FES 2009 Conferência internacional sobre o financiamento do Ensino superior Economia da Educação Ciências da Educação  IE – UL Notas de Carla Vieira e Patrícia Garcia Prof. Belmiro Cabrito 21 Outubro 2009
FES 2009 Segunda-feira, 12 de Outubro 3º painel Júlio Pedrosa  (Universidade de Aveiro )  “Diversificação da Educação Superior e a Ideia de Universidade”  Tendências do Ensino Superior Massificação do Ensino Superior Diversificação das funções dos estabelecimentos de Ensino Superior Na Califórnia a chamada “research university” tem capacidade apenas para 10% dos estudantes californianos Também na Europa se tem registado um crescimento dos politécnicos e das Universidades Técnicas, com a diferença de que, aqui, se mantém, tendencialmente, a responsabilidade pública pela educação. Algumas questões levantadas: Em que qualificações devemos investir para preparar os alunos para as novas exigências do desenvolvimento económico? Financiamento, metas, transparência do processo’ Autonomia, a que sector do Estado pertencem as Universidades? Universidade e Politécnico, quais os seus estatutos e as suas missões? Alta autoridade para a supervisão e regulação da educação, de que forma?
Segunda-feira, 12 de Outubro 3º painel Fernando Araújo (Faculdade de Direito da UL)  “O Financiamento do Ensino Superior e o problema do Capital Humano”  Teoria do Capital humano; mercantilização do valor humano? A teoria diz-nos que é possível investir na qualificação por forma a obter benefícios, como se de um investimento em qualquer capital físico se tratasse. Educação – “ bem de consumo ” dos utentes do Ensino Superior? Teoria da sinalização – formamos mas temos que o saber  divulgar : Promover a sinalização do próprio estudante Promover os rankings Promover a selectividade, é um sinal para o empregador (selecção virtuosa) ->  opõe-se ao ideal de democratização Algumas questões levantadas: Se se financia uma escola não selectiva, não se estará a prejudicar os estudantes? Se se financia uma escola selectiva, não se estará a prejudicar a sociedade no seu todo? FES 2009
Segunda-feira, 12 de Outubro 3º painel Carla Amado Gomes (Faculdade de Direito da UL)  “A autonomia universitária: aspectos constitucionais”  Artº 76 da Constituição -  Universidade e acesso ao ensino superior sua evolução Nas várias revisões da Constituição, foi sendo, gradualmente, retirado do seu teor a ideia de uma universidade para todos, com vista a garantir “a elevação do nível educativo” Universidade -  Institutos públicos (versão da lei vigente) Algumas questões levantadas: Que natureza jurídica e a que poderes é que está sujeita a Universidade? AAA Agencia de Avaliação e Acreditação – avaliação externa das universidades, organismo realmente independente? FES 2009
Terça-feira, 13 de Outubro 5º painel Luísa Cerdeira (Universidade de Lisboa)  “ Os custos dos estudantes do ensino superior português”   FES 2009 Progresso nível da participação (o país fez um enorme esforço) Ensino privado – famílias com altos rendimentos (a realidade de hoje mostra que são na sua maioria estudantes provenientes destes estratos da sociedade)  Ensino público - Maior percentagem de família com rendimentos médios Ensino politécnico – famílias mais carenciadas Áreas de estudo Área saúde – estudantes de classes mais favorecidas (o capital dos pais e o sucesso tem influência) Área Educação – classes mais desfavorecidas Algumas conclusões: Custos  suportados pelos estudantes e suas famílias (alimentação, transportes, pessoais)  3 variáveis  Instituição frequentada (público ou privado) Região (litoral, regiões autónomas, …) Vive em casa dos pais, casa alugada
FES 2009 Portugal seguiu a política internacional ao partilhar custos (diminuição da despesa pública) O ES em Portugal apresenta um forte pendor elitista, com problemas de equidade. As bolsas de estudo têm valores muito inferiores aos que os estudantes têm necessariamente de suportar. Luísa Cerdeira (continuação)
Terça-feira, 13 de Outubro 5º painel Hans Vossensteyn (Universidade de Twente) “Study costs, public subsidies and access to higher education in Europe"  FES 2009 Os estudantes e as famílias estão mal informados sobre os subsídios existentes. O financiamento é um processo complexo, com diversos mecanismos, tanto para os estudantes como para os governos Belmiro Cabrito (Instituto de Educação da Universidade de Lisboa) “Equidade no Ensino Superior – 1995-2005, uma década perdida?” Explosão de estudantes com diferentes origens sociais.  Ensino permanece elitista. Não há relação entre as estruturas social e estudantil da população portuguesa no ensino público e privado.  As desigualdades dos níveis básico e secundário de ensino são transferidas para o ES. Anteriormente o Estado comparticipava 44,6% das despesas do ES Actualmente famílias e suportam mais de metade dos custos. . Um aumento das propinas pode levar alguns jovens a não procurarem o ES.
