O Que OcorreCom um Corpo Após a Morte?
O CORPO FALA
Normalmente quando se escuta essa frase, ela está
se referindo à linguagem corporal de uma pessoa,
mas na área FORENSE ela também pode ser
aplicada. Quando uma pessoa morre, o seu corpo
passa a sofrer mudanças causadas pelos elementos
da natureza.
São os fenômenos cadavéricos, e eles podem dizer
muito ao PROFISSIONAL DA ÁREA FORENSE.
3.
Fenômenos abióticos
São todosos fenômenos que evidenciam a
ausência de vida. Podem ser:
Imediatos: surgem imediatamente após a
ocorrência da morte, como a perda da
consciência, insensibilidade, parada respiratória
e circulatória, palidez e midríase, para citar
alguns. Não podem dar o diagnóstico de certeza
da morte, mas, quanto maior o período de tempo
em que estiverem ocorrendo, maior a
possibilidade da morte real ter acontecido.
4.
Consecutivos
São consequências quea morte tem no corpo humano, então
aparecem depois de decorrido um certo período de tempo.
Esfriamento: o corpo perde sua temperatura habitual para o meio
ambiente em que se encontra;
Desidratação: os mecanismos de manutenção da homeostase
corporal cessam, levando à perda de água corporal. Os tecidos mais
expostos ficam ressecados (olhos, pele e mucosas, por exemplo);
Rigidez cadavérica (rigor mortis): a parada do metabolismo leva
à formação de pontes de actomiosina nas fibrilas musculares, o que
por sua vez causa o enrijecimento dos músculos;
Manchas de hipóstase: devido à ação da gravidade, o sangue passa
a se acumular nas partes mais baixas do corpo, de acordo com a sua
posição. Não se forma nas áreas em que há compressão tecidual,
como onde as vestimentas estão comprimindo o corpo.
5.
Esfriamento do corpo
Com a morte o indivíduo perda a homeotermia e sua temperatura se iguala à
ambiente, geralmente mais frio.
tendência ao equilíbrio com o meio ambiente, progressivo e não uniforme
esfriamento médio de 1,5º/h
alterações na velocidade do resfriamento
mais lento
obesos
envoltos em roupas ou cobertores
ambientes fechados ou sem circulação de ar
vítimas de insolacão, intermação, envenenamento e doenças infecciosas agudas
mais rápido
crianças e velhos
doenças crônicas e grandes hemorragias
termômetro retal
Necrômetro de Bouchut
Tanatômetro de Nasse
introduzido 10cm
6.
Com a morte,em locais sem umidade, o
corpo se desidratará.
perda de peso
fetos e recém-nascidos - até 8g/Kg/dia - nas primeiras horas até 18 g/Kg/dia
pergaminhamento da pele
dessecação cutânea
endurecimento cutâneo
tonalidade pardacenta ou parda-avermelhada
estrias decorrentes de arborizações vasculares
dessecamento labial e mucoso
mais intenso em recém-nascidos e crianças
lábios se tornam duros e pardacentos
pode simular ações traumáticas ou cáusticas
modificação dos globos oculares
tela viscosa - sinal de Stenon-Louis
turvação da córnea transparente
mancha negra da esclerótica - livor sclerotinae nigricencens - Sinal de Sommer e
Larcher
após 8 horas da morte, deformação da íris e pupila à pressão digital - Sinal de Ripault
Rigor Mortis
Rigormortis ou rigidez cadavérica é o fenômeno temporário e variável de enrijecimento muscular..
Mecanismo
após a morte: um relaxamento muscular generalizado
hipóxia celular
não formação de ATP
alteração da permeabilidade das membranas celulares
formação de actomiosina
ação da glicólise anaeróbica
acúmulo de ácido láctico
Ordem de aparecimento - Lei de Nysten – Sommer
face, mandíbula e pescoço
membros superiores e tronco
membros inferiores
desaparecimento na mesma ordem
Cronologia
aparecimento - 1 a 2 horas após a morte
grau máximo - 8 horas
desfazimento - 24 h
início da putrefação
coagulação das albuminas
acidificação
quebra do sistema coloidal
12.
