Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Editorial
S
aber que ao longo dos
últimos oito anos leva-
mos informações rele-
vantes sobre a agroindústria
canavieira através de reporta-
gens, entrevistas e artigos com
especialistas renomados, nos
dá muito orgulho, caro leitor,
principalmente ao finalizarmos
a revista de setembro, a nossa
nonagésima-nona edição. Por-
tanto estamos muito anima-
dos para preparar uma edição
número 100 muito especial.
Aguardem!
Neste mês, a Canavieiros traz
uma cobertura especial sobre a
Fenasucro 2014, que foi marca-
da pela perspectiva de retomada
da cadeia canavieira e serviu
de palanque para candidatos à
presidência da República como
Marina Silva (PSB) e Aloysio
Nunes (PSDB), vice na chapa
de Aécio Neves. A feira - que
recebeu mais de 33 mil visitan-
tes de mais de 50 países, e deve
gerar mais de R$ 2,2 bilhões nos
próximos 12 meses, também de
serviu de palco para protesto do
setor sucroenergético, que pede
soluções para estancar a crise
que vive devido à falta de polí-
ticas públicas.
O destaque do mês fica por
conta dos benefícios que a Bio-
tecnologia vem proporcionan-
do, principalmente ao agrone-
gócio. A matéria mostra que o
Brasil ocupa o segundo lugar
no ranking mundial dos países
que cultivam variedades GM
(geneticamente modificadas) e
que novos eventos devem sur-
gir nos próximos meses. O cui-
dado na escolha de pneus que
podem influenciar na produti-
vidade também pode ser con-
ferido nesta edição e a Gela-
deiroteca, que continua sendo
destaque por onde passa, como
na XII Feira do Livro de Ser-
tãozinho e na Fenasucro.
Além da Coluna Caipiri-
nha, assinada pelo Professor
Marcos Fava Neves, opina no
“Ponto de Vista” Plínio Nasta-
A caminho da centésima edição
Boa leitura!
Conselho Editorial
RC
ri. Já o pesquisador científico
do Instituto Biológico APTA/
SAA-SP, José Eduardo Mar-
condes de Almeida, assina ar-
tigo técnico sobre os fungos
entomopatogênicos como fer-
ramenta no manejo integrado
de pragas da cana-de-açúcar.
Também têm entrevistas
com Alexandre Andrade Lima,
presidente da UNIDA (União
Nordestina dos Produtores de
Cana), e com o ex-ministro
Roberto Rodrigues, presidente
do Conselho Deliberativo da
UNICA (União da Indústria de
Cana-de-Açúcar).
As notícias do Sistema Co-
percana, Canaoeste e Sicoob
Cocred, artigos técnicos, as-
suntos legais, informações se-
toriais, classificados e dicas de
leitura e de português também
podem ser conferidos na revis-
ta de setembro.
Até outubro! Nossa centési-
ma edição! Boa Leitura.
Expediente:
Conselho Editorial:
Antonio Eduardo Tonielo
Augusto César Strini Paixão
Clóvis Aparecido Vanzella
Manoel Carlos de Azevedo Ortolan
Manoel Sérgio Sicchieri
Oscar Bisson
Editora:
Carla Rossini - MTb 39.788
Projeto gráfico e Diagramação:
Rafael H. Mermejo
Equipe de redação e fotos:
Andréia Vital, Carla Rodrigues, Fernanda
Clariano e Rafael H. Mermejo
Comercial e Publicidade:
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(16) 3946-3300 - Ramal: 2208
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Impressão: São Francisco Gráfica e Editora
Revisão: Lueli Vedovato
Tiragem DESTA EDIçÃO:
22.000 exemplares
ISSN: 1982-1530
A Revista Canavieiros é distribuída gratuitamente
aos cooperados, associados e fornecedores do
Sistema Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred.
As matérias assinadas e informes publicitários
são de responsabilidade de seus autores. A
reprodução parcial desta revista é autorizada,
desde que citada a fonte.
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Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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06 - Entrevista II
Roberto Rodrigues
Presidente do Conselho Deliberativo da UNICA
“Faltam políticas públicas mais consistentes baseadas em
tecnologia para que o Brasil possa crescer”
- Geladeiroteca marca presença na 12ª Feira do Livro de Sertãozinho
- Reuniões Técnicas Canaoeste
- Canaoeste realiza reunião técnica na filial de Santa Rita do Passa Quatro
- Dia de Campo de plantio de Agmusa no Sistema Meiosi
- Canaoeste participa de evento sobre acidentes com queimadas
- Consecana
20 - Notícias Canaoeste
Ano IV - Edição 99 - Setembro de 2014 - Circulação: Mensal
Índice:
E mais:
Capa - 27
Fenasucro 2014 é marcada pela
perspectiva de retomada da ca-
deia canavieira
Principal feira do setor sucroe-
nergético foi palco para o fortale-
cimento de negócios e do coopera-
tivismo
16 - Notícias Copercana
- Parceria entre a Copercana e a FMC oferece oficina e peça teatral para professores e
alunos de escolas de Sertãozinho
- Unidade de Grãos da Copercana realiza treinamento sobre Controle de Pragas
- Parceira entre a Copercana Seguros e Porto Seguro Auto mobiliza motoristas de
Sertãozinho
28 - Notícias Sicoob Cocred
- Balancete Mensal
Pontos de Vista
.....................página 08
Coluna Caipirinha
.....................página 14
Destaques:
Guia de Negócios CEISE Br
.....................página 40
Datagro
.....................página 42
Agro SAFF DPaschoal
.....................página 44
Biotecnologia na produtividade
.....................página 46
Informações Setoriais
.....................página 48
Artigos Técnicos:
Custo de Produção
.....................página 50
Plantas Daninhas
.....................página 52
Sistema de Meiosi na Cana
.....................página 54
Fungos Entomopatogênicos
.....................página 56
Acompanhamento da safra
.....................página 60
Assuntos Legais
.....................página 64
Novas Tecnologias - Atabron
.....................página 66
Classificados
.....................página 68
Agende-se
.....................página 71
Cultura
.....................página 72
Etanol “Completão”
.....................página 74
Foto:RafaelMermejo
05 - Entrevista
Alexandre Andrade Lima
Presidente da Unida
“Uma seca só”
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Entrevista I
Alexandre Andrade Lima
“Uma seca só”
Fernanda Clariano
A produção nordestina de cana-de-açúcar hoje é de 54 milhões de tonenaladas, o que represen-
ta 9% da produção do País. Para isso, conta com 25 mil produtores independentes que fornecem
para 70 unidades industriais. O Nordeste também é responsável por empregar 35% da mão de
obra do setor no Brasil e tem em média 95 mil empregados por safra. A Revista Canavieiros en-
trevistou o presidente da Unida (União Nordestina dos Produtores de Cana), Alexandre Andrade
Lima, para falar sobre a seca que vem assombrando os produtores, estimativas de safra, eleições,
dentre outros assuntos. Confira!
Revista Canavieiros: O Nordeste,
assim como o Estado de São Paulo,
vem enfrentado uma das maiores se-
cas dos últimos anos. Como os pro-
dutores de cana-de-açúcar têm lidado
com essa situação?
Alexandre: Tivemos a maior seca
dos últimos 50 anos, o Estado mais atin-
gido foi o de Pernambuco, onde a pro-
dução caiu de 17 milhões de toneladas
para 13,2 milhões. Em alguns municí-
pios houve perda na produção de 35%.
Os produtores de cana irrigam pouco,
mas esta prática está aumentando. O
problema é o custo para implementação,
que é alto, hoje, nosso cus-
to de produção é de R$ 85 e
estamos recebendo cerca de
R$ 70. Algumas usinas mais
capitalizadas estão investindo
em irrigação, onde alcançam
produção de mais de 120 ton/
ha, mas isto em irrigação ple-
na. A maioria que irriga é uma
irrigação de salvação.
Revista Canavieiros:
Além do clima que não está
favorável, o setor sucroe-
nergético tem sofrido um
grande descaso por conta
do Governo Federal. Como
andam as expectativas dos
produtores nordestinos em
relação às eleições?
Alexandre: Houve uma
grande frustração com a mor-
te de Eduardo Campos, um
parceiro e conhecedor pro-
fundo do nosso setor, e tinha
uma relação afinada com o
nosso setor. Achamos que ha-
verá mudança na política do Governo
em relação ao setor, seja quem for elei-
to. Outra questão é que a Petrobras não
suporta mais a atual política governa-
mental de subsidiar a gasolina, fóssil é
insustentável. Não temos dúvidas tam-
bém que haverá reajuste nos preços dos
combustíveis. Temos que encaminhar
nossas propostas para todos os presi-
denciáveis, para que se comprometam
com a volta da CIDE (Contribuição de
Intervenção no Domínio Econômico)
na gasolina, sem ela, fica difícil o etanol
competir com a gasolina, isto daria um
reajuste de R$ 0,35 a R$ 0,38 no preço
do combustível fóssil.
Revista Canavieiros: Como está a
questão da subvenção para os produtores
nordestinos de cana-de-açúcar e etanol?
Alexandre: A subvenção da cana
para os produtores independentes já é
o quinto ano consecutivo que conse-
guimos. Temos uma boa relação polí-
tica com o Governo Federal, além de
contarmos com uma excelente relação
com o presidente do Senado Renan Ca-
lheiros e com o presidente da Câmara
dos Deputados Henrique Alves, ambos
nordestinos. Na realidade, temos um
amplo apoio nas duas casas legislati-
vas, até porque temos nove Estados no
Nordeste e cada um tem três senadores,
o que facilita a nossa articulação. Além
de uma união e dedicação de todos que
fazem a Unida (União Nordestina dos
Produtores de Cana).
Revista Canavieiros: Qual é a
estimativa da Unida para a safra
2015/2016?
Alexandre: Devemos colher aproxi-
madamente a mesma safra passada, em
torno de 54 milhões de toneladas, que
representa 9% da safra nacional.
Revista Canavieiros: Quais as ex-
pectativas dos produtores nordestinos
para a próxima safra, eles irão investir
na renovação antecipada do canavial?
Alexandre: Na realidade não há no-
vos investimentos, só existe uma manu-
tenção na área plantada e uma seleção
de áreas mais adequada à topografia
para o plantio de cana-de-açúcar.RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Entrevista II
Roberto Rodrigues
“Faltam políticas públicas mais consistentes baseadas
em tecnologia para que o Brasil possa crescer”
Andréia Vital
A declaração é de Roberto Rodrigues, que foi ministro da Agricultura e é o atual presidente do
Conselho Deliberativo da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), da Academia Nacional
da Agricultura e coordenador do Centro do Agronegócio da FGV - Fundação Getúlio Vargas. Ele é
enfático ao afirmar a necessidade da criação de uma ampla estratégia articulada para que o avan-
ço chegue mais depressa e efetivamente às diversas cadeias produtivas do agronegócio, gerando
assim vantagens competitivas ao Brasil.
De acordo com Rodrigues, que recentemente participou de seminário sobre biotecnologia, rea-
lizado em São Paulo-SP, a agrotecnologia é um tema central no avanço sustentável da agricultura.
O ex-ministro também ressaltou a importância do setor sucroenergético para atender à demanda
mundial, mas lembrou que a agroenergia foi deixada de lado pelo atual Governo. “Sem meio de
campo, que é a política pública, não adianta o setor sucroenergético querer ser artilheiro porque
não vai fazer gol”. Confira a entrevista:
Revista Canavieiros: Como a
agrotecnologia pode ajudar no avan-
ço da agricultura?
Roberto Rodrigues: Aagrotecnolo-
gia é um tema central no avanço susten-
tável da agricultura. Novas tecnologias
estão surgindo, parcerias com empresas
públicas e privadas estão sendo fecha-
das e isso pode garantir uma segunda
revolução verde no nosso
País, ajudando com vigor
ao suprimento de alimentos
do mundo todo. Isso se faz
com os avanços tecnológi-
cos que vêm sendo liderados
pela Embrapa ao longo das
últimas décadas, com a con-
tribuição de órgãos estaduais
de pesquisa, como o nosso
grande Instituto Agronômico
de Campinas, o Instituto Bio-
lógico, o Instituto de Zootec-
nia, o Instituto de Pesca, o
Instituto de Economia Agrí-
cola, por universidades e por
outros institutos em todos os
Estados. Mas o que faltam
são políticas públicas mais
consistentes que permitam o
avanço chegar mais depres-
sa, para efetivamente gerar
vantagens competitivas.
Revista Canavieiros: O
que é preciso ser feito para
que essas medidas sejam
criadas?
Roberto Rodrigues: Quando fui mi-
nistro daAgricultura, no primeiro manda-
to do presidente Luís Inácio Lula da Silva,
em 2003, a soja transgênica representava
somente 12% do que era produzido no
Brasil. E existia uma resistência grande à
sua produção dentro do próprio Governo,
exigindo que cientistas, liderados à época
pelo atual presidente da Embrapa, escla-
recessem como funcionava a transgenia.
A partir deste esclarecimento, foi criada a
medida provisória para a comercialização
de soja transgênica, que resultou na atual
legislação para o cultivo do grão, que hoje
atinge 90% do total produzido no País.
Portanto, fica claro que as políticas públi-
cas precisam ser embasadas pela ciência
para serem realistas e efetivas.
O Sistema Nacional de Pesquisa ga-
rante a retaguarda técnica; as empresas e
os produtores são o ataque; agora quem
faz a bola chegar lá para os atacantes é
o meio de campo, são as políticas pú-
blicas. Portanto, regras claras baseadas
em tecnologia são necessárias para que
o Brasil possa crescer. O mundo espera
isso da gente: que cresça o dobro do que
o mundo crescerá em produção de ali-
mentos em 10 anos, ou seja, que nossa
produção seja 40% maior para atender à
demanda do mundo.
Não podemos esquecer também a
importância do setor sucroenergético
para atender à necessidade mundial de
energia, sobretudo renovável e limpa,
mas a agroenergia foi deixada de lado e
o meio de campo dela não existe mais.
Perdemos a Copa do Mundo porque não
tínhamos meio de campo. Sem meio de
campo, que é a política pública, não
adianta o setor ser artilheiro: não vai
fazer gol.
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Revista Canavieiros: O setor su-
croenergético brasileiro vive uma cri-
se. Na sua opinião, como ficará o seg-
mento diante da demanda mundial
por alimentos, combustível, energia?
Roberto Rodrigues: A agroe-
nergia, do meu ponto de vista, pode
mudar a geopolítica global porque
diferente de comida, que qualquer
país pode produzir, a agroenergia só
se produz onde há sol o ano inteiro. É
fruto de uma relação entre a planta, a
terra e o sol o ano inteiro, que se en-
contra nos países tropicais, que pode
ser geradora da agroenergia, que não
é somente o etanol. É etanol, é bio-
diesel, bioeletricidade, biorrefinaria,
toda a alcoolquímica que vem atrás
deste processo gigantesco de mudan-
ça que o mundo vive. É renovável,
gera empregos, tem muito menor
emissão de CO2, há evidências cla-
ras de contribuição para a mitigação
do aquecimento global, para a me-
lhoria da saúde pública, enfim.
É tão evidente este processo que
empresas internacionais vieram
investir no Brasil para aprender as
técnicas e depois multiplicar em
outros países. Mas o atual Governo
brasileiro tirou o pé desse processo,
ao contrário do que havia nos Go-
vernos anteriores.
Revista Canavieiros: Quais as
ações necessárias para que o setor
volte a ser competitivo?
Roberto Rodrigues: Hoje o se-
tor vive uma crise sem precedentes,
e é preciso resolver essa questão. E
essa questão passa por três ou quatro
temas centrais: o primeiro é a defini-
ção da matriz energética brasileira,
afinal o que é que se deseja da matriz
energética e que espaço cabe para a
agroenergia nesta matriz? Definido
isso, devem-se estabelecer as regras
de regulamentação do etanol, da ga-
solina, para que haja um equilíbrio
adequado de preços e a empresa bra-
sileira possa continuar trabalhando.
O terceiro ponto é investir em tecno-
logia agrícola e industrial e também
em motor de automóvel, porque
hoje motor a álcool não existe, o que
temos é um motor de gasolina adap-
tado para o álcool. Quem sabe um
motor a etanol mais específico, mais
completo, possa mudar a relação de
70% do preço do etanol em relação
à gasolina para ser viável. Porque
não 80%, 90% ou 100%, desde que
haja um motor adequado para isso?
Então há uma série de temas a serem
desenvolvidos tecnicamente e cien-
tificamente e que devem ser estimu-
lados por políticas públicas.
Revista Canavieiros: A altera-
ção na participação do etanol na
gasolina vai beneficiar o setor ca-
navieiro na sua visão?
Roberto Rodrigues: O aumento
da mistura é um tema técnico em
avaliação da qual participam a UNI-
CA (União da Indústria de Cana-de-
-Açúcar), a Anfavea (Associação
Nacional dos Fabricantes de Veí-
culos Automotores), o Inmetro
(Instituto Nacional de Metrologia,
Qualidade e Tecnologia), a Petro-
bras, o Ministério de Indústria e
Comércio. Há uma ampla discussão
técnica para saber até quanto é pos-
sível aumentar a mistura. Só vamos
fazer isso quando tivermos clare-
za dos efeitos que possam ter nos
motores dos carros, sobretudo nos
carros importados, porque os nacio-
nais estão adaptados a receber 25%,
então mais 2,5% não representa alto
risco. Já para os carros importados
é um problema a ser resolvido. Os
testes estão avançando e até o final
de outubro saberemos quando pode-
rá entrar em vigor a nova mistura.
De qualquer maneira, isso só terá
validade na safra do ano que vem.
Revista Canavieiros: Há possi-
bilidades de mudança para o setor
ainda neste Governo?
Roberto Rodrigues: Bem, es-
tamos conversando com o ministro
Mercadante sobre o setor sucroe-
nergético, com um bom diálogo,
daí avançou o tema da mistura e
da necessidade de fazer os testes,
e outros assuntos defendidos há
anos pela UNICA foram resolvi-
dos, como a entrada do etanol e do
açúcar no Reintegra, a utilização de
PIS/COFINS, a abertura de créditos
para construir armazéns para as usi-
nas. A questão agora é econômica,
pois ninguém investe em tecnologia
se tiver prejuízo. A volta da CIDE
(Contribuições de Intervenção no
Domínio Econômico) é o grande
tema atual, tenho esperança que a
gente consiga avançar nos próximos
meses nesta questão.RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Ponto de Vista I
Governo avança com o projeto para elevar a
mistura de etanol na gasolina
*Plínio Nastari
O
Senado Federal aprovou no
dia 02 de setembro o Projeto
de Lei de Conversão 14/2014
decorrente da MP (Medida Provisó-
ria) 647/14, que permite ao Governo
elevar para 27,5% o limite de mistu-
ra de etanol anidro na gasolina, desde
que constatada sua viabilidade técnica.
Atualmente, segundo a Lei 8.723/93, o
Governo pode elevar o percentual de
mistura do etanol anidro até o limite de
25%, ou reduzi-lo até 18%, limite mí-
nimo que ainda foi mantido pelo novo
projeto. O texto agora aguarda sanção
da presidente Dilma Rousseff. A partir
de então, ficará ao critério do Governo
em permitir o aumento efetivo da mis-
tura através de um ato administrativo,
como uma portaria interministerial.
Antes que a mistura de anidro na ga-
solina seja efetivamente elevada para os
27,5%, o Poder Executivo ainda aguarda-
rá a avaliação com relação aos impactos
dessa medida sobre o desempenho dos
veículos. Os testes estão sendo realizados
no Cenpes (Centro de Pesquisa da Pe-
trobrás) em conjunto com o INMETRO
(Instituto Nacional de Metrologia, Quali-
dade e Tecnologia)e os resultados finais
só deverão ser conhecidos no final de de-
zembro ou início de janeiro de 2015.
A decisão em elevar a mistura tam-
bém dependerá do quadro de estoques
no mercado interno, uma vez que a safra
2014/15 no Centro-Sul poderá ser encer-
rada antecipadamente por conta dos pro-
blemas nos canaviais, estendendo, por-
tanto, o período de entressafra na região.
Um aumento de 2,5 pontos percentuais
na mistura provocaria um acréscimo
de aproximadamente 1 bilhão de litros
da demanda de anidro no País. Hoje,
o País consome 10,91 bilhões de litros
de etanol anidro, segundo estimativa da
DATAGRO, dos quais 8,22 bilhões con-
sumidos na região Centro-Sul.
Ademanda de combustíveis no Brasil
segue em alta. Em julho, a demanda de
hidratado avançou 7,3% sobre o mês an-
terior para 1,01 bilhão de litros. Compa-
rativamente a agosto do ano passado, o
crescimento foi de 13,4%. No somatório
do ano, foram consumidos 7,05 bilhões
de litros de etanol hidratado entre janei-
ro e julho, 21,1% a mais que em mesmo
período do ano passado. No acumulado
do ano, este foi maior volume consumi-
do de hidratado desde 2010, quando 8,17
bilhões de hidratado foram demandados
entre janeiro e julho daquele ano, perío-
do em que quase 55% de toda a frota flex
fuel utilizava o etanol.
O expressivo crescimento do consu-
mo de hidratado não reflete, necessaria-
mente, maior abrangência da competi-
tividade do etanol sobre a gasolina no
país. De acordo com a ANP (Agência
Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis), o etanol esteve mais
competitivo que a gasolina na bomba
em quatro Estados na última semana
de julho: São Paulo (65,71%), Para-
ná (68,69%), Goiás (68,41%) e Mato
Grosso (65,50%); praticamente a mes-
ma cobertura de Estados há um ano.
O aumento do consumo de hidratado
está mais relacionado com a expansão da
frota de veículos flex fuel. Conforme es-
timativa da DATAGRO, a frota de veícu-
los flex fuel cresceu 16,1% ao término de
2013 com 20,85 milhões de unidades cir-
culando nas ruas. Levando em considera-
ção as vendas de veículos entre janeiro e
julho deste ano, estimamos que a frota de
veículos flex fuel tenha alcançado 22,13
milhões de unidades ao final de julho, au-
mento de 13,6% sobre o tamanho da frota
observada em mesma data do ano passa-
do (19,49 milhões de unidades).
Já o consumo de gasolina A subiu
5,5% em julho para 2,736 bilhões de li-
tros, totalizando 18,88 bilhões de litros
acumulado de janeiro a julho, aumen-
to de 11,5% sobre idêntico período de
2013, variação proporcionalmente me-
nor ao registrado pelo consumo de hi-
dratado. Dessa forma, a participação do
etanol na matriz de consumo de combus-
tíveis do ciclo Otto subiu para 35,8% na
média parcial do ano, contra 33,7% em
todo o ano de 2013 e 31,8% em 2012.
Diante do aquecimento do mercado
interno, via expansão da frota, e das
perspectivas de uma entressafra mais
longa do que o normal no Centro-Sul,
o Governo poderá ser levado a decidir
sobre o aumento da mistura de anidro
na gasolina apenas em 2015.
*PresidentedaDatagroConsultoria RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Ponto de Vista II
O Conto da Fazenda Experimental Bolivariana
*Marcos Fava Neves
E
ste conto teve uma inspiração
interessante. Passando pelos
canais da TV num sábado à tar-
de para achar algo que captasse minha
atenção, eis que encontrei para rever, o
filme “A Praia”, que tem Leonardo Di
Caprio como ator principal. Para quem
não viu, o filme relata as experiências
de uma comunidade sonhadora de um
novo mundo, que vai para uma praia
deserta na Tailândia, e tenta se organi-
zar coletivamente. O filme tem um ce-
nário maravilhoso, e uma interpretação
soberba deste ator. Vale, sem dúvida
assistir. Mas o que teria a ver este filme
com nosso conto, nossa ideia?
Ao perceber no Brasil um crescente
movimento ideológico contra a empre-
sa, contra o lucro, da demonização do
empresário, pois hoje quem quer pro-
duzir é quase que um criminoso am-
biental, trabalhista, social e, assim por
diante, depois de escutar tanta bobagem
destes micropartidos na propaganda
eleitoral gratuita e também estar cansa-
do de gente alienada, pendurada e que
só reclama, vendo “A Praia”, tive uma
ideia que pode até ser interessante.
A ideia seria a de criarmos, nos mes-
mos moldes do filme “A Praia”, uma
fazenda experimental, servindo a diver-
sos propósitos secundários, elencados
ao final deste texto, mas com o propó-
sito principal de mostrar a importância
da agricultura e do trabalho no dia a dia
de todas as pessoas, pois até que algo
futurista aconteça, nossos organismos
são “movidos a alimentos”.
Uma área abençoada em termos de
solos, incidência de sol, regime hídrico,
seria escolhida em fronteiras do Mato
Grosso, Tocantins, Maranhão, enfim,
numa destas bênçãos divinas recebidas
pelos moradores do Brasil. Cercaríamos
e colocaríamos em marcha o projeto.
Mas quem iria para a Fazenda? Para
lá seriam levadas para um estágio as
pessoas críticas à agricultura, ao pro-
dutor rural, ao agronegócio e as que
têm visão deturpada ou parcial sobre o
setor. Iriam desde as que pregam a so-
cialização dos meios de produção, as
que são ideologicamente contra a em-
presa, contra o lucro, contra a ordem
e o progresso, as radicais de diversos
setores, como também os invasores (ou
“ocupadores”), os antiprodução, os que
desejam transformar o Brasil numa me-
ga-aldeia, ativistas, representantes de
algumas ONG’s confinados no sempre
refrigerado ambiente Brasília/cidades
internacionais, filósofos de gabinete,
alguns artistas globais do eixo Ipanema,
Leblon, Butantã, Pompeia, que pensam
que seu baby beef nasceu na cozinha do
restaurante da Vieira Souto e seu chopi-
nho foi gerado dentro da chopeira dos
maravilhosos bares da Ataulfo de Paiva
ou dos arredores de Pompeia.
Levaríamos também gente que
acredita nos modelos da Coreia do
Norte, Cuba e Venezuela, entre outros.
Selecionaríamos parte dos 61 milhões
de brasileiros em idade de trabalho,
mas que não trabalham, não procuram
trabalho e não estudam, entre eles os
dependentes de bolsas Governamen-
tais que têm habilidade, capacidade
e ofertas de trabalho e os usuários do
auxílio-desemprego que forçaram suas
demissões. Ou seja, a geração “nem-
-nem” também iria, os jovenzinhos
ativistas ainda pendurados nas bolsas
paternas e os outros não tão jovens,
em idade de trabalho, mas que esticam
até os 30, 40 anos sua permanência na
universidade pública, normalmente em
cursos sem demanda.
Para poupar um esforço inicial dos
habitantes desta fazenda, já entrega-
ríamos a área com todo o cipoal de li-
cenças e burocracia necessárias para
se trabalhar e produzir. Teríamos uma
infraestrutura coletiva de hospedagem
na fazenda, com bons banheiros, po-
rém, todos coletivos. Haveriam telefo-
nes coletivos e uma sala de informática
coletiva, com os softwares de domínio
social. Produtos de limpeza, cosméti-
cos básicos, medicamentos genéricos e
outros suprimentos importantes seriam
fornecidos gratuitamente até que o fruto
do trabalho e da produção na fazenda
conseguisse comprá-los.
Um telão de TV central, apenas com
os canais abertos, no refeitório seria
permanentemente gratuito. Sem direito
aos filmes de Hollywood, HBO e outros
“lixos do império”. Nestes canais terí-
amos o noticiário do Brasil e a trans-
missão da TV de Cuba, da Venezuela,
Coreia, e seriam reprisados todos os
programas eleitorais dos micropartidos
radicais, além de aulas de produção
comunista gravadas e filmes da antiga
DDR (Alemanha Oriental). Via assem-
bleias e conselhos populares, a FEB
criaria suas próprias mídias e poderia
adotar até o controle social da mídia,
caso esta fosse a opção vitoriosa.
Como somos todos a favor do “Fome
Zero”, a fazenda teria uma safra de cada
produto adequadamente armazena-
da para o consumo. Ou seja, teríamos
milho, soja, hortícolas, frutícolas, açú-
car, carne, cana... suficientes para uma
rodada de consumo, portanto, para a
segunda, teria que ser imediatamente
plantado, cultivado e colhido, ou seja,
trabalho pela frente aos habitantes da
FEB a partir já do primeiro dia. Deixa-
ríamos um rebanho bovino suficiente
para um ciclo, bem como frangos, suí-
nos e cordeiros e um lago com tilápias e
equipamentos de pesca.
Para o plantio da safra seguinte, já
deixaríamos no armazém as sementes
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
11
padrão e as geneticamente modifica-
das. Deixaríamos mudas, fertilizantes,
defensivos e máquinas/implementos,
desde os mais rústicos usados nos anos
30 e 40, até as máquinas com GPS uti-
lizadas hoje.
A biblioteca da FEB seria completa:
para tudo teríamos livros explicando
desde como plantar, adubar, cultivar
e colher, como manejar as máquinas,
uso de defensivos, equipamentos de
proteção, compostagem, doenças dos
animais, enfim, em tudo teríamos o
“como fazer”.
Na parte do processamento agroin-
dustrial, forneceríamos também as pe-
quenas agroindústrias processadoras
já montadas. Um minifrigorífico, uma
miniusina de cana, miniprocessado-
ra de frutas, laticínio, torrefadora de
café, entre outras, todas com manuais
de funcionamento. Deixaríamos uma
unidade de cogeração de energia, e um
ano de suprimento gratuito de energia
e diesel para as máquinas, até que a
biomassa e o biodiesel fossem gera-
dos. Galpões completos de armazena-
gem e estrutura para um supermercado
estariam prontas para os habitantes da
fazenda trabalharem.
A comunidade discutiria e escolhe-
ria quais insumos utilizaria. Se, por
exemplo, as assembleias deliberarem
que são contra usar os defensivos na
produção da sua comida, se organiza-
riam para a catação manual de lagartas
e outras pragas e a captura de insetos,
ratos com arapucas e outras engenho-
cas. Tudo é válido. Caso a assembleia
opte pelo vegetarianismo, o rebanho
poderia ser transformado em instru-
mento de adoração, como em outros
países que conhecemos.
Uma vez pronta toda esta infra-
estrutura, algo que nem de perto se
oferece ao produtor rural, chega o
momento de levar esta ampla comu-
nidade selecionada à FEB (Fazenda
Experimental Bolivariana). Na chega-
da à fazenda, estas pessoas deixariam
na entrada seus pertences pessoais,
desde celulares, notebooks, bolsas,
automóveis, afinal se são contra o
progresso tecnológico, a empresa, o
lucro, a multinacional, contra o “im-
pério”, tem que ser coerente no com-
portamento individual, o que frequen-
temente não observo nestes grupos.
Não podemos ser intelectualmente
contra, mas transgressores na prática
do comportamento individual.
A comunidade teria que se organi-
zar. Imagino que sairiam à frente os
“movimentos sociais”, tentando botar
ordem na casa, pois têm treinamento
prévio, afinal, a comida vai acabar e
precisam trabalhar para ter. Poderiam
criar um sistema de governo, educa-
cional e universitário, com liberdade
de conteúdo, bancos, partidos políti-
cos, congressos, conselhões, e verifi-
car como pagariam estes políticos do
grupo e seus assessores com o recurso
de sua própria produção, pois assim
são pagos no mundo real.
Deixaríamos uma gráfica para im-
pressão de uma moeda e de uma cons-
tituição, se quiserem. Podem também
criar Bolsas assistencialistas diversas,
mas só depois que tiverem gerado ren-
da para pagá-las. Afinal, para distribuir
renda, alguém precisa gerar renda.
Diferentemente da situação real do
produtor brasileiro, garantiríamos à FEB
segurança total, sem os frequentes assal-
tos que acontecem nas fazendas ou in-
vasões de outros “movimentos sociais”
e daríamos uma carência de três anos,
pelo menos, para aplicar a atual legis-
lação trabalhista, ambiental e tributária.
Entregaríamos com reserva legal já aver-
bada e CAR (Cadastro Ambiental Rural)
preenchido. Não precisariam pagar im-
postos e nos ajudar a sustentar Brasília
por pelo menos 3 anos, algo que os bra-
sileiros comuns dedicam mais de quatro
meses de trabalho por ano.
Como não há petróleo na FEB, seus
habitantes estariam livres do loteamen-
to de cargos, da corrupção e dos escân-
dalos advindos de uma suposta petrolei-
ra que seria criada. Também é vetada a
entrada de dólares, pois isto é algo que
vem do Império, e desta forma não te-
ríamos doleiros para trazer mais escân-
dalos a FEB.
Forneceríamos o SUS (Sistema
Único de Saúde) e o “Mais Médicos”,
e se a comunidade aceitar (aceitasse),
casos mais graves envolvendo líderes
e políticos que não quiserem o SUS,
cederíamos o Sírio Libanês, via cré-
dito, mas para ser pago pela comuni-
dade quando esta dispuser de renda.
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
12
Não sou contra deixarmos também
estoques de cachaça e uma destila-
ria montada, afinal, não dá para exigir
abstinência. Forneceremos também es-
toques e sementes de Cannabis Sativa
e fósforos. Pode inclusive ser que esta
cadeia produtiva seja a primeira a se
organizar na comunidade, pois é prova-
velmente onde os estoques planejados
para um ano mais cedo darão os sinais
visíveis de escassez.
À medida que os excedentes de pro-
dução advindos do trabalho e do esfor-
ço dos moradores da FEB fossem sendo
gerados, estes poderiam ser vendidos
para fora da FEB e daríamos outra fa-
cilidade: os mercados (compras) seriam
por nós garantidos, com preços míni-
mos estipulados. Também oferecerí-
amos algo que os produtores hoje não
têm: seguro sofisticado que protegesse
a produção e a renda da comunidade de
intempéries climáticas.
O transporte dos produtos desde a
FEB até os centros de consumo nós ofe-
receríamos para evitar que passem pelo
descalabro logístico que nossos produto-
res enfrentam, acabando com sua renda.
Seguro contra os frequentes roubos de
cargas, também ofereceríamos, afinal
precisamos dar um impulso à FEB.
Garantiríamos o máximo esforço para
utilizarmos o nosso porto em Cuba.
Com a renda criada pela venda da
sua produção, fruto do seu trabalho,
a comunidade poderia, aos poucos,
comprar os bens de consumo essen-
ciais para reposição (sabonete, sham-
poo e outros) e também os produtos
supérfluos hoje existentes fora da
FEB. Poderiam importar desde carros
Hyundai, BMW, motos Harley Davi-
dson, máquinas de Nespresso, toda a
parafernália da Apple, equipamentos
de som Bang & Olufsen, comprar bol-
sas Louis Vuitton, cosméticos MAC,
TV HBO por assinatura, entre outros
sonhos, e inclusive materiais de cons-
trução para futuras casas individuais,
que poderiam sim ser construídas em
terrenos dentro da fazenda, caso ven-
ça na assembleia a individualização
das moradias.
Podemos sofisticar bem mais o nosso
conto, mas parando por aqui para pou-
par o tempo dos trabalhadores, a missão
da FEB seria esta: “ensinar a parar de
reclamar e trabalhar para prosperar”.
Além dos habitantes da FEB desco-
brirem e reconhecerem que as coisas
não caem do céu, e que tem gente suan-
do forte para tentar produzir num País
que a cada dia cria mais dificuldades,
o estágio traria outros aprendizados à
comunidade da FEB, evidências que
carregariam ao resto das suas vidas:
- Não existe distribuição de renda
que se sustente, sem geração de renda;
- Não existe consumo sem produção;
- É difícil e custa ser contra o pro-
gresso tecnológico. Se você não gosta
da tecnologia e das empresas que geram
tecnologia, existem alternativas menos
produtivas à disposição e podem ser
usadas, mas dará mais trabalho e pode
não ser suficiente;
- Algumas coisas precisam de escala
para serem produzidas eficientemente,
então o romantismo da família, do sim-
ples, não funciona.
- Para que um sistema destes (FEB)
funcione coletivamente, é preciso que
todos tenham ampla propensão ao tra-
balho, o que não se observa em todos os
seres humanos. Este é o principal mo-
tivo do fracasso de modelos coletivos
que não incentivam o trabalho, a pro-
dutividade individual e a meritocracia.
- Quem não trabalha, ou tem labor-
-fobia, está sendo sustentado por quem
trabalha e se aproveita do mais produti-
vo. Vai ficar evidente para todos na co-
munidade literalmente quem “não vale
o feijão que come”;
- Produtos são plantados, cultiva-
dos e colhidos, com muito esforço por
quem fez, com muito risco. Precisamos
respeitar e valorizar quem produz e
agradecer, pois parte do que podemos
consumir no País vem da renda da ex-
portação gerada por estes empreende-
dores. Simplificando, nosso I-Phone 6
foi pago com... exportações de açúcar.
Vamos implementar a FEB e aguar-
dar cinco anos para ver se funciona.
Tenho cá um pouquinho de dúvidas se
os perfis que iriam para lá têm em seu
DNAa filosofia de “agarrar no batente”,
necessária quando não se têm outros fa-
zendo por você, ou com a presença de
um estado assistencialista, contamina-
do pela política da “vitimização e da
coitadização” dos seus habitantes. Mas
não podemos cometer o equívoco de
um pré-julgamento. Vamos aguardar e
observar este laboratório a céu aberto.
Acho que teremos olheiros do mundo
todo observando a FEB.
Se após cinco anos a FEB der certo,
minha hipótese é que a comunidade se
organizou em um modelo capitalista.
O sistema capitalista, com todos os
seus problemas, é o melhor que a so-
ciedade mundial dispõe, basta olhar
os 20 países melhor ranqueados nos
IDH (indicadores de desenvolvimento
humano). É no que acredito, um siste-
ma que promova forte inclusão social,
pelo trabalho, esforço e geração criati-
va de oportunidades. Se FEB der certo
e for sustentável no médio prazo num
modelo comunista, eu tenho que calar
a minha boca e jogar fora boa parte das
coisas que escrevi. Voltar a estudar,
porém, outras obras.
Estou terminando o conto e esqueci
de abordar o assunto fugas ou abando-
nos. Fugas da FEB serão aceitas após
uma entrevista onde fique provado que
a pessoa aprendeu valores ligados ao
trabalho, à geração da sua própria ren-
da, à noção de responsabilidade e de
colaboração ativa com a comunidade e
o fim do pensamento de que... é vítima,
um coitado, um excluído.
A última pergunta que abriria a por-
teira da fazenda e traria o “febiano” de
volta ao mundo externo avaliaria se o
entulho intelectual, ou a alucinação bo-
livariana ficou para trás, enterrado na
fazenda, da mesma forma como o gran-
de sonho da comunidade de Leonardo
Di Caprio em “A Praia”, fracassou e
ficou... na praia tailandesa.
* é professor titular de planejamen-
to estratégico e cadeias agroalimen-
tares da FEA-RP/USP. Autor de 45
livros publicados em oito países. Foi
professor visitan-te da Purdue Univer-
sity (Indiana, EUA) em 2013.
Ponto de Vista II
RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
13
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Como está o nosso agro? Con-
trariando a recuperação dos últimos
meses, em agosto o desempenho das
exportações do agro sofreu uma que-
da considerável. As exportações, (US$
8,89 bilhões) se comparadas com o
mesmo período de 2013 (US$ 10,17
bi), diminuíram 12,5%. O saldo na ba-
lança do agro de agosto foi de US$ 7,48
bi, uma queda de 14,0% em relação a
agosto de 2013, que foi excelente.
O valor exportado acumulado no ano
(US$ 67,6 bilhões) teve queda de 2,1%
quando comparado com o mesmo perío-
do de 2013 (US$ 69,0 bilhões). O saldo
positivo acumulado no ano foi de US$
56,4 bilhões (2,4% menor que o mes-
mo período em 2013). Se continuarmos
nesse ritmo, fecharemos 2014 com um
montante de US$ 101 bi, atingindo a
meta dos 100 bi, porém cabe ressaltar
que no acumulado de janeiro-agosto de
2013 tivemos uma exportação de US$
69,0 bi e fechamos 2013 com a cifra de
US$ 99,9 bilhões.
O ponto negativo das exportações do
Brasil é justamente o complexo cana,
que no ano passado, de janeiro a agos-
to, havia exportado US$ 9,1 bilhões, e
neste ano, apenas US$ 6,5 bilhões, 28%
a menos.
Como está nossa cana?
Segue firme o processamento de
cana na safra. Até o final de agosto, a
produção de açúcar e etanol estava 5%
maior que na safra anterior, mas sabe-
mos que a atual safra será cerca de 9%
menor.
Houve, a partir de agosto, grande
mudança no mix em direção ao etanol
(quase 55% na segunda quinzena do
mês), algo que poderia ter acontecido
antes se não fossem os erros do Gover-
no. Agora, já comprometeu o resultado
do ano.
Estimativa da JOB é que a safra do
Centro Sul será de 552 milhões de to-
neladas. Para a Datagro, será de 556
milhões de toneladas.
A crise vai deixar rastros fortes. Se-
gundo a Orplana (Organização de Plan-
tadores de Cana da Região Centro-Sul
do Brasil), a taxa de renovação dos cana-
viais de produtores em 2014 foi de 12%,
quando o ideal seria 17%. A quebra deve
ser maior que a observada nos canaviais
das usinas, algo ao redor de 15%.
Costumo dizer que a crise que o se-
tor passa não é uma crise de mercado,
como por exemplo se observa no suco de
laranja.Acrise da cana é fabricada. O fa-
bricante todos conhecem: um ineficiente
e caro pessoal que mora em Brasília...
Muita gente está investindo em algo
que o setor sonha: a semente da cana!
Vamos ter esperança.
Como estão as empresas do setor?
Aempresa americana BioUrja Trading
tem projeto para uma usina de etanol de
milho em Chapadão do Sul, que a princí-
pio processaria 343 mil toneladas do grão
por ano, gerando etanol e o farelo de mi-
lho de alto valor proteico (DDGS).
A Brasken, Amyris e Michelin de-
senvolveram parceria para produzir um
isopreno renovável, principal material
usado na fabricação de pneus e outros
produtos de borracha. Para a produção
deste isopreno, serão utilizados açúca-
res, como o da cana. É mais uma apli-
cação futura para a cana.
A Odebrecht produziu nesta safra
cerca de 65 toneladas por hectare. Deve
moer ao redor de 26 milhões de tone-
ladas neste ano. 83% da cana vai para
etanol, e deve produzir 1,85 bilhão de
litros. O foco da empresa agora será na
melhoria dos canaviais, buscando 74
toneladas em média daqui dois anos.
80% da cana é própria, produzida em
445 mil hectares. De acordo com a em-
presa, busca-se aumento de produtores
independentes, visando atingir 40% do
suprimento.
Ceres, dos EUA, vai colocar ênfase
em investimentos de cana transgênica,
visando traços de biomassa, tolerância
a estresse e conteúdo de açúcar.
Como está o açúcar?
Usinas estão estocando mais açúcar
e etanol com as perspectivas de melho-
ria dos preços na entressafra. Diversos
grandes grupos estão com estoques
100% maiores.
Coluna Caipirinha
Marcos Fava Neves
Caipirinha
Os Rastros de uma Crise Fabricada
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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A Job estimou redução nas exporta-
ções de açúcar este ano, devido a que-
bra de safra, para 22 mi t.
O preço do açúcar chegou a 13,75
cents por libra, menor valor desde 2010.
Muita gente que previa preços melhores
no final do ano, como eu, caiu do cavalo
nas análises.
O Governo, via Conselho Monetário
Nacional, deve incluir o açúcar em li-
nhas de financiamento para armazena-
gem, a taxas de 4,5% ao ano, com 15
anos para pagamento e carência de 3
anos. Fora esta ação, o açúcar e o etanol
foram incluídos no programa Reinte-
gra, que permite às empresas recupe-
rarem 3% do valor exportado na forma
de crédito tributário para PIS e Cofins.
Segundo o Governo, já pode ser válido
em 2014, em 0,3%.
Como está o etanol?
Foi aprovado o aumento da mistura
de etanol anidro na gasolina para 27,5%,
provavelmente para valer a partir da sa-
fra 2015/16. Falta ainda a aprovação de
testes sendo feitos em automóveis, que
devem perdurar até outubro.
Segundo a Archer, o consumo de
combustível no Brasil nos últimos 12
meses foi 4,4 bilhões de litros superior
ao período anterior. Foram 11,8 bilhões
de litros de hidratado e 43,1 bilhões de
gasolina. O consumo de hidratado au-
mentou 1,8 bilhão de litros entre os pe-
ríodos. O petróleo caiu abaixo de 100
dólares pela primeira vez em 15 meses.
Quem é o homenageado do mês?
A coluna Caipirinha todo mês ho-
menageia uma pessoa. Neste mês a
homenagem vai para o Prof. José Gol-
demberg. Nosso ex-reitor na USP e
exemplo de carreira profissional, em
todos os sentidos.
Haja Limão: Lógico que gostaria de
votar numa Angela Merkel, Margareth
Thatcher, Ronald Reagan, Bill Clinton,
Gorbachev, Oscar Arias, entre outros
estadistas que admiro. Gente que ajuda-
ria a acabar com esta política nefasta de
vitimização, de coitadização, e chamaria
os brasileiros a vencerem pelo trabalho,
pelo esforço de todos. Entre as três op-
ções colocadas para nós, para mim Aé-
cio é de longe a melhor para o Brasil,
pela quantidade de gente competente
que está com ele e pela sua experiência
e capacidade política de aglutinar. Dil-
ma, tudo indica que repetiria o desastre
que já conhecemos, e Marina, só se ela
se transformou por completo, pois seu
passado político também não contribui.
Foi contra muita coisa que melhorou o
Brasil e esteve confortavelmente silen-
ciosa contra toda a corrupção.
Conversei
com muita gente, que lamentavelmente
já jogou a toalha. Faltam ainda longas
três semanas para a eleição, vamos, com
esforço individual, brotar uma onda a
favor do Brasil! Mais do nunca, precisa-
mos acreditar. Acomodar jamais!
Marcos Fava Neves é Professor Titular
da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacio-
nal da Purdue University (EUA) RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
16
Parceria entre a Copercana e a FMC oferece
oficina e peça teatral para professores e
alunos de escolas de Sertãozinho
Notícias Copercana
A
pós proporcionar oficinas teatrais
para aproximadamente 30 pro-
fessores da Rede Municipal de
Ensino de Sertãozinho-SP, com o intuito
de passar orientações vocais e desenvol-
ver a habilidade de comunicação e ex-
pressão dentro da sala de aula, nos dias 12
e 13 de agosto, por meio de uma parceria
entre a Copercana e a FMC Agricultural
Solutions, com o apoio da Secretaria Mu-
nicipal de Educação da Prefeitura de Ser-
tãozinho-SP, cerca de 700 alunos da Rede
Municipal de Ensino da cidade, passaram
pelo auditório da Escola Municipal Elvira
Arruda de Souza, onde assistiram gratui-
tamente ao espetáculo “Árvore da Vida”,
aprovado pelo Ministério da Agricultura,
através da Lei Rouanet (Lei de incentivo
à cultura).
O espetáculo, de responsabilidade
ambiental, foi apresentado pela Com-
panhia de Teatro Sia Santa, de Cam-
pinas-SP, realizado em seis sessões e
teve como objetivo harmonizar entre-
tenimento, conhecimento e informação
de forma lúdica sobre como é possível
inserir boas práticas agrícolas no dia a
dia, através de uma linguagem simples
visto que o público-alvo (as crianças)
são multiplicadoras de conhecimentos
dentro de suas casas.
Fernanda Clariano
Estiveram presentes o gerente finan-
ceiro da Copercana e Canaoeste, Gio-
vanni Rossanez, o representante técnico
comercial da FMC, Vinícius Batista, a
diretora da Escola Elvira Arruda de
Souza, Luciana Fernandes Ambrósio, a
produtora da Companhia de Teatro Sia
Santa, Valéria Rachel, a gestora do De-
partamento de Marketing da Copercana
e Canaoeste, Letícia Pignata, além de
professores e alunos da Rede Municipal
de Ensino da cidade.
“É de grande valor para a Coperca-
na ser parceira da FMC num projeto
tão importante como esse, que leva co-
nhecimento e aprendizagem de forma
lúdica às crianças. Há anos a Coper-
cana vem contribuindo com algumas
instituições e está sempre envolvida em
movimentos sociais que auxiliam no
desenvolvimento da população serta-
nezina e agora com essa parceria com
a FMC vem trazer para os alunos da
Rede Municipal de Ensino de Sertãozi-
nho um momento de descontração, de
diversão, mas acima de tudo, de apren-
dizagem, pois através dessa peça eles
saem daqui sabendo um pouco mais
sobre sustentabilidade, produção de ali-
mentos e responsabilidade ambiental”,
pontuou Giovanni Rossanez.
O espetáculo de responsabilidade ambiental reuniu cerca de 700 alunos da
Rede Municipal de Ensino de Sertãozinho durante dois dias de apresentações
Equipe da Companhia Teatral Sia Santa, com os
professores que participaram da oficina Os alunos lotaram o auditório em todas as apresentações
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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“Para a FMC, é importante estarmos
presentes no dia a dia dos agricultores
contribuindo para que eles possam pro-
duzir de forma sustentável, pensando
num futuro que seja melhor para o País
e, consequentemente, para o mundo,
pela relevância que o Brasil tem como
um celeiro agrícola. Sustentabilidade é
o tema central dessa peça que estamos
apoiando porque acreditamos que uma
agricultura sustentável é a base de tudo.
Para isso, estamos contando com a par-
ceria da Copercana, pois por meio dessa
ação, esperamos trazer um pouco do que
é a realidade da agricultura para milha-
res de crianças, mostrando que é possí-
vel produzir sempre de modo sustentá-
vel e correto”, ressaltou Vinícius Batista.
A diretora da Escola Elvira Arruda
de Souza destacou a importância de po-
der receber o espetáculo. “Eu agradeço
a Copercana, a FMC e a Sia Santa que
foram essenciais para o acontecimento
desse evento e nos presentearam com
uma bela peça. Trazer o teatro para a
escola é essencial, é uma oportunidade
para os alunos vivenciarem essa cultu-
ra. Achei a apresentação interessante
porque abordou assuntos importan-
tíssimos principalmente sobre o meio
ambiente, educação e leitura de uma
forma bem cativante e percebi que as
Representantes da Copercana, Canaoeste e FMC entregaram uma placa de homenagem
para a Companhia de Teatro Sia Santa pelo trabalho realizado.
crianças adoraram. Para nós, foi um
prazer acolhê-los e poder proporcionar
esse entretenimento para outras escolas
que não possuem um espaço como este
e, quando somos solicitados, abrimos as
portas e os recebemos com muito pra-
zer”, afirmou Luciana.RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
18
RC
Unidade de Grãos da Copercana realiza
treinamento sobre Controle de Pragas
Notícias Copercana
P
or meio da parceria entre a Una-
me (Unidade de Grãos da Coper-
cana) e a empresa Bequisa, foi
realizado no dia 26 de agosto, no audi-
tório do setor de compras da Copercana,
em Sertãozinho-SP, um Treinamento de
Controle de Pragas para colaboradores
das áreas de Controle de Pragas, Indus-
trial, Segurança do Trabalho e Qualida-
de, da Uname e da filial de Tupã. Par-
ticiparam também colaboradores das
empresas parceiras Cap Agroindustrial
de Dumont-SP e Cerealista Marani de
Herculândia-SP.
O treinamento teve o acompanha-
mento da coordenadora do Sistema de
Segurança do Alimento da Uname, Ma-
riana Rosa de Souza, e da responsável
pelo Controle de Pragas da Unidade de
Grãos da Copercana, Regina Del Gran-
de, e contou com palestras importantís-
simas sobre Controle de Pragas emAm-
bientes de Armazenagem e Controle de
Roedores em Ambientes de Armazena-
gem, proferidas pelo engenheiro agrô-
nomo supervisor da Bequisa, Hamilton
Viganó Neto e pela bióloga, consultora
da Bequisa, Juliana Pereira.
O controle de pragas é essencial para
a manutenção de uma boa armazena-
gem de grãos e conscientes disso, a Co-
percana em parceria com as empresas
Cap Agroindustrial e Cerealista Mara-
ni, estão atentas neste quesito e garan-
tem que os colaboradores envolvidos
em diferentes áreas da empresa, como
qualidade, armazenamento, produção e
segurança do trabalho, tenham informa-
ções e conhecimentos necessários para
a realização de um bom trabalho.
“Organizamos este evento em con-
junto com a empresa Bequisa onde o
foco foi a importância da capacitação e
reciclagem dos conceitos aos funcioná-
rios envolvidos com o manejo integrado
de pragas. Pudemos sentir um grande
envolvimento dos participantes durante
as palestras, além de um ótimo domí-
nio do assunto pelos palestrantes, que
não deixaram de atender prontamente
às perguntas e esclarecimentos dos ou-
vintes. Esperamos como resultado que,
Fernanda Clariano
mais conscientes da importância de um
bom Controle de Pragas para a qualida-
de de nossos grãos armazenados, possa-
mos continuar executando um excelen-
te trabalho nesta área”, disse Mariana.
“A realização deste evento foi de
grande importância para os colabo-
radores que estão envolvidos com os
grãos armazenados na Uname. A cada
ano, existem produtos novos e novas
técnicas, que precisamos aprender para
obtermos controle das pragas em grãos
armazenados, com eficiência e sucesso,
pois o nosso produto é de qualidade e
esse evento foi de grande importân-
cia, pois através das palestras teremos
maior facilidade para combatermos as
pragas que surgirem”, disse Regina.
Com o objetivo de instruir e auxiliar
a equipe envolvida sobre as melhores
formas de controle dentro da realidade
do estabelecimento, a bióloga Juliana
falou sobre Controle de Roedores em
Ambientes de Armazenagem – identifi-
cação dos roedores, formulações de ra-
ticidas, quando, como e onde utilizá-los
e como combater a praga.
“Explanei sobre a biologia das pra-
gas quando relacionadas ao nosso dia a
dia, sobre seus hábitos e comportamen-
tos, medidas preventivas e corretivas
(para impedir a entrada e permanência
destas pragas nos estabelecimentos) e
por fim o controle químico. Foi muito
importante, pois tive a oportunidade de
estar com uma equipe bastante interes-
sada e poder auxiliá-los de alguma for-
ma foi gratificante”, afirmou Juliana.
Na cadeia produtiva de alimentos,
desde a produção de sementes e plan-
tio, até chegar à mesa do consumidor,
são encontrados vários obstáculos.
