OmniPax Editora Rev Bras Terap e Saúde, 4(1):13-18, 2013
Efeito da Drenagem Linfática
na Redução de Edema de Membro Inferior:
Estudo de Caso em Pré e Pós-Operatório de Abdominoplastia
The Effect of Lymphatic Drainage for Reducing Lower Limbs Edema:
a Case Study of Pre and Post-Abdominoplasty Surgery
Gisele Boratoa,b,∗
, Geslaine Janaína Bueno dos Santosb
a
Faculdade de Tecnologia IBRATE, Curitiba, PR
b
Instituto Federal do Paraná, câmpus Curitiba, PR
Resumo: Contextualização: O edema em membros inferiores é um problema comum que pode ocorrer após cirurgia de abdomino-
plastia. A drenagem linfática manual (DLM) é uma técnica indicada para a redução do edema no pós-operatório, e tem demonstrado
resultados satisfatórios. Objetivo: avaliar a eficácia da DLM na redução do edema de membros inferiores no pós-operatório de cirurgia
de abdominoplastia, bem como na diminuição da dor. Métodos: estudo de caso com uma voluntária após abdominosplastia. Foram
realizadas 20 sessões diárias de DLM, pré e pós-operatórias. A cada 5 sessões foram realizadas perimetrias dos membros inferiores e
coletados dados com a Escala Visual Analógica da Dor. Resultados: Foi observado redução do edema a partir da segunda perimetria,
e a diminuição da dor foi relatada a cada sessão de DLM. Conclusão: Neste estudo houve eficácia da DLM no pré e pós-operatório
para a redução do edema de membros inferiores e alívio da dor no caso estudado.
Palavras-chave: Drenagem linfática, Edema, Abdominoplastia
Abstract: Background: The swelling in the lower limbs is a common problem that can occur after abdominoplasty surgery. Manual
lymphatic drainage (MLD) is a suitable technique for reducing edema postoperatively, and has shown satisfactory results. Objective:
To evaluate the efficacy of DLM in reducing lower extremity edema postoperative abdominoplasty surgery, as well as in reducing pain.
Methods: : a case study with a volunteer after abdominoplasty. 20 daily sessions of DLM, pre and postoperative were performed. Every
5 sessions were held perimetry of the lower limbs and collected data with the Visual Analog Scale of Pain. Results: From the second
perimety a reduction of swelling was observed, and after every MLD session, a reduction of pain was reported. Conclusion: In this study
DLM pre- and postoperative was effective to reduce lower extremity edema and pain relief, for the case studied.
Keywords: Lymphatic drainage, Edema, Abdominoplasty.
1. Introdução
No Brasil é onde se faz mais cirurgias plásticas
no mundo, atingindo 23 milhões em 2013, sendo
a maior parte contingente representado por mulhe-
res. A abdominoplastia é um dos procedimentos ci-
rúrgicos onde o Brasil é líder no mundo e ela é in-
dicada basicamente para a correção de protrusão e
excesso de pele no abdômen. Entre as consequên-
cias o edema é o excesso de líquido intercelular que
ocorre com frequência em cirurgias e, em especial,
na abdominoplastia. A presença de edema inter-
fere significativamente na cicatrização e recupera-
ção pós-cirúrgica do paciente, embora seja frequen-
temente subestimado. Um dos principais métodos
para a diminuição de edema é a Drenagem Linfática
Manual (DLM)15
.
A DLM é uma técnica que foi desenvolvida em
meados da década de 30, pelo casal Estrid e Emil
∗Autor correspondente: giseleborato@yahoo.com.br
Vodder. Posteriormente surgiram outras técnicas
adaptadas, como as de Leduc, Földi, método Ca-
margo e Marx, e outras que utilizam instrumen-
tos para a realização da técnica, como a de Godoy
et al. 8
.
Dentre as manobras de drenagem linfática pro-
postas por Vodder, distinguem-se alguns movimen-
tos: círculos fixos ou rotação parada no lugar, mo-
vimentos de bombeamento andando e parado no
lugar. A drenagem linfática deve ser iniciada pelo
segmento proximal ao processo de evacuação, ob-
tendo um descongestionamento das vias pelas quais
a linfa fluirá, cisterna do quilo, ducto torácico, ân-
gulo venoso, cadeia linfática inguinal, cadeia linfá-
tica poplítea, cadeia linfática axilar. O sentido é de
proximal-distal, num total de 5 a 7 vezes e o seg-
mento corpóreo deve estar em posição de drenagem
durante o procedimento16,12
.
A técnica de drenagem linfática manual é uma
técnica de massagem destinada a melhorar as fun-
ções do sistema linfático por meio de manobras pre-
DOI 10.7436/rbts-2014.04.01.03 ISSN 2177-9910
14 Borato & Santos
cisas, leves, suaves, lentas e rítmicas, que obede-
cem o trajeto do sistema linfático superficial10
. Es-
tes autores afirmam que a drenagem linfática drena
os líquidos excedentes que banham as células, man-
tendo, desta forma, o equilíbrio hídrico dos espaços
intersticiais.
Segundo Godoy et al.8
“a técnica consiste em fa-
zer esta drenagem através de compressão externa
que promove um diferencial de pressão entre as ex-
tremidades, podendo deslocar o fluído contido em
um vaso linfático”. Isto leva a uma redução da pres-
são no interior do vaso e, assim, facilita a entrada
do excesso de líquido contido no interstício para o
interior do mesmo por diferença de pressão.
Para Ferrandez et al. 7
o sistema linfático está
presente em todas as regiões dos membros: pele,
tecido subcutâneo, músculos, cápsulas articulares,
ligamentos, nervos e vasos sanguíneos. Este sis-
tema consiste em um conjunto particular de capila-
res, vasos coletores, troncos linfáticos e linfonodos
que servem como filtros do líquido coletado pelos
vasos e pelos órgãos linfóides que são encarrega-
dos de recolher, na intimidade dos tecidos, o líquido
intersticial e reconduzi-lo ao sistema vascular san-
guíneo. Quando o líquido intersticial passa para
dentro dos capilares recebe o nome de linfa, que
apresenta uma composição semelhante ao plasma
sanguíneo. A linfa difere do sangue justamente por
não conter células sanguíneas e quando absorvida
nos capilares linfáticos é transportada para os va-
sos pré-coletores e coletores, passa através de vá-
rios linfonodos, sendo então filtrada e recolocada na
circulação até atingir os vasos sanguíneos9
.
