA
28 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA TIPOS DE RELEVO
DEPRESSÕES
São áreas da superfície localizadas em
altitude inferior à das regiões próximas
(depressão relativa) ou abaixo do nível do
mar (depressão absoluta). As depressões
podem ser formadas de várias maneiras:
por deslocamento do terreno, remoção de
sedimentos, dissolução de rochas ou até
por queda de meteoritos. O Mar Morto,
situado 416 metros abaixo do nível do mar,
é a maior depressão do globo. Ele banha
Israel, Jordânia e Cisjordânia e leva esse
nome em razão da elevada concentração
de sal de suas águas – dez vezes superior
à dos demais oceanos –, o que impede a
existência de qualquer forma de vida.
MONTANHAS
Também chamadas de dobramentos
modernos, são grandes áreas elevadas
resultantes do choque de placas tectônicas
(veja mais na pág. 32). Os maiores picos do
mundo ficam na Cordilheira do Himalaia,
um complexo montanhoso que se estende
por cinco países asiáticos: Paquistão,
Índia, Nepal, Butão e China. Sua formação,
iniciada há cerca de 70 milhões de anos,
resulta do choque entre a placa tectônica
Indiana e a placa Eurasiática (veja mais
na pág. 31). O curioso é que a placa
Indiana continua a se mover, fazendo
com que o Himalaia se eleve a uma taxa
de 5 milímetros por ano.
SAIBA MAIS
O RELEVO SUBMARINO
Escondido sob o cobertor das águas mari-
nhas,osolooceânicoapresentaumricorelevo
de montanhas, planaltos e fossas profundíssi-
mas. Como essas formas não estão expostas
à erosão de agentes externos, como o vento
e as chuvas, os perfis são mais contrastantes
e escarpados. Podemos destacar três porções
desse relevo submerso:
Plataforma continental: terras submersas
que se prolongam das terras emersas, como
uma orla em torno dos continentes. Topogra-
ficamente, ela é uma superfície quase plana,
formada pelo acúmulo de sedimentos de
origem continental. Vai até os 200 metros de
profundidade, que também é o limite da pe-
netração da luz solar (veja mais na pág. 54).
Cordilheira submarina: elevações de forma
regular que surgem ao longo dos oceanos,
como a Dorsal Mesoatlântica. Essa cadeia
de montanhas submersas tem mais de 10 mil
quilômetros de comprimento e se estende no
sentidonorte-sulpelaregiãocentraldoOceano
Atlântico.Suaformaçãosedeveaoafastamen-
to das placas tectônicas, que permitiu que o
magma chegasse à superfície. Em alguns pon-
tos, os picos se elevam acima do nível do mar
e formam ilhas, como é o caso do arquipélago
de Fernando de Noronha, no Brasil.
Há outras cordilheiras submarinas nos ocea-
nos Índico e Pacífico, todas com uma caracte-
rística em comum: formam-se em locais onde
as placas tectônicas estão se afastando umas
das outras. O afastamento é lento (menos de
2 centímetros ao ano), impulsionado pelas
correntes convectivas do magma, que se eleva
e forma novas rochas ao se resfriar.
Fossas oceânicas: também conhecidas como
fossas abissais, são gigantescos abismos sub-
marinos formados quando uma placa tectôni-
ca é forçada para debaixo de outra, após uma
colisão. O local mais profundo dos oceanos é
a Fossa das Marianas, um enorme vale sub-
marino com 10.920 metros de profundidade,
localizado a leste das Ilhas Marianas, no Oce-
ano Pacífico.
Ela tem por volta de 2,5 mil quilômetros de
extensão e fica na fronteira entre duas pla-
cas tectônicas, a do Pacífico e a das Filipinas.
Caso o Monte Everest fosse colocado dentro
da Fossa das Marianas, ainda restariam mais
de 2 mil metros de água entre seu pico e o
nível do mar.
As quatro faces da Terra
Conheça os principais tipos de relevo
que constituem o cenário global
PLANALTOS
São elevações de altitudes variadas, em
que predomina o processo de erosão e cuja
composição rochosa pode ser de rochas
sedimentares, cristalinas ou metamórficas.
Os planaltos apresentam superfície
irregular, como serras e chapadas, e são
delimitados por áreas rebaixadas em
um de seus lados. O continente africano
se destaca pela presença de planaltos,
com altitudes predominantes entre 400
e 2 mil metros. Na porção leste/nordeste,
destacam-se os planaltos da Etiópia e o dos
Grandes Lagos.
PLANÍCIES
São áreas de superfície relativamente
plana, formadas por rochas sedimentares
e nas quais predominam os processos
de deposição e acúmulo de sedimentos.
Na maior parte das vezes, as planícies
são encontradas em baixas altitudes. Em
geral, localizam-se próximas do litoral,
como a planície do norte europeu, ou de
grandes rios ou lagos, como ocorre com a
planície do Rio Amazonas. Mas é bom ficar
atento: não é a altitude de um relevo que
determina se ele é uma planície; o principal
fator definidor é o acúmulo de sedimentos.
Nas regiões elevadas, por exemplo,
existem as planícies de montanha, que
são formadas de rocha sedimentar e
delimitadas por aclives.
ALTOS E BAIXOS Exemplos de relevo (da esquerda para a direita): Depressão do Mar Morto (Israel),
Cordilheira do Himalaia (Nepal), Planalto do Apalache (EUA) e Planície Amazônica (Brasil)
[1]
VENDA PROIBIDA
29
GE GEOGRAFIA 2018
1. ÁSIA: Everest (Nepal) 8.850 m
2.
AMÉRICA DO SUL:
Aconcágua (Argentina)
6.959 m
3.
AMÉRICA DO NORTE:
McKinley (EUA)
6.194 m
4.
ÁFRICA: Kilimanjaro
(Quênia)
5.895 m
5. EUROPA: Elbrus (Rússia) 5.642 m
6. ANTÁRTICA: Maciço Vinson 4.897 m
7.
OCEANIA: Kosciuszko
(Austrália)
2.228 m
Fonte: Atlas National Geographic
MONTES MAIS ALTOS POR CONTINENTE
O maior deles fica na Cordilheira do Himalaia, no Nepal
ELEVAÇÃO OCEÂNICA O arquipélago de Fernando de Noronha é formado a
partir de alguns pontos emersos da Dorsal Mesoatlântica
[1] iSTOCK PHOTO | DIVULGAÇÃO | IRMO CELSO [2] iSTOCK PHOTO
AS FORMAÇÕES DO
RELEVO NO MUNDO
4.800 m
3.000 m
1.800 m
1.200 m
600 m
300 m
150 m
0
-1.000m
-2.000 m
-3.000 m
-4.000 m
-5.000 m
-6.000 m
-7.000 m
-8.000 m
ALTITUDES
Picos
Fonte: IBGE
Aconcágua
Maciço Vinson
Pico da
Neblina
Mte. McKinley
Mte.
Elbrus
Mte. Kilimanjaro
Mte. Everest
Mte. Kosciuszko
TETO DO MUNDO
Osmaiorespicos
domundoficam
naCordilheirado
Himalaia,umcomplexo
montanhosolocalizado
nocoraçãodaÁsia.
NAS PROFUNDEZAS
DO OCEANO
O local mais profundo
dos oceanos é a Fossa das
Marianas, um enorme vale
submarino localizado a leste
das Ilhas Marianas,
no Oceano Pacífico
SALGADO E SEM VIDA
O Mar Morto banha
Israel, Jordânia e
Cisjordânia e é a maior
depressão do globo
BERÇO DAS ÁGUAS
O planalto dos Grandes Lagos abriga
as nascentes das duas maiores bacias
hidrográficas do continente: a do Rio
Congo, a maior em volume de água,
e a do Rio Nilo.
CORDILHEIRAS OCEÂNICAS
A Dorsal Mesoatlântica forma
uma cadeia de montanhas
que se estende de norte a sul
no Oceano Atlântico
As maiores altitudes (mancha marrom) ficam no
centro-sul da Ásia. As planícies (áreas verdes e
amarelo-claras) estão espalhadas pelo globo
SEDIMENTOS ACUMULADOS
A Planície Amazônica é uma
faixa de terra que acompanha
o Rio Amazonas e torna-se
mais larga quando chega na
foz, na Ilha de Marajó
[2]
VENDA PROIBIDA
30 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA PLACAS TECTÔNICAS
A
splacastectônicassãogigantescosblocos
quecompõemacamadasólidaexternado
nossoplaneta(alitosfera),sustentandoos
continentes e os oceanos. Impulsionadas pelo
movimento do magma incandescente (material
emestadolíquido-pastosonointeriordaTerra),
as principais placas se empurram, afastam-se
umas das outras e afundam ou elevam-se alguns
milímetros por ano, alterando suas dimensões e
modificandoocontornodorelevoterrestre.Esses
imensos fragmentos atuam como artistas que,
continuamente, recriam a paisagem da Terra.
Aliás, a palavra “tectônica” vem de tektoniké,
expressão grega que significa “a arte de cons-
truir”. A configuraçãoatualdoscontinentes,por
exemplo,éfrutodemilhõesdeanosde“trabalho
artístico”dasplacas.Vejaaoladoascaracterísti-
casde16dasmaisimportantesplacastectônicas.
A deriva continental
Desenvolvida pelo alemão Alfred Lothar We-
gener,ateoriadaderivacontinentalnãorecebeu
muito crédito quando foi divulgada em 1912. À
época,poucosacreditaramnahipóteselevantada
por esse cientista de que, no passado geológico,
toda a crosta terrestre estava unida em um único
continente–aPangeia–eque,posteriormente,ela
se rompeu em dois supercontinentes: Laurásia e
Gondwana.Estas,porsuavez,sedesmembraram
emváriasoutraspartes,quepassaramasemover
em diferentes direções. Para sustentar sua argu-
mentação, Wegener recorreu à semelhança dos
contornosdaÁfricaocidentaledolestedaAmérica
do Sul e também à análise de fósseis e amostras
derochas.Posteriormente,aconfirmaçãodeque
as placas rochosas flutuam sobre magma incan-
descente ajudou a fortalecer a tese de Wegener.
Atualmente, geólogos do mundo inteiro reto-
mam e aprofundam as descobertas de Wegener
a partir da teoria da Tectônica das Placas. Os
estudosemvigordesdeadécadade1960descre-
vemaanalisamcomdetalhesosmovimentosdas
placasquecompõemacrostaterrestre,bemcomo
suas consequências, como os abalos sísmicos e
as alterações no relevo terrestre e do fundo dos
oceanos.Confiraàdireitacomofoioprocessode
deslocamentodeterrasqueresultounaformação
dos atuais continentes.
As construtoras
da Terra
As placas tectônicas modelam e
modificam o relevo do planeta há
milhões de anos
PLACA DE COCOS
Foiformadaapartirdo
desprendimentodaplaca
doPacífico.Fundiu-secoma
placadoCaribe,criandouma
zonaturbulenta
QUEBRA-CABEÇA PLANETÁRIO
Conheça as características de 16 das
mais importantes placas tectônicas
PLACA DA AMÉRICA
DO NORTE
Odeslocamentoemrelaçãoà
placadoPacíficocriaumazona
turbulenta:emumdoslimites,
naCalifórnia,estáafalhade
SanAndreas,famosapelos
terremotosarrasadores
PLACA DO PACÍFICO
Comcercade70milhões
dequilômetrosquadrados,
estáemconstante
renovaçãonaregiãodo
Havaí,ondeomagmasobe
ecriailhasvulcânicas.No
encontrocomaplacadas
Filipinas,elaafundaem
umaáreaconhecidacomo
FossadasMarianas,na
qual ooceanoatingesua
profundidademáxima:
10.920metros
PLACA DE NAZCA
A cada ano, essa placa de
10 milhões de quilômetros
quadrados no leste do
Oceano Pacífico fica
10 centímetros menor pelas
trombadas com a placa
Sul-Americana. Esta, por ser
mais leve, desliza por cima
da placa de Nazca, criando
vulcões e elevando as
montanhas dos Andes
PLACA JUAN DE FUCA
É a menor das placas
tectônicas, que se fundiu
com a placa Norte-
Americana e criou a
Cordilheira das Cascatas,
nos Estados Unidos
Todos os continentes estavam
reunidos em um único chamado
Pangeia (do grego: toda terra),
formado durante a era Paleozoica
225 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
A Pangeia começou a se partir
no sentido leste-oeste,
formando dois subcontinentes:
Laurásia e Gondwana
180 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
DERIVA DOS CONTINENTES
VENDA PROIBIDA
31
GE GEOGRAFIA 2018
PLACA DA ÁFRICA
NomeiodoAtlântico,umafalha
submersaabrecaminhoparao
magmadomantoinferior,fazendo
comqueesseblocoseafasteda
placaSul-Americanaecresçade
tamanho.Atendênciaépassaros
65milhõesdequilômetrosatuais
PLACA DO CARIBE
A placa do Caribe desliza ao
lado da placa Norte-Americana,
criando falhas transformantes.
Foi o atrito entre elas que gerou,
em 2010, o avassalador terremoto
no Haiti, país que fica no limite
entre as duas placas
PLACA SUL-AMERICANA
Como o Brasil está no meio
desse bloco, ele sente pouco os
efeitos de terremotos. No centro
do continente, a placa tem 200
quilômetros de espessura; na
borda com a placa daÁfrica,não
passam de 15 quilômetros
PLACA IRANIANA
LocalizadaentreasplacasArábicae
Euroasiática,oblocosustentaamaiorpartedo
territóriodoIrã.Porcausadisso,opaísregistra
grandeatividadesísmica,comooterremotode
2006,quematoumaisde31milpessoas
PLACA DE ANATÓLIA
Sobreessaplacaficaboapartedo
territóriodaTurquia.Ochoque
desseblococomaplacaArábicae
comaplacaEuroasiáticatornao
paísumaáreasujeitaaviolentas
atividadessísmicas
PLACA DA ANTÁRTICA
É o bloco que dá suporte
à Antártida e a uma parte
do Atlântico Sul, em um total
de 25 milhões de quilômetros
quadrados
PLACA ARÁBICA
A placa sustenta a
Península Arábica e foi
responsável pela criação do
Mar Vermelho. O choque
com a placa Euroasiática
e com a placa Indiana
provoca fortes terremotos
PLACA AUSTRALIANA
O bloco que sustenta a Austrália
e a maior parte do Oceano Índico
ruma velozmente para o norte.
Além de se chocar com a placa
Indiana, a borda nordeste bate na
placa do Pacífico, criando ilhas na
região turbulenta
PLACA INDIANA
A placa comporta todo o subcontinente
indiano. No choque com a placa Euroasiática,
nasceu o conjunto de montanhas do Himalaia,
no sul da Ásia, onde há mais de 100 montanhas
com altitudes superiores a 7 mil metros
PLACA DAS FILIPINAS
Essaplacaconcentraemseuslimitesquase a
metadedosvulcõesativosdoplaneta.Colisões
comaplacaEuroasiáticacausamterremotos
eerupçõesdestruidoras,comoadoMonte
Pinatubo,em1991,umadasmaisviolentasdos
últimos50anos
PLACA EUROASIÁTICA
Sustenta a Europa, parte da Ásia, do Atlântico
Norte e do Mar Mediterrâneo. Ela se choca
contra a placa das Filipinas e com a do
Pacífico, onde fica o Japão. O encontro triplo
é tumultuado e dá origem a uma das áreas
do globo com o maior índice de terremotos e
vulcões do planeta
[1]
Fendas separaram a
América do Sul, a África e a Índia,
iniciando a formação dos oceanos
Atlântico e Índico
135 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
A placa da Índia deslocou-se em
direção à Ásia. O choque entre
os dois blocos formou as regiões
elevadas do Himalaia e do Tibete
65 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
Na atual configuração da Terra,
a deriva continua. A América do Sul,
por exemplo, afasta-se da África
cerca de 5 centímetros por ano
ATUALMENTE
[1] MULTI/SP [2] LUIZ IRIA E RODRIGO RATIER/REVISTA MUNDO ESTRANHO
[2]
VENDA PROIBIDA
32 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO
E O VENTO MUDOU As dunas exemplificam como
o relevo está sujeito a transformações
[1]
O
relevo é resultado da dinâmica
de fenômenos internos e exter-
nos sobre a camada mais super-
ficial da Terra, a litosfera. Depressões,
planícies, planaltos e montanhas foram
esculpidos no decorrer de milhões de
anos – e continuam em constante trans-
formação. A qualquer momento, por
exemplo, terrenos podem ser elevados
por pressões de dentro do planeta ou
mesmo ser gastos por agentes do intem-
perismo, mudando de cara e ganhando
novas curvas.
Duasaçõescombinam-separamodelar
orelevo:asforçasinternasouendógenas,
que dão as linhas mestras do relevo, e as
externas ou exógenas, que modificam
as formas já existentes. Veja a seguir as
forças que esculpiram – e continuam
esculpindo – os contornos do planeta.
Eu tenho
a força!
Os vigorosos agentes internos
e externos que, a cada segundo,
modelam o relevo
FORÇAS INTERNAS
Tambémchamadasdeendógenas,sãoasforçasresponsáveis
pordarformaaorelevo.Sãotrêsosagentesinternosdoglobo:
o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos.
1 TECTONISMO
São os lentos deslocamentos das placas tectônicas, que podem ser verticais ou
horizontais. Quando é vertical (epirogênese), levanta ou abaixa a crosta durante um
prolongado espaço de tempo.
É o que ocorre, por exemplo, na Península Escandinava, que se eleva alguns
centímetros todo ano.
Quando o movimento de uma placa em relação a outra é horizontal (orogênese),
uma acaba entrando embaixo da outra (a subducção).
É o processo que resulta na formação das imensas cadeias de montanhas
e de fossas. Veja exemplos de como as placas tectônicas se movimentam.
FALHAS TRANSFORMANTES
São criadas por duas placas que deslizam uma ao lado
da outra. O atrito entre elas guarda muita tensão, que
pode causar terremotos destruidores. Exemplo disso é
a falha de San Andreas, que corta a costa da Califórnia,
nos Estados Unidos, e o litoral oeste do México.
PLACAS CONVERGENTES 1
São placas que vão uma de encontro à outra. A placa
mais densa mergulha para baixo da menos densa. É o
caso do choque entre uma placa oceânica (mais densa)
e outra continental. Elas se comprimem, dando origem
a cadeias montanhosas, como a Cordilheira dos Andes.
As regiões em que esse de tipo de choque ocorre são
suscetíveis a terremotos.
PLACAS CONVERGENTES 2
Quando as placas têm a mesma densidade (duas
placas continentais, por exemplo), chocam-se e se
comprimem. O Himalaia é resultado desse fenômeno.
PLACAS DIVERGENTES
São aquelas que se afastam. Pela falha aberta na
crosta pode escapar magma, dando origem a ilhas
vulcânicas, como as do Havaí. O Oceano Atlântico é
cortado de norte a sul por uma falha desse tipo, que
está afastando a América do Sul da África. Esse tipo de
estrutura provoca menos terremotos.
VENDA PROIBIDA
33
GE GEOGRAFIA 2018
2 VULCANISMO
Os vulcões são fendas na crosta
terrestre por meio das quais o magma,
o material em estado líquido-pastoso
vindo do manto, atinge a superfície.
Existem dois tipos básicos de vulcão: o
explosivo e o não explosivo. O primeiro
aparece nos pontos de encontro
das placas tectônicas, os grandes
blocos que formam a litosfera – seu
melhor exemplo está nos vulcões que
desenham o Cinturão de Fogo, em
torno do Oceano Pacífico. Esse tipo se
caracteriza também pela lava quase
sólida, além de expelir poeira e uma
mistura de gases e vapor-d’água. A lava
desses vulcões vem das profundezas
da Terra, onde a temperatura elevada
derrete a rocha da crosta oceânica e faz
com que ela se misture à água do mar.
É justamente a presença de água que
confere o caráter explosivo ao vulcão.
Isso ocorre porque, conforme a lava
sobe, o vapor-d’água é liberado da
rocha e esbarra numa tampa formada
pelo material endurecido da explosão
anterior, aumentando a pressão até
explodir de vez. Já os vulcões não
explosivos, como os do Havaí, ficam
bem no meio de uma placa tectônica,
longe do choque entre elas. Esse tipo
surge quando ocorre alguma fissura na
crosta terrestre por onde a lava pode
escorrer. Essa lava é mais líquida e
incandescente.
NATUREZA EM FÚRIA
POMPEIA
UMA REGIÃO VITIMADA PELA FÚRIA DO VESÚVIO
Hoje, parece impossível viver à beira de um vulcão e não se dar conta do perigo. Mas era
assim que os moradores do balneário romano de Pompeia levavam a vida no ano de 79, pois
já fazia quase 2 mil anos que o Monte Vesúvio não entrava em erupção. Quando a montanha
soltou um estrondo, o chão tremeu e uma nuvem preta encobriu o sol, as pessoas saíram
para a rua, curiosas.
Alguns minutos depois do primeiro rugido, o vulcão lançou uma saraivada de pedras
e começou a fazer as primeiras vítimas. Outras morriam ao respirar a fumaça. No fim do
processo, duas avalanches cobriram Pompeia com 6 metros de cinzas e pedras, matando
16 mil pessoas. A coisa aconteceu de forma tão rápida que é como se as cidades tivessem
ficado congeladas no tempo, tornando-se os registros mais detalhados da era romana que
chegaram até nós. A foto ao lado mostra o “Jardim dos Fugitivos”, que abriga diversos corpos
fossilizados, cobertos pelas cinzas do Vesúvio.
ACESSO ÀS
PROFUNDEZAS
Os vulcões, como
o Parinacota, no
Deserto do Atacama,
no Chile, são fendas
por onde o magma sai
PARA IR ALÉM
O documentário
Tudo sobre Vulcões,
do Discovery Channel,
apresenta imagens de
uma série de erupções
vulcânicas e teorias
desenvolvidas por
cientistas que podem
ajudar a prever
esses fenômenos.
[1] SERGIO DUTTI [2] FELIPE ORRIGO [3] VALDEMIR CUNHA
[2]
[3]
VENDA PROIBIDA
34 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO
3 ABALOS SÍSMICOS
São tremores na superfície terrestre
causados pelo movimento das placas
tectônicas ou em virtude da grande
energia liberada pelo vulcanismo. Eles
se propagam a partir do hipocentro
(foco de contato entre as placas) em
ondas pelas rochas, atingindo regiões
distantes do epicentro (ponto na
superfície da Terra diretamente acima
do local onde se registra a maior
intensidade do tremor). A cada vez
que as enormes placas se encontram,
grande quantidade de energia fica
acumulada em suas rochas. De tempos
em tempos, o arsenal é liberado de
forma explosiva – essa liberação pode
ser sentida por meio de terremotos
que chacoalham as áreas continentais
do globo, geralmente nas bordas das
placas. Quando os abalos sísmicos
ocorrem no fundo oceânico, são
batizados de maremoto. Esses últimos
podem causar os temíveis tsunamis, ou
ondas gigantes (veja mais na pág. 58).
NATUREZA EM FÚRIA
HAITI
VIOLENTOTERREMOTODEVASTAPAÍSPOBRE
No dia 12 de janeiro de 2010, a terra tremeu
violentamentenoHaiti.Emapenasumminuto,
o terremoto de 7 pontos na escala Richter
derrubou90%dasconstruçõesdesuacapital,
PortoPríncipe.Maisde3milhõesdepessoas–
um terço da população haitiana – foram afe-
tadas pelo tremor. O número de mortos é
estimado entre 220 mil e 250 mil.
OterremotonoHaitifoiumatragédiaanun-
ciada. A ilha de Hispaniola, que abriga o Haiti
e a República Dominicana, fica sobre a fenda
entre duas grandes placas tectônicas, a do
Caribe e a Norte-Americana (veja mais na
pág. 30). E regiões desse tipo estão sujeitas
a abalos sísmicos.
País mais pobre das Américas, o Haiti já
tinha enormes carências mesmo antes da
catástrofe. Em 2017, seis anos após o terre-
moto, 50 mil pessoas ainda vivem em acam-
pamentos improvisados. Sem perspectivas,
muitos haitianos acabam migrando para
nações como o Brasil, onde esperam uma
oportunidade de recomeçar a vida.
VOCÊ SABIA?
TERREMOTOS NO BRASIL
As regiões mais propícias a terremotos localizam-se na junção
das placas tectônicas. Como o Brasil fica bem no meio da placa
Sul-Americana, não há abalos sísmicos de grandes proporções. Mas
isso não significa que estamos livres de tremores. Fenômenos de
pequena intensidade podem se manifestar no Brasil devido a falhas
geológicas provocadas por desgastes na placa tectônica. Também
ocorrem tremores como reflexo de outros choques entre placas
tectônicas ocorridos em locais mais distantes na América do Sul.
Em abril de 2008, um abalo de 5,2 pontos na escala Richter atingiu
a cidade de São Paulo e assustou milhares de moradores. Um ano
antes, um tremor de 4,9 pontos na cidade de Itacarambi, no norte
de Minas Gerais, provocou a primeira vítima fatal de terremotos no
Brasil, depois que uma parede caiu sobre uma criança de 5 anos.
[1]
DEVASTADO O terremoto no Haiti, em 2010, derrubou 90% das construções da capital, Porto Príncipe
VENDA PROIBIDA
35
GE GEOGRAFIA 2018
FORÇAS EXTERNAS
Tambémchamadasdeexógenasouagentesesculpidores,sãoasforçasquemodelam
o relevo terrestre. Os principais agentes desse grupo são a erosão e o intemperismo:
2 INTEMPERISMO
É o processo de degradação das
rochas provocado por fenômenos
químicos e físicos.
 O INTEMPERISMO QUÍMICO ocorre
quando a rocha tem sua composição
química alterada pelo efeito da água
e da umidade no decorrer dos anos,
provocando sua decomposição.
 O INTEMPERISMO FÍSICO ou mecânico
consiste na fragmentação das
rochas por meio de alguns dos
seguintes processos:
• solidificação da água: a água em
estado líquido se infiltra na fenda das
rochas, onde fica acumulada. Com
a queda de temperatura, a água se
solidifica, passando a ocupar um volume
10% maior que o do estado líquido, o
suficiente para fragmentar a rocha.
• raízes de plantas: o crescimento das
raízes das árvores por entre as rochas
alarga as fendas e ajuda a desintegrar
sua estrutura.
• variação de
temperatura:
em locais onde
a alteração da
temperatura
diária é mais
constante–como
nos desertos
ou em regiões
próximas aos
polos –, as rochas
estão sujeitas
a contrações
e dilatações
frequentes. Com
o tempo, esse
processo provoca
fraturas em sua
composição.
1 EROSÃO
A exposição prolongada a agentes
naturais provoca o desgaste das
rochas e dos solos.
O processo de desintegração e
consequente transporte do material
decomposto recebe o nome de
erosão. Veja os principais elementos
causadores desse fenômeno.
VENTOS
As dunas dos desertos e as paisagens
das praias são exemplos clássicos de
formação por erosão eólica.
RIOS
Vales, cânions
e planícies nos
mais diversos
continentes são
moldados pelo
movimento
sinuoso das
águas dos rios.
MARES
O choque das
ondas do mar
em paredões
litorâneos
provoca o
desgaste da
superfície,
dando origem
às falésias.
GELEIRAS
Os fiordes na Península
Escandinava, no norte
da Europa, também
são formados pelo
deslocamento das
geleiras e pelo desgaste
que elas provocam
nas montanhas.
[1] iSTOCK PHOTO [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL NOVAES [4] RODRIGO CESAR [5] iSTOCK PHOTO
[2]
[3]
[4]
[5]
 O QUE ISSO TEM A
VER COM A FÍSICA
Quando um
corpo sólido que
tem dimensões
significativas
é submetido a
uma variação de
temperatura, ocorre
uma dilatação ou
contração volumétrica.
Para calcular a
variação do volume
de um corpo em
função da variação
de temperatura
é utilizado um
coeficiente de
dilatação volumétrico.
Para saber mais, veja
o GUIA DO ESTUDANTE
FÍSICA.
VENDA PROIBIDA
36 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA RELEVO DO BRASIL
BACIA SEDIMENTAR
AMAZÔNICA
ESCUDO DO
BRASIL CENTRAL
ESCUDO
DAS GUIANAS
BACIA
SEDIMENTAR
DO MARANHÃO
ESCUDO
ATLÂNTICO
DOBRAMENTOS
– ATLÂNTICO
DOBRAMENTOS
– NORDESTE
DOBRAMENTOS
– BRASÍLIA
BACIA
SEDIMENTAR
DO PARANÁ
Predomínio de rochas sedimentares
Predomínio de rochas cristalinas
0 250 500 750
km
Oceano
Atlântico
Oceano
Atlântico
Fonte: IBGE
Terra
(velha)
à vista!
Os principais
tipos de relevo
do Brasil foram
esculpidos
sobre rochas
de milhões e
milhões de anos
A
pesar de o Brasil ser uma nação relati-
vamente jovem, com pouco mais de 500
anos, contando a partir da chegada dos
portugueses, seus terrenos são de outras eras.
Tudo teve início há cerca de 4,5 bilhões de anos,
quando a litosfera começou a se formar, com
o resfriamento do magma, e, mais tarde, com
os movimentos das placas tectônicas. Nesses
primórdios da história terrestre, durante a era
Arqueozoica,asprimeirasrochasderamorigem
aosescudoscristalinos,oumaciçosantigos,um
dos dois tipos de formação geológica que ocor-
rem no Brasil. Do longo processo de erosão dos
escudos cristalinos surgiu o outro tipo de estru-
tura geológica do país: as baciassedimentares.
Presentesnamaiorpartedoterritório,sãocons-
tituídas de rochas formadas pela desagregação
de outras rochas e de diferentes materiais (veja
a estrutura geológica brasileira no mapa abaixo).
Em razão dessa formação antiga, e sofrendo
há milênios com a erosão de agentes do intem-
perismo como ventos e chuva, as altitudes por
aqui são modestas: aproximadamente 40% do
território se encontra abaixo de 200 metros de
altitudeecercade90%nãopassade900metros.
Outro fator para termos um relevo considerado
tãobaixoéaausênciadosdobramentosmodernos
que deram origem a imensas cadeias de mon-
tanhas, como os Alpes e os Andes. Isso ocorre
porqueoBrasilselocalizabemnomeiodaplaca
Sul-Americana,longedaszonasdechoqueentre
asplacastectônicas,ondesedãoosmovimentos
de soerguimento ou afundamento das placas.
Semascadeiasdemontanhas,sobram-nosou-
tros três principais tipos de relevo: planaltos,
planícies e depressões. Com base nisso, no de-
correrdosanos,osestudiosospropuseramvárias
classificações do perfil geográfico brasileiro. A
mais aceita foi estabelecida, nos anos 1990, pelo
geógrafo Jurandyr Ross, da Universidade de São
Paulo(USP).Considerandooprocessodeforma-
ção dos diversos relevos do mundo (veja mais na
pág. 27), e também a altitude das formações do
Brasil, Ross chegou à definição de 28 estruturas
no país: 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies.
Vejanapáginaaoladotrêsdestaquesdoancestral
relevo brasileiro.
PERTO DO CÉU Entre MG e RJ, o Pico das Agulhas Negras é o quinto mais alto do Brasil, com 2.791 metros
ESTRUTURA GEOLÓGICA DO BRASIL
VENDA PROIBIDA
37
GE GEOGRAFIA 2018
PLANÍCIES E
TABULEIROS LITORÂNEOS
Relevo característico do litoral das
regiões Norte e Nordeste e do norte
do Espírito Santo, constitui-se da
combinação de planícies, formadas
pela deposição de sedimentos de
rios e do mar, e dos tabuleiros,
terrenos de baixa altitude (entre
30 e 60 metros) que terminam
de forma abrupta na costa, em
escarpas – neste caso chamadas
de falésias. Na definição de Ross,
as planícies são superfícies planas
e áreas em que o processo de
acumulação de sedimentos é maior
que o erosivo.
DEPRESSÃO DO ARAGUAIA
Acompanhando o leito do Rio Araguaia, essa
depressão tem superfície entre 300 e 400
metros de altitude; configura-se uma depressão
por estar abaixo dos terrenos que a circundam.
Na definição de Ross, depressões são
superfícies formadas por processos erosivos,
com suave inclinação e menos irregulares que
planaltos. Entre as 11 depressões brasileiras,
também merecem destaque a depressão da
Amazônia Ocidental (com cerca de 200 metros
de altitude) e a depressão da borda leste da
bacia do Paraná (que chega a atingir altitudes
entre 600 e 750 metros).
1
2
7
4 10
9 5 6
3
8
Fontes: IBGE e Jurandyr Ross
Planaltos
Planícies
Depressões
DESTAQUES DO RELEVO BRASILEIRO
2
3
1
0 m
1.000 m
2.000 m
3.000 m
Planaltos Residuais
Norte-Amazônicos
Depressão Marginal
Norte-Amazônica
Planalto da
Amazônia Oriental
Planície do
Rio Amazonas
Depressão Marginal
Sul-Amazônica
Planaltos
Residuais
Sul-Amazônicos
PERFIS DE RELEVO
Confira três grandes recortes do Brasil
NORTE Este perfil (noroeste-sudeste), com cerca de 2 mil quilômetros, vai das altas serras
de Roraima até Mato Grosso. Mostra as faixas de planícies às margens do Rio Amazonas,
a partir das quais vêm extensões de terras mais altas: planaltos e planícies
0 m
1.000 m
2.000 m
3.000 m
Planície do
Pantanal Mato-
Grossense Oceano
Atlântico
Planaltos e
chapadas da
bacia do Paraná
Rio Paraná
Depressão
periférica da
borda leste
da bacia do Paraná
Planaltos e
serras do Atlântico
leste-sudeste
0 m
1.000 m
2.000 m
3.000 m
Rio Parnaíba
Planaltos e
chapadas da
bacia do rio
Parnaíba
Escarpa
(ex-serra)
do Ibiapaba
Depressão
Sertaneja
Planalto da
Borborema Tabuleiros
litorâneos
Oceano
Atlântico
NORDESTECom quase 1,5 mil quilômetros, este perfil vai do Maranhão a Pernambuco. É um
retrato fiel do relevo da região, com destaque para os dois planaltos (o da bacia do Parnaíba
e o de Borborema) cercando a Depressão Sertaneja (ex-Planalto Nordestino)
CENTRO-OESTE E SUDESTEEste corte, de cerca de 1,5 mil quilômetros, vai de
Mato Grosso do Sul ao litoral paulista. Além da planície do Pantanal, pode-se ver a bacia
do Paraná, formada por rios de planalto, que abrigam as maiores hidrelétricas do país
PONTOS MAIS ALTOS DO BRASIL
(em metros)
1 2.993 Pico da Neblina
2 2.972 Pico 31 de Março
3 2.891 Pico da Bandeira
4 2.798 Pico Pedra da Mina
5 2.791 Pico das Agulhas Negras
6 2.769 Pico do Cristal
7 2.734 Monte Roraima
8 2.680 Morro do Couto
9 2.670 Pedra do Sino de Itatiaia
10 2.665 Pico Três Estados
Fontes: IBGE e Jurandyr Ross
PLANALTOS E SERRAS DO
ATLÂNTICO LESTE-SUDESTE
Estendendo-se do sul da Bahia ao sul do país,
esse imenso planalto é composto de diferentes
subunidades morfológicas, como a Serra do Mar e a
Serra da Mantiqueira. Seus terrenos são formados
de antigos escudos cristalinos, que, em alguns
pontos, e há milhões de anos, foram erguidos por
movimentos resultantes do choque entre placas
tectônicas a grande distância. O resultado disso é
o relevo acidentado e heterogêneo da região, com
vales profundos, escarpas (terrenos muito íngremes
que lembram degraus), chapadas (superfícies
extensas e horizontais, de elevada altitude) e
elevações, como o Pico das Agulhas Negras, na Serra
do Itatiaia (MG/RJ), de 2.791,55 metros. Na definição
de Ross, o planalto caracteriza-se por ser uma região
em que o processo erosivo supera o de acumulação
– são conhecidos como formas residuais, ou
seja, resultantes do processo de erosão. Além de
cristalinos, podem ser sedimentares, como é o caso
dos Planaltos Residuais Norte-Amazônicos.
MARIO RODRIGUES
3
2
1
VENDA PROIBIDA
38 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA RECURSOS MINERAIS
A
srochassãoagrupamentosdemineraisque
formamacrostaterrestreesedesenvolve-
ramnodecorrerdebilhõesdeanos.Entre
as mais de 3,5 mil variedades de rochas, estão os
minérios,dosquaispodemosextrairsubstâncias
deinteresseeconômico.Noconjuntodosminérios,
distinguem-seaquelesutilizadosparaaobtenção
demetais,comooalumínio,oferro,omagnésioe
o titânio. Embora os minérios metálicos tendam
a se concentrar em maciços rochosos por toda a
crostaterrestre,osdepósitosmaisexploradosen-
contram-seemrochasmetamórficas,nosescudos
cristalinos da crosta continental.
O ouro e a platina são os únicos minérios me-
tálicos que ocorrem principalmente na forma
Riqueza
que vem
do solo
Conheça o
processo de
formação
geológica dos
minérios e
suas principais
aplicações
econômicas
de metais na natureza. Zinco, prata, ferro, cobre
e outros metais também podem ser achados
no estado primário, mas normalmente estão
associados a outros minerais. Nesses casos, os
minérios são reduzidos pela metalurgia para se
transformar em metais.
As substâncias minerais são utilizadas como
matéria-prima em diversos processos de manu-
fatura. Alguns exemplos são: o alumínio e o ferro
na construção civil; o manganês na fabricação
de fertilizantes e pilhas; as argilas na fabricação
de cerâmicas; o zircônio na fabricação de pisos
e revestimentos; e o caulim na fabricação de
papel e celulose, vidros e tintas.
Onde estão os minérios no Brasil
Com aproximadamente 36% de seu território
formado por escudos cristalinos, o Brasil pos-
sui algumas das reservas minerais mais ricas
do planeta, incluindo minério de ferro, bauxita
(alumínio), cobre, zinco, cromo, níquel, calcário
e argila. A maioria dos minérios metálicos do
Brasil encontra-se em Minas Gerais, na região
chamada Quadrilátero Ferrífero, e no Pará,
na província mineral de Carajás. Os dois esta-
dos respondem por quase dois terços de toda a
produção mineral brasileira.
Outras unidades da federação também abri-
gam importantes reservas minerais. Rio Grande
do Sul e Santa Catarina, por exemplo, destacam-
se pelo carvão. Já Bahia e Espírito Santo estão
entre os principais produtores de pedras precio-
sas do Brasil, enquanto Goiás tem significativas
jazidas de cobre. Veja no mapa onde se localizam
as principais jazidas minerais no país.
PRINCIPAIS RESERVAS MINERAIS NO BRASIL
Bauxita
Cobre
Diamante
Ferro
Manganês
Níquel
Ouro
Fonte: Departamento Nacional
de Produção Mineral
TERRA FERIDA
Marcas de mineração na
Serra do Curral, em Belo
Horizonte (MG)
VENDA PROIBIDA
39
GE GEOGRAFIA 2018
Área pré-sal
Exploração do pré-sal
Exploração do pós-sal
Libra
Júpiter
Ostra
Abalone
Argonauta
Bacia de Campos
Rota1-Mexilhão
Ro
ta
2
-
Co
mp
erj
R
o
t
a
3
-
T
e
c
a
b
Bacia de Santos
Lula
Área de Iracema
Iara
Franco
Parati
Lapa
Sapinhoá
BM-S-50
Caramba
Bem-Te-Vi
Carcará
SP
RJ
ES
MG
Fonte: Petrobras
Formação do petróleo
Principal fonte de energia mundial, o petróleo
é um combustível fóssil formado da decom-
posição de matérias orgânicas em ambientes
marinhos. O acúmulo de restos de animais e
vegetais microscópicos que se precipitam no
fundo marinho origina bacias sedimentares, nas
quais, em milhões de anos, a ação de microrga-
nismos, o calor e a pressão intensos reduzem a
matéria orgânica a uma massa viscosa de car-
bono e hidrogênio – o petróleo. Infiltrando-se
por rochas porosas, ele migra para regiões de
menor pressão até sair para a superfície ou topar
com uma camada impermeável. Bloqueado, o
petróleo se acumula nos poros e fraturas das
rochas sedimentares, de onde é extraído.
As regiões mais propícias para a formação do
petróleo são mares interiores, baías e golfos. As
reservas existentes no interior dos continen-
tes resultam de áreas originalmente marinhas
que foram erguidas por meio de movimentos
na crosta terrestre ou do óleo que migrou das
rochas geradoras até as rochas armazenadoras
através das fissuras.
O pré-sal brasileiro
Desde que foram descobertas as reservas de
petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos,
em 2007, um novo termo passou a frequentar os
noticiários: o pré-sal. Trata-se do nome que os
geólogos dão à camada de rochas porosas que
se localiza abaixo de uma espessa camada de sal
no subsolo marinho. É lá que ficam os grandes
reservatórios de petróleo, em uma faixa que se
estende por 800 quilômetros na área marítima
entre o Espírito Santo e Santa Catarina, a mais
de 7 mil metros de profundidade. A explora-
ção do petróleo no pré-sal pode fazer o Brasil
dobrar suas reservas, que estão em torno de 15
bilhões de barris.
As jazidas do pré-sal começaram a se formar
hámaisde100milhõesdeanos,quandoosuper-
continente Gondwana se partiu, dando origem
aos continentes sul-americano e africano (veja
na pág. 30). Na Bacia de Campos, o principal
campopetrolíferobrasileirolocalizadonacamada
pós-sal, o óleo está armazenado em rochas com
predomínio de silício. No pré-sal, a substância
encontra-searmazenadaemrochasconstituídas
essencialmentedecarbonatodecálcioemagnésio,
o que dificulta o trabalho dos geólogos. Mesmo
com esses desafios, a extração nos poços da ca-
madadopré-saljárespondeporquasemetadedo
totaldepetróleoproduzidonopaís,ultrapassando
a marca de 1 milhão de barris por dia.
SAIBA MAIS
A ÉPOCA DO ANTROPOCENO
Do Big Bang aos dias de hoje, a Terra já passou por in-
tensas transformações nesses quase 5 bilhões de anos.
As principais mudanças podem ser observadas através
deumalinhadotempoconhecidacomoEscaladeTempo
Geológica. Ela estabelece os grandes eventos pelo qual
o planeta passou a partir de uma classificação em eras,
períodos e épocas (veja mais na pág. 98).
Faz11.700anosqueestamosnaépocadoHoloceno.Ou
estávamos.Asmarcasqueohomemvemdeixandonopla-
netasãotãointensasquejáteriamprovocadomudanças
que jusfificariam o início de uma nova época geológica:
o Antropoceno. É o que defende os cientistas do Grupo
deTrabalhodoAntropoceno.Estenovotempogeológico
teriacomeçadonadécadade1950,comaexpansãosem
precedentes da população e do consumo.
Comoevidências,oscientistasdizemquesedimentosna
crostaterrestreenooceanocontémresíduosdeplástico,
de concreto e de alumínio, além de fuligem decorrente
da queima de combustíveis fósseis e radiação nuclear.
A ação do homem já teria dado origem, inclusive, a 208
novos minerais nos últimos 200 anos.
 COMBUSTÍVEIS
FÓSSEIS
Eles recebem
esse nome pois se
formaram a partir da
fossilização de seres
vivos: do plâncton
marinho, no caso
do petróleo e do gás
natural, e de florestas
e pântanos no caso
do carvão mineral.
As reservas
atualmente exploradas
são resultantes
da deposição e
decomposição
ocorridas em tempos
geológicos passados.
O mapa apresenta a área onde se
encontram as jazidas do pré-sal,
nas Bacias de Campos e de Santos.
Também mostra a extensão
e a localização das jazidas
do pós-sal na região
AS JAZIDAS DO PRÉ-SAL
YANN ARTHUS-BERTRAND
VENDA PROIBIDA
40 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS
O
soloéumacamadacomespessurasvariadas
(de alguns centímetros a vários metros)
de material não consolidado que cobre
a superfície da crosta terrestre. Constituído por
matériamineralematériaorgânica,éosubstrato
paraavidadosecossistemas.Ossolossãoresultado
dadecomposiçãodasrochas,queatravésdosanos
passamporumprocessodeintemperismofísico,
químicoebiológico.Esseprocessocriadiferentes
camadas,àsquaissedáonomedehorizontes.O
conjuntodoshorizontesconstituioperfildosolo,
quepermiteidentificaroestágiodeformaçãoem
que se encontram (veja a figura abaixo).
Camada sobre camada
Saiba mais sobre as características dos solos e
os fatores que contribuem para sua fertilidade
Fonte: GOETTEMS, Arno Aloísio; JOIA, Antonio Luís. Geografia: leituras e interação – vol. único. São Paulo: Leya, 2013. Pg 93.
Fertilidade dos solos
Os solos podem ser classificados em “agri-
cultáveis” e “não agricultáveis”. Geralmente, as
terras que não permitem a exploração agrícola
são encontradas em altitudes muito elevadas,
como nos picos do Himalaia, dos Andes e demais
cadeias montanhosas, ou em regiões desérticas
frias (regiões polares) e quentes (Deserto do
Saara), onde as restrições decorrem das tem-
peraturas extremas ou da escassez de água.
As áreas mais exploradas para a produção
agropecuária são aquelas com climas favoráveis,
com pluviosidade e temperaturas adequadas,
FORMAÇÃO E PERFIS DE SOLO EM CLIMAS ÚMIDOS
Nos solos maduros podem ser identificadas as camadas O, A, B e C, que se diferenciam pela
composição físico-química, cor, presença ou ausência de matéria orgânica, entre outras características.
CARACTERÍSTICAS DOS HORIZONTES DO SOLO
O
Horizonte orgânico, também denominado
de serrapilheira. Corresponde à camada
superficial de florestas e matas; é
composto de materiais de origem vegetal
e animal em decomposição.
A
Horizonte mineralógico. Composto
de material de origem mineral
proveniente da rocha-mãe ou trazido
de outros lugares por vento, água ou
gelo. Há grande presença de matéria
orgânica decomposta, motivo pelo
qual pode ser denominado horizonte
humífero (húmus).
B
Horizonte de acumulação de argila, matéria
orgânica e oxi-hidróxidos de ferro e alumínio
provenientes das camadas superiores. Esse
processo de transferência de minerais entre
camadas é chamado lixiviação, considerado
um tipo de erosão química do solo.
C
Horizonte de rocha alterada,
denominado alterita ou saprolito.
É nele que começa a decomposição
da rocha. Formado por sedimentos
grosseiros na base e por sedimentos
mais finos na parte superior.
R
Rocha que dá origem ao solo, também
denominada rocha-mãe. A velocidade de
decomposição depende de vários fatores,
como a composição mineral da própria
rocha e o tipo de clima (climas quentes e
úmidos tendem a acelerar o intemperismo).
VENDA PROIBIDA
41
GE GEOGRAFIA 2018
e solos férteis. A fertilidade natural dos solos
depende, primeiramente, da sua composição
química – os solos muito férteis dispõem de
nutrientes suficientes para a exploração agrí-
cola, sem a necessidade de adubação artificial.
Além disso, a fertilidade dos solos está ligada à
capacidade de reter água e matéria orgânica (o
que depende da presença de argilas) e de reter
oxigênio (o que depende da estrutura física, já
que o solo precisa ser poroso e “aerado”). Veja
abaixoalgumasregiõesdogloboquesedestacam
por apresentarem solos férteis, intensamente
explorados pela agricultura.
RECÔNCAVO BAIANO (BRASIL/BAHIA)
Região com o solo massapê, argiloso e de elevada fertilidade
química natural. A presença de argila é importante para regular
a drenagem e, consequentemente, evitar a perda de nutrientes
essenciais para as plantas. Esse tipo de solo possibilitou a
implantação das primeiras plantações de cana-de-açúcar e dos
engenhos de cana pelos colonizadores portugueses.
8 REGIÃO SUL
9 REGIÃO CENTRO-OESTE
(BRASIL)
Possuem os latossolos vermelhos
originados a partir da decomposição
do basalto, rico em ferro. Ao ser
oxidado, este mineral confere a cor
avermelhada ao solo. Os imigrantes
italianos que se dirigiram para as
plantações de café no interior do
estado de São Paulo apelidaram esse
solo de “terra rossa” (terra vermelha),
motivo pelo qual esses solos são
muitas vezes (e erroneamente)
denominados “terra roxa”.
3 UCRÂNIA 4 ARGENTINA
Esses países possuem o solo tchernozion (do russo
tcherno = escuro e zion = terra) ou chernozén.
Quimicamente fértil e com elevada matéria
orgânica, tem alta produtividade agrícola e é muito
utilizado para o plantio de trigo.
5 FRANÇA 6 HOLANDA
7 VALE DO RIO AMARELO (CHINA)
Possuem o solo loess (do alemão löss = solto),
formado pela deposição de sedimentos carregados
pelo vento. Na China é intensivamente utilizado
para a produção de arroz.
1 VALE DO RIO MISSISSIPI
(ESTADOS UNIDOS)
2 VALE DO RIO NILO (EGITO)
A deposição de sedimentos e de matéria orgânica
nas planícies inundadas renovam anualmente a
fertilidade natural dessas regiões.
OS SOLOS FÉRTEIS NO BRASIL E NO MUNDO
CELEIRO ORIENTAL Plantações às margens do Rio Amarelo, na China: a fertilidade do solo é
garantida com a ajuda de sedimentos trazidos pelo vento
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VENDA PROIBIDA
42 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA DESLIZAMENTO DE TERRA E INUNDAÇÕES
Enchente é
um fenômeno
natural, que
causa o aumento
temporário do
nível da água,
porém sem
transbordamento
Inundação é o
transbordamento
de um curso
d’água,
atingindo a
planície em
torno do rio ou a
área de várzea
Alagamento ocorre quando a
água fica acumulada nas ruas
e nos perímetros urbanos,
por problemas de drenagem
1 2 3
1
2
3
A CHUVA E AS CIDADES
Entenda a diferença entre enchente, inundação e alagamento:
DEBAIXO D'ÁGUA O município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, sofreu com o alagamento provocado pelas fortes chuvas que caíram em março de 2016
O
s temporais são fenômenos naturais que
atingem as cidades de tempos em tem-
pos. A dimensão dos danos que causam,
porém, poderia ser menor, se as zonas urbanas
fossem construídas respeitando a natureza.
As cheias dos rios, por exemplo, são naturais
e cíclicas. Um bom planejamento, portanto,
deveria preservar seus leitos livres. Mas não é
o que ocorre na maioria das grandes cidades.
A ocupação dessas áreas, principalmente em
trechos de planície também conhecidas como
várzeas, provoca inundações que trazem enor-
mes transtornos e prejuízos sociais e materiais.
Casas são invadidas pelas águas, formam-se
enormes congestionamentos e serviços, como
transportes e abastecimento de água, são inter-
rompidos, entre outras consequências.
Para entender melhor esse fenômeno, é pre-
ciso atentar para as diferenças entre enchente,
inundação e alagamento. Veja na figura ao lado:
Ocupação caótica
Saiba como a falta de planejamento
urbano potencializa os efeitos dos
temporais, provocando deslizamentos
de terras e inundações
[1]
VENDA PROIBIDA
43
GE GEOGRAFIA 2018
Além das características de relevo e hidrogra-
fia, há outros fatores que aumentam o volume de
água dos rios de planície e que contribuem para
a ocorrência de inundações em áreas urbanas:
 A IMPERMEABILIZAÇÃO DO SOLO
Ruas e avenidas pavimentadas, prédios,
casas, indústrias e estacionamentos impedem
ou reduzem a infiltração da água no solo e,
consequentemente, aumentam o volume e a
velocidade do escoamento das águas superficiais.
 A RETIFICAÇÃO E A CANALIZAÇÃO DO LEITO DE
RIOS E CÓRREGOS Em geral, os rios de planície
apresentam meandros ou “curvas”. A retificação
e canalização desses rios, feita para ampliar os
espaços a serem ocupados pela cidade, diminuem
a extensão do rio.
 DEPOSIÇÃO INADEQUADA DE LIXO SÓLIDO O lixo
jogado nas ruas e calçadas ou mesmo diretamente
nos rios e córregos dificulta a vazão das águas.
 DESMATAMENTO A retirada da mata nas encostas
e nas margens dos rios provoca o aumento da
erosão e, consequentemente, o assoreamento
dos rios em seus trechos de planície, ou seja, o
acúmulo de sedimentos nos leitos dos rios e lagos,
facilitando o seu transbordamento.
Deslizamentos de terras
Os deslizamentos de terra estão diretamente
relacionados às características de relevo, solo,
clima e cobertura vegetal. Apesar de serem fe-
nômenos naturais, os deslizamentos são poten-
cializados pela ocupação humana desordenada.
Aconstruçãodecasaseestradaseaimplantação
daagriculturaedapecuáriatendemadesestabi-
lizaraindamaisofrágilequilíbrionaturaldesses
ambientes,aumentandoaschancesdeacidentes
que trazem prejuízos incalculáveis, incluindo a
perdadedezenasdevidashumanasanualmente.
No Brasil, as áreas mais sujeitas à ocorrência
de deslizamentos são as que se encontram na
unidade de relevo conhecida como Planaltos e
SerrasdoAtlânticoLeste-Sudeste(vejaomapade
relevodoBrasil,napágina37).Issoporquearegião
caracteriza-sepelaexistênciadeáreascomgrande
declividade(escarpaseencostasdasserras),solos
rasos e elevada pluviosidade concentrada no ve-
rão, sobretudo nas encostas próximas ao litoral e
voltadasparaoleste,querecebemosfluxosdear
úmidoprovenientesdaságuasoceânicas.Comoa
regiãofoidensamentepovoadaemáreasderisco,
como encostas de morro, os acidentes se tornam
maisfrequentes.Entreoscasosmaisemblemáticos
ocorridosnopaís,estãoosdeslizamentosnaregião
serrana do Rio de Janeiro, em janeiro de 2011.
DESASTRESNATURAISCUSTARAMAO
BRASILR$182BIEM20ANOS
Prejuízos causados por desastres naturais no Brasil
custaram pelo menos R$ 182,8 bilhões – uma média
de R$ 800 milhões por mês –, entre 1995 e 2014. Os nú-
meros fazem parte do mais completo mapeamento da
quantidade de eventos meteorológicos, como secas,
estiagens, inundações e enxurradas, que atingiram o
País nesse intervalo de 20 anos e o impacto financeiro
que eles tiveram.
Estãoincluídasnaanálisetragédiascomoasenchentes
edeslizamentosdeterraqueatingiramaregiãoserrana
doRiodeJaneiro,em2011,deixando918mortos,além
dasinundaçõesnoValedoItajaí(SC),emnovembrode
2008 (...). Minas Gerais foi o Estado com mais registros
e o Rio Grande do Sul, o líder em prejuízos.
Os autores do trabalho, realizado pelo Centro de
EstudosePesquisassobreDesastres(Ceped)daUniver-
sidade Federal de Santa Catarina, com apoio do Banco
Mundial, afirmam, no entanto, que os resultados são
reconhecidamente subestimados. Isso ocorre porque
os dados disponíveis sobre os eventos climáticos e
seus possíveis danos materiais são limitados (...). “É
só a ponta do iceberg e ainda assim estamos falando
de uma média de R$ 800 milhões por mês (...), afirma
FredericoFerreiraPedroso,especialistadoprogramade
Gestão de Riscos de Desastres do Banco Mundial. (...)
O Estado de S.Paulo, 10/03/2017
SAIU NA IMPRENSA
[1] MARCEL NAVES/AFP [2] ANA CAROLINA FERNANDES/FOLHA IMAGEM
TERRA ARRASADA
Chuvas torrenciais
provocaram deslizamentos
de terra no bairro de
Campo Grande em
Teresópolis, região serrana
do Rio de Janeiro, em 2011:
o povoamento em áreas
de risco potencializa
os acidentes
[2]
VENDA PROIBIDA
44 GE GEOGRAFIA 2018
LITOSFERA CONTAMINAÇÃO DOS SOLOS
D
urante vários anos, o homem
pouco se importou com as con-
sequências que suas atividades
poderiam ter para o solo. Do estilo de
vida consumista, que gera uma colossal
quantidade de resíduos a ser descarta-
da, passando pelo uso indiscriminado
de produtos tóxicos na indústria até o
manejo inadequado das culturas agrí-
colas, nossa sociedade vai gradativa-
mente contaminando os solos. Como
consequência, muitas áreas estão se tor-
nando impróprias para a produção de
alimentos ou para a presença humana.
As principais formas de poluição
do solo estão associadas a atividades
econômicas como a agricultura, o ex-
trativismo mineral e a produção in-
dustrial, ou à falta de investimentos
no tratamento adequado ao lixo. Veja
cada um desses casos:
LIXO
A deposição inadequada do lixo,
principalmente em aterros sem nenhum
controle ambiental (os chamados
lixões), está entre as principais causas da
contaminação dos solos nas cidades. Além
de produzir o gás natural metano (CH4),
um dos agravadores do efeito estufa, a
decomposição da matéria orgânica por
microrganismos gera o caldo chorume,
altamente poluente para o solo e para os
lençóis freáticos.
O destino mais adequado para o lixo urbano
são os aterros sanitários. Trata-se de áreas
nas quais os resíduos são compactados
e cobertos por terra. Terrenos assim têm
sistema de drenagem que captam líquidos
e gases resultantes da decomposição dos
resíduos orgânicos, evitando maiores danos
aos solo. Outra opção são os incineradores
públicos, principalmente para o lixo
hospitalar, odontológico e ambulatorial.
Terra maculada
A degradação dos solos,
provocada principalmente
pela exploração dos recursos
naturais e pelo tratamento
inadequado do lixo, é um
dos principais problemas
ambientais da atualidade
De acordo com o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), mais de 50%
dos municípios destinavam os resíduos
sólidos em lixões. Apenas 28% das cidades
faziam o descarte em aterros sanitários. Em
2010, o governo federal instituiu a Política
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que
determinava uma série de regras para o
manejo sustentável do lixo. Entre outras
medidas, a PNRS estabeleceu que agosto de
2014 seria o prazo final para as prefeituras
erradicarem os lixões e passarem a depositar
o lixo em aterros sanitários. No entanto, mais
de 60% dos municípios não conseguiram
cumprir a determinação. Um projeto de lei
tramita no Congresso para estender até 2021
o prazo para a erradicação dos lixões.
RESÍDUOS INDUSTRIAIS
As fábricas nas áreas urbanas também
depositam grandes quantidades de
resíduos industriais, como produtos
químicos e metal pesado, em áreas
próximas de onde estão instaladas. Com
o tempo, esses elementos infiltram-se no
solo, que fica contaminado e improdutivo,
podendo provocar doenças nos habitantes
que vivem próximos à indústria.
AGROTÓXICOS
O uso de agrotóxicos para fertilizar o solo,
eliminar ervas daninhas e destruir pragas
pode aumentar a produtividade agrícola
em grande escala, mas produz um nefasto
efeito colateral: a contaminação do solo.
Com o tempo, esses resíduos químicos
vão se acumulando e ajudam a degradar
ainda mais as áreas agrícolas, tornando-as
impróprias para o cultivo. Ou seja, apesar
dos ganhos produtivos no curto prazo, a
aplicação intensiva de agrotóxicos é uma
prática insustentável para a agricultura.
Segundo a Organização das Nações
Unidas para a Alimentação e a Agricultura
(FAO), um quarto dos solos do planeta
está degradado, afetando diretamente a
produção mundial de alimentos.
MERCÚRIO NOS GARIMPOS
A exploração de minérios, como ouro e
diamantes nos garimpos da Região Norte
do Brasil, utiliza mercúrio no processo de
separação das pedras preciosas dos demais
sedimentos. Por ser um mineral pesado
altamente tóxico, o mercúrio depositado no
solo e nas águas provoca graves prejuízos à
fauna e à saúde humana.
ENTRE OS URUBUS Criança recolhe papelão no lixão da Canabrava, em Salvador (BA): mais da metade
dos municípios brasileiros descarta os resíduos sólidos em áreas sem nenhum controle ambiental
VENDA PROIBIDA
45
GE GEOGRAFIA 2018
SAIBA MAIS
O PRINCÍPIO DOS 3 RS:
REDUZIR, REUTILIZAR
E RECICLAR
A melhor solução para o lixo é
reaproveitá-lo para fazer novos bens,
reduzindo a sobrecarga dos depósitos.
O reaproveitamento do lixo envolve o
princípio dos “3 Rs”:
 Reduzir a produção de resíduos, com a
adoção de novos hábitos de compra.
 Reutilizar potes, vasilhames, caixas
e outros objetos de uso cotidiano e o
material neles contido.
 Reciclar o lixo descartado após o
consumo, transformando-o em matéria-
prima industrial para nova fabricação.
Para que seja reciclado, o lixo deve ser
descartado de forma seletiva e entregue
em postos distribuídos pelas prefeituras
(quando existem) ou por empresas em
locais predefinidos, doados a entidades
que recebem material desse tipo ou na
forma estabelecida pelos programas
porta a porta. Apesar das iniciativas nesse
sentido, apenas 3% do lixo é reciclado no
Brasil, segundo dados do Compromisso
Empresarial para a Reciclagem (Cempre).
Veja abaixo um quadro com os principais
produtos recicláveis:
A erosão das camadas superficiais
do solo pelo escoamento das águas das
chuvas, também conhecida como ero-
são laminar, é uma das maiores preo-
cupações ambientais da agricultura
atualmente. Esse processo provoca a
perda gradativa de nutrientes do solo.
Em algumas culturas, como o feijão e a
mandioca, essa perda pode chegar a 40
toneladas por hectare em um ano. Para
ter uma dimensão melhor do problema,
em uma área com floresta nativa, essa
perda é de apenas 0,004 tonelada por
hectare no mesmo período.
A melhor forma para evitar a ação
da erosão é a adoção de técnicas de
conservação do solo. O plantiodireto é
uma técnica que não revolve as camadas
superficiais do solo, mantendo sobre
ela a matéria orgânica (plantas, folhas
e palhas de colheitas anteriores), o que
contribui para conter a erosão. Já as
curvas de nível é uma técnica de plan-
tio adequada às variações das altitudes
e à inclinação do relevo, evitando o
escoamento direto das águas das chuvas
que caem na lavoura. A ausência dessas
técnicas pode dar origem a ravinas
Os principais produtos recicláveis
Vidro
Garrafas, potes de
alimentos, frascos de
remédioedeperfume.
Cacos de vidro
Volta a ser usado
infinitas vezes sem
perder as
características
Papel
Revistas, jornais, papéis
variados, caixas de
papelão (de todos os
tipos)
Transforma-se em
papel reciclado para
agendas, cartões e
caixas de papelão
Plástico
Garrafas PET, potes (de
todosostipos),tampas,
embalagens, sacos (de
leite, arroz etc.)
Matéria-primadefibras
têxteis,tubos,artefatos
plásticos,cordas,cerdas
devassoura,carpetes
Metal
Latasdeaçoealumínio,
tampas, arames, fios,
grampos, pregos, tubos
depasta,alumínio,cobre
O aço volta a ser usado
sem limites. O alumínio
pode ser reusado em
latas e autopeças
Não podem ser
reciclados
Espelhos, vidro de
janela e de boxe de
banheiro, vidro de
automóveis, cristais,
lâmpadas, vidro
temperado, ampolas de
remédio, celofane,
espuma, fraldas
descartáveis, pilhas,
latas enferrujadas,
papel higiênico,
guardanapos com
restos de comida, papel
laminado
e plastificado,
papel-carbono
Fonte: Como Cuidar do Seu Meio Ambiente – Editora Beı, edição e texto da Rita Mendonça, 2004
Papel
Pano
Filtro de cigarro
Chiclete
Lata de aço
Madeira pintada
Náilon
Plástico
Alumínio
Vidro
Borracha
3 a 6 meses
6 meses a 1 ano
5 anos
5 anos
5 a 10 anos
13 anos
Mais de 30 anos
Centenas de anos
Centenas de anos
Mais de mil anos
Indeterminado
ORIGEM
UTILIDADE
Quanto
tempo
leva para
se degradar
na natureza
˜
(sulcos formados no solo devido à ação
erosivadaágua)evoçorocas(aberturas
ainda maiores que as ravinas e que, se
atingirem o lençol freático, podem ser
irreversíveis e impedem o aproveita-
mento agrícola da área atingida).
Outro grave problema da degradação
dos solos envolve a grande concentra-
ção de sais nos seus horizontes superfi-
ciais, o que dificulta o desenvolvimento
das plantas e, consequentemente, a pro-
dução de alimentos. A salinização dos
solos pode se dar por meio de processos
naturais ou provocados e acelerados
pelas atividades humanas. A irrigação é
a principal prática agrícola responsável
por induzir ou acelerar esse processo.
No mundo, as principais áreas atin-
gidas pela salinização encontram-se
na África e na Ásia. Um dos casos mais
conhecidos é o da região do Mar de
Aral, na fronteira entre o Cazaquistão
e o Uzbequistão, na Ásia Central. Desde
o período da União Soviética, extinta
em 1990, vinham sendo implantados
nessa região projetos de irrigação, em
especial para a produção de algodão
(veja mais na pág. 67).
Colheita maldita
Entenda como a erosão e a salinização prejudicam os solos e
provocam enormes perdas para as culturas agrícolas
FERNANDO VIVAS
VENDA PROIBIDA
46 GE GEOGRAFIA 2018
COMO CAI NA PROVA
1.(PUC-PR2016)OCentrodeSismologiadaUniversidadedeSãoPaulo(USP)
relatou que, entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, ocorreram pequenos
tremores de terra com magnitudes entre 1.1 e 1.9 em epicentros localizados
na região da cidade de Londrina, o que explica as vibrações sentidas pelos
moradores, principalmente nos bairros Califórnia e São Fernando.
Tabela 1 – Pequenos tremores identificados pela
Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) com estações regionais
Data e Hora (Local)
LAT
(+/- 5 km)
LON
+/- 5 km)
Prof. *
(km)
Magnitude
(mR)
14/12/201506:16:06 -23.35 -51.15 0.0 1.8
01/01/201616:49:34 -23.38 -51.15 0.0 1.9
21/01/201614:13:10 -23.33 -51.12 0.0 1.9
(*) profundidade fixada em 0 km. Não há dados suficientes para se determinar
as profundidades.
Adaptado de Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Tremores de Dezembro de
2015 / Janeiro de 2016 em Londrina-PR. Disponível em: http://moho.iag.usp.br/content-sample/
reports/20160122/Relatorio-Londrina-20160122-2300.pdf. Acesso em 20 mar. 2016.
Segundo o Centro de Sismologia, tremores de magnitude pequena (4) não
são incomuns no Brasil e podem ocorrer em qualquer região. [...] Portanto,
não há motivos para descartar os tremores ocorridos em Londrina como
tendo origem natural.
Sendo assim, os tremores registrados em Londrina podem ser causados
a) pela proximidade com a Cordilheira dos Andes, região geologicamente
instável, onde a divergência entre as placas do Pacífico e da América do Sul
gera grandes tremores de terra.
b) por concentração de tensões geológicas de origem natural, presentes em
toda a crosta terrestre.
c)pelaexploraçãodegásdexistoatravésdefraturamento(fracking)hidráulico.
d)porbarragensartificiais,comoolagogeradopelahidrelétricadeItaipu,pois
opesodoreservatóriopressionaasfalhasgeológicasdosubstratogeológico.
e) pela atividade vulcânica no oeste paranaense, decorrente do encontro
das placas da América do Sul e da África, originárias da fragmentação do
supercontinente Pangea.
RESOLUÇÃO
AafirmativaAéincorreta,poisostremoresqueocorremnaregiãodaCordilheira
dos Andes, e que poderiam ser sentidos no Brasil, ocorrem pela convergência
entreasplacasdoPacíficoedaAméricadoSulenãopeladivergênciasentreelas.
AafirmativaCéincorreta.Aexploraçãodegásdexistopormeiodefraturamento
(fracking) hidráulico pode provocar tremores de terra. Mas essa técnica, muito
comum nos EUA, ainda não é usada no Brasil.
AafirmativaDnãoécorretaporque,apesardeaconstruçãodebarragenspoder
provocar tremores, o mapeamento das falhas no Brasil não apontam para a
área de Itaipu.
A afirmativa E é incorreta, pois não existe atividade vulcânica no oeste para-
naense, e o tipo de movimento verificado entre as placas da América do Sul e
da África é divergente.
A alternativa correta é a B: os terremotos no Brasil são de baixa e média intensi-
dade na escala Richter. Em sua maioria, são decorrentes de falhas geológicas de
pequena extensão existentes na estrutura geológica local.
Resposta: B
2.(USF 2016) Observe as imagens a seguir.
Fonte: http://www.aguaspluviais.inf.br/manual.aspx?id=8 Acesso em: 12/09/2015, às 18h.
Asimagensevidenciamaalteraçãoaomeioambientecausadapeloprocesso
de urbanização.
a) Aponte duas consequências sociais ou ambientais decorrentes da transfor-
mação do espaço evidenciada nas imagens.
b)Citeumaaçãoquepoderiaminimizarosproblemasdecorrentesdaocupação
do espaço evidenciada nas imagens.
RESOLUÇÃO
a)Aaçãointensivadoserhumanosobreomeio,emvirtudedaocupaçãodosolo,
alteraascondiçõesambientaisoriginais.Entreasconsequênciasambientaise
sociais da transformação da paisagem acima, destacam-se: perda de biodiver-
sidade decorrente do desmatamento, aumento da erosão do solo, elevação do
assoreamento dos rios pela retirada da mata ciliar, prováveis enchentes pela
impermeabilizaçãodosolo,possívelpoluiçãodosrecursoshídricoseelevação
da temperatura (ilha de calor) na área urbana.
b) Entre as ações é possível citar a recomposição das matas ciliares ao longo dos
rios para minimizar a erosão e o assoreamento; a criação de áreas verdes para
melhorar a infiltração de água no solo e combater enchentes; o tratamento
adequado de água e esgoto; e a adequada deposição do lixo.
VENDA PROIBIDA
RESUMO
47
GE GEOGRAFIA 2018
Litosfera
ESTRUTURASGEOLÓGICASAcamadamaissuperficialdoplaneta
éalitosfera,cujasuperfícieéformadaportrêstiposdeestrutura
geológica:escudoscristalinos(osterrenosmaisantigos,formados
por rochas magmáticas), bacias sedimentares (surgidas com a
erosão das rochas dos escudos cristalinos) e dobramentos mo-
dernos(formaçõesrecentesqueficamentreasplacastectônicas).
RELEVO Existem quatro principais tipos de relevo no mundo:
depressões são áreas localizadas em altitude inferior à das re-
giõesvizinhasouabaixodoníveldomar;montanhassãoáreas
elevadasresultantesdochoquedeplacastectônicas;planaltos
sãoelevaçõesdelimitadasporsuperfíciesrebaixadas;eplanícies
sãoáreasplanas,geralmenteencontradasembaixasaltitudes.
PLACAS TECTÔNICAS São gigantescos blocos que integram
a litosfera. O globo é recortado por grandes placas que se
deslocam e se chocam, numa movimentação constante e
lenta. As regiões próximas à borda dessas placas são sujeitas
a terremotos e atividade vulcânica.
FORÇAS INTERNAS E EXTERNAS Asforçasinternasdãoforma
ao relevo. O tectonismo consiste no lento deslocamento das
placastectônicas.Osabalossísmicossãoostremorescausados
nasuperfíciedoplanetapelamovimentaçãodaplacatectônica.
Já o vulcanismo é a elevação do magma para a superfície por
meio de fendas na crosta terrestre. São duas as principais for-
ças externas. O intemperismo é o processo de degradação das
rochasprovocadaporfenômenosquímicosefísicos.Jáaerosão
consistenodesgastedarochaemrazãodaexposiçãoprolongada
a agentes naturais, como ventos, geleiras, rios e mares.
RECURSOSMINERAISOsminériossãoelementosdosquaispo-
demos extrair substâncias de interesse econômico. Destacam-
se os utilizados para a obtenção de metais, como o alumínio,
o ferro e o titânio. Os depósitos mais explorados ficam nos
escudos cristalinos. No Brasil, os minérios são encontrados
principalmente em Minas Gerais e no Pará.
SOLOS O solo compreende a parte superficial da litosfera e
se forma, principalmente, da decomposição das rochas e se
dispõe em camadas, denominadas horizontes. Os horizontes
O (orgânico) e A são os mais superficiais e mais significativos
para a agricultura. A composição mineral, o nível de acidez
e a capacidade de reter matéria orgânica e água são fatores
determinantes para a fertilidade dos diferentes tipos de solos,
de grande importância para as atividades agropecuárias.
LIXO A deposição inadequada do lixo em aterros sem nenhum
controle ambiental (os chamados lixões) está entre as princi-
pais causas da contaminação dos solos nas cidades. Mais de
50% dos municípios destinam os resíduos sólidos em lixões.
Apenas 28% das cidades faz o descarte em aterros sanitários.
SAIBA MAIS
As enchentes ocorrem quando a precipitação é elevada e a vazão ultrapassa a
capacidade de escoamento dos rios. É um fenômeno natural, provocando inun-
dações, que permitem a deposição de partículas minerais e de matéria orgânica
naáreaquevaialémdesuasmargens–avárzea.Noentanto,emgrandescidades
como São Paulo, a impermeabilização do solo ocasiona grandes alagamentos.
A água não consegue infiltrar no solo, escoando de forma rápida e em grande
volumeparaasviasdecirculaçãodetrânsito.ÉoqueacontecenaMarginalTietê:
Pista
local
Pista
local
Pista
expressa
Pista
expressa
RIO TIETÊ
Marginal direita
Marginal esquerda
Área de inundação
Nível normal
3.(EspcexAman2016)Orelevoéoresultadodaatuaçãodeforçasdeorigem
internaeexterna,asquaisdeterminamasreentrânciaseassaliênciasdacrosta
terrestre. Sobre esse assunto, podemos afirmar que
I. o surgimento das grandes cadeias montanhosas, como os Andes, os Alpes
e o Himalaia, resulta dos movimentos orogenéticos, caracterizados pelos
choques entre placas tectônicas.
II.ointemperismoquímicoéumagenteesculpidordorelevomuitocaracterísticodas
regiõesdesérticas,emvirtudedaintensavariaçãodetemperaturanessasáreas.
III. extensasplanícies,comoasdosriosGanges,naÍndia,eMekong,noVietnã,
são resultantes do trabalho de deposição de sedimentos feito pelos rios,
formando as planícies aluviais.
IV. osplanaltosbrasileiroscaracterizam-secomorelevosresiduais,poisperma-
necerammaisaltosqueorelevocircundante,porapresentaremestrutura
rochosa mais resistente ao trabalho erosivo.
V. por situar-se em área de estabilidade tectônica, o Brasil não possui formas
de relevo resultantes da ação do vulcanismo.
Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas
a) I, II e III
b) I, III e IV
c) II, IV e V
d) I, II e V
e) III, IV e V
RESOLUÇÃO
As afirmativas I, III e IV estão corretas. Sobre os outros itens, a afirmativa II diz,
equivocadamente, que o intemperismo químico ocorre em regiões desérticas. Na
verdade,nessaslocalidadescombaixoíndicepluviométricoverifica-seaatuaçãodo
intemperismofísicoedaerosãoeólica.JáaafirmativaVestáincorretaporqueopassado
geológico do atual território do Brasil, durante a Era Mesozoica, registra atividade
vulcânica. Ela foi responsável por aspectos importantes da estrutura geológica, do
relevoedosolonopaís,comoaexistênciadecuestasbasálticasedosolodeterraroxa.
Resposta: B
VENDA PROIBIDA
48 GE GEOGRAFIA 2018
HIDROSFERA
3 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
 A distribuição de água no planeta.............................................................50
 Água salgada .....................................................................................................52
 Água doce............................................................................................................56
 Tsunami ..............................................................................................................58
 Bacias hidrográficas do Brasil.....................................................................60
 Escassez hídrica no mundo..........................................................................62
 Escassez hídrica no Brasil ............................................................................64
 Poluição hídrica ...............................................................................................66
 Como cai na prova + Resumo.......................................................................68
O
snordestinosestãoenfrentandomaisuma
rigorosa seca. Embora estiagens severas
costumem castigar a região de tempos
em tempos, desta vez a situação é mais grave:
o Nordeste não via uma seca tão intensa para
um período consecutivo como este desde 1910.
A área mais afetada é o semiárido, região que
abriga 23 milhões de pessoas. Com a ausência de
chuvas, os grandes reservatórios da região estão
secando. No início de 2017, eles operavam com
somente 16% da capacidade. Segundo a Agência
Nacional de Águas (ANA), dos 533 reservatórios
monitorados pelo órgão na região, 142 estavam
vazios. A situação é mais crítica no Ceará, onde
os açudes estavam com 7% de sua capacidade
em janeiro deste ano.
A estiagem pode levar o fornecimento de água
nas áreas urbanas ao colapso, provocando sérios
transtornos à população. Em vários municípios
de pequeno porte, o abastecimento já está sendo
feito com caminhões-pipa. Nas regiões rurais,
o problema é outro. Agricultores perdem suas
plantações e veem o gado morrer. Em Pernam-
buco, o rebanho bovino, composto em 2011 por
2,5 milhões de cabeças, teve uma baixa de 554
mil animais no ano passado.
A boa notícia é que em março foi inaugurado
o primeiro trecho do projeto de transposição do
Rio São Francisco, que prevê o deslocamento
de parte das águas desse manancial por canais
artificiais para reservatórios situados no se-
miárido nordestino. Apontada desde o tempo
do Império como uma solução para a seca no
Nordeste, a transposição começou a sair do
papel em 2007, consumindo investimentos da
ordem de 9,6 bilhões de reais.
O projeto se estende por 477 quilômetros
e é dividido em dois eixos. O leste é o trecho
recém-inaugurado. Com 217 quilômetros, ele
beneficiará 4,5 milhões de pessoas em 168 loca-
lidades da Paraíba e de Pernambuco. Já o eixo
norte, com 260 quilômetros, tem inauguração
prevista ainda para 2017 e atenderá 222 muni-
cípios e 7,5 milhões de pessoas no Ceará e Rio
Grande do Norte.
Nas páginas seguintes, você vai saber mais
sobre a hidrosfera e a
importância estraté-
gica da água, além de
entender como a crise
hídrica é um fenôme-
no que preocupa não
apenas a população do
Nordeste, mas tam-
bém de outras regiões
do Brasil e do mundo.
Em meio à maior estiagem dos últimos 100 anos no
Nordeste, a inauguração de um trecho da transposição do
Rio São Francisco pode amenizar os efeitos da seca
Uma esperança
na aridez do sertão
ÁGUAS DE MARÇO
Inauguração do eixo leste
da transposição do Rio
São Francisco, em março
de 2016: projeto poderá
beneficiar 12 milhões de
pessoas no semiárido
nordestino
VENDA PROIBIDA
49
GE GEOGRAFIA 2018
EDUARDO KNAPP/FOLHAPRESS
VENDA PROIBIDA
50 GE GEOGRAFIA 2018
3
P
rimeirohomemaveroplanetado
espaço, o astronauta russo Yuri
Gagarintornoucélebreafraseem
quedescreveuoqueobservouládecima:
“A Terra é azul”. A coloração do nosso
planetavistodaórbitaterrestreéconse-
quência do enorme volume de água de
queaTerradispõe.Sãocercade1,4bilhão
dequilômetroscúbicosquecobremmais
de 70% da superfície do globo.
O conjunto de toda a água do pla-
neta recebe o nome de hidrosfera. Há
cerca de 4 bilhões de anos, quando
nosso planeta era uma nuvem quente
de poeira e gás, a água encontrava-se
misturada a outros gases, no estado de
vapor. À medida que o planeta esfriava,
esse vapor foi se condensando e, sob a
forma de chuva, precipitando-se sobre
a superfície. Dessa longa e caudalosa
tempestade formaram-se os oceanos,
mareseoconjuntodas“águascontinen-
tais”, composto de rios, lagos, lençóis
subterrâneos, geleiras e neves eternas.
Mas todo esse volume de água que
cobre o planeta não está à disposição
para o nosso consumo. Desse 1,4 bilhão
de quilômetros cúbicos de água que
A Terra é azul
Ocupando mais de 70%
da superfície terrestre,
a hidrosfera domina a
paisagem do nosso planeta
PLANETA ÁGUA Apesar de a Terra dispor de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água, apenas 2,5% desse volume é próprio para o consumo humano
revestem o globo, apenas 2,5% são de
água doce – algo em torno de 35 mi-
lhões de quilômetros cúbicos. Além
disso, a maior parte da água ou está
congelada nas geleiras e calotas polares
ou encontra-se escondida em depósi-
tos subterrâneos. A real proporção da
água a que o homem tem acesso fácil –
asuperficial,derioslagosepântanos–é
de, no máximo, 0,4% da água doce exis-
tentenomundo(vejamaisnográfico).Ou
seja,temos100milquilômetroscúbicos
paramatarasede,cuidardahigiene,ge-
rarenergia,produziralimentosebensin-
dustriais.Nãoéexatamentepoucaágua–
imaginequecadapessoanomundotenha
direitoamaisde570bilhõesdelitrospor
dia, durante 75 anos.
O problema é que a água não é distri-
buídaassim,deformaequilibrada,entre
toda a população. A própria natureza
impõerestrições.Enquantoregiõescomo
a Amazônia é riquíssima em recursos
hídricos, trechos da África e do Oriente
Médio sofrem com uma brutal escas-
sez, responsável, inclusive, por sérios
conflitos armados. Para piorar, a ação
do homem em nada vem ajudando a
HIDROSFERA A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA
[1]
VENDA PROIBIDA
51
GE GEOGRAFIA 2018
A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA
Apenas uma pequena parte da água da Terra é
acessível para uso humano
ÁGUA DOCE
ÁGUA ATMOSFÉRICA E DE SUPERFÍCIE
TOTAL DA ÁGUA
Água doce
2,5%
Água salgada
97,5%
Fonte: National Geographic
Biota
0,8%
(conjunto dos
seres vivos)
Lagos de
água doce
67,4%
Umidade
do solo
12,2%
Atmosfera
9,5%
Pântanos e
áreas alagadas
8,5%
Rios
1,6%
Subterrânea
30,1%
Permafrost
0,8%
(camada de subsolo
na tundra congelada)
Água atmosférica e
de superfície
0,4%
Geleiras
68,7%
tornar a distribuição e o acesso à água
mais democráticos. Se hoje 2,4 bilhões
de pessoas não têm acesso à água trata-
da, isso se deve principalmente ao mau
gerenciamento das fontes naturais e à
falta de equilíbrio entre a renovação e o
consumo da água.
Ociclohidrológico
Todaaáguadisponívelnoplanetaestá
em constante renovação. Esse processo
no qual a água se desloca da superfície
terrestreedaatmosfera,passandopelos
estados líquido, sólido e gasoso, recebe
o nome de ciclo hidrológico.
Umdosresponsáveisporesseprocesso
éaenergiasolar,queincidenasuperfície
doplanetaeprovocaaevapotranspiração
daságuas,ouseja,elaspassamdoestado
líquidoparaogasoso.Aevaporaçãodos
oceanos ocorre com maior intensidade,
masofenômenoaconteceaindaemrios,
lagos e demais águas continentais. A
transpiração das plantas também con-
tribui para a evaporação da água.
O vapor de água resultante desse pro-
cesso dá origem às nuvens, que se des-
locam com o movimento de rotação da
Terra e dos ventos. Quando as nuvens
se condensam, ocorre a precipitação, e
a água volta para a superfície terrestre,
atingindo tanto o continente quanto os
oceanos.Essaprecipitaçãopodeserlíqui-
da, no caso das chuvas, ou sólida, se cair
na forma de neve ou granizo. Tudo de-
pendedascondiçõesclimáticasdaregião.
Ao atingir os continentes, a água da
precipitação pode percorrer alguns
caminhos:
 volta para a atmosfera, em novo pro-
cesso de evapotranspiração;
 infiltra-se no solo, alimentando as
águas subterrâneas;
 é escoada na direção de rios, lagos
e mares.
Odestinodessaságuaséinfluenciado
porfatorescomoacoberturavegetal,as
condiçõesclimáticaseageologiaeaalti-
tude.Emáreasmaisáridas,porexemplo,
aevaporaçãoémaiorqueainfiltração,ao
passoque,emterrenosarenosos,aágua
se infiltra mais rapidamente.
Vejaasquatroetapasdoprocessoderenovaçãohidrológica
O CICLO DA ÁGUA
A energia solar
incide sobre a
superfície do planeta.
1
3 Os ventos carregam o vapor
de água dos oceanos para os
continentes. As nuvens se
condensam, e a água volta
para a superfície terrestre
na forma de chuva –
a precipitação também pode
ocorrer como neve ou granizo.
A água das chuvas é escoada
para os rios, lagos e mares.
Também pode infiltrar-se no
solo ou voltar para a
atmosfera pelo processo de
evaporação.
O calor provoca a
evaporação da água,
que passa para o estado
gasoso e é transferida
para a atmosfera.
A transpiração
de plantas e animais
contribui para esse
processo. Apesar de o
fenômeno também ocorrer
em rios e em lagos, é nos
oceanos que a evaporação
é mais intensa.
2
4
[1] NASA [2] MULTISP
[2]
VENDA PROIBIDA
52 GE GEOGRAFIA 2018
3
Imensidão
marinha
Quase a totalidade da
hidrosfera é formada por
oceanos e mares, habitat
da maioria das espécies do
planeta e responsáveis por
grande parcela da atividade
econômica mundial
HIDROSFERA ÁGUA SALGADA
A
s águas marinhas dividem-se em
oceanos (grandes áreas) e mares
(áreas menores). Juntas, essa
imensidão de água salgada representa
97,5% de toda a hidrosfera. Conforme
veremos a seguir, os oceanos e mares
têm uma incalculável importância para
o equilíbrio do planeta, tanto nos aspec-
tos ambientais como socioeconômicos.
A própria origem da vida, de acordo
com a teoria do Big Bang, teria ocorrido
nos oceanos há cerca de 3,5 bilhões de
anos (veja mais na pág. 98).
A origem da água salgada
Durante centenas de milhões de anos,
a chuva foi formando os rios – que, por
sua vez, dissolveram rochas de dife-
rentes períodos geológicos, nas quais
o sal comum, cloreto de sódio (NaCl),
é encontrado em abundância. Como
todos os cursos de água correm para
o oceano, os mares ficam com quase
todo o sal dissolvido nesse processo.
Além disso, as partículas de cloro e de
sódio suspensas na atmosfera também
são levadas pela chuva, completando o
processo. Ainda assim, a salinidade de
uma massa de água depende principal-
mente de sua taxa de evaporação, que
acaba determinando a concentração do
sal. É por isso que lagos e açudes podem
se tornar salgados em regiões de muito
calor, como ocorre no nordeste brasi-
leiro. Por essa mesma razão, os mares
equatoriais são mais salgados que os
polares. Os mais salgados do planeta
são o Mar Morto, no interior da Ásia,
e o Mediterrâneo. O menos salgado é o
Mar Báltico, no norte da Europa, que,
por causa de seu baixo teor de sal, chega
a ficar congelado durante o inverno.
A biodiversidade marinha
A grande biodiversidade marinha
pode ser confirmada estatisticamente:
dos 33 filos (grandes grupos de seres
vivos), 15 são exclusivamente mari-
nhos e cinco são predominantemente
marinhos. São mais de 230 mil espécies
conhecidas nos mares e oceanos, porém
estima-se que o número ultrapasse 1
milhão de espécies.
Os ambientes diversificados propi-
ciam a formação de ecossistemas di-
versos, desde as águas rasas e quentes
VENDA PROIBIDA
53
GE GEOGRAFIA 2018
das costas continentais – com grande
aporte de alimentos provenientes dos
rios – até águas profundas, frias e sem
luz, com erupções de lava e gás metano,
entre outros materiais tóxicos para as
espécies da superfície. Algumas espé-
cies marinhas têm funções vitais para o
planeta Terra em escala global, como o
plâncton, cuja absorção de CO2
é maior
do que a de todas as florestas das terras
emersas somadas.
A economia dos mares
e dos oceanos
Os mares e oceanos são explorados
economicamente desde os primórdios
da existência dos seres humanos para a
obtençãodealimentoseenergia,otrans-
porte, o lazer, entre outras atividades.
As rotas estabelecidas no período das
GrandesNavegações(séculosXVaXVII)
mudaram o mapa econômico mundial,
ampliando numa escala jamais vista até
entãoastrocascomerciaiseaexploração
de recursos naturais do planeta.
Atualmente,merecemdestaqueasse-
guintesatividadeseconômicasassentadas
na exploração dos mares e dos oceanos:
MARES
Osmaressãoblocosmenoresdeáguasalgadaligados
aosoceanos.Emgeral,sãoclassificadosdeacordocom
amaneirapelaqualsejuntamaosoceanos.
Mares abertos: são ligados ao oceano por meio
de grandes aberturas. Ex.: Mar das Antilhas ou do
Caribe e o Mar do Norte, entre as ilhas britânicas e
o continente europeu.
Mares continentais: as ligações com o oceano são
menores, feitas por meio de estreitos. Ex.: Mar
Mediterrâneo, ao sul da Europa, e Mar Vermelho,
entre a península Arábica e a África.
MARES E OCEANOS
OCEANO
ATLÂNTICO
Mar do Caribe
Mar
Mediterrâneo
Mar do Norte
Golfo
do México
Golfo
Pérsico
Bacia
de Campos
Mar
Vermelho
Mar
Morto
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO
PACÍFICO
C. de Humboldt
Mares fechados: apesar de serem chamados de mares,
são, na verdade, grandes lagos com água salgada.
Ex.: Mar Morto, no Oriente Médio
OCEANOS
De acordo com a maioria dos especialistas, são três os
grandes oceanos: Pacífico, Atlântico e Índico. O limite
entre um oceano e outro é determinado pelo contorno
dos continentes. Alguns geógrafos apontam a existência
de dois outros oceanos, o Ártico, no norte do globo,
e o Antártico, que circunda o continente gelado ao sul.
iSTOCK PHOTO
GRANDES NAVEGAÇÕES
Cerca de 80% do
volume total do
comércio mundial
é feito por meio de
transporte marítimo
 A PESCA
Base da alimentação de milhões de
pessoas, a pesca tradicional e indus-
trial é feita em todos os oceanos e na
maioriadosmares,sobretudoemáre-
as costeiras. A produtividade é maior
em regiões banhadas por correntes
marítimasfrias.Umbomexemploéa
correntedeHumboldt,quepassapela
costa peruana (veja no mapa).
 EXTRATIVISMO MINERAL
Além da extração de petróleo e gás
natural, explorado em áreas como a
Bacia de Campos, o Golfo Pérsico e o
Golfo do México (veja localização no
mapa), outros recursos minerais são
prospectados em águas oceânicas.
Merece destaque a mineração feita
no Mar Morto, de cujo leito se extra-
em grandes quantidades de potássio,
o que coloca Israel e Jordânia na lista
dos dez maiores exportadores desse
mineral. O produto é utilizado, entre
outras aplicações, na fabricação de
adubos químicos. Já África do Sul e
Namíbia exploram diamantes nos
mares que banham o seu litoral.
 ROTAS COMERCIAIS
Cerca de 80% das mercadorias co-
mercializadas entre diferentes paí-
ses no mundo são transportadas por
navios cargueiros, que diariamente
atravessam os oceanos. O Oceano
Atlântico é intensamente explorado
economicamente, em especial no
Atlântico Norte, onde se encontram
rotas que interligam as potentes eco-
nomias da América do Norte e os
países da Europa Ocidental. O Oce-
ano Pacífico é um elo cada vez mais
forte entre as economias ocidentais
e orientais. Já o Oceano Índico é
percorrido por embarcações que ex-
ploram o petróleo no Oriente Médio,
sobretudo no Golfo Pérsico.
 TURISMO
O turismo marítimo é outra ativi-
dade em expansão, explorando as
orlas marítimas com a implantação
de balneários, navegação, pesca es-
portiva e atividades de mergulho. A
indústria turística também projeta
suas atividades para o alto-mar com
a navegação dos cruzeiros marítimos.
VENDA PROIBIDA
54 GE GEOGRAFIA 2018
3 HIDROSFERA ÁGUA SALGADA
Arquipélago
de Fernando
de Noronha
Atol das
Rocas
Arquipélago
de São Pedro
e São Paulo
Arquipélago
de Abrolhos
Poçosdopré-sal
Ilhas da
Trindade e
Martin Vaz
Júpiter
Tupi
Guará
Carioca
B
R
A
S
I
L
G
U
I
A
N
A
F
R
A
N
C
E
S
A
BRASIL
URUGUAI
Salvador
Rio de Janeiro
Florianópolis
São Luís
Belém
O c e a n o
A t l â n t i c o
CROSTA CONTINENTAL
CROSTA OCEÂNICA
PLANÍCIE
ABISSAL
T
A
L
U
D
E
ELEVAÇÃO
PLATAFORMA
Mar territorial Zona contígua
Zona econômica exclusiva Plataforma continental
LINHA
BASE
Fronteiras marítimas
Fronteira Definição Limite a partir da orla Área
Mar territorial
Soberania absoluta, econômica
e militar
12 milhas (22,2 km) –
Zona contígua Controle administrativo 24 milhas (44,4 km) –
Zona econômica
exclusiva
Direitos econômicos absolutos
sobre a água, o assoalho e o subsolo
200 milhas (370 km) 3.539.919 km2
Plataforma
continental
Direitos sobre o assoalho marítimo
e seus seres e o subsolo
até 350 milhas (648 km)
(área reivindicada)
4.489.919 km2
Fonte: Marinha do Brasil/ Ministério das Relações Exteriores
OS LIMITES MARINHOS DO BRASIL Controle dos mares e oceanos
Aimportânciageopolíticadosmarese
dos oceanos reflete-se nas disputas que
muitasnaçõestravamentresiparapoder
exercer sua soberania sobre o território
marítimo. A dificuldade em estabelecer
as faixas oceânicas a que cada país tem
direitodeuorigemàConvençãodasNa-
ções Unidas sobre o Direito do Mar. Ela
determinaoslimitesdomarterritorial,
ouseja,aságuasquefazempartedoter-
ritório nacional de cada país, onde pos-
suemtotalsoberaniaeconômicaemilitar.
Alémdomarterritorial,sãodefinidasas
zonascontíguas,nasquaisoEstadodeve
fiscalizar e combater crimes ambien-
tais; as zonas econômicas exclusivas,
que estabelece direitos absolutos para
a realização de pesquisas e exploração
econômica;eaplataformacontinental,
área na qual o país detém direitos sobre
o assoalho marítimo e o subsolo.
Nazonaeconômicaexclusivabrasilei-
ra,estão91%detodoopetróleoexplorado
pelopaís,incluindoasjazidasdopré-sal.
Diante da necessidade de garantir sua
proteção, em 2004, o Brasil solicitou à
ONU que estenda sua soberania sobre
a área de mar acima da plataforma con-
tinental para até 350 milhas náuticas
(648 quilômetros), conforme prevê a
convenção, mas ainda não obteve o aval
sobreessadecisão.Vejaaoladoeabaixoa
localizaçãoeaextensãodecadanívelde
fronteira marítima no litoral brasileiro.
VENDA PROIBIDA
55
GE GEOGRAFIA 2018
CHINA FINALIZA INSTALAÇÕES NO MAR DO SUL DA
CHINA QUE PODEM ABRIGAR MÍSSEIS, DIZEM EUA
AChinapraticamentefinalizouaconstruçãodequaseduasdezenas
de estruturas em ilhas artificiais no Mar do Sul da China que parecem
projetadas para abrigar mísseis terra-ar de longa distância, disseram
duasautoridadesdosEstadosUnidosàReuters,oquefoiconsiderado
um teste precoce ao presidente norte-americano, Donald Trump.
AChinareivindicaquasetodasaságuas,pelasquaiscirculaumterçodo
comérciomarítimomundial.Brunei,Malásia,Filipinas,TaiwaneVietnã
também têm reivindicações no local. O governo Trump classificou a
construção de ilhas chinesas no Mar do Sul da China como ilegal. (...)
Reuters, 22/2/2017
SAIU NA IMPRENSA
SAIBA MAIS
MARÉS E CORRENTES MARÍTIMAS
As marés são o movimento de subida e descida das águas em relação
à costa, ocasionado pela atração que a Lua e o Sol exercem sobre as
massas de água. A influência da Lua é sentida de maneira mais forte,
porque o Sol, apesar de ser muito maior do que ela e, portanto, ter um
campo gravitacional mais poderoso, está muito mais afastado (veja o
infográfico abaixo). Além dessa força de atração dos astros, outro fenô-
meno astronômico colabora para a formação das marés: a rotação da
Terra. Girando em torno de si mesma, a Terra fica sempre com metade
de sua superfície virada para a Lua. O resultado é o movimento das
águas de acordo com a posição do planeta e de seu satélite. A cada
dia, acontecem duas marés altas (quando o oceano está de frente para
a Lua) e duas baixas (nos intervalos entre as altas).
A rotação da Terra influencia outro tipo de movimento das águas
oceânicas: as correntes marítimas. Elas são gigantescas porções
de água que se deslocam nos oceanos de forma independente das
águas que as circundam. É por causa do fenômeno da inércia que as
correntes se deslocam com o movimento do planeta: as águas tende-
riam a continuar paradas, mas acabam se movimentando em sentido
contrário ao da rotação do globo. As correntes também ocorrem em
razão da inclinação do eixo terrestre e da diferença de temperatura
entre o Equador e as zonas polares. As correntes podem ser frias ou
quentes e influenciam a vida no planeta de várias formas. A corrente
fria de Humboldt, por exemplo, esfria a costa oeste da América do Sul.
Há ainda a corrente quente do Atlântico Norte (ou corrente do Golfo),
que evita o congelamento de portos europeus, e a corrente fria do
Labrador, que desce do Ártico e influencia as gélidas temperaturas da
costa leste norte-americana no inverno (veja mapa com as principais
correntes marítimas na pág. 79).
No lado da Terra voltado para a
Lua, as águas (em azul) sobem,
atraídas pela gravidade lunar
Para facilitar, imagine
que o planeta fosse todo
recoberto pelos oceanos
SOB O DOMÍNIO DA LUA
EntendacomoosatélitedaTerrainterferenasmarés
Maré alta
Maré alta
Maré baixa
Maré baixa
Mar do Sul da China
OMardoSuldaChinaéumadasprin-
cipaisregiõesemdisputanomundoatu-
almente. Além de ser uma importante
rota marítima, o local tem um grande
potencial para a exploração petrolífera.
A China alega ter precedência histórica
sobrearegiãoeexploraeconomicamente
suaságuas.Noentanto,emjulhode2016,
a ONU acatou um pedido das Filipinas
e decidiu que a China não tem base le-
galparareivindicar“direitoshistóricos”
no Mar do Sul da China. O governo de
Pequim disse que não irá reconhecer a
decisão e manterá o controle da região.
CHINA
TAIWAN
FILIPINAS
INDONÉSIA
BRUNEI
MALÁSIA
VIETNÃ
LAOS
Hanoi Hong Kong
Ilhas
Paracel
Ilhas
Spratly
Manila
CAMBOJA
Campo de gás
de Sampaguita
Mar do Sul
da China
China Filipinas
Vietnã Malásia
Brunei
Fonte: The Economist
ÁREAS REINVIDICADAS POR
A DISPUTA NO MAR DO SUL DA CHINA
VENDA PROIBIDA
56 GE GEOGRAFIA 2018
3
Reservas vitais
Saiba onde ficam as principais
fontes de água doce, que
representam menos de
3% de toda a hidrosfera
A
pesar de a água dominar a pai-
sagem do globo, a quantidade
de H2
O disponível para nosso
consumoéproporcionalmenteirrisória:
do 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos
de água da hidrosfera, apenas 2,5% são
de água doce. Mas a garganta começa
a secar mesmo quando observamos
que a maior parte da água doce, quase
70%, está sob a forma de gelo, ou seja,
indisponível, nos polos.
Asprincipaisfontesparamatarasede
dos bilhões de seres vivos no mundo
são:aságuassubterrâneas,captadaspor
meio da exploração de poços; as águas
desuperfície,queenglobamdesdelagos
e rios até a umidade do solo; e a água
presente na atmosfera. Tudo isso junto,
DOCE PAISAGEM
Vista aérea do Lago
Michigan, em Chicago,
nos Estados Unidos,
que compõe um dos
cinco Grandes Lagos:
sua formação se deu
por erosão glacial
HIDROSFERA ÁGUA DOCE
contudo, não atinge 1% do volume da
hidrosfera. Seja como for, mesmo que o
volumerelativosejamínimo,osnúmeros
absolutosdeH2
Oànossadisposiçãoain-
dasãobastantesignificativos,desdeque
administradosracionalmenteepreserva-
dosdequalquercontaminação.Confiraa
seguirascaracterísticasdosreservatórios
queguardamtodoessepreciosolíquido.
Geleiras
Reservatório de 68,7% da água doce
doplaneta,asgeleirassãoenormesmas-
sas formadas pelo acúmulo de neve no
decorrer de milhares de anos. Existem
em áreas planas próximas aos polos ou
na forma de imensos rios de gelo que
avançamlentamentepelosvalesemaltas
latitudes ou em cordilheiras elevadas.
As geleiras se movimentam: descem
encostas pela ação da gravidade ou se
espalham pelo solo com a força de seu
peso. Em seu trajeto, elas desgastam
as rochas e, ao chegar a mares e lagos,
dão origem a plataformas de gelo. Os
icebergs são massas de gelo que se des-
prendem dessas plataformas e flutuam
pelos oceanos.
Lagos
Os lagos, definidos conceitualmen-
te como corpos de água parada, são
a maioria da água doce de superfície
disponível para consumo. Podem ser
formados de várias maneiras: por acú-
mulo de água da chuva, afloramento
de uma nascente, pela alimentação de
rios ou pela erosão glacial (desgaste
das rochas provocado pelo movimento
das geleiras). Essa última explica a ori-
gem dos Grandes Lagos da América do
Norte, que abrigam 27% da água doce
proveniente de lagos do planeta.
Também são lagos os mares fechados,
sem ligação com o oceano, como o Mar
Cáspio – o maior lago do mundo, com
áreade370milquilômetrosquadrados–
e o Mar Morto. Outro mar, o de Aral,
enfrenta enorme desastre ambiental e
perdeu cerca de 90% do volume total
de água (veja mais na pág. 67).
Rios
São cursos naturais de água que se
deslocam de um ponto mais alto (nas-
cente) até um nível mais baixo (foz ou
desembocadura), onde lançam suas
VENDA PROIBIDA
VENDA PROIBIDA
58 GE GEOGRAFIA 2018
3 HIDROSFERA TSUNAMI
Ondas de
destruição
Tremores provocados por
fenômenos geológicos no
fundo do mar dão origem
aos terríveis tsunamis
A
palavratsunamiemjaponêssignifica
“ondadeporto”edánomeaumfenô-
meno conhecido como maré de ter-
remoto.Ostsunamissãoondasgigantescas,
commaisde30metrosdealtura,provocadas
por perturbações nas profundezas do mar,
comoabalossísmicos(maremotos),erupções
vulcânicasoudeslizamentosnofundooceâ-
nico(vejaaolado).Ostremoresprovocados
por esses fenômenos geológicos propagam
umasériedeondulaçõesporgrandesdistân-
ciasnasuperfíciedooceano.Essasondassão
inicialmente bastante longas e baixas, não
maisque0,3a0,6metro.Entretanto,acoisa
se complica quando elas se aproximam da
costa,ondeaprofundidadediminuiesurge
atrito com o fundo do oceano.
O resultado é que as ondas passam a ser
comprimidas num espaço cada vez menor,
o que as obriga a subir. Os tsunamis, então,
formam uma coluna descomunal, sugando
o mar da costa a ponto de deixar parte do
solo oceânico descoberto. Esse é o último
aviso. Minutos depois, eles chegam, em
geral catastroficamente.
A CHEGADA DO TSUNAMI NA COSTA
Diferenças nas encostas do litoral podem suavizar ou aumentar o impacto
Um declive menos acentuado na beira-mar faz com que as ondas percam força, atenuando o tsunami
Uma maior profundidade na encosta joga as ondas para cima, amplificando sua potência
TUDO COMEÇA
NO FUNDO DO MAR
Ondas gigantes são provocadas por
três tipos de fenômeno
Erupções vulcânicas injetam
toneladas de lava no chão oceânico,
provocando ondas devastadoras
Terremotos submarinos deslocam a
crosta oceânica, empurrando a massa
de água para cima
Uma imensa bolha de gás se
forma no fundo do solo oceânico,
surtindo o mesmo efeito de uma
explosão descomunal
[3]
[4]
[1]
[2]
[5]
VENDA PROIBIDA
59
GE GEOGRAFIA 2018
NATUREZA EM FÚRIA
INDONÉSIA
OPLANETAMOBILIZADOPELAONDAGIGANTE
A tragédia de 26 de dezembro de 2004 foi
ainda mais devastadora porque o Oceano
Índico não tinha um sistema de aviso eficaz
nem estava acostumado a esse tipo de onda.
Aaltadensidadepopulacionaldasáreasatin-
gidas (15 países na Ásia e na África) também
amplificou a catástrofe, que deixou 230 mil
mortos. A Indonésia foi o país mais atingido –
só na ilha de Sumatra morreram mais de
170 mil pessoas.
O tsunami nasceu de um terremoto de 9
pontos na escala Richter. A partir do epicen-
tro, a cerca de 160 quilômetros a oeste da
ilha indonésia de Sumatra, surgiram ondas
de 10 metros de altura, que viajavam a 800
quilômetros por hora.
A comoção diante da tragédia provocou
uma mobilização mundial. Nações de todo o
globo enviaram dinheiro, donativos e volun-
tários com rapidez sem precedentes.
NATUREZA EM FÚRIA
JAPÃO
O DESASTRE QUE GEROU
UM ALERTA NUCLEAR
No dia 11 de março de 2011, o Japão sofreu
o maior terremoto de sua história. O abalo
de 9 pontos na escala Richter teve seu epi-
centro no oceano Pacífico, a 67 quilômetros
da costa nordeste, provocando um tsunami
devastador. As ondas viajaram a 800 quilô-
metros por hora, arrastando carros, barcos e
edifícios. Cidades como Sendai e Ishi ficaram
submersas em meio aos escombros.
Além de deixar pelo menos 9 mil mortos,
o tsunami comprometeu o sistema de res-
friamento da usina atômica de Fukushima.
O superaquecimento dos reatores provocou
explosões,ehouvevazamentodematerialra-
dioativo.Enquantomilharesdedesabrigados
eram socorridos, o país ainda era ameaçado
por uma catástrofe nuclear.
[6]
[7]
[1][2][3][4][5] NEWTON VERLANGIER/ REVISTA MUNDO ESTRANHO [6] KYODO PRESS/ AP [7] DUDI ANUNG/ AP
COSTA BRAVA Tsunami invade o litoral de Iwanuma, no norte do Japão, em março de 2011
CENÁRIO DESOLADOR A cidade de Meulaboh, na Indonésia, após a passagem do tsunami, em 2004
VENDA PROIBIDA
60 GE GEOGRAFIA 2018
3 HIDROSFERA BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
O Brasil concentra mais de
10% da água doce disponível na
superfície do planeta. Descubra
os meandros das águas que
percorrem nosso país
E
nquantováriasregiõesdoplaneta
sãopoucoprivilegiadasemrelação
àdisponibilidadedeágua,oBrasil
não tem do que reclamar nesse quesito:
nossoterritórioconcentramaisde10%da
águasuperficialdisponívelparaconsumo
nomundo.Todaessacaudalosariqueza
estáespalhadapelosmilharesderiosque
percorrem o país. A maioria desses rios
nasce em regiões de altitude média – o
Amazonas,quetemorigemnacordilheira
dos Andes, é uma das exceções. Uma
característicaimportanteéopredomínio
de rios de planalto, o que permite bom
aproveitamento hidrelétrico.
Oregimedosriosbrasileirosépluvial,
ouseja,sãoalimentadospelaáguadachu-
va(oAmazonaséexceção,poistambém
recebe neve derretida dos Andes). Em
virtude da predominância do clima tro-
picalnopaís,combastantechuva,nossos
riossãomajoritariamenteperenes(nunca
secam).DesaguandonoOceanoAtlântico
ouemoutrosafluentesquecorremparao
mar,elestêm,emsuamaioria,fozdotipo
estuário:ocanalseafunila,easáguassão
lançadas livremente no oceano. Outro
tipo de foz é o delta, em que aparecem
ilhas na região do deságue. Há, ainda, a
foz mista, como a do Amazonas.
Apesardeaáguaserabundanteaquino
Brasil, o país não está livre do problema
dafaltadeágua.Issoporqueasfontesna-
turaissãomaldistribuídaspeloterritório
e há uma crônica má administração dos
recursos hídricos (veja mais na pág. 64).
O vasto emaranhado de afluentes na-
cionais está agrupado em oito grandes
bacias hidrográficas. As bacias, por sua
vez,reúnem-seemregiõeshidrográficas
para facilitar o planejamento ambiental
e o uso racional dos recursos. Veja a se-
guir cada uma das oito grandes regiões
hidrográficas do Brasil.
Território
caudaloso
Fonte: IBGE
1
3
2
4
8A
8B
8E
8D
8C
6
5
7
1.Região hidrográfica
da Amazônia
Engloba a maior bacia hidrográfica
do mundo, a Amazônica, com área de
3,8 milhões de quilômetros quadrados
em terras brasileiras, o equivalente a
cerca de 60% do total (os outros 40%
distribuem-se nos territórios de Peru,
Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana
e Bolívia). Seu curso principal nasce
no Peru, com o nome de rio Vilcanota,
e recebe depois as denominações de
Ucaiali, Urubamba, Marañón e Ama-
zonas. Quando entra no Brasil, vira
Solimões, até o encontro com o rio
Negro; desse ponto até a foz, volta a
se chamar Amazonas. Seus principais
afluentes no Brasil são os rios Madeira,
Tapajós e Xingu, na margem direita, e,
namargemesquerda,Negro,Trombetas
e Paru. Um estudo divulgado em 2008
pelo Inpe mostrou que o rio Amazonas
é o maior do mundo: o rio brasileiro
tem 6.992 quilômetros de extensão,
superando o rio Nilo, com 6.852 qui-
lômetros. A confirmação desses dados,
contudo, ainda depende da aceitação de
instituições geográficas internacionais.
A bacia Amazônica tem mais de
20 mil quilômetros de rios navegáveis.
Hidrovias como a do Rio Madeira, que
opera de Porto Velho a Itacoatiara, ser-
vem de escoadouro para a produção
agrícola do Centro-Oeste.