Dentro desta cadeia está o processo de
armazenagem, onde encontramos um
fator de extrema importância, que é o
cuidado com o controle de insetos nos
ambientes de armazenagem. O enge-
nheiro agrônomo, Hamilton, em sua
apresentação sobre o Controle de Pra-
gas em Ambientes de Armazenagem,
abordou a identificação das principais
pragas, profilaxia, expurgo, manuseio
de inseticidas, EPI (Equipamento de
Proteção Individual) e envelopamento
com as lonas.
“Sabemos que na produção agríco-
la há muito investimento para trazer
um produto de boa qualidade até as
empresas que irão beneficiá-los. Cabe
a nós, responsáveis pelo beneficia-
mento e armazenagem desses alimen-
tos, não permitir que todo esse esforço
se perca, mas sim que essa qualidade
seja mantida até o consumidor final.
Os insetos causam danos irreversí-
veis nos grãos armazenados, tantos
nas questões quantitativas quanto nas
qualitativas, estes ataques danificam
o grão desde a sua aparência até sua
capacidade nutricional. Para evitar
perdas, que acabam se revertendo em
grandes prejuízos econômicos, traze-
mos soluções para o controle desses
insetos. Para nós da Bequisa e da Bi-
zarro Teixeira, ter parceiros como a
Copercana é muito importante, por-
que é uma cooperativa que leva muito
a sério o que faz, está sempre buscan-
do conhecimento para melhorar todos
os processos que já vêm sendo desen-
volvidos com sucesso”, ressaltou o
engenheiro agrônomo da Bequisa.
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
19
Parceira entre a Copercana Seguros e Porto
Seguro Auto mobiliza motoristas de Sertãozinho
A Porto Seguro em parceria com
a Copercana corretora de Seguros,
realizou no dia 20 de setembro, no
auto posto Copercana, em Sertãozi-
nho, a campanha Transito + gentil -
Ser gentil não custa nada e vale mui-
to - com o objetivo de conscientizar
os motoristas, sobre a importância
de serem mais tolerantes uns com os
outros e de manterem o respeito e a
harmonia no trânsito.
Durante todo o dia de mobiliza-
ção, uma equipe fez a abordagem de
vários motoristas, adesivaram carros
e entregaram panfletos com dicas
importantes para contribuir com um
transito mais seguro e tranquilo.
A entrega foi realizada pela
gerente de produção da
Porto Seguro, Cristiana Xavier
Na ocasião, os motoristas abor-
dados foram convidados a preen-
cherem um cupom para concor-
rerem a um jantar com direito a
acompanhante.
O ganhador do sorteio foi, Kleber
Diniz.
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
20
Geladeiroteca marca presença na
12ª Feira do Livro de Sertãozinho
Notícias Canaoeste
Fernanda Clariano
Com o tema “Família e Educação”, a feira reuniu milhares de famílias que prestigiaram os
quatro dias do evento, atraindo um grande número de visitantes
P
romovida pela Prefeitura, por
meio da Secretaria Municipal
de Educação e Cultura e do
Departamento de Cultura e Turismo,
a 12ª edição da Feira do Livro de Ser-
tãozinho, aconteceu entre os dias 02 e
05 de setembro na praça XXI de Abril
e contou com a participação de um
público expressivo durante todos os
dias da Feira.
Na abertura estiveram presentes:
o prefeito, José Alberto Gimenez, o
vice-prefeito, Valter Almussa, o pre-
sidente da Câmara Municipal, Rogé-
rio Magrini, o diretor do Departamen-
to de Cultura e Turismo, João André
da Rocha, o Secretário municipal de
Educação e Cultura e anfitrião da Fei-
ra, Alexandre Salomão Bitar, a co-
ordenadora do Projeto Sol do Saber,
Amália Seron, vereadores, professo-
res e a população.
Além de muitos livros, palestras,
oficinas e bate-papos, um dos desta-
ques da Feira foi à participação ilus-
tre do patrono dessa edição, Rolando
Boldrin, que na oportunidade recebeu
o Título de Cidadão Sertanezino.
O escritor local homenageado, mem-
bro da Academia Sertanezina de Letras,
Gilberto Antônio Marques Bellini, tam-
bém se fez presente juntamente com 18
famílias da cidade que receberam ho-
menagens por terem contribuído com
a questão família-escola. Dentre as
homenageadas, a família Ortolan, que
teve como representante o presidente
da Canaoeste, Manoel Ortolan, e sua
esposa Sandra Mara Bernardi Ortolan.
O patrono da feira, Rolando Boldrin,
falou com emoção sobre a sua participa-
ção como patrono. “É difícil expressar
a alegria que estou sentindo. Trabalho
O estudante e auxiliar administrativo, Eliel Ivanildo da Silva, aproveitou para conhecer
a Geladeiroteca durante a Feira. “Eu achei muito bacana essa ideia porque ajuda a
incentivar a leitura, você vem, escolhe um livro e leva. É muito simples, e devolvendo ou
trazendo outro livro, você ainda pode contribuir com o conhecimento de outras pessoas.
Escolhi um para levar para casa e com certeza irei espalhar essa ideia”.
Foto:AdilsonLopes
Após a abertura oficial da feira, o público pôde assistir à
apresentação do patrono, Rolando Boldrin que contou “causos”
e cantou várias músicas de seu repertório, dentre elas a mais
conhecida, “Vide vida marvada”.
O bibliotecário, Haroldo Luís Beraldo, recepcionou o público
que visitou a Geladeiroteca na Feira
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
21
com a emoção, gosto de trabalhar com o
sentimento e me encontrar aqui na frente
desse público e ter essa honraria que é
ser patrono de uma festa tão bonita, de
uma feira tão importante, é realmente
motivo de muita alegria e muita emoção.
Eu agradeço muito por lembrarem-se do
meu nome”, disse o patrono.
Manoel Ortolan, ressaltou a satisfa-
ção pela homenagem recebida. “É uma
alegria poder ter o nome da família
homenageado na Feira do Livro, mas
o grande mérito é da Sandra, minha es-
posa, que sempre trabalhou como edu-
cadora, fazendo uma carreira muito
bonita por toda a região onde foi pro-
fessora, auxiliar de diretora, diretora e
trabalhou também como delegada de
ensino. Eu acredito que, o que a gen-
te tem de mais digno para se deixar, é
o nome da família por tudo o que ela
proporcionou pela comunidade, enfim,
pelas coisas boas que fez pelo próxi-
mo”, afirmou Ortolan, que também
destacou a participação da Geladeiro-
teca, projeto mantido pela biblioteca
“General Alvaro Tavares do Carmo”,
em mais uma edição da Feira. “Este é
o segundo ano em que a Geladeirote-
ca se faz presente na Feira do Livro de
A família Ortolan foi homenageada pela EMEF Professora Maria Aparecida Ortolan
Bellini e recebeu a homenagem pelas mãos de Rosimeire Pedro Bighetti acompanhados
pelo prefeito José Alberto Gimenez e o Secretário Municipal de Educação e Cultura e
anfitrião da Feira, Alexandre Salomão Bitar
Foto:AdilsonLopes
Sertãozinho. É uma satisfação ver que
esse trabalho vem dando resultados,
e que este projeto vem se destacando
e se fazendo presente em eventos. A
Geladeiroteca esteve na Feira do Livro
de Ribeirão Preto, recebeu destaque
na imprensa através de vários veículos
de comunicação, marcou presença na
22ª edição da Fenasucro e agora volta
à Feira do Livro de Sertãozinho, com
a parceria do Lions Clube da cidade.
É muito interessante que a população
tem prestigiado o projeto, levando
livros para casa e, na medida do pos-
sível, tem doado e essa liberdade de
poder escolher um livro e levá-lo para
casa sem burocracia, aumenta a satis-
fação do pessoal em ler e buscar algo
novo. Para nós, é motivo de alegria ver
que o trabalho do Haroldo Luís Beral-
do, que o bibliotecário da Canaoeste
e idealizador do projeto, está dando
bons resultados e, com isso, vamos
ocupando o nosso espaço e quem sabe
possamos espalhar ainda muitas gela-
deiras por aí”, destacou Ortolan.
Da redação
Reuniões Técnicas Canaoeste
A
Canaoeste, em parceria com a
empresa Brasquímica, realizou
no dia 21 de agosto, na fazen-
da Santa Rita, em Terra Roxa-SP, um
treinamento interno para a sua equipe
técnica de engenheiros agrônomos.
Na ocasião o responsável pela área
de Pesquisa e Desenvolvimento da Bras-
química, Guilherme Collos Nogueira,
abordou assuntos referentes a aplicação
de adjuvantes na cultura da cana-de-açú-
car e, mais especificamente, a apresenta-
ção de resultados do produto Startec. O
treinamento foi dividido em duas partes,
sendo uma teórica e outra prática, onde
todos os participantes puderam interagir
e esclarecer dúvidas. Equipes técnicas Canaoeste e Brasquímica
RC
RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
22
Canaoeste realiza reunião técnica na filial de Santa
Rita do Passa Quatro
Dia de Campo de plantio de Agmusa no Sistema Meiosi
N
o dia 14 de agosto, foi realiza-
da, na recém-inaugurada filial
em Santa Rita do Passa Quatro-
-SP, uma reunião informativa e técnica
conduzida pelo engenheiro agrônomo
Breno Henrique de Souza da Canaoes-
te. O objetivo principal foi apresentar
ao público presente a missão, visão e
valores que sustentam a Canaoeste, as-
sim como o seu portfólio de serviços.
Na oportunidade, o engenheiro agrô-
nomo Fábio Franzoti, da empresa Binova,
apresentou novas tecnologias e ferramen-
tas de manejo para aumentar a produtivi-
dade agrícola e a longevidade do canavial.
Estavam presentes aproximadamente 50
pessoas as quais puderam interagir com os
palestrantes e esclarecer suas dúvidas so-
bre os assuntos abordados.
Foi uma noite muito produtiva e
todos agradeceram a oportunidade e a
disponibilização de informações per-
tinentes ao desenvolvimento do setor
sucroenergético.
O
avanço tecnológico no setor
sucroenergético está trazen-
do a oportunidade de alcançar
maiores produtividades, qualidade no
sistema de produção da cana-de-açúcar
e muitos outros benefícios. Desta for-
ma, pensando em inovar e maximizar
a produção, no dia 03 de setembro, foi
realizado um Dia de Campo em Pontal-
-SP, na Fazenda Paineiras, do proprie-
tário Ronaldo Armando Donati. Foram
implantadas novas variedades de cana-
-de-açúcar com a inovação tecnológica
da Basf, a Agmusa, que são mudas
pré-brotadas com alta qualidade fitossa-
nitária e vigor. Estavam presentes pro-
dutores de cana-de-açúcar da região, re-
presentantes do departamento agrícola
das Unidades Industriais Bazan e Bela
Vista, equipes Canaoeste, Copercana,
Basf e New Holland.
O Sistema Meiosi consiste em inter-
calar a cana-de-açúcar com outra espé-
cie como: amendoim, soja, crotalária.
Equipes técnicas Canaoeste, Copercana e Binova Associados e futuros associados durante a reunião
Em parceira com Basf, New Holland e Copercana, a Canaoeste apresentou inovações
tecnológicas aos associados da Filial de Pontal
Neste campo, a cada uma linha de cana-
-de-açúcar, serão plantadas sete ruas de
amendoim. As duas espécies convive-
rão no local juntas até meados de abril,
quando neste período o amendoim será
colhido e a cana das duas ruas serão cor-
tadas e plantadas nas ruas ao lado (duas
ruas de cana plantadas em setembro de
2014 produzirão mudas para o plantio de
14 ruas de cana em abril de 2015).
O plantio foi realizado com um tra-
tor de 215 cv da New Holland, com sis-
tema de GPS e piloto automático, o que
facilita a operação e assegura o alinha-
mento da sulcação. A plantadora usada
foi da DMB, que necessita de um trator
de no mínimo 180 cv para puxá-la.
RC
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Notícias Canaoeste
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Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Notícias Canaoeste
Canaoeste participa de evento sobre acidentes
com queimadas
Andréia Vital
O
1º Encontro Regional sobre
Impactos Ambientais e de Se-
gurança, Boas Práticas e Ações
dos Envolvidos no Setor Sucroenergé-
tico, promovido pela Vianorte (Arte-
ris), teve como objetivo agregar infor-
mações que possam ser relevantes aos
envolvidos no segmento, amenizando
com isso os acidentes nas rodovias
como também na natureza, além de ser-
vir para a troca de experiências sobre
boas práticas realizadas pelas empresas.
O evento ocorreu em agosto no
Centro Empresarial Zanini, em Ser-
tãozinho, e contou com a participação
de representantes de usinas localizadas
ao longo do trecho administrado pela
concessionária na macrorregião de Ri-
beirão Preto-SP, da Artesp (Agência de
Transportes do Estado de São Paulo),
Corpo de Bombeiros, Cetesb (Com-
panhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental), PMRv (Polícia Militar Ro-
doviária), Polícia Ambiental, Secretaria
do Meio Ambiente de Ribeirão Preto e
de Sertãozinho, concessionárias de ro-
dovias, além do presidente da Canaoes-
te (Associação dos Plantadores de Cana
do Oeste do Estado de São Paulo).
“O encontro teve o papel de cons-
cientização e orientação, que são essen-
ciais para a execução do trabalho diário
de forma segura e responsável”, afirma
o gerente de Operações da Vianorte, Lu-
ciano Louzane, explicando que o even-
to foi o piloto de uma nova metodologia
que a empresa quer implantar, criando
assim uma rotina os debates sobre os
problemas e práticas saudáveis que o
setor tem feito na redução de acidentes.
“Um dos focos das ações desenvolvidas
pela Vianorte é a prevenção a aciden-
tes envolvendo caminhões canavieiros
por meio de parceria com as usinas da
região e órgãos competentes, buscando
minimizar a quantidade de vítimas fa-
tais nestas ocorrências”.
De acordo com dados do CCO (Cen-
tro de Controle de Operações) da Via-
norte, em 2009 ocorreram nove mortes
em acidentes assim. Em 2010, este nú-
mero reduziu para três; em 2011, para
um. Em 2012, não houve vítima fatal.
“Nossa intenção é estimular debates
sobre prevenção de acidentes, queima-
das, transporte de cargas pesadas, Ope-
ração Corta-Fogo, entre outros assuntos
que resultem em medidas práticas para
solucionar problemas que envolvam to-
dos os setores presentes. Este é um traba-
lho que deve ser realizado em conjunto,
pois cada um tem o seu papel. Em casos
de incêndios nos canaviais que passem
para a faixa de domínio das rodovias,
por exemplo, a ação das usinas é essen-
cial, pois elas ajudam no fornecimento
de caminhões-pipa para apagar o fogo”,
ressalta o supervisor do Meio Ambiente
da Vianorte, Ricardo Gerab.
Para o presidente da Canaoeste e
Orplana, Manoel Ortolan, a ação incen-
tiva a troca de informações relevantes
e a união em prol da disseminação de
boas práticas na busca de soluções para
os problemas. “É importante nos apro-
ximarmos mais da questão da queima,
da proteção ambiental, pois os incên-
dios acidentais ou propositais se pro-
pagam muito rápido, principalmente
nesta época de estiagem e muito vento,
Autoridades debateram sobre problemas e boas práticas
Luciano Louzane, gerente de
Operações da Vianorte
Ricardo Gerab, supervisor do Meio
Ambiente da Vianorte
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
25
e isso traz sempre muito tumulto junto
a sociedade”, explicou, lembrando que
a Canaoeste atua em uma grande área e
com o entrosamento melhor com todos
os segmentos, consiga trabalhar de uma
maneira diferente.
“A queima da cana-de-açúcar é um
mecanismo usado para a colheita, mas
praticamente acaba este ano. Quem
poderá continuar queimando são os pe-
quenos por um tempo, mas vale lembrar
que mais de 90% da cana já é colhida
crua, então o trabalho daqui para fren-
te é mais no sentido de tentar prevenir,
melhorar a prevenção para que ocorram
cada vez menos incêndios”, constatou
Ortolan. Ele pontuou também a neces-
sidade de esclarecimento destes fatos,
pois em muitos casos os produtores
rurais enfrentam preconceito da popu-
lação que credita a eles toda e qualquer
queimada. “Não dá para continuar pe-
nalizando os produtores de uma forma
tão violenta como se faz hoje, com va-
lores de multa exorbitantes que repre-
sentam muitas vezes a renda do ano, ou
perda da propriedade, para pagar uma
multa porque houve um acidente na sua
área”, explanou lembrando que o fogo
acidental pode ocorrer o ano todo e em
todo local devido à estiagem.
O presidente da Canaoeste ressaltou
também que a associação está atuan-
do na implantação do CAR (Cadastro
Ambiental Rural), que contribuirá para
o processo de regularização ambiental
de propriedades e posses rurais. Ele
informou que neste sentido, a entidade
Equipe da Canaoeste prestigiou o evento
desenvolveu uma cartilha em parceria
com a ABAG RP e a Coplana, voltada
para a orientação dos produtores rurais,
com resumo do Código Florestal, que
foi entregue para os participantes do
evento.
Segundo o Capitão Luciano Fraga
Maciel, da Polícia Militar Ambiental,
em 2013 foram estabelecidos critérios
para priorizar a fiscalização de queima-
das e incêndios florestais no Estado de
São Paulo, principalmente no período
de abril a outubro, considerado crítico,
com o propósito de minimizar os focos
de incêndios, que neste ano passaram
de 5.200 pontos e impactaram 42,9%
dos municípios paulistas.
De acordo com Marco Antonio Ar-
tuzo, gerente regional da Cetesb (Com-
panhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental), a maioria dos incêndios de
maior proporção e descontrole nos dias
atuais está envolvendo a palha da cana
Manoel Ortolan,
Presidente da Canaoeste e Orplana
Capitão Luciano Fraga Maciel, da
Polícia Militar Ambiental
Marco Antonio Artuzo,
gerente regional da Cetesb
pós- colheita. “Então, este é um aspecto
que merece reflexão e que teremos que
trabalhar conjuntamente na busca de
uma ação preventiva”, advertiu. Artuzo
reforçou o exemplo citado pelo 1º Te-
nente Jean Gomes Pinto, do Corpo de
Bombeiros de Ribeirão Preto, sobre um
incêndio ao lado da Rodovia Anhan-
guera, entre Ribeirão Preto e Cravi-
nhos, próximo a indústria Ouro Fino,
que no início de agosto monopolizou
todas as equipes da região e também
as brigadas de incêndio das empresas
locais, devido a proporção do incêndio.
“O local foi foco de incêndio, não nas
mesmas proporções, dos últimos dois
anos, o que nos leva a crer que preci-
samos intensificar ali as condições de
prevenção”, contou ele, concluindo que
seria interessante analisar seriamente os
fatos, inclusive antecipando as questões
legais estabelecidas através de acor-
do firmado pelo setor produtivo, pelos
plantadores de cana e pela Secretaria
Estadual do Meio Ambiente.RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
26
ATR
A
seguir, informamos o preço médio do kg do ATR para efeito de emissão da Nota de Entrada de cana entre-
gue durante o mês de SETEMBRO de 2014. O preço médio do kg de ATR para o mês de SETEMBRO,
referente à Safra 2014/2015, é de 0,4637.
O preço de faturamento do açúcar no mercado interno e externo e os preços do etanol anidro e hidratado,
destinados aos mercados interno e externo, levantados pela ESALQ/CEPEA, nos meses de abril a setembro e os
acumulados até SETEMBRO, são apresentados a seguir:
Os preços do Açúcar de Mercado Interno (ABMI) incluem impostos, enquanto que os preços do açúcar de mer-
cado externo (ABME e AVHP) e do etanol anidro e hidratado, carburante (EAC e EHC), destinados à industria
(EAI e EHI) e ao mercado externo (EAE e EHE), são líquidos (PVU/PVD).
Os preços líquidos médios do kg do ATR, em R$/kg, por produto, obtidos nos meses de abril a setembro e os
acumulados até SETEMBRO, calculados com base nas informações contidas na Circular 01/14, são os seguintes:
Consecana
CIRCULAR Nº 09/14
DATA: 30 de setembro de 2014
Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Revista Canavieiros - Setembro de 2014
28
Balancete Mensal - (prazos segregados)
Cooperativa De Crédito Dos Produtores Rurais e Empresários do
Interior Paulista - Balancete Mensal (Prazos Segregados)
- Julho/2014 - “valores em milhares de reais”
Notícias Sicoob Cocred
Sertãozinho/SP, 31 de Julho de 2014.
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Reportagem de Capa
D
iante de um cenário não muito
favorável para o setor sucro-
energético, a Fenasucro 2014
(22ª Feira Internacional de Tecnologia
Sucroenergética) se posicionou como
um vetor de soluções e plataforma de
alternativas e novos negócios. Cerca de
33 mil visitantes de vários Estados bra-
sileiros e de mais de 50 países, entre eles
Arábia Saudita, Dinamarca, Costa Rica,
Inglaterra e Estados Unidos, passaram
pela feira, que nesta edição contou com
550 expositores e aconteceu entre os dias
26 e 29 de agosto, em Sertãozinho-SP.
De acordo com os realizadores do
evento, o CEISE Br (Centro Nacional
das Indústrias do Setor Sucroenergético
e Biocombustíveis) e a Reed Alcantara
Exhibitios Machado, a Fenasucro deve
gerar em torno de R$ 2,2 bilhões em
negociações. Somente as rodadas inter-
nacionais de negócios promovidas pelo
Apla (Projeto Brazil Sugarcane Bioe-
nergy Solution, através do Arranjo Pro-
dutivo Local do Álcool) e Apex-Brasil
(Agência Brasileira de Promoção de
Principal feira do setor sucroenergético foi palco para o fortalecimento de negócios e do cooperativismo
Andréia Vital
Fenasucro 2014 é marcada pela perspectiva
de retomada da cadeia canavieira
Fenasucro 2014 é marcada pela perspectiva
de retomada da cadeia canavieira
Exportações e Investimentos) registra-
ram 562 reuniões comerciais entre 50
empresas brasileiras e 20 compradores
de outros países e devem resultar em
um volume de negócios de US$ 13,6
milhões nos próximos 12 meses.
“Atraímos clientes em potencial
vindos da Argentina, África, Belize,
Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba,
Estados Unidos, Filipinas, Guatemala,
Honduras, México, Peru, República
Dominicana e Venezuela, o que mostra
o interesse global nos produtos, solu-
ções, tecnologias e serviços ofertados
pelo mercado brasileiro”, avaliou o di-
retor executivo do Apla, Flávio Caste-
lar, informando que as delegações das
Abertura oficial contou com a presença de diversas autoridades
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
30
Filipinas e do Sudão, acompanhados do
embaixador do Brasil no Sudão, José
Mauro da Fonseca Costa Couto, vieram
em busca de eficiência e otimização.
“Viemos conhecer os mecanismos bra-
sileiros para melhorar a qualidade e o
processamento dos produtos e sermos
mais eficientes na produção de açúcar”,
explicou Regina Martin, do Departa-
mento de Agricultura das Filipinas.
Além da exposição de inovações e
tecnologia de ponta, os visitantes fo-
ram atraídos também pelos eventos
paralelos, que agregam cada vez mais
conteúdo ao principal evento do setor
sucroenergético. A Conferência DA-
TAGRO CEISE Br abriu oficialmente
a feira, com a presença de diversas li-
deranças, autoridades e especialistas do
setor que debateram a atual conjuntura
e os impactos da indústria canavieira no
desenvolvimento econômico do Brasil.
O presidente da DATAGRO, Plínio
Nastari, refletiu sobre o momento ca-
ótico enfrentado por um setor tão im-
portante como o canavieiro, que repre-
senta um projeto de desenvolvimento
econômico para o Brasil, ao dar início
ao evento, que contou com mais de 500
participantes. “Infelizmente, o setor
tem sofrido muito nestes últimos anos,
por distorções causadas por um viés que
não deveria estar ocorrendo e desconsi-
dera a grande oportunidade que o País
tem de continuar desenvolvendo de for-
ma eficiente e competitiva, energia lim-
pa, renovável e sustentável, e que tem
trazido tantos resultados positivos para
o Brasil”, avaliou o consultor, lembran-
do que quase US$ 300 bilhões já foram
poupados em gasolina importada desde
que o Proálcool foi criado, em 1975.
Antonio Eduardo Tonielo Filho,
presidente do CEISE Br, lembrou que
apesar da crise, existe muita tecnolo-
gia disponível para ajudar a empresa e
a usina a ter mais eficiência, ao dar as
boas-vindas aos participantes. Ao fazer
a sua explanação, o prefeito de Sertão-
zinho, José Alberto Gimenez, destacou
que a crise afetou a cidade, que tem
muitas indústrias de capital, contando
que no período de 2004 a 2008, Ser-
tãozinho ocupava o quarto e sexto em
um ranking que classificava qualidade
de vida, educação, saúde, geração de
emprego e renda, caindo para a 200
posição, em 2008, quando se iniciou a
queda da agroindústria canavieira. “O
setor só vai se desenvolver quando as
políticas estiverem definidas, pois só
assim voltarão a investir”, afirmou.
Para Antonio de Pádua Rodrigues,
diretor técnico da UNICA (União da In-
dústria de Cana-de-Açúcar) as demandas
do setor se resumem em dois fatos: “não
queremos que o Governo nos atrapalhe,
é fundamental que nos deixem trabalhar
e produzir. O outro fato é que queremos
que nos devolva o que tiraram”, disse ele
se referindo à CIDE (Contribuição de
Intervenção no Domínio Econômico).
Discurso compartilhado com o vice-pre-
sidente do CIESP (Centro das Indústrias
de São Paulo), José Eduardo Mendes
Conferência DATAGRO CEISE Br
Plínio Nastari, presidente da DATAGRO
Antonio Eduardo Tonielo Filho,
presidente do CEISE Br
Manoel Ortolan, presidente
da Canaoeste e da Orplana
Antonio de Pádua Rodrigues,
diretor técnico da UNICA
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
31
RC
Camargo, que na ocasião, representou o
presidente em exercício da FIESP (Fe-
deração das Indústrias do Estado de São
Paulo), Benjamim Steinbruch. “A indús-
tria vive um momento difícil e espera-
mos que tão logo se defina esse quadro
político as coisas deslanchem no País”.
Já Manoel Ortolan, presidente da
Canaoeste e da Orplana, afirmou que
o setor sucroenergético está fazendo a
sua parte, buscando mais eficiência e
produtividade, através de investimentos
em novas tecnologias, mas é necessário
um conjunto de regras claras para ga-
rantir a retomada do setor.
Em defesa do atual Governo, o se-
nador Eduardo Suplicy (PT), o vice-
-presidente da Câmara dos Deputados,
Arlindo Chinaglia (PT) e o deputado
federal Newton Lima (PT), que é pre-
sidente da Frente Parlamentar em Defe-
sa da Indústria Nacional, alegaram que
grande parte da crise do setor é causada
pela situação do cenário mundial, que
enfrenta recessão e desemprego. “As
políticas implementadas aqui não fo-
ram suficientes para dar uma resposta
àquilo que nós defendemos que é o for-
talecimento do setor sucroenergético,
que é da maior relevância para o futuro
do País”, disse Newton Lima, fazendo
coro com Chinaglia, que alegou que
as circunstâncias da economia exigi-
ram escolhas difíceis com tentativas de
redução de juros, dando prioridade ao
emprego e a conter a inflação.
O deputado usou de uma metáfora
para explicar que o setor estava do-
ente e que estava sendo tratado pelo
Governo Federal, o que gerou uma
pronta resposta do anfitrião do evento,
Plínio Nastari. “Eu diria que são 389
pacientes e os 70 que o senhor citou
já foram a óbito”, disse argumentando
que a situação difícil enfrentada pelo
setor canavieiro, reflete no índice pífio
do PIB para este ano, que deve cres-
cer somente 0,6%. “Penso nos 400
municípios do interior de São Paulo,
o estado mais desenvolvido do Brasil,
maior PIB do Brasil, onde as pessoas
estão sendo demitidas, não está sendo
gerado emprego e nem renda, e todos
perdem junto com a cana” desabafou
Nastari completando. “Figuras como o
senhor e outros representantes públi-
cos que estão em Brasília enxergando
essa situação são de grande importân-
cia para contribuir com o setor”.
O pesquisador Marcos Fava Neves,
que está rodando os municípios cana-
vieiros com o projeto “Caminhos da
Cana”, deu um panorama sobre a si-
tuação do setor, na ocasião, e declarou
discordar dos deputados da bancada
petista. “Nós não enfrentamos um pro-
cesso de crise mundial, o mundo está
crescendo, os países emergentes estão
crescendo e quem está andando de lado
é o Brasil”, ressaltou ele, dizendo que
por equívocos de política pública e por
uma má condução econômica o País
está afundando. “É a primeira gestão
que eu vejo, desde que sou cientista e
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
32
que estudo, que vai entregar o País eco-
nomicamente pior do que pegou”, cons-
tatou ele, ao dizer que o Brasil conse-
guiu em um intervalo de 10 anos, ficar
mais caro do que os EUA para produzir,
“foi por água abaixo a ideia de que nós
somos competitivos, que temos mão de
obra competitiva”, refletindo que para
que isso mude é preciso voltar a ter po-
líticas competitivas e gerar renda.
Participaram do evento também os
deputados federais Arnaldo Jardim
(PPS), e Duarte Nogueira (PSDB), e
os deputados estaduais Baleia Rossi
(PMDB), candidato a federal, Welson
Gasparini (PSDB) e a Secretaria de
Agricultura e Abastecimento do Estado
de São Paulo, Mônika Bergamaschi.
O presidente de honra da Fenasu-
cro e também da Copercana, Sicoob
Cocred e Sindicato Rural de Sertão-
zinho, Antonio Eduardo Tonielo, des-
tacou a importância da Fenasucro e
o esforço das unidades industriais e
dos produtores rurais para manter o
setor em movimento, “este setor que
sozinho gera cerca de 1 milhão de em-
pregos diretos, número que atinge 3,6
milhões se computarmos os empre-
gos indiretos e informais”, elucidou,
afirmando que o Governo Federal não
tem política de apoio ao setor sucro-
energético, que mesmo gerando um
PIB superior a R$ 94 bilhões, sucum-
be a uma dívida estimada em R$ 60
bilhões. “Esse PIB gerado pelo setor
equivale ao PIB de mais de 100 paí-
ses, segundo ranking do Fundo Mo-
netário Internacional”, disse Tonielo,
concluindo que se o setor tiver estra-
tégias e planejamentos tende a crescer
de forma sustentável se oportunidades
de desenvolvimento houver.
O presidente da Copercana tam-
bém afirmou que não basta ter linhas
de crédito atraentes, é preciso que
elas sejam viabilizadas para chegar às
mãos de quem precisa do dinheiro com
agilidade. “Para se ter uma ideia, 80%
das usinas e produtores rurais não con-
seguem financiamento do Governo”,
disse ele perplexo, mas mesmo dian-
te do cenário atual, há esperanças de
que as coisas melhorem. “Não há bem
que sempre dure, nem mal que muito
ature”, temos que ter perseverança,
trabalhar com dedicação e acreditar
que as coisas vão melhorar. E uma boa
oportunidade para iniciarmos a mu-
dança são as eleições que temos agora
em outubro. São nas urnas que deve-
mos dizer se estamos ou não satisfeitos
com a situação. Essa é a melhor forma
de protestar, votando”, disse ele.
Programação paralela
Outros eventos ocorreram simultanea-
menteàfeiracomooPrêmioMasterCana,
a reunião do Gerhai (Grupo de Estudos
em Recursos Humanos na Agroindús-
tria), o Seminário Agroindustrial GEGIS
(Grupo de Estudos em Gestão Industrial
do Setor Sucroalcooleiro), o II Seminário
de Transporte e Logística ESALQ-LOG;
o 2º Congresso deAutomação e Inovação
Tecnológica Sucroenergética: Rodadas de
Negócios Internacionais; a palestra “No-
vas tendências da segurança no trabalho
e desenvolvimento de lideranças” e a “I
Expedição Cana Substantivo Feminino”.
ASTAB Nacional (Sociedade dos Téc-
nicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil)
promoveu o Seminário Agroindustrial
STAB, com o objetivo de reciclar e com-
partilhar conhecimento com profissionais
de usinas das áreas agrícola e industrial.
De acordo com José Paulo Stupiello, pre-
sidente da entidade, a realização do evento
foi fundamental para disseminar conhe-
cimento e encontrar soluções vividas nas
áreas agrícolas e industriais das usinas. “A
feira reúne as principais usinas do Brasil e
o seminário apresenta estudos para a troca
de experiências e informações”, disse.
Uma das palestras muito comentadas
abordou o “Manejo da Palhada – Efeitos
sobre a ciclagem de nutrientes e produ-
tividade do canavial”, apresentada pela
pesquisadora da Embrapa de Jaguariúna,
Nilza Ramos, que mostrou, sob diferentes
pontos, o resultado da utilização da palha
na proteção do solo durante o plantio.
O seminário focou em um tema muito
importante e atual afirma Tercio Marques
Dalla Vecchia, CEO da Reunion Enge-
nharia. “A mudança da colheita da cana
queimada (manual) para a colheita da cana
crua (mecânica) é um assunto que deve ser
muito estudado e evoluído, pois envolve
aspectos agrícolas e aspectos industriais”,
analisa o engenheiro químico. Como a pa-
lha já está sendo utilizada como combus-
tível ou como matéria-prima para a pro-
dução de etanol 2G ou outros produtos, as
palestras foram esclarecedoras no sentido
de mostrar os melhores métodos de manu-
sear a palha e seus custos e abrem espaço
para novas pesquisas na obtenção dos me-
lhores resultados, conclui o executivo.
Marcos Fava Neves
Antonio Eduardo Tonielo, presidente
de honra da Fenasucro e presidente da
Copercana, Sicoob Cocred e Sindicato
Rural de Sertãozinho
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
33
Como nos outros anos, o estande da
Copercana (Cooperativa dos Plantado-
res de Cana do Oeste de São Paulo) ficou
movimentado nos quatro dias da feira,
recebendo além de cooperados, diretores
e gerentes do Sistema Copercana, Ca-
naoeste e Sicoob Cocred e autoridades,
como o prefeito de Sertãozinho, José
Alberto Gimenez; o secretário de De-
senvolvimento da prefeitura de Sertãozi-
nho, Carlos Roberto Liboni; o presidente
do CEISE Br, Antonio Eduardo Tonielo
Filho; o presidente do Conselho de Ad-
ministração da Copersucar, Luís Rober-
to Pogetti; o diretor presidente da Coper-
sucar, Paulo Souza; o conselheiro fiscal
da Coopercitrus, Luiz Joaquim Donega;
o diretor técnico da UNICA (União da
Indústria de Cana-de-Açúcar), Antonio
de Pádua Rodrigues; o presidente do
Fórum Nacional Sucroenergético, André
Rocha; o presidente do SIAMIG (Sindi-
cato da Indústria de Fabricação do Ál-
cool e do Sindicato da Indústria do Açú-
car no estado de Minas Gerais), Mário
Campos, como também representantes
do Banco do Brasil, Bradesco e Porto
Seguro, entre outros.
Além de atendimento especial ofe-
recido pelos agrônomos e técnicos do
Sistema, dos produtos vendidos no lo-
cal e da network, a tradicional Noite do
Carneiro contou com público seleto e
foi considerada muito agradável pelo
presidente da Canaoeste, Manoel Orto-
lan. “É um momento para a confrater-
nização, reunindo nossos associados e
parceiros que contribuíram com o nosso
trabalho ao longo do ano”, afirmou.
Cláudia Tonielo, diretora
do Grupo Irmãos Tonielo
Estande Copercana
A noite do carneiro é marcada pelo
clima familiar, afirma a diretora do Gru-
po Irmãos Tonielo, Cláudia Tonielo. “O
evento vem coroar com chave de ouro a
Fenasucro, pois reúne todos os coopera-
dos e já virou tradição”. Opinião com-
partilhada com o presidente da Coper-
cana e Sicoob Cocred, Toninho Tonielo.
“É gratificante poder trazer por mais um
Estande da Copercana na Fenasucro 2014
ano o carneiro no estande da Copercana
na Fenasucro, eu acredito que já virou
tradição ou virou moda”. O ambiente
familiar também foi destacado pelo dire-
tor da Copercana, Pedro Esrael Bighetti.
“Os convidados fazem parte da família
Copercana e quando recebemos a famí-
lia sempre oferecemos o que temos de
melhor”, afirmou ele, contando que 180
quilos da saborosa carne, mais 70 litros
de cuscuz e 60 quilos de polenta foram
servidos na ocasião.
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
34
Problemas
“O setor tem muitos problemas e
mesmoqueoGovernotenhatomadoal-
gumas medidas, não foram suficientes,
além disso, atendem poucas empresas
que estão saudáveis”, disse André Ro-
cha, presidente do Fórum Nacional Su-
croenergético e dos Sindicatos da Indús-
tria de Fabricação de Açúcar e de Etanol
do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar),
que participou do evento. “É a mesma
coisa quando você está resfriado, água
e vitamina C resolve, quando está gripa-
do, precisa tomar um antigripal, quando
está com pneumonia, toma antibiótico,
quando está com tuberculose tem que
ter mais cuidado ainda. É assim também
com o setor”, explicou, dizendo que o
Governo, em muitos casos, alega que
o estágio que se encontra a indústria
canavieira é mais resultado de sua inefi-
ciência do que por problemas causados
por eles. “Quem cria estatuto do moto-
rista, normas regulamentarias trabalhis-
tas, ambientais, sobe juro, sobe dólar,
são medidas tomadas pelo Governo e
não por nós, segurar preço de gasolina,
retirar imposto da gasolina, tudo isso é
ruim para a nossa competitividade”, de-
sabafou ele, afirmando que de fato não
há nenhuma medida que permita visu-
alizar o crescimento do setor. “Diante
desses fatos, enfrentaremos um 2015
difícil e se demorar para alguma coisa
ser feita, 2016 também será, porque
não estamos dando nenhuma seguran-
ça para que as empresas possam voltar
a investir no plantio, na renovação”, dis-
se ele, lembrando que as empresas que
têm condição estão fazendo o seu dever
de casa, buscando a eficiência interna.
“Mas isso é muito pouco pelo conjun-
to, isso não vai resolver o problema da
indústria de base, porque não vão ter
novas encomendas para suportar este
parque”, afirmou.
Para o “cozinheiro” Valdemar To-
niello, que tem 86 anos e prepara o car-
neiro desde a época que era realizado
pelo Lions, e seu companheiro na em-
preitada, Mário Cunha, a satisfação de
preparar a comida é imensurável.
A iguaria também é aprovada por
Shalin Savegnago, diretor superinten-
dente da rede de supermercados Saveg-
nago. “A realização da noite do carnei-
ro foi uma boa iniciativa da Copercana,
pois passou a ser ponto de encontro,
além do carneiro ser delicioso”, disse.
Valdemar Toniello
Shalin Savegnago
Reportagem de Capa
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
35
Diversos lançamentos puderam ser
vistos na feira, como a Mec Colhe,
uma colhedora de cana-de-açúcar de-
senvolvida especialmente para suprir
a necessidade do pequeno produtor. O
equipamento integra um novo sistema
de colheita, que inclui cinco elementos,
colhedora despalhadora de comuns in-
teiros, uma carreta basculante, trator de
acionamento do sistema, uma carrega-
dora de cana e o veículo de transporte
de cana inteira. A colhedora tem capa-
cidade de 15 ton/h, e capacidade opera-
cional de 70 ton/dia em jornada de 10h,
e caçamba recolhedora de cana, com
capacidade para 1 ton e trabalha com
até 30% de inclinação. De acordo com
Leonel Frias Junior, presidente da ME-
CMAQ – Máquinas Agrícolas, o equi-
pamento custa em torno de R$ 270 mil,
e foi vendido durante a Fenasucro para
um produtor rural de Sergipe.
Também na linha de máquinas agrí-
colas, a FCN Tecnologia apresentou seu
lançamento, um conjunto que veste um
trator TCR e que pode realizar duas fun-
ções: uma de corte de cana diretamente,
que através da Centracana e substituindo
o cabeçote frontal, se transforma em outra
máquina, o Cort-I- Cana que é utilizada
no adensamento de ruas para colheita
mecanizada com colhedoras de tolete.
Segundo Felix de Castro Neto, proprietá-
rio da empresa, a participação na feira foi
melhor do que na edição passada, tendo
fechado negócios na ordem de R$ 800
mil, com vendas para São Paulo e Paraí-
ba. Um dos interessados em sua nova má-
quina foi o produtor de cana-de-açúcar e
gado, Custódio Cerezer, de Capivari-SP,
que participou do encontro para produto-
res da Orplana e Canaoeste. Ele contou
que a máquina poderia auxiliá-lo em sua
propriedade de 350 hectares, mas que a
compra seria feita somente no próximo
ano, visto que a estiagem fez protelar seus
planos de investimentos. “Ano passado
produzi 28 mil toneladas de cana, este
ano, devido à seca, vou produzir somente
12 mil toneladas, uma quebra de 60%”,
contou afirmando que terminaria a sua
safra em setembro.
Já a Teston levou para a feira seu
carro chefe, o Gigante 22.000, um
transbordo com capacidade de 22 tone-
ladas de carga e capacidade de agilizar
a colheita e diminuir os custos para os
produtores. De acordo com o diretor co-
Tecnologia de ponta
mercial da empresa, Pedro Teston, está
sendo preparado um novo equipamento
para o próximo ano, que deverá ser lan-
çado na Agrishow ou na Fenasucro.
Ainda na linha de equipamentos, a
Siemens também tinha novidades. “A
Fenasucro deste ano atingiu nossas ex-
pectativas de público e principalmente
de troca de experiências e network com
toda a cadeia produtiva do setor. Rece-
bemos visitantes das mais diversas re-
giões do País e do exterior, o que nos
proporcionou debater, nos quatro dias
de visita, os rumos e desafios da reto-
mada de crescimento do segmento su-
croalcooleiro”, contou Ricardo Muniz,
gerente para o segmento de Açúcar &
Álcool da Siemens no Brasil. Segundo
ele, a multinacional levou para a feira,
soluções integradas e customizadas em
geração, automação e distribuição de
energia para atender à todas as neces-
sidades deste mercado com eficiência
e qualidade. “Destacamos também a
venda da maior turbina do setor a ser
produzida no Brasil, como forma de im-
pulsionar a indústria nacional.”, alegou.
De acordo com o engenheiro Tercio
Marques Dalla Vecchia, CEO da Reu-
nion Engenharia, nesta época de crise
a melhor oportunidade vem da agrega-
ção de valor ao complexo agroindus-
trial, por isso, sua empresa apresentou
soluções que podem ajudar a reverter
a situação do setor sucroenergético.
“A otimização de processos visando à
economia de energia e água são assun-
tos fundamentais que a Reunion ofere-
ce através de um programa específico
como diagnósticos e apresentação de
soluções apropriadas à falta de recursos
financeiros generalizada do setor”. Seu
estande foi um dos que receberam a vi-
sita monitorada de executivas que parti-
ciparam da 1ª Expedição Cana Substan-
tivo Feminino.
Participando pela décima vez da
Fenasucro, a Ubyfol levou para a fei-
ra uma linha de produtos altamente
qualificados e atestados pelos maiores
grupos de usinas do Brasil, das maio-
res regiões, Nordeste e Centro-Sul.
“São tecnologias usadas no tratamento
de toletes e tratamento foliar, que é a
base do nosso programa para cana-de-
-açúcar para aumento da produtivida-
de”, explicou o diretor executivo Fabrí-
cio Fonseca Simões. “Essa tecnologia
tem sido bastante difundida e apreciada
pelos consultores, já está no mercado
e é indicada para a soja e cana, asso-
ciada ao Kymon, um produto orgânico,
que promove enraizamento fantástico
da planta e promove ganhos tanto de
açúcar como de TCH”. Simões adian-
tou que a empresa deverá inaugurar em
breve uma nova planta de fertilizantes
em Uberaba-MG.
Para a Dr. Eloisa Mocheuti Kronka,
da Alsukkar a presença na Fenasucro
foi muito produtiva. “Esta foi nossa
primeira participação na feira onde
conversamos com diferentes setores,
fizemos networking e novos contatos
com outros participantes da feira, inclu-
sive com empresas de outros países, em
especial o Panamá, o que está nos im-
pulsionando a fazer o desenvolvimen-
to de novos produtos e serviços, para
atender esta demanda, o que propor-
cionou uma visão melhor do mercado
nacional e internacional”, afirmou ela.
As principais novidades que os visitan-
tes encontraram em seu estande foram
os kits de análises para identificação
de bactérias contaminantes no proces-
so de produção de etanol, nas análises
modernas para controle do processo,
com respostas mais rápidas e diagnósti-
cos mais precisos e também pesquisa e
desenvolvimento que apresentavam os
antibióticos naturais.
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
36
Cadeia produtiva da cana expõe dificuldades
em Encontro da Orplana e Canaoeste
Mais de 500 produtores rurais, li-
deranças e parlamentares participaram
do “XIV Encontro Anual de Produto-
res de Cana-de-Açúcar”, organizado
pela Canaoeste (Associação dos Plan-
tadores de Cana do Oeste do Estado de
São Paulo) e Orplana (Organização de
Plantadores de Cana da Região Cen-
tro-Sul do Brasil) no último dia da Fe-
nasucro 2014 - Feira Internacional de
Tecnologia Sucroenergética.
“O evento é de cunho político, pois
estamos às vésperas das eleições e é im-
portante compartilhar com lideranças e
autoridades, além dos nossos produto-
res, a situação do setor, e ressaltar que
o problema que a cadeia produtiva da
cana enfrenta hoje é essencialmente por
falta de políticas públicas”, elucidou
o presidente da Canaoeste e Orplana,
Manoel Ortolan. “Não há uma defini-
ção, um plano tanto para o etanol como
para energia elétrica, e com isso fica-
mos sujeitos à vontade de um a vontade
de outro, e o setor parou de investir”,
explicou afirmando que os políticos que
acompanharam e lutaram pela indústria
canavieira nas últimas décadas estavam
presentes no evento. “É lamentável as-
sistir ao setor se definhando hoje, isso
não pode continuar”, disse Ortolan.
Ismael Perina Junior, recém-eleito
como presidente da Câmara Setorial
do Açúcar e do Álcool e do Sindicato
Rural de Jaboticabal, também exaltou
a importância do uso do voto a favor
do setor, apoiando aqueles políticos
que trabalham em prol da agroindús-
tria canavieira e não àqueles políticos
de última hora. “O setor sucroenergé-
tico sempre teve pujança, mas perdeu
espaço nos últimos tempos. Através da
Câmara, que tem a finalidade de pro-
por, apoiar e acompanhar ações para o
desenvolvimento, queremos auxiliar o
Governo Federal nas decisões para o
setor voltar a crescer”.
Já o presidente da CNA (Comissão
Nacional de Cana-de-Açúcar), Ênio
Jaime Fernandes Júnior, reforçou a
necessidade de uma união dos envol-
vidos no setor. “É preciso ter o mes-
mo objetivo para demandar soluções
para a crise que enfrentamos”. A CNA
congrega produtores de cana-de-açú-
car de todo o Brasil, que administram
cinco milhões e meio de proprieda-
des. “A entidade representa o produ-
tor rural a nível nacional, fazendo a
interlocução do mercado com o Go-
verno. Portanto, é fundamental nossa
a participação neste evento para que
possamos sentir, participar e entender
o que está acontecendo nas bases e sa-
ber demandar o que o produtor neces-
sita”, explicou Fernandes Júnior, afir-
mando que dos 9 milhões de hectares
de cana plantadas no País, 25% estão
na mão de produtores rurais.
“Estamos caminhando para um mun-
do cada vez mais competitivo, mais
modernizado, o que exige uma trans-
formação de nossa classe, não só em
questão técnica, mas também nas nos-
sas relações nos sindicatos rurais, nas
associações, nas cooperativas”, disse
ele. “A transformação começa com a
gente”, finalizou.
Antonio Pádua Rodrigues, diretor
técnico da UNICA (União da Indústria
de Cana-de-Açúcar) reforçou o discur-
so da CNA, destacando a importância
do encontro, pois “é fundamental a
integração entre quem produz e quem
processa a cana”.
Para o prefeito de Sertãozinho, José
Alberto Gimenez, chegou a hora das
mudanças acontecerem, pois diversas
tentativas de aproximação com o Go-
verno foram feitas, inclusive a manifes-
Manoel Ortolan faz a abertura do Encontro de Produtores da Orplana e Canaoeste
Ismael Perina Junior, recém-eleito
como presidente da Câmara Setorial do
Açúcar e do Álcool e do Sindicato
Rural de Jaboticabal
Ênio Jaime Fernandes Júnior,
presidente da CNA (Comissão Nacional
de Cana-de-Açúcar)
Reportagem de Capa
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
37
tação em prol do setor na edição pas-
sada da Fenasucro, mas nada evoluiu.
Segundo ele, a presidência da Repú-
blica se afasta cada vez mais do setor.
“Parecem que não gostam de energia
limpa. Ela (presidente Dilma Rousseff)
gosta é de sujar as mãos com a ener-
gia suja do petróleo, nossa solução é só
política, tecnicamente, a capacidade do
setor produzir, de criar novas tecnolo-
gias, nós temos e queremos é produzir”,
disse ele taxativo.
Opinião compartilhada com Anto-
nio Eduardo Tonielo Filho, presidente
do CEISE Br. “Sofremos como os pro-
dutores rurais com a atual situação do
setor, pois estamos na ponta da cadeia,
por isso é necessário a união de toda a
cadeia produtiva com o propósito de
conseguir a retomada do setor”, disse
ele, destacando a importância da Fe-
nasucro, que injeta mais de 20 milhões
na região de Sertãozinho-SP, em hotéis,
serviços e toda a cadeia. A relevância da
feira também foi a tônica da explanação
do presidente de honra da Fenasucro e
da Copercana e Sicoob Cocred, Antonio
Tonielo. “É muito importante que todos
visitem a feira, para conhecer o que há
de mais novo na área agrícola e indus-
trial do nosso segmento, muita inovação
tecnológica e é disso que precisamos
para recuperar a nossa agroindústria”.
De acordo com Paulo Sérgio de
Marco Leal, presidente da FEPLANA
(Federação dos Plantadores de Cana
do Brasil), as dificuldades enfrentadas
pelo setor são grandes. “Foi criado o
Proálcool, depois a CIDE para que
houvesse uma proteção financeira ao
etanol e esta contribuição deixou de
existir, o que tem causado prejuízo”
afirmou ele, constatando que existe
cerca de 17 a 18% de diferença no cus-
to entre o que o produtor recebe e o
que de fato é o custo de produção da
cana-de-açúcar. “Isso dá mais de R$ 5
bilhões”, analisou Leal lembrando que
o setor precisou se adequar às mudan-
ças ocorridas na legislação trabalhista
e ambiental e não existem políticas pú-
blicas para garantir o retorno dos seus
investimentos.
Além dos representantes de classe e
do senador da República e candidato a
vice-presidente da República na chapa
deAécio Neves,Aloysio Nunes (PSDB),
outros parlamentares deixaram seu reca-
do no evento, tais como o deputado fe-
deral, Arnaldo Jardim (PPS); o deputado
federal, Antonio Carlos Mendes Thame
(PSDB); o deputado federal, Milton
Monte (PR); o deputado federal, Duar-
te Nogueira (PSDB); deputado estadual
e presidente estadual do PMDB, Baleia
Rossi (PMDB); o deputado estadual e
presidente da Comissão de Agricultu-
ra, Itamar Borges (PMDB); o deputado
estadual, Welson Gasparini (PSDB); o
deputado estadual e presidente estadual
do PPS, Davi Zaia (PPS). Além de lide-
ranças de entidades rurais.
Na ocasião, o professor titular da
USP, Alberto Matias Borges, deu um
panorama econômico mundial e disse
que os números apresentam situações
até mais complicadas que as enfrenta-
das no Brasil, por isso, considera um
pouco exagero a onda de pessimismo
que se instalou por aqui. “Não estamos
acostumados a integração empresarial
nos setores, o setor sucroenergético está
se consolidando em menos unidades
maiores, e isso é um processo normal,
que aconteceu em praticamente todos
os setores”, disse ele, explicando que o
Brasil entrará em novo ciclo de cresci-
mento se os empresários empreenderem
e “não o Governo, que cada vez mais
é coadjuvante e neste processo todo, o
céu é o limite”, concluiu o consultor.
Antonio Pádua Rodrigues,
diretor técnico da UNICA
José Alberto Gimenez,
prefeito de Sertãozinho
Alberto Matias Borges,
professor titular da USP
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
38
Aloysio Nunes (PSDB), candidato a
vice-presidente da República na
chapa de Aécio Neves,
Marina Silva, candidata a presidência da República
Candidatos buscam apoio do setor canavieiro
Como tradicionalmente ocorre em
ano eleitoral, diversos candidatos com-
pareceram à Fenasucro em busca de ga-
nhar a simpatia do setor sucroenergéti-
co e fazer alianças. Dos três principais
concorrentes a presidente da República,
somente Dilma Rousseff, candidata à
reeleição pelo PT, não marcou presença.
Marina Silva, que assumiu a cabeça
da chapa do PSB após a morte de Edu-
ardo Campos, compareceu no segundo
dia da feira, fazendo barulho, com di-
versos aliados, bandeiras e esquema de
segurança reforçado. A candidata, que
voltou ao evento pela terceira vez – a
primeira foi em 2007, como ministra do
Meio Ambiente e a segunda, em 2010,
como candidata à presidência – afirmou
que a sua presença e do seu vice - Beto
Albuquerque - seguia uma agenda que
já estava acordada por Campos. “Fize-
mos questão de honrar o compromisso,
pela importância estratégica que tem o
setor de produção de etanol. Um setor
fundamental para a geração de energia
limpa e renovável, que se esforçou para
se adequar às exigências sociais e am-
bientais. Basta ver o pacto pela meca-
nização e o fim da queima da palha da
cana-de-açúcar”, disse ela ao afirmar
que tem conhecimento da crise viven-
ciada pela indústria canavieira.
“O setor está altamente prejudicado
em função das decisões equivocadas
que vem sendo tomadas com o prejuízo
do fechamento de 70 usinas; outras 40
usinas estão em processo de recupera-
ção judicial; com a perda de milhares de
empregos, e um prejuízo não só para a
produção de etanol, mas também para
a indústria ligada ao setor, que sofre as
mesmas consequências”, analisou Mari-
na, ressaltando que a intenção em par-
ticipar do evento “é sinalizar muito for-
temente que faremos todos os esforços
para a recuperação do setor por entender
sua importância estratégica do ponto de
vista econômico, social e ambiental”.
