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Capitulo 2
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@ Alfabetização e letramento
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Alfabetização e letramento são processos
diferentes, mas complementares.
O conceito de alfabetização, por muito tempo, ficou
atrelado à ideia de que para aprender a ler era
necessário apenas a capacidade de decodificar os sinais
gráficos, transformando-os em sons, e de que parn
aprender a escrever era necessário apenas desenvolver
a capacidade de codificar os sons da fala, transfor­
mando-os em sinais gráficos.
A partir da década de 1980, varias teorias mostram
que o aprendizado da escrita não se reduziria ao
domínio de correspondência entre grafemas e fonemas
(a decodificação e a codificação), mas se caracterizaria
como um processo ativo, por meio do qual, desde os
primeiros contatos com a escrita, a criança construiria
e reconstruiria hipóteses sobre a natureza e o fun­
cionamento da língua escrita como um sistema de re­
presentação. Segundo Cagliari,
O processo de alfabetização inclui muitos fatores e,
quanto mais ciente estiver o professor de como se dá
o processo de aquisiçao de conhecimento, de como
uma criança se situa em termos de desenvolvimento
emocional, de como vem evoluindo o seu processo
de interação socia!, da natureza da realidade linguís­
tica envolvida no mc-mento em que está acontecendo
a alfabetização, mais condições terá esse professor
de encaminhar de forma agradável e produtiva o
processo de aprendizagem, sem os sofrimentos ha­
bituais" (CAGLIARI. 1998).
O conceito de letramento entra em cena e amplia a
visão de alfabetização, chamando a atenção não ape­
nas para o domínio da prática de ler.e escrever (codifi­
car e decodificar), mas também para os usos dessas ha-
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Na tnlha da apreodi,agem
bitidades em práticas sociais em que ler e escrever é ne­
cessário. Magda Soares (1998) define letramento como:
Letramento é o resultado da ação de ensinar e
apreender as práticas sociais de leitura e escrita; é
o estado ou condição que adquire um grupo social
ou indivíduo como consequência de ter-se apropria­
do da escrita e de suas práticas sociais (SOARES, 1998).
Trata-se, portanto, de um processo que tem início
quando a criança começa a conviver com as diferentes
manifestações de escrita na sociedade <rótulos, placas, re­
vistas, entre outros) e se prolonga por toda a vida, com
crescente possibíLidade de participação nas práticas soci­
ais que envolvem a língua escrita (leitura e redação de
cartas, de convites, de avisos, de obras literárias, por
exemplo).
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Alfabetização e letramento são processos diferentes,
cada um com suas especificidades. Porém, ambos são
indispensáveis quando se leva em consideração a apren­
dizagem da leitura e da escrita.
Ainda segundo Magda Soares (1998), a entrada da
criança no mundo da escrita, ocorre simultaneamente
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A partir das antecipações, podemos fazer algumas
inferências sobre o conteúdo do texto lido. A estraté­
gia de inferência baseia-se, portanto, nas suposições
que fazemos a partir das informações obtidas na an­
tecipação do que será lido.
Leia a frase e descubra a qual animal se refere.
"Seus olhos são especialmente
adaptados para a visão noturno, cheios
de bastonetes sensíveis à luz".
Segundo Carla Coscarelli (2003), alguns leitores
podem ter dificuldade de compreender essa frase
porque a relação de causa e efeito não está explícita,
ou seja, o leitor precisa inferir que o fato de possuir
bastonetes sensíveis à luz faz com que os olhos da
coruja sejam adaptados para a visão noturna. O es­
critor, nessa relação, pode facilitar o trabalho do leitor.
A estratégia de verificação consiste, em poucas
palavras, em confirmar ou não as hipóteses levantadas
sobre o conteúdo do texto, levando-se em consideração
as antecipações e as inferências feitas durante o
processo de leitura.
Entender que o professor é um modelo de leitor
torna-se importante para os alunos, por isso ele deve
compartilhar com as crianças as leituras realizadas em
livros, jornais e revistas, desde que se interessem pelo
assunto, e ler para e com elas quantas vezes quiserem
o mesmo texto ou outros textos diferentes.
Na trilha da aprendizagem
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Professor, ao compartilhar uma leitura. com o aluno
é importante:
Explicar o motivo da leitura: se o texto é divertido, se
o final é inesperado, se informa sobre algo que está
sendo estudado pela turma, se é uma história emo­
cionante, se é um poema bonito, entre outros.
Criar estratégias para ajudá-los a compreender o sen­
tido do te�io a pãrtir do contexto, evitando paradas
para explicar palavras consideradas difíceis.
Demonstrar entusiasmo corn a leitura realizada,
voltando ao texto para reler a parte mais interessante,
os trechos que não foram entendidos.
Emitir opinião sobre os textos lidos e ouvir a opinião
das crianças.
Oferecer e!ernentos que ajudem as crianças a identi-
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Capítulo 2
histórias contadas pelo professor, as notícias de jornal
lidas pelos colegas, as respostas emitidas por entrevis­
tados, os avisos dados pela diretora e/ou, as falas dos
personagens na dramatização. Assim, tem oportunidade
de perceber que as formas da língua apresentam vari­
ações que podem ser apropriadas para certas circuns­
tâncias, mas não para outras.
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Escrever é interagir com o outrc e
com o próprio te:xio.
É importante que o aluno conviva com vários gêneros
textuais, para que entre em contato com diferentes usos
sociais da língua e perceba por que e para que se uti­
liza a escrita. Essa vivência vai possibilitar o conheci­
mento de diversos textos e vai ajudá-lo a interagir com
diferentes modelos. Além disso, essa interação possibi­
litará ao aluno se manifestar de uma forma variada ao
produzir os textos.
Escrever para o outro é quando se tem o que dizer
(assunto; informações selecionadas para construir o
texto); a quem dizer (um interlocutor, um leitor); por que
dizer e para que dizer (objetivos a que se propõe e as­
suntos tratados).
Desde o contato inicial com a escrita, a criança pre­
cisa viver a experiência de ser autor. Assim assinala os
Parâmetros Curriculares Nacionais
é necessário, portanto, ensinar os alunos a lidar
com a escrita da linguagem - os aspectos no·
tacionais relacionados ao sistema alfabético e
às restrições ortográficas - como com a lin·
guagem escrita - os aspectos discursivos rela­
cionados à linguagem que se usa para escrever.
Para tanto é preciso que, tão logo o aluno
chegue à escola, seja solicitado a produzir seus
próprios textos. mesmo que não saiba grafá-los,
a escrever como lhe foi possível, mesmo que
não o faça convencionalmente (PCN - LP, 1997,
p. 68).
A avaliação pelo autor do texto escrito faz-se
necessária, pois se o objetivo desta prática é formar
um escritor competente, alguns pontos devem ser ana­
lisados, como: se atingiu a finalidade da produção, se
ficou claro para quem foi escrito (destinatário), se o
gênero está de acordo com a finalidade escolhida, se
houve sequência lógica que perrnita ao interlocutor
apreender a ideia, se as normas básicas de acordo com
cada gênero textual estão adequadas. Avaliadas estas e
outras questões próprias a cada gênero, a escola estará
praticando o que assinala os Parâmetros Curriculares
Nacionais "o trabalho com produção de texto tem como
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