Bruhns et al.3
referem que o sistema linfático
não possuíam elemento de bombeamento tal como
o sistema circulatório sanguíneo. A circulação lin-
fática é produzida por meio de contrações do sis-
tema muscular ou de pulsações de artérias próxi-
mas aos vasos linfáticos. Assim, o sistema linfático
tem como função reabsorver e encaminhar para a
circulação tudo aquilo que o capilar não consegue
recuperar do desequilíbrio entre a filtração e a reab-
sorção. É seu papel transportar as células mortas,
as células imunocompetentes, as partículas inorgâ-
nicas, as proteínas, os lipídeos, as bactérias, os ví-
rus e os produtos do catabolismo.
Para Santos & Machado 13
, as vias linfáticas da
pele e do tecido subcutâneo não possuem uma di-
reção de fluxo definida, isto é, esses capilares não
são valvulados como os coletores linfáticos de maior
calibre. O sentido do fluxo linfático superficial, en-
tão, depende de forças externas ao sistema linfático,
como a drenagem linfática manual, que aumenta a
absorção da linfa. A drenagem linfática manual im-
pulsiona o líquido excedente do espaço intersticial
para dentro dos capilares linfáticos. Tal fato acon-
tece quando há pressão positiva e os filamentos de
Casley-Smith ou de proteção abrem as micro válvu-
las endoteliais da parede capilar. À medida que o
vaso enche, as válvulas fecham-se e a linfa flui.
Segundo Elwing & Sanches 5
o edema é o ex-
cesso de líquido intercelular. O sistema linfático
responde a esse excesso aumentando sua capaci-
dade de transporte em até cem vezes a normal. Quan-
do se ultrapassa esta capacidade ou há falha do pró-
prio sistema, acontece um aumento importante do
tecido conjuntivo, a que se chama edema. Edemas
são caracterizados por: aumento da pressão capi-
lar, diminuição de proteínas plasmáticas, aumento
da permeabilidade dos capilares.
A DLM é utilizada no tratamento da lipodistro-
fiaginóide, edemas, hematomas, aderências, mial-
gias, stress, pós e pré-operatório. No período pré-
cirúrgico, a drenagem linfática ajuda a ativar a cir-
culação linfática da zona que vai ser operada e redu-
zir o edema, especialmente quando o paciente apre-
senta uma circulação lenta. Na recuperação pós-
cirurgia, a técnica é empregada de forma suave para
drenar edemas, favorecer e agilizar a regeneração e
reparação da pele e de outros tecidos afetados. Para
Guirro & Guirro 9
a DLM é contraindicada na pre-
sença de processos infecciosos, neoplasias, trom-
bose venosa profunda, erisipela, entre outros.
Winter17
afirma que a DLM antes de uma ci-
rurgia plástica deixa o paciente mais tranquilo, e
o edema pós-cirúrgico, além de ser menor, é reab-
sorvido rapidamente.
A abdominoplastia consiste em uma intervenção
cirúrgica com o objetivo de remodelar o abdômen
ao retirar o excesso de pele que se acumula abaixo
do umbigo, “e ajustar a cinta muscular com pon-
tos ou plicatura que vem a corrigir a frouxidão dos
músculos reto-abdominais”. No caso da cirurgia
de abdominoplastia, a DLM é recomendada como
procedimento terapêutico pós-cirúrgico para redu-
ção do edema, reabsorção de hematomas e acele-
ração do processo de cicatrização. A DLM nestes
pacientes tem que ser rítmica e sem muita pressão,
pois a linfa corre na superfície da pele, seu fluxo é
relativamente lento e precisa ser respeitado. Nes-
tes pacientes pós-operados a DLM tem a função de
acelerar o processo de retirada dos líquidos acumu-
lados entre as células, e os resíduos metabólicos,
encaminhando-os aos vasos capilares e, por meio
de movimentos específicos, direcionando para que
sejam eliminados4
.
Nas cirurgias plásticas ocorre uma destruição de
vasos e nervos, o que causa dor, edema e diminui-
ção da sensibilidade cutânea, levando a um grande
desconforto. Silva & Moraes 14
afirmam que “todo
paciente submetido a um procedimento cirúrgico terá
dor no pós-operatório”.
Para Barbosa & Mergulhão 2
com a DLM o pa-
ciente “sente uma melhora do desconforto no pós-
Efeito da drenagem linfátia na redução de edema de membro inferior 15
operatório imediato, do quadro álgico, da congestão
tecidual e do retorno precoce da sensibilidade cutâ-
nea local” sendo eficaz no pós-operatório da abdo-
minoplastia.
A hipótese de pesquisa é de que com um trabalho
efetivo de drenagem linfática no pré e pós-operatório
de abdominoplastia é possível melhorar o edema de
membro inferior. Parte-se do princípio que a aplica-
ção diária desta técnica pode promover o bem estar
geral, diminuindo a dor e promovendo a recupera-
ção no pós-operatório de abdominoplastia.
Este trabalho tem o objetivo de avaliar os efei-
tos terapêuticos da DLM na redução do edema dos
membros inferiores em pré e pós-operatório de ci-
rurgia de abdominoplastia, bem como avaliar a re-
dução no pós-operatório da dor referida pela pessoa
submetida à cirurgia, após a sessão de DLM.
2. Metodologia
Trata-se de uma pesquisa aplicada classificada
como Estudo de Caso, de caráter exploratório e de
análise quantitativa.
