Ciências Cognitivas
Prof. Dr. Vinícius Xavier
UNIVERSO - GO
Ciências Cognitivas
A partir dessa inter-relação, as pesquisas
desenvolvidas sobre a cognição humana têm
buscado apreender o modo como as pessoas
pensam, interpretam e percebem o mundo.
Nas últimas décadas, ocorreu um incremento nos estudos sobre a
cognição humana, principalmente após o surgimento do computador e
da modelagem computacional.
A metáfora do computador para a cognição humana.
A Psicologia Cognitiva foi influenciada pelo advento do
computador digital.
Tomados pelo Zeitgeist da época, os psicólogos ficaram
fascinados com esse avanço tecnológico (Best, 1992).
Em 1956, ocorreram vários encontros e reuniões científicas para discussão de temas relacionados a Psicologia Cognitiva,
além da publicação de estudos importantes, como a primeira tentativa de abordar a formação de conceitos a partir de
uma perspectiva da Psicologia Cognitiva por Bruner, Goodnow e Austin (1956).
A metáfora do computador para a cognição humana
 O livro Cognitive Psychology organizado por Neisser (1967) trouxe os avanços da ainda
jovem Psicologia Cognitiva e o ponto de vista da Teoria do Processamento da Informação.
 Neisser definiu Psicologia Cognitiva como a psicologia que se refere a todos os processos
pelos quais um input (entrada) sensorial é transformado, reduzido, elaborado,
armazenado, recuperado e usado.
Para ele, os processos cognitivos criam códigos que são úteis para as pessoas, utilizáveis no seu dia-a-dia. Neisser
também lança as bases da noção de conhecimento, que seria desenvolvido individualmente por meio desses códigos
cognitivos, tornando-nos hábeis a trabalhar, tomar decisões, estudar, jogar futebol, etc.
A metáfora do computador para a cognição humana
 A preocupação central dentro do paradigma do processamento de
informação é como a informação pode ser representada em nossa
memória e como essas representações podem ser colocadas em uso
(Lachman, Lachman, & Butterfield, 1979, Massaro & Cowan, 1993).
Ciências Cognitivas Aplicadas:
cognição e emoção
Cognição e emoção
Como os processos
cognitivos influenciam nossa
experiência emocional?
Precisamos considerar os efeitos da cognição
na emoção e da emoção na cognição.
O que são emoções?
RAIVA
MEDO
SURPRESA TRISTEZA
NOJO
ALEGRIA
Cognição e emoção
• Os processos cognitivos influenciam quando experimentamos estados
emocionais e quais estados emocionais experimentamos em determinada
situação.
• O mais importante desses processos cognitivos
envolve a avaliação da situação.
Segundo Brosch (2013,p. 370), as teorias de avaliação supõem que “as respostas emocionais são produzidas
conforme o organismo avalia a relevância das alterações ambientais para seu bem-estar”.
Cognição e emoção
As teorias de avaliação geralmente presumem que a avaliação é o
determinante mais importante dos estados emocionais.
Fontaine e colaboradores (2013) testaram a centralidade da avaliação para a emoção. Os participantes de 27
países indicaram para várias palavras relacionadas à emoção a probabilidade com que características da avaliação
e outros componentes da emoção se aplicariam a alguém experimentando cada emoção. As emoções foram
corretamente classificadas apenas com base nas características de avaliação em 71% dos casos. Essas descobertas
sugerem que a avaliação seja vitalmente importante na determinação dos estados emocionais.
Cognição e emoção
Até agora, parece que a avaliação sempre envolve o processamento
consciente deliberado.
Entretanto, a maioria dos teóricos defende que a avaliação também pode
ocorrer de forma automática, sem atividade consciente.
Avaliações Conscientes
Um cenário utilizado por Smith e Lazarus (1993) envolveu um aluno com
desempenho ruim em uma avaliação.
Os participantes relataram que ele experimentaria raiva quando
culpasse o professor pouco solícito, mas experimentaria culpa quando
responsabilizasse a si mesmo (p. ex., por fazer trabalhos no último
minuto).
Essas descobertas são previstas pela abordagem de avaliação.
Avaliações Conscientes
Podemos decidir se as avaliações ajudam a provocar estados emocionais ao
manipular as avaliações cognitivas das pessoas quando os indivíduos são
confrontados por estímulos emocionais.
Essas manipulações devem influenciar a emoção experimentada.
