1
“Eu vi dizer,
Eu vi falar
Que Matarandiba é boa,
É boa de se brincar.
Nossa cidade é rica,
É o que falam por aí.
Quem vem pra passar dois dia
Não quer mais sair daqui (...)”
Novo Centro Comunitário de Matarandiba
2
Indústria
comunidade Matarandiba
Associação comunitária
Consultoria multidisciplinar
Localização
“(...)Nós temos o São Gonçalo,
Uma festa religiosa.
Saímos com uma imagem,
Cantando de porta em porta
Nós temos o candomblé
E nós temos que falar,
Com o presente nas águas
Que é dado pra Iemanjá.(...)”
Matarandiba é uma ilha situada na baía de Todos os Santos, a
oeste da contra-costa da ilha de Itaparica, no Município de Vera
Cruz-Bahia, com uma população em torno de 700 habitantes.
Até a chegada da mineradora em 1974 a comunidade não tinha
uma via de acesso e por isso era pouco habitada.
A comunidade que habita Matarandiba é muito rica em
manifestacoes de cultura popular e muito consciente na
preservaçao de suas festividades e rituais. Sua principal
atividade economica está relacionada à atividade de pesca,
mariscagem e produção de artesanato.
Em 2007 criou-se, por meio de uma parceria entre a mineradora
e a Universidade Federal da Bahia representada pela ITES/
UFBA (Incubadora Tecnológica de Economia Solidária e Gestão
do Desenvolvimento Territorial) uma Rede de Economia
Solidária a Ecosmar .
A Ecosmar, por meio do trabalho participativo
com a comunidade e pela contratação de inúmeros
consultores de diversas áreas vem desenvolvendo a
comunidade no âmbito das dimensoes sociais, culturais,
políticas, ambiental, de infra estrutura e gestão.
A Ecosmar desenvolve as seguintes iniciativas sociais:
ASCOMA, ASCOMAT, Banco Comunitário de Desenvolvimento
Ilhamar, INFOMAR e Produção Agroecologica de Alimentos e o
Fórum de Desenvolvimento Comunitário de Matarandiba.
3
Diagnóstico
“(...)Fundamos
samba mirim,
Eu nunca vi coisa igual.
Também tem o Zé do Vale
Que é uma peça teatral(...)”
Identificou-se a necessidade de construir um Novo Centro Comu-
nitário para Matarandiba, o que gerou a contratação desse Projeto, o
qual partiu de uma metodologia de trabalho que integra processos
técnicos e educativos, com a realização de investigações, pesquisa
e planejamento participativo aberto a todos interessados, seguindo
a metodologia da “construção do conhecimento” segundo os prin-
cípios da Educação Popular (FREIRE, 1971), da Agroecologia (ALTIERI,
2005) e da Permacultura.
Seguindo o método do Planejamento Participativo,a equi-
pedeProjetoInterdisciplinarfomadaporprofissionaisdasáreasdaEdu-
cação,Arte,EngenhariaeArquiteturadesenvolveujuntoàcomunidadea
Árvore dos Problemas, o Mapa dos Sonhos, a Linha do Tem-
po, e demais atividades sensoriais capazes de revelar o desejo da co-
munidade por meio de uma construção verdadeiramente coletiva.
O Planejamento Participativo tem como base três eixos metodo-
lógicos: Diagnóstico Rural Participativo, Metodologia de Design
de Permacultura e Teatro Social.
Raízes	
FALTA CUIDADO	
FALTA SISTEMA APROPRIADO ÁGUA PRETA
FALTAMSANITÁRIOSPÚBLICOS ÁGUACINZA
FALTA INFORMAÇÃO	
FALTA SEPARAÇÃO ORGÃNICO
FALTA SISTEMA DE COLETA SELETIVA	
FALTAM LIXEIRAS PÚBLICAS 	RECICLÁVEL
FALTA CONSCIÊNCIA	
FALTA DE PARCERIA FAMÍLIA / ESCOLA	
FALTA DE INTERESSE DOS ALUNOS	
FALTA QUALIFICAÇÃO DOS PROFESSORES
FALTA ENSINO DE QUALIDADE	
FALTA DE BONS PROFESSORES	
FALTA PRODUÇÃO LOCAL	
TRANSPORTE INADEQUADO	
FALTA DE QUALIDADE DOS ALIMENTOS	
AUMENTOS VEM DE FORA DA COMUNIDADE	
Corpo
Água Servida
Lixo
Educação
Alimentos
Frutos
Doenças
Mal Cheiro
Contaminação de Peixes / Mariscos
Imprópria para banho
Formação de lixões ou aterros
Mal cheiro
Contaminação Do Solo
Entupimento De Valas
Currículo Fora De Contexto
Metodologias Antigas/Obsoletas
Violência Escolar
Preços Altos
Perda da tradição agrícola
Não são todas famílias que tem
acesso a alimentos de qualidade
Árvore dos problemas
4
Levantamentos
“(...)Nossa cidade é pequena,
Mas tem história decente.