2.Região hidrográfica
dos rios Tocantins-Araguaia
Ocupando 921 mil quilômetros qua-
drados, essa área é definida pela bacia
do Rio Tocantins. Ele nasce em Goiás
e desemboca na foz do Rio Amazonas.
Parte de seu potencial hidrelétrico é
aproveitada pela usina de Tucuruí, no
Pará. Já o Rio Araguaia nasce em Mato
Grosso, na divisa com Goiás, unindo-se
ao Rio Tocantins no extremo norte do
estado do Tocantins.
3.Região hidrográfica
do Rio São Francisco
Possui uma área de 638 mil quilô-
metros quadrados e seu principal rio
é o São Francisco, com cerca de 2,7 mil
quilômetros de extensão. O Velho Chico
VENDA PROIBIDA
61
GE GEOGRAFIA 2018
SAIBA MAIS
BACIAS HIDROGRÁFICAS
Umabaciahidrográficacompreendeaságuas
superficiais(lagos,rioseseusafluentesesuba-
fluentes, além do escoamento das águas das
chuvas) e também as águas subterrâneas. Em
geral, as bacias hidrográficas são exorreicas,
ou seja, suas águas escoam para os mares ou
oceanos. As bacias endorreicas (aquelas em
que as águas escoam para lagos ou pântanos)
são menos frequentes. A foz é onde o rio de-
ságua – ela pode ser em estuário, se desem-
boca no mar em um único canal, ou em delta,
quando é formado por vários canais do leito
do rio. Veja na imagem ao lado os principais
elementos da bacia hidrográfica.
nasce em Minas Gerais e percorre os
estados da Bahia, de Pernambuco, Ala-
goas e Sergipe até a foz, na divisa entre
esses dois últimos estados. É o maior
rio totalmente localizado em território
brasileiro, sendo essencial para a eco-
nomia das localidades que percorre
– grande parte localizada em região
semiárida – , pois permite a atividade
agrícola em suas margens e oferece
condições para a irrigação artificial de
áreas mais distantes. Essa, inclusive, é
uma das questões em debate em torno
do projeto de transposição das águas
do São Francisco (veja mais na pág. 64).
4.Região hidrográfica
do Rio Parnaíba
Segunda principal região hídrica
do Nordeste, atrás da região do São
Francisco, ocupa uma área de 333 mil
quilômetros quadrados, entre os esta-
dos do Ceará, Maranhão e Piauí. Ao
desaguar no oceano Atlântico, fazendo
a divisa do Piauí com o Maranhão, o
Rio Parnaíba forma um delta oceânico.
A piscicultura é a principal atividade
econômica praticada no rio.
5.Região hidrográfica
do Rio Paraná
Abrangendo uma das áreas com o
maior desenvolvimento econômico do
país, a região da bacia do Paraná tem
cercade880milquilômetrosquadrados.
O Rio Paraná, com quase 3 mil quilô-
metros de extensão, nasce na junção
dos rios Paranaíba e Grande, na divisa
entreMatoGrossodoSul,MinasGerais
eSãoPaulo.Essabaciaapresentaomaior
aproveitamento hídrico do Brasil, abri-
gando hidrelétricas como a de Itaipu.
Afluentes do Paraná, como o Tietê e
o Paranapanema, também têm grande
potencialparagerarenergia.Ahidrovia
Tietê-Paraná é a mais antiga do país.
6.Região hidrográfica
do Rio Paraguai
É constituída pela bacia brasileira do
Rio Paraguai, abrigando a grande planí-
cie do Pantanal Mato-Grossense. Com
sua nascente em território brasileiro, na
Serra do Araporé, próximo de Cuiabá
(MT), o Rio Paraguai ocupa uma região
de 363 mil quilômetros quadrados no
Brasil, correspondente a cerca de um
terço da área total, e inclui também
Argentina, Bolívia e Paraguai. Seus rios
são muito usados para a navegação e
para o consumo animal.
7.Região hidrográfica
do Rio Uruguai
Com cerca de 274 mil quilômetros
quadrados, é constituída pela parte
brasileira da bacia do Uruguai, rio que
surge da união dos rios Pelotas e Ca-
noas. Tem grande importância tanto
pelo potencial hidrelétrico como pela
concentração de atividades agroindus-
triais na região.
8.Região hidrográfica
do Atlântico
Trata-se de um conjunto de várias pe-
quenas e médias bacias costeiras forma-
das por rios que deságuam no Atlântico,
exceto os do Amapá, que fazem parte
da região hidrográfica Amazônica. São
cinco regiões:
a) A AtlânticoNordesteOcidental, de
274 mil quilômetros quadrados, abri-
ga os rios situados entre a foz do
Gurupi (divisa Pará-Maranhão) e a
do Rio Parnaíba (divisa Maranhão-
-Piauí).
b) A Atlântico Nordeste Oriental, de
286 mil quilômetros quadrados, fica
entre a foz do Parnaíba e a do São
Francisco, na divisa entre Alagoas
e Sergipe.
c) A Atlântico Leste, com 388 mil qui-
lômetrosquadrados,vaidafozdoSão
Francisco ao Rio Mucuri (extremo
sul da Bahia).
d) A Atlântico Sudeste, com 215 mil
quilômetros quadrados, vai do Mu-
curi à área da divisa entre São Paulo
e Paraná.
e) Por fim, a Atlântico Sul abrange
as bacias dos rios Itajaí, Capivari e
aquelas ligadas ao Rio Guaíba e ao
sistema lagunar do Rio Grande do
Sul, somando 187 mil quilômetros
quadrados de área.
VENDA PROIBIDA
62 GE GEOGRAFIA 2018
3 HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO
S
e hoje uma a cada nove pessoas
no mundo não tem acesso à água
potável em quantidade necessária
para garantir sua saúde, é porque a ação
do homem está interferindo direta-
mente nessa relação entre a oferta e a
demanda de água potável. O aumento
populacional, o consumo crescente,
o desperdício, a contaminação dos
mananciais e as alterações climáticas
exercem grande pressão sobre as fontes
de abastecimento de água.
A população mundial saltou de 2,5
bilhõesdepessoasem1950paramaisde
7 bilhões atualmente. E esse acelerado
crescimento demográfico não signifi-
ca apenas maior consumo de água em
nossas casas. Com mais gente no mun-
do, nossa sociedade precisa aumentar
a produção no campo para produzir
alimentos e na indústria para gerar
os bens que consumimos. Como o de-
senvolvimento industrial e agropecuá-
rio é hoje responsável pelo consumo de
90%detodaaáguautilizadapelahuma-
nidade, é possível ter uma dimensão da
pressão que esse aumento populacional
exerce sobre as fontes hídricas.
O mundo tem sede
Entenda como a ação do homem pressiona as
fontes de água e provoca disputas pelo controle
de bacias hidrográficas no mundo
PARA IR ALÉM
O documentário Ouro Azul – As Guerras
Mundiais pela Água, de Sam Bozzo, trata,
por meio de entrevistas com especialistas
de diversos países, da escassez hídrica em
várias regiões do mundo e dos conflitos que
podem surgir em razão da falta de água,
com sérias implicações geopolíticas.
USO HUMANO DA ÁGUA
Subterrânea e superficial
Industrial
21%
Agricultura
69%
Doméstico
10%
Fonte: National Geographic
Disputas por água
À medida que um bem tão essencial
para a vida humana começa a se esgo-
tar, as disputas pelas fontes hídricas
tornam-se mais frequentes. O maior
foco de tensão é a exploração de rios
e bacias hidrográficas que se espalham
pelos territórios de diferentes países.
Quais nações têm direito ao controle
dessas águas? Qual é a forma mais justa
de compartilhar os recursos hídricos?
Como não há resposta simples a es-
tas perguntas, as disputas envolvendo
o controle de reservas hídricas já estão
setornandoumarealidadeemdiversos
lugaresdomundo.NaBaciadoRioNilo,
por exemplo, a construção de uma hi-
drelétricapelogovernodaEtiópiapode
afetar o fluxo de água para outras nove
naçõesafricanas.Damesmaforma,uma
barragem construída pela Turquia na
BaciadoTigreedoEufratesécriticada
pelasautoridadesdaSíriaedoIraquepor
diminuiravazãodessesrios.Porsuavez,
ogovernochinêstambémestáerguendo
hidrelétricasnoRioMekong,afetandoo
abastecimentodeáguaparapaísescomo
Índia, Laos, Camboja e Vietnã.
PESCARIA
PREJUDICADA
No distrito de Long
Phu, no Vietnã, a seca
e a construção de
barragens pela China
afetam o fluxo de
água do Rio Mekong
VENDA PROIBIDA
63
GE GEOGRAFIA 2018
SAIBA MAIS
PEGADA HÍDRICA E
ÁGUA VIRTUAL
Além da água que consumimos diretamente
todos os dias para beber, cozinhar os nossos
alimentos e fazer a higiene pessoal, gastamos
outras centenas de litros indiretamente. Tudo
o que utilizamos no dia a dia, como roupas,
alimentos e eletrodomésticos, precisou de
água para ser produzido. Para identificar a
quantidade real de água utilizada, foi criado
o conceito de “pegada hídrica”, que mede o
consumo da chamada “água virtual”. Em pro-
dutos de origem animal, por exemplo, a maior
parte da água virtual tem origem na produção
da ração que alimenta a criação.
A ÁGUA ESTÁ PRESENTE EM TUDO O QUE CONSUMIMOS
Água virtual é a quantidade de água usada, direta ou indiretamente, na produção de algo.
Veja quantos litros de água virtual existe em alguns produtos
Fontes: R.L.Carmo, A.L.R.O.Ojima, R.Ojima e T.T.Nascimento; Hoekstra e Chapagain e Water Footprint Network
32litros
Microchip
(2 g)
140 litros
Xícara de café
(125 ml)
10litros
FolhadepapelA4
(80 g/m2
)
2.000litros
Camiseta de
algodão (250 g)
135litros
Ovo
(40 g)
200litros
Copo de leite
(200 ml)
2.325litros
Carne bovina
(150 g)
720litros
Carne suína
(150 g)
8.000litros
Par de sapatos
de couro
Emprodutosde
origemanimal,a
maiorpartedaágua
virtualtemorigemna
produçãodaraçãoque
alimentaacriação
Fonte: Comprehensive Assessment of Water Management in Agriculture, 2007
Escassez hídrica física
Áreas onde o consumo humano já superou a
capacidade de renovação natural, com extração de
mais de 75% das águas das bacias hidrográficas
Próximo da escassez hídrica física
Mais de 60% do fluxo dos rios dessas bacias é usado,
e a população deve enfrentar a escassez física em
breve
Sem dados disponíveis
Escassez hídrica econômica
Questões políticas e econômicas também limitam o
acesso à água. Encontram-se nessa situação regiões
em que menos de 20% da água disponível é
aproveitada, enquanto os habitantes sofrem com
desabastecimento por causa de conflitos ou falta de
infraestrutura e saneamento
Escassez hídrica pequena ou inexistente
Ocorre em regiões ricas em recursos hídricos, com
retirada inferior a 25% do total de água disponível
A ÁGUA DOCE NO MUNDO
Europa
7%
Américas
46%
Ásia
32%
África
9%
12%
Só o Brasil
Oceania
6%
ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO
STR/AFP
VENDA PROIBIDA
3
64 GE GEOGRAFIA 2018
HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO BRASIL
Acesso desigual
Seja por aspectos climáticos ou
má gestão dos recursos hídricos,
o Brasil também enfrenta o problema
da seca. Veja a situação no Nordeste
e no Sudeste, duas das regiões mais
afetadas atualmente
M
esmo concentrando cerca de 12% das
reservasmundiaisdeáguadoceesendo
privilegiadoporumaprofusãoderios,
o Brasil não está imune à escassez hídrica. Um
dos problemas é que o precioso líquido não é
distribuído de maneira uniforme pelo território
nacional.OsestadosdoNorte,comsomente8%da
população,têmquase70%dasreservashídricas.
Emcompensação,oNordeste,queconcentra28%
dapopulação,possuiapenas3%daáguadisponível
e é a região mais afetada pela seca no país.
NoNordeste,aescassezhídricaestádiretamente
relacionada com o clima semiárido do sertão. A
presençadeumamassaquenteesecaqueestacio-
nanaregiãodurantelongosperíodoséresponsável
pelafaltadechuvas.Algunsfenômenosclimáticos
sazonais, como a ocorrência do El Niño, podem
agravaraindamaisasituação(vejamaisnapág.76).
AsecanoNordesteéumfenômenoconstatado
desdeoperíodocolonial.Portanto,asautoridades
ao longo das últimas décadas já poderiam ter
desenvolvido políticas públicas eficazes para
minimizarosefeitosdabaixapluviosidade.Con-
tudo, a construção de açudes, que permitem
tornarperenesosriosintermitentes,eprojetosde
irrigaçãodurantemuitosanosbeneficiouapenas
grandes latifundiários em detrimento da popu-
lação mais duramente castigada – atitude que
ajudou a cunhar o termo “indústria da seca”, ao
perpetuarosproblemasdecorrentesdaestiagem.
A transposição do Rio São Francisco
Atualmente,aprincipalobradogovernofederal
para combater os efeitos da seca é a transposi-
ção do Rio São Francisco. Iniciadas em 2007, as
obras têm como objetivo desviar uma pequena
parceladeseuvolumepormeiodedutosecanais
que devem abastecer rios menores e açudes que
secam durante a estiagem no semiárido nordes-
tino. O governo acredita que a obra beneficiará
12 milhões de pessoas e estimulará a agricultura
nas áreas atingidas. Os críticos da transposição,
porém, acreditam que poços profundos e cister-
nas(quesãoreservatóriosparaacaptaçãodeágua
dachuva)sãoalternativasmaiseficazesebaratas
para combater a seca, além de argumentar que
PARA IR ALÉM
O documentário Entre
Rios, de Caio Ferraz, trata
da urbanização de São
Paulo, pelo viés dos cursos
d’água, desde a primeira
vila até os dias atuais:
www.youtube.com/
watch?v=Fwh-cZfWNIc.
VENDA PROIBIDA
65
GE GEOGRAFIA 2018
o projeto não alcançará muitas comunidades e
beneficiaráprincipalmenteosgrandesfazendei-
ros. Existe ainda o temor de que o projeto cause
impactos ambientais no Rio São Francisco.
Em março de 2017, o eixo leste da obra foi
inaugurado, levando as águas do “Velho Chico”
para cidades de Pernambuco e da Paraíba. O go-
verno anunciou que a obra será concluída ainda
em 2017 (veja o mapa na pág. ao lado).
A crise hídrica nas grandes metrópoles
NemmesmooSudeste,caracterizadopelagran-
depresençadeumidade,estáimuneàescassezde
água.Umagravecrisehídricaatingiutodososes-
tadosdaregiãoem2014e2015efoiespecialmente
aguda em São Paulo e sua região metropolitana.
Responsável pelo abastecimento de 8,8 milhões
de pessoas, o Sistema Cantareira quase entrou
em colapso, e o governo estadual foi obrigado a
utilizar o chamado volume morto – uma reserva
técnicaqueficaabaixodascomportasdasrepresas.
Ainda que a estiagem tenha contribuído para
agravar a situação, a crise reflete a falta de plane-
jamento e investimentos no sistema de abasteci-
mento de água. Por isso, apesar de o pior da crise
játersidosuperado, osetoraindaapresentasérios
problemasestruturais.Vejaalgunsdosprincipais
entraves que o setor enfrenta na região:
 MANANCIAIS
São todas as fontes
de água, superficiais
ou subterrâneas, que
podem ser usadas
para o abastecimento
das populações. Isso
inclui, por exemplo,
rios, lagos, represas e
lençóis freáticos
 Há pelo menos duas décadas, especialistas
em recursos hídricos alertam que as regi-
ões metropolitanas devem criar medidas
para atender ao aumento da demanda de
água nessas regiões, fruto do crescimento
populacional. Entretanto, as obras para
aumentar a captação, o tratamento e a dis-
tribuição de água não foram realizadas ou
foram feitas em ritmo muito abaixo do que
seria necessário.
 A lentidão ou a conivência do poder pú-
blico na questão da ocupação das áreas de
mananciais reduziu a capacidade de re-
posição da água em grandes reservatórios,
como o da Cantareira e do Alto Tietê. Essa
ocupação,frutodocrescimentodesordenado
das cidades, ocorreu com a implantação de
áreas residenciais e comerciais (agrícolas e
industriais),provocandodesmatamento,im-
permeabilizaçãodosoloepoluiçãodaságuas.
 Há fortes críticas de diversos setores da
sociedade sobre o modelo de gestão públi-
co-privada dos recursos hídricos. Em São
Paulo, a Sabesp é uma empresa de capital
misto (51% sob controle do Estado e o res-
tante pertence a investidores privados),
com ações negociadas na bolsa de valores.
Esse modelo concretiza, portanto, a con-
cepção da água como mercadoria voltada
para a obtenção de lucro, e não como um
bem universal e direito de todos.
 A lentidão ou inexistência de programas de
despoluição das águas dos rios e lagos em
áreas urbanas restringe as fontes de água
para o abastecimento público. A coleta de
esgoto, serviço cobrado pelas empresas que
fazem a distribuição da água, atende apenas
a 65% da população (veja mais na pág. 66).
SÓ A CARCAÇA
O município de Olho d'Água
do Casado (AL) é um dos
mais atingidos pela severa
estiagem que castiga o
sertão do Nordeste: sem
água, agricultores perdem
a lavoura e o rebanho
TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
0 100
Escala (em km)
50
PERNAMBUCO
BAHIA
CEARÁ
ALAGOAS
SERGIPE
PARAÍBA
R
i
o
P
i
r
a
n
h
a
s
-
A
ç
u
Oceano
Atlântico
Rio Brígida
Rio
M
oxotó
Rio Paraíba
Rio do Peixe
R
i
o
J
a
g
u
a
r
i
b
e
Rio
Salgado
R
i
o
A
p
o
d
i
Eixo Norte*
99 m3/s
Eixo Leste*
28 m3/s
Cabrobó
RIOG.
DONORTE
Rio São Francisco
Locais de captação
Canaisemconstrução
Rios receptores
* Vazão máxima
Floresta
ADOLFO SANTOS SONTERIA/FOLHAPRESS
VENDA PROIBIDA
3
66 GE GEOGRAFIA 2018
HIDROSFERA POLUIÇÃO HÍDRICA
A
pesar da evidente importância da água
para a nossa sobrevivência e para as
inúmeras atividades humanas, como
produção de alimentos, lazer e transporte, um
dos maiores desafios ambientais da atualidade
diz respeito à contaminação das fontes hídricas.
A poluição das águas é causada, sobretudo, pelo
lançamento de dejetos industriais e agrícolas,
esgoto doméstico e resíduos sólidos. Isso com-
promete a qualidade das águas superficiais e
subterrâneas em inúmeros pontos do planeta.
Segundo estimativas da Organização Mundial
de Saúde (OMS), 663 milhões de pessoas ainda
consomem água imprópria e em torno de 2,4
bilhões de pessoas não possuem esgotamento
sanitário – um terço da população mundial.
Além de indisponibilizar mananciais que
poderiam ser utilizados para o consumo de
água potável pela população, a contaminação
das águas está relacionada à transmissão de
diferentes tipos de doenças que, juntas, causam
1,5 milhão de mortes por ano no mundo – as
maiores vítimas são as crianças de países pobres
e em desenvolvimento. Os ecossistemas também
são gravemente afetados pela poluição hídrica,
Águas turvas
A contaminação das fontes hídricas,
que deteriora os ecossistemas e
provoca milhares de mortes no
mundo, é um dos grandes desafios
ambientais da atualidade
COLETA DE ESGOTO NO BRASIL (2015)*
Percentual de domicílios atendidos
Norte
Brasil Nordeste Centro-
Oeste
Sudeste Sul
Fonte: PNAD 2015
*Ligados na rede geral, com e sem fossa séptica
65,3%
22,6%
42,9%
53,2%
88,6%
65,1%
ESGOTAMENTO SANITÁRIO NO MUNDO (2015)
População com o mínimo de condições, em faixas de % por país
Fonte: Organização Mundial da Saúde
91–100%
76–90%
50–75%
menos de 50%
sem dados
que compromete a fauna e a flora aquática.
Veja a seguir as principais atividades humanas
responsáveis pela poluição das águas.
A precariedade do saneamento básico
A falta de coleta e tratamento de esgotos in-
dustriais e domésticos, sobretudo nas grandes
áreas urbanas, representa uma séria ameaça a
rios, lagos e represas. Esses ambientes sofrem
o fenômeno conhecido como eutrofização: os
esgotos domésticos, ricos em matéria orgânica,
quandosãolançadosnaágua,geramumexcesso
de nutrientes que provoca o crescimento acele-
rado de plantas e algas aquáticas. Estas, por sua
vez,impedemapassagemdeluzeatransferência
de oxigênio para o meio aquático,favorecendo o
desenvolvimento de bactérias anaeróbias.
No Brasil, de acordo com dados do IBGE de
2015, eram atendidos com coleta de esgoto por
rede canalizada 44,5 milhões de domicílios, nos
5.570 municípios do país – o que representa
65,3% do total. Ou seja, um terço das residên-
cias brasileiras não são atendidas por serviços
de coleta de esgoto. Segundo o Instituto Trata
Brasil e o Conselho Empresarial Brasileiro para
o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em
2014 apenas 12 dos 100 maiores municípios
brasileiros haviam cumprido as exigências do
Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB),
que prevê ações de abastecimento de água,
tratamento de esgotos, coleta e tratamento de
resíduos sólidos e manejo das águas pluviais
urbanas. Nota-se, ainda, grandes disparidade
entre as regiões quanto à coleta de esgoto (veja
o gráfico abaixo).
VENDA PROIBIDA
67
GE GEOGRAFIA 2018
Descarga no mar de dejetos
industriais e urbanos
Área poluída pela
circulação de petróleo
Mares e lagos poluídos
Mares e lagos bastante poluídos
OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO PACÍFICO
OCEANO PACÍFICO
OCEANO ÍNDICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
Greenwich
Círculo Polar Antártico
Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
Equador
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
Círculo Polar Ártico
0 2.500 5.000 km
N
POLUIÇÃO DAS ÁGUAS (2007)
Fonte: ilustração de Alex Argozino, baseado em mapa publicado no Atlas Geográfico: Espaço Mundial (Editora Moderna).
CONTAMINAÇÃO
INTEROCEÂNICA
O uso de adubos químicos
nas lavouras, que é escoado
no litoral, e a deposição de
material não biodegradável
respondem por grande parte
da poluição nas áreas
costeiras. Veja também como o
transporte marítimo deixa um
rastro de petróleo por onde
passam os cargueiros.
 COMMODITIES
São produtos de
origem mineral
(petróleo, minério de
ferro, alumínio, entre
outros) ou agrícola
(soja, milho, algodão,
etc.) negociados nas
bolsas de valores no
mercado internacional
SAIBA MAIS
A CATÁSTROFE DO MAR DE ARAL
Além de contaminar os mananciais, a agroindústria
também provoca enorme desperdício de água. Quando
mal planejada, a irrigação pode dar origem a catástrofes
ambientais extremas. É o que aconteceu no Mar de Aral.
Encravado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, na Ásia
Central, o Aral ocupava uma área de 68 mil quilômetros
quadrados–poucomaiorqueoestadodoRiodeJaneiro.
O desastre começou a se formar nos anos 1960, com o
desvio dos rios Amu e Syr para irrigar as lavouras da
antiga União Soviética. Passados quase 50 anos, o Aral
perdeu90%dovolumedeágua.Entreoutrasconsequên-
cias, o recuo ampliou as áreas desérticas e o processo
de salinização decorrente da irrigação mal planejada
diminuiudrasticamenteafloraeafaunalocais.Em2014,
a parte oriental do Mar de Aral secou completamente.
1977 2016
NASA
A deposição de lixo e
vazamentos nos oceanos
Os oceanos são os principais “corredores” do
transporte mundial de mercadorias e matérias-
-primas. Os milhares de navios cargueiros e de
pesca industrial provocam, nas rotas mais utili-
zadas, a poluição das águas com vazamentos de
combustíveis e deposição de lixo (veja o mapa).
Outras fontes de resíduos sólidos nos oceanos,
principalmente de plásticos e outros materiais
não biodegradáveis, são as cidades litorâneas e
a descarga de rios poluídos nas águas oceânicas.
Os vazamentos de petróleo que ocorrem com
certa frequência nos poços explorados no assoa-
lho oceânico também estão entre as principais
fontes poluidoras dos oceanos.
O uso de adubos químicos e de
agrotóxicos na produção agrícola
A agricultura comercial, voltada para a produ-
ção de commodities comercializadas em escala
global,utilizatoneladasdeadubosquímicospara
aumentar a produtividade e de produtos tóxicos
para controlar a proliferação de pragas (insetos,
doenças e plantas indesejadas) nas lavouras.
Além de contaminar os solos (veja mais na pág.
44), o uso desses produtos dá origem ao pro-
cesso de fertilização artificial das águas de rios,
lagos e oceanos com nutrientes, principalmente
nitrogênio e fósforo. É o mesmo fenômeno da
eutrofização, verificado na poluição por esgoto
doméstico. Estudos mostram que o Aquífero
Guarani, um dos maiores reservatórios de água
doce do mundo, apresenta elevado grau de con-
taminação por agrotóxicos.
VENDA PROIBIDA
68 GE GEOGRAFIA 2018
COMO CAI NA PROVA
3
1. (Unesp2017) APegadaHídricaéumaferramentadegestãoderecursos
hídricos que indica o consumo de água doce com base em seus usos direto e
indireto. “Precisamos desconstruir a percepção de que a água vem apenas da
torneira(umusodireto)equesimplesmenteconsertarumpequenovazamento
é o bastante para assumir uma atitude sustentável”, ressalta Albano Araujo,
coordenador da Estratégia de Água Doce da Nature Conservancy.
www.wwf.org.br. Adaptado
Considerando o excerto e os conhecimentos acerca do consumo de água no
planeta, é correto afirmar que o uso indireto de água doce corresponde
a) à comercialização de água sob a forma de produto final.
b) aoempregodeáguaextraídadereservassubterrâneasparaoabastecimento
público.
c) à quantidade de água utilizada para a fabricação de bens de consumo.
d)aoaproveitamentodomésticodaáguaresultantedeprocessosdedespoluição.
e) à distribuição de água oriunda de represas distantes do consumidor final.
RESOLUÇÃO
Oconsumodiretodaáguaestárelacionadoaousodolíquidoparaaçõescomobeber,
cozinhar e lavar. No entanto, para dimensionar com maior precisão o consumo
de água no mundo, é preciso levar em consideração o uso indireto do líquido, ou
seja,aquantidadedeáguaquefoiutilizadaparaaproduçãoeconsumodebense
serviços–sóaagriculturaeaindústriasãoresponsáveispor90%dousodaágua
em todo o mundo. A água usada, direta ou indiretamente na produção de bens e
serviços, também é chamada de água virtual.
Resposta: C
2.(UEL 2017)

Disponível em:http://projects.inweh.unu.edu/inweh/inweh/content/3128. Acesso em: 30 jul. 2016.
Com base no mapa acima e nos conhecimentos sobre a bacia hidrográfica
do Rio São Francisco, ou do “Velho Chico”, como é conhecido, responda aos
itens a seguir.
a) Descrevaduascaracterísticasfísicasqueconferemimportânciaeconômica
e social a esse contexto geográfico.
b) Cite uma das problemáticas ambientais e analise suas implicações para os
diferentes usuários do “Velho Chico”.
RESOLUÇÃO
a) O Rio São Francisco é perene, ou seja, ele dispõe de água durante todo o seu
percurso,nuncasecando,mesmonosperíodosdemaiorestiagem.O“VelhoChico”
nasce em Minas Gerais na Serra da Canastra (área de clima tropical de altitude),
percorre cinco estados e atravessa o Sertão do Nordeste com clima semiárido. A
baciaémargeadapordiferentesbiomas–MataAtlântica,Cerrado,Caatinga,além
debiomascosteiroseinsulares–,oquelheconferegrandediversidadeambiental.
Devidoaessascaracterísticas,oriopossibilitagrandeaproveitamentoeconômico
eexerceimportantepapelsocial.Évitalparaoabastecimentohumanodeágua,a
agriculturairrigada,otransporte(hidrovia)eageraçãodeenergia(hidrelétricas).
b)AbaciahidrográficadoRioSãoFranciscosofreuintensadegradaçãoambiental
nasúltimasdécadas.Entreosproblemas:lançamentodeesgotosdomésticossem
tratamento, deposição de resíduos industriais, despejo de lixo, lançamento de
resíduos de mineração, devastação das matas ciliares e assoreamento. Assim, é
fundamental investir na revitalização da bacia do São Francisco, inclusive para
viabilizar no médio e longo prazo os benefícios do projeto de transposição.
3.(Mackenzie 2014)
RISCO DE ESCASSEZ DE ÁGUA EM DIFERENTES PAÍSES DO MUNDO
Fonte: http://www.mlit.go.jp/english/2006/c_l_and_w_bureau/01_worldwater/
Diferentesestudosavaliamopotencialriscodaescassezdeáguanomundo.De
ummodogeral,essesestudoscomparamaofertadeáguadocedisponívelaos
diferentestiposdeconsumopelassociedadeshumanas.Alémdisso,sãofeitas
estimativasdecrescimentodemográficoeeconômicoparaseestabelecerograu
desegurançafuturaparacadapaísouregião.Combasenessasinformaçõese
seus conhecimentos a respeito do tema, considere as afirmações:
I. ObaixoriscodeescasseznoEgito,SudãoeLíbiasejustificapelaabundânciade
águadoNilo,cujabaciadetémomaiorvolumed’águadocontinenteafricano.
II. A região metropolitana de São Paulo tem riscos devido ao desperdício, os
vazamentosnadistribuição,ocomprometimentodosmananciaiseoelevado
consumo,apesardasituaçãorelativamenteconfortáveldoBrasilemrelação
a países como Índia e Peru.
VENDA PROIBIDA
69
GE GEOGRAFIA 2018
III. AEuropaOriental,aChinaeoMéxicoapresentamriscosdeescassezmaiores
doqueoBrasil,emrazãodeconsideráveiscontingentespopulacionaisem
áreasurbanaseproduçãoindustrialdiversificada,setoresqueconsomem
mais água do que a agropecuária em todo o mundo.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas a afirmação I está correta.
b) Apenas a afirmação II está correta.
c) Apenas a afirmação III está correta.
d) Apenas as afirmações I e II estão corretas.
e) Apenas as afirmações II e III estão corretas.
RESOLUÇÃO
AafirmaçãoIestáincorreta.Oriscodeescasseznasáreascitadaséelevadoemrazão
da presença do clima desértico na região, exemplificado pela presença do extenso
Deserto do Saara. Além, disso o Rio Nilo, embora não seja um rio intermitente, não
é garantia de abastecimento aos países assinalados. A construção de barragens ao
longodeseucursoparaageraçãodeenergiahidrelétricatambémpodeafetarofluxo
daságuasdoNiloparaospaísesdaregião.
AafirmaçãoIIécorreta,poisapontaosproblemasqueprejudicamaofertadeáguada
região metropolitana de São Paulo, onde ocorrem desperdício e ocupação irregular
dosmananciais,diminuindoaofertadeágua.
AafirmaçãoIIIéincorreta.Apesardeapontaradequadamentequeosriscosdeescas-
sez hídrica na Europa Oriental, na China e no México são maiores do que no Brasil,
osetorquemaisconsomeáguaemescalamundialéoagropecuárioenãooindustrial.
Resposta: B
 SAIBA MAIS
GRANDES RESERVATÓRIOS DE ÁGUA MUNDO
Veja a seguir quais são as principais bacias hidrográficas do mundo:
1. Yukon
2. Mackenzie
3. Nelson
4. Mississipi
5. St. Lawrence
6. Amazônica
7. Paraná
8. Níger
9.BaciadoLagoChade
10. Congo
11. Nilo
12. Zambezi
13. Volga
14. Ob
15. Yenisey
16. Lena
17. Kolyma
18. Amur
19. Ganges
e Brahmaputra
20. Yangtze
21. Murray Darling
22. HuangHe
23. Indo
24. Tigre e Eufrates
25. Danúbio
26. Orange
RESUMO
Hidrosfera
HIDROSFERAÉoconjuntodetodaaáguapresentenoplaneta,
que corresponde a cerca de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos
e cobre mais de 70% da superfície do globo.
CICLO HIDROLÓGICO É o processo pelo qual a água circula
entre a superfície da Terra e a atmosfera. A energia solar pro-
voca a evaporação da água, que passa para o estado gasoso
e chega à atmosfera. Esse vapor de água se transforma em
nuvem, que se condensa, dando origem às chuvas. As gotas de
água atingem os continentes e são escoadas para rios, lagos
e oceanos e também se infiltram no solo.
ÁGUA SALGADA A água salgada representa 97,5% de toda
a hidrosfera. Esse volume se divide em oceanos e mares.
Os oceanos são grandes áreas de água salgada delimitadas
peloscontinentes.Osmaressãoblocosmenoresdeáguaesão
classificados conforme sua relação com os oceanos. Podem
ser de três tipos: abertos, continentais e fechados.
ÁGUA DOCE Apenas 2,5% de toda a hidrosfera corresponde
a água doce. Desse total, quase 70% estão congelados em
geleiras ou calotas polares. O volume de água disponível para
o consumo humano, presente em lençóis subterrâneos, lagos
e rios, não chega a 1% da hidrosfera.
BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL O território brasileiro
concentra mais de 12% da água doce superficial do planeta.
O Brasil apresenta oito grandes regiões hidrográficas: Amazô-
nica (a maior do mundo), dos rios Tocantins-Araguaia, do São
Francisco, do Rio Parnaíba, do Rio Paraná, do Rio Paraguai, do
Rio Uruguai e do Atlântico.
ESCASSEZ DE ÁGUA A distribuição de água no planeta é irre-
gular, com regiões onde há abundância (como a Amazônia) e
outras que sofrem com a escassez (como trechos da África).
Cerca de 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água limpa.
Isso se deve principalmente ao mau gerenciamento das fontes
naturais, como a ocupação ilegal dos mananciais. Além disso,
há uma superexploração das reservas hídricas. Somente a
agriculturaconsome69%daáguadocedisponível–aindústria
absorve 21% e o uso doméstico representa 10%.
ESCASSEZ DE ÁGUA NO BRASIL A água por aqui é abundante,
mas mal distribuída. O Nordeste tem 28% da população, mas
apenas3%daáguadisponível.Atualmente,asregiõesNordeste
e Sudeste enfrentam grave escassez hídrica em função da falta
de chuva e da má gestão das fontes de água.
POLUIÇÃO DAS ÁGUAS Os rios e lagos são ameaçados pelo
lançamentodedejetosindustriaiseagrícolas,esgotodoméstico
e resíduos sólidos. Cerca de um terço da população mundial
não dispõe de água suficiente para o saneamento básico.
VENDA PROIBIDA
70 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA
4 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
 Camadas da atmosfera..................................................................................72
 Meteorologia .....................................................................................................73
 El Niño e La Niña .............................................................................................76
 Ciclone.................................................................................................................77
 Climas do mundo.............................................................................................78
 Climas do Brasil................................................................................................80
 Poluição do ar ...................................................................................................82
 Aquecimento global ........................................................................................84
 Os efeitos das mudanças climáticas.........................................................86
 Energias renováveis .......................................................................................88
 Protocolo de Kyoto e Acordo de Paris .......................................................90
 Como cai na prova + Resumo.......................................................................92
“O
conceito de aquecimento global
foi criado pelos chineses e para os
chineses com o objetivo de tornar
a indústria dos Estados Unidos não competi-
tiva.” A afirmação foi postada no Twitter em
novembro de 2012 pelo magnata Donald Trump,
o homem que, quatro anos depois, seria eleito
presidente dos Estados Unidos (EUA). Con-
siderado um cético das mudanças climáticas,
Trump faz parte de um grupo de indivíduos que
não acredita que a elevação da temperatura do
planeta seja fruto da ação humana.
De acordo com o novo presidente, as ações de
contençãoaoaquecimentoglobalsãoumobstácu-
loparaodesenvolvimentodaeconomiadosEUA.
Porisso,nãocausousurpresaadecisãodeTrump
derevisaroPlanodeEnergiaLimpa,emmarçode
2017.Lançadopeloseuantecessor,BarackObama,
oplanorestringiaousodecombustíveisfósseisnas
usinas termelétricas dos EUA e era considerado
o principal legado ambiental do ex-presidente.
Com o decreto assinado por Trump, as usinas
podem voltar a utilizar carvão, petróleo e gás
sem restrições. Além disso, o presidente dos
EUA revogou a moratória sobre a mineração e
a construção de novas usinas de carvão. Essas
decisões tendem a impulsionar ainda mais a
emissão de gases do efeito estufa pelos EUA.
Outra preocupação dos ambientalistas diz
respeito à promessa de Trump de retirar os
EUA do Acordo de Paris, o pacto contra o aque-
cimento global firmado por 195 países em 2015.
O objetivo do acordo é limitar o aumento da
temperatura no final deste século. Para isso, os
países signatários se comprometeram a adotar
medidas para reduzir a emissão de gases de
efeito estufa, a principal causa da elevação da
temperatura. O compromisso, no entanto, é
voluntário e cada país define sua meta.
Aparticipaçãonorte-americananoAcordode
Parisévitalparaqueopactotenhaêxito.Primeiro,
porque os EUA são um dos maiores poluidores
globais.Alémdisso,oacordoprevêqueospaíses
ricos garantam um financiamento anual de 100
bilhõesdedólaresparaasnaçõesmaisvulneráveis
investirememenergiaslimpas–eacontribuição
dos EUA é essencial.
Nestecapítulo,apro-
fundamos a discussão
acerca dos efeitos da
ação humana sobre o
aquecimento global e
discutimos outros as-
suntos referentes ao
climaeàmeteorologia
do Brasil e do mundo.
Ao assumir a presidência dos Estados Unidos, Donald
Trump impulsiona o uso de combustíveis fósseis nas usinas
termelétricas e ameaça abandonar o Acordo de Paris
Um cético do
clima no poder
EFEITO TRUMP
O presidente dos EUA,
Donald Trump, apresenta
o decreto que elimina
as restrições ao uso de
combustíveis fósseis pelas
usinas norte-americanas,
em março de 2017
VENDA PROIBIDA
71
GE GEOGRAFIA 2018
CARLOS BARRIA/REUTERS
VENDA PROIBIDA
72 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA CAMADAS DA ATMOSFERA
F
oi da junção de duas palavras
gregas, atmós (vapor) e sphaîra
(esfera), que nasceu o nome da
estrutura de gás que envolve um saté-
lite ou planeta: a atmosfera. Na Terra,
essa “esfera de vapores” é composta de
diversas camadas e, em sua porção mais
densa, chega a até 600 quilômetros de
altitude a partir do nível do mar. É uma
espessura considerável, mas quase ir-
Vapor
essencial
Explore as diversas camadas
da atmosfera, a invisível esfera
de gás que envolve a Terra e
garante a existência de vida
no planeta
risória se considerarmos o tamanho do
globo terrestre, de aproximadamente
12,8 mil quilômetros de diâmetro. Mas,
independentemente de sua espessura, a
atmosfera é essencial para a vida. Além
de conter o oxigênio que respiramos,
ela mantém a Terra quente, protege os
seres vivos dos raios ultravioleta vin-
dos do Sol e funciona como um escudo
contra meteoritos.
Há vários critérios pelos quais pode-
mos classificar a atmosfera. A divisão
mais conhecida, feita de acordo com as
variações de temperatura conforme a
altitude,reparteaatmosferaemcincoca-
madasdistintas:troposfera,estratosfera,
mesosfera,termosferaeexosfera.Vejaas
principais características de cada uma:
AS CAMADAS DA ATMOSFERA
MESOSFERA
A camada mais fria da
atmosfera fica entre
50 e 90 quilômetros de
altitude. Sua temperatura
diminui conforme
subimos: parte de -15 0
C
na divisa com a
estratosfera e chega a
-120 0
C. É onde ocorrem as
estrelas cadentes.
TROPOSFERA
A camada inferior da
atmosfera vai do nível
do mar até cerca de 12
quilômetros de altitude.
Sua temperatura atinge
-60 ºC na parte superior.
Nessa faixa acontece a
maioria dos fenômenos
climáticos.
ESTRATOSFERA
Vai até 50 quilômetros
acima do nível do mar.
Sua temperatura sobe
com o aumento de
altitude: começa em
-60 ºC e vai até -15 ºC.
É onde fica a camada
de ozônio.
TERMOSFERA
Camada mais extensa
da atmosfera, ela parte
dos 90 e chega aos 600
quilômetros de altitude.
Também é a mais quente:
na parte superior, chega
a 2.000 0
C. É nessa faixa
que orbitam os ônibus
espaciais. FAIXAS DE
TRANSIÇÃO
Entre as camadas
da atmosfera, há
regiões fronteiriças
que apresentam
características
de transição. São
elas: a tropopausa,
a estratopausa,
a mesopausa e a
termopausa.
600 km
2.000˚C
90 km
-120˚C
50 km
-15˚C
20 km
-60˚C
CAMADA DE OZÔNIO
ESTRATOPAUSA
TERMOPAUSA
Balões
meteorológicos
Poluentes
Reflexão das
ondas de rádio
Balões
tripulados
Monte Everest
8.844 m
Nuvens geradas
por explosões
atômicas
Aviões a jato
Satélite
artificial
Estação
espacial
Cortinas
iluminadas
Estrelas
cadentes
[1]
TROPOPAUSA
MESOPAUSA
EXOSFERA
É a última camada da
atmosfera, na fronteira
com o espaço sideral.
Nela, as moléculas
tornam-se cada vez mais
rarefeitas, libertando-se
da gravidade terrestre.
O final da exosfera
pode chegar a
10 mil quilômetros.
As medições indicam
que a temperatura dessa
região fique em torno
de 1.600 0
C.
VENDA PROIBIDA
73
GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA METEOROLOGIA
A
meteorologiaéaciênciaqueestudaaatmos-
feraterrestreeseusprincipaisfenômenos.
Trata-se de uma ciência muito complexa,
já que a atmosfera é bastante extensa e instável.
Mas o grau de precisão da previsão do tempo
evoluiu muito desde a construção dos primeiros
termômetros no século XVI. Os meteorologistas
contam hoje com instrumentos como satélites,
radares, boias marítimas e balões atmosféricos
paraestudarosmaisvariadosfenômenosatravés
da análise de dados em supercomputadores.
Osboletinsmeteorológicossãoessenciaispara
ocontroledotráfegodeaviões,paraaagricultura,
paraogerenciamentoderecursoshídricosepara
situações menos rotineiras, como a chegada de
furacões. A seguir, confira um mapeamento dos
principais fenômenos atmosféricos estudados
pelos meteorologistas.
Tudo o que
vem do céu
Conheça os fenômenos que
movimentam a atmosfera
terrestre e são objeto de estudo
dos meteorologistas
Nuvem
É um agregado de gotículas de água, de cristais
de gelo, ou uma combinação dos dois. As nuvens
são formadas principalmente pelo movimento
ascendente do ar úmido: o vapor-d’água conden-
sa quando a temperatura diminui até o ponto de
orvalho. Elas são classificadas em vários tipos,
de acordo com o aspecto, a estrutura e a forma.
Chuva
É a precipitação de água em forma líquida,
com gotas de diâmetro maior que 0,5 milímetro.
Existem três tipos de chuva.
A chuva de convecção é resultante da as-
censão do vapor-d’água das partes mais baixas
da atmosfera – mais aquecido, ele esfria e se
condensa à medida que sobe. É o caso das pan-
cadas de chuva que ocorrem durante o verão na
região Sudeste do país.
A chuva frontal é o resultado do encontro de
duas massas de ar de diferentes temperaturas e
umidades: a massa fria e seca empurra para cima
a massa quente e úmida, que esfria e provoca
a precipitação. Esse tipo de chuva é típico das
regiões de clima temperado.
A chuva orográfica ou de relevo ocorre
quando a massa de ar sobe por causa de algum
obstáculo de relevo, como uma montanha – a
FECHOU O TEMPO
Tempestade se aproxima de
Queensland, na Austrália,
trazendo chuvas intensas
e descargas elétricas:
fenômeno comum em
regiões de clima tropical
[2]
[1] MKANNO/MULTISP [2] iSTOCK PHOTO
VENDA PROIBIDA
74 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA METEOROLOGIA
queda de temperatura, na ascensão, provoca a
condensação do vapor. Essa chuva é comum nas
áreas próximas ao litoral do Nordeste e do Su-
deste, que recebem massas úmidas do Atlântico.
Neve, granizo e geada
Um dos mais belos fenômenos atmosféri-
cos, a neve é fruto da precipitação de cristais
de gelo, geralmente agrupados em flocos, que
são formados pelo congelamento do vapor-
-d’água suspenso na atmosfera. O granizo, por
sua vez, é o cristal de gelo que, por causa de
fortes correntes ascendentes dentro da nuvem,
acaba subindo e caindo várias vezes, até ganhar
volume e se precipitar de vez. Por fim, a geada
nada mais é que orvalho congelado, que, sob a
forma de uma fininha camada branca, cobre as
superfícies onde cai.
Vento
Trata-se do deslocamento de ar, geralmente na
horizontal, de um ponto de pressão atmosférica
mais alta para outro onde ela é mais baixa. As
diferenças de pressão, causadoras dos ventos,
estão relacionadas à temperatura. A brisa nas
regiões litorâneas é um bom exemplo disso: o
continente e o mar concentram calor de ma-
neiras diferentes, e isso faz o vento mudar de
direção conforme o período do dia.
Massa de ar
Trata-sedeumcorpodearcomcaracterísticas
próprias de umidade, pressão e temperatura.
Essas características dependem das diferentes
regiões da superfície terrestre em que as massas
se formam: caso ocorra nos polos, serão frias
e secas; se se formarem nas áreas oceânicas
tropicais, serão quentes e úmidas.
A borda de uma massa de ar frio que avança
em direção a outra mais quente, provocando
quedas bruscas de temperatura, é chamada de
frente fria. Trata-se de um mecanismo natu-
ral da atmosfera para compensar diferenças
de temperatura no planeta. Avançando com
velocidades de até 30 km/h, o ar frio e seco,
mais denso, empurra a massa quente e leve
para cima. Se houver umidade suficiente, a
passagem da frente causará chuvas intensas,
com direito a granizo, raios e trovões. As mais
severas podem provocar quedas de até 10 ºC
em apenas uma hora.
No Brasil, as regiões mais atingidas pelo fe-
nômeno são a Sudeste e a Sul, onde também
podem ocorrer geadas. Isso acontece porque,
na América do Sul, a maioria das frentes frias
se origina nas latitudes médias, ao extremo sul
do continente. Com seu avanço, contudo, as
frentes perdem energia e velocidade, e o contato
VENTOS ALÍSIOS E A ZONA DE CONVERGÊNCIA
A circulação dos ventos em escala global tem grande influência nos tipos
de clima, sobretudo na circulação das massas de ar e, consequentemente, na
formação e no volume das chuvas nas diferentes regiões do globo. Toda essa
troca de ar entre as camadas mais baixas e mais altas da troposfera, bem como
entre diferentes latitudes, dão origem a “células” de circulação do ar em escala
global, denominadas células de Hadley.
Nas baixas latitudes, em regiões próximas à linha do Equador, o ar tende a
subir por ser mais aquecido e menos denso. No alto da troposfera, essas cor-
rentes de ar são impulsionadas para latitudes maiores, próximas aos trópicos
de Câncer e Capricórnio, onde se resfriam e tornam a descer para a superfície,
em direção à região equatorial. Esses ventos, denominados alísios, são úmidos
e provocam chuva.
Os alísios sofrem um desvio em função do movimento de rotação da Terra:
no Hemisfério Sul, eles vêm do sudeste e, no Hemisfério Norte, partem do
nordeste. Esse fenômeno é conhecido como efeito de Coriólis. Nas latitudes
maiores, ocorrem movimentos semelhantes, porém com sentido contrário ao
da região intertropical.
A faixa onde ocorre o encontro dos ventos alísios provenientes do Hemisfério
Norte e do Hemisfério Sul é denominada Zona de Convergência dos Ventos Alí-
sios. Essa faixa não está exatamente sobre a linha do Equador pois acompanha
a variação das estações do ano: quando é verão no Hemisfério Norte, ele se
forma mais ao norte e, ao contrário, move-se mais para o sul quando é verão
nesse hemisfério. A Zona de Convergência, associada a outros fatores, como a
temperatura das águas oceânicas e a circulação das massas de ar locais, pode
favorecer a formação de chuvas, visto que é onde se encontram os ventos
úmidos dos dois hemisférios na região intertropical.
Veja na ilustração abaixo como são formados os ventos alísios:
Células de Hadley
Zona de camadas
equatoriais
NE
Ventos
alísios
SE
Ventos
alísios
0º
30º
60º
60º
30º
Células de Hadley
com o solo quente reduz o frio das massas de
ar. Por isso, é tão raro uma frente fria chegar
até o Nordeste.
Já a frente quente é a extremidade de uma
massadearquentequeseformapelaevaporação
da água de correntes marítimas quentes – essas
massas de ar elevam a temperatura e a umidade
nas regiões que elas atingem.
[1]
VENDA PROIBIDA
75
GE GEOGRAFIA 2018
SAIBA MAIS
AS MASSAS DE AR QUE ATUAM NO BRASIL
As massas de ar têm influência direta nos tipos de clima no Brasil. Devido à localização do
país no globo, predominam as massas equatoriais e tropicais. Porém, no inverno ocorre a
atuação da massa Polar Atlântica em grande parte do território brasileiro. Veja a seguir como
se caracteriza cada uma dessas massas.
[1] ALEX ARGOZINO
A ATUAÇÃO DAS MASSAS DE AR NO BRASIL DURANTE O VERÃO E O INVERNO
MASSAS DE AR ATUANTES
0 250 500 750
km
Oceano
Atlântico
Oceano
Atlântico
AC
AM
RR
PA
AP
RO
MT
MA
TO
PI
CE
BA
MG
GO
MS
SP
PR
SC
RS
RJ
ES
SE
AL
PE
PB
RN
0 250 500 750
km
Oceano
Atlântico
Oceano
Atlântico
AC
AM
RR
PA
EC
EA EA
EC
PA
TA
TC
TA
AP
RO
MT
MA
TO
PI
CE
BA
MG
GO
MS
SP
PR
SC
RS
RJ
ES
SE
AL
PE
PB
RN
VERÃO INVERNO
TA
Tropical Continental
Forma-se em uma região de clima tropical mais seco, no semiárido da região conhecida
como Chaco, no Paraguai. Por isso, a massa Tropical Continental caracteriza-se como
quente e seca. Ela atua durante o verão nas regiões Sul e Centro-Oeste, sendo
responsável pela ocorrência de estiagens, sobretudo no oeste de Santa Catarina e do
Paraná e no noroeste gaúcho.
Tropical Atlântica
Forma-se sobre o sul do Oceano Atlântico e é caracterizada como uma massa quente e
úmida. Atua diretamente sobre a porção leste do Brasil nas regiões Sul, Sudeste e
Nordeste, sendo responsável, por exemplo, pelas chuvas orográficas (de relevo) nas
encostas das serras litorâneas, como a Serra do Mar, na Região Sudeste.
Equatorial Continental
Origina-se na região amazônica, onde as elevadas temperaturas e a umidade
proveniente da evapotranspiração (liberação de água pelas plantas) e da evaporação de
rios e lagos a tornam quente e úmida. Sua influência atinge grande parte do território
nacional durante o verão no Hemisfério Sul, transferindo umidade da Floresta
Amazônica para regiões de clima tropical e semiárido. No inverno no Hemisfério Sul,
essa massa perde força e sua atuação se restringe à Região Norte.
EC
Equatorial Atlântica
Esta massa também tem origem na região equatorial, mas ela surge sobre o Oceano
Atlântico. O elevado índice de evaporação das águas quentes do Atlântico central torna
esta massa de ar quente bastante úmida. De modo geral, a massa Equatorial Atlântica
atinge a Região Norte e a faixa costeira da Região Nordeste. Sua incidência está
relacionada à variação das estações: durante o verão do Hemisfério Sul encontra-se
mais ao sul e, quando o Hemisfério Norte está no verão, desloca-se mais para o norte.
EA
TC
Polar Atlântica
Forma-se sobre o Oceano Antártico e sobre o extremo sul do Oceano Atlântico. Em sua
origem, a massa Polar Atlântica é fria e seca devido aos baixos índices de evaporação da
água nessas regiões oceânicas. À medida que se desloca para o norte e atravessa outras
áreas do oceano, penetrando no continente, ela provoca chuvas com a formação de
frentes frias. Com o avanço dessa massa polar, o ar úmido e mais quente (menos denso)
que se encontra nas regiões por onde ela passa é forçado a subir, formando nuvens de
chuva (chuvas frontais). Essa massa de ar pode chegar, ainda que com menor
intensidade do que nas regiões Sul e Sudeste, até as regiões Norte e Centro-Oeste, onde
a queda de temperaturas que ela provoca é denominada friagem pela população
regional. Esse deslocamento até a Região Norte ocorre graças à configuração do relevo,
com planícies ao centro (Planície Platina e do Chaco, por exemplo), uma cadeia de
montanhas a oeste (Cordilheira dos Andes) e os planaltos brasileiros a leste, formando
uma espécie de corredor para esta massa de ar.
PA
VENDA PROIBIDA
76 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA EL NIÑO E LA NIÑA
EFEITOS DOS FENÔMENOS EL NIÑO E LA NIÑA NA AGRICULTURA BRASILEIRA
Região El Niño La Niña
Norte
Secas acentuadas, principalmente no leste da Amazônia:
aumento do risco de incêndios florestais e prejuízos para a
produção agropecuária.
Tendência ao aumento de chuvas no norte e leste da
Amazônia; chuvas normais no inverno, sem prejuízos à
agropecuária.
Nordeste
Secas severas: perdas na agricultura, na pecuária, na geração de
energia elétrica e dificuldades para o abastecimento de água.
Chuvas acima da média sobre a região semiárida, favorecendo
a agricultura de subsistência e a pecuária.
Centro-Oeste
Sem efeitos evidentes, exceto tendência de aumento das
chuvas no sul do MS, que favorecem a produção de grãos.
Não há alterações significativas de temperatura e
pluviosidade.
Sudeste
Leve aumento das temperaturas (redução das geadas,
que prejudicam culturas como o café) e sem alterações
significativas na pluviosidade.
Não há alterações significativas de pluviosidade, com leve
queda nas temperaturas no inverno, que não interferem na
colheita da cana e do café.
Sul
Excesso de chuvas na primavera e começo de verão, no ano
inicial do evento, e final de outono e começo de inverno.
Beneficia as culturas de verão, como soja e milho.
Chuvas abaixo do normal, com estiagens severas na parte
oeste dos estados da região, prejudicando as culturas de
verão, como soja e milho. A primavera seca favorece a
produção de trigo.
Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
Presente
de Natal
Entenda os fenômenos do
El Niño e de La Niña e de que forma
eles afetam o clima mundial
B
atizado em referência ao Menino Jesus,
por ocorrer em geral no fim do ano, à
época do Natal, o El Niño (“o menino”,
em espanhol) é um fenômeno de aquecimento
anormal das águas superficiais do Pacífico les-
te, na costa da América do Sul (para entender
melhor, acompanhe o processo no infográfico).
É denominado, pelos cientistas, de Enos, sigla
para El Niño Oscilação Sul.
OElNiñoéfrutodoenfraquecimentodosventos
alísios, que normalmente sopram de leste para o
oestepeloPacífico1–issofazqueaáguaaquecida
naregiãoequatorialnãosejalevadaemdireçãoà
Indonésia,comodecostume.Comisso,asmassas
de ar quentes e úmidas ficam estacionadas na
costasul-americana,provocandochuvasintensas
nessa área 2 e, ao mesmo tempo, seca na Indo-
nésia, Austrália e em outras regiões. Na verdade,
o clima de todo o planeta é alterado. O El Niño,
que ocorre em média uma ou duas vezes a cada
dez anos, também altera o ecossistema marinho.
Como não há o deslocamento das águas quentes
da superfície, as águas profundas, que são mais
frias e carregadas de nutrientes, não conseguem
vir à tona, na ressurgência 3– a população de
peixes, por exemplo, diminui drasticamente 4.
Há,ainda,ocasodoLaNiña,fenômenooposto
ao El Niño: em vez de as águas do Pacífico les-
te se aquecerem, elas
esfriam. Isso acontece
porque os ventos alí-
sios, que carregam a
águaquenteparaooes-
te,ficammaisintensos.
Consequentemente,as
águas quentes da su-
perfíciesãodeslocadas
em maior quantidade
para o oeste e mais
águafriavemàtona5.
Atemperaturadoocea-
no diminui na região
próxima à costa oeste
da América do Sul, e o
clima fica mais úmido
na Austrália e Indoné-
sia,porcausadasmas-
sas de ar quentes.
ANO NORMAL
ANO COM LA NIÑA
Costa da
Indonésia
Costa da
América
do Sul
Costa da
Indonésia
Costa da
América
do Sul
Ventos alísios
Ventos alísios
mais fortes
Oceano Pacífico
Oceano Pacífico
Fortes chuvas
Água fria
Água aquecida
Ressurgência
da água fria
Forte ressurgência
da água fria
Água aquecida
1
3
ANO COM EL NIÑO
Costa da
Indonésia
Costa da
América
do Sul
Ventos alísios
mais fracos
Oceano Pacífico
Água fria
Água aquecida
2
4
5
[1]
VENDA PROIBIDA
77
GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA CICLONE
De olho
no ciclone
Entenda como se forma a
ventania arrasadora que pode
deixar milhares de mortos
O
s ciclones são uma perturbação
atmosférica no centro da qual a
pressão é muito baixa, provo-
cando ventos circulares com velocidade
superior a 119 quilômetrosporhora. Ele
ocorre nas regiões tropicais, sobre os
mares quentes, podendo causar grande
destruição quando atinge o continente.
Denominações
Embora furacão, tufão e tornado se-
jam palavras comumente usadas como
sinônimos de ciclone, há uma pequena
diferença entre elas. A distinção entre
os termos refere-se mais a uma questão
de localização. De modo geral, o ciclone
que se forma sobre o Oceano Atlânti-
co é chamado de furacão, enquanto o
que se forma sobre o Oceano Pacífico
é conhecido como tufão. Por fim, há o
caso dos tornados, que surgem sobre
o continente, após o choque de uma
massa de ar quente com outra de ar
frio – a ventania toma a forma de um
cone invertido e sai num turbilhão ar-
rasador com velocidades de até 500
quilômetros por hora.
O desastre do ciclone Bhola
Para quem já assistiu – e sobreviveu –
à passagem de um ciclone, a experiência
pode ser aterradora. Em Bangladesh, na
Ásia, por exemplo, um desses turbilhões
arrasou o país em 13 de novembro de
1970. O redemoinho nasceu no golfo de
Bengala e avançou para a costa, criando
ondas de até 6 metros. Elas invadiram a
densamente povoada região do delta do
Rio Ganges, matando cerca de 500 mil
pessoas – 100 mil só na ilha de Bhola
(nome que batizou o ciclone). Foi o
pior desastre natural do século XX.
Para nossa sorte, o Brasil não sofre com
esse tipo de fenômeno. Tudo graças
às baixas temperaturas das águas do
Atlântico Sul.
FAIXAS DE
TEMPESTADE
O FURACÃO
POR DENTRO Olho
AR QUENTE E ÚMIDO
Uma densa nuvem
cobre o furacão
VENTO OESTE
Quando as nuvens atingem cerca
de 5 mil metros de altura, começa
a chover. Nesse ponto, o ar seco
ascendente encontra as nuvens,
resfria-se, ficando mais pesado, e
desce pelo olho do furacão. Esse
ar, ao chegar à superfície do mar,
vai formar novas nuvens
4
O furacão começa com a
combinação de dois fatores:
ar quente e úmido e a água
aquecida dos oceanos das
regiões tropicais
1
27 ˚C
O atrito das correntes de ar com
a superfície do mar faz que os
ventos e as nuvens girem de
oeste para leste, no sentido
de rotação da Terra. O ar mais
quente vai subindo numa
espiral pelo olho do furacão
3
As correntes de ar se
aquecem em contato com
a água, ficam mais leves e sobem,
formando as primeiras nuvens.
Enquanto sugam energia das
águas quentes, essas correntes
vão circulando em direção
ao olho do furacão –
região de baixa pressão
no centro
2
O ciclone passa a se deslocar quando
ventos externos sopram na direção
oeste em grande velocidade. Se ele
chegar ao continente e encontrar a
umidade do ar baixa, as nuvens se
desfazem e – ufa! – o vendaval acaba
5
A tempestade
começa com um
emaranhado de
nuvens…
…que vai
girando de modo
coordenado…
…até formar
uma espiral
de nuvens…
…em torno do olho do
furacão (zona de baixa
pressão, no centro) e
ganhar mais velocidade
VEJA A SEGUIR COMO SE FORMA UM CICLONE
[1] [2] MULTI/SP
[2]
VENDA PROIBIDA
78 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA CLIMAS DO MUNDO
O
clima da Terra é influenciado
por vários fatores, entre eles
latitude, pressão atmosférica,
altitude, relevo, vegetação, massas de
ar, maritimidade (proximidade de um
local em relação ao mar), continentali-
dade (distância de um ponto em relação
ao mar) e correntes marítimas.
As áreas em torno da linha do Equa-
dor, que recebem forte insolação, têm
predominantemente clima equatorial,
marcado por altas temperaturas e umi-
dade. Já as regiões de latitudes mais
elevadas, próximas aos polos, registram
clima frio ou polar, com invernos rigo-
rosos e temperaturas baixas.
Nomapa,vocêconfereasmaisimpor-
tantescorrentesmarítimas,osprincipais
tipos de clima, segundo a classificação
de Wilhelm Köpen, a mais aceita atu-
almente, e as três principais zonas cli-
máticas. Veja a seguir as características
dosprincipaistiposdeclimadoplaneta.
Equatorial
Quente e úmido durante o ano todo,
está presente na região da linha do
Equador e nas áreas de baixa latitude,
Diversidade
climática
Conheça as características dos
dez principais grupos de
clima do planeta
como a América Central, a Indoné-
sia, a região central da África e o norte
do Brasil. A umidade relativa do ar é
elevada, com média anual de 90%, e a
chuva é abundante durante o ano todo.
A temperatura também é alta e estável,
com média anual de 25 ºC.
Tropical
Fica nas áreas entre os trópicos de
Câncer e de Capricórnio, cobrindo
grande parte do território brasileiro e
do continente africano, Índia, Península
da Indochina e norte da Austrália. O
clima é quente, com média anual supe-
rior a 20 ºC. As chuvas são intensas no
verão e, no resto do ano, ocorrem mais
nas regiões próximas ao mar.
No Sudeste Asiático, destacam-se
as chuvas de monções, tempestades
torrenciais provocadas pelo vento
úmido que sopra do oceano. Quando
começa o verão, o continente se es-
quenta rapidamente, formando uma
zona de baixa pressão, e as massas de
ar do oceano trazem as chuvas. Essa
dinâmica, comum em outros pontos do
planeta, tem maiores proporções nessa
região em virtude da vastidão de terra
(o continente asiático) e de mar (os
oceanos Índico e Pacífico) envolvidas
no fenômeno.
Mediterrâneo
É o clima predominante no sul da
Europa. Os verões são quentes e secos
– a temperatura chega a 30 ºC – e os
invernos, moderados e com um pouco
de chuva. As mínimas de temperatura
podem atingir 0 ºC.
Temperado
Também de latitudes médias, o tem-
perado está presente nas áreas da Amé-
rica do Norte, da Europa e do leste da
Ásia. No temperado continental, o
inverno é muito rigoroso e o verão é
quente – as médias de temperatura são
-5 ºC e 24 ºC, respectivamente. As chu-
vas são escassas, sobretudo no inverno.
A continentalidade justifica a umidade
relativa do ar mais baixa e a grande
amplitude térmica anual nesses locais.
Já o temperado oceânico está pre-
sente no oeste e no noroeste da Europa.
As chuvas são abundantes durante o
Corrente fria
Corrente quente
CORRENTES MARÍTIMAS
TIPOS DE CLIMA
(adaptação da classificação de Köpen)
Mediterrâneo
Temperado
Subtropical
Semiárido
Frio de montanha
Tropical
Desértico
Frio
Polar
Equatorial
ZONAS CLIMÁTICAS
Polar
Polar
Intertropical
Polar
Polar
Temperada
Temperada
MAPA MUNDIAL DO CLIMA
E CORRENTES MARÍTIMAS
DEU BRANCO Nevascas em países de clima temperado, como o Canadá, são comuns no inverno
APONTE O CELULAR PARA AS
PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA
SOBRE CLIMAS
(MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)
VENDA PROIBIDA
79
GE GEOGRAFIA 2018
ano,eastemperaturasnãosofremmuita
variação – os invernos são frios (média
de -3 ºC) e os verões, frescos (média de
15 ºC). A proximidade com o mar (ma-
ritimidade) é um fator que influencia
a baixa amplitude térmica e as chuvas
bem distribuídas durante o ano.
Subtropical
É outro clima de latitudes médias,
que se caracteriza como uma faixa de
transição entre os climas tropicais e os
mais frios. Está presente nas regiões
ao sul do trópico de Capricórnio (sul
de São Paulo, Paraná, Santa Catarina
e Rio Grande do Sul) e na região leste
dos Estados Unidos. A quantidade de
chuva não varia muito durante o ano,
mas as temperaturas mudam bastante:
o inverno é frio e o verão, quente.
Desértico
Ocorre em regiões como o Saara, o
centro da Austrália, norte do México
e sul dos EUA. O índice pluviométrico
é baixíssimo: a média anual de preci-
pitação é inferior a 250 milímetros, o
equivalente a aproximadamente um
mês de chuva no clima equatorial. A
umidade relativa do ar também é mui-
to baixa, cerca de 40%. A amplitude
térmica diária é elevada: de dia, a tem-
peratura ultrapassa os 40 ºC e, à noite,
chega a graus negativos.
Semiárido
Clima seco, presente na Ásia Central
(Cazaquistão, no interior da China e
Mongólia), na Patagônia e no planalto
oeste das Montanhas Rochosas (EUA).
A precipitação é escassa e irregular,
com longos períodos de estiagem, não
ultrapassando os 600 milímetros por
ano. As temperaturas são elevadas du-
rante o ano, com média entre 25 ºC e
27 ºC. No Brasil localiza-se no chamado
Polígono das Secas.
Frio de montanha
Ocorre nas cadeias de montanhas
ao redor do globo: áreas elevadas dos
Andes, Montanhas Rochosas, Alpes e
Himalaia. É um clima frio, com tem-
peratura que diminui 6 ºC a cada mil
metros de altitude. Acima dos 2 mil
metros, há neve constante. A umidade
relativa do ar varia conforme o lado
da cadeia: a média é de 90% do lado
do vento (barlavento), caindo para até
30% do lado contrário (sotavento). A
quantidade de precipitação também é
variável, chegando a 2 mil milímetros
por ano nas regiões tropicais.
Frio
É o clima do norte do Canadá e da
Sibéria, na Rússia. O inverno é bastante
rigoroso e prolongado, com mínima
de -15 ºC, e o verão, brando e curto,
com temperatura máxima de 10 ºC. A
precipitação é escassa, menos de 300
milímetros por ano.
Polar
Éoclimacomasmenorestemperatu-
rasdoplaneta:noinverno,elapermane-
ce em torno de -30 ºC e, no verão, a mé-
dia é de 4 ºC. Está presente no extremo
norte do Canadá, da Rússia e do Alasca,
em parte da Península Escandinava e
na Antártica. A umidade relativa do ar
é alta, entre 70% e 80%, mas a precipi-
tação, bastante reduzida: cerca de 100
milímetrosdeneveacumuladosaoano.
ANTÁRTICA
OCEANIA
ÁFRICA
EUROPA
ÁSIA
AMÉRICA OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO
CÍRCULO POLAR ÁRTICO
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
TRÓPICO DE CÂNCER
EQUADOR
Fonte: IBGE
C. Norte Equatorial
C. Sul Equatorial
C. de Humboldt
C. do Brasil
C
.
d
a
s
F
a
l
k
l
a
n
d
C. Circumpolar da Antártica
C. da Antártica C. da Antártica
C. Australiana
C. de Benguela C. Sul Equatorial
C. Sul Equatorial
C. Norte Equatorial
C. do Japão
C. Oia Sivo
C. das Monções
C. de Madagáscar
C. Sul Equatorial
C. da Guianas
C. Norte Equatorial
C. do Golfo
C. das Canárias
C. Norte Atlântica
C. da Groenlândia
C. do Labrador
C. do Atlântico Sul
C. da Califórnia
C. do Pacífico Norte
CORRENTE FRIA E DESERTO
As correntes marítimas são grandes deslocamentos de
massas de água que influenciam o clima. No Chile, a fria
Corrente de Humboldt provoca chuvas no Oceano Pacífico.
Comisso,amassadearchegasemumidadeaocontinente,
o que explica a aridez do Deserto do Atacama.
CHUVAS DE MONÇÕES
Trata-se de um fenômeno típico do Oceano Índico e do
Sudeste Asiático. Elas têm origem na grande diferença de
temperatura das águas do mar e do continente durante
o verão. Um vento contínuo leva a umidade do oceano e
a transforma em fortes chuvas sobre o continente.
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VENDA PROIBIDA
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dez
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nov
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Clima equatorial
Temperatura (o
C)
Precipitação (mm)
1. MANAUS
Clima tropical
Temperatura (o
C)
Precipitação (mm)
2. GOIÂNIA
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10
1. Equatorial
2. Tropical
3. Semiárido
4. Tropical de altitude
5. Tropical atlântico
6. Subtropical
80 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA CLIMAS DO BRASIL
M
esmo sendo conhecido como “um país tropical”, com mais de 90%
do território entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, o Brasil
também compreende variações climáticas.
Os tipos de clima no país são definidos com base em critérios diversos, mas,
sobretudo, a partir da quantidade de chuva e da temperatura média no decorrer
do ano. Essas informações aparecem juntas em um gráfico denominado climo-
grama, que você vê acima. A leitura dele pode parecer complicada, mas é bastante
simples: as barras representam a média pluviométrica no mês, expressa em
milímetros; já as linhas indicam a temperatura média mensal, em graus Celsius.
O climograma permite a identificação de cada um dos climas e até uma dife-
renciação entre eles. Uma comparação interessante, por exemplo, é a do clima
equatorial com o do semiárido. A princípio, eles podem parecer semelhantes por
causa da temperatura média, que oscila em torno de 26 ºC. Porém, ficam claramente
diferentes quando observamos as barras que indicam o índice pluviométrico de
cada um: enquanto no clima equatorial chove abundantemente durante o ano
todo, no semiárido, o índice pluviométrico é muito baixo e distribuído de forma
irregular. Confira a seguir as principais características dos seis principais tipos
climáticos do Brasil, além de alguns climogramas a eles relacionados.
Muito além
de tropical
Apesar de o nosso país estar localizado quase
inteiramente entre os trópicos, o clima do
Brasil apresenta muitas variações
1.Clima equatorial
Fica nas proximidades da linha do
Equador,abarcandoaAmazônia,nortede
MatoGrossoeoestedoMaranhão.Chove
duranteoanotodo,eemgrandequanti-
dade; é bastante úmido e a temperatura
varia pouco no decorrer do ano, com
média de 26 ºC. O climograma 1 acima
traz informações sobre a pluviosidade
e a temperatura da cidade de Manaus
(AM), localizada nessa faixa de clima.
Reparecomo,nográfico,aquantidadede
precipitação (representada pelas barras
verticais) é bem alta, atingindo mais de
300 milímetros no mês de março, com
apenas uma pequena queda no meio
do ano (em julho, agosto e setembro),
quandoficaabaixodos100milímetros.A
pequenavariaçãodetemperatura,típica
do clima equatorial, também pode ser
vista no climograma de Manaus: a linha
horizontal,formadapelastemperaturas
médiasdecadamês,quasenãosobenem
desce, ficando em torno dos 26 0C.
2.Clima tropical
Predominantenoterritóriobrasileiro,
pega toda a faixa do centro do país, leste
MAPA DE CLIMAS DO BRASIL
RECANTO GELADO
As mais baixas
temperaturas no país
são registradas na
Região Sul, a única com
clima subtropical.
As temperaturas médias
anuais são inferiores
a 21 0
C.
MÁXIMA E MÍNIMA
A temperatura máxima oficial no país foi registrada em Bom Jesus do
Piauí, em 21 de novembro de 2005. Os termômetros chegaram a 44,7 o
C.
A mínima foi na cidade de Caçador, em Santa Catarina: -14 o
C,
em 30 de junho de 1952.
CHUVAS DE VERÃO
As tempestades que
costumam atingir a
Região Sudeste durante o
verão são causadas pelo
encontro de duas massas
de ar que formam a
zona de convergência do
Atlântico Sul.
VENDA PROIBIDA
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Clima semiárido
Temperatura (o
C)
Precipitação (mm)
3. JUAZEIRO
Clima tropical de altitude
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
4. BELO HORIZONTE
400
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10
Clima tropical atlântico
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
5. JOÃO PESSOA
Clima tropical atlântico
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
5. RIO DE JANEIRO
Clima subtropical
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)
6. CURITIBA
81
GE GEOGRAFIA 2018
do Maranhão, Piauí e oeste da Bahia e
de Minas Gerais. Inverno e verão são
estações bem marcadas pela diferença
de pluviosidade: o verão é bastante chu-
voso e há seca no inverno. No climo-
grama2, de Goiânia (GO), conseguimos
enxergar essa diferença pela variação
na altura das barras de precipitação: em
julho, a precipitação chega a quase zero
e, em janeiro, ultrapassa 250 milíme-
tros. A temperatura no clima tropical,
de modo geral, é alta, caindo um pouco
nos meses de inverno; a média fica entre
18ºCemlocaisdeserrae28ºCnamaior
parte do território.
3.Clima semiárido
É o clima das zonas mais secas do
interior do Nordeste. Caracteriza-se
pela baixa umidade, pouca chuva e
temperaturas elevadas. O climogra-
ma 3, referente à cidade baiana de
Juazeiro, na divisa com Pernambuco,
representa graficamente essas carac-
terísticas: note que entre julho e se-
tembro as barrinhas de precipitação
são bastante baixas – em agosto a mí-
nima de chuva chega a 1,7 milímetro.
A chuva se concentra entre os me-
ses de novembro e abril, mas o total
anual de precipitação não chega a
550 milímetros – o volume é inferior
ao atingido em apenas dois meses (fe-
vereiro e março) no clima equatorial.
Já a linha de temperatura varia entre
24,5 ºC e 28,5 ºC durante o ano, médias
térmicas bastante elevadas.
4.Clima tropical de altitude
Éoclimadasáreascomaltitudeacima
de 800 metros em Minas Gerais, no Es-
pírito Santo, no Rio de Janeiro e em São
Paulo.Osverõessãoquentesechuvosos,
eosinvernos,friosesecos.Issopodeser
visto no climograma 4, que mostra as
médias de temperatura e pluviosidade
de Belo Horizonte (MG). No inverno,
as barras de chuva atingem o mínimo
de cerca de 10 milímetros e, no verão,
passam de 300 milímetros. Em compa-
ração com o clima tropical, o tropical de
altitude tem o mesmo comportamento
pluviométrico, mas as médias anuais de
temperatura são menores, ficando em
torno dos 20 ºC – no inverno, as tem-
peraturas são bem mais baixas.
5.Clima tropical atlântico
Esse clima cobre quase todo o lito-
ral do país: começa no Rio Grande do
Norte e vai até o Paraná. A quantidade
de chuvas varia conforme a latitude
da localidade. Por exemplo, enquanto
no Nordeste chove muito no inverno,
no Sudeste chove mais no verão, como
pode ser visto nos climogramas 5 de
João Pessoa (PB) e do Rio de Janeiro
(RJ). A variação de temperatura é maior
na porção mais ao sul do litoral. No Rio
de Janeiro, oscila entre 21,5 ºC e 26,5 ºC
e, em João Pessoa, entre 24 ºC e 28 ºC.
6.Clima subtropical
É o clima das regiões ao sul do Tró-
pico de Capricórnio: sul de São Paulo,
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul. A quantidade de chuva não varia
muito durante o ano, mas as temperatu-
ras mudam bastante: o inverno é frio e
o verão, quente. No climograma 6, que
representa Curitiba (PR), por exemplo,
a temperatura oscila entre 12,5 ºC e
20 ºC, enquanto as barras de precipi-
tação apresentam pouca variação (a
média anual é de 110 milímetros).
VENDA PROIBIDA
82 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA POLUIÇÃO DO AR
A
poluiçãodoaréprovocadaprincipalmen-
te pela queima de combustíveis fósseis
nos transportes e na geração de energia
elétrica e pela atividade industrial. Dióxido de
carbono (CO2
), monóxido de carbono (CO) e
hidrocarbonetos(HC)sãoalgunsdospoluentes
maisemitidos.Vejaaseguiralgunsdosefeitosmais
comuns provocados pela emissão desses gases.
Buraco na camada de ozônio
O aparecimento de buracos na camada de
ozônio é um processo natural, já que, em certas
épocas do ano, reações químicas na atmosfera
produzem aberturas, que depois se fecham. O
ozônio absorve parte da radiação ultravioleta
B (UVB) emitida pelo Sol. Sem ela, as plantas
teriam redução na capacidade de fotossíntese
e haveria maior incidência de câncer de pele e
catarata. A atividade humana, porém, acentuou
o processo. As reações que destroem o ozônio
são intensificadas pela emissão de compostos
químicos halogenados artificiais, sobretudo
os clorofluorcarbonos (CFCs), criados nos
anos 1930 e usados como fluidos refrigerantes
em geladeiras, aparelhos de ar condicionado e
como propelente de aerossóis.
A boa notícia é que, nos últimos anos, acordos
internacionais levaram ao fim da produção das
substâncias nocivas à camada de ozônio. Estu-
dos recentes indicam que o buraco na camada
de ozônio atualmente está 9% menor do que no
ano2000.Noentanto,desde2010,otamanhodo
rombonãodiminui–são23milhõesdequilôme-
tros quadrados, área equivalente à da América
do Norte. A perspectiva, segundo a Organização
MundialdeMeteorologia,équeacamadadeverá
voltar à espessura original por volta de 2050.
Atmosfera
carregada
A emissão de poluentes no ar causa
uma série de efeitos nocivos ao
homem e à natureza
Fonte: Nasa
1979
1987
2006
2016
CORTINA DE FUMAÇA Um denso nevoeiro paira sobre as ruas de Krabi, na Tailândia: efeito do dióxido de carbono liberado pelas queimadas na Indonésia
EVOLUÇÃO DO BURACO
NA CAMADA DE OZÔNIO
(1979-2016)
A abertura na atmosfera é
representada pela cor azul
nas imagens abaixo
VENDA PROIBIDA
83
GE GEOGRAFIA 2018
Chuva ácida
Toda chuva é naturalmente ácida (pH infe-
riora7), em função das reações do vapor-d'água
com o gás carbônico presente na atmosfera.
Entretanto, ao atingir um pH inferior a 5,6 a
chuva é considerada, de fato, ácida e passa a
ser tratada como um problema ambiental. Esse
aumento de acidez se deve à queima de com-
bustíveis fósseis, feita principalmente pelas
atividades industriais e pelos automóveis, que
liberam óxido de nitrogênio (NOx) e dióxido
de enxofre (SO2) na atmosfera. Esses compos-
tos reagem com o vapor-d'água presente na
atmosfera, formando o ácido nítrico (HNO3) e
o ácido sulfúrico (H2SO4). Quando chove, essas
substâncias atingem o solo e a água, alterando
suas características e prejudicando lavouras,
florestas e a vida aquática. Também danificam
edifícios e monumentos históricos.
As principais áreas de ocorrência se encon-
tram próximas às regiões de maior emissão de
gases causadores do efeito estufa, ou seja, as
mais urbanizadas e industrializadas, como o
Nordeste dos Estados Unidos, a Europa oci-
dental, o leste da China, o eixo Rio-São Paulo.
Entretanto, essas substâncias podem ser trans-
portadas pelos ventos para regiões mais afasta-
das desses grandes centros urbano-industriais,
causando a chuva ácida. Trata-se, portanto, de
uma “poluição transfronteiriça”. O leste do
Canadá, por exemplo, sofre com a chuva ácida
proveniente da poluição gerada na megalópole
Boston-Washington-Nova York e nas cidades
industriais da região dos Grandes Lagos, dos
Estados Unidos. Já os países escandinavos como
Noruega, Finlândia e Suécia recebem as corren-
tes de ar que trazem a poluição da Alemanha,
Holanda, Bélgica e Inglaterra.
 O QUE ISSO TEM A VER
COM QUÍMICA
A reação entre dióxido
de carbono (CO2) e as
moléculas de água (H2O)
libera íons H+. Quanto
maior a concentração de
H+ maior é a acidez. Essa
concentração é medida
pelo pH, o potencial
hidrogeniônico, que
segue uma escala de zero
a 14 na qual:
0  pH  7: soluções
ácidas
pH = 7: soluções neutras
7  pH ≤ 14: soluções
básicas ou alcalinas
Para saber mais, veja
o GUIA DO ESTUDANTE
QUÍMICA.
Ilhas de calor
Ospoluenteslançadosnaatmosfera,principal-
menteodióxidodecarbono,ajudamaaumentar
a temperatura do ar mais próximo da atmosfera.
Em regiões urbanas, esse fato é agravado pela
substituição da cobertura vegetal por prédios
de concreto e cimento e ruas asfaltadas. Esses
materiais absorvem mais calor e o devolvem na
formaderadiaçãotérmica.Acombinaçãodesses
fenômenos tende a aumentar a temperatura nos
grandescentros,criandoasilhasdecalor.Adife-
rençadetemperaturaentreumaáreaverdeeuma
típica zona central de uma cidade pode ser de 8
graus centígrados a mais (veja o mapa ao lado).
Inversão térmica
Ainversãotérmicaéumfenômenoatmosférico
naturalqueocorreprincipalmentenasmanhãsde
outonoeinverno,comapenetraçãodemassasde
arfrio,emregiõesdeclimatropicalesubtropical.
Caracteriza-se pela alteração na sequência de
camadas de ar. Em condições normais, a tempe-
raturaficacadavezmaisbaixaconformeaumenta
aaltitude.Emumasituaçãodeinversãotérmica,
porém, forma-se uma camada de ar mais quente
logo acima da camada de ar mais frio próxima
ao solo. Isso ocorre graças ao resfriamento da
superfície e do ar durante o final da madrugada
einíciodamanhã,quandoastemperaturas,tanto
da terra quanto do ar, são mais baixas.
Emregiõesondeoarnãoseencontracarregado
de poluentes, a inversão térmica não provoca
nenhum problema ambiental. No entanto, em
ambientes urbanos, a inversão térmica causa o
bloqueiodascorrentesascendentesdear,retendo
grande quantidade de poluentes próximos à su-
perfíciedurantealgumashoras.Issoocorrepor-
que as trocas verticais
de ar, chamadas cor-
rentes de convecção,
nãochegamaatingira
superfície, formando-
-sesomenteapartirda
camada de ar quente
para cima. Por esse
motivo, os poluentes
nãoconseguemsedis-
persar. Quando o Sol
esquenta a superfície
nodecorrerdamanhã,
o ar da camada mais
baixaseaqueceesobe,
as correntes de con-
vecçãovoltamaatingir
o solo e os poluentes
voltam a ser dispersa-
dos em camadas mais
elevadas.
Temperatura aparente
da superfície
Menor Maior
Distribuição da
vegetação em SP
Rural Urbano
Fonte: Atlas Ambiental do Município de São Paulo
No sul da cidade,
onde há mata e quase
não existem prédios nem
casas, as temperaturas
são bem mais baixas.
A região central de
São Paulo,altamente
urbanizada, apresenta
temperaturas mais
elevadas.
Município de São Paulo, com variação de temperatura de 24 °C a 32 °C
DENSIDADE DEMOGRÁFICA E ILHAS DE CALOR
DIA NORMAL
AR QUENTE
AR FRIO
AR MAIS FRIO
AR FRIO
AR QUENTE
AR FRIO
INVERSÃO TÉRMICA
FENÔMENO DA INVERSÃO TÉRMICA
iSTOCK PHOTO
VENDA PROIBIDA
84 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA AQUECIMENTO GLOBAL
EFEITO ESTUFA
O fenômeno permite a
existência de vida na Terra.
Veja como ele funciona
e o modo como as ações
humanas o afetam
1
2 3
4
5
O Sol emite sua energia
pelo espaço na forma de luz
visível, radiação ultravioleta
e infravermelha
Quando os raios do Sol chegam
à Terra, cerca de 30% da energia
luminosa volta para o espaço,
refletida por poeira e nuvens na
atmosfera e, ainda, por refletores
naturais na superfície, como áreas
cobertas de neve e gelo
O ar, terras e águas
absorvem cerca de 70%
da radiação solar
Aquecida, a superfície
emite calor na forma de
radiação infravermelha
Umpoucodaradiaçãotérmica
daTerravaiparaoespaço,masa
maiorparteéretidanaatmosfera,
absorvidaporvapor-d'água,
dióxidodecarbono,metanoe
outrosgasesdoefeitoestufa
6
7 A temperatura do planeta varia,
de maneira natural, por causa dos
ciclos solares e geológicos.
Mas, de acordo com o relatório
do IPCC, as atividades humanas
afetaram o ritmo normal do ciclo e
o equilíbrio natural de produção e
absorção de gases
Se o calor não fosse retido
pelo efeito estufa, o planeta
congelaria a uma temperatura
média de 18 ºC negativos
Planeta
em ebulição
Cientistas confirmam que a atividade
humana está provocando alterações
climáticas em todo o globo
S
e antes a ideia do aquecimento global era
apenas uma hipótese, hoje os cientistas
já contam com evidências mais seguras
para afirmar que a ação do homem sobre o
meio ambiente está alterando a temperatura do
planeta. O estudo mais consistente a respeito
foi divulgado em 2007 pelo Painel Intergover-
namental de Mudanças Climáticas (IPCC),
entidade que reúne 2.500 cientistas de mais de
130 países sob a chancela da Organização das
Nações Unidas (ONU). A partir desse docu-
mento, que representou um marco ambiental,
especialistas do mundo todo passaram a
culpar nosso padrão de desenvolvimento
pelo aquecimento da Terra.
Emsetembrode2013,oIPCCdivul-
gouumnovoestudonoqualaumenta
de 90% para 95% o grau de certeza
científica quanto à participação do homem na
elevaçãodatemperaturadoplaneta:“Éextrema-
menteprovávelqueainfluênciahumanasobreo
climatenhacausadomaisdametadedoaumento
observado da temperatura média da superfície
global entre 1951 e 2010”, dizem os cientistas. O
relatório da ONU aponta que entre 1880 e 2012
atemperaturamédianaTerrasubiu0,85ºC.Em
algumasregiões,queincluemoBrasil,oaumento
foi de até 2,5 graus. Além disso, o nível médio
da água dos oceanos subiu 19 centímetros e as
últimastrêsdécadasforamasmaisquentesdesde
1850. O estudo também permitiu aos cientistas
projetar as dramáticas consequências que as
próximas gerações enfrentarão, caso esse pro-
cesso não seja revertido (veja mapa na pág. 86).
O efeito estufa
Sempre ouvimos falar que o efeito estufa é o
grande vilão do aquecimento global, o que não
deixa de ser verdade. Mas uma coisa precisa
ficar clara: é graças a ele que existe vida em
nosso planeta. O efeito estufa é um fenômeno
natural que faz com que a temperatura média
do globo se conserve nos limites necessários
para a manutenção da vida, em torno de 14,5 ºC.
Ele ocorre em razão da existência de gases que
estão naturalmente na atmosfera e impedem a
VENDA PROIBIDA
85
GE GEOGRAFIA 2018
8 Hoje, milhões de toneladas de carbono que a
natureza tirou de circulação, armazenado como
petróleo no subsolo ou biomassa nas matas,
são jogadas pela ação humana na atmosfera
em poucas horas, na forma de CO2
. Ao aumentar
a concentração desse e de outros gases, o
homem amplia o efeito estufa, o que provoca o
aquecimento do planeta
OS GASES DA ATMOSFERA
78,084%
Nitrogênio (N2
)
20,946%
Oxigênio (O2
)
0,934%
Argônio (Ar)
0,036%
Outros gases
DIÓXIDO DE CARBONO (CO2
): 0,0332%
NEÔNIO (NE): 0,0018%
OUTROS GASES: 0,0010%
[1]
Fonte: Nasa
CONCENTRAÇÃO DE DIÓXIDO DE CARBONO NA ATMOSFERA NOS ÚLTIMOS 10 MIL ANOS
8.000
a.C.
5.500
a.C.
3.000
a.C.
500
a.C.
2.000
350
300
250
Dióxido
de
carbono
(ppm)
350
330
15,5
15
14,5
310
290
1900
1880 1920 1940 1960 1980 2000
CO
2
(ppm)
Graus
Celsius
CO2
e temperatura média da Terra
MAIS GÁS, MAIS CALOR
No gráfico à esquerda, veja como a concentração
de dióxido de carbono (CO2
) deu um salto a partir
da Revolução Industrial, no século XVIII. Isso pode
ser visto por meio da linha vermelha no lado
direito do gráfico, que sobe quase
perpendicularmente. No detalhamento desse
período, no gráfico acima, a relação do CO2
com o
aquecimento global fica clara: a curva de aumento
de CO2
coincide com a da elevação da temperatura.
PARA IR ALÉM
O documentário Uma
Verdade Inconveniente,
dirigido por Davis
Guggenheim e
apresentado pelo
ex-vice-presidente
dos Estados Unidos
Al Gore, procura
evidenciar as causas e
as consequências do
aquecimento global.
Parte da análise de
dados de variação
de temperaturas e
concentração de CO2
na atmosfera terrestre,
e chama a atenção sobre
as responsabilidades
individuais e coletivas
do homem diante dessa
situação.
dissipação para o espaço de parte da radiação
vinda do Sol, que é absorvida e refletida pela
Terra (veja o infográfico).
Oproblemaéque,porcausadaaçãodohomem,
essebenéfico“cobertor”atmosféricoestásetrans-
formando num forno. E quando nos referimos à
açãodohomem,trata-sedaquelasatividadesque
resultam na emissão e no acúmulo na atmosfera
de gases responsáveis pelo efeito estufa. Entre
os principais, estão o dióxido de carbono (CO2),
produzido pela queima de combustíveis fósseis
(especialmente carvão mineral e derivados de
petróleo, como óleo cru, diesel e gasolina) para
gerar energia; o metano (gás natural, CH4), libe-
radopeladecomposiçãodelixo,digestãodogado,
plantações alagadas (principalmente de arroz);
e óxido nitroso (N2O), que advém, entre outros
meios,dotratamentodedejetosdeanimais,douso
defertilizantesedealgunsprocessosindustriais.
Alémdisso,aoalteraraterrapormeiododesma-
tamento e de atividades agrícolas, o ser humano
estálançandonoar,porapodrecimentoouqueima,
CO2 que estava acumulado nas plantas e no solo.
Todas essas atividades são realizadas mais
intensamente nos países desenvolvidos. Esta-
dos Unidos, Japão e muitas nações europeias
apresentam elevada produção de gases do efeito
estufa per capita, principalmente por causa do
uso de automóveis e da elevada industrialização.
Contudo, países em desenvolvimento, como a
China, vêm aumentando significativamente
as emissões desses gases nos últimos anos. Os
chineses já ultrapassaram os norte-america-
nos como os maiores poluidores do planeta,
tornando-se responsáveis por um quarto das
emissões mundiais.
QUANTIDADE DE GASES DO EFEITO ESTUFA NA ATMOSFERA
BATE RECORDE EM 2015
Aquantidadedegasesdoefeitoestufapresentenaatmosferabateuumnovorecorde
em 2015, por isso que continua o aumento incessante que alimenta a mudança cli-
mática,advertiunestasegunda-feiraaOrganizaçãoMundialdaMeteorologia(OMM).
Em2015,aconcentraçãoatmosféricadeCO2
–principalgásdeefeitoestufadelonga
duração – alcançou 400 partes por milhão (ppm), segundo indica o Boletim sobre os
gases do efeito estufa que publica anualmente a OMM.
Além disso, o relatório destaca que os níveis de CO2
dispararam de novo em 2016,
alcançando novos recordes como consequência do fenômeno do El Niño, que teve
devastadores efeitos em distintas zonas do mundo entre 2015 e os primeiros meses
de 2016. (...)
Época Negócios, 24/10/2016
SAIU NA IMPRENSA
VENDA PROIBIDA
86 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
PARA IR ALÉM
O documentário Seis
Graus que Podem Mudar
o Mundo, da National
Geographic, simula
possíveis cenários
decorrentes do aumento
de um até seis graus
Celsius na temperatura
global sobre os
diversos ecossistemas e
populações humanas.
O pior cenário
Extremos climáticos como secas
prolongadas e furacões devem se
tornar mais frequentes em função
do processo de mudança climática
D
esde 1880, quando a temperatura do
planeta começou a ser medida, a popu-
lação mundial não enfrentou um ano
tão quente como o de 2016. Segundo a Nasa, a
Agência Espacial Norte-Americana, os recordes
de temperatura são uma constante neste século:
16 dos 17 anos mais quentes da história foram
registrados após o ano 2000. Esses dados con-
solidam uma tendência de aquecimento global
de longo prazo, o que abre a possibilidade da
ocorrência mais frequente de eventos climáti-
cos extremos, como secas prolongadas, chuvas
torrenciais e violentos ciclones. É o que pode
ocorrer se não houver uma redução na emissão
degasesdoefeitoestufa,naanálisedoscientistas
do Painel Intergovernamental sobre a Mudança
no Clima (IPCC).
AsprojeçõesdoIPCCindicamque,seasemis-
sõespermaneceremnosníveisatuais,atemperatu-
ramédiadoplanetapodesubiraté4,8ºC,eonível
dosmaresdeveaumentarematé82centímetros.
Asgeleirasirãocontinuaraderretereéfortemente
provável que o gelo do Ártico diminua até o final
do século. Segundo os cientistas, nenhuma parte
dogloboficaráimuneaosefeitosdoaquecimento
global (veja mais no mapa).
Os terríveis cenários previstos pelos cientistas
do IPCC certamente teriam consequências em
termos estratégicos e geopolíticos. O Departa-
mento de Defesa dos Estados Unidos alerta para
o fato de que, atingido pelas mudanças climá-
ticas, o mundo seria mais instável e perigoso.
Haveria um aumento de migrações e até mesmo
invasões populacionais para obter recursos
como água e alimentos. E os maiores problemas
ocorreriam justamente onde hoje já existem
graves questões políticas, como em regiões da
Ásia e da África. Para o órgão de governo dos
EUA, em alguns locais, a tensão social causada
pela fome poderia se tornar mais explosiva,
combinada com a tensão étnico-religiosa.
A corrente cética
As explicações sobre as causas do aumento
da temperatura global não são aceitas por todo
mundo. Há cientistas que questionam seus fun-
damentos. Eles alegam que a temperatura média
da Terra subiu e desceu várias vezes durante
sua existência, e que isso pode estar ocorrendo
neste momento. Ou seja, esse esquenta-esfria do
planeta faria parte de um ciclo natural no qual
o clima alterna períodos quentes e eras glaciais.
Além disso, essa “corrente cética” acredita
que, mesmo que exista uma tendência para o
aquecimento, ela está mais ligada aos fatores na-
turais do que à ação humana. O clima seria mais
influenciado pelas glaciações, pelo vulcanismo
e por fenômenos astronômicos. Esses cientistas
também contestam a capacidade científica de
prever com antecedência de décadas como será
o clima da Terra.
Noentanto,osquedefendemestatesesãoacusa-
dosdeagiremfavordaquelesqueatuamnolobby
deinteressesdasindústriasquevivemdopetróleo
edegovernosqueseriamafetadospelasmedidas
necessárias para conter o aquecimento global.
AMÉRICA LATINA
Na América Central aumentará
a ocorrência de ciclones
tropicais. As chuvas devem
diminuir na Bacia Amazônica
e aumentar na Bacia do Prata,
região que abrange o sul do
Brasil, além de Paraguai,
Uruguai e Argentina.
AMÉRICA DO NORTE
A região deve ser afetada
por fortes secas e queda na
disponibilidade de água,
especialmente na parte central.
Haverá maior ocorrência de
ciclones tropicais no golfo do
México e na costa leste dos EUA
e do Canadá.
MUDANÇAS NA TEMPERATURA
2081-2100
110
C
90
70
50
40
30
20
1,50
10
0,50
VENDA PROIBIDA
87
GE GEOGRAFIA 2018
OS EFEITOS
NO BRASIL
Segundo o Painel
Brasileiro de Mudanças
Climáticas (PBMC), até
2100, a temperatura no
país irá aumentar entre
1 ºC e 6 ºC, em
comparação com a
registrada no fim do
século XX. Nesse cenário,
a agricultura, a geração e
a distribuição de energia
e a gestão dos recursos
hídricos serão afetados.
Veja os efeitos regionais
no mapa ao lado.
ÁSIA
As chuvas de monções devem
se tornar mais intensas no sul
e no leste do continente.
A frequência de tempestades e
ciclones irá aumentar em áreas
como o Mar do Japão, a Baía de
Bengala, o Mar do Sul da China
e o Golfo da Tailândia.
OCEANIA
Fortes ondas de calor devem
atingir a Austrália, com chuvas
extremas no sul do país e secas
no noroeste. As ilhas do Pacífico
ficarão mais vulneráveis à
passagem de ciclones tropicais.
ÁFRICA
As temperaturas devem
aumentar principalmente no
sul do continente. É provável
que a seca piore na parte
ocidental e na região do Sahel,
provocando queda da safra e
agravando a situação de fome.
REGIÕES POLARES
O gelo do Ártico pode diminuir
até 94% durante o verão.
Com o derretimento na calota
norte da Terra, o nível do mar
pode aumentar de 45 a 82
centímetros, nível considerado
perigoso pelos cientistas.
EUROPA
A temperatura deve aumentar
de forma generalizada no
continente, com menos dias de
frio intenso no inverno. No sul
e leste europeus, os períodos
de seca devem reduzir a água
disponível e a produtividade
agrícola, enquanto, no noroeste
do continente, o IPCC prevê
maior volume de chuvas.
OUTRAS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS:
 Ameaças à biodiversidade e aceleração da extinção de espécies.
 Esgotamento das reservas de água e agravamento de sua distribuição.
 Comprometimento da produção agrícola e da segurança alimentar,
especialmente nas regiões tropical e subtropical.
 Elevação do nível dos oceanos e ameaças a cidades litorâneas.
NORTE
O volume de chuvas na
Amazônia deve cair até 40%,
o que levaria a uma
substituição da floresta por
uma vegetação mais rala,
semelhante à do cerrado.
NORDESTE
Até 2100, a temperatura na
caatinga poderá subir até
4,5 ºC, e a ocorrência de chuva
irá diminuir entre 40% e 50%.
CENTRO-OESTE
As chuvas devem diminuir
entre 35% e 45%. No Pantanal
e no cerrado, as temperaturas
devem subir de 3,5 ºC a 5,5 ºC.
SUDESTE
Na região da Mata Atlântica, o
clima deverá ficar até 3 ºC mais
quente e até 30% mais chuvoso.
ZONA COSTEIRA
O aumento do nível do
mar em até 30 cm afetaria
ecossistemas costeiros do Norte
e Nordeste, como manguezais; a
população litorânea teria de ser
remanejada.
SUL
Na região dos pampas,
a temperatura deve subir 3 ºC,
com previsão de um aumento
de 40% na ocorrência de chuvas.
VENDA PROIBIDA
88 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA ENERGIAS RENOVÁVEIS
Alternativas
limpas
Investimentos em fontes de energia
renováveis são essenciais para reduzir
as emissões de gases do efeito estufa
O
s cientistas do Painel Intergovernamen-
tal sobre a Mudança no Clima (IPCC)
são enfáticos em apontar o que é pre-
ciso ser feito para evitar os efeitos dramáticos
das mudanças climáticas: suspender o uso sem
restrições de combustíveis fósseis. Desde a
Revolução Industrial, há mais de 200 anos,
nossas atividades econômicas são baseadas na
queima de fontes não renováveis e altamente
poluentes como petróleo, gás e carvão. A energia
que consumimos para gerar eletricidade e aque-
cimento, para nos locomovermos em viagens de
carro, avião ou navios e para mover a atividade
manufatureira contribui com cerca de metade
das emissões dos gases de efeito estufa.
Na prática, para alterar essa matriz de
energia e reduzir a dependência econômica
de combustíveis fósseis, seria preciso ampliar
o uso de energias renováveis. Trata-se de um
procedimento que já está em andamento ao
redor do mundo, ainda que num ritmo abai-
xo do desejável. A China, o maior emissor de
gases do efeito estufa do planeta, é o país que
mais vem investindo em energia renovável há
alguns anos. Os Estados Unidos e a Europa
também avançam em projetos para baratear o
custo dessas fontes de energia. O Brasil, que é o
sétimo maior investidor em energias renováveis
 MATRIZ DE ENERGIA
Combinação das
fontes de energia
disponíveis numa
economia ou país e
dos usos de energia.
A economia moderna
consome energia em
duas principais formas:
a energia combustível,
que alimenta
principalmente
equipamentos
mecânicos, como
motores, e a energia
elétrica, que alimenta
essencialmente
equipamentos
eletrônicos.
 O QUE ISSO TEM A VER COM HISTÓRIA A Revolução
Industrial é o processo de transformação da
economia agrária, baseada no trabalho manual, em
outra, dominada pela indústria mecanizada, que se
caracteriza pelo uso de novas fontes de energia e de
máquinas, pela especialização do trabalho e pela
aplicação da ciência na indústria. Ela teve início por
volta de 1760, na Inglaterra.
Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE HISTÓRIA.
do mundo, tem cerca de 40% de sua matriz
energética proveniente de recursos renováveis
(veja o gráfico acima) e caminha para ter 93%
de sua energia elétrica com origem em fontes
que não se esgotarão até 2050, de acordo com
um estudo da ONG Greenpeace.
Valeressaltarquealgumasdasfontesdeenergia
alternativas ainda têm um custo ambiental alto.
As usinas hidrelétricas, por exemplo, costumam
afetarabiodiversidade,comonocasodaUsinade
BeloMonte,noPará,quevemcausandopolêmica
por reduzir a vazão do Rio Xingu, o que com-
prometeria o ecossistema da região Amazônica.
Já a energia nuclear pode causar sérios danos
ambientais com o lixo radioativo. Confira alguns
exemplosdefontesdeenergiarenováveiselimpas.
Energia eólica
A energia é produzida quando a força do vento
gira as hélices das turbinas eólicas, que conver-
tem a energia mecânica em elétrica. O Brasil
tem grande potencial nessa área por possuir
condições naturais favoráveis. Os estados da
Bahia, do Ceará, do Rio Grande do Norte e do
Rio Grande do Sul respondem por 60% de toda
a energia eólica gerada no país. Só no Nordeste,
a fonte eólica atende atualmente a 30% das
necessidades energéticas da região.
Petróleo
e derivados
37,3%
Carvão
5,9%
Gás natural
13,7%
Nuclear
1,3%
Biomassa
25,1%
Hidráulica
11,3%
Outras*
5,3%
BRASIL – 2015
Fontes: Agência Internacional de Energia e Ministério de Minas e Energia
Renovável
Não renovável
Gás natural
21,2%
Nuclear
4,8%
Biomassa
10,3%
Hidráulica
2,4%
Outras*
1,4%
Petróleo
e derivados
31,3%
Carvão
28,6%**
MUNDO – 2014
OFERTA DE ENERGIA POR FONTE
*Inclui eólica e solar **Inclui xisto (folhelho)
VENDA PROIBIDA
89
GE GEOGRAFIA 2018
Energia solar
A principal forma de captar a energia prove-
niente do Sol é por meio de painéis fotovoltaicos,
que possuem células solares capazes de trans-
formar a radiação solar em eletricidade. Quanto
maior a intensidade de luz, maior o fluxo de
energia elétrica. O Brasil também é privilegia-
do em radiação solar, especialmente na região
Nordeste. O elevado preço dessa tecnologia,
porém, ainda inviabiliza investimentos mais
pesados nesse tipo de energia no país.
Biomassa
Amatériaorgânicatambémvemsendoutilizada
paragerarenergia.Seuaproveitamentopodeser
feitopelacombustãodireta,porprocessostermo-
químicosoubiológicos.NoBrasil,óleosvegetaise
bagaçodecana,entreoutrosmateriais,dãoorigem
à energia elétrica. A biomassa também pode se
transformarembiocombustíveis–oálcooletílico
já é amplamente usado nos veículos brasileiros.
Energia geotérmica
O calor interno do globo, principalmente em
áreas geologicamente ativas, pode produzir
energia em usinas termelétricas a partir dos
gêiseres (fontes de vapor no interior da Terra),
presentes em países como EUA, México e Japão.
PETRÓLEO
A combinação de material
decomposto com as altas
temperaturas e a pressão
do subsolo forma jazidas
de petróleo e gás.
O carbono guardado nesses
depósitos soma 300 bilhões
de toneladas
CO2
+ água + energia solar
O2
+ açúcares
CO2
H2
O
ENERGIA
SOLAR
FOTOSSÍNTESE
Na fotossíntese,
as plantas absorvem
CO2
e liberam oxigênio.
Os vegetais estão na
base de todas as
cadeias alimentares
do planeta
VEGETAÇÃO
Cerca de 600 bilhões
de toneladas de
carbono ficam
estocadas nas plantas
naturais ou cultivadas
QUEIMADAS E DESMATES
A queima da vegetação
libera carbono no ar.
A mata derrubada
significa menos
organismos para absorver
o carbono. Restos de
matéria orgânica sobre o
solo têm 1 trilhão de
toneladas de carbono
CARVÃO MINERAL
Formado com os restos
soterrados de plantas e
animais, o carvão mineral
estoca cerca de 3 trilhões de
toneladas de carbono
DEVOLUÇÃO
DO CARBONO
A atmosfera devolve à
superfície da Terra e aos
oceanos cerca de 200
bilhões de toneladas de
carbono a cada ano
SEDIMENTOS MARINHOS
O carbono depositado em
sedimentos marinhos
guarda 150 bilhões de
toneladas de carbono
OCEANO
Grande parte do CO2
da
atmosfera dissolve-se
na água e é absorvida
por seres marinhos
ATMOSFERA
A camada gasosa que
envolve a Terra guarda
750 bilhões de toneladas
de dióxido de carbono
O CICLO DO CARBONO
O carbono tem um ciclo natural entre o subsolo, os organismos,
a atmosfera e os mares. As atividades humanas aumentam sua quantidade
no ar. O volume de carbono em cada etapa é estimado pelos cientistas
O Sol é a fonte
de energia que
sustenta a vida
na Terra
COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS
A queima de petróleo e
carvão acelera a liberação de
carbono para a atmosfera,
soltando mais de 5 bilhões de
toneladas no ar a cada ano
SAIBA MAIS
CICLO DO CARBONO
Apesar de ser o responsável direto pelo efeito estu-
fa e, consequentemente, pelo aquecimento global, o
carbono é um elemento químico essencial para a vida
humana.Elefazpartedeumciclonatural:transitaentre
a atmosfera, a biosfera e a hidrosfera, garantindo o
equilíbrio do meio ambiente. Para se desenvolverem,
as plantas transformam o dióxido de carbono presente
na atmosfera em carboidratos, que formam folhas e
troncos. Nesse processo, conhecido como fotossíntese,
os vegetais liberam oxigênio. Os oceanos também
absorvem o carbono da atmosfera – em contato com
a água do mar, o dióxido de carbono se transforma
em ácido carbônico, dissolvendo-se nas profundezas
dos oceanos.
Mas, além de absorver carbono, esse ciclo natural
liberaoelementonaatmosfera,numprocessoquepode
se dar de diversas formas: pela erupção de vulcões,
pela decomposição de organismos, pela respiração,
ou mesmo pela flatulência de animais. Infelizmente,
nosso padrão de desenvolvimento, baseado na queima
de combustíveis fósseis para a geração de energia, vem
rompendo esse equilíbrio natural. Em suma, estamos
emitindo mais carbono do que a natureza é capaz de
absorver, desestabilizando o ciclo.
 O QUE ISSO TEM
A VER COM BIOLOGIA
A fotossíntese é um
processo metabólico,
pelo qual os vegetais
transformam gás
carbônico (CO2) e água
em açúcares e oxigênio.
A energia necessária para
que a fotossíntese ocorra
vem do Sol e é captada
pelo pigmento clorofila.
A fotossíntese pode ser
resumida na seguinte
equação:
6 CO2 + 12 H2O + luz =
C6H12O6 + 6 O2 + 6H2O
O C6H12O6 é a glicose,
um carboidrato (açúcar).
Para saber mais,
veja o GUIA DO
ESTUDANTE BIOLOGIA.
MULTI/SP
VENDA PROIBIDA
90 GE GEOGRAFIA 2018
ATMOSFERA PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS
Difícil consenso
Na Conferência Geral das Partes, os
países discutem ações para conter
a mudança climática e estabelecem
tratados, como o Acordo de Paris
A
constatação de que a intensa emissão de
gases do efeito estufa está alterando o
clima do planeta vem mobilizando a co-
munidade internacional nos últimos anos. Mas
enfrentarumproblemaglobaldessasproporções
requer um difícil alinhamento entre os líderes
mundiais. Em fóruns internacionais como a
Conferência Geral das Partes, os países se
reúnem todos os anos para discutir ações para
conter a mudança climática – ela é conhecida
por sua sigla em inglês: COP.
Chegar a um consenso nas COPs é uma tarefa
muito complicada porque há vários interesses
conflitantes entre as nações. Por isso que o Acor-
do de Paris, firmado em dezembro de 2015, foi
considerado histórico: pela primeira vez houve
umentendimentoparaareduçãodasemissõesde
carbono que envolve todas as nações do mundo.
O Protocolo de Kyoto
Antes do Acordo de Paris, o grande marco am-
bientalhaviasidooProtocolodeKyoto,assinado
em 1997 durante a terceira COP. O documento
é o primeiro acordo oficial com metas e prazos
para reduzir as emissões de gases do efeito estu-
fa. Ele estabeleceu que os países desenvolvidos,
responsáveis por lançar a maior parte dos gases,
deveriam reduzir suas emissões em pelo menos
5%emrelaçãoaosníveisde1990.Jáasnaçõesem
desenvolvimento,comooBrasileaChina,queti-
veramumaindustrializaçãotardia,nãoprecisaram
adotar metas, mas comprometiam-se a diminuir
a emissão de carbono voluntariamente.
