Gestão de Políticas Públicas
no Município
São Paulo, 28 de Março de 2022
Eder Brito
Mestre em Administração Pública Local (Korea University, 2012), Mestrando em Gestão de Políticas
Públicas (EACH-USP, 2019-2021), Pós-graduado em Comunicação Organizacional (FIAM, 2010),
Jornalista (Univ. Metodista, 2005). Coordenador de projetos da Oficina Municipal.
Introdução & Lembretes
2
Mensagens inspiradoras
“A cidade é uma escola
de democracia”
Konrad Adenauer
3
Mensagens inspiradoras
“As pessoas não moram
na União.
Elas não moram no estado.
Elas vivem no município”
Franco Montoro
4
- “Opção adotada para congregar em um país unidades
até então separadas, ou para reorganizar um país até
então unitário”.
- (ANDERSON, George. 2009. P. 16)
- “Resultado de uma união de partes que decidem viver
juntas, procurando compatibilizar a autonomia dos
entes subnacionais com a interdependência entre eles,
particularmente pela criação de um pacto nacional”.
- (ABRUCIO, Fernando. 2012. P. 20)
O que é Federalismo?
5
- Estado Unitário: Autonomia dos entes
subnacionais deriva do centro, que delega
funções e autoridades às instâncias locais. A
Maioria dos países do mundo é assim
- Federalismo: Autonomia dos entes subnacionais
é originária. 28 países no mundo funcionam
assim.
Modelos de Distribuição Territorial do Poder
6
Municípios no Brasil e na Alemanha
Alemanha Brasil
União
Estados
Municípios
7
- Brasil Colônia – 1500 a 1822 – 322 anos
- Império – 1822 a 1889 - 67 anos
- Política dos Governadores – 1889-1930 – 41 anos
- Estado Novo + Nova República – 1930 a 1964 – 34 anos
- Governo Militar – 1964 a 1984 – 20 anos
- Redemocratização e nova Constituição – 1985-2018 – 33 anos
- Uma história de submissão da política dos estados e dos municípios ao
Poder Central, num território extremamente “descentralizável”.
Descentralização x Centralização no Brasil
8
Repasses Constitucionais
Tamanho do município
(por mil habitantes)
Receitas próprias (%) Receitas de transferência (%)
até 2 7,2 92,8
5 8,3 91,7
10 11,1 88,9
20 11,6 88,4
50 17,9 82,1
100 26,3 73,7
200 32,6 67,4
500 39,4 60,6
1.000 40,0 60,0
5.000 50,1 49,9
mais de 5.000 61,1 38,9
Composição das receitas municipais
Fonte: Bremaeker (2017) com dados da secretaria do Tesouro Nacional.
9
Como financiar estas políticas?
Para uma melhor compreensão cabe ressaltar quais são os impostos e taxas
municipais:
-IPTU: Imposto Predial Territorial Urbano.
-ISS: Imposto sobre Serviços.
-ITBI: Imposto de Transmissão de Bens Imóveis
-Taxa de Serviços: cobrança de determinados serviços prestados ao contribuinte
(taxa de iluminação pública)
-Taxa pelo serviço de polícia: pagamento para licença de serviço.
- Contribuição de Melhoria: pagamento em decorrência de melhorias urbanas em
determinada área, as quais valorizam os imóveis situados neste local
- Contribuição Social de Previdência e Assistência dos Servidores Municipais
Agenda Pública Municipal
11
Antena Paulista – TV Globo - https://globoplay.globo.com/v/5136941/
Manhãs Olímpicas – Estádio do Pacaembu – 2016
12
Política Pública é o que o
governo escolhe fazer ou não
fazer. (DYE, 2013)
O que é?
DYE, Thomas R. Understanding public policy. Boston Pearson. 2013
13
Ciclo das políticas públicas para LEONARDO SECCHI
(2012)
SECCHI, L. . Formação da Agenda: Método de Policy Advocacy para Ensino de Políticas Públicas.
Administração Pública e Gestão Social , v. 4, p. 32-47, 2012.
