Discurso de Priscila Krause abertura dos trabalhos na câmara -
2012
Em 2012, o calendário eleitoral determina a realização de
eleições municipais.
O povo brasileiro irá às urnas cumprir a saudável rotina
democrática de escolher prefeitos e vereadores em todo
território nacional.
Cabe, pois, uma breve reflexão sobre as virtudes da
democracia, regime que, a despeito das imperfeições, é a melhor
forma de organização política das sociedades, certificada pela
experiência histórica.
A primeira virtude é a tentativa de responder à pergunta
“quem deve escolher os seus governantes?”.
A resposta está na origem da palavra: o povo na sua mais
ampla expressão que se afirma no método de escolha que é o
sufrágio universal.
A segunda virtude é a tentativa de responder a um desafio
maior ainda: “quem deve ser escolhido?”.
A escolha, em tese, deveria recair sobre os melhores e os
mais aptos candidatos submetidos ao julgamento popular.
No entanto, mais uma vez, a experiência histórica
demonstra que nem sempre estas virtudes teóricas se realizam
na prática.
Aparece, então, a universal e inquestionável virtude da
democracia: o mau governo tem data para acabar. E mais: por
meios pacíficos, atendendo, tão somente, a voz do povo, fonte
legitimadora do poder, que determina a rotatividade dos
governantes e a possibilidade recorrente do ensaio e erro de
modo que o eleitor, ele mesmo, corrija os equívocos cometidos.
Vale dizer: o mau governo que durante 12 anos vem
causando danos à cidade do recife tem data para acabar.
Precisamente no dia 7 de outubro de 2012.
Digo doze anos porque o mesmo governo, sob a mesma
inspiração, prolongado pelo mesmo nome de batismo e
crismado pela propaganda eleitoral, João, enganou o povo
apresentando promessas que não foram cumpridas; cometeu
perjúrio diante do juramento solene de eterna e indissolúvel
união; e se mantém no silêncio intrigante quanto às razões que
expliquem conflito político tão intenso e ódio pessoal tão
profundo.
Na cidade do Recife, mau governo não é um recurso
retórico do discurso oposicionista.
O mau governo está vivo, bulindo e doendo nas chagas
abertas pelas ruas do recife/verdade e mais vivo ainda na
consciência de cada cidadão que, hoje, reprova a gestão
municipal e, no dia do juízo eleitoral, condenará os governantes
que traíram a confiança neles depositada.
Para mudar, basta que cada eleitor se pergunte e compare:
a qualidade de vida da cidade do recife está melhor ou pior do
que há doze anos? O cidadão gasta mais ou menos tempo de
sua casa para o trabalho? A cidade está mais limpa ou mais
suja? E as ruas e as calçadas, conservadas ou esburacadas? E
o martírio do trânsito? A cidade é mais ou menos violenta? O
recife aparece na lista das 50 cidades mais perigosas do mundo,
mais especificamente na 32º colocação de acordo com a ONG
mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça
Penal divulgado na segunda semana de janeiro.
Melhorou a qualidade e a transparência dos gastos? O
prometido portal da transparência, a despeito de um novo
layout, continua com informações imprecisas e superficiais
sobre os gastos do governo. Além disso, só no mês de janeiro,
já foram 19,2 milhões de reais em contratos assinados sem
licitação.
E o custo das obras? Sempre majorados pelos recorrentes
atrasos e falta de planejamento. O Capitão Temudo foram 1300
dias e um custo que saltou de 30 para R$ 44 milhões; o Dona
Lindu, dois anos de atraso e um orçamento que iniciou em 28
milhões e terminou em R$ 40 milhões; e a Via Mangue que, de
acordo com o TCE, corre o risco de não ser concluída no prazo,
o que fatalmente gerará prejuízos para o erário e para a
infraestrutura da cidade para a copa. Na tentativa de evitar que
isso aconteça, nós da oposição, estamos vigilantes e cobrando
da prefeitura agilidade e transparência na execução da obra.
Como anda a educação oferecida aos cidadãos pela rede
municipal? O prefeito João da Costa não entregou nenhum dos
40 novos CMEIS prometidos, faltando menos de um ano para o
fim do governo. E a saúde: onde estão as três policlínicas
prometidas – Casa amarela, Caxangá e Pina).
Além de todos os problemas citados, ainda precisamos redobrar
as atenções para que o uso da máquina em favor da candidatura
governista não se repita nessas eleições. Quanto a isso, os
prognósticos não são bons.
