ORAÇÃO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2025
Ó Deus, nosso Pai,
ao contemplar o trabalho de tuas mãos, viste que tudo era muito bom!
O nosso pecado, porém, feriu a beleza de tua obra, e hoje experimentamos
suas consequências.
Por Jesus, teu Filho e nosso irmão, humildemente te pedimos: dá-nos,
nesta Quaresma, a graça do sincero arrependimento e da conversão de
nossas atitudes.
Que o teu Espírito Santo reacenda em nós a consciência da missão que de
ti recebemos: cultivar e guardar a Criação, no cuidado e no respeito à vida.
Faz de nós, ó Deus, promotores da solidariedade e da justiça.
Enquanto peregrinos, habitamos e construímos nossa Casa Comum, na
esperança de um dia sermos acolhidos na Casa que preparaste para nós
no Céu.
Amém!
A CAMPANHA DA FRATERNIDADE SE TORNOU EXPRESSÃO DE ...
COMUNHÃO – CONVERSÃO – PARTILHA
Comunhão na busca de construir uma verdadeira fraternidade aberta a todos.
Conversão na tentativa de deixar-se transformar pelo Evangelho, que deve modificar os
critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento
e os modelos de vida da humanidade.
Partilha como realização, ainda que parcial, do Reino de Deus para o qual nos aponta a
Páscoa de Cristo, que vamos logo celebrar.
A CF se tornou sem dúvida uma das principais ações evangelizadoras da Igreja do
Brasil; um eloquente testemunho da tão necessária e desejada
Pastoral de Conjunto.
Grave risco é
convertermo-nos a
nós mesmos e aos
nossos interesses
pessoais ou
corporativos!
OBJETIVO GERAL DA CF 2025
Promover, em espírito quaresmal e
em tempos de urgente crise
socioambiental, um processo de
conversão integral, ouvindo o grito
dos pobres e da Terra
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1.Reconhecer o caminho percorrido e as ações já
iniciadas com a Encíclica Laudato Si’ (LS) e o
Sínodo da Amazônia, em vista do seu
fortalecimento e continuidade.
2.Denunciar os males que o modo de vida atual
impõe ao planeta e que têm gerado uma
“complexa crise socioambiental” (LS n. 139),
dado que em nossa Casa Comum “tudo está
estreitamente interligado” (LS n. 16).
3. Apontar as causas da grave crise climática
global, a urgência de alteração profunda nos
nossos modos de vida e as “falsas soluções” (fc.
LS, n. 54) fomentadas em nome da transição
energética.
4. Aprofundar o conhecimento do “Evangelho da
Criação” (LS, cap. II), valorizando a dimensão
trinitária da fé cristã e recuperando o horizonte
bíblico da Aliança universal que envolve todas as
criaturas (cf Gn 8-9).
5. Explicitar a Doutrina Social da Igreja e
assumir o compromisso com a conversão
integral, para a superação do pecado, em
todas as suas manifestações.
6. Vivenciar as propostas do Ano Jubilar em
vista de novas relações do ser humano com
Deus e suas criaturas, consigo mesmo e com o
próximo
7. Propor a Ecologia Integral como perspectiva
de de conversão e elemento transversal às
dimensões litúrgica, catequética e sociotransformadora
do compromisso cristão.
8. Incentivar as pastorais e os movimentos
socioambientais, em articulação com outras Igrejas e
Religiões, sociedade civil, povos originários e
comunidades tradicionais, em vista da justiça
socioambiental e da atuação socioeducativa.
9. Promover e apoiar ações efetivas que visem à
mudança do modelo econômico que ameaça a vida em
nossa Casa Comum.
10. Apoiar os atingidos por catástrofes naturais e as
vítimas dos crimes ambientais em sua busca por
reparação e justiça.
11. Celebrar os 10 anos da Encíclica Laudato Si’, do
Papa Francisco, acolhendo a Laudate Deum e avançando
com as temáticas socioambientais que já foram abordadas
nas Campanhas da Fraternidade
A Ecologia é, sem dúvida, a questão mais
tratada pelas CFs ao longo destes 61 anos.
Foram 8 as CFs que, de alguma forma
abordaram essa temática
CF 1979 – Por um mundo mais humano –
Preserve o que é de todos;
CF 1986 – Fraternidade e a Terra –
Terra de Deus, terra de irmãos;
CF 2002, Fraternidade e povos
indígenas –
Por uma terra sem males.
CF 2004 – Fraternidade e Água – Água fonte de vida;
CF 2007 – Fraternidade e Amazônia – vida e missão neste
chão;
CF 2011 – Fraternidade e vida no planeta – A criação
geme em dores de parto (Rm 8, 22);
CF 2016 – Casa Comum, nossa responsabilidade – Quero
ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho
que não seca (Am 5,17)
CF 2017 – Fraternidade – Biomas brasileiros e defesa da
vida – Cultivar e guardar a criação (Gn 2,15).
OUTRAS CAMPANHAS DA FRATERNIDADE QUE
TRATARAM DO TEMA DA ECOLOGIA
ECOLOGIA
A Ecologia compreende ao menos 3
dimensões intimamente ligadas de
uma mesma realidade:
1.Enquanto ciência, a Ecologia nos ajuda a compreender
como se relacionam todas as criaturas que habitam o
planeta, nossa Casa Comum: os seres que são a base
da vida (água, solo, ar, energia do sol), e a imensidão
dos seres vivos (microorganismos, plantas, animais e
nós, humanos).
2. A Ecologia também reúne uma multidão de pessoas e
grupos que se mobilizam para deter a destruição
da Terra e assegurar a continuidade da teia da
vida, com atitudes pessoais e comunitárias e
compromissos das instituições e dos governos.
3. Por fim, Ecologia nos leva a compreender que temos
um lugar próprio nesse mundo, relacionado com os
outros seres.
“Isto implica uma relação de
reciprocidade responsável entre o ser
humano e a natureza.
Cada comunidade pode tomar da
bondade da terra aquilo de que se
necessita, para a sua sobrevivência,
mas tem também o dever de a
proteger e garantir a continuidade da
sua fertilidade para as gerações
futuras” (LS, n.67).
ECOLOGIA INTEGRAL
A Ecologia reaparece,
pois, no conjunto das
CFs de uma forma
nova, como Ecologia
Integral, conceito tão
caro ao Papa Francisco
e tão importante no
seu projeto de um
novo humanismo
integral e solidário.
Ecologia integral não é apenas a ecologia verde, ou
seja, o cuidado com a natureza, com as florestas,
com os rios, etc., e o combate à sua degradação. É
também e sem dúvida o cuidado com a natureza,.
