Atualidades 
Segurança 
Transportes 
Política 
Economia 
Sociedade 
Tecnologia 
Educação 
Energia 
Ecologia 
Relações Internacionais 
Desenvolvimento Sustentável 
Responsabilidade Socio-Ambiental 
Coletânea de exercícios gerais
SEGURANÇA PÚBLICA 
CONCEITOS BÁSICOS EM SEGURANÇA PÚBLICA 
A DEFESA SOCIAL inclui, entre outras atividades, a prestação de serviços de segurança 
pública e de defesa civil. 
A SEGURANÇA PÚBLICA é uma atividade pertinente aos órgãos estatais e à comunidade 
como um todo, realizada com o fito de proteger a cidadania, prevenindo e controlando 
manifestações da criminalidade e da violência, efetivas ou potenciais, garantindo o exercício 
pleno da cidadania nos limites da lei. 
A DEFESA CIVIL é um conjunto de medidas que visam prevenir e limitar, em qualquer 
situação, os riscos e perdas a que estão sujeitos a população, os recursos da nação e os 
bens materiais de toda espécie, tanto por agressão externa quanto em conseqüência de 
calamidades e desastres da natureza. 
As POLÍCIAS MILITARES são os órgãos do sistema de segurança pública aos quais 
competem as atividades de polícia ostensiva e preservação da ordem pública. 
As POLÍCIAS CIVIS são os órgão do sistema de segurança pública aos quais competem, 
ressalvada competência específica da União, as atividades de polícia judiciária e de apuração 
das infrações penais, exceto as de natureza militar. 
Os CORPOS DE BOMBEIROS MILITARES são os órgão do sistema de segurança pública 
aos quais compete a execução das atividades de defesa civil, além de outras atribuições 
específicas estabelecidas em lei. 
A POLÍCIA, O MINISTÉRIO PÚBLICO E A AUTORIDADE PENITENCIÁRIA devem agir 
interativamente em prol da segurança pública. 
A prestação de serviços públicos de segurança, em sua expressão POLICIAL GERAL, inclui 
o policiamento ostensivo, a apuração de infrações penais e a guarda e recolhimento de 
presos. 
A premissa maior da atividade de segurança pública é a sua perspectiva sistêmica, expressa 
na interação permanente dos diversos órgãos públicos interessados e entre eles e a 
sociedade civil organizada. 
A prestação de serviços públicos de segurança engloba atividades REPRESSIVAS E 
PREVENTIVAS, tanto de natureza policial quanto não-policial, a exemplo, como no caso do 
provimento de iluminação pública. 
Os serviços de segurança pública de natureza policial e não-policial devem buscar 
estabelecer, aperfeiçoar e manter, conjunta e permanentemente, um SENTIMENTO 
COLETIVO DE SEGURANÇA. 
A SEGURANÇA PRIVADA se divide em três grandes áreas: 
SEGURANÇA DO TRABALHO, SEGURANÇA EMPRESARIAL (interna das empresas) e 
VIGILÂNCIA. esta se subdivide em vigilância orgânica e vigilância patrimonial, contratada a 
prestadores de serviço. Existem ainda os serviços de vigilância eletrônica, de transporte de 
valores, de guarda-costas e de investigação particular. 
A Constituição Federal vigente, em seu art. 144, estabelece que "A SEGURANÇA PÚBLICA, 
DEVER DO ESTADO, DIREITO E RESPONSABILIDADE DE TODOS, é exercida para a 
preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos 
seguintes órgãos: 
I - Polícia Federal 
II - Polícia Rodoviária Federal; 
III - Polícia Ferroviária Federal; 
IV - Polícias Civis; 
V - Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares
Na falta de uma definição expressa e inequívoca da expressão SEGURANÇA PÚBLICA, é 
possível aduzir, do texto constitucional, que ela seja uma condição, ou estado, que incumbe 
ao Estado o dever de assegurar à Nação, através do provimento de serviços prestados pelos 
órgãos referidos ao final do caput do art. 144. Advém também daquele artigo do texto 
constitucional que o "provimento da segurança pública", por definição semântica da 
expressão "segurança", bem como pela referência aos órgãos de execução citados, implique 
em assegurar um estado de coisas em que a Nação esteja protegida da vitimização pelo 
crime e pela violência, sinistros,, acidentes e desastres. 
As políticas, métodos e processos que traduzem as metodologias de provimento da 
segurança pública, instrumentais para a materialização do preceito constitucional, são 
pertinente, basicamente, ao domínio da gestão dos Poderes Executivo Federal, Estadual e 
Municipal. 
Da Constituição Federal 
Título V 
Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas 
Capítulo III 
Da Segurança Pública 
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é 
exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do 
patrimônio, através dos seguintes órgãos: 
I - polícia federal; 
II - polícia rodoviária federal; 
III - polícia ferroviária federal; 
IV - polícias civis; 
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. 
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido 
pela União e estruturado em carreira, destina-se a: 
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, 
serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim 
como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija 
repressão uniforme, segundo se dispuser em lei; 
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e 
o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas 
áreas de competência; 
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; 
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União. 
§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e 
estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias 
federais. 
§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e 
estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias 
federais.
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, 
ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de 
infrações penais, exceto as militares. 
§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; 
aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a 
execução de atividades de defesa civil. 
§ 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do 
Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Territórios. 
§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela 
segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades. 
§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus 
bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei. 
§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados neste 
artigo será fixada na forma do § 4º do art. 39. 
Considerações 
O tema segurança pública no Brasil reacende a discussão nacional sobre o lugar da 
cidadania e da relação do Estado na proteção de cidadãos e cidadãs. Nacionalmente este 
debate emerge - de forma apaixonada e muitas vezes atabalhoada - a partir dos conflitos em 
áreas urbanas de grandes metrópoles, ganhando espaço na mídia e se projetando para o 
Brasil. 
O aumento estrondoso da criminalidade violenta, nos últimos anos, trouxe para a agenda 
social a questão da segurança pública. Outrora, assunto restrito a poucos atores, agora a 
temática da segurança pública alcança o centro das discussões, numa sociedade aflita em 
meio a um estrondoso incremento da violência e criminalidade. O resultado do referendo 
sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição amplificou um evidente clamor 
popular que exige medidas consistentes, duradouras e claras no combate e na prevenção ao 
crime. A mídia, percebendo a importância do momento histórico (e principalmente o poder de 
vocalização dessa demanda pela classe média – sua maior consumidora) tem aprofundado 
as discussões sobre a questão, pautando de forma cada vez mais constante a cobertura 
acerca da segurança pública. 
A violência (e seus efeitos perversos) fragiliza as instituições sociais. Isso sem falarmos na 
corrupção – que atinge todos os níveis da administração pública produzindo uma 
generalizada falta de credibilidade e de confiança nas autoridades. Esses dois ingredientes 
explosivos têm motivado muitos indivíduos a defenderem a tese da auto-resolução dos 
conflitos, através de meios ilegais, e, o mais grave, a quererem fazer justiça com as próprias 
mãos. 
Ao tratarmos da segurança pública estamos nos referindo às formas de prevenção e 
combate à violência: tema que sempre provocou muita polêmica. Alguns acreditam que a 
violência tem de ser atacada "em suas raízes": a miséria, a exclusão social, a má distribuição 
de renda, o desemprego. Por outro lado, cresce o coro dos que pleiteiam a adoção de 
políticas de segurança pública eficientes, que levem em conta os problemas específicos de 
cada realidade e, não menos importante, a necessidade de reformas profundas no sistema 
de justiça criminal. 
Porém, todos os que lidam com o fenômeno da violência devem compreender sua 
complexidade e a dificuldade no domínio de todas as suas variáveis. Um outro problema é a
confiabilidade dos dados produzidos sobre crimes. É difícil construir indicadores estatísticos 
representativos e confiáveis. Daí se pode entender porque pesquisadores e operadores da 
segurança pública têm chamado atenção para a necessidade de produzir estatísticas 
confiáveis e garantir a transparência na divulgação dos dados sobre a violência. 
Ademais, a representação da violência pela mídia altera a percepção que temos do 
fenômeno, pois a cobertura nem sempre é representativa do universo de crimes e sim dos 
eventos extraordinários e muitas vezes pontuais. 
CERCA de 45 mil pessoas são vítimas de crimes letais, no Brasil, anualmente. As vítimas 
são, em sua maioria, jovens pobres e negros, moradores das periferias e favelas das 
grandes cidades. As polícias são parte do problema: elas têm sido, em geral, ineficientes, 
unilateralmente reativas, corruptas e violentas, sobretudo porque suas estruturas 
organizacionais são inadequadas ao cumprimento de suas obrigações constitucionais. Por 
outro lado, as políticas preventivas ainda são tópicas e fragmentadas. Se não houver uma 
profunda reforma institucional e legal, e se não forem atacadas as causas imediatas da 
violência, prevê-se um futuro sombrio. 
As principais matrizes da criminalidade 
Várias são as matrizes da criminalidade e suas manifestações variam conforme as regiões 
do país e dos estados, como já foi dito. Reitere-se: o Brasil é tão diverso que nenhuma 
generalização se sustenta. Sua multiplicidade também o torna refratário a soluções 
uniformes. A sociedade brasileira, por sua complexidade, não admite simplificações nem 
camisas-de-força. Exemplos da diversidade: em algumas regiões, a maioria dos homicídios 
dolosos encerra conflitos inter-pessoais, cujo desfecho seria menos grave não houvesse 
tamanha disponibilidade de armas de fogo. No Espírito Santo e no Nordeste, o assassinato a 
soldo ainda é comum, alimentando a indústria da morte, cujo negócio envolve pistoleiros 
profissionais, que agem individualmente ou se reúnem em "grupos de extermínio", dos quais, 
com freqüência, participam policiais. Na medida em que prospera o "crime organizado", os 
mercadores da morte tendem a ser cooptados pelas redes clandestinas que penetram as 
instituições públicas, vinculando-se a interesses políticos e econômicos específicos, aos 
quais nunca é alheia a lavagem de dinheiro, principal mediação das dinâmicas que viabilizam 
e reproduzem a corrupção e as mais diversas práticas ilícitas verdadeiramente lucrativas. 
Há investimentos criminosos significativos em roubos e furtos de carros e cargas, ambas as 
modalidades exigindo articulações estreitas com estruturas de receptação, seja para 
revenda, desmonte ou recuperação financiada. Há uma praga que corrói a confiança e 
propaga o medo nas cidades: os assaltos, nos bairros e, sobretudo, no centro das cidades, 
dos quais ninguém está livre, mas que afetam com maior freqüência e covardia os idosos. 
Roubos a bancos, residências e ônibus, assim como os seqüestros, particularmente os 
"seqüestros relâmpagos", também têm se tornado comuns e perigosos, em todo o país, 
porque, em função, também nesse caso, da disponibilidade de armas, essas práticas, que, 
por definição, visariam exclusivamente ao patrimônio, têm se convertido, com assustadora 
freqüência, em crimes contra a vida – a expansão dos "roubos seguidos de morte" ou 
latrocínios constitui o triste retrato dessa tendência. 
Em todo o país, mesmo havendo uma combinação de matrizes criminais, articulando e 
alimentando dinâmicas diversas, tem se destacado o tráfico de armas e drogas, que cada vez 
mais se sobrepõe às outras modalidades criminosas, subordina-as ou a elas se associa, 
fortalecendo-as e delas se beneficiando. 
Ainda há tempo para evitar que se repitam em outros estados as tragédias que se 
banalizaram no Rio de Janeiro, mas para isso é imperioso reconhecer que já há fortes 
indícios de que a matriz mais perigosa e insidiosa, que cresce mais velozmente, 
instalando-se nas vilas, favelas e periferias, e adotando o domínio territorial e a ameaça a 
comunidades como padrão, a matriz mais apta a recrutar jovens vulneráveis e a se 
reproduzir, estimulada pela crise social e pela fragilidade da auto-estima, é o tráfico. 
Essa matriz da criminalidade tem assumido uma característica peculiar, ao infiltrar-se e
disseminar-se como estilo cultural e meio econômico de vida, com seu mercado próprio e 
lamentavelmente promissor. 
Exige, portanto, trabalho policial investigativo no combate às redes atacadistas, ações 
policiais ostensivas na contenção do varejo, mas, sobretudo, requer intervenção social 
preventiva bem coordenada, territorialmente circunscrita e sintonizada com a 
multidimensionalidade dos problemas envolvidos. 
Efetivamente, o tráfico de armas e drogas é a dinâmica criminal que mais cresce nas regiões 
metropolitanas brasileiras, mais organicamente se articula à rede do crime organizado, mais 
influi sobre o conjunto da criminalidade e mais se expande pelo país. As drogas financiam as 
armas e estas intensificam a violência associada às práticas criminosas, e expandem seu 
número e suas modalidades. Esse casamento perverso foi celebrado em meados dos anos 
1980, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo, ainda que antes já houvesse vínculos 
entre ambas. 
A violência doméstica, especificamente a violência de gênero, que vitimiza as mulheres, 
assim como as mais diversas formas de agressão contra crianças, revelam-se, em todo o 
país, tão mais intensas e constantes quão mais se desenvolve o conhecimento a seu 
respeito. O dado mais surpreendente diz respeito à autoria: em mais de 60% dos casos 
observados, nas pesquisas e nos diversos levantamentos realizados no país, quem perpetra 
a violência é conhecido da vítima –parente, marido, ex-marido, amante, pai, padrasto etc. 
Isso significa que essa matriz da violência, apesar de merecer máxima atenção e de 
constituir uma problemática da maior gravidade para os que a sofrem ou testemunham, seja 
por suas conseqüências presentes, seja por seus efeitos futuros (as pesquisas mostram que 
quem se submeteu à violência, na infância, ou a testemunhou, tem mais propensão a 
envolver-se com práticas violentas, mais tarde), não é acionada por criminosos profissionais 
ou por perpetradores que constroem uma carreira criminal. 
Essa característica implica a circunscrição da problemática, da qual se deriva a necessidade 
da implantação de políticas específicas, que não deveriam confundir-se com a mera 
repressão ou com a simples ação policial – ainda que ela seja, evidentemente, também 
necessária. O mesmo pode ser dito sobre a violência homofóbica e racista. Ambas requerem 
políticas específicas, que não se esgotem na repressão e que, inclusive, envolvam a 
requalificação prática e cultural dos próprios profissionais da segurança. 
Sobre as causas 
As explicações para a violência e o crime não são fáceis. Sobretudo, é necessário evitar a 
armadilha da generalização. Não existe o crime, no singular. Há uma diversidade imensa de 
práticas criminosas, associadas a dinâmicas sociais muito diferentes. Por isso, não faz 
sentido imaginar que seria possível identificar apenas uma causa para o universo 
heterogêneo da criminalidade. 
Os roubos praticados nas esquinas por meninos pobres, que vivem nas ruas cheirando cola, 
abandonados à própria sorte, sem acesso à educação e ao amor de uma família que os 
respeite, evidentemente expressam esse contexto cruel. É claro que esses crimes são 
indissociáveis desse quadro social. 
O mesmo vale para o varejo das drogas, nas periferias: juventude ociosa e sem esperança é 
presa fácil para os agenciadores do comércio clandestino de drogas. Não é difícil recrutar um 
verdadeiro exército de jovens quando se oferecem vantagens econômicas muito superiores 
às alternativas proporcionadas pelo mercado de trabalho e benefícios simbólicos que 
valorizam a auto-estima, atribuindo poder aos excluídos. 
Por outro lado, os operadores do tráfico de armas, que atuam no atacado, lavando dinheiro 
no mercado financeiro internacional, não são filhos da pobreza ou da desigualdade. Suas 
práticas são estimuladas pela impunidade. 
Em outras palavras, pobreza e desigualdade são e não são condicionantes da criminalidade, 
dependendo do tipo de crime, do contexto intersubjetivo e do horizonte cultural a que nos
referirmos. Esse quadro complexo exige políticas sensíveis às várias dimensões que o 
compõem. É tempo de aposentar as visões unilaterais e o voluntarismo. 
O Estado e a Segurança Pública 
Um olhar mais atento é capaz de mostrar que a segurança pública (sempre lembrada pela 
sua ausência) é uma questão de Estado Nacional, que se manifesta de modo diferente em 
cada cidade e Região. Atinge, por sua vez, cada camada social, cada homem e mulher, cada 
etnia de uma forma particular. Se nas grandes metrópoles, especialmente na Região 
Sudeste, a evidência dos conflitos é maior pela visibilidade que estes têm, essa percepção 
limita a construção de uma política de caráter nacional, que reconheça como problemas de 
segurança pública os conflitos nas terras indígenas, nos lares com ocorrência de violência 
doméstica, nas áreas rurais, na disputa das terras de latifúndio, nas cadeias amotinadas. Em 
todos estes e em diversos outros casos, a presença do Estado brasileiro não assegura a 
integridade física e moral de seu povo. 
Diante disso, não seria leviano afirmar que as ações de Estado, adotadas na área da 
segurança pública, acabam ocorrendo voltadas mais para oprimir as situações de violência 
do que para instituir uma política nacional de segurança - que dialogue com os direitos 
humanos e consolide nos(as) brasileiros(as) o sentimento cívico e republicano de 
pertencimento a uma nação. Caminhamos a passos de formiga, pensando na segurança 
pública, em geral, como uma resposta à violência, como ações de garantia do direito de 
propriedade e da ordem social. A grande questão que emerge, hoje, às portas da realização 
da Conferência Nacional de Direitos Humanos, é sobre qual tipo de segurança pública 
estamos nos referindo. 
Historicamente marcado pela defesa de interesses privados das classes dominantes, o 
Estado desenvolve práticas com compromisso maior com o direito de propriedade do que 
com os direitos humanos sociais e coletivos. Cria políticas que deveriam ser universais, 
dando respostas truncadas para cada segmento da sociedade. Enquanto as políticas sociais 
- intermitentes, muitas vezes terceirizadas e precárias, sem comprometer gastos estruturais - 
são, para os(as) pobres, as intervenções - pontuais e muitas vezes restritas à repressão -, na 
área de segurança pública têm o endereço certo das elites econômicas brasileiras. 
Desprivatizar o Estado brasileiro, torná-lo transparente, enfrentando problemas estruturais de 
corrupção, privilégio e favorecimentos são constitutivos dos primeiros passos desse caminho. 
O que consideramos em jogo para a construção de uma política nacional de segurança 
pública, para além de ações específicas do setor, é a articulação orgânica destas à 
recuperação e à ampliação de direitos, que assegurem a todos(as) o pertencimento ao 
público. O desafio é construir, sobre bases concretas de redistribuição de renda e da 
mudança da política econômica em curso, acesso à educação, à cultura e à seguridade 
social. A base de tudo é transformar para todos(as) o sentimento que o Estado é um ente não 
apenas regulador de conflitos nem um interventor nos momentos emergenciais, mas 
assegurador de proteção e bem-estar permanentes. 
As polícias brasileiras: diagnóstico e planos de reforma 
O contexto institucional, na esfera da União, caracteriza-se pela fragmentação no campo da 
segurança pública. O problema maior não é a distância formal, mas a ausência de laços 
orgânicos, no âmbito de coordenação das políticas públicas. O que se está enunciando é 
grave: os respectivos processos decisórios são incomunicáveis entre si. 
As polícias brasileiras, de um modo geral, são ineficientes na prevenção e na repressão 
qualificada, na investigação e na conquista da indispensável confiança da população. 
Problemas ligados à corrupção e à brutalidade ultrapassam qualquer patamar aceitável. São 
refratárias à gestão racional, não avaliam a própria performance, nem se abrem a controle e 
monitoramento externos. Não se organizam com base em diagnósticos sobre os problemas a 
enfrentar, o modo de fazê-lo, as prioridades a definir e as metas a identificar. Não planejam 
sua prática, a partir de diagnósticos, fundados em dados consistentes, nem corrigem seus 
erros, analisando os resultados de suas iniciativas – os quais, simplesmente, ignoram. São 
máquinas reativas, inerciais e fragmentárias, inscritas num ambiente institucional
desarticulado e inorgânico, regido por marcos legais rígidos e inadequados. Os profissionais 
não são apropriadamente qualificados e valorizados e as informações não são ordenadas de 
acordo com orientação uniforme, que viabilize a cooperação. Há ainda o dramático 
sucateamento da perícia e o conjunto de dificuldades que derivam da dicotomia: polícia 
civil-PM. Uma questão especialmente relevante é a segurança privada ilegal (não aquela 
legalmente constituída), que tem privatizado a segurança pública, envolvendo os policiais no 
segundo emprego, do qual o Estado acaba refém, porque dele depende a viabilização do 
insuficiente orçamento público. 
Reforma policial 
Os princípios regentes do diagnóstico e das propostas são redutíveis a uma equação 
simples: eficiência policial e respeito aos direitos humanos são mais do que meramente 
compatíveis entre si, são mutuamente necessários. Do diagnóstico, deduz-se o que é preciso 
fazer: 1. reverter a fragmentação verificada na esfera da União; 2. alterar o marco legal 
inadequado e restritivo, no âmbito constitucional e infraconstitucional; 3. estimular a adoção 
de programas modulares de reforma, orientados para a implementação de um modelo de 
polícia que vise construir instituições passíveis de gestão racional, voltadas para a redução 
da insegurança pública e o respeito aos direitos humanos; 4. apoiar experiências- piloto 
promissoras e divulgar as boas práticas; 5. investir na sensibilização de gestores, 
legisladores e da opinião pública, para que os três primeiros itens se realizem; 6. valorizar o 
papel ativo dos municípios e de suas Guardas Civis, na segurança pública. 
Sem a instituição de uma agência, no âmbito da União, dotada de autoridade e poder real de 
comando, que integre os meios operacionais, reúna os mecanismos de implantação de 
políticas e coordene as principais fontes de recursos específicos, será impossível alterar o 
atual quadro, que se caracteriza pela dispersão das iniciativas, a superposição de 
responsabilidades, a multiplicidade de fontes geradoras de diagnósticos e ações, a 
pulverização da liderança institucional, o emprego sem critérios de recursos, a falta de 
mecanismos e métodos de acompanhamento e avaliação das ações financiadas pela União, 
e a autonomização atomizante dos meios operacionais. Tudo isso tem resultado na inércia 
governamental, no desperdício de recursos federais e, portanto, na irracional ausência de 
política. 
Quanto aos marcos legais: a primeira grande alteração deveria dar-se por meio de um projeto 
de emenda constitucional, submetida à apreciação do Congresso Nacional pelo presidente da 
República, preferencialmente com o apoio consensual dos governadores – apoio que havia 
sido obtido pelo primeiro secretário nacional de Segurança Pública do governo Lula, ao longo 
de seus dez meses de gestão. Uma PEC propondo a "desconstitucionalização das polícias", 
o que significa a transferência aos estados do poder para decidirem, em suas Constituições 
Estaduais, qual modelo de polícia desejam ter – entre as opções, inclui-se, evidentemente, a 
preservação do modelo atual. O Brasil é um país de dimensões continentais e socialmente 
muito complexo, muito diversificado, o que recomenda respeito à autonomia republicana e 
federativa dos estados, evitando-se a imposição de modelos únicos, por natureza insensíveis 
às peculiaridades locais –quaisquer que sejam seus méritos intrínsecos e os benefícios que 
ofereçam a algumas unidades da federação. Sendo assim, não faz sentido manter o antigo 
diálogo, ou melhor, o velho conflito que há mais de vinte anos opõe os defensores da 
unificação das polícias e os defensores do status quo. Se o problema não está nas 
deficiências de um ou outro modelo, mas na imposição do mesmo modelo a todos os estados 
– e permanentemente, eternizando padrões tradicionais, sem que se lhe tenhamos explorado 
os limites, criticamente –, a disputa deixa de ser por um ou por outro (unificação ou status 
quo) e passa a ser em torno de um sem número de opções – nesse caso, a imaginação, a 
observação crítica da experiência nacional (à luz das experiências internacionais) e o bom 
senso são os limites: poder-se-iam conceber modelos unificados, regionais, metropolitanos, 
municipais, militarizados ou não, polícias divididas territorialmente ou segundo a gravidade 
dos crimes etc. 
Com a desconstitucionalização, alguns estados mudariam suas polícias; outros, não, seja 
porque consideram bom o modelo de que dispõem, seja porque não têm força política para 
operar a mudança. De todo modo, as eventuais dificuldades políticas de alguns estados não 
se exportariam, automaticamente, para os demais, como ocorre quando a questão é
"unificam-se as polícias ou não", como solução única para todo o país. 
Além da PEC em prol da desconstitucionalização, seria necessário estipular algumas regras 
gerais, de validade nacional, para garantir o salto de qualidade e para evitar que a criatividade 
e o experimentalismo – estimulados pela PEC – gerem mais fragmentação e obstáculos à 
cooperação do que já temos hoje (o que certamente seria difícil, dado o grau atual do 
problema). Essas regras gerais são as normas para a criação do Sistema Único de 
Segurança Público (SUSP), também postulado – como a própria desconstitucionalização – no 
Plano Nacional de Segurança Pública do governo Lula. As regras em pauta determinariam a 
criação de: a) um ciclo básico (um currículo mínimo) comum, obrigatório para a formação de 
todo profissional de segurança pública no Brasil; b) uma linguagem informacional comum 
para todas as polícias, uniformizando-se as categorias e as plataformas de permuta de dados 
(que teriam tempo de adaptar-se ao novo sistema, o qual exigiria informatização); c) uma 
sistemática de gestão aberta à avaliação e ao controle externo; d) cotas orçamentárias fixas, 
destinadas ao investimento em perícia. 
Seria também imprescindível valorizar o papel dos municípios, via aplicação de políticas 
sociais de prevenção e criação de Guardas Civis, preparadas para ser paradigma das 
polícias do futuro, isto é, organizadas com base em novos compromissos nas áreas da 
formação, informação, estrutura organizacional, gestão, articulação com a perícia, controle 
externo e diálogo com a sociedade. A principal vocação das Guardas é o policiamento 
comunitário, a mediação de conflitos e a resolução de problemas. 
Futuro previsível 
Caso não se implementem políticas públicas inteligentes, pluridimensionais, intersetoriais e 
sensíveis às especificidades locais, em larga escala, capazes de interceptar as 
microdinâmicas imediatamente geradoras da criminalidade violenta, sobretudo de natureza 
letal, em um cenário caracterizado pela manutenção dos atuais indicadores de desigualdade, 
pobreza, qualidade de vida degradada, deficiências na escolaridade e precariedade no 
acesso aos direitos, facilitando crises familiares, e gerando vulnerabilidade, baixa 
auto-estima, sentimento de exclusão, estigmatizações, invisibilidade social e dupla 
mensagem cultural, as conseqüências só podem ser o agravamento do atual quadro de 
violência criminal, que já constitui uma tragédia, particularmente quando afeta a juventude 
pobre e negra, do sexo masculino, provocando verdadeiro genocídio. 
Esse quadro negativo tende a agravar-se, sobretudo, se persistirem duas condições: a) um 
sistema institucional de segurança pública fragmentado, ineficiente, corrompido, 
desacreditado, brutal, racista, alimentador do circuito da violência e da própria criminalidade, 
que não valoriza seus profissionais; b) o empreendedorismo do tráfico de armas e drogas, 
que, ativamente, tira proveito da precariedade das condições de vida e da vulnerabilidade dos 
processos subjetivos dos jovens com ralas e raras oportunidades e perspectivas de 
integração. 
Quanto a políticas sociais e culturais preventivas do crime, tem havido avanços, no país, 
ainda que tópicos, dispersos e sem escala suficiente, dada a ausência de sinergia e 
articulação entre esferas de poder, e entre instituições públicas e privadas. Quanto à reforma 
das polícias, os avanços são ainda mais parcos, tímidos, tópicos, espasmódicos, cíclicos, 
não-sustentáveis, não-sistêmicos, eventuais e dispersos. 
O que torna, entretanto, mais desafiador e interessante o exercício prospectivo, na área da 
segurança pública, é o caráter histórico da legislação, cujo parâmetro define os crimes, os 
quais, por sua vez, sofrem alterações de acordo com as mudanças das relações sociais, da 
economia e da tecnologia. 
Pode-se imaginar um futuro possível em que as drogas – tais como hoje classificadas – 
deixem de atrair o consumo, sendo substituídas por novas substâncias psicoativas de 
natureza sintética ou por efeitos produzidos por conexões diretas entre mente e máquina, sob 
diferentes condições. Nesse caso, o controle pode se tornar tão complexo e custoso, que as 
tradicionais políticas repressivas se inviabilizem, na medida em que a fruição passe a 
corresponder a fluxos virtuais de comunicação, transportados e recepcionados por simples
movimentos de rede, via up e downloads. Na sociedade da informação, do conhecimento e 
da comunicação, na qual a flexibilização e a "customização" individualizantes tendem a se 
impor, talvez a grande ameaça seja a violação da propriedade intelectual, o que implicaria 
modificações profundas na própria concepção do trabalho policial, assim como na estrutura 
organizacional das instituições da ordem pública. 
A Problemática das Drogas 
O problema das drogas é extremamente complexo. Qualquer simplificação implica assumir 
um entendimento parcial da questão. O uso das denominadas substâncias psicoativas 
apresenta na história da sociedade humana diversas manifestações, seja como elemento 
ritual e religioso, seja como fator de agregação de grupos sociais, seja como objeto de uma 
teia empresarial cruel, que lança seus tentáculos em todos os escaninhos da vida social e no 
próprio Estado, com isso assumindo uma dimensão de controle político, além do econômico. 
A generalização da palavra droga faz com que sejam equiparados as drogas psicanaléticas, 
os opiáceos e a maconha, enquanto ficam excluídos do estigma o tabaco e o álcool, como se 
não fossem substâncias potencialmente geradoras de dependência. 
As grandes polêmicas sobre liberação ou não das drogas se defrontam com um fenômeno 
muito grave: elas se tornaram mercadoria dentro de ampla rede empresarial e criminosa, 
sofisticada, capilarmente infiltrada no aparelho do Estado, em locais estratégicos das 
cidades, nas rotas de transporte, ensejando o crescimento de uma sofisticada estrutura de 
comando e de equipamentos. 
O problema se acirra quando crianças e jovens, sem perspectivas numa sociedade apática 
passam a ser aliciados para desenvolver trabalhos de vigilância ou de entrega de pequenas 
porções de droga, iniciando uma carreira de auto-afirmação e sensação de poder rumo à 
morte prematura. Isso significa que o problema das drogas não poderá ser seriamente 
tratado se a ação não for multidisciplinar, atingindo aspectos culturais, educacionais, sociais, 
de emprego e de reformulação do papel da segurança pública diante do problema. 
Essa realidade complexa traz exigências novas para o trabalho de segurança pública, já que 
as polícias estão voltadas para a criminalidade cotidiana e não têm treinamento próprio para 
intervir nas questões de drogas, vivendo o constante risco de serem cooptadas pelo 
montante financeiro envolvido. São necessários peritos qualificados em contabilidade para 
descobrir as ilegalidades financeiras, bancárias e de desvio de dinheiro inerentes a essas 
redes. Não é possível desenvolver uma guerra primitiva, que só atinge os extratos mais 
baixos dessas organizações. É difícil intervir com cabeças do século XIX em delitos do século 
XXI. 
Por outro lado, a legislação vigente enseja o paradoxo de se punir tanto os traficantes como 
suas vítimas. Essa visão simplificadora e estigmatizadora dos seres humanos faz com que 
pessoas carentes de outras formas de intervenção sofram punição por terem sido vitimadas, 
quando caberia ao Estado oferecer os tratamentos adequados. 
Esse tipo de olhar sobre a questão mostra que toda a sociedade deve se mobilizar, não de 
forma maniqueísta, nem expressando falso sentimento de caridade, que no fundo nada mais 
é do que preconceito ou discriminação frente aos envolvidos por esse problema Deve 
mobilizar-se, através das instituições públicas, das entidades e dos movimentos da sociedade 
civil e também através das empresas privadas, de forma orgânica, científica e não 
generalizadora, agindo com vigor sobre o problema sem violar a liberdade e os direitos 
humanos dos brasileiros que se tornaram vítimas das drogas. 
As medidas repressivas devem priorizar o combate às organizações criminosas, em especial 
as operadoras do atacado, isto é, os criminosos de colarinho branco, que lavam dinheiro, 
financiam o comércio ilegal de armas e inundam as cidades de drogas. 
No campo da prevenção, o aspecto mais importante é o relacionado com a adoção de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 12 de 323 
campanhas educativas direcionadas aos jovens. 
Combate ao Seqüestro 
O crescimento indiscriminado do crime de seqüestro e de extorsão mediante seqüestro, 
inclusive entre os setores médios e pobres da população, tem provocado novos desafios para 
a segurança pública, indicando a necessidade de aperfeiçoamento da atividade pericial, de 
aparelhamento das polícias e do aprimoramento do controle externo sobre elas como forma 
de melhorar os resultados das investigações, reduzir a impunidade e os próprios seqüestros. 
Uma das maiores dificuldades na apuração do crime de seqüestro é a identificação da autoria 
em tempo hábil, sem comprometer a segurança do seqüestrado. Cresce a importância do 
trabalho da polícia técnica ou científica, pois sem ela a investigação fica limitada à coleta de 
depoimentos e à colaboração dos informantes, expondo a polícia a uma dependência 
excessiva e perigosa do interrogatório de eventuais suspeitos. Por outro lado, a realidade tem 
revelado a participação de policiais em diversos crimes de seqüestro, o que tem contribuído 
para o incremento dos seus índices e para a sua vulgarização. A desarticulação da correia de 
transmissão existente entre policiais e seqüestradores somente será possível com maior 
fiscalização externa da atividade policial. 
A participação ativa do Ministério Público no estabelecimento das diretrizes gerais e 
específicas para a condução dos trabalhos investigativos da polícia, bem como a perfeita 
sintonia entre os responsáveis pelas Áreas Integradas de Segurança, somando esforços e 
induzindo a uma fiscalização permanente da atividade policial, onde o trabalho da 
Corregedoria Única também será relevante, resultarão em melhores os resultados nas 
investigações dos seqüestros, identificando os criminosos e reduzindo drasticamente a sua 
incidência. 
Enfim, muito há que se fazer para minimizar esse estado de verdadeira calamidade pública 
em que está mergulhado o país. 
Dentre as propostas de reformas e mudanças apresentadas pelo projeto segurança, do 
governo federal, cabe destacar: 
· EXIGÊNCIAS PARA A ELABORAÇÃO DE UMA POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA, 
NA ESFERA POLICIAL 
· REFORMAS SUBSTANTIVAS NA ESFERA DA UNIÃO E DOS ESTADOS 
· REFORMAS SUBSTANTIVAS NA ESFERA MUNICIPAL 
· SEGURANÇA PÚBLICA NO MUNICÍPIO - A GUARDA MUNICIPAL 
· MUDANÇAS CONSTITUCIONAIS RELATIVAS ÀS AGÊNCIAS POLICIAIS 
· A PERSECUÇÃO PENAL: O INQUÉRITO POLICIAL E O MINISTÉRIO PÚBLICO 
· VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E DE GÊNERO 
· A VIOLÊNCIA CONTRA AS MINORIAS 
· ACESSO À JUSTIÇA: A IMPORTÂNCIA DA DEFENSORIA PÚBLICA 
· SISTEMA PENITENCIÁRIO 
· SEGURANÇA PRIVADA: DIAGNÓSTICO E PROPOSTAS 
· OS PROGRAMAS DE PROTEÇÃO ÀS TESTEMUNHAS AMEAÇADAS E A 
CONCEPÇÃO DE UM SISTEMA NACIONAL DE PROTEÇÃO 
Sistema Único de Segurança Pública - SUSP 
O que é o Sistema Único de Segurança Pública? 
É um sistema criado para articular as ações federais, estaduais e municipais na área da 
segurança pública e da Justiça Criminal, hoje totalmente dispersas. Essa articulação não vai 
ferir a autonomia dos estados ou da Polícia Civil ou Militar. Não se trata de unificação, mas 
de integração prática. O sistema é único, mas as instituições que farão parte dele são 
diversas e autônomas, cada uma cumprindo suas responsabilidades. Servem de modelo para 
o SUSP as experiências de missões especiais e forças-tarefa, em que órgãos diferentes
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 13 de 323 
trabalham integrados, com pessoal qualificado e objetivos, metas e metodologia bem 
definidos. 
O novo estilo de conduzir a segurança pretende evitar que as ações sejam pautadas apenas 
por tragédias, sem planejamento nem tempo para pensar em medidas estratégicas. O 
objetivo do SUSP é prevenir, criar meios para que seja possível analisar a realidade de cada 
episódio, planejar estratégias, identificar quais os métodos e mecanismos que serão usados. 
Sistemas de avaliação e monitoramento das ações também serão introduzidos para garantir 
transparência e controle externo das ações de segurança. 
Como os Estados vão participar? 
O governador do estado assina um protocolo de intenções com o Ministério da Justiça. 
Então, é criado no estado um Comitê de Gestão Integrada, do qual fazem parte o secretário 
estadual de Segurança Pública, como coordenador, e mais representantes da Polícia 
Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil e guardas municipais. A intenção é contar 
também com a cooperação ativa do Ministério Público e do Poder Judiciário. Caberá a esse 
comitê definir de forma consensual as ações, principalmente no combate ao crime 
organizado (tráfico de drogas e de armas, contrabando, lavagem de dinheiro, pirataria). 
Todas as decisões do comitê estadual serão repassadas a um comitê gestor nacional Com 
isso, experiências bem sucedidas em um lugar poderão ser implantadas em outro. O comitê, 
também, definirá as prioridades para investimentos federais na área de segurança pública no 
estado. O SUSP já está funcionando no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo. 
Como vai se dar a integração entre as polícias? 
Policiais civis e militares vão freqüentar a mesma academia e terão acesso à formação 
prática e teórica idêntica. O Governo vai, ainda, estimular a criação de unidades policiais 
integradas, reunindo, em um mesmo local, forças das polícias civil e militar. Isso vai mudar a 
cara da segurança pública no Brasil, que, pela primeira vez, contará com projetos amplos de 
longo prazo para evitar futuras crises de violência. 
A ação do Governo está limitada à elaboração do SUSP? 
Não. O Governo Federal já tomou várias medidas na área de segurança pública. O número 
de policiais federais vai aumentar de 7 mil para 11.500 agentes, delegados e peritos. E serão 
contratados 500 agentes penitenciários federais. Também foi anunciada a construção de 
cinco presídios federais de segurança máxima, sendo que um será concluído até o final do 
ano. Um exemplo da agilidade do Governo foi no recente episódio de transferência do 
traficante Fernando Beira Mar para presídios que ficam fora da área em que atuava. 
Mudou a forma de o Governo Federal lidar com a segurança pública? 
Até o final do ano passado, a Secretaria Nacional de Segurança Pública funcionava como 
uma simples tesouraria do Fundo Nacional de Segurança Pública. Os critérios para a 
liberação de recursos não eram definidos claramente, por falta de uma política efetiva para a 
área. Agora, o Governo Federal tem objetivos que orientam a aplicação desses recursos em 
projetos que realmente melhorem a vida do cidadão. Esses objetivos constituem os principais 
pontos do SUSP. 
Os seis eixos do SUSP 
Gestão unificada da informação: Uma central vai receber todas as demandas na área de 
segurança pública. A coleta de informações deverá auxiliar na redução da violência e na 
prevenção ao crime. 
Gestão do sistema de segurança: Delegacias com perícia, polícia civil e polícia militar 
deverão ser implantadas para cuidar de determinadas áreas geográficas das cidades. 
Formação e aperfeiçoamento de policiais: Os policiais civis e militares serão treinados em 
academias integradas. A Secretaria Nacional de Segurança Pública tem um setor de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 14 de 323 
formação e aperfeiçoamento que já está trabalhando nos currículos das academias para 
definir o conteúdo desses cursos de formação, que levarão em conta sempre a valorização 
do profissional. 
Valorização das perícias: Essa fase da investigação dos crimes receberá atenção especial 
Prevenção: Ações concretas para a prevenção e redução da violência nos estados serão 
prioritárias. A Polícia Comunitária terá papel fundamental nesse processo. 
Ouvidorias independentes e corregedorias unificadas: Serão criados órgãos para receber 
as reclamações da população e identificar possíveis abusos da ação policial. A corregedoria 
vai fiscalizar os atos dos policiais civis e militares. O objetivo é realizar o controle externo 
sobre a ação da segurança pública nos estados. 
(notíciário) 
 
29/12/2009 
Manchete: China executa o britânico Akmal Saikh, preso por porte de drogas. 
O britânico Akmal Shaikh, condenado à morte em 2008 pelos tribunais chineses após 
ser detido em flagrante portando quatro quilos de heroína, foi executado nesta 
terça-feira às 10h30 hora local (0h30 no horário de Brasília) na cidade de Urumqi (no 
noroeste do país), informou a ONG Reprieve em comunicado confirmado pelo governo 
britânico. 
Resumo: Shaikh é o primeiro europeu que recebe a pena capital em quase 60 anos no país 
asiático. Segundo a agência estatal de notícias Xinhua o britânico foi executado com uma 
injeção letal, na região de Xinjiang. 
Os familiares do réu, o governo britânico, a própria Reprieve (defensora de condenados no 
corredor da morte) e a ONU tinham pedido à China que revogasse a pena, argumentando 
que Shaikh tinha um transtorno bipolar, mas a Justiça chinesa garante que os testes médicos 
não tinham mostrado nenhum problema psicológico. 
A família divulgou nota se dizendo perplexa e frustrada. Estamos perplexos com a 
sugestão de que o próprio Akmal deveria ter fornecido provas do seu estado mental frágil, 
afirmaram os parentes. 
Embora as autoridades chinesas não tenham confirmado o fato, o governo do Reino Unido 
emitiu comunicado através de seu Ministério de Assuntos Exteriores, confirmando e 
condenando o fato nos termos mais enérgicos, em nome do primeiro-ministro Gordon 
Brown. 
Histórico 
Shaik, de religião muçulmana, casado e pai de três filhos, foi detido em 2007 com a droga no 
aeroporto de Urumqi, quando chegava de Dushanbe (capital do Tadjiquistão). 
O britânico foi condenado à morte um ano depois. A lei chinesa prevê pena capital para todas 
as pessoas que sejam detidas com mais de 50 gramas de entorpecentes. 
O último europeu executado na China foi o italiano Antonio Riva, um piloto militar na I Guerra 
Mundial, que foi morto em Pequim no dia 17 de agosto de 1951 (junto a um cidadão japonês) 
acusado de ter coordenado um complô para assassinar o líder máximo chinês, Mao 
Tsé-Tung. 
26/12/2009
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 15 de 323 
Brasileiros sofrem ataque na noite de Natal no Suriname. 
Resumo: Um grupo de cerca de 200 brasileiros foi atacado no Suriname durante a noite de 
Natal por moradores locais, deixando 14 feridos, sendo sete em estado grave, informou a 
Embaixada do Brasil no país. 
Entre os feridos encontra-se uma brasileira grávida que, devido ao ataque, perdeu o bebê. 
Ela foi a única que não foi levada para a capital do país, Paramaribo - foi transferida para um 
hospital na Guiana Francesa. 
O incidente ocorreu em Albina, que fica a 150 quilômetros de Paramaribo e é a principal porta 
de entrada para a Guiana Francesa. A cidade, que possui cerca de 10 mil habitantes, tem um 
grande contingente de brasileiros que vão trabalhar com garimpo no outro lado da fronteira - 
o que é proibido pelas leis daquele território, que ainda pertence aos franceses. 
O incidente foi motivado por um crime supostamente cometido por um brasileiro, gerando 
uma reação dos marrons --como são chamados os descendentes quilombolas no país, 
segundo o embaixador brasileiro no Suriname, José Luiz Machado e Costa. 
Esses marrons dominam aquela região. O assassinato de um deles desencadeou uma 
reação muito forte e indiscriminada contra os brasileiros que estavam lá. Houve muita 
agressão, houve muitos feridos, disse. Na cidade vivem cerca de 2.000 brasileiros. 
Além de atacar os brasileiros, o grupo invadiu um shopping center e outras lojas da cidade. 
Os moradores locais chegaram a incendiar algumas lojas e bombeiros de Saint Laurent du 
Maroni, na Guiana Francesa, ajudaram a extinguir as chamas. 
A polícia e tropas do Suriname já controlaram o tumulto na pequena cidade, informou o 
ministro do Governo e da Polícia, Chandrikapersad Santokhi. 
Um total de 81 brasileiros atacados foram transferidos pelo governo do Suriname para a 
capital Paramaribo. Ainda não há uma lista de nomes deste grupo porque, segundo o 
embaixador, muitos deles não possuem documentos. 
Costa disse ainda que dificilmente os brasileiros voltarão para Albina após o ataque. Não 
acredito que queiram voltar. Eles estão falando em chacina, em assassinato em massa, eles 
estão muito assustados, relatou o embaixador. 
Segundo ele, os brasileiros que moram em Albina sequer trabalham no país. Eles costumam 
garimpar na Guiana Francesa, onde a atividade é proibida pelo governo francês. Eles ficam 
esperando a vigilância baixar a guarda e vão para lá, e só ficam acampados na beira do rio 
em Albina, explicou. 
28/12/2009 
Manchete: Mulheres já são 38% dos reprovados no bafômetro. 
Resumo: O índice de mulheres reprovadas no teste do bafômetro durante as blitze da lei 
seca na capital paulista cresceu vertiginosamente. Levantamento feito pela Polícia Militar 
(PM) a pedido do Estado mostra que, em janeiro, 5,16% das motoristas que foram paradas 
pela fiscalização haviam bebido antes de pegar o volante. Em outubro, esse porcentual 
passou para 38,6%, quase quatro em cada dez fiscalizadas. 
Os dados mostram que a evolução de embriagadas na direção é praticamente constante mês 
a mês. Em contrapartida, o número total de detectados pelos aparelhos que medem a 
dosagem de álcool no sangue está em declínio - passou de 11% para 4%. 
A alta feminina nos flagrantes das operações é impulsionada por dois fatores principais. O 
primeiro - e responsável direto, acreditam os especialistas - é a mudança recente na forma 
de fiscalizar a lei seca. Até o primeiro semestre de 2009, a PM organizava as operações de 
fiscalização de forma aleatória.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 16 de 323 
Nem todos os carros que passavam pelos locais das blitze eram abordados e só fazia o 
bafômetro quem tivesse sinais de embriaguez. Há cinco meses, porém, a estratégia mudou e 
as mulheres, portanto, deixaram de ser “invisíveis” para os homens que fazem a fiscalização. 
O segundo fator para o aumento de embriagadas identificadas é que as mulheres estão 
consumindo mais álcool, o que também aumenta o comportamento de risco. 
O ministro das Cidades, Márcio Fortes, que coordena o Departamento Nacional de Trânsito 
(Denatran), afirma que as motoristas são mesmo usadas como escudo para fiscalização. 
“Esse aumento de mulheres flagradas, para mim, indica que elas estavam sendo usadas 
como truque para driblar a lei seca. Um aproveitamento da imagem de que a mulher não 
bebe e passa batido pelos fiscais”, afirma. 
28/12/2009 
Manchete: Mapa da violência aponta maior número de homicídios em 10% das cidades 
brasileiras. 
A maioria dos homicídios se concentra em apenas 10% dos municípios. De acordo 
com um estudo divulgado nesta terça-feira pela Organização dos Estados 
Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), 71,8% dos homicídios 
no Brasil concentram-se em apenas 556 cidades. 
Resumo:O Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros traz outra constatação 
preocupante: as vítimas mais comuns dos homicídios são jovens, sendo a maioria negros do 
sexo masculino. O estudo foi elaborado com base nos dados do Sistema de Informações 
sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. 
Pequenas cidades 
Os municípios do interior do País são os que mais registram mortes violentas. A região com 
maior concentração é a Centro-Oeste. Das 10 cidades com as maiores taxas de mortalidade 
por homicídio, seis encontram-se nesta região. Destas, quatro estão no Mato Grosso. 
Também chama a atenção o fato de algumas dessas cidades serem pequenas, contrariando 
a histórica concentração de mortes por causas violentas em grandes cidades. 
O levantamento, que foi realizado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, revela que 
proporcionalmente, a maior taxa de mortalidade do País, em 2004, foi a de Colniza, cidade do 
interior do Estado do Mato Grosso, com população de 12,4 mil habitantes. 
Enquanto o Brasil registrou, naquele ano, 27,2 homicídios por 100 mil habitantes, em Colniza 
o registro chegou a 165,3 óbitos por 100 mil habitantes. Em segundo lugar, 
proporcionalmente, está outra cidade do Mato Grosso, Juruena, com 137,8 óbitos por 100 mil 
habitantes entre uma população de 6,2 mil. 
Acidentes de trânsito 
Outro tema abordado no estudo são as mortes por acidentes de trânsito. No período avaliado 
(1994-2004), constatou-se um aumento de 20,8% nos óbitos por esta causa. No entanto, 
houve queda generalizada nas taxas de mortalidade em todas as faixas etárias, com exceção 
para a que vai dos 20 aos 30 anos. Assim como nos homicídios, os homens são as principais 
vítimas dos acidentes de trânsito. 
28/12/2009 
Manchete: Ministério da Justiça tem órgãos específicos para combate ao crime 
Entenda a estrutura de seis secretarias ligadas à segurança pública 
Resumo: O Ministério da Justiça (MJ) é o órgão federal responsável pela manutenção da 
ordem e pela repreensão de crimes. Compete a ele, garantir a cidadania, a justiça e a
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 17 de 323 
segurança pública, através de ação conjunta entre o Estado e a sociedade. A articulação 
necessária ao combate da criminalidade fica a cargo de órgãos subordinados, bem como o 
repasse de verbas dos fundos nacionais - que distribuem recursos para estados e 
municípios. 
Os órgãos específicos diretamente subordinados ao MJ têm diversas atribuições. No que diz 
respeito à Segurança Pública, são sete os principais. 
Órgãos da União relacionados à Segurança: 
Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) 
Responsável pela articulação na Segurança Pública. Fiscaliza programas federais (inclusive 
a polícia), coordena conselhos de segurança e elabora planos para 
reduzir as principais causas de violência e criminalidade. 
Secretaria Nacional de Justiça 
Combate lavagem de dinheiro e busca a recuperação de ativos envolvidos nessas práticas 
criminosas. A SNJ regulamenta a situação de estrangeiros no Brasil e fiscaliza a de 
brasileiros no exterior e promove campanhas contra o tráfico de pessoas. 
Departamento Penitenciário Nacional 
O Depen fiscaliza a situação dos presídios e de outras casas de reclusão brasileiras. O órgão 
é responsável pelo planejamento do setor e pela comunicação do Governo federal com 
órgãos estaduais e municipais. 
Polícia Federal 
Atuação burocrática e patrulhamento ostensivo. Uma das principais funções é o combate ao 
tráfico de armas, drogas e contrabando. A PF também tem função de polícia marítima, 
aeroportuária, e de fronteiras. Nos últimos anos, o órgão tornou-se responsável pela 
investigação e repreensão de crimes realizados na Internet. 
Polícia Rodoviária Federal 
Atuar contra o crime organizado através de patrulhamento nas estradas, com ênfase maior 
ao roubo e furto de veículos e cargas, narcotráfico e contrabando. 
Conselhos Nacionais: De Segurança Pública e de Políticas Criminais e Penitenciárias 
Os Conselhos Nacionais reúnem especialistas, autoridades e representantes da comunidade 
para discutir seus respectivos temas. São órgãos colegiados, ou seja, todos os membros têm 
a mesma autonomia, que apresentam propostas para a Segurança Pública brasileira. 
O MJ tem mais três órgãos específicos diretamente subordinados, que não participam de 
maneira ativa na área de Segurança Pública. A Secretaria de Direito Econômico, que, entre 
outras atribuições, protege o consumidor e as atividades econômicas do Brasil. A Secretaria 
de Assuntos Legislativos, que examina projetos de lei no Congresso, a Secretaria de 
Reforma do Judiciário, que mantém relação com o Poder Judiciário e a Defensoria Pública da 
União, que pode dar seu parecer extrajudicialmente e que defende juridicamente pessoas 
que não dispõem de meios para fazê-lo. 
06/11/2009 
Manchete: Segurança pública: Crime é combatido com análise de vínculo e algoritmo 
de voz 
Resumo: Crimes como tráfico de cocaína, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos 
aparecem em organogramas montados pelas polícias Federal e Civil de Brasília. Os mapas, 
feitos por meio de programas de computador, que mais parecem emaranhados de 
informações, revelam detalhes importantes para a condução de investigações sigilosas. Os 
aplicativos têm a capacidade de traçar a ligação entre suspeitos e condensar informações 
levando à determinação dos autores desses crimes. É a chamada análise de vínculo.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 18 de 323 
A identificação da voz de um criminoso com base em informações cientificamente válidas e 
capazes de condená-lo em um julgamento também é utilizada. O algoritmo de voz ou 
código computacional que identifica a voz de alguém para o computador reconhece 
características vocais únicas e já levou dezenas de pessoas para a cadeia. 
O programa usado no DF por órgãos federais como o Senado, Procuradoria-Geral da 
República, Tribunal de Contas da União, Ministério Público e GDF, foi desenvolvido por uma 
empresa inglesa em associação com a famosa polícia de Londres, a Scotland Yard. Dona de 
94% do mercado mundial de softwares de análise investigativa, a empresa i2 desenvolveu 
instrumentos para a solução de crimes e fraudes em instituições públicas e privadas, além de 
forças militares. O programa responsável pelos organogramas que definem quem são e 
como agem os membros das organizações criminosas é o Analyst's Notebook 6. É um 
software de análise visual que reúne, cruza e analisa dados por meio de diagramas de teias 
de relações. Usado em análises investigativas, transforma informações em esquemas 
gráficos baseados na relação entre criminosos e seus delitos. 
Vários casos investigados no DF e no resto do País já contaram com a ajuda da análise de 
vínculo. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Senado, que investiga o 
escândalos dos Correios, usa a análise de vínculo para detalhar suposto esquema de 
corrupção. 
O diretor-geral da empresa Tempo Real, Glauco Guimarães, que representa no Brasil a 
empresa que desenvolveu o software, disse que na CPI dos Correios já foram analisados 
mais de 77 milhões de informações. O programa viabiliza uma capacidade que o ser 
humano não tem de traçar o vínculo entre dezenas de pessoas e milhares de transações 
bancárias, explica. 
O software tem o aplicativo iBase 4, que permite acumular, analisar e exibir as informações 
de uma base investigativa. Caiu como luva na CPMI dos Correios, criada em maio de 2005 
para investigar denúncias de corrupção. As engrenagens que movimentavam o esquema 
foram condensadas num banco de dados. E a análise de vínculos traçou relações entre os 
registros armazenados pelos investigadores. 
Programa permite exibir, acumular e analisar informações 
Bandidos aterrorizados 
Armas sofisticadas e o poder de fogo da polícia deixaram de ser a principal preocupação de 
grandes quadrilhas que faturam milhões com o crime organizado. As novas tecnologias a 
serviço da polícia já fazem a diferença da hora de identificar e mapear a ação de bandos 
criminosos. Usando o exemplo da descoberta de um detento que, de dentro da penitenciária, 
fazia ligações se passando por autoridades e extorquia cidadãos desta maneira, a polícia 
explicou como funcionam as perícias de identificação de voz feitas pela Polícia 
Técnico-Científica. 
No programa de algoritmo de voz, os peritos fazem as análises partindo de gravações 
fornecidas pela polícia. Elas podem ser obtidas por interceptações telefônicas. O trabalho é 
feito com o uso do banco de dados de voz do programa da Polícia Civil e um aplicativo. 
O software faz a análise das vogais pronunciadas na gravação e, também, das vogais 
pronunciadas pelo suspeito presente no banco de dados. O trabalho do perito, somado ao 
resultado do exame feito por meio do computador pode identificar o autor da gravação. 
O estudo da voz e sua codificação digital é apenas mais um tipo de registro digital 
normalizado de expressões fisiológicas ou comportamentais da natureza humana. A voz, tal 
qual impressões digitais, topografia craniana e fundo do olho, entre outras marcas da 
identificação individual, pode ser codificada em algoritmos, instruções computacionais únicas 
para representar características, também únicas, associadas à identificação individual dos 
seres humanos. 
Tecnologia policial na Operação Galileu
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 19 de 323 
Um caso famoso no Distrito Federal também contou com a ajuda da análise de vínculo. A 
Operação Galileu foi uma das maiores ações policiais já realizadas pela Polícia Civil na 
capital da República. No dia 22 de maio de 2005, a polícia cumpriu mais de cem mandados 
de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do DF. 
Entre as prisões, 48 ocorreram no DF e nove em Mato Grosso, a maioria em locais onde se 
realizava o concurso público para agente penitenciário federal, elaborado pelo Centro de 
Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) da Universidade de Brasília (UnB). A 
investigação da Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco) começou em 2004 durante 
o processo seletivo da própria Polícia Civil. Era para ser um trabalho de prevenção, mas os 
agentes descobriram uma rede de profissionais (veja infografia ao lado) especializada em 
fraudes de concursos organizados por diversas entidades, principalmente o Cespe. 
Segundo o diretor do Departamento de Atividades Especiais (Depate), delegado Celso Ferro, 
o poder tecnológico da polícia, que já contava com o software que determina a ligação entre 
suspeitos de uma determinada organização criminosa foi essencial para o sucesso da 
operação. O programa ajudou a definir a participação de cada suspeito no esquema e até a 
quantidade de vezes que eles se comunicavam pelo telefone. 
Para se ter idéia da funcionalidade do programa, um agente levaria dias para analisar 
calhamaços que fazem parte das listas de contatos telefônicos conseguidos com a quebra de 
sigilo telefônico dos suspeitos. O software faz todo esse trabalho em poucos segundos. 
Na Operação Galileu, os policiais coletaram provas de que, pelo menos, 12 concursos, em 
vários estados, foram fraudados pela quadrilha. Entre os acusados de participar do bando 
estavam 17 funcionários do TJDF, oficiais de alta patente da Polícia Militar do DF e de Goiás, 
e agentes da Polícia Civil brasiliense, além de outros órgãos do Poder Executivo. A análise 
de vínculo foi usada para traçar a conexão entre cada um deles. 
No topo da cadeia do organograma montado no computador, apareceu Hélio Garcia Ortiz, 
então funcionário do Tribunal de Justiça do DF, como o líder da quadrilha. Em depoimento à 
época, ele disse que o esquema existia em, pelo menos, quatro estados: Goiás, Paraná, São 
Paulo e Mato Grosso. E confirmou a participação de funcionários do Cespe na fraude. O 
técnico judiciário Aléssio Alberto Gomes também apareceu na análise de vínculo como braço 
direito de Ortiz. Ele teria acesso a informações do Cespe. Dezesseis servidores acusados de 
fraudar o exame do Tribunal de Justiça do DF em 2003 foram afastados dos cargos. 
06/11/2009 
Manchete: Ataque em Fort Hood, Texas, deixou 30 feridos na tarde de quinta-feira (5). 
Major suspeito foi primeiro dado como morto, mas está vivo, diz Exército. 
Subiu de 12 para 13 o número de mortos pelo tiroteio de quinta-feira na base militar de 
Fort Hood, Texas, informou o Exército em comunicado na madrugada desta sexta (6). 
O ataque deixou 30 feridos. 
A 13ª vítima seria uma mulher que não resistiu aos ferimentos de tiros, segundo a rede 
CNN. 
Resumo: O major Nidal Malik Hasan, suspeito de ser o autor dos tiros, atuou sozinho e está 
hospitalizado em etado estável, disse mais cedo o general norte-americano Bob Cone, 
porta-voz da base. 
O incidente ocorreu às 13h30 locais (17h30 de Brasília) da quinta-feira, cerca de meia hora 
antes de uma cerimônia de graduação de militares que iria ocorrer em um auditório da base, 
usado geralmente para dar briefings aos soldados. 
Os ataques ocorreram em dois pontos próximo ao Centro de Processamento de Prontidão 
dos Soldados e ao Teatro Howze. O centro é o local onde os militares que são mandados 
para missões fora do país fazem um último checkup médico. 
Ainda não se sabe a identidade das vítimas, nem quantas são civis ou militares.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 20 de 323 
19/08/2009 
Manchete: Despesas com segurança pública no país cresceram 13,35% em 2008. 
Resumo: As despesas com segurança pública dos governos federal e estaduais cresceram 
13,35% em 2008, quando comparadas ao ano anterior, chegando a R$ 39,52 bilhões, de 
acordo com dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado hoje 
(19), em São Paulo. Os números indicam que houve crescimento de 64,06% nos gastos 
nacionais com informação e inteligência. Entretanto, os investimentos do governo federal 
nessa área caíram 30,40%, passando de R$ 130 milhões, em 2007, para R$ 90,92 milhões, 
em 2008. As estatísticas servirão de base para as discussões durante a 1ª Conferência 
Nacional de Segurança Pública, que será realizada de 27 a 30 deste mês, em Brasília. 
Entre os estados que merecem destaque está Alagoas, que tem 13,65% de suas despesas 
destinadas à segurança pública. Em seguida, aparecem Rondônia, com 13%, Minas Gerais, 
com 12,6%, e Rio de Janeiro com 12%. São Paulo teve queda de investimentos na área, 
passando de 7,9%, em 2007, para 7,4%. em 2008. 
Data: 17/07/2009 
Manchete: Atentados na Indonésia. 
Explosões nos hotéis Marriott e Ritz-Carlton deixaram nove mortos. 
Segundo a polícia, pelo menos 52 pessoas ficaram feridas. 
Resumo: A polícia da Indonésia desativou nesta sexta-feira (17) uma terceira bomba 
escondida em um quarto do hotel Marriott de Jacarta, depois de o prédio e também uma filial 
da cadeia Ritz-Carlton, também na capital do país, terem sido alvo de atentados que 
deixaram pelo menos nove mortos e 52 feridos, segundo fontes oficiais. 
A bomba estava pronta para ser detonada e foi descoberta por agentes da brigada 
antiterrorista em um quarto do 18º andar, local onde, segundo o ministro para a Segurança 
da Indonésia, Widodo Adi Sucipto, os supostos autores dos atentados estabeleceram sua 
central de controle. 
A explosão no Ritz-Carlton ocorreu no porão, enquanto a do Marriott foi no terceiro andar, 
onde fica o restaurante. Os dois hotéis são considerados de luxo. 
Data: 04/04/2009 
Manchete: Secretário adjunto de Segurança de Rondônia é assassinado. 
O delegado Cezar Pizzano, secretário adjunto da Segurança Pública do Estado de 
Rondônia, foi assassinado na madrugada deste sábado em Porto Velho. 
Resumo: De acordo com informações da Polícia Civil, Pizzano teria reagido a um assalto e 
chegado a perseguir um dos possíveis criminosos, que foi baleado. No entanto, ele foi 
atingido por um tiro no peito e não resistiu aos ferimentos. Dois homens teriam participado do 
crime. 
Em nota, o Governo informa que o delegado foi encontrado já sem vida por volta da meia 
noite por populares que passavam pelo local. O corpo de Pizzano estava próximo ao seu 
veículo, perto de um quartel do Corpo de Bombeiros, no bairro 4 de Janeiro, em Porto Velho. 
O corpo de Pizzano será transladado neste sábado para Guarapuava, no Paraná, onde será 
sepultado no domingo no jazigo da família. 
Carreira na polícia 
Pizzano ingressou na Polícia Civil de Rondônia em 1991 e no ano seguinte foi eleito para a 
Câmara de Vereadores de Colorado do Oeste. Em 94, candidatou a deputado federal, 
quando recebeu cerca de 6 mil votos.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 21 de 323 
Na época exerceu pela primeira vez a função de secretário-adjunto de Segurança Pública. 
Em 2007, assumiu novamente o cargo.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 22 de 323 
Transportes 
Com as dimensões continentais do Brasil, necessita-se de vasta rede de transportes para 
atingir e interligar seus pontos mais distantes e importantes. Como o maior contingente 
populacional se concentra ao longo do litoral e regiões Centro-sul, nestas regiões 
desenvolveu-se também a rede de transporte, exceto a fluvial, que se concentra 
principalmente na Amazônia. 
Transporte Marítimo 
O sistema portuário brasileiro é constituído por 36 portos, distribuídos ao longo de 7,4 mil 
km da costa brasileira. 
Desde 1993, com a chamada Lei de Modernização dos Portos os portos brasileiros tem 
passado por processo de reformulação: descentralização administrativa; exploração de 
algumas operações pela iniciativa privada; modernização de equipamentos e procedimentos; 
aumento da produtividade e redução de custos e maior competitividade . Embora tenha 
apresentado desempenho muito melhor desde então, há ainda muito a ser feito para 
satisfazer a demanda do comércio exterior bastante otimizada em 2004. 
O transporte marítimo é o principal meio de para escoamento da produção de nossas 
relações de comércio exterior, e, em 1999, representou 70% das trocas internacionais, 
enquanto o aéreo representou 18% e o rodoviário, 8%. Sua importância em termos de 
toneladas supera 94%. 
O principal porto brasileiro é o de Santos (São Paulo) com mais de 11 km de cais, detém 
mais de 40% de todo movimento portuário brasileiro. Também se destacam os portos: Rio 
Grande (Rio Grande do Sul) ; Paranaguá (Paraná) destaca-se pela movimentação de grãos; 
Sepetiba (Rio de Janeiro), Itaqui (Maranhão - terminais especializados em minério) ; Portos 
do Rio de Janeiro; Tubarão (Espírito Santo) ; Recife (Pernambuco) , e outros. 
Transporte Aéreo no Brasil acompanha crescimento do País 
O transporte aéreo no Brasil vem acompanhando o desenvolvimento do País. De início, ele 
nasceu baseado em duas premissas: pioneirismo e charme. As primeiras viagens eram fruto 
de aventureiros, que investiam muito dinheiro num meio de transporte pouco popular, 
privilégio de poucos e que ninguém sabia se ia dar certo. 
Com o processo industrial e o progresso, que fez grande parte do Brasil migrar do campo 
para a cidade, e pela necessidade de intercâmbio com outros países, o transporte aéreo 
passou a ser uma necessidade, deixando de ser apenas uma opção dos famosos e ricos, 
que saíam do País a passeio ou para estudar no exterior. 
Essa fase pioneira e glamourosa passou definitivamente. Hoje, o transporte aéreo no Brasil e 
no mundo está incorporado ao modal de transportes das grandes cidades e nenhum País 
pode prescindir da aviação comercial. Pode-se dizer que o avião no século XXI está para as 
cidades, como o porto estava no século XIX. Era não apenas o ponto de partida e chegada 
de cargas e passageiros, mas o pólo aglutinador do progresso. Foi assim que se desenvolveu 
o Brasil litorâneo, às margens do Atlântico e em função dos portos que transportavam a 
riqueza e as emoções. 
A extensão do país e a precariedade de outros meios de transporte fizeram com que a 
aviação comercial tivesse uma expansão excepcional no Brasil. Em 1960, o país tinha a 
maior rede comercial do mundo em volume de tráfego depois dos Estados Unidos. Na 
década de 50, operavam cerca de 16 empresas brasileiras, algumas com apenas dois ou três 
aviões e fazendo principalmente ligações regionais. Se destacava então na Amazônia a 
SAVA S.A. - Serviços Aéreos do Vale Amazônico, com sede em Belém, fundada pelo 
Comandante Muniz, que com a ajuda do seu amigo e futuro Brigadeiro e Ministro da 
Aeronáutica Eduardo Gomes, conseguiu a concessão presidencial para vôos regulares de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 23 de 323 
passageiros e cargas. 
A crise e o estímulo do governo federal às fusões de empresas reduziram esse número para 
apenas quatro grandes empresas comerciais (Varig, Vasp, Transbrasil e Cruzeiro). Muitas 
cidades pequenas sairam do mapa aeronáutico, mas ainda nessa mesma década 
organizaram-se novas empresas regionais, utilizando inicialmente os aviões turbohélices 
fabricados no Brasil pela Embraer, o Bandeirante EMB-110. 
A Varig absorveu a Cruzeiro e adquiriu outras empresas regionais, se transformando, nas 
últimas décadas do Século XX, na maior transportadora da América Latina e a então regional 
TAM, dirigida pelo Comandante Adolfo Rolim Amaro - falecido em julho de 2001 em acidente 
de helicóptero no Paraguai, se transformou na segunda maior empresa do continente 
sul-americano. A Gol também se destacou como empresa comercial. A Transbrasil e a Vasp 
paralisaram suas atividades por problemas financeiros. 
Atualidade 
Nos últimos anos, por conta de conjunturas internas e externas o transporte aéreo no Brasil 
sofreu grandes perdas e inversões de papéis entre as empresas do setor. No início dos anos 
90, o mercado era dominado pela Varig, como a empresa-símbolo da aviação nacional. Ainda 
atuavam Vasp e Transbrasil como empresas de importância tanto no mercado doméstico 
quanto internacional. 
Entretanto, nos últimos anos, a TAM, antes um táxi aéreo sediado em Marília, SP, ganhou 
súbita importância na ligação Rio-São Paulo, especialmente pelo emprego de aeronaves a 
jato (Fokker 100) nessa rota, antes servida apenas pelos Lockheed Electra. Somado a isso 
surgiu pela primeira vez no país o conceito de empresa Low Fare com a Gol, que 
empregando aeronaves mais modernas que a média das outras empresas, alcança hoje seu 
posto como segunda empresa do país. Outra empresa que surgiu recentemente e segue um 
conceito similar é a BRA, Brasil Rodo Aéreo. 
Vasp e Transbrasil tiveram o triste fim da falência no início do século XXI. A Varig, ainda que 
ostente ainda a importância simbólica de principal empresa aérea nas linhas internacionais, 
vem perdendo linhas e aeronaves em leasing, e encontra-se em situação financeira 
extremamente delicada. Atualmente, a TAM é principal empresa do mercado doméstico. No 
âmbito das linhas nacionais, especialmente nas ligações entre as capitais, as operações são 
feitas pela TAM, Gol, Varig e mais recentemente, pela BRA e OceanAir. 
O mercado regional do estado de São Paulo é servido pela Pantanal Linhas Aéreas e pela 
Passaredo. Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Tocantins são servidos pela Total, sendo 
que esses dois últimos também pela Sete. O Centro-Oeste, Sul e Nordeste são ainda 
servidos pela OceanAir. 
A aviação brasileira cresceu muito nos últimos anos. Com o surgimento de novas 
companhias aéreas e a modernização das já existentes, foi possível aumentar o número de 
assentos disponíveis na malha aérea. A Gol lidera o ranking das empresas de baixo custo, 
podendo assim, repassar tarifas atraentes a todos os brasileiros. Com a competição entre as 
companhias foi possível melhorar o serviço e reduzir tarifas. 
Grandes companhias internacionais também operam no Brasil: American Airlines, Continental 
Airlines, United Airlines, Lufthansa, Iberia, Japan Airlines, South African Airlines, British 
Airways, Air France, Air Canada entre outras. 
A partir da II Guerra Mundial a aviação comercial assistiu a um grande desenvolvimento, 
transformando o avião num dos principais meios de transporte de passageiros e mercadorias 
no contexto mundial. 
O transporte aéreo foi o que mais contribuiu para a redução da distância-tempo, ao percorrer 
rapidamente distâncias longas. Rápido, cómodo e seguro o avião suplantou outros meios de 
transporte de passageiros a médias a longas distâncias.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 24 de 323 
Este meio de transporte implica construção de estruturas muito especiais. Os aeroportos 
requerem enormes espaços e complicadas instalações de saída e entrada dos voos. Por 
outro lado, os custos e a manutenção de cada avião são bastante elevados. Tudo isto 
contribui para encarecer este meio de transporte. 
Contrastes na distribuição 
As linhas aéreas cobrem todo o mundo, mas de forma irregular encontrando-se uma maior 
densidade nos países desenvolvidos, mais ricos, nalguns países petrolíferos, e nos novos 
países industrializados (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão…) 
Vantagens 
· É o mais rápido para transportar passageiros a médias e grandes distâncias 
· Grande liberdade de movimentos 
· É dos mais seguros e cômodos 
· É o mais adequado para o transporte de mercadorias de alto valor (diamantes, 
instrumentos de óptica, produtos farmacêuticos, etc.) e de mercadorias perecíveis (frutas, 
flores, etc.) 
Desvantagens 
· Elevada poluição atmosférica, devido à emissão de dióxido de carbono 
· Poluição sonora nas áreas circundantes aos aeroportos 
· Forte consumidor de espaço – construção das infra-estruturas 
· Elevado consumo de combustível 
· È muito dispendioso 
· Algumas áreas estão congestionadas, devido à densidade do tráfego, gerando 
problemas de segurança 
· Muita dependência das condições atmosféricas(nevoeiro, ventos fortes…) 
· Reduzida capacidade de carga(em relação a transportes marítimo e ferroviário) 
Aeroportos 
Localização: os aeroportos localizam-se, normalmente longe das cidades, por questões de 
segurança e acessibilidade. 
Periferia: em torno dos aeroportos desenvolvem-se bairros de hotéis, escritórios indústrias, 
redes de auto-estradas e de vias-férreas. 
A maior parte do tráfego de produtos de alta tecnologia é feita por via aérea. Por este motivo 
muitas indústrias instalam-se cada vez mais, nas proximidades dos aeroportos internacionais, 
o que contribui para o desenvolvimento destes espaços. 
O transporte aéreo no Brasil tem acompanhado o desenvolvimento do país. Em 1973, surgiu 
a Infraero - Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária, com a missão de 
administrar, reformar, construir e equipar os principais aeroportos do país. Para atender o 
aumento da demanda iniciada na década de 70 a Infraero investiu na reforma, 
modernização e construção de grandes aeroportos como o Galeão do Rio de Janeiro, 
inaugurado em 1977; o aeroporto internacional de Guarulhos em SP; Tancredo Neves, em 
Belo Horizonte, entre outros. Atualmente são 66 aeroportos administrados pela Infraero. 
Segundo a Infraero, o volume de carga importada e exportada por via aérea no Brasil 
cresceu 29,4% no primeiro bimestre de 2005. Foram transportadas 91 mil toneladas, contra 
76 mil/ton no mesmo período do ano anterior. O Estado de São Paulo continua liderando 
nessa modalidade. Juntos, o Aeroporto de Guarulhos e Viracopos em Campinas, 
representam 74% do volume de transporte aéreo de cargas. 
Em seguida, vêm os aeroportos internacionais de Manaus, com 4,8 mil toneladas 
movimentadas , e o do Rio de Janeiro, com 4,6 mil toneladas. 
Os desembarques no Brasil em 2004 de 5.502.966 passageiros procedentes de 6.138.217 
vôos internacionais foi considerado um marco na história da aviação brasileira, um aumento
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 25 de 323 
de 11,54% em relação a 1998. 
Outro dado significativo foi a chegada ao país em vôos charters de 327.273 passageiros em 
2004, que representaram um aumento de 90,11% em comparação aos 172.150 passageiros 
registrados em 2003. 
Transporte Ferroviário 
Contexto Físico 
O sistema ferroviário brasileiro totaliza 29.706 quilômetros, concentrando-se nas regiões Sul, 
Sudeste e Nordeste, atendendo parte do Centro-Oeste e Norte do país. Foram concedidos 
aproximadamente, 28.840 quilômetros das malhas. 
O Modal Ferroviário na Matriz de Transportes 
O setor ferroviário participou na matriz de transporte de carga do Brasil, com o percentual de 
20,86%, em 2000, considerando o total da carga transportada no país. 
· Aéreo: 0,33%; 
· Aquaviário: 13,86%; 
· Dutoviário; 4,46%; 
· Ferroviário: 20,86%; 
· Rodoviário: 60,49% 
Características do Transporte Ferroviário 
O modal ferroviário caracteriza-se, especialmente, por sua capacidade de transportar 
grandes volumes, com elevada eficiência energética, principalmente em casos de 
deslocamentos a médias e grandes distâncias. Apresenta, ainda, maior segurança, em 
relação ao modal rodoviário, com menor índice de acidentes e menor incidência de furtos e 
roubos. São cargas típicas do modal ferroviário: 
· Produtos Siderúrgicos; 
· Grãos; 
· Minério de Ferro; 
· Cimento e Cal; 
· Adubos e Fertilizantes; 
· Derivados de Petróleo; 
· Calcário; 
· Carvão Mineral e Clinquer; 
· Contêineres. 
O sistema ferroviário nacional é o maior da América Latina, em termos de carga 
transportada, atingindo 162,2 bilhões de tku (tonelada quilômetro útil), em 2001. Os dados 
operacionais e econômico-financeiros encontram-se disponíveis no SIADE - Sistema de 
Acompanhamento do Desempenho das Concessionárias de Serviços Públicos de Transporte 
Ferroviário. 
Transporte Rodoviário 
O principal sistema de transporte no Brasil é o rodoviário, representando cerca de 63% das 
cargas movimentadas no País, sua extensão é de 1.658,7, mil km, dos quais apenas 9% 
encontravam-se pavimentadas em 1998 (fonte: GEIPOT) 
Conforme avaliações do Ministério dos Transportes, 7% da malha pavimentada federal 
encontra-se saturada e cerca de 60% com sinalização e conservação deficientes. 
Visando recuperação, manutenção, ampliação da infra-estrutura viária, oferta de serviços 
auxiliares aos seus usuários, introdução de novas tecnologias, bem como adaptação da
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 26 de 323 
capacidade do sistema de transportes para atender à demanda do crescimento da 
produção, o governo brasileiro iniciou a partir de fins de 1995 a implantação do processo de 
concessões rodoviárias privadas no Brasil e o início em meados de 1996 da cobrança de 
pedágio . Até 2001 o projeto de concessões atendeu cerca de 10000 km em todo país, 
totalizando 37 concessões. 
Transporte de Passageiros 
O transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros, no Brasil, é um serviço 
público essencial, responsável por uma movimentação superior a 140 milhões de 
usuários/ano. A Agência Nacional de Transportes Terrestres é o órgão competente pela 
outorga de permissão e de autorização, para a operação desses serviços, por meio de 
Sociedades Empresariais legalmente constituídas para tal fim. 
O grau de importância desse serviço pode ser medido quando se observa que o transporte 
rodoviário por ônibus é a principal modalidade na movimentação coletiva de usuários, nas 
viagens de âmbito interestadual e internacional. O serviço interestadual, em especial, é 
responsável por quase 95% do total dos deslocamentos realizados no País. Sua participação 
na economia brasileira é expressiva, assumindo um faturamento anual superior a R$ 2,5 
bilhões na prestação dos serviços regulares prestados pelas empresas permissionárias, onde 
são utilizados 13.400 ônibus. 
Para um País com uma malha rodoviária de aproximadamente 1,8 milhões de quilômetros, 
sendo 146 mil asfaltados (rodovias federais e estaduais), a existência de um sólido sistema 
de transporte rodoviário de passageiros é vital. 
Para efeitos de regulamentação e fiscalização, o transporte de passageiros é tratado nas três 
esferas de governo: 
· As prefeituras municipais cuidam do transporte urbano (dentro da cidade); 
· Os governos estaduais respondem pelas linhas intermunicipais dentro de cada Estado 
(ligando municípios de um mesmo Estado); 
· O Governo Federal zela pelo transporte interestadual e internacional de passageiros 
(transporte de um Estado para outro ou que transpõe fronteiras terrestres com outros 
países). 
Atualmente, a exploração de serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de 
passageiros encontra-se sob a égide da Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001, no que couber 
da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, e da Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, 
regulamentadas pelo Decreto nº 2.521, de 20 de março de 1998, e pelas normas aprovadas 
em Resolução, pela Diretoria Colegiada da ANTT. 
As ações de regulação e fiscalização do setor têm caráter permanente e objetivam a 
adequação das rotinas e procedimentos para a efetiva operacionalização da Lei nº 
10.233/2001, que criou a ANTT, buscando a melhoria dos serviços e a redução dos custos 
aos usuários do transporte rodoviário de passageiros, quer no transporte regular, quer no de 
fretamento contínuo, eventual ou turístico. 
Concessão de Rodovias 
O processo de implantação iniciou em 1995 com a concessão pelo Ministério dos 
Transportes, de 856,4 km de rodovias federais. No processo de delegação aos estados, para 
o Rio Grande do Sul, foram transferidos 1253,5 km de Rodovias Federais integradas a 674,3 
km de Rodovias Estaduais (também privatizadas). Já no Paraná foram transferidos 1754,0 
km de Rodovias Federais integradas a 581,3 km de Rodovias Estaduais, que estão sob 
concessão. Cabe ressaltar que após a denúncia de alguns convênios de delegação por parte 
do Governo do Rio Grande do Sul, a quilometragem total das concessões federais subiu dos 
856,4 km iniciais para 1.482,40 km. 
Esta parceria entre o governo federal e os governos estaduais deu continuidade ao processo
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 27 de 323 
de descentralização das atividades do Estado na área de transporte, transferindo à iniciativa 
privada a prestação de determinados serviços que, apesar de serem essenciais à sociedade, 
não precisariam, necessariamente, ser oferecidos pelo poder público. Essa transferência de 
responsabilidade vem possibilitando ao Estado, a alocação de maiores verbas para as 
atividades sociais, estas indelegáveis. 
O Programa de Concessões de Rodovias Federais começou a ser implantado com a licitação 
dos cinco trechos que haviam sido pedagiados diretamente pelo Ministério dos Transportes, 
numa extensão total de 854,5 km, enquanto estudos eram realizados para identificar outros 
segmentos considerados técnica e economicamente viáveis para inclusão no Programa. 
Inicialmente, foram analisados 17.247 km de rodovias, dos quais 10.379 foram considerados 
viáveis para concessão e 6.868 km viáveis somente para a concessão dos serviços de 
manutenção. 
Em 1997/8 esse estudo foi revisto, mediante empréstimos externos ou dotações 
orçamentárias do DNER, incluindo-se no Programa trechos que estavam em obras de 
duplicação (BR-381/MG/SP entre Belo Horizonte e São Paulo, bem como todo o Corredor da 
BR-116/SP/PR, BR-376/PR e BR-101/SC, entre São Paulo, Curitiba e Florianópolis), e 
excluindo outros trechos, que eram objeto de programas de restauração e ampliação de 
capacidade. 
A promulgação da Lei n. º 9.277, de maio de 1996 (denominada Lei das Delegações), criou a 
possibilidade de Estados, Municípios e o Distrito Federal em solicitar a delegação de trechos 
de rodovias federais para incluí-los em seus Programas de Concessão de Rodovias. A 
Portaria n.º 368/96, do Ministério dos Transportes, estabeleceu e definiu os procedimentos 
para a delegação de rodovias federais aos estados dentre outras definições. 
Entre 1996 e 1998 foram assinados Convênios de Delegação com os Estados do Rio Grande 
do Sul, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. O Estado de Mato Grosso do Sul, ainda em 
1997, assinou Convênio de Delegação visando a construção de uma Ponte sobre o Rio 
Paraguai na BR-262/MS. Esta ponte foi financiada com recursos do FONPLATA - Fundo 
Financeiro dos Países da Bacia do Prata, e está sendo explorada mediante a cobrança de 
pedágio para amortização do financiamento. 
Concessões sob Responsabilidade da ANTT 
O Programa de Concessão de Rodovias Federais abrange 13.780,78 quilômetros de 
rodovias, desdobrado em concessões promovidas pelo Ministério dos Transportes, pelos 
governos estaduais, mediante delegações com base na Lei n.º 9.277/96, e pela Agência 
Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). 
As concessões administradas hoje, diretamente, pela ANTT são as seguintes: Concessões 
atuais - constituídas de trechos de rodovias já concedidos à iniciativa privada, numa extensão 
de 1.482,40 km. São seis concessões, das quais cinco foram contratadas pelo Ministério dos 
Transportes, entre 1994 e 1997, e uma pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em 
1998, esta, posteriormente, teve o Convênio de Delegação das Rodovias denunciado e o 
contrato sub-rogado à União em 2000. 
Transporte Internacional 
O Brasil, em virtude de sua situação geográfica, mantém historicamente acordos de 
transporte internacional terrestre, principalmente rodoviário, com quase todos os países da 
América do Sul. Com a Colômbia, Equador, Suriname e Guiana Francesa o acordo está em 
negociação. 
O Acordo sobre Transporte Internacional Terrestre entre os Países do Cone Sul, que 
contempla os transportes ferroviário e rodoviário, inclui Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru, 
Paraguai e Uruguai. Entre Brasil e Venezuela refere-se apenas ao transporte rodoviário. O 
mesmo ocorrerá com a negociação que está em andamento com a Guiana.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 28 de 323 
O Mercado Comum do Sul - Mercosul, que é um Tratado de Integração, com maior 
amplitude entre, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, absorveu o Acordo de Transportes do 
Cone Sul. 
Tais acordos buscam facilitar o incremento do comércio, turismo e cultura entre os países, no 
transporte de bens e pessoas, permitindo que veículos e condutores de um país circulem 
com segurança, trâmites fronteiriços simplificados nos territórios dos demais. 
No caso do Mercosul, já se atingiu estágio mais avançado com a negociação e adoção de 
normas técnicas comunitárias. 
A evolução dos transportes internacionais terrestres se faz através de negociações conjuntas 
periódicas visando atender as crescentes necessidades das partes, pela incorporação dos 
avanços tecnológicos e operacionais, pelo maior grau de segurança e pela maior agilidade 
dos procedimentos aduaneiros e imigratórios. 
Assim, o mercado de movimentação dos fluxos internacionais de bens e pessoas torna-se 
cada vez mais dinâmico, competitivo e seguro, para as empresas nacionais dos diferentes 
países. Ressalte-se que o transporte terrestre doméstico de cada país não pode ser 
executado por empresas estrangeiras. 
Complementarmente aos acordos básicos citados, têm sido estabelecidos acordos 
específicos no Mercosul, como o de Transporte de Produtos Perigosos e o Acordo sobre 
Trânsito. 
Com a implantação da Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT, em fevereiro de 
2002, as competências para negociação e aplicação dos acordos e seus desdobramentos 
passaram para seu âmbito de atuação. 
Os atos legais e regulamentares, os procedimentos operacionais e as informações 
estatísticas sobre o Transporte Internacional Terrestre podem ser encontrados na página da 
ANTT. 
(notíciário) 
 
09/02/2010 
Manchete: Em 3 anos de PAC ações em logística já somam R$ 40,5 bilhões 
Resumo: O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) completou 3 anos com 63,3% 
dos investimentos previstos executados, sendo R$ R$ 40,5 bilhões destinados para o setor 
de logística. No Ministério dos Transportes, para o modal rodoviário foram destinados R$ 
27,7 bilhões, para obras de adequação, manutenção, construção e duplicação de rodovias. 
Foram concluídos 1.634 quilômetros de estradas e mais 53 mil passam por manutenção. 
Atualmente, 4.916 quilômetros de rodovias estão sendo construídos. Além disso, dentro do 
Programa de Concessão de Rodovias Federais, foram concedidos à iniciativa privada 3.282 
quilômetros de rodovias. 
Durante o evento que marcou o terceiro ano do PAC, nesta quinta-feira (04/02), no Palácio do 
Itamaraty, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentou o 9º Balanço do 
programa e destacou os avanços no setor de infraestrutura logística. 
FERROVIAS 
O setor ferroviário recebeu investimentos da ordem de R$ 1,14 bilhão. Já foram entregues 
356 quilômetros de ferrovias e outros 2.632 encontram-se em construção. As obras da 
Ferrovia Norte-Sul até Anápolis (GO) estarão concluídas até final de 2010 e o trecho de 
Anápolis a Estrela d'Oeste (SP) será iniciado no primeiro semestre deste ano.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 29 de 323 
A Ferrovia Nova Transnordestina, com investimentos de R$ 4,45 bilhões até o fim de 2010, 
passa por grandes avanços. A expectativa do governo é que a obra empregue 7 mil 
trabalhadores até julho deste ano, e estima que o empreendimento seja entregue em 2012. 
A obra de extensão da Ferronorte, em Rondonópolis (MT), tem data de conclusão prevista 
para 2011 e o edital para a Ferrovia da Integração Oeste-Leste está estimado para março de 2010. 
TAV 
O Governo federal segue o cronograma de implantação do Trem de Alta Velocidade (TAV), 
Rio-São Paulo-Campinas, obra estimada em R$ 34,6 bilhões. No dia 29 de janeiro foi 
realizada a última consulta pública para a elaboração do edital, e o governo federal estima 
que após a análise dos documentos do projeto pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o 
edital será publicado no dia 02 de março. O leilão do TAV está previsto para 02 de maio de 
2010. 
FMM 
Desde o lançamento do PAC, em 2007, o Programa de Expansão e modernização da 
Marinha Mercante superou a meta originalmente traçada - o Fundo da Marinha Mercante 
(FMM) aprovou contratos de financiamentos de 218 embarcações e 2 estaleiros, que 
envolvem R$ 11,2 bilhões. 
HIDROVIAS 
As obras de construção das duas eclusas de Tucuruí e do canal intermediário estão 
praticamente concluídas, com 93% do projeto já executado. Em final de junho deste ano, 
quando a obra estará totalmente pronta, os investimentos atingirão R$ 965,5 milhões. Foram 
entregues também, no estado do Amazonas, três terminais de passageiros, em Tabatinga, 
Nhamundá e São Sebastião do Uatumã, e a expectativa é entregar outros terminais até o fim 
de 2010. Além disso, o governo federal espera iniciar os trabalhos para as obras de 
dragagem e derrocamento na Hidrovia Paraguai-Paraná até o final do ano. 
OBRAS NA AMAZÔNIA 
O ministro Alfredo Nascimento explicou que as obras na Amazônia, de responsabilidade do 
Ministério dos Transportes, estão num bom andamento, com exceção da BR 319. 
Nesta rodovia nós temos permissão para trabalhar nos seus extremos. O trecho entre 
Humaitá e Porto velho, de 238 quilômetros, que faz a ligação nas cidades do Sul do 
Amazonas com Porto Velho, já pode ser inaugurado em março deste ano. Na parte da 
estrada que sai de Manaus até o Km 250, nós também estamos trabalhando, lembrou o 
ministro. Este trecho citado da BR 319, onde estão sendo construídas duas grandes pontes, 
está sob responsabilidade do Exercito Brasileiro. 
Nascimento afirmou ainda que os outros dois trechos, de 250 quilômetros saindo de Manaus 
e saindo de Humaitá, de poucos mais de 200 quilômetros, serão cumpridos até o fim de 
2010. Ele explicou que o Ministério dos Transportes está aguardando a liberação do 
Ministério do Meio Ambiente do trecho central da BR 319. 
Foi pedida a complementação do estudo de impacto ambiental da rodovia e o Ministério dos 
Transportes está concluindo este trabalho para apresentar em breve ao Ministério do Meio 
Ambiente, concluiu o ministro. 
26/12/2009 
Manchete: Inaugurado na China trem de alta velocidade mais rápido do mundo. 
Trajeto une em 3 horas as cidades de Wuhan e Cantão. 
A velocidade média da viagem é de 350 Km/h. 
Resumo: A China inaugurou neste sábado (26) o trem que, segundo o governo do país, é o 
mais rápido do mundo. O veículo percorreu um trajeto de pouco mais de 1.000 km. 
A linha une em 3 horas as cidades de Wuhan (centro) e Cantão (sul). Antes o mesmo
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 30 de 323 
percurso era feito em 10h30. A velocidade média foi de 350 Km/h, mas em um determinado 
trecho o trem alcançou 390 Km/h. 
Os trabalhos para esta parte do trajeto, que em uma segunda fase unirá Pequim com Cantão, 
de 1.069 quilômetros, começaram em 2005. 
Segundo o jornal China Daily, a concorrência entre linhas aéreas e ferroviárias alcançou um 
novo marco com a inauguração do trajeto entre as duas metrópole chinesas, capitais 
respectivas das províncias de Hubei e Cantão, e que se reduz em 7 horas em relação aos 
comboios tradicionais. 
Uma rede de alta velocidade de 16 mil quilômetros com trens circulando a uma média de 350 
km/h será construída na China na próxima década e em 2012 deverão estar completados 13 
mil quilômetros, segundo o Ministério da Ferrovia. 
10/12/2009 
Manchete: Governo conclui edital do TAV 
Documentos para minuta do edital já estão sendo analisados pelo TCU e publicação do edital do TAV 
está prevista para fevereiro 
Resumo: O secretário executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, afirmou nesta 
quarta-feira (9/12) que o conjunto de documentos para a elaboração do edital do Trem de Alta 
Velocidade (TAV) Rio de Janeiro - São Paulo - Campinas foi enviado ao Tribunal de Contas da União 
(TCU), para análise, no último dia 8. A expectativa do governo é de divulgar, em 18 de dezembro, a 
minuta do edital para consulta pública, e realizar as audiências públicas, entre 11 e 18 de janeiro, para 
em fevereiro publicar o edital e começar a receber as propostas dos interessados. 
Passos anunciou, durante o 2º Seminário sobre o PAC: Transportes e Logística, realizado pela 
Advocacia Geral da União no auditório da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) que, em 
maio, será realizado o leilão, e a empresa vencedora será aquela que apresentar a proposta com a 
menor pedido de financiamento por parte do governo federal e o menor teto de tarifa de passagem. O 
critério de avaliação será um combinado entre esses dois quesitos, sem esquecermos da questão da 
transferência de tecnologia, da qual o governo federal não abre mão, enfatizou o secretário. 
O secretário elencou os Estudos de Demanda, Traçado, Operação, Custos e Modelagem Econômica e 
Financeira, que foram realizados pela consultoria internacional liderada pela empresa Halcrow, 
disponibilizados na página www.tavbrasil.gov.br. Outra novidade anunciada foi o aumento do 
tempo de concessão, para 40 anos. 
A redução da pressão sobre a infraestrutura rodoviária e aeroportuária, a indução de desenvolvimento 
regional, com intensa geração de empregos diretos e indiretos e a redução de emissão de poluentes 
foram algumas das vantagens citadas pelo secretário, a partir da implantação do TAV. Passos lembrou 
que, além da diminuição do tempo de deslocamento das pessoas, da redução de acidentes e de 
congestionamento em rodovias e áreas urbanas, outra vantagem que esse tipo de transporte vai trazer 
é o desenvolvimento tecnológico deste sistema de transporte no Brasil. 
O projeto do TAV no Brasil é altamente atraente aos investidores internacionais. Para ser ter uma 
idéia, os estudos feitos pela Halcrow apontam que a receita do empreendimento atingiria, no ano de 
2044, R$ 8,1 bilhões, explicou Passos. Segundo ele, o Brasil não pode abrir mão deste tipo de 
tecnologia, que já está amplamente difundida nos países desenvolvidos, como Japão, Coréia, 
Alemanha, Itália, China, Espanha e França, países estes, que já demonstraram interesse em participar 
do leilão do TAV. 
Governo amplia PNLT e projeta investir R$ 290,8 bi 
O Ministério dos Transportes também apresentou, no 2º Seminário sobre o Programa Aceleração do 
Crescimento PAC, a reedição do Plano Nacional de Logística e Transportes - PNLT, com uma carteira 
de projetos ampliada, indicando investimentos da ordem de R$ 290,8 bilhões, entre 2008 e 2023. 
O novo Sumário Executivo do PNLT, disponibilizado no site do Ministério dos Transportes, e seu novo 
indicativo de investimentos está sendo divulgado e será novamente debatido junto aos representantes 
do setor, com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Transportes Consetrans.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 31 de 323 
O secretário de Política Nacional de Transportes do Ministério dos Transportes, Marcelo Perrupato, 
anunciou no encontro realizado pela AGU, que a nova rodada de discussões regionalizada sobre a 
carteira de projetos do PNLT atualizada será iniciada em fevereiro de 2010. As discussões e revisões 
periódicas fazem parte da premissa desse processo de planejamento federativo, aberto à 
participação dos entes de governo, além dos diferentes setores da sociedade que atuam no setor. O 
secretário explicou que a nova rodada de discussões com Estados, municípios e atores privados 
também resultará em proposta para reformulação do Plano Plurianual 2012-2015. 
O PNLT revisado, que já mantinha em seu portifólio as obras estruturantes do governo federal, passa 
a agregar as alterações recentes do PAC, com enfoque na expansão da malha ferroviária. 
Para Perrupato, o PAC saiu com uma forte amarração no novo portifólio de investimentos, sendo um 
contraponto ao plano indicativo proposto no PNLT. O secretário entende que somente essa retomada 
de planejamento do setor dará ao Brasil as condições logísticas necessárias para atender a forte 
expansão econômica do país, prevista para os próximos anos. 
Com a revisão da lista de obras necessárias para atender à demanda projetada pelo PNLT, os 
investimentos indicados passaram dos R$ 172,9 bilhões para R$ 290,8 bilhões, em 16 anos - o 
horizonte de planejamento desse estudo. O governo avalia que, aplicados esses recursos até 2023, o 
Brasil terá uma inversão na matriz de transportes, com uso maior do modal ferroviário, na conclusão 
de Perrupato. Pelas projeções, o país abandonaria sua característica rodoviarista. As estradas, 
responsáveis por 58% do transporte de carga (em dados de 2005), passariam a 30%, nas projeções 
para 2025, seguindo-se o indicativo de obras do PNLT, sendo que o modal ferroviário saltaria dos 
atuais 25% para 35%. 
O secretário de Transportes do Mato Grosso do Sul, Edson Giroto, atual presidente do Consetrans, 
painelista do Seminário sobre o PAC, garantiu que as contribuições, entre Estados e União, 
permanecerão para as próximas revisões do PNLT, acreditando que essa linha de planejamento, de 
caráter federativo, é a solução definitiva para o setor. O Brasil não vai para lado algum, com 
propostas individualistas, sentenciou Giroto. 
PAC 2010 será hidroviário 
O secretário de Política Nacional de Transportes, Marcelo Perrupato, afirmou que para o Ministério dos 
Transportes, 2010 é o ano hidroviário. É muito importante investir em hidrovias porque estamos 
perdendo muitos recursos por conta do excesso de cargas que são transportadas pelas rodovias. Além 
disso, priorizar o transporte hidroviário está entre os tópicos principais do PAC para 2010 afirmou o 
secretário. 
Perrupato frisou a importância na integração dos modais. De acordo com o secretário, não dá mais 
para trabalhar só um ou outro modal, é preciso que se trabalhe a integração deles. È necessário 
priorizar as hidrovias e em especial as hidrovias da Amazônia, preservando o meio ambiente, afirmou. 
O secretário realçou que é necessária a organização de um programa participativo com os demais 
órgãos, em especial a Agência Nacional de Águas (ANA), para o melhor aproveitamento das hidrovias. 
José Machado, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) e Fernando Fialho, 
diretor-geral da ANTAQ, mostraram satisfação na decisão de dar importância para o setor no 
PAC 2010. Com a construção das hidrovias, nós vamos poder exportar em torno de 40 
milhões a 60 milhões de toneladas de grãos por ano, afirmou Fialho. 
07/12/2009 
Manchete: Alagoas terá maior estaleiro da América Latina. 
Resumo: Alagoas se prepara para ampliar o seu perfil econômico, baseado no turismo e na 
indústria sucroalcooleira, com a chegada da indústria naval. A partir de 2010, começa a ser 
construído no Estado o maior estaleiro da América Latina. Trata-se do Eisa Alagoas, que 
ocupará uma área de 2 milhões de metros quadrados no município de Coruripe, no Litoral Sul 
do Estado, a 130 km do Porto de Maceió. 
Os investimentos para a construção do estaleiro são estimados em R$ 1,5 bilhão e deverão 
resultar na geração de 4,5 mil empregos diretos. O empreendimento será comandado pelo 
empresário German Efromovich, que esteve em Maceió, em outubro deste ano, para o 
lançamento do projeto. O empresário é dono de outros estaleiros no Brasil, como o Mauá, no
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 32 de 323 
Rio. 
De acordo com o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), a instalação do estaleiro será o 
maior empreendimento de Alagoas em toda a história do Estado. Quando estiver instalado, o 
estaleiro de Alagoas será o maior da América Latina, com condições de construir navios de 
médio e grande porte, afirmou Vilela, destacando ainda a grande geração de emprego e 
renda que o empreendimento irá criar na região. 
Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Luiz Otávio Gomes, quando 
estiver funcionando, o estaleiro deverá gerar cerca de 18 mil empregos indiretos. São 
padarias, restaurantes, farmácias, supermercados e outros estabelecimentos comerciais, que 
vão contratar mão de obra para atender os trabalhadores do estaleiro, acrescenta Gomes. 
De acordo com o secretário, do ponto de vista técnico, o projeto do estaleiro está aprovado e 
os investimentos garantidos. Falta apenas a apresentação do Estudo de Impacto Ambiental 
para avaliação nos órgãos ambientais. 
24/11/2009 
Manchete: Governo federal instala Conselho Nacional de Integração de Políticas de 
Transporte 
Resumo: O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, formalizou a instalação do Conselho 
Nacional de Integração de Políticas de Transporte - o Conit, em sua primeira reunião ordinária, 
realizada em 24/11, em Brasília. O novo órgão de assessoramento do governo federal teve seu 
regimento interno aprovado, sendo criado com o objetivo de consolidar o que o ministro chamou de 
retomada da tradição de planejamento de médio e longo prazos. 
É essencial que as questões de infraestrutura de transportes sejam analisadas num contexto mais 
abrangente, considerando sua relação com as demais áreas da atividade econômica e social, num 
ambiente propício à discussão e à apresentação de propostas e sugestões, buscando sinergia de 
idéias para o desenvolvimento nacional, definiu Alfredo Nascimento. 
O Conit é presidido pelo ministro dos Transportes e tem, no seu quadro de conselheiros, outros nove 
ministros. No início da primeira reunião ordinária, Alfredo Nascimento explicou seu funcionamento, 
afirmando que o Conit deverá estar associado a uma visão federativa - e não apenas federal - das 
questões de transportes, capaz de incorporar os diversos segmentos e atores. 
Nessa primeira reunião do colegiado, além dos membros natos do Conit, o presidente do Conselho 
abriu espaço para a participação de usuários, operadores e trabalhadores do setor, por meio de suas 
entidades representativas de caráter nacional, primordialmente, por meio de suas confederações - 
CNA, CNT, CNI, CNTT e CNC. 
O presidente do Conselho de Secretários de Transportes, Edson Giroto, e representantes de agências 
reguladoras e as entidades governamentais que atuam no setor - ANTT, Antaq, Anac, DNIT, Valec, 
CBTU e Infraero, também participaram da primeira reunião. 
Na avaliação do ministro Pedro Brito - titular da Secretaria Especial de Portos, também presente na 
reunião, o Conit será uma ferramenta a mais para a indispensável integração dos diversos modais 
representativos desse órgão. 
Dentre as deliberações dessa reunião inaugural, os conselheiros receberam a proposta de 
organização dos comitês técnicos, elaborado pela Secretaria Executiva do órgão, com a titularidade do 
secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. 
O ministro Alfredo Nascimento convocou nova reunião para o mês de janeiro, com a finalidade de 
aprovar as propostas de implantação desses grupos de trabalho. Na próxima ocasião, o Conit também 
será informado sobre o resultado revisado do Plano Nacional de Logística e Transportes - PNLT, já 
como indicador para formulação do novo Plano Plurianual. 
24/11/2009 
Manchete: Transporte de alto risco 
Resumo: As falhas da fiscalização, tanto nas estradas quanto nas ruas das cidades
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 33 de 323 
brasileiras especialmente nas capitais, têm aumentado o risco do transporte de cargas 
perigosas. Uma pequena amostragem de vistorias feitas por comandos da polícia rodoviária 
nas estradas revela assustador aumento dos casos de desrespeito das normas obrigatórias 
de segurança. Levantamento do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo 
(Ipem-SP), órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, apontou um 
aumento de 30% no número de veículos em precário estado de manutenção carregados de 
produtos tóxicos nas estradas paulistas. 
Dos 2,2 mil veículos vistoriados em 2006 pelos técnicos do Ipem, 720 apresentaram 
irregularidades. Pneus carecas, suspensão e freios comprometidos, falhas no mecanismo 
das válvulas, tanques corroídos e outros problemas elevaram em 52% o número de 
apreensões do Certificado de Inspeção para o Transporte de Produtos Perigosos (CIPP), 
documento obrigatório nessa atividade em todo o País. 
Essas porcentagens são altas, mas quando se vê que apenas 2,2 mil caminhões foram 
fiscalizados durante todo o ano, em todo o Estado, fica evidente a precariedade da 
fiscalização. 
Somente na cidade de São Paulo, circulam, por dia, mais de 200 mil caminhões - pelo menos 
10 mil carregados com produtos tóxicos. “Estamos na iminência de uma tragédia, que ainda 
não aconteceu porque Deus é brasileiro. E paulistano”, declarou, em outubro do ano 
passado, ao Jornal da Tarde, Glória Benazzi, da Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(ABNT). 
O Ipem fiscaliza esse tipo de transporte na Grande São Paulo, exceto na capital, e no interior. 
Na cidade de São Paulo, que é passagem obrigatória para grande parcela da frota que circula 
pelo Estado, a fiscalização do transporte de cargas perigosas é da competência da Polícia 
Militar, com apoio da Prefeitura. As blitze são raras. A Companhia de Engenharia de Tráfego 
(CET), sozinha, apenas fiscaliza o cumprimento da norma municipal que proíbe a circulação 
desse tipo de veículo entre 17 e 20 horas. 
A explicação do Ipem para a exclusão da capital da sua área de atuação é de que é muito 
perigoso manter veículos carregados de produtos tóxicos parados por muito tempo, juntos 
um do outro, na cidade. Uma fagulha perto de um veículo desses, que esteja com vazamento 
de combustível, provocaria uma grande tragédia. 
Mas, e nos congestionamentos, que às vezes duram horas nas Marginais, não há perigo? Em 
2006, houve 17 acidentes com esse tipo de veículo na cidade. E, apesar de todos os órgãos 
responsáveis pela fiscalização admitirem os altos riscos, as vistorias não são prioridade. Em 
2005, a fiscalização no Estado sofreu redução de 24%, em comparação com o ano anterior. 
Muitas foram as críticas, mas de pouco adiantaram. No ano passado, foram vistoriados 126 
caminhões a mais do que o total de 2005 
A impunidade incentiva muitos transportadores de cargas perigosas a retirarem dos veículos 
a placa cor de laranja, que identifica o transporte de produtos tóxicos, para burlar a restrição 
à circulação no período da tarde, instituída pela Prefeitura de São Paulo. A manutenção 
preventiva é cada vez mais rara. E o medo de ser flagrado inexiste. 
Em junho do ano passado, o prefeito Gilberto Kassab anunciou que tentaria recuperar o 
tempo perdido na regulamentação e fiscalização do transporte de cargas perigosas, mas, até 
agora, mais tempo se perdeu. Tivesse investido na tarefa de tornar mais restrito o horário de 
circulação desse tipo de carga, concentrando o tráfego dos caminhões apenas nas 
madrugadas, a cidade já estaria melhor protegida. 
Recentemente, depois que dois caminhões ficaram entalados no período de apenas 20 dias 
na Ponte da Freguesia do Ó, na Marginal do Tietê, o prefeito cobrou do presidente da CET, 
Roberto Scaringella, a instalação de detectores de altura e maior rigor na aplicação de 
multas. Foi prometida também a apresentação de um projeto para a nova sinalização e novo 
valor da multa, que deverá chegar a R$ 75 mil. Legislação rigorosa, sinalização clara e 
fiscalização eficiente atenuariam os problemas causados pelo tráfego intenso de caminhões 
em São Paulo.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 34 de 323 
Data: 15/07/2009 
Manchete: Autoridades do Irã descartam sobreviventes em queda de avião. 
Um avião iraniano com 168 pessoas a bordo caiu na manhã desta quarta-feira, quando 
fazia a rota entre Teerã e Yerevan, capital da Armênia. Segundo autoridades iranianas 
citadas pela imprensa local, não há sobreviventes. 
Resumo: De acordo com a agência de notícias estatal do Irã, IRNA, o acidente ocorreu quando o 
avião, um Tupolev da companhia Caspian Airlines, sobrevoava a província de Qazvin, no noroeste do 
país. 
O chefe de polícia de Qazvin, Hossein Behzadpour, e o chefe do centro de controle de desastres do 
Ministério da Saúde do Irã, Mohammad Reza Montazer Khorasan, confirmaram à emissora estatal 
Press TV que todas as 168 pessoas a bordo, incluindo passageiros e tripulação, morreram no 
acidente. 
A maioria dos passageiros do voo era formada por armênios, e o avião teria caído pouco após decolar 
da capital iraniana. As causas do acidente ainda são desconhecidas e militares estão na região 
procurando as caixas-pretas da aeronave. 
O voo 7908 da Caspian (Airlines) caiu 16 minutos depois de decolar do aeroporto internacional Imã 
Khomeini, disse à Press TV o porta-voz da Organização de Aviação do Irã, Reza Jafarzadeh. 
De acordo com a imprensa estatal iraniana, o avião teria explodido ao atingir o solo formando uma 
cratera, enquanto os destroços se espalhavam por uma área de 200 metros quadrados. 
A imprensa iraniana ainda informou, citando fontes aeroportuárias, que as comunicações entre o piloto 
e a torre de controle não indicavam nenhum problema técnico na aeronave. 
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, enviou condolências às famílias das vítimas. 
Aeronaves antigas 
A aeronave modelo Tupolev foi construída na Rússia em 1987. 
De acordo com o correspondente da BBC Jon Leyne, grande parte das aeronaves militares e civis que 
operam no Irã são antigas e, devido às sanções impostas pelos Estados Unidos ao país, também há 
dificuldades para se encontrar peças de reposição para os aviões. 
Leyne afirma que o embargo econômico imposto após a Revolução Islâmica de 1979 obrigou o Irã a 
comprar aeronaves fabricadas na Rússia e na Ucrânia. 
Mesmo assim, grande parte destes aviões de fabricação russa e ucraniana, segundo Leyne, já opera 
há muitos anos. 
Data: 30/06/2009 
Manchete: Airbus de companhia do Iêmen cai com mais de 150 a bordo. 
Resumo: Um Airbus A310-300 do Iêmen com 153 pessoas a bordo, incluindo 66 franceses, 
caiu no mar quando se aproximava do arquipélago de Comores, no Oceano Índico, em meio 
ao mau tempo nas primeiras horas de terça-feira, disseram autoridades. Uma criança de 5 
anos foi resgatada viva do mar. 
Um médico do hospital militar a bordo de um dos botes de resgate telefonou ao hospital 
Mitsamiouli para dizer a eles que uma criança foi resgatada com vida, disse à Reuters Halidi 
Ahmed Abdou, um médico do centro médico por sobreviventes. 
Hadji Madi Ali, diretor do aeroporto internacional em Morini, disse à rádio nacional que a 
criança tem 5 anos. Ele disse que cinco corpos também foram encontrados. 
A autoridade aeroportuária de Paris disse que 66 franceses estavam a bordo do avião, que 
percorria o trecho final de um voo que levava passageiros de Paris e Marseille para Comores, 
via Iêmen. Um grande número de iemenitas também estava a bordo.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 35 de 323 
Dois aviões militares e um navio franceses deixaram as ilhas de Reunião e Mayotte, no 
oceano Índico, para ajudar nas buscas. 
Os aviões viram destroços no suposto ponto de impacto, disse Ibrahim Kassim, uma 
autoridade do organismo regional de segurança aérea ASECNA, à Reuters. 
Este é o segundo Airbus a cair no mar no último mês, após o acidente com o Airbus 
A330-200 que voava do Rio de Janeiro a Paris quando se acidentou no oceano Atlântico com 
228 pessoas a bordo em 31 de maio. Um relatório preliminar sobre esse acidente deve ser 
divulgado na quinta-feira. 
O trecho Paris-Marseille-Iêmen do voo da Yemenia foi percorrido em um Airbus A330. Em 
Sanaa, os passageiros que se destinavam a Comores trocaram de aeronave, embarcando no 
A310 que acabou caindo. 
O ministro dos Transportes da França, Dominique Bossereau, disse que falhas haviam sido 
detectadas durante inspeções na França no A310 da Yemenia e que a aeronave não havia 
retornado ao país europeu desde então. 
O A310 em questão foi inspecionado em 2007 pela DGAC (autoridade de transporte 
francesa) e eles notaram um certo número de falhas, disse ele ao canal de TV I-tele. 
A companhia não estava na lista negra, mas estava sujeita a checagens mais rigorosas de 
nossa parte, e estava prestes a ser entrevistada brevemente pelo comitê de segurança da 
União Europeia. 
Data: 01/06/2009 
Manchete: O acidente com o Airbus A330. 
Resumo: O Airbus A330 saiu do Rio de Janeiro no domingo, 31 de maio, às 19h (de 
Brasília), e deveria chegar ao Aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 
11h10 locais (6h10 de Brasília). 
De acordo com nota divulgada pela FAB, às 22h33 (horário de Brasília) o vôo fez o último 
contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III). O comandante 
informou que, às 23h20, ingressaria no espaço aéreo de Dakar, no Senegal. 
Às 22h48 (horário de Brasília) a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta, segundo a 
FAB. Antes disso, no entanto, a aeronave voava normalmente a 35 mil pés (11 km) de 
altitude. 
A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de 
Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT 
(23h14 de Brasília). A equipe de resgate da FAB foi acionada às 2h30 (horário de Brasília). 
Na última sexta-feira foi confirmado, oficialmente, que os destroços encontrados no Oceano 
Atlântico eram do voo AF 447. Na manhã seguinte, a Marinha e a Aeronáutica localizaram os 
primeiros corpos das vítimas.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 36 de 323 
Instituições Políticas 
Constituição 
Depois de abolida a Monarquia, a primeira Constituição da República (1891) estabeleceu um 
sistema presidencialista de governo, com três poderes independentes: Executivo, Legislativo 
e Judiciário. Essa estrutura foi mantida nas seis Constituições Republicanas subseqüentes do 
Brasil, incluindo a Constituição atual, que foi elaborada por um Congresso Nacional 
Constituinte eleito em 1984 e formalmente promulgada em 5 de outubro de 1988. 
A Constituição de 1988 incorporou muitos conceitos novos, abrangendo desde proteção 
ambiental até o fortalecimento do Poder Legislativo em sua relação com o Executivo. 
O Brasil é uma república federativa composta por 26 estados e um Distrito Federal. O 
governo dos estados tem estrutura semelhante à área federal, desfrutando de todos os 
poderes (definidos em sua própria Constituição) que não estejam especificamente 
reservados à esfera federal ou designados para o Conselho Municipal. O chefe do Poder 
Executivo estadual é o Governador, eleito por voto direto para um período de quatro anos. 
Existe ainda uma Assembléia Legislativa e um Poder Judiciário estadual, que segue o padrão 
federal e tem sua jurisdição definida de maneira a evitar qualquer conflito com as Cortes 
Federais. Em nível municipal, o Poder Executivo é exercido pelo Prefeito, também eleito por 
voto direto por um período de quatro anos. A Câmara de Vereadores representa, em nível 
legislativo, os interesses da população do Município. Existem ainda mais de 4.400 Conselhos 
Municipais que são autônomos e restritos a assuntos locais. Os Conselhos Municipais 
operam sob os parâmetros da Lei Básica das Municipalidades. 
Poder Legislativo 
Vigora no país o pluripartidarismo, com um Poder Legislativo bicameral, composto pelo 
Senado, com 81 membros, e pela Câmara dos Deputados, com 513 membros. Todos são 
eleitos por voto direto, para mandatos de 8 e 4 anos, respectivamente. O Senado é composto 
por três Senadores de cada estado e do Distrito Federal. As eleições para Senador são 
alternadas (1/3 e 2/3) a cada quatro anos, concomitantemente às eleições para a Câmara 
dos Deputados. 
O número de membros das Assembléias Legislativas estaduais e do Distrito Federal, assim 
como das Câmaras de Vereadores dos municípios, é definido pela Constituição de cada 
Estado da Federação, pela Lei Orgânica do Distrito Federal e pelas Leis Orgânicas 
municipais, respectivamente. Os Deputados Estaduais e Vereadores são eleitos por voto 
direto, para mandatos de quatro anos. 
Poder Executivo 
O Poder Executivo é chefiado pelo Presidente da República e dele fazem parte os 
Ministérios, as Secretarias Especiais. Os Ministérios têm a atribuição de elaborar e executar 
políticas públicas em suas respectivas áreas de atuação. O Presidente da República exerce 
as funções de chefe de Estado e de Governo, administrando a coisa pública, aplicando as 
leis existentes e propondo outras que sejam da sua competência. As ações desenvolvidas 
pelo Governo dependem da orientação política do Presidente da República e sua equipe. Tal 
orientação é expressa em programa político divulgado durante a campanha eleitoral. 
Pela Constituição em vigor, o Presidente da República é eleito para um mandato de quatro 
anos, com direito à reeleição. 
As eleições presidenciais são realizadas em dois turnos, caso um dos candidatos não 
obtenha, no primeiro pleito, 50% dos votos válidos mais um. Por se tratar de regime 
presidencialista, referendado em plebiscito realizado em 21 de abril de 1993, o Presidente 
não depende da confiança do Legislativo para permanecer no cargo, mas pode ser suspenso 
de suas funções pelo Congresso, em situações extraordinárias. Caso o mandato presidencial 
fique vago por algum motivo, será preenchido pelo Vice-Presidente até que se expire. Caso o 
Vice-Presidente não possa exercer tal função, a linha sucessória da Presidência da 
República seguirá a seguinte ordem: Presidente da Câmara dos Deputados, Presidente do 
Senado e Presidente do Supremo Tribunal Federal.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 37 de 323 
Poder Judiciário 
O Poder Judiciário é o árbitro que julga os conflitos de interesse existentes na sociedade. As 
decisões são tomadas através de processos judiciais embasados na Constituição, leis, 
normas e costumes. O Poder Judiciário está organizado nos âmbitos federal e estadual. Os 
municípios não têm Justiça própria, podendo recorrer, em certos casos, à justiça dos Estados 
ou da União. 
Integram o Poder Judiciário os seguintes órgãos: 
· Supremo Tribunal Federal, responsável pela aplicação e interpretação da Constituição e 
formado por 11 ministros escolhidos e nomeados pelo Presidente da República, após ter 
o Senado aprovado a escolha, por maioria absoluta; 
· Superior Tribunal de Justiça, que julga as questões infraconstitucionais e é responsável 
pela uniformidade da interpretação da lei federal em todo o País, sendo constituído por, 
no mínimo, 33 ministros nomeados pelo Presidente da República, após aprovação do 
Senado; 
· Justiça Federal, responsável pelas causas que envolvem a União, autarquias ou 
empresas públicas federais, e composta pelos Tribunais Regionais Federais (TRF’s) dos 
Estados e pelos juízes federais. 
· Justiça Estadual, formada pelos tribunais de Justiça e juízes de direito, que constituem 
foros para as ações de inconstitucionalidade das leis ou atos normativos estaduais e 
municipais, assim como para as ações criminais, civis e comerciais que não envolvam a 
União ou pessoas no exercício de cargos públicos federais. Ligados ainda às Justiças 
Estaduais existem os Tribunais de Pequenas Causas, criados para resolver demandas 
judiciais de solução imediata; 
· Justiça do Trabalho, responsável pela resolução de questões trabalhistas, é constituída 
pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), pelos Tribunais Regionais do Trabalho (TRT’s) 
e pelas Juntas de Conciliação e Julgamento; 
· Justiça Eleitoral, constituída pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os Tribunais 
Regionais Eleitorais (TRE’s), os juízes eleitorais e as juntas eleitorais, é responsável pelo 
encaminhamento, coordenação e fiscalização das eleições e do processo de formação e 
registro dos partidos políticos ; 
· Justiça Militar, responsável pelo processo e julgamento de crimes militares, e constituída 
pelo Superior Tribunal Militar (STM), juízes e tribunais militares e ainda os Conselhos de 
Justiça Militar. 
Sistema de Voto 
O voto é universal e obrigatório para todo cidadão alfabetizado entre 18 e 70 anos de idade. É 
opcional para cidadãos entre 16 e 17 anos, para os que têm acima de 70 anos e para os 
analfabetos de qualquer faixa etária. 
Os candidatos em eleição têm que pertencer a um partido político. O registro de um partido 
político é efetuado pelo Tribunal Superior Eleitoral e deve atender a certas exigências 
mínimas estabelecidas pela Legislação. Em eleições presidenciais ou de governadores 
estaduais, será eleito o candidato que obtiver maioria absoluta de votos. Caso nenhum dos 
candidatos obtenha esse resultado, 20 dias após a primeira eleição será realizado novo pleito 
do qual participarão os dois candidatos mais votados. 
O Movimento Sindical no Brasil 
Considerações gerais 
Nas últimas décadas, o sindicalismo mundial atravessou momento difícil, principalmente
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 38 de 323 
devido à queda no número de trabalhadores sindicalizados, o que gerou o debilitamento do 
poder sindical e a necessidade de repensar sua forma de atuação. Nos países 
latino-americanos em geral, observa-se o mesmo: o debilitamento do movimento sindical, 
devido não apenas ao impacto do autoritarismo político dos governos militares, mas também 
às seqüelas deixadas pela crise econômica dos anos 80. 
No caso do Brasil, pelo contrário, o movimento sindical parece haver renascido das cinzas e 
recobrado forças; expandiu-se na última década, a partir do término do regime militar, e 
incorporou a seus quadros setores sociais que até então não tinham participação de 
destaque, como os sindicatos rurais e os setores de classe média, principalmente médicos e 
docentes. 
Esse movimento, que surgiu a partir do ocaso do autoritarismo e demonstrou sua capacidade 
de mobilização, distingue-se consideravelmente do sindicalismo populista do período 
posterior à Segunda Guerra. O sindicalismo populista tinha sua base de sustentação em uma 
complexa teia de alianças entre dirigentes sindicais, autoridades governamentais e líderes 
nacionalistas e/ou populistas. 
O movimento recente apóia-se em três eixos: trabalhadores da indústria de ponta 
(automotiva, siderúrgica, etc.); profissionais liberais da área de saúde e educação; e 
agricultores. A presença deste último grupo tem significado importante se considerarmos que 
até 1960 simplesmente não existiam sindicatos rurais. Cerca de vinte anos depois, já 
existiam 8,3 milhões de sindicalizados no campo. Nesse contexto, levou-se adiante a idéia da 
criação de Centrais Sindicais e delineou-se a possibilidade do surgimento de um poder 
sindical com uma considerável capacidade de pressão. 
A evolução recente 
Com a Constituição de 1988, as federações de indústrias em quase todos os Estados 
brasileiros se dividiram em subsetores e, com isto, criou-se o espaço para a existência de 
mais de uma confederação em um mesmo setor. Ademais, as disposições estabelecidas na 
Constituição propiciaram a conformação de um sistema híbrido de relações de trabalho e de 
organização sindical, ao formular medidas de caráter liberal, como maior liberdade para a 
criação de novos sindicatos, o fim da subordinação ao Ministério do Trabalho e seu papel de 
árbitro, ao mesmo tempo em que foram mantidas outras, de inspiração corporativista, como o 
monopólio da representação, o sindicato único, a contribuição sindical e o poder normativo da 
Justiça do Trabalho. 
Dessa forma, no que se refere à estrutura corporativista, esta foi mantida, apesar dos 
esforços das correntes renovadoras. Manteve-se a distância que separava as entidades 
sindicais dos locais de trabalho e a pouca densidade da representação. Tanto a 
desconcentração como a descentralização, características básicas do modelo corporativista, 
continuaram a existir, dada a pluralidade de centrais e a permanência de sindicatos 
circunscritos às municipalidades. 
Atualmente, o quadro sindical brasileiro compõe-se de quatro centrais: CUT (Central Única 
dos Trabalhadores), Força Sindical, CGT (Central Geral dos Trabalhadores) e USI (União 
Sindical Independente). A CUT é a maior e mais ativa das centrais, tendo grande influência 
sobre os metalúrgicos da Grande São Paulo, os funcionários públicos, o pessoal das áreas 
de educação e saúde e os sindicatos rurais. É filiada à CIOSL (Confederação Internacional 
das Organizações Sindicais Livres) e diz contar com 8 milhões de afiliados. Sua maior rival é 
a Força Sindical, criada em 1991, cuja base de apoio se concentra no Sindicato dos 
Metalúrgicos de São Paulo e na Federação dos Trabalhadores em Alimentação, além de 
exercer certa influência sobre os eletricistas e comerciantes de São Paulo. A CGT vem 
enfrentando ultimamente fortes controvérsias internas, que dificultam o desenvolvimento de 
uma posição definida no plano nacional. Finalmente, há a USI que, apesar de ter sido 
fundada em 1985, não conseguiu se consolidar no espaço sindical, desempenhando um 
papel secundário nesse contexto. 
Quanto à sua atual estrutura, o sindicalismo brasileiro caracteriza-se por ser formado por 
sindicatos de base territorial por ramo de atividade, federações estaduais, interestaduais e
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 39 de 323 
nacionais, além de confederações nacionais. 
No que tange ao objetivo de sua atuação, o sindicalismo brasileiro tem sua ação limitada pela 
ausência do direito legal de organização nos locais de trabalho e pelo poder normativo 
exercido pela Justiça do Trabalho, que estabelece o que as partes devem fazer, encerrando, 
artificialmente, o marco do conflito. 
Apesar de não estarem excluídas as federações e confederações, a base das centrais 
compõe-se por filiações dos sindicatos locais, em nível municipal (às vezes incorporando dois 
ou três municípios). Aproximadamente 80% dos sindicatos do país não é filiado a nenhuma 
central e, em geral, tais sindicatos são organizações pequenas. A isto deve se acrescentar o 
fato de que os sindicatos brasileiros são regidos pelo princípio constitucional da unicidade 
sindical e se organizam por ramo/setor de produção e base territorial. 
No contexto atual, ao nível doméstico as centrais sindicais desempenham um papel que 
transcende aquele próprio de uma central, ampliando sua área de atuação e seus temas de 
interesse, agora guiado por um comportamento distinto daquele anteriormente observado. 
Percebe-se uma mudança na ação sindical (principalmente no que diz respeito à CUT), que 
deixa de lado o posicionamento de estrita oposição e parte em busca do diálogo tanto com o 
governo como com os setores empresariais. Um exemplo dessa mudança pode ser 
encontrado na própria formação das Câmaras Setoriais, cujo marco de referência nas 
negociações de caráter tripartite (governo-empresários-sindicatos) é o Acordo Automotivo. 
No campo externo, esse novo tipo de comportamento traduz-se em um posicionamento 
distinto em relação ao processo do Mercosul. Passou-se de uma postura de total oposição à 
participação formal para outra de inserção no espírito do Mercosul, no qual as centrais 
apresentam agendas de propostas positivas durante as reuniões. 
Essa mudança de atitude é conseqüência de uma percepção de que o processo de 
integração propicia um contexto de liberalização comercial que, somada à abertura 
econômica, traria uma série de novos desafios aos trabalhadores, para os quais as antigas 
respostas não são adequadas. Esse quadro de novos desafios gerou a necessidade de atuar 
de maneira participativa no Mercosul. Nesse contexto, as Centrais Sindicais passaram a 
promover o diálogo e a levar suas propostas ao atual Subgrupo de Trabalho nº 10 (antes 
SGT-11), que se dedica ao tema do trabalho no âmbito do Grupo Mercado Comum (GMC) no 
Mercosul. 
(notíciário) 
 
12/02/2010 
Manchete: Brasil terá Maior Criação de Empregos do Mundo 
Resumo: A bandeira atual ostentada por Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, é a 
recuperação econômica do país ante a crise financeira mundial. Portanto, o líder máximo 
da nação pede que o ritmo de desenvolvimento nesse âmbito seja mantido para que supere 
os bons resultados conquistados ao final de 2009. 
O discurso teve como base, além dos dados econômicos, as informações de geração de 
emprego para este ano. Guido Mantega, ministro da Fazenda, descreveu que os 
empresários participantes do Fórum de Davos, na Suíça, acreditam que o Brasil será o local 
com a maior criação de postos de trabalho em todo o planeta. 
Para Mantega, que teve discurso relatado pelo Portal de Economia do Estadão, os problemas 
encontrados pelos Estados Unidos e pela Europa não pertencem à realidade brasileira. 
Nesses locais, segundo ele, há crescimento mas muita dívida pública, além dos próprios 
índices de desemprego, que não são lá tão baixos.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 40 de 323 
12/02/2010 
Manchete: Medida Provisória – Lula cria MP para Retaliação de Comércio com Países 
Resumo: O Congresso Nacional recebeu, em 11 fevereiro, uma Medida Provisória (MP) 
de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil. O documento tem por finalidade criar um 
instrumento jurídico para abrir a possibilidade de o país empregar represálias e medidas 
repressivas econômicas na área de propriedade intelectual a outras nações. De acordo com 
o portal de notícias G1, o país só tem, por enquanto, uma lei que permite retaliações por 
meio de produtos. 
Para o Ministério das Relações Exteriores, esse novo instrumento já pode ser adotado, por 
exemplo, em retaliação ao governo dos Estados Unidos no caso dos subsídios ilegais 
fornecidos aos produtores de algodão norte-americanos. 
Juntamente à Organização Mundial do Comércio, ou OMC, o Brasil conquistou o direito de 
retaliar os EUA e apregoar essa lista de bens e, a partir deste momento em diante, de 
propriedades intelectuais. 
12/02/2010 
Manchete: Governo Lula teve Menor Período de Recessão 
Resumo: Um levantamento e avaliação feitos pelo Comitê de Datação de Ciclos 
Econômicos (Codace) revela que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do 
Brasil, foi o que assinalou o período de maior expansão econômica, num intervalo estimado 
entre junho de 2003 e julho de 2008. 
O Codace, grupo de sete acadêmicos renomados, com Affonso Celso Pastore, ex-presidente 
do Banco Central, revela, também, que o governo de Lula foi o que apresentou o menor 
período de recessão das últimas três décadas, num período compreendido entre julho de 
2008 e janeiro de 2009. 
Segundo o Portal de Economia do Estadão, com base no Codace, desde 1980 aconteceram 
cinco recessões – a maior delas perdurou durante 16 meses, entre outubro de 1997 e 
fevereiro de 1999. Na época mencionada, crises internacionais e a perda da confiança de 
investidores estrangeiros ante o Brasil colaboraram para a fuga de capitais em grande massa 
e a queda íngreme de reservas internacionais. 
10/02/2010 
Manchete: Paulo Barreto é empossado novo Ministro da Justiça. 
Resumo: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva empossou Luiz Paulo Barreto em uma 
solenidade fechada no CCBB 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva empossou hoje (10/02) o novo ministro da Justiça, Luiz 
Paulo Barreto, em uma solenidade fechada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Em 
discurso transmitido pelo sistema de som da sede provisória da Presidência da República, 
Lula disse ter total confiança em Barreto e que ele conseguirá dar 'conta do recado'. 'Quanto 
mais trabalho e menos bochincho, nós ganhamos com isso', afirmou o presidente. 
Lula disse esperar que Barreto continue o trabalho de Tarso Genro, que sai do cargo para se 
candidatar ao governo do Rio Grande do Sul. Lula elogiou, em especial, as ações de Tarso 
voltadas para a Polícia Federal (PF). 'Houve melhoria substancial nos salários do ministério. 
Na Polícia Federal, houve não apenas o reconhecimento do trabalho da instituição, mas uma 
recomposição salarial e um aumento do efetivo, substancial, que mostra a importância da PF.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 41 de 323 
Para o presidente, Tarso foi 'ousado e impetuoso' no ministério, dando 'estabilidade à 
instituição'. E sobre o novo titular da pasta, lembrou que ele é concursado há 26 anos 
'conhece a máquina por dentro, é amigo de todo mundo, conhece todo mundo e não tem 
como a gente não confiar num homem de carreira do Ministério da Justiça' 
Melhora 
O presidente disse que optou por preencher as vagas de ministros por secretários-executivos 
porque eles já conhecem a estrutura da máquina. Segundo ele, a colocação de um novo 
ministro de fora da pasta implicaria em novo gabinete e novas contratações, e o ministério só 
voltaria a funcionar no fim do governo. 
Lula aproveitou para dizer que em todas as áreas está conseguindo fazer uma gestão melhor 
no segundo mandato do que no primeiro. Citou como exemplo o Ministério da Justiça. Ainda 
de acordo com ele, a saída de um ministro é sempre um momento difícil, mas é mais sofrida 
quando o ministro não quer sair do governo, obrigando o presidente a demiti-lo. 'O momento 
duro é quando cabe ao presidente tirar o ministro e ele acha que ainda não é hora de sair. 
09/02/2010 
Manchete: Irã inicia enriquecimento de urânio a 20%. 
Resumo: Cientistas iranianos iniciaram nesta terça-feira o processo de enriquecimento de 
urânio a 20% na usina nuclear de Natanz, na região central do país, informou a televisão 
estatal. 
O processo teve início no começo da manhã na presença de inspetores internacionais, 
explicou a emissora oficial em árabe Alalam. 
O Irã já processa urânio para enriquecê-lo até 20% em Natanz na presença de inspetores 
internacionais, declarou uma fonte do organismo iraniano de energia atômica citada pelo 
canal televisivo. 
A decisão do Irã de enriquecer urânio a 20% anunciada no domingo passado pelo presidente 
iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, após meses de infrutíferas negociações com países do 
Ocidente, multiplicaram as suspeitas sobre o programa nuclear do Irã. 
Países como Estados Unidos, Israel, França, Alemanha e Reino Unido acusam Teerã de 
esconder um projeto de natureza clandestina e aplicações bélicas cujo objetivo seria a 
aquisição de um arsenal nuclear, o que o Irã desmente. 
O conflito se agravou no final do ano passado depois que Teerã rejeitou uma proposta de 
Washington, Paris e Moscou para enviar seu urânio a 3,5% ao exterior e recuperá-lo depois 
enriquecido a 20%, nas condições necessárias para manter seu reator nuclear civil na capital 
em operação. 
O Irã afirma ser a favor da troca, mas exige que esta se produza em seu território e se faça 
de maneira escalonada, condições que a outra parte não aceita. 
As autoridades iranianas afirmam que precisam de 120 kg de urânio enriquecido para manter 
o reator em operação e exigiu isso da Agência Internacional de Energia Atômica, como é 
direito do Irã por ser signatária do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. 
Segundo as autoridades iranianas, o reator do país foi criado para produzir isótopos para o 
tratamento de câncer. 
06/12/2009 
Manchete: Escândalo de corrupção abala Brasília
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 42 de 323 
Resumo: Um dos vídeos mostra o governador de Brasília, José Roberto Arruda, a receber 
uma grande quantidade de dinheiro. Noutro, o presidente da câmara da capital brasileira 
guarda o suborno nos bolsos das calças, mas também nas meias. Num terceiro, dos muitos 
que foram divulgados pela imprensa, os aliados do governador são filmados a rezar depois 
de receberem mais um pagamento. 
O último escândalo de corrupção que abala o Brasil está centrado em Brasília. O governador 
Arruda, do Partido Democrata (oposição), é acusado de ter pago a sua campanha de 2006 
com subornos. Além disso, seria um dos líderes de um esquema de pagamento de propina, 
como lhe chamam os brasileiros, a deputados aliados. O caso está a chocar Brasília e o 
Parlamento estadual foi invadido por um grupo de estudantes que exigem a demissão do 
governador. 
Tudo filmado graças a Durval Barbosa, o antigo secretário de Relações Institucionais de 
Arruda, que aceitou ajudar a polícia em troca de uma futura redução da pena. Sob Barbosa, 
que não só colocou câmaras ocultas como usou microfones, recaem mais de 30 acusações. 
O governador, que reclama inocência e diz que declarou o dinheiro todo (que serviria para 
comprar prendas para os pobres), acusa o antigo secretário de o querer destruir. Barbosa já 
trabalhava com o anterior governador. 
O escândalo veio a público no dia 27 de Novembro, com o desenrolar da operação Caixa de 
Pandora. Foram cumpridos 29 mandatos de buscas e apreendidos milhares de reais e 
dólares. O secretário foi despedido no próprio dia. O caso foi ganhando mais dimensão com 
a divulgação dos vídeos que provam os casos de suborno. O dinheiro vinha das empresas 
que prestam serviços ao governo do Distrito Federal (Brasília). 
O caso é deplorável para a classe política, afirmou o Presidente Lula da Silva. Segundo os 
analistas políticos, citados pela BBC, o caso que está a ser conhecido como O mensalão de 
Brasília - numa referência ao outro escândalo de corrupção que abalou o primeiro mandato 
de Lula - deixa em xeque o Partido Democrata. A direcção do partido, que espera designar o 
candidato a vice-presidente na equipa encabeçada pelo Partido da Social Democracia 
Brasileira em 2010, está a analisar uma eventual expulsão de Arruda. 
Entretanto, no Parlamento estadual, deram entrada vários pedidos de impeachment 
(afastamento) do governador. Resta saber se terão resultado. Centenas de pessoas, na sua 
maioria estudantes que invadiram o Parlamento na quarta-feira, continuam a ocupar o 
espaço, dizendo que só saem depois de Arruda ser expulso. 
06/12/2009 
Manchete: Eleições 2010 
Resumo: Ainda faltam alguns meses para as eleições 2010 e os brasileiros definirem quais 
serão os novos Deputados Estaduais e Federais, Senadores, Governadores e Presidente da 
República. Mesmo assim, o debate sobre as eleições 2010 estão a todo o vapor, 
principalmente no que diz respeito a sucessão presidencial. 
Oposição 
Para o atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição só está pensando nas eleições 
2010. Segundo ele, a sede de voltar ao poder é tanta que há muito tempo os opositores já 
arquitetam a retomada do cargo majoritário do Brasil. 
Várias discussões já começaram sobre o novo processo eleitoral, entre elas sobre como 
será a regulamentação das eleições 2010 pela internet, sobre quais serão os candidatos e 
as pesquisas de opinião pululam por todos os lugares. 
Sobre a regulamentação da campanha na internet, fica liberado para os internautas poderem 
expressar suas opiniões livremente em blogs, sites de relacionamento e de mensagens 
instantâneas. Para os candidatos das eleições 2010, a internet fica liberada para divulgação 
de projetos. Já os sites que são mantidos por empresas de comunicação precisam obedecer
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 43 de 323 
às regras das eleições da TV e do rádio. 
Candidata do PT 
Está quase certo que o PT colocará Dilma Roussef como candidata para substituir Lula na 
presidência. Apesar de essa não ser a versão oficial do partido, isso está sendo avaliado há 
meses pelos analistas políticos e Lula, que, apesar de tentar, não consegue convencer 
ninguém de que isso não acontecerá. A Ministra-chefe da Casa Cívil pode se tornar a 
primeira mulher a governar o Brasil. Mas a disputa nas eleições 2010 não vai ser fácil. 
Candidatos da oposição 
A oposição, representada por PSDB e DEM, ainda não tem candidato fixo para as eleições 
2010. Espera-se que o PSDB lance candidato à presidência e que o DEM siga como vice. 
Essa atitude aumenta a força dos partidos e da própria oposição. 
Dentre os possíveis candidatos do PSDB à presidência nas eleições 2010, estão José Serra 
(SP) e Aécio Neves (MG). O candidato mineiro tem força naquele estado e é figura 
consistente dentro do partido. O problema é que o Brasil de uma maneira geral ainda não o 
conhece. Nesse ponto, sai na frente José Serra. Ele já disputou campanha presidencial, 
perdendo para Lula. Mas isso ajudou e fez com que ele fosse conhecido por todo o país. E 
nas pesquisas de opinião, Serra sai bem na frente de Aécio. 
Outros partidos menores prometem lançar candidatos para as eleições 2010. O Partido 
Verde contou, recentemente, com uma nova integrante para reforçar a sua base política. 
Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, saiu do PT e foi para o PV. E este partido está 
prometendo lançá-la como candidata à presidência. 
05/02/2010 
Manchete: Brasil deve adquirir Caças Rafale para FAB 
Resumo: Alguns setores deste país não entram em consenso há muito tempo. Desde o ano 
passado, há um debate para decidir se os caças adotados pela Força Aérea Brasileira 
serão de origem francesa, sueca ou norte-americana. Ao que tudo indica, Luiz Inácio Lula 
da Silva, presidente do Brasil, já tem seu parecer: os Rafale, da França. 
Entretanto, segundo o Portal de Economia do Estadão, o Comando da Aeronática assegurou 
que não recebeu qualquer tipo de comunicação oficial sobre qual companhia obteve sucesso 
e fornecerá aviões para a FAB. A Nelson Jobim, ministro da Defesa, e – novamente – a Lula, 
não há mais dúvidas, pois os franceses reduziram o preço de seus caças, o que propiciou tal 
decisão. 
Por outro lado, diversas fontes apontam que o preço dos caças Rafale são superior às 
ofertas suecas e norte-americana. Nas entrelinhas, conforme já veiculado há algum tempo 
neste espaço, há interesses políticos em jogo, visto que a amizade entre Lula e Nicolas 
Sarkozy extrapola os âmbitos políticos. 
01/02/2010 
Manchete: Presidente Lula Recebe Prêmio em Davos (Suíça) 
Resumo: Desfechando diversos meses de inúmeras conquistas, Luiz Inácio Lula da Silva, 
presidente do Brasil, recebeu o título de Estadista Global no Fórum realizado em Davos, 
na Suíça. No entanto, a liderança brasileira não pode receber a honra em mãos porque ficou 
em nosso país para cuidar de uma crise de hipertensão. 
Segundo o Portal de Economia UOL, com base em notícia veiculada pela agência AFP, é a 
primeira vez na história que o prêmio é entregue a um homem de Estado. É a primeira vez, 
também, que uma terceira pessoa lê um discurso em Davos – na ocasião, quem o executou 
foi o chanceler Celso Amorim.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 44 de 323 
Curiosamente, há sete anos, conforme apregoado pelo portal UOL e por diversos veículos de 
comunicação em 29 de janeiro, o Fórum Davos olhava com desconfiança os discursos de 
Lula, esquerdista, sem curso superior e um ex-operário, que assegurava aos investidores que 
o Brasil era um ótimo local para ingressarem. 
25/01/2010 
Manchete: Lei do Inquilinato entra em vigor hoje e facilita ação de despejo por 
inadimplência. 
Os contratos de locação de imóveis passam a ter novas regras a partir desta 
segunda-feira, quando entra em vigor a Lei do Inquilinato. A nova legislação tornou 
mais ágil o processo de despejo de inquilinos inadimplentes e exigirá um rigor maior 
no pagamento do aluguel. 
Resumo: Pelas regras antigas, uma ação de despejo durava até 14 meses. Agora, os 
proprietários de imóveis poderão obter uma liminar em 15 dias com autorização de remoção 
de inquilinos inadimplentes, desde que eles não possuam fiador ou seguro-fiança. 
“A nova lei equilibrou a relação entre locador e locatário. Com a facilidade do despejo, a 
tendência é que os contratos de aluguel passem a ser cumpridos com rigor”, afirma Jaques 
Bushatsky, diretor de legislação do inquilinato do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). 
A expectativa dele é que a nova lei atraia mais investidores para a locação de imóveis. Hoje 
muitas pessoas deixam de investir no setor para evitar problemas com inquilinos 
inadimplentes, segundo Bushatsky. A mudança na lei também deve deixar os contratos de 
aluguel menos burocráticos. “A tendência é que os proprietários deixem de exigir fiador ou 
seguro-fiança porque sabem que agora é possível despejar inquilinos inadimplentes em 
pouco tempo.” 
Os lojistas terão que se adaptar às novas regras para não correr o risco de perder seu ponto 
de venda por atrasos no pagamento do aluguel. “Até mesmo os bons pagadores enfrentam 
problemas financeiros e podem atrasar o aluguel para priorizar outras contas, como o salário 
dos funcionários. Mas com a nova lei, a tendência é que o aluguel ganhe prioridade em 
relação a outras contas”, afirma Luís Augusto Ildefonso da Silva, diretor de relações 
institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). 
Apesar de impor mais rigor ao contrato de locação, o setor de varejo ficou satisfeito com as 
novas regras. Os lojistas temiam que a lei fosse aprovada na íntegra, mas artigos que 
estabeleciam mudanças mais radicais foram vetados pelo presidente da República, Luiz 
Inácio Lula da Silva. 
“A proposta original trazia mudanças muito nocivas aos lojistas. Mas esses artigos foram 
vetados e a versão final da lei não traz alterações tão drásticas”, afirma Marcel Solimeo, 
economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 
Um dos artigos vetados por Lula, por exemplo, permitia ao proprietário obter liminar para 
retomar o imóvel em 15 dias no caso de receber uma proposta de aluguel com valor maior. 
25 /01/2010 
Manchete: Aliado de Saddam, Ali, o Químico é executado no Iraque. 
Resumo: Ali Hassan al-Majid, mais conhecido como Ali o Químico, condenado a morte 
quatro vezes, uma delas pelo massacre de 5 mil curdos em 1988, foi executado nesta 
segunda-feira, anunciou o porta-voz do governo iraquiano, Ali Dabbagh. 
O réu Ali Hassan al-Majid foi executado por enforcamento hoje, conforme a lei e a 
Constituição, devido aos assassinatos e crimes contra a humanidade cometidos, anunciou o 
porta-voz em comunicado. 
Dabbagh afirmou que a execução do primo de Saddam Hussein transcorreu sem nenhum 
tumulto, nem gritos de alegria nem insultos.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 45 de 323 
No dia 17 de janeiro, Ali o Químico foi, pela quarta vez, condenado à morte, pelo massacre 
de 5 mil curdos em 1988, uma decisão saudada como uma vitória e recebida com uma 
explosão de alegria no Curdistão. 
Primo de Saddam Hussein, ele foi o temido braço direito do ex-ditador durante 35 anos, 
disposto a tudo para esmagar qualquer tentativa de rebelião no país. 
Agente de ligação militar até o golpe de Estado que levou o partido Baath ao poder em 1968, 
Majid recebeu o apelido de Ali o Químico por ter ordenado em 1988 o bombardeio com gás 
da cidade curda de Halabja, matando milhares de homens, mulheres e crianças. 
22/01/2010 
Manchete: Morales toma posse para segundo mandato presidencial na Bolívia. 
O presidente da Bolívia, Evo Morales, tomou posse nesta sexta-feira para um segundo mandato, 
até 2015, em cerimônia realizada na sede da Assembleia Legislativa, agora denominada, 
também, Plurinacional. 
Morales prestou o juramento - com o punho esquerdo levantado e o braço direito no coração - pela 
pátria e pelo povo, depois de ter sido eleito em dezembro passado com 64% dos votos. 
Morales recebeu das mãos do presidente da Assembleia Legislativa, Alvaro García, também 
vice-presidente da Bolívia, os símbolos pátrios: um medalhão e a faixa presidencial que, pela primeira 
vez, desde 1825, apresenta junto ao escudo nacional uma bandeira whipala, símbolo dos povos 
indígenas. 
10/01/2010 
Manchete: Israel anuncia construção de barreira na fronteira com Egito. 
Resumo: O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aprovou neste domingo 
planos de construir uma barreira ao longo de parte da fronteira com o Egito e instalar 
equipamentos avançados de vigilância para impedir a entrada de imigrantes ilegais e 
militantes. Eu tomei a decisão de fechar a fronteira sul de Israel aos terroristas e intrusos. É 
uma decisão estratégica para assegurar o caráter judaico e democrático de Israel, disse 
Netanyahu em um comunicado. 
Milhares de africanos e outros imigrantes entraram em Israel por meio da fronteira com o 
Egito nos últimos anos fugindo de conflitos ou em busca de uma vida melhor no Estado judeu 
Netanyahu disse que Israel continuaria recebendo refugiados de zonas de conflitos, mas que 
não podemos permitir que dezenas de milhares de trabalhadores ilegais entrem em Israel 
através da fronteira do sul e inundem nosso país com imigrantes ilegais. 
O projeto custará US$ 270 milhões e levará dois anos para ser concluído. 
06/12/2009 
Manchete: Escândalo de corrupção abala Brasília 
Resumo: Um dos vídeos mostra o governador de Brasília, José Roberto Arruda, a receber 
uma grande quantidade de dinheiro. Noutro, o presidente da câmara da capital brasileira 
guarda o suborno nos bolsos das calças, mas também nas meias. Num terceiro, dos muitos 
que foram divulgados pela imprensa, os aliados do governador são filmados a rezar depois 
de receberem mais um pagamento. 
O último escândalo de corrupção que abala o Brasil está centrado em Brasília. O governador 
Arruda, do Partido Democrata (oposição), é acusado de ter pago a sua campanha de 2006 
com subornos. Além disso, seria um dos líderes de um esquema de pagamento de propina, 
como lhe chamam os brasileiros, a deputados aliados. O caso está a chocar Brasília e o
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 46 de 323 
Parlamento estadual foi invadido por um grupo de estudantes que exigem a demissão do 
governador. 
Tudo filmado graças a Durval Barbosa, o antigo secretário de Relações Institucionais de 
Arruda, que aceitou ajudar a polícia em troca de uma futura redução da pena. Sob Barbosa, 
que não só colocou câmaras ocultas como usou microfones, recaem mais de 30 acusações. 
O governador, que reclama inocência e diz que declarou o dinheiro todo (que serviria para 
comprar prendas para os pobres), acusa o antigo secretário de o querer destruir. Barbosa já 
trabalhava com o anterior governador. 
O escândalo veio a público no dia 27 de Novembro, com o desenrolar da operação Caixa de 
Pandora. Foram cumpridos 29 mandatos de buscas e apreendidos milhares de reais e 
dólares. O secretário foi despedido no próprio dia. O caso foi ganhando mais dimensão com 
a divulgação dos vídeos que provam os casos de suborno. O dinheiro vinha das empresas 
que prestam serviços ao governo do Distrito Federal (Brasília). 
O caso é deplorável para a classe política, afirmou o Presidente Lula da Silva. Segundo os 
analistas políticos, citados pela BBC, o caso que está a ser conhecido como O mensalão de 
Brasília - numa referência ao outro escândalo de corrupção que abalou o primeiro mandato 
de Lula - deixa em xeque o Partido Democrata. A direcção do partido, que espera designar o 
candidato a vice-presidente na equipa encabeçada pelo Partido da Social Democracia 
Brasileira em 2010, está a analisar uma eventual expulsão de Arruda. 
Entretanto, no Parlamento estadual, deram entrada vários pedidos de impeachment 
(afastamento) do governador. Resta saber se terão resultado. Centenas de pessoas, na sua 
maioria estudantes que invadiram o Parlamento na quarta-feira, continuam a ocupar o 
espaço, dizendo que só saem depois de Arruda ser expulso. 
11/11/2009 
Manchete: 20 anos da queda do muro de Berlim. 
Resumo: No dia 9 de novembro de 1989, depois de terem ouvido pelo rádio um confuso 
comunicado das autoridades comunistas sobre a possibilidade dos cidadãos da Alemanha 
Oriental terem, naquele momento mesmo, o direito de poderem viajar para o Ocidente, uma 
massa de gente começou a se amontoar em frente às cancelas que davam passagem pelo 
muro. 
Assim, espontaneamente, deram os primeiros passos para pôr fim à existência daquele 
paredão medonho que separava os alemães em dois corpos distintos, numa hostilidade que 
apartava a humanidade inteira em duas facções inimigas. 
Anoitecia em Berlim. A concentração humana foi se dando aos poucos. Era uma daquelas 
tardes-noite gélidas de novembro, mas a exaltação dos que se apinhavam nas cancelas da 
fronteira da cidade dividida fez com que se esquecessem de tudo, do frio e do medo. 
O grande muro de mais de três metros de altura que os separava do mundo, cinzento, 
farpado, horroroso, se estendia para todos os lados formando um cinturão de mais de 45 km 
de extensão (sendo que 37 deles dentro da zona residencial). Era a última noite dele ainda 
inteiro. Os gritos começaram. O coro aumentava, o refrão era cada vez mais forte: Wir sind 
das Volk! Wir sind das Volk! (Nós somos o povo!). O longo cativeiro deles estava por 
terminar. 
Os guardas orientais, os outrora tão temidos Vopos, perplexos, embaraçavam-se perante a 
multidão. Entravam nas guaritas e, em telefonemas desesperados, aflitos, pediam instruções. 
Os seus superiores sumiram; os comunistas se volatilizaram. 
Do outro lado do muro, em Berlim Ocidental, uma outra massa de gente que para lá acorrera 
gritava para que erguessem as cancelas. Que deixassem os do Leste sair. E assim se deu. 
Naquela noite de 9 de novembro de 1989, entre os abraços e vivas de irmãos 
desencontrados, a Alemanha voltava a ser uma só.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 47 de 323 
Assistiu-se nas cercanias do Portão de Brandeburgo um duplo fenômeno, pois a reunificação 
alemã sepultou a Guerra Fria. Uma encerrou a outra. As desavenças em torno da posse da 
Alemanha provocaram o confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética. O consenso 
entre Reagan e Gorbachev em desocupá-la encerrou-o. A luta pelo controle dela, da 
Alemanha, atou e desatou o nó da Guerra Fria. 
Irmanando-se em abraços e lágrimas nas brechas já abertas do muro - aquela altura 
assaltado por centenas de picaretas e martelos -, sem que ninguém tivesse ordenado, era a 
gente simples da cidade de Berlim que, no final das contas, pôs fim naquilo tudo. 
Seguiam apenas os seus sentimentos mais profundos em favor da reconstrução da unidade 
nacional perdida em 1945. Nenhum titã os guiava, sequer um metido a salvador da pátria 
arengava para eles. Não estavam armados nem furiosos, apenas davam vazão, felicíssimos, 
à embriagadora sensação de estarem juntos e livres novamente, talvez lembrando Nietzsche 
no Zaratustra, que dizia: Todo o preso enlouquece! Também loucamente se liberta a 
vontade cativa. 
22/09/2009 
Manchete: Crise política em Honduras. 
Resumo: O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltou ao país ontem após 
quase três meses do golpe militar que o tirou do poder, em 28 de junho, e se refugiou na 
embaixada brasileira em Tegucigalpa. Ele pediu apoio à população para evitar ser preso pelo 
governo de Roberto Michelletti, que o acusa de corrupção. 
A origem da crise está na tentativa de Zelaya em estabelecer uma consulta popular sobre a 
reeleição no próximo pleito do país, que será realizado no dia 29 de novembro. Na 
oportunidade serão eleitos o presidente, congressistas e lideranças municipais. O objetivo do 
presidente deposto é mudar a Constituição para ter a oportunidade de permanecer no cargo. 
O ato de Zelaya foi o estopim para o golpe. O líder foi obrigado a deixar o país rumo à Costa 
Rica e foi substituído pelo presidente do Congresso, Roberto Michelletti, que teve apoio de 
setores conservadores. O ato foi imediatamente condenado pelas Nações Unidas (ONU) e 
pela comunidade internacional, liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. 
A Organização dos Estados Americanos (OEA) não reconheceu o governo de Michelletti e 
muitos fundos de ajuda econômica ao país, um dos mais pobres do mundo, foram 
suspensos. Enquanto nas ruas os apoiadores de Zelaya entravam em confronto com as 
forças policiais, o presidente deposto buscava apoio internacional para voltar ao país. 
No entanto, as negociações lideradas pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, 
fracassaram, e Zelaya seguiu exilado. Em sua última tentativa de entrar no país, pela 
fronteira da Nicarágua, no dia 24 de julho, o líder deposto foi barrado pelo exército de 
Michelletti. O atual governo confirmou as eleições do dia 29, mas não aceita que Zelaya 
concorra. 
22/09/2009 
Manchete: Lei que obriga hino nacional em escolas vale a partir desta 3ª. 
Resumo: A lei que obriga a execução do hino nacional uma vez por semana nas escolas 
públicas e particulares de ensino fundamental está no Diário Oficial da União desta 
terça-feira. De autoria do deputado federal Lincoln Portela (PR-MG), a lei foi sancionada na 
segunda-feira pelo presidente em exercício José Alencar e passa a valer a partir desta 
terça-feira. 
Data: 06/07/2009
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 48 de 323 
Manchete: Morre Robert McNamara, o arquiteto da guerra do Vietnã. 
Resumo: O ex-secretário de Defesa ameriano, Robert McNamara, que atuou no cargo sob a 
presidência de John F. Kennedy e Lyndon Johnson, e foi um dos principais estrategistas na 
Guerra do Vietnã, morreu nesta segunda-feira aos 93 anos, informou o jornal The 
Washington Post. 
Data: 28/06/2009 
Manchete: Crise em Honduras. 
Resumo: A crise política em Honduras que levou à detenção e ao exílio do presidente 
Manuel Zelaya pelo Exército do país, neste domingo, teve origem num enfrentamento do 
mandatário com os outros poderes estabelecidos do país: o Congresso, o Exército e o 
Judiciário. 
- Qual a origem da crise 
O presidente Manuel Zelaya queria que as eleições gerais de 29 de novembro - quando 
seriam eleitos o presidente, congressistas e lideranças municipais - tivesse mais uma 
consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Constituição do país. 
Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se 
convocasse uma Assembleia Constituinte para reformar a Carta Magna. 
Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção é mudar o marco jurídico do país para poder 
se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição. 
- O que se planejava para este domingo 
Seria uma consulta sobre a consulta. 
Os eleitores teriam que responder sim ou não à seguinte pergunta: Está de acordo com que 
nas eleições gerais de novembro de 2009 se instale uma quarta urna para decidir sobre a 
convocação de uma Assembleia Constituinte que aprove uma nova Constituição política?. 
- O que decidiu o Congresso sobre a consulta de domingo 
O Congresso hondurenho aprovou uma nova lei que regulamenta os referendos e os 
plebiscitos e invalida juridicamente a consulta. 
A nova legislação impede a realização de consultas 180 dias antes e depois das eleições 
gerais. 
O presidente do Congresso, Roberto Micheletti, que é do mesmo partido que Zelaya, o 
Partido Liberal, afirmou que a consulta não teria validade jurídica e que pela atual 
Constituição ela seria considerada um delito. 
A proposta de Zelaya era rechaçada por Micheletti, que afirma que o presidente pretendia se 
perpetuar no poder. 
- Zelaya pretendia se lançar candidato à reeleição 
O mandato de Zelaya terminaria em janeiro de 2010, e a atual Constituição veta a reeleição 
do presidente. 
Zelaya, que foi eleito em 2005, negou que pretendesse continuar no poder além dos quatro 
anos para os quais foi eleito. 
Segundo ele, uma eventual mudança constitucional seria válida apenas para seus 
sucessores. 
- Qual a posição do Exército? 
Zelaya destituiu o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, o general Romeo 
Vázquez, que havia se negado a apoiar a logística para a consulta deste domingo, declarada 
ilegal pelo Congresso. 
Após a demissão de Vázquez, o ministro da Defesa, Ángel Edmundo Orellana, e outros 
comandantes militares também renunciaram.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 49 de 323 
Porém a remoção de Vázquez ordenada por Zelaya foi revertida na sexta-feira pela Suprema 
Corte de Justiça, que aceitou dois recursos contra a decisão do presidente. 
O Exército mobilizou na sexta-feira efetivos para prevenir possíveis distúrbios por parte de 
organizações populares e indígenas, que apoiam Zelaya. 
Data: 01/06/2009 
Manchete: Obama eleva o tom contra Teerã e condena repressão de opositores. 
Resumo: Líder americano abandona posição de cautela mantida até agora e faz sua mais 
dura crítica ao regime islâmico 
Barack Obama endureceu ontem o discurso contra o Irã ao afirmar que o mundo está 
chocado e indignado com as agressões contra manifestantes. O presidente americano 
disse também que muitos iranianos consideram ilegítima a eleição do dia 12, que deu vitória 
ao presidente Mahmoud Ahmadinejad. Foi a retórica mais dura adotada por Obama desde a 
eleição. Ele negou que estivesse se rendendo a pressões dos republicanos do Congresso, 
que têm criticado a posição tímida da Casa Branca no caso. 
A retórica de Obama vem se tornando mais inflamada nos últimos dez dias, na medida em 
que as mortes se acumulam em Teerã. Logo após a eleição, Obama limitou-se a dizer que 
estava animado com as demonstrações democráticas no país. Poucos dias depois, 
disse-se preocupado com as agressões a manifestantes. 
Ontem, partiu para a condenação explícita: Os EUA e a comunidade internacional estão 
chocados e indignados com as ameaças, espancamentos e prisões dos últimos dias; 
condeno fortemente essas medidas injustas, e, juntamente com o povo americano, estou de 
luto pelas vidas inocentes perdidas. 
Apesar de condenar a repressão do governo iraniano aos manifestantes, Obama evitou dizer 
diretamente que as eleições foram fraudadas. Uma porcentagem considerável da população 
iraniana considera essa eleição ilegítima; há questões significativas sobre a legitimidade da 
eleição, ele afirmou. 
Obama afirmou que o vídeo divulgado pela internet mostrando a morte de Neda Agha-Soltan, 
uma manifestante de 27 anos, era muito doloroso, de cortar o coração. Qualquer um que 
assiste a esse vídeo sabe que existe algo fundamentalmente injusto. 
O endurecimento da retórica complica o plano de Obama de abrir um canal diplomático com 
o Irã para negociar a suspensão do programa nuclear do país. O governo iraniano já acusa 
EUA e Grã-Bretanha de tentarem interferir no processo eleitoral. Ao justificar a retórica mais 
branda, Obama disse que não queria ver os EUA serem usados como instrumento para o 
Irã justificar suas ações. Segundo ele, as insinuações de que os EUA instigaram as 
manifestações são patentemente falsas e absurdas. 
Indagado se havia subido o tom das críticas por pressão de legisladores como o senador 
John McCain, Obama reagiu: Entendo que o senador McCain tenha uma paixão genuína por 
política externa, mas sou o único presidente do país e cumprirei meus deveres da maneira 
que acho apropriada. 
O Departamento de Estado havia anunciado que, como forma de se aproximar do Irã, iria 
abrir todas as suas embaixadas no mundo para diplomatas iranianos comerem hot-dog nas 
festas de 4 de julho, independência dos EUA. 
Data: 25/05/2009 
Manchete: Otan condena Coréia do Norte por ação irresponsável. 
Resumo: A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) condenou nesta segunda 
fortemente os testes nuclear e de mísseis feitos pela Coréia do Norte, que qualificou de 
ações irresponsáveis e de um desafio a paz, segurança e estabilidade da região
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 50 de 323 
Ásia-Pacífico. 
A Aliança Atlântica destacou também, em comunicado, que os testes estão sendo 
universalmente condenados pela comunidade internacional. 
Segundo os países aliados, a ação provocativa de Pyongyang acontece em um período em 
que a comunidade internacional está debatendo seriamente importantes novos passos no 
controle de armas globais, no desarmamento e na não-proliferação. 
Assim, mais uma vez a Aliança Atlântica pede às autoridades norte-coreanas que cumpram 
suas obrigações internacionais e que ponham em prática todas as resoluções do Conselho 
de Segurança da ONU relevantes. 
Também solicita que a Coréia do Norte elimine suas armas nucleares e programas 
relacionados de forma total, verificável e irreversível. 
Igualmente, o Conselho Atlântico faz uma chamada a Pyongyang para que abra mão de 
qualquer outra ação que possa contribuir para aumentar as tensões, e para que retome o 
diálogo. 
O diálogo, que tem participação das duas Coréias, Rússia, China, Estados Unidos e Japão, 
começou em 2003 com o objetivo de conseguir o desarmamento da Coréia do Norte. 
Por último, a Aliança Atlântica assegurou que continuará um cuidadoso acompanhamento 
da situação com grande preocupação. 
11/05/2009 
Manchete: Sendero Luminoso. 
Resumo: O ressurgimento do grupo que espalhou o terror pelo Peru nos anos 80 e 90 
ameaça desatar um novo conflito em algumas regiões do país. Fortalecidos pela associação 
com o narcotráfico, remanescentes da guerrilha Sendero Luminoso voltaram a agir 
principalmente no Vale dos Rios Apurimac e Ene - conhecido como VRAE . Seu objetivo não 
é mais substituir as instituições burguesas por um regime comunista camponês, como no 
passado. Nos últimos meses, porém, seus líderes estão tentando revalorizar o componente 
ideológico do grupo para dar ares de guerra popular ao que hoje não passa de uma luta 
pelas rotas da droga. 
O nome da operação que o governo peruano pôs em prática para combater o novo Sendero 
no VRAE é Excelência 777. Trata-se da maior operação militar da última década no Peru. 
Ela começou em agosto, mas nos últimos meses ficou clara a necessidade de mais 
investimentos. Desde janeiro, 32 militares já morreram em 11 emboscadas na região. Na 
sexta-feira, no mais recente ataque, dois militares foram mortos por senderistas nas selvas 
do Peru. O chefe do Exército, Otto Guibovich, admitiu que o número de integrantes do 
Sendero pode chegar a 600 - o dobro do que as autoridades reconheciam até então. 
O Sendero Luminoso conseguiu mudar sua relação com a população e está avançando 
tanto que lembra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse Guibovich 
em abril. Não descarto que haja uma relação com esse grupo, as técnicas empregadas são 
muito parecidas. 
De inspiração maoista, na esteira da proliferações de guerrilhas na região durante a Guerra 
Fria, o Sendero ganhou fama como a mais feroz e sanguinária organização revolucionária da 
América Latina (mais informações nesta página). Chegou a ter 10 mil integrantes e foi 
responsável por mais de 35 mil mortes entre 1980 e 1999 - uma média de 5 assassinatos por 
d i a . 
TRANSFORMAÇÃO 
A história que o levou de uma guerrilha comunista fanática para um grupo dedicado ao
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 51 de 323 
narcotráfico, mapeada em investigações recentes, começou em julho de 1999, com a prisão 
do segundo líder do Sendero, Oscar Ramírez Durand, o Camarada Feliciano. 
De 1992 a 1999, Durand havia continuado a guerra contra o Exército e milícias paramilitares 
locais - desobedecendo ordens vindas da prisão pelo primeiro líder e fundador do grupo, 
Abimael Guzmán, o Gonzalo, para que firmasse a paz com o governo de Alberto Fujimori 
(1990-2000). 
Data: 18/04/2009 
Manchete: TSE cassa mandato de Jackson Lago governador do Maranhão (PDT). 
Resumo: O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassou na quinta-feira (16) o mandato do 
governador do Maranhão Jackson Lago (PDT) e de seu vice, Luiz Carlos Porto (PPS), por 
abuso de poder político nas eleições de 2006. Desde então, Lago mostrava resistência em 
deixar o local. 
Hoje, pela manhã, durante protesto de manifestantes contra a cassação do pedetista, Lago 
anunciou que deixaria o Palácio. Ele discursou para cerca de mil pessoas, segundo sua 
assessoria. Os protestantes queimaram um boneco simbolizando a família Sarney. 
A peemedebista Roseana Sarney assumiu ontem o governo no lugar de Lago. Ela anunciou 
que ocupará o Palácio Henrique de La Rocque, que abriga algumas pastas municipais, até 
que o Palácio dos Leões passe por uma vistoria, segundo informou a assessoria de imprensa 
da governadora na manhã deste sábado. 
De acordo com o novo secretário de Comunicação do Maranhão, Sérgio Macedo, a 
governadora só deve ocupar o Palácio dos Leões na segunda-feira. 
Data: 13/04/2009 
Manchete: Obama flexibiliza restrições e permite que teles operem em Cuba. 
Resumo: O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, determinou nesta segunda-feira 
que sua administração tome medidas para flexibilizar as restrições a viagens e remessas de 
dinheiro dos EUA para Cuba. 
O presidente ordenou que os secretários de Estado, Tesouro e Comércio tomem as medidas 
necessárias para suspender todas as restrições na capacidade de indivíduos em visitar 
familiares em Cuba e fazer remessas de dinheiro, disse o porta-voz da Casa Branca, Robert 
Gibbs, em uma coletiva de imprensa. 
Obama autorizou ainda que empresas de telecomunicações norte-americanas busquem 
licenças para operar na ilha cubana. 
Data: 07/04/2009 
Manchete: Deputados aprovam projeto de lei antifumo em SP. 
Resumo: O Plenário da Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou, nesta noite, 
por 69 votos a 18, o Projeto de Lei 577/2008, de autoria do governador José Serra, que 
proíbe o fumo em locais fechados no Estado, como bares e restaurantes. O projeto seguirá 
para a sanção do governador. 
A Alesp aprovou três emendas ao projeto. Um dos destaques garante que a lei só entre em 
vigor 90 dias após a sanção, que deve ocorrer em 15 dias. As outras emendas tratam sobre a 
divulgação da legislação e quanto ao auxílio às pessoas que desejam parar de fumar. Vai 
ser importante para a saúde. É um projeto ousado e corajoso, e foi muito discutido com a 
população, afirmou o presidente da Alesp, Barros Munhoz (PSDB). 
Onde o fumo será proibido
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 52 de 323 
Diferente da Lei Federal 9.294/1996, que dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda 
de tabaco, a lei paulista proíbe o fumo em todos espaços coletivos fechados e a existência de 
fumódromos. O texto também prevê punições ao proprietário de estabelecimento que não 
coibir o fumo. As penalidades ainda serão definidas. 
A lei autoriza os responsáveis por bares e restaurantes a acionar a polícia para retirar 
fumantes dos estabelecimentos em casos de resistência. O dono do bar ou restaurante ficará 
responsável por afixar avisos sobre a proibição do fumo no estabelecimento. 
O cigarro fica restrito à casa do fumante, às vias públicas e aos espaços ao ar livre. A lista de 
lugares permitidos inclui instituições de saúde em que os pacientes estejam autorizados a 
fumar pelo médico responsável, as tabacarias e os locais de cultos religiosos em que o fumo 
faça parte do ritual. 
Divergência 
Os líderes das bancadas do PT, PSDB e Psol na Assembléia Legislativa de São Paulo 
(Alesp) divergiram sobre o projeto antifumo. Para o petista Rui Falcão, todos querem 
combater os malefícios do cigarro, a diferença é a maneira. Segundo ele, o partido apóia a 
lei, mas gostaria de ter tido aprovadas as emendas que sugeriu ao projeto. 
A principal delas determinava que fossem disponibilizados bares somente para fumantes e 
outros somente para não-fumantes. Falcão disse ainda que espera que as pessoas cobrem 
medidas efetivas do governo depois que a lei entrar em vigor. Espero que o governo 
também seja responsabilizado pela queda de atividade econômica que esse projeto pode 
acarretar, declarou. 
O líder do PSDB, Samuel Moreira, disse que o projeto mexe com a vida de toda a sociedade 
e trouxe bons debates à Assembléia paulista. Esse projeto tem o objetivo de melhorar os 
indicadores de saúde e tornar os ambientes melhores. Não se trata de proibir o cigarro, mas 
sim de garantir os direitos daqueles que não fumam, disse Moreira. Segundo ele, as 
pessoas não deixarão de freqüentar os locais porque estarão proibidas de fumar e não 
haverá redução da atividade econômica. Nos próximos anos, essa medida vai reduzir o 
número de fumantes de uma forma natural, sem autoritarismo, afirmou. 
O deputado Raul Marcelo, líder do Psol, concordou com a necessidade de emendas e 
salientou a importância do projeto para o interesse coletivo. Marcelo aproveitou para criticar a 
postura do PSDB que, segundo ele, auxiliou na implantação das grandes fabricantes de 
cigarros no Sul do País e, agora, se posicionou a favor da aprovação da lei antifumo no 
Estado. 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fumo passivo é a terceira causa 
evitável de mortes no mundo. Estudo realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) 
aponta que pelo menos sete indivíduos não-fumantes expostos involuntariamente à fumaça 
do tabaco morrem por dia no Brasil. 
Data: 03/04/2009 
Manchete: Morre o jornalista e ex-deputado Marcio Moreira Alves. 
O jornalista e ex-deputado federal Marcio Moreira Alves morreu no início da noite desta 
sexta-feira, no Hospital Samaritano, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Moreira Alves 
tinha 72 anos e estava internado na unidade desde o mês passado, vítima de um 
acidente vascular cerebral (AVC). A causa da morte não foi divulgada. 
Resumo: Filho do ex-prefeito de Petrópolis Marcio de Mello Franco Alves, Marcio Emmanuel 
Moreira Alves nasceu no Rio de Janeiro, em 14 de julho de 1936. Começou no jornalismo aos 
17 anos, como repórter do extinto Correio da Manhã, onde ganhou o Prêmio Esso de 
Reportagem de 1958.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 53 de 323 
Deputado eleito em 1966, foi considerado o pivô da decretação do Ato Institucional Número 5 
(AI-5) por ter discursado no dia 2 de setembro na Câmara dos Deputados contra o regime 
militar, pregando o boicote às comemorações do Dia da Independência, em 7 de setembro. A 
recusa do Legislativo em abrir processo contra ele, levou a mais um discurso de Marcio 
Moreira Alves contra o regime, desta vez em 12 de dezembro. No dia seguinte, o presidente 
Costa e Silva, utilizando o discurso como pretexto, editou o AI-5, marco da radicalização do 
regime militar no país. 
Cassado, Moreira Alves deixou o Brasil, passando por Chile, França, Cuba e Portugal, 
voltando ao país em 1979, com a Lei da Anistia. 
De volta ao Brasil, ingressou no PMDB, mas não conseguiu sucesso nas eleições para o 
Congresso. Depois de deixar o partido, nos anos 1990, tornou-se colunista do jornal O Globo, 
posto que manteve até a piora no seu estado de saúde.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 54 de 323 
GLOBALIZAÇÃO 
Origens da Globalização e suas Características 
Globalização tornou-se uma palavra que está em moda, de um conceito muito amplo e 
abrangente, sendo empregada em diversas ocasiões, mas nem sempre com o mesmo 
significado. 
Muitos historiadores afirmam que este processo teve início nos séculos XV e XVI com as 
Grandes Navegações e Descobertas Marítimas. Neste contexto histórico, o homem europeu 
entrou em contato com povos de outros continentes, estabelecendo relações comerciais e 
culturais. Porém, a globalização efetivou-se no final do século XX, logo após a queda do 
socialismo no leste europeu e na União Soviética. 