Tem um grupo de senhoras
Que se sente adolescente.(...)”
Fruto do Planejamento Participativo, já com o foco no Projeto do Novo Centro
Comunitário de Matarandiba desenvolveu-se a análise dos elementos e nasceu o
programa de Necessidades do Projeto e primeira leitura da paisagem.
O projeto fomenta prosperidade econômica para a comunidade, integração social
por meio da construção de novas áreas de convivência, resgate da cultura local e
preservação dos ambientes e recusros naturais.
Escutando o terreno Programa de necessidades
Núcleo de
administração
Ascoma
Ascomat
Banco
Reuniões/ Treinamento
Núcleo de
comércio
Padaria
Mercado
Lanchonete
Núcleo de
celebrações
Pavilhão de Eventos
Cozinha
Depósito
Camarim
Área de Alimentação
Área Recreativa
Núcleo de
administração
Museu da Comunidade
Jardim Produtivo
Artesanato
Núcleo de
comunicação
Infocentro
Área de Leitura
Grupo de trabalho
de Agroecologia
Grupo de trabalho de
Ostreicultura
Grupo de trabalho
de Meio Ambiente
Rádio
5
Uma das funções do Novo
Centro Comunitário é servir como
um mostruário de tecnologias e
soluções apropriadas ao contexto da
comunidade e possibilitar que este
conhecimento seja disseminado pela
comunidade através da criação de
protótipos demonstrativos.
Círculo de bananeiras:
Trata-se de um circulo com
bananeirasplantadasdestinado
ao tratamento de água,
compostagem de resíduos e
produção de alimentos por
meio da evapotranspiração das
bananeiras. Resíduo=Recurso
Cultivo de alimentos
Placas fotovoltaicas
Cisterna
Sanitário compostável:
Trata-se de um sistema seco
de saneamento básico. Nesse
sistema o resíduo humano é de-
composto em uma câmara es-
curaetransforma-seemadubo.
Estratégias bioclimáticas:
Utilização de energias
renováveis; recursos naturais
tais como sol e vento.
Tecnologias construtivas
estratégias ecológicas
Aágua que usamos deve ser tratada antes de voltar ao meio ambiente, do
io estaremos poluindo o lugar onde vivemos. Se jogamos a água usada
mente no meio ambiente, seja numa lagoa ou num rio, estamos poluindo.
o a quantidade é pequena não nos damos conta, mas pouco a pouco a
za vai sendo prejudicada. Por isso devemos cuidar do ambiente de
a preventiva, para evitar ter que solucionar mais tarde, problemas
dos por falta de cuidado inicial. Devemos buscar soluções locais para
da nossa água, e assim cuidaremos da nossa saúde e da saúde do meio
nte.
Figura 118: exemplo do
funcionamento de um
círculo de bananeiras,
forma simples e eficaz
de tratar a água cinza.
Fonte: Create an Oasis
with Graywater, de Art
Ludwig.
- 49 -
on:
Figura 130: Sanitário do tipo Bason. Fonte: Manual do Arquiteto Descalço, Johan Van Lengen
Outro sistema de sanitário seco é o Bason. Neste sistema, de um lado
am os dejetos humanos e de outro os resíduos de cozinha, que juntos
mam um composto riquíssimo.
O IDEAL E CONSTRUIR ESTE TIPO DE
SANITARIO EM UM DECLIVE PARA
APROVEITAR O PERFIL NATURAL DO
TERRENO.
AQUI A PESSOA SENTA.
CADA VASO E UTILIZADO
DURANTE UNS SEIS MESES.
