O teatro sempre foi um meio de comunicação que através da fala, das atitudes e dos
   assuntos desenvolvidos, fazia chegar até nós a cultura do país e os costumes da terra.
   Numa época em que o profissionalismo ainda não fazia parte dos elencos todos nós
   éramos actores. Existiam audições, a oportunidade era dada a todos aqueles que se
   diziam actores, e também aos mais cépticos em relação aos seus próprios dotes.
   Uma peça de teatro fazia com que as pessoas se reunissem para discutir valores, trocar
   ideias e aprofundar sentimentos.
   O teatro era para nós, povo iletrado e inculto, um livro aberto repleto de ensinamentos.
   O teatro representava um encontro social e cultural.
   Depois o teatro tornou-se o privilégio de uma minoria, com os seus belos edifícios onde
   a entrada é paga.
   Pagar para se tornar uma pessoa culta ultrapassa-me, a cultura faz parte da educação, e o
   mundo das artes, seja o teatro, ou a pintura, deveriam ser disciplinas escolares.
   Aprende-se a ouvir, a respeitar o outro, a ser paciente. O teatro tem uma vantagem
   enorme sobre a televisão, que é o facto de deixarmos de ser passivos. Na televisão tudo
   está resolvido, enquanto o teatro quando acaba, formam-se sempre conversas em torno
   da peça, e isso também faz parte da educação.
   Fui ao Teatro ver Baal de Bertolt Brecht.
   A peça em si (leitura encenada), foi muito diferente da ideia que eu tenho do teatro.
   Fez-me utilizar a mente, não propriamente no sentido da compreensão, mas porque
   durante 1h30 tentei e consegui posicionar os actores em diferentes cenários. Talvez por
   essa razão não consegui decifrar poesia alguma, tão ocupada que estava a encenar a
   peça.
   Baal pareceu-me ser alguém que vive às margens das leis, fez essa escolha, de forma
   deliberada em oposição a essas mesmas leis. Não aceitando as obrigações às quais está
   sujeito, mas ao mesmo tempo tirando todos os proveitos duma sociedade que rejeita.




Dorinda Da Silva                                                                    06/05/2009

Baal

  • 1.
    O teatro semprefoi um meio de comunicação que através da fala, das atitudes e dos assuntos desenvolvidos, fazia chegar até nós a cultura do país e os costumes da terra. Numa época em que o profissionalismo ainda não fazia parte dos elencos todos nós éramos actores. Existiam audições, a oportunidade era dada a todos aqueles que se diziam actores, e também aos mais cépticos em relação aos seus próprios dotes. Uma peça de teatro fazia com que as pessoas se reunissem para discutir valores, trocar ideias e aprofundar sentimentos. O teatro era para nós, povo iletrado e inculto, um livro aberto repleto de ensinamentos. O teatro representava um encontro social e cultural. Depois o teatro tornou-se o privilégio de uma minoria, com os seus belos edifícios onde a entrada é paga. Pagar para se tornar uma pessoa culta ultrapassa-me, a cultura faz parte da educação, e o mundo das artes, seja o teatro, ou a pintura, deveriam ser disciplinas escolares. Aprende-se a ouvir, a respeitar o outro, a ser paciente. O teatro tem uma vantagem enorme sobre a televisão, que é o facto de deixarmos de ser passivos. Na televisão tudo está resolvido, enquanto o teatro quando acaba, formam-se sempre conversas em torno da peça, e isso também faz parte da educação. Fui ao Teatro ver Baal de Bertolt Brecht. A peça em si (leitura encenada), foi muito diferente da ideia que eu tenho do teatro. Fez-me utilizar a mente, não propriamente no sentido da compreensão, mas porque durante 1h30 tentei e consegui posicionar os actores em diferentes cenários. Talvez por essa razão não consegui decifrar poesia alguma, tão ocupada que estava a encenar a peça. Baal pareceu-me ser alguém que vive às margens das leis, fez essa escolha, de forma deliberada em oposição a essas mesmas leis. Não aceitando as obrigações às quais está sujeito, mas ao mesmo tempo tirando todos os proveitos duma sociedade que rejeita. Dorinda Da Silva 06/05/2009