EDUCAÇÃO
INFANTIL:
PEDAGOGIA - 2º SEMESTRE 2024 – Aula 2
(2ª semana)
UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL
Prof.ª Dra. Aline Almeida
Pontinho de vista, de Pedro Bandeira
Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.
Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
— Minha nossa, que grandão!
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Infância
Infância é uma invenção humana para separar as vivências das crianças do mundo.
adulto. É uma invenção recente.
Etimologia
Latim - infantia - Significa “incapacidade de falar”.
Infância – Sociedade Tradicional (Séc. V a XV)
ANONIMATO – fragilidade – passagem direta da criança para as vivências
de adulto.
De criancinhas pequenas, ela se transformava imediatamente em homem
jovem, sem passar pelas etapas da juventude, que praticamente fossem
antes da Idade Média e que se tornaram aspectos essenciais das
sociedades evoluídas de hoje. […] a criança afastava-se logo de seus pais e,
pode-se dizer que durante séculos a educação foi garantida pela
aprendizagem, graças à convivência da criança ou do jovem com os
adultos […]. A passage da criança pela família e pela sociedade era muito
breve e muito insignificante para que tivesse tempo ou razão e forçar a
memória e tocar a sensibilidade (Aries, 1979)
Mortalidade Infantil
Infância se ligava ao mistério da maternidade da
Virgem e ao culto de Maria.
A alta taxa de mortalidade infantil promovia uma
relação de frieza em relação às crianças, ou seja,
havia ausência do sentimento direcionado à
infância.
•Falta de cuidados médicos adequados: A medicina era rudimentar,
com poucos conhecimentos sobre doenças e como tratá-las.
•Condições sanitárias precárias: A falta de saneamento básico e
água potável aumentava a propagação de doenças infecciosas.
•Desnutrição: Muitas crianças sofriam de desnutrição devido à
escassez de alimentos, especialmente durante os períodos de fome.
•Doenças e epidemias: Doenças como a peste bubônica, varíola, e
sarampo eram comuns e frequentemente letais para as crianças.
As Meninas, de Diego Rodríguez de Silva y Velázquez (1599-1660).
“não nos devemos surpreender diante dessa insensibilidade, pois
ela era absolutamente natural nas condições demográficas da
época. (...) as pessoas não podiam se apegar muito a algo que era
considerado uma perda eventual” (Ariès, 1984, 57-8)
A criança da família aristocrata versus criança da família camponesa
O primeiro contato das crianças era com as amas-de-leite
e sua educação era direcionada para a obediência à
hierarquia familiar e social. Também por conta da
necessidade de manter o patrimônio familiar, os jovens
recebiam uma educação cavaleiresca, feita através de
várias iniciações que os preparavam para participar das
sucessivas guerras, objetivando o acúmulo e defesa das
riquezas privadas (Ponce, 1991).
Vivendo em aldeias, todos estavam organicamente ligados
por laços de dependência (Reis, 1994). A vida cotidiana e a
educação das crianças, criadas por suas mães, eram
reguladas pela comunidade. A domesticidade e privacidade
não eram valorizadas, já que a vida voltava-se para a
comunidade. Contudo, aqui a linhagem não era uma
tradição, já que a família camponesa não possuía
propriedades.
Educação
Acesso ao conhecimento
Homens
Igreja
Universidade, Laurentius de Voltolina
Séc. XVI a XVII
Concepção do sentimento de pureza
infantil;
Aprender uma moralização para viver em
sociedade;
Primeiras escolas e internatos (sem
divisão de faixa etária).
Igreja + classe
social privilegiada
no comando.
A partir do séc. XVIII
Revolução Industrial
Infância Institucionalizada;
Família e crianças
(afetos, vínculos e segurança);
Ampliação de uso da máquina tipográfica
– necessidade de mais escolas. Objetivo:
aumentar o número de pessoas
alfabetizadas.
Para que essas
ações se efetivem
teremos:
Ensino mútuo (1815). Método lancasteriano.