Figura 129:
Funcionamento do
sanitário seco.
A CHAMINE PINTADA
DE PRETO FAZ
COM QUE OS GASES
SUBAM.
TRO DA CASINHA
MOS UM BALDE
M SERRAGEM
RA COBRIR AS
ZES CADA VEZ
UE USAMOS O
SANITARIO
A RAMPA SERVE
PARA QUE O
RESIDUO RESVALE.
DEVE TER UMA
SUPERFICIE LISA.
CADA CAMARA
TEM UMA
PORTA PELA
QUAL E
RETIRADO O
RESIDUO JA
COMPOSTADO
- 55 -
entram dejetos
A tampa da cisterna pode ser
feita da mesma forma,
conforme podemos ver na
imagem ao lado (Figura 112),
nesta cisterna do IPEC
(Instituto de Permacultura e
Ecovilas do Cerrado).
Fonte: www.ecocentro.org
técnicas de bioconstrução: ferrocimento
Podemos armazenar grandes quantidades de água em uma cisterna
de ferrocimento (Figura 110). O ferrocimento pode ser usado para
outros tipos de estrutura, como boxes (Figura 111) de chuveiro ou pias.
Figura 111: Boxes de chuveiros no
IPEC (Instituto de Permacultura e
Ecovilas do Cerrado)
Figura 110: Cisterna no IMCA (Instituto Morro da Cutia), Montenegro, RS.
- 46 -
CONSTRUIR COM O CLIMA E APROVEITAR AS ENERGIAS
NATURAIS
Na bioconstrução utilizamos ao máximo as energias da natureza, como o
sol e o vento. Ao construirmos uma casa devemos levar em conta o clima do
lugar onde vivemos. Por exemplo, na região Nordeste devemos ter uma casa
muito bem ventilada e sombreada, garantindo, assim, um ambiente fresco e
agradável. Devemos também levar em consideração as épocas de chuva e
proteger a nossa casa com telhados largos.
PROTEGER A CASA DO CALOR:
Nos climas muito quentes podemos
proteger a casa do calor sombreando
as fachadas mais ensolaradas:
Podemos construir uma
varanda, conforme a Figura 23.
Assim os raios de sol não
batem diretamente nas
paredes.
bioconstrução
(Figura 23)
VENTILAR A CASA:
Devemos planejar as aberturas da casa de modo que todos os ambientes
estejam sempre bem ventilados. A ventilação refresca os ambientes e renova o
ar, tornando os espaços interiores saudáveis. Conhecendo os ventos da região,
podemos colocar as aberturas de modo a aproveitar esta energia da melhor
forma possível.
Aberturas no telhado expulsam o ar quente e fazem o ar circular pela casa.
Exemplos deste tipo de abertura estão esquematizados nas Figuras 31 e 32.
Uma maneira eficiente é
colocar as aberturas para a
ventilação cruzada em alturas
diferentes (Figura 30). O ar quente é
mais leve e tende a subir, escapando
pela abertura mais alta.
bioconstrução
(Figura 30)
VENTILAR A CASA:
Devemos planejar as aberturas da casa de modo que todos os ambientes
estejam sempre bem ventilados. A ventilação refresca os ambientes e renova o
ar, tornando os espaços interiores saudáveis. Conhecendo os ventos da região,
podemos colocar as aberturas de modo a aproveitar esta energia da melhor
forma possível.
Aberturas no telhado expulsam o ar quente e fazem o ar circular pela casa.
Exemplos deste tipo de abertura estão esquematizados nas Figuras 31 e 32.
Uma maneira eficiente é
colocar as aberturas para a
ventilação cruzada em alturas
diferentes (Figura 30). O ar quente é
mais leve e tende a subir, escapando
pela abertura mais alta.
bioconstrução
(Figura 30)
(Figura 32)(Figura 31)
- 20 -
VENTILAR A CASA:
Devemos planejar as aberturas da casa de modo que todos os ambientes
estejam sempre bem ventilados. A ventilação refresca os ambientes e renova o
ar, tornando os espaços interiores saudáveis. Conhecendo os ventos da região,
podemos colocar as aberturas de modo a aproveitar esta energia da melhor
forma possível.
Aberturas no telhado expulsam o ar quente e fazem o ar circular pela casa.