Mas junto a ele, o cuidado com o meio
ambiente, ou seja, com o ambiente em
meio ao qual nós vivemos e nos
relacionamos: da cidade, do trabalho, da
família, da espiritualidade, enfim, o
cuidado com todas as relações humanas
e sociais que compõem a nossa vida
nessa Casa Comum.
Estamos no decênio decisivo para o planeta!
Ou mudamos, convertemo-nos, ou
provocaremos com nossas atitudes individuais
e coletivas um colapso planetário.
Já estamos experimentando seu prenúncio nas
grandes catástrofes que assolam o nosso país.
E não existe planeta reserva!
Só temos este!
Ainda dá tempo! Mas o tempo é agora!
CONVERSÃO ECOLÓGICA
É preciso urgentemente de conversão
ecológica: passar da lógica extrativista, que
contempla a Terra como um reservatório sem fim
de recursos, de onde podemos retirar tudo aquilo
que quisermos, como quisermos e quanto
quisermos, a uma lógica do cuidado
ECOLOGIA INTEGRAL TAMBÉM É ESPIRITUAL
Professamos com alegria e gratidão que Deus
criou tudo com seu olhar amoroso. Todos os
elementos materiais são bons, se orientados
para a salvação dos seres humanos e de
todas as criaturas .
Assim, “Deus viu que tudo era muito bom!”
(Gn 1,31)
O desafio para nossa conversão nesta Quaresma é
cuidar da casa: da casa interior de cada um de
nós (espiritualidade); da casa em que habitamos
(família); da casa em que passamos grande parte
do nosso tempo (trabalho); da casa em que nos
relacionamos (cidade) e da nossa Casa Comum (o
planeta Terra), pois nela tudo está interligado! Tudo
isso sem nos esquecer de que “não temos aqui
cidade permanente, mas estamos à procura da que
está por vir” (Hb 13,14).
IDENTIDDE VISUAL
• São Francisco de Assis;
• A cruz;
• A natureza;
• A cidade;
• A técnica da colagem.
MOTIVAÇÕES PARA A CF 2025
•800 anos do Cântico das Criaturas (São Francisco de Assis);
•10 anos da Laudato Si (Papa Francisco);
•Acolhida da Laudate Deum (Papa Francisco);
•10 anos da REPAM - A Rede Eclesial Pan-Amazônica;
•Realização da COP 30 - 30ª Conferência da ONU sobre
Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), em novembro de
2025;
•
•Igrejas e Organismos estão
atrasados no ´proceso de mobilização das bases.
•Uma constatação: a Igreja está se retirando do
aerópago da sociedade civil.
VER / OUVIR
“Deus viu que tudo era
muito bom!” (Gn 1,31)
CONTEMPLAR A REALIDADE COM A LUZ QUE
VEM DO SENHOR E DO SEU ESPÍRITO
• Acolher a realidade como dom; beleza e fecundidade de nossas
terras, a riqueza da humanidade (pessoas, povos e culturas) (DAp,
n. 6):
• Terras férteis;
• Rios abundantes;
• Rios aéreos;
• Cachoeiras, cascatas e quedas d’água;
• Águas minerais de diversos sabores e poderes curativos;
• Litoral e praias maravilhosas;
• Serras e chapadas monumentais;
• Vegetação rica e variada;
• Abundância de espécies, de frutos, de flores, de ervas capazes
de curar, de árvores.
• Fauna brasileira rica em diversidade;
• Os biomas brasileiros: a Amazônia; o Cerrado, a Caatinga, a
Mata Atlântica, o Pantanal, os pampas.
• País de acolhida e fraternidade, de luta e resistência;[
• Culturas ancestrais, originárias, tradicionais;
• Arte, poesia, literatura, música.
Compete a nós reconhecer a
presença de Deus em todas
as formas de vida existentes,
como nas plantas, nos animais
e nos seres humanos (EE, n.
235), porque a criação
continua sendo o cenário
visível da manifestação da
bondade de Deus. Como
imagem e semelhança de
Deus (Gn 1,26), somos
guardiões da obra do Criador,
que colocou em nossas mãos
a missão de cuidar, zelar e
administrar todo o criado
A CRISE SOCIOAMBIENTAL
,
É complexa e tem muitas faces, envolvendo
fatores históricos, sociais, econômicos e
políticos.
Modelo de desenvolvimento capitalista, baseado na
exploração dos patrimônios naturais, na queima de
combustíveis fósseis, na expansão desenfreada do
consumo, na relação mercantilista com a natureza.
Degradação do solo, desmatamento, extrativismo
predatório, poluição, escassez de água,
comprometimento da biodiversidade com a extinção de
espécies.
Mudanças climáticas
Eventos climáticos extremos e complexos, ondas de calor, enchentes e
furacões estão se tornando mais frequentes e destrutivos, ceifando vidas e
empurrando milhões de pessoas anualmente para a pobreza
Os povos indígenas,
comunidades tradicionais
e populações de baixa
renda no campo e nas
periferias das cidades
são atingidas de modo
mais violento por causa
das intervenções
invasivas que já sofrem
• Urbanização desordenada;
• Concentração de terra e riquezas
• Expansão da agricultura predatória
• Falta de políticas ambientais ;
• Exploração insustentável dos patrimônios naturais
• Conflitos fundiários, invasões de terras indígenas e quilombolas, violência contra
ativistas ambientais e agentes de pastoral;[
• Níveis recordes de emissão de gases de efeito estufa,
aquecimento global alarmante.
Nosso país é o 4ª maior emissor de gases que
provocam as mudanças no clima,
especialmente pelas queimadas.
Os sinais de esgotamento do modelo vigente, do
qual poucos se beneficiam, refletidos nas
mudanças climáticas, nas crises econômicas e na
exclusão social e ambiental, nos colocam diante
de um dilema ético: ou mudamos nossa maneira
de ser e agir no mundo, reeducando nossos
hábitos e costumes na relação com toda a criação
cumprindo nossa missão de cultivá-la e guardá-la
(Gn 2,15); ou deixaremos para as gerações futuras
uma Casa Comum insustentável, contrariando os
desígnios do Deus Criador
DESAFIOS PARA A SUPERAÇÃO DA CRISE
Séria constatação de que ainda “não estamos reagindo
de modo satisfatório” e que “este mundo que nos
acolhe está se desfazendo e, talvez, aproximando-se
de um ponto de ruptura” (LD, n.2).
•Reflexão e atuação pela vida na Terra: espiritualidade,
educação e responsabilidade ambiental.
(...) há grupos que promovem ideologicamente a negação das mudanças climáticas (LD, n.5-
10). Dizem que elas não existem e por isso não devemos nos preocupar . Isso gera confusão
e dúvida entre as pessoas, dificultando a conversão ecológica e a consequente prática de
ações concretas para lidar com desafios climáticos.
•O paradigma tecnocrático continua imperando.
•para o qual tudo se resolve com tecnologia e economia (LD, n. 20).