A candidata criticou a atual política,
que desconhece as potencialidades do
setor e levou ao desgaste total os ganhos
que o segmento havia alcançado ao lon-
go dos anos. “Além da produção de eta-
nol, temos a possibilidade da cogeração
pelo uso do bagaço da cana-de-açúcar e
da palha da cana-de-açúcar”, disse ela,
ressaltando que devido à baixa nos re-
servatórios, o MWH está sendo vendido
por cerca de R$ 700 mil a R$ 1700 mil.
“Se tivéssemos uma política de geração
de energia em função da biomassa pro-
duzida pela cana-de-açúcar, teríamos
esse custo reduzido para algo em torno
de R$ 200 mil, ou seja, a falta de visão,
a atitude do atual Governo causou um
prejuízo sem precedente que precisa ser
recuperado com os incentivos corretos e
principalmente com a segurança da polí-
tica econômica”, afirmou.
A visita na Fenasucro também ser-
viu para reforçar o convite para o jantar
que aconteceu na última sexta-feira de
agosto, e contou com a participação de
57 lideranças do agronegócio, dentre
eles, Manoel Ortolan, presidente da Ca-
naoeste. De acordo com o anfitrião do
encontro, o presidente da DATAGRO,
Plínio Nastari, a reunião foi realizada
a pedido de João Paulo Capobianco,
assessor da ex-senadora e amigo do
consultor, que acompanhou Marina na
visita à Fenasucro. “O encontro foi po-
sitivo e as pessoas ficaram impressiona-
das com as propostas da candidata, que
tem uma visão pró-mercado e de valo-
rização da produção”, afirmou Nastari.
Já o senador da República e candi-
dato a vice-presidente da República na
chapa de Aécio Neves, Aloysio Nunes
(PSDB), marcou presença no encontro
de produtores promovido pela Canao-
este e Orplana, e saudou a todos para-
benizando pelo evento ao afirmar que
se sentia satisfeito ao se encontrar com
pessoas que não perderam a fé e que
acreditam na produção, no trabalho, no
Brasil. “Eu participo deste evento em
meu nome e do Aécio Neves, que já se
pronunciou sobre o setor sucroenergéti-
co em outras ocasiões, assumindo com
clareza a sua convicção de que precisa-
mos, através de uma ação positiva do
Governo, resgatar este segmento de
nossa economia, que é um orgulho para
o Brasil”, afirmou o candidato.
Nunes também ressaltou a impor-
tância da Fenasucro, vitrine para a de-
monstração de avanços tecnológicos
e de troca de informações, destacando
Reportagem de Capa
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
39
que embora o cenário não seja tão bom
para o setor, a movimentação na feira
é sinal evidente de que é possível rees-
truturar as bases tecnológicas que vêm
sendo renovadas a trancos e barrancos
diante da crise que envolve o setor”.
Para o candidato, a salvação do setor
sucroenergético se encontra na esfera
política. “A decisão de abolir a CIDE
(Combustíveis, Contribuição de Inter-
venção no Domínio Econômico) teve
consequências nefastas. Foi uma medi-
da de natureza neoliberal, populista, de
curto prazo para controlar uma inflação
que já atinge índices preocupantes”, dis-
se Nunes, sendo irônico ao afirmar que o
Governo não é capaz de entender os pro-
blemas que está vivendo, portanto não
tem como dar soluções a eles. “Temos
propostas de curto e médio prazo para o
setor sucroenergético. Penso que a pro-
posta de longo prazo mais importante, é
o Governo sinalizar, claramente, qual é a
importância que ele atribui ao segmento
no Brasil, que hoje vive uma profunda
crise”, analisou, concluindo: “Isso deve-
rá vir acompanhado de medidas como,
por exemplo, o aumento da mistura do
etanol na gasolina, apoio à armazena-
gem do açúcar, cujo o preço tem um
comportamento volátil no mercado in-
ternacional, um tratamento tributário ao
setor, do plano de todos Estados, seme-
lhante ao que o governador Alckmin dá
hoje em São Paulo, que é tributado com
a menor alíquota do Brasil - 12%, com
o estímulo ao aumento da produtivida-
de da agricultura, (produção de cana) a
partir da transgenia da cana, a partir da
busca de novas variedades e o apoio cre-
ditício ao produtor, especialmente num
momento em que ele está debilitado no
ponto de vista financeiro, não apenas
pelo encolhimento no mercado como
pela seca também”.
O senador advertiu que é necessá-
rio também olhar com carinho para a
produção de energia a partir da queima
do bagaço de cana. “A contribuição do
setor é muito positiva, desde que tenha-
mos regras adequadas para o leilão de
energia, de modo a beneficiar e estimu-
lar este setor a vender sua energia para
as redes de distribuição”, esclareceu.
Nunes lembrou que há também o pro-
blema do cooperativismo agropecuário
que é um fator de fortalecimento da pe-
quena e média propriedade, de adensa-
mento das cadeias produtivas, de ganho
de economia de escala e que precisa ter
um tratamento tributário adequado ao
ato cooperativo.
Para finalizar, o candidato fez um
alerta avisando que não acredita em
conversões súbitas na política, avisan-
do que ele e sua chapa sempre estive-
ram a favor do setor.
Essa é a opinião diretor técnico da
UNICA (União da Indústria de Cana-de-
-Açúcar), Antonio de Pádua Rodrigues,
que esteve presente na 22ª edição da
Fenasucro, maior feira mundial do setor
sucroenergético que aconteceu entre os
dias 26 e 29 de agosto em Sertãozinho –
SP, onde concedeu uma rápida entrevista
à Revista Canavieiros. Acompanhe!
Revista Canavieiros - Após esta
seca, que é a maior da história, a pró-
xima safra irá enfrentar dificuldades?
Pode se esperar alguma mudança ex-
pressiva para 2015/2016?
Pádua – Em termos de oferta de cana,
as condições até agora são favoráveis para
a próxima safra. Hoje está havendo uma
boa brotação de soqueira, a cana colhida
está se desenvolvendo bem dadas as chu-
vas do final de julho, mas vai depender
muito ainda das chuvas de outubro, no-
vembro e janeiro, fevereiro do ano que
vem. Então pode ser sim uma safra me-
lhor do que essa, com uma maior oferta de
cana-de-açúcar, porém, acredito que além
de ter mais cana, pode ser uma safra com
preços melhores. É inevitável que passada
a eleição, por outros problemas, haja uma
pequena recuperação para a Petrobras dos
preços da gasolina, isso vai melhorar evi-
dentementeopreçodeetanol.Podemoster
na próxima safra o aumento da mistura de
etanol para 27,5% e com certeza o merca-
do internacional de açúcar que estava com
excesso de estoques pode voltar a ser um
mercado deficitário e o Brasil vai ter con-
dições de voltar a crescer um pouco mais
na produção de açúcar, a um preço melhor
do que é hoje e, ainda, podemos contar
com uma mudança na taxa de câmbio e
uma desvalorização do real. Existe sim
uma série de fatores, uma série de con-
junturas que pode ser a safra 2015/16 uma
mudança, saindo de um ciclo supernegati-
vo, um ciclo de baixa para um ciclo mais
otimista com boas perspectivas.
Revista Canavieiros – A quantida-
de de cana-de-açúcar disponível para
moagem será suficiente?
Pádua – A quantidade de cana-de-
-açúcar sempre será suficiente, depende
do tamanho do mercado que queremos.
Se quisermos atender toda a frota flex,
ela não vai ser suficiente. Na verdade,
a frota flex vai continuar ainda uma
pequena oferta de produto de etanol
hidratado combustível, mas o anidro e
o açúcar com certeza serão totalmente
abastecidos.
Revista Canavieiros – Essa safra
vai ser mais alcooleira ou mais açuca-
reira?
Pádua – Essa safra será mais alcoo-
leira do que a safra passada.
Revista Canavieiros – Há alguma
variável que determinará a moagem
da próxima safra?
Pádua – Eu diria que são exata-
mente os preços baixos do açúcar no
mercado internacional. O câmbio não
incentiva a exportação e o etanol, mes-
mo nessa condição de precificação da
gasolina, hoje traz um preço melhor do
que o açúcar de exportação.
Condições favoráveis para a próxima safra
Fernanda Clariano
RC
RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
40
Destaque I
Revista Canavieiros prestigia o lançamento
do Guia de Negócios do CEISE Br durante a
Fenasucro 2014
N
a tarde de 27 de agosto, o CEI-
SE Br (Centro Nacional das
Indústrias do Setor Sucroener-
gético e Biocombustíveis), entidade
representante da indústria de base e
serviços da cadeia produtiva sucroe-
nergética, lançou em seu estande na
22ª Fenasucro (Feira Internacional de
Tecnologia Sucroenergética), o Guia de
Negócios, elaborado com o objetivo de
ser um canal de oportunidades e deman-
das para o setor sucroenergético. Além
de apresentar os principais fabricantes
de equipamentos, produtos e serviços,
o Guia também traz artigos interessan-
tes assinados por especialistas do setor,
como o presidente da Copercana e Si-
coob Cocred, Antonio Eduardo Tonie-
lo, o presidente da Canaoeste e Orplana,
Manoel Ortolan, dentre outros.
Estiveram presentes no lançamen-
to, o presidente do CEISE Br, Antonio
Eduardo Tonielo Filho, o gerente exe-
cutivo do CEISE Br, Sebastião Pereira
Macedo, o vice-presi-
dente e o geren-
te comercial da
Reed Exhibitions
Alcântara Macha-
do, Paulo Octávio
Pereira de Almeida
e Paulo Montabone,
respectivamente, a
assistente de atendi-
mento às empresas do
CIEE, Fabíola Molina,
o supervisor de Unida-
de do CIEE, Adriel Luis
Gennaro, além de empre-
sários, associados, convi-
dados, colaboradores do
CEISE Br e a imprensa.
Durante discurso, Sebastião Mace-
do destacou as dificuldades que o setor
Na oportunidade, a entidade assinou convênio com o CIEE (Centro de Integração
Empresa Escola) de incentivo à cultura do estágio nas indústrias
vem enfrentando, e ressaltou a impor-
tância da realização da Fenasucro e
do lançamento do Guia de Negócios
num momento de crise, como forma
de incentivo e confiança no setor. “Es-
tamos vivendo um momento difícil e
isso não é novidade para ninguém,
mas apesar das dificulda-
des estamos presencian-
do o acontecimento da
Fenasucro, que traz um
número expressivo de
empresas participantes,
apresentando seus pro-
dutos e mostrando que
continua acreditando,
isso já é uma vitória
e mais do que isso,
é podermos mostrar
não só para o mu-
nicípio, mas para
o Brasil e para o
mundo, que acre-
ditamos e trabalhamos
para este setor e vamos passar por
mais essa crise, crescendo. O CEISE Br
orgulha-se em poder lançar o Guia de
Negócios porque sabe da importância
deste setor e também que seus associa-
dos têm esperanças, acreditam e lutam
por dias melhores e nós como entidade
de classe que representa as indústrias
de máquinas, equipamentos, bens de
capital, serviços, insumos e tecnologias
agrícola e industrial da cadeia produ-
tiva da cana-de-açúcar, sabemos que
este Guia de Negócios será uma grande
oportunidade para os associados e par-
ceiros que estão participando”, pontuou
o gerente executivo do CEISE Br.
O presidente do CEISE Br, Antonio
Eduardo Tonielo Filho falou sobre a
oportunidade que o Guia de Negócios
representa tanto para as usinas quanto
para a pequena indústria. “Este Guia é
muito importante porque apresenta to-
das as indústrias participantes da 22ª
edição da Fenasucro, todas as usinas,
até a pequena indústria que não teria
condições de participar, estão marcan-
do presença com seu nome, pois não
medimos esforços para inseri-las. O
Guia será distribuído gratuitamente na
Fenasucro e isso é interessante porque a
feira recebe muitos visitantes, inclusive
estrangeiros e o Guia de Negócios aca-
ba sendo uma ferramenta para ajudar as
Fernanda Clariano
O gerente executivo do CEISE Br, Sebastião Macedo
discursou durante a apresentação do Guia de Negócios
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
41
indústrias a direcionarem o pessoal na
negociação certa. Posteriormente ele
será enviado para todas as usinas da
América Latina, para levar o nome da
Fenasucro e também dos parceiros que
acreditaram no projeto, neste processo
e neste setor”, disse Tonielo Filho.
Ainda durante o lançamento foi
assinado um convênio com o CIEE,
de incentivo à cultura do estágio nas
indústrias.
“O CEISE Br é um parceiro de lon-
ga data e já vínhamos trabalhando há
algum tempo para incentivar a forma-
ção da cultura do estágio na indústria
dentro das empresas do setor. Isso be-
neficia o associado diretamente, por-
que a empresa que contrata o CIEE
para administrar o seu programa de
estágio tem uma redução significativa
no valor de contribuição institucional.
Através desse convênio com o CEISE
BR, a empresa associada tem uma re-
dução de 50% no custo. É importan-
te ressaltar que não é só o benefício
pelo benefício, é incentivar a cultura,
chamar a atenção do associado para a
importância do estágio, a importância
da formação prática”, pontuou o su-
pervisor de unidade do CIEE, Adriel
Luis Gennaro.
Tonielo Filho também falou sobre a
parceria com o CIEE. “Este convênio
que estamos assinando com o CIEE é
muito importante porque acaba sendo
um benefício para os nossos associa-
dos, principalmente nessa época de
crise e de redução de custos que as
empresas estão fazendo. Poder pro-
porcionar um desconto tão expressivo
como este que conseguimos através
dessa parceria para algo que vai bene-
ficiar as empresas é muito importante
e estamos felizes com essa conquista
para os nossos associados que estão
precisando muito de apoio”, afirmou o
presidente do CEISE Br.
RC
RC
Fabiola Molina e Adriel Luis Gennaro do CIEE com Antônio Eduardo Tonielo
Filho e Sebastião Macedo do CEISE Br durante a assinatura do convênio
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
42
Destaque II
Seca terá impacto também na colheita de 2015/16
A
lém do prejuízo causado à
temporada atual, a estiagem
prolongada prejudicará a pró-
xima safra, declarou o presidente da
DATAGRO, Plínio Nastari, ao divulgar
as projeções para a produção 2014/15,
durante evento realizado em São Paulo-
-SP, no começo de setembro. A estima-
tiva da consultoria, revisada pela ter-
ceira vez, é que a safra no Centro-Sul
tenha uma moagem de 556 milhões de
toneladas de cana, cerca de 7% menor
do que a de 2013/14. A produção de
açúcar também caiu para 32,8 milhões
de toneladas ante os 33,2 milhões de
toneladas da safra anterior. Já a pro-
jeção para o etanol aumentou, ficando
em 24,2 bilhões contra 23,6 bilhões de
toneladas registrados na safra passada.
De acordo com o presidente da con-
sultoria, a situação climática tem oca-
sionado uma heterogenia à safra atual,
sendo que algumas regiões têm sofrido
mais os efeitos da seca do que outras. “A
região de Araçatuba, Presidente Pruden-
te e Piracicaba estão sentindo com mais
intensidade a seca. Já em Bauru e São
José do Rio Preto o impacto é menor”,
explicou Nastari, ressaltando que em
Ribeirão Preto, embora também sinta
os prejuízos da estiagem, os rendimen-
tos agrícolas ainda são elevados devido,
principalmente, a colheita de cana bis
nesta região. “Mas é importante registrar
que na próxima safra não terá mais esta
cana bis”, alertou ele afirmando que isso
impactará no rendimento local.
O consultor revelou ainda que as
taxas de renovação em canaviais estão
abaixo do normal, pois não há condição
agronômica para se fazer o plantio, por-
que o solo e o clima estão muito secos.
“Além da crise enfrentada pelo setor,
impulsionada pelo subsídio ao preço
da gasolina, pelo fato da CIDE ter sido
zerada, e dos preços do açúcar estarem
em baixa, a condição climática tem
impedido uma taxa de renovação de
canaviais que no momento é menor do
que seja recomendado”, disse o consul-
tor, explicando que quando o relatório
fechar em outubro, representará baixa
Andréia Vital
de 17%. Nastari lembrou também que
a seca tem afetado a brotação da cana
soca e da cana de 18 meses, plantada no
período de fevereiro a abril, que não se
desenvolveu como o esperado e terá o
efeito de uma cana de 12 meses, na sa-
fra 2015/16, tendências que têm gerado
as atualizações de estimativas, explicou
Nastari, argumentando que isso impac-
tará a próxima safra.
Com relação às exportações, o con-
sultor ressaltou que, em agosto, o Brasil
exportou 2,30 milhões de toneladas de
açúcar, o que representa uma queda de
7,3% sobre o volume exportado no mês
anterior, julho, e queda de 30% em re-
lação a agosto de 2013. No acumulado
de janeiro a agosto fechou em 14,89
milhões de toneladas, o que representa
uma redução 14,4% sobre o mesmo pe-
ríodo de 2013, quando foram exporta-
das 17, 40 milhões de toneladas.
As exportações de etanol também
apresentam quedas, tendo em agosto,
exportados somente 78,4 milhões de li-
tros ante os 90,6 milhões de litros, em
julho, e contra 486 milhões de litros, em
agosto de 2013. Na soma de janeiro a
agosto, o acumulado é de 948,9 milhões
de litros, contra 1,993 bilhões de litros
em igual período do ano passado, que
representa uma queda de 52,4%. “São
dados importantes, pois refletem o fato
de que os mercados mundiais de açúcar
estão ainda muito estocados, principal-
mente na Ásia, e isso tem refletido nos
preços”, analisou Nastari, destacando
que mesmo com estoques altos, a im-
portação de açúcar pela China continua
crescente. “O Brasil tem sido até o mo-
mento o maior fornecedor de açúcar da
China, sendo o responsável por 2,47 mi-
lhões de toneladas, das 3,38% milhões
de toneladas importadas pela China, no
acumulado de outubro/13 a junho/14,
o que representa 73,2% do que foi ex-
portado para aquele país”. O segundo
maior fornecedor para a China é Cuba,
com 13,6% e a Tailândia, que aparece
em quinto lugar, representa somente
2,6% das origens de açúcar importados
pela China, contou o executivo.
Já o consumo de hidratado tem evo-
luído segundo dados da consultoria,
tendo atingido 7,05 bilhões de litros na
somatória de janeiro a julho, represen-
tando 21,1% sobre o mesmo período
de 2013. Este aumento é atribuído ao
crescimento da frota flex, que no final
de julho alcançou 22,13 milhões de uni-
dades. “Isso tem efeito no consumo de
hidratado, como também na participa-
ção do etanol no consumo de ciclo Otto
do Brasil”, explicou Nastari, divulgan-
do que no acumulado de janeiro a ju-
lho, atingiu 35,8% mostrando recupera-
ção em relação a 2013, que fechou em
33,7%, e também em relação a 2012,
quando foi registrado 31,8%. “Mas ain-
da está abaixo do nível de 2010, que foi
de 44,6%, então tem muito espaço para
o consumo de álcool crescer como tam-
bém ser recuperado no Brasil”, alegou.
Plínio Nastari apresentou perspectivas para a safra
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
43
Produção de açúcar na região Centro-Sul recua
na primeira quinzena de setembro
No caso do anidro, o aumento da
mistura de etanol na gasolina poderá
representar 1,2 bilhão de litros de de-
manda a mais por ano. Embora tenha
sido aprovada a ampliação da banda
para até 27,5%, a decisão de alterar o
nível de mistura ocorrerá se for tec-
nicamente possível e isso depende
de uma decisão do CIMA (Conselho
Interministerial de Açúcar e Álcool),
que é coordenado pelo ministério da
Agricultura, e dos ministérios en-
volvidos. “Os testes devem ser con-
cluídos em outubro, e a ideia é que
representantes do Inmetro divul-
guem os resultados dos estudos na
14ª Conferência Internacional DA-
TAGRO sobre açúcar e etanol, que
acontece em São Paulo-SP, nos dias
20 e 21 de outubro”, contou Nastari,
que na ocasião apresentou também
calendário de eventos que devem
ser promovidos pela consultoria nos
dois próximos anos, entre eles, a ISO
DATAGRO Centro América, na Gua-
temala, em junho de 2015, que vai
abordar as questões sobre os países
da América Central e do Caribe, com
foco na capacidade desta geografia
de atender aos mercados da Ásia e
EUA e como eles estão diversifican-
do as suas economias, contou o pre-
sidente da consultoria.
O
volume de cana-de-açúcar pro-
cessado pelas unidades produ-
toras da região Centro-Sul to-
talizou 39,89 milhões de toneladas na
primeira metade de setembro. Esse re-
sultado é 15,98% inferior às 47,48 mi-
lhões de toneladas moídas na quinzena
anterior e 7,44% menor em relação ao
valor observado no mesmo período de
2013 (43,10 milhões de toneladas).
No acumulado desde o início da sa-
fra até 15 de setembro, a moagem al-
cançou 412,68 milhões de toneladas,
contra 408,54 milhões de toneladas ve-
rificadas em igual data de 2013.
A quantidade de açúcar fabricada
atingiu 2,50 milhões de toneladas nos
15 primeiros dias do mês, ante 3,02
milhões de toneladas apuradas na quin-
zena anterior (queda de 17,09%) e 2,98
milhões de toneladas registradas no
mesmo período da safra 2013/2014 –
retração de 15,92%.
Segundo o diretor Técnico da UNI-
CA (União da Indústria de Cana-de-
-Açúcar), Antonio de Pádua Rodrigues,
“essa redução na produção de açúcar
reflete a menor moagem na quinzena
e o fato das usinas terem priorizado a
fabricação de etanol”. As condições de
demanda e os preços vigentes têm ge-
rado incentivos econômicos à produção
do biocombustível em detrimento ao
açúcar, acrescentou.
A proporção de matéria-prima des-
tinada à fabricação de açúcar totalizou
43,99%, expressivo recuo em relação
aos 45,22% observados na quinzena
passada e aos 49,28% verificados no
mesmo período de 2013.
A queda no ritmo de produção de
açúcar também pode ser observada a
partir do rendimento industrial men-
surado em quilos de açúcar por tone-
lada de cana-de-açúcar processada. Na
primeira quinzena de setembro, esse
índice apresentou queda de 9,17% no
comparativo com o valor registrado em
igual período do último ano: 62,75 kg
de açúcar por tonelada de cana, contra
69,08 kg contabilizados em 2013.
Com isso, a produção de etanol al-
cançou 1,96 bilhão de litros nos pri-
meiros 15 dias de setembro, ante 1,88
bilhão de litros apurados em igual pe-
ríodo do último ano. Deste montante,
773,43 milhões de litros referem-se ao
etanol anidro e 1,19 bilhão de litros ao
etanol hidratado.
No acumulado desde o início da sa-
fra 2014/2015, a produção de açúcar
alcançou 23,43 milhões de toneladas,
enquanto a fabricação de etanol somou
18,11 bilhões de litros, com crescimen-
to de 4,82% sobre o volume observado
no mesmo período de 2013.
Para Pádua, “a quantidade produzida
até o momento não reflete a expectativa
de menor oferta de cana-de-açúcar para
essa safra”. Nos próximos meses, com
o término antecipado da safra em várias
regiões, o impacto da seca sobre a pro-
dução ficará mais evidente, concluiu.
A quantidade de ATR (Açúcares To-
tais Recuperáveis) por tonelada de ca-
na-de-açúcar processada atingiu 149,71
kg na primeira quinzena de setembro,
frente a 147,11 kg por tonelada obser-
vado na mesma data da safra anterior.
No acumulado desde o início da sa-
fra 2014/2015 até 15 de setembro, o teor
de ATR por tonelada de matéria-prima
totalizou 134,44 kg, contra 131,40 kg
por tonelada registrado na mesma data
de 2013.
Já as vendas de etanol somaram
1,05 bilhão de litros, ante 1,04 bilhão
de litros registrado no mesmo período
do ano anterior. Deste total vendido,
990,03 milhões de litros destinaram-se
ao mercado doméstico e apenas 57,36
milhões de litros à exportação.
No mercado doméstico, as vendas
de etanol anidro totalizaram 422,05 mi-
lhões de litros, com alta de 15,29% em
relação aos 366,07 milhões de litros ob-
servados na mesma data de 2013.
As vendas internas de hidratado, por
sua vez, alcançaram 567,98 milhões
de litros nos primeiros 15 dias de se-
tembro, contra 541,84 milhões de litros
computados na quinzena anterior (in-
cremento de 4,83%) e 552,03 milhões
de litros verificados em igual período
da safra passada (aumento de 2,89%).
Para o executivo da UNICA, “a
expectativa é de que esse aumento do
consumo se acentue nas próximas quin-
zenas, pois o etanol hidratado tem se
apresentado economicamente vantajo-
so em relação à gasolina nos principais
estados consumidores”. RC
RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
44
Destaque III
Pneus: escolha errada e falta de manutenção
podem comprometer desempenho do
maquinário e produtividade
A
busca por mais eficiência e re-
dução de custos é cada vez mais
constante e, em muitos casos, o
simples fato de se fazer a opção por um
equipamento e executar a manutenção
adequada podem significar toda a diferen-
ça. Os pneus, por exemplo, perdem cerca
de 25% de sua vida útil sem um cuidado
especial, e essa porcentagem é muito alta
se considerar que este produto é o segundo
maior custo para a maioria das frotas.
“O produtor deve ficar atento ao esco-
lher o pneu a ser utilizado no campo. Esse
é o primeiro e principal fator que deve ser
levado em consideração, pois impactará
na produtividade e também na redução ou
aumento de seus custos”, afirma Stéfano
Mercúrio, coordenador do SAFF – Servi-
ço de Aprendizagem e Formação da Fro-
ta, da DPaschoal. Ele explica ainda que
o pneu é responsável pela transmissão da
energia do motor da máquina para o solo,
tornando-se um item de extrema impor-
tância para as várias operações realizadas
no campo. Segundo o especialista, exis-
tem atualmente disponíveis no mercado
diversas opções de pneus - diagonal ou
radial - com medidas e funcionalidades
variadas, que possibilitam o melhor de-
sempenho na lavoura.
Andréia Vital
De acordo com Mercúrio, um pneu
tem em média uma vida útil de três
anos e com a recapagem pode ter uma
sobrevida, mas existe um limite para o
seu conserto. “Além da economia e da
busca pela redução de custo, temos uma
preocupação muito grande com a segu-
rança, então, mesmo que o pneu seja
novo, dependendo da avaria que sofreu,
será indicado o seu sucateamento”, dis-
se. O especialista também explica que,
se o pneu que sofre um impacto muito
grande, como a quebra da sua carcaça
e a separação total do pacote de cintas,
continuar a ser utilizado, pode gerar
avaria no veículo, além de causar aci-
dentes, pois parte da cinta se soltará e
os pedaços chamados no meio por “ja-
caré” serão encontrados nas pistas.
Um dos primeiros indícios que identi-
fica se o pneu possui desgastes e precisa
ser trocado é a alteração da patinagem
da máquina. “A calibragem é um item
fundamental para aumentar a durabili-
dade do pneu e evitar problemas para o
produtor. Para ser feita de maneira ade-
quada deve-se levar em consideração a
relação de peso equipamento/implemen-
to x trabalho a ser executado”, ressalta o
especialista, avisando que duas libras a
menos ou a mais em um pneu agrícola
já interferem no seu desempenho, dimi-
nuindo a produtividade e aumentando o
consumo de combustível.
A DPaschoal desenvolve um pro-
grama utilizando recursos tecnológicos
avançados para análises de campo e
elaboração de plano de ação corretivo
e preventivo para ajudar seus clientes
neste processo. “O SAFF tem foco em
economia no campo, como apoio ao
cliente no pós-venda”, explica Mer-
cúrio. Os detalhes do programa foram
apresentados, recentemente, em dia de
campo Agro SAFF DPaschoal, em sua
filial em Ribeirão Preto/SP e na Usina
da Pedra, em Serrana/SP. Na ocasião,
o executivo mostrou os diferenciais da
empresa brasileira e também apresen-
tou linha do tempo com sua evolução
no mercado automotivo, onde atua há
65 anos, completados em 2014. Hoje,
a DPaschoal possui 11 recapagens em
sete Estados, mais de 200 lojas e 300
credenciadas e fornece pneu, serviços
e acessórios para veículos de passeio,
caminhões, ônibus, tratores, máquinas
agrícolas e industriais. Também tem a
Fundação Educar e as empresas Dater-
ra, DPK, portal AutoZ e Rede ACC.
“Dependendo da avaria o pneu deve virar sucata”, diz Mercúrio
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
45
Mercúrio salientou que a armazena-
gem dos pneus é um fator importante
a ser observado e é o primeiro ponto a
ser analisado pela equipe, que vai até o
cliente. “O pneu não pode ser armaze-
nado próximo a produtos derivados de
petróleo, pois isso vai gerar contamina-
ção na borracha e acelerar o seu enve-
lhecimento, tornando os pneus impró-
prios para uso”, explicou ele, afirmando
que normalmente as empresas não têm
este conhecimento e passam a ter com a
orientação do SAFF. A qualificação do
funcionário, que lida com este produto,
a organização da borracharia, condi-
ções dos veículos e pneus inutilizados
também são analisados. “Consideramos
a sucata o DNA da empresa porque vai
dizer exatamente se o produto foi usado
do modo correto, com a pesagem corre-
ta”, disse. Ele revela ainda que no cam-
po, a equipe verifica alguns detalhes,
entre eles, como está o lastro líquido e o
sólido deste veículo, a partir daí é gera-
do um relatório com um plano de ação.
Para o coordenador de manutenção
agrícola da Usina da Pedra, Cleber Ro-
berto de Assis, o processo de assistência
à frota direciona as decisões a serem
tomadas perante a análise de falhas e
seus motivos apresentadas no relatório
SAFF. “Trabalhando com uma calibra-
ção correta, tomando todos os cuidados
de manutenção para com os pneus, você
consegue atingir a performance máxima
deste produto, e isso nos reverte em reais
por toneladas colhidas diretamente”, dis-
se Assis, explicando que é um processo
de melhoria contínua, além disso, o mo-
nitoramento feito por um terceiro agrega
porque ajuda a usina a se autoavaliar.
“Embora existam outras variáveis
envolvidas no processo, como pneu
adequado, sua aplicação, a operação,
velocidade de trabalho e condição de
solo têm outros fatores que estão li-
gados à performance total do produto,
mas a manutenção correta ajuda mui-
to”, analisa o coordenador. Assis afir-
ma ainda que o projeto ajuda também
a reduzir o problema de galope, muito
preocupante para as usinas. “Mantendo
um padrão de lastreamento e calibra-
gem de pneu corretos é possível elimi-
nar o problema de galope, além disso,
acaba gerando também um ganho de
rendimento operacional e economia de
combustível, pois você precisa de me-
nos energia para fazer o trabalho, então
essa análise feita pelo SAFF é muito
importante”, conclui.
A Titan Pneus também criou um ma-
nual para auxiliar os produtores rurais
na gestão de pneus: os “10 Mandamen-
tos do Tratorista Agrícola”, que foram
desenvolvidos com base nas principais
falhas ocorridas no dia a dia das fa-
zendas, traz cuidados básicos, muitas
vezes desrespeitados e que comprome-
tem a qualidade do produto e, por con-
sequência, do equipamento. “O pneu é
o principal elo que une a máquina ao
solo. O equipamento pode ter potência,
ter transmissão, mas se o pneu não esti-
ver adequado não é possível transmitir
ao solo a potência gerada pelo motor e,
consequentemente, o trabalho no cam-
po não é realizado com eficiência”, ana-
lisa Leandro Pavarin, gerente de Vendas
para o Brasil da empresa.
Com três anos de atuação no País, a
Titan aposta no crescimento do segmen-
to de pneus para máquinas agrícolas,
que representou aumento de 30% no
volume de suas vendas no ano passado.
Diante de um cenário futuro promissor,
a empresa anunciou durante aAgrishow
2014 um plano de expansão de US$ 25
milhões, além dos US$ 16 milhões já
aplicados. “Os investimentos concen-
tram-se no aumento da capacidade de
produção e na modernização do parque
industrial. Novos equipamentos, pren-
sas e moldes garantirão um maior ga-
nho em escala e o lançamento de novas
linhas que complementem o já extenso
portfólio de todas as marcas produzidas
pela Titan no Brasil,” conta Pavarin.
RC
Leandro Pavarin, gerente de vendas
para o Brasil da empresa
RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
46
Biotecnologia é a receita para o
aumento da produtividade
Destaque IV
Andréia Vital
A
biotecnologia tem contribuído
para melhorar a qualidade de
vida ao redor do mundo, pro-
movendo o aumento da produtividade
no campo, a diminuição de emissões de
CO2, a preservação da biodiversidade,
a racionalização das aplicações de de-
fensivos agrícolas, além de amenizar as
mudanças climáticas.
Devido a tantos benefícios, de acor-
do com o ISAAA (Serviço Internacio-
nal para a Aquisição de Aplicações em
Agrobiotecnologia), a adoção da trans-
genia na agricultura vem ganhando
mais espaço a cada ano, prova disso é
que em 2013, 18 milhões de agriculto-
res, sendo 90% pequenos produtores,
em 27 países, fizeram uso desta tecno-
logia. No ranking mundial dos países
que cultivam variedades GM (geneti-
camente modificadas), o Brasil ocupa o
segundo lugar, ficando atrás apenas dos
Estados Unidos, constata a entidade.
“A biotecnologia agrícola encontrou
terreno fértil no Brasil, porque o País
fez a opção, há 40 anos, pelo desenvol-
vimento de um conceito de agricultura
baseada em ciência, basicamente por-
que estávamos preparados para interna-
lizar as inovações que vêm da fronteira
do conhecimento” justificou o presi-
dente da Embrapa (Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária), Maurício
Antônio Lopes, durante o seminário
“Biotecnologia e Inovação”, promovi-
do recentemente em São Paulo/SP, pelo
jornal Valor Econômico.
De acordo com o cientista, são mui-
tas as contribuições que as pesquisas
agropecuárias trouxeram para o Brasil,
citando, entre elas, a tropicalização e
adaptação de sistemas de produção ve-
getal e animal, desenvolvimento de uma
plataforma inédita de práticas sustentá-
veis e transformações de solos áridos e
ceito também para ajudar o setor sucro-
energético”, contou.
A intensificação de parcerias com o
setor acadêmico também fez parte da
tônica da palestra do diretor-científico
da Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos
Henrique de Brito Cruz. Segundo ele,
vários programas foram criados para
desenvolver a educação, o que impul-
sionou as atividades de pesquisas den-
tro das universidades, iniciativa que ge-
rou diversas empresas de biotecnologia,
sendo cerca de 250 pequenas empresas
na Unicamp e mais de 400, na USP.
“O Programa PIPE FAPESP (Pesquisa
Inovativa na Pequena Empresa) ofere-
ce um financiamento não reembolsado,
de até R$ 1.250 milhão por projeto às
pequenas empresas com menos de 250
empregados, para estimular a cultura
de inovação permanente e a procura é
grande, tanto que no ano passado foram
aprovados três contratos por semana”.
De acordo com o ISAAA (Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecno-
logia), a adoção da transgenia na agricultura vem ganhando mais espaço a cada ano
pobres em nutrientes em solos férteis.
“Nenhum outro país teve sua agricultu-
ra avançando de forma tão determinada
na direção da sustentabilidade, como a
nossa”, disse, advertindo que a agricul-
tura será cada vez mais pressionada na
direção da multifuncionalidade e en-
frentará muitos desafios.
A junção de esforços entre a inicia-
tiva privada e a pública também foi
destacada pelo presidente da Embrapa,
que citou, na ocasião, projeto com a
UNICAMP, efetivado em 2012, no sen-
tido de desenvolver uma unidade mista
de pesquisa, que permitirá à entidade
implantar plantas modificadas com as
mais variadas tecnologias. “A agenda
dessa nova unidade é a mudança de
clima, nós queremos usar inovações de
base biológica para ajudar a agricultura
a se adaptar numa realidade de mudan-
ça climática”, explicou. “Hoje usamos
o milho, mas há muito interesse em usar
esta base de eventuais provas de con-
Gregory Stock, Roberto Rodrigues e Maurício Lopes destacaram os avanços da biotecnologia
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
47
fosse aprovada em 270 dias que é a prá-
tica do mercado. Mas a liberação saiu
somente dois anos e meio após a apre-
sentação do pedido, em junho de 2013”,
disse perplexo.
Coube ao médico cancerologista
Drauzio Varella encerrar o seminário,
explanando sobre a qualidade de vida,
alimentação e transgênicos. Ele admitiu
que se criou um preconceito em relação
aos transgênicos, pois faltou diálogo
entre a academia e a sociedade sobre a
questão do uso dos transgênicos, crian-
do fantasias sobre a sua segurança para
a saúde humana. “As pessoas não en-
tendem. Eu acho que isso é um pensa-
mento quase religioso, onde acham que
os genes guardam a essência da vida,
portanto não podem ser modificados.
É uma visão religiosa e não científi-
ca”, analisou o médico, completando
“Temos transgênicos usados também
na medicina, como a insulina, e não te-
mos até hoje uma demonstração de um
efeito nocivo à saúde pela utilização do
transgênico”.
Varella advertiu que os problemas
que podem ocorrer na questão da ali-
mentação moderna são relacionados ao
excesso, já que a fartura e fácil acesso
aos alimentos atualmente são fatores que
já têm culminado com diversas doenças,
como diabete e pressão alta. “Essas são
as maiores epidemias do mundo moder-
no e por serem tão frequentes, ninguém
leva a sério. Precisamos cuidar do corpo,
fazer exercícios, não exagerar na comi-
da. Deixar de fazer isso é que não é segu-
ro para a saúde”, conclui o médico.
Biotecnologia aplicada a novos usos
“No futuro próximo, a tecnologia
norteará nossas vidas e os impactos
dos benefícios proporcionados por ela,
em diferentes áreas, serão reconheci-
dos dentro de 5 a 25 anos”, concluiu o
fundador do Programa de Ciência, Tec-
nologia e Sociedade da Universidade
da Califórnia, Los Angeles (UCLA),
Gregory Stock, que também participou
do evento e ofereceu noções de como
a inovação e ciência podem ser usadas
como instrumentos de desenvolvimen-
to. De acordo com ele, as novas tecno-
logias, inicialmente disponibilizadas
a preços exorbitantes, como o caso do
celular, com a produção em massa, ten-
dem a ficar mais acessíveis ao consu-
midor. Opinião compartilhada com pes-
quisador do IFPRI (International Food
Policy Research Institute), Nicola Ce-
nacchi. “O aumento da produtividade e
a redução de custos serão atingidos com
mais investimentos em tecnologia”. Ele
comentou que o IFPRI realizou estu-
do para avaliar como as tecnologias se
desempenham e como podem agir em
diferentes áreas do mundo e identificou
que algumas delas proporcionam a re-
dução em até 15% o preço do milho,
em 20% do arroz e em 10% o do trigo,
até 2050, o que poderá contribuir para a
redução de custos.
Devido ao constante desenvolvimen-
to da biotecnologia torna-se necessário
alguns ajustes na legislação brasileira
para atender ações internacionais, ex-
plica o presidente da comissão Técnica
Nacional de Biossegurança (CTBio),
Edivaldo Domingues Velini, órgão que
regulamenta a tecnologia no Brasil. “A
Lei 11.105/05 é o principal marco re-
gulatório que nós temos no Brasil e ela
equipara o País às nações mais desen-
volvidas e com maior crescimento em
biotecnologia”.
De acordo com Velini, 94% das bio-
tecnologias usadas no Brasil são des-
tinadas à agricultura e pecuária, sendo
que no ano passado, o órgão concedeu
cinco liberações comerciais, duas de
microrganismos, duas vacinas e uma
para planta. Este ano, duas GM já fo-
ram liberadas – uma de vacina e outra
de mosquito e outras 21 estão em análi-
se para serem liberadas.
O executivo lembrou que o uso desta
tecnologia ajudou o Pais a se destacar
na agricultura. Atualmente, 91,8% da
soja produzida no Brasil é genetica-
mente modificada, já no caso do milho,
essa porcentagem chega a 81,6% e o
algodão a 65%. “Nós dobramos a pro-
dução do agronegócio de 2006 a 2013,
tendo um salto no superávit de US$ 40
para US$ 100 bilhões”, observa ele, ad-
vertindo “O grande desafio é avançar
com segurança em um cenário em que
a biotecnologia assume um papel cada
dia mais relevante”.
O seminário contou também com
palestra do advogado Luiz Henrique
do Amaral, especialista em propriedade
intelectual e membro da ABPI (Associa-
ção Brasileira da Propriedade Intelec-
tual), que explanou sobre propriedade
intelectual, sobre o cenário brasileiro e
quais desenvolvimentos podemos espe-
rar para os próximos anos. “A concessão
de patentes faz parte do jogo da inova-
ção e da tecnologia e sem ela não é pos-
sível capturar todo o desenvolvimento
que vem ocorrendo em biotecnologia no
Brasil e em melhoria genética através de
novas cultivares”, alertou o advogado.
Abordando também os gargalos re-
gulatórios da biotecnologia no comér-
cio, o ministro Orlando Ribeiro, chefe
da Divisão de Agricultura e Produtos
de Base do Itamaraty, admitiu que a
sincronia de aprovação de cultivares
em alguns parceiros comerciais impor-
tantes do Brasil e a questão do limite
de tolerância são desafios que País en-
frenta e que tem travado seu desenvol-
vimento nesta área. “O ritmo de apro-
vação, que é diferente em cada país,
tem o potencial de gerar interrupções
no comércio internacional de grãos”,
esclareceu, dando como exemplo o pro-
cesso de aprovação da soja Intacta RR2,
da Monsanto, na China. “A semente foi
aprovada para uso no Brasil em 2010,
na Argentina, em 2012, e postulou au-
torização em novembro de 2010 junto
às autoridades chinesas, esperando que RC
Drauzio Varella, médico cancerologista
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
48
Informações Setoriais
Chuvas de agosto e previsões
climáticas para setembro a novembro
Quadro 1:- Chuvas observadas durante o mês de agosto de 2014.
Engº Agrônomo Oswaldo Alonso
Consultor
A média das chuvas de agosto de 2014 (0mm),
quase que uniforme em todos os locais observa-
dos, foi semelhante ao de agosto de 2013 (1mm).
Merece lembrar que, nesta região de abrangência
Canaoeste, no período dezembro de 2013 a agosto
de 2014, os desvios negativos de chuvas ocorreram
em quase todos os meses, exceto de-zembro, abril e
julho. Vide Quadro 2.
O
Mapa 1 mostra que, em meados
(17 a 20) de agosto, a DAAS
(Disponibilidade de Água no
Solo) apresentava-se em nível baixo a crí-
tico em (quase) toda área sucroenergética
do Estado, com exceção de áreas próximas
deAssis,Avaré e Presidente Prudente.
Os Mapas 2 e 3, correspondentes aos
finais de agosto de 2013 e 2014, mos-
tram semelhança entre as DAAS (Dispo-
nibilidades de Água no Solo), pois aos
finais de agosto de 2013 e de 2014, qua-
se toda região sucroenergética do Estado
de São Paulo encontravam-se com nível
entre baixo a crítico.
Os artigos de Informações Climá-
ticas estão contando com o trabalho
diário de anotações de chuvas dos Es-
critórios Regionais e que são conden-
sados em Viradouro. Estes dados são
disponibilizados diariamente pelo site
Canaoeste e, as suas médias mensais
e as normais climáticas, também são
apresentadas no Quadro 2.
OBS:- Normais climáticas (ou mé-
dias históricas) são dos locais enume-
rados de 1 a 9, além do Centro de Cana
IAC, em Ribeirão Preto.
Os dados do Quadro 2 mostram, no
destaque (canto inferior direito), as ex-
pressivas dife-renças observadas entre
os meses de janeiro a agosto dos anos
Mapa 2:- Água Disponível no Solo ao final de agosto 2013Mapa 1:- Água Disponível no Solo entre 16 a 18 de agosto de 2014
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
49
3. Mapa 3:- Água Disponível no solo ao final de agosto 2014. Embora o mapa
se refira ao período 21 a 24 de agosto, mas até os últimos dias deste mês não
ocorrência de chuvas significativas.
Mapa 4:- Elaboração Canaoeste do Prognóstico de
Consenso entre INMET-INPE para final de setembro e
os meses de outubro e novembro
Quadro 2:- Médias mensais e normais climáticas das chuvas de janeiro a
agosto de 2013 e 2014, anotadas pelos Escritórios Regionais.
(bem) próximos são de 55mm em se-
tembro, 125mm em outubro e 170mm
em novembro.
Já o prognóstico climático da SO-
MAR Meteorologia, face ao fenômeno
El Niño já fraco, observa-se período de
normalidade climática, ou seja, sem pre-
dominância de El Niño ou de La Niña.
Esta consultoria climática prevê que, da
transição inverno/primavera a dezem-
bro, as chuvas já poderão ser regulares,
tornando-as próximas das respectivas
médias históricas nas Regiões Centro-
-Oeste e Sudeste. Centro-Sul do Mato
Grosso do Sul e o Estado do Paraná, as
chuvas poderão continuar frequentes.
A Canaoeste recomenda especial
atenção aos produtores de cana, que os
solos logo estarão com melhor umidade
para efetuar cultivos mecânicos, desde
que necessários (se pisoteados, mas com
as soqueiras no início de brotações).
Estes prognósticos serão revisados
nas edições seguintes da Revista Cana-
vieiros. Fatos climáticos relevantes serão
noticiados em www.canaoeste.com.br e
www.revistacanavieros.com.br.
Persistindo dúvidas, consultem os
Técnicos mais próximos ou através do
Fale Conosco Canaoeste. RC
2014 e 2013. O acumulado das chuvas
em 2013 foi praticamente igual às das
normais climáticas. Mas, em 2014, o
acumulado de chuvas está pela metade
da soma das normais climáticas. Este
diferencial de 420mm nesta região
de abrangência, pode significar perda
potencial de produtividade de até 23 t
cana/ha.
Estas Normais climáticas (938mm,
em 2013 e 845mm, em 2014) estão di-
ferentes em função das ponderações das
chuvas entre os meses destes dois anos.
Para planejamentos
próximo-futuros, a Ca-
naoeste resume o prog-
nóstico de consenso
entre INMET (Instituto
Nacional de Meteoro-
logia) e INPE (Instituto
Nacional de Pesquisas
Espaciais) para os me-
ses setembro (final) a
novembro, como des-
crito abaixo e ilustrado
no Mapa 4, a seguir:
• Nestes meses, as
temperaturas tendem a
ser acima das respecti-
vas normais climáticas
para toda Região Cen-
tro Sul do Brasil, exceto
nos Estados de Goiás e
Mato Grosso, onde as
temperaturas poderão ser próximas das
médias históricas;
• O consenso INMET-INPE prevê que
as chuvas poderão ocorrer com iguais
probabilidades para as três categorias
(acima, próxima e abaixo das normais
climáticas) na área cinza. Na área verde,
que corresponde à faixa sul e sudoeste
do Estado de São Paulo, sul do Mato
Grosso do Sul e Estados da Região Sul,
as chuvas poderão ficar entre próximas a
acima das respectivas médias;
• Tendo como referência o Centro
de Cana-IAC, as médias históricas das
chuvas em Ribeirão Preto e municípios
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
50
Custos de produção de Cana-de-Açúcar
D
ando continuidade ao projeto
de elaboração dos custos de
produção, realizado pelo De-
partamento Técnico e Agronômico em
conjunto com a Gestão de Relaciona-
mento Recursos e Projetos, com o in-
tuito de fornecer a informação detalha-
da, abordaremos nesta edição a etapa de
trato de cana-planta. Ressaltamos que
nas edições passadas da Revista Cana-
vieiros foram publicadas as etapas de
preparo do solo e plantio.
Os tratos culturais da cana-planta
são necessários para proteger e ga-
rantir a longevidade do canavial e têm
como objetivos principais: controlar
plantas daninhas, controlar pragas,
nivelar a sulcação pós-plantio por
meio da operação de “quebra-lombo”
e fornecer nutrientes quando houver
necessidade.
Para a elaboração dos custos de tra-
to de cana-planta, consideramos como
modelo um canavial plantado de 18
meses, nos meses de março/abril. Em
função deste cenário, foram definidos
os herbicidas apropriados para esta si-
Alessandra Durigan - Gestora Técnica da Canaoeste
Almir Torcato - Gestor de Relacionamento, Recursos e Projetos
André Bosch Volpe - Engenheiro Agrônomo da Canaoeste
tuação, herbicidas para solo úmido ou
semiúmido, que serão aplicados para o
tratamento da cana-planta.
Em nosso modelo, o trato de cana-
-planta compreende as seguintes fases:
APLICAÇÃO DE HERBICIDA:
Esta aplicação é denominada aplicação
pós-plantio, pois é realizada logo após
o término do plantio. Esta garante que
a cultura da cana se estabeleça no solo
limpo, livre de plantas daninhas.
OPERAÇÃO “QUEBRA-LOM-
BO”: Esta operação é feita com intuito
de nivelar a sulcação, linha e a entreli-
nha da cana, viabilizando uma melhor
qualidade das operações, principalmen-
te a colheita mecanizada. Em alguns
casos, nesta operação é comum realizar
a chamada adubação de cobertura, pois
o implemento utilizado já faz as duas
funções. Neste caso, não usaremos,
pois no cenário anterior, o do plantio,
já foi realizada a adubação com dose
cheia (N-P-K).
SEGUNDA APLICAÇÃO DE
HERBICIDA: Esta aplicação é feita
logo após a operação de quebra-lombo.
Em função do revolvimento do solo, as
Artigo Técnico I
Tabela 1:
Alessandra Durigan Almir Torcato André Bosch Volpe
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
51
Destacamos novamente que os agrônomos da Canaoeste estão preparados
para atender os associados nos escritórios (filiais), para a elaboração persona-
lizada dos custos de produção de acordo com a situação de manejo de cada um.
sementes das ervas daninhas são expos-
tas novamente, de maneira a ser neces-
sária uma nova aplicação para garantir
que estas não germinem.
CONTROLE BIOLÓGICO DE
PRAGAS: Esta operação é realizada
conforme nível de infestação de broca
(Diatraea saccharalis), obtido através
de levantamentos de campo. Esta fase
consiste em liberar copos que contenham
a espécie de uma “vespinha” (Cotesia
flavipes) que é predadora natural das la-
gartas de broca. O controle deve ser feito
Tabela 2:
quando o canavial estiver próximo de 4
a 6 meses de idade, preferencialmente na
época das chuvas e se houver infestação
que justifique, geralmente acima de 800
brocas (lagartas) por hectare.
Na tabela 1, ao lado, apresentamos de-
talhadamente os custos das fases descritas.
É válido salientar que neste artigo,
contemplamos as operações mais uti-
lizadas no trato de cana-planta, de ma-
neira generalizada, porém, as operações
podem ser outras, vai depender das ne-
cessidades e peculiaridades de cada
produtor e lavoura.
E, para finalizar, podemos con-
cluir que a etapa de trato de cana-
-planta custa ao produtor de cana os
valores listados de forma resumida
na tabela 2 abaixo.
RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
52
Tabela 1. Classificação dos herbicidas utilizados em cana-de-açúcar
no Brasil de acordo com os mecanismos de ação.
Instituto Agronômico/Centro de Cana, Ribeirão Preto, 2014.
Cana-de-açúcar e a seleção das plantas
resistentes a herbicidas
Carlos Alberto Mathias Azania
Andréa A. Padua Azania
Renan Vitorino
Ana Regina Schiaveto
Ivo Soares Borges
Tácio Peres da Silva
A
extensão continental do Brasil
cria diferentes ambientes de
produção agrícola, cuja maio-
ria pode ter o cultivo da cana-de-açúcar
realizado com sucesso. Em boa parte
dos ambientes de produção da cana-
-de-açúcar, o regime de chuvas e as ca-
racterísticas do solo são distintos, mas
a temperatura média oscila entre 25 a
35°C na maior parte do ano, o que per-
mite seu cultivo.
Mesmo com a diversidade de am-
bientes de produção, observa-se o es-
tabelecimento das mesmas espécies de
plantas daninhas no agroecossistema
cana-de-açúcar, independente da região
produtora. No Brasil, complexos de es-
pécies do gênero Ipomoea spp e Mer-
remia spp (cordas-de-viola), Digitaria
spp (capim-colchão), Amaranthus spp
(caruru), Brachiaria spp. (capim-bra-
quiária e capim-marmelada), Panicum
spp (capim-colonião) e espécies como
Rottboelia cochinchinensis (capim-ca-
malote), Mucuna aterrima (mucuna-
-preta) e Ricinus communis (mamona)
ocorrem em todo território nacional.
Entretanto, pequenas alterações na
distribuição das plantas daninhas po-
dem ser observadas em cada ambiente
de produção. Há localidades que esti-
mulam mais o desenvolvimento de al-
gumas espécies, enquanto que em ou-
tras localidades de outras. Mas, todas as
espécies relatadas, em maior ou menor
intensidade, podem estabelecer-se em
cultivos com cana-de-açúcar.
Para o controle da diversificada flo-
ra daninha, os produtores brasileiros
contam com moléculas herbicidas per-
tencentes a 10 diferentes mecanismos
de ação (Tabela 1). As modalidades de
aplicação dos herbicidas também são di-
versificadas e podem ser aplicadas antes
do plantio (com ou sem incorporação),
após o plantio em pré-emergência, pós-
-emergência inicial ou tardia com aplica-
ção em área total ou localizada.
Para obter eficácia de controle so-
bre as plantas daninhas, os produtores
necessitam aplicar diferentes herbici-
das durante o ciclo da cultura. As apli-
cações são realizadas com diferentes
modalidades de aplicação. Ao associar
a diversificação de herbicidas (casual-
mente com mecanismos de ação dife-
rentes) e modalidades de aplicação, o
produtor brasileiro não tem estimulado
o surgimento de plantas daninhas resis-
tentes a herbicidas.
Mas, acreditar que os cultivos da
cana-de-açúcar no Brasil estão livres
das plantas daninhas resistentes é equí-
Artigo Técnico II
Carlos Alberto Mathias Azania
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
53
voco. Enquanto o produtor brasileiro
necessitar diversificar herbicidas (com
mecanismos diferentes) e modalidades
de aplicação para conseguir conter o
estabelecimento de plantas daninhas,
o risco de resistência é baixo. No mun-
do, Echinochloa colona (2009 no Irã)
e Chloris barbata (1987 nos EUA)
são resistentes ao mecanismo de ação
que inibe o fotossistema II, enquan-
to que Commelina diffusa (1957 nos
EUA) é resistente a auxinas sintéticas
(www.weedscience.com).