Exemplos deste tipo de abertura estão esquematizados nas Figuras 31 e 32.
Uma maneira eficiente é
colocar as aberturas para a
ventilação cruzada em alturas
diferentes (Figura 30). O ar quente é
mais leve e tende a subir, escapando
pela abertura mais alta.
bioconstrução
(Figura 30)
(Figura 32)(Figura 31)
- 20 -
Devemos pensar na sustentabilidade em nível local (cuidado com a terra,
manejo sustentável das matas, extração consciente dos recursos) e em nível
global. Para colaborar para a construção de um mundo mais sustentável
devemos, por exemplo, consumir com cuidado, dando preferência a produtos da
região, e optar pelo uso de energias renováveis.
Figuras 3 e 4: Produção local de alimentos e uso de
energia solar para a produção de eletricidade: práticas
sustentáveis (Fotos: Permacultura Montsant, Espanha).
Figura 2: Exemplo de bioconstrução: utilização da terra como principal
material. O uso da pérgola sombreia a fachada, garantindo um ambiente
fresco nos meses de verão (Instituto Morro da Cutia, Montenegro/RS).
- 10 -
global. Para colaborar para a constru
devemos, por exemplo, consumir com cu
região, e optar pelo uso de energias reno
Figuras 3 e 4: Produção local de alimentos e uso d
energia solar para a produção de eletricidade: prátic
sustentáveis (Fotos: Permacultura Montsant, Espanh
- 10
autonomia. Autonomia é sinônimo de liberdade para uma comunidade, pois com
isso ela não precisa depender de recursos externos ao ambiente onde vive.
Se cuidarmos da natureza, teremos para sempre os recursos necessários
para a nossa sobrevivência e a das futuras gerações no local onde vivemos.
CONSIDERAR OS RESIDUOS COMO RECURSOS:
Entendemos por resíduo tudo o que “sobra” de algum processo. Por
exemplo: lixo de cozinha, lixo seco (plásticos, papéis, latas), nossas fezes e
urina, a água que sai da pia ou do chuveiro, restos de construção, etc. Na
bioconstrução, a construção de uma casa ou o planejamento de uma
comunidade deve ter em conta o tratamento dos resíduos, sem esquecer
nenhum item! Como mostra a figura 5, no sanitário seco as fezes viram adubo,
que vai nutrir uma plantinha que servirá de alimento e o ciclo continua. É um
sistema de CICLOFECHADO,onde não há resíduos.
Figura 5: O sanitário seco trata os dejetos humanos e reaproveita este resíduo.
- 11 -
6
Implantação
O NovoCentroComunitáriodeMatarandiba
se insere no meio ambiente de forma integrada, optando
pelo uso de tecnologias apropriadas ao clima e recursos
disponíveis no local otimizando os desperdícios e
valorizando o reuso compreendendo os ciclos e a gestão
de resíduos e nutrientes no que diz respeito aos sistemas
desaneamentobásico,água,energia,confortoambiental,
acessibilidade, e escolha dos materiais adotados.
localizando os núcleos no terreno
Núcleo de Comércio 	 	 121 m2
Núcleo de Celebrações		 250 m2
Núcleo Aministrativo 		 110 m2
Nucleo de Comunicação		 88 m2
Núcleo da Memória 		 37 m2
Sanitário compostável	 20 m2
Praça central	 200 m2
1
2
4
5
6
3
7
1
2
4
5
7
6
3
7
O Núcleo das Celebrações é um espaço destinado às diversas atividades
artísticas da comunidade, desde ensaios até mesmo apresentações.
Núcleo celebrações Núcleo comércio
piso laminado Placo cobertura em palha estrutura em bambu fundação em
concreto cíclopico
CORTE TRANSVERSAL A–A
telha Brasilit
Ondina Plus
estrutura em
madeira cerrada
piso vinílico Placo alvenaria
autoportante em
taipa de pilão
O Núcleo de Comércio funciona com
a moeda local gerida pelo banco da co-
munidade. Será construído em taipa de
pilão. Essa técnica consiste em terra pilar
terra dentro de uma forma de madeira.
Celebrações
Comércio
A
A
PLANTA BAIXA
8
O conjunto dos Núcleos Administrativo e de Comunicação serão construídos
em taipa leve, técnica construtiva que utiliza placas cimentíceas impermeabili-
zadas como revestimento da palha e do solo argiloso, exercendo o papel alvena-
ria auto-portante.