A gênese do poder disciplinar em processo
“O poder disciplinar é com efeito um poder que, em vez de se apropriar e de retirar,
tem como função maior ‘adestrar’; ou sem dúvida adestrar para retirar e se apropriar
ainda mais e melhor. Ele não amarra as forças para reduzi-las; procura ligá-las para
multiplicá-las e utilizá-las num todo. Em vez de dobrar uniformemente e por massa
tudo o que lhe está submetido, separa, analisa, diferencia, leva seus processos de
decomposição até às singularidades necessárias e suficientes. ‘Adestra’ as multidões
confusas, móveis, inúteis de corpos e forças para uma multiplicidade de elementos
individuais – pequenas células separadas, autonomias orgânicas, identidades e
continuidades genéticas, segmentos combinatórios.” (Foucault, 1997)
ENGUITA, Mariano Fernández. Do lar à fábrica, passando pela sala de aula: a gênese da escola de massas. In: ______. A face oculta do capitalismo.
Educação e trabalho no capitalismo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989. p. 105-p. 131.
Em uma perspectiva histórica...
Comenius
1592 - 1670
cientista, escritor e integrante da classe
eclesiástica.
Primeiro educador ocidental a privilegiar a
interação entre os pólos instrução/aprendizagem
Jean-Jacques Rousseau
1712 - 1778
“Filósofo, escritor e teórico político genebrino“
As crianças deveriam ser educadas para chegarem ao patamar de adultos
civilizados, felizes e inteligentes
Em uma perspectiva histórica...
Maria Montessori
1870-1952
Médica, pedagoga e educadora
“Individualidade e liberdade do aluno – professor
como mediador”
Paulo Freire
1921-1997
Advogado, Pedagogo, político
Educação como emancipação e teoria do conhecimento.
Contexto Brasileiro (Séc. XX)
• Êxodo rural;
• Educação Infantil – caráter assistencialista;
“Instituições apenas para as crianças pobres das mães que trabalhavam nas
indústrias e nas fábricas” (Faria, 2005).
Sobre as Leis…
• Escola pré-primária (menores de 7 anos) - 4.024/1961 (BRASIL, 1961);
• Jardim de infância (menores de 7 anos – divisão de faixa etária) – LDB 5.692/1971
(BRASIL, 1971);
• Garantia da educação - Constituição Federal de 1988 – Capítulo VII, artigo 227:
“vida, saúde, educação, alimentação, lazer, profissionalização” (BRASIL, 1988);
• Garantia das creches e da pré-escola – ECA (1990);
Sobre as Leis…
• LDB (1996) – Educação infantil – Desenvolvimento integral;
• Redefinição de parâmetros pedagógicos – intenção: retirar a identidade de caráter
assistencialista da educação infantil;
• DCNEI (2010) – Currículo – Necessidades da faixa etária – formação do professor
– o educar e o cuidar – o brincar (formação integral da criança);
• BNCC (2018) – Campos de experiência – reforça o educar e o cuidar – criança
como protagonista no processo de ensino e de aprendizagem.
As leis atuais reforçam o discurso de que a
criança é um indivíduo histórico e cultural, que
produz, também, suas culturas.
ABRAMOWICZ, A . A pesquisa com crianças em infâncias e a sociologia da infância. In: FARIA, A. L. G. de.; FINCO, D. (org.). Sociologia
da infância no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados, 2020. Cap. I.
Atividade
Procure em textos publicitários aspectos que ilustrem
como as crianças pequenas - em casa, em creches e/ou
em pré-escolas – são representadas.
Relacione com o que foi discutido na aula.
REFERÊNCIA
ABRAMOWICZ, A. Panorama atual da educação infantil: suas
temáticas e políticas. In: ABRAMOWICZ, A.; HENRIQUES, A. C. (org.).
Educação infantil: a luta pela infância. 1. ed. Campinas: Papirus,
2022. [Introdução] E-book
ABRAMOWICZ, A . A pesquisa com crianças em infâncias e a
sociologia da infância. In: FARIA, A. L. G. de.; FINCO, D. (org.).
Sociologia da infância no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados,
2020. Cap. I. E-book.

educação infantil currículo - Aula 2.pptx

  • 1.