No Brasil, o risco mais próximo de
introdução de plantas daninhas resisten-
tes a herbicidas em cana-de-açúcar é a
disseminação de espécies já resistentes
em outras culturas para a cana-de-açú-
car. Também, por questão econômica,
o produtor passa a cultivar cana-de-
-açúcar em substituição a culturas que
1 	 Bidens pilosa 	 acetato lactato sintase (ALS)
2 	 Euphorbia heterophyla 	 acetato lactato sintase (ALS)
		 protoporfirinogênio oxidase (PPO ou PROTOX)
3 	 Bidens subalternas 	 acetato lactato sintase (ALS)
4 	 Urochloa plantaginea 	 acetil-coenzima-A carboxilase (ACCase)
5 	 Eleusine indica 	 acetil-coenzima-A carboxilase (ACCase)
6 	 Digitaria insularis 	 enolpiruvil shiquimato fosfato sintetase (EPPSPs)
7 	 Digitaria ciliaris 	 acetil-coenzima-A carboxilase (ACCase)
8 	 Conyza bonariense 	 enolpiruvil shiquimato fosfato sintetase (EPPSPs)
já tenham a resistência instalada.
Ao tomar a cultura da soja como
exemplo, são identificadas 17 espécies
de plantas daninhas com resistência a
herbicidas no Brasil. Entretanto, 08 des-
sas espécies (Tabela 2) também podem
se estabelecer em ambientes de produção
de cana-de-açúcar. O risco de dissemina-
ção ao passar a cultivar cana-de-açúcar
em áreas de soja que já tenham as plan-
tas daninhas resistentes introduziria o
problema no cultivo de cana-de-açúcar.
Um risco mais distante de introdu-
ção de plantas daninhas resistentes a
herbicidas é a seleção dos biótipos
dentro do próprio cultivo da cana-
-de-açúcar. A expectativa que até
2020 se tenha algum cultivar de ca-
na-de-açúcar resistente a herbicidas,
particularmente a glyphosate e aos
inibidores da ALS, pode estimular o
Tabela 2. Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas na cultura da
soja no Brasil e com potencial para disseminação em cana-de-açúcar.
Instituto Agronômico/Centro de Cana, Ribeirão Preto, 2014.
produtor a fazer aplicações sequen-
ciais com os herbicidas de mesmo
mecanismo de ação, induzindo a se-
leção de plantas daninhas com resis-
tência aos herbicidas inibidores de
ALS e EPSPs.
A tecnologia transgênica deve ser
adotada entre os produtores, porém, a
conscientização de continuar o uso de
diferentes mecanismos de ação e moda-
lidades de aplicação da atualidade será
necessária. Com a promessa de transgê-
nicos resistentes a herbicidas, o produ-
tor ainda terá que manter o revezamento
de no mínimo 02 mecanismos de ação
e modalidades de aplicação para man-
ter o risco de resistência entre baixo a
médio. Mesmo assim ainda terá ganhos
econômicos por reduzir algumas apli-
cações durante o ciclo da cultura. Caso
contrário, o produtor colaborará para o
surgimento dos biótipos resistentes ao
mecanismo de herbicida utilizado se-
quencialmente, a exemplo do ocorrido
em outras culturas.
Como mensagem final, o produtor
deve sempre manter o conceito de que
a prevenção à seleção de plantas dani-
nhas resistentes a herbicidas somente
é possível enquanto for praticada a
diversidade no uso de herbicidas com
mecanismos de ação diferentes e mo-
dalidades de aplicação (PPI, pré ou
pós-emergência).RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
54
Sistema de Meiosi na Cana-de-açúcar
Antônio Pagotto - Engenheiro Agrônomo da Canaoeste de Viradouro com apoio da gestora técnica da Canaoeste, Alessandra Durigan
O
sistema conhecido como
MEIOSI (Método Interro-
tacional Ocorrendo Simul-
taneamente) foi desenvolvido pelo
Engenheiro Agrônomo José Telles
de Barcelos, no início da década de
oitenta, na estação experimental do
Planalsucar, em Uberlândia-MG,
tendo como objetivo viabilizar a con-
sorciação racional da cana-de-açúcar
com culturas anuais e/ou adubos ver-
des em áreas de reforma, buscando
minimizar os custos de produção
(Landell, 1998).
Neste sistema, a produção de mu-
das ocorre no próprio local onde se
pretende instalar o canavial (figura 1).
Após o preparo do terreno, sulcam-se
duas linhas de cana e deixa-se um
espaço sem sulcar, correspondente a
oito linhas, o qual pode ser utilizado
para o cultivo intercalar de amen-
doim, soja ou adubo verde (figuras 2 e
3). Aos aproximadamente oito meses
após o plantio, as duas linhas de cana
serão suficientes para completar o es-
paço remanescente. A principal vanta-
gem é a inexistência do transporte das
mudas para o local de plantio. Desta
maneira é possível reduzir custos de
implantação do canavial, melhorar o
sistema de logística e promover a me-
Artigo Técnico III
Excelente opção para renovação de canaviais
Figura 2: sistema de plantio de meiosi: cana-de-açúcar
e amendoim plantadas simultaneamente.
Figura 3: sistema de plantio de meiosi: cana-de-açúcar e
sojas plantadas simultaneamente.
Figura 1: esquema de implantação da MEIOSI
lhora do local de cultivo (condições
químicas e físicas do solo).
O sistema proposto é o plantio de
cana de ano e meio, com o início de uma
parte do plantio em setembro/outubro,
numa proporção de 2:8, com o objetivo
de produzir, nestas duas linhas, mudas
suficientes na própria área de renovação
para o plantio do restante da área em
março/abril. Neste espaço intercalar,
cria-se possibilidade da instalação de
culturas que tenham ciclo compatível
ao do sistema meiosi, ou seja, culturas
Antônio Pagotto
Engenheiro Agrônomo da Canaoeste
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
55
Vantagens do Sistema Meiosi em Cana
Conclusão
que possam ser plantadas e colhidas du-
rante o período do desenvolvimento da
muda de cana-de-açúcar. O plantio da
área total com cana-de-açúcar é realiza-
do a partir das linhas de cana plantadas
em setembro/outubro, as quais serão
cortadas e as mudas distribuídas nos
sulcos vizinhos entre março e abril.
As vantagens qualitativas na adoção
deste método estão relacionadas à ida-
de das mudas (seis a oito meses), signi-
ficando maior vigor, maior velocidade
de brotação, diminuição do consumo
de mudas (menor quantidade de ge-
mas/metro linear), aumento do rendi-
mento de corte e, consequentemente, a
garantia da qualidade de plantio.
Atualmente, com a nova tecnolo-
gia de produção de MPB (mudas pré-
-brotadas) desenvolvida pelo IAC, o
plantio de meiosi voltou a ser uma
prática interessante para o produtor
de cana-de-açúcar e para as unidades
industriais por viabilizar a implanta-
ção de viveiros e também o plantio de
áreas de renovação do canavial com
material (cultivar) não convencional
com elevado padrão de fitossanidade,
vigor e uniformidade de plantio.
A possibilidade de marcação de
linhas de plantio com o uso de GPS
torna a operação precisa e proporcio-
na a garantia do alinhamento da sul-
- Formação de mudas com grande sanidade e alto vigor, produzindo gemas com
alto índice de multiplicação.
- Grande velocidade de crescimento e perfilhamento das mudas.
- Nas áreas com sistematização de talhões proporciona melhor conservação do
solo e diminui os riscos de erosão.
- Diminuição de tráfego de veículos e tratores pesados.
- Redução de problemas com a legislação trabalhista (diminuição da mão-
-de-obra).
- Decréscimo nos custos de implantação do canavial, principalmente devido a
economia com o transporte de mudas.
A cana-de-açúcar é uma cultura semiperene e sua implantação e condução en-
-volvem diversos fatores que podem elevar a vida útil do canavial pelo aumento
do número de cortes (longevidade). É de muita importância atentar-se às novas
tecnologias disponíveis visando sempre aumentar a produção e reduzir custos.
Um plantio realizado sem planejamento e com mudas de baixa qualidade acar-
reta altos índices de falhas, incidências de pragas e doenças, e a necessidade de
renovação precoce da área.
Devido as vantagens evidenciadas e a considerável redução de custos, pode-se
afirmar com segurança que o sistema meiosi tem um grande potencial para ajudar
os produtores de cana a ter canaviais mais sadios, produtivos e rentáveis.
Figura 4: plantio de meiosi com MPB (mudas pré-brotadas). Figura 5: plantio de meiosi concluído
cação. Muitos produtores e unidades
industriais estão adotando o método
de meiosi e tendo ótimos resultados.
Com a adoção de mudas pré-brota-
das podem ser plantadas duas ruas de
mudas em agosto/setembro e deixar es-
paço correspondente a 10 ou 12 ruas de
cana para a rotação com leguminosas
e posterior plantio em março/abril. A
taxa de multiplicação aumenta devido
ao alto vigor das mudas pré-brotadas
(crescimento e perfilhamento rápidos).
Ressaltamos que a melhor época de
plantio de mudas de cana neste siste-
ma, MPB e meiosi, é entre agosto e
setembro, com a necessidade de irri-
gação localizada nos sulcos de plantio
até o pegamento das mudas.
RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
56
Fungos Entomopatogênicos como ferramenta no
manejo integrado de pragas da Cana-de-Açúcar
José Eduardo Marcondes de Almeida
Pesquisador Científico
Instituto Biológico/APTA/SAA-SP
O
Manejo Integrado de Pragas
foi desenvolvido há mais de 30
anos e tem como principal filo-
sofia o uso de várias técnicas culturais,
varietais, biológicas e químicas para o
controle de pragas nas culturas de inte-
resse econômico, tendo como princípio
a utilização das técnicas mais sustentá-
veis tais como: variedades resistentes,
técnicas culturais, monitoramento das
pragas, os agentes de controle biológi-
co e, por fim, os inseticidas químicos de
preferências os menos tóxicos, devendo
ser aplicados quando o nível de contro-
le da praga atinge um patamar perigoso
para a cultura. Porém, essa metodolo-
gia de manejo nem sempre é levada
em consideração, pois muitas vezes se
desconhece esses níveis de controle e
danos econômicos da maioria das cul-
turas, sendo que aplica-se inseticidas
químicos de maneira discriminada.
Os fungos entomopatogênicos
são agentes de controle biológico
importantes para o manejo de pragas
na cana-de-açúcar, pois essa cultura
é conhecida como a que mais tem
suportado o uso de controle biológico
de pragas com sucesso, principalmente
no Brasil.
O Estado de São Paulo produz meta-
de da cana do Brasil, o restante está em
torno de 30% no Nordeste, e 20% no
Centro-Oeste e Paraná. Pelo menos 5%
do custo de produção de açúcar e álcool
é atingido pelas pragas.
As principais pragas da cana-de-
-açúcar são:
1. A broca da cana, Diatraea sac-
charalis, é considerada a principal pra-
ga desta cultura, ocorrendo em todas
as áreas onde se planta cana-de-açúcar
no mundo. As lagartas causam prejuí-
zos diretos ao colmo, abrindo galerias
que causam perda de peso da cana,
Artigo Técnico IV
provocando também morte das gemas,
causando falhas de germinação. Os
prejuízos indiretos são causados pela
infecção de fungos que penetram na
galeria e causam a podridão vermelha,
tais como: Colletotrichum falcatume
Fusarium moniliforme, que invertem a
sacarose, diminuindo a pureza do caldo
e dando menor rendimento em açúcar
e álcool. De acordo com resultados
de pesquisas sobre o prejuízo causado
pela broca, 1 % de infestação da praga
causam prejuízos de 0,25% de açúcar,
0,20% de álcool e 0,77% de peso.
O principal método de controle é o
biológico, através da vespinha Cotesia
flavipes, introduzida no Brasil desde
1974. Nos últimos anos, esse parasitoi-
de reduziu perdas de até 100 milhões de
dólares por ano, sendo 20 milhões em
São Paulo, diminuindo a infestação da
praga de 10% para 2%. O parasitoide de
ovos Trichogramma galloi também tem
sido usado no controle da broca, poden-
do chegar a 60% de controle quando
associado à C. flavipes.
Nas áreas de expansão da lavoura de
cana, o fungo Beauveria bassiana pode
ser utilizado para o controle de lagar-
tas da broca da cana no primeiro instar,
devendo ser pulverizado na dosagem de
6x1012
conídios//hectare pelo menos.
2. Cupins - também são pragas
importantes que precisam ser levadas
em consideração. Atualmente não se
sabe corretamente quais os prejuízos
causados por cupins na cana. Estima-
-se que os danos chegam a 10 ton/ha/
ano, mas com a proibição dos clo-
rados em 02 de setembro de 1985, a
população de cupins nos canaviais
aumentou, sendo maiores os prejuí-
zos, pois esses inseticidas, aplicados
em área total faziam apenas o efeito
de barreira, não conseguindo eliminar
as colônias de cupins na área.
A espécie Heterotermes tenuis é a
mais frequente e de maior distribuição,
sendo que os danos atingem 10 t/ha/ano
para a cana. O controle químico geral-
mente é feito com aplicação em área to-
tal, pulverizando o solo no momento do
preparo dos sulcos para o plantio.
As iscas para cupins subterrâneos
ainda estão em fase de estudos, porém
possuem um potencial grande de utili-
zação, pois são capazes de atrair gran-
des quantidades de insetos, utilizam os
aspectos de biologia,comportamento de
trofalaxia e tunelamento dos cupins e
ainda podem levar um agente químico
ou biológico, com o fungo B. bassiana,
para dentro da colônia, disseminando-
-o e eliminando a rainha e o ninho do
cupim, além de se constituir em uma
alternativa barata e ecológica.
3. Cigarrinha da raiz - a cigarri-
nha da raíz, Mahanarva fimbriolata, é
considerada uma das pragas mais im-
portantes da cana-de-açúcar no Estado
de São Paulo e no Nordeste do Brasil.
As ninfas ao se alimentarem ocasionam
a “desordem fisiológica” em decorrên-
cia de suas picadas que, ao atingirem
os vasos lenhosos da raiz, o deterioram,
impedindo ou dificultando o fluxo de
água e de nutrientes. A morte de raízes
José Eduardo Marcondes de Almeida
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
57
ocasiona desequilíbrios na fisiologia da
planta, caracterizado pela desidratação
do floema e do xilema que darão ao
colmo características ocas, afinamento
e posterior aparecimento de rugas na
superfície externa. Os adultos ao injeta-
rem toxinas produzem pequenas man-
chas amarelas nas folhas que com o pas-
sar do tempo tornam-se avermelhadas
e, finalmente, opacas, reduzindo sensi-
velmente a capacidade de fotossíntese
das folhas e o conteúdo de sacarose do
colmo. As perfurações dos tecidos pe-
los estiletes infectados provocam con-
taminações por micro-organismos no lí-
quido nutritivo, causando deterioração
de tecidos nos pontos de crescimento
do colmo e, gradualmente, dos entrenós
inferiores até as raízes subterrâneas. As
deteriorações aquosas apresentam cores
escuras começando pela ponta da cana
e podem causar a morte do colmo.
M. fimbriolata possui ninfas especi-
ficamente radicícolas e se desenvolvem
sobre as raízes superficiais ou raízes
adventícias inferiores das gramíneas
hospedeiras. Sugam a seiva segundo a
sua idade, envolvendo-se numa espuma
branca, espessa e que serve como pro-
teção a inimigos naturais. Os adultos
são de hábitos crepusculares-noturnos,
ficando escondidos dentro das olhadu-
ras ou no enviés das folhas durante o
dia. O dano mais importante que as ci-
garrinhas causam é a “queima da cana”,
sendo consequência direta ao ataque
das folhas, devido à injeção de subs-
tâncias tóxicas da saliva da cigarrinha,
além de diminuir o teor de sacarose.
Causam também a redução no tamanho
e grossura dos entrenós da cana grande
e a morte de rebentos jovens.
O controle biológico com macro ou
microrganismos é um dos principais
componentes do manejo integrado de
cigarrinhas. O controle biológico não
é poluente, não provoca desequilí-
brios biológicos, é duradouro e apro-
veita o potencial biótico do agroecos-
sistema, não é tóxico para o homem
e animais e pode ser aplicado com as
máquinas convencionais, com peque-
nas adaptações.
O IB (Instituto Biológico) tem de-
senvolvido pesquisas de controle bio-
lógico de M. fimbriolata com o fungo
Metarhizium. O projeto temático, fi-
nanciado pela FAPESP (Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo), cuja coordenação foi do IB,
contou com a parceria da ESALQ/USP
e UFSCar - Araras-SP.
Concentração recomendada de Meta-
rhizium anisopliae em arroz esporulado:
Mínimo de 1 x 109
conídios de fun-
go/grama de arroz esporulado.
Recomendação:
- Iniciar as aplicações tratorizadas
com jato dirigido com 0,5 a 1 ninfa/me-
tro linear utilizando a concentração de 2
a 3 x 1012
conídios/ha (aproximadamen-
te 2 a 3 kg/ha) a partir de outubro.
- Reaplicar 2 a 3 x 1012
conídios/ha
em dezembro ou janeiro nas variedades
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
58
precoces ou preferidas.
- Acima de 5 ninfas/metro linear
aplicar 1 x 1013
conídios/ha (10 kg/ha) a
partir de dezembro.
- Aplicação aérea granulada utilizar
8 x 1012
a 1 x 1013
conídios/ha (8 a 10
kg/ha).
- Aplicação aérea líquida utilizar 5 x
1012
conídios/ha.
Em aplicação tratorizada o fungo
deve ser aplicado na vazão de 300 Li-
tros de água/ha, utilizando um trator
com bicos em pingente, com jato diri-
gido para a soca da cana, de preferência
após às 16 horas para evitar a alta in-
cidência de raios ultravioleta, chegan-
do até a madrugada, período em que a
umidade relativa está alta e a tempera-
tura mais amena, facilitando o controle
microbiano com o fungo.
Aaplicação aérea ainda está em estu-
do, porém essa poderá ser utilizada com
vazão de 40 a 50 litros/ha, com gotas
grandes e altura de 2 metros da cultura.
Desde a constatação do problema,
há cerca de seis anos, a Secretaria de
Agricultura e Abastecimento do Esta-
do de São Paulo, através do Instituto
Biológico/APTA, vem desenvolven-
do ações de pesquisa para fomentar o
uso do fungo Metarhizium, conhecido
agente biocontrolador de insetos-praga
e que é utilizado, com sucesso, no nor-
deste brasileiro para controlar popu-
lações da cigarrinha da folha da cana,
Mahanarva posticata.
A produção do fungo no período de
2002/2003, por empresas e usinas se-
diadas no Estado, foi de 268 toneladas,
das quais 164 toneladas (67%) foram
produzidas por organizações que tem
projetos em desenvolvimento com o
Instituto Biológico. O valor médio de
comercialização foi de R$ 10,00 o qui-
lograma e a receita bruta no período
foram de R$ 2.680.000,00. A atividade
gerou 148 empregos diretos e a área de
cana tratada atingiu 161.910 ha. O va-
lor médio do tratamento/ha foi de R$
40,00, enquanto o tratamento químico,
teve custo de R$ 160,00. A economia
média gerada por hectare foi de R$
120,00, totalizando uma economia glo-
bal de R$ 19.429.200,00, além do fato
de que 3.238 toneladas de inseticidas
deixaram de ser aplicadas.
No período de 2013/2014 a área aplica-
da com o fungo foi de aproximadamente
350.000 ha, sendo que mais uma biofábri-
ca iniciou a produção. O custo da aplica-
ção e o valor do bioinseticida comerciali-
zado não variaram do período anterior.
4. Sphenophorus levis - O besouro
da família Curculionidae é outra praga
que tem causado grandes prejuízos para
a cultura canavieira, principalmente na
região de Piracicaba e Jaú-SP, destruin-
do as soqueiras e causando a morte des-
ta. As larvas perfuram o rizoma da cana
ao longo de seu ciclo biológico, causan-
do diminuição na produção da cana.
O controle químico é o mais utiliza-
do, sendo aplicado em iscas de toletes
de cana cortados previamente tratados
com inseticidas como carbaril 850 PM,
sendo aplicadas 200 iscas/ha. Atual-
mente se pesquisa o uso de fungo ento-
mopatogênico, Beauveria bassiana em
iscas e nematoides entomopatogênicos,
tais como Steinernema spp.
5. Migdolusfrianus - têm sido men-
cionados como causadores de prejuí-
zos econômicos nas seguintes culturas:
cana-de-açúcar, amoreira, eucaliptos,
café e feijão. Os danos são provocados
pelas larvas que são subterrâneas e cujo
o hábito alimentar destroem o sistema
radicular das plantas. Dentre as cultu-
ras citadas, Migdolus spp. têm mais
importância para a cultura canavieira.
Levantamentos efetuados pela Coper-
sucar (Cooperativa Central dos Produ-
tores de Açúcar e Álcool do Estado de
São Paulo) em 1992 apontaram uma
área atingida pelo inseto em torno de
50.000ha, com prejuízos da ordem de
U$ 45 milhões de dólares, o que aponta
prejuízos de 25% da produção nas áreas
afetadas. Em 1995 incluindo todas as
regiões produtoras estimou-se que as
áreas atingidas por Migdolus spp. ultra-
passou a 100.000 ha de cana-de-açúcar.
O principal método de controle é a
aplicação de 500 g por hectare do inse-
ticida fipronil, no momento do plantio
da cana. Novas tecnologias com fero-
mônio e armadilhas foram desenvol-
vidas, mas são usadas principalmente
para monitoramento. Ainda são neces-
sárias pesquisas de controle biológico
com fungos para M. frianus.
A falta de conhecimento para uso de
fungos entomopatogênicos para o con-
trole biológico de pragas da cana ainda
é um fator importante do pequeno uso
desses agentes de controle biológico,
sendo importante a divulgação de técni-
cas de aplicação desses fungos em área
total ou através de iscas ou sistemas
avançados, de modo a atingir as pragas
da cana, já que os fungos atuam por
contato no corpo do inseto.
São necessárias pesquisas para o
desenvolvimento de novos isolados,
formulações, armadilhas, iscas ou ou-
tras estratégias adequadas para o con-
trole das principais pragas da cana,
mas sem dúvida, os fungos entomo-
patogênicos já são uma importante
ferramenta para o Manejo Integrado
de Pragas da cana-de-açúcar.
Artigo Técnico IV
José Eduardo Marcondes de Almeida durate o Insect Show 2014
RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
59
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
60
Safra
Acompanhamento da safra 2014/2015
Thiago de Andrade Silva
Gestor de Planejamento, Controle
e Topografia da Canaoeste
Tabela 1 – ATR (kg/t) médio da cana entregue pelos
fornecedores de cana da Canaoeste das safras 2013/2014 e 2014/2015
Tabela 2 – Qualidade da cana entregue pelos fornecedores de cana da Canaoeste,
até a segunda quinzena de agosto, da Safra 2013/2014.
A
seguir,sãoapresentadososdadosobtidospe-
los fornecedores de cana até a segunda quin-
zena de agosto, referentes à safra 2014/2015,
em comparação com os da safra 2013/2014, no mes-
mo período. Na Tabela 1, encontra-se oATR médio
acumulado (kg/tonelada) do início da safra até a se-
gunda quinzena de agosto desta safra em compara-
ção com o obtido na safra 2013/2014, sendo que o
ATR da safra 2014/2015 está 7,42 Kg acima do obti-
do na safra 2013/2014 no mesmo período.
Gráfico 2 – POL do caldo obtida nas safras 2014/2015 e 2013/2014Gráfico 1 – BRIX do caldo obtido nas safras 2014/2015 e 2013/2014
Tabela 3 – Qualidade da cana entregue pelos fornecedores de cana da Canaoeste,
até a segunda quinzena de agosto, da safra 2014/2015
As tabelas 2 e 3 contêm detalhes da qua-
lidade tecnológica da matéria-prima nas
safras 2013/2014 e 2014/2015, respectiva-
mente,noperíododeabrilaagostode2014.
O gráfico 1 contém o comporta-
mento do BRIX do caldo da safra
2014/2015 em comparação com a sa-
fra 2013/2014.
O BRIX do
caldo da safra
2014/2015 fi-
cou equiparado
no mês de março e na segunda quinzena
de maio, ficando acima no mês de abril,
na primeira quinzena de maio, nos me-
ses de junho, julho e agosto com maior
acentuação a partir da segunda quin-
zena de junho em relação ao da Safra
2013/2014. Na média, o BRIX do caldo
obtido nesta safra está 6,4% superior ao
da safra 2013/2014.
O gráfico 2 contém o comportamen-
to da POL do caldo na safra 2014/2015
em comparação com a safra 2013/2014.
Pode-se observar que a POL do cal-
do apresentou o mesmo comportamen-
to do BRIX do caldo, sendo que na
média, nesta safra de 2014/2015 a POL
do caldo está 5,8% superior a da safra
2013/2014.
O Gráfico 3 contém o comportamen-
to da Pureza do caldo na safra 2014/2015
em comparação com a safra 2013/2014.
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
61
Gráfico 3 – Pureza do caldo obtida nas safras 2014/2015 e 2013/2014 Gráfico 4 – Comparativo da fibra da cana
Gráfico 5 – POL da cana obtida nas safras 2014/2015 e 2013/2014 Gráfico 6 – ATR obtido nas safras 2014/2015 e 2013/2014
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
62
Safra
Gráfico 8 – Precipitação pluviométrica por
trimestre, em 2013 e 2014.
Gráfico 7 – Precipitação pluviométrica (mm de chuva)
registrada em 2013 e 2014
Apureza do caldo da safra 2014/2015
ficou muito abaixo da obtida na Safra
2013/2014 no mês de março, ficando
acima nas duas quinzenas do mês de
abril, ficando próximo no mês de maio
e pouco abaixo nos meses de junho, ju-
lho e agosto, equiparando na primeira
quinzena de agosto.
O gráfico 4 contém o comportamen-
to da fibra da cana na safra 2014/2015
em comparação com a safra 2013/2014.
A fibra da cana na safra 2014/2015
ficou muito acima daquela obtida na
safra 2013/2014, com menor acentu-
ação no mês de maio, abaixo no mês
de junho e acima nos meses de julho e
agosto, ficando na média 0,3% superior
a observada na safra 2013/2014.
O gráfico 5 contém o comportamen-
to da POL da cana na safra 2014/2015
em comparação com a safra 2013/2014.
A POL da cana na safra 2014/2015
ficou muito abaixo da obtida na safra
2013/2014 no mês de março, ficando
acima no mês de abril, na primeira quin-
zena de maio e nos meses de junho, ju-
lho e agosto, se equiparando na seguda
quinzena de maio e na média encontra-
-se 5,8% superior a da Safra 2013/2014.
O Gráfico 6 contém o comportamen-
to do ATR na safra 2014/2015 em com-
paração com a safra 2013/2014.
O ATR, expresso em kg/t de cana na
safra 2014/2015, ficou muito abaixo do
obtido na safra 2013/2014 no mês de
março, muito acima nos meses de abril,
junho, julho e agosto, se equiparando no
mês de maio, apresentando, portanto, um
comportamento semelhante ao da POL
da cana, tendo em vista que
a mesma participa com 90%
do ATR. Na média, o teor de
ATR desta safra está 5,6% su-
perior ao da safra anterior.
O Gráfico 7 contém o
comportamento da precipi-
tação pluviométrica regis-
trado na safra 2014/2015
em comparação com a safra
2013/2014.
A precipitação pluviomé-
trica média observada nos
meses de janeiro, fevereiro,
março, maio e junho de 2014
ficaram muito abaixo da ob-
tida em 2013 e abaixo no
mês de abril. A precipitação
pluviométrica ficou acima
somente no mês de julho e
equiparada no mês de agosto.
O gráfico 8 contém o
comportamento da precipi-
tação pluviométrica acumu-
lada por trimestre na safra
2014/2015 em comparação
com a safra 2013/2014.
Em 2014, observa-se um
volume de chuva muito abai-
xo no primeiro trimestre, mui-
to abaixo no segundo trimestre e equipara-
do no terceiro trimestre até o momento, se
comparado aos volumes médios de 2013.
O baixo índice de precipitação plu-
viométrica de 2014 continua impactando
diretamente no crescimento vegetativo do
canavial e também na brotação de novos
plantios. A precipitação na segunda quin-
zena de julho refletiu pouco na primeira
quinzena de agosto devido ao volume RC
e o tempo de escassez de chuva. Com
isso, a produtividade continua em queda,
devido ao estresse hídrico ocasionado
pela estiagem e o teor de ATR continua
subindo com menor proporção que a ob-
servada no mês de julho, se equiparando
ao teor médio de ATR registrado na safra
2013/2014. Levando-se em conta todo o
cenário, o ATR médio ficou 7,42 kg aci-
ma do obtido na safra 2013/2014, até a
segunda quinzena de agosto.
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
63
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
64
Recuperação Judicial
regras alteradas privilegiando as micro e pequenas empresas
STJ decide: crime decorrente de edificação em área de preservação
permanente prescreve em quatro anos da data da construção
A
ssistimos, presenciamos ou
pelo menos ouvimos falar,
de recuperações judiciais de
empresas, principalmente no setor su-
croalcooleiro. Este setor, claramente
prejudicado por ações desastrosas do
Governo Federal, que literalmente deu-
-lhe às costas ao privilegiar uma matriz
energética poluidora em detrimento da
ambientalmente mais sustentável.
Pois bem! No último dia 07 de
agosto, foi publicada no Diário Ofi-
cial da União, a Lei Complementar n.
147/2014, que incluiu mais de 140 se-
tores e atividades no Simples Nacional,
regime diferenciado de tributação, além
de ter alterado as regras para a recupe-
ração judicial de micro e pequenas em-
presas, notadamente a inclusão em seu
plano de recuperação de praticamente
todos os créditos, não apenas os chama-
dos créditos quirografários de credores
sem garantia alguma, como vigorava
até então.
Por esta nova lei, poderão as micro
e pequenas empresas que precisarem
socorrer-se da recuperação judicial, in-
cluir todos os créditos no seu plano de
R
ecente decisão do Superior Tri-
bunal de Justiça, última instân-
cia para discussão de matéria
infraconstitucional, decidiu recente-
mente que os crimes decorrentes da
construção/edificação realizados em
área de preservação permanente assim
definidas pela revogada Lei n. 4.771/65
(antigo Código Florestal) e pelo atual
Código Florestal Lei n. 12.551/2012),
tipificados no artigo 40, da Lei n.
9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais)
prescrevem quatro anos da data da
construção irregular.
Parece redundante falar nisso, porém
travava-se no Judiciário a discussão so-
bre o início da contagem do prazo para
a prescrição, (i) se era da data da cons-
trução ou (ii) da data em que o Poder
Público tomou ciência desta.
Reafirmou o STJ, no Recurso Espe-
cial n.1.402.984-DF, o entendimento
Juliano Bortoloti
Advogado da Canaoeste
Assuntos Legais
pagamento, como fazem as recupera-
ções judiciais de companhias de médio
e grande portes. Só ficarão de fora as
exceções previstas no artigo 49 da Lei
de Falência e Recuperação Judicial (Lei
nº 11.101/2005 – crédito garantido por
penhor, alienação fiduciária, etc.). Até
então, os planos dos pequenos empresá-
rios só poderiam abranger os chamados
créditos quirografários - formados por
credores sem qualquer tipo de garantia.
Outra novidade foi a possibilidade
de negociação de desconto no valor das
dívidas, bem como a redução do cus-
to do administrador judicial que passa
a receber até 2% do valor do passivo,
contra os 5% previstos nas recupera-
ções de médias e grandes empresas.
Uma outra alteração mais impactante
reside na criação de uma nova categoria
de credores nas recuperações judiciais.
Agora, os micro e pequenos empresá-
rios passarão a figurar na quarta posi-
ção de preferência no recebimento dos
créditos em caso de falência (antes es-
tavam em sexto lugar).
Explicando melhor, isto significa
que até então existiam três classes de
já proferido pelo próprio STJ, no Re-
curso Especial n. 897.426-SP., de que
“este delito praticado contra o meio
ambiente é instantâneo de efeitos
permanentes, ressaltando que não
se pode confundir crime permanen-
te, em que a consumação se protrai
no tempo, com delito instantâneo de
efeitos permanentes, em que as con-
sequências são duradouras”.
Ressaltamos, porém, que este argu-
mento de defesa pode e deve ser utili-
zado para os casos de edificações feitas
após 22 de julho de 2008, uma vez que
as que foram feitas antes de tal data
certamente estão autorizadas pelo novo
Código Florestal, que visando corri-
gir o histórico de ocupação territorial
brasileira, consolidou as edificações
construídas em áreas de preservação
permanente de áreas rurais, conforme
disposição do § 12, do artigo 61-A:
credores: (i) trabalhadores, (ii) credores
com garantia real e (iii) demais credores
(quirografários). A partir desta nova lei,
existe também a classe iv., composta pe-
los micro e pequenos empresários que,
na prática, terão mais representatividade
nas discussões de recuperações judiciais.
Estas são, portanto, as alterações
mais significativas para os micro e pe-
quenos empresários no tocante a recu-
peração judicial de empresas, seja parti-
cipando como credores de empresas em
recuperação, seja requerendo a própria
recuperação judicial.
RC
“Art. 61-A. Nas Áreas de Preserva-
ção Permanente, é autorizada, exclusi-
vamente, a continuidade das atividades
agrossilvipastoris, de ecoturismo e de
turismo rural em áreas rurais consoli-
dadas até 22 de julho de 2008.
§ 12. Será admitida a manutenção de
residências e da infraestrutura associada
às atividades agrossilvipastoris, de eco-
turismo e de turismo rural, inclusive o
acesso a essas atividades, independen-
temente das determinações contidas no
caput e nos §§ 1º a 7º, desde que não
estejam em área que ofereça risco à vida
ou à integridade física das pessoas”.
Nestes casos, proprietários rurais que
edificaram em áreas de preservação per-
manente antes de 22/07/2008 e que este-
jam respondendo ação criminal, devem
pedir extinção do processo em razão da
retroatividade da Lei n. 12.651/2012,
por ser mais benéfica ao réu.
RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
65
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
66
Arysta LifeScience lança novo inseticida para o
combate à broca da cana-de-açúcar
N
o dia 03 de setembro aconte-
ceu no Hotel JP, em Ribeirão
Preto-SP, o lançamento nacio-
nal do mais novo inseticida da Arysta
LifeScience para o combate da broca da
cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis):
o Atabron 50 EC.
O evento de lançamento teve como
mestre de cerimônia a ex-BBB Cláudia
Colucci (Cacau) e contou com a presen-
ça do gerente de marketing (cana) da
Arysta, José Renato Gambassi, do dire-
tor de marketing de produtos da Arysta,
Marcelo Zanchi, do especialista de pro-
duto e mercado (cana) da Arysta, Edi-
valdo Panini, e do gerente de desenvol-
vimento de mercado Brasil para todas
as culturas da Arysta, Joelson Mader.
Durante o evento, palestrantes reno-
mados como o especialista em controle de
pragas da Araújo & Macedo, Dr. Newton
Macedo e o consultor coordenador de
cursos e treinamentos da Fermentec, Dr.
Dinalilson Corrêa de Campos, abordaram
os temas Manejo Integrado da Broca da
Cana-de-Açúcar e O Impacto da Broca da
Cana sobre a Eficiência Industrial.
O mais novo princípio ativo para a
broca da cana foi apresentado pelo ge-
rente de marketing (cana) da Arysta.
“Com este lançamento, a Arysta inicia
efetivamente sua participação no merca-
do de inseticidas que até então era uma
empresa reconhecida muito fortemente
pela linha de herbicidas. O Atabron 50
EC é um inseticida fisiológico inibidor
da síntese de quitina com ação rápida
por contato e ingestão e ação seletiva,
ideal para o programa de MIP (Manejo
Integrado de Pragas), preservando os
inimigos naturais”, disse Gambassi.
“O Atabron é uma molécula que esta-
mos trazendo para o mercado de cana-de-
-açúcar, mas que é consagrada em outros
segmentos como soja, milho, algodão.
Ele é considerado um dos melhores pro-
dutos fisiológicos do mercado destacado
O evento reuniu cerca de 150 convidados entre agrônomos, produtores, consultores, associações, cooperativas
e a imprensa, que puderam conhecer um pouco mais sobre o novo princípio ativo para o mercado canavieiro
em resultados em todos os segmentos por
sua rapidez de controle e menor impacto
ambiental”, afirmou o diretor de marke-
ting de produtos da Arysta, Marcelo Zan-
chi, que aproveitou para noticiar a vinda
de novos produtos para o ano que vem.
“O que tem pautado a Arysta nos últimos
anos é a busca por soluções cada vez mais
integradas e, para 2015, estamos na bus-
ca de dois novos lançamentos, serão dois
novos herbicidas, aguardem”, disse.
Ainda durante o lançamento, agrôno-
mos, produtores, consultores, associa-
ções e cooperativas presentes puderam
debater sobre os assuntos apresentados
e tirar dúvidas sobre o Atabron.
Na apresentação sobre Manejo in-
tegrado da broca da cana-de-açúcar,
Novas Tecnologias
José Renato Gambassi, gerente de
marketing (cana) da Arysta
Mestre de cerimônia,
Cláudia Colucci (Cacau)
Dr. Newton Macedo
Fernanda Clariano
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
67
Dr. Newton Macedo falou sobre suas
experiências para o controle da praga e
sobre o Atabron. “Eu tive oportunida-
de de trabalhar com o Atabron em la-
boratório e estou muito entusiasmado,
pois esse produto vem num momento
oportuno para enriquecer o portfólio
dos inseticidas para controlar essa pra-
ga que realmente causa um prejuízo
assustador no Brasil. Vivemos um mo-
mento que se falam muito em produ-
tividade e sabemos que não podemos
pensar em melhorar o ganho do setor,
se não investirmos em produtividade”.
O especialista em pragas também
articulou sobre a importância de se tra-
balhar o controle químico com produ-
tos seguros e estratégias, bem como as
épocas críticas para o controle químico.
Dr. Newton ainda apresentou parâme-
tros importantes sobre as perdas por
ataque da broca tanto no campo quanto
na indústria. Segundo ele, a cada 1%
de intensidade de infestação no campo,
perde-se 1,14% do peso. Já na indústria,
a cada 1% de intensidade de infestação
perde-se 0,42% na produção de açúcar
e 0,25% na produção de etanol.
O impacto da broca da cana sobre a
eficiência industrial foi explanado pelo
Dr. Dinailson Corrêa de Campos, que
mostrou como a qualidade da matéria-
-prima interfere na qualidade industrial,
e como ela acaba afetando a qualidade
dos processos e dos produtos. O consul-
tor também pontuou os principais preju-
ízos causados pela broca, como a perda
de produtividade no campo (menor TCH
e menos ATR), perdas na qualidade da
matéria-prima (podridão e inversão sa-
carose), redução no BRIX e na POL,
infecções nos processos industriais fer-
mentação e cor do açúcar) e aumento dos
custos de controle de contaminações.
Ele também apontou a importância
do controle da broca para reduzir perdas
diretas e indiretas, minimizar a deterio-
ração da cana, preservar o açúcar até o
seu processo, maximizar o desempenho
da indústria, reduzir custos de produção
de açúcar e etanol.
Dr. Dinailson Corrêa de Campos
“A broca da cana-de-açúcar tem
sido a principal praga dos canaviais
e costuma causar grandes danos dire-
tos e indiretos para a cultura e, con-
sequentemente, na qualidade e quan-
tidade dos produtos finais. Quando
a cana chega contaminada, quando
ela está com nível de broca acima do
aceitável, se perde muito e, em muitos
casos, mesmo dentro do considerado
normal, as perdas são significativas”,
destacou Campos.RC
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
68
VENDEM-SE
- Fazenda na região de Rancharia-SP,
620 alqueires, 500 alqueires em cana pró-
pria primeiro e segundo corte, próximo a
Usina Cocal, estuda prazo e permuta;
- Sítio na região de Cajuru, 9 alquei-
res, 6 em cana, 3 reserva, pasto e área
para lazer R$ 900.000,00;
- Apartamento 2 dorms, 1 suíte próxi-
mo a faculdades;
- Casa em condomínio de alto Padrão
em Ribeirão, 3 suítes, sala, cozinha inte-
grada com área de lazer, piscina, hidro,
completa em armários, clube com toda
estrutura para esporte e cultura.
Tratar com Paulo pelos telefones (16)
3911-9970 (16) 9 9290-0243.
VENDE-SE
- Silagem de milho, produzido e ar-
mazenado na Propriedade Rural Fazen-
da São José-Pitangueiras/SP
Tratar pelo telefone (16) 3952-1443
VENDEM-SE
Engenho de aguardente desmontado
Descritivo
- 02 ternos de moenda, modelo 18’ x
30’, marca Dedini;
- 02 picadores para moenda 18’x 30”,
marca Caldema;
- Garra hidráulica alimentadora, fa-
bricação Criferp;
- Esteira de alimentação de moenda,
16,30 metros, completa;
- 02 esteiras intermediárias de borracha;
- Esteira de bagaço com talisca de
madeira, 20,70 metros;
- Cush-cush de garapa com tela inox
2500x50mm, furo 0,08mm;
- Transformador trafo trifásico, marca
Zago de 112,5 kva, 13200/380-220v;
- Edifício em estrutura metálica de
19x9 metros com ponte rolante – capa-
cidade para 6 toneladas;
- Moega para bagaço com redutor;
- Caldeira fabricação Caldema capa-
cidade de produção a vapor 4000 kg/h;
- 05 dornas com piso de operação e
escada de acesso 50m³;
- Conjunto hidráulico tombador de
cana (sem uso);
- CCM (Centro de Controle de Moto-
res) com iluminação e aterramentos;
- Motores e redutores diversos;
- Moto bomba (caldo) 1,5 cv;
- Moto bomba (caldeira) 7,5 cv;
- Moto bomba (vinho);
- Chaminé diâmetro 1,40 x 36,00 me-
tros comprimento;
- Destilaria para produção de aguar-
dente compacta – capacidade para
2000ls/h - Codistil - nova sem uso;
- Painel elétrico da caldeira + estrutu-
ra da destilaria + caixa d’agua e vinho.
Valor total R$ 295.000,00
Tratar com Robledo Pereira pelos te-
lefones ou e-mail (16) 9 9241-3102 (16)
3235-9200 marilenasgobbi@ig.com.br
VENDE-SE
- Sítio com 05 hectares, localizado na
altura do Km 11,5 da RodoviaAbrãaoAs-
sed, a 30 minutos de Ribeirão Preto, fazen-
do frente com a Rodovia. localizado a 3
Km de Santa Cruz da Esperança e a10 Km
de Cajuru. Todo cercado, repleto de ben-
feitorias, mina de água de alta qualidade e
disponibilidade, com sistema de alimenta-
ção em toda a propriedade (casa sede, casa
do caseiro, baias, curral e outras dependên-
cias), sistema de represa com peixes, com
captaçãodeáguaatravésdebombaelétrica
de 10Hp e através deste distribuição por
sistema de irrigação por toda a proprieda-
de, cachoeira de aproximadamente 12m
de altura em um riacho de uma das divisas
da propriedade, entre outras comodidades.
Preço:Acombinar
Tratar com Maurício Pires de Moraes
pelo telefone (16)9 9103-7271
VENDEM-SE
- Plantadeira Baldan solografic, 8 li-
nhas, plantio direto, ano 1999;
- Plantadeira Balban solografic, 8 li-
nhas, plantio direto, ano 2004;
- Colheitadeira Massey Ferguson
3640, série 300.000, com plataforma de
soja, ano 1987;
- Camionete F250, ano 2001.
Tratar com Carlos Eduardo pelos
telefones: (16) 3947-5268 (16) 9 9253-
9266 ou (16) 9 9455-0990
VENDE-SE
- Área de 15.7 alqueirões em Sacra-
mento, sendo 11.1 arrendados para cana
de açúcar.
Tratar pelos telefones (16) 9 9157-
6449 ou (16) 9 9148-2101.
VENDE-SE
- Trator 292 MF, traçado, 2007.
Tratar com Saulo Gomes pelo telefo-
ne (17) 9 9117-0767
VENDEM-SE
-CaminhãoFordCargo815S,ano2003;
-ÔnibusMercedesBenz-Of1318,/94;
Tratar com Marcio José Sarni pelos
telefones: (16) 9 9101-5687 (16) 3946-
4200 (ramal 141)
VENDEM-SE
- Caminhão VW 26310, ano 2004 -
canavieiro 6x4, cana picada;
- Carreta de dois eixos, cana picada
- Rondom.
Tratar com João pelos telefones: (17)
3281-1359 ou (17) 9 9732-3118.
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Tratar com Luiz Martins pelo tele-
fone: (16) 9 9967-7153 ou José Jovino
Borges pelo telefone: (16) 3839-5350 -
Ituverava/SP.
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três cômodos cada, localizada à Rua Pe-
dro Biagi, 789 em Sertãozinho-SP. Va-
lor: R$ 230.000,00;
- 01 estabelecimento comercial mon-
tado com base para Academia, em um
terreno de 200m², contendo uma casa de
laje com dois quartos, sala, cozinha, copa
e banheiro e, ainda, uma sala comercial
para escritório. O estabelecimento fica
localizado à Rua. Ângelo Pignata, 23 em
Sertãozinho-SP. Valor: R$ 230.000,00;
- 01 casa de aproximadamente 500m²
com seis cômodos e dois salões comer-
ciais com banheiro, separado da casa,
localizada à Rua. Augusto Zanini, 1056
Sertãozinho-SP. Preço a combinar.
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
69
Tratar com João Sacai Sato pelo tele-
fone (16) 3610-1634.
VENDEM-SE
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em Buritizal-SP. Valor: R$ 15.000,00 o
hectare em mata fechada;
- Um sítio de 70 hectares em Coro-
mandel-MG bom para café, com casa,
energia, formada 30 hectares em Bra-
quiarão, 10 hectares em campo, 7 hecta-
res em lavoura e 1 hectare em eucalipto
de 30 anos, restante mata em terra de
cultura, represa. Aceita troca por imó-
veis urbanos. Valor: R$500.000,00.
Tratar com José Antônio pelo telefo-
ne: (16) 9 91425362.
VENDE-SE
- Cultivador marca DMB, novo São
Francisco para cana crua e queimada,
com haste dupla e com motor hidráuli-
co. Acompanha asas para sulcar e mar-
cador de banquetas com pistão. Valor:
R$16.000,00. Jaboticabal-SP.
Tratar com Edinelson e Edenilson pe-
los telefones: (16) 969095158 ou (16) 9
9766-0328
VENDEM-SE
- Fazenda região de Rancharia/SP.
Possui 569 alqueires, 25 divisões de
pasto, quatro piquetes mais confinamen-
to para 500 bois, 500 cabeças de gado
(vaca, bezerro, boi), um curral grande
completo, um curral só com bretes, um
barracão de estrutura metálica, um bar-
racão de telhas francesas, 200 alqueires
de pasto novo (três anos), cerca novas de
cinco fios e cinco casas de caseiro;
- Fazenda (agricultura/pecuária) em
Martinópolis/SP próxima a rodovia Rapo-
so Tavares (16 km). Possui área de 1818
alqueires, 360 alqueires de reserva legal,
900 alqueires para agricultura, 566 al-
queires para pastagens, confinamento para
3.000 cabeças, quatro currais completos,
terra mista com prática de agricultura de
soja e milho, estrutura completa (casas de
caseiro,oficina,borracharia,tanquededie-
sel) e pista de pouso asfaltada.
Tratar pelo telefone: (16) 9 9281-8932.
VENDEM-SE
- 01 transformador de 45 KVA. Valor:
R$ 1.500,00;
- Apartamento no Guarujá, locali-
zado na praia de Astúrias, com quatro
suítes, três salas, copa, cozinha, quarto
para empregada, piscina na sacada do
apartamento, quatro vagas na garagem,
área comum com piscina aquecida, salão
de jogos e festa, churrasqueira, quadra e
sauna. Valor: R$ 1.980.000,00.
Tratar com Wilson pelo telefone (17)
9 9739-2000 – Viradouro/SP.
VENDEM-SE
- Colheitadeira Case A7700, ano
2009, - 7700, esteira, motor Cummins
M11, máquina utilizada na última safra.
Valor: R$ 145.000,00;
- Colheitadeira Case A8800, ano
2011, esteira máquina na colheita de
cana funcionando 100%, rolos preenchi-
dos. Valor: R$ 270.000,00;
- Colheitadeira Case A7700, ano
2007, série 770678, motor Scania, motor
novo, máquina revisada e trabalhando.
Valor: R$ 130.000,00;
- Colheitadeira Case 8800, ano 2010,
motor refeito em julho de 2014, máquina
revisada e pronta para trabalhar. Valor:
R$ 260.000,00.
Tratar com Marcelo pelos telefones:
(16) 9 8104-8104 ou 9 9239-2664.
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
70
VENDEM-SE
- 02 uniport. Modelos disponíveis:
2500 EJ (anos 2003/2004); 3000 EJ
(anos 2003/2004); 2500 Star (anos
2009/2010) e 3000 Hidro 4x4 EJ (ano
2004).
Tratar com Moacyr pelo telefone:
(16) 9 8112-0770.
VENDEM-SE
-VW 15-180/12 Borracheiro móvel
Gascom;
- VW 13-180/11 Tanque 10.000 li-
tros pipa bombeiro;
- VW 31-320/10 Tanque 20.000 li-
tros Gascom pipa bombeiro;
- VW 15-180/10 Comboio Gascom
para abastecimento e lubrificante;
- VW 13-180/09 Comboio Gascom
para abastecimento e lubrificante;
- VW 31-310/05 Tanque 20.000 li-
tros pipa bombeiro;
- VW 12-140/96 Oficina Móvel Gas-
com;
- MB 1718/10 Comboio Gascom para
abastecimento e lubrificante;
- MB 2423/04 Basculante 12m³;
- MB 1214/97 Baú oficina móvel;
- MB 2318/94 Tanque 15.000 litros
pipa bombeiro;
- MB 2318/94 Tanque 12.000 litros
pipa bombeiro;
- MB 2213/81 Tanque 14.000 litros
pipa bombeiro;
- MB 1113/72 Tanque 7.000 litros
pipa bombeiro;
- MB 1111/69 Chassi;
- F.Cargo 1719/13 Chassi 4x2;
- F.Cargo 2622/09 Tanque 15.000 li-
tros pipa bombeiro;
- F.Cargo 2626/05 Tanque 16.000 li-
tros pipa bombeiro;
- F.Cargo 2628/07 Basculante 12m³;
- F.Cargo 1317/07 Munk CNG mo-
delo 20.000;
- F.Cargo 2425/02 Betoneiro 8m³;
- F-14000/90 Tanque 9.000 litros
pipa bombeiro;
- GM S-10, executive, 2007, prata
4x4, diesel;
- Toyta Hilux SRV, 2010, prata, au-
tomática;
- Munk Hincol 43.000;
- Munk Hincol 31.000;
- Munk Masal 12.000;
- Munk Munck 640-18;
- Caçamba Basculante 12m³;
- Caçamba Basculante 5m³;
- Carroceria Graneleira para cami-
nhão truck;
- Carroceira Graneleira para cami-
nhão toco;
- Carroceria ferro para ¾;
- Tanque de Fibra Revisado 16.000
litros;
- Tanque de Fibra usado 16.000 li-
tros;
- Tanque de ferro revisado 15.000
litros;
- Comboio para ¾ Gascom fechado;
- Baú Sider;
- Baú Alumínio;
Contato Alexandre (16) 3945-1250,
9 97669243 (oi), 9 92402323 (claro),
WhatsApp: 78133866 e id: 96*81149
nextel.
VENDE-SE
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2006, com 7055 horas trabalhadas, “ca-
binado” de fábrica, completo 4x4 com
kit de freio boca de lobo (para puxar
carreta).
Tratar com Marco Antônio Oliveira
pelo telefone: (16) 9 9166-4286.
VENDE-SE
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verava, ideal para reserva.
Tratar com Paulo Pínola pelo telefo-
ne: (16) 3839-7506.
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discos de 18 polegadas R$2.500,00;
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Kg R$ 4.000,00;
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ano 2006 série 0938 GERTB em bom
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ção e parte ambiental ok.
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2006, motor com 1000 horas, em boas
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DMB, com marcador de pistão comple-
to para cana crua e queimada, ano 2004;
- Grade Aradora Tatu, 14x28 espaça-
mento 270mm, ano 2004;
- Grade aradora Civemasa, 16x34 es-
paçamento 360mm (semi nova);
- Carreta de plantio de cana-de-açú-
car, com assoalho novo, comprimento
4 metros com um eixo e dois pneus
900x20;
- Plantadeira PH 2700 de 4 linhas
plantio convencional, toda reformada e
revisada;
- Grade Niveladora Piccin 48x22,
grade conversada.
Tratar com Waldemar pelos tele-
fones: (16) 3042-2008/ 99253-6989 /
(16) 98186-9035 (Tim) / 99739-6005
(Vivo).
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Eventos de outubro de 2014
II Encontro Técnico sobre Pragas da
Cana-de-Açúcar
Data: 09 de outubro
Hora: 7h30 às 12h30
Local: Auditório Canaoeste “Fernandes dos Reis”
Cidade: Sertãozinho/ SP
IV Seminário de Bioeletricidade
Data: 9 de outubro
Hora: 9h às 12h
Local: Auditório do Centro Empresarial Zanini
Cidade: Sertãozinho/ SP
Mais informações: denise@unica.com.br
III Seminário Trabalhista
Sindical – CEISE Br e GERHAI
Data: 17 de outubro
Hora: 8h às 14h
Local: Auditório Canaoeste “Fernandes dos Reis”
Cidade: Sertãozinho/ SP
Mais informações: administrativo2@ceise.com.br
14º Conferência Internacional DATAGRO
sobre açúcar e etanol
Data: 20 e 21 de outubro
Hora: 13h às 20h30 - dia 20
08h às 18h – dia 21
Local: Grand Hyatt Hotel São Paulo
Cidade: São Paulo/ SP
Telefone: 11- 4133-3944
Email: conferencia@datagro.com
Mais informações: www.datagroconferences.com
II Reunião CANAPLAN – Reavaliação da Safra
2014/15 e visão inicial da 2015/16 – Centro-Sul
Data: 22 de outubro
Hora: 8h às 15h30
Local: Centro de Convenções da Cana (IAC)
Cidade: Ribeirão Preto/ SP
Mais informações: www.canaplan.com.br
Irrigacana – I Seminário Brasileiro de
Irrigação de Cana-de-Açúcar com Água.
