Pontinho de vista,de Pedro Bandeira
Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.
Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
— Minha nossa, que grandão!
3.
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃOINFANTIL
Infância
Infância é uma invenção humana para separar as vivências das crianças do mundo.
adulto. É uma invenção recente.
Etimologia
Latim - infantia - Significa “incapacidade de falar”.
4.
Infância – SociedadeTradicional (Séc. V a XV)
ANONIMATO – fragilidade – passagem direta da criança para as vivências
de adulto.
De criancinhas pequenas, ela se transformava imediatamente em homem
jovem, sem passar pelas etapas da juventude, que praticamente fossem
antes da Idade Média e que se tornaram aspectos essenciais das
sociedades evoluídas de hoje. […] a criança afastava-se logo de seus pais e,
pode-se dizer que durante séculos a educação foi garantida pela
aprendizagem, graças à convivência da criança ou do jovem com os
adultos […]. A passage da criança pela família e pela sociedade era muito
breve e muito insignificante para que tivesse tempo ou razão e forçar a
memória e tocar a sensibilidade (Aries, 1979)
5.
Mortalidade Infantil
Infância seligava ao mistério da maternidade da
Virgem e ao culto de Maria.
A alta taxa de mortalidade infantil promovia uma
relação de frieza em relação às crianças, ou seja,
havia ausência do sentimento direcionado à
infância.
•Falta de cuidados médicos adequados: A medicina era rudimentar,
com poucos conhecimentos sobre doenças e como tratá-las.
•Condições sanitárias precárias: A falta de saneamento básico e
água potável aumentava a propagação de doenças infecciosas.
•Desnutrição: Muitas crianças sofriam de desnutrição devido à
escassez de alimentos, especialmente durante os períodos de fome.
•Doenças e epidemias: Doenças como a peste bubônica, varíola, e
sarampo eram comuns e frequentemente letais para as crianças.
6.
As Meninas, deDiego Rodríguez de Silva y Velázquez (1599-1660).
7.
“não nos devemossurpreender diante dessa insensibilidade, pois
ela era absolutamente natural nas condições demográficas da
época. (...) as pessoas não podiam se apegar muito a algo que era
considerado uma perda eventual” (Ariès, 1984, 57-8)
A criança da família aristocrata versus criança da família camponesa
O primeiro contato das crianças era com as amas-de-leite
e sua educação era direcionada para a obediência à
hierarquia familiar e social. Também por conta da
necessidade de manter o patrimônio familiar, os jovens
recebiam uma educação cavaleiresca, feita através de
várias iniciações que os preparavam para participar das
sucessivas guerras, objetivando o acúmulo e defesa das
riquezas privadas (Ponce, 1991).
Vivendo em aldeias, todos estavam organicamente ligados
por laços de dependência (Reis, 1994). A vida cotidiana e a
educação das crianças, criadas por suas mães, eram
reguladas pela comunidade. A domesticidade e privacidade
não eram valorizadas, já que a vida voltava-se para a
comunidade. Contudo, aqui a linhagem não era uma
tradição, já que a família camponesa não possuía
propriedades.
Séc. XVI aXVII
Concepção do sentimento de pureza
infantil;
Aprender uma moralização para viver em
sociedade;
Primeiras escolas e internatos (sem
divisão de faixa etária).
Igreja + classe
social privilegiada
no comando.
10.
A partir doséc. XVIII
Revolução Industrial
Infância Institucionalizada;
Família e crianças
(afetos, vínculos e segurança);
Ampliação de uso da máquina tipográfica
– necessidade de mais escolas. Objetivo:
aumentar o número de pessoas
alfabetizadas.