Mas o Protocolo de Kyoto já nasceu prati-
camente condenado. Os EUA não assinaram o
documento por se recusar a mudar sua matriz
energética–fortementedependentedepetróleo
– e não concordar com a ausência de metas para
os países em desenvolvimento. Posteriormente,
outrospaísestambémabandonaramoscompro-
missos firmados no protocolo. Os governos de
Canadá, Japão, Austrália e Rússia passaram a
reclamardafaltadecompromissodaseconomias
emergentes.Elesalegamqueocrescimentoeco-
nômicodepaísescomoChinaeÍndiaaumentou
muito a emissão de carbono global, e exigiam o
cumprimento de metas dessas nações.
COMPROMISSO
O presidente da França,
François Hollande (à dir.),
e outras autoridades
mundiais celebram a
assinatura do Acordo de
Paris, em dezembro de
2015, durante a COP21
VENDA PROIBIDA
91
GE GEOGRAFIA 2018
SAIBA MAIS
MERCADO DE
CARBONO
Para minimizar o dese-
quilíbrio entre as emis-
sões de gases dos países
ricos e dos menos de-
senvolvidos, o Protoco-
lo de Kyoto estabeleceu
o “mercado de carbono”.
Ele funciona da seguinte
forma: os países desen-
volvidos, incapazes de
substituirocarvãoeope-
tróleo de uma hora para
outra, podem compensar
parte de suas emissões
comprando créditos de
carbono de outros países
cujas emissões ficaram
abaixo do limite estipu-
lado. Esses créditos são
pagos com investimentos
em projetos que ajudem
as nações vendedoras a
reduzir suas emissões de
gases do efeito estufa.
O primeiro projeto ba-
seado nesse mercado de
carbono foi implemen-
tado em 2005, em Nova
Iguaçu (RJ). Um antigo
lixão foi transformado
ematerrosanitáriocomo
financiamento da Holan-
da. Agora, com o Acordo
de Paris, a previsão é que
esse mecanismo se disse-
mine mais pelo mundo.
O Acordo de Paris
Portodasessasdificuldades,oAcordodeParis
firmado durante a COP21, realizada na capital
francesa, em dezembro de 2015, foi recebido
com bastante otimismo. O documento, assinado
por representantes de 195 países-membros da
Convenção do Clima da ONU, entrou em vigor
em novembro de 2016. Ele obrigaaparticipação
detodosospaíses–enãoapenasosricos–noes-
tabelecimentodemetasparalimitaroaumentoda
temperaturamédiadoplanetaaté2100.Oobjetivo
érestringiroaquecimentoa“bemmenosde2ºC”.
Cadanaçãoficaobrigadaaapresentarumcon-
juntodemetasparareduziraemissãodecarbono.
O documento final também estabeleceu que os
países ricos irão garantir um financiamento de,
no mínimo, 100 bilhões de dólares por ano para
projetos de combate às mudanças do clima e
adaptação em nações em desenvolvimento a
partir de 2020 e até, ao menos, 2025.
Mas o acordo não é perfeito. Apesar de o es-
tabelecimento das metas ser compulsório para
todas as nações, o cumprimento dos objetivos
é voluntário. Além disso, o conjunto das metas
apresentado pelos países é considerado insufi-
ciente – mesmo que todos os países consigam
cumprir o que propuseram, a temperatura média
ainda deverá subir entre 2,7ºC e 3,5ºC.
Para piorar, a posse de Donald Trump como
presidente dos EUA causa temores de que o país
possa se retirar do acordo. Trump, que se mostra
cético em relação ao aquecimento global, disse
nãoquererqueaeconomianorte-americanaseja
prejudicada em virtude das metas de redução de
gases (veja mais na pág. 70).
Os compromissos do Brasil
O Brasil oficializou a meta voluntária de redu-
zir as emissões de gases do efeito estufa em 37%
até 2025 e 43% até 2030 em relação aos valores
de 2005. Além dessa meta, o compromisso do
Brasil apresentado na COP21 inclui garantir
45% de fontes renováveis no total da matriz
energética, ampliar para 23% a participação
de fontes renováveis (eólica, solar e biomassa)
na geração de energia elétrica e acabar com o
desmatamento ilegal.
Segundo o governo, as emissões entre 2005 e
2012 reduziram 41,1%. Em boa medida, essa re-
dução é creditada a uma forte queda nos índices
de desmatamento na Amazônia Legal. Na última
década, as atividades ligadas à derrubada das
florestas deixaram de ser a principal emissora
de CO2. Atualmente, a produção de energia a
partir da queima de combustíveis fósseis é a
maior fonte poluidora do país.
Menos de 10.000
Sem dados disponíveis
Mais de 1.000.000
De 500.000 a 1.000.000
De 100.000 a 499.999
De 10.000 a 99.999
FRANCOIS GUILLOT/AFP
POLUIÇÃO E DESENVOLVIMENTO Países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá e
Japão estão entre os que mais emitem carbono na atmosfera. Mas note que as nações em
desenvolvimento que tiveram crescimento acelerado na última década (2001-2010), como Brasil,
China e Índia, também são grandes emissoras. A África é o continente que menos polui.
EMISSÕES DE CARBONO – 2012
Em milhares de metros cúbicos de CO2
equivalente
Fonte: Banco Mundial
VENDA PROIBIDA
92 GE GEOGRAFIA 2018
COMO CAI NA PROVA
1.(Enem 2016) (primeira aplicação) Segundo a Conferência de Kyoto, os paí-
ses centrais industrializados, responsáveis históricos pela poluição, deveriam
alcançar a meta de redução de 5,2% do total de emissões segundo níveis de
1990.Onódaquestãoéoenormecustodesseprocesso,demandandomudanças
radicaisnasindústriasparaqueseadaptemrapidamenteaoslimitesdeemissão
estabelecidos e adotem tecnologias energéticas limpas. A comercialização
internacional de créditos de sequestro ou de redução de gases causadores do
efeitoestufafoiasoluçãoencontradaparareduzirocustoglobaldoprocesso.
Paísesouempresasqueconseguiremreduzirasemissõesabaixodesuasmetas
poderão vender este crédito para outro país ou empresa que não consiga.
BECKER, B. Amazônia: Geopolítica na Virada do II Milênio. Rio de Janeiro: Garamond, 2009.
As posições contrárias à estratégia de compensação presente no texto rela-
cionam-se à ideia de que ela promove
a) retração nos atuais níveis de consumo.
b) surgimento de conflitos de caráter diplomático.
c) diminuição dos lucros na produção de energia.
d) desigualdade na distribuição do impacto ecológico.
e) decréscimo dos índices de desenvolvimento econômico.
RESOLUÇÃO
OProtocolodeKyotoéumacordointernacionalassinadoem1997peloqualospaíses
desenvolvidos se comprometeram a reduzir sua emissão de gases do efeito estufa.
Oproblemaéquemuitospaísesrelutamemfazeratransiçãoparaumamatrizmais
limpaporqueelaimplicaelevadoscustosquepodemcomprometerodesenvolvimento
econômico.Paralidarcomessaquestão,oProtocolodeKyotocriouummecanismo
conhecidocomomercadodecarbono.Trata-sedeumaformadecompensaçãoqueé
criticadapormanteradesigualdadenadistribuiçãodoimpactoecológico:asnações
desenvolvidas,tradicionaisemissorasdegasesdoefeitoestufa,podemcontinuarquei-
mandocombustíveisfósseisdesdequecompremoschamadoscréditosdecarbonode
naçõesouempresasquetenhamconseguidodiminuirsuasemissõesabaixodameta.
Resposta: D
2.(Fuvest 2016) Considere a matriz energética mundial.
a) Identifique, com base no quadro acima, uma fonte de energia que é consi-
derada a maior responsável tanto pelo efeito estufa quanto pela formação
da chuva ácida. Justifique sua resposta.
b) Identifique a principal fonte de energia usada nas usinas hidrelétricas,
no Brasil, e explique uma vantagem quanto ao uso desse recurso natural.
c) Identifique, com base no quadro acima, as fontes de energia usadas nas
usinas termelétricas, no Brasil, e explique uma desvantagem de ordem
econômica que elas apresentam.
RESOLUÇÃO
a)Entreasfontesdeenergiaapresentadas,ocarvãomineral(combustívelfóssil)
é o principal responsável pelo efeito estufa e pela formação da chuva ácida. A
sua queima nas termoelétricas resulta na liberação de grande quantidade de
carbonoque,porreaçõesquímicascomosgasesdaatmosfera,produzcompos-
tos como o CO e o CO2
. Eles são responsáveis pela retenção de calor refletido
pela superfície da Terra, intensificando o efeito estufa. Esses compostos (CO e
CO2
) também reagem com o vapor de água da atmosfera, bem como com as
gotículasemsuspensãonoar(asnuvens),causandoaschamadaschuvasácidas.
b)Asusinashidrelétricassãomovidaspelaforçadaságuas(energiahidráulica)
– no caso brasileiro, pela força das águas dos rios. Esta energia corresponde a
uma fonte renovável e não poluente (limpa), pois não há a emissão de gases
estufa e apresenta menor custo na geração de energia.
c)Demodogeral,asusinastermelétricasbrasileirasutilizamgásnatural,carvão
mineralepetróleoederivados.Trata-sedefontesenergéticasimportadas,com
custo elevado, principalmente o petróleo e o gás. Como o valor dessas fontes
estáatreladoaodólar,oseuusoencareceageraçãodeeletricidadenopaís.Isso
podeimpactarnabalançacomercialdopaíseserumadesvantagemeconômica.
3.(Mackenzie 2016)
Estabeleçaacorrespondênciaentreosclimogramaseosrespectivosdomínios
morfoclimáticos brasileiros.
vv
( ) Clima Equatorial – Domínio Amazônico.
( ) Clima Subtropical – Domínio das Araucárias e Domínio das Pradarias.
( ) Clima Semiárido – Domínio da Caatinga.
( ) Clima Tropical – Domínio do Cerrado e Domínio de Mares de Morros.
( ) Clima Tropical Úmido – Domínio de Mares de Morros.
( ) Clima Tropical de Altitude – Domínio de Mares de Morros.
VENDA PROIBIDA
93
GE GEOGRAFIA 2018
RESUMO
Lorem ipsondolor
GIAMCORE MAGNA accum am, vullam, core feum auguerit, si
blam, quat. Lor sequat lorerci tem accum il ulput nummy nit
nullam adit ea ad tetumsan hent lor init adionsequip exeros
do dolor sum zzrit amcorer sustrud dui et autpatin eugue ve-
lenim vulluptate consectem zzrit wismod el ulputatum incing
et lutdiamcom molumsandip.
EAFACIDUNT DOLOBOR sustrud magna feugiam veniam
zzrilit luptatem iriusto consequi eraesto eugait luptat do ese
tat dolut venis amconsed mincillandre commodi onullan ver
sustrud modigniam ipsuscillam, cor iliquat.
Numvoloboreraestionumingeniatummynulputemventamet
iusto odignim quisis adiam aliquat vel esequip
IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni-
bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore
magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit,
sequat.Equat.Utilisciduntlacommynostionhendiamcommod
dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratin esectet nonullan
heniamdoloreetamcoredoeufacilutpat.Ostoodiamet,velent
pratetnostoconsequislullandremquatamdoloremveliquatue
min velesequam nonse facipisim zzriure.
RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet
lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do-
lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait
atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat.
NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis
acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim
ipsuscipitinDelutlutatautemincillandipsustisdoexeraestrud
eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit ing
et irilit iureet laorem veraess equisi. Ecte vulla commy nullam,
sisnulluptat,sumvenibhelestoconumnonullafacilitnitlorem
delesto ea feui blandre eui tet lam
IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni-
bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore
magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit,
sequat.Equat.Utilisciduntlacommynostionhendiamcommod
dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratin esectet nonullan
heniam doloreet amcore do eu facil utpat.
RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet
lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do-
lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait
atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat.
NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis
acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim
ipsuscipitinDelutlutatautemincillandipsustisdoexeraestrud
eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit.
Atmosfera
FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS Principal objeto de estudo
dos meteorologistas, eles se formam com diferentes reações
químicas que ocorrem na atmosfera. Nuvem, chuva, neve,
granizo, geada, vento e massas de ar são formados por causa
de certas condições de umidade, pressão e temperatura.
EL NIÑO Esse fenômeno se forma duas vezes a cada dez anos
na época do Natal, com o enfraquecimento dos ventos alísios,
que normalmente sopram as águas aquecidas do Pacífico do
leste para o oeste – da costa da América do Sul até a região da
Indonésia. Como essas águas quentes e úmidas permanecem
na costa sul-americana, elas provocam chuvas nessa área e
seca na Indonésia e Austrália.
CLIMAS DO MUNDO São dez os principais tipos climáticos do
mundo: equatorial, tropical, mediterrâneo, temperado, sub-
tropical, desértico, semiárido, frio de montanha, frio e polar.
Fatores como latitude, altitude, proximidade do mar, pressão
atmosférica e influência das correntes marítimas determinam
as diferenças entre os climas.
CLIMAS DO BRASIL O Brasil possui seis tipos climáticos prin-
cipais: equatorial, tropical, semiárido, tropical de altitude,
tropical atlântico e subtropical. A ocorrência de chuvas e a
temperatura média são os critérios mais importantes para
definir os climas no Brasil.
AQUECIMENTO GLOBAL O efeito estufa é um fenômeno na-
tural, no qual os gases presentes na atmosfera retêm o calor
recebido do Sol. A emissão de gases por indústrias, veículos,
desmatamentoeagropecuáriapotencializaofenômenoepode
ser um dos causadores do aquecimento global.
ENERGIAS ALTERNATIVAS Uma das alternativas para reduzir
a emissão de gases do efeito estufa é a adoção de fontes de
energia renovável. No Brasil, quase metade da energia utiliza-
da é proveniente de recursos renováveis. Entre as principais
energias alternativas destacam-se a eólica (produzida pelos
ventos), a solar (proveniente do Sol) e a biomassa (feita com
matéria orgânica).
PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS O Protocolo de
Kyoto foi estabelecido em 1997 com o objetivo de diminuir a
emissão de gases do efeito estufa. Ele previa que os países
desenvolvidos deveriam cortar suas emissões de dióxido de
carbono e outros gases, mas isentava os países em desenvol-
vimento da obrigação de reduzir as emissões. O acordo não
funcionou e foi substituído pelo Acordo de Paris. Assinado em
dezembro de 2015, ele obriga todos os 195 países signatários a
estabelecer metas para o corte de emissões de gases do efeito
estufa, de modo a evitar que o aquecimento médio do planeta
ultrapasse os 2 ºC até 2100.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
a) 1 – 6 – 5 – 3 – 2 – 4
b) 1 – 6 – 5 – 2 – 4 – 3
c) 1 – 2 – 4 – 5 – 3 – 6
d) 4 – 6 – 5 – 3 – 2 – 1
e) 4 – 6 – 5 – 2 – 1 – 3
RESOLUÇÃO
Nosclimogramas,asbarrasindicampluviosidadeealinhaatemperatura.Sendo
assim, temos:
Climograma 1: indica elevadas temperaturas médias, baixa amplitude térmica
anual e chuvas abundantes no decorrer do ano todo, o que é típico do clima
equatorial, característico do domínio morfoclimático amazônico.
Climograma2:representaoclimatropicaltípico,queémarcadopelaexistência
dedoisperíodosdistintos:umchuvosoeoutrodebaixapluviosidade.Odomínio
do cerrado é característico desse tipo de clima.
Climograma3:estáligadoaumavariaçãodeclimatropical:odealtitude.Embora
contenha características pluviométricas semelhantes ao clima tropical típico,
possui médias térmicas inferiores e se liga ao domínio de mares de morros.
Climograma 4: representa o clima tropical úmido, típico do litoral oriental nor-
destino, que concentra as chuvas no outono e no inverno. O domínio dos mares
de morros engloba as áreas sujeitas ao clima tropical úmido.
Climograma5:indicaumclimasemiárido,presentenodomíniodacaatinga,com
altas temperaturas médias e pluviosidade baixa e irregular no decorrer do ano.
Climograma6:estáligadoaoclimasubtropical,dealtaamplitudetérmicaanual
e chuvas bem distribuídas no decorrer do ano, típico do domínio das pradarias.
Resposta: B
SAIBA MAIS
Oclimacorrespondeaocomportamentodotempoatmosféricoduranteumlongo
período. No Brasil os principais fatores climáticos são: a latitude, a altitude, as
massas de ar e a continentalidade.
AdiferençaclimáticanoBrasilpermitequehajagrandevariaçãodetemperatura
nonossoterritório.Comopodemosverificarnomapaabaixo,hápredominância
das maiores temperaturas médias anuais na Região Norte, fenômeno que pode
ser explicado pela baixa latitude, o que resulta em elevada insolação durante o
ano. Em contrapartida, os valores de temperatura na Região Sul do país são os
mais baixos em razão de sua localização em latitudes médias, o que resulta na
ação mais intensa das massas polares.
TEMPERATURA MÉDIA ANUAL EM 2014
empraba.gov.br
VENDA PROIBIDA
94 GE GEOGRAFIA 2018
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
 Ecologia...............................................................................................................96
 A evolução do planeta....................................................................................98
 Vegetação no mundo ....................................................................................100
 Biomas brasileiros.........................................................................................106
 Preservação e conservação ........................................................................110
 Código Florestal .............................................................................................111
 Conferências ambientais............................................................................112
 Como cai na prova + Resumo.....................................................................114
5
BIOSFERA
H
á muitos anos, cientistas do Brasil e do
mundo vêm apontando como o desma-
tamento aliado à ocorrência de períodos
de seca podem provocar profundas alterações
na Floresta Amazônica e fazer com que ela
sofra um processo de “savanização”. Ou seja, a
exuberante floresta tropical perderia biomassa
e daria lugar a uma vegetação mais rala, com
árvores espaçadas e menos folhas, bem parecida
com o Cerrado brasileiro.
Dois estudos recentes, um do Instituto de
Pesquisa Climática de Postdam (PIK), da Ale-
manha, e outro de um grupo de cientistas bra-
sileiros de diversas instituições, jogaram mais
luzes sobre essa questão. De modo geral, eles
mostram a ocorrência de um ciclo vicioso de
seca e diminuição florestal na Amazônia. A
derrubada de árvores de grande porte, que têm
maior capacidade de regular as chuvas, afeta
diretamente o clima, que tende a ficar mais
seco. Por sua vez, a redução das precipitações
provoca a morte de mais árvores. Resumindo:
quanto menor a floresta, maior a seca, e, quanto
maior a seca, menor a floresta.
Essaalteraçãoclimáticanãoficarestritaapenas
àregião.Pormeiodofenômenoconhecidocomo
“rios voadores”, a umidade e o vapor d’água da
Amazôniasãotransportadosparaoutroslugares,
regulandoociclohidrológicodediversospontos
dopaís.Logo,asalteraçõesnoclimadaAmazônia
também afetariam outras regiões brasileiras.
O fato é que é impossível dissociar esse proble-
ma da ação humana, que intensifica o fenômeno
por meio da emissão de gases do efeito estufa e
da derrubada das árvores. O governo brasileiro
comprometeu-se a acabar com o desmatamento
ilegal da Floresta Amazônica até 2030, mas está
longe de atingir essa meta. No ano passado, a
área desmatada cresceu 28%, atingindo 7.989
quilômetros quadrados – um território equiva-
lente a cinco vezes a cidade de São Paulo. Foi a
maior taxa registrada desde 2008. Pará, Mato
Grosso e Rondônia foram os estados que apre-
sentaram os maiores índices de perda florestal,
somando 75% do desmatamento.
Nas próximas páginas, você encontrará mais
informações sobre a
Amazônia e outros
biomas brasileiros.
Abordamos também
os perigos mais laten-
tes aos ecossistemas
mundiais e as ações
governamentais para
tentar frear as amea-
ças ao meio ambiente.
A combinação de desmatamento e seca pode fazer com
que a maior floresta tropical do planeta se transforme em
uma região com as características do Cerrado
A Amazônia sob risco
de “savanização”
SOBREVIVENTE
Árvore isolada no meio
de uma fazenda na cidade
de Novo Progresso (PA),
na região da Amazônia:
a devastação do bioma
aumentou 28% em 2016 em
relação ao ano anterior
VENDA PROIBIDA
95
GE GEOGRAFIA 2018
UESLEI MARCELINO/REUTERS
VENDA PROIBIDA
96 GE GEOGRAFIA 2018
5 BIOSFERA ECOLOGIA
O
termo ecologia ganhou destaque
nas últimas décadas, juntamente
com a relevância crescente dos
assuntos relacionados ao meio ambien-
te. Muitas vezes esse termo é usado de
forma indevida ou superficial, como em
afirmações do tipo “Defenda a ecolo-
gia”. Na verdade, trata-se da ciência que
estuda as relações dos seres vivos entre
si ou com o ambiente em que vivem. A
ecologia é um conteúdo multidiscipli-
nar que engloba estudos de Biologia,
Geografia, Geologia, Química, entre
outras áreas curriculares.
Veja a seguir alguns conceitos essen-
ciais para a compreensão da ecologia,
como ecossistema, bioma, biosfera e
biodiversidade:
Ecossistemas
Os ecossistemas são sistemas dinâ-
micos resultantes da interdependência
entre os fatores físicos do meio am-
biente e os seres vivos que o habitam.
Os nutrientes, a água, o ar, os gases,
a energia disponível e as substâncias
orgânicas e inorgânicas num ambiente
constituem a parte abiótica (não viva)
Delicado
equilíbrio
A relação que os seres vivos
mantêm entre si e com o
ambiente que habitam
forma um ciclo natural
que sustenta a vida no planeta
de um ecossistema. O conjunto de seres
vivos é chamado de biota e é composto
de três categorias de organismos: as
plantas, os animais e os decomposito-
res – microrganismos que decompõem
plantas e animais e os transformam em
componentes simples, reciclados.
Uma floresta, um rio, um lago ou um
simples jardim são exemplos de ecos-
sistemas. Eles se misturam e interagem.
Os ecossistemas podem, também, ser
subdivididos em pequenas unidades
bióticas, conhecidas como comunida-
des biológicas. Elas são formadas por
duas ou mais populações de espécies
que interagem e são interdependentes –
como o conjunto da flora e da fauna
de um lago.
Já o termo habitat se refere a um
ambiente ou ecossistema que ofere-
ce condições especialmente favorá-
veis à sobrevivência de certa espécie.
Por exemplo, o cerrado é o habitat do
lobo-guará. Um ecossistema pode ser
o habitat de diversas espécies para as
quais oferece alimento, água, abrigo,
entre outras condições essenciais à
reprodução da vida.
PERFEITA HARMONIA Aves tuiuiús e caturritas em árvore do Pantanal: o Brasil abriga uma das mais ricas biodiversidades do planeta
VENDA PROIBIDA
97
GE GEOGRAFIA 2018
 O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA
Veja abaixo uma descrição resumida dos cinco reinos da natureza:
Reino Monera: organismos unicelulares procariontes, como bactérias
e cianobactérias
ReinoProtista:seresunicelulareseucariontes,comoalgas,protozoários
eamebas
Reino dos Fungos: seres eucariontes, unicelulares e pluricelulares,
como mofos, bolores, cogumelos e leveduras
Reino Vegetal: seres pluricelulares autótrofos, com células revestidas
de uma parede de celulose, como briófitas (musgos), pteridófitas
(samambaias), gimnospermas (pinheiros) e angiospermas (plantas
com flores e frutos)
Reino Animal: organismos pluricelulares e heterótrofos, que inclui
os vertebrados (um subfilo dos cordados, que abrange animais com
esqueleto interno, coluna vertebral, cérebro e medula espinhal) e os
invertebrados (animais sem coluna vertebral nem cérebro)
Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE BIOLOGIA
Biomas
Os grandes conjuntos relativamen-
te homogêneos de ecossistemas são
chamados de biomas. O termo bioma
designa as comunidades de organismos
estáveis,desenvolvidasebemadaptadas
às condições ambientais de uma grande
região – pense na Floresta Amazônica
ou na tundra ártica. Na Geografia, o
estudo dos biomas tem como um dos
focos principais a vegetação, elemento
que se destaca na paisagem.
Biosfera
A biosfera ou “esfera da vida” é o con-
juntodetodososbiomasdoplaneta.Ela
faz referência a todas as formas de vida
da Terra em escala global – dos reinos
monera, protista, animal, vegetal e dos
fungos–emconjuntocomosfatoresnão
vivosqueassustentam.Abiosferaabran-
ge desde as profundezas dos oceanos,
que atingem cerca de 11 mil metros, até
o limite da troposfera, camada inferior
da atmosfera, que atinge uma altitude
decercade12milmetros.Entreosseres
vivos,oshumanossãoosquepossuema
maiorcapacidadedeintervenção(positi-
va e negativa) no equilíbrio das diversas
formasdevidaqueconstituemabiosfera.
Biodiversidade
O termo biodiversidade abarca toda a
variedade das formas de vida (animais,
vegetais e microrganismos), espécies e
ecossistemas,emumaregiãoouemtodo
oplaneta.Éumariquezatãograndeque
seignoraonúmerodeespéciesvegetaise
animaisexistentesnomundo.Aestimati-
vaédequehajacercade14milhões,mas
até agora somente 1,7 milhão foi classi-
ficado pela União Internacional para a
Conservação da Natureza (IUCN).
A biodiversidade garante o equilí-
brio dos ecossistemas e, por tabela, do
planeta todo. Por isso, qualquer dano
provocado a ela não afeta somente as
espécies que habitam determinado lo-
cal, mas toda uma fina rede de relações
entre os seres e o meio em que vivem.
A principal ameaça à biodiversidade do
planeta é justamente a ação humana.
De acordo a World Wildlife Fund, uma
das ONGs ambientalistas mais ativas no
mundo, em menos de 40 anos o planeta
perdeu 30% de sua biodiversidade, sen-
do que os países tropicais tiveram uma
queda de 60% nesse período.
SAIBA MAIS
PEGADA ECOLÓGICA
Segundo a organização não governamental World Wildlife Fund, o homem está consumindo
30% a mais dos recursos naturais que a Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse ritmo
predatório de exploração dos recursos naturais, em 2030 a demanda atingirá os 100%, ou seja,
precisaremos de dois planetas para sustentar o mundo.
A pressão das atividades humanas sobre os ecossistemas é medida pela pegada ecológica.
Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está de acordo com a capacidade do planeta de
oferecer seus recursos naturais, de renová-los e de absorver os resíduos produzidos pela
atividade humana.
O índice, apresentado em hectares globais, representa a superfície ocupada por terras cultiva-
das, pastagens, florestas, áreas de pesca ou edificadas. Em tese, a sustentabilidade do planeta
estaria garantida se cada pessoa no mundo utilizasse 1,8 hectare de área (quase dois campos de
futebol). O problema é que essa média é de cerca de 2,7 hectares. Nos países desenvolvidos, esse
número é ainda maior – o índice dos Estados Unidos, por exemplo, é de 8 hectares por pessoa.
O Brasil apresenta um índice um pouco maior que a média mundial: 2,9 (veja mapa abaixo).
THIAGO BAZZI
 1,7
 6,7
5,1 - 6,7
3,4 - 5,1
1,7 - 3,4
Fonte: Global Footprint Network
PEGADA ECOLÓGICA MUNDIAL
Em hectares por pessoa
VENDA PROIBIDA
5
98 GE GEOGRAFIA 2018
BIOSFERA A EVOLUÇÃO DO PLANETA
Qual é a origem da vida na terra?
Nosso planeta surgiu 5 bilhões de anos atrás, após uma
complexa cadeia de eventos. As primeiras formas de vida
apareceram 1,5 bilhão de anos depois, e o nascimento do
homem ocorreu há “apenas” 100 mil anos
Da massa de moléculas inanimadas
de carbono surgiu a vida há 3,5 bilhões de
anos. Parece milagre, mas é pura química.
O planeta, então, era frequentemente
bombardeado por meteoros,
restos da explosão inicial
Há quase
5 bilhões de anos, uma
estrela explodiu num canto da Via
Láctea, espalhando poeira pelo espaço.
A gravidade começou a juntar
os grãos de poeira em pedaços
cada vez maiores.
Assim surgiu
a Terra
3 BILHÕES
As células se espalham pela Terra.
Mas o processo é lento, diante da
queda de meteoros. O planeta,
ainda novo, guarda o calor da
explosão estelar, e seu interior
quente vive vazando por vulcões.
Outro problema são os tórridos
raios solares
2 BILHÕES
A agitação cósmica e geológica aos
poucos vai diminuindo, enquanto
o planeta esfria. Forma-se a
camada de ozônio, que torna os
raios solares menos nocivos e
permite o surgimento de formas
de vida mais complexas
1 BILHÃO
Aparecem células mais
complicadas, os eucariontes,
que possuem todas as organelas.
A vida vai, aos poucos, tomando
o planeta, protegida do Sol pela
camada de ozônio. Os meteoros
são cada vez mais raros
600 MILHÕES
Surgem os primeiros
organismos multicelulares –
todos invertebrados.
A variedade de vida aumenta
de maneira impressionante.
Os oceanos se povoam com os
seres mais estranhos
ERA ARQUEOZOICA ERA PROTEROZOICA
No decorrer da história do planeta, os continentes navegaram sobre a rocha derretida (veja mais na pág. 30)
VENDA PROIBIDA
99
GE GEOGRAFIA 2018
De tempo em tempo, a vida na Terra sofre um grande golpe e ocorre uma extinção em massa. Foi assim
há meio bilhão de anos, quando boa parte dos seres sumiu de repente. Pouco se sabe sobre a tragédia –
mas a prova de que ela aconteceu são as conchas fossilizadas de animais marinhos, cuja diversidade teve
uma brusca redução
Há 230 milhões de anos ocorreu outra grande extinção. Das espécies marinhas, 96% simplesmente sumiram.
Algumas teorias acreditam que grandes erupções vulcânicas tenham provocado isso. Essa extinção em massa,
conhecida como a do fim do Permiano, foi muito pior do que a que acabou com os dinossauros
A culpa pela extinção em massa que assolou o planeta há 65 milhões de anos, matando os dinossauros,
geralmente é atribuída a um meteoro, embora ainda haja dúvidas. Paradoxalmente, o cataclismo foi um
impulso para a vida: abriu espaço para que outras espécies se desenvolvessem. Fenômeno parecido
aconteceu em outras grandes extinções
Vivemos hoje outra imensa extinção em massa, esta com uma causa bem diferente das outras: a ação humana.
Centenas de espécies somem todos os dias por causa da perda de habitats, principalmente nas florestas tropicais.
O homem já é a maior força transformadora do planeta, superando tempestades, furacões e terremotos
400 MILHÕES
Há 350 milhões de anos,
os vertebrados saem do mar –
surgem os anfíbios. Todos os
continentes estão unidos em
um só grande bloco –
a Pangeia, que começa a ser
habitada por muitas plantas
primitivas (veja mais na pág. 30)
300 MILHÕES
Os répteis aparecem
há 300 milhões de anos e,
em seguida, tomam o planeta.
Os primeiros dinossauros
passam a ser vistos em
todos os continentes.
Os insetos também se
diversificam muito
200 MILHÕES
Há 200 milhões de anos
surgem os mamíferos –
então não muito mais que
ratinhos insignificantes com
características de répteis.
A Terra ainda é dos dinossauros.
Outra inovação: as plantas
ganham flores
100 MILHÕES
Com a extinção dos
dinossauros, há 65 milhões
de anos, sobra espaço para
os mamíferos. Eles se
tornam maiores e mais
diversificados e herdam
o trono do planeta.
As aves também se espalham
HOJE
Surge o homem –
há apenas 100 mil
anos, insignificantes
para a longa história do
planeta. A nova espécie
vem alterando a Terra
como nenhuma antes fizera
ERA PALEOZOICA ERA MESOZOICA ERA CENOZOICA
500 MILHÕES
Aparecem os peixes
primitivos – não muito
diferentes dos atuais
tubarões. São os primeiros
vertebrados. A Terra fica
mais interessante
1 2
3
4
1
2
3
4
LUIZ IRIA, RODRIGO MAROJA E DENIS RUSSO BURGIERMAN/REVISTA SUPERINTERESSANTE
VENDA PROIBIDA
100 GE GEOGRAFIA 2018
5
Vegetação mediterrânea
Tundra
Vegetação de montanha
Floresta de coníferas
Floresta tropical
Estepe/pradaria/pampas
Savana/cerrado
Floresta temperada
Deserto
Fonte: The Times Concise Atlas of the World
BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO
As diferentes
paisagens
do planeta
Conheça as características
e a localização dos principais
tipos de formação vegetal
do planeta
N
a Geografia, as diferentes for-
mações vegetais da Terra são
analisadas do ponto de vista da
distribuiçãogeográfica,dascaracterísti-
casfisionômicasedassuasrelaçõescom
o clima, o relevo, os solos e o substrato
rochoso.Oestudodavegetaçãotambém
deve ser feito sob o ponto de vista da
exploração econômica pelo homem e
as consequências socioambientais da
derrubada das florestas.
Veja a seguir as principais formações
vegetais do planeta, onde elas se loca-
lizam e quais são suas características
mais marcantes.
1 DESERTO
Nos desertos, a vegetação é esparsa e
de poucas espécies. Como as regiões
áridas têm índices pluviométricos
abaixo de 250 milímetros ao ano, as
plantas são xeromórficas, ou seja,
adaptadas à ausência de chuvas – os
cactos, por exemplo, armazenam água
e desenvolvem espinhos no lugar das
folhas, para reduzir a evapotranspiração
(perda de água na fotossíntese).
Nos desertos frios, que ficam em altas
latitudes (Patagônia, por exemplo, na
América do Sul), as temperaturas variam
pouco durante o dia. Já os desertos
quentes, como do Atacama, da Austrália
e do Saara, ficam em regiões tropicais e,
no decorrer do dia, apresentam grande
variação de temperatura, despencando
de mais de 40 ºC durante o dia para
índices abaixo de zero à noite.
TIPOS DE VEGETAÇÃO NO MUNDO
RESISTENTES Nos desertos, como o do Atacama
(Chile), as plantas são adaptadas à falta de água
[1]
VENDA PROIBIDA
101
GE GEOGRAFIA 2018
2 VEGETAÇÃO DE MONTANHA
A vegetação de montanha é rasteira,
formada apenas de ervas e arbustos que,
a duras penas, conseguem sobreviver
no clima hostil. Algumas características
como folhas duras (coriáceas) ajudam
a resistir ao frio e aos fortes ventos das
altitudes elevadas.
Esse tipo de formação vegetal pode
ser encontrado em diversas regiões
montanhosas pelo mundo, como as
encostas da Cordilheira dos Andes (na
América do Sul), dos Alpes (na Europa),
da Cordilheira do Himalaia (na Ásia)
e das Montanhas Rochosas (nos
Estados Unidos).
3 FLORESTA DE CONÍFERAS
OU FLORESTA BOREAL
Floresta homogênea, de pinheiros
e abetos, com folhas em formato
de agulha (aciculifoliadas) e copas
em forma de cone, que acumulam
menos neve durante o longo inverno
das regiões de latitudes médias e
elevadas. No solo, o frio rigoroso
também impõe duras limitações para
o desenvolvimento das espécies
vegetais: há pouca vegetação rasteira,
como alguns liquens, musgos e
arbustos. A floresta de coníferas
é intensamente explorada como
matéria-prima para importantes
indústrias madeireiras, de papel e
celulose. Essa formação é encontrada
principalmente no norte da Europa,
da América e da Ásia (onde é chamada
de taiga).
AINDA DE PÉ A floresta de coníferas, encontrada na Letônia, é explorada pela indústria madeireira
NAS ALTURAS Só vegetação rasteira consegue suportar o clima hostil das Montanhas Rochosas (EUA)
[1] DIVULGAÇÃO [2] MARCELO SACCO [3] iSTOCK PHOTOS
[2]
[3]
APONTE O CELULAR PARA AS
PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA
SOBRE VEGETAÇÃO E BIOMAS
(MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7)
VENDA PROIBIDA
102 GE GEOGRAFIA 2018
5
4 TUNDRA
Desenvolve-se em uma das regiões mais frias do mundo, a do clima subpolar, como no norte da Rússia. Ela
é formada por musgos e algumas espécies herbáceas que aparecem no solo somente nos poucos meses de
degelo, quando o verão eleva a temperatura para 4 ºC, em média. No resto do ano, o solo fica coberto de neve,
motivo pelo qual é denominado permafrost (permanentemente congelado). Por ter uma relação direta com o
degelo nas regiões subpolares, a tundra é utilizada como bioindicador para o estudo de possíveis aumentos
das temperaturas globais e suas consequências nesse frágil bioma.
5 ESTEPE (CAMPOS, PAMPAS,
PRADARIAS)
Típica de áreas de clima temperado
continental, a estepe é uma formação
vegetal pobre, sem árvores,
constituída basicamente de gramíneas,
que se estende sobretudo em regiões
planas, podendo ser encontrada
também em relevo montanhoso, como
nos planaltos tibetanos. Dependendo
da área onde se localiza, recebe um
nome diferente: campos, no Brasil;
pampas, na Argentina; e pradaria, nos
Estados Unidos e no Canadá. Essa flora
também é encontrada na África, na
Ásia Central e em trechos da Austrália.
Por ser constituída de gramíneas,
que são pastagens naturais, é
comum encontrar, nessas regiões,
a agropecuária como atividade
econômica principal. O relevo plano e
o solo fértil em algumas dessas áreas
favorece a produção agrícola.
BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO
VEGETAÇÃO SUBPOLAR A tundra, formada por musgos e herbáceas, aparece nos poucos meses do degelo em regiões como Manitoba, no Canadá
AGROPECUÁRIA As pradarias norte-americanas possuem solos férteis e uma pastagem natural
[1]
[2]
VENDA PROIBIDA
103
GE GEOGRAFIA 2018
6 FLORESTA TEMPERADA
É uma cobertura vegetal típica das
latitudes médias – aparece no norte da
China, na Coreia do Sul, no Japão, no
leste dos Estados Unidos, na Europa
e no sudeste da Austrália e Nova
Zelândia. Essa floresta é formada por
árvores decíduas, chamadas ainda de
estacionais, caducas ou caducifólias,
ou seja, que perdem as folhas no
inverno para suportar as baixas
temperaturas. As poucas espécies de
árvore, como carvalhos, bordos e faias,
são espaçadas, e o solo é recoberto por
gramíneas. Grande parte da floresta
temperada, contudo, já foi devastada –
na Europa, por exemplo, de 70% a 80%
da cobertura original já foi perdida; na
China, de 80% a 90%.
7 FLORESTA TROPICAL
Vegetação das áreas de baixas
latitudes, quentes e úmidas; as plantas
têm folhas largas (latifoliadas), que
absorvem mais energia solar, e são
perenes, isto é, não caem no “inverno”,
pois as temperaturas permanecem
elevadas. O solo é coberto por húmus,
formado pela decomposição de
galhos, troncos e folhas. As florestas
tropicais cobrem grande parte da
América do Sul (Região Amazônica), da
América Central, da zona equatorial
da África, do Sudeste Asiático e do
Subcontinente Indiano.
ITEM RARO Quase 90% da cobertura original de florestas temperadas na China já foi derrubada
ZONA EQUATORIAL A Região Amazônica abriga uma quente e úmida floresta tropical
[1] iSTOCK PHOTOS [2] EDWIN OLSON [3] IVAN WALSH [4] iSTOCK PHOTOS
[3]
[4]
VENDA PROIBIDA
104 GE GEOGRAFIA 2018
5
8 VEGETAÇÃO MEDITERRÂNEA
A vegetação mediterrânea é formada por espécies adaptadas a períodos secos, como os garrigues, o maqui
– arbustos, moitas e árvores pequenas, como oliveiras – e o chaparral, similar ao maqui, mas menos denso.
Essa formação vegetal é encontrada no litoral do Mar Mediterrâneo, na Califórnia (EUA), na Austrália e na
África do Sul. A oliveira, da qual se extrai o azeite de oliva, e o loureiro, cuja folha é utilizada como tempero,
são espécies nativas da vegetação temperada. O clima mediterrâneo também favorece a produção de uvas
e concentram as principais vinícolas do mundo.
9 SAVANA (CERRADO)
Na savana, presente em áreas de
baixas latitudes, as plantas são
rasteiras e há pequenas árvores,
distribuídas de maneira esparsa,
alternadas com bosques com
vegetação arbórea mais desenvolvida.
Nas regiões mais secas, predomina a
vegetação rasteira e espinhosa.
A savana é uma vegetação estacional,
marcada por duas estações bem
definidas: o período seco (no inverno)
e o período chuvoso (no verão). Essas
formações são encontradas na África,
na Ásia (Índia, principalmente),
na Austrália e na América, onde recebe
os nomes específicos de lhanos
(na Venezuela) e cerrado (no Brasil).
A ocorrência de uma prolongada
estação seca faz com que as plantas
desenvolvam adaptações para
reservar e obter água, como as folhas
coriáceas e as raízes profundas para
atingir o lençol freático.
BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO
ISOLADAS As pequenas árvores distribuídas de forma esparsa são uma característica da savana africana
NA MOITA
Arbustos e pequenas
árvores são típicas
da vegetação
mediterrânea,
presente na Espanha
[1]
[2]
VENDA PROIBIDA
105
GE GEOGRAFIA 2018
PARA IR ALÉM
O documentário
Home – Nosso Planeta,
Nossa Casa, de Yann
Arthus-Bertrand,
mostra exuberantes
imagens aéreas de
diversas paisagens e
suas transformações
decorrentes das
ações antrópicas:
www.youtube.com/
homeproject
SAIBA MAIS
HOTSPOTS – AS ZONAS EM PERIGO
As zonas do planeta mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas de destruição são defi-
nidas pelo conceito hotspots (em inglês, pontos quentes), criado em 1988 pelo ecólogo inglês
Norman Myers. São 34 regiões ou biomas, incluindo a Mata Atlântica e o Cerrado brasileiro.
Atualmente, elas representam apenas 2,3% da superfície da Terra, mas 50% das espécies de
plantas e 42% das de vertebrados terrestres são endêmicas dessas regiões. Os hotspots já
perderam 70% da vegetação original.
Os 34 hotspots concentram
2,3%da
superfícieterrestre
50%
daflora
42%
dosvertebrados
São áreas que já perderam, ao menos,
70% davegetaçãooriginal
HOTSPOTS*
Polinésia-
Micronésia
Polinésia-
Micronésia
Nova Zelândia
Nova Zelândia
Zona litorânea
da Califórnia
Ilhas do
Caribe
Andes
tropical
Japão
Filipinas
Cerrado
Florestas
chilenas
Mata Atlântica
Bacia do
Mediterrâneo
Montanhas do
sudoeste da China
Montanhas da
Ásia Central
Cáucaso
Himalaia
Anatólia e Irã
Litoral oeste da
Índia e Sri Lanka
Nova Caledônia
Ilhas da Melanésia
Ocidental
Sudoeste
da Austrália
Madagáscar e ilhas
do oceano Índico
Chifre da África
Florestas costeiras da África Oriental
Planaltos
do México
Florestas da América
Central e do México
Galápagos e litoral de
Equador e Colômbia
Região da
Cidade do Cabo
Florestas da
África Ocidental Malásia e
Indonésia Ocidental Indonésia
Central
Sudeste
Asiático
Litoral da Namíbia
e África do Sul Sudeste sul-africano
Montanhas da
África Oriental
AS REGIÕES RICAS EM DIVERSIDADE BIOLÓGICA MAIS AMEAÇADAS DO PLANETA (2013)
Fonte: The Times Concise Atlas of the World
Gelo e neve
Tundra
Taiga
Florestas
Temperadas
Florestas
Tropicais
Equador
Latitude
Polo
Alta
Altitude
Baixa
A VARIAÇÃO DAS COBERTURAS VEGETAIS DE ACORDO COM A LATITUDE E A ALTITUDE
A RELAÇÃO ENTRE
CLIMA E VEGETAÇÃO
Paraestudarosprincipaistiposdevege-
tação, é importante conhecer sua relação
com os demais elementos naturais, como
o clima. A variação da temperatura e da
umidade é um dos fatores que mais in-
fluenciam as formações vegetais.
À medida que diminui tanto a tempe-
ratura como a umidade, menos exube-
rante se torna a vegetação e com me-
nor número de espécies, ou seja, menor
biodiversidade. A região intertropical,
mais próxima à linha do Equador, reú-
ne o chamado “ótimo climático”: altas
temperaturas, pluviosidade elevada e luz
intensa, propiciando o desenvolvimento
das florestas tropicais pluviais, além de
milhares de espécies vegetais. É o caso
da Amazônia, que abriga a mais rica bio-
diversidade do planeta.
Conforme avançamos para altas latitu-
desenosaproximamosdospolos,ondehá
escassez de luz e baixas temperaturas, a
variedadedeplantasdiminuiprogressiva-
mente(vejanafigura).Atundra,presente
noextremonortedaRússiaedoCanadá,
éformadapormusgosealgumasespécies
herbáceas,quesurgemnospoucosmeses
em que a neve derrete.
Masaausênciadeumidade,mesmoem
regiõesquentescomoazonaintertropical,
levaàformaçãodedesertos,ondepoucas
espéciesseadaptam.Issotambémocorre
emregiõescomdisponibilidadedeágua,
porém com temperaturas muito baixas
a ponto de congelá-la (regiões polares),
formando os desertos frios.
[1] [2] iSTOCK PHOTOS
VENDA PROIBIDA
5
106 GE GEOGRAFIA 2018
BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS
Patrimônio
em perigo
O Brasil é a nação com a maior
biodiversidade do planeta, mas seus
seis grandes biomas estão sob uma
ameaça persistente
O
Brasil é, de longe, o campeão mundial
de biodiversidade: para ter uma ideia, de
cada cinco espécies de animais e vegetais
conhecidas do planeta, uma encontra-se aqui.
O país apresenta, ainda, a maior diversidade
de primatas, anfíbios e insetos. Em boa parte,
toda essa riqueza deve-se à extensão de seu
território e aos diversos climas que caracterizam
seus biomas. Está no território nacional a maior
floresta tropical úmida (Floresta Amazônica),
com mais de 30 mil espécies vegetais, bem como
a maior planície inundável (o Pantanal), além
do Cerrado, da Caatinga e da Mata Atlântica.
Entretanto, como no resto do mundo, sobretu-
do nas últimas décadas, o Brasil assistiu, quase
impassível, à deterioração de seus ambientes
naturais, em virtude de males contemporâneos
como a urbanização descontrolada, a explo-
ração mineral, o desmatamento a serviço da
agropecuária e a poluição. A seguir, conheça
toda a exuberância dos seis grandes biomas
brasileiros, conforme definição do IBGE, e as
ameaças a esse riquíssimo manancial de vida.
1 CAATINGA
 O BIOMA
A Caatinga limita-se apenas ao território brasileiro,
o que significa que sua biodiversidade é única
em todo o mundo. Seus 826,4 mil quilômetros
quadrados representam cerca de 10% do território
brasileiro. Apesar do clima semiárido, a Caatinga
é pontilhada por “ilhas de umidade”, de solo
extremamente fértil. Vivem nesse bioma cerca de
1,2 mil espécies de planta – 360 delas endêmicas
(que não ocorrem em nenhum outro lugar do
planeta) – e outras tantas de mamíferos, aves,
répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, as plantas
da Caatinga são xerófilas, ou seja, adaptadas ao
clima seco e à pouca quantidade de água. Algumas
armazenamágua;outraspossuemraízessuperficiais
para captar o máximo das chuvas. Há as que contam
com recursos para diminuir a transpiração, como
espinhos e poucas folhas. A vegetação é formada
por três estratos: o arbóreo, com árvores de 8 a 12
metros; o arbustivo, com vegetação de 2 a 5 metros;
e o herbáceo, abaixo de 2 metros.
 A AMEAÇA
Os maiores problemas enfrentados pela região são
a salinização do solo e a desertificação de grandes
áreas, o que acarreta em um processo de redução
da vegetação e da capacidade produtiva do solo.
Estima-se que, no decorrer dos últimos 15 anos
do século passado, 40 mil quilômetros quadrados
de caatinga tenham se transformado em deserto.
Alguns dos responsáveis por isso são a exploração
da vegetação para a produção de lenha e carvão, a
contaminação do solo por agrotóxicos e o emprego
de técnicas de irrigação inadequadas para o tipo de
solo existente ali. Acredita-se que cerca de 50% do
bioma já tenha sofrido algum tipo de deterioração e
que 20% estejam completamente degradados.
BIOMAS BRASILEIROS
Fonte: Ibama 2012
AMAZÔNIA
PANTANAL
PAMPA
MATA ATLÂNTICA
CAATINGA
CERRADO
RASO DA CATARINA A região do norte baiano é rica em cactus, vegetação típica da Caatinga
DESMATAMENTO
Área
desmatada
53%
Área ocupada
por corpos d’água
1%
Área de
vegetação
remanescente
46%
Caatinga
(826.411 km2
– 2009)
1
2
3
6
4
5
[1]
VENDA PROIBIDA
107
GE GEOGRAFIA 2018
2 CERRADO
 O BIOMA
O segundo maior bioma brasileiro ocupa uma
área de 2 milhões de quilômetros quadrados
(cerca de 24% do território brasileiro), coberta
pela mais rica flora de savana tropical do mundo.
São mais de 11 mil espécies vegetais – 44% delas
endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro
lugar do planeta). A fauna também é riquíssima,
com centenas de espécies de mamíferos,
aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação,
caracteriza-se pela presença de pequenos
arbustos e árvores retorcidas, com casca grossa.
Encontram-se, ainda, gramíneas e o cerradão,
tipo mais denso de cerrado que abriga formações
típicas de florestas esparsas e disseminadas
entre arbustos.
 A AMEAÇA
O Cerrado é uma das regiões mais ameaçadas do
globo. Ele é considerado pelos ambientalistas um
dos 34 biomas do planeta que exigem atenção
especial de preservação, os hotspots (veja mais
na pág. 105). De fato, com a Mata Atlântica, é
o bioma brasileiro que mais sofreu alterações
com a ocupação humana. Sessenta por cento
de sua área total é destinada à pecuária, e 6%,
à monocultura intensiva de grãos – entre eles, a
onipresente soja. A agropecuária fez aumentar
a deterioração de uma terra já ferida com o
garimpo, a contaminação dos rios por mercúrio,
a erosão do solo e o assoreamento dos cursos
de água. O cerrado já perdeu quase a metade
da vegetação e, se nada for feito para reverter a
situação, o bioma pode desaparecer até 2030.
Alguns especialistas apontam que o cerrado já
está em um ciclo irreversível de extinção e que sua
cobertura original não pode mais ser recuperada.
3 MATA ATLÂNTICA
 O BIOMA
Com clima tropical, quente e úmido, a Mata
Atlântica possui um relevo de planaltos e serras.
Quanto à vegetação, entre as florestas tropicais,
a Mata Atlântica é a que apresenta a maior
biodiversidade por hectare do planeta, com
espécies vegetais como ipê, quaresmeira, cedro,
palmiteiro, imbaúba, jequitibá-rosa e figueiras.
A vegetação remanescente guarda ainda cerca de
20 mil espécies de planta – 8 mil, endêmicas (que
não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta).
De exuberante biodiversidade, apresenta, em
alguns locais, mais de 450 espécies de árvore
num único hectare. A região reúne, ainda,
centenas de espécies de mamíferos, aves,
répteis e anfíbios.
 A AMEAÇA
Como o Cerrado, a Mata Atlântica também é
considerada um hotspot, uma das 34 áreas
do planeta que exigem ação preservacionista
mais urgente. Sua cobertura vegetal ocupava,
originalmente, mais de 1 milhão de quilômetros
quadrados, cerca de 13% do território nacional.
No entanto, restam apenas cerca de 22% do volume
original. Ele foi o bioma que mais sofreu com a
urbanização do país – hoje, as cidades da região
concentram cerca de 60% da população brasileira.
Ecossistema associado à Mata Atlântica, a Mata
de Araucárias, localizada, sobretudo, na Região
Sul, é o ambiente que sofreu o maior grau de
devastação em termos percentuais no país –
restam apenas cerca de 2% dos quase 100 mil
quilômetros quadrados originais. A derrubada
indiscriminada para a expansão das áreas de
cultivo e para a produção de papel, celulose e
móveis está por trás desse trágico cenário.
CONTORCIONISMO As árvores retorcidas do cerrado PARAÍSO AMEAÇADO A Mata Atlântica contorna a Praia do Félix, em Ubatuba (SP)
DESMATAMENTO
Área ocupada
por corpos d’água
1%
Área
desmatada
48%
Área de
vegetação
remanescente
51%
Cerrado
(2.039.386 km2
–2010)
Área ocupada
por corpos d’água
2%
Área
desmatada
76%
Área de
vegetação
remanescente
22%
Mata Atlântica
(1.103.961 km2
– 2009)
[1] CLAUDIO LARANGEIRA [2] GLADSTONE CAMPOS [3] RENATO PIZZUTTO
[2] [3]
VENDA PROIBIDA
5
108 GE GEOGRAFIA 2018
5 PAMPA (CAMPOS SULINOS)
 O BIOMA
Esse bioma cobre 177,8 mil quilômetros quadrados,
equivalentes a cerca de 2% do território brasileiro.
Os Pampas são vastas extensões de campos limpos,
de solo coberto por gramíneas e pontilhado de
pequenos arbustos, onde proliferam milhares de
espécies de plantas, mamíferos e aves. São campos
típicos do Rio Grande do Sul. A região plana, de
vegetação aberta e de pequeno porte, forma um
tapete herbáceo que não atinge 1 metro de altura,
com pouca variedade de espécies. Sete tipos de
cactus e de bromélia são endêmicos dos Pampas.
 A AMEAÇA
A ocupação humana acelerada e o emprego de
técnicas não sustentáveis de cultivo e criação
resultaram na formação de areais em algumas
áreas. Os Pampas sofrem, ainda, com a caça
predatória e o bombeamento de água dos
banhados – ecossistemas alagados, com densa
vegetação de juncos e aguapés.
4 AMAZÔNIA
 O BIOMA
Com 4,2 milhões de quilômetros quadrados
(equivalentes a cerca de 49% do território nacional),
o bioma Amazônia é o maior do país. A paisagem
é dominada pela Floresta Amazônica e pela maior
bacia hidrográfica do mundo. Essa floresta tem
vegetação de folhas largas (latifoliadas), comuns
em regiões de clima equatorial, quente e úmido. Ele
apresenta três tipos de mata: de igapó (parte do solo
inundado); de várzea (periodicamente inundadas);
e de terra firme (nas partes mais elevadas do relevo,
livres de inundação). Mas, longe de ser uma área
homogênea de floresta tropical, o bioma também
abarca áreas de campos abertos e manchas de
cerrado. As espécies que habitam a região – desde
plantas até aves e mamíferos – representam cerca
de 20% do total de espécies conhecidas do planeta.
 A AMEAÇA
Todos os anos, a região perde milhares de
quilômetros quadrados de vegetação, pelo corte
de árvores e pelas queimadas. A floresta tem
sido derrubada para a exploração de madeira,
a agropecuária, a mineração, além de outras
atividades econômicas. O agronegócio responde
por uma parcela significativa do desmatamento
generalizado: nada menos do que cerca de 40%
da produção de carne e soja do país se concentra
na Amazônia Legal. Nesse avanço, é visível uma
mancha de mata derrubada, conhecida como
Arco do Desflorestamento, que representa cerca
de 12% da cobertura original da Amazônia (veja
o mapa abaixo). Apesar de a área desmatada
na Amazônia ter desacelerado nos últimos dez
anos, o indicador retomou a trajetória de alta de
dois anos para cá. Entre agosto de 2015 e julho
de 2016, o total desmatado foi de 7.989 km2
, um
aumento de 29% em relação ao período anterior.
PARA IR ALÉM
O site do Instituto
Imazon apresenta
informações referentes a
políticas públicas e ações
não governamentais na
Amazônia. Disponibiliza
também vídeos e mapas
sobre a região:
www.imazon.org.br
Maranhão
Rondônia
Acre
Amazonas
Roraima
Pará
Tocantins
Amapá
Mato Grosso
Desmatamento até 2012
Formação não florestal
Floresta
ZONAS DA AMAZÔNIA LEGAL DE ACORDO
COM A COBERTURA VEGETAL
Fonte: Imazon
EXUBERANTEAflorestatropicaldaAmazôniaéamaiordomundo,com30milespéciesdeplantas
CAMPO LIMPO Os pampas são típicos do Rio Grande do Sul
DESMATAMENTO
BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS
Área ocupada
por corpos d’água
4%
Área
desmatada
12%
Amazônia
(4.196.943 km2
– 2007)
Área de vegetação
remanescente
84%
Área ocupada
por corpos d’água
10%
Área
desmatada
54%
Área de vegetação
remanescente
36%
Pampa
(177.767 km2
– 2009)
[1]
[2]
VENDA PROIBIDA
109
GE GEOGRAFIA 2018
6 PANTANAL
 O BIOMA
Situado na bacia do Rio Paraguai, o Pantanal
cobre cerca de 1,8% do território nacional, com
151,3 quilômetros quadrados. O menor bioma
brasileiro é a maior área alagada de água doce
do mundo. Mais de 80% da região permanece
intocada, onde proliferam milhares de espécies
conhecidas de plantas, aves, mamíferos, répteis
e anfíbios. É considerada uma área de transição
entre a Amazônia e o Cerrado, ao norte, e o chaco,
na bacia do Rio Paraguai, ao sul. Esse mosaico de
ecossistemas intercala regiões de cerrado e floresta
úmida, além de áreas aquáticas e semiaquáticas.
Quanto à vegetação, podem ser identificadas três
áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as
que não sofrem inundação. Nas áreas alagadas, a
vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno
e serve de alimento para o gado. Nas de eventuais
alagamentos, encontram-se, além de vegetação
rasteira, arbustos e palmeiras, como o buriti.
Nas que não sofrem inundação, predominam os
cerrados e espécies arbóreas da floresta tropical.
 A AMEAÇA
As transformações no Pantanal são lentas, mas
implacáveis. A degradação agravou-se nas últimas
duas décadas, com o crescimento das cidades e
a ocupação da cabeceira de importantes rios que
cortam a região. A navegação nos rios Paraguai
e Paraná põe em risco as frágeis matas ciliares.
Mas a maior ameaça vem da agropecuária: as
queimadas para renovação das pastagens, a
contaminação das águas e do solo por pesticidas
e a introdução de espécies exóticas de capim.
O turismo desorganizado, bem como a caça e a
pesca predatórias, completam o pacote. Apesar
disso, ainda é o bioma mais preservado do Brasil.
ZONAS LITORÂNEAS
Ao lado dos seis grandes biomas, os ambientalis-
tas destacam a zona costeira brasileira como uma
região particular, que abriga centenas de ecossiste-
mas extremamente ricos e delicados. São mais de
7 mil quilômetros de extensão de litoral, marcados
por manguezais, dunas, falésias, praias, recifes e
lagunas. O litoral brasileiro pode ser dividido em
quatro zonas distintas:
 Litoral amazônico, do Rio Oiapoque ao Delta
do Parnaíba, trecho coberto por manguezais e
matas de várzea.
 Litoral nordestino, do Delta do Parnaíba ao
Recôncavo Baiano, que alterna dunas, falésias,
restingas e manguezais. É o habitat de várias
espécies de tartaruga e do peixe-boi-marinho,
em risco de extinção.
 ZonalitorâneadoSudeste,doRecôncavoàdivisa
entreSãoPauloeParaná.Apesardeseraregião
maisdensamentepovoada,étambémaquepre-
serva as maiores porções de Mata Atlântica.
 Litoralsul,queabrangeacostadeParaná,Santa
Catarina e Rio Grande do Sul, caracteriza-se por
manguezais, costões e, a partir de Torres (RS),
por uma faixa contínua de praia.
A biodiversidade desses ecossistemas está em
constante risco, diante da urbanização e suas con-
sequências,comodesmatamentodeencostasecon-
taminaçãodaságuas.Aespeculaçãoimobiliáriaéa
maiordestruidoradavegetaçãonativa,queresulta
no deslocamento de dunas e no desabamento de
morros. O afluxo exagerado de turistas às cidades
litorâneas sobrecarrega os precários sistemas de
saneamento e polui os córregos e o mar. Os ecos-
sistemasdazonacosteiratambémsãodegradados
pelosriosquevêmdointeriordopaísedespejamno
litoralresíduosagrícolaseefluentesindustriais.Um
dosambientesmaisameaçadosportudoissosãoos
mangues.Essesricosecossistemas–comcentenas
de peixes, crustáceos e plantas – funcionam como
filtros naturais: as raízes parcialmente submersas
das árvores retêm sedimentos e impurezas, impe-
dindo sua chegada ao mar.
ECOSSISTEMA DE TRANSIÇÃO O Pantanal é a maior área alagada de água doce do mundo
DESMATAMENTO
Área
desmatada
15%
Área ocupada
por corpos d’água
2%
Área de vegetação
remanescente
83%
Pantanal
(151.313 km2
– 2009)
[1] IRMO CELSO [2] CLAUDIO LARANGEIRA [3] VALDEMIR CUNHA
[3]
VENDA PROIBIDA
110 GE GEOGRAFIA 2018
5
5 BIOSFERA PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO
C
om a evolução da consciência
ambiental ao longo das décadas,
foramsendocriadosmecanismos
legais para proteger áreas de grande
importância ecológica. Foi assim que
surgiram os parques nacionais, esta-
duais e municipais, as reservas ecológi-
cas ou extrativistas e as áreas de prote-
ção ambiental.
Dentrodesseâmbito,podemseriden-
tificadasduascorrentesdepensamento:
opreservacionismo,quecolocaempri-
meiro plano a necessidade de proteção
dosecossistemasedoshabitatsnaturaise
emsegundoplanoaspopulaçõeshumanas
dessasáreas.Jáoconservacionismode-
Os limites
da exploração
Mecanismos legais de
proteção ambiental
tentam regulamentar
o uso da terra e proteger
os ecossistemas brasileiros
fendeanecessidadedeseprotegeremos
ecossistemasnaturaisjuntamentecomas
populaçõeshumanas,emespecialospo-
vostradicionaisquevivemnesseslocais.
A primeira área criada oficialmente
para a proteção da flora e da fauna no
mundo foi o Parque Nacional de Yellow-
stone, nos Estados Unidos, no ano de
1872. Esse parque tinha como objetivo
proteger legalmente a vida selvagem e
preservar áreas de grande beleza cê-
nica, sem a presença de populações
humanas. Tratava-se, portanto, de uma
visão preservacionista. Esse enfoque
também foi adotado em outros países,
incluindo o Brasil, onde foi criado o
Parque Nacional de Itatiaia, no estado
do Rio de Janeiro, na década de 1930.
Diversas outras ações semelhan-
tes surgiram no país sob essa mesma
perspectiva, mas, ao longo do século
XX, a visão conservacionista passou a
influenciar a criação de Unidades de
Conservação (UCs), ou seja, as popula-
çõeslocaispassaramaserconsideradas
corresponsáveis pela conservação das
áreasprotegidas.AtualmenteoSistema
Nacional de Unidades de Conservação
(Snuc)–criadopelaleifederalnº9.985,
de18dejulhode2000,egerenciadopelo
MinistériodoMeioAmbiente–classifica
as áreas protegidas em dois grupos:
 Unidades de Proteção Integral –
permite apenas o uso indireto dos re-
cursosnaturais,pormeiodepesquisa
científica, atividades educacionais e
turismo ecológico. O objetivo prin-
cipal é a preservação da natureza.
 UnidadesdeUsoSustentável–pre-
vê a exploração parcial dos recursos
naturais, de acordo com legislação
específica para cada área protegi-
da. O objetivo é tornar compatível a
conservação da natureza com o uso
sustentável dos recursos naturais.
Em 2016, o Brasil tinha 2.175 uni-
dades de conservação continentais,
sendo 687 Unidades de Proteção In-
tegral e 1.488 de Uso Sustentável. No
total, as áreas protegidas no Brasil so-
mam 1.583 quilômetros quadrados –
oquerepresentacercade18%doterritó-
rionacional.Háumaforteconcentração
deáreasprotegidasnaAmazônia(cerca
de 27,7% do bioma é designado unidade
de conservação). Isso não significa que
não ocorram transgressões, já que há
desmatamentos ilegais, poluição das
águas e desrespeito aos direitos dos po-
vostradicionais(indígenas,ribeirinhos,
seringueiros).AMataAtlânticaeocerra-
do,osdoisbiomasbrasileirosnalistade
hotspotsmundiais(vejamaisnapág.105),
possuem bem menos áreas protegidas
doqueaAmazônia(vejagráficoabaixo).
Amazônia
Caatinga
Cerrado
Mata Atlântica
Pampa
Pantanal
Total em terra
Total no mar
Fonte: Ministério do Meio Ambiente
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (2016)
Proporção em área do bioma em unidades de
conservação federais, estaduais e municipais,
até agosto no ano
Preservado Não preservado
27,7%
7,7%
8,6%
10%
2,7%
4,6%
17,9%
1,6%
72,3%
92,3%
91,4%
90%
97,3%
95,4%
82,1%
98,4%
RESERVA NATURAL O Parque Nacional de Itatiaia foi criado para preservar sua fauna e flora originais
[1]
VENDA PROIBIDA
111
GE GEOGRAFIA 2018
5 BIOSFERA CÓDIGO FLORESTAL
1 . ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP)
São áreas, cobertas ou não por vegetação nativa,
que devem ser protegidas. Essas áreas têm a
função ambiental de preservar recursos hídricos,
paisagens, estabilidade geológica, biodiversidade,
além de proteger o solo e assegurar o bem-estar das
populações humanas que vivem no local. As APPs
representam cerca de 20% do território nacional.
PRINCIPAIS PONTOS
• São admitidos alguns usos, desde que considerados
de interesse social ou baixo impacto, somente em
áreas rurais consolidadas – trata-se dos imóveis
estabelecidos antes da promulgação da Lei de
Crimes Ambientais, em julho de 2008.
• As multas referentes aos desmatamentos
realizados pelas áreas rurais consolidadas
serão convertidas em serviços de preservação
e melhoria do meio ambiente.
APP
Topos de morro
São consideradas APPs os morros com altura
mínima de 100 metros e inclinação média de 25º.
APP
Encostas
São consideradas APPs as encostas
com declive acima de 45º. Aquelas com
declividade inferior a 45º agora podem ser
exploradas sem restrições.
APP
Nascentes
Um raio mínimo de 50 metros
deve ser preservado nas áreas
não desmatadas. Nas áreas rurais
consolidadas, a proteção passou
a ser de 15 metros no mínimo.
APP
Manguezais
São consideradas APPs
em toda a sua extensão.
A nova lei prevê a criação
de camarão e salinas em
áreas de apicuns e salgados.
A ÁREA DE PRESERVAÇÃO
VARIA CONFORME O BIOMA
2 . RESERVA LEGAL
Área localizada no interior
de propriedade rural necessária
ao uso sustentável dos recursos naturais. É proibido
desmatar a área de reserva legal, mas é permitida
a exploração econômica com manejo sustentável.
PRINCIPAIS PONTOS
• O percentual mínimo de cada propriedade a ser preservado
como reserva legal varia conforme o bioma (veja ao lado).
Em alguns casos, é permitido incluir as APPs nesse percentual.
AMAZÔNIA 80%
CERRADO (na Amazônia Legal) 35%
CERRADO (fora da Amazônia Legal) 20%
OUTROS 20%
[2]
APP
Mataciliar
Éaformaçãovegetal
presentenasmargensde
rios,córregos,lagos,represase
nascentes.Suapreservaçãoéimportante
paraevitaroassoreamentodosrios,protegeras
nascenteseconservarabiodiversidade.Nasáreasainda
nãodesmatadas,prevaleceoestabelecidonaleianterior:afaixa
demataciliarprotegidavariade30a500metros,conformealargurado
cursod’água.MasonovoCódigoémenosrigorosocomasáreasrurais
consolidadas.Demodogeral,nessasáreas,afaixademataciliaraser
preservadavariade5a100metros,conformeotamanhodoimóvele
independentementedalarguradorio.
O
CódigoFlorestalbrasileirofoicria-
do em 1934 para regulamentar a
exploraçãodosrecursosnaturais
comoamadeira,aborrachaeaágua.Em
2012, essas regras foram modificadas a
fim de equilibrar desenvolvimento eco-
nômicoepreservaçãoambiental.Masas
negociaçõesparaaaprovaçãodonovoCó-
digoFlorestalopuseramosinteressesdos
grandes proprietários, que defendiam a
flexibilizaçãodaleiparaaexpansãoagro-
pecuária,edosambientalistas,favoráveis
a regras mais rígidas para o desmate.
A legislação
ambiental no
Brasil
O Código Florestal brasileiro
regulamenta o uso da terra
para tentar equilibrar
desenvolvimento econômico
e preservação ambiental
Os principais pontos da lei aprovada
dizem respeito às regiões em que é per-
mitido o desmate e às zonas que devem
serprotegidasemumapropriedadepar-
ticular. Ela regulamenta o uso da terra
nas áreas de preservação permanente
(APPs), como topos de morro, encostas
enascentes,enasreservaslegais(vejaas
definições abaixo). A redução das áreas
protegidas e a isenção de multa a quem
desmatou até 2008 são os temas mais
controversos. Veja, a seguir, os princi-
pais aspectos da lei ambiental.
O NOVO CÓDIGO FLORESTAL
[1] LEO FELTRAN [2] FARREL/AE
VENDA PROIBIDA
112 GE GEOGRAFIA 2018
5 BIOSFERA CONFERÊNCIAS AMBIENTAIS
D
evido à pressão crescente da
comunidade científica, além de
ONGs,movimentossociaiseou-
trossetoresdasociedadecivil,asquestões
ambientaispassaramaintegraraagenda
políticainternacional.Desdeoprimeiro
evento com a presença de chefes de Es-
tado para tratar da temática ambiental,
ocorrido em Estocolmo, em 1972, até a
Rio+20, em 2012, houve alguns avanços
no combate à degradação ambiental,
como a aprovação de documentos, ado-
çãodeprincípioscomunseassinaturade
convençõesemdefesadomeioambiente.
Avançou-se também na perspecti-
va adotada: a maioria dos governantes
concordaatualmentequeaquestãoam-
biental não está desvinculada das ques-
Ambientalismo
em pauta
Eventos internacionais
reúnem lideranças políticas
e científicas para debater as
questões ambientais. Mas
os compromissos dos países
para promover os avanços
necessários ainda são tímidos
tões sociais, ou seja, não basta cuidar
do meio ambiente, é preciso atender às
necessidades das populações humanas,
sobretudo dos mais pobres. Critica-se,
porém, a lentidão na implantação de
medidas que de fato contribuam para
essas transformações, condicionadas às
relações econômicas.
Os principais eventos ambientais
O primeiro evento com a presença
de chefes de Estado para tratar da te-
mática ambiental foi a Conferência
Mundial de Estocolmo, ocorrido em
1972 na capital da Suécia. Promovida
pela ONU, o encontro abordou pela pri-
meira vez a produção dos países ricos
como causa importante da degradação
VENDA PROIBIDA
113
GE GEOGRAFIA 2018
SAIBA MAIS
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
A pressão sobre a biodiversidade do pla-
neta advém principalmente de um padrão
de desenvolvimento econômico baseado na
superexploração dos recursos naturais. Para
tentar impor limites ao uso predatório do
meio ambiente, a Comissão Mundial sobre o
MeioAmbienteeDesenvolvimentodaOrgani-
zação das Nações Unidas (ONU) apresentou,
em 1987, o relatório Nosso Futuro Comum,
que define o importante conceito norteador
de desenvolvimento sustentável, aquele que
“atende às necessidades do presente, sem
comprometer a possibilidade de as gerações
futuras atenderem às suas necessidades”.
A ideia de sustentabilidade diz respeito à
noção de que a sociedade deve viver com
os recursos naturais que o meio ambiente
pode lhe fornecer, e não com o que ela deseja
que a Terra lhe forneça. O desafio é aliar o
progresso econômico à preservação do meio
ambiente, o que exige uma mudança no mo-
delo de desenvolvimento e nos padrões de
consumo vigentes.
da natureza. Foram debatidas também
questões referentes ao controle de na-
talidade e a estagnação econômica.
A Declaração de Estocolmo reuniu
26 princípios e ações voltadas para
a redução dos impactos ambientais.
A Eco 92 também representou ou-
tro marco importante. A conferência
mundial sobre meio ambiente realizada
no Rio de Janeiro, em 1992, foi organi-
zada com o objetivo de minimizar os
impactos ambientais a partir de um
modelo de desenvolvimento mais justo
e sustentável (veja mais sobre o conceito
de sustentabilidade ao lado). O encon-
tro aprovou o documento Convenção
sobre a Mudança do Clima, que trata
do aquecimento global, e a Convenção
FALTA PLANEJAMENTO PARA
QUE O BRASIL INVISTA NUM
MODELO VERDE, DIZ ESTUDO
Enquanto parte do mundo investe em uma
novaindústriaqueproduzamais,poupeener-
gia e, assim, suje menos o ambiente com
gases do efeito estufa, o Brasil segue parado
nessa transição. É o que concluiu um estudo
sobreosetorfeitopeloInstitutoEscolhas(...).
“O grosso da indústria nacional é de baixa
e média tecnologias. É também bastante
poluente e ineficiente, com uma aposta em
commodities sem valor agregado”, afirma
Ricardo Sennes, diretor da consultoria Pros-
pectiva. (...) A atual indústria de base do país,
que fabrica insumos para setores fundamen-
tais da economia, como a construção civil, é
dependentedemuitaenergiaparaoperar.(...)
Folha de S.Paulo, 28/11/2016
SAIU NA IMPRENSA
sobre a Diversidade Biológica, sobre
a preservação de ecossistemas. Além
disso, elaborou a Agenda 21, um plano
que estabelece estratégias globais para
promover o desenvolvimento susten-
tável no mundo, que envolve mudan-
ças de padrão de consumo e produção,
principalmente pelos países mais ricos.
A partir da Eco 92, estabeleceu-se a
realização de encontros anuais, deno-
minados Conferência Geral das Partes
(cuja sigla é COP), para aprofundar as
discussões ambientais. Na terceira COP,
realizada em Kyoto, no Japão, foi assi-
nado o Protocolo de Kyoto, o primeiro
acordo oficial com metas e prazos para
a redução de gases do efeito estufa (veja
mais na pág. 90).
Dez anos depois da realização da Eco
92,acidadedeJohannesburgo,naÁfrica
do Sul, sediou a Rio+10 para discutir os
avançosobtidosdesdeoencontronoRio
de Janeiro. Ao final do evento foi elabo-
rado um plano para a implementação
da Agenda 21, que, entretanto, frustrou
expectativas por ter sido apenas um
documentodediretrizesesoluções,que
não tinha força de lei.
Em 2012, o Rio de Janeiro voltou a
reunir lideranças mundiais de todo o
mundo para fazer um balanço da Eco
92.ARio+20desenvolveuoconceitode
“economiaverde”,quepropõeaconstru-
ção de uma sociedade sustentável, que
freie a degradação do meio ambiente e,
simultaneamente, combata a pobreza e
asdesigualdades.Odocumento“Ofuturo
que queremos” mantém o princípio das
“responsabilidadescomuns,masdiferen-
ciadas”, cuja diretriz determina que os
paísesricosdevemarcarcomosmaiores
custosambientaisporterememitidomais
poluentes para se desenvolverem.
Essa discussão domina o debate am-
biental atualmente. O acordo obtido na
COP-21,realizadaemdezembrode2015
emParis,representaumimportantepas-
so nesse sentido, já que estabeleceu a
criação de um fundo de 100 bilhões de
dólares anuais, financiado pelos países
ricos, para auxiliar as nações em desen-
volvimento. Mas o fato de as metas para
redução das emissões de gases serem
voluntárias pode restringir os avanços
(veja mais na pág. 90).
MARCO ECOLÓGICO
AEco92,realizada
noRiodeJaneiro,
em1992,reuniu
autoridadesdetodoo
mundoparadebatera
mudançaclimáticaea
preservaçãoambiental
WILSON PEDROSA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
VENDA PROIBIDA
114 GE GEOGRAFIA 2018
COMO CAI NA PROVA
5
1.(Enem 2016) (segunda aplicação)
CÚPULA DOS POVOS COMEÇA COMO CONTRAPONTO À RIO+20
EnquantoaconferênciaoficialnoRiocentro,naBarra,érestritaaparticipantes
credenciados,quesóentramdepoisdepassarporumfortecontroledeseguran-
ça, a Cúpula dos Povos é aberta ao público, em tendas ao ar livre no Aterro do
Flamengo.Elaéabertatambémàstribosediscussõesmaisdiversas,emmesas
dedebateepainéisgeridospelosprópriosparticipantes,buscandopromover
amobilizaçãosocial.Problemasambientais,econômicos,sociais,políticosede
minoriasserãodiscutidosnoevento,afirmaumaativistanorte-americana,em
alusãoaomovimentoqueocupouWallStreet,emNovaYork,noanopassado.
Disponível em. www.bbc.co.uk. Acesso em: 14 ago. 2012.
Umaarticulaçãoentreasagendasambientalistaseaantiglobalizaçãoindicaa
a) humanização do sistema capitalista financeiro.
b) consolidação do movimento operário internacional.
c) promoção de consenso com as elites políticas locais.
d) constituição de espaços de debates transversais globais.
e) construção das pautas com os partidos políticos socialistas.
RESOLUÇÃO
ACúpuladosPovosfoiumeventoparaleloàConferênciaRio+20,ocorridanoRio
deJaneiroem2012.Elateveumcaráterdemocráticoepermitiuaparticipaçãode
pessoasdeváriaspartesdomundo,comoobjetivodediscutirostemasabordados
no âmbito das reuniões oficiais. Dessa forma, movimentos sociais e populares,
sindicatos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo
presentes na Cúpula dos Povos puderam realizar debates, tendo como temas
principais a justiça social e questões ambientais. Dessa forma, os participantes
do evento mostraram como as demandas de ambientalistas e de movimentos
antiglobalizaçãosãoconvergentes,justificandoarealizaçãodeumdebateparalelo.
Resposta: D
2.(CFTMG 2017) Observe o mapa em sequência.
A partir da análise do mapa, é INCORRETO afirmar que a vegetação primária
indicada pela letra
a) C, caracteriza-se por espécies latifoliadas de grande porte, com regimes
pluviométricos elevados.
b) D,possuiumperfilmorfológicodiverso,englobandodesdecamposherbáceos
até árvores esparsas.
c) B, é relativamente homogênea, sendo historicamente impactada pela explo-
ração da madeira e da celulose.
d) A, é marcada pela presença de pequenos vegetais espaçados entre si, com
predominância de líquens e musgos.
RESOLUÇÃO
A alternativa incorreta, como pede a questão é a A. A área C apresenta descrição
errada,poiscorrespondeàspradarias,tambémdenominadascamposouestepes.
Écaracterizadaporformaçõesvegetaisarbustivaseherbáceas,alémdevegetação
xerófila em alguns casos. É um tipo de vegetação associada a clima temperado
continental e semiárido.
Asoutrasregiõesapontadasnomapapodemseridentificadasdaseguinteforma:
A letra A indica a formação vegetal chamada de tundra.
A letra B corresponde às florestas boreais, também chamadas de floresta de
coníferas ou taiga.
A letra D corresponde a formação vegetal denominada savana.
Resposta: A
3. (UEL 2017) Analise as figuras a seguir.
Disponível em: http://www.ispn.org.br/arquivos/mapa-desmatamento-cerrado.jpg. Acesso em: 12 ago. 2016.
As figuras 1 e 2 mostram a distribuição da vegetação no bioma Cerrado nos
estados brasileiros.
Cite e explique dois fatores que justificam as alterações ocorridas ao longo
do tempo.
RESOLUÇÃO
Em meados do século XX, o bioma do Cerrado, um tipo de vegetação complexo
adaptadoaoclimatropical,localizadoprincipalmentenaporçãocentraldoBrasil,
passou por um intenso processo de degradação ambiental. Cerca de 50% de sua
cobertura vegetal foi devastada. Esse fato está associado à abertura de rodovias
eàconstruçãodeBrasília.Podemosrelacionaradevastaçãotambémàexpansão
da fronteira agrícola na região. O governo estimulou a ocupação das terras para
a realização de práticas agropecuárias, fato que incentivou um crescente fluxo
migratório (do Sul, do Sudeste e do Nordeste). A expansão do cultivo da soja e
a utilização do Cerrado para pastagens ampliaram os problemas ambientais e
também explicam a representação na Figura 2.
VENDA PROIBIDA
115
GE GEOGRAFIA 2018
RESUMO
Biosfera
BIODIVERSIDADE É a variabilidade de organismos vivos de
todasasorigensexistentes(animais,vegetaisemicrorganismos)
nos ecossistemas terrestres e aquáticos. A biodiversidade for-
neceamatéria-primaparaprodutosessenciaisàsobrevivência
humana,incluindomadeira,alimentosemedicamentos.Ações
humanas como desmatamentos, ocupação desordenada e
poluição de solos e rios são a grande ameaça à diversidade
biológica e provocam extinção de espécies.
SUSTENTABILIDADE O conceito de desenvolvimento sus-
tentável propõe utilizar os recursos naturais de forma que a
natureza os consiga repor, para garantir as necessidades das
gerações futuras. Essa ideia tem como objetivo conciliar o
desenvolvimentoeconômicocomorespeitoaomeioambiente.
ECOSSISTEMAS São áreas de qualquer dimensão onde há
uma relação de interdependência entre os seres vivos (plan-
tas, animais e decompositores) e os fatores físicos do meio
ambiente, como o solo e a água.
VEGETAÇÃO NO MUNDO São nove os principais tipos de vege-
tação:deserto,estepe(campos,pampas,pradaria),florestade
coníferas,florestatemperada,florestatropical,savana/cerrado,
tundra, vegetação de montanha e vegetação mediterrânea. As
regiões de baixa latitude, onde há maior incidência de chuva
e luz solar, propiciam maior diversidade vegetal. Conforme
a latitude vai aumentando, a variedade de plantas diminui
progressivamente.
BIOMAS BRASILEIROS Biomas são comunidades formadas
por organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às
condições ambientais de uma grande região. Os seis grandes
biomasbrasileirossão:aAmazônia(omaiordopaís),aCaatinga
(exclusivamentebrasileiro),oCerrado(umdosmaisameaçados
do mundo), a Mata Atlântica (possui apenas 22% de vegetação
remanescente), o Pampa (também modificado, é usado como
pastagem) e o Pantanal (o mais bem preservado).
DESMATAMENTO A extração da madeira, a agropecuária, o
avanço das cidades e a exploração mineral são as principais
ações que exercem pressão sobre as florestas. Mais de 75%
da cobertura vegetal original do mundo já foi desmatada. No
Brasil, a Amazônia já perdeu 12% da sua cobertura original; a
Mata Atlântica e o Cerrado estão entre os biomas mais amea-
çados do planeta.
CÓDIGO FLORESTAL Sancionado em outubro de 2012, o
novo Código Florestal pretende regulamentar o uso da terra.
Ambientalistas criticam a ampliação da área permitida para
o desmatamento, o que era uma exigência dos produtores
rurais. A isenção de multa a quem desmatou até 2008 é outro
tema controverso.
SAIBA MAIS
AregiãodoCerradorespondepormaisde60%detodaaproduçãodesojanoBrasil.
Vejanomapaabaixocomooseucultivoocupaquaseatotalidadedobioma.
O CERRADO E A ÁREA DE PRODUÇÃO DE SOJA NO BRASIL
Fonte: Confederação Nacional do Transporte e IBGE
Quantidade produzida de soja
em milhares de toneladas
Em 2013
30 a 300 Acima de 300
0 1000
Km
Bioma do Cerrado
4.(Uerj 2016)
BIODIVERSIDADE? CONHEÇO DE ALGUM LUGAR...
Ter ouvido falar em biodiversidade é uma coisa. Saber definir o termo, outra
– pelo menos segundo uma pesquisa global realizada pela União para o Bio-
Comércio Ético (UEBT), associação sem fins lucrativos que busca promover o
usorespeitosodabiodiversidade.Foramouvidasmilpessoasemcadaumdos
dezesseis países participantes, incluindo o Brasil. Por aqui, embora 92% dos
entrevistadosjátenhamouvidofalarnoassunto,apenas44%delesconseguem
dar uma definição satisfatória do termo – um número alto se comparado à
médiamundial,de28%.Aindasegundoosresultadosdapesquisa,atelevisão
e o rádio são as maiores fontes de informação que os brasileiros têm sobre
biodiversidade, seguidas pela escola e por artigos em jornais e revistas.
Adaptado de cienciahoje.uol.com.br, 30/07/2015.
De acordo com a Convenção sobre a Diversidade Biológica de 1992, biodiver-
sidade é a variedade de organismos vivos existentes no planeta ou em uma
determinada região do globo, incluindo ecossistemas terrestres e marinhos.
Aponte dois fatores que provocam a perda da biodiversidade de uma região.
RESOLUÇÃO
Entre os fatores que interferem negativamente na biodiversidade de uma região, é
possívelcitaraurbanização–ohabitatnaturalcostumaserafetadopelaconstrução
deestradaseporobrasdeinfraestrutura.Tambémafetamabiodiversidadeodesma-
tamentoparaaintroduçãodeculturasagrícolasoupastagemeacontaminaçãodos
ambientesporpesticidas,agrotóxicoselixoindustrial.
VENDA PROIBIDA
116 GE GEOGRAFIA 2018
A TERRA É AZUL
(E AMARELA)
Imagem de satélite
mostra o planeta
visto do espaço – os
pontos luminosos são
da cidade de Moscou,
capital da Rússia
A
superfície do planeta é dividida em seis continentes,
as grandes extensões de terra emersas limitadas pelas
águas de mares e oceanos. Eles ocupam 150.377.393
quilômetros quadrados, dimensão que corresponde a 29,4%
da superfície total do globo. Mas nem sempre foi assim.
Há cerca de 400 milhões de anos, as terras do planeta
estavam reunidas em um único continente, chamado de
Pangeia – em grego, pan significa toda; e geia, terra. Esse
imenso bloco começou a rachar no sentido leste-oeste por
volta de 200 milhões de anos atrás e, aos poucos, seus terri-
tórios foram se afastando uns dos outros, dando origem aos
continentes como conhecemos hoje (veja mais na pág. 30).
A atual configuração física do globo foi estabelecida há
65 milhões de anos, em decorrência desse processo de
deslocamento da crosta. O movimento constituiu os seis
continentes existentes: África, América, Antártica (ou
Antártida), Ásia, Europa e Oceania. A América, por sua vez,
é subdividida em três: América do Norte, América Central e
Confira a seguir um abrangente
retrato físico, econômico e social
das seis grandes extensões de terra
do planeta
O mundo
em resumo
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO
 Mapa-múndi ............................118
 Perfil dos continentes ..........120
 África..........................................121
 América .....................................122
 Antártica...................................123
 Ásia .............................................124
 Europa e Oceania...................125
 Brasil..........................................126
 Perfil das regiões....................128
 Centro-Oeste e Nordeste......129
 Norte e Sudeste.......................130
 Sul ...............................................131
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA
Alitosferanãoécontínua,masdivididaemváriosblocos,denominados
placas tectônicas. Elas são separadas por grandes fendas vulcânicas
em permanente atividade no fundo do mar. Através dessas fendas, o
magmasobeàsuperfície.Issoexpandeofundodomaremovimenta,em
váriasdireções,osblocosqueformamasuperfície(vejamaisnapág.30).
A própria distribuição das superfícies continentais se dá de forma
desigual, correspondendo a 40,4% da área do Hemisfério Norte e
a apenas 14,4% da do Hemisfério Sul. As regiões polares também
são distintas. No sul, há um continente – a Antártica – coberto por
espessa camada de gelo; já no norte, existe uma grande depressão,
coberta pelo Oceano Ártico.
ATLAS
6
América do Sul. Vale ressaltar que o Ártico, região de mares
e águas congeladas, não é um continente.
Como você verá nas páginas seguintes, os continentes
apresentam características físicas, sociais e econômicas
bastante diferenciadas.
VENDA PROIBIDA
117
GE GEOGRAFIA 2018
POPULAÇÃO
A Ásia é o maior e mais populoso dos continentes, reunindo quase
60%doshabitantesdoglobo.Étambémoberçodealgumasdasmais
antigascivilizaçõesereligiõesdomundo.Asduasnaçõescomamaior
populaçãoestãonocontinenteasiático:China(1,4bilhãodepessoas)
e Índia (1,3 bilhão).
Em contrapartida, o crescimento demográfico na Europa está pra-
ticamente estagnado. No período entre 2010 e 2015, a ONU estima
que sua população tenha crescido apenas 0,1%. Com isso, a Europa
acabanecessitandodemãodeobraespecializadadeoutraspartesdo
planeta. A discussão em torno da imigração ilegal de trabalhadores
semqualificaçãosetornacadavezmaisintensaetemsidomotivode
criação de diversas – e polêmicas – legislações restritivas.
JánaAmérica,osEstadosUnidos(EUA),porsuaforçaeconômica,são
o principal polo receptor de imigrantes. Em 2015 viviam no país 43,3
milhõesdeimigrantes,querepresentam13,5%dapopulaçãototal.Os
mexicanosformamomaiorgrupo,constituindo11,6milhões–sónoano
passado,pelomenos140milpessoasmigraramdoMéxicoparaosEUA.
ECONOMIA
Do ponto de vista dos recursos naturais, a Ásia abriga as maiores
jazidas conhecidas de petróleo, em particular no Oriente Médio e
nos países de sua região central.
A África, por sua vez, apresenta os problemas sociais mais agudos,
especialmente na região ao sul do Deserto do Saara (a África Subsa-
ariana). Embora o continente reúna as maiores reservas de minérios
e pedras preciosas do planeta, sua população vive em extrema mi-
séria. Bolsões de pobreza também são encontrados na maior parte
da Ásia e nas porções central e sul da América, que, com o México,
formam a América Latina.
A produção de riquezas concentra-se principalmente na América
do Norte e na Europa: a soma do Produto Interno Bruto (PIB) dos
países dessas regiões é superior a 50% do total do planeta. Nessas
nações estão os indicadores sociais mais positivos do mundo, que
garantem boas condições de vida a ampla parcela da população.
Na Ásia, destacam-se China e Japão – segunda e terceira maiores
economias mundiais, respectivamente.
NASA
VENDA PROIBIDA
CÍRCULOPOLARA
N
T
Á
R
T
I
C
O
OCEANOATLÂNTICO
OCEANOPACÍFICO
POLOSUL
Mar de Weddell
MardeDavis
MardeRoss
MardeAmundsen
MardeBellingshausen
CÍRCULOPOLARÁR
T
I
C
O
RÚSSIA
GROENLÂNDIA
Finlândia
Suécia
Islândia
Noruega
ALASCA
CANADÁ
POLONORTE
POLO SUL
POLO NORTE
ILHASFALKLAND
(MALVINAS)
PANAMÁ
ARGENTINA
COLÔMBIA
EQUADOR
PERU
VENEZUELA
BRASIL
ANTÁRTICA
BOLÍVIA
CHILE
URUGUAI
PARAGUAI
GUIANAFRANCESA
SURINAME
GUIANA
PORTO
RICO
REP.DOMINICANA
HAITI
JAMAICA
CUBA
NICARÁGUA
COSTARICA
HONDURAS
BELIZE
GUATEMALA
ELSALVADOR
MÉXICO
BAHAMAS
ESTADOSUNIDOS
DAAMÉRICA
CANADÁ
ALASCA
(EUA)
RÚSSIA
ILHASHAVAÍ
(EUA)
ILHASSAMOA
TONGA
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
TRÓPICODECAPRICÓRNIO
TRÓPICODECÂNCER
CÍRCULOPOLARANTÁRTICO
EQUADOR
I.Marquesas
(FRA)
I.Tahiti
(FRA)
P
O
L
I
N
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S
I
A
A
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L
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o
N
o
r
t
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E
u
r
o
p
a
O
c
e
a
n
i
a
1.216,1
360,5
641
Á
f
r
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a
A
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L
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t
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C
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N
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E
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p
a
O
c
e
a
n
i
a
40,2
31,8
19,3
98,4
71,2
4,6
Á
f
r
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c
a
A
m
.
d
o
N
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A
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b
e
Á
s
i
a
E
u
r
o
p
a
O
c
e
a
n
i
a
40,1
79,5 82,6
48,7
74,2 71,3
Em milhões, 2016
POPULAÇÃO
Habitantes/km², 2016
DENSIDADE
Em %, 2016
POPULAÇÃO URBANA
Fonte: Banco Mundial e ONU
0
1.000
2.000
3.000
4.000
5.000
4.436,2
738,8
39,6
0
10
30
50
70
20
40
60
90
80
0
20
10
30
40
50
70
90
60
80
118 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS MUNDO
VENDA PROIBIDA
Í
PORTUGAL
ESPANHA
ANDORRA
MÔNACO
VATICANO
SANMARINO
LIECHTENSTEIN
ITÁLIA
TURQUIA
GEÓRGIA
SÍRIA
CHIPRE
BULGÁRIA
GRÉCIA
MALTA
ALBÂNIA
MACEDÔNIA
RÚSSIA
REINO
UNIDO
IRLANDA
DINAMARCA
NORUEGA
SUÉCIA
FINLÂNDIA
ESTÔNIA
LETÔNIA
LITUÂNIA
BELARUS
UCRÂNIA
MOLDÁVIA
ROMÊNIA
ALEMANHA
HOLANDA
BÉLGICA
FRANÇA SUÍÇA
LUXEMBURGO ESLOVÁQUIA
REP.TCHECA
ÁUSTRIA HUNGRIA
ESLOVÊNIA
BÓSNIA–
HERZEGOVINA SÉRVIA
CROÁCIA
POLÔNIA
FEDERAÇÃODOS
ESTADOSDA
MICRONÉSIA
I
l
has Virgens
(RUN)
(EUA)
I. Anguilla (RUN)
I. S. Martin (FRA e HOL)
ANTÍGUA E
BARBUDA
I. Guadalupe (FRA)
DOMINICA
I. Martinica (FRA)
SANTA LÚCIA
BARBADOS
GRANADA
TRINIDAD
E TOBAGO
I. Margarita
(VEN)
I. Blanquilla
(VEN)
I. Orchilla
(VEN)
I. La Tortuga
(VEN)
I. Bonaire
(HOL)
I. Curaçao
(HOL)
MardoCaribe
I. Aruba
(HOL)
AMÉRICA DO SUL
REP.
DOMINICANA
SÃO CRISTÓVÃO
E NÉVIS
I. Montserrat (RUN)
SÃO VICENTE
E GRANADINAS
Porto Rico
(EUA)
MONTENEGRO
I.GEÓRGIADOSUL
LÍBIA
TUNÍSIA
ARGÉLIA
MARROCOS
PORTUGAL
ESPANHA
ITÁLIA
TURQUIA
GEÓRGIA UZBEQUISTÃO
IRÃ
ARÁBIA
SAUDITA
EGITO
OMÃ
EMIRADOS
ÁRABESUNIDOS
CATAR
BAREIN
KUWAIT
JORDÂNIA
IRAQUE
SÍRIA
LÍBANO
ISRAEL
CHIPRE
BULGÁRIA
GRÉCIA
ARMÊNIA
AZERBAIJÃO
MADAGASCAR
MAURÍCIO
COMORES
SEICHELES
SOMÁLIA
ETIÓPIA
DJIBUTI
ERITREIA
SUDÃO
SUDÃO
DOSUL
REPÚBLICA
CENTRO-
AFRICANA
UGANDA QUÊNIA
BURUNDI
TANZÂNIA
ZÂMBIA
MALAUÍ
MOCAMBIQUE
SUAZILÂNDIA
LESOTO
ÁFRICA
DOSUL
BOTSUANA
ZIMBÁBUE
NAMÍBIA
ANGOLA
REP.DEM.
DOCONGO
RUANDA
IÊMEN
MALI
NÍGER CHADE
CAMARÕES
NIGÉRIA
CONGO
GABÃO
GUINÉEQUATORIAL
TOGO
BENIN
BURKINA
FASSO
COSTA
DO
MARFIM
GANA
LIBÉRIA
SERRALEOA
GUINÉ
GUINÉ-BISSAU
GÂMBIA
SENEGAL
CABO
VERDE
MAURITÂNIA
Ilhas Canárias
Saara
Ocidental
AÇORES
(POR)
ÍNDIA
SRILANKA
MALDIVAS
MIANMAR
CHINA
BUTÃO
NEPAL
PAQUISTÃO
BANGLADESH
LAOS
TAILÂNDIA
CAMBOJA
BRUNEI
MALÁSIA
CINGAPURA
INDONÉSIA
FILIPINAS
VIETNÃ
TAIWAN
(FORMOSA)
TIMOR-LESTE
PAPUA
NOVA-GUINÉ
AUSTRÁLIA NOVA
CALEDÔNIA
(FRA)
NOVA
ZELÂNDIA
FIJI
VANUATU
SALOMÃO
KIRIBATI
NAURU
ILHAS
MARSHALL
JAPÃO
COREIA
DONORTE
COREIA
DOSUL
MONGÓLIA
QUIRGUISTÃO
TADJIQUISTÃO
AFEGANISTÃO
TURCOMENISTÃO
CAZAQUISTÃO
RÚSSIA
ISLÂNDIA
REINO
UNIDO
IRLANDA
DINAMARCA
NORUEGA SUÉCIA
FINLÂNDIA
ESTÔNIA
LETÔNIA
LITUÂNIA
BELARUS
UCRÂNIA
ROMÊNIA
ALEMANHA
FRANÇA
ÁUSTRIA HUNGRIA
GROENLÂNDIA
(DIN)
ProjeçãoRobinson
SÃOTOMÉ
EPRÍNCIPE
POLÔNIA
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANOANTÁRTICO
OCEANOÁRTICO
OCEANO
ÍNDICO
Mar
do
Norte
Mar
Mediterrâneo
Mar
Negro
CÍRCULOPOLARÁRTICO
M
E
L
A
N
É
S
I
A
M
I
C
R
O
N
É
S
I
A
TUVALU
N
119
GE GEOGRAFIA 2018
VENDA PROIBIDA
PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2015*
(em % por continente)
Europa
26,3
África
3,1
Ásia
33,5
América
34,6
Oceania
2,5
Europa
9,9
África
16,4
Oceania
0,5
Ásia
59,7
América
13,5
POPULAÇÃO – 2016*
Distribuição, em %
*Total de 7,432 bilhões em 2016 *Total mundial: 74,2 trilhões de dólares
PIB PER CAPITA – 2015
(em dólares)
1.884
África
25.151
América
5.489
Ásia
25.714
Europa
46.623
Oceania
ÁREA DISTRIBUÍDA (em %) Total mundial: 150.377.393 km2
Ásia
30,0
África
20,1
América
27,9
Europa
6,9
Oceania
5,7
Antártica
9,3
América
Ásia
Oceania
Europa
África
Antártica
Fontes: Fundo de Populações das Nações Unidas e Banco Mundial
120 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS MUNDO
Perfil dos continentes
O que dizem os números
COMPARANDO ÁSIA E AMÉRICA
A Ásia é o maior continente do planeta em área, superando por apenas 2,1% a América. No entanto, a população asiática representa quase
60% de todos os habitantes do mundo, muito acima dos indicadores da América, que somam apenas 13,5%. Esse elevado povoamento
diz muito a respeito do Produto Interno Bruto (PIB) asiático, que é responsável por um terço de toda a riqueza produzida no mundo. Mas
perceba que, mesmo com uma população quatro vezes menor que a asiática, a América tem um PIB 1,1% superior. Essa diferença se traduz
nos dados de PIB per capita, ou seja, o quanto cada habitante do continente recebe por ano. Enquanto os asiáticos ganham apenas 5.489
dólares por ano em média, os trabalhadores da América recebem 25.151 dólares.
VENDA PROIBIDA
VENDA PROIBIDA
122 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS MUNDO
AMÉRICA
72%
do produto interno bruto
das Américas é gerado
nos Estados Unidos
Trêsemum
S
egundo continente mais extenso, com
área de 42 milhões de quilômetros qua-
drados, a América é formada por duas
grandes massas de terra (América do Norte e
América do Sul), unidas por uma estreita faixa
(América Central). Um sistema de cadeias mon-
tanhosas percorre o território em sua porção
oeste, sem interrupção, desde o Estreito de
Magalhães, no extremo sul, até o Estreito de
Bering, no extremo norte.
Nenhum continente apresenta tamanho dese-
quilíbrioregionalquantoaAmérica.Aonorte,os
Estados Unidos (EUA) e o Canadá são duas das
maisdesenvolvidasnaçõesdoplaneta,enquantoos
outrospaíses–quecompõemaAméricaLatina–
estãonumníveldedesenvolvimentobeminferior.
AMÉRICA DO NORTE
A América do Norte é ocupada por três grandes paí-
ses: Canadá, EUA – bastante desenvolvidos – e México,
menos desenvolvido.
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Compreende uma área de 23,4
milhões de quilômetros quadrados. Suas principais
elevações se localizam a oeste, enquanto a maior bacia
hidrográfica,adoMississippi-Missouri,sesituaaleste.A
maiorilhadomundoficanaAméricadoNorte:Groenlân-
dia, com quase 2,2 milhões de quilômetros quadrados.
Naporçãonorte,declimacontinentalfrio,predominam
as florestas de coníferas; o centro e o sudeste, de clima
continental, são ocupados por florestas temperadas e
pradarias; no sudoeste, há desertos.
POPULAÇÃOAbrigacercade489,2milhõesdehabitantes
em2016.Amaioriadescendedecolonizadoreseuropeus,
de escravos africanos e de vários grupos de imigrantes.
Os principais centros urbanos encontram-se na Cidade
do México, em Nova York e Los Angeles.
ECONOMIA É plenamente industrializada nos Estados
Unidos e no Canadá e, em menor grau, no México. A
América do Norte apresenta agricultura altamente me-
canizada, com destaque para a produção de cereais,
milho, soja e laranja. Além disso, possui vastas reservas
de combustíveis fósseis e minérios.
AMÉRICA CENTRAL
A região, que responde por apenas 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da Amé-
rica, sobrevive basicamente da agricultura e do turismo. Pelo Canal do Panamá, a
principal passagem entre o Oceano Atlântico e o Pacífico, circulam 5% de todo o
comércio marítimo mundial. A região abriga, ainda, a única nação comunista do
continente americano: Cuba.
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A América Central, com 748,6 mil quilômetros quadrados, é
formadapeloistmoqueuneaAméricadoNorteàAméricadoSulepelasilhasdoMardo
Caribe.Oterritóriocentro-americanopossuirelevomontanhoso,comváriosvulcõesativos.
Noverão,oCaribeéassoladoporfuracões,comventosdeaté300quilômetrosporhora.
POPULAÇÃOReúne89,9milhõesdehabitantesem2016.Aregiãoépovoadaemgran-
de parte por mestiços, descendentes de índios, africanos e colonizadores europeus.
ECONOMIA A agricultura emprega a maioria da população. A industrialização é
incipiente e limita-se ao processamento de produtos agrícolas. O turismo na região
do Caribe está em plena expansão.
FENDA CONTINENTAL
Navios cruzam o Canal
do Panamá, que liga os
oceanos Atlântico e Pacífico
BELEZA AMERICANA O Grand Canyon, nos Estados Unidos,
tem paredões com quase 2 mil metros de altura
[1]
[2]
VENDA PROIBIDA
123
GE GEOGRAFIA 2018
ANTÁRTICA
Cerca de
70%
das reservas de água
doce da Terra estão
sob a forma de gelo na
Antártica
AMÉRICA DO SUL
Aregiãopossuivastosrecursosnaturais,mastambém
graves problemas sociais. O Brasil é a economia mais
desenvolvida,enquantoChile,ArgentinaeUruguaiapre-
sentammelhoríndicededesenvolvimentohumano(IDH).
DISTRIBUIÇÃO FÍSICAA América do Sul conta com 17,8
milhões de quilômetros quadrados. A porção oeste é
ocupadapelaCordilheiradosAndes,cujopontomaisalto
é o Pico Aconcágua (6.959 metros). As planícies centrais
abrigam a bacia hidrográfica do Orinoco, a Amazônica e
a do Prata. Na região norte, onde o clima é equatorial,
encontram-se florestas latifoliadas tropicais úmidas. O
sul possui faixas de clima desértico, como na região de
Atacama,eumazonatemperada,ocupadaporflorestas
subtropicais e pelos pampas argentinos.
POPULAÇÃO A América do Sul tem 422,5 milhões de
habitantes em 2016. A população é formada por des-
cendentes de europeus (em especial espanhóis e por-
tugueses), africanos e indígenas, contando com alta
porcentagem de mestiços.
ECONOMIA A indústria está centrada na produção agrí-
cola e de bens de consumo. No Brasil e na Argentina,
encontra-semaisdiversificada,abrangendosetorescomo
siderurgiaemetalurgia.OBrasiléresponsávelporcerca
de três quintos da produção industrial sul-americana.
FENÔMENO AMAZÔNICO O famoso encontro das águas
escuras do Rio Negro com o barrento Rio Solimões
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA AAntárticaécercadapelaságuasdosoceanosAtlântico,Pací-
fico e Índico. É o lugar mais frio do globo com temperaturas inferiores a 0 ºC no verão
e menores que -80 ºC no inverno. Sob a grossa camada de gelo, estende-se o Lago
Vostok, um dos maiores do mundo, com 10 mil quilômetros quadrados de extensão.
ECONOMIAAsatividadeshumanasnocontinenterestringem-seàpescaeàinvestigação
científica. Diversas nações mantêm base de pesquisa na região, entre as quais o Brasil,
quedesenvolveatividadesnaBaseComandanteFerraz.Em1991foiassinadooProtocolo
deMadri,queentrouemvigorem1998.Essedocumentoproíbepor50anosaexploração
econômicadosrecursosnaturais.Amedidaépreventiva,jáque,atéhoje,nãoforamen-
contradas reservas de interesse comercial. Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega,
Nova Zelândia e Reino Unido reivindicam áreas no continente.
Ocontinentedegelo
T
ambém chamada de Antártida, a Antártica é coberta por uma
enorme camada de gelo. A superfície do continente ocupa
14 milhões de quilômetros quadrados, e 99% de sua superfície é
cobertaporummantodegeloqueatingequase5quilômetrosdeespessura.
Essa massa de gelo é de extrema importância para o equilíbrio do planeta.
Isso porque, além de concentrar cerca de 70% das reservas de água doce
da Terra, interfere no nível dos oceanos, por causa das variações em sua
extensãoeespessura.Noinverno,até18milhõesdequilômetrosquadrados
do oceano em torno do continente ficam cobertos por uma fina camada
de gelo. O buraco na camada de ozônio localiza-se em cima do continente
e ameaça a estabilidade de suas geleiras (90% das existentes no planeta),
em virtude da maior exposição à radiação solar (veja mais na pág. 82).
ESCALA
0 755 km
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ÍNDICO
Mar de Davis
Mar de Ross
Mar de Weddell
Mar de
Bellingshausen
Mar de Amundsen
L
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m
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e
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x
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r
e
m
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s
T
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n
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r
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c
a
s
Ilhas Shetland
do Sul
Maciço Vinson
5.897 m
ANTÁRTICA
ORIENTAL
ANTÁRTICA
OCIDENTAL
TERRA DE
ENDERBY
TERRA
DE WILKES
TERRA DE
MARIE BYRD
TERRA DE
ELLSWORTH
TERRA DA
RAINHA MAUD
Geleira Lambert
Plataforma de
gelo Ronne
Criosfera 1
Plataforma de
gelo Filchner
Plataforma de
gelo Ross
180º
0º
90º O 90º L
80º S
70º S
POLO SUL
Círculo Polar Antártico
Ilha Rei George
Ilhas Shetland do Sul
1
5
7
6 4 3
2
Neumayer (Alemanha)
SanaeIV
(ÁfricadoSul)
Troll
(Noruega)
Rothera (Reino Unido)
Marambio (Argentina)
McMurdo (EUA)
Amundsen-Scott (EUA)
Scott Base
(Nova Zelândia)
Dummontd'Urville
(França)
Casey
(Austrália)
Maitri (Índia)
Syowa (Japão)
Mawson (Austrália)
Mirny (Rússia)
Principal base
permanente de cada país*
1 Comandante Ferraz (Brasil) 2 Arctowski (Polônia)
3 Jubany (Argentina) 4 King Sejong (Coreia do Sul)
5Artigas(Uruguai)6EduardoFrei(Chile)7GreatWall(China)
P
e
n
í
n
sulaAntártica
*Bulgária, Equador, Espanha, Finlândia, Peru, Romênia, Suécia e República Tcheca mantêm apenas bases temporárias
Fonte: Comitê Científico de Pesquisa Antártica (SCAR)
[1] DIVULGAÇÃO/ NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL MARQUES
[3]
VENDA PROIBIDA
124 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS MUNDO
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Maiorcontinentedomundo,suaáreaédecercade45milhões
de quilômetros quadrados. A fronteira convencional entre Ásia e Europa é determinada
pelosMontesUrais,peloRioUral,peloMarCáspio,pelasmontanhasdoCáucasoepeloMar
Negro.Dessaforma,osterritóriosdeTurquiaeRússiaestendem-sepelosdoiscontinentes.
OrelevoasiáticoapresentaamaioraltitudemédiadaTerra(960metros),emrazãoda
presença de grandes cadeias montanhosas, entre as quais a Cordilheira do Himalaia
e a do Kunlun, que contornam o planalto do Tibete. Há também grandes depressões,
como o Mar Morto, situado 365 metros abaixo do nível do mar.
Em virtude da vastidão de seu território, da diversidade de relevos e do regime
de monções (vento periódico que, no verão, sopra do mar para o continente e, no
inverno, do continente para o mar), existem muitos tipos de clima na Ásia. Como
consequência, há também grande variedade de vegetação: tundra, estepes, florestas
de coníferas, florestas temperadas e florestas tropicais.
POPULAÇÃO O continente é o mais populoso do mundo, com 4,4 bilhões de habitan-
tes em 2016. A distribuição da população é bastante desigual, com mais de 60% dos
habitantesconcentradosnaChinaenaÍndia.Hágrandediversidadeétnica,linguística
e religiosa. Os conflitos em curso no continente provocam grandes deslocamentos de
pessoas–osmaiorescontingentesderefugiadossãoformadospor5milhõesdepales-
tinos e 4,9 milhões de emigrados da Síria, que fogem da guerra civil iniciada em 2011.