Data: 29 e 30 de outubro
Hora: a partir das 8h
Local: Centro de Eventos Pereira Alvim
Cidade: Ribeirão Preto/ SP
Mais informações: www.gifc.agr.br
Anuncie no classificados da Canavieiros
entre em contato pelo fone
(16) 3946-3300 - ramal: 2208
ou e-mail: classificados@revistacanavieiros.com.br
Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Esta coluna tem a intenção de maneira didática, esclarecer
algumas dúvidas a respeito do português.
“Meu coração tem asas, minha razão anda a pé!”
Fernanda Mello
Cultivando
a Língua Portuguesa
1-) Dizem que ele é “anti-social”.
Será?!
O correto é: antissocial.
Regra fácil: Segundo o Novo Acordo Ortográfico, que entrou em vigor em ja-
neiro de 2009, o hífen é utilizado apenas quando o prefixo termina com a mesma
letra que começa a segunda palavra ou quando a segunda palavra começa
com h. 
Exemplos: anti-inflamatório, anti-higiênico.
Em todas as outras situações, o prefixo é escrito junto à palavra já existente.
Salienta-se que nas formações em que o prefixo termina em vogal e a segunda
palavra começa com as consoantes r ou s, estas consoantes deverão ser duplicadas. 
Exemplos: antissocial, antirrugas.
2-) Maria sentiu muito “enjôo” na gravidez.
… mas nada de enjoo com a Nova Grafia!
O correto é: enjoo (sem acento)
Regra fácil: Segundo a Nova Grafia: Deixaram de existir os acentos circunfle-
xos nos hiatos - uma repetição de vogais que pertencem a sílabas diferentes, como
por exemplo: enjoo (as sílabas da palavra são en/jo/o) (existem mais casos)
3-) Eles não conseguiram “apazigúar” a situação.
…com a grafia incorreta ficou difícil apaziguar!
O correto é: apaziguar (sem acento)
Regra fácil: Segundo a Nova Grafia: as letras U e I tônicas deixam de ser acen-
tuadas nas sílabas que, qui, gue, gui de verbos como o verbo apaziguar.
Biblioteca “General Álvaro
Tavares Carmo”
Direito ambiental empresarial
“O livro é um grito de alerta e de espe-
rança, ao analisar, sem receios, a realidade
como ela se apresenta, mas à luz dos me-
canismos legais, de sugestões estimuladoras
no mercado globalizado, realçando a partici-
pação das empresas na recuperação do meio
ambiente.”
Referência:
TRENNEPOHL, Terence Dorneles.
Direito ambiental empresarial. São Paulo:
Saraiva, 2010.
Os interessados em conhecer as sugestões
de leitura da Revista Canavieiros podem
procurar a Biblioteca da Canaoeste.
biblioteca@canaoeste.com.br
www.facebook.com/BibliotecaCanaoeste
Fone: (16) 3524-2453
Rua Frederico Ozanan, nº842
Sertãozinho-SP
Renata Sborgia
Coluna mensal
* Advogada, Profa
. de Português, Consultora e Revisora, Mestra USP/RP, Especialista em Língua
Portuguesa, Pós-Graduada pela FGV/RJ, com MBA em Direito e Gestão Educacional, autora de
vários livros como a Gramática Português Sem Segredos (Ed. Madras), em co-autoria.
PARA VOCÊ PENSAR:
“PROMESSA - FUTURO
Prometo não te ligar
Não escutar aquela música
Não olhar aquela foto
Que eu roubei de você.
Prometo nem mais te amar.
Segunda-feira eu começo.
Fernanda Mello
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Com um tom leve e uma linguagem
bem-humorada, o filme mostra um pai
dirigindo com seus dois filhos no banco
traseiro do carro. De repente, em uma
rua tranquila, o automóvel para sozi-
nho, as portas travam automaticamente
e o computador de bordo começa a con-
versar com eles, como se fosse a cons-
ciência do carro. Ela incentiva a escolha
do etanol no abastecimento do veículo
como uma opção inteligente e reforça
todas as vantagens do produto. Até os
carros de hoje, cheios de tecnologia, já
sabem quanto o etanol é melhor.
A criação é da agência Borghi/Lowe,
responsável também pelas primeiras fa-
ses da campanha. Para conferir a cam-
panha acesse o link:
www.youtube.com/UNICAcana
Campanha do etanol “COMPLETÃO” está de volta
A
UNICA (União da Indústria
de Cana-de-Açúcar) lançou no
último domingo de setembro,
uma nova fase da campanha publicitá-
ria “Etanol, o combustível completão”.
Focada principalmente no estado de
São Paulo, a ação tem como objetivo
reforçar os impactos positivos do etanol
para a economia e o meio ambiente, e
incentivar seu consumo.
“Com a retomada da campanha que-
remos relembrar aos consumidores as
vantagens e os benefícios do biocom-
bustível. O etanol gera ganhos ambien-
tais, sociais e promove o crescimento
econômico de forma significativa em
mais de mil municípios brasileiros”,
diz a presidente da UNICA, Elizabeth
Farina.
O etanol é um combustível mais po-
tente e limpo, uma vez que é produzi-
do a partir de uma fonte renovável, a
cana-de-açúcar. Além de reduzir em até
90% as emissões de gases de efeito es-
tufa quando comparado com a gasolina.
O biocombustível de cana possui ainda
tecnologia nacional, gerando cerca de 1
milhão de empregos diretos e oferece
oportunidades de avanços sociais e eco-
nômicos para o Brasil.
Quando lançada pela primeira vez,
em novembro de 2012, a campanha ala-
vancou as vendas de etanol no estado
de São Paulo, que em apenas um mês
de veiculação cresceram 10%. No ano
passado, a ação publicitária também
chegou a outros três estados: Paraná,
Goiás e Minas Gerais.
Peças publicitárias para TV e rádio mostram o biocombustível de cana
como uma opção inteligente e reforçam suas vantagens
Campanha
“Neste momento, o preço do etanol
está mais vantajoso do que o da gasoli-
na para o consumidor, ou seja, a pari-
dade de 70% já foi atingida em alguns
estados, mesmo assim a demanda pelo
produto não reagiu como se esperava.
Isso reforça o nosso diagnóstico de que
o contato direto com o público deve ser
constante”, afirma Farina.
A campanha
Com o slogan “Coloca Etanol, o
combustível completão”, já utilizado
nas fases anteriores da campanha e que
intensifica o posicionamento do biocom-
bustível e seus inúmeros benefícios, a
estratégia de comunicação é composta
por um filme de 30” para TV aberta e a
cabo, patrocínio de programas de televi-
são e rádio, jingle marcante, ações onli-
ne e presença em redes sociais.
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Edição 99 setembro 2014 - fenasucro 2014

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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 3 Editorial S aber que ao longo dos últimos oito anos leva- mos informações rele- vantes sobre a agroindústria canavieira através de reporta- gens, entrevistas e artigos com especialistas renomados, nos dá muito orgulho, caro leitor, principalmente ao finalizarmos a revista de setembro, a nossa nonagésima-nona edição. Por- tanto estamos muito anima- dos para preparar uma edição número 100 muito especial. Aguardem! Neste mês, a Canavieiros traz uma cobertura especial sobre a Fenasucro 2014, que foi marca- da pela perspectiva de retomada da cadeia canavieira e serviu de palanque para candidatos à presidência da República como Marina Silva (PSB) e Aloysio Nunes (PSDB), vice na chapa de Aécio Neves. A feira - que recebeu mais de 33 mil visitan- tes de mais de 50 países, e deve gerar mais de R$ 2,2 bilhões nos próximos 12 meses, também de serviu de palco para protesto do setor sucroenergético, que pede soluções para estancar a crise que vive devido à falta de polí- ticas públicas. O destaque do mês fica por conta dos benefícios que a Bio- tecnologia vem proporcionan- do, principalmente ao agrone- gócio. A matéria mostra que o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial dos países que cultivam variedades GM (geneticamente modificadas) e que novos eventos devem sur- gir nos próximos meses. O cui- dado na escolha de pneus que podem influenciar na produti- vidade também pode ser con- ferido nesta edição e a Gela- deiroteca, que continua sendo destaque por onde passa, como na XII Feira do Livro de Ser- tãozinho e na Fenasucro. Além da Coluna Caipiri- nha, assinada pelo Professor Marcos Fava Neves, opina no “Ponto de Vista” Plínio Nasta- A caminho da centésima edição Boa leitura! Conselho Editorial RC ri. Já o pesquisador científico do Instituto Biológico APTA/ SAA-SP, José Eduardo Mar- condes de Almeida, assina ar- tigo técnico sobre os fungos entomopatogênicos como fer- ramenta no manejo integrado de pragas da cana-de-açúcar. Também têm entrevistas com Alexandre Andrade Lima, presidente da UNIDA (União Nordestina dos Produtores de Cana), e com o ex-ministro Roberto Rodrigues, presidente do Conselho Deliberativo da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). As notícias do Sistema Co- percana, Canaoeste e Sicoob Cocred, artigos técnicos, as- suntos legais, informações se- toriais, classificados e dicas de leitura e de português também podem ser conferidos na revis- ta de setembro. Até outubro! Nossa centési- ma edição! Boa Leitura. Expediente: Conselho Editorial: Antonio Eduardo Tonielo Augusto César Strini Paixão Clóvis Aparecido Vanzella Manoel Carlos de Azevedo Ortolan Manoel Sérgio Sicchieri Oscar Bisson Editora: Carla Rossini - MTb 39.788 Projeto gráfico e Diagramação: Rafael H. Mermejo Equipe de redação e fotos: Andréia Vital, Carla Rodrigues, Fernanda Clariano e Rafael H. Mermejo Comercial e Publicidade: Marília F. Palaveri (16) 3946-3300 - Ramal: 2208 atendimento@revistacanavieiros.com.br Impressão: São Francisco Gráfica e Editora Revisão: Lueli Vedovato Tiragem DESTA EDIçÃO: 22.000 exemplares ISSN: 1982-1530 A Revista Canavieiros é distribuída gratuitamente aos cooperados, associados e fornecedores do Sistema Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred. As matérias assinadas e informes publicitários são de responsabilidade de seus autores. A reprodução parcial desta revista é autorizada, desde que citada a fonte. Endereço da Redação: A/C Revista Canavieiros Rua Augusto Zanini, 1591 Sertãozinho – SP - CEP:- 14.170-550 Fone: (16) 3946.3300 - (ramal 2008) redacao@revistacanavieiros.com.br www.revistacanavieiros.com.br www.twitter.com/canavieiros www.facebook.com/RevistaCanavieiros
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 4 06 - Entrevista II Roberto Rodrigues Presidente do Conselho Deliberativo da UNICA “Faltam políticas públicas mais consistentes baseadas em tecnologia para que o Brasil possa crescer” - Geladeiroteca marca presença na 12ª Feira do Livro de Sertãozinho - Reuniões Técnicas Canaoeste - Canaoeste realiza reunião técnica na filial de Santa Rita do Passa Quatro - Dia de Campo de plantio de Agmusa no Sistema Meiosi - Canaoeste participa de evento sobre acidentes com queimadas - Consecana 20 - Notícias Canaoeste Ano IV - Edição 99 - Setembro de 2014 - Circulação: Mensal Índice: E mais: Capa - 27 Fenasucro 2014 é marcada pela perspectiva de retomada da ca- deia canavieira Principal feira do setor sucroe- nergético foi palco para o fortale- cimento de negócios e do coopera- tivismo 16 - Notícias Copercana - Parceria entre a Copercana e a FMC oferece oficina e peça teatral para professores e alunos de escolas de Sertãozinho - Unidade de Grãos da Copercana realiza treinamento sobre Controle de Pragas - Parceira entre a Copercana Seguros e Porto Seguro Auto mobiliza motoristas de Sertãozinho 28 - Notícias Sicoob Cocred - Balancete Mensal Pontos de Vista .....................página 08 Coluna Caipirinha .....................página 14 Destaques: Guia de Negócios CEISE Br .....................página 40 Datagro .....................página 42 Agro SAFF DPaschoal .....................página 44 Biotecnologia na produtividade .....................página 46 Informações Setoriais .....................página 48 Artigos Técnicos: Custo de Produção .....................página 50 Plantas Daninhas .....................página 52 Sistema de Meiosi na Cana .....................página 54 Fungos Entomopatogênicos .....................página 56 Acompanhamento da safra .....................página 60 Assuntos Legais .....................página 64 Novas Tecnologias - Atabron .....................página 66 Classificados .....................página 68 Agende-se .....................página 71 Cultura .....................página 72 Etanol “Completão” .....................página 74 Foto:RafaelMermejo 05 - Entrevista Alexandre Andrade Lima Presidente da Unida “Uma seca só”
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 5 Entrevista I Alexandre Andrade Lima “Uma seca só” Fernanda Clariano A produção nordestina de cana-de-açúcar hoje é de 54 milhões de tonenaladas, o que represen- ta 9% da produção do País. Para isso, conta com 25 mil produtores independentes que fornecem para 70 unidades industriais. O Nordeste também é responsável por empregar 35% da mão de obra do setor no Brasil e tem em média 95 mil empregados por safra. A Revista Canavieiros en- trevistou o presidente da Unida (União Nordestina dos Produtores de Cana), Alexandre Andrade Lima, para falar sobre a seca que vem assombrando os produtores, estimativas de safra, eleições, dentre outros assuntos. Confira! Revista Canavieiros: O Nordeste, assim como o Estado de São Paulo, vem enfrentado uma das maiores se- cas dos últimos anos. Como os pro- dutores de cana-de-açúcar têm lidado com essa situação? Alexandre: Tivemos a maior seca dos últimos 50 anos, o Estado mais atin- gido foi o de Pernambuco, onde a pro- dução caiu de 17 milhões de toneladas para 13,2 milhões. Em alguns municí- pios houve perda na produção de 35%. Os produtores de cana irrigam pouco, mas esta prática está aumentando. O problema é o custo para implementação, que é alto, hoje, nosso cus- to de produção é de R$ 85 e estamos recebendo cerca de R$ 70. Algumas usinas mais capitalizadas estão investindo em irrigação, onde alcançam produção de mais de 120 ton/ ha, mas isto em irrigação ple- na. A maioria que irriga é uma irrigação de salvação. Revista Canavieiros: Além do clima que não está favorável, o setor sucroe- nergético tem sofrido um grande descaso por conta do Governo Federal. Como andam as expectativas dos produtores nordestinos em relação às eleições? Alexandre: Houve uma grande frustração com a mor- te de Eduardo Campos, um parceiro e conhecedor pro- fundo do nosso setor, e tinha uma relação afinada com o nosso setor. Achamos que ha- verá mudança na política do Governo em relação ao setor, seja quem for elei- to. Outra questão é que a Petrobras não suporta mais a atual política governa- mental de subsidiar a gasolina, fóssil é insustentável. Não temos dúvidas tam- bém que haverá reajuste nos preços dos combustíveis. Temos que encaminhar nossas propostas para todos os presi- denciáveis, para que se comprometam com a volta da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) na gasolina, sem ela, fica difícil o etanol competir com a gasolina, isto daria um reajuste de R$ 0,35 a R$ 0,38 no preço do combustível fóssil. Revista Canavieiros: Como está a questão da subvenção para os produtores nordestinos de cana-de-açúcar e etanol? Alexandre: A subvenção da cana para os produtores independentes já é o quinto ano consecutivo que conse- guimos. Temos uma boa relação polí- tica com o Governo Federal, além de contarmos com uma excelente relação com o presidente do Senado Renan Ca- lheiros e com o presidente da Câmara dos Deputados Henrique Alves, ambos nordestinos. Na realidade, temos um amplo apoio nas duas casas legislati- vas, até porque temos nove Estados no Nordeste e cada um tem três senadores, o que facilita a nossa articulação. Além de uma união e dedicação de todos que fazem a Unida (União Nordestina dos Produtores de Cana). Revista Canavieiros: Qual é a estimativa da Unida para a safra 2015/2016? Alexandre: Devemos colher aproxi- madamente a mesma safra passada, em torno de 54 milhões de toneladas, que representa 9% da safra nacional. Revista Canavieiros: Quais as ex- pectativas dos produtores nordestinos para a próxima safra, eles irão investir na renovação antecipada do canavial? Alexandre: Na realidade não há no- vos investimentos, só existe uma manu- tenção na área plantada e uma seleção de áreas mais adequada à topografia para o plantio de cana-de-açúcar.RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 6 Entrevista II Roberto Rodrigues “Faltam políticas públicas mais consistentes baseadas em tecnologia para que o Brasil possa crescer” Andréia Vital A declaração é de Roberto Rodrigues, que foi ministro da Agricultura e é o atual presidente do Conselho Deliberativo da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), da Academia Nacional da Agricultura e coordenador do Centro do Agronegócio da FGV - Fundação Getúlio Vargas. Ele é enfático ao afirmar a necessidade da criação de uma ampla estratégia articulada para que o avan- ço chegue mais depressa e efetivamente às diversas cadeias produtivas do agronegócio, gerando assim vantagens competitivas ao Brasil. De acordo com Rodrigues, que recentemente participou de seminário sobre biotecnologia, rea- lizado em São Paulo-SP, a agrotecnologia é um tema central no avanço sustentável da agricultura. O ex-ministro também ressaltou a importância do setor sucroenergético para atender à demanda mundial, mas lembrou que a agroenergia foi deixada de lado pelo atual Governo. “Sem meio de campo, que é a política pública, não adianta o setor sucroenergético querer ser artilheiro porque não vai fazer gol”. Confira a entrevista: Revista Canavieiros: Como a agrotecnologia pode ajudar no avan- ço da agricultura? Roberto Rodrigues: Aagrotecnolo- gia é um tema central no avanço susten- tável da agricultura. Novas tecnologias estão surgindo, parcerias com empresas públicas e privadas estão sendo fecha- das e isso pode garantir uma segunda revolução verde no nosso País, ajudando com vigor ao suprimento de alimentos do mundo todo. Isso se faz com os avanços tecnológi- cos que vêm sendo liderados pela Embrapa ao longo das últimas décadas, com a con- tribuição de órgãos estaduais de pesquisa, como o nosso grande Instituto Agronômico de Campinas, o Instituto Bio- lógico, o Instituto de Zootec- nia, o Instituto de Pesca, o Instituto de Economia Agrí- cola, por universidades e por outros institutos em todos os Estados. Mas o que faltam são políticas públicas mais consistentes que permitam o avanço chegar mais depres- sa, para efetivamente gerar vantagens competitivas. Revista Canavieiros: O que é preciso ser feito para que essas medidas sejam criadas? Roberto Rodrigues: Quando fui mi- nistro daAgricultura, no primeiro manda- to do presidente Luís Inácio Lula da Silva, em 2003, a soja transgênica representava somente 12% do que era produzido no Brasil. E existia uma resistência grande à sua produção dentro do próprio Governo, exigindo que cientistas, liderados à época pelo atual presidente da Embrapa, escla- recessem como funcionava a transgenia. A partir deste esclarecimento, foi criada a medida provisória para a comercialização de soja transgênica, que resultou na atual legislação para o cultivo do grão, que hoje atinge 90% do total produzido no País. Portanto, fica claro que as políticas públi- cas precisam ser embasadas pela ciência para serem realistas e efetivas. O Sistema Nacional de Pesquisa ga- rante a retaguarda técnica; as empresas e os produtores são o ataque; agora quem faz a bola chegar lá para os atacantes é o meio de campo, são as políticas pú- blicas. Portanto, regras claras baseadas em tecnologia são necessárias para que o Brasil possa crescer. O mundo espera isso da gente: que cresça o dobro do que o mundo crescerá em produção de ali- mentos em 10 anos, ou seja, que nossa produção seja 40% maior para atender à demanda do mundo. Não podemos esquecer também a importância do setor sucroenergético para atender à necessidade mundial de energia, sobretudo renovável e limpa, mas a agroenergia foi deixada de lado e o meio de campo dela não existe mais. Perdemos a Copa do Mundo porque não tínhamos meio de campo. Sem meio de campo, que é a política pública, não adianta o setor ser artilheiro: não vai fazer gol.
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 7 Revista Canavieiros: O setor su- croenergético brasileiro vive uma cri- se. Na sua opinião, como ficará o seg- mento diante da demanda mundial por alimentos, combustível, energia? Roberto Rodrigues: A agroe- nergia, do meu ponto de vista, pode mudar a geopolítica global porque diferente de comida, que qualquer país pode produzir, a agroenergia só se produz onde há sol o ano inteiro. É fruto de uma relação entre a planta, a terra e o sol o ano inteiro, que se en- contra nos países tropicais, que pode ser geradora da agroenergia, que não é somente o etanol. É etanol, é bio- diesel, bioeletricidade, biorrefinaria, toda a alcoolquímica que vem atrás deste processo gigantesco de mudan- ça que o mundo vive. É renovável, gera empregos, tem muito menor emissão de CO2, há evidências cla- ras de contribuição para a mitigação do aquecimento global, para a me- lhoria da saúde pública, enfim. É tão evidente este processo que empresas internacionais vieram investir no Brasil para aprender as técnicas e depois multiplicar em outros países. Mas o atual Governo brasileiro tirou o pé desse processo, ao contrário do que havia nos Go- vernos anteriores. Revista Canavieiros: Quais as ações necessárias para que o setor volte a ser competitivo? Roberto Rodrigues: Hoje o se- tor vive uma crise sem precedentes, e é preciso resolver essa questão. E essa questão passa por três ou quatro temas centrais: o primeiro é a defini- ção da matriz energética brasileira, afinal o que é que se deseja da matriz energética e que espaço cabe para a agroenergia nesta matriz? Definido isso, devem-se estabelecer as regras de regulamentação do etanol, da ga- solina, para que haja um equilíbrio adequado de preços e a empresa bra- sileira possa continuar trabalhando. O terceiro ponto é investir em tecno- logia agrícola e industrial e também em motor de automóvel, porque hoje motor a álcool não existe, o que temos é um motor de gasolina adap- tado para o álcool. Quem sabe um motor a etanol mais específico, mais completo, possa mudar a relação de 70% do preço do etanol em relação à gasolina para ser viável. Porque não 80%, 90% ou 100%, desde que haja um motor adequado para isso? Então há uma série de temas a serem desenvolvidos tecnicamente e cien- tificamente e que devem ser estimu- lados por políticas públicas. Revista Canavieiros: A altera- ção na participação do etanol na gasolina vai beneficiar o setor ca- navieiro na sua visão? Roberto Rodrigues: O aumento da mistura é um tema técnico em avaliação da qual participam a UNI- CA (União da Indústria de Cana-de- -Açúcar), a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veí- culos Automotores), o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), a Petro- bras, o Ministério de Indústria e Comércio. Há uma ampla discussão técnica para saber até quanto é pos- sível aumentar a mistura. Só vamos fazer isso quando tivermos clare- za dos efeitos que possam ter nos motores dos carros, sobretudo nos carros importados, porque os nacio- nais estão adaptados a receber 25%, então mais 2,5% não representa alto risco. Já para os carros importados é um problema a ser resolvido. Os testes estão avançando e até o final de outubro saberemos quando pode- rá entrar em vigor a nova mistura. De qualquer maneira, isso só terá validade na safra do ano que vem. Revista Canavieiros: Há possi- bilidades de mudança para o setor ainda neste Governo? Roberto Rodrigues: Bem, es- tamos conversando com o ministro Mercadante sobre o setor sucroe- nergético, com um bom diálogo, daí avançou o tema da mistura e da necessidade de fazer os testes, e outros assuntos defendidos há anos pela UNICA foram resolvi- dos, como a entrada do etanol e do açúcar no Reintegra, a utilização de PIS/COFINS, a abertura de créditos para construir armazéns para as usi- nas. A questão agora é econômica, pois ninguém investe em tecnologia se tiver prejuízo. A volta da CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) é o grande tema atual, tenho esperança que a gente consiga avançar nos próximos meses nesta questão.RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 8 Ponto de Vista I Governo avança com o projeto para elevar a mistura de etanol na gasolina *Plínio Nastari O Senado Federal aprovou no dia 02 de setembro o Projeto de Lei de Conversão 14/2014 decorrente da MP (Medida Provisó- ria) 647/14, que permite ao Governo elevar para 27,5% o limite de mistu- ra de etanol anidro na gasolina, desde que constatada sua viabilidade técnica. Atualmente, segundo a Lei 8.723/93, o Governo pode elevar o percentual de mistura do etanol anidro até o limite de 25%, ou reduzi-lo até 18%, limite mí- nimo que ainda foi mantido pelo novo projeto. O texto agora aguarda sanção da presidente Dilma Rousseff. A partir de então, ficará ao critério do Governo em permitir o aumento efetivo da mis- tura através de um ato administrativo, como uma portaria interministerial. Antes que a mistura de anidro na ga- solina seja efetivamente elevada para os 27,5%, o Poder Executivo ainda aguarda- rá a avaliação com relação aos impactos dessa medida sobre o desempenho dos veículos. Os testes estão sendo realizados no Cenpes (Centro de Pesquisa da Pe- trobrás) em conjunto com o INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Quali- dade e Tecnologia)e os resultados finais só deverão ser conhecidos no final de de- zembro ou início de janeiro de 2015. A decisão em elevar a mistura tam- bém dependerá do quadro de estoques no mercado interno, uma vez que a safra 2014/15 no Centro-Sul poderá ser encer- rada antecipadamente por conta dos pro- blemas nos canaviais, estendendo, por- tanto, o período de entressafra na região. Um aumento de 2,5 pontos percentuais na mistura provocaria um acréscimo de aproximadamente 1 bilhão de litros da demanda de anidro no País. Hoje, o País consome 10,91 bilhões de litros de etanol anidro, segundo estimativa da DATAGRO, dos quais 8,22 bilhões con- sumidos na região Centro-Sul. Ademanda de combustíveis no Brasil segue em alta. Em julho, a demanda de hidratado avançou 7,3% sobre o mês an- terior para 1,01 bilhão de litros. Compa- rativamente a agosto do ano passado, o crescimento foi de 13,4%. No somatório do ano, foram consumidos 7,05 bilhões de litros de etanol hidratado entre janei- ro e julho, 21,1% a mais que em mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, este foi maior volume consumi- do de hidratado desde 2010, quando 8,17 bilhões de hidratado foram demandados entre janeiro e julho daquele ano, perío- do em que quase 55% de toda a frota flex fuel utilizava o etanol. O expressivo crescimento do consu- mo de hidratado não reflete, necessaria- mente, maior abrangência da competi- tividade do etanol sobre a gasolina no país. De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o etanol esteve mais competitivo que a gasolina na bomba em quatro Estados na última semana de julho: São Paulo (65,71%), Para- ná (68,69%), Goiás (68,41%) e Mato Grosso (65,50%); praticamente a mes- ma cobertura de Estados há um ano. O aumento do consumo de hidratado está mais relacionado com a expansão da frota de veículos flex fuel. Conforme es- timativa da DATAGRO, a frota de veícu- los flex fuel cresceu 16,1% ao término de 2013 com 20,85 milhões de unidades cir- culando nas ruas. Levando em considera- ção as vendas de veículos entre janeiro e julho deste ano, estimamos que a frota de veículos flex fuel tenha alcançado 22,13 milhões de unidades ao final de julho, au- mento de 13,6% sobre o tamanho da frota observada em mesma data do ano passa- do (19,49 milhões de unidades). Já o consumo de gasolina A subiu 5,5% em julho para 2,736 bilhões de li- tros, totalizando 18,88 bilhões de litros acumulado de janeiro a julho, aumen- to de 11,5% sobre idêntico período de 2013, variação proporcionalmente me- nor ao registrado pelo consumo de hi- dratado. Dessa forma, a participação do etanol na matriz de consumo de combus- tíveis do ciclo Otto subiu para 35,8% na média parcial do ano, contra 33,7% em todo o ano de 2013 e 31,8% em 2012. Diante do aquecimento do mercado interno, via expansão da frota, e das perspectivas de uma entressafra mais longa do que o normal no Centro-Sul, o Governo poderá ser levado a decidir sobre o aumento da mistura de anidro na gasolina apenas em 2015. *PresidentedaDatagroConsultoria RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 10 Ponto de Vista II O Conto da Fazenda Experimental Bolivariana *Marcos Fava Neves E ste conto teve uma inspiração interessante. Passando pelos canais da TV num sábado à tar- de para achar algo que captasse minha atenção, eis que encontrei para rever, o filme “A Praia”, que tem Leonardo Di Caprio como ator principal. Para quem não viu, o filme relata as experiências de uma comunidade sonhadora de um novo mundo, que vai para uma praia deserta na Tailândia, e tenta se organi- zar coletivamente. O filme tem um ce- nário maravilhoso, e uma interpretação soberba deste ator. Vale, sem dúvida assistir. Mas o que teria a ver este filme com nosso conto, nossa ideia? Ao perceber no Brasil um crescente movimento ideológico contra a empre- sa, contra o lucro, da demonização do empresário, pois hoje quem quer pro- duzir é quase que um criminoso am- biental, trabalhista, social e, assim por diante, depois de escutar tanta bobagem destes micropartidos na propaganda eleitoral gratuita e também estar cansa- do de gente alienada, pendurada e que só reclama, vendo “A Praia”, tive uma ideia que pode até ser interessante. A ideia seria a de criarmos, nos mes- mos moldes do filme “A Praia”, uma fazenda experimental, servindo a diver- sos propósitos secundários, elencados ao final deste texto, mas com o propó- sito principal de mostrar a importância da agricultura e do trabalho no dia a dia de todas as pessoas, pois até que algo futurista aconteça, nossos organismos são “movidos a alimentos”. Uma área abençoada em termos de solos, incidência de sol, regime hídrico, seria escolhida em fronteiras do Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, enfim, numa destas bênçãos divinas recebidas pelos moradores do Brasil. Cercaríamos e colocaríamos em marcha o projeto. Mas quem iria para a Fazenda? Para lá seriam levadas para um estágio as pessoas críticas à agricultura, ao pro- dutor rural, ao agronegócio e as que têm visão deturpada ou parcial sobre o setor. Iriam desde as que pregam a so- cialização dos meios de produção, as que são ideologicamente contra a em- presa, contra o lucro, contra a ordem e o progresso, as radicais de diversos setores, como também os invasores (ou “ocupadores”), os antiprodução, os que desejam transformar o Brasil numa me- ga-aldeia, ativistas, representantes de algumas ONG’s confinados no sempre refrigerado ambiente Brasília/cidades internacionais, filósofos de gabinete, alguns artistas globais do eixo Ipanema, Leblon, Butantã, Pompeia, que pensam que seu baby beef nasceu na cozinha do restaurante da Vieira Souto e seu chopi- nho foi gerado dentro da chopeira dos maravilhosos bares da Ataulfo de Paiva ou dos arredores de Pompeia. Levaríamos também gente que acredita nos modelos da Coreia do Norte, Cuba e Venezuela, entre outros. Selecionaríamos parte dos 61 milhões de brasileiros em idade de trabalho, mas que não trabalham, não procuram trabalho e não estudam, entre eles os dependentes de bolsas Governamen- tais que têm habilidade, capacidade e ofertas de trabalho e os usuários do auxílio-desemprego que forçaram suas demissões. Ou seja, a geração “nem- -nem” também iria, os jovenzinhos ativistas ainda pendurados nas bolsas paternas e os outros não tão jovens, em idade de trabalho, mas que esticam até os 30, 40 anos sua permanência na universidade pública, normalmente em cursos sem demanda. Para poupar um esforço inicial dos habitantes desta fazenda, já entrega- ríamos a área com todo o cipoal de li- cenças e burocracia necessárias para se trabalhar e produzir. Teríamos uma infraestrutura coletiva de hospedagem na fazenda, com bons banheiros, po- rém, todos coletivos. Haveriam telefo- nes coletivos e uma sala de informática coletiva, com os softwares de domínio social. Produtos de limpeza, cosméti- cos básicos, medicamentos genéricos e outros suprimentos importantes seriam fornecidos gratuitamente até que o fruto do trabalho e da produção na fazenda conseguisse comprá-los. Um telão de TV central, apenas com os canais abertos, no refeitório seria permanentemente gratuito. Sem direito aos filmes de Hollywood, HBO e outros “lixos do império”. Nestes canais terí- amos o noticiário do Brasil e a trans- missão da TV de Cuba, da Venezuela, Coreia, e seriam reprisados todos os programas eleitorais dos micropartidos radicais, além de aulas de produção comunista gravadas e filmes da antiga DDR (Alemanha Oriental). Via assem- bleias e conselhos populares, a FEB criaria suas próprias mídias e poderia adotar até o controle social da mídia, caso esta fosse a opção vitoriosa. Como somos todos a favor do “Fome Zero”, a fazenda teria uma safra de cada produto adequadamente armazena- da para o consumo. Ou seja, teríamos milho, soja, hortícolas, frutícolas, açú- car, carne, cana... suficientes para uma rodada de consumo, portanto, para a segunda, teria que ser imediatamente plantado, cultivado e colhido, ou seja, trabalho pela frente aos habitantes da FEB a partir já do primeiro dia. Deixa- ríamos um rebanho bovino suficiente para um ciclo, bem como frangos, suí- nos e cordeiros e um lago com tilápias e equipamentos de pesca. Para o plantio da safra seguinte, já deixaríamos no armazém as sementes
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 11 padrão e as geneticamente modifica- das. Deixaríamos mudas, fertilizantes, defensivos e máquinas/implementos, desde os mais rústicos usados nos anos 30 e 40, até as máquinas com GPS uti- lizadas hoje. A biblioteca da FEB seria completa: para tudo teríamos livros explicando desde como plantar, adubar, cultivar e colher, como manejar as máquinas, uso de defensivos, equipamentos de proteção, compostagem, doenças dos animais, enfim, em tudo teríamos o “como fazer”. Na parte do processamento agroin- dustrial, forneceríamos também as pe- quenas agroindústrias processadoras já montadas. Um minifrigorífico, uma miniusina de cana, miniprocessado- ra de frutas, laticínio, torrefadora de café, entre outras, todas com manuais de funcionamento. Deixaríamos uma unidade de cogeração de energia, e um ano de suprimento gratuito de energia e diesel para as máquinas, até que a biomassa e o biodiesel fossem gera- dos. Galpões completos de armazena- gem e estrutura para um supermercado estariam prontas para os habitantes da fazenda trabalharem. A comunidade discutiria e escolhe- ria quais insumos utilizaria. Se, por exemplo, as assembleias deliberarem que são contra usar os defensivos na produção da sua comida, se organiza- riam para a catação manual de lagartas e outras pragas e a captura de insetos, ratos com arapucas e outras engenho- cas. Tudo é válido. Caso a assembleia opte pelo vegetarianismo, o rebanho poderia ser transformado em instru- mento de adoração, como em outros países que conhecemos. Uma vez pronta toda esta infra- estrutura, algo que nem de perto se oferece ao produtor rural, chega o momento de levar esta ampla comu- nidade selecionada à FEB (Fazenda Experimental Bolivariana). Na chega- da à fazenda, estas pessoas deixariam na entrada seus pertences pessoais, desde celulares, notebooks, bolsas, automóveis, afinal se são contra o progresso tecnológico, a empresa, o lucro, a multinacional, contra o “im- pério”, tem que ser coerente no com- portamento individual, o que frequen- temente não observo nestes grupos. Não podemos ser intelectualmente contra, mas transgressores na prática do comportamento individual. A comunidade teria que se organi- zar. Imagino que sairiam à frente os “movimentos sociais”, tentando botar ordem na casa, pois têm treinamento prévio, afinal, a comida vai acabar e precisam trabalhar para ter. Poderiam criar um sistema de governo, educa- cional e universitário, com liberdade de conteúdo, bancos, partidos políti- cos, congressos, conselhões, e verifi- car como pagariam estes políticos do grupo e seus assessores com o recurso de sua própria produção, pois assim são pagos no mundo real. Deixaríamos uma gráfica para im- pressão de uma moeda e de uma cons- tituição, se quiserem. Podem também criar Bolsas assistencialistas diversas, mas só depois que tiverem gerado ren- da para pagá-las. Afinal, para distribuir renda, alguém precisa gerar renda. Diferentemente da situação real do produtor brasileiro, garantiríamos à FEB segurança total, sem os frequentes assal- tos que acontecem nas fazendas ou in- vasões de outros “movimentos sociais” e daríamos uma carência de três anos, pelo menos, para aplicar a atual legis- lação trabalhista, ambiental e tributária. Entregaríamos com reserva legal já aver- bada e CAR (Cadastro Ambiental Rural) preenchido. Não precisariam pagar im- postos e nos ajudar a sustentar Brasília por pelo menos 3 anos, algo que os bra- sileiros comuns dedicam mais de quatro meses de trabalho por ano. Como não há petróleo na FEB, seus habitantes estariam livres do loteamen- to de cargos, da corrupção e dos escân- dalos advindos de uma suposta petrolei- ra que seria criada. Também é vetada a entrada de dólares, pois isto é algo que vem do Império, e desta forma não te- ríamos doleiros para trazer mais escân- dalos a FEB. Forneceríamos o SUS (Sistema Único de Saúde) e o “Mais Médicos”, e se a comunidade aceitar (aceitasse), casos mais graves envolvendo líderes e políticos que não quiserem o SUS, cederíamos o Sírio Libanês, via cré- dito, mas para ser pago pela comuni- dade quando esta dispuser de renda.
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 12 Não sou contra deixarmos também estoques de cachaça e uma destila- ria montada, afinal, não dá para exigir abstinência. Forneceremos também es- toques e sementes de Cannabis Sativa e fósforos. Pode inclusive ser que esta cadeia produtiva seja a primeira a se organizar na comunidade, pois é prova- velmente onde os estoques planejados para um ano mais cedo darão os sinais visíveis de escassez. À medida que os excedentes de pro- dução advindos do trabalho e do esfor- ço dos moradores da FEB fossem sendo gerados, estes poderiam ser vendidos para fora da FEB e daríamos outra fa- cilidade: os mercados (compras) seriam por nós garantidos, com preços míni- mos estipulados. Também oferecerí- amos algo que os produtores hoje não têm: seguro sofisticado que protegesse a produção e a renda da comunidade de intempéries climáticas. O transporte dos produtos desde a FEB até os centros de consumo nós ofe- receríamos para evitar que passem pelo descalabro logístico que nossos produto- res enfrentam, acabando com sua renda. Seguro contra os frequentes roubos de cargas, também ofereceríamos, afinal precisamos dar um impulso à FEB. Garantiríamos o máximo esforço para utilizarmos o nosso porto em Cuba. Com a renda criada pela venda da sua produção, fruto do seu trabalho, a comunidade poderia, aos poucos, comprar os bens de consumo essen- ciais para reposição (sabonete, sham- poo e outros) e também os produtos supérfluos hoje existentes fora da FEB. Poderiam importar desde carros Hyundai, BMW, motos Harley Davi- dson, máquinas de Nespresso, toda a parafernália da Apple, equipamentos de som Bang & Olufsen, comprar bol- sas Louis Vuitton, cosméticos MAC, TV HBO por assinatura, entre outros sonhos, e inclusive materiais de cons- trução para futuras casas individuais, que poderiam sim ser construídas em terrenos dentro da fazenda, caso ven- ça na assembleia a individualização das moradias. Podemos sofisticar bem mais o nosso conto, mas parando por aqui para pou- par o tempo dos trabalhadores, a missão da FEB seria esta: “ensinar a parar de reclamar e trabalhar para prosperar”. Além dos habitantes da FEB desco- brirem e reconhecerem que as coisas não caem do céu, e que tem gente suan- do forte para tentar produzir num País que a cada dia cria mais dificuldades, o estágio traria outros aprendizados à comunidade da FEB, evidências que carregariam ao resto das suas vidas: - Não existe distribuição de renda que se sustente, sem geração de renda; - Não existe consumo sem produção; - É difícil e custa ser contra o pro- gresso tecnológico. Se você não gosta da tecnologia e das empresas que geram tecnologia, existem alternativas menos produtivas à disposição e podem ser usadas, mas dará mais trabalho e pode não ser suficiente; - Algumas coisas precisam de escala para serem produzidas eficientemente, então o romantismo da família, do sim- ples, não funciona. - Para que um sistema destes (FEB) funcione coletivamente, é preciso que todos tenham ampla propensão ao tra- balho, o que não se observa em todos os seres humanos. Este é o principal mo- tivo do fracasso de modelos coletivos que não incentivam o trabalho, a pro- dutividade individual e a meritocracia. - Quem não trabalha, ou tem labor- -fobia, está sendo sustentado por quem trabalha e se aproveita do mais produti- vo. Vai ficar evidente para todos na co- munidade literalmente quem “não vale o feijão que come”; - Produtos são plantados, cultiva- dos e colhidos, com muito esforço por quem fez, com muito risco. Precisamos respeitar e valorizar quem produz e agradecer, pois parte do que podemos consumir no País vem da renda da ex- portação gerada por estes empreende- dores. Simplificando, nosso I-Phone 6 foi pago com... exportações de açúcar. Vamos implementar a FEB e aguar- dar cinco anos para ver se funciona. Tenho cá um pouquinho de dúvidas se os perfis que iriam para lá têm em seu DNAa filosofia de “agarrar no batente”, necessária quando não se têm outros fa- zendo por você, ou com a presença de um estado assistencialista, contamina- do pela política da “vitimização e da coitadização” dos seus habitantes. Mas não podemos cometer o equívoco de um pré-julgamento. Vamos aguardar e observar este laboratório a céu aberto. Acho que teremos olheiros do mundo todo observando a FEB. Se após cinco anos a FEB der certo, minha hipótese é que a comunidade se organizou em um modelo capitalista. O sistema capitalista, com todos os seus problemas, é o melhor que a so- ciedade mundial dispõe, basta olhar os 20 países melhor ranqueados nos IDH (indicadores de desenvolvimento humano). É no que acredito, um siste- ma que promova forte inclusão social, pelo trabalho, esforço e geração criati- va de oportunidades. Se FEB der certo e for sustentável no médio prazo num modelo comunista, eu tenho que calar a minha boca e jogar fora boa parte das coisas que escrevi. Voltar a estudar, porém, outras obras. Estou terminando o conto e esqueci de abordar o assunto fugas ou abando- nos. Fugas da FEB serão aceitas após uma entrevista onde fique provado que a pessoa aprendeu valores ligados ao trabalho, à geração da sua própria ren- da, à noção de responsabilidade e de colaboração ativa com a comunidade e o fim do pensamento de que... é vítima, um coitado, um excluído. A última pergunta que abriria a por- teira da fazenda e traria o “febiano” de volta ao mundo externo avaliaria se o entulho intelectual, ou a alucinação bo- livariana ficou para trás, enterrado na fazenda, da mesma forma como o gran- de sonho da comunidade de Leonardo Di Caprio em “A Praia”, fracassou e ficou... na praia tailandesa. * é professor titular de planejamen- to estratégico e cadeias agroalimen- tares da FEA-RP/USP. Autor de 45 livros publicados em oito países. Foi professor visitan-te da Purdue Univer- sity (Indiana, EUA) em 2013. Ponto de Vista II RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 14 Como está o nosso agro? Con- trariando a recuperação dos últimos meses, em agosto o desempenho das exportações do agro sofreu uma que- da considerável. As exportações, (US$ 8,89 bilhões) se comparadas com o mesmo período de 2013 (US$ 10,17 bi), diminuíram 12,5%. O saldo na ba- lança do agro de agosto foi de US$ 7,48 bi, uma queda de 14,0% em relação a agosto de 2013, que foi excelente. O valor exportado acumulado no ano (US$ 67,6 bilhões) teve queda de 2,1% quando comparado com o mesmo perío- do de 2013 (US$ 69,0 bilhões). O saldo positivo acumulado no ano foi de US$ 56,4 bilhões (2,4% menor que o mes- mo período em 2013). Se continuarmos nesse ritmo, fecharemos 2014 com um montante de US$ 101 bi, atingindo a meta dos 100 bi, porém cabe ressaltar que no acumulado de janeiro-agosto de 2013 tivemos uma exportação de US$ 69,0 bi e fechamos 2013 com a cifra de US$ 99,9 bilhões. O ponto negativo das exportações do Brasil é justamente o complexo cana, que no ano passado, de janeiro a agos- to, havia exportado US$ 9,1 bilhões, e neste ano, apenas US$ 6,5 bilhões, 28% a menos. Como está nossa cana? Segue firme o processamento de cana na safra. Até o final de agosto, a produção de açúcar e etanol estava 5% maior que na safra anterior, mas sabe- mos que a atual safra será cerca de 9% menor. Houve, a partir de agosto, grande mudança no mix em direção ao etanol (quase 55% na segunda quinzena do mês), algo que poderia ter acontecido antes se não fossem os erros do Gover- no. Agora, já comprometeu o resultado do ano. Estimativa da JOB é que a safra do Centro Sul será de 552 milhões de to- neladas. Para a Datagro, será de 556 milhões de toneladas. A crise vai deixar rastros fortes. Se- gundo a Orplana (Organização de Plan- tadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil), a taxa de renovação dos cana- viais de produtores em 2014 foi de 12%, quando o ideal seria 17%. A quebra deve ser maior que a observada nos canaviais das usinas, algo ao redor de 15%. Costumo dizer que a crise que o se- tor passa não é uma crise de mercado, como por exemplo se observa no suco de laranja.Acrise da cana é fabricada. O fa- bricante todos conhecem: um ineficiente e caro pessoal que mora em Brasília... Muita gente está investindo em algo que o setor sonha: a semente da cana! Vamos ter esperança. Como estão as empresas do setor? Aempresa americana BioUrja Trading tem projeto para uma usina de etanol de milho em Chapadão do Sul, que a princí- pio processaria 343 mil toneladas do grão por ano, gerando etanol e o farelo de mi- lho de alto valor proteico (DDGS). A Brasken, Amyris e Michelin de- senvolveram parceria para produzir um isopreno renovável, principal material usado na fabricação de pneus e outros produtos de borracha. Para a produção deste isopreno, serão utilizados açúca- res, como o da cana. É mais uma apli- cação futura para a cana. A Odebrecht produziu nesta safra cerca de 65 toneladas por hectare. Deve moer ao redor de 26 milhões de tone- ladas neste ano. 83% da cana vai para etanol, e deve produzir 1,85 bilhão de litros. O foco da empresa agora será na melhoria dos canaviais, buscando 74 toneladas em média daqui dois anos. 80% da cana é própria, produzida em 445 mil hectares. De acordo com a em- presa, busca-se aumento de produtores independentes, visando atingir 40% do suprimento. Ceres, dos EUA, vai colocar ênfase em investimentos de cana transgênica, visando traços de biomassa, tolerância a estresse e conteúdo de açúcar. Como está o açúcar? Usinas estão estocando mais açúcar e etanol com as perspectivas de melho- ria dos preços na entressafra. Diversos grandes grupos estão com estoques 100% maiores. Coluna Caipirinha Marcos Fava Neves Caipirinha Os Rastros de uma Crise Fabricada Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 15 A Job estimou redução nas exporta- ções de açúcar este ano, devido a que- bra de safra, para 22 mi t. O preço do açúcar chegou a 13,75 cents por libra, menor valor desde 2010. Muita gente que previa preços melhores no final do ano, como eu, caiu do cavalo nas análises. O Governo, via Conselho Monetário Nacional, deve incluir o açúcar em li- nhas de financiamento para armazena- gem, a taxas de 4,5% ao ano, com 15 anos para pagamento e carência de 3 anos. Fora esta ação, o açúcar e o etanol foram incluídos no programa Reinte- gra, que permite às empresas recupe- rarem 3% do valor exportado na forma de crédito tributário para PIS e Cofins. Segundo o Governo, já pode ser válido em 2014, em 0,3%. Como está o etanol? Foi aprovado o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 27,5%, provavelmente para valer a partir da sa- fra 2015/16. Falta ainda a aprovação de testes sendo feitos em automóveis, que devem perdurar até outubro. Segundo a Archer, o consumo de combustível no Brasil nos últimos 12 meses foi 4,4 bilhões de litros superior ao período anterior. Foram 11,8 bilhões de litros de hidratado e 43,1 bilhões de gasolina. O consumo de hidratado au- mentou 1,8 bilhão de litros entre os pe- ríodos. O petróleo caiu abaixo de 100 dólares pela primeira vez em 15 meses. Quem é o homenageado do mês? A coluna Caipirinha todo mês ho- menageia uma pessoa. Neste mês a homenagem vai para o Prof. José Gol- demberg. Nosso ex-reitor na USP e exemplo de carreira profissional, em todos os sentidos. Haja Limão: Lógico que gostaria de votar numa Angela Merkel, Margareth Thatcher, Ronald Reagan, Bill Clinton, Gorbachev, Oscar Arias, entre outros estadistas que admiro. Gente que ajuda- ria a acabar com esta política nefasta de vitimização, de coitadização, e chamaria os brasileiros a vencerem pelo trabalho, pelo esforço de todos. Entre as três op- ções colocadas para nós, para mim Aé- cio é de longe a melhor para o Brasil, pela quantidade de gente competente que está com ele e pela sua experiência e capacidade política de aglutinar. Dil- ma, tudo indica que repetiria o desastre que já conhecemos, e Marina, só se ela se transformou por completo, pois seu passado político também não contribui. Foi contra muita coisa que melhorou o Brasil e esteve confortavelmente silen- ciosa contra toda a corrupção.
Conversei com muita gente, que lamentavelmente já jogou a toalha. Faltam ainda longas três semanas para a eleição, vamos, com esforço individual, brotar uma onda a favor do Brasil! Mais do nunca, precisa- mos acreditar. Acomodar jamais! Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto. Em 2013 foi Professor Visitante Internacio- nal da Purdue University (EUA) RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 16 Parceria entre a Copercana e a FMC oferece oficina e peça teatral para professores e alunos de escolas de Sertãozinho Notícias Copercana A pós proporcionar oficinas teatrais para aproximadamente 30 pro- fessores da Rede Municipal de Ensino de Sertãozinho-SP, com o intuito de passar orientações vocais e desenvol- ver a habilidade de comunicação e ex- pressão dentro da sala de aula, nos dias 12 e 13 de agosto, por meio de uma parceria entre a Copercana e a FMC Agricultural Solutions, com o apoio da Secretaria Mu- nicipal de Educação da Prefeitura de Ser- tãozinho-SP, cerca de 700 alunos da Rede Municipal de Ensino da cidade, passaram pelo auditório da Escola Municipal Elvira Arruda de Souza, onde assistiram gratui- tamente ao espetáculo “Árvore da Vida”, aprovado pelo Ministério da Agricultura, através da Lei Rouanet (Lei de incentivo à cultura). O espetáculo, de responsabilidade ambiental, foi apresentado pela Com- panhia de Teatro Sia Santa, de Cam- pinas-SP, realizado em seis sessões e teve como objetivo harmonizar entre- tenimento, conhecimento e informação de forma lúdica sobre como é possível inserir boas práticas agrícolas no dia a dia, através de uma linguagem simples visto que o público-alvo (as crianças) são multiplicadoras de conhecimentos dentro de suas casas. Fernanda Clariano Estiveram presentes o gerente finan- ceiro da Copercana e Canaoeste, Gio- vanni Rossanez, o representante técnico comercial da FMC, Vinícius Batista, a diretora da Escola Elvira Arruda de Souza, Luciana Fernandes Ambrósio, a produtora da Companhia de Teatro Sia Santa, Valéria Rachel, a gestora do De- partamento de Marketing da Copercana e Canaoeste, Letícia Pignata, além de professores e alunos da Rede Municipal de Ensino da cidade. “É de grande valor para a Coperca- na ser parceira da FMC num projeto tão importante como esse, que leva co- nhecimento e aprendizagem de forma lúdica às crianças. Há anos a Coper- cana vem contribuindo com algumas instituições e está sempre envolvida em movimentos sociais que auxiliam no desenvolvimento da população serta- nezina e agora com essa parceria com a FMC vem trazer para os alunos da Rede Municipal de Ensino de Sertãozi- nho um momento de descontração, de diversão, mas acima de tudo, de apren- dizagem, pois através dessa peça eles saem daqui sabendo um pouco mais sobre sustentabilidade, produção de ali- mentos e responsabilidade ambiental”, pontuou Giovanni Rossanez. O espetáculo de responsabilidade ambiental reuniu cerca de 700 alunos da Rede Municipal de Ensino de Sertãozinho durante dois dias de apresentações Equipe da Companhia Teatral Sia Santa, com os professores que participaram da oficina Os alunos lotaram o auditório em todas as apresentações
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 17 “Para a FMC, é importante estarmos presentes no dia a dia dos agricultores contribuindo para que eles possam pro- duzir de forma sustentável, pensando num futuro que seja melhor para o País e, consequentemente, para o mundo, pela relevância que o Brasil tem como um celeiro agrícola. Sustentabilidade é o tema central dessa peça que estamos apoiando porque acreditamos que uma agricultura sustentável é a base de tudo. Para isso, estamos contando com a par- ceria da Copercana, pois por meio dessa ação, esperamos trazer um pouco do que é a realidade da agricultura para milha- res de crianças, mostrando que é possí- vel produzir sempre de modo sustentá- vel e correto”, ressaltou Vinícius Batista. A diretora da Escola Elvira Arruda de Souza destacou a importância de po- der receber o espetáculo. “Eu agradeço a Copercana, a FMC e a Sia Santa que foram essenciais para o acontecimento desse evento e nos presentearam com uma bela peça. Trazer o teatro para a escola é essencial, é uma oportunidade para os alunos vivenciarem essa cultu- ra. Achei a apresentação interessante porque abordou assuntos importan- tíssimos principalmente sobre o meio ambiente, educação e leitura de uma forma bem cativante e percebi que as Representantes da Copercana, Canaoeste e FMC entregaram uma placa de homenagem para a Companhia de Teatro Sia Santa pelo trabalho realizado. crianças adoraram. Para nós, foi um prazer acolhê-los e poder proporcionar esse entretenimento para outras escolas que não possuem um espaço como este e, quando somos solicitados, abrimos as portas e os recebemos com muito pra- zer”, afirmou Luciana.RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 18 RC Unidade de Grãos da Copercana realiza treinamento sobre Controle de Pragas Notícias Copercana P or meio da parceria entre a Una- me (Unidade de Grãos da Coper- cana) e a empresa Bequisa, foi realizado no dia 26 de agosto, no audi- tório do setor de compras da Copercana, em Sertãozinho-SP, um Treinamento de Controle de Pragas para colaboradores das áreas de Controle de Pragas, Indus- trial, Segurança do Trabalho e Qualida- de, da Uname e da filial de Tupã. Par- ticiparam também colaboradores das empresas parceiras Cap Agroindustrial de Dumont-SP e Cerealista Marani de Herculândia-SP. O treinamento teve o acompanha- mento da coordenadora do Sistema de Segurança do Alimento da Uname, Ma- riana Rosa de Souza, e da responsável pelo Controle de Pragas da Unidade de Grãos da Copercana, Regina Del Gran- de, e contou com palestras importantís- simas sobre Controle de Pragas emAm- bientes de Armazenagem e Controle de Roedores em Ambientes de Armazena- gem, proferidas pelo engenheiro agrô- nomo supervisor da Bequisa, Hamilton Viganó Neto e pela bióloga, consultora da Bequisa, Juliana Pereira. O controle de pragas é essencial para a manutenção de uma boa armazena- gem de grãos e conscientes disso, a Co- percana em parceria com as empresas Cap Agroindustrial e Cerealista Mara- ni, estão atentas neste quesito e garan- tem que os colaboradores envolvidos em diferentes áreas da empresa, como qualidade, armazenamento, produção e segurança do trabalho, tenham informa- ções e conhecimentos necessários para a realização de um bom trabalho. “Organizamos este evento em con- junto com a empresa Bequisa onde o foco foi a importância da capacitação e reciclagem dos conceitos aos funcioná- rios envolvidos com o manejo integrado de pragas. Pudemos sentir um grande envolvimento dos participantes durante as palestras, além de um ótimo domí- nio do assunto pelos palestrantes, que não deixaram de atender prontamente às perguntas e esclarecimentos dos ou- vintes. Esperamos como resultado que, Fernanda Clariano mais conscientes da importância de um bom Controle de Pragas para a qualida- de de nossos grãos armazenados, possa- mos continuar executando um excelen- te trabalho nesta área”, disse Mariana. “A realização deste evento foi de grande importância para os colabo- radores que estão envolvidos com os grãos armazenados na Uname. A cada ano, existem produtos novos e novas técnicas, que precisamos aprender para obtermos controle das pragas em grãos armazenados, com eficiência e sucesso, pois o nosso produto é de qualidade e esse evento foi de grande importân- cia, pois através das palestras teremos maior facilidade para combatermos as pragas que surgirem”, disse Regina. Com o objetivo de instruir e auxiliar a equipe envolvida sobre as melhores formas de controle dentro da realidade do estabelecimento, a bióloga Juliana falou sobre Controle de Roedores em Ambientes de Armazenagem – identifi- cação dos roedores, formulações de ra- ticidas, quando, como e onde utilizá-los e como combater a praga. “Explanei sobre a biologia das pra- gas quando relacionadas ao nosso dia a dia, sobre seus hábitos e comportamen- tos, medidas preventivas e corretivas (para impedir a entrada e permanência destas pragas nos estabelecimentos) e por fim o controle químico. Foi muito importante, pois tive a oportunidade de estar com uma equipe bastante interes- sada e poder auxiliá-los de alguma for- ma foi gratificante”, afirmou Juliana. Na cadeia produtiva de alimentos, desde a produção de sementes e plan- tio, até chegar à mesa do consumidor, são encontrados vários obstáculos. Dentro desta cadeia está o processo de armazenagem, onde encontramos um fator de extrema importância, que é o cuidado com o controle de insetos nos ambientes de armazenagem. O enge- nheiro agrônomo, Hamilton, em sua apresentação sobre o Controle de Pra- gas em Ambientes de Armazenagem, abordou a identificação das principais pragas, profilaxia, expurgo, manuseio de inseticidas, EPI (Equipamento de Proteção Individual) e envelopamento com as lonas. “Sabemos que na produção agríco- la há muito investimento para trazer um produto de boa qualidade até as empresas que irão beneficiá-los. Cabe a nós, responsáveis pelo beneficia- mento e armazenagem desses alimen- tos, não permitir que todo esse esforço se perca, mas sim que essa qualidade seja mantida até o consumidor final. Os insetos causam danos irreversí- veis nos grãos armazenados, tantos nas questões quantitativas quanto nas qualitativas, estes ataques danificam o grão desde a sua aparência até sua capacidade nutricional. Para evitar perdas, que acabam se revertendo em grandes prejuízos econômicos, traze- mos soluções para o controle desses insetos. Para nós da Bequisa e da Bi- zarro Teixeira, ter parceiros como a Copercana é muito importante, por- que é uma cooperativa que leva muito a sério o que faz, está sempre buscan- do conhecimento para melhorar todos os processos que já vêm sendo desen- volvidos com sucesso”, ressaltou o engenheiro agrônomo da Bequisa.
