SAÚDE PÚBLICA E SAUDE DO
TRABALHADOR
Ementa:
A Globalização e sua relação com os
fenômenos coletivos da saúde, com ênfase
na saúde ocupacional. Políticas Nacionais de
Saúde. A situação de saúde no Brasil.
Medicina Previdenciária. O SUS e a
construção de novo modelo assistencial.
Programas e serviços específicos de saúde
aos trabalhadores nas empresas.
OBJETIVO
 - Conhecer os novos paradigmas da saúde
no Brasil.
 – Discutir os programas e serviços de saúde
dos trabalhadores
OS DESAFIOS PARA OS MODELOS DE ATENÇÃO A SAÚDE
NO SÉCULO XXI
CARGA GLOBAL DE DOENÇA- DEZ PRIMEIRAS CAUSAS EM
1990 E PROJEÇÃO PARA 2020
 1990
1-Infecções respiratórias baixas
2-Doenças Diarréicas
3-Condições do período perinatal
4-Depressão unipolar
5-Doenças isquêmica do coração
6-Doença cérebro-vascular
7-Tuberculose
8-Sarampo
9-Acidentes de trânsito
10-Anomalias congênitas
 2020
1- Doenças isquêmica do coração
2- Depressão unipolar
3- Acidentes de trânsito
4-Doença cerebro-vascular
5-Doença pulmonar obstrutiva
crônica
6-Infecções respiratórias baixas
7-Tuberculose
8-Lesões e traumas derivados de
guerra
9-Doenças diarréicas
10- AIDS
FONTE: MURRAY & LOPEZ (1999)
CENÁRIOS E IMPLICAÇÕES PARA AS PRÁTICAS E SISTEMAS DE SAÚDE
NO SÉCULO XXI
NATUREZA DO
CENÁRIO
IMPLICAÇÕES NA
PRÁTICA
PROFISSIONAL
IMPLICAÇÕES NA
ESTRUTURA DO
SISTEMA DE SAÚDE
Demográfico
Mais velhos
Menos jovens
Nova estrutura familiar
Mais pessoas
aposentadas
Mudança de enfoque dos
cuidados: de doenças
agudas em jovens para
doenças crônicas em
idosos
Deslocamento do objeto:
de indivíduos para família;
de cura para prevenção e
promoção.
Abordagens voltadas
para hábitos e estilos de
vida
Educação para saúde
com especial ênfase nas
mulheres: autocuidado e
apoio ao grupo familiar.
Ampliação dos locais,
horários e estratégias de
atendimento
Intensificação da captação
das necessidades sociais e
sua tradução em ações de
saúde
Incorporação de novos
praticantes ( terapeutas
familiar)
Estabelecimento de grupos
alvo
Desenvolvimento de
estratégias e capacitação para
atenção ao idoso
Incentivo ao papel da mulher
como provedora de cuidados
para a família
Natureza do cenário Implicações na prática
profissional
Implicações na estrutura
do sistema de saúde
Epidemiológico
Doenças crônico-
degenerativas em alta
Reemergências de
doenças endêmicas
AIDS em alta
Estilo de vida como
determinante de saúde
Problemas ambientais
Ênfase na prevenção da
doença e promoção da
saúde
Objeto: família mais que
indivíduo
Capacitação de prove-
dores de cuidados na
própria família
Ênfase especial na
maternidade e
perimaternidade
Ênfase especial na
preservação da estrutura
familiar
Ação intersetorial
( educação, assistência
social, judiciários, etc)
Desenvolvimento de
redes formais e informais
de apoio familiar
Ações de promoção,
prevenção e reabilitação
em face de problemas
emergentes: violência
doméstica, órfãos da AIDS,
doença mental, gravidez
na adolescência e de alto
risco, riscos ambientais,
etc.
