Início da guerra fria
Tribunal de Nurembergue
No dia 8 de agosto de 1945, representantes das quatro potências vencedoras da Segunda Guerra
Mundial aprovaram, em Londres, a criação de um tribunal internacional de guerra para julgar os
criminosos nazistas.
Depois da capitulação da Alemanha, em maio 1945, representantes da Inglaterra e dos Estados Unidos
listaram uma série de atos considerados criminosos, na medida em que fossem parte constituinte ou
resultado de uma conspiração que tinha em vista uma agressão ou um crime de guerra.
Após 15 esboços, a Corte Internacional Militar foi encarregada, no dia 8 de agosto de 1945, de
pronunciar o veredicto final para os acusados. O estatuto do tribunal, resultante do Acordo de Londres
de 1945, realizado entre as quatro potências julgadoras, incluía três tipos de acusações: em primeiro
lugar, os crimes contra a paz, que consistiam na preparação e na execução de uma guerra de agressão;
em segundo, os crimes de guerra que violavam a Convenção de Haia, como os extermínios e maus-
tratos de prisioneiros e das populações civis dos países ocupados; e, em terceiro lugar, os crimes contra
a humanidade, que compreendiam o tratamento desumano dispensado a grupos étnicos, políticos ou
religiosos, sobretudo, a perseguição e o extermínio do judeus na Europa.
A acusação de "crime contra a paz" incluía ainda um delito adicional: a participação num conluio para a
prática dos demais crimes constantes da denúncia. No primeiro esboço norte-americano da carta-
estatuto, essa acusação se referia a todos os delitos, inclusive aos crimes contra a humanidade. Isso
abrangeria também as medidas que conduziram ao extermínio em massa dos judeus. Juristas britânicos,
porém, modificaram o texto, restringindo a tese do conluio ao delito da guerra de agressão.
O juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos Robert Jackson, um dos idealizadores do Tribunal de
Nurembergue, no entanto, queria comprovar que todos os 22 acusados haviam participado de um
complô. No processo, que terminou em 1º de agosto de 1946, os juízes seguiram essa argumentação em
apenas oito casos. Catorze dos 22 indiciados foram absolvidos nesse ponto.
Mas a derrota jurídica da tese do complô praticamente passou despercebida em Nurembergue, porque
11 dos absolvidos nesse ponto acabaram sendo condenados à morte pela forca por crimes de guerra.
Foram eles: o ex-marechal Hermann Göring; o ex-ministro do Exterior Joachim von Ribbentrop; o chefe
do Alto Comando das Forças Armadas (OKW), Wilhelm Keitel; o ex-chefe do Serviço Central de
Segurança (RSHA), Ernst Kaltenbrunner; Alfred Rosenberg, teórico nazista e assessor direto de Hitler;
Hans Frank, ex-administrador da Polônia ocupada; Willhem Frick, ex-ministro do Interior e ex-
governador da Tcheco-Eslováquia ocupada; Julius Streicher, diretor do jornal nazista Der Stürmer; Fritz
Sauckel, ex-chefe do recrutamento de trabalhadores nos territórios ocupados; Alfred Jodl, ex-chefe de
operações do OKW; e Arthur Seyss-Inquart, ex-chefe dos serviços administrativos da Holanda ocupada.
Os demais acusados obtiveram penas de prisão perpétua (caso de Rudolf Hess) ou prisão por tempos
variáveis. Três deles – Hjalmar Schacht, Franz von Papen e Hans Fritzche – acabaram sendo absolvidos.
Ao longo do processo, de 20 de novembro de 1945 a 1º de outubro de 1946, houve 403 sessões
públicas.
Divisão da Alemanha
As quatro potências vencedoras – Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética – assumiram o
poder e dividiram o território alemão em quatro zonas de ocupação. Sob o controle soviético ficaram os
territórios a leste dos rios Oder e Neisse. Berlim, encravada no território que viraria Alemanha Oriental,
também foi dividida em quatro setores.
Os diferentes sistemas de domínio no Ocidente e no Leste geraram divergências entre os Aliados, que
não conseguiam definir uma política comum para a Alemanha derrotada. Na Conferência de Potsdam,
que ocorreu entre 17 de julho e 2 de agosto de 1945 para estabelecer as bases de uma nova ordem
europeia no pós-guerra, só houve consenso quanto a quatro ações prioritárias na Alemanha:
desnazificar, desmilitarizar, descentralizar a economia e reeducar os alemães para a democracia.
Muitas indústrias alemãs haviam escapado dos bombardeios, mas a pequena oferta de produtos estava
longe de suprir a demanda, e os Aliados confiscaram grande parte da produção para o pagamento da
reparação de guerra. A política econômica restritiva dos Aliados só mudou quando se impôs a convicção
de que a Alemanha Ocidental poderia ser um importante baluarte contra o avanço do comunismo
soviético.
Após unir suas três zonas de ocupação, os aliados ocidentais – Estados Unidos, França e Reino Unido –
decidiram, em 20 de junho de 1948, implantar uma reforma monetária e criar um Estado provisório sob
seu controle. Um mês depois, cada cidadão alemão pôde trocar 40 Reichsmark (a moeda vigente até
então, instaurada em 1924) por 40 unidades da moeda então introduzida pelos Aliados: o marco alemão
(Deutsche Mark, ou DM). Para empresários e autônomos, a relação de troca era mais favorável.
Embora recebesse ajuda dos EUA desde 1946, foi só o programa chamado Plano Marshall disponibilizou
1,4 bilhão de dólares de 1948 a 1952, que o lado ocidental começou a se recuperar da crise.
A Zona de Ocupação Soviética não teve a mesma sorte, tendo que arcar sozinha com os custos de sua
recuperação, além de sofrer a sangria das reparações de guerra (que também afetou a parte ocidental)
e o esvaziamento pela desmontagem de fábricas, estradas de ferro e instalações levadas para a União
Soviética.
Stalin reagiu à reforma monetária na Alemanha Ocidental ordenando que o lado ocidental de Berlim
fosse bloqueado. Para incorporar essa parte da cidade à Zona de Ocupação Soviética, mandou interditar
todas as comunicações por terra.
Isolado das zonas ocidentais e de Berlim Oriental, o oeste de Berlim ficou sem luz nem alimentos de 23
de junho de 1948 até 12 de maio de 1949. A população só sobreviveu graças a uma ponte aérea
organizada pelos Aliados, que garantiu seu abastecimento.
No dia 23 de maio de 1949, os aliados ocidentais promulgaram a Lei Fundamental, elaborada por um
conselho parlamentar, dando origem à República Federal da Alemanha (RFA). A denominação Lei
Fundamental sublinhava seu caráter provisório, pois somente depois que o país voltasse a ser uma
unidade deveria ser ratificada uma Constituição definitiva.
A União Soviética, que integrara a zona leste do país à sua estrutura de poder, não ficou atrás,
anunciando, em outubro de 1949, a fundação da República Democrática Alemã (RDA), tendo Berlim
Oriental como capital. Seu regime era comunista e de economia planificada, dando prosseguimento à
socialização da indústria e ao confisco de terras e de propriedades privadas. O Partido Socialista Unitário
(SED) passou a ser a única força política na "democracia antifascista" alemã-oriental.
Com o surgimento de dois Estados, a Alemanha tornou-se o marco divisório de dois blocos e sistemas
político-econômicos antagônicos liderados pelos EUA, de um lado, e pela União Soviética, de outro.
De 1949 até o início da década de 70, o desenvolvimento da República Federal da Alemanha foi marcado
por uma rápida reconstrução do país, do Estado e das instituições democráticas, pela recuperação
econômica impulsionada pelo Plano Marshall e pela estabilidade interna.
Muro de Berlim
Outro símbolo da ordem bipolar no cenário da Guerra Fria e da tensão e separação entre os dois blocos
foi o Muro de Berlim, que existiu entre os anos de 1961 e 1989. A construção desse muro foi resultado da
divisão da Alemanha entre capitalismo (Alemanha Ocidental) e socialismo (Alemanha Oriental).
No centro dessa divisão estava Berlim, cidade que foi dividida entre as duas nações. A grande questão foi
a quantidade de pessoas que começou a abandonar a Alemanha Oriental e se estabelecer em Berlim
Ocidental (capital da Alemanha Ocidental). Isso se explicava pelo grande desenvolvimento econômico na
Alemanha Ocidental graças ao Plano Marshall.
O desenvolvimento do lado ocidental, somado à censura e falta de liberdade do lado oriental, fez com
que cerca de três milhões de pessoas abandonassem a Alemanha Oriental, e, para conter esse fluxo de
cidadãos que fugiam do país, o governo da Alemanha Oriental decidiu construir um muro isolando Berlim
Ocidental. Na passagem do dia 12 para 13 de agosto de 1961, milhares de soldados da Alemanha Oriental
cercaram Berlim Ocidental com arame farpado, concretizando o fechamento da fronteira.
Com o tempo, foi construído um muro muito alto, torres de segurança foram estabelecidas, e um
perímetro com soldados e cães de guarda foi criado para impedir que cidadãos da Alemanha Oriental
fossem para o lado Ocidental.
Cortina de ferro
Atribui-se o termo cortina de ferro a um pronunciamento de Winston Churchill, então ex-primeiro-
ministro britânico. Esse discurso foi realizado no Westminster College, em Fulton, Missouri, Estados
Unidos, no dia 5 de março de 1946.
No discurso, Churchill afirmou que uma cortina de ferro teria descido sobre a Europa em uma referência
direta ao bloco socialista, que se estabeleceu no continente após a Segunda Guerra Mundial. Essa
expressão definia a divisão do continente europeu entre o bloco capitalista e o bloco socialista, sendo que
as nações socialistas eram as que estavam atrás de uma “cortina de ferro”.
Esse bloco socialista se formou à medida que as tropas soviéticas foram avançando no continente
europeu. Esse avanço se deu durante a luta contra o nazismo, e, à medida que os locais eram liberados
pelos soviéticos, tornavam-se locais de influência soviética. Com o final da guerra, essas regiões se
transformaram em parte do bloco socialista.
As nações do bloco socialista eram as do Leste Europeu que estavam sob o raio de influência da União
Soviética e do governo de Moscou, a grande potência socialista do planeta na segunda metade do século
XX. Os estados sob a influência soviética, apesar de soberanos, poderiam tornar-se alvo das interferências
soviéticas, como aconteceu na Hungria em 1956 e na Checoslováquia em 1968.
Plano Marshall e a recuperação europeia
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA e os países aliados vencedores, os localizados na Europa
Ocidental, necessitavam de reconstruir a economia europeia devastada pelos longos anos de conflito a
que estiveram submetidos. Era ainda necessário a esses países conter a ameça de expansão da
influência soviética. Nesse contexto de reconstrução econômica e de Guerra Fria, foi lançado, em 1947,
o Plano Marshall.
O Plano Marshall ( Programa de Recuperação Europeia) recebeu esse nome graças a seu idealizador, o
general George Catlett Marshall, secretário de Estado do presidente estadunidense Henry Truman. O
Plano Marshal foi um ambicioso projeto de empréstimos e doações financeiras realizados pelos EUA e
seus capitalistas aos países europeus devastados pela Segunda Guerra Mundial.
Entre 1948, ano em que entrou em vigor o Plano Marshall, e 1951, ano em que foi encerrado, cerca de
18 bilhões de dólares foram entregues aos países europeus aderentes ao plano através de doações e
empréstimos. Para executar o plano, os EUA criaram a Administração da Cooperação Econômica.
A oferta de ajuda econômica também foi oferecida à URSS, mas foi recusada já que Stalin pretendia
reestruturar as economias de sua zona de influência sem o apoio do capitalismo ocidental. Frente a isso,
os países europeus criaram, em 1948, a Organização Europeia de Organização Econômica (OECE),
embrião do que viria a ser a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Dessas iniciativas surgiriam ainda o Mercado Comum Europeu e, posteriormente, a União Europeia
O Plano Marshall serviu ainda para a constituição do que viria a ser conhecido como o Estado de Bem-
Estar Social, em que parte dos serviços necessários à população (saúde, educação, seguro-desemprego
etc.) era oferecida pelo Estado. Dessa forma, os capitalistas ocidentais enfrentavam a influência
soviética com a melhoria das condições econômicas da população.
Formação da OTAN
A Otan é uma aliança militar intergovernamental criada após o final da Segunda Guerra Mundial no
contexto da bipolaridade formada entre os Estados Unidos e a União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas, no período da Guerra Fria. O objetivo da aliança é baseado em três pilares:
• A defesa coletiva dos Estados membros (ou seja, os Estados concordam em se unir contra
ameaças externas caso algum dos países participantes da organização seja atacado).
• Impedir o revigoramento do militarismo nacionalista na Europa, através de uma forte presença
norte-americana no continente.
• Encorajar a integração política europeia.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, havia uma preocupação por parte de países europeus em
formar uma aliança que servisse de defesa para a Europa Ocidental. Para isso, países como Bélgica,
Holanda, Luxemburgo, França e Reino Unido criaram o Tratado de Bruxelas. O tratado era um passo
para a integração dos países envolvidos em assuntos como defesa e segurança.
A participação dos EUA no tratado foi vista como fundamental, principalmente pelo poderio militar que
tinham. Os países então se reuniram para a criação de um novo tratado que fosse além do alcance da
Europa Ocidental, desta vez com a participação de novos membros, contando com: EUA, Canadá,
Portugal, Itália, Noruega, Dinamarca e Islândia. Foi nesse contexto que surgiu a OTAN, em abril de 1949,
em ato constitutivo firmado em Washington, capital dos EUA.
Os signatários concordaram em “unir esforços na defesa coletiva e na preservação da paz e da
segurança”. Mas era nítido o viés ideológico da organização, que pretendia defender a democracia e
suas instituições, e assim difundir para outros países esses valores. A defesa da democracia pelos países
da organização mostrava também forte oposição à ideologia comunista.
Pacto de Varsóvia
A partir da década de 1950, foram realizadas ações oficiais para formar esse bloco política e
diplomaticamente. Os Estados Unidos procuraram impedir o avanço do socialismo por meio do Plano
Marshall, que fornecia auxílio econômico, principalmente, às nações da Europa Ocidental. Em oposição a
esse plano, foi formado o Conselho para Assistência Econômica Mútua (Comecon), a fim de fornecer
auxílio econômico para as nações socialistas do Leste Europeu.
Além disso, os Estados Unidos criaram uma aliança militar por meio da Organização do Tratado do
Atlântico Norte (Otan). No caso do bloco socialista, foi formado o Pacto de Varsóvia, que formalizou um
grupo de nações aliadas militarmente à União Soviética, permitindo a ampliação dos soviéticos sobre o
bloco de nações socialistas.
Os Estados-membros do Pacto de Varsóvia eram: URSS, Bulgária, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria,
República Democrática Alemã, Albânia e Romênia.
Revolução Chinesa
No começo do século XX, a China era governada por uma monarquia e sofria com interferências
estrangeiras. Portanto, começaram a surgir movimentos nacionalistas.
Foi então que, com a Revolução de 1911 ou Revolução Xinhai, o período monárquico acabou e a China
foi transformada em uma República. Sendo assim, através da criação de um governo provisório, o
Partido Nacionalista — ou Kuomintang — passou a governar o país.
O sucesso comunista na Rússia, com a Revolução de 1917, fortaleceu o comunismo na China. Com isso,
em 1921, foi criado o Partido Comunista Chinês (PCC), com 57 membros e fundadores. Entre eles, estava
Mao Tsé-tung, o grande líder do comunismo na China.
Inicialmente, a relação entre o PCC e o Kuomintang foi amigável. Isso porque a União Soviética foi uma
parceira econômica do Kuomintang e, portanto, mediou a inclusão dos comunistas no partido, ainda
que submetidos ao líder nacionalista Sun Yat-sen.
Em 1925, porém, o líder Sun Yat-sen faleceu, e Chiang Kai-shek assumiu o seu lugar. Devido a força cada
vez maior do comunismo na China, o novo líder do Partido Nacionalista começou uma intensa repressão
aos comunistas.
Houve, entretanto, uma trégua no conflito político quando o Japão declarou guerra contra os chineses
em 1937. Logo, com a derrota japonesa, em 1945, a guerra civil pela disputa do poder na China
recomeçou.
Após o fim da guerra e derrota do Japão, em 1945, os líderes Chiang Kai-shek e Mao Tsé-tung se
reuniram em busca de um acordo entre os partidos. Entretanto, o líder nacionalista exigiu o
desarmamento total por parte dos comunistas, exigência que Mao Tsé-tung recusou. Sendo assim,
iniciou-se o período de guerra civil que antecedeu a Revolução Comunista Chinesa.
Apesar do apoio dos Estados Unidos ao Kuomintang, a vitória comunista aconteceu devido ao suporte
massivo dos camponeses. Sendo assim, no dia 1 de outubro de 1949, Mao Tsé-tung proclamou a
República Popular da China.
Chiang Kai-shek, que governou a China desde 1927, refugiou-se com seu Estado Maior e cerca de 2
milhões de chineses na ilha de Taiwan ou Formosa, situada a 130 km do litoral da parte continental da
China e separada desta pelo estreito do mesmo nome. Formou-se na ilha um governo autônomo com o
apoio dos Estados Unidos. A partir desse período, a China seguiu dividida em duas: República Popular da
China (a parte continental) e a China Nacionalista ou Taiwan (parte insular). Elas representavam os dois
lados da Guerra Fria. A China Popular aliou-se à URSS até 1960 e depois seguiu seu próprio caminho.
A Revolução Chinesa de 1949 não foi a única revolução liderada por Mao Tsé-tung. Ele também
encabeçou a Revolução Cultural Chinesa, uma campanha político-ideológica que ocorreu a partir de
1966.
A Revolução Cultural foi iniciada oficialmente quando Mao tornou a disputa no interior do PCCh pública
e publicou a Circular 16 de Maio. Nesse documento ele convocava a população da China para auxiliá-lo na
luta contra os reacionários e burgueses em crescimento no país. Isso fez com que as massas, sobretudo
estudantes, aderissem à convocação de Mao e iniciassem um período de violência na China.
Quando Mao convocou a população, foi criada a Guarda Vermelha, milícia popular que seguia as ideias
de Mao conforme elas foram registradas no Livro Vermelho. Os membros da Guarda Vermelha estavam
espalhados por toda a China, difundindo o maoismo e denunciando aqueles que o criticavam e não se
encaixavam nos seus ideais.
Os membros da Guarda Vermelha foram orientados a perseguir os “quatro velhos”, conjunto de coisas
que deveriam ser superadas no país. Essas coisas eram as velhas ideias, as velhas culturas, os velhos
costumes e os velhos hábitos. Com isso, um dos primeiros alvos da revolução foi a milenar cultura chinesa.
O plano econômico denominado Grande Salto Adiante (1958 — 1960) fracassou e provocou a morte de
milhões de pessoa por causa da fome. Esse fenômeno ficou conhecido como a Grande Fome Chinesa.
Por isso, a oposição começou a crescer dentro de setores menos radicais do Partido Comunista,
resultando, então, na Revolução Cultural Chinesa para neutralizar os opositores de Mao Tsé-tung.
Com o objetivo de perseguir seus opositores no interior do partido e membros da sociedade que não se
alinhavam com a ideologia de Mao. A Revolução Cultural estendeu-se por 10 anos, disseminou violência
no país e resultou na morte de milhões de cidadãos chineses.
O resultado disso foi desastroso e a produção agrícola da China despencou, com isso, o país foi obrigado
a comprar alimentos de nações ocidentais, para amenizar esses efeitos. Em consequência do Grande
Salto, no começo da década de 1960, a China enfrentou a Grande Fome, e os historiadores afirmam que
de 20 milhões a 40 milhões de pessoas morreram pela falta de comida no país.
A Revolução Cultural era verdadeiramente uma tentativa de reformar radicalmente a cultura chinesa,
apagando em definitivo traços da cultura pré-revolução. A perseguição contra os professores no país
praticamente parou o sistema de educação chinês, sobretudo o superior. Os membros da Guarda
Vermelha foram orientados a denunciar não somente seus professores mas também seus pais.
Os casos de violência cometida contra os intelectuais e artistas dispararam. Os perseguidos pela Guarda
Vermelha eram reenviados para “campos de reeducação”, e nesses locais eram colocados em regime de
trabalho forçado, além de enfrentarem reeducação política baseada nos princípios do maoismo.
O plano econômico proposto por Mao, além de ter sido uma tragédia para a população chinesa, foi ruim
para a popularidade do líder no interior do Partido Comunista Chinês, o PCCh. Mao passou a ser criticado,
e uma disputa de poder e influência começou a delinear-se nos quadros daquele partido.
A facção de Mao, enfraquecida pelo fracasso do Grande Salto, começou a visualizar o crescimento da
facção de Liu Shao-Chi e Deng Xiaoping, que tinha uma visão mais moderada acerca das transformações
e das políticas que Mao defendia para a China.
As críticas a Mao no interior do partido também eram uma influência da desestalinização que havia
acontecido na União Soviética. Esse processo colocou fim ao culto ao líder naquele país, sobretudo a
Stalin, e isso se refletiu na China, sobretudo na forma como Mao era tratado. A desestalinização também
contribuiu para piorar das relações entre URSS e China, pois Mao não concordava com as medidas do
governo soviético.
Além disso, a Revolução Cultural é considerada como um período obscuro na China e é chamada de “a
década perdida” pelos chineses. O país desorganizou-se nesse período, e qualquer ação voltada para o
desenvolvimento da China foi colocada em segundo plano. A prioridade no país era a perseguição contra
os que pensavam diferente do seu ditador.
Depois que Mao faleceu, a Revolução Cultural teve fim e um novo governo assumiu o comando da China.
Em 1978, Deng Xiaoping, opositor de Mao que tinha sido perseguido e enviado para um campo de
reeducação durante a Revolução Cultural, assumiu a presidência da China.
União soviética na Guerra Fria
A União Soviética saiu da Segunda Guerra Mundial totalmente destruída, mas da
destruição o país emergiu como vitorioso e passou a ocupar o papel
de potência junto dos Estados Unidos. O leste europeu passou a estar sob
influência direta dos soviéticos, levando à formação de um bloco socialista.
A rivalidade entre americanos e soviéticos e suas diferentes ideologias deram
surgimento a um conflito político-ideológico conhecido como Guerra Fria, que se
estendeu de 1947 a 1991. Para demonstrar seu poderio frente aos
estadunidenses, os soviéticos realizaram consideráveis investimentos em áreas
diversas, como esporte, tecnologia, indústria bélica etc.
URSS após a morte de Stalin
Nos últimos anos do governo de Stalin, o culto ao líder ganhou força, sobretudo
por conta da vitória do país na guerra. No entanto, um derrame acabou
levando-o à morte, em 1953. O país agora era governado por um novo líder pela
primeira vez depois de quase 30 anos. Sua morte resultou em profundas
transformações na União Soviética.
Em 1952, Geórgiy Malenkov tornou-se membro do secretariado do PCUS ( Partido
Comunista da União Soviética), a morte de Stalin, no ano seguinte, alçou Malenkov
brevemente ao posto mais alto da URSS e, ele chegou a ser Premier e primeiro-
secretário do partido.
No entanto, por oposição de membros do parlamento , Malenkov foi forçado a
renunciar à liderança do partido em 13 de março, sendo sucedido por Nikita
Khruschev em setembro. Durante alguns anos, existiu uma espécie de governo
conjunto entre Khruschev e Malenkov.
Malenkov continuou como premier por dois anos, durante os quais foi o governante de
facto da URSS. Nesse período, ele deixou clara sua oposição ao uso de armas
nucleares e declarou que "uma guerra nuclear poderia levar à destruição global".
Também defendeu a reorientação da economia soviética para a produção de bens de
consumo em detrimento da indústria pesada, algo que seu sucessor Khruschev iria
enfatizar.
Kruschev encerrou o culto a Stalin que existia no país com base em denúncias de todos
os crimes que foram cometidos pelo antigo líder ao longo das suas quase três décadas
no poder. De maneira sutil e silenciosa, o governo iniciou o processo de desestalinização
por meio da retirada de citações a Stalin em documentos governamentais e pela não
realização de comemorações tradicionais, como a de seu aniversário. Além
disso, medidas de repressão impostas por Stalin foram gradativamente revertidas.
Kruschev x Kenedy
Em outubro de 1962, o confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética colocou
o mundo à beira de um conflito nuclear. No dia 22 de outubro, o presidente John
Kennedy denunciou, em pronunciamento pela televisão, a existência dos mísseis
russos na América Central. Para ele, a transformação de Cuba em base estratégica,
com a instalação de armas de destruição em massa, representava uma ameaça à paz e
à segurança do continente americano. Ainda no mesmo dia, os EUA decretaram um
bloqueio naval contra a ilha de Fidel Castro e deram um ultimato à URSS. Kennedy
exigiu do chefe de Estado Nikita Khruchev o imediato desmonte das rampas, a retirada
dos mísseis e a renúncia à instalação de novas armas ofensivas em Cuba. Washington
advertiu também que, caso o bloqueio fracassasse, a ilha seria invadida.
Qualquer transgressão do bloqueio por navios soviéticos poderia desencadear a
guerra entre as duas potências atômicas. A Organização das Nações Unidas ofereceu-
se para mediar. A crise foi administrada e acabou sendo contornada. No dia 28 de
outubro, Khruchev cedeu à pressão americana, retirando os mísseis e admitindo uma
inspeção da ONU. A comunidade internacional reagiu aliviada ao fim da crise. Mesmo
nos dias de maior tensão, o então ainda prefeito de Berlim Ocidental e mais tarde
chefe de governo da Alemanha Willy Brandt manteve a convicção de que a superação
dessa crise significaria um passo decisivo rumo à paz mundial.
Tanto no Leste quanto no Ocidente, reconheceu-se o risco de uma corrida
armamentista descontrolada e da rivalidade desenfreada entre as potências mundiais.
Uma das consequências foi a instalação de uma "linha direta" (o chamado "telefone
vermelho") entre Moscou e Washington, no verão europeu de 1963, onde os líderes
das 2 nações poderiam conversar diretamente entre eles e evitar possíveis
“ equívocos “ no uso de armas Nucleares.
Decadência da URSS
A decadência da URSS iniciou-se durante o governo de Leonid Brejnev, presidente do
país entre 1964 e 1982. O período em que Brejnev esteve à frente da União Soviética é
considerado como um período de grande estagnação que deu início ao fim da URSS.
Durante o governo de Brejnev, a renovação dos quadros do governo teve fim, e isso
fez com que cargos administrativos ficassem ocupados por pessoas durante anos.
Além do envelhecimento dos quadros do governo, essa falta de renovação
administrativa resultou na queda da produtividade e contribuiu para o crescimento da
corrupção.
Na economia, Brejnev foi um fracasso e a economia soviética enfraqueceu
consideravelmente. O crescimento do PIB desacelerou, a quantidade de mão de obra foi
reduzida e a qualidade de vida começou a cair. A falta de gestão levou a uma crise de
abastecimento causada pela fraca agricultura, e a indústria soviética parou de crescer.
Essa situação ficou mascarada por conta do aumento do preço do petróleo e do ouro no
mercado internacional. Com isso, a quantidade de dinheiro que o Estado conseguia
arrecadar continuava elevada e impedia a realização de reformas econômicas
necessárias. Com isso, a falta de alimento, por exemplo, era compensada pela
importação de milhões de toneladas em grãos.
Dois acontecimentos marcantes contribuíram para aumentar o desgaste da economia
soviética: a Guerra do Afeganistão de 1979 e o acidente nuclear de Chernobyl.
O primeiro foi iniciado em 1979, quando os soviéticos decidiram invadir o Afeganistão
para dar suporte ao governo comunista que existia naquele país. O envolvimento nessa
guerra custou bilhões para os soviéticos e teve final trágico, pois esses foram obrigados
a abandonar o país. O segundo acontecimento deu-se em 1986, quando uma usina
nuclear explodiu em Pripyat, cidade no norte da Ucrânia. A quantidade de recursos para
evitar que esse acidente resultasse em estragos maiores foi gigantesca.
As reformas de Gorbachev
Mikhail Gorbachev assumiu o comando da União Soviética em 1985, em meio a uma
crise institucional gigantesca. Ele acreditava que a necessidade de reformas era urgente
e, por isso, propôs a realização de duas reformas.
A Glasnost (transparência política), que defendia uma abertura política com ênfase no
combate ao autoritarismo e na promoção de mais liberdade no país. Já a Perestroika
(reconstrução econômica), que visava uma reformulação da economia do país, com
o menor envolvimento do Estado na economia, e o incentivo a investimentos
privados na economia soviética.
Fim da URSS
A situação na União Soviética durante o governo de Gorbachev era caótica, e as
reformas não deram os retornos esperados, sobretudo na economia. O resultado foi que
a crise na economia resultou em uma crise política que incentivou o desenvolvimento
de movimentos de autodeterminação.
A ala mais conservadora do Partido Comunista não estava satisfeita com a abertura
econômica do país e passou a conspirar contra Gorbachev, para endurecer novamente
o regime. Em agosto de 1991, foi realizado um golpe militar, mas este fracassou, e
Gorbachev manteve-se como governante soviético.
Entre 1990 e 1991, os movimentos de autodeterminação ganharam força, e isso fez com
que algumas das nações soviéticas declarassem sua independência. A situação
insustentável levou Gorbachev a renunciar em 25 de dezembro de 1991, no dia seguinte
a União Soviética dissolveu-se, e, assim, surgiram 15 novas nações independentes.
A URSS existiu de 1922 a 1991 e foi formada por estas 15 nações diferentes:
Rússia ,Ucrânia , Belarus, Estônia, Letônia ,Lituânia ,Armênia, Geórgia, Moldávia,
Azerbaijão, Cazaquistão, Tadjiquistão, Quirguistão, Turcomenistão, Uzbequistão.
Os governantes principais da União Soviética durante sua história foram:
• Vladimir Lenin (1917-1924)
• Josef Stalin (1924-1953)
• Geórgiy Malenkov ( 1953-1955)
• Nikita Kruschev (1953-1964)
• Leonid Brejnev (1964-1982)
• Yuri Andropov (1982-1984)
• Konstantin Chernenko (1984-1985)
• Mikhail Gorbachev (1985-1991)
Estados Unidos na guerra fria
Projeto Manhattan
O Projeto Manhattan foi uma iniciativa dos EUA em construir as primeiras bombas atômicas da
história, no período da Segunda Guerra Mundial.
O Projeto Manhattan teve início quando o físico nuclear Leo Szilard, físico húngaro
naturalizado nos EUA, percebeu a possibilidade da Alemanha em criar bombas atômicas .Isso
porque, durante a Segunda Guerra Mundial, os físicos alemães Otto Hahn, Fritz Strassman e
Lise Meitner, descobriram a fissão nuclear. Ou seja, era muito fácil que, com a tecnologia
descoberta, os físicos conseguissem chegar a algo que acabaria com os inimigos na guerra.
Sendo assim, Leo Szilard convenceu outro importante físico da época, Albert Einstein, a
mandar uma carta assinada por ambos ao presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt.Na carta,
os físicos alertaram ao presidente sobre a possibilidade intimidante da Alemanha desenvolver
armas nucleares, já que os físicos que descobriram a fissão nuclear estavam trabalhando para
as forças alemãs.
O presidente decidiu aderir aos conselhos dados pelos físicos na carta o desenvolvimento das
primeiras bombas atômicas, faria possível evitar que novos conflitos mundiais surgissem, bem
como colocaria os EUA à frente de qualquer inimigo.
O empreendimento, que juntou a força tarefa de cientistas, militares, engenheiros e diversos
outros profissionais, originou na primeira bomba atômica da história, denominada Trinity. A
bomba desenvolvida foi testada na base secreta do Projeto, localizada no deserto de Los
Alamos, no Novo México. para que a bomba pudesse ser desenvolvida, os EUA construíram o
primeiro reator nuclear da história, localizado no Met Lab, em Chicago, O reator foi concluído
em 1942, e contou com a participação de cientistas, militares e físicos, diretor do programa foi
o físico americano Oppenheimer. Além do reator em Chicago, foi preciso construir mais três
reatores, que auxiliaram no processo de desenvolvimento da bomba.
Um mês após o teste da primeira bomba, duas novas bombas foram lançadas sobre as cidades
japonesas de Hiroshima e Nagasaki. O ocorrido marcou o fim da segunda guerra e deixou mais
de 240 mil pessoas mortas.
Corrida Armamentista
Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos se tornaram um dos principais fabricantes de armas
do planeta. O conceito de corrida armamentista marcou o período histórico da Guerra Fria e
acirrou ainda mais as disputas entre americanos e soviéticos. A Guerra Fria estimulou a
pesquisa e o desenvolvimento de diversos tipos de armamentos. Estados Unidos e União
Soviética estavam sempre prontos para lançarem novas armas inovadoras, em uma disputa
indireta por poder uma nova disputa, desta vez com forte ideologia geopolítica, militar e
tecnológica.
Em 20 de agosto de 1949, em Semipalatinsk, no Cazaquistão, foi detonada a primeira bomba
nuclear soviética. O uso de tecnologia nuclear como arma de guerra, dessa forma, deu a tônica
da corrida armamentista. O potencial de destruição das ogivas nucleares acabou por servir
como anteparo, ou freio, contra uma eventual Terceira Guerra Mundial com armamentos
convencionais. Desse modo, o que se fez durante a Guerra Fria foi uma espécie de “xadrez
geopolítico”, em que cada superpotência procurava estabelecer posições ao construir bases de
mísseis nucleares em locais estratégicos contra o inimigo, como forma de, por meio da ameaça
de um “apocalipse nuclear”, evitar disputas que desencadeassem um confronto direto.
Além dos mísseis balísticos comuns, contendo ogivas nucleares a base de plutônio ou urânio,
as duas superpotências em questão ainda desenvolveram uma arma ainda mais poderosa:
a Bomba de Hidrogênio. Essa arma, que dispõe de tecnologia termonuclear, foi planejada e
construída pelos cientistas Edward Teller e Stanislaw Ulam, a serviço do Exército dos EUA.
A bomba de Teller e Ulam foi testada no Atol Eniwetok, no Oceano Pacífico, em 1º de
novembro de 1952, três dias antes da eleição de Dwight Eisenhower , ex-chefe do Estado-
Maior do Exército dos Estados Unidos como presidente da República. A explosão foi muito
mais intensa do que se esperava, com mais de 10 megatons, ou seja, mil vezes mais potente
do que a bomba de Hiroshima. Um observador em um avião a cem quilômetros de distância
disse que ver a cena era como “olhar para a eternidade ou para as portas do inferno”.
Em 12 de agosto de 1953, os soviéticos, por sua vez, realizaram o primeiro teste com bomba
de hidrogênio. Em 1º de março de 1954, os EUA detonam, no Atol de Bikini, a bomba Castle
Bravo, de 15 megatons. Começava a “corrida” para se chegar à “bomba do fim do mundo”,
com mais de 50 megatons de potência, isto é, mais de 700 vezes o poder da bomba lançada
sobre Hiroshima.