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 19 Parceira entre a Copercana Seguros e Porto Seguro Auto mobiliza motoristas de Sertãozinho A Porto Seguro em parceria com a Copercana corretora de Seguros, realizou no dia 20 de setembro, no auto posto Copercana, em Sertãozi- nho, a campanha Transito + gentil - Ser gentil não custa nada e vale mui- to - com o objetivo de conscientizar os motoristas, sobre a importância de serem mais tolerantes uns com os outros e de manterem o respeito e a harmonia no trânsito. Durante todo o dia de mobiliza- ção, uma equipe fez a abordagem de vários motoristas, adesivaram carros e entregaram panfletos com dicas importantes para contribuir com um transito mais seguro e tranquilo. A entrega foi realizada pela gerente de produção da Porto Seguro, Cristiana Xavier Na ocasião, os motoristas abor- dados foram convidados a preen- cherem um cupom para concor- rerem a um jantar com direito a acompanhante. O ganhador do sorteio foi, Kleber Diniz.
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 20 Geladeiroteca marca presença na 12ª Feira do Livro de Sertãozinho Notícias Canaoeste Fernanda Clariano Com o tema “Família e Educação”, a feira reuniu milhares de famílias que prestigiaram os quatro dias do evento, atraindo um grande número de visitantes P romovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura e do Departamento de Cultura e Turismo, a 12ª edição da Feira do Livro de Ser- tãozinho, aconteceu entre os dias 02 e 05 de setembro na praça XXI de Abril e contou com a participação de um público expressivo durante todos os dias da Feira. Na abertura estiveram presentes: o prefeito, José Alberto Gimenez, o vice-prefeito, Valter Almussa, o pre- sidente da Câmara Municipal, Rogé- rio Magrini, o diretor do Departamen- to de Cultura e Turismo, João André da Rocha, o Secretário municipal de Educação e Cultura e anfitrião da Fei- ra, Alexandre Salomão Bitar, a co- ordenadora do Projeto Sol do Saber, Amália Seron, vereadores, professo- res e a população. Além de muitos livros, palestras, oficinas e bate-papos, um dos desta- ques da Feira foi à participação ilus- tre do patrono dessa edição, Rolando Boldrin, que na oportunidade recebeu o Título de Cidadão Sertanezino. O escritor local homenageado, mem- bro da Academia Sertanezina de Letras, Gilberto Antônio Marques Bellini, tam- bém se fez presente juntamente com 18 famílias da cidade que receberam ho- menagens por terem contribuído com a questão família-escola. Dentre as homenageadas, a família Ortolan, que teve como representante o presidente da Canaoeste, Manoel Ortolan, e sua esposa Sandra Mara Bernardi Ortolan. O patrono da feira, Rolando Boldrin, falou com emoção sobre a sua participa- ção como patrono. “É difícil expressar a alegria que estou sentindo. Trabalho O estudante e auxiliar administrativo, Eliel Ivanildo da Silva, aproveitou para conhecer a Geladeiroteca durante a Feira. “Eu achei muito bacana essa ideia porque ajuda a incentivar a leitura, você vem, escolhe um livro e leva. É muito simples, e devolvendo ou trazendo outro livro, você ainda pode contribuir com o conhecimento de outras pessoas. Escolhi um para levar para casa e com certeza irei espalhar essa ideia”. Foto:AdilsonLopes Após a abertura oficial da feira, o público pôde assistir à apresentação do patrono, Rolando Boldrin que contou “causos” e cantou várias músicas de seu repertório, dentre elas a mais conhecida, “Vide vida marvada”. O bibliotecário, Haroldo Luís Beraldo, recepcionou o público que visitou a Geladeiroteca na Feira
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 21 com a emoção, gosto de trabalhar com o sentimento e me encontrar aqui na frente desse público e ter essa honraria que é ser patrono de uma festa tão bonita, de uma feira tão importante, é realmente motivo de muita alegria e muita emoção. Eu agradeço muito por lembrarem-se do meu nome”, disse o patrono. Manoel Ortolan, ressaltou a satisfa- ção pela homenagem recebida. “É uma alegria poder ter o nome da família homenageado na Feira do Livro, mas o grande mérito é da Sandra, minha es- posa, que sempre trabalhou como edu- cadora, fazendo uma carreira muito bonita por toda a região onde foi pro- fessora, auxiliar de diretora, diretora e trabalhou também como delegada de ensino. Eu acredito que, o que a gen- te tem de mais digno para se deixar, é o nome da família por tudo o que ela proporcionou pela comunidade, enfim, pelas coisas boas que fez pelo próxi- mo”, afirmou Ortolan, que também destacou a participação da Geladeiro- teca, projeto mantido pela biblioteca “General Alvaro Tavares do Carmo”, em mais uma edição da Feira. “Este é o segundo ano em que a Geladeirote- ca se faz presente na Feira do Livro de A família Ortolan foi homenageada pela EMEF Professora Maria Aparecida Ortolan Bellini e recebeu a homenagem pelas mãos de Rosimeire Pedro Bighetti acompanhados pelo prefeito José Alberto Gimenez e o Secretário Municipal de Educação e Cultura e anfitrião da Feira, Alexandre Salomão Bitar Foto:AdilsonLopes Sertãozinho. É uma satisfação ver que esse trabalho vem dando resultados, e que este projeto vem se destacando e se fazendo presente em eventos. A Geladeiroteca esteve na Feira do Livro de Ribeirão Preto, recebeu destaque na imprensa através de vários veículos de comunicação, marcou presença na 22ª edição da Fenasucro e agora volta à Feira do Livro de Sertãozinho, com a parceria do Lions Clube da cidade. É muito interessante que a população tem prestigiado o projeto, levando livros para casa e, na medida do pos- sível, tem doado e essa liberdade de poder escolher um livro e levá-lo para casa sem burocracia, aumenta a satis- fação do pessoal em ler e buscar algo novo. Para nós, é motivo de alegria ver que o trabalho do Haroldo Luís Beral- do, que o bibliotecário da Canaoeste e idealizador do projeto, está dando bons resultados e, com isso, vamos ocupando o nosso espaço e quem sabe possamos espalhar ainda muitas gela- deiras por aí”, destacou Ortolan. Da redação Reuniões Técnicas Canaoeste A Canaoeste, em parceria com a empresa Brasquímica, realizou no dia 21 de agosto, na fazen- da Santa Rita, em Terra Roxa-SP, um treinamento interno para a sua equipe técnica de engenheiros agrônomos. Na ocasião o responsável pela área de Pesquisa e Desenvolvimento da Bras- química, Guilherme Collos Nogueira, abordou assuntos referentes a aplicação de adjuvantes na cultura da cana-de-açú- car e, mais especificamente, a apresenta- ção de resultados do produto Startec. O treinamento foi dividido em duas partes, sendo uma teórica e outra prática, onde todos os participantes puderam interagir e esclarecer dúvidas. Equipes técnicas Canaoeste e Brasquímica RC RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 22 Canaoeste realiza reunião técnica na filial de Santa Rita do Passa Quatro Dia de Campo de plantio de Agmusa no Sistema Meiosi N o dia 14 de agosto, foi realiza- da, na recém-inaugurada filial em Santa Rita do Passa Quatro- -SP, uma reunião informativa e técnica conduzida pelo engenheiro agrônomo Breno Henrique de Souza da Canaoes- te. O objetivo principal foi apresentar ao público presente a missão, visão e valores que sustentam a Canaoeste, as- sim como o seu portfólio de serviços. Na oportunidade, o engenheiro agrô- nomo Fábio Franzoti, da empresa Binova, apresentou novas tecnologias e ferramen- tas de manejo para aumentar a produtivi- dade agrícola e a longevidade do canavial. Estavam presentes aproximadamente 50 pessoas as quais puderam interagir com os palestrantes e esclarecer suas dúvidas so- bre os assuntos abordados. Foi uma noite muito produtiva e todos agradeceram a oportunidade e a disponibilização de informações per- tinentes ao desenvolvimento do setor sucroenergético. O avanço tecnológico no setor sucroenergético está trazen- do a oportunidade de alcançar maiores produtividades, qualidade no sistema de produção da cana-de-açúcar e muitos outros benefícios. Desta for- ma, pensando em inovar e maximizar a produção, no dia 03 de setembro, foi realizado um Dia de Campo em Pontal- -SP, na Fazenda Paineiras, do proprie- tário Ronaldo Armando Donati. Foram implantadas novas variedades de cana- -de-açúcar com a inovação tecnológica da Basf, a Agmusa, que são mudas pré-brotadas com alta qualidade fitossa- nitária e vigor. Estavam presentes pro- dutores de cana-de-açúcar da região, re- presentantes do departamento agrícola das Unidades Industriais Bazan e Bela Vista, equipes Canaoeste, Copercana, Basf e New Holland. O Sistema Meiosi consiste em inter- calar a cana-de-açúcar com outra espé- cie como: amendoim, soja, crotalária. Equipes técnicas Canaoeste, Copercana e Binova Associados e futuros associados durante a reunião Em parceira com Basf, New Holland e Copercana, a Canaoeste apresentou inovações tecnológicas aos associados da Filial de Pontal Neste campo, a cada uma linha de cana- -de-açúcar, serão plantadas sete ruas de amendoim. As duas espécies convive- rão no local juntas até meados de abril, quando neste período o amendoim será colhido e a cana das duas ruas serão cor- tadas e plantadas nas ruas ao lado (duas ruas de cana plantadas em setembro de 2014 produzirão mudas para o plantio de 14 ruas de cana em abril de 2015). O plantio foi realizado com um tra- tor de 215 cv da New Holland, com sis- tema de GPS e piloto automático, o que facilita a operação e assegura o alinha- mento da sulcação. A plantadora usada foi da DMB, que necessita de um trator de no mínimo 180 cv para puxá-la. RC RC Notícias Canaoeste
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 24 Notícias Canaoeste Canaoeste participa de evento sobre acidentes com queimadas Andréia Vital O 1º Encontro Regional sobre Impactos Ambientais e de Se- gurança, Boas Práticas e Ações dos Envolvidos no Setor Sucroenergé- tico, promovido pela Vianorte (Arte- ris), teve como objetivo agregar infor- mações que possam ser relevantes aos envolvidos no segmento, amenizando com isso os acidentes nas rodovias como também na natureza, além de ser- vir para a troca de experiências sobre boas práticas realizadas pelas empresas. O evento ocorreu em agosto no Centro Empresarial Zanini, em Ser- tãozinho, e contou com a participação de representantes de usinas localizadas ao longo do trecho administrado pela concessionária na macrorregião de Ri- beirão Preto-SP, da Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo), Corpo de Bombeiros, Cetesb (Com- panhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), PMRv (Polícia Militar Ro- doviária), Polícia Ambiental, Secretaria do Meio Ambiente de Ribeirão Preto e de Sertãozinho, concessionárias de ro- dovias, além do presidente da Canaoes- te (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo). “O encontro teve o papel de cons- cientização e orientação, que são essen- ciais para a execução do trabalho diário de forma segura e responsável”, afirma o gerente de Operações da Vianorte, Lu- ciano Louzane, explicando que o even- to foi o piloto de uma nova metodologia que a empresa quer implantar, criando assim uma rotina os debates sobre os problemas e práticas saudáveis que o setor tem feito na redução de acidentes. “Um dos focos das ações desenvolvidas pela Vianorte é a prevenção a aciden- tes envolvendo caminhões canavieiros por meio de parceria com as usinas da região e órgãos competentes, buscando minimizar a quantidade de vítimas fa- tais nestas ocorrências”. De acordo com dados do CCO (Cen- tro de Controle de Operações) da Via- norte, em 2009 ocorreram nove mortes em acidentes assim. Em 2010, este nú- mero reduziu para três; em 2011, para um. Em 2012, não houve vítima fatal. “Nossa intenção é estimular debates sobre prevenção de acidentes, queima- das, transporte de cargas pesadas, Ope- ração Corta-Fogo, entre outros assuntos que resultem em medidas práticas para solucionar problemas que envolvam to- dos os setores presentes. Este é um traba- lho que deve ser realizado em conjunto, pois cada um tem o seu papel. Em casos de incêndios nos canaviais que passem para a faixa de domínio das rodovias, por exemplo, a ação das usinas é essen- cial, pois elas ajudam no fornecimento de caminhões-pipa para apagar o fogo”, ressalta o supervisor do Meio Ambiente da Vianorte, Ricardo Gerab. Para o presidente da Canaoeste e Orplana, Manoel Ortolan, a ação incen- tiva a troca de informações relevantes e a união em prol da disseminação de boas práticas na busca de soluções para os problemas. “É importante nos apro- ximarmos mais da questão da queima, da proteção ambiental, pois os incên- dios acidentais ou propositais se pro- pagam muito rápido, principalmente nesta época de estiagem e muito vento, Autoridades debateram sobre problemas e boas práticas Luciano Louzane, gerente de Operações da Vianorte Ricardo Gerab, supervisor do Meio Ambiente da Vianorte
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 25 e isso traz sempre muito tumulto junto a sociedade”, explicou, lembrando que a Canaoeste atua em uma grande área e com o entrosamento melhor com todos os segmentos, consiga trabalhar de uma maneira diferente. “A queima da cana-de-açúcar é um mecanismo usado para a colheita, mas praticamente acaba este ano. Quem poderá continuar queimando são os pe- quenos por um tempo, mas vale lembrar que mais de 90% da cana já é colhida crua, então o trabalho daqui para fren- te é mais no sentido de tentar prevenir, melhorar a prevenção para que ocorram cada vez menos incêndios”, constatou Ortolan. Ele pontuou também a neces- sidade de esclarecimento destes fatos, pois em muitos casos os produtores rurais enfrentam preconceito da popu- lação que credita a eles toda e qualquer queimada. “Não dá para continuar pe- nalizando os produtores de uma forma tão violenta como se faz hoje, com va- lores de multa exorbitantes que repre- sentam muitas vezes a renda do ano, ou perda da propriedade, para pagar uma multa porque houve um acidente na sua área”, explanou lembrando que o fogo acidental pode ocorrer o ano todo e em todo local devido à estiagem. O presidente da Canaoeste ressaltou também que a associação está atuan- do na implantação do CAR (Cadastro Ambiental Rural), que contribuirá para o processo de regularização ambiental de propriedades e posses rurais. Ele informou que neste sentido, a entidade Equipe da Canaoeste prestigiou o evento desenvolveu uma cartilha em parceria com a ABAG RP e a Coplana, voltada para a orientação dos produtores rurais, com resumo do Código Florestal, que foi entregue para os participantes do evento. Segundo o Capitão Luciano Fraga Maciel, da Polícia Militar Ambiental, em 2013 foram estabelecidos critérios para priorizar a fiscalização de queima- das e incêndios florestais no Estado de São Paulo, principalmente no período de abril a outubro, considerado crítico, com o propósito de minimizar os focos de incêndios, que neste ano passaram de 5.200 pontos e impactaram 42,9% dos municípios paulistas. De acordo com Marco Antonio Ar- tuzo, gerente regional da Cetesb (Com- panhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), a maioria dos incêndios de maior proporção e descontrole nos dias atuais está envolvendo a palha da cana Manoel Ortolan, Presidente da Canaoeste e Orplana Capitão Luciano Fraga Maciel, da Polícia Militar Ambiental Marco Antonio Artuzo, gerente regional da Cetesb pós- colheita. “Então, este é um aspecto que merece reflexão e que teremos que trabalhar conjuntamente na busca de uma ação preventiva”, advertiu. Artuzo reforçou o exemplo citado pelo 1º Te- nente Jean Gomes Pinto, do Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto, sobre um incêndio ao lado da Rodovia Anhan- guera, entre Ribeirão Preto e Cravi- nhos, próximo a indústria Ouro Fino, que no início de agosto monopolizou todas as equipes da região e também as brigadas de incêndio das empresas locais, devido a proporção do incêndio. “O local foi foco de incêndio, não nas mesmas proporções, dos últimos dois anos, o que nos leva a crer que preci- samos intensificar ali as condições de prevenção”, contou ele, concluindo que seria interessante analisar seriamente os fatos, inclusive antecipando as questões legais estabelecidas através de acor- do firmado pelo setor produtivo, pelos plantadores de cana e pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente.RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 26 ATR A seguir, informamos o preço médio do kg do ATR para efeito de emissão da Nota de Entrada de cana entre- gue durante o mês de SETEMBRO de 2014. O preço médio do kg de ATR para o mês de SETEMBRO, referente à Safra 2014/2015, é de 0,4637. O preço de faturamento do açúcar no mercado interno e externo e os preços do etanol anidro e hidratado, destinados aos mercados interno e externo, levantados pela ESALQ/CEPEA, nos meses de abril a setembro e os acumulados até SETEMBRO, são apresentados a seguir: Os preços do Açúcar de Mercado Interno (ABMI) incluem impostos, enquanto que os preços do açúcar de mer- cado externo (ABME e AVHP) e do etanol anidro e hidratado, carburante (EAC e EHC), destinados à industria (EAI e EHI) e ao mercado externo (EAE e EHE), são líquidos (PVU/PVD). Os preços líquidos médios do kg do ATR, em R$/kg, por produto, obtidos nos meses de abril a setembro e os acumulados até SETEMBRO, calculados com base nas informações contidas na Circular 01/14, são os seguintes: Consecana CIRCULAR Nº 09/14 DATA: 30 de setembro de 2014 Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 28 Balancete Mensal - (prazos segregados) Cooperativa De Crédito Dos Produtores Rurais e Empresários do Interior Paulista - Balancete Mensal (Prazos Segregados) - Julho/2014 - “valores em milhares de reais” Notícias Sicoob Cocred Sertãozinho/SP, 31 de Julho de 2014.
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 29 Reportagem de Capa D iante de um cenário não muito favorável para o setor sucro- energético, a Fenasucro 2014 (22ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética) se posicionou como um vetor de soluções e plataforma de alternativas e novos negócios. Cerca de 33 mil visitantes de vários Estados bra- sileiros e de mais de 50 países, entre eles Arábia Saudita, Dinamarca, Costa Rica, Inglaterra e Estados Unidos, passaram pela feira, que nesta edição contou com 550 expositores e aconteceu entre os dias 26 e 29 de agosto, em Sertãozinho-SP. De acordo com os realizadores do evento, o CEISE Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis) e a Reed Alcantara Exhibitios Machado, a Fenasucro deve gerar em torno de R$ 2,2 bilhões em negociações. Somente as rodadas inter- nacionais de negócios promovidas pelo Apla (Projeto Brazil Sugarcane Bioe- nergy Solution, através do Arranjo Pro- dutivo Local do Álcool) e Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Principal feira do setor sucroenergético foi palco para o fortalecimento de negócios e do cooperativismo Andréia Vital Fenasucro 2014 é marcada pela perspectiva de retomada da cadeia canavieira Fenasucro 2014 é marcada pela perspectiva de retomada da cadeia canavieira Exportações e Investimentos) registra- ram 562 reuniões comerciais entre 50 empresas brasileiras e 20 compradores de outros países e devem resultar em um volume de negócios de US$ 13,6 milhões nos próximos 12 meses. “Atraímos clientes em potencial vindos da Argentina, África, Belize, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Estados Unidos, Filipinas, Guatemala, Honduras, México, Peru, República Dominicana e Venezuela, o que mostra o interesse global nos produtos, solu- ções, tecnologias e serviços ofertados pelo mercado brasileiro”, avaliou o di- retor executivo do Apla, Flávio Caste- lar, informando que as delegações das Abertura oficial contou com a presença de diversas autoridades
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 30 Filipinas e do Sudão, acompanhados do embaixador do Brasil no Sudão, José Mauro da Fonseca Costa Couto, vieram em busca de eficiência e otimização. “Viemos conhecer os mecanismos bra- sileiros para melhorar a qualidade e o processamento dos produtos e sermos mais eficientes na produção de açúcar”, explicou Regina Martin, do Departa- mento de Agricultura das Filipinas. Além da exposição de inovações e tecnologia de ponta, os visitantes fo- ram atraídos também pelos eventos paralelos, que agregam cada vez mais conteúdo ao principal evento do setor sucroenergético. A Conferência DA- TAGRO CEISE Br abriu oficialmente a feira, com a presença de diversas li- deranças, autoridades e especialistas do setor que debateram a atual conjuntura e os impactos da indústria canavieira no desenvolvimento econômico do Brasil. O presidente da DATAGRO, Plínio Nastari, refletiu sobre o momento ca- ótico enfrentado por um setor tão im- portante como o canavieiro, que repre- senta um projeto de desenvolvimento econômico para o Brasil, ao dar início ao evento, que contou com mais de 500 participantes. “Infelizmente, o setor tem sofrido muito nestes últimos anos, por distorções causadas por um viés que não deveria estar ocorrendo e desconsi- dera a grande oportunidade que o País tem de continuar desenvolvendo de for- ma eficiente e competitiva, energia lim- pa, renovável e sustentável, e que tem trazido tantos resultados positivos para o Brasil”, avaliou o consultor, lembran- do que quase US$ 300 bilhões já foram poupados em gasolina importada desde que o Proálcool foi criado, em 1975. Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do CEISE Br, lembrou que apesar da crise, existe muita tecnolo- gia disponível para ajudar a empresa e a usina a ter mais eficiência, ao dar as boas-vindas aos participantes. Ao fazer a sua explanação, o prefeito de Sertão- zinho, José Alberto Gimenez, destacou que a crise afetou a cidade, que tem muitas indústrias de capital, contando que no período de 2004 a 2008, Ser- tãozinho ocupava o quarto e sexto em um ranking que classificava qualidade de vida, educação, saúde, geração de emprego e renda, caindo para a 200 posição, em 2008, quando se iniciou a queda da agroindústria canavieira. “O setor só vai se desenvolver quando as políticas estiverem definidas, pois só assim voltarão a investir”, afirmou. Para Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da UNICA (União da In- dústria de Cana-de-Açúcar) as demandas do setor se resumem em dois fatos: “não queremos que o Governo nos atrapalhe, é fundamental que nos deixem trabalhar e produzir. O outro fato é que queremos que nos devolva o que tiraram”, disse ele se referindo à CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). Discurso compartilhado com o vice-pre- sidente do CIESP (Centro das Indústrias de São Paulo), José Eduardo Mendes Conferência DATAGRO CEISE Br Plínio Nastari, presidente da DATAGRO Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do CEISE Br Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste e da Orplana Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da UNICA
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 31 RC Camargo, que na ocasião, representou o presidente em exercício da FIESP (Fe- deração das Indústrias do Estado de São Paulo), Benjamim Steinbruch. “A indús- tria vive um momento difícil e espera- mos que tão logo se defina esse quadro político as coisas deslanchem no País”. Já Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste e da Orplana, afirmou que o setor sucroenergético está fazendo a sua parte, buscando mais eficiência e produtividade, através de investimentos em novas tecnologias, mas é necessário um conjunto de regras claras para ga- rantir a retomada do setor. Em defesa do atual Governo, o se- nador Eduardo Suplicy (PT), o vice- -presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT) e o deputado federal Newton Lima (PT), que é pre- sidente da Frente Parlamentar em Defe- sa da Indústria Nacional, alegaram que grande parte da crise do setor é causada pela situação do cenário mundial, que enfrenta recessão e desemprego. “As políticas implementadas aqui não fo- ram suficientes para dar uma resposta àquilo que nós defendemos que é o for- talecimento do setor sucroenergético, que é da maior relevância para o futuro do País”, disse Newton Lima, fazendo coro com Chinaglia, que alegou que as circunstâncias da economia exigi- ram escolhas difíceis com tentativas de redução de juros, dando prioridade ao emprego e a conter a inflação. O deputado usou de uma metáfora para explicar que o setor estava do- ente e que estava sendo tratado pelo Governo Federal, o que gerou uma pronta resposta do anfitrião do evento, Plínio Nastari. “Eu diria que são 389 pacientes e os 70 que o senhor citou já foram a óbito”, disse argumentando que a situação difícil enfrentada pelo setor canavieiro, reflete no índice pífio do PIB para este ano, que deve cres- cer somente 0,6%. “Penso nos 400 municípios do interior de São Paulo, o estado mais desenvolvido do Brasil, maior PIB do Brasil, onde as pessoas estão sendo demitidas, não está sendo gerado emprego e nem renda, e todos perdem junto com a cana” desabafou Nastari completando. “Figuras como o senhor e outros representantes públi- cos que estão em Brasília enxergando essa situação são de grande importân- cia para contribuir com o setor”. O pesquisador Marcos Fava Neves, que está rodando os municípios cana- vieiros com o projeto “Caminhos da Cana”, deu um panorama sobre a si- tuação do setor, na ocasião, e declarou discordar dos deputados da bancada petista. “Nós não enfrentamos um pro- cesso de crise mundial, o mundo está crescendo, os países emergentes estão crescendo e quem está andando de lado é o Brasil”, ressaltou ele, dizendo que por equívocos de política pública e por uma má condução econômica o País está afundando. “É a primeira gestão que eu vejo, desde que sou cientista e
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 32 que estudo, que vai entregar o País eco- nomicamente pior do que pegou”, cons- tatou ele, ao dizer que o Brasil conse- guiu em um intervalo de 10 anos, ficar mais caro do que os EUA para produzir, “foi por água abaixo a ideia de que nós somos competitivos, que temos mão de obra competitiva”, refletindo que para que isso mude é preciso voltar a ter po- líticas competitivas e gerar renda. Participaram do evento também os deputados federais Arnaldo Jardim (PPS), e Duarte Nogueira (PSDB), e os deputados estaduais Baleia Rossi (PMDB), candidato a federal, Welson Gasparini (PSDB) e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi. O presidente de honra da Fenasu- cro e também da Copercana, Sicoob Cocred e Sindicato Rural de Sertão- zinho, Antonio Eduardo Tonielo, des- tacou a importância da Fenasucro e o esforço das unidades industriais e dos produtores rurais para manter o setor em movimento, “este setor que sozinho gera cerca de 1 milhão de em- pregos diretos, número que atinge 3,6 milhões se computarmos os empre- gos indiretos e informais”, elucidou, afirmando que o Governo Federal não tem política de apoio ao setor sucro- energético, que mesmo gerando um PIB superior a R$ 94 bilhões, sucum- be a uma dívida estimada em R$ 60 bilhões. “Esse PIB gerado pelo setor equivale ao PIB de mais de 100 paí- ses, segundo ranking do Fundo Mo- netário Internacional”, disse Tonielo, concluindo que se o setor tiver estra- tégias e planejamentos tende a crescer de forma sustentável se oportunidades de desenvolvimento houver. O presidente da Copercana tam- bém afirmou que não basta ter linhas de crédito atraentes, é preciso que elas sejam viabilizadas para chegar às mãos de quem precisa do dinheiro com agilidade. “Para se ter uma ideia, 80% das usinas e produtores rurais não con- seguem financiamento do Governo”, disse ele perplexo, mas mesmo dian- te do cenário atual, há esperanças de que as coisas melhorem. “Não há bem que sempre dure, nem mal que muito ature”, temos que ter perseverança, trabalhar com dedicação e acreditar que as coisas vão melhorar. E uma boa oportunidade para iniciarmos a mu- dança são as eleições que temos agora em outubro. São nas urnas que deve- mos dizer se estamos ou não satisfeitos com a situação. Essa é a melhor forma de protestar, votando”, disse ele. Programação paralela Outros eventos ocorreram simultanea- menteàfeiracomooPrêmioMasterCana, a reunião do Gerhai (Grupo de Estudos em Recursos Humanos na Agroindús- tria), o Seminário Agroindustrial GEGIS (Grupo de Estudos em Gestão Industrial do Setor Sucroalcooleiro), o II Seminário de Transporte e Logística ESALQ-LOG; o 2º Congresso deAutomação e Inovação Tecnológica Sucroenergética: Rodadas de Negócios Internacionais; a palestra “No- vas tendências da segurança no trabalho e desenvolvimento de lideranças” e a “I Expedição Cana Substantivo Feminino”. ASTAB Nacional (Sociedade dos Téc- nicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil) promoveu o Seminário Agroindustrial STAB, com o objetivo de reciclar e com- partilhar conhecimento com profissionais de usinas das áreas agrícola e industrial. De acordo com José Paulo Stupiello, pre- sidente da entidade, a realização do evento foi fundamental para disseminar conhe- cimento e encontrar soluções vividas nas áreas agrícolas e industriais das usinas. “A feira reúne as principais usinas do Brasil e o seminário apresenta estudos para a troca de experiências e informações”, disse. Uma das palestras muito comentadas abordou o “Manejo da Palhada – Efeitos sobre a ciclagem de nutrientes e produ- tividade do canavial”, apresentada pela pesquisadora da Embrapa de Jaguariúna, Nilza Ramos, que mostrou, sob diferentes pontos, o resultado da utilização da palha na proteção do solo durante o plantio. O seminário focou em um tema muito importante e atual afirma Tercio Marques Dalla Vecchia, CEO da Reunion Enge- nharia. “A mudança da colheita da cana queimada (manual) para a colheita da cana crua (mecânica) é um assunto que deve ser muito estudado e evoluído, pois envolve aspectos agrícolas e aspectos industriais”, analisa o engenheiro químico. Como a pa- lha já está sendo utilizada como combus- tível ou como matéria-prima para a pro- dução de etanol 2G ou outros produtos, as palestras foram esclarecedoras no sentido de mostrar os melhores métodos de manu- sear a palha e seus custos e abrem espaço para novas pesquisas na obtenção dos me- lhores resultados, conclui o executivo. Marcos Fava Neves Antonio Eduardo Tonielo, presidente de honra da Fenasucro e presidente da Copercana, Sicoob Cocred e Sindicato Rural de Sertãozinho
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 33 Como nos outros anos, o estande da Copercana (Cooperativa dos Plantado- res de Cana do Oeste de São Paulo) ficou movimentado nos quatro dias da feira, recebendo além de cooperados, diretores e gerentes do Sistema Copercana, Ca- naoeste e Sicoob Cocred e autoridades, como o prefeito de Sertãozinho, José Alberto Gimenez; o secretário de De- senvolvimento da prefeitura de Sertãozi- nho, Carlos Roberto Liboni; o presidente do CEISE Br, Antonio Eduardo Tonielo Filho; o presidente do Conselho de Ad- ministração da Copersucar, Luís Rober- to Pogetti; o diretor presidente da Coper- sucar, Paulo Souza; o conselheiro fiscal da Coopercitrus, Luiz Joaquim Donega; o diretor técnico da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antonio de Pádua Rodrigues; o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha; o presidente do SIAMIG (Sindi- cato da Indústria de Fabricação do Ál- cool e do Sindicato da Indústria do Açú- car no estado de Minas Gerais), Mário Campos, como também representantes do Banco do Brasil, Bradesco e Porto Seguro, entre outros. Além de atendimento especial ofe- recido pelos agrônomos e técnicos do Sistema, dos produtos vendidos no lo- cal e da network, a tradicional Noite do Carneiro contou com público seleto e foi considerada muito agradável pelo presidente da Canaoeste, Manoel Orto- lan. “É um momento para a confrater- nização, reunindo nossos associados e parceiros que contribuíram com o nosso trabalho ao longo do ano”, afirmou. Cláudia Tonielo, diretora do Grupo Irmãos Tonielo Estande Copercana A noite do carneiro é marcada pelo clima familiar, afirma a diretora do Gru- po Irmãos Tonielo, Cláudia Tonielo. “O evento vem coroar com chave de ouro a Fenasucro, pois reúne todos os coopera- dos e já virou tradição”. Opinião com- partilhada com o presidente da Coper- cana e Sicoob Cocred, Toninho Tonielo. “É gratificante poder trazer por mais um Estande da Copercana na Fenasucro 2014 ano o carneiro no estande da Copercana na Fenasucro, eu acredito que já virou tradição ou virou moda”. O ambiente familiar também foi destacado pelo dire- tor da Copercana, Pedro Esrael Bighetti. “Os convidados fazem parte da família Copercana e quando recebemos a famí- lia sempre oferecemos o que temos de melhor”, afirmou ele, contando que 180 quilos da saborosa carne, mais 70 litros de cuscuz e 60 quilos de polenta foram servidos na ocasião.
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 34 Problemas “O setor tem muitos problemas e mesmoqueoGovernotenhatomadoal- gumas medidas, não foram suficientes, além disso, atendem poucas empresas que estão saudáveis”, disse André Ro- cha, presidente do Fórum Nacional Su- croenergético e dos Sindicatos da Indús- tria de Fabricação de Açúcar e de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), que participou do evento. “É a mesma coisa quando você está resfriado, água e vitamina C resolve, quando está gripa- do, precisa tomar um antigripal, quando está com pneumonia, toma antibiótico, quando está com tuberculose tem que ter mais cuidado ainda. É assim também com o setor”, explicou, dizendo que o Governo, em muitos casos, alega que o estágio que se encontra a indústria canavieira é mais resultado de sua inefi- ciência do que por problemas causados por eles. “Quem cria estatuto do moto- rista, normas regulamentarias trabalhis- tas, ambientais, sobe juro, sobe dólar, são medidas tomadas pelo Governo e não por nós, segurar preço de gasolina, retirar imposto da gasolina, tudo isso é ruim para a nossa competitividade”, de- sabafou ele, afirmando que de fato não há nenhuma medida que permita visu- alizar o crescimento do setor. “Diante desses fatos, enfrentaremos um 2015 difícil e se demorar para alguma coisa ser feita, 2016 também será, porque não estamos dando nenhuma seguran- ça para que as empresas possam voltar a investir no plantio, na renovação”, dis- se ele, lembrando que as empresas que têm condição estão fazendo o seu dever de casa, buscando a eficiência interna. “Mas isso é muito pouco pelo conjun- to, isso não vai resolver o problema da indústria de base, porque não vão ter novas encomendas para suportar este parque”, afirmou. Para o “cozinheiro” Valdemar To- niello, que tem 86 anos e prepara o car- neiro desde a época que era realizado pelo Lions, e seu companheiro na em- preitada, Mário Cunha, a satisfação de preparar a comida é imensurável. A iguaria também é aprovada por Shalin Savegnago, diretor superinten- dente da rede de supermercados Saveg- nago. “A realização da noite do carnei- ro foi uma boa iniciativa da Copercana, pois passou a ser ponto de encontro, além do carneiro ser delicioso”, disse. Valdemar Toniello Shalin Savegnago Reportagem de Capa
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 35 Diversos lançamentos puderam ser vistos na feira, como a Mec Colhe, uma colhedora de cana-de-açúcar de- senvolvida especialmente para suprir a necessidade do pequeno produtor. O equipamento integra um novo sistema de colheita, que inclui cinco elementos, colhedora despalhadora de comuns in- teiros, uma carreta basculante, trator de acionamento do sistema, uma carrega- dora de cana e o veículo de transporte de cana inteira. A colhedora tem capa- cidade de 15 ton/h, e capacidade opera- cional de 70 ton/dia em jornada de 10h, e caçamba recolhedora de cana, com capacidade para 1 ton e trabalha com até 30% de inclinação. De acordo com Leonel Frias Junior, presidente da ME- CMAQ – Máquinas Agrícolas, o equi- pamento custa em torno de R$ 270 mil, e foi vendido durante a Fenasucro para um produtor rural de Sergipe. Também na linha de máquinas agrí- colas, a FCN Tecnologia apresentou seu lançamento, um conjunto que veste um trator TCR e que pode realizar duas fun- ções: uma de corte de cana diretamente, que através da Centracana e substituindo o cabeçote frontal, se transforma em outra máquina, o Cort-I- Cana que é utilizada no adensamento de ruas para colheita mecanizada com colhedoras de tolete. Segundo Felix de Castro Neto, proprietá- rio da empresa, a participação na feira foi melhor do que na edição passada, tendo fechado negócios na ordem de R$ 800 mil, com vendas para São Paulo e Paraí- ba. Um dos interessados em sua nova má- quina foi o produtor de cana-de-açúcar e gado, Custódio Cerezer, de Capivari-SP, que participou do encontro para produto- res da Orplana e Canaoeste. Ele contou que a máquina poderia auxiliá-lo em sua propriedade de 350 hectares, mas que a compra seria feita somente no próximo ano, visto que a estiagem fez protelar seus planos de investimentos. “Ano passado produzi 28 mil toneladas de cana, este ano, devido à seca, vou produzir somente 12 mil toneladas, uma quebra de 60%”, contou afirmando que terminaria a sua safra em setembro. Já a Teston levou para a feira seu carro chefe, o Gigante 22.000, um transbordo com capacidade de 22 tone- ladas de carga e capacidade de agilizar a colheita e diminuir os custos para os produtores. De acordo com o diretor co- Tecnologia de ponta mercial da empresa, Pedro Teston, está sendo preparado um novo equipamento para o próximo ano, que deverá ser lan- çado na Agrishow ou na Fenasucro. Ainda na linha de equipamentos, a Siemens também tinha novidades. “A Fenasucro deste ano atingiu nossas ex- pectativas de público e principalmente de troca de experiências e network com toda a cadeia produtiva do setor. Rece- bemos visitantes das mais diversas re- giões do País e do exterior, o que nos proporcionou debater, nos quatro dias de visita, os rumos e desafios da reto- mada de crescimento do segmento su- croalcooleiro”, contou Ricardo Muniz, gerente para o segmento de Açúcar & Álcool da Siemens no Brasil. Segundo ele, a multinacional levou para a feira, soluções integradas e customizadas em geração, automação e distribuição de energia para atender à todas as neces- sidades deste mercado com eficiência e qualidade. “Destacamos também a venda da maior turbina do setor a ser produzida no Brasil, como forma de im- pulsionar a indústria nacional.”, alegou. De acordo com o engenheiro Tercio Marques Dalla Vecchia, CEO da Reu- nion Engenharia, nesta época de crise a melhor oportunidade vem da agrega- ção de valor ao complexo agroindus- trial, por isso, sua empresa apresentou soluções que podem ajudar a reverter a situação do setor sucroenergético. “A otimização de processos visando à economia de energia e água são assun- tos fundamentais que a Reunion ofere- ce através de um programa específico como diagnósticos e apresentação de soluções apropriadas à falta de recursos financeiros generalizada do setor”. Seu estande foi um dos que receberam a vi- sita monitorada de executivas que parti- ciparam da 1ª Expedição Cana Substan- tivo Feminino. Participando pela décima vez da Fenasucro, a Ubyfol levou para a fei- ra uma linha de produtos altamente qualificados e atestados pelos maiores grupos de usinas do Brasil, das maio- res regiões, Nordeste e Centro-Sul. “São tecnologias usadas no tratamento de toletes e tratamento foliar, que é a base do nosso programa para cana-de- -açúcar para aumento da produtivida- de”, explicou o diretor executivo Fabrí- cio Fonseca Simões. “Essa tecnologia tem sido bastante difundida e apreciada pelos consultores, já está no mercado e é indicada para a soja e cana, asso- ciada ao Kymon, um produto orgânico, que promove enraizamento fantástico da planta e promove ganhos tanto de açúcar como de TCH”. Simões adian- tou que a empresa deverá inaugurar em breve uma nova planta de fertilizantes em Uberaba-MG. Para a Dr. Eloisa Mocheuti Kronka, da Alsukkar a presença na Fenasucro foi muito produtiva. “Esta foi nossa primeira participação na feira onde conversamos com diferentes setores, fizemos networking e novos contatos com outros participantes da feira, inclu- sive com empresas de outros países, em especial o Panamá, o que está nos im- pulsionando a fazer o desenvolvimen- to de novos produtos e serviços, para atender esta demanda, o que propor- cionou uma visão melhor do mercado nacional e internacional”, afirmou ela. As principais novidades que os visitan- tes encontraram em seu estande foram os kits de análises para identificação de bactérias contaminantes no proces- so de produção de etanol, nas análises modernas para controle do processo, com respostas mais rápidas e diagnósti- cos mais precisos e também pesquisa e desenvolvimento que apresentavam os antibióticos naturais.