Pernambuco, e não é de agora, vem andando para frente e
recife, está parado ou andou para trás, comprometendo o futuro.
Vereadoras e vereadores, minhas senhoras e meus
senhores.
Conforme prometi, passo agora a tratar da questão relativa
à fixação da remuneração dos vereadores para o quadriênio
2013/2016, episódio duramente criticado pela imprensa, pela
opinião pública em geral e, particularmente, pelas redes sociais
que ocupam de forma cada vez mais expressiva o espaço
proporcionado pela internet.
Julgo de fundamental importância que, de forma serena e
equilibrada, sejam extraídas lições para todos nós, políticos e,
em especial, os que, como eu, exercemos mandato de
representação popular.
De minha parte, não hesitei confessar que errei e, de
pronto, assumi, pessoal e publicamente a responsabilidade pelo
meu voto, bem como as conseqüências do gesto e assumi o
compromisso de debater a questão na abertura dos nossos
trabalhos.
Em momento algum, fiz qualquer tipo de consideração que,
sequer de raspão, pudesse expor a Câmara de Vereadores,
instituição parlamentar e pilar da democracia representativa pela
qual tenho profundo e inabalável apreço.
E não podia ser diferente por duas simples razões:
primeiro, porque passamos e a instituição permanece, pois, com
ela, não nos confundimos; segundo, porque a casa tratou da
matéria em consonância com os dispositivos legais pertinentes.
Todavia, vem daí a primeira lição: em política o que parece
é, mesmo não sendo, ou seja, prevalece, na apreensão dos
fatos, a percepção dos que nos delegaram o mandato e a quem
devemos prestar contas das nossas atividades.
A percepção foi a de que legislamos em causa própria; de
que utilizamos o mecanismo regimental da extra-pauta de
visibilidade menor do que os assuntos arrolados na pauta das
sessões legislativas; finalmente, a fixação de remuneração para
a próxima legislatura em 75% do salário dos deputados
estaduais o que importou no aumento de 62% do que percebe,
atualmente, o vereador.
A mencionada percepção provocou reação negativa na
opinião pública com ênfase nas redes sociais com as quais me
articulo permanentemente.
Delas, nos chega segunda lição a ser aprendida:
impossível ignorar o novo papel da cidadania a partir da
revolução digital e do que podemos chamar da sociedade em
rede. O mundo muda vertiginosamente e com ele nós devemos
mudar também. O mundo virtual nunca foi tão real: as pessoas
entram na intimidade das nossas casas, sentam na sala de visita
e dizem o que pensam sobre os assuntos do seu interesse e do
interesse público.
Do ponto de vista político, o Twitter, o Blog, o Facebook e
demais canais de expressão, via internet, são mecanismos da
democracia direta alterando profundamente as relações entre
representantes e representados. A participação do cidadão não
se limita mais aos episódios eleitorais; o controle social é amplo
e difuso; a capacidade de mobilização é tamanha que, a exemplo
da primavera árabe, derrubou velhos regimes autoritários dos
países daquela região.
Em síntese, as redes sociais são contra-poderes que
possibilitam uma intervenção coletiva e consciente em assuntos
de interesse público e, paralelamente, permitem, se usadas de
forma adequada, o equilíbrio entre representação e participação.
Assim como aceito e acato a ponderação, a crítica, a
sugestão, o diálogo em busca da política dos cidadãos no lugar
da política miúda, rechaço, na mesma proporção, a
desqualificação generalizada e a indignação desmedida que
descambam para a negação da política, para abalar e, no limite,
destruir a base do estado democrático de direito.
Em defesa da política, contraponho os descaminhos da
não-política que rompe com o convívio comunitário; elimina as
possibilidades da solução pacífica para os conflitos; oferece
oportunidade para as desventuras da tirania.
Por tudo que foi exposto dirijo-me muito respeitosamente à
mesa diretora, eis que me falta suporte regimental, para que
reflita sobre o debate dessa matéria e avalie a adoção de novos
parâmetros como mecanismo de atualização monetária da
remuneração dos vereadores.
Ao concluir, quero agradecer a todos os membros desta
casa pela compreensão, civilidade e respeito que sempre me
dispensaram e conclamar a bancada da oposição para seguir
firme no compromisso democrático de bem exercer, como vimos
fazendo, a vigilância, a crítica leal e construtiva ao governo e
fielmente interpretar os anseios do povo da cidade do recife.