ECONOMIA A Ásia apresenta contrastes econômicos extremos. A porção mais desen-
volvida – que inclui países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan – registra renda per
capita quase 100 vezes maior que a das regiões pobres. No sul do continente, região
que abrange nações como Índia, Paquistão e Bangladesh, a pobreza atinge elevadas
proporções: 15% da população vive com menos de 1,90 dólar por dia.
Desdeaaberturaeconômicainiciadanofimdosanos1970,aChinaéopaísquemaisse
industrializanaÁsia.Empoucomaisdeumquartodeséculo,opaístornou-seasegunda
maioreconomiaglobal,atrásapenasdosEstadosUnidos,eomaiorexportadormundial.
AextraçãomineraléaprincipalfontededivisasdosprósperospaísesdoGolfoPérsico,
que detêm mais de 50% das jazidas mundiais de petróleo. A atividade extrativista é
intensa também na Rússia – dona de cerca de um terço do gás natural do planeta e
de grandes reservas conhecidas de petróleo.
Apesardaintensamodernizaçãoeconômica,grandepartedosempregosnocontinente
estão na agricultura – no sul da Ásia, por exemplo, metade da força de trabalho atua
no setor. A Ásia responde por aproximadamente 45% da produção mundial de cereais,
comdestaqueparaoarroz(90%doqueseproduznoplaneta).Mas,aindaassim,precisa
importá-los para suprir a demanda interna, especialmente da China.
ÁSIA
Mais de
50%
das reservas mundiais
de petróleo estão no
Oriente Médio
Vastidãooriental
A
Ásia é o maior e o mais populoso con-
tinente. Na Cordilheira do Himalaia,
estão os pontos mais altos do planeta,
em especial o Monte Everest, com 8.850 metros,
na fronteira entre o Nepal e a China. Situam-se
no continente asiático algumas das maiores
concentrações humanas, em megacidades como
Tóquio, no Japão.
Os recursos naturais são imensos. A Ásia
produz quase metade do petróleo do mundo,
possuindo as maiores reservas conhecidas, nos
países do Golfo Pérsico. Ao lado do Japão, a
principal nação industrial do continente, e de
paísesemaceleradoprocessodedesenvolvimen-
to, como a China, há várias regiões atrasadas,
com graves problemas sociais, sobretudo na
Ásia Central.
A região também sofre com sérios conflitos,
como a guerra civil na Síria. As disputas terri-
toriais entre israelenses e palestinos, no Oriente
Médio, e o conflito entre Índia e Paquistão pela
região da Caxemira, são outros exemplos. Mais
recentemente, o fundamentalismo religioso deu
origem a grupos como o Estado Islâmico, que
controla regiões no Iraque e na Síria.
DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO – 2016*
*Não inclui a Rússia
Em %
Fonte: Fundo de Populações das Nações Unidas (Fnuap)
China
31,3
Demais
países
22,1
Paquistão
4,3
Indonésia
5,9
Índia
29,9
Bangladesh
3,7
Japão
2,8
TRADIÇÃO
Família nômade da
Mongólia, país que abriga
povos e culturas milenares [1]
VENDA PROIBIDA
125
GE GEOGRAFIA 2018
EUROPA OCEANIA
Mais de
90%
da cobertura original de
florestas já foi devastada
na maior parte da Europa
PRAIA NEGRA Litoral da
Islândia, a segunda maior
ilha da Europa, repleta de
vulcões ativos
POVOS NATIVOS Os aborígenes habitam o território da
Austrália desde, pelo menos, 45 mil anos antes de Cristo
DISTRIBUIÇÃOFÍSICA AEuropapertence,comaÁsia,àmassadeterraconhecidacomo
Eurásia. O continente europeu tem área de 10 milhões de quilômetros quadrados. A
maior parte do território é formada por planícies. Predomina o clima temperado, mas
há variações. A vegetação original já foi bastante devastada, prevalecendo florestas
temperadas e de coníferas.
POPULAÇÃO O continente tem 738,8 milhões de habitantes em 2016 e é o único com
tendência de redução da população. Paralelamente às baixas taxas de natalidade, o
envelhecimento dos habitantes exerce forte pressão demográfica no continente e pode
comprometerocrescimentoeconômico.Porisso,apesardaatualresistênciademuitos
países à entrada de imigrantes, a Europa precisa da força de trabalho dos estrangeiros.
ECONOMIA O parque industrial europeu é um dos mais avançados do mundo, com
destaqueparaossetoresautomobilístico,químico,siderúrgicoedetelecomunicações.
Persistem, entretanto, contrastes de desenvolvimento entre os países ocidentais, que
detêmcercade80%doPIBdocontinente,easnaçõesdoleste,doex-blococomunista.
A criação da União Europeia, em 1992, tenta superar esse quadro desigual, mas a
crise atual da região explicita o fosso que separa as nações ricas das mais atrasadas.
Berçodacivilizaçãoocidental
O
continente é considerado o berço da civilização ocidental. Ali
se desenvolveram, por exemplo, o Renascimento, a Revolução
Francesa e a Revolução Industrial, eventos que moldaram o
mundo moderno. A pequena extensão da Europa contrasta com sua
importância histórica. Impulsionado pela expansão marítima e comer-
cial, o continente exerceu, por séculos, papel hegemônico sobre o globo,
abrigando várias potências coloniais.
Porém, após o fim da II Guerra Mundial, o continente viu-se dividido,
por décadas, em dois blocos hostis, um capitalista e outro socialista – eles
correspondem, em linhas gerais, à Europa Ocidental e à Europa Oriental.
A primeira é integrada pelas nações mais ricas do continente. A segunda é
formada predominantemente por países que saíram do bloco comunista e
procurammelhorarsuaeconomia.ApósoencerramentodaGuerraFria,nos
anos 1990, foi criada a União Europeia (UE), o principal bloco econômico
do mundo. Atualmente, a UE tenta superar uma grave crise econômica,
alavancada pelo alto endividamento dos países-membros.
DISTRIBUIÇÃOFÍSICA Éomenorcontinentedomundo,
com8,5milhõesdequilômetrosquadradosdeextensão.
A Austrália corresponde a cerca de 90% da área emersa
da Oceania. A maioria das ilhas da Oceania é de origem
vulcânica, sendo cobertas de florestas tropicais.
POPULAÇÃO A Oceania é também o menos habitado
dos continentes, com 39,6 milhões de pessoas em 2016.
Cerca de 60% dessa população vive na Austrália.
ECONOMIAAAustráliadestaca-sepeloparqueindustrial,
pela agricultura e pela extração mineral, enquanto a
economia das ilhas do Pacífico é agrícola.
Maisquecangurus
A
Oceania é formada por uma massa
continental (a Austrália), a parte leste
da Ilha de Nova Guiné, as ilhas que
constituem a Nova Zelândia e pequenas ilhas
e atóis que se espalham pelo Oceano Pacífico.
Essas ilhas menores se dividem em três grupos:
a Polinésia, no extremo leste; a Melanésia, na
região central; e a Micronésia, situada ao norte.
Há diferenças marcantes na região. Enquan-
to a Austrália e a Nova Zelândia são nações
desenvolvidas, as demais têm economia frágil.
A Oceania enfrenta, ainda, graves problemas
ambientais. Estudos indicam que, dentro de um
século, a elevação do nível do mar, causada pelo
aquecimento global, poderá submergir ilhas e
atóis da região.
[1] CINDY WILK [2] ALMIR DE FREITAS [3] DIVULGAÇÃO
[2]
[2]
[3]
VENDA PROIBIDA
126 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS BRASIL
Q
uinto maior país do mundo, o Brasil conta com um
território de 8.515.767 quilômetros quadrados de
extensão. Com todo esse tamanho, para efeitos ad-
ministrativos, nosso território é dividido em cinco
regiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. Essa
divisão regional, que fica a cargo do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), tem como objetivo reunir
estados com traços físicos, humanos, econômicos e sociais
comuns, o que ajuda no planejamento de políticas voltadas
para áreas com necessidades semelhantes.
Mas nem sempre o Brasil foi “repartido” da forma como é
hoje, tendo sido estabelecidas muitas divisões regionais no
decorrer da história. A atual está em vigor desde 1970, mas
sofreu algumas alterações depois da Constituição de 1988.
O estado do Tocantins foi criado com a divisão de Goiás e
incorporado à Região Norte. Além disso, Roraima, Amapá e
Rondônia deixaram de ser territórios para se tornar estados.
Por fim, Fernando de Noronha foi incorporado ao estado de
Pernambuco. Em 2017, o Brasil registra 5.570 municípios
nos 26 estados mais o Distrito Federal.
A despeito do tipo de recorte, o fato é que as disparidades
entre as regiões são muito grandes. Para ter uma ideia, a
Região Sudeste, a segunda menor em área, possui o maior
número de habitantes, o maior percentual de pessoas que
vivem em cidades e é responsável por mais da metade do
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A Região Nordeste,
por sua vez, apresenta alguns dos mais baixos indicadores
sociais. A Região Norte, com o segundo menor número de
habitantes, apresenta o maior contingente de população
indígena e tem o mais alto índice de crescimento demográ-
fico. A Região Sul, seguida de perto pela Sudeste, é a que
apresenta os melhores indicadores: tem o menor índice de
mortalidade infantil e a menor taxa de analfabetismo. A
Região Centro-Oeste, embora conte com população menor,
apresenta acelerado crescimento demográfico, atrás apenas
da Região Norte.
PLANO PILOTO Imagem de satélite mostra Brasília à noite: a iluminação permite observar o projeto urbanístico, que é comparado às formas de um avião
O Brasil
em resumo
Confira a seguir as principais
características físicas, econômicas e
sociais das cinco regiões brasileiras
NASA
VENDA PROIBIDA
SUL
SUL
SUDESTE
SUDESTE
NORDESTE
NORDESTE
NORTE
CENTRO-OESTE
CENTRO-OESTE
450
O
550
O
250
S
100
S
Equador
Trópico de
Capricórnio
Oceano
Pacífico
Oceano
Atlântico
NORTE
Ilha de
Trindade (ES)
20’32’S 29’19’O
Ilha de Martin
Vaz (ES)
20’31’S 28’50’O
Atol das
Rocas (RN)
3’52’S
33’50’O
Abrolhos (BA)
17’25’S
38’33’O
DISTRITO
FEDERAL
PARÁ
GOIÁS
AMAPÁ
MARANHÃO
PIAUÍ
BAHIA
CEARÁ
RIO GRANDE
DO NORTE
PARAÍBA
PERNAMBUCO
ALAGOAS
SERGIPE
SÃO PAULO
RIO DE JANEIRO
ESPÍRITO SANTO
ACRE
AMAZONAS
PERU
RORAIMA
VENEZUELA
COLÔMBIA GUIANA
SURINAME Guiana
Francesa
(França)
RONDÔNIA
BOLÍVIA
CHILE
PARAGUAI
URUGUAI
ARGENTINA
MATO GROSSO
MATO GROSSO
DO SUL
PARANÁ
SANTA CATARINA
MINAS GERAIS
TOCANTINS
RIO GRANDE DO SUL
PONTOS EXTREMOS
NORTE
Nascente do Rio Ailã,
no Monte Caburaí (RR),
fronteira com a Guiana
LESTE
Ponta do
Seixas (PB)
SUL
Arroio Chuí (RS), na
fronteira com o Uruguai
OESTE
Nascentes do
Rio Moa, na Serra
de Contamana (AC),
fronteira com o Peru
Fontes: IBGE (mapa) e Ministério das Relações Exteriores (tabela)
Obs.: O território da Guiana Francesa (França)
mantém fronteira de 730 km com o Brasil
Manaus
Rio Branco
Porto Velho
Boa Vista
Macapá
Belém
São Luís
Teresina
Fortaleza
Natal
Recife
Maceió
Aracaju
Salvador
Palmas
Cuiabá
Goiânia
Campo Grande Vitória
São Paulo
Curitiba
Florianópolis
Porto Alegre
Rio de Janeiro
Belo Horizonte
João Pessoa
PAÍSES QUE FAZEM FRONTEIRA COM O BRASIL
País
Bolívia
Peru
Venezuela
Colômbia
Guiana
Paraguai
Argentina
Uruguai
Suriname
3.423
2.995
2.199
1.644
1.606
1.366
1.261
1.069
593
Fronteira
(em km)
3’50’S
Fernando de
Noronha (PE)
32’24’O
Penedos de
S. Pedro e
S. Paulo (RN)
3’56’S
29’22’O
ESTADOS E CAPITAIS BRASILEIROS
127
GE GEOGRAFIA 2018
VENDA PROIBIDA
Sul
Sudeste
Nordeste
Centro-Oeste
Norte
32.687
37.298
14.329
35.653
17.879
R$ 5,78
trilhões
206.081
Norte
Nordeste
Centro-Oeste
Sul
Sudeste
PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 2014
Em %, por região e total
POPULAÇÃO – 2016
Em milhares e em %, por região
Fontes: Projeção da População e Contas Nacionais – IBGE
PIB PER CAPITA – 2014
(em reais)
ÁREA* (em %) Total do Brasil: 8.515.767 km2
Centro-Oeste
18,9
Norte
45,2
Nordeste
18,2
Sudeste
10,9
Sul
6,8
*Distribuição nas regiões brasileiras
Nordeste
56.916
27,6%
Sul
29.440
14,3%
Norte
17.708
8,6%
Centro-Oeste
15.661
7,6%
Sudeste
86.357
41,9%
Nordeste
13,9
Sul
16,4
Norte
5,4
Centro-Oeste
9,4
Sudeste
54,9
128 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS BRASIL
Perfil das regiões
O que dizem os números
DISPARIDADES REGIONAIS
Apesar de o Norte ocupar 45,2% do espaço territorial brasileiro, apenas 8,6% dos brasileiros habitam a região. O Sudeste, por sua vez, abrange apenas 10,9% da área brasileira,
mas responde por 41,9% da população e mais da metade do total de bens e serviços produzidos no país – o Produto Interno Bruto (PIB). Já o Nordeste, com 27,6% da população
brasileira, é a segunda região mais populosa do país, mas é responsável por apenas 13,9% do PIB nacional. Como consequência, a região apresenta o menor PIB per capita do Brasil:
o trabalhador nordestino recebe em média 14.329 reais por ano. O valor representa menos da metade do que ganha anualmente os habitantes do Sudeste, donos do maior PIB per
capita do país: 37.298 reais por ano.
VENDA PROIBIDA
129
GE GEOGRAFIA 2018
CENTRO-
OESTE NORDESTE
73%
é a taxa de urbanização
do Nordeste em 2015, a
menor do Brasil
Ocernebrasileiro
F
ormada pelos estados de Goiás, Mato
Grosso, MatoGrossodoSul e pelo Dis-
trito Federal, a região localiza-se no ex-
tenso Planalto Central. Seu relevo se caracteriza
por terrenos antigos e aplainados pela erosão,
que originaram chapadões. O território também
abriga a planície do Pantanal Mato-Grossense,
cortada pelo Rio Paraguai e sujeita a cheias
durante parte do ano. O clima do Centro-Oeste
é tropical semiúmido e úmido, com chuvas de
verão. A vegetação é de cerrado nos planaltos.
No Pantanal, considerado patrimônio da hu-
manidade pela Unesco, os campos cerrados
dividem o espaço com a floresta, que se torna
mais fechada e úmida no norte do Mato Grosso.
POPULAÇÃO Ainda no Brasil colônia, o povoamento do
Centro-Oeste resulta de dois movimentos migratórios.
Um vem do Sul e do Sudeste, em virtude do transporte
de gado às fazendas que ali começaram a se instalar e
da ação dos bandeirantes paulistas. O outro movimen-
to vem do Nordeste, também ligado ao comércio de
gado, que acaba criando, e fortalecendo, os primeiros
povoados da região. No século XX, as maiores ondas
migratórias vêm do Nordeste e ocorrem a partir dos
anos 1950, com a construção da nova capital federal,
Brasília. Segundo o IBGE, o Centro-Oeste é a região do
paísqueproporcionalmentemaisrecebeimigrantes,com
30,2% de residentes vindos de outros estados em 2015.
ECONOMIAOcrescimentoeconômicodaregiãodeve-se,
sobretudo,aobomdesempenhodosetoragropecuário.
Comcercade72milhõesdecabeçasdegado,orebanho
bovino do Centro-Oeste responde por um terço do total
dopaís.Naagricultura,osprodutosmaisimportantessão
oalgodão,omilhoe,principalmente,asoja,cujacolheita
respondeporquasemetadedaproduçãonacional.Entre
osrecursosmineraisquemaissedestacamestãocalcário,
cobre, níquel e manganês.
Por outro lado, a região enfrenta o desafio de aliar o
crescimento econômico com a preservação ambiental.
A adaptação da soja ao solo do cerrado devastou grande
parte da vegetação local, e a cultura do grão avança para
o norte de Mato Grosso, rumo à Floresta Amazônica.
POPULAÇÃO A história nordestina é marcada pelos movimentos migratórios. No fim
do século XIX, o ciclo da borracha na Amazônia deu início à migração dos nordesti-
nos, que aumentou no século XX para o Sudeste, com a industrialização, e para o
Centro-Oeste, com a construção de Brasília. Além da atração econômica de outras
regiões, os fluxos migratórios são motivados pelos períodos de seca.
ECONOMIA Nos últimos anos, a economia nordestina vem apresentando crescimen-
to. Com a guerra fiscal (concessão de benefícios fiscais pelos governos estaduais
com o objetivo de atrair empresas), uma série de indústrias se instalou nos estados
nordestinos para fugir da carga tributária mais pesada no Sul e no Sudeste. Além
disso, a região é a segunda produtora de petróleo do país – lá funciona um dos polos
petroquímicos mais importantes: o de Camaçari (BA).
Apesar dos longos períodos de seca, a pecuária e a agricultura vêm ganhando
destaque. A boa adaptação das cabras ao clima local faz com que o Nordeste tenha
o maior rebanho do país. A cana-de-açúcar é o produto agrícola de destaque, mas
as lavouras irrigadas de frutas tropicais têm crescido em importância na produção
nacional. Outro setor relevante na economia nordestina é o turismo.
Alémdosertão
F
ormada por nove estados – Maranhão, Piauí, Ceará, Rio
Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e
Bahia –, a maior parte da região é constituída por extensos pla-
naltos, antigos e aplainados pela erosão. Os climas predominantes são o
tropicaleosemiárido,comgrandepartedoterritóriocobertapelacaatinga.
O Nordeste reúne os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano
(IDH) do país, com altas taxas de mortalidade infantil e analfabetismo.
PRÉ-HISTÓRIA Pinturas rupestres no sítio arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí
PABLO DE SOUZA/CIA DA LUZ
VENDA PROIBIDA
130 GE GEOGRAFIA 2018
ATLAS BRASIL
NORTE SUDESTE
98%
das terras indígenas
brasileiras encontram-se
na Amazônia Legal
Gigantesetentrional
F
ormada por sete estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Ron-
dônia, Roraima e Tocantins), a região é banhada pelos grandes
rios das bacias Amazônica e do Tocantins. Em todo o Norte
predomina o clima equatorial. A Floresta Amazônica, a vegetação mais
abundante, é uma das áreas de maior biodiversidade do planeta. Esse
patrimônio, contudo, está ameaçado pelo desmatamento.
POPULAÇÃO A maior concentração de índios está no Norte e, segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região abriga 342,8 mil índios de diversas
etnias (38% do total). Amazonas, Pará e Roraima são os estados com a maior concen-
tração indígena. No decorrer das décadas, os estados do Norte também receberam
grandes levas de imigrantes de outras regiões, sobretudo do Nordeste.
ECONOMIA Além do intenso extrativismo vegetal, de produtos como látex e madeira,
a região é rica em minérios. Lá estão a Serra dos Carajás (PA), a mais importante
área de mineração do país, rica em manganês, ferro e ouro, e a Serra do Navio (AP).
A economia foi bastante beneficiada com a instalação, no fim da década de 1960,
da Zona Franca de Manaus, baseada em políticas de incentivo fiscal. Com mais de
600 indústrias, o Polo Industrial de Manaus responde por cerca de metade do PIB do
Amazonas. Os principais setores do polo são o eletroeletrônico, de informática, motos
e bicicletas, químico e de refrigerante. Nos últimos anos, contudo, o crescimento eco-
nômico tem ocorrido à custa de atividades de grande impacto ambiental: o aumento
da pecuária extensiva – um terço do rebanho do país está na Amazônia –, o avanço
da agricultura, sobretudo das lavouras de soja e, por fim, a extração de madeira.
A FILA ANDA Duas famílias reunidas na cidade de Breves, na região do Marajó, no Pará
Multidãourbana
F
ormada por quatro estados – Espírito
Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio
de Janeiro –, a região situa-se na parte
mais elevada do Planalto Atlântico, onde estão as
serras da Mantiqueira, do Mar e do Espinhaço.
Os climas predominantes são tropical úmido, se-
miúmido e de altitude. A mata tropical nativa foi
praticamente devastada durante o povoamento.
O relevo planáltico do Sudeste confere grande
potencial hidrelétrico à região. Em Minas Gerais
ocorre o encontro da nascente de duas impor-
tantes bacias hidrográficas: a do Rio Paraná,
que se forma próximo à região conhecida como
Triângulo Mineiro, e a do Rio São Francisco,
que nasce na Serra da Canastra.
[1]
[2]
VENDA PROIBIDA
131
GE GEOGRAFIA 2018
SUL
4,1%
é a taxa de analfabetismo
na Região Sul, a menor
do Brasil
93%
dos habitantes da Região
Sudeste vivem nas
cidades
CARTÃO-POSTAL Vista aérea
da cidade do Rio de Janeiro,
com o Cristo Redentor e o
Pão de Açúcar ao fundo FLORESTA NATIVA A Mata de Araucária é uma cobertura vegetal típica da Região Sul
POPULAÇÃO A região é
a que concentra a maior
população do país, com
cerca de 86,3 milhões de
habitantes em 2016, mais
de 40% do total brasilei-
ro. É também a que tem
a maior densidade demo-
gráficaeomaisaltoíndice
de urbanização: 93,1%.
Abriga as duas mais im-
portantes metrópoles
nacionais – São Paulo e
Rio de Janeiro. Com Belo
Horizonte,astrêsformam
asmaioresregiõesmetro-
politanas do país, reunin-
do 19% da população.
Se, por um lado, o Su-
deste responde pela
maior parcela da riqueza
do Brasil, por outro é a re-
gião que mais sofre com
o desemprego e o cresci-
mentodaviolência.Ainda
assim, seus indicadores
sociais estão entre os me-
lhores do país.
ECONOMIA O Sudeste
respondepormaisdame-
tade do Produto Interno
Bruto(PIB)nacional.Com
as maiores montadoras e
siderúrgicas do país, a re-
giãopossuiumaprodução
industrial de ponta. Os
serviços e o comércio são
osprincipaisramosdeati-
vidade.Alémdisso,afaixa
litorânea da região abriga
a maior parte das jazidas
depetróleodopaís,como
a Bacia de Santos (SP) e
a Bacia de Campos (RJ) –
esta última responde por
cercade80%daprodução
nacional.
Temperaturaemqueda
F
ormada por três estados – Santa Catarina, Paraná e Rio Grande
doSul–,aregiãovivesobainfluênciadoclimasubtropical,respon-
sávelpelastemperaturasmaisbaixasregistradasnoBrasilduranteo
inverno.Avegetaçãoacompanhaavariaçãodatemperatura:noslocaismais
frios predominam as matas de araucárias (pinhais) – que estão reduzidas
a apenas 2% da área original – e, nos pampas, os campos de gramíneas.
POPULAÇÃO A região é marcada pela chegada dos
imigrantes europeus, a partir da primeira metade do
século XIX, que contribuíram para o desenvolvimento
daeconomia,baseadanapequenapropriedaderuralde
policultura. A localidade apresenta os melhores indica-
doresdemortalidadeinfantil,educaçãoesaúdedopaís.
ECONOMIA O setor de serviços responde pela maior
parte das riquezas da região. Depois vem a indústria –
comdestaqueparaossetoresmetalúrgico,automobilís-
tico e têxtil. A agropecuária também é importante para
a economia: o Sul detém 36% da produção nacional
de grãos e, nos pampas gaúchos, a principal atividade
é a criação de rebanhos bovinos. Existe, ainda, grande
potencial hidrelétrico, com destaque para a Usina de
Itaipu, localizada no Rio Paraná, na fronteira do Brasil,
no estado do Paraná, com o Paraguai.
[1] EDMAR FARIAS [2]OSCAR CABRAL [3] ALEXANDRE SANT'ANNA
[3]
VENDA PROIBIDA
132 GE GEOGRAFIA 2018
RAIO X
DECIFREOSENUNCIADOSEVEJAASCARACTERÍSTICASTÍPICASDASQUESTÕESQUECAEMNASPROVAS
FUVEST 2017 – 2ª FASE
O gráfico ilustra estimativas das áreas continentais ocupadas por ecossistemas
terrestres naturais (floresta primária e campos naturais), por ecossistemas de
uso humano (floresta secundária e silvicultura, áreas de pastagem e lavouras),
pela água em estado líquido, pelo gelo, além de outras áreas terrestres, desde
o século XIV até o final do século XX. Observa-se que, a partir da Revolução
Industrial 3, iniciada em meados do século XVIII, a extensão das áreas
ocupadas por esses ecossistemas sofreu alterações.
DICAS PARA A RESOLUÇÃO
a) “A redução de áreas de florestas primárias, a partir da Revolução Industrial,
deveu-se majoritariamente à expansão das áreas de lavoura no mundo”.
Os dados representados no gráfico apoiam essa afirmação? Justifique sua
resposta.
b) Mantidas as condições ambientais deste início do século XXI, o que se pode
prever, quanto à área ocupada pelo gelo, no final do século?
1 A leitura deste gráfico permite observar o quanto
aumentou ou diminuiu as áreas terrestres em
cada um dos ecossistemas apresentados no eixo
da direita. No eixo da esquerda, encontram-se os
valores, em quilômetros quadrados.
2 Para ver a evolução histórica do quanto
aumentaram ou diminuíram as áreas terrestres,
fique atento ao eixo horizontal, que indica o
período entre os anos 1300 e 2000.
3 Esta informação é importante para interpretar o
que diz o gráfico. O enunciado atenta para o fato
de que, após a Revolução Industrial, em meados
do século XVIII (entre 1700 e 1800) houve uma
importante mudança nas áreas ocupadas. Esse
período marca uma nova relação do homem com
a natureza, provocando intensa urbanização e
crescimento populacional.
4 Repare no gráfico que, no período de 1300 até
1700, todas as linhas referentes aos ecossistemas
permanecem retas, na horizontal, o que não
indica alterações. Somente após 1700, período
correspondente ao início da Revolução Industrial,
a maior parte dessas linhas começa a se inclinar
para cima ou para baixo, mostrando alterações no
uso das terras. As mudanças mais evidentes são a
diminuição das florestas primárias e o aumento das
áreas de lavoura e pastagens.
A Repare que, apesar de o eixo da esquerda trazer as informações quan-
titativas, em quilômetros quadrados, a simples interpretação visual
do gráfico já nos permite entender o que aconteceu após a Revolução
Industrial e responder a esta questão. De fato, há uma redução na área
de florestas primárias. Mas compare visualmente a evolução das áreas
de lavoura e de pastagem e você perceberá que esta última expandiu-se
bem mais do que a primeira, o que contradiz o que afirma o enunciado
da questão. O aumento das áreas de lavoura e, principalmente, de pas-
tagem é decorrente do crescimento demográfico posterior à Revolução
Industrial, que aumentou a demanda por alimentos.
B A resposta deste item requer conhecimentos
acercadasconsequênciasdoaquecimentoglobal
para a Terra. Umdos efeitos mais destacados é
a diminuição da área ocupada pelo gelo, como
ascalotaspolareseosglaciares.Notenográfico
que, entre 1300 e 2000, a área de gelo perma-
neceu inalterada. Mas, mantida a tendência
de elevação da temperatura média na Terra
verificadanoiníciodoséculoXXI,aperspectiva
é que a área ocupada pelo gelo diminua.
1
4
1
2
VENDA PROIBIDA
133
GE GEOGRAFIA 2018
UNESP 2016 – 2ª FASE
O que o gráfico permite analisar? Considerando as informações do gráfico, indique os intervalos percentuais aproximados das legendas do
mapa para os tipos I e V.
1 O gráfico em forma de pirâmide traz informações
sobre o uso da terra em cada estado da Federação.
Nos três eixos do gráfico é possível verificar as
seguintes coberturas da superfície do território:
mata/floresta, lavoura e pastagem.
2 Repare que dentro da pirâmide encontram-
se distribuídas as siglas de todos os estados
brasileiros. A posição deles traz as informações
sobre o uso da terra em cada uma das três
coberturas apresentadas. Note que há um traçado
em volta das siglas que indica um número em
algarismo romano. Essa informação é importante
para fazer a leitura cruzada com o mapa, como
veremos adiante.
3 Aqui temos uma importante dica para interpretar as
informações deste gráfico. Isole um estado qualquer
dentro da pirâmide. A partir daí, veja que posição ele
ocupa dentro dos três eixos da pirâmide e qual
o percentual informado. Tome como exemplo o Acre,
que ocupa a posição mais próxima do topo. O gráfico
nos informa que o estado faz o seguinte uso da terra:
Mata/floresta: cerca de 70%
Lavoura: cerca de 10%
Pastagem: cerca de 20%
4 O mapa revela a classificação de estado de acordo
com o tipo de interferência no uso do solo (lavoura,
pastagem, mata/floresta) e o grau de intensidade
(pouco, muito etc.). Para ler a informação correta
basta observar a cor de cada estado e associá-la à
legenda correspondente. Mas repare que o mapa
não informa o nome dos estados.
DICAS PARA RESOLUÇÃO
Note que a questão não exige explicações sobre o uso do solo no Brasil –
para responder à questão, basta analisar corretamente os dados do gráfico
e do mapa. A primeira pergunta tem resposta simples, basta dizer o que
o gráfico informa: ele permite analisar o uso do solo ao longo de 2006 em
todas as unidades federativas do país, a partir de três variáveis: mata/
floresta, lavoura e pastagem.
Já para responder à segunda questão é preciso cruzar as informações
percentuais do gráfico com o tipo de uso de solo apresentado nas legendas
do mapa. Pela leitura do gráfico e do mapa, observamos que o tipo I inclui
os estados do Acre e do Amapá. Já o tipo V tem apenas o estado do Rio
de Janeiro. Logo, para responder a questão basta observar os percentuais
aproximados desses estados fazendo a correta leitura do gráfico da pirâmide.
Dessa forma, temos a seguinte resposta:
1
1
1
2
3
4
Tipo I Tipo V
Mata /floresta 60 a 70% 15%
Lavoura 5% 25%
Pastagem 25 a 35% 65%
Unidades da
Federação
Acre e
Amapá
Rio de
Janeiro
VENDA PROIBIDA
134 GE GEOGRAFIA 2018
SIMULADO
QUESTÕES SELECIONADAS ENTRE OS MAIORES VESTIBULARES DO PAÍS COM RESPOSTAS COMENTADAS
1.ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS (Unicamp 2016)
A imagem abaixo corresponde a um fragmento de uma carta topográfica em
escala 1:50.000. Considere que a distância entre A e B é de 3,5 cm.
A partir dessas informações, é correto afirmar que:
a) O rio corre em direção sudeste, sendo sua margem esquerda a de maior
declividade. Apresenta um comprimento total de 17.500 metros.
b) Oriocorreemdireçãosudoeste,sendoamargemdireitaademaiordeclividade.
Apresenta um comprimento total de 1.750 quilômetros.
c) O rio corre em direção sudeste, sendo sua margem esquerda a de maior
declividade. Apresenta um comprimento total de 1.750 metros.
d) O rio corre em direção sudoeste, sendo sua margem esquerda a de maior
declividade. Apresenta um comprimento total de 175 metros.
2.FUSOS HORÁRIOS (CFTMG 2017) Analise o mapa e leia o trecho a seguir.
A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 foi transmitida ao vivo
no dia 5 de agosto de 2016, às 20h (BRT). Telespectadores do mundo inteiro
assistiramàtransmissãosimultâneaapartirdediferentesemissorasdesistemas
de comunicação. A localidade que assistiu à transmissão pela hora oficial de
seu país, em data posterior ao fuso brasileiro e mais próximo ao término do
horário matutino, foi a capital da
a) Índia.
b) China.
c) Austrália.
d) Nova Zelândia.
3.ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS (Enem 2015)
QUEIROZ FILHO, A. P. ; BIASI, M. Técnicas de cartografia. In: VENTURI, L. A. B. (Org.).
Geografia: Práticas de Campo, Laboratório e Sala de Aula. São Paulo: Sarandi (adaptado).
As figuras representam a distância real (D) entre duas residências e a distân-
cia proporcional (d) em uma representação cartográfica, as quais permitem
estabelecer relações espaciais entre o mapa e o terreno. Para a ilustração
apresentada, a escala numérica correta é:
a) 1/50.
b) 1/5.000.
c) 1/50.000.
d) 1/80.000.
e) 1/80.000.000.
4.PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS (FGV 2015) Examine a seguinte figura:
Disponível em: http://www.progonos.com/fruti/MapProj/Dither/TOC/cartTOC.html
VENDA PROIBIDA
135
GE GEOGRAFIA 2018
A figura contém diferentes representações da América do Sul extraídas de
mapas-múndi. Isso se deve
a) à existência de diversas formas de projeções cartográficas, que constituem a
técnica variável de se trazer para o plano o que é curvo na realidade.
b) à multiplicidade de projeções cartográficas, todas igualmente precisas na
representação das formas e dos tamanhos dos continentes.
c) à permanência das antigas projeções por costume problemático do sistema
escolar, pois as tecnologias informatizadas tornaram as projeções obsoletas.
d) àsescolhasmarcadasporinteressesdoscartógrafosquedefinemasprojeções,
visando a projetar imagens do mundo mais favoráveis aos países mais ricos.
e) àherançadopassadodastécnicascartográficas,quandoaindanãohaviasido
solucionada definitivamente a questão de como projetar o plano no curvo.
5.TIPOS DE RELEVO (Espcex-Aman 2016)
O relevo é o resultado da atuação de forças de origem interna e externa, as
quais determinam as reentrâncias e as saliências da crosta terrestre. Sobre
esse assunto, podemos afirmar que
I. o surgimento das grandes cadeias montanhosas, como os Andes, os Alpes e o
Himalaia,resultadosmovimentosorogenéticos,caracterizadospeloschoques
entre placas tectônicas.
II. o intemperismo químico é um agente esculpidor do relevo muito caracterís-
tico das regiões desérticas, em virtude da intensa variação de temperatura
nessas áreas.
III. extensas planícies, como as dos rios Ganges, na Índia, e Mekong, no Vietnã,
são resultantes do trabalho de deposição de sedimentos feito pelos rios,
formando as planícies aluviais.
IV. os planaltos brasileiros caracterizam-se como relevos residuais, pois perma-
neceram mais altos que o relevo circundante, por apresentarem estrutura
rochosa mais resistente ao trabalho erosivo.
V. porsituar-seemáreadeestabilidadetectônica,oBrasilnãopossuiformasde
relevo resultantes da ação do vulcanismo.
Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas
a) I, II e III
b) I, III e IV
c) II, IV e V
d) I, II e V
e) III, IV e V
6.CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS (Unicamp 2016)
A figura abaixo apresenta a sequência evolutiva de um perfil de solo.
a) Quais são os fatores ambientais que interagem para o desenvolvimento de
um perfil de solo?
b) Aaçãohumanapodeinterferirnodesenvolvimentodeumperfildesolocomo
o apresentado. Como pode ser essa interferência?
7.TIPOS DE RELEVO (FGV-Adm 2013)
Associe algumas formas de relevo do território brasileiro com sua descrição.
1. chapada
2. planalto
3. planície
4. depressão
( ) Relevo aplainado, rebaixado em relação ao seu entorno e com predomi-
nância de processos erosivos.
( ) Forma predominantemente plana em que os processos de sedimentação
superam os de erosão.
( ) Terreno com extensa superfície plana em área elevada.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) 1 – 2 – 3
b) 3 – 1 – 4
c) 3 – 4 – 2
d) 4 – 3 – 1
e) 4 – 1 – 2
8.RELEVO EM MOVIMENTO (PUC-PR 2015)
Analise os dados da tabela abaixo.
Ano Local
Magnitude
(escala Ritcher)
Mortos
2003 Irã 6,3 26.000
2004 Indonésia 9,1 300.000
2005 Paquistão/Índia 8,6 73.000
2008 China 7,8 87.000
2010 Haiti 7 230.000
2011 Japão 9 25.000
Fonte: Adaptado da Folha de S.Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/04/1621358-
-numero-de-mortos-no-nepal-passa-de-2000-paisesenviam-ajuda.shtml. Acesso em: 13 mai. 2015.
Assinale a alternativa que correlaciona CORRETAMENTE o fenômeno natural
identificado na tabela com suas consequências para as sociedades humanas.
a) Consequência dos movimentos tectônicos, os terremotos geram vítimas em
número proporcional a sua magnitude.
b) OspaísesquecompõematabelaestãonochamadoCírculodeFogodoPacífico,
área que apresenta grande atividade sísmica e nações subdesenvolvidas.
c) Osterremotosresultamdeforçasinternasincontroláveis,capazesdegerarenormes
prejuízos sociais e econômicos, sobretudo em países com estruturas precárias.
d) Muito frequentes em áreas de contato entre as placas tectônicas, o impacto
socioeconômico dos terremotos restringe-se ao epicentro.
e) O elevado número de mortes, visualizado na tabela, revela o baixo interesse
científico no estudo dos fenômenos naturais por parte das nações mais
afetadas por terremotos.
VENDA PROIBIDA
136 GE GEOGRAFIA 2018
SIMULADO
9.PLACAS TECTÔNICAS (Uerj 2016)
10.DESLIZAMENTO DE TERRA E INUNDAÇÕES (Mackenzie 2015)
Observe a imagem para responder à questão.
Fonte: Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras.
A imagem retrata um tipo de ocupação muito comum no Brasil, relacionada
muitasvezesaumgraveproblemasocioambiental.Aesserespeito,considere
as afirmativas a seguir:
I. Aocupaçãoirregulardasencostastendeaelevaraexposiçãodossolosàsenxur-
radas,contribuindoparadeslizamentosquetrazemperdashumanasemateriais.
II. Osescorregamentosdesolosocorremporocasiõesdaschuvasmaisfortes,eviden-
ciandoocaráteracidentaldessefenômeno.Oprocessoerosivoprovocadopelas
chuvasdemenorintensidadenãoéumfatordemaiorimportâncianestecaso.
III. Aocupaçãodasencostaséumadecorrênciadaexclusãosocialquedificultao
acesso de muitas pessoas à moradia. Portanto, esse fenômeno nunca atinge
pessoascommelhorescondiçõessocioeconômicas,poissuasmoradiasestão
sempre localizadas em áreas fora de risco.
IV. A irregular ocupação das encostas envolve problemas diferentes que, com-
binados, resultam nos deslizamentos de solos. Entre esses problemas estão:
ineficiência da fiscalização dos agentes públicos na ocupação de áreas de
risco;dificuldadedeacessoahabitaçãoentreosmaispobres;monitoramento
inexistente ou insuficiente para minimizar o problema.
Estão corretas apenas as afirmativas
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) II e III.
e) I e IV.
11.COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA GEOLÓGICA (Unicamp 2016)
A imagem abaixo apresenta um graben, formado a partir do abatimento de
um bloco da crosta ao longo de falhas normais.
a) Quaissãoosprocessosquegeramabatimentosdacrostaassociadosàsfalhas
normais? Por que nessas áreas formam-se bacias sedimentares?
b) Indiquedoisrecursosmineraisqueseformamjuntocomaevoluçãodebacias
sedimentares.
Considere as áreas 1 e 2 assinaladas no mapa e,
também,aclassificaçãoapresentadaparaostipos
demovimentosdasplacastectônicas.Identifiqueo
tipodemovimentodasplacastectônicasqueocorre
na área 1 e o que ocorre na área 2.
Cite,ainda,doisfenômenosnaturaisquedecorrem
do contato entre placas tectônicas.
TIPOS DE PLACAS TECTÔNICAS
LOCALIZAÇÃO DAS PLACAS TECTÔNICAS
A
C
B
D
As placas podem romper-se
e separar-se.
Uma placa pode mergulhar
sob outra.
As placas podem colidir
e elevar-se juntas.
Uma placa pode deslizar
em relação à outra.
VENDA PROIBIDA
137
GE GEOGRAFIA 2018
12. ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO (PUC-RS 2015)
Considere o texto e as afirmativas a seguir.
A água armazenada no planeta parece ser abundante, mas o modelo de
desenvolvimento econômico vigente em todos os países do mundo busca um
aumento contínuo da produção e do consumo de bens, o que ameaça a dinâ-
mica da natureza. Isso afeta, por exemplo, a disponibilidade, o tratamento e
a distribuição de água potável para as comunidades humanas.
Sobre esse fato, afirma-se:
I. Os representantes dos países participantes da primeira Conferência das
Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio de Janeiro 72
– manifestaram sua preocupação em relação ao fato de colocarem em risco
os seus recursos hídricos.
II. A Carta da Terra, lançada na ECO 92, propõe várias políticas referentes aos
recursos naturais, estabelecendo as bases para cuidados ambientais dos
recursos hídricos.
III. Hoje temos que enfrentar a má qualidade da água, em decorrência da
poluição, além da ameaça de quantidades insuficientes desse recurso para
o crescente consumo.
IV. Aságuascontinentais,consideradasumbemlivre,vãosetornandorapidamente
umrecursonaturalestratégico,originando,inclusive,conflitospelasuaposse.
Estão corretas apenas as afirmativas
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.
13.POLUIÇÃO HÍDRICA (Enem PPL 2014)
A eutrofização é um dos fenômenos responsáveis pela mortalidade de parte
das espécies aquáticas e, em regiões próximas a centros urbanos, pela perda
da qualidade de vida da população. Um exemplo é a Lagoa da Pampulha, um
dos mais conhecidos pontos turísticos da capital de Minas Gerais, onde as
atividades de pesca e nado não são mais permitidas.
Para evitar a ocorrência desse fenômeno em lagos deve-se
a) manter inalterado seu volume de água.
b) aumentar a população de algas planctônicas.
c) diminuir o teor de nutrientes despejados nas águas.
d) impedir a fotossíntese das algas abaixo da superfície.
e) aumentar a população de espécies do topo da cadeia alimentar.
14.ESCASSEZ HÍDRICA NO BRASIL (FGV Adm 2015)
A recuperação e a conservação de apenas 3% das áreas dos quatro principais
mananciais que abastecem a Grande São Paulo reduziriam pela metade o
assoreamentodoscórregoseriosquealimentamasrepresas,garantindomais
água e melhor qualidade em tempos de escassez hídrica.
Fonte: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,reflorestar-area-ampliaria-reserva-de-agua-em-sp,156046
Considerandoareportagemeseusconhecimentossobreoassunto,écorretoafirmar:
a) Osinvestimentoseminfraestruturaverde,taiscomoarecuperaçãoeaconser-
vaçãodemananciais,resultamemaumentonacapacidadedearmazenamento
de água e em redução dos custos com tratamento e desassoreamento.
b) A recuperação e a conservação das áreas dos mananciais é uma alternativa
aoracionamentodeágua,jáquerepresentaumasoluçãodecurtoprazopara
ampliar a oferta hídrica na Grande São Paulo.
c) Osprojetosderecuperaçãoeconservaçãodecoberturavegetalsão,emmédia,
muitomaiscarosqueasimplestransposiçãodebaciashidrográficas,fatoque
explica a rejeição do poder público a esses projetos.
d) AsregiõespaulistasdemananciaisjáestãoprotegidaspelaLeideMananciais,
quelimitaefetivamenteodesmatamento;assim,oganhocomarecuperação
e a conservação seria apenas marginal.
e) Mesmo se ocorressem a recuperação e a conservação das bacias, a situação
de abastecimento de água continuaria dramática na Grande São Paulo, pois
a população continua crescendo exponencialmente e não há solução técnica
capaz de garantir o abastecimento para tanta gente.
15.POLUIÇÃO HÍDRICA (Enem 2014)
Os dois principais rios que alimentavam o Mar de Aral, Amurdarya e Sydarya,
mantiveram o nível e o volume do mar por muitos séculos. Entretanto, o
projetodeestabelecereexpandiraproduçãodealgodãoirrigadoaumentoua
dependênciadeváriasrepúblicasdaÁsiaCentraldairrigaçãoemonocultura.
Oaumentodademandaresultounodesviocrescentedeáguaparaairrigação,
acarretando redução drástica do volume de tributários do Mar de Aral. Foi
criado na Ásia Central um novo deserto, com mais de 5 milhões de hectares,
como resultado da redução em volume.
TUNDISI, J. G. Água no século XXI: Enfrentando a Escassez. São Carlos: Rima, 2003.
Aintensainterferênciahumananaregiãodescritaprovocouosurgimentode
uma área desértica em decorrência da
a) erosão.
b) salinização.
c) laterização.
d) compactação.
e) sedimentação.
16.METEOROLOGIA (Unesp 2016)
Ercilla T. Steinke. Climatologia Fácil, 2012. Adaptado.
A imagem ilustra o trajeto mais comum dos pilotos de asa-delta entre o Vale
do Paranã e a Esplanada dos Ministérios em Brasília, distantes cerca de 90
quilômetros. Constituem fatores que permitem a longa duração deste voo:
a) oângulodeincidênciadosol(aintensidadedeenergiasolarqueatingeaTerra)
eafrenteoclusa(aaçãodomovimentodacorrentedearfriolevantandooar
quente até que ele perca seu contato com a superfície).
VENDA PROIBIDA
138 GE GEOGRAFIA 2018
SIMULADO
b)agravidade(aforçadeatraçãoentredoiscorpos)eaexpansãoadiabática(aexpansão
degrandesbolhasdearatéencontraremmenoresvaloresdepressãoatmosférica).
c) a brisa terrestre (a formação de um campo de alta pressão junto à superfície)
e os ventos divergentes em altitude (a conformação de uma área receptora
de ventos ascendentes).
d) o atrito (a força gerada no sentido contrário ao deslocamento do vento) e o
efeitodeCoriolis(arotaçãodasmassasdearnosentidohorizontalemfunção
do movimento da própria Terra).
e) oprocessodecondução(atransferênciadecalordasuperfícieparaacamada
mais próxima da atmosfera) e o processo de convecção (a dinâmica cíclica
entre o ar quente que sobe e o ar frio que desce).
17.CLIMAS DO BRASIL (PUC-Campinas 2016)
JoséLinsdoRegofoiautordeimportantesobrasliteráriasquetêmcomopalco
o Nordeste brasileiro. Um de seus mais importantes romances é Menino de
Engenho, do qual foi retirado o seguinte trecho:
Lá um dia, para as cordas das nascentes do Paraíba, via-se, quase rente do
horizonte, um abrir longínquo e espaçado de relâmpago: era inverno na
certa no alto sertão. As experiências confirmavam que com duas semanas de
invernooParaíbaapontarianavárzeacomasuaprimeiracabeça-d’água.Orio
no verão ficava seco de se atravessar a pé enxuto. Apenas, aqui e ali, pelo seu
leito, formavam-se grandes poços, que venciam a estiagem. Nestes pequenos
açudes se pescava, lavavam-se os cavalos, tomava-se banho.
Menino de Engenho. 77 Ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 2000, p. 54
Ofatodeoleitodorioficarpraticamenteseconoverãoétípicodahidrografia
deáreasdoSertãonordestino,queapresentamcomoumadesuasimportantes
características
a) areduzidapluviosidade,provocadapormúltiplosfatores,entreelesadinâmica
atmosférica que limita a ação de massas úmidas.
b) o inverno semelhante ao encontrado no clima subtropical do sul do Brasil:
redução das temperaturas devido à presença da massa polar.
c) o verão pouco chuvoso com elevadas temperaturas que se assemelham às
condições do verão da porção centro-sul do Brasil.
d) a fraca pluviosidade provocada pelas condições de relevo pouco acidentado
e com baixas altitudes, que impedem a formação de chuvas orográficas.
e) a reduzida atuação de massas de ar, como a tropical continental e a polar
atlântica, ambas portadoras de elevado grau de umidade.
18.CLIMAS DO MUNDO (Mackenzie 2015)
Observe o mapa.
PRINCIPAIS DESERTOS DO MUNDO
http://gigantesdomundo.blogspot.com.br/2011/11/0s-10-maiores-desertos-do-mundo.html
Tendo como base de análise o mapa e seus conhecimentos, identifique a
alternativa que contenha, apenas, informações corretas.
a) O número 1 no mapa corresponde ao Deserto do Saara. Tem sua origem nas
massas de ar muito secas da região do Sahel e também por ser entrecortado
pela linha do Equador.
b) Onúmero2nomapacorrespondeaoDesertodoKalahari.Temsuaorigemdevido
à influência direta da Corrente Marítima do Atlântico Sul. Sendo fria, provoca
precipitaçõessobreomare,assim,asmassasdearchegamsecasaocontinente.
c) O número 3 no mapa corresponde ao Deserto do Atacama. Tem sua origem
devido à influência direta da Corrente Marítima de Humboldt. Sendo fria,
provoca resfriamento na atmosfera junto ao oceano e precipitações sobre
o mar, fazendo com que as massas de ar cheguem mais secas ao continente.
d) Onúmero1nomapacorrespondeaoDesertodoSaara.Temsuaorigemdevido
àinfluênciadiretadaCorrenteMarítimadeBenguela.Sendoquenteeúmida,
ao adentrar no continente condensa e precipita completamente ao cruzar o
compartimento geológico dos Montes Atlas.
e) O número 2 no mapa corresponde ao Deserto da Namíbia. Tem sua origem
devidoàinfluênciadiretadaCorrenteMarítimadeFalklands.Sendoquentee
úmida,aopenetrarnocontinenteperdesuaumidadeaoultrapassarascadeias
montanhosasdeDrakensberg,ondetorna-seseca,permanecendomuitoquente.
19.CLIMAS DO BRASIL (UFSC 2015 - adaptada)
Variações pluviométricas ocorrem conforme as estações do ano em várias
regiões do Brasil. Os gráficos abaixo mostram os índices pluviométricos e as
temperaturasemalgumascidadeslocalizadasembiomastípicosdonossopaís.
AMABIS, José M.; MARTHO, Gilberto R. Biologia. 3 ed. São Paulo: Moema, 2010. p. 308 - 325. v.3 (Adaptado)
Combasenaanálisedosdadosconstantesnosgráficosacimaenosconhecimen-
tosacercadosbiomastípicosdoBrasil,assinaleVparaverdadeiroeFparafalso:
( ) I. Nas quatro regiões, os índices pluviométricos não apresentam grandes
variações ao longo do ano.
( ) II.Bagéapresentaadistribuiçãopluviométricamaisirregularduranteoano.
( ) III. Nas quatro regiões, os meses com os maiores índices pluviométricos são
aqueles em que ocorrem as temperaturas mais baixas.
VENDA PROIBIDA
139
GE GEOGRAFIA 2018
( ) IV. Nos dois biomas que apresentam as mais elevadas amplitudes térmicas
anuais são encontradas formações vegetais de florestas (em um deles) e
pradarias (em outro).
( ) V.AsplantasdaregiãodeGoiâniadevemapresentaradaptaçõesparaperíodos
de estiagem e para sobreviverem ao fogo.
( ) VI. Floresta de Araucárias apresenta um índice pluviométrico de cerca de
3.000 mm anuais.
20.POLUIÇÃO DO AR (Uema 2015)
Leia o texto:
Um projeto de lei em Curitiba (PR) pretende tornar obrigatórios os telhados
verdes em prédios novos da cidade. O objetivo, de acordo com o projeto, é
reduzirapoluiçãoambiental,oconsumodeenergiaeasilhasdecalor.Também
prevê que a vegetação seja nativa e exija pouca água.
Fonte: TINTI, Simone. Verde no telhado. Revista Vida Simples. São Paulo: Abril, ed. 132, 2013.
Aideiadoprojetoéampliaráreasverdesparareduçãodeproblemasambientais
comunsemcidades.Arelaçãoentreáreasverdeseilhasdecaloréobservadaem
a) reservas florestais em que o aumento de temperatura causa evaporação,
ocasionando chuvas e tempestades.
b) áreasarborizadasemqueogáscarbônicoéacumuladoemexcesso,permitindo
a liberação de calor.
c) superfíciesverdesemqueasfolhasdasárvoresabsorvemocalordaatmosfera,
evitando o aumento da temperatura local.
d) cidades médias e pequenas em que há maior concentração de poluentes na
estratosfera, favorecendo o aumento da temperatura.
e) parques e praças em que há maior presença de água e de gás carbônico,
favorecendo o aumento da temperatura e das chuvas.
21.POLUIÇÃO DO AR (UPE 2015)
Observe atentamente a ilustração a seguir (figuras 1 e 2):
Ailustraçãodidáticarefere-seespecificamenteaduassituaçõesatmosféricas.
Quais são?
a) Figura 1 – Um vórtice ciclônico; Figura 2 – Uma onda de leste fria.
b) Figura 1 – Um vórtice anticiclônico; Figura 2 – Uma linha de instabilidade
tropical quente.
c) Figura 1 – Um gradiente vertical normal de temperatura; Figura 2 – Uma
inversão térmica.
d) Figura1–Umainversãotérmica;Figura2–Umvórticeciclônicoextratropical.
e) Figura 1 – Um gradiente vertical normal de temperatura; Figura 2 – Uma
isoterma de baixa pressão.
22.CICLONE (Unicamp 2016)
A figura a seguir exibe a imagem de um ciclone.
http://www.metsul.com/secoes/visualiza.php?cod_subsecao=30cod_texto=6
É correto afirmar que o ciclone em questão
a)ocorreunoHemisférioSulecorrespondeaumaáreadealtapressãoatmosférica.
b) podeocorreremqualquerhemisfério,independentementedapressãoatmosférica.
c)ocorreunoHemisférioNorte,emzonastropicaisedebaixapressãoatmosférica.
d) ocorreunoHemisférioSulecorrespondeaumaáreadebaixapressãoatmosférica.
23.ATMOSFERA (FGV 2014)
Analise o mapa que representa uma anomalia climática
David Blanchon. Atlas Mondial de l'Eau. Paris: Autrement, 2013. p.20. Adaptado.
Com base nos conhecimentos sobre a dinâmica climática mundial, pode-se
concluir que se trata
a) da presença de La Niña no Oceano Pacífico.
b) de mudanças provocadas pelo aquecimento global.
c) da ocorrência de furacões no oeste do continente americano.
d) do fenômeno El Niño e suas consequências.
e) da intensificação dos ventos alísios no Pacífico.
24.AQUECIMENTO GLOBAL (Uern 2015)
Sobreosproblemasambientaisnocenáriomundialesuadinâmicanosespaços
urbanos e rurais, é correto afirmar que
a) nas grandes cidades, o fenômeno da ilha de calor agrava a concentração de
poluentesnaatmosfera,dificultandoacirculaçãodoareprovocandoinúmeros
problemas de saúde à população, especialmente no inverno.
b) os países subdesenvolvidos são os principais responsáveis pela maior parte
dos gases tóxicos lançados na atmosfera. Nesses países, as políticas voltadas
paraapreservaçãoambientalsãoprioritáriaseseveras,commetasacumprir,
estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto.
VENDA PROIBIDA
140 GE GEOGRAFIA 2018
SIMULADO
c) no campo, as monoculturas fizeram com que a utilização de inseticidas no
combate às pragas favorecesse a diminuição de predadores naturais, provo-
candodesequilíbriosnascadeiasalimentares.Contudo,essemodeloagrícola
minimiza a incidência da erosão nos solos.
d) as chuvas ácidas estão relacionadas à emissão de poluentes, especialmente
pelas atividades industriais. Como na atmosfera não há barreira entre uma
região e outra, é comum os poluentes emitidos numa cidade provocarem
chuva ácida em regiões vizinhas. No Brasil, as chuvas ácidas provocaram
muitos danos na Mata Atlântica da Serra do Mar entre as décadas de 70 e 80.
e) oProtocolodeMontreal,assinadopormaisdecempaísesnadécadade1980,
foi fundamental para a redução as emissões de dióxido de carbono e, por ter
alcançadoseuobjetivo,podeserusadocomoreferênciaparaacordosfuturos
que visam ao enfrentamento do aquecimento global.
25.ENERGIAS RENOVÁVEIS (Enem 2015)
Energia de Noronha virá da força das águas
A energia de Fernando de Noronha virá do mar, do ar, do sol e até do lixo
produzido por seus moradores e visitantes. É o que promete o projeto de
substituição da matriz energética da ilha, que prevê a troca dos geradores
atuais, que consomem 310 mil litros de diesel por mês.
GUIBU, F. Folha de S.Paulo, 19 ago. 2012 (adaptado).
No texto, está apresentada a nova matriz energética do Parque Nacional
MarinhodeFernandodeNoronha.Aescolhaporessanovamatrizpriorizao(a)
a) expansão da oferta de energia, para aumento da atividade turística.
b) uso de fontes limpas, para manutenção das condições ecológicas da região.
c) barateamentodoscustosenergéticos,paraestímulodaocupaçãopermanente.
d) desenvolvimento de unidades complementares, para solução da carência
energética local.
e) diminuiçãodosgastosoperacionaisdetransporte,parasuperaçãodadistância
do continente.
26.OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS (Unesp 2014)
AsautoridadesdeKiribati,arquipélagodoOceanoPacíficoformadopor33atóis
e uma ilha de coral, estão conscientizando sua população para que aceitem
que, nas próximas décadas, terão de fugir do país. A estimativa é que, em um
períodode50anos,asilhaspodemdesaparecer.Ogovernoconvocouoslíderes
detodasasilhasparaconvencê-losdaimportânciademudaramentalidadedas
pessoas, com pleno conhecimento que é uma questão muito sensível, porque
ameaçaaprópriaidentidadedeumpaís.Kiribatijáantecipouconvênioscom
Austrália e Nova Zelândia para enviar seus cidadãos aos países vizinhos, algo
que muitos dos moradores do arquipélago não aceitam.
Disponível em: http://noticias.terra.com.br. Acesso em: 28 jul. 2012.
No texto, faz-se referência a um problema que se tornou um tema recorrente
na agenda global. Nesse sentido, a preocupação apresentada pela população
de Kiribati fundamenta-se na previsão de
a) submersão de terras habitadas, decorrente da elevação do nível do mar.
b)ocorrênciadetsunamis,derivadademudançasnoeixoderotaçãodoplaneta.
c) erupçõesvulcânicasfrequentes,vistoqueestãoassentadossobreoCírculodoFogo.
d) terremotos com magnitude extrema, devido à proximidade de bordas de
placas tectônicas.
e) furacõesdegrandeintensidade,emfunçãodereduçãodatemperaturamédia
do Oceano Pacífico
27.BIOMAS DO BRASIL (Uemg 2016)
Aventura em rio de piranha
(...)Eu,queconfundiaumacoisacomoutra,aprendiporexemploque“Oigarapé
é a via principal e os igapós, as alamedas”, como ensinou Neto.
Andardecanoaporumigapóéumaexperiênciaúnica.Comoaságuasnessaépoca
doanosobem9,10metros,àsvezesmais,sóascopasdasárvorespermanecemà
vista.Enquantoacanoavaipassandoentreelas,sedesviandodosgalhosdeuma
ou outra, a sensação é de que se está navegando sobre uma floresta líquida, o
quedecertamaneiraémesmo.Oqueimpressionaaindamaiséque,graçasàcor
doRioNegro,densa,ácida,fechada,aáguarefleteasimagenscomoumespelho.
Então,porrefração,agentevêesesentedentrodeduasflorestas:umaemcimae
outraembaixo,semconseguirdistinguirasduas.Éumdelírio,umamiragem(....).
VENTURA, 2012, p. 143.
http://mundodosanimaisinhos.blogspot.com.br/2012/09/mata-de-igapo.html Acesso em 29 de set. de 2015.
Otextoacimarefere-seaofenômenodascheiasnaregiãodaFlorestaAmazônica.
Esse fenômeno acontece devido a vários fatores:
I. A extensa rede hidrográfica da Bacia Amazônica, o clima e as variações de
relevo e solo.
II. A localização da região, entre a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio.
III. O degelo dos Andes e a estação de chuvas na Região Amazônica são fatores
que contribuem para o evento.
IV. Aproximidadecomafaixalitorânea,quereceberefluxodamarénosmomentos
de pico da maré alta.
Estão CORRETAS as afirmativas:
a) I e III.
b) II e IV.
c) II e III.
d) I e IV.
28. PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO (Unesp 2016)
OSistemaNacionaldeUnidadesdeConservaçãoestimulouacriaçãodeáreas
deproteçãoambientalintegralcomocontroleunilateraldoEstadosobreoseu
território e os seus recursos. A implantação do referido sistema foi criticada
a) pelaspopulaçõesurbanas,porinterromperocrescimentonaturaldamancha
urbana em regiões periféricas.
b) pelosgovernoslocais,porminaraautonomiamunicipalnoparcelamentodo
solo para a utilização em políticas de habitação.
c) pelas populações tradicionais, que defendiam uma maior participação no
processo de demarcação das unidades de conservação.
d) pororganizaçõesambientalistasinternacionais,queseopunhamàsgrandes
dimensões das áreas adotadas pelo Estado.
e) pelo capital especulativo, por desvalorizar as áreas do entorno que seriam
vendidas no mercado imobiliário.
VENDA PROIBIDA
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GE GEOGRAFIA 2018
29.BIOMAS DO BRASIL (Fuvest 2016)
OmaparepresentaumdospossíveistrajetosdachamadaFerroviaTransoceânica,
planejada para atender, entre outros interesses, ao transporte de produtos
agrícolasedeminérios,tornandoasexportaçõespossíveistantopeloOceano
Atlântico quanto pelo Oceano Pacífico.
Considerando-seotrajetoindicadonomapaelevandoemcontaumasobrepo-
siçãoaosprincipaisDomíniosMorfoclimáticosdaAméricadoSuleasfaixasde
transiçãoentreeles,definidospelogeógrafoAzizAb’Sáber,pode-seidentificar
a seguinte sequência de Domínios, do Brasil ao Peru:
a) Chapadões Florestados, Cerrados, Caatingas, Pantanal, Andes Equatoriais.
b) Mares de Morros, Pantanal, Chaco Central, Andes Equatoriais.
c) Chapadões Florestados, Chaco Central, Cerrados, Punas.
d) Mares de Morros, Cerrados, Amazônico, Andes Equatoriais.
e) Mares de Morros, Cerrados, Caatingas, Amazônico, Punas.
30.DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (PUC-MG 2015)
O desenvolvimento sustentável busca um modelo de consumo que atenda às
necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações
futuras de satisfazerem suas próprias necessidades. Para que isso ocorra, é
necessário:
a) aumentar o consumo dos recursos naturais não renováveis, preservando os
recursos renováveis para as gerações futuras.
b) garantirumdesenvolvimentosocialeeconômico,fazendo,aomesmotempo,um
usorazoáveldosrecursosnaturaisepreservandoasespécieseoshabitatsnaturais.
c) diminuir o consumo de recursos naturais renováveis nos países mais pobres,
garantindoapreservaçãodasespéciesanimaisemextinçãoeoshabitatsnaturais.
d) estagnar o desenvolvimento tecnológico e econômico, em detrimento da
manutenção de estoques de recursos naturais para as gerações futuras.
31.ECOLOGIA (Fuvest 2016)
O estrato entre a crosta e a atmosfera, onde ocorre vida no planeta Terra,
caracteriza-se por apresentar trocas de matéria e energia, o que influi na
distribuição de biomassa e biodiversidade no planeta. Os fenômenos de ra-
diação solar (R) e de precipitação (P) estão diretamente correlacionados com
a distribuição da biomassa e da biodiversidade e variam, em grande medida,
latitudinalmente. De modo geral, quanto mais quente e mais úmida for uma
região, maiores serão a biomassa e a biodiversidade das espécies; por outro
lado,quantomaisfriaemaissecaforaregião,menoresserãotantoabiomassa
quanto a biodiversidade das espécies.
a) Combasenasinformaçõesfornecidaseemseusconhecimentos,representeno
gráficoabaixoalocalizaçãodoextremocommaiorbiomassaebiodiversidadee
osdoisextremoscommenorbiomassaebiodiversidade.Paraarepresentação,
utilize a legenda indicada.
b) Indique outro fator, além da radiação solar e da precipitação, que pode
afetar a distribuição de biomassa e de biodiversidade no planeta. Explique,
apontando dois exemplos.
32.VEGETAÇÃO NO MUNDO (FGV-RJ 2015)
Veja as tabelas:
CONSTITUIÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DAS COBERTURAS VEGETAIS
NA PAISAGEM ZONAL INTERTROPICAL
Climas desérticos
Deserto Tufos arbustivos
De 0 a 250 mm
Climas secos
Formação Espinhosa Floresta muito seca Floresta seca
500 mm De 1000 a 2000 mm
Climas úmidos
Floresta semiúmida Floresta úmida Floresta pluvial
De 2000 a 8000 mm
Fonte: Construído a partir do diagrama de Holdridge. In: La Recherche, Paris: SES, no. 243, 1992, p. 606.
Com base na tabela, que reproduz o esquema panorâmico referente a uma
zona do planeta, responda:
a) Por que, nessa zona planetária, cinco das situações possíveis de cobertura
vegetal são florestas?
b) Compare esse quadro com o que seria um quadro na Zona Temperada (que
temlatitudesmaisaltas).Haveriadiferençasnoperfildedistribuiçãovegetal
dessa última? Em que medida e por quê?
VENDA PROIBIDA
142 GE GEOGRAFIA 2018
SIMULADO
RESPOSTAS
1.A seta e a letra N, no canto inferior esquerdo do mapa, indicam que o ponto
cardeal Norte encontra-se no alto do mapa. Além disso, a curva de nível de 300
metros,amenoraltituderepresentada,encontra-senaporçãosudestedotrecho,o
quepermiteconcluirqueorio“corre”denoroesteparasudeste.Aidentificaçãodas
margens direita e esquerda leva em conta a direção das águas da nascente para a
foz–imaginequevocêestánomeiodorio,olhandoparaadireçãoemqueaságuas
se deslocam: à sua direita estará a margem direita e vice-versa. A declividade, por
suavez,éindicadapeloespaçamentoentreascurvasdenível,oquecorrespondeao
espaçoaserpercorridonoterrenoparaoaumentooudiminuiçãodaaltitude:quanto
mais próximas umas das outras, maior é a declividade do terreno. Neste caso, é na
margemesquerdadorioqueseencontraamaiordeclividade(curvasmaispróximas
umasàsoutras).Quantoaocomprimentodorio,temosquerecorreràescaladomapa,
que é de 1: 50.000 – ou seja 1 cm no mapa equivale a 50.000 cm ou 500 m. Como a
distânciaéde3,5cm,tem-se1.750metros(3,5x500)dedistânciaentreospontosAeB.
Resposta: C
2.Cada fuso horário corresponde a uma faixa de 15º entre dois meridianos.
O meridiano de Greenwich foi escolhido para ser a linha mediana do fuso zero.
Passando-se um meridiano pela linha mediana de cada fuso, enumeram-se 12
fusosparalestee12fusosparaoestedofusozero,obtendo-se,assim,os24fusos
totais. Neste sistema de zonas de horas para cada fuso, a leste soma-se 1 hora,
e, para cada fuso a oeste, subtrai-se 1 hora. Com isso observando-se o mapa e a
localização dos países, a capital que assistiu a cerimônia de abertura da Olim-
píada do Rio de Janeiro no dia posterior e em horário mais próximo do término
damanhã,localiza-senaNovaZelândia,naOceania:11horasdodia6deagosto.
Resposta: D
3.Aescaladeummapaéaproporçãoentreaárearepresentada(mostradana
figuramaior)earepresentaçãocartográfica(nestecaso,umaplantacartográfica,
afiguramenor).Aescalanumérica(formautilizadanasalternativasdaquestão)
é, por convenção, apresentada em centímetros. Portanto, deve-se converter pri-
meiramenteosvaloresparaessamesmaunidadedemedida(2.000mequivalem
a 200.000 cm e 40 mm equivalem a 4 cm). Em seguida, para descobrir o valor de
1 cm (que é o que a escala do mapa informa), basta fazer o cálculo: 200.000/4 =
50.000. A escala desse mapa é, portanto, 1/50.000.
Resposta: C
4.As projeções cartográficas são técnicas utilizadas para a representação
da superfície curva (globo) em superfície plana (mapa). Há três formas, quanto
à figura geométrica utilizada, de projetar a superfície curva do globo em um
plano:acilíndrica,acônicaeaplana(azimutal).Apartirdecadaumadelasforam
criadasprojeçõesquesediferenciamnaspropriedadesqueapresentam,ouseja,
o tipo de distorção que fazem: de área, distância ou forma, conforme a técnica
de projeção empregada e a finalidade do mapa.
Resposta: A
5.AafirmativaIestácorreta:amovimentaçãodasplacastectônicasdáorigem
a diversos fenômenos e formas de relevo, entre elas as cadeias orogênicas.
A afirmativa II está errada: em regiões desérticas, devido ao baixo índice plu-
viométrico, predomina o intemperismo físico e a erosão eólica (provocada pela
ação dos ventos), uma vez que o intemperismo químico ocorre com a presença
de água no estado líquido.
AafirmativaIIIestácorreta:asplaníciessecaracterizam,geomorfologicamente,
pelopredomíniodadeposiçãodesedimentosprovenientesdeoutrasáreasmais
elevadas, em geral trazidos pelos rios.
A afirmativa IV está correta: os planaltos brasileiros são predominantemente
formados por rochas ígneas e metamórficas cristalinas (granito e gnaisse, por
exemplo), que apresentam elevada resistência aos processos erosivos e, conse-
quentemente,altitudesmaioresqueasdoentorno,queforammaisdesgastadas.
A afirmativa V está errada: houve, durante a Era Mesozoica, derramamentos de
lava e erupções vulcânicas no território atualmente ocupado pelo Brasil. Esses
fenômenos deram origem, por exemplo, às cuestas basálticas no interior do es-
tado de São Paulo e ao solo de terra roxa que se estende por estados do Sudeste
(São Paulo), Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul) e Sul (Paraná, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul).
Resposta: B
6.
a) Os fatores ambientais que interagem para o desenvolvimento do perfil do
solo são:
• oclima(temperaturaeumidade,emespecial):climasmaisúmidostendema
acelerar o intemperismo químico (decomposição) das rochas e a dar origem
asolosmaisdesenvolvidos(maisprofundosemenospedregosos),enquanto
em climas mais secos tendem a formar solos mais rasos e pedregosos.
• o relevo: ele influencia na infiltração ou escoamento das águas das chuvas
(quantomaisplano,maiorainfiltraçãoe,consequentemente,ointemperismo
químico das rochas).
• acomposiçãomineralógicadarocha:ograuderesistênciaaointemperismoe
àerosãointerferenaprofundidadeenacomposiçãoquímicadossolos.Arocha
basáltica,porexemplo,dáorigemasolosférteisdecoravermelhadadevido
ao elevado teor de ferro presente em sua constituição química. Além disso,
otipodefalhamentoquecaracterizaessarochafacilitaainfiltraçãodaágua
eaaçãodointemperismoquímico,resultandoemsolosbemdesenvolvidos.
b) A retirada da cobertura vegetal e a implantação de atividades agropecuárias
expõeosoloaoprocessoerosivoealteraadinâmicadeinfiltraçãoeescoamento
das águas pluviais e, consequentemente, influi no ritmo de decomposição
das rochas e da formação dos solos. Além disso, essas atividades interferem
diretamentenacomposiçãoeestabilidadedohorizontesuperficial(horizonte
A, além do horizonte O, orgânico, não representado no perfil do enunciado).
Em grandes obras de engenharia, a construção de aterros ou a realização de
cortes de barrancos, por exemplo, altera a dinâmica de circulação das águas
e da erosão e deposição de sedimentos formados de solos.
7.Asdepressõessãoáreasrebaixadas(emrelaçãoaosplanaltos)ondepredomi-
namprocessosdeerosão.Nasplaníciespredominaoprocessodesedimentaçãoe,
portanto,estãoassociadasamenoresaltitudes.Aschapadas,porsuavez,apresentam
umaformaderelevotabularque,porapresentaremumaalternânciadecamadas
de rochas mais resistentes e mais suscetíveis à erosão, ficam submetidas à erosão
regressiva (a partir das bordas) e apresentam uma forma aplainada no topo.
Asformasderelevonãoapresentadasnoenunciadosãoosplanaltos,que,assim
como as depressões, se caracterizam pelo predomínio dos processos erosivos
sobre os deposicionais (deposição de sedimentos), porém em altitudes maiores
que as do entorno.
Resposta: D
VENDA PROIBIDA
143
GE GEOGRAFIA 2018
8.ComomencionadocorretamentenaalternativaC,osefeitosdevastadoressão
maiores em países com infraestrutura mais limitada, caso do Haiti e da Indonésia,
porexemplo.
Entreasalternativasincorretas,valecitarquenãoépossívelestabelecerumarelação
diretaentreamagnitudedeumterremotoeonúmerodevítimasfatais,umavezque
issodependedainfraestrutura(técnicasutilizadasnaconstruçãocivil,principalmente)
decadapaís.Alémdisso,entreospaísesapresentadosnoquadro,somenteJapãoe
IndonésiasesituamnoCírculodeFogodoPacífico.Porfim,osefeitosdosterremotos
nãoserestringemaoepicentro(localdeorigemdotremor),poisasondassísmicasse
propagamporcentenasemilharesdequilômetros,paratodasasdireções.
Resposta: C
9.Os tipos de movimentos que ocorrem nas áreas indicadas no mapa são:
Área1:CostaOestedosEstadosUnidos:tipodemovimentorepresentadonafigura
D – movimento transformante ou conservativo, no qual duas placas deslizam
uma ao lado da outra.
Área 2: sul da Ásia: tipo de movimento representado na figura C – movimento
convergenteoudestrutivo,quandoduasplacascomamesmadensidadechocam-
se e comprimem-se.
Nasfalhasgeológicasquecorrespondemaoslimitesdasplacastectônicashámaior
probabilidadedeocorrênciadedoisfenômenos:osabalossísmicos(terremotose
maremotos)eovulcanismo.Noprimeirocaso,ocorrealiberaçãoeapropagação
de energia acumulada com o atrito da litosfera devido à movimentação das
placastectônicas.Aliberaçãodessaenergianaformadeondassísmicasprovoca
tremores de terra e, se ocorrer na crosta oceânica ou próximo dela, pode haver
a formação de ondas gigantes ou tsunamis. No vulcanismo, por sua vez, ocorre
a ascensão do magma à superfície através dos falhamentos na litosfera, mais
comuns nessas faixas de contato entre as placas.
10.As alternativas I e IV estão corretas, pois apresentam dois fatores
responsáveis pelas perdas materiais e humanas nos deslizamentos: a exclusão
social, que leva milhares de pessoas a construírem suas casas em áreas de risco,
menosvalorizadasnomercadoimobiliáriooumesmodeocupaçãoirregular,ea
omissãodopoderpúblico,quedeveriaimpediraocupaçãodessasáreasegarantir
moradia digna e segura para todos.
As demais afirmações estão incorretas, pois os deslizamentos não são fenômenos
acidentais,masprevisíveisepassíveisdeintervençãocomobrasdecontençãodesolo
e escoamento das águas para evitar que ocorram em áreas ocupadas por moradias
eoutrasconstruções.Apesardemenosfrequentes,ocorremtambémdeslizamentos
de terra em áreas não classificadas como de risco, geralmente associados a picos
extremosdepluviosidade.
Resposta: E
11.
a) O termo “graben” (derivado de grab, em alemão, “sepultura”) designa uma
formaçãogeológicaemquehouveumabatimento(descida)departesdacrosta
terrestre. Esse processo geológico pode ser originado pela movimentação
vertical da crosta em decorrência da movimentação das placas tectônicas
ou por pressão do magma, que dá origem a falhas geológicas normais e,
consequentemente, à movimentação de blocos para cima (caso das serras
da Mantiqueira e do Mar) ou para baixo (caso do Vale do Paraíba do Sul, que
corresponde ao graben). As bacias sedimentares formam-se posteriormente,
com a atuação dos processos de erosão nas partes mais elevadas do relevo
(nas serras representadas na figura).
b) Nas bacias sedimentares podem se formar os recursos minerais energéticos,
como o petróleo e o gás natural, além do xisto betuminoso (em ambientes de
sedimentaçãomarinhanopassadogeológico)eocarvãomineral(emambien-
tes de sedimentação terrestre no passado geológico, com o soterramento de
matéria orgânica de florestas e pântanos).
12.AafirmaçãoIestáincorreta:aConferênciarealizadaem1972foiadeEstocolmo.
AprimeiraConferênciarealizadanoRiodeJaneirofoiade1992,conhecidacomoEco92.
A afirmação II está correta: a Carta da Terra, aprovada na Eco 92, é considerada um
marconoambientalismo,poispropõeaimplantaçãodeaçõespráticasemrelaçãoàs
questõesambientais,comoaAgenda21,umconjuntodeparâmetrosecompromissos
aseremadotadosporgovernosequevemsendoaprimoradadesdeentãonasdemais
conferências.
AsafirmaçõesIIIeIVtambémestãocorretas:apoluição,sobretudoemgrandesáreas
urbanas, e os conflitos pela água, a exemplo do que ocorre entre Israel, Síria e os
palestinosdaCisjordânia,noOrienteMédio,estãoentreasprincipaispreocupações
referentesaosrecursoshídricos.
Resposta: E
13.Oexcessodenutrientes(provenientes,porexemplo,dodespejodeesgotos
domésticos)presentesnaságuasprovocaaumentodebactériasealgas,queconsomem
amaiorpartedooxigênio.Essaéumadasformasdepoluiçãodaságuas.Amanuten-
ção do volume de água resultaria no aumento gradual da eutrofização, enquanto o
aumentodapopulaçãodealgasplanctônicas(algasmicroscópicaspresentesnaságuas)
provocariaumareduçãodoteordeoxigênio.Impedirafotossínteseresultarianuma
produção ainda menor de oxigênio pelas algas, enquanto o aumento da população
deespéciesdotopodacadeiaalimentarseriainviávelsemarecuperaçãoanteriordos
níveisdeoxigêniocapazesdemantervivasessaspopulações.
Resposta: C
14.ArespostacorretaéaalternativaA.Acoberturavegetaltornaosolomais
estável, evitando a erosão laminar (perda de sedimentos da camada superficial
dosolo)eoassoreamentodosrioselagos(excessodesedimentos).Alémdisso,a
vegetaçãofavoreceainfiltraçãodeáguaeoabastecimentodoslençóisfreáticos,
aumentado a disponibilidade de água para consumo humano.
AocontráriodoquedizemasalternativasBeC,arecuperaçãodeáreasdegradadas
exigeaçõesdelongoprazoetemumcustobemmenordoqueodegrandesobras
deengenhariaparaaobtençãodeáguaemoutrasbaciashidrográficaspormeio
da transposição. A Região Metropolitana de São Paulo carece de áreas verdes e
de mananciais, e o aumento desse tipo de proteção ambiental representaria
ganhos significativos na disponibilidade de recursos hídricos, diferentemente
do que aponta a alternativa D. Já a alternativa E está incorreta, pois o ritmo
de crescimento da população na Grande São Paulo tem diminuído nas duas
últimas décadas, e a recuperação das áreas degradadas possibilitaria um ganho
significativo na oferta de água.
Resposta: A
15.ComaintensaexploraçãodosriosquedesaguamnoMardeAralpormeioda
irrigação,aumentouaconcentraçãodesalnossolos,processodenominadosalinização.
A erosão é a retirada de sedimentos pela ação das águas das chuvas, dos rios e dos
ventos,entreoutrosagenteserosivos,quenãoseaplicamàsituaçãodescritanotexto
doenunciado.Alaterizaçãocorrespondeàformaçãodecarapaças(crostasferruginosas)
emdecorrênciadaconcentração,nacamadasuperficialdosolo,dehidróxidodeferro
VENDA PROIBIDA
144 GE GEOGRAFIA 2018
SIMULADO
ealumínioemáreasdeclimascomalternânciadechuvaseestiagem.Acompactação
do solo está associada ao uso intenso de máquinas agrícolas, não mencionadas no
enunciado.Porfim,asedimentaçãoéumdosprocessosgeomorfológicos,odadeposição
de sedimentos, que, nesse caso, diminuiu devido ao desvio de águas dos rios para o
usonaculturairrigadadoarroz.
Resposta: B
16. AalternativaEdescrevecorretamentequeoaquecimentodasuperfície
provocaasubidadoarquente,portantocombaixapressão.Apósoresfriamento
nas camadas mais elevadas, o ar resfriado e com maior pressão desce até a
superfície, tornando a ser aquecido e reiniciando o processo, o que favorece o
maior tempo de voo para a asa-delta.
Sobre as outras alternativas: o ângulo de incidência do Sol, um fenômeno a ser
analisado em escala global, não está diretamente relacionado ao fenômeno
local descrito no enunciado. A gravidade e as áreas de alta pressão encurtariam
o tempo de voo. Assim como o ângulo de incidência do Sol, o efeito de Coriolis
nãoseaplicaàsituaçãodescrita,poissetratadeumfenômenoemescalaglobal.
Resposta: E
17.Otextoliterárioremete,emsuadescrição,aumriointermitente,ouseja,
que seca durante uma parte do ano. A baixa penetração de massas úmidas na
região do Sertão limita a incidência de chuvas, conforme afirma a alternativa A.
Sobreasoutrasalternativas:o“inverno”mencionadoporJoséLinsdoRegocorresponde
aoperíododechuvasnoSertão,emqueseverificamelevadastemperaturas,aocontrário,
portanto, do que ocorre nessa estação no clima subtropical, que apresenta redução
nas temperaturas. O verão pouco chuvoso no Sertão nordestino não se assemelha
ao verão da porção centro-sul do país, onde predomina o clima tropical típico, com
chuvasconcentradasnessaestação.Orelevoacidentado,principalmenteapresença
doPlanaltodaBorboremaaleste,éumdosfatoresclimáticosresponsáveispelabaixa
pluviosidadenoSertão,poisbarraascorrentesdearúmidoprovenientesdoOceano
Atlântico.Porfim,asmassasdearcitadassãosecas,enãoportadorasdeumidade.
Resposta: A
18.A alternativa C é a que descreve corretamente os fatores climáticos
responsáveis pela formação do Deserto do Atacama, localizado no Chile, que
corresponde ao número 3 no mapa.
Aregiãoreferenteaonúmero1nomapaindicaoDesertodoKalahari,cujaorigem
está associada à corrente de Benguela, que é de águas frias, e à formação de uma
zonadealtapressão,querecebeosventosdescendentes(friosesecos)dacirculação
atmosféricaintertropical(céluladeHadley).Onúmero2nomapamostraalocalização
doDesertodoSaara,esuaorigemestárelacionadaàzonadealtapressãodacélula
de Hadley e à presença de águas frias do Atlântico centro-oriental.
Resposta: C
19.Nosclimogramas,apluviosidadeéindicadapelascolunas,enquantoas
temperaturas são representadas pelas linhas.
I. Falso:osclimogramasdeGoiânia(GO)edeCaxias(MA)apresentamdistribuição
desigual dos índices pluviométricos ao longo do ano
II. Falso: Bagé (RS) tem uma pluviosidade bem distribuída ao longo do ano.
III. Falso: Em Goiânia e em Curitiba, a época que registra os maiores índices
pluviométricos não coincide com as mais altas temperaturas.
IV.Verdadeiro:Osdoisbiomasqueapresentamasmaiselevadasamplitudestérmicas
anuaissão:FlorestadeAraucárias(narealidade,essaformaçãovegetalcorresponde
aumDomínioMorfoclimáticoeintegraobiomadaMataAtlântica)eoPampa,am-
boslocalizadosemregiãodeclimasubtropicalequeapresentamasmaiselevadas
amplitudestérmicasanuais(diferençaentreastemperaturasmáximaemínima).
V. Verdadeiro: as plantas da região de Goiânia são do bioma Cerrado, que desen-
volvem adaptações à passagem do fogo (pirobioma) e às secas, que ocorrem
durante o inverno, como as cascas cortiçosas (grossas) que protegem o caule
e as raízes profundas para alcançar as águas do lençol freático.
VI. Falso:asomadostotaispluviométricosmensaisdeCuritiba(regiãodeFloresta
deAraucárias)ficabemabaixode3.000mmanuais(cercade1.600mmanuais).
Resposta: FFFVVF
20.Asilhasdecalorseformamemgrandesáreasurbanasdevidoaoacúmulo
depoluentesnaatmosfera,queaumentamacapacidadederetençãodecalor,bem
comopelaelevadadensidadedeprédios,asfaltoedemaisformasdeocupaçãoque
eliminam ou reduzem as áreas verdes. A criação de áreas verdes sobre os prédios
aumentariaaabsorçãodegáscarbônicopeloprocessodefotossínteseeabsorveria
partedaenergiasolarparatransformá-laembiomassa,enãoasimplestransferên-
cia para a atmosfera, como ocorre nas superfícies de concreto (lajes e telhados).
Resposta: C
21.A figura 1 mostra uma variação normal (diminuição) da temperatura à
medidaqueaumentaaaltitude,enquantonafigura2háumaalteraçãoanormal
navariaçãodatemperatura(aumento)entre4e6kmdealtitude,indicandouma
situação de inversão térmica.
Resposta: C
22.Os ciclones são denominados “furacões” quando ocorrem no Oceano
AtlânticoenacostalestedoPacíficoe“tufões”quandoocorremnoOceanoÍndicoe
nooestedoPacífico.Elesseformamsobreaságuasaquecidasdosoceanosnazona
intertropical.Astemperaturaselevadasdessaságuasdãoorigemazonasdebaixa
pressão, onde as correntes ascendentes de ar ganham força e, após se resfriar no
altodatroposfera,descemeformamcorrentesdearemformadecírculos.Devidoà
atuaçãodaforçadeCoriolis(efeitodomovimentoderotaçãonodeslocamentodos
ventos),omovimentosedánosentidoanti-horárionoHemisférioSul.Essemesmo
sentidodosventospodeserobservadonaimagemdesatéliteapresentadanaquestão.
Resposta: D
23.A representação, no mapa, de águas aquecidas no Pacífico Central e o
aumento do volume de chuvas nas regiões vizinhas (costa oeste da América do
SulenaOceania/SudesteAsiático)indicamumasituaçãodeincidênciadoElNiño.
Resposta: D
24.A alternativa D refere-se corretamente à chuva ácida e seus efeitos em
regiõesvizinhas,devidoaotransportedospoluentes(comoodióxidodeenxofre)
dos locais emissores para outras regiões.
Sobreasalternativasincorretas:(A)Ailhadecalorocorrenoverãoeéconsequênciae
nãoacausadaconcentraçãodepoluentes.(B)Osprincipaisemissoresdegasespoluentes
pelaatividadeindustrialegeraçãodeenergia(usinastérmicas)etransportes,alémde
outras atividades que consomem combustíveis fósseis, são os países desenvolvidos
e emergentes. (C) As monoculturas utilizam o trabalho mecanizado, que, em geral,
provocaaerosãodossolos.(E)OProtocolodeMontrealtratoudareduçãoeeliminação
dogásCFC(clorofluorcarbono),prejudicialàcamadadeozônio.
Resposta: D
VENDA PROIBIDA

Geografia 2018

  • 1.
  • 2.
    geografia VESTIBULAR+ENEM2018 W W W. G U I A D O E S T U D A N T E . C O M . B R VENDA PROIBIDA
  • 3.