INSTITUCIONAL
Menos recursos
Aumento da disputa por
recursos
Escalada de tecnologias
e custos
Cultura hospitalista e
tecnológica
Quadro profissional
limitado
( qualiquantitativamente)
Ênfase nos cuidados
primários e promoção da
saúde em novos cenários:
domicílios, locais de
trabalho, creches, lares de
idosos, etc
Envolvimento das
famílias na prevenção e
tratamento precoce das
doenças
FONTE: COX ( 1999)
Criação de novos
cenários para provisão dos
cuidados ( domicílio, locais
de trabalho, etc)
Desenvolvimento de
facilidades para a
desospitalização
Maior articulação entre
gestores, serviços e
academias
Reconhecimento de
práticas alternativas
Inclusão de terapeutas de
família nas equipes de
saúde
Reconhecimento da
família como parceira do
sistema oficial nos
cuidados à saúde
Provisão de educação
continuada em saúde da
família e temas
emergentes
Saúde da Família
Assistência Médica
e Odontológica
Serviços e
Ações
Programa- das
de Vigilância
À Saúde
UNIDADE BÁSICA
DE SAÚDE
Imunização
Puericultura
Pré-natal, ACS, Vig. Nutricional,
Epidemiológica e Sanitária
Consultas médicas e odontológicas
Farmácia, Serviço de auxílio
ao diagnóstico e Terapia
Centro Regional de Saúde
Consórcios Intermunicipais
HOSPITAL GERAL OU HOSP. ESPECIALIZADO
PORTA DE ENTRADA DO
o SUS e a
Enfermagem
participando da
construção de um
modelo de saúde
Taxa de mortalidade de cidades inglesas-
início da revolução industrial com crescente
urbanização - 1831 e 1844
1831 1844
Birmingham 14,6 27,2
Bristol 16,9 31,0
Liverpool 21,0 34,8
Manchester 30,2 33,8
Total de óbitos Campo Grande e % de algumas causas
na composição do total - 1979 e 1998
Fonte: DATASUS
causa 1979 1998
doenças infecciosas
intestinais
9,5 % 1,8 %
deficiências nutricionais 1,0 % 0,7 %
afecções originadas no
período neonatal
9,6 % 4,5 %
Total de óbitos Campo Grande e % de
algumas causas na composição do total -
1979 e 1998 Fonte: DATASUS
causa 1979 1998
neoplasmas malignos 8,5 % 13,5 %
infarto agudo do
miocárdio
2,5 % 5,07 %
doença cerebrovascular 5,4 % 10,3 %
acidentes de transporte 5,1 % 7,6 %
homicídios e lesões
intencionais por outras
pessoas
0,2 % 6,6 %
Patologias da pobreza - países
em desenvolvimento
 Baseadas na subnutrição ou desnutrição,
doenças transmissíveis de qualquer
natureza.
 Riscos - reprodutivo, materno-fetal,
pediátrico
Patologias da abundância -
países desenvolvidos
 falta de exercício, obesidade, fumo, álcool,
drogas, traumas, doenças cardiovasculares,
estresse...
 mudanças de comportamento no estilo de
vida das pessoas
 mudanças no ambiente
o conceito de campo de
saúde...
ambiente estilo de
vida
biologia
humana
sistema de
organização
dos cuidados
saúde
Cuidar da saúde
da saúde:
 Acesso à exames diagnósticos ?
 Acesso à cirurgias, UTIs, internamentos
hospitalares?
 Mais leitos hospitalares ?
Resolver problemas de saúde
envolve:
 Políticas de governo
 População
 Educação
 Meio ambiente
 Economia e finanças
Ações em saúde:
 Despertar a pessoa para o cuidado com a
sua saúde
 Adequar o sistema às necessidades dos
pacientes
 Estabelecer relações de confiança entre os
prestadores de serviço e os pacientes
 Representatividade e Participação nas
decisões
Ações em saúde:
 Interação do indivíduo com o ecossistema
 Mudança do estilo de vida das pessoas
 Programas de nutrição, educação, doenças
transmissíveis, saneamento básico
O que não fazer :
Oferecer “cobertura total”.
Provisão de assistência médica e
medicamentos sob livre demanda.
Gerenciar mal o sistema.
porque estas ações geram:
 a ilusão de atender todas as demandas de
saúde,
 a expectativa de acabar com as filas,
 hipocondríacos,
 sociedade medicalizada (exames médicos
periódicos, múltiplas especialidades, excesso
de exames.)
Marcos conceituais do
trabalho em saúde
 Saúde como problema complexo.
 Conceito afirmativo e amplo (não só combater a
doença, mas promover a vida com qualidade).
 Produção social (não simplesmente evento
biológico).
 Trabalho em saúde envolvendo:
 Conhecimento interdisciplinar,
 Práticas intersetoriais.
Impõe-se um novo modelo de
assistência à saúde que:
 Fomente a autonomia e a responsabilização
dos profissionais, e amplie seu compromisso
com a missão institucional e com os
resultados em saúde.
Impõe-se um novo modelo
que:
 Propicie maior participação dos profissionais
nos processos decisórios, que não deve se
restringir ao âmbito dos administradores.
Nascimento e crescimento do
SUS:
 8a. Conferência Nacional de Saúde
 Constituição Federal 1988.
 NOB-SUS 91
 NOB-SUS 93
 NOB-SUS 96
 NOAS 2001
 NOAS 2002
Diretrizes do SUS
 Descentralização, com administração
única em cada esfera de governo, com
ênfase na municipalização das ações e
serviços de saúde;
 Atendimento Integral, com definição das
prioridades dentro de cada nível de atenção
(básica, média e alta complexidade);
 Participação da Comunidade, por meio
dos representantes que integram os
Conselhos de Saúde.