14
Agenda Pública: Kingdon (2003)
• Agenda Pública: a questão ou conjunto de questões nas
quais o governo foca sua atenção em determinado período
(Kingdon).
• Modelo de Múltiplos Fluxos Decisórios Independentes:
(01) O fluxo dos problemas; (02) O fluxo das soluções;
(03) o fluxo da política.
Quando os três fluxos convergem, abrem-se janelas de
oportunidade para os empreendedores de política;
• KINGDON, J. W. Agendas, alternativas and public policies. 2. ed. Ann Arbor, : University of
Michigan, 2003.
Não é só o governo que faz política
pública
16
 As “arenas” políticas são compostas obrigatoriamente
por uma miríade de atores sociais com expectativas,
crenças, valores e anseios distintos.
 Perspectivas multiníveis e perspectivas multi-atores.
 Thornton, P.H., Ocasio, W., & Lounsbury, M. (2012)The institutional logics perspective. Oxford:
Oxford University Press (Cap 1 e 2)
 Denis, J. L., Ferlie, E., & Van Gestel, N. (2015). Understanding hybridity in public
organizations. Public Administration, 93(2), 273-289. https://doi.org/10.1111/padm.12175
Uma nova lógica institucional
17
 Atuar em rede não é simples. Redes são frágeis e há
dificuldade para evitar as constantes mudanças;
 Ao mesmo passo, as redes são o mecanismos e a
tecnologia social ideais para possibilitar ações conjuntas e
reunir a heterogeneidade de expectativas e influências de
todos os atores.
 Thornton, P.H., Ocasio, W., & Lounsbury, M. (2012)The institutional logics perspective. Oxford:
Oxford University Press (Cap 1 e 2)
 Denis, J. L., Ferlie, E., & Van Gestel, N. (2015). Understanding hybridity in public
organizations. Public Administration, 93(2), 273-289. https://doi.org/10.1111/padm.12175
Hibridismo institucional – atuação em redes
18
 Burocracia “antiga” – Cidadão como Usuário
 Nova Gestão Pública – Cidadão como Cliente
 Governança Pública – Cidadão como Parceiro
Leonardo Secchi (2009) – Nova Governança Pública
SECCHI, L. . Modelos organizacionais e reformas na administração pública. RAP. Revista Brasileira de
Administração Pública , v. 43, p. 347-369, 2009.
19
Democracia Participativa na Gestão de políticas públicas
municipais
• Conselhos Municipais – Consulta e deliberação
• Sociedade Civil organizada - Advocacy
• Institutos e Fundações Empresariais
• Terceiro Setor e o Setor 2.5 (negócios sociais)
• Audiências Públicas
• Consultas Públicas
• Associações de classe e Sindicatos
• Associações “de bairro”
Gestor no Município: política pública
mais perto das pessoas
21
 É o serviço público onde o servidor interage diretamente
com o cidadão no curso de suas tarefas. Tem uma certa
“liberdade” (discricionariedade) na execução do serviço.
As decisões desses burocratas, as rotinas que
estabelecem e os dispositivos que criam para lidar com
as incertezas e pressões do trabalho, efetivamente, se
tornam a própria política pública.
LIPSKY, Michael. Street-level bureaucracy: dilemmas of the individual in public services. Nova York:
Russel Sage Foundation, 2010.
Burocracia de Nível de Rua? (Lipsky, 2010)
22
 Programa Saúde da Família – Taboão da Serra (SP), Sobral
(CE) e São Paulo(SP) – Um dos resultados interessantes é
observar como se dão as práticas e os estilos de interação
dos Agentes Comunitários com as pessoas que eles atendiam.
O quanto faz diferença o fato do agente comunitário realmente
pertencer à Comunidade.
LOTTA, Gabriela. Desvendando o papel dos burocratas de nível de rua no processo de implementação: o caso
dos agentes comunitários de saúde. In: FARIA, C. A (org). Implementação de Políticas Públicas. Teoria e Prática.
Editora PUCMINAS, Belo Horizonte, 2012.
Burocracia de Nível de Rua? (Lotta, 2012)
23
 O paradoxo da discricionariedade: o
quanto isso abre espaço para
participação, aproximação,
monitoramento e avaliação diretas?