    ) /'33'-21./,/*2*/ '/)1#(*#5'23*$4,#1'.'-1./,/*2*//'33'-2'*3#/ 0/1#$*/#2#+* 7/#4,/$1*, 0*,%- 4*#/234#.3' ' '/)1#(*#'/)1#(*#1#2*,
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    #0#2)'/)16(*%/2 !934,//'33'-21./,/*2*/ #2#+*#$*/ 81*' Fundadaem1950 VICTORCIVITAROBERTOCIVITA (1907-1990) (1936-2013) ConselhoEditorial:VictorCivitaNeto(Presidente),ThomazSoutoCôrrea(Vice-Presidente), AlecsandraZapparoli, GiancarloCivitaeJoséRobertoGuzzo PresidentedoGrupoAbril: WalterLongo DiretoraEditorialePublisherdaAbril:AlecsandraZapparoli DiretordeOperações: FábioPetrossiGallo DiretordeAssinaturas:RicardoPerez DiretoradaCasaCor:LíviaPedreira DiretordaGoBox:DimasMietto DiretoradeMercado:IsabelAmorim DiretordePlanejamento,ControleeOperações:EdilsonSoares DiretoradeServiçosdeMarketing:AndreaAbelleira DiretordeTecnologia:CarlosSangiorgio DiretorEditorial–EstilodeVida:SérgioGwercman DiretordeRedação:FabioVolpe Diretor de Arte: Fábio Bosquê Editores: Ana Prado, Fábio Akio Sasaki, Lisandra Matias, Paulo Montoia Repórter: Ana Lourenço Analista de Informações Gerenciais: Simone Chaves de Toledo Analista de Informações Gerenciais Jr.: Maria Fernanda Teperdgian Designers: Dânue Falcão, Vitor Inoue Estagiários: Giovanna Fontenelle, Marcela Coelho, Sophia Kraenkel Atendimento ao Leitor: Sandra Hadich, Walkiria Giorgino CTI Andre Luiz Torres, Marcelo Augusto Tavares, Marisa Tomas PRODUTO DIGITAL Gerentes de Produto: Pedro Moreno e Renata Aguiar COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Consultoria: Arno Aloisio Goettems Texto: Arno Aloisio Goettems, Cristina Carmo e Yuri Vasconcelos. Infografia e ilustração: 45 Jujubas, Alex Argozino e Mario Kanno (Multi-SP) Revisão: Bia Mendes e texxto comunicação www.guiadoestudante.com.br GE GEOGRAFIA 2018 ed.10 (ISBN 978-85-69522-25-6) é uma publicação da Editora Abril. Distribuída em todo o paíspelaDinapS.A.DistribuidoraNacionaldePublicações,SãoPaulo. A PUBLICAÇÃO não admite publicidade redacional. IMPRESSA NA GRÁFICA ABRIL Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, CEP 02909-900 – Freguesia do Ó - São Paulo - SP VENDA PROIBIDA
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    5 GE GEOGRAFIA 2018 Opasso final é reforçar os estudos sobre atualidades, pois as pro- vas exigem alunos cada vez mais antenados com os principais fatos que ocorrem no Brasil e no mundo. Além disso, é preciso conhecer em detalhes o seu processo seletivo – o Enem, por exemplo, é bem diferente dos demais vestibulares. COMOOGEPODEAJUDARVOCÊO GE Enem e o GE Fuvest são verda- deiros “manuais de instrução”, que mantêm você atualizado sobre todos os segredos dos dois maiores vestibulares do país. Com duas edições no ano, o GE ATUALIDADES traz fatos do noticiário que podem cair nas próximas provas – e com explicações claras, para quem não tem o costume de ler jornais nem revistas. Umplanopara osseusestudos Este GUIA DO ESTUDANTE GEOGRAFIA oferece uma ajuda e tanto para as provas, mas é claro que um único guia não abrange toda a preparação necessária para o Enem e os demais vestibulares. É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE tem uma série de publicações que, juntas, fornecem um material completo para um ótimo plano de estudos. O roteiro a seguir é uma sugestão de como você pode tirar melhor proveito de nossos guias, seguindo uma trilha segura para o sucesso nas provas. O primeiro passo para todo vestibulando é escolher com clareza a carreira e a universidade onde pretende estudar. Conhecendo o grau de dificuldade do processo seletivo e as matérias que têm peso maior na hora da prova, fica bem mais fácil planejar os seus estudos para obter bons resultados. COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE PROFISSÕES traz todos os cursos superiores existentes no Brasil, explica em detalhes as carac- terísticas de mais de 270 carreiras e ainda indica as instituições que oferecem os cursos de melhor qualidade, de acordo com o ranking de estrelas do GUIA DO ESTUDANTE e com a avaliação oficial do MEC. Para começar os estudos, nada melhor do que revisar os pontos mais importantes das principais matérias do Ensino Médio. Você pode repassar todas as matérias ou focar apenas em algumas delas. Além de rever os conteúdos, é fundamental fazer muito exercício para praticar. COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ Além do GE GEOGRAFIA, que você já tem em mãos, produzimos um guia para cada matéria do Ensino Médio: GE HISTÓRIA , Português, Redação, Matemática, Biologia, Química e Física. Todos reúnem os temas que mais caem nas pro- vas, trazem muitas questões de vestibulares para fazer e têm uma linguagem fácil de entender, permitindo que você estude sozinho. CAPA: 45 JUJUBAS 1 Decida o que vai prestar 2 Revise as matérias-chave 3 Mantenha-se atualizado APRESENTAÇÃO Os guias ficam um ano nas bancas – com exceção do ATUALIDADES, que é semestral. Você pode comprá-los também pelo site do Guia do Estudante: guiadoestudante.com.br FALE COM A GENTE: Av. das Nações Unidas, 7221, 18º andar, CEP 05425-902, São Paulo/SP, ou email para: guiadoestudante.abril@atleitor.com.br CALENDÁRIO GE 2017 Veja quando são lançadas as nossas publicações MÊS PUBLICAÇÃO Janeiro Fevereiro GE HISTÓRIA Março GE ATUALIDADES 1 Abril GE GEOGRAFIA Maio GE QUÍMICA GE PORTUGUÊS Junho GE BIOLOGIA GE ENEM GE REDAÇÃO Julho GE FUVEST Agosto GE ATUALIDADES 2 GE MATEMÁTICA Setembro GE FÍSICA Outubro GE PROFISSÕES Novembro Dezembro VENDA PROIBIDA
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    CARTA AO LEITOR 6GE GEOGRAFIA 2018 D esde1880,quandoatemperaturadoplaneta começouasermedida,apopulaçãodaTer- ra não enfrentou um ano tão quente como o de 2016. É o que diz a Agência Oceânica eAtmosféricadosEstadosUnidos(NOAA, nasiglaeminglês),umadasprincipaisau- toridades nesse âmbito. A temperatura média global no ano passado foi 0,94 grau Celsius acima da média do século XX. Equilíbrio alterado Teria 2016 sido um ano atípico em termos climáticos? Nada disso. A temperatura do planeta no ano passado bateu o recorde, que era de 2015, que por sua vez quebrou a maior marca de 2014 – três recordes seguidos. Isso sem contar que, desde 1976, a temperatura global vem se mantendo acima da média histórica. Ou seja, não estamos falando de um ponto fora da curva, mas sim de uma tendência praticamente consolidada: o planeta está mais quente. A elevação da temperatura global diz muito respeito às atividades humanas, principalmente em razão das emissões degasesqueintensificamoefeitoestufa.Comoconsequência, observamosextremosclimáticosquevãodeintensastempes- tadesasecasprolongadas,passandopeloderretimentodogelo do Ártico até picos de calor em diversas cidades do planeta. A Geografia é a disciplina que se propõe a estudar o espaço geográfico e suas constantes transformações. Como você verá nesta publicação, muitas dessas alterações são estimuladas por fenômenos naturais, como uma erupção vulcânica ou o ALISTER DOYLE/REUTERS VENDA PROIBIDA
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    7 GE GEOGRAFIA 2018 ENXUGANDOGELO Crianças brincam em um iceberg na costa da Groenlândia: aquecimento global provoca o desprendimento de grandes blocos de gelo ciclo hidrológico. Mas sob qualquer aspecto que você analisar a litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera, a marca do homem estará lá, alterando o equilíbrio da natureza. ÉporissoqueoGUIADOESTUDANTEGEOGRAFIApro- põeoestudodasdefiniçõesedosconceitosreferentesaostemas mais importantes da Geografia física associado aos principais assuntoscontemporâneos.Dessaformaépossívelacompanhar todo o dinamismo inerente à disciplina e conseguir assimilar melhor como a ação antrópica e a Geografia se relacionam. Tudoissoacompanhadodeumamploconjuntodeinformações naformadetextos,resumos,simulados,mapaseinfográficos. ParacomplementarseuaprendizadodeGeografia,também recomendamos o GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES, que é lançado duas vezes por ano e aborda os aspectos mais relacionadosaostemascontemporâneosdaGeografiahumana. Um abraço, Fábio Sasaki, editor – fabio.sasaki@abril.com.br 8 EM CADA 10 APROVADOS NA USP USARAM O GUIA DO ESTUDANTE Oselodequalidadeacimaéresultadodeumapes- quisarealizadacom300estudantesaprovadosem três dos principais cursos da Universidade de São Paulo: Direito, Engenharia e Medicina. 8 em cada 10 entrevistados na pesquisa usaram algum conteúdo do GUIA DO ESTUDANTE durante sua preparação para o vestibular. TESTADO E APROVADO! � Pesquisa quantitativa feita nos dias 13 e 14/2/2017. � Total de estudantes aprovados nesses cursos: 1.566. � Margem de erro amostral: 5 pontos percentuais. MAIS CONTEÚDO PARA VOCÊ As publicações do GE contam agora com o recurso mobileview.Essatecnologiapermitequevocêaces- se, com seu smartphone, conteúdos extras em algu- mas aulas e reportagens dos nossos guias. A presen- ça desses conteúdos, principalmente em forma de vídeos,serásempreidentificadacomoíconeabaixo: Usar o recurso mobile view é simples: 1• Baixe em seu smartphone o aplicativo Blippar. Ele está disponível, gratuitamente, para aparelhos com sistema Android e iOS em lojas virtuais como Google Play e AppleStore. 2• Depois, basta abrir o aplicativo e usar o celular nas matérias que apresentam o ícone do mobile view – seguindo as orientações em cada página. VENDA PROIBIDA
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    SUMÁRIO 8 GE GEOGRAFIA2018 Geografia VESTIBULAR + ENEM 2018 CARTOGRAFIA 10 Imagens de satélite contra a pobreza Odesenvolvimentomapeado 12 Elementos do mapa Dicas para entender os elementos cartográficos 14 Coordenadas geográficas Aprenda a identificar pontos no mapa 16 Fusos horários Como os países acertam os seus relógios 18 Tipos de mapa Os diferentes aspectos retratados pela cartografia 20 ProjeçõesAs formas de representar o espaço geográfico 22 Comocainaprova+ResumoQuestõescomentadasesíntesedaseção LITOSFERA 24 Zelândia, o continente submerso A mais nova extensão de terra 26 Composição e estrutura geológica As camadas internas do planeta 28 Tipos de relevo Depressões, planaltos, planícies e montanhas 30 Placas tectônicas Os grandes blocos que modelam o relevo 32 Relevo em movimento A ação de forças internas e externas na Terra 36 Relevo do Brasil O processo de formação do terreno nacional 38 Recursos minerais Conheça suas características geológicas 40 Características dos solos Processo de formação e fertilidade 42 Deslizamentos e inundações Os efeitos da ocupação desordenada 44 Contaminação dos solos Um dos principais problemas ambientais 46 Comocainaprova+Resumo Questõescomentadasesíntesedaseção HIDROSFERA 48 Uma esperança na aridez do sertão O Nordeste e a seca 50 A distribuição de água no planeta Onde está a água no globo 52 Água salgada Oceanos e mares ajudam a equilibrar a vida na Terra 56 Água doce Asreservasqueguardamolíquidoqueconsumimos 58 Tsunami Tremoresnofundodomarprovocamondasdedestruição 60 Bacias hidrográficas do Brasil Asfontesdeáguadonossoterritório 62 Escassez hídrica no mundo Onde a falta de água já provoca crise 64 Escassez hídrica no Brasil TorneirassecasnoNordesteenoSudeste 66 Poluição hídrica Osefeitosperversosdacontaminaçãodaságuas 68 Comocainaprova+ResumoQuestõescomentadasesíntesedaseção ATMOSFERA 70 Um cético do clima no poder Donald Trump e sua agenda energética 72 Camadas da atmosfera A estrutura de gás que envolve o planeta 73 Meteorologia Os principais fenômenos que influenciam o clima 76 El Niño e La Niña Entenda esses fenômenos meteorológicos 77 Ciclone Os efeitos devastadores da perturbação atmosférica 78 Climas do mundo As características das dez classificações climáticas 80 Climas do Brasil Osseisprincipaisgruposclimáticosdopaís 82 Poluição do ar Osefeitosdaemissãodegasesnocivosàatmosfera 84 Aquecimento global Asalteraçõesclimáticascausadaspelohomem 86 Os efeitos das mudanças climáticas Osriscosquepodemosenfrentar 88 Energias renováveis As alternativas para evitar a poluição do ar 90 Acordo de Paris e Protocolo de Kyoto Reduçãodasemissõesempauta 92 Comocainaprova+ResumoQuestõescomentadasesíntesedaseção BIOSFERA 94 A Amazônia sob risco de “savanização” A floresta tropical em perigo 96 Ecologia O ciclo natural que sustenta a vida no planeta 98 A evolução do planeta InfográficomostraaorigemdavidanaTerra 100 Vegetação no mundo As características das formações vegetais 106 Biomas brasileiros A rica biodiversidade do país sob ameaça 110 Preservação e conservação Osmecanismosdeproteçãoambiental 111 Código Florestal NovaleiregulamentaousodaterranoBrasil 112 Conferências ambientais Oseventosemqueoambientalismoépauta 114 Comocainaprova+ResumoQuestõescomentadasesíntesedaseção ATLAS 116 OmundoemresumoUmperfilsocioeconômicoefísicodoscontinentes 126 O Brasil em resumo As cinco regiões brasileiras em fatos e números RAIO X 132 As preciosas informações contidas nos enunciados das questões SIMULADO 134 32 questões para você aplicar os seus conhecimentos GLOSSÁRIO 146 Os principais conceitos básicos que você encontrará na publicação RAFAEL ARENAS/REUTERS OBRA DA NATUREZA Uma nuvem de fumaça e poeira colore o céu de Puerto Montt, no Chile: vulcão Calbuco entrou em atividade em 2015 pela primeira vez em 50 anos VENDA PROIBIDA
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    GLOSSÁRIO 146 GE GEOGRAFIA2018 AÇÕES ANTRÓPICAS Açõesdohomemno meioambiente,comoaconstruçãodecidades, indústrias,estradas, odesmatamentoparaa implantaçãodaagropecuária,entreoutras. ASSOREAMENTO Excesso de sedimentos nos leitos de rios e lagos. AQUÍFERO Extensos depósitos de águas subterrâneas em áreas continentais, como o Aquífero Guarani, na América do Sul. AUSTRAL Sul. BACIA HIDROGRÁFICA Áreadelimitadapelos divisoresdeágua,ouseja,poraltitudesmaiorese quecompreendeumrioprincipal,seusafluentese subafluentes,oslagoseaságuassubterrâneas. BOREAL Norte. CLIMA Sucessão habitual dos tipos de tempo atmosférico. Para classificar os tipos de clima, são necessários registros de temperatura e pluviosidade de, no mínimo, 30 anos. CORRENTES DE CONVECÇÃO Correntes de materiais (ar, magma, água...) que se movem devido à diferença de temperatura e, consequentemente, de densidade. CROSTA Porção externa e sólida do planeta Terra formada por rochas, minerais e solos e com profundidades que variam entre 6 e 75 quilômetros, aproximadamente. DEPRESSÃO ABSOLUTA Forma de relevo onde predomina a erosão e que apresenta altitude menor que a do nível do mar. DEPRESSÃO RELATIVA Forma de relevo com altitude inferior à dos planaltos e com predomínio da erosão sobre a sedimentação. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Desenvolvimento que atende às necessidades das gerações presentes sem comprometer as necessidades das futuras gerações. Conceitos básicos Os principais termos que você precisa saber para estudar Geografia ECOSSISTEMA São sistemas dinâmicos resultantes da interdependência entre fatores físicos do meio ambiente – como atmosfera, solo e água – e os seres vivos que o habitam. EQUINÓCIO Dia do ano em que os raios solares incidem diretamente sobre a linha do Equador, marcando o início da primavera ou do outono nos hemisférios Norte e Sul. EROSÃODesgastedasrochaspormeiodeagentes externosouexógenos,comoaschuvas,osventos, asgeleiras,osrios,osoceanos,entreoutros. GPS (GLOBAL POSITIONING SYSTEM) Sistema dePosicionamentoGlobal,formadopor24 satélitesemórbitasa20.200quilômetrosao redordaTerra.Osistemapermitealocalização dequalquerpontodasuperfícieterrestrecom receptoresmóveiseteminúmerasaplicações, comoidentificarrotasdenavegação,porexemplo. INTEMPERISMO Conjunto de forças físicas, químicas e biológicas associadas à decomposição das rochas. ISTMO Faixaestreitadeterrasqueligadois continentesououtrasextensasáreaseterras emersas.EntreosmaisconhecidosestãooIstmo deSuezeoIstmodoPanamá. LATITUDE Medida em graus da distância de um ponto qualquer da superfície terrestre em relação à linha do Equador. LITOSFERA Parte sólida externa da crosta terrestre, formada por rochas. LONGITUDE Medida em graus da distância de um ponto qualquer da superfície terrestre em relação ao meridiano de Greenwich. MANTO Camada geológica da Terra composta de material fundido, o magma, que se encontra entre 350 e 2.900 quilômetros de profundidade. MERIDIANO Linhas imaginárias que cruzam a Terra no sentido norte-sul, de um polo ao outro do globo. Os meridianos nos indicam a longitude. MERIDIONAL Sul. MIGRAÇÃO Migrante é a pessoa que passa a morar em local diferente daquele em que vivia anteriormente. No local de onde a pessoa sai ela é considerada um emigrante e no local onde ela passa a se fixar é considerada um imigrante. NÚCLEO (DA TERRA) Parte interna do planeta, composta dos minerais ferro e níquel. É subdividido em núcleo externo (material fundido) e núcleo interno (material sólido). PARALELO Linhas perpendiculares aos meridianos, que cruzam a Terra no sentido leste-oeste. Os paralelos determinam a latitude. PEGADA ECOLÓGICA Área (em hectares) necessária para suprir as necessidades das populações, de acordo com seus modos de vida. PLACAS TECTÔNICAS Partes da crosta terrestre delimitadas por falhas geológicas. PLANALTO Forma de relevo na qual os processos de erosão superam a sedimentação. PLANÍCIE Forma de relevo relativamente plana na qual predomina a sedimentação e, em geral, está localizada em altitudes menores que as do seu entorno. PLUVIOSIDADE Volume de chuvas em um determinado tipo de clima. ROTAÇÃO Movimento da Terra em torno do seu próprio eixo imaginário. SEDIMENTAÇÃO Deposição dos sedimentos após o processo de erosão e transporte feito pelos agentes erosivos (rios, geleiras, ventos etc.). SETENTRIONAL Norte. SOLSTÍCIO Diadoanoemqueosraiossolares incidemdiretamentesobreumdostrópicos (CâncerouCapricórnio),marcandooiníciodo verãooudoinvernonoshemisfériosNorteeSul. TECTONISMO Conjunto de fenômenos geológicos responsáveis pela movimentação e fragmentação da crosta terrestre. TRANSLAÇÃO Movimento da Terra em torno do Sol. TROPOSFERA Parte inferior da atmosfera terrestre, entre as altitudes de zero a 12 mil metros, aproximadamente. ZONAS TÉRMICAS As três faixas do globo com médias de temperatura semelhantes: zona equatorial ou intertropical, zonas temperadas Norte e Sul (entre os trópicos e os círculos polares) e as zonas polares Norte e Sul. VENDA PROIBIDA
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    10 GE GEOGRAFIA2018 CARTOGRAFIA 1 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO Os elementos cartográficos ..........................................................................12 Coordenadas geográficas..............................................................................14 Fusos horários ..................................................................................................16 Tipos de mapas.................................................................................................18 Projeções cartográficas..................................................................................20 Como cai na prova + Resumo.......................................................................22 A imagem que ilustra a página ao lado, da península coreana iluminada durante a noite, foi captada por astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) há três anos e revela um cenário intrigante: enquanto os territórios da Coreia do Sul e da China cintilam com o clarão gerado pela iluminação das cidades desses países, a Coreia do Norte encontra-se quase totalmente na escuridão. A exceção é a capital, Pyongyang, facilmente identificada como um ponto iluminado no meio do breu. Para além da simples curiosidade, a análise da intensidade da iluminação em imagens no- turnas do nosso planeta revela indiretamente o grau de desenvolvimento econômico daquela região. Por essa lógica, quanto mais claro é um certo lugar, mais rico ele é, já que a luz é uma necessidade humana básica, e as pessoas ten- dem a usá-la mais na medida em que são mais ricas. Consequentemente, a escuridão indica os lugares menos desenvolvidos. Por isso, fotografias noturnas do planeta feitas do espaço têm sido cada vez mais utilizadas por economistas como uma ferramenta importante para estimar o grau de riqueza e de pobreza de regiões do globo – principalmente aquelas carentes de dados econômicos mais acurados, como muitos países da África Subsaariana. Des- sa forma, é possível identificar os bolsões de pobreza com maior precisão e encaminhar as ações públicas necessárias. Mas não se pode tomar esse dado isoladamen- te. A simples observação da imagem noturna pode levar a imprecisões, já que um bairro pobre, mas com alta densidade populacional, pode ter o mesmo nível de luminosidade de uma vizinhança rica, mas esparsamente povoada. Por isso, um estudo divulgado por pesquisado- res da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, sugere a combinação da análise das imagens noturnas com fotos diurnas de alta resolução – ao verificar também o local durante o dia, mostrando quão urbanizado é o lugar, a metodologia tende a ser mais precisa. Essesestudossãoumbomexemplodecomoa cartografia nos fornece informações imprescin- díveis para mostrar a realidadedediferentes localidades e fomen- tar o estabelecimento de políticas públicas. Neste capítulo, você ficará ainda mais por dentrodalinguageme dopoderdosmapasno estudo da Geografia. Fotos noturnas feitas do espaço são uma nova ferramenta para medir níveis de desenvolvimento no planeta e identificar as regiões mais carentes Imagens de satélite contra a pobreza UM PAÍS NO BREU Imagem mostra detalhe da Ásia: a área iluminada à direita é a Coreia do Sul e no alto à esquerda está a China. A mancha escura com um ponto iluminado no meio é a Coreia do Norte VENDA PROIBIDA
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    12 GE GEOGRAFIA2018 CARTOGRAFIA OS ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS A cartografia é dotada de uma linguagem própria, com símbolos, indicadores e representações. Veja a seguir algumas dicas para interpretar corretamente os mapas T udo começou quando o homem pré-histórico passou a desenhar no interior das cavernas a loca- lização de seu entorno. Foi assim que surgiramosprimeirosmapas.Àmedida que o homem foi conquistando novos espaços,cruzandomareseaprimorando as técnicas cartográficas, os mapas se tornarammaissofisticados.Hoje,coma ajudadepoderosossatélites,atémesmo as mais inóspitas regiões do planeta são reproduzidas com alta precisão. Com o passar dos séculos, os mapas tiveram importantes funções estratégi- cas: ajudaram a impulsionar a expansão marítimo-comercial europeia no século XV e atualmente são fundamentais para que as administrações públicas desen- volvam projetos de organização territo- rial. Com os mapas, é possível realizar variados tipos de levantamento, seja ele político, socioeconômico ou ambiental. Por isso, eles são imprescindíveis ao estudo da geografia física e humana e à compreensão dos principais temas que movem o mundo. Qualquer representação geométri- ca da superfície terrestre, ou mesmo de parte dela, pode ser considerada um mapa – desde o desenho pouco apurado do homem pré-histórico até o mais completo planisfério produzido pela Nasa recentemente. Sejam eles rudimentares, sejam eles complexos, é importante ressaltar que os mapas possuem uma linguagem própria, com símbolos, indicadores e representações que facilitam sua interpretação. Conhe- ça mais os recursos utilizados pelos cartógrafos para reproduzir diferentes informações gráficas. TÍTULO O título é a nossa primeira aproximação com o mapa. Observá-lo com atenção pode “encurtar” o caminho da sua leitura e compreensão, pois nos permite conhecer, de imediato, qual é o conteúdo representado. Em geral, vem acompanhado do ano em que os dados foram coletados. LEGENDA A legenda é um dos elementos mais importantes do mapa, pois dá significado aos indicadores nele representados. Ela informa se os dados são percentuais ou absolutos, além do significado de cores, símbolos, linhas e demais recursos utilizados. A leitura da legenda deve ser feita em conjunto com a visualização da distribuição dos dados no mapa. Neste exemplo, as manchas mais escuras mostram os locais onde há maior concentração de pessoas por quilômetro quadrado. Note que o mapa não fornece os nomes dos países. Essas informações você pode aprender por meio da leitura atenta dos mapas políticos. Trata-se, aliás, de uma dica interessante: os mapas sempre se complementam. Portanto, ao estudar Geografia, lembre-se de olhar para os mapas com a mesma atenção que você olha para os textos, fotografias, gráficos e tabelas. O fascinante universo dos mapas FONTE A fonte informa a origem (instituição, pesquisa etc.) dos dados utilizados para compor o mapa. VENDA PROIBIDA
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    13 GE GEOGRAFIA 2018 ROSADOS VENTOS A rosa dos ventos indica a orientação geográfica, ou seja, para que lado se encontram, no mapa, os pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste). Pode parecer bem óbvio que o norte esteja na parte superior do mapa, pois essa é uma convenção internacional. Entretanto, em alguns tipos de mapas, como as plantas cartográficas e em projeções azimutais ou planas, o norte nem sempre se encontra na parte superior do mapa. ESCALA A escala indica a relação entre o espaço verdadeiro e seu correspondente no mapa. A escala gráfica apresentada no mapa acima mostra que 1 centímetro equivale a 1.237,5 quilômetros nas dimensões reais. Já a escala numérica do mapa ao lado nos mostra que cada centímetro reproduzido equivale a 55,5 milhões de centímetros – ou 555 quilômetros nas dimensões reais. Ao analisar os dois mapas, também é possível comparar reproduções cartográficas feitas em escalas pequenas e grandes. No mapa acima, reproduzido em uma escala pequena é possível identificar os continentes, a divisão política dos países e os oceanos, além dos locais com maior concentração de habitantes. Já no mapa ao lado, em escala maior, vemos uma área mais restrita – no caso, o território brasileiro. Assim, é possível observar os detalhes do contorno do país e identificar com mais precisão as áreas de maior densidade demográfica. VENDA PROIBIDA
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    14 GE GEOGRAFIA2018 CARTOGRAFIA COORDENADAS GEOGRÁFICAS P ara encontrar determinado lu- gar, como a casa de alguém ou um órgão público, precisamos de um endereço, não é mesmo? Sa- bendo o nome da cidade, do bairro, da rua e o número da casa, chegaremos ao destino. No entanto, nem todas as regiões do planeta têm um endereço com essas informações. Por isso, para obtermos a localização de qualquer ponto ou área da superfície terrestre, BRASÍLIA EQUADOR 15º47’S 47º55’O MERIDIANODEGREENWICH TRÓPICODECAPRICÓRNIO CÍRCULOPOLARANTÁRTICO CÍRCULOPOLARÁRTICO TRÓPICODECÂNCER utilizamos as coordenadas geográficas. Trata-se de um sistema obtido a partir do cruzamento de uma rede de linhas imaginárias – os meridianos e paralelos: • Os meridianos cruzam a Terra no sentido norte-sul, de um polo ao outro do globo. Os meridianos nos indicam a longitude, que é a distância expressa em graus entre um local no mapa e o meridiano de Greenwich. Localização precisa Um sistema de eixos horizontais e verticais constituem as coordenadas geográficas, que nos ajudam a identificar qualquer posição na superfície terrestre • Osparalelossãolinhasperpendiculares aosmeridianos,quecruzamaTerrano sentidoleste-oeste.Elesdeterminama latitude,tambémexpressaemgraus,e nosindicamadistânciaentreumlocal no planisfério e a linha do Equador. Para localizar qualquer ponto na su- perfícieterrestreésófazerocruzamento do meridiano com o paralelo e obter os dados referentes a latitude e longitude. MERIDIANO DE GREENWICH O meridiano de Greenwich, que ganhou esse nome por passar pela cidade de Greenwich, na Inglaterra, divide o planeta em Ocidente e Oriente. A partir dele, as distâncias são contabilizadas de zero a 180 graus, tanto para leste quanto para oeste. A longitude de um lugar é a sua distância até o meridiano de Greenwich – quanto mais distante, maior será sua longitude. A longitude de Brasília, por exemplo, é de 47º55’O – lê-se 47 graus e 55 minutos de longitude oeste. Ou seja, Brasília está a cerca de 47 graus a oeste do meridiano de Greenwich. Também é comum informar no lugar das iniciais dos pontos cardeais (N, S, L e O) um sinal de + (positivo) para as latitudes norte e longitudes leste e, em contrapartida, um sinal de – (negativo) para as latitudes sul e longitudes oeste. LINHA DO EQUADOR AlinhadoEquadoréequidistanteemrelaçãoaospolos NorteeSuldaTerraeservecomoreferênciaparatraçar osparalelos,comoostrópicosdeCâncereCapricórnioe oscírculospolaresÁrticoeAntártico.Eladivideoplaneta emporçãonorte,ousetentrional,esul,oumeridional. AslinhasquepartemdoEquadorsãodivididasdezero a90grausparaasduasdireções.Alatitudedeumlugar édeterminadaporsuadistânciaemrelaçãoàlinhado Equador–quantomaislonge,maisaltaéalatitudedeum ponto.AlatitudedeBrasília,porexemplo,é15º47’S–lê-se 15grause47minutosdelatitudesul.Ouseja,acidade ficaapoucomaisde15grausaosuldalinhadoEquador. VENDA PROIBIDA
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    15 GE GEOGRAFIA 2018 PORQUE AS COORDENADAS SÃO MEDIDAS EM GRAUS? Geralmente as distâncias são medidas em metros ou quilômetros. Por que então a latitude e a longitude são medidas em graus? Ocorre que, apesar de a maioria dos planisférios não mostrar isso, estamos tratando da medida de uma superfície curva, pois a Terra tem a forma arredondada. Assim, essas medidas equivalem à abertura do ângulo entre as linhas imaginárias traçadas a partir do centro da Terra até a linha do Equador (latitude) e do centro da Terra até o Meridiano de Greenwich (longitude). Veja o exemplo de Brasília, nas figuras abaixo: SAIBA MAIS BÚSSOLAS, PORTULANOS E GPS Da Idade Média (séculos V a XV) ao período das Grandes Navegações (séculos XV a XVII), a localização geográfica era obtida por meio da observação dos astros – a posição do Sol durante o dia e das cons- telações e da Lua à noite, por exemplo. As distâncias e as direções a serem seguidas eram obtidas pela leitura atenta da bússola e das Cartas Portulanas ou Mapas Portulanos. A bússola, cuja invenção é creditada aos chineses, foi fundamental para a navegação marítima no período das Grandes Navegações. Sua agulha imantada alinha-se com os polos magnéticos Norte e Sul da Terra e, dessa forma, permite que o navegador possa localizar-se e seguir na direção desejada. O desenvolvimento das Cartas Portulanas também facilitou a navegação, à medida que traziam as linhas de rumo para orientar o trajeto das embarcações, além de mostrar detalhes do litoral e a indicação dos principais portos, baías e cidades, como mostra este exemplo que representa o Mar Mediterrâneo e o seu entorno. Atualmente,dispomosdetecnologiasinfinitamentemaisprecisaspara obter as coordenadas geográficas e identificar praticamente qualquer lugar no planeta. Esses dados são facilmente levantados pelo GPS (Global Positioning System), um sistema composto por 24 satélites que fornece a um aparelho receptor sua posição exata na superfície terrestre. As informações são visualizadas a partir de aparelhos de GPS, celulares e computadores de bordo em automóveis, aviões e navios e são fundamentais para a navegação terrestre, marítima ou aérea hoje em dia. [1] ALEX ARGOZINO [2] REPRODUÇÃO [1] [2] Fonte:AtlasGeográficoMundial.EditoraFundamento,2007.p.4 VENDA PROIBIDA
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    16 GE GEOGRAFIA2018 CARTOGRAFIA FUSOS HORÁRIOS O s fusos horários foram estabele- cidos porque, em razão do mo- vimento de rotação da Terra, as várias porções da superfície terrestre são iluminadas de forma diferencia- da no decorrer do dia. Para dar uma volta completa em torno de si, o pla- neta gira 360º e faz isso em um dia, ou seja, em 24 horas. Dessa forma, foram determinadas 24 faixas longitudinais (no sentido norte-sul do globo) de 15º. Cada faixa, denominada de fuso horário teórico ou astronômico, corresponde, portanto, a 1 hora. O fuso de referência do horário mun- dial é o de Greenwich, localidade situ- ada em Londres, na Inglaterra. Esse fuso se estende 7º30’ a oeste e 7º 30’ a leste do Meridiano de Greenwich, tam- bém chamado de Meridiano 0º. A par- tir dele, foram definidos os demais fusos teóricos – indo para leste, acres- centa-se uma hora a cada fuso; para oeste, subtrai-se uma hora. Entretanto, esses limites teóricos dos fusos horários, delimitados a cada 15º, não coincidem com os limites dos países. Por isso, foram criados os fusos horários práticos, também conhecidos como fusos civis ou políticos. Esses fusos respeitam os limites políticos dos países, pois consideram os interesses de cada nação em fazer parte de um ou de outro fuso, de acordo, por exemplo, com a integração econômica, política e sociocultural com as regiões vizinhas. Como os limites das linhas são uma convenção, os fusos acabam sendo maleáveis. Em novembro de 2013, por exemplo, o Brasil passou a ter quatro fusos horários, em vez de três. Com a medida, os fusos do estado do Acre e de parte do Amazonas foram modifica- dos, a partir de uma leve adaptação do meridiano. E essas mudanças ocorrem no mundo todo. Em 2016, a Rússia, que, com sua vastidão territorial tinha nove fusos horários, decidiu aumentar para 11. Além disso, alguns países adotam as chamadas “horas fracionadas”, como o Irã (3 horas e meia a mais em relação ao fuso de Greenwich) e a Índia (5 horas e meia a mais em relação ao fuso de Greenwich). Acertando os ponteiros Com base nos meridianos e no sistema de rotação da Terra, o sistema de fusos horários ajuda a organizar as horas em diversas localidades do globo TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CÂNCER CÍRCULO ANTÁRTICO CÍRCULO ÁRTICO EQUADOR A N T Á R T I C A Brasília Lima Cidade do México Ilhas Galápagos Honolulu Tonga Georgetown Dacar Trípoli Cairo Berlim Luanda Cidade do Cabo Maputo Jerusalém Riad Nairóbi Adis-Adeba Moscou Samara Teerã Astana Nova Délhi Pequim Tóquio Hong Kong Seul Pyongyang Jacarta Melbourne Sydney Manila Lisboa Londres Paris Bogotá Cidade do Panamá Nova York Ottawa Washington Vancouver Los Angeles San Francisco Tijuana Buenos Aires +13 +13 -3 +9 +5 +3 +4 +12 -9 Wellington Reykjavik Ilhas da Linha Ilhas Marquesas Ilha Pitcairn Ilha de Páscoa Ilhas Malvinas Ilhas Geórgia do Sul Taiti Paramaribo Belém La Paz Rio Branco Cuiabá Assunção Manaus Caracas Santo Domingo Quito Seattle Edmonton Anchorage Whitehorse Açores Samoa Santiago Montevidéu Houston Miami Havana New Orleans Chicago St. Louis Halifax St. John’s Montreal Winnipeg Denver Phoenix Túnis Argel Casablanca Lagos Abidjan Johannesburgo Antananarivo Cartum Campala Lusaka Kinshasa Windhoek Fernando de Noronha Bagdá Murmansk Helsinque São Petersburgo Roma Viena Estocolmo Oslo Istambul Atenas Kiev Varsóvia Dublin Madri Meca Mascate Yangun Bangcoc Dili Adelaide Brisbane Perth Cingapura Colombo Mumbai Karachi Calcutá Katmandu Lhasa Ashkhabad Tashkent Cabul Xi’an Ulan Bator Irkutsk Vladivostok Xangai Taipé Petropavlovsk Magadan Yakutsk Yekaterinburgo Ilhas Chatham Oceano Pacífico Oceano Pacífico Oceano Ártico Oceano Ártico Oceano Atlântico Oceano Índico Manágua Kiribati +3 Omsk +6 +8 +5 Hanói 1h 2h 3h 4h 5h 6h 7h 8h 9h 10h 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h 18h 19h 20h 21h 22h 23h 0h 0h -12 +12 -11 +11 -10 +10 -9 +9 -7 +7 -6 +6 -5 +5 -4 +4 -3 +3 -2 +2 -1 +1 0 -8 +8 150º O 120º 90º 60º 60º 90º 120º 150º L 180º 180º 30º 30º 0º HorárioUniversal deGreenwich Horáriofracionado LinhaInternacionaldeData +8 Krasnoyarsk Bucareste Novosibirsk Fonte: World Time Zone N 1.780 km OLHA A HORA! Para determinar o horário em um país, deve-se aumentar uma hora no relógio para cada fuso a leste de Greenwich e diminuir uma hora para cada fuso a oeste dele VENDA PROIBIDA
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    17 GE GEOGRAFIA 2018 HORÁRIODE VERÃO Comohoráriodeverão,oBrasilmantémseus quatrofusos,masmudaadisposiçãodeles,pois asregiõesSul,SudesteeCentro-Oesteadiantam o relógio em uma hora. O objetivo é aproveitar melhoraluzsolar,jáque,duranteoverão,quan- tomaioralatitude,maiorofotoperíodo–oSol nasce mais cedo e se põe mais tarde. A medida provoca uma importante redução no consumo de energia durante os horários de maior consumo, sobretudo das 18h às 20h, o quereduzasobrecarganosistemaelétricoeos riscos de apagões. Nos estados localizados em latitudes mais baixas (mais próximos da linha do Equador), como no Nordeste e Norte, há pouca variação do fotoperíodo e, por isso, não compensa fazer a mudança para o horário de verão. Nesses estados, mesmo que houvesse alguma economia de energia à tarde, a mu- dança provocaria um aumento no consumo de energia no início da manhã. Ohoráriodeverãocomeçanoterceirodomin- go de outubro e termina no terceiro domingo de fevereiro. Se neste último for carnaval, o encerramento fica para o domingo seguinte. VENEZUELA MUDA FUSO HORÁRIO CRIADO POR CHÁVEZ PARA POUPAR ENERGIA A Venezuela reverteu nesta sexta-feira (15) uma mudança de fuso horário de meia hora que foi uma das marcas registradas do governo do falecido presidente Hugo Chávez. Chávez atrasou os relógios do país 30 minutos em 2007 para que as crianças pudessem acordar para ir à escola com luz do sol. Mas seu sucessor, Nicolás Maduro, decidiu retomar o sistema ante- rior, quatro horas atrás do Horário do Meridiano de Greenwich (GMT, na sigla em inglês), para ter mais luz solar no final da tarde, quando o consumo de energia chega ao máximo. (...) G1, 15/4/2016 SAIU NA IMPRENSA OS FUSOS HORÁRIOS DO BRASIL Exemplos da variação dos horários nos fusos brasileiros quando em Londres (fuso de referência) são 15 horas As regiões Sul, Sudeste e Nordeste, o Distrito Federal e os estados de Goiás, do Tocantins, Pará e Amapá acompanham o horário de Brasília. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e a maior parte do Amazonas têm uma hora a menos. Já um pequeno trecho do Amazonas e o Acre passaram a ter duas a menos que Brasília com a mudança de fuso implementada em 2013. Com as alterações, o Brasil ficou com quatro fusos horários. No alto, os relógios mostram os diversos horários quando é meio-dia em Brasília. Note como Fernando de Noronha e as ilhas oceânicas estão mais “adiantados” em relação aos horários do Brasil continental: nessas regiões já são 13 horas. DF PA GO AP MA PI BA CE PE SP RJ ES AC AM RR RO MT MS PR SC MG TO RS 11h 10h 12h 13h Atol das Rocas (RN) 3’52’S 33’50’O Penedos de S. Pedro e S. Paulo (RN) 3’56’S 29’22’O Fernando de Noronha (PE) 3’50’S 32’24’O *Em relação ao horário de Greenwich -4h -5h -2h -3h FUSO HORÁRIO* RN PB AL SE 1h entram no horário de verão não entram no horário de verão SAIBA MAIS VENDA PROIBIDA
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    18 GE GEOGRAFIA2018 Grandes Lagos Aconcágua 6.959m Mte.McKinley 6.194m Amazonas C o r d i l h e i r a d o s A n d e s Apalaches Picoda Neblina 3.014m S ã o F r a n c i s c o M i s s i s s i p p i Montanha s Rochosas CARTOGRAFIA TIPOS DE MAPA Veja como as diversas formas de representar o espaço geográfico podem alterar o modo como enxergamos o planeta R epresentação: é essa a ideia que norteia a construção de um mapa. Ocorre que, obvia- mente, o tamanho e a complexidade do planeta não cabem no papel. Desse modo, é preciso fazer escolhas para conseguir mostrar, num espaço tão res- trito, o máximo daquilo que comporta o mundo real. Dessas escolhas é que resultam as diversas maneiras de representar um território, que pode se dar com base em focos variados, como seus aspectos físicos, políticos ou sociais. Cada um desses recortes, por sua vez, abarca ou- tras subdivisões. A representação física do planeta, por exemplo, engloba mapas de hidrografia e relevo, entre outros. Todas essas divisões são importantes tanto por seu caráter teórico, ao faci- litar o estudo de uma área, quanto pela aplicação prática desse conhecimento, ao nortear a implantação de políticas de saúde ou ambientais. Entretanto,comtantaspossibilidades, é preciso atenção na hora de ler os ma- pas e avaliar as conclusões tiradas com base em sua análise. Afinal, como vimos, eles mostram apenas uma parte da re- alidade. Assim, dependendo do ponto de vista adotado para sua construção, eles podem acabar servindo para in- fluenciar – positiva ou negativamente – o modo como enxergamos determina- da área ou algum fenômeno. Confira a seguir alguns dos principais tipos de mapas e o que eles representam. Vários mapas, diferentes leituras MAPAS FÍSICOS Este tipo de mapa destaca as características físicas da superfície terrestre, em especial de relevo e hidrografia. Geralmente, as diferentes faixas de altitudes são apresentadas por meio de uma sequência de cores: nas terras emersas, os tons em verde são usados para altitudes mais baixas, seguidos do amarelo, laranja e marrom, sucessivamente, para as altitudes mais elevadas. Também constam nos mapas físicos denominações das unidades de relevo que se destacam no território, como cadeias montanhosas, serras, planaltos e planícies, bem como os picos mais elevados. Quanto à hidrografia, são representados com traços azuis os grandes rios e seus principais afluentes e subafluentes. Os principais lagos também são identificados. MAPAS POLÍTICOS É este recorte que dá aos mapas a cara que mais conhecemos: os continentes divididos em países, os países divididos em regiões e estas, em cidades (veja, ao lado, os 35 países do continente americano). Seu objetivo é simplesmente demarcar os limites entre territórios, que podem mudar no decorrer dos anos. As fronteiras entre as nações, por exemplo, sofreram muitas mudanças no decorrer da história. As atualizações do mapa-múndi atingiram número recorde no século XX, por causa do turbilhão de eventos ocorridos no período, como o desmembramento da ex-União Soviética. A mais recente alteração no mapa político ocorreu em 2011, com o desmembramento do Sudão, que deu origem ao Sudão do Sul. Em suma, aparecer ou não no mapa significa ter a própria existência reconhecida pelo resto do mundo. VENDA PROIBIDA
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    19 GE GEOGRAFIA 2018 SAIBAMAIS ANAMORFOSES, OS MAPAS DISTORCIDOS Os mapas têm como objetivo apresentar de forma mais fiel possível o espaço geográfico, certo? Mais ou menos. Existem alguns tipos de representação cartográfica que distorcem o tamanho e o traçado das regiões para reforçar o efeito comparativo sobre o tema apresentado. Esses mapas recebem o nome de anamorfoses e costumam cair nos vestibulares com certa frequência. Nesta anamorfose, o tamanho de cada país é proporcional ao seu Produto Interno Bruto (PIB) e não à sua extensão territorial. Logo, chama a atenção o aumento de tamanho dos Estados Unidos, dono da maior economia do mundo, com 18 trilhões de dólares. Por sua vez, note como o Canadá, que tem a segunda maior extensão territorial do planeta, atrás apenas da Rússia, ficou representado de uma forma bem menor nesta anamorfose. Isso acontece porque o gigantismo de sua área não é proporcional ao seu PIB. Já o mapa do Brasil apresenta poucas distorções na comparação entre economia e área. MAPAS TEMÁTICOS São mapas que representam dados sobre determinados temas, permitindo observar as características de uma região e estabelecer comparações entre os países apresentados. Os temas abordados podem ser os mais diversos, da economia à cultura, passando por demografia e meio ambiente. Neste exemplo, os países da América são agrupados a partir de sua classificação no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O indicador, apurado pela Organização das Nações Unidas (ONU), serve para medir as variações no padrão de qualidade de vida das diferentes populações do globo, levando em conta três fatores: educação, longevidade e renda. Ao observarmos o mapa de IDH do continente americano acima, notamos que Estados Unidos, Canadá, Chile e Argentina são as únicas nações com IDH muito alto, enquanto o Haiti é a única nação com baixo desenvolvimento humano. O Brasil, junto com países como Venezuela e México, tem IDH alto. Índice de Desenvolvimento Humano (2015) Muito Alto Alto Médio Baixo Dados não disponíveis Estados Unidos Canadá Argentina Chile Cuba Venezuela Haiti Brasil México PARA IR ALÉM Confira dezenas de anamorfoses sobre os mais diversos temas no site www.worldmapper.org. Estados Unidos Canadá Brasil VENDA PROIBIDA
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    20 GE GEOGRAFIA2018 CARTOGRAFIA PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS A o longo dos séculos, os cartó- grafos vêm se empenhando em desenvolver mapas-múndi da forma mais fiel possível. O problema é que a Terra tem um formato esférico, com um leve achatamento nos polos. O maior desafio na criação dos mapas, portanto, é representar este planeta esférico em uma superfície plana. Para ter uma ideia da dificuldade de fazer essa transposição, no decorrer dos anos surgiram mais de 200 tipos de projeção cartográfica. E todas apresentam algum tipo de distorção. Forma e conteúdo O desafio de reproduzir a superfície esférica da Terra em um mapa plano levou ao surgimento de uma infinidade de projeções cartográficas. Conheça a seguir os tipos mais comuns Equador Greenwich Trópico de Capricórnio Trópico de Câncer 60˚ 60˚ 20˚ 20˚ Trópico de Câncer Equador 180˚ 160˚ 140˚ 120˚ 100˚ 80˚ 60˚ 40˚ 20˚ 0˚ G r e e n w i c h Polo Norte PROJEÇÃO CILÍNDRICA Este tipo de projeção é produzido como se um cilindro envolvesse a esfera terrestre e fosse então planificado. A projeção cilíndrica ainda consegue representar com menos distorções as baixas latitudes. PROJEÇÃO CÔNICA Neste tipo de projeção, a representação é feita como se um cone envolvesse o planeta e depois fosse planificado. Esta projeção é utilizada para mapas de latitudes médias, pois nessa região a distorção é menor. PROJEÇÃO PLANA OU AZIMUTAL O mapa é construído sobre um plano que tangencia algum ponto da superfície terrestre. Seu uso mais comum é para melhorar a visibilidade das regiões polares e de suas proximidades. AS DIFERENTES REPRESENTAÇÕES DA ESFERA TERRESTRE Dependendo da figura geométrica utilizada para desenvolver o mapa, as projeções podem ser classificadas da seguinte forma: VENDA PROIBIDA
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    21 GE GEOGRAFIA 2018 CONFORME Priorizaa forma, ou seja, o contorno dos continentes e oceanos e distorce a área, principalmente nas latitudes maiores. Na Projeção de Mercator ao lado, a Groenlândia, que tem cerca de 2,8 milhões de quilômetros quadrados, aparece no mapa com quase o mesmo tamanho da África, com seus mais de 30 milhões de quilômetros quadrados. EQUIVALENTE Mantém a equivalência da área, ou seja, a proporção entre as áreas reais e sua representação nos mapas. No entanto, as formas ficam distorcidas, como a América do Sul e a África, que aparecem mais alongadas no mapa, como se nota na Projeção de Peters. EQUIDISTANTE Representa com maior fidelidade as distâncias, por isso é frequentemente adotada para definir rotas aéreas e marítimas. No entanto, ela distorce as formas e as áreas. As projeções planas ou azimutais, descritas na página ao lado, também são consideradas equidistantes. ARBITRÁRIA OU AFILÁTICA Não se prende totalmente a nenhuma regra, distorcendo tanto a área como a forma, porém sem exagerar essas distorções, buscando um resultado mais equilibrado. O exemplo mais representativo é a Projeção de Robinson, utilizada na maior parte dos atlas e livros escolares. DIFERENTES PROJEÇÕES CAUSAM POLÊMICA As projeções também podem ser classificadas de acordo com os parâmetros utilizados para conservar ou distorcer as áreas: SAIBA MAIS AS IMAGENS DE SATÉLITES Ossatélitessãoinstrumentosessenciaispara a obtenção de imagens da superfície terres- tre com grande riqueza de detalhes. A partir dessas informações, os cartógrafos produzem mapas temáticos, monitoram problemas am- bientais, como o desmatamento e a poluição daságuas,descobremnovasriquezas,comoja- zidasminerais,entreinúmerasoutrasfunções. Aobtençãodeimagensdesatélitefazpartede umconjuntodetécnicasconhecidascomosen- soriamentoremoto.Comoaprópriaexpressão jádiz,trata-sedeumaformadeobterimagens com sensores localizados à distância. Depen- dendodasvariaçõesqueascaracterísticasfísi- casdasuperfícieterrestreapresentam,ocorrem diferentesíndicesdereflexãodaluzsolaroudas radiaçõesdossensoresativosdossatélites.As águas,porexemplo,tendemaabsorvermaior quantidadedeenergia,enquantoconstruções (prédios,estradas,pontesetc.)oumesmoosolo expostorefletemmaisaenergiaincidente.Desta forma, é possível identificar as características naturaisedaocupaçãohumanadeumadeter- minadaárea.Existemaindafiltrosutilizadospara realçaralgumacaraterística,comoasvariações do relevo, dos recursos minerais, da vegetação ou das águas, por exemplo. CORES E TEXTURAS Nesta imagem da região metropolitana de São Paulo, as porções de água estão representadas na cor preta, as áreas urbanizadas na cor rosa, a vegetação na cor verde e o solo exposto na cor marrom INPE VENDA PROIBIDA
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    22 GE GEOGRAFIA2018 COMO CAI NA PROVA 1.(Fuvest 2017) Anamorfose geográfica representa superfícies dos países em áreas proporcionais a uma determinada quantidade. Observe as seguintes anamorfoses: Nasalternativasapresentadas,ostítulosqueidentificamdeformacorretaas anamorfoses I e II são, respectivamente: a) Transporte aéreo e Transporte ferroviário. b) População urbana e População rural. c) População total e Produto Interno Bruto. d) Ocorrência de HIV e Ocorrência de malária. e) Exportação de armas e Importação de armas RESOLUÇÃO A anamorfose possui uma força comunicativa poderosa e cartograficamente temopapeldevalorizarcertosfenômenosgeográficos,provocandoasubversão da forma com o propósito de revelar o assunto retratado. Para responder este tipo de questão é preciso identificar o grau de distorção das áreas dos países no mapa. Além disso, o conhecimento geral de temas da geografia física e humana é fundamental para saber a quais assuntos o mapa estará relacionado. No caso desta questão, as alternativas levam às seguintes reflexões: AafirmativaAéincorretaporquepaísescomoJapãoeChinatêmfortemovimento aéreo e o transporte ferroviário é maior em países desenvolvidos; AafirmativaBéincorretaporquenãosóospaísesdesenvolvidosregistramaltos percentuais de população urbana; AafirmativaCéincorretaporqueEstadosUnidos,Rússia,Brasil,China,Índiasão os países mais populosos; AafirmativaDéincorretaporqueaocorrênciadoHIVémaiornocontinenteafricano. Logo,arespostaquerepresentaamelhoropçãoéaquelaqueenvolveocomércio mundialdearmas.EUA,paísesdeEuropaOcidentaleRússiasãograndesprodutores e exportadores. Já Índia e Paquistão (em tensão por disputa territorial), Japão e Coreia do Sul (temerosos por ameaças da Coreia do Norte) e países do Oriente MédioedonortedaÁfrica(envolvidoscomaçõesterroristasefundamentalismo islâmico) são grandes importadores de armamentos. Resposta: E 2.(Mackenzie 2016) Escala : 1:15.000 CombasenomapaeemseusconhecimentossobreEscalasCartográficaseFusos HoráriosMundiais,qualalternativacontempla,corretaerespectivamente,as seguintes perguntas. I. Qual a distância linear entre os dois pontos atingidos pelas explosões, em Bruxelas, sabendo que a distância entre os dois pontos no mapa é de 7 cm? II. SabendoqueoataqueaoAeroportoInternacionaldeZaventem–Bruxelas – Bélgica ocorreu às 8h do dia 22/03/2016, país localizado a 15º Leste de Greenwich,quehorasosrelógiosbrasileirosmarcavamemseufusoprincipal, horário de Brasília, localizado a 45o Oeste de Greenwich? a) 150 metros; 4h do dia 21/03/2016. b) 1.500 metros; 20h do dia 21/03/2016. c) 1.050 metros; 4h do dia 22/03/2016. d) 10.500 metros; 20h do dia 22/03/2016. e) 105.000 metros; 4h do dia 23/03/2016. RESOLUÇÃO I – A escala numérica indicada no mapa aponta 1: 15.000. Ou seja, para cada 1 centímetro no mapa temos, na realidade, 15.000 centímetros, ou 150 metros. Em uma distância linear de 7 centímetros, temos a seguinte correspondência: 1 cm — 150 m 7 cm — x x= 1050 m II – Devemos considerar a localidade de Bruxelas a 15° Leste de Greenwich e de Brasíliaa45°Oeste.Cadafusoequivalea1horaecorrespondea15°.Logo,adiferença entreasduaslocalidadesapontadasnaquestãoéde4fusos,oequivalentea4horas. Comonosentidolesteashorasaumentamenosentidooesteashorasdiminuem, podemosconcluirque,nomomentodoatentadoexecutadoemBruxelasàs8horas, os relógios brasileiros marcavam na sua hora oficial quatro horas a menos, pois BrasíliaselocalizamaisaoestedaBélgica.Comissoahoraregistradafoide4horas. Resposta: C VENDA PROIBIDA
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    23 GE GEOGRAFIA 2018 RESUMO Cartografia ELEMENTOSDOS MAPAS São as informações que acompa- nhamosmapaseaelesdãosignificado.Osprincipaiselementos sãootítulo,alegenda(indicaosignificadodossímbolos,cores e demais recursos utilizados nos mapas), a rosa dos ventos (indica os pontos cardeais), a fonte dos dados e a escala, que determina a proporção em que o mapa foi feito, comparado à superfície real. COORDENADAS GEOGRÁFICASSãovaloresemgraus,minutos e segundos obtidos a partir do cruzamento dos meridianos (linhas imaginárias traçadas no sentido norte-sul) e dos para- lelos (linhas imaginárias traçadas no sentido leste-oeste). As coordenadassãofundamentaisparaalocalizaçãodequalquer pontoouáreanasuperfícieterrestre.Opontodereferênciados paralelos é a linha do Equador, enquanto dos meridianos é o meridiano de Greenwich. Os paralelos determinam a latitude e os meridianos indicam a longitude. FUSOS HORÁRIOS São faixas longitudinais (que se estendem nosentidonorte-sulnogloboterrestre)criadasparaorganizara horamundial.Inicialmenteforamdeterminadas24faixas,cada uma com 15 graus. A hora adotada em cada país, no entanto, foi regulamentada com base nos fusos horários práticos, que acompanham os limites territoriais dos países ou estados, de acordo com os interesses político-econômicos regionais. O ponto de referência do horário mundial é o meridiano de Greenwich, na Inglaterra: indo para leste, adianta-se o relógio; para oeste, deve-se atrasá-lo. Muitos países adotam o horário de verão, adiantando o relógio em uma hora para aproveitar melhor a luz solar e reduzir o consumo de energia. TIPOS DE MAPAS De acordo com o tipo de informação que representam, os mapas podem ser classificados como: mapas políticos, que mostram os limites político-territoriais dos países; mapas físicos, com as principais características de relevo e hidrografia; e os mapas temáticos, que representam algum tema ou assunto específico, como dados econômicos, populacionais ou ambientais. As anamorfoses aumentam ou diminuem o tamanho dos países ou continentes de acordo com os dados quantitativos que estão sendo representados. PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS São técnicas utilizadas para representar a Terra, que é esférica, em uma superfície plana. Asprincipaisprojeçõessãoclassificadasdeacordocomafigura geométrica utilizada para representar a superfície terrestre: cilindro (projeção cilíndrica); cone (projeção cônica) e plano (projeção plana ou azimutal). Há distorções em todas as pro- jeções, sendo que em cada uma se prioriza uma determinada propriedade: a área, a forma ou as distâncias. A projeção de Mercator é mais precisa nas distâncias, mas distorce as áreas. Já a projeção de Peters privilegia o tamanho da área, porém não consegue apresentar as formas de maneira fiel. 3.(Unicamp2017)Arepresentaçãocartográficadosfatosgeográficosavançou consideravelmente, nas últimas décadas, sobretudo a partir do emprego de tecnologias modernas utilizadas pela Cartografia, por exemplo, as imagens SRTM, como a que será vista a seguir: a) ExpliqueporqueaGroenlândiaeaPenínsulaArábica,quepossuemaproxima- damente a mesma superfície no mapa-múndi acima, apresentam dimensões tão discrepantes, e indique qual é a projeção desse mapa-múndi. b) Defina escala cartográfica e indique se o mapa acima apresenta uma escala grande ou pequena. RESOLUÇÃO a) O mapa apresentado na questão foi feito em uma projeção cilíndrica do tipo conforme idealizada por Mercartor. Este mapa prioriza a forma e o contorno dos continentes. No entanto, ele distorce o tamanho e a proporção das áreas continentais. As áreas de baixa latitude, mais próximas da linha do Equador, são reproduzidas de forma mais fiel, como acontece com a Península Arábica. Já as regiões de alta latitude, como a Groenlândia, são apresentadas em um tamanho proporcionalmente maior do que de fato são. b) A escala cartográfica permite que se estabeleça uma relação entre o espaço real e a área apresentada no mapa. O mapa-múndi reproduzido na questão temescalapequena–elamostrapoucosdetalhes,priorizandoaapresentação de uma área de abrangência maior. SAIBA MAIS As escalas numéricas são expressas por uma fração cujo numerador é a medida no mapa e o denominador é a medida correspondente ao terreno. Ex: 1:50.000 ou 1/50.000 – 1 cm no mapa corresponde a 50.000 cm no terreno). O tamanho da escala é tanto menor quanto maior for o denominador. Veja na tabelaabaixocomootamanhodaescalaserelacionacomafinalidadedomapa: Tamanho Escala Finalidade do Mapa Grande 1:50 / 1:100 Plantas arquitetônicas e de engenharia 1:500 a 1: 20.000 Plantas urbanas; projetos de engenharia Média 1: 25.000 a 1:250.000 Mapas topográficos Pequena Acima de 1: 250.000 Atlas geográficos; globos VENDA PROIBIDA
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    24 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA 2 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO Composição e estrutura geológica.............................................................26 Tipos de relevo..................................................................................................28 Placas tectônicas .............................................................................................30 Relevo em movimento....................................................................................32 Relevo do Brasil................................................................................................36 Recursos minerais...........................................................................................38 Características dos solos...............................................................................40 Deslizamento de terra e inundações........................................................42 Contaminação dos solos................................................................................44 Como cai na prova + Resumo.......................................................................46 maioremrelaçãoaoentornoedetémumacrosta mais espessa que a do leito oceânico – quatro característicascomunsaoscontinentesvalidados. Embora seja natural pensarmos que um con- tinente deva estar inteiramente na superfície, os pesquisadores argumentam que o fato de Zelândia ter apenas 6% de suas terras emersas não lhe tira o direito de ser vista como tal. “É o menor e mais fino continente já encontrado, e o fatodeestartãosubmerso,masnãofragmentado, o torna útil para explorar a coesão e desintegra- ção da crosta continental”, aponta Mortimer. Como não existe um organismo internacional que reconheça formalmente os continentes, a Zelândia só irá fazer parte da lista se a comuni- dade científica aceitar os argumentos dos pes- quisadores neozelandeses e passar a citá-la em seus trabalhos. Dessa forma, o novo continente quase inteiramente submerso do Pacífico passariaaserensinado nas aulas de Geogra- fia. Enquanto isso não acontece, você apren- denocapítuloaseguir todos os tradicionais fenômenos do relevo e de sua formação. O NOVO CONTINENTE Representação da Terra mostra a Zelândia, em volta do tracejado em vermelho: apenas a Nova Zelândia, ao sul, e a pequena ilha da Nova Caledônia, ao norte, estão acima do nível do mar U m artigo publicado em fevereiro de 2017 na revista científica da Geological Society of America (GSA) propõe uma mudança significativa nos livros de Geografia. Segundo o estudo liderado pelo geólogo neoze- landês Nick Mortimer, o mundo teria um novo continente: a Zelândia. O território possui 4,9 milhões de quilômetros quadrados (cerca de 60% da área do Brasil) e localiza-se no sudo- este do Oceano Pacífico, ao lado da Austrália. Detalhe: 94% de suas terras são submersas, e as únicas porções acima do nível do mar são as ilhas de Nova Zelândia e Nova Caledônia, dis- tantes cerca de 2.400 quilômetros uma da outra. AformaçãodaZelândiaestariarelacionadaao mesmo fenômeno que deu origem aos demais continentes: a deriva continental. A Pangeia, a grande e única extensão de terra que existia há 225 milhões de anos, foi se fragmentando gradativamente até dar forma aos continentes que conhecemos atualmente. A Zelândia se descolou da Austrália e da An- tárticaesubmergiu,masaindaassimpoderiaser considerada um continente. É o que defende o estudo de Mortimer, com base em critérios geo- lógicos.Dadoscoletadosporsatélitemostramque a Zelândia tem uma área bem definida, é dotada de uma geologia distinta, possui uma elevação Território localizado no sudoeste do Oceano Pacífico tem apenas 6% de sua área acima do nível do mar Zelândia, o continente submerso CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO Composição e estrutura geológica.............................................................26 Tipos de relevo..................................................................................................28 Placas tectônicas .............................................................................................30 Relevo em movimento....................................................................................32 Relevo do Brasil................................................................................................36 Recursos minerais...........................................................................................38 Características dos solos...............................................................................40 Deslizamento de terra e inundações........................................................42 Contaminação dos solos................................................................................44 Como cai na prova + Resumo.......................................................................46 APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VÍDEO SOBRE A FORMAÇÃO DA ZELÂNDIA (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7) VENDA PROIBIDA
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    25 GE GEOGRAFIA 2018 MARIOKANNO/MULTISP VENDA PROIBIDA
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    26 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA GEOLÓGICA O termolitos,emgrego,significa“pedra”ou “rocha”. Portanto, conhecer a litosfera é saberliteralmenteondeestamospisando, já que ela dá nome à camada sólida que reveste a esfera terrestre. Essa rigidez em sua superfície, aliás, é uma característica que nem todos os pla- netaspossuem.NoSistemaSolar,alémdaTerra, somenteoutrostrês(Mercúrio,VênuseMarte)são classificadoscomoplanetasrochosos.Osdemais (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) são gigantes gasosos e não possuem uma crosta rochosa. A litosfera é composta pela crosta e por uma partedomantosuperior,conformeilustraaima- Por dentro do globo Conheça as características das camadas internas do planeta e como o relevo foi formado ao longo dos anos Manto inferior Manto superior Fonte: ALMANAQUE ABRIL Crosta Núcleo externo Núcleo central CROSTA É a parte superior ou externa da litosfera, encontrada tanto nas áreas continentais (crosta continental) como submersas pelos oceanos (crosta oceânica). A crosta continental apresenta espessuras que variam de 30 a 70 quilômetros, aproximadamente, com rochas mais densas na parte inferior e menos densas na porção superior, próxima da superfície. A crosta oceânica, por sua vez, tem espessura entre 6 e 7 quilômetros de profundidade e é constituída predominantemente por rochas mais densas. gem abaixo. É sobre ela que o relevo ganha seus contornos,formandodesdedepressõesatécadeias montanhosas.Alémdessascamadas,aTerrapossui outraspartesemsuaestruturainternaigualmente sólidas, como o núcleo interno, ou fluidas, como omantoeonúcleoexterno.Conheceressaestru- turaesuadinâmicaéfundamentalparaentender fenômenos como os terremotos, as atividades vulcânicas e os tsunamis, por exemplo, e assim poderbuscarosmeiosdeseprotegercontraseus efeitos devastadores. Veja abaixo as características das diferentes camadas da Terra: TETO DAS AMÉRICAS O Monte Aconcágua, na Argentina, é o ponto mais alto do continente americano, medindo 6.959 metros AS CAMADAS DA TERRA APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA SOBRE ESTRUTURAS GEOLÓGICAS (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7) VENDA PROIBIDA
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    27 GE GEOGRAFIA 2018 Aestrutura geológica A estrutura geológica e mineralógica da crosta está na base do modo de vida das populações humanas, uma vez que fornece dezenas de recursos necessários à vida, como a produção de ali- mentos (obtidos por meio do cultivo do solo), os materiais utilizados na construção de moradias (tijolos, cimento, ferro), a geração de energia (petróleo, urânio), entre inúmeros outros. Confira a seguir as principais estruturas geológicas da litosfera: FORMAÇÃO DAS ESTRUTURAS GEOLÓGICAS Escudo cristalino Dobramentos modernos Bacias sedimentares 2,5 bilhões 4,5 bilhões 250 milhões ArqueozoicaProterozoica Paleozoica Mesozoica Cenozoica 65 milhões 570 milhões ESCUDOS CRISTALINOS São os terrenos mais antigos da crosta terrestre, formados pelo choque de massas continentais ocorrido há centenas de milhões de anos durante a era Pré-Cambriana (Arqueozoica e Proterozoica). Os escudos cristalinos são constituídos de rochas magmáticas, ou seja, trata-se do magma – material líquido-pastoso proveniente do manto – em estado sólido. As rochas magmáticas dividem-se em duas categorias: as extrusivas, como o basalto, que são formadas com o esfriamento rápido do magma na superfície terrestre; e as intrusivas, como o granito, que são resfriadas lentamente dentro da crosta terrestre. Os escudos cristalinos também exibem as rochas metamórficas, que são o resultado da transformação das rochas magmáticas, sedimentares ou mesmo de outras metamórficas, por meio de processos químicos e físicos nas grandes profundidades da Terra. O mármore, por exemplo, é formado do calcário quando esse é submetido a altas temperaturas e pressão. BACIAS SEDIMENTARES Foram formadas nas eras Paleozoica e Mesozoica, com a erosão das rochas dos escudos cristalinos – após o desgaste dos maciços, seus sedimentos foram depositados em regiões mais baixas. O acúmulo desses detritos, somado aos restos orgânicos, leva à formação de rochas sedimentares pelo processo de MANTO SUPERIOR É a parte da estrutura interna da Terra que se encontra logo abaixo da crosta e vai até cerca de 400 quilômetros de profundidade. Juntamente com a crosta, a parte superior do manto, formada por rochas sólidas, constitui a litosfera. MANTO INFERIOR Constituído por rochas fundidas diante das elevadas temperaturas, o manto inferior estende-se de 400 a 2.900 quilômetros de profundidade. É nessa parte que se formam as correntes de convecção do magma: o contato com o núcleo externo aumenta as temperaturas desses materiais, que são impulsionados em direção ao manto superior, onde se “resfriam” e, mais densos, tornam a descer para perto do núcleo, onde novamente são aquecidos e reiniciam o ciclo. NÚCLEO EXTERNO Localizado na faixa entre 2.900 e 5.100 quilômetros, é constituído por dois minerais predominantes: o níquel e o ferro, totalmente fundidos pelas elevadas temperaturas. NÚCLEO CENTRAL O núcleo central constitui a camada que fica entre 5.100 quilômetros e o centro da Terra, a 6.378 quilômetros. É constituído de uma liga metálica formada por ferro e níquel, porém em estado sólido em função da elevada pressão a que é submetido. Seu movimento de rotação é maior do que o do restante da Terra. litificação. Essa deposição é feita em camadas. O calcário, presente em cavernas, o arenito e o carvão são exemplos de rochas sedimentares. DOBRAMENTOS MODERNOS Trata-se das formações mais recentes da crosta terrestre, surgidas do choque de placas ocorrido entre o fim da era Mesozoica e o início da Cenozoica. As rochas são mais flexíveis e situam-se na zona de contato entre as placas tectônicas. Nessa região de grande instabilidade e frequentes movimentos sísmicos encontram-se montanhas e vulcões ativos e extintos. PARA IR ALÉM O filme Viagem ao Centro da Terra, de Eric Brevig, baseado na obra de Júlio Verne, conta a história de um grupo de pessoas que descobre um caminho para o núcleo do planeta. Essa obra de ficção apresenta características geológicas internas da Terra. iSTOCK PHOTO VENDA PROIBIDA
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    28 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA TIPOS DE RELEVO DEPRESSÕES São áreas da superfície localizadas em altitude inferior à das regiões próximas (depressão relativa) ou abaixo do nível do mar (depressão absoluta). As depressões podem ser formadas de várias maneiras: por deslocamento do terreno, remoção de sedimentos, dissolução de rochas ou até por queda de meteoritos. O Mar Morto, situado 416 metros abaixo do nível do mar, é a maior depressão do globo. Ele banha Israel, Jordânia e Cisjordânia e leva esse nome em razão da elevada concentração de sal de suas águas – dez vezes superior à dos demais oceanos –, o que impede a existência de qualquer forma de vida. MONTANHAS Também chamadas de dobramentos modernos, são grandes áreas elevadas resultantes do choque de placas tectônicas (veja mais na pág. 32). Os maiores picos do mundo ficam na Cordilheira do Himalaia, um complexo montanhoso que se estende por cinco países asiáticos: Paquistão, Índia, Nepal, Butão e China. Sua formação, iniciada há cerca de 70 milhões de anos, resulta do choque entre a placa tectônica Indiana e a placa Eurasiática (veja mais na pág. 31). O curioso é que a placa Indiana continua a se mover, fazendo com que o Himalaia se eleve a uma taxa de 5 milímetros por ano. SAIBA MAIS O RELEVO SUBMARINO Escondido sob o cobertor das águas mari- nhas,osolooceânicoapresentaumricorelevo de montanhas, planaltos e fossas profundíssi- mas. Como essas formas não estão expostas à erosão de agentes externos, como o vento e as chuvas, os perfis são mais contrastantes e escarpados. Podemos destacar três porções desse relevo submerso: Plataforma continental: terras submersas que se prolongam das terras emersas, como uma orla em torno dos continentes. Topogra- ficamente, ela é uma superfície quase plana, formada pelo acúmulo de sedimentos de origem continental. Vai até os 200 metros de profundidade, que também é o limite da pe- netração da luz solar (veja mais na pág. 54). Cordilheira submarina: elevações de forma regular que surgem ao longo dos oceanos, como a Dorsal Mesoatlântica. Essa cadeia de montanhas submersas tem mais de 10 mil quilômetros de comprimento e se estende no sentidonorte-sulpelaregiãocentraldoOceano Atlântico.Suaformaçãosedeveaoafastamen- to das placas tectônicas, que permitiu que o magma chegasse à superfície. Em alguns pon- tos, os picos se elevam acima do nível do mar e formam ilhas, como é o caso do arquipélago de Fernando de Noronha, no Brasil. Há outras cordilheiras submarinas nos ocea- nos Índico e Pacífico, todas com uma caracte- rística em comum: formam-se em locais onde as placas tectônicas estão se afastando umas das outras. O afastamento é lento (menos de 2 centímetros ao ano), impulsionado pelas correntes convectivas do magma, que se eleva e forma novas rochas ao se resfriar. Fossas oceânicas: também conhecidas como fossas abissais, são gigantescos abismos sub- marinos formados quando uma placa tectôni- ca é forçada para debaixo de outra, após uma colisão. O local mais profundo dos oceanos é a Fossa das Marianas, um enorme vale sub- marino com 10.920 metros de profundidade, localizado a leste das Ilhas Marianas, no Oce- ano Pacífico. Ela tem por volta de 2,5 mil quilômetros de extensão e fica na fronteira entre duas pla- cas tectônicas, a do Pacífico e a das Filipinas. Caso o Monte Everest fosse colocado dentro da Fossa das Marianas, ainda restariam mais de 2 mil metros de água entre seu pico e o nível do mar. As quatro faces da Terra Conheça os principais tipos de relevo que constituem o cenário global PLANALTOS São elevações de altitudes variadas, em que predomina o processo de erosão e cuja composição rochosa pode ser de rochas sedimentares, cristalinas ou metamórficas. Os planaltos apresentam superfície irregular, como serras e chapadas, e são delimitados por áreas rebaixadas em um de seus lados. O continente africano se destaca pela presença de planaltos, com altitudes predominantes entre 400 e 2 mil metros. Na porção leste/nordeste, destacam-se os planaltos da Etiópia e o dos Grandes Lagos. PLANÍCIES São áreas de superfície relativamente plana, formadas por rochas sedimentares e nas quais predominam os processos de deposição e acúmulo de sedimentos. Na maior parte das vezes, as planícies são encontradas em baixas altitudes. Em geral, localizam-se próximas do litoral, como a planície do norte europeu, ou de grandes rios ou lagos, como ocorre com a planície do Rio Amazonas. Mas é bom ficar atento: não é a altitude de um relevo que determina se ele é uma planície; o principal fator definidor é o acúmulo de sedimentos. Nas regiões elevadas, por exemplo, existem as planícies de montanha, que são formadas de rocha sedimentar e delimitadas por aclives. ALTOS E BAIXOS Exemplos de relevo (da esquerda para a direita): Depressão do Mar Morto (Israel), Cordilheira do Himalaia (Nepal), Planalto do Apalache (EUA) e Planície Amazônica (Brasil) [1] VENDA PROIBIDA
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    29 GE GEOGRAFIA 2018 1.ÁSIA: Everest (Nepal) 8.850 m 2. AMÉRICA DO SUL: Aconcágua (Argentina) 6.959 m 3. AMÉRICA DO NORTE: McKinley (EUA) 6.194 m 4. ÁFRICA: Kilimanjaro (Quênia) 5.895 m 5. EUROPA: Elbrus (Rússia) 5.642 m 6. ANTÁRTICA: Maciço Vinson 4.897 m 7. OCEANIA: Kosciuszko (Austrália) 2.228 m Fonte: Atlas National Geographic MONTES MAIS ALTOS POR CONTINENTE O maior deles fica na Cordilheira do Himalaia, no Nepal ELEVAÇÃO OCEÂNICA O arquipélago de Fernando de Noronha é formado a partir de alguns pontos emersos da Dorsal Mesoatlântica [1] iSTOCK PHOTO | DIVULGAÇÃO | IRMO CELSO [2] iSTOCK PHOTO AS FORMAÇÕES DO RELEVO NO MUNDO 4.800 m 3.000 m 1.800 m 1.200 m 600 m 300 m 150 m 0 -1.000m -2.000 m -3.000 m -4.000 m -5.000 m -6.000 m -7.000 m -8.000 m ALTITUDES Picos Fonte: IBGE Aconcágua Maciço Vinson Pico da Neblina Mte. McKinley Mte. Elbrus Mte. Kilimanjaro Mte. Everest Mte. Kosciuszko TETO DO MUNDO Osmaiorespicos domundoficam naCordilheirado Himalaia,umcomplexo montanhosolocalizado nocoraçãodaÁsia. NAS PROFUNDEZAS DO OCEANO O local mais profundo dos oceanos é a Fossa das Marianas, um enorme vale submarino localizado a leste das Ilhas Marianas, no Oceano Pacífico SALGADO E SEM VIDA O Mar Morto banha Israel, Jordânia e Cisjordânia e é a maior depressão do globo BERÇO DAS ÁGUAS O planalto dos Grandes Lagos abriga as nascentes das duas maiores bacias hidrográficas do continente: a do Rio Congo, a maior em volume de água, e a do Rio Nilo. CORDILHEIRAS OCEÂNICAS A Dorsal Mesoatlântica forma uma cadeia de montanhas que se estende de norte a sul no Oceano Atlântico As maiores altitudes (mancha marrom) ficam no centro-sul da Ásia. As planícies (áreas verdes e amarelo-claras) estão espalhadas pelo globo SEDIMENTOS ACUMULADOS A Planície Amazônica é uma faixa de terra que acompanha o Rio Amazonas e torna-se mais larga quando chega na foz, na Ilha de Marajó [2] VENDA PROIBIDA
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    30 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA PLACAS TECTÔNICAS A splacastectônicassãogigantescosblocos quecompõemacamadasólidaexternado nossoplaneta(alitosfera),sustentandoos continentes e os oceanos. Impulsionadas pelo movimento do magma incandescente (material emestadolíquido-pastosonointeriordaTerra), as principais placas se empurram, afastam-se umas das outras e afundam ou elevam-se alguns milímetros por ano, alterando suas dimensões e modificandoocontornodorelevoterrestre.Esses imensos fragmentos atuam como artistas que, continuamente, recriam a paisagem da Terra. Aliás, a palavra “tectônica” vem de tektoniké, expressão grega que significa “a arte de cons- truir”. A configuraçãoatualdoscontinentes,por exemplo,éfrutodemilhõesdeanosde“trabalho artístico”dasplacas.Vejaaoladoascaracterísti- casde16dasmaisimportantesplacastectônicas. A deriva continental Desenvolvida pelo alemão Alfred Lothar We- gener,ateoriadaderivacontinentalnãorecebeu muito crédito quando foi divulgada em 1912. À época,poucosacreditaramnahipóteselevantada por esse cientista de que, no passado geológico, toda a crosta terrestre estava unida em um único continente–aPangeia–eque,posteriormente,ela se rompeu em dois supercontinentes: Laurásia e Gondwana.Estas,porsuavez,sedesmembraram emváriasoutraspartes,quepassaramasemover em diferentes direções. Para sustentar sua argu- mentação, Wegener recorreu à semelhança dos contornosdaÁfricaocidentaledolestedaAmérica do Sul e também à análise de fósseis e amostras derochas.Posteriormente,aconfirmaçãodeque as placas rochosas flutuam sobre magma incan- descente ajudou a fortalecer a tese de Wegener. Atualmente, geólogos do mundo inteiro reto- mam e aprofundam as descobertas de Wegener a partir da teoria da Tectônica das Placas. Os estudosemvigordesdeadécadade1960descre- vemaanalisamcomdetalhesosmovimentosdas placasquecompõemacrostaterrestre,bemcomo suas consequências, como os abalos sísmicos e as alterações no relevo terrestre e do fundo dos oceanos.Confiraàdireitacomofoioprocessode deslocamentodeterrasqueresultounaformação dos atuais continentes. As construtoras da Terra As placas tectônicas modelam e modificam o relevo do planeta há milhões de anos PLACA DE COCOS Foiformadaapartirdo desprendimentodaplaca doPacífico.Fundiu-secoma placadoCaribe,criandouma zonaturbulenta QUEBRA-CABEÇA PLANETÁRIO Conheça as características de 16 das mais importantes placas tectônicas PLACA DA AMÉRICA DO NORTE Odeslocamentoemrelaçãoà placadoPacíficocriaumazona turbulenta:emumdoslimites, naCalifórnia,estáafalhade SanAndreas,famosapelos terremotosarrasadores PLACA DO PACÍFICO Comcercade70milhões dequilômetrosquadrados, estáemconstante renovaçãonaregiãodo Havaí,ondeomagmasobe ecriailhasvulcânicas.No encontrocomaplacadas Filipinas,elaafundaem umaáreaconhecidacomo FossadasMarianas,na qual ooceanoatingesua profundidademáxima: 10.920metros PLACA DE NAZCA A cada ano, essa placa de 10 milhões de quilômetros quadrados no leste do Oceano Pacífico fica 10 centímetros menor pelas trombadas com a placa Sul-Americana. Esta, por ser mais leve, desliza por cima da placa de Nazca, criando vulcões e elevando as montanhas dos Andes PLACA JUAN DE FUCA É a menor das placas tectônicas, que se fundiu com a placa Norte- Americana e criou a Cordilheira das Cascatas, nos Estados Unidos Todos os continentes estavam reunidos em um único chamado Pangeia (do grego: toda terra), formado durante a era Paleozoica 225 MILHÕES DE ANOS ATRÁS A Pangeia começou a se partir no sentido leste-oeste, formando dois subcontinentes: Laurásia e Gondwana 180 MILHÕES DE ANOS ATRÁS DERIVA DOS CONTINENTES VENDA PROIBIDA
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    31 GE GEOGRAFIA 2018 PLACADA ÁFRICA NomeiodoAtlântico,umafalha submersaabrecaminhoparao magmadomantoinferior,fazendo comqueesseblocoseafasteda placaSul-Americanaecresçade tamanho.Atendênciaépassaros 65milhõesdequilômetrosatuais PLACA DO CARIBE A placa do Caribe desliza ao lado da placa Norte-Americana, criando falhas transformantes. Foi o atrito entre elas que gerou, em 2010, o avassalador terremoto no Haiti, país que fica no limite entre as duas placas PLACA SUL-AMERICANA Como o Brasil está no meio desse bloco, ele sente pouco os efeitos de terremotos. No centro do continente, a placa tem 200 quilômetros de espessura; na borda com a placa daÁfrica,não passam de 15 quilômetros PLACA IRANIANA LocalizadaentreasplacasArábicae Euroasiática,oblocosustentaamaiorpartedo territóriodoIrã.Porcausadisso,opaísregistra grandeatividadesísmica,comooterremotode 2006,quematoumaisde31milpessoas PLACA DE ANATÓLIA Sobreessaplacaficaboapartedo territóriodaTurquia.Ochoque desseblococomaplacaArábicae comaplacaEuroasiáticatornao paísumaáreasujeitaaviolentas atividadessísmicas PLACA DA ANTÁRTICA É o bloco que dá suporte à Antártida e a uma parte do Atlântico Sul, em um total de 25 milhões de quilômetros quadrados PLACA ARÁBICA A placa sustenta a Península Arábica e foi responsável pela criação do Mar Vermelho. O choque com a placa Euroasiática e com a placa Indiana provoca fortes terremotos PLACA AUSTRALIANA O bloco que sustenta a Austrália e a maior parte do Oceano Índico ruma velozmente para o norte. Além de se chocar com a placa Indiana, a borda nordeste bate na placa do Pacífico, criando ilhas na região turbulenta PLACA INDIANA A placa comporta todo o subcontinente indiano. No choque com a placa Euroasiática, nasceu o conjunto de montanhas do Himalaia, no sul da Ásia, onde há mais de 100 montanhas com altitudes superiores a 7 mil metros PLACA DAS FILIPINAS Essaplacaconcentraemseuslimitesquase a metadedosvulcõesativosdoplaneta.Colisões comaplacaEuroasiáticacausamterremotos eerupçõesdestruidoras,comoadoMonte Pinatubo,em1991,umadasmaisviolentasdos últimos50anos PLACA EUROASIÁTICA Sustenta a Europa, parte da Ásia, do Atlântico Norte e do Mar Mediterrâneo. Ela se choca contra a placa das Filipinas e com a do Pacífico, onde fica o Japão. O encontro triplo é tumultuado e dá origem a uma das áreas do globo com o maior índice de terremotos e vulcões do planeta [1] Fendas separaram a América do Sul, a África e a Índia, iniciando a formação dos oceanos Atlântico e Índico 135 MILHÕES DE ANOS ATRÁS A placa da Índia deslocou-se em direção à Ásia. O choque entre os dois blocos formou as regiões elevadas do Himalaia e do Tibete 65 MILHÕES DE ANOS ATRÁS Na atual configuração da Terra, a deriva continua. A América do Sul, por exemplo, afasta-se da África cerca de 5 centímetros por ano ATUALMENTE [1] MULTI/SP [2] LUIZ IRIA E RODRIGO RATIER/REVISTA MUNDO ESTRANHO [2] VENDA PROIBIDA
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    32 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO E O VENTO MUDOU As dunas exemplificam como o relevo está sujeito a transformações [1] O relevo é resultado da dinâmica de fenômenos internos e exter- nos sobre a camada mais super- ficial da Terra, a litosfera. Depressões, planícies, planaltos e montanhas foram esculpidos no decorrer de milhões de anos – e continuam em constante trans- formação. A qualquer momento, por exemplo, terrenos podem ser elevados por pressões de dentro do planeta ou mesmo ser gastos por agentes do intem- perismo, mudando de cara e ganhando novas curvas. Duasaçõescombinam-separamodelar orelevo:asforçasinternasouendógenas, que dão as linhas mestras do relevo, e as externas ou exógenas, que modificam as formas já existentes. Veja a seguir as forças que esculpiram – e continuam esculpindo – os contornos do planeta. Eu tenho a força! Os vigorosos agentes internos e externos que, a cada segundo, modelam o relevo FORÇAS INTERNAS Tambémchamadasdeendógenas,sãoasforçasresponsáveis pordarformaaorelevo.Sãotrêsosagentesinternosdoglobo: o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos. 1 TECTONISMO São os lentos deslocamentos das placas tectônicas, que podem ser verticais ou horizontais. Quando é vertical (epirogênese), levanta ou abaixa a crosta durante um prolongado espaço de tempo. É o que ocorre, por exemplo, na Península Escandinava, que se eleva alguns centímetros todo ano. Quando o movimento de uma placa em relação a outra é horizontal (orogênese), uma acaba entrando embaixo da outra (a subducção). É o processo que resulta na formação das imensas cadeias de montanhas e de fossas. Veja exemplos de como as placas tectônicas se movimentam. FALHAS TRANSFORMANTES São criadas por duas placas que deslizam uma ao lado da outra. O atrito entre elas guarda muita tensão, que pode causar terremotos destruidores. Exemplo disso é a falha de San Andreas, que corta a costa da Califórnia, nos Estados Unidos, e o litoral oeste do México. PLACAS CONVERGENTES 1 São placas que vão uma de encontro à outra. A placa mais densa mergulha para baixo da menos densa. É o caso do choque entre uma placa oceânica (mais densa) e outra continental. Elas se comprimem, dando origem a cadeias montanhosas, como a Cordilheira dos Andes. As regiões em que esse de tipo de choque ocorre são suscetíveis a terremotos. PLACAS CONVERGENTES 2 Quando as placas têm a mesma densidade (duas placas continentais, por exemplo), chocam-se e se comprimem. O Himalaia é resultado desse fenômeno. PLACAS DIVERGENTES São aquelas que se afastam. Pela falha aberta na crosta pode escapar magma, dando origem a ilhas vulcânicas, como as do Havaí. O Oceano Atlântico é cortado de norte a sul por uma falha desse tipo, que está afastando a América do Sul da África. Esse tipo de estrutura provoca menos terremotos. VENDA PROIBIDA
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    33 GE GEOGRAFIA 2018 2VULCANISMO Os vulcões são fendas na crosta terrestre por meio das quais o magma, o material em estado líquido-pastoso vindo do manto, atinge a superfície. Existem dois tipos básicos de vulcão: o explosivo e o não explosivo. O primeiro aparece nos pontos de encontro das placas tectônicas, os grandes blocos que formam a litosfera – seu melhor exemplo está nos vulcões que desenham o Cinturão de Fogo, em torno do Oceano Pacífico. Esse tipo se caracteriza também pela lava quase sólida, além de expelir poeira e uma mistura de gases e vapor-d’água. A lava desses vulcões vem das profundezas da Terra, onde a temperatura elevada derrete a rocha da crosta oceânica e faz com que ela se misture à água do mar. É justamente a presença de água que confere o caráter explosivo ao vulcão. Isso ocorre porque, conforme a lava sobe, o vapor-d’água é liberado da rocha e esbarra numa tampa formada pelo material endurecido da explosão anterior, aumentando a pressão até explodir de vez. Já os vulcões não explosivos, como os do Havaí, ficam bem no meio de uma placa tectônica, longe do choque entre elas. Esse tipo surge quando ocorre alguma fissura na crosta terrestre por onde a lava pode escorrer. Essa lava é mais líquida e incandescente. NATUREZA EM FÚRIA POMPEIA UMA REGIÃO VITIMADA PELA FÚRIA DO VESÚVIO Hoje, parece impossível viver à beira de um vulcão e não se dar conta do perigo. Mas era assim que os moradores do balneário romano de Pompeia levavam a vida no ano de 79, pois já fazia quase 2 mil anos que o Monte Vesúvio não entrava em erupção. Quando a montanha soltou um estrondo, o chão tremeu e uma nuvem preta encobriu o sol, as pessoas saíram para a rua, curiosas. Alguns minutos depois do primeiro rugido, o vulcão lançou uma saraivada de pedras e começou a fazer as primeiras vítimas. Outras morriam ao respirar a fumaça. No fim do processo, duas avalanches cobriram Pompeia com 6 metros de cinzas e pedras, matando 16 mil pessoas. A coisa aconteceu de forma tão rápida que é como se as cidades tivessem ficado congeladas no tempo, tornando-se os registros mais detalhados da era romana que chegaram até nós. A foto ao lado mostra o “Jardim dos Fugitivos”, que abriga diversos corpos fossilizados, cobertos pelas cinzas do Vesúvio. ACESSO ÀS PROFUNDEZAS Os vulcões, como o Parinacota, no Deserto do Atacama, no Chile, são fendas por onde o magma sai PARA IR ALÉM O documentário Tudo sobre Vulcões, do Discovery Channel, apresenta imagens de uma série de erupções vulcânicas e teorias desenvolvidas por cientistas que podem ajudar a prever esses fenômenos. [1] SERGIO DUTTI [2] FELIPE ORRIGO [3] VALDEMIR CUNHA [2] [3] VENDA PROIBIDA
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    34 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA RELEVO EM MOVIMENTO 3 ABALOS SÍSMICOS São tremores na superfície terrestre causados pelo movimento das placas tectônicas ou em virtude da grande energia liberada pelo vulcanismo. Eles se propagam a partir do hipocentro (foco de contato entre as placas) em ondas pelas rochas, atingindo regiões distantes do epicentro (ponto na superfície da Terra diretamente acima do local onde se registra a maior intensidade do tremor). A cada vez que as enormes placas se encontram, grande quantidade de energia fica acumulada em suas rochas. De tempos em tempos, o arsenal é liberado de forma explosiva – essa liberação pode ser sentida por meio de terremotos que chacoalham as áreas continentais do globo, geralmente nas bordas das placas. Quando os abalos sísmicos ocorrem no fundo oceânico, são batizados de maremoto. Esses últimos podem causar os temíveis tsunamis, ou ondas gigantes (veja mais na pág. 58). NATUREZA EM FÚRIA HAITI VIOLENTOTERREMOTODEVASTAPAÍSPOBRE No dia 12 de janeiro de 2010, a terra tremeu violentamentenoHaiti.Emapenasumminuto, o terremoto de 7 pontos na escala Richter derrubou90%dasconstruçõesdesuacapital, PortoPríncipe.Maisde3milhõesdepessoas– um terço da população haitiana – foram afe- tadas pelo tremor. O número de mortos é estimado entre 220 mil e 250 mil. OterremotonoHaitifoiumatragédiaanun- ciada. A ilha de Hispaniola, que abriga o Haiti e a República Dominicana, fica sobre a fenda entre duas grandes placas tectônicas, a do Caribe e a Norte-Americana (veja mais na pág. 30). E regiões desse tipo estão sujeitas a abalos sísmicos. País mais pobre das Américas, o Haiti já tinha enormes carências mesmo antes da catástrofe. Em 2017, seis anos após o terre- moto, 50 mil pessoas ainda vivem em acam- pamentos improvisados. Sem perspectivas, muitos haitianos acabam migrando para nações como o Brasil, onde esperam uma oportunidade de recomeçar a vida. VOCÊ SABIA? TERREMOTOS NO BRASIL As regiões mais propícias a terremotos localizam-se na junção das placas tectônicas. Como o Brasil fica bem no meio da placa Sul-Americana, não há abalos sísmicos de grandes proporções. Mas isso não significa que estamos livres de tremores. Fenômenos de pequena intensidade podem se manifestar no Brasil devido a falhas geológicas provocadas por desgastes na placa tectônica. Também ocorrem tremores como reflexo de outros choques entre placas tectônicas ocorridos em locais mais distantes na América do Sul. Em abril de 2008, um abalo de 5,2 pontos na escala Richter atingiu a cidade de São Paulo e assustou milhares de moradores. Um ano antes, um tremor de 4,9 pontos na cidade de Itacarambi, no norte de Minas Gerais, provocou a primeira vítima fatal de terremotos no Brasil, depois que uma parede caiu sobre uma criança de 5 anos. [1] DEVASTADO O terremoto no Haiti, em 2010, derrubou 90% das construções da capital, Porto Príncipe VENDA PROIBIDA
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    35 GE GEOGRAFIA 2018 FORÇASEXTERNAS Tambémchamadasdeexógenasouagentesesculpidores,sãoasforçasquemodelam o relevo terrestre. Os principais agentes desse grupo são a erosão e o intemperismo: 2 INTEMPERISMO É o processo de degradação das rochas provocado por fenômenos químicos e físicos. O INTEMPERISMO QUÍMICO ocorre quando a rocha tem sua composição química alterada pelo efeito da água e da umidade no decorrer dos anos, provocando sua decomposição. O INTEMPERISMO FÍSICO ou mecânico consiste na fragmentação das rochas por meio de alguns dos seguintes processos: • solidificação da água: a água em estado líquido se infiltra na fenda das rochas, onde fica acumulada. Com a queda de temperatura, a água se solidifica, passando a ocupar um volume 10% maior que o do estado líquido, o suficiente para fragmentar a rocha. • raízes de plantas: o crescimento das raízes das árvores por entre as rochas alarga as fendas e ajuda a desintegrar sua estrutura. • variação de temperatura: em locais onde a alteração da temperatura diária é mais constante–como nos desertos ou em regiões próximas aos polos –, as rochas estão sujeitas a contrações e dilatações frequentes. Com o tempo, esse processo provoca fraturas em sua composição. 1 EROSÃO A exposição prolongada a agentes naturais provoca o desgaste das rochas e dos solos. O processo de desintegração e consequente transporte do material decomposto recebe o nome de erosão. Veja os principais elementos causadores desse fenômeno. VENTOS As dunas dos desertos e as paisagens das praias são exemplos clássicos de formação por erosão eólica. RIOS Vales, cânions e planícies nos mais diversos continentes são moldados pelo movimento sinuoso das águas dos rios. MARES O choque das ondas do mar em paredões litorâneos provoca o desgaste da superfície, dando origem às falésias. GELEIRAS Os fiordes na Península Escandinava, no norte da Europa, também são formados pelo deslocamento das geleiras e pelo desgaste que elas provocam nas montanhas. [1] iSTOCK PHOTO [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL NOVAES [4] RODRIGO CESAR [5] iSTOCK PHOTO [2] [3] [4] [5] O QUE ISSO TEM A VER COM A FÍSICA Quando um corpo sólido que tem dimensões significativas é submetido a uma variação de temperatura, ocorre uma dilatação ou contração volumétrica. Para calcular a variação do volume de um corpo em função da variação de temperatura é utilizado um coeficiente de dilatação volumétrico. Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE FÍSICA. VENDA PROIBIDA
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    36 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA RELEVO DO BRASIL BACIA SEDIMENTAR AMAZÔNICA ESCUDO DO BRASIL CENTRAL ESCUDO DAS GUIANAS BACIA SEDIMENTAR DO MARANHÃO ESCUDO ATLÂNTICO DOBRAMENTOS – ATLÂNTICO DOBRAMENTOS – NORDESTE DOBRAMENTOS – BRASÍLIA BACIA SEDIMENTAR DO PARANÁ Predomínio de rochas sedimentares Predomínio de rochas cristalinas 0 250 500 750 km Oceano Atlântico Oceano Atlântico Fonte: IBGE Terra (velha) à vista! Os principais tipos de relevo do Brasil foram esculpidos sobre rochas de milhões e milhões de anos A pesar de o Brasil ser uma nação relati- vamente jovem, com pouco mais de 500 anos, contando a partir da chegada dos portugueses, seus terrenos são de outras eras. Tudo teve início há cerca de 4,5 bilhões de anos, quando a litosfera começou a se formar, com o resfriamento do magma, e, mais tarde, com os movimentos das placas tectônicas. Nesses primórdios da história terrestre, durante a era Arqueozoica,asprimeirasrochasderamorigem aosescudoscristalinos,oumaciçosantigos,um dos dois tipos de formação geológica que ocor- rem no Brasil. Do longo processo de erosão dos escudos cristalinos surgiu o outro tipo de estru- tura geológica do país: as baciassedimentares. Presentesnamaiorpartedoterritório,sãocons- tituídas de rochas formadas pela desagregação de outras rochas e de diferentes materiais (veja a estrutura geológica brasileira no mapa abaixo). Em razão dessa formação antiga, e sofrendo há milênios com a erosão de agentes do intem- perismo como ventos e chuva, as altitudes por aqui são modestas: aproximadamente 40% do território se encontra abaixo de 200 metros de altitudeecercade90%nãopassade900metros. Outro fator para termos um relevo considerado tãobaixoéaausênciadosdobramentosmodernos que deram origem a imensas cadeias de mon- tanhas, como os Alpes e os Andes. Isso ocorre porqueoBrasilselocalizabemnomeiodaplaca Sul-Americana,longedaszonasdechoqueentre asplacastectônicas,ondesedãoosmovimentos de soerguimento ou afundamento das placas. Semascadeiasdemontanhas,sobram-nosou- tros três principais tipos de relevo: planaltos, planícies e depressões. Com base nisso, no de- correrdosanos,osestudiosospropuseramvárias classificações do perfil geográfico brasileiro. A mais aceita foi estabelecida, nos anos 1990, pelo geógrafo Jurandyr Ross, da Universidade de São Paulo(USP).Considerandooprocessodeforma- ção dos diversos relevos do mundo (veja mais na pág. 27), e também a altitude das formações do Brasil, Ross chegou à definição de 28 estruturas no país: 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies. Vejanapáginaaoladotrêsdestaquesdoancestral relevo brasileiro. PERTO DO CÉU Entre MG e RJ, o Pico das Agulhas Negras é o quinto mais alto do Brasil, com 2.791 metros ESTRUTURA GEOLÓGICA DO BRASIL VENDA PROIBIDA
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    37 GE GEOGRAFIA 2018 PLANÍCIESE TABULEIROS LITORÂNEOS Relevo característico do litoral das regiões Norte e Nordeste e do norte do Espírito Santo, constitui-se da combinação de planícies, formadas pela deposição de sedimentos de rios e do mar, e dos tabuleiros, terrenos de baixa altitude (entre 30 e 60 metros) que terminam de forma abrupta na costa, em escarpas – neste caso chamadas de falésias. Na definição de Ross, as planícies são superfícies planas e áreas em que o processo de acumulação de sedimentos é maior que o erosivo. DEPRESSÃO DO ARAGUAIA Acompanhando o leito do Rio Araguaia, essa depressão tem superfície entre 300 e 400 metros de altitude; configura-se uma depressão por estar abaixo dos terrenos que a circundam. Na definição de Ross, depressões são superfícies formadas por processos erosivos, com suave inclinação e menos irregulares que planaltos. Entre as 11 depressões brasileiras, também merecem destaque a depressão da Amazônia Ocidental (com cerca de 200 metros de altitude) e a depressão da borda leste da bacia do Paraná (que chega a atingir altitudes entre 600 e 750 metros). 1 2 7 4 10 9 5 6 3 8 Fontes: IBGE e Jurandyr Ross Planaltos Planícies Depressões DESTAQUES DO RELEVO BRASILEIRO 2 3 1 0 m 1.000 m 2.000 m 3.000 m Planaltos Residuais Norte-Amazônicos Depressão Marginal Norte-Amazônica Planalto da Amazônia Oriental Planície do Rio Amazonas Depressão Marginal Sul-Amazônica Planaltos Residuais Sul-Amazônicos PERFIS DE RELEVO Confira três grandes recortes do Brasil NORTE Este perfil (noroeste-sudeste), com cerca de 2 mil quilômetros, vai das altas serras de Roraima até Mato Grosso. Mostra as faixas de planícies às margens do Rio Amazonas, a partir das quais vêm extensões de terras mais altas: planaltos e planícies 0 m 1.000 m 2.000 m 3.000 m Planície do Pantanal Mato- Grossense Oceano Atlântico Planaltos e chapadas da bacia do Paraná Rio Paraná Depressão periférica da borda leste da bacia do Paraná Planaltos e serras do Atlântico leste-sudeste 0 m 1.000 m 2.000 m 3.000 m Rio Parnaíba Planaltos e chapadas da bacia do rio Parnaíba Escarpa (ex-serra) do Ibiapaba Depressão Sertaneja Planalto da Borborema Tabuleiros litorâneos Oceano Atlântico NORDESTECom quase 1,5 mil quilômetros, este perfil vai do Maranhão a Pernambuco. É um retrato fiel do relevo da região, com destaque para os dois planaltos (o da bacia do Parnaíba e o de Borborema) cercando a Depressão Sertaneja (ex-Planalto Nordestino) CENTRO-OESTE E SUDESTEEste corte, de cerca de 1,5 mil quilômetros, vai de Mato Grosso do Sul ao litoral paulista. Além da planície do Pantanal, pode-se ver a bacia do Paraná, formada por rios de planalto, que abrigam as maiores hidrelétricas do país PONTOS MAIS ALTOS DO BRASIL (em metros) 1 2.993 Pico da Neblina 2 2.972 Pico 31 de Março 3 2.891 Pico da Bandeira 4 2.798 Pico Pedra da Mina 5 2.791 Pico das Agulhas Negras 6 2.769 Pico do Cristal 7 2.734 Monte Roraima 8 2.680 Morro do Couto 9 2.670 Pedra do Sino de Itatiaia 10 2.665 Pico Três Estados Fontes: IBGE e Jurandyr Ross PLANALTOS E SERRAS DO ATLÂNTICO LESTE-SUDESTE Estendendo-se do sul da Bahia ao sul do país, esse imenso planalto é composto de diferentes subunidades morfológicas, como a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Seus terrenos são formados de antigos escudos cristalinos, que, em alguns pontos, e há milhões de anos, foram erguidos por movimentos resultantes do choque entre placas tectônicas a grande distância. O resultado disso é o relevo acidentado e heterogêneo da região, com vales profundos, escarpas (terrenos muito íngremes que lembram degraus), chapadas (superfícies extensas e horizontais, de elevada altitude) e elevações, como o Pico das Agulhas Negras, na Serra do Itatiaia (MG/RJ), de 2.791,55 metros. Na definição de Ross, o planalto caracteriza-se por ser uma região em que o processo erosivo supera o de acumulação – são conhecidos como formas residuais, ou seja, resultantes do processo de erosão. Além de cristalinos, podem ser sedimentares, como é o caso dos Planaltos Residuais Norte-Amazônicos. MARIO RODRIGUES 3 2 1 VENDA PROIBIDA
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    38 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA RECURSOS MINERAIS A srochassãoagrupamentosdemineraisque formamacrostaterrestreesedesenvolve- ramnodecorrerdebilhõesdeanos.Entre as mais de 3,5 mil variedades de rochas, estão os minérios,dosquaispodemosextrairsubstâncias deinteresseeconômico.Noconjuntodosminérios, distinguem-seaquelesutilizadosparaaobtenção demetais,comooalumínio,oferro,omagnésioe o titânio. Embora os minérios metálicos tendam a se concentrar em maciços rochosos por toda a crostaterrestre,osdepósitosmaisexploradosen- contram-seemrochasmetamórficas,nosescudos cristalinos da crosta continental. O ouro e a platina são os únicos minérios me- tálicos que ocorrem principalmente na forma Riqueza que vem do solo Conheça o processo de formação geológica dos minérios e suas principais aplicações econômicas de metais na natureza. Zinco, prata, ferro, cobre e outros metais também podem ser achados no estado primário, mas normalmente estão associados a outros minerais. Nesses casos, os minérios são reduzidos pela metalurgia para se transformar em metais. As substâncias minerais são utilizadas como matéria-prima em diversos processos de manu- fatura. Alguns exemplos são: o alumínio e o ferro na construção civil; o manganês na fabricação de fertilizantes e pilhas; as argilas na fabricação de cerâmicas; o zircônio na fabricação de pisos e revestimentos; e o caulim na fabricação de papel e celulose, vidros e tintas. Onde estão os minérios no Brasil Com aproximadamente 36% de seu território formado por escudos cristalinos, o Brasil pos- sui algumas das reservas minerais mais ricas do planeta, incluindo minério de ferro, bauxita (alumínio), cobre, zinco, cromo, níquel, calcário e argila. A maioria dos minérios metálicos do Brasil encontra-se em Minas Gerais, na região chamada Quadrilátero Ferrífero, e no Pará, na província mineral de Carajás. Os dois esta- dos respondem por quase dois terços de toda a produção mineral brasileira. Outras unidades da federação também abri- gam importantes reservas minerais. Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por exemplo, destacam- se pelo carvão. Já Bahia e Espírito Santo estão entre os principais produtores de pedras precio- sas do Brasil, enquanto Goiás tem significativas jazidas de cobre. Veja no mapa onde se localizam as principais jazidas minerais no país. PRINCIPAIS RESERVAS MINERAIS NO BRASIL Bauxita Cobre Diamante Ferro Manganês Níquel Ouro Fonte: Departamento Nacional de Produção Mineral TERRA FERIDA Marcas de mineração na Serra do Curral, em Belo Horizonte (MG) VENDA PROIBIDA
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    39 GE GEOGRAFIA 2018 Áreapré-sal Exploração do pré-sal Exploração do pós-sal Libra Júpiter Ostra Abalone Argonauta Bacia de Campos Rota1-Mexilhão Ro ta 2 - Co mp erj R o t a 3 - T e c a b Bacia de Santos Lula Área de Iracema Iara Franco Parati Lapa Sapinhoá BM-S-50 Caramba Bem-Te-Vi Carcará SP RJ ES MG Fonte: Petrobras Formação do petróleo Principal fonte de energia mundial, o petróleo é um combustível fóssil formado da decom- posição de matérias orgânicas em ambientes marinhos. O acúmulo de restos de animais e vegetais microscópicos que se precipitam no fundo marinho origina bacias sedimentares, nas quais, em milhões de anos, a ação de microrga- nismos, o calor e a pressão intensos reduzem a matéria orgânica a uma massa viscosa de car- bono e hidrogênio – o petróleo. Infiltrando-se por rochas porosas, ele migra para regiões de menor pressão até sair para a superfície ou topar com uma camada impermeável. Bloqueado, o petróleo se acumula nos poros e fraturas das rochas sedimentares, de onde é extraído. As regiões mais propícias para a formação do petróleo são mares interiores, baías e golfos. As reservas existentes no interior dos continen- tes resultam de áreas originalmente marinhas que foram erguidas por meio de movimentos na crosta terrestre ou do óleo que migrou das rochas geradoras até as rochas armazenadoras através das fissuras. O pré-sal brasileiro Desde que foram descobertas as reservas de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, em 2007, um novo termo passou a frequentar os noticiários: o pré-sal. Trata-se do nome que os geólogos dão à camada de rochas porosas que se localiza abaixo de uma espessa camada de sal no subsolo marinho. É lá que ficam os grandes reservatórios de petróleo, em uma faixa que se estende por 800 quilômetros na área marítima entre o Espírito Santo e Santa Catarina, a mais de 7 mil metros de profundidade. A explora- ção do petróleo no pré-sal pode fazer o Brasil dobrar suas reservas, que estão em torno de 15 bilhões de barris. As jazidas do pré-sal começaram a se formar hámaisde100milhõesdeanos,quandoosuper- continente Gondwana se partiu, dando origem aos continentes sul-americano e africano (veja na pág. 30). Na Bacia de Campos, o principal campopetrolíferobrasileirolocalizadonacamada pós-sal, o óleo está armazenado em rochas com predomínio de silício. No pré-sal, a substância encontra-searmazenadaemrochasconstituídas essencialmentedecarbonatodecálcioemagnésio, o que dificulta o trabalho dos geólogos. Mesmo com esses desafios, a extração nos poços da ca- madadopré-saljárespondeporquasemetadedo totaldepetróleoproduzidonopaís,ultrapassando a marca de 1 milhão de barris por dia. SAIBA MAIS A ÉPOCA DO ANTROPOCENO Do Big Bang aos dias de hoje, a Terra já passou por in- tensas transformações nesses quase 5 bilhões de anos. As principais mudanças podem ser observadas através deumalinhadotempoconhecidacomoEscaladeTempo Geológica. Ela estabelece os grandes eventos pelo qual o planeta passou a partir de uma classificação em eras, períodos e épocas (veja mais na pág. 98). Faz11.700anosqueestamosnaépocadoHoloceno.Ou estávamos.Asmarcasqueohomemvemdeixandonopla- netasãotãointensasquejáteriamprovocadomudanças que jusfificariam o início de uma nova época geológica: o Antropoceno. É o que defende os cientistas do Grupo deTrabalhodoAntropoceno.Estenovotempogeológico teriacomeçadonadécadade1950,comaexpansãosem precedentes da população e do consumo. Comoevidências,oscientistasdizemquesedimentosna crostaterrestreenooceanocontémresíduosdeplástico, de concreto e de alumínio, além de fuligem decorrente da queima de combustíveis fósseis e radiação nuclear. A ação do homem já teria dado origem, inclusive, a 208 novos minerais nos últimos 200 anos. COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS Eles recebem esse nome pois se formaram a partir da fossilização de seres vivos: do plâncton marinho, no caso do petróleo e do gás natural, e de florestas e pântanos no caso do carvão mineral. As reservas atualmente exploradas são resultantes da deposição e decomposição ocorridas em tempos geológicos passados. O mapa apresenta a área onde se encontram as jazidas do pré-sal, nas Bacias de Campos e de Santos. Também mostra a extensão e a localização das jazidas do pós-sal na região AS JAZIDAS DO PRÉ-SAL YANN ARTHUS-BERTRAND VENDA PROIBIDA
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    40 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS O soloéumacamadacomespessurasvariadas (de alguns centímetros a vários metros) de material não consolidado que cobre a superfície da crosta terrestre. Constituído por matériamineralematériaorgânica,éosubstrato paraavidadosecossistemas.Ossolossãoresultado dadecomposiçãodasrochas,queatravésdosanos passamporumprocessodeintemperismofísico, químicoebiológico.Esseprocessocriadiferentes camadas,àsquaissedáonomedehorizontes.O conjuntodoshorizontesconstituioperfildosolo, quepermiteidentificaroestágiodeformaçãoem que se encontram (veja a figura abaixo). Camada sobre camada Saiba mais sobre as características dos solos e os fatores que contribuem para sua fertilidade Fonte: GOETTEMS, Arno Aloísio; JOIA, Antonio Luís. Geografia: leituras e interação – vol. único. São Paulo: Leya, 2013. Pg 93. Fertilidade dos solos Os solos podem ser classificados em “agri- cultáveis” e “não agricultáveis”. Geralmente, as terras que não permitem a exploração agrícola são encontradas em altitudes muito elevadas, como nos picos do Himalaia, dos Andes e demais cadeias montanhosas, ou em regiões desérticas frias (regiões polares) e quentes (Deserto do Saara), onde as restrições decorrem das tem- peraturas extremas ou da escassez de água. As áreas mais exploradas para a produção agropecuária são aquelas com climas favoráveis, com pluviosidade e temperaturas adequadas, FORMAÇÃO E PERFIS DE SOLO EM CLIMAS ÚMIDOS Nos solos maduros podem ser identificadas as camadas O, A, B e C, que se diferenciam pela composição físico-química, cor, presença ou ausência de matéria orgânica, entre outras características. CARACTERÍSTICAS DOS HORIZONTES DO SOLO O Horizonte orgânico, também denominado de serrapilheira. Corresponde à camada superficial de florestas e matas; é composto de materiais de origem vegetal e animal em decomposição. A Horizonte mineralógico. Composto de material de origem mineral proveniente da rocha-mãe ou trazido de outros lugares por vento, água ou gelo. Há grande presença de matéria orgânica decomposta, motivo pelo qual pode ser denominado horizonte humífero (húmus). B Horizonte de acumulação de argila, matéria orgânica e oxi-hidróxidos de ferro e alumínio provenientes das camadas superiores. Esse processo de transferência de minerais entre camadas é chamado lixiviação, considerado um tipo de erosão química do solo. C Horizonte de rocha alterada, denominado alterita ou saprolito. É nele que começa a decomposição da rocha. Formado por sedimentos grosseiros na base e por sedimentos mais finos na parte superior. R Rocha que dá origem ao solo, também denominada rocha-mãe. A velocidade de decomposição depende de vários fatores, como a composição mineral da própria rocha e o tipo de clima (climas quentes e úmidos tendem a acelerar o intemperismo). VENDA PROIBIDA
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    41 GE GEOGRAFIA 2018 esolos férteis. A fertilidade natural dos solos depende, primeiramente, da sua composição química – os solos muito férteis dispõem de nutrientes suficientes para a exploração agrí- cola, sem a necessidade de adubação artificial. Além disso, a fertilidade dos solos está ligada à capacidade de reter água e matéria orgânica (o que depende da presença de argilas) e de reter oxigênio (o que depende da estrutura física, já que o solo precisa ser poroso e “aerado”). Veja abaixoalgumasregiõesdogloboquesedestacam por apresentarem solos férteis, intensamente explorados pela agricultura. RECÔNCAVO BAIANO (BRASIL/BAHIA) Região com o solo massapê, argiloso e de elevada fertilidade química natural. A presença de argila é importante para regular a drenagem e, consequentemente, evitar a perda de nutrientes essenciais para as plantas. Esse tipo de solo possibilitou a implantação das primeiras plantações de cana-de-açúcar e dos engenhos de cana pelos colonizadores portugueses. 8 REGIÃO SUL 9 REGIÃO CENTRO-OESTE (BRASIL) Possuem os latossolos vermelhos originados a partir da decomposição do basalto, rico em ferro. Ao ser oxidado, este mineral confere a cor avermelhada ao solo. Os imigrantes italianos que se dirigiram para as plantações de café no interior do estado de São Paulo apelidaram esse solo de “terra rossa” (terra vermelha), motivo pelo qual esses solos são muitas vezes (e erroneamente) denominados “terra roxa”. 3 UCRÂNIA 4 ARGENTINA Esses países possuem o solo tchernozion (do russo tcherno = escuro e zion = terra) ou chernozén. Quimicamente fértil e com elevada matéria orgânica, tem alta produtividade agrícola e é muito utilizado para o plantio de trigo. 5 FRANÇA 6 HOLANDA 7 VALE DO RIO AMARELO (CHINA) Possuem o solo loess (do alemão löss = solto), formado pela deposição de sedimentos carregados pelo vento. Na China é intensivamente utilizado para a produção de arroz. 1 VALE DO RIO MISSISSIPI (ESTADOS UNIDOS) 2 VALE DO RIO NILO (EGITO) A deposição de sedimentos e de matéria orgânica nas planícies inundadas renovam anualmente a fertilidade natural dessas regiões. OS SOLOS FÉRTEIS NO BRASIL E NO MUNDO CELEIRO ORIENTAL Plantações às margens do Rio Amarelo, na China: a fertilidade do solo é garantida com a ajuda de sedimentos trazidos pelo vento iSTOCK PHOTO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 10 VENDA PROIBIDA