Schartau e colaboradores (2009) utilizaram essa abordagem. Os participantes assistiram a
filmes de seres humanos e animais experimentando estresse acentuado. Alguns
participantes receberam treinamento em avaliação cognitiva positiva (p. ex., “Geralmente,
existem alguns aspectos bons em cada situação”). Esse treinamento reduziu o horror,
estresse e a excitação fisiológica medida por resposta galvânica na pele.
Processamento emocional inconsciente
Processos abaixo do nível da consciência podem
produzir reações emocionais.
Öhman e Soares (1994). Eles apresentaram a pessoas com fobia de cobras e aranhas fotografias desses animais e de
flores e cogumelos de maneira tão rápida que não pudessem ser identificadas conscientemente. As pessoas com
aracnofobia reagiram emocionalmente às imagens de aranhas, assim como fizeram aqueles com fobia de cobras às
imagens desses animais. Mais especificamente, ocorreram respostas fisiológicas maiores (na forma de condutância
cutânea) às imagens de fobias relevantes. Além disso, os participantes experimentaram uma maior sensação de alerta e
se sentiram mais negativos quando expostos àquelas imagens.
Processamento emocional inconsciente
Wilkielman e colaboradores (2005) apresentaram faces alegres e tristes de forma
subliminar (abaixo do nível da consciência) a participantes com sede. Aqueles que
receberam faces felizes beberam quase duas vezes mais líquidos do que aqueles
que observaram faces com raiva.
Em um experimento adicional, participantes com sede aceitaram pagar em média
38 centavos por uma bebida após observarem faces felizes, mas apenas 10
centavos após a apresentação de faces com raiva. Essas descobertas indicam que
as reações afetivas podem ser inconscientes.
Avaliação
A avaliação cognitiva muitas vezes influencia fortemente a
experiência emocional.
As diferenças emocionais na experiência emocional em determinada
situação podem ser parcialmente explicadas pelas variações entre as
pessoas.
Os processos de avaliação determinam se experimentamos emoção e influenciam que emoção é
experimentada.
ATENÇÃO E COGNIÇÃO
Quando observamos o mundo à nossa volta, apresentamos alguma flexibilidade
no escopo da atenção focal;
Estados afetivos positivos e negativos de alta intensidade emocional produzem
limitação da atenção, pois isso ajuda as pessoas a alcançar os objetos desejaveis e
evitar os desagradáveis.
 Contudo, existe uma ampliação da atenção com estados afetivos positivos e
negativos de baixa intensidade motivacional, pois eles deixam as pessoas
abertas a encontrar novas oportunidades (Harmon-Jones,2011).
A previsão de Estados afetivos positivos e negativos de alta intensidade
emocional produzem limitação da atenção foi testada utilizando um paradigma de
tarefas duais em que uma tarefa principal é apresentada no centro do campo
visual, e uma tarefa secundária na periferia.
Se a ansiedade (emoção de alta intensidade) provoca uma limitação da atenção,
esperaríamos que ela dificultasse o desempenho em uma tarefa secundária mais
do que em uma tarefa primária. Essa previsão foi apoiada em vários estudos
(Eysenck et al., 2007).
ATENÇÃO E COGNIÇÃO
Talarico e colaboradores (2009) registraram uma boa lembrança de detalhes
periféricos para todos os tipos de memórias positivas (ver Fig. 15.10). Isso se
encaixa na teoria de Harmon-Johns (2011) se presumirmos que a maioria dos
estados de humor positivo ocorre com baixa intensidade motivacional. É
importante mencionar que Gabler e Harmon-Johns (2010a) relataram que os afetos
positivos aumentaram a memória de detalhes periféricos quando havia baixa
intensidade motivacional, mas não conseguiram fazê-lo quando a intensidade
motivacional era alta.
EMOÇÃO E MEMÓRIA
O afeto influencia o aprendizado e a memória de várias maneiras.
Imagine que você se encontra em um estado de humor negativo, porque tem um
grave problema pessoal. Que tipos de memória viriam à sua mente? As pessoas
em geral se lembram predominantemente de memórias negativas ou
desagradáveis em tais circunstâncias.
congruência de humor
Temas de caráter emocional são mais bem-aprendidos e relembrados quando seu valor afetivo está de acordo com
o humor de quem aprende (ou se lembra).
A congruência de humor pode ajudar a explicar por
que estados de humor negativos no cotidiano às
vezes são prolongados – o estado de humor
negativo torna mais fácil aprender e relembrar
informações negativas.
EMOÇÃO E MEMÓRIA
Hills e colaboradores (2011) Participantes induzidos a um estado de
humor de felicidade apresentaram uma melhor memória de
reconhecimento posterior para faces felizes e tristes.