As políticas públicas não conseguem responder com eficiência aos desafios
da crise socioambiental.
•Papa Francisco afirma claramente a importância das pequenas ações (LD,
n. 70-71):
“
Não há mudanças duradouras sem
mudanças culturais, sem uma maturação
do modo de viver e das convicções da
sociedade; não há mudanças culturais
sem mudança nas
pessoas” (LD, n. 70).
CONVERSÃO INTEGRAL
A IMPORTÂNCIA DE UMA ECOLOGIA INTEGRAL
A Ecologia Integral supõe uma inter-relação
entre o Criador e , dentro da qual o ser humano
deveria se destacar como protagonista no
cuidado, pois coube a ele a missão de guardião
responsável da Casa Comum.
Em uma cosmovisão integradora, não se separa
o ambiental, o antropológico e o teológico
Uma ecologia integral conjuga as duas visões da Bíblia, a
saber: a proclamativa, que tem um caráter mais
antropocêntrico, na qual a criação está em função e a
serviço da salvação, sendo o ser humano colocado em
destaque; e a manifestativa, o que é mais cosmocêntrica, na
qual a relação do ser humano com a
natureza e com Deus é profundamente integradora
Em Jesus Cristo estas duas tradições se encontram ligadas, sendo
para nós uma referência inspiradora de uma ecologia integral na
vida de fé
A abordagem da Ecologia Integral atualiza o sentido do bem
comum, elemento tradicional da Doutrina Social da Igreja,
resgata a opção preferencial pelos pobres e mantém o
compromisso para com as futuras gerações. Essa postura
profética da Igreja está também relacionada com o cultivo
da paz e da justiça socioambiental, sobretudo em um
mundo que enfrenta uma crise estrutural em múltiplas
dimensões (pobreza, desigualdade, competição por
recursos, ecossistemas degradados e mudanças climáticas
O PECADO ECOLÓGICO
Consiste no desrespeito ao Criador e sua obra que é a Casa
Comum. São ações ou omissões contra Deus, contra o
próximo e contra o meio ambiente.
É um tipo de cegueira e perda de sensibilidade com o
mundo ao nosso redor em que se tratam as pessoas e os
seres vivos como objetos, esvazia-se a dimensão
transcendente de toda a criação, destrói-se de maneira
irresponsável a natureza, exploram-se sem limites os
recursos da Terra e deixa-se para gerações futuras um
planeta fragmentado e insustentável (DFSA, n. 82)
CONVERSÃO ECOLÓGICA
Uma conversão ecológica supõe uma mudança do
nosso modo de ser, pensar e agir, como pessoas e
comunidade.
Buscamos um modo de viver mais integrativo entre
Deus, os seres humanos e toda a criação, no qual a
cultura do amor e da paz tenha a primazia.
Unir fiéis e não fiéis na missão do cuidado da Casa Comum;
Construir grandes e pequenas alianças, reforçando os laços da
amizade social; valorizar a Riqueza da diversidade da criação;
Fazer gestos concretos que estão ao alcance de nossas mãos;
Alimentar-nos da riqueza da espiritualidade cristã que integra
o divino, humano e o ambiental.
Toda conversão ecológica deve ser, para nós cristãos,
inspirada na fonte trinitária da fé, segundo a qual temos um
Pai que cria, um Filho que salva e um Espírito que
santifica (LS, n. 238-240).
O amor da Trindade Divina, que se expressa na história da
Casa Comum, nos estimula a realizar ações concretas para
superar a crise social e ambiental que assolam o nosso
planeta.
A Trindade, solidária e bondosa, é a fonte perene de graça
que nos permite ter o olhar do Criador “que viu que toda a
sua obra era muito boa” (Gn 1,31), mesmo com as
inúmeras rupturas que nós humanos provocamos ao longo
da história
ILUMINAR /
DISCERNIR
“Este é o sinal da
aliança que faço entre
mim e toda a carne
sobre a terra”
(Gn 9,17)
A PALAVRA DE DEUS É LUZ PARA NOSSO CAMINHO
As narrativas da criação no livro do Gênesis nos levam a compreender que a benção e a Aliança
não são apenas para o ser humano, mas para toda criatura.
Deus dá ao ser humano uma tarefa especial: “cultivar e guardar” a Terra, para que ela seja
sempre um jardim, e tudo o que nela habita. Não se trata de exercer poder sem limites sobre
os demais seres, pois não faria sentido destruir o que Deus, repetidamente, avaliou como
“bom”.
O livro sagrado também nos alerta para os riscos da maldade do ser humano que resultam no
pecado. Mas mantém viva a esperança na Aliança que Deus estabeleceu com seu povo.
Aprendemos da Escritura a existência de políticas opressivas, violentas e contraditórias, que
resultam em catástrofes ambientais, como na relação de escravidão do povo hebreu nas mãos do
faraó do Egito. Porém, na travessia libertadora pelo deserto, a natureza favorece a
sobrevivência do ser humano: a água, o maná, as codornizes - obras de Deus criador.
No Pentateuco, a partir do Decálogo, encontramos leis ambientais, recomendações que unem a fé
ao cuidado com a fauna e a flora. Um destaque pode ser dado ao descanso sabático, previsto não
apenas para o ser humano, mas também para os animais.
O ano sabático e o ano jubilar, presentes na Bíblia, preveem o repouso
também da terra, para que assim ela continue a ser generosa, o perdão
das dívidas e a libertação dos escravos. É um “não” dito à exploração sem
limites. O Jubileu de 2025 é uma oportunidade para vivermos esta
experiência.
Jesus e sua forma de anunciar a Boa Nova do Reino de Deus trazem consigo
várias conotações socioambientais. Isso se expressa nas parábolas com
sementes, árvores e seus frutos, como imagem do Reino.
Os pães ázimos da Última Ceia, frutos da Terra e do trabalho humano,
expressão ao mesmo tempo do uso moderado dos bens da terra e da
opressão e miséria sofrida por aqueles que são escravizados, são tomados
por Jesus, consagrados ao Pai e entregues aos seus discípulos. Assim,
somos convidados a deixar de lado todo fermento, ou seja, tudo o que
é excesso e abraçar a simplicidade do necessário
O ESPÍRITO DE DEUS NA CRIAÇÃO
Ao longo das Escrituras
Sagradas, vemos que a
ação do Espírito é sopro
que dá vida a toda
criatura. É Deus que
cria, dá vida e renova
constantemente,
recordando-nos de que
sua força tudo abraço e
transforma
A CONVERSÃO INTEGRAL NA TRADIÇÃO DA
IGREJA: UM PERCURSO INSPIRADOR
A Igreja, a cada Quaresma, reafirma o convite a
única conversão ao Evangelho vivo, que é Jesus
Cristo. Essa mudança de vida deve se
desenvolver em diversos setores da nossa vida
pessoal e esclesial, abarcando o cuidado com a
Casa Comum em que habitamos.