O conceito globalização surgiu em meados da década de 1980, a qual vem a substituir 
conceitos como internacionalização e transnacionalização, porém se voltarmos no tempo 
podemos observar que é uma prática muito antiga. A humanidade desde o início de sua 
existência vem evoluindo, passou de uma simples família para tribos, depois foram formadas 
as cidades-estado, nações e hoje com a interdependência de todos os povos do nosso 
planeta, chegamos a um fenômeno natural, denominado de aldeia global. 
Globalização ou mundialização é a interdependência de todos os povos e países do nosso 
planeta, também denominado aldeia global. As notícias do mundo são divulgadas pelos 
jornais, radio, TV, internet e outros meios de comunicação, o mundo assistiu ao vivo e a 
cores em 11 de setembro, o atentado ao World Trade Center (as torres gêmeas), a invasão 
americana ao Iraque, quem não assistiu o Brasil penta campeão mundial de futebol. Com 
toda essa tecnologia a serviço da humanidade, da a impressão que o planeta terra ficou 
menor. Podemos também observar que os bens de consumo, a moda, a medicina, enfim a 
vida do ser humano sofre influência direta dessa tal Globalização. 
Politicamente, os Estados trabalham gradativamente nas barreiras tarifárias para proteger 
sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao 
capital internacional. 
A Globalização analisada pelo lado econômico-financeiro teve seu início na década de 80, 
com a integração a nível mundial das relações econômicas e financeiras, tendo como pólo 
dominante os Estados Unidos. 
Com os mercados internos saturados, muitas empresas multinacionais buscaram conquistar 
novos mercados consumidores, principalmente dos países recém saídos do socialismo. A 
concorrência fez com que as empresas utilizassem cada vez mais recursos tecnológicos para 
baratear os preços e também para estabelecerem contatos comerciais e financeiros de forma 
rápida e eficiente. 
Hoje uma empresa produz um mesmo produto em vários países e os exportam para outros, 
também podemos observar a fusão de empresas, tudo isso tem como objetivo baixar custos 
de produção, aumentar a produtividade, então produtos semelhantes são encontrados em 
qualquer parte do mundo. Neste contexto, entra a utilização da Internet, das redes de 
computadores, dos meios de comunicação via satélite etc. 
Muitas indústrias, produzem suas mercadorias em vários países com o objetivo de reduzir os 
custos. Optam por países onde a mão-de-obra, a matéria-prima e a energia são mais 
baratas. Um tênis, por exemplo, pode ser projetado nos Estados Unidos, produzido na China, 
utilizado matéria-prima do Brasil, e comercializado em diversos países do mundo. 
Analisando a Globalização podemos destacar o lado positivo como: o intercambio cultural e 
comercial entre nações, importante para todos os povos, os riscos reais, entre outros. Esse 
processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informação: 
telefones, computadores e televisão, contribuindo de forma surpreendente para a maior 
integração de todo o mundo. As fontes de informação também se uniformizam devido ao
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 55 de 323 
alcance mundial e à crescente popularização dos canais de televisão por assinatura e da 
Internet. Isso faz com que a globalização ultrapasse os limites da economia e política, e 
comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países. Temos como 
exemplo disso a forte influência da cultura americana em todo o mundo. 
Histórico da Globalização 
Fatos históricos marcantes ocorridos entre o final da década de 1980 e o início da de 1990 
determinaram um processo de rápidas mudanças políticas e econômicas no mundo. Até 
mesmo os analistas e cientistas políticos internacionais foram surpreendidos pelos 
acontecimentos: 
· A queda do Muro de Berlim em 1989; 
· O fim da Guerra Fria; 
· O fim do socialismo real; 
· A desintegração da União Soviética, em dezembro de 1991, e seu desdobramento em 
novos Estados Soberanos (Ucrânia, Rússia, Lituânia etc.); 
· A explosão étnica ou das nacionalidades em vários lugares, acompanhada da guerra 
civil: antiga Iugoslávia, Geórgia, Chechênia etc.; 
· O fim da política do Apartheid e a eleição de Nelson Mandela para presidente, na África 
do Sul; 
· O acordo de paz entre Israel, OLP (organização para libertação da Palestina) e Jordânia; 
· A formação de blocos econômicos regionais (União Européia, Nafta, Mercosul, etc.); 
· O grande crescimento econômico de alguns países asiáticos (Japão, Taiwan, China, 
Hong-kong, Cingapura), levando a crer que constituirão a região mais rica do Século XXI; 
· O fortalecimento do capitalismo em sua atual forma, ou seja, o neoliberalismo; 
· O grande desenvolvimento científico e tecnológico ou Terceira Revolução Industrial ou 
Tecnológica. 
Até praticamente 1989, ano da queda do Muro de Berlim, o mundo vivia no clima da Guerra 
Fria. De um lado, havia o bloco de países capitalistas, comandados pelo Estados Unidos, de 
outro, o de países socialistas, liderado pela ex-União Soviética, configurando uma ordem 
mundial bipolar. 
A reformas iniciadas por Gorbatchev, na ex-União Soviética, em 1985, através da Perestroika 
e da Glasnost, foram pouco a pouco minando o socialismo real e, conseqüentemente, essa 
ordem mundial bipolar. A queda do Muro de Berlim, com a reunificação da Alemanha, e 
muitos outros acontecimentos do Leste Europeu alteraram profundamente o sistema de 
forças até então existente no mundo. 
De um sistema de polaridades definidas passou-se, então, para um sistema de polaridades 
indefinidas ou para a multipolarização econômica do mundo. O confronto ideológico 
(capitalismo versus socialismo real) passou-se para a disputa econômica entre países e 
blocos de países. 
O beneficiário dessa mudança, historicamente rápida, que deixou muitas pessoas 
assustadas, foi o sistema capitalista, que pôde expandir-se praticamente hegemônico na 
organização da vida social em todas as suas esferas (política, econômica e cultural). Assim, 
o capitalismo mundializou-se, globalizou-se e universalizou-se, invadiu os espaços 
geográficos que até então se encontravam sob o regime de economia centralmente 
planificada ou nos quais ainda se pensava poder viver a experiência socialista. 
Blocos Econômicos e Globalização 
Dentro deste processo econômico, muitos países juntaram-se e formaram blocos 
econômicos, cujo objetivo principal é aumentar as relações comerciais entre os membros. 
Neste contexto, surgiram a União Européia, o Mercosul, a Comecom, o Nafta, o Pacto Andino 
e a Apec. Estes blocos se fortalecem cada vez mais e já se relacionam entre si. Desta forma, 
cada país, ao fazer parte de um bloco econômico, consegue mais força nas relações 
comerciais internacionais.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 56 de 323 
De repente, o mundo tornou-se capitalista e globalizado. 
As Transnacionais 
A globalização é marcada pela expansão mundial das grandes corporações internacionais. A 
cadeia de fast food McDonald's, por exemplo, possui cerca de 18 mil restaurantes em 91 
países. Essas corporações exercem um papel decisivo na economia mundial. Para 
exemplificarmos a grandiosidade dessas empresas, existem pesquisas que levantaram o 
faturamento das nove maiores empresas do mundo, e que deram, somadas, todo o 
faturamento dos maiores países da América do Sul, mais a Nova Zelândia. 
Outros pontos importantes desse processo são as mudanças significativas no modo de 
produção das mercadorias. Seguindo as tendências de concentração e dispersão das 
empresas (vemos isso no Brasil através da concentração industrial no sudoeste e a gradativa 
dispersão para outras regiões), e auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos 
transportes, as transnacionais instalam suas fábricas em qualquer lugar do mundo onde 
existam as melhores vantagens fiscais, mão-de-obra e matérias-primas baratas. Essa 
tendência leva a uma transferência de empregos dos países ricos - que possuem altos 
salários e inúmeros benefícios - para as nações industriais emergentes, como os Tigres 
Asiáticos. O resultado desse processo é que, atualmente, grande parte dos produtos não tem 
mais uma nacionalidade definida. Um automóvel de marca norte-americana pode conter 
peças fabricadas no Japão, ter sido projetado na Alemanha, montado no Brasil e vendido no 
Canadá. 
Conseqüências da globalização: 
Mudança no papel do estado. 
É de suma importância saber que a questão da globalização não está apenas ligada à 
economia, mas também influencia no Estado, ou seja, este é “modificado” para que as 
exigências globais sejam cumpridas. Isto quer dizer que tanto a opinião pública internacional 
quanto o comportamento dos mercados passaram a desempenhar funções que antes não 
tinham na redefinição dos limites possíveis de ação do Estado. 
Os países e seus líderes, estão sob vigilância constante da opinião pública internacional, 
sendo assim qualquer passo em falso poderá resultar em penalidades para estes países. 
Um outro aspecto mudado no Estado em função da globalização, foi o de que suas ações 
governamentais deverão ser dirigidas agora para fazer com que as economias nacionais 
sustentem e desenvolvam condições para competir em escala global. Isso resulta na 
canalização de recursos para setores vitais do Estado como a educação, saúde e, este 
também, tem que estar preparados para assar para a mão de privados empresas antes 
administradas pelo Estado. Dessa forma acredita-se estar contribuindo para uma promoção 
de maior igualdade de oportunidades, aumentando o grau de mobilidade social. 
Por isso, este Estado precisa ser ainda mais forte no desempenho de suas tarefas sociais e 
melhor preparado para regulamentar as atividades recentemente privatizadas. 
Considerações políticas sobre a globalização. 
O mercado é, com certeza, um fator decisivo no que se diz respeito à globalização. É 
importante saber que o contorno dentre os quais o mercado atua, são definidos politicamente. 
Por isso é errado afirmar que tudo o que esta a favor das forças e mercado é visto como 
bom, positivo, isto é, fator de desenvolvimento pois, tem que se reconhecer que não há 
limites ao mercado que permitem países como o nosso atuar politicamente na defesa dos 
interesses nacionais. 
A globalização econômica é uma nova ordem mundial e, devemos aceitar este fato com 
sentido de realismo pois, ao contrário, nossas ações estarão destituídas de qualquer impacto 
efetivo. Isto significa uma perspectiva totalmente nova sobre as formas de agir na cena
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 57 de 323 
internacional. 
Temos que admitir que a participação no economia mundial pode ser positiva se for 
manejada com cuidado, ou seja, o sucesso dessa integração depende de vários pontos como 
a articulação diplomática e as parcerias comercias adequadas e, da realização de reformas 
internas democraticamente conduzidas. 
Globalização e a questão da inclusão e exclusão. 
A globalização esta gerando uma nova divisão internacional onde se encontram os países 
q u e 
fazem parte do processo de globalização e os países que não fazem. Os primeiros estariam 
associados à idéias de progresso, riqueza e, melhores condições de vida, já os outros estaria 
destinados à um mundo de exclusão, marginalização e, miséria. 
É importante perceber que, apesar disso, a globalização produziu oportunidades para que 
mais países pudessem ingressar na economia mundial mas é preciso aproveitar as 
oportunidades dadas por esta economia através da adoção de um conjunto de políticas que 
incluem, entre outros, uma força de trabalho qualificada, aumento substancial da taxa de 
poupança doméstica, etc. 
Em países em desenvolvimento mais complexo, a integração na economia global está sendo 
feita à custa de maior esforço de ajuste interno e numa época de competição internacional 
mais acirrada. 
Mas, os países menores serão capazes de superar os desafios impostos pela globalização? 
Esta é uma questão que não pode ser deixada de fora pois não é possível a comunidade 
internacional conviver com a indiferença e a paralisia dos países mais pobres, pois 
estaríamos, assim, destinando-os ao fracasso, como se nada pudesse ser feito. Este é um 
ponto que deve ser ainda muito discutido em âmbito internacional. 
Novas tecnologias e novas modalidades de produção 
As mudanças tecnológicas que estão ocorrendo no sistema econômico já marcaram de 
forma muito importante as modalidades de produção e os fluxos de novos produtos ou de 
produtos renovados. A produção possui cada vez mais insumos modernos produzidos pelas 
novas tecnologias, onde o peso de custos indiretos é crescente. Os componentes eletrônicos 
e os programas informáticos penetraram e transformaram inúmeros campos da produção, 
sobretudo industriais, mas os demais também. Os novos materiais penetraram diversos 
campos produtivos, mesmo se isso ocorreu sobretudo em áreas em que os custos são 
menos importantes. Os produtos saídos desses três campos têm todos um elemento comum, 
a saber, uma elevada densidade de valor, que se torna responsável por uma grande parte do 
preço dos produtos em que são utilizados. Eles possuem importantes recursos tecnológicos e 
um capital elevado, são concebidos de forma centralizada e produzidos em reduzido número 
de locais para uma escala que é, freqüentemente, a do mundo. Eles dão assim lugar a fluxos 
de recursos entre a unidade de produção ordinária e aquelas em que se concentra a gama 
alta da produção. 
Além desses três tipos de componentes físicos (eletrônicos, metálicos, químicos), surge 
também um serviço que se torna insumo de uso geral – as comunicações. Elas são um 
componente cuja importância aumenta em todos os campos, incluído o da produção – na 
organização, na coordenação, na gestão e no aprovisionamento. Esses recursos são um 
fator fundamental para permitir à empresa mundial coordenar as suas atividades de uma 
forma rigorosa e flexível. As empresas deste setor propõem uma oferta mundializada, 
construída cada vez mais por meio de redes transfronteiras que são ou que tendem a ser 
redes mundiais de caráter privado, controladas por empresas ou por grupos de empresas 
cuja estrutura de produção é inteiramente construída com insumos intensivos em 
tecnologia, produzidos por um punhado de empresas de uns poucos países. Ocorre então 
mais um fluxo importante – entre cada empresa e as grandes empresas de 
telecomunicações, empresas globais, formadas em alguns casos pela associação das
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 58 de 323 
empresas nacionais dos países mais importantes. 
As condições de acesso a esses produtos e serviços são estabelecidas de forma 
diferenciada, favorecendo uma concentração nos locais mais importantes das atividades que 
os utilizam de forma intensiva. No conjunto, a produção, seguindo essas novas modalidades, 
faz-se acompanhar de uma transferência das unidades dos países secundários para as 
empresas dos países mais avançados. 
As atividades suprimidas nas periferias ou nos países de segundo nível e deslocadas para os 
países de origem ou para os centros de primeiro nível são escolhidas entre aquelas cujas 
margens de ineficiência são maiores. Essas ineficiências traduzem, no plano da empresa, 
uma repetição de atividades, que não conseguem no entanto estabelecer entre elas vínculos 
mais dinâmicos e produtivos. A empresa suprime em suas unidades secundárias atividades 
em que as interações são mais importantes, mais intensas, mais diversificadas, pois é 
precisamente nestas áreas que as possibilidades de desenvolvimento oferecidas pela 
concentração dos recursos é maior. Por outro lado, é também nestas áreas que as ausências 
pontuais, que os vazios, se tornam fontes de ineficiência. É mais um mecanismo a 
impulsionar o caráter centralizado das atividades mais ricas e mais densas e a empobrecer o 
tecido das unidades secundárias e os territórios de implantação. 
Para facilitar as relações econômicas, as instituições financeiras (bancos, casas de câmbio, 
financeiras) criaram um sistema rápido e eficiente para favorecer a transferência de capital. 
Investimentos, pagamentos e transferências bancárias podem ser feitas em questões de 
segundos através da Internet ou de telefone celular. 
Mas economicamente estamos vendo crescer de maneira destacada o neoliberalismo, que é 
uma política econômica que visa a saída parcial do Estado da economia, deixando o 
mercado livre, por isso é que se vê a grande onda das privatizações existentes hoje. 
Outro ponto de forte importância que vem se destacando na globalização, é a questão do 
meio ambiente, onde as empresas, cidadãos, instituições e ONG's se dedicam cada vez mais 
a conservar e restaurar esta. Vemos isso nos diversos debates de alcance mundial que 
acontecem em torno desse assunto, e o surgimento de instituições como o Green Peace, que 
tem caráter radical e postura firme contra a degradação da natureza. 
A nova configuração do trabalho em face dos novos paradigmas da 
economia contemporânea 
A necessidade de modernização e de aumento da competitividade das empresas produziu 
um efeito muito negativo, que foi o desemprego. Para reduzir custos e poder baixar os 
preços, as empresas tiveram de aprender a produzir mais com menos gente. Incorporavam 
novas tecnologias e máquinas. O trabalhador perdeu espaço e esse é um dos grandes 
desafios que, não só o Brasil, mas algumas das principais economias do mundo têm hoje 
pela frente: crescer o suficiente para absorver a mão-de-obra disponível no mercado, além 
disso, houve o aumento da distância e da dependência tecnológica dos países periféricos em 
relação aos desenvolvidos. 
Desemprego Estrutural 
Como já vimos, a crescente concorrência internacional tem obrigado as empresas a cortar 
custos, com o objetivo de obter preços menores e qualidade alta para os seus produtos. 
Nessa restruturação estão sendo eliminados vários postos de trabalho, tendência que é 
chamada de desemprego estrutural. Uma das causas desse desemprego é a automação de 
vários setores, em substituição à mão de obra humana. Caixas automáticos tomam o lugar 
dos caixas de bancos, fábricas robotizadas dispensam operários, escritórios informatizados 
prescindem datilógrafos e contadores. Nos países ricos, o desemprego também é causado 
pelo deslocamento de fábricas para os países com custos de produção mais baixos. 
Novos Empregos 
O fim de milhares de empregos, no entanto, é acompanhado pela criação de outros pontos 
de trabalho. Novas oportunidades surgem, por exemplo, na área de informática, com o
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 59 de 323 
surgimento de um novo tipo de empresa, as de inteligência intensiva, que se diferenciam 
das indústrias de capital ou mão-de-obra intensivas. O restante estava envolvido em áreas de 
desenvolvimento de outros computadores - tanto em hardware como em software - 
gerenciamento e marketing. Mas a previsão é de que esse novo mercado de trabalho 
dificilmente absorverá os excluídos, uma vez que os empregos emergentes exigem um alto 
grau de qualificação profissional. Dessa forma, o desemprego tende a se concentrar nas 
camadas menos favorecidas, com baixa instrução escolar e pouca qualificação. 
Além da Nova Economia 
A expansão das novas tecnologias de informação e sua influência econômica não são 
responsáveis pelo desemprego numa relação de causa e efeito e, com o tempo, e de acordo 
com estratégias adotadas, podem contribuir para o seu crescimento. A disseminação do 
capitalismo e o comércio global não são diretamente causadores do desemprego e da má 
qualidade de trabalho e de vida oportunizando a maioria dos trabalhadores. 
A perda, para os trabalhadores, reflete o resultado de ajustamentos das relações entre o 
capital e o trabalho, na presença das novas tecnologias de informação atrelada a novas 
formas administrativas e organizacionais, características da empresa em rede, atuando num 
comércio global. Portanto temos que as novas tecnologias de informação impulsionaram uma 
reconfiguração histórica nas relações econômicas, no processo de trabalho e nos modelos 
organizacionais; a empresa em rede, por sua flexibilidade, permite a sub-contratação e a 
dispensa da mão-de-obra, deslocada no espaço e ligada no tempo, de acordo com as 
flutuações e demandas de um mercado intrinsecamente emaranhado e interdependente. 
Encontramo-nos em uma sociedade dual; a história se repete contemplando outros vencidos 
e outros vencedores num duelo sem favoritos, onde a necessidade de aperfeiçoamento, 
qualificação e especialização é atributo constantemente buscado frente a um 
desenvolvimento tecnológico que não pára. 
Calcula-se que o número de empregos criados com a Internet, no Brasil, deva chegar a 
cerca de 4 milhões, em 2007. Em contrapartida, a taxa média de desemprego tem 
demonstrado que a maior parte dos trabalhadores brasileiros encontram-se à margem das 
novas oportunidades surgidas com a nova economia, que exige elevado grau de 
especialização e qualificação. 
As oportunidades criadas com o Tele-trabalho poderiam vir a auxiliar no aproveitamento de 
16 milhões de pessoas que apresentam necessidades especiais, das quais nove milhões se 
encontram em fase produtiva, com o mercado atual absorvendo apenas um milhão dessa 
mão-de-obra. O Tele-trabalho também poderia ser aplicado junto à comunidade carcerária 
que atualmente soma 170 mil indivíduos. 
Na esteira dessas transformações, não se deve esquecer que a própria configuração das 
empresas em rede ou de países em blocos encontra-se ameaçada pelas tensões globais 
dependentes de decisões políticas, econômicas, conjunturais, sócio-culturais, contextuais e 
específicas, que continuamente exercem influência recíproca e remodelam as estruturas de 
mercado e dos processos de trabalho. 
Portanto, a questão que se coloca nesses tempos é como identificar a aproveitar as 
oportunidades que estão surgindo de uma economia internacional cada vez mais integrada. 
Imagina-se que a Globalização, seguindo o seu curso natural, irá enfraquecer cada vez mais 
os estados-nacionais surgidos há cinco séculos atrás, ou dar-lhes novas formas e funções, 
fazendo com que novas instituições supranacionais gradativamente os substituam. Com a 
formação dos mercados regionais ou intercontinentais (Nafta, Unidade Européia, 
Comunidade Econômica Independente [a ex-URSS], o Mercosul e o Japão com os tigres 
asiáticos), e com a conseqüente interdependência entre eles, assentam-se as bases para os 
futuros governos transnacionais que, provavelmente, servirão como unidades federativas de 
uma administração mundial a ser constituída. É bem provável que ao findar o século 21, 
talvez até antes, a humanidade conhecerá por fim um governo universal, atingindo-se assim 
o sonho dos filósofos estóicos do homem cosmopolita, aquele que se sentirá em casa em
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 60 de 323 
qualquer parte da Terra. 
Internet, Aldeia Global e a Língua Inglesa 
Como dissemos, a globalização extrapola as relações comerciais e financeiras. As pessoas 
estão cada vez mais descobrindo na Internet uma maneira rápida e eficiente de entrar em 
contato com pessoas de outros países ou, até mesmo, de conhecer aspectos culturais e 
sociais de várias partes do planeta. Junto com a televisão, a rede mundial de computadores 
quebra barreiras e vai, cada vez mais, ligando as pessoas e espalhando as idéias, formando 
assim uma grande Aldeia Global. Saber ler, falar e entender a língua inglesa torna-se 
fundamental dentro deste contexto, pois é o idioma universal e o instrumento pelo qual as 
pessoas podem se comunicar. 
O mundo chegou a 1 bilhão de usuários de internet no final de 2005, com aproximadamente 
845 milhões de pessoas usando a web regularmente, de acordo com a pesquisa “Worldwide 
Online Access: 2004-2010”. (pesquisa EMarketer) 
Os Estados Unidos são o país com a maior população de internet, com 175,4 milhões de 
internautas, seguido pela China, com 111 milhões. Os norte-americanos devem seguir na 
frente até o final da década. 
As conexões por banda larga cresceram de 142 milhões de casas em 2004 para 195 milhões 
em 2005. A região que apresenta a maior taxa de expansão no número de assinantes é a 
América Latina, com 70,7%. Ela é seguida pelo Leste Europeu, com 42,2%, e pela 
Ásia-Pacífico, 37,7%. 
Essa não é a primeira pesquisa a informar que a internet ultrapassou 1 bilhão de usuários. A 
Internet World Stats divulgou, no começo de 2006, que essa população havia sido alcançada, 
confirmando os dados agora da e-Marketer. 
ECONOMIA BRASILEIRA 
A economia brasileira e o Plano Real 
Desde a década de 40 até 1980, o Brasil cresceu a uma taxa média superior a 7% ao ano, a 
segunda mais alta do mundo para o período em referência. Esse longo período de 
crescimento foi acompanhado por um fechamento gradual da economia, pois o coeficiente de 
importações, que era de aproximadamente 37% do PIB em 1919, chegou a alcançar a taxa 
de 5% do PIB em 1989. Vale ressaltar que o modelo de desenvolvimento adotado então se 
baseava na substituição de importações. 
O fato de ter o País se tornado uma das economias mais fechadas do mundo e enfrentado 
problemas para o pagamento da substancial dívida externa contraída na década de 70 
demonstrou o o esgotamento desse modelo. O crescimento da dívida externa nos anos 70 foi 
acompanhado pelo crescimento da taxa de inflação, que saltou de 15% ao ano em 1973 para 
110% em 1980. 
A década e meia seguinte seria de estagnação, com os esforços da política econômica 
voltados, em primeiro lugar, para resolver o problema da balança de pagamentos e, em 
seguida, para o combate à inflação. A balança de pagamentos era prioritária em relação à 
inflação, em um primeiro momento, porque a retração do mercado de crédito internacional e 
o reduzido estoque de reservas do país não possibilitava outra alternativa. Ademais, a alta 
taxa histórica de inflação e seu crescimento gradual estimularam o desenvolvimento de 
sofisticados mecanismos de proteção financeira contra a inflação, o que permitiu a 
convivência com taxas muito altas de inflação por longos períodos. 
A partir de 1986, inaugura-se o período marcado pelas tentativas de estancar a inflação 
brasileira. Dada a ineficácia dos instrumentos tradicionais para combater uma inflação desse 
porte, os caminhos da estabilização não eram claros. A estabilização foi alcançada na sexta 
tentativa, em 1994, com o que se chamou Plano Real. As cinco tentativas frustradas de 
estabilização basearam-se em intervenções do governo nas decisões econômicas dos 
indivíduos, de fixação de preços, ou de destinação de suas riquezas, e tiveram curtos
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 61 de 323 
períodos de êxito. O Plano Real, como veremos, foi menos intervencionista, e já conta com 
três anos de êxito. A consolidação da estabilidade da economia brasileira e da abertura 
comercial são os pilares da atual recuperação do crescimento sustentável da economia, após 
mais de uma década de estancamento e de indefinição da política econômica, causadas pela 
crise da balança de pagamentos e pela inflação. 
O Plano Real 
A reforma monetária e a queda da inflação 
Em março de 1994, quando a taxa de inflação mensal alcançava a marca dos 40%, foi 
lançado o Plano Real para estabilizá-la. Fruto da aprendizagem com o fracasso dos planos 
anteriores, o plano era precedido por um esforço fiscal, o chamado Fundo Social de 
Emergência, que desvinculava as cobranças do governo, de seus gastos. Efetivamente, o 
controle fiscal e monetário era visto como condição necessária para a estabilização. Além 
disso, e principalmente, o plano fixava um novo e engenhoso mecanismo de eliminação da 
inércia inflacionária. 
Durante um período de transição, que se estendeu até final de junho, criou-se um índice de 
inflação denominado URV (Unidade Real de Valor), que serviria de unidade corrente opcional 
para os preços e alguns contratos e obrigatória para novos contratos e contratos de trabalho. 
Como o índice tinha poder de compra estável, sua utilização como unidade de conta 
tornava-se atraente diante da moeda inflacionária. 
Outro componente da reforma monetária era a desindexação dos contratos, considerada 
importante para alcançar a estabilidade monetária. Com esse fim, o instrumento legal de 
criação do real proibia a indexação de contratos por períodos menores de um ano. 
O êxito do mecanismo foi retumbante. Como num passe de mágica a inflação caiu de cerca 
de 45% em junho para cerca de 6% em julho. Isto sem nenhum congelamento de preços e 
ativos, que normalmente se transformam em bombas-relógio programadas para explodir no 
futuro. A partir de então, o grande desafio seria o de obter reduções graduais da inflação 
através da consolidação dos fundamentos econômicos da estabilidade. 
A consolidação da estabilização: trajetória declinante da inflação 
Os dados da inflação a partir de julho de 1994 demonstram uma tendência contínua de 
queda. As razões principais foram: gradual desindexação da economia, maior transparência 
dos preços relativos obtida com a baixa inflação, valorização do câmbio e abertura comercial, 
além de maior eficácia da política monetária, propiciada pelos dois primeiros fatores 
anteriores. 
Além da indexação formal estabelecida pelo Plano, a queda da inflação estimulava o 
abandono da indexação informal, isto é, da prática de reajustar os preços automaticamente, 
de acordo com a inflação passada. Removia-se, portanto, um dos principais fatores de 
resistência inercial da inflação. 
Simultaneamente, como conseqüência da estabilização, gerou-se um boom de consumo na 
economia, que continuaria no primeiro trimestre de 1995. Essa situação não era ideal para 
uma estabilização tão recente. Ademais, com a abertura da economia e a valorização 
cambial, o boom do consumo se transformou também em um boom de importações. 
Embora por um lado o aumento das importações atenuasse o efeito do excesso de demanda 
sobre a inflação, com a crise do México, de dezembro de 1994, afetando a entrada de capital 
externo, a manutenção desse grau de aquecimento da economia se tornaria temerária 
também para a balança de pagamentos. No segundo trimestre de 1995, quando a inflação 
começava a mostrar tendência de alta, o governo adotou rigorosas medidas de restrição de 
crédito, que se mostraram bastante eficazes a partir do terceiro trimestre, ocasionando a 
queda do nível de atividade e da inflação, além da melhoria do desempenho da balança 
comercial. A inflação continuou caindo durante o ano de 1996, quando a economia começou 
a se recuperar, especialmente durante o segundo semestre. No último trimestre de 1996, a
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 62 de 323 
inflação alcançou taxas anuais de um dígito. Havendo passado de taxas de mais de 40% 
mensais a taxas da ordem de 3,5% no terceiro trimestre de 1994, como conseqüência 
instantânea da reforma monetária, a inflação seguiu, durante os primeiros dois anos e meio 
do plano, uma trajetória de queda gradual, alcançando taxas médias mensais da ordem de 
0,5% no último trimestre de 1996. 
A gestão macroeconômica após o Real 
A estabilidade econômica, para ser duradoura, deve ter sólidos fundamentos 
macroeconômicos. Entre eles, uma política fiscal consistente a longo prazo, uma política 
monetária austera, mas que não comprometa a situação fiscal, e uma situação de balança de 
pagamentos sustentável a longo prazo. O Brasil tem muitos desafios a vencer nesta direção. 
Tem um Estado repleto de empresas de sua propriedade, com uma burocracia ineficiente e 
desmotivada, além de uma previdência social estruturalmente deficitária. Tem tido taxas de 
juros tão altas a ponto de os gastos com pagamento de juros terem se tornado 
excessivamente importantes no orçamento do governo. Além disso, a balança comercial tem 
sido crescentemente deficitária, ocasionando saldos da balança em conta corrente ainda 
mais deficitários. Essas situações podem ameaçar a estabilização a longo prazo. Elas 
ocupam lugar de destaque na agenda econômica do governo e estão sendo enfrentadas de 
forma gradual. 
Política fiscal e reformas estruturais 
As reformas estruturais: o combate ao déficit público e a racionalização do Estado são dois 
dos principais objetivos das reformas estruturais que se encontram na agenda do atual 
governo. Algumas mudanças importantes já se realizaram, como a aprovação da emenda 
constitucional sobre a Ordem Econômica, que abriu à participação do setor privado setores 
como o petrolífero, de telecomunicações e de distribuição de gás. Ademais, foi abolida na 
Constituição, a diferença entre o capital estrangeiro e o capital nacional. 
Juntamente com as reformas constitucionais, a privatização dos setores ligados à produção 
de matéria prima e de infra-estrutura poderá constituir-se, além de reduzir o chamado Custo 
Brasil, uma importante fonte de arrecadação para os governos federal e estaduais, 
permitindo redução significativa da dívida pública. Foram privatizadas, entre outras, a 
Companhia Siderúrgica Nacional, a maior do país, a Light, importante distribuidora de 
energia, grande parte da rede ferroviária federal e algumas companhias estatais, 
especialmente de distribuição de energia elétrica. Em 1996, o governo arrecadou US$ 4,3 
bilhões com o programa de privatizações. Espera-se que o programa ganhe impulso com a 
privatização da Companhia Vale do Rio Doce, a maior produtora de minério de ferro do 
mundo; Furnas e Eletrosul, empresas federais da área de geração de energia elétrica; assim 
como com a privatização dos portos. A importância desta última revela-se principalmente 
pela ineficiência dos portos brasileiros, que gera custos excessivamente altos para seus 
usuários. 
Uma questão importante, que suscitou acalorados debates políticos, refere-se ao uso dos 
recursos arrecadados com as privatizações. Enquanto o Ministério da Fazenda defende seu 
uso exclusivo para a redução da dívida pública, existe pressão política para a utilização dos 
recursos arrecadados nos mais variados fins. Outra importante fonte de arrecadação para o 
governo, também proveniente de mudanças estruturais, é a venda de concessões para a 
exploração de rodovias e da telefonia celular. No entanto, a tendência é que pelo menos 
parte dos recursos arrecadados seja utilizada em linhas de financiamento do setor privado. 
As reformas constitucionais previstas, caso sejam aprovadas pelo Congresso sem alteração 
substancial de seu conteúdo, devem aliviar as contas do governo no que se refere às 
despesas. A reforma administrativa, ao restringir a estabilidade dos funcionários públicos - 
em particular nos casos em que mais de 60% da arrecadação dos governos esteja 
comprometida com o pagamento de salários - e impor um limite máximo aos salários dos 
funcionários públicos de qualquer procedência, deve ter como resultado uma redução dos 
gastos do governo em folhas de pagamento, especialmente ao nível estadual. A reforma do 
Sistema de Seguridade Social, que em seu modelo atual é estruturalmente deficitário, aponta
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 63 de 323 
para a correção das principais distorções relativas ao seu financiamento, com modificações 
das regras, que incluem o aumento da idade média para aposentadoria. Existe também uma 
reforma tributária em gestação, cuja mudança principal a ser introduzida refere-se ao maior 
alcance do imposto sobre o valor agregado federal, hoje restrito à indústria. 
O déficit orçamentário: o Plano Real foi precedido de um esforço para a redução do déficit 
público brasileiro e a medida mais importante nesta direção foi a criação do Fundo Social de 
Emergência, que desvinculava os recursos arrecadados dos gastos do governo. O esforço 
fiscal de 1994 teve como resultado um superávit operacional de 1,32% do PIB. 
A estabilização mudou significativamente o regime fiscal. O governo estava acostumado a 
controlar gastos através do adiamento dos gastos previstos em orçamento que, desta forma, 
eram corroídos pela inflação. A estabilização acabou com esta possibilidade, reduzindo o 
controle do Executivo sobre o orçamento. Por outro lado, a estabilidade reduziu a 
preocupação do Congresso com o déficit orçamentário. Isto se refletiu nas dificuldades do 
Executivo em aprovar as reformas estruturais nos moldes por ele propostos, levando à sua 
prorrogação. 
Por todas essas razões, o orçamento primário do governo, que não incluiu os juros da dívida 
pública, sofreu uma deterioração inicial importante em seguida à estabilização, com uma 
redução do superávit da ordem de 5,09% do PIB em 1994 para 0,33% em 1995. O aumento 
dos gastos com pagamento de juros, que alcançou 5,14% do PIB, fez com que o orçamento 
do governo, em seu conceito operacional, fosse deficitário em 4,79% do PIB. Com este 
resultado contribuíram os elevados índices da taxa de juros reais neste primeiro ano e meio 
de estabilização. A redução contínua do nível da inflação e o substancial ingresso de capitais, 
que teve como resultado um grande crescimento das reservas, permitiu que o Banco Central 
adotasse uma política de redução gradual dos juros reais em 1996. Este fato levou a uma 
redução dos gastos do governo com juros e foi a principal razão para a modesta melhoria do 
resultado operacional de 1996, que fechou o ano deficitário em 3,91% do PIB. 
Esses números do déficit fiscal não são alarmantes se comparados com os de outros países 
desenvolvidos. No entanto, um país em desenvolvimento, em processo de estabilização, 
precisa de resultados exemplares para alcançar um alto grau de credibilidade em nível 
internacional. Espera-se uma melhoria de resultados nos próximos anos. Se a economia se 
mantiver numa trajetória de crescimento sustentado, a taxa de crescimento médio nos 
próximos anos deverá ser superior à dos últimos anos, levando a um aumento automático da 
arrecadação. No que se refere aos gastos, espera-se uma redução de despesas nos estados 
e municípios, além de uma redução adicional do gasto com juros, graças à redução das 
taxas reais de juros e à redução da dívida a partir das arrecadações oriundas do processo de 
privatizações. 
Política cambial e setor externo 
A abertura comercial e a valorização cambial foram consideradas instrumentos fundamentais 
para a redução da inflação em seguida à reforma monetária e com vistas à manutenção da 
inflação em baixa. No entanto, a mesma competição externa, considerada benéfica do ponto 
de vista da inflação e dos consumidores, teve forte impacto sobre a produção em certos 
setores menos eficientes, que não foram capazes de superar a competição externa. Além 
disso, as importações demonstraram grande dinamismo enquanto o desempenho das 
exportações foi medíocre, resultando em crescentes déficits comerciais e em conta corrente. 
Por essas razões, analistas preocupados com a sustentação da situação no quadro externo 
associaram-se aos interesses dos setores mais afetados pela competição externa, 
reivindicando a reversão da política cambial, seja através de maior proteção tarifária para a 
indústria doméstica, seja através de uma desvalorização substancial da moeda. Como 
veremos, a resposta do governo relacionou-se essencialmente com a manutenção da 
abertura comercial, que foi viável porque um significativo fluxo de capitais externos 
possibilitou o financiamento do crescente débito em conta corrente, enquanto se espera que 
os estímulos dados às exportações surtam efeito. 
A balança comercial brasileira apresentava superávit desde 1983, com exceção de apenas
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 64 de 323 
um breve período em 1986, quando se produziu um excesso de demanda generalizada em 
conseqüência do Plano Cruzado. A balança comercial alcançou seu apogeu em 1992, com 
um superávit comercial de mais de US$ 15 bilhões. Com a redução da proteção tarifária, a 
partir de 1990, quando a tarifa média passa de 35% ao ano em 1990 para 14% em meados 
de 1993, o superávit começa a cair, devido ao forte crescimento das importações. Este 
crescimento era de se esperar, dado o baixo coeficiente de importações predominante até 
então. 
O Plano Real acrescentou a esse quadro uma valorização real da taxa de câmbio, de cerca 
de 15% em 1994, e um boom de consumo causado pela queda brusca da inflação. Não 
surpreende que as importações tivessem um impulso adicional, com o país terminando o ano 
de 1994 com déficits comerciais mensais. Para agravar a situação, a crise do México em 
dezembro de 1994 reduziu o ingresso de capitais em princípios de 1995 e suscitou dúvidas 
acerca da capacidade de sustentação da situação externa. O governo não teve outra 
alternativa a não ser freiar a economia e começar a corrigir gradualmente o câmbio, de modo 
a reduzir a defasagem cambial. A política começa a dar resultados na metade do ano, 
quando os déficits comerciais são eliminados e os superávits, embora modestos, voltam a 
entrar em cena. 
No segundo semestre de 1996, os déficits comerciais tornam a ser sistemáticos e 
crescentes, mantendo-se essa tendência em 1997. A diferença em relação à situação 
existente no início de 1995 encontra-se no forte ingresso de capitais externos, que 
possibilitou um aumento das reservas da ordem de US$ 8 bilhões em 1996. 
Contribuiu para o resultado moderado das exportações em 1996 uma queda nas cotações 
das principais commodities industrializadas, que compõem a pauta dos produtos 
semimanufaturados. Por outro lado, o volume exportado de produtos manufaturados, que 
corresponde a 55% do total, cresceu apenas 2,39%. 
O governo tomou diversas medidas em 1996, com o objetivo de estimular as exportações, 
tendo sido a mais importante delas a isenção de ICMS (imposto sobre o valor agregado 
arrecadado pelos estados) para os produtos agrícolas e semi-manufaturados, e para os 
investimentos nesses setores. Em dezembro foram tomadas novas medidas, desta vez para 
aumentar o alcance e reduzir o custo dos financiamentos às exportações, concedidos pelo 
BNDES (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social). Espera-se que ao longo do tempo 
haja uma redução gradual do Custo Brasil, no qual se incluem os altos custos sistêmicos da 
economia brasileira em relação aos padrões internacionais. Espera-se também que os 
incentivos dados ao investimento no setor exportador tragam resultados a médio prazo, 
especialmente porque a limitação da capacidade produtiva é considerada o principal 
obstáculo para o crescimento das exportações de produtos manufaturados. 
Por outro lado, o aumento das importações, tomado isoladamente, pode ser considerado 
desejável para um país cujo coeficiente de importações é ainda um dos mais baixos do 
mundo. Pode ser considerado como parte da transição de uma economia quase autárquica a 
uma economia aberta e competitiva. No entanto, a associação do mau desempenho da 
balança comercial com a proteção de indústrias domésticas específicas tem levado a 
algumas medidas de alcance ilimitado que significam um retrocesso temporário na política de 
abertura. Tais medidas foram tomadas inicialmente em 1995. No entanto, as medidas de 
restrição às importações estão muito aquém do desejado por certos setores da opinião 
pública brasileira. 
Por esse motivo, apesar de alguns retrocessos, pode-se dizer que, essencialmente, o 
governo tem resistido às pressões para reverter a abertura comercial. 
O perfil do capital que ingressa no país tem melhorado significativamente. A participação do 
investimento líquido direto na captação de recursos externos aumentou sucessivamente, 
chegando a quase 60% em 1996. A aceleração do programa de privatizações deve contribuir 
para a continuidade dessa tendência. O ingresso de capitais sob a forma de empréstimos 
externos também tem-se dado em condições mais vantajosas, com sucessivas reduções do 
custo e aumento do prazo médio. A redução do risco Brasil, percebido no exterior, a extensão 
do prazo médio de financiamento dos empréstimos e o aumento da participação do
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 65 de 323 
investimento direto na captação externa são fatores que atenuam o efeito de uma queda na 
taxa de juros doméstica sobre a captação externa, favorecendo a continuidade de seu 
processo de redução gradual. 
Perspectivas 
Com a economia estabilizada, maior abertura comercial, e com reformas estruturais que 
visam a tornar o Estado menor e mais eficiente, a economia brasileira retoma a perspectiva 
do crescimento sustentável. Mas as reformas estruturais, embora propostas pelo executivo, 
dependem da aprovação do legislativo para entrarem em vigor com versões que não 
representem um desfiguramento do original. Embora o lobby de certos interesses particulares 
seja forte no Congresso, dificultando a rápida aprovação das reformas estruturais, a 
crescente penetração através dos meios de comunicação, das questões referentes à 
ineficácia do setor público e aos privilégios de certos setores assalariados deve resultar em 
sua aprovação, em prazo um pouco mais longo. 
O maior obstáculo para o crescimento sustentável parece ser, portanto, a balança comercial, 
pois esta tem se mostrado muito deficitária cada vez que se acelera o crescimento 
econômico. Como as importações caem e as exportações aumentam quando se freia o 
crescimento econômico, não se pode descartar a hipótese de que em algum momento futuro 
o governo se veja tentado ou seja obrigado a restringir o crescimento da economia de modo 
a reduzir temporariamente o déficit da balança comercial. Para que o atual déficit seja 
sustentado e para que não se reverta a abertura comercial, torna-se essencial que se 
antecipe um crescimento futuro substancial das exportações. 
O aumento da produtividade e os lucros da eficiência, que estão em curso numa economia 
progressivamente aberta e competitiva, devem, a médio prazo, refletir-se num aumento da 
competitividade do setor exportador. A privatização da infra-estrutura, em especial a 
portuária, que deverá ter como resultado melhores serviços a custos mais baixos; a isenção 
das exportações, da pesada carga tributária; as linhas de financiamento abertas pelo BNDES 
à exportação; e a desvalorização gradual da taxa de câmbio real são exemplos de iniciativas 
do governo, que deverão ter como resultado, estímulos à exportação. 
As alternativas incluiriam reverter a política de abertura comercial, ou realizar a 
maxidesvalorização cambial. A primeira alternativa implicaria uma volta ao passado, 
abandonando o novo modelo de desenvolvimento aberto, com todas as conseqüências 
negativas para a eficiência econômica e para a credibilidade internacional do país. A segunda 
alternativa poderia provocar um aumento súbito da inflação e uma perda de credibilidade na 
política econômica. De qualquer forma, provocaria um aumento da incerteza que, 
certamente, teria efeitos nocivos sobre o fluxo de capital externo e sobre o investimento na 
economia. 
MERCOSUL 
A reorganização política mundial, acelerada após o final da Guerra Fria, faz blocos 
econômicos emergirem em diferentes regiões do planeta, como a União Européia, o Nafta e 
a Bacia do Pacífico. Nesse contexto, surge o MERCOSUL, que integra economicamente a 
Argentina, o Brasil, o Paraguai, o Uruguai e mais recentemente a Venezuela. 
Blocos Econômicos 
O que são blocos econômicos 
São associações de países, em geral de uma mesma região geográfica, que estabelecem 
relações comerciais privilegiadas entre si e atuam e atuam de forma conjunta no mercado 
internacional. Um dos aspectos mais importantes na formação dos é a redução ou a 
eliminação das alíquotas de importação, com vistas à criação de zonas de livre comércio. Os 
blocos aumentam a interdependência das economias dos países membros. Uma crise no 
México, como a de 1994, afeta os EUA e o Canadá - os outros países-membros do Acordo 
de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta).
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 66 de 323 
O primeiro bloco econômico aparece na Europa, com a criação, em 1957, da Comunidade 
Econômica Européia (embrião da atual União Européia). Mas a tendência de regionalização 
da economia só é fortalecida nos anos 90: o desaparecimento dos dois grandes blocos da 
Guerra Fria, liderados por EUA e URSS, estimula a formação de zonas independentes de 
livre-comércio, um dos processos de globalização. Atualmente, os mais importantes são: o 
Acordo de Livre Comércio da Am rica do Norte (Nafta), a União Européias (UE). o Mercado 
Comum do Sul(Mercosul), a Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) e, em 
menor grau o Pacto Andino, a Comunidade do Caribe e Mercado Comum (Caricom), a 
Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), a Comunidade dos Estados 
Independentes (CEI) e a Comunidade da África Meridional para o Desenvolvimento (SADC). 
Mercosul é a abreviação para Mercado Comum do Sul. Inicialmente, era uma zona de livre 
comércio e hoje é uma União Aduaneira. Está entre as quatro maiores economias do mundo, 
logo atrás da Nafta, União Européia e Japão. 
O primeiro passo para a criação do MERCOSUL foi dado de 26 de março de 1991 com o 
Tratado de Assunção. Os presidentes do Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil, e seus 
respectivos Ministros das Relações Exteriores assinaram este acordo que estabelece a 
integração econômica dos quatro países para seu desenvolvimento tecnológico e científico. 
Pelo Tratado ficou estabelecido: 
a. A Livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os países eliminando-se os 
direitos alfandegários e tarifas (É claro que essa mudança vai acontecendo gradualmente, e 
não de uma hora para outra); 
b. O estabelecimento de uma tarifa externa comum 
c. Coordenação política macroeconômica e setorial entre os Estados-Partes - (de comércio 
exterior: agrícola, industrial, fiscal, monetária, cambial e de capitais: de serviços, alfandegária, 
de transportes e comunicações e outras) - a fim de assegurar as condições concorrência. 
d. Compromisso dos Estados-Partes de harmonizar suas legislações, nas áreas pertinentes, 
para lograr o fortalecimento do processo de integração. 
Presidência Pro-Tempore 
Conforme dispõe o artigo 5º do Protocolo de Ouro Preto, instrumento normativo de 1994 que 
define a estrutura institucional do Mercosul, a Presidência do Conselho do Mercado Comum é 
exercida por rotação dos Estados Partes, em ordem alfabética, pelo período de seis meses. 
A partir de agosto de 2006, a Presidência do Mercosul passa a ser exercida pelo Brasil, em 
um mandato que culminará na XXXI Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum e 
na Cúpula de Presidentes do Mercosul, em dezembro próximo. Trata-se de tarefa da mais 
alta responsabilidade para o País, na medida em que caberá ao Governo brasileiro, e aos 
representantes da sociedade civil que atuam no fortalecimento do processo de integração 
regional, conduzir a bom termo as negociações em andamento nos múltiplos foros do 
Mercosul. 
O objetivo último de cada Presidência Pro-Tempore é o de contribuir, nos planos econômico, 
comercial, social e político, para a implementação das metas de integração regional traçadas 
pelo Tratado de Assunção, de 1991, que criou o Mercado Comum do Sul (Mercosul). 
A questão Chile e Bolívia 
Chile é um parceiro não membro do MERCOSUL e a Bolívia é um parceiro a um passo da 
integração. O Chile já tem contatos e relações econômicas principalmente com o México 
(País integrante do NAFTA) e tenta contato com os Tigres Asiáticos. Já a Bolívia faz parte 
dos Países do Pacto Andino. E Nesse caso é uma situação mais delicada para tornar-se 
parceiro do MERCOSUL, pois uma das condições do Pacto Andino seria que nenhum país
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 67 de 323 
integrante poderia fazer parte de qualquer outro grupo comercial. 
O MERCOSUL segue uma nova tendência no mundo moderno, que é a união de várias 
nações em grupos ou blocos. É importante ressaltar que o objetivo do MERCOSUL não é 
isolar os países membros do resto do mundo e mudar somente o comércio, economia 
interna, mas sim, fortalece-los para melhor competir com os outros países e blocos 
econômicos. 
O Capitalismo está num estágio que pede a evolução do comércio internacional. E esse 
processo seria impossível ocorrer dentro dos limites de um país ou de uma região pequena. 
Simplesmente não haveria dinheiro suficiente para tal. Somente com a associação de várias 
economias é viável, hoje, obter-se tecnologias mais avançadas por um preço mais reduzido. 
Neste caso a cooperação viabiliza o processo de barateamento dos custos da produção de 
equipamentos cada vez mais modernos. Da mesma forma a união de empresários vai 
resultar em produtos mais baratos e competitivos internacionalmente. 
Por outro lado, assim como colocamos nossos produtos à disposição do resto do mundo, 
aqui também haverá uma injeção de produtos estrangeiros a preços baixíssimos que 
desafiará os fabricantes de nosso país a fazer produtos de qualidade com preços para 
concorrer com os internacionais. Quem só tem a ganhar é o consumidor, que leva produtos 
de melhor qualidade por preços reduzidos. 
O Paraguai possui o melhor algodão do planeta, o Uruguai um excelente rebanho bovino, o 
Brasil - o primeiro Parque Industrial dos países emergentes e a Argentina uma das 
agriculturas mais desenvolvidas do globo. 
Portanto, essa fase de unificação não é o último estágio. Não consiste apenas em criar um 
mercado de trocas e proteção mútua pura e simplesmente. A unificação é uma fase 
intermediária, que visa capacitar seus países componentes a enfrentar em condições 
adequadas a competição no mercado internacional, já que se anuncia ameaçadora para 
nações menos desenvolvidas. 
Se não for assim, a CE, NAFTA e Tigres Asiáticos, que já possuem níveis de 
desenvolvimento científico e tecnológico superior e são, por isso, mais competitivos, vão 
dominar ainda mais hegemonicamente o mercado mundial. E com evidentes - e graves - 
prejuízos para seus concorrentes: nós. Ou seja, à distância entre os países ricos e pobres 
aumentariam mais ainda. 
Nessa corrida a única saída é aliar-se pelo aprimoramento de sua produção, pela conquista 
de novos mercados, incremento da economia, e, por fim, pela garantia de uma vida mais 
digna para seus povos. 
Vale salientar também, que o MERCOSUL é um acordo recente e tem muito que crescer e se 
aperfeiçoar. Nós não podemos esquecer nossa cultura e deixar de ser brasileiros, mas 
precisamos nos lembrar que temos irmãos uruguaios, paraguaios, argentinos e agora 
também chilenos e bolivianos. 
Cronologia do Mercosul 
Em 1985, Brasil e Argentina assinam a Declaração de Iguaçu em 30 de novembro. A 
proposta era acelerar a integração dos dois países em diversas áreas (técnica, econômica, 
financeira, comercial, etc.) e estabelecia as bases para a cooperação no campo do uso 
pacífico da energia nuclear. 
Em 1988, os então presidentes do Brasil, José Sarney, e da Argentina, Raul Alfonsin 
assinam, em Buenos Aires, o Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento 
Brasil-Argentina. O acordo prevê a liberação completa do comércio de bens e serviços entre 
os dois países em no máximo dez anos, e tratava, também, das demais questões da agenda 
de um Mercado Comum.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 68 de 323 
Em julho de 1990, os presidentes do Brasil, Fernando Collor, e da Argentina, Carlos Menem, 
assinam a Ata de Buenos Aires, antecipando para o final de 1994 o prazo para a formação do 
Mercado Comum entre os dois países. 
Em dezembro daquele mesmo ano, o Acordo de Complementação Econômica no 14 é 
firmado entre os dois países, instituindo um cronograma para a criação de uma Zona Livre de 
Comércio de bens até 31/12/94. 
Em 1991 o Paraguai e o Uruguai são incorporados ao processo de aproximação 
Brasil-Argentina. Nasce o MERCOSUL, tendo como objetivo central a constituição de um 
Mercado Comum (livre circulação de bens, serviços e fatores de produção). 
Em 1994 é assinado o Protocolo de Ouro Preto, que reconhece a personalidade jurídica de 
direito internacional do bloco, atribuindo-lhe competência para negociar, em nome próprio, 
acordos com terceiros países, grupos de países e organismos internacionais. 
Em 1996, em São Luis, na Argentina, é firmada a Declaração Presidencial sobre Diálogo 
Político. A declaração cria o Mecanismo de Consulta e Concertação Política ( MCCP), 
objetivando, entre outros, buscar coordenar posições sobre questões internacionais de 
interesse comum. Neste mesmo ano, a Bolívia se une aos demais membros do Mercosul 
como Estado associado e é seguido pelo Chile. 
Em 1997, é firmada a primeira norma de conteúdo sócio - laboral do Mercosul, o Acordo 
Multilateral de Seguridade Social do Mercado Comum do Sul, e cria-se o Observatório do 
Mercado de Trabalho. 
Em 1988, na cidade de Ushuaia, na Argentina, é firmada a Declaração Política do Mercosul, 
Bolívia e Chile como Zona de Paz, que registra entendimento no sentido de “fortalecer os 
mecanismos de consulta e cooperação sobre temas de segurança e defesa existentes entre 
seus membros, e promover sua progressiva articulação (...)”. 
No ano de 2000, junto aos associados Bolívia e Chile, o Mercosul proclama a “Carta de 
Buenos Aires sobre Compromisso Social” 
No ano de 2002 é firmado o Acordo de Complementação Econômica firmado entre a 
Comunidade Andina e o Mercosul, que abre possibilidades de negociação com todos os 
membros do bloco Andino. 
O Mercosul foi significativamente enfraquecido pelo colapso da economia argentina em 2002. 
Alguns críticos acreditam que a negativa de ajuda do governo Bush aquele país na época, foi 
baseada em um desejo de enfraquecer o Mercosul, já que, teoricamente, os EUA percebem 
a iniciativa deste mercado como um problema para a sua estratégia politico - econômica para 
a América Latina. No entanto, é mais provável que os Estados Unidos tenham deixado de 
ajudar a Argentina uma vez que esse país latino-americano não transmitia confiabilidade aos 
mercados internacionais, deixando de honrar seus compromissos financeiros em diversas 
ocasiões. 
Em 2003, o Peru torna-se Estado associado ao Mercosul. Pela primeira vez, o Conselho do 
Mercado Comum (CMC) sanciona uma norma sócio - laboral de aplicação direta, 
estabelecendo o “Repertório de Recomendações Práticas sobre Formação Profissional” no 
bloco. 
No ano de 2004, mais dois países se associam ao bloco: Colômbia e Equador. No mesmo 
ano, entra em vigor o Protocolo de Olivos, firmado em 2002, para criar o Tribunal Arbitral 
Permanente de Revisão do Mercosul, com sede em Assunção, no Paraguai. Uma das fontes 
de insegurança jurídica do Mercosul era a falta de um tribunal permanente. No fim do ano, os 
países membros assinam a Declaração de Cuzco, que lançou as bases da Comunidade Sul 
– Americana de Nações, entidade que unirá o Mercosul e o Pacto Andino em uma zona de 
livre comércio continental. 
Em 2005, a Venezuela protocola seu pedido de adesão ao bloco. Em novembro, a Colômbia 
ratifica em Tratado de Livre Comércio (TLC) com o Mercosul e, no mês seguinte,o presidente
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 69 de 323 
colombiano Álvaro Uribe firma a Lei 1.000, para a criação de uma zona de livre comércio 
entre a Comunidade Andina e o bloco. 
Em 2006, a Venezuela se junta a Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai como membro do 
Mercosul. 
Órgãos Decisórios 
Conselho do Mercado Comum (CMC): órgão supremo cuja função é a condução política 
do processo de integração. O CMC é formado pelos Ministros Exteriores e de Economia dos 
Estados Parte, que se pronunciam através de decisões. 
Grupo Mercado Comum (GMC): órgão decisório executivo, responsável por fizer os 
programas de trabalho, e de negociar acordos com terceiros em nome do Mercosul, por 
delegação expressa do CMC. Está integrado por representantes dos Ministérios de Relações 
Exteriores e de Economia, e dos Bancos Centrais dos Estados Parte. 
Comissão de Comércio do MERCOSUL (CCM): órgão decisório técnico, é o responsável 
por apoiar o GMC no que diz respeito à política comercial do bloco. Se pronuncia por 
Diretivas. 
Órgãos Consultivos 
Comissão Parlamentar Conjunta (CPC): de representação parlamentar, integrada por 64 
parlamentares, 16 de cada Estado Parte. A CPC tem um caráter consultivo, deliberativo, e de 
formulação de declarações, disposições e recomendações. 
Foro Consultivo Econômico Social (FCES): órgão consultivo que representa os setores 
da economia e da sociedade, que se manifesta por recomendações ao GMC. 
Números do Mercosul 
Países membros: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. 
Produto Interno Bruto (PIB): aproximadamente US$ 1 trilhão 
Comércio Global: mais de US$ 300 bilhões 
Mercado Potencial: 250 milhões de habitantes. 
Perpectivas do Mercosul 
Um esforço sério dos países membros para revitalizar o Mercosul deverá incluir 
necessariamente um trabalho de efetiva construção da União Aduaneira, a coordenação de 
políticas macro-econômicas, a criação de políticas industriais setoriais de integração e o 
aperfeiçoamento dos aspectos institucionais. 
Caso não se consiga avançar satisfatoriamente nessa direção, como parece ser a situação 
no atual momento, o Mercosul terá de ser reestruturado e, para isso, deveria ser convocada 
Conferência Diplomática a fim de negociar uma nova arquitetura institucional para o 
Mercosul. 
O artigo 47 do Protocolo de Ouro Preto e o parágrafo 12 da Declaração Presidencial da 
reunião do Conselho do Mercosul em Puerto Iguazu (dezembro de 2004) dão a base legal 
para o início de um esforço conjunto de reflexão em torno de uma visão de médio e longo 
prazo para o Mercosul. Esse esforço é ainda mais justificado na hipótese de a ALCA voltar a 
ter viabilidade política. 
No contexto dessa Conferência, deveria ser discutida a questão do processo decisório, um 
dos aspectos mais difíceis para o Brasil em um processo mais profundo de integração no 
âmbito do Mercosul. O sistema de tomada de decisão por consenso não poderá sustentar-se, 
caso haja avanços significativos na direção de um mercado comum. A exemplo do Mercado 
Comum Europeu, em seu início, o sistema de voto ponderado terá de ser introduzido para 
que o Congresso possa aprovar o futuro acordo na defesa do melhor interesse nacional.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 70 de 323 
Na perspectiva extrema, se poderia inclusive contemplar a suspensão temporária e 
negociada da TEC (o que reduziria as fricções atualmente existentes em determinadas 
esferas com os outros três parceiros), confirmando o Mercosul como zona de livre comércio 
reforçada, como união aduaneira in pectore e como mercado comum prospectivo, a ser 
alcançado progressivamente segundo metas realistas e factíveis. 
Essa nova arquitetura institucional, a ser necessariamente objeto de um novo instrumento 
diplomático, confirmaria as metas integracionistas dos founding fathers do Mercosul, mas 
apresentaria uma certa flexibilidade evolutiva, suscetível eventualmente de acomodar 
situações que hoje causam tensão dentro do bloco, como a perfuração da TEC. Seria ainda 
um acordo-quadro, uma espécie de “constituição para o Mercosul”, mas reforçada por 
compromissos existentes e em curso de negociação, sob a forma de “protocolos setoriais” 
(em matéria de políticas comercial, industrial, agrícola, de concorrência, de investimentos, 
fiscal e monetária, entre outros) que consolidariam uma abordagem progressiva do projeto de 
mercado comum sub-regional. 
Caberia ao Brasil conduzir o processo de consultas iniciais e propor as principais 
características que deveria assumir o novo modelo institucional, combinando elementos do 
atual esquema integracionista (baseado no Tratado de Assunção e no Protocolo de Ouro 
Preto) com mecanismos a serem definidos oportunamente, em função das possibilidades de 
aperfeiçoamento do atual modelo híbrido de mercado comum intergovernamental. 
Finalmente, o Governo brasileiro, junto com os demais parceiros do Mercosul, deve propor, o 
mais rapidamente possível, a abertura de negociações com os países sul-americanos que 
negociaram acordos de livre comércio com os EUA, para, pelo menos, buscar a equiparação 
das tarifas de importação, a fim de recuperar a competitividade dos produtos brasileiros. 
Quando o acordo de livre comércio dos EUA com os países andinos for assinado, todos os 
países da América do Sul e da América Central, menos a Venezuela e o Mercosul, terão 
negociado a ampliação de seu acesso ao mercado norte-americano em troca de concessões 
tarifárias mais favoráveis do que as concedidas ao Mercosul, o que acarretará a erosão das 
margens de preferência, isto é, das vantagens tarifárias acordadas com os países da região 
no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração - ALADI. 
Questionário 
Que é o Mercosul? 
O Mercado Comum do Sul - MERCOSUL - é um processo de integração entre Brasil, 
Argentina, Paraguai e Uruguai, criado com a assinatura do tratado de Assunção, em 26 de 
março de 1991. O Mercosul é hoje uma União Aduaneira, e seu objetivo final é evoluir à 
condição de Mercado Comum. 
O Mercosul é um acordo econômico ou um projeto político? 
Muito embora o Tratado de Assunção seja um acordo internacional de cunho marcadamente 
econômico, sua assinatura significou a coroação de um projeto estratégico regional de 
natureza igualmente política. 
O que o Brasil ganha com o Mercosul? 
A criação de blocos comerciais regionais constitui tendência que vem se consolidando há 
décadas. Nesse sentido, o Mercosul representa tanto um esforço de integração econômica 
que aproxima seus países membros dessa tendência mundial quanto um projeto de 
aproximação política no Cone Sul. Ao integrar-se ao Mercosul, o Brasil ganha peso nas 
negociações internacionais, já que passa a negociar não mais individualmente, mas como 
bloco diante de outros blocos econômicos. Seu poder de negociação é, portanto, 
potencializado. O bloco também representa um mercado potencial de 250 milhões de 
habitantes e um PIB acumulado de mais de 1 trilhão de dólares, o que o coloca entre as 
quatro maiores economias do mundo, logo atrás do Nafta, União Européia e Japão. Por essa 
razão, o Mercosul é hoje um dos principais pólos de atração de investimentos do mundo. 
Qual é o atual estágio de integração regional? 
O Mercosul se encontra, desde primeiro de janeiro de 1995, em uma etapa de integração
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 71 de 323 
definida como União Aduaneira. 
Qual é o objetivo final do Mercosul? 
A meta estabelecida pelo Tratado de Assunção é o estabelecimento de um Mercado Comum 
entre os Estados Partes do Mercosul. 
Todos os Estados tem os mesmos direitos e obrigações? 
O Tratado de Assunção e o Protocolo de Ouro Preto não estabelecem nenhum tipo de 
diferença entre os Estados Partes. 
Algum país membro pode abandonar o Mercosul ? 
Não existe nenhum impedimento, já que o próprio Tratado de Assunção prevê que um 
Estado Parte pode desvincular-se do processo através da denúncia do Tratado (artigo 21). 
O Mercosul tem personalidade jurídica? 
O Mercosul dispõe de personalidade jurídica de direito internacional desde a assinatura do 
Protocolo de Ouro Preto (artigo 34). A titularidade da personalidade jurídica do Mercosul é 
exercida pelo Conselho do Mercado Comum (artigo 8, III). O Grupo Mercado Comum pode 
negociar, por delegação expressa do Conselho do Mercado Comum, acordos em nome do 
Mercosul com terceiros países, grupos de países e organismos internacionais (artigo 14, VII). 
Quais são as principais fontes jurídicas do Mercosul? 
As principais fontes jurídicas do Mercosul são o Tratado de Assunção e seus protocolos e 
instrumentos adicionais ou complementares; as Decisões do Conselho do Mercado Comum, 
as Resoluções do Grupo Mercado Comum e as Diretrizes da Comissão de Comércio. 
Como se tomam as decisões no Mercosul? 
As decisões no Mercosul são tomadas por consenso e com a presença de todos os Estados 
Partes. As decisões são de natureza obrigatória, embora não tenham aplicação direta 
(precisam ser internalizadas). 
Como se dá a aplicação interna das normas emanadas dos Órgãos do Mercosul? 
O Protocolo de Ouro Preto estabelece o compromisso dos Estados Partes de adotar todas as 
medidas necessárias para assegurar o cumprimento das normas Mercosul em seus 
respectivos territórios (artigo 38). Na medida em que o sistema de tomada de decisões do 
Mercosul é inter-governamental (e não supranacional, como no caso da União Européia), 
torna-se necessária a incorporação das normas aprovadas no ordenamento jurídico de seus 
Estados Partes. O ato de incorporação dessas normas deverá ser comunicado à Secretaria 
Administrativa do Mercosul. 
Como será possível tomar conhecimento das Normas que emanaram dos órgãos do 
Mercosul? 
Serão publicadas no Boletim Oficial do Mercosul, editado pela Secretaria Administrativa do 
Mercosul as versões em espanhol e português de todas os atos normativos do Mercosul 
(Decisões, Resoluções e Diretrizes). Versões não oficiais podem ser consultadas em 
português neste site  Banco de Normativas  ou em ambas as línguas no site da Secretaria 
Administrativa do Mercosul .. 
O que representa o Mercosul na América do Sul? 
O Mercosul representa cerca de 70% do território, 64% da população, 60% do PIB da 
América do Sul. 
Qual é o tamanho do Mercosul? 
Área: 11,9 milhões de quilômetros quadrados; 
Países membros: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. 
Produto Interno Bruto (PIB): aproximadamente US$ 1 trilhão 
Comércio Global: mais de US$ 300 bilhões 
Mercado Potencial: 250 milhões de habitantes.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 72 de 323 
Quais órgãos formam a estrutura institucional do Mercosul? 
O Protocolo de Ouro Preto definiu a estrutura do Mercosul da seguinte forma: 
Conselho do Mercado Comum (CMC): é o órgão máximo do Mercosul, ao qual cabe a 
condução política do processo de integração. O CMC é formado pelos ministros das 
Relações Exteriores e da Economia dos países membros; Grupo Mercado Comum (GMC): é 
o órgão executivo do Mercosul, coordenado pelos Ministérios de Relações Exteriores de cada 
país; Comissão de Comércio do Mercosul (CCM): é o órgão encarregado de assistir ao 
Grupo Mercado Comum na aplicação dos instrumentos de política comercial comum; 
Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul: é o órgão de representativo dos Parlamentos 
dos Países do Mercosul; Foro Consultivo Econômico e Social do Mercosul: é o órgão de 
representação dos setores econômicos e sociais. Tem função consultiva elevando 
recomendações ao GMC. Secretaria Administrativa do Mercosul (SAM): é o órgão de apoio 
operativo, responsável da prestação de serviços aos demais órgãos do Mercosul. Tem sua 
sede permanente na cidade de Montevidéu. 
Qual é a estrutura do Grupo Mercado Comum? 
O Grupo Mercado Comum é assessorado em suas atividades por Subgrupos de Trabalho, 
Reuniões Especializadas e Grupos Ad Hoc, entre outros. Cada um desses foros auxiliares 
trata de temas específicos: 
Subgrupos de Trabalho (SGT): 
SGT 01- Comunicações 
SGT 02- Aspectos Institucionais 
SGT 03- Regulamentos Técnicos 
SGT 04- Assuntos Financeiros 
SGT 05- Transportes 
SGT 06- Meio Ambiente 
SGT 07- Indústria 
SGT 08- Agricultura 
SGT 09- Energia e Mineração 
SGT 10- Assuntos Trabalhistas, Emprego e Seguridade Social 
SGT 11- Saúde 
SGT 12- Investimentos 
SGT 13- Comércio Eletrônico 
SGT 14- Acompanhamento da Conjuntura Econômica e Comercial 
Reuniões Especializadas: Ciência e Tecnologia, Cooperativas, Turismo, Mulher, Promoção 
Comercial, Municípios e Prefeituras, Infra-estrutura da Integração e Drogas, Prevenção e 
Reabilitação de Dependentes 
Grupos Ad-Hoc: Açúcar, Relações Externas, Compras Governamentais e Concessões, 
Integração Fronteiriça 
Comitê de Cooperação Técnica 
Grupo de Serviços 
Comissão Sócio-Laboral. 
Como se solucionam os conflitos entre os Estados Partes do Mercosul? 
De acordo com o Protocolo de Ouro Preto, as controvérsias que surjam entre os Estado 
Partes sobre a interpretação, aplicação ou não cumprimento das disposições contidas no 
Tratado de Assunção, assim como: Decisões CMC, Resoluções GMC, Diretrizes CCM serão 
submetidas aos procedimentos de solução estabelecidos no Protocolo de Brasília, aprovado 
em 17/12/1991. 
Como serão solucionados os conflitos que venham a existir entre o Mercosul e 
terceiros países? 
Toda a controvérsia surgida entre um país do Mercosul e um terceiro país será solucionada 
no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC). Nos casos de Bolívia e Chile, os 
conflitos podem ser resolvidos ao amparo dos regimes de solução de controvérsias previstos 
nos acordos de livre comércio celebrados com o Mercosul (a saber, os 21º e 22º Protocolo ao 
ACE-35, no caso do Chile, e o 11º Protocolo Adicional ao ACE-36, no caso da Bolívia, ambos 
textos disponíveis na página www.aladi.org)
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 73 de 323 
Qual é a diferença entre Zona de Livre Comércio, União Aduaneira e o Mercado 
Comum? 
Uma Zona de Livre Comércio é a etapa ou tipo de integração em que são eliminadas todas 
as barreiras ao comércio entre os membros do grupo. 
A União Aduaneira é a etapa ou tipo de integração em que, além do livre comércio entre os 
membros do grupo, existe a aplicação de uma Tarifa Externa Comum (TEC) ao comércio 
com terceiros países. No Mercado Comum, além da TEC e do livre comércio de bens, existe 
a livre circulação de fatores de produção (capital e trabalho). 
O que é uma tarifa? 
É o nível de imposto cobrado para a entrada de mercadorias em um país. 
O que são tarifas ad-valorem? 
É a tributação que se faz de acordo com o valor da mercadoria importada, e não por seu 
volume, peso, espécie ou quantidade. É usada geralmente por ser transparente, 
acompanhando a evolução dos preços, e não discriminatória. 
O que é uma Tarifa Externa Comum -TEC? 
É uma tarifa comum cobrada por um grupo de países sócios que exigem o mesmo imposto a 
entrada de mercadorias provenientes de terceiros países. 
O que é Dumping? 
É a venda em um mercado estrangeiro de um produto a preço abaixo de seu valor normal, 
preço que geralmente se considera menor do que o que se cobra pelo produto dentro do país 
exportador, ou em sua venda a terceiros países. De modo geral, o dumping é reconhecido 
como uma prática injusta de comércio, passível de prejudicar os fabricantes de produtos 
similares no país importador. 
O que são Subsídios? 
São benefícios econômicos que um governo concede aos produtores de bens, muitas vezes 
para fortalecer sua posição competitiva. O subsídio pode ser direto (subvenção em dinheiro) 
ou indireto (créditos à exportação com juros baixos, por exemplo). 
Quais são os principais instrumentos de defesa comercial? 
Os principais mecanismos disponíveis para fazer frente a práticas desleais de comércio são: 
o direito antidumping, o direito compensatório e a salvaguarda. 
O que são direitos compensatórios? 
São direitos especiais que se fazem incidir sobre as importações, a fim de contrabalançar os 
benefícios de subsídios concedidos aos produtores e/ou exportadores do país exportador. 
O que são Salvaguardas? 
É um instrumento de defesa comercial que consiste na aplicação de medidas temporárias e 
seletivas, tais como tarifas ou restrições quantitativas (quotas), destinadas a dificultar a 
entrada de produtos importados que estejam ameaçando a produção nacional de bens 
similares. 
O que é Regime de Exceção? 
É o mecanismo que exonera a aplicação da Tarifa Externa Comum a um número limitado de 
produtos provenientes de terceiros países. É em geral utilizado por um país para proteger 
setores de sua economia. 
O que é Regime de Adequação? 
É um mecanismo de transição, criado em 1994, que permitiu aos países membros do 
Mercosul a elaboração de listas de produtos que só teriam tarifa zero no comércio intrazona 
em 1998 e 199. O Regime de Adequação para o livre comércio intrazona terminou em janeiro 
de 1998, para Argentina e Brasil, e em janeiro de 1999, para Paraguai e Uruguai. 
O que são restrições não-tarifárias? 
São disposições legais não tributárias que têm por objetivo central limitar a importação de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 74 de 323 
mercadorias por determinado país (quotas ou anuências prévias para importação, por 
exemplo). 
O que são medidas não-tarifárias? 
São dispositivos legais que têm por objetivo central estabelecer controles técnicos às 
importações de mercadorias por determinado país. Embora tenham como efeito colateral 
uma limitação às importações, as medidas não-tarifárias visam a finalidades muito distintas 
(saúde, segurança, proteção ao meio ambiente). As principais medidas não-tarifárias são os 
controles zoo e fitossanitários (controle de condições sanitárias de produtos de origem animal 
e vegetal). 
O que é Regime de Origem? 
É um mecanismo estabelecido para determinar se um produto é ou não originário de um país 
(ou região, no caso do Mercosul). O Regime de Origem do Mercosul segue a seguinte regra 
básica: é considerado originário da região qualquer produto que tenha pelo menos 60% de 
valor agregado regional. 
O Mercosul terá algum dia uma moeda única? 
O objetivo de se estabelecer uma moeda única para o Mercosul ainda é remoto. No entanto, 
tem avançado bastante o exercício de coordenação macroeconômica entre os quatro 
países-membros, que é condição indispensável para qualquer política de unificação 
monetária. 
(notíciário) 
 
10/02/2010 
Manchete: China já é o maior país exportador do mundo 
Agora é oficial: a China é a maior exportadora do mundo, superando Alemanha e 
Estados Unidos. Em 20 anos, Pequim multiplicou por 20 suas exportações e 
sobrepujou tradicionais potências europeias e os americanos. 
Resumo: A China também caminha para ultrapassar os japoneses e ocupar a posição de 
segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Os dados sobre o 
comércio mundial foram confirmados nesta terça-feira diante da constatação das autoridades 
alemãs de que as exportações do país sofreram em 2009 a maior queda desde os anos 50. 
Segundo o departamento de estatísticas da Alemanha, as vendas chinesas atingiram US$ 
1,201 trilhão em 2009. Já as exportações alemãs foram de US$ 1,121 trilhão no ano 
passado. 
Parte da posição de número um da China é resultado da recessão que atingiu o mundo entre 
2008 e 2009. Nos últimos anos, a expansão das exportações alemãs tem sido o pilar da 
economia do país. Mas a recessão gerou uma reviravolta no modelo de crescimento 
defendido pela chanceler Angela Merkel. En 2009, os alemães - que lideravam o ranking 
mundial de vendas externas desde o início da década - registraram uma queda de 18,4% em 
suas exportações. Já as importações recuaram 17,2%. 
O ano passado ainda marcou a recessão mais intensa na economia alemã desde a 2ª 
Guerra, com uma contração de 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2009, 62% das 
vendas dos alemães foram para outros países europeus. Isso ainda garantiu um superávit de 
136,1 bilhão para as contas do país. Mas o saldo positivo é 40 bilhões abaixo dos níveis de 
2008. A maior economia da Europa ainda teve uma alta de 3,4% nas exportações em 
dezembro de 2009, o primeiro sinal positivo desde outubro de 2008. 
Já a China era apenas o sétimo maior exportador do mundo há dez anos, com US$ 250
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 75 de 323 
bilhões em vendas e 4% do mercado mundial. Em 1990, a China exportou apenas US$ 62 
bilhões, 20 vezes menos que os níveis de 2009. A China é a principal parceira comercial do 
Brasil e já substituiu os americanos como o principal fornecedor de mercadorias para a 
Europa. A distância entre Brasil e China também se ampliou. Em 1990, o Brasil exportava um 
terço do valor vendido pela China. Em 2009, Pequim exportou oito vezes mais que as 
empresas brasileiras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 
10/02/2010 
Manchete: NET registra lucro de mais de R$ 300 milhões no quarto trimestre. 
A operadora de TV por assinatura NET registrou em 2009 lucro líquido de R$ 735,9 
milhões, ante lucro de R$ 20 milhões no ano anterior. No demonstrativo 
publicado nesta quarta-feira nos jornais, segundo a legislação societária brasileira, o 
resultado teria sido de R$ 778,188 milhões, ante prejuízo de R$ 95,006 milhões do ano 
anterior. 
No quarto trimestre, o lucro líquido somou R$ 305,8 milhões, após o prejuízo de R$ 76 
milhões registrado no mesmo período de 2008. 
Resumo: O Ebitda (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e 
amortização) foi de R$ 1,242 bilhão em 2009, com alta de 27% ante 2008. No quatro 
trimestre, ficou em R$ 368 milhões, com alta de 27% sobre o mesmo período do ano anterior. 
A margem Ebitda foi de 28% no último trimestre do ano passado e de 27% em 2009, ante 
27% nos mesmos períodos de 2008. 
O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 41,1 milhões no 4º trimestre, mas ainda 
assim uma redução de 77,5% ante o resultado negativo em igual período de 2008 (despesa 
de R$ 182,9 milhões). A companhia saiu de uma despesa financeira líquida de R$ 318,526 
milhões em 2008 para um resultado positivo de R$ 65,4 milhões em 2009. A base de TV por 
assinatura fechou 2009 com 3,7 milhões de assinantes, alta de 20% em relação a 2008. Em 
banda larga, o crescimento foi de 30%, encerrando o ano com 2,9 milhões de clientes. Em 
telefonia fixa, a NET registrou 2,6 milhões de clientes em 2009, um aumento de 42% em 
relação ao ano anterior. 
09/02/2010 
Manchete: McDonald's vai fechar 430 lanchonetes no Japão. 
Resumo: Segundo o texto, o grupo, no entanto, continuará promovendo sua estratégia de 
desenvolvimento de franquias 
McDonald's Japan, filial do grupo de fast food McDonald's no Japão, vai fechar 430 de suas 
lanchonetes em um ano, anunciou nesta terça-feira um comunicado com os resultados 
consolidados de 2009. 
Segundo o texto, o grupo, no entanto, continuará promovendo sua estratégia de 
desenvolvimento de franquias. 
Segundo as cifras publicadas pela McDonald's Japan, o número de locais diretamente 
gerenciados pelo grupo japonês já foi reduzido em 465 em um ano, passando de 2.166 a 
1.705. 
O grupo americano possui 32.000 lanchonetes no mundo, dos quais 80% são administrados 
sob a forma de franquia 
07/02/2010 
Manchete: Setor de telemarketing lidera ofertas de emprego no Brasil. 
Calcula-se que este segmento empregue hoje cerca de 850 mil trabalhadores em todo 
o território nacional.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 76 de 323 
Com três mil vagas disponíveis no Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT), na capital paulista, 
o setor de telemarketing lidera a lista das ofertas de emprego, afirmou o gerente do CAT 
regional norte, André Bucater. Calcula-se que este segmento empregue hoje cerca de 850 
mil trabalhadores em todo o território nacional. Até o fim deste ano, conforme o CAT, este 
número deve chegar a algo em torno de 1,2 milhão. Só no Estado de São Paulo são 380 mil 
funcionários e na Região Metropolitana da capital, 250 mil. 
Cerca de 70% dos empregados no telemarketing têm de 18 a 26 anos e 76% são mulheres. 
A média de permanência de um funcionário em uma empresa de telemarketing varia de três 
a sete anos, com salários variando, na média, entre R$ 750,00 e R$ 1.200. As informações 
são da Agência Brasil. 
06/02/2010 
Manchete: British Telecom entra na telefonia fixa no Brasil. 
Serviço será oferecido somente para grandes empresas, por meio da unidade BT 
Global Services. 
Resumo: A British Telecom (BT), maior operadora de telecomunicações do Reino Unido, 
resolveu operar telefonia fixa no Brasil. O serviço no entanto, será oferecido somente para 
grandes empresas, por meio de sua unidade BT Global Services. “Com a telefonia fixa, 
poderemos oferecer um pacote completo de serviços IP (sigla em inglês de protocolo de 
internet) no Brasil”, disse Jacinto Cavestany, vice-presidente da companhia para a Ibéria e 
América Latina. Anteriormente, a companhia tinha de atender aos seus clientes com linhas 
de concorrentes como a Oi e a Telefônica 
A BT tem uma licença nacional de telefonia fixa, mas o serviço estará disponível inicialmente 
só em três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. “Aumentaremos a cobertura de 
acordo com a demanda”, disse Sérgio Paulo Gallindo, diretor geral da BT Brasil. A companhia 
possui um código de discagem de longa distância, o 47 
Em dezembro, havia 41,7 milhões de telefones fixos em serviço no País, segundo a 
consultoria Teleco. O mercado ainda é bastante concentrado, com 80% dos acessos nas 
mãos da Oi e da Telefônica. A entrada da BT nesse mercado não deve mudar muito esse 
quadro, por causa do foco da companhia em grandes empresas. Mas a licença torna a BT 
mais competitiva, pois ela deixa de depender dos rivais para oferecer linhas fixas. “Podemos 
melhorar nossa oferta em qualidade e preço”, afirmou Gallindo. As informações são do jornal 
O Estado de S. Paulo 
06/02/2010 
Manchete: Risco Europa já é maior do que o do Brasil. 
O crescente temor sobre a situação fiscal de vários países europeus transformou em 
realidade algo impensável. 
Resumo: O crescente temor sobre a situação fiscal de vários países europeus - que voltou a 
castigar os mercados globais ontem (05/02) -, aliado à melhora das condições 
macroeconômicas brasileiras nos últimos anos, transformou em realidade algo impensável há 
não muito tempo: os investidores temem mais um calote de Portugal, Espanha, Irlanda, Itália 
e Grécia do que do Brasil. É o que revelam os dados da medida de risco mais usada no 
mercado global atualmente. Trata-se do prêmio expresso nas negociações de um 
instrumento derivativo chamado de CDS (do inglês, credit default swap). Em uma definição 
coloquial, o CDS pode ser traduzido como um seguro anticalote. 
Exemplo prático: um banco empresta dinheiro para um país e, ao mesmo tempo, compra um 
CDS de um investidor. Se o tal país não honrar seu compromisso, o banco vai ao investidor 
cobrar o prejuízo. No auge da crise global, em outubro de 2008, o prêmio do Brasil chegou a 
355 pontos - ou seja, o investidor que comprava seguro contra eventual inadimplência 
brasileira pagava 3,55 pontos porcentuais a mais de juros sobre o CDS dos Estados Unidos, 
referência do mercado.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 77 de 323 
Na mesma época, o CDS de Portugal era de 85 pontos, da Espanha, 82, da Irlanda, 113, da 
Itália, 117, e da Grécia, 134 pontos. Ontem, esses valores eram, respectivamente, de 150 
(Brasil), 227 165, 169, 155 e 415 pontos. “Há duas explicações para a melhora do risco 
brasileiro em comparação com o desses países: de um lado, o Brasil saiu fortalecido da crise 
e tem boas perspectivas de crescimento; de outro, essas nações europeias enfrentam 
enorme desafio fiscal”, explicou a economista-chefe do banco ING Zeina Latif. As 
informações são do jornal O Estado de S. Paulo 
05/02/2010 
Manchete: Golpes envolvendo seguros crescem 43,2% no Brasil. 
Os golpes envolvendo seguros - de vida, residencial ou de veículos - cresceram 43,2% 
entre 2008 e 2009. 
Resumo: Os golpes envolvendo seguros - de vida, residencial ou de veículos - cresceram 
43,2% entre 2008 e 2009. A Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão público 
responsável pela fiscalização e controle do setor, recebeu 1.832 denúncias de vítimas de 
falsos corretores no ano passado. 
O Estado de São Paulo responde por 50% desse fluxo de golpes e denúncias, segundo o 
Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP). A alta dos golpes fica 
evidenciada também pelo número de corretores com registro cassado, que subiu de 31 em 
2008 para 42 no ano passado no Estado. “Esse é um número baixo se comparado à base de 
28 mil corretores que existem no Estado, mas alto se comparado à média de uma ou duas 
cassações por ano, que tínhamos até 2000”, diz Leôncio de Arruda, presidente do Sincor-SP. 
Segundo Arruda, em geral os golpistas têm conhecimento do mercado. “São ex-funcionários 
de seguradoras e pessoas ligadas ao mercado, que sabem qual é a abordagem com o 
cliente”, afirma. O elemento comum a todos os golpes são sempre as vantagens oferecidas à 
vítima. Saldos a receber, prêmios especiais e preços muito abaixo dos praticados no 
mercado são as principais características das fraudes com seguros. 
A coordenadora de atendimento da Susep, Glória Barbosa da Silva, diz que o golpe mais 
aplicado é aquele em que falsos corretores ligam para as vítimas e dizem que elas têm algum 
valor a receber da seguradora, mas que, para isso, precisam fazer um depósito para a 
suposta seguradora. “As principais vítimas são aposentados e pessoas idosas, que são mais 
crédulas”, diz. Viúvas e pessoas com menos experiência em seguros também são alvos 
preferenciais dos golpistas. 
Fiscalização 
O combate à fraude é dificultado porque os golpistas são cautelosos. “É muito difícil provar 
esse tipo de golpe, porque os fraudadores tomam precauções para não serem rastreados, só 
usam celular e e-mails como forma de comunicação”, diz Danilo Sobreira, assistente da 
diretoria da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados (Fenacor). 
A principal arma do consumidor é a informação. “Quando alguém oferecer um seguro com 
descontos acima de 40% do valor do mercado, desconfie”, recomenda Arruda. Outra dica 
que ele dá é em relação à abordagem do golpista. “Se alguém diz que é corretor de 
determinada seguradora já é golpe, porque o corretor não pode ser vinculado a uma 
seguradora.” As informações são do Jornal da Tarde 
03/02/2010 
Manchete: Novas notas de real terão tamanhos diferentes 
O objetivo é reduzir o risco de falsificação; cédulas terão tamanhos diferentes, 
conforme o valor de face 
Resumo: A nova família do real, anunciada hoje (03/02) pelo ministro da Fazenda, Guido 
Mantega, e pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, terá cédulas de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 78 de 323 
tamanhos diferentes, conforme o valor de face da nota. O objetivo é reduzir o risco de 
falsificação, nos casos em que cédulas de menor valor são 'lavadas' em processos químicos 
e reimpressas com valor maior. 
Essa característica já é usada na Europa, onde a cédula do euro tem tamanho crescente, 
conforme o valor. No Brasil, essa característica será igual, com células maiores para valores 
maiores. A nova família do real, no entanto, manterá as cores e os temas das notas atuais. 
Também serão mantidos os animais impressos no verso, como a onça pintada na nota de R$ 
50 e a garoupa na cédula de R$ 100. As notas terão novas características de segurança e 
continuarão com elementos para identificação de deficientes visuais 
05/02/2010 
Manchete: Petrobras perdeu US$ 12 bilhões em valor de mercado em um dia, diz 
consultoria 
Perda foi a maior entre empresas de capital aberto das Américas. 
Valor de mercado da Vale recuou quase US$ 10 bilhões. 
Resumo: A quinta-feira (4) de forte queda nas bolsas de valores resultou em reduções 
acentuadas no valor de mercado das maiores empresas brasileiras. O movimento foi liderado 
pela petrolífera Petrobras, que perdeu quase US$ 12 bilhões em um só dia. 
Segundo levantamento da consultoria Economatica, a empesa perdeu US$ 11,956 bilhões 
em valor de mercado em 4 de fevereiro, dia em que a Bovespa registrou queda 4,73%, a 
maior desde outubro do ano passado. O valor de mercado da companhia foi reduzido de US$ 
174,637 bilhões para US$ 162,681 bilhões. 
A queda no valor de mercado da Petrobras foi a maior registrada entre as empresas de 
capital aberto da América Latina e dos Estados Unidos, segundo o levantamento. A 
mineradora Vale aparece em segundo lugar do ranking, com perda de US$ 9,823 bilhões, 
seguida pela norte-americana Exxon Mobil, que “encolheu” US$ 8,925 bihões. = 
Entre as 30 maiores quedas da região, outras quatro são de empresas brasileiras: Banco 
Santander, na 16ª colocação, com queda de US$ 4,074 bilhões; o Itau-Unibanco, na 20ª 
colocação, com queda de US$ 3,644 bilhões; Ambev na 28ª colocação, com US$ 3,233 
bilhões de queda; e a OGX Petróleo, na 30ª colocação, com queda de US$ 3,008 bilhões. 
02/02/2010 
Manchete: Mantega admite aumentar juros para conter inflação 
Resumo: O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira que o Brasil está 
cumprindo as metas de inflação e que isso será mantido em 2010. O objetivo será cumprido 
mesmo que, para isso, as taxas básicas de juros tenham que sofrer aumento. 
Para este ano, está previsto inflação em torno de 4,5%. Não acredito que fique mais alta do 
que isso, mesmo com a economia crescendo de 5% a 5,5%, disse. 
Se houver problema de inflação, o Banco Central vai aumentar os juros, mas espero que 
não precise, afirmou, ao lado do presidente do BC, Henrique Meirelles, e para uma plateia 
de empresários, em São Paulo. 
De acordo com o IPC da Fipe, os preços em São Paulo fecharam janeiro com expansão de 
1,34%. 
O ministro afirmou ainda que o governo vai cumprir a meta de superavit primário, de 3,3%, à 
risca, em 2010, mostrando que o Brasil é um país fiscalmente responsável e vai continuar 
nesta trilha diminuindo a relação divida PIB e, portanto, mantendo as contas públicas mais 
sólidas no país. 
02/02/2010
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 79 de 323 
Manchete: Chávez poupa residências de racionamento de energia 
Resumo: Com a popularidade em queda e enfrentando dificuldades administrativas em pleno 
ano eleitoral, o governo Hugo Chávez divulgou neste domingo à noite um novo plano de 
racionamento para Caracas, que deixará de fora setores de alta sensibilidade social. 
A medida, que afeta a capital do país, foi divulgada só por uma nota no site da Agência 
Bolivariana de Notícias (ABN), apesar de Chávez ter tratado da falta de energia em boa parte 
do seu programa de TV dominical, Alô, Presidente. 
O novo plano prevê que os grandes consumidores de Caracas reduzam o consumo de 
energia em 20%, deixando de fora pequenos comércios, o setor residencial e setores de alta 
sensibilidade social, segundo a ABN. O governo, porém, não especificou quem será afetado 
nem quando o plano entrará em vigor. 
É o terceiro plano de racionamento para Caracas -nos anteriores, Chávez recuou devido à 
má reação da opinião pública. 
Em dezembro, o governo determinara que os shopping centers fechassem às 21h, o que 
deixaria a cidade praticamente sem cinemas abertos à noite. Ao mesmo tempo, fechariam 
bares e outros centros de diversão noturna que funcionam nos shoppings. A restrição foi 
cancelada antes de ser implantada. 
Em meados do mês passado, Chávez lançou um duro plano de racionamento, que deixaria 
praticamente todo o país, incluindo Caracas, sem luz durante quatro horas a cada dois dias, 
num sistema de rodízio por partes da cidade. Dessa vez, o novo recuo na capital (o programa 
foi mantido no resto do país) veio acompanhado da demissão do ministro da Energia Elétrica, 
Ángel Rodríguez. 
Junto com o racionamento, Chávez vem tentando aumentar a produção elétrica do país. 
Amanhã, conforme a Folha antecipou, uma comitiva venezuelana chega a Brasília para se 
reunir com técnicos brasileiros. Na agenda, a busca de apoio técnico para a usina de Guri, 
que abastece 70% do país, mas sofre com a falta de chuvas. O Brasil também deve ajudar a 
reformar as sucateadas usinas termelétricas do país. 
Anteontem, Chávez anunciou um fundo emergencial de US$ 1 bilhão, para ser usado na 
produção de energia elétrica a curto prazo, por meio de usinas termelétricas. 
A crise energética, o aumento da violência, o racionamento de água em Caracas e a pressão 
inflacionária vêm minando a popularidade de Chávez, que, segundo o instituto Datanálisis, 
está em 46%. Apesar de relativamente alta, é a primeira vez que se situa abaixo dos 50% em 
cinco anos. 
Na capital venezuelana, a deterioração de sua popularidade remonta a 2007, quando Chávez 
foi derrotado no referendo sobre a reforma constitucional. Em 2008, a oposição venceu em 4 
dos 5 municípios e ainda arrebatou o governo distrital de Caracas. 
Em setembro, a Venezuela volta às urnas para eleger a nova Assembleia, hoje controlada 
pelo chavismo. 
02/02/2010 
Manchete: Exportações caem com crise e derrubam produção industrial, diz IBGE 
Resumo: O bom desempenho do mercado interno não foi suficiente para conter o estrago 
que a crise provocou na demanda externa, e foram justamente os setores mais dependentes 
das exportações que influenciaram diretamente o pior desempenho da industria brasileira 
desde 1990. A produção industrial em 2009 registrou queda de 7,4% ante 2008, primeira 
resultado negativo desde 1999, quando a indústria havia tido retração de 0,7%.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 80 de 323 
A redução dos investimentos e a menor demanda externa foram decisivos para que a 
indústria apresentasse esse desempenho. Ao logo do ano, já nota-se uma retomada dos 
investimentos, mas as exportações ainda não reagiram no mesmo ritmo, afirmou Isabella 
Nunes, coordenadora da PIM (Pesquisa Industrial Mensal). 
Ao mesmo tempo, os dados referentes à segunda metade de 2009 mostram claramente uma 
recuperação da indústria. No primeiro semestre, a produção industrial caiu 13,4% em relação 
a igual período em 2008. Na segunda metade de 2009, a retração da indústria foi de 1,7%. 
O setor industrial foi o mais atingido pela crise. Houve queda em diversos países do mundo. 
No Brasil, já vemos um movimento de recuperação, com uma retomada consistente, com 
qualidade e retomada dos investimentos, afirmou Isabella Nunes, coordenadora da PIM 
(Pesquisa Industrial Mensal). 
Ela acentuou que, diante os ajustes na indústria em função da crise, a queda de 7,4% em 
2009 pode ser considerada normal. Acrescentou também que o cenário macroeconômico 
atual é bem diferente do que era notado em 1990, e que isso vem permitindo que a indústria 
reencontre o rumo do crescimento de forma mais rápida e mais robusta. 
A indústria de bens de capital, por exemplo, despencou 17,4% em 2009. No primeiro 
semestre, essa redução foi de 22,9%. De julho a dezembro, o ritmo de queda foi menor, com 
essa produção apresentando variação negativa de 12,3%. No ano, a retração mais 
expressiva foi observada na produção de máquinas e equipamentos, que despencou 18,5%. 
Juntamente com os bens de capital, os bens intermediários representam cerca de 70% da 
indústria. O desempenho desse segmento também foi decisivo para que a indústria tivesse o 
pior desempenho em 19 anos. A produção de bens intermediários teve redução de 8,8%, 
influenciada principalmente pelo desempenho da indústria de metalurgia básica, que caiu 
17,4% frente a 2008. 
No primeiro semestre, a queda entre os intermediários foi de 15,7%. Já na segunda metade 
do ano, a retração foi de 1,9%. 
A redução da produção de veículos automotores (-12,4%) puxou o resultado negativo dos 
bens de consumo duráveis, que apresentaram queda de 6,4% ao longo de 2009, na 
comparação com o ano anterior. A produção de material eletrônico e equipamentos de 
comunicações registrou queda de 25,5%, impactada pela baixa nas exportações de telefones 
celulares. 
A manutenção do consumo do mercado interno, em função da manutenção do nível de 
emprego e renda do brasileiro, fez com que a produção de semi e não duráveis caísse de 
forma menos intensa, com redução de 1,6% frente a 2008. 
02/02/2010 
Manchete: Bancos do Brasil são mais saudáveis que os dos EUA, dizem analistas 
Regulação mais forte, menor liberdade para arriscar e uso restrito de operações 
financeiras complexas. Esse tripé ajudou o setor bancário brasileiro a sair 
praticamente ileso da crise mundial e o faz ser mais “saudável” na comparação com o 
norte-americano, segundo analistas. Isso não significa que o segmento esteja imune a 
ataques e que não possa melhorar. 
Resumo: Para especialistas, as medidas que vêm sendo propostas pelo governo dos 
Estados Unidos para reforçar a regulação do setor bancário são, em geral, positivas. Mas 
eles acreditam que o Brasil não precisa de reformas profundas, por estar um passo à frente 
em controle de risco. 
“Nos Estados Unidos a postura dos reguladores é mais flexível e, além disso, havia bancos 
com índice muito alto de alavancagem”, disse o economista-chefe da Federação Brasileira de 
Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg. “No Brasil, nosso próprio histórico de crises gerou 
uma postura mais cautelosa.”
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 81 de 323 
Banco Central e Basileia 
Entre os ingredientes locais de maior rigidez, conta o presidente da consultoria Austin Asis, 
Erivelto Rodrigues, está o controle das instituições federais. “Nos Estados Unidos, os bancos 
de investimento, que assumem os maiores riscos, não são controlados pelo Banco Central 
(BC) local, o Federal Reserve (FED), mas sim pela Comissão de Valores Mobiliários do país, 
a Securities and Exchange Commission.” O FED regula apenas os bancos comerciais. No 
Brasil, é o BC que fiscaliza todos os tipos de instituições financeiras. 
Outra questão que dá mais segurança ao sistema brasileiro é o nível máximo que uma 
instituição financeira pode emprestar em relação a seu patrimônio, o chamado Índice de 
Basileia. No Brasil o limite é 11%, o que significa que para cada R$ 11 de patrimônio, o banco 
pode conceder no máximo R$ 100 em crédito. Já nos Estados Unidos esse indicador é 
menor, de 8%, o que amplia a possibilidade de tomada de risco. 
O Brasil tem ainda, segundo Rodrigues, um controle maior no monitoramento de fundos 
mantidos por bancos de investimento. “Aqui esses instrumentos são marcados a mercado, ou 
seja, seu valor precisa ser informado diariamente.” Nos Estados Unidos não há a 
necessidade diária. 
Além disso, Sardenberg conta que a supervisão no mercado local é mais rigorosa. O 
executivo, que já foi diretor financeiro e de relações com investidores do Banco Nossa Caixa, 
conta que o BC mantinha equipes dentro da instituição financeira para monitorar os sistemas. 
Os sistemas regulatório e financeiro norte-americanos refletem a idéia de que quem faz 
melhor é sempre o mercado, o que permitiu a certas instituições crescerem como 
cresceram”, complementa Mônica Baumgarten de Bolle, sócia da Galanto Consultoria e 
especialista em crises financeiras. 
Estatais ajudam 
Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, outra 
vantagem do sistema brasileiro é a própria existência dos bancos estatais. “Pode parecer 
estranho dizer isso no mercado financeiro, mas o uso das instituições estatais ajudou o Brasil 
a interromper uma provável crise de crédito.” 
Segundo ele, nenhum banco privado empresta dinheiro num cenário de aumento de 
desemprego, inadimplência e risco. “Mas Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, 
instigados pelo governo, não deixaram de conceder crédito, o que aliviou os sintomas da 
crise.” 
29/01/2010 
Manchete: PIB dos EUA fecha 2009 com queda de 2,4%, a maior desde 1946 
Desde 1991 a economia dos EUA não registrava contração. 
No quarto trimestre, no entanto, PIB teve expansão de 5,7%. 
Resumo: A economia dos Estados Unidos ficou 2,4% menor em 2009 na comparação com o 
ano anterior, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29), para US$ 14,3 trilhões. Em 
2008, o Produto Interno Bruto (PIB) havia crescido 0,4%. 
Foi a primeira queda anual registrada pelo PIB dos Estados Unidos desde 1991, quando a 
contração foi de 0,2%. A queda, no entanto, foi a mais acentuada desde 1946, quando a 
economia se reduziu em 10,9%. 
Os dados fazem parte da primeira estimativa do PIB para o quarto trimestre a ainda passarão 
por duas revisões. 
Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, a queda no PIB no ano passado reflete 
contribuições negativas de investimento, exportações, e consumo pessoal, que foram 
parcialmente compensadas pelos gastos do governo. As importações, que ajudam a reduzir o 
cálculo do PIB, também tiveram queda.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 82 de 323 
19/01/2010 
Manchete: Gigante aérea japonesa 'quebra' e anuncia programa de recuperação 
Japan Airlines passará por reestruturação e terá nova administração. 
Graças a ajuda de fundo do governo, empresa continuará voando. 
Resumo: A concordata é um recurso legal que empresas utilizam quando não conseguem 
mais pagar suas dívidas para continuar em atividade. O pedido de concordata durante o 
processo de falência permite manter a empresa em funcionamento. Na falência, cessam 
todas as atividades da empresa. 
16/12/2009 
Manchete: Desigualdade cresce em cidades do Sudeste 
A desigualdade de renda entre as cidades brasileiras cresceu no Sudeste e diminuiu 
nas regiões Norte, Sul e Centro-Oeste. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE) divulga nesta manhã a mais recente fotografia do Produto Interno Bruto (PIB) 
dos municípios, com informações de 2007. 
Cinco municípios correspondem a quase um quarto da economia do País 
Os 10% municípios que mais produziram riquezas no Sudeste concentraram 39,2 vezes mais 
renda que os 50% das cidades com menor Produto Interno Bruto (PIB). Em 2003, a renda 
dos mais ricos superou em 36 vezes a dos mais pobres, passando a 38,5 vezes em 2006. No 
Brasil todo, em média, o PIB dos maiores produtores foi 24 vezes maior do que a geração de 
valor pelos menores. No Norte, esta razão recuou de 12,8 para 12,4, enquanto no Sul houve 
queda ligeira de 13 para 12,6 e, no Centro Oeste, a concentração diminuiu de 21,3 para 20,8. 
Mesmo com a tendência, no Norte e Nordeste, os cinco municípios com as maiores 
economias concentravam mais de 50% do PIB de seus estados. 
De acordo com o IBGE, os cinco municípios brasileiros com o maior PIB responderam por 
25% do total de riquezas em 2007 - praticamente o mesmo resultado do ano anterior. São 
Paulo lidera o ranking, com 12% do PIB do País. Rio de Janeiro ainda possui o segundo 
maior PIB (5,2%), seguido de Brasília (3,8%) e Belo Horizonte e Curitiba, empatados com 
1,4% do PIB. 
Já os 1.342 municípios com as menores economias responderam por 1% do PIB do país, o 
mesmo que o verificado no ano anterior. 
Os cinco municípios de menor PIB, segundo o IBGE, em 2007, foram Olho d´Água, São Luís, 
São Miguel da Baixa Grande, e Santo Antônio dos Milagres, os quatro no Piauí, e Areia de 
Baraúnas, na Paraíba. Esses municípios representavam apenas 0,001% do total do PIB do 
País. 
27/11/2009 
Manchete: Moratória de Dubai deixa lições para economia global 
Resumo: Até poucas horas atrás, a palavra Dubai parecia evocar um milagre econômico. A 
mais conhecida das sete monarquias que formaram os Emirados Árabes Unidos no início dos 
anos 1970, Dubai parecia congregar o melhor de vários mundos. 
Um país pequeno (83 mil quilômetros quadrados), com pouca gente (4,7 milhões de pessoas) 
e com um subsolo riquíssimo em petróleo, Dubai parecia fadado a ser mais uma das 
ditaduras árabes em que uma minoria usufrui dos dólares ganhos com o petróleo e a massa 
da população vive na miséria das tendas. Esse roteiro, porém, não valeu. 
Os Emirados não apenas atingiram um elevado padrão de vida como também conseguiram
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 83 de 323 
algo raro para um país árabe. Sua economia reduziu a dependência do petróleo. As 
faraônicas construções não são palácios reais, mas hotéis e sedes de bancos. 
Mais do que tijolos e concreto, Dubai conseguiu firmar-se como um centro financeiro regional, 
ao oferecer um ambiente favorável aos negócios e uma sociedade islâmica aberta. Por isso a 
forte repercussão da notícia que circulou nesta madrugada, de que a holding Dubai World 
estava tentando postergar o pagamento dos US$ 59 bilhões em dívidas. 
Com cerca de US$ 80 bilhões em ativos, a Dubai World é o veículo de investimentos do 
governo do emirado que permite aos investidores internacionais participar, por exemplo, da 
construção de hotéis, resorts e marinas às margens do golfo Pérsico. Julgava-se que as 
reservas em moeda forte de Dubai tornavam sua economia tão sólida quanto seus hotéis. 
Financiar essas construções requer muito capital, dinheiro grosso até mesmo para um país 
rico em petróleo. Por isso o pesado endividamento do Dubai World, que financiou alguns dos 
mais suntuosos hotéis do mundo por meio da emissão de títulos no mercado internacional. 
A empresa atravessou bem os piores momentos da crise graças às suas abundantes 
reservas em moeda forte e à recuperação recente dos preços do petróleo. No entanto, a 
retração econômica drenou recursos e desviou investimentos dos países emergentes, o que 
mostrou-se pesado para o Dubai World. 
O impacto sobre o Brasil deverá ser pequeno. Além de as duas economias serem pouco 
conectadas, os investidores brasileiros ainda não descobriram o mercado islâmico. Ao 
contrário, as incursões dos bancos brasileiros no Oriente Médio são muito mais para buscar 
dinheiro do que para investir. Mesmo assim, é essencial falar de Dubai. 
Riscos continuam 
A súbita inadimplência de um participante do mercado financeiro tido como inabalável mostra 
que os riscos da crise ainda estão longe de acabar. Demorou, mas a desvalorização dos 
imóveis e a retração dos mercados vergaram o Dubai World. Novos casos podem ocorrer, e, 
principalmente, podem ser gerados pelas condições atuais. 
Já se discutiu à exaustão como os pacotes de ajuda governamentais injetaram trilhões de 
dólares em uma economia global sem demanda. Um dos efeitos colaterais negativos dessas 
políticas é a possibilidade de captar dinheiro barato para financiar qualquer iniciativa. 
Em um artigo recente, Bill Gross, diretor do fundo norte-americano Pimco, o maior do mundo, 
lembrou que alguns fundos estão oferecendo um rendimento líquido de 0,01% ao ano. Nesse 
passo, um investidor demoraria 6.932 anos para dobrar seu capital, diz Gross. 
Poucos têm tanta paciência ou tanto tempo --entre os patriarcas bíblicos, nem mesmo 
Matusalém chegou aos mil anos de idade-- o que estimula uma busca pelo risco. Com 
dinheiro abundante e barato, aumenta a possibilidade de geração de novas bolhas 
especulativas rapidamente. 
Os juros baixos nas principais economias podem acentuar surtos incontroláveis de 
alavancagem, com consequências imprevisíveis. Ou seja, cumpre estar atento às lições que 
Dubai pode nos ensinar. 
18/11/2009 
Manchete: Cai participação de São Paulo no PIB no País em 2007, aponta IBGE. 
O Estado de São Paulo e a região Sudeste perderam fatia de participação no Produto 
Interno Bruto (PIB) do País entre 1995 e 2007, segundo os resultados do PIB regional de 2007 
divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A fatia 
paulista, que era de 37,3% em 1995, caiu para 34,6% em 2002 e ficou em 33,9% em 2007. 
Resumo: De acordo com o documento de divulgação da pesquisa, no período de 1995 a
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 84 de 323 
2007 a economia paulista perdeu participação nacional na indústria e nos serviços, mas 
ganhou na agropecuária. 
Segundo o IBGE, a indústria de transformação do Estado teve a maior perda (-4,3 ponto 
porcentual no período) dentre todas as 27 unidades da Federação, com as transferências de 
alguns setores industriais para outros Estados, a migração de algumas plantas industriais 
para perto da matéria prima ou do consumidor final. Além disso, também influíram no 
processo alguns incentivos fiscais para investimento industriais em outros Estados. 
No que diz respeito à região Sudeste, a participação continua sendo a maior entre as regiões 
no PIB do País (56,4% em 2007), mas era maior em 1995, quando chegava a 59,1%. Já o 
Nordeste, no mesmo período, teve o maior avanço: de 12,0% em 1995 para 13,1% em 2007. 
Crescimento 
As economias de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul cresceram abaixo da média 
do País no período de 1995 a 2007. Os três fazem parte do grupo dos oito Estados que 
mantêm, desde 1995, a liderança das participações no PIB do País (São Paulo, Rio de 
Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Distrito Federal). 
De acordo com a pesquisa, em 2007 eles concentravam quase 80% da economia. 
Em termos reais, de 1995 a 2007, o crescimento acumulado do PIB das oito maiores 
economias (35,8%) foi inferior ao dos demais 19 Estados (58,4%). No período, o Brasil 
cresceu 39,8% ou 2,8% ao ano. 
PIB per capita 
Ainda segundo o IBGE, o maior PIB per capita continua sendo o do Distrito Federal (R$ 
40.696,08), cerca de três vezes o PIB per capita nacional (R$ 14.464,73). No período, os três 
maiores PIB per capita permaneceram na mesma ordem (Distrito Federal, São Paulo e Rio 
de Janeiro), assim como os dois menores (Maranhão e Piauí). 
06/11/2009 
Manchete: Desemprego nos EUA passa dos 10% pela 1ª vez em 26 anos 
A economia norte-americana cortou 190 mil postos de emprego no mês de outubro, 
segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Departamento de Trabalho dos 
Estados Unidos. Com isso, o desemprego no país ultrapassou a cada dos 10% pela 
primeira vez desde 1983 e ficou em 10,2%, a maior taxa em 26 anos. Em setembro, a 
taxa de desemprego no país estava em 9,8%. 
Resumo: Os resultados vieram acima das projeções do mercado, que esperava um corte de 
175 mil vagas no mês, de acordo com a agência Bloomberg. 
Desde o início da recessão nos EUA, em dezembro de 2007, a taxa de desemprego no país 
já aumentou 5,3 pontos porcentuais. 
O dado de setembro foi revisado para corte de 219 mil postos, de estimativa original de perda 
de 263 mil empregos. Desde o começo da recessão, em dezembro de 2007, foram 
eliminados 8,2 milhões de empregos nos Estados Unidos. 
O emprego no setor de serviços - a maior fonte de postos de trabalho nos EUA - diminuiu em 
61 mil em outubro. Empresas de serviços profissionais e de negócios eliminaram 18 mil 
vagas. O comércio varejista cortou 40 mil empregos. O salário médio por hora trabalhada 
aumentou 0,3%, ou US$ 0,05, para US$ 18,72. 
06/11/2009 
Manchete: Aplicações na poupança ultrapassam R$ 300 bilhões pela 1ª vez 
Resumo: O total de recursos depositados na poupança encerrou outubro em R$ 302,45 
bilhões, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central. É a primeira 
vez em toda a série histórica - que se inicia em janeiro de 1995 - que o estoque de dinheiro
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 85 de 323 
nesse tipo de investimento fecha um mês acima dos R$ 300 bilhões. No final do ano 
passado, o total de recursos depositados na poupança era de R$ 270,5 bilhões. 
Em outubro, os depósitos da caderneta de poupança superaram os saques, resultando em 
uma captação positiva de R$ 1,04 bilhão. Foi o menor saldo registrado desde abril, mas, pelo 
sexto mês consecutivo, o saldo entre os depósitos e os saques é positivo. 
O resultado de outubro ficou bem abaixo do registrado em setembro, que foi de R$ 3,51 
bilhões. O saldo no mês passado, porém, superou o de outubro de 2008, quando, no auge da 
crise financeira, a poupança registrou saldo negativo de R$ 284,1 milhões. 
No mês passado, os depósitos somaram R$ 82,75 bilhões e os saques, R$ 81,71 bilhões. Os 
rendimentos totalizaram R$ 1,48 bilhão. O mês teve 21 dias úteis. 
No acumulado do ano, os depósitos já superam os saques em R$ 16,77 bilhões. No mesmo 
período do ano passado, a captação estava positiva em R$ 9,7 bilhões. Além da captação 
positiva do período, a poupança recebeu ainda R$ 15,23 bilhões relativos à rentabilidade do 
dinheiro que já está aplicado. 
A poupança começou o ano registrando saída de recursos. Até abril, o resultado acumulado 
estava negativo em R$ 1,5 bilhão. A partir de maio, no entanto, a caderneta entrou em 
processo de recuperação. 
06/11/2009 
Manchete: Espírito Santo liderou alta da indústria em setembro, mostra IBGE 
Produção do setor cresceu em 12 dos 14 locais pesquisados. 
Na comparação entre meses de setembro, só Goiás teve alta na produção. 
Resumo: O Espírito Santo liderou a alta da produção industrial em setembro, segundo dados 
divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No 
estado, a indústria registrou expansão de 3,3% em comparação com agosto. 
05/11/2009 
Manchete: Safra de grãos deverá subir 3,8% em 2010, aponta IBGE 
A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2010 é estimada em 139,3 
milhões de toneladas, 3,8% maior que a obtida em 2009, segundo dados divulgados 
nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
A avaliação inicial da área a ser colhida em 2010 é de 47,9 milhões de hectares, superior em 
1,6% à área colhida em 2009, de 47,2 milhões de hectares. Em termos absolutos, esse 
incremento totaliza 700 mil hectares. 
Dentre os 10 produtos investigados, cinco apresentam variação positiva em relação à 
produção de 2009: feijão em grão 1ª safra (13,9%), soja em grão (11,8%), cebola (7,3%), 
fumo em folha (4,0%) e mandioca (3,2%). Apresentam variação negativa: amendoim em 
casca 1ª safra (-8,5%), algodão herbáceo em caroço (-8,1%), arroz em casca (-5,1%), milho 
em grão 1ª safra (-2,2%) e batata inglesa 1ª safra (-0,7%). 
Em relação à área a ser colhida, registram variação positiva: soja em grão (4,5%), cebola 
(2,8%), fumo em folha (1,5%), mandioca (1,2%) e feijão em grão 1ª safra (0,9%). Com 
variação negativa aparecem: algodão herbáceo em caroço (-8,0%), milho 1ª safra (-4,4%), 
amendoim em casca 1ª safra (-3,7%), batata- inglesa 1ª safra (-2,5%) e arroz em casca 
(-1,2%). 
Queda na produção 
Em outubro, a estimativa da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2009 
indica 134,1 milhões de toneladas, 8,1% menor que a obtida em 2008 (recorde de 146,0
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 86 de 323 
milhões de toneladas) e apenas cerca de 8.500 toneladas inferior à estimativa de setembro – 
tal decréscimo se deve principalmente ao trigo, que apresenta retração no rendimento médio 
em Santa Catarina e no Paraná, reflexo das más condições climáticas. 
As três principais culturas, soja, milho e arroz, que respondem por 81,4 % da área plantada, 
apresentam variações de +2,2%, -4,6% e +1,0%, respectivamente, em relação a 2008. 
Quanto à produção destes três produtos, apenas o arroz registra variação positiva (+4,2%). 
Já para a soja e o milho a previsão é de retração da produção em -4,8% e -13,3%, 
respectivamente. 
A área a ser colhida de 47,2 milhões de hectares, comparativamente à colhida em 2008 e a 
estimativa do mês anterior para a safra 2009, apresenta decréscimo de -0,2% em relação a 
2008 e não há variação (apenas -2.337 ha) frente ao mês anterior (setembro). 
Para a estimativa da produção nacional 2010, os valores levantados nas regiões e estados 
onde a pesquisa foi realizada foram somados às projeções obtidas a partir das informações 
dos anos anteriores para as Unidades da Federação, que por força do calendário agrícola, 
ainda não dispõem das primeiras estimativas. 
05/11/2009 
Manchete: Soja 
Resumo: Em 2008, o Brasil foi responsável por cerca de 28% da produção mundial de soja, 
com safra estimada ao redor de 58 milhões de toneladas. O país é o segundo maior produtor 
e processador de soja em grãos e segundo maior exportador de soja, farelo e óleo. O 
‘complexo soja’, que reúne a cadeia produtiva de soja em grão, farelo e óleo, é um dos 
principais itens da balança comercial brasileira e exportou cerca de US$9,5 bilhões em 2005, 
colocando o país na liderança mundial nas exportações do setor em valor. 
15/10/2009 
Manchete: Banda larga popular irá custar até R$ 29,80 por mês em SP 
Projeto voltado para população de baixa renda será lançado nesta quinta. 
Operadoras que oferecerem o serviço terão isenção de ICMS. 
Os pacotes de banda larga popular que serão lançados na tarde desta quinta-feira (15) em 
São Paulo custarão até R$ 29,80. O valor será possível graças a uma parceria do governo de 
São Paulo com as operadoras. Em troca, as empresas pagarão menos impostos. 
De acordo com o governo, as operadoras poderão ter valores variados para seus pacotes, 
desde que eles não ultrapassem R$ 29,80. A partir desta sexta-feira (16), quem oferecer o 
serviço já terá a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). 
“Elas não são obrigadas a aderir ao programa, mas pesquisas indicam que metade das 
casas paulistas não tem acesso à internet e 2,5 milhões têm computador mas não tem 
internet. Acredita que essas pessoas são usuários em potencial”, explicou Alexandre de 
Araújo, diretor de serviços ao cidadão da Companhia de Processamento de Dados de São 
Paulo (Prodesp). 
Ao adquirir o pacote, a pessoa recebe o modem, a instalação e o provedor de acesso à 
internet. Segundo Araújo, a velocidade da conexão irá variar entre 200 Kbps e 1 Mbps. 
Antes de a iniciativa ser anunciada, os valores mais baixos de internet banda larga cobrados 
em São Paulo eram R$ 49,90 (Net Virtua e Speedy, para pacotes de 500 Kbps) e R$ 74,90 
(Ajato, para pacote mensal de 4 Mbps). 
Pacotes populares 
A Telefônica divulgou que o seu serviço de internet popular terá velocidade de 250 Kbps e 
que o consumo será ilimitado, ou seja, o plano não cobrará taxas adicionais caso o usuário
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 87 de 323 
exceda a quantidade de downloads. Ainda, no valor estipulado pelo governo, estão inclusos o 
modem, a instalação e o provedor. A empresa diz, também, que a linha telefônica do cliente 
ficará livre para fazer e receber chamadas enquanto usa a internet. 
A TVA informou ao G1 por meio de sua assessoria de imprensa que não irá aderir ao projeto 
de internet popular pois tem parceria com a Telefônica. 
A NET disse à reportagem que participou das negociações do projeto mas não teve acesso 
ao documento final assinado hoje pelo governo do Estado, e que vai estudar a melhor 
maneira de utilizar o benefício. 
Atualmente, muitos brasileiros possuem computador, mas não têm acesso à internet devido 
ao alto valor do serviço. Muitos utilizam postos públicos e lan houses para utilizar a internet. 
05/10/2009 
Manchete Brasil ainda perde para vizinhos quando o assunto é renda, mostra Pnud 
Resumo: Em comparação com países vizinhos da América do Sul, o Brasil perde a corrida 
pelo desenvolvimento humano quando o assunto é a renda per capita. Obtida através da 
divisão do PIB (Produto Interno Bruto) pelo número de habitantes do país, a renda brasileira, 
de acordo com o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) é de US$ 9,5 
mil. 
O Chile tem renda per capita de US$ 13,8 mil; a Argentina, US$ 13,2 mil; a Venezuela, US$ 
12,1 mil; no Uruguai, a renda per capita é de US$ 11,2 mil. Todos esses países estão à frente 
do Brasil no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). O Chile ocupa a 44ª 
posição; a Argentina é a 49ª na lista, logo à frente do Uruguai; a Venezuela está em 58º lugar. 
O Brasil é apenas o 75º. 
Se fosse analisado isoladamente, o fator renda deixaria o Brasil em uma colocação ainda 
pior: 79º lugar. Além da renda, outro fator que puxa o índice de desenvolvimento brasileiro 
para baixo é a expectativa de vida, que, analisada sozinha, deixaria o país na 81ª posição. 
Faz 30 anos que o Brasil está atrás da Argentina, do Uruguai, do Chile. Como é que você 
pode melhorar essas posições? O Brasil ainda tem um gap importante de renda. Pra 
melhorar não tem mágica. Tem que investir mais, trabalhar mais a questão da saúde, ao 
mesmo tempo em que precisa trabalhar política de renda, diz o economista sênior do Pnud, 
Flávio Comim. 
Melhora lenta 
A taxa de crescimento média do IDH brasileiro tem crescido em um ritmo mais lento nos 
últimos anos. No período compreendido entre 1990 e 2007 (médio prazo), a taxa média de 
crescimento anual era de 0,79%. Quando analisados apenas os anos 2000 (curto prazo), o 
crescimento fica em 0,41%. 
O Brasil vem melhorando, mas a velocidade é inferior a de outros países. É importante que 
essa velocidade seja aumentada. Isso se faz olhando para aqueles indicadores em que o 
Brasil está em pior, como saúde e renda, afirma Comim. 
Na Venezuela, a taxa de crescimento no médio prazo é de 0,39% enquanto no curto prazo 
passa para 0,74%. Segundo o economista, uma explicação para a aceleração verificada na 
Venezuela pode ser o fato de o país sair de uma base pior em comparação com a brasileira. 
No Chile, passa de 0,58% no médio prazo para 0,48% no curto prazo. No Uruguai, a taxa de 
crescimento do IDH no médio prazo e no curto prazo são praticamente iguais: 0,45% e 
0,47%, respectivamente. 
18/09/2009
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 88 de 323 
Manchete: Desigualdade cai 9% no país em dez anos, diz IBGE 
Dados da Pnad mostram maior queda da desigualdade no Nordeste. 
Mais da metade das famílias, porém, vive com até um salário per capita. 
Resumo: A desigualdade no país caiu em todas as regiões, mostram dados da Pesquisa 
Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE). O índice de Gini do rendimento mensal dos domicílios brasileiros passou 
de 0,521, em 2007, para 0,515, em 2008 – em 1998, quando começou a série histórica, o 
número era de 0,567. 
O índice de Gini varia de 0 a 1 e mede a distribuição da renda na população: quando mais 
próximo de 0, maior a igualdade; quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade entre o 
que as pessoas ganham. A evolução entre 1998 e 2008 mostra, portanto, uma queda de 
9,17%. 
A desigualdade caiu em todas as regiões entre 2007 e 2008. A maior desigualdade está no 
Centro-Oeste, onde o índice de Gini foi de 0,549, em 2008, ante 0,552, em 2007. A região 
mais igualitária é a Sul, com 0,477, em 2008, abaixo dos 0,498, em 2007. 
A maior queda foi registrada na região Norte, de 0,498, em 2007, para 0,478, no ano 
passado. No Nordeste, o índice de Gini passou de 0,528 para 0,525 de um ano para o outro. 
Já no Sudeste a queda foi de 0,498, em 2007, para 0,492, em 2008. 
Rendimento 
Apesar da redução, porém, alguns dados mostram a dimensão da desigualdade que ainda 
existe no país. No ano passado, segundo dados da Pnad, 52% das famílias tinham renda 
mensal por pessoa de até um salário mínimo. 
São 5,9 milhões de famílias que não têm nenhum rendimento ou ganham até um quarto de 
salário mínimo, que hoje equivale a pouco mais de R$ 116. 
De acordo com o IBGE, os 10% dos trabalhadores com os rendimentos mais baixos 
ganharam 1,2% do total da renda em 2008, número que era 1,1% em 2007. Já os 10% com 
os maiores rendimentos concentram 42,7% do total da renda, uma queda em relação aos 
43,3% em 2007. 
O IBGE destaca que o rendimento subiu para todas as faixas de renda da população, mas 
subiu mais nas faixas mais baixas. Por exemplo, entre os 10% que têm os rendimentos mais 
altos, eles subiram 0,3%; entre os 10% que têm os rendimentos mais baixos, a alta foi de 
4,3%. 
17/09/09 
Manchete: Brasil ganha espaço e chega ao 10º lugar em preferência do investidor, diz 
entidade 
Relatório é da Sobeet, que acompanha empresas multinacionais. 
Economia brasileira se tornou mais internacionalizada que a da Rússia. 
Resumo: O fluxo de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) para o Brasil aumentou 30,3% 
em 2008 na comparação com 2007, para US$ 45,1 bilhões. Para o período, a média 
mundial foi de queda de 14,2%, para US$ 1,697 trilhão. O país passou a ocupar a 10ª 
posição no ranking mundial de ingresso de capitais. 
A conclusão é do relatório sobre o volume de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no mundo 
em 2008, elaborado pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da 
Globalização Econômica (Sobeet) a partir de dados da Conferência das Nações Unidas para 
o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). 
Entre as economias desenvolvidas, o fluxo de IED teve retração de 29,2%, para US$ 962,3 
bilhões. Para as economias em desenvolvimento, o fluxo de investimentos aumentou 17,3%
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 89 de 323 
para US$ 620,7 bilhões e, para a América Latina, o crescimento foi de 13,2% para US$ 144,4 
bilhões. 
Internacionalização 
O relatório também aponta que o Brasil se tornou no ano passado a economia mais 
internacionalizada dos Brics, grupo de países emergentes que inclui Rússia, Índia e China, 
além do Brasil. 
Na proporção entre o estoque de IED realizado e o Produto Interno Bruto (PIB) de cada país, 
o Brasil apresenta a melhor relação, de 18,3%. Foi a primeira vez que o país superou a 
Rússia na atração de investimentos comparativamente ao seu PIB. A Rússia, que até então 
liderava o ranking, teve investimentos equivalentes a 12,7% do seu produto interno em 2008. 
Os investimentos na Índia corresponderam à proporção de 9,9% de seu PIB e na China, de 
8,7%. Segundo dados da Unctad,a média de investimento estrangeiro no mundo em relação 
ao PIB global é de 26,9%, o que indica que há um potencial de crescimento considerável para 
o Brasil e os demais países do grupo Bric. 
Nunca a percepção do investidor estrangeiro foi tão positiva em relação ao Brasil quanto 
agora, avalia o presidente da Sobeet, Luís Afonso Lima. Segundo ele, essa melhora na 
avaliação dos estrangeiros deve-se aos bons fundamentos da economia brasileira, que se 
mantiveram sólidos mesmo em meio à crise econômica global. 
Ranking global 
Essa visão das empresas estrangeiras em relação ao Brasil fez com que o país subisse 
quatro posições no ranking dos principais destinos de investimentos no ano passado. 
Em 2007, o Brasil ocupava a 14ª posição nesta lista, com investimentos de US$ 34,6 bilhões. 
No ano passado, o Brasil subiu para a 10ª colocação, recebendo o ingresso de US$ 45,1 
bilhões. 
Economias sólidas com as da Alemanha, Canadá e Itália, por exemplo, perderam posições e 
ficaram atrás do Brasil em 2008. E de acordo com a Unctad, o Brasil deve melhorar ainda 
mais nesse ranking e atingir o 4º lugar até 2011. 
Para Lima, o Brasil deve encerrar este ano recebendo um fluxo de US$ 25 bilhões. O valor é 
menor que os dos dois últimos anos, mas superior aos de outros países, que estão caindo 
tanto ou mais que nós, explicou o presidente da Sobeet. 
Uma outra característica do Brasil ressaltada no estudo é que o aumento do IED em 2008 
superou o crescimento dos investimentos das empresas nacionais no país, ao contrário do 
que ocorreu no restante do mundo. 
No Brasil, enquanto o IED aumentou 30,3% de 2007 para 2008, o investimento de empresas 
nacionais na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 13,8%. Os outros estão vendo 
o Brasil com um olhar mais favorável que os próprios brasileiros e, além disso, para o resto 
do mundo, a previsão de crescimento não é tão boa, analisou o presidente da Sobeet. 
01/09/2009 
Manchete: Governo aumenta mínimo para R$ 506 em 2010 e projeta crescimento de 
4,5% 
Resumo: O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, confirmou nesta terça-feira (1°) 
que a proposta orçamentária do governo para 2010 prevê o aumento do salário mínimo dos 
atuais R$ 465 para R$ R$ 505,90, valor que deve ser arredondado para R$ 506. Além disso, 
o projeto também projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% para o ano 
que vem 
Segundo Bernardo, a correção do aumento foi feita pelo IPC do período (3,54%) adicionada
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 90 de 323 
ao crescimento do PIB do ano passado, fechado em 5,08%. O impacto do reajuste do salário 
mínimo será de R$ 8 bilhões aos cofres públicos. 
O orçamento prevê investimentos do governo de R$ 46 bilhões, que também incluem as 
obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “As nossas prioridades para 
investimentos são o PAC, e segundo lugar os programas sociais, como Bolsa-Família”, 
enumerou Bernardo. 
R$ 510 descartado 
O ministro do Planejamento não acredita que o mínimo chegue a R$ 510. “O reajuste tem 
que obedecer a critérios que é o INPC e PIB do ano anterior. Cada real de aumento gera um 
impacto muito alto”, disse. 
Ele também já eliminou a crise para o próximo ano. “A crise acabou em 2009, economia está 
crescendo e gerando empregos. A receita vai crescer”, disse. 
Quanto à proposta enviada ao legislativo o pedido foi para preservar PAC e projetos sociais. 
O ministro também descarta a entrada de novos projetos. “Despesas novas dificilmente 
entrarão. O orçamento foi feito de forma bem negociada. Este ano não teve uma fila de 
ministro pedindo para aumentar orçamento”, completou. 
Arrecadação 
Na proposta de orçamento federal de 2009, enviada em agosto do ano passado ao 
Legislativo, a previsão do governo era de arrecadar R$ 522 bilhões neste ano. Entretanto, 
com os efeitos da crise, este número caiu para R$ 465 bilhões em julho. Para o próximo ano, 
estima-se que a arrecadação atinja R$ 545 bilhões. 
Essa diferença de R$ 80 bilhões foi vista com otimismo pelo ministro. “Não considero que nós 
estamos o pé na lama. Estamos apertados. A receita que estamos prevendo para este ano é 
um pouco maior do que a do ano passado. Mas trabalhamos com a previsão de que a 
economia cresça 4,5%, particularmente acho que vai crescer um pouco mais e volte ao 
padrão do ano passado”, comentou. 
Mesmo com o otimismo para o aumento de receitas, Paulo Bernardo foi cauteloso. “Vai ter 
aumento da receita do ano que vem, mas vai ser compatível ao previsto no ano passado. 
Nesses dois anos a receita caiu muito, não vamos arrebentar a boca do balão de receita, vai 
voltar ao patamar que estava para mostrar que superamos de vez a crise”, endossou. 
28/08/2009 
Manchete: Crise força retorno de 54 mil brasileiros do Japão 
Resumo: A crise econômica e o aumento do desemprego no Japão provocaram uma queda 
recorde de 17,2% no número de imigrantes brasileiros no país. 
Segundo dados do Ministério da Justiça do Japão, desde setembro do ano passado, início da 
crise financeira internacional, 54.709 brasileiros deixaram o país. No final de 2007, havia 
316.967 brasileiros registrados no país. 
Somente nos seis primeiros meses de 2009, a comunidade brasileira no país encolheu em 
41.887 membros, gerando uma queda de 13,4% em relação ao total de 312.582 brasileiros 
registrados no país no fim de 2008. 
O desemprego gerado pela crise econômica é a principal causa dessa debandada de 
trabalhadores, aponta Roberto Maxwell, mestre em Ciências Sociais pela Universidade de 
Shizuoka e especialista em migrações internacionais. 
Em mais de 20 anos, desde o início da chegada dos primeiros imigrantes brasileiros ao país, 
este foi o segundo registro de queda neste número. 
A outra retração aconteceu em 1998, ápice da recessão anterior enfrentada pelo Japão. Na 
ocasião, cerca de 11 mil brasileiros retornaram ao Brasil, uma queda de quase 5% no
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 91 de 323 
número total da população dekassegui. 
Índice recorde 
O desemprego é justamente o motivo que levou Hélio Kazuaki Ueta, 56, a tomar a decisão de 
voltar com toda a família para o Brasil. 
Ele já começou a fazer as malas e deve embarcar de volta para São Paulo no fim do mês 
que vem. Sei que a situação não vai melhorar e, mesmo que isso aconteça, não teria chance 
de voltar ao mercado de trabalho por causa da idade e do pouco conhecimento do idioma 
japonês, justifica o brasileiro, que ficou sete anos no país e há quase um ano não consegue 
emprego fixo. 
Fiz alguns bicos nesse período e também recebi seguro-desemprego, conta. 
Ueta diz acreditar que a situação no Brasil também não está tão boa. Sem previsão de 
conseguir um emprego por lá também, ele pensa em virar fotógrafo e abrir um negócio 
próprio. 
Acho que a recuperação econômica do Brasil vai ser mais rápida que a do Japão, opina ele. 
Segundo dados divulgados pelo governo do Japão nesta sexta-feira, o índice de desemprego 
no país é o pior desde o fim da Segunda Guerra. 
Ele subiu 0,3 pontos percentuais em julho, e chegou a 5,7%. O número bateu o recorde 
anterior, registrado em abril de 2003, que foi de 5,5%. 
Ajuda do governo 
Muitos dos que estão voltando agora ao Brasil deram entrada no esquema de ajuda para 
regresso oferecido desde abril deste ano pelo governo japonês a imigrantes peruanos e 
brasileiros. 
Esse auxílio contempla cada imigrante com um valor de cerca de US$ 3 mil. Seus 
dependentes ganham mais US$ 2 mil cada. 
No entanto, um dos requisitos é que ele não volte ao Japão por um período mínimo de três 
anos. De 1º de abril até o início de agosto, um total de 9.762 pedidos haviam sido feitos para 
receber essa ajuda. A grande maioria, segundo o Ministério da Justiça, de brasileiros. 
Mas o número de solicitações é bem baixo em relação à quantidade que já deixou o país. 
Para Maxwell, isso acontece porque os brasileiros ainda acreditam numa melhora da situação 
econômica, o que possibilitaria uma volta rápida às linhas de montagem das fábricas 
japonesas. 
Além disso, essa ajuda é muito pouca. Ninguém quer correr o risco de chegar ao Brasil, não 
conseguir emprego lá também e ainda não ter como voltar ao Japão por causa da condição 
de ter de esperar três anos para tentar retornar, sugere. 
Estabilização 
Apesar dos dados negativos, essa redução no número de brasileiros que vive no Japão tende 
a se estabilizar agora no segundo semestre. 
Acredito que não vai haver outra enxurrada de brasileiros deixando o Japão, mesmo com o 
fim do período de recebimento do seguro-desemprego, opina Maxwell. 
Dados do Ministério da Justiça comprovam essa tendência. No primeiro trimestre deste ano, 
o saldo da diferença de entradas e saídas do país foi de 27.304 negativos. Já de abril a 
junho, a diferença negativa foi de 14.583. 
As pessoas que voltaram no início do ano começaram a dar notícias aos que ficaram sobre 
a situação no Brasil, que também não está nada fácil, justifica Maxwell. Por isso, muitos vão 
tentar ficar aqui até quando der, mesmo que passem por dificuldades financeiras, diz. 
As agências de viagem também confirmam a tendência de queda no número de saídas. 
Segundo a Alfainter, empresa especializada em viagens para América do Sul, as reservas de 
passagens são bem menores neste segundo semestre em relação ao primeiro.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 92 de 323 
Data: 01/07/2009 
Manchete: Plano Real completa 15 anos 
Em 1º de julho de 1994, há exatos 15 anos, o Plano Real rompeu com uma sequência 
de pacotes econômicos fracassados e mudou não só a moeda como os rumos da 
economia brasileira. Economistas ouvidos pela reportagem do Último Segundo 
destacam a contenção da inflação desenfreada como o grande feito do plano, mas 
também ressaltam heranças ainda não superadas: juros altos, crescimento aquém do 
potencial e instabilidade quanto às turbulências externas. 
Resumo: O fracasso de seis planos econômicos em apenas oito anos – Plano Cruzado, 
Cruzado II, Bresser, Verão, Collor e Collor II – compunha um cenário descrente da atuação 
do governo. A inflação atingia 50% ao mês, índice extremamente distante do marcado em 
maio passado, 0,47% de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). 
No mês seguinte ao início do Plano Real, as mudanças começaram a aparecer: a inflação 
mensal despencou para 6,84%. Em agosto de 94 o índice chegou a 1,86%, segundo dados 
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O Plano Real marca uma nova fase 
da história econômica brasileira. Com maior estabilidade de preços”, diz Antônio Correia de 
Lacerda, professor de economia da PUC-SP e consultor econômico. 
O diferencial do plano “que deu certo” frente às tentativas naufragadas foi a renegociação da 
dívida externa e o bom nível de reservas, segundo Lacerda. “Outro ponto importante foi o fato 
de não ter adotado congelamento de preços e sim uma reforma monetária, mudando a 
moeda para que ela resgatasse sua capacidade”, explica o economista. 
Moeda forte? 
Apesar de ter enfrentado pelo menos oito crises econômicas – México (95), Ásia (97-98), 
Rússia (99), apagão energético (1999), Argentina (2001), 11 de setembro (2001), eleição de 
Lula (2002) e a atual crise financeira global – os economistas não consideram que o real seja 
uma moeda “blindada”. Não existe uma moeda à prova de crises. O real é mais forte do que 
eram as moedas anteriores, mas nem o euro pode ser considerado “blindado”. 
Data: 11/05/2009 
Manchete: EUA terão década perdida de crescimento, diz Stiglitz 
Para Prêmio Nobel de Economia, mesmo quando fase mais difícil for superada, 
recuperação ainda será lenta 
Resumo: Os Estados Unidos vão perder uma década de crescimento. Esta é a opinião do 
professor Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia e um dos palestrantes do EXAME 
Fórum, que acontece nesta segunda-feira, 11, em São Paulo. Ele acredita que, mesmo 
quando esta fase mais difícil for superada, a recuperação será muito lenta. 
Edward Prescott, prêmio Nobel de Economia em 2004, também presente no evento, 
concorda. Não estamos caminhando para outra depressão, mas os Estados Unidos 
perderão uma década de crescimento, como aconteceu com o Japão após a crise em 1992, 
afirma. 
Um dos motivos para o pessimismo de Stiglitz é a alta taxa de desemprego nos Estados 
Unidos. Segundo ele, o cenário é ruim e a melhora é muito lenta. O futuro é sombrio. A crise 
agora é diferente das outras no período pós-guerras porque mostra o fracasso do nosso 
sistema financeiro, explica. 
Outro fator para pessimismo é a falta de transparência no plano de estímulo à economia. Ele 
é falho porque não recupera a confiança das pessoas. Stiglitz acredita que o país precisa de 
uma segunda rodada de estímulo com foco na estabilidade financeira. 
Data: 29/04/2009
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 93 de 323 
Manchete: Copom reduz Selic para 10,25%, a menor taxa da história 
Resumo: O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta 
quarta-feira o corte de um ponto percentual da taxa básica de juros, levando a Selic a 10,25% 
ao ano, menor valor desde sua criação, em março de 1999. Essa foi a terceira redução 
consecutiva praticada pela autoridade monetária. 
Avaliando o cenário macroeconômico e visando ampliar o processo de distensão monetária, 
o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 10,25% ao ano, sem viés, por unanimidade, disse 
o BC em comunicado. 
Com a decisão dessa noite, o Brasil deixa de ter a maior taxa de juros reais do mundo. De 
acordo com a consultoria UpTrend, a taxa real brasileira chega a 5,8%, valor inferior ao 
praticado por China (6,6%) e Hungria (6,4%). 
Se as previsões para este ano se confirmarem, o Brasil chegará a dezembro com uma taxa 
de juros real abaixo de 5% - também o menor patamar da série histórica. 
A taxa de juros estava em 11,25% ao ano desde o dia 11 de março. O boletim Focus, 
divulgado nessa segunda-feira pelo BC, estima a taxa em 9,25% até o final do ano. 
O BC manteve os juros em 13,75% de setembro de 2008 a janeiro passado, à espera de uma 
definição do cenário econômico afetado pela crise mundial. Na próxima semana, o Banco 
Central divulga a ata da reunião de hoje para explicar os motivos que levaram à decisão. 
Data: 04/04/2009 
Manchete: Crise devolve 563 mil às classes D e E 
Resumo: Em janeiro, a classe C, formada por quem tem renda familiar entre R$ 1.100 e R$ 
4.800, teve uma reversão abrupta no crescimento. Entre janeiro de 2003 e dezembro de 
2008, o crescimento da classe C foi de 43% para 53,8%. Em janeiro, este índice recuou para 
52,6%, de acordo com dados do pesquisador Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, 
publicados pelo jornal. 
Os dados são referentes às regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo 
Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. Somando-se as calasses A e B à C, a redução 
nessas regiões chega a 765 mil, e é igual ao aumento das classes pobres, a D e a E. 
De acordo com o Estadão, a ameaça ao crescimento da classe média é reforçada por 
cálculos do pesquisador Ricardo Paes de Barros, do Instituto de Pesquisa Econômica, o Ipea, 
que indicam que a crise tende a atingir as pessoas mais educadas do País. 
Data: 02/04/2009 
Manchete: O que é o G 20 ? 
Resumo: O G-20 é um grupo de países em desenvolvimento criado em 20 de agosto de 
2003, na fase final da preparação para a V Conferência Ministerial da OMC, realizada em 
Cancun, entre 10 e 14 de setembro de 2003. O Grupo concentra sua atuação em agricultura, 
o tema central da Agenda de Desenvolvimento de Doha. 
O G-20 tem uma vasta e equilibrada representação geográfica, sendo atualmente integrado 
por 23 Membros: 5 da África (África do Sul, Egito, Nigéria, Tanzânia e Zimbábue), 6 da Ásia 
(China, Filipinas, Índia, Indonésia, Paquistão e Tailândia) e 12 da América Latina (Argentina, 
Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Equador, Guatemala, México, Paraguai, Peru, Uruguai e 
Venezuela). 
Desde a sua constituição, o G-20 gerou grande interesse, criou expectativas e recebeu 
também críticas vindas de diferentes direções.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 94 de 323 
O Grupo nasceu com o objetivo de tentar, como de fato o fez, impedir um resultado 
predeterminado em Cancun e de abrir espaço para as negociações em agricultura. Naquela 
ocasião, o principal objetivo do Grupo foi defender resultados nas negociações agrícolas que 
refletissem o nível de ambição do mandato de Doha e os interesses dos países em 
desenvolvimento. Para tanto, o Grupo adotou uma posição comum, circulada como 
documento oficial da OMC, antes e durante Cancun (WT/MIN(03)/W/6). Essa posição 
permanece como a plataforma central do Grupo. 
Após a falta de resultados concretos no encontro de Cancun, o G-20 dedicou-se a intensas 
consultas técnicas e políticas, visando a injetar dinamismo nas negociações. Foram 
realizadas diversas Reuniões Ministeriais do Grupo (Cancún, setembro/2003; Brasília, 
dezembro/ 2003; São Paulo, junho/2004; Nova Délhi, março/2005; Bhurban, setembro/2005; 
Genebra, outubro e novembro/2005; Hong Kong, dezembro/2005; Genebra, junho/2006; 
Genebra, junho e novembro/2007; e Genebra, julho/2008), além de freqüentes reuniões entre 
Chefes de Delegação e Altos Funcionários, em Genebra. O grupo promoveu, ainda, reuniões 
técnicas com vistas a discutir propostas específicas no contexto das negociações sobre a 
agricultura da OMC e a preparar documentos técnicos, em apoio à posição comum adotada 
pelo Grupo. 
O G-20 consolidou-se como interlocutor essencial e reconhecido nas negociações agrícolas. 
A legitimidade do Grupo deve-se às seguintes razões: 
a) importância do seu membros na produção e comércio agrícolas, representando quase 
60% da população mundial, 70% da população rural em todo o mundo e 26% das 
exportações agrícolas mundiais; 
b) sua capacidade de traduzir os interesses dos países em desenvolvimento em propostas 
concretas e consistentes; e 
c) sua habilidade em coordenar seus membros e interagir com outros grupos na OMC. 
O poder de influência do G-20 foi confirmado na fase final das negociações que levaram ao 
acordo-quadro de julho passado. Graças aos esforços do G-20, o acordo-quadro adotado 
reflete todos os objetivos negociadores do Grupo na fase inicial de negociações da Rodada 
de Doha: (i) respeita o mandato de Doha e seu nível de ambição; (ii) aponta para resultados 
positivos das negociações de modalidades; e (iii) representa, além disso, uma melhoria 
substantiva em relação ao texto submetido em Cancun, em todos os aspectos da negociação 
agrícola. 
Durante as próximas negociações de modalidades, o G-20 manter-se-á engajado nas 
negociações, intensificará sua coordenação interna e seus esforços de interação com outros 
grupos, visando à promoção dos interesses dos países em desenvolvimento nas 
negociações agrícolas. 
Data: 02/04/2009 
Manchete: O que é o G 8 ? 
Resumo: O Grupo dos Sete e a Rússia (inglês:Group of Seven and Russia, alemão:Sieben 
führende Industrieländer und Russland, antigo G7), mais conhecido como G8, é um grupo 
internacional que reúne os sete países mais industrializados e desenvolvidos 
economicamente do mundo, mais a Rússia. Todos os países se dizem nações democráticas: 
Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá (antigo G7), mais 
a Rússia - esta última não participando de todas as reuniões do grupo. Durante as reuniões, 
os dirigentes máximos de cada Estado membro discutem questões de alcance internacional. 
O G8 é muito criticado por um grande número de movimentos sociais, normalmente 
integrados no movimento antiglobalização, que acusam o G8 de decidir uma grande parte 
das políticas globais, social e ecologicamente destrutivas, sem qualquer legitimidade nem 
transparência. Em 2001 na cimeira anual, em Génova, um manifestante foi morto a tiro pela 
polícia. Em Portugal, a associação ecologista GAIA e um conjunto de cidadãos na Rede G8 
desenvolveram iniciativas de oposição à do G8 em Rostock, no Norte da Alemanha, em 
2007.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 95 de 323 
Data: 02/04/2009 
Manchete: O QUE É RODADA DE DOHA? 
Resumo: Lançada no fim de 2001 em Doha, capital do Qatar, a rodada de negociações 
entre os países associados à OMC - que visa a regular o comércio internacional - pode 
beneficiar os países em desenvolvimento, como o Brasil. Eles são prejudicados com 
subsídios dos países ricos a seus agricultores. 
A rodada prevê a liberalização do comércio mundial, incluindo serviços e produtos agrícolas. 
É também chamada de Rodada do Desenvolvimento. 
QUE TEMAS MAIS INTERESSAM AO BRASIL? 
Para o Brasil, que assumiu papel de liderança na Rodada de Doha (criando o G-20 junto com 
Índia, África do Sul e China), o essencial é uma abertura às suas exportações agrícolas. 
Os brasileiros reclamam dos subsídios domésticos e às exportações das nações 
desenvolvidas, que distorcem o preço de produtos agrícolas no exterior e tiram 
competitividade dos países em desenvolvimento. 
Outra reivindicação é o fim das barreiras às exportações do Brasil, como a imposição de 
tarifas elevadas ou cotas. 
QUANTO OS PAÍSES RICOS DÃO DE SUBSÍDIOS POR ANO? 
Segundo a OMC, o total de subsídios nas áreas de agricultura, serviços e indústria soma 
cerca de US$ 1 trilhão por ano, ou 4% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Só o subsídio à 
agricultura é de US$ 360 bilhões por ano. 
POR QUE A RODADA DE DOHA É IMPORTANTE PARA O BRASIL? 
As decisões tomadas no sistema multilateral de comércio (envolvendo o maior número de 
países) dá mais segurança ao setor produtivo brasileiro do que um acerto bilateral ou 
regional, que abrangeria poucos parceiros. 
QUAIS AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA RODADA PARA O PAÍS? 
O Brasil poderia expandir as exportações agrícolas, onde é bastante competitivo no mundo, 
apesar das dificuldades impostas por EUA, União Européia e Japão. 
Com isso, a economia brasileira poderia crescer mais, gerando mais impostos, renda e 
empregos. Mas o país terá de ceder, reduzindo tarifas de produtos industrializados, alguns de 
setores sensíveis, como automotivo, informática e eletroeletrônico. 
Também terá de abrir o setor de serviços, como transportes, comunicações e financeiro. 
SEM A RODADA, O BRASIL PODE GANHAR MERCADOS? 
O país pode dar mais ênfase a acordos de livre comércio bilaterais ou regionais. Por 
exemplo, com os sócios do Mercosul, o Brasil negocia tratados com União Européia, África 
do Sul, China, Índia. 
Data: 30/03/2009 
Manchete: Governo prorroga IPI reduzido para carros e desonera material de 
construção 
Resumo: O governo federal anunciou nesta segunda-feira a prorrogação do IPI (Imposto 
sobre Produtos Industrializados) reduzido para o setor automotivo por mais três meses --o 
benefício valeria até amanhã--, mas com a contrapartida da manutenção dos empregos pelas 
montadoras, conforme a Folha já havia antecipado no último dia 4. Entre outras medidas, o 
governo também anunciou benefícios para os setores de motocicletas e materiais de 
construção. 
As montadoras, porém, estão livres para implementar programas de demissão voluntária 
--como feito pela Ford na última semana-- e demitir trabalhadores temporários ao final de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 96 de 323 
seus contratos. 
Segundo o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos 
Automotores), Jackson Schneider, sem a medida, haveria uma queda de 30% nas vendas de 
veículos no segundo trimestre. Após a redução do IPI, as vendas de veículos se recuperaram 
da forte queda vista no fim do ano passado. Na primeira quinzena deste mês, as vendas de 
automóveis e comerciais leves registraram alta de 5,31%. Apesar disso, mais de 4.700 
empregos foram cortados no setor. 
A lém das montadoras, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que os materiais de 
construção também terão alíquotas menores de IPI. Haverá isenção para a compra de 
revestimentos, vernizes, tintas, cimento, pias, louças de banheiro, rede e grade de aço, 
chuveiro, fechaduras e dobradiças, entre outros itens. Outros produtos tiveram apenas 
redução, como massa de vidraceiro, cujo IPI foi de 10% para 2%. 
Além disso, foi modificado o regime de tributação para a construção civil (congrega os 
impostos: IR, CSLL, PIS e Cofins), aplicado às construtoras, com redução de 7% para 6%. 
Caso a construtora esteja no programa de habitação do governo, a redução vai a 1%. 
Outra medida é o benefício fiscal para motocicletas, que teve redução de Cofins 
(Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) de 3% para zero. 
Para compensar, ao menos parcialmente, a perda de arrecadação com a desoneração fiscal, 
o governo vai elevar o IPI e a Cofins sobre os cigarros. Segundo Mantega, o produto ficará 
entre 20% e 25% mais caro. 
A previsão de renúncia fiscal com essas medidas é de R$ 1,5 bilhão. O governo espera 
recuperar esse valor totalmente com o aumento do imposto sobre cigarros. 
O anúncio de hoje feito em São Paulo, que contou com a presença do vice-presidente, José 
Alencar, complementa o pacote habitacional lançado na semana passada pelo governo, que 
prevê construir 400 mil casas para a baixa renda e facilitar os empréstimos imobiliários para 
quem recebe entre três e dez salários mínimos. 
Manaus 
Mantega informou ainda que o governo, por decreto, ampliou a lista dos setores considerados 
prioritários na área da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) --têm 
isenção de IR (Imposto de Renda) de pessoas jurídicas. Foram beneficiadas as empresas de 
papel e celulose, desde que tenham projeto de reflorestamento, material descartável 
(barbeadores, canetas, lápis, lapiseiras), brinquedos, relógios e materiais óticos. 
As medidas foram assinadas pelo presidente em exercício, José Alencar, e serão publicadas 
no Diário Oficial da União na terça-feira. Elas entram em vigor amanhã, com exceção das 
tarifas sobre cigarro, que passam a valer em maio. 
Data: 30/03/2009 
Manchete: Década de 2020 deve consolidar poder dos Bric 
Resumo: Os anos 20 deste século podem marcar a consolidação do fortalecimento de 
países emergentes como potências econômicas e políticas, em um mundo cada vez mais 
multipolar. Segundo acadêmicos e instituições de pesquisa, os chamados Bric (Brasil, 
Rússia, Índia e China) serão peças-chave dessa nova ordem. 
Para investigar que desafios cada país do BRIC terá pela frente, no caminho para se tornar 
uma potência em 2020, a BBC Brasil produziu uma série especial que começa a ser 
publicada nesta segunda-feira, reunido reportagens multimídia de nossos repórteres no Brasil 
e enviados especiais a Rússia, Índia e China.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 97 de 323 
Em 2020, com 3,14 bilhões de habitantes (40% da população mundial naquele ano, segundo 
projeções da ONU), eles devem chegar mais perto das economias do G7, após terem 
crescido a taxas muito superiores às de nações ricas. 
O National Intelligence Council, entidade do governo americano ligada a agências de 
inteligência, prevê que já em 2025 todo o sistema internacional - como foi construído após a 
Segunda Guerra Mundial - terá sido totalmente transformado. 
Novos atores - Brasil, Rússia, Índia e China - não apenas terão um assento à mesa da 
comunidade internacional, mas também trarão novos interesses e regras do jogo, afirma a 
instituição. 
Muito provavelmente, por volta de 2020 vamos nos dar conta de que existe um equilíbrio 
muito maior no mundo em termos econômicos e políticos com o fortalecimento de países 
emergentes como China, Índia, Brasil e Rússia. Com um maior poder econômico, virá 
também um maior poder político e uma participação ativa desses países em organismos 
internacionais, disse à BBC Brasil Stepháne Garelli, professor da Universidade de Lausanne, 
na Suíça, e autor de um estudo que traça cenários para 2050. 
Conceito complexo 
O conceito de sistema multipolar é complexo e, ainda que boa parte dos analistas concorde 
que o mundo caminha para isso, o tempo que levará para que a China tenha voz no Fundo 
Monetário Internacional (FMI), o Brasil tenha um assento permanente no Conselho de 
Segurança da ONU ou o Banco Mundial seja dirigido por um russo ou indiano variam muito. 
Mas a discussão já não se limita mais ao meio acadêmico. Diferentes aspectos do que pode 
vir a ser um mundo multilateral (ou multipolar) já começam a aparecer em discursos de 
autoridades que estão no centro do processo de tomada de decisões internacionais. 
Um exemplo recente vem de Gordon Brown, o primeiro-ministro britânico, que, às vésperas 
do encontro do G20, em Londres, declarou no Brasil que o tempo em que poucas pessoas 
mandavam na economia acabou. 
Também às vésperas do encontro, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse 
em entrevista a uma TV francesa que soluções globais supõem que a governança de 
instituições como o FMI seja mais legítima, mais democrática, com espaço para os países 
emergentes e pobres. 
Reunião do G20 
A reunião do G20, grupo que une países emergentes aos países-membros do G8, pode ser 
vista como um sinal dessas mudanças. A voz dos emergentes no cenário de crise ganha 
especial relevância. 
Segundo boa parte dos analistas ouvidos pela BBC Brasil, eles não apenas serão menos 
afetados do que os países desenvolvidos pela crise, como também podem se recuperar mais 
rapidamente. 
Essa possível recuperação mais rápida se baseia em alguns pilares que serão também 
propulsores do crescimento de longo prazo. 
A situação das economias desses países é muito diferente. Mas, de maneira geral, os Bric 
estão mais bem posicionados para a recuperação do que muitas outras economias, disse 
Markus Jaeger, responsável por análises de longo prazo no Deutsche Bank. 
Para Alfredo Coutino, analista mexicano da agência Moody's nos Estados Unidos, a crise 
revela ainda a vulnerabilidade das economias desenvolvidas e deixa clara a necessidade de 
equilíbrio na economia global. 
É uma oportunidade para as economias emergentes, que devem liderar a recuperação, 
disse ele. 
Crise 
Em entrevista à BBC Brasil, Jim O'Neill, economista-chefe do Goldman  Sachs, que criou a
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 98 de 323 
sigla Bric em 2001, prevê que a crise até mesmo acelere a escalada dos emergentes, e diz 
que já em 2020 a economia desses quatro países encoste nas dos países do G7, o grupo 
das atuais nações mais ricas do mundo. 
Não faltam céticos em relação à projeção de O'Neill. John Bowler, diretor do Serviço de Risco 
por País (CRS na sigla em inglês) da Economist Intelligence Unit é um deles. 
Acho que esse processo será mais demorado. Há uma série de obstáculos à confirmação 
dessas projeções tanto no campo econômico quanto político, disse Bowler. 
Apesar das ressalvas feitas por muitos dos ouvidos pela BBC Brasil, o otimismo de O'Neill 
não é isolado. 
Um relatório da consultoria Ernst  Young, Global Megatrends 2009, por exemplo, afirma que 
a fome de crescimento, junto com a rápida industrialização das economias e populações em 
expansão, põe os emergentes no caminho da recuperação mais rapidamente, e os países do 
Bric são claramente os atores principais. 
Essa fome de crescimento vem, em parte, da nova classe média que tem revolucionado o 
consumo nesses países. Segundo o Banco Mundial, 400 milhões de pessoas se encaixavam 
nessa categoria em 2005 nos países em desenvolvimento. Em 2030, deverão ser 1,2 bilhão 
de pessoas. 
A classe média, principalmente dos países do Bric, será o novo motor da economia 
mundial, prevê Stepháne Garelli, da Universidade de Lausane e diretor do índice de 
competitividade, publicado pelo Institute of Management Development, que avalia 61 países 
em 312 critérios. 
É uma classe média ávida por comprar seu primeiro carro, seu primeiro celular de última 
geração. Não é conservadora como a classe média do atual mundo rico. Ela quer 'comprar 
felicidade', acrescentou. 
Padrão de vida 
O valor do Produto Interno Bruto (PIB) dará posição de destaque a esses países no ranking 
global de economias, mas não será suficiente para levar as populações desses países a 
padrões de vida próximos ao dos países hoje considerados ricos. 
O PIB per capita da Índia, por exemplo, deverá praticamente dobrar num período de 15 anos 
até 2020, segundo um estudo do departamento de pesquisas do Deutsche Bank. Ainda 
assim, representará apenas 40% da renda per capita nos Estados Unidos. 
De olho em indicadores como o PIB per capita, Françoise Nicolas, economista do Instituto 
Francês de Relações Internacionais, prevê a ascensão das superpotências pobres. 
Será um mundo multipolar bizarro. Os Bric serão superpotências pobres com mais peso 
econômico, mas o discurso ainda não estará no mesmo nível dos países ricos, prevê 
Nicolas. 
Além da pobreza, esses países enfrentam outros desafios, como a proteção ao meio 
ambiente. Eles querem ter maior poder de decisão e, ao mesmo tempo, em certas questões 
como o meio ambiente, querem continuar a ser tratados como países emergentes, que não 
podem cumprir as mesmas exigências dos ricos, disse Thomas Klau, chefe do escritório de 
Paris do Council of Foreign Relations. 
Data: 24/03/2009 
Manchete: 1% da população adulta detém 40% da riqueza mundial, diz estudo. 
Dois quintos da riqueza mundial estão concentrados nas mãos de 37 milhões de 
indivíduos, ou 1% da população adulta, segundo indica um estudo da Universidade 
das Nações Unidas lançado em Londres nesta terça-feira. Se considerados os 10% 
mais ricos do mundo, a proporção da riqueza mundial nas mãos desse grupo é de 
85,2%.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 99 de 323 
Resumo: Na outra ponta, os 50% mais pobres do mundo são donos de apenas 1% da 
riqueza global. 
O estudo, compilado no livro Personal Wealth From a Global Perspective (Riqueza pessoal 
a partir de uma perspectiva global), é a mais ampla iniciativa para investigar o tamanho da 
desigualdade na distribuição da riqueza pelo mundo. 
Segundo o coordenador do estudo, o economista James Davies, um pequeno grau de 
desigualdade entre os países tem um efeito positivo para o desenvolvimento, por servir como 
incentivo ao empreendedorismo. 
Os candidatos a ser empreendedores precisam ter algum incentivo, precisam pensar que 
podem ficar ricos, para se aventurarem, diz. 
Davies comenta que os países ricos, durante seu processo de desenvolvimento nos séculos 
18 e 19, tiveram um aumento na desigualdade em um primeiro momento, seguido de uma 
redução, provocada principalmente pela elevação do nível de renda da classe média. 
Segundo ele, muitos países em desenvolvimento acelerado - como a China, por exemplo - 
podem estar seguindo esse padrão hoje, com um aumento na desigualdade. 
Mas ele adverte que a desigualdade extrema - como no caso do Brasil - é prejudicial ao 
crescimento econômico. Segundo ele, a desigualdade deve ser combatida principalmente em 
setores como educação. 
A compilação de dados das pesquisas coordenadas por Davies mostram também o nível de 
concentração da riqueza individual entre os países. 
Dois países - Estados Unidos e Japão - concentram 64,3% dos indivíduos entre o grupo de 
1% mais ricos do mundo. O Brasil tem 0,6% dos indivíduos nesse grupo, que representam 
aqueles com patrimônio superior a US$ 512,4 mil. 
Entre os 10% mais pobres do mundo, 26,5% estão na Índia, 6,4% na China e 2,2% no Brasil. 
Os Estados Unidos têm apenas 0,2% de sua população nesse grupo, com patrimônio total 
inferior a US$ 178. 
Os dados da pesquisa mostram ainda que, apesar do forte crescimento da China nas últimas 
três décadas, os chineses ainda concentram apenas 2,6% da riqueza mundial, apesar de 
representarem 22,8% da população. 
Os indianos, que são 15,4% da população mundial, detêm 0,9% da riqueza global. Na África, 
que tem 10,2% da população, está apenas 1% da riqueza mundial. 
Na outra ponta, a América do Norte, com 6,1% da população mundial, concentra 34,4% da 
riqueza, enquanto a Europa, que tem 14,9% da população, detém 29,6% da riqueza. 
O grupo de países ricos da Ásia e do Pacífico, que inclui o Japão, tem apenas 5% da 
população mundial, mas concentra 24,1% da riqueza global. 
Data: 17/03/09 
Manchete: Brasil é 8º mais empreendedor, aponta estudo com 43 países. 
Resumo: O relatório executivo de 2008 do Monitor Global do Empreendedorismo (GEM, da 
sigla em inglês) coloca o Brasil como a 8º nação mais empreendedora entre os 43 países 
pesquisados. Segundo o estudo, 26,4% da população entre 18 e 64 anos do País está 
envolvida em algum tipo de negócio próprio, seja ele estabelecido (pagando salário a seus 
donos há 42 meses), em gestação (ainda não pagou salários) ou ainda no início (pagando 
salários há pelo menos três meses e menos de 42).
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 100 de 323 
O levantamento, feito com 2 mil pessoas no Brasil, aponta que 2,9% da população está 
envolvida com empreendimentos em gestação, 9,3% são donos de um novo negócio e 14,6% 
participam de um negócio estabelecido. 
O percentual de pessoas empreendedoras na faixa etária pesquisada no País (26,4%) só é 
menor do que o da Bolívia (45,6%), Colômbia (36,7%), Peru (32,7%), Argentina (29,6%), 
Equador (28,1%), República Dominicana (27,9%) e Índia (27,6%). 
No estudo, o Brasil foi classificado, ao lado, entre outros, de Argentina, Peru, Chile, Rússia e 
África do Sul, como economia movida pela eficiência. As outras duas classificações são 
economias movidas pela inovação, onde estão, entre outros, países da Europa Ocidental, 
Coréia do Sul e os Estados Unidos. A terceira classificação é economia movida por fator, 
que designa países com desenvolvimento industrial inicial, como Bolívia, Egito e Índia. 
Oportunidades e riscos 
Além de analisar o cenário estabelecido, o relatório do GEM aponta que, no Brasil, 44% dos 
entrevistados vêem boas oportunidades para começar um negócio nos próximos seis meses. 
No entanto, somente 26% esperam iniciar um empreendimento dentro de três anos. O medo 
de falhar foi citado por 43% dos participantes da pesquisa no País como motivo que os 
impede de iniciar seu próprio negócio. 
Data: 15/03/2009 
Manchete: Crise obriga milhares de famílias americanas a viver em tendas de 
campanha. 
Até há pouco tempo eram trabalhadores de classe média que viviam em casas com 
jardim, mas a recessão está empurrando milhares de famílias nos Estados Unidos para 
o inimaginável: viver em tendas de campanha, quartos ou motéis baratos de estrada. 
Resumo: Em Sacramento, capital do estado da Califórnia e uma das regiões do país onde a 
crise imobiliária bateu com mais força, um acampamento para gente sem lar já abriga 
centenas de pessoas e cresce a um ritmo de 50 novos residentes por dia. 
Este assentamento de tendas de campanha sem serviços de nenhum tipo atraiu a atenção 
da imprensa e das ONGs, que alertam para as más condições higiênicas e do risco de que 
doenças como o cólera comecem a se propagar. 
Os moradores da tent city, como estes acampamentos são conhecidos nos EUA, não são 
apenas vagabundos e alcoólatras, mas também várias famílias que perderam seus trabalhos 
e suas casas por não poder arcar os pagamentos da hipoteca. 
Johnson, uma antiga estrela da equipe de basquete Phoenix Suns, conseguiu atrair a 
atenção dos meios de comunicação para tent city de Sacramento que, embora não seja a 
única do País, se transformou em um símbolo da recessão. 
Durante anos tentamos colocar os sem-teto debaixo do tapete, reconheceu Johnson em 
entrevista esta semana. Apoiamo-nos nos bons samaritanos e nas ONG's, mas agora o 
problema nos supera. 
Johnson propôs a criação de um assentamento permanente para estas famílias com a ajuda 
de parte dos US$ 2,3 bilhões que o programa de estímulo econômico do presidente Obama 
dedica para resolver os problemas do povo sem lar. 
A organização Loaves and Fishes denuncia que o número de pessoas sem casa cresceu na 
região 26% no último ano e que estão se encontrando com famílias em situações dramáticas. 
Segundo uma pesquisa do Centro Nacional Para Famílias sem Lar, cerca de 1,5 milhão de 
crianças nos EUA, uma em cada 50, carecem de casa, mas a própria organização reconhece 
que os números estão defasados.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 101 de 323 
Em Orange County, ao sul da Califórnia, a imprensa alertou de um triste fenômeno: cada vez 
mais famílias vivem em quartos de motel durante meses, ou inclusive, anos, após perder 
seus lares ou trabalhos. 
A região é conhecida pelos altos preços dos aluguéis, a escassez de casas subsidiadas pelo 
Estado e a abundância de motéis vazios que em outros tempos alojavam os turistas da 
Disneylândia. 
Em seus quartos vivem hoje, segundo as organizações humanitárias da região, mais de mil 
famílias, que pagam em torno de 800 dólares semanais pelo alojamento, mas que não têm 
economias para enfrentar o depósito de um aluguel nem acesso a créditos para a compra de 
uma casa. 
Data: 05/03/2009 
Manchete: Desemprego vai atingir mais mulheres que homens em 2009, diz OIT. 
As mulheres sofrerão mais com o desemprego do que os homens em 2009 devido à 
crise econômica mundial, segundo um relatório da Organização Internacional do 
Trabalho (OIT) divulgado nesta quinta-feira. 
Resumo: A taxa de desemprego das mulheres passou de 6% em 2007 a 6,3% em 2008. 
Segundo o documento, o número chegará a pelo menos 6,5% segundo o cenário mais 
otimista, e 7,4% segundo o mais pessimista, podendo alcançar 7,8% nos países 
desenvolvidos. 
O cenário mais otimista se baseia nas previsões de crescimento mundial de 0,5% formuladas 
pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em janeiro. De 2007 a 2008, a taxa de desemprego 
dos homens subiu de 0,4% a 5,9%, e em 2009 pode alcançar 6,1%, segundo o melhor 
cenário, e 7%, segundo o pior. 
O aumento da taxa de desemprego das mulheres diz respeito mais claramente às América 
Latina e Caribe, afirma o informe. 
Apesar das perspectivas desfavoráveis para as mulheres em nível mundial, o estudo indica 
que no leste da Ásia e nos países desenvolvidos, em particular na União Européia, os 
homens seriam mais vítimas do desemprego do que as mulheres. 
Data: 12/03/2009 
Manchete: Crise afeta oito em cada dez empresas brasileiras, diz pesquisa da CNI. 
Das empresas afetadas, 54% demitiram ou suspenderam contratos. 
Só 1/3 dos empresários acredita na superação da crise em 2009. 
Resumo: Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) entre 4 e 11 de 
março, com 431 empresas de 24 estados do país e 30 setores industriais, revela que oito em 
cada dez companhias se disseram impactadas pela crise financeira internacional, que se 
agravou de meados de setembro de 2008 em diante. 
Segundo a pesquisa, 83% dos entrevistados responderam que a crise está afetando seus 
negócios no primeiro trimestre deste ano. Deste universo de empresas que se disseram 
impactadas pela crise, 54% informaram que adotaram alguma medida relativa aos contratos 
de trabalho de seus funcionários, como suspensão de serviços terceirizados ou demissões. 
Novas ações 
Ao mesmo tempo, 36% dos consultados também informaram que planejam demissões ou 
suspensões de contratos. Outros 24% disseram que pretendem reduzir a jornada de trabalho, 
e 22% informaram que pretendem suspender contratações que estavam planejadas.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 102 de 323 
Cerca de 15% disseram que pretendem adotar o banco de horas, e 14% pretendem conceder 
férias coletivas. Somente 13% pretendem contratar novos empregados. Para Flávio Castelo 
Branco, economista da CNI, isso mostra que grande parte do ajuste no emprego 
industrial já foi feito. 
Já para Armando Monteiro Neto, presidente da entidade, a percepção da crise está sendo 
cada vez mais ampliada. As empresas estão avaliando seus negócios com mais 
pessimismo. Vamos ter queda do emprego industrial neste ano. Aquela teoria do 
descolamento, de que a economia brasileira teria um desempenho diferente, está se 
mostrando muito frágil. O mundo ficou pior e o Brasil ficou pior também. O país vai crescer 
menos e poderá ter até um crescimento próximo de zero neste ano, avaliou ele. 
Primeiro trimestre 
Para 79% dos empresários consultados, os impactos da crise financeira sobre toda a 
economia brasileira também se tornaram mais intensos nos três primeiros meses deste ano. 
Monteiro Neto, presidente da CNI, informou que a indústria terá um desempenho certamente 
negativo no primeiro trimestre deste ano, mas na comparação com o mesmo período de 
2008. 
Confiamos que haja alguma recuperação, ainda que tênue, ao longo do ano. O Brasil pode 
reduzir bastante a taxa de juros, coisa que os outros países não têm [porque já fizeram], 
disse ele. 
Duração da crise 
A CNI informou ainda que somente 31% dos empresários consultados disseram acreditar que 
a crise terá fim ainda em 2009. Para 35% dos entrevistados, a crise será superada em 2010 
e outros 12% acreditam que ela só terminará após 2010. 
Apesar de a expectativa de a duração da crise ainda ser um pouco mais longa, não há 
percepção de aprofundamento das dificuldades. Resultados um pouco mais positivos devem 
ser registrados no segundo semestre, disse Castelo Branco. 
Medidas do governo 
Para 54% dos empresários ouvidos pela CNI, as medidas adotadas pelo governo federal para 
combater a escassez e o encarecimento do crédito, ambos resultados da crise financeira 
internacional, estão surtindo efeito, mas de forma moderada. Outros 40%, por sua vez, 
avaliaram que as medidas não estão sendo efetivas. 
Para 63% dos entrevistados, o governo deveria atuar por meio da redução de tributos para 
combater os efeitos da crise financeira na economia. Para 51% dos ouvidos, deveria haver 
uma redução dos juros e do spread bancário, enquanto que outros 30% pedem aumento da 
oferta de linhas de empréstimo para capital de giro. Para 19%, é importante ampliar o prazo 
de recolhimento de tributos. 
Data: 12/03/2009 
Manchete: Patrimônio dos americanos cai US$ 5 trilhões no quarto trimestre. 
Resumo: O patrimônio líquido de famílias e entidades sem fins lucrativos nos EUA caiu para 
US$ 51,5 trilhões no quarto trimestre de 2008, contra US$ 56,6 trilhões. Trata-se de uma 
queda de US$ 5,1 trilhões (ou 9%), a maior já registrada desde que o Federal Reserve (Fed, 
o BC americano) começou os registros trimestrais, em 1952. Os dados foram divulgados 
nesta quinta-feira. 
O valor das riquezas dos americanos atingiu um pico no segundo trimestre de 2007, quando 
chegou a US$ 64,36 trilhões, impulsionado pela bolha no setor imobiliário. No ano passado 
como um todo, a queda no patrimônio dos americanos caiu US$ 11,2 trilhões, segundo o 
Fed.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 103 de 323 
A queda no patrimônio dos americanos ressalta a recessão em que o país se encontra desde 
dezembro de 2007. O país teve uma contração no PIB (Produto Interno Bruto) de 6,2% no 
quarto trimestre. Foi o pior desempenho desde a queda de 6,4% ocorrida no primeiro 
trimestre de 1982. 
O endividamento dos americanos no trimestre passado teve uma redução de 2% (taxa 
anualizada), marcando o primeiro trimestre em que as dívidas dos americanos caíram. A 
queda, em dólares, foi de US$ 69,7 bilhões no período, para US$ 13,8 trilhões. 
A estimativa inicial do governo referente ao terceiro trimestre era de uma contração de 0,8%, 
mas o dado foi revisado para um aumento de 0,2%. 
O IIF (Instituto de Finanças Internacionais, na sigla em inglês) já havia divulgado uma 
pesquisa sobre o patrimônio dos americanos neste mês, na qual mostrou que a queda nos 
últimos 15 meses chegou a US$ 16,5 trilhões. Desde setembro, as riquezas dos americanos 
perderam US$ 9,5 trilhões em valor. 