Contudo, aqueles induzidos a um estado de humor de tristeza
apresentaram memória de reconhecimento ligeiramente maior (mas não
de modo significativo) para faces tristes do que para faces felizes.
EMOÇÃO E MEMÓRIA
Miranda e Kihlstrom (2005) pediram a adultos que se lembrassem da
infância e de memórias autobiográficas recentes em função de
palavras sugestivas agradáveis, desagradáveis e neutras.
Eles realizaram essa tarefa com o humor feliz, triste ou neutro,
induzido por música. Ocorreu congruência de humor – a recuperação
de memórias felizes foi facilitada quando os participantes estavam de
bom humor, e a recuperação de memórias tristes foi facilitada pelo
humor triste.
EMOÇÃO E MEMÓRIA
• Memória dependente do estado de humor
O desempenho da memória é melhor quando o estado de
humor do indivíduo é o mesmo na aprendizagem e na
lembrança do que quando eles são diferentes.
AFETO E COGNIÇÃO: JULGAMENTO E
TOMADA DE DECISÃO
A tomada de decisão envolve a escolha entre várias opções. As decisões variam
entre triviais (p. ex., decidir que filme ver hoje à noite) e muito importantes (p.
ex., decidir que carreira seguir).
O julgamento é um componente importante da tomada de decisão. Ele envolve a
avaliação da probabilidade de vários eventos ocorrerem e, então, decidir como
nos sentiríamos se cada um deles na verdade houvesse ocorrido.
As decisões tomadas por aqueles cujos julgamentos sobre o futuro são pessimistas seriam
provavelmente diferentes daqueles cujos julgamentos são otimistas.
AFETO E COGNIÇÃO: JULGAMENTO E TOMADA DE DECISÃO
• Angie e colaboradores (2011) chegaram a duas conclusões gerais a partir
de sua revisão de pesquisas nessa área:
1) Os principais estados de humor (tristeza, raiva, medo ou ansiedade, felicidade)
apresentam efeitos significativos (e algo diferentes) sobre o julgamento e a
tomada de decisão.
2) Os efeitos do humor são mais intensos em relação à tomada de decisão do que
em relação ao julgamento.
Ansiedade e tomada de decisão
De todos os estados emocionais negativos, o medo e a ansiedade são os
mais consistentemente associados a julgamentos pessimistas sobre o
futuro.
Lerner e colaboradores (2003) realizaram um estudo logo após os ataques
terroristas de 11/9/2001. Os participantes se concentraram em aspectos dos
ataques que os deixavam com medo, com raiva ou tristes. A probabilidade
estimada de ataques terroristas futuros foi maior em participantes com medo
do que naqueles tristes ou com raiva.
Ansiedade e tomada de decisão
Indivíduos ansiosos apresentam um menor viés de otimismo do que
os demais.
Lench e Levine (2005) pediram a participantes do Ensino Superior que julgassem
a probabilidade de ocorrência de vários eventos com eles em comparação com a
média dos estudantes de Ensino Superior. Os participantes, com um estado de
humor temeroso eram mais pessimistas do que aqueles com um estado de
humor feliz ou neutro.
Tomada de decisão e ansiedade
Indivíduos com personalidade ansiosa, na verdade, vivenciam eventos mais negativos durante a
vida do que aqueles com personalidade não ansiosa (van Os et al., 2001).
Indivíduos ansiosos normalmente tomam decisões menos arriscadas do que os não ansiosos.
Lorian e Grisham (2011) estudaram o ato de correr risco em pacientes com transtornos de
ansiedade que concluíram a Escala de Propensão ao Risco de Domínio Específico. Essa escala é
constituída por 30 itens, que avaliam a probabilidade de um indivíduo se envolver em atividades
de risco (p. ex., “apostar o salário em corridas de cavalo”; “fazer sexo sem proteção”). Os
pacientes ansiosos apresentaram baixos valores para assumir riscos em comparação aos controles
saudáveis.
Tomada de decisão e ansiedade
Raghunathan e Pham (1999) pediram aos
participantes que decidissem entre aceitar o
emprego A (salário alto + baixa segurança no
emprego) ou o emprego B (salário médio + alta
estabilidade no emprego). Os participantes com
um estado de humor ansioso apresentaram uma
tendência muito menor do que aqueles com um
estado de humor neutro para escolher uma
opção de alto risco (emprego A)
Tristeza e tomada de decisões
• Tristeza e ansiedade são ambos estados emocionais negativos.