O ponto mais alto da construção de uma bomba de hidrogênio se deu em 1961, por iniciativa
também dos soviéticos, com o projeto RDS-220, que ficou conhecido como Tsar
Bomba. Armas nucleares também foram desenvolvidas pelo Reino Unido (1952), França
(1960) e República Popular da China (1964), o que contribuiu para o estado de conflito e
extrema tensão que ficou conhecida como Guerra Fria.
Doutrina Truman
Após a Segunda Guerra Mundial, vários países, especialmente os europeus, se encontravam
abalados pela guerra. Desta forma, começava a ficar evidente a bipolaridade no mundo: de um
lado, o capitalismo americano ; de outro, o comunismo soviético. A ameaça soviética tornou-se
mais forte em virtude da situação frágil dos países europeus, que poderiam ser presas
relativamente fáceis da influência da soviética O intuito era impedir a proliferação
do comunismo e garantir o pleno funcionamento do capitalismo mundial diante das manobras
da política soviética.
O presidente americano Harry Truman começou a elaboração de políticas que tinham como
objetivo, interferir diretamente no avanço do comunismo e oferecer ajuda aos países que se
encontravam em situações críticas. através da Doutrina Truman, os Estados Unidos passaram a
interferir em todo conflito armado que tivesse como causa central, a relação entre capitalismo
e socialismo. Um desses conflitos foi a Guerra da Coréia.
Outra política que foi adotada com base e com os mesmos objetivos da Doutrina Truman foi o
Plano Marshall, que visava auxiliar os países que se encontravam frágeis economicamente
devido à Segunda Guerra, no entanto, a real intenção estadunidense talvez fosse a de criar
vínculos com esses países, dificultando o envolvimento deles com a potência socialista.
Doutrina Eisenhower
O general Dwight David Eisenhower, foi eleito presidente dos Estados Unidos pelo Partido
Republicano em 4 de novembro de 1952, esta eleição ocorreu numa época em que a tensão da
Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética se acirrava.
A tensão interna criada e o cansaço após dois anos de impasse sangrento na Guerra da Coreia,
mais a Revolução Comunista de Mao Tse Tung vitoriosa na China, o domínio das armas
nucleares pelos soviéticos e a recessão do início dos anos 1950 constituíam o cenário para uma
agitada disputa presidencial.
A campanha de Eisenhower foi das primeiras a se empenhar na conquista do voto feminino,
discutindo temas como educação infantil, custo de vida, fim da Guerra da Coreia e outras
questões sensíveis para as mulheres, o que o levou a conquistar uma sólida maioria do voto
feminino.
Eisenhower atacou o comunismo e a corrupção, considerando o governo Truman um fracasso
para lidar com estas questões. Acusou a administração de negligenciar a América Latina,
permitindo que “agentes comunistas explorassem a miséria local, capitalizando-a
politicamente, com o fim de torna-la comunista . As acusações de que espiões soviéticos
haviam se infiltrado no governo atormentou a administração de Truman, fato que se tornou
tema importante de campanha.
A Doutrina Eisenhower foi anunciada no Congresso dos Estados Unidos no dia 5 de janeiro de
1957. Ele determinava o uso de forças armadas contra qualquer ação de opositores que
ameaçasse os Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, o presidente Dwight Eisenhower aprovou a medida de auxílio de variadas
formas aos países que se posicionassem contra o regime soviético e comunista.
A Doutrina Eisenhower foi apresentada em um momento político mundial que poderia levar a
uma guerra generalizada. Na ocasião, a União Soviética ameaçava fazer uso do Canal de Suez, o
que seria um pretexto para invadir o Egito.
Por causa da fraqueza dos governos locais e de governos europeus, o presidente estadunidense
Eisenhower concluiu que parear forças seria a melhor alternativa para evitar o avanço
soviético.
Eisenhower, estava preocupado com a nova intromissão das potências coloniais na região (o
conflito pelo Canal de Suez, entre britânicos e franceses, e o avanço de Israel) e acusava o
"comunismo internacional" de agravar e inclusive manipular a situação. Para contrabalançar o
suposto avanço do poder soviético na região, Eisenhower sugeriu ao Congresso uma resolução
para prestar apoio econômico e militar ao Oriente Médio.
Na realidade, sua doutrina repetia os princípios da Doutrina Truman, editada dez anos antes,
beneficiando a Grécia e a Turquia. Depois da criação da Organização do Tratado do Atlântico
Norte (Otan) no Ocidente, e da Organização do Tratado do Sudeste Asiático (Seato), em 1955
havia sido criado o Pacto de Bagdá, fechando a frente contra a União Soviética.
O fornecimento de armas por Moscou havia aumentado a influência soviética sobre a Síria e o
Egito. Depois da derrubada da monarquia no Iraque pelos militares, em 1958, e da advertência
do presidente conservador do Líbano, Kamil Chamoun, para o perigo de um golpe socialista em
seu país, os EUA resolveram intervir diretamente, através do envio de fuzileiros navais por três
meses a Beirute.
A missão norte-americana no Líbano foi criticada, pois a Doutrina Eisenhower permitia apenas
intervenção em caso de ameaça à segurança externa. Apesar de não quererem mais uma
missão como a de 1958 no Líbano, os EUA tentaram conquistar os países da região através de
apoio político e econômico. E essa fórmula, a longo prazo, surtiu mais efeito do que a Doutrina
Eisenhower.
A ascensão de Gamal Abdel Nasser no Egito fez com que a Doutrina Eisenhower falhasse
também. O presidente egípcio, dono de uma posição favorável aos comunistas, conseguiu
expandir sua influência no Iraque e na Arábia Saudita. Todavia, a medida que seu
relacionamento com os soviéticos foi se enfraquecendo, os Estados Unidos foram ganhando
mais espaço.
A região do Oriente Médio, grande produtora mundial de petróleo, ganhou grande atenção
durante o governo de Eisenhower. Com medo das trágicas consequências econômicas que
ocorreriam se os estadunidenses perdessem o domínio da região para os comunistas, as
investidas da Doutrina Eisenhower na região foram intensas.
O Egito se distanciou da União Soviética – alguns anos mais tarde, inclusive, fez as pazes com
Israel, enquanto as nações do Golfo se aliaram a Washington. Devido a este apoio incondicional
a Israel, muitas nações árabes ainda hoje veem com ceticismo as intenções de Washington.
Macarthismo
No contexto da Guerra Fria, o macartismo representou uma verdadeira “caça às bruxas” nos
EUA, buscando investigar ações políticas de milhares de cidadãos do país supostamente ligados
ao comunismo. Tal movimento político norte-americano para tentava combater o comunismo
no país nos anos 1950 , mesmo que isso significasse violar o direito civil à opinião política,
previsto na Constituição, motivado pela paranoia da Guerra Fria, entre EUA e URSS, o
macarthismo foi personificado pelo senador republicano Joseph McCarthy – daí seu nome.
Como presidente do Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas do Senado,
McCarthy cometeu diversos abusos: autorizou quebras de sigilo, violou fundamentos legais
(como o direito à ampla defesa ) pressionou interrogatórios e divulgou listas de supostos
adeptos do comunismo.
As investigações não poupavam ninguém: membros do Exército, do governo e do próprio
Parlamento. Especialmente, professores, escritores, artistas e sindicalistas. Em Hollywood,
vários diretores, produtores e atores tiveram a carreira arrasada por entrarem na “lista negra”.
Mas os excessos de McCarthy custaram caro. Com o tempo, ele passou a ser acusado de usar
sua posição no Senado para perseguir desafetos políticos. Lentamente, perdeu espaço no
cenário norte-americano a parcialidade nas investigações, as quais atingiam o próprio governo
republicano e o exército, o que chocou a opinião pública americana e culminou no fim do
macarthismo.
Logo após o mandato do general Dwight Eisenhower, os norte-americanos viveram momentos
de estagnação econômica e depararam com conflitos políticos internacionais. A ameaça
comunista tinha embalado o governo de Eisenhower em gastos exorbitantes na corrida
espacial contra a União Soviética. Ao mesmo tempo, as tensões do mundo bipolar ocasionaram
grande insegurança à pretensa hegemonia Americana no mundo.
A construção de uma das maiores potências mundiais passou por obstáculos que se
desenvolveram em um mundo marcado por transformações. A Guerra Fria e os direitos civis
eram algumas das novas questões que alertavam os EUA , no início dos anos de 1960.
Essa preocupação com problemas externos, acabou deixando de lado um vasto conjunto de
questões internas a serem resolvidas nos Estados Unidos. A emergência dos problemas
nacionais fez com que um jovem e “moderno” político democrata vencesse as eleições de
1960. John Kennedy chegou ao poder interessado em oferecer propostas que envolviam a
busca por igualdade e justiça social.
Era Kennedy
Comparado aos mandatos antecessores, Kennedy marcou sua administração pela adoção de
leis que ampliavam direitos sociais e promoviam a integração racial . Ao combater
objetivamente a questão racial dos Estados Unidos, Kennedy remexeu em uma questão
polêmica não só da política, bem como da cultura norte-americana.
Na política externa, o tom moderado de Kennedy não era o mesmo dedicado à sua nação. No
Vietnã, houve uma intervenção militar que resultou em uma das mais longas guerras travadas
pelos Estados Unidos. A Aliança para o Progresso foi um projeto político executado durante a
presidência de John F. Kennedy . O objetivo era integrar os países da América aspectos
político, econômico, social e cultural frente à ameaça soviética no continente.
A Carta de Punta del Este, criada em agosto de 1961, era o delineamento do projeto da Aliança
para o Progresso, conclamando os dirigentes latino-americanos a criarem planos de
desenvolvimento nacional que seriam auxiliados pelo governo estadunidense.
Os planos dariam ênfase à educação, saúde, habitação e teriam como entidade articuladora da
Aliança a USAID ( United States Agency for International Development ) . Mais de 80 bilhões de
dólares deveriam financiar o projeto, com os EUA disponibilizando para os países participantes
cerca de 20 bilhões.
Apesar do discurso de auxílio humanitário, o objetivo principal era garantir que o avanço
soviético fosse contido, além de proporcionar uma abertura ao investimento das empresas de
capital estadunidense nos países latino-americanos. No contexto da Guerra Fria e da Revolução
Cubana, a Aliança para o Progresso era a cartada jogada pelos EUA para propagandear os ideais
econômicos e culturais do capitalismo ocidental
Participaram da elaboração das ações a serem adotadas pela Aliança para o Progresso nomes
como o de Juscelino Kubitschek, pelo Brasil, e Raúl Prebisch, pela Argentina.
A preocupação com o avanço soviético se dava principalmente depois que a Revolução Cubana
tomou rumos que desagradavam ainda mais os capitalistas estadunidenses, como a
cooperação recebida da URSS a partir de 1961. Era necessário para os capitalistas e seus
governos na América Latina diminuir as desigualdades sociais e combater a miséria existente
no continente , o Incidente da Baía dos Porcos foi resultado de uma tentativa do governo
Kennedy em derrubar o governo cubano por meio do treinamento de exilados cubanos que
deveriam tomar o poder de Fidel Castro, porem fracassou.
Criava-se assim uma imagem de que os EUA estavam à frente dessas iniciativas para evitar que
os países da América Latina pudessem aproximar-se dos ideais da URSS.
Além disso, Kennedy lançou o desafio da ida do homem à Lua, dando continuidade à corrida
espacial iniciada durante a Guerra Fria. Em 1962, na Crise dos Mísseis, Kennedy denunciou a
existência de ogivas nucleares soviéticas em Cuba.
As incertezas trazidas pelas tensões militares da ordem bipolar e as ações que lutavam contra
o problema racial nos Estados Unidos fizeram com que Kennedy tornasse nome fácil na boca
de muitos simpatizantes e opositores.
No dia 22 de novembro de 1963. O presidente norte-americano John Kennedy foi assassinado
em Dallas, no Texas, O atentado fatal contra Kennedy até hoje está envolto sob um manto de
mistério. Pela versão oficial, Lee Oswald, foi quem deu o tiro fatal do sexto andar de um
depósito de livros contra o presidente que desfilava pelas ruas da cidade.
Lee Harvey Oswald, o homem acusado de matar o presidente americano John F. Kennedy em
22 de novembro de 1963, morou por mais de dois anos na União Soviética antes de
supostamente cometer o crime.
Ele havia acabado de desertar do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, quando se mudou para
Minsk, capital de Belarus, então república soviética, em plena Guerra Fria. Mas, apesar de ter
desertado para se juntar à superpotência socialista e alegar ser marxista, ele retorna os EUA.
No dia do assassinato, John F. Kennedy não estava no Texas por acaso. Ao decidir participar de
um evento político ali, no fim de 1963, ele sabia que precisava dedicar atenção especial ao
estado, se quisesse conquistar a reeleição.
Em 1963, a situação da segregação racial no país estava no limite e as demandas por
mudanças batiam às portas da Casa Branca.
Em agosto daquele ano, Martin Luther King Jr. eternizou o momento com o discurso , I have a
dream, (eu tenho um sonho ) no Memorial Lincoln, a poucos metros da Casa Branca. Três
meses mais tarde, com o país imerso na emoção pela morte de Kennedy e as ruas fervilhando
em manifestações, o presidente da comissão sobre regras da Câmara dos Deputados, o
segregacionista Howard Smith, não viu outra alternativa senão desengavetar o projeto, que
seria aprovado pelo Congresso no semestre seguinte.
O projeto de lei apresentado naquele ano contra a discriminação racial que alienaria
praticamente todo o sul do país para o Partido Democrata, cuja base eleitoral estava ali. E
Kennedy previu isso. Ele não assistiu à sua Lei dos Direitos Civis ser aprovada, o que ocorreu
com o sucessor, Lyndon Johnson, em 2 de julho de 1964. No entanto, a iniciativa pôs fim a
diversos sistemas de segregação racial nos Estados Unidos e transformou-se em um dos
principais legados do presidente.
Com a morte de Kennedy. O presidente norte-americano Lyndon Johnson adota uma doutrina
de relações estáveis com governos militares que começam a se estabelecer em países da
América Latina, porém também suspende recursos da "Aliança para o Progresso".
Lei dos Direitos Civis e o Combate ao racismo
Martin Luther King Jr. era pastor da Igreja Batista, suas primeiras falas trazem forte entonação
religiosa que, aos poucos, vai sendo modificada para uma perspectiva mais especificamente
ética para chegar finalmente à abordagem dos direitos civis. O combate ao racismo se coloca
para ele não mais (ou não mais apenas) como um “dever de cristão”, mas passa a ser encarado
e tratado como direito civil.
Os assassinatos do doutor Martin Luther King Jr., em 4 de abril de 1968, e do senador Robert
Kennedy, em 5 de junho de 1968, banharam com sangue uma luta múltipla, Kennedy tinha
proximidade com Luther King na abordagem, diferindo dele, porém, por atuar no contexto do
Estado norte-americano, como senador, na escuta dos movimentos sociais de então, que
tinham, em King, uma de suas mais notáveis lideranças.
A segregação racial vigorou como lei em muitos estados norte-americanos, restos e sequelas
do final da escravidão a que chegaram por meio de guerra civil. Ora, o regime segregacionista
estabelecia que houvesse escolas para crianças brancas e escolas para crianças negras,
rigidamente separadas, sem qualquer exceção.
Sucede que para algumas crianças negras, estudar na escola que lhe era permitido pela
segregação, significava viajar para outra cidade, independentemente de sua idade ou condição
física e psicológica. Contra esse estado de coisas, a família de Linda Brown, então uma menina
de sete anos, decidiu lutar.
Matriculada em uma escola “para negros”, Linda seguiu no início daquele ano letivo, em
setembro de 1950, levada por seu pai, Oliver Leon Brown, pastor da Igreja Afro-Metodista
Episcopal, para a escola “para brancos”, próximo à sua casa, com toda a naturalidade.
Sendo impedida de frequentar a escola “legalmente”, nesse caso, pela lei da segregação
racial, seu pai decidiu entrar com processo na Justiça, que ficou historicamente conhecido
como Brown v. Board of Education of Topeka, Kansas.
Tal ação foi apoiado pela National Association for the Advancement of Colored People –
NAACP, cujos advogados o representaram. Observe-se que a NAACP era uma das muitas
associações que se organizaram em torno do combate ao racismo pela via judicial, e que se
ligavam aos grupos liderados por Luther King.
Finalmente, em 1954, os litigantes chegaram à Suprema Corte norte-americana, que acolheu o
caso, dando vitória à família Brown. Em sua decisão, a Suprema Corte reconheceu que toda
criança tem o direito de ir à escola pública em condições de igualdade às demais, sem
qualquer obstáculo ou empecilho, sem qualquer discriminação, vitória essa que impôs o fim da
segregação racial nas escolas de todo o território norte-americano. Era, de fato, a primeira
quebra na segregação racial, obtida junto à Justiça, portanto por meios pacíficos,
reconhecendo a possibilidade de mudança nas leis, mudança no Estado.
O segundo exemplo refere-se à mobilização havida para o fim da segregação racial no
transporte público, praticada mediante separação de lugares nos ônibus, ficando para os
negros os assentos no fundo do veículo, em número bem menor do que os assentos
reservados, na frente e no meio, para os brancos. Na prática, era frequente que os negros e
negras viajassem amontados, em pé, enquanto assentos “para brancos” permaneciam vazios.
A mobilização já vinha sendo pensada, quando, em 1955, em Montgomery, cidade do
Alabama, a sra. Rosa Parks, costureira, decidiu entrar pela porta da frente e sentar-se em um
dos bancos reservados “para brancos”.
Quando tentaram retirá-la, argumentou que estava cansada e os bancos, vazios, mas apenas
obteve como resposta ser atirada do ônibus para fora, processada e condenada por violar a lei,
no caso, da segregação racial em transportes públicos.
Ciente da força econômica representada pela comunidade negra como usuária do transporte
público, que dependia das passagens que pagavam para seguir operando, foi organizado um
boicote aos ônibus, liderado pessoalmente por Martin Luther King, ainda jovem. Iniciado
quando Rosa Parks sofreu condenação, a população negra deixou de tomar ônibus, indo e
voltando do trabalho apenas a pé. Multidões de trabalhadores negros e negras tomavam a
beira das estradas e ruas, em grupos, saindo mais cedo de casa e voltando mais tarde, pelo
tempo para deslocamento.
O boicote durou mais de um ano, sendo interrompido apenas pela Suprema Corte que decidiu
que era inconstitucional a segregação racial nos transportes públicos. Mais uma vez a
conquista do direito pela mobilização e pela mudança da lei tiveram sucesso.
Nos anos 1960, A liderança de Martin Luther King foi marcada à resistência não violenta , por
essa disposição reunindo em torno do combate ao racismo uma diversidade de participações:
cristãos e não cristãos, ateus, políticos, gente que despertava para o poder da mobilização.
Não à toa o poder de sua liderança atraiu o ódio mortal daqueles que o viam como
impedimento à continuidade do racismo e da segregação racial, da guerra no Vietnã.
Em meio a toda a inovação e contracultura de 1968, pairavam também outras abordagens
contra o racismo, que acharam espaço com o assassinato de Luther King.
O Partido dos Panteras Negras, de orientação marxista, aliado ao Partido Comunista, em
pleno auge da Guerra Fria, pregando a ação armada como via de libertação racial, ao mesmo
tempo que se impõe na propagação de imagens identitárias indeléveis, como o cabelo black
power, une-se a outros grupos, especialmente nos campi universitários, em manifestações
violentas, em 1968, obtiveram novos seguidores, que traziam o rancor da oportunidade
histórica perdida com o assassinato de Martin Luther King.
A Nação do Islã, que primeiramente acolheu Malcolm X quando era jovem presidiário,
promovido a seu principal líder, para depois assassiná-lo, em 1965, quando, desencantado
com os rumos da organização, decidiu pregar o Islã sem violência, estava pronta para seguir a
proposta que vinha de antes, de separação absoluta entre brancos e negros, com a primazia
negra e masculina obtida pela via da violência.
Crise Política na Guerra do Vietnã
Junto do movimento dos Direitos Civis, crescia também o movimento da contracultura. Massas
de pessoas, formadas principalmente por jovens, acusavam a sociedade ocidental de impor
uma moralidade opressiva. Defendiam a liberdade sexual, o uso recreativo de drogas e o fim
do conflito.
Em meio a esses movimentos, a pauta da Guerra do Vietnã se tornou protagonista. Essa
agitação social fez com que grupos cada vez maiores fossem às ruas protestar pela saída da
América do conflito.
Esse movimento começou sendo puxado pelos jovens de mentalidade revolucionária e por
grupos de direitos civis que denunciavam o racismo na convocação dos militares. Logo ele foi
se ampliando para outros grupos sociais, incluindo pais que perderam seus filhos na guerra. O
governo americano assistia a Guerra do Vietnã se tornar cada vez mais impopular.
A violência na Guerra já era conhecida em todo o mundo por mais que o governo americano
tentasse amenizar. O uso de arma química, como o Agente Laranja, e a bomba incendiária,
como o napalm, foram amplamente denunciados como um abuso dos Estados Unidos.
A China comunista e a União Soviética financiavam o Vietnã do Norte que promovia tortura e
matava americanos a sangue frio. O povo americano não queria mais enviar seus filhos para a
guerra. O conflito passou a ser desprezado pela população. Os protestos da população
aumentaram nos Estados Unidos.
No campo militar, os americanos continuavam a enfrentar dificuldades para combater os
vietcongues no território que eles conheciam. O desconhecimento do espaço somado ao
desespero, fez com que os EUA lançassem mão de muitos ataques aéreos. Em março de 1968,
os EUA atacaram uma aldeia por engano, acreditando que lá estavam vietcongs escondidos.
Cerca de 500 vietnamitas civis foram mortos no ataque, o que ficou conhecido como o
massacre de My Lai, que era o nome da aldeia. Isto teve uma péssima repercussão
internacional para o governo americano.
A situação demonstrava instabilidade política e militar dos EUA. Em janeiro desse mesmo ano,
1968, começou a Ofensiva do Tet.
No dia 31 de janeiro de 1968, após uma trégua devido a um feriado vietnamita, os
vietcongues fizeram um ataque simultâneo a 36 capitais do país. Foi uma explosão de conflitos
que resultou em milhares de mortes.
Os americanos, juntos aos vietnamitas do Sul, levaram a melhor e conseguiram reduzir muito
o poder de fogo de Ho Chi Minh. O problema para os americanos é que alguns desses conflitos
ocorreram em locais próximos à embaixada e foram televisionados em tempo real para o
mundo todo.
Os comandantes americanos no Vietnã pediram mais soldados à Casa Branca, o que foi
negado. Os americanos civis não defendiam mais a guerra. A pressão para a saída dos EUA era
grande.
Mesmo depois de uma vitória do ponto de vista tático, sem o braço político a guerra era
insustentável. A estratégia americana foi treinar os sul-vietnamitas para que eles pudessem
terminar a guerra sozinhos agora com o Norte enfraquecido. Apenas cinco anos depois, em
1973, foi assinado o Acordo de Paris que cessou o fogo e permitiu a evacuação das tropas
americanas.
Não houve paz quando os americanos saíram do país. De maneira violenta e rápida, o Vietnã
do Norte atacou o Sul e conquistou o controle do país em abril de 1975, dando fim à guerra.
Em 1976, o Vietnã é oficialmente reunificado sob o domínio do governo comunista. A capital
do Vietnã do Sul, Saigon, é rebatizada de Cidade de Ho Chi Minh em homenagem ao líder do
Norte que morreu em 1969, antes de ver o sucesso do seu movimento.
O intelectual Carl von Clausewitz defende que a guerra pode ser simplificada em três pilares:
● razão, que é o governo;
● paixão, que é o povo;
● habilidade, que é o exército.
Do ponto de vista da habilidade, mesmo enfrentando grandes dificuldades, os Estados Unidos
tinham recursos para continuar lutando. Então por que ele decidiu se retirar da Guerra do
Vietnã?
Porque os outros dois pilares estavam abalados. O povo já estava emocionalmente contra a
guerra, não viam propósito naquilo e tinham medo de verem filhos ou conhecidos irem morrer
no conflito. O governo americano é uma democracia, e sem o apoio do povo ele não consegue
se manter favorável ao conflito.
Era Nixon
Em 1968, Richard Nixon se candidatou à presidência, aproveitando o desgaste dos
democratas em relação à Guerra do Vietnã. Nesse período, os Estados Unidos viviam
momentos de instabilidade provocados pelos protestos contra a guerra e as mortes do líder
negro Martin Luther King e do pré-candidato democrata Robert Kennedy. Nixon conseguiu a
nomeação do partido republicano e se tornou novamente candidato presidencial. Pelo lado
democrata, Hubert Humphrey, vice-presidente, foi o escolhido.
Durante a campanha, Nixon tentou mostrar ao eleitor norte-americano que ele era um líder
moderado capaz de governar o país naqueles tempos de incertezas e mobilizações sociais. Sua
campanha se baseou na promessa de encerrar a Guerra do Vietnã, garantindo a paz no
Pacífico, e na crítica à taxa de criminalidade. Nixon derrotou Humphrey e foi eleito o 37º
presidente dos Estados Unidos.
Depois de dois mandatos democratas, os republicanos voltavam à Casa Branca. Richard Nixon
foi empossado presidente em 20 de janeiro de 1969. Em seu discurso de posse, o novo
presidente manteve a promessa de ser um líder pacificador e encerrar o conflito no Vietnã.
Os protestos pacifistas continuaram nos Estados Unidos, e Nixon se dispôs a encerrar a guerra
o mais rápido possível. Meses após a sua posse, ele iniciou negociações de paz com o Vietnã
do Norte e a retirada das tropas norte-americanas.
Em julho de 1969, Nixon visitou o Vietnã do Sul e prometeu a retirada progressiva das tropas,
porém ele autorizou ações militares contra o Norte. A visita de Nixon à Ásia foi marcada por
protestos. A imprensa norte-americana começou a publicar documentos secretos, vazados do
Pentágono, sede do Departamento de Defesa, sobre as mentiras que os governos anteriores
tinham publicado sobre a Guerra do Vietnã.
A princípio, Nixon não se importou com a divulgação desses documentos, mas foi persuadido
por assessores a proibir a divulgação. Acionada, a Suprema Corte deu parecer favorável aos
jornalistas. Essas divulgações só aumentaram as críticas à condução da Casa Branca no Vietnã
e a pressão para que a guerra acabasse imediatamente.
Em 1971, começaram a retirada das tropas do Vietnã. Dois anos depois, o Acordo de Paris foi
assinado, e o cessar fogo permitiu a retirada total das tropas norte-americanas e o
encerramento do conflito que matou tantos soldados. Em 1975, o Vietnã do Norte conquistou
o Sul, e o país foi unificado.
Nixon procurou se aproximar da China liderada por Mao Tsé-Tung. Henry Kissinger foi seu
conselheiro nessa aproximação e se tornou Secretário de Estado. No final dos anos 1960, no
auge da Guerra Fria, as relações entre China e União Soviética estavam desgastadas e a
cordialidade entre norte-americanos e chineses poderia ser um golpe nos soviéticos.
Em fevereiro de 1972, Nixon viajou para a China e se encontrou com Mao, e reconheceu
Taiwan como parte da China. A imprensa norte-americana acompanhou a viagem, e Nixon fez
questão de que as imagens capturassem seu encontro com as lideranças chinesas.
Após a aproximação com a China, Nixon estreitou as relações com a União Soviética a respeito
da manutenção da paz nuclear. Em 1972, Nixon desembarcou em Moscou e selou acordos
comerciais e de controle de armas. Dois anos depois, ele fez nova visita à capital soviética,
mostrando a proximidade entre os dois países.
No Oriente Médio, o governo Nixon aumentou a venda de armas para os países da região e
defendeu que Israel fizesse um acordo de paz com os países árabes, evitando novos conflitos.
Entretanto, a tensão entre judeus e árabes era permanente, e, em 1973, começou a Guerra do
Yon-Kipur, que foi vencida por Israel, que contou com apoio militar norte-americano. Após a
guerra, Nixon buscou manter relações diplomáticas com o Oriente Médio, e uma de suas
últimas visitas internacionais como presidente dos Estados Unidos foi a essa região.
A Guerra do Vietnã era o centro das atenções do governo tanto na política externa como
internamente. Os gastos com o conflito geravam protestos e afetavam a economia por meio
do aumento inflacionário. Nixon ampliou o acesso dos negros às escolas públicas e suas
participações em cargos do governo. Ele apoiou as políticas ambientais ao criar a Agência de
Proteção Ambiental. O governo aumentou o combate às drogas no país.
Na corrida espacial contra a União Soviética, os Estados Unidos obtiveram uma importante
vitória ao chegar à Lua por meio da Apolo 11, em 1969. Nixon conversou por telefone com os
tripulantes da nave. Apesar desse feito histórico, o presidente não apoiou financeiramente os
projetos da Nasa de continuar investindo em viagens à Lua e de estabelecer uma estação
espacial por lá. Ele decidiu encerrar a corrida espacial, iniciada por John Kennedy, em 1961, e
aprofundada por Lyndon Johnson nos anos seguintes. Em maio de 1972, Nixon aprovou um
programa espacial cooperativo entre norte-americanos e soviéticos.
Com as eleições presidenciais de 1972, Nixon foi naturalmente o candidato à reeleição pelo
Partido Republicano, tendo como adversário o democrata George McGovern. Nixon foi
reeleito com 60% dos votos populares."
Watergate
Em 17 de junho de 1972, durante a campanha para as eleições presidenciais nos Estados
Unidos, cinco homens invadiram a sede do Comitê Nacional Democrata, no complexo de
edifícios Watergate, na capital americana.
Sua missão era grampear a sede desse comitê no intuito de obter materiais incriminatórios
que pudessem prejudicar a candidatura do democrata George McGovern e assegurar a
reeleição do presidente Richard Nixon, do Partido Republicano.
Após a notícia da invasão se tornar pública, os primeiros relatos na imprensa sugeriam que
pudesse haver alguma ligação com a Casa Branca. Mas Nixon manteve a alegação de que nada
sabia a respeito do caso, e acabou sendo reeleito em novembro. Em janeiro de 1973, os
invasores foram julgados e condenados.
Investigações subsequentes acabariam implicando o comitê de campanha de Nixon e
membros de seu governo. Mais tarde, foi revelado que o presidente tinha conhecimento das
ações e ainda teria se envolvido no acobertamento do caso.
De modo a evitar um impeachment, Nixon se tornou o primeiro e, até hoje, o único presidente
americano a renunciar ao cargo, em 8 de agosto de 1974.
As repetidas menções ao nome Watergate na mídia, durante anos e anos de controvérsias
geradas pelo caso, tornaram o nome do edifício um sinônimo de escândalo.
Gerald Ford, assumiu o poder após a renúncia de Richard Nixon por causa do escândalo
Watergate, Ford foi o único presidente e vice-presidente não eleito nos EUA. Ele assumiu a
vice-presidência em dezembro de 1973,dez meses mais tarde, Nixon renunciou e Ford
tornou-se o 38º presidente americano em 9 de agosto de 1974.
Menos de um mês mais tarde, em 8 de setembro de 1974, Gerald Ford tomou a decisão mais
controvertida de sua breve presidência: eximir o ex-presidente Nixon de qualquer culpa pelos
delitos que pudesse ter cometido no exercício do poder, o que resultou num perdão "total,
livre e absoluto", ainda que a investigação do caso Watergate não tivesse terminado.
Ford alegou que as dificuldades de Richard Nixon e de sua família eram "uma tragédia
americana, na qual todos tiveram seu papel. Ela poderia durar ainda muito mais se ninguém
colocasse um fim. Eu conclui que era o único que podia e devia fazer isso.
Governo Reagan
Em 1980, Reagan concorreu à presidência contra Jimmy Carter, candidato democrata que era
o atual presidente dos Estados Unidos. Na campanha, Reagan convidou George Bush (pai) para
ser seu vice e abordou questões importantes na época, como a alta da inflação e o aumento do
desemprego no país. A campanha de Reagan foi vitoriosa e ele venceu com margem folgada.
Dois meses depois de assumir a presidência, Reagan foi vítima de uma tentativa de assassinato
e acabou ferido por uma bala, que ricocheteou e o atingiu próximo da axila esquerda. Ele
passou por uma cirurgia e se recuperou depois de duas semanas internado. O autor do crime
foi John Hinckley Jr., que foi absolvido por insanidade.
As decisões tomadas pelo governo norte-americano de 1981 a 1985 recuperaram o tripé que
sustenta os EUA como principal potência mundial: liderança econômica, em especial na alta
tecnologia e o dólar como principal moeda de reserva; liderança militar incontestável, com o
fim da capacidade da URSS de tentar equilibrar a corrida armamentista e a vitória na Guerra
Fria, com clara superioridade em armamentos de alta tecnologia e credibilidade da política
externa, principalmente frente a seus aliados.
A economia durante o governo Reagan se consagrou na chamada contra-revolução liberal, ou
anti-keynesiana , Reagan desmontou progressivamente as bases do que tinha sido a política
econômica de regulação financeira , feita desde os anos Roosevelt. Era crítico da presença do
Estado e favorável à livre iniciativa, o governo Reagan promoveu de fato substancial elevação
do déficit público nos EUA, puxado pelo gasto militar.
No contexto econômico, as correntes chamadas de neoliberais ganharam espaço em diversos
países na década de 1980. Além de atribuir a inflação alta à emissão de moeda pelos Bancos
Centrais, como os monetaristas desde anos antes, os neoliberais apontavam impostos elevados
e regulamentação das atividades econômicas como os responsáveis pela estagnação
prolongada da economia.
Tratava-se de apostar no crescimento pelos incentivos à oferta, à produção e ao investimento,
por meio de corte de impostos, redução das regulações e interferências do Estado na
economia. A alta dos juros foi mantida e intensificada no início do governo Reagan.
Essa medida , além de contribuir para valorizar fortemente o dólar e intensificar o avanço das
indústrias de alta tecnologia, favorecidas pela importação barata de máquinas e bens
intermediários de todas as partes do mundo.
O governo Reagan também foi marcado pela retomada do combate ao comunismo e à URSS
como eixo da política externa dos EUA.
A magnitude dos gastos militares e o destaque para a alta tecnologia apressou o colapso da
economia soviética e potencializou a onda de mudanças que permitiu a retomada da liderança
nos EUA em todos os segmentos econômicos decisivos, no momento em que se dizia que o
Japão teria tomado a liderança tecnológica e era a potência econômica ascendente.
A reorientação da política externa e a escalada militar dos EUA contra a URSS foram
catalisadores importantes do processo de recuperação da economia e da liderança tecnológica
norte-americana.