Para André1
, o desenvolvimento de um estudo
de caso se realiza em três fases. A primeira é a fase
exploratória, que é o momento em que o pesquisa-
dor entra em contato com a situação a ser inves-
tigada para definir o caso, estabelecer os contatos,
localizar os sujeitos e definir os procedimentos e ins-
trumentos de coleta de dados. A segunda fase é a de
coleta dos dados ou de delimitação do estudo. A ter-
ceira fase é a de análise sistemática dos dados, tra-
çadas como linhas gerais para condução deste tipo
de pesquisa, podendo ser, em algum momento, con-
jugada uma ou mais fases, ou até mesmo sobrepor
em outras, variando de acordo com a necessidade e
criatividade surgidas no desenrolar da pesquisa.
Na etapa exploratória foi realizado um levanta-
mento bibliográfico dos assuntos a serem aborda-
dos. Foi, então, definido o problema e o objeto de
estudo. Através do Termo de Consentimento Livre
e Esclarecido, foi estabelecida a participação da vo-
luntária neste estudo.
Foi desenvolvida uma ficha de avaliação cons-
tando anamnese, bem como dados referentes à pe-
rimetria de membros inferiores e o método de avali-
ação da dor no pós-operatório (Escalas Numéricas e
Visuais Analógicas da dor).
Na etapa de coleta de dados, a pesquisa teve
como sujeito um indivíduo do sexo feminino, 42 anos,
que foi submetida à cirurgia de abdominoplastia. A
voluntária tinha obesidade há vários anos (não re-
latado com exatidão) e pesava 136 quilos (na bariá-
trica) e, na época do estudo pesava 98 quilos, com
164 centímetros de altura.
Imediatamente após o procedimento a voluntá-
ria fez uso de meias compressivas da marca Sigvaris
média compressão 24 horas por dia durante todo o
período das sessões de drenagem. Nas primeiras 24
horas após o procedimento fez uso de bota pneumá-
tica no hospital. Parte do dia a paciente ficava em
repouso com os membros inferiores elevados, sua
alimentação após a saída do hospital não foi alte-
rada ou restrita. A voluntária fez uso de medicação
após o procedimento cirúrgico e, mesmo com a in-
tervenção da medicação, relatava dor antes da apli-
cação da técnica e alívio da dor após as sessões de
drenagem linfática manual.
Foram realizadas 20 sessões de drenagem linfá-
tica, utilizando o método de Vodder num período de
25 dias, sendo 5 sessões pré-operatórias e 15 ses-
sões pós-operatórias, que foram iniciadas após o 5o
dia da data da cirurgia. A primeira coleta perimé-
trica foi realizada na primeira sessão pré-operatória
da DLM. A segunda coleta de perimetria foi reali-
zada na primeira sessão após a cirurgia de abdomi-
noplastia, ou seja no 5o
dia pós-operatório. A ter-
ceira e a quarta coletas de perimetria foram realiza-
das a cada 5 sessões. A drenagem linfática foi rea-
lizada apenas em membros inferiores. A perimetria,
que pode ser definida como o perímetro máximo de
um segmento corporal quando medido de um ân-
gulo reto em relação ao seu eixo6
. A perimetria foi
considerada o método mais adequado para a avalia-
ção do edema, sendo que muitos autores a utilizam
em seus trabalhos, tais como Piccinin et al.12
.
Na perimetria foram medidas as circunferências
dos membros inferiores: coxa e perna, seguindo-
se as recomendações citadas por Fernandes Filho 6
.
A região supra-patelar (coxa) foi dividida em três
regiões: proximal, medial e distal. A demarcação
da região supra-patelar foi feita com medidas de 10
centímetros.
A região infra-patelar (perna) foi dividida em qua-
tro regiões: proximal, medial alta, medial baixa e
distal. A região medial foi dividida em duas levando
em consideração a anatomia da participante. A de-
marcação da região infra-patelar foi feita com medi-
das de 5 centímetros entre elas.
As medidas da região supra-patelar de 10 cm, e
infra-patelar de 5 cm, foram as que se ajustaram ao
tamanho do membro inferior da voluntária.
Além dos dados da perimetria foram coletados
dados acerca da dor referida pela voluntária antes e
após a sessão de DLM, sendo feitas quatro coletas.
O método utilizado foi o da Escala Visual e Analó-
gica da dor. Segundo Martinez et al. 11
o método é de
fácil e rápida aplicação, tem fácil entendimento pelo
paciente, sendo uma forma adequada para estimar
a intensidade da dor presente.
Na etapa de análise dos dados, estes foram com-
pilados sob a forma de tabelas e gráficos com o ob-
jetivo de facilitar a análise dos mesmos, através do
programa Microsoft Excel.
16 Borato & Santos
3. Resultados
Com a ficha de avaliação e anamnese foram co-
letados dados gerais e específicos, que são o foco
deste estudo sendo eles a perimetria dos membros
inferiores e a escala de dor.
Os dados da aplicação da perimetria foram cole-
tados em tabela, a partir das quais foram construí-
dos os gráficos das Figuras 1 e 2, sendo a primeira
para a coxa e a segunda para a perna. Nestes grá-
ficos, D1 e E1 se referem à 1a
perimetria do lado
Direito e lado Esquerdo (Pré-operatório), D2 e E2 à
2a
perimetria (Pós-operatório) e assim por diante.
Os dados coletados com a aplicação da Escala
Visual e Analógica da dor (Figura 3) estão organiza-
dos na Tabela 1.
4. Discussão
O procedimento cirúrgico de abdominoplastia gera
dor, edema e sensibilidade. A DLM é utilizada como
procedimento terapêutico no pré e pós-operatório
para reduzir e melhorar estes sintomas. É impor-
tante observar que estes sintomas podem ser dife-
rentes em cada individuo, dependendo da conduta
pré e pós-operatória adotada. Neste estudo de caso,
a conduta foi de realizar sessões de DLM no pré e
no pós-operatório.
No pré-operatório foi possível verificar edema de
MMII, e bom estado geral da voluntária sem demais
queixas. Após cinco sessões pré-operatórias, a vo-
luntária foi submetida ao procedimento.
No pós-operatório, a primeira sessão foi realizada
cinco dias após o procedimento cirúrgico e apresen-
tava MMII com perimetria menor do que no pré-
operatório. Esta redução foi consequência das 5
sessões diárias de DLM no pré-operatório. Este fato
corrobora a afirmação de Winter 17
, no que diz res-
peito ao efeito da aplicação de DLM no pré-operatório.