• Entretanto, a tristeza (que quando intensa se transforma em
depressão) é mais fortemente associada a uma ausência de afetos
positivos.
• Como resultado, indivíduos tristes percebem o ambiente como
relativamente pouco recompensador e, portanto, podem ser
especialmente motivados a obter recompensas, mesmo quando elas
envolvem riscos.
Tomada de decisão e tristeza
A maioria dos participantes tristes diferiu
dos ansiosos ao selecionar um emprego
de alto risco;

Por que isso ocorreu?
De acordo com esses pesquisadores,
indivíduos tristes experimentam o
ambiente como relativamente pouco
recompensador e, assim, são
especialmente motivados a obter
recompensas.
Tomada de decisão e tristeza
Lerner e colaboradores (submetido) desejaram saber se essa hipótese apresenta uma
aplicabilidade geral.
Eles estudaram o fenômeno bem conhecido de que a maioria das pessoas é impaciente e prefere
recompensas imediatas a recompensas maiores, mas tardias. O participante médio, em um
estado de humor neutro, considerou receber US$ 19 hoje como comparável a receber US$ 100
em um ano. O participante triste médio foi ainda mais impaciente, considerando receber US$ 4
hoje como comparável a US$ 100 em um ano!

O que essas descobertas significam?
Os indivíduos tristes experimentaram uma necessidade de promover o self ao obterem uma
recompensa imediata. É relevante constatar que muitos indivíduos tristes se concentraram em
possíveis compras antes de decidir entre recompensas imediatas e tardias.
Raiva e tomada de decisão
A raiva normalmente é encarada como afeto negativo. Entretanto, ela pode ser
vivenciada como relativamente agradável por que leva os indivíduos a acreditar que
podem controlar a situação e dominar aqueles de quem não gostam (Lerner &
Tiedens, 2006).
Entretanto, os eventos que desencadeiam a raiva são lembrados como
desagradáveis, e isso pode levar a comportamentos (p. ex., agressão, violência) que
provocam um substancial afeto negativo (Litvak et al., 2010).
A sensação de schadenfreude (sentir prazer com o fracasso daqueles de quem não gostamos) aumenta
com a raiva (Hareli & Weiner, 2002)
Raiva e tomada de decisão
Como a raiva influencia o julgamento?
Existem diferenças marcantes entre os efeitos da raiva e de outros
estados emocionais negativos.
A raiva está associada a julgamentos relativamente otimistas sobre a probabilidade de eventos negativos,
enquanto a ansiedade e a tristeza são ambas associadas a julgamentos pessimistas (Waters, 2008)
As pessoas com raiva classificam a si mesmas como menos em risco do que outras pessoas, embora, na
verdade, elas estejam mais propensas a vivenciar um divórcio, ter problemas no trabalho e sofrer de doença
cardíaca (Lerner & Keltner, 2001).
Raiva e tomada de decisão
• Por que a raiva está associada a julgamentos otimistas em vez de
julgamentos pessimistas associados a outros estados de humor
negativos?
A raiva difere de outros estados de humor negativos
ao ser associada a um sentimento de certeza sobre
o que ocorreu e a um suposto controle sobre a
situação (Litvak et al., 2010). Essas características
únicas da raiva (especialmente, o suposto controle
elevado) explicam por que ela produz julgamentos
otimistas.
Tomada de decisão e raiva
Como as pessoas com raiva se consideram sob total controle da
situação, esperamos que elas tomem mais decisões de risco do que
as outras pessoas.
A maioria das pessoas pressupõe que a raiva dificulta nossa capacidade de pensar da forma correta. Segundo
o norte-americano Ralph Waldo Emerson, a raiva “apaga a luz da razão”. Esse ponto de vista foi apoiado por
Bright e Goodman-Delahunty (2006).
Foram apresentadas a alguns jurados simulados fotografias horríveis de uma mulher assassinada. Aqueles a
quem foram mostradas as fotografias tenderam a considerar o marido culpado (41 vs. 9%). O efeito de
distorção das fotografias ocorreu, em parte, porque elas aumentaram a raiva dos jurados em relação ao
marido.
Tomada de decisão e raiva
Por que a raiva muitas vezes dificulta a tomada de decisão?
Ela pode levar a um processamento superficial, com base em heurísticas
(regras gerais), em vez de fundamentadas em processamento sistemático
ou analítico (Litvak et al., 2010).