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    42 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA DESLIZAMENTO DE TERRA E INUNDAÇÕES Enchente é um fenômeno natural, que causa o aumento temporário do nível da água, porém sem transbordamento Inundação é o transbordamento de um curso d’água, atingindo a planície em torno do rio ou a área de várzea Alagamento ocorre quando a água fica acumulada nas ruas e nos perímetros urbanos, por problemas de drenagem 1 2 3 1 2 3 A CHUVA E AS CIDADES Entenda a diferença entre enchente, inundação e alagamento: DEBAIXO D'ÁGUA O município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, sofreu com o alagamento provocado pelas fortes chuvas que caíram em março de 2016 O s temporais são fenômenos naturais que atingem as cidades de tempos em tem- pos. A dimensão dos danos que causam, porém, poderia ser menor, se as zonas urbanas fossem construídas respeitando a natureza. As cheias dos rios, por exemplo, são naturais e cíclicas. Um bom planejamento, portanto, deveria preservar seus leitos livres. Mas não é o que ocorre na maioria das grandes cidades. A ocupação dessas áreas, principalmente em trechos de planície também conhecidas como várzeas, provoca inundações que trazem enor- mes transtornos e prejuízos sociais e materiais. Casas são invadidas pelas águas, formam-se enormes congestionamentos e serviços, como transportes e abastecimento de água, são inter- rompidos, entre outras consequências. Para entender melhor esse fenômeno, é pre- ciso atentar para as diferenças entre enchente, inundação e alagamento. Veja na figura ao lado: Ocupação caótica Saiba como a falta de planejamento urbano potencializa os efeitos dos temporais, provocando deslizamentos de terras e inundações [1] VENDA PROIBIDA
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    43 GE GEOGRAFIA 2018 Alémdas características de relevo e hidrogra- fia, há outros fatores que aumentam o volume de água dos rios de planície e que contribuem para a ocorrência de inundações em áreas urbanas: A IMPERMEABILIZAÇÃO DO SOLO Ruas e avenidas pavimentadas, prédios, casas, indústrias e estacionamentos impedem ou reduzem a infiltração da água no solo e, consequentemente, aumentam o volume e a velocidade do escoamento das águas superficiais. A RETIFICAÇÃO E A CANALIZAÇÃO DO LEITO DE RIOS E CÓRREGOS Em geral, os rios de planície apresentam meandros ou “curvas”. A retificação e canalização desses rios, feita para ampliar os espaços a serem ocupados pela cidade, diminuem a extensão do rio. DEPOSIÇÃO INADEQUADA DE LIXO SÓLIDO O lixo jogado nas ruas e calçadas ou mesmo diretamente nos rios e córregos dificulta a vazão das águas. DESMATAMENTO A retirada da mata nas encostas e nas margens dos rios provoca o aumento da erosão e, consequentemente, o assoreamento dos rios em seus trechos de planície, ou seja, o acúmulo de sedimentos nos leitos dos rios e lagos, facilitando o seu transbordamento. Deslizamentos de terras Os deslizamentos de terra estão diretamente relacionados às características de relevo, solo, clima e cobertura vegetal. Apesar de serem fe- nômenos naturais, os deslizamentos são poten- cializados pela ocupação humana desordenada. Aconstruçãodecasaseestradaseaimplantação daagriculturaedapecuáriatendemadesestabi- lizaraindamaisofrágilequilíbrionaturaldesses ambientes,aumentandoaschancesdeacidentes que trazem prejuízos incalculáveis, incluindo a perdadedezenasdevidashumanasanualmente. No Brasil, as áreas mais sujeitas à ocorrência de deslizamentos são as que se encontram na unidade de relevo conhecida como Planaltos e SerrasdoAtlânticoLeste-Sudeste(vejaomapade relevodoBrasil,napágina37).Issoporquearegião caracteriza-sepelaexistênciadeáreascomgrande declividade(escarpaseencostasdasserras),solos rasos e elevada pluviosidade concentrada no ve- rão, sobretudo nas encostas próximas ao litoral e voltadasparaoleste,querecebemosfluxosdear úmidoprovenientesdaságuasoceânicas.Comoa regiãofoidensamentepovoadaemáreasderisco, como encostas de morro, os acidentes se tornam maisfrequentes.Entreoscasosmaisemblemáticos ocorridosnopaís,estãoosdeslizamentosnaregião serrana do Rio de Janeiro, em janeiro de 2011. DESASTRESNATURAISCUSTARAMAO BRASILR$182BIEM20ANOS Prejuízos causados por desastres naturais no Brasil custaram pelo menos R$ 182,8 bilhões – uma média de R$ 800 milhões por mês –, entre 1995 e 2014. Os nú- meros fazem parte do mais completo mapeamento da quantidade de eventos meteorológicos, como secas, estiagens, inundações e enxurradas, que atingiram o País nesse intervalo de 20 anos e o impacto financeiro que eles tiveram. Estãoincluídasnaanálisetragédiascomoasenchentes edeslizamentosdeterraqueatingiramaregiãoserrana doRiodeJaneiro,em2011,deixando918mortos,além dasinundaçõesnoValedoItajaí(SC),emnovembrode 2008 (...). Minas Gerais foi o Estado com mais registros e o Rio Grande do Sul, o líder em prejuízos. Os autores do trabalho, realizado pelo Centro de EstudosePesquisassobreDesastres(Ceped)daUniver- sidade Federal de Santa Catarina, com apoio do Banco Mundial, afirmam, no entanto, que os resultados são reconhecidamente subestimados. Isso ocorre porque os dados disponíveis sobre os eventos climáticos e seus possíveis danos materiais são limitados (...). “É só a ponta do iceberg e ainda assim estamos falando de uma média de R$ 800 milhões por mês (...), afirma FredericoFerreiraPedroso,especialistadoprogramade Gestão de Riscos de Desastres do Banco Mundial. (...) O Estado de S.Paulo, 10/03/2017 SAIU NA IMPRENSA [1] MARCEL NAVES/AFP [2] ANA CAROLINA FERNANDES/FOLHA IMAGEM TERRA ARRASADA Chuvas torrenciais provocaram deslizamentos de terra no bairro de Campo Grande em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, em 2011: o povoamento em áreas de risco potencializa os acidentes [2] VENDA PROIBIDA
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    44 GE GEOGRAFIA2018 LITOSFERA CONTAMINAÇÃO DOS SOLOS D urante vários anos, o homem pouco se importou com as con- sequências que suas atividades poderiam ter para o solo. Do estilo de vida consumista, que gera uma colossal quantidade de resíduos a ser descarta- da, passando pelo uso indiscriminado de produtos tóxicos na indústria até o manejo inadequado das culturas agrí- colas, nossa sociedade vai gradativa- mente contaminando os solos. Como consequência, muitas áreas estão se tor- nando impróprias para a produção de alimentos ou para a presença humana. As principais formas de poluição do solo estão associadas a atividades econômicas como a agricultura, o ex- trativismo mineral e a produção in- dustrial, ou à falta de investimentos no tratamento adequado ao lixo. Veja cada um desses casos: LIXO A deposição inadequada do lixo, principalmente em aterros sem nenhum controle ambiental (os chamados lixões), está entre as principais causas da contaminação dos solos nas cidades. Além de produzir o gás natural metano (CH4), um dos agravadores do efeito estufa, a decomposição da matéria orgânica por microrganismos gera o caldo chorume, altamente poluente para o solo e para os lençóis freáticos. O destino mais adequado para o lixo urbano são os aterros sanitários. Trata-se de áreas nas quais os resíduos são compactados e cobertos por terra. Terrenos assim têm sistema de drenagem que captam líquidos e gases resultantes da decomposição dos resíduos orgânicos, evitando maiores danos aos solo. Outra opção são os incineradores públicos, principalmente para o lixo hospitalar, odontológico e ambulatorial. Terra maculada A degradação dos solos, provocada principalmente pela exploração dos recursos naturais e pelo tratamento inadequado do lixo, é um dos principais problemas ambientais da atualidade De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 50% dos municípios destinavam os resíduos sólidos em lixões. Apenas 28% das cidades faziam o descarte em aterros sanitários. Em 2010, o governo federal instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que determinava uma série de regras para o manejo sustentável do lixo. Entre outras medidas, a PNRS estabeleceu que agosto de 2014 seria o prazo final para as prefeituras erradicarem os lixões e passarem a depositar o lixo em aterros sanitários. No entanto, mais de 60% dos municípios não conseguiram cumprir a determinação. Um projeto de lei tramita no Congresso para estender até 2021 o prazo para a erradicação dos lixões. RESÍDUOS INDUSTRIAIS As fábricas nas áreas urbanas também depositam grandes quantidades de resíduos industriais, como produtos químicos e metal pesado, em áreas próximas de onde estão instaladas. Com o tempo, esses elementos infiltram-se no solo, que fica contaminado e improdutivo, podendo provocar doenças nos habitantes que vivem próximos à indústria. AGROTÓXICOS O uso de agrotóxicos para fertilizar o solo, eliminar ervas daninhas e destruir pragas pode aumentar a produtividade agrícola em grande escala, mas produz um nefasto efeito colateral: a contaminação do solo. Com o tempo, esses resíduos químicos vão se acumulando e ajudam a degradar ainda mais as áreas agrícolas, tornando-as impróprias para o cultivo. Ou seja, apesar dos ganhos produtivos no curto prazo, a aplicação intensiva de agrotóxicos é uma prática insustentável para a agricultura. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), um quarto dos solos do planeta está degradado, afetando diretamente a produção mundial de alimentos. MERCÚRIO NOS GARIMPOS A exploração de minérios, como ouro e diamantes nos garimpos da Região Norte do Brasil, utiliza mercúrio no processo de separação das pedras preciosas dos demais sedimentos. Por ser um mineral pesado altamente tóxico, o mercúrio depositado no solo e nas águas provoca graves prejuízos à fauna e à saúde humana. ENTRE OS URUBUS Criança recolhe papelão no lixão da Canabrava, em Salvador (BA): mais da metade dos municípios brasileiros descarta os resíduos sólidos em áreas sem nenhum controle ambiental VENDA PROIBIDA
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    45 GE GEOGRAFIA 2018 SAIBAMAIS O PRINCÍPIO DOS 3 RS: REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR A melhor solução para o lixo é reaproveitá-lo para fazer novos bens, reduzindo a sobrecarga dos depósitos. O reaproveitamento do lixo envolve o princípio dos “3 Rs”: Reduzir a produção de resíduos, com a adoção de novos hábitos de compra. Reutilizar potes, vasilhames, caixas e outros objetos de uso cotidiano e o material neles contido. Reciclar o lixo descartado após o consumo, transformando-o em matéria- prima industrial para nova fabricação. Para que seja reciclado, o lixo deve ser descartado de forma seletiva e entregue em postos distribuídos pelas prefeituras (quando existem) ou por empresas em locais predefinidos, doados a entidades que recebem material desse tipo ou na forma estabelecida pelos programas porta a porta. Apesar das iniciativas nesse sentido, apenas 3% do lixo é reciclado no Brasil, segundo dados do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre). Veja abaixo um quadro com os principais produtos recicláveis: A erosão das camadas superficiais do solo pelo escoamento das águas das chuvas, também conhecida como ero- são laminar, é uma das maiores preo- cupações ambientais da agricultura atualmente. Esse processo provoca a perda gradativa de nutrientes do solo. Em algumas culturas, como o feijão e a mandioca, essa perda pode chegar a 40 toneladas por hectare em um ano. Para ter uma dimensão melhor do problema, em uma área com floresta nativa, essa perda é de apenas 0,004 tonelada por hectare no mesmo período. A melhor forma para evitar a ação da erosão é a adoção de técnicas de conservação do solo. O plantiodireto é uma técnica que não revolve as camadas superficiais do solo, mantendo sobre ela a matéria orgânica (plantas, folhas e palhas de colheitas anteriores), o que contribui para conter a erosão. Já as curvas de nível é uma técnica de plan- tio adequada às variações das altitudes e à inclinação do relevo, evitando o escoamento direto das águas das chuvas que caem na lavoura. A ausência dessas técnicas pode dar origem a ravinas Os principais produtos recicláveis Vidro Garrafas, potes de alimentos, frascos de remédioedeperfume. Cacos de vidro Volta a ser usado infinitas vezes sem perder as características Papel Revistas, jornais, papéis variados, caixas de papelão (de todos os tipos) Transforma-se em papel reciclado para agendas, cartões e caixas de papelão Plástico Garrafas PET, potes (de todosostipos),tampas, embalagens, sacos (de leite, arroz etc.) Matéria-primadefibras têxteis,tubos,artefatos plásticos,cordas,cerdas devassoura,carpetes Metal Latasdeaçoealumínio, tampas, arames, fios, grampos, pregos, tubos depasta,alumínio,cobre O aço volta a ser usado sem limites. O alumínio pode ser reusado em latas e autopeças Não podem ser reciclados Espelhos, vidro de janela e de boxe de banheiro, vidro de automóveis, cristais, lâmpadas, vidro temperado, ampolas de remédio, celofane, espuma, fraldas descartáveis, pilhas, latas enferrujadas, papel higiênico, guardanapos com restos de comida, papel laminado e plastificado, papel-carbono Fonte: Como Cuidar do Seu Meio Ambiente – Editora Beı, edição e texto da Rita Mendonça, 2004 Papel Pano Filtro de cigarro Chiclete Lata de aço Madeira pintada Náilon Plástico Alumínio Vidro Borracha 3 a 6 meses 6 meses a 1 ano 5 anos 5 anos 5 a 10 anos 13 anos Mais de 30 anos Centenas de anos Centenas de anos Mais de mil anos Indeterminado ORIGEM UTILIDADE Quanto tempo leva para se degradar na natureza ˜ (sulcos formados no solo devido à ação erosivadaágua)evoçorocas(aberturas ainda maiores que as ravinas e que, se atingirem o lençol freático, podem ser irreversíveis e impedem o aproveita- mento agrícola da área atingida). Outro grave problema da degradação dos solos envolve a grande concentra- ção de sais nos seus horizontes superfi- ciais, o que dificulta o desenvolvimento das plantas e, consequentemente, a pro- dução de alimentos. A salinização dos solos pode se dar por meio de processos naturais ou provocados e acelerados pelas atividades humanas. A irrigação é a principal prática agrícola responsável por induzir ou acelerar esse processo. No mundo, as principais áreas atin- gidas pela salinização encontram-se na África e na Ásia. Um dos casos mais conhecidos é o da região do Mar de Aral, na fronteira entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, na Ásia Central. Desde o período da União Soviética, extinta em 1990, vinham sendo implantados nessa região projetos de irrigação, em especial para a produção de algodão (veja mais na pág. 67). Colheita maldita Entenda como a erosão e a salinização prejudicam os solos e provocam enormes perdas para as culturas agrícolas FERNANDO VIVAS VENDA PROIBIDA
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    46 GE GEOGRAFIA2018 COMO CAI NA PROVA 1.(PUC-PR2016)OCentrodeSismologiadaUniversidadedeSãoPaulo(USP) relatou que, entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, ocorreram pequenos tremores de terra com magnitudes entre 1.1 e 1.9 em epicentros localizados na região da cidade de Londrina, o que explica as vibrações sentidas pelos moradores, principalmente nos bairros Califórnia e São Fernando. Tabela 1 – Pequenos tremores identificados pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) com estações regionais Data e Hora (Local) LAT (+/- 5 km) LON +/- 5 km) Prof. * (km) Magnitude (mR) 14/12/201506:16:06 -23.35 -51.15 0.0 1.8 01/01/201616:49:34 -23.38 -51.15 0.0 1.9 21/01/201614:13:10 -23.33 -51.12 0.0 1.9 (*) profundidade fixada em 0 km. Não há dados suficientes para se determinar as profundidades. Adaptado de Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Tremores de Dezembro de 2015 / Janeiro de 2016 em Londrina-PR. Disponível em: http://moho.iag.usp.br/content-sample/ reports/20160122/Relatorio-Londrina-20160122-2300.pdf. Acesso em 20 mar. 2016. Segundo o Centro de Sismologia, tremores de magnitude pequena (4) não são incomuns no Brasil e podem ocorrer em qualquer região. [...] Portanto, não há motivos para descartar os tremores ocorridos em Londrina como tendo origem natural. Sendo assim, os tremores registrados em Londrina podem ser causados a) pela proximidade com a Cordilheira dos Andes, região geologicamente instável, onde a divergência entre as placas do Pacífico e da América do Sul gera grandes tremores de terra. b) por concentração de tensões geológicas de origem natural, presentes em toda a crosta terrestre. c)pelaexploraçãodegásdexistoatravésdefraturamento(fracking)hidráulico. d)porbarragensartificiais,comoolagogeradopelahidrelétricadeItaipu,pois opesodoreservatóriopressionaasfalhasgeológicasdosubstratogeológico. e) pela atividade vulcânica no oeste paranaense, decorrente do encontro das placas da América do Sul e da África, originárias da fragmentação do supercontinente Pangea. RESOLUÇÃO AafirmativaAéincorreta,poisostremoresqueocorremnaregiãodaCordilheira dos Andes, e que poderiam ser sentidos no Brasil, ocorrem pela convergência entreasplacasdoPacíficoedaAméricadoSulenãopeladivergênciasentreelas. AafirmativaCéincorreta.Aexploraçãodegásdexistopormeiodefraturamento (fracking) hidráulico pode provocar tremores de terra. Mas essa técnica, muito comum nos EUA, ainda não é usada no Brasil. AafirmativaDnãoécorretaporque,apesardeaconstruçãodebarragenspoder provocar tremores, o mapeamento das falhas no Brasil não apontam para a área de Itaipu. A afirmativa E é incorreta, pois não existe atividade vulcânica no oeste para- naense, e o tipo de movimento verificado entre as placas da América do Sul e da África é divergente. A alternativa correta é a B: os terremotos no Brasil são de baixa e média intensi- dade na escala Richter. Em sua maioria, são decorrentes de falhas geológicas de pequena extensão existentes na estrutura geológica local. Resposta: B 2.(USF 2016) Observe as imagens a seguir. Fonte: http://www.aguaspluviais.inf.br/manual.aspx?id=8 Acesso em: 12/09/2015, às 18h. Asimagensevidenciamaalteraçãoaomeioambientecausadapeloprocesso de urbanização. a) Aponte duas consequências sociais ou ambientais decorrentes da transfor- mação do espaço evidenciada nas imagens. b)Citeumaaçãoquepoderiaminimizarosproblemasdecorrentesdaocupação do espaço evidenciada nas imagens. RESOLUÇÃO a)Aaçãointensivadoserhumanosobreomeio,emvirtudedaocupaçãodosolo, alteraascondiçõesambientaisoriginais.Entreasconsequênciasambientaise sociais da transformação da paisagem acima, destacam-se: perda de biodiver- sidade decorrente do desmatamento, aumento da erosão do solo, elevação do assoreamento dos rios pela retirada da mata ciliar, prováveis enchentes pela impermeabilizaçãodosolo,possívelpoluiçãodosrecursoshídricoseelevação da temperatura (ilha de calor) na área urbana. b) Entre as ações é possível citar a recomposição das matas ciliares ao longo dos rios para minimizar a erosão e o assoreamento; a criação de áreas verdes para melhorar a infiltração de água no solo e combater enchentes; o tratamento adequado de água e esgoto; e a adequada deposição do lixo. VENDA PROIBIDA
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    RESUMO 47 GE GEOGRAFIA 2018 Litosfera ESTRUTURASGEOLÓGICASAcamadamaissuperficialdoplaneta éalitosfera,cujasuperfícieéformadaportrêstiposdeestrutura geológica:escudoscristalinos(osterrenosmaisantigos,formados porrochas magmáticas), bacias sedimentares (surgidas com a erosão das rochas dos escudos cristalinos) e dobramentos mo- dernos(formaçõesrecentesqueficamentreasplacastectônicas). RELEVO Existem quatro principais tipos de relevo no mundo: depressões são áreas localizadas em altitude inferior à das re- giõesvizinhasouabaixodoníveldomar;montanhassãoáreas elevadasresultantesdochoquedeplacastectônicas;planaltos sãoelevaçõesdelimitadasporsuperfíciesrebaixadas;eplanícies sãoáreasplanas,geralmenteencontradasembaixasaltitudes. PLACAS TECTÔNICAS São gigantescos blocos que integram a litosfera. O globo é recortado por grandes placas que se deslocam e se chocam, numa movimentação constante e lenta. As regiões próximas à borda dessas placas são sujeitas a terremotos e atividade vulcânica. FORÇAS INTERNAS E EXTERNAS Asforçasinternasdãoforma ao relevo. O tectonismo consiste no lento deslocamento das placastectônicas.Osabalossísmicossãoostremorescausados nasuperfíciedoplanetapelamovimentaçãodaplacatectônica. Já o vulcanismo é a elevação do magma para a superfície por meio de fendas na crosta terrestre. São duas as principais for- ças externas. O intemperismo é o processo de degradação das rochasprovocadaporfenômenosquímicosefísicos.Jáaerosão consistenodesgastedarochaemrazãodaexposiçãoprolongada a agentes naturais, como ventos, geleiras, rios e mares. RECURSOSMINERAISOsminériossãoelementosdosquaispo- demos extrair substâncias de interesse econômico. Destacam- se os utilizados para a obtenção de metais, como o alumínio, o ferro e o titânio. Os depósitos mais explorados ficam nos escudos cristalinos. No Brasil, os minérios são encontrados principalmente em Minas Gerais e no Pará. SOLOS O solo compreende a parte superficial da litosfera e se forma, principalmente, da decomposição das rochas e se dispõe em camadas, denominadas horizontes. Os horizontes O (orgânico) e A são os mais superficiais e mais significativos para a agricultura. A composição mineral, o nível de acidez e a capacidade de reter matéria orgânica e água são fatores determinantes para a fertilidade dos diferentes tipos de solos, de grande importância para as atividades agropecuárias. LIXO A deposição inadequada do lixo em aterros sem nenhum controle ambiental (os chamados lixões) está entre as princi- pais causas da contaminação dos solos nas cidades. Mais de 50% dos municípios destinam os resíduos sólidos em lixões. Apenas 28% das cidades faz o descarte em aterros sanitários. SAIBA MAIS As enchentes ocorrem quando a precipitação é elevada e a vazão ultrapassa a capacidade de escoamento dos rios. É um fenômeno natural, provocando inun- dações, que permitem a deposição de partículas minerais e de matéria orgânica naáreaquevaialémdesuasmargens–avárzea.Noentanto,emgrandescidades como São Paulo, a impermeabilização do solo ocasiona grandes alagamentos. A água não consegue infiltrar no solo, escoando de forma rápida e em grande volumeparaasviasdecirculaçãodetrânsito.ÉoqueacontecenaMarginalTietê: Pista local Pista local Pista expressa Pista expressa RIO TIETÊ Marginal direita Marginal esquerda Área de inundação Nível normal 3.(EspcexAman2016)Orelevoéoresultadodaatuaçãodeforçasdeorigem internaeexterna,asquaisdeterminamasreentrânciaseassaliênciasdacrosta terrestre. Sobre esse assunto, podemos afirmar que I. o surgimento das grandes cadeias montanhosas, como os Andes, os Alpes e o Himalaia, resulta dos movimentos orogenéticos, caracterizados pelos choques entre placas tectônicas. II.ointemperismoquímicoéumagenteesculpidordorelevomuitocaracterísticodas regiõesdesérticas,emvirtudedaintensavariaçãodetemperaturanessasáreas. III. extensasplanícies,comoasdosriosGanges,naÍndia,eMekong,noVietnã, são resultantes do trabalho de deposição de sedimentos feito pelos rios, formando as planícies aluviais. IV. osplanaltosbrasileiroscaracterizam-secomorelevosresiduais,poisperma- necerammaisaltosqueorelevocircundante,porapresentaremestrutura rochosa mais resistente ao trabalho erosivo. V. por situar-se em área de estabilidade tectônica, o Brasil não possui formas de relevo resultantes da ação do vulcanismo. Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas a) I, II e III b) I, III e IV c) II, IV e V d) I, II e V e) III, IV e V RESOLUÇÃO As afirmativas I, III e IV estão corretas. Sobre os outros itens, a afirmativa II diz, equivocadamente, que o intemperismo químico ocorre em regiões desérticas. Na verdade,nessaslocalidadescombaixoíndicepluviométricoverifica-seaatuaçãodo intemperismofísicoedaerosãoeólica.JáaafirmativaVestáincorretaporqueopassado geológico do atual território do Brasil, durante a Era Mesozoica, registra atividade vulcânica. Ela foi responsável por aspectos importantes da estrutura geológica, do relevoedosolonopaís,comoaexistênciadecuestasbasálticasedosolodeterraroxa. Resposta: B VENDA PROIBIDA
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    48 GE GEOGRAFIA2018 HIDROSFERA 3 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO A distribuição de água no planeta.............................................................50 Água salgada .....................................................................................................52 Água doce............................................................................................................56 Tsunami ..............................................................................................................58 Bacias hidrográficas do Brasil.....................................................................60 Escassez hídrica no mundo..........................................................................62 Escassez hídrica no Brasil ............................................................................64 Poluição hídrica ...............................................................................................66 Como cai na prova + Resumo.......................................................................68 O snordestinosestãoenfrentandomaisuma rigorosa seca. Embora estiagens severas costumem castigar a região de tempos em tempos, desta vez a situação é mais grave: o Nordeste não via uma seca tão intensa para um período consecutivo como este desde 1910. A área mais afetada é o semiárido, região que abriga 23 milhões de pessoas. Com a ausência de chuvas, os grandes reservatórios da região estão secando. No início de 2017, eles operavam com somente 16% da capacidade. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), dos 533 reservatórios monitorados pelo órgão na região, 142 estavam vazios. A situação é mais crítica no Ceará, onde os açudes estavam com 7% de sua capacidade em janeiro deste ano. A estiagem pode levar o fornecimento de água nas áreas urbanas ao colapso, provocando sérios transtornos à população. Em vários municípios de pequeno porte, o abastecimento já está sendo feito com caminhões-pipa. Nas regiões rurais, o problema é outro. Agricultores perdem suas plantações e veem o gado morrer. Em Pernam- buco, o rebanho bovino, composto em 2011 por 2,5 milhões de cabeças, teve uma baixa de 554 mil animais no ano passado. A boa notícia é que em março foi inaugurado o primeiro trecho do projeto de transposição do Rio São Francisco, que prevê o deslocamento de parte das águas desse manancial por canais artificiais para reservatórios situados no se- miárido nordestino. Apontada desde o tempo do Império como uma solução para a seca no Nordeste, a transposição começou a sair do papel em 2007, consumindo investimentos da ordem de 9,6 bilhões de reais. O projeto se estende por 477 quilômetros e é dividido em dois eixos. O leste é o trecho recém-inaugurado. Com 217 quilômetros, ele beneficiará 4,5 milhões de pessoas em 168 loca- lidades da Paraíba e de Pernambuco. Já o eixo norte, com 260 quilômetros, tem inauguração prevista ainda para 2017 e atenderá 222 muni- cípios e 7,5 milhões de pessoas no Ceará e Rio Grande do Norte. Nas páginas seguintes, você vai saber mais sobre a hidrosfera e a importância estraté- gica da água, além de entender como a crise hídrica é um fenôme- no que preocupa não apenas a população do Nordeste, mas tam- bém de outras regiões do Brasil e do mundo. Em meio à maior estiagem dos últimos 100 anos no Nordeste, a inauguração de um trecho da transposição do Rio São Francisco pode amenizar os efeitos da seca Uma esperança na aridez do sertão ÁGUAS DE MARÇO Inauguração do eixo leste da transposição do Rio São Francisco, em março de 2016: projeto poderá beneficiar 12 milhões de pessoas no semiárido nordestino VENDA PROIBIDA
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    50 GE GEOGRAFIA2018 3 P rimeirohomemaveroplanetado espaço, o astronauta russo Yuri Gagarintornoucélebreafraseem quedescreveuoqueobservouládecima: “A Terra é azul”. A coloração do nosso planetavistodaórbitaterrestreéconse- quência do enorme volume de água de queaTerradispõe.Sãocercade1,4bilhão dequilômetroscúbicosquecobremmais de 70% da superfície do globo. O conjunto de toda a água do pla- neta recebe o nome de hidrosfera. Há cerca de 4 bilhões de anos, quando nosso planeta era uma nuvem quente de poeira e gás, a água encontrava-se misturada a outros gases, no estado de vapor. À medida que o planeta esfriava, esse vapor foi se condensando e, sob a forma de chuva, precipitando-se sobre a superfície. Dessa longa e caudalosa tempestade formaram-se os oceanos, mareseoconjuntodas“águascontinen- tais”, composto de rios, lagos, lençóis subterrâneos, geleiras e neves eternas. Mas todo esse volume de água que cobre o planeta não está à disposição para o nosso consumo. Desse 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água que A Terra é azul Ocupando mais de 70% da superfície terrestre, a hidrosfera domina a paisagem do nosso planeta PLANETA ÁGUA Apesar de a Terra dispor de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água, apenas 2,5% desse volume é próprio para o consumo humano revestem o globo, apenas 2,5% são de água doce – algo em torno de 35 mi- lhões de quilômetros cúbicos. Além disso, a maior parte da água ou está congelada nas geleiras e calotas polares ou encontra-se escondida em depósi- tos subterrâneos. A real proporção da água a que o homem tem acesso fácil – asuperficial,derioslagosepântanos–é de, no máximo, 0,4% da água doce exis- tentenomundo(vejamaisnográfico).Ou seja,temos100milquilômetroscúbicos paramatarasede,cuidardahigiene,ge- rarenergia,produziralimentosebensin- dustriais.Nãoéexatamentepoucaágua– imaginequecadapessoanomundotenha direitoamaisde570bilhõesdelitrospor dia, durante 75 anos. O problema é que a água não é distri- buídaassim,deformaequilibrada,entre toda a população. A própria natureza impõerestrições.Enquantoregiõescomo a Amazônia é riquíssima em recursos hídricos, trechos da África e do Oriente Médio sofrem com uma brutal escas- sez, responsável, inclusive, por sérios conflitos armados. Para piorar, a ação do homem em nada vem ajudando a HIDROSFERA A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA [1] VENDA PROIBIDA
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    51 GE GEOGRAFIA 2018 ADISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO PLANETA Apenas uma pequena parte da água da Terra é acessível para uso humano ÁGUA DOCE ÁGUA ATMOSFÉRICA E DE SUPERFÍCIE TOTAL DA ÁGUA Água doce 2,5% Água salgada 97,5% Fonte: National Geographic Biota 0,8% (conjunto dos seres vivos) Lagos de água doce 67,4% Umidade do solo 12,2% Atmosfera 9,5% Pântanos e áreas alagadas 8,5% Rios 1,6% Subterrânea 30,1% Permafrost 0,8% (camada de subsolo na tundra congelada) Água atmosférica e de superfície 0,4% Geleiras 68,7% tornar a distribuição e o acesso à água mais democráticos. Se hoje 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água trata- da, isso se deve principalmente ao mau gerenciamento das fontes naturais e à falta de equilíbrio entre a renovação e o consumo da água. Ociclohidrológico Todaaáguadisponívelnoplanetaestá em constante renovação. Esse processo no qual a água se desloca da superfície terrestreedaatmosfera,passandopelos estados líquido, sólido e gasoso, recebe o nome de ciclo hidrológico. Umdosresponsáveisporesseprocesso éaenergiasolar,queincidenasuperfície doplanetaeprovocaaevapotranspiração daságuas,ouseja,elaspassamdoestado líquidoparaogasoso.Aevaporaçãodos oceanos ocorre com maior intensidade, masofenômenoaconteceaindaemrios, lagos e demais águas continentais. A transpiração das plantas também con- tribui para a evaporação da água. O vapor de água resultante desse pro- cesso dá origem às nuvens, que se des- locam com o movimento de rotação da Terra e dos ventos. Quando as nuvens se condensam, ocorre a precipitação, e a água volta para a superfície terrestre, atingindo tanto o continente quanto os oceanos.Essaprecipitaçãopodeserlíqui- da, no caso das chuvas, ou sólida, se cair na forma de neve ou granizo. Tudo de- pendedascondiçõesclimáticasdaregião. Ao atingir os continentes, a água da precipitação pode percorrer alguns caminhos: volta para a atmosfera, em novo pro- cesso de evapotranspiração; infiltra-se no solo, alimentando as águas subterrâneas; é escoada na direção de rios, lagos e mares. Odestinodessaságuaséinfluenciado porfatorescomoacoberturavegetal,as condiçõesclimáticaseageologiaeaalti- tude.Emáreasmaisáridas,porexemplo, aevaporaçãoémaiorqueainfiltração,ao passoque,emterrenosarenosos,aágua se infiltra mais rapidamente. Vejaasquatroetapasdoprocessoderenovaçãohidrológica O CICLO DA ÁGUA A energia solar incide sobre a superfície do planeta. 1 3 Os ventos carregam o vapor de água dos oceanos para os continentes. As nuvens se condensam, e a água volta para a superfície terrestre na forma de chuva – a precipitação também pode ocorrer como neve ou granizo. A água das chuvas é escoada para os rios, lagos e mares. Também pode infiltrar-se no solo ou voltar para a atmosfera pelo processo de evaporação. O calor provoca a evaporação da água, que passa para o estado gasoso e é transferida para a atmosfera. A transpiração de plantas e animais contribui para esse processo. Apesar de o fenômeno também ocorrer em rios e em lagos, é nos oceanos que a evaporação é mais intensa. 2 4 [1] NASA [2] MULTISP [2] VENDA PROIBIDA
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    52 GE GEOGRAFIA2018 3 Imensidão marinha Quase a totalidade da hidrosfera é formada por oceanos e mares, habitat da maioria das espécies do planeta e responsáveis por grande parcela da atividade econômica mundial HIDROSFERA ÁGUA SALGADA A s águas marinhas dividem-se em oceanos (grandes áreas) e mares (áreas menores). Juntas, essa imensidão de água salgada representa 97,5% de toda a hidrosfera. Conforme veremos a seguir, os oceanos e mares têm uma incalculável importância para o equilíbrio do planeta, tanto nos aspec- tos ambientais como socioeconômicos. A própria origem da vida, de acordo com a teoria do Big Bang, teria ocorrido nos oceanos há cerca de 3,5 bilhões de anos (veja mais na pág. 98). A origem da água salgada Durante centenas de milhões de anos, a chuva foi formando os rios – que, por sua vez, dissolveram rochas de dife- rentes períodos geológicos, nas quais o sal comum, cloreto de sódio (NaCl), é encontrado em abundância. Como todos os cursos de água correm para o oceano, os mares ficam com quase todo o sal dissolvido nesse processo. Além disso, as partículas de cloro e de sódio suspensas na atmosfera também são levadas pela chuva, completando o processo. Ainda assim, a salinidade de uma massa de água depende principal- mente de sua taxa de evaporação, que acaba determinando a concentração do sal. É por isso que lagos e açudes podem se tornar salgados em regiões de muito calor, como ocorre no nordeste brasi- leiro. Por essa mesma razão, os mares equatoriais são mais salgados que os polares. Os mais salgados do planeta são o Mar Morto, no interior da Ásia, e o Mediterrâneo. O menos salgado é o Mar Báltico, no norte da Europa, que, por causa de seu baixo teor de sal, chega a ficar congelado durante o inverno. A biodiversidade marinha A grande biodiversidade marinha pode ser confirmada estatisticamente: dos 33 filos (grandes grupos de seres vivos), 15 são exclusivamente mari- nhos e cinco são predominantemente marinhos. São mais de 230 mil espécies conhecidas nos mares e oceanos, porém estima-se que o número ultrapasse 1 milhão de espécies. Os ambientes diversificados propi- ciam a formação de ecossistemas di- versos, desde as águas rasas e quentes VENDA PROIBIDA
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    53 GE GEOGRAFIA 2018 dascostas continentais – com grande aporte de alimentos provenientes dos rios – até águas profundas, frias e sem luz, com erupções de lava e gás metano, entre outros materiais tóxicos para as espécies da superfície. Algumas espé- cies marinhas têm funções vitais para o planeta Terra em escala global, como o plâncton, cuja absorção de CO2 é maior do que a de todas as florestas das terras emersas somadas. A economia dos mares e dos oceanos Os mares e oceanos são explorados economicamente desde os primórdios da existência dos seres humanos para a obtençãodealimentoseenergia,otrans- porte, o lazer, entre outras atividades. As rotas estabelecidas no período das GrandesNavegações(séculosXVaXVII) mudaram o mapa econômico mundial, ampliando numa escala jamais vista até entãoastrocascomerciaiseaexploração de recursos naturais do planeta. Atualmente,merecemdestaqueasse- guintesatividadeseconômicasassentadas na exploração dos mares e dos oceanos: MARES Osmaressãoblocosmenoresdeáguasalgadaligados aosoceanos.Emgeral,sãoclassificadosdeacordocom amaneirapelaqualsejuntamaosoceanos. Mares abertos: são ligados ao oceano por meio de grandes aberturas. Ex.: Mar das Antilhas ou do Caribe e o Mar do Norte, entre as ilhas britânicas e o continente europeu. Mares continentais: as ligações com o oceano são menores, feitas por meio de estreitos. Ex.: Mar Mediterrâneo, ao sul da Europa, e Mar Vermelho, entre a península Arábica e a África. MARES E OCEANOS OCEANO ATLÂNTICO Mar do Caribe Mar Mediterrâneo Mar do Norte Golfo do México Golfo Pérsico Bacia de Campos Mar Vermelho Mar Morto OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO OCEANO PACÍFICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO OCEANO PACÍFICO C. de Humboldt Mares fechados: apesar de serem chamados de mares, são, na verdade, grandes lagos com água salgada. Ex.: Mar Morto, no Oriente Médio OCEANOS De acordo com a maioria dos especialistas, são três os grandes oceanos: Pacífico, Atlântico e Índico. O limite entre um oceano e outro é determinado pelo contorno dos continentes. Alguns geógrafos apontam a existência de dois outros oceanos, o Ártico, no norte do globo, e o Antártico, que circunda o continente gelado ao sul. iSTOCK PHOTO GRANDES NAVEGAÇÕES Cerca de 80% do volume total do comércio mundial é feito por meio de transporte marítimo A PESCA Base da alimentação de milhões de pessoas, a pesca tradicional e indus- trial é feita em todos os oceanos e na maioriadosmares,sobretudoemáre- as costeiras. A produtividade é maior em regiões banhadas por correntes marítimasfrias.Umbomexemploéa correntedeHumboldt,quepassapela costa peruana (veja no mapa). EXTRATIVISMO MINERAL Além da extração de petróleo e gás natural, explorado em áreas como a Bacia de Campos, o Golfo Pérsico e o Golfo do México (veja localização no mapa), outros recursos minerais são prospectados em águas oceânicas. Merece destaque a mineração feita no Mar Morto, de cujo leito se extra- em grandes quantidades de potássio, o que coloca Israel e Jordânia na lista dos dez maiores exportadores desse mineral. O produto é utilizado, entre outras aplicações, na fabricação de adubos químicos. Já África do Sul e Namíbia exploram diamantes nos mares que banham o seu litoral. ROTAS COMERCIAIS Cerca de 80% das mercadorias co- mercializadas entre diferentes paí- ses no mundo são transportadas por navios cargueiros, que diariamente atravessam os oceanos. O Oceano Atlântico é intensamente explorado economicamente, em especial no Atlântico Norte, onde se encontram rotas que interligam as potentes eco- nomias da América do Norte e os países da Europa Ocidental. O Oce- ano Pacífico é um elo cada vez mais forte entre as economias ocidentais e orientais. Já o Oceano Índico é percorrido por embarcações que ex- ploram o petróleo no Oriente Médio, sobretudo no Golfo Pérsico. TURISMO O turismo marítimo é outra ativi- dade em expansão, explorando as orlas marítimas com a implantação de balneários, navegação, pesca es- portiva e atividades de mergulho. A indústria turística também projeta suas atividades para o alto-mar com a navegação dos cruzeiros marítimos. VENDA PROIBIDA
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    54 GE GEOGRAFIA2018 3 HIDROSFERA ÁGUA SALGADA Arquipélago de Fernando de Noronha Atol das Rocas Arquipélago de São Pedro e São Paulo Arquipélago de Abrolhos Poçosdopré-sal Ilhas da Trindade e Martin Vaz Júpiter Tupi Guará Carioca B R A S I L G U I A N A F R A N C E S A BRASIL URUGUAI Salvador Rio de Janeiro Florianópolis São Luís Belém O c e a n o A t l â n t i c o CROSTA CONTINENTAL CROSTA OCEÂNICA PLANÍCIE ABISSAL T A L U D E ELEVAÇÃO PLATAFORMA Mar territorial Zona contígua Zona econômica exclusiva Plataforma continental LINHA BASE Fronteiras marítimas Fronteira Definição Limite a partir da orla Área Mar territorial Soberania absoluta, econômica e militar 12 milhas (22,2 km) – Zona contígua Controle administrativo 24 milhas (44,4 km) – Zona econômica exclusiva Direitos econômicos absolutos sobre a água, o assoalho e o subsolo 200 milhas (370 km) 3.539.919 km2 Plataforma continental Direitos sobre o assoalho marítimo e seus seres e o subsolo até 350 milhas (648 km) (área reivindicada) 4.489.919 km2 Fonte: Marinha do Brasil/ Ministério das Relações Exteriores OS LIMITES MARINHOS DO BRASIL Controle dos mares e oceanos Aimportânciageopolíticadosmarese dos oceanos reflete-se nas disputas que muitasnaçõestravamentresiparapoder exercer sua soberania sobre o território marítimo. A dificuldade em estabelecer as faixas oceânicas a que cada país tem direitodeuorigemàConvençãodasNa- ções Unidas sobre o Direito do Mar. Ela determinaoslimitesdomarterritorial, ouseja,aságuasquefazempartedoter- ritório nacional de cada país, onde pos- suemtotalsoberaniaeconômicaemilitar. Alémdomarterritorial,sãodefinidasas zonascontíguas,nasquaisoEstadodeve fiscalizar e combater crimes ambien- tais; as zonas econômicas exclusivas, que estabelece direitos absolutos para a realização de pesquisas e exploração econômica;eaplataformacontinental, área na qual o país detém direitos sobre o assoalho marítimo e o subsolo. Nazonaeconômicaexclusivabrasilei- ra,estão91%detodoopetróleoexplorado pelopaís,incluindoasjazidasdopré-sal. Diante da necessidade de garantir sua proteção, em 2004, o Brasil solicitou à ONU que estenda sua soberania sobre a área de mar acima da plataforma con- tinental para até 350 milhas náuticas (648 quilômetros), conforme prevê a convenção, mas ainda não obteve o aval sobreessadecisão.Vejaaoladoeabaixoa localizaçãoeaextensãodecadanívelde fronteira marítima no litoral brasileiro. VENDA PROIBIDA
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    55 GE GEOGRAFIA 2018 CHINAFINALIZA INSTALAÇÕES NO MAR DO SUL DA CHINA QUE PODEM ABRIGAR MÍSSEIS, DIZEM EUA AChinapraticamentefinalizouaconstruçãodequaseduasdezenas de estruturas em ilhas artificiais no Mar do Sul da China que parecem projetadas para abrigar mísseis terra-ar de longa distância, disseram duasautoridadesdosEstadosUnidosàReuters,oquefoiconsiderado um teste precoce ao presidente norte-americano, Donald Trump. AChinareivindicaquasetodasaságuas,pelasquaiscirculaumterçodo comérciomarítimomundial.Brunei,Malásia,Filipinas,TaiwaneVietnã também têm reivindicações no local. O governo Trump classificou a construção de ilhas chinesas no Mar do Sul da China como ilegal. (...) Reuters, 22/2/2017 SAIU NA IMPRENSA SAIBA MAIS MARÉS E CORRENTES MARÍTIMAS As marés são o movimento de subida e descida das águas em relação à costa, ocasionado pela atração que a Lua e o Sol exercem sobre as massas de água. A influência da Lua é sentida de maneira mais forte, porque o Sol, apesar de ser muito maior do que ela e, portanto, ter um campo gravitacional mais poderoso, está muito mais afastado (veja o infográfico abaixo). Além dessa força de atração dos astros, outro fenô- meno astronômico colabora para a formação das marés: a rotação da Terra. Girando em torno de si mesma, a Terra fica sempre com metade de sua superfície virada para a Lua. O resultado é o movimento das águas de acordo com a posição do planeta e de seu satélite. A cada dia, acontecem duas marés altas (quando o oceano está de frente para a Lua) e duas baixas (nos intervalos entre as altas). A rotação da Terra influencia outro tipo de movimento das águas oceânicas: as correntes marítimas. Elas são gigantescas porções de água que se deslocam nos oceanos de forma independente das águas que as circundam. É por causa do fenômeno da inércia que as correntes se deslocam com o movimento do planeta: as águas tende- riam a continuar paradas, mas acabam se movimentando em sentido contrário ao da rotação do globo. As correntes também ocorrem em razão da inclinação do eixo terrestre e da diferença de temperatura entre o Equador e as zonas polares. As correntes podem ser frias ou quentes e influenciam a vida no planeta de várias formas. A corrente fria de Humboldt, por exemplo, esfria a costa oeste da América do Sul. Há ainda a corrente quente do Atlântico Norte (ou corrente do Golfo), que evita o congelamento de portos europeus, e a corrente fria do Labrador, que desce do Ártico e influencia as gélidas temperaturas da costa leste norte-americana no inverno (veja mapa com as principais correntes marítimas na pág. 79). No lado da Terra voltado para a Lua, as águas (em azul) sobem, atraídas pela gravidade lunar Para facilitar, imagine que o planeta fosse todo recoberto pelos oceanos SOB O DOMÍNIO DA LUA EntendacomoosatélitedaTerrainterferenasmarés Maré alta Maré alta Maré baixa Maré baixa Mar do Sul da China OMardoSuldaChinaéumadasprin- cipaisregiõesemdisputanomundoatu- almente. Além de ser uma importante rota marítima, o local tem um grande potencial para a exploração petrolífera. A China alega ter precedência histórica sobrearegiãoeexploraeconomicamente suaságuas.Noentanto,emjulhode2016, a ONU acatou um pedido das Filipinas e decidiu que a China não tem base le- galparareivindicar“direitoshistóricos” no Mar do Sul da China. O governo de Pequim disse que não irá reconhecer a decisão e manterá o controle da região. CHINA TAIWAN FILIPINAS INDONÉSIA BRUNEI MALÁSIA VIETNÃ LAOS Hanoi Hong Kong Ilhas Paracel Ilhas Spratly Manila CAMBOJA Campo de gás de Sampaguita Mar do Sul da China China Filipinas Vietnã Malásia Brunei Fonte: The Economist ÁREAS REINVIDICADAS POR A DISPUTA NO MAR DO SUL DA CHINA VENDA PROIBIDA
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    56 GE GEOGRAFIA2018 3 Reservas vitais Saiba onde ficam as principais fontes de água doce, que representam menos de 3% de toda a hidrosfera A pesar de a água dominar a pai- sagem do globo, a quantidade de H2 O disponível para nosso consumoéproporcionalmenteirrisória: do 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água da hidrosfera, apenas 2,5% são de água doce. Mas a garganta começa a secar mesmo quando observamos que a maior parte da água doce, quase 70%, está sob a forma de gelo, ou seja, indisponível, nos polos. Asprincipaisfontesparamatarasede dos bilhões de seres vivos no mundo são:aságuassubterrâneas,captadaspor meio da exploração de poços; as águas desuperfície,queenglobamdesdelagos e rios até a umidade do solo; e a água presente na atmosfera. Tudo isso junto, DOCE PAISAGEM Vista aérea do Lago Michigan, em Chicago, nos Estados Unidos, que compõe um dos cinco Grandes Lagos: sua formação se deu por erosão glacial HIDROSFERA ÁGUA DOCE contudo, não atinge 1% do volume da hidrosfera. Seja como for, mesmo que o volumerelativosejamínimo,osnúmeros absolutosdeH2 Oànossadisposiçãoain- dasãobastantesignificativos,desdeque administradosracionalmenteepreserva- dosdequalquercontaminação.Confiraa seguirascaracterísticasdosreservatórios queguardamtodoessepreciosolíquido. Geleiras Reservatório de 68,7% da água doce doplaneta,asgeleirassãoenormesmas- sas formadas pelo acúmulo de neve no decorrer de milhares de anos. Existem em áreas planas próximas aos polos ou na forma de imensos rios de gelo que avançamlentamentepelosvalesemaltas latitudes ou em cordilheiras elevadas. As geleiras se movimentam: descem encostas pela ação da gravidade ou se espalham pelo solo com a força de seu peso. Em seu trajeto, elas desgastam as rochas e, ao chegar a mares e lagos, dão origem a plataformas de gelo. Os icebergs são massas de gelo que se des- prendem dessas plataformas e flutuam pelos oceanos. Lagos Os lagos, definidos conceitualmen- te como corpos de água parada, são a maioria da água doce de superfície disponível para consumo. Podem ser formados de várias maneiras: por acú- mulo de água da chuva, afloramento de uma nascente, pela alimentação de rios ou pela erosão glacial (desgaste das rochas provocado pelo movimento das geleiras). Essa última explica a ori- gem dos Grandes Lagos da América do Norte, que abrigam 27% da água doce proveniente de lagos do planeta. Também são lagos os mares fechados, sem ligação com o oceano, como o Mar Cáspio – o maior lago do mundo, com áreade370milquilômetrosquadrados– e o Mar Morto. Outro mar, o de Aral, enfrenta enorme desastre ambiental e perdeu cerca de 90% do volume total de água (veja mais na pág. 67). Rios São cursos naturais de água que se deslocam de um ponto mais alto (nas- cente) até um nível mais baixo (foz ou desembocadura), onde lançam suas VENDA PROIBIDA
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    58 GE GEOGRAFIA2018 3 HIDROSFERA TSUNAMI Ondas de destruição Tremores provocados por fenômenos geológicos no fundo do mar dão origem aos terríveis tsunamis A palavratsunamiemjaponêssignifica “ondadeporto”edánomeaumfenô- meno conhecido como maré de ter- remoto.Ostsunamissãoondasgigantescas, commaisde30metrosdealtura,provocadas por perturbações nas profundezas do mar, comoabalossísmicos(maremotos),erupções vulcânicasoudeslizamentosnofundooceâ- nico(vejaaolado).Ostremoresprovocados por esses fenômenos geológicos propagam umasériedeondulaçõesporgrandesdistân- ciasnasuperfíciedooceano.Essasondassão inicialmente bastante longas e baixas, não maisque0,3a0,6metro.Entretanto,acoisa se complica quando elas se aproximam da costa,ondeaprofundidadediminuiesurge atrito com o fundo do oceano. O resultado é que as ondas passam a ser comprimidas num espaço cada vez menor, o que as obriga a subir. Os tsunamis, então, formam uma coluna descomunal, sugando o mar da costa a ponto de deixar parte do solo oceânico descoberto. Esse é o último aviso. Minutos depois, eles chegam, em geral catastroficamente. A CHEGADA DO TSUNAMI NA COSTA Diferenças nas encostas do litoral podem suavizar ou aumentar o impacto Um declive menos acentuado na beira-mar faz com que as ondas percam força, atenuando o tsunami Uma maior profundidade na encosta joga as ondas para cima, amplificando sua potência TUDO COMEÇA NO FUNDO DO MAR Ondas gigantes são provocadas por três tipos de fenômeno Erupções vulcânicas injetam toneladas de lava no chão oceânico, provocando ondas devastadoras Terremotos submarinos deslocam a crosta oceânica, empurrando a massa de água para cima Uma imensa bolha de gás se forma no fundo do solo oceânico, surtindo o mesmo efeito de uma explosão descomunal [3] [4] [1] [2] [5] VENDA PROIBIDA
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    59 GE GEOGRAFIA 2018 NATUREZAEM FÚRIA INDONÉSIA OPLANETAMOBILIZADOPELAONDAGIGANTE A tragédia de 26 de dezembro de 2004 foi ainda mais devastadora porque o Oceano Índico não tinha um sistema de aviso eficaz nem estava acostumado a esse tipo de onda. Aaltadensidadepopulacionaldasáreasatin- gidas (15 países na Ásia e na África) também amplificou a catástrofe, que deixou 230 mil mortos. A Indonésia foi o país mais atingido – só na ilha de Sumatra morreram mais de 170 mil pessoas. O tsunami nasceu de um terremoto de 9 pontos na escala Richter. A partir do epicen- tro, a cerca de 160 quilômetros a oeste da ilha indonésia de Sumatra, surgiram ondas de 10 metros de altura, que viajavam a 800 quilômetros por hora. A comoção diante da tragédia provocou uma mobilização mundial. Nações de todo o globo enviaram dinheiro, donativos e volun- tários com rapidez sem precedentes. NATUREZA EM FÚRIA JAPÃO O DESASTRE QUE GEROU UM ALERTA NUCLEAR No dia 11 de março de 2011, o Japão sofreu o maior terremoto de sua história. O abalo de 9 pontos na escala Richter teve seu epi- centro no oceano Pacífico, a 67 quilômetros da costa nordeste, provocando um tsunami devastador. As ondas viajaram a 800 quilô- metros por hora, arrastando carros, barcos e edifícios. Cidades como Sendai e Ishi ficaram submersas em meio aos escombros. Além de deixar pelo menos 9 mil mortos, o tsunami comprometeu o sistema de res- friamento da usina atômica de Fukushima. O superaquecimento dos reatores provocou explosões,ehouvevazamentodematerialra- dioativo.Enquantomilharesdedesabrigados eram socorridos, o país ainda era ameaçado por uma catástrofe nuclear. [6] [7] [1][2][3][4][5] NEWTON VERLANGIER/ REVISTA MUNDO ESTRANHO [6] KYODO PRESS/ AP [7] DUDI ANUNG/ AP COSTA BRAVA Tsunami invade o litoral de Iwanuma, no norte do Japão, em março de 2011 CENÁRIO DESOLADOR A cidade de Meulaboh, na Indonésia, após a passagem do tsunami, em 2004 VENDA PROIBIDA
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    60 GE GEOGRAFIA2018 3 HIDROSFERA BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL O Brasil concentra mais de 10% da água doce disponível na superfície do planeta. Descubra os meandros das águas que percorrem nosso país E nquantováriasregiõesdoplaneta sãopoucoprivilegiadasemrelação àdisponibilidadedeágua,oBrasil não tem do que reclamar nesse quesito: nossoterritórioconcentramaisde10%da águasuperficialdisponívelparaconsumo nomundo.Todaessacaudalosariqueza estáespalhadapelosmilharesderiosque percorrem o país. A maioria desses rios nasce em regiões de altitude média – o Amazonas,quetemorigemnacordilheira dos Andes, é uma das exceções. Uma característicaimportanteéopredomínio de rios de planalto, o que permite bom aproveitamento hidrelétrico. Oregimedosriosbrasileirosépluvial, ouseja,sãoalimentadospelaáguadachu- va(oAmazonaséexceção,poistambém recebe neve derretida dos Andes). Em virtude da predominância do clima tro- picalnopaís,combastantechuva,nossos riossãomajoritariamenteperenes(nunca secam).DesaguandonoOceanoAtlântico ouemoutrosafluentesquecorremparao mar,elestêm,emsuamaioria,fozdotipo estuário:ocanalseafunila,easáguassão lançadas livremente no oceano. Outro tipo de foz é o delta, em que aparecem ilhas na região do deságue. Há, ainda, a foz mista, como a do Amazonas. Apesardeaáguaserabundanteaquino Brasil, o país não está livre do problema dafaltadeágua.Issoporqueasfontesna- turaissãomaldistribuídaspeloterritório e há uma crônica má administração dos recursos hídricos (veja mais na pág. 64). O vasto emaranhado de afluentes na- cionais está agrupado em oito grandes bacias hidrográficas. As bacias, por sua vez,reúnem-seemregiõeshidrográficas para facilitar o planejamento ambiental e o uso racional dos recursos. Veja a se- guir cada uma das oito grandes regiões hidrográficas do Brasil. Território caudaloso Fonte: IBGE 1 3 2 4 8A 8B 8E 8D 8C 6 5 7 1.Região hidrográfica da Amazônia Engloba a maior bacia hidrográfica do mundo, a Amazônica, com área de 3,8 milhões de quilômetros quadrados em terras brasileiras, o equivalente a cerca de 60% do total (os outros 40% distribuem-se nos territórios de Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana e Bolívia). Seu curso principal nasce no Peru, com o nome de rio Vilcanota, e recebe depois as denominações de Ucaiali, Urubamba, Marañón e Ama- zonas. Quando entra no Brasil, vira Solimões, até o encontro com o rio Negro; desse ponto até a foz, volta a se chamar Amazonas. Seus principais afluentes no Brasil são os rios Madeira, Tapajós e Xingu, na margem direita, e, namargemesquerda,Negro,Trombetas e Paru. Um estudo divulgado em 2008 pelo Inpe mostrou que o rio Amazonas é o maior do mundo: o rio brasileiro tem 6.992 quilômetros de extensão, superando o rio Nilo, com 6.852 qui- lômetros. A confirmação desses dados, contudo, ainda depende da aceitação de instituições geográficas internacionais. A bacia Amazônica tem mais de 20 mil quilômetros de rios navegáveis. Hidrovias como a do Rio Madeira, que opera de Porto Velho a Itacoatiara, ser- vem de escoadouro para a produção agrícola do Centro-Oeste. 2.Região hidrográfica dos rios Tocantins-Araguaia Ocupando 921 mil quilômetros qua- drados, essa área é definida pela bacia do Rio Tocantins. Ele nasce em Goiás e desemboca na foz do Rio Amazonas. Parte de seu potencial hidrelétrico é aproveitada pela usina de Tucuruí, no Pará. Já o Rio Araguaia nasce em Mato Grosso, na divisa com Goiás, unindo-se ao Rio Tocantins no extremo norte do estado do Tocantins. 3.Região hidrográfica do Rio São Francisco Possui uma área de 638 mil quilô- metros quadrados e seu principal rio é o São Francisco, com cerca de 2,7 mil quilômetros de extensão. O Velho Chico VENDA PROIBIDA
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    61 GE GEOGRAFIA 2018 SAIBAMAIS BACIAS HIDROGRÁFICAS Umabaciahidrográficacompreendeaságuas superficiais(lagos,rioseseusafluentesesuba- fluentes, além do escoamento das águas das chuvas) e também as águas subterrâneas. Em geral, as bacias hidrográficas são exorreicas, ou seja, suas águas escoam para os mares ou oceanos. As bacias endorreicas (aquelas em que as águas escoam para lagos ou pântanos) são menos frequentes. A foz é onde o rio de- ságua – ela pode ser em estuário, se desem- boca no mar em um único canal, ou em delta, quando é formado por vários canais do leito do rio. Veja na imagem ao lado os principais elementos da bacia hidrográfica. nasce em Minas Gerais e percorre os estados da Bahia, de Pernambuco, Ala- goas e Sergipe até a foz, na divisa entre esses dois últimos estados. É o maior rio totalmente localizado em território brasileiro, sendo essencial para a eco- nomia das localidades que percorre – grande parte localizada em região semiárida – , pois permite a atividade agrícola em suas margens e oferece condições para a irrigação artificial de áreas mais distantes. Essa, inclusive, é uma das questões em debate em torno do projeto de transposição das águas do São Francisco (veja mais na pág. 64). 4.Região hidrográfica do Rio Parnaíba Segunda principal região hídrica do Nordeste, atrás da região do São Francisco, ocupa uma área de 333 mil quilômetros quadrados, entre os esta- dos do Ceará, Maranhão e Piauí. Ao desaguar no oceano Atlântico, fazendo a divisa do Piauí com o Maranhão, o Rio Parnaíba forma um delta oceânico. A piscicultura é a principal atividade econômica praticada no rio. 5.Região hidrográfica do Rio Paraná Abrangendo uma das áreas com o maior desenvolvimento econômico do país, a região da bacia do Paraná tem cercade880milquilômetrosquadrados. O Rio Paraná, com quase 3 mil quilô- metros de extensão, nasce na junção dos rios Paranaíba e Grande, na divisa entreMatoGrossodoSul,MinasGerais eSãoPaulo.Essabaciaapresentaomaior aproveitamento hídrico do Brasil, abri- gando hidrelétricas como a de Itaipu. Afluentes do Paraná, como o Tietê e o Paranapanema, também têm grande potencialparagerarenergia.Ahidrovia Tietê-Paraná é a mais antiga do país. 6.Região hidrográfica do Rio Paraguai É constituída pela bacia brasileira do Rio Paraguai, abrigando a grande planí- cie do Pantanal Mato-Grossense. Com sua nascente em território brasileiro, na Serra do Araporé, próximo de Cuiabá (MT), o Rio Paraguai ocupa uma região de 363 mil quilômetros quadrados no Brasil, correspondente a cerca de um terço da área total, e inclui também Argentina, Bolívia e Paraguai. Seus rios são muito usados para a navegação e para o consumo animal. 7.Região hidrográfica do Rio Uruguai Com cerca de 274 mil quilômetros quadrados, é constituída pela parte brasileira da bacia do Uruguai, rio que surge da união dos rios Pelotas e Ca- noas. Tem grande importância tanto pelo potencial hidrelétrico como pela concentração de atividades agroindus- triais na região. 8.Região hidrográfica do Atlântico Trata-se de um conjunto de várias pe- quenas e médias bacias costeiras forma- das por rios que deságuam no Atlântico, exceto os do Amapá, que fazem parte da região hidrográfica Amazônica. São cinco regiões: a) A AtlânticoNordesteOcidental, de 274 mil quilômetros quadrados, abri- ga os rios situados entre a foz do Gurupi (divisa Pará-Maranhão) e a do Rio Parnaíba (divisa Maranhão- -Piauí). b) A Atlântico Nordeste Oriental, de 286 mil quilômetros quadrados, fica entre a foz do Parnaíba e a do São Francisco, na divisa entre Alagoas e Sergipe. c) A Atlântico Leste, com 388 mil qui- lômetrosquadrados,vaidafozdoSão Francisco ao Rio Mucuri (extremo sul da Bahia). d) A Atlântico Sudeste, com 215 mil quilômetros quadrados, vai do Mu- curi à área da divisa entre São Paulo e Paraná. e) Por fim, a Atlântico Sul abrange as bacias dos rios Itajaí, Capivari e aquelas ligadas ao Rio Guaíba e ao sistema lagunar do Rio Grande do Sul, somando 187 mil quilômetros quadrados de área. VENDA PROIBIDA
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    62 GE GEOGRAFIA2018 3 HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO S e hoje uma a cada nove pessoas no mundo não tem acesso à água potável em quantidade necessária para garantir sua saúde, é porque a ação do homem está interferindo direta- mente nessa relação entre a oferta e a demanda de água potável. O aumento populacional, o consumo crescente, o desperdício, a contaminação dos mananciais e as alterações climáticas exercem grande pressão sobre as fontes de abastecimento de água. A população mundial saltou de 2,5 bilhõesdepessoasem1950paramaisde 7 bilhões atualmente. E esse acelerado crescimento demográfico não signifi- ca apenas maior consumo de água em nossas casas. Com mais gente no mun- do, nossa sociedade precisa aumentar a produção no campo para produzir alimentos e na indústria para gerar os bens que consumimos. Como o de- senvolvimento industrial e agropecuá- rio é hoje responsável pelo consumo de 90%detodaaáguautilizadapelahuma- nidade, é possível ter uma dimensão da pressão que esse aumento populacional exerce sobre as fontes hídricas. O mundo tem sede Entenda como a ação do homem pressiona as fontes de água e provoca disputas pelo controle de bacias hidrográficas no mundo PARA IR ALÉM O documentário Ouro Azul – As Guerras Mundiais pela Água, de Sam Bozzo, trata, por meio de entrevistas com especialistas de diversos países, da escassez hídrica em várias regiões do mundo e dos conflitos que podem surgir em razão da falta de água, com sérias implicações geopolíticas. USO HUMANO DA ÁGUA Subterrânea e superficial Industrial 21% Agricultura 69% Doméstico 10% Fonte: National Geographic Disputas por água À medida que um bem tão essencial para a vida humana começa a se esgo- tar, as disputas pelas fontes hídricas tornam-se mais frequentes. O maior foco de tensão é a exploração de rios e bacias hidrográficas que se espalham pelos territórios de diferentes países. Quais nações têm direito ao controle dessas águas? Qual é a forma mais justa de compartilhar os recursos hídricos? Como não há resposta simples a es- tas perguntas, as disputas envolvendo o controle de reservas hídricas já estão setornandoumarealidadeemdiversos lugaresdomundo.NaBaciadoRioNilo, por exemplo, a construção de uma hi- drelétricapelogovernodaEtiópiapode afetar o fluxo de água para outras nove naçõesafricanas.Damesmaforma,uma barragem construída pela Turquia na BaciadoTigreedoEufratesécriticada pelasautoridadesdaSíriaedoIraquepor diminuiravazãodessesrios.Porsuavez, ogovernochinêstambémestáerguendo hidrelétricasnoRioMekong,afetandoo abastecimentodeáguaparapaísescomo Índia, Laos, Camboja e Vietnã. PESCARIA PREJUDICADA No distrito de Long Phu, no Vietnã, a seca e a construção de barragens pela China afetam o fluxo de água do Rio Mekong VENDA PROIBIDA
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    63 GE GEOGRAFIA 2018 SAIBAMAIS PEGADA HÍDRICA E ÁGUA VIRTUAL Além da água que consumimos diretamente todos os dias para beber, cozinhar os nossos alimentos e fazer a higiene pessoal, gastamos outras centenas de litros indiretamente. Tudo o que utilizamos no dia a dia, como roupas, alimentos e eletrodomésticos, precisou de água para ser produzido. Para identificar a quantidade real de água utilizada, foi criado o conceito de “pegada hídrica”, que mede o consumo da chamada “água virtual”. Em pro- dutos de origem animal, por exemplo, a maior parte da água virtual tem origem na produção da ração que alimenta a criação. A ÁGUA ESTÁ PRESENTE EM TUDO O QUE CONSUMIMOS Água virtual é a quantidade de água usada, direta ou indiretamente, na produção de algo. Veja quantos litros de água virtual existe em alguns produtos Fontes: R.L.Carmo, A.L.R.O.Ojima, R.Ojima e T.T.Nascimento; Hoekstra e Chapagain e Water Footprint Network 32litros Microchip (2 g) 140 litros Xícara de café (125 ml) 10litros FolhadepapelA4 (80 g/m2 ) 2.000litros Camiseta de algodão (250 g) 135litros Ovo (40 g) 200litros Copo de leite (200 ml) 2.325litros Carne bovina (150 g) 720litros Carne suína (150 g) 8.000litros Par de sapatos de couro Emprodutosde origemanimal,a maiorpartedaágua virtualtemorigemna produçãodaraçãoque alimentaacriação Fonte: Comprehensive Assessment of Water Management in Agriculture, 2007 Escassez hídrica física Áreas onde o consumo humano já superou a capacidade de renovação natural, com extração de mais de 75% das águas das bacias hidrográficas Próximo da escassez hídrica física Mais de 60% do fluxo dos rios dessas bacias é usado, e a população deve enfrentar a escassez física em breve Sem dados disponíveis Escassez hídrica econômica Questões políticas e econômicas também limitam o acesso à água. Encontram-se nessa situação regiões em que menos de 20% da água disponível é aproveitada, enquanto os habitantes sofrem com desabastecimento por causa de conflitos ou falta de infraestrutura e saneamento Escassez hídrica pequena ou inexistente Ocorre em regiões ricas em recursos hídricos, com retirada inferior a 25% do total de água disponível A ÁGUA DOCE NO MUNDO Europa 7% Américas 46% Ásia 32% África 9% 12% Só o Brasil Oceania 6% ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO STR/AFP VENDA PROIBIDA
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    3 64 GE GEOGRAFIA2018 HIDROSFERA ESCASSEZ HÍDRICA NO BRASIL Acesso desigual Seja por aspectos climáticos ou má gestão dos recursos hídricos, o Brasil também enfrenta o problema da seca. Veja a situação no Nordeste e no Sudeste, duas das regiões mais afetadas atualmente M esmo concentrando cerca de 12% das reservasmundiaisdeáguadoceesendo privilegiadoporumaprofusãoderios, o Brasil não está imune à escassez hídrica. Um dos problemas é que o precioso líquido não é distribuído de maneira uniforme pelo território nacional.OsestadosdoNorte,comsomente8%da população,têmquase70%dasreservashídricas. Emcompensação,oNordeste,queconcentra28% dapopulação,possuiapenas3%daáguadisponível e é a região mais afetada pela seca no país. NoNordeste,aescassezhídricaestádiretamente relacionada com o clima semiárido do sertão. A presençadeumamassaquenteesecaqueestacio- nanaregiãodurantelongosperíodoséresponsável pelafaltadechuvas.Algunsfenômenosclimáticos sazonais, como a ocorrência do El Niño, podem agravaraindamaisasituação(vejamaisnapág.76). AsecanoNordesteéumfenômenoconstatado desdeoperíodocolonial.Portanto,asautoridades ao longo das últimas décadas já poderiam ter desenvolvido políticas públicas eficazes para minimizarosefeitosdabaixapluviosidade.Con- tudo, a construção de açudes, que permitem tornarperenesosriosintermitentes,eprojetosde irrigaçãodurantemuitosanosbeneficiouapenas grandes latifundiários em detrimento da popu- lação mais duramente castigada – atitude que ajudou a cunhar o termo “indústria da seca”, ao perpetuarosproblemasdecorrentesdaestiagem. A transposição do Rio São Francisco Atualmente,aprincipalobradogovernofederal para combater os efeitos da seca é a transposi- ção do Rio São Francisco. Iniciadas em 2007, as obras têm como objetivo desviar uma pequena parceladeseuvolumepormeiodedutosecanais que devem abastecer rios menores e açudes que secam durante a estiagem no semiárido nordes- tino. O governo acredita que a obra beneficiará 12 milhões de pessoas e estimulará a agricultura nas áreas atingidas. Os críticos da transposição, porém, acreditam que poços profundos e cister- nas(quesãoreservatóriosparaacaptaçãodeágua dachuva)sãoalternativasmaiseficazesebaratas para combater a seca, além de argumentar que PARA IR ALÉM O documentário Entre Rios, de Caio Ferraz, trata da urbanização de São Paulo, pelo viés dos cursos d’água, desde a primeira vila até os dias atuais: www.youtube.com/ watch?v=Fwh-cZfWNIc. VENDA PROIBIDA
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    65 GE GEOGRAFIA 2018 oprojeto não alcançará muitas comunidades e beneficiaráprincipalmenteosgrandesfazendei- ros. Existe ainda o temor de que o projeto cause impactos ambientais no Rio São Francisco. Em março de 2017, o eixo leste da obra foi inaugurado, levando as águas do “Velho Chico” para cidades de Pernambuco e da Paraíba. O go- verno anunciou que a obra será concluída ainda em 2017 (veja o mapa na pág. ao lado). A crise hídrica nas grandes metrópoles NemmesmooSudeste,caracterizadopelagran- depresençadeumidade,estáimuneàescassezde água.Umagravecrisehídricaatingiutodososes- tadosdaregiãoem2014e2015efoiespecialmente aguda em São Paulo e sua região metropolitana. Responsável pelo abastecimento de 8,8 milhões de pessoas, o Sistema Cantareira quase entrou em colapso, e o governo estadual foi obrigado a utilizar o chamado volume morto – uma reserva técnicaqueficaabaixodascomportasdasrepresas. Ainda que a estiagem tenha contribuído para agravar a situação, a crise reflete a falta de plane- jamento e investimentos no sistema de abasteci- mento de água. Por isso, apesar de o pior da crise játersidosuperado, osetoraindaapresentasérios problemasestruturais.Vejaalgunsdosprincipais entraves que o setor enfrenta na região: MANANCIAIS São todas as fontes de água, superficiais ou subterrâneas, que podem ser usadas para o abastecimento das populações. Isso inclui, por exemplo, rios, lagos, represas e lençóis freáticos Há pelo menos duas décadas, especialistas em recursos hídricos alertam que as regi- ões metropolitanas devem criar medidas para atender ao aumento da demanda de água nessas regiões, fruto do crescimento populacional. Entretanto, as obras para aumentar a captação, o tratamento e a dis- tribuição de água não foram realizadas ou foram feitas em ritmo muito abaixo do que seria necessário. A lentidão ou a conivência do poder pú- blico na questão da ocupação das áreas de mananciais reduziu a capacidade de re- posição da água em grandes reservatórios, como o da Cantareira e do Alto Tietê. Essa ocupação,frutodocrescimentodesordenado das cidades, ocorreu com a implantação de áreas residenciais e comerciais (agrícolas e industriais),provocandodesmatamento,im- permeabilizaçãodosoloepoluiçãodaságuas. Há fortes críticas de diversos setores da sociedade sobre o modelo de gestão públi- co-privada dos recursos hídricos. Em São Paulo, a Sabesp é uma empresa de capital misto (51% sob controle do Estado e o res- tante pertence a investidores privados), com ações negociadas na bolsa de valores. Esse modelo concretiza, portanto, a con- cepção da água como mercadoria voltada para a obtenção de lucro, e não como um bem universal e direito de todos. A lentidão ou inexistência de programas de despoluição das águas dos rios e lagos em áreas urbanas restringe as fontes de água para o abastecimento público. A coleta de esgoto, serviço cobrado pelas empresas que fazem a distribuição da água, atende apenas a 65% da população (veja mais na pág. 66). SÓ A CARCAÇA O município de Olho d'Água do Casado (AL) é um dos mais atingidos pela severa estiagem que castiga o sertão do Nordeste: sem água, agricultores perdem a lavoura e o rebanho TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO 0 100 Escala (em km) 50 PERNAMBUCO BAHIA CEARÁ ALAGOAS SERGIPE PARAÍBA R i o P i r a n h a s - A ç u Oceano Atlântico Rio Brígida Rio M oxotó Rio Paraíba Rio do Peixe R i o J a g u a r i b e Rio Salgado R i o A p o d i Eixo Norte* 99 m3/s Eixo Leste* 28 m3/s Cabrobó RIOG. DONORTE Rio São Francisco Locais de captação Canaisemconstrução Rios receptores * Vazão máxima Floresta ADOLFO SANTOS SONTERIA/FOLHAPRESS VENDA PROIBIDA
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    3 66 GE GEOGRAFIA2018 HIDROSFERA POLUIÇÃO HÍDRICA A pesar da evidente importância da água para a nossa sobrevivência e para as inúmeras atividades humanas, como produção de alimentos, lazer e transporte, um dos maiores desafios ambientais da atualidade diz respeito à contaminação das fontes hídricas. A poluição das águas é causada, sobretudo, pelo lançamento de dejetos industriais e agrícolas, esgoto doméstico e resíduos sólidos. Isso com- promete a qualidade das águas superficiais e subterrâneas em inúmeros pontos do planeta. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), 663 milhões de pessoas ainda consomem água imprópria e em torno de 2,4 bilhões de pessoas não possuem esgotamento sanitário – um terço da população mundial. Além de indisponibilizar mananciais que poderiam ser utilizados para o consumo de água potável pela população, a contaminação das águas está relacionada à transmissão de diferentes tipos de doenças que, juntas, causam 1,5 milhão de mortes por ano no mundo – as maiores vítimas são as crianças de países pobres e em desenvolvimento. Os ecossistemas também são gravemente afetados pela poluição hídrica, Águas turvas A contaminação das fontes hídricas, que deteriora os ecossistemas e provoca milhares de mortes no mundo, é um dos grandes desafios ambientais da atualidade COLETA DE ESGOTO NO BRASIL (2015)* Percentual de domicílios atendidos Norte Brasil Nordeste Centro- Oeste Sudeste Sul Fonte: PNAD 2015 *Ligados na rede geral, com e sem fossa séptica 65,3% 22,6% 42,9% 53,2% 88,6% 65,1% ESGOTAMENTO SANITÁRIO NO MUNDO (2015) População com o mínimo de condições, em faixas de % por país Fonte: Organização Mundial da Saúde 91–100% 76–90% 50–75% menos de 50% sem dados que compromete a fauna e a flora aquática. Veja a seguir as principais atividades humanas responsáveis pela poluição das águas. A precariedade do saneamento básico A falta de coleta e tratamento de esgotos in- dustriais e domésticos, sobretudo nas grandes áreas urbanas, representa uma séria ameaça a rios, lagos e represas. Esses ambientes sofrem o fenômeno conhecido como eutrofização: os esgotos domésticos, ricos em matéria orgânica, quandosãolançadosnaágua,geramumexcesso de nutrientes que provoca o crescimento acele- rado de plantas e algas aquáticas. Estas, por sua vez,impedemapassagemdeluzeatransferência de oxigênio para o meio aquático,favorecendo o desenvolvimento de bactérias anaeróbias. No Brasil, de acordo com dados do IBGE de 2015, eram atendidos com coleta de esgoto por rede canalizada 44,5 milhões de domicílios, nos 5.570 municípios do país – o que representa 65,3% do total. Ou seja, um terço das residên- cias brasileiras não são atendidas por serviços de coleta de esgoto. Segundo o Instituto Trata Brasil e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em 2014 apenas 12 dos 100 maiores municípios brasileiros haviam cumprido as exigências do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), que prevê ações de abastecimento de água, tratamento de esgotos, coleta e tratamento de resíduos sólidos e manejo das águas pluviais urbanas. Nota-se, ainda, grandes disparidade entre as regiões quanto à coleta de esgoto (veja o gráfico abaixo). VENDA PROIBIDA
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    67 GE GEOGRAFIA 2018 Descargano mar de dejetos industriais e urbanos Área poluída pela circulação de petróleo Mares e lagos poluídos Mares e lagos bastante poluídos OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO Greenwich Círculo Polar Antártico Trópico de Câncer Trópico de Capricórnio Equador OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico 0 2.500 5.000 km N POLUIÇÃO DAS ÁGUAS (2007) Fonte: ilustração de Alex Argozino, baseado em mapa publicado no Atlas Geográfico: Espaço Mundial (Editora Moderna). CONTAMINAÇÃO INTEROCEÂNICA O uso de adubos químicos nas lavouras, que é escoado no litoral, e a deposição de material não biodegradável respondem por grande parte da poluição nas áreas costeiras. Veja também como o transporte marítimo deixa um rastro de petróleo por onde passam os cargueiros. COMMODITIES São produtos de origem mineral (petróleo, minério de ferro, alumínio, entre outros) ou agrícola (soja, milho, algodão, etc.) negociados nas bolsas de valores no mercado internacional SAIBA MAIS A CATÁSTROFE DO MAR DE ARAL Além de contaminar os mananciais, a agroindústria também provoca enorme desperdício de água. Quando mal planejada, a irrigação pode dar origem a catástrofes ambientais extremas. É o que aconteceu no Mar de Aral. Encravado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, na Ásia Central, o Aral ocupava uma área de 68 mil quilômetros quadrados–poucomaiorqueoestadodoRiodeJaneiro. O desastre começou a se formar nos anos 1960, com o desvio dos rios Amu e Syr para irrigar as lavouras da antiga União Soviética. Passados quase 50 anos, o Aral perdeu90%dovolumedeágua.Entreoutrasconsequên- cias, o recuo ampliou as áreas desérticas e o processo de salinização decorrente da irrigação mal planejada diminuiudrasticamenteafloraeafaunalocais.Em2014, a parte oriental do Mar de Aral secou completamente. 1977 2016 NASA A deposição de lixo e vazamentos nos oceanos Os oceanos são os principais “corredores” do transporte mundial de mercadorias e matérias- -primas. Os milhares de navios cargueiros e de pesca industrial provocam, nas rotas mais utili- zadas, a poluição das águas com vazamentos de combustíveis e deposição de lixo (veja o mapa). Outras fontes de resíduos sólidos nos oceanos, principalmente de plásticos e outros materiais não biodegradáveis, são as cidades litorâneas e a descarga de rios poluídos nas águas oceânicas. Os vazamentos de petróleo que ocorrem com certa frequência nos poços explorados no assoa- lho oceânico também estão entre as principais fontes poluidoras dos oceanos. O uso de adubos químicos e de agrotóxicos na produção agrícola A agricultura comercial, voltada para a produ- ção de commodities comercializadas em escala global,utilizatoneladasdeadubosquímicospara aumentar a produtividade e de produtos tóxicos para controlar a proliferação de pragas (insetos, doenças e plantas indesejadas) nas lavouras. Além de contaminar os solos (veja mais na pág. 44), o uso desses produtos dá origem ao pro- cesso de fertilização artificial das águas de rios, lagos e oceanos com nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo. É o mesmo fenômeno da eutrofização, verificado na poluição por esgoto doméstico. Estudos mostram que o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do mundo, apresenta elevado grau de con- taminação por agrotóxicos. VENDA PROIBIDA
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    68 GE GEOGRAFIA2018 COMO CAI NA PROVA 3 1. (Unesp2017) APegadaHídricaéumaferramentadegestãoderecursos hídricos que indica o consumo de água doce com base em seus usos direto e indireto. “Precisamos desconstruir a percepção de que a água vem apenas da torneira(umusodireto)equesimplesmenteconsertarumpequenovazamento é o bastante para assumir uma atitude sustentável”, ressalta Albano Araujo, coordenador da Estratégia de Água Doce da Nature Conservancy. www.wwf.org.br. Adaptado Considerando o excerto e os conhecimentos acerca do consumo de água no planeta, é correto afirmar que o uso indireto de água doce corresponde a) à comercialização de água sob a forma de produto final. b) aoempregodeáguaextraídadereservassubterrâneasparaoabastecimento público. c) à quantidade de água utilizada para a fabricação de bens de consumo. d)aoaproveitamentodomésticodaáguaresultantedeprocessosdedespoluição. e) à distribuição de água oriunda de represas distantes do consumidor final. RESOLUÇÃO Oconsumodiretodaáguaestárelacionadoaousodolíquidoparaaçõescomobeber, cozinhar e lavar. No entanto, para dimensionar com maior precisão o consumo de água no mundo, é preciso levar em consideração o uso indireto do líquido, ou seja,aquantidadedeáguaquefoiutilizadaparaaproduçãoeconsumodebense serviços–sóaagriculturaeaindústriasãoresponsáveispor90%dousodaágua em todo o mundo. A água usada, direta ou indiretamente na produção de bens e serviços, também é chamada de água virtual. Resposta: C 2.(UEL 2017) Disponível em:http://projects.inweh.unu.edu/inweh/inweh/content/3128. Acesso em: 30 jul. 2016. Com base no mapa acima e nos conhecimentos sobre a bacia hidrográfica do Rio São Francisco, ou do “Velho Chico”, como é conhecido, responda aos itens a seguir. a) Descrevaduascaracterísticasfísicasqueconferemimportânciaeconômica e social a esse contexto geográfico. b) Cite uma das problemáticas ambientais e analise suas implicações para os diferentes usuários do “Velho Chico”. RESOLUÇÃO a) O Rio São Francisco é perene, ou seja, ele dispõe de água durante todo o seu percurso,nuncasecando,mesmonosperíodosdemaiorestiagem.O“VelhoChico” nasce em Minas Gerais na Serra da Canastra (área de clima tropical de altitude), percorre cinco estados e atravessa o Sertão do Nordeste com clima semiárido. A baciaémargeadapordiferentesbiomas–MataAtlântica,Cerrado,Caatinga,além debiomascosteiroseinsulares–,oquelheconferegrandediversidadeambiental. Devidoaessascaracterísticas,oriopossibilitagrandeaproveitamentoeconômico eexerceimportantepapelsocial.Évitalparaoabastecimentohumanodeágua,a agriculturairrigada,otransporte(hidrovia)eageraçãodeenergia(hidrelétricas). b)AbaciahidrográficadoRioSãoFranciscosofreuintensadegradaçãoambiental nasúltimasdécadas.Entreosproblemas:lançamentodeesgotosdomésticossem tratamento, deposição de resíduos industriais, despejo de lixo, lançamento de resíduos de mineração, devastação das matas ciliares e assoreamento. Assim, é fundamental investir na revitalização da bacia do São Francisco, inclusive para viabilizar no médio e longo prazo os benefícios do projeto de transposição. 3.(Mackenzie 2014) RISCO DE ESCASSEZ DE ÁGUA EM DIFERENTES PAÍSES DO MUNDO Fonte: http://www.mlit.go.jp/english/2006/c_l_and_w_bureau/01_worldwater/ Diferentesestudosavaliamopotencialriscodaescassezdeáguanomundo.De ummodogeral,essesestudoscomparamaofertadeáguadocedisponívelaos diferentestiposdeconsumopelassociedadeshumanas.Alémdisso,sãofeitas estimativasdecrescimentodemográficoeeconômicoparaseestabelecerograu desegurançafuturaparacadapaísouregião.Combasenessasinformaçõese seus conhecimentos a respeito do tema, considere as afirmações: I. ObaixoriscodeescasseznoEgito,SudãoeLíbiasejustificapelaabundânciade águadoNilo,cujabaciadetémomaiorvolumed’águadocontinenteafricano. II. A região metropolitana de São Paulo tem riscos devido ao desperdício, os vazamentosnadistribuição,ocomprometimentodosmananciaiseoelevado consumo,apesardasituaçãorelativamenteconfortáveldoBrasilemrelação a países como Índia e Peru. VENDA PROIBIDA
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    69 GE GEOGRAFIA 2018 III.AEuropaOriental,aChinaeoMéxicoapresentamriscosdeescassezmaiores doqueoBrasil,emrazãodeconsideráveiscontingentespopulacionaisem áreasurbanaseproduçãoindustrialdiversificada,setoresqueconsomem mais água do que a agropecuária em todo o mundo. Assinale a alternativa correta. a) Apenas a afirmação I está correta. b) Apenas a afirmação II está correta. c) Apenas a afirmação III está correta. d) Apenas as afirmações I e II estão corretas. e) Apenas as afirmações II e III estão corretas. RESOLUÇÃO AafirmaçãoIestáincorreta.Oriscodeescasseznasáreascitadaséelevadoemrazão da presença do clima desértico na região, exemplificado pela presença do extenso Deserto do Saara. Além, disso o Rio Nilo, embora não seja um rio intermitente, não é garantia de abastecimento aos países assinalados. A construção de barragens ao longodeseucursoparaageraçãodeenergiahidrelétricatambémpodeafetarofluxo daságuasdoNiloparaospaísesdaregião. AafirmaçãoIIécorreta,poisapontaosproblemasqueprejudicamaofertadeáguada região metropolitana de São Paulo, onde ocorrem desperdício e ocupação irregular dosmananciais,diminuindoaofertadeágua. AafirmaçãoIIIéincorreta.Apesardeapontaradequadamentequeosriscosdeescas- sez hídrica na Europa Oriental, na China e no México são maiores do que no Brasil, osetorquemaisconsomeáguaemescalamundialéoagropecuárioenãooindustrial. Resposta: B SAIBA MAIS GRANDES RESERVATÓRIOS DE ÁGUA MUNDO Veja a seguir quais são as principais bacias hidrográficas do mundo: 1. Yukon 2. Mackenzie 3. Nelson 4. Mississipi 5. St. Lawrence 6. Amazônica 7. Paraná 8. Níger 9.BaciadoLagoChade 10. Congo 11. Nilo 12. Zambezi 13. Volga 14. Ob 15. Yenisey 16. Lena 17. Kolyma 18. Amur 19. Ganges e Brahmaputra 20. Yangtze 21. Murray Darling 22. HuangHe 23. Indo 24. Tigre e Eufrates 25. Danúbio 26. Orange RESUMO Hidrosfera HIDROSFERAÉoconjuntodetodaaáguapresentenoplaneta, que corresponde a cerca de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos e cobre mais de 70% da superfície do globo. CICLO HIDROLÓGICO É o processo pelo qual a água circula entre a superfície da Terra e a atmosfera. A energia solar pro- voca a evaporação da água, que passa para o estado gasoso e chega à atmosfera. Esse vapor de água se transforma em nuvem, que se condensa, dando origem às chuvas. As gotas de água atingem os continentes e são escoadas para rios, lagos e oceanos e também se infiltram no solo. ÁGUA SALGADA A água salgada representa 97,5% de toda a hidrosfera. Esse volume se divide em oceanos e mares. Os oceanos são grandes áreas de água salgada delimitadas peloscontinentes.Osmaressãoblocosmenoresdeáguaesão classificados conforme sua relação com os oceanos. Podem ser de três tipos: abertos, continentais e fechados. ÁGUA DOCE Apenas 2,5% de toda a hidrosfera corresponde a água doce. Desse total, quase 70% estão congelados em geleiras ou calotas polares. O volume de água disponível para o consumo humano, presente em lençóis subterrâneos, lagos e rios, não chega a 1% da hidrosfera. BACIAS HIDROGRÁFICAS DO BRASIL O território brasileiro concentra mais de 12% da água doce superficial do planeta. O Brasil apresenta oito grandes regiões hidrográficas: Amazô- nica (a maior do mundo), dos rios Tocantins-Araguaia, do São Francisco, do Rio Parnaíba, do Rio Paraná, do Rio Paraguai, do Rio Uruguai e do Atlântico. ESCASSEZ DE ÁGUA A distribuição de água no planeta é irre- gular, com regiões onde há abundância (como a Amazônia) e outras que sofrem com a escassez (como trechos da África). Cerca de 2,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água limpa. Isso se deve principalmente ao mau gerenciamento das fontes naturais, como a ocupação ilegal dos mananciais. Além disso, há uma superexploração das reservas hídricas. Somente a agriculturaconsome69%daáguadocedisponível–aindústria absorve 21% e o uso doméstico representa 10%. ESCASSEZ DE ÁGUA NO BRASIL A água por aqui é abundante, mas mal distribuída. O Nordeste tem 28% da população, mas apenas3%daáguadisponível.Atualmente,asregiõesNordeste e Sudeste enfrentam grave escassez hídrica em função da falta de chuva e da má gestão das fontes de água. POLUIÇÃO DAS ÁGUAS Os rios e lagos são ameaçados pelo lançamentodedejetosindustriaiseagrícolas,esgotodoméstico e resíduos sólidos. Cerca de um terço da população mundial não dispõe de água suficiente para o saneamento básico. VENDA PROIBIDA
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    70 GE GEOGRAFIA2018 ATMOSFERA 4 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO Camadas da atmosfera..................................................................................72 Meteorologia .....................................................................................................73 El Niño e La Niña .............................................................................................76 Ciclone.................................................................................................................77 Climas do mundo.............................................................................................78 Climas do Brasil................................................................................................80 Poluição do ar ...................................................................................................82 Aquecimento global ........................................................................................84 Os efeitos das mudanças climáticas.........................................................86 Energias renováveis .......................................................................................88 Protocolo de Kyoto e Acordo de Paris .......................................................90 Como cai na prova + Resumo.......................................................................92 “O conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses e para os chineses com o objetivo de tornar a indústria dos Estados Unidos não competi- tiva.” A afirmação foi postada no Twitter em novembro de 2012 pelo magnata Donald Trump, o homem que, quatro anos depois, seria eleito presidente dos Estados Unidos (EUA). Con- siderado um cético das mudanças climáticas, Trump faz parte de um grupo de indivíduos que não acredita que a elevação da temperatura do planeta seja fruto da ação humana. De acordo com o novo presidente, as ações de contençãoaoaquecimentoglobalsãoumobstácu- loparaodesenvolvimentodaeconomiadosEUA. Porisso,nãocausousurpresaadecisãodeTrump derevisaroPlanodeEnergiaLimpa,emmarçode 2017.Lançadopeloseuantecessor,BarackObama, oplanorestringiaousodecombustíveisfósseisnas usinas termelétricas dos EUA e era considerado o principal legado ambiental do ex-presidente. Com o decreto assinado por Trump, as usinas podem voltar a utilizar carvão, petróleo e gás sem restrições. Além disso, o presidente dos EUA revogou a moratória sobre a mineração e a construção de novas usinas de carvão. Essas decisões tendem a impulsionar ainda mais a emissão de gases do efeito estufa pelos EUA. Outra preocupação dos ambientalistas diz respeito à promessa de Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris, o pacto contra o aque- cimento global firmado por 195 países em 2015. O objetivo do acordo é limitar o aumento da temperatura no final deste século. Para isso, os países signatários se comprometeram a adotar medidas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, a principal causa da elevação da temperatura. O compromisso, no entanto, é voluntário e cada país define sua meta. Aparticipaçãonorte-americananoAcordode Parisévitalparaqueopactotenhaêxito.Primeiro, porque os EUA são um dos maiores poluidores globais.Alémdisso,oacordoprevêqueospaíses ricos garantam um financiamento anual de 100 bilhõesdedólaresparaasnaçõesmaisvulneráveis investirememenergiaslimpas–eacontribuição dos EUA é essencial. Nestecapítulo,apro- fundamos a discussão acerca dos efeitos da ação humana sobre o aquecimento global e discutimos outros as- suntos referentes ao climaeàmeteorologia do Brasil e do mundo. Ao assumir a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump impulsiona o uso de combustíveis fósseis nas usinas termelétricas e ameaça abandonar o Acordo de Paris Um cético do clima no poder EFEITO TRUMP O presidente dos EUA, Donald Trump, apresenta o decreto que elimina as restrições ao uso de combustíveis fósseis pelas usinas norte-americanas, em março de 2017 VENDA PROIBIDA
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    71 GE GEOGRAFIA 2018 CARLOSBARRIA/REUTERS VENDA PROIBIDA
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    72 GE GEOGRAFIA2018 ATMOSFERA CAMADAS DA ATMOSFERA F oi da junção de duas palavras gregas, atmós (vapor) e sphaîra (esfera), que nasceu o nome da estrutura de gás que envolve um saté- lite ou planeta: a atmosfera. Na Terra, essa “esfera de vapores” é composta de diversas camadas e, em sua porção mais densa, chega a até 600 quilômetros de altitude a partir do nível do mar. É uma espessura considerável, mas quase ir- Vapor essencial Explore as diversas camadas da atmosfera, a invisível esfera de gás que envolve a Terra e garante a existência de vida no planeta risória se considerarmos o tamanho do globo terrestre, de aproximadamente 12,8 mil quilômetros de diâmetro. Mas, independentemente de sua espessura, a atmosfera é essencial para a vida. Além de conter o oxigênio que respiramos, ela mantém a Terra quente, protege os seres vivos dos raios ultravioleta vin- dos do Sol e funciona como um escudo contra meteoritos. Há vários critérios pelos quais pode- mos classificar a atmosfera. A divisão mais conhecida, feita de acordo com as variações de temperatura conforme a altitude,reparteaatmosferaemcincoca- madasdistintas:troposfera,estratosfera, mesosfera,termosferaeexosfera.Vejaas principais características de cada uma: AS CAMADAS DA ATMOSFERA MESOSFERA A camada mais fria da atmosfera fica entre 50 e 90 quilômetros de altitude. Sua temperatura diminui conforme subimos: parte de -15 0 C na divisa com a estratosfera e chega a -120 0 C. É onde ocorrem as estrelas cadentes. TROPOSFERA A camada inferior da atmosfera vai do nível do mar até cerca de 12 quilômetros de altitude. Sua temperatura atinge -60 ºC na parte superior. Nessa faixa acontece a maioria dos fenômenos climáticos. ESTRATOSFERA Vai até 50 quilômetros acima do nível do mar. Sua temperatura sobe com o aumento de altitude: começa em -60 ºC e vai até -15 ºC. É onde fica a camada de ozônio. TERMOSFERA Camada mais extensa da atmosfera, ela parte dos 90 e chega aos 600 quilômetros de altitude. Também é a mais quente: na parte superior, chega a 2.000 0 C. É nessa faixa que orbitam os ônibus espaciais. FAIXAS DE TRANSIÇÃO Entre as camadas da atmosfera, há regiões fronteiriças que apresentam características de transição. São elas: a tropopausa, a estratopausa, a mesopausa e a termopausa. 600 km 2.000˚C 90 km -120˚C 50 km -15˚C 20 km -60˚C CAMADA DE OZÔNIO ESTRATOPAUSA TERMOPAUSA Balões meteorológicos Poluentes Reflexão das ondas de rádio Balões tripulados Monte Everest 8.844 m Nuvens geradas por explosões atômicas Aviões a jato Satélite artificial Estação espacial Cortinas iluminadas Estrelas cadentes [1] TROPOPAUSA MESOPAUSA EXOSFERA É a última camada da atmosfera, na fronteira com o espaço sideral. Nela, as moléculas tornam-se cada vez mais rarefeitas, libertando-se da gravidade terrestre. O final da exosfera pode chegar a 10 mil quilômetros. As medições indicam que a temperatura dessa região fique em torno de 1.600 0 C. VENDA PROIBIDA
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    73 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERAMETEOROLOGIA A meteorologiaéaciênciaqueestudaaatmos- feraterrestreeseusprincipaisfenômenos. Trata-se de uma ciência muito complexa, já que a atmosfera é bastante extensa e instável. Mas o grau de precisão da previsão do tempo evoluiu muito desde a construção dos primeiros termômetros no século XVI. Os meteorologistas contam hoje com instrumentos como satélites, radares, boias marítimas e balões atmosféricos paraestudarosmaisvariadosfenômenosatravés da análise de dados em supercomputadores. Osboletinsmeteorológicossãoessenciaispara ocontroledotráfegodeaviões,paraaagricultura, paraogerenciamentoderecursoshídricosepara situações menos rotineiras, como a chegada de furacões. A seguir, confira um mapeamento dos principais fenômenos atmosféricos estudados pelos meteorologistas. Tudo o que vem do céu Conheça os fenômenos que movimentam a atmosfera terrestre e são objeto de estudo dos meteorologistas Nuvem É um agregado de gotículas de água, de cristais de gelo, ou uma combinação dos dois. As nuvens são formadas principalmente pelo movimento ascendente do ar úmido: o vapor-d’água conden- sa quando a temperatura diminui até o ponto de orvalho. Elas são classificadas em vários tipos, de acordo com o aspecto, a estrutura e a forma. Chuva É a precipitação de água em forma líquida, com gotas de diâmetro maior que 0,5 milímetro. Existem três tipos de chuva. A chuva de convecção é resultante da as- censão do vapor-d’água das partes mais baixas da atmosfera – mais aquecido, ele esfria e se condensa à medida que sobe. É o caso das pan- cadas de chuva que ocorrem durante o verão na região Sudeste do país. A chuva frontal é o resultado do encontro de duas massas de ar de diferentes temperaturas e umidades: a massa fria e seca empurra para cima a massa quente e úmida, que esfria e provoca a precipitação. Esse tipo de chuva é típico das regiões de clima temperado. A chuva orográfica ou de relevo ocorre quando a massa de ar sobe por causa de algum obstáculo de relevo, como uma montanha – a FECHOU O TEMPO Tempestade se aproxima de Queensland, na Austrália, trazendo chuvas intensas e descargas elétricas: fenômeno comum em regiões de clima tropical [2] [1] MKANNO/MULTISP [2] iSTOCK PHOTO VENDA PROIBIDA
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    74 GE GEOGRAFIA2018 ATMOSFERA METEOROLOGIA queda de temperatura, na ascensão, provoca a condensação do vapor. Essa chuva é comum nas áreas próximas ao litoral do Nordeste e do Su- deste, que recebem massas úmidas do Atlântico. Neve, granizo e geada Um dos mais belos fenômenos atmosféri- cos, a neve é fruto da precipitação de cristais de gelo, geralmente agrupados em flocos, que são formados pelo congelamento do vapor- -d’água suspenso na atmosfera. O granizo, por sua vez, é o cristal de gelo que, por causa de fortes correntes ascendentes dentro da nuvem, acaba subindo e caindo várias vezes, até ganhar volume e se precipitar de vez. Por fim, a geada nada mais é que orvalho congelado, que, sob a forma de uma fininha camada branca, cobre as superfícies onde cai. Vento Trata-se do deslocamento de ar, geralmente na horizontal, de um ponto de pressão atmosférica mais alta para outro onde ela é mais baixa. As diferenças de pressão, causadoras dos ventos, estão relacionadas à temperatura. A brisa nas regiões litorâneas é um bom exemplo disso: o continente e o mar concentram calor de ma- neiras diferentes, e isso faz o vento mudar de direção conforme o período do dia. Massa de ar Trata-sedeumcorpodearcomcaracterísticas próprias de umidade, pressão e temperatura. Essas características dependem das diferentes regiões da superfície terrestre em que as massas se formam: caso ocorra nos polos, serão frias e secas; se se formarem nas áreas oceânicas tropicais, serão quentes e úmidas. A borda de uma massa de ar frio que avança em direção a outra mais quente, provocando quedas bruscas de temperatura, é chamada de frente fria. Trata-se de um mecanismo natu- ral da atmosfera para compensar diferenças de temperatura no planeta. Avançando com velocidades de até 30 km/h, o ar frio e seco, mais denso, empurra a massa quente e leve para cima. Se houver umidade suficiente, a passagem da frente causará chuvas intensas, com direito a granizo, raios e trovões. As mais severas podem provocar quedas de até 10 ºC em apenas uma hora. No Brasil, as regiões mais atingidas pelo fe- nômeno são a Sudeste e a Sul, onde também podem ocorrer geadas. Isso acontece porque, na América do Sul, a maioria das frentes frias se origina nas latitudes médias, ao extremo sul do continente. Com seu avanço, contudo, as frentes perdem energia e velocidade, e o contato VENTOS ALÍSIOS E A ZONA DE CONVERGÊNCIA A circulação dos ventos em escala global tem grande influência nos tipos de clima, sobretudo na circulação das massas de ar e, consequentemente, na formação e no volume das chuvas nas diferentes regiões do globo. Toda essa troca de ar entre as camadas mais baixas e mais altas da troposfera, bem como entre diferentes latitudes, dão origem a “células” de circulação do ar em escala global, denominadas células de Hadley. Nas baixas latitudes, em regiões próximas à linha do Equador, o ar tende a subir por ser mais aquecido e menos denso. No alto da troposfera, essas cor- rentes de ar são impulsionadas para latitudes maiores, próximas aos trópicos de Câncer e Capricórnio, onde se resfriam e tornam a descer para a superfície, em direção à região equatorial. Esses ventos, denominados alísios, são úmidos e provocam chuva. Os alísios sofrem um desvio em função do movimento de rotação da Terra: no Hemisfério Sul, eles vêm do sudeste e, no Hemisfério Norte, partem do nordeste. Esse fenômeno é conhecido como efeito de Coriólis. Nas latitudes maiores, ocorrem movimentos semelhantes, porém com sentido contrário ao da região intertropical. A faixa onde ocorre o encontro dos ventos alísios provenientes do Hemisfério Norte e do Hemisfério Sul é denominada Zona de Convergência dos Ventos Alí- sios. Essa faixa não está exatamente sobre a linha do Equador pois acompanha a variação das estações do ano: quando é verão no Hemisfério Norte, ele se forma mais ao norte e, ao contrário, move-se mais para o sul quando é verão nesse hemisfério. A Zona de Convergência, associada a outros fatores, como a temperatura das águas oceânicas e a circulação das massas de ar locais, pode favorecer a formação de chuvas, visto que é onde se encontram os ventos úmidos dos dois hemisférios na região intertropical. Veja na ilustração abaixo como são formados os ventos alísios: Células de Hadley Zona de camadas equatoriais NE Ventos alísios SE Ventos alísios 0º 30º 60º 60º 30º Células de Hadley com o solo quente reduz o frio das massas de ar. Por isso, é tão raro uma frente fria chegar até o Nordeste. Já a frente quente é a extremidade de uma massadearquentequeseformapelaevaporação da água de correntes marítimas quentes – essas massas de ar elevam a temperatura e a umidade nas regiões que elas atingem. [1] VENDA PROIBIDA
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    75 GE GEOGRAFIA 2018 SAIBAMAIS AS MASSAS DE AR QUE ATUAM NO BRASIL As massas de ar têm influência direta nos tipos de clima no Brasil. Devido à localização do país no globo, predominam as massas equatoriais e tropicais. Porém, no inverno ocorre a atuação da massa Polar Atlântica em grande parte do território brasileiro. Veja a seguir como se caracteriza cada uma dessas massas. [1] ALEX ARGOZINO A ATUAÇÃO DAS MASSAS DE AR NO BRASIL DURANTE O VERÃO E O INVERNO MASSAS DE AR ATUANTES 0 250 500 750 km Oceano Atlântico Oceano Atlântico AC AM RR PA AP RO MT MA TO PI CE BA MG GO MS SP PR SC RS RJ ES SE AL PE PB RN 0 250 500 750 km Oceano Atlântico Oceano Atlântico AC AM RR PA EC EA EA EC PA TA TC TA AP RO MT MA TO PI CE BA MG GO MS SP PR SC RS RJ ES SE AL PE PB RN VERÃO INVERNO TA Tropical Continental Forma-se em uma região de clima tropical mais seco, no semiárido da região conhecida como Chaco, no Paraguai. Por isso, a massa Tropical Continental caracteriza-se como quente e seca. Ela atua durante o verão nas regiões Sul e Centro-Oeste, sendo responsável pela ocorrência de estiagens, sobretudo no oeste de Santa Catarina e do Paraná e no noroeste gaúcho. Tropical Atlântica Forma-se sobre o sul do Oceano Atlântico e é caracterizada como uma massa quente e úmida. Atua diretamente sobre a porção leste do Brasil nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, sendo responsável, por exemplo, pelas chuvas orográficas (de relevo) nas encostas das serras litorâneas, como a Serra do Mar, na Região Sudeste. Equatorial Continental Origina-se na região amazônica, onde as elevadas temperaturas e a umidade proveniente da evapotranspiração (liberação de água pelas plantas) e da evaporação de rios e lagos a tornam quente e úmida. Sua influência atinge grande parte do território nacional durante o verão no Hemisfério Sul, transferindo umidade da Floresta Amazônica para regiões de clima tropical e semiárido. No inverno no Hemisfério Sul, essa massa perde força e sua atuação se restringe à Região Norte. EC Equatorial Atlântica Esta massa também tem origem na região equatorial, mas ela surge sobre o Oceano Atlântico. O elevado índice de evaporação das águas quentes do Atlântico central torna esta massa de ar quente bastante úmida. De modo geral, a massa Equatorial Atlântica atinge a Região Norte e a faixa costeira da Região Nordeste. Sua incidência está relacionada à variação das estações: durante o verão do Hemisfério Sul encontra-se mais ao sul e, quando o Hemisfério Norte está no verão, desloca-se mais para o norte. EA TC Polar Atlântica Forma-se sobre o Oceano Antártico e sobre o extremo sul do Oceano Atlântico. Em sua origem, a massa Polar Atlântica é fria e seca devido aos baixos índices de evaporação da água nessas regiões oceânicas. À medida que se desloca para o norte e atravessa outras áreas do oceano, penetrando no continente, ela provoca chuvas com a formação de frentes frias. Com o avanço dessa massa polar, o ar úmido e mais quente (menos denso) que se encontra nas regiões por onde ela passa é forçado a subir, formando nuvens de chuva (chuvas frontais). Essa massa de ar pode chegar, ainda que com menor intensidade do que nas regiões Sul e Sudeste, até as regiões Norte e Centro-Oeste, onde a queda de temperaturas que ela provoca é denominada friagem pela população regional. Esse deslocamento até a Região Norte ocorre graças à configuração do relevo, com planícies ao centro (Planície Platina e do Chaco, por exemplo), uma cadeia de montanhas a oeste (Cordilheira dos Andes) e os planaltos brasileiros a leste, formando uma espécie de corredor para esta massa de ar. PA VENDA PROIBIDA
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    76 GE GEOGRAFIA2018 ATMOSFERA EL NIÑO E LA NIÑA EFEITOS DOS FENÔMENOS EL NIÑO E LA NIÑA NA AGRICULTURA BRASILEIRA Região El Niño La Niña Norte Secas acentuadas, principalmente no leste da Amazônia: aumento do risco de incêndios florestais e prejuízos para a produção agropecuária. Tendência ao aumento de chuvas no norte e leste da Amazônia; chuvas normais no inverno, sem prejuízos à agropecuária. Nordeste Secas severas: perdas na agricultura, na pecuária, na geração de energia elétrica e dificuldades para o abastecimento de água. Chuvas acima da média sobre a região semiárida, favorecendo a agricultura de subsistência e a pecuária. Centro-Oeste Sem efeitos evidentes, exceto tendência de aumento das chuvas no sul do MS, que favorecem a produção de grãos. Não há alterações significativas de temperatura e pluviosidade. Sudeste Leve aumento das temperaturas (redução das geadas, que prejudicam culturas como o café) e sem alterações significativas na pluviosidade. Não há alterações significativas de pluviosidade, com leve queda nas temperaturas no inverno, que não interferem na colheita da cana e do café. Sul Excesso de chuvas na primavera e começo de verão, no ano inicial do evento, e final de outono e começo de inverno. Beneficia as culturas de verão, como soja e milho. Chuvas abaixo do normal, com estiagens severas na parte oeste dos estados da região, prejudicando as culturas de verão, como soja e milho. A primavera seca favorece a produção de trigo. Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Presente de Natal Entenda os fenômenos do El Niño e de La Niña e de que forma eles afetam o clima mundial B atizado em referência ao Menino Jesus, por ocorrer em geral no fim do ano, à época do Natal, o El Niño (“o menino”, em espanhol) é um fenômeno de aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico les- te, na costa da América do Sul (para entender melhor, acompanhe o processo no infográfico). É denominado, pelos cientistas, de Enos, sigla para El Niño Oscilação Sul. OElNiñoéfrutodoenfraquecimentodosventos alísios, que normalmente sopram de leste para o oestepeloPacífico1–issofazqueaáguaaquecida naregiãoequatorialnãosejalevadaemdireçãoà Indonésia,comodecostume.Comisso,asmassas de ar quentes e úmidas ficam estacionadas na costasul-americana,provocandochuvasintensas nessa área 2 e, ao mesmo tempo, seca na Indo- nésia, Austrália e em outras regiões. Na verdade, o clima de todo o planeta é alterado. O El Niño, que ocorre em média uma ou duas vezes a cada dez anos, também altera o ecossistema marinho. Como não há o deslocamento das águas quentes da superfície, as águas profundas, que são mais frias e carregadas de nutrientes, não conseguem vir à tona, na ressurgência 3– a população de peixes, por exemplo, diminui drasticamente 4. Há,ainda,ocasodoLaNiña,fenômenooposto ao El Niño: em vez de as águas do Pacífico les- te se aquecerem, elas esfriam. Isso acontece porque os ventos alí- sios, que carregam a águaquenteparaooes- te,ficammaisintensos. Consequentemente,as águas quentes da su- perfíciesãodeslocadas em maior quantidade para o oeste e mais águafriavemàtona5. Atemperaturadoocea- no diminui na região próxima à costa oeste da América do Sul, e o clima fica mais úmido na Austrália e Indoné- sia,porcausadasmas- sas de ar quentes. ANO NORMAL ANO COM LA NIÑA Costa da Indonésia Costa da América do Sul Costa da Indonésia Costa da América do Sul Ventos alísios Ventos alísios mais fortes Oceano Pacífico Oceano Pacífico Fortes chuvas Água fria Água aquecida Ressurgência da água fria Forte ressurgência da água fria Água aquecida 1 3 ANO COM EL NIÑO Costa da Indonésia Costa da América do Sul Ventos alísios mais fracos Oceano Pacífico Água fria Água aquecida 2 4 5 [1] VENDA PROIBIDA
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    77 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERACICLONE De olho no ciclone Entenda como se forma a ventania arrasadora que pode deixar milhares de mortos O s ciclones são uma perturbação atmosférica no centro da qual a pressão é muito baixa, provo- cando ventos circulares com velocidade superior a 119 quilômetrosporhora. Ele ocorre nas regiões tropicais, sobre os mares quentes, podendo causar grande destruição quando atinge o continente. Denominações Embora furacão, tufão e tornado se- jam palavras comumente usadas como sinônimos de ciclone, há uma pequena diferença entre elas. A distinção entre os termos refere-se mais a uma questão de localização. De modo geral, o ciclone que se forma sobre o Oceano Atlânti- co é chamado de furacão, enquanto o que se forma sobre o Oceano Pacífico é conhecido como tufão. Por fim, há o caso dos tornados, que surgem sobre o continente, após o choque de uma massa de ar quente com outra de ar frio – a ventania toma a forma de um cone invertido e sai num turbilhão ar- rasador com velocidades de até 500 quilômetros por hora. O desastre do ciclone Bhola Para quem já assistiu – e sobreviveu – à passagem de um ciclone, a experiência pode ser aterradora. Em Bangladesh, na Ásia, por exemplo, um desses turbilhões arrasou o país em 13 de novembro de 1970. O redemoinho nasceu no golfo de Bengala e avançou para a costa, criando ondas de até 6 metros. Elas invadiram a densamente povoada região do delta do Rio Ganges, matando cerca de 500 mil pessoas – 100 mil só na ilha de Bhola (nome que batizou o ciclone). Foi o pior desastre natural do século XX. Para nossa sorte, o Brasil não sofre com esse tipo de fenômeno. Tudo graças às baixas temperaturas das águas do Atlântico Sul. FAIXAS DE TEMPESTADE O FURACÃO POR DENTRO Olho AR QUENTE E ÚMIDO Uma densa nuvem cobre o furacão VENTO OESTE Quando as nuvens atingem cerca de 5 mil metros de altura, começa a chover. Nesse ponto, o ar seco ascendente encontra as nuvens, resfria-se, ficando mais pesado, e desce pelo olho do furacão. Esse ar, ao chegar à superfície do mar, vai formar novas nuvens 4 O furacão começa com a combinação de dois fatores: ar quente e úmido e a água aquecida dos oceanos das regiões tropicais 1 27 ˚C O atrito das correntes de ar com a superfície do mar faz que os ventos e as nuvens girem de oeste para leste, no sentido de rotação da Terra. O ar mais quente vai subindo numa espiral pelo olho do furacão 3 As correntes de ar se aquecem em contato com a água, ficam mais leves e sobem, formando as primeiras nuvens. Enquanto sugam energia das águas quentes, essas correntes vão circulando em direção ao olho do furacão – região de baixa pressão no centro 2 O ciclone passa a se deslocar quando ventos externos sopram na direção oeste em grande velocidade. Se ele chegar ao continente e encontrar a umidade do ar baixa, as nuvens se desfazem e – ufa! – o vendaval acaba 5 A tempestade começa com um emaranhado de nuvens… …que vai girando de modo coordenado… …até formar uma espiral de nuvens… …em torno do olho do furacão (zona de baixa pressão, no centro) e ganhar mais velocidade VEJA A SEGUIR COMO SE FORMA UM CICLONE [1] [2] MULTI/SP [2] VENDA PROIBIDA