O endividamento com hipotecas --um dos principais itens nas dívidas dos americanos-- teve 
uma queda anualizada de 1,6% no trimestre passado, contra uma queda de 2,3% entre julho 
e setembro do ano passado. Os padrões mais rígidos adotados pelos bancos para conceder 
financiamentos hipotecários, devido à crise, contribuíram para essa redução. 
O crédito ao consumidor caiu 3,2% (taxa anualizada) entre outubro e dezembro, primeiro 
recuo trimestral desde o segundo trimestre de 1992, quando houve queda de 0,9%. 
Data: 09/03/2009 
Manchete: Merck e Schering-Plough anunciam fusão bilionária no setor farmacêutico. 
Resumo: Os conselhos de administração dos grupos farmacêuticos americanos Merck e 
Schering-Plough anunciaram nesta segunda-feira a conclusão de um acordo para uma fusão, 
em uma transação de US$ 41,1 bilhões. A operação unirá as fabricantes dos medicamentos 
para tratamento de colesterol Zetia e Vytorin, no segundo mega-acordo entre grandes 
companhias farmacêuticas em semanas. As duas companhias, que anunciaram significativos 
cortes de empregos no fim de 2008, têm agido para se tornarem mais eficientes em meio à 
queda da demanda pelos medicamentos que produzem. As vendas conjugadas das 
empresas recuaram 26% no último trimestre. 
A operação vai diversificar o portfólio de remédios da Merck, incluindo drogas para 
tratamentos cardiovasculares, respiratórios, oncológicos, de neurologia e também 
medicamentos para doenças infecciosas e do sistema imunológico. 
A fusão foi aprovada por unanimidade pelos conselhos de administração das duas gigantes, 
segundo um comunicado conjunto. 
Data: 09/03/2009 
Manchete: Safra 2009 deve ser 7,3% menor que a de 2008, informa IBGE. 
Resumo: A safra brasileira deverá atingir 135,3 milhões de toneladas, com queda de 7,3% 
em relação à safra anterior (145,8 milhões de toneladas), informou nesta segunda-feira o 
IBGE, no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) relativo a fevereiro. A área 
plantada em 2009 deverá atingir 47,4 milhões de hectares, 0,3% maior que a de 2008 (47,2 
milhões de hectares). No levantamento anterior, referente a janeiro, a previsão era de safra 
de 0,45% menor, de 134,7 milhões de toneladas. 
Regionalmente, a produção e as variações esperadas para 2009 em relação à safra 2008 
são: região Sul, 54,7 milhões de toneladas (-10,8%); Centro-Oeste, 47,1 milhões de 
toneladas (-7,1%); Sudeste, 16,8 milhões de toneladas (-4,1%); Nordeste, 12,9 milhões de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 104 de 323 
toneladas (3,4%) e Norte, 3,8 milhões de toneladas (-1,8%). 
Produtos 
Em fevereiro, o levantamento agrícola do IBGE, estimou que, dentre os 25 produtos 
selecionados, sete apresentaram alta na estimativa de produção, em relação à safra 2008. 
Entretanto, o IBGE prevê queda para 18 produtos. 
Segundo observaram os técnicos do IBGE, no documento, a colheita das principais culturas 
temporárias de verão (soja e o milho) teve início, especialmente nas regiões onde o plantio 
aconteceu mais cedo. Os próximos levantamentos acompanharão a colheita da safra de 
verão e o desenvolvimento das segunda e terceira safras de alguns produtos, além das 
culturas de inverno, cujas estimativas são baseadas em projeções, devido ao calendário 
agrícola.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 105 de 323 
SOCIEDADE 
O melhor aproveitamento dos capitais sociais e humanos exige a descentralização dos 
serviços para as regiões e os municípios, feita de modo adequado e competente, sobretudo 
para os grupos de maior vulnerabilidade social, no suprimento das necessidades mais 
básicas e na descoberta de vocações que apontem para novas e sustentáveis alternativas de 
desenvolvimento. Concede, assim, ao aporte cultural, desses grupos socialmente 
vulneráveis, um lugar de destaque na construção do desenvolvimento sustentável, além de 
prevenir antigos vícios que determinaram uma certa confusão entre participação democrática 
e formação de coalizões setoriais em defesa de interesses particulares. 
Dessa forma, o que se constata é que a característica de transição, nas suas várias 
dimensões, pode contribuir enormemente para o atual processo de consolidação democrática 
e de reforma do Estado por que atravessa o Brasil. 
Raízes históricas e fatores determinantes das desigualdades sociais no Brasil 
Na constituição da nação brasileira, bem o sabemos, prevaleceu um modelo de 
desenvolvimento econômico, social, político e cultural concentrador de riqueza e poder. Além 
disso, ao caráter estruturalmente concentrador do modelo, ao longo da história, 
adicionaram-se diversos outros fatores produtores e reprodutores de desigualdades sociais. 
Mesmo numa análise não aprofundada desse processo, é possível reconstituir determinados 
nexos, entre passado e presente, que explicam a gênese e a recorrência de algumas 
manifestações de desigualdade que precisam ser enfrentadas. 
Da terra dos índios à terra de índio 
O momento do descobrimento e os primeiros passos da ocupação territorial puseram em 
evidência o conflito de interesses entre a população colonizadora, predominantemente 
portuguesa, e os povos originais, genericamente chamados índios. Para assegurar uma 
ocupação territorial a longo prazo, era preciso pacificar as tribos indígenas e garantir sua 
sujeição à Coroa. Utilizando uma forma então tradicional de controle social, missões de 
ordens religiosas foram incumbidas da tarefa. 
A política missionária foi sucedida, no século XVIII, pela política Pombalina, que mudou a 
concepção de território, conferindo prioridade à ocupação e à exploração indiscriminada das 
áreas e bens naturais nelas contidos e imprimiu nas mentes dos índios, colonos de outras 
origens e vizinhos rivais, vistos como inimigos e presas de escravidão e guerra, uma 
presença portuguesa, para controlar e manter o território no longo prazo. A Carta Régia de 
1798 extinguiu os aldeamentos indígenas, tornando livre a exploração de recursos naturais ali 
existentes. No reinado de D. João VI no Brasil, a apartação dos povos indígenas agravou-se 
com a declaração das guerras de extermínio às tribos que opunham resistência à 
incorporação de suas terras à colonização. A política oficial não admitia como decorrência da 
ocupação indígena o seu direito à terra. 
Só em 1910, com a criação do Serviço de Proteção aos Índios, fala-se sobre terra de índios, 
garantindo-se, entre outras coisas, a efetividade da posse de seus territórios e o usufruto das 
terras demarcadas que lhe fossem concedidas. Hoje, a população indígena é de 
aproximadamente trezentas mil pessoas, perfazendo 0,2% da população brasileira; os povos 
indígenas detêm 563 áreas de terras, com uma extensão de 102.126.269 ha, que equivalem 
a 12% do território nacional, mas a inserção social e cultural dos povos indígenas ainda está 
longe de ser resolvida. 
Populações negras: escravidão, discriminação racial e resgate cultural 
No contexto da política Pombalina, a expansão da população escrava africana, tida como 
mais produtiva do que a indígena, foi considerada essencial. As fronteiras sociais passaram 
então a se ancorar, sobretudo, na escravidão de variados grupos de afro-descendentes. O 
trabalho escravo, base da economia colonial, impôs a sujeição física, cultural, econômica, 
social e política dos negros e mulatos, impedindo-lhes qualquer possibilidade de mobilidade 
social, melhoramento econômico e participação política. 
Assim, a sociedade se estamentiza em castas incomunicáveis, com os privilégios da 
camada dominante juridicamente definidos [dado] que, de outra forma, seria impossível 
manter a condição escrava dos produtores diretos. Isto é, para além da questão meramente 
econômica, o imaginário social dos colonizadores também teve um papel na expressão 
simbólica das desigualdades sociais. Nessa visão, os distintos grupos sociais eram
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 106 de 323 
caracterizados por atributos imaginários. Negros, índios e colonos eram caracterizados como 
homens maus, (animalescos e demoníacos) em oposição aos homens bons, sendo estes 
últimos os que concentravam recursos e poder. 
A Declaração da Independência, a Libertação dos Escravos com a Lei Áurea ou a 
Proclamação da República provocaram importantes mudanças sociais e políticas, mas não 
foram capazes de reverter as desigualdades sociais que caracterizaram a Colônia. Os 
ex-escravos e seus descendentes tiveram de enfrentar as limitações sociais herdadas da 
escravidão. Em 1850, com a Lei número 601 (Lei de Terras), a propriedade fundiária 
consolida-se como um indicador da concentração de poder econômico e político. Por isso, 
mesmo com grandes extensões de terras disponíveis para o cultivo, a grande maioria dos 
ex-escravos não pôde se transformar em pequenos agricultores. Uma parte significativa 
ficou como agregada nas fazendas e hoje está diluída entre as populações sem terra. 
Contudo, certos grupos de ex-escravos conseguiram permanecer na terra organizada em 
antigos quilombos, portanto, com terra, embora na maioria sem titulação. Essas populações 
são denominadas quilombolas e têm - segundo os artigos 215 e 216 da Constituição e o 
artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) - assegurados seus 
direitos nos territórios culturais que foram recentemente identificados e estão em processo de 
inclusão nos programas do governo federal. 
Os ex-escravos que, após a abolição, foram para as cidades onde estavam as primeiras 
indústrias chegaram sem qualificação profissional, sem recursos econômicos próprios, 
enfrentando a discriminação social e sem representação política capaz de defender seus 
interesses específicos, engrossando o contingente de membros das classes perigosas, as 
quais eram consideradas uma ameaça à nascente sociedade industrial no Brasil. Mas no 
interior das classes perigosas operavam-se outras diferenciações. Ali também estavam 
outros homens livres, sobretudo os brancos trabalhadores migrantes europeus. No âmbito da 
concorrência própria à conformação do mercado de trabalho, explicitou-se um tipo específico 
de hierarquização interna aos subalternos. 
Os migrantes representavam uma mão-de-obra relativamente qualificada e, de certa forma, 
também adaptada às exigências da disciplina no trabalho apropriada para a atividade 
econômica capitalista. As pesquisas de Florestan Fernandes mostram como o racismo, como 
tal, se manifesta justamente no bojo da formação do mercado de trabalho. 
Industrialização tardia: fonte produtora de desigualdades sociais e de exploração 
predatória de recursos naturais 
A passagem da economia agroexportadora colonial para a nova ordem econômica industrial 
reafirmou certos limites da capacidade de incorporação de vários segmentos da sociedade 
brasileira à cidadania, assim como reafirmou as raízes das desigualdades e acrescentou 
outros próprios à sua nova dinâmica. O processo de diversificação da estrutura produtiva do 
Brasil ganha seu impulso definitivo após 1930. O início da industrialização brasileira foi 
resultado tanto da política de substituição de importações determinada pelas dificuldades de 
abastecimento do mercado interno, que coincide com o início da Segunda Guerra Mundial, 
como das políticas de desenvolvimento acelerado adotadas por sucessivos governos 
brasileiros. Dessa forma, investimentos em infra-estrutura, a atração do capital externo, a 
ampliação e o redirecionamento das fronteiras do desenvolvimento nacional e a política de 
gasto público inflacionária resultaram em expressiva sofisticação da atividade econômica no 
Brasil. 
No entanto, o desenvolvimento industrial não resultou em mudanças significativas na 
configuração da pirâmide social. Começando a se industrializar mais tarde, o Brasil não teve 
condições de competir em tecnologia com os países já industrializados. Para compensar a 
falta de competitividade, países como o Brasil se basearam nos baixos preços locais da 
mão-de-obra e da matéria-prima, na exploração predatória dos recursos naturais e, ainda, na 
proteção ou subsídio estatal. Em resumo, na prática, em nossa história industrialização e 
desenvolvimento social foram, cada vez mais, se dissociando. 
Desigualdades espaciais e desequilíbrio regional 
O processo de desenvolvimento brasileiro também produziu diferenciações e discursos 
regionais. A literatura sobre o tema demonstra como a valorização social de apenas um tipo 
de equilíbrio, baseado na perspectiva de desenvolvimento industrial, faz com que as 
desigualdades espaciais sejam lidas como evidências de desequilíbrio regional. 
O caso do Nordeste não esgota a questão, mas é exemplar. Como afirma Penna, o elemento
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 107 de 323 
básico do discurso regionalista é a homogeneização (simbólica) do espaço tecida sobre a 
idéia de crise. Nesse discurso, produzido pela elite educada da região, o Sul aparece como 
espaço-obstáculo, e ao Estado são dirigidas as reivindicações da região mais pobre do país. 
A criação da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), em 1959, 
expressa as esperanças desenvolvimentistas de que a modernização econômica modificaria 
as relações de poder no Nordeste. Contudo, vários estudos mostram como a SUDENE 
esteve capturada por interesses de grupos econômicos regionais que - associados a grupos 
do Centro-Sul e com empresas internacionais - se valeram de subsídios estatais para se 
reciclar, crescer e diversificar seus interesses, sem efeitos notáveis nas transformações 
sociais esperadas. 
Hoje, propugnam-se novos conceitos para a região, que passaria a ser parte das soluções 
que objetivam favorecer a desconcentração econômica, mediante o fortalecimento de eixos 
de integração e desenvolvimento. Na esfera da sociedade, verificam-se iniciativas de 
organizações populares que objetivam contribuir para o resgate da dignidade e da identidade 
da população nordestina. O que pode também contribuir efetivamente para soluções 
sustentáveis. 
Dicotomia campo e cidade 
Como palavra de ordem, a reforma agrária apareceu como remédio contra o latifúndio desde 
os anos 30. Nos anos 60, a reforma agrária tornou-se uma das reformas de base e 
informou as práticas e os projetos desenvolvimentistas de diferentes instituições, partidos 
políticos, movimentos e personagens. 
O golpe militar interrompeu esse processo. Reprimiu as Ligas Camponesas do Nordeste e 
marcou uma certa descontinuidade em relação às organizações sindicais de trabalhadores no 
campo. Porém, a idéia de reforma agrária não foi descartada, mas assumiu nova feição a 
partir do estabelecimento (em 1964) do Estatuto da Terra, que buscou domesticar seu 
significado. Em 1972, foi criado o Instituto Nacional da Reforma Agrária (INCRA), 
iniciando-se o projeto de colonização. Enquanto isso, o movimento sindical de trabalhadores 
rurais, por meio da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), 
elegeu a reforma agrária como cimento unificador para a diversidade de categorias entre os 
trabalhadores rurais. Era a distância entre o país real e o país legal que a tornava objeto de 
luta sindical nos anos de chumbo do regime militar. 
Ainda durante o regime militar, a agricultura passou por um processo de modernização 
conservadora, que permitiu, nos anos 70, o aumento da concentração fundiária - seja como 
base para a agroindústria voltada para a exportação seja como reserva de valor, na qual a 
terra se tornava um ativo financeiro. Nesse contexto, além da concentração fundiária e dos 
conflitos daí resultantes, multiplicaram-se os expedientes para o não cumprimento dos 
direitos trabalhistas no campo, e a política agrícola oficial privilegiou a agricultura voltada para 
os insumos industriais e para a exportação, em detrimento de uma política diferenciada, 
orientada para a pequena produção. 
A concepção desenvolvimento/industrialização, que prevaleceu em relação à questão agrária, 
contribuiu para a aceleração da urbanização da população do país, com o acirramento do 
esvaziamento demográfico do campo brasileiro. Por outro lado, como à migração 
campo/cidade não correspondeu a capacidade de absorção de mão-de-obra pelo setor 
industrial, o fenômeno da urbanização se fez acompanhar pelo surgimento dos cinturões 
de pobreza e miséria nos grandes centros urbanos. Assim, tornou-se expressa na paisagem 
das cidades a segregação espacial dos pobres que, ocupando os lugares mais insalubres e 
não servidos de infra-estrutura, contribuíram para o agravamento das condições do meio 
ambiente das cidades, estabelecendo, assim, uma trágica relação de causação circular. 
Revolução Conservadora: o regime militar e suas vias para a consolidação do Brasil 
industrial 
No decorrer das últimas décadas, a progressiva hegemonia da burguesia industrial e 
financeira urbana, em detrimento de certas oligarquias agrárias, o crescimento e a 
diversificação da classe trabalhadora urbana como resultado da expansão da estrutura 
produtiva, assim como dos diferentes setores da classe média, tornaram mais complexa a 
sociedade brasileira e os conflitos sociais nela presentes. 
Para os trabalhadores urbanos, traços da desigualdade social brasileira foram enfrentados
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 108 de 323 
com a progressiva definição da estrutura jurídica relacionada aos direitos trabalhistas e à 
proteção previdenciária. No entanto, o surgimento de novos atores na esfera pública e sua 
incorporação aos mercados de trabalho e de produtos não garantiu a redução das 
desigualdades sociais retroalimentadas pelas dificuldades de universalização do acesso à 
educação formal e/ou à qualificação profissional. 
Durante os governos militares pós-1964, as transformações operadas na estrutura da 
sociedade brasileira produziram uma espécie de revolução conservadora, ou seja, em 
pouco tempo, a modernização capitalista acelerada da economia do país o colocou na 
condição de oitava economia do mundo ocidental. Mas esse expressivo processo de 
industrialização não produziu um desenvolvimento equilibrado da sociedade brasileira. Ao 
contrário, todos os dados disponíveis apontam para o agravamento dos problemas de 
concentração de renda, de miséria e de exposição a riscos ambientais. 
Portanto, no corpo do trabalho, quando nos referirmos à desigualdade social brasileira 
estaremos sempre falando sobre a específica articulação que conjuga herança histórica e 
padrões recentes de desenvolvimento. É no âmbito dessa articulação que fatores 
econômicos, políticos e culturais se transformam em mecanismos produtores e reprodutores 
de desigualdades sociais. Os mecanismos são vários, como visto, e tornam-se mais graves 
quando incidem sobre os mesmos segmentos populacionais, isto é, os efeitos das 
desigualdades sociais incidem sobre espaços, regiões, etnias diferentes, gênero e cortes 
geracionais, mas, sobretudo, sobre os mais pobres de cada um desses grupos. 
Preconceitos e desqualificação social se expressam tanto por meio de relações 
étnico-raciais, como acontece com negros e índios, como de outros atributos que também 
são frutos de hierarquias e classificações socialmente produzidas. É o que ocorre em relação 
às mulheres; aos nordestinos; aos trabalhadores rurais; às crianças e adolescentes em 
situação de risco; às chamadas populações de rua; aos portadores de deficiência; aos 
homossexuais. Enfim, alvo de discriminação, grupos e pessoas se apresentam em situações 
de graves desvantagens relativas que devem ser consideradas quando o objetivo é reduzir 
desigualdades sociais em uma perspectiva de promoção do desenvolvimento sustentável. 
A desigualdade social brasileira: mudanças e permanências 
Identificados os fatores causais das desigualdades, se focalizará aqui o cenário atual e as 
tendências que, a partir de várias ângulos, podem ser visualizadas na dinâmica social e que 
conformam os desafios concretos que devem ser enfrentados. 
O componente regional 
Os dados mais gerais sobre as desigualdades sociais no Brasil se referem às cinco regiões. 
De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas 
para Desenvolvimento - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (PNUD-IPEA) (1996), 
a pobreza no Brasil tem um forte componente regional, sendo mais elevadas as proporções 
no Norte (43%) e no Nordeste (46%), reduzindo-se em direção ao Sul. 
Uma comparação entre os números disponíveis para o Nordeste e para as metrópoles de 
São Paulo e Rio de Janeiro pode ser ilustrativa. No Nordeste estão 19% dos pobres do país, 
no Rio de Janeiro e São Paulo estão 16%. No Nordeste rural, o tamanho das famílias pobres 
é maior; a ocupação na agropecuária (82%) revela a predominância de baixa incorporação 
tecnológica. Os homens predominam como chefes de família e são, na sua maioria, 
analfabetos; o desemprego revela-se quase inexistente; 45% das crianças não estão na 
escola; 55% das famílias não têm água encanada e 98% não dispõem de esgotamento 
sanitário. Nas metrópoles do Rio de Janeiro e de São Paulo, a pobreza expressa diretamente 
a dinâmica mais geral da economia. As famílias são menores e 29% das famílias pobres têm 
uma mulher como chefe. O percentual de chefes de família analfabetos é incomparavelmente 
mais baixo do que o do Nordeste. A maioria dos pobres trabalha nos setores de comércio e 
serviços, e a taxa de desemprego é de 14%. O acesso à eletricidade e ao abastecimento de 
água é praticamente universal. 
A dinâmica populacional 
O Brasil passou, nas últimas décadas, por importantes transformações na estrutura e na 
dinâmica da sua população. Esse processo foi marcado, de um lado, pela progressiva
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 109 de 323 
diminuição da taxa de mortalidade e, de outro, por uma drástica queda na taxa de 
fecundidade das mulheres em idade reprodutiva, que caiu de 5,8, em 1970, para 2,3 
filhos/mulher atualmente, fazendo com que a taxa de crescimento da população se situe hoje 
em 1,4% a/a. 
Por sua vez, as taxas de mortalidade infantil e de esperança de vida, como se visualiza no 
quadro a seguir, também evoluíram positivamente refletindo uma progressão nas condições 
gerais de vida da população brasileira. 
Tais indicadores, que devem ser observados à luz das diferentes manifestações e dinâmicas 
demográficas regionais, refletem mudanças significativas na pirâmide etária e na estrutura 
das famílias e geram importantes conseqüências para a formulação de políticas públicas na 
esfera social nas próximas décadas: 
•Mais idosos - As transformações promovidas na estrutura por idade da pirâmide 
demográfica brasileira começam a representar um importante mecanismo de pressão sobre 
os sistemas previdenciário e de saúde do país, às voltas com problemas crescentes de 
financiamento dos benefícios que presta à sociedade, agravados pela diminuição relativa da 
população na faixa economicamente ativa. Alia-se a isso a crescente necessidade de 
programas de valorização da população na terceira idade, sobretudo os voltados à velhice 
desamparada. 
•Menos jovens - No extremo oposto da pirâmide, a diminuição da participação relativa da 
população jovem (0 a 18 anos) deverá representar, no futuro próximo, um importante fator de 
diminuição na demanda por serviços públicos de educação, que deverão crescer a taxas 
menores que os cerca de 3% observados até a década de 1970. 
•Pressões no mercado de mão-de-obra - Como os possíveis efeitos positivos dessa 
diminuição da população jovem só deverão se manifestar plenamente no médio e longo 
prazos, é previsível uma forte pressão para a criação de postos de trabalho nos próximos dez 
a 15 anos, apesar do contexto estrutural amplamente desfavorável nesse sentido. 
•Feminização da pobreza - Ao lado do caráter positivo vinculado à crescente integração da 
mulher ao mercado de trabalho, ainda que em condições salariais desiguais comparadas às 
dos homens, assiste-se a uma progressiva feminização da pobreza, em função do 
crescente número de famílias pobres chefiadas exclusivamente por mulheres. Registra-se 
também um aumento expressivo da gravidez precoce entre adolescentes em todo o país e 
em todas as camadas sociais. Em ambos os casos, aumentam as demandas por políticas e 
programas de proteção social para as mulheres como forma de enfrentar as dificuldades 
geradas por esses processos. 
•Mais dependentes no Brasil - O resultado do processo de envelhecimento da população 
brasileira, aliado ao decréscimo na participação relativa da população jovem - de até 18 anos 
-, resulta no aumento do número de pessoas dependentes no Brasil. 
Dimensões e fatores para construir novos indicadores de desenvolvimento social 
São muitos os fatores que devem ser analisados para identificar e avaliar a desigualdade 
social brasileira. Um mesmo nível de renda pode significar condições de vida distintas, 
dependendo da localização regional, da localização e do custo da moradia, das condições de 
saúde, do grau de estabilidade das fontes de renda, das condições de trabalho, etc. A 
desigualdade social brasileira é multifacetada, e sua complexidade deve ser considerada na 
formulação de políticas públicas: 
Mortalidade infantil, mortalidade e esperança de vida - Embora venha caindo de maneira 
significativa nos últimos dez anos, a mortalidade infantil é ainda cerca de cinco vezes maior 
que a dos países desenvolvidos. A mortalidade materna, a anemia ferropriva de gestantes, 
nutrizes, crianças e jovens e a hipovitaminose A, com suas conseqüências negativas, 
também, ainda, atingem valores alarmantes. 
Concentração/distribuição de renda - A pobreza extrema, ou indigência, deve atingir hoje
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 110 de 323 
cerca de 26 milhões de brasileiros, sem renda suficiente para satisfazer sequer suas 
necessidades básicas de alimentação. No entanto, chega a aproximadamente o dobro desse 
valor o contingente atual de pessoas que podem ser consideradas pobres. Apesar de se 
verificar uma tênue tendência de desconcentração, em 1995, a renda média dos 10% mais 
ricos era ainda quase 30 vezes maior do que a renda média dos 40% mais pobres. Nesse 
contexto, a situação se agrava pelo fato de o mercado de trabalho vir absorvendo cada vez 
menos trabalhadores nos últimos anos, desempregando um contingente expressivo de 
trabalhadores - cerca de 7,8% da população economicamente ativa (PEA) brasileira, hoje - e 
aumentando de forma significativa o número de pessoas vinculadas ao setor informal deste 
mercado (de 1,2 milhão de postos criados entre 1991 e 1998, nas seis principais regiões 
metropolitanas do país, cerca de um milhão surgiram no setor informal). Entre os fatores 
destacados como centrais para a desigualdade de rendimentos está o baixo índice de 
escolaridade da população em idade ativa (PIA), que, em 1991, havia em média freqüentado 
cerca de 5,1 anos de estudo, tornando ainda mais prementes os esforços e os recursos a 
serem destinados às políticas públicas para o setor da educação. 
Situação educacional - Nos diferentes indicadores relacionados à educação, ao mesmo 
tempo causa e conseqüência da desigualdade, observa-se que o analfabetismo atinge cerca 
de 1,5 milhão de jovens entre 15 e 19 anos e 13,4 milhões de adultos. Por outro lado, apenas 
17% da população entre 15 e 19 anos estava matriculada no ensino médio e 11,5% dos 
jovens na faixa entre 20 e 24 anos cursava o ensino superior. Por último, a desigualdade se 
manifesta também na taxa de repetência na primeira série do ensino básico, estimada em 
cerca de 50%, e no número de anos - 11,4 em média - para a conclusão do primeiro grau. 
Dessa forma, no que tange ao conjunto da pobreza brasileira, a característica mais marcante 
é o baixo nível educacional, que limita o acesso a postos de trabalho não-qualificados, de 
baixa produtividade e remuneração. 
Uso de trabalho infantil - O trabalho de crianças e adolescentes tem impacto negativo sobre 
a saúde, desenvolvimento psicossocial, escolarização e inserção futura no mercado de 
trabalho. Cerca de 3,6% das crianças de cinco a nove anos e 18,7% das crianças de dez a 
14 anos - totalizando 3,8 milhões de crianças (em dados de 1995) - ainda são obrigadas a 
trabalhar. 
Condições de moradia - Mais de 16 milhões de brasileiros não têm casa, e, no que toca ao 
usufruto dos serviços de água, constata-se que os sistemas públicos de abastecimento de 
água atendem a 67% da população brasileira e 88% da população urbana do país. Por sua 
vez, apenas 31% da população brasileira é atendida com esgotamento sanitário. Apenas 8% 
de todo o esgoto produzido tem tratamento adequado, o que, somado ao quadro alarmante 
de disposição inadequada de resíduos sólidos, justifica o alerta geral em relação à escassez 
da água, a partir da década de 90. Os serviços de coleta de lixo atendem a 76% da 
população urbana no pais; entretanto, dos quase 12 mil locais onde os municípios brasileiros 
depositam seus resíduos sólidos, 63% são corpos d'água, 34% são vazadouros ou lixões a 
céu aberto e os restantes 3% são dispostos de acordo com os métodos adequados de 
tratamento e destinação do lixo, como aterros sanitários, compostagem ou incineração. 
Condições de saúde - Os indicadores relativos à saúde apontam para a persistência de um 
quadro epidemiológico em que se fazem presentes fatores de morbidade e mortalidade 
resultantes do acesso desigual da população ao sistema de saúde pública, de condições 
sanitárias inadequadas, de carências alimentares e da desigual distribuição da renda. 
Situação social dos afro-descendentes - A recorrente exclusão social da população 
afro-brasileira e de seus descendentes (cerca de 44,2% da população total) expressa-se nas 
oportunidades insignificantes de ascendência social, na qualidade dos postos que ocupam 
no mercado de trabalho e no acesso restrito às oportunidades educacionais de ponta para 
sua integração aos empregos de melhor qualidade, sendo maioria nos assentamentos mais 
degradados em termos físicos e ambientais. 
Situação das mulheres/condição feminina - As dificuldades do contingente feminino da 
população refletem-se, sobretudo, na diferenciação de salários entre homens e mulheres 
para trabalhos idênticos e no número de famílias pobres chefiadas por mulheres.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 111 de 323 
Violência e segurança pública - O problema da segurança pública e da violência, urbana 
em particular, expressa as conseqüências das desigualdades sociais, em todas as suas 
dimensões, sendo em si um problema a ser enfrentado com ênfase. A banalização do uso 
das armas de fogo e as mortes por elas causadas assumem no Brasil proporções 
alarmantes e são apenas uma expressão da violência praticada no cotidiano, afetando, 
sobretudo, a população mais pobre e os grupos socialmente vulneráveis, ou seja: mulheres, 
crianças, idosos, homossexuais, afro-descendentes, trabalhadores rurais sem terras e 
indígenas. 
Fatores determinantes das desigualdades sociais no Brasil 
Entre o conjunto de fatores anteriormente relacionados, destacam-se como prioritários 
aqueles vistos como determinantes das desigualdades sociais e de sua reprodução. 
A educação como ponto de convergência 
No processo de produção/reprodução das desigualdades sociais no Brasil, um fator merece 
ser enfatizado. Trata-se da educação, envolvendo agora não só a escolarização formal 
adquirida nas instituições de ensino, mas, de forma cada vez mais indispensável, o processo 
de contínua preparação para o futuro que se descortina na época da Terceira Revolução 
Industrial. Fora da educação não há futuro possível. 
A melhoria do sistema educacional é um fator fundamental para reduzir a pobreza e as 
desigualdades sociais em suas diversas manifestações. As mudanças requeridas no mundo 
contemporâneo exigem que a educação se dê, cada vez mais, o tempo todo e nos mais 
diferentes espaços. 
O desafio educacional brasileiro neste final de século pode ser sintetizado no embate entre a 
persistência de uma herança histórica extremamente pesada em termos de fracasso escolar 
e os crescentes esforços que estão sendo empreendidos para reverter esse quadro. As 
soluções, todavia, estão além da capacidade do Estado, impõem a mobilização dos múltiplos 
atores sociais e não podem se restringir à formação escolar, devendo estender-se à 
preparação para o mundo do trabalho e à evolução da consciência de cidadania. 
A estrutura produtiva brasileira: o desafio da sustentabilidade 
A estrutura produtiva brasileira, como de resto a dos países ditos emergentes, encontra-se 
hoje em um momento crucial para a definição do seu futuro, tanto do ponto de vista 
estritamente econômico quanto no que se refere à sua articulação e à sua integração com a 
dinâmica própria de outras esferas de ação da sociedade. 
Aqui, um lugar especial cabe ao desenvolvimento da indústria, cujo padrão adotado ao longo 
dos últimos 60 anos tem se caracterizado pela insustentabilidade, dependência dos subsídios 
do Estado, distribuição desigual da riqueza no território, mau aproveitamento e destruição de 
recursos ambientais, além de não ter sido capaz de gerar empregos na qualidade e na 
quantidade necessárias para absorver o contingente de mão-de-obra que anualmente chega 
ao mercado de trabalho e de promover o desenvolvimento tecnológico de bases nacionais 
Esse conjunto de traços distintivos do processo de industrialização e do desenvolvimento 
econômico brasileiro nos permite visualizar os desafios que se apresentam à sua 
continuidade nos dias de hoje. 
Desenvolvimento e sustentabilidade - Apesar do progressivo deslocamento do eixo da 
atividade econômica para o setor de serviços e para áreas não diretamente ligadas ao núcleo 
histórico do processo de industrialização, como a indústria do turismo, é ainda extremamente 
importante o peso relativo das atividades ligadas à indústria da transformação. Entretanto, a 
sua continuidade está na dependência de uma reorientação significativa dos padrões que têm 
pautado a inserção dessa indústria na economia do mundo moderno. Torna-se cada dia mais 
imperativa nesta reorientação, de um lado, a incorporação de critérios de sustentabilidade 
ambiental e, de outro, as questões relacionadas à promoção da justiça social. 
É importante mencionar que as transformações atuais das relações trabalhistas atuam como 
um dos fatores incidentes sobre as características das desigualdades no Brasil. É, portanto, 
imperiosa uma revisão da legislação trabalhista, de modo que se evitem, nesse processo, a 
expansão dos níveis de desemprego, a precarização das condições de trabalho e a 
informalização do setor produtivo da economia.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 112 de 323 
Por outro lado, torna-se importante promover estratégias diferenciadas para favorecer a 
plena inserção da economia brasileira na nova ordem econômica global. Além de uma série 
de medidas voltadas para o processo de reconversão produtiva - as quais envolvem a 
renovação de equipamentos, o enxugamento de pessoal, o reescalonamento da empresa, 
uma maior agilidade comercial, etc. -, inevitáveis, parecem, no atual contexto da economia 
mundial, é necessário adotar medidas que combinem políticas compensatórias, de curto 
prazo, com políticas estruturais, de longo prazo, de forma a permitir a travessia do atual 
período de reacomodação da economia brasileira. Nesse sentido, ao lado de providências 
relacionadas à incorporação de tecnologias e de capacitação para os novos requerimentos 
do mundo do trabalho, é importante favorecer a consolidação de micros, pequenas e médias 
empresas, integrando-as efetivamente ao circuito produtivo. 
O papel do Estado 
Nesse contexto, o papel desempenhado pelo Estado - nas esferas dos Poderes Executivo, 
Legislativo e Judiciário, e no âmbito dos três níveis de governo - não deve ser 
desconsiderado como fator gerador e perpetuador de desigualdades sociais e ambientais. 
Em particular por sua contribuição ao descontrole do gasto público e à continuidade de 
práticas clientelísticas e patrimonialísticas na gestão dos recursos. 
A cultura política brasileira, até pouco tempo atrás, estimulou o crescimento excessivo do 
aparato estatal no âmbito dos três poderes constitucionais, consumindo parte substancial do 
Produto Interno Bruto (PIB). O tema da atualidade institucional do país remete a alguns 
projetos de reforma que se encontram estreitamente vinculados entre si: a reforma do 
Estado, a reforma tributária, a reforma política e, mais recentemente, a reforma do Judiciário. 
Sem negar a importância ou a centralidade do Estado como ator e promotor do 
desenvolvimento no Brasil, é preciso não desconhecer os efeitos perversos do modelo 
econômico e de intervenção estatal adotado nas últimas décadas. Uma série de dinâmicas 
estatais pode ser relacionada para exemplificar esta incidência no fenômeno da desigualdade 
social no país: 
•falta de planejamento e gestão coerentes e integradores do amplo conjunto de recursos que 
o Estado brasileiro concentra em suas mãos, acarretando, por conseqüência: desperdício 
acentuado de recursos - financeiros e humanos - decorrente da duplicação de iniciativas; a 
descontinuidade das políticas públicas; o crescimento desordenado do gasto com custeio; a 
pouca abertura à parceria e à participação de organizações atuantes na sociedade na 
formulação, implementação e avaliação de políticas públicas nas diversas áreas; o 
desequilíbrio fiscal; 
•o significativo volume de recursos na rubrica Renúncia Fiscal. 
•a questão da irresponsabilidade fiscal dos governantes, movida freqüentemente por 
interesses exclusivamente clientelísticos-eleitoreiros; 
•as dificuldades em promover a descentralização. 
Ao lado dessas idiossincrasias históricas, o Estado administra outras dificuldades 
relacionadas aos recursos para o financiamento das transformações da economia brasileira, 
oriundos, em grande parte, da disponibilidade de capitais externos, que se tornaram um 
pesado fardo em termos de dívida externa, criando obstáculos formidáveis à implementação 
de políticas públicas capazes de promover a continuidade do desenvolvimento econômico e 
social do Brasil. 
Um destaque especial deve ser dado à questão da segurança pública, talvez o preceito 
institucional mais universalmente aceito como atribuição exclusiva do Estado. Nesse campo, 
ao lado da evidente ineficácia e comprometimento dos aparatos de segurança pública com os 
grupos de poder marginal, merece destaque a problemática do Poder Judiciário como fator 
perpetuador de desigualdades e injustiças sociais. 
Finalmente, o problema, da falta de representatividade dos partidos políticos, a falta de 
confiança nas instituições mais importantes do setor público (como o Parlamento, a Justiça, a 
Polícia, etc.) e a desproporcionalidade da representação no Congresso Nacional contribuem 
para obstaculizar a adequação do Estado brasileiro para o enfrentamento das desigualdades 
sociais, pela via do desenvolvimento integrado e sustentado. 
Políticas sociais - práticas e desafios 
Mesmo com a redemocratização e a Constituição de 1988, quando se verifica uma grande
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 113 de 323 
evolução nos debates referentes às desigualdades sociais e às necessidades postas pelas 
agendas internacionais no sentido da busca de um projeto de desenvolvimento sustentável 
para o país, e efetivamente amplia-se a participação social no que se refere à coisa pública, 
heranças do período centralista e autoritário do regime militar ainda emolduram o cenário 
institucional onde se inscrevem a formulação e a implementação das políticas públicas, 
afetando sobretudo o campo das políticas sociais. 
É inegável que a reflexão decorrente de tais debates está exposta na Constituição e nos 
documentos oficiais que a sucederam. Caminhos importantes para as mudanças 
necessárias, como a descentralização e a participação popular na formulação e na 
implementação de políticas públicas, estão ali sinalizados e constituem elementos centrais 
das ações postas. Com efeito, as normas em vigor e as políticas setoriais da área parecem 
contemplar uma agenda consensual para a redução de desigualdades sociais e relações 
mais harmônicas entre a sociedade e o meio ambiente. Também não se podem ignorar os 
esforços para o estabelecimento de novas institucionalidades, relações de parceria com a 
sociedade civil e fortalecimento e facilitação do engajamento do terceiro setor no trato de 
questões de interesse público, desencadeadas nos últimos quatro anos pelo Conselho da 
Comunidade Solidária e destinadas a potencializar o capital social do país. 
Em que pese o sentido positivo dessas iniciativas, sejam aquelas circunscritas à esfera 
estatal sejam as que representam uma orquestração de atores não-estatais, é preciso 
reconhecer as dificuldades de sua implementação plena e a colheita efetiva de resultados. 
Além do reconhecimento de que é enorme o acervo de déficits sociais e ambientais 
historicamente construídos que precisam ser enfrentados, alguns pontos relacionados ao 
referido cenário herdado podem explicar as dificuldades atuais: 
•Falta de integração e corporativismo na implementação de políticas sociais - 
Decorrente da estrutura setorializada, acarretando descompasso entre a evolução 
institucional das distintas áreas sociais e contribuindo para a não integração e convergência 
das ações implementadas em cada uma delas, além de favorecer resistências corporativas 
no interior do aparelho do Estado. 
•As características das políticas praticadas - A recorrente separação entre as políticas 
macroeconômicas de desenvolvimento, cujo enfoque ainda não guarda compromissos com a 
sustentabilidade, e as políticas sociais, que ainda não vêm sendo tratadas, na prática, como 
políticas de inclusão ou de desenvolvimento. Embora se reconheça que a estabilidade da 
moeda, principal foco da ação do governo federal na área econômica, é um fator de 
redistribuição da renda, não há como ignorar que cada movimento de ajuste nessa esfera 
acirra outros fatores geradores de desigualdades. 
•A pouca funcionalidade das políticas sociais - Sobretudo no que toca à implementação, o 
que se verifica ainda é a impregnação de práticas de assistencialismo, clientelismo, barganha 
política de favorecimentos aos grupos de interesses diversos. 
•Outras dificuldades institucionais - Destacam-se, de um lado, o despreparo institucional 
do governo e da sociedade para realizar efetivamente a descentralização e, de outro, os 
temas relacionados com a focalização, no plano local, das ações voltadas para a redução das 
desigualdades sociais e para o desenvolvimento sustentável. O governo municipal, na 
maioria dos casos, não encontrou ainda as condições instrumentais e metodológicas para 
levar a cabo iniciativas da Agenda 21 Local/Desenvolvimento Local, Integrado e Sustentável, 
sobretudo pela capacidade institucional atrofiada que detém - uma herança também do 
regime militar. Revelam-se, assim, incapacidade e indisposição crônicas para o planejamento 
e a gestão estratégica, agravadas por uma resistência à mudança e à inovação, enraizada na 
mentalidade dos agentes políticos. Além disso, as sucessivas mudanças no cenário fiscal 
não vêm favorecendo a equação do custeio dos estados e, sobretudo, dos municípios, cujas 
responsabilidades vêm sendo progressivamente ampliadas, ao passo que os recursos são, 
na mesma medida, solapados. A sociedade civil, por outro lado, também não se encontra 
ainda suficientemente habilitada para uma participação efetiva. As organizações da 
sociedade civil, que representam o capital social disponível, são relativamente poucas e 
padecem da falta de profissionalização. No setor privado, de onde poderia ser mobilizado o 
capital empresarial, a concentração também é um fator inibidor de uma participação mais 
ampla, e as poucas iniciativas registradas revelam, sobretudo, quão incipiente vem sendo o 
engajamento deste setor na superação do desafio de reduzir as desigualdades sociais no
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 114 de 323 
país. 
A superação dos problemas e desafios para maior efetividade das políticas públicas aqui 
apontadas parece residir, portanto, na mudança de paradigmas e princípios associados à 
sua formulação e à sua implementação e no reequacionamento dos meios disponíveis para 
implementá-las. Pressupostos de um novo paradigma de políticas públicas, os quais 
orientam a parte propositiva deste trabalho, são a seguir apresentados: 
1. Desenvolver políticas sociais específicas de inclusão, com caráter de promoção e 
não apenas de proteção social. Essas políticas de promoção devem refletir também a 
riqueza das peculiaridades culturais inerentes aos segmentos em desvantagem social. 
2. Desenvolver políticas públicas de combate à pobreza e à exclusão social no Brasil 
que sejam, simultânea e fundamentalmente, políticas de desenvolvimento. 
3. Desenvolver mecanismos que possibilitem a ampliação da ação pública não-estatal, 
pois a chamada questão social não será resolvida unicamente pelo Estado, sem a parceria 
com a sociedade. 
4. Promover, no nível do Estado, a articulação entre as diversas ações empreendidas e 
as agências e agentes responsáveis. 
5. Promover convergência e integração das ações, sobretudo na esfera das localidades. 
Em resumo, trata-se de conferir prioridade ao aumento de capacidades e à mudança de 
mentalidades, tanto no nível do Estado como no da sociedade civil, orientando-se pelos 
princípios da Agenda 21 e de sua adaptação à realidade social do Brasil contemporâneo. 
Estratégias para redução das desigualdades sociais 
A partir das análises, até aqui resumidamente apresentadas, e tendo como ponto de partida 
as premissas orientadoras das proposições contidas no trabalho, expõem-se, a seguir, quatro 
estratégias que buscam refletir a contribuição do conjunto de atores envolvidos na elaboração 
do trabalho e atender a uma demanda que tem como centro operador instâncias de governo, 
mas cujos destinatários co-responsáveis situam-se em múltiplos espaços e setores da 
sociedade, perspectiva que é central na Agenda 21. 
Tais estratégias, vistas como elementos para facilitar um processo de transição, sintetizam 
dois focos. Um, de caráter metodológico, voltado para a superação de obstáculos e para a 
criação de melhores meios operativos que possibilitem a transformação das condições 
atuais para a execução da agenda já consagrada de redução de desigualdades sociais. O 
outro, cultural, entendido aqui como o empenho de criar uma nova mentalidade em relação à 
esfera pública por meio do desenvolvimento de capacidades de gestão, de novas formas de 
parceria, requalificando a participação social nas políticas públicas, ampliando assim o leque 
do conjunto de recursos que podem ser mobilizados. 
Dialogam também com os princípios da Agenda 21 que têm como objetivo (1) promover a 
parceria entre governo e sociedade civil; (2) ressaltar a necessidade de promoção das 
capacidades individuais de forma permanente pela educação; (3) destacar a necessidade de 
gerar novos conteúdos de informação e indicadores para a gestão do desenvolvimento 
sustentável; (4) estimular a gestão descentralizada no nível municipal de forma que permitia 
maior participação nos processos de decisão, planejamento e avaliação por parte da 
sociedade; (5) revalorizar práticas e dinâmicas culturais dos grupos socialmente vulneráveis, 
promovendo seu papel de parceiros do desenvolvimento sustentável. 
Primeira estratégia 
Ampliar as oportunidades de educação continuada e extensiva, em termos de múltiplos 
espaços, tempos, modos e objetivos, permitindo o desenvolvimento das capacidades 
individuais, nos campos público e privado, como também a igualdade de oportunidades de 
acesso ao mundo do trabalho e ao exercício da cidadania plena e responsável. 
Esta estratégia focaliza a educação continuada e extensiva, condição básica para que, num
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 115 de 323 
prazo de dez anos, existam outras condições para incluir a imensa maioria da população 
brasileira na vida econômica e política do país. Está voltada também para a capacitação 
permanente do gestor público, em seu papel de líder, que pesquisa, negocia, aproxima 
pessoas e interesses, fazendo com que a criatividade e a iniciativa prevaleçam sobre a 
rigidez normativa, que as pessoas sejam postas no centro mesmo das organizações, que o 
'empreendedorismo' ganhe valorização em detrimento da obediência cega e passiva aos 
estatutos. 
Segunda estratégia 
Desenvolver novos procedimentos de planejamento e gestão integrados, priorizando a 
viabilização de ações locais e regionais destinadas à promoção de iniciativas da Agenda 21 
Local /Desenvolvimento Local, Integrado e Sustentável, apoiados na convergência e 
complementaridade das ações dos três níveis de governo; na otimização dos recursos 
financeiros, humanos e sociais disponíveis e potenciais, evitando sua dispersão; na 
mobilização ativa de atores não-governamentais na perspectiva da construção de uma esfera 
pública ampliada. 
A manutenção das características da cultura política brasileira, ancoradas na herança 
histórica do país, tem emperrado o processo de mudanças sociais. Há um grande 
aprendizado a ser feito. Esse aprendizado será tanto mais efetivo quanto mais for permeado 
pelo diálogo entre os atores que têm, no nível local, um espaço privilegiado. Essa estratégia 
busca portanto, alcançar um patamar de correção e eficiência que contribua para reduzir as 
desigualdades sociais e alcançar o desenvolvimento sustentável por meio da reformulação 
dos métodos de planejamento e gestão atuais para otimizar recursos, mobilizar atores 
não-governamentais, introduzindo igualmente novos procedimentos de avaliação do gasto 
público. 
Terceira estratégia 
Criar e implementar mecanismos que reconheçam e promovam iniciativas da sociedade, de 
forma que contribuam para ampliar, qualificar e reproduzir as boas práticas num projeto 
inovador de desenvolvimento sustentável para o país. 
Essa estratégia objetiva potencializar e multiplicar as diversas formas de participação social 
e de parceria, promovendo uma nova visão relativamente à oferta de bens e de serviços 
públicos voltados para reduzir as desigualdades sociais no Brasil. É concebida como uma 
tarefa que não compete mais somente ao Estado, mas na qual todos podem e devem 
empenhar-se. 
Reflete também a preocupação de incorporar aos programas e às políticas públicas aspectos 
peculiares da diversidade cultural inerente ao país, promovendo a mobilização de novos 
recursos, configurando também uma oportunidade de valorização dos grupos em situação de 
vulnerabilidade social. 
Quarta estratégia 
Introduzir na definição das contas públicas critérios que reflitam, de um lado, fatores 
indutores de desigualdades sociais, cuidando para que se incorporem resultados e impactos 
ainda não mensurados na apropriação do gasto estatal e, de outro, para que contabilizem 
como recursos para o desenvolvimento as inversões e aportes não-comerciais e 
não-monetizáveis relativos aos recursos naturais, humanos e sociais. 
Essa estratégia reflete, simultaneamente, preocupações com questões metodológicas e de 
mudança de mentalidade. Normalmente, a organização das contas de um país, a 
composição do PIB e a forma como o orçamento é apresentado refletem a maneira como a 
sociedade concebe seus recursos e se apropria deles. Habitualmente, as contas públicas 
refletem apenas a circulação monetária de arrecadação e gasto. O patrimônio natural, os 
recursos humanos e sociais não são contabilizados, nem no sentido da apropriação pela 
sociedade, que pode passar a entendê-los como recursos, potencializando sua contribuição 
para o desenvolvimento, nem no sentido de reconhecer distorções. Com freqüência, tais 
distorções se dão em dinâmicas invisíveis, como é o caso do trabalho doméstico feminino,
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 116 de 323 
agravando processos de disparidades sociais. 
Conclusão 
Reduzir as desigualdades sociais no Brasil e encontrar caminhos para a conquista do 
desenvolvimento sustentável não são tarefas fáceis nem podem ser vistas como objetivos ao 
qual somente este ou aquele ator ou setor da sociedade deve se dedicar; tampouco têm um 
tempo definido para serem cumpridas. O esforço empreendido pelo Consórcio Parceria 21 ao 
abordar o tema da Redução das desigualdades sociais foi justamente o de procurar definir 
alternativas reais e possíveis para o enfrentamento dessa problemática, que possam 
contribuir para, como afirmado, superar a distância entre o discurso e a prática, a intenção e 
o gesto, tão marcantes na vida pública brasileira recente. As estratégias sugeridas, as 
propostas apresentadas, entretanto, estão longe de esgotar as possibilidades concretas ou 
as vias factíveis para o logro desse objetivo. 
A condução desse processo exigirá a criatividade social e individual de forma permanente e 
uma nova postura em relação à responsabilidade dos diferentes setores que compõem a 
parcela mais organizada e atuante da nossa sociedade. Não se pode mais esperar que 
somente o Estado, por definição a instância que encarna o espírito público mais abrangente e 
universal, se encarregue de prover os mecanismos institucionais e/ou financeiros para 
promover a redução dessas desigualdades. O resultado final das políticas públicas adotadas 
com o objetivo de combater essas desigualdades é tanto mais amplo, mais democrático e 
mais eficiente se essas políticas incorporam na sua formulação, implementação e avaliação a 
presença de outros segmentos da sociedade, em um esforço por abrir-se a outros interesses 
e perspectivas que enriquecem a dinâmica social e a interação interpessoal. 
Ao longo de todo o texto insistiu-se muito na importância central assumida pela educação, 
pela participação individual e coletiva, pela mudança de mentalidade e pela adoção de novos 
instrumentais metodológicos para a superação de alguns dos traços mais evidentes e 
perversos das desigualdades no Brasil. Por essa razão, é também estimulada a construção 
de parcerias entre as diversas instâncias de governo, as variadas organizações da sociedade 
civil, as diferentes instituições do mundo empresarial, as igrejas, as comunidades locais e os 
indivíduos. Trata-se de conjugar esforços, nas mais distintas escalas e com os objetivos mais 
diversos, em uma permanente aprendizagem acerca dos significados profundos dos 
conceitos de democracia, tolerância e compromisso individual/social, entre outros. 
Por outro lado, algumas condições objetivas são também necessárias para que a 
implantação da Agenda 21 possa realizar-se com êxito. No caso brasileiro, isso supõe o 
estabelecimento da justiça tributária e a eliminação das fontes de apropriação da riqueza 
vinculadas a privilégios políticos ou à manutenção de ilegalidades. É necessário ressaltar 
também que parte importante da ineficiência do sistema governamental brasileiro para a 
implementação da agenda positiva deriva das regras do jogo político-eleitorais, que premiam 
a pulverização de interesses e o personalismo clientelista, em vez da negociação pública 
entre grandes correntes/partidos políticos. 
Requer-se, portanto, o fortalecimento do pacto federativo. Esse novo federalismo deve ter 
como elemento fundador o dinamismo civil, respeitando o princípio da representação 
igualitária, potencializando a capacidade regeneradora da sociedade no sentido de combater 
as suas próprias anomalias. 
Trata-se, em outras palavras, de viabilizar a organização e o aperfeiçoamento do processo 
participativo, fortalecendo institucionalmente sua capacidade de gestão e suprindo recursos 
para o desenvolvimento social em função da obtenção de resultados. 
A questão demográfica é considerada um dos aspectos fundamentais do desenvolvimento 
sustentável. Embora o Brasil tenha cumprido as metas de queda da fecundidade nos últimos 
vinte anos, isso ainda não se refletiu em melhoria de qualidade de vida para a população nem 
para as mulheres, tampouco reduziu impactos ambientais, apesar de ter contribuído para a 
melhoria de indicadores sociais como a mortalidade infantil e a cobertura da matrícula 
escolar. Essa redução da taxa de fecundidade, fruto de múltiplos fatores, como o êxodo rural, 
a urbanização acelerada, a maior integração das mulheres à PEA, o uso da pílula e a 
esterilização feminina, contudo, se deu de maneira heterogênea e heterodoxa. Como a 
pobreza brasileira, ela se distribui de forma desigual segundo regiões, entre a cidade e o 
campo, as faixas etárias, os grupos sociais e étnicos. Assim, ela hoje é elevada e tende a 
aumentar entre as adolescentes, por exemplo. Da mesma forma, o exercício dos direitos 
sexuais e reprodutivos das mulheres não é um dado adquirido e varia segundo o segmento
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 117 de 323 
social, a região, a etnia, a escolaridade. Para que isso não ocorra, faz-se necessário que os 
direitos consagrados nas Conferências Internacionais do Cairo e de Pequim - cujos 
protocolos o governo brasileiro assinou e que já contam com alguns instrumentos legais, 
como o Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM) - se tornem universais e 
integrem um projeto de desenvolvimento sustentável. 
Medidas e ações 
•inserir a questão de gênero, raça, saúde e direitos sexuais e reprodutivos na formação dos 
profissionais de saúde; 
•combater a discriminação de gênero e orientação sexual por meio da inclusão dessa 
problemática nos temas transversais do currículo da educação formal, da avaliação dos livros 
didáticos e da vigilância sobre as emissões rádio-televisivas por meio de parceria com a 
ABERT e ONGs, como a TVer; 
•integrar as ações de saúde voltadas para as usuárias do sexo feminino nos marcos do 
PAISM, a fim de evitar que as mulheres sejam tratadas pelos serviços de saúde de forma 
fragmentária e discriminatória; 
•promover ações conjuntas voltadas para os direitos reprodutivos, a serem discutidas e 
implementadas a partir da Comissão de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável. 
SAÚDE 
Os problemas de saúde de uma população podem ser identificados sob diferentes enfoques. 
As condições de morbidade, de que as pessoas adoecem, e de mortalidade, de que as 
pessoas morrem, são aproximações usuais para retratar o perfil epidemiológico da 
população. 
A análise está centrada nas alterações na mortalidade ocorridas no período entre 2001 e 
2005, com destaque para os seguintes aspectos: 
(I) a continuidade na redução da mortalidade infantil; 
(II) a manutenção da tendência de redução proporcional da mortalidade por doenças 
infecciosas e parasitarias e a elevação proporcional das neoplasias e das doenças do 
aparelho respiratório; 
(III) manutenção, em patamares ainda elevados, da mortalidade por causas externas. 
A redução da mortalidade infantil é uma tendência observada desde do começo dos anos 90. 
O ritmo dessa redução, no entanto, é menor no período analisado. A taxa caiu de 25,6 por mil 
nascidos vivos, em 2001, para 22,2 em 2005. A redução ocorreu com maior intensidade na 
região nordeste, mas, em alguns desses estados, as taxas ainda são de duas a três vezes 
mais elevadas que nos estados das regiões sul e sudeste. 
Entre 2001 e 2005, mantém-se a tendência observada nas últimas décadas de redução das 
doenças infecciosas e parasitarias e das afecções originarias no período perinatal. Em 
contrapartida, observa-se elevação das neoplasias e das doenças do aparelho circulatório, 
típicas da mudança do perfil epidemiológico da população pelo envelhecimento. 
Um problema com grande impacto sobre a mortalidade da população brasileira é a violência. 
As causas externas (particularmente, homicídios e acidentes de transporte) são a terceira 
causa de morte. A proporção de óbitos por causas externas manteve-se relativamente 
estável: 14,6%, em 2001 e 14,2% em 2005. No entanto, o diferencial das taxas entre as 
unidades da federação é significativo, alcançando 44,6 óbitos por 100 mil no Acre e 97,8 por 
100 mil no Rio de Janeiro. Aqui, ao contrário da mortalidade infantil, o problema está 
concentrado em estados com maior nível de desenvolvimento econômico, mas, nos quais 
esse desenvolvimento não tem sido suficiente para garantir maior equidade e justiça social. 
Mortalidade infantil 
No ano de 2001 a taxa de mortalidade infantil (número de óbitos de crianças de menos de 1 
ano de idade por mil nascidas vivas) brasileira era de 25,6 por mil. Em 2005 a taxa se reduz 
para 22,2 por mil nascidos vivos, uma diminuição de significativa em relação à de 2001. 
As desigualdades socioeconômicas entre as unidades da Federação podem também ser 
evidenciadas no índice de mortalidade infantil. Em 2001, a taxa de mortalidade infantil mais 
elevada foi registrada no estado de Alagoas, com 54,9 óbitos, por mil nascidos vivos. No 
Distrito Federal, a taxa foi de 15,2 óbitos, a mais baixa, enquanto a média brasileira era de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 118 de 323 
25,6 por mil. 
Em 2005, houve redução para 46,1 por mil em Alagoas e para 12,9 no Distrito Federal, 
enquanto a média brasileira baixou para 22,1 óbitos por mil. A taxa de mortalidade infantil 
apresentou redução em todas as regiões e entes federados. A mais expressiva foi observada 
na região nordeste (13,5%) sendo mais representativa nos estados do Ceará, 15,5%; da 
Bahia, 14,4%; do Piauí, 14,3% e em Alagoas com 14,2%. No conjunto dos estados, a maior 
redução foi verificada no Espírito Santo, com 15,9%. Os estados onde a redução foi menor 
foram Rio Grande do Sul (3,8%), Tocantins (5,1%) e Rio de Janeiro (5,5%). De um modo 
geral, observa-se que a velocidade na redução de taxas de mortalidade é maior quanto mais 
alta é a taxa inicial. Por outro lado, a magnitude da diminuição anual da taxa de mortalidade 
infantil no Brasil como um todo caiu em relação à década passada. Enquanto entre 1996 e 
2000, houve uma redução média anual de 4,4%, entre 2001 e 2005, essa média anual foi de 
3,0%. Em regiões mais pobres as taxas elevadas estão fortemente ligadas a fatores sociais e 
ambientais, como carência alimentar e saneamento básico inadequados. A diminuição 
desses fatores com ações coletivas de tratamento de água, campanhas de vacinação, 
aleitamento materno e orientação para re-hidratação oral de crianças, vem reduzindo as 
elevadas taxas mortalidade infantil. As desigualdades na mortalidade 
infantil nos estados também são provocadas por fatores como as diferenças de escolaridade 
da mãe e os distintos graus de urbanização. 
A mortalidade infantil costuma ser dividida em três períodos: 
(I) a mortalidade neonatal precoce (0 a 6 dias); 
(II) neonatal tardia (7 a 27) dias; e 
(III) pós-neonatal (1 a 11 meses). Em períodos recentes, a redução mais acentuada na taxa 
de mortalidade infantil tem estado associada à redução da mortalidade pós-neonatal. O 
resultado é que se vem tornando proporcionalmente maior a participação dos dois 
componentes neonatais, que são dependentes do acesso a serviços adequados de pré-natal, 
de assistência ao parto, à puérpera e ao recém-nascido. 
A mortalidade neonatal precoce é atualmente responsável por mais da metade dos óbitos em 
menores de um ano, evidenciando que, a despeito do aumento do acesso a serviços de 
saúde, proporcionado pelo SUS à população, há uma ainda deficiente qualidade da atenção à 
gestante, ao parto e ao recém-nascido. 
Mortalidade na infância por doenças diarréicas 
A mortalidade proporcional de crianças menores de cinco anos por doenças diarréicas 
corresponde ao percentual de óbitos por doença diarréica aguda, em relação ao total de 
óbitos de menores de cinco anos de idade. A diarréia na infância, embora de prevenção 
relativamente fácil e tratamento de baixo custo, pode ser considerada um problema relevante 
de saúde pública no Brasil, pois apresenta incidência e letalidade altas. É um indicador de 
saúde capaz de expressar desigualdade, alcançando valores mais elevados entre 
populações infantis expostas a piores condições socioeconômicas, de saneamento e de 
assistência à saúde. 
Em todas as regiões brasileiras, a mortalidade proporcional por doenças diarréicas se 
reduziu. A média brasileira se reduz de 4,4%, em 2001, para 3,5%, em 2005. Nesse mesmo 
ano, a menor média regional foi registrada no Sudeste (1,9%) e a maior a observada na 
região norte (6,1%). 
A mortalidade proporcional em menores de cinco anos da raça negra é mais elevada que 
para a raça branca em todas as regiões, exceto no Nordeste. O maior diferencial entre as 
raças, encontra-se na região sul, onde em 2005, os brancos têm mortalidade proporcional de 
1,9% e os negros de 4,0%. 
Mortalidade materna 
No Brasil, a mortalidade materna, ou seja, os óbitos de mulheres em idade fértil por causas 
relacionadas à gravidez, parto e puerpério, esteve situada no período entre 50 e 55 por 100 
mil nascidos vivos. A avaliação da evolução deste indicador nas unidades federadas e em 
algumas regiões é muito prejudicada pelo sub-registro dessa causa de óbito. Alguns estudos 
demonstraram que o sub-registro da razão de mortalidade alcança 40,0% para a média 
nacional, o que elevaria a média nacional a algo em torno a 70 óbitos maternos por 100 mil 
nascidos vivos. A morte de mulheres em idade fértil por causas maternas não tem grande 
peso na estrutura geral da mortalidade feminina: com efeito, representam menos de 3,0% do 
total de causas definidas entre as mulheres. Contudo, trata-se de um importante indicador de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 119 de 323 
saúde da mulher, e seu monitoramento é justificado pelo do fato de que mais de 90,0% das 
causas de mortalidade materna são evitáveis quando a mulher tem acesso a serviços de 
saúde de qualidade, com a possibilidade de assistência adequada à gravidez, ao parto, ao 
puerpério e, especialmente, aos problemas decorrentes do abortamento. 
Mortalidade geral 
Agrupam-se em sete grandes causas o total de óbitos no Brasil no ano de 2005: 
· doenças do aparelho circulatório (31,8%); 
· neoplasias (15,7%); 
· causas externas (14,2%); 
· doenças do aparelho respiratório (11,4%); 
· doenças infecciosas e parasitárias (5,1%); 
· doenças originadas no período perinatal (3,5%) e; 
· demais causas definidas (18,3%). 
Mantendo tendência já observada na década de noventa, ocasionada pelo processo de 
desenvolvimento socioeconômico, envelhecimento da população e aumento da cobertura das 
ações de saúde e saneamento, o perfil da mortalidade vem se alterando no país. Aumentou a 
mortalidade por doenças não-transmissíveis, como as neoplasias (câncer) que crescem de 
14,9% em 2000, para 15,9% em 2005 e as doenças do aparelho respiratório, que se elevam 
de 10,9% para 11,4% no mesmo período. Essas causas estão associadas ao estilo de vida e 
as condições de trabalho das pessoas e podem ser reduzidas com medidas de controle de 
fatores de risco. Um perfil de mortalidade onde predominam doenças não-transmissíveis é 
indicador de população em um estágio socioeconômico mais elevado. No caso brasileiro, 
entretanto, ainda se convive com uma proporção desconfortável de mortes por doenças 
infecciosas e parasitarias (5,1%), especialmente nas regiões norte e nordeste, onde em 
alguns estados esse indicador é de aproximadamente 8%. Apesar da participação das 
infecciosas e parasitárias ter se reduzido de 5,5% em 2001, para 4,9% em 2005, do total de 
óbitos com causas definidas, o número absoluto de óbitos por esse grupo de doenças 
cresceu de 45.032, em 2001, para 46.877, em 2005. 
Mortalidade por causas externas 
As causas externas são compostas pelos acidentes de trânsito, suicídios e homicídios, entre 
outras causas. Em 2000 elas representavam 14,9% da mortalidade total e, em 2005, esse 
percentual se eleva para 16,1%. As causas externas possuem grandes diferenciais por 
gênero e idade: 84,4% das vítimas são do sexo masculino e 50,0% na faixa etária de 20 a 39 
anos. 
Os estados que apresentaram, em 2005, mortalidade por causas externas mais elevadas são 
Rio de Janeiro (97,8 por 100 mil habitantes), Espírito Santo (97,6), Rondônia (93,9) e Mato 
Grosso (93). A reduzida mortalidade por acidentes de transporte faz com que os estados do 
Maranhão (37,4 por 100 mil habitantes), Acre (44,6), Piauí (45,3) e Amazonas (46,5) 
apresentem menores taxas de mortalidade por causas externas. 
As taxas de mortalidade por causas externas se elevaram em todas as regiões, exceto na 
sudeste, devido às reduções ocorridas nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. São 
Paulo teve sua taxa reduzida de 90,4 para 74,0 mortes por 100 mil habitantes. Como a taxa 
de mortes por acidente de transportes em São Paulo se elevou de 16,1 para 18,0 entre 2001 
e 2005, a redução da mortalidade por causas externas está relacionada à redução da taxa de 
mortes causadas por 
homicídios, que era de 41,9 por 100 mil habitantes em 2001 e cai para 28,5 em 2005. Além 
de São Paulo, que teve redução da taxa de mortalidade por causas externas de 18,1%, 
outros oito estados tiveram suas taxas de mortalidade reduzidas, destacando-se Acre 
(20,1%), Amapá (9,9%) e Pernambuco (8,2%). Em outros estados da federação a elevação 
das taxas de mortalidade por causas externas foi significativa: 51,4% na Paraíba, 23% em 
Minas Gerais e 18,7% no Pará. 
Expectativa de Vida 
A evolução dos indicadores de saúde está estritamente relacionada ao desenvolvimento 
socioeconômico. A melhoria da renda familiar, as novas tecnologias e a aceleração do
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 120 de 323 
processo de urbanização modificaram consideravelmente o panorama da saúde, propiciando 
um maior acesso da população aos serviços de saúde e saneamento. Da mesma forma as 
recentes transformações no comportamento demográfico e nos indicadores sociais, com a 
queda da fecundidade, mortalidade e um aumento da esperança de vida ao nascer, também 
se refletem de forma intensa nas demandas por uma nova estrutura de saúde. 
A taxa de fecundidade que no Brasil era de 6,16 filhos por mulher em 1940 passou para 5,8 
em 1970 e 2,3 no ano de 2000. 
A esperança de vida ao nascer, que no Brasil, em 1900, era de 33,7 anos, passou em 1960 
para 55,9 anos. De 1960 para 1980, essa expectativa ampliou-se para 61,8 anos, 68,6 em 
2000 e em 2002 para 71 anos. 
No Brasil, as mulheres têm maior esperança de vida ao nascer, diferença que está ao redor 
de oito anos. Como resultado o número de mulheres idosas é superior ao número de homens 
principalmente nas faixas de idade mais avançadas. 
(notíciário) 
 
12/02/2010 
Manchete: Bill Clinton. 
Nesta quinta-feira, dia 12, o ex presidente norte-americano Bill Clinton, 64 anos, 
passou por um procedimento cirúrgico chamado “stent”. Atualmente, existem dois 
tipos dessa técnica: a mais moderna, utilizada em 60% dos casos nos Estados Unidos, 
foi introduzida pelo médico brasileiro José Eduardo Sousa, cirurgião formado em 
Recife e que estudou o método em 1999. 
Resumo: A colocação de “stent” é um procedimento realizado na sala de hemodinâmica e 
não há necessidade de abrir o peito do paciente, como na colocação de safenas. 
Dependendo da extensão da lesão, os médicos podem levar de 40 minutos a duas horas. 
O cardiologista e diretor clínico do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, Antoninho 
Arnoni, explica: “Os médicos inserem um cateter dentro da artéria, que leva o stent até o 
local. A artéria é dilatada e o stent – que é como uma rede de metal – impede que a artéria 
volte a fechar.” 
10/02/2010 
Manchete: Haiti: nº de mortos chega a 230 mil e supera tsunami de 2004. 
Resumo: O número de pessoas mortas em consequência do terremoto que atingiu o Haiti no 
dia 12 de janeiro chegou a 230 mil, segundo afirmou o governo do país na terça-feira. O novo 
total supera em 18 mil a estimativa anterior, feita na semana passada, e ultrapassa algumas 
estimativas do número de mortes no tsunami que atingiu o sudeste asiático em dezembro de 
2004. 
Um relatório do Centro de Pesquisas sobre Epidemiologia de Desastres encomendado pela 
ONU e publicado em janeiro indicava o tsunami de 2004 como o desastre mais mortífero da 
primeira década do milênio, com cerca de 220 mil mortes. 
O total de mortos no terremoto do Haiti pode crescer ainda mais, já que muitos corpos ainda 
não teriam sido contabilizados, segundo a ministra das comunicações do país, 
Marie-Laurence Jocelyn Lassegue. O novo total de mortos não inclui corpos enterrados por 
funerárias privadas em cemitérios privados ou corpos de vítimas enterrados pelas próprias 
famílias. Segundo os dados do governo haitiano, o terremoto deixou ainda cerca de 300 mil 
pessoas feridas.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 121 de 323 
Situação crítica 
Quase um mês após o terremoto, a situação humanitária no país continua crítica, com muitos 
desabrigados e o crescente temor de epidemias. Segundo um correspondente da BBC na 
capital do Haiti, Porto Príncipe, as preocupações aumentam com a proximidade da 
temporada de chuvas e a falta de barracas para os desabrigados. No maior dos campos de 
desabrigados montados na cidade após o tremor, há muitas famílias vivendo ainda sob lonas 
armadas sobre pedaços de madeira. 
Segundo funcionários de agências humanitárias, o objetivo é abrigar todos em barracas antes 
do início das chuvas. Mas os desafios de colocar um grande número de barracas em campos 
superlotados são grandes. Muitas construções de Porto Príncipe ainda estão em estado 
crítico, por conta dos danos sofridos com o terremoto. 
Nessa terça-feira, um supermercado teria desabado com várias pessoas dentro, 
possivelmente saqueadores. Acredita-se que havia entre cinco e oito pessoas dentro do 
prédio, já parcialmente destruído durante o tremor do dia 12. 
09/02/2010 
Manchete: Previdência Privada será paga em união homossexual. 
Superior Tribunal de Justiça reconheceu direito, em casos de união homossexual, do 
parceiro receber benefícios. 
Resumo: Em decisão inédita, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito, em 
casos de união homossexual, de o parceiro sobrevivente receber benefícios referentes a 
planos de previdência privada. Até então, segundo o STJ, o benefício era concedido apenas 
dentro do Regime Geral de Previdência Social. 
No caso em questão, a ministra relatora, ministra Nancy Andrighi, destacou que “diante da 
lacuna da lei, a aplicação da analogia é perfeitamente aceitável para alavancar como 
entidade familiar as uniões de afeto entre pessoas do mesmo sexo”. 
O autor do pedido ao STJ requereu junto a Caixa de Previdência dos Funcinários do Banco 
do Brasil (Previ) pagamento de pensão decorrente da morte de seu companheiro e 
participante do plano de assistência e previdência privada complementar mantida pelo Banco 
do Brasil. 
04/02/2010 
Manchete: Número de mortos por terremoto no Haiti supera 200 mil. 
Resumo: Mais de 200 mil pessoas morreram no terremoto do dia 12 de janeiro que devastou 
o Haiti, informou o primeiro-ministro Jean-Max Bellerive na quarta-feira. 
Bellerive disse que 300 mil pessoas foram feridas no desastre, inclusive 4 mil amputados. 
Estimativas anteriores do governo haitiano indicavam índice de 150 mil a 200 mil mortos. 
02/02/2010 
Manchete: Chuvas fazem mais de 26 mil pessoas deixarem casas em SP; 70 morreram. 
Resumo: As fortes chuvas que atingem o Estado de São Paulo desde o mês de dezembro 
do ano passado já fizeram com que mais de 25,7 mil pessoas deixassem suas casas em 
todo o Estado, de acordo com balanço da Defesa Civil divulgado nesta terça-feira. Além 
disso, 70 pessoas já morreram em decorrência das chuvas desde 1º de dezembro. 
De acordo com a Defesa Civil, do total de pessoas fora de casa, cerca de 21 mil estão
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 122 de 323 
desalojadas --estão em casas de parentes e amigos-- e outras 5.700 estão desabrigadas, ou 
seja, dependem de abrigos públicos. Ao todo, 154 cidades foram afetadas e 34 decretaram 
emergência, além de duas que estão em estado de calamidade pública. 
Já as mortes chegaram a 70 ontem, com o localização do corpo de um jovem de 28 anos que 
estava desaparecido desde o último dia 26 após ser levado por uma enxurrada na cidade de 
São Roque (66 km de São Paulo). Uma outra pessoas permanece desaparecida em Alumínio 
(79 km de SP). 
Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a cidade de São Paulo terminou o mês 
de janeiro com um acumulado de chuvas 0,9 milímetros menor do que o recorde histórico de 
481,4 mm, registrado em janeiro 1947. Foram registrados 480,5 mm de chuvas durante todo 
o mês. 
02/02/2010 
Manchete: ONU vê risco de sequestro, venda e tráfico de crianças haitianas. 
A ONU reafirmou nesta terça-feira seu temor de que as crianças haitianas órfãs ou que 
ficaram separadas de suas famílias após o terremoto sejam vítimas de sequestro, 
venda, tráfico ou escravidão na atual situação de insegurança que vive o Haiti. 
Resumo: A ONU afirmou ainda que as crianças que foram entregues por seus pais a 
terceiros que prometem suprir as necessidades de seus filhos também correm o risco de 
sofrer situações de abuso. 
Os menores não acompanhados são particularmente vulneráveis, e é essencial que, até 
onde seja possível, sejam registrados, procurados e reunidos com suas famílias, 
destacaram os especialistas da ONU em comunicado. 
02/02/2010 
Manchete: NOBEL 2009. 
Resumo: Prêmio Nobel, um dos maiores reconhecimentos dado a pesquisadores de 
diversas áreas do conhecimento, escritores e personalidades, anunciou seus ganhadores 
nesta semana. Cada anúncio corresponde a um prêmio financeiro de 10 milhões de coroas 
suecas (US$ 1,4 milhão). 
O prêmio foi criado por vontade do magnata Alfred Nobel, inventor da dinamite, e é entregue 
desde 1901. 
Até agora, foram anunciados os premiados nas áreas de medicina, física, química, 
literatura e pela paz. Ainda será conhecido o vencedor de Economia. 
Acompanhe, abaixo, quais foram os ganhadores do Prêmio Nobel em 2009, assim como 
seus respectivos trabalhos. 
Paz 
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, 48, recebeu o Prêmio Nobel da Paz 2009 
do Instituto Nobel da Noruega. Primeiro afro-americano a preencher o mais alto cargo do 
país, Obama apelou para o desarmamento e trabalhou para reiniciar o estagnado processo 
de paz no Oriente Médio desde que assumiu o cargo em janeiro. 
O presidente dos Estados Unidos criou um ambiente novo para a política internacional. 
Graças a seus esforços, a diplomacia multilateral recuperou sua posição central e devolveu 
às Nações Unidas e outras instituições internacionais seu papel protagonista, assinalou o 
Instituto em Oslo. 
O Nobel da Paz deste ano alcançou um recorde de candidaturas, 205, dos quais 33 
correspondiam a organizações.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 123 de 323 
Literatura 
A escritora alemã Herta Mueller, 56, é a vencedora do prêmio Nobel de Literatura em 2009. O 
anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (8), na sede da Academia Sueca, em 
Estocolmo. Mueller é a 12ª mulher a vencer o Nobel de Literatura. 
Durante o anúncio como vencedora do Nobel, Mueller foi definida como alguém que, com a 
concentração da poesia e a franqueza da prosa, retrata a paisagem dos desfavorecidos. 
Mueller nasceu na Romênia e estreou na literatura em 1982, com uma reunião de contos 
intitulada Niederungem, que foi imediatamente censurada pelo governo comunista na 
época. 
Em 1984, uma versão de seu livro de estreia foi publicada na Alemanha, e o trabalho, que 
descreve a vida em um pequeno vilarejo de língua alemã na Romênia, foi devorado pelos 
leitores. 
Em seguida, a autora lançou Oppresive Tango na Romênia. Por conta das críticas ao 
governo do país, Mueller e seu marido emigraram para a Alemanha em 1987. 
Medicina 
Os cientistas Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak, todos radicados 
nos EUA, são os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina 2009 na segunda-feira (5). 
O estudo dos três envolve descobertas de como a enzima telomerase protege os 
cromossomos. 
O trabalho lança luz nos estudos do câncer e do processo de envelhecimento. 
A descoberta, segundo os cientistas, estimula o desenvolvimento do potencial de novas 
terapias e tratamentos. 
Física 
Os cientistas Charles Kao, Willard Boyle e George Smith dividiram o Prêmio Nobel de Física 
na terça-feira (6) por dois trabalhos sobre fibras óticas e semicondutores. 
Os estudos desenvolvidos por eles estão por trás da fotografia digital, além de auxiliarem na 
interligação mundial por meio dos cabos de fibra ótica. 
Charles Kao foi mencionado por sua pesquisa que envolve transmissão de luz em fibras 
óticas, enquanto Willard Boyle e George Smith foram premiados pela invenção do circuito 
semicondutor conhecido como sensor CCD. 
Química 
Os norte-americanos Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz e a israelense Ada 
Yonath foram premiados nesta quarta-feira (7) por detalharem os ribossomos. 
Eles produzem proteína a partir das instruções contidas no DNA --a pesquisa demonstrou 
como funcionam no nível atômico. 
Isso ajuda a entender como as bactérias criam resistência a remédios e contribui para 
desenvolver novas drogas, informaram os pesquisadores. 
01/02/2010 
Manchete: Índio urbano. 
Luis Xipaia, de 36 anos, é o cacique de Tukajá, uma aldeia com 52 índios. Ele anda 
pintado apenas em ocasiões especiais, não mora em oca e fala português. Usa tênis, 
veste jeans, tem celular e email. Seu sustento não depende só da caça e da pesca. Ele 
mora com a mulher e mais seis parentes em uma casa em Altamira, equipada com TV, 
fogão, freezer, ventilador, computador e impressora. “Não tem internet. Ainda não tive
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 124 de 323 
condições de instalar uma antena”, conta. 
Resumo: Há 20 anos, Xipaia saiu da aldeia e foi para a cidade. Percebeu que tinha de 
“correr atrás das coisas”. Hoje é presidente do Conselho Indígena de Altamira, dá palestras e 
participa de eventos em São Paulo e Brasília. “Mas não ganho salário fixo para isso. Só uma 
ajuda de custo, uma cesta básica”. 
Xipaia passa cerca de quatro meses por ano na aldeia. São quatro dias de viagem de barco 
até lá. Na comunidade, quebra castanha para vender e ganha dinheiro também com a venda 
de peixe. Sua mulher, Ruth Chaves, diz que o índio “se acostumou com o dinheiro”. 
“A vida na aldeia é muito difícil. Precisa vir para cidade atrás de oportunidade. Na aldeia 
quase não têm mais adolescentes. O ensino vai só até a quarta série e os jovens saem para 
estudar”, diz ela. 
Xipaia diz que ao ter contato com a cultura do branco, o índio passou a querer coisas as 
quais não tinha acesso. “Se não produzimos aquilo que trouxeram para a gente, 
precisamos buscar”. Ele diz que preferia ter mantido sua cultura “pura”. (Ao dizer isso, chora, 
pede desculpas e retoma a conversa). 
Para o cacique, é importante estar na cidade para poder defender sua gente. “Se ficasse na 
aldeia não poderia fazer nada, estaria vegetando 
22/01/2010 
Manchete: Política de RH definirá se empresa prorrogará licença-maternidade, dizem 
tributaristas. 
A ampliação do prazo da licença-maternidade será decidida pelas empresas de acordo 
com suas políticas de recursos humanos, já que não gera custos financeiros para elas, 
afirma o advogado Bruno Aguiar, sócio do escritório Rayes, Fagundes e Oliveira 
Ramos Advogados. Para ele, a lei é benéfica do ponto de vista social e trabalhista, mas 
falha ao restringir os benefícios fiscais apenas para empresas tributadas por meio do 
lucro real, regime obrigatório para empresas com faturamento acima de R$ 48 milhões 
por ano. 
Resumo: As empresas que quiserem oferecer dois meses a mais de licença-maternidade a 
suas funcionárias podem aderir ao Programa Empresa Cidadã a partir de segunda-feira, dia 
25. O custo da licença prorrogada é da empresa, mas elas podem abater os valores gastos 
do Imposto de Renda. A aprovação do programa foi publicada nesta sexta-feira no “Diário 
Oficial da União”. 
Hoje todas as empresas brasileiras são obrigadas a conceder licença-maternidade de quatro 
meses para suas funcionárias. Trata-se de um benefício social, pago com recursos do 
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sem custo para as empresas. 
O oferecimento de dois meses extra de licença é facultativo para as companhias e financiado 
com recursos próprios. Para incentivar a adesão, o governo federal permitirá que as 
empresas tributadas pelo sistema de lucro real descontem essa despesa no pagamento do 
Imposto de Renda devido. 
Estima-se que 150 mil brasileiras pagam impostos por meio do sistema de lucro real e que 
elas empregam cerca de 40% da mão de obra feminina do país. A maioria das companhias 
brasileiras está enquadrada no Simples ou pagam imposto com base no lucro presumido e, 
portanto, não terão benefícios tributários para prorrogar a licença-maternidade. 
Antes de decidir pela adesão, as companhias devem fazer uma previsão de quanto será seu 
lucro neste ano, afirma José Eduardo Toledo, sócio da área tributária do escritório Leite, 
Tosto e Barros. “A empresa precisa dessa estimativa porque se tiver prejuízo vai oferecer 
dois meses adicionais de licença-maternidade às funcionárias, mas não poderá recuperar 
esses recursos com dedução de impostos.”
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 125 de 323 
Para aderir ao Empresa Cidadã, as empresas devem preencher um requerimento no site da 
Receita Federal. Já as funcionárias precisam solicitar a prorrogação da licença-maternidade 
ao empregador até o final do primeiro mês após o parto. 
22/01/2010 
Manchete: Número de mortos no terremoto chega a 111 mil, diz governo do Haiti. 
Resumo: O número de mortos no terremoto que atingiu o Haiti em 12 de janeiro ultrapassou 
a barreira dos 100 mil, segundo um comunicado divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério 
do Interior haitiano. Segundo o governo, foram registradas 111.499 mortes 
O relatório anterior informava 75 mortes após o terremoto de magnitude 7 que devastou a 
capital haitiana e cidades vizinhas. 
O general americano Ken Keen, que comanda as Forças americanas enviadas ao Haiti para 
ajudar no auxílio às vítimas, falou em um número de mortos entre 150 mil e 200 mil, mas 
disse que era apenas uma hipótese de trabalho. 
A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que três milhões de pessoas foram 
afetadas pelo terremoto. 
O novo balanço também indica que 193.891 pessoas ficaram feridas após o terremoto, e que 
mais de 55 mil famílias foram afetadas, enquanto que 609.621 pessoas foram acomodadas 
em 500 acampamentos criados para receber desabrigados. 
Mais de 11 mil casas foram destruídas e cerca de 32 mil foram danificadas, de acordo com o 
balanço do ministério. 
22/01/2010 
Manchete: Unicef denuncia rapto de pelo menos 15 crianças em hospitais do Haiti. 
Resumo: O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) denunciou nesta sexta-feira o 
rapto de pelo menos 15 crianças desacompanhadas em hospitais do Haiti. 
Infelizmente constatamos o rapto de 15 crianças em diferentes hospitais do Haiti e 
suspeitamos de que foram sequestradas por redes de tráfico de pessoas por meio de Santo 
Domingo, afirmou em entrevista coletiva Jean-Claude Legrand, assessor de proteção da 
infância do Unicef. 
O tráfico de crianças no Haiti já existia antes do terremoto, e infelizmente, as redes que se 
dedicam a esta prática mantêm ligações com o mercado de adoção internacional, explicou. 
Já constatamos isso na época do tsunami (que deixou mais de 200 mil mortos em vários 
países da Ásia no dia 26 de dezembro de 2004): estas redes se aproveitam das catástrofes 
naturais, da fraqueza do Estado e da falta de coordenação entre os diversos atores no 
terreno para sequestrar crianças e enviá-las para fora do país, acrescentou Legrand. 
Adoção 
A comunidade internacional já demonstrou receio com relação a crianças abandonadas ou 
órfãs sendo enviadas para o exterior e, na última terça-feira, o Fundo das Nações Unidas 
para a Infância (Unicef) disse que a adoção estrangeira de crianças haitianas deveria ser 
considerada apenas como último recurso. 
A Unicef disse que crianças cujos pais estavam mortos ou desaparecidos, deveriam primeiro 
se reintegradas a outros membros da família. 
Processo acelerado 
A França, segundo a Agência Francesa de Adoções, é o país que mais recebe crianças 
haitianas em todo o mundo. Em 2008, 731 foram adotadas por famílias francesas. 
Outros países, no entanto, decidiram acelerar os procedimentos de adoção. A Holanda já
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 126 de 323 
retirou, na segunda-feira, as 109 crianças haitianas que estavam em processo de adoção. 
O governo dos Estados Unidos anunciou que irá flexibilizar os procedimentos de adoção, no 
caso das famílias que haviam iniciado o processo antes da catástrofe, permitindo que as 
crianças sejam transferidas, mesmo sem todos os documentos necessários. 
No dia 19, um primeiro grupo de 53 crianças haitianas embarcou para os Estados Unidos. 
Segundo o Departamento de Estado americano, cerca de 300 adoções estavam previstas 
para 2010. 
A Bélgica também adotou uma decisão semelhante, que envolve 14 crianças. 
O governo espanhol informou que vai facilitar a transferência das crianças haitianas cujos 
processos de adoção já foram concluídos. 
13/02010 
Manchete: Terremoto mais forte dos últimos 200 anos devasta capital do Haiti. 
O forte terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti na tarde da última 
terça-feira foi o tremor mais forte a afetar o país nos últimos 200 anos. Em um espaço 
de um minuto, o terremoto destruiu diversos edifícios e interrompeu os serviços de 
energia e telefonia do país. Estima-se que centenas de pessoas tenham morrido, mas 
dados oficiais ainda não foram divulgados. 
Resumo: O forte terremoto que abalou o Haiti provocou o desabamento do palácio 
presidencial, de favelas da capital, Porto Príncipe, e centenas de edificações na região. Um 
prédio de cinco andares usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) também 
desabou na terça-feira por conta do tremor. 
O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, disse que as sedes do palácio 
presidencial, da Receita Federal, do Ministério do Comércio e do Ministério das Relações 
Exteriores sofreram danos provocados pelo tremor, mas que o aeroporto da capital estava 
intacto. Segundo ele, o presidente René Preval escapou ileso do terremoto. 
As informações sobre vítimas e danos são divulgadas de forma desorganizada por conta de 
problemas de comunicação no país. Como país mais pobre das Américas, o Haiti não tem 
equipamentos suficientes para lidar com esse tipo de desastre. 
Epicentro 
O epicentro do tremor foi registrado a 16 km de Porto Príncipe, que tem uma população de 
cerca de 1 milhão de pessoas, e tremores que vieram depois, tão fortes quanto o inicial, 
atingiram a cidade ao longo da noite e já na quarta-feira. 
Segundo o US Geological Survey, a agência geológica americana, o terremoto ocorreu por 
volta das 16h53 (horário local, 19h53 de Brasília) de terça-feira. 
Pelo menos dois tremores secundários - de 5,9 e 5,5 graus, respectivamente, foram 
registrados logo após o primeiro terremoto. Cerca de cinco horas após o tremor inicial, uma 
testemunha disse que esses tremores secundários eram sentidos a cada dez minutos. 
12/01/2010 
Manchete: Brasil pode zerar miséria e se igualar a países ricos em 2016, diz Ipea. 
Resumo: O Brasil poderá praticamente zerar a pobreza extrema e alcançar indicadores 
sociais próximos aos dos países desenvolvidos em 2016, caso mantenha o ritmo de 
desempenho que teve entre 2003 e 2008. A conclusão é de estudo Pobreza, desigualdade e 
políticas públicas, divulgado nesta terça-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica 
Aplicada).
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 127 de 323 
A pobreza extrema é considerada para famílias com renda de até um quarto de salário 
mínimo per capita --atuais R$ 127,50. 
Também há expectativa de alcançar uma taxa nacional de pobreza absoluta (até meio salário 
mínimo per capita, R$ 255) de 4% naquele ano, o que, segundo o Ipea, significa quase a sua 
erradicação. Em 2008, o índice estava em 28,8%. 
A taxa de pobreza de 4% é de país rico. Nos coloca no patamar de países desenvolvidos, 
afirmou Marcio Pochmann, presidente do Ipea. O Brasil reduziu o número de pobres pela 
combinação de elementos como o crescimento econômico e políticas públicas de distribuição 
de renda. Temos hoje uma estrutura social comparável aos países desenvolvidos. 
Desigualdade social 
A queda da média anual na taxa nacional de pobreza absoluta foi de 0,9% ao ano entre 1995 
e 2008, enquanto a da pobreza extrema ficou em menos 0,8% ao ano. Considerando o 
período de 2003 a 2008, a redução na primeira foi de 3,1%, e na segunda ficou em 2,1% ao 
ano. 
O índice Gini, que varia de zero a um e é usado para medir as desigualdades sociais, deverá 
passar para 0,488 --era de 0,544 em 2008. Ele encontra-se, em geral, abaixo de 0,4 nos 
países desenvolvidos. Em 2005, ficou em 0,33 na Itália, 0,32 na Espanha, 0,28 na França, 
0,27 na Holanda, 0,26 na Alemanha e 0,24 na Dinamarca. Já nos Estados Unidos está acima 
dos demais, em 0,46. 
Para o Ipea, parte significativa dos avanços alcançados pelo país no enfrentamento da 
pobreza e da desigualdade está relacionada a políticas públicas, a partir de 1988 -- data de 
elaboração da Constituição Federal. 
Na década atual, o instituto destaca razões como a combinação entre a continuidade da 
estabilidade monetária, a maior expansão econômica e o reforço de políticas públicas, como 
a elevação real do salário mínimo e a ampliação do crédito popular. 
06/01/2010 
Manchete: Brasil sobe cinco posições em ranking de qualidade de vida. 
O Brasil é o 38º país do mundo em qualidade de vida, segundo um ranking com quase 
200 países publicado pela revista americana International Living. 
Resumo: A liderança do ranking, que leva em consideração nove itens - custo de vida, 
cultura e lazer, economia, ambiente, liberdade, saúde, infraestrutura, segurança e risco e 
clima - ficou com a França, pelo quinto ano consecutivo. 
O Brasil subiu da 43ª posição no ranking de 2009 para a 38ª neste ano. Em 2008, o País 
havia ficado na 39ª posição. 
As melhores avaliações do Brasil ficaram nos quesitos liberdade (83 pontos de 100 
possíveis), risco e segurança (83) e clima (82). Os itens mais mal avaliados foram lazer e 
cultura (58 pontos de 100 possíveis) e infraestrutura (59). 
Apesar disso, entre o ranking do ano passado e o deste ano, as notas para infraestrutura 
passaram de 47 para 59, enquanto a avaliação para a economia foi de 45 para 65. 
Latino-americanos 
O Uruguai, na 19ª posição do ranking, foi o país latino-americano mais bem avaliado, apesar 
de ter caído seis posições em relação ao ranking de 2009. 
A Argentina, que caiu cinco posições e aparece em 26º lugar no ranking deste ano, é o 
segundo melhor país da região em termos de qualidade de vida, segundo a International 
Living.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 128 de 323 
À frente do Brasil no ranking, entre os latino-americanos, aparecem ainda Chile (31º lugar), 
Costa Rica (33º) e Panamá (34º). O Equador aparece apenas uma posição atrás do Brasil 
(39º), enquanto o México é o 46º colocado no ranking. 
Entre os países mais bem avaliados, a Austrália pulou da quinta para a segunda posição no 
ranking entre o ano passado e este, enquanto a Alemanha subiu do oitavo para o quarto 
lugar. 
Os Estados Unidos, por outro lado, caíram da terceira para a sétima posição. O Japão, 
segundo país mais rico do mundo, aparece no 36º lugar, apenas duas posições acima do 
Brasil. 
O último lugar do ranking é ocupado pela Somália. Entre os 15 últimos do ranking, apenas 
um - Afeganistão - não é um país africano. 
16/12/2009 
Manchete: Trabalho infantil cai quase 50% no Brasil em 15 anos, segundo OIT. 
O número de crianças e adolescentes que trabalham no Brasil caiu quase 50% entre 
1992 e 2007, mas ainda é alto e chega a quase 5 milhões, segundo um relatório 
divulgado nesta quarta-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). 
Resumo: O estudo da OIT analisa a situação no país entre 1992, quando havia 8,42 milhões 
de crianças e adolescentes no mercado de trabalho, e 2007, quando esse número foi de 4,85 
milhões. 
O relatório destaca que a redução maior, atribuída aos programas do Governo brasileiro para 
erradicar o trabalho infantil, foi entre as crianças de 10 a 14 anos. 
A OIT também disse ter constatado que, como em outros países, os meninos são clara 
maioria (66%) no universo do trabalho infantil, enquanto as meninas são 34% da 
mão-de-obra. 
O relatório destaca ainda o crescimento da taxa de desemprego entre os jovens de 15 a 24 
anos, que passou de 11,9% em 1992 para 17% em 2007. 
No entanto, o documento ressalta que, no período analisado, a percentagem de jovens que 
nem estudam nem trabalham caiu de 21,1% para 18,8%. 
Em 2007, segundo a OIT, havia 7,8 milhões de trabalhadores sem emprego no Brasil, dos 
quais 46,7% (3,6 milhões) tinham de 15 a 24 anos de idade. 
10/12/2009 
Manchete: Obama recebe Nobel e defende a guerra para alcançar a paz. 
Resumo: Ao receber o prêmio Nobel da Paz nesta quinta-feira, em Oslo, na Noruega, o 
presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou o papel do seu país na busca pela 
paz durante o século XX, lembrando que não houve uma Terceira Guerra Mundial, e alertou 
que nos últimos dez anos o mundo vem enfrentando novas ameaças, sobre as quais ele não 
pode permanecer de braços cruzados. Sou responsável pelos jovens americanos que estão 
lutando no Afeganistão, afirmou o líder americano, diante de mil pessoas que lotaram o 
auditório municipal, entre elas os reis Harald e Sonja da Noruega. 
Obama, ao receber a medalha e o diploma do prêmio e ser aplaudido por mais de um minuto, 
reconheceu a polêmica sobre a escolha de um presidente cujo país mantém uma guerra, 
mas argumentou que se reserva o direto de agir para proteger o seu país. Ele afirmou que o 
uso da força às vezes é justificado, especialmente quando estão em jogo questões 
humanitárias. Para o presidente americano, no caso da Al-Qaeda, negociações não levarão
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 129 de 323 
seus combatentes a depôr as armas. Também fez uma apelo por ações mais rígidas contra 
países que desrespeitam leis internacionais, como sanções que impõem um custo real. 
Sei que o diálogo com regimes repressivos carece da pureza satisfatória da indignação, 
disse, fazendo referência a Mianmar, Coreia do Norte e Irã. Mas também sei que as sanções 
sem uma aproximação e a condenação sem debate podem servir para perpetuar um 'status 
quo' prejudicial, acrescentou, afirmando ainda que nenhum regime repressivo pode 
empreender um novo caminho a menos que tenha uma porta aberta. Para Obama, esses 
governos não podem fazer vista grossa às normas internacionais. Os regimes que violarem 
as normas devem prestar contas, ressaltou. 
07/12/2009 
Manchete: EMPREGO - Crise cortou 20 milhões de empregos desde outubro de 2008. 
Resumo: Cerca de 20 milhões de postos de trabalho foram cortados desde o início da crise 
econômica mundial, em outubro de 2008, revela um estudo da Organização Internacional do 
Trabalho (OIT), divulgado nesta segunda-feira. O relatório alerta ainda que quase 43 milhões 
de pessoas correm o risco de serem excluídas do mercado de trabalho. 
O emprego nos países ricos não vai retornar aos níveis pré-crise antes de 2013. Nas 
economias emergentes, a recuperação dos níveis de emprego pode começar em 2010, mas 
não atingirá os índices anteriores à crise antes de 2011, afirma o relatório Mundo do 
Trabalho 2009 - A crise global do emprego e perspectivas. 
O relatório aponta que as reduções de empregos têm sido menores do que as previsões 
baseadas em crises anteriores. Mas a organização ressalta que a crise do emprego é muito 
mais ampla do que os números sugerem. 
A economia mundial está mostrando sinais encorajadores de recuperação, mas a crise do 
emprego está longe de ter acabado, diz o estudo. 
Há riscos significativos de que a crise do emprego tenha implicações sociais e econômicas 
negativas por um longo prazo, afirmou. 
Segundo a OIT, quase 43 milhões de pessoas podem ser excluídas do mercado de trabalho 
por um longo período ou mesmo definitivamente se programas adequados de estímulo ao 
crescimento econômico não forem adotados ou se os planos que já estão em andamento 
terminarem. 
Experiências em relação às crises anteriores sugerem que esse risco é crítico 
principalmente para pessoas com baixa qualificação, imigrantes e trabalhadores com mais 
idade, afirma o estudo, que analisou a situação do emprego em 51 países. 
Pessoas que entram agora no mercado de trabalho, incluindo jovens e mulheres, terão mais 
dificuldades para obter um emprego. 
Brasil 
O estudo da OIT revela que nos países em desenvolvimento empregos com alta qualificação 
foram perdidos e os trabalhadores afetados provavelmente migram para a economia 
informal. 
Nos países ricos, 10,2 milhões de pessoas perderam o emprego desde o último trimestre de 
2008. Em países como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, os cortes dos postos de 
trabalho começaram até antes dessa data. 
Nas economias em desenvolvimento, 10,7 milhões de empregos foram cortados desde 
outubro de 2008, sendo quase 9 milhões apenas no primeiro trimestre deste ano. 
O Brasil, a China, a Rússia e África do Sul representam quase a metade do total de 
empregos cortados nos países em desenvolvimento. 
Mas a Turquia, que perdeu mais de 2 milhões de vagas entre o último trimestre de 2008 e o 
primeiro trimestre deste ano, também foi afetada de maneira dramática, diz a OIT. 
De acordo com a organização, o desemprego vem diminuindo desde o segundo trimestre de 
2009 nos países em desenvolvimento. Alguns países, como o Brasil, vem mostrando um
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 130 de 323 
retorno ao crescimento do emprego, enquanto outros continuam sofrendo cortes dos postos 
de trabalho, diz o estudo. 
As tendências atuais indicam que o emprego nos países em desenvolvimento não vai 
retornar aos níveis pré-crise até o final de 2010. No Brasil, no entanto, a recuperação 
provavelmente será mais rápida, diz o estudo. 
A OIT afirma ainda que 5 milhões de pessoas podem perder o emprego imediatamente. 
Apesar da queda da demanda e da produção, as empresas mantiveram milhões de 
trabalhadores, frequentemente por meio de ajudas governamentais, diz o estudo. 
Eles correm o risco de perder o emprego se as atividades da empresa se tornarem inviáveis, 
se os governos retirarem as medidas de apoio ou se a retomada econômica não for forte o 
suficiente, afirma a OIT. 
02/12/2009 
Manchete: Morre Lombardi, o famoso locutor dos programas de Sílvio Santos. 
Resumo: Foi encontrado morto por volta das 8h desta quarta-feira (2) o locutor Lombardi, 
voz sempre presente nos programas de Silvio Santos. Segundo a assessoria de imprensa 
do SBT, a esposa de Lombardi, Eni, foi acordá-lo nesta manhã e o encontrou sem vida. 
Lombardi morreu aos 69 anos. 
Segundo o irmão Reinaldo Lombardi, 58, ele sofreu um infarto. 
01/12/2009 
Manchete: Esperança de vida do brasileiro aumenta para 72,86 anos, mostra IBGE. 
Resumo: A esperança de vida do brasileiro ao nascer aumentou mais de três anos entre 
1998 e 2008, passando de 69,66 anos para 72,86 anos, mostra a Tábua de Mortalidade do 
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta terça-feira. 
O levantamento aponta que o ganho foi semelhante entre homens e mulheres, mas que a 
diferença entre os sexos se manteve. No ano passado, a esperança de vida ao nascer era de 
69,11 anos para os homens e de 76,71 anos para as mulheres. 
O instituto também analisou a esperança de vida a partir de idades exatas, e constatou que, 
na última década, houve um aumento de 19,93 anos para 21,16 anos, para ambos os sexos. 
Com isso, uma pessoa que completasse 60 anos em 2008 teria como expectativa viver, em 
média, até os 81,16 anos. O levantamento mostra que a esperança de vida para os homens 
subiu de 18,49 anos para 19,46 anos e para as mulheres, de 21,26 anos para 22,70 anos. 
Apesar do ganho, a esperança de vida no Brasil é baixa se comparada a países como Japão, 
Suíça, Islândia, Austrália, França e Itália, onde a média supera os 81 anos. 
Mortes 
Em uma década, a mortalidade infantil caiu de 100 para 23,30 óbitos por mil nascidos vivos. 
De acordo com o instituto, entre 1998 a 2008, 68 homens jovens de 15 a 24 anos morreram 
diariamente devido a causas externas, em um total de 272,5 mil mortes. 
E.ntre os jovens de 20 a 24 anos, as mortes violentas causaram a morte de nove homens 
para cada mulher. As causas naturais também ocorreram em maior número entre os 
homens, aponta o IBGE. 
Levantamento 
Tábua Completa de Mortalidade da população brasileira é divulgada anualmente pelo IBGE, 
desde 1999. O instituto informou que o levantamento mostra a expectativa de vida para 
idades exatas até os 80 anos, e os dados têm sido usados pelo Ministério da Previdência 
Social como um dos parâmetros do fator previdenciário das aposentadorias sob o Regime 
Geral de Previdência Social.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 131 de 323 
27/11/2009 
Manchete: Brasil tem 24,6 milhões de fumantes, mostra pesquisa do IBGE. 
Resumo: O Brasil tem 24,6 milhões de fumantes (17,2% da população sob estudo), do total 
de 143 milhões de pessoas de 15 anos ou mais --estimado em 2008--, segundo a Petab 
(Pesquisa Especial de Tabagismo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 
divulgada nesta sexta-feira. O instituto destaca que esse é o primeiro levantamento que traça 
um panorama detalhado e geográfico do uso de tabaco no país. 
O estudo dividiu os fumantes em duas categorias: aqueles que fazem o uso diário do tabaco 
e os que fumam ocasionalmente. A primeira categoria é formada pela maioria dos que 
aderiram ao fumo, 21,5 milhões (15,1%) de brasileiros e a segunda por cerca de 3 milhões 
(2,1%). 
Segundo o levantamento, tanto a categoria fumante diário quanto a de fumante ocasional 
alcançaram maiores proporções de homens, 21,6% (14,8 milhões), que de mulheres, 13,1% 
(9,8 milhões). O estudo aponta também que 71,7% da população feminina sob estudo nunca 
fumou, assim como 57% dos homens de 15 anos ou mais de idade. 
A pesquisa ainda mostra que 82,8%, totalizando 118,4 milhões de pessoas, declararam em 
2008 que não fumam. Entre eles, 26 milhões afirmaram que são ex-fumantes. 
O levantamento afirma também que 25 milhões de pessoas (17,5%) de 15 anos ou mais de 
idade são usuárias de todos os produtos derivados de tabaco no país. Os produtos estão 
divididos em: tabaco fumado, que inclui o cigarro industrializado ou de Bali, cigarro de palha 
ou enrolado à mão, cachimbo, narguilé, charuto ou cigarrilha, além do tabaco não fumado, 
que não emite fumaça, como rapé e fumo de mascar. 
A maioria dos usuários estão na região Sul (19%), e o percentual mais baixo foi registrado no 
Sudeste e Centro-Oeste (16,9% em ambas as regiões). No entanto, os especialistas 
destacam que em termos de contingente de fumantes, o do Sudeste é o maior com 10,5 
milhões de pessoas. 
Os pesquisadores afirmaram que em todas as regiões do Brasil há mais homens usuários de 
tabaco que mulheres. A população masculina usuária de tabaco no Norte e no Nordeste é 
quase o dobro da feminina. 
27/11/2009 
Manchete: Entenda as propostas que mudam o cálculo das aposentadorias no Brasil. 
Fator previdenciário, que considera expectativa de vida, pode acabar. 
Nova proposta do governo adota fórmula que soma idade e contribuições. 
Resumo: O fator previdenciário, uma fórmula usada para o cálculo das aposentadorias por 
tempo de serviço do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), pode estar com os dias 
contados. Um projeto de lei e um substitutivo tramitam na Câmara justamente com este 
objetivo: acabar com o fator, que ajusta o valor do benefício do trabalhador à expectativa de 
vida no momento da solicitação. 
Com a aplicação do fator previdenciário, quem se aposenta aos 55 anos, por exemplo, 
receberá um valor mensal inferior a quem requerer o benefício com 60 anos, pois a 
fórmula presume que o primeiro receberá a aposentadoria por um período de tempo mais 
longo. 
Embora defendido por especialistas em previdência, o fator previdenciário, estabelecido em 
1999, é visto como o vilão do achatamento dos benefícios pelas centrais sindicais e 
associações de aposentados, que pedem a sua extinção. 
Para o especialista em previdência José Sechin, que foi ministro da Previdência em 2002,
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 132 de 323 
último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, o sistema garante justiça atuarial. 
Cada um terá direito de receber a contribuição que fez, acrescida de uma taxa de juros, diz. 
Segundo ele, o fator previdenciário faz com que, quem se aposenta mais cedo, receba um 
valor mensal menor porque ganhará um maior número de parcelas. 
Volta ao passado 
O projeto de lei 3299, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que acaba com o fator 
previdenciário e propõe a volta do sistema antigo de cálculo de benefícios – em que somente 
as últimas 36 contribuições da vida do trabalhador são consideradas –, é alvo de críticas 
tanto do governo quanto de especialistas na área. 
O problema, segundo Sechin, é que a proposta abre a porta para fraudes consentidas no 
sistema. Se a maior parte das contribuições é ignorada, o ex-ministro argumenta que uma 
pessoa pode contribuir por um longo tempo sobre o salário mínimo e deixar para fazer 
aportes mais altos, próximos ao teto do INSS (R$ 3.218,90, atualmente) somente nos últimos 
três anos. 
Do jeito que está, uma pessoa que se aposentar aos 50 anos vai ganhar o mesmo que 
alguém que se aposentar aos 70. Quem se aposentar cedo vai receber o dobro do que 
aportou (contribuiu). Isso vai incentivar com que as pessoas se aposentem cada vez mais 
cedo, diz Sechin. 
Sem algum tipo de limitação de idade, o temor é que as contas da previdência, que exibiram 
um rombo de R$ 42 bilhões entre janeiro e outubro deste ano, fiquem ainda mais 
pressionadas. Por isso, o governo federal já sinalizou que vetará as mudanças na 
aposentadoria caso o projeto de Paim, que já passou pela Comissão de Constituição e 
Justiça (CCJ), seja aprovado pelo plenário da Câmara. 
O consultor em previdência Renato Follador diz que o projeto de Paim é um retrocesso, uma 
volta à uma época em que a Previdência Social brasileira era tecnicamente rudimentar. 
Calcular o benefício somente com base nas últimas 36 contribuições era uma injustiça, 
especialmente para os mais pobres. Normalmente, quem depende do salário físico chega ao 
fim da vida ganhando menos. Muitas vezes, consegue se aposentar somente por idade, 
explica. 
Ele diz que o sistema atualmente em vigor considera a média das 80% maiores 
contribuições, eliminando os 20% de valor mais baixo. O objetivo é que, com o tempo, a 
conta leve em consideração toda a vida profissional do trabalhador (35 anos, para homens, e 
30 anos, para mulheres). Por enquanto, para efeito de simplificação, o cálculo é feito a partir 
de 1994, desde a criação do Plano Real. 
Fórmula 85/95 
O senador Paulo Paim admite que provavelmente seu texto será vetado pelo governo e diz 
que está aberto à aprovação do projeto na forma de um substitutivo que circula na Câmara, 
cujo relator é o deputado federal Pepe Vargas (PT-RS). “Como [o texto] está, [a sanção] é 
impossível”, diz. 
Paim afirmou que um dos objetivos do projeto era esquentar o debate contra o “mal maior” do 
fator previdenciário. O substitutivo de Vargas também define o fim do fator, mas estabelece 
uma vinculação que evita que os trabalhadores possam se aposentar muito cedo, 
apresentando a chamada fórmula 85/95, que tem o apoio do governo. 
Pelo sistema, entre idade e tempo de contribuição, um homem teria que somar 95 pontos 
para poder se aposentar. O sistema é flexível, permitindo que o contribuinte tenha 40 anos de 
contribuição e 55 anos de idade ao se aposentar; também valeria a conta de 60 anos de 
idade e 35 de contribuição, por exemplo. Para as mulheres, vale a mesma regra, sendo a 
soma necessária 85. 
O substitutivo adota uma regra para o cálculo de benefícios mais próxima da praticada 
atualmente. O texto define que o cálculo levará em conta toda a vida laboral do trabalhador, 
eliminando 30% das piores contribuições, em vez de 20% atuais. Desta forma, há chance de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 133 de 323 
que o valor do benefício cresça. O deputado Vargas define o projeto como “pragmático e 
r e a l i s t a ” . 
O “realismo” do projeto está relacionado ao fato de que ele reflete um compromisso que o 
governo assumiu em agosto assumiu com centrais sindicais como a CUT (Central Única dos 
Trabalhadores) e a Força Sindical. 
Para o consultor Renato Follador, a fórmula 85/95 é mais equilibrada [do que o projeto de 
Paim], não propõe medidas retrógradas. É uma alternativa boa [para as contas da 
previdência] porque embute uma ideia de idade mínima, ressalta. 
26/11/2009 
Manchete: Desemprego no Brasil tem trajetória oposta à dos EUA e Europa. 
Desemprego recuou para 7,5% em outubro no país, diz IBGE. 
Nos países desenvolvidos, tendência ainda é de alta. 
Resumo: A taxa de desempregou voltou a cair em outubro no Brasil, para 7,5%, segundo o 
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A trajetória do desemprego por aqui 
segue na direção contrária das grandes economias: nos EUA e na Europa, os índices 
seguem crescendo. Na Europa, a expectativa da Organização para Cooperação e 
Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de que esse indicador só volte a cair em 2011. 
26/11/2009 
Manchete: 95% dos pulmões para transplante são desperdiçados no Brasil. 
Resumo: Apenas 5% dos pulmões disponíveis para transplante no Brasil são aproveitados. 
O número equivale a um terço da taxa média de aproveitamento em outros centros do mundo 
--que é em torno de 15%. Uma das causas do desperdício é a inadequada capacitação das 
equipes em identificar e manter o potencial doador até a retirada do órgão. 
Em 2008, o Brasil realizou 53 transplantes pulmonares. A demanda por esse tipo de 
tratamento no país é de quase sete vezes isso, segundo dados da ABTO (Associação 
Brasileira de Transplante de Órgãos). Hoje, de 30% a 50% dos doentes que estão em fila de 
espera morrem sem receber o órgão. 
O pulmão é o primeiro órgão a se deteriorar no processo de morte encefálica. Em geral, o 
potencial doador necessita de respiração artificial, que, muitas vezes, compromete a 
qualidade do órgão --que também fica sujeito à contaminação direta pelo ar, tanto no caso do 
doador quanto no do receptor. 
Outro problema é a falta de treinamento das equipes cirúrgicas que fazem a captação do 
órgão. Por erros de avaliação do potencial do doador ou por não saber mantê-lo 
adequadamente até a retirada do pulmão, muitos órgãos viáveis acabam sendo inutilizados. 
Para tentar melhorar esse panorama no Estado de São Paulo, o InCor (Instituto do Coração), 
um dos principais centros de transplante de pulmão do país, criou uma rede de apoio à 
captação do órgão no Estado, que prevê a capacitação de médicos. O objetivo é aumentar 
em 20% o número de transplantes realizados. 
Segundo o cirurgião Fábio Jatene, diretor do Programa de Transplante de Pulmão do InCor, é 
comum a equipe receber notificações de potenciais doadores no interior do Estado e, quando 
chega ao hospital para retirar o órgão, o pulmão já não tem mais qualidade. 
Após a morte encefálica, o pulmão fica mais sujeito a infecções. Há um acúmulo de líquidos 
que pode deteriorá-lo rapidamente, explica. 
Jatene afirma que uma equipe treinada pode usar recursos, como a aspiração do líquido do 
pulmão, que aumentam as chances de preservação do órgão até a chegada da equipe de 
captação. No futuro teremos pessoas no interior familiarizadas com a captação e não haverá
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 134 de 323 
mais necessidade de deslocar uma equipe da capital. 
Para o médico Ben-Hur Ferraz Neto, vice-presidente da ABTO, melhorar a qualidade da 
captação em São Paulo e Porto Alegre, onde estão os dois principais centros de transplante 
de pulmão, é mais importante do que treinar médicos no interior. O número de doadores de 
órgãos na capital tem aumentado nos últimos anos, mas isso não tem se refletido no número 
de pulmões viáveis. 
Sobrevivência 
A sobrevida média dos pacientes transplantados de pulmão é de 80% em um ano. Ao final de 
cinco anos, de 50% a 55% dos pacientes continuam vivos. 
Segundo Jatene, é preciso difundir entre os médicos que o transplante deve ser considerado 
cada vez mais uma alternativa terapêutica em casos avançados de doença pulmonar 
obstrutiva crônica, enfisema e fibrose pulmonares, hipertensão pulmonar e fibrose cística. 
Hoje, por temer o risco de morte da cirurgia, muitos médicos não indicam o transplante. Ao 
mesmo tempo, como são poucos os centros brasileiros que fazem o procedimento, muitos 
pacientes não têm condições de se estabelecerem em outra cidade para o tratamento. 
26/11/2009 
Manchete: Queda da Aids no mundo não se reflete no Brasil. 
Resumo: Ao contrário da tendência mundial divulgada esta semana pelo Programa das 
Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), no Brasil o número de novos casos não está 
diminuindo. Segundo o Ministério da Saúde, está estável desde 2000, com cerca 18 casos 
para cada 100 mil habitantes. As mortes também estabilizaram no patamar de 6 mortos para 
cada grupo de 100 mil habitantes. 
Em números absolutos, há uma média de 11 mil óbitos pela doença a cada ano e 33 mil 
novos casos. De acordo com o departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, o 
mundo está colhendo os frutos do avanço no tratamento. “O Brasil trata a população 
contaminada e doente desde o início da epidemia e passamos por esses índices positivos há 
uma década”, avalia Mariângela Simão, diretora do departamento. 
Segundo ela, 10 milhões de pessoas no mundo precisam de tratamento contra a aids e 
apenas 4 milhões tem acesso a ele. “No Brasil, 200 mil precisam de tratamento e todos 
recebem”, garante. 
Aids migra para as cidades pequenas 
A epidemia de Aids no Brasil avançou para as cidades menores. Apesar dos dados do 
Boletim Epidemiológico da doença apontarem para a estabilização do número de novos 
casos, com cerca de 33 mil por ano, nos municípios com menos de 50 mil habitantes a taxa 
de incidência de Aids quase dobrou. Os números foram divulgados nesta quinta-feira pelo 
Ministério da Saúde. 
Entre 1997 e 2007, passou de 4,4 casos para cada grupo de 100 mil habitantes para uma 
taxa de 8,2 casos. Nas grandes cidades, o caminho é o oposto. Em São Paulo, por exemplo, 
a taxa de incidência caiu de 32,3 casos para 27,4 no mesmo período. 
O número de municípios com pelo menos um caso de Aids também cresceu. É o caso de 
90% das cidades brasileiras. “A população brasileira sexualmente ativa existe em centros 
urbanos e no interior e é esperado que a doença comece a afetar municípios menores”, 
observou Mariângela Simão, diretora do Programa Nacional de DST e Aids. 
Mariângela destacou, no entanto, que estão no entorno dos grandes centros urbanos os 
municípios pequenos com altos índices de incidência de Aids. “São cidades menores e com 
grande influência das cidades grandes”, completa.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 135 de 323 
Os dados mostraram também que a tendência de crescimento nas cidades menores e a 
queda dos casos nas menores ocorreu em todo o Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Apenas no 
Norte e no Nordeste, ocorreu aumento tanto nas cidades pequenas quanto grandes. “Existem 
características específicas em cada região. Parte do Norte, por exemplo, sofre influencia das 
Guianas e de grupos que migram de um lado para outro da fronteira”, observa. 
Em algumas cidades do Norte e do Nordeste, nos últimos 10 anos, a taxa de incidência de 
Aids subiu mais de 200%. É o caso de Ananindeua, no Pará, onde a taxa de incidência 
aumentou 380% na última década. Em São Luís, no Maranhão, o aumento foi de 272%. Já 
em Teresina, no Piauí, o crescimento foi de 254%. 
Municípios do Sul são campeões de incidência de aids 
Cidades do Sul do país dominam o ranking de municípios com maior incidência de aids no 
interior do país. E os casos mais graves estão no Rio Grande do Sul. 
Para se ter uma idéia, dos 15 municípios com mais de 50 mil habitantes e com as maiores 
taxas de incidência, 11 são gaúchos e quatro são catarinenses. 
“Todos os municípios do Rio Grande do Sul com altos índices estão na região metropolitana 
de Porto Alegre”, cita a diretora do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, 
Mariângela Simão, em divulgação do Boletim Epidemiológico de 2009, nesta quinta-feira, em 
Brasília. 
A primeira colocada na lista de cidades com altas taxas é Porto Alegre com 111,4 casos para 
cada 100 mil habitantes. O número é 6 vezes maior que o nacional, de 18 casos para 100 mil 
habitantes. “Historicamente, o Rio Grande do Sul tem dados mais altos”, afirma Mariângela. 
Mas preocupa o fato dos números subirem constantemente - em 2002 eram 105 casos para 
cada 100 mil. 
As causas apontadas pelo Ministério da Saúde, preliminarmente, estão relacionadas ao uso 
de drogas injetáveis, que caiu menos no estado em relação ao restante do país, e também à 
política de combate à contaminação que poderia não estar tão eficiente no Sul. 
Dos casos acumulados de aids de 1980 a 2009, a região Sudeste é a que tem o maior 
percentual (59,3%) do total de notificações no país, com 323 mil registros da doença. Mas, 
quando comparada a população e os casos, é o Sul o que tem o pior cenário. Na região, 
moram 15% da população brasileira mas estavam concentrados 24% dos casos de Aids em 
2007. No Nordeste, a relação é a metade. Lá moram 28% dos brasileiros e estão 17% dos 
casos da doença. 
QUADRO GERAL DA AIDS 
Estimativa de infectados pelo HIV no Brasil: 630 mil 
Casos novos em 2008: 34.480 
Número de óbitos por aids em 2008: 11.532 
18/11/2009 
Manchete: Fumo. 
Resumo: O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de tabaco, com produção de 7 
milhões de toneladas na safra 2007/08 e US$ 2,2 bilhões negociados no mercado externo. 
Estados Unidos e Zimbabwe ocupam a segunda e terceira colocação, respectivamente. A 
região Sul do país concentra 95% da produção e o Nordeste participa com 4,5%. 
17/11/2009 
Manchete: Depressão será a doença mais comum do planeta em 2030. 
Pobres são os mais atingidos pelo transtorno; stress deflagra crises. 
Resumo: Nos próximos 20 anos, a depressão deverá afetar mais pessoas que qualquer
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 136 de 323 
outro problema de saúde, inclusive as doenças cardiovasculares e o câncer. A estimativa é 
da Organização Mundial de Saúde (OMS). A entidade alerta também para os custos 
econômicos e sociais e para a diminuição da produtividade resultantes dos gastos com 
tratamento. Países pobres, onde já se registram mais casos de depressão que os 
desenvolvidos, serão os mais afetados nas próximas décadas. “A patologia tem diversas 
causas, algumas biológicas, mas parte delas vem de pressões ambientais e, obviamente, as 
pessoas pobres sofrem mais stress no dia a dia que as ricas, e não é surpreendente que 
tenham mais depressão”, disse o médico Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde 
Mental da OMS, na primeira Cúpula Global de Saúde Mental, em Atenas, na Grécia. Segundo 
ele, não devemos considerar que haja uma epidemia silenciosa, porque a depressão vem 
sendo cada vez mais diagnosticada. “Mas as pessoas têm o direito de ser aconselhadas e 
tratadas como em qualquer outro distúrbio, e é preciso mudar a mentalidade em relação à 
doença”, ressalta o médico. 
13.11.2009 
Manchete: Morre a atriz Mara Manzan, da TV Globo. 
Resumo: A atriz Mara Manzan ,de 57 anos, morreu às 8h15m da manhã desta sexta-feira 
em decorrência de um câncer de pulmão, no hospital Rios D'or , em Jacarepaguá, onde 
estava internada desde sábado na CTI da unidade. Segundo a assessoria do hospital, o 
câncer da atriz evoluiu severamente e se espalhou para outras partes do corpo. Seu último 
trabalho na televisão foi a indiana Ashima na novela Caminho das Índias, da TV Globo. A 
atriz chegou a ficar afastada das gravações por algumas semanas devido ao agravamento da 
doença. 
07/11/2009 
Manchete: Diretor e ator Anselmo Duarte morre aos 89 anos em SP. 
Ele estava internado após ter sofrido AVC; enterro será em Salto. 
Com o filme “O Pagador de promessas” (1962), foi premiado Cannes. 
Resumo: Morreu na madrugada deste sábado (7) o ator e diretor de cinema Anselmo 
Duarte, de 89 anos, informa a assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas em São 
Paulo. Duarte estava internado no hospital após ter tido um acidente vascular. A assessoria 
informou que iria apurar o caso para dar mais detalhes sobre a morte do ator e diretor. 
Anselmo Duarte foi um dos mais prestigiados cineastas brasileiros. Com o filme “O Pagador 
de Promessas” (1962), ele foi premiado no Festival de Cinema de Cannes com a Palma de 
Ouro – a única concedida a um filme brasileiro. 
03/11/2009 
Manchete: Morre aos 100 anos o antropólogo Lévi-Strauss. 
Resumo: O etnólogo e antropólogo estruturalista Claude Lévi-Strauss morreu na noite de 
sábado para domingo (1º) aos 100 anos, de acordo com um porta-voz da Escola de Estudos 
Avançados em Ciências Sociais de Paris, na França. Ainda não há informações sobre a 
causa da morte do antropólogo. O falecimento foi divulgado pela editora Plon. 
Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes pensadores do século 20. 
Ele, que completaria 101 anos no próximo dia 28, tornou-se conhecido na França, onde seus 
estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e 
membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris. 
16/10/2009 
Manchete: Tocantins lidera ranking e Rio tem menor índice de trabalho infantil no 
país. 
Segundo o IBGE, 4,5 milhões de pessoas entre 5 e 17 anos trabalham.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 137 de 323 
Dados foram obtidos com base em informações do IBGE. 
Resumo: O Tocantins é o estado com maior incidência de trabalho infantil em todo o país 
enquanto que o Rio de Janeiro tem o menor índice, segundo dados obtidos com base 
na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia 
e Estatística (IBGE). 
Cerca de 4,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalham em todo país, 
de acordo com o IBGE - cerca de 10% de toda a população na faixa etária. 
No Tocantins, o percentual da população entre 5 e 17 anos ocupada é de 15,7%. No Rio, o 
índice é 3,9%. 
A legislação brasileira permite o trabalho na condição de aprendiz a partir dos 14 anos e em 
qualquer caso acima dos 16, mas muitas crianças e adolescentes começam a pegar no 
batente mais cedo. Dados da PNAD mostram que 141 mil das crianças ocupadas têm menos 
de nove anos de idade e 1,3 milhão menos de 14. 
Acima dos 14 anos, o IBGE aponta que são R$ 2,99 milhões de ocupados. Mas, dados de 
2008 do Registro Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego, 
apontam que apenas 360 mil jovens de 16 e 17 têm emprego com carteira assinada. Outros 
160 mil jovens acima dos 14 trabalham como aprendizes. Isso significa que 2,47 milhões de 
adolescentes trabalham sem ter seus direitos trabalhistas respeitados. 
O coordenador do Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil da 
Organização Internacional do Trabalho no Brasil (OIT), Renato Mendes, diz que o trabalho 
infantil está sempre atrelado a outros indicadores e à desvalorização da mão-de-obra adulta. 
O trabalho infantil nunca vem sozinho, vem com outros indicadores de desenvolvimento 
humano, educação básica, pobreza. 
Segundo Mendes, tradicionalmente os estados do Nordeste e Norte estão no topo do ranking 
por conta dos indicadores econômicos. Os estados do Sul, porém, ficam em evidência por 
conta do aspecto cultural, que muitas famílias educam os filhos, principalmente no campo, 
por meio do trabalho. 
A responsável pela Coordenadoria da Infância do Ministério Público do Trabalho, procuradora 
Mariane Josviak explica também que nas capitais é mais comum o trabalho nas ruas, na 
venda de produtos, exploração sexual e trabalho doméstico. No interior, segundo ela, as 
crianças atuam mais na agricultura. 
Peti 
Uma das formas de combate ao problema no Brasil é o Programa de Erradicação do 
Trabalho Infantil (Peti) do governo federal. Nele, os pais recebem benefício de até R$ 200 
pelo Bolsa Família para que as crianças e adolescentes em situação de risco participem de 
ações educativas fora do horário escolar. 
O Peti e o Bolsa Família foram integrados em 2005 e a unificação é alvo de críticas. 
Especialistas da área alegam que muitas famílias passaram a receber benefícios menores e, 
por isso, abandonaram as atividades do Peti complementares à escola. Com isso, podem ter 
voltado ao trabalho. 
De acordo com a diretora de Proteção Social Especial da Secretaria do Trabalho e 
Desenvolvimento Social do Tocantins, essa pode ser uma das explicações para o estado 
estar no topo do ranking dos estados com maior incidência de trabalho infantil. Nenhum 
fenômeno novo ocorreu no estado para que houvesse aumento do trabalho infantil. Temos 
um programa de proteção básica que atende 45 mil crianças com transferência de renda e 
programa socioeducativo. 
Trata-se de um programa estadual que dá benefício de R$ 45 para os participantes que têm 
recreação e reforço escolar.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 138 de 323 
Algumas cidades do estado têm o Peti, mas Aurora afirma que muitos deixaram de aplicar o 
projeto desde a unificação. Inclusive o governo federal está reformulando (o Peti). Com a 
integração com o Bolsa Família, o programa ficou enfraquecido. Algumas famílias que 
recebiam duas bolsas, passaram a receber uma única bolsa e como não entendem, não 
frequentam mais as atividades do Peti. 
Mesmo estando em último lugar do ranking, o estado do Rio de Janeiro também não atribui 
os dados positivos somente ao Peti. Temos projeto de atendimento às famílias em todas as 
cidades do estado e piorizamos as que têm crianças em condição de risco. Claro que a 
criança não faz opção de ir para o trabalho precocemente. Uma das causas é a condição 
socioeconômica precária da família. O Peti tem desenho interessante, mas faz intervenção 
na consequência, não trabalha a causa do problema, afirmou Telma de Azeredo, 
subsecretária de Assistência Social e Descentralização da Gestão do estado do Rio de 
Janeiro. 
Telma afirma ainda que o estado tenta mostrar aos pais a importância da educação. Tem a 
questão cultural dos filhos ajudarem na roça, que o trabalho enobrece e que filho de pobre 
precisa trabalhar cedo para não fazer coisa ruim. Mas o filho do rico não precisa, o filho do 
rico já ocupa o tempo com inglês, balé. Essa mentalidade precisa mudar. 
De acordo com o Renato Mendes, da OIT, o trabalho infantil no Brasil vem diminuindo e o 
Peti contribuiu muito - em 1995, o índice de crianças e adolescentes entre 5 a 17 anos no 
trabalho era de 18,7%. No entanto, Mendes também vê prejuízo para o Peti na integração 
com o Bolsa Família. 
O Peti nasceu de experiências de sucesso promovidas pela OIT e a Unicef, projetos de 
transferência de renda condicionada com participar do turno de atividade escolar e de 
atividades socioeducativas. Quando se integrou no Bolsa Família em 2005, o Peti não evoluiu 
como se havia esperado, não conseguiu mais avançar, avalia Renato Mendes. 
12/10/2009 
Manchete: Dois norte-americanos vão dividir Nobel de economia. 
Elinor Ostrom é a primeira mulher a receber o prêmio. 
Laureados foram escolhidos por pesquisas em governança econômica. 
A Real Academia de Ciências da Suécia anunciou nesta segunda-feira (12) ter atribuído o 
Prêmio Nobel de Ciências Econômicas a dois pesquisadores norte-americanos: Elinor 
Ostrom, da Universidade de Indiana, e Oliver E. Williamson, da Universidade da Califórnia, 
por suas pesquisas em governança econômica. É a primeira vez que uma mulher recebe o 
prêmio. 
O prêmio, cujo nome oficial é Prêmio Sveriges Riksbank (o banco central da Suécia) de 
Ciências Econômicas em Memória a Alfred Nobel, foi estabelecido em 1968, em 
comemoração ao 300º aniversário da autoridade monetária. 
Os laureados 
Nascida em 1933 em Los Angeles, Elinor Ostrom é professora da Universidade de Indiana. 
Em suas pesquisas, ela demonstrou, segundo a Academia sueca, como a propriedade 
comum pode ser gerenciada com sucesso por associações. “Elinor Ostrom desafiou a 
convenção de que propriedades comuns são mal gerenciadas e que devem ser reguladas 
por autoridades centrais ou privatizadas”, diz a Academia em nota. 
“Minha primeira reação foi de grande surpresa e apreciação. Ser escolhida para esse prêmio 
é uma grande honra”, disse Elinor em entrevista imediatamente após o anúncio do prêmio. 
Oliver E. Williamson nasceu em 1932, em Superior, no estado de Winsconsin. Ele é 
professor da Universidade da Califórnia. Ele desenvolveu uma teoria em que as empresas 
servem como estruturas para solução de conflitos. “Oliver Williamson argumentou que 
mercados e organizações hierárquicas, como empresas, representam estruturas alternativas
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 139 de 323 
de governança, que diferem em sua abordagem para resolver conflitos de interesse”, diz a 
nota. 
O prêmio, de 10 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,4 milhão), vai ser entregue em 
10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel. 
Em 2008, o Nobel de Economia foi atribuído ao norte-americano Paul Krugman, por sua 
análise dos padrões do comércio e a respeito da localização da atividade econômica. 
09/10/2009 
Manchete: Barack Obama ganha Nobel da Paz 2009. 
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, venceu o prêmio Nobel da Paz por seus 
esforços para reduzir os estoques de armas nucleares e por seu trabalho pela paz mundial. 
Primeiro presidente americano de origem africana, Obama também trabalhou para reiniciar o 
estagnado processo de paz no Oriente Médio desde que assumiu o cargo, em janeiro deste 
ano. 
Obama é o terceiro presidente americano em exercício a receber o prêmio Nobel da Paz, 
depois de Theodore Roosevelt (1901-1909), agraciado em 1906, e de Woodrow Wilson 
(1913-1921), vencedor em 1919. Além disso, Jimmy Carter recebeu o Nobel da Paz de 2002, 
20 anos depois de seu mandato (1977-1980). 
As indicações são feitas por milhares de pessoas de todo o mundo, tais como parlamentares, 
ministros, ganhadores de anos anteriores, professores universitários e membros de 
organizações internacionais. 
Os nomes são mantidos em segredo pelo comitê, mas alguns acabam vazando. 
Para a edição deste ano, foram 205 indicados, entre pessoas e organizações. Trata-se de 
um número recorde, depois de 2005, quando foram apresentadas 199 candidaturas, 
informou o diretor do Instituto Nobel, Geir Lundestad. 
Vencedores das edições anteriores 
No ano passado, o prêmio Nobel da Paz foi entregue ao ex-presidente da Finlândia Martti 
Ahtisaari, que esteve envolvido em várias negociações de conflitos como o de Kosovo e 
Iraque. 
Em 2007, o prêmio foi para ex-vice-presidente americano e ativista Al Gore, juntamente com 
o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. 
Um ano antes o escolhido foi o bengalês Muhammad Yunus, pioneiro na implementação do 
microcrédito para pessoas em extrema pobreza (2006). 
08/10/2009 
Manchete: Herta Müller ganha Nobel de Literatura. 
Autora é nascida na Romênia e radicada na Alemanha desde 87. 
Escolha foi anunciada nesta quinta-feira (8) em Estocolmo. 
A escritora romena radicada na Alemanha Herta Müller foi a vencedora do Prêmio Nobel da 
Literatura de 2009. Müller é autora de O compromisso, lançado no Brasil em 2004 pela 
editora Globo. 
O resultado foi anunciado nesta quinta-feira (8) por um porta-voz da Academia Sueca, em 
Estocolmo, na Suécia. O prêmio é de US$ 1,4 milhão.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 140 de 323 
A escolha foi justificada pela forma como Müller com a concentração de sua poesia e a 
franqueza de sua prosa, retrata a paisagem dos despossuídos. 
05/10/2009 
Manchete: ONU diz que Noruega é melhor lugar para se viver; Níger é o pior. 
Resumo: A Noruega continua sendo o lugar mais desejável do mundo para se viver, 
segundo dados divulgados pela ONU (Organização das Nações Unidas) nesta segunda-feira, 
em uma lista que coloca nos últimos lugares países flagelados por guerras e pela Aids, 
especialmente na África Subsaariana. 
Dados coletados antes da crise econômica mostram que os povos da Noruega, Austrália e 
Islândia têm o melhor padrão de vida, enquanto Níger, Afeganistão e Serra Leoa apresentam 
os piores resultados no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). 
A lista do Programa de Desenvolvimento da ONU (Pnud) usa dados de 2007 relativos a PIB 
per capita, educação e expectativa de vida, apontando fortes diferenças entre os países 
desenvolvidos e subdesenvolvidos. 
Apesar das significativas melhorias ao longo do tempo, o progresso tem sido desigual, disse 
nota do Pnud. Muitos países experimentaram reveses nas últimas décadas, diante de 
reviravoltas econômicas, crises relacionadas a conflitos e a epidemia de HIV/Aids, e isso foi 
antes que o impacto da crise econômica global fosse sentido. 
A expectativa de vida no Níger é de 50 anos, cerca de 30 a menos que na Noruega, segundo 
o índice. Em termos de renda per capita, a da Noruega é 85 vezes superior à do Níger. Os 
japoneses são o povo mais longevo (em média, 82,7 anos de vida), ao contrário do 
Afeganistão, onde a expectativa de vida, afetada pela guerra, é de apenas 43,6 anos. 
Nos 24 países mais pobres, metade da população é analfabeta. Nos países de médio 
desenvolvimento humano, a categoria seguinte na lista, esse índice já cai para 20 por cento. 
O pequeno principado de Liechtenstein tem o maior PIB per capita (85.383 dólares por ano), 
já que são 15 bancos e mais de cem firmas de gestão de capital em meio a apenas 35 mil 
habitantes. A menor renda per capita é a da República Democrática do Congo --US$ 298 por 
ano. 
Cinco países --China, Venezuela, Peru, Colômbia e França-- subiram três ou mais posições 
em relação ao ano anterior, graças a aumentos da renda e da expectativa de vida. China, 
Colômbia e Venezuela também tiveram melhoras graças a avanços educacionais. 
O Pnud, que publica o IDH anualmente desde 1990, disse que o desenvolvimento humano 
melhorou 15 por cento desde 1980, e que os maiores avanços foram registrados na China, 
no Irã e no Nepal. 
05/10/2009 
Manchete Três cientistas dos Estados Unidos venceram o Nobel de medicina ou fisiologia 
pela descoberta de como os cromossomos são copiados e protegidos contra a degradação, 
informou o instituto que concede o prêmio nesta segunda-feira. 
Elizabeth Blackburn, australiana de nascimento, Jack Szostak, britânico de nascimento, e Carol 
Greider conquistaram o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,42 milhão), informou o Instituto 
Karolinska. 
O instituto afirmou que os três cientistas resolveram um grande problema da biologia, ao 
determinarem como os cromossomos são copiados completamente durante a divisão celular e 
protegidos contra a degradação. 
O trio recebeu o prêmio por suas pesquisas sobre a telomerasa, uma enzima que protege os 
cromossomos contra o envelhecimento, explicou o comitê em seu comunicado.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 141 de 323 
A descoberta pode ser a chave da juventude eterna, uma vez que a enzima determina não apenas o 
envelhecimento das células, mas também sua evolução no sentido do aparecimento de um câncer. 
Blackburn, que é cidadã americana e australiana, dá aula de Biologia na Universidade da Califórnia. 
Greider é professora do departamento de Biologia Molecular e Genética da Faculdade de Medicina da 
Universidade Johns Hopkins. 
Já Szostak é membro da Escola de Medicina de Harvard desde 1979 e também é afiliado ao Instituto 
Médico Howard Hughes. 
Tradicionalmente a medicina é a primeira área a receber o prêmio Nobel todos os anos. Os prêmios de 
Física, Química e Literatura serão anunciados ainda nesta semana, enquanto o Nobel de Economia 
será divulgado na próxima segunda-feira. 
Os prêmios por conquistas nas áreas de ciência, literatura e paz foram entregues pela primeira vez em 
1901, de acordo com a vontade do empresário e inventor da dinamite Alfred Nobel. 
04/10/2009 
Manchete Cantora Mercedes Sosa morre, aos 74 anos, em Buenos Aires. 
A cantora argentina Mercedes Sosa morreu hoje, aos 74 anos, no hospital em Buenos Aires 
onde estava internada há cerca de um mês. 
Sosa foi internada por conta de um problema hepático que piorou com complicações 
pulmonares. Nos últimos dias, ela respirava com a ajuda de aparelhos. 
O filho de Sosa, Fabián Matus, afirmou à imprensa argentina que o momento era de oração, 
mas que ainda tinha esperanças sobre a recuperação de sua mãe. 
Ela viveu plenamente seus 74 anos, fez praticamente tudo o que quis, não teve nenhum tipo 
de barreira nem medo. Viveu uma vida muito plena, que foi dolorosa, pelo exílio, disse. 
A cantora já havia sido hospitalizada em março deste ano, devido a um quadro de pneumonia 
e desidratação. 
A saúde frágil da cantora a impediu de lançar oficialmente seu álbum duplo Cantora, que 
traz participações de Caetano Veloso, Shakira e Joan Manuel Serrat, entre outros artistas. 
Com uma carreira de mais de quatro décadas, Mercedes Sosa foi uma das vozes mais 
representativas da música popular argentina e da América Latina. 
02/10/09 
Manchete: Rio transforma o sonho olímpico em realidade e conquista os Jogos de 
2016. 
Resumo: Em uma sexta-feira histórica para o esporte brasileiro, candidatura carioca supera 
as rivais Madri, Tóquio e Chicago na disputa em Copenhague 
É impossível prever quais serão os maiores atletas do planeta daqui a sete anos. Possível, 
sim, é saber em que palco eles vão brilhar: o Rio de Janeiro. Em uma sexta-feira histórica 
para o esporte brasileiro, os cariocas conquistaram em Copenhague o direito de sediar os 
Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Até a cerimônia de abertura no Maracanã, serão 
mais de 2.400 dias. Tempo de sobra para viver intensamente cada modalidade, moldar novos 
ídolos e, acima de tudo, deixar a cidade ainda mais maravilhosa. Superadas as rivais Madri, 
Tóquio e Chicago, finalmente dá para dizer com todas as letras: a bola está com o Rio. 
Quando o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, abriu o envelope 
com os cinco anéis olímpicos e anunciou a vitória do Rio, foram duas explosões simultâneas 
de alegria. Na Praia de Copacabana, a multidão que aguardava o resultado soltou o grito e 
começou a comemorar sob uma chuva de papel picado.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 142 de 323 
Dentro do Bella Center, os integrantes da delegação brasileira repetiram a festa de forma 
efusiva. Sem conter as lágrimas, Pelé comandava a celebração, abraçando o presidente Luiz 
Inácio Lula da Silva, o governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e os esportistas. 
Entre gritos e abraços, difícil era encontrar um brasileiro que não estivesse chorando. 
02/10/2009 
Manchete: Gripe A já matou 4.108 pessoas no mundo, diz OMS. 
Resumo: A gripe já infectou 343.298 pessoas no mundo todo e matou pelo menos 4.108, 
informou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS). 
Os dados correspondem aos casos contabilizados até 27 de setembro. A agência das 
Nações Unidas destacou ainda que os números dizem respeito aos diagnósticos confirmados 
em laboratório, motivo pelo qual o total de casos pode ser maior. 
A América, com 3.020 mortes confirmads e 137.147 contágios, continua sendo a região mais 
afetada pela doença. 
Já no Pacífico Ocidental, foram contabilizadas 383 mortes e 96.197 casos. 
No Sudeste Asiático, a gripe A matou 413 pessoas e contaminou outras 33.594. 
Os dados mostram ainda que, na Europa, 176 pessoas morreram e outras 56.000 foram 
infectadas pela doença. 
Na área do Mediterrâneo oriental, 12.008 pessoas ficaram doentes e 74 morreram depois de 
contaminadas pelo vírus AH1N1. 
Por sua vez, a África registrou 42 mortes e 8.352 casos da doença. 
Segundo a OMS, a situação começou a voltar ao normal nas áreas temperadas do 
Hemisfério Sul - Chile, Argentina, Austrália, Nova Zelândia. 
Nas áreas tropicais da América, também foi identificada uma tendência de recuo em países 
como Brasil, Bolívia, Costa Rica, El Salvador, Panamá, Paraguai, Venezuela. Porém, o 
número de casos aumentou em nações como Cuba e Colômbia. 
Na Ásia, há uma tendência de alta em países como Índia e Camboja, embora os casos 
estejam diminuindo, de modo geral. 
Na América do Norte, a transmissão é ampla e se mantém mais elevada que a da gripe 
comum. 
Na Europa e na Ásia Ocidental, a transmissão se mantém baixa, menos no Reino Unido, na 
Irlanda e na França. 
01/10/2009 
Manchete: Terremoto na ilha indonésia de Sumatra matou mais de 460 pessoas, diz 
governo. 
Número de mortos na cidade de Padang pode subir a milhares. 
Na véspera, tremor seguido de tsunami abalou Samoa e Samoa Americana. 
Resumo: O terremoto que atingiu a costa da ilha de Sumatra, na Indonésia, nesta 
quarta-feira (30), matou mais de 460 pessoas, segundo novo balanço oficial divulgado pelo 
Ministério de Assuntos Sociais de Sumatra, nesta quinta-feira (1º). O governo, entretanto, 
admite que o número de vítimas fatais será ainda maior.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 143 de 323 
Pensamos que morreram milhares de pessoas, disse o chefe da célula de emergência do 
Ministério da Saúde, Rustam Pakaya. 
O número de feridos já passa de 420, de acordo com o governo. 
Tsunami 
O tremor ocorre um dia depois de um forte terremoto seguido de tsunami ter atingido a região 
de Samoa Americana e Samoa, na Oceania, deixando ao menos 100 mortos. O abalo foi 
sentido em toda a região, e alguns edifícios comerciais altos de Cingapura, 440 km a 
nordeste, foram desocupados. 
O Serviço Geológico dos Estados Unidos apontou a magnitude do tremor como de 7,9, mas 
depois a revisou para 7,6, mesma magnitude apontada pela agência meteorológica da 
Indonésia. O epicentro do tremor foi a 50 km da costa da cidade de Padang. 
Um alerta regional de tsunami foi emitido, segundo o norte-americano Centro de Tsunamis do 
Pacífico, e retirado a seguir. 
A cidade de Padang, capital da província indonésia de Sumatra Ocidental, fica sobre uma das 
falhas geológicas mais ativas do mundo, parte do chamado Anel de Fogo do Pacífico. 
18/09/2009 
Manchete: Jovem que sobreviveu à raiva humana recebe alta no Recife. 
Segundo médicos, foi o primeiro caso de cura da doença no país. 
Ele foi levado para casa por ambulância. 
Resumo: Um adolescente de 16 anos recebeu alta médica de um hospital do Recife, nesta 
sexta-feira (18). Segundo os médicos, ele é o primeiro brasileiro que se curou da raiva 
humana. Uma ambulância do município de Floresta, onde vive a família, chegou à unidade de 
saúde logo cedo para fazer o transporte do paciente. 
O garoto contraiu a doença depois de ser mordido por um morcego, enquanto dormia. Ele 
estava internado na unidade de saúde desde outubro do ano passado e saiu da UTI em 
fevereiro deste ano, após mais de cem dias de tratamento. O pai deixou o trabalho para fazer 
companhia para o filho. 
De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, ele teve algumas sequelas, não está 
andando, fala com dificuldade, mas vai continuar tendo acompanhamento médico. 
O paciente deve voltar à unidade de saúde em três semanas para nova avaliação e deve ser 
submetido a uma cirurgia ortopédica no quadril. 
O tratamento usado foi baseado Protocolo de Milwaukee, criado nos Estados Unidos em 
2004. O hospital informa que foram usados antivirais, sedativos e anestésicos. 
18/09/2009 
Manchete: Famílias encolhem, brasileiro vive mais e fica mais pardo; país tem 5 
milhões de mulheres a mais que homens. 
Resumo: Famílias menores, mais gente morando só e mais pessoas que se declaram de cor 
parda. Os brasileiros vivem cada vez mais, principalmente as mulheres, que ainda são 
maioria na população: há 5,1 milhões de mulheres (quase uma população do Paraguai, que é 
de 6 milhões de pessoas) a mais do que homens. Essas são algumas das conclusões da 
Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), divulgada hoje pelo IBGE (Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística). A pesquisa serve como um retrato do Brasil em 
números. 
Uma boa notícia: o trabalho infantil caiu acentuadamente na faixa entre 5 e 13 anos de idade. 
Nesse período da vida, no qual o trabalho é considerado ilegal no Brasil, houve queda de 
19,2% em um ano (de 2007 para 2008, ano em que a pesquisa divulgada hoje foi feita) na 
quantidade de crianças e adolescentes com ocupações remuneradas ou não remuneradas.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 144 de 323 
Mas ainda há 993 mil crianças e adolescentes de 5 a 13 anos trabalhando no Brasil. 
O brasileiro está um pouco mais endinheirado. O rendimento médio dos brasileiros que têm 
ao menos um trabalho remunerado cresceu, em 2008, 1,7% acima da inflação e atingiu R$ 
1.036, no quarto ano seguido de aumento. Em 2007, o valor estava em R$ 1.019. A média de 
renda vem aumentando pelo menos desde 2004, mas o ritmo de crescimento passou a 
diminuir a partir de 2006. No ano passado, a alta foi a menor desde 2005. 
O aumento da renda se reflete no acesso a bens de consumo. No Brasil, 82,1% das pessoas 
têm telefone. Sinal dos tempos modernos é o declínio da telefonia fixa: mais de 40% das 
casas de quatro regiões do Brasil têm apenas celular para fazer ligações. Computador é 
outro item que aparece em cada vez mais residências pelo país: já são 31,2% os domicílios 
com computador (um ano antes eram 26.5%), e 23,8% os que têm acesso à internet. 
Mas os números mostram que alguns problemas que parecem ser do passado persistem em 
pleno século 21: moradores 9,2 milhões de residências ainda dependem de poços, 
nascentes, carros-pipa ou da chuva para beber água, cozinhar e tomar banho. Já cerca de 
2,2 milhões de casas não contam com nenhum tipo de escoamento para o esgoto. 
O índice de analfabetismo do país caiu pouco. O Brasil ainda tem 14,2 milhões de 
analfabetos com 15 anos ou mais. Um em dez brasileiros com 15 anos ou mais não 
consegue ler ou escrever um bilhete simples. A taxa de analfabetismo divulgada neste ano na 
Pnad é de 10%, dado semelhante ao ano passado, quando a taxa ficou em 10,1%. 
15/09/2009 
Manchete: Ator Patrick Swayze é homenageado em Hollywood. 
Estrela na calçada da fama recebeu flores. 
Ator morreu na segunda-feira (14), aos 57 anos. 
Resumo: Fãs de Patrick Swayze, que morreu nesta segunda-feira (14), aos 57 
anos, deixaram flores na estrela do ator na calçada da fama, em Hollywood. 
02/09/2009 
Manchete: Depressão será doença mais comum do mundo em 2030, diz OMS. 
Resumo: Dados divulgados nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS) 
apontam que, nos próximos 20 anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum do 
mundo, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo câncer e 
doenças cardíacas. Segundo a OMS, a depressão será também a doença que mais gerará 
custos econômicos e sociais para os governos, devido aos gastos com tratamento para a 
população e às perdas de produção. 
De acordo com o órgão, os países pobres são os que mais devem sofrer com o problema, já 
que são registrados mais casos de depressão nestes lugares do que em países 
desenvolvidos. Atualmente, mais de 450 milhões de pessoas são afetadas diretamente por 
transtornos mentais, a maioria delas nos países em desenvolvimento, segundo a OMS. As 
informações foram divulgadas durante a primeira Cúpula Global de Saúde Mental, realizada 
em Atenas, na Grécia. 
Os números da OMS mostram claramente que o peso da depressão (em termos de perdas 
para as pessoas afetadas) vai provavelmente aumentar, de modo que, em 2030, ela será 
sozinha a maior causa de perdas (para a população) entre todos os problemas de saúde, 
afirmou o médico Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde Mental da OMS. Ainda 
segundo Saxena, a depressão é mais comum do que outras doenças que são mais temidas 
pela população, como a Aids ou o câncer. 
Nós poderíamos chamar isso de uma epidemia silenciosa, porque a depressão está sendo 
cada vez mais diagnosticada, está em toda parte e deve aumentar em termos de proporção, 
enquanto a (ocorrência) de outras doenças está diminuindo.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 145 de 323 
Pobres 
Segundo o médico, os custos da depressão serão sentidos de maneira mais aguda nos 
países em desenvolvimento, já que eles registram mais casos da doença e têm menos 
recursos para tratar de transtornos mentais. Nós temos dados que apontam que os países 
mais pobres têm (mais casos de) depressão do que os países ricos. Além disso, até mesmo 
as pessoas pobres que vivem em países ricos têm maior incidência de depressão do que as 
pessoas ricas destes mesmos países, afirma Saxena. 
A depressão tem diversas causas, algumas delas biológicas, mas parte dessas causas vem 
de pressões ambientais e, obviamente, as pessoas pobres sofrem mais estresse em seu 
dia-a-dia do que as pessoas ricas, e não é surpreendente que elas tenham mais depressão. 
Segundo o médico, o aumento nos casos de depressão e os custos econômicos e sociais da 
doença tornam mais urgentes uma mudança de atitude em relação ao problema. 
A depressão é uma doença como qualquer outra doença física, e as pessoas têm o direito 
de ser aconselhadas e receber o mesmo cuidado médico que é dado no caso de qualquer 
outra doença. 
02/09/2009 
Manchete: Envelhecimento da população e menor fecundidade são desafio para 
sistema de saúde, aponta IBGE. 
Resumo: Com o ritmo de crescimento populacional menor e a expectativa de vida maior, o 
Brasil terá de enfrentar novos desafios na saúde pública. Segundo um estudo do IBGE 
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado nesta quarta-feira (2), os idosos 
consomem mais recursos de sistema de saúde devido às internações mais frequentes, ao 
maior tempo de ocupação do leito e às várias patologias que os afetam. 
O estudo mostra que, hoje, as doenças crônicas atingem 75,5% dos idosos - na faixa etária 
de 0 a 14 anos, a proporção cai para 9,3%. As principais causas de morte para pessoas 
acima de 60 anos são as doenças circulatórias, respiratórias e os tumores. 
EVOLUÇÃO DA 
EXPECTATIVA DE VIDA 
NO BRASIL 
1900 33,7 anos 
1910 34,1 anos 
1920 34,5 anos 
1930 36,5 anos 
1980 62,5 anos 
1991 66,9 anos 
2000 70,4 anos 
2005 72,1 anos 
Fonte: IBGE 
O custo de internação per capita aumenta com a idade: um paciente entre os 60 e os 69 anos 
custa ao sistema de saúde R$ 63. Dos 80 anos em diante, o valor sobe para R$ 179. Além 
disso, somente 29,4% dos idosos têm plano de saúde particular. 
A esperança de vida do brasileiro ao nascer atingiu os 72 anos em 2005. Já a taxa de 
fecundidade chegou a dois filhos por mulher em 2006 - para se ter uma ideia das mudanças 
ocorridas na sociedade nas últimas décadas, em 1980 este indicador apontava 4,4 filhos por 
mulher. 
Para este estudo, o IBGE analisou indicadores de população e de saúde de 1960 a 2005, 
incluindo as estimativas para 2006. 
Saúde infantil 
Junto com a queda na taxa de fecundidade, caiu também a mortalidade infantil nas últimas 
décadas. As doenças infecciosas e parasitárias perderam importância nas mortes de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 146 de 323 
crianças, e aumentou a proporção de complicações relacionadas a enfermidades que surgem 
antes ou depois do parto. 
O dado do IBGE mostra que o crescimento da rede de saúde ainda precisa se expandir para 
atender as gestantes, diz o estudo. 
A proporção de mães que tiveram assistência pré-natal subiu de 43,7% para 54,5% entre 
2000 e 2006, e a proporção de mulheres que não realizaram nenhuma consulta caiu de 4,7% 
para 2,1%. No entanto, em Estados mais afastados, o índice de mulheres que procuram fazer 
o pré-natal é bem menor à média nacional. 
No Amapá, somente 23,6% das mulheres grávidas passaram por sete ou mais consultas e 
9,6% não passaram por nenhuma consulta em 2006. No Acre, que também é um dos 
Estados com maior número de nascimentos em domicílios, 11,1% das mães não tiveram 
nenhuma consulta pré-natal. Para se ter uma ideia, em São Paulo e no Paraná, mais de 70% 
das mulheres passaram por sete ou mais consultas. 
02/09/2009 
Manchete: IBGE: nº de filhos cai para 3 por mãe com pouco estudo. 
Resumo: Dados da pesquisa Indicadores Sociodemográficos e de Saúde no Brasil, 
divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que 
as mulheres com menos escolaridade apresentam taxas de fecundidade mais elevadas. 
Segundo o estudo, porém, essa tendência vem declinando. Entre 1970 e 2005, houve queda 
acentuada na taxa de fecundidade total das mulheres com até três anos de estudo, que 
passou de 7,2 filhos para três filhos. 
Com isso, a diferença no número de filhos entre as primeiras e as mães com pelo menos 8 
anos de estudo caiu de 4,5 filhos por mulher, em 1970, para 1,6 filho em 2005. Desde 1980, 
as mulheres mais instruídas começaram a ter taxas de fecundidade total abaixo do nível de 
reposição, sendo que, em 2005, esse valor situava-se em 1,4 filho. 
Em todos os Estados do País, as mulheres com oito anos ou mais de escolaridade 
apresentam taxas de fecundidade total abaixo do nível de reposição. As taxas mais baixas se 
encontram nos Estados do Centro-Sul, onde a transição da fecundidade começou antes da 
dos Estados do Norte e Nordeste. 
O Amapá é o Estado no qual a diferença é maior e também onde a fecundidade de mulheres 
com menos de três anos de estudo é a mais alta: são 4,5 filhos para mulheres com pouca 
instrução, numa diferença de 2,7. Já Sergipe, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul 
apresentam a menor taxa de fecundidade em mulheres com mais de oito anos de 
escolaridade: 1,3. 
01/09/2009 
Manchete: Morre o ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Alberto Direito. 
Resumo: O ministro morreu na madrugada desta terça-feira, no hospital Samaritano, no Rio 
de Janeiro, onde estava internado por complicações no pâncreas. 
Natural de Belém (PA) e bacharel e doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do 
Rio (PUC-RJ), ele completaria 67 anos no próximo dia 8. 
Data: 17/07/2009 
Manchete: Multa inicial por descumprimento da lei antifumo chegará a R$ 1.585 em SP. 
Resumo: Resolução sobre a lei foi publicada nesta sexta-feira (17) no Diário Oficial. 
O valor mínimo da multa que pode ser aplicada é de R$ 792,50.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 147 de 323 
A multa inicial pelo desrespeito à lei antifumo ficará entre R$ 792,50 e R$ 1.585, de acordo 
com resolução publicada nesta sexta-feira (17) no Diário Oficial do Estado. Na segunda 
irregularidade, a cobrança será dobrada e, na terceira autuação, o estabelecimento comercial 
poderá ser totalmente interditado por 48 horas. Caso volte a desrespeitar a lei, as outras 
interdições serão por 30 dias. 
A lei antifumo entra em vigor no dia 7 de agosto. Pela nova determinação, não será mais 
permitido fumar nas áreas comuns de uso coletivo. O governo determinou que as multas 
iniciais aplicadas pelo Procon e pelo Centro de Vigilância Sanitária devem variar entre 50 e 
100 Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), cujo valor em 2009 é de R$ 15,85. 
A resolução publicada nesta sexta-feira (17) detalha o que são considerados recintos de uso 
coletivo: “aqueles total ou parcialmente fechados em qualquer dos seus lados por parede, 
divisória, teto ou telhado, ainda que provisórios, onde haja permanência ou circulação de 
pessoas”. 
Os responsáveis pelos estabelecimentos terão que fixar um aviso alertando os 
frequentadores do local sobre a regra. Este aviso deve seguir um modelo publicado no Diário 
Oficial. 
Entre os recintos onde não será mais permitido fumar, estão “os ambientes de trabalho, de 
estudo, de cultura, de culto religioso, de lazer, de esporte ou de entretenimento, áreas 
comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, 
boates, restaurantes, praças de alimentação, hotéis, pousadas, centros comerciais, bancos e 
similares, supermercados, açougues, padarias, farmácias e drogarias, repartições públicas, 
instituições de saúde, escolas, museus, bibliotecas, espaços de exposições, veículos 
públicos ou privados de transporte coletivo, viaturas oficiais de qualquer espécie e táxis.” 
Briga na Justiça 
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) revogou duas decisões contrárias à lei que 
haviam sido obtidas por entidades. Uma da Associação Brasileira de Gastronomia, 
Hospedagem e Turismo (Abresi) e outra da Federação dos Hotéis, Restaurantes, Bares e 
Similares de São Paulo (Fhoresp). 
As duas ações impetradas pelas entidades tinham o mesmo objeto, ou seja, buscavam 
suspender a eficácia da lei antifumo, restabelecer fumódromos e tirar dos empresários do 
setor a responsabilidade pela obediência dos clientes à lei. 
Data: 06/07/2009 
Manchete: UE alerta para 2ª onda de gripe suína na Europa; criança morre em Londres. 
Resumo: Com mais de dez casos de gripe suína confirmados na União Europeia (UE), a 
organização alertou seus 27 países membros que devem se preparar para uma segunda 
onda do vírus A (H1N1) que pode ser ainda mais mortal que a primeira. O alerta veio no 
mesmo dia em que uma criança britânica de 9 anos se tornou a quinta vítima da gripe A 
(H1N1) no Reino Unido. 
Segundo o Ministério de Saúde da Suécia, país que tem a Presidência rotativa do órgão, há 
risco de que o vírus possa sofrer mutação e se espalhar rapidamente a medida que diversas 
escolas europeias reabrem suas portas após as férias de verão. 
A ministra sueca, Maria Larsson, fez as declarações durante uma reunião de ministros de 
Saúde da UE, na Suécia. 
Nós temos que nos planejar para o pior, e esperar o melhor, disse Larsson a repórteres, 
antes de uma conferência em Jonkoping, no sul da Suécia. Nós deveríamos estar 
preparados para lidar não apenas com uma forma leve de gripe suína, mas com uma mais 
forte, disse.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 148 de 323 
A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma em relatório divulgado nesta segunda-feira 
que 429 pessoas morreram de gripe suína e mais de 94.400 foram infectadas pelo vírus em 
todo o mundo. Especialistas temem, contudo, que o número de infectados possa ser ainda 
maior. 
A agência de controle de doenças da UE afirma que quase 10.300 casos da doença foram 
confirmados na Europa, incluindo cerca de 7.500 no Reino Unido, o país mais afetado pelo 
vírus A (H1N1) no continente. A OMA registra, oficialmente, três mortes no Reino Unido e 
uma na Espanha. 
Data: 06/07/2009 
Manchete: Chega a 60 número de mortos pela gripe suína na Argentina. 
Resumo: A Argentina confirmou neste domingo que chegaram a 60 as mortes pelo vírus 
Influenza A (H1N1), causador da gripe suína. O país continua com o maior número de mortes 
na América do Sul, enquanto o governo ainda se esforça para conter o avanço da doença. 
Nesta sexta-feira, o ministro da Saúde Juan Manzur assustou o mundo ao afirmar que o 
número de casos de infecção da doença poderiam passar dos 100 mil --mais do que todos os 
casos registrados no mundo pela OMS (Organização Mundial da Saúde), de 89.921 pessoas 
afetadas. Oficialmente, o governo confirma 2.485 doentes. 
Em meio à dispersão da doença, que já deixou 2.485 doentes, Manzur anunciou que o país 
vai unificar os critérios e protocolos para tratar a gripe suína. Segundo ele, o governo já 
começou a distribuir remédios para todos os casos da doença, em todas as províncias. O 
plano inicial é distribuir 300 mil doses, mas já na semana que vem, o governo argentino diz 
que estará pronto para 500 mil doses adicionais. 
Vamos unificar os critérios e o protocolo de tratamento, para que, ante uma suspeita da 
gripe A, todos possam atuar de uma mesma maneira, afirmou o ministro, de acordo com o 
jornal Clarín. Citando fontes do Ministério da Saúde, o jornal diz que o país teve 65 mortes 
desde o começo de maio. 
A Argentina está cada vez mais paralisada pela expansão da gripe suína, com uma chuva de 
suspensões de todo tipo de atividades oficiais, culturais, educativas e esportivas e a decisão 
de alguns municípios de se manter de portas fechadas por causa da doença. 
Segundo o periódico, essas paralisações são inúteis porque há uma ausência total de 
medidas conjuntas e coordenadas a respeito dos espaços públicos e das atividades que 
reúnam muitas pessoas. Isso ocorre tanto na região metropolitana de Buenos Aires quanto 
nas províncias --umas decretaram situação de emergência, mas outras não. 
Enquanto se fecha uma lanchonete por não respeitar a distância entre as mesas, a poucos 
quilômetros daqui tudo transcorre como quando não havia a nova gripe, diz o jornal. Foi 
criado um clima maluco. Os municípios parecem competir entre si, como se o que fecha mais 
lugares fosse o melhor, afirma o infectologista Héctor Laplumé. 
Hoje, o ministro se reunirá com os ministros de Saúde provinciais para analisar a situação em 
cada uma das regiões, avaliar o diagnóstico de situação exato e ter um relatório técnico 
pormenorizado da curva epidemiológica da doença. 
Gripe no mundo 
O mais recente balanço da OMS, divulgado na sexta, registrou que pessoas de 125 países e 
territórios já contraíram a gripe suína. Em 382 casos, os pacientes morreram. No dia 11 de 
junho, a organização anunciou que a doença atingiu o nível de pandemia (epidemia 
generalizada), devido à ampla distribuição geográfica do vírus. 
O ministro da Saúde do Brasil, José Gomes Temporão, afirmou ontem que mais 19 casos de 
gripe suína foram confirmados no Brasil. Com isso, o número de pessoas infectadas sobe 
para 756. De acordo com o governo, a maioria dos infectados no país, desde 8 de maio, já
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 149 de 323 
recebeu alta ou está em processo de recuperação. 
A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. 
Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, 
com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, 
irritação dos olhos e fluxo nasal. 
Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou 
cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em 
laboratório. Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes 
contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de 
acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos). 
Data: 28/06/2009 
Manchete: Ministro confirma 1ª morte por gripe suína no Brasil. 
Resumo: O ministro da Saúde confirmou a primeira morte causada pela gripe suína no 
Brasil. Segundo José Gomes Temporão, a vítima foi um gaúcho de 29 anos que foi infectado 
pelo vírus na Argentina e que faleceu na manhã deste domingo. O ministro afirmou também 
que foram confirmados mais 36 casos da doença. O número de pessoas infectadas no País 
sobe, então, para 627 pessoas. Os números referem-se a informações repassadas pelas 
secretarias estaduais de saúde até as 14h deste domingo. 
A vítima fatal esteve na Argentina por sete dias. Os sintomas começaram dia 15 de junho, 
ainda durante a estadia. No dia 19, voltou ao Brasil e foi internado em hospital de referencia 
em 20 de junho, onde teve o diagnostico positivo, com confirmação laboratorial de influenza A 
(H1N1). 
No dia 23, o paciente teve piora do quadro respiratório, que evoluiu para insuficiência 
respiratória. Mesmo devidamente assitido com todos os cuidados intensivos, o paciente 
morreu hoje pela manhã. 
Além da morte anunciada hoje, o Ministério da Saúde acompanha mais um caso de um 
paciente que expira cuidados, disse o ministro. Segundo o secretário de Vigilância na Saúde, 
Gerson Penna, se trata da moradora de São Gabriel (RS) de 14 anos que está internada na 
UTI do Hospital Universitário de Santa Maria. 
O estado de saúde dela felizmente vem melhorando. Tivemos um contato hoje com o 
hospital e ela está melhorando, diferentemente do que tínhamos noticiado antes, afirmou 
Penna. 
Segundo Temporão, a morte de um americano é investigada no Rio Grande do Sul. Apesar 
de a Secretaria Estadual da Saúde informar que não há evidências de que o homem 
estivesse infectado, exames ainda devem determinar se o paciente realmente não estava 
com o vírus da gripe suína. 
O ministro, contudo, disse que a letalidade do vírus é pequena, e está em queda. Há um 
percepção em todo o mundo neste momento de uma queda da letalidade do vírus, disse. 
Temporão falou também que, nas primeiras semanas no início da transmissão, havia 
registro de 2% de letalidade (...) agora se aproxima de 0,4% o que indica que a letalidade 
está menor. 
O ministro afirmou também que, apesar da baixa letalidade, como se trata de uma nova 
doença e como não há garantia de como vai ser o comportamento do vírus, deve-se manter a 
vigilância. 
É um momento difícil, claro, estamos comunicando o primeiro óbito, mas reafirmo que isso 
não muda em nada a nossa estratégia. (...) Quero reiterar que o Ministério da Saúde tem feito 
tudo que é necessário para conter a doença, para evitar que outros óbitos ocorram. Quero 
destacar que esse fato de hoje não muda em nada estratégia do governo brasileiro, vamos 
continuar seguindo a mesma linha traçada de conversão, tentando impedir que o vírus circule 
no País, disse Temporão.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 150 de 323 
Gripe suína 
O Ministério da Saúde informou os casos confirmados ocorreram nos Estados de São Paulo 
(14), Rio de Janeiro (6), Rio Grande do Sul (5), Distrito Federal (5), Pernambuco (3), Goiás 
(2) e Tocantins (1). Esse número inclui os casos informados ao ministério pelos três 
laboratórios de referência para diagnostico da influenza - Fundação Oswaldo Cruz (RJ), 
Instituto Evandro Chagas (PA) e Instituto Adolfo Lutz (SP) - e pelas Secretarias Estaduais e 
Municipais de Saúde pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). 
Até 25 de junho, o Ministério da Saúde acompanhava 477 casos suspeitos no País. As 
amostras com secreções respiratórias dos pacientes estão em análise laboratorial. Outros 
782 casos foram descartados. 
Na Argentina, onde o caminhoneiro teria sido infectado, a doença havia deixado, até a 
sexta-feira, pelo menos 26 vítimas fatais. O número de contagiados pela doença era de 
1.587, segundo as fontes oficiais argentinas. 
Até o momento, 114 países têm casos confirmados e divulgados da doença, de acordo com 
informações dos governos ou da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo a OMS, 
além dos Estados Unidos, México, Canadá, Austrália, Chile e Argentina, o Reino Unido 
também é considerado um país com transmissão sustentada. 
Data: 25/06/2009 
Manchete: Morte de Michael Jackson. 
O rei do pop tinha 50 anos. 
Resumo: Ele teve uma parada cardíaca nesta quinta (25/06/2009) na Califórnia e não 
resistiu. 
O 'rei do pop', o cantor Michael Jackson, morreu nesta quinta-feira (25), em Los Angeles, no 
estado americano da Califórnia, após ser socorrido e levado a um hospital com uma parada 
cardíaca. Ele tinha 50 anos e estava preparando uma última temporada de shows. 
Data: 16/05/2009 
Manchete: OMS aumenta casos de gripe suína para 8.451. 
Resumo: A OMS (Organização Mundial de Saúde) anunciou neste sábado novo balanço da 
gripe suína no mundo, com 8.451 casos da doença, denominada oficialmente gripe A (H1N1), 
em 36 países. O balanço aponta ainda 72 mortes pelo vírus. 
Com isso, o número de casos oficialmente confirmados pela OMS saltou em quase mil em 
apenas um dia, já que na manhã de ontem o organismo registrava 7.520 casos. 
O México, considerado epicentro da doença, tem agora 2.895 casos, aumentando em mais 
de 400 de ontem para hoje, e 66 mortes --seis a mais em relação a sexta-feira. 
Os EUA, que passaram o México no posto de país com maior número de casos ao longo 
desta semana, agora registra 4.714 infectados, incluindo quatro mortes. 
O Canadá segue como o terceiro país com maior número de infectados, agora com 496 
casos. O país mantém ainda o registro de uma vítima da doença. A Costa Rica também tem 
uma morte por gripe suína e nove casos confirmados. 
De ontem para hoje, mais dois países entraram na lista de casos confirmados: Equador e 
Peru, com um infectado em cada. 
A organização lista ainda outros casos da doença na Argentina (1), Austrália (1), Áustria (1), 
Bélgica (2), Brasil (8), China (4), Colômbia (11), Cuba (3), Dinamarca (1), El Salvador (4), 
Finlândia (2), França (14), Alemanha (14), Guatemala (3), Irlanda (1), Israel (7), Itália (9),
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 151 de 323 
Japão (4), Holanda (3), Nova Zelândia (9), Noruega (2), Panamá (43), Peru (1), Polônia (1), 
Portugal (1), Coreia do Sul (3), Espanha (100), Suécia (2), Suíça (1), Tailândia (2), e Reino 
Unido (78). 
Os números da OMS não incluem ainda os casos confirmados em mais dois países durante 
a madrugada deste sábado na Índia e na Turquia. 
Data: 12/05/2009 
Manchete: Saúde revê números e diz que Brasil tem 32 casos suspeitos de gripe suína; 
há 8 confirmados . 
Resumo: O Ministério da Saúde confirmou na tarde desta terça-feira que o Brasil tem 32 
casos suspeitos de gripe suína --ontem eram 22. O país tem oito casos confirmados da 
doença. 
Mais cedo, em audiência pública no Senado, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, 
informou que eram 34 os casos suspeitos. A assessoria do ministério informou que, após a 
declaração, dois casos foram descartados --com isso chega a 168 o número de casos 
desconsiderados. 
Os casos confirmados da doença estão no Rio de Janeiro (3), São Paulo (2), Minas Gerais 
(1), Rio Grande do Sul (1) e Santa Catarina (1). Dos oito, seis tiveram vínculo de viagens 
internacionais e dois autóctones (contaminados dentro do território nacional). 
Além dos casos confirmados e suspeitos, há 29 casos monitorados em dez Estados. 
Contágio 
Um estudo aponta que a gripe suína pode atingir uma em cada três pessoas no mundo, diz 
estudo. 
Outro estudo, publicado pela revista Science, aponta que o vírus da gripe suína parece se 
transmitir mais facilmente do que o da gripe comum. 
De acordo com os pesquisadores, que verificaram o padrão de disseminação da doença, o 
vírus A (H1N1) deve ter afetado pelo menos 23 mil mexicanos até o final de abril. A taxa de 
letalidade deve ser de quatro casos por mil --severidade menor do que a da pandemia de 
1918. 
Ontem o Ministério da Saúde negocia a compra de mais 800 mil medicamentos prontos para 
a combater a gripe suína. Atualmente, o país tem matéria-prima para produzir medicamentos 
para o tratamento de até 9 milhões de pacientes contaminados. 
Relatório mais recente divulgado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) aponta 5.251 
casos da doença em 30 países. 
Data: 12/05/09 
Manchete: Vírus da nova gripe ainda pode sofrer mutação e causar pandemia, diz 
OMS. 
Resumo: Impacto poderia ser devastador em países com sistema de saúde frágil. 
Número de casos da doença passa de 5.000 pelo mundo, com 61 mortes. 
O novo vírus H1N1 ainda pode passar por mutações que o tornariam mais virulento e 
gerariam uma pandemia de gripe que poderia dar até três voltas no planeta, informou a 
Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira (12). 
O impacto da eventual pandemia seria variável, já que um vírus que causa apenas sintomas 
brandos em países com sistemas de saúde sólidos pode se tornar devastador nos países
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 152 de 323 
com carência de hospitais, medicamentos e profissionais da saúde, segundo a OMS. 
A nova doença, popularmente chamada de gripe suína, parece ser mais contagiosa do que a 
gripe sazonal, e quase toda a população mundial não tem imunidade contra ela, segundo 
documento divulgado durante a noite pela OMS, sob o título Avaliando a gravidade da 
pandemia de influenza. 
Data: 08/05/2009 
Manchete: Chuva no Nordeste causou prejuízo de R$ 1 bi, diz ministro. 
