CADÊNCIA IDEAL EM CICLISMO 
Um dos parâmetros mais importantes no ciclismo e muitas vezes menosprezado no treinamento é a cadência. Mas por que essa variável seria tão importante para o rendimento? 
Para tentar responder a esta questão, vamos primeiramente conversar um pouco sobre potência. Tudo que qualquer ciclista deseja é produzir mais potência, ou seja, produzir mais energia por unidade de tempo! No ciclismo a potência é um produto da cadência pela força aplicada aos pedais. 
POTÊNCIA (Watts) = cadência (rpm) X força (kgf) 
W= Watts 
Rpm = rotações por minuto 
Força = quilo-força 
Portanto, para produzir mais potência podemos utilizar várias estratégias: aumentar a cadência, aumentar a força aplicada aos pedais ou os dois! Daí a importância da cadência! 
Quem não se lembra dos duelos Armstrong X Ullrich, onde o americano girava em uma rotação elevadíssima e o alemão guardava uma cadência mais baixa e colocava muita força sobre os pedais! Imagine se Ullrich fosse capaz de guardar esta mesma força e ao mesmo tempo aumentar um pouco sua cadência? Um aumento de potência considerável! Fator que o controverso ciclista americano não negligenciava. 
Mas então, qual é a cadência ideal? DEPENDE. De que? 
a) Potência gerada: Quanto maior a potência gerada, maior a cadência adotada pelo ciclista (FOSS O, HALLÉN J, 2004). É muito simples, para gerar elevadas potências, necessariamente deve-se aplicar muita força aos pedais e isso leva a uma fadiga prematura. Sendo assim, naturalmente os ciclistas adotam uma cadência mais elevada para diminuir a força aplicada aos pedais e a manter o mesmo nível de potência. 
Podemos observar isto em um teste de esforço, onde a potência é aumentada gradativamente. Uma maneira de aliviar a crescente força aplicada aos pedais é justamente aumentar a cadência ao longo do teste. 
Note o aumento da cadência (azul) no final do teste, onde temos as maiores potências geradas. 
DICA: Uma estratégia interessante quando estiver entrando em fadiga muscular é aumentar um pouco a cadência para diminuir um pouco a força aplicada aos pedais.
Além disso, procure aumentar a cadência quando estiver produzindo cadências elevadas. 
b) Cadência econômica X eficiente: A cadência mais econômica em ciclismo esta por volta de 60 rpm. É a cadência onde encontramos um baixo consumo de oxigênio (Vo2) associado. Existem momentos em uma corrida onde ser econômico é primordial, porém existem momentos onde ser o mais rápido (eficiente – melhor razão entre consumo de oxigênio/velocidade de deslocamento) é o mais importante, e ai aumentar a cadência parece ser o mais indicado! Armstrong sabia muito bem disso! Em etapas de montanha, fazia as primeiras escaladas em módulo econômico e a escalada final no módulo eficiente/elevada cadência! 
DICA: Tente ser econômico no começo de uma prova e depois mudar para o ‘módulo eficiência’ no final de prova. 
c) Tipo de terreno: Estudo feito em ciclistas profissionais durante a Volta da Espanha, mostrou que em etapas de contra-relógio relativamente planas a cadência utilizada é por volta de 100-110 rpm (LÚCIA et al, 2001). Cadência elevada, que permite aos atletas, diminuir a fadiga, minimizar a acumulação de lactato e diminuir a tensão muscular. Porém quando o terreno começa a subir, temos a ação de uma força contrária e a tendência é utilizar cadências mais baixas (90 rpm). Notem que as potências utilizadas tanto em um contra-relógio, quanto em uma etapa de montanha são elevadas, sendo assim voltamos ao primeiro item, onde é importante o uso de cadências elevadas para aliviar a força. 
DICA: Utilizar uma relação adequada ajuda e muito na hora de subir. Não se envergonhe em utilizar uma relação com coroa reduzida ou um grande cassete. Isto na realidade é sinal de sabedoria, poder girar bem as pernas pode reduzir a fadiga muscular, minimizar a acumulação de lactato e diminuir a tensão nos músculos! 
d) Tipologia de fibras musculares: A relação entre quantidade de fibras lentas e rápidas irá determinar a relação ideal entre força/cadência para cada atleta, ou seja, há um componente genético envolvido quando observamos a diferença de cadência entre os atletas. 
LUCÍA A, HOYOS J, CHICHARRO, JL. Preferred pedalling cadence in Professional cycling. Medicine & Science in Sports & Exercise. 33: 1361-1366, 2001. 
FOSS O, HALLÉN J. The most economical cadence increases with increasing workload. Eur J App Physiol. 92: 443-451, 2004. 
GRAPPE F. Cyclisme et optimization de la performance. De Boeck Université, 2010. 