Ciências Cognitivas, faculdade universo.ppx

Ciências Cognitivas, faculdade universo.ppx

  • 1.
    Ciências Cognitivas Prof. Dr.Vinícius Xavier UNIVERSO - GO
  • 2.
    Ciências Cognitivas A partirdessa inter-relação, as pesquisas desenvolvidas sobre a cognição humana têm buscado apreender o modo como as pessoas pensam, interpretam e percebem o mundo. Nas últimas décadas, ocorreu um incremento nos estudos sobre a cognição humana, principalmente após o surgimento do computador e da modelagem computacional.
  • 3.
    A metáfora docomputador para a cognição humana. A Psicologia Cognitiva foi influenciada pelo advento do computador digital. Tomados pelo Zeitgeist da época, os psicólogos ficaram fascinados com esse avanço tecnológico (Best, 1992). Em 1956, ocorreram vários encontros e reuniões científicas para discussão de temas relacionados a Psicologia Cognitiva, além da publicação de estudos importantes, como a primeira tentativa de abordar a formação de conceitos a partir de uma perspectiva da Psicologia Cognitiva por Bruner, Goodnow e Austin (1956).
  • 4.
    A metáfora docomputador para a cognição humana  O livro Cognitive Psychology organizado por Neisser (1967) trouxe os avanços da ainda jovem Psicologia Cognitiva e o ponto de vista da Teoria do Processamento da Informação.  Neisser definiu Psicologia Cognitiva como a psicologia que se refere a todos os processos pelos quais um input (entrada) sensorial é transformado, reduzido, elaborado, armazenado, recuperado e usado. Para ele, os processos cognitivos criam códigos que são úteis para as pessoas, utilizáveis no seu dia-a-dia. Neisser também lança as bases da noção de conhecimento, que seria desenvolvido individualmente por meio desses códigos cognitivos, tornando-nos hábeis a trabalhar, tomar decisões, estudar, jogar futebol, etc.
  • 5.
    A metáfora docomputador para a cognição humana  A preocupação central dentro do paradigma do processamento de informação é como a informação pode ser representada em nossa memória e como essas representações podem ser colocadas em uso (Lachman, Lachman, & Butterfield, 1979, Massaro & Cowan, 1993).
  • 6.
  • 7.
    Cognição e emoção Comoos processos cognitivos influenciam nossa experiência emocional? Precisamos considerar os efeitos da cognição na emoção e da emoção na cognição.
  • 8.
    O que sãoemoções? RAIVA MEDO SURPRESA TRISTEZA NOJO ALEGRIA
  • 9.
    Cognição e emoção •Os processos cognitivos influenciam quando experimentamos estados emocionais e quais estados emocionais experimentamos em determinada situação. • O mais importante desses processos cognitivos envolve a avaliação da situação. Segundo Brosch (2013,p. 370), as teorias de avaliação supõem que “as respostas emocionais são produzidas conforme o organismo avalia a relevância das alterações ambientais para seu bem-estar”.
  • 12.
    Cognição e emoção Asteorias de avaliação geralmente presumem que a avaliação é o determinante mais importante dos estados emocionais. Fontaine e colaboradores (2013) testaram a centralidade da avaliação para a emoção. Os participantes de 27 países indicaram para várias palavras relacionadas à emoção a probabilidade com que características da avaliação e outros componentes da emoção se aplicariam a alguém experimentando cada emoção. As emoções foram corretamente classificadas apenas com base nas características de avaliação em 71% dos casos. Essas descobertas sugerem que a avaliação seja vitalmente importante na determinação dos estados emocionais.
  • 13.
    Cognição e emoção Atéagora, parece que a avaliação sempre envolve o processamento consciente deliberado. Entretanto, a maioria dos teóricos defende que a avaliação também pode ocorrer de forma automática, sem atividade consciente.
  • 14.
    Avaliações Conscientes Um cenárioutilizado por Smith e Lazarus (1993) envolveu um aluno com desempenho ruim em uma avaliação. Os participantes relataram que ele experimentaria raiva quando culpasse o professor pouco solícito, mas experimentaria culpa quando responsabilizasse a si mesmo (p. ex., por fazer trabalhos no último minuto). Essas descobertas são previstas pela abordagem de avaliação.
  • 15.