A política que marcou a relação entre EUA e URSS durante os anos 1960 e 1970 foi a Détente, a
qual significou um relaxamento nas relações entre as duas grandes potências da época. Essa
política foi reflexo de uma relativa paridade estratégica nuclear entre EUA e URSS, pois era
baseada na lógica da destruição mutua assegurada .
Os processos de negociação, definição e implementação dos acordos de limitação de armas
estratégicas realizados entre Estados Unidos e União Soviética, são símbolos da política da
Détente durante a Guerra Fria. Para os EUA, as negociações seriam importantes, pois
possibilitariam um equilíbrio moldado pela política externa do país, a qual estava baseada na
aplicação da Détente.
Através dessa política seria possível também diminuir a desconfiança americana de que os
soviéticos poderiam tornar-se mais desenvolvidos em questões armamentistas, e frear o
crescimento da produção de armamentos soviéticos. Na visão da URSS, os acordos não
afetariam sua força estratégica defensiva nem ofensiva e permitiriam a estabilidade das suas
capacidades nucleares.
Em 1981, Ronald Reagan rompeu com a política da Détente a partir de um discurso contrário à
posição de relaxamento dos EUA em relação à URSS. Para Reagan, a Détente, praticada por
Nixon, Ford e Carter, havia sido mais vantajosa para a URSS do que para os EUA.
Ele afirmava que o tratado SALT II (1979) impôs maiores limites aos Estados Unidos do que à
União Soviética.
Sua política externa, chamada doutrina Reagan , era uma política de confrontação com o
comunismo soviético. Reagan via a URSS como um inimigo dos ideais democráticos norte-
americanos e sua prioridade era combatê-la. Logo no início de seu governo, Reagan passou a
dar prioridade aos gastos militares e chegou a afirmar que "Defesa não era uma questão de
orçamento e que o governo deveria gastar o quanto precisasse para a segurança de sua
população".
Os benefícios gerados pelo aumento do gasto militar foram muitos: as forças armadas norte-
americanas modernizaram seus equipamentos; o investimento em pesquisa e desenvolvimento
militar foi um estímulo para muitos segmentos da economia, em especial para o setor de alta
tecnologia; e os aumentos nos gastos com a defesa, somados à retórica de reconquista do
poder norte-americano, impulsionaram a confiança do público.
O temor de Reagan em relação à expansão comunista fez com que os EUA interviessem em
diversos países durante a primeira metade da década de 1980.
Durante o primeiro mandato do governo Reagan, além de El Salvador e Nicarágua, houve
intervenções dos EUA em prol do combate ao comunismo em outros países, como Líbano,
Afeganistão, Angola.
A relação de Ronald Reagan com Mickhail Gorbachev e Margareth Thatcher também é digna
de nota. Em 1985, o presidente americano Ronald Reagan reuniu-se diretamente com
Gorbachev , onde os dois líderes concordaram em trabalhar para reduzir as armas nucleares no
mundo. buscando entendimentos para a pacificação nuclear global.
Em relação à primeira ministra Margareth Thatcher, uma grande aliada das políticas do governo
Reagan e em especial no confronto com a URSS , muito devido ao perigo que as armas
nucleares de médio alcance soviéticas representavam para o Reino Unido e para a Europa
ocidental durante seu governo apoiou a decisão da OTAN de implantar armamentos nucleares
dos EUA em alguns países da Europa, o que provocou fortes protestos na região. O
alinhamento de Thacher com Reagan fortaleceu a posição de liderança dos EUA na Europa, e
principalmente, em relação a OTAN.
Considera-se que a mudança de estratégia da política externa norte-americana, da Détente
para a Confrontação, durante o primeiro mandato de Reagan na Casa Branca, somada ao
alinhamento com Margaret Thatcher e a entrada de Gorbachev na liderança da URSS, foram
fatores determinantes para a vitória norte-americana na Guerra Fria anos depois. Durante o
governo Reagan, outro fator fundamental que corroborou para a vantagem norte-americana
em relação a URSS foi o lançamento do projeto SDI, apelidado de Star Wars.
Lançado pelo governo Ronald Reagan em 1983, o programa tinha como principal objetivo
interceptar ataques inimigos via mísseis e detê-los durante a primeira etapa, ou seja, imediato
à fase de lançamento. O novo projeto de defesa norte-americano foi amplamente discutido e
criticado, pois além de demandar alto investimento financeiro e desenvolvimento tecnológico,
colocava em risco a política de dissuasão, principal estratégia de guerra desde a invenção das
armas nucleares, responsável pela "paz" mantida entre EUA e URSS durante a Guerra Fria.
A dissuasão representa a ameaça concreta da guerra atômica, graças à qual se determina uma
particular situação de equilíbrio nas relações entre os Estados detentores das armas nucleares,
o que impede a eclosão de novas guerras mundiais. Pode-se, portanto, notar na dissuasão um
elemento fundamental próprio do período da Guerra Fria.
A teoria da dissuasão termonuclear indica a condição específica em que se encontram os
Estados dotados de armas termonucleares, os quais evitam qualquer confronto,
estabelecendo- se assim uma incapacidade recíproca de confronto direto, pelo medo de serem
utilizadas essas armas.
A preocupação de Reagan com o programa de defesa norte-americano anteriormente a sua
eleição. Em 1979, em uma visita ao departamento de defesa militar norte-americano, Reagan
ficou perplexo com a incapacidade dos EUA de prevenir um ataque nuclear ele comentou que
os EUA haviam gastado alta quantia no setor de defesa, construindo uma vasta quantidade de
equipamentos, porém nada disso poderia prevenir um ataque nuclear contra o povo norte-
americano. Segundo Reagan, os EUA deveriam de algum modo defender seu território de
mísseis nucleares.
Em 23 de março de 1983, Reagan fez um discurso onde afirmou que nos últimos vinte anos a
URSS havia se desenvolvido militarmente de forma superior aos EUA. Os Estados Unidos
haviam introduzido seu último míssil balístico intercontinental, o Minute Man III, em 1969,
enquanto a União Soviética desde 1969 havia construído cinco novas classes de ICBMs com
oito atualizações. Como resultado deste processo, os mísseis soviéticos estavam se tornando
muito mais poderosos e precisos do que eram há alguns anos e a tecnologia nuclear dos EUA
estava ficando obsoleta. Segundo Reagan, o mesmo havia acontecido em outras áreas.
Ao longo do discurso, Ronald Reagan enfatiza que o aprimoramento do setor militar dos EUA
tem a finalidade de construir a paz. Ele afirma que cada item do programa de defesa norte-
americano destina-se a um único propósito, manter a paz.
Durante o discurso, Reagan utiliza o caso da Crise dos Mísseis cubanos para ilustrar o
crescente poder da URSS na América Central e Caribe. O presidente também chama atenção
para o perigo Soviético na África e na Ásia.
Os principais objetivos eram promover tecnologia, aumentar a capacidade técnica norte-
americana, desenvolver um sistema eficiente para a política de defesa dos EUA, diminuir a
vulnerabilidade do país frente à ameaça de uma guerra nuclear e possibilitar uma mudança na
política estratégica estadunidense em relação à União Soviética.
A importância do programa se mostra no fato de que todos os presidentes dos EUA após
Ronald Reagan deram continuidade e grande incentivo ao programa de defesa norte americano
iniciado em seu governo . Apesar de suas limitações e críticas, o programa SDI foi responsável
por grande parte do avanço tecnológico norte-americano e segue operante até os dias atuais.
Com um programa de defesa antimísseis em desenvolvimento e um gigante aparato ofensivo,
os EUA criaram uma armadura militar incontestável a seu favor.
Fim da guerra fria: governo Bush
George H. W. Bush se destacava por suas habilidades diplomáticas, Em 1980, candidatou-se
pela primeira vez à corrida presidencial republicana. Uma corrida que Bush perdeu contra
Ronald Reagan. Reagan nomeou-o mais tarde como vice-presidente.
O então presidente norte-americano precisava de Bush, sobretudo, para reforçar a posição
norte-americana frente à União Soviética, cuja queda Bush já assistiu enquanto presidente.
Devido à sua actuação ponderada, Bush ganhou a confiança do último líder soviético, Mikhail
Gorbatchov.
Sua política exterior foi concebida a partir da realpolitik, combinando cautela e força. Com
Mikhail Gorbachev, ele assinou em 1991 o tratado para a redução de armas nucleares.
Na Alemanha, desempenhou papel crucial na reunificação do país, em 1990. Bush foi bem-
sucedido em eliminar os temores do então líder soviético, Mikhail Gorbatchov, diante de uma
Alemanha reunificada.
O resultado foi o Tratado Dois-mais-Quatro, assinado em 1990 pelas duas Alemanhas e as
potências que venceram a Segunda Guerra Mundial: o Reino Unido, a França, os Estados
Unidos e a União Soviética. O tratado abriu caminho para a reunificação da Alemanha.
Durante o seu mandato, Bush enviou tropas para o Panamá para capturar o Chefe de Estado
Manuel Noriega. Além disso, liderou uma coligação das Nações Unidas na Guerra do Golfo
contra o Iraque, depois do ditador Saddam Hussein ter invadido o vizinho Kuwait.
A Guerra do Golfo foi um conflito que se estendeu entre 1990 e 1991 e teve como causa a
invasão do Kuwait por tropas do Iraque. Essa invasão aconteceu na segunda metade de 1990 e
motivou que uma coalizão internacional fosse formada com o intuito de expulsar as tropas
iraquianas do território do Kuwait. Por meio de bombardeios aéreos e ataques terrestres, a
coalizão internacional conseguiu expulsar as tropas iraquianas do Kuwait.
A Guerra do Golfo está inserida no contexto das relações diplomáticas entre as nações do
Oriente Médio e foi motivada, sobretudo, pelo interesse do Iraque de se reafirmar, por meio de
uma operação militar, ao Kuwait, uma nação vizinha. A invasão iraquiana teve início no dia 2 de
agosto de 1990, mas as motivações retomam a sucessão dos acontecimentos que envolveram
o Iraque na década de 1980.
Na década de 1980, o Iraque foi largamente utilizado como ferramenta para conter a influência
do Irã, após a Revolução Islâmica de 1979, que entregou o país nas mãos de radicais islâmicos e
fez com que os Estados Unidos perdessem um importante aliado naquela região. A rivalidade
entre Irã e Iraque, nesse contexto, resultou em um conflito: a Guerra Irã-Iraque.
Esse conflito começou em 1980, graças a um ataque surpresa realizado pelo Iraque, e
estendeu- se por oito anos, resultando na morte de cerca de um milhão de pessoas.
As forças iraquianas contaram com o auxílio de uma série de nações, entre as quais estão os
Estados Unidos, França e Reino Unidos, que forneceu armamentos e treinamento militar aos
soldados iraquianos. Financeiramente, o Iraque recebeu empréstimos de nações vizinhas –
Kuwait e Arábia Saudita – ambas interessadas em enfraquecer os xiitas que governavam o Irã.
O conflito estendeu-se até 1988 e terminou com um impasse, uma vez que nenhuma das duas
nações conseguiu impor-se militarmente.
Assim, o conflito encerrou-se sem conquistas significativas, mas com o Iraque enfraquecido
economicamente, diplomaticamente e militarmente.
Era necessário, portanto, recuperar a economia do país rapidamente, principalmente, porque
Saddam Hussein ainda desejava colocar o Iraque em uma posição de supremacia no Oriente
Médio e, para isso, ele precisava reconstruir o exército de seu país.
A recuperação econômica do Iraque seria realizada por meio da venda de barris de petróleo, a
mercadoria mais valiosa do país. Era, portanto, do interesse do Iraque que o preço do petróleo
estivesse elevado, mas a realidade era outra. Por influência do Kuwait e Emirados Árabes
Unidos, o preço do petróleo, em 1990, tinha despencado.
O Iraque sentia-se ultrajado com a atitude do Kuwait de vender petróleo em grande
quantidade, o que barateava o barril no mercado internacional. Para agravar a situação, o
Kuwait começou a cobrar do Iraque os empréstimos concedidos durante a Guerra Irã-Iraque.
Saddam Hussein não queria pagá-los, pois entendia que tinha lutado naquela guerra para
defender interesses em comum de Iraque e Kuwait.
A relação entre Iraque e Kuwait teve outras fontes de desgaste, como quando Saddam Hussein
acusou o Kuwait de roubar petróleo iraquiano ao explorar poços em região de fronteira e
passou a exigir indenização, e quando o Kuwait negou-se a ceder duas ilhas para que o Iraque
pudesse ampliar o seu acesso ao Golfo Pérsico.
Enquanto negociações para resolver todos os impasses aconteciam, Saddam Hussein ordenou
o envio de tropas para a fronteira com o Kuwait.
As negociações entre Kuwait e Iraque tiveram mediação dos Estados Unidos, mas fracassaram.
Com isso, Saddam Hussein ordenou a invasão do Kuwait e ela foi iniciada em 2 de agosto de
1990. O Kuwait foi rapidamente dominado por ser um país muito pequeno e ter defesas
militares muito simples. Além disso, o Iraque era uma das maiores tropas do mundo naquela
época, possuindo por volta de um milhão de soldados.
A ação militar iraquiana alarmou as grandes potências ocidentais, sobretudo os Estados
Unidos, porque por meio dela o Iraque passava a controlar cerca de 20% das reservas de
petróleo do mundo e passava a representar uma ameaça real para a Arábia Saudita, a grande
aliada dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Assim, EUA e Reino Unido passaram a ser favoráveis a uma intervenção estrangeira para forçar
as tropas iraquianas a retirarem-se do Kuwait. A primeira ação, no entanto, ocorreu por meios
diplomáticos a partir da atuação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas,
a ONU.
Como as resoluções da ONU não tiveram o efeito desejado, o presidente norte-americano,
George Bush, ordenou o envio de tropas para a Arábia Saudita.
Tropas de outros países começaram a ser enviadas para a Arábia Saudita, e uma coalizão
internacional começou a ser formada com soldados de 34 países e que contou com
aproximadamente 750 mil soldados, sendo a maioria deles de soldados enviados pelos Estados
Unidos.
O Conselho de Segurança da ONU, no dia 29 de novembro de 1990, emitiu a Resolução 678,
que autorizava intervenção militar internacional caso as tropas iraquianas não saíssem do
Kuwait até o dia 15 de janeiro de 1991.
Como as tropas iraquianas não foram retiradas do Kuwait até a data limite, os Estados Unidos
iniciaram a intervenção na Guerra do Golfo por meio da Operação tempestade no deserto . A
partir do dia 17 de janeiro de 1991, os Estados Unidos deram início a uma sucessão de ataques
aéreos que se estenderam durante 42 dias e foram responsáveis por prejudicar severamente o
poderio dos iraquianos.
Durante esse período, os ataques liderados pelos norte-americanos conseguiram destruir a
força aérea iraquiana, assim como destruiu as defesas antiaéreas desse país. A última etapa
dos ataques aéreos consistiu em enfraquecer o poder de fogo terrestre dos iraquianos por
meio de ataques frequentes. Esses acontecimentos aconteceram em três etapas que se
estenderam de 17 de janeiro ao dia 23 de fevereiro de 1991.
A última etapa da Operação Desert Storm teve início em 24 de fevereiro e ocorreu por meio
do ataque terrestre das tropas da coalizão internacional que contavam com o apoio
fundamental do ataque aéreo.
Nesse momento, parte considerável da infraestrutura do exército iraquiano tinha sido
severamente danificada pelos ataques aéreos e isso facilitou o sucesso da campanha por terra.
Isso forçou o Iraque a aceitar as resoluções da ONU e, assim, o presidente dos Estados Unidos,
George Bush anunciou o fim da campanha militar contra o Iraque no dia 28 de fevereiro de
1991. As tropas iraquianas enquanto se retiravam do território kuwaitiano acabaram
incendiando cerca de 700 poços de petróleo.
No campo econômico, Bush promoveu as negociações do grande tratado de livre comércio
entre EUA, México e Canadá (o antigo Nafta, na sigla em inglês), mas foi Clinton que o assinou.
Bush, (pai) era visto como um estadista de sucesso e um sábio estrategista da política
internacional. No entanto, o seu ponto fraco foi a política interna. Apesar do sucesso na guerra
no Iraque, Bush perdeu em 1993 as eleições contra Bill Clinton, até porque durante o tempo
em que esteve no poder, Bush subiu os impostos, apesar das suas promessas em contrário.
AMÉRICA LATINA NA GUERRA FRIA
DOUTRINA DE SEGURANÇA NACIONAL
Como é sabido, os EUA respaldaram os salvo raras exceções conjunturais, apoiaram quase que
permanentemente as ditaduras latino americanas (ajuda econômica, respaldo diplomático, sustentação
política e auxílio militar). No aspecto militar e doutrinário, a vinculação de militares latino-americanos
ocorreu de forma muito complexa. Esses militares, tornaram-se adeptos da chamada Doutrina de
Segurança Nacional (DSN). Essa doutrina enfatizava que o grande inimigo do continente americano era o
“comunismo internacional”, o que exigia o combate aos “inimigos internos”, através dos meios que
fossem necessários.
GOLPES MILITARES
A Revolução Cubana (1959), combinada a fatores como a crise do populismo e a radicalização de
movimentos nacionalistas e populares, levou os EUA e as elites nacionais a uma reação em cadeia.
Como desfecho, inaugurou-se um período de golpes militares na região, com destaque para o Brasil
(1964), Chile (1973), Uruguai (1973) e Argentina (1976).
BRASIL – No Brasil, Em 1 de abril de 1964, houve a consumação do golpe civil militar no Brasil. o
período militar brasileiro se instalou em 1964 e durou até o ano de 1985.
A ideia era de que quando o Marechal Humberto Castelo Branco assumisse o poder, logo o devolveria a
um representante civil, garantindo mesmo as eleições previstas para 1965. Castelo Branco pertencia ao
grupo moderado do movimento, chamado de "Grupo de Sorbonne". Logo, porém, os radicais
assumiriam o controle do movimento, forçando a permanência dos militares no poder, em plena crença
de que os entes responsáveis pelos males políticos do país ainda poderiam voltar a comandar o país.
Neste período, os chefes de Estado, ministros e indivíduos instalados nas principais posições do
aparelho estatal pertenciam à hierarquia militar, sendo que todos os presidentes do período eram
generais do exército. Era denominada "Revolução" em sua época, sendo que os principais mentores do
movimento viam o cenário político do início dos anos 60 como corrupto, viciado e alheio às verdadeiras
necessidades do país naquele momento. Assim, o seu gesto era interpretado como saneador da vida
social, econômica e política do país, livrando a nação da ameaça comunista e alinhando-a
internacionalmente com os interesses norte-americanos.
Ao aproximar-se a Primeira Crise do Petróleo, sobe ao poder justamente o presidente da Petrobrás,
General Ernesto Geisel, confrontado com o disparo da inflação e fim do milagre. Moderado, ele é
incumbido de preparar a volta à normalidade, fazendo a distensão "lenta, gradual e segura". Apesar de
casos infames como a morte do jornalista Vladimir Herzog e do operário Manuel Fiel Filho, Geisel parece
conseguir seu objetivo, entregando o poder ao último general da era militar, João Batista Figueiredo.
Apesar da crise econômica, que começava a atingir níveis insuportáveis, da concreta "quebra" do Brasil
no plano econômico, e da impunidade de vários personagens da época da repressão, Figueiredo irá,
depois de 21 anos de ditadura, transferir o poder a um civil, ainda indiretamente eleito: Tancredo
Neves, que morre antes de subir ao poder. Seu vice, José Sarney, proveniente dos quadros políticos da
ditadura, acabaria incumbido de guiar o país até as tão esperadas eleições diretas em mais de 25 anos,
previstas para 1989.
CHILE – Salvador Allende, democraticamente eleito pela Unidade Popular (UA) em 1970, adotou em
seu governo medidas contrárias aos interesses econômicos estrangeiros, como era o caso da
nacionalização das minas de cobre. Entre outras razões, o governo de Allende foi constantemente
desestabilizado pelos EUA e por setores da elite chilena. Em 11 de setembro de 1973, Allende foi
deposto e, em seu lugar, assumiu o general Augusto Pinochet. No campo econômico, o governo
Pinochet adotou medidas de caráter liberal, antecipando o que posteriormente viria a ser conhecido
como “cartilha neoliberal”. Assim como em outras ditaduras militares na América Latina, o governo
Pinochet foi responsável por perseguir, torturar e assassinar milhares de opositores ao governo. Em
1988, após a realização de um plebiscito, a população chilena optou pela volta da democracia no país.
URUGUAI – No Uruguai, um golpe de Estado ocorreu sob a justificativa de garantia da segurança
nacional, que estaria ameaçada pela ação dos Tupamaros, guerrilha urbana de esquerda. No caso
uruguaio, o presidente Juan Maria Bordaberry, com o apoio das Forças Armadas, efetivou um autogolpe
em 1973, inaugurando uma ditadura civil-militar. Com isso, houve a intensificação da repressão contra
os Tupamaros e demais grupos opositores. Em 1984, após negociações entre a ditadura uruguaia e os
partidos políticos tradicionais, os militares uruguaios se afastaram do poder, sendo convocadas eleições
diretas para o mesmo ano.
ARGENTINA – A ditadura militar argentina veio em um golpe de Estado contra Isabelita Perón, viúva
de Juan Domingo Perón e herdeira do populismo no país. O Peronismo foi um movimento político,
econômico e social, que surgui na Argentina em meados da década de 1940. Foi criado e teve como seu
principal representante o presidente argentino Juan Domingo Perón (daí a origem do nome do
movimento).
O Peronismo teve como base de sustentação política e ideológica o Partido Justicialista, também
conhecido como Partido Peronista. O movimento peronista comandou politicamente a Argentina em
grande parte da segunda metade do século XX, as principais caracteristicas são: Adoção de medidas
econômicas populares, principalmente no sentido do assistencialismo social aos mais
pobres.Aproximação e cooptação dos sindicatos de trabalhadores, Defesa de valores nacionalistas,
Aproximação das classes populares, Defesa da nacionalização de serviços públicos,Adoção de medidas
trabalhistas e reformas sociais
A partir de 1976, os militares argentinos, sob liderança de Jorge Videla, instituíram um regime que ficou
conhecido pela guerra suja – notadamente marcada pela perseguição, tortura e desaparecimento de
opositores. Os militares argentinos não conseguiram solucionar os problemas econômicos do país,
sobretudo a inflação. Após o fracasso na Guerra das Malvinas (1982), a ditadura argentina convocou
eleições para 1983, que deram a vitória para Raúl Alfonsín.
GUERRA DAS MALVÍNAS
Em 1982, ocorreu um conflito entre a Grã-Bretanha e a Argentina que entrou para a história como Guerra
das Malvinas. A disputa em questão era a posse do arquipélago das Malvinas , território chamado pelos
britânicos de ilhas Falkland, situado a 464 quilômetros da costa da Argentina. O conflito teve início em 2
de abril de 1982 e perdurou até 14 de julho do mesmo ano.
O arquipélago das Malvinas estava sob posse da Grã-Bretanha desde 1833. Em 1982, o ex-ditador
argentino Leopoldo Galtieri ordenou que o conflito fosse iniciado com o objetivo de tomar posse desse
território. O conflito foi justificado por Galtieri como uma forma de unificar as ilhas ao território da
Argentina. O ex-ditador acreditava que era essencial que o território do país fosse indivisível. O fato desse
arquipélago estar sob posse de uma nação estrangeira representava uma séria ameaça à soberania
argentina.
O governo da Argentina ordenou, em 2 de abril de 1982, o desembarque de uma força conjunta da
Marinha e do Exército na ilha de Port Stanley. Foi iniciada, então, a “Operação Rosário”, que objetivava a
expulsão dos militares e representações dos ingleses do local.
Com a retomada concluída sem muita resistência, a ilha foi rebatizada como Puerto. Nas ruas da Argentina
o sucesso da operação foi bastante celebrado. A frente da Casa Rosada, sede do governo argentino em
Buenos Aires, foi tomada por pessoas que apoiavam as ações militares do país. No mesmo dia 2 de abril
de 1982, a Coroa Britânica anunciou o fim das relações entre a Grã-Bretanha e a Argentina. Margareth
Thatcher , a premiê britânica na época, articulou um contra-ataque poderoso composto por 27 mil
soldados e 111 navios de guerra.
O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) foi notificado. Do ponto de vista
diplomático, a Argentina estava completamente isolada. Além disso, os argentinos tinham grande
desvantagem militar. Os britânicos tinham como principal apoio os Estados Unidos, tanto no
fornecimento de armamento quanto de informações por satélites.
Também contribuíram com apoio logístico e, em 8 de abril, abriram a passagem do Canal do Panamá para
que os 111 navios britânicos pudessem passar.
A Argentina nomeou o Brasil como o seu representante na Grã-Bretanha. Essa ação poderia ser entendida
como apoio moral. Desde 1833, o Brasil reconhecia a posse da ilha pela Argentina. No entanto, a Grã-
Bretanha era um parceiro comercial relevante. Uma situação bastante delicada, afinal, assumir um lado
significaria se comprometer com um dos importantes aliados.
Foram realizadas diversas negociações de paz na ONU. Para se ter uma ideia, até mesmo o papa João
Paulo II participou pedindo a paz quando visitou os dois países envolvidos. No entanto, não houve acordo.
A guerra terminou no dia 14 de junho de 1982, com o Reino Unido recuperando o território do
arquipélago. Não houve nenhum novo conflito após essa conclusão da Guerra das Malvinas.
Foram 75 dias de guerra , nos quais 649 soldados argentinos e 255 britânicos perderam suas vidas. Houve
ainda a perda de três civis. Outra importante consequência da Guerra das Malvinas foi a derrubada da
Junta Militar que governava o país após o insucesso na recuperação do arquipélago. A Argentina
restaurou, dessa forma, a democracia. Se na Argentina a perda da guerra derrubou o governo, a vitória
dos ingleses serviu de base para uma poderosa campanha eleitoral que levou Margaret Thatcher a vencer
as eleições de 1983.
Revolução Cubana
Cuba tornou-se independente em 1898, a partir do apoio dos EUA contra a Espanha, e desde então
tornou-se uma espécie de quintal dos EUA, onde inúmeros negócios norte-americanos se desenvolviam,
O processo de oposição contra o poder em Cuba se iniciou a partir do golpe político realizado por
Fulgêncio Batista, em 10 de março de 1952, que resultou na derrubada do então presidente Carlos Prío
Socarrás.
A partir do golpe, Fulgêncio Batista instituiu uma forte ditadura militar com forte repressão da imprensa
e de qualquer movimento político de oposição e com ela se iniciou a luta de Fidel Castro e seus
partidários. Podemos afirmar, portanto, que o movimento liderado por Fidel Castro é, ao mesmo tempo,
uma luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista e também uma luta nacionalista contra as intervenções
norte-americanas nos assuntos cubanos, tanto em questões políticas quanto em questões econômicas.
A luta contra Fulgêncio Batista começou a partir de 1953, quando foi organizado o ataque ao Quartel de
Moncada, na cidade de Santiago, no dia 26 de julho. O objetivo do ataque era realizar a tomada das armas,
porém o ataque foi um fracasso e Fidel Castro e seu irmão foram presos. Fidel Castro foi condenado a 15
anos de prisão, contudo, dois anos depois, em 1955, foi anistiado (perdoado) por Fulgêncio Batista em
razão da pressão pública que havia sobre Batista. Fidel e seu irmão se exilaram no México e de lá
organizaram novamente o movimento a fim de retornar à Cuba para derrubar Fulgêncio Batista.
No México, Fidel Castro organizou um grupo de 81 homens e entre eles estavam Raúl Castro, Ernesto
“Che” Guevara e Camilo Cienfuegos, que retornaram à ilha de Cuba em 1956 e em dezembro do mesmo
ano sofreram um ataque do exército cubano e foram derrotados. Após a derrota, os sobreviventes
fugiram e se esconderam na região de Sierra Maestra e, a partir de lá, reorganizaram e passaram a atuar
em táticas de guerrilhas, realizando pequenos ataques às tropas do exército cubano que, pouco a pouco,
foram desmoralizando o governo de Fulgêncio Batista e ganhando cada vez mais simpatizantes.
Derrotado, Fulgêncio Batista fugiu e se exilou na República Dominicana em 1º de janeiro de 1959, Fidel
Castro se intitulou primeiro-ministro e pouco a pouco foi concentrando o poder em si. Algumas medidas
iniciais do novo governo foram: realizou a reforma agrária, acabando com os grandes latifúndios
existentes na ilha, e nacionalizou empresas estrangeiras, afetando diretamente os interesses dos Estados
Unidos na ilha.
Em janeiro de 1961, os Estados Unidos rompem relações diplomáticas com Cuba e, em abril do mesmo
ano, um ataque contrarrevolucionário que contava com apoio da CIA foi realizado contra o governo de
Fidel na Invasão da Baía dos Porcos. As tropas de Fidel Castro conseguiram neutralizar o ataque, porém
Fidel Castro alinhou Cuba à União Soviética, declarando Cuba como uma nação socialista.
Invasão da Baía dos Porcos
Em 17 de abril de 1961, 1500 exilados cubanos desembarcaram na Baía dos Porcos, no sul de Cuba. O
embaixador norte-americano na ONU, Adlai Stevenson, repetia que as movimentações, detectadas meses
antes, eram ações de um grupo de “cubanos patriotas”.
De acordo com um relatório divulgado em Washington em 22 de fevereiro de 1998, pelo Arquivo
Nacional de Segurança dos EUA, a operação militar havia começado a ser planejada pela Agência Central
de Inteligência (CIA) em agosto de 1959, por ordem do presidente Dwight Eisenhower.
A ideia inicial era preparar exilados cubanos para se infiltrarem em Cuba e organizarem uma dissidência
anticastrista. Para tanto, a CIA lançou, em março de 1960, seu Programa de Ação Encoberta Contra o
Regime de Castro, com um orçamento previsto de 4,4 milhões de dólares. A CIA estava convencida de
que poderia derrubar Fidel Castro, da mesma forma como havia deposto o governo reformista de
Jacobo Arbenz, na Guatemala, em 1954. A agência de espionagem garantia que o povo cubano, farto de
entrar em filas, esperava um sinal de rebelião. O objetivo estratégico dos EUA, no entanto, era conter
um alastramento do comunismo na América Latina.
Para executar a invasão, exilados cubanos e herdeiros das empresas americanas nacionalizadas pelo
governo de Fidel Castro formaram o Exército Cubano de Libertação, com armamentos americanos e
bases de treinamento , O objetivo era usar exilados do novo regime, a maioria baseada em Miami, para
promover um ataque secreto, disfarçando o envolvimento americano. Foram gastos 13 milhões de
dólares para treinar cerca de 1.500 homens na base de Useppa Island, próxima à Flórida, e também na
Guatemala. Para simular uma rebelião interna do exército cubano, os aviões dos EUA envolvidos na
invasão foram camuflados com a estrela da força aérea de Cuba . Cerca de 1.400 homens invadiram os
pântanos da Praia Girón, conhecida como Baía dos Porcos, no dia 17 de abril de 1961.
O plano foi colocado em ação menos de 3 meses depois de John F. Kennedy ter assumido a presidência
dos Estados Unidos. O planejado apoio da Força Aérea Americana acabou vetado por Kennedy, que
achava que isso denunciaria o envolvimento dos EUA. Então, a operação foi lançada com pouco apoio
logístico. E foi um fracasso total.
Castro soube do ataque com antecedência e já esperava a invasão na ilha. Che havia passado a
informação a ele. Acredita-se que algum dos exilados treinados pelos EUA era um espião que passava
informações ao governo cubano. Quando as forças invasoras chegaram à Baía dos Porcos, as tropas de
Fidel, treinadas e equipadas pela União Soviética, derrotaram os exilados em três dias.
Má execução do plano levou a um fracasso ,em 1998, o governo americano admitiu que a operação Baía
dos Porcos estivesse condenada ao fracasso desde o começo. A principal causa do fracasso teria sido
sua má execução e não o fato de o presidente John Kennedy não ter autorizado o apoio da Força Aérea
dos EUA aos invasores, como afirmaram durante anos os exilados cubanos e os adversários políticos de
Kennedy.
Crise dos mísseis
A busca pela confecção de bombas atômicas mais potentes e por formas de lançá-las, como os mísseis
balísticos, foi uma das características definidoras da Guerra Fria. No início dos anos 1960, os dois líderes
mundiais que travavam essa “queda de braço” tecnológico-militar eram John Kennedy (EUA) e Nikita
Kruschev (URSS).
Em 1961, Fidel Castro declarou publicamente a sua adesão ao comunismo internacional e sua opção
pelo marxismo-leninismo, sendo que quatro anos depois fundou o Partido Comunista de Cuba.
A postura de Fidel Castro aproximou, definitivamente, Cuba da União Soviética. Sendo Cuba uma ilha
geograficamente estratégica, situada no Caribe, os soviéticos viram em seu território uma oportunidade
do estabelecimento de bases de mísseis nucleares que ficariam apontados para as cidades
estadunidenses, dada a relação da CIA com o evento da invasão da Baía dos porcos, Cuba optou por
ceder espaço em seu território para a instalação dos mísseis balísticos soviéticos, como forma de impor-
se geopoliticamente no continente americano.
No dia 14 de outubro de 1962 aviões-espiões dos EUA , que fotografavam periodicamente a ilha
detectaram instalação de mísseis no território cubano. Após a descoberta, o presidente John Kennedy
e seus comandantes optaram por estabelecer um bloqueio contra Cuba, em vez de atacá-la, e ao mesmo
tempo procurar negociar a tensão com Nikita Kruschev.
Oito dias depois, o presidente John Kennedy iria à televisão e revelaria ao mundo que a União Soviética
instalara armamentos nucleares na ilha situada a 150 quilômetros de Miami.
Esses armamentos eram a resposta do governo soviético às cinco bases instaladas na Turquia em abril,
pelos Estados Unidos, capazes de lançar mísseis sobre as cidades do sul da URSS e destruí-las. Além
disso, a potência capitalista havia reiniciado os testes atômicos no Pacífico, o que contrariava o governo
de Nikita Kruschev, e vinha intensificando as operações navais no mar do Caribe, com o intuito de
intimidar o governo cubano.
Contra as bases norte-americanas na Turquia, Cuba era o único país que oferecia a Moscou as condições
geopolíticas estratégicas para o revide. Para a URSS, perder Cuba significaria um sério golpe na
capacidade de negociação de Moscou, além de prejudicar a imagem internacional do regime. Para Cuba,
os armamentos soviéticos eram uma forma de prevenir novos ataques dos EUA, como a fracassada
tentativa de invasão à baía dos Porcos.
Em maio, a União Soviética apresentara a Cuba a proposta de instalação dos armamentos na ilha. No
final de agosto, Fidel Castro enviara Ernesto Che Guevara a Moscou para apresentar as condições
cubanas para o acordo.
O plano da União Soviética incluía ainda a construção de uma base de submarinos e sete porta-foguetes
com ogivas de 1 megaton. Guevara queria que o acordo se tornasse público, mas o Krêmlin recusou.
