ECOLOGIA INTEGRAL:
PRINCÍPIOS,
DESAFIOS E AÇÕES.
A nossa casa comum é o planeta onde habitamos, onde
todas as coisas estão profundamente articuladas, numa
relação de interdependência, trocas e cooperação,
mesmo com as fragmentações geológicas, ambientais e
sociais.
Sempre tivemos que lidar, com os desejos de construir uma cosmovisão
integradora, diante de cenários fragmentados: 1) O sonho da Pangea se
compreende nas pontes intercontinentais das divisões geológicas; a utopia de uma
sociedade justa, fraterna e solidária acontece em meios às injustiças, polarizações
e descartes sociais e ambientais; a compreensão do Reino de Deus acontece
através de tradições bíblicas hermenêuticas distintas, ora de caráter
antropocêntrico, ora dentro de perspectivas cosmocêntricas, embora ambas sejam
teocêntricas.
A ecologia integral acontece através desses sonhos, utopias e interpretações
diferentes em viver os ideais do Reino de Deus.
A ecologia é a casa que, embora dividida em cômodos, mantém
uma unidade, permitindo um olhar contemplativo e integral,
dentro de uma perspectiva sistêmica. A ecologia integral supõe
uma inter-relação entre o divino, o humano e toda a criação,
pois não podemos separar o teológico, o antropológico e o
ambiental.
Na Jornada Mundial da Paz (1990), o Papa João Paulo II afirmou três
coisas importantes: 1) A solução para os problemas ecológicos,
consiste numa revisão de nosso estilo de vida consumista; 2)A íntima
relação entre a problemática ecológica com a crise moral do ser
humano, pois se falta o sentido do valor da pessoa, aumenta o
desinteresse pelos demais e pela terra; 3) Um apelo urgente de educar
para a responsabilidade ecológica, envolvendo nós mesmos, as demais
pessoas e o meio ambiente.
A vocação de guardião da Criação não diz respeito apenas a nós
cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente
humana, e está relacionada com todos: é guardar a Criação inteira, a
beleza da Criação, é ter respeito por todas as criaturas de Deus e pelo
meio ambiente onde vivemos (Papa Francisco, 13/03/2013).
Não há uma crise social e ambiental, mas uma única e complexa crise
socioambiental. Somente uma ecologia integral é capaz de tratar
integramente os problemas sociais e ambientais(L.S. 139).
COMPROMISSOS COM A ECOLOGIA INTEGRAL
1. Tomar consciência da relação existente entre a ecologia
ambiental e sua relação com os problemas econômicos e
sociais. A análise dos problemas ambientais é inseparável da
análise dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos,
e do relacionamento da pessoa consigo mesma, com os outros
e com o meio ambiente (L.S. 141).
2) O respeito à cultura, pois existe uma integração entre a cultura local,
o patrimônio ecológico e cultural de cada cidade e região, as linguagens
populares, urbanas e técnicas, e as diferentes posturas humanas diante
dos problemas e soluções (L.S. 143).
No Brasil, onde existe a riqueza de várias culturas humanas, e de
diferentes biomas e ecossistemas, espalhadas nas diversas regiões do
país, não podemos abrir mão deste patrimônio que faz parte de nossa
ecologia integral brasileira.
3) A preservação de nosso pertencimento nacional e regional, passa
pelo cuidado de nossos espaços comuns, nossas raízes comunitárias, a
vivência dos valores nas comunidades locais, a preservação de nossos
valores simbólicos, a luta pela qualidade de vida e as conquistas
galgadas pelas gerações passadas e presentes (L.S. 152 e 153). Uma
ecologia integral deve envolver todos estes valores que nos unem e nos
diferenciam, revelando que é possível construir uma sociedade
sustentável quando as soluções passam pelos nossos diferentes
ambientes sociais e ambientais.
A solidariedade e a justiça intergeracional (L.S. 159), sobretudo num contexto de
mundo onde a deterioração do meio ambiente e da qualidade de vida passa a
ser um problema para as gerações atuais e futuras. A ecologia integral é a
melhor maneira de praticarmos atitudes intergeracionais, apoiadas na justiça e
na solidariedade. Não podemos deixar, para as gerações que nos sucederão,
uma casa comum deteriorada e inabitável, pois isto seria uma injustiça
imperdoável aos olhos de Deus Criador.
ECOLOGIA INTEGRAL: AÇÕES CONCRETAS
Na Laudato Sí (n.211), o Papa Francisco nos recorda algumas
coisas práticas, simples e pequenas, pessoais e comunitárias,
que estão ao alcance de nossas mãos, como: evitar o uso do
plástico e o consumo exagerado de papel; reduzir o consumo
de água; reciclar o lixo, cuidar dos pobres e dos outros seres
vivos; fazer uso dos transportes públicos ou compartilhar o
mesmo veículo com outras pessoas; apagar as luzes e evitar
o desperdício; plantar árvores. São coisas pequenas que
contribuem com a sustentabilidade, ajudam a exercitar a
solidariedade, combate o descarte social e ambiental,
expressam o compromisso com as gerações futuras, e colocam
em prática a ecologia integral.