    Avaliações Conscientes Podemos decidirse as avaliações ajudam a provocar estados emocionais ao manipular as avaliações cognitivas das pessoas quando os indivíduos são confrontados por estímulos emocionais. Essas manipulações devem influenciar a emoção experimentada. Schartau e colaboradores (2009) utilizaram essa abordagem. Os participantes assistiram a filmes de seres humanos e animais experimentando estresse acentuado. Alguns participantes receberam treinamento em avaliação cognitiva positiva (p. ex., “Geralmente, existem alguns aspectos bons em cada situação”). Esse treinamento reduziu o horror, estresse e a excitação fisiológica medida por resposta galvânica na pele.
  • 17.
    Processamento emocional inconsciente Processosabaixo do nível da consciência podem produzir reações emocionais. Öhman e Soares (1994). Eles apresentaram a pessoas com fobia de cobras e aranhas fotografias desses animais e de flores e cogumelos de maneira tão rápida que não pudessem ser identificadas conscientemente. As pessoas com aracnofobia reagiram emocionalmente às imagens de aranhas, assim como fizeram aqueles com fobia de cobras às imagens desses animais. Mais especificamente, ocorreram respostas fisiológicas maiores (na forma de condutância cutânea) às imagens de fobias relevantes. Além disso, os participantes experimentaram uma maior sensação de alerta e se sentiram mais negativos quando expostos àquelas imagens.
  • 18.
    Processamento emocional inconsciente Wilkielmane colaboradores (2005) apresentaram faces alegres e tristes de forma subliminar (abaixo do nível da consciência) a participantes com sede. Aqueles que receberam faces felizes beberam quase duas vezes mais líquidos do que aqueles que observaram faces com raiva. Em um experimento adicional, participantes com sede aceitaram pagar em média 38 centavos por uma bebida após observarem faces felizes, mas apenas 10 centavos após a apresentação de faces com raiva. Essas descobertas indicam que as reações afetivas podem ser inconscientes.
  • 20.
    Avaliação A avaliação cognitivamuitas vezes influencia fortemente a experiência emocional. As diferenças emocionais na experiência emocional em determinada situação podem ser parcialmente explicadas pelas variações entre as pessoas. Os processos de avaliação determinam se experimentamos emoção e influenciam que emoção é experimentada.
  • 21.
    ATENÇÃO E COGNIÇÃO Quandoobservamos o mundo à nossa volta, apresentamos alguma flexibilidade no escopo da atenção focal; Estados afetivos positivos e negativos de alta intensidade emocional produzem limitação da atenção, pois isso ajuda as pessoas a alcançar os objetos desejaveis e evitar os desagradáveis.  Contudo, existe uma ampliação da atenção com estados afetivos positivos e negativos de baixa intensidade motivacional, pois eles deixam as pessoas abertas a encontrar novas oportunidades (Harmon-Jones,2011).
  • 22.
    A previsão deEstados afetivos positivos e negativos de alta intensidade emocional produzem limitação da atenção foi testada utilizando um paradigma de tarefas duais em que uma tarefa principal é apresentada no centro do campo visual, e uma tarefa secundária na periferia. Se a ansiedade (emoção de alta intensidade) provoca uma limitação da atenção, esperaríamos que ela dificultasse o desempenho em uma tarefa secundária mais do que em uma tarefa primária. Essa previsão foi apoiada em vários estudos (Eysenck et al., 2007).
  • 24.
    ATENÇÃO E COGNIÇÃO Talaricoe colaboradores (2009) registraram uma boa lembrança de detalhes periféricos para todos os tipos de memórias positivas (ver Fig. 15.10). Isso se encaixa na teoria de Harmon-Johns (2011) se presumirmos que a maioria dos estados de humor positivo ocorre com baixa intensidade motivacional. É importante mencionar que Gabler e Harmon-Johns (2010a) relataram que os afetos positivos aumentaram a memória de detalhes periféricos quando havia baixa intensidade motivacional, mas não conseguiram fazê-lo quando a intensidade motivacional era alta.
  • 25.
    EMOÇÃO E MEMÓRIA Oafeto influencia o aprendizado e a memória de várias maneiras. Imagine que você se encontra em um estado de humor negativo, porque tem um grave problema pessoal. Que tipos de memória viriam à sua mente? As pessoas em geral se lembram predominantemente de memórias negativas ou desagradáveis em tais circunstâncias. congruência de humor Temas de caráter emocional são mais bem-aprendidos e relembrados quando seu valor afetivo está de acordo com o humor de quem aprende (ou se lembra). A congruência de humor pode ajudar a explicar por que estados de humor negativos no cotidiano às vezes são prolongados – o estado de humor negativo torna mais fácil aprender e relembrar informações negativas.
  • 26.