FES 2009 Belmiro Cabrito (continuação) A justiça e coesão sociais exigem: - maior percentagem de alunos dos estratos mais desfavorecidos - medidas que permitam o aumento de estudantes - diversificar apoios a todos os estudantes, promovendo a equidade - empréstimos a custo 0
Relacionando com a aula de 14 de Outubro A definição de  bem privado  é consensual entre os teóricos, a definição de  bem público  não é consensual, e o que está na base dessas divergências são lógicas de natureza puramente  ideológica . Se a  Educação  for considerada um  bem privado , um investimento em que os estudantes são os beneficiários e que o fazem a pensar na mais-valia que vão obter, então deve ser totalmente comparticipado pelos estudantes e suas famílias. Se, por outro lado, for considerada um  bem público , onde os benefícios são da sociedade, porque os indivíduos ficam mais educados, qualificados, com uma maior capacidade de produção e, logo, mais competitivos, então o investimento deve ser um investimento social onde o Estado deverá comparticipar as despesas.  FES 2009
FES 2009 Investimento  social ? Propinas Investimento  privado ? = Educação Bem  público ? (Natureza jurídica) Bem  privado ? Também a sociedade beneficia de todos terem direito (investimento da colectividade em si própria) Sobre o qual se tem direito de  propriedade  (exclusividade) – só uma pessoa de cada vez pode usar esse bem  bens rivais - O desenvolvimento que a instrução do próprio produz é, em última instância, sempre público – o  benefício  é público, ainda que o  lucro  seja privado. - Quanto maior o seu salário maiores os seus descontos/contribuições. - Se é a colectividade que “usufrui” dessa educação, então que seja ela a suportar os seus custos. - O primeiro a beneficiar da educação é o próprio por isso deve ser ele a custear esse investimento.  - É o próprio que vai obter  benefícios directos e privados  da sua instrução.

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    FES 2009 Conferênciainternacional sobre o financiamento do Ensino superior Economia da Educação Ciências da Educação IE – UL Notas de Carla Vieira e Patrícia Garcia Prof. Belmiro Cabrito 21 Outubro 2009
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    FES 2009 Segunda-feira,12 de Outubro 3º painel Júlio Pedrosa (Universidade de Aveiro ) “Diversificação da Educação Superior e a Ideia de Universidade” Tendências do Ensino Superior Massificação do Ensino Superior Diversificação das funções dos estabelecimentos de Ensino Superior Na Califórnia a chamada “research university” tem capacidade apenas para 10% dos estudantes californianos Também na Europa se tem registado um crescimento dos politécnicos e das Universidades Técnicas, com a diferença de que, aqui, se mantém, tendencialmente, a responsabilidade pública pela educação. Algumas questões levantadas: Em que qualificações devemos investir para preparar os alunos para as novas exigências do desenvolvimento económico? Financiamento, metas, transparência do processo’ Autonomia, a que sector do Estado pertencem as Universidades? Universidade e Politécnico, quais os seus estatutos e as suas missões? Alta autoridade para a supervisão e regulação da educação, de que forma?