Quando a CIA descobriu o transporte desses armamentos, o governo dos EUA oscilou entre intervir
militarmente ou não. Uma ação drástica contra as instalações soviéticas provocaria ações similares
contra as numerosas bases norte-americanas, particularmente na Turquia e no sul da Itália.
Kennedy sempre fora contrário a uma intervenção direta, mas o Partido Republicano, na oposição, o
manteria pressionado, passando aos senadores e à imprensa informes sobre as instalações militares que
a URSS construía em Cuba.
A política interna norte-americana teria peso significativo na crise. O país estava em plena campanha
eleitoral, e o Partido Democrata, desmoralizado, desde a fracassada invasão da baía dos Porcos, no ano
anterior. O objetivo de Kennedy era superar a crise para, assim, obter maioria democrata no Congresso,
assegurar sua reeleição em 1964 e, se possível, transmitir o cargo ao irmão Robert Kennedy em 1968.
De olho nesse cenário, Kennedy ponderou que o objetivo imediato não era derrubar Castro, mas
remover os mísseis instalados em Cuba, o que só seria alcançado pela guerra ou pela diplomacia.
As negociações se estenderam pelos dez dias seguintes. A principal exigência para a retirada dos mísseis
de Cuba era a de que os EUA se comprometessem em não mais dar apoio a qualquer tentativa de
invasão do território cubano. Ocorre que, quando se imaginava que a tensão estava se dispersando, no
dia 27 de outubro, um sábado, um dos aviões-espiões U-2 foi abatido pela artilharia antiaérea cubana,
provocando a morte do piloto.
Esse foi o dia em que a Crise dos Mísseis chegou a seu auge, isto é, na iminência de uma “apocalipse
nuclear”, provocado por mísseis disparados pelas duas superpotências. No dia 28 de outubro, mais uma
condição foi imposta pela URSS ao EUA: além do compromisso de não atacar Cuba, os americanos
deveriam também retirar “material semelhante” (mísseis balísticos nucleares) da Turquia – país
geograficamente próximo ao Leste Europeu. O acordo foi selado e a URSS comprometeu-se a desativar e
retirar seus mísseis da ilha caribenha.
Os EUA, a União Soviética e o Reino Unido assinariam, no ano seguinte, um acordo que permitiria
apenas testes nucleares subterrâneos, proibindo explosões na atmosfera, em alto-mar e no espaço.
Em 1968, seria aprovado o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), pelo qual os países
detentores de artefatos nucleares se comprometeriam a limitá-los, e os não detentores ficariam
desestimulados de desenvolvê-los, faziam parte do acordo EUA, URSS, Reino Unido , França e China.
Outros países abacaram ao longo das décadas desenvolvendo programas nucleares próprios, como a
India, Paquistão, Israel e Coréia do Norte.
FIM DA ERA COLONIAL
Durante a colonização da África, notamos que as grandes nações europeias impuseram formas de
organização política que modificaram radicalmente o modo de vida desse povo. As antigas tradições e
experiências históricas construídas ao longo do tempo eram arbitrariamente ignoradas e substituídas
por modelos civilizatórios comprometidos com a exploração das riquezas desse povo. Em muitos casos,
fronteiras étnicas e culturais eram desconsideradas na organização desses espaços.
Reproduzindo seu ideal de superioridade ao longo do processo colonial, muitas potências europeias não
se limitaram a estabelecer a completa dominação das etnias africanas. Em muitos casos, o controle da
administração colonial era partilhado com o auxílio de alguns povos naquela região. Dessa forma, a ação
colonial determinava o desenvolvimento de novas rivalidades entre os povos africanos que habitavam
uma mesma região colonizada.
No pós-Segunda Guerra Mundial, o processo de descolonização foi influenciado pelo fato de
importantes nações colonialistas terem lutado em defesa das nações subjugadas ao totalitarismo. Desse
modo, o fim da colonização acabou se transformando em um tipo de postura política coerente aos
ideais de defesa da liberdade e soberania dos povos. Ainda assim, podemos ver que em algumas
regiões, principalmente de colonização francesa, a descolonização ficou marcada pelo conflito.
França na África : A partir da segunda metade do século XIX, a França conquistou vastas
extensões territoriais na África. Sua expansão se deu de forma mais intensa na África Ocidental e na
África Central, além de conquistar também territórios insulares, como Comores, Madagascar e Ilha
Reunião. De certa forma, foram as iniciativas colonialistas francesas que deram partida para a corrida
em direção ao continente africano, que teve seu ponto culminante com a partilha do continente,
organizada durante a Conferência de Berlim (1884-1885).
A política colonial francesa foi muito intensa, embora tenha variado de acordo com a área colonial. Com
efeito, algumas colônias receberam mais atenção e outras, menos. De forma geral, o colonialismo
francês é descrito como um sistema de dominação e administração direta, que interferia em
profundidade nas estruturas autóctones africanas. Esse sistema, por exemplo, tinha uma política de
assimilação cultural e os territórios africanos eram vistos como partes da França. Nesse sentido, o
legado colonial francês também se distinguiu dos demais colonialismos, sobretudo porque a França,
como ex-metrópole, fez questão de manter fortes laços com suas antigas colônias, envolvendo-as em
sua estratégia de inserção internacional como potência mundial, mesmo que mediana, se comparada
com os Estados Unidos e com a então União Soviética no contexto da Guerra Fria.
Após a Segunda Guerra Mundial a França, que já se encontrava com a insurreição na Argélia e na
Indochina e depois de já ter perdido Marrocos e a Tunísia, em 1956, como resultado de movimentos
independentistas aos quais foi obrigada a ceder, tentou em Setembro de 1958, através de um referendo
uma manobra de dar uma “autonomia” às suas colónias, que continuariam a fazer parte da
“Comunidade Francesa”. Com excepção da Guiné, que votou pela independência imediata, a Costa do
Marfin , o Níger, o Alto Volta e o Daomé decidiram formar a “União Sahel-Benin” e, mais tarde, o
“Conselho do Entendimento”, enquanto o Senegal se unia ao “Sudão Francês” para formar a “Federação
do Mali”. Estas uniões não duraram muito tempo.
A descolonização das áreas ocupadas pelos franceses na África não foi um processo fácil,
principalmente diante da reação de Paris para com dois casos em particular. Nesse contexto, destacam-
se as independências da Guiné (Conakri, 1958) e, mais ainda, da Argélia (1962).
Na Guiné, durante o governo de Sékou Touré, os guineenses tiveram a “ousadia” de dizer não para os
franceses quando do referendo de 1958, pelo qual o governo francês, sob a administração do general
De Gaulle, pretendia manter vínculos especiais do novo país com a França, sendo que tais vínculos são
mantidos até hoje com a maioria das ex-colônias.
Com o aval da esmagadora maioria da população guineense, Sékou Touré, líder do Partido Democrático
da Guiné, rejeitou, a 28 de setembro de 1958, a proposta do general Charles De Gaulle para que a Guiné
integrasse uma Comunidade Francesa. Sékou Touré optava assim pela independência da Guiné-Conacri,
que acabou por ser decretada quatro dias depois, a 2 de outubro.
A negativa no referendo, que buscava um novo começo para a sociedade guineense, livre da influência
europeia em seus assuntos políticos, chocou os franceses e provocou uma reação absurdamente
desproporcional e indicativa da forma como a França encarava os novos Estados africanos .
Depois do "não" ao general Charles de Gaulle, o Executivo francês recrutou mercenários e opositores
guineenses que queriam afundar o regime de Touré, como o próprio denunciou: "Queriam destruir o
regime guineense porque a Guiné era o trampolim para os nacionalistas que lutavam pela
independência dos seus países", afirmou.
Antes de saírem, trezentos mil franceses cheios de fúria odiosa deixaram o país destruído, reduzido a
pó. Queimaram tudo que estava na frente: livros, tratores, prédios, máquinas, plantações, bibliotecas,
os alimentos estocados, o gado foi massacrado e os hospitais depredados com seus aparelhos.
Queimaram e destruíram tudo que a colônia havia construído com o dinheiro e o trabalho locais ou com
aquele trazido da França.
O país ficou arrasado. O propósito dessa devastação era dar um recado às outras colônias do que
aconteceria se ousassem querer a independência.
Sob o governo de Touré, a Guiné-Conacri se tornou uma ditadura de partido único, com uma economia
fechada de caráter socialista e intolerante a direitos humanos, liberdade de expressão ou oposição
política. Sékou Touré morreu em 1984, e uma junta militar encabeçada pelo coronel Lansana Conté
tomou o poder.
Na Argélia foi ainda pior, haja vista que nesse território os interesses franceses eram muito mais
intensos e estavam arraigados há muito mais tempo. Além dos interesses econômicos, havia na Argélia
uma considerável população francesa ou de origem francesa, que beirava um milhão de pessoas, o que
certamente agravou a resistência de Paris em aceitar negociar a independência da colônia, levando a
uma longa e desgastante guerra.
A guerra da Argélia foi uma das mais terríveis guerras de independência da África no contexto da
descolonização. Os franceses se recusavam a aceitar a independência e a Frente de Libertação Nacional
(FLN) argelina lutou com determinação para atingir o seu objetivo. O resultado foi um elevado saldo de
mortos dos dois lados, sendo que cerca de 300 mil argelinos perderam suas vidas durante o conflito,
contra aproximadamente 30 mil franceses. De toda forma, a guerra demonstrou que mesmo para um
país poderoso como a França havia limites, isto é, que o movimento pela descolonização não poderia ser
contido por meio da repressão, por mais violenta que fosse. A negociação política era um imperativo e
as antigas potências coloniais deveriam pensar em uma nova estratégia no seu relacionamento com os
novos Estados africanos.
A derrota na guerra da Argélia mexeu com os brios franceses, principalmente dos militares, mas com
evidente impacto em suas elites políticas e que certamente tiveram repercussões para o futuro
relacionamento entre a França e os territórios africanos em processo de descolonização, podendo ser o
ponto chave para revisão das estratégias de colonização e de negociação para não perder as outras
colônias sob seu domínio. Ou seja, ela ocorreu como coroamento de uma série de duas grandes
derrotas militares que humilharam a França, sendo que a primeira delas foi a acachapante capitulação
diante da Alemanha nazista, em 1940; e a segunda, o tropeço militar na guerra da Indochina, quando os
franceses foram derrotados na batalha de Dien Bien Phu, em 1954, e forçados a abandonar a Indochina
(Vietnã, Camboja e Laos).
Durante a guerra contra Argélia, em 1956 o Marrocos torna-se independente, já que a França não teria
mais condições de lutar contra outra colônia. Em 1959 a confederação do Mali, composto pelas colônias
Alto Volta (Burkina Faso), Daomé (Benin), Senegal e Mali, pede ao governo De Gaule pela sua
independência, que a concede em 1960.
Outras colônias francesas também têm suas independências reconhecidas no mesmo ano, como: Costa
do Marfim, Mauritânia, Níger, Togo, Chade, Camarões, Gabão, República do Congo, Madagascar, Ubangui-
Char tornou-se a República Centro Africana após a independência. O ano de 1960 foi reconhecido como
“o ano Africano”, pois foi um momento de conquista dos vários anos de submissão aos franceses por meio
de oposições pacíficas. Comores foi a última colônia francesa no continente africano, e teve sua
independência em 1975.
Da década de 1960 até meados dos anos 1990, a França persistiu em suas intervenções militares em países
africanos. Suas motivações e justificativas variavam um pouco, mas o essencial se resumia a seis pontos:
defender seus interesses econômicos, proteger os seus cidadãos, defender os regimes africanos que
mantêm relações especiais, tanto políticas, econômicas e estratégicas com Paris, expandir sua esfera de
influência sobre a África dita francófona, lutar contra grupos rebeldes que ameacem os regimes aliados,
aumentar sua influência mundial por meio de uma ativa política africana .
Foi nesse sentido que se deu a desastrosa – e até mesmo criminosa – intervenção francesa em Ruanda
no final da década de 1980 e início dos anos 1990. Como a Frente Patriótica Ruandesa (FPR), liderada
por Paul Kagame – atual presidente de Ruanda, no cargo desde o ano 2000 –, ameaçava concretamente
o governo do presidente Juvenal Habyarimana, os franceses resolveram agir para socorrer o seu
protegido, seguindo a lógica das relações pessoais e semi-institucionalizadas que regiam as relações
franco-africanas e em nome da preservação, claro, dos interesses da França em África.
A questão do genocídio em Ruanda é importante para a análise das intervenções francesas na África,
porque parece ser um ponto de ruptura dessa política, principalmente pelo desgaste provocado para a
imagem do governo francês, tanto na perspectiva doméstica, como no plano externo. Mas, como será
visto a seguir, nem mesmo o fiasco diante do genocídio ruandês foi capaz de modificar o modus
operandi da França na África, embora tenha, pelo menos temporariamente, recolocado o tema em
discussão na própria França.
Os franceses iniciaram ingerências militares nos assuntos de Ruanda quando as tropas da FPR passaram
a ameaçar o governo de Habyarimana, ditador que era considerado amigo pessoal do ex-presidente
francês François Mitterrand. Como citado, quem ameaçava o governo de Habyarimana era Paul Kagame,
comandante da Frente Patriótica e que conseguiu organizar e armar adequadamente as suas tropas a
partir dos campos de refugiados Tutsis em Uganda (claro, certamente com apoio do governo do país) e
de lá lançar operações militares bem sucedidas contra o fraco exército de Ruanda.
Guerra da Indochina
Na Guerra da Indochina, ocorrida de 1946 a 1954, vietnamitas (em geral, comunistas) lutaram contra
tropas francesas pela independência do Vietnã e pelo fim do domínio francês na região chamada
Indochina Francesa. Esse conflito resultou na independência de Vietnã, Laos e Camboja e pode ter
causado até 400 mil mortes.
A Indochina Francesa era uma colônia da França formada por Laos, Camboja, três reinos vietnamitas
(Tonquim, Annam e Conchinchina) e um protetorado cedido pelos chineses, chamado Guangzhouwan.
O domínio dos franceses estendeu-se até 1940, quando essa região foi atacada e conquistada pelos
japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Esse ataque decorreu das ambições imperialistas dos
japoneses no Sudeste Asiático e também buscou fechar rotas utilizadas pelos Estados Unidos para
fornecer armas para os chineses durante a Segunda Guerra sino-japonesa (1937-1945).
A invasão dos japoneses contribuiu para o fortalecimento do movimento nacionalista vietmanita,
organizado em torno de grupos comunistas.
Além de expulsar os japoneses, os nacionalistas vietnamitas tinham como objetivo alcançar a
independência do Vietnã e, assim, pôr fim ao domínio colonial dos franceses. Para alcançar esses
objetivos, foi formada a Liga Revolucionária para a Independência do Vietnã, conhecida como Vietminh.
O Vietminh, liderado por Ho Chi Minh, aliou-se com os Estados Unidos, a China e os franceses de De Gaulle
e passou a lutar contra os invasores japoneses.
Ao final da guerra, e com a derrota e expulsão dos japoneses, o Vietminh estabeleceu-se ao norte do
Vietnã e, após declaração de Ho Chi Minh, fundaram uma república nessa região.
A república criada pelos comunistas instalou-se na região que, de acordo com os Aliados, deveria ser
ocupada pelos franceses. Os Aliados haviam definido uma divisão do Vietnã a partir do chamado paralelo
17ºN. A parte sul do país continuou sob domínio francês (apesar de ocupada pelos britânicos).
Com o norte ocupado pelos comunistas do Vietminh, os franceses iniciaram o ataque da região em
novembro de 1946, quando realizaram um intenso bombardeio sobre o porto de Haphong, no norte do
Vietnã.
A Guerra da Indochina colocou frente a frente duas forças completamente díspares e desiguais em força.
Os franceses possuíam um exército formado por soldados oriundos de diferentes colônias francesas na
África e na Ásia e apresentavam poder de fogo superior, além de contarem com o apoio dos Estados
Unidos a partir de 1949.
O exército do Vietminh, liderado por Vo Nguyen Giap, sabia que não seria capaz de manter um combate
aberto contra as tropas francesas. Assim, o Vietminh adotou a tática de guerrilha e promoveu operações
de sabotagem contra os franceses e ataques surpresa de grande intensidade, seguidos de fugas
estratégicas pela floresta densa ou regiões montanhosas do Vietnã.
Para derrotar os guerrilheiros vietnamitas, a França enviou cerca de 200 mil soldados para o Vietnã e
instalou-os ao norte, em Hanói e Haphong. Seus exércitos saíam-se bem em locais com linhas defensivas
bem estabelecidas, mas nas regiões de montanha e floresta densa as vitórias eram, em geral, dos
guerrilheiros do Vietminh.
Com a vitória dos comunistas na Revolução Chinesa de 1949, o equilíbrio de forças no conflito foi alterado,
e o Vietminh passou a receber apoio dos chineses e dos soviéticos. Em 1953, o a França estava com cerca
de 450 mil soldados no Vietnã. No entanto, a opinião pública francesa começava a pressionar o governo
pelo fim da guerra.
Para derrotar os guerrilheiros vietnamitas, a França enviou cerca de 200 mil soldados para o Vietnã e
instalou-os ao norte, em Hanói e Haphong. Seus exércitos saíam-se bem em locais com linhas defensivas
bem estabelecidas, mas nas regiões de montanha e floresta densa as vitórias eram, em geral, dos
guerrilheiros do Vietminh.
O estabelecimento dos franceses em Dien Bien Phu, contudo, foi um retumbante fracasso. A cidade,
ocupada por 16 mil franceses, foi cercada por mais de 50 mil soldados do Vietminh, que promoveram
intenso bombardeio.
Os bombardeios, aliados ao assalto final que ocorreu em 1945, forçaram os franceses a abandonarem a
cidade de Dien Bien Phu e a amargarem um total de dois mil mortos. Com a opinião pública negativa e
com a derrota humilhante em Dien Bien Phu, os franceses aceitaram negociar um cessar-fogo com os
vietnamitas. As negociações pelo cessar-fogo aconteceram em 1954, durante a Conferência de Genebra,
na Suíça.
Durante a Conferência de Genebra, foi ratificada a independência do Vietnã, bem como as independências
de Laos e Camboja. No entanto, a antiga divisão estabelecida em 1945 no paralelo 17, no Vietnã, foi
mantida e, assim, dois governos foram formados. O Vietnã do Norte passou a ser governado por Ho Chi
Minh e o Vietnã do Sul foi governado por Bao Dai.
Essa nova configuração do Vietnã, somada às tensões do período da Guerra Fria, levou o Vietnã a um novo
conflito a partir de 1959, quando os dois governos estabelecidos entraram em guerra. A unificação do
Vietnã, definida para ocorrer em 1955, só foi ocorrer em 1976, após a Guerra do Vietnã (1959-1975).
COLÔNIAS BRITANICAS
Estes foram os países africanos colonizados pelos ingleses, com os respectivos anos em que conquistaram
liberdade:
África do Sul – 1910, Égito - 1922, Líbia - 1951, Sudão - 1956, Gana – 1957,Somália - 1960, Nigéria -
1960,Serra Leoa – 1961,Camarões - 1961, Tanzânia - 1961, Uganda – 1962, Quênia - 1963,Malawi – 1964,
Zâmbia - 1964,Gambia – 1965, Botswana – 1966, Lesoto – 1966, Ilhas Maurício - 1968, Eswatini (ex—
Suazilândia) - 1968, Seychelles – 1976, Zimbabwe – 1980.
EGITO: O ponto de partida do Egito moderno, independente, deu-se com os Motins de Cairo, ocorridos
entre os dias 26 e 27 de janeiro de 1952. Naquela ocasião milhares de cairotas, seguidos por seus
compatriotas de outras cidades, saíram para as ruas, em fúria, para manifestar sua indignação com a
continuidade do mando britânico sobre o país dos faraós. A explosão popular selou para sempre a sorte
da monarquia colaboracionista do rei Faruk, logo derrubada por um golpe militar nacionalista no dia 22
de junho de 1952. Ação que pôs fim ao domínio de 70 anos dos britânicos sobre o Egito.
Todavia, os egípcios, tal como ocorrera no final da Primeira Guerra Mundial, tinham enormes expectativas
de poder, enfim, ver os britânicos pelas costas. Entretanto, sete anos já se haviam passado desde a derrota
final de Hitler, em 1945, e nada dos britânicos acenarem com um adeus definitivo.
O grande impulsionador da independência do Egito foi Gamal Abder Nasser, o verdadeiro líder da nação
que dirigiu o Conselho do Comando Revolucionário (Revolutionary Command Council), e que conspirou
para fazer a revolução libertadora. Apesar de Nasser ser o protagonista do movimento de independência,
o primeiro presidente egípcio foi o general Muhammad Naguib, outra das figuras fulcrais deste período.
Nasser chegou assumiu o seu primeiro cargo político importante em 1954, quando foi eleito primeiro-
ministro, no mês de novembro do mesmo ano Naguib foi deposto, e o seu lugar reocupado por Nasser,
empossado de uma autoridade total. Dois anos depois foi oficialmente eleito presidente (1956) do Egito.
De início, as linhas gerais da sua política estavam bastante próximas do mundo ocidental, mas cedo trocou
esta política ocidentalizante por uma política neutral, de aberta cooperação com os países da África e da
Ásia, vindo a afirmar-se como árbitro e advogado da União Árabe.
O Egito olhara com esperanças para a Índia, que conquistara a independência por meio de um a
negociação acertada entre Gandhi e Lord Mountbatten, em 1947, e desejava o mesmo para o Egito .
Um desacerto entre as tropas inglesas do tenente-general Sir George Erskine e a guarnição egípcia na
cidade de Ismailia - que desandou num choque armado no qual 50 policiais foram mortos e outros 100
restaram feridos pelos ocupantes -, foi a faísca que faltava para tudo explodir pelo país (o comandante
britânico justificou a brutal ação do ataque ao acampamento dos policias egípcios como "necessária para
prevenir futuros ataques terroristas contra os seus soldados"). Dai entender-se a reação da violência anti-
britânica de 26 e 27 de janeiro de 1952.
Os civis ingleses, por razões de sobrevivência, pois muitos deles foram mortos nas ruas, recuaram para a
Zona do Canal do Suez para protegerem-se, tornando-a área separada do restante do país (para isto
alegaram estar no direito deles apoderarem-se do Canal, visto que assim concordara o rei Faruk ao assinar
o Tratado Anglo-egípcio de 1936). No total, 750 estabelecimentos de todo o tipo forma destruídos pela
multidão possessa dando um prejuízo estimado em 50 milhões de libras esterlinas.
O rei Faruk tentou apaziguar a massa demitindo o primeiro-ministro Nahas Pacha que havia classificado
os amotinados como "traidores" cuja intenção verdadeira era depor a monarquia. Seja como for a
leniência de Faruk em tomar qualquer medida enérgica contra a continuidade da presença inglesa - que
ainda havia recebido um reforço de 6 mil soldados vindos via aérea da ilha de Malta para conter a multidão
- , expôs a fragilidade dele aos olhos de todos. O governo dele tornou-se inútil, não servindo nem mais
para garantir os interesses britânicos e menos ainda para satisfazer o povo em seu anseio de liberdade.
Desde a derrota das monarquias árabes frente ao novo Estado de Israel, na guerra de 1948, formou-se
em meio da oficialidade egípcia um pequeno grupo de militares do alto escalão e do setor intermediário
das Forças Armadas - generais e principalmente coronéis - que passaram a conspirar contra o rei fantoche.
O líder deles, dos auto-designados Oficiais Livres, uma organização secreta, era o coronel Gamal Abdel
Nasser, que se escorava por detrás do major-general Mohammed Naguib. Eles estavam fartos da grossa
corrupção, do servilismo e da incompetência generalizada do regime de Faruk.
Viram-se também como reformadores sociais, não como possíveis golpistas, tanto assim que, depois,
propuseram um "socialismo árabe", cuja maior proeminência programática era realizar uma reforma
agrária total ao tempo em que se apresentavam como campeões do pan-arabismo. Posicionavam-se
como nacionalistas frente ao domínio britânico e socialistas frente ao poder dos latifundiários do país.
No dia 22 de junho de 1952, aproveitando-se do estado de inanição da monarquia Faruk, abalada pelo
Motim do Cairo, as tropas comandadas por eles cercaram com seus tanques o Palácio Real de Abdin. Na
manhã do dia 23, Anwar el-Sadat, colega e seguidor mais próximo de Nasser, anunciou pelo rádio o
programa dos Oficiais Livres. O rei ainda tentou manter a coroa para o seu herdeiro Ahmed Fouad, mas
foi forçado no dia 26 de junho de 1952, a ir para o exílio
A recém-formada Comissão do Conselho Revolucionário (CCR), que destronara Faruk, indicou o major-
general Mohammed Naguib como o chefe do processo, tendo Nasser na retaguarda como a poderosa
sombra do movimento de emancipação. Num só golpe de força, sem derramamento de sangue,
Os 30 anos do reinado fantoche criado pelos britânicos em 1922, desaparecera do horizonte dos egípcios,
enquanto o coronel Nasser, com apenas 34 anos, deixava o anonimato da vida de conspirador para vir a
tornar-se o rais, o caudilho, o maior nome do Egito moderno e um dos mais consagrados líderes da
emancipação do Terceiro Mundo. No dia 8 de junho de 1953, em seguida ao afastamento definitivo do
herdeiro Fuad, a República do Egito foi proclamada.
Independência da África do Sul : Tecnicamente, o período colonial na África do Sul
acabou em 1910, quando os ingleses fundaram a União da África do Sul. Diz-se “tecnicamente” porque o
território continuou sob o domínio do Império Britânico. Em 1931, a União tornou-se independente da
metrópole por meio do Estatuto de Westminster. O documento, elaborado pelo Parlamento do Reino
Unido, concedeu aos seus domínios independentes a posição de igualdade em relação a outros domínios
do Império Britânico e ao próprio Reino Unido.
Em 1961 aconteceu a proclamação da república e a saída da África do Sul da Commonwealth. Essa decisão
foi tomada em um referendo, no qual só a comunidade branca do país votou, já que o apartheid vigorava
no país.
A descoberta de diamantes gerou um crescente fluxo de pessoas para estas repúblicas e estimulou o
primeiro-ministro da Colônia do Cabo, Cecil Rhodes, a conspirar a anexação destes territórios. A guerra
os expansionistas britânicos chamavam de “inevitável" contra os Bôeres eclodiu no dia 11 de outubro de
1899. A derrota dos Bôeres, em 1902, levou à união da África do Sul, que passou a ser composta por
quatro províncias, as duas repúblicas anteriores e as antigas Colônias do Cabo e Natal. Louis Botha tornou-
se o primeiro-ministro.
A organização das atividades políticas africanas foi estabelecida no Congresso Nacional Africano, em 1912.
Jan Smuts, sucessor de Louis Botha, colocou a nação na Segunda Guerra Mundial ao lado dos aliados e,
em 1945, a África do Sul tornou-se membro das Nações Unidas. No entanto, o primeiro-ministro recusou-
se a assinar a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Apartheid, separação racial, passou a
dominar a política do país. Os nacionalistas impuseram severas restrições aos Bantus (africanos negros),
asiáticos e Coloreds (pessoas não brancas). Os eleitores negros foram proibidos de votar. Por mais de
meio século, a população não branca foi forçada a abandonar as “áreas brancas”.
No ano seguinte (1911), foi promulgada a Lei de Regulamentação do Trabalho Indígena, perante a qual
somente se configurava o crime de quebra de contrato de trabalho quando os trabalhadores eram
africanos.
A Lei da Terra de 1913 delimitou a posse de terras entre negros e brancos, onde os primeiros ficavam com
7,5 % dos territórios e os outros com 92,5 %. Em 1917, o Primeiro Ministro Jan Smuts já empregava
abertamente a palavra “apartheid” em seus discursos.
Este regime é admitido de fato em 1944, contudo, na medida em que era visto como uma forma de
combater o comunismo, foi aceito pelas potencias mundiais durante toda Guerra Fria.
Posteriormente, no ano de 1972, ela foi impedida de participar dos Jogos Olímpicos de Munique,
mediante um boicote de outros países africanos.
Um dos últimos esforços pelo apartheid foi a Lei da Proibição dos Casamentos Mistos de 1991.
O Ato das Terras Nativas retirou, entre 1950 e 1986, cerca de 1,5 milhão de africanos das cidades,
enviando-os para a zona rural, onde viviam na completa pobreza e sob severas leis. A supremacia branca
do Partido Nacional continuaria pelas próximas três décadas.
Em 1960, setenta manifestantes negros foram mortos durante um ato pacífico em Shaperville. O
Congresso Nacional Africano (ANC), a principal organização antiapartheid, entrou na ilegalidade e seu
líder, Nelson Mandela, foi condenado à prisão perpétua. Os protestos contra o regime racista cresceram
e ficaram cada vez mais violentos. Em 1976, uma rebelião, no distrito negro de Soweto e em outros
municípios, terminou com 600 mortos.
No começo dos anos 60, a oposição internacional contra o apartheid foi intensificada. A ONU impôs
sanções e diversas nações romperam com a África do Sul. A pressão contra o apartheid começou a dar
resultados quando F. W. de Klerk substituiu P. W. Botha na presidência do país, em 1989. Klerk retirou o
ANC da ilegalidade e libertou Nelson Mandela, após de 27 anos de prisão.
Em 1991, um fórum multirracial dirigido por Klerk e Mandela, a Convenção para a Democracia da África
do Sul, começou a elaborar a nova constituição. Em 1993, a constituição foi aprovada, acabando com o
apartheid e estabelecendo uma democracia multirracial. Neste mesmo ano, Mandela e Klerk ganharam o
Prêmio Nobel da Paz. A eleição presidencial de 1994, a primeira multirracial do país, deu a vitória a Nelson
Mandela.
A descolonização da Ásia: Ainda antes da Segunda Guerra Mundial, ex-colônias
britânicas, como Egito e Iraque, conquistaram suas independências, em 1922 e 1932,
respectivamente.
Na década de 1940, outros territórios como a Transjordânia, Palestina e Líbano também se
libertaram da dominação colonial. Com isso, percebemos que a luta pela independência do
domínio colonial esteve presente na disputa política em diferentes momentos do século XX.
Contudo, mesmo após a Segunda Guerra, o grande território colonial inglês, a Índia,
permanecia sob condição de dominação. Nesse país, os movimentos contra a colonização já
atuavam desde o século XIX, mas ainda sem obter sucesso.
Índia x Paquistão: Na Índia convivem várias religiões como a bramânica, jansenista, budista,
siquista, hinduísta e muçulmana. Essas duas eram majoritárias e completamente distintas entre si.Os
muçulmanos, que eram a elite durante o Império mongol, viram os britânicos como ameaça ao seu
sistema educativo e à sua religião.
Por sua parte, os hindus aceitaram a educação britânica e se transformam no principal esteio da
dominação inglesa, participando como funcionários da administração colonial. No entanto, a educação
recebida por esta elite hindu, se torna uma faca de dois gumes. Os mesmo hindus que se formaram nas
universidades inglesas vão se dar conta que estão servindo ao dominador e traindo o povo a qual
pertencem.
Esses universitários fundam o Congresso Nacional Indiano, em 1885, com o apoio dos liberais britânicos
e vão questionar a ocupação inglesa.
Surgem lideranças como Gandhi, um advogado, que vai percorrer o país pregando uma revolução não-
violenta contra os ingleses. Existiam aqueles que primeiro desejam uma auto-determinação mínima e
formar parte do Império Britânico, outros, com o Partido Nacional do Congresso, de Nehru e Gandhi,
percebem que o colonialismo deve acabar e a Índia se tornar um país independente.
A partir da década de 1940, os líderes hindus Mahatma Gandhi e Jawaharial Nehru intensificaram os
protestos pela independência indiana. A marca de suas ações era a desobediência civil: ao contrário de
outros movimentos de libertação nacional, Gandhi pregava a resistência através do não pagamento de
impostos e do boicote aos produtos ingleses, por exemplo.
Gandhi lidera três grandes campanhas anti-britânicas:
• 1919 – Greve Geral de vários setores como transportes e limpeza;
• 1920 e 1922 – Resistência pacífica: não colaborar com os ingleses como não votar;
• 1930 e 1934 – a desobediência civil: consiste em transgredir as leis. A mais famosa delas talvez
seja a Marcha do Sal onde Gandhi, acompanhado por seus seguidores, recolhe sal de uma salina
e o vende, algo que estava proibido aos indianos, e é preso.
Por sua participação nesses atos, Gandhi passará vários períodos na prisão junto com outros líderes
políticos indianos. Entre eles, Nehru, que se tornaria o primeiro-ministro da índia independente, além de
fundar uma dinastia de políticos.
Mais tarde, em plena Segunda Guerra Mundial, a ruptura entre o povo indiano e os ingleses chegou ao
limite. O governo britânico sabia que a independência da Índia seria uma questão de tempo e resolveu
estabelecer uma saída negociada.
A descolonização da Índia deve ser entendida no contexto pós-guerra quando se passou a considerar
inaceitável colonialismo. Duas grandes correntes se formaram: a primeira, defendida por Gandhi,
advogava por uma Índia unitária.
A segunda, reivindicada pelos muçulmanos, liderados por Muhammad Ali Jinnah, pediam um estado
independente, que se chamaria Paquistão. Os principados que eram independentes teriam que escolher
a qual dos países gostariam de pertencer.
Apoiados pelos britânicos, a segunda proposta venceu. Isto causou um caos no país, pois milhares de
muçulmanos deixaram suas terras para se dirigir ao futuro país.
Por outro lado, os hindus fizeram o mesmo. Não era raro as duas colunas de imigrantes encontrarem-se
caminhando em direção oposta e as provocações terminarem em brigas.
Em resposta a ação desses grupos, para manter seu o domínio na Índia, a Inglaterra fez uso de
expedientes como a exploração dos conflitos entre os hindus e os muçulmanos, que também viviam no
país e eram liderados por Muhammad Ali Jinnah.
A independência da Índia foi alcançada em 15 de agosto de 1947 após um longo processo de lutas.
Além da República da Índia, majoritariamente hindu, foi criada a República Muçulmana do Paquistão,
país de maioria muçulmana.
Mesmo com a conquista de seus estados nacionais, o conflito entre hindus e muçulmanos persistiu, o
que culminou com o assassinato de Gandhi em 1948 por um militante de um grupo hindu radical, que
discordava da política pacifista do líder indiano.
As desavenças entre Índia e Paquistão persistiram após a morte de Gandhi, e resultaram em uma guerra
em 1965. As constantes ameaças entre os dois países fizeram com que ambos passassem a investir no
desenvolvimento de armas nucleares, criando um cenário de tensão permanente na região.