Pressupostos do SUS
 Essencialidade, a saúde como direito
fundamental do cidadão e como função do
Estado;
 Universalização, a saúde como direito de
todos;
 Integração, participação conjunta e
articulada das três esferas de governo no
planejamento, financiamento e execução;
Pressupostos do SUS
 Regionalização, o atendimento realizado
mais próximo do cidadão,
preferencialmente pelo município;
 Diferenciação, a autonomia da União, dos
Estados e dos Municípios na gestão, de
acordo com as suas características;
 Autonomia, a gestão independente dos
recursos nas três esferas de governo;
Pressupostos do SUS
 Planejamento, a previsão de que os
recursos da saúde devem fazer parte do
orçamento da Seguridade Social nas três
esferas de governo;
 Financiamento, garantido com recursos
das três esferas de governo;
 Controle das ações e serviços de saúde.
Agenda de Saúde
 Estabelece os eixos referenciais prioritários
no processo de planejamento em saúde, do
nível nacional para o estadual e municipal,
estabelecendo entre os gestores, um
entendimento em torno dos objetivos
fundamentais para a melhoria da situação de
saúde e da qualidade da atenção oferecida à
população.
Agenda Nacional de Saúde
1. Redução da mortalidade infantil e materna;
2. Controle de doenças e agravos prioritários;
3. Melhoria da gestão, do acesso e da qualidade
das ações, serviços e informações de saúde;
4. Reorientação do modelo assistencial e
descentralização;
5. Desenvolvimento de recursos humanos no setor
saúde; e
6. Qualificação do controle social.
Instrumentos de Gestão do
SUS
 Plano de Saúde:
 explicita o diagnóstico da situação social e sanitária, os
objetivos e prioridades da ação de governo em saúde.
 elaborado nos três níveis de governo (federal, estadual,
municipal) e aprovado pelo Conselho de Saúde
correspondente.
 Quadro de Metas:
 quantifica objetivos do Plano de Saúde
 Relatório de Gestão:
 Avalia se metas estabelecidas foram atingidas.
Financiamento do SUS:
 Transferências “fundo-a-fundo”.
 Limites Constitucionais mínimos para
investimento em saúde:
 UNIÃO: valor equivalente a 1999, acrescido de 5%.
Nos anos seguintes, o valor anual passa a ser
calculado com base no “valor apurado no ano
anterior”, corrigido pela variação nominal do
Produto Interno Bruto – PIB do ano em que se
elabora a proposta.
 ESTADOS: 12%
 MUNICÍPIOS: 15%
Conselhos de Saúde:
 Eleitos nas Conferências de Saúde
 Instâncias colegiadas, com poder
deliberativo.
 Composição:
 Prestadores públicos
 Prestadores privados
 Profissionais de saúde
 USUÁRIOS
ATENÇÃO INTEGRAL
Beneficia todos os cidadãos,
envolvendo ações em todos os
níveis de atenção: básica, média
e alta complexidade.
ENFERMAGEM:
O referencial da Integralidade
traduzido no cuidado ao ser humano
em suas dimensões BIO-PSICO-
SOCIAL.
O trabalho em equipe.
Da gerência à gestão da assistência
à saúde.
Competências de gestão:
 Competências assistenciais focadas no perfil de
morbi-mortalidade.
 Epidemiologia como instrumento de
planejamento
 Planejamento Estratégico Situacional (PES)
 Novos conceitos de administração.
 Avaliar impacto de ações (não apenas relatórios
de produção)
 Controle social: o relacionamento com o usuário
– não mais com “pacientes”
O que é Saúde do trabalhador?
 Um conjunto de atividades que se destina
através das ações de vigilância
epidemiológica e sanitária, a promoção e
proteção da saúde, visando a recuperação e
reabilitação da saúde dos trabalhadores
submetidos aos riscos e agravos, advindos
das condições de trabalho.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL-
1988
 AO SUS:
“ Art. 200: ao Sistema Único de Saúde
compete, além de outras atribuições, nos
termos da lei: (...)
II- EXECUTAR AS AÇÕES DE VIGILÂNCIA
SANITÁRIA E EPIDEMIOLÓGICA, BEM
COMO AS DE SAÚDE DO TRABALHADOR”
PERFIL DA EQUIPE DE ENFERMAGEM DO TRABALHO
Auxiliar: executar as atividades de enfermagem
do trabalho, sob a supervisão do enfermeiro, no
desenvolvimento dos programas nos três níveis
de prevenção, integrando a equipe de saúde do
trabalhador
.