BRIANTsportif.com – Análise da Performance.

Cadência ideal no ciclismo

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    CADÊNCIA IDEAL EMCICLISMO Um dos parâmetros mais importantes no ciclismo e muitas vezes menosprezado no treinamento é a cadência. Mas por que essa variável seria tão importante para o rendimento? Para tentar responder a esta questão, vamos primeiramente conversar um pouco sobre potência. Tudo que qualquer ciclista deseja é produzir mais potência, ou seja, produzir mais energia por unidade de tempo! No ciclismo a potência é um produto da cadência pela força aplicada aos pedais. POTÊNCIA (Watts) = cadência (rpm) X força (kgf) W= Watts Rpm = rotações por minuto Força = quilo-força Portanto, para produzir mais potência podemos utilizar várias estratégias: aumentar a cadência, aumentar a força aplicada aos pedais ou os dois! Daí a importância da cadência! Quem não se lembra dos duelos Armstrong X Ullrich, onde o americano girava em uma rotação elevadíssima e o alemão guardava uma cadência mais baixa e colocava muita força sobre os pedais! Imagine se Ullrich fosse capaz de guardar esta mesma força e ao mesmo tempo aumentar um pouco sua cadência? Um aumento de potência considerável! Fator que o controverso ciclista americano não negligenciava. Mas então, qual é a cadência ideal? DEPENDE. De que? a) Potência gerada: Quanto maior a potência gerada, maior a cadência adotada pelo ciclista (FOSS O, HALLÉN J, 2004). É muito simples, para gerar elevadas potências, necessariamente deve-se aplicar muita força aos pedais e isso leva a uma fadiga prematura. Sendo assim, naturalmente os ciclistas adotam uma cadência mais elevada para diminuir a força aplicada aos pedais e a manter o mesmo nível de potência. Podemos observar isto em um teste de esforço, onde a potência é aumentada gradativamente. Uma maneira de aliviar a crescente força aplicada aos pedais é justamente aumentar a cadência ao longo do teste. Note o aumento da cadência (azul) no final do teste, onde temos as maiores potências geradas. DICA: Uma estratégia interessante quando estiver entrando em fadiga muscular é aumentar um pouco a cadência para diminuir um pouco a força aplicada aos pedais.
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    Além disso, procureaumentar a cadência quando estiver produzindo cadências elevadas. b) Cadência econômica X eficiente: A cadência mais econômica em ciclismo esta por volta de 60 rpm. É a cadência onde encontramos um baixo consumo de oxigênio (Vo2) associado. Existem momentos em uma corrida onde ser econômico é primordial, porém existem momentos onde ser o mais rápido (eficiente – melhor razão entre consumo de oxigênio/velocidade de deslocamento) é o mais importante, e ai aumentar a cadência parece ser o mais indicado! Armstrong sabia muito bem disso! Em etapas de montanha, fazia as primeiras escaladas em módulo econômico e a escalada final no módulo eficiente/elevada cadência! DICA: Tente ser econômico no começo de uma prova e depois mudar para o ‘módulo eficiência’ no final de prova. c) Tipo de terreno: Estudo feito em ciclistas profissionais durante a Volta da Espanha, mostrou que em etapas de contra-relógio relativamente planas a cadência utilizada é por volta de 100-110 rpm (LÚCIA et al, 2001). Cadência elevada, que permite aos atletas, diminuir a fadiga, minimizar a acumulação de lactato e diminuir a tensão muscular. Porém quando o terreno começa a subir, temos a ação de uma força contrária e a tendência é utilizar cadências mais baixas (90 rpm). Notem que as potências utilizadas tanto em um contra-relógio, quanto em uma etapa de montanha são elevadas, sendo assim voltamos ao primeiro item, onde é importante o uso de cadências elevadas para aliviar a força. DICA: Utilizar uma relação adequada ajuda e muito na hora de subir. Não se envergonhe em utilizar uma relação com coroa reduzida ou um grande cassete. Isto na realidade é sinal de sabedoria, poder girar bem as pernas pode reduzir a fadiga muscular, minimizar a acumulação de lactato e diminuir a tensão nos músculos! d) Tipologia de fibras musculares: A relação entre quantidade de fibras lentas e rápidas irá determinar a relação ideal entre força/cadência para cada atleta, ou seja, há um componente genético envolvido quando observamos a diferença de cadência entre os atletas. LUCÍA A, HOYOS J, CHICHARRO, JL. Preferred pedalling cadence in Professional cycling. Medicine & Science in Sports & Exercise. 33: 1361-1366, 2001. FOSS O, HALLÉN J. The most economical cadence increases with increasing workload. Eur J App Physiol. 92: 443-451, 2004. GRAPPE F. Cyclisme et optimization de la performance. De Boeck Université, 2010. BRIANTsportif.com – Análise da Performance.