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    78 GE GEOGRAFIA2018 ATMOSFERA CLIMAS DO MUNDO O clima da Terra é influenciado por vários fatores, entre eles latitude, pressão atmosférica, altitude, relevo, vegetação, massas de ar, maritimidade (proximidade de um local em relação ao mar), continentali- dade (distância de um ponto em relação ao mar) e correntes marítimas. As áreas em torno da linha do Equa- dor, que recebem forte insolação, têm predominantemente clima equatorial, marcado por altas temperaturas e umi- dade. Já as regiões de latitudes mais elevadas, próximas aos polos, registram clima frio ou polar, com invernos rigo- rosos e temperaturas baixas. Nomapa,vocêconfereasmaisimpor- tantescorrentesmarítimas,osprincipais tipos de clima, segundo a classificação de Wilhelm Köpen, a mais aceita atu- almente, e as três principais zonas cli- máticas. Veja a seguir as características dosprincipaistiposdeclimadoplaneta. Equatorial Quente e úmido durante o ano todo, está presente na região da linha do Equador e nas áreas de baixa latitude, Diversidade climática Conheça as características dos dez principais grupos de clima do planeta como a América Central, a Indoné- sia, a região central da África e o norte do Brasil. A umidade relativa do ar é elevada, com média anual de 90%, e a chuva é abundante durante o ano todo. A temperatura também é alta e estável, com média anual de 25 ºC. Tropical Fica nas áreas entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, cobrindo grande parte do território brasileiro e do continente africano, Índia, Península da Indochina e norte da Austrália. O clima é quente, com média anual supe- rior a 20 ºC. As chuvas são intensas no verão e, no resto do ano, ocorrem mais nas regiões próximas ao mar. No Sudeste Asiático, destacam-se as chuvas de monções, tempestades torrenciais provocadas pelo vento úmido que sopra do oceano. Quando começa o verão, o continente se es- quenta rapidamente, formando uma zona de baixa pressão, e as massas de ar do oceano trazem as chuvas. Essa dinâmica, comum em outros pontos do planeta, tem maiores proporções nessa região em virtude da vastidão de terra (o continente asiático) e de mar (os oceanos Índico e Pacífico) envolvidas no fenômeno. Mediterrâneo É o clima predominante no sul da Europa. Os verões são quentes e secos – a temperatura chega a 30 ºC – e os invernos, moderados e com um pouco de chuva. As mínimas de temperatura podem atingir 0 ºC. Temperado Também de latitudes médias, o tem- perado está presente nas áreas da Amé- rica do Norte, da Europa e do leste da Ásia. No temperado continental, o inverno é muito rigoroso e o verão é quente – as médias de temperatura são -5 ºC e 24 ºC, respectivamente. As chu- vas são escassas, sobretudo no inverno. A continentalidade justifica a umidade relativa do ar mais baixa e a grande amplitude térmica anual nesses locais. Já o temperado oceânico está pre- sente no oeste e no noroeste da Europa. As chuvas são abundantes durante o Corrente fria Corrente quente CORRENTES MARÍTIMAS TIPOS DE CLIMA (adaptação da classificação de Köpen) Mediterrâneo Temperado Subtropical Semiárido Frio de montanha Tropical Desértico Frio Polar Equatorial ZONAS CLIMÁTICAS Polar Polar Intertropical Polar Polar Temperada Temperada MAPA MUNDIAL DO CLIMA E CORRENTES MARÍTIMAS DEU BRANCO Nevascas em países de clima temperado, como o Canadá, são comuns no inverno APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA SOBRE CLIMAS (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7) VENDA PROIBIDA
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    79 GE GEOGRAFIA 2018 ano,eastemperaturasnãosofremmuita variação– os invernos são frios (média de -3 ºC) e os verões, frescos (média de 15 ºC). A proximidade com o mar (ma- ritimidade) é um fator que influencia a baixa amplitude térmica e as chuvas bem distribuídas durante o ano. Subtropical É outro clima de latitudes médias, que se caracteriza como uma faixa de transição entre os climas tropicais e os mais frios. Está presente nas regiões ao sul do trópico de Capricórnio (sul de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e na região leste dos Estados Unidos. A quantidade de chuva não varia muito durante o ano, mas as temperaturas mudam bastante: o inverno é frio e o verão, quente. Desértico Ocorre em regiões como o Saara, o centro da Austrália, norte do México e sul dos EUA. O índice pluviométrico é baixíssimo: a média anual de preci- pitação é inferior a 250 milímetros, o equivalente a aproximadamente um mês de chuva no clima equatorial. A umidade relativa do ar também é mui- to baixa, cerca de 40%. A amplitude térmica diária é elevada: de dia, a tem- peratura ultrapassa os 40 ºC e, à noite, chega a graus negativos. Semiárido Clima seco, presente na Ásia Central (Cazaquistão, no interior da China e Mongólia), na Patagônia e no planalto oeste das Montanhas Rochosas (EUA). A precipitação é escassa e irregular, com longos períodos de estiagem, não ultrapassando os 600 milímetros por ano. As temperaturas são elevadas du- rante o ano, com média entre 25 ºC e 27 ºC. No Brasil localiza-se no chamado Polígono das Secas. Frio de montanha Ocorre nas cadeias de montanhas ao redor do globo: áreas elevadas dos Andes, Montanhas Rochosas, Alpes e Himalaia. É um clima frio, com tem- peratura que diminui 6 ºC a cada mil metros de altitude. Acima dos 2 mil metros, há neve constante. A umidade relativa do ar varia conforme o lado da cadeia: a média é de 90% do lado do vento (barlavento), caindo para até 30% do lado contrário (sotavento). A quantidade de precipitação também é variável, chegando a 2 mil milímetros por ano nas regiões tropicais. Frio É o clima do norte do Canadá e da Sibéria, na Rússia. O inverno é bastante rigoroso e prolongado, com mínima de -15 ºC, e o verão, brando e curto, com temperatura máxima de 10 ºC. A precipitação é escassa, menos de 300 milímetros por ano. Polar Éoclimacomasmenorestemperatu- rasdoplaneta:noinverno,elapermane- ce em torno de -30 ºC e, no verão, a mé- dia é de 4 ºC. Está presente no extremo norte do Canadá, da Rússia e do Alasca, em parte da Península Escandinava e na Antártica. A umidade relativa do ar é alta, entre 70% e 80%, mas a precipi- tação, bastante reduzida: cerca de 100 milímetrosdeneveacumuladosaoano. ANTÁRTICA OCEANIA ÁFRICA EUROPA ÁSIA AMÉRICA OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO CÍRCULO POLAR ÁRTICO TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CÂNCER EQUADOR Fonte: IBGE C. Norte Equatorial C. Sul Equatorial C. de Humboldt C. do Brasil C . d a s F a l k l a n d C. Circumpolar da Antártica C. da Antártica C. da Antártica C. Australiana C. de Benguela C. Sul Equatorial C. Sul Equatorial C. Norte Equatorial C. do Japão C. Oia Sivo C. das Monções C. de Madagáscar C. Sul Equatorial C. da Guianas C. Norte Equatorial C. do Golfo C. das Canárias C. Norte Atlântica C. da Groenlândia C. do Labrador C. do Atlântico Sul C. da Califórnia C. do Pacífico Norte CORRENTE FRIA E DESERTO As correntes marítimas são grandes deslocamentos de massas de água que influenciam o clima. No Chile, a fria Corrente de Humboldt provoca chuvas no Oceano Pacífico. Comisso,amassadearchegasemumidadeaocontinente, o que explica a aridez do Deserto do Atacama. CHUVAS DE MONÇÕES Trata-se de um fenômeno típico do Oceano Índico e do Sudeste Asiático. Elas têm origem na grande diferença de temperatura das águas do mar e do continente durante o verão. Um vento contínuo leva a umidade do oceano e a transforma em fortes chuvas sobre o continente. iSTOCK PHOTO VENDA PROIBIDA
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    jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Clima equatorial Temperatura (o C) Precipitação(mm) 1. MANAUS Clima tropical Temperatura (o C) Precipitação (mm) 2. GOIÂNIA 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 1. Equatorial 2. Tropical 3. Semiárido 4. Tropical de altitude 5. Tropical atlântico 6. Subtropical 80 GE GEOGRAFIA 2018 ATMOSFERA CLIMAS DO BRASIL M esmo sendo conhecido como “um país tropical”, com mais de 90% do território entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, o Brasil também compreende variações climáticas. Os tipos de clima no país são definidos com base em critérios diversos, mas, sobretudo, a partir da quantidade de chuva e da temperatura média no decorrer do ano. Essas informações aparecem juntas em um gráfico denominado climo- grama, que você vê acima. A leitura dele pode parecer complicada, mas é bastante simples: as barras representam a média pluviométrica no mês, expressa em milímetros; já as linhas indicam a temperatura média mensal, em graus Celsius. O climograma permite a identificação de cada um dos climas e até uma dife- renciação entre eles. Uma comparação interessante, por exemplo, é a do clima equatorial com o do semiárido. A princípio, eles podem parecer semelhantes por causa da temperatura média, que oscila em torno de 26 ºC. Porém, ficam claramente diferentes quando observamos as barras que indicam o índice pluviométrico de cada um: enquanto no clima equatorial chove abundantemente durante o ano todo, no semiárido, o índice pluviométrico é muito baixo e distribuído de forma irregular. Confira a seguir as principais características dos seis principais tipos climáticos do Brasil, além de alguns climogramas a eles relacionados. Muito além de tropical Apesar de o nosso país estar localizado quase inteiramente entre os trópicos, o clima do Brasil apresenta muitas variações 1.Clima equatorial Fica nas proximidades da linha do Equador,abarcandoaAmazônia,nortede MatoGrossoeoestedoMaranhão.Chove duranteoanotodo,eemgrandequanti- dade; é bastante úmido e a temperatura varia pouco no decorrer do ano, com média de 26 ºC. O climograma 1 acima traz informações sobre a pluviosidade e a temperatura da cidade de Manaus (AM), localizada nessa faixa de clima. Reparecomo,nográfico,aquantidadede precipitação (representada pelas barras verticais) é bem alta, atingindo mais de 300 milímetros no mês de março, com apenas uma pequena queda no meio do ano (em julho, agosto e setembro), quandoficaabaixodos100milímetros.A pequenavariaçãodetemperatura,típica do clima equatorial, também pode ser vista no climograma de Manaus: a linha horizontal,formadapelastemperaturas médiasdecadamês,quasenãosobenem desce, ficando em torno dos 26 0C. 2.Clima tropical Predominantenoterritóriobrasileiro, pega toda a faixa do centro do país, leste MAPA DE CLIMAS DO BRASIL RECANTO GELADO As mais baixas temperaturas no país são registradas na Região Sul, a única com clima subtropical. As temperaturas médias anuais são inferiores a 21 0 C. MÁXIMA E MÍNIMA A temperatura máxima oficial no país foi registrada em Bom Jesus do Piauí, em 21 de novembro de 2005. Os termômetros chegaram a 44,7 o C. A mínima foi na cidade de Caçador, em Santa Catarina: -14 o C, em 30 de junho de 1952. CHUVAS DE VERÃO As tempestades que costumam atingir a Região Sudeste durante o verão são causadas pelo encontro de duas massas de ar que formam a zona de convergência do Atlântico Sul. VENDA PROIBIDA
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    jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 Clima semiárido Temperatura (o C) Precipitação(mm) 3. JUAZEIRO Clima tropical de altitude Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 4. BELO HORIZONTE 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 400 350 300 250 200 150 100 50 0 30 25 20 15 10 Clima tropical atlântico Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 5. JOÃO PESSOA Clima tropical atlântico Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 5. RIO DE JANEIRO Clima subtropical Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 6. CURITIBA 81 GE GEOGRAFIA 2018 do Maranhão, Piauí e oeste da Bahia e de Minas Gerais. Inverno e verão são estações bem marcadas pela diferença de pluviosidade: o verão é bastante chu- voso e há seca no inverno. No climo- grama2, de Goiânia (GO), conseguimos enxergar essa diferença pela variação na altura das barras de precipitação: em julho, a precipitação chega a quase zero e, em janeiro, ultrapassa 250 milíme- tros. A temperatura no clima tropical, de modo geral, é alta, caindo um pouco nos meses de inverno; a média fica entre 18ºCemlocaisdeserrae28ºCnamaior parte do território. 3.Clima semiárido É o clima das zonas mais secas do interior do Nordeste. Caracteriza-se pela baixa umidade, pouca chuva e temperaturas elevadas. O climogra- ma 3, referente à cidade baiana de Juazeiro, na divisa com Pernambuco, representa graficamente essas carac- terísticas: note que entre julho e se- tembro as barrinhas de precipitação são bastante baixas – em agosto a mí- nima de chuva chega a 1,7 milímetro. A chuva se concentra entre os me- ses de novembro e abril, mas o total anual de precipitação não chega a 550 milímetros – o volume é inferior ao atingido em apenas dois meses (fe- vereiro e março) no clima equatorial. Já a linha de temperatura varia entre 24,5 ºC e 28,5 ºC durante o ano, médias térmicas bastante elevadas. 4.Clima tropical de altitude Éoclimadasáreascomaltitudeacima de 800 metros em Minas Gerais, no Es- pírito Santo, no Rio de Janeiro e em São Paulo.Osverõessãoquentesechuvosos, eosinvernos,friosesecos.Issopodeser visto no climograma 4, que mostra as médias de temperatura e pluviosidade de Belo Horizonte (MG). No inverno, as barras de chuva atingem o mínimo de cerca de 10 milímetros e, no verão, passam de 300 milímetros. Em compa- ração com o clima tropical, o tropical de altitude tem o mesmo comportamento pluviométrico, mas as médias anuais de temperatura são menores, ficando em torno dos 20 ºC – no inverno, as tem- peraturas são bem mais baixas. 5.Clima tropical atlântico Esse clima cobre quase todo o lito- ral do país: começa no Rio Grande do Norte e vai até o Paraná. A quantidade de chuvas varia conforme a latitude da localidade. Por exemplo, enquanto no Nordeste chove muito no inverno, no Sudeste chove mais no verão, como pode ser visto nos climogramas 5 de João Pessoa (PB) e do Rio de Janeiro (RJ). A variação de temperatura é maior na porção mais ao sul do litoral. No Rio de Janeiro, oscila entre 21,5 ºC e 26,5 ºC e, em João Pessoa, entre 24 ºC e 28 ºC. 6.Clima subtropical É o clima das regiões ao sul do Tró- pico de Capricórnio: sul de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A quantidade de chuva não varia muito durante o ano, mas as temperatu- ras mudam bastante: o inverno é frio e o verão, quente. No climograma 6, que representa Curitiba (PR), por exemplo, a temperatura oscila entre 12,5 ºC e 20 ºC, enquanto as barras de precipi- tação apresentam pouca variação (a média anual é de 110 milímetros). VENDA PROIBIDA
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    82 GE GEOGRAFIA2018 ATMOSFERA POLUIÇÃO DO AR A poluiçãodoaréprovocadaprincipalmen- te pela queima de combustíveis fósseis nos transportes e na geração de energia elétrica e pela atividade industrial. Dióxido de carbono (CO2 ), monóxido de carbono (CO) e hidrocarbonetos(HC)sãoalgunsdospoluentes maisemitidos.Vejaaseguiralgunsdosefeitosmais comuns provocados pela emissão desses gases. Buraco na camada de ozônio O aparecimento de buracos na camada de ozônio é um processo natural, já que, em certas épocas do ano, reações químicas na atmosfera produzem aberturas, que depois se fecham. O ozônio absorve parte da radiação ultravioleta B (UVB) emitida pelo Sol. Sem ela, as plantas teriam redução na capacidade de fotossíntese e haveria maior incidência de câncer de pele e catarata. A atividade humana, porém, acentuou o processo. As reações que destroem o ozônio são intensificadas pela emissão de compostos químicos halogenados artificiais, sobretudo os clorofluorcarbonos (CFCs), criados nos anos 1930 e usados como fluidos refrigerantes em geladeiras, aparelhos de ar condicionado e como propelente de aerossóis. A boa notícia é que, nos últimos anos, acordos internacionais levaram ao fim da produção das substâncias nocivas à camada de ozônio. Estu- dos recentes indicam que o buraco na camada de ozônio atualmente está 9% menor do que no ano2000.Noentanto,desde2010,otamanhodo rombonãodiminui–são23milhõesdequilôme- tros quadrados, área equivalente à da América do Norte. A perspectiva, segundo a Organização MundialdeMeteorologia,équeacamadadeverá voltar à espessura original por volta de 2050. Atmosfera carregada A emissão de poluentes no ar causa uma série de efeitos nocivos ao homem e à natureza Fonte: Nasa 1979 1987 2006 2016 CORTINA DE FUMAÇA Um denso nevoeiro paira sobre as ruas de Krabi, na Tailândia: efeito do dióxido de carbono liberado pelas queimadas na Indonésia EVOLUÇÃO DO BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO (1979-2016) A abertura na atmosfera é representada pela cor azul nas imagens abaixo VENDA PROIBIDA
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    83 GE GEOGRAFIA 2018 Chuvaácida Toda chuva é naturalmente ácida (pH infe- riora7), em função das reações do vapor-d'água com o gás carbônico presente na atmosfera. Entretanto, ao atingir um pH inferior a 5,6 a chuva é considerada, de fato, ácida e passa a ser tratada como um problema ambiental. Esse aumento de acidez se deve à queima de com- bustíveis fósseis, feita principalmente pelas atividades industriais e pelos automóveis, que liberam óxido de nitrogênio (NOx) e dióxido de enxofre (SO2) na atmosfera. Esses compos- tos reagem com o vapor-d'água presente na atmosfera, formando o ácido nítrico (HNO3) e o ácido sulfúrico (H2SO4). Quando chove, essas substâncias atingem o solo e a água, alterando suas características e prejudicando lavouras, florestas e a vida aquática. Também danificam edifícios e monumentos históricos. As principais áreas de ocorrência se encon- tram próximas às regiões de maior emissão de gases causadores do efeito estufa, ou seja, as mais urbanizadas e industrializadas, como o Nordeste dos Estados Unidos, a Europa oci- dental, o leste da China, o eixo Rio-São Paulo. Entretanto, essas substâncias podem ser trans- portadas pelos ventos para regiões mais afasta- das desses grandes centros urbano-industriais, causando a chuva ácida. Trata-se, portanto, de uma “poluição transfronteiriça”. O leste do Canadá, por exemplo, sofre com a chuva ácida proveniente da poluição gerada na megalópole Boston-Washington-Nova York e nas cidades industriais da região dos Grandes Lagos, dos Estados Unidos. Já os países escandinavos como Noruega, Finlândia e Suécia recebem as corren- tes de ar que trazem a poluição da Alemanha, Holanda, Bélgica e Inglaterra. O QUE ISSO TEM A VER COM QUÍMICA A reação entre dióxido de carbono (CO2) e as moléculas de água (H2O) libera íons H+. Quanto maior a concentração de H+ maior é a acidez. Essa concentração é medida pelo pH, o potencial hidrogeniônico, que segue uma escala de zero a 14 na qual: 0 pH 7: soluções ácidas pH = 7: soluções neutras 7 pH ≤ 14: soluções básicas ou alcalinas Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE QUÍMICA. Ilhas de calor Ospoluenteslançadosnaatmosfera,principal- menteodióxidodecarbono,ajudamaaumentar a temperatura do ar mais próximo da atmosfera. Em regiões urbanas, esse fato é agravado pela substituição da cobertura vegetal por prédios de concreto e cimento e ruas asfaltadas. Esses materiais absorvem mais calor e o devolvem na formaderadiaçãotérmica.Acombinaçãodesses fenômenos tende a aumentar a temperatura nos grandescentros,criandoasilhasdecalor.Adife- rençadetemperaturaentreumaáreaverdeeuma típica zona central de uma cidade pode ser de 8 graus centígrados a mais (veja o mapa ao lado). Inversão térmica Ainversãotérmicaéumfenômenoatmosférico naturalqueocorreprincipalmentenasmanhãsde outonoeinverno,comapenetraçãodemassasde arfrio,emregiõesdeclimatropicalesubtropical. Caracteriza-se pela alteração na sequência de camadas de ar. Em condições normais, a tempe- raturaficacadavezmaisbaixaconformeaumenta aaltitude.Emumasituaçãodeinversãotérmica, porém, forma-se uma camada de ar mais quente logo acima da camada de ar mais frio próxima ao solo. Isso ocorre graças ao resfriamento da superfície e do ar durante o final da madrugada einíciodamanhã,quandoastemperaturas,tanto da terra quanto do ar, são mais baixas. Emregiõesondeoarnãoseencontracarregado de poluentes, a inversão térmica não provoca nenhum problema ambiental. No entanto, em ambientes urbanos, a inversão térmica causa o bloqueiodascorrentesascendentesdear,retendo grande quantidade de poluentes próximos à su- perfíciedurantealgumashoras.Issoocorrepor- que as trocas verticais de ar, chamadas cor- rentes de convecção, nãochegamaatingira superfície, formando- -sesomenteapartirda camada de ar quente para cima. Por esse motivo, os poluentes nãoconseguemsedis- persar. Quando o Sol esquenta a superfície nodecorrerdamanhã, o ar da camada mais baixaseaqueceesobe, as correntes de con- vecçãovoltamaatingir o solo e os poluentes voltam a ser dispersa- dos em camadas mais elevadas. Temperatura aparente da superfície Menor Maior Distribuição da vegetação em SP Rural Urbano Fonte: Atlas Ambiental do Município de São Paulo No sul da cidade, onde há mata e quase não existem prédios nem casas, as temperaturas são bem mais baixas. A região central de São Paulo,altamente urbanizada, apresenta temperaturas mais elevadas. Município de São Paulo, com variação de temperatura de 24 °C a 32 °C DENSIDADE DEMOGRÁFICA E ILHAS DE CALOR DIA NORMAL AR QUENTE AR FRIO AR MAIS FRIO AR FRIO AR QUENTE AR FRIO INVERSÃO TÉRMICA FENÔMENO DA INVERSÃO TÉRMICA iSTOCK PHOTO VENDA PROIBIDA
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    84 GE GEOGRAFIA2018 ATMOSFERA AQUECIMENTO GLOBAL EFEITO ESTUFA O fenômeno permite a existência de vida na Terra. Veja como ele funciona e o modo como as ações humanas o afetam 1 2 3 4 5 O Sol emite sua energia pelo espaço na forma de luz visível, radiação ultravioleta e infravermelha Quando os raios do Sol chegam à Terra, cerca de 30% da energia luminosa volta para o espaço, refletida por poeira e nuvens na atmosfera e, ainda, por refletores naturais na superfície, como áreas cobertas de neve e gelo O ar, terras e águas absorvem cerca de 70% da radiação solar Aquecida, a superfície emite calor na forma de radiação infravermelha Umpoucodaradiaçãotérmica daTerravaiparaoespaço,masa maiorparteéretidanaatmosfera, absorvidaporvapor-d'água, dióxidodecarbono,metanoe outrosgasesdoefeitoestufa 6 7 A temperatura do planeta varia, de maneira natural, por causa dos ciclos solares e geológicos. Mas, de acordo com o relatório do IPCC, as atividades humanas afetaram o ritmo normal do ciclo e o equilíbrio natural de produção e absorção de gases Se o calor não fosse retido pelo efeito estufa, o planeta congelaria a uma temperatura média de 18 ºC negativos Planeta em ebulição Cientistas confirmam que a atividade humana está provocando alterações climáticas em todo o globo S e antes a ideia do aquecimento global era apenas uma hipótese, hoje os cientistas já contam com evidências mais seguras para afirmar que a ação do homem sobre o meio ambiente está alterando a temperatura do planeta. O estudo mais consistente a respeito foi divulgado em 2007 pelo Painel Intergover- namental de Mudanças Climáticas (IPCC), entidade que reúne 2.500 cientistas de mais de 130 países sob a chancela da Organização das Nações Unidas (ONU). A partir desse docu- mento, que representou um marco ambiental, especialistas do mundo todo passaram a culpar nosso padrão de desenvolvimento pelo aquecimento da Terra. Emsetembrode2013,oIPCCdivul- gouumnovoestudonoqualaumenta de 90% para 95% o grau de certeza científica quanto à participação do homem na elevaçãodatemperaturadoplaneta:“Éextrema- menteprovávelqueainfluênciahumanasobreo climatenhacausadomaisdametadedoaumento observado da temperatura média da superfície global entre 1951 e 2010”, dizem os cientistas. O relatório da ONU aponta que entre 1880 e 2012 atemperaturamédianaTerrasubiu0,85ºC.Em algumasregiões,queincluemoBrasil,oaumento foi de até 2,5 graus. Além disso, o nível médio da água dos oceanos subiu 19 centímetros e as últimastrêsdécadasforamasmaisquentesdesde 1850. O estudo também permitiu aos cientistas projetar as dramáticas consequências que as próximas gerações enfrentarão, caso esse pro- cesso não seja revertido (veja mapa na pág. 86). O efeito estufa Sempre ouvimos falar que o efeito estufa é o grande vilão do aquecimento global, o que não deixa de ser verdade. Mas uma coisa precisa ficar clara: é graças a ele que existe vida em nosso planeta. O efeito estufa é um fenômeno natural que faz com que a temperatura média do globo se conserve nos limites necessários para a manutenção da vida, em torno de 14,5 ºC. Ele ocorre em razão da existência de gases que estão naturalmente na atmosfera e impedem a VENDA PROIBIDA
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    85 GE GEOGRAFIA 2018 8Hoje, milhões de toneladas de carbono que a natureza tirou de circulação, armazenado como petróleo no subsolo ou biomassa nas matas, são jogadas pela ação humana na atmosfera em poucas horas, na forma de CO2 . Ao aumentar a concentração desse e de outros gases, o homem amplia o efeito estufa, o que provoca o aquecimento do planeta OS GASES DA ATMOSFERA 78,084% Nitrogênio (N2 ) 20,946% Oxigênio (O2 ) 0,934% Argônio (Ar) 0,036% Outros gases DIÓXIDO DE CARBONO (CO2 ): 0,0332% NEÔNIO (NE): 0,0018% OUTROS GASES: 0,0010% [1] Fonte: Nasa CONCENTRAÇÃO DE DIÓXIDO DE CARBONO NA ATMOSFERA NOS ÚLTIMOS 10 MIL ANOS 8.000 a.C. 5.500 a.C. 3.000 a.C. 500 a.C. 2.000 350 300 250 Dióxido de carbono (ppm) 350 330 15,5 15 14,5 310 290 1900 1880 1920 1940 1960 1980 2000 CO 2 (ppm) Graus Celsius CO2 e temperatura média da Terra MAIS GÁS, MAIS CALOR No gráfico à esquerda, veja como a concentração de dióxido de carbono (CO2 ) deu um salto a partir da Revolução Industrial, no século XVIII. Isso pode ser visto por meio da linha vermelha no lado direito do gráfico, que sobe quase perpendicularmente. No detalhamento desse período, no gráfico acima, a relação do CO2 com o aquecimento global fica clara: a curva de aumento de CO2 coincide com a da elevação da temperatura. PARA IR ALÉM O documentário Uma Verdade Inconveniente, dirigido por Davis Guggenheim e apresentado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, procura evidenciar as causas e as consequências do aquecimento global. Parte da análise de dados de variação de temperaturas e concentração de CO2 na atmosfera terrestre, e chama a atenção sobre as responsabilidades individuais e coletivas do homem diante dessa situação. dissipação para o espaço de parte da radiação vinda do Sol, que é absorvida e refletida pela Terra (veja o infográfico). Oproblemaéque,porcausadaaçãodohomem, essebenéfico“cobertor”atmosféricoestásetrans- formando num forno. E quando nos referimos à açãodohomem,trata-sedaquelasatividadesque resultam na emissão e no acúmulo na atmosfera de gases responsáveis pelo efeito estufa. Entre os principais, estão o dióxido de carbono (CO2), produzido pela queima de combustíveis fósseis (especialmente carvão mineral e derivados de petróleo, como óleo cru, diesel e gasolina) para gerar energia; o metano (gás natural, CH4), libe- radopeladecomposiçãodelixo,digestãodogado, plantações alagadas (principalmente de arroz); e óxido nitroso (N2O), que advém, entre outros meios,dotratamentodedejetosdeanimais,douso defertilizantesedealgunsprocessosindustriais. Alémdisso,aoalteraraterrapormeiododesma- tamento e de atividades agrícolas, o ser humano estálançandonoar,porapodrecimentoouqueima, CO2 que estava acumulado nas plantas e no solo. Todas essas atividades são realizadas mais intensamente nos países desenvolvidos. Esta- dos Unidos, Japão e muitas nações europeias apresentam elevada produção de gases do efeito estufa per capita, principalmente por causa do uso de automóveis e da elevada industrialização. Contudo, países em desenvolvimento, como a China, vêm aumentando significativamente as emissões desses gases nos últimos anos. Os chineses já ultrapassaram os norte-america- nos como os maiores poluidores do planeta, tornando-se responsáveis por um quarto das emissões mundiais. QUANTIDADE DE GASES DO EFEITO ESTUFA NA ATMOSFERA BATE RECORDE EM 2015 Aquantidadedegasesdoefeitoestufapresentenaatmosferabateuumnovorecorde em 2015, por isso que continua o aumento incessante que alimenta a mudança cli- mática,advertiunestasegunda-feiraaOrganizaçãoMundialdaMeteorologia(OMM). Em2015,aconcentraçãoatmosféricadeCO2 –principalgásdeefeitoestufadelonga duração – alcançou 400 partes por milhão (ppm), segundo indica o Boletim sobre os gases do efeito estufa que publica anualmente a OMM. Além disso, o relatório destaca que os níveis de CO2 dispararam de novo em 2016, alcançando novos recordes como consequência do fenômeno do El Niño, que teve devastadores efeitos em distintas zonas do mundo entre 2015 e os primeiros meses de 2016. (...) Época Negócios, 24/10/2016 SAIU NA IMPRENSA VENDA PROIBIDA
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    86 GE GEOGRAFIA2018 ATMOSFERA OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS PARA IR ALÉM O documentário Seis Graus que Podem Mudar o Mundo, da National Geographic, simula possíveis cenários decorrentes do aumento de um até seis graus Celsius na temperatura global sobre os diversos ecossistemas e populações humanas. O pior cenário Extremos climáticos como secas prolongadas e furacões devem se tornar mais frequentes em função do processo de mudança climática D esde 1880, quando a temperatura do planeta começou a ser medida, a popu- lação mundial não enfrentou um ano tão quente como o de 2016. Segundo a Nasa, a Agência Espacial Norte-Americana, os recordes de temperatura são uma constante neste século: 16 dos 17 anos mais quentes da história foram registrados após o ano 2000. Esses dados con- solidam uma tendência de aquecimento global de longo prazo, o que abre a possibilidade da ocorrência mais frequente de eventos climáti- cos extremos, como secas prolongadas, chuvas torrenciais e violentos ciclones. É o que pode ocorrer se não houver uma redução na emissão degasesdoefeitoestufa,naanálisedoscientistas do Painel Intergovernamental sobre a Mudança no Clima (IPCC). AsprojeçõesdoIPCCindicamque,seasemis- sõespermaneceremnosníveisatuais,atemperatu- ramédiadoplanetapodesubiraté4,8ºC,eonível dosmaresdeveaumentarematé82centímetros. Asgeleirasirãocontinuaraderretereéfortemente provável que o gelo do Ártico diminua até o final do século. Segundo os cientistas, nenhuma parte dogloboficaráimuneaosefeitosdoaquecimento global (veja mais no mapa). Os terríveis cenários previstos pelos cientistas do IPCC certamente teriam consequências em termos estratégicos e geopolíticos. O Departa- mento de Defesa dos Estados Unidos alerta para o fato de que, atingido pelas mudanças climá- ticas, o mundo seria mais instável e perigoso. Haveria um aumento de migrações e até mesmo invasões populacionais para obter recursos como água e alimentos. E os maiores problemas ocorreriam justamente onde hoje já existem graves questões políticas, como em regiões da Ásia e da África. Para o órgão de governo dos EUA, em alguns locais, a tensão social causada pela fome poderia se tornar mais explosiva, combinada com a tensão étnico-religiosa. A corrente cética As explicações sobre as causas do aumento da temperatura global não são aceitas por todo mundo. Há cientistas que questionam seus fun- damentos. Eles alegam que a temperatura média da Terra subiu e desceu várias vezes durante sua existência, e que isso pode estar ocorrendo neste momento. Ou seja, esse esquenta-esfria do planeta faria parte de um ciclo natural no qual o clima alterna períodos quentes e eras glaciais. Além disso, essa “corrente cética” acredita que, mesmo que exista uma tendência para o aquecimento, ela está mais ligada aos fatores na- turais do que à ação humana. O clima seria mais influenciado pelas glaciações, pelo vulcanismo e por fenômenos astronômicos. Esses cientistas também contestam a capacidade científica de prever com antecedência de décadas como será o clima da Terra. Noentanto,osquedefendemestatesesãoacusa- dosdeagiremfavordaquelesqueatuamnolobby deinteressesdasindústriasquevivemdopetróleo edegovernosqueseriamafetadospelasmedidas necessárias para conter o aquecimento global. AMÉRICA LATINA Na América Central aumentará a ocorrência de ciclones tropicais. As chuvas devem diminuir na Bacia Amazônica e aumentar na Bacia do Prata, região que abrange o sul do Brasil, além de Paraguai, Uruguai e Argentina. AMÉRICA DO NORTE A região deve ser afetada por fortes secas e queda na disponibilidade de água, especialmente na parte central. Haverá maior ocorrência de ciclones tropicais no golfo do México e na costa leste dos EUA e do Canadá. MUDANÇAS NA TEMPERATURA 2081-2100 110 C 90 70 50 40 30 20 1,50 10 0,50 VENDA PROIBIDA
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    87 GE GEOGRAFIA 2018 OSEFEITOS NO BRASIL Segundo o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), até 2100, a temperatura no país irá aumentar entre 1 ºC e 6 ºC, em comparação com a registrada no fim do século XX. Nesse cenário, a agricultura, a geração e a distribuição de energia e a gestão dos recursos hídricos serão afetados. Veja os efeitos regionais no mapa ao lado. ÁSIA As chuvas de monções devem se tornar mais intensas no sul e no leste do continente. A frequência de tempestades e ciclones irá aumentar em áreas como o Mar do Japão, a Baía de Bengala, o Mar do Sul da China e o Golfo da Tailândia. OCEANIA Fortes ondas de calor devem atingir a Austrália, com chuvas extremas no sul do país e secas no noroeste. As ilhas do Pacífico ficarão mais vulneráveis à passagem de ciclones tropicais. ÁFRICA As temperaturas devem aumentar principalmente no sul do continente. É provável que a seca piore na parte ocidental e na região do Sahel, provocando queda da safra e agravando a situação de fome. REGIÕES POLARES O gelo do Ártico pode diminuir até 94% durante o verão. Com o derretimento na calota norte da Terra, o nível do mar pode aumentar de 45 a 82 centímetros, nível considerado perigoso pelos cientistas. EUROPA A temperatura deve aumentar de forma generalizada no continente, com menos dias de frio intenso no inverno. No sul e leste europeus, os períodos de seca devem reduzir a água disponível e a produtividade agrícola, enquanto, no noroeste do continente, o IPCC prevê maior volume de chuvas. OUTRAS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS: Ameaças à biodiversidade e aceleração da extinção de espécies. Esgotamento das reservas de água e agravamento de sua distribuição. Comprometimento da produção agrícola e da segurança alimentar, especialmente nas regiões tropical e subtropical. Elevação do nível dos oceanos e ameaças a cidades litorâneas. NORTE O volume de chuvas na Amazônia deve cair até 40%, o que levaria a uma substituição da floresta por uma vegetação mais rala, semelhante à do cerrado. NORDESTE Até 2100, a temperatura na caatinga poderá subir até 4,5 ºC, e a ocorrência de chuva irá diminuir entre 40% e 50%. CENTRO-OESTE As chuvas devem diminuir entre 35% e 45%. No Pantanal e no cerrado, as temperaturas devem subir de 3,5 ºC a 5,5 ºC. SUDESTE Na região da Mata Atlântica, o clima deverá ficar até 3 ºC mais quente e até 30% mais chuvoso. ZONA COSTEIRA O aumento do nível do mar em até 30 cm afetaria ecossistemas costeiros do Norte e Nordeste, como manguezais; a população litorânea teria de ser remanejada. SUL Na região dos pampas, a temperatura deve subir 3 ºC, com previsão de um aumento de 40% na ocorrência de chuvas. VENDA PROIBIDA
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    88 GE GEOGRAFIA2018 ATMOSFERA ENERGIAS RENOVÁVEIS Alternativas limpas Investimentos em fontes de energia renováveis são essenciais para reduzir as emissões de gases do efeito estufa O s cientistas do Painel Intergovernamen- tal sobre a Mudança no Clima (IPCC) são enfáticos em apontar o que é pre- ciso ser feito para evitar os efeitos dramáticos das mudanças climáticas: suspender o uso sem restrições de combustíveis fósseis. Desde a Revolução Industrial, há mais de 200 anos, nossas atividades econômicas são baseadas na queima de fontes não renováveis e altamente poluentes como petróleo, gás e carvão. A energia que consumimos para gerar eletricidade e aque- cimento, para nos locomovermos em viagens de carro, avião ou navios e para mover a atividade manufatureira contribui com cerca de metade das emissões dos gases de efeito estufa. Na prática, para alterar essa matriz de energia e reduzir a dependência econômica de combustíveis fósseis, seria preciso ampliar o uso de energias renováveis. Trata-se de um procedimento que já está em andamento ao redor do mundo, ainda que num ritmo abai- xo do desejável. A China, o maior emissor de gases do efeito estufa do planeta, é o país que mais vem investindo em energia renovável há alguns anos. Os Estados Unidos e a Europa também avançam em projetos para baratear o custo dessas fontes de energia. O Brasil, que é o sétimo maior investidor em energias renováveis MATRIZ DE ENERGIA Combinação das fontes de energia disponíveis numa economia ou país e dos usos de energia. A economia moderna consome energia em duas principais formas: a energia combustível, que alimenta principalmente equipamentos mecânicos, como motores, e a energia elétrica, que alimenta essencialmente equipamentos eletrônicos. O QUE ISSO TEM A VER COM HISTÓRIA A Revolução Industrial é o processo de transformação da economia agrária, baseada no trabalho manual, em outra, dominada pela indústria mecanizada, que se caracteriza pelo uso de novas fontes de energia e de máquinas, pela especialização do trabalho e pela aplicação da ciência na indústria. Ela teve início por volta de 1760, na Inglaterra. Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE HISTÓRIA. do mundo, tem cerca de 40% de sua matriz energética proveniente de recursos renováveis (veja o gráfico acima) e caminha para ter 93% de sua energia elétrica com origem em fontes que não se esgotarão até 2050, de acordo com um estudo da ONG Greenpeace. Valeressaltarquealgumasdasfontesdeenergia alternativas ainda têm um custo ambiental alto. As usinas hidrelétricas, por exemplo, costumam afetarabiodiversidade,comonocasodaUsinade BeloMonte,noPará,quevemcausandopolêmica por reduzir a vazão do Rio Xingu, o que com- prometeria o ecossistema da região Amazônica. Já a energia nuclear pode causar sérios danos ambientais com o lixo radioativo. Confira alguns exemplosdefontesdeenergiarenováveiselimpas. Energia eólica A energia é produzida quando a força do vento gira as hélices das turbinas eólicas, que conver- tem a energia mecânica em elétrica. O Brasil tem grande potencial nessa área por possuir condições naturais favoráveis. Os estados da Bahia, do Ceará, do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul respondem por 60% de toda a energia eólica gerada no país. Só no Nordeste, a fonte eólica atende atualmente a 30% das necessidades energéticas da região. Petróleo e derivados 37,3% Carvão 5,9% Gás natural 13,7% Nuclear 1,3% Biomassa 25,1% Hidráulica 11,3% Outras* 5,3% BRASIL – 2015 Fontes: Agência Internacional de Energia e Ministério de Minas e Energia Renovável Não renovável Gás natural 21,2% Nuclear 4,8% Biomassa 10,3% Hidráulica 2,4% Outras* 1,4% Petróleo e derivados 31,3% Carvão 28,6%** MUNDO – 2014 OFERTA DE ENERGIA POR FONTE *Inclui eólica e solar **Inclui xisto (folhelho) VENDA PROIBIDA
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    89 GE GEOGRAFIA 2018 Energiasolar A principal forma de captar a energia prove- niente do Sol é por meio de painéis fotovoltaicos, que possuem células solares capazes de trans- formar a radiação solar em eletricidade. Quanto maior a intensidade de luz, maior o fluxo de energia elétrica. O Brasil também é privilegia- do em radiação solar, especialmente na região Nordeste. O elevado preço dessa tecnologia, porém, ainda inviabiliza investimentos mais pesados nesse tipo de energia no país. Biomassa Amatériaorgânicatambémvemsendoutilizada paragerarenergia.Seuaproveitamentopodeser feitopelacombustãodireta,porprocessostermo- químicosoubiológicos.NoBrasil,óleosvegetaise bagaçodecana,entreoutrosmateriais,dãoorigem à energia elétrica. A biomassa também pode se transformarembiocombustíveis–oálcooletílico já é amplamente usado nos veículos brasileiros. Energia geotérmica O calor interno do globo, principalmente em áreas geologicamente ativas, pode produzir energia em usinas termelétricas a partir dos gêiseres (fontes de vapor no interior da Terra), presentes em países como EUA, México e Japão. PETRÓLEO A combinação de material decomposto com as altas temperaturas e a pressão do subsolo forma jazidas de petróleo e gás. O carbono guardado nesses depósitos soma 300 bilhões de toneladas CO2 + água + energia solar O2 + açúcares CO2 H2 O ENERGIA SOLAR FOTOSSÍNTESE Na fotossíntese, as plantas absorvem CO2 e liberam oxigênio. Os vegetais estão na base de todas as cadeias alimentares do planeta VEGETAÇÃO Cerca de 600 bilhões de toneladas de carbono ficam estocadas nas plantas naturais ou cultivadas QUEIMADAS E DESMATES A queima da vegetação libera carbono no ar. A mata derrubada significa menos organismos para absorver o carbono. Restos de matéria orgânica sobre o solo têm 1 trilhão de toneladas de carbono CARVÃO MINERAL Formado com os restos soterrados de plantas e animais, o carvão mineral estoca cerca de 3 trilhões de toneladas de carbono DEVOLUÇÃO DO CARBONO A atmosfera devolve à superfície da Terra e aos oceanos cerca de 200 bilhões de toneladas de carbono a cada ano SEDIMENTOS MARINHOS O carbono depositado em sedimentos marinhos guarda 150 bilhões de toneladas de carbono OCEANO Grande parte do CO2 da atmosfera dissolve-se na água e é absorvida por seres marinhos ATMOSFERA A camada gasosa que envolve a Terra guarda 750 bilhões de toneladas de dióxido de carbono O CICLO DO CARBONO O carbono tem um ciclo natural entre o subsolo, os organismos, a atmosfera e os mares. As atividades humanas aumentam sua quantidade no ar. O volume de carbono em cada etapa é estimado pelos cientistas O Sol é a fonte de energia que sustenta a vida na Terra COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS A queima de petróleo e carvão acelera a liberação de carbono para a atmosfera, soltando mais de 5 bilhões de toneladas no ar a cada ano SAIBA MAIS CICLO DO CARBONO Apesar de ser o responsável direto pelo efeito estu- fa e, consequentemente, pelo aquecimento global, o carbono é um elemento químico essencial para a vida humana.Elefazpartedeumciclonatural:transitaentre a atmosfera, a biosfera e a hidrosfera, garantindo o equilíbrio do meio ambiente. Para se desenvolverem, as plantas transformam o dióxido de carbono presente na atmosfera em carboidratos, que formam folhas e troncos. Nesse processo, conhecido como fotossíntese, os vegetais liberam oxigênio. Os oceanos também absorvem o carbono da atmosfera – em contato com a água do mar, o dióxido de carbono se transforma em ácido carbônico, dissolvendo-se nas profundezas dos oceanos. Mas, além de absorver carbono, esse ciclo natural liberaoelementonaatmosfera,numprocessoquepode se dar de diversas formas: pela erupção de vulcões, pela decomposição de organismos, pela respiração, ou mesmo pela flatulência de animais. Infelizmente, nosso padrão de desenvolvimento, baseado na queima de combustíveis fósseis para a geração de energia, vem rompendo esse equilíbrio natural. Em suma, estamos emitindo mais carbono do que a natureza é capaz de absorver, desestabilizando o ciclo. O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA A fotossíntese é um processo metabólico, pelo qual os vegetais transformam gás carbônico (CO2) e água em açúcares e oxigênio. A energia necessária para que a fotossíntese ocorra vem do Sol e é captada pelo pigmento clorofila. A fotossíntese pode ser resumida na seguinte equação: 6 CO2 + 12 H2O + luz = C6H12O6 + 6 O2 + 6H2O O C6H12O6 é a glicose, um carboidrato (açúcar). Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE BIOLOGIA. MULTI/SP VENDA PROIBIDA
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    90 GE GEOGRAFIA2018 ATMOSFERA PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS Difícil consenso Na Conferência Geral das Partes, os países discutem ações para conter a mudança climática e estabelecem tratados, como o Acordo de Paris A constatação de que a intensa emissão de gases do efeito estufa está alterando o clima do planeta vem mobilizando a co- munidade internacional nos últimos anos. Mas enfrentarumproblemaglobaldessasproporções requer um difícil alinhamento entre os líderes mundiais. Em fóruns internacionais como a Conferência Geral das Partes, os países se reúnem todos os anos para discutir ações para conter a mudança climática – ela é conhecida por sua sigla em inglês: COP. Chegar a um consenso nas COPs é uma tarefa muito complicada porque há vários interesses conflitantes entre as nações. Por isso que o Acor- do de Paris, firmado em dezembro de 2015, foi considerado histórico: pela primeira vez houve umentendimentoparaareduçãodasemissõesde carbono que envolve todas as nações do mundo. O Protocolo de Kyoto Antes do Acordo de Paris, o grande marco am- bientalhaviasidooProtocolodeKyoto,assinado em 1997 durante a terceira COP. O documento é o primeiro acordo oficial com metas e prazos para reduzir as emissões de gases do efeito estu- fa. Ele estabeleceu que os países desenvolvidos, responsáveis por lançar a maior parte dos gases, deveriam reduzir suas emissões em pelo menos 5%emrelaçãoaosníveisde1990.Jáasnaçõesem desenvolvimento,comooBrasileaChina,queti- veramumaindustrializaçãotardia,nãoprecisaram adotar metas, mas comprometiam-se a diminuir a emissão de carbono voluntariamente. Mas o Protocolo de Kyoto já nasceu prati- camente condenado. Os EUA não assinaram o documento por se recusar a mudar sua matriz energética–fortementedependentedepetróleo – e não concordar com a ausência de metas para os países em desenvolvimento. Posteriormente, outrospaísestambémabandonaramoscompro- missos firmados no protocolo. Os governos de Canadá, Japão, Austrália e Rússia passaram a reclamardafaltadecompromissodaseconomias emergentes.Elesalegamqueocrescimentoeco- nômicodepaísescomoChinaeÍndiaaumentou muito a emissão de carbono global, e exigiam o cumprimento de metas dessas nações. COMPROMISSO O presidente da França, François Hollande (à dir.), e outras autoridades mundiais celebram a assinatura do Acordo de Paris, em dezembro de 2015, durante a COP21 VENDA PROIBIDA
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    91 GE GEOGRAFIA 2018 SAIBAMAIS MERCADO DE CARBONO Para minimizar o dese- quilíbrio entre as emis- sões de gases dos países ricos e dos menos de- senvolvidos, o Protoco- lo de Kyoto estabeleceu o “mercado de carbono”. Ele funciona da seguinte forma: os países desen- volvidos, incapazes de substituirocarvãoeope- tróleo de uma hora para outra, podem compensar parte de suas emissões comprando créditos de carbono de outros países cujas emissões ficaram abaixo do limite estipu- lado. Esses créditos são pagos com investimentos em projetos que ajudem as nações vendedoras a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. O primeiro projeto ba- seado nesse mercado de carbono foi implemen- tado em 2005, em Nova Iguaçu (RJ). Um antigo lixão foi transformado ematerrosanitáriocomo financiamento da Holan- da. Agora, com o Acordo de Paris, a previsão é que esse mecanismo se disse- mine mais pelo mundo. O Acordo de Paris Portodasessasdificuldades,oAcordodeParis firmado durante a COP21, realizada na capital francesa, em dezembro de 2015, foi recebido com bastante otimismo. O documento, assinado por representantes de 195 países-membros da Convenção do Clima da ONU, entrou em vigor em novembro de 2016. Ele obrigaaparticipação detodosospaíses–enãoapenasosricos–noes- tabelecimentodemetasparalimitaroaumentoda temperaturamédiadoplanetaaté2100.Oobjetivo érestringiroaquecimentoa“bemmenosde2ºC”. Cadanaçãoficaobrigadaaapresentarumcon- juntodemetasparareduziraemissãodecarbono. O documento final também estabeleceu que os países ricos irão garantir um financiamento de, no mínimo, 100 bilhões de dólares por ano para projetos de combate às mudanças do clima e adaptação em nações em desenvolvimento a partir de 2020 e até, ao menos, 2025. Mas o acordo não é perfeito. Apesar de o es- tabelecimento das metas ser compulsório para todas as nações, o cumprimento dos objetivos é voluntário. Além disso, o conjunto das metas apresentado pelos países é considerado insufi- ciente – mesmo que todos os países consigam cumprir o que propuseram, a temperatura média ainda deverá subir entre 2,7ºC e 3,5ºC. Para piorar, a posse de Donald Trump como presidente dos EUA causa temores de que o país possa se retirar do acordo. Trump, que se mostra cético em relação ao aquecimento global, disse nãoquererqueaeconomianorte-americanaseja prejudicada em virtude das metas de redução de gases (veja mais na pág. 70). Os compromissos do Brasil O Brasil oficializou a meta voluntária de redu- zir as emissões de gases do efeito estufa em 37% até 2025 e 43% até 2030 em relação aos valores de 2005. Além dessa meta, o compromisso do Brasil apresentado na COP21 inclui garantir 45% de fontes renováveis no total da matriz energética, ampliar para 23% a participação de fontes renováveis (eólica, solar e biomassa) na geração de energia elétrica e acabar com o desmatamento ilegal. Segundo o governo, as emissões entre 2005 e 2012 reduziram 41,1%. Em boa medida, essa re- dução é creditada a uma forte queda nos índices de desmatamento na Amazônia Legal. Na última década, as atividades ligadas à derrubada das florestas deixaram de ser a principal emissora de CO2. Atualmente, a produção de energia a partir da queima de combustíveis fósseis é a maior fonte poluidora do país. Menos de 10.000 Sem dados disponíveis Mais de 1.000.000 De 500.000 a 1.000.000 De 100.000 a 499.999 De 10.000 a 99.999 FRANCOIS GUILLOT/AFP POLUIÇÃO E DESENVOLVIMENTO Países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá e Japão estão entre os que mais emitem carbono na atmosfera. Mas note que as nações em desenvolvimento que tiveram crescimento acelerado na última década (2001-2010), como Brasil, China e Índia, também são grandes emissoras. A África é o continente que menos polui. EMISSÕES DE CARBONO – 2012 Em milhares de metros cúbicos de CO2 equivalente Fonte: Banco Mundial VENDA PROIBIDA
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    92 GE GEOGRAFIA2018 COMO CAI NA PROVA 1.(Enem 2016) (primeira aplicação) Segundo a Conferência de Kyoto, os paí- ses centrais industrializados, responsáveis históricos pela poluição, deveriam alcançar a meta de redução de 5,2% do total de emissões segundo níveis de 1990.Onódaquestãoéoenormecustodesseprocesso,demandandomudanças radicaisnasindústriasparaqueseadaptemrapidamenteaoslimitesdeemissão estabelecidos e adotem tecnologias energéticas limpas. A comercialização internacional de créditos de sequestro ou de redução de gases causadores do efeitoestufafoiasoluçãoencontradaparareduzirocustoglobaldoprocesso. Paísesouempresasqueconseguiremreduzirasemissõesabaixodesuasmetas poderão vender este crédito para outro país ou empresa que não consiga. BECKER, B. Amazônia: Geopolítica na Virada do II Milênio. Rio de Janeiro: Garamond, 2009. As posições contrárias à estratégia de compensação presente no texto rela- cionam-se à ideia de que ela promove a) retração nos atuais níveis de consumo. b) surgimento de conflitos de caráter diplomático. c) diminuição dos lucros na produção de energia. d) desigualdade na distribuição do impacto ecológico. e) decréscimo dos índices de desenvolvimento econômico. RESOLUÇÃO OProtocolodeKyotoéumacordointernacionalassinadoem1997peloqualospaíses desenvolvidos se comprometeram a reduzir sua emissão de gases do efeito estufa. Oproblemaéquemuitospaísesrelutamemfazeratransiçãoparaumamatrizmais limpaporqueelaimplicaelevadoscustosquepodemcomprometerodesenvolvimento econômico.Paralidarcomessaquestão,oProtocolodeKyotocriouummecanismo conhecidocomomercadodecarbono.Trata-sedeumaformadecompensaçãoqueé criticadapormanteradesigualdadenadistribuiçãodoimpactoecológico:asnações desenvolvidas,tradicionaisemissorasdegasesdoefeitoestufa,podemcontinuarquei- mandocombustíveisfósseisdesdequecompremoschamadoscréditosdecarbonode naçõesouempresasquetenhamconseguidodiminuirsuasemissõesabaixodameta. Resposta: D 2.(Fuvest 2016) Considere a matriz energética mundial. a) Identifique, com base no quadro acima, uma fonte de energia que é consi- derada a maior responsável tanto pelo efeito estufa quanto pela formação da chuva ácida. Justifique sua resposta. b) Identifique a principal fonte de energia usada nas usinas hidrelétricas, no Brasil, e explique uma vantagem quanto ao uso desse recurso natural. c) Identifique, com base no quadro acima, as fontes de energia usadas nas usinas termelétricas, no Brasil, e explique uma desvantagem de ordem econômica que elas apresentam. RESOLUÇÃO a)Entreasfontesdeenergiaapresentadas,ocarvãomineral(combustívelfóssil) é o principal responsável pelo efeito estufa e pela formação da chuva ácida. A sua queima nas termoelétricas resulta na liberação de grande quantidade de carbonoque,porreaçõesquímicascomosgasesdaatmosfera,produzcompos- tos como o CO e o CO2 . Eles são responsáveis pela retenção de calor refletido pela superfície da Terra, intensificando o efeito estufa. Esses compostos (CO e CO2 ) também reagem com o vapor de água da atmosfera, bem como com as gotículasemsuspensãonoar(asnuvens),causandoaschamadaschuvasácidas. b)Asusinashidrelétricassãomovidaspelaforçadaságuas(energiahidráulica) – no caso brasileiro, pela força das águas dos rios. Esta energia corresponde a uma fonte renovável e não poluente (limpa), pois não há a emissão de gases estufa e apresenta menor custo na geração de energia. c)Demodogeral,asusinastermelétricasbrasileirasutilizamgásnatural,carvão mineralepetróleoederivados.Trata-sedefontesenergéticasimportadas,com custo elevado, principalmente o petróleo e o gás. Como o valor dessas fontes estáatreladoaodólar,oseuusoencareceageraçãodeeletricidadenopaís.Isso podeimpactarnabalançacomercialdopaíseserumadesvantagemeconômica. 3.(Mackenzie 2016) Estabeleçaacorrespondênciaentreosclimogramaseosrespectivosdomínios morfoclimáticos brasileiros. vv ( ) Clima Equatorial – Domínio Amazônico. ( ) Clima Subtropical – Domínio das Araucárias e Domínio das Pradarias. ( ) Clima Semiárido – Domínio da Caatinga. ( ) Clima Tropical – Domínio do Cerrado e Domínio de Mares de Morros. ( ) Clima Tropical Úmido – Domínio de Mares de Morros. ( ) Clima Tropical de Altitude – Domínio de Mares de Morros. VENDA PROIBIDA
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    93 GE GEOGRAFIA 2018 RESUMO Loremipsondolor GIAMCORE MAGNA accum am, vullam, core feum auguerit, si blam, quat. Lor sequat lorerci tem accum il ulput nummy nit nullam adit ea ad tetumsan hent lor init adionsequip exeros do dolor sum zzrit amcorer sustrud dui et autpatin eugue ve- lenim vulluptate consectem zzrit wismod el ulputatum incing et lutdiamcom molumsandip. EAFACIDUNT DOLOBOR sustrud magna feugiam veniam zzrilit luptatem iriusto consequi eraesto eugait luptat do ese tat dolut venis amconsed mincillandre commodi onullan ver sustrud modigniam ipsuscillam, cor iliquat. Numvoloboreraestionumingeniatummynulputemventamet iusto odignim quisis adiam aliquat vel esequip IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni- bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit, sequat.Equat.Utilisciduntlacommynostionhendiamcommod dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratin esectet nonullan heniamdoloreetamcoredoeufacilutpat.Ostoodiamet,velent pratetnostoconsequislullandremquatamdoloremveliquatue min velesequam nonse facipisim zzriure. RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do- lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat. NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim ipsuscipitinDelutlutatautemincillandipsustisdoexeraestrud eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit ing et irilit iureet laorem veraess equisi. Ecte vulla commy nullam, sisnulluptat,sumvenibhelestoconumnonullafacilitnitlorem delesto ea feui blandre eui tet lam IS NULLA FEUGAIT aut venim nostrud min ut wissecte magni- bh et nim incillandre do commy non hendip eu feugait lobore magnim am, quisciduis nulluptatum venit in velendi gnissenit, sequat.Equat.Utilisciduntlacommynostionhendiamcommod dit velendrero diat, vel ing ex elit at pratin esectet nonullan heniam doloreet amcore do eu facil utpat. RCILIQUATET VULLAN ute commy nullaorem ip ero consectet lum vel ulput veliquis exerosting endreros aut ilis at. Lesto do- lorperci tio dolutpat ullaore riurerit in henim iusci bla at. Gait atummolore tie te er ipisim dit wisl ipsum dunt velis aliquat. NONUMMO LOBORERO etumsandrem dolorperatem do duis acidunt vel ullamet nosto coreet alis aliquipit vent adignisim ipsuscipitinDelutlutatautemincillandipsustisdoexeraestrud eum nissed essequat nonulput volore tem adit er ip elenit. Atmosfera FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS Principal objeto de estudo dos meteorologistas, eles se formam com diferentes reações químicas que ocorrem na atmosfera. Nuvem, chuva, neve, granizo, geada, vento e massas de ar são formados por causa de certas condições de umidade, pressão e temperatura. EL NIÑO Esse fenômeno se forma duas vezes a cada dez anos na época do Natal, com o enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente sopram as águas aquecidas do Pacífico do leste para o oeste – da costa da América do Sul até a região da Indonésia. Como essas águas quentes e úmidas permanecem na costa sul-americana, elas provocam chuvas nessa área e seca na Indonésia e Austrália. CLIMAS DO MUNDO São dez os principais tipos climáticos do mundo: equatorial, tropical, mediterrâneo, temperado, sub- tropical, desértico, semiárido, frio de montanha, frio e polar. Fatores como latitude, altitude, proximidade do mar, pressão atmosférica e influência das correntes marítimas determinam as diferenças entre os climas. CLIMAS DO BRASIL O Brasil possui seis tipos climáticos prin- cipais: equatorial, tropical, semiárido, tropical de altitude, tropical atlântico e subtropical. A ocorrência de chuvas e a temperatura média são os critérios mais importantes para definir os climas no Brasil. AQUECIMENTO GLOBAL O efeito estufa é um fenômeno na- tural, no qual os gases presentes na atmosfera retêm o calor recebido do Sol. A emissão de gases por indústrias, veículos, desmatamentoeagropecuáriapotencializaofenômenoepode ser um dos causadores do aquecimento global. ENERGIAS ALTERNATIVAS Uma das alternativas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa é a adoção de fontes de energia renovável. No Brasil, quase metade da energia utiliza- da é proveniente de recursos renováveis. Entre as principais energias alternativas destacam-se a eólica (produzida pelos ventos), a solar (proveniente do Sol) e a biomassa (feita com matéria orgânica). PROTOCOLO DE KYOTO E ACORDO DE PARIS O Protocolo de Kyoto foi estabelecido em 1997 com o objetivo de diminuir a emissão de gases do efeito estufa. Ele previa que os países desenvolvidos deveriam cortar suas emissões de dióxido de carbono e outros gases, mas isentava os países em desenvol- vimento da obrigação de reduzir as emissões. O acordo não funcionou e foi substituído pelo Acordo de Paris. Assinado em dezembro de 2015, ele obriga todos os 195 países signatários a estabelecer metas para o corte de emissões de gases do efeito estufa, de modo a evitar que o aquecimento médio do planeta ultrapasse os 2 ºC até 2100. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. a) 1 – 6 – 5 – 3 – 2 – 4 b) 1 – 6 – 5 – 2 – 4 – 3 c) 1 – 2 – 4 – 5 – 3 – 6 d) 4 – 6 – 5 – 3 – 2 – 1 e) 4 – 6 – 5 – 2 – 1 – 3 RESOLUÇÃO Nosclimogramas,asbarrasindicampluviosidadeealinhaatemperatura.Sendo assim, temos: Climograma 1: indica elevadas temperaturas médias, baixa amplitude térmica anual e chuvas abundantes no decorrer do ano todo, o que é típico do clima equatorial, característico do domínio morfoclimático amazônico. Climograma2:representaoclimatropicaltípico,queémarcadopelaexistência dedoisperíodosdistintos:umchuvosoeoutrodebaixapluviosidade.Odomínio do cerrado é característico desse tipo de clima. Climograma3:estáligadoaumavariaçãodeclimatropical:odealtitude.Embora contenha características pluviométricas semelhantes ao clima tropical típico, possui médias térmicas inferiores e se liga ao domínio de mares de morros. Climograma 4: representa o clima tropical úmido, típico do litoral oriental nor- destino, que concentra as chuvas no outono e no inverno. O domínio dos mares de morros engloba as áreas sujeitas ao clima tropical úmido. Climograma5:indicaumclimasemiárido,presentenodomíniodacaatinga,com altas temperaturas médias e pluviosidade baixa e irregular no decorrer do ano. Climograma6:estáligadoaoclimasubtropical,dealtaamplitudetérmicaanual e chuvas bem distribuídas no decorrer do ano, típico do domínio das pradarias. Resposta: B SAIBA MAIS Oclimacorrespondeaocomportamentodotempoatmosféricoduranteumlongo período. No Brasil os principais fatores climáticos são: a latitude, a altitude, as massas de ar e a continentalidade. AdiferençaclimáticanoBrasilpermitequehajagrandevariaçãodetemperatura nonossoterritório.Comopodemosverificarnomapaabaixo,hápredominância das maiores temperaturas médias anuais na Região Norte, fenômeno que pode ser explicado pela baixa latitude, o que resulta em elevada insolação durante o ano. Em contrapartida, os valores de temperatura na Região Sul do país são os mais baixos em razão de sua localização em latitudes médias, o que resulta na ação mais intensa das massas polares. TEMPERATURA MÉDIA ANUAL EM 2014 empraba.gov.br VENDA PROIBIDA
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    94 GE GEOGRAFIA2018 CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO Ecologia...............................................................................................................96 A evolução do planeta....................................................................................98 Vegetação no mundo ....................................................................................100 Biomas brasileiros.........................................................................................106 Preservação e conservação ........................................................................110 Código Florestal .............................................................................................111 Conferências ambientais............................................................................112 Como cai na prova + Resumo.....................................................................114 5 BIOSFERA H á muitos anos, cientistas do Brasil e do mundo vêm apontando como o desma- tamento aliado à ocorrência de períodos de seca podem provocar profundas alterações na Floresta Amazônica e fazer com que ela sofra um processo de “savanização”. Ou seja, a exuberante floresta tropical perderia biomassa e daria lugar a uma vegetação mais rala, com árvores espaçadas e menos folhas, bem parecida com o Cerrado brasileiro. Dois estudos recentes, um do Instituto de Pesquisa Climática de Postdam (PIK), da Ale- manha, e outro de um grupo de cientistas bra- sileiros de diversas instituições, jogaram mais luzes sobre essa questão. De modo geral, eles mostram a ocorrência de um ciclo vicioso de seca e diminuição florestal na Amazônia. A derrubada de árvores de grande porte, que têm maior capacidade de regular as chuvas, afeta diretamente o clima, que tende a ficar mais seco. Por sua vez, a redução das precipitações provoca a morte de mais árvores. Resumindo: quanto menor a floresta, maior a seca, e, quanto maior a seca, menor a floresta. Essaalteraçãoclimáticanãoficarestritaapenas àregião.Pormeiodofenômenoconhecidocomo “rios voadores”, a umidade e o vapor d’água da Amazôniasãotransportadosparaoutroslugares, regulandoociclohidrológicodediversospontos dopaís.Logo,asalteraçõesnoclimadaAmazônia também afetariam outras regiões brasileiras. O fato é que é impossível dissociar esse proble- ma da ação humana, que intensifica o fenômeno por meio da emissão de gases do efeito estufa e da derrubada das árvores. O governo brasileiro comprometeu-se a acabar com o desmatamento ilegal da Floresta Amazônica até 2030, mas está longe de atingir essa meta. No ano passado, a área desmatada cresceu 28%, atingindo 7.989 quilômetros quadrados – um território equiva- lente a cinco vezes a cidade de São Paulo. Foi a maior taxa registrada desde 2008. Pará, Mato Grosso e Rondônia foram os estados que apre- sentaram os maiores índices de perda florestal, somando 75% do desmatamento. Nas próximas páginas, você encontrará mais informações sobre a Amazônia e outros biomas brasileiros. Abordamos também os perigos mais laten- tes aos ecossistemas mundiais e as ações governamentais para tentar frear as amea- ças ao meio ambiente. A combinação de desmatamento e seca pode fazer com que a maior floresta tropical do planeta se transforme em uma região com as características do Cerrado A Amazônia sob risco de “savanização” SOBREVIVENTE Árvore isolada no meio de uma fazenda na cidade de Novo Progresso (PA), na região da Amazônia: a devastação do bioma aumentou 28% em 2016 em relação ao ano anterior VENDA PROIBIDA
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    95 GE GEOGRAFIA 2018 UESLEIMARCELINO/REUTERS VENDA PROIBIDA
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    96 GE GEOGRAFIA2018 5 BIOSFERA ECOLOGIA O termo ecologia ganhou destaque nas últimas décadas, juntamente com a relevância crescente dos assuntos relacionados ao meio ambien- te. Muitas vezes esse termo é usado de forma indevida ou superficial, como em afirmações do tipo “Defenda a ecolo- gia”. Na verdade, trata-se da ciência que estuda as relações dos seres vivos entre si ou com o ambiente em que vivem. A ecologia é um conteúdo multidiscipli- nar que engloba estudos de Biologia, Geografia, Geologia, Química, entre outras áreas curriculares. Veja a seguir alguns conceitos essen- ciais para a compreensão da ecologia, como ecossistema, bioma, biosfera e biodiversidade: Ecossistemas Os ecossistemas são sistemas dinâ- micos resultantes da interdependência entre os fatores físicos do meio am- biente e os seres vivos que o habitam. Os nutrientes, a água, o ar, os gases, a energia disponível e as substâncias orgânicas e inorgânicas num ambiente constituem a parte abiótica (não viva) Delicado equilíbrio A relação que os seres vivos mantêm entre si e com o ambiente que habitam forma um ciclo natural que sustenta a vida no planeta de um ecossistema. O conjunto de seres vivos é chamado de biota e é composto de três categorias de organismos: as plantas, os animais e os decomposito- res – microrganismos que decompõem plantas e animais e os transformam em componentes simples, reciclados. Uma floresta, um rio, um lago ou um simples jardim são exemplos de ecos- sistemas. Eles se misturam e interagem. Os ecossistemas podem, também, ser subdivididos em pequenas unidades bióticas, conhecidas como comunida- des biológicas. Elas são formadas por duas ou mais populações de espécies que interagem e são interdependentes – como o conjunto da flora e da fauna de um lago. Já o termo habitat se refere a um ambiente ou ecossistema que ofere- ce condições especialmente favorá- veis à sobrevivência de certa espécie. Por exemplo, o cerrado é o habitat do lobo-guará. Um ecossistema pode ser o habitat de diversas espécies para as quais oferece alimento, água, abrigo, entre outras condições essenciais à reprodução da vida. PERFEITA HARMONIA Aves tuiuiús e caturritas em árvore do Pantanal: o Brasil abriga uma das mais ricas biodiversidades do planeta VENDA PROIBIDA
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    97 GE GEOGRAFIA 2018 O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA Veja abaixo uma descrição resumida dos cinco reinos da natureza: Reino Monera: organismos unicelulares procariontes, como bactérias e cianobactérias ReinoProtista:seresunicelulareseucariontes,comoalgas,protozoários eamebas Reino dos Fungos: seres eucariontes, unicelulares e pluricelulares, como mofos, bolores, cogumelos e leveduras Reino Vegetal: seres pluricelulares autótrofos, com células revestidas de uma parede de celulose, como briófitas (musgos), pteridófitas (samambaias), gimnospermas (pinheiros) e angiospermas (plantas com flores e frutos) Reino Animal: organismos pluricelulares e heterótrofos, que inclui os vertebrados (um subfilo dos cordados, que abrange animais com esqueleto interno, coluna vertebral, cérebro e medula espinhal) e os invertebrados (animais sem coluna vertebral nem cérebro) Para saber mais, veja o GUIA DO ESTUDANTE BIOLOGIA Biomas Os grandes conjuntos relativamen- te homogêneos de ecossistemas são chamados de biomas. O termo bioma designa as comunidades de organismos estáveis,desenvolvidasebemadaptadas às condições ambientais de uma grande região – pense na Floresta Amazônica ou na tundra ártica. Na Geografia, o estudo dos biomas tem como um dos focos principais a vegetação, elemento que se destaca na paisagem. Biosfera A biosfera ou “esfera da vida” é o con- juntodetodososbiomasdoplaneta.Ela faz referência a todas as formas de vida da Terra em escala global – dos reinos monera, protista, animal, vegetal e dos fungos–emconjuntocomosfatoresnão vivosqueassustentam.Abiosferaabran- ge desde as profundezas dos oceanos, que atingem cerca de 11 mil metros, até o limite da troposfera, camada inferior da atmosfera, que atinge uma altitude decercade12milmetros.Entreosseres vivos,oshumanossãoosquepossuema maiorcapacidadedeintervenção(positi- va e negativa) no equilíbrio das diversas formasdevidaqueconstituemabiosfera. Biodiversidade O termo biodiversidade abarca toda a variedade das formas de vida (animais, vegetais e microrganismos), espécies e ecossistemas,emumaregiãoouemtodo oplaneta.Éumariquezatãograndeque seignoraonúmerodeespéciesvegetaise animaisexistentesnomundo.Aestimati- vaédequehajacercade14milhões,mas até agora somente 1,7 milhão foi classi- ficado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A biodiversidade garante o equilí- brio dos ecossistemas e, por tabela, do planeta todo. Por isso, qualquer dano provocado a ela não afeta somente as espécies que habitam determinado lo- cal, mas toda uma fina rede de relações entre os seres e o meio em que vivem. A principal ameaça à biodiversidade do planeta é justamente a ação humana. De acordo a World Wildlife Fund, uma das ONGs ambientalistas mais ativas no mundo, em menos de 40 anos o planeta perdeu 30% de sua biodiversidade, sen- do que os países tropicais tiveram uma queda de 60% nesse período. SAIBA MAIS PEGADA ECOLÓGICA Segundo a organização não governamental World Wildlife Fund, o homem está consumindo 30% a mais dos recursos naturais que a Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse ritmo predatório de exploração dos recursos naturais, em 2030 a demanda atingirá os 100%, ou seja, precisaremos de dois planetas para sustentar o mundo. A pressão das atividades humanas sobre os ecossistemas é medida pela pegada ecológica. Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer seus recursos naturais, de renová-los e de absorver os resíduos produzidos pela atividade humana. O índice, apresentado em hectares globais, representa a superfície ocupada por terras cultiva- das, pastagens, florestas, áreas de pesca ou edificadas. Em tese, a sustentabilidade do planeta estaria garantida se cada pessoa no mundo utilizasse 1,8 hectare de área (quase dois campos de futebol). O problema é que essa média é de cerca de 2,7 hectares. Nos países desenvolvidos, esse número é ainda maior – o índice dos Estados Unidos, por exemplo, é de 8 hectares por pessoa. O Brasil apresenta um índice um pouco maior que a média mundial: 2,9 (veja mapa abaixo). THIAGO BAZZI 1,7 6,7 5,1 - 6,7 3,4 - 5,1 1,7 - 3,4 Fonte: Global Footprint Network PEGADA ECOLÓGICA MUNDIAL Em hectares por pessoa VENDA PROIBIDA
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    5 98 GE GEOGRAFIA2018 BIOSFERA A EVOLUÇÃO DO PLANETA Qual é a origem da vida na terra? Nosso planeta surgiu 5 bilhões de anos atrás, após uma complexa cadeia de eventos. As primeiras formas de vida apareceram 1,5 bilhão de anos depois, e o nascimento do homem ocorreu há “apenas” 100 mil anos Da massa de moléculas inanimadas de carbono surgiu a vida há 3,5 bilhões de anos. Parece milagre, mas é pura química. O planeta, então, era frequentemente bombardeado por meteoros, restos da explosão inicial Há quase 5 bilhões de anos, uma estrela explodiu num canto da Via Láctea, espalhando poeira pelo espaço. A gravidade começou a juntar os grãos de poeira em pedaços cada vez maiores. Assim surgiu a Terra 3 BILHÕES As células se espalham pela Terra. Mas o processo é lento, diante da queda de meteoros. O planeta, ainda novo, guarda o calor da explosão estelar, e seu interior quente vive vazando por vulcões. Outro problema são os tórridos raios solares 2 BILHÕES A agitação cósmica e geológica aos poucos vai diminuindo, enquanto o planeta esfria. Forma-se a camada de ozônio, que torna os raios solares menos nocivos e permite o surgimento de formas de vida mais complexas 1 BILHÃO Aparecem células mais complicadas, os eucariontes, que possuem todas as organelas. A vida vai, aos poucos, tomando o planeta, protegida do Sol pela camada de ozônio. Os meteoros são cada vez mais raros 600 MILHÕES Surgem os primeiros organismos multicelulares – todos invertebrados. A variedade de vida aumenta de maneira impressionante. Os oceanos se povoam com os seres mais estranhos ERA ARQUEOZOICA ERA PROTEROZOICA No decorrer da história do planeta, os continentes navegaram sobre a rocha derretida (veja mais na pág. 30) VENDA PROIBIDA
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    99 GE GEOGRAFIA 2018 Detempo em tempo, a vida na Terra sofre um grande golpe e ocorre uma extinção em massa. Foi assim há meio bilhão de anos, quando boa parte dos seres sumiu de repente. Pouco se sabe sobre a tragédia – mas a prova de que ela aconteceu são as conchas fossilizadas de animais marinhos, cuja diversidade teve uma brusca redução Há 230 milhões de anos ocorreu outra grande extinção. Das espécies marinhas, 96% simplesmente sumiram. Algumas teorias acreditam que grandes erupções vulcânicas tenham provocado isso. Essa extinção em massa, conhecida como a do fim do Permiano, foi muito pior do que a que acabou com os dinossauros A culpa pela extinção em massa que assolou o planeta há 65 milhões de anos, matando os dinossauros, geralmente é atribuída a um meteoro, embora ainda haja dúvidas. Paradoxalmente, o cataclismo foi um impulso para a vida: abriu espaço para que outras espécies se desenvolvessem. Fenômeno parecido aconteceu em outras grandes extinções Vivemos hoje outra imensa extinção em massa, esta com uma causa bem diferente das outras: a ação humana. Centenas de espécies somem todos os dias por causa da perda de habitats, principalmente nas florestas tropicais. O homem já é a maior força transformadora do planeta, superando tempestades, furacões e terremotos 400 MILHÕES Há 350 milhões de anos, os vertebrados saem do mar – surgem os anfíbios. Todos os continentes estão unidos em um só grande bloco – a Pangeia, que começa a ser habitada por muitas plantas primitivas (veja mais na pág. 30) 300 MILHÕES Os répteis aparecem há 300 milhões de anos e, em seguida, tomam o planeta. Os primeiros dinossauros passam a ser vistos em todos os continentes. Os insetos também se diversificam muito 200 MILHÕES Há 200 milhões de anos surgem os mamíferos – então não muito mais que ratinhos insignificantes com características de répteis. A Terra ainda é dos dinossauros. Outra inovação: as plantas ganham flores 100 MILHÕES Com a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos, sobra espaço para os mamíferos. Eles se tornam maiores e mais diversificados e herdam o trono do planeta. As aves também se espalham HOJE Surge o homem – há apenas 100 mil anos, insignificantes para a longa história do planeta. A nova espécie vem alterando a Terra como nenhuma antes fizera ERA PALEOZOICA ERA MESOZOICA ERA CENOZOICA 500 MILHÕES Aparecem os peixes primitivos – não muito diferentes dos atuais tubarões. São os primeiros vertebrados. A Terra fica mais interessante 1 2 3 4 1 2 3 4 LUIZ IRIA, RODRIGO MAROJA E DENIS RUSSO BURGIERMAN/REVISTA SUPERINTERESSANTE VENDA PROIBIDA
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    100 GE GEOGRAFIA2018 5 Vegetação mediterrânea Tundra Vegetação de montanha Floresta de coníferas Floresta tropical Estepe/pradaria/pampas Savana/cerrado Floresta temperada Deserto Fonte: The Times Concise Atlas of the World BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO As diferentes paisagens do planeta Conheça as características e a localização dos principais tipos de formação vegetal do planeta N a Geografia, as diferentes for- mações vegetais da Terra são analisadas do ponto de vista da distribuiçãogeográfica,dascaracterísti- casfisionômicasedassuasrelaçõescom o clima, o relevo, os solos e o substrato rochoso.Oestudodavegetaçãotambém deve ser feito sob o ponto de vista da exploração econômica pelo homem e as consequências socioambientais da derrubada das florestas. Veja a seguir as principais formações vegetais do planeta, onde elas se loca- lizam e quais são suas características mais marcantes. 1 DESERTO Nos desertos, a vegetação é esparsa e de poucas espécies. Como as regiões áridas têm índices pluviométricos abaixo de 250 milímetros ao ano, as plantas são xeromórficas, ou seja, adaptadas à ausência de chuvas – os cactos, por exemplo, armazenam água e desenvolvem espinhos no lugar das folhas, para reduzir a evapotranspiração (perda de água na fotossíntese). Nos desertos frios, que ficam em altas latitudes (Patagônia, por exemplo, na América do Sul), as temperaturas variam pouco durante o dia. Já os desertos quentes, como do Atacama, da Austrália e do Saara, ficam em regiões tropicais e, no decorrer do dia, apresentam grande variação de temperatura, despencando de mais de 40 ºC durante o dia para índices abaixo de zero à noite. TIPOS DE VEGETAÇÃO NO MUNDO RESISTENTES Nos desertos, como o do Atacama (Chile), as plantas são adaptadas à falta de água [1] VENDA PROIBIDA
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    101 GE GEOGRAFIA 2018 2VEGETAÇÃO DE MONTANHA A vegetação de montanha é rasteira, formada apenas de ervas e arbustos que, a duras penas, conseguem sobreviver no clima hostil. Algumas características como folhas duras (coriáceas) ajudam a resistir ao frio e aos fortes ventos das altitudes elevadas. Esse tipo de formação vegetal pode ser encontrado em diversas regiões montanhosas pelo mundo, como as encostas da Cordilheira dos Andes (na América do Sul), dos Alpes (na Europa), da Cordilheira do Himalaia (na Ásia) e das Montanhas Rochosas (nos Estados Unidos). 3 FLORESTA DE CONÍFERAS OU FLORESTA BOREAL Floresta homogênea, de pinheiros e abetos, com folhas em formato de agulha (aciculifoliadas) e copas em forma de cone, que acumulam menos neve durante o longo inverno das regiões de latitudes médias e elevadas. No solo, o frio rigoroso também impõe duras limitações para o desenvolvimento das espécies vegetais: há pouca vegetação rasteira, como alguns liquens, musgos e arbustos. A floresta de coníferas é intensamente explorada como matéria-prima para importantes indústrias madeireiras, de papel e celulose. Essa formação é encontrada principalmente no norte da Europa, da América e da Ásia (onde é chamada de taiga). AINDA DE PÉ A floresta de coníferas, encontrada na Letônia, é explorada pela indústria madeireira NAS ALTURAS Só vegetação rasteira consegue suportar o clima hostil das Montanhas Rochosas (EUA) [1] DIVULGAÇÃO [2] MARCELO SACCO [3] iSTOCK PHOTOS [2] [3] APONTE O CELULAR PARA AS PÁGINAS E VEJA VIDEOAULA SOBRE VEGETAÇÃO E BIOMAS (MAIS INFORMAÇÕES NA PÁG. 7) VENDA PROIBIDA
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    102 GE GEOGRAFIA2018 5 4 TUNDRA Desenvolve-se em uma das regiões mais frias do mundo, a do clima subpolar, como no norte da Rússia. Ela é formada por musgos e algumas espécies herbáceas que aparecem no solo somente nos poucos meses de degelo, quando o verão eleva a temperatura para 4 ºC, em média. No resto do ano, o solo fica coberto de neve, motivo pelo qual é denominado permafrost (permanentemente congelado). Por ter uma relação direta com o degelo nas regiões subpolares, a tundra é utilizada como bioindicador para o estudo de possíveis aumentos das temperaturas globais e suas consequências nesse frágil bioma. 5 ESTEPE (CAMPOS, PAMPAS, PRADARIAS) Típica de áreas de clima temperado continental, a estepe é uma formação vegetal pobre, sem árvores, constituída basicamente de gramíneas, que se estende sobretudo em regiões planas, podendo ser encontrada também em relevo montanhoso, como nos planaltos tibetanos. Dependendo da área onde se localiza, recebe um nome diferente: campos, no Brasil; pampas, na Argentina; e pradaria, nos Estados Unidos e no Canadá. Essa flora também é encontrada na África, na Ásia Central e em trechos da Austrália. Por ser constituída de gramíneas, que são pastagens naturais, é comum encontrar, nessas regiões, a agropecuária como atividade econômica principal. O relevo plano e o solo fértil em algumas dessas áreas favorece a produção agrícola. BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO VEGETAÇÃO SUBPOLAR A tundra, formada por musgos e herbáceas, aparece nos poucos meses do degelo em regiões como Manitoba, no Canadá AGROPECUÁRIA As pradarias norte-americanas possuem solos férteis e uma pastagem natural [1] [2] VENDA PROIBIDA
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    103 GE GEOGRAFIA 2018 6FLORESTA TEMPERADA É uma cobertura vegetal típica das latitudes médias – aparece no norte da China, na Coreia do Sul, no Japão, no leste dos Estados Unidos, na Europa e no sudeste da Austrália e Nova Zelândia. Essa floresta é formada por árvores decíduas, chamadas ainda de estacionais, caducas ou caducifólias, ou seja, que perdem as folhas no inverno para suportar as baixas temperaturas. As poucas espécies de árvore, como carvalhos, bordos e faias, são espaçadas, e o solo é recoberto por gramíneas. Grande parte da floresta temperada, contudo, já foi devastada – na Europa, por exemplo, de 70% a 80% da cobertura original já foi perdida; na China, de 80% a 90%. 7 FLORESTA TROPICAL Vegetação das áreas de baixas latitudes, quentes e úmidas; as plantas têm folhas largas (latifoliadas), que absorvem mais energia solar, e são perenes, isto é, não caem no “inverno”, pois as temperaturas permanecem elevadas. O solo é coberto por húmus, formado pela decomposição de galhos, troncos e folhas. As florestas tropicais cobrem grande parte da América do Sul (Região Amazônica), da América Central, da zona equatorial da África, do Sudeste Asiático e do Subcontinente Indiano. ITEM RARO Quase 90% da cobertura original de florestas temperadas na China já foi derrubada ZONA EQUATORIAL A Região Amazônica abriga uma quente e úmida floresta tropical [1] iSTOCK PHOTOS [2] EDWIN OLSON [3] IVAN WALSH [4] iSTOCK PHOTOS [3] [4] VENDA PROIBIDA
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    104 GE GEOGRAFIA2018 5 8 VEGETAÇÃO MEDITERRÂNEA A vegetação mediterrânea é formada por espécies adaptadas a períodos secos, como os garrigues, o maqui – arbustos, moitas e árvores pequenas, como oliveiras – e o chaparral, similar ao maqui, mas menos denso. Essa formação vegetal é encontrada no litoral do Mar Mediterrâneo, na Califórnia (EUA), na Austrália e na África do Sul. A oliveira, da qual se extrai o azeite de oliva, e o loureiro, cuja folha é utilizada como tempero, são espécies nativas da vegetação temperada. O clima mediterrâneo também favorece a produção de uvas e concentram as principais vinícolas do mundo. 9 SAVANA (CERRADO) Na savana, presente em áreas de baixas latitudes, as plantas são rasteiras e há pequenas árvores, distribuídas de maneira esparsa, alternadas com bosques com vegetação arbórea mais desenvolvida. Nas regiões mais secas, predomina a vegetação rasteira e espinhosa. A savana é uma vegetação estacional, marcada por duas estações bem definidas: o período seco (no inverno) e o período chuvoso (no verão). Essas formações são encontradas na África, na Ásia (Índia, principalmente), na Austrália e na América, onde recebe os nomes específicos de lhanos (na Venezuela) e cerrado (no Brasil). A ocorrência de uma prolongada estação seca faz com que as plantas desenvolvam adaptações para reservar e obter água, como as folhas coriáceas e as raízes profundas para atingir o lençol freático. BIOSFERA VEGETAÇÃO NO MUNDO ISOLADAS As pequenas árvores distribuídas de forma esparsa são uma característica da savana africana NA MOITA Arbustos e pequenas árvores são típicas da vegetação mediterrânea, presente na Espanha [1] [2] VENDA PROIBIDA
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    105 GE GEOGRAFIA 2018 PARAIR ALÉM O documentário Home – Nosso Planeta, Nossa Casa, de Yann Arthus-Bertrand, mostra exuberantes imagens aéreas de diversas paisagens e suas transformações decorrentes das ações antrópicas: www.youtube.com/ homeproject SAIBA MAIS HOTSPOTS – AS ZONAS EM PERIGO As zonas do planeta mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas de destruição são defi- nidas pelo conceito hotspots (em inglês, pontos quentes), criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers. São 34 regiões ou biomas, incluindo a Mata Atlântica e o Cerrado brasileiro. Atualmente, elas representam apenas 2,3% da superfície da Terra, mas 50% das espécies de plantas e 42% das de vertebrados terrestres são endêmicas dessas regiões. Os hotspots já perderam 70% da vegetação original. Os 34 hotspots concentram 2,3%da superfícieterrestre 50% daflora 42% dosvertebrados São áreas que já perderam, ao menos, 70% davegetaçãooriginal HOTSPOTS* Polinésia- Micronésia Polinésia- Micronésia Nova Zelândia Nova Zelândia Zona litorânea da Califórnia Ilhas do Caribe Andes tropical Japão Filipinas Cerrado Florestas chilenas Mata Atlântica Bacia do Mediterrâneo Montanhas do sudoeste da China Montanhas da Ásia Central Cáucaso Himalaia Anatólia e Irã Litoral oeste da Índia e Sri Lanka Nova Caledônia Ilhas da Melanésia Ocidental Sudoeste da Austrália Madagáscar e ilhas do oceano Índico Chifre da África Florestas costeiras da África Oriental Planaltos do México Florestas da América Central e do México Galápagos e litoral de Equador e Colômbia Região da Cidade do Cabo Florestas da África Ocidental Malásia e Indonésia Ocidental Indonésia Central Sudeste Asiático Litoral da Namíbia e África do Sul Sudeste sul-africano Montanhas da África Oriental AS REGIÕES RICAS EM DIVERSIDADE BIOLÓGICA MAIS AMEAÇADAS DO PLANETA (2013) Fonte: The Times Concise Atlas of the World Gelo e neve Tundra Taiga Florestas Temperadas Florestas Tropicais Equador Latitude Polo Alta Altitude Baixa A VARIAÇÃO DAS COBERTURAS VEGETAIS DE ACORDO COM A LATITUDE E A ALTITUDE A RELAÇÃO ENTRE CLIMA E VEGETAÇÃO Paraestudarosprincipaistiposdevege- tação, é importante conhecer sua relação com os demais elementos naturais, como o clima. A variação da temperatura e da umidade é um dos fatores que mais in- fluenciam as formações vegetais. À medida que diminui tanto a tempe- ratura como a umidade, menos exube- rante se torna a vegetação e com me- nor número de espécies, ou seja, menor biodiversidade. A região intertropical, mais próxima à linha do Equador, reú- ne o chamado “ótimo climático”: altas temperaturas, pluviosidade elevada e luz intensa, propiciando o desenvolvimento das florestas tropicais pluviais, além de milhares de espécies vegetais. É o caso da Amazônia, que abriga a mais rica bio- diversidade do planeta. Conforme avançamos para altas latitu- desenosaproximamosdospolos,ondehá escassez de luz e baixas temperaturas, a variedadedeplantasdiminuiprogressiva- mente(vejanafigura).Atundra,presente noextremonortedaRússiaedoCanadá, éformadapormusgosealgumasespécies herbáceas,quesurgemnospoucosmeses em que a neve derrete. Masaausênciadeumidade,mesmoem regiõesquentescomoazonaintertropical, levaàformaçãodedesertos,ondepoucas espéciesseadaptam.Issotambémocorre emregiõescomdisponibilidadedeágua, porém com temperaturas muito baixas a ponto de congelá-la (regiões polares), formando os desertos frios. [1] [2] iSTOCK PHOTOS VENDA PROIBIDA
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    5 106 GE GEOGRAFIA2018 BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS Patrimônio em perigo O Brasil é a nação com a maior biodiversidade do planeta, mas seus seis grandes biomas estão sob uma ameaça persistente O Brasil é, de longe, o campeão mundial de biodiversidade: para ter uma ideia, de cada cinco espécies de animais e vegetais conhecidas do planeta, uma encontra-se aqui. O país apresenta, ainda, a maior diversidade de primatas, anfíbios e insetos. Em boa parte, toda essa riqueza deve-se à extensão de seu território e aos diversos climas que caracterizam seus biomas. Está no território nacional a maior floresta tropical úmida (Floresta Amazônica), com mais de 30 mil espécies vegetais, bem como a maior planície inundável (o Pantanal), além do Cerrado, da Caatinga e da Mata Atlântica. Entretanto, como no resto do mundo, sobretu- do nas últimas décadas, o Brasil assistiu, quase impassível, à deterioração de seus ambientes naturais, em virtude de males contemporâneos como a urbanização descontrolada, a explo- ração mineral, o desmatamento a serviço da agropecuária e a poluição. A seguir, conheça toda a exuberância dos seis grandes biomas brasileiros, conforme definição do IBGE, e as ameaças a esse riquíssimo manancial de vida. 1 CAATINGA O BIOMA A Caatinga limita-se apenas ao território brasileiro, o que significa que sua biodiversidade é única em todo o mundo. Seus 826,4 mil quilômetros quadrados representam cerca de 10% do território brasileiro. Apesar do clima semiárido, a Caatinga é pontilhada por “ilhas de umidade”, de solo extremamente fértil. Vivem nesse bioma cerca de 1,2 mil espécies de planta – 360 delas endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta) – e outras tantas de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, as plantas da Caatinga são xerófilas, ou seja, adaptadas ao clima seco e à pouca quantidade de água. Algumas armazenamágua;outraspossuemraízessuperficiais para captar o máximo das chuvas. Há as que contam com recursos para diminuir a transpiração, como espinhos e poucas folhas. A vegetação é formada por três estratos: o arbóreo, com árvores de 8 a 12 metros; o arbustivo, com vegetação de 2 a 5 metros; e o herbáceo, abaixo de 2 metros. A AMEAÇA Os maiores problemas enfrentados pela região são a salinização do solo e a desertificação de grandes áreas, o que acarreta em um processo de redução da vegetação e da capacidade produtiva do solo. Estima-se que, no decorrer dos últimos 15 anos do século passado, 40 mil quilômetros quadrados de caatinga tenham se transformado em deserto. Alguns dos responsáveis por isso são a exploração da vegetação para a produção de lenha e carvão, a contaminação do solo por agrotóxicos e o emprego de técnicas de irrigação inadequadas para o tipo de solo existente ali. Acredita-se que cerca de 50% do bioma já tenha sofrido algum tipo de deterioração e que 20% estejam completamente degradados. BIOMAS BRASILEIROS Fonte: Ibama 2012 AMAZÔNIA PANTANAL PAMPA MATA ATLÂNTICA CAATINGA CERRADO RASO DA CATARINA A região do norte baiano é rica em cactus, vegetação típica da Caatinga DESMATAMENTO Área desmatada 53% Área ocupada por corpos d’água 1% Área de vegetação remanescente 46% Caatinga (826.411 km2 – 2009) 1 2 3 6 4 5 [1] VENDA PROIBIDA
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    107 GE GEOGRAFIA 2018 2CERRADO O BIOMA O segundo maior bioma brasileiro ocupa uma área de 2 milhões de quilômetros quadrados (cerca de 24% do território brasileiro), coberta pela mais rica flora de savana tropical do mundo. São mais de 11 mil espécies vegetais – 44% delas endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). A fauna também é riquíssima, com centenas de espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, caracteriza-se pela presença de pequenos arbustos e árvores retorcidas, com casca grossa. Encontram-se, ainda, gramíneas e o cerradão, tipo mais denso de cerrado que abriga formações típicas de florestas esparsas e disseminadas entre arbustos. A AMEAÇA O Cerrado é uma das regiões mais ameaçadas do globo. Ele é considerado pelos ambientalistas um dos 34 biomas do planeta que exigem atenção especial de preservação, os hotspots (veja mais na pág. 105). De fato, com a Mata Atlântica, é o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana. Sessenta por cento de sua área total é destinada à pecuária, e 6%, à monocultura intensiva de grãos – entre eles, a onipresente soja. A agropecuária fez aumentar a deterioração de uma terra já ferida com o garimpo, a contaminação dos rios por mercúrio, a erosão do solo e o assoreamento dos cursos de água. O cerrado já perdeu quase a metade da vegetação e, se nada for feito para reverter a situação, o bioma pode desaparecer até 2030. Alguns especialistas apontam que o cerrado já está em um ciclo irreversível de extinção e que sua cobertura original não pode mais ser recuperada. 3 MATA ATLÂNTICA O BIOMA Com clima tropical, quente e úmido, a Mata Atlântica possui um relevo de planaltos e serras. Quanto à vegetação, entre as florestas tropicais, a Mata Atlântica é a que apresenta a maior biodiversidade por hectare do planeta, com espécies vegetais como ipê, quaresmeira, cedro, palmiteiro, imbaúba, jequitibá-rosa e figueiras. A vegetação remanescente guarda ainda cerca de 20 mil espécies de planta – 8 mil, endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). De exuberante biodiversidade, apresenta, em alguns locais, mais de 450 espécies de árvore num único hectare. A região reúne, ainda, centenas de espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. A AMEAÇA Como o Cerrado, a Mata Atlântica também é considerada um hotspot, uma das 34 áreas do planeta que exigem ação preservacionista mais urgente. Sua cobertura vegetal ocupava, originalmente, mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, cerca de 13% do território nacional. No entanto, restam apenas cerca de 22% do volume original. Ele foi o bioma que mais sofreu com a urbanização do país – hoje, as cidades da região concentram cerca de 60% da população brasileira. Ecossistema associado à Mata Atlântica, a Mata de Araucárias, localizada, sobretudo, na Região Sul, é o ambiente que sofreu o maior grau de devastação em termos percentuais no país – restam apenas cerca de 2% dos quase 100 mil quilômetros quadrados originais. A derrubada indiscriminada para a expansão das áreas de cultivo e para a produção de papel, celulose e móveis está por trás desse trágico cenário. CONTORCIONISMO As árvores retorcidas do cerrado PARAÍSO AMEAÇADO A Mata Atlântica contorna a Praia do Félix, em Ubatuba (SP) DESMATAMENTO Área ocupada por corpos d’água 1% Área desmatada 48% Área de vegetação remanescente 51% Cerrado (2.039.386 km2 –2010) Área ocupada por corpos d’água 2% Área desmatada 76% Área de vegetação remanescente 22% Mata Atlântica (1.103.961 km2 – 2009) [1] CLAUDIO LARANGEIRA [2] GLADSTONE CAMPOS [3] RENATO PIZZUTTO [2] [3] VENDA PROIBIDA
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    5 108 GE GEOGRAFIA2018 5 PAMPA (CAMPOS SULINOS) O BIOMA Esse bioma cobre 177,8 mil quilômetros quadrados, equivalentes a cerca de 2% do território brasileiro. Os Pampas são vastas extensões de campos limpos, de solo coberto por gramíneas e pontilhado de pequenos arbustos, onde proliferam milhares de espécies de plantas, mamíferos e aves. São campos típicos do Rio Grande do Sul. A região plana, de vegetação aberta e de pequeno porte, forma um tapete herbáceo que não atinge 1 metro de altura, com pouca variedade de espécies. Sete tipos de cactus e de bromélia são endêmicos dos Pampas. A AMEAÇA A ocupação humana acelerada e o emprego de técnicas não sustentáveis de cultivo e criação resultaram na formação de areais em algumas áreas. Os Pampas sofrem, ainda, com a caça predatória e o bombeamento de água dos banhados – ecossistemas alagados, com densa vegetação de juncos e aguapés. 4 AMAZÔNIA O BIOMA Com 4,2 milhões de quilômetros quadrados (equivalentes a cerca de 49% do território nacional), o bioma Amazônia é o maior do país. A paisagem é dominada pela Floresta Amazônica e pela maior bacia hidrográfica do mundo. Essa floresta tem vegetação de folhas largas (latifoliadas), comuns em regiões de clima equatorial, quente e úmido. Ele apresenta três tipos de mata: de igapó (parte do solo inundado); de várzea (periodicamente inundadas); e de terra firme (nas partes mais elevadas do relevo, livres de inundação). Mas, longe de ser uma área homogênea de floresta tropical, o bioma também abarca áreas de campos abertos e manchas de cerrado. As espécies que habitam a região – desde plantas até aves e mamíferos – representam cerca de 20% do total de espécies conhecidas do planeta. A AMEAÇA Todos os anos, a região perde milhares de quilômetros quadrados de vegetação, pelo corte de árvores e pelas queimadas. A floresta tem sido derrubada para a exploração de madeira, a agropecuária, a mineração, além de outras atividades econômicas. O agronegócio responde por uma parcela significativa do desmatamento generalizado: nada menos do que cerca de 40% da produção de carne e soja do país se concentra na Amazônia Legal. Nesse avanço, é visível uma mancha de mata derrubada, conhecida como Arco do Desflorestamento, que representa cerca de 12% da cobertura original da Amazônia (veja o mapa abaixo). Apesar de a área desmatada na Amazônia ter desacelerado nos últimos dez anos, o indicador retomou a trajetória de alta de dois anos para cá. Entre agosto de 2015 e julho de 2016, o total desmatado foi de 7.989 km2 , um aumento de 29% em relação ao período anterior. PARA IR ALÉM O site do Instituto Imazon apresenta informações referentes a políticas públicas e ações não governamentais na Amazônia. Disponibiliza também vídeos e mapas sobre a região: www.imazon.org.br Maranhão Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Tocantins Amapá Mato Grosso Desmatamento até 2012 Formação não florestal Floresta ZONAS DA AMAZÔNIA LEGAL DE ACORDO COM A COBERTURA VEGETAL Fonte: Imazon EXUBERANTEAflorestatropicaldaAmazôniaéamaiordomundo,com30milespéciesdeplantas CAMPO LIMPO Os pampas são típicos do Rio Grande do Sul DESMATAMENTO BIOSFERA BIOMAS BRASILEIROS Área ocupada por corpos d’água 4% Área desmatada 12% Amazônia (4.196.943 km2 – 2007) Área de vegetação remanescente 84% Área ocupada por corpos d’água 10% Área desmatada 54% Área de vegetação remanescente 36% Pampa (177.767 km2 – 2009) [1] [2] VENDA PROIBIDA
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    109 GE GEOGRAFIA 2018 6PANTANAL O BIOMA Situado na bacia do Rio Paraguai, o Pantanal cobre cerca de 1,8% do território nacional, com 151,3 quilômetros quadrados. O menor bioma brasileiro é a maior área alagada de água doce do mundo. Mais de 80% da região permanece intocada, onde proliferam milhares de espécies conhecidas de plantas, aves, mamíferos, répteis e anfíbios. É considerada uma área de transição entre a Amazônia e o Cerrado, ao norte, e o chaco, na bacia do Rio Paraguai, ao sul. Esse mosaico de ecossistemas intercala regiões de cerrado e floresta úmida, além de áreas aquáticas e semiaquáticas. Quanto à vegetação, podem ser identificadas três áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as que não sofrem inundação. Nas áreas alagadas, a vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno e serve de alimento para o gado. Nas de eventuais alagamentos, encontram-se, além de vegetação rasteira, arbustos e palmeiras, como o buriti. Nas que não sofrem inundação, predominam os cerrados e espécies arbóreas da floresta tropical. A AMEAÇA As transformações no Pantanal são lentas, mas implacáveis. A degradação agravou-se nas últimas duas décadas, com o crescimento das cidades e a ocupação da cabeceira de importantes rios que cortam a região. A navegação nos rios Paraguai e Paraná põe em risco as frágeis matas ciliares. Mas a maior ameaça vem da agropecuária: as queimadas para renovação das pastagens, a contaminação das águas e do solo por pesticidas e a introdução de espécies exóticas de capim. O turismo desorganizado, bem como a caça e a pesca predatórias, completam o pacote. Apesar disso, ainda é o bioma mais preservado do Brasil. ZONAS LITORÂNEAS Ao lado dos seis grandes biomas, os ambientalis- tas destacam a zona costeira brasileira como uma região particular, que abriga centenas de ecossiste- mas extremamente ricos e delicados. São mais de 7 mil quilômetros de extensão de litoral, marcados por manguezais, dunas, falésias, praias, recifes e lagunas. O litoral brasileiro pode ser dividido em quatro zonas distintas: Litoral amazônico, do Rio Oiapoque ao Delta do Parnaíba, trecho coberto por manguezais e matas de várzea. Litoral nordestino, do Delta do Parnaíba ao Recôncavo Baiano, que alterna dunas, falésias, restingas e manguezais. É o habitat de várias espécies de tartaruga e do peixe-boi-marinho, em risco de extinção. ZonalitorâneadoSudeste,doRecôncavoàdivisa entreSãoPauloeParaná.Apesardeseraregião maisdensamentepovoada,étambémaquepre- serva as maiores porções de Mata Atlântica. Litoralsul,queabrangeacostadeParaná,Santa Catarina e Rio Grande do Sul, caracteriza-se por manguezais, costões e, a partir de Torres (RS), por uma faixa contínua de praia. A biodiversidade desses ecossistemas está em constante risco, diante da urbanização e suas con- sequências,comodesmatamentodeencostasecon- taminaçãodaságuas.Aespeculaçãoimobiliáriaéa maiordestruidoradavegetaçãonativa,queresulta no deslocamento de dunas e no desabamento de morros. O afluxo exagerado de turistas às cidades litorâneas sobrecarrega os precários sistemas de saneamento e polui os córregos e o mar. Os ecos- sistemasdazonacosteiratambémsãodegradados pelosriosquevêmdointeriordopaísedespejamno litoralresíduosagrícolaseefluentesindustriais.Um dosambientesmaisameaçadosportudoissosãoos mangues.Essesricosecossistemas–comcentenas de peixes, crustáceos e plantas – funcionam como filtros naturais: as raízes parcialmente submersas das árvores retêm sedimentos e impurezas, impe- dindo sua chegada ao mar. ECOSSISTEMA DE TRANSIÇÃO O Pantanal é a maior área alagada de água doce do mundo DESMATAMENTO Área desmatada 15% Área ocupada por corpos d’água 2% Área de vegetação remanescente 83% Pantanal (151.313 km2 – 2009) [1] IRMO CELSO [2] CLAUDIO LARANGEIRA [3] VALDEMIR CUNHA [3] VENDA PROIBIDA
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    110 GE GEOGRAFIA2018 5 5 BIOSFERA PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO C om a evolução da consciência ambiental ao longo das décadas, foramsendocriadosmecanismos legais para proteger áreas de grande importância ecológica. Foi assim que surgiram os parques nacionais, esta- duais e municipais, as reservas ecológi- cas ou extrativistas e as áreas de prote- ção ambiental. Dentrodesseâmbito,podemseriden- tificadasduascorrentesdepensamento: opreservacionismo,quecolocaempri- meiro plano a necessidade de proteção dosecossistemasedoshabitatsnaturaise emsegundoplanoaspopulaçõeshumanas dessasáreas.Jáoconservacionismode- Os limites da exploração Mecanismos legais de proteção ambiental tentam regulamentar o uso da terra e proteger os ecossistemas brasileiros fendeanecessidadedeseprotegeremos ecossistemasnaturaisjuntamentecomas populaçõeshumanas,emespecialospo- vostradicionaisquevivemnesseslocais. A primeira área criada oficialmente para a proteção da flora e da fauna no mundo foi o Parque Nacional de Yellow- stone, nos Estados Unidos, no ano de 1872. Esse parque tinha como objetivo proteger legalmente a vida selvagem e preservar áreas de grande beleza cê- nica, sem a presença de populações humanas. Tratava-se, portanto, de uma visão preservacionista. Esse enfoque também foi adotado em outros países, incluindo o Brasil, onde foi criado o Parque Nacional de Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, na década de 1930. Diversas outras ações semelhan- tes surgiram no país sob essa mesma perspectiva, mas, ao longo do século XX, a visão conservacionista passou a influenciar a criação de Unidades de Conservação (UCs), ou seja, as popula- çõeslocaispassaramaserconsideradas corresponsáveis pela conservação das áreasprotegidas.AtualmenteoSistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc)–criadopelaleifederalnº9.985, de18dejulhode2000,egerenciadopelo MinistériodoMeioAmbiente–classifica as áreas protegidas em dois grupos: Unidades de Proteção Integral – permite apenas o uso indireto dos re- cursosnaturais,pormeiodepesquisa científica, atividades educacionais e turismo ecológico. O objetivo prin- cipal é a preservação da natureza. UnidadesdeUsoSustentável–pre- vê a exploração parcial dos recursos naturais, de acordo com legislação específica para cada área protegi- da. O objetivo é tornar compatível a conservação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais. Em 2016, o Brasil tinha 2.175 uni- dades de conservação continentais, sendo 687 Unidades de Proteção In- tegral e 1.488 de Uso Sustentável. No total, as áreas protegidas no Brasil so- mam 1.583 quilômetros quadrados – oquerepresentacercade18%doterritó- rionacional.Háumaforteconcentração deáreasprotegidasnaAmazônia(cerca de 27,7% do bioma é designado unidade de conservação). Isso não significa que não ocorram transgressões, já que há desmatamentos ilegais, poluição das águas e desrespeito aos direitos dos po- vostradicionais(indígenas,ribeirinhos, seringueiros).AMataAtlânticaeocerra- do,osdoisbiomasbrasileirosnalistade hotspotsmundiais(vejamaisnapág.105), possuem bem menos áreas protegidas doqueaAmazônia(vejagráficoabaixo). Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica Pampa Pantanal Total em terra Total no mar Fonte: Ministério do Meio Ambiente UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (2016) Proporção em área do bioma em unidades de conservação federais, estaduais e municipais, até agosto no ano Preservado Não preservado 27,7% 7,7% 8,6% 10% 2,7% 4,6% 17,9% 1,6% 72,3% 92,3% 91,4% 90% 97,3% 95,4% 82,1% 98,4% RESERVA NATURAL O Parque Nacional de Itatiaia foi criado para preservar sua fauna e flora originais [1] VENDA PROIBIDA
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    111 GE GEOGRAFIA 2018 5BIOSFERA CÓDIGO FLORESTAL 1 . ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) São áreas, cobertas ou não por vegetação nativa, que devem ser protegidas. Essas áreas têm a função ambiental de preservar recursos hídricos, paisagens, estabilidade geológica, biodiversidade, além de proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas que vivem no local. As APPs representam cerca de 20% do território nacional. PRINCIPAIS PONTOS • São admitidos alguns usos, desde que considerados de interesse social ou baixo impacto, somente em áreas rurais consolidadas – trata-se dos imóveis estabelecidos antes da promulgação da Lei de Crimes Ambientais, em julho de 2008. • As multas referentes aos desmatamentos realizados pelas áreas rurais consolidadas serão convertidas em serviços de preservação e melhoria do meio ambiente. APP Topos de morro São consideradas APPs os morros com altura mínima de 100 metros e inclinação média de 25º. APP Encostas São consideradas APPs as encostas com declive acima de 45º. Aquelas com declividade inferior a 45º agora podem ser exploradas sem restrições. APP Nascentes Um raio mínimo de 50 metros deve ser preservado nas áreas não desmatadas. Nas áreas rurais consolidadas, a proteção passou a ser de 15 metros no mínimo. APP Manguezais São consideradas APPs em toda a sua extensão. A nova lei prevê a criação de camarão e salinas em áreas de apicuns e salgados. A ÁREA DE PRESERVAÇÃO VARIA CONFORME O BIOMA 2 . RESERVA LEGAL Área localizada no interior de propriedade rural necessária ao uso sustentável dos recursos naturais. É proibido desmatar a área de reserva legal, mas é permitida a exploração econômica com manejo sustentável. PRINCIPAIS PONTOS • O percentual mínimo de cada propriedade a ser preservado como reserva legal varia conforme o bioma (veja ao lado). Em alguns casos, é permitido incluir as APPs nesse percentual. AMAZÔNIA 80% CERRADO (na Amazônia Legal) 35% CERRADO (fora da Amazônia Legal) 20% OUTROS 20% [2] APP Mataciliar Éaformaçãovegetal presentenasmargensde rios,córregos,lagos,represase nascentes.Suapreservaçãoéimportante paraevitaroassoreamentodosrios,protegeras nascenteseconservarabiodiversidade.Nasáreasainda nãodesmatadas,prevaleceoestabelecidonaleianterior:afaixa demataciliarprotegidavariade30a500metros,conformealargurado cursod’água.MasonovoCódigoémenosrigorosocomasáreasrurais consolidadas.Demodogeral,nessasáreas,afaixademataciliaraser preservadavariade5a100metros,conformeotamanhodoimóvele independentementedalarguradorio. O CódigoFlorestalbrasileirofoicria- do em 1934 para regulamentar a exploraçãodosrecursosnaturais comoamadeira,aborrachaeaágua.Em 2012, essas regras foram modificadas a fim de equilibrar desenvolvimento eco- nômicoepreservaçãoambiental.Masas negociaçõesparaaaprovaçãodonovoCó- digoFlorestalopuseramosinteressesdos grandes proprietários, que defendiam a flexibilizaçãodaleiparaaexpansãoagro- pecuária,edosambientalistas,favoráveis a regras mais rígidas para o desmate. A legislação ambiental no Brasil O Código Florestal brasileiro regulamenta o uso da terra para tentar equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental Os principais pontos da lei aprovada dizem respeito às regiões em que é per- mitido o desmate e às zonas que devem serprotegidasemumapropriedadepar- ticular. Ela regulamenta o uso da terra nas áreas de preservação permanente (APPs), como topos de morro, encostas enascentes,enasreservaslegais(vejaas definições abaixo). A redução das áreas protegidas e a isenção de multa a quem desmatou até 2008 são os temas mais controversos. Veja, a seguir, os princi- pais aspectos da lei ambiental. O NOVO CÓDIGO FLORESTAL [1] LEO FELTRAN [2] FARREL/AE VENDA PROIBIDA
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    112 GE GEOGRAFIA2018 5 BIOSFERA CONFERÊNCIAS AMBIENTAIS D evido à pressão crescente da comunidade científica, além de ONGs,movimentossociaiseou- trossetoresdasociedadecivil,asquestões ambientaispassaramaintegraraagenda políticainternacional.Desdeoprimeiro evento com a presença de chefes de Es- tado para tratar da temática ambiental, ocorrido em Estocolmo, em 1972, até a Rio+20, em 2012, houve alguns avanços no combate à degradação ambiental, como a aprovação de documentos, ado- çãodeprincípioscomunseassinaturade convençõesemdefesadomeioambiente. Avançou-se também na perspecti- va adotada: a maioria dos governantes concordaatualmentequeaquestãoam- biental não está desvinculada das ques- Ambientalismo em pauta Eventos internacionais reúnem lideranças políticas e científicas para debater as questões ambientais. Mas os compromissos dos países para promover os avanços necessários ainda são tímidos tões sociais, ou seja, não basta cuidar do meio ambiente, é preciso atender às necessidades das populações humanas, sobretudo dos mais pobres. Critica-se, porém, a lentidão na implantação de medidas que de fato contribuam para essas transformações, condicionadas às relações econômicas. Os principais eventos ambientais O primeiro evento com a presença de chefes de Estado para tratar da te- mática ambiental foi a Conferência Mundial de Estocolmo, ocorrido em 1972 na capital da Suécia. Promovida pela ONU, o encontro abordou pela pri- meira vez a produção dos países ricos como causa importante da degradação VENDA PROIBIDA