 Técnico: co-participar com o enfermeiro
no planejamento, programação,
orientação e execução das atividades de
enfermagem do trabalho, nos três níveis
de prevenção, integrando a equipe de
saúde do trabalhador
 Enfermeiro: executa atividades
relacionadas com o serviço de higiene ,
medicina e segurança do trabalho,
integrando equipes de estudos, para
propiciar a preservação da saúde e
valorização do trabalhador.
ATRIBUIÇÕES DA EQUIPE DE ENFERMAGEM DO TRABALHO
Auxiliar:
1-Auxiliar o Enfermeiro na execução de programas de avaliação da
saúde dos trabalhadores, a nível de sua qualificação;
a) observando, reconhecendo e descrevendo sinais e
sintomas;
b) executando ações de simples complexidade
2- Executar atividades de enfermagem no trabalho , a nivel de sua
qualificação nos programas:
a) de prevenção e controle das doenças profissionais e
acidentes do trabalho;
b) de controle de doenças transmissíveis e não transmissíveis
e vigilância epidemiológica dos trabalhadores;
c) de educação para a saúde da clientela.
3- Integrar a equipe de saúde dos trabalhadores.
Técnico:
1-Participar com o enfermeiro:
a) no planejamento , programação e orientação das atividades
de enfermagem do trabalho;
b) no desenvolvimento e execução de programas de avaliação
da saúde dos trabalhadores;
c) na elaboração e execução de programas de controle de
doenças transmissíveis e não transmissíveis e vigilância
epidemiológica dos trabalhadores;;
d) na execução dos programas de higiene e segurança do
trabalho
2- Executar todas as atividades de enfermagem do trabalho exceto
as privativas do enfermeiro.
3- Integrar a equipe de saúde do trabalhador
Enfermeiro:
1-Estuda as condições de segurança e
periculosidade da empresa, efetuando
observações nos locais de trabalho e
discutindo-as em equipe, para
identinficar as necessidades no
campo de segurança, higiene e
melhoria do trabalho;
2-Elabora e executa planos e programas de
promoção e proteção à saúde dos empregados,
participando de grupos que realizam inquéritos
sanitários, estudam as causas de absenteísmo,
fazem levantamentos de doenças profissionais e
lesões traumáticas, procedem a estudos
epidemiológicos, coletam dados estatísticos de
morbidade e mortalidade de trabalhadores,
investigando possíveis relações com as
atividades funcionais , para obter a continuidade
operacional e o aumento da produtividade;
3-Executa e avalia programas de prevenção de
acidentes e de doenças profissionais e não
profissionais, fazendo análise de fadiga, dos
fatores de insalubridade, dos riscos e das
condições de trabalho do menor e da mulher,
para propiciar a preservação da integridade
física e mental do trabalhador;
4-Presta primeiros socorros no local de
trabalho, em caso de acidente ou doença,
fazendo curativos e imobilizações especiais,
administrando medicamentos e tratamentos e
providenciando o posterior atendimento médico
adequado, para atenuar conseqüências e
proporcionar apoio e conforto ao paciente;
5-Elabora, executa e avalia as atividades de
assistência de enfermagem aos trabalhadores,
proporcionando-lhes atendimento ambulatorial ,
no local de trabalho, controlando sinais vitais,
aplicando medicamentos prescritos, curativos,
inalações, testes, coletando material para exames
laboratoriais, vacinações e outros tratamentos,
para reduzir o absenteísmo profissional;
6-Organiza e administra o setor de enfermagem
da empresa, prevendo pessoal e material
necessários, treinando e supervisionando
auxiliares de enfermagem adequado às
necessidades de saúde do trabalhador;
7-Treina trabalhadores, instruindo-os sobre o
uso de roupas e material adequado ao tipo de
trabalho, para reduzir a incidência de acidentes;
8-Planeja e executa programas de educação
sanitária, divulgando conhecimentos e
estimulando a aquisição de hábitos sadios, para
prevenir doenças profissionais e melhorar as
condições de saúde do trabalhador;
9-Registra dados estatísticos de acidentes e
doenças profissionais, mantendo cadastros
atualizados , a fim de preparar informes para
subsídios processuais nos pedidos de
indenização e orientar em problemas de
prevenção de doenças profissionais.
Referências:
 Portal Do Ministério da Saúde
www.saude.gov.br
 DATASUS www.datasus.gov.br
 Biblioteca do Ministério da Saúde
www.saude.gov.br/bvs
 IDS – Projeto Saúde e Cidadania
http://ids-saude.uol.com.br/SaudeCidadania/
ed_02/06_01.html
Referências:
 FIOCRUZ - Escola de Governo em Saúde
(http://www.fiocruz.br)
 Dever G E A. Uma estrutura para os conceitos de
saúde. In: A epidemiologia na administração dos
serviços de saúde. São Paulo: Pioneira, 1988. p. 1-
24.
