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Debater a História
36
Na tradição galega de
Santa Compaña se diz
que as almas do pur-
gatório não podem en-
trar no céu e aparecem
aos vivos, caminhando
pela noite em procis-
são, penando por seus
pecados e pelos peca-
dos de quem as viti-
maram. Deste tipo são
Amador Rey e Daniel
Niebla de Ferrol, Xosé Ramón Reboiras de Do-
dro, A Coruña, e Xosé Humberto Baena de Vigo.
Pertenciam a famílias de correntes ideológicas
diferentes e faleceram violentamente em nãos
e ugares distintos, mas se pode imaginar que
andam juntos porque foram assassinados da
mesma maneira: a tiros pela Ditadura franquista
e seus seguidores.
Amador e Daniel (36 anos, pais de família) mor-
reram em 10 de março de 1972 na Ponte das
Pías, em um manifesto pacífico com seus com-
panheiros de estaleiro Bazán, agora Navantia
(Xulio Aneiros, Rafael Pillado, Manuel Amor,
José María Riobóo, Ignacio Fernández Toxo...),
em defesa dos seus direitos tlaborais. Desde en-
tão, no dia 10 de março, seus companheiros ho-
menageiam o ocorrido. Em 1997, o Parlamento
da Galiza, em petição do Sindicato Nacional de
Comisiones Obreras (CC.OO.), reconheceu o 10
de março como “Dia da classe trabalhadora
galega”, e os trabalhadores de diferentes sin-
dicatos continuam a recordar o 10 de março
e seus companheiros mortos no massacre de
1972, que ficaram quatro décadas “sem des-
canso”por culpa dos outros... Dizem os colegas
de direito internacional que os crimes contra
a humanidade nunca prescrevem, ainda que
haja leis de amnistia e/ou impunidade, se bem
que espero que na Espanha não se tenha pro-
mulgado a impunidade quando na amnistia de
1977, embora bastante reivindicada e pensada
para os presos antifranquistas . Depois de 40
ACONTECIMENTO
Galiza:
mortos que querem vida1
CARLOS BARROS
Universidade de Santiago de Compostela
Infeção Antiga. Pesquisado-
res examinaram amostras
1 Mais informações Carlos BARROS,“História, memória e franquismo”
(https://www.academia.edu/6489298/Historia_memoria_e_franquismo).
Debater a História 37
anos está pendente uma investigação judicial
democrática sobre a morte dos trabalhadores
de Ferrol, que tem como finalidade identificar e
processar, como qualquer outro assassinato, os
seus responsáveis materiais morais.
Moncho Reboiras (25 anos), perito industrial e
militante nacionalista, morreu em 12 de agos-
to de 1975 na vila da Terra também em Ferrol,
como resultado dos disparos da polícia fran-
quista, como mostra a sua camisa conservada
pela família. No dia 12 de agosto de cada ano,
o seu partido, a União do Povo Galego (UPG),
fundador do partido parlamentar Bloco Nacio-
nalista Galego (BNG), lhe rende homenagens
desde 1977
(http://elpais.com/diario/1977/08/13/espa-
na/240271214_850215.html9.
Em 2009, o seu irmão recebeu uma carta de re-
conhecimento do Governo espanhol de acordo
com a Lei de Memória Histórica de 2007, por
Ramón Reboiras ter sido “perseguido e sofri-
do violência ilegal, vindo a morrer, por sua
militância política nacionalista” (Manifesto
homenaxe a Moncho Reboiras, Comisión 35
aniversario, 9 de xullo de 2010 (http://www.
foroporlamemoria.info/2010/07/manifesto-ho-
menaxe-a-moncho-reboiras/).
37 anos depois deste crime político, Reboiras
espera que um juiz faça justiça ordenando uma
investigação policial sobre esta trágica morte,
três meses antes da morte natural de Franco,
que neste dia estava justamente na Coruña.