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    113 GE GEOGRAFIA 2018 SAIBAMAIS DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL A pressão sobre a biodiversidade do pla- neta advém principalmente de um padrão de desenvolvimento econômico baseado na superexploração dos recursos naturais. Para tentar impor limites ao uso predatório do meio ambiente, a Comissão Mundial sobre o MeioAmbienteeDesenvolvimentodaOrgani- zação das Nações Unidas (ONU) apresentou, em 1987, o relatório Nosso Futuro Comum, que define o importante conceito norteador de desenvolvimento sustentável, aquele que “atende às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades”. A ideia de sustentabilidade diz respeito à noção de que a sociedade deve viver com os recursos naturais que o meio ambiente pode lhe fornecer, e não com o que ela deseja que a Terra lhe forneça. O desafio é aliar o progresso econômico à preservação do meio ambiente, o que exige uma mudança no mo- delo de desenvolvimento e nos padrões de consumo vigentes. da natureza. Foram debatidas também questões referentes ao controle de na- talidade e a estagnação econômica. A Declaração de Estocolmo reuniu 26 princípios e ações voltadas para a redução dos impactos ambientais. A Eco 92 também representou ou- tro marco importante. A conferência mundial sobre meio ambiente realizada no Rio de Janeiro, em 1992, foi organi- zada com o objetivo de minimizar os impactos ambientais a partir de um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável (veja mais sobre o conceito de sustentabilidade ao lado). O encon- tro aprovou o documento Convenção sobre a Mudança do Clima, que trata do aquecimento global, e a Convenção FALTA PLANEJAMENTO PARA QUE O BRASIL INVISTA NUM MODELO VERDE, DIZ ESTUDO Enquanto parte do mundo investe em uma novaindústriaqueproduzamais,poupeener- gia e, assim, suje menos o ambiente com gases do efeito estufa, o Brasil segue parado nessa transição. É o que concluiu um estudo sobreosetorfeitopeloInstitutoEscolhas(...). “O grosso da indústria nacional é de baixa e média tecnologias. É também bastante poluente e ineficiente, com uma aposta em commodities sem valor agregado”, afirma Ricardo Sennes, diretor da consultoria Pros- pectiva. (...) A atual indústria de base do país, que fabrica insumos para setores fundamen- tais da economia, como a construção civil, é dependentedemuitaenergiaparaoperar.(...) Folha de S.Paulo, 28/11/2016 SAIU NA IMPRENSA sobre a Diversidade Biológica, sobre a preservação de ecossistemas. Além disso, elaborou a Agenda 21, um plano que estabelece estratégias globais para promover o desenvolvimento susten- tável no mundo, que envolve mudan- ças de padrão de consumo e produção, principalmente pelos países mais ricos. A partir da Eco 92, estabeleceu-se a realização de encontros anuais, deno- minados Conferência Geral das Partes (cuja sigla é COP), para aprofundar as discussões ambientais. Na terceira COP, realizada em Kyoto, no Japão, foi assi- nado o Protocolo de Kyoto, o primeiro acordo oficial com metas e prazos para a redução de gases do efeito estufa (veja mais na pág. 90). Dez anos depois da realização da Eco 92,acidadedeJohannesburgo,naÁfrica do Sul, sediou a Rio+10 para discutir os avançosobtidosdesdeoencontronoRio de Janeiro. Ao final do evento foi elabo- rado um plano para a implementação da Agenda 21, que, entretanto, frustrou expectativas por ter sido apenas um documentodediretrizesesoluções,que não tinha força de lei. Em 2012, o Rio de Janeiro voltou a reunir lideranças mundiais de todo o mundo para fazer um balanço da Eco 92.ARio+20desenvolveuoconceitode “economiaverde”,quepropõeaconstru- ção de uma sociedade sustentável, que freie a degradação do meio ambiente e, simultaneamente, combata a pobreza e asdesigualdades.Odocumento“Ofuturo que queremos” mantém o princípio das “responsabilidadescomuns,masdiferen- ciadas”, cuja diretriz determina que os paísesricosdevemarcarcomosmaiores custosambientaisporterememitidomais poluentes para se desenvolverem. Essa discussão domina o debate am- biental atualmente. O acordo obtido na COP-21,realizadaemdezembrode2015 emParis,representaumimportantepas- so nesse sentido, já que estabeleceu a criação de um fundo de 100 bilhões de dólares anuais, financiado pelos países ricos, para auxiliar as nações em desen- volvimento. Mas o fato de as metas para redução das emissões de gases serem voluntárias pode restringir os avanços (veja mais na pág. 90). MARCO ECOLÓGICO AEco92,realizada noRiodeJaneiro, em1992,reuniu autoridadesdetodoo mundoparadebatera mudançaclimáticaea preservaçãoambiental WILSON PEDROSA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE VENDA PROIBIDA
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    114 GE GEOGRAFIA2018 COMO CAI NA PROVA 5 1.(Enem 2016) (segunda aplicação) CÚPULA DOS POVOS COMEÇA COMO CONTRAPONTO À RIO+20 EnquantoaconferênciaoficialnoRiocentro,naBarra,érestritaaparticipantes credenciados,quesóentramdepoisdepassarporumfortecontroledeseguran- ça, a Cúpula dos Povos é aberta ao público, em tendas ao ar livre no Aterro do Flamengo.Elaéabertatambémàstribosediscussõesmaisdiversas,emmesas dedebateepainéisgeridospelosprópriosparticipantes,buscandopromover amobilizaçãosocial.Problemasambientais,econômicos,sociais,políticosede minoriasserãodiscutidosnoevento,afirmaumaativistanorte-americana,em alusãoaomovimentoqueocupouWallStreet,emNovaYork,noanopassado. Disponível em. www.bbc.co.uk. Acesso em: 14 ago. 2012. Umaarticulaçãoentreasagendasambientalistaseaantiglobalizaçãoindicaa a) humanização do sistema capitalista financeiro. b) consolidação do movimento operário internacional. c) promoção de consenso com as elites políticas locais. d) constituição de espaços de debates transversais globais. e) construção das pautas com os partidos políticos socialistas. RESOLUÇÃO ACúpuladosPovosfoiumeventoparaleloàConferênciaRio+20,ocorridanoRio deJaneiroem2012.Elateveumcaráterdemocráticoepermitiuaparticipaçãode pessoasdeváriaspartesdomundo,comoobjetivodediscutirostemasabordados no âmbito das reuniões oficiais. Dessa forma, movimentos sociais e populares, sindicatos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos puderam realizar debates, tendo como temas principais a justiça social e questões ambientais. Dessa forma, os participantes do evento mostraram como as demandas de ambientalistas e de movimentos antiglobalizaçãosãoconvergentes,justificandoarealizaçãodeumdebateparalelo. Resposta: D 2.(CFTMG 2017) Observe o mapa em sequência. A partir da análise do mapa, é INCORRETO afirmar que a vegetação primária indicada pela letra a) C, caracteriza-se por espécies latifoliadas de grande porte, com regimes pluviométricos elevados. b) D,possuiumperfilmorfológicodiverso,englobandodesdecamposherbáceos até árvores esparsas. c) B, é relativamente homogênea, sendo historicamente impactada pela explo- ração da madeira e da celulose. d) A, é marcada pela presença de pequenos vegetais espaçados entre si, com predominância de líquens e musgos. RESOLUÇÃO A alternativa incorreta, como pede a questão é a A. A área C apresenta descrição errada,poiscorrespondeàspradarias,tambémdenominadascamposouestepes. Écaracterizadaporformaçõesvegetaisarbustivaseherbáceas,alémdevegetação xerófila em alguns casos. É um tipo de vegetação associada a clima temperado continental e semiárido. Asoutrasregiõesapontadasnomapapodemseridentificadasdaseguinteforma: A letra A indica a formação vegetal chamada de tundra. A letra B corresponde às florestas boreais, também chamadas de floresta de coníferas ou taiga. A letra D corresponde a formação vegetal denominada savana. Resposta: A 3. (UEL 2017) Analise as figuras a seguir. Disponível em: http://www.ispn.org.br/arquivos/mapa-desmatamento-cerrado.jpg. Acesso em: 12 ago. 2016. As figuras 1 e 2 mostram a distribuição da vegetação no bioma Cerrado nos estados brasileiros. Cite e explique dois fatores que justificam as alterações ocorridas ao longo do tempo. RESOLUÇÃO Em meados do século XX, o bioma do Cerrado, um tipo de vegetação complexo adaptadoaoclimatropical,localizadoprincipalmentenaporçãocentraldoBrasil, passou por um intenso processo de degradação ambiental. Cerca de 50% de sua cobertura vegetal foi devastada. Esse fato está associado à abertura de rodovias eàconstruçãodeBrasília.Podemosrelacionaradevastaçãotambémàexpansão da fronteira agrícola na região. O governo estimulou a ocupação das terras para a realização de práticas agropecuárias, fato que incentivou um crescente fluxo migratório (do Sul, do Sudeste e do Nordeste). A expansão do cultivo da soja e a utilização do Cerrado para pastagens ampliaram os problemas ambientais e também explicam a representação na Figura 2. VENDA PROIBIDA
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    115 GE GEOGRAFIA 2018 RESUMO Biosfera BIODIVERSIDADEÉ a variabilidade de organismos vivos de todasasorigensexistentes(animais,vegetaisemicrorganismos) nos ecossistemas terrestres e aquáticos. A biodiversidade for- neceamatéria-primaparaprodutosessenciaisàsobrevivência humana,incluindomadeira,alimentosemedicamentos.Ações humanas como desmatamentos, ocupação desordenada e poluição de solos e rios são a grande ameaça à diversidade biológica e provocam extinção de espécies. SUSTENTABILIDADE O conceito de desenvolvimento sus- tentável propõe utilizar os recursos naturais de forma que a natureza os consiga repor, para garantir as necessidades das gerações futuras. Essa ideia tem como objetivo conciliar o desenvolvimentoeconômicocomorespeitoaomeioambiente. ECOSSISTEMAS São áreas de qualquer dimensão onde há uma relação de interdependência entre os seres vivos (plan- tas, animais e decompositores) e os fatores físicos do meio ambiente, como o solo e a água. VEGETAÇÃO NO MUNDO São nove os principais tipos de vege- tação:deserto,estepe(campos,pampas,pradaria),florestade coníferas,florestatemperada,florestatropical,savana/cerrado, tundra, vegetação de montanha e vegetação mediterrânea. As regiões de baixa latitude, onde há maior incidência de chuva e luz solar, propiciam maior diversidade vegetal. Conforme a latitude vai aumentando, a variedade de plantas diminui progressivamente. BIOMAS BRASILEIROS Biomas são comunidades formadas por organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às condições ambientais de uma grande região. Os seis grandes biomasbrasileirossão:aAmazônia(omaiordopaís),aCaatinga (exclusivamentebrasileiro),oCerrado(umdosmaisameaçados do mundo), a Mata Atlântica (possui apenas 22% de vegetação remanescente), o Pampa (também modificado, é usado como pastagem) e o Pantanal (o mais bem preservado). DESMATAMENTO A extração da madeira, a agropecuária, o avanço das cidades e a exploração mineral são as principais ações que exercem pressão sobre as florestas. Mais de 75% da cobertura vegetal original do mundo já foi desmatada. No Brasil, a Amazônia já perdeu 12% da sua cobertura original; a Mata Atlântica e o Cerrado estão entre os biomas mais amea- çados do planeta. CÓDIGO FLORESTAL Sancionado em outubro de 2012, o novo Código Florestal pretende regulamentar o uso da terra. Ambientalistas criticam a ampliação da área permitida para o desmatamento, o que era uma exigência dos produtores rurais. A isenção de multa a quem desmatou até 2008 é outro tema controverso. SAIBA MAIS AregiãodoCerradorespondepormaisde60%detodaaproduçãodesojanoBrasil. Vejanomapaabaixocomooseucultivoocupaquaseatotalidadedobioma. O CERRADO E A ÁREA DE PRODUÇÃO DE SOJA NO BRASIL Fonte: Confederação Nacional do Transporte e IBGE Quantidade produzida de soja em milhares de toneladas Em 2013 30 a 300 Acima de 300 0 1000 Km Bioma do Cerrado 4.(Uerj 2016) BIODIVERSIDADE? CONHEÇO DE ALGUM LUGAR... Ter ouvido falar em biodiversidade é uma coisa. Saber definir o termo, outra – pelo menos segundo uma pesquisa global realizada pela União para o Bio- Comércio Ético (UEBT), associação sem fins lucrativos que busca promover o usorespeitosodabiodiversidade.Foramouvidasmilpessoasemcadaumdos dezesseis países participantes, incluindo o Brasil. Por aqui, embora 92% dos entrevistadosjátenhamouvidofalarnoassunto,apenas44%delesconseguem dar uma definição satisfatória do termo – um número alto se comparado à médiamundial,de28%.Aindasegundoosresultadosdapesquisa,atelevisão e o rádio são as maiores fontes de informação que os brasileiros têm sobre biodiversidade, seguidas pela escola e por artigos em jornais e revistas. Adaptado de cienciahoje.uol.com.br, 30/07/2015. De acordo com a Convenção sobre a Diversidade Biológica de 1992, biodiver- sidade é a variedade de organismos vivos existentes no planeta ou em uma determinada região do globo, incluindo ecossistemas terrestres e marinhos. Aponte dois fatores que provocam a perda da biodiversidade de uma região. RESOLUÇÃO Entre os fatores que interferem negativamente na biodiversidade de uma região, é possívelcitaraurbanização–ohabitatnaturalcostumaserafetadopelaconstrução deestradaseporobrasdeinfraestrutura.Tambémafetamabiodiversidadeodesma- tamentoparaaintroduçãodeculturasagrícolasoupastagemeacontaminaçãodos ambientesporpesticidas,agrotóxicoselixoindustrial. VENDA PROIBIDA
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    116 GE GEOGRAFIA2018 A TERRA É AZUL (E AMARELA) Imagem de satélite mostra o planeta visto do espaço – os pontos luminosos são da cidade de Moscou, capital da Rússia A superfície do planeta é dividida em seis continentes, as grandes extensões de terra emersas limitadas pelas águas de mares e oceanos. Eles ocupam 150.377.393 quilômetros quadrados, dimensão que corresponde a 29,4% da superfície total do globo. Mas nem sempre foi assim. Há cerca de 400 milhões de anos, as terras do planeta estavam reunidas em um único continente, chamado de Pangeia – em grego, pan significa toda; e geia, terra. Esse imenso bloco começou a rachar no sentido leste-oeste por volta de 200 milhões de anos atrás e, aos poucos, seus terri- tórios foram se afastando uns dos outros, dando origem aos continentes como conhecemos hoje (veja mais na pág. 30). A atual configuração física do globo foi estabelecida há 65 milhões de anos, em decorrência desse processo de deslocamento da crosta. O movimento constituiu os seis continentes existentes: África, América, Antártica (ou Antártida), Ásia, Europa e Oceania. A América, por sua vez, é subdividida em três: América do Norte, América Central e Confira a seguir um abrangente retrato físico, econômico e social das seis grandes extensões de terra do planeta O mundo em resumo CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO Mapa-múndi ............................118 Perfil dos continentes ..........120 África..........................................121 América .....................................122 Antártica...................................123 Ásia .............................................124 Europa e Oceania...................125 Brasil..........................................126 Perfil das regiões....................128 Centro-Oeste e Nordeste......129 Norte e Sudeste.......................130 Sul ...............................................131 DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Alitosferanãoécontínua,masdivididaemváriosblocos,denominados placas tectônicas. Elas são separadas por grandes fendas vulcânicas em permanente atividade no fundo do mar. Através dessas fendas, o magmasobeàsuperfície.Issoexpandeofundodomaremovimenta,em váriasdireções,osblocosqueformamasuperfície(vejamaisnapág.30). A própria distribuição das superfícies continentais se dá de forma desigual, correspondendo a 40,4% da área do Hemisfério Norte e a apenas 14,4% da do Hemisfério Sul. As regiões polares também são distintas. No sul, há um continente – a Antártica – coberto por espessa camada de gelo; já no norte, existe uma grande depressão, coberta pelo Oceano Ártico. ATLAS 6 América do Sul. Vale ressaltar que o Ártico, região de mares e águas congeladas, não é um continente. Como você verá nas páginas seguintes, os continentes apresentam características físicas, sociais e econômicas bastante diferenciadas. VENDA PROIBIDA
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    117 GE GEOGRAFIA 2018 POPULAÇÃO AÁsia é o maior e mais populoso dos continentes, reunindo quase 60%doshabitantesdoglobo.Étambémoberçodealgumasdasmais antigascivilizaçõesereligiõesdomundo.Asduasnaçõescomamaior populaçãoestãonocontinenteasiático:China(1,4bilhãodepessoas) e Índia (1,3 bilhão). Em contrapartida, o crescimento demográfico na Europa está pra- ticamente estagnado. No período entre 2010 e 2015, a ONU estima que sua população tenha crescido apenas 0,1%. Com isso, a Europa acabanecessitandodemãodeobraespecializadadeoutraspartesdo planeta. A discussão em torno da imigração ilegal de trabalhadores semqualificaçãosetornacadavezmaisintensaetemsidomotivode criação de diversas – e polêmicas – legislações restritivas. JánaAmérica,osEstadosUnidos(EUA),porsuaforçaeconômica,são o principal polo receptor de imigrantes. Em 2015 viviam no país 43,3 milhõesdeimigrantes,querepresentam13,5%dapopulaçãototal.Os mexicanosformamomaiorgrupo,constituindo11,6milhões–sónoano passado,pelomenos140milpessoasmigraramdoMéxicoparaosEUA. ECONOMIA Do ponto de vista dos recursos naturais, a Ásia abriga as maiores jazidas conhecidas de petróleo, em particular no Oriente Médio e nos países de sua região central. A África, por sua vez, apresenta os problemas sociais mais agudos, especialmente na região ao sul do Deserto do Saara (a África Subsa- ariana). Embora o continente reúna as maiores reservas de minérios e pedras preciosas do planeta, sua população vive em extrema mi- séria. Bolsões de pobreza também são encontrados na maior parte da Ásia e nas porções central e sul da América, que, com o México, formam a América Latina. A produção de riquezas concentra-se principalmente na América do Norte e na Europa: a soma do Produto Interno Bruto (PIB) dos países dessas regiões é superior a 50% do total do planeta. Nessas nações estão os indicadores sociais mais positivos do mundo, que garantem boas condições de vida a ampla parcela da população. Na Ásia, destacam-se China e Japão – segunda e terceira maiores economias mundiais, respectivamente. NASA VENDA PROIBIDA
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    CÍRCULOPOLARA N T Á R T I C O OCEANOATLÂNTICO OCEANOPACÍFICO POLOSUL Mar de Weddell MardeDavis MardeRoss MardeAmundsen MardeBellingshausen CÍRCULOPOLARÁR T I C O RÚSSIA GROENLÂNDIA Finlândia Suécia Islândia Noruega ALASCA CANADÁ POLONORTE POLOSUL POLO NORTE ILHASFALKLAND (MALVINAS) PANAMÁ ARGENTINA COLÔMBIA EQUADOR PERU VENEZUELA BRASIL ANTÁRTICA BOLÍVIA CHILE URUGUAI PARAGUAI GUIANAFRANCESA SURINAME GUIANA PORTO RICO REP.DOMINICANA HAITI JAMAICA CUBA NICARÁGUA COSTARICA HONDURAS BELIZE GUATEMALA ELSALVADOR MÉXICO BAHAMAS ESTADOSUNIDOS DAAMÉRICA CANADÁ ALASCA (EUA) RÚSSIA ILHASHAVAÍ (EUA) ILHASSAMOA TONGA OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO TRÓPICODECAPRICÓRNIO TRÓPICODECÂNCER CÍRCULOPOLARANTÁRTICO EQUADOR I.Marquesas (FRA) I.Tahiti (FRA) P O L I N É S I A A m . L a t . e C a r i b e Á f r i c a Á s i a A m . d o N o r t e E u r o p a O c e a n i a 1.216,1 360,5 641 Á f r i c a A m . L a t . e C a r i b e Á s i a A m . d o N o r t e E u r o p a O c e a n i a 40,2 31,8 19,3 98,4 71,2 4,6 Á f r i c a A m . d o N o r t e A m . L a t . e C a r i b e Á s i a E u r o p a O c e a n i a 40,1 79,5 82,6 48,7 74,2 71,3 Em milhões, 2016 POPULAÇÃO Habitantes/km², 2016 DENSIDADE Em %, 2016 POPULAÇÃO URBANA Fonte: Banco Mundial e ONU 0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000 4.436,2 738,8 39,6 0 10 30 50 70 20 40 60 90 80 0 20 10 30 40 50 70 90 60 80 118 GE GEOGRAFIA 2018 ATLAS MUNDO VENDA PROIBIDA
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    Í PORTUGAL ESPANHA ANDORRA MÔNACO VATICANO SANMARINO LIECHTENSTEIN ITÁLIA TURQUIA GEÓRGIA SÍRIA CHIPRE BULGÁRIA GRÉCIA MALTA ALBÂNIA MACEDÔNIA RÚSSIA REINO UNIDO IRLANDA DINAMARCA NORUEGA SUÉCIA FINLÂNDIA ESTÔNIA LETÔNIA LITUÂNIA BELARUS UCRÂNIA MOLDÁVIA ROMÊNIA ALEMANHA HOLANDA BÉLGICA FRANÇA SUÍÇA LUXEMBURGO ESLOVÁQUIA REP.TCHECA ÁUSTRIAHUNGRIA ESLOVÊNIA BÓSNIA– HERZEGOVINA SÉRVIA CROÁCIA POLÔNIA FEDERAÇÃODOS ESTADOSDA MICRONÉSIA I l has Virgens (RUN) (EUA) I. Anguilla (RUN) I. S. Martin (FRA e HOL) ANTÍGUA E BARBUDA I. Guadalupe (FRA) DOMINICA I. Martinica (FRA) SANTA LÚCIA BARBADOS GRANADA TRINIDAD E TOBAGO I. Margarita (VEN) I. Blanquilla (VEN) I. Orchilla (VEN) I. La Tortuga (VEN) I. Bonaire (HOL) I. Curaçao (HOL) MardoCaribe I. Aruba (HOL) AMÉRICA DO SUL REP. DOMINICANA SÃO CRISTÓVÃO E NÉVIS I. Montserrat (RUN) SÃO VICENTE E GRANADINAS Porto Rico (EUA) MONTENEGRO I.GEÓRGIADOSUL LÍBIA TUNÍSIA ARGÉLIA MARROCOS PORTUGAL ESPANHA ITÁLIA TURQUIA GEÓRGIA UZBEQUISTÃO IRÃ ARÁBIA SAUDITA EGITO OMÃ EMIRADOS ÁRABESUNIDOS CATAR BAREIN KUWAIT JORDÂNIA IRAQUE SÍRIA LÍBANO ISRAEL CHIPRE BULGÁRIA GRÉCIA ARMÊNIA AZERBAIJÃO MADAGASCAR MAURÍCIO COMORES SEICHELES SOMÁLIA ETIÓPIA DJIBUTI ERITREIA SUDÃO SUDÃO DOSUL REPÚBLICA CENTRO- AFRICANA UGANDA QUÊNIA BURUNDI TANZÂNIA ZÂMBIA MALAUÍ MOCAMBIQUE SUAZILÂNDIA LESOTO ÁFRICA DOSUL BOTSUANA ZIMBÁBUE NAMÍBIA ANGOLA REP.DEM. DOCONGO RUANDA IÊMEN MALI NÍGER CHADE CAMARÕES NIGÉRIA CONGO GABÃO GUINÉEQUATORIAL TOGO BENIN BURKINA FASSO COSTA DO MARFIM GANA LIBÉRIA SERRALEOA GUINÉ GUINÉ-BISSAU GÂMBIA SENEGAL CABO VERDE MAURITÂNIA Ilhas Canárias Saara Ocidental AÇORES (POR) ÍNDIA SRILANKA MALDIVAS MIANMAR CHINA BUTÃO NEPAL PAQUISTÃO BANGLADESH LAOS TAILÂNDIA CAMBOJA BRUNEI MALÁSIA CINGAPURA INDONÉSIA FILIPINAS VIETNÃ TAIWAN (FORMOSA) TIMOR-LESTE PAPUA NOVA-GUINÉ AUSTRÁLIA NOVA CALEDÔNIA (FRA) NOVA ZELÂNDIA FIJI VANUATU SALOMÃO KIRIBATI NAURU ILHAS MARSHALL JAPÃO COREIA DONORTE COREIA DOSUL MONGÓLIA QUIRGUISTÃO TADJIQUISTÃO AFEGANISTÃO TURCOMENISTÃO CAZAQUISTÃO RÚSSIA ISLÂNDIA REINO UNIDO IRLANDA DINAMARCA NORUEGA SUÉCIA FINLÂNDIA ESTÔNIA LETÔNIA LITUÂNIA BELARUS UCRÂNIA ROMÊNIA ALEMANHA FRANÇA ÁUSTRIA HUNGRIA GROENLÂNDIA (DIN) ProjeçãoRobinson SÃOTOMÉ EPRÍNCIPE POLÔNIA OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANOANTÁRTICO OCEANOÁRTICO OCEANO ÍNDICO Mar do Norte Mar Mediterrâneo Mar Negro CÍRCULOPOLARÁRTICO M E L A N É S I A M I C R O N É S I A TUVALU N 119 GE GEOGRAFIA 2018 VENDA PROIBIDA
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    PRODUTO INTERNO BRUTO(PIB) – 2015* (em % por continente) Europa 26,3 África 3,1 Ásia 33,5 América 34,6 Oceania 2,5 Europa 9,9 África 16,4 Oceania 0,5 Ásia 59,7 América 13,5 POPULAÇÃO – 2016* Distribuição, em % *Total de 7,432 bilhões em 2016 *Total mundial: 74,2 trilhões de dólares PIB PER CAPITA – 2015 (em dólares) 1.884 África 25.151 América 5.489 Ásia 25.714 Europa 46.623 Oceania ÁREA DISTRIBUÍDA (em %) Total mundial: 150.377.393 km2 Ásia 30,0 África 20,1 América 27,9 Europa 6,9 Oceania 5,7 Antártica 9,3 América Ásia Oceania Europa África Antártica Fontes: Fundo de Populações das Nações Unidas e Banco Mundial 120 GE GEOGRAFIA 2018 ATLAS MUNDO Perfil dos continentes O que dizem os números COMPARANDO ÁSIA E AMÉRICA A Ásia é o maior continente do planeta em área, superando por apenas 2,1% a América. No entanto, a população asiática representa quase 60% de todos os habitantes do mundo, muito acima dos indicadores da América, que somam apenas 13,5%. Esse elevado povoamento diz muito a respeito do Produto Interno Bruto (PIB) asiático, que é responsável por um terço de toda a riqueza produzida no mundo. Mas perceba que, mesmo com uma população quatro vezes menor que a asiática, a América tem um PIB 1,1% superior. Essa diferença se traduz nos dados de PIB per capita, ou seja, o quanto cada habitante do continente recebe por ano. Enquanto os asiáticos ganham apenas 5.489 dólares por ano em média, os trabalhadores da América recebem 25.151 dólares. VENDA PROIBIDA
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    122 GE GEOGRAFIA2018 ATLAS MUNDO AMÉRICA 72% do produto interno bruto das Américas é gerado nos Estados Unidos Trêsemum S egundo continente mais extenso, com área de 42 milhões de quilômetros qua- drados, a América é formada por duas grandes massas de terra (América do Norte e América do Sul), unidas por uma estreita faixa (América Central). Um sistema de cadeias mon- tanhosas percorre o território em sua porção oeste, sem interrupção, desde o Estreito de Magalhães, no extremo sul, até o Estreito de Bering, no extremo norte. Nenhum continente apresenta tamanho dese- quilíbrioregionalquantoaAmérica.Aonorte,os Estados Unidos (EUA) e o Canadá são duas das maisdesenvolvidasnaçõesdoplaneta,enquantoos outrospaíses–quecompõemaAméricaLatina– estãonumníveldedesenvolvimentobeminferior. AMÉRICA DO NORTE A América do Norte é ocupada por três grandes paí- ses: Canadá, EUA – bastante desenvolvidos – e México, menos desenvolvido. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Compreende uma área de 23,4 milhões de quilômetros quadrados. Suas principais elevações se localizam a oeste, enquanto a maior bacia hidrográfica,adoMississippi-Missouri,sesituaaleste.A maiorilhadomundoficanaAméricadoNorte:Groenlân- dia, com quase 2,2 milhões de quilômetros quadrados. Naporçãonorte,declimacontinentalfrio,predominam as florestas de coníferas; o centro e o sudeste, de clima continental, são ocupados por florestas temperadas e pradarias; no sudoeste, há desertos. POPULAÇÃOAbrigacercade489,2milhõesdehabitantes em2016.Amaioriadescendedecolonizadoreseuropeus, de escravos africanos e de vários grupos de imigrantes. Os principais centros urbanos encontram-se na Cidade do México, em Nova York e Los Angeles. ECONOMIA É plenamente industrializada nos Estados Unidos e no Canadá e, em menor grau, no México. A América do Norte apresenta agricultura altamente me- canizada, com destaque para a produção de cereais, milho, soja e laranja. Além disso, possui vastas reservas de combustíveis fósseis e minérios. AMÉRICA CENTRAL A região, que responde por apenas 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da Amé- rica, sobrevive basicamente da agricultura e do turismo. Pelo Canal do Panamá, a principal passagem entre o Oceano Atlântico e o Pacífico, circulam 5% de todo o comércio marítimo mundial. A região abriga, ainda, a única nação comunista do continente americano: Cuba. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A América Central, com 748,6 mil quilômetros quadrados, é formadapeloistmoqueuneaAméricadoNorteàAméricadoSulepelasilhasdoMardo Caribe.Oterritóriocentro-americanopossuirelevomontanhoso,comváriosvulcõesativos. Noverão,oCaribeéassoladoporfuracões,comventosdeaté300quilômetrosporhora. POPULAÇÃOReúne89,9milhõesdehabitantesem2016.Aregiãoépovoadaemgran- de parte por mestiços, descendentes de índios, africanos e colonizadores europeus. ECONOMIA A agricultura emprega a maioria da população. A industrialização é incipiente e limita-se ao processamento de produtos agrícolas. O turismo na região do Caribe está em plena expansão. FENDA CONTINENTAL Navios cruzam o Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico BELEZA AMERICANA O Grand Canyon, nos Estados Unidos, tem paredões com quase 2 mil metros de altura [1] [2] VENDA PROIBIDA
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    123 GE GEOGRAFIA 2018 ANTÁRTICA Cercade 70% das reservas de água doce da Terra estão sob a forma de gelo na Antártica AMÉRICA DO SUL Aregiãopossuivastosrecursosnaturais,mastambém graves problemas sociais. O Brasil é a economia mais desenvolvida,enquantoChile,ArgentinaeUruguaiapre- sentammelhoríndicededesenvolvimentohumano(IDH). DISTRIBUIÇÃO FÍSICAA América do Sul conta com 17,8 milhões de quilômetros quadrados. A porção oeste é ocupadapelaCordilheiradosAndes,cujopontomaisalto é o Pico Aconcágua (6.959 metros). As planícies centrais abrigam a bacia hidrográfica do Orinoco, a Amazônica e a do Prata. Na região norte, onde o clima é equatorial, encontram-se florestas latifoliadas tropicais úmidas. O sul possui faixas de clima desértico, como na região de Atacama,eumazonatemperada,ocupadaporflorestas subtropicais e pelos pampas argentinos. POPULAÇÃO A América do Sul tem 422,5 milhões de habitantes em 2016. A população é formada por des- cendentes de europeus (em especial espanhóis e por- tugueses), africanos e indígenas, contando com alta porcentagem de mestiços. ECONOMIA A indústria está centrada na produção agrí- cola e de bens de consumo. No Brasil e na Argentina, encontra-semaisdiversificada,abrangendosetorescomo siderurgiaemetalurgia.OBrasiléresponsávelporcerca de três quintos da produção industrial sul-americana. FENÔMENO AMAZÔNICO O famoso encontro das águas escuras do Rio Negro com o barrento Rio Solimões DISTRIBUIÇÃO FÍSICA AAntárticaécercadapelaságuasdosoceanosAtlântico,Pací- fico e Índico. É o lugar mais frio do globo com temperaturas inferiores a 0 ºC no verão e menores que -80 ºC no inverno. Sob a grossa camada de gelo, estende-se o Lago Vostok, um dos maiores do mundo, com 10 mil quilômetros quadrados de extensão. ECONOMIAAsatividadeshumanasnocontinenterestringem-seàpescaeàinvestigação científica. Diversas nações mantêm base de pesquisa na região, entre as quais o Brasil, quedesenvolveatividadesnaBaseComandanteFerraz.Em1991foiassinadooProtocolo deMadri,queentrouemvigorem1998.Essedocumentoproíbepor50anosaexploração econômicadosrecursosnaturais.Amedidaépreventiva,jáque,atéhoje,nãoforamen- contradas reservas de interesse comercial. Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido reivindicam áreas no continente. Ocontinentedegelo T ambém chamada de Antártida, a Antártica é coberta por uma enorme camada de gelo. A superfície do continente ocupa 14 milhões de quilômetros quadrados, e 99% de sua superfície é cobertaporummantodegeloqueatingequase5quilômetrosdeespessura. Essa massa de gelo é de extrema importância para o equilíbrio do planeta. Isso porque, além de concentrar cerca de 70% das reservas de água doce da Terra, interfere no nível dos oceanos, por causa das variações em sua extensãoeespessura.Noinverno,até18milhõesdequilômetrosquadrados do oceano em torno do continente ficam cobertos por uma fina camada de gelo. O buraco na camada de ozônio localiza-se em cima do continente e ameaça a estabilidade de suas geleiras (90% das existentes no planeta), em virtude da maior exposição à radiação solar (veja mais na pág. 82). ESCALA 0 755 km OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO Mar de Davis Mar de Ross Mar de Weddell Mar de Bellingshausen Mar de Amundsen L i m i t e e x t r e m o d o m a r c o n g e l a d o M o n t a n h a s T r a n s a n t á r t i c a s Ilhas Shetland do Sul Maciço Vinson 5.897 m ANTÁRTICA ORIENTAL ANTÁRTICA OCIDENTAL TERRA DE ENDERBY TERRA DE WILKES TERRA DE MARIE BYRD TERRA DE ELLSWORTH TERRA DA RAINHA MAUD Geleira Lambert Plataforma de gelo Ronne Criosfera 1 Plataforma de gelo Filchner Plataforma de gelo Ross 180º 0º 90º O 90º L 80º S 70º S POLO SUL Círculo Polar Antártico Ilha Rei George Ilhas Shetland do Sul 1 5 7 6 4 3 2 Neumayer (Alemanha) SanaeIV (ÁfricadoSul) Troll (Noruega) Rothera (Reino Unido) Marambio (Argentina) McMurdo (EUA) Amundsen-Scott (EUA) Scott Base (Nova Zelândia) Dummontd'Urville (França) Casey (Austrália) Maitri (Índia) Syowa (Japão) Mawson (Austrália) Mirny (Rússia) Principal base permanente de cada país* 1 Comandante Ferraz (Brasil) 2 Arctowski (Polônia) 3 Jubany (Argentina) 4 King Sejong (Coreia do Sul) 5Artigas(Uruguai)6EduardoFrei(Chile)7GreatWall(China) P e n í n sulaAntártica *Bulgária, Equador, Espanha, Finlândia, Peru, Romênia, Suécia e República Tcheca mantêm apenas bases temporárias Fonte: Comitê Científico de Pesquisa Antártica (SCAR) [1] DIVULGAÇÃO/ NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL [2] DIVULGAÇÃO [3] MANOEL MARQUES [3] VENDA PROIBIDA
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    124 GE GEOGRAFIA2018 ATLAS MUNDO DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Maiorcontinentedomundo,suaáreaédecercade45milhões de quilômetros quadrados. A fronteira convencional entre Ásia e Europa é determinada pelosMontesUrais,peloRioUral,peloMarCáspio,pelasmontanhasdoCáucasoepeloMar Negro.Dessaforma,osterritóriosdeTurquiaeRússiaestendem-sepelosdoiscontinentes. OrelevoasiáticoapresentaamaioraltitudemédiadaTerra(960metros),emrazãoda presença de grandes cadeias montanhosas, entre as quais a Cordilheira do Himalaia e a do Kunlun, que contornam o planalto do Tibete. Há também grandes depressões, como o Mar Morto, situado 365 metros abaixo do nível do mar. Em virtude da vastidão de seu território, da diversidade de relevos e do regime de monções (vento periódico que, no verão, sopra do mar para o continente e, no inverno, do continente para o mar), existem muitos tipos de clima na Ásia. Como consequência, há também grande variedade de vegetação: tundra, estepes, florestas de coníferas, florestas temperadas e florestas tropicais. POPULAÇÃO O continente é o mais populoso do mundo, com 4,4 bilhões de habitan- tes em 2016. A distribuição da população é bastante desigual, com mais de 60% dos habitantesconcentradosnaChinaenaÍndia.Hágrandediversidadeétnica,linguística e religiosa. Os conflitos em curso no continente provocam grandes deslocamentos de pessoas–osmaiorescontingentesderefugiadossãoformadospor5milhõesdepales- tinos e 4,9 milhões de emigrados da Síria, que fogem da guerra civil iniciada em 2011. ECONOMIA A Ásia apresenta contrastes econômicos extremos. A porção mais desen- volvida – que inclui países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan – registra renda per capita quase 100 vezes maior que a das regiões pobres. No sul do continente, região que abrange nações como Índia, Paquistão e Bangladesh, a pobreza atinge elevadas proporções: 15% da população vive com menos de 1,90 dólar por dia. Desdeaaberturaeconômicainiciadanofimdosanos1970,aChinaéopaísquemaisse industrializanaÁsia.Empoucomaisdeumquartodeséculo,opaístornou-seasegunda maioreconomiaglobal,atrásapenasdosEstadosUnidos,eomaiorexportadormundial. AextraçãomineraléaprincipalfontededivisasdosprósperospaísesdoGolfoPérsico, que detêm mais de 50% das jazidas mundiais de petróleo. A atividade extrativista é intensa também na Rússia – dona de cerca de um terço do gás natural do planeta e de grandes reservas conhecidas de petróleo. Apesardaintensamodernizaçãoeconômica,grandepartedosempregosnocontinente estão na agricultura – no sul da Ásia, por exemplo, metade da força de trabalho atua no setor. A Ásia responde por aproximadamente 45% da produção mundial de cereais, comdestaqueparaoarroz(90%doqueseproduznoplaneta).Mas,aindaassim,precisa importá-los para suprir a demanda interna, especialmente da China. ÁSIA Mais de 50% das reservas mundiais de petróleo estão no Oriente Médio Vastidãooriental A Ásia é o maior e o mais populoso con- tinente. Na Cordilheira do Himalaia, estão os pontos mais altos do planeta, em especial o Monte Everest, com 8.850 metros, na fronteira entre o Nepal e a China. Situam-se no continente asiático algumas das maiores concentrações humanas, em megacidades como Tóquio, no Japão. Os recursos naturais são imensos. A Ásia produz quase metade do petróleo do mundo, possuindo as maiores reservas conhecidas, nos países do Golfo Pérsico. Ao lado do Japão, a principal nação industrial do continente, e de paísesemaceleradoprocessodedesenvolvimen- to, como a China, há várias regiões atrasadas, com graves problemas sociais, sobretudo na Ásia Central. A região também sofre com sérios conflitos, como a guerra civil na Síria. As disputas terri- toriais entre israelenses e palestinos, no Oriente Médio, e o conflito entre Índia e Paquistão pela região da Caxemira, são outros exemplos. Mais recentemente, o fundamentalismo religioso deu origem a grupos como o Estado Islâmico, que controla regiões no Iraque e na Síria. DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO – 2016* *Não inclui a Rússia Em % Fonte: Fundo de Populações das Nações Unidas (Fnuap) China 31,3 Demais países 22,1 Paquistão 4,3 Indonésia 5,9 Índia 29,9 Bangladesh 3,7 Japão 2,8 TRADIÇÃO Família nômade da Mongólia, país que abriga povos e culturas milenares [1] VENDA PROIBIDA
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    125 GE GEOGRAFIA 2018 EUROPAOCEANIA Mais de 90% da cobertura original de florestas já foi devastada na maior parte da Europa PRAIA NEGRA Litoral da Islândia, a segunda maior ilha da Europa, repleta de vulcões ativos POVOS NATIVOS Os aborígenes habitam o território da Austrália desde, pelo menos, 45 mil anos antes de Cristo DISTRIBUIÇÃOFÍSICA AEuropapertence,comaÁsia,àmassadeterraconhecidacomo Eurásia. O continente europeu tem área de 10 milhões de quilômetros quadrados. A maior parte do território é formada por planícies. Predomina o clima temperado, mas há variações. A vegetação original já foi bastante devastada, prevalecendo florestas temperadas e de coníferas. POPULAÇÃO O continente tem 738,8 milhões de habitantes em 2016 e é o único com tendência de redução da população. Paralelamente às baixas taxas de natalidade, o envelhecimento dos habitantes exerce forte pressão demográfica no continente e pode comprometerocrescimentoeconômico.Porisso,apesardaatualresistênciademuitos países à entrada de imigrantes, a Europa precisa da força de trabalho dos estrangeiros. ECONOMIA O parque industrial europeu é um dos mais avançados do mundo, com destaqueparaossetoresautomobilístico,químico,siderúrgicoedetelecomunicações. Persistem, entretanto, contrastes de desenvolvimento entre os países ocidentais, que detêmcercade80%doPIBdocontinente,easnaçõesdoleste,doex-blococomunista. A criação da União Europeia, em 1992, tenta superar esse quadro desigual, mas a crise atual da região explicita o fosso que separa as nações ricas das mais atrasadas. Berçodacivilizaçãoocidental O continente é considerado o berço da civilização ocidental. Ali se desenvolveram, por exemplo, o Renascimento, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, eventos que moldaram o mundo moderno. A pequena extensão da Europa contrasta com sua importância histórica. Impulsionado pela expansão marítima e comer- cial, o continente exerceu, por séculos, papel hegemônico sobre o globo, abrigando várias potências coloniais. Porém, após o fim da II Guerra Mundial, o continente viu-se dividido, por décadas, em dois blocos hostis, um capitalista e outro socialista – eles correspondem, em linhas gerais, à Europa Ocidental e à Europa Oriental. A primeira é integrada pelas nações mais ricas do continente. A segunda é formada predominantemente por países que saíram do bloco comunista e procurammelhorarsuaeconomia.ApósoencerramentodaGuerraFria,nos anos 1990, foi criada a União Europeia (UE), o principal bloco econômico do mundo. Atualmente, a UE tenta superar uma grave crise econômica, alavancada pelo alto endividamento dos países-membros. DISTRIBUIÇÃOFÍSICA Éomenorcontinentedomundo, com8,5milhõesdequilômetrosquadradosdeextensão. A Austrália corresponde a cerca de 90% da área emersa da Oceania. A maioria das ilhas da Oceania é de origem vulcânica, sendo cobertas de florestas tropicais. POPULAÇÃO A Oceania é também o menos habitado dos continentes, com 39,6 milhões de pessoas em 2016. Cerca de 60% dessa população vive na Austrália. ECONOMIAAAustráliadestaca-sepeloparqueindustrial, pela agricultura e pela extração mineral, enquanto a economia das ilhas do Pacífico é agrícola. Maisquecangurus A Oceania é formada por uma massa continental (a Austrália), a parte leste da Ilha de Nova Guiné, as ilhas que constituem a Nova Zelândia e pequenas ilhas e atóis que se espalham pelo Oceano Pacífico. Essas ilhas menores se dividem em três grupos: a Polinésia, no extremo leste; a Melanésia, na região central; e a Micronésia, situada ao norte. Há diferenças marcantes na região. Enquan- to a Austrália e a Nova Zelândia são nações desenvolvidas, as demais têm economia frágil. A Oceania enfrenta, ainda, graves problemas ambientais. Estudos indicam que, dentro de um século, a elevação do nível do mar, causada pelo aquecimento global, poderá submergir ilhas e atóis da região. [1] CINDY WILK [2] ALMIR DE FREITAS [3] DIVULGAÇÃO [2] [2] [3] VENDA PROIBIDA
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    126 GE GEOGRAFIA2018 ATLAS BRASIL Q uinto maior país do mundo, o Brasil conta com um território de 8.515.767 quilômetros quadrados de extensão. Com todo esse tamanho, para efeitos ad- ministrativos, nosso território é dividido em cinco regiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. Essa divisão regional, que fica a cargo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem como objetivo reunir estados com traços físicos, humanos, econômicos e sociais comuns, o que ajuda no planejamento de políticas voltadas para áreas com necessidades semelhantes. Mas nem sempre o Brasil foi “repartido” da forma como é hoje, tendo sido estabelecidas muitas divisões regionais no decorrer da história. A atual está em vigor desde 1970, mas sofreu algumas alterações depois da Constituição de 1988. O estado do Tocantins foi criado com a divisão de Goiás e incorporado à Região Norte. Além disso, Roraima, Amapá e Rondônia deixaram de ser territórios para se tornar estados. Por fim, Fernando de Noronha foi incorporado ao estado de Pernambuco. Em 2017, o Brasil registra 5.570 municípios nos 26 estados mais o Distrito Federal. A despeito do tipo de recorte, o fato é que as disparidades entre as regiões são muito grandes. Para ter uma ideia, a Região Sudeste, a segunda menor em área, possui o maior número de habitantes, o maior percentual de pessoas que vivem em cidades e é responsável por mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A Região Nordeste, por sua vez, apresenta alguns dos mais baixos indicadores sociais. A Região Norte, com o segundo menor número de habitantes, apresenta o maior contingente de população indígena e tem o mais alto índice de crescimento demográ- fico. A Região Sul, seguida de perto pela Sudeste, é a que apresenta os melhores indicadores: tem o menor índice de mortalidade infantil e a menor taxa de analfabetismo. A Região Centro-Oeste, embora conte com população menor, apresenta acelerado crescimento demográfico, atrás apenas da Região Norte. PLANO PILOTO Imagem de satélite mostra Brasília à noite: a iluminação permite observar o projeto urbanístico, que é comparado às formas de um avião O Brasil em resumo Confira a seguir as principais características físicas, econômicas e sociais das cinco regiões brasileiras NASA VENDA PROIBIDA
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    SUL SUL SUDESTE SUDESTE NORDESTE NORDESTE NORTE CENTRO-OESTE CENTRO-OESTE 450 O 550 O 250 S 100 S Equador Trópico de Capricórnio Oceano Pacífico Oceano Atlântico NORTE Ilha de Trindade(ES) 20’32’S 29’19’O Ilha de Martin Vaz (ES) 20’31’S 28’50’O Atol das Rocas (RN) 3’52’S 33’50’O Abrolhos (BA) 17’25’S 38’33’O DISTRITO FEDERAL PARÁ GOIÁS AMAPÁ MARANHÃO PIAUÍ BAHIA CEARÁ RIO GRANDE DO NORTE PARAÍBA PERNAMBUCO ALAGOAS SERGIPE SÃO PAULO RIO DE JANEIRO ESPÍRITO SANTO ACRE AMAZONAS PERU RORAIMA VENEZUELA COLÔMBIA GUIANA SURINAME Guiana Francesa (França) RONDÔNIA BOLÍVIA CHILE PARAGUAI URUGUAI ARGENTINA MATO GROSSO MATO GROSSO DO SUL PARANÁ SANTA CATARINA MINAS GERAIS TOCANTINS RIO GRANDE DO SUL PONTOS EXTREMOS NORTE Nascente do Rio Ailã, no Monte Caburaí (RR), fronteira com a Guiana LESTE Ponta do Seixas (PB) SUL Arroio Chuí (RS), na fronteira com o Uruguai OESTE Nascentes do Rio Moa, na Serra de Contamana (AC), fronteira com o Peru Fontes: IBGE (mapa) e Ministério das Relações Exteriores (tabela) Obs.: O território da Guiana Francesa (França) mantém fronteira de 730 km com o Brasil Manaus Rio Branco Porto Velho Boa Vista Macapá Belém São Luís Teresina Fortaleza Natal Recife Maceió Aracaju Salvador Palmas Cuiabá Goiânia Campo Grande Vitória São Paulo Curitiba Florianópolis Porto Alegre Rio de Janeiro Belo Horizonte João Pessoa PAÍSES QUE FAZEM FRONTEIRA COM O BRASIL País Bolívia Peru Venezuela Colômbia Guiana Paraguai Argentina Uruguai Suriname 3.423 2.995 2.199 1.644 1.606 1.366 1.261 1.069 593 Fronteira (em km) 3’50’S Fernando de Noronha (PE) 32’24’O Penedos de S. Pedro e S. Paulo (RN) 3’56’S 29’22’O ESTADOS E CAPITAIS BRASILEIROS 127 GE GEOGRAFIA 2018 VENDA PROIBIDA
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    Sul Sudeste Nordeste Centro-Oeste Norte 32.687 37.298 14.329 35.653 17.879 R$ 5,78 trilhões 206.081 Norte Nordeste Centro-Oeste Sul Sudeste PRODUTO INTERNOBRUTO (PIB) – 2014 Em %, por região e total POPULAÇÃO – 2016 Em milhares e em %, por região Fontes: Projeção da População e Contas Nacionais – IBGE PIB PER CAPITA – 2014 (em reais) ÁREA* (em %) Total do Brasil: 8.515.767 km2 Centro-Oeste 18,9 Norte 45,2 Nordeste 18,2 Sudeste 10,9 Sul 6,8 *Distribuição nas regiões brasileiras Nordeste 56.916 27,6% Sul 29.440 14,3% Norte 17.708 8,6% Centro-Oeste 15.661 7,6% Sudeste 86.357 41,9% Nordeste 13,9 Sul 16,4 Norte 5,4 Centro-Oeste 9,4 Sudeste 54,9 128 GE GEOGRAFIA 2018 ATLAS BRASIL Perfil das regiões O que dizem os números DISPARIDADES REGIONAIS Apesar de o Norte ocupar 45,2% do espaço territorial brasileiro, apenas 8,6% dos brasileiros habitam a região. O Sudeste, por sua vez, abrange apenas 10,9% da área brasileira, mas responde por 41,9% da população e mais da metade do total de bens e serviços produzidos no país – o Produto Interno Bruto (PIB). Já o Nordeste, com 27,6% da população brasileira, é a segunda região mais populosa do país, mas é responsável por apenas 13,9% do PIB nacional. Como consequência, a região apresenta o menor PIB per capita do Brasil: o trabalhador nordestino recebe em média 14.329 reais por ano. O valor representa menos da metade do que ganha anualmente os habitantes do Sudeste, donos do maior PIB per capita do país: 37.298 reais por ano. VENDA PROIBIDA
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    129 GE GEOGRAFIA 2018 CENTRO- OESTENORDESTE 73% é a taxa de urbanização do Nordeste em 2015, a menor do Brasil Ocernebrasileiro F ormada pelos estados de Goiás, Mato Grosso, MatoGrossodoSul e pelo Dis- trito Federal, a região localiza-se no ex- tenso Planalto Central. Seu relevo se caracteriza por terrenos antigos e aplainados pela erosão, que originaram chapadões. O território também abriga a planície do Pantanal Mato-Grossense, cortada pelo Rio Paraguai e sujeita a cheias durante parte do ano. O clima do Centro-Oeste é tropical semiúmido e úmido, com chuvas de verão. A vegetação é de cerrado nos planaltos. No Pantanal, considerado patrimônio da hu- manidade pela Unesco, os campos cerrados dividem o espaço com a floresta, que se torna mais fechada e úmida no norte do Mato Grosso. POPULAÇÃO Ainda no Brasil colônia, o povoamento do Centro-Oeste resulta de dois movimentos migratórios. Um vem do Sul e do Sudeste, em virtude do transporte de gado às fazendas que ali começaram a se instalar e da ação dos bandeirantes paulistas. O outro movimen- to vem do Nordeste, também ligado ao comércio de gado, que acaba criando, e fortalecendo, os primeiros povoados da região. No século XX, as maiores ondas migratórias vêm do Nordeste e ocorrem a partir dos anos 1950, com a construção da nova capital federal, Brasília. Segundo o IBGE, o Centro-Oeste é a região do paísqueproporcionalmentemaisrecebeimigrantes,com 30,2% de residentes vindos de outros estados em 2015. ECONOMIAOcrescimentoeconômicodaregiãodeve-se, sobretudo,aobomdesempenhodosetoragropecuário. Comcercade72milhõesdecabeçasdegado,orebanho bovino do Centro-Oeste responde por um terço do total dopaís.Naagricultura,osprodutosmaisimportantessão oalgodão,omilhoe,principalmente,asoja,cujacolheita respondeporquasemetadedaproduçãonacional.Entre osrecursosmineraisquemaissedestacamestãocalcário, cobre, níquel e manganês. Por outro lado, a região enfrenta o desafio de aliar o crescimento econômico com a preservação ambiental. A adaptação da soja ao solo do cerrado devastou grande parte da vegetação local, e a cultura do grão avança para o norte de Mato Grosso, rumo à Floresta Amazônica. POPULAÇÃO A história nordestina é marcada pelos movimentos migratórios. No fim do século XIX, o ciclo da borracha na Amazônia deu início à migração dos nordesti- nos, que aumentou no século XX para o Sudeste, com a industrialização, e para o Centro-Oeste, com a construção de Brasília. Além da atração econômica de outras regiões, os fluxos migratórios são motivados pelos períodos de seca. ECONOMIA Nos últimos anos, a economia nordestina vem apresentando crescimen- to. Com a guerra fiscal (concessão de benefícios fiscais pelos governos estaduais com o objetivo de atrair empresas), uma série de indústrias se instalou nos estados nordestinos para fugir da carga tributária mais pesada no Sul e no Sudeste. Além disso, a região é a segunda produtora de petróleo do país – lá funciona um dos polos petroquímicos mais importantes: o de Camaçari (BA). Apesar dos longos períodos de seca, a pecuária e a agricultura vêm ganhando destaque. A boa adaptação das cabras ao clima local faz com que o Nordeste tenha o maior rebanho do país. A cana-de-açúcar é o produto agrícola de destaque, mas as lavouras irrigadas de frutas tropicais têm crescido em importância na produção nacional. Outro setor relevante na economia nordestina é o turismo. Alémdosertão F ormada por nove estados – Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia –, a maior parte da região é constituída por extensos pla- naltos, antigos e aplainados pela erosão. Os climas predominantes são o tropicaleosemiárido,comgrandepartedoterritóriocobertapelacaatinga. O Nordeste reúne os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, com altas taxas de mortalidade infantil e analfabetismo. PRÉ-HISTÓRIA Pinturas rupestres no sítio arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí PABLO DE SOUZA/CIA DA LUZ VENDA PROIBIDA
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    130 GE GEOGRAFIA2018 ATLAS BRASIL NORTE SUDESTE 98% das terras indígenas brasileiras encontram-se na Amazônia Legal Gigantesetentrional F ormada por sete estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Ron- dônia, Roraima e Tocantins), a região é banhada pelos grandes rios das bacias Amazônica e do Tocantins. Em todo o Norte predomina o clima equatorial. A Floresta Amazônica, a vegetação mais abundante, é uma das áreas de maior biodiversidade do planeta. Esse patrimônio, contudo, está ameaçado pelo desmatamento. POPULAÇÃO A maior concentração de índios está no Norte e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região abriga 342,8 mil índios de diversas etnias (38% do total). Amazonas, Pará e Roraima são os estados com a maior concen- tração indígena. No decorrer das décadas, os estados do Norte também receberam grandes levas de imigrantes de outras regiões, sobretudo do Nordeste. ECONOMIA Além do intenso extrativismo vegetal, de produtos como látex e madeira, a região é rica em minérios. Lá estão a Serra dos Carajás (PA), a mais importante área de mineração do país, rica em manganês, ferro e ouro, e a Serra do Navio (AP). A economia foi bastante beneficiada com a instalação, no fim da década de 1960, da Zona Franca de Manaus, baseada em políticas de incentivo fiscal. Com mais de 600 indústrias, o Polo Industrial de Manaus responde por cerca de metade do PIB do Amazonas. Os principais setores do polo são o eletroeletrônico, de informática, motos e bicicletas, químico e de refrigerante. Nos últimos anos, contudo, o crescimento eco- nômico tem ocorrido à custa de atividades de grande impacto ambiental: o aumento da pecuária extensiva – um terço do rebanho do país está na Amazônia –, o avanço da agricultura, sobretudo das lavouras de soja e, por fim, a extração de madeira. A FILA ANDA Duas famílias reunidas na cidade de Breves, na região do Marajó, no Pará Multidãourbana F ormada por quatro estados – Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro –, a região situa-se na parte mais elevada do Planalto Atlântico, onde estão as serras da Mantiqueira, do Mar e do Espinhaço. Os climas predominantes são tropical úmido, se- miúmido e de altitude. A mata tropical nativa foi praticamente devastada durante o povoamento. O relevo planáltico do Sudeste confere grande potencial hidrelétrico à região. Em Minas Gerais ocorre o encontro da nascente de duas impor- tantes bacias hidrográficas: a do Rio Paraná, que se forma próximo à região conhecida como Triângulo Mineiro, e a do Rio São Francisco, que nasce na Serra da Canastra. [1] [2] VENDA PROIBIDA
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    131 GE GEOGRAFIA 2018 SUL 4,1% éa taxa de analfabetismo na Região Sul, a menor do Brasil 93% dos habitantes da Região Sudeste vivem nas cidades CARTÃO-POSTAL Vista aérea da cidade do Rio de Janeiro, com o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar ao fundo FLORESTA NATIVA A Mata de Araucária é uma cobertura vegetal típica da Região Sul POPULAÇÃO A região é a que concentra a maior população do país, com cerca de 86,3 milhões de habitantes em 2016, mais de 40% do total brasilei- ro. É também a que tem a maior densidade demo- gráficaeomaisaltoíndice de urbanização: 93,1%. Abriga as duas mais im- portantes metrópoles nacionais – São Paulo e Rio de Janeiro. Com Belo Horizonte,astrêsformam asmaioresregiõesmetro- politanas do país, reunin- do 19% da população. Se, por um lado, o Su- deste responde pela maior parcela da riqueza do Brasil, por outro é a re- gião que mais sofre com o desemprego e o cresci- mentodaviolência.Ainda assim, seus indicadores sociais estão entre os me- lhores do país. ECONOMIA O Sudeste respondepormaisdame- tade do Produto Interno Bruto(PIB)nacional.Com as maiores montadoras e siderúrgicas do país, a re- giãopossuiumaprodução industrial de ponta. Os serviços e o comércio são osprincipaisramosdeati- vidade.Alémdisso,afaixa litorânea da região abriga a maior parte das jazidas depetróleodopaís,como a Bacia de Santos (SP) e a Bacia de Campos (RJ) – esta última responde por cercade80%daprodução nacional. Temperaturaemqueda F ormada por três estados – Santa Catarina, Paraná e Rio Grande doSul–,aregiãovivesobainfluênciadoclimasubtropical,respon- sávelpelastemperaturasmaisbaixasregistradasnoBrasilduranteo inverno.Avegetaçãoacompanhaavariaçãodatemperatura:noslocaismais frios predominam as matas de araucárias (pinhais) – que estão reduzidas a apenas 2% da área original – e, nos pampas, os campos de gramíneas. POPULAÇÃO A região é marcada pela chegada dos imigrantes europeus, a partir da primeira metade do século XIX, que contribuíram para o desenvolvimento daeconomia,baseadanapequenapropriedaderuralde policultura. A localidade apresenta os melhores indica- doresdemortalidadeinfantil,educaçãoesaúdedopaís. ECONOMIA O setor de serviços responde pela maior parte das riquezas da região. Depois vem a indústria – comdestaqueparaossetoresmetalúrgico,automobilís- tico e têxtil. A agropecuária também é importante para a economia: o Sul detém 36% da produção nacional de grãos e, nos pampas gaúchos, a principal atividade é a criação de rebanhos bovinos. Existe, ainda, grande potencial hidrelétrico, com destaque para a Usina de Itaipu, localizada no Rio Paraná, na fronteira do Brasil, no estado do Paraná, com o Paraguai. [1] EDMAR FARIAS [2]OSCAR CABRAL [3] ALEXANDRE SANT'ANNA [3] VENDA PROIBIDA
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    132 GE GEOGRAFIA2018 RAIO X DECIFREOSENUNCIADOSEVEJAASCARACTERÍSTICASTÍPICASDASQUESTÕESQUECAEMNASPROVAS FUVEST 2017 – 2ª FASE O gráfico ilustra estimativas das áreas continentais ocupadas por ecossistemas terrestres naturais (floresta primária e campos naturais), por ecossistemas de uso humano (floresta secundária e silvicultura, áreas de pastagem e lavouras), pela água em estado líquido, pelo gelo, além de outras áreas terrestres, desde o século XIV até o final do século XX. Observa-se que, a partir da Revolução Industrial 3, iniciada em meados do século XVIII, a extensão das áreas ocupadas por esses ecossistemas sofreu alterações. DICAS PARA A RESOLUÇÃO a) “A redução de áreas de florestas primárias, a partir da Revolução Industrial, deveu-se majoritariamente à expansão das áreas de lavoura no mundo”. Os dados representados no gráfico apoiam essa afirmação? Justifique sua resposta. b) Mantidas as condições ambientais deste início do século XXI, o que se pode prever, quanto à área ocupada pelo gelo, no final do século? 1 A leitura deste gráfico permite observar o quanto aumentou ou diminuiu as áreas terrestres em cada um dos ecossistemas apresentados no eixo da direita. No eixo da esquerda, encontram-se os valores, em quilômetros quadrados. 2 Para ver a evolução histórica do quanto aumentaram ou diminuíram as áreas terrestres, fique atento ao eixo horizontal, que indica o período entre os anos 1300 e 2000. 3 Esta informação é importante para interpretar o que diz o gráfico. O enunciado atenta para o fato de que, após a Revolução Industrial, em meados do século XVIII (entre 1700 e 1800) houve uma importante mudança nas áreas ocupadas. Esse período marca uma nova relação do homem com a natureza, provocando intensa urbanização e crescimento populacional. 4 Repare no gráfico que, no período de 1300 até 1700, todas as linhas referentes aos ecossistemas permanecem retas, na horizontal, o que não indica alterações. Somente após 1700, período correspondente ao início da Revolução Industrial, a maior parte dessas linhas começa a se inclinar para cima ou para baixo, mostrando alterações no uso das terras. As mudanças mais evidentes são a diminuição das florestas primárias e o aumento das áreas de lavoura e pastagens. A Repare que, apesar de o eixo da esquerda trazer as informações quan- titativas, em quilômetros quadrados, a simples interpretação visual do gráfico já nos permite entender o que aconteceu após a Revolução Industrial e responder a esta questão. De fato, há uma redução na área de florestas primárias. Mas compare visualmente a evolução das áreas de lavoura e de pastagem e você perceberá que esta última expandiu-se bem mais do que a primeira, o que contradiz o que afirma o enunciado da questão. O aumento das áreas de lavoura e, principalmente, de pas- tagem é decorrente do crescimento demográfico posterior à Revolução Industrial, que aumentou a demanda por alimentos. B A resposta deste item requer conhecimentos acercadasconsequênciasdoaquecimentoglobal para a Terra. Umdos efeitos mais destacados é a diminuição da área ocupada pelo gelo, como ascalotaspolareseosglaciares.Notenográfico que, entre 1300 e 2000, a área de gelo perma- neceu inalterada. Mas, mantida a tendência de elevação da temperatura média na Terra verificadanoiníciodoséculoXXI,aperspectiva é que a área ocupada pelo gelo diminua. 1 4 1 2 VENDA PROIBIDA
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    133 GE GEOGRAFIA 2018 UNESP2016 – 2ª FASE O que o gráfico permite analisar? Considerando as informações do gráfico, indique os intervalos percentuais aproximados das legendas do mapa para os tipos I e V. 1 O gráfico em forma de pirâmide traz informações sobre o uso da terra em cada estado da Federação. Nos três eixos do gráfico é possível verificar as seguintes coberturas da superfície do território: mata/floresta, lavoura e pastagem. 2 Repare que dentro da pirâmide encontram- se distribuídas as siglas de todos os estados brasileiros. A posição deles traz as informações sobre o uso da terra em cada uma das três coberturas apresentadas. Note que há um traçado em volta das siglas que indica um número em algarismo romano. Essa informação é importante para fazer a leitura cruzada com o mapa, como veremos adiante. 3 Aqui temos uma importante dica para interpretar as informações deste gráfico. Isole um estado qualquer dentro da pirâmide. A partir daí, veja que posição ele ocupa dentro dos três eixos da pirâmide e qual o percentual informado. Tome como exemplo o Acre, que ocupa a posição mais próxima do topo. O gráfico nos informa que o estado faz o seguinte uso da terra: Mata/floresta: cerca de 70% Lavoura: cerca de 10% Pastagem: cerca de 20% 4 O mapa revela a classificação de estado de acordo com o tipo de interferência no uso do solo (lavoura, pastagem, mata/floresta) e o grau de intensidade (pouco, muito etc.). Para ler a informação correta basta observar a cor de cada estado e associá-la à legenda correspondente. Mas repare que o mapa não informa o nome dos estados. DICAS PARA RESOLUÇÃO Note que a questão não exige explicações sobre o uso do solo no Brasil – para responder à questão, basta analisar corretamente os dados do gráfico e do mapa. A primeira pergunta tem resposta simples, basta dizer o que o gráfico informa: ele permite analisar o uso do solo ao longo de 2006 em todas as unidades federativas do país, a partir de três variáveis: mata/ floresta, lavoura e pastagem. Já para responder à segunda questão é preciso cruzar as informações percentuais do gráfico com o tipo de uso de solo apresentado nas legendas do mapa. Pela leitura do gráfico e do mapa, observamos que o tipo I inclui os estados do Acre e do Amapá. Já o tipo V tem apenas o estado do Rio de Janeiro. Logo, para responder a questão basta observar os percentuais aproximados desses estados fazendo a correta leitura do gráfico da pirâmide. Dessa forma, temos a seguinte resposta: 1 1 1 2 3 4 Tipo I Tipo V Mata /floresta 60 a 70% 15% Lavoura 5% 25% Pastagem 25 a 35% 65% Unidades da Federação Acre e Amapá Rio de Janeiro VENDA PROIBIDA
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    134 GE GEOGRAFIA2018 SIMULADO QUESTÕES SELECIONADAS ENTRE OS MAIORES VESTIBULARES DO PAÍS COM RESPOSTAS COMENTADAS 1.ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS (Unicamp 2016) A imagem abaixo corresponde a um fragmento de uma carta topográfica em escala 1:50.000. Considere que a distância entre A e B é de 3,5 cm. A partir dessas informações, é correto afirmar que: a) O rio corre em direção sudeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 17.500 metros. b) Oriocorreemdireçãosudoeste,sendoamargemdireitaademaiordeclividade. Apresenta um comprimento total de 1.750 quilômetros. c) O rio corre em direção sudeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 1.750 metros. d) O rio corre em direção sudoeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 175 metros. 2.FUSOS HORÁRIOS (CFTMG 2017) Analise o mapa e leia o trecho a seguir. A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 foi transmitida ao vivo no dia 5 de agosto de 2016, às 20h (BRT). Telespectadores do mundo inteiro assistiramàtransmissãosimultâneaapartirdediferentesemissorasdesistemas de comunicação. A localidade que assistiu à transmissão pela hora oficial de seu país, em data posterior ao fuso brasileiro e mais próximo ao término do horário matutino, foi a capital da a) Índia. b) China. c) Austrália. d) Nova Zelândia. 3.ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS (Enem 2015) QUEIROZ FILHO, A. P. ; BIASI, M. Técnicas de cartografia. In: VENTURI, L. A. B. (Org.). Geografia: Práticas de Campo, Laboratório e Sala de Aula. São Paulo: Sarandi (adaptado). As figuras representam a distância real (D) entre duas residências e a distân- cia proporcional (d) em uma representação cartográfica, as quais permitem estabelecer relações espaciais entre o mapa e o terreno. Para a ilustração apresentada, a escala numérica correta é: a) 1/50. b) 1/5.000. c) 1/50.000. d) 1/80.000. e) 1/80.000.000. 4.PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS (FGV 2015) Examine a seguinte figura: Disponível em: http://www.progonos.com/fruti/MapProj/Dither/TOC/cartTOC.html VENDA PROIBIDA
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    135 GE GEOGRAFIA 2018 Afigura contém diferentes representações da América do Sul extraídas de mapas-múndi. Isso se deve a) à existência de diversas formas de projeções cartográficas, que constituem a técnica variável de se trazer para o plano o que é curvo na realidade. b) à multiplicidade de projeções cartográficas, todas igualmente precisas na representação das formas e dos tamanhos dos continentes. c) à permanência das antigas projeções por costume problemático do sistema escolar, pois as tecnologias informatizadas tornaram as projeções obsoletas. d) àsescolhasmarcadasporinteressesdoscartógrafosquedefinemasprojeções, visando a projetar imagens do mundo mais favoráveis aos países mais ricos. e) àherançadopassadodastécnicascartográficas,quandoaindanãohaviasido solucionada definitivamente a questão de como projetar o plano no curvo. 5.TIPOS DE RELEVO (Espcex-Aman 2016) O relevo é o resultado da atuação de forças de origem interna e externa, as quais determinam as reentrâncias e as saliências da crosta terrestre. Sobre esse assunto, podemos afirmar que I. o surgimento das grandes cadeias montanhosas, como os Andes, os Alpes e o Himalaia,resultadosmovimentosorogenéticos,caracterizadospeloschoques entre placas tectônicas. II. o intemperismo químico é um agente esculpidor do relevo muito caracterís- tico das regiões desérticas, em virtude da intensa variação de temperatura nessas áreas. III. extensas planícies, como as dos rios Ganges, na Índia, e Mekong, no Vietnã, são resultantes do trabalho de deposição de sedimentos feito pelos rios, formando as planícies aluviais. IV. os planaltos brasileiros caracterizam-se como relevos residuais, pois perma- neceram mais altos que o relevo circundante, por apresentarem estrutura rochosa mais resistente ao trabalho erosivo. V. porsituar-seemáreadeestabilidadetectônica,oBrasilnãopossuiformasde relevo resultantes da ação do vulcanismo. Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas a) I, II e III b) I, III e IV c) II, IV e V d) I, II e V e) III, IV e V 6.CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS (Unicamp 2016) A figura abaixo apresenta a sequência evolutiva de um perfil de solo. a) Quais são os fatores ambientais que interagem para o desenvolvimento de um perfil de solo? b) Aaçãohumanapodeinterferirnodesenvolvimentodeumperfildesolocomo o apresentado. Como pode ser essa interferência? 7.TIPOS DE RELEVO (FGV-Adm 2013) Associe algumas formas de relevo do território brasileiro com sua descrição. 1. chapada 2. planalto 3. planície 4. depressão ( ) Relevo aplainado, rebaixado em relação ao seu entorno e com predomi- nância de processos erosivos. ( ) Forma predominantemente plana em que os processos de sedimentação superam os de erosão. ( ) Terreno com extensa superfície plana em área elevada. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) 1 – 2 – 3 b) 3 – 1 – 4 c) 3 – 4 – 2 d) 4 – 3 – 1 e) 4 – 1 – 2 8.RELEVO EM MOVIMENTO (PUC-PR 2015) Analise os dados da tabela abaixo. Ano Local Magnitude (escala Ritcher) Mortos 2003 Irã 6,3 26.000 2004 Indonésia 9,1 300.000 2005 Paquistão/Índia 8,6 73.000 2008 China 7,8 87.000 2010 Haiti 7 230.000 2011 Japão 9 25.000 Fonte: Adaptado da Folha de S.Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/04/1621358- -numero-de-mortos-no-nepal-passa-de-2000-paisesenviam-ajuda.shtml. Acesso em: 13 mai. 2015. Assinale a alternativa que correlaciona CORRETAMENTE o fenômeno natural identificado na tabela com suas consequências para as sociedades humanas. a) Consequência dos movimentos tectônicos, os terremotos geram vítimas em número proporcional a sua magnitude. b) OspaísesquecompõematabelaestãonochamadoCírculodeFogodoPacífico, área que apresenta grande atividade sísmica e nações subdesenvolvidas. c) Osterremotosresultamdeforçasinternasincontroláveis,capazesdegerarenormes prejuízos sociais e econômicos, sobretudo em países com estruturas precárias. d) Muito frequentes em áreas de contato entre as placas tectônicas, o impacto socioeconômico dos terremotos restringe-se ao epicentro. e) O elevado número de mortes, visualizado na tabela, revela o baixo interesse científico no estudo dos fenômenos naturais por parte das nações mais afetadas por terremotos. VENDA PROIBIDA
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    136 GE GEOGRAFIA2018 SIMULADO 9.PLACAS TECTÔNICAS (Uerj 2016) 10.DESLIZAMENTO DE TERRA E INUNDAÇÕES (Mackenzie 2015) Observe a imagem para responder à questão. Fonte: Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras. A imagem retrata um tipo de ocupação muito comum no Brasil, relacionada muitasvezesaumgraveproblemasocioambiental.Aesserespeito,considere as afirmativas a seguir: I. Aocupaçãoirregulardasencostastendeaelevaraexposiçãodossolosàsenxur- radas,contribuindoparadeslizamentosquetrazemperdashumanasemateriais. II. Osescorregamentosdesolosocorremporocasiõesdaschuvasmaisfortes,eviden- ciandoocaráteracidentaldessefenômeno.Oprocessoerosivoprovocadopelas chuvasdemenorintensidadenãoéumfatordemaiorimportâncianestecaso. III. Aocupaçãodasencostaséumadecorrênciadaexclusãosocialquedificultao acesso de muitas pessoas à moradia. Portanto, esse fenômeno nunca atinge pessoascommelhorescondiçõessocioeconômicas,poissuasmoradiasestão sempre localizadas em áreas fora de risco. IV. A irregular ocupação das encostas envolve problemas diferentes que, com- binados, resultam nos deslizamentos de solos. Entre esses problemas estão: ineficiência da fiscalização dos agentes públicos na ocupação de áreas de risco;dificuldadedeacessoahabitaçãoentreosmaispobres;monitoramento inexistente ou insuficiente para minimizar o problema. Estão corretas apenas as afirmativas a) I e II. b) I e III. c) II e IV. d) II e III. e) I e IV. 11.COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA GEOLÓGICA (Unicamp 2016) A imagem abaixo apresenta um graben, formado a partir do abatimento de um bloco da crosta ao longo de falhas normais. a) Quaissãoosprocessosquegeramabatimentosdacrostaassociadosàsfalhas normais? Por que nessas áreas formam-se bacias sedimentares? b) Indiquedoisrecursosmineraisqueseformamjuntocomaevoluçãodebacias sedimentares. Considere as áreas 1 e 2 assinaladas no mapa e, também,aclassificaçãoapresentadaparaostipos demovimentosdasplacastectônicas.Identifiqueo tipodemovimentodasplacastectônicasqueocorre na área 1 e o que ocorre na área 2. Cite,ainda,doisfenômenosnaturaisquedecorrem do contato entre placas tectônicas. TIPOS DE PLACAS TECTÔNICAS LOCALIZAÇÃO DAS PLACAS TECTÔNICAS A C B D As placas podem romper-se e separar-se. Uma placa pode mergulhar sob outra. As placas podem colidir e elevar-se juntas. Uma placa pode deslizar em relação à outra. VENDA PROIBIDA
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    137 GE GEOGRAFIA 2018 12.ESCASSEZ HÍDRICA NO MUNDO (PUC-RS 2015) Considere o texto e as afirmativas a seguir. A água armazenada no planeta parece ser abundante, mas o modelo de desenvolvimento econômico vigente em todos os países do mundo busca um aumento contínuo da produção e do consumo de bens, o que ameaça a dinâ- mica da natureza. Isso afeta, por exemplo, a disponibilidade, o tratamento e a distribuição de água potável para as comunidades humanas. Sobre esse fato, afirma-se: I. Os representantes dos países participantes da primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio de Janeiro 72 – manifestaram sua preocupação em relação ao fato de colocarem em risco os seus recursos hídricos. II. A Carta da Terra, lançada na ECO 92, propõe várias políticas referentes aos recursos naturais, estabelecendo as bases para cuidados ambientais dos recursos hídricos. III. Hoje temos que enfrentar a má qualidade da água, em decorrência da poluição, além da ameaça de quantidades insuficientes desse recurso para o crescente consumo. IV. Aságuascontinentais,consideradasumbemlivre,vãosetornandorapidamente umrecursonaturalestratégico,originando,inclusive,conflitospelasuaposse. Estão corretas apenas as afirmativas a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) I, II e IV. e) II, III e IV. 13.POLUIÇÃO HÍDRICA (Enem PPL 2014) A eutrofização é um dos fenômenos responsáveis pela mortalidade de parte das espécies aquáticas e, em regiões próximas a centros urbanos, pela perda da qualidade de vida da população. Um exemplo é a Lagoa da Pampulha, um dos mais conhecidos pontos turísticos da capital de Minas Gerais, onde as atividades de pesca e nado não são mais permitidas. Para evitar a ocorrência desse fenômeno em lagos deve-se a) manter inalterado seu volume de água. b) aumentar a população de algas planctônicas. c) diminuir o teor de nutrientes despejados nas águas. d) impedir a fotossíntese das algas abaixo da superfície. e) aumentar a população de espécies do topo da cadeia alimentar. 14.ESCASSEZ HÍDRICA NO BRASIL (FGV Adm 2015) A recuperação e a conservação de apenas 3% das áreas dos quatro principais mananciais que abastecem a Grande São Paulo reduziriam pela metade o assoreamentodoscórregoseriosquealimentamasrepresas,garantindomais água e melhor qualidade em tempos de escassez hídrica. Fonte: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,reflorestar-area-ampliaria-reserva-de-agua-em-sp,156046 Considerandoareportagemeseusconhecimentossobreoassunto,écorretoafirmar: a) Osinvestimentoseminfraestruturaverde,taiscomoarecuperaçãoeaconser- vaçãodemananciais,resultamemaumentonacapacidadedearmazenamento de água e em redução dos custos com tratamento e desassoreamento. b) A recuperação e a conservação das áreas dos mananciais é uma alternativa aoracionamentodeágua,jáquerepresentaumasoluçãodecurtoprazopara ampliar a oferta hídrica na Grande São Paulo. c) Osprojetosderecuperaçãoeconservaçãodecoberturavegetalsão,emmédia, muitomaiscarosqueasimplestransposiçãodebaciashidrográficas,fatoque explica a rejeição do poder público a esses projetos. d) AsregiõespaulistasdemananciaisjáestãoprotegidaspelaLeideMananciais, quelimitaefetivamenteodesmatamento;assim,oganhocomarecuperação e a conservação seria apenas marginal. e) Mesmo se ocorressem a recuperação e a conservação das bacias, a situação de abastecimento de água continuaria dramática na Grande São Paulo, pois a população continua crescendo exponencialmente e não há solução técnica capaz de garantir o abastecimento para tanta gente. 15.POLUIÇÃO HÍDRICA (Enem 2014) Os dois principais rios que alimentavam o Mar de Aral, Amurdarya e Sydarya, mantiveram o nível e o volume do mar por muitos séculos. Entretanto, o projetodeestabelecereexpandiraproduçãodealgodãoirrigadoaumentoua dependênciadeváriasrepúblicasdaÁsiaCentraldairrigaçãoemonocultura. Oaumentodademandaresultounodesviocrescentedeáguaparaairrigação, acarretando redução drástica do volume de tributários do Mar de Aral. Foi criado na Ásia Central um novo deserto, com mais de 5 milhões de hectares, como resultado da redução em volume. TUNDISI, J. G. Água no século XXI: Enfrentando a Escassez. São Carlos: Rima, 2003. Aintensainterferênciahumananaregiãodescritaprovocouosurgimentode uma área desértica em decorrência da a) erosão. b) salinização. c) laterização. d) compactação. e) sedimentação. 16.METEOROLOGIA (Unesp 2016) Ercilla T. Steinke. Climatologia Fácil, 2012. Adaptado. A imagem ilustra o trajeto mais comum dos pilotos de asa-delta entre o Vale do Paranã e a Esplanada dos Ministérios em Brasília, distantes cerca de 90 quilômetros. Constituem fatores que permitem a longa duração deste voo: a) oângulodeincidênciadosol(aintensidadedeenergiasolarqueatingeaTerra) eafrenteoclusa(aaçãodomovimentodacorrentedearfriolevantandooar quente até que ele perca seu contato com a superfície). VENDA PROIBIDA
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    138 GE GEOGRAFIA2018 SIMULADO b)agravidade(aforçadeatraçãoentredoiscorpos)eaexpansãoadiabática(aexpansão degrandesbolhasdearatéencontraremmenoresvaloresdepressãoatmosférica). c) a brisa terrestre (a formação de um campo de alta pressão junto à superfície) e os ventos divergentes em altitude (a conformação de uma área receptora de ventos ascendentes). d) o atrito (a força gerada no sentido contrário ao deslocamento do vento) e o efeitodeCoriolis(arotaçãodasmassasdearnosentidohorizontalemfunção do movimento da própria Terra). e) oprocessodecondução(atransferênciadecalordasuperfícieparaacamada mais próxima da atmosfera) e o processo de convecção (a dinâmica cíclica entre o ar quente que sobe e o ar frio que desce). 17.CLIMAS DO BRASIL (PUC-Campinas 2016) JoséLinsdoRegofoiautordeimportantesobrasliteráriasquetêmcomopalco o Nordeste brasileiro. Um de seus mais importantes romances é Menino de Engenho, do qual foi retirado o seguinte trecho: Lá um dia, para as cordas das nascentes do Paraíba, via-se, quase rente do horizonte, um abrir longínquo e espaçado de relâmpago: era inverno na certa no alto sertão. As experiências confirmavam que com duas semanas de invernooParaíbaapontarianavárzeacomasuaprimeiracabeça-d’água.Orio no verão ficava seco de se atravessar a pé enxuto. Apenas, aqui e ali, pelo seu leito, formavam-se grandes poços, que venciam a estiagem. Nestes pequenos açudes se pescava, lavavam-se os cavalos, tomava-se banho. Menino de Engenho. 77 Ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 2000, p. 54 Ofatodeoleitodorioficarpraticamenteseconoverãoétípicodahidrografia deáreasdoSertãonordestino,queapresentamcomoumadesuasimportantes características a) areduzidapluviosidade,provocadapormúltiplosfatores,entreelesadinâmica atmosférica que limita a ação de massas úmidas. b) o inverno semelhante ao encontrado no clima subtropical do sul do Brasil: redução das temperaturas devido à presença da massa polar. c) o verão pouco chuvoso com elevadas temperaturas que se assemelham às condições do verão da porção centro-sul do Brasil. d) a fraca pluviosidade provocada pelas condições de relevo pouco acidentado e com baixas altitudes, que impedem a formação de chuvas orográficas. e) a reduzida atuação de massas de ar, como a tropical continental e a polar atlântica, ambas portadoras de elevado grau de umidade. 18.CLIMAS DO MUNDO (Mackenzie 2015) Observe o mapa. PRINCIPAIS DESERTOS DO MUNDO http://gigantesdomundo.blogspot.com.br/2011/11/0s-10-maiores-desertos-do-mundo.html Tendo como base de análise o mapa e seus conhecimentos, identifique a alternativa que contenha, apenas, informações corretas. a) O número 1 no mapa corresponde ao Deserto do Saara. Tem sua origem nas massas de ar muito secas da região do Sahel e também por ser entrecortado pela linha do Equador. b) Onúmero2nomapacorrespondeaoDesertodoKalahari.Temsuaorigemdevido à influência direta da Corrente Marítima do Atlântico Sul. Sendo fria, provoca precipitaçõessobreomare,assim,asmassasdearchegamsecasaocontinente. c) O número 3 no mapa corresponde ao Deserto do Atacama. Tem sua origem devido à influência direta da Corrente Marítima de Humboldt. Sendo fria, provoca resfriamento na atmosfera junto ao oceano e precipitações sobre o mar, fazendo com que as massas de ar cheguem mais secas ao continente. d) Onúmero1nomapacorrespondeaoDesertodoSaara.Temsuaorigemdevido àinfluênciadiretadaCorrenteMarítimadeBenguela.Sendoquenteeúmida, ao adentrar no continente condensa e precipita completamente ao cruzar o compartimento geológico dos Montes Atlas. e) O número 2 no mapa corresponde ao Deserto da Namíbia. Tem sua origem devidoàinfluênciadiretadaCorrenteMarítimadeFalklands.Sendoquentee úmida,aopenetrarnocontinenteperdesuaumidadeaoultrapassarascadeias montanhosasdeDrakensberg,ondetorna-seseca,permanecendomuitoquente. 19.CLIMAS DO BRASIL (UFSC 2015 - adaptada) Variações pluviométricas ocorrem conforme as estações do ano em várias regiões do Brasil. Os gráficos abaixo mostram os índices pluviométricos e as temperaturasemalgumascidadeslocalizadasembiomastípicosdonossopaís. AMABIS, José M.; MARTHO, Gilberto R. Biologia. 3 ed. São Paulo: Moema, 2010. p. 308 - 325. v.3 (Adaptado) Combasenaanálisedosdadosconstantesnosgráficosacimaenosconhecimen- tosacercadosbiomastípicosdoBrasil,assinaleVparaverdadeiroeFparafalso: ( ) I. Nas quatro regiões, os índices pluviométricos não apresentam grandes variações ao longo do ano. ( ) II.Bagéapresentaadistribuiçãopluviométricamaisirregularduranteoano. ( ) III. Nas quatro regiões, os meses com os maiores índices pluviométricos são aqueles em que ocorrem as temperaturas mais baixas. VENDA PROIBIDA
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    139 GE GEOGRAFIA 2018 () IV. Nos dois biomas que apresentam as mais elevadas amplitudes térmicas anuais são encontradas formações vegetais de florestas (em um deles) e pradarias (em outro). ( ) V.AsplantasdaregiãodeGoiâniadevemapresentaradaptaçõesparaperíodos de estiagem e para sobreviverem ao fogo. ( ) VI. Floresta de Araucárias apresenta um índice pluviométrico de cerca de 3.000 mm anuais. 20.POLUIÇÃO DO AR (Uema 2015) Leia o texto: Um projeto de lei em Curitiba (PR) pretende tornar obrigatórios os telhados verdes em prédios novos da cidade. O objetivo, de acordo com o projeto, é reduzirapoluiçãoambiental,oconsumodeenergiaeasilhasdecalor.Também prevê que a vegetação seja nativa e exija pouca água. Fonte: TINTI, Simone. Verde no telhado. Revista Vida Simples. São Paulo: Abril, ed. 132, 2013. Aideiadoprojetoéampliaráreasverdesparareduçãodeproblemasambientais comunsemcidades.Arelaçãoentreáreasverdeseilhasdecaloréobservadaem a) reservas florestais em que o aumento de temperatura causa evaporação, ocasionando chuvas e tempestades. b) áreasarborizadasemqueogáscarbônicoéacumuladoemexcesso,permitindo a liberação de calor. c) superfíciesverdesemqueasfolhasdasárvoresabsorvemocalordaatmosfera, evitando o aumento da temperatura local. d) cidades médias e pequenas em que há maior concentração de poluentes na estratosfera, favorecendo o aumento da temperatura. e) parques e praças em que há maior presença de água e de gás carbônico, favorecendo o aumento da temperatura e das chuvas. 21.POLUIÇÃO DO AR (UPE 2015) Observe atentamente a ilustração a seguir (figuras 1 e 2): Ailustraçãodidáticarefere-seespecificamenteaduassituaçõesatmosféricas. Quais são? a) Figura 1 – Um vórtice ciclônico; Figura 2 – Uma onda de leste fria. b) Figura 1 – Um vórtice anticiclônico; Figura 2 – Uma linha de instabilidade tropical quente. c) Figura 1 – Um gradiente vertical normal de temperatura; Figura 2 – Uma inversão térmica. d) Figura1–Umainversãotérmica;Figura2–Umvórticeciclônicoextratropical. e) Figura 1 – Um gradiente vertical normal de temperatura; Figura 2 – Uma isoterma de baixa pressão. 22.CICLONE (Unicamp 2016) A figura a seguir exibe a imagem de um ciclone. http://www.metsul.com/secoes/visualiza.php?cod_subsecao=30cod_texto=6 É correto afirmar que o ciclone em questão a)ocorreunoHemisférioSulecorrespondeaumaáreadealtapressãoatmosférica. b) podeocorreremqualquerhemisfério,independentementedapressãoatmosférica. c)ocorreunoHemisférioNorte,emzonastropicaisedebaixapressãoatmosférica. d) ocorreunoHemisférioSulecorrespondeaumaáreadebaixapressãoatmosférica. 23.ATMOSFERA (FGV 2014) Analise o mapa que representa uma anomalia climática David Blanchon. Atlas Mondial de l'Eau. Paris: Autrement, 2013. p.20. Adaptado. Com base nos conhecimentos sobre a dinâmica climática mundial, pode-se concluir que se trata a) da presença de La Niña no Oceano Pacífico. b) de mudanças provocadas pelo aquecimento global. c) da ocorrência de furacões no oeste do continente americano. d) do fenômeno El Niño e suas consequências. e) da intensificação dos ventos alísios no Pacífico. 24.AQUECIMENTO GLOBAL (Uern 2015) Sobreosproblemasambientaisnocenáriomundialesuadinâmicanosespaços urbanos e rurais, é correto afirmar que a) nas grandes cidades, o fenômeno da ilha de calor agrava a concentração de poluentesnaatmosfera,dificultandoacirculaçãodoareprovocandoinúmeros problemas de saúde à população, especialmente no inverno. b) os países subdesenvolvidos são os principais responsáveis pela maior parte dos gases tóxicos lançados na atmosfera. Nesses países, as políticas voltadas paraapreservaçãoambientalsãoprioritáriaseseveras,commetasacumprir, estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto. VENDA PROIBIDA
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    140 GE GEOGRAFIA2018 SIMULADO c) no campo, as monoculturas fizeram com que a utilização de inseticidas no combate às pragas favorecesse a diminuição de predadores naturais, provo- candodesequilíbriosnascadeiasalimentares.Contudo,essemodeloagrícola minimiza a incidência da erosão nos solos. d) as chuvas ácidas estão relacionadas à emissão de poluentes, especialmente pelas atividades industriais. Como na atmosfera não há barreira entre uma região e outra, é comum os poluentes emitidos numa cidade provocarem chuva ácida em regiões vizinhas. No Brasil, as chuvas ácidas provocaram muitos danos na Mata Atlântica da Serra do Mar entre as décadas de 70 e 80. e) oProtocolodeMontreal,assinadopormaisdecempaísesnadécadade1980, foi fundamental para a redução as emissões de dióxido de carbono e, por ter alcançadoseuobjetivo,podeserusadocomoreferênciaparaacordosfuturos que visam ao enfrentamento do aquecimento global. 25.ENERGIAS RENOVÁVEIS (Enem 2015) Energia de Noronha virá da força das águas A energia de Fernando de Noronha virá do mar, do ar, do sol e até do lixo produzido por seus moradores e visitantes. É o que promete o projeto de substituição da matriz energética da ilha, que prevê a troca dos geradores atuais, que consomem 310 mil litros de diesel por mês. GUIBU, F. Folha de S.Paulo, 19 ago. 2012 (adaptado). No texto, está apresentada a nova matriz energética do Parque Nacional MarinhodeFernandodeNoronha.Aescolhaporessanovamatrizpriorizao(a) a) expansão da oferta de energia, para aumento da atividade turística. b) uso de fontes limpas, para manutenção das condições ecológicas da região. c) barateamentodoscustosenergéticos,paraestímulodaocupaçãopermanente. d) desenvolvimento de unidades complementares, para solução da carência energética local. e) diminuiçãodosgastosoperacionaisdetransporte,parasuperaçãodadistância do continente. 26.OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS (Unesp 2014) AsautoridadesdeKiribati,arquipélagodoOceanoPacíficoformadopor33atóis e uma ilha de coral, estão conscientizando sua população para que aceitem que, nas próximas décadas, terão de fugir do país. A estimativa é que, em um períodode50anos,asilhaspodemdesaparecer.Ogovernoconvocouoslíderes detodasasilhasparaconvencê-losdaimportânciademudaramentalidadedas pessoas, com pleno conhecimento que é uma questão muito sensível, porque ameaçaaprópriaidentidadedeumpaís.Kiribatijáantecipouconvênioscom Austrália e Nova Zelândia para enviar seus cidadãos aos países vizinhos, algo que muitos dos moradores do arquipélago não aceitam. Disponível em: http://noticias.terra.com.br. Acesso em: 28 jul. 2012. No texto, faz-se referência a um problema que se tornou um tema recorrente na agenda global. Nesse sentido, a preocupação apresentada pela população de Kiribati fundamenta-se na previsão de a) submersão de terras habitadas, decorrente da elevação do nível do mar. b)ocorrênciadetsunamis,derivadademudançasnoeixoderotaçãodoplaneta. c) erupçõesvulcânicasfrequentes,vistoqueestãoassentadossobreoCírculodoFogo. d) terremotos com magnitude extrema, devido à proximidade de bordas de placas tectônicas. e) furacõesdegrandeintensidade,emfunçãodereduçãodatemperaturamédia do Oceano Pacífico 27.BIOMAS DO BRASIL (Uemg 2016) Aventura em rio de piranha (...)Eu,queconfundiaumacoisacomoutra,aprendiporexemploque“Oigarapé é a via principal e os igapós, as alamedas”, como ensinou Neto. Andardecanoaporumigapóéumaexperiênciaúnica.Comoaságuasnessaépoca doanosobem9,10metros,àsvezesmais,sóascopasdasárvorespermanecemà vista.Enquantoacanoavaipassandoentreelas,sedesviandodosgalhosdeuma ou outra, a sensação é de que se está navegando sobre uma floresta líquida, o quedecertamaneiraémesmo.Oqueimpressionaaindamaiséque,graçasàcor doRioNegro,densa,ácida,fechada,aáguarefleteasimagenscomoumespelho. Então,porrefração,agentevêesesentedentrodeduasflorestas:umaemcimae outraembaixo,semconseguirdistinguirasduas.Éumdelírio,umamiragem(....). VENTURA, 2012, p. 143. http://mundodosanimaisinhos.blogspot.com.br/2012/09/mata-de-igapo.html Acesso em 29 de set. de 2015. Otextoacimarefere-seaofenômenodascheiasnaregiãodaFlorestaAmazônica. Esse fenômeno acontece devido a vários fatores: I. A extensa rede hidrográfica da Bacia Amazônica, o clima e as variações de relevo e solo. II. A localização da região, entre a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio. III. O degelo dos Andes e a estação de chuvas na Região Amazônica são fatores que contribuem para o evento. IV. Aproximidadecomafaixalitorânea,quereceberefluxodamarénosmomentos de pico da maré alta. Estão CORRETAS as afirmativas: a) I e III. b) II e IV. c) II e III. d) I e IV. 28. PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO (Unesp 2016) OSistemaNacionaldeUnidadesdeConservaçãoestimulouacriaçãodeáreas deproteçãoambientalintegralcomocontroleunilateraldoEstadosobreoseu território e os seus recursos. A implantação do referido sistema foi criticada a) pelaspopulaçõesurbanas,porinterromperocrescimentonaturaldamancha urbana em regiões periféricas. b) pelosgovernoslocais,porminaraautonomiamunicipalnoparcelamentodo solo para a utilização em políticas de habitação. c) pelas populações tradicionais, que defendiam uma maior participação no processo de demarcação das unidades de conservação. d) pororganizaçõesambientalistasinternacionais,queseopunhamàsgrandes dimensões das áreas adotadas pelo Estado. e) pelo capital especulativo, por desvalorizar as áreas do entorno que seriam vendidas no mercado imobiliário. VENDA PROIBIDA
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    141 GE GEOGRAFIA 2018 29.BIOMASDO BRASIL (Fuvest 2016) OmaparepresentaumdospossíveistrajetosdachamadaFerroviaTransoceânica, planejada para atender, entre outros interesses, ao transporte de produtos agrícolasedeminérios,tornandoasexportaçõespossíveistantopeloOceano Atlântico quanto pelo Oceano Pacífico. Considerando-seotrajetoindicadonomapaelevandoemcontaumasobrepo- siçãoaosprincipaisDomíniosMorfoclimáticosdaAméricadoSuleasfaixasde transiçãoentreeles,definidospelogeógrafoAzizAb’Sáber,pode-seidentificar a seguinte sequência de Domínios, do Brasil ao Peru: a) Chapadões Florestados, Cerrados, Caatingas, Pantanal, Andes Equatoriais. b) Mares de Morros, Pantanal, Chaco Central, Andes Equatoriais. c) Chapadões Florestados, Chaco Central, Cerrados, Punas. d) Mares de Morros, Cerrados, Amazônico, Andes Equatoriais. e) Mares de Morros, Cerrados, Caatingas, Amazônico, Punas. 30.DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (PUC-MG 2015) O desenvolvimento sustentável busca um modelo de consumo que atenda às necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades. Para que isso ocorra, é necessário: a) aumentar o consumo dos recursos naturais não renováveis, preservando os recursos renováveis para as gerações futuras. b) garantirumdesenvolvimentosocialeeconômico,fazendo,aomesmotempo,um usorazoáveldosrecursosnaturaisepreservandoasespécieseoshabitatsnaturais. c) diminuir o consumo de recursos naturais renováveis nos países mais pobres, garantindoapreservaçãodasespéciesanimaisemextinçãoeoshabitatsnaturais. d) estagnar o desenvolvimento tecnológico e econômico, em detrimento da manutenção de estoques de recursos naturais para as gerações futuras. 31.ECOLOGIA (Fuvest 2016) O estrato entre a crosta e a atmosfera, onde ocorre vida no planeta Terra, caracteriza-se por apresentar trocas de matéria e energia, o que influi na distribuição de biomassa e biodiversidade no planeta. Os fenômenos de ra- diação solar (R) e de precipitação (P) estão diretamente correlacionados com a distribuição da biomassa e da biodiversidade e variam, em grande medida, latitudinalmente. De modo geral, quanto mais quente e mais úmida for uma região, maiores serão a biomassa e a biodiversidade das espécies; por outro lado,quantomaisfriaemaissecaforaregião,menoresserãotantoabiomassa quanto a biodiversidade das espécies. a) Combasenasinformaçõesfornecidaseemseusconhecimentos,representeno gráficoabaixoalocalizaçãodoextremocommaiorbiomassaebiodiversidadee osdoisextremoscommenorbiomassaebiodiversidade.Paraarepresentação, utilize a legenda indicada. b) Indique outro fator, além da radiação solar e da precipitação, que pode afetar a distribuição de biomassa e de biodiversidade no planeta. Explique, apontando dois exemplos. 32.VEGETAÇÃO NO MUNDO (FGV-RJ 2015) Veja as tabelas: CONSTITUIÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DAS COBERTURAS VEGETAIS NA PAISAGEM ZONAL INTERTROPICAL Climas desérticos Deserto Tufos arbustivos De 0 a 250 mm Climas secos Formação Espinhosa Floresta muito seca Floresta seca 500 mm De 1000 a 2000 mm Climas úmidos Floresta semiúmida Floresta úmida Floresta pluvial De 2000 a 8000 mm Fonte: Construído a partir do diagrama de Holdridge. In: La Recherche, Paris: SES, no. 243, 1992, p. 606. Com base na tabela, que reproduz o esquema panorâmico referente a uma zona do planeta, responda: a) Por que, nessa zona planetária, cinco das situações possíveis de cobertura vegetal são florestas? b) Compare esse quadro com o que seria um quadro na Zona Temperada (que temlatitudesmaisaltas).Haveriadiferençasnoperfildedistribuiçãovegetal dessa última? Em que medida e por quê? VENDA PROIBIDA
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    142 GE GEOGRAFIA2018 SIMULADO RESPOSTAS 1.A seta e a letra N, no canto inferior esquerdo do mapa, indicam que o ponto cardeal Norte encontra-se no alto do mapa. Além disso, a curva de nível de 300 metros,amenoraltituderepresentada,encontra-senaporçãosudestedotrecho,o quepermiteconcluirqueorio“corre”denoroesteparasudeste.Aidentificaçãodas margens direita e esquerda leva em conta a direção das águas da nascente para a foz–imaginequevocêestánomeiodorio,olhandoparaadireçãoemqueaságuas se deslocam: à sua direita estará a margem direita e vice-versa. A declividade, por suavez,éindicadapeloespaçamentoentreascurvasdenível,oquecorrespondeao espaçoaserpercorridonoterrenoparaoaumentooudiminuiçãodaaltitude:quanto mais próximas umas das outras, maior é a declividade do terreno. Neste caso, é na margemesquerdadorioqueseencontraamaiordeclividade(curvasmaispróximas umasàsoutras).Quantoaocomprimentodorio,temosquerecorreràescaladomapa, que é de 1: 50.000 – ou seja 1 cm no mapa equivale a 50.000 cm ou 500 m. Como a distânciaéde3,5cm,tem-se1.750metros(3,5x500)dedistânciaentreospontosAeB. Resposta: C 2.Cada fuso horário corresponde a uma faixa de 15º entre dois meridianos. O meridiano de Greenwich foi escolhido para ser a linha mediana do fuso zero. Passando-se um meridiano pela linha mediana de cada fuso, enumeram-se 12 fusosparalestee12fusosparaoestedofusozero,obtendo-se,assim,os24fusos totais. Neste sistema de zonas de horas para cada fuso, a leste soma-se 1 hora, e, para cada fuso a oeste, subtrai-se 1 hora. Com isso observando-se o mapa e a localização dos países, a capital que assistiu a cerimônia de abertura da Olim- píada do Rio de Janeiro no dia posterior e em horário mais próximo do término damanhã,localiza-senaNovaZelândia,naOceania:11horasdodia6deagosto. Resposta: D 3.Aescaladeummapaéaproporçãoentreaárearepresentada(mostradana figuramaior)earepresentaçãocartográfica(nestecaso,umaplantacartográfica, afiguramenor).Aescalanumérica(formautilizadanasalternativasdaquestão) é, por convenção, apresentada em centímetros. Portanto, deve-se converter pri- meiramenteosvaloresparaessamesmaunidadedemedida(2.000mequivalem a 200.000 cm e 40 mm equivalem a 4 cm). Em seguida, para descobrir o valor de 1 cm (que é o que a escala do mapa informa), basta fazer o cálculo: 200.000/4 = 50.000. A escala desse mapa é, portanto, 1/50.000. Resposta: C 4.As projeções cartográficas são técnicas utilizadas para a representação da superfície curva (globo) em superfície plana (mapa). Há três formas, quanto à figura geométrica utilizada, de projetar a superfície curva do globo em um plano:acilíndrica,acônicaeaplana(azimutal).Apartirdecadaumadelasforam criadasprojeçõesquesediferenciamnaspropriedadesqueapresentam,ouseja, o tipo de distorção que fazem: de área, distância ou forma, conforme a técnica de projeção empregada e a finalidade do mapa. Resposta: A 5.AafirmativaIestácorreta:amovimentaçãodasplacastectônicasdáorigem a diversos fenômenos e formas de relevo, entre elas as cadeias orogênicas. A afirmativa II está errada: em regiões desérticas, devido ao baixo índice plu- viométrico, predomina o intemperismo físico e a erosão eólica (provocada pela ação dos ventos), uma vez que o intemperismo químico ocorre com a presença de água no estado líquido. AafirmativaIIIestácorreta:asplaníciessecaracterizam,geomorfologicamente, pelopredomíniodadeposiçãodesedimentosprovenientesdeoutrasáreasmais elevadas, em geral trazidos pelos rios. A afirmativa IV está correta: os planaltos brasileiros são predominantemente formados por rochas ígneas e metamórficas cristalinas (granito e gnaisse, por exemplo), que apresentam elevada resistência aos processos erosivos e, conse- quentemente,altitudesmaioresqueasdoentorno,queforammaisdesgastadas. A afirmativa V está errada: houve, durante a Era Mesozoica, derramamentos de lava e erupções vulcânicas no território atualmente ocupado pelo Brasil. Esses fenômenos deram origem, por exemplo, às cuestas basálticas no interior do es- tado de São Paulo e ao solo de terra roxa que se estende por estados do Sudeste (São Paulo), Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Resposta: B 6. a) Os fatores ambientais que interagem para o desenvolvimento do perfil do solo são: • oclima(temperaturaeumidade,emespecial):climasmaisúmidostendema acelerar o intemperismo químico (decomposição) das rochas e a dar origem asolosmaisdesenvolvidos(maisprofundosemenospedregosos),enquanto em climas mais secos tendem a formar solos mais rasos e pedregosos. • o relevo: ele influencia na infiltração ou escoamento das águas das chuvas (quantomaisplano,maiorainfiltraçãoe,consequentemente,ointemperismo químico das rochas). • acomposiçãomineralógicadarocha:ograuderesistênciaaointemperismoe àerosãointerferenaprofundidadeenacomposiçãoquímicadossolos.Arocha basáltica,porexemplo,dáorigemasolosférteisdecoravermelhadadevido ao elevado teor de ferro presente em sua constituição química. Além disso, otipodefalhamentoquecaracterizaessarochafacilitaainfiltraçãodaágua eaaçãodointemperismoquímico,resultandoemsolosbemdesenvolvidos. b) A retirada da cobertura vegetal e a implantação de atividades agropecuárias expõeosoloaoprocessoerosivoealteraadinâmicadeinfiltraçãoeescoamento das águas pluviais e, consequentemente, influi no ritmo de decomposição das rochas e da formação dos solos. Além disso, essas atividades interferem diretamentenacomposiçãoeestabilidadedohorizontesuperficial(horizonte A, além do horizonte O, orgânico, não representado no perfil do enunciado). Em grandes obras de engenharia, a construção de aterros ou a realização de cortes de barrancos, por exemplo, altera a dinâmica de circulação das águas e da erosão e deposição de sedimentos formados de solos. 7.Asdepressõessãoáreasrebaixadas(emrelaçãoaosplanaltos)ondepredomi- namprocessosdeerosão.Nasplaníciespredominaoprocessodesedimentaçãoe, portanto,estãoassociadasamenoresaltitudes.Aschapadas,porsuavez,apresentam umaformaderelevotabularque,porapresentaremumaalternânciadecamadas de rochas mais resistentes e mais suscetíveis à erosão, ficam submetidas à erosão regressiva (a partir das bordas) e apresentam uma forma aplainada no topo. Asformasderelevonãoapresentadasnoenunciadosãoosplanaltos,que,assim como as depressões, se caracterizam pelo predomínio dos processos erosivos sobre os deposicionais (deposição de sedimentos), porém em altitudes maiores que as do entorno. Resposta: D VENDA PROIBIDA
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    143 GE GEOGRAFIA 2018 8.ComomencionadocorretamentenaalternativaC,osefeitosdevastadoressão maioresem países com infraestrutura mais limitada, caso do Haiti e da Indonésia, porexemplo. Entreasalternativasincorretas,valecitarquenãoépossívelestabelecerumarelação diretaentreamagnitudedeumterremotoeonúmerodevítimasfatais,umavezque issodependedainfraestrutura(técnicasutilizadasnaconstruçãocivil,principalmente) decadapaís.Alémdisso,entreospaísesapresentadosnoquadro,somenteJapãoe IndonésiasesituamnoCírculodeFogodoPacífico.Porfim,osefeitosdosterremotos nãoserestringemaoepicentro(localdeorigemdotremor),poisasondassísmicasse propagamporcentenasemilharesdequilômetros,paratodasasdireções. Resposta: C 9.Os tipos de movimentos que ocorrem nas áreas indicadas no mapa são: Área1:CostaOestedosEstadosUnidos:tipodemovimentorepresentadonafigura D – movimento transformante ou conservativo, no qual duas placas deslizam uma ao lado da outra. Área 2: sul da Ásia: tipo de movimento representado na figura C – movimento convergenteoudestrutivo,quandoduasplacascomamesmadensidadechocam- se e comprimem-se. Nasfalhasgeológicasquecorrespondemaoslimitesdasplacastectônicashámaior probabilidadedeocorrênciadedoisfenômenos:osabalossísmicos(terremotose maremotos)eovulcanismo.Noprimeirocaso,ocorrealiberaçãoeapropagação de energia acumulada com o atrito da litosfera devido à movimentação das placastectônicas.Aliberaçãodessaenergianaformadeondassísmicasprovoca tremores de terra e, se ocorrer na crosta oceânica ou próximo dela, pode haver a formação de ondas gigantes ou tsunamis. No vulcanismo, por sua vez, ocorre a ascensão do magma à superfície através dos falhamentos na litosfera, mais comuns nessas faixas de contato entre as placas. 10.As alternativas I e IV estão corretas, pois apresentam dois fatores responsáveis pelas perdas materiais e humanas nos deslizamentos: a exclusão social, que leva milhares de pessoas a construírem suas casas em áreas de risco, menosvalorizadasnomercadoimobiliáriooumesmodeocupaçãoirregular,ea omissãodopoderpúblico,quedeveriaimpediraocupaçãodessasáreasegarantir moradia digna e segura para todos. As demais afirmações estão incorretas, pois os deslizamentos não são fenômenos acidentais,masprevisíveisepassíveisdeintervençãocomobrasdecontençãodesolo e escoamento das águas para evitar que ocorram em áreas ocupadas por moradias eoutrasconstruções.Apesardemenosfrequentes,ocorremtambémdeslizamentos de terra em áreas não classificadas como de risco, geralmente associados a picos extremosdepluviosidade. Resposta: E 11. a) O termo “graben” (derivado de grab, em alemão, “sepultura”) designa uma formaçãogeológicaemquehouveumabatimento(descida)departesdacrosta terrestre. Esse processo geológico pode ser originado pela movimentação vertical da crosta em decorrência da movimentação das placas tectônicas ou por pressão do magma, que dá origem a falhas geológicas normais e, consequentemente, à movimentação de blocos para cima (caso das serras da Mantiqueira e do Mar) ou para baixo (caso do Vale do Paraíba do Sul, que corresponde ao graben). As bacias sedimentares formam-se posteriormente, com a atuação dos processos de erosão nas partes mais elevadas do relevo (nas serras representadas na figura). b) Nas bacias sedimentares podem se formar os recursos minerais energéticos, como o petróleo e o gás natural, além do xisto betuminoso (em ambientes de sedimentaçãomarinhanopassadogeológico)eocarvãomineral(emambien- tes de sedimentação terrestre no passado geológico, com o soterramento de matéria orgânica de florestas e pântanos). 12.AafirmaçãoIestáincorreta:aConferênciarealizadaem1972foiadeEstocolmo. AprimeiraConferênciarealizadanoRiodeJaneirofoiade1992,conhecidacomoEco92. A afirmação II está correta: a Carta da Terra, aprovada na Eco 92, é considerada um marconoambientalismo,poispropõeaimplantaçãodeaçõespráticasemrelaçãoàs questõesambientais,comoaAgenda21,umconjuntodeparâmetrosecompromissos aseremadotadosporgovernosequevemsendoaprimoradadesdeentãonasdemais conferências. AsafirmaçõesIIIeIVtambémestãocorretas:apoluição,sobretudoemgrandesáreas urbanas, e os conflitos pela água, a exemplo do que ocorre entre Israel, Síria e os palestinosdaCisjordânia,noOrienteMédio,estãoentreasprincipaispreocupações referentesaosrecursoshídricos. Resposta: E 13.Oexcessodenutrientes(provenientes,porexemplo,dodespejodeesgotos domésticos)presentesnaságuasprovocaaumentodebactériasealgas,queconsomem amaiorpartedooxigênio.Essaéumadasformasdepoluiçãodaságuas.Amanuten- ção do volume de água resultaria no aumento gradual da eutrofização, enquanto o aumentodapopulaçãodealgasplanctônicas(algasmicroscópicaspresentesnaságuas) provocariaumareduçãodoteordeoxigênio.Impedirafotossínteseresultarianuma produção ainda menor de oxigênio pelas algas, enquanto o aumento da população deespéciesdotopodacadeiaalimentarseriainviávelsemarecuperaçãoanteriordos níveisdeoxigêniocapazesdemantervivasessaspopulações. Resposta: C 14.ArespostacorretaéaalternativaA.Acoberturavegetaltornaosolomais estável, evitando a erosão laminar (perda de sedimentos da camada superficial dosolo)eoassoreamentodosrioselagos(excessodesedimentos).Alémdisso,a vegetaçãofavoreceainfiltraçãodeáguaeoabastecimentodoslençóisfreáticos, aumentado a disponibilidade de água para consumo humano. AocontráriodoquedizemasalternativasBeC,arecuperaçãodeáreasdegradadas exigeaçõesdelongoprazoetemumcustobemmenordoqueodegrandesobras deengenhariaparaaobtençãodeáguaemoutrasbaciashidrográficaspormeio da transposição. A Região Metropolitana de São Paulo carece de áreas verdes e de mananciais, e o aumento desse tipo de proteção ambiental representaria ganhos significativos na disponibilidade de recursos hídricos, diferentemente do que aponta a alternativa D. Já a alternativa E está incorreta, pois o ritmo de crescimento da população na Grande São Paulo tem diminuído nas duas últimas décadas, e a recuperação das áreas degradadas possibilitaria um ganho significativo na oferta de água. Resposta: A 15.ComaintensaexploraçãodosriosquedesaguamnoMardeAralpormeioda irrigação,aumentouaconcentraçãodesalnossolos,processodenominadosalinização. A erosão é a retirada de sedimentos pela ação das águas das chuvas, dos rios e dos ventos,entreoutrosagenteserosivos,quenãoseaplicamàsituaçãodescritanotexto doenunciado.Alaterizaçãocorrespondeàformaçãodecarapaças(crostasferruginosas) emdecorrênciadaconcentração,nacamadasuperficialdosolo,dehidróxidodeferro VENDA PROIBIDA
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    144 GE GEOGRAFIA2018 SIMULADO ealumínioemáreasdeclimascomalternânciadechuvaseestiagem.Acompactação do solo está associada ao uso intenso de máquinas agrícolas, não mencionadas no enunciado.Porfim,asedimentaçãoéumdosprocessosgeomorfológicos,odadeposição de sedimentos, que, nesse caso, diminuiu devido ao desvio de águas dos rios para o usonaculturairrigadadoarroz. Resposta: B 16. AalternativaEdescrevecorretamentequeoaquecimentodasuperfície provocaasubidadoarquente,portantocombaixapressão.Apósoresfriamento nas camadas mais elevadas, o ar resfriado e com maior pressão desce até a superfície, tornando a ser aquecido e reiniciando o processo, o que favorece o maior tempo de voo para a asa-delta. Sobre as outras alternativas: o ângulo de incidência do Sol, um fenômeno a ser analisado em escala global, não está diretamente relacionado ao fenômeno local descrito no enunciado. A gravidade e as áreas de alta pressão encurtariam o tempo de voo. Assim como o ângulo de incidência do Sol, o efeito de Coriolis nãoseaplicaàsituaçãodescrita,poissetratadeumfenômenoemescalaglobal. Resposta: E 17.Otextoliterárioremete,emsuadescrição,aumriointermitente,ouseja, que seca durante uma parte do ano. A baixa penetração de massas úmidas na região do Sertão limita a incidência de chuvas, conforme afirma a alternativa A. Sobreasoutrasalternativas:o“inverno”mencionadoporJoséLinsdoRegocorresponde aoperíododechuvasnoSertão,emqueseverificamelevadastemperaturas,aocontrário, portanto, do que ocorre nessa estação no clima subtropical, que apresenta redução nas temperaturas. O verão pouco chuvoso no Sertão nordestino não se assemelha ao verão da porção centro-sul do país, onde predomina o clima tropical típico, com chuvasconcentradasnessaestação.Orelevoacidentado,principalmenteapresença doPlanaltodaBorboremaaleste,éumdosfatoresclimáticosresponsáveispelabaixa pluviosidadenoSertão,poisbarraascorrentesdearúmidoprovenientesdoOceano Atlântico.Porfim,asmassasdearcitadassãosecas,enãoportadorasdeumidade. Resposta: A 18.A alternativa C é a que descreve corretamente os fatores climáticos responsáveis pela formação do Deserto do Atacama, localizado no Chile, que corresponde ao número 3 no mapa. Aregiãoreferenteaonúmero1nomapaindicaoDesertodoKalahari,cujaorigem está associada à corrente de Benguela, que é de águas frias, e à formação de uma zonadealtapressão,querecebeosventosdescendentes(friosesecos)dacirculação atmosféricaintertropical(céluladeHadley).Onúmero2nomapamostraalocalização doDesertodoSaara,esuaorigemestárelacionadaàzonadealtapressãodacélula de Hadley e à presença de águas frias do Atlântico centro-oriental. Resposta: C 19.Nosclimogramas,apluviosidadeéindicadapelascolunas,enquantoas temperaturas são representadas pelas linhas. I. Falso:osclimogramasdeGoiânia(GO)edeCaxias(MA)apresentamdistribuição desigual dos índices pluviométricos ao longo do ano II. Falso: Bagé (RS) tem uma pluviosidade bem distribuída ao longo do ano. III. Falso: Em Goiânia e em Curitiba, a época que registra os maiores índices pluviométricos não coincide com as mais altas temperaturas. IV.Verdadeiro:Osdoisbiomasqueapresentamasmaiselevadasamplitudestérmicas anuaissão:FlorestadeAraucárias(narealidade,essaformaçãovegetalcorresponde aumDomínioMorfoclimáticoeintegraobiomadaMataAtlântica)eoPampa,am- boslocalizadosemregiãodeclimasubtropicalequeapresentamasmaiselevadas amplitudestérmicasanuais(diferençaentreastemperaturasmáximaemínima). V. Verdadeiro: as plantas da região de Goiânia são do bioma Cerrado, que desen- volvem adaptações à passagem do fogo (pirobioma) e às secas, que ocorrem durante o inverno, como as cascas cortiçosas (grossas) que protegem o caule e as raízes profundas para alcançar as águas do lençol freático. VI. Falso:asomadostotaispluviométricosmensaisdeCuritiba(regiãodeFloresta deAraucárias)ficabemabaixode3.000mmanuais(cercade1.600mmanuais). Resposta: FFFVVF 20.Asilhasdecalorseformamemgrandesáreasurbanasdevidoaoacúmulo depoluentesnaatmosfera,queaumentamacapacidadederetençãodecalor,bem comopelaelevadadensidadedeprédios,asfaltoedemaisformasdeocupaçãoque eliminam ou reduzem as áreas verdes. A criação de áreas verdes sobre os prédios aumentariaaabsorçãodegáscarbônicopeloprocessodefotossínteseeabsorveria partedaenergiasolarparatransformá-laembiomassa,enãoasimplestransferên- cia para a atmosfera, como ocorre nas superfícies de concreto (lajes e telhados). Resposta: C 21.A figura 1 mostra uma variação normal (diminuição) da temperatura à medidaqueaumentaaaltitude,enquantonafigura2háumaalteraçãoanormal navariaçãodatemperatura(aumento)entre4e6kmdealtitude,indicandouma situação de inversão térmica. Resposta: C 22.Os ciclones são denominados “furacões” quando ocorrem no Oceano AtlânticoenacostalestedoPacíficoe“tufões”quandoocorremnoOceanoÍndicoe nooestedoPacífico.Elesseformamsobreaságuasaquecidasdosoceanosnazona intertropical.Astemperaturaselevadasdessaságuasdãoorigemazonasdebaixa pressão, onde as correntes ascendentes de ar ganham força e, após se resfriar no altodatroposfera,descemeformamcorrentesdearemformadecírculos.Devidoà atuaçãodaforçadeCoriolis(efeitodomovimentoderotaçãonodeslocamentodos ventos),omovimentosedánosentidoanti-horárionoHemisférioSul.Essemesmo sentidodosventospodeserobservadonaimagemdesatéliteapresentadanaquestão. Resposta: D 23.A representação, no mapa, de águas aquecidas no Pacífico Central e o aumento do volume de chuvas nas regiões vizinhas (costa oeste da América do SulenaOceania/SudesteAsiático)indicamumasituaçãodeincidênciadoElNiño. Resposta: D 24.A alternativa D refere-se corretamente à chuva ácida e seus efeitos em regiõesvizinhas,devidoaotransportedospoluentes(comoodióxidodeenxofre) dos locais emissores para outras regiões. Sobreasalternativasincorretas:(A)Ailhadecalorocorrenoverãoeéconsequênciae nãoacausadaconcentraçãodepoluentes.(B)Osprincipaisemissoresdegasespoluentes pelaatividadeindustrialegeraçãodeenergia(usinastérmicas)etransportes,alémde outras atividades que consomem combustíveis fósseis, são os países desenvolvidos e emergentes. (C) As monoculturas utilizam o trabalho mecanizado, que, em geral, provocaaerosãodossolos.(E)OProtocolodeMontrealtratoudareduçãoeeliminação dogásCFC(clorofluorcarbono),prejudicialàcamadadeozônio. Resposta: D VENDA PROIBIDA