 Rosen, George. Uma história da Saúde Pública.
São Paulo: Hucitec - Abrasco, 1994.
 ANENT- Associação Nacional da Enfermagem do
Trabalho.

AULA DE SAUDE PÚBLICA E SAÚDE DO TRABALHADOR

  • 1.
    SAÚDE PÚBLICA ESAUDE DO TRABALHADOR Ementa: A Globalização e sua relação com os fenômenos coletivos da saúde, com ênfase na saúde ocupacional. Políticas Nacionais de Saúde. A situação de saúde no Brasil. Medicina Previdenciária. O SUS e a construção de novo modelo assistencial. Programas e serviços específicos de saúde aos trabalhadores nas empresas.
  • 2.
    OBJETIVO  - Conheceros novos paradigmas da saúde no Brasil.  – Discutir os programas e serviços de saúde dos trabalhadores
  • 3.
    OS DESAFIOS PARAOS MODELOS DE ATENÇÃO A SAÚDE NO SÉCULO XXI CARGA GLOBAL DE DOENÇA- DEZ PRIMEIRAS CAUSAS EM 1990 E PROJEÇÃO PARA 2020  1990 1-Infecções respiratórias baixas 2-Doenças Diarréicas 3-Condições do período perinatal 4-Depressão unipolar 5-Doenças isquêmica do coração 6-Doença cérebro-vascular 7-Tuberculose 8-Sarampo 9-Acidentes de trânsito 10-Anomalias congênitas  2020 1- Doenças isquêmica do coração 2- Depressão unipolar 3- Acidentes de trânsito 4-Doença cerebro-vascular 5-Doença pulmonar obstrutiva crônica 6-Infecções respiratórias baixas 7-Tuberculose 8-Lesões e traumas derivados de guerra 9-Doenças diarréicas 10- AIDS FONTE: MURRAY & LOPEZ (1999)
  • 4.
    CENÁRIOS E IMPLICAÇÕESPARA AS PRÁTICAS E SISTEMAS DE SAÚDE NO SÉCULO XXI NATUREZA DO CENÁRIO IMPLICAÇÕES NA PRÁTICA PROFISSIONAL IMPLICAÇÕES NA ESTRUTURA DO SISTEMA DE SAÚDE Demográfico Mais velhos Menos jovens Nova estrutura familiar Mais pessoas aposentadas Mudança de enfoque dos cuidados: de doenças agudas em jovens para doenças crônicas em idosos Deslocamento do objeto: de indivíduos para família; de cura para prevenção e promoção. Abordagens voltadas para hábitos e estilos de vida Educação para saúde com especial ênfase nas mulheres: autocuidado e apoio ao grupo familiar. Ampliação dos locais, horários e estratégias de atendimento Intensificação da captação das necessidades sociais e sua tradução em ações de saúde Incorporação de novos praticantes ( terapeutas familiar) Estabelecimento de grupos alvo Desenvolvimento de estratégias e capacitação para atenção ao idoso Incentivo ao papel da mulher como provedora de cuidados para a família
  • 5.
    Natureza do cenárioImplicações na prática profissional Implicações na estrutura do sistema de saúde Epidemiológico Doenças crônico- degenerativas em alta Reemergências de doenças endêmicas AIDS em alta Estilo de vida como determinante de saúde Problemas ambientais Ênfase na prevenção da doença e promoção da saúde Objeto: família mais que indivíduo Capacitação de prove- dores de cuidados na própria família Ênfase especial na maternidade e perimaternidade Ênfase especial na preservação da estrutura familiar Ação intersetorial ( educação, assistência social, judiciários, etc) Desenvolvimento de redes formais e informais de apoio familiar Ações de promoção, prevenção e reabilitação em face de problemas emergentes: violência doméstica, órfãos da AIDS, doença mental, gravidez na adolescência e de alto risco, riscos ambientais, etc.
  • 6.
    INSTITUCIONAL Menos recursos Aumento dadisputa por recursos Escalada de tecnologias e custos Cultura hospitalista e tecnológica Quadro profissional limitado ( qualiquantitativamente) Ênfase nos cuidados primários e promoção da saúde em novos cenários: domicílios, locais de trabalho, creches, lares de idosos, etc Envolvimento das famílias na prevenção e tratamento precoce das doenças FONTE: COX ( 1999) Criação de novos cenários para provisão dos cuidados ( domicílio, locais de trabalho, etc) Desenvolvimento de facilidades para a desospitalização Maior articulação entre gestores, serviços e academias Reconhecimento de práticas alternativas Inclusão de terapeutas de família nas equipes de saúde Reconhecimento da família como parceira do sistema oficial nos cuidados à saúde Provisão de educação continuada em saúde da família e temas emergentes
  • 7.