Xosé Humberto Baena morreu em 27 de se-
tembro de 1975 com os últimos fuzilados do
franquismo: Ramón García Sanz e José Luis
Sánchez Bravo, seus companheiros da Frente
Revolucionária Antifascista e Patriótica (FRAP),
e, os membros do ETA, Jon Paredes“Txiki”e Án-
gel Otaegui. As penas de morte contra as quais
houve manifestações em toda Espanha e uma
grande solidariedade internacional não fizeram
Debater a História
38
Franco vacilar: confirmou-as meses antes de
morrer. Luis Eduardo Aute imortalizou na can-
ção “Al Alba” o sofrimento coletivo de tantos
espanhóis que aqueles crimes de Estado cau-
saram:
(http://www.youtube.com/watch?v=zPW_iz-
40Bl0)
Humberto, estudante de Filosofia na Univer-
sidade de Santiago de
Compostela, deixou um
documento de valor
histórico: uma carta de
despedida dirigida aos
familiares e companhei-
ros, onde mostra muita
lucidez, serenidade e
coragem com que en-
frentou, aos 24 anos, uma morte injusta, ao lutar
pelos seus ideais de transformação social:
“Papá, mamá: Me
ejecutarán maña-
na de mañana.
Quiero daros áni-
mos. Pensad que
yo muero pero
que la vida sigue.
Recuerdo que en
tu última visita, papá, me habías dicho que fue-
se valiente, como un buen gallego. Lo he sido, te
lo aseguro. Cuando me fusilen mañana pediré
que no me tapen los ojos, para ver la muerte de
frente. / Siento tener que dejaros. Lo siento por
vosotros que sois viejos y sé que me queréis mu-
cho, como yo os quiero. No por mí. Pero tenéis
que consolaros pensando que tenéis muchos
hijos, que todo el pueblo es vuestro hijo, al me-
nos yo así os lo pido. ¿Recordáis lo que dije en
el juicio? Que mi muerte sea la última que dicte
un tribunal militar. Ese era mi deseo. Pero tengo
la seguridad de que habrá muchos más. ¡Mala
suerte! ¡Cuánto siento morir sin poder daros ni
siquiera mi último abrazo! Pero no os preocu-
péis, cada vez que abracéis a Fernando, el niño
de Mary, o a Manolo haceros a la idea de que
yo continúo en ellos. Además, yo estaré siempre
con vosotros, os lo aseguro. Una semana más y
cumpliría 25 años. Muero joven pero estoy con-
tento y convencido. Haced todo lo posible para
llevarme a Vigo. Como los nichos de la familia
están ocupados, enterradme, si podéis, en el
cementerio civil, al lado de la tumba de Ricar-
do Mella. Nada más. Un abrazo muy fuerte, el
último. / Adios papá, adios mamá. /Vuestro hijo
José Humberto”
(http://info.nodo50.org/Baena.html).
Si te dijera, amor mío, /que temo a
la madrugada, /no sé qué estrellas son
éstas / que hieren como amenazas / ni
sé qué sangra la luna /al filo de su gua-
daña. / Presiento que tras la noche ven-
drá la noche más larga, / quiero que no
me abandones, / amor mío, al alba, / al
alba, al alba./ Los hijos que no tuvimos
/se esconden en las cloacas, /comen
las últimas flores, /parece que adivina-
ran / que el día que se avecina / viene
con hambre atrasada. /Miles de buitres
callados van extendiendo sus alas, / no
te destroza, amor mío, /esta silenciosa
danza,/maldito baile de muertos,/ pól-
vora de la mañana. /Al alba, Al alba.
Debater a História 39
Procurando a justiça
Se não coincidir com a ideologia ou os méto-
dos de luta de FRAP, a morte do jovem Baena
foi uma ditadura impiedosa para assassinar dois
anos de uma democracia que acabou, entre ou-
tras coisas, com a pena de morte.