Independência das Colónias Portuguesas em África
Moçambique e Angola, duas colónias portuguesas, situadas respetivamente no Oceano Índico e no
Oceano Atlântico, depois de um período de lutas de guerrilha tornaram-se independentes de Portugal
em 1975. O processo de independência destas ex-colónias ocorreu numa altura em que Portugal vivia a
tubulencia política de um golpe de Estado, que depôs o regime ditatorial de António de Oliveira Salazar
em 1968 e o substituiu por uma nova República, inicialmente de tipo socialista.
A Revolução do 25 de abril possibilitou a descolonização, que se fazia com grande atraso relativamente a
outras ex-colónias europeias. Este atraso devia-se às dificuldades e entraves do Estado Novo e do
processo de democratização do país antes de 1974. Neste processo foram libertadas todas as ex-
colónias portuguesas, exceto Timor, e voltaram para Portugal, em circunstâncias dramáticas, cerca de
um milhão de portugueses que se tinham fixado no ultramar.
Angola e Moçambique conseguiram a independência em 1975 e logo de seguida estes dois países
instauraram um regime político pró-soviético, enquanto que em Portugal o modelo socialista pós-
revolução era progressivamente abandonado, dando lugar a um regime democrático.
As outras ex-colónias africanas, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, também enveredaram
por este tipo de regime. Embora partissem do mesmo modelo, cada uma das novas nações adaptou-o
consoante as suas experiências e as exigências conjunturais.
Com o processo de independência em Angola rebentou uma guerra civil entre as diversas fações
independentistas. De um lado estava o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), o partido
no poder, pró-soviético, e do outro a UPA (União dos Povos de Angola) e a UNITA (Movimento Nacional
para a Independência Total de Angola), para além da FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola),
estes três últimos mais próximos do Ocidente. Apesar dos esforços de paz internacionais, esta guerra
guerra continua nos dias.
Conteúdo sobre a guerra fria, na Europa, URSS, EUA , América latina, África e Ásia

Conteúdo sobre a guerra fria, na Europa, URSS, EUA , América latina, África e Ásia

  • 1.
    Início da guerrafria Tribunal de Nurembergue No dia 8 de agosto de 1945, representantes das quatro potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial aprovaram, em Londres, a criação de um tribunal internacional de guerra para julgar os criminosos nazistas. Depois da capitulação da Alemanha, em maio 1945, representantes da Inglaterra e dos Estados Unidos listaram uma série de atos considerados criminosos, na medida em que fossem parte constituinte ou resultado de uma conspiração que tinha em vista uma agressão ou um crime de guerra. Após 15 esboços, a Corte Internacional Militar foi encarregada, no dia 8 de agosto de 1945, de pronunciar o veredicto final para os acusados. O estatuto do tribunal, resultante do Acordo de Londres de 1945, realizado entre as quatro potências julgadoras, incluía três tipos de acusações: em primeiro lugar, os crimes contra a paz, que consistiam na preparação e na execução de uma guerra de agressão; em segundo, os crimes de guerra que violavam a Convenção de Haia, como os extermínios e maus- tratos de prisioneiros e das populações civis dos países ocupados; e, em terceiro lugar, os crimes contra a humanidade, que compreendiam o tratamento desumano dispensado a grupos étnicos, políticos ou religiosos, sobretudo, a perseguição e o extermínio do judeus na Europa. A acusação de "crime contra a paz" incluía ainda um delito adicional: a participação num conluio para a prática dos demais crimes constantes da denúncia. No primeiro esboço norte-americano da carta- estatuto, essa acusação se referia a todos os delitos, inclusive aos crimes contra a humanidade. Isso abrangeria também as medidas que conduziram ao extermínio em massa dos judeus. Juristas britânicos, porém, modificaram o texto, restringindo a tese do conluio ao delito da guerra de agressão. O juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos Robert Jackson, um dos idealizadores do Tribunal de Nurembergue, no entanto, queria comprovar que todos os 22 acusados haviam participado de um complô. No processo, que terminou em 1º de agosto de 1946, os juízes seguiram essa argumentação em apenas oito casos. Catorze dos 22 indiciados foram absolvidos nesse ponto. Mas a derrota jurídica da tese do complô praticamente passou despercebida em Nurembergue, porque 11 dos absolvidos nesse ponto acabaram sendo condenados à morte pela forca por crimes de guerra. Foram eles: o ex-marechal Hermann Göring; o ex-ministro do Exterior Joachim von Ribbentrop; o chefe do Alto Comando das Forças Armadas (OKW), Wilhelm Keitel; o ex-chefe do Serviço Central de Segurança (RSHA), Ernst Kaltenbrunner; Alfred Rosenberg, teórico nazista e assessor direto de Hitler; Hans Frank, ex-administrador da Polônia ocupada; Willhem Frick, ex-ministro do Interior e ex- governador da Tcheco-Eslováquia ocupada; Julius Streicher, diretor do jornal nazista Der Stürmer; Fritz Sauckel, ex-chefe do recrutamento de trabalhadores nos territórios ocupados; Alfred Jodl, ex-chefe de operações do OKW; e Arthur Seyss-Inquart, ex-chefe dos serviços administrativos da Holanda ocupada.
  • 2.
    Os demais acusadosobtiveram penas de prisão perpétua (caso de Rudolf Hess) ou prisão por tempos variáveis. Três deles – Hjalmar Schacht, Franz von Papen e Hans Fritzche – acabaram sendo absolvidos. Ao longo do processo, de 20 de novembro de 1945 a 1º de outubro de 1946, houve 403 sessões públicas. Divisão da Alemanha As quatro potências vencedoras – Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética – assumiram o poder e dividiram o território alemão em quatro zonas de ocupação. Sob o controle soviético ficaram os territórios a leste dos rios Oder e Neisse. Berlim, encravada no território que viraria Alemanha Oriental, também foi dividida em quatro setores. Os diferentes sistemas de domínio no Ocidente e no Leste geraram divergências entre os Aliados, que não conseguiam definir uma política comum para a Alemanha derrotada. Na Conferência de Potsdam, que ocorreu entre 17 de julho e 2 de agosto de 1945 para estabelecer as bases de uma nova ordem europeia no pós-guerra, só houve consenso quanto a quatro ações prioritárias na Alemanha: desnazificar, desmilitarizar, descentralizar a economia e reeducar os alemães para a democracia. Muitas indústrias alemãs haviam escapado dos bombardeios, mas a pequena oferta de produtos estava longe de suprir a demanda, e os Aliados confiscaram grande parte da produção para o pagamento da reparação de guerra. A política econômica restritiva dos Aliados só mudou quando se impôs a convicção de que a Alemanha Ocidental poderia ser um importante baluarte contra o avanço do comunismo soviético. Após unir suas três zonas de ocupação, os aliados ocidentais – Estados Unidos, França e Reino Unido – decidiram, em 20 de junho de 1948, implantar uma reforma monetária e criar um Estado provisório sob seu controle. Um mês depois, cada cidadão alemão pôde trocar 40 Reichsmark (a moeda vigente até então, instaurada em 1924) por 40 unidades da moeda então introduzida pelos Aliados: o marco alemão (Deutsche Mark, ou DM). Para empresários e autônomos, a relação de troca era mais favorável. Embora recebesse ajuda dos EUA desde 1946, foi só o programa chamado Plano Marshall disponibilizou 1,4 bilhão de dólares de 1948 a 1952, que o lado ocidental começou a se recuperar da crise. A Zona de Ocupação Soviética não teve a mesma sorte, tendo que arcar sozinha com os custos de sua recuperação, além de sofrer a sangria das reparações de guerra (que também afetou a parte ocidental) e o esvaziamento pela desmontagem de fábricas, estradas de ferro e instalações levadas para a União Soviética. Stalin reagiu à reforma monetária na Alemanha Ocidental ordenando que o lado ocidental de Berlim fosse bloqueado. Para incorporar essa parte da cidade à Zona de Ocupação Soviética, mandou interditar todas as comunicações por terra.
  • 3.
    Isolado das zonasocidentais e de Berlim Oriental, o oeste de Berlim ficou sem luz nem alimentos de 23 de junho de 1948 até 12 de maio de 1949. A população só sobreviveu graças a uma ponte aérea organizada pelos Aliados, que garantiu seu abastecimento. No dia 23 de maio de 1949, os aliados ocidentais promulgaram a Lei Fundamental, elaborada por um conselho parlamentar, dando origem à República Federal da Alemanha (RFA). A denominação Lei Fundamental sublinhava seu caráter provisório, pois somente depois que o país voltasse a ser uma unidade deveria ser ratificada uma Constituição definitiva. A União Soviética, que integrara a zona leste do país à sua estrutura de poder, não ficou atrás, anunciando, em outubro de 1949, a fundação da República Democrática Alemã (RDA), tendo Berlim Oriental como capital. Seu regime era comunista e de economia planificada, dando prosseguimento à socialização da indústria e ao confisco de terras e de propriedades privadas. O Partido Socialista Unitário (SED) passou a ser a única força política na "democracia antifascista" alemã-oriental. Com o surgimento de dois Estados, a Alemanha tornou-se o marco divisório de dois blocos e sistemas político-econômicos antagônicos liderados pelos EUA, de um lado, e pela União Soviética, de outro. De 1949 até o início da década de 70, o desenvolvimento da República Federal da Alemanha foi marcado por uma rápida reconstrução do país, do Estado e das instituições democráticas, pela recuperação econômica impulsionada pelo Plano Marshall e pela estabilidade interna. Muro de Berlim Outro símbolo da ordem bipolar no cenário da Guerra Fria e da tensão e separação entre os dois blocos foi o Muro de Berlim, que existiu entre os anos de 1961 e 1989. A construção desse muro foi resultado da divisão da Alemanha entre capitalismo (Alemanha Ocidental) e socialismo (Alemanha Oriental). No centro dessa divisão estava Berlim, cidade que foi dividida entre as duas nações. A grande questão foi a quantidade de pessoas que começou a abandonar a Alemanha Oriental e se estabelecer em Berlim Ocidental (capital da Alemanha Ocidental). Isso se explicava pelo grande desenvolvimento econômico na Alemanha Ocidental graças ao Plano Marshall. O desenvolvimento do lado ocidental, somado à censura e falta de liberdade do lado oriental, fez com que cerca de três milhões de pessoas abandonassem a Alemanha Oriental, e, para conter esse fluxo de cidadãos que fugiam do país, o governo da Alemanha Oriental decidiu construir um muro isolando Berlim Ocidental. Na passagem do dia 12 para 13 de agosto de 1961, milhares de soldados da Alemanha Oriental cercaram Berlim Ocidental com arame farpado, concretizando o fechamento da fronteira.
  • 4.
    Com o tempo,foi construído um muro muito alto, torres de segurança foram estabelecidas, e um perímetro com soldados e cães de guarda foi criado para impedir que cidadãos da Alemanha Oriental fossem para o lado Ocidental. Cortina de ferro Atribui-se o termo cortina de ferro a um pronunciamento de Winston Churchill, então ex-primeiro- ministro britânico. Esse discurso foi realizado no Westminster College, em Fulton, Missouri, Estados Unidos, no dia 5 de março de 1946. No discurso, Churchill afirmou que uma cortina de ferro teria descido sobre a Europa em uma referência direta ao bloco socialista, que se estabeleceu no continente após a Segunda Guerra Mundial. Essa expressão definia a divisão do continente europeu entre o bloco capitalista e o bloco socialista, sendo que as nações socialistas eram as que estavam atrás de uma “cortina de ferro”. Esse bloco socialista se formou à medida que as tropas soviéticas foram avançando no continente europeu. Esse avanço se deu durante a luta contra o nazismo, e, à medida que os locais eram liberados pelos soviéticos, tornavam-se locais de influência soviética. Com o final da guerra, essas regiões se transformaram em parte do bloco socialista. As nações do bloco socialista eram as do Leste Europeu que estavam sob o raio de influência da União Soviética e do governo de Moscou, a grande potência socialista do planeta na segunda metade do século XX. Os estados sob a influência soviética, apesar de soberanos, poderiam tornar-se alvo das interferências soviéticas, como aconteceu na Hungria em 1956 e na Checoslováquia em 1968. Plano Marshall e a recuperação europeia Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA e os países aliados vencedores, os localizados na Europa Ocidental, necessitavam de reconstruir a economia europeia devastada pelos longos anos de conflito a que estiveram submetidos. Era ainda necessário a esses países conter a ameça de expansão da influência soviética. Nesse contexto de reconstrução econômica e de Guerra Fria, foi lançado, em 1947, o Plano Marshall.
  • 5.
    O Plano Marshall( Programa de Recuperação Europeia) recebeu esse nome graças a seu idealizador, o general George Catlett Marshall, secretário de Estado do presidente estadunidense Henry Truman. O Plano Marshal foi um ambicioso projeto de empréstimos e doações financeiras realizados pelos EUA e seus capitalistas aos países europeus devastados pela Segunda Guerra Mundial. Entre 1948, ano em que entrou em vigor o Plano Marshall, e 1951, ano em que foi encerrado, cerca de 18 bilhões de dólares foram entregues aos países europeus aderentes ao plano através de doações e empréstimos. Para executar o plano, os EUA criaram a Administração da Cooperação Econômica. A oferta de ajuda econômica também foi oferecida à URSS, mas foi recusada já que Stalin pretendia reestruturar as economias de sua zona de influência sem o apoio do capitalismo ocidental. Frente a isso, os países europeus criaram, em 1948, a Organização Europeia de Organização Econômica (OECE), embrião do que viria a ser a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Dessas iniciativas surgiriam ainda o Mercado Comum Europeu e, posteriormente, a União Europeia O Plano Marshall serviu ainda para a constituição do que viria a ser conhecido como o Estado de Bem- Estar Social, em que parte dos serviços necessários à população (saúde, educação, seguro-desemprego etc.) era oferecida pelo Estado. Dessa forma, os capitalistas ocidentais enfrentavam a influência soviética com a melhoria das condições econômicas da população. Formação da OTAN A Otan é uma aliança militar intergovernamental criada após o final da Segunda Guerra Mundial no contexto da bipolaridade formada entre os Estados Unidos e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, no período da Guerra Fria. O objetivo da aliança é baseado em três pilares: • A defesa coletiva dos Estados membros (ou seja, os Estados concordam em se unir contra ameaças externas caso algum dos países participantes da organização seja atacado). • Impedir o revigoramento do militarismo nacionalista na Europa, através de uma forte presença norte-americana no continente. • Encorajar a integração política europeia.
  • 6.
    Após o fimda Segunda Guerra Mundial, havia uma preocupação por parte de países europeus em formar uma aliança que servisse de defesa para a Europa Ocidental. Para isso, países como Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França e Reino Unido criaram o Tratado de Bruxelas. O tratado era um passo para a integração dos países envolvidos em assuntos como defesa e segurança. A participação dos EUA no tratado foi vista como fundamental, principalmente pelo poderio militar que tinham. Os países então se reuniram para a criação de um novo tratado que fosse além do alcance da Europa Ocidental, desta vez com a participação de novos membros, contando com: EUA, Canadá, Portugal, Itália, Noruega, Dinamarca e Islândia. Foi nesse contexto que surgiu a OTAN, em abril de 1949, em ato constitutivo firmado em Washington, capital dos EUA. Os signatários concordaram em “unir esforços na defesa coletiva e na preservação da paz e da segurança”. Mas era nítido o viés ideológico da organização, que pretendia defender a democracia e suas instituições, e assim difundir para outros países esses valores. A defesa da democracia pelos países da organização mostrava também forte oposição à ideologia comunista. Pacto de Varsóvia A partir da década de 1950, foram realizadas ações oficiais para formar esse bloco política e diplomaticamente. Os Estados Unidos procuraram impedir o avanço do socialismo por meio do Plano Marshall, que fornecia auxílio econômico, principalmente, às nações da Europa Ocidental. Em oposição a esse plano, foi formado o Conselho para Assistência Econômica Mútua (Comecon), a fim de fornecer auxílio econômico para as nações socialistas do Leste Europeu. Além disso, os Estados Unidos criaram uma aliança militar por meio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). No caso do bloco socialista, foi formado o Pacto de Varsóvia, que formalizou um grupo de nações aliadas militarmente à União Soviética, permitindo a ampliação dos soviéticos sobre o bloco de nações socialistas. Os Estados-membros do Pacto de Varsóvia eram: URSS, Bulgária, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, República Democrática Alemã, Albânia e Romênia.
  • 8.
    Revolução Chinesa No começodo século XX, a China era governada por uma monarquia e sofria com interferências estrangeiras. Portanto, começaram a surgir movimentos nacionalistas. Foi então que, com a Revolução de 1911 ou Revolução Xinhai, o período monárquico acabou e a China foi transformada em uma República. Sendo assim, através da criação de um governo provisório, o Partido Nacionalista — ou Kuomintang — passou a governar o país. O sucesso comunista na Rússia, com a Revolução de 1917, fortaleceu o comunismo na China. Com isso, em 1921, foi criado o Partido Comunista Chinês (PCC), com 57 membros e fundadores. Entre eles, estava Mao Tsé-tung, o grande líder do comunismo na China. Inicialmente, a relação entre o PCC e o Kuomintang foi amigável. Isso porque a União Soviética foi uma parceira econômica do Kuomintang e, portanto, mediou a inclusão dos comunistas no partido, ainda que submetidos ao líder nacionalista Sun Yat-sen. Em 1925, porém, o líder Sun Yat-sen faleceu, e Chiang Kai-shek assumiu o seu lugar. Devido a força cada vez maior do comunismo na China, o novo líder do Partido Nacionalista começou uma intensa repressão aos comunistas. Houve, entretanto, uma trégua no conflito político quando o Japão declarou guerra contra os chineses em 1937. Logo, com a derrota japonesa, em 1945, a guerra civil pela disputa do poder na China recomeçou. Após o fim da guerra e derrota do Japão, em 1945, os líderes Chiang Kai-shek e Mao Tsé-tung se reuniram em busca de um acordo entre os partidos. Entretanto, o líder nacionalista exigiu o desarmamento total por parte dos comunistas, exigência que Mao Tsé-tung recusou. Sendo assim, iniciou-se o período de guerra civil que antecedeu a Revolução Comunista Chinesa. Apesar do apoio dos Estados Unidos ao Kuomintang, a vitória comunista aconteceu devido ao suporte massivo dos camponeses. Sendo assim, no dia 1 de outubro de 1949, Mao Tsé-tung proclamou a República Popular da China. Chiang Kai-shek, que governou a China desde 1927, refugiou-se com seu Estado Maior e cerca de 2 milhões de chineses na ilha de Taiwan ou Formosa, situada a 130 km do litoral da parte continental da China e separada desta pelo estreito do mesmo nome. Formou-se na ilha um governo autônomo com o apoio dos Estados Unidos. A partir desse período, a China seguiu dividida em duas: República Popular da China (a parte continental) e a China Nacionalista ou Taiwan (parte insular). Elas representavam os dois lados da Guerra Fria. A China Popular aliou-se à URSS até 1960 e depois seguiu seu próprio caminho.
  • 9.
    A Revolução Chinesade 1949 não foi a única revolução liderada por Mao Tsé-tung. Ele também encabeçou a Revolução Cultural Chinesa, uma campanha político-ideológica que ocorreu a partir de 1966. A Revolução Cultural foi iniciada oficialmente quando Mao tornou a disputa no interior do PCCh pública e publicou a Circular 16 de Maio. Nesse documento ele convocava a população da China para auxiliá-lo na luta contra os reacionários e burgueses em crescimento no país. Isso fez com que as massas, sobretudo estudantes, aderissem à convocação de Mao e iniciassem um período de violência na China. Quando Mao convocou a população, foi criada a Guarda Vermelha, milícia popular que seguia as ideias de Mao conforme elas foram registradas no Livro Vermelho. Os membros da Guarda Vermelha estavam espalhados por toda a China, difundindo o maoismo e denunciando aqueles que o criticavam e não se encaixavam nos seus ideais. Os membros da Guarda Vermelha foram orientados a perseguir os “quatro velhos”, conjunto de coisas que deveriam ser superadas no país. Essas coisas eram as velhas ideias, as velhas culturas, os velhos costumes e os velhos hábitos. Com isso, um dos primeiros alvos da revolução foi a milenar cultura chinesa. O plano econômico denominado Grande Salto Adiante (1958 — 1960) fracassou e provocou a morte de milhões de pessoa por causa da fome. Esse fenômeno ficou conhecido como a Grande Fome Chinesa. Por isso, a oposição começou a crescer dentro de setores menos radicais do Partido Comunista, resultando, então, na Revolução Cultural Chinesa para neutralizar os opositores de Mao Tsé-tung. Com o objetivo de perseguir seus opositores no interior do partido e membros da sociedade que não se alinhavam com a ideologia de Mao. A Revolução Cultural estendeu-se por 10 anos, disseminou violência no país e resultou na morte de milhões de cidadãos chineses. O resultado disso foi desastroso e a produção agrícola da China despencou, com isso, o país foi obrigado a comprar alimentos de nações ocidentais, para amenizar esses efeitos. Em consequência do Grande Salto, no começo da década de 1960, a China enfrentou a Grande Fome, e os historiadores afirmam que de 20 milhões a 40 milhões de pessoas morreram pela falta de comida no país. A Revolução Cultural era verdadeiramente uma tentativa de reformar radicalmente a cultura chinesa, apagando em definitivo traços da cultura pré-revolução. A perseguição contra os professores no país praticamente parou o sistema de educação chinês, sobretudo o superior. Os membros da Guarda Vermelha foram orientados a denunciar não somente seus professores mas também seus pais.
  • 10.
    Os casos deviolência cometida contra os intelectuais e artistas dispararam. Os perseguidos pela Guarda Vermelha eram reenviados para “campos de reeducação”, e nesses locais eram colocados em regime de trabalho forçado, além de enfrentarem reeducação política baseada nos princípios do maoismo. O plano econômico proposto por Mao, além de ter sido uma tragédia para a população chinesa, foi ruim para a popularidade do líder no interior do Partido Comunista Chinês, o PCCh. Mao passou a ser criticado, e uma disputa de poder e influência começou a delinear-se nos quadros daquele partido. A facção de Mao, enfraquecida pelo fracasso do Grande Salto, começou a visualizar o crescimento da facção de Liu Shao-Chi e Deng Xiaoping, que tinha uma visão mais moderada acerca das transformações e das políticas que Mao defendia para a China. As críticas a Mao no interior do partido também eram uma influência da desestalinização que havia acontecido na União Soviética. Esse processo colocou fim ao culto ao líder naquele país, sobretudo a Stalin, e isso se refletiu na China, sobretudo na forma como Mao era tratado. A desestalinização também contribuiu para piorar das relações entre URSS e China, pois Mao não concordava com as medidas do governo soviético. Além disso, a Revolução Cultural é considerada como um período obscuro na China e é chamada de “a década perdida” pelos chineses. O país desorganizou-se nesse período, e qualquer ação voltada para o desenvolvimento da China foi colocada em segundo plano. A prioridade no país era a perseguição contra os que pensavam diferente do seu ditador. Depois que Mao faleceu, a Revolução Cultural teve fim e um novo governo assumiu o comando da China. Em 1978, Deng Xiaoping, opositor de Mao que tinha sido perseguido e enviado para um campo de reeducação durante a Revolução Cultural, assumiu a presidência da China.
  • 11.
    União soviética naGuerra Fria A União Soviética saiu da Segunda Guerra Mundial totalmente destruída, mas da destruição o país emergiu como vitorioso e passou a ocupar o papel de potência junto dos Estados Unidos. O leste europeu passou a estar sob influência direta dos soviéticos, levando à formação de um bloco socialista. A rivalidade entre americanos e soviéticos e suas diferentes ideologias deram surgimento a um conflito político-ideológico conhecido como Guerra Fria, que se estendeu de 1947 a 1991. Para demonstrar seu poderio frente aos estadunidenses, os soviéticos realizaram consideráveis investimentos em áreas diversas, como esporte, tecnologia, indústria bélica etc. URSS após a morte de Stalin Nos últimos anos do governo de Stalin, o culto ao líder ganhou força, sobretudo por conta da vitória do país na guerra. No entanto, um derrame acabou levando-o à morte, em 1953. O país agora era governado por um novo líder pela primeira vez depois de quase 30 anos. Sua morte resultou em profundas transformações na União Soviética. Em 1952, Geórgiy Malenkov tornou-se membro do secretariado do PCUS ( Partido Comunista da União Soviética), a morte de Stalin, no ano seguinte, alçou Malenkov brevemente ao posto mais alto da URSS e, ele chegou a ser Premier e primeiro- secretário do partido. No entanto, por oposição de membros do parlamento , Malenkov foi forçado a renunciar à liderança do partido em 13 de março, sendo sucedido por Nikita Khruschev em setembro. Durante alguns anos, existiu uma espécie de governo conjunto entre Khruschev e Malenkov. Malenkov continuou como premier por dois anos, durante os quais foi o governante de facto da URSS. Nesse período, ele deixou clara sua oposição ao uso de armas nucleares e declarou que "uma guerra nuclear poderia levar à destruição global". Também defendeu a reorientação da economia soviética para a produção de bens de consumo em detrimento da indústria pesada, algo que seu sucessor Khruschev iria enfatizar. Kruschev encerrou o culto a Stalin que existia no país com base em denúncias de todos os crimes que foram cometidos pelo antigo líder ao longo das suas quase três décadas no poder. De maneira sutil e silenciosa, o governo iniciou o processo de desestalinização por meio da retirada de citações a Stalin em documentos governamentais e pela não
  • 12.
    realização de comemoraçõestradicionais, como a de seu aniversário. Além disso, medidas de repressão impostas por Stalin foram gradativamente revertidas. Kruschev x Kenedy Em outubro de 1962, o confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética colocou o mundo à beira de um conflito nuclear. No dia 22 de outubro, o presidente John Kennedy denunciou, em pronunciamento pela televisão, a existência dos mísseis russos na América Central. Para ele, a transformação de Cuba em base estratégica, com a instalação de armas de destruição em massa, representava uma ameaça à paz e à segurança do continente americano. Ainda no mesmo dia, os EUA decretaram um bloqueio naval contra a ilha de Fidel Castro e deram um ultimato à URSS. Kennedy exigiu do chefe de Estado Nikita Khruchev o imediato desmonte das rampas, a retirada dos mísseis e a renúncia à instalação de novas armas ofensivas em Cuba. Washington advertiu também que, caso o bloqueio fracassasse, a ilha seria invadida. Qualquer transgressão do bloqueio por navios soviéticos poderia desencadear a guerra entre as duas potências atômicas. A Organização das Nações Unidas ofereceu- se para mediar. A crise foi administrada e acabou sendo contornada. No dia 28 de outubro, Khruchev cedeu à pressão americana, retirando os mísseis e admitindo uma inspeção da ONU. A comunidade internacional reagiu aliviada ao fim da crise. Mesmo nos dias de maior tensão, o então ainda prefeito de Berlim Ocidental e mais tarde chefe de governo da Alemanha Willy Brandt manteve a convicção de que a superação dessa crise significaria um passo decisivo rumo à paz mundial. Tanto no Leste quanto no Ocidente, reconheceu-se o risco de uma corrida armamentista descontrolada e da rivalidade desenfreada entre as potências mundiais. Uma das consequências foi a instalação de uma "linha direta" (o chamado "telefone vermelho") entre Moscou e Washington, no verão europeu de 1963, onde os líderes das 2 nações poderiam conversar diretamente entre eles e evitar possíveis “ equívocos “ no uso de armas Nucleares. Decadência da URSS A decadência da URSS iniciou-se durante o governo de Leonid Brejnev, presidente do país entre 1964 e 1982. O período em que Brejnev esteve à frente da União Soviética é considerado como um período de grande estagnação que deu início ao fim da URSS. Durante o governo de Brejnev, a renovação dos quadros do governo teve fim, e isso fez com que cargos administrativos ficassem ocupados por pessoas durante anos. Além do envelhecimento dos quadros do governo, essa falta de renovação administrativa resultou na queda da produtividade e contribuiu para o crescimento da corrupção.
  • 13.
    Na economia, Brejnevfoi um fracasso e a economia soviética enfraqueceu consideravelmente. O crescimento do PIB desacelerou, a quantidade de mão de obra foi reduzida e a qualidade de vida começou a cair. A falta de gestão levou a uma crise de abastecimento causada pela fraca agricultura, e a indústria soviética parou de crescer. Essa situação ficou mascarada por conta do aumento do preço do petróleo e do ouro no mercado internacional. Com isso, a quantidade de dinheiro que o Estado conseguia arrecadar continuava elevada e impedia a realização de reformas econômicas necessárias. Com isso, a falta de alimento, por exemplo, era compensada pela importação de milhões de toneladas em grãos. Dois acontecimentos marcantes contribuíram para aumentar o desgaste da economia soviética: a Guerra do Afeganistão de 1979 e o acidente nuclear de Chernobyl. O primeiro foi iniciado em 1979, quando os soviéticos decidiram invadir o Afeganistão para dar suporte ao governo comunista que existia naquele país. O envolvimento nessa guerra custou bilhões para os soviéticos e teve final trágico, pois esses foram obrigados a abandonar o país. O segundo acontecimento deu-se em 1986, quando uma usina nuclear explodiu em Pripyat, cidade no norte da Ucrânia. A quantidade de recursos para evitar que esse acidente resultasse em estragos maiores foi gigantesca. As reformas de Gorbachev Mikhail Gorbachev assumiu o comando da União Soviética em 1985, em meio a uma crise institucional gigantesca. Ele acreditava que a necessidade de reformas era urgente e, por isso, propôs a realização de duas reformas. A Glasnost (transparência política), que defendia uma abertura política com ênfase no combate ao autoritarismo e na promoção de mais liberdade no país. Já a Perestroika (reconstrução econômica), que visava uma reformulação da economia do país, com o menor envolvimento do Estado na economia, e o incentivo a investimentos privados na economia soviética.
  • 14.
    Fim da URSS Asituação na União Soviética durante o governo de Gorbachev era caótica, e as reformas não deram os retornos esperados, sobretudo na economia. O resultado foi que a crise na economia resultou em uma crise política que incentivou o desenvolvimento de movimentos de autodeterminação. A ala mais conservadora do Partido Comunista não estava satisfeita com a abertura econômica do país e passou a conspirar contra Gorbachev, para endurecer novamente o regime. Em agosto de 1991, foi realizado um golpe militar, mas este fracassou, e Gorbachev manteve-se como governante soviético. Entre 1990 e 1991, os movimentos de autodeterminação ganharam força, e isso fez com que algumas das nações soviéticas declarassem sua independência. A situação insustentável levou Gorbachev a renunciar em 25 de dezembro de 1991, no dia seguinte a União Soviética dissolveu-se, e, assim, surgiram 15 novas nações independentes. A URSS existiu de 1922 a 1991 e foi formada por estas 15 nações diferentes: Rússia ,Ucrânia , Belarus, Estônia, Letônia ,Lituânia ,Armênia, Geórgia, Moldávia, Azerbaijão, Cazaquistão, Tadjiquistão, Quirguistão, Turcomenistão, Uzbequistão. Os governantes principais da União Soviética durante sua história foram: • Vladimir Lenin (1917-1924) • Josef Stalin (1924-1953) • Geórgiy Malenkov ( 1953-1955) • Nikita Kruschev (1953-1964) • Leonid Brejnev (1964-1982) • Yuri Andropov (1982-1984) • Konstantin Chernenko (1984-1985) • Mikhail Gorbachev (1985-1991)
  • 15.
    Estados Unidos naguerra fria Projeto Manhattan O Projeto Manhattan foi uma iniciativa dos EUA em construir as primeiras bombas atômicas da história, no período da Segunda Guerra Mundial. O Projeto Manhattan teve início quando o físico nuclear Leo Szilard, físico húngaro naturalizado nos EUA, percebeu a possibilidade da Alemanha em criar bombas atômicas .Isso porque, durante a Segunda Guerra Mundial, os físicos alemães Otto Hahn, Fritz Strassman e Lise Meitner, descobriram a fissão nuclear. Ou seja, era muito fácil que, com a tecnologia descoberta, os físicos conseguissem chegar a algo que acabaria com os inimigos na guerra. Sendo assim, Leo Szilard convenceu outro importante físico da época, Albert Einstein, a mandar uma carta assinada por ambos ao presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt.Na carta, os físicos alertaram ao presidente sobre a possibilidade intimidante da Alemanha desenvolver armas nucleares, já que os físicos que descobriram a fissão nuclear estavam trabalhando para as forças alemãs. O presidente decidiu aderir aos conselhos dados pelos físicos na carta o desenvolvimento das primeiras bombas atômicas, faria possível evitar que novos conflitos mundiais surgissem, bem como colocaria os EUA à frente de qualquer inimigo. O empreendimento, que juntou a força tarefa de cientistas, militares, engenheiros e diversos outros profissionais, originou na primeira bomba atômica da história, denominada Trinity. A bomba desenvolvida foi testada na base secreta do Projeto, localizada no deserto de Los Alamos, no Novo México. para que a bomba pudesse ser desenvolvida, os EUA construíram o primeiro reator nuclear da história, localizado no Met Lab, em Chicago, O reator foi concluído em 1942, e contou com a participação de cientistas, militares e físicos, diretor do programa foi o físico americano Oppenheimer. Além do reator em Chicago, foi preciso construir mais três reatores, que auxiliaram no processo de desenvolvimento da bomba. Um mês após o teste da primeira bomba, duas novas bombas foram lançadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. O ocorrido marcou o fim da segunda guerra e deixou mais de 240 mil pessoas mortas. Corrida Armamentista
  • 16.