    Saúde da Família AssistênciaMédica e Odontológica Serviços e Ações Programa- das de Vigilância À Saúde UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE Imunização Puericultura Pré-natal, ACS, Vig. Nutricional, Epidemiológica e Sanitária Consultas médicas e odontológicas Farmácia, Serviço de auxílio ao diagnóstico e Terapia Centro Regional de Saúde Consórcios Intermunicipais HOSPITAL GERAL OU HOSP. ESPECIALIZADO PORTA DE ENTRADA DO
  • 8.
    o SUS ea Enfermagem participando da construção de um modelo de saúde
  • 9.
    Taxa de mortalidadede cidades inglesas- início da revolução industrial com crescente urbanização - 1831 e 1844 1831 1844 Birmingham 14,6 27,2 Bristol 16,9 31,0 Liverpool 21,0 34,8 Manchester 30,2 33,8
  • 10.
    Total de óbitosCampo Grande e % de algumas causas na composição do total - 1979 e 1998 Fonte: DATASUS causa 1979 1998 doenças infecciosas intestinais 9,5 % 1,8 % deficiências nutricionais 1,0 % 0,7 % afecções originadas no período neonatal 9,6 % 4,5 %
  • 11.
    Total de óbitosCampo Grande e % de algumas causas na composição do total - 1979 e 1998 Fonte: DATASUS causa 1979 1998 neoplasmas malignos 8,5 % 13,5 % infarto agudo do miocárdio 2,5 % 5,07 % doença cerebrovascular 5,4 % 10,3 % acidentes de transporte 5,1 % 7,6 % homicídios e lesões intencionais por outras pessoas 0,2 % 6,6 %
  • 12.
    Patologias da pobreza- países em desenvolvimento  Baseadas na subnutrição ou desnutrição, doenças transmissíveis de qualquer natureza.  Riscos - reprodutivo, materno-fetal, pediátrico
  • 13.
    Patologias da abundância- países desenvolvidos  falta de exercício, obesidade, fumo, álcool, drogas, traumas, doenças cardiovasculares, estresse...  mudanças de comportamento no estilo de vida das pessoas  mudanças no ambiente
  • 14.
    o conceito decampo de saúde... ambiente estilo de vida biologia humana sistema de organização dos cuidados saúde
  • 15.
    Cuidar da saúde dasaúde:  Acesso à exames diagnósticos ?  Acesso à cirurgias, UTIs, internamentos hospitalares?  Mais leitos hospitalares ?
  • 16.
    Resolver problemas desaúde envolve:  Políticas de governo  População  Educação  Meio ambiente  Economia e finanças
  • 17.
    Ações em saúde: Despertar a pessoa para o cuidado com a sua saúde  Adequar o sistema às necessidades dos pacientes  Estabelecer relações de confiança entre os prestadores de serviço e os pacientes  Representatividade e Participação nas decisões
  • 18.
    Ações em saúde: Interação do indivíduo com o ecossistema  Mudança do estilo de vida das pessoas  Programas de nutrição, educação, doenças transmissíveis, saneamento básico
  • 19.
    O que nãofazer : Oferecer “cobertura total”. Provisão de assistência médica e medicamentos sob livre demanda. Gerenciar mal o sistema.
  • 20.
    porque estas açõesgeram:  a ilusão de atender todas as demandas de saúde,  a expectativa de acabar com as filas,  hipocondríacos,  sociedade medicalizada (exames médicos periódicos, múltiplas especialidades, excesso de exames.)
  • 21.
    Marcos conceituais do trabalhoem saúde  Saúde como problema complexo.  Conceito afirmativo e amplo (não só combater a doença, mas promover a vida com qualidade).  Produção social (não simplesmente evento biológico).  Trabalho em saúde envolvendo:  Conhecimento interdisciplinar,  Práticas intersetoriais.
  • 22.
    Impõe-se um novomodelo de assistência à saúde que:  Fomente a autonomia e a responsabilização dos profissionais, e amplie seu compromisso com a missão institucional e com os resultados em saúde.
  • 23.
    Impõe-se um novomodelo que:  Propicie maior participação dos profissionais nos processos decisórios, que não deve se restringir ao âmbito dos administradores.
  • 24.
    Nascimento e crescimentodo SUS:  8a. Conferência Nacional de Saúde  Constituição Federal 1988.  NOB-SUS 91  NOB-SUS 93  NOB-SUS 96  NOAS 2001  NOAS 2002
  • 25.
    Diretrizes do SUS Descentralização, com administração única em cada esfera de governo, com ênfase na municipalização das ações e serviços de saúde;  Atendimento Integral, com definição das prioridades dentro de cada nível de atenção (básica, média e alta complexidade);  Participação da Comunidade, por meio dos representantes que integram os Conselhos de Saúde.