Para que essas
ações se efetivem
teremos:
A gênese dopoder disciplinar em processo
“O poder disciplinar é com efeito um poder que, em vez de se apropriar e de retirar,
tem como função maior ‘adestrar’; ou sem dúvida adestrar para retirar e se apropriar
ainda mais e melhor. Ele não amarra as forças para reduzi-las; procura ligá-las para
multiplicá-las e utilizá-las num todo. Em vez de dobrar uniformemente e por massa
tudo o que lhe está submetido, separa, analisa, diferencia, leva seus processos de
decomposição até às singularidades necessárias e suficientes. ‘Adestra’ as multidões
confusas, móveis, inúteis de corpos e forças para uma multiplicidade de elementos
individuais – pequenas células separadas, autonomias orgânicas, identidades e
continuidades genéticas, segmentos combinatórios.” (Foucault, 1997)
13.
ENGUITA, Mariano Fernández.Do lar à fábrica, passando pela sala de aula: a gênese da escola de massas. In: ______. A face oculta do capitalismo.
Educação e trabalho no capitalismo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989. p. 105-p. 131.
14.
Em uma perspectivahistórica...
Comenius
1592 - 1670
cientista, escritor e integrante da classe
eclesiástica.
Primeiro educador ocidental a privilegiar a
interação entre os pólos instrução/aprendizagem
Jean-Jacques Rousseau
1712 - 1778
“Filósofo, escritor e teórico político genebrino“
As crianças deveriam ser educadas para chegarem ao patamar de adultos
civilizados, felizes e inteligentes
15.
Em uma perspectivahistórica...
Maria Montessori
1870-1952
Médica, pedagoga e educadora
“Individualidade e liberdade do aluno – professor
como mediador”
Paulo Freire
1921-1997
Advogado, Pedagogo, político
Educação como emancipação e teoria do conhecimento.
16.
Contexto Brasileiro (Séc.XX)
• Êxodo rural;
• Educação Infantil – caráter assistencialista;
“Instituições apenas para as crianças pobres das mães que trabalhavam nas
indústrias e nas fábricas” (Faria, 2005).
17.
Sobre as Leis…
•Escola pré-primária (menores de 7 anos) - 4.024/1961 (BRASIL, 1961);
• Jardim de infância (menores de 7 anos – divisão de faixa etária) – LDB 5.692/1971
(BRASIL, 1971);
• Garantia da educação - Constituição Federal de 1988 – Capítulo VII, artigo 227:
“vida, saúde, educação, alimentação, lazer, profissionalização” (BRASIL, 1988);
• Garantia das creches e da pré-escola – ECA (1990);
18.
Sobre as Leis…
•LDB (1996) – Educação infantil – Desenvolvimento integral;
• Redefinição de parâmetros pedagógicos – intenção: retirar a identidade de caráter
assistencialista da educação infantil;
• DCNEI (2010) – Currículo – Necessidades da faixa etária – formação do professor
– o educar e o cuidar – o brincar (formação integral da criança);
• BNCC (2018) – Campos de experiência – reforça o educar e o cuidar – criança
como protagonista no processo de ensino e de aprendizagem.
19.
As leis atuaisreforçam o discurso de que a
criança é um indivíduo histórico e cultural, que
produz, também, suas culturas.
20.
ABRAMOWICZ, A .A pesquisa com crianças em infâncias e a sociologia da infância. In: FARIA, A. L. G. de.; FINCO, D. (org.). Sociologia
da infância no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados, 2020. Cap. I.
22.
Atividade
Procure em textospublicitários aspectos que ilustrem
como as crianças pequenas - em casa, em creches e/ou
em pré-escolas – são representadas.
Relacione com o que foi discutido na aula.
23.
REFERÊNCIA
ABRAMOWICZ, A. Panoramaatual da educação infantil: suas
temáticas e políticas. In: ABRAMOWICZ, A.; HENRIQUES, A. C. (org.).
Educação infantil: a luta pela infância. 1. ed. Campinas: Papirus,
2022. [Introdução] E-book
ABRAMOWICZ, A . A pesquisa com crianças em infâncias e a
sociologia da infância. In: FARIA, A. L. G. de.; FINCO, D. (org.).
Sociologia da infância no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados,
2020. Cap. I. E-book.