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 36 Cadeia produtiva da cana expõe dificuldades em Encontro da Orplana e Canaoeste Mais de 500 produtores rurais, li- deranças e parlamentares participaram do “XIV Encontro Anual de Produto- res de Cana-de-Açúcar”, organizado pela Canaoeste (Associação dos Plan- tadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo) e Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Cen- tro-Sul do Brasil) no último dia da Fe- nasucro 2014 - Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética. “O evento é de cunho político, pois estamos às vésperas das eleições e é im- portante compartilhar com lideranças e autoridades, além dos nossos produto- res, a situação do setor, e ressaltar que o problema que a cadeia produtiva da cana enfrenta hoje é essencialmente por falta de políticas públicas”, elucidou o presidente da Canaoeste e Orplana, Manoel Ortolan. “Não há uma defini- ção, um plano tanto para o etanol como para energia elétrica, e com isso fica- mos sujeitos à vontade de um a vontade de outro, e o setor parou de investir”, explicou afirmando que os políticos que acompanharam e lutaram pela indústria canavieira nas últimas décadas estavam presentes no evento. “É lamentável as- sistir ao setor se definhando hoje, isso não pode continuar”, disse Ortolan. Ismael Perina Junior, recém-eleito como presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool e do Sindicato Rural de Jaboticabal, também exaltou a importância do uso do voto a favor do setor, apoiando aqueles políticos que trabalham em prol da agroindús- tria canavieira e não àqueles políticos de última hora. “O setor sucroenergé- tico sempre teve pujança, mas perdeu espaço nos últimos tempos. Através da Câmara, que tem a finalidade de pro- por, apoiar e acompanhar ações para o desenvolvimento, queremos auxiliar o Governo Federal nas decisões para o setor voltar a crescer”. Já o presidente da CNA (Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar), Ênio Jaime Fernandes Júnior, reforçou a necessidade de uma união dos envol- vidos no setor. “É preciso ter o mes- mo objetivo para demandar soluções para a crise que enfrentamos”. A CNA congrega produtores de cana-de-açú- car de todo o Brasil, que administram cinco milhões e meio de proprieda- des. “A entidade representa o produ- tor rural a nível nacional, fazendo a interlocução do mercado com o Go- verno. Portanto, é fundamental nossa a participação neste evento para que possamos sentir, participar e entender o que está acontecendo nas bases e sa- ber demandar o que o produtor neces- sita”, explicou Fernandes Júnior, afir- mando que dos 9 milhões de hectares de cana plantadas no País, 25% estão na mão de produtores rurais. “Estamos caminhando para um mun- do cada vez mais competitivo, mais modernizado, o que exige uma trans- formação de nossa classe, não só em questão técnica, mas também nas nos- sas relações nos sindicatos rurais, nas associações, nas cooperativas”, disse ele. “A transformação começa com a gente”, finalizou. Antonio Pádua Rodrigues, diretor técnico da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) reforçou o discur- so da CNA, destacando a importância do encontro, pois “é fundamental a integração entre quem produz e quem processa a cana”. Para o prefeito de Sertãozinho, José Alberto Gimenez, chegou a hora das mudanças acontecerem, pois diversas tentativas de aproximação com o Go- verno foram feitas, inclusive a manifes- Manoel Ortolan faz a abertura do Encontro de Produtores da Orplana e Canaoeste Ismael Perina Junior, recém-eleito como presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool e do Sindicato Rural de Jaboticabal Ênio Jaime Fernandes Júnior, presidente da CNA (Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar) Reportagem de Capa
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 37 tação em prol do setor na edição pas- sada da Fenasucro, mas nada evoluiu. Segundo ele, a presidência da Repú- blica se afasta cada vez mais do setor. “Parecem que não gostam de energia limpa. Ela (presidente Dilma Rousseff) gosta é de sujar as mãos com a ener- gia suja do petróleo, nossa solução é só política, tecnicamente, a capacidade do setor produzir, de criar novas tecnolo- gias, nós temos e queremos é produzir”, disse ele taxativo. Opinião compartilhada com Anto- nio Eduardo Tonielo Filho, presidente do CEISE Br. “Sofremos como os pro- dutores rurais com a atual situação do setor, pois estamos na ponta da cadeia, por isso é necessário a união de toda a cadeia produtiva com o propósito de conseguir a retomada do setor”, disse ele, destacando a importância da Fe- nasucro, que injeta mais de 20 milhões na região de Sertãozinho-SP, em hotéis, serviços e toda a cadeia. A relevância da feira também foi a tônica da explanação do presidente de honra da Fenasucro e da Copercana e Sicoob Cocred, Antonio Tonielo. “É muito importante que todos visitem a feira, para conhecer o que há de mais novo na área agrícola e indus- trial do nosso segmento, muita inovação tecnológica e é disso que precisamos para recuperar a nossa agroindústria”. De acordo com Paulo Sérgio de Marco Leal, presidente da FEPLANA (Federação dos Plantadores de Cana do Brasil), as dificuldades enfrentadas pelo setor são grandes. “Foi criado o Proálcool, depois a CIDE para que houvesse uma proteção financeira ao etanol e esta contribuição deixou de existir, o que tem causado prejuízo” afirmou ele, constatando que existe cerca de 17 a 18% de diferença no cus- to entre o que o produtor recebe e o que de fato é o custo de produção da cana-de-açúcar. “Isso dá mais de R$ 5 bilhões”, analisou Leal lembrando que o setor precisou se adequar às mudan- ças ocorridas na legislação trabalhista e ambiental e não existem políticas pú- blicas para garantir o retorno dos seus investimentos. Além dos representantes de classe e do senador da República e candidato a vice-presidente da República na chapa deAécio Neves,Aloysio Nunes (PSDB), outros parlamentares deixaram seu reca- do no evento, tais como o deputado fe- deral, Arnaldo Jardim (PPS); o deputado federal, Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB); o deputado federal, Milton Monte (PR); o deputado federal, Duar- te Nogueira (PSDB); deputado estadual e presidente estadual do PMDB, Baleia Rossi (PMDB); o deputado estadual e presidente da Comissão de Agricultu- ra, Itamar Borges (PMDB); o deputado estadual, Welson Gasparini (PSDB); o deputado estadual e presidente estadual do PPS, Davi Zaia (PPS). Além de lide- ranças de entidades rurais. Na ocasião, o professor titular da USP, Alberto Matias Borges, deu um panorama econômico mundial e disse que os números apresentam situações até mais complicadas que as enfrenta- das no Brasil, por isso, considera um pouco exagero a onda de pessimismo que se instalou por aqui. “Não estamos acostumados a integração empresarial nos setores, o setor sucroenergético está se consolidando em menos unidades maiores, e isso é um processo normal, que aconteceu em praticamente todos os setores”, disse ele, explicando que o Brasil entrará em novo ciclo de cresci- mento se os empresários empreenderem e “não o Governo, que cada vez mais é coadjuvante e neste processo todo, o céu é o limite”, concluiu o consultor. Antonio Pádua Rodrigues, diretor técnico da UNICA José Alberto Gimenez, prefeito de Sertãozinho Alberto Matias Borges, professor titular da USP
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 38 Aloysio Nunes (PSDB), candidato a vice-presidente da República na chapa de Aécio Neves, Marina Silva, candidata a presidência da República Candidatos buscam apoio do setor canavieiro Como tradicionalmente ocorre em ano eleitoral, diversos candidatos com- pareceram à Fenasucro em busca de ga- nhar a simpatia do setor sucroenergéti- co e fazer alianças. Dos três principais concorrentes a presidente da República, somente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, não marcou presença. Marina Silva, que assumiu a cabeça da chapa do PSB após a morte de Edu- ardo Campos, compareceu no segundo dia da feira, fazendo barulho, com di- versos aliados, bandeiras e esquema de segurança reforçado. A candidata, que voltou ao evento pela terceira vez – a primeira foi em 2007, como ministra do Meio Ambiente e a segunda, em 2010, como candidata à presidência – afirmou que a sua presença e do seu vice - Beto Albuquerque - seguia uma agenda que já estava acordada por Campos. “Fize- mos questão de honrar o compromisso, pela importância estratégica que tem o setor de produção de etanol. Um setor fundamental para a geração de energia limpa e renovável, que se esforçou para se adequar às exigências sociais e am- bientais. Basta ver o pacto pela meca- nização e o fim da queima da palha da cana-de-açúcar”, disse ela ao afirmar que tem conhecimento da crise viven- ciada pela indústria canavieira. “O setor está altamente prejudicado em função das decisões equivocadas que vem sendo tomadas com o prejuízo do fechamento de 70 usinas; outras 40 usinas estão em processo de recupera- ção judicial; com a perda de milhares de empregos, e um prejuízo não só para a produção de etanol, mas também para a indústria ligada ao setor, que sofre as mesmas consequências”, analisou Mari- na, ressaltando que a intenção em par- ticipar do evento “é sinalizar muito for- temente que faremos todos os esforços para a recuperação do setor por entender sua importância estratégica do ponto de vista econômico, social e ambiental”. A candidata criticou a atual política, que desconhece as potencialidades do setor e levou ao desgaste total os ganhos que o segmento havia alcançado ao lon- go dos anos. “Além da produção de eta- nol, temos a possibilidade da cogeração pelo uso do bagaço da cana-de-açúcar e da palha da cana-de-açúcar”, disse ela, ressaltando que devido à baixa nos re- servatórios, o MWH está sendo vendido por cerca de R$ 700 mil a R$ 1700 mil. “Se tivéssemos uma política de geração de energia em função da biomassa pro- duzida pela cana-de-açúcar, teríamos esse custo reduzido para algo em torno de R$ 200 mil, ou seja, a falta de visão, a atitude do atual Governo causou um prejuízo sem precedente que precisa ser recuperado com os incentivos corretos e principalmente com a segurança da polí- tica econômica”, afirmou. A visita na Fenasucro também ser- viu para reforçar o convite para o jantar que aconteceu na última sexta-feira de agosto, e contou com a participação de 57 lideranças do agronegócio, dentre eles, Manoel Ortolan, presidente da Ca- naoeste. De acordo com o anfitrião do encontro, o presidente da DATAGRO, Plínio Nastari, a reunião foi realizada a pedido de João Paulo Capobianco, assessor da ex-senadora e amigo do consultor, que acompanhou Marina na visita à Fenasucro. “O encontro foi po- sitivo e as pessoas ficaram impressiona- das com as propostas da candidata, que tem uma visão pró-mercado e de valo- rização da produção”, afirmou Nastari. Já o senador da República e candi- dato a vice-presidente da República na chapa de Aécio Neves, Aloysio Nunes (PSDB), marcou presença no encontro de produtores promovido pela Canao- este e Orplana, e saudou a todos para- benizando pelo evento ao afirmar que se sentia satisfeito ao se encontrar com pessoas que não perderam a fé e que acreditam na produção, no trabalho, no Brasil. “Eu participo deste evento em meu nome e do Aécio Neves, que já se pronunciou sobre o setor sucroenergéti- co em outras ocasiões, assumindo com clareza a sua convicção de que precisa- mos, através de uma ação positiva do Governo, resgatar este segmento de nossa economia, que é um orgulho para o Brasil”, afirmou o candidato. Nunes também ressaltou a impor- tância da Fenasucro, vitrine para a de- monstração de avanços tecnológicos e de troca de informações, destacando Reportagem de Capa
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 39 que embora o cenário não seja tão bom para o setor, a movimentação na feira é sinal evidente de que é possível rees- truturar as bases tecnológicas que vêm sendo renovadas a trancos e barrancos diante da crise que envolve o setor”. Para o candidato, a salvação do setor sucroenergético se encontra na esfera política. “A decisão de abolir a CIDE (Combustíveis, Contribuição de Inter- venção no Domínio Econômico) teve consequências nefastas. Foi uma medi- da de natureza neoliberal, populista, de curto prazo para controlar uma inflação que já atinge índices preocupantes”, dis- se Nunes, sendo irônico ao afirmar que o Governo não é capaz de entender os pro- blemas que está vivendo, portanto não tem como dar soluções a eles. “Temos propostas de curto e médio prazo para o setor sucroenergético. Penso que a pro- posta de longo prazo mais importante, é o Governo sinalizar, claramente, qual é a importância que ele atribui ao segmento no Brasil, que hoje vive uma profunda crise”, analisou, concluindo: “Isso deve- rá vir acompanhado de medidas como, por exemplo, o aumento da mistura do etanol na gasolina, apoio à armazena- gem do açúcar, cujo o preço tem um comportamento volátil no mercado in- ternacional, um tratamento tributário ao setor, do plano de todos Estados, seme- lhante ao que o governador Alckmin dá hoje em São Paulo, que é tributado com a menor alíquota do Brasil - 12%, com o estímulo ao aumento da produtivida- de da agricultura, (produção de cana) a partir da transgenia da cana, a partir da busca de novas variedades e o apoio cre- ditício ao produtor, especialmente num momento em que ele está debilitado no ponto de vista financeiro, não apenas pelo encolhimento no mercado como pela seca também”. O senador advertiu que é necessá- rio também olhar com carinho para a produção de energia a partir da queima do bagaço de cana. “A contribuição do setor é muito positiva, desde que tenha- mos regras adequadas para o leilão de energia, de modo a beneficiar e estimu- lar este setor a vender sua energia para as redes de distribuição”, esclareceu. Nunes lembrou que há também o pro- blema do cooperativismo agropecuário que é um fator de fortalecimento da pe- quena e média propriedade, de adensa- mento das cadeias produtivas, de ganho de economia de escala e que precisa ter um tratamento tributário adequado ao ato cooperativo. Para finalizar, o candidato fez um alerta avisando que não acredita em conversões súbitas na política, avisan- do que ele e sua chapa sempre estive- ram a favor do setor. Essa é a opinião diretor técnico da UNICA (União da Indústria de Cana-de- -Açúcar), Antonio de Pádua Rodrigues, que esteve presente na 22ª edição da Fenasucro, maior feira mundial do setor sucroenergético que aconteceu entre os dias 26 e 29 de agosto em Sertãozinho – SP, onde concedeu uma rápida entrevista à Revista Canavieiros. Acompanhe! Revista Canavieiros - Após esta seca, que é a maior da história, a pró- xima safra irá enfrentar dificuldades? Pode se esperar alguma mudança ex- pressiva para 2015/2016? Pádua – Em termos de oferta de cana, as condições até agora são favoráveis para a próxima safra. Hoje está havendo uma boa brotação de soqueira, a cana colhida está se desenvolvendo bem dadas as chu- vas do final de julho, mas vai depender muito ainda das chuvas de outubro, no- vembro e janeiro, fevereiro do ano que vem. Então pode ser sim uma safra me- lhor do que essa, com uma maior oferta de cana-de-açúcar, porém, acredito que além de ter mais cana, pode ser uma safra com preços melhores. É inevitável que passada a eleição, por outros problemas, haja uma pequena recuperação para a Petrobras dos preços da gasolina, isso vai melhorar evi- dentementeopreçodeetanol.Podemoster na próxima safra o aumento da mistura de etanol para 27,5% e com certeza o merca- do internacional de açúcar que estava com excesso de estoques pode voltar a ser um mercado deficitário e o Brasil vai ter con- dições de voltar a crescer um pouco mais na produção de açúcar, a um preço melhor do que é hoje e, ainda, podemos contar com uma mudança na taxa de câmbio e uma desvalorização do real. Existe sim uma série de fatores, uma série de con- junturas que pode ser a safra 2015/16 uma mudança, saindo de um ciclo supernegati- vo, um ciclo de baixa para um ciclo mais otimista com boas perspectivas. Revista Canavieiros – A quantida- de de cana-de-açúcar disponível para moagem será suficiente? Pádua – A quantidade de cana-de- -açúcar sempre será suficiente, depende do tamanho do mercado que queremos. Se quisermos atender toda a frota flex, ela não vai ser suficiente. Na verdade, a frota flex vai continuar ainda uma pequena oferta de produto de etanol hidratado combustível, mas o anidro e o açúcar com certeza serão totalmente abastecidos. Revista Canavieiros – Essa safra vai ser mais alcooleira ou mais açuca- reira? Pádua – Essa safra será mais alcoo- leira do que a safra passada. Revista Canavieiros – Há alguma variável que determinará a moagem da próxima safra? Pádua – Eu diria que são exata- mente os preços baixos do açúcar no mercado internacional. O câmbio não incentiva a exportação e o etanol, mes- mo nessa condição de precificação da gasolina, hoje traz um preço melhor do que o açúcar de exportação. Condições favoráveis para a próxima safra Fernanda Clariano RC RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 40 Destaque I Revista Canavieiros prestigia o lançamento do Guia de Negócios do CEISE Br durante a Fenasucro 2014 N a tarde de 27 de agosto, o CEI- SE Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroener- gético e Biocombustíveis), entidade representante da indústria de base e serviços da cadeia produtiva sucroe- nergética, lançou em seu estande na 22ª Fenasucro (Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética), o Guia de Negócios, elaborado com o objetivo de ser um canal de oportunidades e deman- das para o setor sucroenergético. Além de apresentar os principais fabricantes de equipamentos, produtos e serviços, o Guia também traz artigos interessan- tes assinados por especialistas do setor, como o presidente da Copercana e Si- coob Cocred, Antonio Eduardo Tonie- lo, o presidente da Canaoeste e Orplana, Manoel Ortolan, dentre outros. Estiveram presentes no lançamen- to, o presidente do CEISE Br, Antonio Eduardo Tonielo Filho, o gerente exe- cutivo do CEISE Br, Sebastião Pereira Macedo, o vice-presi- dente e o geren- te comercial da Reed Exhibitions Alcântara Macha- do, Paulo Octávio Pereira de Almeida e Paulo Montabone, respectivamente, a assistente de atendi- mento às empresas do CIEE, Fabíola Molina, o supervisor de Unida- de do CIEE, Adriel Luis Gennaro, além de empre- sários, associados, convi- dados, colaboradores do CEISE Br e a imprensa. Durante discurso, Sebastião Mace- do destacou as dificuldades que o setor Na oportunidade, a entidade assinou convênio com o CIEE (Centro de Integração Empresa Escola) de incentivo à cultura do estágio nas indústrias vem enfrentando, e ressaltou a impor- tância da realização da Fenasucro e do lançamento do Guia de Negócios num momento de crise, como forma de incentivo e confiança no setor. “Es- tamos vivendo um momento difícil e isso não é novidade para ninguém, mas apesar das dificulda- des estamos presencian- do o acontecimento da Fenasucro, que traz um número expressivo de empresas participantes, apresentando seus pro- dutos e mostrando que continua acreditando, isso já é uma vitória e mais do que isso, é podermos mostrar não só para o mu- nicípio, mas para o Brasil e para o mundo, que acre- ditamos e trabalhamos para este setor e vamos passar por mais essa crise, crescendo. O CEISE Br orgulha-se em poder lançar o Guia de Negócios porque sabe da importância deste setor e também que seus associa- dos têm esperanças, acreditam e lutam por dias melhores e nós como entidade de classe que representa as indústrias de máquinas, equipamentos, bens de capital, serviços, insumos e tecnologias agrícola e industrial da cadeia produ- tiva da cana-de-açúcar, sabemos que este Guia de Negócios será uma grande oportunidade para os associados e par- ceiros que estão participando”, pontuou o gerente executivo do CEISE Br. O presidente do CEISE Br, Antonio Eduardo Tonielo Filho falou sobre a oportunidade que o Guia de Negócios representa tanto para as usinas quanto para a pequena indústria. “Este Guia é muito importante porque apresenta to- das as indústrias participantes da 22ª edição da Fenasucro, todas as usinas, até a pequena indústria que não teria condições de participar, estão marcan- do presença com seu nome, pois não medimos esforços para inseri-las. O Guia será distribuído gratuitamente na Fenasucro e isso é interessante porque a feira recebe muitos visitantes, inclusive estrangeiros e o Guia de Negócios aca- ba sendo uma ferramenta para ajudar as Fernanda Clariano O gerente executivo do CEISE Br, Sebastião Macedo discursou durante a apresentação do Guia de Negócios
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 41 indústrias a direcionarem o pessoal na negociação certa. Posteriormente ele será enviado para todas as usinas da América Latina, para levar o nome da Fenasucro e também dos parceiros que acreditaram no projeto, neste processo e neste setor”, disse Tonielo Filho. Ainda durante o lançamento foi assinado um convênio com o CIEE, de incentivo à cultura do estágio nas indústrias. “O CEISE Br é um parceiro de lon- ga data e já vínhamos trabalhando há algum tempo para incentivar a forma- ção da cultura do estágio na indústria dentro das empresas do setor. Isso be- neficia o associado diretamente, por- que a empresa que contrata o CIEE para administrar o seu programa de estágio tem uma redução significativa no valor de contribuição institucional. Através desse convênio com o CEISE BR, a empresa associada tem uma re- dução de 50% no custo. É importan- te ressaltar que não é só o benefício pelo benefício, é incentivar a cultura, chamar a atenção do associado para a importância do estágio, a importância da formação prática”, pontuou o su- pervisor de unidade do CIEE, Adriel Luis Gennaro. Tonielo Filho também falou sobre a parceria com o CIEE. “Este convênio que estamos assinando com o CIEE é muito importante porque acaba sendo um benefício para os nossos associa- dos, principalmente nessa época de crise e de redução de custos que as empresas estão fazendo. Poder pro- porcionar um desconto tão expressivo como este que conseguimos através dessa parceria para algo que vai bene- ficiar as empresas é muito importante e estamos felizes com essa conquista para os nossos associados que estão precisando muito de apoio”, afirmou o presidente do CEISE Br. RC RC Fabiola Molina e Adriel Luis Gennaro do CIEE com Antônio Eduardo Tonielo Filho e Sebastião Macedo do CEISE Br durante a assinatura do convênio
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 42 Destaque II Seca terá impacto também na colheita de 2015/16 A lém do prejuízo causado à temporada atual, a estiagem prolongada prejudicará a pró- xima safra, declarou o presidente da DATAGRO, Plínio Nastari, ao divulgar as projeções para a produção 2014/15, durante evento realizado em São Paulo- -SP, no começo de setembro. A estima- tiva da consultoria, revisada pela ter- ceira vez, é que a safra no Centro-Sul tenha uma moagem de 556 milhões de toneladas de cana, cerca de 7% menor do que a de 2013/14. A produção de açúcar também caiu para 32,8 milhões de toneladas ante os 33,2 milhões de toneladas da safra anterior. Já a pro- jeção para o etanol aumentou, ficando em 24,2 bilhões contra 23,6 bilhões de toneladas registrados na safra passada. De acordo com o presidente da con- sultoria, a situação climática tem oca- sionado uma heterogenia à safra atual, sendo que algumas regiões têm sofrido mais os efeitos da seca do que outras. “A região de Araçatuba, Presidente Pruden- te e Piracicaba estão sentindo com mais intensidade a seca. Já em Bauru e São José do Rio Preto o impacto é menor”, explicou Nastari, ressaltando que em Ribeirão Preto, embora também sinta os prejuízos da estiagem, os rendimen- tos agrícolas ainda são elevados devido, principalmente, a colheita de cana bis nesta região. “Mas é importante registrar que na próxima safra não terá mais esta cana bis”, alertou ele afirmando que isso impactará no rendimento local. O consultor revelou ainda que as taxas de renovação em canaviais estão abaixo do normal, pois não há condição agronômica para se fazer o plantio, por- que o solo e o clima estão muito secos. “Além da crise enfrentada pelo setor, impulsionada pelo subsídio ao preço da gasolina, pelo fato da CIDE ter sido zerada, e dos preços do açúcar estarem em baixa, a condição climática tem impedido uma taxa de renovação de canaviais que no momento é menor do que seja recomendado”, disse o consul- tor, explicando que quando o relatório fechar em outubro, representará baixa Andréia Vital de 17%. Nastari lembrou também que a seca tem afetado a brotação da cana soca e da cana de 18 meses, plantada no período de fevereiro a abril, que não se desenvolveu como o esperado e terá o efeito de uma cana de 12 meses, na sa- fra 2015/16, tendências que têm gerado as atualizações de estimativas, explicou Nastari, argumentando que isso impac- tará a próxima safra. Com relação às exportações, o con- sultor ressaltou que, em agosto, o Brasil exportou 2,30 milhões de toneladas de açúcar, o que representa uma queda de 7,3% sobre o volume exportado no mês anterior, julho, e queda de 30% em re- lação a agosto de 2013. No acumulado de janeiro a agosto fechou em 14,89 milhões de toneladas, o que representa uma redução 14,4% sobre o mesmo pe- ríodo de 2013, quando foram exporta- das 17, 40 milhões de toneladas. As exportações de etanol também apresentam quedas, tendo em agosto, exportados somente 78,4 milhões de li- tros ante os 90,6 milhões de litros, em julho, e contra 486 milhões de litros, em agosto de 2013. Na soma de janeiro a agosto, o acumulado é de 948,9 milhões de litros, contra 1,993 bilhões de litros em igual período do ano passado, que representa uma queda de 52,4%. “São dados importantes, pois refletem o fato de que os mercados mundiais de açúcar estão ainda muito estocados, principal- mente na Ásia, e isso tem refletido nos preços”, analisou Nastari, destacando que mesmo com estoques altos, a im- portação de açúcar pela China continua crescente. “O Brasil tem sido até o mo- mento o maior fornecedor de açúcar da China, sendo o responsável por 2,47 mi- lhões de toneladas, das 3,38% milhões de toneladas importadas pela China, no acumulado de outubro/13 a junho/14, o que representa 73,2% do que foi ex- portado para aquele país”. O segundo maior fornecedor para a China é Cuba, com 13,6% e a Tailândia, que aparece em quinto lugar, representa somente 2,6% das origens de açúcar importados pela China, contou o executivo. Já o consumo de hidratado tem evo- luído segundo dados da consultoria, tendo atingido 7,05 bilhões de litros na somatória de janeiro a julho, represen- tando 21,1% sobre o mesmo período de 2013. Este aumento é atribuído ao crescimento da frota flex, que no final de julho alcançou 22,13 milhões de uni- dades. “Isso tem efeito no consumo de hidratado, como também na participa- ção do etanol no consumo de ciclo Otto do Brasil”, explicou Nastari, divulgan- do que no acumulado de janeiro a ju- lho, atingiu 35,8% mostrando recupera- ção em relação a 2013, que fechou em 33,7%, e também em relação a 2012, quando foi registrado 31,8%. “Mas ain- da está abaixo do nível de 2010, que foi de 44,6%, então tem muito espaço para o consumo de álcool crescer como tam- bém ser recuperado no Brasil”, alegou. Plínio Nastari apresentou perspectivas para a safra
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 43 Produção de açúcar na região Centro-Sul recua na primeira quinzena de setembro No caso do anidro, o aumento da mistura de etanol na gasolina poderá representar 1,2 bilhão de litros de de- manda a mais por ano. Embora tenha sido aprovada a ampliação da banda para até 27,5%, a decisão de alterar o nível de mistura ocorrerá se for tec- nicamente possível e isso depende de uma decisão do CIMA (Conselho Interministerial de Açúcar e Álcool), que é coordenado pelo ministério da Agricultura, e dos ministérios en- volvidos. “Os testes devem ser con- cluídos em outubro, e a ideia é que representantes do Inmetro divul- guem os resultados dos estudos na 14ª Conferência Internacional DA- TAGRO sobre açúcar e etanol, que acontece em São Paulo-SP, nos dias 20 e 21 de outubro”, contou Nastari, que na ocasião apresentou também calendário de eventos que devem ser promovidos pela consultoria nos dois próximos anos, entre eles, a ISO DATAGRO Centro América, na Gua- temala, em junho de 2015, que vai abordar as questões sobre os países da América Central e do Caribe, com foco na capacidade desta geografia de atender aos mercados da Ásia e EUA e como eles estão diversifican- do as suas economias, contou o pre- sidente da consultoria. O volume de cana-de-açúcar pro- cessado pelas unidades produ- toras da região Centro-Sul to- talizou 39,89 milhões de toneladas na primeira metade de setembro. Esse re- sultado é 15,98% inferior às 47,48 mi- lhões de toneladas moídas na quinzena anterior e 7,44% menor em relação ao valor observado no mesmo período de 2013 (43,10 milhões de toneladas). No acumulado desde o início da sa- fra até 15 de setembro, a moagem al- cançou 412,68 milhões de toneladas, contra 408,54 milhões de toneladas ve- rificadas em igual data de 2013. A quantidade de açúcar fabricada atingiu 2,50 milhões de toneladas nos 15 primeiros dias do mês, ante 3,02 milhões de toneladas apuradas na quin- zena anterior (queda de 17,09%) e 2,98 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra 2013/2014 – retração de 15,92%. Segundo o diretor Técnico da UNI- CA (União da Indústria de Cana-de- -Açúcar), Antonio de Pádua Rodrigues, “essa redução na produção de açúcar reflete a menor moagem na quinzena e o fato das usinas terem priorizado a fabricação de etanol”. As condições de demanda e os preços vigentes têm ge- rado incentivos econômicos à produção do biocombustível em detrimento ao açúcar, acrescentou. A proporção de matéria-prima des- tinada à fabricação de açúcar totalizou 43,99%, expressivo recuo em relação aos 45,22% observados na quinzena passada e aos 49,28% verificados no mesmo período de 2013. A queda no ritmo de produção de açúcar também pode ser observada a partir do rendimento industrial men- surado em quilos de açúcar por tone- lada de cana-de-açúcar processada. Na primeira quinzena de setembro, esse índice apresentou queda de 9,17% no comparativo com o valor registrado em igual período do último ano: 62,75 kg de açúcar por tonelada de cana, contra 69,08 kg contabilizados em 2013. Com isso, a produção de etanol al- cançou 1,96 bilhão de litros nos pri- meiros 15 dias de setembro, ante 1,88 bilhão de litros apurados em igual pe- ríodo do último ano. Deste montante, 773,43 milhões de litros referem-se ao etanol anidro e 1,19 bilhão de litros ao etanol hidratado. No acumulado desde o início da sa- fra 2014/2015, a produção de açúcar alcançou 23,43 milhões de toneladas, enquanto a fabricação de etanol somou 18,11 bilhões de litros, com crescimen- to de 4,82% sobre o volume observado no mesmo período de 2013. Para Pádua, “a quantidade produzida até o momento não reflete a expectativa de menor oferta de cana-de-açúcar para essa safra”. Nos próximos meses, com o término antecipado da safra em várias regiões, o impacto da seca sobre a pro- dução ficará mais evidente, concluiu. A quantidade de ATR (Açúcares To- tais Recuperáveis) por tonelada de ca- na-de-açúcar processada atingiu 149,71 kg na primeira quinzena de setembro, frente a 147,11 kg por tonelada obser- vado na mesma data da safra anterior. No acumulado desde o início da sa- fra 2014/2015 até 15 de setembro, o teor de ATR por tonelada de matéria-prima totalizou 134,44 kg, contra 131,40 kg por tonelada registrado na mesma data de 2013. Já as vendas de etanol somaram 1,05 bilhão de litros, ante 1,04 bilhão de litros registrado no mesmo período do ano anterior. Deste total vendido, 990,03 milhões de litros destinaram-se ao mercado doméstico e apenas 57,36 milhões de litros à exportação. No mercado doméstico, as vendas de etanol anidro totalizaram 422,05 mi- lhões de litros, com alta de 15,29% em relação aos 366,07 milhões de litros ob- servados na mesma data de 2013. As vendas internas de hidratado, por sua vez, alcançaram 567,98 milhões de litros nos primeiros 15 dias de se- tembro, contra 541,84 milhões de litros computados na quinzena anterior (in- cremento de 4,83%) e 552,03 milhões de litros verificados em igual período da safra passada (aumento de 2,89%). Para o executivo da UNICA, “a expectativa é de que esse aumento do consumo se acentue nas próximas quin- zenas, pois o etanol hidratado tem se apresentado economicamente vantajo- so em relação à gasolina nos principais estados consumidores”. RC RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 44 Destaque III Pneus: escolha errada e falta de manutenção podem comprometer desempenho do maquinário e produtividade A busca por mais eficiência e re- dução de custos é cada vez mais constante e, em muitos casos, o simples fato de se fazer a opção por um equipamento e executar a manutenção adequada podem significar toda a diferen- ça. Os pneus, por exemplo, perdem cerca de 25% de sua vida útil sem um cuidado especial, e essa porcentagem é muito alta se considerar que este produto é o segundo maior custo para a maioria das frotas. “O produtor deve ficar atento ao esco- lher o pneu a ser utilizado no campo. Esse é o primeiro e principal fator que deve ser levado em consideração, pois impactará na produtividade e também na redução ou aumento de seus custos”, afirma Stéfano Mercúrio, coordenador do SAFF – Servi- ço de Aprendizagem e Formação da Fro- ta, da DPaschoal. Ele explica ainda que o pneu é responsável pela transmissão da energia do motor da máquina para o solo, tornando-se um item de extrema impor- tância para as várias operações realizadas no campo. Segundo o especialista, exis- tem atualmente disponíveis no mercado diversas opções de pneus - diagonal ou radial - com medidas e funcionalidades variadas, que possibilitam o melhor de- sempenho na lavoura. Andréia Vital De acordo com Mercúrio, um pneu tem em média uma vida útil de três anos e com a recapagem pode ter uma sobrevida, mas existe um limite para o seu conserto. “Além da economia e da busca pela redução de custo, temos uma preocupação muito grande com a segu- rança, então, mesmo que o pneu seja novo, dependendo da avaria que sofreu, será indicado o seu sucateamento”, dis- se. O especialista também explica que, se o pneu que sofre um impacto muito grande, como a quebra da sua carcaça e a separação total do pacote de cintas, continuar a ser utilizado, pode gerar avaria no veículo, além de causar aci- dentes, pois parte da cinta se soltará e os pedaços chamados no meio por “ja- caré” serão encontrados nas pistas. Um dos primeiros indícios que identi- fica se o pneu possui desgastes e precisa ser trocado é a alteração da patinagem da máquina. “A calibragem é um item fundamental para aumentar a durabili- dade do pneu e evitar problemas para o produtor. Para ser feita de maneira ade- quada deve-se levar em consideração a relação de peso equipamento/implemen- to x trabalho a ser executado”, ressalta o especialista, avisando que duas libras a menos ou a mais em um pneu agrícola já interferem no seu desempenho, dimi- nuindo a produtividade e aumentando o consumo de combustível. A DPaschoal desenvolve um pro- grama utilizando recursos tecnológicos avançados para análises de campo e elaboração de plano de ação corretivo e preventivo para ajudar seus clientes neste processo. “O SAFF tem foco em economia no campo, como apoio ao cliente no pós-venda”, explica Mer- cúrio. Os detalhes do programa foram apresentados, recentemente, em dia de campo Agro SAFF DPaschoal, em sua filial em Ribeirão Preto/SP e na Usina da Pedra, em Serrana/SP. Na ocasião, o executivo mostrou os diferenciais da empresa brasileira e também apresen- tou linha do tempo com sua evolução no mercado automotivo, onde atua há 65 anos, completados em 2014. Hoje, a DPaschoal possui 11 recapagens em sete Estados, mais de 200 lojas e 300 credenciadas e fornece pneu, serviços e acessórios para veículos de passeio, caminhões, ônibus, tratores, máquinas agrícolas e industriais. Também tem a Fundação Educar e as empresas Dater- ra, DPK, portal AutoZ e Rede ACC. “Dependendo da avaria o pneu deve virar sucata”, diz Mercúrio
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 45 Mercúrio salientou que a armazena- gem dos pneus é um fator importante a ser observado e é o primeiro ponto a ser analisado pela equipe, que vai até o cliente. “O pneu não pode ser armaze- nado próximo a produtos derivados de petróleo, pois isso vai gerar contamina- ção na borracha e acelerar o seu enve- lhecimento, tornando os pneus impró- prios para uso”, explicou ele, afirmando que normalmente as empresas não têm este conhecimento e passam a ter com a orientação do SAFF. A qualificação do funcionário, que lida com este produto, a organização da borracharia, condi- ções dos veículos e pneus inutilizados também são analisados. “Consideramos a sucata o DNA da empresa porque vai dizer exatamente se o produto foi usado do modo correto, com a pesagem corre- ta”, disse. Ele revela ainda que no cam- po, a equipe verifica alguns detalhes, entre eles, como está o lastro líquido e o sólido deste veículo, a partir daí é gera- do um relatório com um plano de ação. Para o coordenador de manutenção agrícola da Usina da Pedra, Cleber Ro- berto de Assis, o processo de assistência à frota direciona as decisões a serem tomadas perante a análise de falhas e seus motivos apresentadas no relatório SAFF. “Trabalhando com uma calibra- ção correta, tomando todos os cuidados de manutenção para com os pneus, você consegue atingir a performance máxima deste produto, e isso nos reverte em reais por toneladas colhidas diretamente”, dis- se Assis, explicando que é um processo de melhoria contínua, além disso, o mo- nitoramento feito por um terceiro agrega porque ajuda a usina a se autoavaliar. “Embora existam outras variáveis envolvidas no processo, como pneu adequado, sua aplicação, a operação, velocidade de trabalho e condição de solo têm outros fatores que estão li- gados à performance total do produto, mas a manutenção correta ajuda mui- to”, analisa o coordenador. Assis afir- ma ainda que o projeto ajuda também a reduzir o problema de galope, muito preocupante para as usinas. “Mantendo um padrão de lastreamento e calibra- gem de pneu corretos é possível elimi- nar o problema de galope, além disso, acaba gerando também um ganho de rendimento operacional e economia de combustível, pois você precisa de me- nos energia para fazer o trabalho, então essa análise feita pelo SAFF é muito importante”, conclui. A Titan Pneus também criou um ma- nual para auxiliar os produtores rurais na gestão de pneus: os “10 Mandamen- tos do Tratorista Agrícola”, que foram desenvolvidos com base nas principais falhas ocorridas no dia a dia das fa- zendas, traz cuidados básicos, muitas vezes desrespeitados e que comprome- tem a qualidade do produto e, por con- sequência, do equipamento. “O pneu é o principal elo que une a máquina ao solo. O equipamento pode ter potência, ter transmissão, mas se o pneu não esti- ver adequado não é possível transmitir ao solo a potência gerada pelo motor e, consequentemente, o trabalho no cam- po não é realizado com eficiência”, ana- lisa Leandro Pavarin, gerente de Vendas para o Brasil da empresa. Com três anos de atuação no País, a Titan aposta no crescimento do segmen- to de pneus para máquinas agrícolas, que representou aumento de 30% no volume de suas vendas no ano passado. Diante de um cenário futuro promissor, a empresa anunciou durante aAgrishow 2014 um plano de expansão de US$ 25 milhões, além dos US$ 16 milhões já aplicados. “Os investimentos concen- tram-se no aumento da capacidade de produção e na modernização do parque industrial. Novos equipamentos, pren- sas e moldes garantirão um maior ga- nho em escala e o lançamento de novas linhas que complementem o já extenso portfólio de todas as marcas produzidas pela Titan no Brasil,” conta Pavarin. RC Leandro Pavarin, gerente de vendas para o Brasil da empresa RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 46 Biotecnologia é a receita para o aumento da produtividade Destaque IV Andréia Vital A biotecnologia tem contribuído para melhorar a qualidade de vida ao redor do mundo, pro- movendo o aumento da produtividade no campo, a diminuição de emissões de CO2, a preservação da biodiversidade, a racionalização das aplicações de de- fensivos agrícolas, além de amenizar as mudanças climáticas. Devido a tantos benefícios, de acor- do com o ISAAA (Serviço Internacio- nal para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia), a adoção da trans- genia na agricultura vem ganhando mais espaço a cada ano, prova disso é que em 2013, 18 milhões de agriculto- res, sendo 90% pequenos produtores, em 27 países, fizeram uso desta tecno- logia. No ranking mundial dos países que cultivam variedades GM (geneti- camente modificadas), o Brasil ocupa o segundo lugar, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, constata a entidade. “A biotecnologia agrícola encontrou terreno fértil no Brasil, porque o País fez a opção, há 40 anos, pelo desenvol- vimento de um conceito de agricultura baseada em ciência, basicamente por- que estávamos preparados para interna- lizar as inovações que vêm da fronteira do conhecimento” justificou o presi- dente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Maurício Antônio Lopes, durante o seminário “Biotecnologia e Inovação”, promovi- do recentemente em São Paulo/SP, pelo jornal Valor Econômico. De acordo com o cientista, são mui- tas as contribuições que as pesquisas agropecuárias trouxeram para o Brasil, citando, entre elas, a tropicalização e adaptação de sistemas de produção ve- getal e animal, desenvolvimento de uma plataforma inédita de práticas sustentá- veis e transformações de solos áridos e ceito também para ajudar o setor sucro- energético”, contou. A intensificação de parcerias com o setor acadêmico também fez parte da tônica da palestra do diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz. Segundo ele, vários programas foram criados para desenvolver a educação, o que impul- sionou as atividades de pesquisas den- tro das universidades, iniciativa que ge- rou diversas empresas de biotecnologia, sendo cerca de 250 pequenas empresas na Unicamp e mais de 400, na USP. “O Programa PIPE FAPESP (Pesquisa Inovativa na Pequena Empresa) ofere- ce um financiamento não reembolsado, de até R$ 1.250 milhão por projeto às pequenas empresas com menos de 250 empregados, para estimular a cultura de inovação permanente e a procura é grande, tanto que no ano passado foram aprovados três contratos por semana”. De acordo com o ISAAA (Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecno- logia), a adoção da transgenia na agricultura vem ganhando mais espaço a cada ano pobres em nutrientes em solos férteis. “Nenhum outro país teve sua agricultu- ra avançando de forma tão determinada na direção da sustentabilidade, como a nossa”, disse, advertindo que a agricul- tura será cada vez mais pressionada na direção da multifuncionalidade e en- frentará muitos desafios. A junção de esforços entre a inicia- tiva privada e a pública também foi destacada pelo presidente da Embrapa, que citou, na ocasião, projeto com a UNICAMP, efetivado em 2012, no sen- tido de desenvolver uma unidade mista de pesquisa, que permitirá à entidade implantar plantas modificadas com as mais variadas tecnologias. “A agenda dessa nova unidade é a mudança de clima, nós queremos usar inovações de base biológica para ajudar a agricultura a se adaptar numa realidade de mudan- ça climática”, explicou. “Hoje usamos o milho, mas há muito interesse em usar esta base de eventuais provas de con- Gregory Stock, Roberto Rodrigues e Maurício Lopes destacaram os avanços da biotecnologia
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 47 fosse aprovada em 270 dias que é a prá- tica do mercado. Mas a liberação saiu somente dois anos e meio após a apre- sentação do pedido, em junho de 2013”, disse perplexo. Coube ao médico cancerologista Drauzio Varella encerrar o seminário, explanando sobre a qualidade de vida, alimentação e transgênicos. Ele admitiu que se criou um preconceito em relação aos transgênicos, pois faltou diálogo entre a academia e a sociedade sobre a questão do uso dos transgênicos, crian- do fantasias sobre a sua segurança para a saúde humana. “As pessoas não en- tendem. Eu acho que isso é um pensa- mento quase religioso, onde acham que os genes guardam a essência da vida, portanto não podem ser modificados. É uma visão religiosa e não científi- ca”, analisou o médico, completando “Temos transgênicos usados também na medicina, como a insulina, e não te- mos até hoje uma demonstração de um efeito nocivo à saúde pela utilização do transgênico”. Varella advertiu que os problemas que podem ocorrer na questão da ali- mentação moderna são relacionados ao excesso, já que a fartura e fácil acesso aos alimentos atualmente são fatores que já têm culminado com diversas doenças, como diabete e pressão alta. “Essas são as maiores epidemias do mundo moder- no e por serem tão frequentes, ninguém leva a sério. Precisamos cuidar do corpo, fazer exercícios, não exagerar na comi- da. Deixar de fazer isso é que não é segu- ro para a saúde”, conclui o médico. Biotecnologia aplicada a novos usos “No futuro próximo, a tecnologia norteará nossas vidas e os impactos dos benefícios proporcionados por ela, em diferentes áreas, serão reconheci- dos dentro de 5 a 25 anos”, concluiu o fundador do Programa de Ciência, Tec- nologia e Sociedade da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), Gregory Stock, que também participou do evento e ofereceu noções de como a inovação e ciência podem ser usadas como instrumentos de desenvolvimen- to. De acordo com ele, as novas tecno- logias, inicialmente disponibilizadas a preços exorbitantes, como o caso do celular, com a produção em massa, ten- dem a ficar mais acessíveis ao consu- midor. Opinião compartilhada com pes- quisador do IFPRI (International Food Policy Research Institute), Nicola Ce- nacchi. “O aumento da produtividade e a redução de custos serão atingidos com mais investimentos em tecnologia”. Ele comentou que o IFPRI realizou estu- do para avaliar como as tecnologias se desempenham e como podem agir em diferentes áreas do mundo e identificou que algumas delas proporcionam a re- dução em até 15% o preço do milho, em 20% do arroz e em 10% o do trigo, até 2050, o que poderá contribuir para a redução de custos. Devido ao constante desenvolvimen- to da biotecnologia torna-se necessário alguns ajustes na legislação brasileira para atender ações internacionais, ex- plica o presidente da comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTBio), Edivaldo Domingues Velini, órgão que regulamenta a tecnologia no Brasil. “A Lei 11.105/05 é o principal marco re- gulatório que nós temos no Brasil e ela equipara o País às nações mais desen- volvidas e com maior crescimento em biotecnologia”. De acordo com Velini, 94% das bio- tecnologias usadas no Brasil são des- tinadas à agricultura e pecuária, sendo que no ano passado, o órgão concedeu cinco liberações comerciais, duas de microrganismos, duas vacinas e uma para planta. Este ano, duas GM já fo- ram liberadas – uma de vacina e outra de mosquito e outras 21 estão em análi- se para serem liberadas. O executivo lembrou que o uso desta tecnologia ajudou o Pais a se destacar na agricultura. Atualmente, 91,8% da soja produzida no Brasil é genetica- mente modificada, já no caso do milho, essa porcentagem chega a 81,6% e o algodão a 65%. “Nós dobramos a pro- dução do agronegócio de 2006 a 2013, tendo um salto no superávit de US$ 40 para US$ 100 bilhões”, observa ele, ad- vertindo “O grande desafio é avançar com segurança em um cenário em que a biotecnologia assume um papel cada dia mais relevante”. O seminário contou também com palestra do advogado Luiz Henrique do Amaral, especialista em propriedade intelectual e membro da ABPI (Associa- ção Brasileira da Propriedade Intelec- tual), que explanou sobre propriedade intelectual, sobre o cenário brasileiro e quais desenvolvimentos podemos espe- rar para os próximos anos. “A concessão de patentes faz parte do jogo da inova- ção e da tecnologia e sem ela não é pos- sível capturar todo o desenvolvimento que vem ocorrendo em biotecnologia no Brasil e em melhoria genética através de novas cultivares”, alertou o advogado. Abordando também os gargalos re- gulatórios da biotecnologia no comér- cio, o ministro Orlando Ribeiro, chefe da Divisão de Agricultura e Produtos de Base do Itamaraty, admitiu que a sincronia de aprovação de cultivares em alguns parceiros comerciais impor- tantes do Brasil e a questão do limite de tolerância são desafios que País en- frenta e que tem travado seu desenvol- vimento nesta área. “O ritmo de apro- vação, que é diferente em cada país, tem o potencial de gerar interrupções no comércio internacional de grãos”, esclareceu, dando como exemplo o pro- cesso de aprovação da soja Intacta RR2, da Monsanto, na China. “A semente foi aprovada para uso no Brasil em 2010, na Argentina, em 2012, e postulou au- torização em novembro de 2010 junto às autoridades chinesas, esperando que RC Drauzio Varella, médico cancerologista
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 48 Informações Setoriais Chuvas de agosto e previsões climáticas para setembro a novembro Quadro 1:- Chuvas observadas durante o mês de agosto de 2014. Engº Agrônomo Oswaldo Alonso Consultor A média das chuvas de agosto de 2014 (0mm), quase que uniforme em todos os locais observa- dos, foi semelhante ao de agosto de 2013 (1mm). Merece lembrar que, nesta região de abrangência Canaoeste, no período dezembro de 2013 a agosto de 2014, os desvios negativos de chuvas ocorreram em quase todos os meses, exceto de-zembro, abril e julho. Vide Quadro 2. O Mapa 1 mostra que, em meados (17 a 20) de agosto, a DAAS (Disponibilidade de Água no Solo) apresentava-se em nível baixo a crí- tico em (quase) toda área sucroenergética do Estado, com exceção de áreas próximas deAssis,Avaré e Presidente Prudente. Os Mapas 2 e 3, correspondentes aos finais de agosto de 2013 e 2014, mos- tram semelhança entre as DAAS (Dispo- nibilidades de Água no Solo), pois aos finais de agosto de 2013 e de 2014, qua- se toda região sucroenergética do Estado de São Paulo encontravam-se com nível entre baixo a crítico. Os artigos de Informações Climá- ticas estão contando com o trabalho diário de anotações de chuvas dos Es- critórios Regionais e que são conden- sados em Viradouro. Estes dados são disponibilizados diariamente pelo site Canaoeste e, as suas médias mensais e as normais climáticas, também são apresentadas no Quadro 2. OBS:- Normais climáticas (ou mé- dias históricas) são dos locais enume- rados de 1 a 9, além do Centro de Cana IAC, em Ribeirão Preto. Os dados do Quadro 2 mostram, no destaque (canto inferior direito), as ex- pressivas dife-renças observadas entre os meses de janeiro a agosto dos anos Mapa 2:- Água Disponível no Solo ao final de agosto 2013Mapa 1:- Água Disponível no Solo entre 16 a 18 de agosto de 2014
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 49 3. Mapa 3:- Água Disponível no solo ao final de agosto 2014. Embora o mapa se refira ao período 21 a 24 de agosto, mas até os últimos dias deste mês não ocorrência de chuvas significativas. Mapa 4:- Elaboração Canaoeste do Prognóstico de Consenso entre INMET-INPE para final de setembro e os meses de outubro e novembro Quadro 2:- Médias mensais e normais climáticas das chuvas de janeiro a agosto de 2013 e 2014, anotadas pelos Escritórios Regionais. (bem) próximos são de 55mm em se- tembro, 125mm em outubro e 170mm em novembro. Já o prognóstico climático da SO- MAR Meteorologia, face ao fenômeno El Niño já fraco, observa-se período de normalidade climática, ou seja, sem pre- dominância de El Niño ou de La Niña. Esta consultoria climática prevê que, da transição inverno/primavera a dezem- bro, as chuvas já poderão ser regulares, tornando-as próximas das respectivas médias históricas nas Regiões Centro- -Oeste e Sudeste. Centro-Sul do Mato Grosso do Sul e o Estado do Paraná, as chuvas poderão continuar frequentes. A Canaoeste recomenda especial atenção aos produtores de cana, que os solos logo estarão com melhor umidade para efetuar cultivos mecânicos, desde que necessários (se pisoteados, mas com as soqueiras no início de brotações). Estes prognósticos serão revisados nas edições seguintes da Revista Cana- vieiros. Fatos climáticos relevantes serão noticiados em www.canaoeste.com.br e www.revistacanavieros.com.br. Persistindo dúvidas, consultem os Técnicos mais próximos ou através do Fale Conosco Canaoeste. RC 2014 e 2013. O acumulado das chuvas em 2013 foi praticamente igual às das normais climáticas. Mas, em 2014, o acumulado de chuvas está pela metade da soma das normais climáticas. Este diferencial de 420mm nesta região de abrangência, pode significar perda potencial de produtividade de até 23 t cana/ha. Estas Normais climáticas (938mm, em 2013 e 845mm, em 2014) estão di- ferentes em função das ponderações das chuvas entre os meses destes dois anos. Para planejamentos próximo-futuros, a Ca- naoeste resume o prog- nóstico de consenso entre INMET (Instituto Nacional de Meteoro- logia) e INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para os me- ses setembro (final) a novembro, como des- crito abaixo e ilustrado no Mapa 4, a seguir: • Nestes meses, as temperaturas tendem a ser acima das respecti- vas normais climáticas para toda Região Cen- tro Sul do Brasil, exceto nos Estados de Goiás e Mato Grosso, onde as temperaturas poderão ser próximas das médias históricas; • O consenso INMET-INPE prevê que as chuvas poderão ocorrer com iguais probabilidades para as três categorias (acima, próxima e abaixo das normais climáticas) na área cinza. Na área verde, que corresponde à faixa sul e sudoeste do Estado de São Paulo, sul do Mato Grosso do Sul e Estados da Região Sul, as chuvas poderão ficar entre próximas a acima das respectivas médias; • Tendo como referência o Centro de Cana-IAC, as médias históricas das chuvas em Ribeirão Preto e municípios
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 50 Custos de produção de Cana-de-Açúcar D ando continuidade ao projeto de elaboração dos custos de produção, realizado pelo De- partamento Técnico e Agronômico em conjunto com a Gestão de Relaciona- mento Recursos e Projetos, com o in- tuito de fornecer a informação detalha- da, abordaremos nesta edição a etapa de trato de cana-planta. Ressaltamos que nas edições passadas da Revista Cana- vieiros foram publicadas as etapas de preparo do solo e plantio. Os tratos culturais da cana-planta são necessários para proteger e ga- rantir a longevidade do canavial e têm como objetivos principais: controlar plantas daninhas, controlar pragas, nivelar a sulcação pós-plantio por meio da operação de “quebra-lombo” e fornecer nutrientes quando houver necessidade. Para a elaboração dos custos de tra- to de cana-planta, consideramos como modelo um canavial plantado de 18 meses, nos meses de março/abril. Em função deste cenário, foram definidos os herbicidas apropriados para esta si- Alessandra Durigan - Gestora Técnica da Canaoeste Almir Torcato - Gestor de Relacionamento, Recursos e Projetos André Bosch Volpe - Engenheiro Agrônomo da Canaoeste tuação, herbicidas para solo úmido ou semiúmido, que serão aplicados para o tratamento da cana-planta. Em nosso modelo, o trato de cana- -planta compreende as seguintes fases: APLICAÇÃO DE HERBICIDA: Esta aplicação é denominada aplicação pós-plantio, pois é realizada logo após o término do plantio. Esta garante que a cultura da cana se estabeleça no solo limpo, livre de plantas daninhas. OPERAÇÃO “QUEBRA-LOM- BO”: Esta operação é feita com intuito de nivelar a sulcação, linha e a entreli- nha da cana, viabilizando uma melhor qualidade das operações, principalmen- te a colheita mecanizada. Em alguns casos, nesta operação é comum realizar a chamada adubação de cobertura, pois o implemento utilizado já faz as duas funções. Neste caso, não usaremos, pois no cenário anterior, o do plantio, já foi realizada a adubação com dose cheia (N-P-K). SEGUNDA APLICAÇÃO DE HERBICIDA: Esta aplicação é feita logo após a operação de quebra-lombo. Em função do revolvimento do solo, as Artigo Técnico I Tabela 1: Alessandra Durigan Almir Torcato André Bosch Volpe
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 51 Destacamos novamente que os agrônomos da Canaoeste estão preparados para atender os associados nos escritórios (filiais), para a elaboração persona- lizada dos custos de produção de acordo com a situação de manejo de cada um. sementes das ervas daninhas são expos- tas novamente, de maneira a ser neces- sária uma nova aplicação para garantir que estas não germinem. CONTROLE BIOLÓGICO DE PRAGAS: Esta operação é realizada conforme nível de infestação de broca (Diatraea saccharalis), obtido através de levantamentos de campo. Esta fase consiste em liberar copos que contenham a espécie de uma “vespinha” (Cotesia flavipes) que é predadora natural das la- gartas de broca. O controle deve ser feito Tabela 2: quando o canavial estiver próximo de 4 a 6 meses de idade, preferencialmente na época das chuvas e se houver infestação que justifique, geralmente acima de 800 brocas (lagartas) por hectare. Na tabela 1, ao lado, apresentamos de- talhadamente os custos das fases descritas. É válido salientar que neste artigo, contemplamos as operações mais uti- lizadas no trato de cana-planta, de ma- neira generalizada, porém, as operações podem ser outras, vai depender das ne- cessidades e peculiaridades de cada produtor e lavoura. E, para finalizar, podemos con- cluir que a etapa de trato de cana- -planta custa ao produtor de cana os valores listados de forma resumida na tabela 2 abaixo. RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 52 Tabela 1. Classificação dos herbicidas utilizados em cana-de-açúcar no Brasil de acordo com os mecanismos de ação. Instituto Agronômico/Centro de Cana, Ribeirão Preto, 2014. Cana-de-açúcar e a seleção das plantas resistentes a herbicidas Carlos Alberto Mathias Azania Andréa A. Padua Azania Renan Vitorino Ana Regina Schiaveto Ivo Soares Borges Tácio Peres da Silva A extensão continental do Brasil cria diferentes ambientes de produção agrícola, cuja maio- ria pode ter o cultivo da cana-de-açúcar realizado com sucesso. Em boa parte dos ambientes de produção da cana- -de-açúcar, o regime de chuvas e as ca- racterísticas do solo são distintos, mas a temperatura média oscila entre 25 a 35°C na maior parte do ano, o que per- mite seu cultivo. Mesmo com a diversidade de am- bientes de produção, observa-se o es- tabelecimento das mesmas espécies de plantas daninhas no agroecossistema cana-de-açúcar, independente da região produtora. No Brasil, complexos de es- pécies do gênero Ipomoea spp e Mer- remia spp (cordas-de-viola), Digitaria spp (capim-colchão), Amaranthus spp (caruru), Brachiaria spp. (capim-bra- quiária e capim-marmelada), Panicum spp (capim-colonião) e espécies como Rottboelia cochinchinensis (capim-ca- malote), Mucuna aterrima (mucuna- -preta) e Ricinus communis (mamona) ocorrem em todo território nacional. Entretanto, pequenas alterações na distribuição das plantas daninhas po- dem ser observadas em cada ambiente de produção. Há localidades que esti- mulam mais o desenvolvimento de al- gumas espécies, enquanto que em ou- tras localidades de outras. Mas, todas as espécies relatadas, em maior ou menor intensidade, podem estabelecer-se em cultivos com cana-de-açúcar. Para o controle da diversificada flo- ra daninha, os produtores brasileiros contam com moléculas herbicidas per- tencentes a 10 diferentes mecanismos de ação (Tabela 1). As modalidades de aplicação dos herbicidas também são di- versificadas e podem ser aplicadas antes do plantio (com ou sem incorporação), após o plantio em pré-emergência, pós- -emergência inicial ou tardia com aplica- ção em área total ou localizada. Para obter eficácia de controle so- bre as plantas daninhas, os produtores necessitam aplicar diferentes herbici- das durante o ciclo da cultura. As apli- cações são realizadas com diferentes modalidades de aplicação. Ao associar a diversificação de herbicidas (casual- mente com mecanismos de ação dife- rentes) e modalidades de aplicação, o produtor brasileiro não tem estimulado o surgimento de plantas daninhas resis- tentes a herbicidas. Mas, acreditar que os cultivos da cana-de-açúcar no Brasil estão livres das plantas daninhas resistentes é equí- Artigo Técnico II Carlos Alberto Mathias Azania