    EMOÇÃO E MEMÓRIA Hillse colaboradores (2011) Participantes induzidos a um estado de humor de felicidade apresentaram uma melhor memória de reconhecimento posterior para faces felizes e tristes. Contudo, aqueles induzidos a um estado de humor de tristeza apresentaram memória de reconhecimento ligeiramente maior (mas não de modo significativo) para faces tristes do que para faces felizes.
  • 27.
    EMOÇÃO E MEMÓRIA Mirandae Kihlstrom (2005) pediram a adultos que se lembrassem da infância e de memórias autobiográficas recentes em função de palavras sugestivas agradáveis, desagradáveis e neutras. Eles realizaram essa tarefa com o humor feliz, triste ou neutro, induzido por música. Ocorreu congruência de humor – a recuperação de memórias felizes foi facilitada quando os participantes estavam de bom humor, e a recuperação de memórias tristes foi facilitada pelo humor triste.
  • 28.
    EMOÇÃO E MEMÓRIA •Memória dependente do estado de humor O desempenho da memória é melhor quando o estado de humor do indivíduo é o mesmo na aprendizagem e na lembrança do que quando eles são diferentes.
  • 29.
    AFETO E COGNIÇÃO:JULGAMENTO E TOMADA DE DECISÃO A tomada de decisão envolve a escolha entre várias opções. As decisões variam entre triviais (p. ex., decidir que filme ver hoje à noite) e muito importantes (p. ex., decidir que carreira seguir). O julgamento é um componente importante da tomada de decisão. Ele envolve a avaliação da probabilidade de vários eventos ocorrerem e, então, decidir como nos sentiríamos se cada um deles na verdade houvesse ocorrido. As decisões tomadas por aqueles cujos julgamentos sobre o futuro são pessimistas seriam provavelmente diferentes daqueles cujos julgamentos são otimistas.
  • 30.
    AFETO E COGNIÇÃO:JULGAMENTO E TOMADA DE DECISÃO • Angie e colaboradores (2011) chegaram a duas conclusões gerais a partir de sua revisão de pesquisas nessa área: 1) Os principais estados de humor (tristeza, raiva, medo ou ansiedade, felicidade) apresentam efeitos significativos (e algo diferentes) sobre o julgamento e a tomada de decisão. 2) Os efeitos do humor são mais intensos em relação à tomada de decisão do que em relação ao julgamento.
  • 31.
    Ansiedade e tomadade decisão De todos os estados emocionais negativos, o medo e a ansiedade são os mais consistentemente associados a julgamentos pessimistas sobre o futuro. Lerner e colaboradores (2003) realizaram um estudo logo após os ataques terroristas de 11/9/2001. Os participantes se concentraram em aspectos dos ataques que os deixavam com medo, com raiva ou tristes. A probabilidade estimada de ataques terroristas futuros foi maior em participantes com medo do que naqueles tristes ou com raiva.
  • 32.
    Ansiedade e tomadade decisão Indivíduos ansiosos apresentam um menor viés de otimismo do que os demais. Lench e Levine (2005) pediram a participantes do Ensino Superior que julgassem a probabilidade de ocorrência de vários eventos com eles em comparação com a média dos estudantes de Ensino Superior. Os participantes, com um estado de humor temeroso eram mais pessimistas do que aqueles com um estado de humor feliz ou neutro.
  • 33.
    Tomada de decisãoe ansiedade Indivíduos com personalidade ansiosa, na verdade, vivenciam eventos mais negativos durante a vida do que aqueles com personalidade não ansiosa (van Os et al., 2001). Indivíduos ansiosos normalmente tomam decisões menos arriscadas do que os não ansiosos. Lorian e Grisham (2011) estudaram o ato de correr risco em pacientes com transtornos de ansiedade que concluíram a Escala de Propensão ao Risco de Domínio Específico. Essa escala é constituída por 30 itens, que avaliam a probabilidade de um indivíduo se envolver em atividades de risco (p. ex., “apostar o salário em corridas de cavalo”; “fazer sexo sem proteção”). Os pacientes ansiosos apresentaram baixos valores para assumir riscos em comparação aos controles saudáveis.
  • 34.
    Tomada de decisãoe ansiedade Raghunathan e Pham (1999) pediram aos participantes que decidissem entre aceitar o emprego A (salário alto + baixa segurança no emprego) ou o emprego B (salário médio + alta estabilidade no emprego). Os participantes com um estado de humor ansioso apresentaram uma tendência muito menor do que aqueles com um estado de humor neutro para escolher uma opção de alto risco (emprego A)
  • 35.