Resumo: A chuva que atinge o Nordeste causou prejuízo de cerca de R$ 1 bilhão. O 
balanço, baseado em informações preliminares repassadas pelos Estados, foi apresentado 
nesta sexta-feira pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, durante o 10° 
Fórum de Governadores do Nordeste. Pelo menos 35 pessoas morreram por causa das 
enchentes na região. 
Mais chuva 
A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, informou 
nesta quinta-feira que chega a 796.878 o número de pessoas afetadas pelas chuvas fortes e 
enchentes em dez Estados. Segundo o órgão, 31 pessoas morreram em decorrência dos 
desastres no Ceará (12), Maranhão (9), Amazonas (5) Alagoas (4) e Santa Catarina (1). 
Segundo o balanço, o excesso de chuva atingiu 283 municípios localizados nos Estados do 
Ceará, Maranhão, Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia, Alagoas, Amazonas, Pará e 
Santa Catarina. 
No Nordeste, o Ceará é o Estado que tem o maior número de municípios atingidos (69), 
seguidos pelo Maranhão (64), Piauí (33), Paraíba (19), Rio Grande do Norte (15), Bahia (4) e 
Alagoas (3). São 220.002 cearenses vitimados, de alguma forma pelas enchentes, 
enxurradas e desabamentos. Destes, 42.721 estão desabrigados ou desalojados. No Piauí e 
no Rio Grande do Norte, a chuva afetou a vida de 59.745 e 44.193 pessoas, 
respectivamente. 
Na região Norte, é no Estado do Amazonas onde se encontra o maior número de municípios 
atingidos, 38, com 265.958 pessoas afetadas. Segundo dados da Defesa Civil, 44.609 estão 
desalojados e 9.629 desabrigados. No Estado do Pará são 28 municípios atingidos e 25.985 
pessoas afetadas direta ou indiretamente pela chuva. 
A Defesa Civil do Pará registrou no fim de semana que a cheia levou o rio Tapajós ao maior 
nível de todos os tempos. O rio atingiu 8,94 m, 34 cm a mais do que em 2006, quando 
chegou a 8,6 m, considerada a maior marca até então. 
Em Santa Catarina, os danos causados pela chuva atingiram dez municípios e uma 
população de 3.550 pessoas. 
Data: 29/04/2009 
Manchete: OMS eleva para 5 nível de alerta por gripe suína. 
Resumo: A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou, nesta quarta-feira, para cinco 
(pandemia iminente) o nível de alerta pela gripe suína. O anúncio foi feito pela diretora-geral 
da organização, Margaret Chan. 
A aparição de casos de pessoas contaminadas e que não estiveram no México - onde surgiu 
o vírus - foi o que motivou a organização a elevar o alerta ao nível cinco em uma escala que 
vai até seis. De acordo com a OMS, a transmissão de pessoa para pessoa está acontecendo 
em pelo menos dois países. 
Toda a humanidade está sob a ameaça de uma pandemia, disse Chan, que fez uma 
chamada a governos, indústrias farmacêuticas e comunidade de negócios para que unam
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 153 de 323 
seus esforços e recursos a fim de enfrentar esta crise. 
O responsável da OMS lembrou que os vírus da gripe são conhecidos por serem 
imprevisíveis e disse que uma pandemia com o atual vírus pode ser com doença desde 
leve até muito severa. 
Chan também afirmou que uma pandemia será muito mais devastadora e grave nos países 
em desenvolvimento e com menos recursos. A decisão de ativar o nível cinco de alerta 
significa que as ações dos governos devem passar da preparação à resposta em nível global, 
para tentar reduzir o impacto na sociedade. 
Segundo o guia que a própria instituição distribuiu entre seus Estados-membros, esta decisão 
implica em que se deve intensificar da fase de preparação à das ações, tanto para os países 
que já tiverem casos confirmados quanto os que ainda não. 
Após iniciado o comitê de emergência de cada país, segundo a OMS, o principal é ter bem 
abastecida a rede de distribuição de remédios ou tratamentos disponíveis. Além disso, os 
países devem avaliar de forma completa se precisam de ajuda externa, e solicitá-la se for 
necessário, para ajudar não só a própria população, mas evitar que a pandemia se estenda 
aos países vizinhos. 
Em nível de laboratório, também é importante que se comprove se houve mudanças 
genéticas nos vírus, com base nas amostras dos pacientes infectados. Diante dos cidadãos, 
o país deveria conseguir que se minimizem os níveis de interação fora de casa e, sobretudo, 
conseguir que, em caso de sinais de gripe, a pessoa seja isolada o mais rápido possível. 
Os países que ainda não estiverem afetados pela pandemia precisam também ativar um 
comitê de crise que esteja preparado para distribuir as vacinas e aplicar as medidas 
necessárias para contê-la. Mas, especificamente, a OMS não recomenda o fechamento das 
fronteiras para as pessoas e mercadorias, as desinfecções generalizadas, o uso de 
máscaras para as pessoas que estiverem saudáveis, a restrição de viagens no interior do 
país, a não ser que a zona de infecção esteja muito delimitada. 
A OMS disse que deve impulsionar a assistência para aqueles países severamente afetados 
e para os países pobres que não puderem conter a pandemia. Além disso, a agência 
coordenará as ações das diversas instituições internacionais e controlar a expansão da 
doença e as possíveis mudanças geradas pelo vírus. Também, caso seja encontrada uma 
vacina, a OMS deverá promover sua produção e, sobretudo, maciças campanhas de 
vacinação. 
Gripe Suína 
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a gripe suína é causada por uma variante 
do vírus influenza tipo A, que porta a designação H1N1. O órgão teme uma pandemia caso o 
vírus sofra uma nova mutação que torne os humanos incapazes de combater a doença, por 
falta de anticorpos. 
A gripe suína teria matado mais de 150 pessoas no México, país mais afetado pelo surto, 
onde cerca de 2 mil pessoas estariam infectadas. No entanto, autoridades sanitárias do país 
confirmaram apenas 49 casos e 7 mortes relacionadas ao vírus AH1N1. 
Nos EUA, até o momento foram confirmados 91 casos de pessoas com gripe suína; uma 
pessoa morreu. Com suspeita de contaminação, 30 pessoas no Brasil são monitoradas pelo 
Ministério da Saúde. 
Data: 25/04/2009 
Manchete: EUA dizem que nova gripe se espalhou e não pode ser contida. 
Resumo: Um novo vírus da gripe se espalhou extensamente e não pode ser contido, 
confirmou o Centro para Controle e Prevenção dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês)
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 154 de 323 
neste sábado. Está claro que isto está muito espalhado. E é por isso que temos que 
informá-los que não podemos conter o avanço do vírus, disse a repórteres a dra. Anne 
Schuchat, do CDC, durante teleconferência. 
Anne completou: É preciso estar preparado para o pior. A situação é muito séria e estamos 
muito preocupados. 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os surtos de gripe suína no México 
e nos Estados Unidos têm o potencial para causar uma pandemia mundial, mas ainda é cedo 
para afirmar se isso vai ocorrer. 
Ela tem potencial de pandemia porque está infectando pessoas, disse a diretora-geral da 
OMS, Margaret Chan. Os países que ainda não foram atingidos devem aumentar sua 
vigilância, advertiu. 
Suspeita-se que o surto da gripe suína tenha matado até 68 pessoas no México e infectado 
mais de 1.000. Oito casos foram confirmados nos EUA: seis na Califórnia e duas no Texas, 
de acordo com a CDC. 
Data: 25/04/2009 
Manchete: México adota medidas drásticas para controlar gripe suína. 
Enquanto no México escolas são fechadas e missas são suspensas, no Japão, os 
aeroportos se previnem contra a doença analisando a temperatura dos passageiros. 
Resumo: O governo do México anunciou neste domingo algumas medidas drásticas para 
tentar controlar o surto de gripe suína que já matou 81 pessoas. 
A Organização Mundial de Saúde anunciou, no sábado, que a nova variedade do vírus 
identificada no México é grave e tem o potencial de virar pandemia. Além disso, a OMS 
classificou o surto da doença como uma emergência de saúde pública internacional. 
Segundo as novas medidas do governo, as escolas da capital, Cidade do México, e de outros 
dois Estados permanecerão fechadas por duas semanas. 
Além disso, todos os eventos públicos, inclusive as missas e as partidas de futebol deste 
domingo, foram cancelados. Cerca de 70% dos bares e restaurantes da capital também 
foram fechados. 
O governo recomenda que a população evite cumprimentos com as mãos e a Embaixada 
dos Estados Unidos aconselhou visitantes a permanecerem a pelo menos 1,8 metros de 
distância de outras pessoas. 
As autoridades de saúde do México também foram autorizadas a isolar pessoas 
contaminadas, caso seja necessário. 
O ministro da Saúde do México, José Córdova, afirmou que um total de 1,3 mil pessoas 
foram internadas com sintomas suspeitos da gripe suína desde o dia 13 de abril e que os 
pacientes estão sendo examinados. 
Preocupação internacional 
A epidemia de gripe suína se espalhou também para os Estados Unidos, onde 11 casos 
não-fatais da doença foram confirmados. Entre os casos americanos da doença sete 
pessoas foram contaminadas no Estado da Califórnia, duas no Texas e duas no Estado de 
Kansas. 
Em Nova York, o secretário de Saúde, Thomas Frieden, disse que exames preliminares 
conduzidos em alguns estudantes demonstraram também possíveis novos casos da doença.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 155 de 323 
O ministro da Saúde da Nova Zelândia, Tony Ryall, disse que dez estudantes que voltaram 
recentemente do México podem estar infectados com o vírus, já que apresentaram 
resultados positivos no exame de influenza. A secretária da OMS, Margaret Chan, fez um 
apelo para que os governos ao redor do mundo fiquem em alerta. 
Trata-se de uma situação séria que deve ser observada atentamente, disse Chan, que 
interrompeu uma viagem a Washington para se reunir com um comitê especial em Genebra. 
Os vírus causadores das infecções em algumas partes do México e em algumas partes dos 
Estados Unidos são geneticamente iguais. Esta é uma variação do vírus H1N1 e tem 
potencial para causar uma pandemia, pois está infectando pessoas. No entanto, não 
podemos falar, baseados nas atuais provas de laboratório, epidemiológicas e clínicas, se 
teremos ou não uma pandemia, acrescentou. 
O vírus H1N1 é a mesma variedade que causa epidemias de influenza em humanos, mas a 
nova variante identificada no México contém material genético de versões da gripe que 
normalmente afeta porcos e pássaros. 
O vírus respitório - que infeta porcos e esporadicamente pode atingir humanos - é transmitido 
principalmente por espirros e tosses. 
Data: 24/04/2009 
Manchete: Gripe suína mortal atinge o México e pode se espalhar. 
Variedade letal de gripe suína nunca antes vista já provocou 16 mortes. 
Governo recomendou à população evitar beijos e apertos de mão. 
Uma variedade letal de gripe suína nunca antes vista vem atingindo o México, onde já 
provocou pelo menos 16 mortes e suscita o temor de que esteja se espalhando pela 
América do Norte. 
Resumo: A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que está preocupada com o que 
chamou de 800 casos semelhantes a gripe no México e também com um surto confirmado 
de uma nova variedade de gripe suína nos Estados Unidos. A entidade anunciou na 
sexta-feira (24) que convocará um encontro de emergência para discutir o assunto. 
Foram canceladas as aulas de milhões de alunos na capital mexicana, Cidade do México, e 
áreas vizinhas na sexta-feira, depois de as autoridades terem observado um número de 
mortes acima do normal nas últimas semanas por doenças semelhantes à gripe. 
É um vírus suíno que sofreu uma mutação e em algum momento foi transmitido a humanos, 
disse à rede Televisa o ministro da Saúde mexicano, José Angel Cordova. 
Cordova vinculou a doença no México a um novo tipo de gripe suína que já atingiu sete 
pessoas na Califórnia e no Texas. 
Ação política 
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) disse que o vírus que se 
manifestou nos Estados Unidos é um misto nunca antes visto de vírus típicos de suínos, aves 
e humanos. Os sete pacientes norte-americanos se recuperaram. 
Uma autoridade do governo dos EUA disse que a Casa Branca está acompanhando de perto 
o aparecimento da gripe suína e que o presidente Barack Obama já foi informado. 
O governo mexicano recomendou à população evitar beijos e apertos de mão e também 
evitar compartilhar alimentos, copos e talheres, para não facilitar a transmissão da gripe. 
Prevenção 
A Cidade do México, que tem cerca de 20 milhões de habitantes e é uma das maiores do 
mundo, esteve mais calma que o normal na manhã de sexta-feira. Na ausência de ônibus 
escolares nas ruas e de pais levando seus filhos à escola de carro, o trânsito normalmente 
pesado estava menos caótico que o normal.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 156 de 323 
Muitas pessoas que aguardavam para entrar nas estações de metrô usavam máscaras 
cirúrgicas protegendo seus rostos. 
O vírus é um vírus de gripe A designado como H1N1. Ele contém DNA típico de vírus 
aviários, suínos e humanos, incluindo elementos dos vírus suínos europeus e asiáticos, disse 
o CDC. 
A OMS disse que cerca de 60 pessoas já morreram da doença no México. O organismo da 
ONU sediado em Genebra disse que está em contato diário com as autoridades 
norte-americanas, canadenses e mexicanas e que ativou seu Centro de Operações de Saúde 
Estratégicas (SHOC), seu centro de comando e controle usado em eventos agudos de saúde 
pública. 
A vigilância e o escrutínio da gripe vêm sendo intensificadas desde 2003, quando a gripe 
aviária H5N1 reapareceu na Ásia. Especialistas temem que essa ou outras variedades 
possam desencadear uma pandemia que poderia provocar milhões de mortes. 
Data: 15/04/2009 
Manchete: Consumidores já podem trocar plano de saúde sem perder a carência. 
Portabilidade dos planos começa nesta quarta-feira. 
Medida vale para os contratos fechados após janeiro de 1999. 
Resumo: Quem não estiver satisfeito com o plano de saúde já pode, desde esta quarta-feira 
(15), pedir a transferência para outra operadora sem perder a carência. Segundo a Agência 
Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a portabilidade vale para os contratos fechados após 
janeiro de 1999. 
Para pedir a transferência, o consumidor precisa fazer parte do plano antigo há pelo menos 
dois anos e tem que estar em dia com os pagamentos. O período para fazer a mudança é 
restrito: ela só pode acontecer entre o mês de aniversário do contrato e o seguinte - ou seja, 
apenas dois meses a cada ano. É preciso que o plano escolhido tenha as mesmas 
características do antigo. 
Para ajudar o consumidor nessa escolha, a ANS publicou, em sua página na internet, um 
guia que traz os planos considerados similares. Se o consumidor atender aos requisitos, a 
operadora não poderá recusar o novo cliente. 
A operadora de saúde é obrigada a aceitar o cliente que cumprir todos os requisitos no prazo 
de até 20 dias. Se a empresa não der uma resposta para o consumidor neste período, ele 
será considerado aceito automaticamente. Mas é importante ressaltar que a portabilidade 
vale apenas para os consumidores que têm planos de saúde individuais e familiares. Hoje, a 
maioria dos planos é coletiva. 
Data: 14/04/2009 
Manchete: SEMANA DOS POVOS INDÍGENAS. 
Resumo: O Brasil possui 230 povos indígenas e 180 línguas, com direito a quase 14% do 
território nacional. 
A diversidade indígena brasileira vai desde aqueles sem qualquer contato em pleno século 
21, até as comunidades urbanas organizadas. 
Após a resolução do STF com 19 recomendações sobre a demarcação das terras indígenas, 
os indígenas analisam esse quadro, ao chamar para si as questões indígenas diante da 
incapacidade do Poder Executivo em cumprir sua missão constitucional e o Legislativo, em 
regulamentar os direitos indígenas da Constituição de 1988.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 157 de 323 
Com o lema Posso ser o que você é, sem deixar de ser quem sou! a Semana dos Povos 
Indígenas deste ano tem destaque nacional em dois eventos: em Brasília, na sede do 
Memorial dos Povos Indígenas, com apoio do Governo do Distrito Federal e FUNAI e 
presença dos Fulni-O e Pankararu (PE), Pareci e Yawalapiti (MT): 
Dia 15 – Celebração espiritual ao Pôr-do-Sol, com o acendimento do Fogo Sagrado pelos 
Pajés Xavante e Kaiwá. 
Dia 19 - Celebração do Nascer do Sol com 300 jovens de Brasília e indigenas, com a leitura 
da mensagem indigena ao homem branco. 
Em Bertioga, litoral de São Paulo - Festival Nacional das Culturas Indígenas: 
Dia 18 - Celebração Indígena Guarani 
Dia 19 - Dia do Índio, com a presença de 600 indígenas de nove etnias, com mostras, 
seminarios e feiras. 
Data: 08/04/2009 
Manchete: Número de mortos após terremoto na Itália chega próximo a 300. 
Resumo: Novo forte tremor abalou L'Aquila nesta terça e foi sentido em Roma. 
Há 1.000 feridos e 17 mil desabrigados, segundo a Defesa Civil 
Data: 07/04/2009 
Manchete: Mais da metade dos trabalhadores mundiais está na informalidade, diz 
organização. 
Resumo: O número de pessoas trabalhando na informalidade --sem contrato nem 
seguridade social-- no mundo todo atingiu 1,8 bilhão, o que representa mais da metade da 
força de trabalho mundial, o que pode agravar a situação dos países mais pobres, segundo 
estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) 
divulgado nesta quarta-feira. 
Segundo o estudo Is Informal Normal? (A Informalidade é Normal?, em tradução livre), a 
crise financeira está jogando muitas pessoas para fora do mercado de trabalho e, nos 
países em desenvolvimento sem seguro-desemprego, elas são forçadas a ficar em 
empregos informais com baixos salários, sem proteção e expostas a riscos. 
Até 2020, segundo a OCDE, esse número deve crescer em um terço, mantidas as atuais 
projeções de crescimento populacional e das economias dos países, segundo o estudo. O 
avanço na informalidade pode ser maior, no entanto, se mais empregos forem perdidos em 
meio à crise econômica e mais migrantes voltarem a seus países de origem para empregos 
informais. 
Mesmo durante os bons tempos, com taxas sólidas de crescimento, em muitos países em 
desenvolvimento o emprego informal cresceu, disse Johannes Jutting, um dos autores do 
estudo. Embora a Índia tenha crescido ao longo da última década acima de 5 pontos 
percentuais ao ano, as pessoas lá sentem que não estão sendo criados melhores empregos. 
Segundo ele, nove em cada dez trabalhadores na Índia --cerca de 370 milhões de pessoas-- 
não têm seguridade social. 
O avanço do emprego informal no mundo pode acarretar menores salários nos países mais 
pobres, justamente os que dispõem de redes de proteção social mais precárias, diz o estudo 
--que destaca que as mulheres, que constituem a maioria dos trabalhadores na 
informalidade, sofrerão um forte impacto. 
Baixos salários e ausência de benefícios aumentam as chances de que as Metas do Milênio, 
de reduzir a pobreza mundial até 2015 não sejam atingidas, diz o estudo. 
Ações imediatas e não convencionais são urgentemente necessárias. O estudo pede um 
pacote abrangente de medidas que promovam a criação de empregos de boa qualidade não
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 158 de 323 
apenas no setor formal, mas também no informal. Melhorar a infraestrutura, desenvolver 
habilidades, promover reformas institucionais e o acesso dos negócios informais a mais 
recursos são elementos-chave nessa estratégia. 
Data: 06/04/2009 
Manchete: Terremoto no centro da Itália deixa mais de 130 mortos. 
Mais de 130 pessoas morreram e 50.000 ficaram desabrigadas nesta segunda-feira em 
um dos terremotos mais graves registrado na Itália na última década, que destruiu 
casas, edifícios e igrejas da histórica cidade de L'Aquila, na região central do país e ao 
leste de Roma. 
Resumo: O balanço de mortos é grande, declarou o ministro do Interior, Roberto Maroni, à 
imprensa. Várias pessoas ainda estão desparecidas, de acordo com a polícia. 
A cidade medieval de L'Aquila fica a a 110 quilômetros de Roma. Boa parte dos monumentos 
artísticos, campanários e cúpulas foram parcialmente destruídos. 
Segundo estimativas da Defesa Civil, que coordena as operações de resgate, entre 40 e 50 
mil pessoas estão desabrigadas pelo tremor. Elas serão transferidas para hoteis e barracas 
de campanha. 
A Defesa Civil anunciou ainda que mais de 10.000 casas e edifícios foram danificados pelo 
terremoto, registrado às 3h30 locais (22h30 de Brasília, domingo) na cidade de L'Aquila, 
capital da região montanhosa dos Abruzzos. 
O tremor de 6,2 graus, segundo o novo sistema de cálculo do momento, teve o epicentro a 
8,8 km de profundidade. 
Data: 06/04/2009 
Manchete: Lista de Schindler é encontrada na Austrália. 
A lista preparada pelo industrial alemão Oskar Schindler, que ajudou a salvar mais de 
mil judeus dos campos de concentração na Segunda Guerra, foi encontrada em uma 
biblioteca de Sydney, na Austrália, que não sabia que estava de posse do documento. 
Resumo: A lista foi encontrada em meio a notas de pesquisa e recortes de jornais alemães 
usados pelo escritor australiano Thomas Keneally, autor do livro A arca de Schindler, em que 
se baseou o filme A lista de Schindler, de Steven Spielberg. 
A biblioteca obteve a lista quando comprou o material de pesquisa de Keneally em 1996. 
A lista contém 13 páginas amareladas, onde estão escritos os nomes e nacionalidades de 
801 judeus e foi descrita como um dos documentos mais poderosos do século 20. 
Ela salvou 801 vidas das câmaras de gás... é uma peça histórica incrivelmente tocante, 
disse a co-curadora da biblioteca Olwen Pryke. 
Segundo Pryke, nem a biblioteca nem o livreiro, de quem comprou o material, se deram 
conta de que a lista estava entre os documentos. 
A lista foi datilografada apressadamente em 18 de abril de 1945, ao fim da Segunda Guerra, 
e compilada por Oskar Schindler. Durante a Segunda Guerra, Schindler dirigiu uma fábrica na 
Cracóvia, Polônia, onde usou mão de obra judia. 
Horrorizado com a conduta dos nazistas ele conseguiu convencer oficiais de que seus 
funcionários eram essenciais para os esforços de guerra e não deviam ser enviados a 
campos de concentração. 
A lista foi entregue ao escritor australiano Thomas Keneally em uma loja em Los Angeles, 
quase 30 anos atrás, por uma das pessoas que Schindler ajudou a escapar, Leopold 
Pfefferberg.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 159 de 323 
Pfefferberg queria que o escritor contasse a história da lista. 
Data: 02/04/2009 
Manchete: 31% das brasileiras nunca fizeram uma mamografia. 
Resumo: Quase um terço das brasileiras com idade entre 35 e 65 anos nunca fez uma 
mamografia. 
É o que mostra um estudo feito pelo Datafolha a pedido da entidade sem fins lucrativos 
Femama, que ouviu mais de 1.800 mulheres em 17 capitais do país. 
O exame é pouco conhecido: ele foi citado por só 47% das entrevistadas como uma forma de 
detecção do câncer de mama; 80% citaram o autoexame e 12%, a ultrassonografia e o toque 
do médico. 
Segundo a pesquisa, 44% delas afirmaram realizar a mamografia pelo menos uma vez ao 
ano e 80%, já ter realizado o autoexame. 
Entre as que nunca fizeram nenhum exame (7%), a maioria citou como justificativa não ter 
percebido sintomas ou falta de indicação do médico. 
Descuido com a saúde, falta de hábito e preguiça em realizar o exame foram outras razões 
citadas. 
Data: 26/03/2009 
Manchete: Dona da Daslu é condenada a 94,5 anos de prisão. 
Eliana Tranchesi, uma das sócias da Daslu, foi condenada a uma pena de 94,5 anos de 
prisão. Três anos são pelo crime de formação quadrilha, 42 pelo crime de descaminho 
consumado (importação fraudulenta de um produto lícito), 13,5 anos por descaminho 
tentado e mais 36 por falsidade ideológica. 
Resumo: De acordo com o procurador da República Matheus Baraldi Magnani, responsável 
pela acusação, as fraudes, somadas às multas e juros que não foram pagos, chegam a 
quase R$ 1 bilhão de reais. O objetivo aparente da quadrilha era não pagar imposto 
nenhum, afirmou o procurador. 
Magnani explicou que, mesmo com a lei dizendo que o réu não deve ficar solto até que se 
esgotem as suas possibilidades de recurso, o caso de Eliana Tranchesi é uma exceção. Dois 
fundamentos principais justificam sua prisão. Um deles é que na denúncia foi imputado o 
crime de organização criminosa e, judicialmente, nesse caso, o réu fica proibido de recorrer 
em liberdade. 
Era uma organização criminosa muito articulada e confiante na projeção social e no poder 
político, disse Magnani. Além disso, enquanto estava respondendo o processo, Eliana teria 
reiterado a prática criminosa, segundo o procurador, o que também justificaria sua prisão. 
Como a ação não atinge a empresa, a boutique Daslu não deve ser fechada. 
O procurador disse que, na sentença proferida pela juíza Maria Isabel do Prado, da 2º Vara 
Federal de Guarulhos, entre os motivos para justificar penas altas estão a cobiça e um 
gigantesco e bilionário esquema delinquencial. Os réus não precisavam disso, esse é um 
argumento muito forte. Eles poderiam continuar viajando para a Europa, andando em carros 
importados, sem ter praticado os crimes, afirmou Magnani. 
O irmão de Eliana, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, também pegou 94,5 anos de prisão. 
Foi preso ainda Celso de Lima, ex-diretor financeiro da Daslu, condenado a 53 anos. 
Ao todo, sete pessoas foram condenadas, entre elas Roberto Sakhouri Júnior, da 
importadora Todos os Santos. Ele pegou 11,5 anos de pena e no momento está viajando.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 160 de 323 
Os outros três condenados não foram localizados, mas não são considerados foragidos. 
André de Moura Beukers, da importadora Kinsberg foi condenado a 25 anos. 
Christian Polo, da importadora By Brasil, pegou 14 anos de prisão. Outro condenado, 
Rodrigo Nardy Figueiredo, também da importadora Todos os Santos, foi condenado a 11,5 
anos. 
Data: 24/03/2009 
Manchete: Execuções aumentaram 90% no mundo em 2008, diz Anistia. 
Cerca de 2390 condenados à morte foram executados no mundo no ano passado, um 
aumento de 90% em relação a 2007, aponta relatório da organização não 
governamental Anistia Internacional, AI, divulgado nesta terça-feira. 
Resumo: O documento Penas de Morte e Execuções em 2008, que é publicado 
anualmente, revela que a China sozinha executou mais prisioneiros do que todo o resto do 
mundo, sendo responsável por 72% das mortes ocorridas no ano passado. 
O número de mais de 1718 prisioneiros mortos na China, no entanto, é uma estimativa 
independente, pois o Partido Comunista não divulga estatísticas sobre o assunto. 
Dentre os seis países que mais utilizam a pena capital, apenas os Estados Unidos revela 
números. As estimativas da Anistia para os outros países são construídas com base em 
informações coletadas junto à mídia local, grupos de direitos humanos e familiares de 
condenados. 
Após a China, os países que mais executaram prisioneiros foram Irã (346), Arábia Saudita 
(102), Estados Unidos (37), Paquistão (36) e Iraque (34). Juntos, estes seis países são 
responsáveis por 93% de todas as execuções. 
De acordo com dados da AI, em 2006 cerca de 1591 execuções ocorreram no mundo todo, 
enquanto em 2007 esse número caiu para 1252 pessoas, subindo para 2390 no ano 
passado. 
Apesar do aumento no número de execuções em 2008, a Anistia Internacional afirma que 
tendências apontam para um menor uso da pena de morte, pois das 59 nações que admitem 
a pena capital apenas 25 fizeram uso desse tipo de punição. 
A boa notícia é que execuções ocorrem em um pequeno número de países, o que mostra 
que estamos caminhando em direção a um mundo livre da pena de morte, disse Irene Khan, 
secretária-geral da organização. 
O relatório também sugere que nos Estados Unidos somente Estados conservadores do sul, 
como o Texas, ainda fazem uso extensivo desse tipo de punição. 
O Texas foi responsável por metade de todas as execuções (18 de 37) ocorridas nos Estados 
Unidos em 2008 e já executou outros 12 condenados somente em 2009, informou a AI. 
O relatório ainda destacou que Belarus é o único país da Europa e entre as ex-repúblicas 
soviéticas que ainda conduz execuções de pena de morte e que, apesar de não haver 
números oficiais, cerca de 400 prisioneiros foram mortos no país desde 1991. 
Data: 21/03/2009 
Manchete: Corte dos EUA condena 2 brasileiros à prisão perpétua. 
Sob acusação de sequestro e cárcere privado, a Corte de Santa Ana, na Califórnia 
(EUA), condenou no dia 6 os brasileiros Alaor do Carmo de Oliveira Junior, de 55 anos, 
e Reynaldo Eid Júnior, cuja idade não foi divulgada, à prisão perpétua. A alegação é de 
que ambos eram coiotes - levavam imigrantes ilegais para dentro do País - e teriam 
sequestrado e mantido em cativeiro uma brasileira com o filho.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 161 de 323 
Resumo: O caso ocorreu em 24 de novembro de 2005 e a sentença, dada por júri popular, 
só foi tornada pública agora. 
Eid Júnior morava em Nova York, nos Estados Unidos, e nenhum parente dele foi localizado. 
Oliveira Junior foi criado em Araraquara, a 270 km de São Paulo, mas, ao casar com a 
cabeleireira Mary Aparecida de Souza Oliveira, de 49 anos, se mudou para Borborema. Ele 
saiu pela primeira vez do Brasil em 1998. Ficou poucos meses nos Estados Unidos e, em 
2000, voltou ao país, com visto para permanecer por seis meses. ] 
Casado desde 1981 com Mary, ele decidiu estender a permanência nos EUA para juntar 
dinheiro e pagar a faculdade dos dois filhos. Ilegal, morou na cidade de Danbury, em 
Connecticut, e trabalhava como carpinteiro. Construiu casas entre 2000 e novembro de 2005. 
O plano, segundo a família, era voltar em dezembro daquele ano. Em 2005, no entanto, ele 
resolveu fazer um trabalho extra: transportar passageiros na fronteira, a convite de outro 
colega brasileiro. Na terceira viagem, pegou Ana Paula Morgado Ribeiro e o filho dela, Yago, 
com 5 anos na época. Eles haviam entrado ilegalmente nos EUA pelo México e iriam se 
encontrar com o marido dela, Jefferson Ribeiro, na Flórida. 
No meio do caminho, houve a acusação contra os brasileiros. Segundo Mary, Ana Paula 
armou uma emboscada e chamou a polícia quando eles pararam para dormir em um hotel na 
cidade de Costa Mesa, na Califórnia. Ela não tinha visto para ficar no país e alegou ter sido 
sequestrada - o resgate seria de US$ 14 mil, segundo a acusação. A polícia foi chamada e 
prendeu os dois brasileiros que faziam o transporte. 
Mary conta que só soube da prisão quando ele conseguiu telefonar para casa por alguns 
minutos e dar a notícia. Foi a única vez que nos ligou, comenta a mulher. Eu perdi o meu 
telefone fixo de tanto ligar para deputados, senadores e Itamaraty, pedindo auxílio. Eu gastei 
uma fortuna e não consegui nenhuma ajuda, lamenta. Segundo ela, ao serem presos, os 
dois brasileiros receberam a proposta de confessar o crime. Como meu pai era inocente, ele 
nunca poderia fazer isso, pois acreditava na Justiça, diz o filho mais novo, Flávio Augusto do 
Carmo Oliveira, de 22 anos. O mais velho, Alaor do Carmo de Oliveira Neto só pensa em 
arrumar uma forma de tirar o pai da prisão americana. Sinto uma revolta muito grande e só 
iria para lá (EUA) se fosse pra visitar meu pai, afirma o jovem, que também deixou a 
faculdade. 
Defesa 
Para a família de Oliveira Junior, o suposto golpe do sequestro veio para forçar o governo 
americano a dar autorização para que a mãe e o filho permanecessem no país. Ana Paula 
ainda mora nos EUA, mas não foi localizada. 
O cônsul-geral adjunto do Brasil em Los Angeles, Júlio Victor do Espírito Santo, diz que 
tomou conhecimento do caso há pouco tempo e afirma já ter entrado em contato com os dois 
brasileiros e com seus advogados. Compareci à audiência de sentenciamento e pude 
comprovar, pelas palavras da juíza Carla Singer, que a questão era bastante complexa. 
Espírito Santo afirma que não teve acesso a todos os documentos do processo, mas 
discorda da decisão da Justiça americana. Creio que a sentença foi extremamente severa e 
houve parcialidade. A juíza desconsiderou tudo que poderia ser atenuante, mas considerou 
todas as possíveis agravantes. Ele afirma que os advogados recorreram da decisão e a 
apelação está nas mãos dos defensores públicos. 
Data: 19/03/2009 
Manchete: Cientista britânico prevê catástrofe mundial em 2030. 
Resumo: O aumento da população mundial e das demandas por água, energia e alimentos 
poderão provocar uma catástrofe em 2030, segundo previsões do principal conselheiro 
científico do governo britânico. John Beddington descreveu a situação como uma 
tempestade perfeita, termo usado quando uma combinação de fatores torna uma 
tempestade que, por si só, não teria tanto efeito, em algo muito mais poderoso. A analogia
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 162 de 323 
também é usada para descrever crises econômicas. 
Segundo Beddington, com a população mundial estimada em 8,3 bilhões de pessoas em 
2030, a demanda por alimentos e energia deve aumentar em 50%, e por água potável deve 
aumentar em 30%. As mudanças climáticas devem piorar ainda mais a situação, vai advertir 
o cientista nesta quinta-feira, na conferência Desenvolvimento Sustentável RU 09, em 
Londres. 
Não vai haver um colapso total, mas as coisas vão começar a ficar realmente preocupantes 
se não combatermos esses problemas, afirma Beddington. Segundo ele, esta crise por 
recursos vai ser equivalente à atual crise no setor bancário. 
Minha principal preocupação é com o que vai ocorrer internacionalmente, vai haver falta de 
alimentos e de água, prevê o cientista. Nós somos relativamente sortudos no Reino Unido; 
pode não haver falta, mas podemos esperar um aumento de preço dos alimentos e de 
energia. 
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) prevê falta de água 
generalizada na África, Ásia e Europa até 2025. A quantia de água potável disponível por 
habitante deve diminuir dramaticamente neste período. A questão da segurança alimentar e 
energia chegou a entrar no topo da agenda política no ano passado, durante a alta do preço 
do petróleo e de commodities. 
Segundo Beddington, a preocupação agora que os preços voltaram a cair é de que essas 
questões saiam da agenda doméstica e internacional. Não podemos ser complacentes. Só 
porque os preços caíram, não significa que podemos relaxar, diz ele. 
Melhorar globalmente a produtividade agrícola é uma forma de combater o problema, afirma 
Beddington. Atualmente, se perdem entre 30% e 40% de toda a produção, antes da colheita, 
por causa de pragas e doenças. 
Temos que procurar uma solução. Precisamos de mais plantas resistentes a pragas e 
doenças, e de melhores práticas agrícolas e de colheita, afirma Beddington. 
Os alimentos transgênicos também podem ser parte da solução. Precisamos de plantas que 
sejam resistentes à seca e à salinidade - uma mistura de modificações genéticas e 
cruzamento convencional de plantas. 
De acordo com o cientista, também são essenciais melhorias na estocagem de água e fontes 
de energia mais limpas. John Beddington está à frente de um subgrupo de um novo 
departamento do governo criado para combater a segurança alimentar. 
Data: 19/03/2009 
Manchete: Culpado de todas as acusações, Josef Fritzl pega prisão perpétua. 
'Lamento do fundo do meu coração', disse ele antes de saber da sentença. 
Austríaco terá ainda de passar por um tratamento psiquiátrico. 
Resumo: O austríaco Josef Fritzl foi considerado culpado de todas as acusações por um 
tribunal da cidade de Sankt Pölten, segundo decisão unânime dos oito integrantes do júri. Ele 
foi condenado à prisão perpétua e ainda a passar por um tratamento psiquiátrico, segundo 
decisão tomada nesta quinta-feira (19). 
Fritzl, de 73 anos, era acusado dos crimes de estupro, incesto, coação grave, privação de 
liberdade e homicídio por negligência (omissão de socorro) de um dos sete filhos que teve 
com a própria filha, Elisabeth, a quem ele manteve preso durante 24 anos em um porão de 
sua casa, na cidade austríaca de Amstetten. 
Fritzl confessou os crimes na quarta-feira (18), depois de ter visto um depoimento em áudia 
de sua filha. Dois dias antes, ele havia negado culpa no homicídio de um de seus 
filhos-netos. 
O julgamento terminou após quatro dias, na pequena cidade de Sankt Pölten, a 60 km a 
oeste da capital austríaca, Viena.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 163 de 323 
Confissão 
Eu lamento do fundo do meu coração. Infelizmente, eu não posso mudar nada agora, 
afirmou nesta quinta-feira (19) Josef Fritzl, antes de conhecer a sentença. 
Na quarta-feira, perante a afirmação da juíza de que teve 66 horas para levar o 
recém-nascido ao hospital, Fritzl disse que deveria ter feito algo. Simplesmente não me dei 
conta. Pensava que o menino ia sobreviver, contou. 
Anteriormente, o acusado tinha admitido apenas parcialmente sua responsabilidade nos 
delitos de escravidão e homicídio por omissão, enquanto tinha reconhecido sua culpa em 
estupro, coação grave, privação de liberdade e incesto. 
A reação de Fritzl pegou todos de surpresa, inclusive seu advogado, Rudolf Mayer, que 
disse estar surpreso e sem palavras para falar sobre a mudança de opinião de seu cliente. 
Mayer especulou que a mudança de atitude de Fritzl pode ter sido provocada pela exibição, 
na terça-feira (17), ao júri, do vídeo contendo o testemunho de Elisabeth. O 
advogado lembrou que esta foi a primeira vez em que Fritzl foi confrontado com o 
testemunho incriminativo de sua filha. 
Meu cliente foi responsável por seus atos, mas a personalidade dele tem anomalias 
psicológicas, afirmou Mayer, nesta quinta-feira.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 164 de 323 
Da Constituição Federal 
Título VIII 
Da Ordem Social 
Capítulo IV 
Da Ciência e Tecnologia 
Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a 
capacitação tecnológicas. 
§ 1º A pesquisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo em vista 
o bem público e o progresso das ciências. 
§ 2º A pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderantemente para a solução dos 
problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional. 
§ 3º O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa e 
tecnologia, e concederá aos que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho. 
§ 4º A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de 
tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que 
pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, 
participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. 
§ 5º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita 
orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e 
tecnológica. 
O desenvolvimento foi a idéia força que mobilizou as nações capitalistas pobres no 
Pós-Guerra. A maioria das políticas e das teorias de desenvolvimento identificou a 
industrialização como a via da superação da pobreza e do subdesenvolvimento. Tal 
identificação é resultado do entendimento de que a industrialização era o veículo da 
incorporação acelerada de progresso técnico ao processo produtivo e, portanto, da contínua 
elevação da produtividade do trabalho e da renda. 
Os esforços das nações que lideraram o surgimento e a consolidação industrial no mundo 
são completamente diferentes dos das nações de industrialização retardatária que competem 
nos mercados mundiais de produtos industriais já consolidados. 
O Brasil é um desses casos de industrialização retardatária. É uma economia cujo 
processo de industrialização ocorreu em um contexto de um setor industrial consolidado em 
outras partes do mundo para atender às necessidades de manufaturas dos mercados 
internacionais, inclusive de seu mercado doméstico. Essa característica marca 
profundamente a natureza de seu processo de mudança técnica e seu próprio estilo de 
desenvolvimento. 
Contrariamente ao que ocorreu nas economias hoje industrializadas, o Brasil não pôde e não 
pode contar com a vantagem de competir nos mercados (nacionais e internacionais) com 
produtos inovadores (e que, por isso, não têm concorrentes) ou produzidos por tecnologias 
inovadoras (e, portanto, mais produtivas ou eficientes do que as utilizadas pelos 
concorrentes). 
A competitividade das economias industrializadas é baseada no emprego de tecnologias 
inovadoras. Por isso, são adequadamente caracterizadas como Sistemas Nacionais de 
Inovação. Economias retardatárias, como o Brasil, no entanto, baseiam seu sistema de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 165 de 323 
mudança técnica na absorção e no aperfeiçoamento de inovações geradas nas economias 
industrializadas. Por isso, são melhor caracterizadas como Sistemas Nacionais de 
Aprendizado Tecnológico. O fato de os processos de mudança técnica das economias 
retardatárias serem basicamente restritos ao aprendizado tecnológico limita profundamente a 
competitividade de seus produtos industriais. 
Essa condição estrutural obriga as economias retardatárias a recorrerem a formas especiais 
de compensação pela inferioridade das tecnologias que empregam em seu esforço de 
industrialização. Para viabilizar seus processos de industrialização, tais economias 
necessitam encontrar mecanismos que compensem a falta de competitividade tecnológica de 
seus produtos manufaturados. 
A competitividade inicial dos produtos industriais das economias retardatárias pode basear-se 
nos baixos preços locais de mão-de-obra e matérias-primas, na exploração (predatória ou 
não) dos recursos naturais e, ainda, na proteção ou subsídio estatal. Contudo, essas 
vantagens comparativas não são suficientes para assegurar o avanço do processo de 
industrialização, assim como não o são para garantir uma verdadeira e sustentada 
competitividade. 
A vantagem representada pela abundância relativa de matérias-primas é, em certo sentido, 
ilusória. Só será efetiva se as matérias-primas forem vendidas para a indústria local a preços 
mais baixos do que os predominantes no mercado internacional. Isso somente ocorre quando 
seus produtores são induzidos pelo Estado a fazê-lo. 
Apesar de os baixos salários terem representado uma vantagem comparativa no início do 
processo de industrialização das economias retardatárias, a competitividade a longo prazo 
jamais poderá apoiar-se nessa vantagem, por quatro razões fundamentais. A primeira, os 
salários tendem a subir com o avanço do processo de industrialização. A segunda, o avanço 
tecnológico nos demais países, certamente, elevará a produtividade do trabalho de suas 
economias, reduzindo ou eliminando a vantagem representada pelos baixos salários. A 
terceira razão, as indústrias intensivas em mão-de-obra estão sempre se deslocando para 
países com salários mais baixos. A última e mais importante, não vale a pena (não contribui 
para o desenvolvimento) participar de uma competição a ser vencida pelo país que pagar os 
salários mais baixos. Por tais razões, a estratégia de competitividade baseada 
essencialmente em baixos salários é apta a competir pela miséria e não pelo 
desenvolvimento. 
A necessária proteção ou subsídio estatal à indústria nascente tampouco será eficaz ou 
sustentável a longo prazo se a absorção de capacidade de produção industrial não se 
associar a um eficaz esforço tecnológico em benefício da progressiva elevação da 
produtividade da indústria local. 
As formas de compensação à baixa competitividade tecnológica dos produtos industriais das 
economias retardatárias asseguram, diretamente, apenas competitividade espúria aos 
produtos. Ganhos de competitividade são considerados espúrios quando são alcançados às 
custas da redução das condições de vida da população (atual ou futura) ou da exploração 
predatória dos recursos naturais. 
Somente a competitividade autêntica é compatível com o efetivo desenvolvimento a médio e 
longo prazos. Ganhos de competitividade autêntica só podem ser obtidos por intermédio da 
efetiva elevação da produtividade ou da qualidade da produção nacional. Somente o 
desenvolvimento de um esforço tecnológico eficaz das economias retardatárias pode 
assegurar ganhos de competitividade autêntica Todavia, o esforço tecnológico dessas 
economias está limitado pela natureza de seus sistemas nacionais de mudança técnica. 
São três as formas básicas de mudança técnica: a inovação, a absorção de inovações e o 
aperfeiçoamento de inovações. 
Os sistemas nacionais de mudança técnica característicos das economias industrializadas - 
os Sistemas Nacionais de Inovação - incorporam, além da simples capacitação para produzir 
(isto é, da capacidade de absorver tecnologias preexistentes necessárias para produzir), as 
capacitações tecnológicas para aperfeiçoar as tecnologias absorvidas e para inovar criando
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 166 de 323 
novas tecnologias. Essas nações seguem uma estratégia tecnológica que conjuga o esforço 
de dominar o processo de produção com um esforço deliberado e bem-sucedido de domínio 
sobre o processo de produção de tecnologias. 
As economias retardatárias, contudo, seguem uma estratégia tecnológica que objetiva 
essencialmente a absorção de capacitação para produzir produtos manufaturados. 
Inicialmente, seus sistemas de mudança técnica - Sistemas Nacionais de Aprendizado 
Tecnológico - desenvolvem apenas a capacitação para absorver tecnologias geradas em 
outros países. Essa capacitação é melhorada, de forma natural, com simples aquisição de 
experiência (em termos de tempo e volume) de produção - learning-by-doing. Contudo, o 
desenvolvimento de uma efetiva capacitação de aperfeiçoamento das tecnologias absorvidas 
só é adquirida como resultado de um esforço tecnológico deliberado. 
As economias retardatárias que desenvolveram simplesmente a capacitação tecnológica 
para produzir podem ser caracterizadas como Sistemas Nacionais de Aprendizado 
Tecnológico Passivo. Sua reprodução econômica depende essencialmente de mecanismos 
que proporcionem ganhos de competitividade não-tecnológicos (espúrios) para seus 
produtos. As economias retardatárias que conseguem conjugar seu esforço de capacitação 
para produzir com um esforço deliberado e bem-sucedido para dominar e aperfeiçoar a 
tecnologia de produção absorvida são mais bem caracterizadas como Sistemas Nacionais de 
Aprendizado Tecnológico Ativo. Tais economias podem reduzir significativamente sua 
dependência de mecanismos que assegurem competitividade espúria para seus produtos. 
A incorporação da capacidade para aperfeiçoar as tecnologias absorvidas pelos sistemas de 
aprendizado tecnológico representa um passo decisivo de economias retardatárias em 
direção à redução de sua dependência de mecanismos que asseguram ganhos espúrios de 
competitividade. Muitas das condições socioambientais perversas -- pobreza, miséria, 
desigualdade e degradação ambiental -- alimentam-se da falta de um sistema de mudança 
técnica que assegure uma competitividade autêntica aos produtos. 
O aprendizado passivo e a competitividade espúria não necessitam ser a fatalidade dos 
processos de industrialização retardatária. Podem constituir-se, na verdade, em uma etapa 
inicial de um processo mais longo de transformação de sistemas nacionais de mudança 
técnica. Para tanto, essa etapa precisa ser sucedida por uma trajetória de aprendizado 
tecnológico ativo. Essa é a lógica que justifica políticas de proteção e apoio à indústria 
nascente. 
A superação das condições perversas associadas à competitividade espúria inicia-se com a 
construção de um deliberado e consistente esforço tecnológico voltado para a superação dos 
limites do aprendizado passivo. Este primeiro passo - a adoção de uma estratégia tecnológica 
de aprendizado ativo - constitui-se, também, em um passo necessário (mas não suficiente) 
para alcançar uma estratégia efetivamente inovadora, a única capaz de assegurar o 
predomínio da competitividade autêntica. 
O Sistema Nacional de Aprendizado Tecnológico brasileiro é, no geral, um sistema de 
aprendizado passivo. Não é capaz de assegurar um mínimo de competitividade tecnológica 
para a maioria de seus produtos. Precisa afirmar grande parte de sua competitividade nos 
salários aviltados, na proteção ou no subsídio estatal e na exploração predatória de seus 
recursos naturais, pois carece do vetor de dinamismo, representado pela capacitação 
tecnológica, para aperfeiçoar as inovações absorvidas, além da óbvia carência da 
capacitação para inovar. 
Os baixíssimos níveis médios de educação dos trabalhadores brasileiros estão estreitamente 
ligados à natureza passiva de nosso sistema de aprendizado tecnológico. O nível educacional 
dos operários é fator chave para os sistemas ativos de aprendizado tecnológico, na medida 
em que dependem do aperfeiçoamento das inovações absorvidas, como em algumas 
economias do leste asiático. Os níveis educacionais são uma das causas da passividade de 
nosso sistema de mudança técnica. No passado, contudo, foram funcionais para um sistema 
de mudança técnica que conseguia viabilizar a reprodução da economia com a simples 
absorção da capacidade de produzir.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 167 de 323 
A precária formação educacional da média da população brasileira convive com a 
qualificação relativamente elevada do subsistema de produção de conhecimento científico, 
outra característica estrutural do sistema de mudança técnica brasileiro. A base de recursos 
humanos e laboratoriais para pesquisa e desenvolvimento existente no Brasil é relativamente 
boa, mas muito desvinculada das necessidades do processo produtivo. A contribuição 
brasileira para a produção científica mundial é vinte vezes superior a sua contribuição para a 
produção tecnológica mundial. Esse desequilíbrio indica a dissociação entre a capacidade 
brasileira de produzir conhecimentos científicos e as demandas de conhecimentos 
tecnológicos do processo produtivo. 
O Brasil conseguiu implantar um enorme e diversificado parque industrial, cuja complexidade 
e integração só foram alcançadas por pouquíssimos países no mundo. O processo de 
industrialização foi o principal responsável pelo fato de o Brasil ter sido o país de maior 
crescimento mundial entre 1900 e 1980. Contudo, essa expressividade foi insuficiente para 
assegurar o desenvolvimento econômico, como previam as antigas teorias de 
desenvolvimento. O modelo fracassou em seu objetivo de assegurar um padrão de vida 
crescente para sua população. Mostrou-se incapaz de manter seu dinamismo, a partir de fins 
da década de 1970. Não reduziu, antes pelo contrário, agravou a desigualdade da distribuição 
da renda nacional, além de não ter sido capaz de eliminar a miséria. Mostrou-se, ademais, 
pouco responsável do ponto de vista ambiental. 
Um conjunto complexo de fatores organiza a herança do estilo brasileiro de desenvolvimento. 
Na raiz, a incapacidade de gerar uma dinâmica própria de desenvolvimento tecnológico e, 
conseqüentemente, de elevação da produtividade e da competitividade (autêntica) de bens e 
serviços. 
Durante os anos 1990, o Brasil abandonou as políticas desenvolvimentistas. 
Desmontaram-se as políticas industrial e tecnológica. Passou-se a buscar, nas consignias 
hegemônicas do neoliberalismo, a abertura e a desregulamentação dos mercados internos e 
externos. Esperava-se que a pressão competitiva, aumentada pela abertura do mercado 
interno para produtos e capitais externos, mudasse o padrão tecnológico das empresas e a 
própria natureza do sistema de mudança técnica brasileiro. A abertura dos mercados 
brasileiros no processo de globalização tecnológica, a dispersão internacional da produção e 
o emprego de inovações criariam as condições de redução das diferenças dos sistemas 
nacionais de mudança técnica. 
O fenômeno de globalização tecnológica está se produzindo de maneira inversa ao 
receituário. O que está ocorrendo, nos desdobramentos do processo de globalização, é um 
processo de especialização e diferenciação crescentes dos sistemas de mudança técnica 
das nações e a consolidação de ilhas nacionais de competência cercadas por oceanos de 
nações, sem competência para inovar. 
Conceber que a simples inserção da economia brasileira nos mercados internacionais 
globalizados e a pressão competitiva dos mercados abertos serão a solução natural para os 
problemas da precariedade tecnológica não parece ser suficiente para mudar a natureza do 
sistema de mudança técnica brasileiro. A melhor política não é a não-política, como propõe a 
doutrina econômica dominante. Muito tempo já foi perdido na ilusão de que a solução dos 
problemas brasileiros viria do simples desmonte das políticas desenvolvimentistas e da 
conseqüente liberação das forças e das potencialidades do livre mercado. 
O desenvolvimento industrial almejado no Pós-Guerra não foi alcançado pelo Brasil, nem 
pela maioria das nações pobres. Todos já sabem, ademais, sobre a insustentabilidade do 
estilo de desenvolvimento das nações ricas e da sua impossibilidade de universalização. O 
desenvolvimento sustentável é uma nova idéia força que emerge neste quadro e 
progressivamente se vai impondo. 
O antigo estilo do desenvolvimento brasileiro já se encontrava comprometido pelas enormes 
limitações da geração e da absorção de conhecimentos científicos e tecnológicos. A ambição 
da idéia do desenvolvimento sustentável é alcançar essa capacidade, mediante uma também 
ambiciosa política de ciência e tecnologia, comprometida com a construção das bases 
técnicas e científicas requeridas à sustentabilidade social, ecológica, econômica, espacial,
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 168 de 323 
política e cultural. 
Desenvolvimentismo e desenvolvimento científico-tecnológico 
A promoção do desenvolvimento foi a idéia-força das políticas públicas das nações 
capitalistas pobres no Pós-Guerra. A industrialização foi eleita como a principal via de 
superação da pobreza e do subdesenvolvimento, pela sua capacidade de incorporação 
acelerada do progresso técnico ao processo produtivo e, portanto, pressupunha-se, da 
contínua elevação da produtividade do trabalho e da renda. 
Nos países de industrialização retardatária, como o Brasil, o processo deflagrou-se em um 
contexto industrial internacionalmente já consolidado e apto a atender as necessidades de 
manufaturas dos mercados. Nesse sentido, os países de economia retardatária situam-se 
estruturalmente à margem das vantagens competitivas dos produtos inovadores (sem 
concorrentes) e/ou produzidos por tecnologias inovadoras (mais produtivas ou eficientes que 
as concorrentes). 
A competitividade das economias industrializadas repousa no emprego de tecnologias 
inovadoras, configuradas em Sistemas Nacionais de Inovação. As economias retardatárias, 
como a brasileira, no entanto, baseiam o seu sistema de mudança técnica na absorção e no 
aperfeiçoamento de inovações geradas nas economias industrializadas. Nesse sentido, 
configuram-se como Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico (Viotti, 1997). Os 
processos de mudança técnica das economias retardatárias são basicamente restritos ao 
aprendizado tecnológico, limitando decisivamente a competitividade de seus produtos 
industriais. 
Essa condição estrutural obriga as economias retardatárias a recorrerem a formas especiais 
de compensação, dado a inferioridade das tecnologias empregadas nos esforços de 
industrialização. Em outras palavras, trata-se de economias que necessitam encontrar 
mecanismos de compensação para a falta de competitividade tecnológica de seus produtos 
manufaturados, para viabilizar os seus processos de industrialização. 
A competitividade inicial dos produtos industriais das economias retardatárias pode basear-se 
nos baixos preços locais de mão-de-obra e de matérias-primas, na exploração (mais ou 
menos predatória) dos recursos naturais e, ainda, na proteção ou subsídio estatal. São 
vantagens comparativas insuficientes para sustentar o avanço do processo de 
industrialização e, tampouco, asseguram uma competitividade efetivamente sustentada. 
A vantagem representada pela abundância relativa de matérias-primas é ilusória. Só será 
efetiva se as matérias-primas forem vendidas para a indústria local a preços mais baixos do 
que os predominantes no mercado internacional. Isso somente ocorre quando seus 
produtores são induzidos pelo Estado a fazê-lo. 
Apesar de os baixos salários representarem uma vantagem comparativa no início do 
processo de industrialização, a competitividade das economias retardatárias a longo prazo 
jamais poderá estar apoiada simplesmente nessa vantagem, basicamente, por quatro 
razões: 
•os salários tendem a subir com o avanço do processo de industrialização; 
•o natural avanço tecnológico dos países industrializados elevará a produtividade do trabalho, 
reduzindo ou eliminando as vantagens representadas pelos baixos salários; 
•as indústrias intensivas em mão-de-obra estão sempre se deslocando para países com 
salários mais baixos; 
•a mais importante razão: não vale a pena (ou seja, não contribui para o desenvolvimento) 
participar de uma competição cujo vencedor será o país que pagar os salários mais baixos. 
Assim, a estratégia de competitividade essencialmente estruturada sobre a compressão do 
custo dos salários corresponde a uma competição pela miséria e não pelo desenvolvimento. 
A necessária concessão de proteção ou subsídio estatal à indústria nascente somente será 
eficaz e durável caso a absorção da capacidade de produção industrial esteja associada a 
um esforço tecnológico que assegure a progressiva elevação da produtividade da indústria
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 169 de 323 
local. 
As práticas empregadas para compensar a falta de competitividade tecnológica dos produtos 
industriais das economias retardatárias têm assegurado diretamente aos produtos apenas 
uma competitividade espúria. Ganhos de competitividade espúrios, porque são alcançados às 
custas da redução das condições de vida da população e/ou da exploração predatória dos 
recursos naturais. São práticas de competitividade ancoradas em um tipo de dumping 
socioambiental. 
A efetividade do desenvolvimento a médio e longo prazos requer uma competitividade 
autêntica que lhe seja compatível. Somente a elevação da produtividade ou da qualidade da 
produção nacional podem levar aos ganhos de competitividade autêntica. 
O asseguramento dos ganhos de competitividade autêntica passa necessariamente por um 
efetivo esforço tecnológico das economias retardatárias; um desafio limitado pela natureza 
dos seus sistemas nacionais de mudança técnica. 
São basicamente três as formas de mudança técnica: inovação, absorção de inovações e 
aperfeiçoamento. Na perspectiva neo-schumpeteriana clássica corresponderiam, de maneira 
imprecisa, aos conceitos de inovação, difusão e inovação incremental. 
Além da simples capacitação para produzir, isto é, capacidade para absorver tecnologias 
preexistentes necessárias à produção, os sistemas nacionais de mudança técnica das 
economias industrializadas - os Sistemas Nacionais de Inovação - incorporam as 
capacitações tecnológicas para aperfeiçoamento das tecnologias absorvidas e para criação 
de novas tecnologias. A estratégia tecnológica conjuga o esforço de dominar o processo de 
produção com um bem-sucedido domínio do processo de produção de tecnologias. 
A estratégia tecnológica das economias retardatárias objetiva essencialmente a absorção de 
capacitação para produção de manufaturados. Em tese, os sistemas de mudança técnica - 
Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico - limitam-se à capacitação para absorção de 
tecnologias geradas nos países industrializados. Comumente, essa capacitação é 
aprimorada com a simples aquisição da experiência de produção (tempo e volume) - 
learning-by-doing. Contudo, o desenvolvimento da capacitação efetiva de aperfeiçoamento 
das tecnologias absorvidas só é adquirido como resultante de um esforço tecnológico 
deliberado. 
A simples capacitação tecnológica para produzir das economias retardatárias pode ser 
caracterizada como Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico Passivo. A reprodução 
econômica depende essencialmente de mecanismos de ganhos de competitividade 
não-tecnológicos (espúrios, por se tratarem de dumping socioambiental) para seus produtos. 
Quando as economias retardatárias conseguem conjugar seu esforço de capacitação para 
produzir a um esforço para dominar e aperfeiçoar a tecnologia de produção absorvida, 
podem ser caracterizadas como Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico Ativo. 
Nesse caso, podem reduzir significativamente sua dependência dos mecanismos de 
competitividade espúria dos seus produtos. 
A competitividade das economias retardatárias, respaldadas em sistemas de mudança 
técnica limitados ao simples aprendizado passivo, depende permanentemente da 
compressão dos salários reais dos trabalhadores, da exploração predatória de seus recursos 
naturais e/ou dos mecanismos de proteção ou subsídio estatal. 
A manutenção das perversidades sociais bem conhecidas no desenvolvimento dos países de 
economia retardatária - pobreza, miséria, desigualdade e degradação ambiental - estão 
imbricadas nas fragilidades de um sistema de mudança técnica que assegure uma 
competitividade autêntica aos seus produtos. 
Os países de industrialização retardatária não estão condenados a reproduzir o aprendizado 
passivo e a competitividade espúria. As possibilidades de constituição de um processo mais 
longo de transformação de sistemas nacionais de mudança técnica ainda estão abertas, 
desde que os países caminhem na trajetória do aprendizado tecnológico ativo. Na verdade, é
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 170 de 323 
essa lógica que justifica políticas de proteção e apoio à indústria nascente. 
A construção de um deliberado e consistente esforço tecnológico, comprometido com a 
superação dos limites do aprendizado passivo, é o primeiro passo decisivo para a superação 
das condições perversas emanadas da competitividade espúria, característica da maioria dos 
processos de desenvolvimento retardatários. A adoção de uma estratégia tecnológica de 
aprendizado ativo é um passo necessário (ainda que insuficiente) para a implementação de 
estratégias efetivamente inovadoras, as únicas capazes de assegurar o predomínio da 
competitividade autêntica. 
O Sistema Nacional de Aprendizado Tecnológico brasileiro representa um caso de sistema 
de aprendizado passivo, incapaz de assegurar níveis mínimos de competitividade tecnológica 
à maioria de seus produtos. Carece do vetor de dinamismo da capacitação tecnológica para 
aperfeiçoar as inovações absorvidas, como também da capacitação para inovar. Sua 
competitividade está, em boa medida, amparada nos salários aviltados, na proteção ou no 
subsídio estatal e na exploração predatória dos recursos naturais. 
Os baixíssimos níveis médios de educação dos trabalhadores brasileiros são conseqüências 
visíveis da natureza passiva do sistema de aprendizado tecnológico nacional. Para um 
sistema de mudança técnica orientado a viabilizar a reprodução da economia pela simples 
absorção da capacidade de produzir, a excelência do padrão educacional da massa dos 
trabalhadores é problema supérfluo. 
Os sistemas ativos de aprendizado tecnológico requerem um elevado nível educacional dos 
trabalhadores. Os exemplos de algumas economias do leste asiático mostram que o nível 
educacional dos operários é peça chave da economia, pois esses sistemas também 
dependem do aperfeiçoamento das inovações absorvidas. 
A relativamente elevada qualificação do sub-sistema de produção de conhecimento científico 
é, ao lado do baixo nível educacional médio da população brasileira, outra característica 
estrutural do sistema de mudança técnica nacional. Ainda que as bases brasileiras de 
recursos humanos e laboratoriais para pesquisa e desenvolvimento existentes sejam 
relativamente boas, parece funcionarem de maneira desvinculada das necessidades do 
processo produtivo. 
A TV DIGITAL 
O que é? 
A TV aberta transmitida para os televisores existentes em 90% das residências brasileiras 
utiliza canais analógicos com largura de banda de 6 MHz. 
Na TV Digital a transmissão do áudio e do vídeo passa a ser feita através de sinais digitais 
que, codificados, permitem um uso mais eficiente do espectro eletromagnético, devido ao 
aumento da taxa de transmissão de dados na banda de frequências disponível. 
É possível desta forma transmitir: 
Som e imagem de melhor qualidade viabilizando a Televisão de Alta Definição (HDTV). A 
resolução da imagem na TV analógica que é de 400 x 400 pixels poderá ser de até 1920 x 
1080 pixels. 
Mais canais (até 4) no mesma faixa de frequências utilizada por um canal analógico. 
A TV digital apresenta algumas funcionalidades que permitem uma interatividade entre o 
telespectador e a emissora possibilitando: 
A acesso a informações adicionais como por exemplo o menu de programação. 
A iteração do usuário com a emissora, através de uma canal de retorno via linha telefônica 
por exemplo, possibilitando a este votar ou fazer compras. 
Implantação da TV Digital
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 171 de 323 
A implantação da TV Digital passará por um período de transição, que deve durar 10 a 15 
anos, no qual as emissoras transmitirão simultaneamente dois canais de 6 MHz, sendo um 
analógico e o outro digital. 
Com a introdução da tecnologia digital na radiodifusão de TV (TV Digital Terrestre), o usuário 
poderá optar por uma das seguintes situações: 
Continuar a receber a TV aberta da forma atual utilizando a sua TV analógica. 
Adquirir um conversor (set top box) que permitirá receber o sinal digital e convertê-lo para um 
formato de vídeo e áudio disponível em seu receptor de TV 
Adquirir uma TV nova que já incorpore o conversor. 
Este processo vem ocorrendo em vários países do mundo. No Reino Unido (UK), por 
exemplo, o processo iniciou-se em 1998 e 65,9% das residências já tinham acesso à TV 
Digital em setembro de 2005. Nos Estados Unidos o início foi em 2002 e no Japão em 2003. 
O sucesso da implantação da TV Digital depende em grande parte da disponibilidade de 
conversores (set top box) com preços baixos, acessíveis para a população, o que só é 
possível com grandes escalas de produção. Esta é uma das justificativas para se adotar um 
padrão único de TV Digital para o Brasil. 
TV Digital no Brasil 
Para definir o Sistema Brasileiro de TV Digital, conforme Decreto nº 4901 de 26/11/03 , o 
Governo Brasileiro instituiu os seguintes comitês: 
Comitê de Desenvolvimento, com a participação de representantes dos vários ministérios e 
da Anatel. 
Comitê Consultivo, com a participação de entidades representativas. 
Grupo Gestor, com apoio técnico e administrativo da Finep e do CPqD. 
O grupo Gestor selecionou várias entidades para os projetos de desenvolvimento do SBTV. 
Os resultados de seus estudos foram apresentados em relatório apresentado ao Comitê de 
Desenvolvimento em 17/12/2005. 
O Prazo para o comitê de desenvolvimento apresentar o seu relatório contendo proposta 
referente: 
a) à definição do modelo de referência do SBTV 
b) ao padrão de televisão digital a ser adotado no País 
c) à forma de exploração do serviço de TV Digital 
d) ao período e modelo de transição do sistema analógico para o digital era 10 de fevereiro 
de 2006. (Dec. 5.393 de 10/03/05). 
Em 7/02/06 o Ministro das Comunicações anunciou o adiamento deste prazo. 
Estas definições estão gerando debates acalorados pois devem levar em consideração 
aspectos técnicos, de política industrial e contrapartidas oferecidas pelo defensores dos 
padrões disponíveis. 
O governo está conduzindo negociações com representantes dos padrões Japônes e 
Europeu procurando obter contrapartidas, como a instalação de uma fábrica de 
semicondutores no Brasil. 
Em abril de 2006 uma delegação composta pelos Ministros Celso Amorim (Relações 
Exteriores), Hélio Costa (Comunicações) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) visitou o
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 172 de 323 
Japão e assinaram um memorando de entendimento, o que é um indicador de que o Brasil 
estaria propoenso a escolher o padrão Japonês. 
Consulte o Em Debate do Teleco: Implantação da TV Digital no Brasil 
Relatório do CPqD 
O relatório preparado pelo CPqD ainda não foi divulgado oficialmente. O site Teletime 
divulgou, no entanto, uma cópia do documento em 16/02/2005. 
Para a escolha da solução tecnológica o documento propõe associar os critério de escolha 
definidos no Dec. 5.393 nos critérios apresentados a seguir com seus respectivos pesos. 
Decreto Critério Associado Pesos 
Inclusão social Baixo custo 9 
Flexibidade de modelos de exploração Alto desempenho 6 
Desenvolvimento sustentável Confiabilidade 4 
Apesar de não ser conclusivo quanto à aplicação destes critérios o documento apresenta 
informações importantes, tais como: 
O preço de venda do Set Top Box (URD) projetado para o DVB (padrão Europeu) em 2006 
está entre R$ 233,00 (Básico) e R$ 662,00 (Avançado). Os preços seriam de 10% a 8% 
maiores para o padrão ATSC (Americano) e de 18% a 15% no ISDB (Japonês). Estes preços 
são baseados nos custos dos módulos que compõe a URD sem considerar royalties de 
modulação e licenças de middleware. 
Propõe a adoção de um modelo de negócio que incorpore, entre outros pontos, a exploração 
da mobilidade/portabilidade, interatividade local, alta adoção da TV Digital pelos usuários e o 
surgimento de receitas provenientes de novos serviços, Na avaliação de desempenho para 
implantação deste modelo de negócio o ISDB obteve nota 3,7, o DVB nota 3,5 e o ATSC nota 
2,9. 
A avaliação final para escolha do padrão dependerá da negociação de contrapartidas entre o 
governo brasileiro e os detentores das tecnologias que deve ser centrada nos atributos 
apresentados a seguir. 
Flexibidade de negociação, contemplando: 
· Facilidade de transferência de tecnologia 
·     Autonomia para o Brasil incluir e modificar as características de serviços 
·     Maior quantidade de fabricantes e de fornecedores de componentes 
·     Universalidade do padrão 
·     Redução ou reinvestimento no país dos royalties. 
·     Fomento à pesquisa e linhas de crédito para digitalização 
·     Perspectivas de mercado, para gerar maior fator de escala de produção. 
· 
Participação na evolução, garantindo, por exemplo, assento para participação efetiva do 
Brasil nos fóruns do padrão, e permitindo a incorporação de soluções que vierem a ser 
desenvolvidas no Brasil. 
CÉLULAS TRONCO 
O que são células-tronco? 
São células encontradas em embriões, no cordão umbilical e em tecidos adultos, como o 
sangue, a medula óssea e o trato intestinal, por exemplo. Ao contrário das demais células do 
organismo, as células-tronco possuem grande capacidade de transformação celular, e por 
isso podem dar origem a diferentes tecidos no organismo. Além disso, as células-tronco têm 
a capacidade de auto-replicação, ou seja, de gerar cópias idênticas de si mesmas.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 173 de 323 
Que avanços as pesquisas científicas com células-tronco podem trazer para a 
medicina? 
As células-tronco podem ser utilizadas para substituir células que o organismo deixa de 
produzir por alguma deficiência, ou em tecidos lesionados ou doentes. As pesquisas com 
células-tronco sustentam a esperança humana de encontrar tratamento, e talvez até mesmo 
cura, para doenças que até pouco tempo eram consideradas incontornáveis, como diabetes, 
esclerose, infarto, distrofia muscular, Alzheimer e Parkinson. O princípio é o mesmo, por 
exemplo, do transplante de medula óssea em pacientes com leucemia, método 
comprovadamente eficiente. As células-tronco da medula óssea do doador dão origem a 
novas células sangüíneas sadias. 
Por que permitir a pesquisa com embriões, se as células-tronco são também 
encontradas em tecidos adultos? 
Porque as células embrionárias são as únicas que têm a capacidade de se diferenciar em 
todos os 216 tecidos que constituem o corpo humano. As células retiradas de tecidos adultos 
têm capacidade de dar origem a um número restrito de tecidos. As da medula óssea, por 
exemplo, formam apenas as células que formam o sangue, como glóbulos vermelhos e 
linfócitos. 
O que a Lei da Biossegurança aprovada na Câmara permite? 
Ela autoriza as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, mas impõe uma 
barreira. Poderão ser pesquisados apenas os embriões estocados em clínicas de fertilização 
considerados excedentes, por não serem colocados em útero, ou inviáveis, por não 
apresentarem condições de desenvolver um feto. O comércio, produção e manipulação de 
embriões, assim como a clonagem de embriões, seja para fins terapêuticos ou reprodutivos, 
continuam vetados. 
Os cientistas podem adquirir os embriões diretamente nas clínicas de fertilização 
assistida? 
Sim. O cientista precisa da autorização do conselho de ética do instituto onde trabalha, como 
em qualquer projeto que envolva a manipulação de material humano. Uma vez autorizado, o 
pesquisador poderá adquirir os embriões diretamente nas clínicas. Eles deverão estar 
estocados há mais de três anos e só poderão ser utilizados com o consentimento dos pais, 
mediante doação. Atualmente, estima-se que o país tenha 30.000 embriões congelados. 
Qual o motivo da polêmica em torno da lei? 
Para explorar as células-tronco, é necessário retirar o chamado botão embrionário, 
provocando a destruição do embrião. Esse processo é condenado por algumas religiões - 
como a Católica - que consideram que a vida tem início a partir do momento da concepção. 
Há perspectivas de que no futuro se encontrem técnicas capazes de preservar o embrião, o 
que eliminaria as resistências religiosas. 
Qual é o tamanho do embrião quando as células são extraídas para pesquisas? 
Até o momento, os cientistas conseguiram obter células-tronco de blastocistos, um estágio 
inicial do embrião com apenas 100 células. Um grupo de pesquisadores americanos 
conseguiu extrair células-tronco de mórulas, que têm entre 12 e 17 células. Em qualquer 
caso o embrião é microscópico. As células retiradas são cultivadas em laboratório, e podem 
render material para diversos anos de trabalho. 
Em que estágio se encontram as pesquisas de tratamentos com células-tronco? 
Apenas no caso de leucemia e certas doenças do sangue se pode falar efetivamente em 
tratamento. As perspectivas ainda são a longo prazo, pois praticamente todas as terapias se 
encontram em fase de testes, embora alguns resultados preliminares sejam promissores. Os
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 174 de 323 
cientistas ainda têm várias questões a resolver, como a possibilidade de desenvolvimento de 
tumores, verificada em testes com camundongos. 
As dez, mais recentes, descobertas científicas 
PRIMEIRA PARTE 
Todo mês de dezembro, a revista Science publica os dez maiores avanços científicos do ano. 
Na primeira parte deste artigo, vamos destacar cinco das dez descobertas escolhidas em 
2006. 
1) A solução do problema proposto por Poincaré. 
Henri Poincaré foi o fundador de um ramo da Matemática conhecido como Topologia, 
encarregado de estudar as propriedades de superfícies que sofrem níveis arbitrários de 
alongamento. Em 1904, ele propôs uma conjectura sobre o tema, simples em sua 
concepção, mas tão difícil de provar que desafiou os matemáticos por cem anos. 
Em 2002, Grigori Perelman, um russo de 36 anos, colocou na internet três pré-publicações 
que encaminhavam a solução do problema proposto por Poincaré. Embora os especialistas 
tenham imediatamente percebido que se tratava de uma proposição genial, foram 
necessários quatro anos até que a comunidade científica se convencesse de que Perelman 
havia finalmente resolvido o problema. 
Em 2006, foram publicados separadamente três manuscritos – cada um com mais de 300 
páginas – que preencheram os detalhes ainda obscuros da demonstração do autor russo, e 
Perelman recebeu a medalha Fields, o prêmio mais importante da Matemática. 
A solução das conjecturas de Poincaré foi eleita o maior avanço científico do ano. 
2) O seqüenciamento do genoma do homem de Neandertal 
A partir do DNA recolhido em fósseis do homem de Neandertal, foram realizados dois 
estudos de seqüenciamento de DNA. No primeiro, um grupo de pesquisadores americanos 
seqüenciou 1 milhão de pares de base; no segundo, um grupo europeu seqüenciou 65 mil. 
Neles, foram encontradas diferenças e similaridades genéticas entre os homens modernos e 
os antigos, que podem revelar passagens fundamentais na evolução de nossa espécie. Os 
dados permitem desenhar um rascunho do mapa completo do DNA de nossos antepassados. 
Assim que novos fósseis se tornarem disponíveis, seus genes poderão ser inseridos em 
bactérias para a formação de bibliotecas de DNA dos neandertais, para pesquisas mais 
detalhadas. 
Os trabalhos sugerem que os homens de Neandertal divergiram de nossos ancestrais há 450 
mil anos e que muito provavelmente houve miscigenação entre eles e o Homo sapiens, e 
comprovam que a Metagenômica, área que estuda o seqüenciamento de DNA de seres 
extintos, está em franco desenvolvimento. 
3) Estudos sobre o degelo 
Depois de décadas de mensurações com altímetros a laser, radares em órbita e um par de 
satélites que estimam o volume de gelo por gravitação, ficou claro que as massas das 
maiores geleiras da Terra, situadas na Groenlândia e na Antártida, têm perdido água para os 
oceanos, gradativamente. 
Os pesquisadores desconhecem as razões capazes de justificar porque um aumento discreto 
da temperatura do ar e dos oceanos, como o dos dias atuais, pode provocar esse fenômeno. 
Mas, se esse ritmo de degelo persistir, áreas da Flórida, de Bangladesh e de outras regiões 
costeiras enfrentarão inundações em séculos, e não em milênios como se esperava. 
Embora haja algum desencontro a respeito da velocidade em que ocorre o degelo, todos os 
estudos mostram que ele tem ocorrido, tanto na Groenlândia quanto na Antártida, nos últimos 
cinco a dez anos. Na Groenlândia, a perda é de 100 gigatoneladas por ano; na Antártida, pelo 
menos de 10 gigatoneladas. 
As perdas atuais podem elevar os níveis dos oceanos apenas 10 cm em cada século, mas os 
especialistas temem que o aquecimento global seja suficiente para elevá-los um metro ou 
mais, num futuro próximo. 
Há muitas dúvidas entre os glaciologistas a respeito da evolução das geleiras. O 
aquecimento global persistirá ou será contrabalançado por variações climáticas naturais? As 
camadas de gelo poderão se ajustar ao aquecimento reduzindo a velocidade do degelo? Mais 
geleiras serão perdidas pelo constante aumento da temperatura?
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 175 de 323 
4) O Tiktaalik roseae, nosso ancestral que saiu do mar. 
Todos os vertebrados dotados de membros (tetrápodes) evoluíram a partir de alguns peixes 
que existiram há 370 milhões de anos. Alguns deles apresentavam modificações no 
esqueleto fundamentais para a adaptação à vida terrestre, como coluna vertebral mais rígida 
e nadadeiras mais robustas, essenciais para dar suporte aos membros na terra. 
Em três expedições às ilhas Ellesmere, no Canadá, realizadas em 2004, os paleontólogos 
encontraram o esqueleto de três peixes de cerca de três metros de comprimento, batizados 
como Tiktaalik roseae, fóssil que viveu há 375 milhões de anos e que preenche importante 
lacuna evolutiva da transição da vida nos mares para o interior dos continentes. 
O que diferencia o Tiktaalik roseae de outros fósseis de sua época é a existência de punhos 
e cotovelos nas nadadeiras da frente, importantes para dar mobilidade em terra; de um 
pescoço rudimentar, o primeiro encontrado entre os fósseis, capaz de permitir movimentos 
mais amplos da cabeça; de costelas robustas e guelras bem desenvolvidas. 
Nosso antepassado provavelmente se aventurou pela terra para encontrar insetos para 
comer e para fugir dos tubarões e de outros predadores. 
5) As vestimentas invisíveis 
No ano passado, os físicos desenvolveram uma vestimenta em forma de anel, invisível 
apenas quando olhada através de microondas que incidem paralelamente ao plano do anel. 
O dispositivo é considerado um experimento revolucionário no campo da manipulação de 
ondas eletromagnéticas e um passo na direção da verdadeira invisibilidade. 
As bases para ele foram lançadas em maio, quando duas análises independentes previram 
que seria possível ancorar ondas eletromagnéticas num objeto com a finalidade de 
escondê-lo. Em outubro, físicos da Universidade Duke construíram um anel de um material 
que atravessado por microondas se tornava capaz de refleti-las de forma a tornar-se invisível. 
Obter uma vestimenta não visível quando iluminada pela luz natural, no entanto, ainda 
permanece no campo da ficção. O avanço científico está no desenvolvimento dos 
dispositivos empregados para obter o efeito óptico descrito, tecnologia que terá aplicações na 
construção das antenas e radares do futuro. 
SEGUNDA PARTE 
Na primeira parte deste artigo, destacamos cinco dos dez avanços científicos selecionados 
pela revista Science entre os dez mais importantes no ano de 2006. São eles: 
1) solução do problema imposto por Poincaré; 
2) seqüenciamento do genoma do homem de Neandertal; 
3) estudo sobre o degelo; 
4) Tiktaalik roseae, nosso ancestral que saiu do mar; 
5) as vestimentas invisíveis. 
A seguir, vamos nos deter sobre os outros cinco: 
6) Avanços no tratamento da degeneração macular 
A mácula é a região central da retina, na qual o cristalino projeta as imagens de tudo o que 
nos cerca. Com o passar dos anos, pequenas hemorragias e crescimento anormal dos vasos 
retinianos nessa região podem causar perda progressiva da visão. Degeneração macular é 
uma das causas mais freqüentes de cegueira nos mais velhos. 
Em outubro de 2006, foram publicados dois estudos clínicos no The New England Journal of 
Medicine, mostrando que um medicamento, o ranibizumab, melhora a acuidade visual de 
cerca de 30% dos portadores das formas mais graves de degeneração macular e interrompe 
a progressão da doença na maioria dos outros. A publicação serviu de argumento para o 
FDA (Food and Drug Admnistration) liberá-lo para comercialização. 
Ranibizumab é um anticorpo monoclonal produzido pela Genentech Inc., com o objetivo de 
neutralizar uma proteína (VEGF) que estimula a proliferação de vasos sangüíneos, processo 
envolvido na gênese da doença. 
Outro anticorpo monoclonal produzido pela Genentech, já aprovado para o tratamento de 
neoplasias malignas, tem sido testado em injeções intra-oculares nos casos de degeneração 
macular. Os resultados são promissores e o custo muito mais baixo do que o ranibizumab, 
que não sai por menos de 1.950 dólares, por dose mensal.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 176 de 323 
7) No caminho da biodiversidade 
Explicar como surge uma nova espécie é uma das questões mais importantes da Biologia, 
porque permite entender a biodiversidade espantosa que a vida adquiriu em 4 bilhões de 
anos na Terra. 
Nos últimos doze meses, vários estudos procuraram decifrar as alterações genéticas 
necessárias para que um grupo de indivíduos se diferencie numa espécie nova, diferente 
daquela de seus ancestrais. 
Em julho, pesquisadores americanos demonstraram que no rato de praia da Flórida, uma 
mutação ocorrida numa única base de um único gene é responsável por mais de 36% da cor 
mais clara dos pêlos, característica que distingue esses ratos dos demais. No mês seguinte, 
outro grupo mostrou que, em certos pássaros, a atividade excessiva de um único gene é 
suficiente para provocar o aparecimento de filhotes com bicos alongados. 
8) Microscópios que enxergam proteínas além da barreira da luz 
Microscópios comuns são incapazes de discernir pontos luminosos mais próximos do que 
metade do comprimento de onda da luz que os ilumina. No caso da luz visível, essa distância 
é de cerca de 200 nanômetros (1 nanômetro é a milionésima parte do milímetro). 
Por muitos anos, os físicos tentaram vencer essa barreira, conhecida como limite de difração. 
Técnicas atuais, que combinam corantes fluorescentes aplicados às células e iluminação 
com raios lazer para excitá-las, permitiram visualizar proteínas no interior de sinapses entre 
neurônios com níveis de resolução de algumas dezenas de nanômetros. Variações desses 
métodos possibilitaram mapear a posição assumida pelas proteínas no citoplasma das 
células com nanômetros de precisão. 
Identificar as acrobacias que as proteínas executam no interior das células representará um 
enorme avanço no entendimento de suas funções. 
9) A persistência das memórias 
Nos anos 1970, os neurocientistas observaram que coelhos colocados diante de uma 
barragem elétrica, ao aprender a evitá-la, apresentavam reforço das conexões entre os 
neurônios localizados no hipocampo, área do cérebro crucial para a formação de memórias. 
Esse fenômeno foi denominado LTP (long term potentiation). 
Estudos posteriores mostraram que, quando o animal recebia previamente uma droga capaz 
de abolir a LTP, ocorria perda da capacidade de formar novas memórias. Apesar dessas 
evidências, a teoria de que as memórias ficam gravadas no hipocampo graças ao 
mecanismo de LTP tem sido difícil de comprovar experimentalmente. 
Em janeiro de 2006, pesquisadores espanhóis documentaram a ocorrência de LTP em ratos 
condicionados a piscar os olhos em resposta a um estímulo sonoro. Em agosto, outros 
pesquisadores verificaram que ao abolir LTP no hipocampo por meio da administração de um 
medicamento, ratos que haviam aprendido a evitar uma área de choque em suas gaiolas 
perdiam a memória de sua localização. 
Apesar desses experimentos reforçarem a teoria de que LTP será o mecanismo molecular 
envolvido na memorização, ainda falta esclarecer como as diferentes formas de LTP já 
identificadas no tecido cerebral estão relacionadas com os diferentes tipos de memórias. 
10) Manipulações genéticas diminutas 
Pequenas moléculas de RNA dotadas da capacidade de impedir a expressão de 
determinados genes têm despertado enorme interesse em biologia. No ano passado, foi 
descoberta outra dessas moléculas: piRNA. 
Quatro grupos independentes publicaram trabalhos demonstrando que moléculas de piRNA 
se ligam a genes de uma família conhecida como Argonauta, cujos membros controlam 
outros pequenos RNAs, previamente descritos (microRNA e siRNA). 
Os cientistas acreditam que os genes que codificam o piRNA regulam o desenvolvimento e 
manutenção das células espermáticas em diversas espécies, incluindo a humana. 
Curiosamente, as moléculas de piRNA são muito abundantes e variadas. Em testes com 
ratos, foram encontradas cerca de 60 mil. Apesar de sabermos que elas têm a capacidade de 
silenciar genes, não conhecemos sua origem, que enzimas estão ligadas a seu aparecimento 
e que atividade exercem no genoma humano.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 177 de 323 
(notíciário) 
 
27/01/2010 
Manchete: Steve Jobs apresenta o iPad, novo tablet da Apple. 
Resumo: Após meses de boatos e especulações, Steve Jobs mostrou ao público o iPad, o 
aguardado tablet da Apple. Muito parecido com um iPhone em proporções maiores, o 
dispositivo tem tela totalmente sensível a multitoques, ausência de teclado físico e dimensão 
de 9,7 polegadas. 
Com 1,3 cm de espessura e peso de 680 gramas, o iPad permite navegar na internet, ver 
e-mails, ler revistas, livros e jornais em formato digital, rodar vídeos, games e exibir fotos. O 
New York Times e a National Geographic, por exemplo, já anunciaram uma parceira com a 
Apple para oferecer versão digital de suas publicações para iPad. 
05/10/2009 
Manchete: DNA de brasileiro é 80% europeu, indica estudo. 
Resumo: Um novo retrato das contribuições de cada etnia para o DNA dos brasileiros, obtido 
com amostras das cinco regiões do país, indica que, em média, ancestrais europeus 
respondem por quase 80% da herança genética da população. A variação entre regiões é 
pequena, com a possível exceção do Sul, onde a contribuição europeia chega perto dos 90%. 
Os resultados, publicados na revista científica American Journal of Human Biology por uma 
equipe da Universidade Católica de Brasília, dão mais peso a resultados anteriores, os quais 
também mostravam que, no Brasil, indicadores de aparência física como cor da pele, dos 
olhos e dos cabelos têm relativamente pouca relação com a ascendência de cada pessoa. 
Quem vê cara não vê DNA 
No Brasil, a pigmentação da pele está, em grande medida, desacoplada da ancestralidade, 
por conta do grau de miscigenação. Em muitos casos, você percebe que há uma relação 
muito fraca entre a autoidentificação que a pessoa faz, dizendo-se branca ou negra, e o que 
os dados de DNA revelam, embora a gente não tenha levado isso em conta durante esse 
trabalho em particular, disse à Folha Rinaldo Wellerson Pereira, que coordenou o estudo. 
Embora os resultados sejam interessantes do ponto de vista histórico e antropológico, o 
principal objetivo de Pereira e companhia é obter uma ideia mais clara da composição 
genética da população como ferramenta para entender correlações entre o DNA e uma série 
de doenças. 
Sabe-se que todo tipo de moléstia pode ter relação com a ancestralidade do doente, mas os 
dados sobre a associação entre uma coisa e outra disponíveis hoje são, quase sempre, de 
populações como europeus ou norte-americanos, nas quais a mistura étnica teve importância 
relativamente baixa. Daí a necessidade de conseguir dados originais no Brasil. 
Os resultados foram obtidos com amostras de 200 pessoas, divididas em cinco grupos de 
mesmo tamanho, cada um deles oriundo de zonas urbanas de uma das regiões do Brasil. Os 
voluntários conseguiram na Justiça o direito de ter seu DNA examinado gratuitamente em 
investigações de paternidade e assinaram formulários aprovando o uso do material genético 
para a pesquisa. 
Como são pessoas que não podiam pagar pelo exame, é possível que a amostra contenha 
uma proporção maior de pardos do que a população geral, embora nós não tenhamos feito 
essa análise, diz Pereira. 
Para estimar as contribuições relativas de europeus, africanos e indígenas, os pesquisadores 
usaram um conjunto de 28 SNPs (pronuncia-se snips), minúsculas variantes genéticas que
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 178 de 323 
correspondem à troca de uma única letra no alfabeto químico do DNA. (Cada pessoa 
carrega, em seu genoma, 3 bilhões de pares dessas letras). Muitos SNPs são típicos de 
determinadas populações do mundo, sendo bem mais frequentes em europeus ou africanos, 
por exemplo. 
Pais postiços 
A segunda fase da análise é comparar a presença desses 28 SNPs no DNA dos brasileiros 
estudados com a distribuição deles em populações parentais, ou seja, que poderiam servir 
como uma versão simulada dos grupos que se miscigenaram e deram origem à população 
brasileira atual. 
Para isso, os pesquisadores recorreram a amostras de DNA de africanos (de Botsuana, 
Camarões, Gana e Senegal), americanos de Chicago e Baltimore com origem europeia e 
índios zapotecas, do México. 
Como os SNPs discriminam a ancestralidade em nível continental, essas populações 
parentais são suficientes, embora não reflitam historicamente as nossas, avalia Pereira. 
População mestiça 
Os resultados obtidos pela equipe de Brasília são mais uma prova do cuidado necessário 
para estudar a associação entre doenças e características genéticas numa população 
miscigenada como a brasileira. 
Já houve estudos de associação genética com grupos definidos como brasileiros brancos e 
brasileiros negros. No fundo, essas definições não querem dizer absolutamente nada, 
afirma Pereira. 
Em países como os EUA, conta ele, já chegaram ao mercado alguns medicamentos voltados 
de forma específica para os americanos de origem africana, levando em conta o fato de que 
o organismo de pessoas de diferentes ascendências reage de maneira variada a certas 
substâncias. Agora, imagine uma droga dessas no Brasil. Não adianta uma pessoa ter 
aparência africana para você prever se ela vai responder ao remédio. Não tem como saber 
se ela possui o bendito alelo [variante genética] ligado àquela resposta, explica. 
Poucos genes 
Se parece misterioso o fato de que uma pessoa com biotipo africano tenha organismo 
branqueado e ascendência predominantemente europeia, é preciso levar em conta o fato 
de que, até onde se sabe, são poucas dezenas de genes (dentre os 20 mil estimados para o 
genoma humano como um todo) que coordenam as diferenças de pele, cabelos e olhos. 
É por isso que uma contribuição pequena das outras etnias ainda caracteriza a aparência de 
muitos brasileiros. 
01/09/2009 
Manchete: Internet chega aos 40 anos com ameaças a seu crescimento. 
Resumo: Poucos prestavam atenção, em 2 de setembro de 1969, quando cerca de 20 
pessoas se reuniram no laboratório de Kleinrock, na Universidade da Califórnia (EUA), para 
assistir dois computadores passando volumosos dados de teste sem sentido por meio de um 
cabo cinza, cujo comprimento era de mais ou menos 15 metros. 
Vídeos divertidos não estavam na mente de Len Kleinrock e sua equipe da Universidade da 
Califórnia, quando começaram os testes daquilo que, em quatro décadas, tornaria-se a 
internet. Tampouco as redes sociais eram pensadas, ou a maioria de outros aplicativos cujo 
uso fácil atrai mais de um bilhão de pessoas on-line. 
Em outro viés, os pesquisadores procuraram criar uma rede aberta para a troca livre de 
informações --uma abertura que, em última instância, estimulou a inovação que mais tarde 
iria criar sites como YouTube, Facebook e a própria World Wide Web. 
Há ainda muito espaço para inovação --mesmo que a noção de abertura esteja ruindo. 
Embora a internet esteja disponível de forma mais ampla e rápida do que nunca, as barreiras
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 179 de 323 
artificiais ameaçam a continuidade do seu crescimento. Em outras palavras, uma crise de 
meia-idade. 
Muitos fatores são culpados. Spam e ataques de piratas virtuais forçam os operadores de 
rede para erguer barreiras de segurança. Regimes autoritários bloqueiam o acesso a muitos 
sites e serviços dentro de suas fronteiras. 
Há mais liberdade ao usuário típico de internet para jogar, para se comunicar, fazer compras 
--mais oportunidades do que nunca, afirma Jonathan Zittrain, professor de direito e 
cofundador da Harvard's Berkman Center for Internet  Society. Por outro lado, o que é 
preocupante, existem algumas tendências de longo prazo que estão fazendo com que seja 
muito mais possível o controle [da informação]. 
Retrospecto 
A década de 1970 trouxe comunicações por e-mail e os protocolos TCP/IP --inovações que 
permitiram a conexão de várias redes e que, por sua vez, formaram a internet. Os anos 1980 
deram origem a um sistema de endereçamento com sufixos como .com e .org, aos 
endereços de rede, cujo uso é amplamente difundido. 
A internet não se tornou uma palavra corriqueira até os anos 1990. Porém, depois que um 
físico britânico Tim Berners-Lee inventou a World Wide Web (subconjunto da internet que 
facilita a ligação de recursos por meio de posições diferentes). Enquanto isso, prestadores de 
serviços como o America Online colocaram milhões de pessoas conectadas. 
A obscuridade ajudou com que a internet florescesse livre de restrições regulamentares e 
comerciais, que podem desestimular ou mesmo proibir experimentação. 
Durante a maior parte da história da internet, ninguém tinha ouvido falar dela, afirma Zittrain. 
Isso deu tempo para que ela se provasse funcional e criasse raízes. 
Até mesmo o fluxo livre de pornografia levou a inovações na rede, como os pagamentos de 
cartão de crédito, o vídeo on-line e outras tecnologias, hoje bastante difundidas no uso geral. 
Ao permitir o acesso ilimitado, mil flores florescem, diz Kleinrock, o inventor da rede em 
1969, que é professor da Universidade da Califórnia desde 1963. Uma coisa que você pode 
prever sobre a internet é que você vai se surpreender com aplicativos que não esperava. 
Esse idealismo, entretanto, está se dissolvendo. 
A disputa entre Google e Apple mostra algumas dessas barreiras. A Apple, com seu iPhone, 
restringe os softwares que podem ser colocados no smartphone. Recentemente, a empresa 
de Steve Jobs bloqueou o aplicativo para o Google Voice, dizendo que ele é muito pesado 
para o iPhone. Céticos, contudo, sugerem que se trata de um movimento do Google para 
competir no serviço de celulares inteligentes. 
Entre desktops, o governo dos EUA trabalha com o conceito de neutralidade na internet. Na 
prática, significa que um provedor de serviços pode não trafegar certas formas de dados 
como outros. 
Mesmo que os prestadores de serviços não interfiram ativamente no tráfego, podem 
desencorajar o uso dos consumidores irrestrito da internet com limites no uso de dados 
mensais. Alguns provedores de acesso estão testando limites drasticamente mais baixos 
---que poderiam significar um custo adicional para assistir a um filme on-line de qualidade. 
Você está menos propenso a experimentar as coisas, diz Vint Cerf, um dos fundadores da 
Internet. Porque ninguém quer uma fatura surpreendente no final do mês. 
01/09/2009 
Manchete: Britânicos desenvolvem escudo de proteção contra asteroides. 
Resumo: Cientistas britânicos surpreenderam o mundo ao anunciar que estão construindo 
uma espécie de escudo contra asteroides para proteger a Terra de possíveis impactos. O 
grande bloqueador trata-se de um trator de gravidade, com cerca de 10 t, que desviaria 
estes corpos celestes anos antes de uma colisão.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 180 de 323 
O instrumento, que utilizaria a força G para seu funcionamento, está sendo desenvolvido pela 
empresa espacial EADS Atrium, que trabalha com base em uma ideia original de dois 
astronautas da Nasa, agência espacial americana. Sinceramente, pensei que fosse uma 
loucura. Que nunca funcionaria, afirmou o Dr. Ralph Cordey, chefe de exploração da EADS 
Astrium. 
Segundo ele, o bloqueador interceptaria o asteroide a apenas 48 m de distância e exerceria 
uma pequena força gravitacional sobre ele, redirecionando-o para uma rota diferente da que 
está a Terra. 
Data: 10/07/2009 
Manchete: Bill Gates patenteia método de controle climático. 
Resumo: Bill Gates é um dos homens mais ricos do mundo e foi um dos responsáveis pela 
revolução tecnológica que culminou na cultura informacional de hoje. Agora, ele quer 
controlar o clima do planeta. 
Em um processo de patente datado de 2008, o ex-executivo da Microsoft está listado como 
um dos inventores de um projeto que poderá acabar com furacões e tempestades tropicais. 
O novo método prevê o uso de uma frota de navios equipada para misturar a água quente da 
superfície do oceano com a água fria encontrada sob grandes profundidades. Ao diminuir a 
temperatura da superfície, os criadores pretendem eliminar a condensação das águas 
quentes, grande responsável pelas tempestades. 
O texto do registro de patentes prevê que os governos das áreas normalmente atingidas por 
furacões poderão cobrar taxas de segurança para manter o projeto em atividade. 
Data: 08/07/2009 
Manchete: Google desafia Windows e anuncia sistema operacional. 
A gigante de softwares Google está desenvolvendo um sistema operacional para 
computadores pessoais, em um desafio direto ao líder de mercado, o Windows, 
desenvolvido pela Microsoft. 
Resumo: O Google Chrome OS (operating system) será voltado inicialmente para netbooks, 
computadores portáteis menores, mais baratos e com menos recursos que os laptops. 
Máquinas equipadas com o Google Chrome OS devem estar no mercado em meados do ano 
que vem. A idéia é, no futuro, usar o sistema operacional também em PCs. 
Rapidez, simplicidade e segurança são os aspectos-chave do Google Chrome OS, 
anunciou a empresa em seu blog oficial. Segundo a Google, o sistema operacional será uma 
extensão natural do seu navegador de internet, Chrome. 
O novo sistema operacional será um software de código aberto (open source). Para a 
Microsoft, a notícia vem poucos meses antes do lançamento da nova versão do seu sistema, 
o Windows 7. 
Volta aos princípios 
Os autores do comunicado, Sundar Pichai, vice-presidente de produtos do Google, e Linus 
Upson, diretor-engenheiro da empresa, disseram que o novo sistema foi desenhado para ser 
rápido e leve, iniciar e levá-lo para a internet em questão de segundos. 
Os sistemas operacionais que os usuários têm à disposição foram desenhados em uma era 
em que não havia a rede, eles argumentaram, acrescentando que o Chrome OS é nossa 
tentativa de repensar o conceito de sistemas operacionais. 
A pesquisa levou os programadores de volta aos princípios, afirmaram. Estamos 
redesenhando completamente a arquitetura de segurança subjacente do sistema, de forma 
que os usuários não tenham que lidar com vírus, programas malignos e atualizações de 
segurança. Para a Google, um sistema operacional tem simplesmente que funcionar.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 181 de 323 
A gigante de software já possui um sistema operacional para telefones celulares, que 
também pode ser usado em netbooks. O Chrome OS será voltado também para laptops e 
computadores de mesa de usuários que passam muito tempo conectados. 
Competitividade 
O anúncio pode mudar dramaticamente o mercado de sistemas operacionais, especialmente 
o nicho da Microsoft, cuja participação nele é de cerca de 90%. 
Este é um grande anúncio, disse um analista, Rob Enderle, presidente do grupo Enderle. É 
a primeira vez que temos no mercado um sistema operacional competitivo de fato. Este tem o 
potencial de balançar as coisas e é a primeira tentativa real de fazer frente à Microsoft. 
O analista disse à BBC que a Google está chegando (neste nicho) de cabeça fresca, e que 
o Chrome OS é o primeiro sistema operacional pós-internet, baseado em uma série de 
serviços da web, desenhado de baixo para cima e repensado para um mundo conectado. 
No ano passado, a empresa lançou seu navegador Chrome, anunciado como para pessoas 
que vivem na web - procurando informações, checando emails, acompanhando as noticias, 
comprando ou simplesmente mantendo o contato com os amigos. 
Para Stephen Shankland, da CNET, o lançamento tem grandes implicações. 
Uma é mostrar quão séria é a proposta da Google de tornar a rede uma base não apenas 
para páginas estáticas, mas aplicativos ativos, especialmente os seus próprios, Google Docs 
e G-mail, ele afirmou. 
Outra é iniciar uma nova competição com a Microsoft e, potencialmente, dar uma nova razão 
para autoridades de regulação da concorrência prestarem atenção aos passos da Google. 
Para outros analistas, as motivações da Google são bastante claras. 
Um dos principais objetivos da Google é tirar a Microsoft (do mercado), destruir 
sistematicamente a sua participação no mercado, disse Enderle. A Google quer eliminar a 
Microsoft e esta é uma batalha única. A estratégia é boa. A grande questão é: será que vai 
funcionar? 
Em um blog popular, TechCrunch, o autor de uma postagem sobre o tema, MG Siegler, disse 
que é preciso ser claro sobre o que isto realmente é. Isto é a Google soltando a mãe de 
todas as bombas sobre sua rival, a Microsoft. 
A companhia de Bill Gates deve lançar o seu Windows 7 no fim deste ano para substituir o 
Windows Vista e o Windows XP, que já tem oito anos. Segundo a empresa, hoje 96% dos 
netbooks funcionam com Windows. 
Data: 01/07/2009 
Manchete: SP apresenta 1° ônibus a hidrogênio feito no Brasil . 
Resumo: A Empresa Metropolitana de Transportes de São Paulo (EMTU/SP) apresentou 
nesta quarta-feira em São Bernardo do Campo, no Grande ABC Paulista, o primeiro ônibus 
movido a hidrogênio montado no Brasil. O veículo irá circular nas linhas do Corredor 
Metropolitano ABC (São Mateus-Jabaquara). 
O veículo foi construído em Caxias do Sul (RS) por duas empresas: Tuttotransporti e pela 
Marcopolo. Outros três veículos serão adquiridos pela EMTU a partir do ano que vem. 
O processo de movimentação do veículo acontece quando o hidrogênio armazenado nos 
tanques do Ônibus é submetido a um processo eletroquímico, que produz energia elétrica por 
meio da fusão do hidrogênio com o oxigênio do ar, liberando água como subproduto. O 
combustível é considerado limpo por não liberar nenhum tipo de poluente. O veículo possui 
autonomia de 300 km de rodagem com o uso de hidrogênio. Caso necessário, ele poderá 
rodar mais 40 km utilizando energia reservada em baterias. 
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), esteve na apresentação do veículo e
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 182 de 323 
afirmou que considera importante que o Brasil esteja entre os cinco países que controlam 
sobre esse tipo de tecnologia. No nosso caso, conseguimos até avançar um pouco mais. Já 
que desenvolvemos um veículo com tecnologia híbrida, utilizando tanto hidrogênio quanto 
eletricidade, disse. 
De acordo com Carlos Zundt, coordenador nacional do Programa do Desenvolvimento do 
Ônibus Movido a Hidrogênio, diariamente o coletivo deverá rodar cerca de 250 km. Todos os 
teste necessários foram feitos e o veículo mostrou um bom desempenho, conta. 
Zundt afirmou, que por questões contratuais, não pode revelar o valor exato do veículo, mas 
disse que ele gira em torno de R$ 2 milhões, preço de um trolebus comum. Ainda segundo 
ele, com a compra de outros três coletivos, o valor unitário deve cair cerca de 20% no seu 
preço final. 
Data: 25/06/2009 
Manchete: Brasil detém metade dos internautas da América Latina, diz estudo. 
Resumo: Um estudo conduzido pela consultoria everis e pela Escola de Negócios da 
Universidade de Navarra (IESE Business School) aponta que um em cada dez internautas 
mundiais (cujo total chega a 1,6 bilhão) está na América Latina. A metade deles dos usuários 
de internet na região está no Brasil. 
De acordo com a pesquisa, dos 44 países avaliados entre 2000 e 2008, nove aumentaram 
seu número de usuários em um ritmo superior a 40% por ano. Brasil, Colômbia, Cuba e 
Paraguai são os latinos entre eles. Mas são países como Paquistão e Marrocos que 
apresentaram os crescimentos mais velozes: 57,5% e 56,2% por ano, respectivamente. 
Os países que concentram um número maior de usuários de Internet em todo o mundo são 
China (285 milhões), Estados Unidos (234,4 milhões), Japão (89 milhões) e Índia (86,2 
milhões). Somados à Alemanha, o país europeu de maior número de usuários (61,9 milhões), 
correspondem a mais da metade do total mundial, quase 833 milhões (51,4%). O Brasil é o 
5º país do mundo em número total de pessoas que navegam na rede. 
O estudo também revelou que, em 2008, 62% dos acessos à internet no mundo foram feitos 
por intermédio de banda larga. 
Entre os países avaliados, 19 têm mais de 90% das conexões em banda larga. A Coreia tem 
100%, Suíça, França, Estados Unidos e Portugal têm 99% ou mais e Espanha tem 96,8%. O 
Chile é o único país latino-americano dentro da alta percentagem, com 97,5% de suas 
conexões feitas por banda larga. 
A maior parte dos países da América Latina está na faixa entre 70% a 80% dos seus acessos 
feitos por banda larga. Em primeiro lugar, Colômbia (88,8%), seguido de Venezuela (85,4%), 
Brasil (84,9%), Uruguai (80,1%), México (80%) e Argentina (72,4%). 
Data: 02/04/2009 
Manchete: Netbook, o magnífico! 
Ele é muito menor e mais barato do que um laptop, mais prático e potente do que um PDA e 
tão fácil de usar como um celular. 
Resumo: Originalmente concebido para ser apenas mais uma etapa do processo de 
miniaturização (e evolução) dos notebooks, o Netbook está se transformando na maior 
aposta da informática neste início de século. Trata-se de uma versão ainda menor do que o 
laptop e que mais parece um brinquedo, um grande PDA ou um imenso celular. Mas o que 
ele enseja é de fazer pensar. 
O equipamento, que roda Windows ou Linux (com clara vantagem para o sistema aberto, 
mais leve do que o da Microsoft), é um colosso de silício: graças à nanotecnologia, ele tem a
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 183 de 323 
capacidade de memória e de disco similar a de muitos computadores de mesa; pesa menos 
da metade de um notebook de última geração e ocupa 1/3 do espaço; além disso, sua 
bateria, baseada na mesma tecnologia das de celular, pode durar um dia inteiro, 
diferentemente das células de energia dos laptops, que aguentam umas poucas horas. 
Algumas empresas de telecom nos Estados Unidos e no Japão já anunciaram que venderão 
o Netbook por cerca de US$ 50, atrelado a um pacote de ligações telefônicas - como as 
operadoras costumam fazer com os modelos mais caros de telefone celular. Já será uma 
revolução. 
Mas o que está mesmo chamando a atenção dos analistas é a possibilidade de se mudar 
drasticamente um cenário corporativo responsável por enormes gastos anuais. O Netbook, 
por custar menos da metade de um notebook, tem tudo para se transformar no melhor amigo 
dos executivos e profissionais de campo das empresas. Companhias ao redor do mundo já 
fazem suas contas: quanto um funcionário rende a mais com a troca do laptop (ou palmtop) 
pelo Netbook. E os números são bastante animadores. 
Alguns senões ainda precisam ser ultrapassados, é claro. O aparelho tem tela pequena, que 
dificulta a visualização de imagens mais amplas, por exemplo; também não consegue “rodar” 
todos os programas disponíveis no mercado - principalmente editores de fotos, que precisam 
de mais memória. Porém, são problemas pontuais, que não devem atrasar a evolução do 
equipamento. 
A consultoria Gartner, especializada em pesquisas de mercado (com ênfase em informática), 
aposta que o Netbook deve fechar 2009 com uma fatia de cerca de 10% do mercado de 
computadores. É mais uma revolução da tecnologia, revolução que deve, inclusive, mudar o 
top ten das empresas mais importantes da indústria. 
Data: 01/04/2009 
Manchete: Tela sensível revolucionará a comunicação das empresas. 
Destino do aparelho é aproximar ainda mais produtos e serviços do público consumidor. 
Totem é multimídia e 100% interativo. 
Resumo: A criação é da Perceptive Pixel, companhia especializada na chamada tecnologia 
touch screen. O homem por trás do equipamento, Jefferson Han, pesquisador da 
Universidade de Nova York. O primeiro cliente, a CIA; quem também se interessou foi a 
Nasa. 
Mas a grande revolução da tela concebida por Han e seus engenheiros tem a ver, isto sim, 
com a comunicação das empresas com seus clientes. A Perceptive inovou o touch screen, 
elevando-o à categoria de multitouch. Isso significa que você pode usar todos os dedos (e ao 
mesmo tempo) para navegar pela tela de cristal líquido. 
Além disso, as telas são enormes, com mais de um metro de largura e cerca de meio metro 
de altura (embora possa ser instalada na vertical). Imagine, agora, um monitor absolutamente 
interativo, em que o cliente possa escolher produtos em um shopping virtual, por exemplo. 
Ele tem a chance de ver o que quer comprar, “mexer” no produto, incluir características (no 
caso de produtos customizáveis), aumentar a imagem, enviá-la para si mesmo via e-mail. 
Imagine também um grande mapa (ao estilo Google Maps) na tela. O consumidor pode 
enxergar um trajeto inteiro, definir paradas, criar pontos de referência, descobrir lugares 
interessantes para visitar. Ao tocar no ícone de um restaurante, ele pode ver o lugar em 3D, 
reservar uma mesa depois de consultar o menu interativo. 
Tudo isso e muito mais torna-se possível com a criação da Perceptive Pixel. E os clientes 
começam a fazer fila. São aeroportos (que terão totens para venda de passagens e consulta 
de voos); lojas de departamentos e shopping centers (que usarão as telas para anunciar 
promoções, telas pelas quais os produtos podem ser comprados online, na hora, sem que o 
cliente precise procurar um atendente); livrarias; museus (que podem deixar à disposição dos 
visitantes informações adicionais a suas exposições e vender produtos relacionados às
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 184 de 323 
mostras); cinemas (com a opção de assistir a trailers de todos os filmes e comprar os 
ingressos sem ter de enfrentar filas). 
As possibilidades são infinitas. E a Perceptive Pixel sabe disso… 
Data: 02/04/2009 
Manchete: Um poderoso aliado contra o câncer de mama. 
Novo (e revolucionário) exame “descobre” nível do tumor, facilita tratamento e reduz 
custos com quimioterapia. 
Resumo: Cientistas do MIT (o célebre Massachussets Institute of Technology), do Albert 
Einstein College of Medicine e do Weill Cornell Medical School desenvolveram um exame de 
sangue que ajuda os médicos a identificar, precisamente, que mulheres com câncer de 
mama podem (e devem), mesmo, ser submetidas a tratamentos mais agressivos. 
Os pesquisadores, entre eles o professor de Biologia do MIT Frank Gertler, criaram o teste 
baseados em uma descoberta recente: três tipos de células inerentes ao câncer e que 
permitem dizer, com certeza, que tumores sofrerão metástase e quais têm chance de se 
espalhar pelo corpo. 
A notícia, publicada no Clinical Cancer Research, pode significar menos internações em 
hospitais, menos sessões de quimioterapia e mais chance de cura para a doença. O câncer 
de mama é o mais comum dos cânceres em mulheres. No ano passado, 182 mil mulheres 
nos Estados Unidos foram diagnosticadas com a doença; destas, mais de 40 mil morreram. 
A cirurgia é, quase sempre, a primeira escolha para as pacientes. Já as que sofrem com um 
tumor mais agressivo precisam de tratamentos adicionais, com quimioterapia e radiação - 
para diminuir a chance de a doença se espalhar. Contudo, estudos do MIT mostram que 
apenas 40% das pacientes chega a desenvolver, de fato, metástase. 
“Isso significa que muitas dessas mulheres são expostas desnecessariamente aos 
tratamentos”, diz o co-autor do estudo, professor John S. Condeelis, da cadeira de Anatomia 
do Albert Einstein College of Medicine. “Ou seja, é possível evitar os efeitos colaterais desses 
tratamentos em grande parte das pacientes, efeitos que, muitas vezes, ajudam a piorar o 
quadro da doença”. 
Recentemente, Condeelis descobriu que o câncer de mama só se espalha pelo corpo quando 
se percebe a presença de um trio de células específicos num mesmo ponto microanatômico 
do seio - entre elas a célula cancerígena que produz a proteína Mena. 
O exame de sangue revolucionário, que está em fase de testes finais, é capaz justamente de 
localizar esse trio maligno e acender a luz vermelha para o médico. É questão de tempo até 
que as mulheres ganhem um aliado fundamental para se defender do câncer. Um aliado que 
diminuirá o número de vítimas e também os gastos desnecessários de pacientes, hospitais e 
laboratórios. Além do tempo dos médicos. 
Data: 31/03/2009 
Manchete: Tela de LCD maior e mais econômica. 
Empresas do setor apostam em tecnologia ambiental para ganhar mercados. O custo 
em PD é alto, mas as vendas compensam. 
Resumo: Quanto maior a TV, mais cara ela é e mais energia ela gasta. A primeira parte 
dessa máxima do século 20 permanece verdadeira; a segunda, graças ao cristal líquido e ao 
plasma (que substituíram o tubo), não corresponde mais à realidade. O filão das telas 
ultrafinas cresce a taxas bastante interessantes: em 2008, 84% de todos os televisores 
vendidos no Brasil eram de LCD ou plasma. E a indústria investe pesado, ano após ano, para 
refinar a qualidade dos aparelhos e aumentar a margem de lucro. Capitalismo, claro!
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 185 de 323 
O problema é que os consumidores querem TVs cada vez maiores: 32, 40, 50, 70 polegadas. 
Verdadeiros cinemas na sala de estar. Com isso, a segunda parte da citada máxima volta a 
ser uma questão importante, porque o consumidor também quer um produto econômico (por 
causa da conta de luz no final do mês e, sobretudo, pela pressão social e ecológica destes 
tempos). 
Pensando nisso, a Samsung está lançando uma família nova de TVs de LCD. E garante que 
elas gastam 40% menos energia do que os LCDs convencionais. Com 40, 46 e 55 
polegadas, têm pouco mais de 1 cm de espessura e vêm com painéis traseiros (os 
chamados backlit panels) livres de mercúrio. 
Evidentemente, por trás da preocupação ambiental da Samsung (que é fundamental) está um 
programa feroz de distanciamento do mercado regular de flat TVs, chamando a atenção do 
mercado consumidor para um produto novo e “responsável”. Essa é uma estratégia de 
muitas companhias (não apenas de tecnologia): criar uma aura mais “humana” sobre seus 
produtos. 
Os principais institutos de pesquisa (aqui e alhures) indicam que trabalhar atrelado à 
consciência do consumidor rende frutos no curto prazo. E é a aposta dos coreanos da 
Samsung, como também de dezenas de outras empresas de tecnologia ao redor do mundo. 
Portanto, a máxima deste terceiro milênio parece ser esta: “Companhias que percebem as 
mudanças de comportamento dos clientes antes das rivais de mercado ganham uma fatia 
especial do bolo”. 
Data: 30/03/2009 
Manchete: Cadê o fazendeiro? 
Site reúne produtores dos Estados Unidos e funciona como uma espécie de Facebook ou 
Orkut entre eles e seus consumidores. 
Resumo: Chama-se Find the Farmer e está se transformando em um canal de 
relacionamento dos mais interessantes. A ideia é de um ex-executivo “dotcom” que se 
estressou com a boçalidade de sua função no mundo virtual e resolveu criar algo que 
afetasse positivamente o cotidiano das pessoas. 
Há seis anos, Josh Dorf adquiriu, da Unilever, a marca Stone-Buhr, que produz, entre outros 
grãos, principalmente farinha de trigo. Ele sempre tivera um pé no campo - desde menino - e 
queria voltar às origens da família. Pouco tempo depois, percebeu que, diferentemente do 
que ocorria no começo do século passado e até a década de 1950, os consumidores já não 
sabiam de onde vinha o alimento que serviam para seus filhos. 
Era preciso “apresentar” os produtores a seus clientes. Para isso, criou o site de 
relacionamento, que reúne dezenas de fazendeiros dos estados de Washington e Oregon. E 
a experiência de Dorf na Internet foi fundamental para que ele não perdesse tempo com 
tacadas erradas. 
Esse tipo de comunidade está na moda e é chamada de “traceability”. A palavra não tem um 
correspondente em português, mas, neste caso, representa a capacidade de rastrear um 
produto com o objetivo de melhorar a sua logística. 
Empresas de bananas, chocolates e outros tipos de alimento já experimentam o uso da tal 
traceability para ampliar mercados - inclusive usando Internet. Mas o que Josh Dorf fez é 
único: uma rede social que leva o consumidor até o fazendeiro. A partir do momento que ele 
compra um produto, basta entrar no site e digitar o código do lote daquele produto. 
Em instantes, fica-se sabendo de que fazenda ele é proveniente, quando foi colhido, quando 
foi ensacado, os pormenores sobre uso de implementos agrícolas antes da colheita, os 
conservantes, as políticas de gestão da empresa, se usa sementes transgênicas, se tem
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 186 de 323 
política de responsabilidade ambiental etc. O internauta pode fazer perguntas via e-mail para 
os fazendeiros e até marcar visitas monitoradas às fazendas. 
“Não é apenas um canal que melhora a relação do consumidor com o alimento”, diz Dorf. 
“Não é uma questão puramente gastronômica, mas de respeito a esse consumidor”. Ele se 
refere ao fato de que, quando sabem que estão sendo monitorados mais de perto, os 
produtores tendem a ser mais transparentes e tomar mais cuidado com toda a cadeia 
produtiva. 
O Congresso americano também está de olho nessa nova ferramenta de comunicação via 
Internet para um outro objetivo: diminuir o impacto que certas crises no setor agrícola podem 
causar. O caso mais recente de pandemônio na economia agrícola norte-americana diz 
respeito à chamada “Crise da Salmonella” na produção de amendoins. Os boatos a respeito 
da bactéria (a maioria absolutamente infundada) derrubaram as vendas e deixaram um rastro 
de destruição no campo. 
A companhia que Dorf dirige, a centenária Stone-Buhr, com base em San Francisco, quer 
mudar para sempre o cenário agropecuário norte-americano. Levando-se em consideração o 
atual crash econômico mundial e a necessidade de aumentar os níveis de emprego nos 
Estados Unidos (promessa de campanha do presidente, Barack Obama), parece que Dorf é 
o homem certo, com a ideia certa, no momento certo. 
Data: 28/03/2009 
Manchete: O Wall-E já está entre nós? 
Robô trabalha 24 horas, aumenta produtividade, diminui acidentes e se torna 
diferencial para as empresas de distribuição. 
Resumo: Quem assistiu a Wall-E, um dos mais recentes blockbusters digitais da 
Disney/Pixar iria se identificar na hora. Nos 100 mil metros quadrados de um galpão em 
Denver (EUA), pertencente a uma das líderes mundiais do setor de material para escritório, a 
Staples, seres humanos não são bem-vindos. 
Pelos corredores, e atravessando as estantes do imenso warehouse - algumas com mais de 
10 metros de altura -, apenas robôs alaranjados. São, ao todo, 150 e se movimentam 
freneticamente, buscando produtos e levando-os até a expedição. E os pedidos são enviados 
até esses incansáveis operadores mecânicos por e-mail, graças a uma interface que “fala” 
quase todos os idiomas - PC, Mac, Linux etc. 
Desde que foi criada, em 2005, a Kiva, empresa fabricante dos robôs (ou bots, como são 
chamados pelos clientes), vendeu mais de 2 mil unidades. A missão dos bots é aumentar a 
produtividade, evitar acidentes comuns quando pesadas máquinas são operadas por seres 
humanos e permitir que as empresas possam trabalhar continuadamente, o que também 
significa prazos menores e um incremento da capacidade de competir por novos mercados. 
“Os robôs da Kiva estão para a distribuição de produtos como o PC esteve para o 
mainframe”, sugere Laurence Plourde, vice-presidente da Staples, uma das empresas 
norte-americanas que mais investem em mecanização logística. A Kiva, com sede em 
Boston, trabalha, agora, para diminuir o tamanho de sua criação e formar uma ‘família de 
bots’ - capazes de cumprir tarefas que requeiram ainda mais agilidade em espaços exíguos, 
como centrais postais, por exemplo. 
Os bots da Kiva em ação no galpão de produtos da Staples, gigante norte-americana do setor 
de material para escritório 
É a realidade do mercado imitando a ficção - até na cor. 
Data: 28/03/2009 
Manchete: O cérebro humano, gene a gene
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 187 de 323 
Pesquisadores estão desvendando neurônios específicos. Trabalho pode gerar novos 
medicamentos e baratear custos de pacientes, hospitais e laboratórios. 
Resumo: Trabalho no Allen Institute tem muita tecnologia, mas a dissecação de partes do 
cérebro precisa ser feita à moda antiga. 
O Projeto Genoma já decifrou o DNA humano há mais de cinco anos, mas a maior parte do 
principal órgão do corpo humano segue uma incógnita. “O cérebro é incrivelmente 
sangrento”, diz Jonah Lehrer, autor de uma reportagem extensa na revista Wired deste mês. 
Ele esteve na sala de dissecação do Allen Institute for Brain Science, em Seattle (EUA). O 
grupo de cientistas está realizando experiências inéditas para desvendar cada gene do córtex 
e definir os neurônios específicos de cada região do cérebro. 
É verdade que, visualmente (como a foto acima mostra), o trabalho parece coisa de 
açougueiro, mas cada fatia do cérebro guarda informações valiosas para que se encontrem, 
num futuro próximo, curas para doenças tão díspares quanto a esquizofrenia e o autismo. 
O que os cientistas estão fazendo é tentando descobrir as reais funções de cada gene - 
trabalho que resultará no Allen Brain Atlas. Orçado em mais de US$ 55 milhões, o esforço 
dos especialistas de Seattle pode refletir em tratamentos mais conclusivos para diversos 
males que afligem o ser humano - e também menos custosos para pacientes, hospitais e 
laboratórios. 
Muito do dinheiro envolvido no projeto foi alocado na aquisição, adaptação e construção de 
robôs (os chamados “laboratory robots”), cujo trabalho 24 horas equivale ao de uma centena 
de laboratoristas durante vários anos. Graças à cibernética, o trabalho dos cientistas deve 
demorar cerca de 20 meses para ser concluído. A cada dia o instituto produz mais de 1 
terabyte de informação nova - só para comparar, todo o Projeto Genoma não produziu mais 
que 3Gbytes de dados. 
É a imensidão do cérebro humano sendo, finalmente, revelado. 
Data: 27/03/2009 
Manchete: Computador com sexto sentido! 
O famoso Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) apresentou, no começo de 
março, um aparelho que vai mudar o mundo. 
Resumo: O aparelho no pescoço de seu criador: câmera integrada, headfones e 
minicomputador conectado à Internet 
O aparato ainda se parece com uma bugiganga dos anos 90, mas o que é capaz de fazer 
impressiona logo à primeira vista. Trata-se de um minicomputador, pendurado no pescoço, 
capaz de projetar e capturar imagens e que interage com os movimentos de mão do usuário. 
Com sensores acoplados na ponta dos indicadores e polegares é possível tirar fotos apenas 
enquadrando, com as mãos, o que se quer fotografar. Também é possível projetar, por 
exemplo, o teclado de um celular na palma da mão e fazer uma ligação – o aparelho também 
tem fones de ouvido. 
Ainda em fase de testes no MIT, o Sixth Sense Wearable Computer (em português, algo 
como “computador para vestir com sexto sentido”) dá ao usuário uma capacidade única de 
tomar decisões em seu dia-a-dia. Na palestra que reuniu estudantes e jornalistas, na sede do 
MIT, em Massachussets, a pesquisadora Pattie Maes, que gerencia o projeto, deu dois 
exemplos práticos. 
No primeiro, em um supermercado, Pranav Mistry, aluno indiano do MIT e o gênio por trás da 
tecnologia do Sixth Sense, examina produtos. Cada vez que ele pega um produto, os 
sensores entram em ação. A câmera ‘analisa’ o produto (graças à conexão via Internet) e ‘diz’ 
ao consumidor se aquela é uma boa escolha. O sistema leva em consideração uma série de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 188 de 323 
conceitos previamente estabelecidos pelo usuário, como características físicas do produto, se 
ele é ecológico, se é o mais barato, se a garantia é maior que a dos concorretes etc. 
No novo pacote econômico de Barack Obama, surge um vídeo com o presidente falando 
sobre o pacote. E os vídeos podem ser projetados em qualquer lugar: uma parede, a capa de 
um caderno e até outra pessoa. 
Esta última, diga-se, é a mais polêmica função do Sixth Sense. Ao apertar a mão de um 
colega de MIT, Pranav projetou sobre a camiseta do amigo dados sobre ele: nome completo 
(caso tenha se esquecido…) e últimos posts do blog pessoal. A tecnologia é perfeita para 
encontros de executivos, pois o sistema captura as informações do interlocutor e cria cartões 
de visita virtuais. A agenda telefônica está sempre disponível e é atualizada toda vez que um 
novo rosto e um novo “cartão pessoal virtual” é agregado. 
Claro que ainda faltam ajustes no aparelho – e um pouco de cuidado com o design -, mas 
parece que o mundo, e a interação entre as pessoas, vai mudar bastante com a nova 
tecnologia do MIT. Do jeito que foi apresentado, o Sixth Sense tem preço de mercado em 
torno de US$ 350. E os apalusos efusivos após a palestra de Pattie já dão bem a noção do 
sucesso de público que o produto pode ter. 
Pattie Maes faz a apresentação do Sixth Sense. Na tela, aparelho projeta teclado de celular 
na palma da mão do usuário; é só 'discar' e falar... 
Data: 25/03/2009 
Manchete: 2Gbytes na ponta do dedo, literalmente. 
Programador de computadores finlandês, que sofreu acidente de moto, criou prótese 
com pen drive para dedo da mão esquerda. 
Resumo: Trata-se, com certeza, de um finlandês amalucado. Jarry Jalava tem 29 anos de 
idade e, no começo de 2008, sofreu um acidente de moto que lhe rendeu, além de uma série 
de escoriações, a perda de parte do dedo anelar esquerdo. Programador de computadores, 
ele precisava de uma prótese – o mais rápido possível, evidentemente – para voltar à ativa. 
Mas o que podia ter se tornado apenas mais uma história de um homem e seu desafio de 
vida acabou se transformando em um case de tecnologia sem precedentes. 
Jerry resolveu aproveitar o infortúnio para criar um gadget absolutamente radical: implantou, 
na ponta da prótese do dedo, uma unidade flash com 2 Gbytes de capacidade. O pen drive 
está sempre à disposição de seu mestre, que trabalha com um notebook em parte 
considerável de seu tempo. Ele voltou a trabalhar e, agora, está ainda mais ágil do que de 
costume! 
Data: 24/03/2009 
Manchete: Fusão a frio: energia limpa e ilimitada. 
A tecnologia que permite criar energia gratuita e ecológica pode sair dos almanaques de 
ficção e surgir na linha do horizonte. 
Parece que agora vai! A fusão a frio, uma pseudo-maluquice que fez as vezes de “pedra 
filosofal” do século 20, pode estar (mesmo) saindo da prancheta dos físicos e ganhando 
liberdade. 
Resumo: O mais curioso é que o grande momento da fusão no século passado, que 
aconteceu mais precisamente em 1989, teve como palco o mesmo estado norte-americano 
que, agora, volta a falar sobre o assunto: Utah. 
Naquela época, Martin Fleischmann e Stanley Pons fizeram barulho com sua teoria de 
energia limpa, gratuita e ilimitada finalmente ao alcance dos cientistas. Mas os resultados 
foram contestados (e bem contestados) por físicos nucleares, e a dupla caiu no 
esquecimento, foi ao limbo depois de quase atingir o paraíso.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 189 de 323 
Agora, uma equipe da Califórnia, capitaneada pela cientista Pamela Mosier-Boss, do Space 
and Naval Warfare Systems Command (SPAWAR), parece ter descoberto a equação 
certa. O trabalho da equipe foi apresentado no último dia 23 na conferência de inverno da 
American Chemical Society, em Salt Lake City, Utah. 
Se ela estiver certa, a descoberta marcará a história da humanidade para sempre. O grande 
desafio para uma série de mudanças no planeta diz respeito, exatamente, à energia – seus 
custos, a impossibilidade de levá-la a alguns pontos fundamentais do globo, a atual 
escassez de várias formas de energia no começo do terceiro milênio. 
Energia renovável, limpa e de graça é tudo que o planeta precisa para ter esperanças de um 
futuro pleno. A fusão a frio significaria que a água potável do mundo estaria, finalmente, 
salvaguardada e deixaria de ser usada para produzir energia (seria o fim, por exemplo, das 
barragens de hidrelétricas, que tanto mal causam ao meio ambiente e que desviam cursos de 
rios indiscriminadamente). E é sabido que a grande batalha do futuro terá como um de seus 
elementos essenciais a luta pela água. Só por evitar um acontecimento tão apocalíptico como 
esse, a tecnologia da fusão já estaria mais do que paga. 
Data: 17/03/09 
Manchete: Cientistas apresentam robô fashion no Japão. 
Resumo: Pesquisadores japoneses mostraram, nesta segunda-feira (16), uma robô 
projetada para ser usada como modelo em passarelas de desfiles de moda. A humanoide 
tem olhos grandes, nariz pequeno e 42 motores de movimentos programados para mimetizar 
os passos e expressões naturais de modelos. 
Olá a todos, eu sou a humana cibernética HRP-4C, diz a fashionista do futuro, abrindo a 
coletiva de imprensa do Instituto Nacional de Avanços Industriais em Ciência e Tecnologia. 
A robô fashion tem 1,58 m de altura (a média de altura das mulheres japonesas com idade 
entre 19 e 29 anos) e pesa 43 kg (incluindo baterias). 
Segundo seus criadores, ela é inspirada nos desenhos japoneses chamados mangás --ou 
animês. 
Temos inspiração deliberada no estilo animê. Seria bizarro se nós fizéssemos um robô tão 
similar aos humanos reais, disse um dos inventores, o pesquisador de robôs Shuji Kajita. 
O instituto disse que a androide foi desenvolvida essencialmente para o uso da indústria do 
entretenimento. No momento, entretanto, ela não está à venda. 
Desfilando diante dos fotógrafos e equipes de televisão, a ciborgue sedutora fez poses, sorriu 
para flashes e fez caras e bocas na passarela improvisada, de acordo com os comandos 
transmitidos via wireless por jornalistas, com intermédio do dispositivo bluetooth de celulares. 
Porém, num momento da apresentação a modelo confundiu as expressões faciais --um erro 
que os inventores afirmaram ser uma confusão no seu sistema de sensores para 
reconhecimento sonoro, causados pelos flashes nervosos das câmeras. 
A apresentação desta segunda foi uma prévia do que será a aparição da androide em um 
desfile de moda no dia 23 de março. 
Como as suas companheiras de passarela, a robô-modelo tem peso leve e preço pesado 
--custou US$ 2 milhões (cerca de R$ 4,6 milhões), segundo os pesquisadores.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 190 de 323 
Da Constituição Federal 
Título VIII 
Da Ordem Social 
Capítulo III 
Da Educação, da Cultura e do Desporto 
Seção I 
Da Educação 
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e 
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, 
seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
Um adequado grau de instrução da população é requisito essencial para o desenvolvimento 
do país, para garantir o exercício da cidadania e promover a igualdade de oportunidades na 
sociedade. O desafio de ampliar a escolaridade e a qualidade da educação no Brasil ainda se 
coloca de forma marcante, sobretudo em virtude da persistência de problemas de 
ensino-aprendizagem. 
O acesso ao ensino fundamental está praticamente universalizado, mas mesmo assim a 
escolaridade média do brasileiro, que chegou a 6,8 anos de estudo em 2004, permanece 
abaixo da escolaridade obrigatória no país. 
Deve ser destacado ainda que vários indicadores revelam a permanência de fortes 
desigualdades educacionais entre regiões do país, entre o campo e a cidade bem como entre 
brancos e negros. A prioridade atribuída ao ensino fundamental, contudo, levou à substancial 
redução da desigualdade no acesso ao nível fundamental de ensino. 
A baixa da qualidade da educação básica permanece como um dos mais graves problemas 
do campo educacional no Brasil, mas a ela se somam o analfabetismo, que atinge 11,2% da 
população brasileira e o acesso restrito aos níveis de ensino não obrigatórios: infantil, médio 
e, sobretudo, superior, onde apenas 10,8% da população de 18 a 24 anos chega a este nível 
de ensino. É com o enfrentamento desse conjunto de problemas que será possível modificar 
a situação atual de baixa escolaridade média da população brasileira. 
Analfabetismo 
Durante a década de 90, especificamente no período 1992-98, a taxa de analfabetismo 
apresentou uma média anual de redução de cerca de 1 ponto percentual. A partir de 1999, 
cai o ritmo anual de queda do analfabetismo, mantendo-se praticamente inalterada a taxa 
registrada em 2003 a 2005 (pouco acima dos 11%). Esta estabilização na taxa de 
analfabetismo ocorre em um nível ainda relativamente elevado, sobretudo quando 
comparada a de outros países da América Latina, como a Argentina (2,2%, em 2005) e o 
Chile (3,9%, em 2005). 
No Brasil, o analfabetismo é um problema que ainda atinge cerca de 14,9 milhões de 
pessoas. Mas esse elevado nível de analfabetismo do país é fruto de uma situação bastante 
desigual e diferenciada. 
Tomando como referência o ano de 2005, evidencia-se que a incidência do analfabetismo na 
área rural atinge 26,2% da população entre de 15 anos ou mais, cuja proporção é cerca de 5 
vezes a da área urbana metropolitana. Se observarmos a situação do analfabetismo na área 
rural de diferentes Unidades da Federação, são os estados da região nordeste os que 
apresentam as maiores proporções de analfabetos na área rural, comparativamente aos 
outros estados do país. 
Conseqüentemente, é também a região nordeste a que apresenta a taxa mais elevada de 
analfabetismo, cuja proporção é mais de três vezes a do Sul. 
A variação das taxas de analfabetismo entre as Unidades da Federação mostra que estados 
em regiões menos desenvolvidas apresentam os piores indicadores, fato revelador da 
existência de um sistema educacional reprodutor das históricas diferenças sócio-econômicas 
no país. Estados como Alagoas e Piauí ainda apresentam taxas de analfabetismo próximas 
de 30%, muito acima da média nacional. 
Mesmo a menor taxa encontrada na região nordeste (19,4% em Sergipe) ainda é cerca de 
quase quatro vezes maior que os menores índices alcançados no restante do país (em torno
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 191 de 323 
de 5% no Distrito Federal, no Espírito Santo e em Santa Catarina). 
A desigualdade educacional entre brancos e negros continua elevada. O analfabetismo entre 
os negros (16,0%) é mais de duas vezes superior ao verificado entre os brancos (7,1%). 
Quando se consideram os diferentes grupos de população, confirma-se a tendência histórica 
de que o analfabetismo entre os mais jovens se situe num nível bem menor, registrando 3,0% 
na faixa etária de 15 a 24 anos e 19,3% para o grupo de idade dos mais de 40 anos. Tais 
diferenças nas taxas por faixa etária podem ser atribuídas, por um lado, à expansão do 
atendimento escolar nas últimas décadas, assegurando escola para todos na idade 
adequada, o que possibilitou uma acentuada redução na taxa de analfabetismo entre os 
jovens. Por outro, a presença de um maior número de analfabetos entre os brasileiros com 
40 anos ou mais é o resultado de um acesso restrito dessas gerações à educação formal no 
passado. 
Mas é, também, um indicador de que os programas de alfabetização implementados nas 
últimas décadas não foram capazes de superar essa dívida educacional. 
Escolaridade média 
A escolaridade média da população vem crescendo lentamente (6,9 anos, em 2005, contra 
6,4 anos, em 2001) e ainda não conseguiu chegar ao nível de escolaridade obrigatória no 
país, exceção feita aos residentes da área urbana metropolitana, que já em 2003 
apresentavam uma média de 8 anos de estudo. No outro extremo estão os residentes da 
área rural, com a menor média de anos de estudo (4 anos), correspondente apenas à 1ª 
etapa do ensino fundamental, confirmando a grande desigualdade educacional entre o campo 
e a cidade. 
O ritmo lento de avanço na média de anos de estudo da população brasileira é influenciado, 
em larga medida, pela persistência de taxas ainda elevadas tanto de reprovação como de 
evasão escolar. Em que pese a quase universalização do acesso à escola por parte de 
crianças de 7 a 14 anos, 43% não conseguem concluir a 8ª série do ensino fundamental na 
idade adequada, o que contribui para manter baixa a média de anos de estudo da população. 
Quando se analisa a escolaridade média dos diferentes grupos de idade, observa-se que 
apenas os jovens de 18 a 24 anos apresentam uma média pouco acima do equivalente ao 
ensino fundamental completo, com 8,6 anos de estudo. O nível de escolaridade da população 
com mais de 40 anos, embora crescente no período 2001-2005, ainda está abaixo da média 
do país (são 5,5 contra 6,9 anos de estudo). 
Também entre as Unidades Federadas, existem pronunciadas disparidades, por exemplo: no 
Distrito Federal, a população já alcançou a escolaridade média de 8,8 anos, enquanto que na 
maioria dos estados do Nordeste esse índice não chega a 6 anos de estudos. 
Acesso aos diferentes níveis de ensino 
Ensino Fundamental 
A prioridade atribuída ao ensino fundamental na década passada levou a que a proporção de 
crianças e adolescentes na faixa de 7 a 14 anos que freqüentam escola se ampliasse 
gradativamente e se estabilizasse em torno de 97%, a partir 2002. Esse processo de 
universalização do acesso ao ensino fundamental praticamente eliminou as disparidades, 
seja entre as diferentes regiões do país, ou por raça e sexo das crianças. No entanto, ainda 
temos cerca de 3% fora da escola e isto, em parte, pode ser atribuído a um processo lento de 
inclusão de crianças com deficiência em escolas regulares. Mas não somente estas 
constituem o contingente fora da escola, também se convive com crianças de famílias pobres 
envolvidas com a mendicância, moradores de rua, absorvidas na economia familiar e 
aliciadas pelo crime organizado, inclusive na prostituição infantil. 
Educação Infantil 
Na faixa de 0 a 6 anos a proporção dos que são atendidos pela educação infantil é crescente, 
mas o atendimento permanece relativamente baixo. Para as crianças de 0 a 3 anos é 
significativo observar que, em 2005, apenas 13,7% freqüentavam creches. No período 
2001/2005, o crescimento do atendimento de crianças em creche foi de 3,1 pontos 
percentuais, número que reflete um ritmo ainda insuficiente para garantir o alcance da Meta 
do Plano Nacional de Educação (PNE), que propõe quase quadruplicar, em sete anos, o nível 
registrado em 2005, para chegar a 50% da população infantil em 2011. 
Além disso, é importante salientar que apenas 8,5% das crianças de 0 a 3 anos, oriundas de 
famílias com até ½ salário mínimo per capita, freqüentavam creches em 2005, representando
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 192 de 323 
cerca de um quarto da taxa de freqüência observada entre as de famílias com renda per 
capita superior a 3 salários mínimos. 
Já para a faixa etária de 4 a 6 anos, a proporção dos que freqüentam escola alcançou a 
71,3%, superando a meta de 60% estabelecida pelo PNE para 2006. Por isso, estima-se que 
será alcançada a meta de 80% para 2011. A freqüência à escola por crianças neste grupo de 
idade também apresentou, em 2005, valores bem diferenciados e crescentes por faixas de 
renda das famílias. Contudo, diferentemente do que se observa entre as de 0 a 3 anos, na 
faixa de 4 a 6 anos 
chega a 63,1% a proporção de crianças de famílias pobres (até ½ salário mínimo per capita) 
freqüentando escola no ano em análise, o que ressalta a importância da atual oferta de 
pré-escola realizada pela rede pública de ensino. 
Se 71,3% de crianças de 4 a 6 anos freqüentam escola, uma parcela menor (61,5%) está na 
pré-escola, pois muitas crianças de 6 anos estão adiantadas e já matriculadas na 1ª série do 
ensino fundamental. 
Ensino Médio 
Na faixa de idade de 15 a 17 anos, em 2005, foi registrada uma pequena redução na 
proporção de jovens que freqüentam a escola (de 82,4%, em 2003 para 82,2% em 2005), 
revertendo uma tendência histórica de ampliação da freqüência escolar neste grupo de idade. 
Além disso, dos 82,2% que estavam na escola, em 2005, apenas 45,1% se encontravam 
matriculados no ensino médio, nível adequado à faixa etária considerada. Contudo, é 
importante salientar que esse resultado sinaliza um aumento de 2 pontos percentuais em 
relação ao ano anterior (era 43,1%, em 2004), o que reflete a tendência de redução da 
distorção idade-série, ampliando a oportunidade de mais jovens cursarem o ensino médio na 
idade adequada. 
São expressivas as desigualdades na proporção de jovens que freqüentam o ensino médio 
por região, raça ou sexo, revelando igualmente uma diferença de escolarização entre homens 
e mulheres do grupo de 15 a 17 anos que não era significativa entre os estudantes com idade 
até 14 anos. Nesse caso, observa-se que metade das moças de 15 a 17 anos já está no 
ensino médio, enquanto apenas 40,1% dos rapazes alcançaram este nível de ensino. Mas a 
distância mais expressiva é a que separa os jovens da área rural e urbana, onde menos da 
metade dos residentes no campo tem acesso ao ensino médio, comparativamente aos 
demais. Os jovens negros também freqüentam muito menos o ensino médio (34,3%) do que 
os brancos (56,5%). Dessa forma, vemos que maiores desigualdades começam a se revelar 
conforme se ampliam os níveis de escolarização. 
A situação dos jovens de 15 a 17 anos da região nordeste expõe um forte atraso escolar, já 
que apenas 27,9% freqüentam o ensino médio, índice muito abaixo da média nacional. O pior 
indicador é o apresentado por Alagoas, onde somente 20,5% dos jovens em idade adequada 
estão no ensino médio, enquanto no outro extremo, em São Paulo, a proporção alcança 
66,5% dos jovens da mesma faixa etária. 
Ensino Superior 
Ao olharmos a situação dos jovens de 18 a 24 anos, com idade adequada para o ensino 
superior, vemos que o indicador de acesso é muito baixo, apenas 10,8% chega a esse nível 
de ensino. Já a proporção desses jovens que freqüentam a escola, que estava estabilizada 
em 34% no período 1999-2004, caiu para 32,4% em 2005. Uma possível explicação para 
essa queda na freqüência à escola é o abandono no ensino médio que, em 2005, alcançou 
15% dos alunos (índice mais elevado desde 1996), uma vez que a proporção dos que 
freqüentam o ensino superior manteve-se inalterada entre 2004 e 2005. 
São marcantes as disparidades no acesso de jovens de 18 a 24 anos ao ensino superior, por 
região, localização do domicílio, raça/cor e sexo. A maior diferença é devida à localização do 
domicílio. A freqüência ao ensino superior de jovens residentes em áreas rurais é oito vezes 
menor que a dos habitantes das regiões urbanas metropolitanas. Também são desiguais as 
taxas de escolarização de brancos e negros, bem mais baixas entre estes últimos (ainda que 
em proporção 
bem menor que em relação à situação do domicílio). No entanto, deve-se ressaltar que foi 
identificada uma queda na diferença entre esses dois grupos étnicos. Por sua vez, a questão 
regional guarda certa semelhança com a desigualdade verificada no campo racial, mas, ao 
contrário do que foi observado sob aquele enfoque, houve aumento da diferença entre as 
regiões que apresentam os maiores e os menores índices de acesso ao ensino superior. 
Apesar de significativa, a desigualdade de gênero (favorável às mulheres) foi a menor entre
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 193 de 323 
as quatro dimensões selecionadas. 
Ensino Fundamental de nove anos visa a inclusão 
A partir do ano que vem, o Ensino Fundamental vai ganhar mais um ano. Ao invés de oito, 
nove. E a idade de ingresso também vai mudar. Agora, as crianças com 6 anos deverão 
entrar, obrigatoriamente, na 1ª série e não mais na pré-escola. Os estabelecimentos de 
ensino terão até 2010 para se adaptar. 
A proposta vem sendo implementada pelo Ministério da Educação (MEC) desde 2004, mas 
só em fevereiro deste ano, com a aprovação da lei de número 11.274, o projeto foi 
sancionado. O objetivo principal do governo federal é colocar mais crianças na escola e 
proporcionar maior tempo de estudo aos alunos que entram diretamente na 1ª série do 
Ensino Fundamental. 
Na época da aprovação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a lei proporcionaria 
às crianças pobres o direito de poder se preparar melhor. Lula fez uma referência à menor 
possibilidade de acesso dessas crianças ao Ensino Infantil, fase anterior ao Ensino 
Fundamental e que não tem uma amplitude tão grande no País. 
Especialistas afirmam que, se bem planejado e executado, o plano será muito positivo para 
os alunos. Principalmente se oferecer, nas primeiras séries, ferramentas que proporcionem 
um desenvolvimento essencial para o restante da vida escolar, afirma a educadora Regina 
de Assis. Ela acredita que um método de avaliação que respeite o ritmo do estudante e o 
coloque no centro das atenções trará benefícios e desenvolvimento ao ensino brasileiro. 
Uniformização 
Há também um interesse do governo em uniformizar o sistema de educação básica do Brasil. 
Segundo Jeanete Beauchamp, diretora de Políticas de Educação Infantil e Ensino 
Fundamental da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC), há Estados que já oferecem o 
Ensino Fundamental de nove anos, com os alunos ingressando com 6 anos de idade. 
No total, são 8,15 milhões de alunos estudando no Ensino Fundamental de nove anos em 25 
mil estabelecimentos de ensino. Dezesseis capitais (Manaus, Belém, Teresina, Fortaleza, 
Natal, Maceió, Belo Horizonte, Cuiabá, Goiânia, Rio de Janeiro, São Luis, Porto Velho, João 
Pessoa, Recife, Curitiba e Porto Alegre) e mais o Distrito Federal já oferecem o Ensino 
Fundamental de nove anos. 
Freqüência dos alunos do Bolsa Família será reportada pela web 
Escolas poderão enviar pela internet informações sobre a freqüência dos alunos que 
integram programa ao MEC. 
Toda escola que tiver um computador e acesso à internet poderá enviar neste ano, 
diretamente para o Ministério da Educação (MEC), as informações sobre a freqüência dos 
alunos que participam do programa Bolsa Família, nos mais de 5.500 municípios brasileiros. 
Com o novo sistema, criado pelo ministério, será descentralizado o trabalho que antes era 
feito pelas secretarias municipais de Educação. O programa permitirá também localizar os 
alunos que mudaram de escola ou de município, pois as cidades estarão interligadas. 
Segundo a coordenadora do Programa de Freqüência Escolar do ministério, Conceição Sota, 
o sistema funciona desde o início do ano e corrige o anterior, com o qual alguns dos 
responsáveis por esse controle manifestaram dificuldade de uso. 
O objetivo, acrescentou, não é punir as famílias com o fim do benefício, mas acompanhar os 
alunos na sala de aula, ajudando a mantê-los no programa Bolsa Família. 
O mais importante nesse processo é acompanhar a educação das crianças inscritas e
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 194 de 323 
garantir a qualidade na educação, disse. 
Cada município deve indicar um gestor, responsável pelo acompanhamento da freqüência. 
Para conhecer melhor o sistema, o gestor encontrará o manual do usuário na internet, no 
endereço site do MEC. 
Fundeb é promulgado pelo Congresso Nacional 
O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos 
Profissionais da Educação (Fundeb) foi promulgado nesta terça-feira, 19, no Congresso 
Nacional. A promulgação da Emenda Constitucional nº 53 insere o Fundeb na Constituição 
Federal, beneficiando cerca de 48,1 milhões de estudantes após sua completa 
implementação. 
Apesar de existir legalmente a partir desta terça, o Fundeb só entrará em vigor após sua 
regulamentação. O ministro da Educação, Fernando Haddad, participou da sessão do 
Congresso Nacional e afirmou que a regulamentação do fundo trará como principal mudança 
a correção de desigualdades regionais na educação. “Os estados mais pobres da Federação 
terão recursos compatíveis com o investimento por aluno que garanta um mínimo de 
qualidade de ensino”, explicou. 
O Fundeb proporcionará mudanças graduais em toda a educação básica. A principal 
novidade é a inclusão da educação infantil, do ensino médio e da educação de jovens e 
adultos. A participação da União e os recursos de impostos municipais e estaduais 
aumentarão a cada ano. A estimativa é que R$ 43,1 bilhões sejam movimentados no primeiro 
ano e R$ 55,8 bilhões a partir do quarto ano de implementação. Nessa fase, serão 
beneficiados cerca de 860 mil alunos de creches; 4,1 milhões de crianças da pré-escola; 34,1 
milhões de alunos do ensino fundamental; e 9 milhões de estudantes do ensino médio. 
Fundeb: um novo fundo de financiamento que alcança toda a educação 
básica 
O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), lança um novo 
olhar sobre a escola pública. Diferente do Fundef, que financia apenas o ensino fundamental, 
o Fundeb investirá na educação infantil, no ensino fundamental, no ensino médio e na 
educação de jovens e adultos. O novo fundo atenderá, em suas necessidades específicas, 
diversas realidades dos alunos por série, idade e locais onde estudam. 
O atual Fundef trabalha com quatro faixas de valores por aluno/ano. O Fundeb terá 11 faixas: 
educação infantil, 1ª a 4ª série urbana, 1ª a 4ª série rural, 5ª a 8ª série urbana, 5ª a 8ª série 
rural, ensino médio urbano, ensino médio rural, ensino médio profissionalizante, educação de 
jovens e adultos, educação especial, educação indígena e de quilombolas. 
Com a criação do Fundeb o montante de recursos aplicados pela União, estados e 
municípios na educação básica pública será aumentado. Pelo menos 60% dos recursos do 
Fundeb, inclusive da complementação da União, são destinados ao pagamento dos salários 
dos profissionais do magistério, em exercício. Além de garantir mais recursos para a 
remuneração dos professores, o Fundeb abrirá mais vagas nas escolas, especialmente na 
pré-escola, no ensino médio e na educação jovens e adultos; possibilitará a melhoria da 
infra-estrutura das escolas; e a formação continuada dos professores de toda a educação 
básica, não apenas do ensino fundamental, como ocorria com o Fundef. 
Com duração de 14 anos (2006-2019), o Fundeb será implantado de forma gradativa. Até 
chegar ao quarto ano de vigência, o objetivo é atender 47,2 milhões de alunos com 
investimentos públicos anuais de R$ 50,4 bilhões, dos quais R$ 4,3 bilhões provenientes da 
União. A União complementará os recursos quando o valor anual por aluno, nos estados e no 
Distrito Federal, não alcançar o mínimo definido nacionalmente. No atual Fundef, o Ministério 
da Educação investe, em média, R$ 570 milhões por ano para a complementação do fundo. 
Com o Fundeb, esse valor chegará a R$ 4,3 bilhões anuais em 2009 [valores de 2005].
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 195 de 323 
Composição do Fundeb 
A cesta de impostos dos estados, do Distrito Federal e dos municípios que vão financiar o 
Fundeb é composta por 20% de vários tributos: Fundo de Participação dos Estados (FPE), 
Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e 
Serviços (ICMS), Imposto sobre Produtos Industrializados (proporcional às exportações 
(IPIexp), Imposto sobre Transmissão Causa Mortis (ITCMD), Imposto sobre Propriedade de 
Veículos Automotores (IPVA), Imposto sobre Renda e Proventos incidentes sobre 
rendimentos pagos pelos municípios, Imposto sobre Renda e Proventos incidentes sobre 
rendimentos pagos pelos estados, cota-parte de 50% do Imposto Territorial Rural (ITR) 
devida aos municípios. 
Educação indígena cresceu 47% em quatro anos 
Dados do Censo Escolar de 2006 mostram que a oferta de educação escolar indígena 
cresceu 47% nos últimos quatro anos. Em 2002, 117.171 alunos freqüentavam escolas 
indígenas em 24 unidades da Federação. Hoje, esse número chega a 172.256 estudantes 
em cursos que vão da Educação Infantil ao Ensino Médio. Segundo o Ministério da 
Educação, nenhum outro segmento da população escolar no Brasil apresenta crescimento 
tão expressivo no período. 
A oferta em escolas indígenas do segundo segmento do Ensino Fundamental (quinta à oitava 
série) passou de 14,9%, em 2005, para 16,4%, em 2006. A do Ensino Médio foi para 4,4%, 
em comparação com os 2,9% do ano anterior. Aumentou também o número de escolas 
indígenas que oferecem o Ensino Médio - de 18 instituições, em 2002, para 91 em 2006. A 
quantidade de alunos nessas escolas subiu de 1.187 para 7.556. 
De 2002 a 2006, 709 novas escolas indígenas entraram em funcionamento, aí incluídas 
instituições já existentes que passaram a ser reconhecidas como indígenas, o que significa 
expansão de 41,6%. Cada escola indígena abriga, em média, 70 alunos, quatro professores e 
pelo menos um funcionário da comunidade. 
O crescimento no número de escolas significa, portanto, 49.630 novos alunos indígenas com 
acesso à formação escolar, 2.836 novos professores e 3.545 novos assalariados. 
O expressivo número de alunos no ensino fundamental permite às comunidades indígenas 
cujas escolas estejam inseridas nos sistemas estaduais e municipais de ensino ter a 
educação escolar mantida com recursos de R$ 149 milhões, relativos ao Fundo de 
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério 
(Fundef), em 2006. Em 2007, com a implantação do Fundo da Educação Básica (Fundeb), o 
valor será superior. 
Vinculadas aos sistemas estaduais e municipais de ensino, todas as escolas indígenas têm 
acesso aos programas do FNDE, tais como Dinheiro Direto na Escola, de Alimentação 
Escolar Indígena (investimentos superiores a R$ 12,5 milhões em 2006) e do Livro Didático 
(enviou às escolas indígenas, ao longo do ano, cerca de 600 mil livros, num investimento 
superior a R$ 3 milhões) 
MEC anuncia novas regras para abertura de cursos de Direito e 
Medicina 
Em visita à nova diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília, o ministro 
da Educação, Fernando Haddad, anunciou , as novas regras para a abertura de cursos de 
direito e de medicina. A partir de segunda-feira, 5, quando será publicada portaria, sempre 
que houver divergência entre a comissão de avaliação e a OAB, o pedido de novo curso será 
enviado à Comissão Técnica de Acompanhamento da Avaliação (CTAA). 
Formada por doutores, a comissão segue o modelo utilizado pela Coordenação de 
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) para autorizar ou não cursos de 
pós-graduação. A CTAA terá 23 membros, cinco deles do próprio Ministério da Educação.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 196 de 323 
No caso dos cursos de direito, o recurso à CTAA será automático quando houver divergência 
nos pareceres. Em medicina, basta não haver manifestação do Conselho Nacional de Saúde 
para que o pedido de abertura do curso seja analisado pela CTAA. A decisão final será da 
Secretaria de Educação Superior (SESu/MEC). 
A mudança das regras, segundo o ministro, estabelece um marco regulatório para a abertura 
de cursos superiores. Desde agosto de 2005, especialistas do MEC discutem como definir 
regras claras, que assegurem isenção e impessoalidade na autorização, reconhecimento e 
renovação de reconhecimento de cursos nas instituições federais e privadas de nível 
superior. 
Em maio de 2006, com o Decreto nº 5.773, os pedidos de abertura passaram a incluir o 
parecer da OAB e o do Conselho Nacional de Saúde para direito, medicina, odontologia e 
psicologia. Desde então, só foram autorizados cursos de direito anteriores à lei ou que tinham 
parecer favorável da Ordem. 
A comissão de avaliação é escolhida por sorteio entre os integrantes do Banco de 
Avaliadores do MEC. O banco, que tinha dois mil integrantes foi ampliado para dez mil 
doutores em todas as áreas da graduação. 
Bolsa_Escola 
A educação garantida a todos é sinônimo de um Brasil melhor, mais produtivo e mais 
qualificado. E para colaborar com a solução desse problema, o Governo Federal criou o 
Programa Bolsa Escola. 
A Bolsa Escola garante uma ajuda mensal de R$ 15,00 para as crianças de 6 a 15 anos, que 
freqüentam e assistem às aulas. Mas atenção, o programa cobre no máximo 3 crianças por 
família, e a renda familiar, dividida pelo número de pessoas que a compõem, não pode ser 
superior a R$ 90,00. 
Assim, está-se trabalhando para reduzir os índices de repetência e evasão escolar, 
contribuindo para o progresso educacional do País. O Programa Bolsa-Escola foi inspirado 
em experiências bem sucedidas, desenvolvidas por Estados e Municípios em diversas 
regiões do Brasil, a partir de 1995. 
Neste ano, (2007) o objetivo é alcançar a marca de 10,7 milhões de crianças na escola, o que 
corresponde a 10,7 milhões de bolsas distribuídas, a cerca de 5,9 milhões de famílias em 
todos os Municípios brasileiros. 
FIES 
O Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior - FIES é um programa do 
Ministério da Educação - MEC destinado a financiar a graduação no Ensino Superior de 
estudantes que não têm condições de arcar integralmente com os custos de sua formação. 
Os alunos devem estar regularmente matriculados em instituições não gratuitas, cadastradas 
no Programa e com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo MEC. O FIES é 
operacionalizado pela Caixa Econômica Federal. 
Como Funciona 
O FIES, a partir de setembro de 2005, passou a financiar 50% do valor da mensalidade. Os 
outros 50% são pagos pelo aluno diretamente à Instituição de Ensino. Enquanto cursa a 
faculdade, o beneficiado se compromete a pagar, a cada três meses, o valor de R$ 50,00 
(cinqüenta reais), que é abatido do saldo devedor. 
A taxa de juros para os contratos firmados a partir do segundo semestre de 2006 é de 6,5% 
ao ano, fixa. Exclusivamente para os cursos de licenciatura, pedagogia, normal superior e 
cursos constantes do Catálogo de Cursos Superiores de Tecnologia, instituído pelo Decreto 
nº 5.773, de 09/05/06, a taxa é de 3,5% ao ano. 
Após a formatura, o financiamento começa a ser amortizado, no mês subseqüente ao
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 197 de 323 
encerramento do contrato. Nos doze primeiros meses (Fase I), a prestação será igual a 50% 
da última mensalidade financiada (o mesmo valor que o estudante já desembolsava para a 
IES). Depois (Fase II), o saldo devedor é dividido em prestações iguais, por um prazo de até 
uma vez e meia o período de utilização. 
O FIES, portanto, é um financiamento de longo prazo. Por exemplo, um curso de quatro 
anos, que tenha sido financiado desde o primeiro semestre, vai gerar após sua conclusão, 
prestações durante sete anos - um ano da Fase I mais seis anos da Fase II (4 x 1,5). Para se 
ter uma idéia concreta das condições de utilização e de pagamento, recomendamos, 
enfaticamente, que cada aluno faça simulações do financiamento pretendido antes de se 
candidatar ao FIES. 
Democratização do Acesso ao Ensino Superior e Transparência 
O FIES é, atualmente, um dos Programas de Governo que mais utiliza sistemas 
informatizados. Todas as operações do processo seletivo, iniciando-se pela adesão das 
instituições de ensino, passando pela inscrição dos estudantes e divulgação dos resultados e 
entrevistas, são realizados pela Internet. Isso resulta em comodidade e facilidade para todos 
os seus participantes, além de garantir a confiabilidade necessária a todo o processo. 
Os critérios de seleção, impessoais e objetivos, trazem transparência ao Programa, que tem 
como premissa atender aos estudantes com efetividade, destinando e distribuindo os 
recursos de forma justa e impessoal, garantindo a prioridade no atendimento aos estudantes 
de situação econômica menos privilegiada. 
Esta iniciativa do Governo Brasileiro é mais um passo importante para a democratização do 
acesso à educação de qualidade, a fim de propiciar ao maior número possível de estudantes 
a permanência e a conclusão do ensino superior. 
Universidade Aberta do Brasil 
A Universidade Aberta do Brasil (UAB) é fruto da convergência de esforços dos participantes 
do Fórum das Empresas Estatais pela Educação, entre eles da Associação Nacional dos 
Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. Visa consolidar sistema pioneiro que 
represente um marco histórico para a educação brasileira, articulando intenções e 
experiências das instituições de ensino superior, as quais, isoladamente, não teriam como 
ganhar a desejável escala nacional em sua atuação. 
O governo federal tem se destacado por sua atuação na área da educação, seja no 
incremento e na recuperação do parque universitário federal, seja na educação tecnológica e 
profissional, bem como via aporte adicional significativo de recursos na educação básica. A 
UAB completa a agenda do governo federal ao consolidar a educação a distância como 
modalidade extremamente importante para a ampliação do acesso ao ensino superior e para 
a formação de professores para a educação básica, de forma a buscar cumprir, com 
racionalidade e eficiência, no gasto público, as metas do Plano Nacional de Educação (PNE). 
A Lei do PNE, de janeiro de 2001, prevê, no item relativo a objetivos e metas da educação 
superior, três objetivos ainda por serem atingidos: “1. Prover, até o final da década, a oferta 
de educação superior para, pelo menos, 30% da faixa etária de 18 a 24 anos. 2. (vetado) 3. 
Estabelecer uma política de expansão que diminua as desigualdades de oferta existentes 
entre as diferentes regiões do país. 4. Estabelecer um amplo sistema interativo de educação 
a distância, utilizando-o, inclusive, para ampliar as possibilidades de atendimento nos cursos 
presenciais, regulares ou de educação continuada”. 
Nota-se, com isso, que a educação a distância, prevista já na própria Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional, de 1994, pode ser um instrumento imprescindível para ampliar 
o acesso ao ensino superior, reduzindo desigualdades regionais, sem prejuízo de qualidade 
em comparação com as modalidades tradicionais, e promovendo inclusão digital à medida 
em que estimula a adoção apropriada das tecnologias de informação e comunicação no 
processo educacional.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 198 de 323 
A institucionalização da UAB em decreto presidencial assegurou maior perenidade e 
continuidade ao sistema, considerando que os cursos estão planejados para atingirem sua 
plenitude apenas em 2007. Neste ano de 2006 ocorre a implantação do projeto, a 
consolidação de instalação dos pólos nos municípios e o desenvolvimento de um projeto 
piloto, em conjunto com o Banco do Brasil, em 19 estados da federação e já com quase 10 
mil alunos. 
A UAB nasce com o compromisso de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas 
de educação superior no país e com os seguintes objetivos principais: oferecer, 
prioritariamente, cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada de professores da 
educação básica; oferecer cursos superiores para capacitação de dirigentes, gestores e 
trabalhadores em educação básica dos estados e dos municípios; oferecer cursos superiores 
nas diferentes áreas do conhecimento, ampliando o acesso à educação superior pública; 
reduzir as desigualdades de oferta de ensino superior entre as diferentes regiões do país; 
estabelecer um amplo sistema nacional de educação superior a distância e fomentar o 
desenvolvimento institucional para a modalidade de educação a distância, bem como a 
pesquisa em metodologias inovadoras de ensino superior apoiadas em tecnologias de 
informação e comunicação. 
Ao Edital Seed/Mec nº 01/2005 responderam 40 universidades federais, 10 centros federais 
de educação tecnológica e 430 proponentes de pólo, todos interessados em, de forma 
compartilhada, estabelecer uma rede nacional que, prioritariamente, atenda às necessidades 
de formar centenas de milhares de professores para a educação básica, possibilite que outro 
igual montante de docentes, em efetivo exercício, possa completar sua formação, atendendo 
ao disposto legalmente, e, em breve, reciclar milhões de professores periodicamente. Nesse 
sentido, a UAB será a casa do professor da educação básica e sua conexão permanente 
com a educação superior pública do país. 
(notíciário) 
 
11/02/2010 
Manchete: Inscrições às bolsas do ProUni batem recorde, diz MEC. 
MEC contabilizou 810 mil inscritos. 
Inscrições foram encerradas na noite desta quarta-feira (10/02/2010). 
Resumo: Terminou à meia-noite desta quarta-feira (10) o prazo das inscrições para 
concorrer a bolsas do ProUni que dão direito a vagas em universidades particulares para 
alunos de baixa renda. De acordo com o último boletim de Ministério da Educação e Cultura 
(MEC), divulgado às 23h, 810 mil estudantes se inscreveram para disputar as 165 mil bolsas 
do ProUni, o que representa um número recorde. 
Mas muitos estudantes reclamaram de dificuldades na hora de acessar o site do MEC. 
O MEC diz que não houve congestionamento no site e, sim, uma grande procura. Em 
nenhum momento, o site teria ficado fora do ar. 
O prazo para inscrição terminou e não será prorrogado. O resultado sai no dia 13, no próximo 
sábado. Quem for selecionado deve procurar o estabelecimento de ensino entre os dias 17 e 
26 de fevereiro, e apresentar os documentos que comprovem a renda familiar e a conclusão 
do ensino médio. 
19/01/2010 
Manchete: Menos da metade dos jovens está no ensino médio, diz Ipea. 
Resumo: Menos da metade dos jovens de 15 a 17 anos está cursando o ensino médio, 
etapa de ensino adequada para esta faixa etária, e apenas 13% dos jovens de 18 a 24 anos 
frequentavam o ensino superior em 2007. Esses são alguns destaques da pesquisa
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 199 de 323 
Juventude e Políticas Sociais no Brasil, lançada nesta terça-feira pelo Ipea (Instituto de 
Pesquisa Econômica Aplicada). 
O estudo aponta que houve avanços no acesso de jovens à educação. Em 2007, 82% dos 
jovens de 15 a 17 anos frequentavam a escola. O problema está no atraso para concluir os 
estudos: apenas 48% estava no ensino médio. 
Para o diretor de estudos e políticas sociais do instituto, Jorge Abrahão, a educação é vista 
pelos jovens como uma força positiva. Os jovens entendem a educação como um caminho 
para melhorar a vida. Mas o jovem enfrenta no processo de escolarização problemas de 
desigualdades de oportunidades, aponta. 
A cor, o nível de renda e o local onde mora o jovem interfere nas oportunidades de acesso. 
Em 2007, 57% dos brasileiros de 15 a 17 anos que residiam em áreas metropolitanas 
frequentavam o ensino médio, contra pouco menos de 31% no meio rural. 
Abrahão destaca que o jovem ainda se divide entre os estudos e o mercado de trabalho e 
aqueles que conseguem frequentar a escola precisam lidar ainda com o problema da baixa 
qualidade do ensino. A escola ainda está fundamentada em uma estrutura antiquada, o que 
torna para o jovem pouco atraente aquele período em que ele se mantém na escola, diz. 
No ensino superior, entre 1996 e 2007, a taxa de frequência líquida cresceu 123%. Mas o 
percentual de jovens na faixa etária dos 18 aos 24 anos que têm acesso à etapa ainda é 
apenas de 13% --muito abaixo da meta de 30% estipulada para 2011 no Plano Nacional de 
Educação. 
A renda é fator determinante para o acesso do brasileiro à universidade: a taxa de frequência 
daqueles que têm renda mensal per capita de cinco salários mínimos ou mais (55%) é dez 
vezes maior do que entre a população que ganha até meio salário mínimo (5%). 
O estudo do Ipea destaca que o Brasil ainda tem 1,5 milhão de jovens analfabetos (15 a 29 
anos). Segundo a pesquisa, a manutenção do número de analfabetos no país em patamar 
elevado está relacionada à baixa efetividade do ensino fundamental. 
De acordo com dados da Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do 
IBGE, 44,8% das pessoas analfabetas com 15 anos ou mais já haviam frequentado a escola. 
02/12/2009 
Manchete: Apenas 38% dos que cursaram o ensino médio são plenamente 
alfabetizados, diz pesquisa. 
Entre os brasileiros que cursaram um ou mais anos do ensino médio, apenas 38% 
atingem o nível de alfabetização plena, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional 
(Inaf) calculado pelo Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a ONG Ação 
Educativa. O esperado para essa parte da população seria um índice de 100%. 
Resumo: A alfabetização plena também não é totalmente atingida no ensino superior: 68% 
dos indivíduos com este grau de instrução apresentam pleno domínio das habilidades de 
leitura/escrita e das habilidades matemáticas. 
Desde 2001, o indicador calcula os níveis de alfabetismo dos brasileiros entre 15 e 64 anos 
de idade, residentes em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do País. O Inaf classifica 
a população de acordo com suas habilidades em leitura/escrita (letramento) e em matemática 
(numeramento). Os indivíduos são divididos em dois grupos principais e em quatro níveis: 
alfabetismo e alfabetismo rudimentar (alfabetos funcionais); alfabetismo básico e alfabetismo 
pleno (alfabetizados funcionalmente). 
Ensino fundamental 
O quadro se agrava entre os menos escolarizados. Dentre os que cursam ou cursaram do 6º 
ao 9º ano do ensino fundamental (antiga 5ª a 8ª série), apenas 15% podem ser considerados 
plenamente alfabetizados. Além disso, 24% dos brasileiros com esta escolaridade estão no
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 200 de 323 
nível rudimentar. 
Outro dado relevante apurado pelo Inaf aparece entre os brasileiros que estudaram até o 5º 
ano do ensino fundamental (antiga 4ª série): 54% atingem, no máximo, o grau rudimentar de 
alfabetismo. Mais grave ainda, apontam os pesquisadores, é o fato de que, entre esses 
indivíduos, 10% são considerados analfabetos absolutos, apesar de terem cursado de um a 
quatro anos do ensino fundamental. 
Analfabetismo funcional 
O dado positivo da pesquisa é a redução do alfabetismo funcional dos brasileiros entre 15 e 
64 anos. A porcentagem de “analfabetos absolutos” caiu de 9%, em 2007, para 7%, em 2009. 
Na comparação com 2002, a queda é mais expressiva, de 5 pontos percentuais. 
O nível básico continua apresentando um contínuo crescimento, passando de 34%, em 2002, 
para 47%, em 2009. 
Veja o quadro com os níveis de alfabetismo considerados pelo Inaf: 
An a l f a b e t o s 
funcionais 
Analfabetismo 
Corresponde à condição dos que não 
conseguem realizar tarefas simples que 
envolvem a leitura de palavras e frases ainda 
que uma parcela consiga ler números 
familiares (números de telefone, preços etc.) 
Al fabet ismo 
rudimentar 
Corresponde à capacidade de localizar uma 
informação explícita em textos curtos e 
familiares (como um anúncio ou pequena 
carta), ler e escrever números usuais e 
realizar operações simples, como manusear 
dinheiro para o pagamento de pequenas 
quantias ou fazer medidas de comprimento 
usando a fita métrica 
Alfabetizados 
funcionalmente 
Al fabet ismo 
básico 
Pessoas que já leem e compreendem textos 
de média extensão, localizam informações 
mesmo que seja necessário realizar pequenas 
inferências, lêem números na casa dos 
milhões, resolvem problemas envolvendo uma 
sequência simples de operações e têm noção 
de proporcionalidade. Mostram, no entanto, 
limitações quando as operações requeridas 
envolvem maior número de elementos, etapas 
ou relações 
Al fabet ismo 
pleno 
Pessoas cujas habilidades não mais impõem 
restrições para compreender e interpretar 
elementos usuais da sociedade letrada: leem 
textos mais longos, relacionando suas partes, 
comparam e interpretam informações, 
distinguem fato de opinião, realizam 
inferências e sínteses. Quanto à matemática, 
resolvem problemas que exigem maior 
planejamento e controle, envolvendo 
percentuais, proporções e cálculo de área, 
além de interpretar tabelas de dupla entrada 
mapas e gráficos 
30/11/2009 
Manchete: EDUCACENSO 2009: QUATRO EM DEZ CRIANÇAS AINDA ESTÃO FORA DO 
ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS. 
Resumo: Quatro em dez alunos ainda estão fora do ensino fundamental de nove anos. O 
prazo final para as redes de ensino se adequarem à obrigatoriedade acaba em 2010. A 
estatística é do Educacenso, levantamento de dados da educação básica feito anualmente
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 201 de 323 
pelo MEC (Ministério da Educação). Os dados integrais da pesquisa devem ser divulgados 
ainda esta semana pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio 
Teixeira). 
Matrícula na educação básica perdeu 652.416 alunos 
Segundo o levantamento, há dez unidades da federação que registram mais de 60% dos 
alunos matriculados ainda no ensino fundamental de oito anos. São elas: São Paulo, Rio 
Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Roraima, Pará, Amapá, Pernambuco, Bahia e Distrito 
Federal. 
Os Estados que estão mais avançados na implantação da obrigatoriedade, instituída em 
2005, são: Rondônia, Acre, Amazonas e Tocantins, na região Norte; Ceará, Rio Grande do 
Norte, Paraíba e Alagoas, no Nordeste; Minas Gerais e Rio de Janeiro na região Sudeste; e 
Mato Grosso do Sul e Goiás no Centro-Oeste. 
As matrículas do ensino fundamental de nove anos aumentaram 12,5%, em relação ao ano 
anterior. 
Em 2008, quase metade dos estudantes estavam fora do fundamental de nove anos. 
Queda de matrícula 
Em relação a 2008, o número de matrículas na educação básica teve queda de 1,2%. A 
porcentagem significa 652.416 alunos. 
Houve diminuição de 21% da matrícula na educação especial. Segundo o Inep, a queda 
pode ser atribuída a um ajuste nas informações em que foram excluídos alunos sem 
escolarização, ou seja, que só recebem atendimento especializado. 
Ao se observar apenas a quantidade de matrículas de alunos com necessidades especiais 
incluídos em salas comuns, há 12.256 novas inscrições, um aumento de 3%. 
Dos 639.718 alunos da educação especial, 61% (387.031 estudantes) estuda em classes 
comuns do ensino regular e da educação de jovens e adultos. O restante ainda se encontra 
em estabelecimentos exclusivamente especializados. Eles formam um grupo de 252.687 
estudantes, distribuídos em 5.590 estabelecimentos. 
26/11/2009 
Manchete: Educador Paulo Freire é anistiado 12 anos após sua morte. 
Resumo: A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça anistiou nesta quinta-feira o 
educador Paulo Freire, morto em 1997. Segundo o órgão, Freire foi punido durante a ditadura 
militar por identificar na alfabetização um processo de libertação dos oprimidos. As 
informações são do Ministério da Educação (MEC). 