A ECOLOGIA INTEGRAL NOS SANTOS
PADRES DA IGREJA
Os padres da igreja, vivendo as necessidades de
seu tempo tomam a natureza, o cosmos, com seu
ciclo se sua organização, como uma referência
para o ser humano olhar para si e rever suas
relações sociais. Utilizando exemplos das relações
entre os seres vivos, eles nos apresentam as lições
do equilíbrio e do limite. É o que se pode chamar
de função pedagógica dos cosmos
A CONVERSÃO INTEGRAL E ECOLÓGICA NA
DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA
O tesouro que é a Doutrina Social da Igreja tem nos
ensinado muito sobre o tema, desde Leão XIII,
passando por São João XXIII, São Paulo VI, São João
Paulo II e Bento XVI, tal magistério nos chama atenção
para o princípio da destinação universal dos bens da
terra, o desenvolvimento dos povos os perigos da
exploração e da crescente ruptura entre sociedade e
natureza, princípios da ética ambiental, a urgência de
se educar para a responsabilidade ecológica, a
interligação entre o zelo pelo ser humano e pela
natureza.
Tudo isso como expressão de uma ampla tarefa eclesial que
decorre da fé
No pontificado do Papa Francisco, recebemos a encíclica
Laudato Si, primeiro documento do Magistério da Igreja
plenamente dedicado ao tema socioambiental. Seu ponto
de partida é a “convicção de que tudo está estreitamente
interligado no mundo” (LS, n. 16). Nós e nosso planeta
existimos em comunhão.
O pecado mais perigoso de nosso tempo talvez seja a
ruptura que estabelecemos entre humanidade e
natureza, como se, cada uma delas, não tivesse valor
intrínseco e não fosse capaz por si mesma de louvar a
Deus
Não podemos nos deixar levar pelas falsas
promessas do paradigma tecnocrático, pois
nem sempre o que parece progresso
representa as melhores condições de vida
para todos. Por isso, a atuação social e
política dos cristãos é essencial
A LUZ DA CIÊNCIA E DA SABEDORIA DOS POVOS
As ciências da Terra tem muito a nos ensinar sobre o
que está acontecendo ao nosso planeta. Estudos
apontam, desde o final dos anos 1980, que nosso
planeta vem se aquecendo cada vez mais, como
resultado do nosso modo de vida. A Terra passa por
uma mudança e os seus efeitos afetam todas as formas
de vida de maneira imprevisível
A sabedoria ancestral dos povos originários também tem muito a
nos ensinar: “Ensinai a seus filhos o que ensinamos aos nossos. Que a
Terra é a nossa mãe. Tudo está associado. O que fere a Terra fere
também aos filhos da Terra. O homem não tece a teia da vida: é
antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si
próprio”. (Cacique Seatle
Não podemos ficar paralisados! E isso nos compromete no
segmento de Jesus de Nazaré, neste tempo quaresmal, a aprofundar
o percurso de penitência e conversão integral
AGIR / PROPOR
“Para cultivá-lo e guardá-lo.”
(Gn 2,15)
O agir é consequência do ver e ouvir a realidade e
de processos de discernimento espiritual debate
coletivo, planejamento comunitário e decisões
conjuntas que fazem parte de instâncias maiores
de participação e transformação social
É preciso alimentar um olhar otimista irrealista,
convicto de que ainda podemos evitar os piores
impactos das mudanças climáticas. A Esperança
nos move a unir os esforços das ciências ao
profetismo da fé, para superar a crise que
vivemos
Como Igreja, não podemos deixar de propor que “chegou a hora
de aceitar um certo decréscimo do consumo” (LS, n. 193). É
preciso redescobrir a dimensão transcendente da vida, a
capacidade humana de contemplação
É preciso reafirmar a dimensão profunda do
repouso considerando formas menos produtivistas
de organização do trabalho e do seu tempo com
uma remuneração digna e justa e condições de
trabalho e previdenciárias cada vez mais
humanizadas
É importante conhecer as várias iniciativas de cuidado
com a Casa Comum na Igreja no Brasil e buscar nelas
inspiração para transformar nossas realidades locais
Unidos em nossa fé e comprometidos
com a missão de cuidar da nossa Casa
Comum, somos chamados a reconhecer
a urgência da grave crise socioambiental
que assola nosso país e o mundo.
O tempo de agir é agora. Como filhos e filhas de Deus,
somos por proteger e preservar a obra de suas mãos, este é
o nosso chamado. Este é o nosso dever como discípulos de
Cristo
ALTERNATIVAS DE SUPERAÇÃO DA CRISE
SOCIOAMBIENTAL
TRÊS ÂMBITOS: PESSOA,
COMUNIDADE E
SOCIEDADE
TEMPOS DE MOBILIZAÇÃO
Curso de Animadores Laudato Si’
• Semana Laudato Si’ – de 18 a 25 de maio
• Junho Verde (CNBB)
• Tempo da Criação - de 1º de setembro (Dia
Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação),
culminando em 4 de outubro, festa de São
Francisco de Assis.
• Celebração dos 800 anos do Cântico das
Criaturas.
8ª Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio
Doce, em Mariana (será o gesto concreto da CF
em nossa Arquidiocese, em memória dos 10 anos
do crime socioambiental do rompimento da
barragem de Fundão – 9 de novembro.
•Celebração do jubileu dos atingidos e atingidas na
Romaria.
30ª Conferência das Nações Unidas sobre as
Mudanças Climáticas (COP 30) – de 10 21 de
O Brasil registrou mais de 109 mil focos de incêndios em 2024. O
número já é um dos maiores da história, com uma alta de 78% em
relação aos doze meses de 2023, segundo dados do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais.
O calor excessivo e o tempo seco de agosto contribuiram para
formação de uma onda de incêndios em todo país. Foram 51.527
em 26 dias, 47% do total acumulado ao longo do ano, em sua
maioria nos estados do Mato Grosso, Pará, Amazonas e Mato
Grosso do Sul
BACIA DO RIO DOCE
REPACTUAÇÃO
POLÍTICAS PUBLICAS – COMITES E CODEMAS
COMITE DE BACIA HIDROGRAFICA DA BACIA DO RIO DOCE
COMITE DE BACIA HIDROGRAFICA DA BACIA DO RIO PIRACICABA
COMITE DA BACIA HIDROGRAFICA DA BACIA DO SANTO
ANTONIO
CODEMAS MUNICIPAIS
DEFESA CIVIL MUNICIPAL
MOVIMENTOS / FÓRUNS / COMITÉS
Onde nós estamos ?
Qual a nossa participação ?