Quando em plena democracia, os pais, e depois
a irmã Flor Baena, peregrinaram de tribunal em
tribunal pedindo que se revisse e anulasse o
processo militar ilegal (acusaram-no sem pro-
vas, da morte de um polícia) até chegar ao
Tribunal Constitucional que, sob a presidên-
cia de Manuel Jiménez de Parga, não admitiu
a denúncia em 2004 porque: “A Constituição
não tem efeitos retroativos, pois não cabe
à mesma, aplicar justiça em atos de poder
produzidos antes de sua entrada em vigor”
(http://www.interviu.es/reportajes/articulos/la-
familia-de-uno-de-los-fusilados-pide-justicia).
O mesmo disseram às famílias de Julián Grimau,
Salvador Puig Antich e... ao próprio Garzón, juiz
da Audiência Nacional. Tão pouco se admitiu
no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em
2005 a reivindicação da família Baena.
Hoje, talvez fosse diferente!
A Lei da Memória Histórica de 2007 (teorica-
mente em vigor), infelizmente, não diz nada so-
bre a anulação das sentenças irregulares dos tri-
bunais franquistas. A Associação de Juízes para
a Democracia- JpD – ao menos formalmente
– depois do terrível julgamento contra Garzón,
solicitou a anulação urgente das condenações
realizadas no franquismo, sem o qual não have-
ria justiça, reparação ou verdade para as vítimas
dos anos mais negros da história da Espanha,
nem genuína reconciliação nacional.
Anteriormente membros destacados JPD como
LucianoVarela, Margarita Robles desde GCJ, Joa-
quín Giménez o Tribunal condenou-os expul-
sando-os, o que foi demolidor para a credibilida-
de do juiz da Audiência Nacional, com o apoio
da Vice-Presidência do Governo e pelo titular,
também membro do poder judiciário, María
Teresa Fernández de la Vega, como denunciado
pelo juiz emérito do Supremo Tribunal Federal,
José Antonio Martin Pallin, numa reunião públi-
ca em 30 de maio de 2011 ( http://www.publi-
co.es/espa-
na/379062/
pallin-ve-a-
de-la-vega-
tras-el-acoso
-a-garzon).
Saber mais:Carlos BARROS,“História, memória e fran-
quismo”
(https://www.academia.edu/6489298/Historia_memo-
ria_e_franquismo).
Imagens: Estampas Galicia Martir por Castelao.

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Galiza: mortos que querem vida (franquismo)

  • 1. Debater a História 36 Na tradição galega de Santa Compaña se diz que as almas do pur- gatório não podem en- trar no céu e aparecem aos vivos, caminhando pela noite em procis- são, penando por seus pecados e pelos peca- dos de quem as viti- maram. Deste tipo são Amador Rey e Daniel Niebla de Ferrol, Xosé Ramón Reboiras de Do- dro, A Coruña, e Xosé Humberto Baena de Vigo. Pertenciam a famílias de correntes ideológicas diferentes e faleceram violentamente em nãos e ugares distintos, mas se pode imaginar que andam juntos porque foram assassinados da mesma maneira: a tiros pela Ditadura franquista e seus seguidores. Amador e Daniel (36 anos, pais de família) mor- reram em 10 de março de 1972 na Ponte das Pías, em um manifesto pacífico com seus com- panheiros de estaleiro Bazán, agora Navantia (Xulio Aneiros, Rafael Pillado, Manuel Amor, José María Riobóo, Ignacio Fernández Toxo...), em defesa dos seus direitos tlaborais. Desde en- tão, no dia 10 de março, seus companheiros ho- menageiam o ocorrido. Em 1997, o Parlamento da Galiza, em petição do Sindicato Nacional de Comisiones Obreras (CC.OO.), reconheceu o 10 de março como “Dia da classe trabalhadora galega”, e os trabalhadores de diferentes sin- dicatos continuam a recordar o 10 de março e seus companheiros mortos no massacre de 1972, que ficaram quatro décadas “sem des- canso”por culpa dos outros... Dizem os colegas de direito internacional que os crimes contra a humanidade nunca prescrevem, ainda que haja leis de amnistia e/ou impunidade, se bem que espero que na Espanha não se tenha pro- mulgado a impunidade quando na amnistia de 1977, embora bastante reivindicada e pensada para os presos antifranquistas . Depois de 40 ACONTECIMENTO Galiza: mortos que querem vida1 CARLOS BARROS Universidade de Santiago de Compostela Infeção Antiga. Pesquisado- res examinaram amostras 1 Mais informações Carlos BARROS,“História, memória e franquismo” (https://www.academia.edu/6489298/Historia_memoria_e_franquismo).