De acordo com o Ministério da Justiça, o método pedagógico de Freire, criado a partir de 
uma experiência em Angicos (RN), em 1963, quando 300 trabalhadores foram alfabetizados 
em 45 dias, seria levado a todo o País no ano seguinte com o Programa Nacional de 
Alfabetização. Contudo, o projeto foi cancelado com a instalação do regime militar. 
A ditadura aposentou compulsoriamente o educador da cadeira de professor de História e 
Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco. Freire ainda foi preso por 70 dias em 
Olinda (PE) e, depois, exilado. 
Freire continuou desenvolvendo programas de educação no Chile, onde escreveu uma de 
suas principais obras: Pedagogia do Oprimido. O educador retornou ao Brasil somente 16 
anos após o exílio. 
18/11/2009
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 202 de 323 
Manchete: Em quatro anos, 677 mil estudantes das classes C e D entraram na 
universidade. 
Em apenas quatro anos, 350 mil jovens da classe D entraram no ensino superior. São 
universitários com renda inferior a três salários mínimos, ou seja, R$ 1.400. O número 
equivale a um crescimento de 84% entre os anos de 2004 e 2008, o maior registrado 
entre todas as faixas de renda. 
Resumo: No mesmo período, 333 mil estudantes da classe C, de três a cinco salários, 
também experimentaram pela primeira vez a corrida pelo diploma. 
Incapazes de atender a crescente demanda, as instituições gratuitas ficam à margem da 
democratização econômica do ensino superior. De acordo com estudo da Hoper 
Educacional, maior consultoria de mercado de ensino superior, 70% dos alunos do setor das 
instituições privadas concentram-se nas faixas de renda até 10 salários. 
O que parece uma ótima notícia deve ser visto com cuidado, de acordo com o professor da 
Faculdade de Educação da UnB, Remi Castioni. “As avaliações do Ministério da Educação 
mostram que são essas as instituições que concentram as notas 2 e 3 no Enade. Na minha 
opinião, existe uma relação entre o baixo preço da mensalidade e a qualidade do ensino. 
Hoje existem faculdades que cobram R$ 199, como se fossem aqueles comércios baratos de 
R$1,99”, completa. 
PREÇO 
A queda no valor da mensalidade é a principal explicação para a entrada dos jovens mais 
pobres no ensino superior. De acordo com Ryon Braga, presidente da Hoper, em 1996 as 
mensalidades custavam em média R$ 840 (em valores atualizados). Hoje, a média é de R$ 
457. 
“O valor caiu pelo metade permitindo que mais alunos fizessem ensino superior”, avalia. 
Ryon destaca que o Programa Universidade para Todos, o ProUni, só foi responsável por 5% 
da expansão. O programa do governo federal troca vagas de faculdades particulares por 
isenção de impostos. “Mas não acredito que baixo preço queira dizer baixa qualidade. 
Existem ótimas instituições que cobram pouco dos alunos e instituições ruins que cobram 
caro.” 
Pelo estudo, ainda há margem para crescer. “Considerando que a média de 
comprometimento de renda familiar com o ensino superior está em torno de 13% da renda, 
podemos concluir facilmente onde está o maior obstáculo para ampliação da inserção de 
alunos de menor poder aquisitivo no ensino superior”, cita a conclusão da pesquisa. 
Vale destacar que as outras classes econômicas ainda têm grande representatividade no 
ensino superior mas está perdendo território. A classe A representa 23,3% do alunado do 
ensino superior privado no Brasil, mas já parou de crescer há quatro anos. 
A Classe B com 48,7% deste alunado continua a maior representante do ensino superior 
privado, mas apresenta crescimento de 29,3% nos últimos quatro anos, bem inferior ao 
crescimento da Classe C e D. “Se as taxas de crescimento forem mantidas na mesma 
proporção, no ano de 2012 já teremos mais pessoas das Classes C e D no ensino superior 
privado do que os representantes das Classes A e B”, completa Ryon. 
Data: 13/05/2009 
Manchete: Analfabetismo no Nordeste é quase o dobro da média nacional. 
Resumo: As diferenças entre as regiões brasileiras também têm reflexo nas taxas de 
analfabetismo. Enquanto no Sul do País o percentual de analfabetos representa pouco mais 
da metade da taxa brasileira, atingindo 5,4% da população, no Nordeste o índice é quase o 
dobro da média nacional, 19,9%.Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de 
Domicílios (Pnad) 2007, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
Segundo especialistas, a relação existente entre analfabetismo e pobreza explica a maior
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 203 de 323 
incidência do problema nos estados nordestinos. A pessoa pobre tem um acesso restrito à 
educação e a muitos outros direitos como saúde, habitação, saneamento básico. Então, onde 
há bolsões de pessoas de baixa renda, como no Nordeste, há bolsões de pessoas que não 
sabem ler e escrever, explica o especialista em educação de jovens e adultos da 
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, 
Timothy Ireland. 
Para tentar diminuir o contingente de analfabetos no Nordeste e, consequentemente, reduzir 
as disparidades regionais, o programa Brasil Alfabetizado, do Ministério da Educação (MEC), 
atende prioritariamente os municípios em que mais de 25% da população não sabe ler e 
escrever. 
Este ano, participam do programa 1.928 pessoas. Desse total, 84% são da Região Nordeste. 
Entre os estados, o que concentra o maior percentual de analfabetos é Alagoas, onde um em 
cada quatro habitantes com mais de 15 anos não sabe ler e escrever. 
No Nordeste você tem um tipo de problema, no Sul, outro. Você tem problemas muito 
peculiares em cada região do país. Para cada uma delas é preciso uma estratégia específica. 
O Norte brasileiro sofreu uma migração forte nos últimos anos, então chegaram analfabetos, 
aponta o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André 
Lázaro. 
Para o presidente da organização não governamental Ação Educativa, Sérgio Haddad, é 
impossível zerar o analfabetismo no Brasil sem diminuir a exclusão social. Em nenhum país 
do mundo você teve a superação do analfabetismo sem superar condições de pobreza 
absoluta. E no Brasil há parcelas da população que vivem em situações de indigência. 
O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Medeiros ressalta 
que o analfabetismo gera um ciclo de imobilidade social que envolve não só o indivíduo, mas 
a sua família. É um ciclo de reprodução. Se você for analfabeto, sua chance de também ser 
pobre é muito alta. Quem está nessa condição não tem qualificação para ocupar um bom 
posto de trabalho. Então se você for uma pessoa pouco educada e pobre, tem menor chance 
de ir para a escola ou de ter acesso a uma educação de qualidade. Você acaba criando um 
ciclo por um longo período, aponta. 
Data: 13/05/2009 
Manchete: Brasil tem mais de um terço dos analfabetos da América Latina. 
Resumo: Dados da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (Clade) indicam 
que em todo o mundo vivem 800 milhões de adultos não alfabetizados. Desse total, 35 
milhões estão em nações latino-americanas. O Brasil que é o país mais populoso da região 
também concentra mais de um terço da população analfabeta da América Latina, 14 milhões 
de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever, de acordo com a Pesquisa 
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE). 
Segundo o levantantamento da Clade, divulgado em 2007, no grupo de países da América 
Latina e do Caribe, Cuba apresenta a menor taxa de analfabetismo: o problema atinge 0,2% 
da população. Já na Guatemala, que tem os piores indicadores, o problema afeta quase um 
terço (30,9%) das pessoas com mais de 15 anos. 
Nesse ranking, o Brasil ocupa a 14ª posição, em um total de 19 países. De acordo com 
dados da Clade, com um percentual de 11,4% de analfabetos entre a população com mais de 
15 anos de idade, a média brasileira fica atrás, por exemplo, dos índices do México (9,10%), 
Equador (9%), Panamá (8,10%) e da Colômbia (7%). A Clade é uma rede de organizações 
da sociedade civil que atua em defesa do direito ao ensino público gratuito e de qualidade. 
Segundo a Pnad, o índice de analfabetismo entre os brasileiros com mais de 15 anos é de 
10%. Para o educador peruano e consultor internacional José Rivero, uma das explicações 
para a persistência do problema, tanto na América Latina quanto no Brasil, são as grandes 
desigualdades sociais da região.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 204 de 323 
O Brasil é a primeira potência em matéria econômica, mas tem questões de pobreza que 
são incompatíveis com essa qualidade. Essa bipolaridade tem possibilitado a existência de 
uma camada muito grande de analfabetos, analisa. Rivero acredita que a redução do 
analfabetismo só ocorrerá quando houver menos injustiça social. E o enfrentamento desse 
problema, segundo ele, é papel do Estado e da sociedade civil. 
Recentemente, os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia, 
declararam que os dois países estão livres do analfabetismo. Para isso, utilizaram a 
metodologia do programa cubano de alfabetização Yo, sí Puedo, criado pelo governo de Fidel 
Castro. O método usa programas de rádio e de televisão para alfabetizar jovens e adultos. 
Há mais esperanças na medida em que há mais consciência de que não se pode seguir 
como era antes. Há programas muito interessantes, mas é preciso que os países se 
organizem sabendo quanto custa alfabetizar. Não basta o político dizer que precisa 
alfabetizar, é preciso saber o preço, alerta. 
O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para Educação, Vernor Muñoz, 
cita as ações da Venezuela e da Bolívia como exemplos de opções concretas. Para ele, o 
Brasil tem um compromisso enorme, mas as conquistas ainda não refletem esse esforço. 
José Rivero teme que a campanha de alfabetização encampada pelos países 
latino-americanos possa ser afetada pela crise financeira internacional. Essa crise está 
afetando a América Latina, que vai ficar mais pobre. Nesse sentido, não há como prever 
quando o problema realmente vai acabar. Às vezes nos esquecemos de que não pode existir 
um bom futuro em matéria de alfabetização se a escola pública não for fortalecida, ela é a 
grande alfabetizadora. E para isso é preciso dinheiro, afirma. 
Confira o ranking do analfabetismo nos países da América Larina e do Caribe. 
Taxas de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais: 
País Taxa 
1. Cuba 0,2% 
2. Uruguai 1,9% 
3. Aruba 2,7% 
4. Argentina 2,8% 
5. Chile 4,3% 
6. Costa Rica 5,1% 
7. Venezuela 7,0% 
8. Colômbia 7,2% 
9. Panamá 8,1% 
10. Equador 9,0% 
11. México 9,1% 
12. Paraguai 9,8% 
13. Suriname 10,4% 
14. Brasil 11,4% 
15. Peru 12,3% 
16. Bolívia 13,3% 
17. Honduras 20,0% 
18. Nicarágua 23,3% 
19. Guatemala 30,9% 
F
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 205 de 323 
ENERGIA 
Origens 
A trajetória brasileira no setor de energia elétrica decorre de iniciativas ocorridas a partir de 
meados do século XIX, quando o carvão mineral importado era fonte básica de energia para 
transportes, algumas indústrias e iluminação. Dom Pedro II, que foi um homem bastante 
interessado nos avanços científicos de seu tempo, tratou de fazer com que as novas 
descobertas no campo da eletricidade na época também aportassem no Império do Brasil. 
Em 1879, Dom Pedro II concedeu a Thomas Edison o direito de introduzir no Brasil 
processos e aparelhos para a geração de eletricidade. Naquele ano foi inaugurada a 
iluminação da gare da Central do Brasil, à época Estrada de Ferro D. Pedro II, no Rio de 
Janeiro. 
Entre 1879 e 1890, várias usinas de pequeno porte foram instaladas para a geração de 
energia elétrica, como as de Ribeirão do Inferno (1883) e Marmelos (1889), ambas em Minas 
Gerais. No período entre 1890 e 1900 foram instaladas dez outras pequenas usinas, com 
capacidade de 1.200 KW. Todas essas pequenas unidades visavam, basicamente, atender à 
demanda da iluminação pública, mineração e atividades como beneficiamento de produtos 
agrícolas, indústria têxtil e serrarias. 
Na virada do século XIX para o século XX, o potencial de desenvolvimento das cidades do 
Rio de Janeiro e São Paulo atraiu o capital estrangeiro para a instalação de companhias de 
energia elétrica no Brasil, desenvolvendo a vocação hidrelétrica brasileira. 
Até a década de 30, a presença do Estado no setor elétrico foi bastante limitada, 
resumindo-se a algumas medidas isoladas de regulamentação. 
Os capitalistas tinham contratos muito generosos e houve descaso com a continuidade dos 
serviços. A quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, levou-os à falência. 
Estado Patriarca 
Em 1934, foi promulgado o Código de Águas, que atribuiu à União o poder de autorizar ou 
conceder o aproveitamento de energia hidráulica e estabeleceu a distinção entre a 
propriedade do solo e a propriedade das quedas d'água e outras fontes de energia hidráulica 
para efeito de aproveitamento industrial. 
Todos os recursos hídricos foram incorporados ao patrimônio da União. Assegurava-se ao 
Estado Novo o direito de intervir nas atividades produtivas para suprir as deficiências da 
iniciativa privada e negava aumento da participação de estrangeiros no setor elétrico, bem 
como em outros setores econômicos. 
A década de 40 se caracterizou pelo choque entre as correntes favoráveis à nacionalização 
do setor elétrico e aquelas mais liberais, que defendiam a abertura ao capital estrangeiro. 
Após a Segunda Guerra Mundial, a demanda começou a ultrapassar a oferta de energia 
elétrica, em decorrência do crescimento da população urbana e do avanço da indústria, do 
comércio e dos serviços. Começou então um período de racionamento de energia nas 
principais capitais brasileiras. 
Nessa época, os governos federal e estaduais se aliaram na reorganização do sistema 
elétrico em bases estatais. Foram criadas a Comissão Estadual de Energia Elétrica (CEEE), 
no Rio Grande do Sul, em 1943, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), em 
Pernambuco, no ano de 1946, e as Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig), em Minas 
Gerais, em 1952, marcando o início de um novo estágio no desenvolvimento do setor elétrico 
brasileiro. 
Ao longo da década de 50, praticamente todos os Estados da federação constituíram 
empresas estatais de energia elétrica, a partir da absorção das empresas estrangeiras. 
Em 1957, o Governo Federal criou a Central Elétrica de Furnas, para atender o risco de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 206 de 323 
demanda na Região Sudeste, e, em 1961, a Central Hidrelétrica do Vale da Paraíba. 
Com a constituição da Centrais Elétricas Brasileiras S/A (Eletrobrás), em 1961, foi delineada 
a estrutura do setor elétrico brasileiro, integralmente estatal a partir de 1979, havendo apenas 
alguns autoprodutores independentes. Essa estrutura vigorou até meados da década de 90, 
quando se deu início à reestruturação do setor, com a venda de empresas elétricas de 
abrangência estadual. 
Origem do Monopólio no Setor Elétrico 
O desenvolvimento do setor elétrico brasileiro, a partir da década de 60, baseou-se em 
estratégia formulada em níveis federal e estadual e na centralização do planejamento e 
financiamento do sistema. Esse modelo institucional e financeiro proporcionou a 
concentração do capital necessário para a construção de uma infra-estrutura de produção, 
transmissão e distribuição utilizando os potenciais hidrelétricos mais competitivos. As 
características técnicas (propiciando grande economia de escala), conjugadas com o 
crescimento e modernização da economia brasileira nas décadas de 50 e 60, levaram a uma 
situação de monopólio natural, acompanhada de uma ação reguladora do Estado. 
A necessidade de aumentar a capacidade de geração de energia, paralelamente ao risco de 
desperdício no caso de mais de um investimento em redes numa mesma área geográfica, 
somando-se a necessidade de coordenação das diversas partes do sistema, tudo contribuiu 
para fortalecer a concepção de que uma estrutura monopólica verticalizada seria a mais 
eficiente para o setor. Nessa concepção, o setor elétrico assumiu um caráter estratégico, 
sendo alvo da intervenção direta do Estado, a qual foi concretizada com a criação da 
Eletrobrás em 1964. 
Nesse modelo, a Eletrobrás, suas subsidiárias e as empresas concessionárias estaduais 
passaram a exercer simultaneamente as funções de poder concedente, de Estado e 
empresarial, criando um quadro institucional complexo, no qual a função empresarial 
freqüentemente era relegada a um plano secundário, com prejuízos para a sociedade. 
Fim da Era do Petróleo 
O primeiro choque do petróleo, ocorrido em 1973, marcou o fim da era do combustível barato 
e abundante. O embargo imposto pelos árabes aos Estados Unidos e as reduções da 
produção e da exportação fizeram com que o preço do barril de petróleo passasse de US$ 3 
para US$ 12, entre outubro de 1973 e dezembro de 1974. Com isso os países exportadores 
definiram uma nova era para o resto do mundo: a do petróleo caro e escasso. 
No Brasil, durante o governo Ernesto Geisel, no período imediato após o primeiro choque do 
petróleo, as principais iniciativas coordenadas de política energética adotadas, além do 
estabelecimento de contratos de risco para prospecção de petróleo sob solo nacional, 
abertos ao capital internacional, foram: criação do Pró-Álcool, em 1975, que objetivava o 
desenvolvimento de tecnologia para a fabricação de álcool anidro para ser misturado à 
gasolina e do álcool hidratado como combustível alternativo; e o Acordo Nuclear assinado 
com a Alemanha, prevendo0 a instalação de oito centrais até 1990. 
Entre 1981 e começo de 1983, nova alta nos preços do petróleo, alcançando US$ 36 por 
barril. Foi o segundo choque do petróleo, que junto com o primeiro, constituem o pano de 
fundo do panorama energético mundial em nossos dias. 
Os preços do petróleo voltariam a cair, chegando em 1986 a surpreendentes US$ 10 por 
barril. Mas o caráter finito das reservas e a ameaça de novas altas nos preços exigiam que 
fossem desenvolvidas tecnologias mais econômicas. Um dos desafios foi encontrar 
processos substitutivos e de melhoria de eficiência energética, visando reduzir a dependência 
dos combustíveis fósseis, em particular do petróleo. Nesse contexto, foram testadas e 
implementadas diversas alternativas tecnológicas: geração nuclear, uso de energias 
renováveis (biomassa, solar, eólica, etc.) e melhoria da eficiência no uso e produção de 
eletricidade.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 207 de 323 
Em 1973, por ocasião do primeiro choque, o petróleo era o principal energético utilizado no 
Brasil, responsável por 43% da matriz energética brasileira. E 78% do consumo nacional era 
importado. 
Apesar da importância e da magnitude da crise de 1973, muito pouco foi feito para alterar a 
situação energética brasileira, tanto que, no período compreendido entre 1974 e 1979, o 
consumo de petróleo cresceu em média 6% ao ano, totalizando cerca de 30% do aumento no 
período. 
Até 1979, a questão energética era concentrada apenas nas próprias empresas estatais 
gestoras da concessão de determinados energéticos. A direção estratégica do setor era 
orientada apenas pelas diretrizes de suas próprias gestões. Foi nesse ano que começou uma 
mudança de postura por parte do governo brasileiro que, na ocasião da implantação do II 
PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) passou a considerar as questões energéticas 
como peças decisivas no contexto global da estratégia do desenvolvimento nacional, 
redirecionando o papel do Estado. 
Privatização e Novo Modelo de Regulamentação 
O mercado brasileiro de energia elétrica foi sempre crescente, mesmo durante os períodos 
de crise econômica, chegando a patamares de 12% ao ano. Até um passado recente, as 
concessionárias atendiam ao crescimento do consumo aumentando a oferta de energia 
elétrica sem preocupação com o uso eficiente de seus recursos. 
Os recursos financeiros necessários para a expansão do setor elétrico provinham de três 
fontes: geração interna de recursos, a partir das tarifas; recursos do Estado e empréstimos 
obtidos no sistema financeiro internacional. 
No início de 1995, o setor elétrico brasileiro encontrava-se em profunda crise estrutural, com 
obras paralisadas, tarifas defasadas e falta de incentivos a novos investimentos, problemas 
somados à incapacidade de investimento por parte do Estado em decorrência da crise fiscal. 
Ao mesmo tempo o Plano Real veio incorporar novas camadas de consumidores ao mercado 
brasileiro, aumentando significativamente o consumo de eletro-eletrônicos como geladeiras, 
televisões, máquinas de lavar, chuveiros e computadores. 
A reestruturação do setor de energia elétrica tornou-se inadiável e foi empreendida com os 
objetivos de: diminuir o risco de déficit; aumentar a competição e garantir a eficiência do 
sistema; incentivar novos investimentos, sobretudo privados; assegurar a melhoria da 
qualidade dos serviços com preços mais justos ao consumidor; e implementar a 
diversificação da matriz geradora de energia. 
As empresas controladas pela Eletrobrás foram incluídas no Programa Nacional de 
Desestatização (criado em 1990, no governo Fernando Collor, com a Lei nº 8.031), que 
obrigava a privatização dos segmentos de geração e distribuição. O leilão de privatização da 
Escelsa, em 1995, inaugurou nova fase do setor de energia elétrica, em consonância com a 
política de privatização do Governo Federal. 
Estrutura Anterior 
A configuração do sistema elétrico, antes das mudanças institucionais, era baseada em três 
agentes de destaque: o Ministério de Minas e Energia (MME), as Centrais Elétricas 
Brasileiras S/A (Eletrobrás) e o Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica 
(DNAEE). 
O MME era o órgão responsável pela elaboração das políticas globais referentes ao setor 
energético. O DNAEE atuava como regulador das atividades setoriais. A Eletrobrás atuava 
como holding das empresas estatais elétricas e repassadora de financiamentos setoriais. 
Brasil Atual
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 208 de 323 
Consumo de energia 
Nas duas últimas décadas, o consumo de energia no Brasil cresceu a taxas superiores à 
evolução do PIB, basicamente como resultado do crescimento populacional urbano, dos 
esforços governamentais para tornar a eletricidade um bem acessível a toda a população e 
da modernização da economia. 2. Nesse período, o aumento do consumo residencial, 
comercial e na área rural foi particularmente expressivo. O setor industrial também 
acompanhou a tendência de crescimento, ainda que com menos intensidade. Antes da atual 
crise no setor energético, a previsão da taxa de crescimento do consumo de energia para os 
próximos anos era de 7% anuais em residências, 6% no setor comercial e 2,5 % na indústria. 
O Brasil dispõe da maior bacia hidrográfica do mundo, com um incomparável potencial de 
geração de energia elétrica. Daí a natural e histórica opção dos brasileiros por esta matriz 
energética. As usinas hidrelétricas proliferaram a partir da década de 50, dando sustentação 
ao forte impulso do país rumo à industrialização e ao desenvolvimento. Hoje o Brasil dispõe 
de um dos maiores parques hidrelétricos do mundo, respondendo por quase 90% do total da 
energia gerada no país. 
O sistema elétrico brasileiro foi planejado a partir de uma das piores secas enfrentadas pelo 
país neste século, entre os anos de 1951 e 1956. Para fazer face à eventualidade de um 
novo episódio como este, o sistema foi concebido de modo a funcionar a plena carga mesmo 
na ausência continuada de chuvas, o que é possível com a manutenção de excedentes 
permanentes, em grandes reservatórios, da matéria prima energética que é a água. Levando 
em conta os diferentes regimes pluviométricos característicos das diversas regiões 
brasileiras, instalou-se também, progressivamente, um regime de vasos comunicantes, que 
permite o aproveitamento de sobras de energia de determinadas regiões em outras onde ela 
eventualmente se mostre escassa. 
Por muitos anos o Brasil conviveu com a impressão de que suas fontes energéticas 
hidrológicas eram inesgotáveis. De fato, teoricamente seria ainda possível dobrar, em alguns 
anos, o número de hidrelétricas instaladas no país sem provocar danos intoleráveis ao meio 
ambiente. 
Também é fato, no entanto, que a população brasileira mais do que triplicou nos últimos 40 
anos invertendo, paralelamente, a sua condição predominantemente agrária e rural para 
urbana e industrial, hoje na proporção de 80%. A demanda por energia elétrica, naturalmente, 
cresceu de forma exponencial, sendo atendida por meio de pesados investimentos que 
resultaram, entre outras, na Hidrelétrica de Itaipu, ainda a maior usina do planeta. 
Em meados dos anos 90, contudo, o sistema hidrelétrico instalado começou a dar sinais de 
esgotamento. Os excedentes de água que davam garantia de abastecimento para os cinco 
anos seguintes passaram a ser consumidos sem a compensação proporcional que deveria 
ser assegurada pelos períodos chuvosos. 
A partir da segunda metade da década de 90, o Brasil alcançou a estabilização da sua moeda 
e o fim da galopante inflação que castigou a economia e a população nas mais de duas 
décadas anteriores. o saldo deixado pelo regime inflacionário, no entanto, foi perverso, 
resultando na incapacidade física do estado de realizar os elevadíssimos investimentos 
necessários a uma atualização do parque energético nacional. 
Ainda assim, das 23 hidrelétricas cujas obras encontravam-se paralisadas em 95, 15 foram 
concluídas até 2000, com acréscimo de cerca de 16 mil megawatts ao total da capacidade 
geradora e a instalação de mais de sete mil km em linhas de transmissão. De 1996 a 2000, 
houve aumento anual médio da oferta de energia no país de 2.900 megawatts/ano, em 
contrapartida a menos da metade disso entre 1986 e 1995. 
Paralelamente, abriu-se o mercado energético à iniciativa privada, para que investimentos 
complementares viessem a assegurar o atendimento de uma demanda em constante 
crescimento - inclusive em função dos milhões de consumidores incorporados ao mercado a 
partir do Plano Real. Os desequilíbrios provocados por sucessivas crises internacionais ( 
russa, mexicana, asiática, argentina), no entanto, frustraram esta expectativa, provocando um
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 209 de 323 
recuo temporário dos investidores internacionais. 
Finalmente, em 2001, o Brasil foi submetido a um dos piores regimes pluviométricos das 
últimas décadas, resultando, somado todo o conjunto de fatores mencionados, no problema 
ora enfrentado por toda a população brasileira. 
Previa-se, ao final de dezembro de 2000, que as perspectivas de atendimento para o ano de 
2001 eram positivas, uma vez que as afluências verificadas ao longo do ano em 2000 
situaram-se em torno da média histórica nas principais bacias do País. Além do mais, os 
reservatórios encontravam-se, no final de 2000, mais cheios que no final de 1999. 
As chuvas no início de abril de 2001, no entanto, concentraram-se no sul, até são Paulo, com 
o deslocamento das frentes frias para o oceano. Disso resultaram escassas precipitações em 
Minas Gerais e Leste de Goiás, áreas onde estão situados os grandes reservatórios do 
Sudeste/Centro-Oeste e as nascentes dos rios São Francisco e Tocantins, onde, por sua vez, 
situam-se as usinas que atendem ao Norte e ao Nordeste. 
Nos meses de março e abril houve um agravamento acentuado da situação. O 
armazenamento verificado no final do período úmido, em relação ao nível mínimo de 
segurança (que era de 49% nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e de 50% na região 
Nordeste), configurou um quadro crítico para o atendimento à carga no restante do ano. 
No histórico de Energia Natural Afluente (ENA), que abrange um período de 70 anos, no 
subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o valor alcançado de 70% das Medições de Longo Termo 
(MLT) é o 11º pior, contando com 86% de ocorrência de valores superiores. Na bacia do Rio 
Grande, o valor de 48% da MLT é o 2º pior, com 99% de ocorrência de valores superiores. 
Na bacia do Rio Paranaíba, o valor de 60% da MLT é o 7º pior, com 91% de ocorrência de 
valores superiores. No subsistema Nordeste, o valor verificado, de 37% da MLT realizado em 
março/abril é o mais crítico do histórico. 
É evidente, portanto, que a causa primeira da presente crise energética é a baixa ocorrência 
de chuvas, o que acarretou reduzido nível de acumulação de reservas para enfrentar o 
período seco. 
Estrutura Atual 
O processo de reforma e desverticalização do setor elétrico foi iniciado pela Lei das 
Concessões dos Serviços Públicos (Lei nº 8.987) e pela Lei nº 9.074, que deram 
oportunidade ao produtor independente e à iniciativa privada de se engajarem no processo de 
geração e de distribuição de energia elétrica, através de processos licitatórios. O modelo 
estrutural do setor elétrico sofreu, então, algumas modificações. 
A Lei nº 1.699/96 criou a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o novo órgão 
regulador, cabendo a ele promover e regular a competição. A Aneel tem a incumbência de 
regular os serviços de eletricidade e não o uso da água - as duas atividades eram antes 
atribuídas ao DNAEE. 
A reestruturação dividiu a indústria de energia elétrica em firmas de geração que competem 
entre si para vender energia, a qual é transmitida por um sistema de alta tensão para firmas 
de distribuição independentes e consumidores livres. A indústria da energia elétrica pode ser 
dividida em quatro segmentos após sua reestruturação: (1) geração, (2) transmissão, (3) 
distribuição e (4) varejo. 
No novo modelo, a energia elétrica é considerada como mercadoria, sendo vendida num 
mercado aberto. Para isso foi criado, com a Lei 9.648/98, o Mercado Atacadista de Energia 
Elétrica (MAE) e a figura do Operador Nacional do Sistema (ONS). Com isso assegurou-se 
uma nova funcionalidade ao setor, com redefinições importantes tanto na organização do 
mercado como nos mecanismos de comercialização de energia, em que foram estabelecidos 
limites que preservam a competição e garantem as condições necessárias à operação 
otimizada do nosso sistema elétrico, predominantemente de base hidráulica.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 210 de 323 
Criou-se, também, com a Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, o Sistema Nacional de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos. Para o setor elétrico, a Lei traz implicação direta nos 
planejamentos da expansão (construção de novas plantas) e operação (otimização do uso 
dos reservatórios), ao determinar que a outorga e a utilização de recursos hídricos para fins 
de geração de energia elétrica sejam subordinadas à Política Nacional de Recursos Hídricos. 
Ao início do atual governo, a participação privada no mercado de distribuição de energia 
representava menos de 2%. Em vista dos resultados das privatizações efetuadas, representa 
hoje algo em torno de 60%. 
Recursos Hidrelétricos 
Por ocasião da elaboração do Plano Nacional de Energia Elétrica 1987/2010, que apontou a 
existência de recursos hidrelétricos passíveis de utilização econômica suficientes para as 
necessidades energéticas do país, a avaliação de nosso potencial era de 213 mil MW. 
O Brasil dispõe de um potencial hídrico não utilizado a um custo competitivo com todas as 
alternativas de geração, mesmo incluindo-se os custos de transmissão. A utilização desse 
potencial não é simples: impactos ambientais e sociais e concentração do potencial a ser 
utilizado em uma região extremamente sensível que é a Amazônia. 
O inventário hidrelétrico brasileiro teve grande evolução nos últimos anos, não somente do 
ponto de vista do potencial identificado, mas também no que concerne à metodologia de 
trabalho. E moldou toda uma geração de engenheiros no Brasil, que ocuparam importantes 
posições no setor elétrico e no cenário nacional, recomendando sempre aproveitar esse 
patrimônio da melhor forma possível. 
Hoje em dia é necessário considerar também o custo ambiental, aspecto que leva a análise 
de outros benefícios para a sociedade brasileira, com relação aos usos múltiplos que se 
possa fazer da água que será represada ou eventualmente desviada de um determinado rio 
para a produção de eletricidade. Nas alternativas que temos, os grandes aproveitamentos de 
potencial hidrelétrico estão na Amazônia. 
Geração de energia: os prós e os contras de cada recurso 
A exploração abusiva da energia originada de fontes não-renováveis, ainda maioria no 
planeta, traz danos irreversíveis ao meio ambiente. Com base nesse fato, a questão das 
fontes de energia é assunto em pauta mundialmente. No Brasil, cria polêmica a discussão 
sobre as usinas nucleares como possíveis elementos complementares à produção de 
energia das hidrelétricas, consideradas limpas. 
Segundo o Balanço Energético Nacional de 2003, publicado no site da Agência Nacional de 
Energia Elétrica – Aneel, as hidrelétricas são responsáveis por quase 83% de toda a energia 
elétrica gerada no país, o que torna o Brasil o terceiro maior produtor de energia hidrelétrica 
do mundo, estando atrás somente do Canadá e da China, respectivamente, seguido dos 
Estados Unidos e da Rússia. 
Outras formas de geração de energia elétrica existentes e adotadas no Brasil são as 
termelétricas, que funcionam a partir da queima de combustíveis – como óleo combustível, 
gás natural, carvão, madeira e resíduos – e as usinas nucleares, que têm como fonte de calor 
um reator nuclear. 
Até o final da década de 80, 90% da produção de energia elétrica no país eram 
representados pelas usinas hidrelétricas situadas nos rios Paraná, São Francisco e Grande. 
A energia hidrelétrica apresenta um custo baixo, não polui o ar, mas exige a inundação de 
grandes áreas, e portanto causa alterações drásticas no meio ambiente. 
A partir da década de 90, começou-se a caminhar em direção à energia termelétrica. A Aneel 
foi criada nessa década, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, quando se 
procurava atrair o investimento do capital privado no setor elétrico. Conforme enfatizou o
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 211 de 323 
presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro, em palestra realizada na Câmara de 
Comércio Americana do Rio de Janeiro no dia oito de dezembro último, nesse período a 
potência hídrica aumentou, mas a capacidade de armazenamento de água não. Ele ainda 
completou o alerta: há vinte anos, o país apresentava reserva de água equivalente a cinco 
anos de seca. Hoje a reserva equivale a menos de dois anos secos. Segundo a Aneel, cerca 
de 25,6% do potencial hidrelétrico nacional estimado já foram aproveitados. 
Para defender a importância da energia nuclear como alternativa em meio ao problema do 
esgotamento das reservas de água, e mais especificamente a implantação da usina de Angra 
3 no Brasil, Othon enfatizou que não existe uma forma de energia melhor que a outra: é 
preciso utilizar todas de forma combinada, trazendo menos danos ambientais. Ainda segundo 
ele, o Brasil está precisando rever essa combinação, fazendo-a da maneira mais adaptada 
para a situação nacional. Cada país teria, explica, uma combinação ideal. 
Voltado para o meio ambiente e a saúde, o Greenpeace faz questão de se posicionar contra 
a energia nuclear, chamando a atenção para os seus pontos negativos. O aviso está no site 
da organização: sob um funcionamento normal, uma usina (nuclear) libera no ar, solo e água 
radioatividade que pode causar câncer e outras doenças. Além disso, os textos da homepage 
lembram que essas usinas estão freqüentemente sob o risco de acidentes – como o famoso 
que ocorreu em Chernobyl em 1986, matando milhares de pessoas e deixando milhões 
contaminadas. 
Em meio ao radicalismo de quem é contra e de quem é a favor, é preciso ponderar. Ao 
levantar a bandeira da instalação de usinas nucleares no país, e considerando que uma das 
críticas freqüentes a essas usinas é o risco de acidentes, o Ministério da Ciência e 
Tecnologia dá em seu site uma explicação dificilmente encontrada na mídia: a maneira como 
se deu a construção de Chernobyl conteria erros causadores da explosão. O reator é o 
coração de uma usina nuclear. Nele reside todo o eventual perigo. Ele deve estar envolto por 
um vaso de contenção feito de aço especial, com dez centímetros de espessura, que tem a 
finalidade de conter uma eventual explosão do reator. Esse vaso, por sua vez, deve estar 
protegido por uma camada de concreto armado com cerca de um metro de espessura, que 
tem a finalidade de agüentar um impacto direto de algo como uma bomba atômica ou um 
avião Jumbo. O reator de Chernobyl estava situado num simples galpão industrial, sem 
quaisquer dessas proteções, e portanto incapaz de conter uma possível emissão de gases. 
Além de não podermos negar o erro fatal de segurança que envolveu a construção de 
Chernobyl, o risco de acidentes não é exclusivo das usinas nucleares. Acidentes com 
plataformas de exploração do petróleo são freqüentes, tendo o mais grave entre os recentes 
ocorrido em 2001, envolvendo a P-36, da Petrobras, e matando 11 operários. Segundo 
relatório feito na época pela Agência Nacional do Petróleo – ANP e a Marinha, a causa foram 
erros de projeto, manutenção e operação. Quando não ocasionam mortes, esses acidentes 
podem no mínimo derramar milhares de litros de óleo no mar – como ocorreu com a 
plataforma P-7, da Petrobras, também em 2001. 
Na atividade das minas, são evidentes as desvantagens e também comuns os acidentes. Em 
31 de agosto deste ano, o site da BBC Brasil noticiou que mais de 7 mil minas de carvão 
seriam fechadas na China para que fossem respeitados os padrões de segurança 
estabelecidos para os mineiros e para frear a ocorrência de acidentes fatais no setor. Dias 
antes, no mesmo mês, uma explosão de gás em uma mina chinesa havia deixado 62 
trabalhadores mortos. 
Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo sobre o ocorrido, publicada em 8 de 
agosto de 2009, 6 mil pessoas morrem anualmente em acidentes com minas localizadas na 
China, ocorrências que incluem incêndios, enchentes e explosões. A matéria afirma que boa 
parte das minas não segue a regulação mínima para manter a segurança de seus 
trabalhadores, e os equipamentos usados são antigos e muitas vezes já danificados. Os 
responsáveis pela desobediência às leis de segurança seriam o alto consumo de energia e o 
preço do carvão. 
Então, será que o problema está nos tipos de energia explorados ou na maneira como eles 
são utilizados?
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 212 de 323 
Existem organizações que procuram expor os pontos favoráveis à energia nuclear, como o 
Wonuc – Conselho Mundial de Trabalhadores Nucleares, entidade não-governamental e sem 
fins lucrativos sediada em Paris. Segundo o porta-voz da Wonuc, em entrevista 
disponibilizada no site da organização, não faz sentido discutir a questão do uso ou não da 
energia nuclear no Brasil porque aqui não temos escolha: não é possível interligar todas as 
redes elétricas, e além disso não temos uma produção de petróleo tão grande (o texto do 
site, que data de 2002, fala em um milhão de barris por dia; a produção brasileira hoje chega 
a aproximadamente 1,7 milhão de barris por dia) e precisamos importá-lo, além de também 
comprarmos gás e carvão de outros países. 
O maior problema que as usinas nucleares trazem talvez se deva aos resíduos nucleares, 
estes sim uma questão de difícil resolução. Esse lixo dura centenas ou milhares de anos e 
precisa ser isolado de qualquer contato com o ambiente, a fim de se evitar a contaminação. 
Os resíduos mais radioativos, chamados de lixo de alto nível, são colocados em barris que 
são depositados no subsolo, a grande profundidade. E os países mais ricos, querendo 
livrar-se dos resíduos, procuram espaço em países mais pobres para armazená-los 
Energias renováveis 
A segunda matéria da série sobre energia no Brasil traz um panorama da energia renovável, 
apresentando as opções promissoras e as que já estão sendo utilizadas. 
Durante um evento dedicado à discussão da energia no Brasil, ocorrido na Câmara de 
Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham-Rio) em oito de dezembro deste ano, 
Alexandre Strapasson, coordenador geral de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, 
Pecuária e Abastecimento, afirmou que 40% da matriz energética primária do Brasil já se 
devem à participação dos combustíveis renováveis. Ele citou os que já estão em uso – o 
etanol (ou álcool combustível), o biodiesel, o hidrogênio e o biogás – e lembrou que a 
previsão é de que o mundo continuará precisando de combustíveis líquidos, haja vista a atual 
frota de veículos movidos a gasolina e álcool. 
O Plano Nacional de Agroenergia, uma ação conjunta lançada pelos ministérios da 
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, das Minas e Energia e da Ciência e Tecnologia, 
surgiu a partir da necessidade de se encontrar alternativas energéticas, diante do fatal 
esgotamento das fontes não-renováveis e dos danos que algumas das atuais fontes de 
energia vêm trazendo ao meio ambiente. Energias alternativas, provenientes de restos da 
própria natureza e de recursos naturais duráveis, estão sendo avaliadas e discutidas. 
Além do petróleo, que demora milhares de anos para se reconstituir na natureza, e de seus 
derivados – a gasolina, o óleo diesel, o óleo combustível, o GLP ou gás de cozinha – são 
recursos não-renováveis outros combustíveis fósseis, como o carvão e o gás natural, e a 
energia produzida nas usinas nucleares. Já entre as fontes renováveis encontram-se o sol 
(energia solar), o vento (energia eólica), os oceanos e a biomassa (bioenergia ou 
agroenergia). As hidrelétricas são também consideradas energia renovável. 
Segundo o Greenpeace, os ventos são capazes de suprir 10% da demanda por eletricidade 
no mundo, a energia solar poderá suprir até 25% da demanda energética mundial em 2040 e 
a energia gerada a partir da biomassa, se explorada com cuidado e com os recursos 
tecnológicos necessários, será equivalente à que seria gerada por hidrelétricas e usinas 
nucleares até 2050. A organização não só é contra as usinas nucleares como defende a 
paralisação da construção de Angra 3, cuja instalação, até agora, já consumiu 
aproximadamente 2 bilhões de dólares. O Greenpeace considera essas usinas verdadeiras 
ameaças, graças ao lixo atômico que produzem e ao risco de acidentes que proporcionam. 
O fato de ser classificada como renovável, no entanto, não é suficiente para que determinada 
fonte se apresente como uma boa alternativa à necessidade de se obter energia. Há sempre 
outras questões a serem avaliadas. A mais discutida delas é a dos prejuízos que uma 
determinada forma de geração de energia traz ao meio ambiente. As hidrelétricas, por 
exemplo, apesar de estarem na categoria de renováveis e até não-poluentes, trazem 
complicações porque exigem o alagamento de áreas muito extensas. Com isso, a 
biodiversidade local fica desequilibrada e famílias precisam se desalojar. Os prejuízos para a
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 213 de 323 
agricultura também são grandes. Por essas razões o Greenpeace e outras organizações 
pró-natureza se opõem à construção de grandes hidrelétricas, propondo a instalação e 
utilização apenas de usinas desse tipo porém pequenas. 
O que acontece é que mesmo a alternativa energética aparentemente mais natural pode ser 
excelente para determinado local ou grupo de pessoas e de difícil aceitação e adaptação 
para outros. Enquanto a energia nuclear está atrelada à produção do lixo nuclear, danoso à 
saúde e que precisa ser isolado das pessoas, a instalação do a princípio inofensivo 
equipamento produtor de energia eólica vem originando críticas, por exemplo, na Espanha, 
segundo reportagem publicada na revista Exame no dia dois de dezembro último. As razões 
seriam o fato de as instalações serem barulhentas e poluírem visualmente o ambiente. 
Em artigo escrito para o jornal New York Times e divulgado pelo Opinião e Notícia em 17 de 
dezembro passado, o filho de Robert Kennedy chama a atenção para esse mesmo ponto. 
Robert Kennedy Jr. afirma que não aprovaria a construção de instalações de geração eólica 
em uma propriedade sua, porque centenas de luzes utilizadas para alertar aviões para que 
fiquem longe das turbinas irão roubar as estrelas e o visual noturno. O barulho das turbinas 
será audível à grande distância. Além disso, por depender do vento, essa forma de energia 
não tem um fornecimento garantido e estável. 
Combustíveis fósseis, combustíveis renováveis e o clima do planeta 
Os combustíveis fósseis, além de terem a desvantagem de levar milhares de anos para 
serem recompostos, produzem gases que intensificam o efeito estufa, um dos fatores 
responsáveis pelo tão comentado aquecimento global. Mesmo assim, ainda são muito 
utilizados porque, enquanto são abundantes, são também baratos. 
A substituição dos combustíveis fósseis, cujo tempo de renovação na natureza supera o 
tempo de vida do homem, por combustíveis que tenham um ciclo renovável mais curto está 
ligada diretamente ao clima da Terra. Algumas fontes renováveis, como o álcool etílico e o 
biodiesel, quando queimadas também eliminam os chamados GEEs – gases de efeito estufa. 
No entanto, neste caso o gás carbônico produzido rapidamente sai da atmosfera através da 
fotossíntese e é fixado na biomassa, até sofrer combustão novamente. 
Existem estudos do COPPE/UFRJ que afirmam que as hidrelétricas também produzem, 
indiretamente, gases que contribuem para o efeito estufa. De seus reservatórios seriam 
eliminados CO2 e metano (CH4). No entanto, essas emissões nem chegam a ser 
consideradas problemáticas, já que essas usinas são classificadas como produtoras de 
energia limpa. Se comparadas à produção de gases a partir das termoelétricas, que queimam 
combustíveis fósseis, as hidrelétricas são mesmo bem menos prejudiciais ao aquecimento do 
planeta 
A energia que vem dos oceanos 
Assim como a que se origina dos ventos e do sol, a energia vinda das águas dos oceanos é 
classificada como limpa e auto-sustentável. No entanto, encontra-se em fase de pesquisas e 
portanto não é, ainda, um recurso muito explorado. Por enquanto é utilizada principalmente 
no Japão, na Inglaterra e no Havaí, além da França – onde foi construída a primeira usina 
maremotriz do mundo, em La Rance, em 1966. 
As maneiras potenciais de aproveitamento da energia dos oceanos envolvem o fluxo das 
marés, a energia térmica, as correntes marítimas e a energia das ondas. 
O sistema de maremotriz é aquele que aproveita o movimento regular de fluxo do nível do 
mar (elevação e abaixamento). Funciona de forma semelhante a uma hidrelétrica. Uma 
barragem é construída, formando-se um reservatório junto ao mar. Quando a maré enche a 
água entra e fica armazenada no reservatório, e quando baixa a água sai, movimentando 
uma turbina diretamente ligada a um sistema de conversão, e assim gerando eletricidade. 
Existem usinas maremotrizes em construção ou sendo planejadas no Canadá, México, Reino 
Unido, Estados Unidos, Argentina, Austrália, Índia, Coréia e na Rússia.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 214 de 323 
As correntes marítimas, impulsionadas pelos ventos, produzem uma energia cinética pouco 
densa e difícil de ser explorada. Os melhores locais para exploração desse tipo de energia 
são os estreitos, como o Estreito de Gibraltar. A Corrente do Golfo, na Flórida, é 
particularmente densa e poderia ser capaz de acionar diversos geradores. As pesquisas 
relacionadas a esse tipo de aproveitamento energético estão ainda em fase inicial. Existe um 
projeto britânico, o Seaflow, que procura desenvolver turbinas para fabricação em escala 
comercial. Segundo o relatório Produção de Eletricidade a partir da energia maremotriz, 
produzido por Wagner Marques Tavares e publicado pela Consultoria Legislativa da Câmara 
dos Deputados em março de 2005, esse sistema parece vantajoso, devido aos baixos 
impactos ambientais e à facilidade de implantação. 
Já as ondas, resultantes do atrito do vento com a superfície oceânica, transportam grande 
quantidade de energia. O movimento das ondas associado ao movimento do ar pode ser 
usado para ativar turbinas, que têm sua energia mecânica transformada em energia elétrica 
através de um gerador. E as diferenças de temperatura entre a superfície e as camadas mais 
profundas dos oceanos é mais uma forma de aproveitamento da energia oceânica. A 
superfície é mais quente devido ao contato com os raios solares, enquanto as partes menos 
elevadas são mais frias. No entanto, é necessária uma diferença de 21 graus Celsius entre a 
superfície e o fundo do oceano para que se possa fazer esse aproveitamento. 
Incentivando a pesquisa relacionada à energia das águas marítimas, ainda pouco 
desenvolvidas, o MIT – Massachusetts Institute of Technology – publicou, em 2003, uma 
sugestão de projeto dirigida à área da engenharia oceânica. O texto dizia: Há diversos tipos e 
formatos de dispositivos de conversão de energia de ondas para escolher, e alguns que 
ainda não foram inventados! A energia hidráulica em condições normais no mar costeiro 
pode alcançar dezenas de kilowatts por metro quadrado: uma tecnologia eficiente para captar 
a energia das ondas poderia facilmente gerar um megawatt para cada quilômetro equipado. 
Dificuldades 
É necessário um conjunto de características muitos especiais para que determinado local 
seja apropriado para a instalação de uma usina maremotriz. As condições específicas de 
determinada região litorânea – como a forma da costa e o leito marinho, bem como a 
existência de baías e estuários – pode provocar grandes variações de nível entre as marés 
altas e baixas e também elevadas correntes, que podem ser aproveitadas para a geração de 
energia elétrica, diz o relatório publicado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos 
Deputados. 
No Brasil, apesar de certas cidades apresentarem grandes amplitudes de marés, como São 
Luís, no Maranhão, com 6,8 metros, e Tutóia, com 5,6 metros, a topografia do litoral não 
favorece a construção econômica de reservatórios, o que impede seu aproveitamento. Para 
se ter uma idéia, na usina de La Rance, na França, a amplitude da maré é de oito metros, e 
este é um dos fatores que justificam o seu aproveitamento e a sua rentabilidade. 
Além das necessidades físicas, é preciso analisar a viabilidade econômica um sistema que 
lide com o aproveitamento oceânico para a produção de energia. Para a construção de uma 
maremotriz, é necessário todo o investimento em obras feito para a instalação de 
hidrelétricas – barragens, comportas e turbinas hidráulicas -, mas levando-se em conta ainda 
que o aproveitamento da capacidade instalada é menor, já que depende do ciclo das marés. 
Além disso, a água salgada, devido a seu elevado poder de corrosão, exige a utilização de 
materiais especiais na construção dos equipamentos, o que encarece sobremaneira a 
implantação e a manutenção desse tipo de unidade geradora, ainda segundo o estudo da 
Câmara dos Deputados. 
Como toda forma de geração de energia, a maremotriz apresenta também riscos ambientais. 
Exerce influência sobre a qualidade da água e a cadeia alimentar de aves, peixes e 
invertebrados, além de ter efeitos sobre o alcance das marés, das correntes e da área 
intermaré. A interferência na vida dos peixes pode causar impactos econômicos também, já 
que em muitas regiões certas espécies representam grande importância para a pesca 
comercial.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 215 de 323 
Energia eólica 
Existem mais de 30 mil turbinas eólicas de grande porte em operação em todo o mundo, com 
capacidade instalada de 13.500 MW. 
Essa fonte energética é utilizada para a geração de eletricidade há mais de 30 anos, e a 
tecnologia para o seu aproveitamento tem se desenvolvido rapidamente. As informações são 
do Centro Brasileiro de Energia Eólica – CBEE, sediado na Universidade Federal de 
Pernambuco – UFPE. 
As principais vantagens da energia eólica são o fato de esse recurso aproveitar uma fonte 
renovável e não poluir o meio ambiente. No início da década de 70, com a crise do petróleo, 
países europeus e norte-americanos se interessaram pela energia originada dos ventos 
como forma de diminuição da dependência do carvão e do petróleo. 
Outras características apontadas pelo CBEE como favoráveis à energia eólica são os custos 
competitivos com termelétricas, usinas nucleares e hidrelétricas, sendo que em relação a 
esta última adiciona-se o fato de as instalações de geração eólica não impedirem o 
desenvolvimento, no local, de atividades agropecuárias ou a preservação do ambiente como 
habitat natural. 
O investimento inicial na instalação de equipamento gerador de energia eólica pode ser alto, 
mas em compensação o custo de operação é baixo, como acontece com as hidrelétricas – já 
que essas duas formas de geração de energia utilizam-se de fontes naturais e gratuitas, a 
água e o vento. 
Já o custo de operação de uma usina nuclear é elevado, devido ao alto preço dos 
combustíveis de que ela necessita para funcionar. Apesar das vantagens ambientais, deve-se 
levar em consideração que cada local se apresenta mais ou menos favorável para a geração 
de energia a partir do vento. 
Segundo reportagem da revista Economist de dezembro de 2005, o fator crucial é o 'potencial 
do vento' de cada local; mesmo as melhores regiões para as turbinas de vento produzem 
energia apenas de 30 a 40% do tempo, e a média das turbinas na Alemanha, por exemplo, é 
de apenas 11%. 
Na Alemanha, por exemplo, foi adotada uma medida que visa favorecer a indústria geradora 
de energia eólica: as concessionárias são obrigadas por lei a comprar energia de fontes 
renováveis, pagando de 65 a 90% da tarifa de venda da energia ao pequeno consumidor, 
localizado na mesma região. 
Tendo comprador certo e tarifa adequada, o setor privado assumiu, sem necessidade de 
nenhum subsídio de parte do governo, a responsabilidade de instalar centenas de geradores 
eólicos, afirmou o engenheiro Caspar Erich Stemmer, ex-reitor e professor emérito da 
Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, em entrevista ao site do CBEE. 
A mesma medida praticada na Alemanha vem sendo adotada na Dinamarca e na União 
Européia. No Brasil ainda não existe uma legislação específica, o que dificulta a 
implementação da energia eólica. 
Houve tentativas de projetos localizados, como o Prodeene – Programa Prioritário de 
Desenvolvimento da Energia Eólica do Nordeste, em 2001, que pretendia abranger 
empreendimentos destinados à produção de energia por meio de turbinas eólicas nos 
estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do 
Norte e Sergipe. Quando a Câmara apresentou o projeto, declarou que nesses locais haveria 
isenção de impostos federais sobre as despesas de prospecção e identificação das áreas de 
potencial eólico e sobre a importação de material utilizado para a produção dos 
equipamentos e a construção das centrais. 
Atualmente o Ministério das Minas e Energia coordena o PROINFA – Programa de Incentivo 
às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, que visa diversificar a matriz energética nacional
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 216 de 323 
através da contratação de 3.300 MW de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN), 
produzidos por fontes eólica, de biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), sendo 
1.100 MW de cada fonte. 
Segundo a reportagem da Economist, a tecnologia que vem sendo desenvolvida para as 
turbinas geradoras de energia a partir do vento tem sido outro fator fundamental para a 
viabilidade do aproveitamento desse recurso. Nos anos 70, as turbinas tinham em média 10 
metros de diâmetro, enquanto hoje chegam a ter mais de 80 metros. 
É importante ainda que se aproveite o potencial dos ventos no nível mais elevado possível, já 
que quanto mais distante do solo mais fortes e estáveis eles são. 
Pré-sal 
O Pré-Sal é um conjunto de reservatórios mais antigos que a camada de sal (principalmente 
halita e anidrita. Esses reservatórios podem ser encontrados do Nordeste ao Sul do Brasil 
(onshore e offshore) e de uma forma similar no Golfo do México e na costa Oeste africana. A 
área que tem recebido destaque é o trecho que se estende do Norte da Bacia de Campos ao 
Sul da Bacia de Santos desde o Alto Vitória até o Alto de Florianópolis respectivamente. A 
espessura da camada de sal na porção centro-sul da Bacia de Santos chaga a 2.000 metros, 
enquanto na porção norte da bacia de Campo está em torno de 200 metros. Este sal foi 
depositado durante a abertura do oceano Atlântico, após a quebra do Gondwana (Antigo 
Supercontinente formado pelas Américas e Africa) durante a fase de mar raso e de clima 
semi-árido/árido(1 a 7 M.a.). 
O termo Pré-Sal é uma definição geológica que significa que a camada foi depositada antes 
que o sal. Já o termo Sub-Sal, que também é uma definição geológica, significa que a rocha 
reservatório está abaixo do sal, não necessáriamente sendo uma camada mais antiga, pois 
devido o sal ser extremamente maleável, o mesmo pode ser movimentar criando línguas 
sobre uma camada mais jovem que ele. Este tipo de formação é conhecida como sal 
alóctone. 
Nas camadas rochas da camada pré-sal existentes no mundo, a primeira descoberta de 
reserva petrolífera ocorreu no litoral brasileiro, que passaram a ser conhecidas simplesmente 
como petróleo do pré-sal ou pré-sal. Estas também são as maiores reservas conhecidas 
em zonas da faixa pré-sal até o momento identificadas [1]. 
Depois do anúncio da descoberta de reservas na escala de dezenas de bilhões de barris, em 
todo o mundo começaram processos de exploração em busca de petróleo abaixo das rochas 
de sal nas camadas profundas do subsolo marinho. Atualmente as principais áreas de 
exploração petrolífera com reservas potenciais ou prováveis já identificadas na faixa pré-sal 
estão no litoral do Atlântico Sul. Na porção sul-americana está a grande reserva do pré-sal no 
litoral do Brasil, enquanto, no lado africano, existem áreas pré-sal em processo de exploração 
(em busca de petróleo) e mapeamento de reservas possíveis no Congo (Brazzaville)[2] e no 
Gabão [3]. Além do Atlântico Sul, especificamente nas áreas atlânticas da América do Sul e 
da África, também existem camadas de rochas pré-sal sendo mapeadas à procura de 
petróleo no Golfo do México e no Mar Cáspio, na zona marítima pertencente ao Cazaquistão 
[4]. Nestes casos, foram a ousadia e o trabalho envolvendo geração de novas tecnologias de 
exploração, desenvolvidas pela Petrobrás, que acabaram sendo copiadas ou adaptadas e 
vêem sendo utilizadas por multinacionais para procurar petróleo em camadas do tipo pré-sal 
em formações geológicas parecidas em outros locais do mundo. Algumas das multinacionais 
petrolíferas que estão procurando petróleo em camadas do tipo pré-sal no mundo, 
aprenderam diretamente com a Petrobrás, nos campos em que exploram como sócias da 
Petrobrás no Brasil. 
10 perguntas para você entender o pré-sal 
1. O que é o pré-sal? 
O termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas localizadas nas porções marinhas de 
grande parte do litoral brasileiro, com potencial para a geração e acúmulo de petróleo.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 217 de 323 
Convencionou-se chamar de pré-sal porque forma um intervalo de rochas que se estende por 
baixo de uma extensa camada de sal, que em certas áreas da costa atinge espessuras de 
até 2.000m. O termo pré é utilizado porque, ao longo do tempo, essas rochas foram sendo 
depositadas antes da camada de sal. A profundidade total dessas rochas, que é a distância 
entre a superfície do mar e os reservatórios de petróleo abaixo da camada de sal, pode 
chegar a mais de 7 mil metros. 
As maiores descobertas de petróleo, no Brasil, foram feitas recentemente pela Petrobras na 
camada pré-sal localizada entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo, onde se 
encontrou grandes volumes de óleo leve. Na Bacia de Santos, por exemplo, o óleo já 
identificado no pré-sal tem uma densidade de 28,5º API, baixa acidez e baixo teor de enxofre. 
São características de um petróleo de alta qualidade e maior valor de mercado. 
2. Qual o volume estimado de óleo encontrado nas acumulações do pré-sal 
descobertas até agora? 
Os primeiros resultados apontam para volumes muito expressivos. Para se ter uma ideia, só 
a acumulação de Tupi, na Bacia de Santos, tem volumes recuperáveis estimados entre 5 e 8 
bilhões de barris de óleo equivalente (óleo mais gás). Já o poço de Guará, também na Bacia 
de Santos, tem volumes de 1,1 a 2 bilhões de barris de petróleo leve e gás natural, com 
densidade em torno de 30º API. 
3. As recentes descobertas na camada pré-sal são economicamente viáveis? 
Com base no resultado dos poços até agora perfurados e testados, não há dúvida sobre a 
viabilidade técnica e econômica do desenvolvimento comercial das acumulações 
descobertas. Os estudos técnicos já feitos para o desenvolvimento do pré-sal, associados à 
mobilização de recursos de serviços e equipamentos especializados e de logística, nos 
permitem garantir o sucesso dessa empreitada. Algumas etapas importantes dessa tarefa já 
foram vencidas: em maio deste ano a Petrobras iniciou o teste de longa duração da área de 
Tupi, com capacidade para processar até 30 mil barris diários de petróleo. Um mês depois a 
Refinaria de Capuava (Recap), em São Paulo, refinou o primeiro volume de petróleo extraído 
da camada pré-sal da Bacia de Santos. É um marco histórico na indústria petrolífera mundial. 
4. Como começou essa história de superação de desafios? 
Em 2004 foram perfurados alguns poços em busca de óleo na Bacia de Santos. É que ali 
haviam sido identificadas, acima da camada de sal, rochas arenosas depositadas em águas 
profundas, que já eram conhecidas. Se fosse encontrado óleo, a ideia era aprofundar a 
perfuração até chegar ao pré-sal, onde os técnicos acreditavam que seriam encontrados 
grandes reservatórios de petróleo. 
Em 2006, quando a perfuração já havia alcançado 7.600m de profundidade a partir do nível 
do mar, foi encontrada uma acumulação gigante de gás e reservatórios de condensado de 
petróleo, um componente leve do petróleo. No mesmo ano, em outra perfuração feita na 
Bacia de Santos, a Companhia e seus parceiros fizeram nova descoberta, que mudaria 
definitivamente os rumos da exploração no Brasil. A pouco mais de 5 mil metros de 
profundidade, a partir da superfície do mar, veio a grande notícia: o poço, hoje batizado de 
Tupi, apresentava indícios de óleo abaixo da camada de sal. O sucesso levou à perfuração 
de mais sete poços e em todos encontrou-se petróleo. O investimento valeu a pena. 
5. Com este resultado, o que muda para a Petrobras? 
Essas descobertas elevarão a empresa, ao longo dos próximos anos, a um novo patamar de 
reservas e produção de petróleo, colocando-a em posição de destaque no ranking das 
grandes companhias operadoras. Com a experiência adquirida no desenvolvimento de 
campos em águas profundas da Bacia de Campos, os técnicos da Petrobras estão 
preparados, hoje, para desenvolver as acumulações descobertas no pré-sal. Para isso, já 
estão promovendo adaptações da tecnologia e da logística desenvolvidas pela empresa ao 
longo dos anos. 
6. Quais serão as contribuições dessas grandes descobertas para o desenvolvimento 
nacional? 
Diante do grande crescimento previsto das atividades da companhia para os próximos anos, 
tanto no pré-sal quanto nas demais áreas onde ela já opera, a Petrobras aumentou 
substancialmente os recursos programados em seu Plano de Negócios. São investimentos
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 218 de 323 
robustos, que garantirão a execução de uma das mais consistentes carteiras de projetos da 
indústria do petróleo no mundo. Serão novas plataformas de produção, mais de uma centena 
de embarcações de apoio, além da maior frota de sondas de perfuração a entrar em 
atividade nos próximos anos. 
A construção das plataformas P-55 e P-57, entre outros projetos já encomendados à indústria 
naval, garantirá a ocupação dos estaleiros nacionais e de boa parte da cadeia de bens e 
serviços offshore do país. Só o Plano de Renovação de Barcos de Apoio, lançado em maio 
de 2008, prevê a construção de 146 novas embarcações, com a exigência de 70% a 80% de 
conteúdo nacional, a um custo total orçado em US$ 5 bilhões. A construção de cada 
embarcação vai gerar cerca de 500 novos empregos diretos e um total de 3.800 vagas para 
tripulantes para operar a nova frota. 
7. A Petrobras está preparada, tecnologicamente, para desenvolver a área do pré-sal? 
Sim. Ela está direcionando grande parte de seus esforços para a pesquisa e o 
desenvolvimento tecnológico que garantirão, nos próximos anos, a produção dessa nova 
fronteira exploratória. Um exemplo é o Programa Tecnológico para o Desenvolvimento da 
Produção dos Reservatórios Pré-sal (Prosal), a exemplo dos bem-sucedidos programas 
desenvolvidos pelo seu Centro de Pesquisas (Cenpes), como o Procap, que viabilizou a 
produção em águas profundas. Além de desenvolver tecnologia própria, a empresa trabalha 
em sintonia com uma rede de universidades que contribuem para a formação de um sólido 
portfólio tecnológico nacional. Em dezembro o Cenpes já havia concluído a modelagem 
integrada em 3D das Bacias de Santos, Espírito Santo e Campos, que será fundamental na 
exploração das novas descobertas. 
8. Como está a capacidade instalada da indústria para atender a essas demandas? 
Esse é outro grande desafio: a capacidade instalada da indústria de bens e serviços ainda é 
insuficiente para atender às demandas previstas. Diante disso, a Petrobras recorrerá a 
algumas vantagens competitivas já identificadas, para fomentar o desenvolvimento da cadeia 
de suprimentos. Graças à sua capacidade de alavancagem, pelo volume de compras, a 
empresa tem condições de firmar contratos de longo prazo com seus fornecedores. Uma 
garantia e tanto para um mercado em fase de expansão. Além disso, pode antecipar 
contratos, dar suporte a fornecedores estratégicos, captar recursos e atrair novos parceiros. 
Tudo isso alicerçado num programa agressivo de licitações para enfrentar os desafios de 
produção dos próximos anos. 
9. Quais os trunfos da Petrobras para atuar na área do pré-sal? 
Em primeiro lugar, a inegável competência de seu corpo técnico e gerencial, reconhecida 
mundialmente; a experiência acumulada no desenvolvimento dos reservatórios em águas 
profundas e ultraprofundas das outras bacias brasileiras; sua base logística instalada no país; 
a sua capacidade de articulação com fornecedores de bens e serviços e com a área 
acadêmica no aporte de conhecimento; e o grande interesse econômico e tecnológico que 
esse desafio desperta na comunidade científica e industrial do país. 
10. Que semelhanças podem ser identificadas entre o que ocorreu na década de 80, na 
Bacia de Campos, e agora, com o pré-sal? 
De fato, as descobertas no pré-sal deixam a Petrobras em situação semelhante à vivida na 
década de 80, quando foram descobertos os campos de Albacora e Marlim, em águas 
profundas da Bacia de Campos. Com aqueles campos, a Companhia identificava um modelo 
exploratório de rochas que inauguraria um novo ciclo de importantes descobertas. Foi a era 
dos turbiditos, rochas-reservatórios que abriram novas perspectivas à produção de petróleo 
no Brasil. Com o pré-sal da Bacia de Santos, inaugura-se, agora, novo modelo, assentado na 
descoberta de óleo e gás em reservatórios carbonáticos, com características geológicas 
diferentes. É o início de um novo e promissor horizonte exploratório. 
Energia nuclear renasce em todo o mundo 
A mudança na postura da Austrália é um dos sinais de que governos de diversos países 
estão repensando a energia nuclear, política e economicamente. 
Em 26 anos, a mineração de urânio no norte da Austrália foi palco de protestos de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 219 de 323 
ecologistas, que não apoiavam a exploração da mina. Mas até 2008, com o fim dos recursos 
da mina de Ranger, a Austrália deve entrar em uma nova era nuclear, motivada – em parte— 
por medo das mudanças climáticas. 
No dia 21 de novembro, o governo afirmou que a Austrália deveria fazer mais do que vender 
urânio a outros países: deveria usar o material para construir a sua própria usina nuclear e, 
por conseguinte, diminuir as emissões de gás carbônico do país. 
Energia solar progredindo 
A energia solar nunca foi muito popular, equivalia a apenas 1% da produção de eletricidade 
mundial. Porém, novos programas barateiam o custo de energia sem atingir sua qualidade. 
O problema da expansão da energia solar é o preço do material com a qual a célula solar é 
feita. O silicone é caro e até é possível fazê-las com materiais mais baratos, mas a eficiência 
cai de 15% a 20% - com silicone – para 3% a 4%. 
No entanto, três novas maneiras de aumentar o potencial das células solares feitas com 
outros materiais foram divulgadas na reunião anual da Sociedade Química Americana, em 
São Francisco. 
Biocombustíveis vão valorizar os grãos 
O aumento da demanda global por biocombustíveis deverá impulsionar os preços 
internacionais de grãos a partir de 2008, conforme analistas que participaram do seminário 
Perspectivas do Agronegócio: um panorama para os próximos 5 anos, promovido pela 
Agrenco na sexta-feira, em Veneza. A teoria contraria previsão recente do Banco Mundial, de 
queda das commodities no médio prazo. 
Ronald Anderson, consultor internacional de agronegócios da corretora americana R.J. 
O'Brien, estima que os preços internacionais dos grãos se manterão em queda na safra 
2006/07, por conta do aumento da safra mundial e dos altos estoques. Mas a tendência, 
disse, é de alta entre 2008 e 2011, motivada sobretudo pela maior demanda por esses 
produtos para a produção de biocombustíveis. 
Ele prevê que a produção mundial de biocombustíveis, hoje próxima de 6 milhões de 
toneladas, deverá alcançar 34 milhões de toneladas até 2011, para atender aos programas 
de energia alternativa de diversos países. Na União Européia, a demanda deverá crescer de 
4 milhões para quase 14 milhões de toneladas no período. A UE aposta principalmente no 
biodiesel de canola. 
Nos EUA, a opção é o milho. A corretora estima que a demanda pelo grão para produção de 
etanol deverá passar de 50 milhões para 176 milhões de toneladas até 2011. Os americanos 
planejam elevar sua produção de etanol dos atuais 4 bilhões de galões (de 3,785 litros) para 
7,5 bilhões por ano até 2011. Se continuarmos nesse ritmo, logo vamos usar metade da 
produção de milho para combustível, disse Anderson. 
Décio Gazzoni, pesquisador da estatal brasileira Embrapa, estima que a produção mundial de 
biodiesel, hoje em torno de 5 bilhões de litros, deverá alcançar 34,7 bilhões até 2010. 
Segundo ele, boa parte dessa demanda poderá ser abastecida pelo Brasil, mas isso 
dependerá da adoção de culturas mais produtivas. 
Hoje a maioria das culturas adotadas gera 1 tonelada de biodiesel por hectare. Isso significa 
que será preciso plantar 35 milhões de hectares para garantir a oferta de biocombustível, 
diz. Gazzoni observa que a palma (que gera 5 toneladas de óleo por hectare) é a cultura com 
maior potencial de oferta de óleo, mas que a expansão de sua área de plantio é limitada. Ele 
defende o plantio da macaúba, que produz até 8 toneladas de óleo por hectare, e o 
pinhão-manso, que gera 3 toneladas de óleo por hectare. Soja e mamona produzem em 
torno de 600 litros por hectare. Não podem ser os carros-chefes do biodiesel brasileiro no 
longo prazo porque demandarão enorme expansão de área, afirma. (CB)
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 220 de 323 
Horário de Verão 
Em outubro, ao decretar o horário de verão, o governo estimou que a economia de energia 
chegaria a 5% nos horários de pico de consumo. 
Um decreto presidencial determinou, a partir deste ano, o período exato em que o horário 
diferenciado vai vigorar: começará sempre no terceiro domingo de outubro e terminará 
sempre no terceiro domingo de fevereiro. 
Segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a idéia do horário de 
verão surgiu nos Estados Unidos, cem anos antes da Conferência de Washington de 1884, 
com o fim de aproveitar a luz natural o máximo possível durante os dias mais longos do ano. 
O Brasil começou a adotar o horário de verão em 1931/1932. Até 1967, o horário era 
decretado esporadicamente e sem um critério científico mais apurado. Depois, ficou 18 anos 
suspenso e só voltou no verão de 1985/86, motivado por um racionamento de energia em 
função de baixa nos reservatórios das hidrelétricas. 
“Outros países também fazem mudança na hora legal para aproveitar a maior luminosidade 
no período primavera-verão, a exemplo do que acontece na União Europeia, nos Estados 
Unidos, Canadá e Rússia”, informa a Aneel. 
Capacidade de Geração do Brasil 
O Brasil possui no total 2.203 empreendimentos em operação, gerando 107.240.722 kW de 
potência. 
Está prevista para os próximos anos uma adição de 37.395.190 kW na capacidade de 
geração do País, proveniente dos 154 empreendimentos atualmente em construção e mais 
444 outorgadas. 
Fontes de Energia Exploradas no Brasil 
Atualmente no Brasil há investimentos na utilização das seguintes fontes de energia: 
· Eólica = Utiliza a força dos ventos para acionar uma usina elétrica. 
· Fotovoltaica = Aproveitamento da luz solar. 
· Hidrelétrica = Aproveitamento dos cursos dos rios. 
· Maré = Aproveitamento dos movimentos das marés. 
· Termelétrica = Pela queima de combustíveis fósseis. 
Resumo da Situação Atual dos Empreendimentos 
Fonte de Energia Situação Potência Associada (kW) 
44 empreendimento(s) de fonte Eólica outorgada 2.125.231 
8 empreendimento(s) de fonte Eólica em construção 150.150 
38 empreendimento(s) de fonte Eólica em operação 709.284 
1 empreendimento(s) de fonte Fotovoltaica outorgada 5.000 
1 empreendimento(s) de fonte Fotovoltaica em operação 20 
229 empreendimento(s) de fonte Hidrelétrica outorgada 4.337.602 
89 empreendimento(s) de fonte Hidrelétrica em construção 11.292.166 
838 empreendimento(s) de fonte Hidrelétrica em operação 78.800.731 
1 empreendimento(s) de fonte Maré outorgada 50 
169 empreendimento(s) de fonte Termelétrica outorgada 13.744.022 
57 empreendimento(s) de fonte Termelétrica em construção 5.740.969
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 221 de 323 
1326 empreendimento(s) de fonte Termelétrica em operação 27.730.687 
(notíciário) 
 
03/02/2010 
Manchete: Calor impulsiona recorde de consumo de energia, diz ONS. 
Resumo: Impulsionado pelo forte calor, o consumo de energia no país foi recorde ontem, 
segundo informações do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Foi identificada uma 
demanda de 68.761 MW (megawatts), maior nível da história, às 14h42 da última terça-feira. 
O recorde foi determinado principalmente pela área Sudeste/Centro-Oeste, que foi 
responsável por uma demanda instantânea de 42.690 MW, exatamente no horário verificado 
em todo o SIN (sistema Interligado nacional). 
Na região Sul, a demanda recorde também foi registrada ontem. Foram observados 12.727 
MW, às 14h38. 
Para atender à alta da demanda, foram gerados 60.155 MW médios, acima dos 59.192 MW 
médios programados anteriormente. 
Deste total, 48.028 MW médio, o equivalente a 79,84% de toda a geração, vieram das usinas 
hidrelétricas nacionais. Itaipu, que é binacional, gerou 12,52% do total, ou 7.532 MW médios. 
As usinas termelétricas, que vem sendo acionadas para poupar os reservatórios, geraram 
2.472 MW médios, ou 4,11% do total. As usinas nucleares de Angra foram responsáveis por 
3,26% de todas a geração, o equivalente a 1.960 MW médios. 
Demanda 
Para este ano, a previsão é que o consumo de energia do setor industrial cresça 9,4%, 
recuperando as perdas sentidas em 2009. O consumo geral de energia deve aumentar 7,4%. 
As projeções da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) levam em conta um crescimento de 
6% do PIB para o ano. 
Segundo balanço de 2009, houve uma retração de 8% no consumo de energia na indústria. 
O baque é explicado pela crise econômica internacional, que comprometeu principalmente as 
atividades da indústria voltadas para exportação. 
O consumo residencial e do comércio apresentaram um comportamento inverso ao da 
indústria, com crescimento em 2009 de 6,2% (residência) e 6,1% (comércio). 
O recorde no setor doméstico e do comércio atenuou a queda geral no consumo de 2009, 
que foi de 1,1%. Para 2010, a EPE projeta um crescimento doméstico de 5,3%, e do 
comércio de 6,6%. 
O comportamento atípico desse segmento em 2009 se explica pelo crescimento da renda do 
brasileiro e do elevado poder de compra conquistado pelas classes D e E, que passaram a 
comprar mais eletrodomésticos. 
07/12/2009 
Manchete: ENERGIA. 
“Washington Post”: Brasil caminha para ser “petropotência”. 
Resumo: Uma reportagem publicada nesta segunda-feira no jornal americano Washington 
Post afirma que o Brasil caminha para se tornar uma petropotência. Intitulado Brasil se 
prepara para extração maciça de petróleo, o artigo faz, no entanto, a ressalva de que os
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 222 de 323 
desafios envolvendo o desenvolvimento do pré-sal são tão gigantescos quanto a tarefa em si. 
Tudo neste estaleiro é colossal, escreve o repórter, durante uma visita a uma das 
infraestruturas da Petrobras em Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro. Os quatro mil 
trabalhadores, os bilhões aplicados em custos de capital, as plataformas com altura de um 
prédio de dez andares inconclusas. 
Assim também é o desafio que enfrenta a estatal brasileira de energia, a Petrobras: 
desenvolver um grupo de campos de petróleo recém-descobertos em mar profundo que, 
segundo analistas de energia, catapultarão o País para o ranking das petropotências. 
A reportagem cita estimativas da Petrobras, de que o País poderia chegar a 2020 com uma 
produção de 3,9 milhões de barris de petróleo por dia, praticamente o dobro do volume de 2 
milhões de barris atualmente. 
As reservas comprovadas de petróleo podem passar dos atuais 14,4 bilhões de barris para 
mais de 30 bilhões de barris, diz o texto. Em uma era de oferta reduzida, as descobertas na 
costa brasileira e o aumento da envergadura da Petrobras estão mudando o equilíbrio 
petroleiro do mundo, diz a matéria. 
O artigo lembra que a estatal permanece firmemente sob o controle do Estado, com o 
presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratando-a como um ícone nacional, cujo futuro está 
entrelaçado com o do Brasil. 
Apesar do otimismo que os dirigentes da Petrobras demonstram para os visitantes, eles 
listam os desafios: perfurar a camada de sal a 6,5 mil pés e operar campos que estão tão 
longe da costa que só podem ser alcançados de helicóptero, diz o texto. 
Além disso, a reportagem cita a associação de petroleiras estrangeiras que operam no Brasil. 
O grupo critica o que considera um excessivo posicionamento da Petrobras nos campos do 
pré-sal, afirmando que o quinhão estatal nos projetos corre o risco de limitar o 
desenvolvimento deles. 
11/11/2009 
Manchete: Depois de dez anos, País volta a parar com apagão. 
Resumo: Pela primeira vez na história, a usina de Itaipu teve de ser totalmente paralisada, 
provocando na noite de terça-feira um apagão que atingiu o Distrito Federal e dez Estados 
brasileiros - Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, 
Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo - além do Paraguai. Itaipu 
responde por quase 20% do abastecimento de energia do Brasil e 87% do consumo 
paraguaio. O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, disse que causas atmosféricas 
podem ter gerado o apagão. 
O apagão aconteceu por volta de 22h15 e as operações em Itaipu só foram restabelecidas 
cerca de duas horas depois. À 0h04, Lobão anunciou a volta da transmissão de energia e 
que a normalização de todo o sistema poderia levar de duas a três horas. Até às 2h30 desta 
quarta-feira a energia não havia voltado 100% nas regiões atingidas. 
Pessoas presas em elevador, atendimento precário e à base de geradores em hospítais, 
bares com medo de calote de clientes, trânsito intenso pelo não funcionamento de 
semáforos, disputa por táxis e ônibus com a paralisação de trens e metrôs e até 
congestionamento de linhas de telefonia celular foram parte dos transtornos. 
A interrupção do fornecimento de energia foi a maior desde o último apagão, que aconteceu 
há dez anos, em 11 de março de 1999, e também atingiu dez estados e o Distrito Federal. 
Entre junho de 2001 e o começo de 2002, o País adotou um programa de racionamento de 
energia para evitar o risco de novos apagões. 
O ministro Lobão negou que o apagão dessa noite tenha relação com o anterior. O sistema 
não é frágil, é o mais seguro do mundo, afirmou. No apagão anterior não havia sistema 
interligado e havia ausência de linhas de transmissão, hoje não, 98% das linhas são
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 223 de 323 
interligadas. O ministro foi informado do desligamento de Itaipu durante reunião com o 
presidente Lula sobre a divisão dos royalties do pré-sal. O diretor-geral da Usina Elétrica de 
Itaipu, Jorge Samek, afirmou que duas linhas de transmissão de 765 mil volts que não 
estavam funcionando foram reparadas. 
Ainda de acordo com Samek, não há dúvidas de que o apagão foi causado por queda em 
linhas de transmissão de energia. 
Celulares 
Informações da reportagem do Jornal da Tarde, de São Paulo, mostravam que o apagão 
afetou as redes de telefonia celular. Era grande a dificuldade para fazer chamadas ou passar 
mensagens de texto. Segundo a reportagem, a TIM informou que o congestionamento na 
rede ocorreu porque muitas pessoas tentaram ligar ao mesmo tempo para saber informações 
sobre o apagão. 
Distrito Federal 
A falta de energia provocou o adiamento do jogo Brasiliense e São Caetano pela Série B do 
Campeonato Brasileiro. 
Mato Grosso 
Em Cuiabá, o centro da cidade ficou completamente apagado por cerca de 15 minutos. A 
Cemat, que administra a energia elétrica no Estado, confirmou que o problema ocorreu na 
saída da energia da hidrelétrica de Itaipu e atingiu 25% da carga do Estado. A energia foi 
restabelecida ainda no começo da madrugada. 
Mato Grosso do Sul 
A capital Campo Grande também ficou sem energia elétrica. Em várias partes do Mato 
Grosso do Sul, a energia dependia exclusivamente de geradores. Nos hospitais, os 
geradores foram reservados para alas de emergência. Por volta da 0h30, a energia foi 
restabelecida. 
Minas Gerais 
A Companhia de Energia Elétrica de Minas Gerais (Cemig) informou que alimentadores em 
cidades do interior do Estado deixaram de fornecer energia elétrica por volta das 17h, após 
fortes chuvas. A companhia informou que não houve blecaute na capital, Belo Horizonte. No 
fim da noite a energia começou a ser restabelecida. 
Paraná 
O Estado foi dos menos afetados. Na região de Maringá, a falta de energia não durou mais 
que minutos. Na região de Londrina, no distrito rural de Warta, a energia faltou por 45 
minutos. 
Pernambuco 
Em Recife, bairros ficaram sem energia, mas ainda à noite ela foi restabelecida. 
Rio Grande do Sul 
No Rio Grande do Sul, a AES Sul registrou falta de energia em cidades da região 
metropolitana de Porto Alegre. Segundo a concessionária, 70 mil casas ficaram sem energia 
em Sapucaia do Sul e São Leopoldo por cinco minutos. As outras empresas que administram 
energia elétrica no Estado não registraram problemas. 
Rio de Janeiro 
No Rio de Janeiro, serviços de trens e metrô foram paralisados com o apagão. Os ônibus 
ficaram lotados e a disputa por um táxi foi acirrada nas ruas. Celulares e telefones fixos 
ficaram mudos em parte da cidade, principalmente nas zonas norte e sul. 
Segundo a Cedae, o sistema de abastecimento de água em sua área foi comprometido com 
a falta de luz. Os sistemas Guandu (que atende 90% da capital e da Baixada Fluminense) e 
Imunana Laranjal (que servem Niterói, São Gonçalo, Magé, Paquetá e Itaboraí) podem levar 
até o fim de semana para serem normalizados.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 224 de 323 
São Paulo 
Capital, ABC, cidades da Grande São Paulo e outras cidades do interior do Estado foram 
atingidos. Na capital, metrô e trens pararam de circular. Sem semáforos funcionando, o 
trânsito ficou comprometido. Por de 0h25, a energia começou a ser restabelecida na capital. 
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) colocou 500 agentes nas ruas - o dobro do 
habitual para o horário - e suspendeu o rodízio de veículos desta quarta-feira (finais de placa 
5 e 6). 
25/08/2009 
Manchete: Petrobras: Brasil terá uma das dez maiores reservas de petróleo no mundo 
Segundo Gabrielli, Brasil ficará entre a oitava e a nona posição no mundo. 
Para ministra Dilma, com novas reservas país se tornará exportador de petróleo. 
Resumo: O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse, que o Brasil terá uma dez 
maiores reservas de petróleo do mundo com as novas fontes anunciadas na Bacia de 
Santos, que podem aumentar os estoques brasileiros em até 50%. Ficaremos entre a oitava 
e a nona posição, afirmou - hoje, o país está na 24ª posição em quantidade de reservas. 
A Petrobras anunciou nessa semana ter encontrado, no campo de Tupi, na Bacia de Santos, 
um volume de até 8 bilhões de barris de óleo equivalente - hoje, as reservas do país são de 
cerca de 14 bilhões de barris do produto. Isso levou o governo federal a retirar 41 blocos em 
áreas de elevado potencial de petróleo e gás natural da nova rodada de licitações do setor. 
O objetivo da decisão é garantir que a exploração dos volumes já comprovados pela estatal e 
seus autais sócios. Com a mudança, o leilão passará a ter 271 blocos. 
Exportador 
A descoberta, segundo a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pode transformar o 
país em exportador de petróleo. Uma reserva destas transforma o País em exportador de 
petróleo, disse esta tarde a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. 
Segundo ela, o Brasil era um produtor médio, com a auto-suficiência recente e agora passa 
para o primeiro patamar de produtores. A ministra comparou o futuro do Brasil nessa área 
com grandes produtores, citando os países árabes e a Venezuela. 
Para a ministra, o governo federal tem de proteger as reservas que possui. É a preservação 
da soberania do país, mas mantendo no leilão outras áreas que não tenham nenhuma 
interface com a descoberta, acrescentou a ministra. 
25/08/2009 
Manchete: Aneel aprova distribuição de internet e TV por assinatura pela rede de 
energia. 
Tomada poderá ligar liquidificador e ser, também, ponto de internet. 
Concessionárias terão de criar subsidiárias para entrar no negócio. 
Resumo: A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou 
nesta terça-feira (25) as regras para o uso da tecnologia conhecida como Power Line 
Communications (PLC) no país - sistema que utiliza a rede de energia elétrica como meio de 
transporte de sinais de internet, vídeo e voz. 
Na prática, o sistema permitirá, assim que implementado, o acesso à internet, ou à TV por 
assinatura, por meio da rede elétrica - já presente na maior parte das residências do Brasil. 
Assim, um ponto de energia pode ser uma tomada para ligar o eletrodoméstico e, 
simultaneamente, um ponto de rede de dados para a provedora de internet ou TV por 
assinatura, explicou a Aneel, em nota.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 225 de 323 
Segundo a Agência, os consumidores de telecomunicações serão beneficiados, uma vez 
que o uso de redes existentes evita custos com implantação de novas infra-estruturas ou 
necessita de poucos investimentos. Outro benefício, informou a Aneel, é a utilização da rede 
elétrica para a inclusão digital, pois a penetração do serviço de energia elétrica é maior que o 
de telecomunicação. 
O serviço não estará disponível, porém, de imediato. O início das operações em cada região 
depende das distribuidoras. Segundo as regras do setor elétrico, as concessionárias só 
podem prestar serviços de distribuição de energia. Deste modo, não podem operar 
diretamente os serviços de internet. Se optarem por entrar no negócio, terão de criar uma 
subsidiária com esta finalidade, informou a Agência Nacional de Energia Elétrica. 
De acordo com a Aneel, a medida representará redução de custos aos consumidores, pois 
estes poderão contar com a apropriação de parte dos lucros adicionais obtidos por meio 
da cessão das instalações de distribuição, em benefício do estabelecimento de tarifas mais 
baixas. 
Data: 13/05/2009 
Manchete: Brasil perde, anualmente, quase R$ 10 bilhões em eletricidade. 
Para diminuir esse prejuízo, duas ações são fundamentais: conscientizar o 
consumidor e aumentar nossa eficiência energética. 
Resumo: O desperdício de energia elétrica é um grande problema brasileiro. De acordo com 
estimativas do Programa Nacional de Conservação de Energia (Procel), cerca de 10% da 
energia gerada no país são desperdiçados pelos consumidores. Isso significa uma perda de 
R$ 9,7 bilhões ao ano, ou o equivalente, em megawatts, ao consumo anual das residências 
das regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste. 
Quer mais? Pois o Brasil poderia economizar 60 mil gigawatts ao ano (mais da metade do 
consumo anual do México) se melhorasse sua eficiência energética em apenas 10%. 
Segundo estimativas de especialistas, essa ação demandaria aportes de US$ 6,7 bilhões, 
aplicados pelos consumidores e pelas empresas na aquisição, principalmente, de lâmpadas e 
motores elétricos mais eficientes. Caso a ação não seja adotada, a conta passa a ser de US$ 
21,5 bilhões. Os números acima fazem parte de um relatório do Banco Interamericano de 
Desenvolvimento (BID) divulgado no final do ano passado. 
O impacto que somente os motores elétricos têm sobre a demanda mundial é enorme. 
Segundo pesquisas de uma das maiores fabricantes desse produto, a Asea Brown Bovery 
(ABB), o equipamento é responsável por cerca de 50% da demanda de energia elétrica no 
mundo todo. “Quando esse comparativo é feito apenas no consumo industrial, o índice salta 
para 65%”, explica o gerente de produtos de automação da empresa, Cláudio Puga. 
Esse cenário anima muito o setor das empresas que trabalham para promover um melhor 
uso da energia. Segundo a diretora executiva da Associação Brasileira das Empresas de 
Conservação de Energia (Abesco), Maria Cecília Amaral, a entidade já vem notando que o 
mercado para as empresas que cuidam desse setor cresce sistematicamente a um índice de 
23% ao ano. De acordo com Maria Cecília, o setor fechou 2008 com um faturamento de R$ 
800 milhões. “São valores ainda muito distantes do que nós sabemos que pode ser 
alcançado no Brasil. Mas é um começo. Estimamos o mercado de eficiência energética em 
cerca de R$ 11 bilhões”, explica. 
Data 06/03/2009 
Manchete: Petrobras bate recorde de produção diária de petróleo no Brasil. 
Resumo: A produção da empresa no País atingiu 2.012.654 barris de petróleo na última 
quarta-feira dia 04, o que supera em 12.420 barris o recorde anterior, obtido em 25 de 
dezembro de 2007.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 226 de 323 
O resultado se deve principalmente à entrada em operação de três novas plataformas na 
Bacia de Campos, em Marlim Sul e Marlim Leste. Quando alcançarem o pico de produção, 
estas plataformas acrescentarão 460 mil de barris de petróleo diários à capacidade instalada. 
Também contribuiu para o recorde, o bom desempenho das plataformas P-52, que alcançou 
o pico de produção no último trimestre do ano passado, e P-54, que vem registrando 
produção crescente nos últimos meses - ambas instaladas no campo de Roncador, na Bacia 
de Campos. 
Para este ano, a empresa ainda espera começar a extração na camada pré-sal. O consórcio 
formado pela Petrobras (65%), BG (25%) e Petrogal (10%) colocará em produção um 
navio-plataforma em maio para iniciar os testes com capacidade máxima de 15 mil barris por 
dia.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 227 de 323 
Ecologia 
Ecologia é a parte da biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o ambiente em 
que vivem, bem como as suas recíprocas influências. 
Ecologia, também é, o ramo das ciências humanas que estuda a estrutura e o 
desenvolvimento das comunidades humanas em suas relações com o meio ambiente e sua 
conseqüente adaptação a ele, assim como novos aspectos que os processos tecnológicos ou 
os sistemas de organização social possam acarretar para as condições de vida do ser 
humano. 
Como podemos observar, ecologista é o cientista, o técnico, o pesquisador, o educador, 
enfim, um profissional que atua sobre o tema meio ambiente. 
Ao contrário do que muita gente pensa, a ecologia não é uma ciência da moda ou uma 
preocupação moderna. Ainda que seja mais recente que outras ciências milenares como a 
matemática ou a física, há mais de um século já havia gente preocupada em definir essa 
ciência que ganhava cada vez mais corpo e preocupava os habitantes das grandes cidades 
do planeta. 
A palavra Ecologia tem origem no grego “oikos que significa casa e logia, estudo, 
reflexão. Logo, seria o estudo da casa, ou de forma mais genérica, do lugar onde se vive. Foi 
o cientista alemão Ernest Haeckel, em 1869, quem primeiro usou este termo para designar a 
parte da biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ambiente em que vive, 
além da distribuição e abundância dos seres vivos no planeta. 
No final do século XIX e início do século XX teve início a publicação de vários publicados 
diversos trabalhos tratando das relações entre seres vivos e o ambiente. Mas foi partir de 
1930, porém, o estudo da Ecologia ganhou um espaço independente dentro da Biologia. Hoje 
os danos ambientais causados pelo aumento da população humana, pela escassez de 
recursos naturais e pela poluição ambiental fazem com que a Ecologia seja um dos mais 
importantes ramos da ciência atual. 
Hoje a Ecologia não apenas ganhou status entre os cientistas, como também se tornou 
popular e alcançou visibilidade entre os grandes empresários. A escassez de recursos 
naturais, o aumento desenfreado da população das grandes cidades e a rarefação das 
florestas, vistos num primeiro momento como sintomas do desenvolvimento, hoje são 
problemas capazes de mobilizar governos, ONG´s, empresários e pessoas comuns. 
Relações ecológicas 
As relações ecológicas são aquelas que se manifestam em diferentes populações de um 
ecossistema que pode ocorrer em indivíduos de uma mesma espécie ou não. Quando esta 
relação acontece em indivíduos da mesma espécie denomina-se relação específica e quando 
ocorre em indivíduos de espécies diferentes dá-se o nome de relação interespecífica. 
As relações ecológicas ainda podem ser harmônicas se ambos os indivíduos obtiverem 
ganhos com a relação ou desarmônica se apenas um dos indivíduos é beneficiado com a 
relação. As relações harmônicas interespecíficas ocorrem em sociedades como as de 
formigas e abelhas e em colônias como as de crustáceos e protozoários enquanto as 
relações interespecíficas desarmônicas ocorrem quando há canibalismo, por exemplo, como 
é o caso da aranha viúva-negra e do louva-deus, comensalismo quando uma espécie utiliza 
outra como moradia como é o caso de orquídeas e bromélias. 
Sucessão ecológica 
Sucessão ecológica é o desenvolvimento de uma comunidade ou biocenose, compreendo a 
sua origem e o crescimento, até chegar a um estado de equilíbrio dinâmico com o ambiente. 
Tal dinamismo é uma característica essencial das biocenoses. Tipos de sucessões:
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 228 de 323 
Sucessões Primárias: correspondem às instalações dos seres vivos em um ambiente que 
nunca foi habitado. É, por exemplo, a sucessão que acontece numa rocha nua. Os 
organismos pioneiros são representados pelos liquens. Através de ácidos orgânicos, 
produzidos pelos liquens, a superfície da rocha vai sendo decomposta. A morte destes 
organismos, associada à decomposição da rocha, permite o aparecimento de outros 
vegetais, como os musgos. Estes, por sua vez, permitem, através de sua ação, o 
aparecimento de espécies maiores, como as bromélias e as gramíneas. 
Sucessões Secundárias: aparecem em um meio que já foi aprovado, mas os seres vivos 
foram eliminados por modificações climáticas (glaciações, incêndios), geológicas (erosão) ou 
pela intervenção do homem. Uma sucessão secundária leva, muitas vezes, à formação de 
um disclímax, diferente do clímax que existia anteriormente. 
Sucessões Destrutivas: são aquelas que não terminam em um clímax final. Nesse caso, as 
modificações são devidas a fatores bióticos, e o meio vai sendo destruído, pouco a pouco, 
por diferentes seres. É o que acontece com os cadáveres. 
Impacto de danos ecológicos 
Pesquisadores canadenses e norte-americanos fizeram uma pesquisa sobre danos 
ambientais, e concluíram que os países ricos são os que mais poluem o meio ambiente. 
Apesar disso, esses estragos são sentidos em todas as partes do mundo. 
Segundo o estudo, o crescimento econômico tem um preço, que não recai de maneira 
uniforme em todos envolvidos. 
Como o meio ambiente vai além de fronteiras políticas, o impacto de danos ecológicos é 
percebido nos mais diferentes locais do planeta. 
Foi observado também que o impacto dos danos ambientais em países mais pobres 
normalmente representa peso financeiro maior do que os valores de suas dívidas externas. 
Isso por conta de fatores como a degradação de áreas agrícolas, esgotamento de reservas 
naturais e poluição. 
Um dos principais indicadores destacados foi o da emissão de gases causadores do efeito 
estufa. O grupo das nações mais pobres foi responsável por 13% das emissões, apesar de 
contar com 32% da população mundial. Os países mais ricos, com 18% da população, 
responderam por 42% das emissões. Os em desenvolvimento, considerados para o estudo 
como de renda média, com 50% da população, ficaram com 45% das emissões. 
“Em uma base per capita, estimamos que os cidadãos com maior renda foram responsáveis 
por 5,7 vezes mais emissões do que os de menor renda, mas esses últimos acabaram com 
um impacto econômico por danos climáticos mais de duas vezes maior do que o valor de 
suas emissões”, ressaltaram. 
Apesar de destacarem que os valores da pesquisa não precisam ser interpretados 
literalmente, os autores sugerem que a globalização e o crescimento econômico devem levar 
em conta os custos ecológicos. 
Conceitos a respeito de Ecologia 
BIOTÓPO - Área física na qual os biótipos adaptados a ela e as condições ambientais se 
apresentam praticamente uniformes. 
BIOSFERA - Toda vida, seja ela animal ou vegetal, ocorre numa faixa denominada biosfera, 
que inclui a superfície da Terra, os rios, os lagos, mares e oceanos e parte da atmosfera. E a 
vida é só possível nessa faixa porque aí se encontram os gases necessários para as 
espécies terrestre e aquáticas: oxigênio e nitrogênio.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 229 de 323 
HABITAT - É um lugar de vida de um organismo. Total de característica ecológica do lugar 
especifico habitado por um organismo ou população. 
NICHO ECOLÓGICO - Pequena habitação ecológica que estuda as relações entre os seres 
vivos e o meio ambiente em que vivem bem como as suas recíprocas influencia, mesologia 
num espaço ocupado por uma espécie ou um organismo vivo. 
ECOSSISTEMA - Conjunto dos relacionamentos mútuos que o meio ambiente e a flora, 
fauna e os micros organismo que nele habitam, e que incluem fatores de equilíbrio geológico, 
atmosférico, meteorológico e biológico. 
POPULAÇÃO - Comunidade de seres vivos que se entrecruzam livremente, graças ao quê 
trocam, entre si material genético. 
ESPÉCIE - Conjunto de indivíduos muito semelhante entre si e aos ancestrais, e que se, 
entrecruzam. A espécie é unidade biológica fundamental. Varias espécies constituem um 
gênero: espécie vegetal; espécie animal e a espécie humana (gênero humano). 
(notíciário) 
02/02/2010 
Manchete: Desmatamento cai pela metade na Amazônia em um ano, aponta Inpe. 
Resumo: O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, divulgou nesta terça-feira (2) a redução 
de 49% no desmatamento da Amazônia no período de agosto a novembro de 2009, 
comparando com os mesmos meses de 2008. De acordo com o ministro, é uma queda 
acentuada sobre um ano que já tinha registrado recorde de redução de desmatamento. 
De agosto a novembro de 2009, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 
1,14 mil km2 de desmatamento, contra 2,24 mil km2 no mesmo período de 2008. 
De acordo com Minc, se o país continuar com esse ritmo, a Amazônia pode fechar o ano com 
3,5 mil km2 de desmatamento, cumprindo com dez anos de antecedência a meta para 2020. 
A meta brasileira, coordenada pela ONU, é quebrar 80% do desmatamento na Amazônia até 
2020, tomando como base a média de desmatamento entre os anos de 1996 e 2006. 
Outubro e novembro 
Outubro e novembro impulsionaram os bons resultados de 2009. De acordo com as imagens 
registradas via satélite do Inpe, houve uma queda de 72,4% de desmatamento. Nesse 
período foram desmatados 247 km2 de floresta amazônica, contra 890 km2 do mesmo 
período de 2008. 
Campeões 
Pará ainda é o Estado onde há maior área desmatada de floresta amazônica, mas também 
apresentou em novembro a maior redução do desmatamento, de 82%. Em novembro de 
2009 teve cerca de 40 km2 desmatados, contra 221 km2 em 2008. 
Em segundo lugar está o Maranhão, com uma redução no mês de novembro de 65%, 
passando a ter 18 km2 desmatados. Mato Grosso teve queda de 80%, passando a uma área 
desmatada em novembro de 8 km2. 
Intervenções como a operação Boi Pirata 2 e a operação Arco Verde, realizadas pelo Ibama, 
foram grandes responsáveis pela redução, afirmou Minc. Triplicamos as fiscalizações na 
região, disse o ministro. 
01/02/2010
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 230 de 323 
Manchete: Ibama libera licença para Belo Monte com 40 condições. 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) 
anunciou nesta segunda-feira a liberação da licença ambiental prévia para o projeto da 
usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. No documento, o órgão 
ambiental lista 40 condicionantes que terão que ser atendidas pelos futuros 
empreendedores para que a obra seja autorizada. 
Resumo: Logo após a liberação da licença prévia pelo Ibama, o Ministério de Minas e 
Energia informou, conforme antecipou o iG nesta tarde, que pretende realizar o leilão do 
projeto nos primeiros dias de abril. 
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que, junto com o combate ao 
desmatamento na Amazônia, o licenciamento ambiental de Belo Monte era um dos grandes 
desafios de sua gestão. “Belo Monte tem simbolismo muito forte, é a maior obra do PAC 
[Programa de Aceleração do Crescimento], a mais polêmica, é a terceira hidrelétrica do 
mundo, gera polêmica há mais de 20 anos”, avaliou. 
29/01/2010 
Manchete: Amazônia só tolera mais 3% de desmate, após perder 17% da extensão. 
Se o desmatamento da Amazônia --que já consumiu 17% da floresta-- atingir a marca de 
20%, o aquecimento global se encarregará de destruir o que sobrou, afirma uma compilação 
de estudos sobre a região feita pelo Banco Mundial. 
Os cientistas identificaram que o efeito conjunto de incêndios, desmatamento e mudança 
climática empurra a floresta para um estado em que ela perde sua massa crítica para 
sobrevivência. 
Como as árvores tropicais são importantes para a regulação do clima e o regime de chuvas, 
forma-se uma espécie de efeito dominó que afeta todo o bioma. 
Pior cenário 
No pior cenário, a floresta da Amazônia encolhe 44% até 2025. O volume das precipitações 
tende a aumentar durante o período de chuvas e diminuir nos de seca, afetando a vazão dos 
rios de toda a bacia. 
O leste da Amazônia --que é contíguo ao Nordeste-- terá as consequências mais graves. O 
período de seca aumentará e o clima mais quente contribuirá para o avanço da vegetação 
típica do semiárido. Até 2025, a região poderá perder 74% de sua atual área de floresta. 
Já no sul da Amazônia, nesta previsão, pelo menos 30% dessa área de floresta tropical terá 
sido substituída por cerrado até 2025. 
Assim como a caatinga, esse tipo de vegetação tem árvores menores, que absorvem menos 
gás carbônico da atmosfera. 
Aquecimento 
Mais carbono no ar, então, contribui para o aquecimento global, expandindo os impactos para 
o resto do país. No Nordeste, por exemplo, as estiagens devem se tornar ainda mais 
prolongadas, prejudicando a agricultura e a geração de energia elétrica na região. 
É a primeira vez que um trabalho avalia esses abalos [aquecimento global, incêndios e 
desmatamento] conjuntamente. A situação é grave. Precisamos tomar medidas imediatas, 
avalia Thomas Lovejoy, presidente do Comitê Científico Consultivo Independente do relatório 
do Banco Mundial. 
Embora indique que parte das perdas na Amazônia sejam inevitáveis, o documento propõe 
ações de reflorestamento como solução. Estudioso da região há mais de 30 anos, Lovejoy 
afirma que elas são imprescindíveis e devem começar pela Amazônia oriental.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 231 de 323 
Para Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o reflorestamento é 
importante, mas insuficiente. Não adianta nada se os países não diminuírem as emissões de 
gases-estufa, diz. 
22/01/2010 
Manchete: 2009 foi ano mais quente já registrado no Hemisfério Sul. 
O ano de 2009 foi para o Hemisfério Sul o mais quente da história, segundo dados da agência 
espacial Nasa. Globalmente, o ano passado perdeu em temperatura apenas para 2005, 
considerado o ano mais quente desde que se tem registros do tipo no planeta. 
Resumo: Os dados da Nasa mostram que a temperatura no parte Sul do planeta foi, no ano passado, 
0,4º C superior à temperatura mais antiga de que dispõem os cientistas. A partir dessa referência, em 
2005 a temperatura global foi cerca de 0,7º C mais alta. 
A agência informa ainda que a década passada (2000 a 2009) foi a mais quente desde 1880, quando 
foram desenvolvidos os primeiros equipamentos capazes de medir temperatura com precisão. 
O diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa (GISS, na sigla em inglês), James 
Hansen, explicou entretanto que o dado mais relevante é a tendência de alta nas temperaturas ao 
longo das décadas. 
Há uma substancial variação ano a ano da temperatura global que é causada pelo ciclo tropical El 
Niño-La Niña. Quando medimos a temperatura média ao longo de cinco ou dez anos para minimizar 
essa variação, descobrimos que o aquecimento global continua inabalável, disse. 
Aquecimento global 
Os dados apontam para uma clara tendência de aquecimento no planeta. Desde 1880, a temperatura 
subiu 0,8º C no mundo. Somente nas últimas três décadas, a alta foi de 0,2 graus. 
Os cientistas do GISS acreditam que o aumento da temperatura global é causada pela presença de 
gases causadores do efeito estufa, como gás carbônico, na atmosfera terrestre. 
Mas o instituto enfatiza que variações na radiação solar, oscilações na temperatura do mar dos 
trópicos e fenômenos como El Niño e La Niña também afetam sensivelmente a temperatura da Terra. 
06/11/2009 
Manchete: Entenda a importância de um novo acordo sobre mudanças climáticas. 
Resumo: Se emissão de gás-estufa continuar como está, temperatura sobe 3°C. 
Em dezembro, representantes de 193 países estarão reunidos em Copenhague para tentar 
chegar a um novo acordo sobre a redução das emissões de gases do efeito estufa. 
Projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), apontam que se 
as emissões continuarem a subir no ritmo atual e chegarem ao dobro do nível da época 
anterior à industrialização, haverá um aumento médio de temperatura de 3 graus centígrados 
neste século, o que pode causar sérios impactos 
De forma geral, o bem-estar da população e o crescimento econômico estão ameaçados se 
nada for empreendido. Estudo patrocinado pelas Nações Unidas publicado recentemente 
indica que as mudanças climáticas podem chegar a reduzir em até 19% o Produto Interno 
Bruto (PIB) dos países afetados por problemas climáticos em 2030. O mesmo relatório afirma 
que entre 40% e 68% das perdas econômicas previstas podem ser evitadas aplicando-se 
imediatamente as medidas de adaptação já existentes. 
Contraditoriamente, é justamente a perspectiva de diminuir o crescimento econômico 
que tem causado relutância para que os países assumam metas de redução das emissões. 
Países em desenvolvimento, liderados pela China e Índia, querem que as nações ricas 
cortem até 2020 suas emissões para pelo menos 40% a menos do que os níveis de 1990 -
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 232 de 323 
muito mais do que as reduções da lei proposta pela gestão Obama, atualmente em análise 
pelo Senado norte-americano, por exemplo. 
O princípio vigente até agora (mas muito contestado) é que são os países desenvolvidos que 
devem diminuir suas emissões. Aos países em desenvolvimento, que têm menores 
condições de investimento, caberá cuidar para que suas emissões não aumentem. 
Foram necessários oito anos para se negociar e ratificar o Protocolo de Kyoto, até o 
momento o único acordo internacional que limita as emissões, e cuja vigência acaba em 
2012. 
Quatro questões fundamentais precisam ser respondidas na Conferência de Copenhague: 
· Quanto os países desenvolvidos podem emitir de gases causadores do efeito estufa 
a médio prazo - até 2020 e 2050? 
· O que nações em desenvolvimento como, por exemplo, Brasil, Índia e China vão 
fazer para que suas emissões não aumentem? 
· Quantos recursos os países desenvolvidos vão oferecer às nações pobres para ajudá-las 
a reduzir as emissões e apoiar programas para conter o impacto das mudanças 
climáticas? 
· Como e por quais instituições esse financiamento bilionário será administrado? 
As ações para resguardar as populações mais pobres dos efeitos das mudanças climáticas 
são um dos temas centrais da conferência porque elas são as mais gravemente afetadas e 
as mais vulneráveis. 
O IPCC aponta, por exemplo, que até 2020 as colheitas de variedades que dependem do 
regime de chuvas podem ser reduzidas em até 50% na África. 
Além disso, o desaparecimento do gelo em cordilheiras como os Andes (cujas águas correm 
em parte para a Amazônia), o Himalaia e o Hindu Kush pode deixar áreas em que vivem 
atualmente 1 bilhão de pessoas com abastecimento de água prejudicado. 
Calcula-se que em 2008 20 milhões de pessoas migraram por causa de desastres ligados às 
mudanças climáticas. Cerca de 200 milhões de pessoas podem ser deslocados como 
resultado dos impactos climáticos em 2050. 
07/12/2009 
Manchete: Veja a cronologia de conferências do clima pré-Copenhague. 
1972: Estocolmo (Suécia), PNUMA 
Conhecida como a Primeira Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o 
Meio Ambiente [ou Ambiente Humano], elaborou 26 princípios para guiar os povos do mundo 
na preservação e melhoria do meio ambiente. É o marco para o início das discussões em 
nível mundial sobre questões ambientais. 
No mesmo ano, foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), 
que tem sede no Quênia. 
1988: Toronto (Canadá), IPCC 
Primeira Conferência Mundial sobre o Clima, que reuniu cientistas e alertou para a 
necessidade de reduzir os gases do efeito estufa. A ONU cria o Painel Intergovernamental 
sobre Mudanças Climáticas (IPCC), para avaliar o risco da mudança climática devido à 
atividade humana. 
1990: Genebra (Suíça), 1º relatório do IPCC 
Estabeleceu a necessidade de um tal tratado internacional climático, que acabaria sendo
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 233 de 323 
produzido em 1992. As negociações para ele começaram no mesmo ano, com a criação de 
um comitê para produzi-lo: o Comitê Intergovernamental de Negociação para uma 
Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas. 
O IPCC divulga seu primeiro relatório de avaliação, que mostrava que a temperatura do 
planeta estaria aumentando. A projeção era de cerca de 0,15 ºC e 0,3 ºC para a década 
seguinte. 
1992: Rio de Janeiro (Brasil), Eco-92 e criação da UNFCC 
A Conferência das Nações Unidas Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento 
(CNUMAD ou Rio-92) resulta nos tratados internacionais Agenda 21, Convenção da 
Biodiversidade e Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCC, 
na sigla em inglês). O objetivo da UNFCC é de estabilizar a concentração de gases do efeito 
estufa na atmosfera. 
1995: Berlim (Alemanha), COP-1 
Na primeira Conferência das Partes (COP-1), foram definidos os compromissos legais de 
redução de emissões, que fariam parte do Protocolo de Kyoto. No mesmo ano, é divulgado o 
segundo relatório do IPCC. 
1996: Genebra (Suíça) 
Na COP-2, fica definido que os relatórios do IPCC nortearão as decisões futuras. 
1997: Kyoto (Japão), Protocolo de Kyoto 
A COP-3 passa para a história como a convenção em que a comunidade internacional firmou 
um amplo acordo de caráter ambiental, apesar das divergências entre Estados Unidos e 
União Europeia: o Protocolo de Kyoto. 
Ele é um instrumento legal que sugere a redução de emissões de gases do efeito estufa nos 
países signatários e, no caso dos grandes poluidores do mundo desenvolvido, impõe metas 
variadas de redução, sendo 5,2% em média, tomando como parâmetro as emissões de 1990. 
Para que tivesse efeito, teria que ser ratificado pelos países desenvolvidos, cuja soma de 
emissões de CO2 representava 55% do total. São criados o MDL (Mecanismo de 
Desenvolvimento Limpo), a partir de uma proposta brasileira, e os certificados de carbono. 
1998: Buenos Aires (Argentina) 
Na COP-4, começam as discussões sobre um cronograma para implementar o Protocolo de 
Kyoto. No ano seguinte, durante a COP-5, em Bonn (Alemanha), as discussões de 
implementação continuam. 
2000: Haia (Bélgica), EUA abandonam Kyoto 
A tensão entre a União Europeia e o grupo liderado pelos Estados Unidos aumenta na 
COP-6, levando ao impasse as negociações. No ano seguinte, o presidente George W. Bush 
declara que os Estados Unidos não ratificarão o Protocolo de Kyoto, um entrave para a 
continuidade das negociações. Com a saída do maior poluidor do mundo, o protocolo corre o 
risco de perder seu efeito. 
2001: Bonn (Alemanha) e Marrakesh (Marrocos) 
O IPCC convoca uma COP extraordinária para divulgar o terceiro relatório, em que fica cada 
vez mais evidente a interferência do homem nas mudanças climáticas. A tensão entre os 
países industrializados diminui na COP-7, em Marrakesh. 
2002: Nova Déli (Índia) 
A COP-8 pede ações mais objetivas para a redução das emissões. Os países entram em 
acordo sobre as regras do MDL. A questão do desenvolvimento sustentável entra em foco. 
2003: Milão (Itália) 
Na COP-9, aprofundam-se as diferenças entre os países industrializados e o resto do mundo. 
Fica clara a falta de lideranças comprometidas para costurar acordos, o que é cobrado por 
ONGs. O assunto florestas entra em pauta. 
2004: Buenos Aires (Argentina)
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 234 de 323 
Iniciam-se, durante a COP-10, discussões informais sobre novos compromissos de longo 
prazo a partir de 2012, quando vence o primeiro período do Protocolo de Kyoto. 
2005: Montreal (Canadá) 
Fica clara a necessidade de um amplo acordo internacional, ajustado à nova realidade 
mundial: Brasil, China e Índia tornaram-se emissores importantes. Na COP-11, é proposta 
pelo Brasil a negociação em dois trilhos: o pós-Kyoto e outra paralela entre os grandes 
emissores, o que inclui os Estados Unidos. 
2006: Nairóbi (Quênia), Redd 
Na COP-12, a vulnerabilidade dos países mais pobres fica evidente. Ainda repercute o 
Relatório Stern, lançado na Inglaterra no mesmo ano e considerado o estudo econômico 
mais complexo e abrangente sobre os prejuízos do aquecimento global. Em Nairóbi, o Brasil 
apresenta a proposta de um mecanismo de incentivos financeiros para a manutenção das 
florestas, o Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação). 
2007: Bali (Indonésia), Mapa do Caminho 
É criado o Mapa do Caminho, com cinco pilares de discussão para facilitar a assinatura de 
um compromisso internacional em Copenhague: visão compartilhada, mitigação, adaptação, 
transferência de tecnologia e suporte financeiro. 
Na COP-13 ficou acertado que seriam criados um fundo de recursos para os países em 
desenvolvimento e as Namas (Ações de Mitigação Nacionalmente Adequadas), modelo ideal 
para os países em desenvolvimento que, mesmo sem obrigação legal, concordem em 
diminuir suas emissões. 
2008: Poznan (Polônia) 
Continuam as costuras para um acordo amplo em Compenhague, sem muitos avanços. O 
Brasil lança o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), incluindo metas para a 
redução do desmatamento. Apresenta ainda o Fundo Amazônia, iniciativa para captar 
recursos para projetos de combate ao desmatamento e de promoção da conservação e uso 
sustentável na região. 
11/12/2009 
Manchete: Prévia de acordo climático busca limitar aquecimento a entre 1,5 e 2 graus. 
Resumo: O primeiro rascunho oficial de um acordo da conferência da ONU sobre as 
mudanças climáticas em Copenhague propõe a limitação da alta da temperatura do planeta a 
entre 1,5 a 2 graus Celsius. 
No entanto, não há uma opção no momento por alguma das duas possibilidades. As 
informações constam em cópia de documento obtido pela agência France Presse nesta 
sexta-feira (11). 
As partes devem cooperar para evitar uma mudança climática perigosa [...], reconhecendo 
que a alta da temperatura média global em relação aos níveis pré-industriais não deve 
superar essas temperaturas, afirma o documento, de sete páginas, divulgado nesta 
sexta-feira às 8h30 locais, e que será utilizado a partir de agora como base das negociações. 
A limitação a 1,5 grau é proposta pelos pequenos Estados insulares e por vários países 
africanos gravemente ameaçados pelo aquecimento global. 
A outra proposta, de uma limitação do aumento da temperatura a 2 graus, é defendida tanto 
pelos países ricos como pelos grandes emergentes, incluindo Brasil, China e Índia. 
O rascunho deve ser submetido a ministérios do Meio Ambiente pelo mundo, com o objetivo 
de ser endossado em encontro de cúpula da próxima sexta-feira (18). 
As negociações acontecem durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das 
Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15).
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 235 de 323 
Se um acordo político em Copenhague for realizado, deve ser seguido por reuniões em 2010 
para acertar os detalhes. 
08/12/2009 
Manchete: Mudança climática causará até 1 bilhão de migrações, diz relatório. 
Resumo: A mudança climática deve levar até 1 bilhão de pessoas a deixarem suas casas 
nas próximas quatro décadas, disse um estudo divulgado nesta terça-feira (8) pela 
Organização Internacional para a Migração (OIM). 
O relatório, lançado no segundo dia da conferência climática da ONU em Copenhague, 
estima que 20 milhões de pessoas já ficaram desabrigadas no ano passado por causa de 
desastres naturais, que devem se agravar devido à mudança climática. 
O texto alerta que poucos refugiados climáticos têm condições de deixar seus países para 
tentar a vida em lugares mais ricos. O que ocorre, na verdade, é que eles se deslocam para 
cidades já superpopuladas, aumentando a pressão sobre países pobres. 
Além da luta imediata diante do desastre, a migração pode não ser uma opção para os 
grupos mais pobres e vulneráveis, disse o texto. 
Ilhas 
Em geral, os países esperam gerir internamente a migração ambiental, à exceção de 
pequenos Estados insulares, nos quais em alguns casos [o aquecimento] já levou ao 
desaparecimento de algumas ilhas sob a água, forçando a migração internacional. 
As estimativas sobre a migração decorrente de fenômenos climáticos variam de 25 milhões 
a 1 bilhão de pessoas [...] nos próximos 40 anos. O texto, no entanto, informa que a cifra 
mais baixa parece já estar ultrapassada. 
O número de desastres naturais mais do que dobrou nos últimos 20 anos, e a OIM disse que 
a desertificação, a poluição da água e outros problemas tendem a tornar áreas cada vez 
maiores do planeta inabitáveis conforme o efeito estufa se alastrar. 
Uma maior mudança climática, com temperaturas globais previsivelmente subindo entre 2ºC 
e 5ºC até o final deste século, pode ter um grande impacto sobre o movimento das pessoas, 
disse o relatório, patrocinado pela Fundação Rockefeller. 
O estudo aponta Afeganistão, Bangladesh, a maior parte da América Central e partes da 
África Ocidental e do Sudeste Asiático como as áreas mais propensas às grandes migrações 
por fatores climáticos. 
Nesta semana, o alto comissário da ONU para refugiados, Antonio Guterres, alertou que 
metade dos refugiados do mundo já vive em cidades onde há aumento de tensões 
xenófobas, como Cabul, Bogotá, Abidjan e Damasco. 
26/11/2009 
Manchete: Gasoduto na Amazônia evitará emissão de 1,2 mi de t de CO2. 
Resumo: O Brasil conseguirá reduzir suas emissões anuais de gás carbônico (CO2) em 1,2 
milhão de t com a inauguração nesta quinta-feira de um gasoduto construído em plena 
Amazônia, o qual permitirá o abastecimento de energia de Manaus com gás natural em vez 
de diesel. A iniciativa é mais um projeto para reduzir as emissões de gases poluentes a partir 
do Brasil em pelo menos 36%, objetivo anunciado no mês passado pelo governo e que será 
apresentado na Conferência da ONU sobre a Mudança Climática, em Copenhague, no mês 
que vem. 
Assumimos o compromisso de reduzir as emissões de poluentes entre 36,1% e 38,9% e, 
com obras como esta, queremos mostrar a nossos amigos americanos e europeus que aqui 
no Brasil falamos menos e fazemos mais, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 236 de 323 
inauguração do gasoduto. Este gasoduto é uma demonstração da seriedade do 
compromisso claro e quantificável que apresentaremos em Copenhague, afirmou a 
ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. 
A Amazônia consome mais de 90% do diesel para eletricidade do Brasil e, com o gás, 
reduziremos significativamente as emissões, acrescentou Dilma. O gasoduto Urucu-Manaus 
se estende por 661 km no meio da floresta amazônica e oferecerá gás para Manaus, a maior 
cidade da Amazônia, com 1,8 milhão de habitantes. A estrutura transportará inicialmente 4,1 
milhões de m³ de gás natural diários procedentes de Urucu, uma gigantesca reserva 
descoberta no meio da selva. 
O gasoduto, que custou R$ 4,5 bilhões, permitirá que as sete usinas termoelétricas de 
Manaus, que atualmente usam diesel para produzir 725 megawatts de energia e abastecer 
uma cidade desligada do sistema elétrico nacional, passem a consumir gás natural, 
combustível menos poluente e mais barato. A substituição reduzirá em quase 30% as 
emissões de CO2 em Manaus, o que, segundo cálculos da Petrobras, corresponde a 1,2 
milhão de toneladas de gases poluentes ao ano. 
A obra ajudará o Brasil a cumprir parte do compromisso voluntário que assumiu de reduzir 
suas emissões de gases causadores do efeito estufa em entre 36,1% e 38,9% até 2020. 
Segundo o inventário brasileiro de carbono apresentado hoje pelo Governo, as emissões de 
gases poluentes do país cresceram 62% entre 1990 (1,36 bilhão de toneladas) e 2005 (2,2 
bilhões de toneladas). 
Esses dados transformam o Brasil no gerador de quase 4,5% das emissões mundiais e 
situam o país no quinto lugar entre os que mais poluem. Segundo o mesmo inventário, as 
emissões provocadas pelo setor energético somam 16,4% do total. A principal causa das 
emissões brasileiras é o desmatamento da Amazônia, com 57,5% do C02 lançado na 
atmosfera em 2005. 
26/11/2009 
Manchete: China anuncia, pela 1ª vez, metas de corte de emissão de CO2. 
Resumo: A China, o maior emissor de gases que causam o efeito estufa, anunciou pela 
primeira vez uma meta de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, a duas 
semanas da reunião global sobre clima em Copenhague. 
Segundo a agência oficial Xinhua, o país cortará, até 2020, de 40% a 45% de sua 
intensidade de carbono comparada aos níveis de 2005. 
A intensidade de carbono, uma mensuração própria do país, corresponde ao montante de 
dióxido de carbono emitido para cada unidade de seu Produto Interno Bruto (PIB). 
As autoridades dizem que a meta obedece às condições nacionais da China, um país 
emergente que vê o corte de emissões como uma ameaça ao seu crescimento econômico. 
Ainda assim, especialistas fazem a ressalva de que ela não necessariamente levará a uma 
redução absoluta das emissões. 
O anúncio veio a público um dia após os Estados Unidos confirmarem que vão oferecer, no 
encontro na Dinamarca, um corte de 17% nas suas emissões de carbono até 2020, em 
comparação aos níveis de 2005 - menos do que o desejado por cientistas e os países 
europeus. 
A Casa Branca confirmou na quarta-feira que o presidente americano, Barack Obama, estará 
presente no encontro, assim como o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que confirmou 
sua ida nesta quinta-feira. 
A cúpula tem por objetivo chegar a um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto, que não foi 
ratificado pelos Estados Unidos e expira em 2012.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 237 de 323 
Redução de emissões 
Entretanto, analistas creem que a meta anunciada pela China não necessariamente 
significará uma redução nas emissões. 
O cálculo chinês é o único a utilizar a mensuração de intensidade de carbono, ou seja, a 
quantidade de CO2 emitido por cada unidade do produto interno. 
O correspondente da BBC em Pequim, Quentin Sommerville, disse que o compromisso 
chinês é tornar as suas fábricas e sua infra-estrutura de energia mais eficientes na utilização 
de combustível, o que produziria menos gases causadores do efeito estufa. 
Mas isto não significa que os níveis absolutos de carbono seriam reduzidos, observou o 
correspondente. 
Esta é uma ação voluntária tomada pelo governo chinês com base nas suas próprias 
condições nacionais e uma grande contribuição com os esforços globais de combate à 
mudança climática, afirmou o governo chinês em um comunicado reproduzido na agência 
oficial. 
Na semana passada, o grupo de cooperação dos países da Ásia-Pacífico, Apec, liderado 
pela China e os EUA, havia decidido adiar para o ano que vem a definição de um acordo 
mundial sobre o clima. 
O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Rasmussen, defende que a reunião de Copenhague 
defina acordos políticos sobre cortes de emissões dos países ricos e ações a serem 
adotadas por nações pobres e emergentes, com as metas obrigatórias sendo definidas em 
novas negociações em 2010. 
18/11/2009 
Manchete: Mundo está a caminho de ficar 6º C mais quente, diz pesquisa. 
Resumo: Novos dados sobre as emissões mundiais de CO2 (dióxido de carbono, principal 
gás causador do efeito estufa) indicam que o planeta está a caminho de esquentar 6 graus 
Celsius neste século, se não houver um esforço concentrado para diminuir a queima de 
combustíveis fósseis. 
Existe um abismo claro entre o caminho que estamos seguindo e o que é necessário para 
limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius [nível considerado relativamente seguro por 
especialistas], diz Corinne Le Quéré, pesquisadora da Universidade de East Anglia (Reino 
Unido) e coautora do novo estudo na revista científica Nature Geoscience. 
Na atual década, a principal responsável por puxar para cima as emissões é a China, com 
seu crescimento industrial alimentado pelo carvão mineral. Hoje, o país é o maior emissor do 
planeta. 
No entanto, os EUA ainda respondem pelas maiores emissões per capita: 18 toneladas, 
contra 5,2 toneladas dos chineses (a média mundial é de 4,8 toneladas). 
Desde 1982, a humanidade produziu 715,3 trilhões de toneladas de gás carbônico, 
quantidade que equivale ao total de dióxido de carbono emitido por todas as civilizações que 
existiram no mundo antes disso. 
12/11/2009 
Manchete: Amazônia tem menor desmatamento desde 1988, diz governo. 
Resumo: Entre agosto de 2008 e julho de 2009, a Amazônia perdeu 7 mil km² de floresta, 
segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo governo durante o balanço do Programa 
Terra Legal. É a menor taxa anual de desmate já registrada pelo Instituto Nacional de 
Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início do levantamento em 1988. O menor índice 
registrado até agora era o de 1991, quando os satélites identificaram 11,03 km².
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 238 de 323 
O número superou as expectativas do governo, que previa 9 mil km². De acordo com o 
presidente do Inpe, Gilberto Câmara, essa é uma queda substancial. De longe a menor taxa 
desde que o Inpe começou a observação. 
A taxa é calculada pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal 
(Prodes), que utiliza satélites para observação das áreas que sofreram desmatamento total, o 
chamando corte raso. Em relação ao período anterior (agosto de 2007 a julho de 2008), 
quando o desmatamento atingiu 12,9 km², a queda foi de 45%. 
É um momento de muita alegria constatar que o esforço da sociedade brasileira de conter o 
desmatamento da Amazônia chegou a um nível muito satisfatório, afirmou Câmara. 
O Inpe registrou queda em quase todos os Estados da Amazônia. Em Mato Grosso e no 
Pará, tradicionalmente líderes dos rankings de desmatamento mensais, a queda foi de 65% e 
35%, respectivamente. Em Rondônia, a queda foi de 55%. 
Apesar da redução, o Pará foi o Estado que mais desmatou no período, com 3.680 km², 
seguido por Mato Grosso, com 1.047 km², e Amazonas, com 980 km² desmatados.De acordo 
com o Inpe, a margem de erro da estimativa anual de desmatamento é de 10%, ou seja, 
pode resultar em uma variação de 700 km² para ou mais ou para menos quando os dados 
forem consolidados. 
02/09/2009 
Manchete: Ban Ki-moon pede acordo climático e alerta para desastre. 
Resumo: O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cobrou nesta quinta-feira mais empenho 
na negociação do novo tratado climático global, para evitar o que segundo ele seria um 
desastre econômico caso o nível dos mares suba até 2 metros ao longo deste século. 
Pagaremos um preço elevado se não agirmos, disse ele em uma conferência climática de 
155 países em Genebra. A mudança climática pode provocar um desastre econômico 
generalizado, afirmou, defendendo um crescimento mais ambientalmente correto para o 
planeta. 
O novo tratado climático, que irá substituir o Protocolo de Kyoto após 2012, está sendo 
negociado em várias reuniões, para ser aprovado no encontro ministerial de Copenhague em 
dezembro. 
Até o final deste século, o nível dos mares pode subir entre meio metro e dois metros, disse 
ele. Isso ameaçaria pequenos países insulares, deltas de rios e cidades como Tóquio, Nova 
Orleans e Xangai, segundo ele. 
A projeção apresentada por ele está acima da previsão de aumento de 18 a 59 centímetros 
no nível do mar, citada em 2007 por uma comissão de especialistas da ONU. Essas 
estimativas, no entanto, não incluíam a possibilidade de um degelo mais acelerado da 
Antártida e da Groenlândia. 
Ele disse que as emissões de gases do efeito estufa continuam crescendo rapidamente, 
apesar das promessas dos governos no sentido de contê-las. Nosso pé está cravado no 
acelerador, e estamos rumando para o abismo, disse ele. 
Não podemos nos dar ao luxo de um progresso limitado. Precisamos de um progresso 
rápido, disse ele, afirmando que já viu os impactos da mudança climática na visita que fez 
nesta semana à camada de gelo do oceano Ártico na costa da Noruega. 
Ban disse esperar que a cúpula de líderes mundiais que ele comandará em 22 de setembro 
em Nova York dê um novo ímpeto para as negociações com vistas ao tratado de 
Copenhague. O apoio político para a ação climática está crescendo. Mas ainda não com a 
rapidez suficiente, disse ele a uma plateia que incluía cerca de 20 líderes mundiais, a 
maioria oriundos de países em desenvolvimento, como Tanzânia, Bangladesh e 
Moçambique, e ministros de cerca de 80 países. 
Os líderes de países pobres pediram mais ajuda financeira e tecnologias limpas. O
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 239 de 323 
presidente da Etiópia, Girma Woldegiorgise, afirmou que os países africanos estão sendo 
afetados pela mudança climática apesar de quase não terem contribuído com o problema, já 
que a maior parte das emissões de gases do efeito estufa é resultado da queima de 
combustíveis fósseis em nações industrializadas. 
Os países em desenvolvimento querem que os países ricos se comprometam com cortes 
mais profundos até 2020 e que ofereçam mais ajuda. Já os países ricos querem que as 
nações em desenvolvimento se comprometam com metas mais claras em relação ao clima. 
A conferência climática de Genebra, entre 31 de agosto e 4 de setembro, reúne cerca de 
1.500 delegados. Ela aprovou formalmente a meta de criar um novo sistema para melhorar o 
monitoramento e informação sobre o clima, de modo a ajudar amplos setores, como a 
agricultura e os investidores em energia. 
Data: 13/05/2009 
Manchete: Lixo urbano é um dos maiores problemas do século. 
Cenário vem melhorando, mas ainda é um desafio para as metrópoles. Cada brasileiro 
produz quase 360 quilos de lixo por ano. 
Resumo: Enquanto cada brasileiro produz em média 920 gramas de lixo sólido por dia, a 
quantidade de lixo reciclável que é recuperada, seja na coleta seletiva seja por catadores, 
chega apenas a 2,8 kg por ano, por habitante. “É um volume baixo em relação ao que é 
produzido porque, na verdade, a coleta seletiva atinge um percentual só do volume 
produzido”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil, o secretário nacional de Saneamento 
Ambiental, Leodegar Tiscoski. 
Os dados são do Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos/2007, feito pelo 
Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), divulgado pelo Ministério das 
Cidades. 
Apesar do baixo índice de coleta seletiva, o secretário disse que a quantidade de lixo 
produzido pode ser considerada boa. “Só que nos países desenvolvidos, esses volumes 
tendem a diminuir, uma vez que já existe uma política de redução da produção de lixo, ou 
seja, tanto nos domicílios quanto na indústria, o que é levado para a coleta é um volume 
menor, porque há uma redução na produção e também há seleção prévia desse lixo, do que 
não vai para o aterro, mas para a reciclagem”. 
O diagnóstico do SNIS obteve informações de 247 municípios, que concentram quase 50% 
da população brasileira. Nessas cidades, 90% dos habitantes são atendidos pelo serviço de 
coleta de resíduos sólidos, lixo produzido em casa e na indústria que não é enviado para o 
esgoto. 
No entanto, a coleta seletiva formal, feita com caminhões adequados, está presente em 
55,9% dos municípios pesquisados, enquanto catadores de lixo trabalham em 83% dos 
casos. Entre os principais materiais coletados estão papel e papelão (44,3%), plásticos 
(27,6%) e metais (15,3%). 
Atualmente, segundo o secretário, existem no Brasil mais de 700 mil catadores de lixo 
reciclável. Cerca de 53% dos catadores dos municípios pesquisados estão ligados a alguma 
cooperativa. Em 160 cidades, “foram destinados [pela secretaria] R$ 50 milhões para a 
construção de galpões de catadores, um programa que visa a organizar essa classe”, para 
dar condições de trabalho melhores nas cooperativas e associações, informou Tiscoski. 
Na opinião do secretário, são necessárias ações tanto para conscientizar a população sobre 
a importância da separação do lixo em casa quanto para instrumentalizar a coleta seletiva 
nos municípios. “De nada adianta ter uma seleção no domicílio se é tudo jogado dentro de 
um volume só, se não há tratamento; o transporte e a destinação têm de ser separados”, 
acrescentou. 
Números
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 240 de 323 
Os dados mais recentes sobre reciclagem são de 2007. A taxa de recuperação de papéis 
recicláveis evoluiu de 30,7%, em 1980, para mais de 50%; a reciclagem de plásticos 
pós-consumo é da ordem de 17,5%, sendo que na Grande São Paulo o índice é de 15,8% e, 
no Rio Grande do Sul, de 27,6%; a reciclagem de embalagens PET cresceu de 16,25%, em 
1994, para mais de 42% em 2006; a reciclagem das embalagens de vidro cresceu de 42% 
para cerca de 50 entre 2001 e 2006; o Brasil é o líder de reciclagem de latinhas de alumínio, 
entre os países onde não é obrigatória por lei a reciclagem, tendo alcançado, em 2007, o 
índice de 92%; já o índice de reciclagem de latas de aço para bebidas evoluiu de 43% em 
2001 para 75% em 2005 - este último é o dado mais confiável disponível. 
Data: 02/04/2009 
Manchete: Etanol emite 73% menos CO2 que a gasolina. 
Resumo: Um estudo feito por pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (Seropédica/RJ) 
concluiu que o etanol de cana é capaz de reduzir em 73% as emissões de dióxido de carbono 
(CO2, o principal gás causador do efeito estufa) na atmosfera se usado em substituição à 
gasolina. A pesquisa avaliou ainda quanto de gases de efeito estufa é produzido em cada 
etapa da produção tanto do etanol como da gasolina. 
Para este estudo, os pesquisadores da Embrapa utilizaram dados do painel de mudanças 
climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), além de medições feitas diretamente 
em campo. A avaliação levou em conta o ciclo de vida do produto, ou seja, desde a sua 
produção até o uso final, a queima nos motores dos veículos. Foi medido quanto de gases de 
efeito estufa se produz desde a preparação do solo para o plantio da cana-de-açúcar até o 
transporte do etanol produzido para o posto. 
Todo o processo foi avaliado, passando, por exemplo, pela medição da emissão de gases na 
fabricação e aplicação de fertilizantes no campo, na construção da usina de álcool e na 
fabricação das máquinas e tratores. O mesmo foi feito com a gasolina, com a emissão dos 
gases desde a extração do petróleo até a combustão do produto nos motores dos veículos. 
Os pesquisadores avaliaram quanto emite de CO2 um carro movido à gasolina num percurso 
de 100 quilômetros. O mesmo foi feito com um carro movido a álcool. Levando em conta as 
emissões da produção do combustível e as emissões próprias da combustão no carro, o 
resultado foi uma redução de 73% das emissões de CO2 na atmosfera quando utilizado o 
veículo movido a álcool. Se comparado com o automóvel a diesel, a redução é de 68%. 
De acordo com a pesquisa , se não houver queimada para a colheita da cana, ou seja, se a 
colheita for totalmente mecanizada, a vantagem do álcool é ainda maior: 82% em relação a 
gasolina e 78% em relação ao diesel. 
Uso da terra - O contraria as críticas sobre a expansão do uso da terra para a plantação de 
cana. Mostra, segundo os pesquisadores da Embrapa, que as emissões de CO2 evitadas 
com o uso de etanol em lugar da gasolina superam em muito os possíveis aumentos dos 
gases-estufa pela mudança de uso da terra para produção de cana-de-açúcar. 
Um hectare de cana produz por ano 4.420 kg de CO2, enquanto as lavouras de soja e milho, 
que estão sendo substituídas, emitem respectivamente1.160 kg e as pastagens emitem 
2.840 kg. Mas em contrapartida, um hectare de cana, substitui 4.500 litros de gasolina, cuja 
combustão emite 16 toneladas de CO2 por ano para a atmosfera. O resultado é que a cada 
hectare de cana transformado em álcool e utilizado em substituição à gasolina, produz uma 
redução de 12 toneladas nas emissões de CO2 por ano. 
Também o uso de fertilizantes foi calculado no estudo. Cada quilo de nitrogênio na forma de 
fertilizante emite em sua síntese 4,50 quilos de CO2 para a atmosfera. O Brasil, no entanto, 
se comparado a outros países, utiliza menos adubo nitrogenado na cana. Isto é resultado da 
capacidade da cultura de fixar o nitrogênio do ar através da ação de bactérias que vivem no 
solo e no interior da planta. As informações são de Ana Lucia Ferreira, da Embrapa 
Agrobiologia.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 241 de 323 
Data: 17/03/09 
Manchete: Savana aumentará 170% na Amazônia até 2100, diz Inpe. 
Resumo: Se até 2100 a temperatura aumentar 5C e forem desmatados 60% da floresta 
amazônica na América do Sul, a savana crescerá 215,6% na região. Neste mesmo cenário, 
somente 44,2% da floresta destruída conseguirá se regenerar. 
Já num cenário um pouco mais otimista, em que a temperatura sobe até 3C e o 
desmatamento é de 40% até 2050, a savana se amplia em 170% e apenas 66,2% da área 
desflorestada pode voltar a brotar. 
Os cálculos, que acabam de ser finalizados, integram um estudo inédito do grupo liderado 
pelo climatologista Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). 
Pela primeira vez, cientistas do Brasil avaliaram os efeitos conjuntos do desmatamento e do 
aquecimento global para a Amazônia. 
A pesquisa, feita usando modelos computacionais, mostra que a combinação desses dois 
fatores nas próximas décadas pode levar à savanização da Amazônia e à perda catastrófica 
de espécies. 
Este último cenário, o otimista, está longe de ser ficção: uma elevação de 3C na 
temperatura da Terra até 2100 é a previsão do IPCC, o painel do clima das Nações Unidas. E 
um modelo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) estima em mais de 40% o 
desmatamento nas próximas décadas se o desgoverno sobre a Amazônia continuar. 
Após o desmatamento, explica Nobre, se não houvesse nenhum impacto, a floresta poderia 
crescer e ocupar novamente a área desmatada. Como o clima muda, a floresta não 
consegue mais voltar onde o clima ficou mais seco, diz. 
No primeiro caso, o clima muda em 66% da floresta, a tal ponto que não é mais possível 
manter o ecossistema original. 
Aquelas áreas que foram perdendo floresta foram ganhando savana, afirma. Só que a 
savana que surge onde antes era floresta é pobre em espécies. 
Outro fator importante é que a escala de tempo normal para a migração de ecossistemas é 
de séculos a milênios, ou seja, a adaptação ocorre de forma mais lenta que as alterações 
induzidas pelo desmatamento e pela mudança do clima. 
Assim, esses fatores conjuntos têm o potencial de impactar profundamente a diversidade de 
espécies de plantas e animais numa das regiões mais biodiversas do planeta. 
Em 1991, Nobre e seu colega Marcos Oyama publicaram o primeiro artigo sobre a 
savanização na Amazônia, levando em conta só o desmatamento. 
O principal risco para a floresta da combinação dos efeitos de desmatamento e aquecimento 
é a maior sensibilidade da Amazônia a incêndios --algo com o que a floresta tropical não está 
acostumada e principal indutor de savanização. 
Inflamável 
Quando você tem aquecimento global, tem secas mais intensas, mais fogo. E se você tem 
desmatamento, você aumenta a temperatura, diminui a chuva, tem mais seca e mais fogo, 
afirma Nobre. 
Antes, se ocorria uma descarga elétrica e a floresta pegava fogo, o incêndio ficava 
circunscrito a algumas dezenas de metros, pois a vegetação é tão úmida que o fogo não se 
propaga. Mas, na medida em que a exploração de madeira cria buracos, abrem-se estradas 
e a floresta vai ficando mais 'ralinha', ela se torna mais suscetível. 
Segundo Nobre, esse estudo representa uma primeira análise. É ainda muito simplificado,
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 242 de 323 
mas serve para abrir as portas e mostrar que precisamos de análises mais realistas. 
Segundo ele, o novo supercomputador do Inpe ajudará nesse trabalho. Este novo 
supercomputador vai nos permitir fazer simulações matemáticas em que nós vamos colocar 
todos esses fatores juntos. 
Para Nobre, a cereja do bolo é conseguir ligar seus modelos físicos a modelos de dinâmica 
do uso da terra. Esse é um dos objetivos do recém-criado Centro de Ciência do Sistema 
Terrestre, do Inpe. 
Data: 17/03/09 
Manchete: Clima pode comprometer 85% da mata amazônica. 
Resumo: A Amazônia está condenada a perder no mínimo 20% de sua fisionomia original 
com as mudanças climáticas. O impacto pode ser ainda pior e afetar 85% da floresta se as 
temperaturas subirem além de 4C, comparadas com níveis pré-industriais. 
Este foi o quadro sombrio apresentado pelo Centro Hadley, instituto de meteorologia do 
Reino Unido, durante o Congresso Científico Internacional sobre Mudanças Climáticas, em 
Copenhague. 
O estudo sobre a resistência de ecossistemas a um nível perigoso de mudança climática 
usou cerca de 700 simulações em computadores para projetar o destino de florestas e 
geleiras. Esses modelos traçaram cenários de emissão de gases do efeito estufa e quais 
seriam as consequências. A partir destes dados, os pesquisadores testaram a sensibilidade 
da Amazônia ao calor e à seca. 
Os resultados, que serão publicados na revista 'Nature Geoscience', são pessimistas. Até 
2100, uma elevação entre 1C e 2C causaria uma 'retração' da floresta de 20% a 40%, e os 
efeitos serão bem mais severos se as temperaturas romperem esse patamar. A pior hipótese 
testada é uma alta de 4C, que reduziria a Amazônia a apenas 15% do que é hoje. 
Segundo Vicky Pope, coordenadora do Hadley, em um planeta mais quente, espécies do 
cerrado (uma savana) avançaria rumo ao Norte. 
'O que descobrimos é que mesmo a mais modesta elevação de temperatura afetará a 
floresta severamente', disse Pope à Folha. 
Projeções sobre a savanização da Amazônia já vinham sendo feitas no Brasil pelo Inpe 
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). 
Um estudo de 2007 alertava que aumentos de temperatura de '2C a 6C' aliados a períodos 
de seca mais severos transformariam até 18% da maior floresta tropical do planeta em algo 
similar ao cerrado. 
O novo estudo do Hadley, entretanto, é o primeiro a mostrar, no longo prazo, a relação entre 
temperaturas específicas e as taxas de savanização. 
Os cientistas ingleses também afirmam que uma recuperação da floresta após tudo isso não 
ocorreria em menos de cem anos. Alguma perda haverá, pois a temperatura global não está 
longe de alcançar uma elevação 1C em relação a níveis do século 19. 
Segundo Pope, a melhor chance de evitar efeitos significativos na Amazônia é limitar a 
subida da temperatura a no máximo 2C. Para tanto, as emissões de gases-estufa 
precisariam atingir um pico em 2015 e a partir daí caírem 3% ao ano. Ainda assim, a 
probabilidade de o aquecimento efetivamente se estabilizar é de 50%.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 243 de 323 
Data: 16/03/2009 
Manchete: 42% de matas perdidas em 5 anos estão no Brasil, diz FAO. 
Resumo: O Brasil registrou a maior perda absoluta de floresta no mundo 
entre 2000 e 2005, de acordo com a Organização das Nações Unidas para 
Agricultura e Alimentação (FAO). Além disso, 42% de hectares de mata 
cortada no planeta nesse mesmo período ocorreu dentro do território 
nacional. 
A organização destaca que os lucros com a expansão da agricultura e do etanol continuarão a 
predominar nos próximos anos, dificultando a tentativa de frear o desmatamento. Os dados 
apresentados indicam que a América do Sul continuará a perder sua cobertura florestal. 
No mundo, a FAO alerta que a crise internacional deve aumentar a vulnerabilidade das florestas e 
secar os financiamentos para projetos ambientais. 
Entre 2000 e 2005, 200 quilômetros quadrados de florestas foram perdidos no mundo a cada dia e o 
temor é de que os investimentos em manejo sustentável sejam substituídos por uma exploração ilegal 
de madeira. 
Segundo o fórum, o Brasil perdeu 3,1 milhões de hectares de florestas por ano nesse período. Isso 
significou uma redução anual de 0,6% na cobertura florestal. O órgão da ONU informou que o País 
observou uma aceleração no desmatamento em comparação ao período entre 1995 e 2000. Naqueles 
anos, a perda de floresta foi de 2,6 milhões de hectares por ano, o que representa 0,5% da cobertura. 
No mundo, a perda florestal chegou a 7,3 milhões por ano, 200 quilômetros quadrados por dia. Isso 
representou 0,18% do território por ano. O ritmo de desmatamento no Brasil, portanto, foi seis vezes 
superior à média mundial e o crescimento das exportações de grande escala de soja, biocombustíveis 
e carnes é considerada pela entidade como responsável pela grande parte do desmatamento da 
região. 
O levantamento conclui ainda que 75% do desmatamento na América do Sul ocorreu no Brasil. Em 
comparação a outros países, o Brasil lidera amplamente com a maior área desmatada no planeta, 
mesmo que seu território ainda esteja coberto por floresta em 57,2%. 
Data 16/02/2009 
Manchete: Número de queimadas cresce 281% no País. 
Resumo: 
Tradicionais Estados que ainda na apareciam entre os principais em número de queimadas já 
começam a se destacar. O fato reforça a expectativa negativa de aumento no número de 
queimadas em 2009. Até hoje, queimadas cresceram 281% em relação ao mesmo período 
do ano passado: saltaram de 655 focos para 2.502. O Estado do Ceará lidera, de acordo com 
o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de 
Pesquisas Espaciais (Inpe), com 525, um aumento de 1.017%, mas Mato Grosso, com 215 
focos (aumento de 2.288%), Mato Grosso do Sul, com 178 (mais 1.269%) aceleraram o 
número de queimadas. 
Estados como São Paulo e Paraná também apresentam forte crescimento, embora em 
números absolutos o número focos detectados seja pequeno. Em São Paulo, até de 16 de 
fevereiro de 2008, apenas 4 focos de queimada haviam sido registrados. Este ano, já são 47, 
um aumento de 1.075%. No Paraná, o crescimento alcançou 533%, de 6 para 38 focos. 
Em 2008, o País registrou 93 mil queimadas, praticamente o mesmo número de 2007, mas 
em 2009 a previsão é de aumento, já que o Inpe detectou, em levantamento preliminar do 
sistema Degrad, 24.932 km2 de áreas em processo de desmatamento em 2008 somente na 
Amazônia Legal. O número é 67% superior aos 14.915 km2 de áreas degradadas em 2007. 
O Inpe mapeou áreas em processo de desmatamento em toda a Amazônia Legal, o que 
possibilita aos órgãos de fiscalização impedir a derrubada completa da floresta. De acordo
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 244 de 323 
com o instituto, 13% das áreas identificadas como degradadas em 2007 foram convertidas 
para corte raso em 2008, ou seja perderam completamente a cobertura vegetal nativa. Se 
essa porcentagem se repetir, 2009 podem ser registrados mais 3,24 mil km2 de 
desmatamento raso na Amazônia Legal. 
No item degradação, o Mato Grosso segue imbatível, com 12.534 quilômetros quadrados, 
seguido pelo Pará, com 7.708, e pelo Maranhão, com 3.978. Rondônia, que sempre se 
destaca no ranking de desmatamento, vem em quarto, com 477 quilômetros quadrados 
degradados em 2008, no âmbito da Amazônia Legal. 
As queimadas, uma das práticas ainda recorrentes da agricultura e da pecuária, contribuem 
decisivamente para colocar o Brasil como um dos maiores emissores mundiais de gases que 
causam as mudanças climáticas. Estima-se que o uso da terra nas suas diversas formas seja 
responsável por 75% das emissões de gases-estufa no País.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 245 de 323 
Relações Internacionais 
As Relações Internacionais são uma ciência política dedicada ao estudo das relações entre 
Estados, sejam elas diplomáticas, comerciais, legislativas, etc. Difere-se da história, 
sociologia, economia, antropologia, filosofia e do direito, ainda que se valha de diversos 
conceitos e noções destes. 
Um dos problemas básicos das Relações Internacionais, é o estudo da paz, diplomacia e 
guerra entre as nações como um ator internacional, assim como o estudo de inernacionais , 
transnacionais e ONGs no Internacional. As linhas de pesquisa dividem-se basicamente em 
política externa, economia política, segurança internacional, legislação internacional, 
instituições internacionais e o processo de globalização. 
Como ciência, dificilmente percebe-se um objeto de estudo restrito apenas às relações 
internacionais. Alguns autores propõem vagamente que os estudos limitem-se aos acordos 
comerciais, diplomáticos, de paz, etc., bem como declarações formais de guerra. Contra essa 
idéia, argumenta-se que a mera formalidade burocrática não é suficiente para configurar a 
relação internacional. Estas questões não impedem as relações internacionais de 
configurarem uma ciência própria. 
Cooperação Internacional 
A Cooperação Internacional é o mecanismo pelo qual um país ou uma instituição promove o 
intercâmbio de experiências exitosas e de conhecimento técnico, científico, tecnológico e 
cultural, mediante a implementação de programas e projetos com outros países ou 
organismos internacionais. A Cooperação pode ser técnica, tecnológica ou financeira. 
O Brasil, devido à prioridade da política externa do país de fortalecer sua presença no cenário 
internacional, e devido a não ser mais considerando internacionalmente um país receptor de 
fundos e ajuda humanitária, tem buscado, sob a coordenação da Agência Brasileira de 
Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/ MRE), explorar e aproveitar todas 
as potencialidades oferecidas pela Cooperação Técnica Internacional. 
A Cooperação Técnica é um importante instrumento de desenvolvimento para os países e 
instituições, visto que por meio de transferências de conhecimentos, de experiências bem 
sucedidas, de tecnologia e equipamentos, contribui para a capacitação dos recursos 
humanos e para o fortalecimento das instituições envolvidas em suas atividades e projetos. 
Esse tipo de cooperação é sempre implementado com uma preocupação de sustentabilidade, 
ou seja, que os conhecimentos, experiências e tecnologias compartilhados possam provocar 
mudanças locais, de caráter duradouro, como a implementação de um projeto ou atividade 
para as instituições participantes e impactos positivos e relevantes para os segmentos 
beneficiários. 
Relações internacionais, comércio e futuro. 
Com o final da Guerra Fria, a agenda internacional se tornou mais competitiva e inclusiva. 
Novos atores e novos temas, principalmente os assuntos referentes a comércio e 
desenvolvimento sustentável, ganharam destaque. 
A potência vencedora, os Estados Unidos da América, muito a partir do Governo Clinton, 
assinalou que a interdependência global seria algo atingível no médio prazo. Um mundo 
marcado pela cooperação e universalização de princípios e regras de convivência mútua – 
vide aquelas relativas às questões comerciais e sócio-ambientais –, que fundamentaria os 
direitos e os deveres dos Estados e dos povos. 
A primeira Guerra do Golfo, as questões étnico-religiosas e “civilizacionais”, a confusa 
geopolítica da região dos Bálcãs, entre outros fenômenos, trouxeram certa dose de 
pessimismo às relações internacionais. 
A nova postura da administração George W. Bush, principalmente após o ocorrido em 11 de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 246 de 323 
setembro de 2001, recrudesce este “olhar” mais realista sobre o contexto mundial atual. 
Hoje, o sistema internacional pressupõe dois tipos de forças aglutinadoras. As que buscam 
uma integração em escala global - vide papel e objetivo real da Organização Mundial do 
Comércio (OMC) - e aquelas que, mais pragmáticas, acreditam ainda em um mundo dividido 
em blocos e relações específicas, com questões pontuais a administrar. 
As muitas Conferências da OMC demonstram que o cenário que se projeta é aquele da 
integração “maior” não-completa. Não foram até agora dimensionados, de forma clara, os 
custos e os benefícios de uma integração “aberta”, tanto no que tange a comércio como 
naquilo referente a desenvolvimento sustentável, combate às desigualdades, resolução de 
conflitos, etc. Na verdade, o que sempre se vê nas Rodadas da Organização Mundial do 
Comércio, são impasses, celeumas e lides estabelecidas entre países. Raramente são vistas 
nos jornais notícias que indiquem grandes acordos ou cooperação ‘maior’ entre as nações. 
Numa visão mais histórica de todo este processo, é evidente que avanços ocorreram. 
Todavia, as relações internacionais vivem um momento de profunda hierarquização de 
forças, no qual são privilegiadas, principalmente a partir dos governos de países 
desenvolvidos, as questões da alta política em detrimento daquelas da baixa política. 
Em outras palavras, percebe-se um esforço maior para a discussão de temas sensíveis, 
todavia particularizados, estritamente relacionados a posições relativas de poder no sistema, 
enquanto que outros assuntos ainda são marginalizados e/ou tratados de forma retórica nos 
fóruns institucionais. 
Neste contexto descrito, é possível que prevaleça, por ora, um “integracionismo regional 
fechado” em contrapartida a um “integracionismo multilateral aberto”; principalmente nas 
questões de comércio. Por isso, o advento do “diplomata empresarial” é algo importante para 
as relações internacionais, pois ele é um desbravador de mercados, um aglutinador de 
interesses e, consequentemente, portanto, uma figura que pode contribuir para um maior 
“integracionismo multilateral aberto”. 
Este processo irá indicar o rumo das relações entre atores - estatais e não-estatais - nos 
próximos anos e, por conseguinte, determinará a eficiência no tratamento de outros assuntos 
da agenda de negociação internacional, entre estes os temas e as estratégias relativas à 
proteção da biodiversidade em escala global. 
O Brasil no Mundo do Século XXI 
Como em outras oportunidades ao longo de sua história, ao iniciar o século XXI o Brasil 
enfrenta desafios complexos quanto ao seu posicionamento no concerto das nações. Há cem 
anos atrás o Barão do Rio Branco, ao enfrentar um ciclo de globalização, instrumentalizou a 
diplomacia brasileira para enfrentar uma situação desfavorável, obtendo sucesso ao reafirmar 
a soberania do país. Depois, a partir de Vargas, o desafio do desenvolvimento industrial foi 
lançado, com a política externa brasileira tornando-se um instrumento estratégico para a 
realização de tal objetivo. 
Ao contrário de outros países da região, a diplomacia brasileira revelou-se um dos pilares de 
um projeto nacional de longo prazo, servindo de salvaguarda para o mesmo em momentos 
em que a política interna vacilava. Graças a isto, o Brasil tornou-se o quinto país do mundo 
em território (com seus imensos recursos) e em população (com sua enorme potencialidade) 
e, ao cabo de algumas décadas, a maior e mais completa economia ao sul do Equador, cujo 
PIB oscilou entre a oitava e a décima posição mundial. A política externa brasileira grangeou, 
então, elevada respeitabilidade no cenário internacional. 
Ao iniciar-se um novo ciclo de globalização, nas duas últimas décadas do século XX, novos 
desafios se abateram sobre a posição do Brasil no mundo. O Itamaraty, como em outras 
oportunidades, honrou a tradição de Rio Branco, estabelecendo como alternativa o 
aprofundamento de nossa inserção regional, da qual resultou a criação do Mercosul. 
Contudo, paralelamente, a elite dirigente aceitou quase passivamente as imposições de uma
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 247 de 323 
nova agenda internacional, formulada pelas grandes potências, diluindo conceitos 
estratégicos da diplomacia brasileira, como o de soberania, e abandonando a noção de 
projeto nacional. 
A condição para que o país não perca definitivamente a posição internacional que adquiriu no 
século XX é, em primeiro lugar, pluralizar ao máximo as relações com as potências do G-7, 
de forma a escapar de uma dependência unilateral, como no caso da ALCA, que contribuiria 
para isolar o Brasil do resto do mundo. Este processo deve ser acompanhado pela 
recuperação do Mercosul e ampliação da integração regional para o conjunto sul-americano, 
implementando as acertadas propostas da Cúpula de Brasília de setembro de 2000. 
A criação deste espaço regional deve, contudo, ser complementada por formas de 
cooperação estratégica com potências médias e emergentes como a China, Índia, Rússia e 
África do Sul. Além dos benefícios bilaterais e multilaterais que podem acarretar, estas 
relações precisam ser orientadas no sentido de contribuir para a construção de um sistema 
mundial multipolar, que rechace novas hegemonias. Mas, finalmente, há que atentar para os 
aspectos sociais internos, não apenas como instrumento de geração de um mercado interno 
sólido (indispensável na nova conjuntura), mas porque eliminará debilidades estruturais de 
nossa inserção internacional, viabilizando, assim, um projeto nacional. 
Avanços da política externa brasileira 
Apesar de certas críticas, provenientes de integrantes dos governos anteriores, a política 
externa brasileira tem demonstrado ser consistente e logrado novos e importantes avanços. 
A reunião com vizinhos do norte da América do Sul, após as insinuações do Secretário da 
Defesa norte-americano por ocasião da sua visita ao Brasil, a presença de união nacional 
nos funerais do Papa, aliada à possibilidade de um candidato brasileiro, a viagem do 
presidente à África e a Reunião de Cúpula dos Presidentes Árabes e Sul-Americanos 
realizada no Brasil são prova disso. 
Por ocasião da visita ao Brasil do ex-Secretário Donald Rumsfeld estabeleceu-se com o 
governo brasileiro uma importante agenda na área da segurança e combate ao terrorismo. 
Contudo, Rumsfeld aproveitou a ocasião para criticar certa conivência do Brasil para com o 
governo Chávez, da Venezuela, e renovar as insinuações de que as FARC (Forças Armadas 
Revolucionária da Colômbia) teriam apoiado o partido do presidente nas eleições de 2002. 
Numa atitude rápida e bem calculada o presidente, sob orientação do Itamaraty, convidou os 
presidentes dos dois países para uma reunião na fronteira de ambos, contando ainda com a 
presença do primeiro ministro espanhol, Zapatero, que discutia na Venezuela a venda de 
equipamento militar (o que também era criticado pelos EUA). 
Naquela oportunidade, franco, direto e objetivo, o presidente Lula reafirmou o princípio 
diplomático brasileiro de não ingerência nos assuntos internos de outros países, 
tranqüilizando tanto o presidente Uribe da Colômbia como o da Venezuela e garantindo ainda 
o direito venezuelano a modernizar seu equipamento defensivo, destinado a melhor controlar 
suas fronteiras e águas territoriais. A Espanha, por sua vez, assegurou a venda do 
equipamento, dentro das normas do direito internacional. Assim, antes que um mal-estar ou 
uma crise fossem produzidos, o problema foi solucionado imediatamente. 
Ao mesmo tempo, o convite do presidente para que os ex-presidentes José Sarney, Itamar 
Franco e seu antigo adversário político Fernando Henrique Cardoso o acompanhassem aos 
funerais do Papa no AeroLula, como é chamado popularmente o avião da presidência, 
demonstrou ao mundo certa união nacional no que concerne à candidatura do Brasil ao 
Conselho de Segurança (CS) da ONU, num momento de grande exposição de mídia. Mas 
não apenas isso, pois o gesto não deixou de ser também uma forma sutil de apoio a Dom 
Cláudio Hummes, um mundialmente prestigiado Cardeal brasileiro, que foi um dos 
candidatos à sucessão do Papa João Paulo II. 
Logo em seguida, o presidente iniciou sua 46ª viagem ao exterior, desta vez à África 
ocidental. Camarões, Nigéria, Gana, Guiné Bissau e Senegal foram visitados, estreitando-se 
laços comerciais, ajudando a estabilização democrática da Guiné Bissau (um país de língua
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 248 de 323 
portuguesa) e, last but not least, reforçando os apoios ao Brasil na candidatura ao Conselho 
de Segurança da ONU. Vale lembrar que a Nigéria é o país mais populoso da África e um 
dos grandes produtores de petróleo do mundo. A estabilidade da região, os imensos 
mercados potenciais e o abastecimento de petróleo são estratégicos para o Brasil. 
Por fim, houve certo mal-estar e críticas de Israel, quando o Chanceler Celso Amorim fez, 
uma visita ao Oriente Médio e não incluiu Israel em seu roteiro. Ocorre que a viagem teve 
como objetivo principal preparar a Reunião de Cúpula dos presidentes árabes e 
sul-americanos em Brasília. Também é conveniente lembrar que, após a visita do presidente 
à região, o comércio bilateral cresceu cinco vezes e tende a aumentar. 
Quanto a Israel, o Brasil apóia o processo de paz e, principalmente, a normalização das 
relações deste país com seus vizinhos (incrementando paralelamente sua segurança), o que 
será um avanço notável para a integração regional. E, obviamente, o protagonismo brasileiro 
na região, que também visa obter apoio para a candidatura ao CS, deverá tornar o Brasil um 
país mais cotado para a diplomacia israelense. Assim, a política externa brasileira continua 
demonstrando vitalidade e logrando avanços. 
A Diplomacia do Governo Lula 
Introdução 
O Presidente Lula referiu-se em seu discurso de posse à energia ético-política 
extraordinária do atual momento nacional. Em poucas ocasiões em nossa História 
dispusemos de um capital político comparável ao que se expressa hoje pela voz do 
Presidente Lula e de seu Governo. 
O Brasil é um ator importante no cenário internacional por suas dimensões, por sua 
relevância política e econômica, pela força de sua identidade. Mas somos também uma 
nação em desenvolvimento que se ressente de sérias vulnerabilidades econômicas e sociais. 
Reconhecemos isto com objetividade e capacidade de autocrítica. Não desejamos cair, seja 
no ufanismo irrealista, seja num ceticismo que conduz à passividade e a posturas meramente 
reativas. 
A ação diplomática do Governo Lula está impregnada de uma perspectiva humanista, que faz 
com que seja, a um só tempo, instrumento de desenvolvimento nacional e defensora de 
valores universais. Assim, nos concentraremos tanto em projetos de interesse imediato – 
com ênfase na promoção da integração do MERCOSUL e da América do Sul, na articulação 
de uma agenda comercial afirmativa e na intensificação de parcerias bilaterais – como em 
objetivos de natureza mais ampla, como a redução do hiato entre ricos e pobres, a promoção 
e proteção dos direitos humanos, a defesa do meio ambiente e a construção de um mundo 
mais justo, mais seguro – e mais pacífico - com base no Direito Internacional e nos princípios 
do multilateralismo. 
A América do Sul 
Nossa prioridade é indiscutivelmente a América do Sul. Uma América do Sul politicamente 
estável, socialmente justa e economicamente próspera é um objetivo a ser perseguido não só 
por natural solidariedade, mas em função do nosso próprio progresso e bem-estar. 
O espaço econômico unificado que procuraremos construir terá como alicerces o livre 
comércio e projetos de infra-estrutura entre os países sul-americanos, com o indispensável 
reconhecimento de que há situações de assimetria a serem levadas em conta. 
Dispomos de uma sólida base de amizade e cooperação com cada um dos países da região, 
a qual se beneficia, hoje, de um forte compromisso democrático. 
Em todos os contatos que tenho tido, e nos que pude observar do Presidente Lula com outros 
Presidentes, percebo o enorme interesse em compartilhar não só os programas, mas a 
energia reformadora no campo social, que é a marca principal do atual Governo.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 249 de 323 
Com a Argentina desejamos um aprofundamento da aliança estratégica, com vistas a 
transformá-la no motor da integração da América do Sul, a começar pela revitalização do 
MERCOSUL. O objetivo é ir além da liberalização dos fluxos de comércio intrazona, 
consolidar a União Aduaneira e avançar em direção ao Mercado Comum. Esperamos – mais 
do que isso, estamos seguros - que quem quer venha a ser eleito Presidente, no pleito que 
se avizinha nesse país irmão, compartilhará esta visão. 
No processo de integração do MERCOSUL, o Governo Lula se compromete a fazer sua 
parte, com vistas à eliminação de barreiras e ao fortalecimento da coesão interna. 
Reconhecemos que o fato de sermos a maior economia nos impõe responsabilidades 
especiais e exige de nós não só uma clara visão estratégica, mas até mesmo, em muitos 
casos, generosidade. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para impedir que o 
burocrático se sobreponha ao político. Ao mesmo tempo consideramos essencial a unidade 
do MERCOSUL em seu relacionamento externo. Esta é a essência da mensagem que levei 
nas viagens que fiz aos nossos três sócios, nestes primeiros meses de governo. 
A dimensão social da integração já está sendo revalorizada. Em última instância, a integração 
política demandará a criação de um Parlamento do MERCOSUL, idéia sobre a qual já 
começamos a trabalhar com nossos vizinhos. 
Os Acordos de Complementação Econômica firmados com Chile e Bolívia e o 
aprofundamento das relações econômicas e comerciais com os países do norte da América 
do Sul constituem aspectos essenciais do projeto de criação de um espaço comum de 
integração. 
O patrimônio de integração gerado pelo sistema ALADI será valorizado, em consonância com 
a perspectiva de pleno aproveitamento dos interesses comuns e afinidades que nos unem ao 
mundo latino-americano e do Caribe como um todo. 
A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica oferece um mecanismo para 
intensificarmos a coordenação política com os países da bacia Amazônica e ampliarmos a 
cooperação nas áreas ambiental, de educação e saúde. 
Para sermos capazes de contribuir de maneira efetiva para a diminuição das tensões 
políticas e sociais que afetam a região, precisamos desenvolver uma compreensão 
aprofundada tanto de suas raízes comuns, como de suas complexidades individuais. 
Desde que assumi minhas funções, tenho dedicado considerável tempo às tentativas de 
contribuir para um encaminhamento positivo da situação na Venezuela, tendo sempre 
presente o postulado básico da não-intervenção. Constituímos um ‘grupo de amigos’ 
integrado por Chile, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal, além do Brasil, para apoiar 
e complementar os esforços do Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos, 
César Gaviria. Respeitado o primado da democracia e da constitucionalidade – e, portanto, a 
legitimidade do Governo do Presidente Hugo Chávez - procuramos facilitar o diálogo que 
possa levar a um convívio construtivo e benéfico para a nação venezuelana e para a região. 
Nossas sugestões - e não nos furtamos a fazê-las – têm que ser vistas neste contexto: como 
uma contribuição ao diálogo, pois estamos convictos de que, em última instância, cabe aos 
venezuelanos – e somente a eles – encontrar as soluções para os seus problemas. Tudo o 
que podemos fazer é ajudar na criação de um clima de confiança que conduza a este 
objetivo. 
A violência política na Colômbia requer um acompanhamento igualmente atento, por seu 
potencial desestabilizador. A visita do Presidente Uribe ao Brasil em 7 de março permitiu um 
intercâmbio extremamente útil entre os líderes dos dois países. Dentre as idéias aventadas, 
figurou a do estabelecimento de um embargo contra todos os movimentos armados – 
guerrilha e para-militares - sob supervisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas. 
Acordamos também revitalizar a Comissão de Vizinhança Brasil-Colômbia, com vistas a 
estimular a cooperação bilateral em variados campos e, sobretudo, a uma maior sintonia 
entre os dois Governos em temas relacionados à fronteira comum, com ênfase no combate 
ao narcotráfico.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 250 de 323 
O desejo de maior entrosamento entre os Governos da América do Sul já se espelha em uma 
agenda de encontros, de freqüência raramente vista, com os líderes dos países da região, 
além, naturalmente, do diálogo permanente entre nossas Chancelarias. Estamos imprimindo 
um caráter, ao mesmo tempo, substantivo e informal a estes encontros. Nos próximos dias, 
estão previstas visitas ao Brasil dos Presidentes Toledo, do Peru, Chávez, da Venezuela, 
Sánchez de Lozada, da Bolívia, e Batlle, do Uruguai. Já recebemos em Brasília os 
Presidentes Duhalde, da Argentina, e Uribe, da Colômbia. O Presidente Lula esteve na posse 
do Presidente Gutierrez do Equador e visitou o Chile como Presidente-eleito. De minha parte, 
estive em Buenos Aires, em Assunção e, por duas vezes, Montevidéu. 
A criação da Subsecretaria-Geral para a América do Sul nos fornecerá uma estrutura melhor 
aparelhada para esta intensa articulação diplomática com nossos vizinhos sul-americanos. 
O compromisso com o multilateralismo na construção da paz 
O 11 de setembro trouxe o combate ao terrorismo à frente da agenda internacional. A escala 
e o horror do atentado contra o World Trade Center em Nova York despertaram na 
superpotência do pós-Guerra Fria um sentimento de vulnerabilidade sem precedentes, cujo 
impacto sobre o ordenamento internacional continuará a se fazer sentir por muito tempo. 
Passado o momento inicial de apoio consensual à resposta militar norte-americana contra os 
fundamentalistas do Talibã e do Al Qaeda, a opção militar como forma de assegurar o 
desarmamento do Iraque não obteve o apoio do Conselho de Segurança, provocando cisão 
inédita na OTAN e polarizando a opinião pública mundial. A instabilidade inerente a um 
sistema de desequilíbrio de poder se viu agravada por fortes divergências na forma de avaliar 
as ameaças e de como lidar com elas. 
O Brasil defendeu com firmeza que o Iraque cumprisse plenamente suas obrigações, em 
particular no que tange ao trabalho dos inspetores da ONU, para garantir que as armas de 
destruição em massa estivessem efetivamente eliminadas. Apoiamos todas as resoluções 
pertinentes do Conselho de Segurança e exortamos o Iraque a cumpri-las. Víamos mérito na 
tese de reforçar as inspeções e dar tempo para que pudessem provar sua utilidade. 
Sabíamos que o custo, em termos humanos, de uma ação militar seria muito alto. 
Lamentamos, assim, que não se tenha perseverado na busca de uma solução pacífica para a 
crise. 
Em linha com estas preocupações, o Presidente da República e eu próprio mantivemos 
contatos com nossos homólogos dos países da nossa região, e de fora dela, sobretudo com 
os atores com maior influência no processo. Em cartas endereçadas a Kofi Annan e à Sua 
Santidade o Papa João Paulo II – que tive a honra de entregar pessoalmente - o Presidente 
Lula consignou o consenso nacional em favor da paz e do respeito ao direito internacional no 
encaminhamento da questão do Iraque. 
Estas palavras abstratas não devem encobrir o sentido trágico, o espanto e a dor da guerra, 
que tanto nos abala, além das implicações mundiais e regionais. 
Ao olharmos para o futuro, continuamos a considerar que a concertação diplomática 
representa a melhor forma de se forjar um consenso internacional na luta contra a 
proliferação de armas de destruição em massa, o terrorismo e outras ameaças à paz e 
segurança internacionais. 
O tema do Iraque continua a confrontar a comunidade internacional com enormes desafios, 
para além das repercussões que possa ter no próprio Oriente Médio. 
As Nações Unidas não devem limitar-se a limpar os escombros dos conflitos que ela não 
tenha sido capaz de evitar. Reconhecemos e valorizamos o seu papel na prestação de 
assistência humanitária e na reconstrução institucional. Mas a ONU não é a Cruz Vermelha. 
A preservação da paz e segurança internacionais com pleno respeito aos princípios da Carta 
é, e deve continuar a ser, sua principal missão.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 251 de 323 
Um mundo em que o recurso à força deixe de se fundamentar em regras multilaterais será 
intrinsecamente instável, estruturalmente inseguro. 
Privilegiamos o multilateralismo em toda a amplitude de seu sentido democrático, como a 
única via dotada de legitimidade para solucionar os problemas que requerem cooperação 
internacional, por mais que os seus debates possam parecer, por vezes, prolongados e 
frustrantes. 
Do mesmo modo que repudiamos, no plano interno, a eficácia ilusória da autocracia, 
tampouco desejamos, no plano das relações internacionais, decisões unilaterais que 
desconsideram a diversidade de opiniões e os critérios multilateralmente estabelecidos. 
Como disse ontem o Presidente do Senado Federal, tão urgente quanto a reconstrução do 
Iraque é a reconstrução das próprias Nações Unidas. De particular relevância neste contexto 
é a questão da reforma do Conselho de Segurança. Órgão principal do sistema da ONU, o 
Conselho de Segurança deve sua autoridade à sua representatividade. Seu fortalecimento 
requer o aperfeiçoamento de seus métodos de trabalho e sua ampliação equitativa, o que 
significa essencialmente contar com países em desenvolvimento entre seus membros 
permanentes. Este não é um objetivo deste ou daquele país. É uma necessidade do próprio 
sistema internacional. 
Em janeiro de 2004, voltaremos a integrar o Conselho de Segurança por mais um biênio, 
como membros não-permanentes. Será a nona vez, desde que as Nações Unidas foram 
criadas, que participaremos dos seus trabalhos. Para um Governo comprometido com o 
multilateralismo e com a paz, trata-se de uma oportunidade valiosa. A complexidade e a 
profundidade da crise atual impõem que nos antecipemos à nossa acessão formal ao 
Conselho e busquemos ativamente participar das articulações internacionais em torno do 
pleno restabelecimento da paz e da segurança. 
Em paralelo, não podemos descuidar do trabalho da Assembléia Geral na área do 
desarmamento e não-proliferação, que são duas faces de uma mesma moeda. Como 
integrantes do grupo da chamada Nova Agenda (composto também por África do Sul, Egito, 
Irlanda, México, Nova Zelândia e Suécia), manteremos uma ação coordenada sobre o tema 
da eliminação total de armas nucleares, sem a qual todos os esforços com vistas à não 
proliferação de armas de destruição em massa permanecerão incompletos. 
A História nos confronta com sérias responsabilidades na reorganização das relações 
internacionais. O momento exige diálogo, diplomacia, negociação, liderança política, moral e 
até mesmo espiritual, como disse o Presidente em sua carta ao Papa. A mesma aspiração 
por desenvolvimento e progresso social, que moldam a ação governamental em âmbito 
interno, nos mobilizará nos planos regional e global. Nossa aspiração por paz e solidariedade 
passa necessariamente por uma atenção detida para as carências dos menos favorecidos. 