Rede Igrejas e mineração
Comissão do Meio ambiente da
província eclesiástica de Mariana
Comissão para Ecologia Integral da
CNBB
APRESENTAÇÃO DIOCESE - CF - Adaptado.pptx

APRESENTAÇÃO DIOCESE - CF - Adaptado.pptx

  • 2.
    ORAÇÃO DA CAMPANHADA FRATERNIDADE 2025 Ó Deus, nosso Pai, ao contemplar o trabalho de tuas mãos, viste que tudo era muito bom! O nosso pecado, porém, feriu a beleza de tua obra, e hoje experimentamos suas consequências. Por Jesus, teu Filho e nosso irmão, humildemente te pedimos: dá-nos, nesta Quaresma, a graça do sincero arrependimento e da conversão de nossas atitudes. Que o teu Espírito Santo reacenda em nós a consciência da missão que de ti recebemos: cultivar e guardar a Criação, no cuidado e no respeito à vida. Faz de nós, ó Deus, promotores da solidariedade e da justiça. Enquanto peregrinos, habitamos e construímos nossa Casa Comum, na esperança de um dia sermos acolhidos na Casa que preparaste para nós no Céu. Amém!
  • 3.
    A CAMPANHA DAFRATERNIDADE SE TORNOU EXPRESSÃO DE ... COMUNHÃO – CONVERSÃO – PARTILHA Comunhão na busca de construir uma verdadeira fraternidade aberta a todos. Conversão na tentativa de deixar-se transformar pelo Evangelho, que deve modificar os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento e os modelos de vida da humanidade. Partilha como realização, ainda que parcial, do Reino de Deus para o qual nos aponta a Páscoa de Cristo, que vamos logo celebrar. A CF se tornou sem dúvida uma das principais ações evangelizadoras da Igreja do Brasil; um eloquente testemunho da tão necessária e desejada Pastoral de Conjunto.
  • 4.
    Grave risco é convertermo-nosa nós mesmos e aos nossos interesses pessoais ou corporativos!
  • 5.
    OBJETIVO GERAL DACF 2025 Promover, em espírito quaresmal e em tempos de urgente crise socioambiental, um processo de conversão integral, ouvindo o grito dos pobres e da Terra
  • 6.
    OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1.Reconhecer ocaminho percorrido e as ações já iniciadas com a Encíclica Laudato Si’ (LS) e o Sínodo da Amazônia, em vista do seu fortalecimento e continuidade. 2.Denunciar os males que o modo de vida atual impõe ao planeta e que têm gerado uma “complexa crise socioambiental” (LS n. 139), dado que em nossa Casa Comum “tudo está estreitamente interligado” (LS n. 16).
  • 7.
    3. Apontar ascausas da grave crise climática global, a urgência de alteração profunda nos nossos modos de vida e as “falsas soluções” (fc. LS, n. 54) fomentadas em nome da transição energética. 4. Aprofundar o conhecimento do “Evangelho da Criação” (LS, cap. II), valorizando a dimensão trinitária da fé cristã e recuperando o horizonte bíblico da Aliança universal que envolve todas as criaturas (cf Gn 8-9).
  • 8.
    5. Explicitar aDoutrina Social da Igreja e assumir o compromisso com a conversão integral, para a superação do pecado, em todas as suas manifestações. 6. Vivenciar as propostas do Ano Jubilar em vista de novas relações do ser humano com Deus e suas criaturas, consigo mesmo e com o próximo
  • 9.
    7. Propor aEcologia Integral como perspectiva de de conversão e elemento transversal às dimensões litúrgica, catequética e sociotransformadora do compromisso cristão. 8. Incentivar as pastorais e os movimentos socioambientais, em articulação com outras Igrejas e Religiões, sociedade civil, povos originários e comunidades tradicionais, em vista da justiça socioambiental e da atuação socioeducativa.
  • 10.
    9. Promover eapoiar ações efetivas que visem à mudança do modelo econômico que ameaça a vida em nossa Casa Comum. 10. Apoiar os atingidos por catástrofes naturais e as vítimas dos crimes ambientais em sua busca por reparação e justiça. 11. Celebrar os 10 anos da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, acolhendo a Laudate Deum e avançando com as temáticas socioambientais que já foram abordadas nas Campanhas da Fraternidade
  • 11.
    A Ecologia é,sem dúvida, a questão mais tratada pelas CFs ao longo destes 61 anos. Foram 8 as CFs que, de alguma forma abordaram essa temática CF 1979 – Por um mundo mais humano – Preserve o que é de todos; CF 1986 – Fraternidade e a Terra – Terra de Deus, terra de irmãos; CF 2002, Fraternidade e povos indígenas – Por uma terra sem males.
  • 12.
    CF 2004 –Fraternidade e Água – Água fonte de vida; CF 2007 – Fraternidade e Amazônia – vida e missão neste chão; CF 2011 – Fraternidade e vida no planeta – A criação geme em dores de parto (Rm 8, 22); CF 2016 – Casa Comum, nossa responsabilidade – Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca (Am 5,17) CF 2017 – Fraternidade – Biomas brasileiros e defesa da vida – Cultivar e guardar a criação (Gn 2,15).
  • 13.
    OUTRAS CAMPANHAS DAFRATERNIDADE QUE TRATARAM DO TEMA DA ECOLOGIA
  • 14.
    ECOLOGIA A Ecologia compreendeao menos 3 dimensões intimamente ligadas de uma mesma realidade: 1.Enquanto ciência, a Ecologia nos ajuda a compreender como se relacionam todas as criaturas que habitam o planeta, nossa Casa Comum: os seres que são a base da vida (água, solo, ar, energia do sol), e a imensidão dos seres vivos (microorganismos, plantas, animais e nós, humanos).
  • 15.
    2. A Ecologiatambém reúne uma multidão de pessoas e grupos que se mobilizam para deter a destruição da Terra e assegurar a continuidade da teia da vida, com atitudes pessoais e comunitárias e compromissos das instituições e dos governos. 3. Por fim, Ecologia nos leva a compreender que temos um lugar próprio nesse mundo, relacionado com os outros seres.
  • 16.
    “Isto implica umarelação de reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza. Cada comunidade pode tomar da bondade da terra aquilo de que se necessita, para a sua sobrevivência, mas tem também o dever de a proteger e garantir a continuidade da sua fertilidade para as gerações futuras” (LS, n.67).
  • 17.
    ECOLOGIA INTEGRAL A Ecologiareaparece, pois, no conjunto das CFs de uma forma nova, como Ecologia Integral, conceito tão caro ao Papa Francisco e tão importante no seu projeto de um novo humanismo integral e solidário.
  • 18.
    Ecologia integral nãoé apenas a ecologia verde, ou seja, o cuidado com a natureza, com as florestas, com os rios, etc., e o combate à sua degradação. É também e sem dúvida o cuidado com a natureza,.