Logo após a cirurgia, a voluntária referia dor mo-
derada e sensibilidade no local. Conforme mostrado
na Tabela 1, as avaliações da intensidade da dor fo-
ram diminuindo ao longo das sessões, bem como
eram reduzidas comparando-se antes e depois de
cada sessão. Portanto, a DLM mostrou-se eficaz
na redução do quadro álgico pós-cirúrgico, concor-
dando com Barbosa & Mergulhão2
). As linhas de
tendência dos gráficos mostram que o edema foi re-
duzindo ao longo das sessões sendo que nas regiões
proximais a variação foi maior (linha mais inclinada)
do que nas regiões mediais e distais.
O início precoce das drenagens após a cirurgia
pode prevenir as complicações e proporcionar uma
recuperação mais rápida dos indivíduos. Neste es-
tudo de caso foi observada uma redução progressiva
do edema ao longo das sessões de DLM (ver Figu-
ras 1 e 2), e a dor da voluntária teve considerável
melhora (ver Tabela 1).
5. Considerações Finais
Observou-se que o efeito da drenagem realizada
no pré-operatório se manteve no pós-operatório, e
que as sessões realizadas após o procedimento ci-
rúrgico foram eficientes na diminuição das medidas
dos MMII.
A análise subjetiva dos pesquisadores mostrou
uma satisfação da voluntária após a realização das
sessões de DLM, pois a mesma diminuía a ansie-
dade pela sua recuperação cirúrgica, conforme re-
lato espontâneo da voluntária.
Assim, pode-se concluir que a DLM é importante
no plano terapêutico que inclui cuidados pré e pós-
operatórios.
Referências
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Educacional. Brasília, DF: Liber Livro Editora, 2005.
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gem linfática manual como tratamento fisioterapêutico no
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tação. Revista Presciência, 5:7–18, 2012.
[3] Bruhns, F.B.; Ruzene, A.C.S. & Simões, N.V.N., Vacuotera-
pia - Aplicações e Efeitos em Terapia e Estética. Monografia
de conclusão do curso de fisioterapia, Universidade Federal
de São Carlos, São Carlos, SP, 1994.
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linfática nos pós operatório de abdomi-
noplastia. Disponível na Internet, 2013.
Http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/18/75_-
_Drenagem_LinfYtica_nos_PYs_OperatYrio_de_ Abdomino-
plastia.pdf.
[5] Elwing, A. & Sanches, O., Drenagem Linfática Manual: teo-
ria e prática. São Paulo, SP: SENAC, 2010.
[6] Fernandes Filho, J., A Prática da Avaliação Física. 2a edi-
ção. Rio de Janeiro, RJ: Shape, 2003.
[7] Ferrandez, J.C.; Theys, S. & Bouchet, J.Y., Reeducação Vas-
cular Edemas dos Membros Inferiores. 1a edição. São Paulo,
SP: Manole, 2001.
[8] Godoy, J.M.P.; Godoy, M.F.G.; Godoy, M.F. & Braile, D.M.,
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Angiologia, 16:204–211, 2004.
[9] Guirro, E. & Guirro, R., Fisioterapia Dermato-Funcional. 3a
edição. São Paulo, SP: Manole, 2002.
[10] Leduc, A. & Leduc, O., Drenagem Linfática – Teoria e Prática.
2a edição. São Paulo, SP: Manole, 2000.
[11] Martinez, J.E.; Grassi, D.C. & Marques, L.G., Análise da
aplicabilidade de três instrumentos de avaliação de dor
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fermaria e urgência. Revista Brasileira de Reumatologia,
51(4):299–308, 2011.
[12] Piccinin, A.M.; Mello, P.B.; de Bem, D.M.; Silva,
A. & da Rosa, P.V., Redução do edema em mem-
bros inferiores através da drenagem linfática ma-
nual: Um estudo de caso. Revista Inspirar, 1(2),
2009Http://inspirar.com.br/revista/?p=239.
Efeito da drenagem linfátia na redução de edema de membro inferior 17
Figura 1: Gráfico da perimetria de MMII – coxa (região supra-patelar).
Figura 2: Gráfico da perimetria de MMII – perna (região infra-patelar).
Figura 3: Escala Visual Analógica de dor.
18 Borato & Santos
Tabela 1: Tabela de dados referentes a aplicação da Escala Numérica e Visual da Dor.
Pré-operatório Pós-operatório Pós-operatório Pós-operatório
1a
perimetria 2a
perimetria 3a
perimetria 4a
perimetria
19/03 28/03 02/04 07/04
Descrição verbal - antes NA Dor moderada Dor moderada Dor leve
Descrição verbal - depois NA Dor leve Dor leve Dor leve
Escala visual - antes NA Número 6 Número 5 Número 4
Escala visual - depois NA Número 3 Número 2 Número 2
[13] Santos, P.C.S. & Machado, M.I.M., A drenagem linfática ma-
nual e a laserterapia de baixa intensidade (he-ne) no pós-
operatório de mamasplatia redutora estética. Revista Bra-
sileira de Fisioterapia Dermato-Funcional, 1(10):100–106,
2003.
[14] Silva, A.P. & Moraes, M.W., Incidência de dor no pós-
operatório de cirurgia plástica estética. Revista da Dor,
11(2):136–139, 2010.
[15] Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, , De acordo
com a ISAPS, brasil lidera ranking de cirurgias plás-
ticas no mundo. Disponível na Internet, 2013.
Http://www2.cirurgiaplastica.org.br/de-acordo-com-a-
isaps-brasil-lidera-ranking-de-cirurgias-plasticas-no-
mundo/.
[16] Vodder, E., Le Drainage Lymphatique, une nouvelle méthode
thérapeutique. Paris, France: Santé pour Tous, 1936.
[17] Winter, W.R., Drenagem Linfática Manual. 2a edição. Rio de
Janeiro, RJ: Vida Estética, 1985.
Notas Biográficas
Gisele Borato é Técnica em Massoterapia pelo Instituto Fede-
ral do Paraná e graduada em Fisioterapia pela Faculdade Dom
Bosco de Curitiba.