Núcleo administração e comunicação
drywall Placo forro removível placa cimentícia
impermeabilizada
brazilit
taipa leve telhado verde
“(...)Nossa cidade é pequena,
Porém é muito bonita.
Tenho orgulho de dizer
Que sou de Matarandiba.”
Associações
Infocentro
Banco Comunitário
Leitura

Ecosapiens matarandiba centro comunitário

  • 1.
    1 “Eu vi dizer, Euvi falar Que Matarandiba é boa, É boa de se brincar. Nossa cidade é rica, É o que falam por aí. Quem vem pra passar dois dia Não quer mais sair daqui (...)” Novo Centro Comunitário de Matarandiba
  • 2.
    2 Indústria comunidade Matarandiba Associação comunitária Consultoriamultidisciplinar Localização “(...)Nós temos o São Gonçalo, Uma festa religiosa. Saímos com uma imagem, Cantando de porta em porta Nós temos o candomblé E nós temos que falar, Com o presente nas águas Que é dado pra Iemanjá.(...)” Matarandiba é uma ilha situada na baía de Todos os Santos, a oeste da contra-costa da ilha de Itaparica, no Município de Vera Cruz-Bahia, com uma população em torno de 700 habitantes. Até a chegada da mineradora em 1974 a comunidade não tinha uma via de acesso e por isso era pouco habitada. A comunidade que habita Matarandiba é muito rica em manifestacoes de cultura popular e muito consciente na preservaçao de suas festividades e rituais. Sua principal atividade economica está relacionada à atividade de pesca, mariscagem e produção de artesanato. Em 2007 criou-se, por meio de uma parceria entre a mineradora e a Universidade Federal da Bahia representada pela ITES/ UFBA (Incubadora Tecnológica de Economia Solidária e Gestão do Desenvolvimento Territorial) uma Rede de Economia Solidária a Ecosmar . A Ecosmar, por meio do trabalho participativo com a comunidade e pela contratação de inúmeros consultores de diversas áreas vem desenvolvendo a comunidade no âmbito das dimensoes sociais, culturais, políticas, ambiental, de infra estrutura e gestão. A Ecosmar desenvolve as seguintes iniciativas sociais: ASCOMA, ASCOMAT, Banco Comunitário de Desenvolvimento Ilhamar, INFOMAR e Produção Agroecologica de Alimentos e o Fórum de Desenvolvimento Comunitário de Matarandiba.
  • 3.
    3 Diagnóstico “(...)Fundamos samba mirim, Eu nuncavi coisa igual. Também tem o Zé do Vale Que é uma peça teatral(...)” Identificou-se a necessidade de construir um Novo Centro Comu- nitário para Matarandiba, o que gerou a contratação desse Projeto, o qual partiu de uma metodologia de trabalho que integra processos técnicos e educativos, com a realização de investigações, pesquisa e planejamento participativo aberto a todos interessados, seguindo a metodologia da “construção do conhecimento” segundo os prin- cípios da Educação Popular (FREIRE, 1971), da Agroecologia (ALTIERI, 2005) e da Permacultura. Seguindo o método do Planejamento Participativo,a equi- pedeProjetoInterdisciplinarfomadaporprofissionaisdasáreasdaEdu- cação,Arte,EngenhariaeArquiteturadesenvolveujuntoàcomunidadea Árvore dos Problemas, o Mapa dos Sonhos, a Linha do Tem- po, e demais atividades sensoriais capazes de revelar o desejo da co- munidade por meio de uma construção verdadeiramente coletiva. O Planejamento Participativo tem como base três eixos metodo- lógicos: Diagnóstico Rural Participativo, Metodologia de Design de Permacultura e Teatro Social. Raízes FALTA CUIDADO FALTA SISTEMA APROPRIADO ÁGUA PRETA FALTAMSANITÁRIOSPÚBLICOS ÁGUACINZA FALTA INFORMAÇÃO FALTA SEPARAÇÃO ORGÃNICO FALTA SISTEMA DE COLETA SELETIVA FALTAM LIXEIRAS PÚBLICAS RECICLÁVEL FALTA CONSCIÊNCIA FALTA DE PARCERIA FAMÍLIA / ESCOLA FALTA DE INTERESSE DOS ALUNOS FALTA QUALIFICAÇÃO DOS PROFESSORES FALTA ENSINO DE QUALIDADE FALTA DE BONS PROFESSORES FALTA PRODUÇÃO LOCAL TRANSPORTE INADEQUADO FALTA DE QUALIDADE DOS ALIMENTOS AUMENTOS VEM DE FORA DA COMUNIDADE Corpo Água Servida Lixo Educação Alimentos Frutos Doenças Mal Cheiro Contaminação de Peixes / Mariscos Imprópria para banho Formação de lixões ou aterros Mal cheiro Contaminação Do Solo Entupimento De Valas Currículo Fora De Contexto Metodologias Antigas/Obsoletas Violência Escolar Preços Altos Perda da tradição agrícola Não são todas famílias que tem acesso a alimentos de qualidade Árvore dos problemas
  • 4.