  • 19.
    Mas junto aele, o cuidado com o meio ambiente, ou seja, com o ambiente em meio ao qual nós vivemos e nos relacionamos: da cidade, do trabalho, da família, da espiritualidade, enfim, o cuidado com todas as relações humanas e sociais que compõem a nossa vida nessa Casa Comum.
  • 20.
    Estamos no decêniodecisivo para o planeta! Ou mudamos, convertemo-nos, ou provocaremos com nossas atitudes individuais e coletivas um colapso planetário. Já estamos experimentando seu prenúncio nas grandes catástrofes que assolam o nosso país. E não existe planeta reserva! Só temos este! Ainda dá tempo! Mas o tempo é agora!
  • 22.
    CONVERSÃO ECOLÓGICA É precisourgentemente de conversão ecológica: passar da lógica extrativista, que contempla a Terra como um reservatório sem fim de recursos, de onde podemos retirar tudo aquilo que quisermos, como quisermos e quanto quisermos, a uma lógica do cuidado
  • 25.
    ECOLOGIA INTEGRAL TAMBÉMÉ ESPIRITUAL Professamos com alegria e gratidão que Deus criou tudo com seu olhar amoroso. Todos os elementos materiais são bons, se orientados para a salvação dos seres humanos e de todas as criaturas . Assim, “Deus viu que tudo era muito bom!” (Gn 1,31)
  • 26.
    O desafio paranossa conversão nesta Quaresma é cuidar da casa: da casa interior de cada um de nós (espiritualidade); da casa em que habitamos (família); da casa em que passamos grande parte do nosso tempo (trabalho); da casa em que nos relacionamos (cidade) e da nossa Casa Comum (o planeta Terra), pois nela tudo está interligado! Tudo isso sem nos esquecer de que “não temos aqui cidade permanente, mas estamos à procura da que está por vir” (Hb 13,14).
  • 28.
    IDENTIDDE VISUAL • SãoFrancisco de Assis; • A cruz; • A natureza; • A cidade; • A técnica da colagem.
  • 29.
    MOTIVAÇÕES PARA ACF 2025 •800 anos do Cântico das Criaturas (São Francisco de Assis); •10 anos da Laudato Si (Papa Francisco); •Acolhida da Laudate Deum (Papa Francisco); •10 anos da REPAM - A Rede Eclesial Pan-Amazônica; •Realização da COP 30 - 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), em novembro de 2025; •
  • 30.
    •Igrejas e Organismosestão atrasados no ´proceso de mobilização das bases. •Uma constatação: a Igreja está se retirando do aerópago da sociedade civil.
  • 31.
    VER / OUVIR “Deusviu que tudo era muito bom!” (Gn 1,31)
  • 32.
    CONTEMPLAR A REALIDADECOM A LUZ QUE VEM DO SENHOR E DO SEU ESPÍRITO • Acolher a realidade como dom; beleza e fecundidade de nossas terras, a riqueza da humanidade (pessoas, povos e culturas) (DAp, n. 6): • Terras férteis; • Rios abundantes; • Rios aéreos; • Cachoeiras, cascatas e quedas d’água; • Águas minerais de diversos sabores e poderes curativos; • Litoral e praias maravilhosas;
  • 33.
    • Serras echapadas monumentais; • Vegetação rica e variada; • Abundância de espécies, de frutos, de flores, de ervas capazes de curar, de árvores. • Fauna brasileira rica em diversidade; • Os biomas brasileiros: a Amazônia; o Cerrado, a Caatinga, a Mata Atlântica, o Pantanal, os pampas. • País de acolhida e fraternidade, de luta e resistência;[ • Culturas ancestrais, originárias, tradicionais; • Arte, poesia, literatura, música.
  • 34.
    Compete a nósreconhecer a presença de Deus em todas as formas de vida existentes, como nas plantas, nos animais e nos seres humanos (EE, n. 235), porque a criação continua sendo o cenário visível da manifestação da bondade de Deus. Como imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26), somos guardiões da obra do Criador, que colocou em nossas mãos a missão de cuidar, zelar e administrar todo o criado
  • 35.
    A CRISE SOCIOAMBIENTAL , Écomplexa e tem muitas faces, envolvendo fatores históricos, sociais, econômicos e políticos. Modelo de desenvolvimento capitalista, baseado na exploração dos patrimônios naturais, na queima de combustíveis fósseis, na expansão desenfreada do consumo, na relação mercantilista com a natureza. Degradação do solo, desmatamento, extrativismo predatório, poluição, escassez de água, comprometimento da biodiversidade com a extinção de espécies. Mudanças climáticas
  • 36.
    Eventos climáticos extremose complexos, ondas de calor, enchentes e furacões estão se tornando mais frequentes e destrutivos, ceifando vidas e empurrando milhões de pessoas anualmente para a pobreza
  • 38.
    Os povos indígenas, comunidadestradicionais e populações de baixa renda no campo e nas periferias das cidades são atingidas de modo mais violento por causa das intervenções invasivas que já sofrem
  • 39.
    • Urbanização desordenada; •Concentração de terra e riquezas • Expansão da agricultura predatória • Falta de políticas ambientais ; • Exploração insustentável dos patrimônios naturais • Conflitos fundiários, invasões de terras indígenas e quilombolas, violência contra ativistas ambientais e agentes de pastoral;[ • Níveis recordes de emissão de gases de efeito estufa, aquecimento global alarmante. Nosso país é o 4ª maior emissor de gases que provocam as mudanças no clima, especialmente pelas queimadas.
  • 42.
    Os sinais deesgotamento do modelo vigente, do qual poucos se beneficiam, refletidos nas mudanças climáticas, nas crises econômicas e na exclusão social e ambiental, nos colocam diante de um dilema ético: ou mudamos nossa maneira de ser e agir no mundo, reeducando nossos hábitos e costumes na relação com toda a criação cumprindo nossa missão de cultivá-la e guardá-la (Gn 2,15); ou deixaremos para as gerações futuras uma Casa Comum insustentável, contrariando os desígnios do Deus Criador
  • 44.
    DESAFIOS PARA ASUPERAÇÃO DA CRISE Séria constatação de que ainda “não estamos reagindo de modo satisfatório” e que “este mundo que nos acolhe está se desfazendo e, talvez, aproximando-se de um ponto de ruptura” (LD, n.2). •Reflexão e atuação pela vida na Terra: espiritualidade, educação e responsabilidade ambiental.
  • 45.