Gesiane Janaína Bueno dos Santos é Técnica em Massoterapia
pela UFPR, graduada em Fisioterapia pela PUC-PR, especialista
em Fisioterapia Dermato-Funcional pela FEPAR. Atualmente é
docente do curso de massoterapia do IFPR.

efeito da drenagem

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    OmniPax Editora RevBras Terap e Saúde, 4(1):13-18, 2013 Efeito da Drenagem Linfática na Redução de Edema de Membro Inferior: Estudo de Caso em Pré e Pós-Operatório de Abdominoplastia The Effect of Lymphatic Drainage for Reducing Lower Limbs Edema: a Case Study of Pre and Post-Abdominoplasty Surgery Gisele Boratoa,b,∗ , Geslaine Janaína Bueno dos Santosb a Faculdade de Tecnologia IBRATE, Curitiba, PR b Instituto Federal do Paraná, câmpus Curitiba, PR Resumo: Contextualização: O edema em membros inferiores é um problema comum que pode ocorrer após cirurgia de abdomino- plastia. A drenagem linfática manual (DLM) é uma técnica indicada para a redução do edema no pós-operatório, e tem demonstrado resultados satisfatórios. Objetivo: avaliar a eficácia da DLM na redução do edema de membros inferiores no pós-operatório de cirurgia de abdominoplastia, bem como na diminuição da dor. Métodos: estudo de caso com uma voluntária após abdominosplastia. Foram realizadas 20 sessões diárias de DLM, pré e pós-operatórias. A cada 5 sessões foram realizadas perimetrias dos membros inferiores e coletados dados com a Escala Visual Analógica da Dor. Resultados: Foi observado redução do edema a partir da segunda perimetria, e a diminuição da dor foi relatada a cada sessão de DLM. Conclusão: Neste estudo houve eficácia da DLM no pré e pós-operatório para a redução do edema de membros inferiores e alívio da dor no caso estudado. Palavras-chave: Drenagem linfática, Edema, Abdominoplastia Abstract: Background: The swelling in the lower limbs is a common problem that can occur after abdominoplasty surgery. Manual lymphatic drainage (MLD) is a suitable technique for reducing edema postoperatively, and has shown satisfactory results. Objective: To evaluate the efficacy of DLM in reducing lower extremity edema postoperative abdominoplasty surgery, as well as in reducing pain. Methods: : a case study with a volunteer after abdominoplasty. 20 daily sessions of DLM, pre and postoperative were performed. Every 5 sessions were held perimetry of the lower limbs and collected data with the Visual Analog Scale of Pain. Results: From the second perimety a reduction of swelling was observed, and after every MLD session, a reduction of pain was reported. Conclusion: In this study DLM pre- and postoperative was effective to reduce lower extremity edema and pain relief, for the case studied. Keywords: Lymphatic drainage, Edema, Abdominoplasty. 1. Introdução No Brasil é onde se faz mais cirurgias plásticas no mundo, atingindo 23 milhões em 2013, sendo a maior parte contingente representado por mulhe- res. A abdominoplastia é um dos procedimentos ci- rúrgicos onde o Brasil é líder no mundo e ela é in- dicada basicamente para a correção de protrusão e excesso de pele no abdômen. Entre as consequên- cias o edema é o excesso de líquido intercelular que ocorre com frequência em cirurgias e, em especial, na abdominoplastia. A presença de edema inter- fere significativamente na cicatrização e recupera- ção pós-cirúrgica do paciente, embora seja frequen- temente subestimado. Um dos principais métodos para a diminuição de edema é a Drenagem Linfática Manual (DLM)15 . A DLM é uma técnica que foi desenvolvida em meados da década de 30, pelo casal Estrid e Emil ∗Autor correspondente: giseleborato@yahoo.com.br Vodder. Posteriormente surgiram outras técnicas adaptadas, como as de Leduc, Földi, método Ca- margo e Marx, e outras que utilizam instrumen- tos para a realização da técnica, como a de Godoy et al. 8 . Dentre as manobras de drenagem linfática pro- postas por Vodder, distinguem-se alguns movimen- tos: círculos fixos ou rotação parada no lugar, mo- vimentos de bombeamento andando e parado no lugar. A drenagem linfática deve ser iniciada pelo segmento proximal ao processo de evacuação, ob- tendo um descongestionamento das vias pelas quais a linfa fluirá, cisterna do quilo, ducto torácico, ân- gulo venoso, cadeia linfática inguinal, cadeia linfá- tica poplítea, cadeia linfática axilar. O sentido é de proximal-distal, num total de 5 a 7 vezes e o seg- mento corpóreo deve estar em posição de drenagem durante o procedimento16,12 . A técnica de drenagem linfática manual é uma técnica de massagem destinada a melhorar as fun- ções do sistema linfático por meio de manobras pre- DOI 10.7436/rbts-2014.04.01.03 ISSN 2177-9910
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    14 Borato &Santos cisas, leves, suaves, lentas e rítmicas, que obede- cem o trajeto do sistema linfático superficial10 . Es- tes autores afirmam que a drenagem linfática drena os líquidos excedentes que banham as células, man- tendo, desta forma, o equilíbrio hídrico dos espaços intersticiais. Segundo Godoy et al.8 “a técnica consiste em fa- zer esta drenagem através de compressão externa que promove um diferencial de pressão entre as ex- tremidades, podendo deslocar o fluído contido em um vaso linfático”. Isto leva a uma redução da pres- são no interior do vaso e, assim, facilita a entrada do excesso de líquido contido no interstício para o interior do mesmo por diferença de pressão. Para Ferrandez et al. 7 o sistema linfático está presente em todas as regiões dos membros: pele, tecido subcutâneo, músculos, cápsulas articulares, ligamentos, nervos e vasos sanguíneos. Este sis- tema consiste em um conjunto particular de capila- res, vasos coletores, troncos linfáticos e linfonodos que servem como filtros do líquido coletado pelos vasos e pelos órgãos linfóides