    4 Levantamentos “(...)Nossa cidade épequena, Mas tem história decente. Tem um grupo de senhoras Que se sente adolescente.(...)” Fruto do Planejamento Participativo, já com o foco no Projeto do Novo Centro Comunitário de Matarandiba desenvolveu-se a análise dos elementos e nasceu o programa de Necessidades do Projeto e primeira leitura da paisagem. O projeto fomenta prosperidade econômica para a comunidade, integração social por meio da construção de novas áreas de convivência, resgate da cultura local e preservação dos ambientes e recusros naturais. Escutando o terreno Programa de necessidades Núcleo de administração Ascoma Ascomat Banco Reuniões/ Treinamento Núcleo de comércio Padaria Mercado Lanchonete Núcleo de celebrações Pavilhão de Eventos Cozinha Depósito Camarim Área de Alimentação Área Recreativa Núcleo de administração Museu da Comunidade Jardim Produtivo Artesanato Núcleo de comunicação Infocentro Área de Leitura Grupo de trabalho de Agroecologia Grupo de trabalho de Ostreicultura Grupo de trabalho de Meio Ambiente Rádio
  • 5.
    5 Uma das funçõesdo Novo Centro Comunitário é servir como um mostruário de tecnologias e soluções apropriadas ao contexto da comunidade e possibilitar que este conhecimento seja disseminado pela comunidade através da criação de protótipos demonstrativos. Círculo de bananeiras: Trata-se de um circulo com bananeirasplantadasdestinado ao tratamento de água, compostagem de resíduos e produção de alimentos por meio da evapotranspiração das bananeiras. Resíduo=Recurso Cultivo de alimentos Placas fotovoltaicas Cisterna Sanitário compostável: Trata-se de um sistema seco de saneamento básico. Nesse sistema o resíduo humano é de- composto em uma câmara es- curaetransforma-seemadubo. Estratégias bioclimáticas: Utilização de energias renováveis; recursos naturais tais como sol e vento. Tecnologias construtivas estratégias ecológicas Aágua que usamos deve ser tratada antes de voltar ao meio ambiente, do io estaremos poluindo o lugar onde vivemos. Se jogamos a água usada mente no meio ambiente, seja numa lagoa ou num rio, estamos poluindo. o a quantidade é pequena não nos damos conta, mas pouco a pouco a za vai sendo prejudicada. Por isso devemos cuidar do ambiente de a preventiva, para evitar ter que solucionar mais tarde, problemas dos por falta de cuidado inicial. Devemos buscar soluções locais para da nossa água, e assim cuidaremos da nossa saúde e da saúde do meio nte. Figura 118: exemplo do funcionamento de um círculo de bananeiras, forma simples e eficaz de tratar a água cinza. Fonte: Create an Oasis with Graywater, de Art Ludwig. - 49 - on: Figura 130: Sanitário do tipo Bason. Fonte: Manual do Arquiteto Descalço, Johan Van Lengen Outro sistema de sanitário seco é o Bason. Neste sistema, de um lado am os dejetos humanos e de outro os resíduos de cozinha, que juntos mam um composto riquíssimo. O IDEAL E CONSTRUIR ESTE TIPO DE SANITARIO EM UM DECLIVE PARA APROVEITAR O PERFIL NATURAL DO TERRENO. AQUI A PESSOA SENTA. CADA VASO E UTILIZADO DURANTE UNS SEIS MESES. Figura 129: Funcionamento do sanitário seco. A CHAMINE PINTADA DE PRETO FAZ COM QUE OS GASES SUBAM. TRO DA CASINHA MOS UM BALDE M SERRAGEM RA COBRIR AS ZES CADA VEZ UE USAMOS O SANITARIO A RAMPA SERVE PARA QUE O RESIDUO RESVALE. DEVE TER UMA SUPERFICIE LISA. CADA CAMARA TEM UMA PORTA PELA QUAL E RETIRADO O RESIDUO JA COMPOSTADO - 55 - entram dejetos A tampa da cisterna pode ser feita da mesma forma, conforme podemos ver na imagem ao lado (Figura 112), nesta cisterna do IPEC (Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado). Fonte: www.ecocentro.org técnicas de bioconstrução: ferrocimento Podemos armazenar grandes quantidades de água em uma cisterna de ferrocimento (Figura 110). O ferrocimento pode ser usado para outros tipos de estrutura, como boxes (Figura 111) de chuveiro ou pias. Figura 111: Boxes de chuveiros no IPEC (Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado) Figura 110: Cisterna no IMCA (Instituto Morro da Cutia), Montenegro, RS. - 46 - CONSTRUIR COM O CLIMA E APROVEITAR AS ENERGIAS NATURAIS Na bioconstrução utilizamos ao máximo as energias da natureza, como o sol e o vento. Ao construirmos uma casa devemos levar em conta o clima do lugar onde vivemos. Por exemplo, na região Nordeste devemos ter uma casa muito bem ventilada e sombreada, garantindo, assim, um ambiente fresco e agradável. Devemos também levar em consideração as épocas de chuva e proteger a nossa casa com telhados largos. PROTEGER A CASA DO CALOR: Nos climas muito quentes podemos proteger a casa do calor sombreando as fachadas mais ensolaradas: Podemos construir uma varanda, conforme a Figura 23. Assim os raios de sol não batem diretamente nas paredes. bioconstrução (Figura 23) VENTILAR A CASA: Devemos planejar as aberturas da casa de modo que todos os ambientes estejam sempre bem ventilados. A ventilação refresca os ambientes e renova o ar, tornando os espaços interiores saudáveis. Conhecendo os ventos da região, podemos colocar as aberturas de modo a aproveitar esta energia da melhor forma possível. Aberturas no telhado expulsam o ar quente e fazem o ar circular pela casa. Exemplos deste tipo de abertura estão esquematizados nas Figuras 31 e 32. Uma maneira eficiente é colocar as aberturas para a ventilação cruzada em alturas diferentes (Figura 30). O ar quente é mais leve e tende a subir, escapando pela abertura mais alta. bioconstrução (Figura 30) VENTILAR A CASA: Devemos planejar as aberturas da casa de modo que todos os ambientes estejam sempre bem ventilados. A ventilação refresca os ambientes e renova o ar, tornando os espaços interiores saudáveis. Conhecendo os ventos da região, podemos colocar as aberturas de modo a aproveitar esta energia da melhor forma possível. Aberturas no telhado expulsam o ar quente e fazem o ar circular pela casa. Exemplos deste tipo de abertura estão esquematizados nas Figuras 31 e 32. Uma maneira eficiente é colocar as aberturas para a ventilação cruzada em alturas diferentes (Figura 30). O ar quente é mais leve e tende a subir, escapando pela abertura mais alta. bioconstrução (Figura 30) (Figura 32)(Figura 31) - 20 - VENTILAR A CASA: Devemos planejar as aberturas da casa de modo que todos os ambientes estejam sempre bem ventilados. A ventilação refresca os ambientes e renova o ar, tornando os espaços interiores saudáveis. Conhecendo os ventos da região, podemos colocar as aberturas de modo a aproveitar esta energia da melhor forma possível. Aberturas no telhado expulsam o ar quente e fazem o ar circular pela casa. Exemplos deste tipo de abertura estão esquematizados nas Figuras 31 e 32. Uma maneira eficiente é colocar as aberturas para a ventilação cruzada em alturas diferentes (Figura 30). O ar quente é mais leve e tende a subir, escapando pela abertura mais alta. bioconstrução (Figura 30) (Figura 32)(Figura 31) - 20 - Devemos pensar na sustentabilidade em nível local (cuidado com a terra, manejo sustentável das matas, extração consciente dos recursos) e em nível global. Para colaborar para a construção de um mundo mais sustentável devemos, por exemplo, consumir com cuidado, dando