    EDUCAÇÃO INFANTIL: PEDAGOGIA - 2ºSEMESTRE 2024 – Aula 2 (2ª semana) UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL Prof.ª Dra. Aline Almeida
  • 2.
    Pontinho de vista,de Pedro Bandeira Eu sou pequeno, me dizem, e eu fico muito zangado. Tenho de olhar todo mundo com o queixo levantado. Mas, se formiga falasse e me visse lá do chão, ia dizer, com certeza: — Minha nossa, que grandão!
  • 3.
    HISTÓRIA DA EDUCAÇÃOINFANTIL Infância Infância é uma invenção humana para separar as vivências das crianças do mundo. adulto. É uma invenção recente. Etimologia Latim - infantia - Significa “incapacidade de falar”.
  • 4.
    Infância – SociedadeTradicional (Séc. V a XV) ANONIMATO – fragilidade – passagem direta da criança para as vivências de adulto. De criancinhas pequenas, ela se transformava imediatamente em homem jovem, sem passar pelas etapas da juventude, que praticamente fossem antes da Idade Média e que se tornaram aspectos essenciais das sociedades evoluídas de hoje. […] a criança afastava-se logo de seus pais e, pode-se dizer que durante séculos a educação foi garantida pela aprendizagem, graças à convivência da criança ou do jovem com os adultos […]. A passage da criança pela família e pela sociedade era muito breve e muito insignificante para que tivesse tempo ou razão e forçar a memória e tocar a sensibilidade (Aries, 1979)
  • 5.
    Mortalidade Infantil Infância seligava ao mistério da maternidade da Virgem e ao culto de Maria. A alta taxa de mortalidade infantil promovia uma relação de frieza em relação às crianças, ou seja, havia ausência do sentimento direcionado à infância. •Falta de cuidados médicos adequados: A medicina era rudimentar, com poucos conhecimentos sobre doenças e como tratá-las. •Condições sanitárias precárias: A falta de saneamento básico e água potável aumentava a propagação de doenças infecciosas. •Desnutrição: Muitas crianças sofriam de desnutrição devido à escassez de alimentos, especialmente durante os períodos de fome. •Doenças e epidemias: Doenças como a peste bubônica, varíola, e sarampo eram comuns e frequentemente letais para as crianças.
  • 6.
    As Meninas, deDiego Rodríguez de Silva y Velázquez (1599-1660).
  • 7.
    “não nos devemossurpreender diante dessa insensibilidade, pois ela era absolutamente natural nas condições demográficas da época. (...) as pessoas não podiam se apegar muito a algo que era considerado uma perda eventual” (Ariès, 1984, 57-8) A criança da família aristocrata versus criança da família camponesa O primeiro contato das crianças era com as amas-de-leite e sua educação era direcionada para a obediência à hierarquia familiar e social. Também por conta da necessidade de manter o patrimônio familiar, os jovens recebiam uma educação cavaleiresca, feita através de várias iniciações que os preparavam para participar das sucessivas guerras, objetivando o acúmulo e defesa das riquezas privadas (Ponce, 1991). Vivendo em aldeias, todos estavam organicamente ligados por laços de dependência (Reis, 1994). A vida cotidiana e a educação das crianças, criadas por suas mães, eram reguladas pela comunidade. A domesticidade e privacidade não eram valorizadas, já que a vida voltava-se para a comunidade. Contudo, aqui a linhagem não era uma tradição, já que a família camponesa não possuía propriedades.
  • 8.
  • 9.
    Séc. XVI aXVII Concepção do sentimento de pureza infantil; Aprender uma moralização para viver em sociedade; Primeiras escolas e internatos (sem divisão de faixa etária). Igreja + classe social privilegiada no comando.
  • 10.
    A partir doséc. XVIII Revolução Industrial Infância Institucionalizada; Família e crianças (afetos, vínculos e segurança); Ampliação de uso da máquina tipográfica – necessidade de mais escolas. Objetivo: aumentar o número de pessoas alfabetizadas. Para que essas ações se efetivem teremos:
  • 11.
    Ensino mútuo (1815).Método lancasteriano.
  • 12.