que são encarrega- dos de recolher, na intimidade dos tecidos, o líquido intersticial e reconduzi-lo ao sistema vascular san- guíneo. Quando o líquido intersticial passa para dentro dos capilares recebe o nome de linfa, que apresenta uma composição semelhante ao plasma sanguíneo. A linfa difere do sangue justamente por não conter células sanguíneas e quando absorvida nos capilares linfáticos é transportada para os va- sos pré-coletores e coletores, passa através de vá- rios linfonodos, sendo então filtrada e recolocada na circulação até atingir os vasos sanguíneos9 . Bruhns et al.3 referem que o sistema linfático não possuíam elemento de bombeamento tal como o sistema circulatório sanguíneo. A circulação lin- fática é produzida por meio de contrações do sis- tema muscular ou de pulsações de artérias próxi- mas aos vasos linfáticos. Assim, o sistema linfático tem como função reabsorver e encaminhar para a circulação tudo aquilo que o capilar não consegue recuperar do desequilíbrio entre a filtração e a reab- sorção. É seu papel transportar as células mortas, as células imunocompetentes, as partículas inorgâ- nicas, as proteínas, os lipídeos, as bactérias, os ví- rus e os produtos do catabolismo. Para Santos & Machado 13 , as vias linfáticas da pele e do tecido subcutâneo não possuem uma di- reção de fluxo definida, isto é, esses capilares não são valvulados como os coletores linfáticos de maior calibre. O sentido do fluxo linfático superficial, en- tão, depende de forças externas ao sistema linfático, como a drenagem linfática manual, que aumenta a absorção da linfa. A drenagem linfática manual im- pulsiona o líquido excedente do espaço intersticial para dentro dos capilares linfáticos. Tal fato acon- tece quando há pressão positiva e os filamentos de Casley-Smith ou de proteção abrem as micro válvu- las endoteliais da parede capilar. À medida que o vaso enche, as válvulas fecham-se e a linfa flui. Segundo Elwing & Sanches 5 o edema é o ex- cesso de líquido intercelular. O sistema linfático responde a esse excesso aumentando sua capaci- dade de transporte em até cem vezes a normal. Quan- do se ultrapassa esta capacidade ou há falha do pró- prio sistema, acontece um aumento importante do tecido conjuntivo, a que se chama edema. Edemas são caracterizados por: aumento da pressão capi- lar, diminuição de proteínas plasmáticas, aumento da permeabilidade dos capilares. A DLM é utilizada no tratamento da lipodistro- fiaginóide, edemas, hematomas, aderências, mial- gias, stress, pós e pré-operatório. No período pré- cirúrgico, a drenagem linfática ajuda a ativar a cir- culação linfática da zona que vai ser operada e redu- zir o edema, especialmente quando o paciente apre- senta uma circulação lenta. Na recuperação pós- cirurgia, a técnica é empregada de forma suave para drenar edemas, favorecer e agilizar a regeneração e reparação da pele e de outros tecidos afetados. Para Guirro & Guirro 9 a DLM é contraindicada na pre- sença de processos infecciosos, neoplasias, trom- bose venosa profunda, erisipela, entre outros. Winter17 afirma que a DLM antes de uma ci- rurgia plástica deixa o paciente mais tranquilo, e o edema pós-cirúrgico, além de ser menor, é reab- sorvido rapidamente. A abdominoplastia consiste em uma intervenção cirúrgica com o objetivo de remodelar o abdômen ao retirar o excesso de pele que se acumula abaixo do umbigo, “e ajustar a cinta muscular com pon- tos ou plicatura que vem a corrigir a frouxidão dos músculos reto-abdominais”. No caso da cirurgia de abdominoplastia, a DLM é recomendada como procedimento terapêutico pós-cirúrgico para redu- ção do edema, reabsorção de hematomas e acele- ração do processo de cicatrização. A DLM nestes pacientes tem que ser rítmica e sem muita pressão, pois a linfa corre na superfície da pele, seu fluxo é relativamente lento e precisa ser respeitado. Nes- tes pacientes pós-operados a DLM tem a função de acelerar o processo de retirada dos líquidos acumu- lados entre as células, e os resíduos metabólicos, encaminhando-os aos vasos capilares e, por meio de movimentos específicos, direcionando para que sejam eliminados4 . Nas cirurgias plásticas ocorre uma destruição de vasos e nervos, o que causa dor, edema e diminui- ção da sensibilidade cutânea, levando a um grande desconforto. Silva & Moraes 14 afirmam que “todo paciente submetido a um procedimento cirúrgico terá dor no pós-operatório”. Para Barbosa & Mergulhão 2 com a DLM o pa- ciente “sente uma melhora do desconforto no pós-
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    Efeito da drenagemlinfátia na redução de edema de membro inferior 15 operatório imediato, do quadro álgico, da congestão tecidual e do retorno precoce da sensibilidade cutâ- nea local” sendo eficaz no pós-operatório da abdo- minoplastia. A hipótese de pesquisa é de que com um trabalho efetivo de drenagem linfática no pré e pós-operatório de abdominoplastia é possível melhorar o edema de membro inferior. Parte-se do princípio que a aplica- ção diária desta técnica pode promover o bem estar geral, diminuindo a dor e promovendo a recupera- ção no pós-operatório de abdominoplastia. Este trabalho tem o objetivo de avaliar os efei- tos terapêuticos da DLM na redução do edema dos membros inferiores em pré e pós-operatório de ci- rurgia de abdominoplastia, bem como avaliar a re- dução no pós-operatório da dor referida pela pessoa submetida à cirurgia, após a sessão de DLM. 2. Metodologia Trata-se de uma pesquisa aplicada classificada como Estudo de Caso, de caráter exploratório e de análise quantitativa. Para André1 , o desenvolvimento de um estudo de caso se realiza em três fases. A primeira é a fase exploratória, que é o momento em que o pesquisa- dor entra em contato com a situação a ser inves- tigada para