Muito obrigada!
Discurso priscila krause 01.02.12

Discurso priscila krause 01.02.12

  • 1.
    Discurso de PriscilaKrause abertura dos trabalhos na câmara - 2012 Em 2012, o calendário eleitoral determina a realização de eleições municipais. O povo brasileiro irá às urnas cumprir a saudável rotina democrática de escolher prefeitos e vereadores em todo território nacional. Cabe, pois, uma breve reflexão sobre as virtudes da democracia, regime que, a despeito das imperfeições, é a melhor forma de organização política das sociedades, certificada pela experiência histórica. A primeira virtude é a tentativa de responder à pergunta “quem deve escolher os seus governantes?”. A resposta está na origem da palavra: o povo na sua mais ampla expressão que se afirma no método de escolha que é o sufrágio universal. A segunda virtude é a tentativa de responder a um desafio maior ainda: “quem deve ser escolhido?”. A escolha, em tese, deveria recair sobre os melhores e os mais aptos candidatos submetidos ao julgamento popular. No entanto, mais uma vez, a experiência histórica demonstra que nem sempre estas virtudes teóricas se realizam na prática. Aparece, então, a universal e inquestionável virtude da democracia: o mau governo tem data para acabar. E mais: por meios pacíficos, atendendo, tão somente, a voz do povo, fonte legitimadora do poder, que determina a rotatividade dos governantes e a possibilidade recorrente do ensaio e erro de modo que o eleitor, ele mesmo, corrija os equívocos cometidos. Vale dizer: o mau governo que durante 12 anos vem causando danos à cidade do recife tem data para acabar.
  • 2.
    Precisamente no dia7 de outubro de 2012. Digo doze anos porque o mesmo governo, sob a mesma inspiração, prolongado pelo mesmo nome de batismo e crismado pela propaganda eleitoral, João, enganou o povo apresentando promessas que não foram cumpridas; cometeu perjúrio diante do juramento solene de eterna e indissolúvel união; e se mantém no silêncio intrigante quanto às razões que expliquem conflito político tão intenso e ódio pessoal tão profundo. Na cidade do Recife, mau governo não é um recurso retórico do discurso oposicionista. O mau governo está vivo, bulindo e doendo nas chagas abertas pelas ruas do recife/verdade e mais vivo ainda na consciência de cada cidadão que, hoje, reprova a gestão municipal e, no dia do juízo eleitoral, condenará os governantes que traíram a confiança neles depositada. Para mudar, basta que cada eleitor se pergunte e compare: a qualidade de vida da cidade do recife está melhor ou pior do que há doze anos? O cidadão gasta mais ou menos tempo de sua casa para o trabalho? A cidade está mais limpa ou mais suja? E as ruas e as calçadas, conservadas ou esburacadas? E o martírio do trânsito? A cidade é mais ou menos violenta? O recife aparece na lista das 50 cidades mais perigosas do mundo, mais especificamente na 32º colocação de acordo com a ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal divulgado na segunda semana de janeiro. Melhorou a qualidade e a transparência dos gastos? O prometido portal da transparência, a despeito de um novo layout, continua com informações imprecisas e superficiais sobre os gastos do governo. Além disso, só no mês de janeiro, já foram 19,2 milhões de reais em contratos assinados sem licitação. E o custo das obras? Sempre majorados pelos recorrentes atrasos e falta de planejamento. O Capitão Temudo foram 1300
  • 3.