  • 2. Debater a História 37 anos está pendente uma investigação judicial democrática sobre a morte dos trabalhadores de Ferrol, que tem como finalidade identificar e processar, como qualquer outro assassinato, os seus responsáveis materiais morais. Moncho Reboiras (25 anos), perito industrial e militante nacionalista, morreu em 12 de agos- to de 1975 na vila da Terra também em Ferrol, como resultado dos disparos da polícia fran- quista, como mostra a sua camisa conservada pela família. No dia 12 de agosto de cada ano, o seu partido, a União do Povo Galego (UPG), fundador do partido parlamentar Bloco Nacio- nalista Galego (BNG), lhe rende homenagens desde 1977 (http://elpais.com/diario/1977/08/13/espa- na/240271214_850215.html9. Em 2009, o seu irmão recebeu uma carta de re- conhecimento do Governo espanhol de acordo com a Lei de Memória Histórica de 2007, por Ramón Reboiras ter sido “perseguido e sofri- do violência ilegal, vindo a morrer, por sua militância política nacionalista” (Manifesto homenaxe a Moncho Reboiras, Comisión 35 aniversario, 9 de xullo de 2010 (http://www. foroporlamemoria.info/2010/07/manifesto-ho- menaxe-a-moncho-reboiras/). 37 anos depois deste crime político, Reboiras espera que um juiz faça justiça ordenando uma investigação policial sobre esta trágica morte, três meses antes da morte natural de Franco, que neste dia estava justamente na Coruña. Xosé Humberto Baena morreu em 27 de se- tembro de 1975 com os últimos fuzilados do franquismo: Ramón García Sanz e José Luis Sánchez Bravo, seus companheiros da Frente Revolucionária Antifascista e Patriótica (FRAP), e, os membros do ETA, Jon Paredes“Txiki”e Án- gel Otaegui. As penas de morte contra as quais houve manifestações em toda Espanha e uma grande solidariedade internacional não fizeram
  • 3. Debater a História 38 Franco vacilar: confirmou-as meses antes de morrer. Luis Eduardo Aute imortalizou na can- ção “Al Alba” o sofrimento coletivo de tantos espanhóis que aqueles crimes de Estado cau- saram: (http://www.youtube.com/watch?v=zPW_iz- 40Bl0) Humberto, estudante de Filosofia na Univer- sidade de Santiago de Compostela, deixou um documento de valor histórico: uma carta de despedida dirigida aos familiares e companhei- ros, onde mostra muita lucidez, serenidade e coragem com que en- frentou, aos 24 anos, uma morte injusta, ao lutar pelos seus ideais de transformação social: “Papá, mamá: Me ejecutarán maña- na de mañana. Quiero daros áni- mos. Pensad que yo muero pero que la vida sigue. Recuerdo que en tu última visita, papá, me habías dicho que fue- se valiente, como un buen gallego. Lo he sido, te lo aseguro. Cuando me fusilen mañana pediré que no me tapen los ojos, para ver la muerte de frente. / Siento tener que dejaros. Lo siento por vosotros que sois viejos y sé que me queréis mu- cho, como yo os quiero. No por mí. Pero tenéis que consolaros pensando que tenéis muchos hijos, que todo el pueblo es vuestro hijo, al me- nos yo así os lo pido. ¿Recordáis lo que dije en el juicio? Que mi muerte sea la última que dicte un tribunal militar. Ese era mi deseo. Pero tengo la seguridad de que habrá muchos más. ¡Mala suerte! ¡Cuánto siento morir sin poder daros ni siquiera mi último abrazo! Pero no os preocu- péis, cada vez que abracéis a Fernando, el niño de Mary, o a Manolo haceros a la idea de que yo continúo en ellos. Además, yo estaré siempre con vosotros, os lo aseguro. Una