definir o caso, estabelecer os contatos, localizar os sujeitos e definir os procedimentos e ins- trumentos de coleta de dados. A segunda fase é a de coleta dos dados ou de delimitação do estudo. A ter- ceira fase é a de análise sistemática dos dados, tra- çadas como linhas gerais para condução deste tipo de pesquisa, podendo ser, em algum momento, con- jugada uma ou mais fases, ou até mesmo sobrepor em outras, variando de acordo com a necessidade e criatividade surgidas no desenrolar da pesquisa. Na etapa exploratória foi realizado um levanta- mento bibliográfico dos assuntos a serem aborda- dos. Foi, então, definido o problema e o objeto de estudo. Através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, foi estabelecida a participação da vo- luntária neste estudo. Foi desenvolvida uma ficha de avaliação cons- tando anamnese, bem como dados referentes à pe- rimetria de membros inferiores e o método de avali- ação da dor no pós-operatório (Escalas Numéricas e Visuais Analógicas da dor). Na etapa de coleta de dados, a pesquisa teve como sujeito um indivíduo do sexo feminino, 42 anos, que foi submetida à cirurgia de abdominoplastia. A voluntária tinha obesidade há vários anos (não re- latado com exatidão) e pesava 136 quilos (na bariá- trica) e, na época do estudo pesava 98 quilos, com 164 centímetros de altura. Imediatamente após o procedimento a voluntá- ria fez uso de meias compressivas da marca Sigvaris média compressão 24 horas por dia durante todo o período das sessões de drenagem. Nas primeiras 24 horas após o procedimento fez uso de bota pneumá- tica no hospital. Parte do dia a paciente ficava em repouso com os membros inferiores elevados, sua alimentação após a saída do hospital não foi alte- rada ou restrita. A voluntária fez uso de medicação após o procedimento cirúrgico e, mesmo com a in- tervenção da medicação, relatava dor antes da apli- cação da técnica e alívio da dor após as sessões de drenagem linfática manual. Foram realizadas 20 sessões de drenagem linfá- tica, utilizando o método de Vodder num período de 25 dias, sendo 5 sessões pré-operatórias e 15 ses- sões pós-operatórias, que foram iniciadas após o 5o dia da data da cirurgia. A primeira coleta perimé- trica foi realizada na primeira sessão pré-operatória da DLM. A segunda coleta de perimetria foi reali- zada na primeira sessão após a cirurgia de abdomi- noplastia, ou seja no 5o dia pós-operatório. A ter- ceira e a quarta coletas de perimetria foram realiza- das a cada 5 sessões. A drenagem linfática foi rea- lizada apenas em membros inferiores. A perimetria, que pode ser definida como o perímetro máximo de um segmento corporal quando medido de um ân- gulo reto em relação ao seu eixo6 . A perimetria foi considerada o método mais adequado para a avalia- ção do edema, sendo que muitos autores a utilizam em seus trabalhos, tais como Piccinin et al.12 . Na perimetria foram medidas as circunferências dos membros inferiores: coxa e perna, seguindo- se as recomendações citadas por Fernandes Filho 6 . A região supra-patelar (coxa) foi dividida em três regiões: proximal, medial e distal. A demarcação da região supra-patelar foi feita com medidas de 10 centímetros. A região infra-patelar (perna) foi dividida em qua- tro regiões: proximal, medial alta, medial baixa e distal. A região medial foi dividida em duas levando em consideração a anatomia da participante. A de- marcação da região infra-patelar foi feita com medi- das de 5 centímetros entre elas. As medidas da região supra-patelar de 10 cm, e infra-patelar de 5 cm, foram as que se ajustaram ao tamanho do membro inferior da voluntária. Além dos dados da perimetria foram coletados dados acerca da dor referida pela voluntária antes e após a sessão de DLM, sendo feitas quatro coletas. O método utilizado foi o da Escala Visual e Analó- gica da dor. Segundo Martinez et al. 11 o método é de fácil e rápida aplicação, tem fácil entendimento pelo paciente, sendo uma forma adequada para estimar a intensidade da dor presente. Na etapa de análise dos dados, estes foram com- pilados sob a forma de tabelas e gráficos com o ob- jetivo de facilitar a análise dos mesmos, através do programa Microsoft Excel.
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    16 Borato &Santos 3. Resultados Com a ficha de avaliação e anamnese foram co- letados dados gerais e específicos, que são o foco deste estudo sendo eles a perimetria dos membros inferiores e a escala de dor. Os dados da aplicação da perimetria foram cole- tados em tabela, a partir das quais foram construí- dos os gráficos das Figuras 1 e 2, sendo a primeira para a coxa e a segunda para a perna. Nestes grá- ficos, D1 e E1 se referem à 1a perimetria do lado Direito e lado Esquerdo (Pré-operatório), D2 e E2 à 2a perimetria (Pós-operatório) e assim por diante. Os dados coletados com a aplicação da Escala Visual e Analógica da dor (Figura 3) estão organiza- dos na Tabela 1. 