ecologia integral: princípios, desafios e ações

  • 1.
  • 2.
    A nossa casacomum é o planeta onde habitamos, onde todas as coisas estão profundamente articuladas, numa relação de interdependência, trocas e cooperação, mesmo com as fragmentações geológicas, ambientais e sociais.
  • 3.
    Sempre tivemos quelidar, com os desejos de construir uma cosmovisão integradora, diante de cenários fragmentados: 1) O sonho da Pangea se compreende nas pontes intercontinentais das divisões geológicas; a utopia de uma sociedade justa, fraterna e solidária acontece em meios às injustiças, polarizações e descartes sociais e ambientais; a compreensão do Reino de Deus acontece através de tradições bíblicas hermenêuticas distintas, ora de caráter antropocêntrico, ora dentro de perspectivas cosmocêntricas, embora ambas sejam teocêntricas. A ecologia integral acontece através desses sonhos, utopias e interpretações diferentes em viver os ideais do Reino de Deus.
  • 4.
    A ecologia éa casa que, embora dividida em cômodos, mantém uma unidade, permitindo um olhar contemplativo e integral, dentro de uma perspectiva sistêmica. A ecologia integral supõe uma inter-relação entre o divino, o humano e toda a criação, pois não podemos separar o teológico, o antropológico e o ambiental.
  • 5.
    Na Jornada Mundialda Paz (1990), o Papa João Paulo II afirmou três coisas importantes: 1) A solução para os problemas ecológicos, consiste numa revisão de nosso estilo de vida consumista; 2)A íntima relação entre a problemática ecológica com a crise moral do ser humano, pois se falta o sentido do valor da pessoa, aumenta o desinteresse pelos demais e pela terra; 3) Um apelo urgente de educar para a responsabilidade ecológica, envolvendo nós mesmos, as demais pessoas e o meio ambiente.
  • 6.
    A vocação deguardião da Criação não diz respeito apenas a nós cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana, e está relacionada com todos: é guardar a Criação inteira, a beleza da Criação, é ter respeito por todas as criaturas de Deus e pelo meio ambiente onde vivemos (Papa Francisco, 13/03/2013). Não há uma crise social e ambiental, mas uma única e complexa crise socioambiental. Somente uma ecologia integral é capaz de tratar integramente os problemas sociais e ambientais(L.S. 139).
  • 7.
    COMPROMISSOS COM AECOLOGIA INTEGRAL 1. Tomar consciência da relação existente entre a ecologia ambiental e sua relação com os problemas econômicos e sociais. A análise dos problemas ambientais é inseparável da análise dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos, e do relacionamento da pessoa consigo mesma, com os outros e com o meio ambiente (L.S. 141).
  • 8.
    2) O respeitoà cultura, pois existe uma integração entre a cultura local, o patrimônio ecológico e cultural de cada cidade e região, as linguagens populares, urbanas e técnicas, e as diferentes posturas humanas diante dos problemas e soluções (L.S. 143). No Brasil, onde existe a riqueza de várias culturas humanas, e de diferentes biomas e ecossistemas, espalhadas nas diversas regiões do país, não podemos abrir mão deste patrimônio que faz parte de nossa ecologia integral brasileira.
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    3) A preservaçãode nosso pertencimento nacional e regional, passa pelo cuidado de nossos espaços comuns, nossas raízes comunitárias, a vivência dos valores nas comunidades locais, a preservação de nossos valores simbólicos, a luta pela qualidade de vida e as conquistas galgadas pelas gerações passadas e presentes (L.S. 152 e 153). Uma ecologia integral deve envolver todos estes valores que nos unem e nos diferenciam, revelando que é possível construir uma sociedade sustentável quando as soluções passam pelos nossos diferentes ambientes sociais e ambientais.
  • 10.
    A solidariedade ea justiça intergeracional (L.S. 159), sobretudo num contexto de mundo onde a deterioração do meio ambiente e da qualidade de vida passa a ser um problema para as gerações atuais e futuras. A ecologia integral é a melhor maneira de praticarmos atitudes intergeracionais, apoiadas na justiça e na solidariedade. Não podemos deixar, para as gerações que nos sucederão, uma casa comum deteriorada e inabitável, pois isto seria uma injustiça imperdoável aos olhos de Deus Criador.
  • 11.
    ECOLOGIA INTEGRAL: AÇÕESCONCRETAS Na Laudato Sí (n.211), o Papa Francisco nos recorda algumas coisas práticas, simples e pequenas, pessoais e comunitárias, que estão ao alcance de nossas mãos, como: evitar o uso do plástico e o consumo exagerado de papel; reduzir o consumo de água; reciclar o lixo, cuidar dos pobres e dos outros seres vivos; fazer uso dos transportes públicos ou compartilhar o mesmo veículo com outras pessoas; apagar as luzes e evitar o desperdício; plantar árvores. São coisas pequenas que contribuem com a sustentabilidade, ajudam a exercitar a solidariedade, combate o descarte social e ambiental, expressam o compromisso com as gerações futuras, e colocam em prática a ecologia integral.