Burocracia de Nível de Rua
Política Pública é incremental
25
 Há um limite para racionalidade!
 Só é possível tomar decisões com base nas
informações que estão disponíveis
 É possível ter acesso a todas as informações,
contextos, opiniões e desejos simultaneamente?
 Existe tempo para isso?
Herbert Simon (1965) – Racionalidade
SIMON, Herbert. Comportamento administrativo – estudo dos processos decisórios nas organizações
administrativas. Rio de janeiro, Usaid/FGV, 1965.
26
 Existem limitações para a compreensão e análise de
TODOS os problemas sociais;
 O tomador de decisão não consegue levar em conta
todos os fatores essenciais;
 A decisão incremental é um método de maior praticidade
e mais afeito à realidade de um gestor público
Charles Lindblom (1959) – Decisão Incremental
LINDBLOM, Charles E. The Science of “Muddling Through”. Public Administration Review, vol.XIX, spring
1959, nº.2.
27
 “Políticas públicas são formuladas e reformuladas
indefinidamente. Formular políticas públicas é um
processo de sucessiva aproximação a alguns objetivos
desejados, em que o próprio objetivo desejado continua
a mudar sempre que é reconsiderado”
 “É sábio o formulador de políticas que reconhece e
admite que suas decisões políticas alcançam apenas
parte daquilo que deseja. A sucessão de mudanças
incrementais é que permitem melhorias e permitem evitar
erros sérios de consequências duradouras.”
Charles Lindblom (1959) – Decisão Incremental
LINDBLOM, Charles E. The Science of “Muddling Through”. Public Administration Review, vol.XIX, spring
1959, nº.2.
28
 A decisão incremental ou o “método das sucessivas
comparações” não analisa todas as possibilidades. Só
compara as decisões políticas muito parecidas e “reduz”
o número de opções.
 Reconhece os limites da racionalidade e tenta tirar o
máximo proveito do conhecimento disponível
 Não busca encontrar a melhor decisão (quase
matematicamente), mas só criar CONSENSO em torno de
uma decisão política;
Charles Lindblom (1959) – Decisão Incremental
LINDBLOM, Charles E. The Science of “Muddling Through”. Public Administration Review, vol.XIX, spring
1959, nº.2.
O Município Importa!
30
O porte do município brasileiro
Elaboração: Alexandre Paulo – Equipe Oficina Municipal.2021.
POPULAÇÃO (Nº HABITANTES)
QUANTIDADE DE
MUNICIPÍOS
CLASSIFICAÇÃO %
0 a 10.000 2449 Muito pequenas 43,97
10.000 a 50.000 2444 Pequenas
43,88
50.000 a 100.000 351
Polos Regionais de
pequeno porte
6,30
100.000 a 400.000 262
Polos Regionais de médio
porte 4,70
400.000 a 1.000.000 47 Grandes Cidades
0,84
1.000.000 a 3.055.149 15
Capitais e regiões
metropolitanas 0,27
> 6.747.815 2 Megacidades
0,04
31
 Constituição Federal de 88 – Município como ente
federativo
 Municipalismo autárquico – Celso Daniel (2001)
O Município é importante
DANIEL, C. Autonomia municipal e as relações com os estados e a União. In: HOFMEISTER, W.; CARNEIRO, J. M. B.
(Org.). Federalismo na Alemanha e no Brasil. São Paulo: Fundação Konrad Adenauer, 2001.
32
 Inteligência fiscal: Gestão Tributária Cotidiana (IPTU, ISS);
ITR – Imposto Territorial Rural;
 Governança Regional e Cooperação Intermunicipal – Lei
Federal dos Consórcios Públicos – Lei 11.107/2005
 Parceria com a sociedade civil organizada: Lei Federal
13.019/2014
 Formação para Participação: Investimento ($), formatos e
metodologias mais instigantes e mais divertidas
Caminhos
 “Todos os males da democracia só se
resolvem com mais democracia”
(Alfred E. Smith)
 MUITO OBRIGADO!
eder@oficinamunicipal.org.br

BM 04 - Aula 04 - Eder.pdf

  • 1.