preferência a produtos da região, e optar pelo uso de energias renováveis. Figuras 3 e 4: Produção local de alimentos e uso de energia solar para a produção de eletricidade: práticas sustentáveis (Fotos: Permacultura Montsant, Espanha). Figura 2: Exemplo de bioconstrução: utilização da terra como principal material. O uso da pérgola sombreia a fachada, garantindo um ambiente fresco nos meses de verão (Instituto Morro da Cutia, Montenegro/RS). - 10 - global. Para colaborar para a constru devemos, por exemplo, consumir com cu região, e optar pelo uso de energias reno Figuras 3 e 4: Produção local de alimentos e uso d energia solar para a produção de eletricidade: prátic sustentáveis (Fotos: Permacultura Montsant, Espanh - 10 autonomia. Autonomia é sinônimo de liberdade para uma comunidade, pois com isso ela não precisa depender de recursos externos ao ambiente onde vive. Se cuidarmos da natureza, teremos para sempre os recursos necessários para a nossa sobrevivência e a das futuras gerações no local onde vivemos. CONSIDERAR OS RESIDUOS COMO RECURSOS: Entendemos por resíduo tudo o que “sobra” de algum processo. Por exemplo: lixo de cozinha, lixo seco (plásticos, papéis, latas), nossas fezes e urina, a água que sai da pia ou do chuveiro, restos de construção, etc. Na bioconstrução, a construção de uma casa ou o planejamento de uma comunidade deve ter em conta o tratamento dos resíduos, sem esquecer nenhum item! Como mostra a figura 5, no sanitário seco as fezes viram adubo, que vai nutrir uma plantinha que servirá de alimento e o ciclo continua. É um sistema de CICLOFECHADO,onde não há resíduos. Figura 5: O sanitário seco trata os dejetos humanos e reaproveita este resíduo. - 11 -
  • 6.
    6 Implantação O NovoCentroComunitáriodeMatarandiba se insereno meio ambiente de forma integrada, optando pelo uso de tecnologias apropriadas ao clima e recursos disponíveis no local otimizando os desperdícios e valorizando o reuso compreendendo os ciclos e a gestão de resíduos e nutrientes no que diz respeito aos sistemas desaneamentobásico,água,energia,confortoambiental, acessibilidade, e escolha dos materiais adotados. localizando os núcleos no terreno Núcleo de Comércio 121 m2 Núcleo de Celebrações 250 m2 Núcleo Aministrativo 110 m2 Nucleo de Comunicação 88 m2 Núcleo da Memória 37 m2 Sanitário compostável 20 m2 Praça central 200 m2 1 2 4 5 6 3 7 1 2 4 5 7 6 3
  • 7.
    7 O Núcleo dasCelebrações é um espaço destinado às diversas atividades artísticas da comunidade, desde ensaios até mesmo apresentações. Núcleo celebrações Núcleo comércio piso laminado Placo cobertura em palha estrutura em bambu fundação em concreto cíclopico CORTE TRANSVERSAL A–A telha Brasilit Ondina Plus estrutura em madeira cerrada piso vinílico Placo alvenaria autoportante em taipa de pilão O Núcleo de Comércio funciona com a moeda local gerida pelo banco da co- munidade. Será construído em taipa de pilão. Essa técnica consiste em terra pilar terra dentro de uma forma de madeira. Celebrações Comércio A A PLANTA BAIXA
  • 8.
    8 O conjunto dosNúcleos Administrativo e de Comunicação serão construídos em taipa leve, técnica construtiva que utiliza placas cimentíceas impermeabili- zadas como revestimento da palha e do solo argiloso, exercendo o papel alvena- ria auto-portante. Núcleo administração e comunicação drywall Placo forro removível placa cimentícia impermeabilizada brazilit taipa leve telhado verde “(...)Nossa cidade é pequena, Porém é muito bonita. Tenho orgulho de dizer Que sou de Matarandiba.” Associações Infocentro Banco Comunitário Leitura