    (...) há gruposque promovem ideologicamente a negação das mudanças climáticas (LD, n.5- 10). Dizem que elas não existem e por isso não devemos nos preocupar . Isso gera confusão e dúvida entre as pessoas, dificultando a conversão ecológica e a consequente prática de ações concretas para lidar com desafios climáticos. •O paradigma tecnocrático continua imperando. •para o qual tudo se resolve com tecnologia e economia (LD, n. 20). As políticas públicas não conseguem responder com eficiência aos desafios da crise socioambiental. •Papa Francisco afirma claramente a importância das pequenas ações (LD, n. 70-71): “
  • 46.
    Não há mudançasduradouras sem mudanças culturais, sem uma maturação do modo de viver e das convicções da sociedade; não há mudanças culturais sem mudança nas pessoas” (LD, n. 70). CONVERSÃO INTEGRAL
  • 47.
    A IMPORTÂNCIA DEUMA ECOLOGIA INTEGRAL A Ecologia Integral supõe uma inter-relação entre o Criador e , dentro da qual o ser humano deveria se destacar como protagonista no cuidado, pois coube a ele a missão de guardião responsável da Casa Comum. Em uma cosmovisão integradora, não se separa o ambiental, o antropológico e o teológico
  • 48.
    Uma ecologia integralconjuga as duas visões da Bíblia, a saber: a proclamativa, que tem um caráter mais antropocêntrico, na qual a criação está em função e a serviço da salvação, sendo o ser humano colocado em destaque; e a manifestativa, o que é mais cosmocêntrica, na qual a relação do ser humano com a natureza e com Deus é profundamente integradora Em Jesus Cristo estas duas tradições se encontram ligadas, sendo para nós uma referência inspiradora de uma ecologia integral na vida de fé
  • 49.
    A abordagem daEcologia Integral atualiza o sentido do bem comum, elemento tradicional da Doutrina Social da Igreja, resgata a opção preferencial pelos pobres e mantém o compromisso para com as futuras gerações. Essa postura profética da Igreja está também relacionada com o cultivo da paz e da justiça socioambiental, sobretudo em um mundo que enfrenta uma crise estrutural em múltiplas dimensões (pobreza, desigualdade, competição por recursos, ecossistemas degradados e mudanças climáticas
  • 50.
    O PECADO ECOLÓGICO Consisteno desrespeito ao Criador e sua obra que é a Casa Comum. São ações ou omissões contra Deus, contra o próximo e contra o meio ambiente. É um tipo de cegueira e perda de sensibilidade com o mundo ao nosso redor em que se tratam as pessoas e os seres vivos como objetos, esvazia-se a dimensão transcendente de toda a criação, destrói-se de maneira irresponsável a natureza, exploram-se sem limites os recursos da Terra e deixa-se para gerações futuras um planeta fragmentado e insustentável (DFSA, n. 82)
  • 51.
    CONVERSÃO ECOLÓGICA Uma conversãoecológica supõe uma mudança do nosso modo de ser, pensar e agir, como pessoas e comunidade. Buscamos um modo de viver mais integrativo entre Deus, os seres humanos e toda a criação, no qual a cultura do amor e da paz tenha a primazia. Unir fiéis e não fiéis na missão do cuidado da Casa Comum; Construir grandes e pequenas alianças, reforçando os laços da amizade social; valorizar a Riqueza da diversidade da criação; Fazer gestos concretos que estão ao alcance de nossas mãos; Alimentar-nos da riqueza da espiritualidade cristã que integra o divino, humano e o ambiental.
  • 52.
    Toda conversão ecológicadeve ser, para nós cristãos, inspirada na fonte trinitária da fé, segundo a qual temos um Pai que cria, um Filho que salva e um Espírito que santifica (LS, n. 238-240). O amor da Trindade Divina, que se expressa na história da Casa Comum, nos estimula a realizar ações concretas para superar a crise social e ambiental que assolam o nosso planeta. A Trindade, solidária e bondosa, é a fonte perene de graça que nos permite ter o olhar do Criador “que viu que toda a sua obra era muito boa” (Gn 1,31), mesmo com as inúmeras rupturas que nós humanos provocamos ao longo da história
  • 54.
    ILUMINAR / DISCERNIR “Este éo sinal da aliança que faço entre mim e toda a carne sobre a terra” (Gn 9,17)
  • 55.
    A PALAVRA DEDEUS É LUZ PARA NOSSO CAMINHO As narrativas da criação no livro do Gênesis nos levam a compreender que a benção e a Aliança não são apenas para o ser humano, mas para toda criatura. Deus dá ao ser humano uma tarefa especial: “cultivar e guardar” a Terra, para que ela seja sempre um jardim, e tudo o que nela habita. Não se trata de exercer poder sem limites sobre os demais seres, pois não faria sentido destruir o que Deus, repetidamente, avaliou como “bom”. O livro sagrado também nos alerta para os riscos da maldade do ser humano que resultam no pecado. Mas mantém viva a esperança na Aliança que Deus estabeleceu com seu povo. Aprendemos da Escritura a existência de políticas opressivas, violentas e contraditórias, que resultam em catástrofes ambientais, como na relação de escravidão do povo hebreu nas mãos do faraó do Egito. Porém, na travessia libertadora pelo deserto, a natureza favorece a sobrevivência do ser humano: a água, o maná, as codornizes - obras de Deus criador. No Pentateuco, a partir do Decálogo, encontramos leis ambientais, recomendações que unem a fé ao cuidado com a fauna e a flora. Um destaque pode ser dado ao descanso sabático, previsto não apenas para o ser humano, mas também para os animais.
  • 56.
    O ano sabáticoe o ano jubilar, presentes na Bíblia, preveem o repouso também da terra, para que assim ela continue a ser generosa, o perdão das dívidas e a libertação dos escravos. É um “não” dito à exploração sem limites. O Jubileu de 2025 é uma oportunidade para vivermos esta experiência. Jesus e sua forma de anunciar a Boa Nova do Reino de Deus trazem consigo várias conotações socioambientais. Isso se expressa nas parábolas com sementes, árvores e seus frutos, como imagem do Reino. Os pães ázimos da Última Ceia, frutos da Terra e do trabalho humano, expressão ao mesmo tempo do uso moderado dos bens da terra e da opressão e miséria sofrida por aqueles que são escravizados, são tomados por Jesus, consagrados ao Pai e entregues aos seus discípulos. Assim, somos convidados a deixar de lado todo fermento, ou seja, tudo o que é excesso e abraçar a simplicidade do necessário
  • 57.
    O ESPÍRITO DEDEUS NA CRIAÇÃO Ao longo das Escrituras Sagradas, vemos que a ação do Espírito é sopro que dá vida a toda criatura. É Deus que cria, dá vida e renova constantemente, recordando-nos de que sua força tudo abraço e transforma
  • 58.
    A CONVERSÃO INTEGRALNA TRADIÇÃO DA IGREJA: UM PERCURSO INSPIRADOR A Igreja, a cada Quaresma, reafirma o convite a única conversão ao Evangelho vivo, que é Jesus Cristo. Essa mudança de vida deve se desenvolver em diversos setores da nossa vida pessoal e esclesial, abarcando o cuidado com a Casa Comum em que habitamos.