4. Discussão O procedimento cirúrgico de abdominoplastia gera dor, edema e sensibilidade. A DLM é utilizada como procedimento terapêutico no pré e pós-operatório para reduzir e melhorar estes sintomas. É impor- tante observar que estes sintomas podem ser dife- rentes em cada individuo, dependendo da conduta pré e pós-operatória adotada. Neste estudo de caso, a conduta foi de realizar sessões de DLM no pré e no pós-operatório. No pré-operatório foi possível verificar edema de MMII, e bom estado geral da voluntária sem demais queixas. Após cinco sessões pré-operatórias, a vo- luntária foi submetida ao procedimento. No pós-operatório, a primeira sessão foi realizada cinco dias após o procedimento cirúrgico e apresen- tava MMII com perimetria menor do que no pré- operatório. Esta redução foi consequência das 5 sessões diárias de DLM no pré-operatório. Este fato corrobora a afirmação de Winter 17 , no que diz res- peito ao efeito da aplicação de DLM no pré-operatório. Logo após a cirurgia, a voluntária referia dor mo- derada e sensibilidade no local. Conforme mostrado na Tabela 1, as avaliações da intensidade da dor fo- ram diminuindo ao longo das sessões, bem como eram reduzidas comparando-se antes e depois de cada sessão. Portanto, a DLM mostrou-se eficaz na redução do quadro álgico pós-cirúrgico, concor- dando com Barbosa & Mergulhão2 ). As linhas de tendência dos gráficos mostram que o edema foi re- duzindo ao longo das sessões sendo que nas regiões proximais a variação foi maior (linha mais inclinada) do que nas regiões mediais e distais. O início precoce das drenagens após a cirurgia pode prevenir as complicações e proporcionar uma recuperação mais rápida dos indivíduos. Neste es- tudo de caso foi observada uma redução progressiva do edema ao longo das sessões de DLM (ver Figu- ras 1 e 2), e a dor da voluntária teve considerável melhora (ver Tabela 1). 5. Considerações Finais Observou-se que o efeito da drenagem realizada no pré-operatório se manteve no pós-operatório, e que as sessões realizadas após o procedimento ci- rúrgico foram eficientes na diminuição das medidas dos MMII. A análise subjetiva dos pesquisadores mostrou uma satisfação da voluntária após a realização das sessões de DLM, pois a mesma diminuía a ansie- dade pela sua recuperação cirúrgica, conforme re- lato espontâneo da voluntária. Assim, pode-se concluir que a DLM é importante no plano terapêutico que inclui cuidados pré e pós- operatórios. Referências [1] André, M.E.D.A., Estudo de Caso em Pesquisa e Avaliação Educacional. Brasília, DF: Liber Livro Editora, 2005. [2] Barbosa, G.P. & Mergulhão, S.M.S., A eficácia da drena- gem linfática manual como tratamento fisioterapêutico no edema em membros inferiores de paciente no final da ges- tação. Revista Presciência, 5:7–18, 2012. [3] Bruhns, F.B.; Ruzene, A.C.S. & Simões, N.V.N., Vacuotera- pia - Aplicações e Efeitos em Terapia e Estética. Monografia de conclusão do curso de fisioterapia, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP, 1994. [4] Dutra, G.S. & Mejia, D.P.M., Drenagem linfática nos pós operatório de abdomi- noplastia. Disponível na Internet, 2013. Http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/18/75_- _Drenagem_LinfYtica_nos_PYs_OperatYrio_de_ Abdomino- plastia.pdf. [5] Elwing, A. & Sanches, O., Drenagem Linfática Manual: teo- ria e prática. São Paulo, SP: SENAC, 2010. [6] Fernandes Filho, J., A Prática da Avaliação Física. 2a edi- ção. Rio de Janeiro, RJ: Shape, 2003. [7] Ferrandez, J.C.; Theys, S. & Bouchet, J.Y., Reeducação Vas- cular Edemas dos Membros Inferiores. 1a edição. São Paulo, SP: Manole, 2001. [8] Godoy, J.M.P.; Godoy, M.F.G.; Godoy, M.F. & Braile, D.M., Drenagem linfática e bandagem auto-adesiva em paciente com linfedema de membros inferiores. Cirurgia Vascular & Angiologia, 16:204–211, 2004. [9] Guirro, E. & Guirro, R., Fisioterapia Dermato-Funcional. 3a edição. São Paulo, SP: Manole, 2002. [10] Leduc, A. & Leduc, O., Drenagem Linfática – Teoria e Prática. 2a edição. São Paulo, SP: Manole, 2000. [11] Martinez, J.E.; Grassi, D.C. & Marques, L.G., Análise da aplicabilidade de três instrumentos de avaliação de dor em distintas unidades de atendimento: ambulatório, en- fermaria e urgência. Revista Brasileira de Reumatologia, 51(4):299–308, 2011. [12] Piccinin, A.M.; Mello, P.B.; de Bem, D.M.; Silva, A. & da Rosa, P.V., Redução do edema em mem- bros inferiores através da drenagem linfática ma- nual: Um estudo de caso. Revista Inspirar, 1(2), 2009Http://inspirar.com.br/revista/?p=239.
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    Efeito da drenagemlinfátia na redução de edema de membro inferior 17 Figura 1: Gráfico da perimetria de MMII – coxa (região supra-patelar). Figura 2: Gráfico da perimetria de MMII – perna (região infra-patelar). Figura 3: Escala Visual Analógica de dor.
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    18 Borato &Santos Tabela 1: Tabela de dados referentes a aplicação da Escala Numérica e Visual da Dor. Pré-operatório Pós-operatório Pós-operatório Pós-operatório 1a perimetria 2a perimetria 3a perimetria 4a perimetria 19/03 28/03 02/04 07/04 Descrição verbal - antes NA Dor moderada Dor moderada Dor leve Descrição verbal - depois NA Dor leve Dor leve Dor leve Escala visual - antes NA Número 6 Número 5 Número 4 Escala visual - depois NA Número 3 Número 2 Número 2 [13] Santos, P.C.S. & Machado, M.I.M., A drenagem linfática ma- nual e a laserterapia de baixa intensidade (he-ne) no pós- operatório de mamasplatia redutora estética. Revista Bra- sileira de Fisioterapia Dermato-Funcional, 1(10):100–106, 2003. [14] Silva, A.P. & Moraes, M.W., Incidência de dor no pós- operatório de cirurgia plástica estética. Revista da Dor, 11(2):136–139, 2010. [15] Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, , De acordo com a ISAPS, brasil lidera ranking de cirurgias plás- ticas no mundo. Disponível na Internet, 2013. Http://www2.cirurgiaplastica.org.br/de-acordo-com-a- isaps-brasil-lidera-ranking-de-cirurgias-plasticas-no- mundo/. [16] Vodder, E., Le Drainage Lymphatique, une nouvelle méthode thérapeutique. Paris, France: Santé pour Tous, 1936. [17] Winter, W.R., Drenagem Linfática Manual. 2a edição. Rio de Janeiro, RJ: Vida Estética, 1985. Notas Biográficas Gisele Borato é Técnica em Massoterapia pelo Instituto Fede- ral do Paraná e graduada em Fisioterapia pela Faculdade Dom Bosco de Curitiba. Gesiane Janaína Bueno dos Santos é Técnica em Massoterapia pela UFPR, graduada em Fisioterapia pela PUC-PR, especialista em Fisioterapia Dermato-Funcional pela FEPAR. Atualmente é docente do curso de massoterapia do IFPR.