    Gestão de PolíticasPúblicas no Município São Paulo, 28 de Março de 2022 Eder Brito Mestre em Administração Pública Local (Korea University, 2012), Mestrando em Gestão de Políticas Públicas (EACH-USP, 2019-2021), Pós-graduado em Comunicação Organizacional (FIAM, 2010), Jornalista (Univ. Metodista, 2005). Coordenador de projetos da Oficina Municipal.
  • 2.
  • 3.
    2 Mensagens inspiradoras “A cidadeé uma escola de democracia” Konrad Adenauer
  • 4.
    3 Mensagens inspiradoras “As pessoasnão moram na União. Elas não moram no estado. Elas vivem no município” Franco Montoro
  • 5.
    4 - “Opção adotadapara congregar em um país unidades até então separadas, ou para reorganizar um país até então unitário”. - (ANDERSON, George. 2009. P. 16) - “Resultado de uma união de partes que decidem viver juntas, procurando compatibilizar a autonomia dos entes subnacionais com a interdependência entre eles, particularmente pela criação de um pacto nacional”. - (ABRUCIO, Fernando. 2012. P. 20) O que é Federalismo?
  • 6.
    5 - Estado Unitário:Autonomia dos entes subnacionais deriva do centro, que delega funções e autoridades às instâncias locais. A Maioria dos países do mundo é assim - Federalismo: Autonomia dos entes subnacionais é originária. 28 países no mundo funcionam assim. Modelos de Distribuição Territorial do Poder
  • 7.
    6 Municípios no Brasile na Alemanha Alemanha Brasil União Estados Municípios
  • 8.
    7 - Brasil Colônia– 1500 a 1822 – 322 anos - Império – 1822 a 1889 - 67 anos - Política dos Governadores – 1889-1930 – 41 anos - Estado Novo + Nova República – 1930 a 1964 – 34 anos - Governo Militar – 1964 a 1984 – 20 anos - Redemocratização e nova Constituição – 1985-2018 – 33 anos - Uma história de submissão da política dos estados e dos municípios ao Poder Central, num território extremamente “descentralizável”. Descentralização x Centralização no Brasil
  • 9.
    8 Repasses Constitucionais Tamanho domunicípio (por mil habitantes) Receitas próprias (%) Receitas de transferência (%) até 2 7,2 92,8 5 8,3 91,7 10 11,1 88,9 20 11,6 88,4 50 17,9 82,1 100 26,3 73,7 200 32,6 67,4 500 39,4 60,6 1.000 40,0 60,0 5.000 50,1 49,9 mais de 5.000 61,1 38,9 Composição das receitas municipais Fonte: Bremaeker (2017) com dados da secretaria do Tesouro Nacional.
  • 10.
    9 Como financiar estaspolíticas? Para uma melhor compreensão cabe ressaltar quais são os impostos e taxas municipais: -IPTU: Imposto Predial Territorial Urbano. -ISS: Imposto sobre Serviços. -ITBI: Imposto de Transmissão de Bens Imóveis -Taxa de Serviços: cobrança de determinados serviços prestados ao contribuinte (taxa de iluminação pública) -Taxa pelo serviço de polícia: pagamento para licença de serviço. - Contribuição de Melhoria: pagamento em decorrência de melhorias urbanas em determinada área, as quais valorizam os imóveis situados neste local - Contribuição Social de Previdência e Assistência dos Servidores Municipais
  • 11.
  • 12.
    11 Antena Paulista –TV Globo - https://globoplay.globo.com/v/5136941/ Manhãs Olímpicas – Estádio do Pacaembu – 2016
  • 13.
    12 Política Pública éo que o governo escolhe fazer ou não fazer. (DYE, 2013) O que é? DYE, Thomas R. Understanding public policy. Boston Pearson. 2013
  • 14.
    13 Ciclo das políticaspúblicas para LEONARDO SECCHI (2012) SECCHI, L. . Formação da Agenda: Método de Policy Advocacy para Ensino de Políticas Públicas. Administração Pública e Gestão Social , v. 4, p. 32-47, 2012.
  • 15.