Livor Mortis
Livor cadavéricoé a deposição do sangue livre no sistema circulatório nas regiões de declive
do corpo, exceto zonas de pressão.
Modalidades
Manchas de hipóstase cutâneas
Livores viscerais
pulmões
fígado
rins
baço
intestinos
encéfalo
fenômenos constantes - exceção em grandes hemorragias
regiões inferiores do cadáver exceto regiões de pressão - exceção: livores paradoxos
forma de placas - exceção: púrpuras hipostáticas
mecanismo
parada da circulação
ação da gravidade
acúmulo sanguíneo intravascular nas partes mais baixas do corpo - exceção: regiões de pressão
coloração
regra: violácea
cronologia
aparecimento: 2 a 3 horas após a morte
14.
O espasmo cadavérico
Fenômeno controverso e raro
Manutenção da última posição da vítima antes
de morrer
Se mantém até a instalação da rigidez muscular
16.
Fenômenos transformativos
São osfenômenos que, de alguma forma, alteram
o aspecto do corpo morto e colaboram tanto para
a sua destruição quanto para a sua conservação
com o passar do tempo. Podem ser destrutivos ou
conservativos:
17.
Fenômenos transformativos:
Destrutivos
Autólise:é o processo de destruição causado por
enzimas que estão presentes em células e tecidos
do corpo. Com a parada do metabolismo, passam
a atuar nos locais onde normalmente são
produzidas, o que leva à degradação, e prejudica
a análise microscópica de tecidos que poderiam
auxiliar na determinação da causa da morte;
Ação que consiste na destruição ou aniquilamento dos tecidos e/ou
células que se encontram no próprio organismo (corpo) por suas
próprias enzimas.
18.
Putrefação: devidoà ação de micro-organismos endógenos e
exógenos ao corpo, este vai sendo destruído com o passar do
tempo. É dividida em etapas:
Etapa de coloração: entre 18 e 24 horas após a morte, uma
mancha verde começa a surgir na região abdominal e evolui
com um progressivo escurecimento da pele e outros tecidos;
Etapa gasosa: nessa etapa que dura em torno de 2 semanas, os
gases gerados pela putrefação se infiltram nos tecidos corporais,
causando um aumento do volume do corpo e bolhas flácidas de
gás na pele;
Etapa de liquefação: com o passar dos meses, os tecidos
putrefeitos vão lentamente se soltando dos ossos, o que leva à
última etapa da putrefação:
Etapa de esqueletização: a depender da localização do corpo, e
do ambiente em que se encontra, pode durar de 2 a 5 anos. É
nessa fase que os ossos do corpo começam a ficar expostos, até
serem tudo o que resta.
19.
Coloração
Fase de coloraçãoou cromática decorre de processos oxidativos que escurecem a pele.
Mancha verde abdominal
Primeiro local da fase de coloração
Fossa ilíaca direita
o ceco é a parte mais dilatada e livre
maior acúmulo de gases
proximidade com a parede abdominal
concentração de bactérias
Cronologia do aparecimento
verão - 18 a 24hs
inverno - 36 a 48
Mecanismo e evolução
atividade bacteriana - Clostrídium welchii
formação de metano, gás carbônico, amônia e mercaptanos, gás sulfídrico
gás sulfídrico + hemoglobina = sulfohemoglobina ou sulfometahemoglobina = verde
progressão por todo o corpo
escurecimento progressivo - verde enegrecido a negro
Aparecimento da circulação póstuma de Brouardel
Nos fetos
início pela parte superior do tórax, face e pescoço
conteúdo intestinal estéril
bactérias nas vias aéreas
22.
Gasosa
Fase gasosaou enfisematosa decorre do aumento de volume pelos
gases da putrefação.