Às visões da ordem internacional, que privilegiam a força e concebem o multilateralismo 
como apenas uma opção entre muitas, devemos contrapor um projeto de paz com justiça 
social, fundado em formas de concertação democrática e no direito internacional. 
A entrada em operação do Tribunal Penal Internacional constitui um passo encorajador nessa 
direção. Ao comparecer a sua inauguração, em princípios de março, pude não somente 
cumprimentar a brasileira Sylvia Steiner, eleita Juíza do Tribunal, como expressar o apoio do 
Governo brasileiro ao aparelhamento do direito internacional para reduzir a margem de 
impunidade para perpetradores de crimes contra a humanidade. É um instrumento 
importante, cuja aplicação não deve comportar restrições ou tratamentos excepcionais. 
Devemos preservar as conquistas conceituais que emergiram das grandes Conferências da 
década de noventa sobre direitos humanos, população, desenvolvimento social, situação da 
mulher, combate ao racismo, bem como transformá-las em ações práticas. A importância 
atribuída à promoção e proteção dos direitos humanos se reflete, no plano interno, na criação 
de Secretarias Especiais para a promoção da igualdade racial, de políticas para as mulheres, 
da assistência e promoção social. Juntamente com a Secretaria de Direitos Humanos, esses 
órgãos auxiliarão o Itamaraty em nossa atuação externa, regional e multilateral.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 252 de 323 
A prioridade atribuída pelo Presidente da República ao combate à fome e à luta contra a 
pobreza cria uma expectativa de um papel protagônico do Brasil na promoção dos direitos 
econômicos, sociais e culturais. Esta ênfase não significa desatenção para os direitos civis e 
políticos, cuja valorização - para uma democracia que se consolida como a brasileira – 
permanece parte integral da orientação humanista da diplomacia do Governo Lula. 
O Fome Zero, que incorpora programas de educação, saúde, erradicação do trabalho infantil, 
geração de emprego e de renda, deverá agir como um projeto aglutinador em prol da 
inclusão social. 
Mas era preciso, também, levar esta mensagem ao plano global. Foi o que o Presidente Lula 
fez ao deslocar-se de Porto Alegre para Davos. 
Inseridos que estamos no Continente de maior diversidade biológica do planeta – a América 
do Sul – queremos consolidar os avanços logrados nas Conferências do Rio de Janeiro e de 
Johanesburgo, o que só será possível mediante forte engajamento político. 
Dispomos de uma liderança de especial ressonância neste âmbito, na pessoa da Ministra 
Marina Silva, cuja trajetória pessoal e política é um emblema e uma fonte de inspiração para 
o tratamento individual e coletivo do complexo temário ambiental. 
O reconhecimento de que vivemos num mundo crescentemente interligado não deve implicar 
renúncia a nossa capacidade de intervir na realidade para corrigir desequilíbrios e injustiças. 
Sem querer emprestar-lhe palavras que ele não usou, poderia dizer que a essência da 
mensagem do Presidente Lula aos líderes da economia e da política mundial, reunidos nos 
Alpes suíços, foi a de que não há sustentabilidade econômica sem sustentabilidade social. 
Uma agenda comercial afirmativa 
O Brasil responde por menos de 1% dos fluxos de comércio internacional - participação 
modesta para país de estrutura produtiva agrícola e industrial do porte da nossa. Os 
resultados já obtidos no primeiro trimestre deste ano, com um crescimento de 26,5% sobre o 
valor exportado em mesmo período no ano passado, podem ser vistos como encorajadores e 
apontam na direção de uma política comercial mais afirmativa. 
Parte dessa mobilização terá que se desenvolver no plano interno. Na área externa, o 
Governo do Presidente Lula empreenderá esforços também para abrir novos mercados e 
reduzir as barreiras às exportações brasileiras. 
É de nosso interesse atuar nos diversos tabuleiros, o da OMC, o da ALCA, o das 
negociações MERCOSUL-União Européia, entre outros, movidos pela busca de vantagens 
concretas e cientes de nosso status de país em desenvolvimento, que precisa preservar 
espaços para políticas sociais, tecnológicas, industriais. 
Dada a estrutura do comércio exterior brasileiro, com interesses econômica e 
geograficamente diversificados, a OMC – foro que ganha um caráter verdadeiramente 
universal com a adesão plena da China e, em breve, da Rússia - permanece um palco 
privilegiado de negociações. A atuação do Brasil na OMC se pautará pela construção de um 
sistema multilateral de comércio mais eqüitativo, mediante a correção de distorções e a 
diminuição das restrições à nossa capacidade de fomentar políticas voltadas para o 
desenvolvimento. Trata-se de uma verdadeira batalha pela eliminação de barreiras e 
subsídios e pelo nivelamento das regras do jogo que está sendo enfrentada com 
determinação. 
Todos sabemos que o comércio pode ter grande efeito gerador de crescimento econômico e 
riqueza. Na prática, contudo, os mais desenvolvidos não hesitam em manter sua própria 
lógica do livre comércio e cercar-se ao mesmo tempo de regimes de exceção para setores 
em que demonstram vulnerabilidades, como o agrícola, o siderúrgico, o têxtil – justamente 
aqueles em que os países em desenvolvimento demonstram vantagens comparativas. 
As anomalias do comércio agrícola constituem uma disfunção particularmente intolerável. O
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 253 de 323 
Brasil é extremamente competitivo e perde bilhões de dólares anualmente em exportações 
nesse setor. Temos consciência de que, independentemente das possibilidades de acesso 
aos mercados hemisférico e europeu que poderão advir das negociações da ALCA e de um 
acordo com a União Européia, a solução para o comércio agrícola passa em boa medida pela 
OMC - sobretudo no que se refere à eliminação dos subsídios e maior disciplina para as 
medidas de apoio doméstico. A persistência de impasses em agricultura, na rodada de Doha, 
não deixará de afetar as negociações multilaterais como um todo e os processos plurilaterais. 
Igualmente preocupante é a falta de progresso em outras áreas de especial interesse para o 
Brasil e os países em desenvolvimento, como as da Implementação dos resultados da 
rodada Uruguai, Tratamento Especial e Diferenciado, e a operacionalização do parágrafo 6 
da Declaração sobre TRIPs e Saúde Pública. 
Assumimos, em 1o de novembro passado, a co-Presidência das negociações para uma Área 
de Livre Comércio das Américas (ALCA), que ingressam em fase de definições, com o início 
do intercâmbio de ofertas e revisão de ofertas já apresentadas. Até o momento, o 
MERCOSUL apresentou ofertas em bens agrícolas e não-agrícolas. Em parte em função da 
natureza discriminatória da oferta norte-americana em bens, o Brasil e a Argentina decidiram 
deixar para outro momento a apresentação de oferta em serviços. Nenhum dos quatro sócios 
do MERCOSUL apresentou ofertas em investimentos ou compras governamentais. É forçoso 
reconhecer que as negociações em torno da ALCA suscitam expectativas e inquietações 
legítimas junto à opinião publica. Parlamentares, representantes do setor privado, sindicatos, 
organizações não- governamentais desejam conhecer os contornos específicos das 
negociações para poder expressar seus pontos de vista e contribuir para a definição de 
posições negociadoras. Paralelamente não podemos desconhecer que o mercado 
norte-americano e outros são potencialmente muito atraentes para vários setores de nossa 
indústria e do agro-negócio. Em consonância com o primado da democracia que orienta toda 
a ação governamental, favorecemos um amplo debate nacional sobre a ALCA, garantindo a 
transparência do processo em todas suas etapas. Não deixaremos que o automatismo, 
característico de muitos processos negociadores, prevaleça sobre a avaliação cuidadosa – e, 
tanto quanto possível, consensual na sociedade – do interesse brasileiro. 
Com a União Européia, o MERCOSUL busca formar uma associação inédita entre dois 
blocos econômicos. A conclusão dessa negociação em 2005 coincidirá com o término 
previsto para os processos da OMC e da ALCA e constitui indispensável fator de equilíbrio, 
sobretudo em relação a esta última. A expectativa é de que até o final do ano corrente se 
consiga negociar os contornos de um acordo equilibrado, capaz de atender aos interesses do 
MERCOSUL - que cumpriu sua parte ao apresentar oferta cobrindo 83,5% do valor do 
comércio para fins de desgravação em dez anos. Esperamos que a parte européia responda 
com uma proposta de acesso significativo, sobretudo em agricultura. 
Para que estes exercícios de natureza hemisférica e inter-regional se traduzam em 
verdadeiras vantagens para o Brasil, é necessário que as negociações comerciais 
multilaterais na OMC avancem concomitantemente. Na realidade, as três negociações 
configuram um exercício único e interligado, na medida em que nossos parceiros remetem ao 
contexto da rodada de Doha não só a consideração dos temas relacionados ao capítulo 
agrícola, como também o exame das regras (anti-dumping e subsídios, entre outros). 
Tenciono explorar outras possibilidades de aproximação econômico-comercial com parceiros 
do mundo em desenvolvimento e dedicarei atenção especial à promoção de novos 
entendimentos com o México, África do Sul, China, Índia, os países da Associação do 
Sudeste Asiático e, de modo muito especial, o mundo árabe. 
Os debates em curso na América Latina, Ásia e África sobre modelos de desenvolvimento 
mais sintonizados com as circunstâncias sócio-econômicas das populações do Sul 
convergirão para a XI Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, a 
realizar-se no Brasil em junho de 2004. A UNCTAD, que tem sido capaz de revitalizar-se 
como foro e como instituição, sob o comando do nosso compatriota, o Embaixador Rubens 
Ricupero, continuará a merecer todo o apoio do Governo brasileiro pela pertinência de sua 
contribuição analítica e propositiva, centrada na perspectiva do mundo em desenvolvimento.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 254 de 323 
Parcerias diversificadas com países desenvolvidos e em desenvolvimento 
Definida a prioridade sul-americana, cabe traçar os elementos mais marcantes de nossa 
pauta diplomática com outras regiões do mundo. 
A preeminência econômica e militar dos Estados Unidos, no atual contexto internacional, 
situa o relacionamento com Washington em uma categoria à parte. Como afirmei em meu 
discurso de posse, nosso desejo é o de fortalecer as bases para o entendimento construtivo 
e a parceria madura. Os contatos iniciais entre os dois Chefes de Estado foram positivos. 
Continuo a trabalhar com o Secretário de Estado Colin Powell em torno da idéia de uma 
reunião de cúpula bilateral. Dentro de um mês, receberei pela segunda vez o Representante 
Especial para Comércio, Bob Zoellick. Estes contatos têm contribuído para manter a ênfase 
em agricultura da rodada de Doha, em sintonia com as preocupações do Brasil e demais 
membros do Grupo de Cairns. 
Tanto em âmbito multilateral, como no quadro mais estritamente bilateral, as duas maiores 
democracias das Américas terão interesse em aperfeiçoar os mecanismos de consulta e 
conhecimento recíproco de posições. O diálogo político com os EUA, respeitadas as 
diferenças de ponto de vista, permanece essencial. A presença dos EUA no ´grupo de 
amigos` da Venezuela deve ser encarada sob este prisma. Meus contatos com o Secretário 
de Estado têm sido freqüentes e construtivos. 
O atual Governo dá especial importância ao estreitamento dos laços políticos com a Europa, 
numa visão de mundo que privilegia a busca de uma saudável multipolaridade. Desde já, 
pode-se afirmar que as visitas do Presidente Lula a Berlim e Paris terão ajudado a criar uma 
base sólida de confiança pessoal entre os mandatários destes países, a ser valorizada e 
expandida. Além dos países mencionados, manteremos consultas bilaterais políticas com o 
Reino Unido, e o Presidente deve visitar Espanha e Portugal ainda este ano. A Comissão de 
Alto Nível Brasil-Rússia deverá contar, este ano, com um componente empresarial. Eu 
próprio já estive duas vezes, em menos de três meses, com o Chanceler Ivanov para 
conversas de cunho político. Juntamente com os outros membros da Tróica do Grupo do Rio, 
participei de densa e proveitosa reunião com o Presidente Putin. Na seqüência dos contatos 
do Presidente Lula com o Chanceler Schroeder e o Presidente Chirac, mantive consultas 
políticas com os Ministros Joschka Fischer e Dominique de Villepin para tratar de temas da 
atualidade e questões estruturais, como a reforma das Nações Unidas no novo contexto 
internacional. Também em Atenas, em reunião entre Ministros da América Latina e da União 
Européia, pude participar de um intercâmbio extremamente útil, e sob muitos aspectos crítico, 
sobre o futuro da cooperação internacional e do multilateralismo. Este debate incluiu a 
necessidade de repensar o sistema financeiro internacional, bem como a de refletir sobre 
uma nova barganha com a maior potência, que conduza a relações mais equilibradas, com 
reforma das Nações Unidas, em benefício de todos. 
Recebi em princípios do ano o Chanceler do Canadá, para um encontro produtivo de 
renovação do diálogo e da cooperação. A presença do México no Conselho de Segurança e 
seu ativo papel na OMC me têm levado a conversar freqüentemente com o Chanceler 
Derbez a respeito do temário internacional, político e econômico. Com o Japão desejamos 
estabelecer uma interação comercial mais dinâmica, compatível com a importância das duas 
economias e com o intenso intercâmbio humano, que marca a História das relações 
nipo-brasileiras. 
Com a África desejamos promover uma política verdadeiramente preferencial, em 
consonância com os interesses de amplos setores da sociedade brasileira e, particularmente, 
dos afro-descendentes. Em maio, o Presidente Lula abrirá um grande Fórum Brasil-África, 
em Fortaleza, com vistas à coleta de subsídios para a reformulação e redefinição de nossa 
política africana. Na presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, estamos 
procurando traduzir em projetos diversificados a natural afinidade e solidariedade que 
nutrimos pelos povos de cada um de seus membros. Em São Tomé e Príncipe deverá ser 
inaugurada, em breve, uma Embaixada residente do Brasil. Tenho mantido contatos também 
com a Ministra Azuma da África do Sul para examinar formas de impulsionar o 
relacionamento bilateral. O Presidente Lula tenciona realizar uma viagem à África em agosto.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 255 de 323 
O itinerário deverá incluir Angola e África do Sul, entre outros países. 
O aprofundamento das relações com o Oriente Médio se processará tanto pela via bilateral 
como por intermédio de contatos mais sistemáticos com a Liga dos Estados Árabes, o 
Conselho de Cooperação do Golfo e a União do Magrebe Árabe. O contato de alto nível se 
inaugurará com a visita ao Brasil do Primeiro-Ministro do Líbano, Rafic Hariri – que participará 
do III Congresso do Conselho Empresarial Internacional Libanês, a realizar-se em São Paulo 
no mês de junho. Outras iniciativas estão previstas tanto no plano político quanto no 
econômico-comercial. Por se tratar do país da região com maior população e economia mais 
diversificada, o Egito retem particular relevância neste contexto. 
Tenho mantido interlocução intensa com os Embaixadores do Conselho de Cooperação do 
Golfo e demais países árabes em Brasília. De todos recebi manifestações de apreço pelos 
esforços do Governo brasileiro em explorar soluções pacíficas para os problemas da região. 
A posição brasileira em defesa da rápida implantação de um Estado Palestino independente, 
e do direito à segurança de Israel dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas, é 
apreciada. 
As relações com China e Índia atravessam importante período de redimensionamento. A 
RPC passou à condição de quarto maior importador de produtos brasileiros em 2002. A 
cooperação espacial prossegue com o lançamento do segundo satélite, estando prevista a 
construção de outros satélites inclusive de telecomunicações. Em parceria com empresa 
chinesa, a Embraer está presente em Harbin. O primeiro avião produzido em joint-venture 
ficará pronto em novembro deste ano. A parceria estratégica se completa com um diálogo 
político de alto nível e um cronograma intenso de visitas de parte a parte. Em telefonema ao 
recém-nomeado Chanceler Li Zhao Xing, pude reafirmar nosso propósito de trazer o 
relacionamento bilateral a patamares ainda mais elevados, conforme afirmara o Presidente 
Lula em jantar na Embaixada da RPC há poucas semanas. 
As relações com a Índia também adquirem nova relevância. Nos últimos três anos, o 
comércio bilateral triplicou em valor, situando-se hoje em 1,2 bilhão de dólares. Em princípios 
de junho, receberei a primeira visita de um Chanceler da Índia ao Brasil, estando prevista sua 
permanência em Brasília para um encontro trilateral com nossa homóloga sul-africana. Este 
encontro, que pode ser qualificado como sul-sul-sul, oferecerá oportunidade para uma 
concertação de certa forma inédita. O Ministro indiano da Defesa também deverá vir ao Brasil 
nos próximos meses. 
A pauta comercial continuará a merecer atenção prioritária em nossas relações com os 
países da ASEAN. Destaco, neste contexto, a recente visita ao Brasil do Primeiro-Ministro 
Mahatir Mohamed, da Malásia, e o importante encontro com o Presidente Lula. Na condição 
de Presidente do Movimento Não-Alinhado, Mahatir compartilhou com o Governo brasileiro 
suas percepções sobre a agenda internacional e o papel que podem hoje assumir os países 
em desenvolvimento em defesa de uma ordem internacional mais sensível a suas carências. 
Embora fora do âmbito estritamente político-diplomático, não posso deixar de mencionar que 
o crescente número de brasileiros que vivem no exterior apresenta novos desafios à atividade 
consular, que deve estar aparelhada para a prestação de uma assistência expedita e cada 
vez mais individualizada. Sempre que surgirem situações de instabilidade, como a que ora se 
verifica no Golfo, serão montados esquemas especiais de atendimento a nacionais que 
precisem de proteção ou desejem regressar ao Brasil. Não devemos esquecer que a 
assistência consular é a vitrine do Itamaraty no exterior. É fundamental que tenhamos uma 
atitude de cortesia e interesse pelos problemas e indagações daqueles que procuram um 
Consulado brasileiro. 
Conclusão 
Para enfrentar os desafios da hora presente será indispensável poder contar com lideranças 
dotadas de credibilidade e autoridade. O Brasil tem responsabilidades a assumir. Participar 
de sua ação diplomática deve ser visto como muito mais do que um simples emprego. 
Trata-se, estou seguro, de envolvimento em um esforço coletivo de ressonância histórica. Os 
jovens diplomatas que ingressam no Itamaraty devem ter a certeza de que o País necessita
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 256 de 323 
de seu talento e criatividade na projeção dos valores e objetivos que hoje inspiram a ação 
governamental no plano internacional, em defesa da Paz e do Direito e na busca do 
desenvolvimento e da justiça social. 
A título de comentário pessoal, confesso que olho para os que começam hoje a carreira 
diplomática com uma certa inveja. Aqueles que são da minha geração tiveram que enfrentar 
traumas e sofrimentos decorrentes de limitações à livre expressão de idéias – que felizmente 
fazem parte do passado. 
Não queria concluir sem uma palavra a respeito da administração interna do Ministério. A 
perspectiva humanista que o Presidente Lula está imprimindo à atuação do Governo deve 
também encontrar reflexo em nossas circunstâncias de trabalho no Itamaraty. As questões 
administrativas e de organização da carreira, bem como aquelas que se referem à 
discriminação de etnias e de gênero assumem especial importância neste contexto. 
Comprometi-me, em meu discurso de posse, a examinar sugestões e reivindicações. Tenho 
presente a necessidade de atender às justas expectativas por renovação e previsibilidade. 
Estou certo de que, juntos, encontraremos as melhores soluções para promover as 
transformações necessárias. 
Outros tópicos (notíciário) 
 
Brasil, Venezuela e a Disputa pela Liderança Sul-americana 
A relação entre os governos de Chavez e Lula no âmbito da política internacional é complexa. 
Para o mundo desenvolvido, ambos pertencem a um campo político comum, sendo 
identificados com a chegada ao poder da esquerda na América do Sul. Porém, há uma 
disputa clara entre os dois líderes pela liderança na região. Configura-se, assim, uma 
situação em que, em relação ao contexto regional, Brasil e Venezuela se definem como 
amigos para fora, e competidores para dentro. É nessa ambigüidade fundamental que 
residem as armadilhas para as políticas externas dos dois países. 
Desde o início de seus governos, tanto Chavez quanto Lula assumem a postura de 
redentores da nação, amparados em uma retórica anti-establishment e pela oferta de 
benefícios materiais aos menos favorecidos. Ainda que Chavez tenha um discurso muito 
mais contundente contra os EUA, ambos se consideram aliados em um projeto político 
alternativo, o qual busca a integração regional não pautada pelos centros globais de poder. 
Porém, na prática, a oposição à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) proposta pelos 
norte–americanos está fragmentada. De um lado, o Brasil, a partir do Mercosul, defende a 
constituição da Área de Livre Comércio Sul-Americana (ALCSA) e da Comunidade 
Sul-Americana de Nações, dando início a um ambicioso projeto de integração de 
infra-estrutura na região. Por outro, a Venezuela, ainda que em processo de ingresso como 
membro pleno do Mercosul, tem estreitado seus laços econômicos e políticos com Cuba, e 
enfatizado a necessidade de uma Alternativa Bolivariana para a América Latina e o Caribe 
(Alba); alternativa essa claramente contrária aos princípios do livre comércio e 
potencialmente perigosa à defesa dos direitos humanos. A incorporação da Bolívia no projeto 
regional de Chavez – demonstrada pelo apoio venezuelano à nacionalização das refinarias da 
Petrobrás no país – causa o primeiro choque de interesses entre Chavez e Lula. Esse 
episódio marca o início de uma série de conflitos que estão por vir, e desperta a diplomacia 
brasileira para a dinâmica da disputa entre os dois países, ainda em tempo de evitar os 
efeitos nocivos daí provenientes. 
Tais efeitos podem ser observados a partir das conseqüências de uma outra experiência de 
disputa regional, a saber, o processo de unificação da Alemanha, na segunda metade do 
século XIX. Cabe recordar que tanto a tradicional monarquia Austríaca, como a Prússia 
partilhavam de muitos interesses e valores comuns, entre os quais a defesa da tradição 
monárquica nos moldes absolutistas, a promoção e revalorização da cultura e tradição
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 257 de 323 
alemãs, e a oposição política à França. Todavia, com a ascensão de Bismarck em 1862, a 
Prússia põe em prática uma política externa mais assertiva em busca da hegemonia sobre os 
reinos teutônicos. Esse processo, a despeito da aliança entre Áustria e Prússia numa guerra 
imposta à Dinamarca em 1864, desembocaria em uma guerra entre Prússia e Áustria, 
envolvendo exatamente a partilha dos espólios obtidos no conflito anterior. Ao final dessa 
etapa, a Prússia havia criado a Confederação do Norte, submetendo os principados 
germânicos ao seu poder e expulsando a Áustria desses territórios. Posteriormente, o país 
avançou seu projeto à custa da França, contra quem se envolveu em um conflito para forçar 
os principados do sul a aceitarem sua hegemonia. Após a unificação alemã, a Áustria perdeu 
sua importância no cenário europeu e a Alemanha passou a ser o pólo central e 
desestabilizador das relações continentais, até à eclosão da Primeira Guerra Mundial. 
Embora o rearmamento das forças armadas venezuelanas sob o pretexto da ameaça 
norte-americana e algumas manifestações de Chavez sobre seus vizinhos sejam indícios 
inquietantes, a disputa pela hegemonia na América do Sul dificilmente envolverá conflitos 
armados. Contudo, práticas assertivas de política externa que visam à integração regional 
conduzidas por uma única liderança são desestabilizadoras em sua essência, pois afetam 
interesses que vão muito além do âmbito regional. Esse é o principal aprendizado da 
experiência alemã. 
Em relação à América do Sul, há o agravante de que a postura confrontacionista da 
Venezuela vem atraindo atenção de modo negativo e suscitando ações por vezes até 
retaliatórias da parte dos Estados Unidos em relação à região. Essa tendência, a se 
confirmar, será prejudicial aos interesses do Brasil, e, em última análise, aos próprios 
interesses da Venezuela. Cabe à diplomacia brasileira, mais experiente e tradicionalmente 
conciliadora, buscar o entendimento com a Venezuela, de modo que a estabilidade na 
América do Sul e os interesses da região não sejam ameaçados pelo projeto idiossincrático 
de um único governante. 
“Não há dúvida de que Brasil é o país mais poderoso da América do 
Sul” 
Em visita de dois dias ao Brasil, o subsecretário de Estado dos Estados Unidos para 
Assuntos Políticos, Nicholas Burns, marcou o início de uma nova fase no relacionamento 
entre os dois países. Os EUA, segundo ele, vêem o Brasil como parceiro preferencial numa 
América Latina marcada pela liderança ascendente do presidente da Venezuela, Hugo 
Chávez, e seu declarado antiamericanismo. “Não há dúvida de que o Brasil é o país mais 
poderoso da América do Sul. Com seu tamanho, sua população e sua economia, é uma 
enorme força. E achamos que o Brasil está seguindo uma agenda muito responsável, muito 
cooperativa, muito positiva.” 
Nesta entrevista exclusiva, Burns diz que o interesse dos EUA na parceria com o Brasil para 
a produção de biocombustíveis tem como objetivo reduzir a dependência em relação ao 
petróleo de nações encaradas como inimigas, como Venezuela e Irã: “A energia se 
transformou em um grande tema diplomático e ela às vezes distorce e amplia o poder de um 
país além do que provavelmente ele deveria ter.” 
O presidente Hugo Chávez tem influência crescente na América Latina. Como os EUA 
vêem isso? 
Na América do Sul, nosso foco está nos amigos, no Brasil, na Argentina, no Chile, na 
Colômbia, no Peru, no Equador, em todos os países amigos que temos. Em Washington, 
estamos tentando ter uma agenda positiva.Temos uma agenda positiva com o presidente 
Lula. Temos uma agenda positiva com o presidente Uribe, da Colômbia. Não temos 
exatamente uma relação com Hugo Chávez, porque ele decidiu não ter uma relação. Na 
nossa visão, a sua política é a política do negativo, da divisão. Ele tenta criar um movimento 
contra os Estados Unidos. Como vamos ter conversas sobre mudanças no clima, 
biocombustíveis, comércio, redução da pobreza, justiça social e turismo, se não nos 
integrarmos e trabalharmos juntos? A agenda com o Brasil é positiva, com a Argentina é 
positiva, com Peru é positiva. Mas a agenda com Chávez não é. É escolha dele e ele é livre
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 258 de 323 
para fazer suas escolhas, mas não temos que segui-lo. Não pensamos todos os dias a 
respeito dele. Mas pensamos sobre o Brasil todos os dias, sobre a Argentina também. 
O governo americano acredita que países como o Brasil e a Argentina podem 
contrabalançar a influência de Chávez? 
Essa é uma questão para a América do Sul trabalhar. Não vamos interferir no Mercosul. Mas 
hoje há uma agenda global e temos que cooperar globalmente em todos os desafios. É 
importante que os países achem uma maneira de serem positivos, confiar uns nos outros e 
trabalhar juntos. Na nossa visão, a agenda de Chávez representa uma política do passado: 
nacionalização de indústrias, discurso contra os EUA. Isso é o passado, não o futuro. 
O Brasil não teria, na visão dos EUA, papel de tentar exercer influência positiva na 
América do Sul? 
Temos grande respeito pelo presidente Lula e pelo Brasil. E não há dúvida de que o Brasil é o 
país mais poderoso da América do Sul. Com seu tamanho, sua população e sua economia, é 
uma enorme força. E achamos que o Brasil está seguindo uma agenda muito responsável, 
muito cooperativa, muito positiva na América do Sul e na relação Sul-Sul. Não seria certo dar 
conselhos ao Brasil sobre como lidar com a Venezuela. Vocês sabem isso melhor do que 
nós. Posso dizer como nós nos relacionamos com a Venezuela. Admiramos o povo 
venezuelano e lhe desejamos todo o sucesso, mas Chávez, em todo o mundo, quando as 
pessoas olham para ele, dizem: “Não faz parte das soluções para os nossos problemas.” 
Existe uma imagem no Brasil de que os presidentes Lula e Bush têm uma boa relação 
pessoal. 
Sim, eles têm. 
O senhor acha que essa relação pessoal pode, de alguma forma, compensar as 
constantes desavenças comerciais entre os países? 
Sim. A política segue as regras da natureza humana. Não é impessoal. Há fatos objetivos, 
mas há também fatos pessoais. O fato de o presidente Bush e de o presidente Lula gostarem 
um do outro, confiarem um no outro, admirarem um ao outro é bom para o Brasil e bom para 
os EUA. Porque o sinal que é enviado para o resto de nós, que está trabalhando para eles, é 
que o presidente Bush acredita que o Brasil é importante, admira o presidente Lula e quer 
que tenhamos sucesso no Brasil. 
O ex-embaixador do Brasil em Washington Roberto Abdenur diz que há um sentimento 
antiamericano na diplomacia brasileira. Nos EUA, isso é perceptível? 
Bem, vou ser muito cuidadoso ao responder essa pergunta. É obviamente um assunto 
sensível. Tenho grande respeito pelo embaixador Abdenur. Ele fez um grande trabalho e 
todos gostamos dele. É um amigo. Tenho grandes amigos no Ministério das Relações 
Exteriores.O futuro embaixador em Washington, Antonio Patriota, é meu amigo. Sei que a 
secretária de Estado, Condoleezza Rice, gosta do ministro Celso Amorim. Nossos Ministérios 
das Relações Exteriores trabalham muito bem juntos. Eu diria que a maioria dos diplomatas 
brasileiros concorda com isso. A relação entre o Brasil e os EUA é boa, mas pode ser mais 
forte e melhor. 
A política externa brasileira privilegia a relação com os países menos desenvolvidos, 
numa linha conhecida como Sul-Sul. Isso é um bom negócio? 
O Brasil é um grande país e deve tomar suas próprias decisões. Parece que o Brasil está 
certo em ter uma orientação Sul-Sul porque é hoje um dos grandes líderes do mundo. O 
Brasil tem apelo para alguns países pobres porque eles vêem que o Brasil teve sucesso. O 
Brasil tem laços étnicos e de língua com países africanos, além de com países europeus. 
Então, se o Brasil pode ter uma boa relação Sul-Sul com países da América Latina e da 
África, é positivo. Mas não é uma situação tudo ou nada. Além disso, obviamente esperamos
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 259 de 323 
que o Brasil vá ter uma boa relação com os EUA e com a Europa. Há poucos países em 
condições de serem globais: Estados Unidos, China, Índia, Japão, União Européia e Brasil. 
Então a política exterior do Brasil deve ser Sul-Sul, mas também global. 
Por que os EUA se interessaram por uma parceria com o Brasil para desenvolver a 
produção de biocombustíveis, em especial etanol? 
Viemos desenvolvendo nossa indústria de etanol por uma geração, devagar, construindo. 
Temos um problema de energia no mundo. Somos muito dependentes do petróleo. Não é 
bom para nossa economia, não é bom para o meio ambiente. Então, temos que desenvolver 
combustíveis alternativos, temos que diminuir nosso consumo de gasolina. Produzimos 
etanol de milho porque temos grandes plantações de milho. Vocês produzem etanol de 
cana-de-açúcar. Somos os dois líderes do mundo. Temos mais de 70% do mercado mundial. 
Achamos que essa é uma conexão com o Brasil, é uma área em que podemos crescer juntos 
e podemos liderar o desenvolvimento de um mercado mundial com conseqüências muita 
positivas para o meio ambiente e para a economia. Quando o presidente Lula e o presidente 
Bush se encontrarem esse vai ser um grande tema. Os biocombustíveis vão se tornar o 
maior e o mais positivo ponto de conexão entre Brasil e Estados Unidos. 
Como deve funcionar essa associação? 
Nossos cientistas podem ter cooperação em pesquisa e desenvolvimento para melhorar a 
eficiência do etanol de milho e de cana, melhorar a produtividade. Também é preciso pensar 
em redes de distribuição, para chegar aos mercados. Na visão dos americanos, Brasil e EUA 
podem estimular a produção de etanol na América Central, no Caribe e na América do Sul. 
Se há um mercado global para gás e para petróleo, por que não um mercado global para 
etanol? Se a demanda aumentar no mundo, é bom para o Brasil e é bom para os EUA. Isso 
vai estimular a produção nos nossos países e trará benefícios ambientais globalmente. 
O fato de que entre os principais produtores de petróleo do mundo figuram Irã e 
Venezuela é um fator para essa decisão? 
Sim, é. A energia se transformou em um grande tema diplomático e ela às vezes distorce e 
amplia o poder de um país além do que provavelmente ele deveria ter. Em alguns casos, isso 
pode ser positivo. Em outros, negativo. Diríamos que é negativo no caso do Irã e da 
Venezuela. Então, não queremos ser dependentes desses países. E devemos nos importar 
com o meio ambiente e com as mudanças climáticas. Biocombustíveis têm vantagens 
econômicas, políticas e ambientais. 
Os EUA são vistos como um grande vilão do meio ambiente. 
Sei que a imagem dos EUA é de que não somos signatários do Protocolo de Kyoto, que 
somos responsáveis por uma larga porcentagem da emissão de gases. Esse é um problema 
para a nossa geração e para as nossas crianças. Temos a responsabilidade de ser parte de 
uma solução. Estivemos à frente em algumas áreas, mas ficamos para trás em outras. 
Temos uma obrigação de contribuir para diminuir as mudanças climáticas e podemos fazer 
isso diminuindo nossa dependência de petróleo, desenvolvendo outras fontes de energia 
limpa. Mas espero que os seus leitores venham a saber que não somos os vilões. Gastamos 
mais de US$ 29 bilhões em dinheiro do governo, desde 2001, em pesquisas sobre energia e 
tecnologias limpas, biocombustíveis, energia nuclear e tecnologia de carvão limpo. Neste 
ano, vamos gastar US$ 6,7 bilhões. Mais do que qualquer outro país do mundo. Não 
assinamos o Protocolo de Kyoto, mas isso não foi uma decisão tomada por um homem, 
George W. Bush. O nosso Senado optou por isso, e foi muito impopular no nosso país. Índia 
e China assinaram o protocolo, mas são os dois maiores emissores de gás carbônico, junto 
com meu país. 
E o Brasil? 
Se eu tiver que nomear um país no mundo que está liderando é o Brasil. Por causa da 
produção de etanol, por causa dos carros flex, o Brasil é um líder positivo e um exemplo para
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 260 de 323 
todos nós. 
O entrevistado 
Nicholas Burns, 51 anos, é desde 2005 o subsecretário para Assuntos Políticos, terceiro posto na 
hierarquia do Departamento de Estado dos EUA. Formado em História Européia em Boston e pela 
Sorbonne, em Paris, fala bem francês, árabe e grego. Foi embaixador na Grécia (1997 a 2001) e 
representou o governo americano na Otan.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 261 de 323 
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 
Você já parou para pensar no que significa a palavra progresso? Pois então pense: 
estradas, indústrias, usinas, cidades, máquinas e muitas outras coisas que ainda estão por 
vir e que não conseguimos nem ao menos imaginar. Algumas partes desse processo todo 
são muito boas, pois melhoram a qualidade de vida dos seres humanos de uma forma ou de 
outra, como no transporte, comunicação, saúde, etc. Mas agora pense só: será que tudo isso 
de bom não tem nenhum preço? Será que para ter toda essa facilidade de vida nós, 
humanos, não pagamos nada? 
Você já ouviu alguém dizer que para tudo na vida existe um preço? Pois é, nesse caso não é 
diferente. O progresso, da forma como vem sendo feito, tem acabado com o ambiente ou, 
em outras palavras, destruído o planeta Terra e a Natureza. Um estudioso do assunto disse 
uma vez que é mais difícil o mundo acabar devido a uma guerra nuclear ou a uma invasão 
extraterrestre (ou uma outra catástrofe qualquer) do que acabar pela destruição que nós, 
humanos, estamos provocando em nosso planeta. Você acha que isso tudo é um exagero? 
Então vamos trocar algumas idéias. 
E o Desenvolvimento Sustentável? 
O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios; se, por um lado, 
nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação 
ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia. Diante desta constatação, surge a idéia do 
Desenvolvimento Sustentável (DS), buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a 
preservação ambiental e, ainda, ao fim da pobreza no mundo. 
Portanto, esse modelo busca satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a 
capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. Ou seja: utilizar 
recursos naturais sem comprometer sua produção, fazer proveito da natureza sem devastá-la 
e buscar a melhoria da qualidade de vida. 
Por isso, o desenvolvimento sustentável coloca na berlinda o modelo de produção e consumo 
ocidentais, que ameaça o equilíbrio do planeta. Além disso, se preocupa com os problemas a 
longo prazo, enquanto o atual modelo de desenvolvimento fundado em uma lógica puramente 
econômica se centra no aqui e agora. 
As pessoas que trabalharam na Agenda 21 escreveram a seguinte frase: A humanidade de 
hoje tem a habilidade de desenvolver-se de uma forma sustentável, entretanto é 
preciso garantir as necessidades do presente sem comprometer as habilidades das 
futuras gerações em encontrar suas próprias necessidades. Ficou confuso com tudo 
isso? Então calma, vamos por partes. Essa frase toda pode ser resumida em poucas e 
simples palavras: desenvolver em harmonia com as limitações ecológicas do planeta, ou 
seja, sem destruir o ambiente, para que as gerações futuras tenham a chance de existir e 
viver bem, de acordo com as suas necessidades (melhoria da qualidade de vida e das 
condições de sobrevivência). Será que dá para fazer isso? Será que é possível conciliar tanto 
progresso e tecnologia com um ambiente saudável? 
Acredita-se que isso tudo seja possível, e é exatamente o que propõem os estudiosos em 
Desenvolvimento Sustentável (DS), que pode ser definido como: equilíbrio entre 
tecnologia e ambiente, relevando-se os diversos grupos sociais de uma nação e 
também dos diferentes países na busca da equidade e justiça social. 
Para alcançarmos o DS, a proteção do ambiente tem que ser entendida como parte 
integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente; é aqui 
que entra uma questão sobre a qual talvez você nunca tenha pensado: qual a diferença entre 
crescimento e desenvolvimento? A diferença é que o crescimento não conduz 
automaticamente à igualdade nem à justiça sociais, pois não leva em consideração nenhum 
outro aspecto da qualidade de vida a não ser o acúmulo de riquezas, que se faz nas mãos 
apenas de alguns indivíduos da população. O desenvolvimento, por sua vez, preocupa-se 
com a geração de riquezas sim, mas tem o objetivo de distribuí-las, de melhorar a qualidade
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 262 de 323 
de vida de toda a população, levando em consideração, portanto, a qualidade ambiental do 
planeta. 
O DS tem seis aspectos prioritários que devem ser entendidos como metas: 
I) A satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, 
lazer, etc.); 
II) A solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente de modo que elas 
tenham chance de viver); 
III) A participação da população envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de 
conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal); 
IV) A preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc.); 
V) A elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a 
outras culturas (erradicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações 
oprimidas, como por exemplo, os índios); 
VI) A efetivação dos programas educativos. 
Na tentativa de chegar ao DS, sabemos que a Educação Ambiental é parte vital e 
indispensável, pois é a maneira mais direta e funcional de se atingir pelo menos uma de suas 
metas: a participação da população. 
Discussões e aplicações 
Na Eco-92, cúpula realizada no Rio de Janeiro, e na Rio +10, encontro em Johannesburgo 
dez anos depois, essa expressão foi o centro das discussões. 
Desde então, em um extremo se situam os ecologistas radicais, que defendem o crescimento 
zero para pôr fim ao esgotamento dos recursos. Em outro lado, estão aqueles que acham 
que o progresso tecnológico permitirá resolver todos os problemas do ambiente. 
Essa segunda visão é utilizada para explicar atitudes como a do presidente norte-americano, 
George W. Bush, que não ratificou o Protocolo de Kyoto (1997), sobre a redução dos gases 
que produzem o efeito estufa. 
A primeira interpretação do termo, que considera incompatível o desenvolvimento econômico 
com respeito ao ambiente, foi lançada em 1972 em um informe dos universitários do 
chamado Clube de Roma. 
Mas esse enfoque é solidário apenas em relação à natureza e não aos países em vias de 
desenvolvimento que criticam que não podem interromper um crescimento que ainda não se 
iniciou. 
O termo desenvolvimento sustentável não facilitou as discussões tanto no Brasil quanto na 
África do Sul, quando os países do hemisfério Norte _que concentra os países 
desenvolvidos_ tentaram defender o direito a um ambiente saudável, enquanto os do Sul 
queriam o direito de se desenvolver. 
A Questão Ambiental
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 263 de 323 
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente 
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia 
qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade 
o dever de defendê-lo e preservá-lo para a presente e as futuras 
gerações 
Artigo 225 da Constituição Federal do Brasil 
Por cerca de 4 bilhões de anos o balanço ecológico do planeta esteve protegido. Com o 
surgimento do homem, meros 100 mil anos, o processo degradativo do meio ambiente tem 
sido proporcional à sua evolução. 
No Brasil, o início da influência do homem sobre o meio ambiente pode ser notada a partir da 
chegada dos portugueses. Antes da ocupação do território brasileiro, os indígenas que aqui 
habitavam (estimados em 8 milhões) sobreviviam basicamente da exploração de recursos 
naturais, por isso, utilizavam-nos de forma sustentável. 
Após a exterminação de grande parte dos índios pelos portugueses, o número de habitantes 
do Brasil se reduziu a três milhões no início do século XIX. Foi nesse período que 
começaram as intensas devastações do nosso território. À época, o homem se baseava em 
crenças religiosas que pregavam que os recursos naturais eram infindáveis, então, o término 
de uma exploração se dava com a extenuação dos recursos do local. Infelizmente, essa 
cultura tem passado de geração em geração e até os dias de hoje ainda predomina. 
Com a descoberta do petróleo em 1857 nos EUA, o homem saltou para uma nova era: o 
mundo industrializado, que trouxe como uma das principais conseqüências a poluição. Ou 
seja, além de destruirmos as reservas naturais sobrecarregamos o meio ambiente com 
poluentes. Os acontecimentos decorrentes da industrialização dividiram o povo em duas 
classes econômicas: os que espoliavam e os que eram espoliados. A primeira classe 
acumulava economias e conhecimento, enquanto a segunda vivia no estado mais precário 
possível. A segunda classe pela falta de recursos, utilizava desordenadamente as reservas 
naturais, causando a degradação de áreas agricultáveis e de recursos hídricos e, com isso, 
aumentando a pobreza. O modelo econômico atual está baseado na concentração-exclusão 
de renda. Ambos os modelos econômicos afetam o meio ambiente. A pobreza pelo fato de só 
sobreviver pelo uso predatório dos recursos naturais e os ricos pelos padrões de consumo 
insustentáveis. 
As causas das agressões ao meio ambiente são de ordem política, econômica e cultural. A 
sociedade ainda não absorveu a importância do meio ambiente para sua sobrevivência. O 
homem branco sempre considerou os índios como povos não civilizados, porém esses 
povos não civilizados sabiam muito bem a importância da natureza para sua vida. O homem 
civilizado tem usado os recursos naturais inescrupulosamente priorizando o lucro em 
detrimento das questões ambientais. Todavia, essa ganância tem um custo alto, já visível nos 
problemas causados pela poluição do ar e da água e no número de doenças derivadas 
desses fatores. 
A preocupação com o meio ambiente caminha a passos lentos no Brasil, ao contrário dos 
países desenvolvidos, principalmente em função de prioridades ainda maiores como, p. ex., a 
pobreza. As carências em tantas áreas impedem que sejam empregadas 
tecnologias/investimentos na área ambiental. Dessa forma, estamos sempre atrasados com 
relação aos países desenvolvidos e, com isso, continuamos poluindo. 
A única forma para evitar problemas futuros, de ainda maiores degradações do meio 
ambiente, é através de legislações rígidas e da consciência ecológica. 
PROBLEMAS AMBIENTAIS ATUAIS 
Embora estejam acontecendo vários empreendimentos por parte de empresas, novas leis
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 264 de 323 
tenham sido sancionadas, acordos internacionais estejam em vigor, a realidade apontada 
pelas pesquisas mostra que os problemas ambientais ainda são enormes e estão longe de 
serem solucionados. 
É preciso lembrar que o meio ambiente não se refere apenas as áreas de preservação e 
lugares paradisíacos, mas sim a tudo que nos cerca: água, ar, solo, flora, fauna, homem, etc. 
Cada um desses itens está sofrendo algum tipo de degradação. Em seguida serão 
apresentados alguns dados dessa catástrofe. 
FAUNA 
A fauna brasileira é uma das mais ricas do mundo com 10% das espécies de répteis (400 
espécies) e mamíferos (600 espécies), 17% das espécies de aves (1.580 espécies) a maior 
diversidade de primatas do planeta e anfíbios (330 espécies); além de 100.000 espécies de 
invertebrados. 
Algumas espécies da fauna brasileira se encontram extintas e muitas outras correm o risco. 
De acordo com o IBGE há pelo menos 330 espécies e subespécies ameaçadas de extinção, 
sendo 34 espécies de insetos, 22 de répteis, 148 de aves e 84 de mamíferos. As principais 
causas da extinção das espécies faunísticas são a destruição de habitats, a caça/pesca 
predatórias, a introdução de espécies estranhas a um determinado ambiente e a poluição. O 
tráfico de animais silvestres movimenta cerca de 10 bilhões de dólares/ano, sendo que 10% 
corresponde ao mercado brasileiro, com perda de 38 milhões de espécimes. 
A poluição, assim como a caça predatória, altera a cadeia alimentar e dessa forma pode 
haver o desaparecimento de uma espécie e superpopulação de outra. P. ex., o gafanhoto 
serve de alimento para sapos, que serve de alimento para cobras que serve de alimento para 
gaviões que quando morrem servem de alimento para os seres decompositores. Se 
houvesse uma diminuição da população de gaviões devido à caça predatória, aumentaria a 
população de cobras, uma vez que esses são seus maiores predadores. Muitas cobras 
precisariam de mais alimentos e, conseqüentemente, o número de sapos diminuiria e 
aumentaria a população de gafanhotos. Esses gafanhotos precisariam de muito alimento e 
com isso poderiam atacar outras plantações, causando perdas para o homem. É importante 
lembrar que o desaparecimento de determinadas espécies de animais interrompe os ciclos 
vitais de muitas plantas. 
FLORA 
Desde o princípio de sua história o homem tem exercido intensa atividade sobre a natureza 
extraindo suas riquezas florestais, pampas e, em menor intensidade, as montanhas. As 
florestas têm sido as mais atingidas, devido ao aumento demográfico elas vêm sendo 
derrubadas para acomodar as populações, ou para estabelecer campos agricultáveis 
(pastagens artificiais, culturas anuais e outras plantações de valor econômico) para alimentar 
as mesmas. Essa ocupação tem sido realizada sem um planejamento ambiental adequado 
causando alterações significativas nos ecossistemas do planeta. As queimadas, geralmente 
praticadas pelo homem, são atualmente um dos principais fatores que contribuem para a 
redução da floresta em todo o mundo, além de aumentar a concentração de dióxido de 
carbono na atmosfera, agravando o aquecimento do planeta. O fogo afeta diretamente a 
vegetação, o ar, o solo, a água, a vida silvestre, a saúde pública e a economia. Há uma perda 
efetiva de macro e micronutrientes em cada queimada que chega a ser superior a 50% para 
muitos nutrientes. Além de haver um aumento de pragas no meio ambiente, aceleração do 
processo de erosão, ressecamento do solo entre vários outros fatores. A queimada não é de 
todo desaconselhada desde que seja feita sob orientação (p. ex., Técnico do IBAMA) e 
facilmente controlada . Apesar do uso de sistemas de monitoramento via satélite, os quais 
facilitam a localização de focos e seu combate, ainda é grande o número de incêndios 
ocorridos nas florestas brasileiras. 
150 mil Km2 de floresta tropical são derrubados por ano, sendo que no Brasil, são em torno 
de 20 mil km2 de floresta amazônica. Além desta, a mata Atlântica é a mais ameaçada no 
Brasil e a quinta no mundo, já tendo sido devastados 97% de sua área.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 265 de 323 
RECURSOS HÍDRICOS 
Já ouvimos falar muito sobre a guerra do petróleo e os países da OPEP. Como se sabe, a 
maior concentração de petróleo conhecida está localizada no Golfo Pérsico. Porém, o 
petróleo deste novo século que também causará muitas guerras é outro: a água. Mais da 
metade dos rios do mundo diminuíram seu fluxo e estão contaminados, ameaçando a saúde 
das pessoas. Esses rios se encontram tanto em países pobres quanto ricos. Os rios ainda 
sobreviventes são o Amazonas e o Congo. A Bacia do Amazonas é o maior filão de água 
doce do planeta, correspondendo a 1/5 da água doce disponível. Não é à toa que há um 
interesse mundial na proteção dessa região. Não é porque a Amazônia é o pulmão do 
mundo, isso já foi comprovado que todo o oxigênio produzido por essa floresta é consumido 
por ela mesma. Em um futuro próximo o mundo sedento virá buscar água na Bacia do 
Amazonas e o Brasil será a OPEP da água. Por isso, temos que ter muito cuidado para não 
sermos surpreendidos e dominados por nações mais poderosas. 
Apenas 2% da água do planeta é doce, sendo que 90% está no subsolo e nos pólos. Cerca 
de 70% da água consumida mundialmente, incluindo a desviada dos rios e a bombeada do 
subsolo, são utilizadas para irrigação. Aproximadamente 20% vão para a indústria e 10% 
para as residências. Atualmente a água já é uma ameaça a paz mundial, pois, muitos países 
da Ásia e do Oriente Médio disputam recursos hídricos. Relatórios da ONU apontam que 1 
bilhão de pessoas não tem acesso a água tratada e com isso 4 milhões de crianças morrem 
devido a doenças como o cólera e a malária (DIAS, 2000). A expectativa é de que nos 
próximos 25 anos 2,76 bilhões de pessoas sofrerão com a escassez de água. 
A escassez de água se deve basicamente à má gestão dos recursos hídricos e não à falta de 
chuvas. Uma das maiores agressões para a formação de água doce é a ocupação e o uso 
desordenado do solo. Para agravar ainda mais a situação são previstas as adições de mais 
de 3 bilhões de pessoas que nascerão neste século, sendo a maioria em países que já tem 
escassez de água, como Índia, China, Paquistão. 
OCUPAÇÃO DO SOLO 
O acesso a terra continua sendo um dos maiores desafios de nosso país. O modelo 
urbanístico brasileiro praticamente se divide em dois: a cidade oficial (cidade legal, registrada 
em órgãos municipais) e a cidade oculta (ocupação ilegal do solo). A cidade fora da lei, sem 
conhecimento técnico e financiamento público, é onde ocorre o embate entre a preservação 
do meio ambiente e a urbanização. Toda legislação que pretende ordenar o uso e a 
ocupação do solo, é aplicada à cidade legal, mas não se aplica à outra parte, a qual é a que 
mais cresce. De acordo com a Profa. Ermíria Maricato (FAU/USP) (apud MEIRELLES, 2000) foram 
construídos no Brasil 4,4 milhões de moradias entre 1995 e 1999, sendo apenas 700 mil 
dentro do mercado formal. Ou seja, mais de 3 milhões de moradias foram construídas em 
terras invadidas ou em áreas inadequadas. Há uma relação direta entre as moradias pobres 
e as áreas ambientalmente frágeis (beira de córregos, rios e reservatórios, encostas 
íngremes, mangues, várzeas e áreas de proteção ambiental, APA). Obviamente esses dados 
são melhor observados nas grandes metrópoles (Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza), onde 
mais da metade da população mora ilegalmente. Infelizmente no Brasil a má gestão do solo, 
bem como, a ausência de uma política habitacional tem levado a esses fatos. Os invasores 
passam a ser considerados inimigos da qualidade de vida e do meio ambiente, quando na 
verdade eles não têm alternativas e isso ocorre devido à falta de planejamento urbano. 
As conseqüências dessa ocupação desorganizada já são bastante conhecidas: enchentes, 
assoreamento dos cursos de água devido ao desmatamento e ocupação das margens, 
desaparecimento de áreas verdes, desmoronamento de encostas, comprometimento dos 
cursos de água que viraram depósitos de lixo e canais de esgoto. Esses fatores ainda são 
agravados pelo ressurgimento de epidemias como dengue, febre amarela e leptospirose. 
O censo de 2000, realizado pelo IBGE, aponta um crescimento de 22,5% de novas favelas 
em 9 anos. Há 3.905 favelas no país, sendo 1.548 em São Paulo e 811 no Rio de Janeiro. 
Outro fator que está afetando o solo é o mau uso na agricultura. 24 milhões de toneladas de
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 266 de 323 
solo agricultável são perdidos a cada ano correspondendo, no momento, a 30% da superfície 
da Terra. E o pior é que a situação tende a agravar-se. Trata-se de um fenômeno mundial 
cujos prejuízos chegam a 26 bilhões de dólares anuais, e, com isso a sobrevivência de 1 
bilhão de pessoas está ameaçada. As maiores causas da desertificação são o excesso de 
cultivo e de pastoreio e o desmatamento, além das práticas deficientes de irrigação. 
CRESCIMENTO POPULACIONAL 
O tema controle da natalidade ainda é um assunto que causa muita polêmica, por isso é tão 
pouco abordado. Há muitos aspectos a serem questionados, tanto do ponto de vista 
ideológico, quanto cultural e religioso. A classe média alta, por ter mais acesso a informação, 
faz uso de métodos anticoncepcionais, tendo em média dois filhos, semelhante à política 
adotada em países ricos. Já a maior parte da sociedade brasileira não tem acesso aos 
mesmos recursos e dispensam menor preocupação com as condições que darão a seus 
descendentes. Essa classe sem privilégios é onde deveria ocorrer um controle maior da 
natalidade, minimizando os problemas sociais para o país. A partir dessa iniciativa seriam 
evitados abortos indesejáveis, crianças abandonadas, exploradas, prostituídas e com um 
futuro quase certo para a criminalidade, que é a atual realidade das grandes cidades do 
Brasil e dos países pobres. O crescimento populacional é uma forma de proliferação da 
pobreza. A pobreza e o meio ambiente estão tão interligadas que serão o tema central da 
Conferência Mundial sobre o Meio ambiente (RIO+10) deste ano na África do Sul. 
O controle da natalidade é indispensável pois o planeta está acima de sua capacidade 
máxima de ocupação e há evidências de falta de alimentos e água para as próximas 
décadas. Como alternativa, a limitação de 2 filhos por casal, beneficiaria as condições 
sócio-econômicas do país, principalmente nos grandes centros onde a maior porcentagem da 
população carente tem muitos filhos. Com número estável de habitantes, os planos 
assistenciais seriam mais facilmente desenvolvidos e o meio ambiente poderia ser mantido. 
A idéia de um controle de natalidade não é nova. Thomas Malthus (1766-1834), um 
economista inglês, abordou o problema do crescimento populacional e da produção de 
alimentos em seus livros. De acordo com o pensamento maltusiano, a felicidade do ser 
humano está diretamente relacionada com os recursos naturais, ou seja, o esgotamento 
destes condenará a humanidade à infelicidade. Malthus assegurava que o crescimento 
populacional traria a miséria, então, se faz necessário conter a explosão demográfica. Para 
ele, o ótimo da população garantiria mais recursos por habitante, atingindo o equilíbrio entre 
população e produção de alimentos. Segundo SACHS os maltusianos acreditavam e ainda 
acreditam que o mundo já está superpovoado e, portanto, condenado ao desastre, seja 
pela exaustão dos recursos naturais esgotáveis, seja pela excessiva sobrecarga de 
poluentes nos sistemas de sustentação da vida. 
O Brasil é um dos países a apresentar maior crescimento populacional. O Censo realizado 
em 1872 (primeiro) e o de 1991 (décimo) mostraram que a população brasileira passou de 10 
milhões para 150 milhões de pessoas, ou seja, um aumento de 15 vezes em 120 ano. Entre 
as décadas de 50-80 sua população teve um acréscimo de 67 milhões, ou seja, muito 
superior à população de vários países. 
Se no planeta com 6 bilhões de habitantes, a população já se encontra no limite, imagine-se 
com 10 bilhões de pessoas previstas para o ano de 2050. Países como a Índia terão um 
acréscimo de 519 milhões de pessoas, China 211 milhões e o Paquistão de 200 milhões até 
o ano de 2050. Se não for realizado um controle da natalidade, seremos todos responsáveis 
pela condenação de milhões de pessoas a morrer de fome ou sede. A morte por fome já é 
uma realidade em vários países da África e tem sido destaque na imprensa diariamente. 
Com base nestes dados, como se pode pensar em não fazer um controle da natalidade? 
LIXO 
Outro trágico fator ambiental é o lixo que em sua maioria ainda é lançado a céu aberto. No 
Brasil, cerca de 85% da população brasileira vive nas cidades. Com isso, o lixo se tornou um 
dos grandes problemas das metrópoles. Pela legislação vigente, cabe às prefeituras
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 267 de 323 
gerenciar a coleta e destinação dos resíduos sólidos. De acordo com o IBGE, 76% do lixo é 
jogado a céu aberto sendo visível ao longo de estradas e também são carregados para 
represas de abastecimento durante o período de chuvas. Embora muito esteja se fazendo 
nesta área em nível mundial, ainda são poucos os materiais aproveitados no Brasil onde é 
estimada uma perda de cerca de 4 bilhões de dólares por ano. Mas, há indícios de melhora 
na área no país onde se tem como melhor exemplo as latas de alumínio, cuja produção é 
63% reciclada. O lixo industrial apresenta índices maiores de reciclagem. De acordo com a 
FIRJAN, no estado do Rio de Janeiro 36-70% das indústrias reciclam seus dejetos. 
Cada brasileiro produz 1 Kg de lixo doméstico por dia, ou seja, se a pessoa viver 70 anos terá 
produzido em torno de 25 toneladas. Se multiplicarmos pela população brasileira, pode-se 
imaginar a dimensão do problema. 
SANEAMENTO BÁSICO 
Outro fator gravíssimo para aumentar a poluição ambiental é a falta de saneamento básico. 
Atualmente apenas 8% do esgoto doméstico é tratado no Brasil e o restante é despejado 
diretamente nos cursos d' água. 
Um relatório da ONU revela que as regiões costeiras, sul e sudeste do Brasil, são as mais 
poluídas do mundo. 40 milhões de pessoas vivem no litoral lançando 150 mil litros de esgoto 
por dia ou 6 bilhões de litros de esgoto sem tratamento. 
Os poucos investimentos do governo nessa área são inexplicáveis, uma vez que, para cada 
dólar investido no saneamento básico, 4 dólares são economizados com a prevenção de 
doenças que requerem internações. 
A falta de saneamento básico responde por 65% das internações nos hospitais do país. 
CONDIÇÕES CLIMÁTICAS 
Em 1990, 200 cientistas participaram do primeiro painel intergovernamental de mudança do 
clima, organizado pelas Nações Unidas. À época eles alertaram que o mundo precisava 
reduzir de 60 a 80% seus gases causadores do efeito estufa, para restabelecer o equilíbrio 
na Terra. A partir desses dados foi criado o Protocolo de Kioto, o qual estabeleceu que os 
países industrializados deveriam diminuir as emissões de dióxido de carbono em 5,2% até 
janeiro de 2012, sobre os níveis vigentes em 1990. O Brasil já aprovou a assinatura deste 
Protocolo. 
A preocupação com as mudanças climáticas é justificada, pois afetarão todo o planeta e de 
forma desproporcional os países pobres que serão atingidos por ciclones tropicais, chuvas 
torrenciais e ventos fortes, escassez de água, doenças e erosão. Esses países são mais 
vulneráveis devido à falta de recursos. Além disso, poderá haver a redução de colheitas e 
nesse caso o Brasil seria um dos países afetados entre vários outros efeitos. Com verões 
mais longos e quentes aumentará a taxa de reprodução e crescimento de insetos e, com 
isso, aumenta a transmissão de doenças por estes vetores. 
O renomado cientista Stephen Hawkings já havia alertado que a espécie humana não 
chegaria ao final do Terceiro Milênio justamente por causa do efeito estufa. 
De acordo com o secretário geral da ONU, Kafi Annau, pouco se tem feito com relação ao 
desenvolvimento sustentável proposto na ECO-92, porque os países ricos não têm cumprido 
os acordos internacionais firmados à época. É pouco provável que as medidas propostas 
venham a ser adotados por esses governos, uma vez que, precisariam de uma mudança total 
no modelo de desenvolvimento econômico e social. Os EUA reconheceram que há um elo 
entre o efeito estufa e o homem, mesmo assim, os maiores poluidores mundiais, anunciaram 
oficialmente que não se sente no compromisso de colaborar com a despoluição atmosférica, 
prevista no Protocolo de Kioto, para que suas indústrias gastem com programa de controles 
de emissões sujas. Entre os possíveis danos causados pela emissão descontrolada de 
compostos para a atmosfera alguns já estão comprovados. Como exemplo, os poluentes 
lançados por usinas geradoras de energia e indústrias dos EUA, Canadá e Europa causaram
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 268 de 323 
uma das principais secas da história da humanidade. A poluição gerada nesses países teria 
reduzido de 20 a 50% o volume de chuvas no Sahel, afetando os países mais pobres do 
mundo, como a Etiópia e causando a morte de 1 milhão de pessoas por fome. Esses dados 
comprovam que as fronteiras geográficas do planeta não impedem que a poluição se alastre. 
Um novo e mais amplo estudo sobre a Terra foi realizado por 1.000 especialistas, através do 
Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas. Esse relatório prevê um futuro sombrio 
para o planeta caso não sejam tomadas providências imediatas. De acordo com esse estudo 
metade dos rios já estão poluídos, 15% do solo estão degradados e 80 países sofrem com a 
escassez de água. Segundo o relatório, nas próximas três décadas 50% da população 
sofrerá com a falta de água; 11 mil espécies de animais e plantas estão ameaçados de 
extinção. O relatório alerta que essas drásticas mudanças, pelas quais o planeta está 
passando, agravarão o problema da fome e de doenças infecciosas e tornarão as tragédias 
climáticas mais freqüentes. O relatório informa que muitos desses problemas poderiam ter 
sido amenizados se houvessem sido cumpridos os acordos estabelecidos na RIO-92, que até 
agora não saíram do papel. 
Não devemos pensar que essas mudanças estão muito distantes de nós. É só olharmos para 
trás e veremos as modificações sofridas no meio ambiente nos últimos dez anos: verões 
mais quentes, invernos mais curtos, pouca periodicidade nas chuvas, secas e enchentes etc. 
Muitos outros efeitos serão somados a esses, nos próximos 10 anos, se não tomarmos 
providências. 
DESPERDÍCIO 
No Brasil por se ter disponibilidade de recursos, o desperdício se tornou parte de nossa 
cultura, isso tanto para pobres quanto ricos. 
20% dos alimentos são desperdiçados (desde a colheita até a mesa da comunidade) 
segundo o IBGE. Essas toneladas perdidas seriam suficientes para matar a fome de toda a 
população carente. Além disso, jogamos fora muito material reciclável (são despejadas na 
natureza 125 mil toneladas de rejeitos orgânicos e materiais recicláveis por dia). A cada 
tonelada de papel que se recicla, 40 árvores deixam de ser cortadas. Em ambos os casos o 
desperdício gera poluição ambiental. 
50% da água tratada é desperdiçada no país. E o pior é que essa água retorna aos 
mananciais após o uso, sem tratamento e, novamente, retorna a nós para consumo após 
vários tratamentos com custos elevadíssimos. Entre os maus hábitos estaria a lavagem de 
carro, calçadas, roupas, banhos demorados, louças na qual é desperdiçada mais água do 
que o necessário, além de vazamentos. Uma gota de água caindo o dia inteiro corresponde a 
46L. 
Com relação à energia elétrica, os brasileiros desperdiçam meia produção anual de Itaipu ou 
9,5% da média total anual. Como exemplo de desperdícios está o uso irracional de aparelhos 
elétricos e luzes acessas desnecessariamente. O uso racional poderá evitar a construção de 
novas barragens, que causam grandes impactos ambientais, apenas pela minimização dos 
desperdícios. 
OUTROS DADOS INTERESSANTES 
Dados recentes fornecidos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento 
(PNUD) mostraram que o mundo está consumindo 40% além da capacidade de reposição da 
biosfera (energia, alimentos, recursos naturais) e o déficit é aumentado 2,5% ao ano. 
Relatórios da ONU apontam que 85% de produção e do consumo no mundo estão 
localizados nos países industrializados que tem apenas 19% da população. 
O relatório da PNUD também afirma que as 3 pessoas mais ricas do mundo têm lucro 
superior ao PIB dos 48 países mais pobres onde vivem cerca de 600 milhões de pessoas. 
É estimado que sejam gastos no planeta 435 bilhões de dólares/ano em publicidade. 15 
bilhões de dólares seriam suficientes para acabar com a fome do mundo, que mata 10
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 269 de 323 
milhões de crianças por ano. Nós também somos culpados por essas mortes uma vez que 
atendemos aos apelos da mídia e da sociedade de consumo (compre isso, compre aquilo!!!). 
Os EUA têm 5% da população mundial e consomem 40% dos recursos disponíveis. Se os 6 
bilhões de pessoas usufruíssem o mesmo padrão de vida dos 270 milhões de americanos, 
seriam necessários 6 planetas. 
Os EUA, em 1997, emitiam 20,3 toneladas (22,7% emissões mundiais) de CO2 por habitante, 
a China 2,5 toneladas/habitante (13,07%), a Índia 900 Kg/habitante (3,49%) e o Brasil 1,91 
toneladas/habitante (1,25%). Os EUA aumentaram em 13% (e deverá chegar a 29% até o fim 
da década) suas emissões poluentes nos últimos 10 anos o que equivale a um aumento 
conjunto da Índia, China e África, países com uma população dez vezes maior. 
EDUCAÇAO AMBIENTAL - ALTERNATIVA PARA UM FUTURO 
ECOLOGICAMENTE CORRETO 
A questão ambiental ainda é pouco conhecida pela população no Brasil e atinge basicamente 
as classes mais privilegiadas da sociedade. Poucos sabem, mas a Educação Ambiental já é 
lei no país. A Lei 9.795 de 27/04/1999 institui a Política Nacional de Educação Ambiental a 
qual reza que todos os níveis de ensino e da comunidade em geral têm direito à educação 
ambiental e que os meios de comunicação devem colaborar para a disseminação dessas 
informações. Até o momento pouco foi implantado nessa área. 
Embora ainda não muito familiarizados com a consciência ecológica, os brasileiros se 
mostram dispostos a colaborar. CRESPO (1998) comprovou esse fato quando realizou uma 
pesquisa sobre meio ambiente, na qual entrevistou 2.000 pessoas e 90 líderes de vários 
setores, em 1992 e 1997. A população citou como principais problemas ambientais, o 
desmatamento e as queimadas (45%) e a contaminação dos rios, mares e oceanos (26%). 
Já os líderes em questões ambientais no país apontaram o saneamento e o lixo, seguidos de 
contaminação dos recursos hídricos. Eles também se mostraram dispostos a ajudar em 
campanhas de separação e reciclagem de lixo (72%), contra o desperdício de água (52%) e 
energia (41%) e no reflorestamento (27%). Mais da metade (59%) consideram a natureza 
sagrada e têm noção de que os danos ambientais causados pelo homem são irreversíveis e 
concordaram que o controle da natalidade é indispensável para o meio ambiente. 
A preservação do meio ambiente depende de todos: governo, educadores, empresas, 
Organizações Não-Governamentais (ONGs), meios de comunicação e de cada cidadão. A 
educação ambiental é fundamental na resolução desses problemas, pois vai incentivar os 
cidadãos a conhecerem e fazerem sua parte, entre elas: evitar desperdício de água, luz e 
consumos desnecessários (REDUZIR, REUSAR e RECICLAR), fazer coleta seletiva, adquirir 
produtos de empresas preocupadas com o meio ambiente, cobrar as autoridades 
competentes para que apliquem a lei, tratem o lixo e o esgoto de forma correta, protejam 
áreas naturais, façam um planejamento da utilização do solo, incentivem a reciclagem entre 
outros. 
O maior número de leis de proteção ambiental, os grandes investimentos em pesquisas e 
tecnologias limpas por empresas, a criação de ONGs e a participação mais ativa da 
sociedade são uma realidade mundial. Todos esses avanços ainda não são suficientes para 
salvar o planeta e as previsões são sombrias. O tema é complexo e envolve fatores políticos, 
econômicos, sociais e até mesmo culturais entre todas as nações e por isto a resolução do 
problema não é tão simples. No Brasil, está aumentando a consciência ecológica e há leis 
mais rígidas, mas ainda não há uma ação política efetiva nessa área. Evidente que essas 
atitudes estão mudando, embora lentamente. Nas campanhas eleitorais atuais alguns 
partidos incluíram em seus planos de governo questões ambientais como o Tratado de Kioto. 
Apesar do país estar se destacando na área ambiental frente outros países da América 
Latina, ainda é no Brasil que ocorrem os maiores desastres ecológicos atribuídos a indústria. 
Sustentabilidade Corporativa.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 270 de 323 
Responsabilidade social e ambiental está na pauta de investidores de todo o mundo. 
Um novo tipo de empresa tem surgido no cenário internacional. Socialmente responsável, 
preocupada com questões ambientais, estas organizações incluem em seus planejamentos 
estratégicos questões muito mais abrangentes do que as tradicionais metas 
econômico-financeiras. 
São corporações preocupadas com sua inserção no meio onde operam que buscam levar em 
conta necessidades e preocupações de todos os seus públicos de interesse - clientes, 
empregados, comunidades, governo, parceiros, fornecedores. E mais: visam a criação de 
valor ao acionista no longo prazo. 
Entre outras características podemos citar a transparência frente a investidores, padrões de 
governança elevados e a gestão de recursos humanos orientada pela capacitação e 
satisfação de seus funcionários. 
O sucesso deste tipo de empresa é constantemente apontado por investidores nos EUA e na 
Europa, que, há algum tempo, passam a analisar em suas prospecções, os índices e 
relatórios de sustentabilidade, além de outros indicadores, divulgados pelas Bolas de Nova 
York e Londres. 
Responsabilidade social corporativa é um projeto de estratégia, gestão corporativa e postura 
perante a sociedade. 
A ATUAL OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA 
O núcleo da floresta está intacto - mas há ameaças crescentes 
Sete de cada dez árvores cortadas na Amazônia brasileira tombam em três Estados: Mato 
Grosso, Pará e Rondônia. Em contraste, Amapá, Amazonas e Roraima podem se orgulhar de 
ter 95% de sua floresta tropical intocada. Essa é a imagem atual do mais vigiado, precioso e 
cobiçado tesouro ambiental do planeta por sua diversidade biológica, manancial de água 
potável e poder regenerador da biosfera. Grosso modo, a situação da Amazônia se 
assemelha a uma estufa de conteúdo bem-cuidado, mas cercada de perigo por todos os 
lados. O perigo maior somos nós, as pessoas, a civilização que teima em comprimir as 
fronteiras da mata. Em pleno século XXI, depois de décadas de conscientização ecológica, 
nas bordas da Amazônia ainda se vive pelo bruto ensinamento do libertador Simon Bolívar 
(1783-1830): Se a natureza for contra nós, seremos contra a natureza. Bolívar, que 
livrou Venezuela, Equador, Peru, Colômbia e Bolívia do jugo espanhol, via a natureza apenas 
como mais um opressor a ser subjugado. Essa mentalidade ainda impera nas fronteiras da 
selva, tida pelos modernos conquistadores como fonte de opressão econômica. Diz Alfredo 
Homma, pesquisador do Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido: A verdade é 
que os milhões de habitantes que vivem nas áreas preservadas da Amazônia se 
alimentam de produtos cultivados em Mato Grosso, no Pará e em outros Estados 
estigmatizados como destruidores da floresta. 
Em seu coração, a mata consegue manter seu metabolismo relativamente intacto - mesmo 
que em muitos pontos sofra a ação de garimpos ilegais e da extração cirúrgica de espécies 
vegetais de maior valor comercial, como o mogno, que, de 1.200 reais a tora no Brasil, depois 
de trabalhado, pode valer doze vezes mais no mercado internacional. Essa estufa amazônica 
abriga atualmente cerca de 21 milhões de brasileiros, população que cresce a taxas duas 
vezes maiores que a média do país. As necessidades crescentes desses moradores são um 
dos fatores que alimentam a vida econômica nas bordas da Amazônia. Cada um dos 750.000 
pequenos agricultores queima e desmata anualmente entre 1 e 3 hectares de floresta. O que 
eles produzem é suficiente para sua subsistência. O pouco que sobra é vendido a moradores 
das regiões interioranas e protegidas da Amazônia. O exército de pequenos agricultores é 
apenas um dos focos de tensão. A oeste, a atividade guerrilheira e o narcotráfico estão sendo 
enfrentados pelo governo brasileiro com o aumento do contingente militar na região. Ao norte, 
a situação é melhor do ponto de vista ambiental. Os conflitos entre índios e produtores rurais 
em Roraima são uma séria questão social. O que seria um problema para o meio ambiente - 
a crescente urbanização da população - tende a ser minorado pela proximidade com a
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 271 de 323 
Venezuela e suas cidades fronteiriças, onde muitos brasileiros da Região Norte se 
abastecem de alimentos e outros produtos. Assim, o dinheiro deles se transfere para o país 
vizinho, que fica também com o ônus de desmatar e plantar. 
O impacto maior vem do leste, com as madeireiras e os pecuaristas. Vem também do sul, 
pelo vigor de um ciclo de avanço recente impulsionado pelo sucesso das plantações de soja 
no Centro-Oeste e sua adaptação para cultivo em regiões cada vez mais próximas da linha 
do Equador, o que ameaça a área de transição entre o cerrado e a floresta densa. Em suas 
frágeis e porosas fronteiras, a Amazônia está sendo desmatada em um ritmo muito superior 
ao das agressões ocorridas em seu interior. De 1990 a 2002, cerca de 22 milhões de 
hectares de floresta foram derrubados. A área equivale aos territórios somados de Bélgica, 
Dinamarca, Holanda e Portugal. Mais de 70% de tudo o que a floresta perde a cada ano é 
arrancado de suas bordas. 
CONTINENTE PERDIDO - O mais novo foco de pressão sobre a Amazônia altera o 
modelo tradicional do desmatamento. Seu epicentro é na fronteira sul e chama-se soja. Para 
entender o poder de avanço desse fenômeno é preciso retroceder aos anos 70. Naquela 
década, o sistema ecológico que ocupa áreas ao sul da floresta amazônica, o cerrado, era 
quase um deserto despovoado. A famosa estrada Belém-Brasília era um arranhão vermelho 
na mata, um corte limpo no então chamado continente perdido e que vez ou outra era 
enfrentado por um caminhoneiro mais destemido. Bem, como se sabe, o cerrado tornou-se 
um celeiro de grãos e a estrada poeirenta, um eixo de avanço do progresso rumo ao norte do 
país. O cerrado produz 46% da soja e 41% do gado de corte do país. A área plantada com o 
grão no Mato Grosso aumentou 400% desde 1990. A soja chegou ao Estado no fim da 
década de 70 e foi inicialmente cultivada em áreas desmatadas no cerrado perto de Cuiabá. 
Em linha reta, em vinte anos, a soja avançou 500 quilômetros ao norte em direção à floresta. 
A soja tem o poder de expandir a fronteira porque os produtores estão capitalizados e 
querem aumentar as lavouras, explica João Paulo Capobianco, secretário de 
Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente. Hoje, planta-se soja 
intensivamente nos vales do Rio Araguaia e em Sinop, no norte de Mato Grosso. As fotos de 
satélite já flagraram plantações bem mais ao norte. 
A afoiteza dos agricultores de soja não seria um problema ecológico se não estivesse ligada 
também ao desmatamento improdutivo, muitas vezes ilegal, e à pecuária. A soja no cerrado 
produz cerca de 3.000 quilos por hectare - um pouco mais do que a obtida nos Estados 
Unidos. A produtividade do plantio do grão cresceu 70% em uma década. Graças a isso, não 
houve necessidade econômica premente de ampliar a fronteira agrícola. No restante do país 
a área plantada de soja ficou quase estável. Com dinheiro na mão, o agricultor de soja no 
Mato Grosso compra áreas antes ocupadas por pecuaristas que, por sua vez, compram as 
terras de madeireiros que se aventuram sobre terras devolutas. No sul do país, onde as 
terras valem até vinte vezes o que custam nas fraldas da Amazônia, o plantador de soja tem 
de se contentar em aumentar seus ganhos melhorando a produtividade da área plantada. Na 
vizinhança da floresta é diferente. Ali é mais econômico comprar mais terra dos pecuaristas. 
Dessa forma, o ciclo de desmatamento avança para o norte. O desmatamento é parte do 
processo de expansão da fronteira da Amazônia e deve ser encarado objetivamente. 
Torna-se um problema quando a floresta é perdida sem gerar um sistema de produção 
agrícola ou pecuária que sirva ao desenvolvimento econômico e social e ambiental da 
região, explica Daniel Nepstad, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da 
Amazônia (Ipam). Se a soja não alimentasse o ciclo de expansão sobre a mata, ela seria um 
ótimo vizinho para a mata. O problema é que a soja acaba financiando o pecuarista e este o 
madeireiro, que é incentivado a ir sempre mais para o norte, aumentando a área desmatada. 
Nos últimos anos, a iniciativa privada tomou o lugar do Estado como mola propulsora do 
desbravamento da Amazônia. A região integrou-se à economia global e tornou-se menos 
dependente dos altos e baixos da atividade no Brasil. Assim, mesmo com o país em marcha 
lenta, a economia amazônica tende a estar sempre aquecida. Os preços internacionais de 
grãos e carne são acompanhados diariamente pelos fazendeiros. Um relatório inédito 
intitulado Desmatamento na Amazônia: indo além da emergência crônica, feito pelo 
Ipam e obtido por VEJA, mostra que nos últimos dez anos a pecuária extensiva respondeu 
por 75% da floresta desmatada na região, especialmente nas bordas, formando um arco que 
abrange o Pará, o norte de Mato Grosso e parte de Rondônia. O rebanho bovino dobrou entre
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 272 de 323 
1990 e 2001. 
VANGUARDA DA OCUPAÇÃO - Na fronteira leste, a marcha rumo ao centro do 
tesouro amazônico tem outro motor, a impunidade ao corte ilegal de árvores. As primeiras 
grandes madeireiras da região foram instaladas na década de 70 na cidade de Paragominas, 
no leste do Pará. Hoje, o barulho dos tratores e das motosserras pode ser ouvido 1.000 
quilômetros mais a oeste. Segundo dados do Banco Mundial e do Instituto do Homem e 
Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), metade da madeira vinda da Amazônia é retirada 
de maneira ilegal. O principal estímulo à derrubada das árvores é a alta rentabilidade do 
negócio. A exploração madeireira baseada em técnicas de manejo que conservam a floresta 
tem um retorno de 71%. Já a derrubada ilegal rende 122%. Além de não pagar impostos nem 
garantir direitos trabalhistas mínimos a seus empregados, os madeireiros ilegais retiram 
muito mais madeira do que permite um plano de manejo. As madeireiras são a vanguarda 
da ocupação desordenada da Amazônia, pois instalam a infra-estrutura mínima para a 
ocupação posterior e ao mesmo tempo garantem a posse da terra, na maior parte das 
vezes grilada, diz Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon. 
As estimativas mostram que, a se manter o padrão atual de ocupação da floresta, nos 
próximos vinte anos 15% da Amazônia terá perdido sua cobertura vegetal atual. Em números 
absolutos não parece nada alarmante. Mas o ritmo se acentuou muito. A civilização brasileira 
levou cinco séculos para desmatar uma área do mesmo tamanho da que os especialistas 
acreditam que vá desaparecer nas próximas duas décadas. Apesar desses dados, com base 
no passado recente da região amazônica e de seu presente, os preservacionistas não são 
totalmente pessimistas quanto a seu futuro. Os motivos de otimismo são a preservação 
quase total do coração da selva e o sucesso de atividades econômicas de baixo impacto 
ecológico, como as indústrias de alta tecnologia da Zona Franca de Manaus, as grandes 
mineradoras e a exploração do turismo. A constante monitoração por satélite de toda a região 
é outra razão de esperança. Os primeiros satélites não distinguiam uma clareira natural de 
outra provocada por desmatamento. Para aparecer na fotografia tirada do espaço, a área 
afetada deveria ter no mínimo 8 quilômetros quadrados. As fotos atuais permitem determinar 
que tipo de cobertura cada área tem e flagram clareiras quando ainda têm apenas 100 
metros quadrados. Com a entrada em operação dos dezenove radares e dos oito aviões do 
Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), o esquadrinhamento da região está se 
tornando uma operação de alta precisão que fornece aos pesquisadores dados sobre a 
qualidade da água dos rios e até o movimento de cardumes. Os focos de agressão podem 
ser detectados com toda a precisão. Agora basta aplicar a lei.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 273 de 323 
Questões Cruciais 
Poluição Atmosférica 
A poluição atmosférica está associada, principalmente, à queima de carvão e de 
combustíveis derivados de petróleo. 
Esses dois insumos alimentam grandes setores da economia atual, como a própria geração 
de energia (termoelétricas), a produção industrial e o transporte, totalizando 
aproximadamente 90% da energia comercial utilizada no mundo. Estima-se que, entre 1960 e 
1996, com o incremento das atividades industriais e de transporte (rodoviário e aéreo), a 
emissão de carbono (CO e CO2) resultante da queima desses combustíveis, mais que 
dobrou. 
O transporte rodoviário, uma das maiores fontes de poluentes, joga mais de 900 milhões de 
toneladas de CO2 por ano na atmosfera. De 1950 até 1994, a frota mundial de veículos 
(carros, ônibus e caminhões) cresceu nove vezes, passando de 70 milhões para 630 milhões. 
No Brasil, de acordo com o capítulo Cidades Sustentáveis da Agenda 21, a taxa de 
motorização passou de 72 habitantes por automóvel em 1960 para pouco mais de 5 em 
1998, podendo chegar essa relação a 4,3 em 2005, enquanto a quantidade média diária de 
viagens por habitante, segundo a projeção, deve subir de 1,5 registradas em 1995 para 1,7 
viagens. 
Os efeitos nocivos do crescimento automotivo têm aparecido continuamente em 
levantamentos de saúde. Uma estatística, divulgada pela Organização Mundial de Saúde 
(OMS) em 1999, apontou a poluição como responsável por um número maior de mortes do 
que o trânsito, em decorrência de problemas respiratórios ou cardíacos desencadeados pela 
exposição contínua ao ar poluído. 
Os pesquisadores europeus, que avaliaram os efeitos da poluição do ar em três países 
(Áustria, Suíça e França), estimam que essa seja a causa de 40 mil mortes anuais, metade 
das quais ligadas diretamente à poluição produzida por veículos automotores. A poluição 
gerada (monóxido de carbono, óxidos de enxofre e nitrogênio, material particulado) pelo 
transporte também é apontada como a responsável por 25 mil novos casos anuais de 
bronquite crônica e mais de 500 mil ataques de asma. Esses dados confirmaram informações 
de pesquisas anteriores, realizadas no Reino Unido, que mostraram que a poluição abrevia a 
vida de 12 a 24 mil pessoas por ano e provoca outras 24 mil internações. 
Os dados brasileiros também revelam prejuízos significativos à saúde, em particular de 
gestantes, crianças e idosos. Um grupo da Faculdade de Medicina da USP constatou, em 
1997, que a concentração de poluentes atmosféricos em São Paulo, principalmente nos 
meses de inverno, pode aumentar até 12% o risco de mortes por doenças respiratórias. 
Os experimentos feitos com animais de laboratório indicaram que, após 3 meses de 
exposição aos poluentes, aparecem sintomas de rinite alérgica e crises de asma, além da 
redução das defesas imunológicas pulmonares, o que dobra o risco de contrair câncer. O ar 
de São Paulo recebe, anualmente, cerca de 3 milhões de toneladas de poluentes, 90% deles 
emitidos por veículos automotores. Os efeitos agudos da poluição se manifestam, sobretudo, 
durante o inverno, quando a procura por atendimento em pronto-socorros infantis aumenta 
25% e o número de internações por problemas respiratórios sobe 15% em relação às outras 
estações, quando o egime mais intenso de chuvas e ventos ajuda a dispersar a poluição. 
Entre as crianças esse índice chega a 20% e a taxa de mortalidade de idosos acima de 65 
anos, nesse período do ano, aumenta até 12%. 
O Efeito Estufa e o Aquecimento Global 
O aquecimento global é o aumento da temperatura terrestre (não só numa zona específica, 
mas em todo o planeta) e tem preocupado a comunidade científica cada vez mais. 
Acredita-se que seja devido ao uso de combustíveis fósseis e outros processos em nível 
industrial, que levam à acumulação na atmosfera de gases propícios ao Efeito Estufa, tais 
como o Dióxido de Carbono, o Metano, o Óxido de Azoto e os CFCs.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 274 de 323 
Há muitas décadas que se sabe da capacidade que o Dióxido de Carbono tem para reter a 
radiação infravermelha do Sol na atmosfera, estabilizando assim a temperatura terrestre por 
meio do Efeito Estufa, mas, ao que parece, isto em nada preocupou a humanidade que 
continuou a produzir enormes quantidades deste e de outros gases de Efeito Estufa. 
A grande preocupação é se os elevados índices de Dióxido de Carbono que se têm medido 
desde o século passado, e tendem a aumentar, podem vir a provocar um aumento na 
temperatura terrestre suficiente para trazer graves conseqüências à escala global, pondo em 
risco a sobrevivência dos seus habitantes. 
Na realidade, desde 1850 temos assistido a um aumento gradual da temperatura global, algo 
que pode também ser causado pela flutuação natural desta grandeza. Tais flutuações têm 
ocorrido naturalmente durante várias dezenas de milhões de anos ou, por vezes, mais 
bruscamente, em décadas. Estes fenômenos naturais bastante complexos e imprevisíveis 
podem ser a explicação para as alterações climáticas que a Terra tem sofrido, mas também 
é possível e mais provável que estas mudanças estejam sendo provocadas pelo aumento do 
Efeito Estufa, devido basicamente à atividade humana. 
Para que se pudesse compreender plenamente a causa deste aumento da temperatura 
média do planeta, foi necessário fazer estudos exaustivos da variabilidade natural do clima. 
Mudanças, como as estações do ano, às quais estamos perfeitamente habituados, não são 
motivos de preocupação. 
Na realidade, as oscilações anuais da temperatura que se têm verificado neste século estão 
bastante próximo das verificadas no século passado e, tendo os séculos XVI e XVII sido frios 
(numa escala de tempo bem mais curta do que engloba idades do gelo), o clima pode estar 
ainda a se recuperar dessa variação. Desta forma os cientistas não podem afirmar que o 
aumento de temperatura global esteja de alguma forma relacionado com um aumento do 
Efeito Estufa, mas, no caso dos seus modelos para o próximo século estarem corretos, os 
motivos para preocupação serão muitos. 
Segundo as medições da temperatura para épocas anteriores a 1860, desde quando se tem 
feito o registro das temperaturas em várias áreas de globo, as medidas puderam ser feitas a 
partir dos anéis de árvores, de sedimentos em lagos e nos gelos, o aumento de 2 a 6 ºC que 
se prevê para os próximos 100 anos seria maior do que qualquer aumento de temperatura 
alguma vez registrado desde o aparecimento da civilização humana na Terra. Desta forma 
torna-se assim quase certo que o aumento da temperatura que estamos enfrentando é 
causado pelo Homem e não se trata de um fenômeno natural. 
No caso de não se tomarem medidas drásticas, de forma a controlar a emissão de gases de 
Efeito Estufa é quase certo que teremos que enfrentar um aumento da temperatura global 
que continuará indefinidamente, e cujos efeitos serão piores do que quaisquer efeitos 
provocados por flutuações naturais, o que quer dizer que iremos provavelmente assistir às 
maiores catástrofes naturais (agora causadas indiretamente pelo Homem) alguma vez 
registradas no planeta. 
A criação de legislação mais apropriada sobre a emissão dos gases poluentes é de certa 
forma complicada por também existirem fontes de Dióxido de Carbono naturais (o qual 
manteve a temperatura terrestre estável desde idades pré-históricas), o que torna também o 
estudo deste fenômeno ainda mais complexo. 
Há ainda a impossibilidade de comparar diretamente este aquecimento global com as 
mudanças de clima passadas devido à velocidade com que tudo está acontecendo. As 
analogias mais próximas que se podem estabelecer são com mudanças provocadas por 
alterações abruptas na circulação oceânica ou com o drástico arrefecimento global que levou 
à extinção dos dinossauros. O que existe em comum entre todas estas mudanças de clima 
são extinções em massa, por todo o planeta tanto no nível da fauna como da flora. Esta 
analogia vem reforçar os modelos estabelecidos, nos quais prevêem que tanto os 
ecossistemas naturais como as comunidades humanas mais dependentes do clima venham 
a ser fortemente pressionados e postos em perigo.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 275 de 323 
Chuva Ácida 
Os principais ácidos da chuva são o sulfúrico (H2SO4) e o nítrico (HNO3), formados pela 
associação da água com dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de nitrogênio (NOx), produtos da 
queima de combustível fóssil, que podem ser carregados pelo vento por distâncias superiores 
a 1.000 quilômetros do ponto de emissão, ocasionando chuvas ácidas distantes da fonte 
primária de poluição, o que acaba se tornando um problema sem fronteiras territoriais. 
O dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio podem causar danos tanto pela precipitação 
seca, que se depõe sobre a vegetação e as estruturas (monumentos, prédios, etc.), como 
pela precipitação úmida, dissolvidos na chuva ou em vapores d'água atmosféricos. Para a 
saúde humana os principais danos causados pela ingestão de água ou alimentos 
contaminados por metais pesados presentes na chuva ácida são os problemas neurológicos. 
Há, normalmente, fluxos naturais de enxofre e nitrogênio causados pelas emissões 
vulcânicas, pela queima de biomassa e pela iluminação solar. São fluxos uniformemente 
espalhados, que não causam grandes precipitações. O fator significativo aqui também são as 
ações humanas porque o fluxo derivado destas é concentrado em poucas regiões industriais, 
porém tem a desvantagem adicional de poder se espalhar e afetar a população de outras 
regiões, dependendo do regime dos ventos. 
Por dois anos consecutivos (1999-200), pesquisadores norte-americanos, europeus e 
indianos do Projeto INDOEX (Indian Ocean Experiment) constataram a existência de uma 
mancha marrom de 10 milhões de quilômetros quadrados de extensão com 3 a 5 Km de 
espessura formada por resíduos poluentes - fuligem, sulfatos, nitratos, partículas orgânicas, 
cinzas e poeira mineral - sobre a Índia e o Oceano Índico, obstruindo a passagem da luz solar 
e provocando chuva ácida. Para os cientistas, a mancha resulta da alta concentração de 
poluentes emitidos em toda a Ásia e acumulados sobre essa região em decorrência dos 
padrões de circulação climática. 
No decorrer da década de 1990, os países asiáticos lançaram na atmosfera cerca de 34 
milhões de toneladas de dióxido de enxofre ao ano, quase 40% a mais do que os Estados 
Unidos, até então o maior responsável pela emissão desse gás no mundo. Por causa do 
incremento da industrialização e da frota de veículos, além do consumo intenso de carvão 
como gerador de energia, esses números devem triplicar até 2010, sobretudo na China, 
Índia, Tailândia e Coréia do Sul. 
Vazamentos de Petróleo 
No caso brasileiro, além do lixo, dos esgotos lançados in natura e de materiais contaminados 
oriundos das dragagens portuárias, a ocorrência crescente de vazamentos de petróleo têm 
sido um fator crescente de poluição dos ecossistemas costeiros. Quando o vazamento ocorre 
em alto mar, existe todo um processo que pode ocorrer com a mancha provocada, fazendo 
com que ela se disperse antes de chegar à costa. Como o óleo é menos denso do que a 
água, ele tende a flutuar, atingindo uma grande superfície. Neste processo, os compostos 
mais nocivos evaporam, pois são muito voláteis, e as partes mais pesadas dos 
hidrocarbonetos, com o batimento das ondas se agregam a pequenas partículas em 
suspensão no oceano, sedimentando lentamente. 
Antes do afundamento da plataforma P-36, em março de 2001, e do acidente com a 
plataforma P-7, em abril, a Petrobrás somava 18 desastres causados desde março de 1975 
por vazamento de óleo e gasolina ou emissão de vapores de soda caústica, nove deles 
somente entre 1990 e 2000. Em quatro deles (janeiro, março, junho e julho de 2000), foram 
lançados mais de 5 milhões de litros de petróleo na região costeira da Baía de Guanabara 
(RJ), em Araucária (PR) e em Tramandaí (RS). 
Para o ecossistema marinho, o custo desses vazamentos pode representar o 
comprometimento no longo prazo da diversidade biológica e genética, composta por 
organismos e plantas que formam a base da cadeia alimentar e são responsáveis pela 
dispersão intra e inter-oceânica das espécies. Uma alteração significativa do ambiente 
oceânico poderá agravar a diminuição dos principais estoques pesqueiros, já considerados
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 276 de 323 
sob risco uma vez que 70% deles são superexplorados ou estão em seu limite biológico de 
reprodução. Outro sinal visível da degradação dos ambientes oceânicos é a descoloração 
dos recifes de coral. 
O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) tem observado, desde 1980, o aumento do número 
de formações atingidas pelo problema. Em 1998, o relatório Planeta Vivo, emitido pelo WWF, 
informou 100 episódios de descoloração de recifes durante a década de 1980, um índice 
alarmante comparado aos três registros históricos ocorridos nos cem anos anteriores. A 
degradação dos recifes de corais ameaça uma diversidade de espécies animais que utiliza as 
formações como habitat e torna as costas litorâneas desprotegidas contra a erosão 
provocada pelos movimentos oceânicos e o impacto das tempestades sobre a plataforma 
continental. 
A própria extração do petróleo provoca danos ambientais que ainda não foram devidamente 
mensurados. A lama utilizada como lubrificante para evitar o excesso de atrito do 
equipamento durante o processo de furo produz um montante ainda não calculado de rocha 
moída que é jogada no mar assim como todos os resíduos que são inerentes ao processo de 
extração do petróleo (gás e água com alta salinidade e concentração de metais). A bacia 
marítima de Campos (RJ), considerada pelos especialistas como uma das maiores fontes de 
petróleo do Brasil devido à sua extensão (40 mil km2), fica em uma região de grande 
diversidade ecológica e interesse turístico porque abriga várias lagoas costeiras, manguezais, 
praias arenosas e de cascalho, costões rochosos, colônias de aves marinhas, além de áreas 
de pescas e bancos de calcário em profundidades até 120 metros. 
Desmatamento e Desertificação 
O desmatamento promovido para obtenção de fontes energéticas (madeira e carvão) e a 
transformação de florestas em terrenos cultiváveis reduziram em 70% o parque florestal 
europeu e asiático entre os séculos XIX e início do século XX. De um total estimado em 62,2 
milhões de quilômetros quadrados, restam somente 33,4 milhões de florestas. Atualmente, 
46% das matas nativas do planeta estão sob o mesmo risco de destruição pelo 
desmatamento que consome, todo ano, 17 milhões de hectares de florestas tropicais, de 
acordo com o WWF e o Centro Mundial de Monitoramento e Conservação (WCMC). 
A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou que, 
entre 1980 e 1995, houve um aumento de 4% na cobertura florestal da Europa, mas as 
condições da mata são precárias em virtude de incêndios, secas, pragas e poluição 
atmosférica. Nas áreas reflorestadas mais de 25% das árvores apresentam processos de 
desfoliação e número de matas primárias saudáveis reduziu, no mesmo período, de 69% 
para 39%. 
As queimadas para prática de técnicas agropecuárias são a principal forma de 
desmatamento. A expansão de áreas urbanas, a construção de malhas viárias e a 
implantação de projetos hidrelétricos ou para extração de minérios, além do comércio de 
madeira, incluindo o ilegal, que movimenta aproximadamente U$ 6 bilhões por ano, também 
contribuem para a desvastação. O manejo inadequado da terra e uso excessivo de 
fertilizantes, somados ao desmatamento da cobertura vegetal, também são responsáveis 
pela desertificação de áreas extensas ao redor do planeta, particularmente na África, onde 
mais da metade do território são de terrenos semi-áridos, áridos ou desérticos. No Brasil, 
onde a perda de terras cultiváveis chega a U$ 4 bilhões ao ano, a desertificação já 
compromete 980 mil quilômetros quadrados. Durante a década de 1990, segundo o WRI, 
foram perdidos 562 milhões de hectares de terra férteis, o que representa 38% da área total 
plantada no mundo. 
As queimadas com fins agrícolas ou comerciais, além de causarem degradação ambiental, 
também são um grande fone de emissão de dióxido de carbono. Ao longo da década de 
1980, as florestas chegaram a ser consideradas o pulmão do planeta, em virtude da 
absorção de dióxido de carbono e à liberação de oxigênio realizadas pelas plantas durante o 
processo de fotossíntese. A posteriori, algumas pesquisas apontaram que isso, na realidade, 
se tratava de um equívoco porque o oxigênio liberado durante a fotossíntese era absorvido 
pelas próprias árvores para realimentar esse processo.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 277 de 323 
Recentemente, o projeto Experimento de Grande Escala da Biosfera - Atmosfera na 
Amazônia, que reúne mais de 300 pesquisadores da América Latina, Estados Unidos e 
Europa, comprovou que existe realmente um balanço positivo na absorção de carbono pela 
floresta amazônica, embora menor do que havia sido divulgado anteriormente (5 a 8 
toneladas de carbono por hectare). As correções realizadas nos cálculos indicam que, 
somadas todas as fontes conhecidas de absorção e emissão, a floresta retira uma 
quantidade relativamente modesta de carbono por hectare preservado, algo entre uma e 
duas toneladas anuais. 
Considerando a sua extensão, que abrange 70% do ecossistema florestal da América Latina, 
a floresta ainda seria capaz de retirar uma quantidade de carbono nada desprezível, estimada 
entre 400 e 800 milhões de toneladas por ano, ou o eqüivalente à aproximadamente 10% das 
emissões globais devido à queima de combustíveis fósseis e ao desmatamento. 
De todo modo, a destruição das florestas por queimadas ou desmatamento acarreta um 
duplo impacto ambiental porque as queimadas desprendem uma grande quantidade de 
dióxido de carbono e os desmatamentos, ao retirar a cobertura vegetal, reduzem a 
quantidade de água evaporada do solo e a produzida pela transpiração das plantas, 
acarretando uma diminuição no ciclo das chuvas. Além de provocar os efeitos climáticos 
diretos, o calor adicional pode destruir o húmus (nutrientes, microorganismos e pequenos 
animais) que promove a fertilidade do solo. 
Os efeitos da destruição já são sentidos inclusive nas áreas urbanas, onde o desmatamento 
das margem dos rios aumenta progressivamente o grau de erosão dos terrenos ribeirinhos, 
reduzindo a vazão da água e a qualidade do abastecimento. Em várias cidades, como 
Piraciba (SP), as prefeituras têm recorrido ao reflorestamento com espécies nativas para 
tentar reverter o processo de degradação e conter os riscos de desabastecimento. 
Solo Urbano e Meio Ambiente 
O Brasil passou por dois fenômenos que merecem destaque quando se fala de ambientes 
urbanos: a rápida industrialização , experimentada a partir do pós-guerra, e a urbanização 
acelerada que se seguiu. No curso desse processo, reflexo das políticas desenvolvimentistas 
então vigentes, uma série de regras de proteção ao meio ambiente e ao cidadão foram 
desrespeitadas ou mesmo desconsideradas. 
Sem o sucesso e a estabilidade econômica de países como os Estados Unidos, Japão ou 
Alemanha, somente nos anos 70 o Brasil começou a voltar-se para as questões ambientais, 
de saneamento e de controle da poluição, logrando seu primeiro intento com o Plano 
Nacional de Saneamento (Planasa), ao conseguir abastecer com água tratada cerca de 80% 
da população urbana brasileira. A partir de então, os grandes problemas ambientais do País 
vêm sendo identificados e controlados, porém nem sempre com a velocidade e intensidade 
que merecem. 
Quando se pensa no meio ambiente urbano no Brasil, não se pode esquecer o que ocorreu 
com a cidade de Detroit (EUA), por exemplo, que durante as décadas de 20 e 30 era o 
município mais poluído do mundo e hoje é um modelo de controle ambiental. O auge do 
desastre se deu para os norte-americanos em outra época, quando construíram uma 
mentalidade voltada para questões relacionadas ao meio ambiente. É exemplo também para 
todo o mundo o esforço feito na Grã Bretanha para recuperar o Tâmisa. Os nossos Tâmisas 
começam a ser percebidos e tratados somente agora. 
Desde os anos 50, a formação das cidades brasileiras vem construindo um cenário de 
contrastes, típico das grandes cidades do Terceiro Mundo. A maneira como se deu a criação 
da maioria dos municípios acabou atropelando os modelos de organização do território e 
gestão urbana tradicionalmente utilizados, e mostrou-se inadequada. O resultado tem sido o 
surgimento de cidades sem infra-estrutura e disponibilidade de serviços urbanos capazes de 
comportar o crescimento provocado pelo contingente populacional que migrou para as 
cidades.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 278 de 323 
Entre as décadas de 50 e 90, a parcela da população brasileira que vivia em cidades cresceu 
de 36% para 75%, sendo que em 1991, nove regiões metropolitanas possuíam mais de 1 
milhão de habitantes cada. Não obstante os evidentes desequilíbrios ambientais decorrentes 
desse processo, os espaços urbanos não receberam, na mesma proporção, a devida 
atenção por parte da mídia e dos governantes. 
Quando se trata do urbano, a complexidade do que se denomina problemas ambientais exige 
tratamento especial e transdisciplinar. As cidades não são apenas espaços onde se 
evidenciam problemas sociais. O próprio ambiente construído desempenha papel 
preponderante na constituição do problema, que transcende ao meio físico e envolve 
questões culturais, econômicas e históricas. 
Os grandes assentamentos urbanos concentram também os maiores problemas ambientais, 
tais como poluição do ar, sonora e hídrica; destruição dos recursos naturais; desintegração 
social; desemprego; perda de identidade cultural e de produtividade econômica. Muitas 
vezes, as formas de ocupação do solo, o provimento de áreas verdes e de lazer, o 
gerenciamento de áreas de risco, o tratamento dos esgotos e a destinação final do lixo 
coletado deixam de ser tratados com a prioridade que merecem. 
Nas metrópoles com grande concentração industrial exacerbam-se os problemas de 
degradação ambiental, trânsito, enchentes, favelização e assentamentos em áreas 
inundáveis, de risco e carentes em saneamento. Como centros de produção, essas cidades 
mostram saturação de indústrias em áreas restritas, trazendo diversos problemas a seus 
habitantes, provocados pelos elevados índices de poluição que apresentam. 
Nas cidades costeiras com vocação para o turismo, as condições de balneabilidade das 
praias vêm sendo comprometidas cada vez mais pelas descargas de esgotos in natura e 
pelas precárias condições de limpeza pública e coleta de lixo. É nelas que os interesses 
especulativos imobiliários forçam a ocupação de áreas de preservação ambiental, 
desfigurando a paisagem e destruindo ecossistemas naturais. 
Cidades históricas e religiosas como Ouro Preto (Minas Gerais), Olinda (Pernambuco) e 
Aparecida do Norte (São Paulo) também sofrem com a especulação imobiliária, com a 
favelização e com o turismo indiferente à preservação do patrimônio cultural e ambiental. Na 
Amazônia, as atividades extrativistas e o avanço da fronteira agrícola produziram cidades de 
crescimento explosivo, que se tornaram paradigmas para a degradação da qualidade de vida 
no meio urbano. 
Os problemas ambientais e suas causas não são prerrogativas do Brasil. Outros países 
viveram problemas semelhantes e buscaram soluções que garantiram a qualidade de vida 
dos cidadãos e o simultâneo crescimento econômico. A diferença é que por ser um país 
jovem, o Brasil começou, só na virada do último milênio, a enfrentar o desafio de um 
desenvolvimento sócio-econômico que preserve o patrimônio natural do País para suas 
próximas gerações. Os brasileiros estão deixando suas antigas posições para entrar em uma 
nova era. 
A globalização dos mercados, o milagre das telecomunicações, a estabilização da economia 
são fatores que devem ser analisados criteriosamente se o objetivo buscado é o chamado 
desenvolvimento sustentado. O Brasil, através de ações governamentais e de iniciativas da 
população, está buscando alternativas que preservem o patrimônio natural do País e 
possibilitem o crescimento econômico. 
Na busca do equacionamento e da reversão da crise ambiental urbana, várias ações vêm 
sendo tomadas pela União, com a participação da sociedade civil. Políticas para saneamento 
e meio ambiente vêm sendo discutidas e implementadas em todo o Brasil desde os anos 70, 
embora não com a velocidade e efetividade compatíveis com o crescimento que o País vem 
experimentando nas últimas décadas. Esse diferencial criou um vácuo que começa a ser 
preenchido com uma melhor e mais completa compreensão por parte da população e dos 
administradores a respeito dos direitos, deveres e responsabilidades para com o meio 
ambiente. O País já reconhece seus problemas ambientais, tem instrumentos legais para 
resolvê-los e, acima de tudo, tenta implementá-los efetivamente.
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 279 de 323 
Alguns estados da União, por suas peculiaridades, dispõem de legislação própria e 
organismos especializados e os vêm implementando de forma bastante efetiva, contando 
com a parceria da sociedade civil na decisão de suas prioridades ambientais. 
Queimadas e Desmatamentos 
Confundidas freqüentemente com incêndios florestais, as queimadas são também 
associadas ao desmatamento. Na realidade, mais de 95% delas ocorrem em áreas já 
desmatadas, caracterizadas como queimadas agrícolas. Os agricultores queimam resíduos 
de colheita para combater pragas, como as provocadas pelo bicudo do algodão, para reduzir 
as populações de carrapatos ou para renovar as pastagens. O fogo também é utilizado para 
limpar algumas lavouras e facilitar a colheita, como no caso da cana-de-açúcar, cuja palha é 
queimada antes da safra. Áreas de pastagem extensiva, como os Cerrados, também são 
queimadas por agricultores e pecuaristas. 
Apenas uma pequena parte das queimadas detectadas no Brasil está associada ao 
desmatamento. No caso da Amazônia, o fogo é o único meio viável para eliminar a massa 
vegetal e liberar áreas de solo nu para plantio. Mesmo assim são necessários cerca de oito 
anos para que a área fique limpa para a prática agrícola. Uma pesquisa realizada pelo Núcleo 
de Monitoramento Ambiental NMA-Embrapa em Rondônia, revelou que apenas uma pequena 
parte (menos de 5%) da madeira das áreas desmatadas foi comercializada - ou seja, a 
finalidade da queimada não é o comércio, mas a limpeza de áreas. 
Degradação dos Recursos Litorâneos 
Devido à importância dos oceanos na economia global e no sistema climático, não 
atingiremos um desenvolvimento duradouro e sustentável sem litorais e oceanos sadios. 
Pesqueiros produtivos e bem manejados desempenham um papel significativo no 
desenvolvimento econômico global, segurança alimentar, alívio da pobreza e saúde humana. 
Mas, desde a Rio-92, a maioria dos recursos litorâneos foi alvo de ações predatórias e 
degradação. Os esforços atuais para a proteção de litorais e oceanos não atingirão seus 
objetivos caso não consigam maior integração na agenda mais abrangente de 
desenvolvimento social que será enfocada na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento 
Sustentável de 2002, a ser realizada brevemente em Joanesburgo. 
Recursos costeiros e marinhos representam um rico patrimônio para a construção de um 
mundo sustentável. O valor dos bens e serviços ecológicos marinhos é estimado em US$ 21 
trilhões anuais - 70 % superior aos sistemas terrestres. Um bilhão de pessoas depende de 
peixes como fonte primária de proteína animal, principalmente nos países em 
desenvolvimento. Cerca de 90 % do pescado comercial mundial é capturado em regiões 
costeiras e ao longo das plataformas continentais. 
As pressões humanas sobre os recursos costeiros estão se acelerando. Quase metade da 
humanidade - aproximadamente 2,8 bilhões de pessoas - vive hoje a 100 quilômetros de um 
litoral, contra 2 bilhões em 1992. A maioria das mega cidades mundiais (com mais de 8 
milhões de habitantes) é costeira. Até meados do século, o número de habitantes costeiros 
deverá inchar para 6,3 bilhões de pessoas, cerca de 75 % da população mundial. As regiões 
costeiras também sustentam a maior concentração mundial de infra-estrutura de apoio, 
instalações fabris, uso de energia, turismo e produção de alimentos. Considerando seu 
gigantesco valor econômico e ecológico, a proteção destas áreas é fundamental. 
Desde a Rio-92, os cientistas reconhecem que a pesca predatória é a causa principal do 
colapso dos ecossistemas marinhos em muitas regiões. O volume de pescado global 
estagnou a partir de 1990. 70 % dos estoques pesqueiros estão hoje sobre-explorados - ou 
esgotados. A pesca comercial também é altamente perdulária: no processamento anual de 
85 milhões de toneladas de peixes, os pescadores descartam rotineiramente, no mínimo, 20 
milhões de toneladas de pescado indesejado e de espécies marinhas, que são geralmente 
mortas. 
Durante a década de 90, os recifes de coral mundiais sofreram um duro golpe. Entre 1992 e
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 280 de 323 
2000, a parcela de recifes de coral gravemente danificada por ação humana direta e pelo 
aquecimento global elevou-se de 10 para 27 %. Além disto, até 2030, 60 % dos recifes de 
coral em todo o mundo poderá desaparecer caso os oceanos continuem a se aquecer. 
Poluição, pesca predatória e atividades terrestres - como desmatamento, agricultura, desvios 
fluviais e desenvolvimento industrial - todos contribuem para a degradação de valiosos 
habitats costeiros. Metade das terras alagadas costeiras do mundo foi aterrada ou 
irremediavelmente alterada por empreendimentos imobiliários. 
Danos costeiros também têm efeito direto na saúde humana. Nos países em 
desenvolvimento, 70 % dos resíduos industriais e 90 % dos esgotos são despejados sem 
tratamento em águas superficiais, onde poluem aqüíferos, mananciais e áreas costeiras. 
Estima-se que, anualmente, 250 milhões de pessoas desenvolvem crises de gastroenterite e 
doenças respiratórias ao nadarem em mares contaminados. E produtos químicos tóxicos têm 
contribuído para o colapso reprodutivo em mamíferos marinhos e problemas de saúde nas 
pessoas que se alimentam de peixes. (Dois terços dos mamíferos marinhos estão hoje 
classificados como espécies sob ameaça de extinção, conforme o Livro Vermelho da IUCN). 
A piscicultura tanto aumentou a produtividade quanto prejudicou as áreas costeiras. Desde a 
Rio-92, a produção da aqüicultura global mais que duplicou, de 15 milhões de toneladas de 
peixe, em 1992, para 36 milhões de toneladas em 2000. Cerca de 40 % dos peixes cultivados 
são criados em áreas costeiras e marinhas. Esta atividade causou a destruição de 
manguezais, poluição em larga escala por antibióticos e outros produtos químicos, e 
deslocamento de pesqueiros tradicionais. 
Uma das maiores ameaças em potencial para todos os recursos marinhos e costeiros é o 
aquecimento global. A mudança climática mundial aquecerá as temperaturas médias 
oceânicas, alterará padrões de circulação marinha e afetará a produtividade biológica 
marinha. 
A mudança climática também contribuirá para a elevação do nível do mar, com o Painel 
Intergovernamental sobre Mudança Climática prevendo uma elevação de um metro nos 
próximos 80 anos. Níveis mais elevados do mar aumentam o impacto das ressacas, 
aceleram a degradação de habitats, alteram as variações das marés, modificam os padrões 
de circulação de sedimentos e nutrientes, e agravam as enchentes. 
Oceanos em elevação desabrigarão aproximadamente um bilhão de pessoas que vivem a 
poucos metros do nível do mar. Muitas destas pessoas vivem nos países mais pobres e mais 
densamente habitados do mundo. 
SOLUÇÕES 
Países negociaram vários acordos ecológicos marinhos seguros desde a reunião do Rio, 
incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre Estoques de Peixes Trans-zonais e de 
Peixes Altamente Migratórios (doravante, Acordo da ONU sobre Estoques de Peixes) e o 
Programa de Ação Global para a Proteção do Meio Ambiente Marinho contra Atividades 
Terrestres. Mas ainda estamos longe da implementação plena desses acordos em nível 
mundial. Joanesburgo oferece uma boa oportunidade para impulsionar o cumprimento 
desses acordos e ressaltar a importância de oceanos sadios para lidar com a pobreza, 
segurança alimentar e questões populacionais. A fim de proteger recursos oceânicos e 
costeiros, precisaremos implementar programas de gestão costeira, incrementar o manejo da 
pesca, aumentar as pressões de consumidores e empresas em prol da pesca sustentável e 
acabar com o aquecimento global. 
Implementar Programas de Gestão Costeira 
O Capítulo 18 da Agenda 21 e o Mandato de Jacarta sobre Diversidade Marinha e Costeira 
da Convenção sobre Diversidade Biológica, requerem que os países implementem planos 
nacionais de proteção aos recursos costeiros. Embora tenha havido avanços na implantação 
desses planos, metade dos países costeiros mundiais ainda não promulgou qualquer tipo de 
legislação costeira. E a maioria dos países não dispõe de mecanismos formais para
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 281 de 323 
coordenar questões costeiras e oceânicas, sem falar da integração de questões marinhas às 
questões do uso do solo, urbanização e população. 
Para ter eficácia, uma gestão costeira integrada deverá engajar representantes locais de 
vários setores que afetam áreas litorâneas, inclusive turismo e agricultura, além de 
interessados sub-representados, particularmente as mulheres. 
A fim de atingir a meta da Declaração do Milênio das Nações Unidas, de reduzir pela metade 
o número de pessoas que vivem na pobreza, até 2015, o Banco Mundial e agências de ajuda 
externa deverão objetivar programas de redução da pobreza em áreas costeiras em 
crescimento. 
Conforme determinação do Mandato de Jacarta, os países deverão se empenhar na 
identificação de áreas de alta diversidade biológica marinha, especialmente recifes de coral e 
águas rasas ameaçadas, estabelecendo redes regionais de Áreas de Proteção Marinha. 
Os países deverão atender à convocação do Programa de Ação Global, melhorando 
voluntariamente a gestão municipal de saneamento e esgotamento sanitário para a proteção 
da saúde humana e dos recursos costeiros. 
Incrementar o Manejo da Pesca 
O Acordo da ONU sobre Estoques de Peixes entrou em vigor em dezembro de 2001, porém 
15 das principais nações pesqueiras ainda não o ratificaram. É essencial que todas as 
nações que pescam em águas distantes ratifiquem o acordo. 
As nações pesqueiras deverão implementar rapidamente o Plano de Ação Internacional para 
Impedir a Pesca Ilegal, Não Divulgada e Não Regulamentada. Os países deverão investir 
para sua maior aplicação e monitoramento em águas internacionais e territoriais. 
Tanto a Declaração de Reykjavik sobre Pesca Responsável, de 2001, e o Código de 
Conduta da FAO para a Pesca Responsável, de outubro de 2001, requerem uma abordagem 
ao manejo de pesqueiros com base no ecossistema. A fim de atingir este objetivo, as nações 
pesqueiras deverão adotar os princípios do direito de saber à coleta de dados pesqueiros. 
Em reconhecimento ao sucesso da Moratória das Nações Unidas sobre Redes de Arrasto de 
Alto-Mar, os países membros deverão restringir outros tipos de equipamentos danosos de 
pesca, especialmente linhas longas e traineiras com altas taxas de pescado indesejável. 
Os países consumidores deverão pressionar as principais nações pesqueiras na análise e 
eliminação gradativa de US$ 15 bilhões em subsídios anuais à pesca. 
Muitos subsídios permitem que países industrializados comprem direitos de acesso à pesca 
em países em desenvolvimento, onde freqüentemente competem com pequenos 
pescadores. Desta forma, os países em desenvolvimento deverão negociar condições mais 
rígidas de acesso e proibição total onde o recurso estiver exaurido. 
Aumentar as Pressões de Consumidores e Empresas em prol da Pesca 
Sustentável 
A FAO, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Organização 
Internacional do Comércio (OIT) deverão criar um sistema pelo qual peixes certificados 
independentemente como ecologicamente seguros, através de grupos como o Conselho de 
Manejo Marinho, possam receber tratamento preferencial sob acordos bilaterais de comércio. 
Além das informações que já fornecem sobre contaminação química e biológica, as 
organizações de consumidores deverão avaliar pesqueiros em função do seu manejo 
sustentável. 
Varejistas e restaurantes de frutos do mar, além de fornecedores de aquários e
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 282 de 323 
consumidores, deverão, sempre que possível, só adquirir peixes que forem certificados como 
ecologicamente seguros. 
Lidar com o Aquecimento Global 
Atualmente, 25 % do fornecimento mundial de energia advém de recursos costeiros e 
oceânicos. A fim de ajudar a desacelerar o aumento das emissões de carbono, as empresas 
envolvidas em atividades energéticas marinhas deveriam receber créditos fiscais para serem 
aplicados em investimentos em fontes de energia renovável, como marés e oceanos, além 
da eólica e térmica. 
A Questão da Biodiversidade 
A Convenção da Diversidade Biológica, ratificada por 175 países em 1992, reflete pela 
primeira vez um consenso global sobre a importância da biodiversidade na manutenção dos 
ecossistemas do planeta. Como crescimento do conhecimento científico houve um avanço 
significativo na questão da preservação das espécies. Não temos dúvidas nos dias de hoje 
que para se evitar a crise da extinção em massa das espécies é necessário a manutenção 
dos processos ecológicos e evolutivos no planeta. Para a manutenção destes processos é 
necessário que a biodiversidade seja protegida em espaços maiores e exista condições 
aceitáveis para as populações humanas envolvidas no processo. O desenvolvimento 
econômico só será sustentável se conseguir manter esse equilíbrio das forças biológicas que 
mantém o planeta. 
Os recentes avanços da genética molecular associados a uma verdadeira revolução na área 
de informática tem mudado a cada dia o significado da palavra biodiversidade. A palavra 
biodiversidade tem sido empregada nos últimos anos com uma grande variedade de 
significados diferentes. É importante salientar aqui, que o avanço da genética desses últimos 
anos nos trouxe um conceito novo, ou seja da diversidade ao nível dos genes. É importante 
nos deter na variância das populações dentro das espécies e nas variações genéticas dentro 
de cada uma destas populações. Quantificar esses parâmetros tornou-se tarefa palpável, 
apesar de mutações e extinções induzidas alterem esses números a cada momento. 
Estamos longe, no entanto, de saber o número de espécies (especialmente as tropicais), e 
mais longe ainda dessa variância ao nível molecular. 
Considerando o fato de que necessitamos manter o equilíbrio mínimo para manter o balanço 
dos genes dentro e entre as populações para obtermos um equilíbrio dos processos 
ecológicos e evolutivos, certos princípios são absolutamente necessários para atingir nossos 
objetivos. As espécies são engrenagens dessa máquina complexa onde cada uma exerce um 
papel importante na cadeia como um todo e a falta de uma destas peças compromete o 
sistema como um todo. Estamos falando de assuntos que a ciência apenas avançou muito 
nas últimas décadas, mas apesar disto ainda há uma imensa dificuldade de abordar a 
questão de maneira a prever com precisão as conseqüências. Daí porque temos hoje 
grandes polêmicas sobre a conservação da biodiversidade no planeta. Aliás um debate que 
passa pelo uso sustentável dos recursos, qualidade de vida das populações mais carentes, 
mudanças climáticas e desenvolvimento. 
O mundo da biologia da conservação também tem evoluído de acordo com os avanços 
tecnológicos e da genética, no entanto a passos mais lentos. Há hoje duas grandes correntes 
na questão da conservação da biodiversidade: a) aqueles que acham que a conservação 
pode ser feita apenas em áreas intocadas, longe da influência humana. Este conceito, muito 
associado a preservação de espécies sem enfatizar a manutenção dos processos ecológicos 
e evolutivos teve mudança significativa na última década para uma corrente mais recente que 
considera que a conservação é possível ser realizada em espaços maiores mas para isso é 
necessário viabilizar uma relação mais harmoniosa com a população humana em sua área 
de influência. No segundo caso temos maiores chances de preservar não só a biodiversidade 
ao nível de espécies mas também a manutenção dos processos ecológicos. 
O primeiro conceito denota um pensamento que dominou os primeiros dos dois terços deste 
século, decorrência da pressão estabelecida pelo crescimento de grandes parques 
agro-industriais e o início de uma aceleração do processo de extinção em massa das
Apostilas Objetiva - www.digshop.com.br - Página: 283 de 323 
espécies. A segunda corrente é uma evolução mais recente e surgiu como conseqüência 
direta dos resultados práticos de ações executadas da primeira filosofia de ação. A divisão 
entre as duas estratégias é hoje tênue pois com o crescimento das populações humanas 
tornou-se necessário mesmo em áreas de preservação total o manejo das áreas vizinhas. 
Embora tenha sido grande o avanço das estratégias de conservação da biodiversidade em 
espaços maiores com populações humanas, muitas dificuldades tem surgido a medida que 
novos modelos são implementados. Há duas vertentes principais que tentam exp
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades
Atualidades

Atualidades

  • 1.
    Atualidades Segurança Transportes Política Economia Sociedade Tecnologia Educação Energia Ecologia Relações Internacionais Desenvolvimento Sustentável Responsabilidade Socio-Ambiental Coletânea de exercícios gerais
  • 2.
    SEGURANÇA PÚBLICA CONCEITOSBÁSICOS EM SEGURANÇA PÚBLICA A DEFESA SOCIAL inclui, entre outras atividades, a prestação de serviços de segurança pública e de defesa civil. A SEGURANÇA PÚBLICA é uma atividade pertinente aos órgãos estatais e à comunidade como um todo, realizada com o fito de proteger a cidadania, prevenindo e controlando manifestações da criminalidade e da violência, efetivas ou potenciais, garantindo o exercício pleno da cidadania nos limites da lei. A DEFESA CIVIL é um conjunto de medidas que visam prevenir e limitar, em qualquer situação, os riscos e perdas a que estão sujeitos a população, os recursos da nação e os bens materiais de toda espécie, tanto por agressão externa quanto em conseqüência de calamidades e desastres da natureza. As POLÍCIAS MILITARES são os órgãos do sistema de segurança pública aos quais competem as atividades de polícia ostensiva e preservação da ordem pública. As POLÍCIAS CIVIS são os órgão do sistema de segurança pública aos quais competem, ressalvada competência específica da União, as atividades de polícia judiciária e de apuração das infrações penais, exceto as de natureza militar. Os CORPOS DE BOMBEIROS MILITARES são os órgão do sistema de segurança pública aos quais compete a execução das atividades de defesa civil, além de outras atribuições específicas estabelecidas em lei. A POLÍCIA, O MINISTÉRIO PÚBLICO E A AUTORIDADE PENITENCIÁRIA devem agir interativamente em prol da segurança pública. A prestação de serviços públicos de segurança, em sua expressão POLICIAL GERAL, inclui o policiamento ostensivo, a apuração de infrações penais e a guarda e recolhimento de presos. A premissa maior da atividade de segurança pública é a sua perspectiva sistêmica, expressa na interação permanente dos diversos órgãos públicos interessados e entre eles e a sociedade civil organizada. A prestação de serviços públicos de segurança engloba atividades REPRESSIVAS E PREVENTIVAS, tanto de natureza policial quanto não-policial, a exemplo, como no caso do provimento de iluminação pública. Os serviços de segurança pública de natureza policial e não-policial devem buscar estabelecer, aperfeiçoar e manter, conjunta e permanentemente, um SENTIMENTO COLETIVO DE SEGURANÇA. A SEGURANÇA PRIVADA se divide em três grandes áreas: SEGURANÇA DO TRABALHO, SEGURANÇA EMPRESARIAL (interna das empresas) e VIGILÂNCIA. esta se subdivide em vigilância orgânica e vigilância patrimonial, contratada a prestadores de serviço. Existem ainda os serviços de vigilância eletrônica, de transporte de valores, de guarda-costas e de investigação particular. A Constituição Federal vigente, em seu art. 144, estabelece que "A SEGURANÇA PÚBLICA, DEVER DO ESTADO, DIREITO E RESPONSABILIDADE DE TODOS, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - Polícia Federal II - Polícia Rodoviária Federal; III - Polícia Ferroviária Federal; IV - Polícias Civis; V - Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares
  • 3.
    Na falta deuma definição expressa e inequívoca da expressão SEGURANÇA PÚBLICA, é possível aduzir, do texto constitucional, que ela seja uma condição, ou estado, que incumbe ao Estado o dever de assegurar à Nação, através do provimento de serviços prestados pelos órgãos referidos ao final do caput do art. 144. Advém também daquele artigo do texto constitucional que o "provimento da segurança pública", por definição semântica da expressão "segurança", bem como pela referência aos órgãos de execução citados, implique em assegurar um estado de coisas em que a Nação esteja protegida da vitimização pelo crime e pela violência, sinistros,, acidentes e desastres. As políticas, métodos e processos que traduzem as metodologias de provimento da segurança pública, instrumentais para a materialização do preceito constitucional, são pertinente, basicamente, ao domínio da gestão dos Poderes Executivo Federal, Estadual e Municipal. Da Constituição Federal Título V Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas Capítulo III Da Segurança Pública Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal; II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis; V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a: I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei; II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência; III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União. § 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais. § 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.
  • 4.
    § 4º Àspolícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. § 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil. § 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. § 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades. § 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei. § 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma do § 4º do art. 39. Considerações O tema segurança pública no Brasil reacende a discussão nacional sobre o lugar da cidadania e da relação do Estado na proteção de cidadãos e cidadãs. Nacionalmente este debate emerge - de forma apaixonada e muitas vezes atabalhoada - a partir dos conflitos em áreas urbanas de grandes metrópoles, ganhando espaço na mídia e se projetando para o Brasil. O aumento estrondoso da criminalidade violenta, nos últimos anos, trouxe para a agenda social a questão da segurança pública. Outrora, assunto restrito a poucos atores, agora a temática da segurança pública alcança o centro das discussões, numa sociedade aflita em meio a um estrondoso incremento da violência e criminalidade. O resultado do referendo sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição amplificou um evidente clamor popular que exige medidas consistentes, duradouras e claras no combate e na prevenção ao crime. A mídia, percebendo a importância do momento histórico (e principalmente o poder de vocalização dessa demanda pela classe média – sua maior consumidora) tem aprofundado as discussões sobre a questão, pautando de forma cada vez mais constante a cobertura acerca da segurança pública. A violência (e seus efeitos perversos) fragiliza as instituições sociais. Isso sem falarmos na corrupção – que atinge todos os níveis da administração pública produzindo uma generalizada falta de credibilidade e de confiança nas autoridades. Esses dois ingredientes explosivos têm motivado muitos indivíduos a defenderem a tese da auto-resolução dos conflitos, através de meios ilegais, e, o mais grave, a quererem fazer justiça com as próprias mãos. Ao tratarmos da segurança pública estamos nos referindo às formas de prevenção e combate à violência: tema que sempre provocou muita polêmica. Alguns acreditam que a violência tem de ser atacada "em suas raízes": a miséria, a exclusão social, a má distribuição de renda, o desemprego. Por outro lado, cresce o coro dos que pleiteiam a adoção de políticas de segurança pública eficientes, que levem em conta os problemas específicos de cada realidade e, não menos importante, a necessidade de reformas profundas no sistema de justiça criminal. Porém, todos os que lidam com o fenômeno da violência devem compreender sua complexidade e a dificuldade no domínio de todas as suas variáveis. Um outro problema é a
  • 5.
    confiabilidade dos dadosproduzidos sobre crimes. É difícil construir indicadores estatísticos representativos e confiáveis. Daí se pode entender porque pesquisadores e operadores da segurança pública têm chamado atenção para a necessidade de produzir estatísticas confiáveis e garantir a transparência na divulgação dos dados sobre a violência. Ademais, a representação da violência pela mídia altera a percepção que temos do fenômeno, pois a cobertura nem sempre é representativa do universo de crimes e sim dos eventos extraordinários e muitas vezes pontuais. CERCA de 45 mil pessoas são vítimas de crimes letais, no Brasil, anualmente. As vítimas são, em sua maioria, jovens pobres e negros, moradores das periferias e favelas das grandes cidades. As polícias são parte do problema: elas têm sido, em geral, ineficientes, unilateralmente reativas, corruptas e violentas, sobretudo porque suas estruturas organizacionais são inadequadas ao cumprimento de suas obrigações constitucionais. Por outro lado, as políticas preventivas ainda são tópicas e fragmentadas. Se não houver uma profunda reforma institucional e legal, e se não forem atacadas as causas imediatas da violência, prevê-se um futuro sombrio. As principais matrizes da criminalidade Várias são as matrizes da criminalidade e suas manifestações variam conforme as regiões do país e dos estados, como já foi dito. Reitere-se: o Brasil é tão diverso que nenhuma generalização se sustenta. Sua multiplicidade também o torna refratário a soluções uniformes. A sociedade brasileira, por sua complexidade, não admite simplificações nem camisas-de-força. Exemplos da diversidade: em algumas regiões, a maioria dos homicídios dolosos encerra conflitos inter-pessoais, cujo desfecho seria menos grave não houvesse tamanha disponibilidade de armas de fogo. No Espírito Santo e no Nordeste, o assassinato a soldo ainda é comum, alimentando a indústria da morte, cujo negócio envolve pistoleiros profissionais, que agem individualmente ou se reúnem em "grupos de extermínio", dos quais, com freqüência, participam policiais. Na medida em que prospera o "crime organizado", os mercadores da morte tendem a ser cooptados pelas redes clandestinas que penetram as instituições públicas, vinculando-se a interesses políticos e econômicos específicos, aos quais nunca é alheia a lavagem de dinheiro, principal mediação das dinâmicas que viabilizam e reproduzem a corrupção e as mais diversas práticas ilícitas verdadeiramente lucrativas. Há investimentos criminosos significativos em roubos e furtos de carros e cargas, ambas as modalidades exigindo articulações estreitas com estruturas de receptação, seja para revenda, desmonte ou recuperação financiada. Há uma praga que corrói a confiança e propaga o medo nas cidades: os assaltos, nos bairros e, sobretudo, no centro das cidades, dos quais ninguém está livre, mas que afetam com maior freqüência e covardia os idosos. Roubos a bancos, residências e ônibus, assim como os seqüestros, particularmente os "seqüestros relâmpagos", também têm se tornado comuns e perigosos, em todo o país, porque, em função, também nesse caso, da disponibilidade de armas, essas práticas, que, por definição, visariam exclusivamente ao patrimônio, têm se convertido, com assustadora freqüência, em crimes contra a vida – a expansão dos "roubos seguidos de morte" ou latrocínios constitui o triste retrato dessa tendência. Em todo o país, mesmo havendo uma combinação de matrizes criminais, articulando e alimentando dinâmicas diversas, tem se destacado o tráfico de armas e drogas, que cada vez mais se sobrepõe às outras modalidades criminosas, subordina-as ou a elas se associa, fortalecendo-as e delas se beneficiando. Ainda há tempo para evitar que se repitam em outros estados as tragédias que se banalizaram no Rio de Janeiro, mas para isso é imperioso reconhecer que já há fortes indícios de que a matriz mais perigosa e insidiosa, que cresce mais velozmente, instalando-se nas vilas, favelas e periferias, e adotando o domínio territorial e a ameaça a comunidades como padrão, a matriz mais apta a recrutar jovens vulneráveis e a se reproduzir, estimulada pela crise social e pela fragilidade da auto-estima, é o tráfico. Essa matriz da criminalidade tem assumido uma característica peculiar, ao infiltrar-se e
  • 6.
    disseminar-se como estilocultural e meio econômico de vida, com seu mercado próprio e lamentavelmente promissor. Exige, portanto, trabalho policial investigativo no combate às redes atacadistas, ações policiais ostensivas na contenção do varejo, mas, sobretudo, requer intervenção social preventiva bem coordenada, territorialmente circunscrita e sintonizada com a multidimensionalidade dos problemas envolvidos. Efetivamente, o tráfico de armas e drogas é a dinâmica criminal que mais cresce nas regiões metropolitanas brasileiras, mais organicamente se articula à rede do crime organizado, mais influi sobre o conjunto da criminalidade e mais se expande pelo país. As drogas financiam as armas e estas intensificam a violência associada às práticas criminosas, e expandem seu número e suas modalidades. Esse casamento perverso foi celebrado em meados dos anos 1980, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo, ainda que antes já houvesse vínculos entre ambas. A violência doméstica, especificamente a violência de gênero, que vitimiza as mulheres, assim como as mais diversas formas de agressão contra crianças, revelam-se, em todo o país, tão mais intensas e constantes quão mais se desenvolve o conhecimento a seu respeito. O dado mais surpreendente diz respeito à autoria: em mais de 60% dos casos observados, nas pesquisas e nos diversos levantamentos realizados no país, quem perpetra a violência é conhecido da vítima –parente, marido, ex-marido, amante, pai, padrasto etc. Isso significa que essa matriz da violência, apesar de merecer máxima atenção e de constituir uma problemática da maior gravidade para os que a sofrem ou testemunham, seja por suas conseqüências presentes, seja por seus efeitos futuros (as pesquisas mostram que quem se submeteu à violência, na infância, ou a testemunhou, tem mais propensão a envolver-se com práticas violentas, mais tarde), não é acionada por criminosos profissionais ou por perpetradores que constroem uma carreira criminal. Essa característica implica a circunscrição da problemática, da qual se deriva a necessidade da implantação de políticas específicas, que não deveriam confundir-se com a mera repressão ou com a simples ação policial – ainda que ela seja, evidentemente, também necessária. O mesmo pode ser dito sobre a violência homofóbica e racista. Ambas requerem políticas específicas, que não se esgotem na repressão e que, inclusive, envolvam a requalificação prática e cultural dos próprios profissionais da segurança. Sobre as causas As explicações para a violência e o crime não são fáceis. Sobretudo, é necessário evitar a armadilha da generalização. Não existe o crime, no singular. Há uma diversidade imensa de práticas criminosas, associadas a dinâmicas sociais muito diferentes. Por isso, não faz sentido imaginar que seria possível identificar apenas uma causa para o universo heterogêneo da criminalidade. Os roubos praticados nas esquinas por meninos pobres, que vivem nas ruas cheirando cola, abandonados à própria sorte, sem acesso à educação e ao amor de uma família que os respeite, evidentemente expressam esse contexto cruel. É claro que esses crimes são indissociáveis desse quadro social. O mesmo vale para o varejo das drogas, nas periferias: juventude ociosa e sem esperança é presa fácil para os agenciadores do comércio clandestino de drogas. Não é difícil recrutar um verdadeiro exército de jovens quando se oferecem vantagens econômicas muito superiores às alternativas proporcionadas pelo mercado de trabalho e benefícios simbólicos que valorizam a auto-estima, atribuindo poder aos excluídos. Por outro lado, os operadores do tráfico de armas, que atuam no atacado, lavando dinheiro no mercado financeiro internacional, não são filhos da pobreza ou da desigualdade. Suas práticas são estimuladas pela impunidade. Em outras palavras, pobreza e desigualdade são e não são condicionantes da criminalidade, dependendo do tipo de crime, do contexto intersubjetivo e do horizonte cultural a que nos
  • 7.
    referirmos. Esse quadrocomplexo exige políticas sensíveis às várias dimensões que o compõem. É tempo de aposentar as visões unilaterais e o voluntarismo. O Estado e a Segurança Pública Um olhar mais atento é capaz de mostrar que a segurança pública (sempre lembrada pela sua ausência) é uma questão de Estado Nacional, que se manifesta de modo diferente em cada cidade e Região. Atinge, por sua vez, cada camada social, cada homem e mulher, cada etnia de uma forma particular. Se nas grandes metrópoles, especialmente na Região Sudeste, a evidência dos conflitos é maior pela visibilidade que estes têm, essa percepção limita a construção de uma política de caráter nacional, que reconheça como problemas de segurança pública os conflitos nas terras indígenas, nos lares com ocorrência de violência doméstica, nas áreas rurais, na disputa das terras de latifúndio, nas cadeias amotinadas. Em todos estes e em diversos outros casos, a presença do Estado brasileiro não assegura a integridade física e moral de seu povo. Diante disso, não seria leviano afirmar que as ações de Estado, adotadas na área da segurança pública, acabam ocorrendo voltadas mais para oprimir as situações de violência do que para instituir uma política nacional de segurança - que dialogue com os direitos humanos e consolide nos(as) brasileiros(as) o sentimento cívico e republicano de pertencimento a uma nação. Caminhamos a passos de formiga, pensando na segurança pública, em geral, como uma resposta à violência, como ações de garantia do direito de propriedade e da ordem social. A grande questão que emerge, hoje, às portas da realização da Conferência Nacional de Direitos Humanos, é sobre qual tipo de segurança pública estamos nos referindo. Historicamente marcado pela defesa de interesses privados das classes dominantes, o Estado desenvolve práticas com compromisso maior com o direito de propriedade do que com os direitos humanos sociais e coletivos. Cria políticas que deveriam ser universais, dando respostas truncadas para cada segmento da sociedade. Enquanto as políticas sociais - intermitentes, muitas vezes terceirizadas e precárias, sem comprometer gastos estruturais - são, para os(as) pobres, as intervenções - pontuais e muitas vezes restritas à repressão -, na área de segurança pública têm o endereço certo das elites econômicas brasileiras. Desprivatizar o Estado brasileiro, torná-lo transparente, enfrentando problemas estruturais de corrupção, privilégio e favorecimentos são constitutivos dos primeiros passos desse caminho. O que consideramos em jogo para a construção de uma política nacional de segurança pública, para além de ações específicas do setor, é a articulação orgânica destas à recuperação e à ampliação de direitos, que assegurem a todos(as) o pertencimento ao público. O desafio é construir, sobre bases concretas de redistribuição de renda e da mudança da política econômica em curso, acesso à educação, à cultura e à seguridade social. A base de tudo é transformar para todos(as) o sentimento que o Estado é um ente não apenas regulador de conflitos nem um interventor nos momentos emergenciais, mas assegurador de proteção e bem-estar permanentes. As polícias brasileiras: diagnóstico e planos de reforma O contexto institucional, na esfera da União, caracteriza-se pela fragmentação no campo da segurança pública. O problema maior não é a distância formal, mas a ausência de laços orgânicos, no âmbito de coordenação das políticas públicas. O que se está enunciando é grave: os respectivos processos decisórios são incomunicáveis entre si. As polícias brasileiras, de um modo geral, são ineficientes na prevenção e na repressão qualificada, na investigação e na conquista da indispensável confiança da população. Problemas ligados à corrupção e à brutalidade ultrapassam qualquer patamar aceitável. São refratárias à gestão racional, não avaliam a própria performance, nem se abrem a controle e monitoramento externos. Não se organizam com base em diagnósticos sobre os problemas a enfrentar, o modo de fazê-lo, as prioridades a definir e as metas a identificar. Não planejam sua prática, a partir de diagnósticos, fundados em dados consistentes, nem corrigem seus erros, analisando os resultados de suas iniciativas – os quais, simplesmente, ignoram. São máquinas reativas, inerciais e fragmentárias, inscritas num ambiente institucional
  • 8.
    desarticulado e inorgânico,regido por marcos legais rígidos e inadequados. Os profissionais não são apropriadamente qualificados e valorizados e as informações não são ordenadas de acordo com orientação uniforme, que viabilize a cooperação. Há ainda o dramático sucateamento da perícia e o conjunto de dificuldades que derivam da dicotomia: polícia civil-PM. Uma questão especialmente relevante é a segurança privada ilegal (não aquela legalmente constituída), que tem privatizado a segurança pública, envolvendo os policiais no segundo emprego, do qual o Estado acaba refém, porque dele depende a viabilização do insuficiente orçamento público. Reforma policial Os princípios regentes do diagnóstico e das propostas são redutíveis a uma equação simples: eficiência policial e respeito aos direitos humanos são mais do que meramente compatíveis entre si, são mutuamente necessários. Do diagnóstico, deduz-se o que é preciso fazer: 1. reverter a fragmentação verificada na esfera da União; 2. alterar o marco legal inadequado e restritivo, no âmbito constitucional e infraconstitucional; 3. estimular a adoção de programas modulares de reforma, orientados para a implementação de um modelo de polícia que vise construir instituições passíveis de gestão racional, voltadas para a redução da insegurança pública e o respeito aos direitos humanos; 4. apoiar experiências- piloto promissoras e divulgar as boas práticas; 5. investir na sensibilização de gestores, legisladores e da opinião pública, para que os três primeiros itens se realizem; 6. valorizar o papel ativo dos municípios e de suas Guardas Civis, na segurança pública. Sem a instituição de uma agência, no âmbito da União, dotada de autoridade e poder real de comando, que integre os meios operacionais, reúna os mecanismos de implantação de políticas e coordene as principais fontes de recursos específicos, será impossível alterar o atual quadro, que se caracteriza pela dispersão das iniciativas, a superposição de responsabilidades, a multiplicidade de fontes geradoras de diagnósticos e ações, a pulverização da liderança institucional, o emprego sem critérios de recursos, a falta de mecanismos e métodos de acompanhamento e avaliação das ações financiadas pela União, e a autonomização atomizante dos meios operacionais. Tudo isso tem resultado na inércia governamental, no desperdício de recursos federais e, portanto, na irracional ausência de política. Quanto aos marcos legais: a primeira grande alteração deveria dar-se por meio de um projeto de emenda constitucional, submetida à apreciação do Congresso Nacional pelo presidente da República, preferencialmente com o apoio consensual dos governadores – apoio que havia sido obtido pelo primeiro secretário nacional de Segurança Pública do governo Lula, ao longo de seus dez meses de gestão. Uma PEC propondo a "desconstitucionalização das polícias", o que significa a transferência aos estados do poder para decidirem, em suas Constituições Estaduais, qual modelo de polícia desejam ter – entre as opções, inclui-se, evidentemente, a preservação do modelo atual. O Brasil é um país de dimensões continentais e socialmente muito complexo, muito diversificado, o que recomenda respeito à autonomia republicana e federativa dos estados, evitando-se a imposição de modelos únicos, por natureza insensíveis às peculiaridades locais –quaisquer que sejam seus méritos intrínsecos e os benefícios que ofereçam a algumas unidades da federação. Sendo assim, não faz sentido manter o antigo diálogo, ou melhor, o velho conflito que há mais de vinte anos opõe os defensores da unificação das polícias e os defensores do status quo. Se o problema não está nas deficiências de um ou outro modelo, mas na imposição do mesmo modelo a todos os estados – e permanentemente, eternizando padrões tradicionais, sem que se lhe tenhamos explorado os limites, criticamente –, a disputa deixa de ser por um ou por outro (unificação ou status quo) e passa a ser em torno de um sem número de opções – nesse caso, a imaginação, a observação crítica da experiência nacional (à luz das experiências internacionais) e o bom senso são os limites: poder-se-iam conceber modelos unificados, regionais, metropolitanos, municipais, militarizados ou não, polícias divididas territorialmente ou segundo a gravidade dos crimes etc. Com a desconstitucionalização, alguns estados mudariam suas polícias; outros, não, seja porque consideram bom o modelo de que dispõem, seja porque não têm força política para operar a mudança. De todo modo, as eventuais dificuldades políticas de alguns estados não se exportariam, automaticamente, para os demais, como ocorre quando a questão é
  • 9.
    "unificam-se as políciasou não", como solução única para todo o país. Além da PEC em prol da desconstitucionalização, seria necessário estipular algumas regras gerais, de validade nacional, para garantir o salto de qualidade e para evitar que a criatividade e o experimentalismo – estimulados pela PEC – gerem mais fragmentação e obstáculos à cooperação do que já temos hoje (o que certamente seria difícil, dado o grau atual do problema). Essas regras gerais são as normas para a criação do Sistema Único de Segurança Público (SUSP), também postulado – como a própria desconstitucionalização – no Plano Nacional de Segurança Pública do governo Lula. As regras em pauta determinariam a criação de: a) um ciclo básico (um currículo mínimo) comum, obrigatório para a formação de todo profissional de segurança pública no Brasil; b) uma linguagem informacional comum para todas as polícias, uniformizando-se as categorias e as plataformas de permuta de dados (que teriam tempo de adaptar-se ao novo sistema, o qual exigiria informatização); c) uma sistemática de gestão aberta à avaliação e ao controle externo; d) cotas orçamentárias fixas, destinadas ao investimento em perícia. Seria também imprescindível valorizar o papel dos municípios, via aplicação de políticas sociais de prevenção e criação de Guardas Civis, preparadas para ser paradigma das polícias do futuro, isto é, organizadas com base em novos compromissos nas áreas da formação, informação, estrutura organizacional, gestão, articulação com a perícia, controle externo e diálogo com a sociedade. A principal vocação das Guardas é o policiamento comunitário, a mediação de conflitos e a resolução de problemas. Futuro previsível Caso não se implementem políticas públicas inteligentes, pluridimensionais, intersetoriais e sensíveis às especificidades locais, em larga escala, capazes de interceptar as microdinâmicas imediatamente geradoras da criminalidade violenta, sobretudo de natureza letal, em um cenário caracterizado pela manutenção dos atuais indicadores de desigualdade, pobreza, qualidade de vida degradada, deficiências na escolaridade e precariedade no acesso aos direitos, facilitando crises familiares, e gerando vulnerabilidade, baixa auto-estima, sentimento de exclusão, estigmatizações, invisibilidade social e dupla mensagem cultural, as conseqüências só podem ser o agravamento do atual quadro de violência criminal, que já constitui uma tragédia, particularmente quando afeta a juventude pobre e negra, do sexo masculino, provocando verdadeiro genocídio. Esse quadro negativo tende a agravar-se, sobretudo, se persistirem duas condições: a) um sistema institucional de segurança pública fragmentado, ineficiente, corrompido, desacreditado, brutal, racista, alimentador do circuito da violência e da própria criminalidade, que não valoriza seus profissionais; b) o empreendedorismo do tráfico de armas e drogas, que, ativamente, tira proveito da precariedade das condições de vida e da vulnerabilidade dos processos subjetivos dos jovens com ralas e raras oportunidades e perspectivas de integração. Quanto a políticas sociais e culturais preventivas do crime, tem havido avanços, no país, ainda que tópicos, dispersos e sem escala suficiente, dada a ausência de sinergia e articulação entre esferas de poder, e entre instituições públicas e privadas. Quanto à reforma das polícias, os avanços são ainda mais parcos, tímidos, tópicos, espasmódicos, cíclicos, não-sustentáveis, não-sistêmicos, eventuais e dispersos. O que torna, entretanto, mais desafiador e interessante o exercício prospectivo, na área da segurança pública, é o caráter histórico da legislação, cujo parâmetro define os crimes, os quais, por sua vez, sofrem alterações de acordo com as mudanças das relações sociais, da economia e da tecnologia. Pode-se imaginar um futuro possível em que as drogas – tais como hoje classificadas – deixem de atrair o consumo, sendo substituídas por novas substâncias psicoativas de natureza sintética ou por efeitos produzidos por conexões diretas entre mente e máquina, sob diferentes condições. Nesse caso, o controle pode se tornar tão complexo e custoso, que as tradicionais políticas repressivas se inviabilizem, na medida em que a fruição passe a corresponder a fluxos virtuais de comunicação, transportados e recepcionados por simples
  • 10.
    movimentos de rede,via up e downloads. Na sociedade da informação, do conhecimento e da comunicação, na qual a flexibilização e a "customização" individualizantes tendem a se impor, talvez a grande ameaça seja a violação da propriedade intelectual, o que implicaria modificações profundas na própria concepção do trabalho policial, assim como na estrutura organizacional das instituições da ordem pública. A Problemática das Drogas O problema das drogas é extremamente complexo. Qualquer simplificação implica assumir um entendimento parcial da questão. O uso das denominadas substâncias psicoativas apresenta na história da sociedade humana diversas manifestações, seja como elemento ritual e religioso, seja como fator de agregação de grupos sociais, seja como objeto de uma teia empresarial cruel, que lança seus tentáculos em todos os escaninhos da vida social e no próprio Estado, com isso assumindo uma dimensão de controle político, além do econômico. A generalização da palavra droga faz com que sejam equiparados as drogas psicanaléticas, os opiáceos e a maconha, enquanto ficam excluídos do estigma o tabaco e o álcool, como se não fossem substâncias potencialmente geradoras de dependência. As grandes polêmicas sobre liberação ou não das drogas se defrontam com um fenômeno muito grave: elas se tornaram mercadoria dentro de ampla rede empresarial e criminosa, sofisticada, capilarmente infiltrada no aparelho do Estado, em locais estratégicos das cidades, nas rotas de transporte, ensejando o crescimento de uma sofisticada estrutura de comando e de equipamentos. O problema se acirra quando crianças e jovens, sem perspectivas numa sociedade apática passam a ser aliciados para desenvolver trabalhos de vigilância ou de entrega de pequenas porções de droga, iniciando uma carreira de auto-afirmação e sensação de poder rumo à morte prematura. Isso significa que o problema das drogas não poderá ser seriamente tratado se a ação não for multidisciplinar, atingindo aspectos culturais, educacionais, sociais, de emprego e de reformulação do papel da segurança pública diante do problema. Essa realidade complexa traz exigências novas para o trabalho de segurança pública, já que as polícias estão voltadas para a criminalidade cotidiana e não têm treinamento próprio para intervir nas questões de drogas, vivendo o constante risco de serem cooptadas pelo montante financeiro envolvido. São necessários peritos qualificados em contabilidade para descobrir as ilegalidades financeiras, bancárias e de desvio de dinheiro inerentes a essas redes. Não é possível desenvolver uma guerra primitiva, que só atinge os extratos mais baixos dessas organizações. É difícil intervir com cabeças do século XIX em delitos do século XXI. Por outro lado, a legislação vigente enseja o paradoxo de se punir tanto os traficantes como suas vítimas. Essa visão simplificadora e estigmatizadora dos seres humanos faz com que pessoas carentes de outras formas de intervenção sofram punição por terem sido vitimadas, quando caberia ao Estado oferecer os tratamentos adequados. Esse tipo de olhar sobre a questão mostra que toda a sociedade deve se mobilizar, não de forma maniqueísta, nem expressando falso sentimento de caridade, que no fundo nada mais é do que preconceito ou discriminação frente aos envolvidos por esse problema Deve mobilizar-se, através das instituições públicas, das entidades e dos movimentos da sociedade civil e também através das empresas privadas, de forma orgânica, científica e não generalizadora, agindo com vigor sobre o problema sem violar a liberdade e os direitos humanos dos brasileiros que se tornaram vítimas das drogas. As medidas repressivas devem priorizar o combate às organizações criminosas, em especial as operadoras do atacado, isto é, os criminosos de colarinho branco, que lavam dinheiro, financiam o comércio ilegal de armas e inundam as cidades de drogas. No campo da prevenção, o aspecto mais importante é o relacionado com a adoção de
  • 11.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 12 de 323 campanhas educativas direcionadas aos jovens. Combate ao Seqüestro O crescimento indiscriminado do crime de seqüestro e de extorsão mediante seqüestro, inclusive entre os setores médios e pobres da população, tem provocado novos desafios para a segurança pública, indicando a necessidade de aperfeiçoamento da atividade pericial, de aparelhamento das polícias e do aprimoramento do controle externo sobre elas como forma de melhorar os resultados das investigações, reduzir a impunidade e os próprios seqüestros. Uma das maiores dificuldades na apuração do crime de seqüestro é a identificação da autoria em tempo hábil, sem comprometer a segurança do seqüestrado. Cresce a importância do trabalho da polícia técnica ou científica, pois sem ela a investigação fica limitada à coleta de depoimentos e à colaboração dos informantes, expondo a polícia a uma dependência excessiva e perigosa do interrogatório de eventuais suspeitos. Por outro lado, a realidade tem revelado a participação de policiais em diversos crimes de seqüestro, o que tem contribuído para o incremento dos seus índices e para a sua vulgarização. A desarticulação da correia de transmissão existente entre policiais e seqüestradores somente será possível com maior fiscalização externa da atividade policial. A participação ativa do Ministério Público no estabelecimento das diretrizes gerais e específicas para a condução dos trabalhos investigativos da polícia, bem como a perfeita sintonia entre os responsáveis pelas Áreas Integradas de Segurança, somando esforços e induzindo a uma fiscalização permanente da atividade policial, onde o trabalho da Corregedoria Única também será relevante, resultarão em melhores os resultados nas investigações dos seqüestros, identificando os criminosos e reduzindo drasticamente a sua incidência. Enfim, muito há que se fazer para minimizar esse estado de verdadeira calamidade pública em que está mergulhado o país. Dentre as propostas de reformas e mudanças apresentadas pelo projeto segurança, do governo federal, cabe destacar: · EXIGÊNCIAS PARA A ELABORAÇÃO DE UMA POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA, NA ESFERA POLICIAL · REFORMAS SUBSTANTIVAS NA ESFERA DA UNIÃO E DOS ESTADOS · REFORMAS SUBSTANTIVAS NA ESFERA MUNICIPAL · SEGURANÇA PÚBLICA NO MUNICÍPIO - A GUARDA MUNICIPAL · MUDANÇAS CONSTITUCIONAIS RELATIVAS ÀS AGÊNCIAS POLICIAIS · A PERSECUÇÃO PENAL: O INQUÉRITO POLICIAL E O MINISTÉRIO PÚBLICO · VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E DE GÊNERO · A VIOLÊNCIA CONTRA AS MINORIAS · ACESSO À JUSTIÇA: A IMPORTÂNCIA DA DEFENSORIA PÚBLICA · SISTEMA PENITENCIÁRIO · SEGURANÇA PRIVADA: DIAGNÓSTICO E PROPOSTAS · OS PROGRAMAS DE PROTEÇÃO ÀS TESTEMUNHAS AMEAÇADAS E A CONCEPÇÃO DE UM SISTEMA NACIONAL DE PROTEÇÃO Sistema Único de Segurança Pública - SUSP O que é o Sistema Único de Segurança Pública? É um sistema criado para articular as ações federais, estaduais e municipais na área da segurança pública e da Justiça Criminal, hoje totalmente dispersas. Essa articulação não vai ferir a autonomia dos estados ou da Polícia Civil ou Militar. Não se trata de unificação, mas de integração prática. O sistema é único, mas as instituições que farão parte dele são diversas e autônomas, cada uma cumprindo suas responsabilidades. Servem de modelo para o SUSP as experiências de missões especiais e forças-tarefa, em que órgãos diferentes
  • 12.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 13 de 323 trabalham integrados, com pessoal qualificado e objetivos, metas e metodologia bem definidos. O novo estilo de conduzir a segurança pretende evitar que as ações sejam pautadas apenas por tragédias, sem planejamento nem tempo para pensar em medidas estratégicas. O objetivo do SUSP é prevenir, criar meios para que seja possível analisar a realidade de cada episódio, planejar estratégias, identificar quais os métodos e mecanismos que serão usados. Sistemas de avaliação e monitoramento das ações também serão introduzidos para garantir transparência e controle externo das ações de segurança. Como os Estados vão participar? O governador do estado assina um protocolo de intenções com o Ministério da Justiça. Então, é criado no estado um Comitê de Gestão Integrada, do qual fazem parte o secretário estadual de Segurança Pública, como coordenador, e mais representantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil e guardas municipais. A intenção é contar também com a cooperação ativa do Ministério Público e do Poder Judiciário. Caberá a esse comitê definir de forma consensual as ações, principalmente no combate ao crime organizado (tráfico de drogas e de armas, contrabando, lavagem de dinheiro, pirataria). Todas as decisões do comitê estadual serão repassadas a um comitê gestor nacional Com isso, experiências bem sucedidas em um lugar poderão ser implantadas em outro. O comitê, também, definirá as prioridades para investimentos federais na área de segurança pública no estado. O SUSP já está funcionando no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo. Como vai se dar a integração entre as polícias? Policiais civis e militares vão freqüentar a mesma academia e terão acesso à formação prática e teórica idêntica. O Governo vai, ainda, estimular a criação de unidades policiais integradas, reunindo, em um mesmo local, forças das polícias civil e militar. Isso vai mudar a cara da segurança pública no Brasil, que, pela primeira vez, contará com projetos amplos de longo prazo para evitar futuras crises de violência. A ação do Governo está limitada à elaboração do SUSP? Não. O Governo Federal já tomou várias medidas na área de segurança pública. O número de policiais federais vai aumentar de 7 mil para 11.500 agentes, delegados e peritos. E serão contratados 500 agentes penitenciários federais. Também foi anunciada a construção de cinco presídios federais de segurança máxima, sendo que um será concluído até o final do ano. Um exemplo da agilidade do Governo foi no recente episódio de transferência do traficante Fernando Beira Mar para presídios que ficam fora da área em que atuava. Mudou a forma de o Governo Federal lidar com a segurança pública? Até o final do ano passado, a Secretaria Nacional de Segurança Pública funcionava como uma simples tesouraria do Fundo Nacional de Segurança Pública. Os critérios para a liberação de recursos não eram definidos claramente, por falta de uma política efetiva para a área. Agora, o Governo Federal tem objetivos que orientam a aplicação desses recursos em projetos que realmente melhorem a vida do cidadão. Esses objetivos constituem os principais pontos do SUSP. Os seis eixos do SUSP Gestão unificada da informação: Uma central vai receber todas as demandas na área de segurança pública. A coleta de informações deverá auxiliar na redução da violência e na prevenção ao crime. Gestão do sistema de segurança: Delegacias com perícia, polícia civil e polícia militar deverão ser implantadas para cuidar de determinadas áreas geográficas das cidades. Formação e aperfeiçoamento de policiais: Os policiais civis e militares serão treinados em academias integradas. A Secretaria Nacional de Segurança Pública tem um setor de
  • 13.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 14 de 323 formação e aperfeiçoamento que já está trabalhando nos currículos das academias para definir o conteúdo desses cursos de formação, que levarão em conta sempre a valorização do profissional. Valorização das perícias: Essa fase da investigação dos crimes receberá atenção especial Prevenção: Ações concretas para a prevenção e redução da violência nos estados serão prioritárias. A Polícia Comunitária terá papel fundamental nesse processo. Ouvidorias independentes e corregedorias unificadas: Serão criados órgãos para receber as reclamações da população e identificar possíveis abusos da ação policial. A corregedoria vai fiscalizar os atos dos policiais civis e militares. O objetivo é realizar o controle externo sobre a ação da segurança pública nos estados. (notíciário) 29/12/2009 Manchete: China executa o britânico Akmal Saikh, preso por porte de drogas. O britânico Akmal Shaikh, condenado à morte em 2008 pelos tribunais chineses após ser detido em flagrante portando quatro quilos de heroína, foi executado nesta terça-feira às 10h30 hora local (0h30 no horário de Brasília) na cidade de Urumqi (no noroeste do país), informou a ONG Reprieve em comunicado confirmado pelo governo britânico. Resumo: Shaikh é o primeiro europeu que recebe a pena capital em quase 60 anos no país asiático. Segundo a agência estatal de notícias Xinhua o britânico foi executado com uma injeção letal, na região de Xinjiang. Os familiares do réu, o governo britânico, a própria Reprieve (defensora de condenados no corredor da morte) e a ONU tinham pedido à China que revogasse a pena, argumentando que Shaikh tinha um transtorno bipolar, mas a Justiça chinesa garante que os testes médicos não tinham mostrado nenhum problema psicológico. A família divulgou nota se dizendo perplexa e frustrada. Estamos perplexos com a sugestão de que o próprio Akmal deveria ter fornecido provas do seu estado mental frágil, afirmaram os parentes. Embora as autoridades chinesas não tenham confirmado o fato, o governo do Reino Unido emitiu comunicado através de seu Ministério de Assuntos Exteriores, confirmando e condenando o fato nos termos mais enérgicos, em nome do primeiro-ministro Gordon Brown. Histórico Shaik, de religião muçulmana, casado e pai de três filhos, foi detido em 2007 com a droga no aeroporto de Urumqi, quando chegava de Dushanbe (capital do Tadjiquistão). O britânico foi condenado à morte um ano depois. A lei chinesa prevê pena capital para todas as pessoas que sejam detidas com mais de 50 gramas de entorpecentes. O último europeu executado na China foi o italiano Antonio Riva, um piloto militar na I Guerra Mundial, que foi morto em Pequim no dia 17 de agosto de 1951 (junto a um cidadão japonês) acusado de ter coordenado um complô para assassinar o líder máximo chinês, Mao Tsé-Tung. 26/12/2009
  • 14.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 15 de 323 Brasileiros sofrem ataque na noite de Natal no Suriname. Resumo: Um grupo de cerca de 200 brasileiros foi atacado no Suriname durante a noite de Natal por moradores locais, deixando 14 feridos, sendo sete em estado grave, informou a Embaixada do Brasil no país. Entre os feridos encontra-se uma brasileira grávida que, devido ao ataque, perdeu o bebê. Ela foi a única que não foi levada para a capital do país, Paramaribo - foi transferida para um hospital na Guiana Francesa. O incidente ocorreu em Albina, que fica a 150 quilômetros de Paramaribo e é a principal porta de entrada para a Guiana Francesa. A cidade, que possui cerca de 10 mil habitantes, tem um grande contingente de brasileiros que vão trabalhar com garimpo no outro lado da fronteira - o que é proibido pelas leis daquele território, que ainda pertence aos franceses. O incidente foi motivado por um crime supostamente cometido por um brasileiro, gerando uma reação dos marrons --como são chamados os descendentes quilombolas no país, segundo o embaixador brasileiro no Suriname, José Luiz Machado e Costa. Esses marrons dominam aquela região. O assassinato de um deles desencadeou uma reação muito forte e indiscriminada contra os brasileiros que estavam lá. Houve muita agressão, houve muitos feridos, disse. Na cidade vivem cerca de 2.000 brasileiros. Além de atacar os brasileiros, o grupo invadiu um shopping center e outras lojas da cidade. Os moradores locais chegaram a incendiar algumas lojas e bombeiros de Saint Laurent du Maroni, na Guiana Francesa, ajudaram a extinguir as chamas. A polícia e tropas do Suriname já controlaram o tumulto na pequena cidade, informou o ministro do Governo e da Polícia, Chandrikapersad Santokhi. Um total de 81 brasileiros atacados foram transferidos pelo governo do Suriname para a capital Paramaribo. Ainda não há uma lista de nomes deste grupo porque, segundo o embaixador, muitos deles não possuem documentos. Costa disse ainda que dificilmente os brasileiros voltarão para Albina após o ataque. Não acredito que queiram voltar. Eles estão falando em chacina, em assassinato em massa, eles estão muito assustados, relatou o embaixador. Segundo ele, os brasileiros que moram em Albina sequer trabalham no país. Eles costumam garimpar na Guiana Francesa, onde a atividade é proibida pelo governo francês. Eles ficam esperando a vigilância baixar a guarda e vão para lá, e só ficam acampados na beira do rio em Albina, explicou. 28/12/2009 Manchete: Mulheres já são 38% dos reprovados no bafômetro. Resumo: O índice de mulheres reprovadas no teste do bafômetro durante as blitze da lei seca na capital paulista cresceu vertiginosamente. Levantamento feito pela Polícia Militar (PM) a pedido do Estado mostra que, em janeiro, 5,16% das motoristas que foram paradas pela fiscalização haviam bebido antes de pegar o volante. Em outubro, esse porcentual passou para 38,6%, quase quatro em cada dez fiscalizadas. Os dados mostram que a evolução de embriagadas na direção é praticamente constante mês a mês. Em contrapartida, o número total de detectados pelos aparelhos que medem a dosagem de álcool no sangue está em declínio - passou de 11% para 4%. A alta feminina nos flagrantes das operações é impulsionada por dois fatores principais. O primeiro - e responsável direto, acreditam os especialistas - é a mudança recente na forma de fiscalizar a lei seca. Até o primeiro semestre de 2009, a PM organizava as operações de fiscalização de forma aleatória.
  • 15.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 16 de 323 Nem todos os carros que passavam pelos locais das blitze eram abordados e só fazia o bafômetro quem tivesse sinais de embriaguez. Há cinco meses, porém, a estratégia mudou e as mulheres, portanto, deixaram de ser “invisíveis” para os homens que fazem a fiscalização. O segundo fator para o aumento de embriagadas identificadas é que as mulheres estão consumindo mais álcool, o que também aumenta o comportamento de risco. O ministro das Cidades, Márcio Fortes, que coordena o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), afirma que as motoristas são mesmo usadas como escudo para fiscalização. “Esse aumento de mulheres flagradas, para mim, indica que elas estavam sendo usadas como truque para driblar a lei seca. Um aproveitamento da imagem de que a mulher não bebe e passa batido pelos fiscais”, afirma. 28/12/2009 Manchete: Mapa da violência aponta maior número de homicídios em 10% das cidades brasileiras. A maioria dos homicídios se concentra em apenas 10% dos municípios. De acordo com um estudo divulgado nesta terça-feira pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), 71,8% dos homicídios no Brasil concentram-se em apenas 556 cidades. Resumo:O Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros traz outra constatação preocupante: as vítimas mais comuns dos homicídios são jovens, sendo a maioria negros do sexo masculino. O estudo foi elaborado com base nos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Pequenas cidades Os municípios do interior do País são os que mais registram mortes violentas. A região com maior concentração é a Centro-Oeste. Das 10 cidades com as maiores taxas de mortalidade por homicídio, seis encontram-se nesta região. Destas, quatro estão no Mato Grosso. Também chama a atenção o fato de algumas dessas cidades serem pequenas, contrariando a histórica concentração de mortes por causas violentas em grandes cidades. O levantamento, que foi realizado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, revela que proporcionalmente, a maior taxa de mortalidade do País, em 2004, foi a de Colniza, cidade do interior do Estado do Mato Grosso, com população de 12,4 mil habitantes. Enquanto o Brasil registrou, naquele ano, 27,2 homicídios por 100 mil habitantes, em Colniza o registro chegou a 165,3 óbitos por 100 mil habitantes. Em segundo lugar, proporcionalmente, está outra cidade do Mato Grosso, Juruena, com 137,8 óbitos por 100 mil habitantes entre uma população de 6,2 mil. Acidentes de trânsito Outro tema abordado no estudo são as mortes por acidentes de trânsito. No período avaliado (1994-2004), constatou-se um aumento de 20,8% nos óbitos por esta causa. No entanto, houve queda generalizada nas taxas de mortalidade em todas as faixas etárias, com exceção para a que vai dos 20 aos 30 anos. Assim como nos homicídios, os homens são as principais vítimas dos acidentes de trânsito. 28/12/2009 Manchete: Ministério da Justiça tem órgãos específicos para combate ao crime Entenda a estrutura de seis secretarias ligadas à segurança pública Resumo: O Ministério da Justiça (MJ) é o órgão federal responsável pela manutenção da ordem e pela repreensão de crimes. Compete a ele, garantir a cidadania, a justiça e a
  • 16.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 17 de 323 segurança pública, através de ação conjunta entre o Estado e a sociedade. A articulação necessária ao combate da criminalidade fica a cargo de órgãos subordinados, bem como o repasse de verbas dos fundos nacionais - que distribuem recursos para estados e municípios. Os órgãos específicos diretamente subordinados ao MJ têm diversas atribuições. No que diz respeito à Segurança Pública, são sete os principais. Órgãos da União relacionados à Segurança: Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) Responsável pela articulação na Segurança Pública. Fiscaliza programas federais (inclusive a polícia), coordena conselhos de segurança e elabora planos para reduzir as principais causas de violência e criminalidade. Secretaria Nacional de Justiça Combate lavagem de dinheiro e busca a recuperação de ativos envolvidos nessas práticas criminosas. A SNJ regulamenta a situação de estrangeiros no Brasil e fiscaliza a de brasileiros no exterior e promove campanhas contra o tráfico de pessoas. Departamento Penitenciário Nacional O Depen fiscaliza a situação dos presídios e de outras casas de reclusão brasileiras. O órgão é responsável pelo planejamento do setor e pela comunicação do Governo federal com órgãos estaduais e municipais. Polícia Federal Atuação burocrática e patrulhamento ostensivo. Uma das principais funções é o combate ao tráfico de armas, drogas e contrabando. A PF também tem função de polícia marítima, aeroportuária, e de fronteiras. Nos últimos anos, o órgão tornou-se responsável pela investigação e repreensão de crimes realizados na Internet. Polícia Rodoviária Federal Atuar contra o crime organizado através de patrulhamento nas estradas, com ênfase maior ao roubo e furto de veículos e cargas, narcotráfico e contrabando. Conselhos Nacionais: De Segurança Pública e de Políticas Criminais e Penitenciárias Os Conselhos Nacionais reúnem especialistas, autoridades e representantes da comunidade para discutir seus respectivos temas. São órgãos colegiados, ou seja, todos os membros têm a mesma autonomia, que apresentam propostas para a Segurança Pública brasileira. O MJ tem mais três órgãos específicos diretamente subordinados, que não participam de maneira ativa na área de Segurança Pública. A Secretaria de Direito Econômico, que, entre outras atribuições, protege o consumidor e as atividades econômicas do Brasil. A Secretaria de Assuntos Legislativos, que examina projetos de lei no Congresso, a Secretaria de Reforma do Judiciário, que mantém relação com o Poder Judiciário e a Defensoria Pública da União, que pode dar seu parecer extrajudicialmente e que defende juridicamente pessoas que não dispõem de meios para fazê-lo. 06/11/2009 Manchete: Segurança pública: Crime é combatido com análise de vínculo e algoritmo de voz Resumo: Crimes como tráfico de cocaína, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos aparecem em organogramas montados pelas polícias Federal e Civil de Brasília. Os mapas, feitos por meio de programas de computador, que mais parecem emaranhados de informações, revelam detalhes importantes para a condução de investigações sigilosas. Os aplicativos têm a capacidade de traçar a ligação entre suspeitos e condensar informações levando à determinação dos autores desses crimes. É a chamada análise de vínculo.
  • 17.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 18 de 323 A identificação da voz de um criminoso com base em informações cientificamente válidas e capazes de condená-lo em um julgamento também é utilizada. O algoritmo de voz ou código computacional que identifica a voz de alguém para o computador reconhece características vocais únicas e já levou dezenas de pessoas para a cadeia. O programa usado no DF por órgãos federais como o Senado, Procuradoria-Geral da República, Tribunal de Contas da União, Ministério Público e GDF, foi desenvolvido por uma empresa inglesa em associação com a famosa polícia de Londres, a Scotland Yard. Dona de 94% do mercado mundial de softwares de análise investigativa, a empresa i2 desenvolveu instrumentos para a solução de crimes e fraudes em instituições públicas e privadas, além de forças militares. O programa responsável pelos organogramas que definem quem são e como agem os membros das organizações criminosas é o Analyst's Notebook 6. É um software de análise visual que reúne, cruza e analisa dados por meio de diagramas de teias de relações. Usado em análises investigativas, transforma informações em esquemas gráficos baseados na relação entre criminosos e seus delitos. Vários casos investigados no DF e no resto do País já contaram com a ajuda da análise de vínculo. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Senado, que investiga o escândalos dos Correios, usa a análise de vínculo para detalhar suposto esquema de corrupção. O diretor-geral da empresa Tempo Real, Glauco Guimarães, que representa no Brasil a empresa que desenvolveu o software, disse que na CPI dos Correios já foram analisados mais de 77 milhões de informações. O programa viabiliza uma capacidade que o ser humano não tem de traçar o vínculo entre dezenas de pessoas e milhares de transações bancárias, explica. O software tem o aplicativo iBase 4, que permite acumular, analisar e exibir as informações de uma base investigativa. Caiu como luva na CPMI dos Correios, criada em maio de 2005 para investigar denúncias de corrupção. As engrenagens que movimentavam o esquema foram condensadas num banco de dados. E a análise de vínculos traçou relações entre os registros armazenados pelos investigadores. Programa permite exibir, acumular e analisar informações Bandidos aterrorizados Armas sofisticadas e o poder de fogo da polícia deixaram de ser a principal preocupação de grandes quadrilhas que faturam milhões com o crime organizado. As novas tecnologias a serviço da polícia já fazem a diferença da hora de identificar e mapear a ação de bandos criminosos. Usando o exemplo da descoberta de um detento que, de dentro da penitenciária, fazia ligações se passando por autoridades e extorquia cidadãos desta maneira, a polícia explicou como funcionam as perícias de identificação de voz feitas pela Polícia Técnico-Científica. No programa de algoritmo de voz, os peritos fazem as análises partindo de gravações fornecidas pela polícia. Elas podem ser obtidas por interceptações telefônicas. O trabalho é feito com o uso do banco de dados de voz do programa da Polícia Civil e um aplicativo. O software faz a análise das vogais pronunciadas na gravação e, também, das vogais pronunciadas pelo suspeito presente no banco de dados. O trabalho do perito, somado ao resultado do exame feito por meio do computador pode identificar o autor da gravação. O estudo da voz e sua codificação digital é apenas mais um tipo de registro digital normalizado de expressões fisiológicas ou comportamentais da natureza humana. A voz, tal qual impressões digitais, topografia craniana e fundo do olho, entre outras marcas da identificação individual, pode ser codificada em algoritmos, instruções computacionais únicas para representar características, também únicas, associadas à identificação individual dos seres humanos. Tecnologia policial na Operação Galileu
  • 18.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 19 de 323 Um caso famoso no Distrito Federal também contou com a ajuda da análise de vínculo. A Operação Galileu foi uma das maiores ações policiais já realizadas pela Polícia Civil na capital da República. No dia 22 de maio de 2005, a polícia cumpriu mais de cem mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do DF. Entre as prisões, 48 ocorreram no DF e nove em Mato Grosso, a maioria em locais onde se realizava o concurso público para agente penitenciário federal, elaborado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) da Universidade de Brasília (UnB). A investigação da Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco) começou em 2004 durante o processo seletivo da própria Polícia Civil. Era para ser um trabalho de prevenção, mas os agentes descobriram uma rede de profissionais (veja infografia ao lado) especializada em fraudes de concursos organizados por diversas entidades, principalmente o Cespe. Segundo o diretor do Departamento de Atividades Especiais (Depate), delegado Celso Ferro, o poder tecnológico da polícia, que já contava com o software que determina a ligação entre suspeitos de uma determinada organização criminosa foi essencial para o sucesso da operação. O programa ajudou a definir a participação de cada suspeito no esquema e até a quantidade de vezes que eles se comunicavam pelo telefone. Para se ter idéia da funcionalidade do programa, um agente levaria dias para analisar calhamaços que fazem parte das listas de contatos telefônicos conseguidos com a quebra de sigilo telefônico dos suspeitos. O software faz todo esse trabalho em poucos segundos. Na Operação Galileu, os policiais coletaram provas de que, pelo menos, 12 concursos, em vários estados, foram fraudados pela quadrilha. Entre os acusados de participar do bando estavam 17 funcionários do TJDF, oficiais de alta patente da Polícia Militar do DF e de Goiás, e agentes da Polícia Civil brasiliense, além de outros órgãos do Poder Executivo. A análise de vínculo foi usada para traçar a conexão entre cada um deles. No topo da cadeia do organograma montado no computador, apareceu Hélio Garcia Ortiz, então funcionário do Tribunal de Justiça do DF, como o líder da quadrilha. Em depoimento à época, ele disse que o esquema existia em, pelo menos, quatro estados: Goiás, Paraná, São Paulo e Mato Grosso. E confirmou a participação de funcionários do Cespe na fraude. O técnico judiciário Aléssio Alberto Gomes também apareceu na análise de vínculo como braço direito de Ortiz. Ele teria acesso a informações do Cespe. Dezesseis servidores acusados de fraudar o exame do Tribunal de Justiça do DF em 2003 foram afastados dos cargos. 06/11/2009 Manchete: Ataque em Fort Hood, Texas, deixou 30 feridos na tarde de quinta-feira (5). Major suspeito foi primeiro dado como morto, mas está vivo, diz Exército. Subiu de 12 para 13 o número de mortos pelo tiroteio de quinta-feira na base militar de Fort Hood, Texas, informou o Exército em comunicado na madrugada desta sexta (6). O ataque deixou 30 feridos. A 13ª vítima seria uma mulher que não resistiu aos ferimentos de tiros, segundo a rede CNN. Resumo: O major Nidal Malik Hasan, suspeito de ser o autor dos tiros, atuou sozinho e está hospitalizado em etado estável, disse mais cedo o general norte-americano Bob Cone, porta-voz da base. O incidente ocorreu às 13h30 locais (17h30 de Brasília) da quinta-feira, cerca de meia hora antes de uma cerimônia de graduação de militares que iria ocorrer em um auditório da base, usado geralmente para dar briefings aos soldados. Os ataques ocorreram em dois pontos próximo ao Centro de Processamento de Prontidão dos Soldados e ao Teatro Howze. O centro é o local onde os militares que são mandados para missões fora do país fazem um último checkup médico. Ainda não se sabe a identidade das vítimas, nem quantas são civis ou militares.