  • 59.
    A ECOLOGIA INTEGRALNOS SANTOS PADRES DA IGREJA Os padres da igreja, vivendo as necessidades de seu tempo tomam a natureza, o cosmos, com seu ciclo se sua organização, como uma referência para o ser humano olhar para si e rever suas relações sociais. Utilizando exemplos das relações entre os seres vivos, eles nos apresentam as lições do equilíbrio e do limite. É o que se pode chamar de função pedagógica dos cosmos
  • 66.
    A CONVERSÃO INTEGRALE ECOLÓGICA NA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA O tesouro que é a Doutrina Social da Igreja tem nos ensinado muito sobre o tema, desde Leão XIII, passando por São João XXIII, São Paulo VI, São João Paulo II e Bento XVI, tal magistério nos chama atenção para o princípio da destinação universal dos bens da terra, o desenvolvimento dos povos os perigos da exploração e da crescente ruptura entre sociedade e natureza, princípios da ética ambiental, a urgência de se educar para a responsabilidade ecológica, a interligação entre o zelo pelo ser humano e pela natureza. Tudo isso como expressão de uma ampla tarefa eclesial que decorre da fé
  • 67.
    No pontificado doPapa Francisco, recebemos a encíclica Laudato Si, primeiro documento do Magistério da Igreja plenamente dedicado ao tema socioambiental. Seu ponto de partida é a “convicção de que tudo está estreitamente interligado no mundo” (LS, n. 16). Nós e nosso planeta existimos em comunhão. O pecado mais perigoso de nosso tempo talvez seja a ruptura que estabelecemos entre humanidade e natureza, como se, cada uma delas, não tivesse valor intrínseco e não fosse capaz por si mesma de louvar a Deus
  • 70.
    Não podemos nosdeixar levar pelas falsas promessas do paradigma tecnocrático, pois nem sempre o que parece progresso representa as melhores condições de vida para todos. Por isso, a atuação social e política dos cristãos é essencial
  • 75.
    A LUZ DACIÊNCIA E DA SABEDORIA DOS POVOS As ciências da Terra tem muito a nos ensinar sobre o que está acontecendo ao nosso planeta. Estudos apontam, desde o final dos anos 1980, que nosso planeta vem se aquecendo cada vez mais, como resultado do nosso modo de vida. A Terra passa por uma mudança e os seus efeitos afetam todas as formas de vida de maneira imprevisível
  • 76.
    A sabedoria ancestraldos povos originários também tem muito a nos ensinar: “Ensinai a seus filhos o que ensinamos aos nossos. Que a Terra é a nossa mãe. Tudo está associado. O que fere a Terra fere também aos filhos da Terra. O homem não tece a teia da vida: é antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio”. (Cacique Seatle Não podemos ficar paralisados! E isso nos compromete no segmento de Jesus de Nazaré, neste tempo quaresmal, a aprofundar o percurso de penitência e conversão integral
  • 77.
    AGIR / PROPOR “Paracultivá-lo e guardá-lo.” (Gn 2,15)
  • 78.
    O agir éconsequência do ver e ouvir a realidade e de processos de discernimento espiritual debate coletivo, planejamento comunitário e decisões conjuntas que fazem parte de instâncias maiores de participação e transformação social É preciso alimentar um olhar otimista irrealista, convicto de que ainda podemos evitar os piores impactos das mudanças climáticas. A Esperança nos move a unir os esforços das ciências ao profetismo da fé, para superar a crise que vivemos
  • 79.
    Como Igreja, nãopodemos deixar de propor que “chegou a hora de aceitar um certo decréscimo do consumo” (LS, n. 193). É preciso redescobrir a dimensão transcendente da vida, a capacidade humana de contemplação É preciso reafirmar a dimensão profunda do repouso considerando formas menos produtivistas de organização do trabalho e do seu tempo com uma remuneração digna e justa e condições de trabalho e previdenciárias cada vez mais humanizadas
  • 81.
    É importante conheceras várias iniciativas de cuidado com a Casa Comum na Igreja no Brasil e buscar nelas inspiração para transformar nossas realidades locais Unidos em nossa fé e comprometidos com a missão de cuidar da nossa Casa Comum, somos chamados a reconhecer a urgência da grave crise socioambiental que assola nosso país e o mundo. O tempo de agir é agora. Como filhos e filhas de Deus, somos por proteger e preservar a obra de suas mãos, este é o nosso chamado. Este é o nosso dever como discípulos de Cristo
  • 82.
    ALTERNATIVAS DE SUPERAÇÃODA CRISE SOCIOAMBIENTAL TRÊS ÂMBITOS: PESSOA, COMUNIDADE E SOCIEDADE
  • 84.
    TEMPOS DE MOBILIZAÇÃO Cursode Animadores Laudato Si’ • Semana Laudato Si’ – de 18 a 25 de maio • Junho Verde (CNBB) • Tempo da Criação - de 1º de setembro (Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação), culminando em 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis. • Celebração dos 800 anos do Cântico das Criaturas.
  • 85.
    8ª Romaria dasÁguas e da Terra da Bacia do Rio Doce, em Mariana (será o gesto concreto da CF em nossa Arquidiocese, em memória dos 10 anos do crime socioambiental do rompimento da barragem de Fundão – 9 de novembro. •Celebração do jubileu dos atingidos e atingidas na Romaria. 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30) – de 10 21 de
  • 87.
    O Brasil registroumais de 109 mil focos de incêndios em 2024. O número já é um dos maiores da história, com uma alta de 78% em relação aos doze meses de 2023, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O calor excessivo e o tempo seco de agosto contribuiram para formação de uma onda de incêndios em todo país. Foram 51.527 em 26 dias, 47% do total acumulado ao longo do ano, em sua maioria nos estados do Mato Grosso, Pará, Amazonas e Mato Grosso do Sul
  • 89.
    BACIA DO RIODOCE REPACTUAÇÃO
  • 90.
    POLÍTICAS PUBLICAS –COMITES E CODEMAS COMITE DE BACIA HIDROGRAFICA DA BACIA DO RIO DOCE COMITE DE BACIA HIDROGRAFICA DA BACIA DO RIO PIRACICABA COMITE DA BACIA HIDROGRAFICA DA BACIA DO SANTO ANTONIO CODEMAS MUNICIPAIS DEFESA CIVIL MUNICIPAL MOVIMENTOS / FÓRUNS / COMITÉS Onde nós estamos ? Qual a nossa participação ?
  • 91.
    Rede Igrejas emineração Comissão do Meio ambiente da província eclesiástica de Mariana Comissão para Ecologia Integral da CNBB