    A gênese dopoder disciplinar em processo “O poder disciplinar é com efeito um poder que, em vez de se apropriar e de retirar, tem como função maior ‘adestrar’; ou sem dúvida adestrar para retirar e se apropriar ainda mais e melhor. Ele não amarra as forças para reduzi-las; procura ligá-las para multiplicá-las e utilizá-las num todo. Em vez de dobrar uniformemente e por massa tudo o que lhe está submetido, separa, analisa, diferencia, leva seus processos de decomposição até às singularidades necessárias e suficientes. ‘Adestra’ as multidões confusas, móveis, inúteis de corpos e forças para uma multiplicidade de elementos individuais – pequenas células separadas, autonomias orgânicas, identidades e continuidades genéticas, segmentos combinatórios.” (Foucault, 1997)
  • 13.
    ENGUITA, Mariano Fernández.Do lar à fábrica, passando pela sala de aula: a gênese da escola de massas. In: ______. A face oculta do capitalismo. Educação e trabalho no capitalismo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989. p. 105-p. 131.
  • 14.
    Em uma perspectivahistórica... Comenius 1592 - 1670 cientista, escritor e integrante da classe eclesiástica. Primeiro educador ocidental a privilegiar a interação entre os pólos instrução/aprendizagem Jean-Jacques Rousseau 1712 - 1778 “Filósofo, escritor e teórico político genebrino“ As crianças deveriam ser educadas para chegarem ao patamar de adultos civilizados, felizes e inteligentes
  • 15.
    Em uma perspectivahistórica... Maria Montessori 1870-1952 Médica, pedagoga e educadora “Individualidade e liberdade do aluno – professor como mediador” Paulo Freire 1921-1997 Advogado, Pedagogo, político Educação como emancipação e teoria do conhecimento.
  • 16.
    Contexto Brasileiro (Séc.XX) • Êxodo rural; • Educação Infantil – caráter assistencialista; “Instituições apenas para as crianças pobres das mães que trabalhavam nas indústrias e nas fábricas” (Faria, 2005).
  • 17.
    Sobre as Leis… •Escola pré-primária (menores de 7 anos) - 4.024/1961 (BRASIL, 1961); • Jardim de infância (menores de 7 anos – divisão de faixa etária) – LDB 5.692/1971 (BRASIL, 1971); • Garantia da educação - Constituição Federal de 1988 – Capítulo VII, artigo 227: “vida, saúde, educação, alimentação, lazer, profissionalização” (BRASIL, 1988); • Garantia das creches e da pré-escola – ECA (1990);
  • 18.
    Sobre as Leis… •LDB (1996) – Educação infantil – Desenvolvimento integral; • Redefinição de parâmetros pedagógicos – intenção: retirar a identidade de caráter assistencialista da educação infantil; • DCNEI (2010) – Currículo – Necessidades da faixa etária – formação do professor – o educar e o cuidar – o brincar (formação integral da criança); • BNCC (2018) – Campos de experiência – reforça o educar e o cuidar – criança como protagonista no processo de ensino e de aprendizagem.
  • 19.
    As leis atuaisreforçam o discurso de que a criança é um indivíduo histórico e cultural, que produz, também, suas culturas.
  • 20.
    ABRAMOWICZ, A .A pesquisa com crianças em infâncias e a sociologia da infância. In: FARIA, A. L. G. de.; FINCO, D. (org.). Sociologia da infância no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados, 2020. Cap. I.
  • 22.
    Atividade Procure em textospublicitários aspectos que ilustrem como as crianças pequenas - em casa, em creches e/ou em pré-escolas – são representadas. Relacione com o que foi discutido na aula.
  • 23.
    REFERÊNCIA ABRAMOWICZ, A. Panoramaatual da educação infantil: suas temáticas e políticas. In: ABRAMOWICZ, A.; HENRIQUES, A. C. (org.). Educação infantil: a luta pela infância. 1. ed. Campinas: Papirus, 2022. [Introdução] E-book ABRAMOWICZ, A . A pesquisa com crianças em infâncias e a sociologia da infância. In: FARIA, A. L. G. de.; FINCO, D. (org.). Sociologia da infância no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados, 2020. Cap. I. E-book.