    Durante a GuerraFria, os Estados Unidos se tornaram um dos principais fabricantes de armas do planeta. O conceito de corrida armamentista marcou o período histórico da Guerra Fria e acirrou ainda mais as disputas entre americanos e soviéticos. A Guerra Fria estimulou a pesquisa e o desenvolvimento de diversos tipos de armamentos. Estados Unidos e União Soviética estavam sempre prontos para lançarem novas armas inovadoras, em uma disputa indireta por poder uma nova disputa, desta vez com forte ideologia geopolítica, militar e tecnológica. Em 20 de agosto de 1949, em Semipalatinsk, no Cazaquistão, foi detonada a primeira bomba nuclear soviética. O uso de tecnologia nuclear como arma de guerra, dessa forma, deu a tônica da corrida armamentista. O potencial de destruição das ogivas nucleares acabou por servir como anteparo, ou freio, contra uma eventual Terceira Guerra Mundial com armamentos convencionais. Desse modo, o que se fez durante a Guerra Fria foi uma espécie de “xadrez geopolítico”, em que cada superpotência procurava estabelecer posições ao construir bases de mísseis nucleares em locais estratégicos contra o inimigo, como forma de, por meio da ameaça de um “apocalipse nuclear”, evitar disputas que desencadeassem um confronto direto. Além dos mísseis balísticos comuns, contendo ogivas nucleares a base de plutônio ou urânio, as duas superpotências em questão ainda desenvolveram uma arma ainda mais poderosa: a Bomba de Hidrogênio. Essa arma, que dispõe de tecnologia termonuclear, foi planejada e construída pelos cientistas Edward Teller e Stanislaw Ulam, a serviço do Exército dos EUA. A bomba de Teller e Ulam foi testada no Atol Eniwetok, no Oceano Pacífico, em 1º de novembro de 1952, três dias antes da eleição de Dwight Eisenhower , ex-chefe do Estado- Maior do Exército dos Estados Unidos como presidente da República. A explosão foi muito mais intensa do que se esperava, com mais de 10 megatons, ou seja, mil vezes mais potente do que a bomba de Hiroshima. Um observador em um avião a cem quilômetros de distância disse que ver a cena era como “olhar para a eternidade ou para as portas do inferno”. Em 12 de agosto de 1953, os soviéticos, por sua vez, realizaram o primeiro teste com bomba de hidrogênio. Em 1º de março de 1954, os EUA detonam, no Atol de Bikini, a bomba Castle Bravo, de 15 megatons. Começava a “corrida” para se chegar à “bomba do fim do mundo”, com mais de 50 megatons de potência, isto é, mais de 700 vezes o poder da bomba lançada sobre Hiroshima. O ponto mais alto da construção de uma bomba de hidrogênio se deu em 1961, por iniciativa também dos soviéticos, com o projeto RDS-220, que ficou conhecido como Tsar Bomba. Armas nucleares também foram desenvolvidas pelo Reino Unido (1952), França (1960) e República Popular da China (1964), o que contribuiu para o estado de conflito e extrema tensão que ficou conhecida como Guerra Fria. Doutrina Truman
  • 17.
    Após a SegundaGuerra Mundial, vários países, especialmente os europeus, se encontravam abalados pela guerra. Desta forma, começava a ficar evidente a bipolaridade no mundo: de um lado, o capitalismo americano ; de outro, o comunismo soviético. A ameaça soviética tornou-se mais forte em virtude da situação frágil dos países europeus, que poderiam ser presas relativamente fáceis da influência da soviética O intuito era impedir a proliferação do comunismo e garantir o pleno funcionamento do capitalismo mundial diante das manobras da política soviética. O presidente americano Harry Truman começou a elaboração de políticas que tinham como objetivo, interferir diretamente no avanço do comunismo e oferecer ajuda aos países que se encontravam em situações críticas. através da Doutrina Truman, os Estados Unidos passaram a interferir em todo conflito armado que tivesse como causa central, a relação entre capitalismo e socialismo. Um desses conflitos foi a Guerra da Coréia. Outra política que foi adotada com base e com os mesmos objetivos da Doutrina Truman foi o Plano Marshall, que visava auxiliar os países que se encontravam frágeis economicamente devido à Segunda Guerra, no entanto, a real intenção estadunidense talvez fosse a de criar vínculos com esses países, dificultando o envolvimento deles com a potência socialista. Doutrina Eisenhower O general Dwight David Eisenhower, foi eleito presidente dos Estados Unidos pelo Partido Republicano em 4 de novembro de 1952, esta eleição ocorreu numa época em que a tensão da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética se acirrava. A tensão interna criada e o cansaço após dois anos de impasse sangrento na Guerra da Coreia, mais a Revolução Comunista de Mao Tse Tung vitoriosa na China, o domínio das armas nucleares pelos soviéticos e a recessão do início dos anos 1950 constituíam o cenário para uma agitada disputa presidencial. A campanha de Eisenhower foi das primeiras a se empenhar na conquista do voto feminino, discutindo temas como educação infantil, custo de vida, fim da Guerra da Coreia e outras questões sensíveis para as mulheres, o que o levou a conquistar uma sólida maioria do voto feminino. Eisenhower atacou o comunismo e a corrupção, considerando o governo Truman um fracasso para lidar com estas questões. Acusou a administração de negligenciar a América Latina, permitindo que “agentes comunistas explorassem a miséria local, capitalizando-a politicamente, com o fim de torna-la comunista . As acusações de que espiões soviéticos haviam se infiltrado no governo atormentou a administração de Truman, fato que se tornou tema importante de campanha. A Doutrina Eisenhower foi anunciada no Congresso dos Estados Unidos no dia 5 de janeiro de 1957. Ele determinava o uso de forças armadas contra qualquer ação de opositores que ameaçasse os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o presidente Dwight Eisenhower aprovou a medida de auxílio de variadas formas aos países que se posicionassem contra o regime soviético e comunista.
  • 18.
    A Doutrina Eisenhowerfoi apresentada em um momento político mundial que poderia levar a uma guerra generalizada. Na ocasião, a União Soviética ameaçava fazer uso do Canal de Suez, o que seria um pretexto para invadir o Egito. Por causa da fraqueza dos governos locais e de governos europeus, o presidente estadunidense Eisenhower concluiu que parear forças seria a melhor alternativa para evitar o avanço soviético. Eisenhower, estava preocupado com a nova intromissão das potências coloniais na região (o conflito pelo Canal de Suez, entre britânicos e franceses, e o avanço de Israel) e acusava o "comunismo internacional" de agravar e inclusive manipular a situação. Para contrabalançar o suposto avanço do poder soviético na região, Eisenhower sugeriu ao Congresso uma resolução para prestar apoio econômico e militar ao Oriente Médio. Na realidade, sua doutrina repetia os princípios da Doutrina Truman, editada dez anos antes, beneficiando a Grécia e a Turquia. Depois da criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Ocidente, e da Organização do Tratado do Sudeste Asiático (Seato), em 1955 havia sido criado o Pacto de Bagdá, fechando a frente contra a União Soviética. O fornecimento de armas por Moscou havia aumentado a influência soviética sobre a Síria e o Egito. Depois da derrubada da monarquia no Iraque pelos militares, em 1958, e da advertência do presidente conservador do Líbano, Kamil Chamoun, para o perigo de um golpe socialista em seu país, os EUA resolveram intervir diretamente, através do envio de fuzileiros navais por três meses a Beirute. A missão norte-americana no Líbano foi criticada, pois a Doutrina Eisenhower permitia apenas intervenção em caso de ameaça à segurança externa. Apesar de não quererem mais uma missão como a de 1958 no Líbano, os EUA tentaram conquistar os países da região através de apoio político e econômico. E essa fórmula, a longo prazo, surtiu mais efeito do que a Doutrina Eisenhower. A ascensão de Gamal Abdel Nasser no Egito fez com que a Doutrina Eisenhower falhasse também. O presidente egípcio, dono de uma posição favorável aos comunistas, conseguiu expandir sua influência no Iraque e na Arábia Saudita. Todavia, a medida que seu relacionamento com os soviéticos foi se enfraquecendo, os Estados Unidos foram ganhando mais espaço. A região do Oriente Médio, grande produtora mundial de petróleo, ganhou grande atenção durante o governo de Eisenhower. Com medo das trágicas consequências econômicas que ocorreriam se os estadunidenses perdessem o domínio da região para os comunistas, as investidas da Doutrina Eisenhower na região foram intensas. O Egito se distanciou da União Soviética – alguns anos mais tarde, inclusive, fez as pazes com Israel, enquanto as nações do Golfo se aliaram a Washington. Devido a este apoio incondicional a Israel, muitas nações árabes ainda hoje veem com ceticismo as intenções de Washington.
  • 19.
    Macarthismo No contexto daGuerra Fria, o macartismo representou uma verdadeira “caça às bruxas” nos EUA, buscando investigar ações políticas de milhares de cidadãos do país supostamente ligados ao comunismo. Tal movimento político norte-americano para tentava combater o comunismo no país nos anos 1950 , mesmo que isso significasse violar o direito civil à opinião política, previsto na Constituição, motivado pela paranoia da Guerra Fria, entre EUA e URSS, o macarthismo foi personificado pelo senador republicano Joseph McCarthy – daí seu nome. Como presidente do Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas do Senado, McCarthy cometeu diversos abusos: autorizou quebras de sigilo, violou fundamentos legais (como o direito à ampla defesa ) pressionou interrogatórios e divulgou listas de supostos adeptos do comunismo. As investigações não poupavam ninguém: membros do Exército, do governo e do próprio Parlamento. Especialmente, professores, escritores, artistas e sindicalistas. Em Hollywood, vários diretores, produtores e atores tiveram a carreira arrasada por entrarem na “lista negra”. Mas os excessos de McCarthy custaram caro. Com o tempo, ele passou a ser acusado de usar sua posição no Senado para perseguir desafetos políticos. Lentamente, perdeu espaço no cenário norte-americano a parcialidade nas investigações, as quais atingiam o próprio governo republicano e o exército, o que chocou a opinião pública americana e culminou no fim do macarthismo. Logo após o mandato do general Dwight Eisenhower, os norte-americanos viveram momentos de estagnação econômica e depararam com conflitos políticos internacionais. A ameaça comunista tinha embalado o governo de Eisenhower em gastos exorbitantes na corrida espacial contra a União Soviética. Ao mesmo tempo, as tensões do mundo bipolar ocasionaram grande insegurança à pretensa hegemonia Americana no mundo. A construção de uma das maiores potências mundiais passou por obstáculos que se desenvolveram em um mundo marcado por transformações. A Guerra Fria e os direitos civis eram algumas das novas questões que alertavam os EUA , no início dos anos de 1960. Essa preocupação com problemas externos, acabou deixando de lado um vasto conjunto de questões internas a serem resolvidas nos Estados Unidos. A emergência dos problemas nacionais fez com que um jovem e “moderno” político democrata vencesse as eleições de 1960. John Kennedy chegou ao poder interessado em oferecer propostas que envolviam a busca por igualdade e justiça social. Era Kennedy
  • 20.
    Comparado aos mandatosantecessores, Kennedy marcou sua administração pela adoção de leis que ampliavam direitos sociais e promoviam a integração racial . Ao combater objetivamente a questão racial dos Estados Unidos, Kennedy remexeu em uma questão polêmica não só da política, bem como da cultura norte-americana. Na política externa, o tom moderado de Kennedy não era o mesmo dedicado à sua nação. No Vietnã, houve uma intervenção militar que resultou em uma das mais longas guerras travadas pelos Estados Unidos. A Aliança para o Progresso foi um projeto político executado durante a presidência de John F. Kennedy . O objetivo era integrar os países da América aspectos político, econômico, social e cultural frente à ameaça soviética no continente. A Carta de Punta del Este, criada em agosto de 1961, era o delineamento do projeto da Aliança para o Progresso, conclamando os dirigentes latino-americanos a criarem planos de desenvolvimento nacional que seriam auxiliados pelo governo estadunidense. Os planos dariam ênfase à educação, saúde, habitação e teriam como entidade articuladora da Aliança a USAID ( United States Agency for International Development ) . Mais de 80 bilhões de dólares deveriam financiar o projeto, com os EUA disponibilizando para os países participantes cerca de 20 bilhões. Apesar do discurso de auxílio humanitário, o objetivo principal era garantir que o avanço soviético fosse contido, além de proporcionar uma abertura ao investimento das empresas de capital estadunidense nos países latino-americanos. No contexto da Guerra Fria e da Revolução Cubana, a Aliança para o Progresso era a cartada jogada pelos EUA para propagandear os ideais econômicos e culturais do capitalismo ocidental Participaram da elaboração das ações a serem adotadas pela Aliança para o Progresso nomes como o de Juscelino Kubitschek, pelo Brasil, e Raúl Prebisch, pela Argentina. A preocupação com o avanço soviético se dava principalmente depois que a Revolução Cubana tomou rumos que desagradavam ainda mais os capitalistas estadunidenses, como a cooperação recebida da URSS a partir de 1961. Era necessário para os capitalistas e seus governos na América Latina diminuir as desigualdades sociais e combater a miséria existente no continente , o Incidente da Baía dos Porcos foi resultado de uma tentativa do governo Kennedy em derrubar o governo cubano por meio do treinamento de exilados cubanos que deveriam tomar o poder de Fidel Castro, porem fracassou. Criava-se assim uma imagem de que os EUA estavam à frente dessas iniciativas para evitar que os países da América Latina pudessem aproximar-se dos ideais da URSS. Além disso, Kennedy lançou o desafio da ida do homem à Lua, dando continuidade à corrida espacial iniciada durante a Guerra Fria. Em 1962, na Crise dos Mísseis, Kennedy denunciou a existência de ogivas nucleares soviéticas em Cuba. As incertezas trazidas pelas tensões militares da ordem bipolar e as ações que lutavam contra o problema racial nos Estados Unidos fizeram com que Kennedy tornasse nome fácil na boca de muitos simpatizantes e opositores.
  • 21.
    No dia 22de novembro de 1963. O presidente norte-americano John Kennedy foi assassinado em Dallas, no Texas, O atentado fatal contra Kennedy até hoje está envolto sob um manto de mistério. Pela versão oficial, Lee Oswald, foi quem deu o tiro fatal do sexto andar de um depósito de livros contra o presidente que desfilava pelas ruas da cidade. Lee Harvey Oswald, o homem acusado de matar o presidente americano John F. Kennedy em 22 de novembro de 1963, morou por mais de dois anos na União Soviética antes de supostamente cometer o crime. Ele havia acabado de desertar do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, quando se mudou para Minsk, capital de Belarus, então república soviética, em plena Guerra Fria. Mas, apesar de ter desertado para se juntar à superpotência socialista e alegar ser marxista, ele retorna os EUA. No dia do assassinato, John F. Kennedy não estava no Texas por acaso. Ao decidir participar de um evento político ali, no fim de 1963, ele sabia que precisava dedicar atenção especial ao estado, se quisesse conquistar a reeleição. Em 1963, a situação da segregação racial no país estava no limite e as demandas por mudanças batiam às portas da Casa Branca. Em agosto daquele ano, Martin Luther King Jr. eternizou o momento com o discurso , I have a dream, (eu tenho um sonho ) no Memorial Lincoln, a poucos metros da Casa Branca. Três meses mais tarde, com o país imerso na emoção pela morte de Kennedy e as ruas fervilhando em manifestações, o presidente da comissão sobre regras da Câmara dos Deputados, o segregacionista Howard Smith, não viu outra alternativa senão desengavetar o projeto, que seria aprovado pelo Congresso no semestre seguinte. O projeto de lei apresentado naquele ano contra a discriminação racial que alienaria praticamente todo o sul do país para o Partido Democrata, cuja base eleitoral estava ali. E Kennedy previu isso. Ele não assistiu à sua Lei dos Direitos Civis ser aprovada, o que ocorreu com o sucessor, Lyndon Johnson, em 2 de julho de 1964. No entanto, a iniciativa pôs fim a diversos sistemas de segregação racial nos Estados Unidos e transformou-se em um dos principais legados do presidente. Com a morte de Kennedy. O presidente norte-americano Lyndon Johnson adota uma doutrina de relações estáveis com governos militares que começam a se estabelecer em países da América Latina, porém também suspende recursos da "Aliança para o Progresso". Lei dos Direitos Civis e o Combate ao racismo Martin Luther King Jr. era pastor da Igreja Batista, suas primeiras falas trazem forte entonação religiosa que, aos poucos, vai sendo modificada para uma perspectiva mais especificamente ética para chegar finalmente à abordagem dos direitos civis. O combate ao racismo se coloca para ele não mais (ou não mais apenas) como um “dever de cristão”, mas passa a ser encarado e tratado como direito civil.
  • 22.
    Os assassinatos dodoutor Martin Luther King Jr., em 4 de abril de 1968, e do senador Robert Kennedy, em 5 de junho de 1968, banharam com sangue uma luta múltipla, Kennedy tinha proximidade com Luther King na abordagem, diferindo dele, porém, por atuar no contexto do Estado norte-americano, como senador, na escuta dos movimentos sociais de então, que tinham, em King, uma de suas mais notáveis lideranças. A segregação racial vigorou como lei em muitos estados norte-americanos, restos e sequelas do final da escravidão a que chegaram por meio de guerra civil. Ora, o regime segregacionista estabelecia que houvesse escolas para crianças brancas e escolas para crianças negras, rigidamente separadas, sem qualquer exceção. Sucede que para algumas crianças negras, estudar na escola que lhe era permitido pela segregação, significava viajar para outra cidade, independentemente de sua idade ou condição física e psicológica. Contra esse estado de coisas, a família de Linda Brown, então uma menina de sete anos, decidiu lutar. Matriculada em uma escola “para negros”, Linda seguiu no início daquele ano letivo, em setembro de 1950, levada por seu pai, Oliver Leon Brown, pastor da Igreja Afro-Metodista Episcopal, para a escola “para brancos”, próximo à sua casa, com toda a naturalidade. Sendo impedida de frequentar a escola “legalmente”, nesse caso, pela lei da segregação racial, seu pai decidiu entrar com processo na Justiça, que ficou historicamente conhecido como Brown v. Board of Education of Topeka, Kansas. Tal ação foi apoiado pela National Association for the Advancement of Colored People – NAACP, cujos advogados o representaram. Observe-se que a NAACP era uma das muitas associações que se organizaram em torno do combate ao racismo pela via judicial, e que se ligavam aos grupos liderados por Luther King. Finalmente, em 1954, os litigantes chegaram à Suprema Corte norte-americana, que acolheu o caso, dando vitória à família Brown. Em sua decisão, a Suprema Corte reconheceu que toda criança tem o direito de ir à escola pública em condições de igualdade às demais, sem qualquer obstáculo ou empecilho, sem qualquer discriminação, vitória essa que impôs o fim da segregação racial nas escolas de todo o território norte-americano. Era, de fato, a primeira quebra na segregação racial, obtida junto à Justiça, portanto por meios pacíficos, reconhecendo a possibilidade de mudança nas leis, mudança no Estado. O segundo exemplo refere-se à mobilização havida para o fim da segregação racial no transporte público, praticada mediante separação de lugares nos ônibus, ficando para os negros os assentos no fundo do veículo, em número bem menor do que os assentos reservados, na frente e no meio, para os brancos. Na prática, era frequente que os negros e negras viajassem amontados, em pé, enquanto assentos “para brancos” permaneciam vazios. A mobilização já vinha sendo pensada, quando, em 1955, em Montgomery, cidade do Alabama, a sra. Rosa Parks, costureira, decidiu entrar pela porta da frente e sentar-se em um dos bancos reservados “para brancos”.
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    Quando tentaram retirá-la,argumentou que estava cansada e os bancos, vazios, mas apenas obteve como resposta ser atirada do ônibus para fora, processada e condenada por violar a lei, no caso, da segregação racial em transportes públicos. Ciente da força econômica representada pela comunidade negra como usuária do transporte público, que dependia das passagens que pagavam para seguir operando, foi organizado um boicote aos ônibus, liderado pessoalmente por Martin Luther King, ainda jovem. Iniciado quando Rosa Parks sofreu condenação, a população negra deixou de tomar ônibus, indo e voltando do trabalho apenas a pé. Multidões de trabalhadores negros e negras tomavam a beira das estradas e ruas, em grupos, saindo mais cedo de casa e voltando mais tarde, pelo tempo para deslocamento. O boicote durou mais de um ano, sendo interrompido apenas pela Suprema Corte que decidiu que era inconstitucional a segregação racial nos transportes públicos. Mais uma vez a conquista do direito pela mobilização e pela mudança da lei tiveram sucesso. Nos anos 1960, A liderança de Martin Luther King foi marcada à resistência não violenta , por essa disposição reunindo em torno do combate ao racismo uma diversidade de participações: cristãos e não cristãos, ateus, políticos, gente que despertava para o poder da mobilização. Não à toa o poder de sua liderança atraiu o ódio mortal daqueles que o viam como impedimento à continuidade do racismo e da segregação racial, da guerra no Vietnã. Em meio a toda a inovação e contracultura de 1968, pairavam também outras abordagens contra o racismo, que acharam espaço com o assassinato de Luther King. O Partido dos Panteras Negras, de orientação marxista, aliado ao Partido Comunista, em pleno auge da Guerra Fria, pregando a ação armada como via de libertação racial, ao mesmo tempo que se impõe na propagação de imagens identitárias indeléveis, como o cabelo black power, une-se a outros grupos, especialmente nos campi universitários, em manifestações violentas, em 1968, obtiveram novos seguidores, que traziam o rancor da oportunidade histórica perdida com o assassinato de Martin Luther King. A Nação do Islã, que primeiramente acolheu Malcolm X quando era jovem presidiário, promovido a seu principal líder, para depois assassiná-lo, em 1965, quando, desencantado com os rumos da organização, decidiu pregar o Islã sem violência, estava pronta para seguir a proposta que vinha de antes, de separação absoluta entre brancos e negros, com a primazia negra e masculina obtida pela via da violência. Crise Política na Guerra do Vietnã Junto do movimento dos Direitos Civis, crescia também o movimento da contracultura. Massas de pessoas, formadas principalmente por jovens, acusavam a sociedade ocidental de impor
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    uma moralidade opressiva.Defendiam a liberdade sexual, o uso recreativo de drogas e o fim do conflito. Em meio a esses movimentos, a pauta da Guerra do Vietnã se tornou protagonista. Essa agitação social fez com que grupos cada vez maiores fossem às ruas protestar pela saída da América do conflito. Esse movimento começou sendo puxado pelos jovens de mentalidade revolucionária e por grupos de direitos civis que denunciavam o racismo na convocação dos militares. Logo ele foi se ampliando para outros grupos sociais, incluindo pais que perderam seus filhos na guerra. O governo americano assistia a Guerra do Vietnã se tornar cada vez mais impopular. A violência na Guerra já era conhecida em todo o mundo por mais que o governo americano tentasse amenizar. O uso de arma química, como o Agente Laranja, e a bomba incendiária, como o napalm, foram amplamente denunciados como um abuso dos Estados Unidos. A China comunista e a União Soviética financiavam o Vietnã do Norte que promovia tortura e matava americanos a sangue frio. O povo americano não queria mais enviar seus filhos para a guerra. O conflito passou a ser desprezado pela população. Os protestos da população aumentaram nos Estados Unidos. No campo militar, os americanos continuavam a enfrentar dificuldades para combater os vietcongues no território que eles conheciam. O desconhecimento do espaço somado ao desespero, fez com que os EUA lançassem mão de muitos ataques aéreos. Em março de 1968, os EUA atacaram uma aldeia por engano, acreditando que lá estavam vietcongs escondidos. Cerca de 500 vietnamitas civis foram mortos no ataque, o que ficou conhecido como o massacre de My Lai, que era o nome da aldeia. Isto teve uma péssima repercussão internacional para o governo americano. A situação demonstrava instabilidade política e militar dos EUA. Em janeiro desse mesmo ano, 1968, começou a Ofensiva do Tet. No dia 31 de janeiro de 1968, após uma trégua devido a um feriado vietnamita, os vietcongues fizeram um ataque simultâneo a 36 capitais do país. Foi uma explosão de conflitos que resultou em milhares de mortes. Os americanos, juntos aos vietnamitas do Sul, levaram a melhor e conseguiram reduzir muito o poder de fogo de Ho Chi Minh. O problema para os americanos é que alguns desses conflitos ocorreram em locais próximos à embaixada e foram televisionados em tempo real para o mundo todo. Os comandantes americanos no Vietnã pediram mais soldados à Casa Branca, o que foi negado. Os americanos civis não defendiam mais a guerra. A pressão para a saída dos EUA era grande. Mesmo depois de uma vitória do ponto de vista tático, sem o braço político a guerra era insustentável. A estratégia americana foi treinar os sul-vietnamitas para que eles pudessem
  • 25.
    terminar a guerrasozinhos agora com o Norte enfraquecido. Apenas cinco anos depois, em 1973, foi assinado o Acordo de Paris que cessou o fogo e permitiu a evacuação das tropas americanas. Não houve paz quando os americanos saíram do país. De maneira violenta e rápida, o Vietnã do Norte atacou o Sul e conquistou o controle do país em abril de 1975, dando fim à guerra. Em 1976, o Vietnã é oficialmente reunificado sob o domínio do governo comunista. A capital do Vietnã do Sul, Saigon, é rebatizada de Cidade de Ho Chi Minh em homenagem ao líder do Norte que morreu em 1969, antes de ver o sucesso do seu movimento. O intelectual Carl von Clausewitz defende que a guerra pode ser simplificada em três pilares: ● razão, que é o governo; ● paixão, que é o povo; ● habilidade, que é o exército. Do ponto de vista da habilidade, mesmo enfrentando grandes dificuldades, os Estados Unidos tinham recursos para continuar lutando. Então por que ele decidiu se retirar da Guerra do Vietnã? Porque os outros dois pilares estavam abalados. O povo já estava emocionalmente contra a guerra, não viam propósito naquilo e tinham medo de verem filhos ou conhecidos irem morrer no conflito. O governo americano é uma democracia, e sem o apoio do povo ele não consegue se manter favorável ao conflito. Era Nixon Em 1968, Richard Nixon se candidatou à presidência, aproveitando o desgaste dos democratas em relação à Guerra do Vietnã. Nesse período, os Estados Unidos viviam momentos de instabilidade provocados pelos protestos contra a guerra e as mortes do líder negro Martin Luther King e do pré-candidato democrata Robert Kennedy. Nixon conseguiu a nomeação do partido republicano e se tornou novamente candidato presidencial. Pelo lado democrata, Hubert Humphrey, vice-presidente, foi o escolhido. Durante a campanha, Nixon tentou mostrar ao eleitor norte-americano que ele era um líder moderado capaz de governar o país naqueles tempos de incertezas e mobilizações sociais. Sua campanha se baseou na promessa de encerrar a Guerra do Vietnã, garantindo a paz no Pacífico, e na crítica à taxa de criminalidade. Nixon derrotou Humphrey e foi eleito o 37º presidente dos Estados Unidos. Depois de dois mandatos democratas, os republicanos voltavam à Casa Branca. Richard Nixon foi empossado presidente em 20 de janeiro de 1969. Em seu discurso de posse, o novo presidente manteve a promessa de ser um líder pacificador e encerrar o conflito no Vietnã.
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    Os protestos pacifistascontinuaram nos Estados Unidos, e Nixon se dispôs a encerrar a guerra o mais rápido possível. Meses após a sua posse, ele iniciou negociações de paz com o Vietnã do Norte e a retirada das tropas norte-americanas. Em julho de 1969, Nixon visitou o Vietnã do Sul e prometeu a retirada progressiva das tropas, porém ele autorizou ações militares contra o Norte. A visita de Nixon à Ásia foi marcada por protestos. A imprensa norte-americana começou a publicar documentos secretos, vazados do Pentágono, sede do Departamento de Defesa, sobre as mentiras que os governos anteriores tinham publicado sobre a Guerra do Vietnã. A princípio, Nixon não se importou com a divulgação desses documentos, mas foi persuadido por assessores a proibir a divulgação. Acionada, a Suprema Corte deu parecer favorável aos jornalistas. Essas divulgações só aumentaram as críticas à condução da Casa Branca no Vietnã e a pressão para que a guerra acabasse imediatamente. Em 1971, começaram a retirada das tropas do Vietnã. Dois anos depois, o Acordo de Paris foi assinado, e o cessar fogo permitiu a retirada total das tropas norte-americanas e o encerramento do conflito que matou tantos soldados. Em 1975, o Vietnã do Norte conquistou o Sul, e o país foi unificado. Nixon procurou se aproximar da China liderada por Mao Tsé-Tung. Henry Kissinger foi seu conselheiro nessa aproximação e se tornou Secretário de Estado. No final dos anos 1960, no auge da Guerra Fria, as relações entre China e União Soviética estavam desgastadas e a cordialidade entre norte-americanos e chineses poderia ser um golpe nos soviéticos. Em fevereiro de 1972, Nixon viajou para a China e se encontrou com Mao, e reconheceu Taiwan como parte da China. A imprensa norte-americana acompanhou a viagem, e Nixon fez questão de que as imagens capturassem seu encontro com as lideranças chinesas. Após a aproximação com a China, Nixon estreitou as relações com a União Soviética a respeito da manutenção da paz nuclear. Em 1972, Nixon desembarcou em Moscou e selou acordos comerciais e de controle de armas. Dois anos depois, ele fez nova visita à capital soviética, mostrando a proximidade entre os dois países. No Oriente Médio, o governo Nixon aumentou a venda de armas para os países da região e defendeu que Israel fizesse um acordo de paz com os países árabes, evitando novos conflitos. Entretanto, a tensão entre judeus e árabes era permanente, e, em 1973, começou a Guerra do Yon-Kipur, que foi vencida por Israel, que contou com apoio militar norte-americano. Após a guerra, Nixon buscou manter relações diplomáticas com o Oriente Médio, e uma de suas últimas visitas internacionais como presidente dos Estados Unidos foi a essa região. A Guerra do Vietnã era o centro das atenções do governo tanto na política externa como internamente. Os gastos com o conflito geravam protestos e afetavam a economia por meio do aumento inflacionário. Nixon ampliou o acesso dos negros às escolas públicas e suas participações em cargos do governo. Ele apoiou as políticas ambientais ao criar a Agência de Proteção Ambiental. O governo aumentou o combate às drogas no país.
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    Na corrida espacialcontra a União Soviética, os Estados Unidos obtiveram uma importante vitória ao chegar à Lua por meio da Apolo 11, em 1969. Nixon conversou por telefone com os tripulantes da nave. Apesar desse feito histórico, o presidente não apoiou financeiramente os projetos da Nasa de continuar investindo em viagens à Lua e de estabelecer uma estação espacial por lá. Ele decidiu encerrar a corrida espacial, iniciada por John Kennedy, em 1961, e aprofundada por Lyndon Johnson nos anos seguintes. Em maio de 1972, Nixon aprovou um programa espacial cooperativo entre norte-americanos e soviéticos. Com as eleições presidenciais de 1972, Nixon foi naturalmente o candidato à reeleição pelo Partido Republicano, tendo como adversário o democrata George McGovern. Nixon foi reeleito com 60% dos votos populares." Watergate Em 17 de junho de 1972, durante a campanha para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, cinco homens invadiram a sede do Comitê Nacional Democrata, no complexo de edifícios Watergate, na capital americana. Sua missão era grampear a sede desse comitê no intuito de obter materiais incriminatórios que pudessem prejudicar a candidatura do democrata George McGovern e assegurar a reeleição do presidente Richard Nixon, do Partido Republicano. Após a notícia da invasão se tornar pública, os primeiros relatos na imprensa sugeriam que pudesse haver alguma ligação com a Casa Branca. Mas Nixon manteve a alegação de que nada sabia a respeito do caso, e acabou sendo reeleito em novembro. Em janeiro de 1973, os invasores foram julgados e condenados. Investigações subsequentes acabariam implicando o comitê de campanha de Nixon e membros de seu governo. Mais tarde, foi revelado que o presidente tinha conhecimento das ações e ainda teria se envolvido no acobertamento do caso. De modo a evitar um impeachment, Nixon se tornou o primeiro e, até hoje, o único presidente americano a renunciar ao cargo, em 8 de agosto de 1974. As repetidas menções ao nome Watergate na mídia, durante anos e anos de controvérsias geradas pelo caso, tornaram o nome do edifício um sinônimo de escândalo. Gerald Ford, assumiu o poder após a renúncia de Richard Nixon por causa do escândalo Watergate, Ford foi o único presidente e vice-presidente não eleito nos EUA. Ele assumiu a vice-presidência em dezembro de 1973,dez meses mais tarde, Nixon renunciou e Ford tornou-se o 38º presidente americano em 9 de agosto de 1974. Menos de um mês mais tarde, em 8 de setembro de 1974, Gerald Ford tomou a decisão mais controvertida de sua breve presidência: eximir o ex-presidente Nixon de qualquer culpa pelos delitos que pudesse ter cometido no exercício do poder, o que resultou num perdão "total, livre e absoluto", ainda que a investigação do caso Watergate não tivesse terminado.
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    Ford alegou queas dificuldades de Richard Nixon e de sua família eram "uma tragédia americana, na qual todos tiveram seu papel. Ela poderia durar ainda muito mais se ninguém colocasse um fim. Eu conclui que era o único que podia e devia fazer isso. Governo Reagan Em 1980, Reagan concorreu à presidência contra Jimmy Carter, candidato democrata que era o atual presidente dos Estados Unidos. Na campanha, Reagan convidou George Bush (pai) para ser seu vice e abordou questões importantes na época, como a alta da inflação e o aumento do desemprego no país. A campanha de Reagan foi vitoriosa e ele venceu com margem folgada. Dois meses depois de assumir a presidência, Reagan foi vítima de uma tentativa de assassinato e acabou ferido por uma bala, que ricocheteou e o atingiu próximo da axila esquerda. Ele passou por uma cirurgia e se recuperou depois de duas semanas internado. O autor do crime foi John Hinckley Jr., que foi absolvido por insanidade. As decisões tomadas pelo governo norte-americano de 1981 a 1985 recuperaram o tripé que sustenta os EUA como principal potência mundial: liderança econômica, em especial na alta tecnologia e o dólar como principal moeda de reserva; liderança militar incontestável, com o fim da capacidade da URSS de tentar equilibrar a corrida armamentista e a vitória na Guerra Fria, com clara superioridade em armamentos de alta tecnologia e credibilidade da política externa, principalmente frente a seus aliados. A economia durante o governo Reagan se consagrou na chamada contra-revolução liberal, ou anti-keynesiana , Reagan desmontou progressivamente as bases do que tinha sido a política econômica de regulação financeira , feita desde os anos Roosevelt. Era crítico da presença do Estado e favorável à livre iniciativa, o governo Reagan promoveu de fato substancial elevação do déficit público nos EUA, puxado pelo gasto militar.
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    No contexto econômico,as correntes chamadas de neoliberais ganharam espaço em diversos países na década de 1980. Além de atribuir a inflação alta à emissão de moeda pelos Bancos Centrais, como os monetaristas desde anos antes, os neoliberais apontavam impostos elevados e regulamentação das atividades econômicas como os responsáveis pela estagnação prolongada da economia. Tratava-se de apostar no crescimento pelos incentivos à oferta, à produção e ao investimento, por meio de corte de impostos, redução das regulações e interferências do Estado na economia. A alta dos juros foi mantida e intensificada no início do governo Reagan. Essa medida , além de contribuir para valorizar fortemente o dólar e intensificar o avanço das indústrias de alta tecnologia, favorecidas pela importação barata de máquinas e bens intermediários de todas as partes do mundo. O governo Reagan também foi marcado pela retomada do combate ao comunismo e à URSS como eixo da política externa dos EUA. A magnitude dos gastos militares e o destaque para a alta tecnologia apressou o colapso da economia soviética e potencializou a onda de mudanças que permitiu a retomada da liderança nos EUA em todos os segmentos econômicos decisivos, no momento em que se dizia que o Japão teria tomado a liderança tecnológica e era a potência econômica ascendente. A reorientação da política externa e a escalada militar dos EUA contra a URSS foram catalisadores importantes do processo de recuperação da economia e da liderança tecnológica norte-americana. A política que marcou a relação entre EUA e URSS durante os anos 1960 e 1970 foi a Détente, a qual significou um relaxamento nas relações entre as duas grandes potências da época. Essa política foi reflexo de uma relativa paridade estratégica nuclear entre EUA e URSS, pois era baseada na lógica da destruição mutua assegurada . Os processos de negociação, definição e implementação dos acordos de limitação de armas estratégicas realizados entre Estados Unidos e União Soviética, são símbolos da política da Détente durante a Guerra Fria. Para os EUA, as negociações seriam importantes, pois possibilitariam um equilíbrio moldado pela política externa do país, a qual estava baseada na aplicação da Détente.