    Tristeza e tomadade decisões • Tristeza e ansiedade são ambos estados emocionais negativos. • Entretanto, a tristeza (que quando intensa se transforma em depressão) é mais fortemente associada a uma ausência de afetos positivos. • Como resultado, indivíduos tristes percebem o ambiente como relativamente pouco recompensador e, portanto, podem ser especialmente motivados a obter recompensas, mesmo quando elas envolvem riscos.
  • 36.
    Tomada de decisãoe tristeza A maioria dos participantes tristes diferiu dos ansiosos ao selecionar um emprego de alto risco;  Por que isso ocorreu? De acordo com esses pesquisadores, indivíduos tristes experimentam o ambiente como relativamente pouco recompensador e, assim, são especialmente motivados a obter recompensas.
  • 37.
    Tomada de decisãoe tristeza Lerner e colaboradores (submetido) desejaram saber se essa hipótese apresenta uma aplicabilidade geral. Eles estudaram o fenômeno bem conhecido de que a maioria das pessoas é impaciente e prefere recompensas imediatas a recompensas maiores, mas tardias. O participante médio, em um estado de humor neutro, considerou receber US$ 19 hoje como comparável a receber US$ 100 em um ano. O participante triste médio foi ainda mais impaciente, considerando receber US$ 4 hoje como comparável a US$ 100 em um ano!  O que essas descobertas significam? Os indivíduos tristes experimentaram uma necessidade de promover o self ao obterem uma recompensa imediata. É relevante constatar que muitos indivíduos tristes se concentraram em possíveis compras antes de decidir entre recompensas imediatas e tardias.
  • 38.
    Raiva e tomadade decisão A raiva normalmente é encarada como afeto negativo. Entretanto, ela pode ser vivenciada como relativamente agradável por que leva os indivíduos a acreditar que podem controlar a situação e dominar aqueles de quem não gostam (Lerner & Tiedens, 2006). Entretanto, os eventos que desencadeiam a raiva são lembrados como desagradáveis, e isso pode levar a comportamentos (p. ex., agressão, violência) que provocam um substancial afeto negativo (Litvak et al., 2010). A sensação de schadenfreude (sentir prazer com o fracasso daqueles de quem não gostamos) aumenta com a raiva (Hareli & Weiner, 2002)
  • 39.
    Raiva e tomadade decisão Como a raiva influencia o julgamento? Existem diferenças marcantes entre os efeitos da raiva e de outros estados emocionais negativos. A raiva está associada a julgamentos relativamente otimistas sobre a probabilidade de eventos negativos, enquanto a ansiedade e a tristeza são ambas associadas a julgamentos pessimistas (Waters, 2008) As pessoas com raiva classificam a si mesmas como menos em risco do que outras pessoas, embora, na verdade, elas estejam mais propensas a vivenciar um divórcio, ter problemas no trabalho e sofrer de doença cardíaca (Lerner & Keltner, 2001).
  • 40.
    Raiva e tomadade decisão • Por que a raiva está associada a julgamentos otimistas em vez de julgamentos pessimistas associados a outros estados de humor negativos? A raiva difere de outros estados de humor negativos ao ser associada a um sentimento de certeza sobre o que ocorreu e a um suposto controle sobre a situação (Litvak et al., 2010). Essas características únicas da raiva (especialmente, o suposto controle elevado) explicam por que ela produz julgamentos otimistas.
  • 41.
    Tomada de decisãoe raiva Como as pessoas com raiva se consideram sob total controle da situação, esperamos que elas tomem mais decisões de risco do que as outras pessoas. A maioria das pessoas pressupõe que a raiva dificulta nossa capacidade de pensar da forma correta. Segundo o norte-americano Ralph Waldo Emerson, a raiva “apaga a luz da razão”. Esse ponto de vista foi apoiado por Bright e Goodman-Delahunty (2006). Foram apresentadas a alguns jurados simulados fotografias horríveis de uma mulher assassinada. Aqueles a quem foram mostradas as fotografias tenderam a considerar o marido culpado (41 vs. 9%). O efeito de distorção das fotografias ocorreu, em parte, porque elas aumentaram a raiva dos jurados em relação ao marido.
  • 42.
    Tomada de decisãoe raiva Por que a raiva muitas vezes dificulta a tomada de decisão? Ela pode levar a um processamento superficial, com base em heurísticas (regras gerais), em vez de fundamentadas em processamento sistemático ou analítico (Litvak et al., 2010).