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    Segunda-feira, 12 deOutubro 3º painel Fernando Araújo (Faculdade de Direito da UL) “O Financiamento do Ensino Superior e o problema do Capital Humano” Teoria do Capital humano; mercantilização do valor humano? A teoria diz-nos que é possível investir na qualificação por forma a obter benefícios, como se de um investimento em qualquer capital físico se tratasse. Educação – “ bem de consumo ” dos utentes do Ensino Superior? Teoria da sinalização – formamos mas temos que o saber divulgar : Promover a sinalização do próprio estudante Promover os rankings Promover a selectividade, é um sinal para o empregador (selecção virtuosa) -> opõe-se ao ideal de democratização Algumas questões levantadas: Se se financia uma escola não selectiva, não se estará a prejudicar os estudantes? Se se financia uma escola selectiva, não se estará a prejudicar a sociedade no seu todo? FES 2009
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    Segunda-feira, 12 deOutubro 3º painel Carla Amado Gomes (Faculdade de Direito da UL) “A autonomia universitária: aspectos constitucionais” Artº 76 da Constituição - Universidade e acesso ao ensino superior sua evolução Nas várias revisões da Constituição, foi sendo, gradualmente, retirado do seu teor a ideia de uma universidade para todos, com vista a garantir “a elevação do nível educativo” Universidade - Institutos públicos (versão da lei vigente) Algumas questões levantadas: Que natureza jurídica e a que poderes é que está sujeita a Universidade? AAA Agencia de Avaliação e Acreditação – avaliação externa das universidades, organismo realmente independente? FES 2009
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    Terça-feira, 13 deOutubro 5º painel Luísa Cerdeira (Universidade de Lisboa) “ Os custos dos estudantes do ensino superior português” FES 2009 Progresso nível da participação (o país fez um enorme esforço) Ensino privado – famílias com altos rendimentos (a realidade de hoje mostra que são na sua maioria estudantes provenientes destes estratos da sociedade) Ensino público - Maior percentagem de família com rendimentos médios Ensino politécnico – famílias mais carenciadas Áreas de estudo Área saúde – estudantes de classes mais favorecidas (o capital dos pais e o sucesso tem influência) Área Educação – classes mais desfavorecidas Algumas conclusões: Custos suportados pelos estudantes e suas famílias (alimentação, transportes, pessoais) 3 variáveis Instituição frequentada (público ou privado) Região (litoral, regiões autónomas, …) Vive em casa dos pais, casa alugada
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    FES 2009 Portugalseguiu a política internacional ao partilhar custos (diminuição da despesa pública) O ES em Portugal apresenta um forte pendor elitista, com problemas de equidade. As bolsas de estudo têm valores muito inferiores aos que os estudantes têm necessariamente de suportar. Luísa Cerdeira (continuação)
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    Terça-feira, 13 deOutubro 5º painel Hans Vossensteyn (Universidade de Twente) “Study costs, public subsidies and access to higher education in Europe" FES 2009 Os estudantes e as famílias estão mal informados sobre os subsídios existentes. O financiamento é um processo complexo, com diversos mecanismos, tanto para os estudantes como para os governos Belmiro Cabrito (Instituto de Educação da Universidade de Lisboa) “Equidade no Ensino Superior – 1995-2005, uma década perdida?” Explosão de estudantes com diferentes origens sociais. Ensino permanece elitista. Não há relação entre as estruturas social e estudantil da população portuguesa no ensino público e privado. As desigualdades dos níveis básico e secundário de ensino são transferidas para o ES. Anteriormente o Estado comparticipava 44,6% das despesas do ES Actualmente famílias e suportam mais de metade dos custos. . Um aumento das propinas pode levar alguns jovens a não procurarem o ES.
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    FES 2009 BelmiroCabrito (continuação) A justiça e coesão sociais exigem: - maior percentagem de alunos dos estratos mais desfavorecidos - medidas que permitam o aumento de estudantes - diversificar apoios a todos os estudantes, promovendo a equidade - empréstimos a custo 0
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    Relacionando com aaula de 14 de Outubro A definição de bem privado é consensual entre os teóricos, a definição de bem público não é consensual, e o que está na base dessas divergências são lógicas de natureza puramente ideológica . Se a Educação for considerada um bem privado , um investimento em que os estudantes são os beneficiários e que o fazem a pensar na mais-valia que vão obter, então deve ser totalmente comparticipado pelos estudantes e suas famílias. Se, por outro lado, for considerada um bem público , onde os benefícios são da sociedade, porque os indivíduos ficam mais educados, qualificados, com uma maior capacidade de produção e, logo, mais competitivos, então o investimento deve ser um investimento social onde o Estado deverá comparticipar as despesas. FES 2009
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    FES 2009 Investimento social ? Propinas Investimento privado ? = Educação Bem público ? (Natureza jurídica) Bem privado ? Também a sociedade beneficia de todos terem direito (investimento da colectividade em si própria) Sobre o qual se tem direito de propriedade (exclusividade) – só uma pessoa de cada vez pode usar esse bem bens rivais - O desenvolvimento que a instrução do próprio produz é, em última instância, sempre público – o benefício é público, ainda que o lucro seja privado. - Quanto maior o seu salário maiores os seus descontos/contribuições. - Se é a colectividade que “usufrui” dessa educação, então que seja ela a suportar os seus custos. - O primeiro a beneficiar da educação é o próprio por isso deve ser ele a custear esse investimento. - É o próprio que vai obter benefícios directos e privados da sua instrução.