  • 26.
    Pressupostos do SUS Essencialidade, a saúde como direito fundamental do cidadão e como função do Estado;  Universalização, a saúde como direito de todos;  Integração, participação conjunta e articulada das três esferas de governo no planejamento, financiamento e execução;
  • 27.
    Pressupostos do SUS Regionalização, o atendimento realizado mais próximo do cidadão, preferencialmente pelo município;  Diferenciação, a autonomia da União, dos Estados e dos Municípios na gestão, de acordo com as suas características;  Autonomia, a gestão independente dos recursos nas três esferas de governo;
  • 28.
    Pressupostos do SUS Planejamento, a previsão de que os recursos da saúde devem fazer parte do orçamento da Seguridade Social nas três esferas de governo;  Financiamento, garantido com recursos das três esferas de governo;  Controle das ações e serviços de saúde.
  • 29.
    Agenda de Saúde Estabelece os eixos referenciais prioritários no processo de planejamento em saúde, do nível nacional para o estadual e municipal, estabelecendo entre os gestores, um entendimento em torno dos objetivos fundamentais para a melhoria da situação de saúde e da qualidade da atenção oferecida à população.
  • 30.
    Agenda Nacional deSaúde 1. Redução da mortalidade infantil e materna; 2. Controle de doenças e agravos prioritários; 3. Melhoria da gestão, do acesso e da qualidade das ações, serviços e informações de saúde; 4. Reorientação do modelo assistencial e descentralização; 5. Desenvolvimento de recursos humanos no setor saúde; e 6. Qualificação do controle social.
  • 31.
    Instrumentos de Gestãodo SUS  Plano de Saúde:  explicita o diagnóstico da situação social e sanitária, os objetivos e prioridades da ação de governo em saúde.  elaborado nos três níveis de governo (federal, estadual, municipal) e aprovado pelo Conselho de Saúde correspondente.  Quadro de Metas:  quantifica objetivos do Plano de Saúde  Relatório de Gestão:  Avalia se metas estabelecidas foram atingidas.
  • 32.
    Financiamento do SUS: Transferências “fundo-a-fundo”.  Limites Constitucionais mínimos para investimento em saúde:  UNIÃO: valor equivalente a 1999, acrescido de 5%. Nos anos seguintes, o valor anual passa a ser calculado com base no “valor apurado no ano anterior”, corrigido pela variação nominal do Produto Interno Bruto – PIB do ano em que se elabora a proposta.  ESTADOS: 12%  MUNICÍPIOS: 15%
  • 33.
    Conselhos de Saúde: Eleitos nas Conferências de Saúde  Instâncias colegiadas, com poder deliberativo.  Composição:  Prestadores públicos  Prestadores privados  Profissionais de saúde  USUÁRIOS
  • 34.
    ATENÇÃO INTEGRAL Beneficia todosos cidadãos, envolvendo ações em todos os níveis de atenção: básica, média e alta complexidade.
  • 35.
    ENFERMAGEM: O referencial daIntegralidade traduzido no cuidado ao ser humano em suas dimensões BIO-PSICO- SOCIAL. O trabalho em equipe. Da gerência à gestão da assistência à saúde.
  • 36.
    Competências de gestão: Competências assistenciais focadas no perfil de morbi-mortalidade.  Epidemiologia como instrumento de planejamento  Planejamento Estratégico Situacional (PES)  Novos conceitos de administração.  Avaliar impacto de ações (não apenas relatórios de produção)  Controle social: o relacionamento com o usuário – não mais com “pacientes”
  • 37.
    O que éSaúde do trabalhador?  Um conjunto de atividades que se destina através das ações de vigilância epidemiológica e sanitária, a promoção e proteção da saúde, visando a recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos, advindos das condições de trabalho.
  • 38.
    CONSTITUIÇÃO FEDERAL- 1988  AOSUS: “ Art. 200: ao Sistema Único de Saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: (...) II- EXECUTAR AS AÇÕES DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA E EPIDEMIOLÓGICA, BEM COMO AS DE SAÚDE DO TRABALHADOR”
  • 39.
    PERFIL DA EQUIPEDE ENFERMAGEM DO TRABALHO Auxiliar: executar as atividades de enfermagem do trabalho, sob a supervisão do enfermeiro, no desenvolvimento dos programas nos três níveis de prevenção, integrando a equipe de saúde do trabalhador .
  • 40.
     Técnico: co-participarcom o enfermeiro no planejamento, programação, orientação e execução das atividades de enfermagem do trabalho, nos três níveis de prevenção, integrando a equipe de saúde do trabalhador
  • 41.
     Enfermeiro: executaatividades relacionadas com o serviço de higiene , medicina e segurança do trabalho, integrando equipes de estudos, para propiciar a preservação da saúde e valorização do trabalhador.