  • 19.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 20 de 323 19/08/2009 Manchete: Despesas com segurança pública no país cresceram 13,35% em 2008. Resumo: As despesas com segurança pública dos governos federal e estaduais cresceram 13,35% em 2008, quando comparadas ao ano anterior, chegando a R$ 39,52 bilhões, de acordo com dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado hoje (19), em São Paulo. Os números indicam que houve crescimento de 64,06% nos gastos nacionais com informação e inteligência. Entretanto, os investimentos do governo federal nessa área caíram 30,40%, passando de R$ 130 milhões, em 2007, para R$ 90,92 milhões, em 2008. As estatísticas servirão de base para as discussões durante a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, que será realizada de 27 a 30 deste mês, em Brasília. Entre os estados que merecem destaque está Alagoas, que tem 13,65% de suas despesas destinadas à segurança pública. Em seguida, aparecem Rondônia, com 13%, Minas Gerais, com 12,6%, e Rio de Janeiro com 12%. São Paulo teve queda de investimentos na área, passando de 7,9%, em 2007, para 7,4%. em 2008. Data: 17/07/2009 Manchete: Atentados na Indonésia. Explosões nos hotéis Marriott e Ritz-Carlton deixaram nove mortos. Segundo a polícia, pelo menos 52 pessoas ficaram feridas. Resumo: A polícia da Indonésia desativou nesta sexta-feira (17) uma terceira bomba escondida em um quarto do hotel Marriott de Jacarta, depois de o prédio e também uma filial da cadeia Ritz-Carlton, também na capital do país, terem sido alvo de atentados que deixaram pelo menos nove mortos e 52 feridos, segundo fontes oficiais. A bomba estava pronta para ser detonada e foi descoberta por agentes da brigada antiterrorista em um quarto do 18º andar, local onde, segundo o ministro para a Segurança da Indonésia, Widodo Adi Sucipto, os supostos autores dos atentados estabeleceram sua central de controle. A explosão no Ritz-Carlton ocorreu no porão, enquanto a do Marriott foi no terceiro andar, onde fica o restaurante. Os dois hotéis são considerados de luxo. Data: 04/04/2009 Manchete: Secretário adjunto de Segurança de Rondônia é assassinado. O delegado Cezar Pizzano, secretário adjunto da Segurança Pública do Estado de Rondônia, foi assassinado na madrugada deste sábado em Porto Velho. Resumo: De acordo com informações da Polícia Civil, Pizzano teria reagido a um assalto e chegado a perseguir um dos possíveis criminosos, que foi baleado. No entanto, ele foi atingido por um tiro no peito e não resistiu aos ferimentos. Dois homens teriam participado do crime. Em nota, o Governo informa que o delegado foi encontrado já sem vida por volta da meia noite por populares que passavam pelo local. O corpo de Pizzano estava próximo ao seu veículo, perto de um quartel do Corpo de Bombeiros, no bairro 4 de Janeiro, em Porto Velho. O corpo de Pizzano será transladado neste sábado para Guarapuava, no Paraná, onde será sepultado no domingo no jazigo da família. Carreira na polícia Pizzano ingressou na Polícia Civil de Rondônia em 1991 e no ano seguinte foi eleito para a Câmara de Vereadores de Colorado do Oeste. Em 94, candidatou a deputado federal, quando recebeu cerca de 6 mil votos.
  • 20.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 21 de 323 Na época exerceu pela primeira vez a função de secretário-adjunto de Segurança Pública. Em 2007, assumiu novamente o cargo.
  • 21.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 22 de 323 Transportes Com as dimensões continentais do Brasil, necessita-se de vasta rede de transportes para atingir e interligar seus pontos mais distantes e importantes. Como o maior contingente populacional se concentra ao longo do litoral e regiões Centro-sul, nestas regiões desenvolveu-se também a rede de transporte, exceto a fluvial, que se concentra principalmente na Amazônia. Transporte Marítimo O sistema portuário brasileiro é constituído por 36 portos, distribuídos ao longo de 7,4 mil km da costa brasileira. Desde 1993, com a chamada Lei de Modernização dos Portos os portos brasileiros tem passado por processo de reformulação: descentralização administrativa; exploração de algumas operações pela iniciativa privada; modernização de equipamentos e procedimentos; aumento da produtividade e redução de custos e maior competitividade . Embora tenha apresentado desempenho muito melhor desde então, há ainda muito a ser feito para satisfazer a demanda do comércio exterior bastante otimizada em 2004. O transporte marítimo é o principal meio de para escoamento da produção de nossas relações de comércio exterior, e, em 1999, representou 70% das trocas internacionais, enquanto o aéreo representou 18% e o rodoviário, 8%. Sua importância em termos de toneladas supera 94%. O principal porto brasileiro é o de Santos (São Paulo) com mais de 11 km de cais, detém mais de 40% de todo movimento portuário brasileiro. Também se destacam os portos: Rio Grande (Rio Grande do Sul) ; Paranaguá (Paraná) destaca-se pela movimentação de grãos; Sepetiba (Rio de Janeiro), Itaqui (Maranhão - terminais especializados em minério) ; Portos do Rio de Janeiro; Tubarão (Espírito Santo) ; Recife (Pernambuco) , e outros. Transporte Aéreo no Brasil acompanha crescimento do País O transporte aéreo no Brasil vem acompanhando o desenvolvimento do País. De início, ele nasceu baseado em duas premissas: pioneirismo e charme. As primeiras viagens eram fruto de aventureiros, que investiam muito dinheiro num meio de transporte pouco popular, privilégio de poucos e que ninguém sabia se ia dar certo. Com o processo industrial e o progresso, que fez grande parte do Brasil migrar do campo para a cidade, e pela necessidade de intercâmbio com outros países, o transporte aéreo passou a ser uma necessidade, deixando de ser apenas uma opção dos famosos e ricos, que saíam do País a passeio ou para estudar no exterior. Essa fase pioneira e glamourosa passou definitivamente. Hoje, o transporte aéreo no Brasil e no mundo está incorporado ao modal de transportes das grandes cidades e nenhum País pode prescindir da aviação comercial. Pode-se dizer que o avião no século XXI está para as cidades, como o porto estava no século XIX. Era não apenas o ponto de partida e chegada de cargas e passageiros, mas o pólo aglutinador do progresso. Foi assim que se desenvolveu o Brasil litorâneo, às margens do Atlântico e em função dos portos que transportavam a riqueza e as emoções. A extensão do país e a precariedade de outros meios de transporte fizeram com que a aviação comercial tivesse uma expansão excepcional no Brasil. Em 1960, o país tinha a maior rede comercial do mundo em volume de tráfego depois dos Estados Unidos. Na década de 50, operavam cerca de 16 empresas brasileiras, algumas com apenas dois ou três aviões e fazendo principalmente ligações regionais. Se destacava então na Amazônia a SAVA S.A. - Serviços Aéreos do Vale Amazônico, com sede em Belém, fundada pelo Comandante Muniz, que com a ajuda do seu amigo e futuro Brigadeiro e Ministro da Aeronáutica Eduardo Gomes, conseguiu a concessão presidencial para vôos regulares de
  • 22.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 23 de 323 passageiros e cargas. A crise e o estímulo do governo federal às fusões de empresas reduziram esse número para apenas quatro grandes empresas comerciais (Varig, Vasp, Transbrasil e Cruzeiro). Muitas cidades pequenas sairam do mapa aeronáutico, mas ainda nessa mesma década organizaram-se novas empresas regionais, utilizando inicialmente os aviões turbohélices fabricados no Brasil pela Embraer, o Bandeirante EMB-110. A Varig absorveu a Cruzeiro e adquiriu outras empresas regionais, se transformando, nas últimas décadas do Século XX, na maior transportadora da América Latina e a então regional TAM, dirigida pelo Comandante Adolfo Rolim Amaro - falecido em julho de 2001 em acidente de helicóptero no Paraguai, se transformou na segunda maior empresa do continente sul-americano. A Gol também se destacou como empresa comercial. A Transbrasil e a Vasp paralisaram suas atividades por problemas financeiros. Atualidade Nos últimos anos, por conta de conjunturas internas e externas o transporte aéreo no Brasil sofreu grandes perdas e inversões de papéis entre as empresas do setor. No início dos anos 90, o mercado era dominado pela Varig, como a empresa-símbolo da aviação nacional. Ainda atuavam Vasp e Transbrasil como empresas de importância tanto no mercado doméstico quanto internacional. Entretanto, nos últimos anos, a TAM, antes um táxi aéreo sediado em Marília, SP, ganhou súbita importância na ligação Rio-São Paulo, especialmente pelo emprego de aeronaves a jato (Fokker 100) nessa rota, antes servida apenas pelos Lockheed Electra. Somado a isso surgiu pela primeira vez no país o conceito de empresa Low Fare com a Gol, que empregando aeronaves mais modernas que a média das outras empresas, alcança hoje seu posto como segunda empresa do país. Outra empresa que surgiu recentemente e segue um conceito similar é a BRA, Brasil Rodo Aéreo. Vasp e Transbrasil tiveram o triste fim da falência no início do século XXI. A Varig, ainda que ostente ainda a importância simbólica de principal empresa aérea nas linhas internacionais, vem perdendo linhas e aeronaves em leasing, e encontra-se em situação financeira extremamente delicada. Atualmente, a TAM é principal empresa do mercado doméstico. No âmbito das linhas nacionais, especialmente nas ligações entre as capitais, as operações são feitas pela TAM, Gol, Varig e mais recentemente, pela BRA e OceanAir. O mercado regional do estado de São Paulo é servido pela Pantanal Linhas Aéreas e pela Passaredo. Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Tocantins são servidos pela Total, sendo que esses dois últimos também pela Sete. O Centro-Oeste, Sul e Nordeste são ainda servidos pela OceanAir. A aviação brasileira cresceu muito nos últimos anos. Com o surgimento de novas companhias aéreas e a modernização das já existentes, foi possível aumentar o número de assentos disponíveis na malha aérea. A Gol lidera o ranking das empresas de baixo custo, podendo assim, repassar tarifas atraentes a todos os brasileiros. Com a competição entre as companhias foi possível melhorar o serviço e reduzir tarifas. Grandes companhias internacionais também operam no Brasil: American Airlines, Continental Airlines, United Airlines, Lufthansa, Iberia, Japan Airlines, South African Airlines, British Airways, Air France, Air Canada entre outras. A partir da II Guerra Mundial a aviação comercial assistiu a um grande desenvolvimento, transformando o avião num dos principais meios de transporte de passageiros e mercadorias no contexto mundial. O transporte aéreo foi o que mais contribuiu para a redução da distância-tempo, ao percorrer rapidamente distâncias longas. Rápido, cómodo e seguro o avião suplantou outros meios de transporte de passageiros a médias a longas distâncias.
  • 23.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 24 de 323 Este meio de transporte implica construção de estruturas muito especiais. Os aeroportos requerem enormes espaços e complicadas instalações de saída e entrada dos voos. Por outro lado, os custos e a manutenção de cada avião são bastante elevados. Tudo isto contribui para encarecer este meio de transporte. Contrastes na distribuição As linhas aéreas cobrem todo o mundo, mas de forma irregular encontrando-se uma maior densidade nos países desenvolvidos, mais ricos, nalguns países petrolíferos, e nos novos países industrializados (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão…) Vantagens · É o mais rápido para transportar passageiros a médias e grandes distâncias · Grande liberdade de movimentos · É dos mais seguros e cômodos · É o mais adequado para o transporte de mercadorias de alto valor (diamantes, instrumentos de óptica, produtos farmacêuticos, etc.) e de mercadorias perecíveis (frutas, flores, etc.) Desvantagens · Elevada poluição atmosférica, devido à emissão de dióxido de carbono · Poluição sonora nas áreas circundantes aos aeroportos · Forte consumidor de espaço – construção das infra-estruturas · Elevado consumo de combustível · È muito dispendioso · Algumas áreas estão congestionadas, devido à densidade do tráfego, gerando problemas de segurança · Muita dependência das condições atmosféricas(nevoeiro, ventos fortes…) · Reduzida capacidade de carga(em relação a transportes marítimo e ferroviário) Aeroportos Localização: os aeroportos localizam-se, normalmente longe das cidades, por questões de segurança e acessibilidade. Periferia: em torno dos aeroportos desenvolvem-se bairros de hotéis, escritórios indústrias, redes de auto-estradas e de vias-férreas. A maior parte do tráfego de produtos de alta tecnologia é feita por via aérea. Por este motivo muitas indústrias instalam-se cada vez mais, nas proximidades dos aeroportos internacionais, o que contribui para o desenvolvimento destes espaços. O transporte aéreo no Brasil tem acompanhado o desenvolvimento do país. Em 1973, surgiu a Infraero - Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária, com a missão de administrar, reformar, construir e equipar os principais aeroportos do país. Para atender o aumento da demanda iniciada na década de 70 a Infraero investiu na reforma, modernização e construção de grandes aeroportos como o Galeão do Rio de Janeiro, inaugurado em 1977; o aeroporto internacional de Guarulhos em SP; Tancredo Neves, em Belo Horizonte, entre outros. Atualmente são 66 aeroportos administrados pela Infraero. Segundo a Infraero, o volume de carga importada e exportada por via aérea no Brasil cresceu 29,4% no primeiro bimestre de 2005. Foram transportadas 91 mil toneladas, contra 76 mil/ton no mesmo período do ano anterior. O Estado de São Paulo continua liderando nessa modalidade. Juntos, o Aeroporto de Guarulhos e Viracopos em Campinas, representam 74% do volume de transporte aéreo de cargas. Em seguida, vêm os aeroportos internacionais de Manaus, com 4,8 mil toneladas movimentadas , e o do Rio de Janeiro, com 4,6 mil toneladas. Os desembarques no Brasil em 2004 de 5.502.966 passageiros procedentes de 6.138.217 vôos internacionais foi considerado um marco na história da aviação brasileira, um aumento
  • 24.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 25 de 323 de 11,54% em relação a 1998. Outro dado significativo foi a chegada ao país em vôos charters de 327.273 passageiros em 2004, que representaram um aumento de 90,11% em comparação aos 172.150 passageiros registrados em 2003. Transporte Ferroviário Contexto Físico O sistema ferroviário brasileiro totaliza 29.706 quilômetros, concentrando-se nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, atendendo parte do Centro-Oeste e Norte do país. Foram concedidos aproximadamente, 28.840 quilômetros das malhas. O Modal Ferroviário na Matriz de Transportes O setor ferroviário participou na matriz de transporte de carga do Brasil, com o percentual de 20,86%, em 2000, considerando o total da carga transportada no país. · Aéreo: 0,33%; · Aquaviário: 13,86%; · Dutoviário; 4,46%; · Ferroviário: 20,86%; · Rodoviário: 60,49% Características do Transporte Ferroviário O modal ferroviário caracteriza-se, especialmente, por sua capacidade de transportar grandes volumes, com elevada eficiência energética, principalmente em casos de deslocamentos a médias e grandes distâncias. Apresenta, ainda, maior segurança, em relação ao modal rodoviário, com menor índice de acidentes e menor incidência de furtos e roubos. São cargas típicas do modal ferroviário: · Produtos Siderúrgicos; · Grãos; · Minério de Ferro; · Cimento e Cal; · Adubos e Fertilizantes; · Derivados de Petróleo; · Calcário; · Carvão Mineral e Clinquer; · Contêineres. O sistema ferroviário nacional é o maior da América Latina, em termos de carga transportada, atingindo 162,2 bilhões de tku (tonelada quilômetro útil), em 2001. Os dados operacionais e econômico-financeiros encontram-se disponíveis no SIADE - Sistema de Acompanhamento do Desempenho das Concessionárias de Serviços Públicos de Transporte Ferroviário. Transporte Rodoviário O principal sistema de transporte no Brasil é o rodoviário, representando cerca de 63% das cargas movimentadas no País, sua extensão é de 1.658,7, mil km, dos quais apenas 9% encontravam-se pavimentadas em 1998 (fonte: GEIPOT) Conforme avaliações do Ministério dos Transportes, 7% da malha pavimentada federal encontra-se saturada e cerca de 60% com sinalização e conservação deficientes. Visando recuperação, manutenção, ampliação da infra-estrutura viária, oferta de serviços auxiliares aos seus usuários, introdução de novas tecnologias, bem como adaptação da
  • 25.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 26 de 323 capacidade do sistema de transportes para atender à demanda do crescimento da produção, o governo brasileiro iniciou a partir de fins de 1995 a implantação do processo de concessões rodoviárias privadas no Brasil e o início em meados de 1996 da cobrança de pedágio . Até 2001 o projeto de concessões atendeu cerca de 10000 km em todo país, totalizando 37 concessões. Transporte de Passageiros O transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros, no Brasil, é um serviço público essencial, responsável por uma movimentação superior a 140 milhões de usuários/ano. A Agência Nacional de Transportes Terrestres é o órgão competente pela outorga de permissão e de autorização, para a operação desses serviços, por meio de Sociedades Empresariais legalmente constituídas para tal fim. O grau de importância desse serviço pode ser medido quando se observa que o transporte rodoviário por ônibus é a principal modalidade na movimentação coletiva de usuários, nas viagens de âmbito interestadual e internacional. O serviço interestadual, em especial, é responsável por quase 95% do total dos deslocamentos realizados no País. Sua participação na economia brasileira é expressiva, assumindo um faturamento anual superior a R$ 2,5 bilhões na prestação dos serviços regulares prestados pelas empresas permissionárias, onde são utilizados 13.400 ônibus. Para um País com uma malha rodoviária de aproximadamente 1,8 milhões de quilômetros, sendo 146 mil asfaltados (rodovias federais e estaduais), a existência de um sólido sistema de transporte rodoviário de passageiros é vital. Para efeitos de regulamentação e fiscalização, o transporte de passageiros é tratado nas três esferas de governo: · As prefeituras municipais cuidam do transporte urbano (dentro da cidade); · Os governos estaduais respondem pelas linhas intermunicipais dentro de cada Estado (ligando municípios de um mesmo Estado); · O Governo Federal zela pelo transporte interestadual e internacional de passageiros (transporte de um Estado para outro ou que transpõe fronteiras terrestres com outros países). Atualmente, a exploração de serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros encontra-se sob a égide da Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001, no que couber da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, e da Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, regulamentadas pelo Decreto nº 2.521, de 20 de março de 1998, e pelas normas aprovadas em Resolução, pela Diretoria Colegiada da ANTT. As ações de regulação e fiscalização do setor têm caráter permanente e objetivam a adequação das rotinas e procedimentos para a efetiva operacionalização da Lei nº 10.233/2001, que criou a ANTT, buscando a melhoria dos serviços e a redução dos custos aos usuários do transporte rodoviário de passageiros, quer no transporte regular, quer no de fretamento contínuo, eventual ou turístico. Concessão de Rodovias O processo de implantação iniciou em 1995 com a concessão pelo Ministério dos Transportes, de 856,4 km de rodovias federais. No processo de delegação aos estados, para o Rio Grande do Sul, foram transferidos 1253,5 km de Rodovias Federais integradas a 674,3 km de Rodovias Estaduais (também privatizadas). Já no Paraná foram transferidos 1754,0 km de Rodovias Federais integradas a 581,3 km de Rodovias Estaduais, que estão sob concessão. Cabe ressaltar que após a denúncia de alguns convênios de delegação por parte do Governo do Rio Grande do Sul, a quilometragem total das concessões federais subiu dos 856,4 km iniciais para 1.482,40 km. Esta parceria entre o governo federal e os governos estaduais deu continuidade ao processo
  • 26.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 27 de 323 de descentralização das atividades do Estado na área de transporte, transferindo à iniciativa privada a prestação de determinados serviços que, apesar de serem essenciais à sociedade, não precisariam, necessariamente, ser oferecidos pelo poder público. Essa transferência de responsabilidade vem possibilitando ao Estado, a alocação de maiores verbas para as atividades sociais, estas indelegáveis. O Programa de Concessões de Rodovias Federais começou a ser implantado com a licitação dos cinco trechos que haviam sido pedagiados diretamente pelo Ministério dos Transportes, numa extensão total de 854,5 km, enquanto estudos eram realizados para identificar outros segmentos considerados técnica e economicamente viáveis para inclusão no Programa. Inicialmente, foram analisados 17.247 km de rodovias, dos quais 10.379 foram considerados viáveis para concessão e 6.868 km viáveis somente para a concessão dos serviços de manutenção. Em 1997/8 esse estudo foi revisto, mediante empréstimos externos ou dotações orçamentárias do DNER, incluindo-se no Programa trechos que estavam em obras de duplicação (BR-381/MG/SP entre Belo Horizonte e São Paulo, bem como todo o Corredor da BR-116/SP/PR, BR-376/PR e BR-101/SC, entre São Paulo, Curitiba e Florianópolis), e excluindo outros trechos, que eram objeto de programas de restauração e ampliação de capacidade. A promulgação da Lei n. º 9.277, de maio de 1996 (denominada Lei das Delegações), criou a possibilidade de Estados, Municípios e o Distrito Federal em solicitar a delegação de trechos de rodovias federais para incluí-los em seus Programas de Concessão de Rodovias. A Portaria n.º 368/96, do Ministério dos Transportes, estabeleceu e definiu os procedimentos para a delegação de rodovias federais aos estados dentre outras definições. Entre 1996 e 1998 foram assinados Convênios de Delegação com os Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. O Estado de Mato Grosso do Sul, ainda em 1997, assinou Convênio de Delegação visando a construção de uma Ponte sobre o Rio Paraguai na BR-262/MS. Esta ponte foi financiada com recursos do FONPLATA - Fundo Financeiro dos Países da Bacia do Prata, e está sendo explorada mediante a cobrança de pedágio para amortização do financiamento. Concessões sob Responsabilidade da ANTT O Programa de Concessão de Rodovias Federais abrange 13.780,78 quilômetros de rodovias, desdobrado em concessões promovidas pelo Ministério dos Transportes, pelos governos estaduais, mediante delegações com base na Lei n.º 9.277/96, e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). As concessões administradas hoje, diretamente, pela ANTT são as seguintes: Concessões atuais - constituídas de trechos de rodovias já concedidos à iniciativa privada, numa extensão de 1.482,40 km. São seis concessões, das quais cinco foram contratadas pelo Ministério dos Transportes, entre 1994 e 1997, e uma pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em 1998, esta, posteriormente, teve o Convênio de Delegação das Rodovias denunciado e o contrato sub-rogado à União em 2000. Transporte Internacional O Brasil, em virtude de sua situação geográfica, mantém historicamente acordos de transporte internacional terrestre, principalmente rodoviário, com quase todos os países da América do Sul. Com a Colômbia, Equador, Suriname e Guiana Francesa o acordo está em negociação. O Acordo sobre Transporte Internacional Terrestre entre os Países do Cone Sul, que contempla os transportes ferroviário e rodoviário, inclui Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru, Paraguai e Uruguai. Entre Brasil e Venezuela refere-se apenas ao transporte rodoviário. O mesmo ocorrerá com a negociação que está em andamento com a Guiana.
  • 27.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 28 de 323 O Mercado Comum do Sul - Mercosul, que é um Tratado de Integração, com maior amplitude entre, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, absorveu o Acordo de Transportes do Cone Sul. Tais acordos buscam facilitar o incremento do comércio, turismo e cultura entre os países, no transporte de bens e pessoas, permitindo que veículos e condutores de um país circulem com segurança, trâmites fronteiriços simplificados nos territórios dos demais. No caso do Mercosul, já se atingiu estágio mais avançado com a negociação e adoção de normas técnicas comunitárias. A evolução dos transportes internacionais terrestres se faz através de negociações conjuntas periódicas visando atender as crescentes necessidades das partes, pela incorporação dos avanços tecnológicos e operacionais, pelo maior grau de segurança e pela maior agilidade dos procedimentos aduaneiros e imigratórios. Assim, o mercado de movimentação dos fluxos internacionais de bens e pessoas torna-se cada vez mais dinâmico, competitivo e seguro, para as empresas nacionais dos diferentes países. Ressalte-se que o transporte terrestre doméstico de cada país não pode ser executado por empresas estrangeiras. Complementarmente aos acordos básicos citados, têm sido estabelecidos acordos específicos no Mercosul, como o de Transporte de Produtos Perigosos e o Acordo sobre Trânsito. Com a implantação da Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT, em fevereiro de 2002, as competências para negociação e aplicação dos acordos e seus desdobramentos passaram para seu âmbito de atuação. Os atos legais e regulamentares, os procedimentos operacionais e as informações estatísticas sobre o Transporte Internacional Terrestre podem ser encontrados na página da ANTT. (notíciário) 09/02/2010 Manchete: Em 3 anos de PAC ações em logística já somam R$ 40,5 bilhões Resumo: O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) completou 3 anos com 63,3% dos investimentos previstos executados, sendo R$ R$ 40,5 bilhões destinados para o setor de logística. No Ministério dos Transportes, para o modal rodoviário foram destinados R$ 27,7 bilhões, para obras de adequação, manutenção, construção e duplicação de rodovias. Foram concluídos 1.634 quilômetros de estradas e mais 53 mil passam por manutenção. Atualmente, 4.916 quilômetros de rodovias estão sendo construídos. Além disso, dentro do Programa de Concessão de Rodovias Federais, foram concedidos à iniciativa privada 3.282 quilômetros de rodovias. Durante o evento que marcou o terceiro ano do PAC, nesta quinta-feira (04/02), no Palácio do Itamaraty, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentou o 9º Balanço do programa e destacou os avanços no setor de infraestrutura logística. FERROVIAS O setor ferroviário recebeu investimentos da ordem de R$ 1,14 bilhão. Já foram entregues 356 quilômetros de ferrovias e outros 2.632 encontram-se em construção. As obras da Ferrovia Norte-Sul até Anápolis (GO) estarão concluídas até final de 2010 e o trecho de Anápolis a Estrela d'Oeste (SP) será iniciado no primeiro semestre deste ano.
  • 28.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 29 de 323 A Ferrovia Nova Transnordestina, com investimentos de R$ 4,45 bilhões até o fim de 2010, passa por grandes avanços. A expectativa do governo é que a obra empregue 7 mil trabalhadores até julho deste ano, e estima que o empreendimento seja entregue em 2012. A obra de extensão da Ferronorte, em Rondonópolis (MT), tem data de conclusão prevista para 2011 e o edital para a Ferrovia da Integração Oeste-Leste está estimado para março de 2010. TAV O Governo federal segue o cronograma de implantação do Trem de Alta Velocidade (TAV), Rio-São Paulo-Campinas, obra estimada em R$ 34,6 bilhões. No dia 29 de janeiro foi realizada a última consulta pública para a elaboração do edital, e o governo federal estima que após a análise dos documentos do projeto pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o edital será publicado no dia 02 de março. O leilão do TAV está previsto para 02 de maio de 2010. FMM Desde o lançamento do PAC, em 2007, o Programa de Expansão e modernização da Marinha Mercante superou a meta originalmente traçada - o Fundo da Marinha Mercante (FMM) aprovou contratos de financiamentos de 218 embarcações e 2 estaleiros, que envolvem R$ 11,2 bilhões. HIDROVIAS As obras de construção das duas eclusas de Tucuruí e do canal intermediário estão praticamente concluídas, com 93% do projeto já executado. Em final de junho deste ano, quando a obra estará totalmente pronta, os investimentos atingirão R$ 965,5 milhões. Foram entregues também, no estado do Amazonas, três terminais de passageiros, em Tabatinga, Nhamundá e São Sebastião do Uatumã, e a expectativa é entregar outros terminais até o fim de 2010. Além disso, o governo federal espera iniciar os trabalhos para as obras de dragagem e derrocamento na Hidrovia Paraguai-Paraná até o final do ano. OBRAS NA AMAZÔNIA O ministro Alfredo Nascimento explicou que as obras na Amazônia, de responsabilidade do Ministério dos Transportes, estão num bom andamento, com exceção da BR 319. Nesta rodovia nós temos permissão para trabalhar nos seus extremos. O trecho entre Humaitá e Porto velho, de 238 quilômetros, que faz a ligação nas cidades do Sul do Amazonas com Porto Velho, já pode ser inaugurado em março deste ano. Na parte da estrada que sai de Manaus até o Km 250, nós também estamos trabalhando, lembrou o ministro. Este trecho citado da BR 319, onde estão sendo construídas duas grandes pontes, está sob responsabilidade do Exercito Brasileiro. Nascimento afirmou ainda que os outros dois trechos, de 250 quilômetros saindo de Manaus e saindo de Humaitá, de poucos mais de 200 quilômetros, serão cumpridos até o fim de 2010. Ele explicou que o Ministério dos Transportes está aguardando a liberação do Ministério do Meio Ambiente do trecho central da BR 319. Foi pedida a complementação do estudo de impacto ambiental da rodovia e o Ministério dos Transportes está concluindo este trabalho para apresentar em breve ao Ministério do Meio Ambiente, concluiu o ministro. 26/12/2009 Manchete: Inaugurado na China trem de alta velocidade mais rápido do mundo. Trajeto une em 3 horas as cidades de Wuhan e Cantão. A velocidade média da viagem é de 350 Km/h. Resumo: A China inaugurou neste sábado (26) o trem que, segundo o governo do país, é o mais rápido do mundo. O veículo percorreu um trajeto de pouco mais de 1.000 km. A linha une em 3 horas as cidades de Wuhan (centro) e Cantão (sul). Antes o mesmo
  • 29.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 30 de 323 percurso era feito em 10h30. A velocidade média foi de 350 Km/h, mas em um determinado trecho o trem alcançou 390 Km/h. Os trabalhos para esta parte do trajeto, que em uma segunda fase unirá Pequim com Cantão, de 1.069 quilômetros, começaram em 2005. Segundo o jornal China Daily, a concorrência entre linhas aéreas e ferroviárias alcançou um novo marco com a inauguração do trajeto entre as duas metrópole chinesas, capitais respectivas das províncias de Hubei e Cantão, e que se reduz em 7 horas em relação aos comboios tradicionais. Uma rede de alta velocidade de 16 mil quilômetros com trens circulando a uma média de 350 km/h será construída na China na próxima década e em 2012 deverão estar completados 13 mil quilômetros, segundo o Ministério da Ferrovia. 10/12/2009 Manchete: Governo conclui edital do TAV Documentos para minuta do edital já estão sendo analisados pelo TCU e publicação do edital do TAV está prevista para fevereiro Resumo: O secretário executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, afirmou nesta quarta-feira (9/12) que o conjunto de documentos para a elaboração do edital do Trem de Alta Velocidade (TAV) Rio de Janeiro - São Paulo - Campinas foi enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), para análise, no último dia 8. A expectativa do governo é de divulgar, em 18 de dezembro, a minuta do edital para consulta pública, e realizar as audiências públicas, entre 11 e 18 de janeiro, para em fevereiro publicar o edital e começar a receber as propostas dos interessados. Passos anunciou, durante o 2º Seminário sobre o PAC: Transportes e Logística, realizado pela Advocacia Geral da União no auditório da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) que, em maio, será realizado o leilão, e a empresa vencedora será aquela que apresentar a proposta com a menor pedido de financiamento por parte do governo federal e o menor teto de tarifa de passagem. O critério de avaliação será um combinado entre esses dois quesitos, sem esquecermos da questão da transferência de tecnologia, da qual o governo federal não abre mão, enfatizou o secretário. O secretário elencou os Estudos de Demanda, Traçado, Operação, Custos e Modelagem Econômica e Financeira, que foram realizados pela consultoria internacional liderada pela empresa Halcrow, disponibilizados na página www.tavbrasil.gov.br. Outra novidade anunciada foi o aumento do tempo de concessão, para 40 anos. A redução da pressão sobre a infraestrutura rodoviária e aeroportuária, a indução de desenvolvimento regional, com intensa geração de empregos diretos e indiretos e a redução de emissão de poluentes foram algumas das vantagens citadas pelo secretário, a partir da implantação do TAV. Passos lembrou que, além da diminuição do tempo de deslocamento das pessoas, da redução de acidentes e de congestionamento em rodovias e áreas urbanas, outra vantagem que esse tipo de transporte vai trazer é o desenvolvimento tecnológico deste sistema de transporte no Brasil. O projeto do TAV no Brasil é altamente atraente aos investidores internacionais. Para ser ter uma idéia, os estudos feitos pela Halcrow apontam que a receita do empreendimento atingiria, no ano de 2044, R$ 8,1 bilhões, explicou Passos. Segundo ele, o Brasil não pode abrir mão deste tipo de tecnologia, que já está amplamente difundida nos países desenvolvidos, como Japão, Coréia, Alemanha, Itália, China, Espanha e França, países estes, que já demonstraram interesse em participar do leilão do TAV. Governo amplia PNLT e projeta investir R$ 290,8 bi O Ministério dos Transportes também apresentou, no 2º Seminário sobre o Programa Aceleração do Crescimento PAC, a reedição do Plano Nacional de Logística e Transportes - PNLT, com uma carteira de projetos ampliada, indicando investimentos da ordem de R$ 290,8 bilhões, entre 2008 e 2023. O novo Sumário Executivo do PNLT, disponibilizado no site do Ministério dos Transportes, e seu novo indicativo de investimentos está sendo divulgado e será novamente debatido junto aos representantes do setor, com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Transportes Consetrans.
  • 30.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 31 de 323 O secretário de Política Nacional de Transportes do Ministério dos Transportes, Marcelo Perrupato, anunciou no encontro realizado pela AGU, que a nova rodada de discussões regionalizada sobre a carteira de projetos do PNLT atualizada será iniciada em fevereiro de 2010. As discussões e revisões periódicas fazem parte da premissa desse processo de planejamento federativo, aberto à participação dos entes de governo, além dos diferentes setores da sociedade que atuam no setor. O secretário explicou que a nova rodada de discussões com Estados, municípios e atores privados também resultará em proposta para reformulação do Plano Plurianual 2012-2015. O PNLT revisado, que já mantinha em seu portifólio as obras estruturantes do governo federal, passa a agregar as alterações recentes do PAC, com enfoque na expansão da malha ferroviária. Para Perrupato, o PAC saiu com uma forte amarração no novo portifólio de investimentos, sendo um contraponto ao plano indicativo proposto no PNLT. O secretário entende que somente essa retomada de planejamento do setor dará ao Brasil as condições logísticas necessárias para atender a forte expansão econômica do país, prevista para os próximos anos. Com a revisão da lista de obras necessárias para atender à demanda projetada pelo PNLT, os investimentos indicados passaram dos R$ 172,9 bilhões para R$ 290,8 bilhões, em 16 anos - o horizonte de planejamento desse estudo. O governo avalia que, aplicados esses recursos até 2023, o Brasil terá uma inversão na matriz de transportes, com uso maior do modal ferroviário, na conclusão de Perrupato. Pelas projeções, o país abandonaria sua característica rodoviarista. As estradas, responsáveis por 58% do transporte de carga (em dados de 2005), passariam a 30%, nas projeções para 2025, seguindo-se o indicativo de obras do PNLT, sendo que o modal ferroviário saltaria dos atuais 25% para 35%. O secretário de Transportes do Mato Grosso do Sul, Edson Giroto, atual presidente do Consetrans, painelista do Seminário sobre o PAC, garantiu que as contribuições, entre Estados e União, permanecerão para as próximas revisões do PNLT, acreditando que essa linha de planejamento, de caráter federativo, é a solução definitiva para o setor. O Brasil não vai para lado algum, com propostas individualistas, sentenciou Giroto. PAC 2010 será hidroviário O secretário de Política Nacional de Transportes, Marcelo Perrupato, afirmou que para o Ministério dos Transportes, 2010 é o ano hidroviário. É muito importante investir em hidrovias porque estamos perdendo muitos recursos por conta do excesso de cargas que são transportadas pelas rodovias. Além disso, priorizar o transporte hidroviário está entre os tópicos principais do PAC para 2010 afirmou o secretário. Perrupato frisou a importância na integração dos modais. De acordo com o secretário, não dá mais para trabalhar só um ou outro modal, é preciso que se trabalhe a integração deles. È necessário priorizar as hidrovias e em especial as hidrovias da Amazônia, preservando o meio ambiente, afirmou. O secretário realçou que é necessária a organização de um programa participativo com os demais órgãos, em especial a Agência Nacional de Águas (ANA), para o melhor aproveitamento das hidrovias. José Machado, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) e Fernando Fialho, diretor-geral da ANTAQ, mostraram satisfação na decisão de dar importância para o setor no PAC 2010. Com a construção das hidrovias, nós vamos poder exportar em torno de 40 milhões a 60 milhões de toneladas de grãos por ano, afirmou Fialho. 07/12/2009 Manchete: Alagoas terá maior estaleiro da América Latina. Resumo: Alagoas se prepara para ampliar o seu perfil econômico, baseado no turismo e na indústria sucroalcooleira, com a chegada da indústria naval. A partir de 2010, começa a ser construído no Estado o maior estaleiro da América Latina. Trata-se do Eisa Alagoas, que ocupará uma área de 2 milhões de metros quadrados no município de Coruripe, no Litoral Sul do Estado, a 130 km do Porto de Maceió. Os investimentos para a construção do estaleiro são estimados em R$ 1,5 bilhão e deverão resultar na geração de 4,5 mil empregos diretos. O empreendimento será comandado pelo empresário German Efromovich, que esteve em Maceió, em outubro deste ano, para o lançamento do projeto. O empresário é dono de outros estaleiros no Brasil, como o Mauá, no
  • 31.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 32 de 323 Rio. De acordo com o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), a instalação do estaleiro será o maior empreendimento de Alagoas em toda a história do Estado. Quando estiver instalado, o estaleiro de Alagoas será o maior da América Latina, com condições de construir navios de médio e grande porte, afirmou Vilela, destacando ainda a grande geração de emprego e renda que o empreendimento irá criar na região. Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Luiz Otávio Gomes, quando estiver funcionando, o estaleiro deverá gerar cerca de 18 mil empregos indiretos. São padarias, restaurantes, farmácias, supermercados e outros estabelecimentos comerciais, que vão contratar mão de obra para atender os trabalhadores do estaleiro, acrescenta Gomes. De acordo com o secretário, do ponto de vista técnico, o projeto do estaleiro está aprovado e os investimentos garantidos. Falta apenas a apresentação do Estudo de Impacto Ambiental para avaliação nos órgãos ambientais. 24/11/2009 Manchete: Governo federal instala Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte Resumo: O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, formalizou a instalação do Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte - o Conit, em sua primeira reunião ordinária, realizada em 24/11, em Brasília. O novo órgão de assessoramento do governo federal teve seu regimento interno aprovado, sendo criado com o objetivo de consolidar o que o ministro chamou de retomada da tradição de planejamento de médio e longo prazos. É essencial que as questões de infraestrutura de transportes sejam analisadas num contexto mais abrangente, considerando sua relação com as demais áreas da atividade econômica e social, num ambiente propício à discussão e à apresentação de propostas e sugestões, buscando sinergia de idéias para o desenvolvimento nacional, definiu Alfredo Nascimento. O Conit é presidido pelo ministro dos Transportes e tem, no seu quadro de conselheiros, outros nove ministros. No início da primeira reunião ordinária, Alfredo Nascimento explicou seu funcionamento, afirmando que o Conit deverá estar associado a uma visão federativa - e não apenas federal - das questões de transportes, capaz de incorporar os diversos segmentos e atores. Nessa primeira reunião do colegiado, além dos membros natos do Conit, o presidente do Conselho abriu espaço para a participação de usuários, operadores e trabalhadores do setor, por meio de suas entidades representativas de caráter nacional, primordialmente, por meio de suas confederações - CNA, CNT, CNI, CNTT e CNC. O presidente do Conselho de Secretários de Transportes, Edson Giroto, e representantes de agências reguladoras e as entidades governamentais que atuam no setor - ANTT, Antaq, Anac, DNIT, Valec, CBTU e Infraero, também participaram da primeira reunião. Na avaliação do ministro Pedro Brito - titular da Secretaria Especial de Portos, também presente na reunião, o Conit será uma ferramenta a mais para a indispensável integração dos diversos modais representativos desse órgão. Dentre as deliberações dessa reunião inaugural, os conselheiros receberam a proposta de organização dos comitês técnicos, elaborado pela Secretaria Executiva do órgão, com a titularidade do secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. O ministro Alfredo Nascimento convocou nova reunião para o mês de janeiro, com a finalidade de aprovar as propostas de implantação desses grupos de trabalho. Na próxima ocasião, o Conit também será informado sobre o resultado revisado do Plano Nacional de Logística e Transportes - PNLT, já como indicador para formulação do novo Plano Plurianual. 24/11/2009 Manchete: Transporte de alto risco Resumo: As falhas da fiscalização, tanto nas estradas quanto nas ruas das cidades
  • 32.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 33 de 323 brasileiras especialmente nas capitais, têm aumentado o risco do transporte de cargas perigosas. Uma pequena amostragem de vistorias feitas por comandos da polícia rodoviária nas estradas revela assustador aumento dos casos de desrespeito das normas obrigatórias de segurança. Levantamento do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP), órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, apontou um aumento de 30% no número de veículos em precário estado de manutenção carregados de produtos tóxicos nas estradas paulistas. Dos 2,2 mil veículos vistoriados em 2006 pelos técnicos do Ipem, 720 apresentaram irregularidades. Pneus carecas, suspensão e freios comprometidos, falhas no mecanismo das válvulas, tanques corroídos e outros problemas elevaram em 52% o número de apreensões do Certificado de Inspeção para o Transporte de Produtos Perigosos (CIPP), documento obrigatório nessa atividade em todo o País. Essas porcentagens são altas, mas quando se vê que apenas 2,2 mil caminhões foram fiscalizados durante todo o ano, em todo o Estado, fica evidente a precariedade da fiscalização. Somente na cidade de São Paulo, circulam, por dia, mais de 200 mil caminhões - pelo menos 10 mil carregados com produtos tóxicos. “Estamos na iminência de uma tragédia, que ainda não aconteceu porque Deus é brasileiro. E paulistano”, declarou, em outubro do ano passado, ao Jornal da Tarde, Glória Benazzi, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O Ipem fiscaliza esse tipo de transporte na Grande São Paulo, exceto na capital, e no interior. Na cidade de São Paulo, que é passagem obrigatória para grande parcela da frota que circula pelo Estado, a fiscalização do transporte de cargas perigosas é da competência da Polícia Militar, com apoio da Prefeitura. As blitze são raras. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), sozinha, apenas fiscaliza o cumprimento da norma municipal que proíbe a circulação desse tipo de veículo entre 17 e 20 horas. A explicação do Ipem para a exclusão da capital da sua área de atuação é de que é muito perigoso manter veículos carregados de produtos tóxicos parados por muito tempo, juntos um do outro, na cidade. Uma fagulha perto de um veículo desses, que esteja com vazamento de combustível, provocaria uma grande tragédia. Mas, e nos congestionamentos, que às vezes duram horas nas Marginais, não há perigo? Em 2006, houve 17 acidentes com esse tipo de veículo na cidade. E, apesar de todos os órgãos responsáveis pela fiscalização admitirem os altos riscos, as vistorias não são prioridade. Em 2005, a fiscalização no Estado sofreu redução de 24%, em comparação com o ano anterior. Muitas foram as críticas, mas de pouco adiantaram. No ano passado, foram vistoriados 126 caminhões a mais do que o total de 2005 A impunidade incentiva muitos transportadores de cargas perigosas a retirarem dos veículos a placa cor de laranja, que identifica o transporte de produtos tóxicos, para burlar a restrição à circulação no período da tarde, instituída pela Prefeitura de São Paulo. A manutenção preventiva é cada vez mais rara. E o medo de ser flagrado inexiste. Em junho do ano passado, o prefeito Gilberto Kassab anunciou que tentaria recuperar o tempo perdido na regulamentação e fiscalização do transporte de cargas perigosas, mas, até agora, mais tempo se perdeu. Tivesse investido na tarefa de tornar mais restrito o horário de circulação desse tipo de carga, concentrando o tráfego dos caminhões apenas nas madrugadas, a cidade já estaria melhor protegida. Recentemente, depois que dois caminhões ficaram entalados no período de apenas 20 dias na Ponte da Freguesia do Ó, na Marginal do Tietê, o prefeito cobrou do presidente da CET, Roberto Scaringella, a instalação de detectores de altura e maior rigor na aplicação de multas. Foi prometida também a apresentação de um projeto para a nova sinalização e novo valor da multa, que deverá chegar a R$ 75 mil. Legislação rigorosa, sinalização clara e fiscalização eficiente atenuariam os problemas causados pelo tráfego intenso de caminhões em São Paulo.
  • 33.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 34 de 323 Data: 15/07/2009 Manchete: Autoridades do Irã descartam sobreviventes em queda de avião. Um avião iraniano com 168 pessoas a bordo caiu na manhã desta quarta-feira, quando fazia a rota entre Teerã e Yerevan, capital da Armênia. Segundo autoridades iranianas citadas pela imprensa local, não há sobreviventes. Resumo: De acordo com a agência de notícias estatal do Irã, IRNA, o acidente ocorreu quando o avião, um Tupolev da companhia Caspian Airlines, sobrevoava a província de Qazvin, no noroeste do país. O chefe de polícia de Qazvin, Hossein Behzadpour, e o chefe do centro de controle de desastres do Ministério da Saúde do Irã, Mohammad Reza Montazer Khorasan, confirmaram à emissora estatal Press TV que todas as 168 pessoas a bordo, incluindo passageiros e tripulação, morreram no acidente. A maioria dos passageiros do voo era formada por armênios, e o avião teria caído pouco após decolar da capital iraniana. As causas do acidente ainda são desconhecidas e militares estão na região procurando as caixas-pretas da aeronave. O voo 7908 da Caspian (Airlines) caiu 16 minutos depois de decolar do aeroporto internacional Imã Khomeini, disse à Press TV o porta-voz da Organização de Aviação do Irã, Reza Jafarzadeh. De acordo com a imprensa estatal iraniana, o avião teria explodido ao atingir o solo formando uma cratera, enquanto os destroços se espalhavam por uma área de 200 metros quadrados. A imprensa iraniana ainda informou, citando fontes aeroportuárias, que as comunicações entre o piloto e a torre de controle não indicavam nenhum problema técnico na aeronave. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, enviou condolências às famílias das vítimas. Aeronaves antigas A aeronave modelo Tupolev foi construída na Rússia em 1987. De acordo com o correspondente da BBC Jon Leyne, grande parte das aeronaves militares e civis que operam no Irã são antigas e, devido às sanções impostas pelos Estados Unidos ao país, também há dificuldades para se encontrar peças de reposição para os aviões. Leyne afirma que o embargo econômico imposto após a Revolução Islâmica de 1979 obrigou o Irã a comprar aeronaves fabricadas na Rússia e na Ucrânia. Mesmo assim, grande parte destes aviões de fabricação russa e ucraniana, segundo Leyne, já opera há muitos anos. Data: 30/06/2009 Manchete: Airbus de companhia do Iêmen cai com mais de 150 a bordo. Resumo: Um Airbus A310-300 do Iêmen com 153 pessoas a bordo, incluindo 66 franceses, caiu no mar quando se aproximava do arquipélago de Comores, no Oceano Índico, em meio ao mau tempo nas primeiras horas de terça-feira, disseram autoridades. Uma criança de 5 anos foi resgatada viva do mar. Um médico do hospital militar a bordo de um dos botes de resgate telefonou ao hospital Mitsamiouli para dizer a eles que uma criança foi resgatada com vida, disse à Reuters Halidi Ahmed Abdou, um médico do centro médico por sobreviventes. Hadji Madi Ali, diretor do aeroporto internacional em Morini, disse à rádio nacional que a criança tem 5 anos. Ele disse que cinco corpos também foram encontrados. A autoridade aeroportuária de Paris disse que 66 franceses estavam a bordo do avião, que percorria o trecho final de um voo que levava passageiros de Paris e Marseille para Comores, via Iêmen. Um grande número de iemenitas também estava a bordo.
  • 34.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 35 de 323 Dois aviões militares e um navio franceses deixaram as ilhas de Reunião e Mayotte, no oceano Índico, para ajudar nas buscas. Os aviões viram destroços no suposto ponto de impacto, disse Ibrahim Kassim, uma autoridade do organismo regional de segurança aérea ASECNA, à Reuters. Este é o segundo Airbus a cair no mar no último mês, após o acidente com o Airbus A330-200 que voava do Rio de Janeiro a Paris quando se acidentou no oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo em 31 de maio. Um relatório preliminar sobre esse acidente deve ser divulgado na quinta-feira. O trecho Paris-Marseille-Iêmen do voo da Yemenia foi percorrido em um Airbus A330. Em Sanaa, os passageiros que se destinavam a Comores trocaram de aeronave, embarcando no A310 que acabou caindo. O ministro dos Transportes da França, Dominique Bossereau, disse que falhas haviam sido detectadas durante inspeções na França no A310 da Yemenia e que a aeronave não havia retornado ao país europeu desde então. O A310 em questão foi inspecionado em 2007 pela DGAC (autoridade de transporte francesa) e eles notaram um certo número de falhas, disse ele ao canal de TV I-tele. A companhia não estava na lista negra, mas estava sujeita a checagens mais rigorosas de nossa parte, e estava prestes a ser entrevistada brevemente pelo comitê de segurança da União Europeia. Data: 01/06/2009 Manchete: O acidente com o Airbus A330. Resumo: O Airbus A330 saiu do Rio de Janeiro no domingo, 31 de maio, às 19h (de Brasília), e deveria chegar ao Aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília). De acordo com nota divulgada pela FAB, às 22h33 (horário de Brasília) o vôo fez o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III). O comandante informou que, às 23h20, ingressaria no espaço aéreo de Dakar, no Senegal. Às 22h48 (horário de Brasília) a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta, segundo a FAB. Antes disso, no entanto, a aeronave voava normalmente a 35 mil pés (11 km) de altitude. A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). A equipe de resgate da FAB foi acionada às 2h30 (horário de Brasília). Na última sexta-feira foi confirmado, oficialmente, que os destroços encontrados no Oceano Atlântico eram do voo AF 447. Na manhã seguinte, a Marinha e a Aeronáutica localizaram os primeiros corpos das vítimas.
  • 35.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 36 de 323 Instituições Políticas Constituição Depois de abolida a Monarquia, a primeira Constituição da República (1891) estabeleceu um sistema presidencialista de governo, com três poderes independentes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Essa estrutura foi mantida nas seis Constituições Republicanas subseqüentes do Brasil, incluindo a Constituição atual, que foi elaborada por um Congresso Nacional Constituinte eleito em 1984 e formalmente promulgada em 5 de outubro de 1988. A Constituição de 1988 incorporou muitos conceitos novos, abrangendo desde proteção ambiental até o fortalecimento do Poder Legislativo em sua relação com o Executivo. O Brasil é uma república federativa composta por 26 estados e um Distrito Federal. O governo dos estados tem estrutura semelhante à área federal, desfrutando de todos os poderes (definidos em sua própria Constituição) que não estejam especificamente reservados à esfera federal ou designados para o Conselho Municipal. O chefe do Poder Executivo estadual é o Governador, eleito por voto direto para um período de quatro anos. Existe ainda uma Assembléia Legislativa e um Poder Judiciário estadual, que segue o padrão federal e tem sua jurisdição definida de maneira a evitar qualquer conflito com as Cortes Federais. Em nível municipal, o Poder Executivo é exercido pelo Prefeito, também eleito por voto direto por um período de quatro anos. A Câmara de Vereadores representa, em nível legislativo, os interesses da população do Município. Existem ainda mais de 4.400 Conselhos Municipais que são autônomos e restritos a assuntos locais. Os Conselhos Municipais operam sob os parâmetros da Lei Básica das Municipalidades. Poder Legislativo Vigora no país o pluripartidarismo, com um Poder Legislativo bicameral, composto pelo Senado, com 81 membros, e pela Câmara dos Deputados, com 513 membros. Todos são eleitos por voto direto, para mandatos de 8 e 4 anos, respectivamente. O Senado é composto por três Senadores de cada estado e do Distrito Federal. As eleições para Senador são alternadas (1/3 e 2/3) a cada quatro anos, concomitantemente às eleições para a Câmara dos Deputados. O número de membros das Assembléias Legislativas estaduais e do Distrito Federal, assim como das Câmaras de Vereadores dos municípios, é definido pela Constituição de cada Estado da Federação, pela Lei Orgânica do Distrito Federal e pelas Leis Orgânicas municipais, respectivamente. Os Deputados Estaduais e Vereadores são eleitos por voto direto, para mandatos de quatro anos. Poder Executivo O Poder Executivo é chefiado pelo Presidente da República e dele fazem parte os Ministérios, as Secretarias Especiais. Os Ministérios têm a atribuição de elaborar e executar políticas públicas em suas respectivas áreas de atuação. O Presidente da República exerce as funções de chefe de Estado e de Governo, administrando a coisa pública, aplicando as leis existentes e propondo outras que sejam da sua competência. As ações desenvolvidas pelo Governo dependem da orientação política do Presidente da República e sua equipe. Tal orientação é expressa em programa político divulgado durante a campanha eleitoral. Pela Constituição em vigor, o Presidente da República é eleito para um mandato de quatro anos, com direito à reeleição. As eleições presidenciais são realizadas em dois turnos, caso um dos candidatos não obtenha, no primeiro pleito, 50% dos votos válidos mais um. Por se tratar de regime presidencialista, referendado em plebiscito realizado em 21 de abril de 1993, o Presidente não depende da confiança do Legislativo para permanecer no cargo, mas pode ser suspenso de suas funções pelo Congresso, em situações extraordinárias. Caso o mandato presidencial fique vago por algum motivo, será preenchido pelo Vice-Presidente até que se expire. Caso o Vice-Presidente não possa exercer tal função, a linha sucessória da Presidência da República seguirá a seguinte ordem: Presidente da Câmara dos Deputados, Presidente do Senado e Presidente do Supremo Tribunal Federal.
  • 36.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 37 de 323 Poder Judiciário O Poder Judiciário é o árbitro que julga os conflitos de interesse existentes na sociedade. As decisões são tomadas através de processos judiciais embasados na Constituição, leis, normas e costumes. O Poder Judiciário está organizado nos âmbitos federal e estadual. Os municípios não têm Justiça própria, podendo recorrer, em certos casos, à justiça dos Estados ou da União. Integram o Poder Judiciário os seguintes órgãos: · Supremo Tribunal Federal, responsável pela aplicação e interpretação da Constituição e formado por 11 ministros escolhidos e nomeados pelo Presidente da República, após ter o Senado aprovado a escolha, por maioria absoluta; · Superior Tribunal de Justiça, que julga as questões infraconstitucionais e é responsável pela uniformidade da interpretação da lei federal em todo o País, sendo constituído por, no mínimo, 33 ministros nomeados pelo Presidente da República, após aprovação do Senado; · Justiça Federal, responsável pelas causas que envolvem a União, autarquias ou empresas públicas federais, e composta pelos Tribunais Regionais Federais (TRF’s) dos Estados e pelos juízes federais. · Justiça Estadual, formada pelos tribunais de Justiça e juízes de direito, que constituem foros para as ações de inconstitucionalidade das leis ou atos normativos estaduais e municipais, assim como para as ações criminais, civis e comerciais que não envolvam a União ou pessoas no exercício de cargos públicos federais. Ligados ainda às Justiças Estaduais existem os Tribunais de Pequenas Causas, criados para resolver demandas judiciais de solução imediata; · Justiça do Trabalho, responsável pela resolução de questões trabalhistas, é constituída pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), pelos Tribunais Regionais do Trabalho (TRT’s) e pelas Juntas de Conciliação e Julgamento; · Justiça Eleitoral, constituída pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os Tribunais Regionais Eleitorais (TRE’s), os juízes eleitorais e as juntas eleitorais, é responsável pelo encaminhamento, coordenação e fiscalização das eleições e do processo de formação e registro dos partidos políticos ; · Justiça Militar, responsável pelo processo e julgamento de crimes militares, e constituída pelo Superior Tribunal Militar (STM), juízes e tribunais militares e ainda os Conselhos de Justiça Militar. Sistema de Voto O voto é universal e obrigatório para todo cidadão alfabetizado entre 18 e 70 anos de idade. É opcional para cidadãos entre 16 e 17 anos, para os que têm acima de 70 anos e para os analfabetos de qualquer faixa etária. Os candidatos em eleição têm que pertencer a um partido político. O registro de um partido político é efetuado pelo Tribunal Superior Eleitoral e deve atender a certas exigências mínimas estabelecidas pela Legislação. Em eleições presidenciais ou de governadores estaduais, será eleito o candidato que obtiver maioria absoluta de votos. Caso nenhum dos candidatos obtenha esse resultado, 20 dias após a primeira eleição será realizado novo pleito do qual participarão os dois candidatos mais votados. O Movimento Sindical no Brasil Considerações gerais Nas últimas décadas, o sindicalismo mundial atravessou momento difícil, principalmente
  • 37.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 38 de 323 devido à queda no número de trabalhadores sindicalizados, o que gerou o debilitamento do poder sindical e a necessidade de repensar sua forma de atuação. Nos países latino-americanos em geral, observa-se o mesmo: o debilitamento do movimento sindical, devido não apenas ao impacto do autoritarismo político dos governos militares, mas também às seqüelas deixadas pela crise econômica dos anos 80. No caso do Brasil, pelo contrário, o movimento sindical parece haver renascido das cinzas e recobrado forças; expandiu-se na última década, a partir do término do regime militar, e incorporou a seus quadros setores sociais que até então não tinham participação de destaque, como os sindicatos rurais e os setores de classe média, principalmente médicos e docentes. Esse movimento, que surgiu a partir do ocaso do autoritarismo e demonstrou sua capacidade de mobilização, distingue-se consideravelmente do sindicalismo populista do período posterior à Segunda Guerra. O sindicalismo populista tinha sua base de sustentação em uma complexa teia de alianças entre dirigentes sindicais, autoridades governamentais e líderes nacionalistas e/ou populistas. O movimento recente apóia-se em três eixos: trabalhadores da indústria de ponta (automotiva, siderúrgica, etc.); profissionais liberais da área de saúde e educação; e agricultores. A presença deste último grupo tem significado importante se considerarmos que até 1960 simplesmente não existiam sindicatos rurais. Cerca de vinte anos depois, já existiam 8,3 milhões de sindicalizados no campo. Nesse contexto, levou-se adiante a idéia da criação de Centrais Sindicais e delineou-se a possibilidade do surgimento de um poder sindical com uma considerável capacidade de pressão. A evolução recente Com a Constituição de 1988, as federações de indústrias em quase todos os Estados brasileiros se dividiram em subsetores e, com isto, criou-se o espaço para a existência de mais de uma confederação em um mesmo setor. Ademais, as disposições estabelecidas na Constituição propiciaram a conformação de um sistema híbrido de relações de trabalho e de organização sindical, ao formular medidas de caráter liberal, como maior liberdade para a criação de novos sindicatos, o fim da subordinação ao Ministério do Trabalho e seu papel de árbitro, ao mesmo tempo em que foram mantidas outras, de inspiração corporativista, como o monopólio da representação, o sindicato único, a contribuição sindical e o poder normativo da Justiça do Trabalho. Dessa forma, no que se refere à estrutura corporativista, esta foi mantida, apesar dos esforços das correntes renovadoras. Manteve-se a distância que separava as entidades sindicais dos locais de trabalho e a pouca densidade da representação. Tanto a desconcentração como a descentralização, características básicas do modelo corporativista, continuaram a existir, dada a pluralidade de centrais e a permanência de sindicatos circunscritos às municipalidades. Atualmente, o quadro sindical brasileiro compõe-se de quatro centrais: CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, CGT (Central Geral dos Trabalhadores) e USI (União Sindical Independente). A CUT é a maior e mais ativa das centrais, tendo grande influência sobre os metalúrgicos da Grande São Paulo, os funcionários públicos, o pessoal das áreas de educação e saúde e os sindicatos rurais. É filiada à CIOSL (Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres) e diz contar com 8 milhões de afiliados. Sua maior rival é a Força Sindical, criada em 1991, cuja base de apoio se concentra no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e na Federação dos Trabalhadores em Alimentação, além de exercer certa influência sobre os eletricistas e comerciantes de São Paulo. A CGT vem enfrentando ultimamente fortes controvérsias internas, que dificultam o desenvolvimento de uma posição definida no plano nacional. Finalmente, há a USI que, apesar de ter sido fundada em 1985, não conseguiu se consolidar no espaço sindical, desempenhando um papel secundário nesse contexto. Quanto à sua atual estrutura, o sindicalismo brasileiro caracteriza-se por ser formado por sindicatos de base territorial por ramo de atividade, federações estaduais, interestaduais e
  • 38.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 39 de 323 nacionais, além de confederações nacionais. No que tange ao objetivo de sua atuação, o sindicalismo brasileiro tem sua ação limitada pela ausência do direito legal de organização nos locais de trabalho e pelo poder normativo exercido pela Justiça do Trabalho, que estabelece o que as partes devem fazer, encerrando, artificialmente, o marco do conflito. Apesar de não estarem excluídas as federações e confederações, a base das centrais compõe-se por filiações dos sindicatos locais, em nível municipal (às vezes incorporando dois ou três municípios). Aproximadamente 80% dos sindicatos do país não é filiado a nenhuma central e, em geral, tais sindicatos são organizações pequenas. A isto deve se acrescentar o fato de que os sindicatos brasileiros são regidos pelo princípio constitucional da unicidade sindical e se organizam por ramo/setor de produção e base territorial. No contexto atual, ao nível doméstico as centrais sindicais desempenham um papel que transcende aquele próprio de uma central, ampliando sua área de atuação e seus temas de interesse, agora guiado por um comportamento distinto daquele anteriormente observado. Percebe-se uma mudança na ação sindical (principalmente no que diz respeito à CUT), que deixa de lado o posicionamento de estrita oposição e parte em busca do diálogo tanto com o governo como com os setores empresariais. Um exemplo dessa mudança pode ser encontrado na própria formação das Câmaras Setoriais, cujo marco de referência nas negociações de caráter tripartite (governo-empresários-sindicatos) é o Acordo Automotivo. No campo externo, esse novo tipo de comportamento traduz-se em um posicionamento distinto em relação ao processo do Mercosul. Passou-se de uma postura de total oposição à participação formal para outra de inserção no espírito do Mercosul, no qual as centrais apresentam agendas de propostas positivas durante as reuniões. Essa mudança de atitude é conseqüência de uma percepção de que o processo de integração propicia um contexto de liberalização comercial que, somada à abertura econômica, traria uma série de novos desafios aos trabalhadores, para os quais as antigas respostas não são adequadas. Esse quadro de novos desafios gerou a necessidade de atuar de maneira participativa no Mercosul. Nesse contexto, as Centrais Sindicais passaram a promover o diálogo e a levar suas propostas ao atual Subgrupo de Trabalho nº 10 (antes SGT-11), que se dedica ao tema do trabalho no âmbito do Grupo Mercado Comum (GMC) no Mercosul. (notíciário) 12/02/2010 Manchete: Brasil terá Maior Criação de Empregos do Mundo Resumo: A bandeira atual ostentada por Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, é a recuperação econômica do país ante a crise financeira mundial. Portanto, o líder máximo da nação pede que o ritmo de desenvolvimento nesse âmbito seja mantido para que supere os bons resultados conquistados ao final de 2009. O discurso teve como base, além dos dados econômicos, as informações de geração de emprego para este ano. Guido Mantega, ministro da Fazenda, descreveu que os empresários participantes do Fórum de Davos, na Suíça, acreditam que o Brasil será o local com a maior criação de postos de trabalho em todo o planeta. Para Mantega, que teve discurso relatado pelo Portal de Economia do Estadão, os problemas encontrados pelos Estados Unidos e pela Europa não pertencem à realidade brasileira. Nesses locais, segundo ele, há crescimento mas muita dívida pública, além dos próprios índices de desemprego, que não são lá tão baixos.
  • 39.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 40 de 323 12/02/2010 Manchete: Medida Provisória – Lula cria MP para Retaliação de Comércio com Países Resumo: O Congresso Nacional recebeu, em 11 fevereiro, uma Medida Provisória (MP) de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil. O documento tem por finalidade criar um instrumento jurídico para abrir a possibilidade de o país empregar represálias e medidas repressivas econômicas na área de propriedade intelectual a outras nações. De acordo com o portal de notícias G1, o país só tem, por enquanto, uma lei que permite retaliações por meio de produtos. Para o Ministério das Relações Exteriores, esse novo instrumento já pode ser adotado, por exemplo, em retaliação ao governo dos Estados Unidos no caso dos subsídios ilegais fornecidos aos produtores de algodão norte-americanos. Juntamente à Organização Mundial do Comércio, ou OMC, o Brasil conquistou o direito de retaliar os EUA e apregoar essa lista de bens e, a partir deste momento em diante, de propriedades intelectuais. 12/02/2010 Manchete: Governo Lula teve Menor Período de Recessão Resumo: Um levantamento e avaliação feitos pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) revela que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, foi o que assinalou o período de maior expansão econômica, num intervalo estimado entre junho de 2003 e julho de 2008. O Codace, grupo de sete acadêmicos renomados, com Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, revela, também, que o governo de Lula foi o que apresentou o menor período de recessão das últimas três décadas, num período compreendido entre julho de 2008 e janeiro de 2009. Segundo o Portal de Economia do Estadão, com base no Codace, desde 1980 aconteceram cinco recessões – a maior delas perdurou durante 16 meses, entre outubro de 1997 e fevereiro de 1999. Na época mencionada, crises internacionais e a perda da confiança de investidores estrangeiros ante o Brasil colaboraram para a fuga de capitais em grande massa e a queda íngreme de reservas internacionais. 10/02/2010 Manchete: Paulo Barreto é empossado novo Ministro da Justiça. Resumo: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva empossou Luiz Paulo Barreto em uma solenidade fechada no CCBB O presidente Luiz Inácio Lula da Silva empossou hoje (10/02) o novo ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, em uma solenidade fechada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Em discurso transmitido pelo sistema de som da sede provisória da Presidência da República, Lula disse ter total confiança em Barreto e que ele conseguirá dar 'conta do recado'. 'Quanto mais trabalho e menos bochincho, nós ganhamos com isso', afirmou o presidente. Lula disse esperar que Barreto continue o trabalho de Tarso Genro, que sai do cargo para se candidatar ao governo do Rio Grande do Sul. Lula elogiou, em especial, as ações de Tarso voltadas para a Polícia Federal (PF). 'Houve melhoria substancial nos salários do ministério. Na Polícia Federal, houve não apenas o reconhecimento do trabalho da instituição, mas uma recomposição salarial e um aumento do efetivo, substancial, que mostra a importância da PF.
  • 40.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 41 de 323 Para o presidente, Tarso foi 'ousado e impetuoso' no ministério, dando 'estabilidade à instituição'. E sobre o novo titular da pasta, lembrou que ele é concursado há 26 anos 'conhece a máquina por dentro, é amigo de todo mundo, conhece todo mundo e não tem como a gente não confiar num homem de carreira do Ministério da Justiça' Melhora O presidente disse que optou por preencher as vagas de ministros por secretários-executivos porque eles já conhecem a estrutura da máquina. Segundo ele, a colocação de um novo ministro de fora da pasta implicaria em novo gabinete e novas contratações, e o ministério só voltaria a funcionar no fim do governo. Lula aproveitou para dizer que em todas as áreas está conseguindo fazer uma gestão melhor no segundo mandato do que no primeiro. Citou como exemplo o Ministério da Justiça. Ainda de acordo com ele, a saída de um ministro é sempre um momento difícil, mas é mais sofrida quando o ministro não quer sair do governo, obrigando o presidente a demiti-lo. 'O momento duro é quando cabe ao presidente tirar o ministro e ele acha que ainda não é hora de sair. 09/02/2010 Manchete: Irã inicia enriquecimento de urânio a 20%. Resumo: Cientistas iranianos iniciaram nesta terça-feira o processo de enriquecimento de urânio a 20% na usina nuclear de Natanz, na região central do país, informou a televisão estatal. O processo teve início no começo da manhã na presença de inspetores internacionais, explicou a emissora oficial em árabe Alalam. O Irã já processa urânio para enriquecê-lo até 20% em Natanz na presença de inspetores internacionais, declarou uma fonte do organismo iraniano de energia atômica citada pelo canal televisivo. A decisão do Irã de enriquecer urânio a 20% anunciada no domingo passado pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, após meses de infrutíferas negociações com países do Ocidente, multiplicaram as suspeitas sobre o programa nuclear do Irã. Países como Estados Unidos, Israel, França, Alemanha e Reino Unido acusam Teerã de esconder um projeto de natureza clandestina e aplicações bélicas cujo objetivo seria a aquisição de um arsenal nuclear, o que o Irã desmente. O conflito se agravou no final do ano passado depois que Teerã rejeitou uma proposta de Washington, Paris e Moscou para enviar seu urânio a 3,5% ao exterior e recuperá-lo depois enriquecido a 20%, nas condições necessárias para manter seu reator nuclear civil na capital em operação. O Irã afirma ser a favor da troca, mas exige que esta se produza em seu território e se faça de maneira escalonada, condições que a outra parte não aceita. As autoridades iranianas afirmam que precisam de 120 kg de urânio enriquecido para manter o reator em operação e exigiu isso da Agência Internacional de Energia Atômica, como é direito do Irã por ser signatária do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Segundo as autoridades iranianas, o reator do país foi criado para produzir isótopos para o tratamento de câncer. 06/12/2009 Manchete: Escândalo de corrupção abala Brasília
  • 41.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 42 de 323 Resumo: Um dos vídeos mostra o governador de Brasília, José Roberto Arruda, a receber uma grande quantidade de dinheiro. Noutro, o presidente da câmara da capital brasileira guarda o suborno nos bolsos das calças, mas também nas meias. Num terceiro, dos muitos que foram divulgados pela imprensa, os aliados do governador são filmados a rezar depois de receberem mais um pagamento. O último escândalo de corrupção que abala o Brasil está centrado em Brasília. O governador Arruda, do Partido Democrata (oposição), é acusado de ter pago a sua campanha de 2006 com subornos. Além disso, seria um dos líderes de um esquema de pagamento de propina, como lhe chamam os brasileiros, a deputados aliados. O caso está a chocar Brasília e o Parlamento estadual foi invadido por um grupo de estudantes que exigem a demissão do governador. Tudo filmado graças a Durval Barbosa, o antigo secretário de Relações Institucionais de Arruda, que aceitou ajudar a polícia em troca de uma futura redução da pena. Sob Barbosa, que não só colocou câmaras ocultas como usou microfones, recaem mais de 30 acusações. O governador, que reclama inocência e diz que declarou o dinheiro todo (que serviria para comprar prendas para os pobres), acusa o antigo secretário de o querer destruir. Barbosa já trabalhava com o anterior governador. O escândalo veio a público no dia 27 de Novembro, com o desenrolar da operação Caixa de Pandora. Foram cumpridos 29 mandatos de buscas e apreendidos milhares de reais e dólares. O secretário foi despedido no próprio dia. O caso foi ganhando mais dimensão com a divulgação dos vídeos que provam os casos de suborno. O dinheiro vinha das empresas que prestam serviços ao governo do Distrito Federal (Brasília). O caso é deplorável para a classe política, afirmou o Presidente Lula da Silva. Segundo os analistas políticos, citados pela BBC, o caso que está a ser conhecido como O mensalão de Brasília - numa referência ao outro escândalo de corrupção que abalou o primeiro mandato de Lula - deixa em xeque o Partido Democrata. A direcção do partido, que espera designar o candidato a vice-presidente na equipa encabeçada pelo Partido da Social Democracia Brasileira em 2010, está a analisar uma eventual expulsão de Arruda. Entretanto, no Parlamento estadual, deram entrada vários pedidos de impeachment (afastamento) do governador. Resta saber se terão resultado. Centenas de pessoas, na sua maioria estudantes que invadiram o Parlamento na quarta-feira, continuam a ocupar o espaço, dizendo que só saem depois de Arruda ser expulso. 06/12/2009 Manchete: Eleições 2010 Resumo: Ainda faltam alguns meses para as eleições 2010 e os brasileiros definirem quais serão os novos Deputados Estaduais e Federais, Senadores, Governadores e Presidente da República. Mesmo assim, o debate sobre as eleições 2010 estão a todo o vapor, principalmente no que diz respeito a sucessão presidencial. Oposição Para o atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição só está pensando nas eleições 2010. Segundo ele, a sede de voltar ao poder é tanta que há muito tempo os opositores já arquitetam a retomada do cargo majoritário do Brasil. Várias discussões já começaram sobre o novo processo eleitoral, entre elas sobre como será a regulamentação das eleições 2010 pela internet, sobre quais serão os candidatos e as pesquisas de opinião pululam por todos os lugares. Sobre a regulamentação da campanha na internet, fica liberado para os internautas poderem expressar suas opiniões livremente em blogs, sites de relacionamento e de mensagens instantâneas. Para os candidatos das eleições 2010, a internet fica liberada para divulgação de projetos. Já os sites que são mantidos por empresas de comunicação precisam obedecer
  • 42.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 43 de 323 às regras das eleições da TV e do rádio. Candidata do PT Está quase certo que o PT colocará Dilma Roussef como candidata para substituir Lula na presidência. Apesar de essa não ser a versão oficial do partido, isso está sendo avaliado há meses pelos analistas políticos e Lula, que, apesar de tentar, não consegue convencer ninguém de que isso não acontecerá. A Ministra-chefe da Casa Cívil pode se tornar a primeira mulher a governar o Brasil. Mas a disputa nas eleições 2010 não vai ser fácil. Candidatos da oposição A oposição, representada por PSDB e DEM, ainda não tem candidato fixo para as eleições 2010. Espera-se que o PSDB lance candidato à presidência e que o DEM siga como vice. Essa atitude aumenta a força dos partidos e da própria oposição. Dentre os possíveis candidatos do PSDB à presidência nas eleições 2010, estão José Serra (SP) e Aécio Neves (MG). O candidato mineiro tem força naquele estado e é figura consistente dentro do partido. O problema é que o Brasil de uma maneira geral ainda não o conhece. Nesse ponto, sai na frente José Serra. Ele já disputou campanha presidencial, perdendo para Lula. Mas isso ajudou e fez com que ele fosse conhecido por todo o país. E nas pesquisas de opinião, Serra sai bem na frente de Aécio. Outros partidos menores prometem lançar candidatos para as eleições 2010. O Partido Verde contou, recentemente, com uma nova integrante para reforçar a sua base política. Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, saiu do PT e foi para o PV. E este partido está prometendo lançá-la como candidata à presidência. 05/02/2010 Manchete: Brasil deve adquirir Caças Rafale para FAB Resumo: Alguns setores deste país não entram em consenso há muito tempo. Desde o ano passado, há um debate para decidir se os caças adotados pela Força Aérea Brasileira serão de origem francesa, sueca ou norte-americana. Ao que tudo indica, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, já tem seu parecer: os Rafale, da França. Entretanto, segundo o Portal de Economia do Estadão, o Comando da Aeronática assegurou que não recebeu qualquer tipo de comunicação oficial sobre qual companhia obteve sucesso e fornecerá aviões para a FAB. A Nelson Jobim, ministro da Defesa, e – novamente – a Lula, não há mais dúvidas, pois os franceses reduziram o preço de seus caças, o que propiciou tal decisão. Por outro lado, diversas fontes apontam que o preço dos caças Rafale são superior às ofertas suecas e norte-americana. Nas entrelinhas, conforme já veiculado há algum tempo neste espaço, há interesses políticos em jogo, visto que a amizade entre Lula e Nicolas Sarkozy extrapola os âmbitos políticos. 01/02/2010 Manchete: Presidente Lula Recebe Prêmio em Davos (Suíça) Resumo: Desfechando diversos meses de inúmeras conquistas, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, recebeu o título de Estadista Global no Fórum realizado em Davos, na Suíça. No entanto, a liderança brasileira não pode receber a honra em mãos porque ficou em nosso país para cuidar de uma crise de hipertensão. Segundo o Portal de Economia UOL, com base em notícia veiculada pela agência AFP, é a primeira vez na história que o prêmio é entregue a um homem de Estado. É a primeira vez, também, que uma terceira pessoa lê um discurso em Davos – na ocasião, quem o executou foi o chanceler Celso Amorim.
  • 43.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 44 de 323 Curiosamente, há sete anos, conforme apregoado pelo portal UOL e por diversos veículos de comunicação em 29 de janeiro, o Fórum Davos olhava com desconfiança os discursos de Lula, esquerdista, sem curso superior e um ex-operário, que assegurava aos investidores que o Brasil era um ótimo local para ingressarem. 25/01/2010 Manchete: Lei do Inquilinato entra em vigor hoje e facilita ação de despejo por inadimplência. Os contratos de locação de imóveis passam a ter novas regras a partir desta segunda-feira, quando entra em vigor a Lei do Inquilinato. A nova legislação tornou mais ágil o processo de despejo de inquilinos inadimplentes e exigirá um rigor maior no pagamento do aluguel. Resumo: Pelas regras antigas, uma ação de despejo durava até 14 meses. Agora, os proprietários de imóveis poderão obter uma liminar em 15 dias com autorização de remoção de inquilinos inadimplentes, desde que eles não possuam fiador ou seguro-fiança. “A nova lei equilibrou a relação entre locador e locatário. Com a facilidade do despejo, a tendência é que os contratos de aluguel passem a ser cumpridos com rigor”, afirma Jaques Bushatsky, diretor de legislação do inquilinato do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). A expectativa dele é que a nova lei atraia mais investidores para a locação de imóveis. Hoje muitas pessoas deixam de investir no setor para evitar problemas com inquilinos inadimplentes, segundo Bushatsky. A mudança na lei também deve deixar os contratos de aluguel menos burocráticos. “A tendência é que os proprietários deixem de exigir fiador ou seguro-fiança porque sabem que agora é possível despejar inquilinos inadimplentes em pouco tempo.” Os lojistas terão que se adaptar às novas regras para não correr o risco de perder seu ponto de venda por atrasos no pagamento do aluguel. “Até mesmo os bons pagadores enfrentam problemas financeiros e podem atrasar o aluguel para priorizar outras contas, como o salário dos funcionários. Mas com a nova lei, a tendência é que o aluguel ganhe prioridade em relação a outras contas”, afirma Luís Augusto Ildefonso da Silva, diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Apesar de impor mais rigor ao contrato de locação, o setor de varejo ficou satisfeito com as novas regras. Os lojistas temiam que a lei fosse aprovada na íntegra, mas artigos que estabeleciam mudanças mais radicais foram vetados pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. “A proposta original trazia mudanças muito nocivas aos lojistas. Mas esses artigos foram vetados e a versão final da lei não traz alterações tão drásticas”, afirma Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Um dos artigos vetados por Lula, por exemplo, permitia ao proprietário obter liminar para retomar o imóvel em 15 dias no caso de receber uma proposta de aluguel com valor maior. 25 /01/2010 Manchete: Aliado de Saddam, Ali, o Químico é executado no Iraque. Resumo: Ali Hassan al-Majid, mais conhecido como Ali o Químico, condenado a morte quatro vezes, uma delas pelo massacre de 5 mil curdos em 1988, foi executado nesta segunda-feira, anunciou o porta-voz do governo iraquiano, Ali Dabbagh. O réu Ali Hassan al-Majid foi executado por enforcamento hoje, conforme a lei e a Constituição, devido aos assassinatos e crimes contra a humanidade cometidos, anunciou o porta-voz em comunicado. Dabbagh afirmou que a execução do primo de Saddam Hussein transcorreu sem nenhum tumulto, nem gritos de alegria nem insultos.
  • 44.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 45 de 323 No dia 17 de janeiro, Ali o Químico foi, pela quarta vez, condenado à morte, pelo massacre de 5 mil curdos em 1988, uma decisão saudada como uma vitória e recebida com uma explosão de alegria no Curdistão. Primo de Saddam Hussein, ele foi o temido braço direito do ex-ditador durante 35 anos, disposto a tudo para esmagar qualquer tentativa de rebelião no país. Agente de ligação militar até o golpe de Estado que levou o partido Baath ao poder em 1968, Majid recebeu o apelido de Ali o Químico por ter ordenado em 1988 o bombardeio com gás da cidade curda de Halabja, matando milhares de homens, mulheres e crianças. 22/01/2010 Manchete: Morales toma posse para segundo mandato presidencial na Bolívia. O presidente da Bolívia, Evo Morales, tomou posse nesta sexta-feira para um segundo mandato, até 2015, em cerimônia realizada na sede da Assembleia Legislativa, agora denominada, também, Plurinacional. Morales prestou o juramento - com o punho esquerdo levantado e o braço direito no coração - pela pátria e pelo povo, depois de ter sido eleito em dezembro passado com 64% dos votos. Morales recebeu das mãos do presidente da Assembleia Legislativa, Alvaro García, também vice-presidente da Bolívia, os símbolos pátrios: um medalhão e a faixa presidencial que, pela primeira vez, desde 1825, apresenta junto ao escudo nacional uma bandeira whipala, símbolo dos povos indígenas. 10/01/2010 Manchete: Israel anuncia construção de barreira na fronteira com Egito. Resumo: O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aprovou neste domingo planos de construir uma barreira ao longo de parte da fronteira com o Egito e instalar equipamentos avançados de vigilância para impedir a entrada de imigrantes ilegais e militantes. Eu tomei a decisão de fechar a fronteira sul de Israel aos terroristas e intrusos. É uma decisão estratégica para assegurar o caráter judaico e democrático de Israel, disse Netanyahu em um comunicado. Milhares de africanos e outros imigrantes entraram em Israel por meio da fronteira com o Egito nos últimos anos fugindo de conflitos ou em busca de uma vida melhor no Estado judeu Netanyahu disse que Israel continuaria recebendo refugiados de zonas de conflitos, mas que não podemos permitir que dezenas de milhares de trabalhadores ilegais entrem em Israel através da fronteira do sul e inundem nosso país com imigrantes ilegais. O projeto custará US$ 270 milhões e levará dois anos para ser concluído. 06/12/2009 Manchete: Escândalo de corrupção abala Brasília Resumo: Um dos vídeos mostra o governador de Brasília, José Roberto Arruda, a receber uma grande quantidade de dinheiro. Noutro, o presidente da câmara da capital brasileira guarda o suborno nos bolsos das calças, mas também nas meias. Num terceiro, dos muitos que foram divulgados pela imprensa, os aliados do governador são filmados a rezar depois de receberem mais um pagamento. O último escândalo de corrupção que abala o Brasil está centrado em Brasília. O governador Arruda, do Partido Democrata (oposição), é acusado de ter pago a sua campanha de 2006 com subornos. Além disso, seria um dos líderes de um esquema de pagamento de propina, como lhe chamam os brasileiros, a deputados aliados. O caso está a chocar Brasília e o
  • 45.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 46 de 323 Parlamento estadual foi invadido por um grupo de estudantes que exigem a demissão do governador. Tudo filmado graças a Durval Barbosa, o antigo secretário de Relações Institucionais de Arruda, que aceitou ajudar a polícia em troca de uma futura redução da pena. Sob Barbosa, que não só colocou câmaras ocultas como usou microfones, recaem mais de 30 acusações. O governador, que reclama inocência e diz que declarou o dinheiro todo (que serviria para comprar prendas para os pobres), acusa o antigo secretário de o querer destruir. Barbosa já trabalhava com o anterior governador. O escândalo veio a público no dia 27 de Novembro, com o desenrolar da operação Caixa de Pandora. Foram cumpridos 29 mandatos de buscas e apreendidos milhares de reais e dólares. O secretário foi despedido no próprio dia. O caso foi ganhando mais dimensão com a divulgação dos vídeos que provam os casos de suborno. O dinheiro vinha das empresas que prestam serviços ao governo do Distrito Federal (Brasília). O caso é deplorável para a classe política, afirmou o Presidente Lula da Silva. Segundo os analistas políticos, citados pela BBC, o caso que está a ser conhecido como O mensalão de Brasília - numa referência ao outro escândalo de corrupção que abalou o primeiro mandato de Lula - deixa em xeque o Partido Democrata. A direcção do partido, que espera designar o candidato a vice-presidente na equipa encabeçada pelo Partido da Social Democracia Brasileira em 2010, está a analisar uma eventual expulsão de Arruda. Entretanto, no Parlamento estadual, deram entrada vários pedidos de impeachment (afastamento) do governador. Resta saber se terão resultado. Centenas de pessoas, na sua maioria estudantes que invadiram o Parlamento na quarta-feira, continuam a ocupar o espaço, dizendo que só saem depois de Arruda ser expulso. 11/11/2009 Manchete: 20 anos da queda do muro de Berlim. Resumo: No dia 9 de novembro de 1989, depois de terem ouvido pelo rádio um confuso comunicado das autoridades comunistas sobre a possibilidade dos cidadãos da Alemanha Oriental terem, naquele momento mesmo, o direito de poderem viajar para o Ocidente, uma massa de gente começou a se amontoar em frente às cancelas que davam passagem pelo muro. Assim, espontaneamente, deram os primeiros passos para pôr fim à existência daquele paredão medonho que separava os alemães em dois corpos distintos, numa hostilidade que apartava a humanidade inteira em duas facções inimigas. Anoitecia em Berlim. A concentração humana foi se dando aos poucos. Era uma daquelas tardes-noite gélidas de novembro, mas a exaltação dos que se apinhavam nas cancelas da fronteira da cidade dividida fez com que se esquecessem de tudo, do frio e do medo. O grande muro de mais de três metros de altura que os separava do mundo, cinzento, farpado, horroroso, se estendia para todos os lados formando um cinturão de mais de 45 km de extensão (sendo que 37 deles dentro da zona residencial). Era a última noite dele ainda inteiro. Os gritos começaram. O coro aumentava, o refrão era cada vez mais forte: Wir sind das Volk! Wir sind das Volk! (Nós somos o povo!). O longo cativeiro deles estava por terminar. Os guardas orientais, os outrora tão temidos Vopos, perplexos, embaraçavam-se perante a multidão. Entravam nas guaritas e, em telefonemas desesperados, aflitos, pediam instruções. Os seus superiores sumiram; os comunistas se volatilizaram. Do outro lado do muro, em Berlim Ocidental, uma outra massa de gente que para lá acorrera gritava para que erguessem as cancelas. Que deixassem os do Leste sair. E assim se deu. Naquela noite de 9 de novembro de 1989, entre os abraços e vivas de irmãos desencontrados, a Alemanha voltava a ser uma só.
  • 46.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 47 de 323 Assistiu-se nas cercanias do Portão de Brandeburgo um duplo fenômeno, pois a reunificação alemã sepultou a Guerra Fria. Uma encerrou a outra. As desavenças em torno da posse da Alemanha provocaram o confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética. O consenso entre Reagan e Gorbachev em desocupá-la encerrou-o. A luta pelo controle dela, da Alemanha, atou e desatou o nó da Guerra Fria. Irmanando-se em abraços e lágrimas nas brechas já abertas do muro - aquela altura assaltado por centenas de picaretas e martelos -, sem que ninguém tivesse ordenado, era a gente simples da cidade de Berlim que, no final das contas, pôs fim naquilo tudo. Seguiam apenas os seus sentimentos mais profundos em favor da reconstrução da unidade nacional perdida em 1945. Nenhum titã os guiava, sequer um metido a salvador da pátria arengava para eles. Não estavam armados nem furiosos, apenas davam vazão, felicíssimos, à embriagadora sensação de estarem juntos e livres novamente, talvez lembrando Nietzsche no Zaratustra, que dizia: Todo o preso enlouquece! Também loucamente se liberta a vontade cativa. 22/09/2009 Manchete: Crise política em Honduras. Resumo: O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltou ao país ontem após quase três meses do golpe militar que o tirou do poder, em 28 de junho, e se refugiou na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Ele pediu apoio à população para evitar ser preso pelo governo de Roberto Michelletti, que o acusa de corrupção. A origem da crise está na tentativa de Zelaya em estabelecer uma consulta popular sobre a reeleição no próximo pleito do país, que será realizado no dia 29 de novembro. Na oportunidade serão eleitos o presidente, congressistas e lideranças municipais. O objetivo do presidente deposto é mudar a Constituição para ter a oportunidade de permanecer no cargo. O ato de Zelaya foi o estopim para o golpe. O líder foi obrigado a deixar o país rumo à Costa Rica e foi substituído pelo presidente do Congresso, Roberto Michelletti, que teve apoio de setores conservadores. O ato foi imediatamente condenado pelas Nações Unidas (ONU) e pela comunidade internacional, liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A Organização dos Estados Americanos (OEA) não reconheceu o governo de Michelletti e muitos fundos de ajuda econômica ao país, um dos mais pobres do mundo, foram suspensos. Enquanto nas ruas os apoiadores de Zelaya entravam em confronto com as forças policiais, o presidente deposto buscava apoio internacional para voltar ao país. No entanto, as negociações lideradas pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, fracassaram, e Zelaya seguiu exilado. Em sua última tentativa de entrar no país, pela fronteira da Nicarágua, no dia 24 de julho, o líder deposto foi barrado pelo exército de Michelletti. O atual governo confirmou as eleições do dia 29, mas não aceita que Zelaya concorra. 22/09/2009 Manchete: Lei que obriga hino nacional em escolas vale a partir desta 3ª. Resumo: A lei que obriga a execução do hino nacional uma vez por semana nas escolas públicas e particulares de ensino fundamental está no Diário Oficial da União desta terça-feira. De autoria do deputado federal Lincoln Portela (PR-MG), a lei foi sancionada na segunda-feira pelo presidente em exercício José Alencar e passa a valer a partir desta terça-feira. Data: 06/07/2009
  • 47.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 48 de 323 Manchete: Morre Robert McNamara, o arquiteto da guerra do Vietnã. Resumo: O ex-secretário de Defesa ameriano, Robert McNamara, que atuou no cargo sob a presidência de John F. Kennedy e Lyndon Johnson, e foi um dos principais estrategistas na Guerra do Vietnã, morreu nesta segunda-feira aos 93 anos, informou o jornal The Washington Post. Data: 28/06/2009 Manchete: Crise em Honduras. Resumo: A crise política em Honduras que levou à detenção e ao exílio do presidente Manuel Zelaya pelo Exército do país, neste domingo, teve origem num enfrentamento do mandatário com os outros poderes estabelecidos do país: o Congresso, o Exército e o Judiciário. - Qual a origem da crise O presidente Manuel Zelaya queria que as eleições gerais de 29 de novembro - quando seriam eleitos o presidente, congressistas e lideranças municipais - tivesse mais uma consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Constituição do país. Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se convocasse uma Assembleia Constituinte para reformar a Carta Magna. Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção é mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição. - O que se planejava para este domingo Seria uma consulta sobre a consulta. Os eleitores teriam que responder sim ou não à seguinte pergunta: Está de acordo com que nas eleições gerais de novembro de 2009 se instale uma quarta urna para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte que aprove uma nova Constituição política?. - O que decidiu o Congresso sobre a consulta de domingo O Congresso hondurenho aprovou uma nova lei que regulamenta os referendos e os plebiscitos e invalida juridicamente a consulta. A nova legislação impede a realização de consultas 180 dias antes e depois das eleições gerais. O presidente do Congresso, Roberto Micheletti, que é do mesmo partido que Zelaya, o Partido Liberal, afirmou que a consulta não teria validade jurídica e que pela atual Constituição ela seria considerada um delito. A proposta de Zelaya era rechaçada por Micheletti, que afirma que o presidente pretendia se perpetuar no poder. - Zelaya pretendia se lançar candidato à reeleição O mandato de Zelaya terminaria em janeiro de 2010, e a atual Constituição veta a reeleição do presidente. Zelaya, que foi eleito em 2005, negou que pretendesse continuar no poder além dos quatro anos para os quais foi eleito. Segundo ele, uma eventual mudança constitucional seria válida apenas para seus sucessores. - Qual a posição do Exército? Zelaya destituiu o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, o general Romeo Vázquez, que havia se negado a apoiar a logística para a consulta deste domingo, declarada ilegal pelo Congresso. Após a demissão de Vázquez, o ministro da Defesa, Ángel Edmundo Orellana, e outros comandantes militares também renunciaram.
  • 48.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 49 de 323 Porém a remoção de Vázquez ordenada por Zelaya foi revertida na sexta-feira pela Suprema Corte de Justiça, que aceitou dois recursos contra a decisão do presidente. O Exército mobilizou na sexta-feira efetivos para prevenir possíveis distúrbios por parte de organizações populares e indígenas, que apoiam Zelaya. Data: 01/06/2009 Manchete: Obama eleva o tom contra Teerã e condena repressão de opositores. Resumo: Líder americano abandona posição de cautela mantida até agora e faz sua mais dura crítica ao regime islâmico Barack Obama endureceu ontem o discurso contra o Irã ao afirmar que o mundo está chocado e indignado com as agressões contra manifestantes. O presidente americano disse também que muitos iranianos consideram ilegítima a eleição do dia 12, que deu vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad. Foi a retórica mais dura adotada por Obama desde a eleição. Ele negou que estivesse se rendendo a pressões dos republicanos do Congresso, que têm criticado a posição tímida da Casa Branca no caso. A retórica de Obama vem se tornando mais inflamada nos últimos dez dias, na medida em que as mortes se acumulam em Teerã. Logo após a eleição, Obama limitou-se a dizer que estava animado com as demonstrações democráticas no país. Poucos dias depois, disse-se preocupado com as agressões a manifestantes. Ontem, partiu para a condenação explícita: Os EUA e a comunidade internacional estão chocados e indignados com as ameaças, espancamentos e prisões dos últimos dias; condeno fortemente essas medidas injustas, e, juntamente com o povo americano, estou de luto pelas vidas inocentes perdidas. Apesar de condenar a repressão do governo iraniano aos manifestantes, Obama evitou dizer diretamente que as eleições foram fraudadas. Uma porcentagem considerável da população iraniana considera essa eleição ilegítima; há questões significativas sobre a legitimidade da eleição, ele afirmou. Obama afirmou que o vídeo divulgado pela internet mostrando a morte de Neda Agha-Soltan, uma manifestante de 27 anos, era muito doloroso, de cortar o coração. Qualquer um que assiste a esse vídeo sabe que existe algo fundamentalmente injusto. O endurecimento da retórica complica o plano de Obama de abrir um canal diplomático com o Irã para negociar a suspensão do programa nuclear do país. O governo iraniano já acusa EUA e Grã-Bretanha de tentarem interferir no processo eleitoral. Ao justificar a retórica mais branda, Obama disse que não queria ver os EUA serem usados como instrumento para o Irã justificar suas ações. Segundo ele, as insinuações de que os EUA instigaram as manifestações são patentemente falsas e absurdas. Indagado se havia subido o tom das críticas por pressão de legisladores como o senador John McCain, Obama reagiu: Entendo que o senador McCain tenha uma paixão genuína por política externa, mas sou o único presidente do país e cumprirei meus deveres da maneira que acho apropriada. O Departamento de Estado havia anunciado que, como forma de se aproximar do Irã, iria abrir todas as suas embaixadas no mundo para diplomatas iranianos comerem hot-dog nas festas de 4 de julho, independência dos EUA. Data: 25/05/2009 Manchete: Otan condena Coréia do Norte por ação irresponsável. Resumo: A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) condenou nesta segunda fortemente os testes nuclear e de mísseis feitos pela Coréia do Norte, que qualificou de ações irresponsáveis e de um desafio a paz, segurança e estabilidade da região
  • 49.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 50 de 323 Ásia-Pacífico. A Aliança Atlântica destacou também, em comunicado, que os testes estão sendo universalmente condenados pela comunidade internacional. Segundo os países aliados, a ação provocativa de Pyongyang acontece em um período em que a comunidade internacional está debatendo seriamente importantes novos passos no controle de armas globais, no desarmamento e na não-proliferação. Assim, mais uma vez a Aliança Atlântica pede às autoridades norte-coreanas que cumpram suas obrigações internacionais e que ponham em prática todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU relevantes. Também solicita que a Coréia do Norte elimine suas armas nucleares e programas relacionados de forma total, verificável e irreversível. Igualmente, o Conselho Atlântico faz uma chamada a Pyongyang para que abra mão de qualquer outra ação que possa contribuir para aumentar as tensões, e para que retome o diálogo. O diálogo, que tem participação das duas Coréias, Rússia, China, Estados Unidos e Japão, começou em 2003 com o objetivo de conseguir o desarmamento da Coréia do Norte. Por último, a Aliança Atlântica assegurou que continuará um cuidadoso acompanhamento da situação com grande preocupação. 11/05/2009 Manchete: Sendero Luminoso. Resumo: O ressurgimento do grupo que espalhou o terror pelo Peru nos anos 80 e 90 ameaça desatar um novo conflito em algumas regiões do país. Fortalecidos pela associação com o narcotráfico, remanescentes da guerrilha Sendero Luminoso voltaram a agir principalmente no Vale dos Rios Apurimac e Ene - conhecido como VRAE . Seu objetivo não é mais substituir as instituições burguesas por um regime comunista camponês, como no passado. Nos últimos meses, porém, seus líderes estão tentando revalorizar o componente ideológico do grupo para dar ares de guerra popular ao que hoje não passa de uma luta pelas rotas da droga. O nome da operação que o governo peruano pôs em prática para combater o novo Sendero no VRAE é Excelência 777. Trata-se da maior operação militar da última década no Peru. Ela começou em agosto, mas nos últimos meses ficou clara a necessidade de mais investimentos. Desde janeiro, 32 militares já morreram em 11 emboscadas na região. Na sexta-feira, no mais recente ataque, dois militares foram mortos por senderistas nas selvas do Peru. O chefe do Exército, Otto Guibovich, admitiu que o número de integrantes do Sendero pode chegar a 600 - o dobro do que as autoridades reconheciam até então. O Sendero Luminoso conseguiu mudar sua relação com a população e está avançando tanto que lembra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse Guibovich em abril. Não descarto que haja uma relação com esse grupo, as técnicas empregadas são muito parecidas. De inspiração maoista, na esteira da proliferações de guerrilhas na região durante a Guerra Fria, o Sendero ganhou fama como a mais feroz e sanguinária organização revolucionária da América Latina (mais informações nesta página). Chegou a ter 10 mil integrantes e foi responsável por mais de 35 mil mortes entre 1980 e 1999 - uma média de 5 assassinatos por d i a . TRANSFORMAÇÃO A história que o levou de uma guerrilha comunista fanática para um grupo dedicado ao
  • 50.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 51 de 323 narcotráfico, mapeada em investigações recentes, começou em julho de 1999, com a prisão do segundo líder do Sendero, Oscar Ramírez Durand, o Camarada Feliciano. De 1992 a 1999, Durand havia continuado a guerra contra o Exército e milícias paramilitares locais - desobedecendo ordens vindas da prisão pelo primeiro líder e fundador do grupo, Abimael Guzmán, o Gonzalo, para que firmasse a paz com o governo de Alberto Fujimori (1990-2000). Data: 18/04/2009 Manchete: TSE cassa mandato de Jackson Lago governador do Maranhão (PDT). Resumo: O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassou na quinta-feira (16) o mandato do governador do Maranhão Jackson Lago (PDT) e de seu vice, Luiz Carlos Porto (PPS), por abuso de poder político nas eleições de 2006. Desde então, Lago mostrava resistência em deixar o local. Hoje, pela manhã, durante protesto de manifestantes contra a cassação do pedetista, Lago anunciou que deixaria o Palácio. Ele discursou para cerca de mil pessoas, segundo sua assessoria. Os protestantes queimaram um boneco simbolizando a família Sarney. A peemedebista Roseana Sarney assumiu ontem o governo no lugar de Lago. Ela anunciou que ocupará o Palácio Henrique de La Rocque, que abriga algumas pastas municipais, até que o Palácio dos Leões passe por uma vistoria, segundo informou a assessoria de imprensa da governadora na manhã deste sábado. De acordo com o novo secretário de Comunicação do Maranhão, Sérgio Macedo, a governadora só deve ocupar o Palácio dos Leões na segunda-feira. Data: 13/04/2009 Manchete: Obama flexibiliza restrições e permite que teles operem em Cuba. Resumo: O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, determinou nesta segunda-feira que sua administração tome medidas para flexibilizar as restrições a viagens e remessas de dinheiro dos EUA para Cuba. O presidente ordenou que os secretários de Estado, Tesouro e Comércio tomem as medidas necessárias para suspender todas as restrições na capacidade de indivíduos em visitar familiares em Cuba e fazer remessas de dinheiro, disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, em uma coletiva de imprensa. Obama autorizou ainda que empresas de telecomunicações norte-americanas busquem licenças para operar na ilha cubana. Data: 07/04/2009 Manchete: Deputados aprovam projeto de lei antifumo em SP. Resumo: O Plenário da Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou, nesta noite, por 69 votos a 18, o Projeto de Lei 577/2008, de autoria do governador José Serra, que proíbe o fumo em locais fechados no Estado, como bares e restaurantes. O projeto seguirá para a sanção do governador. A Alesp aprovou três emendas ao projeto. Um dos destaques garante que a lei só entre em vigor 90 dias após a sanção, que deve ocorrer em 15 dias. As outras emendas tratam sobre a divulgação da legislação e quanto ao auxílio às pessoas que desejam parar de fumar. Vai ser importante para a saúde. É um projeto ousado e corajoso, e foi muito discutido com a população, afirmou o presidente da Alesp, Barros Munhoz (PSDB). Onde o fumo será proibido
  • 51.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 52 de 323 Diferente da Lei Federal 9.294/1996, que dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de tabaco, a lei paulista proíbe o fumo em todos espaços coletivos fechados e a existência de fumódromos. O texto também prevê punições ao proprietário de estabelecimento que não coibir o fumo. As penalidades ainda serão definidas. A lei autoriza os responsáveis por bares e restaurantes a acionar a polícia para retirar fumantes dos estabelecimentos em casos de resistência. O dono do bar ou restaurante ficará responsável por afixar avisos sobre a proibição do fumo no estabelecimento. O cigarro fica restrito à casa do fumante, às vias públicas e aos espaços ao ar livre. A lista de lugares permitidos inclui instituições de saúde em que os pacientes estejam autorizados a fumar pelo médico responsável, as tabacarias e os locais de cultos religiosos em que o fumo faça parte do ritual. Divergência Os líderes das bancadas do PT, PSDB e Psol na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp) divergiram sobre o projeto antifumo. Para o petista Rui Falcão, todos querem combater os malefícios do cigarro, a diferença é a maneira. Segundo ele, o partido apóia a lei, mas gostaria de ter tido aprovadas as emendas que sugeriu ao projeto. A principal delas determinava que fossem disponibilizados bares somente para fumantes e outros somente para não-fumantes. Falcão disse ainda que espera que as pessoas cobrem medidas efetivas do governo depois que a lei entrar em vigor. Espero que o governo também seja responsabilizado pela queda de atividade econômica que esse projeto pode acarretar, declarou. O líder do PSDB, Samuel Moreira, disse que o projeto mexe com a vida de toda a sociedade e trouxe bons debates à Assembléia paulista. Esse projeto tem o objetivo de melhorar os indicadores de saúde e tornar os ambientes melhores. Não se trata de proibir o cigarro, mas sim de garantir os direitos daqueles que não fumam, disse Moreira. Segundo ele, as pessoas não deixarão de freqüentar os locais porque estarão proibidas de fumar e não haverá redução da atividade econômica. Nos próximos anos, essa medida vai reduzir o número de fumantes de uma forma natural, sem autoritarismo, afirmou. O deputado Raul Marcelo, líder do Psol, concordou com a necessidade de emendas e salientou a importância do projeto para o interesse coletivo. Marcelo aproveitou para criticar a postura do PSDB que, segundo ele, auxiliou na implantação das grandes fabricantes de cigarros no Sul do País e, agora, se posicionou a favor da aprovação da lei antifumo no Estado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fumo passivo é a terceira causa evitável de mortes no mundo. Estudo realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que pelo menos sete indivíduos não-fumantes expostos involuntariamente à fumaça do tabaco morrem por dia no Brasil. Data: 03/04/2009 Manchete: Morre o jornalista e ex-deputado Marcio Moreira Alves. O jornalista e ex-deputado federal Marcio Moreira Alves morreu no início da noite desta sexta-feira, no Hospital Samaritano, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Moreira Alves tinha 72 anos e estava internado na unidade desde o mês passado, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). A causa da morte não foi divulgada. Resumo: Filho do ex-prefeito de Petrópolis Marcio de Mello Franco Alves, Marcio Emmanuel Moreira Alves nasceu no Rio de Janeiro, em 14 de julho de 1936. Começou no jornalismo aos 17 anos, como repórter do extinto Correio da Manhã, onde ganhou o Prêmio Esso de Reportagem de 1958.
  • 52.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 53 de 323 Deputado eleito em 1966, foi considerado o pivô da decretação do Ato Institucional Número 5 (AI-5) por ter discursado no dia 2 de setembro na Câmara dos Deputados contra o regime militar, pregando o boicote às comemorações do Dia da Independência, em 7 de setembro. A recusa do Legislativo em abrir processo contra ele, levou a mais um discurso de Marcio Moreira Alves contra o regime, desta vez em 12 de dezembro. No dia seguinte, o presidente Costa e Silva, utilizando o discurso como pretexto, editou o AI-5, marco da radicalização do regime militar no país. Cassado, Moreira Alves deixou o Brasil, passando por Chile, França, Cuba e Portugal, voltando ao país em 1979, com a Lei da Anistia. De volta ao Brasil, ingressou no PMDB, mas não conseguiu sucesso nas eleições para o Congresso. Depois de deixar o partido, nos anos 1990, tornou-se colunista do jornal O Globo, posto que manteve até a piora no seu estado de saúde.
  • 53.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 54 de 323 GLOBALIZAÇÃO Origens da Globalização e suas Características Globalização tornou-se uma palavra que está em moda, de um conceito muito amplo e abrangente, sendo empregada em diversas ocasiões, mas nem sempre com o mesmo significado. Muitos historiadores afirmam que este processo teve início nos séculos XV e XVI com as Grandes Navegações e Descobertas Marítimas. Neste contexto histórico, o homem europeu entrou em contato com povos de outros continentes, estabelecendo relações comerciais e culturais. Porém, a globalização efetivou-se no final do século XX, logo após a queda do socialismo no leste europeu e na União Soviética. O conceito globalização surgiu em meados da década de 1980, a qual vem a substituir conceitos como internacionalização e transnacionalização, porém se voltarmos no tempo podemos observar que é uma prática muito antiga. A humanidade desde o início de sua existência vem evoluindo, passou de uma simples família para tribos, depois foram formadas as cidades-estado, nações e hoje com a interdependência de todos os povos do nosso planeta, chegamos a um fenômeno natural, denominado de aldeia global. Globalização ou mundialização é a interdependência de todos os povos e países do nosso planeta, também denominado aldeia global. As notícias do mundo são divulgadas pelos jornais, radio, TV, internet e outros meios de comunicação, o mundo assistiu ao vivo e a cores em 11 de setembro, o atentado ao World Trade Center (as torres gêmeas), a invasão americana ao Iraque, quem não assistiu o Brasil penta campeão mundial de futebol. Com toda essa tecnologia a serviço da humanidade, da a impressão que o planeta terra ficou menor. Podemos também observar que os bens de consumo, a moda, a medicina, enfim a vida do ser humano sofre influência direta dessa tal Globalização. Politicamente, os Estados trabalham gradativamente nas barreiras tarifárias para proteger sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. A Globalização analisada pelo lado econômico-financeiro teve seu início na década de 80, com a integração a nível mundial das relações econômicas e financeiras, tendo como pólo dominante os Estados Unidos. Com os mercados internos saturados, muitas empresas multinacionais buscaram conquistar novos mercados consumidores, principalmente dos países recém saídos do socialismo. A concorrência fez com que as empresas utilizassem cada vez mais recursos tecnológicos para baratear os preços e também para estabelecerem contatos comerciais e financeiros de forma rápida e eficiente. Hoje uma empresa produz um mesmo produto em vários países e os exportam para outros, também podemos observar a fusão de empresas, tudo isso tem como objetivo baixar custos de produção, aumentar a produtividade, então produtos semelhantes são encontrados em qualquer parte do mundo. Neste contexto, entra a utilização da Internet, das redes de computadores, dos meios de comunicação via satélite etc. Muitas indústrias, produzem suas mercadorias em vários países com o objetivo de reduzir os custos. Optam por países onde a mão-de-obra, a matéria-prima e a energia são mais baratas. Um tênis, por exemplo, pode ser projetado nos Estados Unidos, produzido na China, utilizado matéria-prima do Brasil, e comercializado em diversos países do mundo. Analisando a Globalização podemos destacar o lado positivo como: o intercambio cultural e comercial entre nações, importante para todos os povos, os riscos reais, entre outros. Esse processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informação: telefones, computadores e televisão, contribuindo de forma surpreendente para a maior integração de todo o mundo. As fontes de informação também se uniformizam devido ao
  • 54.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 55 de 323 alcance mundial e à crescente popularização dos canais de televisão por assinatura e da Internet. Isso faz com que a globalização ultrapasse os limites da economia e política, e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países. Temos como exemplo disso a forte influência da cultura americana em todo o mundo. Histórico da Globalização Fatos históricos marcantes ocorridos entre o final da década de 1980 e o início da de 1990 determinaram um processo de rápidas mudanças políticas e econômicas no mundo. Até mesmo os analistas e cientistas políticos internacionais foram surpreendidos pelos acontecimentos: · A queda do Muro de Berlim em 1989; · O fim da Guerra Fria; · O fim do socialismo real; · A desintegração da União Soviética, em dezembro de 1991, e seu desdobramento em novos Estados Soberanos (Ucrânia, Rússia, Lituânia etc.); · A explosão étnica ou das nacionalidades em vários lugares, acompanhada da guerra civil: antiga Iugoslávia, Geórgia, Chechênia etc.; · O fim da política do Apartheid e a eleição de Nelson Mandela para presidente, na África do Sul; · O acordo de paz entre Israel, OLP (organização para libertação da Palestina) e Jordânia; · A formação de blocos econômicos regionais (União Européia, Nafta, Mercosul, etc.); · O grande crescimento econômico de alguns países asiáticos (Japão, Taiwan, China, Hong-kong, Cingapura), levando a crer que constituirão a região mais rica do Século XXI; · O fortalecimento do capitalismo em sua atual forma, ou seja, o neoliberalismo; · O grande desenvolvimento científico e tecnológico ou Terceira Revolução Industrial ou Tecnológica. Até praticamente 1989, ano da queda do Muro de Berlim, o mundo vivia no clima da Guerra Fria. De um lado, havia o bloco de países capitalistas, comandados pelo Estados Unidos, de outro, o de países socialistas, liderado pela ex-União Soviética, configurando uma ordem mundial bipolar. A reformas iniciadas por Gorbatchev, na ex-União Soviética, em 1985, através da Perestroika e da Glasnost, foram pouco a pouco minando o socialismo real e, conseqüentemente, essa ordem mundial bipolar. A queda do Muro de Berlim, com a reunificação da Alemanha, e muitos outros acontecimentos do Leste Europeu alteraram profundamente o sistema de forças até então existente no mundo. De um sistema de polaridades definidas passou-se, então, para um sistema de polaridades indefinidas ou para a multipolarização econômica do mundo. O confronto ideológico (capitalismo versus socialismo real) passou-se para a disputa econômica entre países e blocos de países. O beneficiário dessa mudança, historicamente rápida, que deixou muitas pessoas assustadas, foi o sistema capitalista, que pôde expandir-se praticamente hegemônico na organização da vida social em todas as suas esferas (política, econômica e cultural). Assim, o capitalismo mundializou-se, globalizou-se e universalizou-se, invadiu os espaços geográficos que até então se encontravam sob o regime de economia centralmente planificada ou nos quais ainda se pensava poder viver a experiência socialista. Blocos Econômicos e Globalização Dentro deste processo econômico, muitos países juntaram-se e formaram blocos econômicos, cujo objetivo principal é aumentar as relações comerciais entre os membros. Neste contexto, surgiram a União Européia, o Mercosul, a Comecom, o Nafta, o Pacto Andino e a Apec. Estes blocos se fortalecem cada vez mais e já se relacionam entre si. Desta forma, cada país, ao fazer parte de um bloco econômico, consegue mais força nas relações comerciais internacionais.
  • 55.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 56 de 323 De repente, o mundo tornou-se capitalista e globalizado. As Transnacionais A globalização é marcada pela expansão mundial das grandes corporações internacionais. A cadeia de fast food McDonald's, por exemplo, possui cerca de 18 mil restaurantes em 91 países. Essas corporações exercem um papel decisivo na economia mundial. Para exemplificarmos a grandiosidade dessas empresas, existem pesquisas que levantaram o faturamento das nove maiores empresas do mundo, e que deram, somadas, todo o faturamento dos maiores países da América do Sul, mais a Nova Zelândia. Outros pontos importantes desse processo são as mudanças significativas no modo de produção das mercadorias. Seguindo as tendências de concentração e dispersão das empresas (vemos isso no Brasil através da concentração industrial no sudoeste e a gradativa dispersão para outras regiões), e auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos transportes, as transnacionais instalam suas fábricas em qualquer lugar do mundo onde existam as melhores vantagens fiscais, mão-de-obra e matérias-primas baratas. Essa tendência leva a uma transferência de empregos dos países ricos - que possuem altos salários e inúmeros benefícios - para as nações industriais emergentes, como os Tigres Asiáticos. O resultado desse processo é que, atualmente, grande parte dos produtos não tem mais uma nacionalidade definida. Um automóvel de marca norte-americana pode conter peças fabricadas no Japão, ter sido projetado na Alemanha, montado no Brasil e vendido no Canadá. Conseqüências da globalização: Mudança no papel do estado. É de suma importância saber que a questão da globalização não está apenas ligada à economia, mas também influencia no Estado, ou seja, este é “modificado” para que as exigências globais sejam cumpridas. Isto quer dizer que tanto a opinião pública internacional quanto o comportamento dos mercados passaram a desempenhar funções que antes não tinham na redefinição dos limites possíveis de ação do Estado. Os países e seus líderes, estão sob vigilância constante da opinião pública internacional, sendo assim qualquer passo em falso poderá resultar em penalidades para estes países. Um outro aspecto mudado no Estado em função da globalização, foi o de que suas ações governamentais deverão ser dirigidas agora para fazer com que as economias nacionais sustentem e desenvolvam condições para competir em escala global. Isso resulta na canalização de recursos para setores vitais do Estado como a educação, saúde e, este também, tem que estar preparados para assar para a mão de privados empresas antes administradas pelo Estado. Dessa forma acredita-se estar contribuindo para uma promoção de maior igualdade de oportunidades, aumentando o grau de mobilidade social. Por isso, este Estado precisa ser ainda mais forte no desempenho de suas tarefas sociais e melhor preparado para regulamentar as atividades recentemente privatizadas. Considerações políticas sobre a globalização. O mercado é, com certeza, um fator decisivo no que se diz respeito à globalização. É importante saber que o contorno dentre os quais o mercado atua, são definidos politicamente. Por isso é errado afirmar que tudo o que esta a favor das forças e mercado é visto como bom, positivo, isto é, fator de desenvolvimento pois, tem que se reconhecer que não há limites ao mercado que permitem países como o nosso atuar politicamente na defesa dos interesses nacionais. A globalização econômica é uma nova ordem mundial e, devemos aceitar este fato com sentido de realismo pois, ao contrário, nossas ações estarão destituídas de qualquer impacto efetivo. Isto significa uma perspectiva totalmente nova sobre as formas de agir na cena
  • 56.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 57 de 323 internacional. Temos que admitir que a participação no economia mundial pode ser positiva se for manejada com cuidado, ou seja, o sucesso dessa integração depende de vários pontos como a articulação diplomática e as parcerias comercias adequadas e, da realização de reformas internas democraticamente conduzidas. Globalização e a questão da inclusão e exclusão. A globalização esta gerando uma nova divisão internacional onde se encontram os países q u e fazem parte do processo de globalização e os países que não fazem. Os primeiros estariam associados à idéias de progresso, riqueza e, melhores condições de vida, já os outros estaria destinados à um mundo de exclusão, marginalização e, miséria. É importante perceber que, apesar disso, a globalização produziu oportunidades para que mais países pudessem ingressar na economia mundial mas é preciso aproveitar as oportunidades dadas por esta economia através da adoção de um conjunto de políticas que incluem, entre outros, uma força de trabalho qualificada, aumento substancial da taxa de poupança doméstica, etc. Em países em desenvolvimento mais complexo, a integração na economia global está sendo feita à custa de maior esforço de ajuste interno e numa época de competição internacional mais acirrada. Mas, os países menores serão capazes de superar os desafios impostos pela globalização? Esta é uma questão que não pode ser deixada de fora pois não é possível a comunidade internacional conviver com a indiferença e a paralisia dos países mais pobres, pois estaríamos, assim, destinando-os ao fracasso, como se nada pudesse ser feito. Este é um ponto que deve ser ainda muito discutido em âmbito internacional. Novas tecnologias e novas modalidades de produção As mudanças tecnológicas que estão ocorrendo no sistema econômico já marcaram de forma muito importante as modalidades de produção e os fluxos de novos produtos ou de produtos renovados. A produção possui cada vez mais insumos modernos produzidos pelas novas tecnologias, onde o peso de custos indiretos é crescente. Os componentes eletrônicos e os programas informáticos penetraram e transformaram inúmeros campos da produção, sobretudo industriais, mas os demais também. Os novos materiais penetraram diversos campos produtivos, mesmo se isso ocorreu sobretudo em áreas em que os custos são menos importantes. Os produtos saídos desses três campos têm todos um elemento comum, a saber, uma elevada densidade de valor, que se torna responsável por uma grande parte do preço dos produtos em que são utilizados. Eles possuem importantes recursos tecnológicos e um capital elevado, são concebidos de forma centralizada e produzidos em reduzido número de locais para uma escala que é, freqüentemente, a do mundo. Eles dão assim lugar a fluxos de recursos entre a unidade de produção ordinária e aquelas em que se concentra a gama alta da produção. Além desses três tipos de componentes físicos (eletrônicos, metálicos, químicos), surge também um serviço que se torna insumo de uso geral – as comunicações. Elas são um componente cuja importância aumenta em todos os campos, incluído o da produção – na organização, na coordenação, na gestão e no aprovisionamento. Esses recursos são um fator fundamental para permitir à empresa mundial coordenar as suas atividades de uma forma rigorosa e flexível. As empresas deste setor propõem uma oferta mundializada, construída cada vez mais por meio de redes transfronteiras que são ou que tendem a ser redes mundiais de caráter privado, controladas por empresas ou por grupos de empresas cuja estrutura de produção é inteiramente construída com insumos intensivos em tecnologia, produzidos por um punhado de empresas de uns poucos países. Ocorre então mais um fluxo importante – entre cada empresa e as grandes empresas de telecomunicações, empresas globais, formadas em alguns casos pela associação das
  • 57.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 58 de 323 empresas nacionais dos países mais importantes. As condições de acesso a esses produtos e serviços são estabelecidas de forma diferenciada, favorecendo uma concentração nos locais mais importantes das atividades que os utilizam de forma intensiva. No conjunto, a produção, seguindo essas novas modalidades, faz-se acompanhar de uma transferência das unidades dos países secundários para as empresas dos países mais avançados. As atividades suprimidas nas periferias ou nos países de segundo nível e deslocadas para os países de origem ou para os centros de primeiro nível são escolhidas entre aquelas cujas margens de ineficiência são maiores. Essas ineficiências traduzem, no plano da empresa, uma repetição de atividades, que não conseguem no entanto estabelecer entre elas vínculos mais dinâmicos e produtivos. A empresa suprime em suas unidades secundárias atividades em que as interações são mais importantes, mais intensas, mais diversificadas, pois é precisamente nestas áreas que as possibilidades de desenvolvimento oferecidas pela concentração dos recursos é maior. Por outro lado, é também nestas áreas que as ausências pontuais, que os vazios, se tornam fontes de ineficiência. É mais um mecanismo a impulsionar o caráter centralizado das atividades mais ricas e mais densas e a empobrecer o tecido das unidades secundárias e os territórios de implantação. Para facilitar as relações econômicas, as instituições financeiras (bancos, casas de câmbio, financeiras) criaram um sistema rápido e eficiente para favorecer a transferência de capital. Investimentos, pagamentos e transferências bancárias podem ser feitas em questões de segundos através da Internet ou de telefone celular. Mas economicamente estamos vendo crescer de maneira destacada o neoliberalismo, que é uma política econômica que visa a saída parcial do Estado da economia, deixando o mercado livre, por isso é que se vê a grande onda das privatizações existentes hoje. Outro ponto de forte importância que vem se destacando na globalização, é a questão do meio ambiente, onde as empresas, cidadãos, instituições e ONG's se dedicam cada vez mais a conservar e restaurar esta. Vemos isso nos diversos debates de alcance mundial que acontecem em torno desse assunto, e o surgimento de instituições como o Green Peace, que tem caráter radical e postura firme contra a degradação da natureza. A nova configuração do trabalho em face dos novos paradigmas da economia contemporânea A necessidade de modernização e de aumento da competitividade das empresas produziu um efeito muito negativo, que foi o desemprego. Para reduzir custos e poder baixar os preços, as empresas tiveram de aprender a produzir mais com menos gente. Incorporavam novas tecnologias e máquinas. O trabalhador perdeu espaço e esse é um dos grandes desafios que, não só o Brasil, mas algumas das principais economias do mundo têm hoje pela frente: crescer o suficiente para absorver a mão-de-obra disponível no mercado, além disso, houve o aumento da distância e da dependência tecnológica dos países periféricos em relação aos desenvolvidos. Desemprego Estrutural Como já vimos, a crescente concorrência internacional tem obrigado as empresas a cortar custos, com o objetivo de obter preços menores e qualidade alta para os seus produtos. Nessa restruturação estão sendo eliminados vários postos de trabalho, tendência que é chamada de desemprego estrutural. Uma das causas desse desemprego é a automação de vários setores, em substituição à mão de obra humana. Caixas automáticos tomam o lugar dos caixas de bancos, fábricas robotizadas dispensam operários, escritórios informatizados prescindem datilógrafos e contadores. Nos países ricos, o desemprego também é causado pelo deslocamento de fábricas para os países com custos de produção mais baixos. Novos Empregos O fim de milhares de empregos, no entanto, é acompanhado pela criação de outros pontos de trabalho. Novas oportunidades surgem, por exemplo, na área de informática, com o
  • 58.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 59 de 323 surgimento de um novo tipo de empresa, as de inteligência intensiva, que se diferenciam das indústrias de capital ou mão-de-obra intensivas. O restante estava envolvido em áreas de desenvolvimento de outros computadores - tanto em hardware como em software - gerenciamento e marketing. Mas a previsão é de que esse novo mercado de trabalho dificilmente absorverá os excluídos, uma vez que os empregos emergentes exigem um alto grau de qualificação profissional. Dessa forma, o desemprego tende a se concentrar nas camadas menos favorecidas, com baixa instrução escolar e pouca qualificação. Além da Nova Economia A expansão das novas tecnologias de informação e sua influência econômica não são responsáveis pelo desemprego numa relação de causa e efeito e, com o tempo, e de acordo com estratégias adotadas, podem contribuir para o seu crescimento. A disseminação do capitalismo e o comércio global não são diretamente causadores do desemprego e da má qualidade de trabalho e de vida oportunizando a maioria dos trabalhadores. A perda, para os trabalhadores, reflete o resultado de ajustamentos das relações entre o capital e o trabalho, na presença das novas tecnologias de informação atrelada a novas formas administrativas e organizacionais, características da empresa em rede, atuando num comércio global. Portanto temos que as novas tecnologias de informação impulsionaram uma reconfiguração histórica nas relações econômicas, no processo de trabalho e nos modelos organizacionais; a empresa em rede, por sua flexibilidade, permite a sub-contratação e a dispensa da mão-de-obra, deslocada no espaço e ligada no tempo, de acordo com as flutuações e demandas de um mercado intrinsecamente emaranhado e interdependente. Encontramo-nos em uma sociedade dual; a história se repete contemplando outros vencidos e outros vencedores num duelo sem favoritos, onde a necessidade de aperfeiçoamento, qualificação e especialização é atributo constantemente buscado frente a um desenvolvimento tecnológico que não pára. Calcula-se que o número de empregos criados com a Internet, no Brasil, deva chegar a cerca de 4 milhões, em 2007. Em contrapartida, a taxa média de desemprego tem demonstrado que a maior parte dos trabalhadores brasileiros encontram-se à margem das novas oportunidades surgidas com a nova economia, que exige elevado grau de especialização e qualificação. As oportunidades criadas com o Tele-trabalho poderiam vir a auxiliar no aproveitamento de 16 milhões de pessoas que apresentam necessidades especiais, das quais nove milhões se encontram em fase produtiva, com o mercado atual absorvendo apenas um milhão dessa mão-de-obra. O Tele-trabalho também poderia ser aplicado junto à comunidade carcerária que atualmente soma 170 mil indivíduos. Na esteira dessas transformações, não se deve esquecer que a própria configuração das empresas em rede ou de países em blocos encontra-se ameaçada pelas tensões globais dependentes de decisões políticas, econômicas, conjunturais, sócio-culturais, contextuais e específicas, que continuamente exercem influência recíproca e remodelam as estruturas de mercado e dos processos de trabalho. Portanto, a questão que se coloca nesses tempos é como identificar a aproveitar as oportunidades que estão surgindo de uma economia internacional cada vez mais integrada. Imagina-se que a Globalização, seguindo o seu curso natural, irá enfraquecer cada vez mais os estados-nacionais surgidos há cinco séculos atrás, ou dar-lhes novas formas e funções, fazendo com que novas instituições supranacionais gradativamente os substituam. Com a formação dos mercados regionais ou intercontinentais (Nafta, Unidade Européia, Comunidade Econômica Independente [a ex-URSS], o Mercosul e o Japão com os tigres asiáticos), e com a conseqüente interdependência entre eles, assentam-se as bases para os futuros governos transnacionais que, provavelmente, servirão como unidades federativas de uma administração mundial a ser constituída. É bem provável que ao findar o século 21, talvez até antes, a humanidade conhecerá por fim um governo universal, atingindo-se assim o sonho dos filósofos estóicos do homem cosmopolita, aquele que se sentirá em casa em
  • 59.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 60 de 323 qualquer parte da Terra. Internet, Aldeia Global e a Língua Inglesa Como dissemos, a globalização extrapola as relações comerciais e financeiras. As pessoas estão cada vez mais descobrindo na Internet uma maneira rápida e eficiente de entrar em contato com pessoas de outros países ou, até mesmo, de conhecer aspectos culturais e sociais de várias partes do planeta. Junto com a televisão, a rede mundial de computadores quebra barreiras e vai, cada vez mais, ligando as pessoas e espalhando as idéias, formando assim uma grande Aldeia Global. Saber ler, falar e entender a língua inglesa torna-se fundamental dentro deste contexto, pois é o idioma universal e o instrumento pelo qual as pessoas podem se comunicar. O mundo chegou a 1 bilhão de usuários de internet no final de 2005, com aproximadamente 845 milhões de pessoas usando a web regularmente, de acordo com a pesquisa “Worldwide Online Access: 2004-2010”. (pesquisa EMarketer) Os Estados Unidos são o país com a maior população de internet, com 175,4 milhões de internautas, seguido pela China, com 111 milhões. Os norte-americanos devem seguir na frente até o final da década. As conexões por banda larga cresceram de 142 milhões de casas em 2004 para 195 milhões em 2005. A região que apresenta a maior taxa de expansão no número de assinantes é a América Latina, com 70,7%. Ela é seguida pelo Leste Europeu, com 42,2%, e pela Ásia-Pacífico, 37,7%. Essa não é a primeira pesquisa a informar que a internet ultrapassou 1 bilhão de usuários. A Internet World Stats divulgou, no começo de 2006, que essa população havia sido alcançada, confirmando os dados agora da e-Marketer. ECONOMIA BRASILEIRA A economia brasileira e o Plano Real Desde a década de 40 até 1980, o Brasil cresceu a uma taxa média superior a 7% ao ano, a segunda mais alta do mundo para o período em referência. Esse longo período de crescimento foi acompanhado por um fechamento gradual da economia, pois o coeficiente de importações, que era de aproximadamente 37% do PIB em 1919, chegou a alcançar a taxa de 5% do PIB em 1989. Vale ressaltar que o modelo de desenvolvimento adotado então se baseava na substituição de importações. O fato de ter o País se tornado uma das economias mais fechadas do mundo e enfrentado problemas para o pagamento da substancial dívida externa contraída na década de 70 demonstrou o o esgotamento desse modelo. O crescimento da dívida externa nos anos 70 foi acompanhado pelo crescimento da taxa de inflação, que saltou de 15% ao ano em 1973 para 110% em 1980. A década e meia seguinte seria de estagnação, com os esforços da política econômica voltados, em primeiro lugar, para resolver o problema da balança de pagamentos e, em seguida, para o combate à inflação. A balança de pagamentos era prioritária em relação à inflação, em um primeiro momento, porque a retração do mercado de crédito internacional e o reduzido estoque de reservas do país não possibilitava outra alternativa. Ademais, a alta taxa histórica de inflação e seu crescimento gradual estimularam o desenvolvimento de sofisticados mecanismos de proteção financeira contra a inflação, o que permitiu a convivência com taxas muito altas de inflação por longos períodos. A partir de 1986, inaugura-se o período marcado pelas tentativas de estancar a inflação brasileira. Dada a ineficácia dos instrumentos tradicionais para combater uma inflação desse porte, os caminhos da estabilização não eram claros. A estabilização foi alcançada na sexta tentativa, em 1994, com o que se chamou Plano Real. As cinco tentativas frustradas de estabilização basearam-se em intervenções do governo nas decisões econômicas dos indivíduos, de fixação de preços, ou de destinação de suas riquezas, e tiveram curtos
  • 60.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 61 de 323 períodos de êxito. O Plano Real, como veremos, foi menos intervencionista, e já conta com três anos de êxito. A consolidação da estabilidade da economia brasileira e da abertura comercial são os pilares da atual recuperação do crescimento sustentável da economia, após mais de uma década de estancamento e de indefinição da política econômica, causadas pela crise da balança de pagamentos e pela inflação. O Plano Real A reforma monetária e a queda da inflação Em março de 1994, quando a taxa de inflação mensal alcançava a marca dos 40%, foi lançado o Plano Real para estabilizá-la. Fruto da aprendizagem com o fracasso dos planos anteriores, o plano era precedido por um esforço fiscal, o chamado Fundo Social de Emergência, que desvinculava as cobranças do governo, de seus gastos. Efetivamente, o controle fiscal e monetário era visto como condição necessária para a estabilização. Além disso, e principalmente, o plano fixava um novo e engenhoso mecanismo de eliminação da inércia inflacionária. Durante um período de transição, que se estendeu até final de junho, criou-se um índice de inflação denominado URV (Unidade Real de Valor), que serviria de unidade corrente opcional para os preços e alguns contratos e obrigatória para novos contratos e contratos de trabalho. Como o índice tinha poder de compra estável, sua utilização como unidade de conta tornava-se atraente diante da moeda inflacionária. Outro componente da reforma monetária era a desindexação dos contratos, considerada importante para alcançar a estabilidade monetária. Com esse fim, o instrumento legal de criação do real proibia a indexação de contratos por períodos menores de um ano. O êxito do mecanismo foi retumbante. Como num passe de mágica a inflação caiu de cerca de 45% em junho para cerca de 6% em julho. Isto sem nenhum congelamento de preços e ativos, que normalmente se transformam em bombas-relógio programadas para explodir no futuro. A partir de então, o grande desafio seria o de obter reduções graduais da inflação através da consolidação dos fundamentos econômicos da estabilidade. A consolidação da estabilização: trajetória declinante da inflação Os dados da inflação a partir de julho de 1994 demonstram uma tendência contínua de queda. As razões principais foram: gradual desindexação da economia, maior transparência dos preços relativos obtida com a baixa inflação, valorização do câmbio e abertura comercial, além de maior eficácia da política monetária, propiciada pelos dois primeiros fatores anteriores. Além da indexação formal estabelecida pelo Plano, a queda da inflação estimulava o abandono da indexação informal, isto é, da prática de reajustar os preços automaticamente, de acordo com a inflação passada. Removia-se, portanto, um dos principais fatores de resistência inercial da inflação. Simultaneamente, como conseqüência da estabilização, gerou-se um boom de consumo na economia, que continuaria no primeiro trimestre de 1995. Essa situação não era ideal para uma estabilização tão recente. Ademais, com a abertura da economia e a valorização cambial, o boom do consumo se transformou também em um boom de importações. Embora por um lado o aumento das importações atenuasse o efeito do excesso de demanda sobre a inflação, com a crise do México, de dezembro de 1994, afetando a entrada de capital externo, a manutenção desse grau de aquecimento da economia se tornaria temerária também para a balança de pagamentos. No segundo trimestre de 1995, quando a inflação começava a mostrar tendência de alta, o governo adotou rigorosas medidas de restrição de crédito, que se mostraram bastante eficazes a partir do terceiro trimestre, ocasionando a queda do nível de atividade e da inflação, além da melhoria do desempenho da balança comercial. A inflação continuou caindo durante o ano de 1996, quando a economia começou a se recuperar, especialmente durante o segundo semestre. No último trimestre de 1996, a
  • 61.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 62 de 323 inflação alcançou taxas anuais de um dígito. Havendo passado de taxas de mais de 40% mensais a taxas da ordem de 3,5% no terceiro trimestre de 1994, como conseqüência instantânea da reforma monetária, a inflação seguiu, durante os primeiros dois anos e meio do plano, uma trajetória de queda gradual, alcançando taxas médias mensais da ordem de 0,5% no último trimestre de 1996. A gestão macroeconômica após o Real A estabilidade econômica, para ser duradoura, deve ter sólidos fundamentos macroeconômicos. Entre eles, uma política fiscal consistente a longo prazo, uma política monetária austera, mas que não comprometa a situação fiscal, e uma situação de balança de pagamentos sustentável a longo prazo. O Brasil tem muitos desafios a vencer nesta direção. Tem um Estado repleto de empresas de sua propriedade, com uma burocracia ineficiente e desmotivada, além de uma previdência social estruturalmente deficitária. Tem tido taxas de juros tão altas a ponto de os gastos com pagamento de juros terem se tornado excessivamente importantes no orçamento do governo. Além disso, a balança comercial tem sido crescentemente deficitária, ocasionando saldos da balança em conta corrente ainda mais deficitários. Essas situações podem ameaçar a estabilização a longo prazo. Elas ocupam lugar de destaque na agenda econômica do governo e estão sendo enfrentadas de forma gradual. Política fiscal e reformas estruturais As reformas estruturais: o combate ao déficit público e a racionalização do Estado são dois dos principais objetivos das reformas estruturais que se encontram na agenda do atual governo. Algumas mudanças importantes já se realizaram, como a aprovação da emenda constitucional sobre a Ordem Econômica, que abriu à participação do setor privado setores como o petrolífero, de telecomunicações e de distribuição de gás. Ademais, foi abolida na Constituição, a diferença entre o capital estrangeiro e o capital nacional. Juntamente com as reformas constitucionais, a privatização dos setores ligados à produção de matéria prima e de infra-estrutura poderá constituir-se, além de reduzir o chamado Custo Brasil, uma importante fonte de arrecadação para os governos federal e estaduais, permitindo redução significativa da dívida pública. Foram privatizadas, entre outras, a Companhia Siderúrgica Nacional, a maior do país, a Light, importante distribuidora de energia, grande parte da rede ferroviária federal e algumas companhias estatais, especialmente de distribuição de energia elétrica. Em 1996, o governo arrecadou US$ 4,3 bilhões com o programa de privatizações. Espera-se que o programa ganhe impulso com a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, a maior produtora de minério de ferro do mundo; Furnas e Eletrosul, empresas federais da área de geração de energia elétrica; assim como com a privatização dos portos. A importância desta última revela-se principalmente pela ineficiência dos portos brasileiros, que gera custos excessivamente altos para seus usuários. Uma questão importante, que suscitou acalorados debates políticos, refere-se ao uso dos recursos arrecadados com as privatizações. Enquanto o Ministério da Fazenda defende seu uso exclusivo para a redução da dívida pública, existe pressão política para a utilização dos recursos arrecadados nos mais variados fins. Outra importante fonte de arrecadação para o governo, também proveniente de mudanças estruturais, é a venda de concessões para a exploração de rodovias e da telefonia celular. No entanto, a tendência é que pelo menos parte dos recursos arrecadados seja utilizada em linhas de financiamento do setor privado. As reformas constitucionais previstas, caso sejam aprovadas pelo Congresso sem alteração substancial de seu conteúdo, devem aliviar as contas do governo no que se refere às despesas. A reforma administrativa, ao restringir a estabilidade dos funcionários públicos - em particular nos casos em que mais de 60% da arrecadação dos governos esteja comprometida com o pagamento de salários - e impor um limite máximo aos salários dos funcionários públicos de qualquer procedência, deve ter como resultado uma redução dos gastos do governo em folhas de pagamento, especialmente ao nível estadual. A reforma do Sistema de Seguridade Social, que em seu modelo atual é estruturalmente deficitário, aponta
  • 62.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 63 de 323 para a correção das principais distorções relativas ao seu financiamento, com modificações das regras, que incluem o aumento da idade média para aposentadoria. Existe também uma reforma tributária em gestação, cuja mudança principal a ser introduzida refere-se ao maior alcance do imposto sobre o valor agregado federal, hoje restrito à indústria. O déficit orçamentário: o Plano Real foi precedido de um esforço para a redução do déficit público brasileiro e a medida mais importante nesta direção foi a criação do Fundo Social de Emergência, que desvinculava os recursos arrecadados dos gastos do governo. O esforço fiscal de 1994 teve como resultado um superávit operacional de 1,32% do PIB. A estabilização mudou significativamente o regime fiscal. O governo estava acostumado a controlar gastos através do adiamento dos gastos previstos em orçamento que, desta forma, eram corroídos pela inflação. A estabilização acabou com esta possibilidade, reduzindo o controle do Executivo sobre o orçamento. Por outro lado, a estabilidade reduziu a preocupação do Congresso com o déficit orçamentário. Isto se refletiu nas dificuldades do Executivo em aprovar as reformas estruturais nos moldes por ele propostos, levando à sua prorrogação. Por todas essas razões, o orçamento primário do governo, que não incluiu os juros da dívida pública, sofreu uma deterioração inicial importante em seguida à estabilização, com uma redução do superávit da ordem de 5,09% do PIB em 1994 para 0,33% em 1995. O aumento dos gastos com pagamento de juros, que alcançou 5,14% do PIB, fez com que o orçamento do governo, em seu conceito operacional, fosse deficitário em 4,79% do PIB. Com este resultado contribuíram os elevados índices da taxa de juros reais neste primeiro ano e meio de estabilização. A redução contínua do nível da inflação e o substancial ingresso de capitais, que teve como resultado um grande crescimento das reservas, permitiu que o Banco Central adotasse uma política de redução gradual dos juros reais em 1996. Este fato levou a uma redução dos gastos do governo com juros e foi a principal razão para a modesta melhoria do resultado operacional de 1996, que fechou o ano deficitário em 3,91% do PIB. Esses números do déficit fiscal não são alarmantes se comparados com os de outros países desenvolvidos. No entanto, um país em desenvolvimento, em processo de estabilização, precisa de resultados exemplares para alcançar um alto grau de credibilidade em nível internacional. Espera-se uma melhoria de resultados nos próximos anos. Se a economia se mantiver numa trajetória de crescimento sustentado, a taxa de crescimento médio nos próximos anos deverá ser superior à dos últimos anos, levando a um aumento automático da arrecadação. No que se refere aos gastos, espera-se uma redução de despesas nos estados e municípios, além de uma redução adicional do gasto com juros, graças à redução das taxas reais de juros e à redução da dívida a partir das arrecadações oriundas do processo de privatizações. Política cambial e setor externo A abertura comercial e a valorização cambial foram consideradas instrumentos fundamentais para a redução da inflação em seguida à reforma monetária e com vistas à manutenção da inflação em baixa. No entanto, a mesma competição externa, considerada benéfica do ponto de vista da inflação e dos consumidores, teve forte impacto sobre a produção em certos setores menos eficientes, que não foram capazes de superar a competição externa. Além disso, as importações demonstraram grande dinamismo enquanto o desempenho das exportações foi medíocre, resultando em crescentes déficits comerciais e em conta corrente. Por essas razões, analistas preocupados com a sustentação da situação no quadro externo associaram-se aos interesses dos setores mais afetados pela competição externa, reivindicando a reversão da política cambial, seja através de maior proteção tarifária para a indústria doméstica, seja através de uma desvalorização substancial da moeda. Como veremos, a resposta do governo relacionou-se essencialmente com a manutenção da abertura comercial, que foi viável porque um significativo fluxo de capitais externos possibilitou o financiamento do crescente débito em conta corrente, enquanto se espera que os estímulos dados às exportações surtam efeito. A balança comercial brasileira apresentava superávit desde 1983, com exceção de apenas
  • 63.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 64 de 323 um breve período em 1986, quando se produziu um excesso de demanda generalizada em conseqüência do Plano Cruzado. A balança comercial alcançou seu apogeu em 1992, com um superávit comercial de mais de US$ 15 bilhões. Com a redução da proteção tarifária, a partir de 1990, quando a tarifa média passa de 35% ao ano em 1990 para 14% em meados de 1993, o superávit começa a cair, devido ao forte crescimento das importações. Este crescimento era de se esperar, dado o baixo coeficiente de importações predominante até então. O Plano Real acrescentou a esse quadro uma valorização real da taxa de câmbio, de cerca de 15% em 1994, e um boom de consumo causado pela queda brusca da inflação. Não surpreende que as importações tivessem um impulso adicional, com o país terminando o ano de 1994 com déficits comerciais mensais. Para agravar a situação, a crise do México em dezembro de 1994 reduziu o ingresso de capitais em princípios de 1995 e suscitou dúvidas acerca da capacidade de sustentação da situação externa. O governo não teve outra alternativa a não ser freiar a economia e começar a corrigir gradualmente o câmbio, de modo a reduzir a defasagem cambial. A política começa a dar resultados na metade do ano, quando os déficits comerciais são eliminados e os superávits, embora modestos, voltam a entrar em cena. No segundo semestre de 1996, os déficits comerciais tornam a ser sistemáticos e crescentes, mantendo-se essa tendência em 1997. A diferença em relação à situação existente no início de 1995 encontra-se no forte ingresso de capitais externos, que possibilitou um aumento das reservas da ordem de US$ 8 bilhões em 1996. Contribuiu para o resultado moderado das exportações em 1996 uma queda nas cotações das principais commodities industrializadas, que compõem a pauta dos produtos semimanufaturados. Por outro lado, o volume exportado de produtos manufaturados, que corresponde a 55% do total, cresceu apenas 2,39%. O governo tomou diversas medidas em 1996, com o objetivo de estimular as exportações, tendo sido a mais importante delas a isenção de ICMS (imposto sobre o valor agregado arrecadado pelos estados) para os produtos agrícolas e semi-manufaturados, e para os investimentos nesses setores. Em dezembro foram tomadas novas medidas, desta vez para aumentar o alcance e reduzir o custo dos financiamentos às exportações, concedidos pelo BNDES (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social). Espera-se que ao longo do tempo haja uma redução gradual do Custo Brasil, no qual se incluem os altos custos sistêmicos da economia brasileira em relação aos padrões internacionais. Espera-se também que os incentivos dados ao investimento no setor exportador tragam resultados a médio prazo, especialmente porque a limitação da capacidade produtiva é considerada o principal obstáculo para o crescimento das exportações de produtos manufaturados. Por outro lado, o aumento das importações, tomado isoladamente, pode ser considerado desejável para um país cujo coeficiente de importações é ainda um dos mais baixos do mundo. Pode ser considerado como parte da transição de uma economia quase autárquica a uma economia aberta e competitiva. No entanto, a associação do mau desempenho da balança comercial com a proteção de indústrias domésticas específicas tem levado a algumas medidas de alcance ilimitado que significam um retrocesso temporário na política de abertura. Tais medidas foram tomadas inicialmente em 1995. No entanto, as medidas de restrição às importações estão muito aquém do desejado por certos setores da opinião pública brasileira. Por esse motivo, apesar de alguns retrocessos, pode-se dizer que, essencialmente, o governo tem resistido às pressões para reverter a abertura comercial. O perfil do capital que ingressa no país tem melhorado significativamente. A participação do investimento líquido direto na captação de recursos externos aumentou sucessivamente, chegando a quase 60% em 1996. A aceleração do programa de privatizações deve contribuir para a continuidade dessa tendência. O ingresso de capitais sob a forma de empréstimos externos também tem-se dado em condições mais vantajosas, com sucessivas reduções do custo e aumento do prazo médio. A redução do risco Brasil, percebido no exterior, a extensão do prazo médio de financiamento dos empréstimos e o aumento da participação do
  • 64.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 65 de 323 investimento direto na captação externa são fatores que atenuam o efeito de uma queda na taxa de juros doméstica sobre a captação externa, favorecendo a continuidade de seu processo de redução gradual. Perspectivas Com a economia estabilizada, maior abertura comercial, e com reformas estruturais que visam a tornar o Estado menor e mais eficiente, a economia brasileira retoma a perspectiva do crescimento sustentável. Mas as reformas estruturais, embora propostas pelo executivo, dependem da aprovação do legislativo para entrarem em vigor com versões que não representem um desfiguramento do original. Embora o lobby de certos interesses particulares seja forte no Congresso, dificultando a rápida aprovação das reformas estruturais, a crescente penetração através dos meios de comunicação, das questões referentes à ineficácia do setor público e aos privilégios de certos setores assalariados deve resultar em sua aprovação, em prazo um pouco mais longo. O maior obstáculo para o crescimento sustentável parece ser, portanto, a balança comercial, pois esta tem se mostrado muito deficitária cada vez que se acelera o crescimento econômico. Como as importações caem e as exportações aumentam quando se freia o crescimento econômico, não se pode descartar a hipótese de que em algum momento futuro o governo se veja tentado ou seja obrigado a restringir o crescimento da economia de modo a reduzir temporariamente o déficit da balança comercial. Para que o atual déficit seja sustentado e para que não se reverta a abertura comercial, torna-se essencial que se antecipe um crescimento futuro substancial das exportações. O aumento da produtividade e os lucros da eficiência, que estão em curso numa economia progressivamente aberta e competitiva, devem, a médio prazo, refletir-se num aumento da competitividade do setor exportador. A privatização da infra-estrutura, em especial a portuária, que deverá ter como resultado melhores serviços a custos mais baixos; a isenção das exportações, da pesada carga tributária; as linhas de financiamento abertas pelo BNDES à exportação; e a desvalorização gradual da taxa de câmbio real são exemplos de iniciativas do governo, que deverão ter como resultado, estímulos à exportação. As alternativas incluiriam reverter a política de abertura comercial, ou realizar a maxidesvalorização cambial. A primeira alternativa implicaria uma volta ao passado, abandonando o novo modelo de desenvolvimento aberto, com todas as conseqüências negativas para a eficiência econômica e para a credibilidade internacional do país. A segunda alternativa poderia provocar um aumento súbito da inflação e uma perda de credibilidade na política econômica. De qualquer forma, provocaria um aumento da incerteza que, certamente, teria efeitos nocivos sobre o fluxo de capital externo e sobre o investimento na economia. MERCOSUL A reorganização política mundial, acelerada após o final da Guerra Fria, faz blocos econômicos emergirem em diferentes regiões do planeta, como a União Européia, o Nafta e a Bacia do Pacífico. Nesse contexto, surge o MERCOSUL, que integra economicamente a Argentina, o Brasil, o Paraguai, o Uruguai e mais recentemente a Venezuela. Blocos Econômicos O que são blocos econômicos São associações de países, em geral de uma mesma região geográfica, que estabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e atuam e atuam de forma conjunta no mercado internacional. Um dos aspectos mais importantes na formação dos é a redução ou a eliminação das alíquotas de importação, com vistas à criação de zonas de livre comércio. Os blocos aumentam a interdependência das economias dos países membros. Uma crise no México, como a de 1994, afeta os EUA e o Canadá - os outros países-membros do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta).
  • 65.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 66 de 323 O primeiro bloco econômico aparece na Europa, com a criação, em 1957, da Comunidade Econômica Européia (embrião da atual União Européia). Mas a tendência de regionalização da economia só é fortalecida nos anos 90: o desaparecimento dos dois grandes blocos da Guerra Fria, liderados por EUA e URSS, estimula a formação de zonas independentes de livre-comércio, um dos processos de globalização. Atualmente, os mais importantes são: o Acordo de Livre Comércio da Am rica do Norte (Nafta), a União Européias (UE). o Mercado Comum do Sul(Mercosul), a Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) e, em menor grau o Pacto Andino, a Comunidade do Caribe e Mercado Comum (Caricom), a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), a Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e a Comunidade da África Meridional para o Desenvolvimento (SADC). Mercosul é a abreviação para Mercado Comum do Sul. Inicialmente, era uma zona de livre comércio e hoje é uma União Aduaneira. Está entre as quatro maiores economias do mundo, logo atrás da Nafta, União Européia e Japão. O primeiro passo para a criação do MERCOSUL foi dado de 26 de março de 1991 com o Tratado de Assunção. Os presidentes do Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil, e seus respectivos Ministros das Relações Exteriores assinaram este acordo que estabelece a integração econômica dos quatro países para seu desenvolvimento tecnológico e científico. Pelo Tratado ficou estabelecido: a. A Livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os países eliminando-se os direitos alfandegários e tarifas (É claro que essa mudança vai acontecendo gradualmente, e não de uma hora para outra); b. O estabelecimento de uma tarifa externa comum c. Coordenação política macroeconômica e setorial entre os Estados-Partes - (de comércio exterior: agrícola, industrial, fiscal, monetária, cambial e de capitais: de serviços, alfandegária, de transportes e comunicações e outras) - a fim de assegurar as condições concorrência. d. Compromisso dos Estados-Partes de harmonizar suas legislações, nas áreas pertinentes, para lograr o fortalecimento do processo de integração. Presidência Pro-Tempore Conforme dispõe o artigo 5º do Protocolo de Ouro Preto, instrumento normativo de 1994 que define a estrutura institucional do Mercosul, a Presidência do Conselho do Mercado Comum é exercida por rotação dos Estados Partes, em ordem alfabética, pelo período de seis meses. A partir de agosto de 2006, a Presidência do Mercosul passa a ser exercida pelo Brasil, em um mandato que culminará na XXXI Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum e na Cúpula de Presidentes do Mercosul, em dezembro próximo. Trata-se de tarefa da mais alta responsabilidade para o País, na medida em que caberá ao Governo brasileiro, e aos representantes da sociedade civil que atuam no fortalecimento do processo de integração regional, conduzir a bom termo as negociações em andamento nos múltiplos foros do Mercosul. O objetivo último de cada Presidência Pro-Tempore é o de contribuir, nos planos econômico, comercial, social e político, para a implementação das metas de integração regional traçadas pelo Tratado de Assunção, de 1991, que criou o Mercado Comum do Sul (Mercosul). A questão Chile e Bolívia Chile é um parceiro não membro do MERCOSUL e a Bolívia é um parceiro a um passo da integração. O Chile já tem contatos e relações econômicas principalmente com o México (País integrante do NAFTA) e tenta contato com os Tigres Asiáticos. Já a Bolívia faz parte dos Países do Pacto Andino. E Nesse caso é uma situação mais delicada para tornar-se parceiro do MERCOSUL, pois uma das condições do Pacto Andino seria que nenhum país
  • 66.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 67 de 323 integrante poderia fazer parte de qualquer outro grupo comercial. O MERCOSUL segue uma nova tendência no mundo moderno, que é a união de várias nações em grupos ou blocos. É importante ressaltar que o objetivo do MERCOSUL não é isolar os países membros do resto do mundo e mudar somente o comércio, economia interna, mas sim, fortalece-los para melhor competir com os outros países e blocos econômicos. O Capitalismo está num estágio que pede a evolução do comércio internacional. E esse processo seria impossível ocorrer dentro dos limites de um país ou de uma região pequena. Simplesmente não haveria dinheiro suficiente para tal. Somente com a associação de várias economias é viável, hoje, obter-se tecnologias mais avançadas por um preço mais reduzido. Neste caso a cooperação viabiliza o processo de barateamento dos custos da produção de equipamentos cada vez mais modernos. Da mesma forma a união de empresários vai resultar em produtos mais baratos e competitivos internacionalmente. Por outro lado, assim como colocamos nossos produtos à disposição do resto do mundo, aqui também haverá uma injeção de produtos estrangeiros a preços baixíssimos que desafiará os fabricantes de nosso país a fazer produtos de qualidade com preços para concorrer com os internacionais. Quem só tem a ganhar é o consumidor, que leva produtos de melhor qualidade por preços reduzidos. O Paraguai possui o melhor algodão do planeta, o Uruguai um excelente rebanho bovino, o Brasil - o primeiro Parque Industrial dos países emergentes e a Argentina uma das agriculturas mais desenvolvidas do globo. Portanto, essa fase de unificação não é o último estágio. Não consiste apenas em criar um mercado de trocas e proteção mútua pura e simplesmente. A unificação é uma fase intermediária, que visa capacitar seus países componentes a enfrentar em condições adequadas a competição no mercado internacional, já que se anuncia ameaçadora para nações menos desenvolvidas. Se não for assim, a CE, NAFTA e Tigres Asiáticos, que já possuem níveis de desenvolvimento científico e tecnológico superior e são, por isso, mais competitivos, vão dominar ainda mais hegemonicamente o mercado mundial. E com evidentes - e graves - prejuízos para seus concorrentes: nós. Ou seja, à distância entre os países ricos e pobres aumentariam mais ainda. Nessa corrida a única saída é aliar-se pelo aprimoramento de sua produção, pela conquista de novos mercados, incremento da economia, e, por fim, pela garantia de uma vida mais digna para seus povos. Vale salientar também, que o MERCOSUL é um acordo recente e tem muito que crescer e se aperfeiçoar. Nós não podemos esquecer nossa cultura e deixar de ser brasileiros, mas precisamos nos lembrar que temos irmãos uruguaios, paraguaios, argentinos e agora também chilenos e bolivianos. Cronologia do Mercosul Em 1985, Brasil e Argentina assinam a Declaração de Iguaçu em 30 de novembro. A proposta era acelerar a integração dos dois países em diversas áreas (técnica, econômica, financeira, comercial, etc.) e estabelecia as bases para a cooperação no campo do uso pacífico da energia nuclear. Em 1988, os então presidentes do Brasil, José Sarney, e da Argentina, Raul Alfonsin assinam, em Buenos Aires, o Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento Brasil-Argentina. O acordo prevê a liberação completa do comércio de bens e serviços entre os dois países em no máximo dez anos, e tratava, também, das demais questões da agenda de um Mercado Comum.
  • 67.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 68 de 323 Em julho de 1990, os presidentes do Brasil, Fernando Collor, e da Argentina, Carlos Menem, assinam a Ata de Buenos Aires, antecipando para o final de 1994 o prazo para a formação do Mercado Comum entre os dois países. Em dezembro daquele mesmo ano, o Acordo de Complementação Econômica no 14 é firmado entre os dois países, instituindo um cronograma para a criação de uma Zona Livre de Comércio de bens até 31/12/94. Em 1991 o Paraguai e o Uruguai são incorporados ao processo de aproximação Brasil-Argentina. Nasce o MERCOSUL, tendo como objetivo central a constituição de um Mercado Comum (livre circulação de bens, serviços e fatores de produção). Em 1994 é assinado o Protocolo de Ouro Preto, que reconhece a personalidade jurídica de direito internacional do bloco, atribuindo-lhe competência para negociar, em nome próprio, acordos com terceiros países, grupos de países e organismos internacionais. Em 1996, em São Luis, na Argentina, é firmada a Declaração Presidencial sobre Diálogo Político. A declaração cria o Mecanismo de Consulta e Concertação Política ( MCCP), objetivando, entre outros, buscar coordenar posições sobre questões internacionais de interesse comum. Neste mesmo ano, a Bolívia se une aos demais membros do Mercosul como Estado associado e é seguido pelo Chile. Em 1997, é firmada a primeira norma de conteúdo sócio - laboral do Mercosul, o Acordo Multilateral de Seguridade Social do Mercado Comum do Sul, e cria-se o Observatório do Mercado de Trabalho. Em 1988, na cidade de Ushuaia, na Argentina, é firmada a Declaração Política do Mercosul, Bolívia e Chile como Zona de Paz, que registra entendimento no sentido de “fortalecer os mecanismos de consulta e cooperação sobre temas de segurança e defesa existentes entre seus membros, e promover sua progressiva articulação (...)”. No ano de 2000, junto aos associados Bolívia e Chile, o Mercosul proclama a “Carta de Buenos Aires sobre Compromisso Social” No ano de 2002 é firmado o Acordo de Complementação Econômica firmado entre a Comunidade Andina e o Mercosul, que abre possibilidades de negociação com todos os membros do bloco Andino. O Mercosul foi significativamente enfraquecido pelo colapso da economia argentina em 2002. Alguns críticos acreditam que a negativa de ajuda do governo Bush aquele país na época, foi baseada em um desejo de enfraquecer o Mercosul, já que, teoricamente, os EUA percebem a iniciativa deste mercado como um problema para a sua estratégia politico - econômica para a América Latina. No entanto, é mais provável que os Estados Unidos tenham deixado de ajudar a Argentina uma vez que esse país latino-americano não transmitia confiabilidade aos mercados internacionais, deixando de honrar seus compromissos financeiros em diversas ocasiões. Em 2003, o Peru torna-se Estado associado ao Mercosul. Pela primeira vez, o Conselho do Mercado Comum (CMC) sanciona uma norma sócio - laboral de aplicação direta, estabelecendo o “Repertório de Recomendações Práticas sobre Formação Profissional” no bloco. No ano de 2004, mais dois países se associam ao bloco: Colômbia e Equador. No mesmo ano, entra em vigor o Protocolo de Olivos, firmado em 2002, para criar o Tribunal Arbitral Permanente de Revisão do Mercosul, com sede em Assunção, no Paraguai. Uma das fontes de insegurança jurídica do Mercosul era a falta de um tribunal permanente. No fim do ano, os países membros assinam a Declaração de Cuzco, que lançou as bases da Comunidade Sul – Americana de Nações, entidade que unirá o Mercosul e o Pacto Andino em uma zona de livre comércio continental. Em 2005, a Venezuela protocola seu pedido de adesão ao bloco. Em novembro, a Colômbia ratifica em Tratado de Livre Comércio (TLC) com o Mercosul e, no mês seguinte,o presidente
  • 68.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 69 de 323 colombiano Álvaro Uribe firma a Lei 1.000, para a criação de uma zona de livre comércio entre a Comunidade Andina e o bloco. Em 2006, a Venezuela se junta a Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai como membro do Mercosul. Órgãos Decisórios Conselho do Mercado Comum (CMC): órgão supremo cuja função é a condução política do processo de integração. O CMC é formado pelos Ministros Exteriores e de Economia dos Estados Parte, que se pronunciam através de decisões. Grupo Mercado Comum (GMC): órgão decisório executivo, responsável por fizer os programas de trabalho, e de negociar acordos com terceiros em nome do Mercosul, por delegação expressa do CMC. Está integrado por representantes dos Ministérios de Relações Exteriores e de Economia, e dos Bancos Centrais dos Estados Parte. Comissão de Comércio do MERCOSUL (CCM): órgão decisório técnico, é o responsável por apoiar o GMC no que diz respeito à política comercial do bloco. Se pronuncia por Diretivas. Órgãos Consultivos Comissão Parlamentar Conjunta (CPC): de representação parlamentar, integrada por 64 parlamentares, 16 de cada Estado Parte. A CPC tem um caráter consultivo, deliberativo, e de formulação de declarações, disposições e recomendações. Foro Consultivo Econômico Social (FCES): órgão consultivo que representa os setores da economia e da sociedade, que se manifesta por recomendações ao GMC. Números do Mercosul Países membros: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Produto Interno Bruto (PIB): aproximadamente US$ 1 trilhão Comércio Global: mais de US$ 300 bilhões Mercado Potencial: 250 milhões de habitantes. Perpectivas do Mercosul Um esforço sério dos países membros para revitalizar o Mercosul deverá incluir necessariamente um trabalho de efetiva construção da União Aduaneira, a coordenação de políticas macro-econômicas, a criação de políticas industriais setoriais de integração e o aperfeiçoamento dos aspectos institucionais. Caso não se consiga avançar satisfatoriamente nessa direção, como parece ser a situação no atual momento, o Mercosul terá de ser reestruturado e, para isso, deveria ser convocada Conferência Diplomática a fim de negociar uma nova arquitetura institucional para o Mercosul. O artigo 47 do Protocolo de Ouro Preto e o parágrafo 12 da Declaração Presidencial da reunião do Conselho do Mercosul em Puerto Iguazu (dezembro de 2004) dão a base legal para o início de um esforço conjunto de reflexão em torno de uma visão de médio e longo prazo para o Mercosul. Esse esforço é ainda mais justificado na hipótese de a ALCA voltar a ter viabilidade política. No contexto dessa Conferência, deveria ser discutida a questão do processo decisório, um dos aspectos mais difíceis para o Brasil em um processo mais profundo de integração no âmbito do Mercosul. O sistema de tomada de decisão por consenso não poderá sustentar-se, caso haja avanços significativos na direção de um mercado comum. A exemplo do Mercado Comum Europeu, em seu início, o sistema de voto ponderado terá de ser introduzido para que o Congresso possa aprovar o futuro acordo na defesa do melhor interesse nacional.
  • 69.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 70 de 323 Na perspectiva extrema, se poderia inclusive contemplar a suspensão temporária e negociada da TEC (o que reduziria as fricções atualmente existentes em determinadas esferas com os outros três parceiros), confirmando o Mercosul como zona de livre comércio reforçada, como união aduaneira in pectore e como mercado comum prospectivo, a ser alcançado progressivamente segundo metas realistas e factíveis. Essa nova arquitetura institucional, a ser necessariamente objeto de um novo instrumento diplomático, confirmaria as metas integracionistas dos founding fathers do Mercosul, mas apresentaria uma certa flexibilidade evolutiva, suscetível eventualmente de acomodar situações que hoje causam tensão dentro do bloco, como a perfuração da TEC. Seria ainda um acordo-quadro, uma espécie de “constituição para o Mercosul”, mas reforçada por compromissos existentes e em curso de negociação, sob a forma de “protocolos setoriais” (em matéria de políticas comercial, industrial, agrícola, de concorrência, de investimentos, fiscal e monetária, entre outros) que consolidariam uma abordagem progressiva do projeto de mercado comum sub-regional. Caberia ao Brasil conduzir o processo de consultas iniciais e propor as principais características que deveria assumir o novo modelo institucional, combinando elementos do atual esquema integracionista (baseado no Tratado de Assunção e no Protocolo de Ouro Preto) com mecanismos a serem definidos oportunamente, em função das possibilidades de aperfeiçoamento do atual modelo híbrido de mercado comum intergovernamental. Finalmente, o Governo brasileiro, junto com os demais parceiros do Mercosul, deve propor, o mais rapidamente possível, a abertura de negociações com os países sul-americanos que negociaram acordos de livre comércio com os EUA, para, pelo menos, buscar a equiparação das tarifas de importação, a fim de recuperar a competitividade dos produtos brasileiros. Quando o acordo de livre comércio dos EUA com os países andinos for assinado, todos os países da América do Sul e da América Central, menos a Venezuela e o Mercosul, terão negociado a ampliação de seu acesso ao mercado norte-americano em troca de concessões tarifárias mais favoráveis do que as concedidas ao Mercosul, o que acarretará a erosão das margens de preferência, isto é, das vantagens tarifárias acordadas com os países da região no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração - ALADI. Questionário Que é o Mercosul? O Mercado Comum do Sul - MERCOSUL - é um processo de integração entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, criado com a assinatura do tratado de Assunção, em 26 de março de 1991. O Mercosul é hoje uma União Aduaneira, e seu objetivo final é evoluir à condição de Mercado Comum. O Mercosul é um acordo econômico ou um projeto político? Muito embora o Tratado de Assunção seja um acordo internacional de cunho marcadamente econômico, sua assinatura significou a coroação de um projeto estratégico regional de natureza igualmente política. O que o Brasil ganha com o Mercosul? A criação de blocos comerciais regionais constitui tendência que vem se consolidando há décadas. Nesse sentido, o Mercosul representa tanto um esforço de integração econômica que aproxima seus países membros dessa tendência mundial quanto um projeto de aproximação política no Cone Sul. Ao integrar-se ao Mercosul, o Brasil ganha peso nas negociações internacionais, já que passa a negociar não mais individualmente, mas como bloco diante de outros blocos econômicos. Seu poder de negociação é, portanto, potencializado. O bloco também representa um mercado potencial de 250 milhões de habitantes e um PIB acumulado de mais de 1 trilhão de dólares, o que o coloca entre as quatro maiores economias do mundo, logo atrás do Nafta, União Européia e Japão. Por essa razão, o Mercosul é hoje um dos principais pólos de atração de investimentos do mundo. Qual é o atual estágio de integração regional? O Mercosul se encontra, desde primeiro de janeiro de 1995, em uma etapa de integração
  • 70.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 71 de 323 definida como União Aduaneira. Qual é o objetivo final do Mercosul? A meta estabelecida pelo Tratado de Assunção é o estabelecimento de um Mercado Comum entre os Estados Partes do Mercosul. Todos os Estados tem os mesmos direitos e obrigações? O Tratado de Assunção e o Protocolo de Ouro Preto não estabelecem nenhum tipo de diferença entre os Estados Partes. Algum país membro pode abandonar o Mercosul ? Não existe nenhum impedimento, já que o próprio Tratado de Assunção prevê que um Estado Parte pode desvincular-se do processo através da denúncia do Tratado (artigo 21). O Mercosul tem personalidade jurídica? O Mercosul dispõe de personalidade jurídica de direito internacional desde a assinatura do Protocolo de Ouro Preto (artigo 34). A titularidade da personalidade jurídica do Mercosul é exercida pelo Conselho do Mercado Comum (artigo 8, III). O Grupo Mercado Comum pode negociar, por delegação expressa do Conselho do Mercado Comum, acordos em nome do Mercosul com terceiros países, grupos de países e organismos internacionais (artigo 14, VII). Quais são as principais fontes jurídicas do Mercosul? As principais fontes jurídicas do Mercosul são o Tratado de Assunção e seus protocolos e instrumentos adicionais ou complementares; as Decisões do Conselho do Mercado Comum, as Resoluções do Grupo Mercado Comum e as Diretrizes da Comissão de Comércio. Como se tomam as decisões no Mercosul? As decisões no Mercosul são tomadas por consenso e com a presença de todos os Estados Partes. As decisões são de natureza obrigatória, embora não tenham aplicação direta (precisam ser internalizadas). Como se dá a aplicação interna das normas emanadas dos Órgãos do Mercosul? O Protocolo de Ouro Preto estabelece o compromisso dos Estados Partes de adotar todas as medidas necessárias para assegurar o cumprimento das normas Mercosul em seus respectivos territórios (artigo 38). Na medida em que o sistema de tomada de decisões do Mercosul é inter-governamental (e não supranacional, como no caso da União Européia), torna-se necessária a incorporação das normas aprovadas no ordenamento jurídico de seus Estados Partes. O ato de incorporação dessas normas deverá ser comunicado à Secretaria Administrativa do Mercosul. Como será possível tomar conhecimento das Normas que emanaram dos órgãos do Mercosul? Serão publicadas no Boletim Oficial do Mercosul, editado pela Secretaria Administrativa do Mercosul as versões em espanhol e português de todas os atos normativos do Mercosul (Decisões, Resoluções e Diretrizes). Versões não oficiais podem ser consultadas em português neste site Banco de Normativas ou em ambas as línguas no site da Secretaria Administrativa do Mercosul .. O que representa o Mercosul na América do Sul? O Mercosul representa cerca de 70% do território, 64% da população, 60% do PIB da América do Sul. Qual é o tamanho do Mercosul? Área: 11,9 milhões de quilômetros quadrados; Países membros: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Produto Interno Bruto (PIB): aproximadamente US$ 1 trilhão Comércio Global: mais de US$ 300 bilhões Mercado Potencial: 250 milhões de habitantes.