semana más y cumpliría 25 años. Muero joven pero estoy con- tento y convencido. Haced todo lo posible para llevarme a Vigo. Como los nichos de la familia están ocupados, enterradme, si podéis, en el cementerio civil, al lado de la tumba de Ricar- do Mella. Nada más. Un abrazo muy fuerte, el último. / Adios papá, adios mamá. /Vuestro hijo José Humberto” (http://info.nodo50.org/Baena.html). Si te dijera, amor mío, /que temo a la madrugada, /no sé qué estrellas son éstas / que hieren como amenazas / ni sé qué sangra la luna /al filo de su gua- daña. / Presiento que tras la noche ven- drá la noche más larga, / quiero que no me abandones, / amor mío, al alba, / al alba, al alba./ Los hijos que no tuvimos /se esconden en las cloacas, /comen las últimas flores, /parece que adivina- ran / que el día que se avecina / viene con hambre atrasada. /Miles de buitres callados van extendiendo sus alas, / no te destroza, amor mío, /esta silenciosa danza,/maldito baile de muertos,/ pól- vora de la mañana. /Al alba, Al alba.
  • 4. Debater a História 39 Procurando a justiça Se não coincidir com a ideologia ou os méto- dos de luta de FRAP, a morte do jovem Baena foi uma ditadura impiedosa para assassinar dois anos de uma democracia que acabou, entre ou- tras coisas, com a pena de morte. Quando em plena democracia, os pais, e depois a irmã Flor Baena, peregrinaram de tribunal em tribunal pedindo que se revisse e anulasse o processo militar ilegal (acusaram-no sem pro- vas, da morte de um polícia) até chegar ao Tribunal Constitucional que, sob a presidên- cia de Manuel Jiménez de Parga, não admitiu a denúncia em 2004 porque: “A Constituição não tem efeitos retroativos, pois não cabe à mesma, aplicar justiça em atos de poder produzidos antes de sua entrada em vigor” (http://www.interviu.es/reportajes/articulos/la- familia-de-uno-de-los-fusilados-pide-justicia). O mesmo disseram às famílias de Julián Grimau, Salvador Puig Antich e... ao próprio Garzón, juiz da Audiência Nacional. Tão pouco se admitiu no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em 2005 a reivindicação da família Baena. Hoje, talvez fosse diferente! A Lei da Memória Histórica de 2007 (teorica- mente em vigor), infelizmente, não diz nada so- bre a anulação das sentenças irregulares dos tri- bunais franquistas. A Associação de Juízes para a Democracia- JpD – ao menos formalmente – depois do terrível julgamento contra Garzón, solicitou a anulação urgente das condenações realizadas no franquismo, sem o qual não have- ria justiça, reparação ou verdade para as vítimas dos anos mais negros da história da Espanha, nem genuína reconciliação nacional. Anteriormente membros destacados JPD como LucianoVarela, Margarita Robles desde GCJ, Joa- quín Giménez o Tribunal condenou-os expul- sando-os, o que foi demolidor para a credibilida- de do juiz da Audiência Nacional, com o apoio da Vice-Presidência do Governo e pelo titular, também membro do poder judiciário, María Teresa Fernández de la Vega, como denunciado pelo juiz emérito do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Martin Pallin, numa reunião públi- ca em 30 de maio de 2011 ( http://www.publi- co.es/espa- na/379062/ pallin-ve-a- de-la-vega- tras-el-acoso -a-garzon). Saber mais:Carlos BARROS,“História, memória e fran- quismo” (https://www.academia.edu/6489298/Historia_memo- ria_e_franquismo). Imagens: Estampas Galicia Martir por Castelao.