  • 42.
    ATRIBUIÇÕES DA EQUIPEDE ENFERMAGEM DO TRABALHO Auxiliar: 1-Auxiliar o Enfermeiro na execução de programas de avaliação da saúde dos trabalhadores, a nível de sua qualificação; a) observando, reconhecendo e descrevendo sinais e sintomas; b) executando ações de simples complexidade 2- Executar atividades de enfermagem no trabalho , a nivel de sua qualificação nos programas: a) de prevenção e controle das doenças profissionais e acidentes do trabalho; b) de controle de doenças transmissíveis e não transmissíveis e vigilância epidemiológica dos trabalhadores; c) de educação para a saúde da clientela. 3- Integrar a equipe de saúde dos trabalhadores.
  • 43.
    Técnico: 1-Participar com oenfermeiro: a) no planejamento , programação e orientação das atividades de enfermagem do trabalho; b) no desenvolvimento e execução de programas de avaliação da saúde dos trabalhadores; c) na elaboração e execução de programas de controle de doenças transmissíveis e não transmissíveis e vigilância epidemiológica dos trabalhadores;; d) na execução dos programas de higiene e segurança do trabalho 2- Executar todas as atividades de enfermagem do trabalho exceto as privativas do enfermeiro. 3- Integrar a equipe de saúde do trabalhador
  • 44.
    Enfermeiro: 1-Estuda as condiçõesde segurança e periculosidade da empresa, efetuando observações nos locais de trabalho e discutindo-as em equipe, para identinficar as necessidades no campo de segurança, higiene e melhoria do trabalho;
  • 45.
    2-Elabora e executaplanos e programas de promoção e proteção à saúde dos empregados, participando de grupos que realizam inquéritos sanitários, estudam as causas de absenteísmo, fazem levantamentos de doenças profissionais e lesões traumáticas, procedem a estudos epidemiológicos, coletam dados estatísticos de morbidade e mortalidade de trabalhadores, investigando possíveis relações com as atividades funcionais , para obter a continuidade operacional e o aumento da produtividade;
  • 46.
    3-Executa e avaliaprogramas de prevenção de acidentes e de doenças profissionais e não profissionais, fazendo análise de fadiga, dos fatores de insalubridade, dos riscos e das condições de trabalho do menor e da mulher, para propiciar a preservação da integridade física e mental do trabalhador;
  • 47.
    4-Presta primeiros socorrosno local de trabalho, em caso de acidente ou doença, fazendo curativos e imobilizações especiais, administrando medicamentos e tratamentos e providenciando o posterior atendimento médico adequado, para atenuar conseqüências e proporcionar apoio e conforto ao paciente;
  • 48.
    5-Elabora, executa eavalia as atividades de assistência de enfermagem aos trabalhadores, proporcionando-lhes atendimento ambulatorial , no local de trabalho, controlando sinais vitais, aplicando medicamentos prescritos, curativos, inalações, testes, coletando material para exames laboratoriais, vacinações e outros tratamentos, para reduzir o absenteísmo profissional;
  • 49.
    6-Organiza e administrao setor de enfermagem da empresa, prevendo pessoal e material necessários, treinando e supervisionando auxiliares de enfermagem adequado às necessidades de saúde do trabalhador;
  • 50.
    7-Treina trabalhadores, instruindo-ossobre o uso de roupas e material adequado ao tipo de trabalho, para reduzir a incidência de acidentes; 8-Planeja e executa programas de educação sanitária, divulgando conhecimentos e estimulando a aquisição de hábitos sadios, para prevenir doenças profissionais e melhorar as condições de saúde do trabalhador;
  • 51.
    9-Registra dados estatísticosde acidentes e doenças profissionais, mantendo cadastros atualizados , a fim de preparar informes para subsídios processuais nos pedidos de indenização e orientar em problemas de prevenção de doenças profissionais.
  • 52.
    Referências:  Portal DoMinistério da Saúde www.saude.gov.br  DATASUS www.datasus.gov.br  Biblioteca do Ministério da Saúde www.saude.gov.br/bvs  IDS – Projeto Saúde e Cidadania http://ids-saude.uol.com.br/SaudeCidadania/ ed_02/06_01.html
  • 53.
    Referências:  FIOCRUZ -Escola de Governo em Saúde (http://www.fiocruz.br)  Dever G E A. Uma estrutura para os conceitos de saúde. In: A epidemiologia na administração dos serviços de saúde. São Paulo: Pioneira, 1988. p. 1- 24.  Rosen, George. Uma história da Saúde Pública. São Paulo: Hucitec - Abrasco, 1994.  ANENT- Associação Nacional da Enfermagem do Trabalho.