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 53 voco. Enquanto o produtor brasileiro necessitar diversificar herbicidas (com mecanismos diferentes) e modalidades de aplicação para conseguir conter o estabelecimento de plantas daninhas, o risco de resistência é baixo. No mun- do, Echinochloa colona (2009 no Irã) e Chloris barbata (1987 nos EUA) são resistentes ao mecanismo de ação que inibe o fotossistema II, enquan- to que Commelina diffusa (1957 nos EUA) é resistente a auxinas sintéticas (www.weedscience.com). No Brasil, o risco mais próximo de introdução de plantas daninhas resisten- tes a herbicidas em cana-de-açúcar é a disseminação de espécies já resistentes em outras culturas para a cana-de-açú- car. Também, por questão econômica, o produtor passa a cultivar cana-de- -açúcar em substituição a culturas que 1 Bidens pilosa acetato lactato sintase (ALS) 2 Euphorbia heterophyla acetato lactato sintase (ALS) protoporfirinogênio oxidase (PPO ou PROTOX) 3 Bidens subalternas acetato lactato sintase (ALS) 4 Urochloa plantaginea acetil-coenzima-A carboxilase (ACCase) 5 Eleusine indica acetil-coenzima-A carboxilase (ACCase) 6 Digitaria insularis enolpiruvil shiquimato fosfato sintetase (EPPSPs) 7 Digitaria ciliaris acetil-coenzima-A carboxilase (ACCase) 8 Conyza bonariense enolpiruvil shiquimato fosfato sintetase (EPPSPs) já tenham a resistência instalada. Ao tomar a cultura da soja como exemplo, são identificadas 17 espécies de plantas daninhas com resistência a herbicidas no Brasil. Entretanto, 08 des- sas espécies (Tabela 2) também podem se estabelecer em ambientes de produção de cana-de-açúcar. O risco de dissemina- ção ao passar a cultivar cana-de-açúcar em áreas de soja que já tenham as plan- tas daninhas resistentes introduziria o problema no cultivo de cana-de-açúcar. Um risco mais distante de introdu- ção de plantas daninhas resistentes a herbicidas é a seleção dos biótipos dentro do próprio cultivo da cana- -de-açúcar. A expectativa que até 2020 se tenha algum cultivar de ca- na-de-açúcar resistente a herbicidas, particularmente a glyphosate e aos inibidores da ALS, pode estimular o Tabela 2. Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas na cultura da soja no Brasil e com potencial para disseminação em cana-de-açúcar. Instituto Agronômico/Centro de Cana, Ribeirão Preto, 2014. produtor a fazer aplicações sequen- ciais com os herbicidas de mesmo mecanismo de ação, induzindo a se- leção de plantas daninhas com resis- tência aos herbicidas inibidores de ALS e EPSPs. A tecnologia transgênica deve ser adotada entre os produtores, porém, a conscientização de continuar o uso de diferentes mecanismos de ação e moda- lidades de aplicação da atualidade será necessária. Com a promessa de transgê- nicos resistentes a herbicidas, o produ- tor ainda terá que manter o revezamento de no mínimo 02 mecanismos de ação e modalidades de aplicação para man- ter o risco de resistência entre baixo a médio. Mesmo assim ainda terá ganhos econômicos por reduzir algumas apli- cações durante o ciclo da cultura. Caso contrário, o produtor colaborará para o surgimento dos biótipos resistentes ao mecanismo de herbicida utilizado se- quencialmente, a exemplo do ocorrido em outras culturas. Como mensagem final, o produtor deve sempre manter o conceito de que a prevenção à seleção de plantas dani- nhas resistentes a herbicidas somente é possível enquanto for praticada a diversidade no uso de herbicidas com mecanismos de ação diferentes e mo- dalidades de aplicação (PPI, pré ou pós-emergência).RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 54 Sistema de Meiosi na Cana-de-açúcar Antônio Pagotto - Engenheiro Agrônomo da Canaoeste de Viradouro com apoio da gestora técnica da Canaoeste, Alessandra Durigan O sistema conhecido como MEIOSI (Método Interro- tacional Ocorrendo Simul- taneamente) foi desenvolvido pelo Engenheiro Agrônomo José Telles de Barcelos, no início da década de oitenta, na estação experimental do Planalsucar, em Uberlândia-MG, tendo como objetivo viabilizar a con- sorciação racional da cana-de-açúcar com culturas anuais e/ou adubos ver- des em áreas de reforma, buscando minimizar os custos de produção (Landell, 1998). Neste sistema, a produção de mu- das ocorre no próprio local onde se pretende instalar o canavial (figura 1). Após o preparo do terreno, sulcam-se duas linhas de cana e deixa-se um espaço sem sulcar, correspondente a oito linhas, o qual pode ser utilizado para o cultivo intercalar de amen- doim, soja ou adubo verde (figuras 2 e 3). Aos aproximadamente oito meses após o plantio, as duas linhas de cana serão suficientes para completar o es- paço remanescente. A principal vanta- gem é a inexistência do transporte das mudas para o local de plantio. Desta maneira é possível reduzir custos de implantação do canavial, melhorar o sistema de logística e promover a me- Artigo Técnico III Excelente opção para renovação de canaviais Figura 2: sistema de plantio de meiosi: cana-de-açúcar e amendoim plantadas simultaneamente. Figura 3: sistema de plantio de meiosi: cana-de-açúcar e sojas plantadas simultaneamente. Figura 1: esquema de implantação da MEIOSI lhora do local de cultivo (condições químicas e físicas do solo). O sistema proposto é o plantio de cana de ano e meio, com o início de uma parte do plantio em setembro/outubro, numa proporção de 2:8, com o objetivo de produzir, nestas duas linhas, mudas suficientes na própria área de renovação para o plantio do restante da área em março/abril. Neste espaço intercalar, cria-se possibilidade da instalação de culturas que tenham ciclo compatível ao do sistema meiosi, ou seja, culturas Antônio Pagotto Engenheiro Agrônomo da Canaoeste
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 55 Vantagens do Sistema Meiosi em Cana Conclusão que possam ser plantadas e colhidas du- rante o período do desenvolvimento da muda de cana-de-açúcar. O plantio da área total com cana-de-açúcar é realiza- do a partir das linhas de cana plantadas em setembro/outubro, as quais serão cortadas e as mudas distribuídas nos sulcos vizinhos entre março e abril. As vantagens qualitativas na adoção deste método estão relacionadas à ida- de das mudas (seis a oito meses), signi- ficando maior vigor, maior velocidade de brotação, diminuição do consumo de mudas (menor quantidade de ge- mas/metro linear), aumento do rendi- mento de corte e, consequentemente, a garantia da qualidade de plantio. Atualmente, com a nova tecnolo- gia de produção de MPB (mudas pré- -brotadas) desenvolvida pelo IAC, o plantio de meiosi voltou a ser uma prática interessante para o produtor de cana-de-açúcar e para as unidades industriais por viabilizar a implanta- ção de viveiros e também o plantio de áreas de renovação do canavial com material (cultivar) não convencional com elevado padrão de fitossanidade, vigor e uniformidade de plantio. A possibilidade de marcação de linhas de plantio com o uso de GPS torna a operação precisa e proporcio- na a garantia do alinhamento da sul- - Formação de mudas com grande sanidade e alto vigor, produzindo gemas com alto índice de multiplicação. - Grande velocidade de crescimento e perfilhamento das mudas. - Nas áreas com sistematização de talhões proporciona melhor conservação do solo e diminui os riscos de erosão. - Diminuição de tráfego de veículos e tratores pesados. - Redução de problemas com a legislação trabalhista (diminuição da mão- -de-obra). - Decréscimo nos custos de implantação do canavial, principalmente devido a economia com o transporte de mudas. A cana-de-açúcar é uma cultura semiperene e sua implantação e condução en- -volvem diversos fatores que podem elevar a vida útil do canavial pelo aumento do número de cortes (longevidade). É de muita importância atentar-se às novas tecnologias disponíveis visando sempre aumentar a produção e reduzir custos. Um plantio realizado sem planejamento e com mudas de baixa qualidade acar- reta altos índices de falhas, incidências de pragas e doenças, e a necessidade de renovação precoce da área. Devido as vantagens evidenciadas e a considerável redução de custos, pode-se afirmar com segurança que o sistema meiosi tem um grande potencial para ajudar os produtores de cana a ter canaviais mais sadios, produtivos e rentáveis. Figura 4: plantio de meiosi com MPB (mudas pré-brotadas). Figura 5: plantio de meiosi concluído cação. Muitos produtores e unidades industriais estão adotando o método de meiosi e tendo ótimos resultados. Com a adoção de mudas pré-brota- das podem ser plantadas duas ruas de mudas em agosto/setembro e deixar es- paço correspondente a 10 ou 12 ruas de cana para a rotação com leguminosas e posterior plantio em março/abril. A taxa de multiplicação aumenta devido ao alto vigor das mudas pré-brotadas (crescimento e perfilhamento rápidos). Ressaltamos que a melhor época de plantio de mudas de cana neste siste- ma, MPB e meiosi, é entre agosto e setembro, com a necessidade de irri- gação localizada nos sulcos de plantio até o pegamento das mudas. RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 56 Fungos Entomopatogênicos como ferramenta no manejo integrado de pragas da Cana-de-Açúcar José Eduardo Marcondes de Almeida Pesquisador Científico Instituto Biológico/APTA/SAA-SP O Manejo Integrado de Pragas foi desenvolvido há mais de 30 anos e tem como principal filo- sofia o uso de várias técnicas culturais, varietais, biológicas e químicas para o controle de pragas nas culturas de inte- resse econômico, tendo como princípio a utilização das técnicas mais sustentá- veis tais como: variedades resistentes, técnicas culturais, monitoramento das pragas, os agentes de controle biológi- co e, por fim, os inseticidas químicos de preferências os menos tóxicos, devendo ser aplicados quando o nível de contro- le da praga atinge um patamar perigoso para a cultura. Porém, essa metodolo- gia de manejo nem sempre é levada em consideração, pois muitas vezes se desconhece esses níveis de controle e danos econômicos da maioria das cul- turas, sendo que aplica-se inseticidas químicos de maneira discriminada. Os fungos entomopatogênicos são agentes de controle biológico importantes para o manejo de pragas na cana-de-açúcar, pois essa cultura é conhecida como a que mais tem suportado o uso de controle biológico de pragas com sucesso, principalmente no Brasil. O Estado de São Paulo produz meta- de da cana do Brasil, o restante está em torno de 30% no Nordeste, e 20% no Centro-Oeste e Paraná. Pelo menos 5% do custo de produção de açúcar e álcool é atingido pelas pragas. As principais pragas da cana-de- -açúcar são: 1. A broca da cana, Diatraea sac- charalis, é considerada a principal pra- ga desta cultura, ocorrendo em todas as áreas onde se planta cana-de-açúcar no mundo. As lagartas causam prejuí- zos diretos ao colmo, abrindo galerias que causam perda de peso da cana, Artigo Técnico IV provocando também morte das gemas, causando falhas de germinação. Os prejuízos indiretos são causados pela infecção de fungos que penetram na galeria e causam a podridão vermelha, tais como: Colletotrichum falcatume Fusarium moniliforme, que invertem a sacarose, diminuindo a pureza do caldo e dando menor rendimento em açúcar e álcool. De acordo com resultados de pesquisas sobre o prejuízo causado pela broca, 1 % de infestação da praga causam prejuízos de 0,25% de açúcar, 0,20% de álcool e 0,77% de peso. O principal método de controle é o biológico, através da vespinha Cotesia flavipes, introduzida no Brasil desde 1974. Nos últimos anos, esse parasitoi- de reduziu perdas de até 100 milhões de dólares por ano, sendo 20 milhões em São Paulo, diminuindo a infestação da praga de 10% para 2%. O parasitoide de ovos Trichogramma galloi também tem sido usado no controle da broca, poden- do chegar a 60% de controle quando associado à C. flavipes. Nas áreas de expansão da lavoura de cana, o fungo Beauveria bassiana pode ser utilizado para o controle de lagar- tas da broca da cana no primeiro instar, devendo ser pulverizado na dosagem de 6x1012 conídios//hectare pelo menos. 2. Cupins - também são pragas importantes que precisam ser levadas em consideração. Atualmente não se sabe corretamente quais os prejuízos causados por cupins na cana. Estima- -se que os danos chegam a 10 ton/ha/ ano, mas com a proibição dos clo- rados em 02 de setembro de 1985, a população de cupins nos canaviais aumentou, sendo maiores os prejuí- zos, pois esses inseticidas, aplicados em área total faziam apenas o efeito de barreira, não conseguindo eliminar as colônias de cupins na área. A espécie Heterotermes tenuis é a mais frequente e de maior distribuição, sendo que os danos atingem 10 t/ha/ano para a cana. O controle químico geral- mente é feito com aplicação em área to- tal, pulverizando o solo no momento do preparo dos sulcos para o plantio. As iscas para cupins subterrâneos ainda estão em fase de estudos, porém possuem um potencial grande de utili- zação, pois são capazes de atrair gran- des quantidades de insetos, utilizam os aspectos de biologia,comportamento de trofalaxia e tunelamento dos cupins e ainda podem levar um agente químico ou biológico, com o fungo B. bassiana, para dentro da colônia, disseminando- -o e eliminando a rainha e o ninho do cupim, além de se constituir em uma alternativa barata e ecológica. 3. Cigarrinha da raiz - a cigarri- nha da raíz, Mahanarva fimbriolata, é considerada uma das pragas mais im- portantes da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo e no Nordeste do Brasil. As ninfas ao se alimentarem ocasionam a “desordem fisiológica” em decorrên- cia de suas picadas que, ao atingirem os vasos lenhosos da raiz, o deterioram, impedindo ou dificultando o fluxo de água e de nutrientes. A morte de raízes José Eduardo Marcondes de Almeida
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 57 ocasiona desequilíbrios na fisiologia da planta, caracterizado pela desidratação do floema e do xilema que darão ao colmo características ocas, afinamento e posterior aparecimento de rugas na superfície externa. Os adultos ao injeta- rem toxinas produzem pequenas man- chas amarelas nas folhas que com o pas- sar do tempo tornam-se avermelhadas e, finalmente, opacas, reduzindo sensi- velmente a capacidade de fotossíntese das folhas e o conteúdo de sacarose do colmo. As perfurações dos tecidos pe- los estiletes infectados provocam con- taminações por micro-organismos no lí- quido nutritivo, causando deterioração de tecidos nos pontos de crescimento do colmo e, gradualmente, dos entrenós inferiores até as raízes subterrâneas. As deteriorações aquosas apresentam cores escuras começando pela ponta da cana e podem causar a morte do colmo. M. fimbriolata possui ninfas especi- ficamente radicícolas e se desenvolvem sobre as raízes superficiais ou raízes adventícias inferiores das gramíneas hospedeiras. Sugam a seiva segundo a sua idade, envolvendo-se numa espuma branca, espessa e que serve como pro- teção a inimigos naturais. Os adultos são de hábitos crepusculares-noturnos, ficando escondidos dentro das olhadu- ras ou no enviés das folhas durante o dia. O dano mais importante que as ci- garrinhas causam é a “queima da cana”, sendo consequência direta ao ataque das folhas, devido à injeção de subs- tâncias tóxicas da saliva da cigarrinha, além de diminuir o teor de sacarose. Causam também a redução no tamanho e grossura dos entrenós da cana grande e a morte de rebentos jovens. O controle biológico com macro ou microrganismos é um dos principais componentes do manejo integrado de cigarrinhas. O controle biológico não é poluente, não provoca desequilí- brios biológicos, é duradouro e apro- veita o potencial biótico do agroecos- sistema, não é tóxico para o homem e animais e pode ser aplicado com as máquinas convencionais, com peque- nas adaptações. O IB (Instituto Biológico) tem de- senvolvido pesquisas de controle bio- lógico de M. fimbriolata com o fungo Metarhizium. O projeto temático, fi- nanciado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), cuja coordenação foi do IB, contou com a parceria da ESALQ/USP e UFSCar - Araras-SP. Concentração recomendada de Meta- rhizium anisopliae em arroz esporulado: Mínimo de 1 x 109 conídios de fun- go/grama de arroz esporulado. Recomendação: - Iniciar as aplicações tratorizadas com jato dirigido com 0,5 a 1 ninfa/me- tro linear utilizando a concentração de 2 a 3 x 1012 conídios/ha (aproximadamen- te 2 a 3 kg/ha) a partir de outubro. - Reaplicar 2 a 3 x 1012 conídios/ha em dezembro ou janeiro nas variedades
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 58 precoces ou preferidas. - Acima de 5 ninfas/metro linear aplicar 1 x 1013 conídios/ha (10 kg/ha) a partir de dezembro. - Aplicação aérea granulada utilizar 8 x 1012 a 1 x 1013 conídios/ha (8 a 10 kg/ha). - Aplicação aérea líquida utilizar 5 x 1012 conídios/ha. Em aplicação tratorizada o fungo deve ser aplicado na vazão de 300 Li- tros de água/ha, utilizando um trator com bicos em pingente, com jato diri- gido para a soca da cana, de preferência após às 16 horas para evitar a alta in- cidência de raios ultravioleta, chegan- do até a madrugada, período em que a umidade relativa está alta e a tempera- tura mais amena, facilitando o controle microbiano com o fungo. Aaplicação aérea ainda está em estu- do, porém essa poderá ser utilizada com vazão de 40 a 50 litros/ha, com gotas grandes e altura de 2 metros da cultura. Desde a constatação do problema, há cerca de seis anos, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Esta- do de São Paulo, através do Instituto Biológico/APTA, vem desenvolven- do ações de pesquisa para fomentar o uso do fungo Metarhizium, conhecido agente biocontrolador de insetos-praga e que é utilizado, com sucesso, no nor- deste brasileiro para controlar popu- lações da cigarrinha da folha da cana, Mahanarva posticata. A produção do fungo no período de 2002/2003, por empresas e usinas se- diadas no Estado, foi de 268 toneladas, das quais 164 toneladas (67%) foram produzidas por organizações que tem projetos em desenvolvimento com o Instituto Biológico. O valor médio de comercialização foi de R$ 10,00 o qui- lograma e a receita bruta no período foram de R$ 2.680.000,00. A atividade gerou 148 empregos diretos e a área de cana tratada atingiu 161.910 ha. O va- lor médio do tratamento/ha foi de R$ 40,00, enquanto o tratamento químico, teve custo de R$ 160,00. A economia média gerada por hectare foi de R$ 120,00, totalizando uma economia glo- bal de R$ 19.429.200,00, além do fato de que 3.238 toneladas de inseticidas deixaram de ser aplicadas. No período de 2013/2014 a área aplica- da com o fungo foi de aproximadamente 350.000 ha, sendo que mais uma biofábri- ca iniciou a produção. O custo da aplica- ção e o valor do bioinseticida comerciali- zado não variaram do período anterior. 4. Sphenophorus levis - O besouro da família Curculionidae é outra praga que tem causado grandes prejuízos para a cultura canavieira, principalmente na região de Piracicaba e Jaú-SP, destruin- do as soqueiras e causando a morte des- ta. As larvas perfuram o rizoma da cana ao longo de seu ciclo biológico, causan- do diminuição na produção da cana. O controle químico é o mais utiliza- do, sendo aplicado em iscas de toletes de cana cortados previamente tratados com inseticidas como carbaril 850 PM, sendo aplicadas 200 iscas/ha. Atual- mente se pesquisa o uso de fungo ento- mopatogênico, Beauveria bassiana em iscas e nematoides entomopatogênicos, tais como Steinernema spp. 5. Migdolusfrianus - têm sido men- cionados como causadores de prejuí- zos econômicos nas seguintes culturas: cana-de-açúcar, amoreira, eucaliptos, café e feijão. Os danos são provocados pelas larvas que são subterrâneas e cujo o hábito alimentar destroem o sistema radicular das plantas. Dentre as cultu- ras citadas, Migdolus spp. têm mais importância para a cultura canavieira. Levantamentos efetuados pela Coper- sucar (Cooperativa Central dos Produ- tores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo) em 1992 apontaram uma área atingida pelo inseto em torno de 50.000ha, com prejuízos da ordem de U$ 45 milhões de dólares, o que aponta prejuízos de 25% da produção nas áreas afetadas. Em 1995 incluindo todas as regiões produtoras estimou-se que as áreas atingidas por Migdolus spp. ultra- passou a 100.000 ha de cana-de-açúcar. O principal método de controle é a aplicação de 500 g por hectare do inse- ticida fipronil, no momento do plantio da cana. Novas tecnologias com fero- mônio e armadilhas foram desenvol- vidas, mas são usadas principalmente para monitoramento. Ainda são neces- sárias pesquisas de controle biológico com fungos para M. frianus. A falta de conhecimento para uso de fungos entomopatogênicos para o con- trole biológico de pragas da cana ainda é um fator importante do pequeno uso desses agentes de controle biológico, sendo importante a divulgação de técni- cas de aplicação desses fungos em área total ou através de iscas ou sistemas avançados, de modo a atingir as pragas da cana, já que os fungos atuam por contato no corpo do inseto. São necessárias pesquisas para o desenvolvimento de novos isolados, formulações, armadilhas, iscas ou ou- tras estratégias adequadas para o con- trole das principais pragas da cana, mas sem dúvida, os fungos entomo- patogênicos já são uma importante ferramenta para o Manejo Integrado de Pragas da cana-de-açúcar. Artigo Técnico IV José Eduardo Marcondes de Almeida durate o Insect Show 2014 RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 60 Safra Acompanhamento da safra 2014/2015 Thiago de Andrade Silva Gestor de Planejamento, Controle e Topografia da Canaoeste Tabela 1 – ATR (kg/t) médio da cana entregue pelos fornecedores de cana da Canaoeste das safras 2013/2014 e 2014/2015 Tabela 2 – Qualidade da cana entregue pelos fornecedores de cana da Canaoeste, até a segunda quinzena de agosto, da Safra 2013/2014. A seguir,sãoapresentadososdadosobtidospe- los fornecedores de cana até a segunda quin- zena de agosto, referentes à safra 2014/2015, em comparação com os da safra 2013/2014, no mes- mo período. Na Tabela 1, encontra-se oATR médio acumulado (kg/tonelada) do início da safra até a se- gunda quinzena de agosto desta safra em compara- ção com o obtido na safra 2013/2014, sendo que o ATR da safra 2014/2015 está 7,42 Kg acima do obti- do na safra 2013/2014 no mesmo período. Gráfico 2 – POL do caldo obtida nas safras 2014/2015 e 2013/2014Gráfico 1 – BRIX do caldo obtido nas safras 2014/2015 e 2013/2014 Tabela 3 – Qualidade da cana entregue pelos fornecedores de cana da Canaoeste, até a segunda quinzena de agosto, da safra 2014/2015 As tabelas 2 e 3 contêm detalhes da qua- lidade tecnológica da matéria-prima nas safras 2013/2014 e 2014/2015, respectiva- mente,noperíododeabrilaagostode2014. O gráfico 1 contém o comporta- mento do BRIX do caldo da safra 2014/2015 em comparação com a sa- fra 2013/2014. O BRIX do caldo da safra 2014/2015 fi- cou equiparado no mês de março e na segunda quinzena de maio, ficando acima no mês de abril, na primeira quinzena de maio, nos me- ses de junho, julho e agosto com maior acentuação a partir da segunda quin- zena de junho em relação ao da Safra 2013/2014. Na média, o BRIX do caldo obtido nesta safra está 6,4% superior ao da safra 2013/2014. O gráfico 2 contém o comportamen- to da POL do caldo na safra 2014/2015 em comparação com a safra 2013/2014. Pode-se observar que a POL do cal- do apresentou o mesmo comportamen- to do BRIX do caldo, sendo que na média, nesta safra de 2014/2015 a POL do caldo está 5,8% superior a da safra 2013/2014. O Gráfico 3 contém o comportamen- to da Pureza do caldo na safra 2014/2015 em comparação com a safra 2013/2014.
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 61 Gráfico 3 – Pureza do caldo obtida nas safras 2014/2015 e 2013/2014 Gráfico 4 – Comparativo da fibra da cana Gráfico 5 – POL da cana obtida nas safras 2014/2015 e 2013/2014 Gráfico 6 – ATR obtido nas safras 2014/2015 e 2013/2014
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 62 Safra Gráfico 8 – Precipitação pluviométrica por trimestre, em 2013 e 2014. Gráfico 7 – Precipitação pluviométrica (mm de chuva) registrada em 2013 e 2014 Apureza do caldo da safra 2014/2015 ficou muito abaixo da obtida na Safra 2013/2014 no mês de março, ficando acima nas duas quinzenas do mês de abril, ficando próximo no mês de maio e pouco abaixo nos meses de junho, ju- lho e agosto, equiparando na primeira quinzena de agosto. O gráfico 4 contém o comportamen- to da fibra da cana na safra 2014/2015 em comparação com a safra 2013/2014. A fibra da cana na safra 2014/2015 ficou muito acima daquela obtida na safra 2013/2014, com menor acentu- ação no mês de maio, abaixo no mês de junho e acima nos meses de julho e agosto, ficando na média 0,3% superior a observada na safra 2013/2014. O gráfico 5 contém o comportamen- to da POL da cana na safra 2014/2015 em comparação com a safra 2013/2014. A POL da cana na safra 2014/2015 ficou muito abaixo da obtida na safra 2013/2014 no mês de março, ficando acima no mês de abril, na primeira quin- zena de maio e nos meses de junho, ju- lho e agosto, se equiparando na seguda quinzena de maio e na média encontra- -se 5,8% superior a da Safra 2013/2014. O Gráfico 6 contém o comportamen- to do ATR na safra 2014/2015 em com- paração com a safra 2013/2014. O ATR, expresso em kg/t de cana na safra 2014/2015, ficou muito abaixo do obtido na safra 2013/2014 no mês de março, muito acima nos meses de abril, junho, julho e agosto, se equiparando no mês de maio, apresentando, portanto, um comportamento semelhante ao da POL da cana, tendo em vista que a mesma participa com 90% do ATR. Na média, o teor de ATR desta safra está 5,6% su- perior ao da safra anterior. O Gráfico 7 contém o comportamento da precipi- tação pluviométrica regis- trado na safra 2014/2015 em comparação com a safra 2013/2014. A precipitação pluviomé- trica média observada nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio e junho de 2014 ficaram muito abaixo da ob- tida em 2013 e abaixo no mês de abril. A precipitação pluviométrica ficou acima somente no mês de julho e equiparada no mês de agosto. O gráfico 8 contém o comportamento da precipi- tação pluviométrica acumu- lada por trimestre na safra 2014/2015 em comparação com a safra 2013/2014. Em 2014, observa-se um volume de chuva muito abai- xo no primeiro trimestre, mui- to abaixo no segundo trimestre e equipara- do no terceiro trimestre até o momento, se comparado aos volumes médios de 2013. O baixo índice de precipitação plu- viométrica de 2014 continua impactando diretamente no crescimento vegetativo do canavial e também na brotação de novos plantios. A precipitação na segunda quin- zena de julho refletiu pouco na primeira quinzena de agosto devido ao volume RC e o tempo de escassez de chuva. Com isso, a produtividade continua em queda, devido ao estresse hídrico ocasionado pela estiagem e o teor de ATR continua subindo com menor proporção que a ob- servada no mês de julho, se equiparando ao teor médio de ATR registrado na safra 2013/2014. Levando-se em conta todo o cenário, o ATR médio ficou 7,42 kg aci- ma do obtido na safra 2013/2014, até a segunda quinzena de agosto.
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 64 Recuperação Judicial regras alteradas privilegiando as micro e pequenas empresas STJ decide: crime decorrente de edificação em área de preservação permanente prescreve em quatro anos da data da construção A ssistimos, presenciamos ou pelo menos ouvimos falar, de recuperações judiciais de empresas, principalmente no setor su- croalcooleiro. Este setor, claramente prejudicado por ações desastrosas do Governo Federal, que literalmente deu- -lhe às costas ao privilegiar uma matriz energética poluidora em detrimento da ambientalmente mais sustentável. Pois bem! No último dia 07 de agosto, foi publicada no Diário Ofi- cial da União, a Lei Complementar n. 147/2014, que incluiu mais de 140 se- tores e atividades no Simples Nacional, regime diferenciado de tributação, além de ter alterado as regras para a recupe- ração judicial de micro e pequenas em- presas, notadamente a inclusão em seu plano de recuperação de praticamente todos os créditos, não apenas os chama- dos créditos quirografários de credores sem garantia alguma, como vigorava até então. Por esta nova lei, poderão as micro e pequenas empresas que precisarem socorrer-se da recuperação judicial, in- cluir todos os créditos no seu plano de R ecente decisão do Superior Tri- bunal de Justiça, última instân- cia para discussão de matéria infraconstitucional, decidiu recente- mente que os crimes decorrentes da construção/edificação realizados em área de preservação permanente assim definidas pela revogada Lei n. 4.771/65 (antigo Código Florestal) e pelo atual Código Florestal Lei n. 12.551/2012), tipificados no artigo 40, da Lei n. 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) prescrevem quatro anos da data da construção irregular. Parece redundante falar nisso, porém travava-se no Judiciário a discussão so- bre o início da contagem do prazo para a prescrição, (i) se era da data da cons- trução ou (ii) da data em que o Poder Público tomou ciência desta. Reafirmou o STJ, no Recurso Espe- cial n.1.402.984-DF, o entendimento Juliano Bortoloti Advogado da Canaoeste Assuntos Legais pagamento, como fazem as recupera- ções judiciais de companhias de médio e grande portes. Só ficarão de fora as exceções previstas no artigo 49 da Lei de Falência e Recuperação Judicial (Lei nº 11.101/2005 – crédito garantido por penhor, alienação fiduciária, etc.). Até então, os planos dos pequenos empresá- rios só poderiam abranger os chamados créditos quirografários - formados por credores sem qualquer tipo de garantia. Outra novidade foi a possibilidade de negociação de desconto no valor das dívidas, bem como a redução do cus- to do administrador judicial que passa a receber até 2% do valor do passivo, contra os 5% previstos nas recupera- ções de médias e grandes empresas. Uma outra alteração mais impactante reside na criação de uma nova categoria de credores nas recuperações judiciais. Agora, os micro e pequenos empresá- rios passarão a figurar na quarta posi- ção de preferência no recebimento dos créditos em caso de falência (antes es- tavam em sexto lugar). Explicando melhor, isto significa que até então existiam três classes de já proferido pelo próprio STJ, no Re- curso Especial n. 897.426-SP., de que “este delito praticado contra o meio ambiente é instantâneo de efeitos permanentes, ressaltando que não se pode confundir crime permanen- te, em que a consumação se protrai no tempo, com delito instantâneo de efeitos permanentes, em que as con- sequências são duradouras”. Ressaltamos, porém, que este argu- mento de defesa pode e deve ser utili- zado para os casos de edificações feitas após 22 de julho de 2008, uma vez que as que foram feitas antes de tal data certamente estão autorizadas pelo novo Código Florestal, que visando corri- gir o histórico de ocupação territorial brasileira, consolidou as edificações construídas em áreas de preservação permanente de áreas rurais, conforme disposição do § 12, do artigo 61-A: credores: (i) trabalhadores, (ii) credores com garantia real e (iii) demais credores (quirografários). A partir desta nova lei, existe também a classe iv., composta pe- los micro e pequenos empresários que, na prática, terão mais representatividade nas discussões de recuperações judiciais. Estas são, portanto, as alterações mais significativas para os micro e pe- quenos empresários no tocante a recu- peração judicial de empresas, seja parti- cipando como credores de empresas em recuperação, seja requerendo a própria recuperação judicial. RC “Art. 61-A. Nas Áreas de Preserva- ção Permanente, é autorizada, exclusi- vamente, a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e de turismo rural em áreas rurais consoli- dadas até 22 de julho de 2008. § 12. Será admitida a manutenção de residências e da infraestrutura associada às atividades agrossilvipastoris, de eco- turismo e de turismo rural, inclusive o acesso a essas atividades, independen- temente das determinações contidas no caput e nos §§ 1º a 7º, desde que não estejam em área que ofereça risco à vida ou à integridade física das pessoas”. Nestes casos, proprietários rurais que edificaram em áreas de preservação per- manente antes de 22/07/2008 e que este- jam respondendo ação criminal, devem pedir extinção do processo em razão da retroatividade da Lei n. 12.651/2012, por ser mais benéfica ao réu. RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 66 Arysta LifeScience lança novo inseticida para o combate à broca da cana-de-açúcar N o dia 03 de setembro aconte- ceu no Hotel JP, em Ribeirão Preto-SP, o lançamento nacio- nal do mais novo inseticida da Arysta LifeScience para o combate da broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis): o Atabron 50 EC. O evento de lançamento teve como mestre de cerimônia a ex-BBB Cláudia Colucci (Cacau) e contou com a presen- ça do gerente de marketing (cana) da Arysta, José Renato Gambassi, do dire- tor de marketing de produtos da Arysta, Marcelo Zanchi, do especialista de pro- duto e mercado (cana) da Arysta, Edi- valdo Panini, e do gerente de desenvol- vimento de mercado Brasil para todas as culturas da Arysta, Joelson Mader. Durante o evento, palestrantes reno- mados como o especialista em controle de pragas da Araújo & Macedo, Dr. Newton Macedo e o consultor coordenador de cursos e treinamentos da Fermentec, Dr. Dinalilson Corrêa de Campos, abordaram os temas Manejo Integrado da Broca da Cana-de-Açúcar e O Impacto da Broca da Cana sobre a Eficiência Industrial. O mais novo princípio ativo para a broca da cana foi apresentado pelo ge- rente de marketing (cana) da Arysta. “Com este lançamento, a Arysta inicia efetivamente sua participação no merca- do de inseticidas que até então era uma empresa reconhecida muito fortemente pela linha de herbicidas. O Atabron 50 EC é um inseticida fisiológico inibidor da síntese de quitina com ação rápida por contato e ingestão e ação seletiva, ideal para o programa de MIP (Manejo Integrado de Pragas), preservando os inimigos naturais”, disse Gambassi. “O Atabron é uma molécula que esta- mos trazendo para o mercado de cana-de- -açúcar, mas que é consagrada em outros segmentos como soja, milho, algodão. Ele é considerado um dos melhores pro- dutos fisiológicos do mercado destacado O evento reuniu cerca de 150 convidados entre agrônomos, produtores, consultores, associações, cooperativas e a imprensa, que puderam conhecer um pouco mais sobre o novo princípio ativo para o mercado canavieiro em resultados em todos os segmentos por sua rapidez de controle e menor impacto ambiental”, afirmou o diretor de marke- ting de produtos da Arysta, Marcelo Zan- chi, que aproveitou para noticiar a vinda de novos produtos para o ano que vem. “O que tem pautado a Arysta nos últimos anos é a busca por soluções cada vez mais integradas e, para 2015, estamos na bus- ca de dois novos lançamentos, serão dois novos herbicidas, aguardem”, disse. Ainda durante o lançamento, agrôno- mos, produtores, consultores, associa- ções e cooperativas presentes puderam debater sobre os assuntos apresentados e tirar dúvidas sobre o Atabron. Na apresentação sobre Manejo in- tegrado da broca da cana-de-açúcar, Novas Tecnologias José Renato Gambassi, gerente de marketing (cana) da Arysta Mestre de cerimônia, Cláudia Colucci (Cacau) Dr. Newton Macedo Fernanda Clariano
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 67 Dr. Newton Macedo falou sobre suas experiências para o controle da praga e sobre o Atabron. “Eu tive oportunida- de de trabalhar com o Atabron em la- boratório e estou muito entusiasmado, pois esse produto vem num momento oportuno para enriquecer o portfólio dos inseticidas para controlar essa pra- ga que realmente causa um prejuízo assustador no Brasil. Vivemos um mo- mento que se falam muito em produ- tividade e sabemos que não podemos pensar em melhorar o ganho do setor, se não investirmos em produtividade”. O especialista em pragas também articulou sobre a importância de se tra- balhar o controle químico com produ- tos seguros e estratégias, bem como as épocas críticas para o controle químico. Dr. Newton ainda apresentou parâme- tros importantes sobre as perdas por ataque da broca tanto no campo quanto na indústria. Segundo ele, a cada 1% de intensidade de infestação no campo, perde-se 1,14% do peso. Já na indústria, a cada 1% de intensidade de infestação perde-se 0,42% na produção de açúcar e 0,25% na produção de etanol. O impacto da broca da cana sobre a eficiência industrial foi explanado pelo Dr. Dinailson Corrêa de Campos, que mostrou como a qualidade da matéria- -prima interfere na qualidade industrial, e como ela acaba afetando a qualidade dos processos e dos produtos. O consul- tor também pontuou os principais preju- ízos causados pela broca, como a perda de produtividade no campo (menor TCH e menos ATR), perdas na qualidade da matéria-prima (podridão e inversão sa- carose), redução no BRIX e na POL, infecções nos processos industriais fer- mentação e cor do açúcar) e aumento dos custos de controle de contaminações. Ele também apontou a importância do controle da broca para reduzir perdas diretas e indiretas, minimizar a deterio- ração da cana, preservar o açúcar até o seu processo, maximizar o desempenho da indústria, reduzir custos de produção de açúcar e etanol. Dr. Dinailson Corrêa de Campos “A broca da cana-de-açúcar tem sido a principal praga dos canaviais e costuma causar grandes danos dire- tos e indiretos para a cultura e, con- sequentemente, na qualidade e quan- tidade dos produtos finais. Quando a cana chega contaminada, quando ela está com nível de broca acima do aceitável, se perde muito e, em muitos casos, mesmo dentro do considerado normal, as perdas são significativas”, destacou Campos.RC
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 68 VENDEM-SE - Fazenda na região de Rancharia-SP, 620 alqueires, 500 alqueires em cana pró- pria primeiro e segundo corte, próximo a Usina Cocal, estuda prazo e permuta; - Sítio na região de Cajuru, 9 alquei- res, 6 em cana, 3 reserva, pasto e área para lazer R$ 900.000,00; - Apartamento 2 dorms, 1 suíte próxi- mo a faculdades; - Casa em condomínio de alto Padrão em Ribeirão, 3 suítes, sala, cozinha inte- grada com área de lazer, piscina, hidro, completa em armários, clube com toda estrutura para esporte e cultura. Tratar com Paulo pelos telefones (16) 3911-9970 (16) 9 9290-0243. VENDE-SE - Silagem de milho, produzido e ar- mazenado na Propriedade Rural Fazen- da São José-Pitangueiras/SP Tratar pelo telefone (16) 3952-1443 VENDEM-SE Engenho de aguardente desmontado Descritivo - 02 ternos de moenda, modelo 18’ x 30’, marca Dedini; - 02 picadores para moenda 18’x 30”, marca Caldema; - Garra hidráulica alimentadora, fa- bricação Criferp; - Esteira de alimentação de moenda, 16,30 metros, completa; - 02 esteiras intermediárias de borracha; - Esteira de bagaço com talisca de madeira, 20,70 metros; - Cush-cush de garapa com tela inox 2500x50mm, furo 0,08mm; - Transformador trafo trifásico, marca Zago de 112,5 kva, 13200/380-220v; - Edifício em estrutura metálica de 19x9 metros com ponte rolante – capa- cidade para 6 toneladas; - Moega para bagaço com redutor; - Caldeira fabricação Caldema capa- cidade de produção a vapor 4000 kg/h; - 05 dornas com piso de operação e escada de acesso 50m³; - Conjunto hidráulico tombador de cana (sem uso); - CCM (Centro de Controle de Moto- res) com iluminação e aterramentos; - Motores e redutores diversos; - Moto bomba (caldo) 1,5 cv; - Moto bomba (caldeira) 7,5 cv; - Moto bomba (vinho); - Chaminé diâmetro 1,40 x 36,00 me- tros comprimento; - Destilaria para produção de aguar- dente compacta – capacidade para 2000ls/h - Codistil - nova sem uso; - Painel elétrico da caldeira + estrutu- ra da destilaria + caixa d’agua e vinho. Valor total R$ 295.000,00 Tratar com Robledo Pereira pelos te- lefones ou e-mail (16) 9 9241-3102 (16) 3235-9200 marilenasgobbi@ig.com.br VENDE-SE - Sítio com 05 hectares, localizado na altura do Km 11,5 da RodoviaAbrãaoAs- sed, a 30 minutos de Ribeirão Preto, fazen- do frente com a Rodovia. localizado a 3 Km de Santa Cruz da Esperança e a10 Km de Cajuru. Todo cercado, repleto de ben- feitorias, mina de água de alta qualidade e disponibilidade, com sistema de alimenta- ção em toda a propriedade (casa sede, casa do caseiro, baias, curral e outras dependên- cias), sistema de represa com peixes, com captaçãodeáguaatravésdebombaelétrica de 10Hp e através deste distribuição por sistema de irrigação por toda a proprieda- de, cachoeira de aproximadamente 12m de altura em um riacho de uma das divisas da propriedade, entre outras comodidades. Preço:Acombinar Tratar com Maurício Pires de Moraes pelo telefone (16)9 9103-7271 VENDEM-SE - Plantadeira Baldan solografic, 8 li- nhas, plantio direto, ano 1999; - Plantadeira Balban solografic, 8 li- nhas, plantio direto, ano 2004; - Colheitadeira Massey Ferguson 3640, série 300.000, com plataforma de soja, ano 1987; - Camionete F250, ano 2001. Tratar com Carlos Eduardo pelos telefones: (16) 3947-5268 (16) 9 9253- 9266 ou (16) 9 9455-0990 VENDE-SE - Área de 15.7 alqueirões em Sacra- mento, sendo 11.1 arrendados para cana de açúcar. Tratar pelos telefones (16) 9 9157- 6449 ou (16) 9 9148-2101. VENDE-SE - Trator 292 MF, traçado, 2007. Tratar com Saulo Gomes pelo telefo- ne (17) 9 9117-0767 VENDEM-SE -CaminhãoFordCargo815S,ano2003; -ÔnibusMercedesBenz-Of1318,/94; Tratar com Marcio José Sarni pelos telefones: (16) 9 9101-5687 (16) 3946- 4200 (ramal 141) VENDEM-SE - Caminhão VW 26310, ano 2004 - canavieiro 6x4, cana picada; - Carreta de dois eixos, cana picada - Rondom. Tratar com João pelos telefones: (17) 3281-1359 ou (17) 9 9732-3118. VENDE-SE - Cama de frango Tratar com Luiz Martins pelo tele- fone: (16) 9 9967-7153 ou José Jovino Borges pelo telefone: (16) 3839-5350 - Ituverava/SP. VENDEM-SE - Duas casas, no mesmo terreno, com três cômodos cada, localizada à Rua Pe- dro Biagi, 789 em Sertãozinho-SP. Va- lor: R$ 230.000,00; - 01 estabelecimento comercial mon- tado com base para Academia, em um terreno de 200m², contendo uma casa de laje com dois quartos, sala, cozinha, copa e banheiro e, ainda, uma sala comercial para escritório. O estabelecimento fica localizado à Rua. Ângelo Pignata, 23 em Sertãozinho-SP. Valor: R$ 230.000,00; - 01 casa de aproximadamente 500m² com seis cômodos e dois salões comer- ciais com banheiro, separado da casa, localizada à Rua. Augusto Zanini, 1056 Sertãozinho-SP. Preço a combinar.
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 69 Tratar com João Sacai Sato pelo tele- fone (16) 3610-1634. VENDEM-SE - Área para reserva legal localizada em Buritizal-SP. Valor: R$ 15.000,00 o hectare em mata fechada; - Um sítio de 70 hectares em Coro- mandel-MG bom para café, com casa, energia, formada 30 hectares em Bra- quiarão, 10 hectares em campo, 7 hecta- res em lavoura e 1 hectare em eucalipto de 30 anos, restante mata em terra de cultura, represa. Aceita troca por imó- veis urbanos. Valor: R$500.000,00. Tratar com José Antônio pelo telefo- ne: (16) 9 91425362. VENDE-SE - Cultivador marca DMB, novo São Francisco para cana crua e queimada, com haste dupla e com motor hidráuli- co. Acompanha asas para sulcar e mar- cador de banquetas com pistão. Valor: R$16.000,00. Jaboticabal-SP. Tratar com Edinelson e Edenilson pe- los telefones: (16) 969095158 ou (16) 9 9766-0328 VENDEM-SE - Fazenda região de Rancharia/SP. Possui 569 alqueires, 25 divisões de pasto, quatro piquetes mais confinamen- to para 500 bois, 500 cabeças de gado (vaca, bezerro, boi), um curral grande completo, um curral só com bretes, um barracão de estrutura metálica, um bar- racão de telhas francesas, 200 alqueires de pasto novo (três anos), cerca novas de cinco fios e cinco casas de caseiro; - Fazenda (agricultura/pecuária) em Martinópolis/SP próxima a rodovia Rapo- so Tavares (16 km). Possui área de 1818 alqueires, 360 alqueires de reserva legal, 900 alqueires para agricultura, 566 al- queires para pastagens, confinamento para 3.000 cabeças, quatro currais completos, terra mista com prática de agricultura de soja e milho, estrutura completa (casas de caseiro,oficina,borracharia,tanquededie- sel) e pista de pouso asfaltada. Tratar pelo telefone: (16) 9 9281-8932. VENDEM-SE - 01 transformador de 45 KVA. Valor: R$ 1.500,00; - Apartamento no Guarujá, locali- zado na praia de Astúrias, com quatro suítes, três salas, copa, cozinha, quarto para empregada, piscina na sacada do apartamento, quatro vagas na garagem, área comum com piscina aquecida, salão de jogos e festa, churrasqueira, quadra e sauna. Valor: R$ 1.980.000,00. Tratar com Wilson pelo telefone (17) 9 9739-2000 – Viradouro/SP. VENDEM-SE - Colheitadeira Case A7700, ano 2009, - 7700, esteira, motor Cummins M11, máquina utilizada na última safra. Valor: R$ 145.000,00; - Colheitadeira Case A8800, ano 2011, esteira máquina na colheita de cana funcionando 100%, rolos preenchi- dos. Valor: R$ 270.000,00; - Colheitadeira Case A7700, ano 2007, série 770678, motor Scania, motor novo, máquina revisada e trabalhando. Valor: R$ 130.000,00; - Colheitadeira Case 8800, ano 2010, motor refeito em julho de 2014, máquina revisada e pronta para trabalhar. Valor: R$ 260.000,00. Tratar com Marcelo pelos telefones: (16) 9 8104-8104 ou 9 9239-2664.
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 70 VENDEM-SE - 02 uniport. Modelos disponíveis: 2500 EJ (anos 2003/2004); 3000 EJ (anos 2003/2004); 2500 Star (anos 2009/2010) e 3000 Hidro 4x4 EJ (ano 2004). Tratar com Moacyr pelo telefone: (16) 9 8112-0770. VENDEM-SE -VW 15-180/12 Borracheiro móvel Gascom; - VW 13-180/11 Tanque 10.000 li- tros pipa bombeiro; - VW 31-320/10 Tanque 20.000 li- tros Gascom pipa bombeiro; - VW 15-180/10 Comboio Gascom para abastecimento e lubrificante; - VW 13-180/09 Comboio Gascom para abastecimento e lubrificante; - VW 31-310/05 Tanque 20.000 li- tros pipa bombeiro; - VW 12-140/96 Oficina Móvel Gas- com; - MB 1718/10 Comboio Gascom para abastecimento e lubrificante; - MB 2423/04 Basculante 12m³; - MB 1214/97 Baú oficina móvel; - MB 2318/94 Tanque 15.000 litros pipa bombeiro; - MB 2318/94 Tanque 12.000 litros pipa bombeiro; - MB 2213/81 Tanque 14.000 litros pipa bombeiro; - MB 1113/72 Tanque 7.000 litros pipa bombeiro; - MB 1111/69 Chassi; - F.Cargo 1719/13 Chassi 4x2; - F.Cargo 2622/09 Tanque 15.000 li- tros pipa bombeiro; - F.Cargo 2626/05 Tanque 16.000 li- tros pipa bombeiro; - F.Cargo 2628/07 Basculante 12m³; - F.Cargo 1317/07 Munk CNG mo- delo 20.000; - F.Cargo 2425/02 Betoneiro 8m³; - F-14000/90 Tanque 9.000 litros pipa bombeiro; - GM S-10, executive, 2007, prata 4x4, diesel; - Toyta Hilux SRV, 2010, prata, au- tomática; - Munk Hincol 43.000; - Munk Hincol 31.000; - Munk Masal 12.000; - Munk Munck 640-18; - Caçamba Basculante 12m³; - Caçamba Basculante 5m³; - Carroceria Graneleira para cami- nhão truck; - Carroceira Graneleira para cami- nhão toco; - Carroceria ferro para ¾; - Tanque de Fibra Revisado 16.000 litros; - Tanque de Fibra usado 16.000 li- tros; - Tanque de ferro revisado 15.000 litros; - Comboio para ¾ Gascom fechado; - Baú Sider; - Baú Alumínio; Contato Alexandre (16) 3945-1250, 9 97669243 (oi), 9 92402323 (claro), WhatsApp: 78133866 e id: 96*81149 nextel. VENDE-SE - Trator Valtra Modelo BH 180, ano 2006, com 7055 horas trabalhadas, “ca- binado” de fábrica, completo 4x4 com kit de freio boca de lobo (para puxar carreta). Tratar com Marco Antônio Oliveira pelo telefone: (16) 9 9166-4286. VENDE-SE - Uma área de 23,5 alqueires em Itu- verava, ideal para reserva. Tratar com Paulo Pínola pelo telefo- ne: (16) 3839-7506. VENDEM-SE - Atomatizador marca FMC com capacidade para 4000 litros, ano 2004 seminovo R$12.000,00; - Grade niveladora de arrasto com 42 discos de 18 polegadas R$2.500,00; - Bazuca com capacidade de 6.000 Kg R$ 4.000,00; - Pá carregadeira, modelo 938 GII, ano 2006 série 0938 GERTB em bom estado de conservação. R$ 180.000,00; - Conjunto de irrigação completo com Ferti Irrigação, filtro de areia e gotejador Uniram Flex 2,31 x 0,70m com +- 30 mil metros, sem uso R$ 52.000,00; - Trator modelo BH 205, cabinado completo com ar condicionado e hi- - A Revista Canavieiros não se responsabiliza pelos anúncios constantes em nosso Classificados, que são de responsabilidade exclusiva de cada anunciante. Cabe ao consumidor assegurar-se de que o negócio é idôneo antes de realizar qualquer transação. - A Revista Canavieiros não realiza intermediação das vendas e compras, trocas ou qualquer tipo de transação feita pelos leitores, tratando-se de serviço exclusivamente de disponibilização de mídia para divulgação. A transação é feita diretamente entre as partes interessadas. flow, ano 2010 com 4.241,3 horas de uso R$ 120.000,00; - Trator modelo BH 205, cabinado completo com ar condicionado e hi- flow, ano 2010 com 5.356,1 horas de uso R$ 120.000,00. Tratar com FURTUNATO pelos te- lefones (16)3242-8540 – 9.9703-3491 oufurtunatomagalhaes@hotmail.com- Prazo a combinar. VENDEM-SE - Terreno para construção de rancho entre Sertãozinho e Pitangueiras, (Vale do Mogi) área: 1.200 m²; - Rancho entre Sertãozinho e Pitan- gueiras, (Vale do Mogi) área construí- da: 140 m², área total: 7.000 m²; Pomar todo alambrado, documenta- ção e parte ambiental ok. Tratar com André Tonielo pelo tele- fone (16) 9 9139-8664. VENDEM-SE -Trator MF 680 “cabinado” ano 2006, motor com 1000 horas, em boas condições; - L200, traçada, cor branca, ano 2006, com ar condicionado. Tratar com Raul pelo telefone (34) 9972-3073. VENDEM-SE - Cultivador e sulcador de cana DMB, com marcador de pistão comple- to para cana crua e queimada, ano 2004; - Grade Aradora Tatu, 14x28 espaça- mento 270mm, ano 2004; - Grade aradora Civemasa, 16x34 es- paçamento 360mm (semi nova); - Carreta de plantio de cana-de-açú- car, com assoalho novo, comprimento 4 metros com um eixo e dois pneus 900x20; - Plantadeira PH 2700 de 4 linhas plantio convencional, toda reformada e revisada; - Grade Niveladora Piccin 48x22, grade conversada. Tratar com Waldemar pelos tele- fones: (16) 3042-2008/ 99253-6989 / (16) 98186-9035 (Tim) / 99739-6005 (Vivo).
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 71 Eventos de outubro de 2014 II Encontro Técnico sobre Pragas da Cana-de-Açúcar Data: 09 de outubro Hora: 7h30 às 12h30 Local: Auditório Canaoeste “Fernandes dos Reis” Cidade: Sertãozinho/ SP IV Seminário de Bioeletricidade Data: 9 de outubro Hora: 9h às 12h Local: Auditório do Centro Empresarial Zanini Cidade: Sertãozinho/ SP Mais informações: denise@unica.com.br III Seminário Trabalhista Sindical – CEISE Br e GERHAI Data: 17 de outubro Hora: 8h às 14h Local: Auditório Canaoeste “Fernandes dos Reis” Cidade: Sertãozinho/ SP Mais informações: administrativo2@ceise.com.br 14º Conferência Internacional DATAGRO sobre açúcar e etanol Data: 20 e 21 de outubro Hora: 13h às 20h30 - dia 20 08h às 18h – dia 21 Local: Grand Hyatt Hotel São Paulo Cidade: São Paulo/ SP Telefone: 11- 4133-3944 Email: conferencia@datagro.com Mais informações: www.datagroconferences.com II Reunião CANAPLAN – Reavaliação da Safra 2014/15 e visão inicial da 2015/16 – Centro-Sul Data: 22 de outubro Hora: 8h às 15h30 Local: Centro de Convenções da Cana (IAC) Cidade: Ribeirão Preto/ SP Mais informações: www.canaplan.com.br Irrigacana – I Seminário Brasileiro de Irrigação de Cana-de-Açúcar com Água. Data: 29 e 30 de outubro Hora: a partir das 8h Local: Centro de Eventos Pereira Alvim Cidade: Ribeirão Preto/ SP Mais informações: www.gifc.agr.br Anuncie no classificados da Canavieiros entre em contato pelo fone (16) 3946-3300 - ramal: 2208 ou e-mail: classificados@revistacanavieiros.com.br
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 72 Esta coluna tem a intenção de maneira didática, esclarecer algumas dúvidas a respeito do português. “Meu coração tem asas, minha razão anda a pé!” Fernanda Mello Cultivando a Língua Portuguesa 1-) Dizem que ele é “anti-social”. Será?! O correto é: antissocial. Regra fácil: Segundo o Novo Acordo Ortográfico, que entrou em vigor em ja- neiro de 2009, o hífen é utilizado apenas quando o prefixo termina com a mesma letra que começa a segunda palavra ou quando a segunda palavra começa com h.  Exemplos: anti-inflamatório, anti-higiênico. Em todas as outras situações, o prefixo é escrito junto à palavra já existente. Salienta-se que nas formações em que o prefixo termina em vogal e a segunda palavra começa com as consoantes r ou s, estas consoantes deverão ser duplicadas.  Exemplos: antissocial, antirrugas. 2-) Maria sentiu muito “enjôo” na gravidez. … mas nada de enjoo com a Nova Grafia! O correto é: enjoo (sem acento) Regra fácil: Segundo a Nova Grafia: Deixaram de existir os acentos circunfle- xos nos hiatos - uma repetição de vogais que pertencem a sílabas diferentes, como por exemplo: enjoo (as sílabas da palavra são en/jo/o) (existem mais casos) 3-) Eles não conseguiram “apazigúar” a situação. …com a grafia incorreta ficou difícil apaziguar! O correto é: apaziguar (sem acento) Regra fácil: Segundo a Nova Grafia: as letras U e I tônicas deixam de ser acen- tuadas nas sílabas que, qui, gue, gui de verbos como o verbo apaziguar. Biblioteca “General Álvaro Tavares Carmo” Direito ambiental empresarial “O livro é um grito de alerta e de espe- rança, ao analisar, sem receios, a realidade como ela se apresenta, mas à luz dos me- canismos legais, de sugestões estimuladoras no mercado globalizado, realçando a partici- pação das empresas na recuperação do meio ambiente.” Referência: TRENNEPOHL, Terence Dorneles. Direito ambiental empresarial. São Paulo: Saraiva, 2010. Os interessados em conhecer as sugestões de leitura da Revista Canavieiros podem procurar a Biblioteca da Canaoeste. biblioteca@canaoeste.com.br www.facebook.com/BibliotecaCanaoeste Fone: (16) 3524-2453 Rua Frederico Ozanan, nº842 Sertãozinho-SP Renata Sborgia Coluna mensal * Advogada, Profa . de Português, Consultora e Revisora, Mestra USP/RP, Especialista em Língua Portuguesa, Pós-Graduada pela FGV/RJ, com MBA em Direito e Gestão Educacional, autora de vários livros como a Gramática Português Sem Segredos (Ed. Madras), em co-autoria. PARA VOCÊ PENSAR: “PROMESSA - FUTURO Prometo não te ligar Não escutar aquela música Não olhar aquela foto Que eu roubei de você. Prometo nem mais te amar. Segunda-feira eu começo. Fernanda Mello
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    Revista Canavieiros -Setembro de 2014 74 Com um tom leve e uma linguagem bem-humorada, o filme mostra um pai dirigindo com seus dois filhos no banco traseiro do carro. De repente, em uma rua tranquila, o automóvel para sozi- nho, as portas travam automaticamente e o computador de bordo começa a con- versar com eles, como se fosse a cons- ciência do carro. Ela incentiva a escolha do etanol no abastecimento do veículo como uma opção inteligente e reforça todas as vantagens do produto. Até os carros de hoje, cheios de tecnologia, já sabem quanto o etanol é melhor. A criação é da agência Borghi/Lowe, responsável também pelas primeiras fa- ses da campanha. Para conferir a cam- panha acesse o link: www.youtube.com/UNICAcana Campanha do etanol “COMPLETÃO” está de volta A UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) lançou no último domingo de setembro, uma nova fase da campanha publicitá- ria “Etanol, o combustível completão”. Focada principalmente no estado de São Paulo, a ação tem como objetivo reforçar os impactos positivos do etanol para a economia e o meio ambiente, e incentivar seu consumo. “Com a retomada da campanha que- remos relembrar aos consumidores as vantagens e os benefícios do biocom- bustível. O etanol gera ganhos ambien- tais, sociais e promove o crescimento econômico de forma significativa em mais de mil municípios brasileiros”, diz a presidente da UNICA, Elizabeth Farina. O etanol é um combustível mais po- tente e limpo, uma vez que é produzi- do a partir de uma fonte renovável, a cana-de-açúcar. Além de reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito es- tufa quando comparado com a gasolina. O biocombustível de cana possui ainda tecnologia nacional, gerando cerca de 1 milhão de empregos diretos e oferece oportunidades de avanços sociais e eco- nômicos para o Brasil. Quando lançada pela primeira vez, em novembro de 2012, a campanha ala- vancou as vendas de etanol no estado de São Paulo, que em apenas um mês de veiculação cresceram 10%. No ano passado, a ação publicitária também chegou a outros três estados: Paraná, Goiás e Minas Gerais. Peças publicitárias para TV e rádio mostram o biocombustível de cana como uma opção inteligente e reforçam suas vantagens Campanha “Neste momento, o preço do etanol está mais vantajoso do que o da gasoli- na para o consumidor, ou seja, a pari- dade de 70% já foi atingida em alguns estados, mesmo assim a demanda pelo produto não reagiu como se esperava. Isso reforça o nosso diagnóstico de que o contato direto com o público deve ser constante”, afirma Farina. A campanha Com o slogan “Coloca Etanol, o combustível completão”, já utilizado nas fases anteriores da campanha e que intensifica o posicionamento do biocom- bustível e seus inúmeros benefícios, a estratégia de comunicação é composta por um filme de 30” para TV aberta e a cabo, patrocínio de programas de televi- são e rádio, jingle marcante, ações onli- ne e presença em redes sociais.
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