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    Através dessa políticaseria possível também diminuir a desconfiança americana de que os soviéticos poderiam tornar-se mais desenvolvidos em questões armamentistas, e frear o crescimento da produção de armamentos soviéticos. Na visão da URSS, os acordos não afetariam sua força estratégica defensiva nem ofensiva e permitiriam a estabilidade das suas capacidades nucleares. Em 1981, Ronald Reagan rompeu com a política da Détente a partir de um discurso contrário à posição de relaxamento dos EUA em relação à URSS. Para Reagan, a Détente, praticada por Nixon, Ford e Carter, havia sido mais vantajosa para a URSS do que para os EUA. Ele afirmava que o tratado SALT II (1979) impôs maiores limites aos Estados Unidos do que à União Soviética. Sua política externa, chamada doutrina Reagan , era uma política de confrontação com o comunismo soviético. Reagan via a URSS como um inimigo dos ideais democráticos norte- americanos e sua prioridade era combatê-la. Logo no início de seu governo, Reagan passou a dar prioridade aos gastos militares e chegou a afirmar que "Defesa não era uma questão de orçamento e que o governo deveria gastar o quanto precisasse para a segurança de sua população". Os benefícios gerados pelo aumento do gasto militar foram muitos: as forças armadas norte- americanas modernizaram seus equipamentos; o investimento em pesquisa e desenvolvimento militar foi um estímulo para muitos segmentos da economia, em especial para o setor de alta tecnologia; e os aumentos nos gastos com a defesa, somados à retórica de reconquista do poder norte-americano, impulsionaram a confiança do público. O temor de Reagan em relação à expansão comunista fez com que os EUA interviessem em diversos países durante a primeira metade da década de 1980.
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    Durante o primeiromandato do governo Reagan, além de El Salvador e Nicarágua, houve intervenções dos EUA em prol do combate ao comunismo em outros países, como Líbano, Afeganistão, Angola. A relação de Ronald Reagan com Mickhail Gorbachev e Margareth Thatcher também é digna de nota. Em 1985, o presidente americano Ronald Reagan reuniu-se diretamente com Gorbachev , onde os dois líderes concordaram em trabalhar para reduzir as armas nucleares no mundo. buscando entendimentos para a pacificação nuclear global. Em relação à primeira ministra Margareth Thatcher, uma grande aliada das políticas do governo Reagan e em especial no confronto com a URSS , muito devido ao perigo que as armas nucleares de médio alcance soviéticas representavam para o Reino Unido e para a Europa ocidental durante seu governo apoiou a decisão da OTAN de implantar armamentos nucleares dos EUA em alguns países da Europa, o que provocou fortes protestos na região. O alinhamento de Thacher com Reagan fortaleceu a posição de liderança dos EUA na Europa, e principalmente, em relação a OTAN. Considera-se que a mudança de estratégia da política externa norte-americana, da Détente para a Confrontação, durante o primeiro mandato de Reagan na Casa Branca, somada ao alinhamento com Margaret Thatcher e a entrada de Gorbachev na liderança da URSS, foram fatores determinantes para a vitória norte-americana na Guerra Fria anos depois. Durante o governo Reagan, outro fator fundamental que corroborou para a vantagem norte-americana em relação a URSS foi o lançamento do projeto SDI, apelidado de Star Wars. Lançado pelo governo Ronald Reagan em 1983, o programa tinha como principal objetivo interceptar ataques inimigos via mísseis e detê-los durante a primeira etapa, ou seja, imediato à fase de lançamento. O novo projeto de defesa norte-americano foi amplamente discutido e criticado, pois além de demandar alto investimento financeiro e desenvolvimento tecnológico, colocava em risco a política de dissuasão, principal estratégia de guerra desde a invenção das armas nucleares, responsável pela "paz" mantida entre EUA e URSS durante a Guerra Fria.
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    A dissuasão representaa ameaça concreta da guerra atômica, graças à qual se determina uma particular situação de equilíbrio nas relações entre os Estados detentores das armas nucleares, o que impede a eclosão de novas guerras mundiais. Pode-se, portanto, notar na dissuasão um elemento fundamental próprio do período da Guerra Fria. A teoria da dissuasão termonuclear indica a condição específica em que se encontram os Estados dotados de armas termonucleares, os quais evitam qualquer confronto, estabelecendo- se assim uma incapacidade recíproca de confronto direto, pelo medo de serem utilizadas essas armas. A preocupação de Reagan com o programa de defesa norte-americano anteriormente a sua eleição. Em 1979, em uma visita ao departamento de defesa militar norte-americano, Reagan ficou perplexo com a incapacidade dos EUA de prevenir um ataque nuclear ele comentou que os EUA haviam gastado alta quantia no setor de defesa, construindo uma vasta quantidade de equipamentos, porém nada disso poderia prevenir um ataque nuclear contra o povo norte- americano. Segundo Reagan, os EUA deveriam de algum modo defender seu território de mísseis nucleares. Em 23 de março de 1983, Reagan fez um discurso onde afirmou que nos últimos vinte anos a URSS havia se desenvolvido militarmente de forma superior aos EUA. Os Estados Unidos haviam introduzido seu último míssil balístico intercontinental, o Minute Man III, em 1969, enquanto a União Soviética desde 1969 havia construído cinco novas classes de ICBMs com oito atualizações. Como resultado deste processo, os mísseis soviéticos estavam se tornando muito mais poderosos e precisos do que eram há alguns anos e a tecnologia nuclear dos EUA estava ficando obsoleta. Segundo Reagan, o mesmo havia acontecido em outras áreas. Ao longo do discurso, Ronald Reagan enfatiza que o aprimoramento do setor militar dos EUA tem a finalidade de construir a paz. Ele afirma que cada item do programa de defesa norte- americano destina-se a um único propósito, manter a paz.
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    Durante o discurso,Reagan utiliza o caso da Crise dos Mísseis cubanos para ilustrar o crescente poder da URSS na América Central e Caribe. O presidente também chama atenção para o perigo Soviético na África e na Ásia. Os principais objetivos eram promover tecnologia, aumentar a capacidade técnica norte- americana, desenvolver um sistema eficiente para a política de defesa dos EUA, diminuir a vulnerabilidade do país frente à ameaça de uma guerra nuclear e possibilitar uma mudança na política estratégica estadunidense em relação à União Soviética. A importância do programa se mostra no fato de que todos os presidentes dos EUA após Ronald Reagan deram continuidade e grande incentivo ao programa de defesa norte americano iniciado em seu governo . Apesar de suas limitações e críticas, o programa SDI foi responsável por grande parte do avanço tecnológico norte-americano e segue operante até os dias atuais. Com um programa de defesa antimísseis em desenvolvimento e um gigante aparato ofensivo, os EUA criaram uma armadura militar incontestável a seu favor. Fim da guerra fria: governo Bush George H. W. Bush se destacava por suas habilidades diplomáticas, Em 1980, candidatou-se pela primeira vez à corrida presidencial republicana. Uma corrida que Bush perdeu contra Ronald Reagan. Reagan nomeou-o mais tarde como vice-presidente. O então presidente norte-americano precisava de Bush, sobretudo, para reforçar a posição norte-americana frente à União Soviética, cuja queda Bush já assistiu enquanto presidente. Devido à sua actuação ponderada, Bush ganhou a confiança do último líder soviético, Mikhail Gorbatchov.
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    Sua política exteriorfoi concebida a partir da realpolitik, combinando cautela e força. Com Mikhail Gorbachev, ele assinou em 1991 o tratado para a redução de armas nucleares. Na Alemanha, desempenhou papel crucial na reunificação do país, em 1990. Bush foi bem- sucedido em eliminar os temores do então líder soviético, Mikhail Gorbatchov, diante de uma Alemanha reunificada. O resultado foi o Tratado Dois-mais-Quatro, assinado em 1990 pelas duas Alemanhas e as potências que venceram a Segunda Guerra Mundial: o Reino Unido, a França, os Estados Unidos e a União Soviética. O tratado abriu caminho para a reunificação da Alemanha. Durante o seu mandato, Bush enviou tropas para o Panamá para capturar o Chefe de Estado Manuel Noriega. Além disso, liderou uma coligação das Nações Unidas na Guerra do Golfo contra o Iraque, depois do ditador Saddam Hussein ter invadido o vizinho Kuwait. A Guerra do Golfo foi um conflito que se estendeu entre 1990 e 1991 e teve como causa a invasão do Kuwait por tropas do Iraque. Essa invasão aconteceu na segunda metade de 1990 e motivou que uma coalizão internacional fosse formada com o intuito de expulsar as tropas iraquianas do território do Kuwait. Por meio de bombardeios aéreos e ataques terrestres, a coalizão internacional conseguiu expulsar as tropas iraquianas do Kuwait. A Guerra do Golfo está inserida no contexto das relações diplomáticas entre as nações do Oriente Médio e foi motivada, sobretudo, pelo interesse do Iraque de se reafirmar, por meio de uma operação militar, ao Kuwait, uma nação vizinha. A invasão iraquiana teve início no dia 2 de agosto de 1990, mas as motivações retomam a sucessão dos acontecimentos que envolveram o Iraque na década de 1980. Na década de 1980, o Iraque foi largamente utilizado como ferramenta para conter a influência do Irã, após a Revolução Islâmica de 1979, que entregou o país nas mãos de radicais islâmicos e fez com que os Estados Unidos perdessem um importante aliado naquela região. A rivalidade entre Irã e Iraque, nesse contexto, resultou em um conflito: a Guerra Irã-Iraque. Esse conflito começou em 1980, graças a um ataque surpresa realizado pelo Iraque, e estendeu- se por oito anos, resultando na morte de cerca de um milhão de pessoas.
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    As forças iraquianascontaram com o auxílio de uma série de nações, entre as quais estão os Estados Unidos, França e Reino Unidos, que forneceu armamentos e treinamento militar aos soldados iraquianos. Financeiramente, o Iraque recebeu empréstimos de nações vizinhas – Kuwait e Arábia Saudita – ambas interessadas em enfraquecer os xiitas que governavam o Irã. O conflito estendeu-se até 1988 e terminou com um impasse, uma vez que nenhuma das duas nações conseguiu impor-se militarmente. Assim, o conflito encerrou-se sem conquistas significativas, mas com o Iraque enfraquecido economicamente, diplomaticamente e militarmente. Era necessário, portanto, recuperar a economia do país rapidamente, principalmente, porque Saddam Hussein ainda desejava colocar o Iraque em uma posição de supremacia no Oriente Médio e, para isso, ele precisava reconstruir o exército de seu país. A recuperação econômica do Iraque seria realizada por meio da venda de barris de petróleo, a mercadoria mais valiosa do país. Era, portanto, do interesse do Iraque que o preço do petróleo estivesse elevado, mas a realidade era outra. Por influência do Kuwait e Emirados Árabes Unidos, o preço do petróleo, em 1990, tinha despencado. O Iraque sentia-se ultrajado com a atitude do Kuwait de vender petróleo em grande quantidade, o que barateava o barril no mercado internacional. Para agravar a situação, o Kuwait começou a cobrar do Iraque os empréstimos concedidos durante a Guerra Irã-Iraque. Saddam Hussein não queria pagá-los, pois entendia que tinha lutado naquela guerra para defender interesses em comum de Iraque e Kuwait. A relação entre Iraque e Kuwait teve outras fontes de desgaste, como quando Saddam Hussein acusou o Kuwait de roubar petróleo iraquiano ao explorar poços em região de fronteira e passou a exigir indenização, e quando o Kuwait negou-se a ceder duas ilhas para que o Iraque pudesse ampliar o seu acesso ao Golfo Pérsico.
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    Enquanto negociações pararesolver todos os impasses aconteciam, Saddam Hussein ordenou o envio de tropas para a fronteira com o Kuwait. As negociações entre Kuwait e Iraque tiveram mediação dos Estados Unidos, mas fracassaram. Com isso, Saddam Hussein ordenou a invasão do Kuwait e ela foi iniciada em 2 de agosto de 1990. O Kuwait foi rapidamente dominado por ser um país muito pequeno e ter defesas militares muito simples. Além disso, o Iraque era uma das maiores tropas do mundo naquela época, possuindo por volta de um milhão de soldados. A ação militar iraquiana alarmou as grandes potências ocidentais, sobretudo os Estados Unidos, porque por meio dela o Iraque passava a controlar cerca de 20% das reservas de petróleo do mundo e passava a representar uma ameaça real para a Arábia Saudita, a grande aliada dos Estados Unidos no Oriente Médio. Assim, EUA e Reino Unido passaram a ser favoráveis a uma intervenção estrangeira para forçar as tropas iraquianas a retirarem-se do Kuwait. A primeira ação, no entanto, ocorreu por meios diplomáticos a partir da atuação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, a ONU. Como as resoluções da ONU não tiveram o efeito desejado, o presidente norte-americano, George Bush, ordenou o envio de tropas para a Arábia Saudita. Tropas de outros países começaram a ser enviadas para a Arábia Saudita, e uma coalizão internacional começou a ser formada com soldados de 34 países e que contou com aproximadamente 750 mil soldados, sendo a maioria deles de soldados enviados pelos Estados Unidos. O Conselho de Segurança da ONU, no dia 29 de novembro de 1990, emitiu a Resolução 678, que autorizava intervenção militar internacional caso as tropas iraquianas não saíssem do Kuwait até o dia 15 de janeiro de 1991.
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    Como as tropasiraquianas não foram retiradas do Kuwait até a data limite, os Estados Unidos iniciaram a intervenção na Guerra do Golfo por meio da Operação tempestade no deserto . A partir do dia 17 de janeiro de 1991, os Estados Unidos deram início a uma sucessão de ataques aéreos que se estenderam durante 42 dias e foram responsáveis por prejudicar severamente o poderio dos iraquianos. Durante esse período, os ataques liderados pelos norte-americanos conseguiram destruir a força aérea iraquiana, assim como destruiu as defesas antiaéreas desse país. A última etapa dos ataques aéreos consistiu em enfraquecer o poder de fogo terrestre dos iraquianos por meio de ataques frequentes. Esses acontecimentos aconteceram em três etapas que se estenderam de 17 de janeiro ao dia 23 de fevereiro de 1991. A última etapa da Operação Desert Storm teve início em 24 de fevereiro e ocorreu por meio do ataque terrestre das tropas da coalizão internacional que contavam com o apoio fundamental do ataque aéreo. Nesse momento, parte considerável da infraestrutura do exército iraquiano tinha sido severamente danificada pelos ataques aéreos e isso facilitou o sucesso da campanha por terra. Isso forçou o Iraque a aceitar as resoluções da ONU e, assim, o presidente dos Estados Unidos, George Bush anunciou o fim da campanha militar contra o Iraque no dia 28 de fevereiro de 1991. As tropas iraquianas enquanto se retiravam do território kuwaitiano acabaram incendiando cerca de 700 poços de petróleo. No campo econômico, Bush promoveu as negociações do grande tratado de livre comércio entre EUA, México e Canadá (o antigo Nafta, na sigla em inglês), mas foi Clinton que o assinou. Bush, (pai) era visto como um estadista de sucesso e um sábio estrategista da política internacional. No entanto, o seu ponto fraco foi a política interna. Apesar do sucesso na guerra no Iraque, Bush perdeu em 1993 as eleições contra Bill Clinton, até porque durante o tempo em que esteve no poder, Bush subiu os impostos, apesar das suas promessas em contrário.
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    AMÉRICA LATINA NAGUERRA FRIA DOUTRINA DE SEGURANÇA NACIONAL Como é sabido, os EUA respaldaram os salvo raras exceções conjunturais, apoiaram quase que permanentemente as ditaduras latino americanas (ajuda econômica, respaldo diplomático, sustentação política e auxílio militar). No aspecto militar e doutrinário, a vinculação de militares latino-americanos ocorreu de forma muito complexa. Esses militares, tornaram-se adeptos da chamada Doutrina de Segurança Nacional (DSN). Essa doutrina enfatizava que o grande inimigo do continente americano era o “comunismo internacional”, o que exigia o combate aos “inimigos internos”, através dos meios que fossem necessários. GOLPES MILITARES A Revolução Cubana (1959), combinada a fatores como a crise do populismo e a radicalização de movimentos nacionalistas e populares, levou os EUA e as elites nacionais a uma reação em cadeia. Como desfecho, inaugurou-se um período de golpes militares na região, com destaque para o Brasil (1964), Chile (1973), Uruguai (1973) e Argentina (1976). BRASIL – No Brasil, Em 1 de abril de 1964, houve a consumação do golpe civil militar no Brasil. o período militar brasileiro se instalou em 1964 e durou até o ano de 1985. A ideia era de que quando o Marechal Humberto Castelo Branco assumisse o poder, logo o devolveria a um representante civil, garantindo mesmo as eleições previstas para 1965. Castelo Branco pertencia ao grupo moderado do movimento, chamado de "Grupo de Sorbonne". Logo, porém, os radicais assumiriam o controle do movimento, forçando a permanência dos militares no poder, em plena crença de que os entes responsáveis pelos males políticos do país ainda poderiam voltar a comandar o país. Neste período, os chefes de Estado, ministros e indivíduos instalados nas principais posições do aparelho estatal pertenciam à hierarquia militar, sendo que todos os presidentes do período eram generais do exército. Era denominada "Revolução" em sua época, sendo que os principais mentores do movimento viam o cenário político do início dos anos 60 como corrupto, viciado e alheio às verdadeiras necessidades do país naquele momento. Assim, o seu gesto era interpretado como saneador da vida social, econômica e política do país, livrando a nação da ameaça comunista e alinhando-a internacionalmente com os interesses norte-americanos. Ao aproximar-se a Primeira Crise do Petróleo, sobe ao poder justamente o presidente da Petrobrás, General Ernesto Geisel, confrontado com o disparo da inflação e fim do milagre. Moderado, ele é incumbido de preparar a volta à normalidade, fazendo a distensão "lenta, gradual e segura". Apesar de casos infames como a morte do jornalista Vladimir Herzog e do operário Manuel Fiel Filho, Geisel parece conseguir seu objetivo, entregando o poder ao último general da era militar, João Batista Figueiredo.
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    Apesar da criseeconômica, que começava a atingir níveis insuportáveis, da concreta "quebra" do Brasil no plano econômico, e da impunidade de vários personagens da época da repressão, Figueiredo irá, depois de 21 anos de ditadura, transferir o poder a um civil, ainda indiretamente eleito: Tancredo Neves, que morre antes de subir ao poder. Seu vice, José Sarney, proveniente dos quadros políticos da ditadura, acabaria incumbido de guiar o país até as tão esperadas eleições diretas em mais de 25 anos, previstas para 1989. CHILE – Salvador Allende, democraticamente eleito pela Unidade Popular (UA) em 1970, adotou em seu governo medidas contrárias aos interesses econômicos estrangeiros, como era o caso da nacionalização das minas de cobre. Entre outras razões, o governo de Allende foi constantemente desestabilizado pelos EUA e por setores da elite chilena. Em 11 de setembro de 1973, Allende foi deposto e, em seu lugar, assumiu o general Augusto Pinochet. No campo econômico, o governo Pinochet adotou medidas de caráter liberal, antecipando o que posteriormente viria a ser conhecido como “cartilha neoliberal”. Assim como em outras ditaduras militares na América Latina, o governo Pinochet foi responsável por perseguir, torturar e assassinar milhares de opositores ao governo. Em 1988, após a realização de um plebiscito, a população chilena optou pela volta da democracia no país. URUGUAI – No Uruguai, um golpe de Estado ocorreu sob a justificativa de garantia da segurança nacional, que estaria ameaçada pela ação dos Tupamaros, guerrilha urbana de esquerda. No caso uruguaio, o presidente Juan Maria Bordaberry, com o apoio das Forças Armadas, efetivou um autogolpe em 1973, inaugurando uma ditadura civil-militar. Com isso, houve a intensificação da repressão contra os Tupamaros e demais grupos opositores. Em 1984, após negociações entre a ditadura uruguaia e os partidos políticos tradicionais, os militares uruguaios se afastaram do poder, sendo convocadas eleições diretas para o mesmo ano. ARGENTINA – A ditadura militar argentina veio em um golpe de Estado contra Isabelita Perón, viúva de Juan Domingo Perón e herdeira do populismo no país. O Peronismo foi um movimento político, econômico e social, que surgui na Argentina em meados da década de 1940. Foi criado e teve como seu principal representante o presidente argentino Juan Domingo Perón (daí a origem do nome do movimento). O Peronismo teve como base de sustentação política e ideológica o Partido Justicialista, também conhecido como Partido Peronista. O movimento peronista comandou politicamente a Argentina em grande parte da segunda metade do século XX, as principais caracteristicas são: Adoção de medidas econômicas populares, principalmente no sentido do assistencialismo social aos mais pobres.Aproximação e cooptação dos sindicatos de trabalhadores, Defesa de valores nacionalistas, Aproximação das classes populares, Defesa da nacionalização de serviços públicos,Adoção de medidas trabalhistas e reformas sociais A partir de 1976, os militares argentinos, sob liderança de Jorge Videla, instituíram um regime que ficou conhecido pela guerra suja – notadamente marcada pela perseguição, tortura e desaparecimento de opositores. Os militares argentinos não conseguiram solucionar os problemas econômicos do país, sobretudo a inflação. Após o fracasso na Guerra das Malvinas (1982), a ditadura argentina convocou eleições para 1983, que deram a vitória para Raúl Alfonsín.
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    GUERRA DAS MALVÍNAS Em1982, ocorreu um conflito entre a Grã-Bretanha e a Argentina que entrou para a história como Guerra das Malvinas. A disputa em questão era a posse do arquipélago das Malvinas , território chamado pelos britânicos de ilhas Falkland, situado a 464 quilômetros da costa da Argentina. O conflito teve início em 2 de abril de 1982 e perdurou até 14 de julho do mesmo ano. O arquipélago das Malvinas estava sob posse da Grã-Bretanha desde 1833. Em 1982, o ex-ditador argentino Leopoldo Galtieri ordenou que o conflito fosse iniciado com o objetivo de tomar posse desse território. O conflito foi justificado por Galtieri como uma forma de unificar as ilhas ao território da Argentina. O ex-ditador acreditava que era essencial que o território do país fosse indivisível. O fato desse arquipélago estar sob posse de uma nação estrangeira representava uma séria ameaça à soberania argentina. O governo da Argentina ordenou, em 2 de abril de 1982, o desembarque de uma força conjunta da Marinha e do Exército na ilha de Port Stanley. Foi iniciada, então, a “Operação Rosário”, que objetivava a expulsão dos militares e representações dos ingleses do local. Com a retomada concluída sem muita resistência, a ilha foi rebatizada como Puerto. Nas ruas da Argentina o sucesso da operação foi bastante celebrado. A frente da Casa Rosada, sede do governo argentino em Buenos Aires, foi tomada por pessoas que apoiavam as ações militares do país. No mesmo dia 2 de abril de 1982, a Coroa Britânica anunciou o fim das relações entre a Grã-Bretanha e a Argentina. Margareth Thatcher , a premiê britânica na época, articulou um contra-ataque poderoso composto por 27 mil soldados e 111 navios de guerra.
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    O Conselho deSegurança da ONU (Organização das Nações Unidas) foi notificado. Do ponto de vista diplomático, a Argentina estava completamente isolada. Além disso, os argentinos tinham grande desvantagem militar. Os britânicos tinham como principal apoio os Estados Unidos, tanto no fornecimento de armamento quanto de informações por satélites. Também contribuíram com apoio logístico e, em 8 de abril, abriram a passagem do Canal do Panamá para que os 111 navios britânicos pudessem passar. A Argentina nomeou o Brasil como o seu representante na Grã-Bretanha. Essa ação poderia ser entendida como apoio moral. Desde 1833, o Brasil reconhecia a posse da ilha pela Argentina. No entanto, a Grã- Bretanha era um parceiro comercial relevante. Uma situação bastante delicada, afinal, assumir um lado significaria se comprometer com um dos importantes aliados. Foram realizadas diversas negociações de paz na ONU. Para se ter uma ideia, até mesmo o papa João Paulo II participou pedindo a paz quando visitou os dois países envolvidos. No entanto, não houve acordo. A guerra terminou no dia 14 de junho de 1982, com o Reino Unido recuperando o território do arquipélago. Não houve nenhum novo conflito após essa conclusão da Guerra das Malvinas. Foram 75 dias de guerra , nos quais 649 soldados argentinos e 255 britânicos perderam suas vidas. Houve ainda a perda de três civis. Outra importante consequência da Guerra das Malvinas foi a derrubada da Junta Militar que governava o país após o insucesso na recuperação do arquipélago. A Argentina restaurou, dessa forma, a democracia. Se na Argentina a perda da guerra derrubou o governo, a vitória dos ingleses serviu de base para uma poderosa campanha eleitoral que levou Margaret Thatcher a vencer as eleições de 1983.
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    Revolução Cubana Cuba tornou-seindependente em 1898, a partir do apoio dos EUA contra a Espanha, e desde então tornou-se uma espécie de quintal dos EUA, onde inúmeros negócios norte-americanos se desenvolviam, O processo de oposição contra o poder em Cuba se iniciou a partir do golpe político realizado por Fulgêncio Batista, em 10 de março de 1952, que resultou na derrubada do então presidente Carlos Prío Socarrás. A partir do golpe, Fulgêncio Batista instituiu uma forte ditadura militar com forte repressão da imprensa e de qualquer movimento político de oposição e com ela se iniciou a luta de Fidel Castro e seus partidários. Podemos afirmar, portanto, que o movimento liderado por Fidel Castro é, ao mesmo tempo, uma luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista e também uma luta nacionalista contra as intervenções norte-americanas nos assuntos cubanos, tanto em questões políticas quanto em questões econômicas. A luta contra Fulgêncio Batista começou a partir de 1953, quando foi organizado o ataque ao Quartel de Moncada, na cidade de Santiago, no dia 26 de julho. O objetivo do ataque era realizar a tomada das armas, porém o ataque foi um fracasso e Fidel Castro e seu irmão foram presos. Fidel Castro foi condenado a 15 anos de prisão, contudo, dois anos depois, em 1955, foi anistiado (perdoado) por Fulgêncio Batista em razão da pressão pública que havia sobre Batista. Fidel e seu irmão se exilaram no México e de lá organizaram novamente o movimento a fim de retornar à Cuba para derrubar Fulgêncio Batista. No México, Fidel Castro organizou um grupo de 81 homens e entre eles estavam Raúl Castro, Ernesto “Che” Guevara e Camilo Cienfuegos, que retornaram à ilha de Cuba em 1956 e em dezembro do mesmo ano sofreram um ataque do exército cubano e foram derrotados. Após a derrota, os sobreviventes fugiram e se esconderam na região de Sierra Maestra e, a partir de lá, reorganizaram e passaram a atuar em táticas de guerrilhas, realizando pequenos ataques às tropas do exército cubano que, pouco a pouco, foram desmoralizando o governo de Fulgêncio Batista e ganhando cada vez mais simpatizantes. Derrotado, Fulgêncio Batista fugiu e se exilou na República Dominicana em 1º de janeiro de 1959, Fidel Castro se intitulou primeiro-ministro e pouco a pouco foi concentrando o poder em si. Algumas medidas iniciais do novo governo foram: realizou a reforma agrária, acabando com os grandes latifúndios existentes na ilha, e nacionalizou empresas estrangeiras, afetando diretamente os interesses dos Estados Unidos na ilha.
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    Em janeiro de1961, os Estados Unidos rompem relações diplomáticas com Cuba e, em abril do mesmo ano, um ataque contrarrevolucionário que contava com apoio da CIA foi realizado contra o governo de Fidel na Invasão da Baía dos Porcos. As tropas de Fidel Castro conseguiram neutralizar o ataque, porém Fidel Castro alinhou Cuba à União Soviética, declarando Cuba como uma nação socialista. Invasão da Baía dos Porcos Em 17 de abril de 1961, 1500 exilados cubanos desembarcaram na Baía dos Porcos, no sul de Cuba. O embaixador norte-americano na ONU, Adlai Stevenson, repetia que as movimentações, detectadas meses antes, eram ações de um grupo de “cubanos patriotas”. De acordo com um relatório divulgado em Washington em 22 de fevereiro de 1998, pelo Arquivo Nacional de Segurança dos EUA, a operação militar havia começado a ser planejada pela Agência Central de Inteligência (CIA) em agosto de 1959, por ordem do presidente Dwight Eisenhower. A ideia inicial era preparar exilados cubanos para se infiltrarem em Cuba e organizarem uma dissidência anticastrista. Para tanto, a CIA lançou, em março de 1960, seu Programa de Ação Encoberta Contra o Regime de Castro, com um orçamento previsto de 4,4 milhões de dólares. A CIA estava convencida de que poderia derrubar Fidel Castro, da mesma forma como havia deposto o governo reformista de Jacobo Arbenz, na Guatemala, em 1954. A agência de espionagem garantia que o povo cubano, farto de entrar em filas, esperava um sinal de rebelião. O objetivo estratégico dos EUA, no entanto, era conter um alastramento do comunismo na América Latina. Para executar a invasão, exilados cubanos e herdeiros das empresas americanas nacionalizadas pelo governo de Fidel Castro formaram o Exército Cubano de Libertação, com armamentos americanos e bases de treinamento , O objetivo era usar exilados do novo regime, a maioria baseada em Miami, para promover um ataque secreto, disfarçando o envolvimento americano. Foram gastos 13 milhões de dólares para treinar cerca de 1.500 homens na base de Useppa Island, próxima à Flórida, e também na Guatemala. Para simular uma rebelião interna do exército cubano, os aviões dos EUA envolvidos na invasão foram camuflados com a estrela da força aérea de Cuba . Cerca de 1.400 homens invadiram os pântanos da Praia Girón, conhecida como Baía dos Porcos, no dia 17 de abril de 1961. O plano foi colocado em ação menos de 3 meses depois de John F. Kennedy ter assumido a presidência dos Estados Unidos. O planejado apoio da Força Aérea Americana acabou vetado por Kennedy, que achava que isso denunciaria o envolvimento dos EUA. Então, a operação foi lançada com pouco apoio logístico. E foi um fracasso total. Castro soube do ataque com antecedência e já esperava a invasão na ilha. Che havia passado a informação a ele. Acredita-se que algum dos exilados treinados pelos EUA era um espião que passava informações ao governo cubano. Quando as forças invasoras chegaram à Baía dos Porcos, as tropas de Fidel, treinadas e equipadas pela União Soviética, derrotaram os exilados em três dias.
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    Má execução doplano levou a um fracasso ,em 1998, o governo americano admitiu que a operação Baía dos Porcos estivesse condenada ao fracasso desde o começo. A principal causa do fracasso teria sido sua má execução e não o fato de o presidente John Kennedy não ter autorizado o apoio da Força Aérea dos EUA aos invasores, como afirmaram durante anos os exilados cubanos e os adversários políticos de Kennedy. Crise dos mísseis A busca pela confecção de bombas atômicas mais potentes e por formas de lançá-las, como os mísseis balísticos, foi uma das características definidoras da Guerra Fria. No início dos anos 1960, os dois líderes mundiais que travavam essa “queda de braço” tecnológico-militar eram John Kennedy (EUA) e Nikita Kruschev (URSS). Em 1961, Fidel Castro declarou publicamente a sua adesão ao comunismo internacional e sua opção pelo marxismo-leninismo, sendo que quatro anos depois fundou o Partido Comunista de Cuba. A postura de Fidel Castro aproximou, definitivamente, Cuba da União Soviética. Sendo Cuba uma ilha geograficamente estratégica, situada no Caribe, os soviéticos viram em seu território uma oportunidade do estabelecimento de bases de mísseis nucleares que ficariam apontados para as cidades estadunidenses, dada a relação da CIA com o evento da invasão da Baía dos porcos, Cuba optou por ceder espaço em seu território para a instalação dos mísseis balísticos soviéticos, como forma de impor- se geopoliticamente no continente americano. No dia 14 de outubro de 1962 aviões-espiões dos EUA , que fotografavam periodicamente a ilha detectaram instalação de mísseis no território cubano. Após a descoberta, o presidente John Kennedy e seus comandantes optaram por estabelecer um bloqueio contra Cuba, em vez de atacá-la, e ao mesmo tempo procurar negociar a tensão com Nikita Kruschev. Oito dias depois, o presidente John Kennedy iria à televisão e revelaria ao mundo que a União Soviética instalara armamentos nucleares na ilha situada a 150 quilômetros de Miami. Esses armamentos eram a resposta do governo soviético às cinco bases instaladas na Turquia em abril, pelos Estados Unidos, capazes de lançar mísseis sobre as cidades do sul da URSS e destruí-las. Além disso, a potência capitalista havia reiniciado os testes atômicos no Pacífico, o que contrariava o governo de Nikita Kruschev, e vinha intensificando as operações navais no mar do Caribe, com o intuito de intimidar o governo cubano. Contra as bases norte-americanas na Turquia, Cuba era o único país que oferecia a Moscou as condições geopolíticas estratégicas para o revide. Para a URSS, perder Cuba significaria um sério golpe na capacidade de negociação de Moscou, além de prejudicar a imagem internacional do regime. Para Cuba, os armamentos soviéticos eram uma forma de prevenir novos ataques dos EUA, como a fracassada tentativa de invasão à baía dos Porcos.