    dias e umcusto que saltou de 30 para R$ 44 milhões; o Dona Lindu, dois anos de atraso e um orçamento que iniciou em 28 milhões e terminou em R$ 40 milhões; e a Via Mangue que, de acordo com o TCE, corre o risco de não ser concluída no prazo, o que fatalmente gerará prejuízos para o erário e para a infraestrutura da cidade para a copa. Na tentativa de evitar que isso aconteça, nós da oposição, estamos vigilantes e cobrando da prefeitura agilidade e transparência na execução da obra. Como anda a educação oferecida aos cidadãos pela rede municipal? O prefeito João da Costa não entregou nenhum dos 40 novos CMEIS prometidos, faltando menos de um ano para o fim do governo. E a saúde: onde estão as três policlínicas prometidas – Casa amarela, Caxangá e Pina). Além de todos os problemas citados, ainda precisamos redobrar as atenções para que o uso da máquina em favor da candidatura governista não se repita nessas eleições. Quanto a isso, os prognósticos não são bons. Pernambuco, e não é de agora, vem andando para frente e recife, está parado ou andou para trás, comprometendo o futuro. Vereadoras e vereadores, minhas senhoras e meus senhores. Conforme prometi, passo agora a tratar da questão relativa à fixação da remuneração dos vereadores para o quadriênio 2013/2016, episódio duramente criticado pela imprensa, pela opinião pública em geral e, particularmente, pelas redes sociais que ocupam de forma cada vez mais expressiva o espaço proporcionado pela internet. Julgo de fundamental importância que, de forma serena e equilibrada, sejam extraídas lições para todos nós, políticos e, em especial, os que, como eu, exercemos mandato de representação popular. De minha parte, não hesitei confessar que errei e, de pronto, assumi, pessoal e publicamente a responsabilidade pelo meu voto, bem como as conseqüências do gesto e assumi o compromisso de debater a questão na abertura dos nossos trabalhos.
  • 4.
    Em momento algum,fiz qualquer tipo de consideração que, sequer de raspão, pudesse expor a Câmara de Vereadores, instituição parlamentar e pilar da democracia representativa pela qual tenho profundo e inabalável apreço. E não podia ser diferente por duas simples razões: primeiro, porque passamos e a instituição permanece, pois, com ela, não nos confundimos; segundo, porque a casa tratou da matéria em consonância com os dispositivos legais pertinentes. Todavia, vem daí a primeira lição: em política o que parece é, mesmo não sendo, ou seja, prevalece, na apreensão dos fatos, a percepção dos que nos delegaram o mandato e a quem devemos prestar contas das nossas atividades. A percepção foi a de que legislamos em causa própria; de que utilizamos o mecanismo regimental da extra-pauta de visibilidade menor do que os assuntos arrolados na pauta das sessões legislativas; finalmente, a fixação de remuneração para a próxima legislatura em 75% do salário dos deputados estaduais o que importou no aumento de 62% do que percebe, atualmente, o vereador. A mencionada percepção provocou reação negativa na opinião pública com ênfase nas redes sociais com as quais me articulo permanentemente. Delas, nos chega segunda lição a ser aprendida: impossível ignorar o novo papel da cidadania a partir da revolução digital e do que podemos chamar da sociedade em rede. O mundo muda vertiginosamente e com ele nós devemos mudar também. O mundo virtual nunca foi tão real: as pessoas entram na intimidade das nossas casas, sentam na sala de visita e dizem o que pensam sobre os assuntos do seu interesse e do interesse público. Do ponto de vista político, o Twitter, o Blog, o Facebook e demais canais de expressão, via internet, são mecanismos da democracia direta alterando profundamente as relações entre representantes e representados. A participação do cidadão não
  • 5.
    se limita maisaos episódios eleitorais; o controle social é amplo e difuso; a capacidade de mobilização é tamanha que, a exemplo da primavera árabe, derrubou velhos regimes autoritários dos países daquela região. Em síntese, as redes sociais são contra-poderes que possibilitam uma intervenção coletiva e consciente em assuntos de interesse público e, paralelamente, permitem, se usadas de forma adequada, o equilíbrio entre representação e participação. Assim como aceito e acato a ponderação, a crítica, a sugestão, o diálogo em busca da política dos cidadãos no lugar da política miúda, rechaço, na mesma proporção, a desqualificação generalizada e a indignação desmedida que descambam para a negação da política, para abalar e, no limite, destruir a base do estado democrático de direito. Em defesa da política, contraponho os descaminhos da não-política que rompe com o convívio comunitário; elimina as possibilidades da solução pacífica para os conflitos; oferece oportunidade para as desventuras da tirania. Por tudo que foi exposto dirijo-me muito respeitosamente à mesa diretora, eis que me falta suporte regimental, para que reflita sobre o debate dessa matéria e avalie a adoção de novos parâmetros como mecanismo de atualização monetária da remuneração dos vereadores. Ao concluir, quero agradecer a todos os membros desta casa pela compreensão, civilidade e respeito que sempre me dispensaram e conclamar a bancada da oposição para seguir firme no compromisso democrático de bem exercer, como vimos fazendo, a vigilância, a crítica leal e construtiva ao governo e fielmente interpretar os anseios do povo da cidade do recife. Muito obrigada!