    14 Agenda Pública: Kingdon(2003) • Agenda Pública: a questão ou conjunto de questões nas quais o governo foca sua atenção em determinado período (Kingdon). • Modelo de Múltiplos Fluxos Decisórios Independentes: (01) O fluxo dos problemas; (02) O fluxo das soluções; (03) o fluxo da política. Quando os três fluxos convergem, abrem-se janelas de oportunidade para os empreendedores de política; • KINGDON, J. W. Agendas, alternativas and public policies. 2. ed. Ann Arbor, : University of Michigan, 2003.
  • 16.
    Não é sóo governo que faz política pública
  • 17.
    16  As “arenas”políticas são compostas obrigatoriamente por uma miríade de atores sociais com expectativas, crenças, valores e anseios distintos.  Perspectivas multiníveis e perspectivas multi-atores.  Thornton, P.H., Ocasio, W., & Lounsbury, M. (2012)The institutional logics perspective. Oxford: Oxford University Press (Cap 1 e 2)  Denis, J. L., Ferlie, E., & Van Gestel, N. (2015). Understanding hybridity in public organizations. Public Administration, 93(2), 273-289. https://doi.org/10.1111/padm.12175 Uma nova lógica institucional
  • 18.
    17  Atuar emrede não é simples. Redes são frágeis e há dificuldade para evitar as constantes mudanças;  Ao mesmo passo, as redes são o mecanismos e a tecnologia social ideais para possibilitar ações conjuntas e reunir a heterogeneidade de expectativas e influências de todos os atores.  Thornton, P.H., Ocasio, W., & Lounsbury, M. (2012)The institutional logics perspective. Oxford: Oxford University Press (Cap 1 e 2)  Denis, J. L., Ferlie, E., & Van Gestel, N. (2015). Understanding hybridity in public organizations. Public Administration, 93(2), 273-289. https://doi.org/10.1111/padm.12175 Hibridismo institucional – atuação em redes
  • 19.
    18  Burocracia “antiga”– Cidadão como Usuário  Nova Gestão Pública – Cidadão como Cliente  Governança Pública – Cidadão como Parceiro Leonardo Secchi (2009) – Nova Governança Pública SECCHI, L. . Modelos organizacionais e reformas na administração pública. RAP. Revista Brasileira de Administração Pública , v. 43, p. 347-369, 2009.
  • 20.
    19 Democracia Participativa naGestão de políticas públicas municipais • Conselhos Municipais – Consulta e deliberação • Sociedade Civil organizada - Advocacy • Institutos e Fundações Empresariais • Terceiro Setor e o Setor 2.5 (negócios sociais) • Audiências Públicas • Consultas Públicas • Associações de classe e Sindicatos • Associações “de bairro”
  • 21.
    Gestor no Município:política pública mais perto das pessoas
  • 22.
    21  É oserviço público onde o servidor interage diretamente com o cidadão no curso de suas tarefas. Tem uma certa “liberdade” (discricionariedade) na execução do serviço. As decisões desses burocratas, as rotinas que estabelecem e os dispositivos que criam para lidar com as incertezas e pressões do trabalho, efetivamente, se tornam a própria política pública. LIPSKY, Michael. Street-level bureaucracy: dilemmas of the individual in public services. Nova York: Russel Sage Foundation, 2010. Burocracia de Nível de Rua? (Lipsky, 2010)
  • 23.
    22  Programa Saúdeda Família – Taboão da Serra (SP), Sobral (CE) e São Paulo(SP) – Um dos resultados interessantes é observar como se dão as práticas e os estilos de interação dos Agentes Comunitários com as pessoas que eles atendiam. O quanto faz diferença o fato do agente comunitário realmente pertencer à Comunidade. LOTTA, Gabriela. Desvendando o papel dos burocratas de nível de rua no processo de implementação: o caso dos agentes comunitários de saúde. In: FARIA, C. A (org). Implementação de Políticas Públicas. Teoria e Prática. Editora PUCMINAS, Belo Horizonte, 2012. Burocracia de Nível de Rua? (Lotta, 2012)
  • 24.