Cronologia
perceptibilidade - 48 a 72 horas
grau máximo - 5 a 7 dias
Mecanismo
ação de bactérias saprófitas
Formação de gases da putrefação - inflamáveis
decomposição protéica
liberação de compostos nitrogenados - ptomaínas (odor desagradabilíssimo)
Aumento da pressão abdominal
prolapso do útero - eventual parto post-mortem
prolapso do reto
elevação do diafragma
compressão pulmonar - saída de líquido avermelhado pela boca e narinas
sangue proveniente do rompimento alveolar
23.
Superfície
destacamentototal da epiderme
perda de fâneros
bolhas epidérmicas de conteúdo líquido hemoglobínico - baixo
teor protéico
circulação póstuma de Brouardel
pressão sobre grandes vasos
escoamento passivo do sangue periferia
destacamento da epiderme
coloração escura do sangue
36 e 48 horas após a morte
Aspecto gigantesco
protusão ocular
protusão lingual
distensão dos órgãos genitais masculinos
posição de lutador
24.
Vísceras maciças
amolecimento
superfície de corte com numerosas pequenas cavidades
- queijo suíço
Coração
amolecido, pardo, com creptação
Pulmões
colabados - pardos escuros ou cinza enegrecido
cavidades pleurais - até 200 ml. de líquido pardo-escuro
Cérebro
perda da estrutura - "derretimento"
massa pegajosa cinza escura
28.
Coliquativa
Fase naqual os tecidos moles do corpo se liquefazem.
Dissolução pútrida do cadáver - deliqüescência
cadavérica
Desintegração de partes moles
redução do volume
deformação
liberação dos gases
Inúmeras larvas
Cronologia
extremamente variável
início - 3 semanas após o óbito
término - vários meses
30.
Esqueletização
Fase daputrefação em que, ao final, remanesce o esqueleto.
Fase que se mescla à coliquativa
Final do processo destrutivo cadavérico
Resultado final é o esqueleto livre de partes moles
Cronologia muito variável
início - terceira a quarta semana
término - seis meses
fatores
clima
ambiente (+ fauna cadavérica)
ar livre
inumação
submersão
32.
Maceração
Maceração: quandoo corpo se encontra no
ambiente uterino asséptico (ou seja, sem micro-
organismos), a autólise vai ocorrer em meio
líquido, gerando um processo de destruição
tecidual que leva a uma progressiva descamação
cutânea e infiltração serossanguínea dos tecidos,
bem como à flacidez de partes moles e à
separação das partes ósseas. Ocorre apenas com
a morte de fetos intraútero.
34.
Conservativos
A depender dosfatores ambientais do local
onde se encontra o corpo, ao invés dele ser
destruído, pode ocorrer a preservação
natural dos tecidos corporais mortos. Isso
pode ocorrer de 3 formas:
35.
Saponificação
Como opróprio nome diz, o corpo fica com a
textura semelhante à do sabão. Isso é devido à
formação de uma substância chamada
adipocera, que vai preservar o aspecto
morfológico do corpo. Ocorre em corpos
sepultados em locais de solo argiloso úmido, em
corpos mantidos na água, ou em valas comuns
que possuem vários corpos juntos;
37.
Mumificação
Quando umcorpo é sepultado em solos arenosos
e secos, ou mesmo mantidos em altitudes nas
quais a umidade é muito baixa, o corpo irá sofrer
um dessecamento progressivo, que passa a
preservar, de certa forma, o seu aspecto
morfológico;
39.
Petrificação
Calcificação éa deposição mineral sobre o corpo.
Fenômeno conservador muito raro
Petrificação ou calcificação corporal
Forma intra-uterina
forma mais comum
ocorre na morte fetal retida
litopédios - criança de pedra
Forma extra-uterina
raríssimo
mecanismo
putrefação muito rápida
assimilação de sais calcários pelo esqueleto
resultado de aparência pétrea e grande peso - (fóssil)