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    Em maio, aUnião Soviética apresentara a Cuba a proposta de instalação dos armamentos na ilha. No final de agosto, Fidel Castro enviara Ernesto Che Guevara a Moscou para apresentar as condições cubanas para o acordo. O plano da União Soviética incluía ainda a construção de uma base de submarinos e sete porta-foguetes com ogivas de 1 megaton. Guevara queria que o acordo se tornasse público, mas o Krêmlin recusou. Quando a CIA descobriu o transporte desses armamentos, o governo dos EUA oscilou entre intervir militarmente ou não. Uma ação drástica contra as instalações soviéticas provocaria ações similares contra as numerosas bases norte-americanas, particularmente na Turquia e no sul da Itália. Kennedy sempre fora contrário a uma intervenção direta, mas o Partido Republicano, na oposição, o manteria pressionado, passando aos senadores e à imprensa informes sobre as instalações militares que a URSS construía em Cuba. A política interna norte-americana teria peso significativo na crise. O país estava em plena campanha eleitoral, e o Partido Democrata, desmoralizado, desde a fracassada invasão da baía dos Porcos, no ano anterior. O objetivo de Kennedy era superar a crise para, assim, obter maioria democrata no Congresso, assegurar sua reeleição em 1964 e, se possível, transmitir o cargo ao irmão Robert Kennedy em 1968. De olho nesse cenário, Kennedy ponderou que o objetivo imediato não era derrubar Castro, mas remover os mísseis instalados em Cuba, o que só seria alcançado pela guerra ou pela diplomacia. As negociações se estenderam pelos dez dias seguintes. A principal exigência para a retirada dos mísseis de Cuba era a de que os EUA se comprometessem em não mais dar apoio a qualquer tentativa de invasão do território cubano. Ocorre que, quando se imaginava que a tensão estava se dispersando, no dia 27 de outubro, um sábado, um dos aviões-espiões U-2 foi abatido pela artilharia antiaérea cubana, provocando a morte do piloto. Esse foi o dia em que a Crise dos Mísseis chegou a seu auge, isto é, na iminência de uma “apocalipse nuclear”, provocado por mísseis disparados pelas duas superpotências. No dia 28 de outubro, mais uma condição foi imposta pela URSS ao EUA: além do compromisso de não atacar Cuba, os americanos deveriam também retirar “material semelhante” (mísseis balísticos nucleares) da Turquia – país geograficamente próximo ao Leste Europeu. O acordo foi selado e a URSS comprometeu-se a desativar e retirar seus mísseis da ilha caribenha. Os EUA, a União Soviética e o Reino Unido assinariam, no ano seguinte, um acordo que permitiria apenas testes nucleares subterrâneos, proibindo explosões na atmosfera, em alto-mar e no espaço. Em 1968, seria aprovado o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), pelo qual os países detentores de artefatos nucleares se comprometeriam a limitá-los, e os não detentores ficariam desestimulados de desenvolvê-los, faziam parte do acordo EUA, URSS, Reino Unido , França e China. Outros países abacaram ao longo das décadas desenvolvendo programas nucleares próprios, como a India, Paquistão, Israel e Coréia do Norte.
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    FIM DA ERACOLONIAL Durante a colonização da África, notamos que as grandes nações europeias impuseram formas de organização política que modificaram radicalmente o modo de vida desse povo. As antigas tradições e experiências históricas construídas ao longo do tempo eram arbitrariamente ignoradas e substituídas por modelos civilizatórios comprometidos com a exploração das riquezas desse povo. Em muitos casos, fronteiras étnicas e culturais eram desconsideradas na organização desses espaços. Reproduzindo seu ideal de superioridade ao longo do processo colonial, muitas potências europeias não se limitaram a estabelecer a completa dominação das etnias africanas. Em muitos casos, o controle da administração colonial era partilhado com o auxílio de alguns povos naquela região. Dessa forma, a ação colonial determinava o desenvolvimento de novas rivalidades entre os povos africanos que habitavam uma mesma região colonizada. No pós-Segunda Guerra Mundial, o processo de descolonização foi influenciado pelo fato de importantes nações colonialistas terem lutado em defesa das nações subjugadas ao totalitarismo. Desse modo, o fim da colonização acabou se transformando em um tipo de postura política coerente aos ideais de defesa da liberdade e soberania dos povos. Ainda assim, podemos ver que em algumas regiões, principalmente de colonização francesa, a descolonização ficou marcada pelo conflito. França na África : A partir da segunda metade do século XIX, a França conquistou vastas extensões territoriais na África. Sua expansão se deu de forma mais intensa na África Ocidental e na África Central, além de conquistar também territórios insulares, como Comores, Madagascar e Ilha Reunião. De certa forma, foram as iniciativas colonialistas francesas que deram partida para a corrida em direção ao continente africano, que teve seu ponto culminante com a partilha do continente, organizada durante a Conferência de Berlim (1884-1885). A política colonial francesa foi muito intensa, embora tenha variado de acordo com a área colonial. Com efeito, algumas colônias receberam mais atenção e outras, menos. De forma geral, o colonialismo francês é descrito como um sistema de dominação e administração direta, que interferia em profundidade nas estruturas autóctones africanas. Esse sistema, por exemplo, tinha uma política de assimilação cultural e os territórios africanos eram vistos como partes da França. Nesse sentido, o legado colonial francês também se distinguiu dos demais colonialismos, sobretudo porque a França, como ex-metrópole, fez questão de manter fortes laços com suas antigas colônias, envolvendo-as em sua estratégia de inserção internacional como potência mundial, mesmo que mediana, se comparada com os Estados Unidos e com a então União Soviética no contexto da Guerra Fria.
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    Após a SegundaGuerra Mundial a França, que já se encontrava com a insurreição na Argélia e na Indochina e depois de já ter perdido Marrocos e a Tunísia, em 1956, como resultado de movimentos independentistas aos quais foi obrigada a ceder, tentou em Setembro de 1958, através de um referendo uma manobra de dar uma “autonomia” às suas colónias, que continuariam a fazer parte da “Comunidade Francesa”. Com excepção da Guiné, que votou pela independência imediata, a Costa do Marfin , o Níger, o Alto Volta e o Daomé decidiram formar a “União Sahel-Benin” e, mais tarde, o “Conselho do Entendimento”, enquanto o Senegal se unia ao “Sudão Francês” para formar a “Federação do Mali”. Estas uniões não duraram muito tempo. A descolonização das áreas ocupadas pelos franceses na África não foi um processo fácil, principalmente diante da reação de Paris para com dois casos em particular. Nesse contexto, destacam- se as independências da Guiné (Conakri, 1958) e, mais ainda, da Argélia (1962). Na Guiné, durante o governo de Sékou Touré, os guineenses tiveram a “ousadia” de dizer não para os franceses quando do referendo de 1958, pelo qual o governo francês, sob a administração do general De Gaulle, pretendia manter vínculos especiais do novo país com a França, sendo que tais vínculos são mantidos até hoje com a maioria das ex-colônias. Com o aval da esmagadora maioria da população guineense, Sékou Touré, líder do Partido Democrático da Guiné, rejeitou, a 28 de setembro de 1958, a proposta do general Charles De Gaulle para que a Guiné integrasse uma Comunidade Francesa. Sékou Touré optava assim pela independência da Guiné-Conacri, que acabou por ser decretada quatro dias depois, a 2 de outubro. A negativa no referendo, que buscava um novo começo para a sociedade guineense, livre da influência europeia em seus assuntos políticos, chocou os franceses e provocou uma reação absurdamente desproporcional e indicativa da forma como a França encarava os novos Estados africanos . Depois do "não" ao general Charles de Gaulle, o Executivo francês recrutou mercenários e opositores guineenses que queriam afundar o regime de Touré, como o próprio denunciou: "Queriam destruir o regime guineense porque a Guiné era o trampolim para os nacionalistas que lutavam pela independência dos seus países", afirmou. Antes de saírem, trezentos mil franceses cheios de fúria odiosa deixaram o país destruído, reduzido a pó. Queimaram tudo que estava na frente: livros, tratores, prédios, máquinas, plantações, bibliotecas, os alimentos estocados, o gado foi massacrado e os hospitais depredados com seus aparelhos. Queimaram e destruíram tudo que a colônia havia construído com o dinheiro e o trabalho locais ou com aquele trazido da França. O país ficou arrasado. O propósito dessa devastação era dar um recado às outras colônias do que aconteceria se ousassem querer a independência. Sob o governo de Touré, a Guiné-Conacri se tornou uma ditadura de partido único, com uma economia fechada de caráter socialista e intolerante a direitos humanos, liberdade de expressão ou oposição política. Sékou Touré morreu em 1984, e uma junta militar encabeçada pelo coronel Lansana Conté tomou o poder.
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    Na Argélia foiainda pior, haja vista que nesse território os interesses franceses eram muito mais intensos e estavam arraigados há muito mais tempo. Além dos interesses econômicos, havia na Argélia uma considerável população francesa ou de origem francesa, que beirava um milhão de pessoas, o que certamente agravou a resistência de Paris em aceitar negociar a independência da colônia, levando a uma longa e desgastante guerra. A guerra da Argélia foi uma das mais terríveis guerras de independência da África no contexto da descolonização. Os franceses se recusavam a aceitar a independência e a Frente de Libertação Nacional (FLN) argelina lutou com determinação para atingir o seu objetivo. O resultado foi um elevado saldo de mortos dos dois lados, sendo que cerca de 300 mil argelinos perderam suas vidas durante o conflito, contra aproximadamente 30 mil franceses. De toda forma, a guerra demonstrou que mesmo para um país poderoso como a França havia limites, isto é, que o movimento pela descolonização não poderia ser contido por meio da repressão, por mais violenta que fosse. A negociação política era um imperativo e as antigas potências coloniais deveriam pensar em uma nova estratégia no seu relacionamento com os novos Estados africanos. A derrota na guerra da Argélia mexeu com os brios franceses, principalmente dos militares, mas com evidente impacto em suas elites políticas e que certamente tiveram repercussões para o futuro relacionamento entre a França e os territórios africanos em processo de descolonização, podendo ser o ponto chave para revisão das estratégias de colonização e de negociação para não perder as outras colônias sob seu domínio. Ou seja, ela ocorreu como coroamento de uma série de duas grandes derrotas militares que humilharam a França, sendo que a primeira delas foi a acachapante capitulação diante da Alemanha nazista, em 1940; e a segunda, o tropeço militar na guerra da Indochina, quando os franceses foram derrotados na batalha de Dien Bien Phu, em 1954, e forçados a abandonar a Indochina (Vietnã, Camboja e Laos). Durante a guerra contra Argélia, em 1956 o Marrocos torna-se independente, já que a França não teria mais condições de lutar contra outra colônia. Em 1959 a confederação do Mali, composto pelas colônias Alto Volta (Burkina Faso), Daomé (Benin), Senegal e Mali, pede ao governo De Gaule pela sua independência, que a concede em 1960. Outras colônias francesas também têm suas independências reconhecidas no mesmo ano, como: Costa do Marfim, Mauritânia, Níger, Togo, Chade, Camarões, Gabão, República do Congo, Madagascar, Ubangui- Char tornou-se a República Centro Africana após a independência. O ano de 1960 foi reconhecido como “o ano Africano”, pois foi um momento de conquista dos vários anos de submissão aos franceses por meio de oposições pacíficas. Comores foi a última colônia francesa no continente africano, e teve sua independência em 1975. Da década de 1960 até meados dos anos 1990, a França persistiu em suas intervenções militares em países africanos. Suas motivações e justificativas variavam um pouco, mas o essencial se resumia a seis pontos: defender seus interesses econômicos, proteger os seus cidadãos, defender os regimes africanos que mantêm relações especiais, tanto políticas, econômicas e estratégicas com Paris, expandir sua esfera de influência sobre a África dita francófona, lutar contra grupos rebeldes que ameacem os regimes aliados, aumentar sua influência mundial por meio de uma ativa política africana .
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    Foi nesse sentidoque se deu a desastrosa – e até mesmo criminosa – intervenção francesa em Ruanda no final da década de 1980 e início dos anos 1990. Como a Frente Patriótica Ruandesa (FPR), liderada por Paul Kagame – atual presidente de Ruanda, no cargo desde o ano 2000 –, ameaçava concretamente o governo do presidente Juvenal Habyarimana, os franceses resolveram agir para socorrer o seu protegido, seguindo a lógica das relações pessoais e semi-institucionalizadas que regiam as relações franco-africanas e em nome da preservação, claro, dos interesses da França em África. A questão do genocídio em Ruanda é importante para a análise das intervenções francesas na África, porque parece ser um ponto de ruptura dessa política, principalmente pelo desgaste provocado para a imagem do governo francês, tanto na perspectiva doméstica, como no plano externo. Mas, como será visto a seguir, nem mesmo o fiasco diante do genocídio ruandês foi capaz de modificar o modus operandi da França na África, embora tenha, pelo menos temporariamente, recolocado o tema em discussão na própria França. Os franceses iniciaram ingerências militares nos assuntos de Ruanda quando as tropas da FPR passaram a ameaçar o governo de Habyarimana, ditador que era considerado amigo pessoal do ex-presidente francês François Mitterrand. Como citado, quem ameaçava o governo de Habyarimana era Paul Kagame, comandante da Frente Patriótica e que conseguiu organizar e armar adequadamente as suas tropas a partir dos campos de refugiados Tutsis em Uganda (claro, certamente com apoio do governo do país) e de lá lançar operações militares bem sucedidas contra o fraco exército de Ruanda. Guerra da Indochina Na Guerra da Indochina, ocorrida de 1946 a 1954, vietnamitas (em geral, comunistas) lutaram contra tropas francesas pela independência do Vietnã e pelo fim do domínio francês na região chamada Indochina Francesa. Esse conflito resultou na independência de Vietnã, Laos e Camboja e pode ter causado até 400 mil mortes. A Indochina Francesa era uma colônia da França formada por Laos, Camboja, três reinos vietnamitas (Tonquim, Annam e Conchinchina) e um protetorado cedido pelos chineses, chamado Guangzhouwan. O domínio dos franceses estendeu-se até 1940, quando essa região foi atacada e conquistada pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Esse ataque decorreu das ambições imperialistas dos japoneses no Sudeste Asiático e também buscou fechar rotas utilizadas pelos Estados Unidos para fornecer armas para os chineses durante a Segunda Guerra sino-japonesa (1937-1945). A invasão dos japoneses contribuiu para o fortalecimento do movimento nacionalista vietmanita, organizado em torno de grupos comunistas. Além de expulsar os japoneses, os nacionalistas vietnamitas tinham como objetivo alcançar a independência do Vietnã e, assim, pôr fim ao domínio colonial dos franceses. Para alcançar esses objetivos, foi formada a Liga Revolucionária para a Independência do Vietnã, conhecida como Vietminh. O Vietminh, liderado por Ho Chi Minh, aliou-se com os Estados Unidos, a China e os franceses de De Gaulle e passou a lutar contra os invasores japoneses.
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    Ao final daguerra, e com a derrota e expulsão dos japoneses, o Vietminh estabeleceu-se ao norte do Vietnã e, após declaração de Ho Chi Minh, fundaram uma república nessa região. A república criada pelos comunistas instalou-se na região que, de acordo com os Aliados, deveria ser ocupada pelos franceses. Os Aliados haviam definido uma divisão do Vietnã a partir do chamado paralelo 17ºN. A parte sul do país continuou sob domínio francês (apesar de ocupada pelos britânicos). Com o norte ocupado pelos comunistas do Vietminh, os franceses iniciaram o ataque da região em novembro de 1946, quando realizaram um intenso bombardeio sobre o porto de Haphong, no norte do Vietnã. A Guerra da Indochina colocou frente a frente duas forças completamente díspares e desiguais em força. Os franceses possuíam um exército formado por soldados oriundos de diferentes colônias francesas na África e na Ásia e apresentavam poder de fogo superior, além de contarem com o apoio dos Estados Unidos a partir de 1949. O exército do Vietminh, liderado por Vo Nguyen Giap, sabia que não seria capaz de manter um combate aberto contra as tropas francesas. Assim, o Vietminh adotou a tática de guerrilha e promoveu operações de sabotagem contra os franceses e ataques surpresa de grande intensidade, seguidos de fugas estratégicas pela floresta densa ou regiões montanhosas do Vietnã. Para derrotar os guerrilheiros vietnamitas, a França enviou cerca de 200 mil soldados para o Vietnã e instalou-os ao norte, em Hanói e Haphong. Seus exércitos saíam-se bem em locais com linhas defensivas bem estabelecidas, mas nas regiões de montanha e floresta densa as vitórias eram, em geral, dos guerrilheiros do Vietminh. Com a vitória dos comunistas na Revolução Chinesa de 1949, o equilíbrio de forças no conflito foi alterado, e o Vietminh passou a receber apoio dos chineses e dos soviéticos. Em 1953, o a França estava com cerca de 450 mil soldados no Vietnã. No entanto, a opinião pública francesa começava a pressionar o governo pelo fim da guerra. Para derrotar os guerrilheiros vietnamitas, a França enviou cerca de 200 mil soldados para o Vietnã e instalou-os ao norte, em Hanói e Haphong. Seus exércitos saíam-se bem em locais com linhas defensivas bem estabelecidas, mas nas regiões de montanha e floresta densa as vitórias eram, em geral, dos guerrilheiros do Vietminh. O estabelecimento dos franceses em Dien Bien Phu, contudo, foi um retumbante fracasso. A cidade, ocupada por 16 mil franceses, foi cercada por mais de 50 mil soldados do Vietminh, que promoveram intenso bombardeio. Os bombardeios, aliados ao assalto final que ocorreu em 1945, forçaram os franceses a abandonarem a cidade de Dien Bien Phu e a amargarem um total de dois mil mortos. Com a opinião pública negativa e com a derrota humilhante em Dien Bien Phu, os franceses aceitaram negociar um cessar-fogo com os vietnamitas. As negociações pelo cessar-fogo aconteceram em 1954, durante a Conferência de Genebra, na Suíça.
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    Durante a Conferênciade Genebra, foi ratificada a independência do Vietnã, bem como as independências de Laos e Camboja. No entanto, a antiga divisão estabelecida em 1945 no paralelo 17, no Vietnã, foi mantida e, assim, dois governos foram formados. O Vietnã do Norte passou a ser governado por Ho Chi Minh e o Vietnã do Sul foi governado por Bao Dai. Essa nova configuração do Vietnã, somada às tensões do período da Guerra Fria, levou o Vietnã a um novo conflito a partir de 1959, quando os dois governos estabelecidos entraram em guerra. A unificação do Vietnã, definida para ocorrer em 1955, só foi ocorrer em 1976, após a Guerra do Vietnã (1959-1975). COLÔNIAS BRITANICAS Estes foram os países africanos colonizados pelos ingleses, com os respectivos anos em que conquistaram liberdade: África do Sul – 1910, Égito - 1922, Líbia - 1951, Sudão - 1956, Gana – 1957,Somália - 1960, Nigéria - 1960,Serra Leoa – 1961,Camarões - 1961, Tanzânia - 1961, Uganda – 1962, Quênia - 1963,Malawi – 1964, Zâmbia - 1964,Gambia – 1965, Botswana – 1966, Lesoto – 1966, Ilhas Maurício - 1968, Eswatini (ex— Suazilândia) - 1968, Seychelles – 1976, Zimbabwe – 1980. EGITO: O ponto de partida do Egito moderno, independente, deu-se com os Motins de Cairo, ocorridos entre os dias 26 e 27 de janeiro de 1952. Naquela ocasião milhares de cairotas, seguidos por seus compatriotas de outras cidades, saíram para as ruas, em fúria, para manifestar sua indignação com a continuidade do mando britânico sobre o país dos faraós. A explosão popular selou para sempre a sorte da monarquia colaboracionista do rei Faruk, logo derrubada por um golpe militar nacionalista no dia 22 de junho de 1952. Ação que pôs fim ao domínio de 70 anos dos britânicos sobre o Egito. Todavia, os egípcios, tal como ocorrera no final da Primeira Guerra Mundial, tinham enormes expectativas de poder, enfim, ver os britânicos pelas costas. Entretanto, sete anos já se haviam passado desde a derrota final de Hitler, em 1945, e nada dos britânicos acenarem com um adeus definitivo. O grande impulsionador da independência do Egito foi Gamal Abder Nasser, o verdadeiro líder da nação que dirigiu o Conselho do Comando Revolucionário (Revolutionary Command Council), e que conspirou para fazer a revolução libertadora. Apesar de Nasser ser o protagonista do movimento de independência, o primeiro presidente egípcio foi o general Muhammad Naguib, outra das figuras fulcrais deste período. Nasser chegou assumiu o seu primeiro cargo político importante em 1954, quando foi eleito primeiro- ministro, no mês de novembro do mesmo ano Naguib foi deposto, e o seu lugar reocupado por Nasser, empossado de uma autoridade total. Dois anos depois foi oficialmente eleito presidente (1956) do Egito. De início, as linhas gerais da sua política estavam bastante próximas do mundo ocidental, mas cedo trocou esta política ocidentalizante por uma política neutral, de aberta cooperação com os países da África e da Ásia, vindo a afirmar-se como árbitro e advogado da União Árabe. O Egito olhara com esperanças para a Índia, que conquistara a independência por meio de um a negociação acertada entre Gandhi e Lord Mountbatten, em 1947, e desejava o mesmo para o Egito .
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    Um desacerto entreas tropas inglesas do tenente-general Sir George Erskine e a guarnição egípcia na cidade de Ismailia - que desandou num choque armado no qual 50 policiais foram mortos e outros 100 restaram feridos pelos ocupantes -, foi a faísca que faltava para tudo explodir pelo país (o comandante britânico justificou a brutal ação do ataque ao acampamento dos policias egípcios como "necessária para prevenir futuros ataques terroristas contra os seus soldados"). Dai entender-se a reação da violência anti- britânica de 26 e 27 de janeiro de 1952. Os civis ingleses, por razões de sobrevivência, pois muitos deles foram mortos nas ruas, recuaram para a Zona do Canal do Suez para protegerem-se, tornando-a área separada do restante do país (para isto alegaram estar no direito deles apoderarem-se do Canal, visto que assim concordara o rei Faruk ao assinar o Tratado Anglo-egípcio de 1936). No total, 750 estabelecimentos de todo o tipo forma destruídos pela multidão possessa dando um prejuízo estimado em 50 milhões de libras esterlinas. O rei Faruk tentou apaziguar a massa demitindo o primeiro-ministro Nahas Pacha que havia classificado os amotinados como "traidores" cuja intenção verdadeira era depor a monarquia. Seja como for a leniência de Faruk em tomar qualquer medida enérgica contra a continuidade da presença inglesa - que ainda havia recebido um reforço de 6 mil soldados vindos via aérea da ilha de Malta para conter a multidão - , expôs a fragilidade dele aos olhos de todos. O governo dele tornou-se inútil, não servindo nem mais para garantir os interesses britânicos e menos ainda para satisfazer o povo em seu anseio de liberdade. Desde a derrota das monarquias árabes frente ao novo Estado de Israel, na guerra de 1948, formou-se em meio da oficialidade egípcia um pequeno grupo de militares do alto escalão e do setor intermediário das Forças Armadas - generais e principalmente coronéis - que passaram a conspirar contra o rei fantoche. O líder deles, dos auto-designados Oficiais Livres, uma organização secreta, era o coronel Gamal Abdel Nasser, que se escorava por detrás do major-general Mohammed Naguib. Eles estavam fartos da grossa corrupção, do servilismo e da incompetência generalizada do regime de Faruk. Viram-se também como reformadores sociais, não como possíveis golpistas, tanto assim que, depois, propuseram um "socialismo árabe", cuja maior proeminência programática era realizar uma reforma agrária total ao tempo em que se apresentavam como campeões do pan-arabismo. Posicionavam-se como nacionalistas frente ao domínio britânico e socialistas frente ao poder dos latifundiários do país. No dia 22 de junho de 1952, aproveitando-se do estado de inanição da monarquia Faruk, abalada pelo Motim do Cairo, as tropas comandadas por eles cercaram com seus tanques o Palácio Real de Abdin. Na manhã do dia 23, Anwar el-Sadat, colega e seguidor mais próximo de Nasser, anunciou pelo rádio o programa dos Oficiais Livres. O rei ainda tentou manter a coroa para o seu herdeiro Ahmed Fouad, mas foi forçado no dia 26 de junho de 1952, a ir para o exílio A recém-formada Comissão do Conselho Revolucionário (CCR), que destronara Faruk, indicou o major- general Mohammed Naguib como o chefe do processo, tendo Nasser na retaguarda como a poderosa sombra do movimento de emancipação. Num só golpe de força, sem derramamento de sangue, Os 30 anos do reinado fantoche criado pelos britânicos em 1922, desaparecera do horizonte dos egípcios, enquanto o coronel Nasser, com apenas 34 anos, deixava o anonimato da vida de conspirador para vir a tornar-se o rais, o caudilho, o maior nome do Egito moderno e um dos mais consagrados líderes da emancipação do Terceiro Mundo. No dia 8 de junho de 1953, em seguida ao afastamento definitivo do herdeiro Fuad, a República do Egito foi proclamada.
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    Independência da Áfricado Sul : Tecnicamente, o período colonial na África do Sul acabou em 1910, quando os ingleses fundaram a União da África do Sul. Diz-se “tecnicamente” porque o território continuou sob o domínio do Império Britânico. Em 1931, a União tornou-se independente da metrópole por meio do Estatuto de Westminster. O documento, elaborado pelo Parlamento do Reino Unido, concedeu aos seus domínios independentes a posição de igualdade em relação a outros domínios do Império Britânico e ao próprio Reino Unido. Em 1961 aconteceu a proclamação da república e a saída da África do Sul da Commonwealth. Essa decisão foi tomada em um referendo, no qual só a comunidade branca do país votou, já que o apartheid vigorava no país. A descoberta de diamantes gerou um crescente fluxo de pessoas para estas repúblicas e estimulou o primeiro-ministro da Colônia do Cabo, Cecil Rhodes, a conspirar a anexação destes territórios. A guerra os expansionistas britânicos chamavam de “inevitável" contra os Bôeres eclodiu no dia 11 de outubro de 1899. A derrota dos Bôeres, em 1902, levou à união da África do Sul, que passou a ser composta por quatro províncias, as duas repúblicas anteriores e as antigas Colônias do Cabo e Natal. Louis Botha tornou- se o primeiro-ministro. A organização das atividades políticas africanas foi estabelecida no Congresso Nacional Africano, em 1912. Jan Smuts, sucessor de Louis Botha, colocou a nação na Segunda Guerra Mundial ao lado dos aliados e, em 1945, a África do Sul tornou-se membro das Nações Unidas. No entanto, o primeiro-ministro recusou- se a assinar a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Apartheid, separação racial, passou a dominar a política do país. Os nacionalistas impuseram severas restrições aos Bantus (africanos negros), asiáticos e Coloreds (pessoas não brancas). Os eleitores negros foram proibidos de votar. Por mais de meio século, a população não branca foi forçada a abandonar as “áreas brancas”. No ano seguinte (1911), foi promulgada a Lei de Regulamentação do Trabalho Indígena, perante a qual somente se configurava o crime de quebra de contrato de trabalho quando os trabalhadores eram africanos. A Lei da Terra de 1913 delimitou a posse de terras entre negros e brancos, onde os primeiros ficavam com 7,5 % dos territórios e os outros com 92,5 %. Em 1917, o Primeiro Ministro Jan Smuts já empregava abertamente a palavra “apartheid” em seus discursos. Este regime é admitido de fato em 1944, contudo, na medida em que era visto como uma forma de combater o comunismo, foi aceito pelas potencias mundiais durante toda Guerra Fria. Posteriormente, no ano de 1972, ela foi impedida de participar dos Jogos Olímpicos de Munique, mediante um boicote de outros países africanos. Um dos últimos esforços pelo apartheid foi a Lei da Proibição dos Casamentos Mistos de 1991. O Ato das Terras Nativas retirou, entre 1950 e 1986, cerca de 1,5 milhão de africanos das cidades, enviando-os para a zona rural, onde viviam na completa pobreza e sob severas leis. A supremacia branca do Partido Nacional continuaria pelas próximas três décadas.
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    Em 1960, setentamanifestantes negros foram mortos durante um ato pacífico em Shaperville. O Congresso Nacional Africano (ANC), a principal organização antiapartheid, entrou na ilegalidade e seu líder, Nelson Mandela, foi condenado à prisão perpétua. Os protestos contra o regime racista cresceram e ficaram cada vez mais violentos. Em 1976, uma rebelião, no distrito negro de Soweto e em outros municípios, terminou com 600 mortos. No começo dos anos 60, a oposição internacional contra o apartheid foi intensificada. A ONU impôs sanções e diversas nações romperam com a África do Sul. A pressão contra o apartheid começou a dar resultados quando F. W. de Klerk substituiu P. W. Botha na presidência do país, em 1989. Klerk retirou o ANC da ilegalidade e libertou Nelson Mandela, após de 27 anos de prisão. Em 1991, um fórum multirracial dirigido por Klerk e Mandela, a Convenção para a Democracia da África do Sul, começou a elaborar a nova constituição. Em 1993, a constituição foi aprovada, acabando com o apartheid e estabelecendo uma democracia multirracial. Neste mesmo ano, Mandela e Klerk ganharam o Prêmio Nobel da Paz. A eleição presidencial de 1994, a primeira multirracial do país, deu a vitória a Nelson Mandela. A descolonização da Ásia: Ainda antes da Segunda Guerra Mundial, ex-colônias britânicas, como Egito e Iraque, conquistaram suas independências, em 1922 e 1932, respectivamente. Na década de 1940, outros territórios como a Transjordânia, Palestina e Líbano também se libertaram da dominação colonial. Com isso, percebemos que a luta pela independência do domínio colonial esteve presente na disputa política em diferentes momentos do século XX. Contudo, mesmo após a Segunda Guerra, o grande território colonial inglês, a Índia, permanecia sob condição de dominação. Nesse país, os movimentos contra a colonização já atuavam desde o século XIX, mas ainda sem obter sucesso. Índia x Paquistão: Na Índia convivem várias religiões como a bramânica, jansenista, budista, siquista, hinduísta e muçulmana. Essas duas eram majoritárias e completamente distintas entre si.Os muçulmanos, que eram a elite durante o Império mongol, viram os britânicos como ameaça ao seu sistema educativo e à sua religião. Por sua parte, os hindus aceitaram a educação britânica e se transformam no principal esteio da dominação inglesa, participando como funcionários da administração colonial. No entanto, a educação recebida por esta elite hindu, se torna uma faca de dois gumes. Os mesmo hindus que se formaram nas universidades inglesas vão se dar conta que estão servindo ao dominador e traindo o povo a qual pertencem. Esses universitários fundam o Congresso Nacional Indiano, em 1885, com o apoio dos liberais britânicos e vão questionar a ocupação inglesa.
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    Surgem lideranças comoGandhi, um advogado, que vai percorrer o país pregando uma revolução não- violenta contra os ingleses. Existiam aqueles que primeiro desejam uma auto-determinação mínima e formar parte do Império Britânico, outros, com o Partido Nacional do Congresso, de Nehru e Gandhi, percebem que o colonialismo deve acabar e a Índia se tornar um país independente. A partir da década de 1940, os líderes hindus Mahatma Gandhi e Jawaharial Nehru intensificaram os protestos pela independência indiana. A marca de suas ações era a desobediência civil: ao contrário de outros movimentos de libertação nacional, Gandhi pregava a resistência através do não pagamento de impostos e do boicote aos produtos ingleses, por exemplo. Gandhi lidera três grandes campanhas anti-britânicas: • 1919 – Greve Geral de vários setores como transportes e limpeza; • 1920 e 1922 – Resistência pacífica: não colaborar com os ingleses como não votar; • 1930 e 1934 – a desobediência civil: consiste em transgredir as leis. A mais famosa delas talvez seja a Marcha do Sal onde Gandhi, acompanhado por seus seguidores, recolhe sal de uma salina e o vende, algo que estava proibido aos indianos, e é preso. Por sua participação nesses atos, Gandhi passará vários períodos na prisão junto com outros líderes políticos indianos. Entre eles, Nehru, que se tornaria o primeiro-ministro da índia independente, além de fundar uma dinastia de políticos. Mais tarde, em plena Segunda Guerra Mundial, a ruptura entre o povo indiano e os ingleses chegou ao limite. O governo britânico sabia que a independência da Índia seria uma questão de tempo e resolveu estabelecer uma saída negociada. A descolonização da Índia deve ser entendida no contexto pós-guerra quando se passou a considerar inaceitável colonialismo. Duas grandes correntes se formaram: a primeira, defendida por Gandhi, advogava por uma Índia unitária. A segunda, reivindicada pelos muçulmanos, liderados por Muhammad Ali Jinnah, pediam um estado independente, que se chamaria Paquistão. Os principados que eram independentes teriam que escolher a qual dos países gostariam de pertencer. Apoiados pelos britânicos, a segunda proposta venceu. Isto causou um caos no país, pois milhares de muçulmanos deixaram suas terras para se dirigir ao futuro país. Por outro lado, os hindus fizeram o mesmo. Não era raro as duas colunas de imigrantes encontrarem-se caminhando em direção oposta e as provocações terminarem em brigas. Em resposta a ação desses grupos, para manter seu o domínio na Índia, a Inglaterra fez uso de expedientes como a exploração dos conflitos entre os hindus e os muçulmanos, que também viviam no país e eram liderados por Muhammad Ali Jinnah. A independência da Índia foi alcançada em 15 de agosto de 1947 após um longo processo de lutas.
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    Além da Repúblicada Índia, majoritariamente hindu, foi criada a República Muçulmana do Paquistão, país de maioria muçulmana. Mesmo com a conquista de seus estados nacionais, o conflito entre hindus e muçulmanos persistiu, o que culminou com o assassinato de Gandhi em 1948 por um militante de um grupo hindu radical, que discordava da política pacifista do líder indiano. As desavenças entre Índia e Paquistão persistiram após a morte de Gandhi, e resultaram em uma guerra em 1965. As constantes ameaças entre os dois países fizeram com que ambos passassem a investir no desenvolvimento de armas nucleares, criando um cenário de tensão permanente na região. Independência das Colónias Portuguesas em África Moçambique e Angola, duas colónias portuguesas, situadas respetivamente no Oceano Índico e no Oceano Atlântico, depois de um período de lutas de guerrilha tornaram-se independentes de Portugal em 1975. O processo de independência destas ex-colónias ocorreu numa altura em que Portugal vivia a tubulencia política de um golpe de Estado, que depôs o regime ditatorial de António de Oliveira Salazar em 1968 e o substituiu por uma nova República, inicialmente de tipo socialista. A Revolução do 25 de abril possibilitou a descolonização, que se fazia com grande atraso relativamente a outras ex-colónias europeias. Este atraso devia-se às dificuldades e entraves do Estado Novo e do processo de democratização do país antes de 1974. Neste processo foram libertadas todas as ex- colónias portuguesas, exceto Timor, e voltaram para Portugal, em circunstâncias dramáticas, cerca de um milhão de portugueses que se tinham fixado no ultramar. Angola e Moçambique conseguiram a independência em 1975 e logo de seguida estes dois países instauraram um regime político pró-soviético, enquanto que em Portugal o modelo socialista pós- revolução era progressivamente abandonado, dando lugar a um regime democrático. As outras ex-colónias africanas, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, também enveredaram por este tipo de regime. Embora partissem do mesmo modelo, cada uma das novas nações adaptou-o consoante as suas experiências e as exigências conjunturais. Com o processo de independência em Angola rebentou uma guerra civil entre as diversas fações independentistas. De um lado estava o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), o partido no poder, pró-soviético, e do outro a UPA (União dos Povos de Angola) e a UNITA (Movimento Nacional para a Independência Total de Angola), para além da FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), estes três últimos mais próximos do Ocidente. Apesar dos esforços de paz internacionais, esta guerra guerra continua nos dias.