    23  O paradoxoda discricionariedade: o quanto isso abre espaço para participação, aproximação, monitoramento e avaliação diretas? Burocracia de Nível de Rua
  • 25.
  • 26.
    25  Há umlimite para racionalidade!  Só é possível tomar decisões com base nas informações que estão disponíveis  É possível ter acesso a todas as informações, contextos, opiniões e desejos simultaneamente?  Existe tempo para isso? Herbert Simon (1965) – Racionalidade SIMON, Herbert. Comportamento administrativo – estudo dos processos decisórios nas organizações administrativas. Rio de janeiro, Usaid/FGV, 1965.
  • 27.
    26  Existem limitaçõespara a compreensão e análise de TODOS os problemas sociais;  O tomador de decisão não consegue levar em conta todos os fatores essenciais;  A decisão incremental é um método de maior praticidade e mais afeito à realidade de um gestor público Charles Lindblom (1959) – Decisão Incremental LINDBLOM, Charles E. The Science of “Muddling Through”. Public Administration Review, vol.XIX, spring 1959, nº.2.
  • 28.
    27  “Políticas públicassão formuladas e reformuladas indefinidamente. Formular políticas públicas é um processo de sucessiva aproximação a alguns objetivos desejados, em que o próprio objetivo desejado continua a mudar sempre que é reconsiderado”  “É sábio o formulador de políticas que reconhece e admite que suas decisões políticas alcançam apenas parte daquilo que deseja. A sucessão de mudanças incrementais é que permitem melhorias e permitem evitar erros sérios de consequências duradouras.” Charles Lindblom (1959) – Decisão Incremental LINDBLOM, Charles E. The Science of “Muddling Through”. Public Administration Review, vol.XIX, spring 1959, nº.2.
  • 29.
    28  A decisãoincremental ou o “método das sucessivas comparações” não analisa todas as possibilidades. Só compara as decisões políticas muito parecidas e “reduz” o número de opções.  Reconhece os limites da racionalidade e tenta tirar o máximo proveito do conhecimento disponível  Não busca encontrar a melhor decisão (quase matematicamente), mas só criar CONSENSO em torno de uma decisão política; Charles Lindblom (1959) – Decisão Incremental LINDBLOM, Charles E. The Science of “Muddling Through”. Public Administration Review, vol.XIX, spring 1959, nº.2.
  • 30.
  • 31.
    30 O porte domunicípio brasileiro Elaboração: Alexandre Paulo – Equipe Oficina Municipal.2021. POPULAÇÃO (Nº HABITANTES) QUANTIDADE DE MUNICIPÍOS CLASSIFICAÇÃO % 0 a 10.000 2449 Muito pequenas 43,97 10.000 a 50.000 2444 Pequenas 43,88 50.000 a 100.000 351 Polos Regionais de pequeno porte 6,30 100.000 a 400.000 262 Polos Regionais de médio porte 4,70 400.000 a 1.000.000 47 Grandes Cidades 0,84 1.000.000 a 3.055.149 15 Capitais e regiões metropolitanas 0,27 > 6.747.815 2 Megacidades 0,04
  • 32.
    31  Constituição Federalde 88 – Município como ente federativo  Municipalismo autárquico – Celso Daniel (2001) O Município é importante DANIEL, C. Autonomia municipal e as relações com os estados e a União. In: HOFMEISTER, W.; CARNEIRO, J. M. B. (Org.). Federalismo na Alemanha e no Brasil. São Paulo: Fundação Konrad Adenauer, 2001.
  • 33.
    32  Inteligência fiscal:Gestão Tributária Cotidiana (IPTU, ISS); ITR – Imposto Territorial Rural;  Governança Regional e Cooperação Intermunicipal – Lei Federal dos Consórcios Públicos – Lei 11.107/2005  Parceria com a sociedade civil organizada: Lei Federal 13.019/2014  Formação para Participação: Investimento ($), formatos e metodologias mais instigantes e mais divertidas Caminhos
  • 34.
     “Todos osmales da democracia só se resolvem com mais democracia” (Alfred E. Smith)  MUITO OBRIGADO! eder@oficinamunicipal.org.br