  • 71.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 72 de 323 Quais órgãos formam a estrutura institucional do Mercosul? O Protocolo de Ouro Preto definiu a estrutura do Mercosul da seguinte forma: Conselho do Mercado Comum (CMC): é o órgão máximo do Mercosul, ao qual cabe a condução política do processo de integração. O CMC é formado pelos ministros das Relações Exteriores e da Economia dos países membros; Grupo Mercado Comum (GMC): é o órgão executivo do Mercosul, coordenado pelos Ministérios de Relações Exteriores de cada país; Comissão de Comércio do Mercosul (CCM): é o órgão encarregado de assistir ao Grupo Mercado Comum na aplicação dos instrumentos de política comercial comum; Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul: é o órgão de representativo dos Parlamentos dos Países do Mercosul; Foro Consultivo Econômico e Social do Mercosul: é o órgão de representação dos setores econômicos e sociais. Tem função consultiva elevando recomendações ao GMC. Secretaria Administrativa do Mercosul (SAM): é o órgão de apoio operativo, responsável da prestação de serviços aos demais órgãos do Mercosul. Tem sua sede permanente na cidade de Montevidéu. Qual é a estrutura do Grupo Mercado Comum? O Grupo Mercado Comum é assessorado em suas atividades por Subgrupos de Trabalho, Reuniões Especializadas e Grupos Ad Hoc, entre outros. Cada um desses foros auxiliares trata de temas específicos: Subgrupos de Trabalho (SGT): SGT 01- Comunicações SGT 02- Aspectos Institucionais SGT 03- Regulamentos Técnicos SGT 04- Assuntos Financeiros SGT 05- Transportes SGT 06- Meio Ambiente SGT 07- Indústria SGT 08- Agricultura SGT 09- Energia e Mineração SGT 10- Assuntos Trabalhistas, Emprego e Seguridade Social SGT 11- Saúde SGT 12- Investimentos SGT 13- Comércio Eletrônico SGT 14- Acompanhamento da Conjuntura Econômica e Comercial Reuniões Especializadas: Ciência e Tecnologia, Cooperativas, Turismo, Mulher, Promoção Comercial, Municípios e Prefeituras, Infra-estrutura da Integração e Drogas, Prevenção e Reabilitação de Dependentes Grupos Ad-Hoc: Açúcar, Relações Externas, Compras Governamentais e Concessões, Integração Fronteiriça Comitê de Cooperação Técnica Grupo de Serviços Comissão Sócio-Laboral. Como se solucionam os conflitos entre os Estados Partes do Mercosul? De acordo com o Protocolo de Ouro Preto, as controvérsias que surjam entre os Estado Partes sobre a interpretação, aplicação ou não cumprimento das disposições contidas no Tratado de Assunção, assim como: Decisões CMC, Resoluções GMC, Diretrizes CCM serão submetidas aos procedimentos de solução estabelecidos no Protocolo de Brasília, aprovado em 17/12/1991. Como serão solucionados os conflitos que venham a existir entre o Mercosul e terceiros países? Toda a controvérsia surgida entre um país do Mercosul e um terceiro país será solucionada no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC). Nos casos de Bolívia e Chile, os conflitos podem ser resolvidos ao amparo dos regimes de solução de controvérsias previstos nos acordos de livre comércio celebrados com o Mercosul (a saber, os 21º e 22º Protocolo ao ACE-35, no caso do Chile, e o 11º Protocolo Adicional ao ACE-36, no caso da Bolívia, ambos textos disponíveis na página www.aladi.org)
  • 72.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 73 de 323 Qual é a diferença entre Zona de Livre Comércio, União Aduaneira e o Mercado Comum? Uma Zona de Livre Comércio é a etapa ou tipo de integração em que são eliminadas todas as barreiras ao comércio entre os membros do grupo. A União Aduaneira é a etapa ou tipo de integração em que, além do livre comércio entre os membros do grupo, existe a aplicação de uma Tarifa Externa Comum (TEC) ao comércio com terceiros países. No Mercado Comum, além da TEC e do livre comércio de bens, existe a livre circulação de fatores de produção (capital e trabalho). O que é uma tarifa? É o nível de imposto cobrado para a entrada de mercadorias em um país. O que são tarifas ad-valorem? É a tributação que se faz de acordo com o valor da mercadoria importada, e não por seu volume, peso, espécie ou quantidade. É usada geralmente por ser transparente, acompanhando a evolução dos preços, e não discriminatória. O que é uma Tarifa Externa Comum -TEC? É uma tarifa comum cobrada por um grupo de países sócios que exigem o mesmo imposto a entrada de mercadorias provenientes de terceiros países. O que é Dumping? É a venda em um mercado estrangeiro de um produto a preço abaixo de seu valor normal, preço que geralmente se considera menor do que o que se cobra pelo produto dentro do país exportador, ou em sua venda a terceiros países. De modo geral, o dumping é reconhecido como uma prática injusta de comércio, passível de prejudicar os fabricantes de produtos similares no país importador. O que são Subsídios? São benefícios econômicos que um governo concede aos produtores de bens, muitas vezes para fortalecer sua posição competitiva. O subsídio pode ser direto (subvenção em dinheiro) ou indireto (créditos à exportação com juros baixos, por exemplo). Quais são os principais instrumentos de defesa comercial? Os principais mecanismos disponíveis para fazer frente a práticas desleais de comércio são: o direito antidumping, o direito compensatório e a salvaguarda. O que são direitos compensatórios? São direitos especiais que se fazem incidir sobre as importações, a fim de contrabalançar os benefícios de subsídios concedidos aos produtores e/ou exportadores do país exportador. O que são Salvaguardas? É um instrumento de defesa comercial que consiste na aplicação de medidas temporárias e seletivas, tais como tarifas ou restrições quantitativas (quotas), destinadas a dificultar a entrada de produtos importados que estejam ameaçando a produção nacional de bens similares. O que é Regime de Exceção? É o mecanismo que exonera a aplicação da Tarifa Externa Comum a um número limitado de produtos provenientes de terceiros países. É em geral utilizado por um país para proteger setores de sua economia. O que é Regime de Adequação? É um mecanismo de transição, criado em 1994, que permitiu aos países membros do Mercosul a elaboração de listas de produtos que só teriam tarifa zero no comércio intrazona em 1998 e 199. O Regime de Adequação para o livre comércio intrazona terminou em janeiro de 1998, para Argentina e Brasil, e em janeiro de 1999, para Paraguai e Uruguai. O que são restrições não-tarifárias? São disposições legais não tributárias que têm por objetivo central limitar a importação de
  • 73.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 74 de 323 mercadorias por determinado país (quotas ou anuências prévias para importação, por exemplo). O que são medidas não-tarifárias? São dispositivos legais que têm por objetivo central estabelecer controles técnicos às importações de mercadorias por determinado país. Embora tenham como efeito colateral uma limitação às importações, as medidas não-tarifárias visam a finalidades muito distintas (saúde, segurança, proteção ao meio ambiente). As principais medidas não-tarifárias são os controles zoo e fitossanitários (controle de condições sanitárias de produtos de origem animal e vegetal). O que é Regime de Origem? É um mecanismo estabelecido para determinar se um produto é ou não originário de um país (ou região, no caso do Mercosul). O Regime de Origem do Mercosul segue a seguinte regra básica: é considerado originário da região qualquer produto que tenha pelo menos 60% de valor agregado regional. O Mercosul terá algum dia uma moeda única? O objetivo de se estabelecer uma moeda única para o Mercosul ainda é remoto. No entanto, tem avançado bastante o exercício de coordenação macroeconômica entre os quatro países-membros, que é condição indispensável para qualquer política de unificação monetária. (notíciário) 10/02/2010 Manchete: China já é o maior país exportador do mundo Agora é oficial: a China é a maior exportadora do mundo, superando Alemanha e Estados Unidos. Em 20 anos, Pequim multiplicou por 20 suas exportações e sobrepujou tradicionais potências europeias e os americanos. Resumo: A China também caminha para ultrapassar os japoneses e ocupar a posição de segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Os dados sobre o comércio mundial foram confirmados nesta terça-feira diante da constatação das autoridades alemãs de que as exportações do país sofreram em 2009 a maior queda desde os anos 50. Segundo o departamento de estatísticas da Alemanha, as vendas chinesas atingiram US$ 1,201 trilhão em 2009. Já as exportações alemãs foram de US$ 1,121 trilhão no ano passado. Parte da posição de número um da China é resultado da recessão que atingiu o mundo entre 2008 e 2009. Nos últimos anos, a expansão das exportações alemãs tem sido o pilar da economia do país. Mas a recessão gerou uma reviravolta no modelo de crescimento defendido pela chanceler Angela Merkel. En 2009, os alemães - que lideravam o ranking mundial de vendas externas desde o início da década - registraram uma queda de 18,4% em suas exportações. Já as importações recuaram 17,2%. O ano passado ainda marcou a recessão mais intensa na economia alemã desde a 2ª Guerra, com uma contração de 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2009, 62% das vendas dos alemães foram para outros países europeus. Isso ainda garantiu um superávit de 136,1 bilhão para as contas do país. Mas o saldo positivo é 40 bilhões abaixo dos níveis de 2008. A maior economia da Europa ainda teve uma alta de 3,4% nas exportações em dezembro de 2009, o primeiro sinal positivo desde outubro de 2008. Já a China era apenas o sétimo maior exportador do mundo há dez anos, com US$ 250
  • 74.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 75 de 323 bilhões em vendas e 4% do mercado mundial. Em 1990, a China exportou apenas US$ 62 bilhões, 20 vezes menos que os níveis de 2009. A China é a principal parceira comercial do Brasil e já substituiu os americanos como o principal fornecedor de mercadorias para a Europa. A distância entre Brasil e China também se ampliou. Em 1990, o Brasil exportava um terço do valor vendido pela China. Em 2009, Pequim exportou oito vezes mais que as empresas brasileiras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 10/02/2010 Manchete: NET registra lucro de mais de R$ 300 milhões no quarto trimestre. A operadora de TV por assinatura NET registrou em 2009 lucro líquido de R$ 735,9 milhões, ante lucro de R$ 20 milhões no ano anterior. No demonstrativo publicado nesta quarta-feira nos jornais, segundo a legislação societária brasileira, o resultado teria sido de R$ 778,188 milhões, ante prejuízo de R$ 95,006 milhões do ano anterior. No quarto trimestre, o lucro líquido somou R$ 305,8 milhões, após o prejuízo de R$ 76 milhões registrado no mesmo período de 2008. Resumo: O Ebitda (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1,242 bilhão em 2009, com alta de 27% ante 2008. No quatro trimestre, ficou em R$ 368 milhões, com alta de 27% sobre o mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda foi de 28% no último trimestre do ano passado e de 27% em 2009, ante 27% nos mesmos períodos de 2008. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 41,1 milhões no 4º trimestre, mas ainda assim uma redução de 77,5% ante o resultado negativo em igual período de 2008 (despesa de R$ 182,9 milhões). A companhia saiu de uma despesa financeira líquida de R$ 318,526 milhões em 2008 para um resultado positivo de R$ 65,4 milhões em 2009. A base de TV por assinatura fechou 2009 com 3,7 milhões de assinantes, alta de 20% em relação a 2008. Em banda larga, o crescimento foi de 30%, encerrando o ano com 2,9 milhões de clientes. Em telefonia fixa, a NET registrou 2,6 milhões de clientes em 2009, um aumento de 42% em relação ao ano anterior. 09/02/2010 Manchete: McDonald's vai fechar 430 lanchonetes no Japão. Resumo: Segundo o texto, o grupo, no entanto, continuará promovendo sua estratégia de desenvolvimento de franquias McDonald's Japan, filial do grupo de fast food McDonald's no Japão, vai fechar 430 de suas lanchonetes em um ano, anunciou nesta terça-feira um comunicado com os resultados consolidados de 2009. Segundo o texto, o grupo, no entanto, continuará promovendo sua estratégia de desenvolvimento de franquias. Segundo as cifras publicadas pela McDonald's Japan, o número de locais diretamente gerenciados pelo grupo japonês já foi reduzido em 465 em um ano, passando de 2.166 a 1.705. O grupo americano possui 32.000 lanchonetes no mundo, dos quais 80% são administrados sob a forma de franquia 07/02/2010 Manchete: Setor de telemarketing lidera ofertas de emprego no Brasil. Calcula-se que este segmento empregue hoje cerca de 850 mil trabalhadores em todo o território nacional.
  • 75.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 76 de 323 Com três mil vagas disponíveis no Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT), na capital paulista, o setor de telemarketing lidera a lista das ofertas de emprego, afirmou o gerente do CAT regional norte, André Bucater. Calcula-se que este segmento empregue hoje cerca de 850 mil trabalhadores em todo o território nacional. Até o fim deste ano, conforme o CAT, este número deve chegar a algo em torno de 1,2 milhão. Só no Estado de São Paulo são 380 mil funcionários e na Região Metropolitana da capital, 250 mil. Cerca de 70% dos empregados no telemarketing têm de 18 a 26 anos e 76% são mulheres. A média de permanência de um funcionário em uma empresa de telemarketing varia de três a sete anos, com salários variando, na média, entre R$ 750,00 e R$ 1.200. As informações são da Agência Brasil. 06/02/2010 Manchete: British Telecom entra na telefonia fixa no Brasil. Serviço será oferecido somente para grandes empresas, por meio da unidade BT Global Services. Resumo: A British Telecom (BT), maior operadora de telecomunicações do Reino Unido, resolveu operar telefonia fixa no Brasil. O serviço no entanto, será oferecido somente para grandes empresas, por meio de sua unidade BT Global Services. “Com a telefonia fixa, poderemos oferecer um pacote completo de serviços IP (sigla em inglês de protocolo de internet) no Brasil”, disse Jacinto Cavestany, vice-presidente da companhia para a Ibéria e América Latina. Anteriormente, a companhia tinha de atender aos seus clientes com linhas de concorrentes como a Oi e a Telefônica A BT tem uma licença nacional de telefonia fixa, mas o serviço estará disponível inicialmente só em três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. “Aumentaremos a cobertura de acordo com a demanda”, disse Sérgio Paulo Gallindo, diretor geral da BT Brasil. A companhia possui um código de discagem de longa distância, o 47 Em dezembro, havia 41,7 milhões de telefones fixos em serviço no País, segundo a consultoria Teleco. O mercado ainda é bastante concentrado, com 80% dos acessos nas mãos da Oi e da Telefônica. A entrada da BT nesse mercado não deve mudar muito esse quadro, por causa do foco da companhia em grandes empresas. Mas a licença torna a BT mais competitiva, pois ela deixa de depender dos rivais para oferecer linhas fixas. “Podemos melhorar nossa oferta em qualidade e preço”, afirmou Gallindo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo 06/02/2010 Manchete: Risco Europa já é maior do que o do Brasil. O crescente temor sobre a situação fiscal de vários países europeus transformou em realidade algo impensável. Resumo: O crescente temor sobre a situação fiscal de vários países europeus - que voltou a castigar os mercados globais ontem (05/02) -, aliado à melhora das condições macroeconômicas brasileiras nos últimos anos, transformou em realidade algo impensável há não muito tempo: os investidores temem mais um calote de Portugal, Espanha, Irlanda, Itália e Grécia do que do Brasil. É o que revelam os dados da medida de risco mais usada no mercado global atualmente. Trata-se do prêmio expresso nas negociações de um instrumento derivativo chamado de CDS (do inglês, credit default swap). Em uma definição coloquial, o CDS pode ser traduzido como um seguro anticalote. Exemplo prático: um banco empresta dinheiro para um país e, ao mesmo tempo, compra um CDS de um investidor. Se o tal país não honrar seu compromisso, o banco vai ao investidor cobrar o prejuízo. No auge da crise global, em outubro de 2008, o prêmio do Brasil chegou a 355 pontos - ou seja, o investidor que comprava seguro contra eventual inadimplência brasileira pagava 3,55 pontos porcentuais a mais de juros sobre o CDS dos Estados Unidos, referência do mercado.
  • 76.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 77 de 323 Na mesma época, o CDS de Portugal era de 85 pontos, da Espanha, 82, da Irlanda, 113, da Itália, 117, e da Grécia, 134 pontos. Ontem, esses valores eram, respectivamente, de 150 (Brasil), 227 165, 169, 155 e 415 pontos. “Há duas explicações para a melhora do risco brasileiro em comparação com o desses países: de um lado, o Brasil saiu fortalecido da crise e tem boas perspectivas de crescimento; de outro, essas nações europeias enfrentam enorme desafio fiscal”, explicou a economista-chefe do banco ING Zeina Latif. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo 05/02/2010 Manchete: Golpes envolvendo seguros crescem 43,2% no Brasil. Os golpes envolvendo seguros - de vida, residencial ou de veículos - cresceram 43,2% entre 2008 e 2009. Resumo: Os golpes envolvendo seguros - de vida, residencial ou de veículos - cresceram 43,2% entre 2008 e 2009. A Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão público responsável pela fiscalização e controle do setor, recebeu 1.832 denúncias de vítimas de falsos corretores no ano passado. O Estado de São Paulo responde por 50% desse fluxo de golpes e denúncias, segundo o Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP). A alta dos golpes fica evidenciada também pelo número de corretores com registro cassado, que subiu de 31 em 2008 para 42 no ano passado no Estado. “Esse é um número baixo se comparado à base de 28 mil corretores que existem no Estado, mas alto se comparado à média de uma ou duas cassações por ano, que tínhamos até 2000”, diz Leôncio de Arruda, presidente do Sincor-SP. Segundo Arruda, em geral os golpistas têm conhecimento do mercado. “São ex-funcionários de seguradoras e pessoas ligadas ao mercado, que sabem qual é a abordagem com o cliente”, afirma. O elemento comum a todos os golpes são sempre as vantagens oferecidas à vítima. Saldos a receber, prêmios especiais e preços muito abaixo dos praticados no mercado são as principais características das fraudes com seguros. A coordenadora de atendimento da Susep, Glória Barbosa da Silva, diz que o golpe mais aplicado é aquele em que falsos corretores ligam para as vítimas e dizem que elas têm algum valor a receber da seguradora, mas que, para isso, precisam fazer um depósito para a suposta seguradora. “As principais vítimas são aposentados e pessoas idosas, que são mais crédulas”, diz. Viúvas e pessoas com menos experiência em seguros também são alvos preferenciais dos golpistas. Fiscalização O combate à fraude é dificultado porque os golpistas são cautelosos. “É muito difícil provar esse tipo de golpe, porque os fraudadores tomam precauções para não serem rastreados, só usam celular e e-mails como forma de comunicação”, diz Danilo Sobreira, assistente da diretoria da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados (Fenacor). A principal arma do consumidor é a informação. “Quando alguém oferecer um seguro com descontos acima de 40% do valor do mercado, desconfie”, recomenda Arruda. Outra dica que ele dá é em relação à abordagem do golpista. “Se alguém diz que é corretor de determinada seguradora já é golpe, porque o corretor não pode ser vinculado a uma seguradora.” As informações são do Jornal da Tarde 03/02/2010 Manchete: Novas notas de real terão tamanhos diferentes O objetivo é reduzir o risco de falsificação; cédulas terão tamanhos diferentes, conforme o valor de face Resumo: A nova família do real, anunciada hoje (03/02) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, terá cédulas de
  • 77.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 78 de 323 tamanhos diferentes, conforme o valor de face da nota. O objetivo é reduzir o risco de falsificação, nos casos em que cédulas de menor valor são 'lavadas' em processos químicos e reimpressas com valor maior. Essa característica já é usada na Europa, onde a cédula do euro tem tamanho crescente, conforme o valor. No Brasil, essa característica será igual, com células maiores para valores maiores. A nova família do real, no entanto, manterá as cores e os temas das notas atuais. Também serão mantidos os animais impressos no verso, como a onça pintada na nota de R$ 50 e a garoupa na cédula de R$ 100. As notas terão novas características de segurança e continuarão com elementos para identificação de deficientes visuais 05/02/2010 Manchete: Petrobras perdeu US$ 12 bilhões em valor de mercado em um dia, diz consultoria Perda foi a maior entre empresas de capital aberto das Américas. Valor de mercado da Vale recuou quase US$ 10 bilhões. Resumo: A quinta-feira (4) de forte queda nas bolsas de valores resultou em reduções acentuadas no valor de mercado das maiores empresas brasileiras. O movimento foi liderado pela petrolífera Petrobras, que perdeu quase US$ 12 bilhões em um só dia. Segundo levantamento da consultoria Economatica, a empesa perdeu US$ 11,956 bilhões em valor de mercado em 4 de fevereiro, dia em que a Bovespa registrou queda 4,73%, a maior desde outubro do ano passado. O valor de mercado da companhia foi reduzido de US$ 174,637 bilhões para US$ 162,681 bilhões. A queda no valor de mercado da Petrobras foi a maior registrada entre as empresas de capital aberto da América Latina e dos Estados Unidos, segundo o levantamento. A mineradora Vale aparece em segundo lugar do ranking, com perda de US$ 9,823 bilhões, seguida pela norte-americana Exxon Mobil, que “encolheu” US$ 8,925 bihões. = Entre as 30 maiores quedas da região, outras quatro são de empresas brasileiras: Banco Santander, na 16ª colocação, com queda de US$ 4,074 bilhões; o Itau-Unibanco, na 20ª colocação, com queda de US$ 3,644 bilhões; Ambev na 28ª colocação, com US$ 3,233 bilhões de queda; e a OGX Petróleo, na 30ª colocação, com queda de US$ 3,008 bilhões. 02/02/2010 Manchete: Mantega admite aumentar juros para conter inflação Resumo: O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira que o Brasil está cumprindo as metas de inflação e que isso será mantido em 2010. O objetivo será cumprido mesmo que, para isso, as taxas básicas de juros tenham que sofrer aumento. Para este ano, está previsto inflação em torno de 4,5%. Não acredito que fique mais alta do que isso, mesmo com a economia crescendo de 5% a 5,5%, disse. Se houver problema de inflação, o Banco Central vai aumentar os juros, mas espero que não precise, afirmou, ao lado do presidente do BC, Henrique Meirelles, e para uma plateia de empresários, em São Paulo. De acordo com o IPC da Fipe, os preços em São Paulo fecharam janeiro com expansão de 1,34%. O ministro afirmou ainda que o governo vai cumprir a meta de superavit primário, de 3,3%, à risca, em 2010, mostrando que o Brasil é um país fiscalmente responsável e vai continuar nesta trilha diminuindo a relação divida PIB e, portanto, mantendo as contas públicas mais sólidas no país. 02/02/2010
  • 78.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 79 de 323 Manchete: Chávez poupa residências de racionamento de energia Resumo: Com a popularidade em queda e enfrentando dificuldades administrativas em pleno ano eleitoral, o governo Hugo Chávez divulgou neste domingo à noite um novo plano de racionamento para Caracas, que deixará de fora setores de alta sensibilidade social. A medida, que afeta a capital do país, foi divulgada só por uma nota no site da Agência Bolivariana de Notícias (ABN), apesar de Chávez ter tratado da falta de energia em boa parte do seu programa de TV dominical, Alô, Presidente. O novo plano prevê que os grandes consumidores de Caracas reduzam o consumo de energia em 20%, deixando de fora pequenos comércios, o setor residencial e setores de alta sensibilidade social, segundo a ABN. O governo, porém, não especificou quem será afetado nem quando o plano entrará em vigor. É o terceiro plano de racionamento para Caracas -nos anteriores, Chávez recuou devido à má reação da opinião pública. Em dezembro, o governo determinara que os shopping centers fechassem às 21h, o que deixaria a cidade praticamente sem cinemas abertos à noite. Ao mesmo tempo, fechariam bares e outros centros de diversão noturna que funcionam nos shoppings. A restrição foi cancelada antes de ser implantada. Em meados do mês passado, Chávez lançou um duro plano de racionamento, que deixaria praticamente todo o país, incluindo Caracas, sem luz durante quatro horas a cada dois dias, num sistema de rodízio por partes da cidade. Dessa vez, o novo recuo na capital (o programa foi mantido no resto do país) veio acompanhado da demissão do ministro da Energia Elétrica, Ángel Rodríguez. Junto com o racionamento, Chávez vem tentando aumentar a produção elétrica do país. Amanhã, conforme a Folha antecipou, uma comitiva venezuelana chega a Brasília para se reunir com técnicos brasileiros. Na agenda, a busca de apoio técnico para a usina de Guri, que abastece 70% do país, mas sofre com a falta de chuvas. O Brasil também deve ajudar a reformar as sucateadas usinas termelétricas do país. Anteontem, Chávez anunciou um fundo emergencial de US$ 1 bilhão, para ser usado na produção de energia elétrica a curto prazo, por meio de usinas termelétricas. A crise energética, o aumento da violência, o racionamento de água em Caracas e a pressão inflacionária vêm minando a popularidade de Chávez, que, segundo o instituto Datanálisis, está em 46%. Apesar de relativamente alta, é a primeira vez que se situa abaixo dos 50% em cinco anos. Na capital venezuelana, a deterioração de sua popularidade remonta a 2007, quando Chávez foi derrotado no referendo sobre a reforma constitucional. Em 2008, a oposição venceu em 4 dos 5 municípios e ainda arrebatou o governo distrital de Caracas. Em setembro, a Venezuela volta às urnas para eleger a nova Assembleia, hoje controlada pelo chavismo. 02/02/2010 Manchete: Exportações caem com crise e derrubam produção industrial, diz IBGE Resumo: O bom desempenho do mercado interno não foi suficiente para conter o estrago que a crise provocou na demanda externa, e foram justamente os setores mais dependentes das exportações que influenciaram diretamente o pior desempenho da industria brasileira desde 1990. A produção industrial em 2009 registrou queda de 7,4% ante 2008, primeira resultado negativo desde 1999, quando a indústria havia tido retração de 0,7%.
  • 79.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 80 de 323 A redução dos investimentos e a menor demanda externa foram decisivos para que a indústria apresentasse esse desempenho. Ao logo do ano, já nota-se uma retomada dos investimentos, mas as exportações ainda não reagiram no mesmo ritmo, afirmou Isabella Nunes, coordenadora da PIM (Pesquisa Industrial Mensal). Ao mesmo tempo, os dados referentes à segunda metade de 2009 mostram claramente uma recuperação da indústria. No primeiro semestre, a produção industrial caiu 13,4% em relação a igual período em 2008. Na segunda metade de 2009, a retração da indústria foi de 1,7%. O setor industrial foi o mais atingido pela crise. Houve queda em diversos países do mundo. No Brasil, já vemos um movimento de recuperação, com uma retomada consistente, com qualidade e retomada dos investimentos, afirmou Isabella Nunes, coordenadora da PIM (Pesquisa Industrial Mensal). Ela acentuou que, diante os ajustes na indústria em função da crise, a queda de 7,4% em 2009 pode ser considerada normal. Acrescentou também que o cenário macroeconômico atual é bem diferente do que era notado em 1990, e que isso vem permitindo que a indústria reencontre o rumo do crescimento de forma mais rápida e mais robusta. A indústria de bens de capital, por exemplo, despencou 17,4% em 2009. No primeiro semestre, essa redução foi de 22,9%. De julho a dezembro, o ritmo de queda foi menor, com essa produção apresentando variação negativa de 12,3%. No ano, a retração mais expressiva foi observada na produção de máquinas e equipamentos, que despencou 18,5%. Juntamente com os bens de capital, os bens intermediários representam cerca de 70% da indústria. O desempenho desse segmento também foi decisivo para que a indústria tivesse o pior desempenho em 19 anos. A produção de bens intermediários teve redução de 8,8%, influenciada principalmente pelo desempenho da indústria de metalurgia básica, que caiu 17,4% frente a 2008. No primeiro semestre, a queda entre os intermediários foi de 15,7%. Já na segunda metade do ano, a retração foi de 1,9%. A redução da produção de veículos automotores (-12,4%) puxou o resultado negativo dos bens de consumo duráveis, que apresentaram queda de 6,4% ao longo de 2009, na comparação com o ano anterior. A produção de material eletrônico e equipamentos de comunicações registrou queda de 25,5%, impactada pela baixa nas exportações de telefones celulares. A manutenção do consumo do mercado interno, em função da manutenção do nível de emprego e renda do brasileiro, fez com que a produção de semi e não duráveis caísse de forma menos intensa, com redução de 1,6% frente a 2008. 02/02/2010 Manchete: Bancos do Brasil são mais saudáveis que os dos EUA, dizem analistas Regulação mais forte, menor liberdade para arriscar e uso restrito de operações financeiras complexas. Esse tripé ajudou o setor bancário brasileiro a sair praticamente ileso da crise mundial e o faz ser mais “saudável” na comparação com o norte-americano, segundo analistas. Isso não significa que o segmento esteja imune a ataques e que não possa melhorar. Resumo: Para especialistas, as medidas que vêm sendo propostas pelo governo dos Estados Unidos para reforçar a regulação do setor bancário são, em geral, positivas. Mas eles acreditam que o Brasil não precisa de reformas profundas, por estar um passo à frente em controle de risco. “Nos Estados Unidos a postura dos reguladores é mais flexível e, além disso, havia bancos com índice muito alto de alavancagem”, disse o economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg. “No Brasil, nosso próprio histórico de crises gerou uma postura mais cautelosa.”
  • 80.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 81 de 323 Banco Central e Basileia Entre os ingredientes locais de maior rigidez, conta o presidente da consultoria Austin Asis, Erivelto Rodrigues, está o controle das instituições federais. “Nos Estados Unidos, os bancos de investimento, que assumem os maiores riscos, não são controlados pelo Banco Central (BC) local, o Federal Reserve (FED), mas sim pela Comissão de Valores Mobiliários do país, a Securities and Exchange Commission.” O FED regula apenas os bancos comerciais. No Brasil, é o BC que fiscaliza todos os tipos de instituições financeiras. Outra questão que dá mais segurança ao sistema brasileiro é o nível máximo que uma instituição financeira pode emprestar em relação a seu patrimônio, o chamado Índice de Basileia. No Brasil o limite é 11%, o que significa que para cada R$ 11 de patrimônio, o banco pode conceder no máximo R$ 100 em crédito. Já nos Estados Unidos esse indicador é menor, de 8%, o que amplia a possibilidade de tomada de risco. O Brasil tem ainda, segundo Rodrigues, um controle maior no monitoramento de fundos mantidos por bancos de investimento. “Aqui esses instrumentos são marcados a mercado, ou seja, seu valor precisa ser informado diariamente.” Nos Estados Unidos não há a necessidade diária. Além disso, Sardenberg conta que a supervisão no mercado local é mais rigorosa. O executivo, que já foi diretor financeiro e de relações com investidores do Banco Nossa Caixa, conta que o BC mantinha equipes dentro da instituição financeira para monitorar os sistemas. Os sistemas regulatório e financeiro norte-americanos refletem a idéia de que quem faz melhor é sempre o mercado, o que permitiu a certas instituições crescerem como cresceram”, complementa Mônica Baumgarten de Bolle, sócia da Galanto Consultoria e especialista em crises financeiras. Estatais ajudam Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, outra vantagem do sistema brasileiro é a própria existência dos bancos estatais. “Pode parecer estranho dizer isso no mercado financeiro, mas o uso das instituições estatais ajudou o Brasil a interromper uma provável crise de crédito.” Segundo ele, nenhum banco privado empresta dinheiro num cenário de aumento de desemprego, inadimplência e risco. “Mas Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, instigados pelo governo, não deixaram de conceder crédito, o que aliviou os sintomas da crise.” 29/01/2010 Manchete: PIB dos EUA fecha 2009 com queda de 2,4%, a maior desde 1946 Desde 1991 a economia dos EUA não registrava contração. No quarto trimestre, no entanto, PIB teve expansão de 5,7%. Resumo: A economia dos Estados Unidos ficou 2,4% menor em 2009 na comparação com o ano anterior, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29), para US$ 14,3 trilhões. Em 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) havia crescido 0,4%. Foi a primeira queda anual registrada pelo PIB dos Estados Unidos desde 1991, quando a contração foi de 0,2%. A queda, no entanto, foi a mais acentuada desde 1946, quando a economia se reduziu em 10,9%. Os dados fazem parte da primeira estimativa do PIB para o quarto trimestre a ainda passarão por duas revisões. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, a queda no PIB no ano passado reflete contribuições negativas de investimento, exportações, e consumo pessoal, que foram parcialmente compensadas pelos gastos do governo. As importações, que ajudam a reduzir o cálculo do PIB, também tiveram queda.
  • 81.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 82 de 323 19/01/2010 Manchete: Gigante aérea japonesa 'quebra' e anuncia programa de recuperação Japan Airlines passará por reestruturação e terá nova administração. Graças a ajuda de fundo do governo, empresa continuará voando. Resumo: A concordata é um recurso legal que empresas utilizam quando não conseguem mais pagar suas dívidas para continuar em atividade. O pedido de concordata durante o processo de falência permite manter a empresa em funcionamento. Na falência, cessam todas as atividades da empresa. 16/12/2009 Manchete: Desigualdade cresce em cidades do Sudeste A desigualdade de renda entre as cidades brasileiras cresceu no Sudeste e diminuiu nas regiões Norte, Sul e Centro-Oeste. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga nesta manhã a mais recente fotografia do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios, com informações de 2007. Cinco municípios correspondem a quase um quarto da economia do País Os 10% municípios que mais produziram riquezas no Sudeste concentraram 39,2 vezes mais renda que os 50% das cidades com menor Produto Interno Bruto (PIB). Em 2003, a renda dos mais ricos superou em 36 vezes a dos mais pobres, passando a 38,5 vezes em 2006. No Brasil todo, em média, o PIB dos maiores produtores foi 24 vezes maior do que a geração de valor pelos menores. No Norte, esta razão recuou de 12,8 para 12,4, enquanto no Sul houve queda ligeira de 13 para 12,6 e, no Centro Oeste, a concentração diminuiu de 21,3 para 20,8. Mesmo com a tendência, no Norte e Nordeste, os cinco municípios com as maiores economias concentravam mais de 50% do PIB de seus estados. De acordo com o IBGE, os cinco municípios brasileiros com o maior PIB responderam por 25% do total de riquezas em 2007 - praticamente o mesmo resultado do ano anterior. São Paulo lidera o ranking, com 12% do PIB do País. Rio de Janeiro ainda possui o segundo maior PIB (5,2%), seguido de Brasília (3,8%) e Belo Horizonte e Curitiba, empatados com 1,4% do PIB. Já os 1.342 municípios com as menores economias responderam por 1% do PIB do país, o mesmo que o verificado no ano anterior. Os cinco municípios de menor PIB, segundo o IBGE, em 2007, foram Olho d´Água, São Luís, São Miguel da Baixa Grande, e Santo Antônio dos Milagres, os quatro no Piauí, e Areia de Baraúnas, na Paraíba. Esses municípios representavam apenas 0,001% do total do PIB do País. 27/11/2009 Manchete: Moratória de Dubai deixa lições para economia global Resumo: Até poucas horas atrás, a palavra Dubai parecia evocar um milagre econômico. A mais conhecida das sete monarquias que formaram os Emirados Árabes Unidos no início dos anos 1970, Dubai parecia congregar o melhor de vários mundos. Um país pequeno (83 mil quilômetros quadrados), com pouca gente (4,7 milhões de pessoas) e com um subsolo riquíssimo em petróleo, Dubai parecia fadado a ser mais uma das ditaduras árabes em que uma minoria usufrui dos dólares ganhos com o petróleo e a massa da população vive na miséria das tendas. Esse roteiro, porém, não valeu. Os Emirados não apenas atingiram um elevado padrão de vida como também conseguiram
  • 82.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 83 de 323 algo raro para um país árabe. Sua economia reduziu a dependência do petróleo. As faraônicas construções não são palácios reais, mas hotéis e sedes de bancos. Mais do que tijolos e concreto, Dubai conseguiu firmar-se como um centro financeiro regional, ao oferecer um ambiente favorável aos negócios e uma sociedade islâmica aberta. Por isso a forte repercussão da notícia que circulou nesta madrugada, de que a holding Dubai World estava tentando postergar o pagamento dos US$ 59 bilhões em dívidas. Com cerca de US$ 80 bilhões em ativos, a Dubai World é o veículo de investimentos do governo do emirado que permite aos investidores internacionais participar, por exemplo, da construção de hotéis, resorts e marinas às margens do golfo Pérsico. Julgava-se que as reservas em moeda forte de Dubai tornavam sua economia tão sólida quanto seus hotéis. Financiar essas construções requer muito capital, dinheiro grosso até mesmo para um país rico em petróleo. Por isso o pesado endividamento do Dubai World, que financiou alguns dos mais suntuosos hotéis do mundo por meio da emissão de títulos no mercado internacional. A empresa atravessou bem os piores momentos da crise graças às suas abundantes reservas em moeda forte e à recuperação recente dos preços do petróleo. No entanto, a retração econômica drenou recursos e desviou investimentos dos países emergentes, o que mostrou-se pesado para o Dubai World. O impacto sobre o Brasil deverá ser pequeno. Além de as duas economias serem pouco conectadas, os investidores brasileiros ainda não descobriram o mercado islâmico. Ao contrário, as incursões dos bancos brasileiros no Oriente Médio são muito mais para buscar dinheiro do que para investir. Mesmo assim, é essencial falar de Dubai. Riscos continuam A súbita inadimplência de um participante do mercado financeiro tido como inabalável mostra que os riscos da crise ainda estão longe de acabar. Demorou, mas a desvalorização dos imóveis e a retração dos mercados vergaram o Dubai World. Novos casos podem ocorrer, e, principalmente, podem ser gerados pelas condições atuais. Já se discutiu à exaustão como os pacotes de ajuda governamentais injetaram trilhões de dólares em uma economia global sem demanda. Um dos efeitos colaterais negativos dessas políticas é a possibilidade de captar dinheiro barato para financiar qualquer iniciativa. Em um artigo recente, Bill Gross, diretor do fundo norte-americano Pimco, o maior do mundo, lembrou que alguns fundos estão oferecendo um rendimento líquido de 0,01% ao ano. Nesse passo, um investidor demoraria 6.932 anos para dobrar seu capital, diz Gross. Poucos têm tanta paciência ou tanto tempo --entre os patriarcas bíblicos, nem mesmo Matusalém chegou aos mil anos de idade-- o que estimula uma busca pelo risco. Com dinheiro abundante e barato, aumenta a possibilidade de geração de novas bolhas especulativas rapidamente. Os juros baixos nas principais economias podem acentuar surtos incontroláveis de alavancagem, com consequências imprevisíveis. Ou seja, cumpre estar atento às lições que Dubai pode nos ensinar. 18/11/2009 Manchete: Cai participação de São Paulo no PIB no País em 2007, aponta IBGE. O Estado de São Paulo e a região Sudeste perderam fatia de participação no Produto Interno Bruto (PIB) do País entre 1995 e 2007, segundo os resultados do PIB regional de 2007 divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A fatia paulista, que era de 37,3% em 1995, caiu para 34,6% em 2002 e ficou em 33,9% em 2007. Resumo: De acordo com o documento de divulgação da pesquisa, no período de 1995 a
  • 83.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 84 de 323 2007 a economia paulista perdeu participação nacional na indústria e nos serviços, mas ganhou na agropecuária. Segundo o IBGE, a indústria de transformação do Estado teve a maior perda (-4,3 ponto porcentual no período) dentre todas as 27 unidades da Federação, com as transferências de alguns setores industriais para outros Estados, a migração de algumas plantas industriais para perto da matéria prima ou do consumidor final. Além disso, também influíram no processo alguns incentivos fiscais para investimento industriais em outros Estados. No que diz respeito à região Sudeste, a participação continua sendo a maior entre as regiões no PIB do País (56,4% em 2007), mas era maior em 1995, quando chegava a 59,1%. Já o Nordeste, no mesmo período, teve o maior avanço: de 12,0% em 1995 para 13,1% em 2007. Crescimento As economias de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul cresceram abaixo da média do País no período de 1995 a 2007. Os três fazem parte do grupo dos oito Estados que mantêm, desde 1995, a liderança das participações no PIB do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Distrito Federal). De acordo com a pesquisa, em 2007 eles concentravam quase 80% da economia. Em termos reais, de 1995 a 2007, o crescimento acumulado do PIB das oito maiores economias (35,8%) foi inferior ao dos demais 19 Estados (58,4%). No período, o Brasil cresceu 39,8% ou 2,8% ao ano. PIB per capita Ainda segundo o IBGE, o maior PIB per capita continua sendo o do Distrito Federal (R$ 40.696,08), cerca de três vezes o PIB per capita nacional (R$ 14.464,73). No período, os três maiores PIB per capita permaneceram na mesma ordem (Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro), assim como os dois menores (Maranhão e Piauí). 06/11/2009 Manchete: Desemprego nos EUA passa dos 10% pela 1ª vez em 26 anos A economia norte-americana cortou 190 mil postos de emprego no mês de outubro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos. Com isso, o desemprego no país ultrapassou a cada dos 10% pela primeira vez desde 1983 e ficou em 10,2%, a maior taxa em 26 anos. Em setembro, a taxa de desemprego no país estava em 9,8%. Resumo: Os resultados vieram acima das projeções do mercado, que esperava um corte de 175 mil vagas no mês, de acordo com a agência Bloomberg. Desde o início da recessão nos EUA, em dezembro de 2007, a taxa de desemprego no país já aumentou 5,3 pontos porcentuais. O dado de setembro foi revisado para corte de 219 mil postos, de estimativa original de perda de 263 mil empregos. Desde o começo da recessão, em dezembro de 2007, foram eliminados 8,2 milhões de empregos nos Estados Unidos. O emprego no setor de serviços - a maior fonte de postos de trabalho nos EUA - diminuiu em 61 mil em outubro. Empresas de serviços profissionais e de negócios eliminaram 18 mil vagas. O comércio varejista cortou 40 mil empregos. O salário médio por hora trabalhada aumentou 0,3%, ou US$ 0,05, para US$ 18,72. 06/11/2009 Manchete: Aplicações na poupança ultrapassam R$ 300 bilhões pela 1ª vez Resumo: O total de recursos depositados na poupança encerrou outubro em R$ 302,45 bilhões, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central. É a primeira vez em toda a série histórica - que se inicia em janeiro de 1995 - que o estoque de dinheiro
  • 84.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 85 de 323 nesse tipo de investimento fecha um mês acima dos R$ 300 bilhões. No final do ano passado, o total de recursos depositados na poupança era de R$ 270,5 bilhões. Em outubro, os depósitos da caderneta de poupança superaram os saques, resultando em uma captação positiva de R$ 1,04 bilhão. Foi o menor saldo registrado desde abril, mas, pelo sexto mês consecutivo, o saldo entre os depósitos e os saques é positivo. O resultado de outubro ficou bem abaixo do registrado em setembro, que foi de R$ 3,51 bilhões. O saldo no mês passado, porém, superou o de outubro de 2008, quando, no auge da crise financeira, a poupança registrou saldo negativo de R$ 284,1 milhões. No mês passado, os depósitos somaram R$ 82,75 bilhões e os saques, R$ 81,71 bilhões. Os rendimentos totalizaram R$ 1,48 bilhão. O mês teve 21 dias úteis. No acumulado do ano, os depósitos já superam os saques em R$ 16,77 bilhões. No mesmo período do ano passado, a captação estava positiva em R$ 9,7 bilhões. Além da captação positiva do período, a poupança recebeu ainda R$ 15,23 bilhões relativos à rentabilidade do dinheiro que já está aplicado. A poupança começou o ano registrando saída de recursos. Até abril, o resultado acumulado estava negativo em R$ 1,5 bilhão. A partir de maio, no entanto, a caderneta entrou em processo de recuperação. 06/11/2009 Manchete: Espírito Santo liderou alta da indústria em setembro, mostra IBGE Produção do setor cresceu em 12 dos 14 locais pesquisados. Na comparação entre meses de setembro, só Goiás teve alta na produção. Resumo: O Espírito Santo liderou a alta da produção industrial em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No estado, a indústria registrou expansão de 3,3% em comparação com agosto. 05/11/2009 Manchete: Safra de grãos deverá subir 3,8% em 2010, aponta IBGE A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2010 é estimada em 139,3 milhões de toneladas, 3,8% maior que a obtida em 2009, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A avaliação inicial da área a ser colhida em 2010 é de 47,9 milhões de hectares, superior em 1,6% à área colhida em 2009, de 47,2 milhões de hectares. Em termos absolutos, esse incremento totaliza 700 mil hectares. Dentre os 10 produtos investigados, cinco apresentam variação positiva em relação à produção de 2009: feijão em grão 1ª safra (13,9%), soja em grão (11,8%), cebola (7,3%), fumo em folha (4,0%) e mandioca (3,2%). Apresentam variação negativa: amendoim em casca 1ª safra (-8,5%), algodão herbáceo em caroço (-8,1%), arroz em casca (-5,1%), milho em grão 1ª safra (-2,2%) e batata inglesa 1ª safra (-0,7%). Em relação à área a ser colhida, registram variação positiva: soja em grão (4,5%), cebola (2,8%), fumo em folha (1,5%), mandioca (1,2%) e feijão em grão 1ª safra (0,9%). Com variação negativa aparecem: algodão herbáceo em caroço (-8,0%), milho 1ª safra (-4,4%), amendoim em casca 1ª safra (-3,7%), batata- inglesa 1ª safra (-2,5%) e arroz em casca (-1,2%). Queda na produção Em outubro, a estimativa da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2009 indica 134,1 milhões de toneladas, 8,1% menor que a obtida em 2008 (recorde de 146,0
  • 85.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 86 de 323 milhões de toneladas) e apenas cerca de 8.500 toneladas inferior à estimativa de setembro – tal decréscimo se deve principalmente ao trigo, que apresenta retração no rendimento médio em Santa Catarina e no Paraná, reflexo das más condições climáticas. As três principais culturas, soja, milho e arroz, que respondem por 81,4 % da área plantada, apresentam variações de +2,2%, -4,6% e +1,0%, respectivamente, em relação a 2008. Quanto à produção destes três produtos, apenas o arroz registra variação positiva (+4,2%). Já para a soja e o milho a previsão é de retração da produção em -4,8% e -13,3%, respectivamente. A área a ser colhida de 47,2 milhões de hectares, comparativamente à colhida em 2008 e a estimativa do mês anterior para a safra 2009, apresenta decréscimo de -0,2% em relação a 2008 e não há variação (apenas -2.337 ha) frente ao mês anterior (setembro). Para a estimativa da produção nacional 2010, os valores levantados nas regiões e estados onde a pesquisa foi realizada foram somados às projeções obtidas a partir das informações dos anos anteriores para as Unidades da Federação, que por força do calendário agrícola, ainda não dispõem das primeiras estimativas. 05/11/2009 Manchete: Soja Resumo: Em 2008, o Brasil foi responsável por cerca de 28% da produção mundial de soja, com safra estimada ao redor de 58 milhões de toneladas. O país é o segundo maior produtor e processador de soja em grãos e segundo maior exportador de soja, farelo e óleo. O ‘complexo soja’, que reúne a cadeia produtiva de soja em grão, farelo e óleo, é um dos principais itens da balança comercial brasileira e exportou cerca de US$9,5 bilhões em 2005, colocando o país na liderança mundial nas exportações do setor em valor. 15/10/2009 Manchete: Banda larga popular irá custar até R$ 29,80 por mês em SP Projeto voltado para população de baixa renda será lançado nesta quinta. Operadoras que oferecerem o serviço terão isenção de ICMS. Os pacotes de banda larga popular que serão lançados na tarde desta quinta-feira (15) em São Paulo custarão até R$ 29,80. O valor será possível graças a uma parceria do governo de São Paulo com as operadoras. Em troca, as empresas pagarão menos impostos. De acordo com o governo, as operadoras poderão ter valores variados para seus pacotes, desde que eles não ultrapassem R$ 29,80. A partir desta sexta-feira (16), quem oferecer o serviço já terá a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “Elas não são obrigadas a aderir ao programa, mas pesquisas indicam que metade das casas paulistas não tem acesso à internet e 2,5 milhões têm computador mas não tem internet. Acredita que essas pessoas são usuários em potencial”, explicou Alexandre de Araújo, diretor de serviços ao cidadão da Companhia de Processamento de Dados de São Paulo (Prodesp). Ao adquirir o pacote, a pessoa recebe o modem, a instalação e o provedor de acesso à internet. Segundo Araújo, a velocidade da conexão irá variar entre 200 Kbps e 1 Mbps. Antes de a iniciativa ser anunciada, os valores mais baixos de internet banda larga cobrados em São Paulo eram R$ 49,90 (Net Virtua e Speedy, para pacotes de 500 Kbps) e R$ 74,90 (Ajato, para pacote mensal de 4 Mbps). Pacotes populares A Telefônica divulgou que o seu serviço de internet popular terá velocidade de 250 Kbps e que o consumo será ilimitado, ou seja, o plano não cobrará taxas adicionais caso o usuário
  • 86.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 87 de 323 exceda a quantidade de downloads. Ainda, no valor estipulado pelo governo, estão inclusos o modem, a instalação e o provedor. A empresa diz, também, que a linha telefônica do cliente ficará livre para fazer e receber chamadas enquanto usa a internet. A TVA informou ao G1 por meio de sua assessoria de imprensa que não irá aderir ao projeto de internet popular pois tem parceria com a Telefônica. A NET disse à reportagem que participou das negociações do projeto mas não teve acesso ao documento final assinado hoje pelo governo do Estado, e que vai estudar a melhor maneira de utilizar o benefício. Atualmente, muitos brasileiros possuem computador, mas não têm acesso à internet devido ao alto valor do serviço. Muitos utilizam postos públicos e lan houses para utilizar a internet. 05/10/2009 Manchete Brasil ainda perde para vizinhos quando o assunto é renda, mostra Pnud Resumo: Em comparação com países vizinhos da América do Sul, o Brasil perde a corrida pelo desenvolvimento humano quando o assunto é a renda per capita. Obtida através da divisão do PIB (Produto Interno Bruto) pelo número de habitantes do país, a renda brasileira, de acordo com o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) é de US$ 9,5 mil. O Chile tem renda per capita de US$ 13,8 mil; a Argentina, US$ 13,2 mil; a Venezuela, US$ 12,1 mil; no Uruguai, a renda per capita é de US$ 11,2 mil. Todos esses países estão à frente do Brasil no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). O Chile ocupa a 44ª posição; a Argentina é a 49ª na lista, logo à frente do Uruguai; a Venezuela está em 58º lugar. O Brasil é apenas o 75º. Se fosse analisado isoladamente, o fator renda deixaria o Brasil em uma colocação ainda pior: 79º lugar. Além da renda, outro fator que puxa o índice de desenvolvimento brasileiro para baixo é a expectativa de vida, que, analisada sozinha, deixaria o país na 81ª posição. Faz 30 anos que o Brasil está atrás da Argentina, do Uruguai, do Chile. Como é que você pode melhorar essas posições? O Brasil ainda tem um gap importante de renda. Pra melhorar não tem mágica. Tem que investir mais, trabalhar mais a questão da saúde, ao mesmo tempo em que precisa trabalhar política de renda, diz o economista sênior do Pnud, Flávio Comim. Melhora lenta A taxa de crescimento média do IDH brasileiro tem crescido em um ritmo mais lento nos últimos anos. No período compreendido entre 1990 e 2007 (médio prazo), a taxa média de crescimento anual era de 0,79%. Quando analisados apenas os anos 2000 (curto prazo), o crescimento fica em 0,41%. O Brasil vem melhorando, mas a velocidade é inferior a de outros países. É importante que essa velocidade seja aumentada. Isso se faz olhando para aqueles indicadores em que o Brasil está em pior, como saúde e renda, afirma Comim. Na Venezuela, a taxa de crescimento no médio prazo é de 0,39% enquanto no curto prazo passa para 0,74%. Segundo o economista, uma explicação para a aceleração verificada na Venezuela pode ser o fato de o país sair de uma base pior em comparação com a brasileira. No Chile, passa de 0,58% no médio prazo para 0,48% no curto prazo. No Uruguai, a taxa de crescimento do IDH no médio prazo e no curto prazo são praticamente iguais: 0,45% e 0,47%, respectivamente. 18/09/2009
  • 87.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 88 de 323 Manchete: Desigualdade cai 9% no país em dez anos, diz IBGE Dados da Pnad mostram maior queda da desigualdade no Nordeste. Mais da metade das famílias, porém, vive com até um salário per capita. Resumo: A desigualdade no país caiu em todas as regiões, mostram dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice de Gini do rendimento mensal dos domicílios brasileiros passou de 0,521, em 2007, para 0,515, em 2008 – em 1998, quando começou a série histórica, o número era de 0,567. O índice de Gini varia de 0 a 1 e mede a distribuição da renda na população: quando mais próximo de 0, maior a igualdade; quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade entre o que as pessoas ganham. A evolução entre 1998 e 2008 mostra, portanto, uma queda de 9,17%. A desigualdade caiu em todas as regiões entre 2007 e 2008. A maior desigualdade está no Centro-Oeste, onde o índice de Gini foi de 0,549, em 2008, ante 0,552, em 2007. A região mais igualitária é a Sul, com 0,477, em 2008, abaixo dos 0,498, em 2007. A maior queda foi registrada na região Norte, de 0,498, em 2007, para 0,478, no ano passado. No Nordeste, o índice de Gini passou de 0,528 para 0,525 de um ano para o outro. Já no Sudeste a queda foi de 0,498, em 2007, para 0,492, em 2008. Rendimento Apesar da redução, porém, alguns dados mostram a dimensão da desigualdade que ainda existe no país. No ano passado, segundo dados da Pnad, 52% das famílias tinham renda mensal por pessoa de até um salário mínimo. São 5,9 milhões de famílias que não têm nenhum rendimento ou ganham até um quarto de salário mínimo, que hoje equivale a pouco mais de R$ 116. De acordo com o IBGE, os 10% dos trabalhadores com os rendimentos mais baixos ganharam 1,2% do total da renda em 2008, número que era 1,1% em 2007. Já os 10% com os maiores rendimentos concentram 42,7% do total da renda, uma queda em relação aos 43,3% em 2007. O IBGE destaca que o rendimento subiu para todas as faixas de renda da população, mas subiu mais nas faixas mais baixas. Por exemplo, entre os 10% que têm os rendimentos mais altos, eles subiram 0,3%; entre os 10% que têm os rendimentos mais baixos, a alta foi de 4,3%. 17/09/09 Manchete: Brasil ganha espaço e chega ao 10º lugar em preferência do investidor, diz entidade Relatório é da Sobeet, que acompanha empresas multinacionais. Economia brasileira se tornou mais internacionalizada que a da Rússia. Resumo: O fluxo de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) para o Brasil aumentou 30,3% em 2008 na comparação com 2007, para US$ 45,1 bilhões. Para o período, a média mundial foi de queda de 14,2%, para US$ 1,697 trilhão. O país passou a ocupar a 10ª posição no ranking mundial de ingresso de capitais. A conclusão é do relatório sobre o volume de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no mundo em 2008, elaborado pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) a partir de dados da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Entre as economias desenvolvidas, o fluxo de IED teve retração de 29,2%, para US$ 962,3 bilhões. Para as economias em desenvolvimento, o fluxo de investimentos aumentou 17,3%
  • 88.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 89 de 323 para US$ 620,7 bilhões e, para a América Latina, o crescimento foi de 13,2% para US$ 144,4 bilhões. Internacionalização O relatório também aponta que o Brasil se tornou no ano passado a economia mais internacionalizada dos Brics, grupo de países emergentes que inclui Rússia, Índia e China, além do Brasil. Na proporção entre o estoque de IED realizado e o Produto Interno Bruto (PIB) de cada país, o Brasil apresenta a melhor relação, de 18,3%. Foi a primeira vez que o país superou a Rússia na atração de investimentos comparativamente ao seu PIB. A Rússia, que até então liderava o ranking, teve investimentos equivalentes a 12,7% do seu produto interno em 2008. Os investimentos na Índia corresponderam à proporção de 9,9% de seu PIB e na China, de 8,7%. Segundo dados da Unctad,a média de investimento estrangeiro no mundo em relação ao PIB global é de 26,9%, o que indica que há um potencial de crescimento considerável para o Brasil e os demais países do grupo Bric. Nunca a percepção do investidor estrangeiro foi tão positiva em relação ao Brasil quanto agora, avalia o presidente da Sobeet, Luís Afonso Lima. Segundo ele, essa melhora na avaliação dos estrangeiros deve-se aos bons fundamentos da economia brasileira, que se mantiveram sólidos mesmo em meio à crise econômica global. Ranking global Essa visão das empresas estrangeiras em relação ao Brasil fez com que o país subisse quatro posições no ranking dos principais destinos de investimentos no ano passado. Em 2007, o Brasil ocupava a 14ª posição nesta lista, com investimentos de US$ 34,6 bilhões. No ano passado, o Brasil subiu para a 10ª colocação, recebendo o ingresso de US$ 45,1 bilhões. Economias sólidas com as da Alemanha, Canadá e Itália, por exemplo, perderam posições e ficaram atrás do Brasil em 2008. E de acordo com a Unctad, o Brasil deve melhorar ainda mais nesse ranking e atingir o 4º lugar até 2011. Para Lima, o Brasil deve encerrar este ano recebendo um fluxo de US$ 25 bilhões. O valor é menor que os dos dois últimos anos, mas superior aos de outros países, que estão caindo tanto ou mais que nós, explicou o presidente da Sobeet. Uma outra característica do Brasil ressaltada no estudo é que o aumento do IED em 2008 superou o crescimento dos investimentos das empresas nacionais no país, ao contrário do que ocorreu no restante do mundo. No Brasil, enquanto o IED aumentou 30,3% de 2007 para 2008, o investimento de empresas nacionais na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 13,8%. Os outros estão vendo o Brasil com um olhar mais favorável que os próprios brasileiros e, além disso, para o resto do mundo, a previsão de crescimento não é tão boa, analisou o presidente da Sobeet. 01/09/2009 Manchete: Governo aumenta mínimo para R$ 506 em 2010 e projeta crescimento de 4,5% Resumo: O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, confirmou nesta terça-feira (1°) que a proposta orçamentária do governo para 2010 prevê o aumento do salário mínimo dos atuais R$ 465 para R$ R$ 505,90, valor que deve ser arredondado para R$ 506. Além disso, o projeto também projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% para o ano que vem Segundo Bernardo, a correção do aumento foi feita pelo IPC do período (3,54%) adicionada
  • 89.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 90 de 323 ao crescimento do PIB do ano passado, fechado em 5,08%. O impacto do reajuste do salário mínimo será de R$ 8 bilhões aos cofres públicos. O orçamento prevê investimentos do governo de R$ 46 bilhões, que também incluem as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “As nossas prioridades para investimentos são o PAC, e segundo lugar os programas sociais, como Bolsa-Família”, enumerou Bernardo. R$ 510 descartado O ministro do Planejamento não acredita que o mínimo chegue a R$ 510. “O reajuste tem que obedecer a critérios que é o INPC e PIB do ano anterior. Cada real de aumento gera um impacto muito alto”, disse. Ele também já eliminou a crise para o próximo ano. “A crise acabou em 2009, economia está crescendo e gerando empregos. A receita vai crescer”, disse. Quanto à proposta enviada ao legislativo o pedido foi para preservar PAC e projetos sociais. O ministro também descarta a entrada de novos projetos. “Despesas novas dificilmente entrarão. O orçamento foi feito de forma bem negociada. Este ano não teve uma fila de ministro pedindo para aumentar orçamento”, completou. Arrecadação Na proposta de orçamento federal de 2009, enviada em agosto do ano passado ao Legislativo, a previsão do governo era de arrecadar R$ 522 bilhões neste ano. Entretanto, com os efeitos da crise, este número caiu para R$ 465 bilhões em julho. Para o próximo ano, estima-se que a arrecadação atinja R$ 545 bilhões. Essa diferença de R$ 80 bilhões foi vista com otimismo pelo ministro. “Não considero que nós estamos o pé na lama. Estamos apertados. A receita que estamos prevendo para este ano é um pouco maior do que a do ano passado. Mas trabalhamos com a previsão de que a economia cresça 4,5%, particularmente acho que vai crescer um pouco mais e volte ao padrão do ano passado”, comentou. Mesmo com o otimismo para o aumento de receitas, Paulo Bernardo foi cauteloso. “Vai ter aumento da receita do ano que vem, mas vai ser compatível ao previsto no ano passado. Nesses dois anos a receita caiu muito, não vamos arrebentar a boca do balão de receita, vai voltar ao patamar que estava para mostrar que superamos de vez a crise”, endossou. 28/08/2009 Manchete: Crise força retorno de 54 mil brasileiros do Japão Resumo: A crise econômica e o aumento do desemprego no Japão provocaram uma queda recorde de 17,2% no número de imigrantes brasileiros no país. Segundo dados do Ministério da Justiça do Japão, desde setembro do ano passado, início da crise financeira internacional, 54.709 brasileiros deixaram o país. No final de 2007, havia 316.967 brasileiros registrados no país. Somente nos seis primeiros meses de 2009, a comunidade brasileira no país encolheu em 41.887 membros, gerando uma queda de 13,4% em relação ao total de 312.582 brasileiros registrados no país no fim de 2008. O desemprego gerado pela crise econômica é a principal causa dessa debandada de trabalhadores, aponta Roberto Maxwell, mestre em Ciências Sociais pela Universidade de Shizuoka e especialista em migrações internacionais. Em mais de 20 anos, desde o início da chegada dos primeiros imigrantes brasileiros ao país, este foi o segundo registro de queda neste número. A outra retração aconteceu em 1998, ápice da recessão anterior enfrentada pelo Japão. Na ocasião, cerca de 11 mil brasileiros retornaram ao Brasil, uma queda de quase 5% no
  • 90.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 91 de 323 número total da população dekassegui. Índice recorde O desemprego é justamente o motivo que levou Hélio Kazuaki Ueta, 56, a tomar a decisão de voltar com toda a família para o Brasil. Ele já começou a fazer as malas e deve embarcar de volta para São Paulo no fim do mês que vem. Sei que a situação não vai melhorar e, mesmo que isso aconteça, não teria chance de voltar ao mercado de trabalho por causa da idade e do pouco conhecimento do idioma japonês, justifica o brasileiro, que ficou sete anos no país e há quase um ano não consegue emprego fixo. Fiz alguns bicos nesse período e também recebi seguro-desemprego, conta. Ueta diz acreditar que a situação no Brasil também não está tão boa. Sem previsão de conseguir um emprego por lá também, ele pensa em virar fotógrafo e abrir um negócio próprio. Acho que a recuperação econômica do Brasil vai ser mais rápida que a do Japão, opina ele. Segundo dados divulgados pelo governo do Japão nesta sexta-feira, o índice de desemprego no país é o pior desde o fim da Segunda Guerra. Ele subiu 0,3 pontos percentuais em julho, e chegou a 5,7%. O número bateu o recorde anterior, registrado em abril de 2003, que foi de 5,5%. Ajuda do governo Muitos dos que estão voltando agora ao Brasil deram entrada no esquema de ajuda para regresso oferecido desde abril deste ano pelo governo japonês a imigrantes peruanos e brasileiros. Esse auxílio contempla cada imigrante com um valor de cerca de US$ 3 mil. Seus dependentes ganham mais US$ 2 mil cada. No entanto, um dos requisitos é que ele não volte ao Japão por um período mínimo de três anos. De 1º de abril até o início de agosto, um total de 9.762 pedidos haviam sido feitos para receber essa ajuda. A grande maioria, segundo o Ministério da Justiça, de brasileiros. Mas o número de solicitações é bem baixo em relação à quantidade que já deixou o país. Para Maxwell, isso acontece porque os brasileiros ainda acreditam numa melhora da situação econômica, o que possibilitaria uma volta rápida às linhas de montagem das fábricas japonesas. Além disso, essa ajuda é muito pouca. Ninguém quer correr o risco de chegar ao Brasil, não conseguir emprego lá também e ainda não ter como voltar ao Japão por causa da condição de ter de esperar três anos para tentar retornar, sugere. Estabilização Apesar dos dados negativos, essa redução no número de brasileiros que vive no Japão tende a se estabilizar agora no segundo semestre. Acredito que não vai haver outra enxurrada de brasileiros deixando o Japão, mesmo com o fim do período de recebimento do seguro-desemprego, opina Maxwell. Dados do Ministério da Justiça comprovam essa tendência. No primeiro trimestre deste ano, o saldo da diferença de entradas e saídas do país foi de 27.304 negativos. Já de abril a junho, a diferença negativa foi de 14.583. As pessoas que voltaram no início do ano começaram a dar notícias aos que ficaram sobre a situação no Brasil, que também não está nada fácil, justifica Maxwell. Por isso, muitos vão tentar ficar aqui até quando der, mesmo que passem por dificuldades financeiras, diz. As agências de viagem também confirmam a tendência de queda no número de saídas. Segundo a Alfainter, empresa especializada em viagens para América do Sul, as reservas de passagens são bem menores neste segundo semestre em relação ao primeiro.
  • 91.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 92 de 323 Data: 01/07/2009 Manchete: Plano Real completa 15 anos Em 1º de julho de 1994, há exatos 15 anos, o Plano Real rompeu com uma sequência de pacotes econômicos fracassados e mudou não só a moeda como os rumos da economia brasileira. Economistas ouvidos pela reportagem do Último Segundo destacam a contenção da inflação desenfreada como o grande feito do plano, mas também ressaltam heranças ainda não superadas: juros altos, crescimento aquém do potencial e instabilidade quanto às turbulências externas. Resumo: O fracasso de seis planos econômicos em apenas oito anos – Plano Cruzado, Cruzado II, Bresser, Verão, Collor e Collor II – compunha um cenário descrente da atuação do governo. A inflação atingia 50% ao mês, índice extremamente distante do marcado em maio passado, 0,47% de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No mês seguinte ao início do Plano Real, as mudanças começaram a aparecer: a inflação mensal despencou para 6,84%. Em agosto de 94 o índice chegou a 1,86%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O Plano Real marca uma nova fase da história econômica brasileira. Com maior estabilidade de preços”, diz Antônio Correia de Lacerda, professor de economia da PUC-SP e consultor econômico. O diferencial do plano “que deu certo” frente às tentativas naufragadas foi a renegociação da dívida externa e o bom nível de reservas, segundo Lacerda. “Outro ponto importante foi o fato de não ter adotado congelamento de preços e sim uma reforma monetária, mudando a moeda para que ela resgatasse sua capacidade”, explica o economista. Moeda forte? Apesar de ter enfrentado pelo menos oito crises econômicas – México (95), Ásia (97-98), Rússia (99), apagão energético (1999), Argentina (2001), 11 de setembro (2001), eleição de Lula (2002) e a atual crise financeira global – os economistas não consideram que o real seja uma moeda “blindada”. Não existe uma moeda à prova de crises. O real é mais forte do que eram as moedas anteriores, mas nem o euro pode ser considerado “blindado”. Data: 11/05/2009 Manchete: EUA terão década perdida de crescimento, diz Stiglitz Para Prêmio Nobel de Economia, mesmo quando fase mais difícil for superada, recuperação ainda será lenta Resumo: Os Estados Unidos vão perder uma década de crescimento. Esta é a opinião do professor Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia e um dos palestrantes do EXAME Fórum, que acontece nesta segunda-feira, 11, em São Paulo. Ele acredita que, mesmo quando esta fase mais difícil for superada, a recuperação será muito lenta. Edward Prescott, prêmio Nobel de Economia em 2004, também presente no evento, concorda. Não estamos caminhando para outra depressão, mas os Estados Unidos perderão uma década de crescimento, como aconteceu com o Japão após a crise em 1992, afirma. Um dos motivos para o pessimismo de Stiglitz é a alta taxa de desemprego nos Estados Unidos. Segundo ele, o cenário é ruim e a melhora é muito lenta. O futuro é sombrio. A crise agora é diferente das outras no período pós-guerras porque mostra o fracasso do nosso sistema financeiro, explica. Outro fator para pessimismo é a falta de transparência no plano de estímulo à economia. Ele é falho porque não recupera a confiança das pessoas. Stiglitz acredita que o país precisa de uma segunda rodada de estímulo com foco na estabilidade financeira. Data: 29/04/2009
  • 92.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 93 de 323 Manchete: Copom reduz Selic para 10,25%, a menor taxa da história Resumo: O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira o corte de um ponto percentual da taxa básica de juros, levando a Selic a 10,25% ao ano, menor valor desde sua criação, em março de 1999. Essa foi a terceira redução consecutiva praticada pela autoridade monetária. Avaliando o cenário macroeconômico e visando ampliar o processo de distensão monetária, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 10,25% ao ano, sem viés, por unanimidade, disse o BC em comunicado. Com a decisão dessa noite, o Brasil deixa de ter a maior taxa de juros reais do mundo. De acordo com a consultoria UpTrend, a taxa real brasileira chega a 5,8%, valor inferior ao praticado por China (6,6%) e Hungria (6,4%). Se as previsões para este ano se confirmarem, o Brasil chegará a dezembro com uma taxa de juros real abaixo de 5% - também o menor patamar da série histórica. A taxa de juros estava em 11,25% ao ano desde o dia 11 de março. O boletim Focus, divulgado nessa segunda-feira pelo BC, estima a taxa em 9,25% até o final do ano. O BC manteve os juros em 13,75% de setembro de 2008 a janeiro passado, à espera de uma definição do cenário econômico afetado pela crise mundial. Na próxima semana, o Banco Central divulga a ata da reunião de hoje para explicar os motivos que levaram à decisão. Data: 04/04/2009 Manchete: Crise devolve 563 mil às classes D e E Resumo: Em janeiro, a classe C, formada por quem tem renda familiar entre R$ 1.100 e R$ 4.800, teve uma reversão abrupta no crescimento. Entre janeiro de 2003 e dezembro de 2008, o crescimento da classe C foi de 43% para 53,8%. Em janeiro, este índice recuou para 52,6%, de acordo com dados do pesquisador Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, publicados pelo jornal. Os dados são referentes às regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. Somando-se as calasses A e B à C, a redução nessas regiões chega a 765 mil, e é igual ao aumento das classes pobres, a D e a E. De acordo com o Estadão, a ameaça ao crescimento da classe média é reforçada por cálculos do pesquisador Ricardo Paes de Barros, do Instituto de Pesquisa Econômica, o Ipea, que indicam que a crise tende a atingir as pessoas mais educadas do País. Data: 02/04/2009 Manchete: O que é o G 20 ? Resumo: O G-20 é um grupo de países em desenvolvimento criado em 20 de agosto de 2003, na fase final da preparação para a V Conferência Ministerial da OMC, realizada em Cancun, entre 10 e 14 de setembro de 2003. O Grupo concentra sua atuação em agricultura, o tema central da Agenda de Desenvolvimento de Doha. O G-20 tem uma vasta e equilibrada representação geográfica, sendo atualmente integrado por 23 Membros: 5 da África (África do Sul, Egito, Nigéria, Tanzânia e Zimbábue), 6 da Ásia (China, Filipinas, Índia, Indonésia, Paquistão e Tailândia) e 12 da América Latina (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Equador, Guatemala, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela). Desde a sua constituição, o G-20 gerou grande interesse, criou expectativas e recebeu também críticas vindas de diferentes direções.
  • 93.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 94 de 323 O Grupo nasceu com o objetivo de tentar, como de fato o fez, impedir um resultado predeterminado em Cancun e de abrir espaço para as negociações em agricultura. Naquela ocasião, o principal objetivo do Grupo foi defender resultados nas negociações agrícolas que refletissem o nível de ambição do mandato de Doha e os interesses dos países em desenvolvimento. Para tanto, o Grupo adotou uma posição comum, circulada como documento oficial da OMC, antes e durante Cancun (WT/MIN(03)/W/6). Essa posição permanece como a plataforma central do Grupo. Após a falta de resultados concretos no encontro de Cancun, o G-20 dedicou-se a intensas consultas técnicas e políticas, visando a injetar dinamismo nas negociações. Foram realizadas diversas Reuniões Ministeriais do Grupo (Cancún, setembro/2003; Brasília, dezembro/ 2003; São Paulo, junho/2004; Nova Délhi, março/2005; Bhurban, setembro/2005; Genebra, outubro e novembro/2005; Hong Kong, dezembro/2005; Genebra, junho/2006; Genebra, junho e novembro/2007; e Genebra, julho/2008), além de freqüentes reuniões entre Chefes de Delegação e Altos Funcionários, em Genebra. O grupo promoveu, ainda, reuniões técnicas com vistas a discutir propostas específicas no contexto das negociações sobre a agricultura da OMC e a preparar documentos técnicos, em apoio à posição comum adotada pelo Grupo. O G-20 consolidou-se como interlocutor essencial e reconhecido nas negociações agrícolas. A legitimidade do Grupo deve-se às seguintes razões: a) importância do seu membros na produção e comércio agrícolas, representando quase 60% da população mundial, 70% da população rural em todo o mundo e 26% das exportações agrícolas mundiais; b) sua capacidade de traduzir os interesses dos países em desenvolvimento em propostas concretas e consistentes; e c) sua habilidade em coordenar seus membros e interagir com outros grupos na OMC. O poder de influência do G-20 foi confirmado na fase final das negociações que levaram ao acordo-quadro de julho passado. Graças aos esforços do G-20, o acordo-quadro adotado reflete todos os objetivos negociadores do Grupo na fase inicial de negociações da Rodada de Doha: (i) respeita o mandato de Doha e seu nível de ambição; (ii) aponta para resultados positivos das negociações de modalidades; e (iii) representa, além disso, uma melhoria substantiva em relação ao texto submetido em Cancun, em todos os aspectos da negociação agrícola. Durante as próximas negociações de modalidades, o G-20 manter-se-á engajado nas negociações, intensificará sua coordenação interna e seus esforços de interação com outros grupos, visando à promoção dos interesses dos países em desenvolvimento nas negociações agrícolas. Data: 02/04/2009 Manchete: O que é o G 8 ? Resumo: O Grupo dos Sete e a Rússia (inglês:Group of Seven and Russia, alemão:Sieben führende Industrieländer und Russland, antigo G7), mais conhecido como G8, é um grupo internacional que reúne os sete países mais industrializados e desenvolvidos economicamente do mundo, mais a Rússia. Todos os países se dizem nações democráticas: Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá (antigo G7), mais a Rússia - esta última não participando de todas as reuniões do grupo. Durante as reuniões, os dirigentes máximos de cada Estado membro discutem questões de alcance internacional. O G8 é muito criticado por um grande número de movimentos sociais, normalmente integrados no movimento antiglobalização, que acusam o G8 de decidir uma grande parte das políticas globais, social e ecologicamente destrutivas, sem qualquer legitimidade nem transparência. Em 2001 na cimeira anual, em Génova, um manifestante foi morto a tiro pela polícia. Em Portugal, a associação ecologista GAIA e um conjunto de cidadãos na Rede G8 desenvolveram iniciativas de oposição à do G8 em Rostock, no Norte da Alemanha, em 2007.
  • 94.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 95 de 323 Data: 02/04/2009 Manchete: O QUE É RODADA DE DOHA? Resumo: Lançada no fim de 2001 em Doha, capital do Qatar, a rodada de negociações entre os países associados à OMC - que visa a regular o comércio internacional - pode beneficiar os países em desenvolvimento, como o Brasil. Eles são prejudicados com subsídios dos países ricos a seus agricultores. A rodada prevê a liberalização do comércio mundial, incluindo serviços e produtos agrícolas. É também chamada de Rodada do Desenvolvimento. QUE TEMAS MAIS INTERESSAM AO BRASIL? Para o Brasil, que assumiu papel de liderança na Rodada de Doha (criando o G-20 junto com Índia, África do Sul e China), o essencial é uma abertura às suas exportações agrícolas. Os brasileiros reclamam dos subsídios domésticos e às exportações das nações desenvolvidas, que distorcem o preço de produtos agrícolas no exterior e tiram competitividade dos países em desenvolvimento. Outra reivindicação é o fim das barreiras às exportações do Brasil, como a imposição de tarifas elevadas ou cotas. QUANTO OS PAÍSES RICOS DÃO DE SUBSÍDIOS POR ANO? Segundo a OMC, o total de subsídios nas áreas de agricultura, serviços e indústria soma cerca de US$ 1 trilhão por ano, ou 4% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Só o subsídio à agricultura é de US$ 360 bilhões por ano. POR QUE A RODADA DE DOHA É IMPORTANTE PARA O BRASIL? As decisões tomadas no sistema multilateral de comércio (envolvendo o maior número de países) dá mais segurança ao setor produtivo brasileiro do que um acerto bilateral ou regional, que abrangeria poucos parceiros. QUAIS AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA RODADA PARA O PAÍS? O Brasil poderia expandir as exportações agrícolas, onde é bastante competitivo no mundo, apesar das dificuldades impostas por EUA, União Européia e Japão. Com isso, a economia brasileira poderia crescer mais, gerando mais impostos, renda e empregos. Mas o país terá de ceder, reduzindo tarifas de produtos industrializados, alguns de setores sensíveis, como automotivo, informática e eletroeletrônico. Também terá de abrir o setor de serviços, como transportes, comunicações e financeiro. SEM A RODADA, O BRASIL PODE GANHAR MERCADOS? O país pode dar mais ênfase a acordos de livre comércio bilaterais ou regionais. Por exemplo, com os sócios do Mercosul, o Brasil negocia tratados com União Européia, África do Sul, China, Índia. Data: 30/03/2009 Manchete: Governo prorroga IPI reduzido para carros e desonera material de construção Resumo: O governo federal anunciou nesta segunda-feira a prorrogação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para o setor automotivo por mais três meses --o benefício valeria até amanhã--, mas com a contrapartida da manutenção dos empregos pelas montadoras, conforme a Folha já havia antecipado no último dia 4. Entre outras medidas, o governo também anunciou benefícios para os setores de motocicletas e materiais de construção. As montadoras, porém, estão livres para implementar programas de demissão voluntária --como feito pela Ford na última semana-- e demitir trabalhadores temporários ao final de
  • 95.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 96 de 323 seus contratos. Segundo o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider, sem a medida, haveria uma queda de 30% nas vendas de veículos no segundo trimestre. Após a redução do IPI, as vendas de veículos se recuperaram da forte queda vista no fim do ano passado. Na primeira quinzena deste mês, as vendas de automóveis e comerciais leves registraram alta de 5,31%. Apesar disso, mais de 4.700 empregos foram cortados no setor. A lém das montadoras, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que os materiais de construção também terão alíquotas menores de IPI. Haverá isenção para a compra de revestimentos, vernizes, tintas, cimento, pias, louças de banheiro, rede e grade de aço, chuveiro, fechaduras e dobradiças, entre outros itens. Outros produtos tiveram apenas redução, como massa de vidraceiro, cujo IPI foi de 10% para 2%. Além disso, foi modificado o regime de tributação para a construção civil (congrega os impostos: IR, CSLL, PIS e Cofins), aplicado às construtoras, com redução de 7% para 6%. Caso a construtora esteja no programa de habitação do governo, a redução vai a 1%. Outra medida é o benefício fiscal para motocicletas, que teve redução de Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) de 3% para zero. Para compensar, ao menos parcialmente, a perda de arrecadação com a desoneração fiscal, o governo vai elevar o IPI e a Cofins sobre os cigarros. Segundo Mantega, o produto ficará entre 20% e 25% mais caro. A previsão de renúncia fiscal com essas medidas é de R$ 1,5 bilhão. O governo espera recuperar esse valor totalmente com o aumento do imposto sobre cigarros. O anúncio de hoje feito em São Paulo, que contou com a presença do vice-presidente, José Alencar, complementa o pacote habitacional lançado na semana passada pelo governo, que prevê construir 400 mil casas para a baixa renda e facilitar os empréstimos imobiliários para quem recebe entre três e dez salários mínimos. Manaus Mantega informou ainda que o governo, por decreto, ampliou a lista dos setores considerados prioritários na área da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) --têm isenção de IR (Imposto de Renda) de pessoas jurídicas. Foram beneficiadas as empresas de papel e celulose, desde que tenham projeto de reflorestamento, material descartável (barbeadores, canetas, lápis, lapiseiras), brinquedos, relógios e materiais óticos. As medidas foram assinadas pelo presidente em exercício, José Alencar, e serão publicadas no Diário Oficial da União na terça-feira. Elas entram em vigor amanhã, com exceção das tarifas sobre cigarro, que passam a valer em maio. Data: 30/03/2009 Manchete: Década de 2020 deve consolidar poder dos Bric Resumo: Os anos 20 deste século podem marcar a consolidação do fortalecimento de países emergentes como potências econômicas e políticas, em um mundo cada vez mais multipolar. Segundo acadêmicos e instituições de pesquisa, os chamados Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) serão peças-chave dessa nova ordem. Para investigar que desafios cada país do BRIC terá pela frente, no caminho para se tornar uma potência em 2020, a BBC Brasil produziu uma série especial que começa a ser publicada nesta segunda-feira, reunido reportagens multimídia de nossos repórteres no Brasil e enviados especiais a Rússia, Índia e China.
  • 96.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 97 de 323 Em 2020, com 3,14 bilhões de habitantes (40% da população mundial naquele ano, segundo projeções da ONU), eles devem chegar mais perto das economias do G7, após terem crescido a taxas muito superiores às de nações ricas. O National Intelligence Council, entidade do governo americano ligada a agências de inteligência, prevê que já em 2025 todo o sistema internacional - como foi construído após a Segunda Guerra Mundial - terá sido totalmente transformado. Novos atores - Brasil, Rússia, Índia e China - não apenas terão um assento à mesa da comunidade internacional, mas também trarão novos interesses e regras do jogo, afirma a instituição. Muito provavelmente, por volta de 2020 vamos nos dar conta de que existe um equilíbrio muito maior no mundo em termos econômicos e políticos com o fortalecimento de países emergentes como China, Índia, Brasil e Rússia. Com um maior poder econômico, virá também um maior poder político e uma participação ativa desses países em organismos internacionais, disse à BBC Brasil Stepháne Garelli, professor da Universidade de Lausanne, na Suíça, e autor de um estudo que traça cenários para 2050. Conceito complexo O conceito de sistema multipolar é complexo e, ainda que boa parte dos analistas concorde que o mundo caminha para isso, o tempo que levará para que a China tenha voz no Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil tenha um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU ou o Banco Mundial seja dirigido por um russo ou indiano variam muito. Mas a discussão já não se limita mais ao meio acadêmico. Diferentes aspectos do que pode vir a ser um mundo multilateral (ou multipolar) já começam a aparecer em discursos de autoridades que estão no centro do processo de tomada de decisões internacionais. Um exemplo recente vem de Gordon Brown, o primeiro-ministro britânico, que, às vésperas do encontro do G20, em Londres, declarou no Brasil que o tempo em que poucas pessoas mandavam na economia acabou. Também às vésperas do encontro, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse em entrevista a uma TV francesa que soluções globais supõem que a governança de instituições como o FMI seja mais legítima, mais democrática, com espaço para os países emergentes e pobres. Reunião do G20 A reunião do G20, grupo que une países emergentes aos países-membros do G8, pode ser vista como um sinal dessas mudanças. A voz dos emergentes no cenário de crise ganha especial relevância. Segundo boa parte dos analistas ouvidos pela BBC Brasil, eles não apenas serão menos afetados do que os países desenvolvidos pela crise, como também podem se recuperar mais rapidamente. Essa possível recuperação mais rápida se baseia em alguns pilares que serão também propulsores do crescimento de longo prazo. A situação das economias desses países é muito diferente. Mas, de maneira geral, os Bric estão mais bem posicionados para a recuperação do que muitas outras economias, disse Markus Jaeger, responsável por análises de longo prazo no Deutsche Bank. Para Alfredo Coutino, analista mexicano da agência Moody's nos Estados Unidos, a crise revela ainda a vulnerabilidade das economias desenvolvidas e deixa clara a necessidade de equilíbrio na economia global. É uma oportunidade para as economias emergentes, que devem liderar a recuperação, disse ele. Crise Em entrevista à BBC Brasil, Jim O'Neill, economista-chefe do Goldman Sachs, que criou a
  • 97.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 98 de 323 sigla Bric em 2001, prevê que a crise até mesmo acelere a escalada dos emergentes, e diz que já em 2020 a economia desses quatro países encoste nas dos países do G7, o grupo das atuais nações mais ricas do mundo. Não faltam céticos em relação à projeção de O'Neill. John Bowler, diretor do Serviço de Risco por País (CRS na sigla em inglês) da Economist Intelligence Unit é um deles. Acho que esse processo será mais demorado. Há uma série de obstáculos à confirmação dessas projeções tanto no campo econômico quanto político, disse Bowler. Apesar das ressalvas feitas por muitos dos ouvidos pela BBC Brasil, o otimismo de O'Neill não é isolado. Um relatório da consultoria Ernst Young, Global Megatrends 2009, por exemplo, afirma que a fome de crescimento, junto com a rápida industrialização das economias e populações em expansão, põe os emergentes no caminho da recuperação mais rapidamente, e os países do Bric são claramente os atores principais. Essa fome de crescimento vem, em parte, da nova classe média que tem revolucionado o consumo nesses países. Segundo o Banco Mundial, 400 milhões de pessoas se encaixavam nessa categoria em 2005 nos países em desenvolvimento. Em 2030, deverão ser 1,2 bilhão de pessoas. A classe média, principalmente dos países do Bric, será o novo motor da economia mundial, prevê Stepháne Garelli, da Universidade de Lausane e diretor do índice de competitividade, publicado pelo Institute of Management Development, que avalia 61 países em 312 critérios. É uma classe média ávida por comprar seu primeiro carro, seu primeiro celular de última geração. Não é conservadora como a classe média do atual mundo rico. Ela quer 'comprar felicidade', acrescentou. Padrão de vida O valor do Produto Interno Bruto (PIB) dará posição de destaque a esses países no ranking global de economias, mas não será suficiente para levar as populações desses países a padrões de vida próximos ao dos países hoje considerados ricos. O PIB per capita da Índia, por exemplo, deverá praticamente dobrar num período de 15 anos até 2020, segundo um estudo do departamento de pesquisas do Deutsche Bank. Ainda assim, representará apenas 40% da renda per capita nos Estados Unidos. De olho em indicadores como o PIB per capita, Françoise Nicolas, economista do Instituto Francês de Relações Internacionais, prevê a ascensão das superpotências pobres. Será um mundo multipolar bizarro. Os Bric serão superpotências pobres com mais peso econômico, mas o discurso ainda não estará no mesmo nível dos países ricos, prevê Nicolas. Além da pobreza, esses países enfrentam outros desafios, como a proteção ao meio ambiente. Eles querem ter maior poder de decisão e, ao mesmo tempo, em certas questões como o meio ambiente, querem continuar a ser tratados como países emergentes, que não podem cumprir as mesmas exigências dos ricos, disse Thomas Klau, chefe do escritório de Paris do Council of Foreign Relations. Data: 24/03/2009 Manchete: 1% da população adulta detém 40% da riqueza mundial, diz estudo. Dois quintos da riqueza mundial estão concentrados nas mãos de 37 milhões de indivíduos, ou 1% da população adulta, segundo indica um estudo da Universidade das Nações Unidas lançado em Londres nesta terça-feira. Se considerados os 10% mais ricos do mundo, a proporção da riqueza mundial nas mãos desse grupo é de 85,2%.
  • 98.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 99 de 323 Resumo: Na outra ponta, os 50% mais pobres do mundo são donos de apenas 1% da riqueza global. O estudo, compilado no livro Personal Wealth From a Global Perspective (Riqueza pessoal a partir de uma perspectiva global), é a mais ampla iniciativa para investigar o tamanho da desigualdade na distribuição da riqueza pelo mundo. Segundo o coordenador do estudo, o economista James Davies, um pequeno grau de desigualdade entre os países tem um efeito positivo para o desenvolvimento, por servir como incentivo ao empreendedorismo. Os candidatos a ser empreendedores precisam ter algum incentivo, precisam pensar que podem ficar ricos, para se aventurarem, diz. Davies comenta que os países ricos, durante seu processo de desenvolvimento nos séculos 18 e 19, tiveram um aumento na desigualdade em um primeiro momento, seguido de uma redução, provocada principalmente pela elevação do nível de renda da classe média. Segundo ele, muitos países em desenvolvimento acelerado - como a China, por exemplo - podem estar seguindo esse padrão hoje, com um aumento na desigualdade. Mas ele adverte que a desigualdade extrema - como no caso do Brasil - é prejudicial ao crescimento econômico. Segundo ele, a desigualdade deve ser combatida principalmente em setores como educação. A compilação de dados das pesquisas coordenadas por Davies mostram também o nível de concentração da riqueza individual entre os países. Dois países - Estados Unidos e Japão - concentram 64,3% dos indivíduos entre o grupo de 1% mais ricos do mundo. O Brasil tem 0,6% dos indivíduos nesse grupo, que representam aqueles com patrimônio superior a US$ 512,4 mil. Entre os 10% mais pobres do mundo, 26,5% estão na Índia, 6,4% na China e 2,2% no Brasil. Os Estados Unidos têm apenas 0,2% de sua população nesse grupo, com patrimônio total inferior a US$ 178. Os dados da pesquisa mostram ainda que, apesar do forte crescimento da China nas últimas três décadas, os chineses ainda concentram apenas 2,6% da riqueza mundial, apesar de representarem 22,8% da população. Os indianos, que são 15,4% da população mundial, detêm 0,9% da riqueza global. Na África, que tem 10,2% da população, está apenas 1% da riqueza mundial. Na outra ponta, a América do Norte, com 6,1% da população mundial, concentra 34,4% da riqueza, enquanto a Europa, que tem 14,9% da população, detém 29,6% da riqueza. O grupo de países ricos da Ásia e do Pacífico, que inclui o Japão, tem apenas 5% da população mundial, mas concentra 24,1% da riqueza global. Data: 17/03/09 Manchete: Brasil é 8º mais empreendedor, aponta estudo com 43 países. Resumo: O relatório executivo de 2008 do Monitor Global do Empreendedorismo (GEM, da sigla em inglês) coloca o Brasil como a 8º nação mais empreendedora entre os 43 países pesquisados. Segundo o estudo, 26,4% da população entre 18 e 64 anos do País está envolvida em algum tipo de negócio próprio, seja ele estabelecido (pagando salário a seus donos há 42 meses), em gestação (ainda não pagou salários) ou ainda no início (pagando salários há pelo menos três meses e menos de 42).
  • 99.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 100 de 323 O levantamento, feito com 2 mil pessoas no Brasil, aponta que 2,9% da população está envolvida com empreendimentos em gestação, 9,3% são donos de um novo negócio e 14,6% participam de um negócio estabelecido. O percentual de pessoas empreendedoras na faixa etária pesquisada no País (26,4%) só é menor do que o da Bolívia (45,6%), Colômbia (36,7%), Peru (32,7%), Argentina (29,6%), Equador (28,1%), República Dominicana (27,9%) e Índia (27,6%). No estudo, o Brasil foi classificado, ao lado, entre outros, de Argentina, Peru, Chile, Rússia e África do Sul, como economia movida pela eficiência. As outras duas classificações são economias movidas pela inovação, onde estão, entre outros, países da Europa Ocidental, Coréia do Sul e os Estados Unidos. A terceira classificação é economia movida por fator, que designa países com desenvolvimento industrial inicial, como Bolívia, Egito e Índia. Oportunidades e riscos Além de analisar o cenário estabelecido, o relatório do GEM aponta que, no Brasil, 44% dos entrevistados vêem boas oportunidades para começar um negócio nos próximos seis meses. No entanto, somente 26% esperam iniciar um empreendimento dentro de três anos. O medo de falhar foi citado por 43% dos participantes da pesquisa no País como motivo que os impede de iniciar seu próprio negócio. Data: 15/03/2009 Manchete: Crise obriga milhares de famílias americanas a viver em tendas de campanha. Até há pouco tempo eram trabalhadores de classe média que viviam em casas com jardim, mas a recessão está empurrando milhares de famílias nos Estados Unidos para o inimaginável: viver em tendas de campanha, quartos ou motéis baratos de estrada. Resumo: Em Sacramento, capital do estado da Califórnia e uma das regiões do país onde a crise imobiliária bateu com mais força, um acampamento para gente sem lar já abriga centenas de pessoas e cresce a um ritmo de 50 novos residentes por dia. Este assentamento de tendas de campanha sem serviços de nenhum tipo atraiu a atenção da imprensa e das ONGs, que alertam para as más condições higiênicas e do risco de que doenças como o cólera comecem a se propagar. Os moradores da tent city, como estes acampamentos são conhecidos nos EUA, não são apenas vagabundos e alcoólatras, mas também várias famílias que perderam seus trabalhos e suas casas por não poder arcar os pagamentos da hipoteca. Johnson, uma antiga estrela da equipe de basquete Phoenix Suns, conseguiu atrair a atenção dos meios de comunicação para tent city de Sacramento que, embora não seja a única do País, se transformou em um símbolo da recessão. Durante anos tentamos colocar os sem-teto debaixo do tapete, reconheceu Johnson em entrevista esta semana. Apoiamo-nos nos bons samaritanos e nas ONG's, mas agora o problema nos supera. Johnson propôs a criação de um assentamento permanente para estas famílias com a ajuda de parte dos US$ 2,3 bilhões que o programa de estímulo econômico do presidente Obama dedica para resolver os problemas do povo sem lar. A organização Loaves and Fishes denuncia que o número de pessoas sem casa cresceu na região 26% no último ano e que estão se encontrando com famílias em situações dramáticas. Segundo uma pesquisa do Centro Nacional Para Famílias sem Lar, cerca de 1,5 milhão de crianças nos EUA, uma em cada 50, carecem de casa, mas a própria organização reconhece que os números estão defasados.
  • 100.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 101 de 323 Em Orange County, ao sul da Califórnia, a imprensa alertou de um triste fenômeno: cada vez mais famílias vivem em quartos de motel durante meses, ou inclusive, anos, após perder seus lares ou trabalhos. A região é conhecida pelos altos preços dos aluguéis, a escassez de casas subsidiadas pelo Estado e a abundância de motéis vazios que em outros tempos alojavam os turistas da Disneylândia. Em seus quartos vivem hoje, segundo as organizações humanitárias da região, mais de mil famílias, que pagam em torno de 800 dólares semanais pelo alojamento, mas que não têm economias para enfrentar o depósito de um aluguel nem acesso a créditos para a compra de uma casa. Data: 05/03/2009 Manchete: Desemprego vai atingir mais mulheres que homens em 2009, diz OIT. As mulheres sofrerão mais com o desemprego do que os homens em 2009 devido à crise econômica mundial, segundo um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta quinta-feira. Resumo: A taxa de desemprego das mulheres passou de 6% em 2007 a 6,3% em 2008. Segundo o documento, o número chegará a pelo menos 6,5% segundo o cenário mais otimista, e 7,4% segundo o mais pessimista, podendo alcançar 7,8% nos países desenvolvidos. O cenário mais otimista se baseia nas previsões de crescimento mundial de 0,5% formuladas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em janeiro. De 2007 a 2008, a taxa de desemprego dos homens subiu de 0,4% a 5,9%, e em 2009 pode alcançar 6,1%, segundo o melhor cenário, e 7%, segundo o pior. O aumento da taxa de desemprego das mulheres diz respeito mais claramente às América Latina e Caribe, afirma o informe. Apesar das perspectivas desfavoráveis para as mulheres em nível mundial, o estudo indica que no leste da Ásia e nos países desenvolvidos, em particular na União Européia, os homens seriam mais vítimas do desemprego do que as mulheres. Data: 12/03/2009 Manchete: Crise afeta oito em cada dez empresas brasileiras, diz pesquisa da CNI. Das empresas afetadas, 54% demitiram ou suspenderam contratos. Só 1/3 dos empresários acredita na superação da crise em 2009. Resumo: Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) entre 4 e 11 de março, com 431 empresas de 24 estados do país e 30 setores industriais, revela que oito em cada dez companhias se disseram impactadas pela crise financeira internacional, que se agravou de meados de setembro de 2008 em diante. Segundo a pesquisa, 83% dos entrevistados responderam que a crise está afetando seus negócios no primeiro trimestre deste ano. Deste universo de empresas que se disseram impactadas pela crise, 54% informaram que adotaram alguma medida relativa aos contratos de trabalho de seus funcionários, como suspensão de serviços terceirizados ou demissões. Novas ações Ao mesmo tempo, 36% dos consultados também informaram que planejam demissões ou suspensões de contratos. Outros 24% disseram que pretendem reduzir a jornada de trabalho, e 22% informaram que pretendem suspender contratações que estavam planejadas.
  • 101.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 102 de 323 Cerca de 15% disseram que pretendem adotar o banco de horas, e 14% pretendem conceder férias coletivas. Somente 13% pretendem contratar novos empregados. Para Flávio Castelo Branco, economista da CNI, isso mostra que grande parte do ajuste no emprego industrial já foi feito. Já para Armando Monteiro Neto, presidente da entidade, a percepção da crise está sendo cada vez mais ampliada. As empresas estão avaliando seus negócios com mais pessimismo. Vamos ter queda do emprego industrial neste ano. Aquela teoria do descolamento, de que a economia brasileira teria um desempenho diferente, está se mostrando muito frágil. O mundo ficou pior e o Brasil ficou pior também. O país vai crescer menos e poderá ter até um crescimento próximo de zero neste ano, avaliou ele. Primeiro trimestre Para 79% dos empresários consultados, os impactos da crise financeira sobre toda a economia brasileira também se tornaram mais intensos nos três primeiros meses deste ano. Monteiro Neto, presidente da CNI, informou que a indústria terá um desempenho certamente negativo no primeiro trimestre deste ano, mas na comparação com o mesmo período de 2008. Confiamos que haja alguma recuperação, ainda que tênue, ao longo do ano. O Brasil pode reduzir bastante a taxa de juros, coisa que os outros países não têm [porque já fizeram], disse ele. Duração da crise A CNI informou ainda que somente 31% dos empresários consultados disseram acreditar que a crise terá fim ainda em 2009. Para 35% dos entrevistados, a crise será superada em 2010 e outros 12% acreditam que ela só terminará após 2010. Apesar de a expectativa de a duração da crise ainda ser um pouco mais longa, não há percepção de aprofundamento das dificuldades. Resultados um pouco mais positivos devem ser registrados no segundo semestre, disse Castelo Branco. Medidas do governo Para 54% dos empresários ouvidos pela CNI, as medidas adotadas pelo governo federal para combater a escassez e o encarecimento do crédito, ambos resultados da crise financeira internacional, estão surtindo efeito, mas de forma moderada. Outros 40%, por sua vez, avaliaram que as medidas não estão sendo efetivas. Para 63% dos entrevistados, o governo deveria atuar por meio da redução de tributos para combater os efeitos da crise financeira na economia. Para 51% dos ouvidos, deveria haver uma redução dos juros e do spread bancário, enquanto que outros 30% pedem aumento da oferta de linhas de empréstimo para capital de giro. Para 19%, é importante ampliar o prazo de recolhimento de tributos. Data: 12/03/2009 Manchete: Patrimônio dos americanos cai US$ 5 trilhões no quarto trimestre. Resumo: O patrimônio líquido de famílias e entidades sem fins lucrativos nos EUA caiu para US$ 51,5 trilhões no quarto trimestre de 2008, contra US$ 56,6 trilhões. Trata-se de uma queda de US$ 5,1 trilhões (ou 9%), a maior já registrada desde que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) começou os registros trimestrais, em 1952. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira. O valor das riquezas dos americanos atingiu um pico no segundo trimestre de 2007, quando chegou a US$ 64,36 trilhões, impulsionado pela bolha no setor imobiliário. No ano passado como um todo, a queda no patrimônio dos americanos caiu US$ 11,2 trilhões, segundo o Fed.
  • 102.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 103 de 323 A queda no patrimônio dos americanos ressalta a recessão em que o país se encontra desde dezembro de 2007. O país teve uma contração no PIB (Produto Interno Bruto) de 6,2% no quarto trimestre. Foi o pior desempenho desde a queda de 6,4% ocorrida no primeiro trimestre de 1982. O endividamento dos americanos no trimestre passado teve uma redução de 2% (taxa anualizada), marcando o primeiro trimestre em que as dívidas dos americanos caíram. A queda, em dólares, foi de US$ 69,7 bilhões no período, para US$ 13,8 trilhões. A estimativa inicial do governo referente ao terceiro trimestre era de uma contração de 0,8%, mas o dado foi revisado para um aumento de 0,2%. O IIF (Instituto de Finanças Internacionais, na sigla em inglês) já havia divulgado uma pesquisa sobre o patrimônio dos americanos neste mês, na qual mostrou que a queda nos últimos 15 meses chegou a US$ 16,5 trilhões. Desde setembro, as riquezas dos americanos perderam US$ 9,5 trilhões em valor. O endividamento com hipotecas --um dos principais itens nas dívidas dos americanos-- teve uma queda anualizada de 1,6% no trimestre passado, contra uma queda de 2,3% entre julho e setembro do ano passado. Os padrões mais rígidos adotados pelos bancos para conceder financiamentos hipotecários, devido à crise, contribuíram para essa redução. O crédito ao consumidor caiu 3,2% (taxa anualizada) entre outubro e dezembro, primeiro recuo trimestral desde o segundo trimestre de 1992, quando houve queda de 0,9%. Data: 09/03/2009 Manchete: Merck e Schering-Plough anunciam fusão bilionária no setor farmacêutico. Resumo: Os conselhos de administração dos grupos farmacêuticos americanos Merck e Schering-Plough anunciaram nesta segunda-feira a conclusão de um acordo para uma fusão, em uma transação de US$ 41,1 bilhões. A operação unirá as fabricantes dos medicamentos para tratamento de colesterol Zetia e Vytorin, no segundo mega-acordo entre grandes companhias farmacêuticas em semanas. As duas companhias, que anunciaram significativos cortes de empregos no fim de 2008, têm agido para se tornarem mais eficientes em meio à queda da demanda pelos medicamentos que produzem. As vendas conjugadas das empresas recuaram 26% no último trimestre. A operação vai diversificar o portfólio de remédios da Merck, incluindo drogas para tratamentos cardiovasculares, respiratórios, oncológicos, de neurologia e também medicamentos para doenças infecciosas e do sistema imunológico. A fusão foi aprovada por unanimidade pelos conselhos de administração das duas gigantes, segundo um comunicado conjunto. Data: 09/03/2009 Manchete: Safra 2009 deve ser 7,3% menor que a de 2008, informa IBGE. Resumo: A safra brasileira deverá atingir 135,3 milhões de toneladas, com queda de 7,3% em relação à safra anterior (145,8 milhões de toneladas), informou nesta segunda-feira o IBGE, no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) relativo a fevereiro. A área plantada em 2009 deverá atingir 47,4 milhões de hectares, 0,3% maior que a de 2008 (47,2 milhões de hectares). No levantamento anterior, referente a janeiro, a previsão era de safra de 0,45% menor, de 134,7 milhões de toneladas. Regionalmente, a produção e as variações esperadas para 2009 em relação à safra 2008 são: região Sul, 54,7 milhões de toneladas (-10,8%); Centro-Oeste, 47,1 milhões de toneladas (-7,1%); Sudeste, 16,8 milhões de toneladas (-4,1%); Nordeste, 12,9 milhões de
  • 103.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 104 de 323 toneladas (3,4%) e Norte, 3,8 milhões de toneladas (-1,8%). Produtos Em fevereiro, o levantamento agrícola do IBGE, estimou que, dentre os 25 produtos selecionados, sete apresentaram alta na estimativa de produção, em relação à safra 2008. Entretanto, o IBGE prevê queda para 18 produtos. Segundo observaram os técnicos do IBGE, no documento, a colheita das principais culturas temporárias de verão (soja e o milho) teve início, especialmente nas regiões onde o plantio aconteceu mais cedo. Os próximos levantamentos acompanharão a colheita da safra de verão e o desenvolvimento das segunda e terceira safras de alguns produtos, além das culturas de inverno, cujas estimativas são baseadas em projeções, devido ao calendário agrícola.
  • 104.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 105 de 323 SOCIEDADE O melhor aproveitamento dos capitais sociais e humanos exige a descentralização dos serviços para as regiões e os municípios, feita de modo adequado e competente, sobretudo para os grupos de maior vulnerabilidade social, no suprimento das necessidades mais básicas e na descoberta de vocações que apontem para novas e sustentáveis alternativas de desenvolvimento. Concede, assim, ao aporte cultural, desses grupos socialmente vulneráveis, um lugar de destaque na construção do desenvolvimento sustentável, além de prevenir antigos vícios que determinaram uma certa confusão entre participação democrática e formação de coalizões setoriais em defesa de interesses particulares. Dessa forma, o que se constata é que a característica de transição, nas suas várias dimensões, pode contribuir enormemente para o atual processo de consolidação democrática e de reforma do Estado por que atravessa o Brasil. Raízes históricas e fatores determinantes das desigualdades sociais no Brasil Na constituição da nação brasileira, bem o sabemos, prevaleceu um modelo de desenvolvimento econômico, social, político e cultural concentrador de riqueza e poder. Além disso, ao caráter estruturalmente concentrador do modelo, ao longo da história, adicionaram-se diversos outros fatores produtores e reprodutores de desigualdades sociais. Mesmo numa análise não aprofundada desse processo, é possível reconstituir determinados nexos, entre passado e presente, que explicam a gênese e a recorrência de algumas manifestações de desigualdade que precisam ser enfrentadas. Da terra dos índios à terra de índio O momento do descobrimento e os primeiros passos da ocupação territorial puseram em evidência o conflito de interesses entre a população colonizadora, predominantemente portuguesa, e os povos originais, genericamente chamados índios. Para assegurar uma ocupação territorial a longo prazo, era preciso pacificar as tribos indígenas e garantir sua sujeição à Coroa. Utilizando uma forma então tradicional de controle social, missões de ordens religiosas foram incumbidas da tarefa. A política missionária foi sucedida, no século XVIII, pela política Pombalina, que mudou a concepção de território, conferindo prioridade à ocupação e à exploração indiscriminada das áreas e bens naturais nelas contidos e imprimiu nas mentes dos índios, colonos de outras origens e vizinhos rivais, vistos como inimigos e presas de escravidão e guerra, uma presença portuguesa, para controlar e manter o território no longo prazo. A Carta Régia de 1798 extinguiu os aldeamentos indígenas, tornando livre a exploração de recursos naturais ali existentes. No reinado de D. João VI no Brasil, a apartação dos povos indígenas agravou-se com a declaração das guerras de extermínio às tribos que opunham resistência à incorporação de suas terras à colonização. A política oficial não admitia como decorrência da ocupação indígena o seu direito à terra. Só em 1910, com a criação do Serviço de Proteção aos Índios, fala-se sobre terra de índios, garantindo-se, entre outras coisas, a efetividade da posse de seus territórios e o usufruto das terras demarcadas que lhe fossem concedidas. Hoje, a população indígena é de aproximadamente trezentas mil pessoas, perfazendo 0,2% da população brasileira; os povos indígenas detêm 563 áreas de terras, com uma extensão de 102.126.269 ha, que equivalem a 12% do território nacional, mas a inserção social e cultural dos povos indígenas ainda está longe de ser resolvida. Populações negras: escravidão, discriminação racial e resgate cultural No contexto da política Pombalina, a expansão da população escrava africana, tida como mais produtiva do que a indígena, foi considerada essencial. As fronteiras sociais passaram então a se ancorar, sobretudo, na escravidão de variados grupos de afro-descendentes. O trabalho escravo, base da economia colonial, impôs a sujeição física, cultural, econômica, social e política dos negros e mulatos, impedindo-lhes qualquer possibilidade de mobilidade social, melhoramento econômico e participação política. Assim, a sociedade se estamentiza em castas incomunicáveis, com os privilégios da camada dominante juridicamente definidos [dado] que, de outra forma, seria impossível manter a condição escrava dos produtores diretos. Isto é, para além da questão meramente econômica, o imaginário social dos colonizadores também teve um papel na expressão simbólica das desigualdades sociais. Nessa visão, os distintos grupos sociais eram
  • 105.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 106 de 323 caracterizados por atributos imaginários. Negros, índios e colonos eram caracterizados como homens maus, (animalescos e demoníacos) em oposição aos homens bons, sendo estes últimos os que concentravam recursos e poder. A Declaração da Independência, a Libertação dos Escravos com a Lei Áurea ou a Proclamação da República provocaram importantes mudanças sociais e políticas, mas não foram capazes de reverter as desigualdades sociais que caracterizaram a Colônia. Os ex-escravos e seus descendentes tiveram de enfrentar as limitações sociais herdadas da escravidão. Em 1850, com a Lei número 601 (Lei de Terras), a propriedade fundiária consolida-se como um indicador da concentração de poder econômico e político. Por isso, mesmo com grandes extensões de terras disponíveis para o cultivo, a grande maioria dos ex-escravos não pôde se transformar em pequenos agricultores. Uma parte significativa ficou como agregada nas fazendas e hoje está diluída entre as populações sem terra. Contudo, certos grupos de ex-escravos conseguiram permanecer na terra organizada em antigos quilombos, portanto, com terra, embora na maioria sem titulação. Essas populações são denominadas quilombolas e têm - segundo os artigos 215 e 216 da Constituição e o artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) - assegurados seus direitos nos territórios culturais que foram recentemente identificados e estão em processo de inclusão nos programas do governo federal. Os ex-escravos que, após a abolição, foram para as cidades onde estavam as primeiras indústrias chegaram sem qualificação profissional, sem recursos econômicos próprios, enfrentando a discriminação social e sem representação política capaz de defender seus interesses específicos, engrossando o contingente de membros das classes perigosas, as quais eram consideradas uma ameaça à nascente sociedade industrial no Brasil. Mas no interior das classes perigosas operavam-se outras diferenciações. Ali também estavam outros homens livres, sobretudo os brancos trabalhadores migrantes europeus. No âmbito da concorrência própria à conformação do mercado de trabalho, explicitou-se um tipo específico de hierarquização interna aos subalternos. Os migrantes representavam uma mão-de-obra relativamente qualificada e, de certa forma, também adaptada às exigências da disciplina no trabalho apropriada para a atividade econômica capitalista. As pesquisas de Florestan Fernandes mostram como o racismo, como tal, se manifesta justamente no bojo da formação do mercado de trabalho. Industrialização tardia: fonte produtora de desigualdades sociais e de exploração predatória de recursos naturais A passagem da economia agroexportadora colonial para a nova ordem econômica industrial reafirmou certos limites da capacidade de incorporação de vários segmentos da sociedade brasileira à cidadania, assim como reafirmou as raízes das desigualdades e acrescentou outros próprios à sua nova dinâmica. O processo de diversificação da estrutura produtiva do Brasil ganha seu impulso definitivo após 1930. O início da industrialização brasileira foi resultado tanto da política de substituição de importações determinada pelas dificuldades de abastecimento do mercado interno, que coincide com o início da Segunda Guerra Mundial, como das políticas de desenvolvimento acelerado adotadas por sucessivos governos brasileiros. Dessa forma, investimentos em infra-estrutura, a atração do capital externo, a ampliação e o redirecionamento das fronteiras do desenvolvimento nacional e a política de gasto público inflacionária resultaram em expressiva sofisticação da atividade econômica no Brasil. No entanto, o desenvolvimento industrial não resultou em mudanças significativas na configuração da pirâmide social. Começando a se industrializar mais tarde, o Brasil não teve condições de competir em tecnologia com os países já industrializados. Para compensar a falta de competitividade, países como o Brasil se basearam nos baixos preços locais da mão-de-obra e da matéria-prima, na exploração predatória dos recursos naturais e, ainda, na proteção ou subsídio estatal. Em resumo, na prática, em nossa história industrialização e desenvolvimento social foram, cada vez mais, se dissociando. Desigualdades espaciais e desequilíbrio regional O processo de desenvolvimento brasileiro também produziu diferenciações e discursos regionais. A literatura sobre o tema demonstra como a valorização social de apenas um tipo de equilíbrio, baseado na perspectiva de desenvolvimento industrial, faz com que as desigualdades espaciais sejam lidas como evidências de desequilíbrio regional. O caso do Nordeste não esgota a questão, mas é exemplar. Como afirma Penna, o elemento
  • 106.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 107 de 323 básico do discurso regionalista é a homogeneização (simbólica) do espaço tecida sobre a idéia de crise. Nesse discurso, produzido pela elite educada da região, o Sul aparece como espaço-obstáculo, e ao Estado são dirigidas as reivindicações da região mais pobre do país. A criação da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), em 1959, expressa as esperanças desenvolvimentistas de que a modernização econômica modificaria as relações de poder no Nordeste. Contudo, vários estudos mostram como a SUDENE esteve capturada por interesses de grupos econômicos regionais que - associados a grupos do Centro-Sul e com empresas internacionais - se valeram de subsídios estatais para se reciclar, crescer e diversificar seus interesses, sem efeitos notáveis nas transformações sociais esperadas. Hoje, propugnam-se novos conceitos para a região, que passaria a ser parte das soluções que objetivam favorecer a desconcentração econômica, mediante o fortalecimento de eixos de integração e desenvolvimento. Na esfera da sociedade, verificam-se iniciativas de organizações populares que objetivam contribuir para o resgate da dignidade e da identidade da população nordestina. O que pode também contribuir efetivamente para soluções sustentáveis. Dicotomia campo e cidade Como palavra de ordem, a reforma agrária apareceu como remédio contra o latifúndio desde os anos 30. Nos anos 60, a reforma agrária tornou-se uma das reformas de base e informou as práticas e os projetos desenvolvimentistas de diferentes instituições, partidos políticos, movimentos e personagens. O golpe militar interrompeu esse processo. Reprimiu as Ligas Camponesas do Nordeste e marcou uma certa descontinuidade em relação às organizações sindicais de trabalhadores no campo. Porém, a idéia de reforma agrária não foi descartada, mas assumiu nova feição a partir do estabelecimento (em 1964) do Estatuto da Terra, que buscou domesticar seu significado. Em 1972, foi criado o Instituto Nacional da Reforma Agrária (INCRA), iniciando-se o projeto de colonização. Enquanto isso, o movimento sindical de trabalhadores rurais, por meio da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), elegeu a reforma agrária como cimento unificador para a diversidade de categorias entre os trabalhadores rurais. Era a distância entre o país real e o país legal que a tornava objeto de luta sindical nos anos de chumbo do regime militar. Ainda durante o regime militar, a agricultura passou por um processo de modernização conservadora, que permitiu, nos anos 70, o aumento da concentração fundiária - seja como base para a agroindústria voltada para a exportação seja como reserva de valor, na qual a terra se tornava um ativo financeiro. Nesse contexto, além da concentração fundiária e dos conflitos daí resultantes, multiplicaram-se os expedientes para o não cumprimento dos direitos trabalhistas no campo, e a política agrícola oficial privilegiou a agricultura voltada para os insumos industriais e para a exportação, em detrimento de uma política diferenciada, orientada para a pequena produção. A concepção desenvolvimento/industrialização, que prevaleceu em relação à questão agrária, contribuiu para a aceleração da urbanização da população do país, com o acirramento do esvaziamento demográfico do campo brasileiro. Por outro lado, como à migração campo/cidade não correspondeu a capacidade de absorção de mão-de-obra pelo setor industrial, o fenômeno da urbanização se fez acompanhar pelo surgimento dos cinturões de pobreza e miséria nos grandes centros urbanos. Assim, tornou-se expressa na paisagem das cidades a segregação espacial dos pobres que, ocupando os lugares mais insalubres e não servidos de infra-estrutura, contribuíram para o agravamento das condições do meio ambiente das cidades, estabelecendo, assim, uma trágica relação de causação circular. Revolução Conservadora: o regime militar e suas vias para a consolidação do Brasil industrial No decorrer das últimas décadas, a progressiva hegemonia da burguesia industrial e financeira urbana, em detrimento de certas oligarquias agrárias, o crescimento e a diversificação da classe trabalhadora urbana como resultado da expansão da estrutura produtiva, assim como dos diferentes setores da classe média, tornaram mais complexa a sociedade brasileira e os conflitos sociais nela presentes. Para os trabalhadores urbanos, traços da desigualdade social brasileira foram enfrentados
  • 107.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 108 de 323 com a progressiva definição da estrutura jurídica relacionada aos direitos trabalhistas e à proteção previdenciária. No entanto, o surgimento de novos atores na esfera pública e sua incorporação aos mercados de trabalho e de produtos não garantiu a redução das desigualdades sociais retroalimentadas pelas dificuldades de universalização do acesso à educação formal e/ou à qualificação profissional. Durante os governos militares pós-1964, as transformações operadas na estrutura da sociedade brasileira produziram uma espécie de revolução conservadora, ou seja, em pouco tempo, a modernização capitalista acelerada da economia do país o colocou na condição de oitava economia do mundo ocidental. Mas esse expressivo processo de industrialização não produziu um desenvolvimento equilibrado da sociedade brasileira. Ao contrário, todos os dados disponíveis apontam para o agravamento dos problemas de concentração de renda, de miséria e de exposição a riscos ambientais. Portanto, no corpo do trabalho, quando nos referirmos à desigualdade social brasileira estaremos sempre falando sobre a específica articulação que conjuga herança histórica e padrões recentes de desenvolvimento. É no âmbito dessa articulação que fatores econômicos, políticos e culturais se transformam em mecanismos produtores e reprodutores de desigualdades sociais. Os mecanismos são vários, como visto, e tornam-se mais graves quando incidem sobre os mesmos segmentos populacionais, isto é, os efeitos das desigualdades sociais incidem sobre espaços, regiões, etnias diferentes, gênero e cortes geracionais, mas, sobretudo, sobre os mais pobres de cada um desses grupos. Preconceitos e desqualificação social se expressam tanto por meio de relações étnico-raciais, como acontece com negros e índios, como de outros atributos que também são frutos de hierarquias e classificações socialmente produzidas. É o que ocorre em relação às mulheres; aos nordestinos; aos trabalhadores rurais; às crianças e adolescentes em situação de risco; às chamadas populações de rua; aos portadores de deficiência; aos homossexuais. Enfim, alvo de discriminação, grupos e pessoas se apresentam em situações de graves desvantagens relativas que devem ser consideradas quando o objetivo é reduzir desigualdades sociais em uma perspectiva de promoção do desenvolvimento sustentável. A desigualdade social brasileira: mudanças e permanências Identificados os fatores causais das desigualdades, se focalizará aqui o cenário atual e as tendências que, a partir de várias ângulos, podem ser visualizadas na dinâmica social e que conformam os desafios concretos que devem ser enfrentados. O componente regional Os dados mais gerais sobre as desigualdades sociais no Brasil se referem às cinco regiões. De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (PNUD-IPEA) (1996), a pobreza no Brasil tem um forte componente regional, sendo mais elevadas as proporções no Norte (43%) e no Nordeste (46%), reduzindo-se em direção ao Sul. Uma comparação entre os números disponíveis para o Nordeste e para as metrópoles de São Paulo e Rio de Janeiro pode ser ilustrativa. No Nordeste estão 19% dos pobres do país, no Rio de Janeiro e São Paulo estão 16%. No Nordeste rural, o tamanho das famílias pobres é maior; a ocupação na agropecuária (82%) revela a predominância de baixa incorporação tecnológica. Os homens predominam como chefes de família e são, na sua maioria, analfabetos; o desemprego revela-se quase inexistente; 45% das crianças não estão na escola; 55% das famílias não têm água encanada e 98% não dispõem de esgotamento sanitário. Nas metrópoles do Rio de Janeiro e de São Paulo, a pobreza expressa diretamente a dinâmica mais geral da economia. As famílias são menores e 29% das famílias pobres têm uma mulher como chefe. O percentual de chefes de família analfabetos é incomparavelmente mais baixo do que o do Nordeste. A maioria dos pobres trabalha nos setores de comércio e serviços, e a taxa de desemprego é de 14%. O acesso à eletricidade e ao abastecimento de água é praticamente universal. A dinâmica populacional O Brasil passou, nas últimas décadas, por importantes transformações na estrutura e na dinâmica da sua população. Esse processo foi marcado, de um lado, pela progressiva
  • 108.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 109 de 323 diminuição da taxa de mortalidade e, de outro, por uma drástica queda na taxa de fecundidade das mulheres em idade reprodutiva, que caiu de 5,8, em 1970, para 2,3 filhos/mulher atualmente, fazendo com que a taxa de crescimento da população se situe hoje em 1,4% a/a. Por sua vez, as taxas de mortalidade infantil e de esperança de vida, como se visualiza no quadro a seguir, também evoluíram positivamente refletindo uma progressão nas condições gerais de vida da população brasileira. Tais indicadores, que devem ser observados à luz das diferentes manifestações e dinâmicas demográficas regionais, refletem mudanças significativas na pirâmide etária e na estrutura das famílias e geram importantes conseqüências para a formulação de políticas públicas na esfera social nas próximas décadas: •Mais idosos - As transformações promovidas na estrutura por idade da pirâmide demográfica brasileira começam a representar um importante mecanismo de pressão sobre os sistemas previdenciário e de saúde do país, às voltas com problemas crescentes de financiamento dos benefícios que presta à sociedade, agravados pela diminuição relativa da população na faixa economicamente ativa. Alia-se a isso a crescente necessidade de programas de valorização da população na terceira idade, sobretudo os voltados à velhice desamparada. •Menos jovens - No extremo oposto da pirâmide, a diminuição da participação relativa da população jovem (0 a 18 anos) deverá representar, no futuro próximo, um importante fator de diminuição na demanda por serviços públicos de educação, que deverão crescer a taxas menores que os cerca de 3% observados até a década de 1970. •Pressões no mercado de mão-de-obra - Como os possíveis efeitos positivos dessa diminuição da população jovem só deverão se manifestar plenamente no médio e longo prazos, é previsível uma forte pressão para a criação de postos de trabalho nos próximos dez a 15 anos, apesar do contexto estrutural amplamente desfavorável nesse sentido. •Feminização da pobreza - Ao lado do caráter positivo vinculado à crescente integração da mulher ao mercado de trabalho, ainda que em condições salariais desiguais comparadas às dos homens, assiste-se a uma progressiva feminização da pobreza, em função do crescente número de famílias pobres chefiadas exclusivamente por mulheres. Registra-se também um aumento expressivo da gravidez precoce entre adolescentes em todo o país e em todas as camadas sociais. Em ambos os casos, aumentam as demandas por políticas e programas de proteção social para as mulheres como forma de enfrentar as dificuldades geradas por esses processos. •Mais dependentes no Brasil - O resultado do processo de envelhecimento da população brasileira, aliado ao decréscimo na participação relativa da população jovem - de até 18 anos -, resulta no aumento do número de pessoas dependentes no Brasil. Dimensões e fatores para construir novos indicadores de desenvolvimento social São muitos os fatores que devem ser analisados para identificar e avaliar a desigualdade social brasileira. Um mesmo nível de renda pode significar condições de vida distintas, dependendo da localização regional, da localização e do custo da moradia, das condições de saúde, do grau de estabilidade das fontes de renda, das condições de trabalho, etc. A desigualdade social brasileira é multifacetada, e sua complexidade deve ser considerada na formulação de políticas públicas: Mortalidade infantil, mortalidade e esperança de vida - Embora venha caindo de maneira significativa nos últimos dez anos, a mortalidade infantil é ainda cerca de cinco vezes maior que a dos países desenvolvidos. A mortalidade materna, a anemia ferropriva de gestantes, nutrizes, crianças e jovens e a hipovitaminose A, com suas conseqüências negativas, também, ainda, atingem valores alarmantes. Concentração/distribuição de renda - A pobreza extrema, ou indigência, deve atingir hoje
  • 109.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 110 de 323 cerca de 26 milhões de brasileiros, sem renda suficiente para satisfazer sequer suas necessidades básicas de alimentação. No entanto, chega a aproximadamente o dobro desse valor o contingente atual de pessoas que podem ser consideradas pobres. Apesar de se verificar uma tênue tendência de desconcentração, em 1995, a renda média dos 10% mais ricos era ainda quase 30 vezes maior do que a renda média dos 40% mais pobres. Nesse contexto, a situação se agrava pelo fato de o mercado de trabalho vir absorvendo cada vez menos trabalhadores nos últimos anos, desempregando um contingente expressivo de trabalhadores - cerca de 7,8% da população economicamente ativa (PEA) brasileira, hoje - e aumentando de forma significativa o número de pessoas vinculadas ao setor informal deste mercado (de 1,2 milhão de postos criados entre 1991 e 1998, nas seis principais regiões metropolitanas do país, cerca de um milhão surgiram no setor informal). Entre os fatores destacados como centrais para a desigualdade de rendimentos está o baixo índice de escolaridade da população em idade ativa (PIA), que, em 1991, havia em média freqüentado cerca de 5,1 anos de estudo, tornando ainda mais prementes os esforços e os recursos a serem destinados às políticas públicas para o setor da educação. Situação educacional - Nos diferentes indicadores relacionados à educação, ao mesmo tempo causa e conseqüência da desigualdade, observa-se que o analfabetismo atinge cerca de 1,5 milhão de jovens entre 15 e 19 anos e 13,4 milhões de adultos. Por outro lado, apenas 17% da população entre 15 e 19 anos estava matriculada no ensino médio e 11,5% dos jovens na faixa entre 20 e 24 anos cursava o ensino superior. Por último, a desigualdade se manifesta também na taxa de repetência na primeira série do ensino básico, estimada em cerca de 50%, e no número de anos - 11,4 em média - para a conclusão do primeiro grau. Dessa forma, no que tange ao conjunto da pobreza brasileira, a característica mais marcante é o baixo nível educacional, que limita o acesso a postos de trabalho não-qualificados, de baixa produtividade e remuneração. Uso de trabalho infantil - O trabalho de crianças e adolescentes tem impacto negativo sobre a saúde, desenvolvimento psicossocial, escolarização e inserção futura no mercado de trabalho. Cerca de 3,6% das crianças de cinco a nove anos e 18,7% das crianças de dez a 14 anos - totalizando 3,8 milhões de crianças (em dados de 1995) - ainda são obrigadas a trabalhar. Condições de moradia - Mais de 16 milhões de brasileiros não têm casa, e, no que toca ao usufruto dos serviços de água, constata-se que os sistemas públicos de abastecimento de água atendem a 67% da população brasileira e 88% da população urbana do país. Por sua vez, apenas 31% da população brasileira é atendida com esgotamento sanitário. Apenas 8% de todo o esgoto produzido tem tratamento adequado, o que, somado ao quadro alarmante de disposição inadequada de resíduos sólidos, justifica o alerta geral em relação à escassez da água, a partir da década de 90. Os serviços de coleta de lixo atendem a 76% da população urbana no pais; entretanto, dos quase 12 mil locais onde os municípios brasileiros depositam seus resíduos sólidos, 63% são corpos d'água, 34% são vazadouros ou lixões a céu aberto e os restantes 3% são dispostos de acordo com os métodos adequados de tratamento e destinação do lixo, como aterros sanitários, compostagem ou incineração. Condições de saúde - Os indicadores relativos à saúde apontam para a persistência de um quadro epidemiológico em que se fazem presentes fatores de morbidade e mortalidade resultantes do acesso desigual da população ao sistema de saúde pública, de condições sanitárias inadequadas, de carências alimentares e da desigual distribuição da renda. Situação social dos afro-descendentes - A recorrente exclusão social da população afro-brasileira e de seus descendentes (cerca de 44,2% da população total) expressa-se nas oportunidades insignificantes de ascendência social, na qualidade dos postos que ocupam no mercado de trabalho e no acesso restrito às oportunidades educacionais de ponta para sua integração aos empregos de melhor qualidade, sendo maioria nos assentamentos mais degradados em termos físicos e ambientais. Situação das mulheres/condição feminina - As dificuldades do contingente feminino da população refletem-se, sobretudo, na diferenciação de salários entre homens e mulheres para trabalhos idênticos e no número de famílias pobres chefiadas por mulheres.
  • 110.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 111 de 323 Violência e segurança pública - O problema da segurança pública e da violência, urbana em particular, expressa as conseqüências das desigualdades sociais, em todas as suas dimensões, sendo em si um problema a ser enfrentado com ênfase. A banalização do uso das armas de fogo e as mortes por elas causadas assumem no Brasil proporções alarmantes e são apenas uma expressão da violência praticada no cotidiano, afetando, sobretudo, a população mais pobre e os grupos socialmente vulneráveis, ou seja: mulheres, crianças, idosos, homossexuais, afro-descendentes, trabalhadores rurais sem terras e indígenas. Fatores determinantes das desigualdades sociais no Brasil Entre o conjunto de fatores anteriormente relacionados, destacam-se como prioritários aqueles vistos como determinantes das desigualdades sociais e de sua reprodução. A educação como ponto de convergência No processo de produção/reprodução das desigualdades sociais no Brasil, um fator merece ser enfatizado. Trata-se da educação, envolvendo agora não só a escolarização formal adquirida nas instituições de ensino, mas, de forma cada vez mais indispensável, o processo de contínua preparação para o futuro que se descortina na época da Terceira Revolução Industrial. Fora da educação não há futuro possível. A melhoria do sistema educacional é um fator fundamental para reduzir a pobreza e as desigualdades sociais em suas diversas manifestações. As mudanças requeridas no mundo contemporâneo exigem que a educação se dê, cada vez mais, o tempo todo e nos mais diferentes espaços. O desafio educacional brasileiro neste final de século pode ser sintetizado no embate entre a persistência de uma herança histórica extremamente pesada em termos de fracasso escolar e os crescentes esforços que estão sendo empreendidos para reverter esse quadro. As soluções, todavia, estão além da capacidade do Estado, impõem a mobilização dos múltiplos atores sociais e não podem se restringir à formação escolar, devendo estender-se à preparação para o mundo do trabalho e à evolução da consciência de cidadania. A estrutura produtiva brasileira: o desafio da sustentabilidade A estrutura produtiva brasileira, como de resto a dos países ditos emergentes, encontra-se hoje em um momento crucial para a definição do seu futuro, tanto do ponto de vista estritamente econômico quanto no que se refere à sua articulação e à sua integração com a dinâmica própria de outras esferas de ação da sociedade. Aqui, um lugar especial cabe ao desenvolvimento da indústria, cujo padrão adotado ao longo dos últimos 60 anos tem se caracterizado pela insustentabilidade, dependência dos subsídios do Estado, distribuição desigual da riqueza no território, mau aproveitamento e destruição de recursos ambientais, além de não ter sido capaz de gerar empregos na qualidade e na quantidade necessárias para absorver o contingente de mão-de-obra que anualmente chega ao mercado de trabalho e de promover o desenvolvimento tecnológico de bases nacionais Esse conjunto de traços distintivos do processo de industrialização e do desenvolvimento econômico brasileiro nos permite visualizar os desafios que se apresentam à sua continuidade nos dias de hoje. Desenvolvimento e sustentabilidade - Apesar do progressivo deslocamento do eixo da atividade econômica para o setor de serviços e para áreas não diretamente ligadas ao núcleo histórico do processo de industrialização, como a indústria do turismo, é ainda extremamente importante o peso relativo das atividades ligadas à indústria da transformação. Entretanto, a sua continuidade está na dependência de uma reorientação significativa dos padrões que têm pautado a inserção dessa indústria na economia do mundo moderno. Torna-se cada dia mais imperativa nesta reorientação, de um lado, a incorporação de critérios de sustentabilidade ambiental e, de outro, as questões relacionadas à promoção da justiça social. É importante mencionar que as transformações atuais das relações trabalhistas atuam como um dos fatores incidentes sobre as características das desigualdades no Brasil. É, portanto, imperiosa uma revisão da legislação trabalhista, de modo que se evitem, nesse processo, a expansão dos níveis de desemprego, a precarização das condições de trabalho e a informalização do setor produtivo da economia.
  • 111.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 112 de 323 Por outro lado, torna-se importante promover estratégias diferenciadas para favorecer a plena inserção da economia brasileira na nova ordem econômica global. Além de uma série de medidas voltadas para o processo de reconversão produtiva - as quais envolvem a renovação de equipamentos, o enxugamento de pessoal, o reescalonamento da empresa, uma maior agilidade comercial, etc. -, inevitáveis, parecem, no atual contexto da economia mundial, é necessário adotar medidas que combinem políticas compensatórias, de curto prazo, com políticas estruturais, de longo prazo, de forma a permitir a travessia do atual período de reacomodação da economia brasileira. Nesse sentido, ao lado de providências relacionadas à incorporação de tecnologias e de capacitação para os novos requerimentos do mundo do trabalho, é importante favorecer a consolidação de micros, pequenas e médias empresas, integrando-as efetivamente ao circuito produtivo. O papel do Estado Nesse contexto, o papel desempenhado pelo Estado - nas esferas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e no âmbito dos três níveis de governo - não deve ser desconsiderado como fator gerador e perpetuador de desigualdades sociais e ambientais. Em particular por sua contribuição ao descontrole do gasto público e à continuidade de práticas clientelísticas e patrimonialísticas na gestão dos recursos. A cultura política brasileira, até pouco tempo atrás, estimulou o crescimento excessivo do aparato estatal no âmbito dos três poderes constitucionais, consumindo parte substancial do Produto Interno Bruto (PIB). O tema da atualidade institucional do país remete a alguns projetos de reforma que se encontram estreitamente vinculados entre si: a reforma do Estado, a reforma tributária, a reforma política e, mais recentemente, a reforma do Judiciário. Sem negar a importância ou a centralidade do Estado como ator e promotor do desenvolvimento no Brasil, é preciso não desconhecer os efeitos perversos do modelo econômico e de intervenção estatal adotado nas últimas décadas. Uma série de dinâmicas estatais pode ser relacionada para exemplificar esta incidência no fenômeno da desigualdade social no país: •falta de planejamento e gestão coerentes e integradores do amplo conjunto de recursos que o Estado brasileiro concentra em suas mãos, acarretando, por conseqüência: desperdício acentuado de recursos - financeiros e humanos - decorrente da duplicação de iniciativas; a descontinuidade das políticas públicas; o crescimento desordenado do gasto com custeio; a pouca abertura à parceria e à participação de organizações atuantes na sociedade na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas nas diversas áreas; o desequilíbrio fiscal; •o significativo volume de recursos na rubrica Renúncia Fiscal. •a questão da irresponsabilidade fiscal dos governantes, movida freqüentemente por interesses exclusivamente clientelísticos-eleitoreiros; •as dificuldades em promover a descentralização. Ao lado dessas idiossincrasias históricas, o Estado administra outras dificuldades relacionadas aos recursos para o financiamento das transformações da economia brasileira, oriundos, em grande parte, da disponibilidade de capitais externos, que se tornaram um pesado fardo em termos de dívida externa, criando obstáculos formidáveis à implementação de políticas públicas capazes de promover a continuidade do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Um destaque especial deve ser dado à questão da segurança pública, talvez o preceito institucional mais universalmente aceito como atribuição exclusiva do Estado. Nesse campo, ao lado da evidente ineficácia e comprometimento dos aparatos de segurança pública com os grupos de poder marginal, merece destaque a problemática do Poder Judiciário como fator perpetuador de desigualdades e injustiças sociais. Finalmente, o problema, da falta de representatividade dos partidos políticos, a falta de confiança nas instituições mais importantes do setor público (como o Parlamento, a Justiça, a Polícia, etc.) e a desproporcionalidade da representação no Congresso Nacional contribuem para obstaculizar a adequação do Estado brasileiro para o enfrentamento das desigualdades sociais, pela via do desenvolvimento integrado e sustentado. Políticas sociais - práticas e desafios Mesmo com a redemocratização e a Constituição de 1988, quando se verifica uma grande
  • 112.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 113 de 323 evolução nos debates referentes às desigualdades sociais e às necessidades postas pelas agendas internacionais no sentido da busca de um projeto de desenvolvimento sustentável para o país, e efetivamente amplia-se a participação social no que se refere à coisa pública, heranças do período centralista e autoritário do regime militar ainda emolduram o cenário institucional onde se inscrevem a formulação e a implementação das políticas públicas, afetando sobretudo o campo das políticas sociais. É inegável que a reflexão decorrente de tais debates está exposta na Constituição e nos documentos oficiais que a sucederam. Caminhos importantes para as mudanças necessárias, como a descentralização e a participação popular na formulação e na implementação de políticas públicas, estão ali sinalizados e constituem elementos centrais das ações postas. Com efeito, as normas em vigor e as políticas setoriais da área parecem contemplar uma agenda consensual para a redução de desigualdades sociais e relações mais harmônicas entre a sociedade e o meio ambiente. Também não se podem ignorar os esforços para o estabelecimento de novas institucionalidades, relações de parceria com a sociedade civil e fortalecimento e facilitação do engajamento do terceiro setor no trato de questões de interesse público, desencadeadas nos últimos quatro anos pelo Conselho da Comunidade Solidária e destinadas a potencializar o capital social do país. Em que pese o sentido positivo dessas iniciativas, sejam aquelas circunscritas à esfera estatal sejam as que representam uma orquestração de atores não-estatais, é preciso reconhecer as dificuldades de sua implementação plena e a colheita efetiva de resultados. Além do reconhecimento de que é enorme o acervo de déficits sociais e ambientais historicamente construídos que precisam ser enfrentados, alguns pontos relacionados ao referido cenário herdado podem explicar as dificuldades atuais: •Falta de integração e corporativismo na implementação de políticas sociais - Decorrente da estrutura setorializada, acarretando descompasso entre a evolução institucional das distintas áreas sociais e contribuindo para a não integração e convergência das ações implementadas em cada uma delas, além de favorecer resistências corporativas no interior do aparelho do Estado. •As características das políticas praticadas - A recorrente separação entre as políticas macroeconômicas de desenvolvimento, cujo enfoque ainda não guarda compromissos com a sustentabilidade, e as políticas sociais, que ainda não vêm sendo tratadas, na prática, como políticas de inclusão ou de desenvolvimento. Embora se reconheça que a estabilidade da moeda, principal foco da ação do governo federal na área econômica, é um fator de redistribuição da renda, não há como ignorar que cada movimento de ajuste nessa esfera acirra outros fatores geradores de desigualdades. •A pouca funcionalidade das políticas sociais - Sobretudo no que toca à implementação, o que se verifica ainda é a impregnação de práticas de assistencialismo, clientelismo, barganha política de favorecimentos aos grupos de interesses diversos. •Outras dificuldades institucionais - Destacam-se, de um lado, o despreparo institucional do governo e da sociedade para realizar efetivamente a descentralização e, de outro, os temas relacionados com a focalização, no plano local, das ações voltadas para a redução das desigualdades sociais e para o desenvolvimento sustentável. O governo municipal, na maioria dos casos, não encontrou ainda as condições instrumentais e metodológicas para levar a cabo iniciativas da Agenda 21 Local/Desenvolvimento Local, Integrado e Sustentável, sobretudo pela capacidade institucional atrofiada que detém - uma herança também do regime militar. Revelam-se, assim, incapacidade e indisposição crônicas para o planejamento e a gestão estratégica, agravadas por uma resistência à mudança e à inovação, enraizada na mentalidade dos agentes políticos. Além disso, as sucessivas mudanças no cenário fiscal não vêm favorecendo a equação do custeio dos estados e, sobretudo, dos municípios, cujas responsabilidades vêm sendo progressivamente ampliadas, ao passo que os recursos são, na mesma medida, solapados. A sociedade civil, por outro lado, também não se encontra ainda suficientemente habilitada para uma participação efetiva. As organizações da sociedade civil, que representam o capital social disponível, são relativamente poucas e padecem da falta de profissionalização. No setor privado, de onde poderia ser mobilizado o capital empresarial, a concentração também é um fator inibidor de uma participação mais ampla, e as poucas iniciativas registradas revelam, sobretudo, quão incipiente vem sendo o engajamento deste setor na superação do desafio de reduzir as desigualdades sociais no
  • 113.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 114 de 323 país. A superação dos problemas e desafios para maior efetividade das políticas públicas aqui apontadas parece residir, portanto, na mudança de paradigmas e princípios associados à sua formulação e à sua implementação e no reequacionamento dos meios disponíveis para implementá-las. Pressupostos de um novo paradigma de políticas públicas, os quais orientam a parte propositiva deste trabalho, são a seguir apresentados: 1. Desenvolver políticas sociais específicas de inclusão, com caráter de promoção e não apenas de proteção social. Essas políticas de promoção devem refletir também a riqueza das peculiaridades culturais inerentes aos segmentos em desvantagem social. 2. Desenvolver políticas públicas de combate à pobreza e à exclusão social no Brasil que sejam, simultânea e fundamentalmente, políticas de desenvolvimento. 3. Desenvolver mecanismos que possibilitem a ampliação da ação pública não-estatal, pois a chamada questão social não será resolvida unicamente pelo Estado, sem a parceria com a sociedade. 4. Promover, no nível do Estado, a articulação entre as diversas ações empreendidas e as agências e agentes responsáveis. 5. Promover convergência e integração das ações, sobretudo na esfera das localidades. Em resumo, trata-se de conferir prioridade ao aumento de capacidades e à mudança de mentalidades, tanto no nível do Estado como no da sociedade civil, orientando-se pelos princípios da Agenda 21 e de sua adaptação à realidade social do Brasil contemporâneo. Estratégias para redução das desigualdades sociais A partir das análises, até aqui resumidamente apresentadas, e tendo como ponto de partida as premissas orientadoras das proposições contidas no trabalho, expõem-se, a seguir, quatro estratégias que buscam refletir a contribuição do conjunto de atores envolvidos na elaboração do trabalho e atender a uma demanda que tem como centro operador instâncias de governo, mas cujos destinatários co-responsáveis situam-se em múltiplos espaços e setores da sociedade, perspectiva que é central na Agenda 21. Tais estratégias, vistas como elementos para facilitar um processo de transição, sintetizam dois focos. Um, de caráter metodológico, voltado para a superação de obstáculos e para a criação de melhores meios operativos que possibilitem a transformação das condições atuais para a execução da agenda já consagrada de redução de desigualdades sociais. O outro, cultural, entendido aqui como o empenho de criar uma nova mentalidade em relação à esfera pública por meio do desenvolvimento de capacidades de gestão, de novas formas de parceria, requalificando a participação social nas políticas públicas, ampliando assim o leque do conjunto de recursos que podem ser mobilizados. Dialogam também com os princípios da Agenda 21 que têm como objetivo (1) promover a parceria entre governo e sociedade civil; (2) ressaltar a necessidade de promoção das capacidades individuais de forma permanente pela educação; (3) destacar a necessidade de gerar novos conteúdos de informação e indicadores para a gestão do desenvolvimento sustentável; (4) estimular a gestão descentralizada no nível municipal de forma que permitia maior participação nos processos de decisão, planejamento e avaliação por parte da sociedade; (5) revalorizar práticas e dinâmicas culturais dos grupos socialmente vulneráveis, promovendo seu papel de parceiros do desenvolvimento sustentável. Primeira estratégia Ampliar as oportunidades de educação continuada e extensiva, em termos de múltiplos espaços, tempos, modos e objetivos, permitindo o desenvolvimento das capacidades individuais, nos campos público e privado, como também a igualdade de oportunidades de acesso ao mundo do trabalho e ao exercício da cidadania plena e responsável. Esta estratégia focaliza a educação continuada e extensiva, condição básica para que, num
  • 114.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 115 de 323 prazo de dez anos, existam outras condições para incluir a imensa maioria da população brasileira na vida econômica e política do país. Está voltada também para a capacitação permanente do gestor público, em seu papel de líder, que pesquisa, negocia, aproxima pessoas e interesses, fazendo com que a criatividade e a iniciativa prevaleçam sobre a rigidez normativa, que as pessoas sejam postas no centro mesmo das organizações, que o 'empreendedorismo' ganhe valorização em detrimento da obediência cega e passiva aos estatutos. Segunda estratégia Desenvolver novos procedimentos de planejamento e gestão integrados, priorizando a viabilização de ações locais e regionais destinadas à promoção de iniciativas da Agenda 21 Local /Desenvolvimento Local, Integrado e Sustentável, apoiados na convergência e complementaridade das ações dos três níveis de governo; na otimização dos recursos financeiros, humanos e sociais disponíveis e potenciais, evitando sua dispersão; na mobilização ativa de atores não-governamentais na perspectiva da construção de uma esfera pública ampliada. A manutenção das características da cultura política brasileira, ancoradas na herança histórica do país, tem emperrado o processo de mudanças sociais. Há um grande aprendizado a ser feito. Esse aprendizado será tanto mais efetivo quanto mais for permeado pelo diálogo entre os atores que têm, no nível local, um espaço privilegiado. Essa estratégia busca portanto, alcançar um patamar de correção e eficiência que contribua para reduzir as desigualdades sociais e alcançar o desenvolvimento sustentável por meio da reformulação dos métodos de planejamento e gestão atuais para otimizar recursos, mobilizar atores não-governamentais, introduzindo igualmente novos procedimentos de avaliação do gasto público. Terceira estratégia Criar e implementar mecanismos que reconheçam e promovam iniciativas da sociedade, de forma que contribuam para ampliar, qualificar e reproduzir as boas práticas num projeto inovador de desenvolvimento sustentável para o país. Essa estratégia objetiva potencializar e multiplicar as diversas formas de participação social e de parceria, promovendo uma nova visão relativamente à oferta de bens e de serviços públicos voltados para reduzir as desigualdades sociais no Brasil. É concebida como uma tarefa que não compete mais somente ao Estado, mas na qual todos podem e devem empenhar-se. Reflete também a preocupação de incorporar aos programas e às políticas públicas aspectos peculiares da diversidade cultural inerente ao país, promovendo a mobilização de novos recursos, configurando também uma oportunidade de valorização dos grupos em situação de vulnerabilidade social. Quarta estratégia Introduzir na definição das contas públicas critérios que reflitam, de um lado, fatores indutores de desigualdades sociais, cuidando para que se incorporem resultados e impactos ainda não mensurados na apropriação do gasto estatal e, de outro, para que contabilizem como recursos para o desenvolvimento as inversões e aportes não-comerciais e não-monetizáveis relativos aos recursos naturais, humanos e sociais. Essa estratégia reflete, simultaneamente, preocupações com questões metodológicas e de mudança de mentalidade. Normalmente, a organização das contas de um país, a composição do PIB e a forma como o orçamento é apresentado refletem a maneira como a sociedade concebe seus recursos e se apropria deles. Habitualmente, as contas públicas refletem apenas a circulação monetária de arrecadação e gasto. O patrimônio natural, os recursos humanos e sociais não são contabilizados, nem no sentido da apropriação pela sociedade, que pode passar a entendê-los como recursos, potencializando sua contribuição para o desenvolvimento, nem no sentido de reconhecer distorções. Com freqüência, tais distorções se dão em dinâmicas invisíveis, como é o caso do trabalho doméstico feminino,
  • 115.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 116 de 323 agravando processos de disparidades sociais. Conclusão Reduzir as desigualdades sociais no Brasil e encontrar caminhos para a conquista do desenvolvimento sustentável não são tarefas fáceis nem podem ser vistas como objetivos ao qual somente este ou aquele ator ou setor da sociedade deve se dedicar; tampouco têm um tempo definido para serem cumpridas. O esforço empreendido pelo Consórcio Parceria 21 ao abordar o tema da Redução das desigualdades sociais foi justamente o de procurar definir alternativas reais e possíveis para o enfrentamento dessa problemática, que possam contribuir para, como afirmado, superar a distância entre o discurso e a prática, a intenção e o gesto, tão marcantes na vida pública brasileira recente. As estratégias sugeridas, as propostas apresentadas, entretanto, estão longe de esgotar as possibilidades concretas ou as vias factíveis para o logro desse objetivo. A condução desse processo exigirá a criatividade social e individual de forma permanente e uma nova postura em relação à responsabilidade dos diferentes setores que compõem a parcela mais organizada e atuante da nossa sociedade. Não se pode mais esperar que somente o Estado, por definição a instância que encarna o espírito público mais abrangente e universal, se encarregue de prover os mecanismos institucionais e/ou financeiros para promover a redução dessas desigualdades. O resultado final das políticas públicas adotadas com o objetivo de combater essas desigualdades é tanto mais amplo, mais democrático e mais eficiente se essas políticas incorporam na sua formulação, implementação e avaliação a presença de outros segmentos da sociedade, em um esforço por abrir-se a outros interesses e perspectivas que enriquecem a dinâmica social e a interação interpessoal. Ao longo de todo o texto insistiu-se muito na importância central assumida pela educação, pela participação individual e coletiva, pela mudança de mentalidade e pela adoção de novos instrumentais metodológicos para a superação de alguns dos traços mais evidentes e perversos das desigualdades no Brasil. Por essa razão, é também estimulada a construção de parcerias entre as diversas instâncias de governo, as variadas organizações da sociedade civil, as diferentes instituições do mundo empresarial, as igrejas, as comunidades locais e os indivíduos. Trata-se de conjugar esforços, nas mais distintas escalas e com os objetivos mais diversos, em uma permanente aprendizagem acerca dos significados profundos dos conceitos de democracia, tolerância e compromisso individual/social, entre outros. Por outro lado, algumas condições objetivas são também necessárias para que a implantação da Agenda 21 possa realizar-se com êxito. No caso brasileiro, isso supõe o estabelecimento da justiça tributária e a eliminação das fontes de apropriação da riqueza vinculadas a privilégios políticos ou à manutenção de ilegalidades. É necessário ressaltar também que parte importante da ineficiência do sistema governamental brasileiro para a implementação da agenda positiva deriva das regras do jogo político-eleitorais, que premiam a pulverização de interesses e o personalismo clientelista, em vez da negociação pública entre grandes correntes/partidos políticos. Requer-se, portanto, o fortalecimento do pacto federativo. Esse novo federalismo deve ter como elemento fundador o dinamismo civil, respeitando o princípio da representação igualitária, potencializando a capacidade regeneradora da sociedade no sentido de combater as suas próprias anomalias. Trata-se, em outras palavras, de viabilizar a organização e o aperfeiçoamento do processo participativo, fortalecendo institucionalmente sua capacidade de gestão e suprindo recursos para o desenvolvimento social em função da obtenção de resultados. A questão demográfica é considerada um dos aspectos fundamentais do desenvolvimento sustentável. Embora o Brasil tenha cumprido as metas de queda da fecundidade nos últimos vinte anos, isso ainda não se refletiu em melhoria de qualidade de vida para a população nem para as mulheres, tampouco reduziu impactos ambientais, apesar de ter contribuído para a melhoria de indicadores sociais como a mortalidade infantil e a cobertura da matrícula escolar. Essa redução da taxa de fecundidade, fruto de múltiplos fatores, como o êxodo rural, a urbanização acelerada, a maior integração das mulheres à PEA, o uso da pílula e a esterilização feminina, contudo, se deu de maneira heterogênea e heterodoxa. Como a pobreza brasileira, ela se distribui de forma desigual segundo regiões, entre a cidade e o campo, as faixas etárias, os grupos sociais e étnicos. Assim, ela hoje é elevada e tende a aumentar entre as adolescentes, por exemplo. Da mesma forma, o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres não é um dado adquirido e varia segundo o segmento
  • 116.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 117 de 323 social, a região, a etnia, a escolaridade. Para que isso não ocorra, faz-se necessário que os direitos consagrados nas Conferências Internacionais do Cairo e de Pequim - cujos protocolos o governo brasileiro assinou e que já contam com alguns instrumentos legais, como o Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM) - se tornem universais e integrem um projeto de desenvolvimento sustentável. Medidas e ações •inserir a questão de gênero, raça, saúde e direitos sexuais e reprodutivos na formação dos profissionais de saúde; •combater a discriminação de gênero e orientação sexual por meio da inclusão dessa problemática nos temas transversais do currículo da educação formal, da avaliação dos livros didáticos e da vigilância sobre as emissões rádio-televisivas por meio de parceria com a ABERT e ONGs, como a TVer; •integrar as ações de saúde voltadas para as usuárias do sexo feminino nos marcos do PAISM, a fim de evitar que as mulheres sejam tratadas pelos serviços de saúde de forma fragmentária e discriminatória; •promover ações conjuntas voltadas para os direitos reprodutivos, a serem discutidas e implementadas a partir da Comissão de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável. SAÚDE Os problemas de saúde de uma população podem ser identificados sob diferentes enfoques. As condições de morbidade, de que as pessoas adoecem, e de mortalidade, de que as pessoas morrem, são aproximações usuais para retratar o perfil epidemiológico da população. A análise está centrada nas alterações na mortalidade ocorridas no período entre 2001 e 2005, com destaque para os seguintes aspectos: (I) a continuidade na redução da mortalidade infantil; (II) a manutenção da tendência de redução proporcional da mortalidade por doenças infecciosas e parasitarias e a elevação proporcional das neoplasias e das doenças do aparelho respiratório; (III) manutenção, em patamares ainda elevados, da mortalidade por causas externas. A redução da mortalidade infantil é uma tendência observada desde do começo dos anos 90. O ritmo dessa redução, no entanto, é menor no período analisado. A taxa caiu de 25,6 por mil nascidos vivos, em 2001, para 22,2 em 2005. A redução ocorreu com maior intensidade na região nordeste, mas, em alguns desses estados, as taxas ainda são de duas a três vezes mais elevadas que nos estados das regiões sul e sudeste. Entre 2001 e 2005, mantém-se a tendência observada nas últimas décadas de redução das doenças infecciosas e parasitarias e das afecções originarias no período perinatal. Em contrapartida, observa-se elevação das neoplasias e das doenças do aparelho circulatório, típicas da mudança do perfil epidemiológico da população pelo envelhecimento. Um problema com grande impacto sobre a mortalidade da população brasileira é a violência. As causas externas (particularmente, homicídios e acidentes de transporte) são a terceira causa de morte. A proporção de óbitos por causas externas manteve-se relativamente estável: 14,6%, em 2001 e 14,2% em 2005. No entanto, o diferencial das taxas entre as unidades da federação é significativo, alcançando 44,6 óbitos por 100 mil no Acre e 97,8 por 100 mil no Rio de Janeiro. Aqui, ao contrário da mortalidade infantil, o problema está concentrado em estados com maior nível de desenvolvimento econômico, mas, nos quais esse desenvolvimento não tem sido suficiente para garantir maior equidade e justiça social. Mortalidade infantil No ano de 2001 a taxa de mortalidade infantil (número de óbitos de crianças de menos de 1 ano de idade por mil nascidas vivas) brasileira era de 25,6 por mil. Em 2005 a taxa se reduz para 22,2 por mil nascidos vivos, uma diminuição de significativa em relação à de 2001. As desigualdades socioeconômicas entre as unidades da Federação podem também ser evidenciadas no índice de mortalidade infantil. Em 2001, a taxa de mortalidade infantil mais elevada foi registrada no estado de Alagoas, com 54,9 óbitos, por mil nascidos vivos. No Distrito Federal, a taxa foi de 15,2 óbitos, a mais baixa, enquanto a média brasileira era de
  • 117.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 118 de 323 25,6 por mil. Em 2005, houve redução para 46,1 por mil em Alagoas e para 12,9 no Distrito Federal, enquanto a média brasileira baixou para 22,1 óbitos por mil. A taxa de mortalidade infantil apresentou redução em todas as regiões e entes federados. A mais expressiva foi observada na região nordeste (13,5%) sendo mais representativa nos estados do Ceará, 15,5%; da Bahia, 14,4%; do Piauí, 14,3% e em Alagoas com 14,2%. No conjunto dos estados, a maior redução foi verificada no Espírito Santo, com 15,9%. Os estados onde a redução foi menor foram Rio Grande do Sul (3,8%), Tocantins (5,1%) e Rio de Janeiro (5,5%). De um modo geral, observa-se que a velocidade na redução de taxas de mortalidade é maior quanto mais alta é a taxa inicial. Por outro lado, a magnitude da diminuição anual da taxa de mortalidade infantil no Brasil como um todo caiu em relação à década passada. Enquanto entre 1996 e 2000, houve uma redução média anual de 4,4%, entre 2001 e 2005, essa média anual foi de 3,0%. Em regiões mais pobres as taxas elevadas estão fortemente ligadas a fatores sociais e ambientais, como carência alimentar e saneamento básico inadequados. A diminuição desses fatores com ações coletivas de tratamento de água, campanhas de vacinação, aleitamento materno e orientação para re-hidratação oral de crianças, vem reduzindo as elevadas taxas mortalidade infantil. As desigualdades na mortalidade infantil nos estados também são provocadas por fatores como as diferenças de escolaridade da mãe e os distintos graus de urbanização. A mortalidade infantil costuma ser dividida em três períodos: (I) a mortalidade neonatal precoce (0 a 6 dias); (II) neonatal tardia (7 a 27) dias; e (III) pós-neonatal (1 a 11 meses). Em períodos recentes, a redução mais acentuada na taxa de mortalidade infantil tem estado associada à redução da mortalidade pós-neonatal. O resultado é que se vem tornando proporcionalmente maior a participação dos dois componentes neonatais, que são dependentes do acesso a serviços adequados de pré-natal, de assistência ao parto, à puérpera e ao recém-nascido. A mortalidade neonatal precoce é atualmente responsável por mais da metade dos óbitos em menores de um ano, evidenciando que, a despeito do aumento do acesso a serviços de saúde, proporcionado pelo SUS à população, há uma ainda deficiente qualidade da atenção à gestante, ao parto e ao recém-nascido. Mortalidade na infância por doenças diarréicas A mortalidade proporcional de crianças menores de cinco anos por doenças diarréicas corresponde ao percentual de óbitos por doença diarréica aguda, em relação ao total de óbitos de menores de cinco anos de idade. A diarréia na infância, embora de prevenção relativamente fácil e tratamento de baixo custo, pode ser considerada um problema relevante de saúde pública no Brasil, pois apresenta incidência e letalidade altas. É um indicador de saúde capaz de expressar desigualdade, alcançando valores mais elevados entre populações infantis expostas a piores condições socioeconômicas, de saneamento e de assistência à saúde. Em todas as regiões brasileiras, a mortalidade proporcional por doenças diarréicas se reduziu. A média brasileira se reduz de 4,4%, em 2001, para 3,5%, em 2005. Nesse mesmo ano, a menor média regional foi registrada no Sudeste (1,9%) e a maior a observada na região norte (6,1%). A mortalidade proporcional em menores de cinco anos da raça negra é mais elevada que para a raça branca em todas as regiões, exceto no Nordeste. O maior diferencial entre as raças, encontra-se na região sul, onde em 2005, os brancos têm mortalidade proporcional de 1,9% e os negros de 4,0%. Mortalidade materna No Brasil, a mortalidade materna, ou seja, os óbitos de mulheres em idade fértil por causas relacionadas à gravidez, parto e puerpério, esteve situada no período entre 50 e 55 por 100 mil nascidos vivos. A avaliação da evolução deste indicador nas unidades federadas e em algumas regiões é muito prejudicada pelo sub-registro dessa causa de óbito. Alguns estudos demonstraram que o sub-registro da razão de mortalidade alcança 40,0% para a média nacional, o que elevaria a média nacional a algo em torno a 70 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. A morte de mulheres em idade fértil por causas maternas não tem grande peso na estrutura geral da mortalidade feminina: com efeito, representam menos de 3,0% do total de causas definidas entre as mulheres. Contudo, trata-se de um importante indicador de
  • 118.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 119 de 323 saúde da mulher, e seu monitoramento é justificado pelo do fato de que mais de 90,0% das causas de mortalidade materna são evitáveis quando a mulher tem acesso a serviços de saúde de qualidade, com a possibilidade de assistência adequada à gravidez, ao parto, ao puerpério e, especialmente, aos problemas decorrentes do abortamento. Mortalidade geral Agrupam-se em sete grandes causas o total de óbitos no Brasil no ano de 2005: · doenças do aparelho circulatório (31,8%); · neoplasias (15,7%); · causas externas (14,2%); · doenças do aparelho respiratório (11,4%); · doenças infecciosas e parasitárias (5,1%); · doenças originadas no período perinatal (3,5%) e; · demais causas definidas (18,3%). Mantendo tendência já observada na década de noventa, ocasionada pelo processo de desenvolvimento socioeconômico, envelhecimento da população e aumento da cobertura das ações de saúde e saneamento, o perfil da mortalidade vem se alterando no país. Aumentou a mortalidade por doenças não-transmissíveis, como as neoplasias (câncer) que crescem de 14,9% em 2000, para 15,9% em 2005 e as doenças do aparelho respiratório, que se elevam de 10,9% para 11,4% no mesmo período. Essas causas estão associadas ao estilo de vida e as condições de trabalho das pessoas e podem ser reduzidas com medidas de controle de fatores de risco. Um perfil de mortalidade onde predominam doenças não-transmissíveis é indicador de população em um estágio socioeconômico mais elevado. No caso brasileiro, entretanto, ainda se convive com uma proporção desconfortável de mortes por doenças infecciosas e parasitarias (5,1%), especialmente nas regiões norte e nordeste, onde em alguns estados esse indicador é de aproximadamente 8%. Apesar da participação das infecciosas e parasitárias ter se reduzido de 5,5% em 2001, para 4,9% em 2005, do total de óbitos com causas definidas, o número absoluto de óbitos por esse grupo de doenças cresceu de 45.032, em 2001, para 46.877, em 2005. Mortalidade por causas externas As causas externas são compostas pelos acidentes de trânsito, suicídios e homicídios, entre outras causas. Em 2000 elas representavam 14,9% da mortalidade total e, em 2005, esse percentual se eleva para 16,1%. As causas externas possuem grandes diferenciais por gênero e idade: 84,4% das vítimas são do sexo masculino e 50,0% na faixa etária de 20 a 39 anos. Os estados que apresentaram, em 2005, mortalidade por causas externas mais elevadas são Rio de Janeiro (97,8 por 100 mil habitantes), Espírito Santo (97,6), Rondônia (93,9) e Mato Grosso (93). A reduzida mortalidade por acidentes de transporte faz com que os estados do Maranhão (37,4 por 100 mil habitantes), Acre (44,6), Piauí (45,3) e Amazonas (46,5) apresentem menores taxas de mortalidade por causas externas. As taxas de mortalidade por causas externas se elevaram em todas as regiões, exceto na sudeste, devido às reduções ocorridas nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. São Paulo teve sua taxa reduzida de 90,4 para 74,0 mortes por 100 mil habitantes. Como a taxa de mortes por acidente de transportes em São Paulo se elevou de 16,1 para 18,0 entre 2001 e 2005, a redução da mortalidade por causas externas está relacionada à redução da taxa de mortes causadas por homicídios, que era de 41,9 por 100 mil habitantes em 2001 e cai para 28,5 em 2005. Além de São Paulo, que teve redução da taxa de mortalidade por causas externas de 18,1%, outros oito estados tiveram suas taxas de mortalidade reduzidas, destacando-se Acre (20,1%), Amapá (9,9%) e Pernambuco (8,2%). Em outros estados da federação a elevação das taxas de mortalidade por causas externas foi significativa: 51,4% na Paraíba, 23% em Minas Gerais e 18,7% no Pará. Expectativa de Vida A evolução dos indicadores de saúde está estritamente relacionada ao desenvolvimento socioeconômico. A melhoria da renda familiar, as novas tecnologias e a aceleração do
  • 119.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 120 de 323 processo de urbanização modificaram consideravelmente o panorama da saúde, propiciando um maior acesso da população aos serviços de saúde e saneamento. Da mesma forma as recentes transformações no comportamento demográfico e nos indicadores sociais, com a queda da fecundidade, mortalidade e um aumento da esperança de vida ao nascer, também se refletem de forma intensa nas demandas por uma nova estrutura de saúde. A taxa de fecundidade que no Brasil era de 6,16 filhos por mulher em 1940 passou para 5,8 em 1970 e 2,3 no ano de 2000. A esperança de vida ao nascer, que no Brasil, em 1900, era de 33,7 anos, passou em 1960 para 55,9 anos. De 1960 para 1980, essa expectativa ampliou-se para 61,8 anos, 68,6 em 2000 e em 2002 para 71 anos. No Brasil, as mulheres têm maior esperança de vida ao nascer, diferença que está ao redor de oito anos. Como resultado o número de mulheres idosas é superior ao número de homens principalmente nas faixas de idade mais avançadas. (notíciário) 12/02/2010 Manchete: Bill Clinton. Nesta quinta-feira, dia 12, o ex presidente norte-americano Bill Clinton, 64 anos, passou por um procedimento cirúrgico chamado “stent”. Atualmente, existem dois tipos dessa técnica: a mais moderna, utilizada em 60% dos casos nos Estados Unidos, foi introduzida pelo médico brasileiro José Eduardo Sousa, cirurgião formado em Recife e que estudou o método em 1999. Resumo: A colocação de “stent” é um procedimento realizado na sala de hemodinâmica e não há necessidade de abrir o peito do paciente, como na colocação de safenas. Dependendo da extensão da lesão, os médicos podem levar de 40 minutos a duas horas. O cardiologista e diretor clínico do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, Antoninho Arnoni, explica: “Os médicos inserem um cateter dentro da artéria, que leva o stent até o local. A artéria é dilatada e o stent – que é como uma rede de metal – impede que a artéria volte a fechar.” 10/02/2010 Manchete: Haiti: nº de mortos chega a 230 mil e supera tsunami de 2004. Resumo: O número de pessoas mortas em consequência do terremoto que atingiu o Haiti no dia 12 de janeiro chegou a 230 mil, segundo afirmou o governo do país na terça-feira. O novo total supera em 18 mil a estimativa anterior, feita na semana passada, e ultrapassa algumas estimativas do número de mortes no tsunami que atingiu o sudeste asiático em dezembro de 2004. Um relatório do Centro de Pesquisas sobre Epidemiologia de Desastres encomendado pela ONU e publicado em janeiro indicava o tsunami de 2004 como o desastre mais mortífero da primeira década do milênio, com cerca de 220 mil mortes. O total de mortos no terremoto do Haiti pode crescer ainda mais, já que muitos corpos ainda não teriam sido contabilizados, segundo a ministra das comunicações do país, Marie-Laurence Jocelyn Lassegue. O novo total de mortos não inclui corpos enterrados por funerárias privadas em cemitérios privados ou corpos de vítimas enterrados pelas próprias famílias. Segundo os dados do governo haitiano, o terremoto deixou ainda cerca de 300 mil pessoas feridas.
  • 120.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 121 de 323 Situação crítica Quase um mês após o terremoto, a situação humanitária no país continua crítica, com muitos desabrigados e o crescente temor de epidemias. Segundo um correspondente da BBC na capital do Haiti, Porto Príncipe, as preocupações aumentam com a proximidade da temporada de chuvas e a falta de barracas para os desabrigados. No maior dos campos de desabrigados montados na cidade após o tremor, há muitas famílias vivendo ainda sob lonas armadas sobre pedaços de madeira. Segundo funcionários de agências humanitárias, o objetivo é abrigar todos em barracas antes do início das chuvas. Mas os desafios de colocar um grande número de barracas em campos superlotados são grandes. Muitas construções de Porto Príncipe ainda estão em estado crítico, por conta dos danos sofridos com o terremoto. Nessa terça-feira, um supermercado teria desabado com várias pessoas dentro, possivelmente saqueadores. Acredita-se que havia entre cinco e oito pessoas dentro do prédio, já parcialmente destruído durante o tremor do dia 12. 09/02/2010 Manchete: Previdência Privada será paga em união homossexual. Superior Tribunal de Justiça reconheceu direito, em casos de união homossexual, do parceiro receber benefícios. Resumo: Em decisão inédita, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito, em casos de união homossexual, de o parceiro sobrevivente receber benefícios referentes a planos de previdência privada. Até então, segundo o STJ, o benefício era concedido apenas dentro do Regime Geral de Previdência Social. No caso em questão, a ministra relatora, ministra Nancy Andrighi, destacou que “diante da lacuna da lei, a aplicação da analogia é perfeitamente aceitável para alavancar como entidade familiar as uniões de afeto entre pessoas do mesmo sexo”. O autor do pedido ao STJ requereu junto a Caixa de Previdência dos Funcinários do Banco do Brasil (Previ) pagamento de pensão decorrente da morte de seu companheiro e participante do plano de assistência e previdência privada complementar mantida pelo Banco do Brasil. 04/02/2010 Manchete: Número de mortos por terremoto no Haiti supera 200 mil. Resumo: Mais de 200 mil pessoas morreram no terremoto do dia 12 de janeiro que devastou o Haiti, informou o primeiro-ministro Jean-Max Bellerive na quarta-feira. Bellerive disse que 300 mil pessoas foram feridas no desastre, inclusive 4 mil amputados. Estimativas anteriores do governo haitiano indicavam índice de 150 mil a 200 mil mortos. 02/02/2010 Manchete: Chuvas fazem mais de 26 mil pessoas deixarem casas em SP; 70 morreram. Resumo: As fortes chuvas que atingem o Estado de São Paulo desde o mês de dezembro do ano passado já fizeram com que mais de 25,7 mil pessoas deixassem suas casas em todo o Estado, de acordo com balanço da Defesa Civil divulgado nesta terça-feira. Além disso, 70 pessoas já morreram em decorrência das chuvas desde 1º de dezembro. De acordo com a Defesa Civil, do total de pessoas fora de casa, cerca de 21 mil estão
  • 121.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 122 de 323 desalojadas --estão em casas de parentes e amigos-- e outras 5.700 estão desabrigadas, ou seja, dependem de abrigos públicos. Ao todo, 154 cidades foram afetadas e 34 decretaram emergência, além de duas que estão em estado de calamidade pública. Já as mortes chegaram a 70 ontem, com o localização do corpo de um jovem de 28 anos que estava desaparecido desde o último dia 26 após ser levado por uma enxurrada na cidade de São Roque (66 km de São Paulo). Uma outra pessoas permanece desaparecida em Alumínio (79 km de SP). Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a cidade de São Paulo terminou o mês de janeiro com um acumulado de chuvas 0,9 milímetros menor do que o recorde histórico de 481,4 mm, registrado em janeiro 1947. Foram registrados 480,5 mm de chuvas durante todo o mês. 02/02/2010 Manchete: ONU vê risco de sequestro, venda e tráfico de crianças haitianas. A ONU reafirmou nesta terça-feira seu temor de que as crianças haitianas órfãs ou que ficaram separadas de suas famílias após o terremoto sejam vítimas de sequestro, venda, tráfico ou escravidão na atual situação de insegurança que vive o Haiti. Resumo: A ONU afirmou ainda que as crianças que foram entregues por seus pais a terceiros que prometem suprir as necessidades de seus filhos também correm o risco de sofrer situações de abuso. Os menores não acompanhados são particularmente vulneráveis, e é essencial que, até onde seja possível, sejam registrados, procurados e reunidos com suas famílias, destacaram os especialistas da ONU em comunicado. 02/02/2010 Manchete: NOBEL 2009. Resumo: Prêmio Nobel, um dos maiores reconhecimentos dado a pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, escritores e personalidades, anunciou seus ganhadores nesta semana. Cada anúncio corresponde a um prêmio financeiro de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,4 milhão). O prêmio foi criado por vontade do magnata Alfred Nobel, inventor da dinamite, e é entregue desde 1901. Até agora, foram anunciados os premiados nas áreas de medicina, física, química, literatura e pela paz. Ainda será conhecido o vencedor de Economia. Acompanhe, abaixo, quais foram os ganhadores do Prêmio Nobel em 2009, assim como seus respectivos trabalhos. Paz O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, 48, recebeu o Prêmio Nobel da Paz 2009 do Instituto Nobel da Noruega. Primeiro afro-americano a preencher o mais alto cargo do país, Obama apelou para o desarmamento e trabalhou para reiniciar o estagnado processo de paz no Oriente Médio desde que assumiu o cargo em janeiro. O presidente dos Estados Unidos criou um ambiente novo para a política internacional. Graças a seus esforços, a diplomacia multilateral recuperou sua posição central e devolveu às Nações Unidas e outras instituições internacionais seu papel protagonista, assinalou o Instituto em Oslo. O Nobel da Paz deste ano alcançou um recorde de candidaturas, 205, dos quais 33 correspondiam a organizações.
  • 122.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 123 de 323 Literatura A escritora alemã Herta Mueller, 56, é a vencedora do prêmio Nobel de Literatura em 2009. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (8), na sede da Academia Sueca, em Estocolmo. Mueller é a 12ª mulher a vencer o Nobel de Literatura. Durante o anúncio como vencedora do Nobel, Mueller foi definida como alguém que, com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, retrata a paisagem dos desfavorecidos. Mueller nasceu na Romênia e estreou na literatura em 1982, com uma reunião de contos intitulada Niederungem, que foi imediatamente censurada pelo governo comunista na época. Em 1984, uma versão de seu livro de estreia foi publicada na Alemanha, e o trabalho, que descreve a vida em um pequeno vilarejo de língua alemã na Romênia, foi devorado pelos leitores. Em seguida, a autora lançou Oppresive Tango na Romênia. Por conta das críticas ao governo do país, Mueller e seu marido emigraram para a Alemanha em 1987. Medicina Os cientistas Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak, todos radicados nos EUA, são os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina 2009 na segunda-feira (5). O estudo dos três envolve descobertas de como a enzima telomerase protege os cromossomos. O trabalho lança luz nos estudos do câncer e do processo de envelhecimento. A descoberta, segundo os cientistas, estimula o desenvolvimento do potencial de novas terapias e tratamentos. Física Os cientistas Charles Kao, Willard Boyle e George Smith dividiram o Prêmio Nobel de Física na terça-feira (6) por dois trabalhos sobre fibras óticas e semicondutores. Os estudos desenvolvidos por eles estão por trás da fotografia digital, além de auxiliarem na interligação mundial por meio dos cabos de fibra ótica. Charles Kao foi mencionado por sua pesquisa que envolve transmissão de luz em fibras óticas, enquanto Willard Boyle e George Smith foram premiados pela invenção do circuito semicondutor conhecido como sensor CCD. Química Os norte-americanos Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz e a israelense Ada Yonath foram premiados nesta quarta-feira (7) por detalharem os ribossomos. Eles produzem proteína a partir das instruções contidas no DNA --a pesquisa demonstrou como funcionam no nível atômico. Isso ajuda a entender como as bactérias criam resistência a remédios e contribui para desenvolver novas drogas, informaram os pesquisadores. 01/02/2010 Manchete: Índio urbano. Luis Xipaia, de 36 anos, é o cacique de Tukajá, uma aldeia com 52 índios. Ele anda pintado apenas em ocasiões especiais, não mora em oca e fala português. Usa tênis, veste jeans, tem celular e email. Seu sustento não depende só da caça e da pesca. Ele mora com a mulher e mais seis parentes em uma casa em Altamira, equipada com TV, fogão, freezer, ventilador, computador e impressora. “Não tem internet. Ainda não tive
  • 123.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 124 de 323 condições de instalar uma antena”, conta. Resumo: Há 20 anos, Xipaia saiu da aldeia e foi para a cidade. Percebeu que tinha de “correr atrás das coisas”. Hoje é presidente do Conselho Indígena de Altamira, dá palestras e participa de eventos em São Paulo e Brasília. “Mas não ganho salário fixo para isso. Só uma ajuda de custo, uma cesta básica”. Xipaia passa cerca de quatro meses por ano na aldeia. São quatro dias de viagem de barco até lá. Na comunidade, quebra castanha para vender e ganha dinheiro também com a venda de peixe. Sua mulher, Ruth Chaves, diz que o índio “se acostumou com o dinheiro”. “A vida na aldeia é muito difícil. Precisa vir para cidade atrás de oportunidade. Na aldeia quase não têm mais adolescentes. O ensino vai só até a quarta série e os jovens saem para estudar”, diz ela. Xipaia diz que ao ter contato com a cultura do branco, o índio passou a querer coisas as quais não tinha acesso. “Se não produzimos aquilo que trouxeram para a gente, precisamos buscar”. Ele diz que preferia ter mantido sua cultura “pura”. (Ao dizer isso, chora, pede desculpas e retoma a conversa). Para o cacique, é importante estar na cidade para poder defender sua gente. “Se ficasse na aldeia não poderia fazer nada, estaria vegetando 22/01/2010 Manchete: Política de RH definirá se empresa prorrogará licença-maternidade, dizem tributaristas. A ampliação do prazo da licença-maternidade será decidida pelas empresas de acordo com suas políticas de recursos humanos, já que não gera custos financeiros para elas, afirma o advogado Bruno Aguiar, sócio do escritório Rayes, Fagundes e Oliveira Ramos Advogados. Para ele, a lei é benéfica do ponto de vista social e trabalhista, mas falha ao restringir os benefícios fiscais apenas para empresas tributadas por meio do lucro real, regime obrigatório para empresas com faturamento acima de R$ 48 milhões por ano. Resumo: As empresas que quiserem oferecer dois meses a mais de licença-maternidade a suas funcionárias podem aderir ao Programa Empresa Cidadã a partir de segunda-feira, dia 25. O custo da licença prorrogada é da empresa, mas elas podem abater os valores gastos do Imposto de Renda. A aprovação do programa foi publicada nesta sexta-feira no “Diário Oficial da União”. Hoje todas as empresas brasileiras são obrigadas a conceder licença-maternidade de quatro meses para suas funcionárias. Trata-se de um benefício social, pago com recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sem custo para as empresas. O oferecimento de dois meses extra de licença é facultativo para as companhias e financiado com recursos próprios. Para incentivar a adesão, o governo federal permitirá que as empresas tributadas pelo sistema de lucro real descontem essa despesa no pagamento do Imposto de Renda devido. Estima-se que 150 mil brasileiras pagam impostos por meio do sistema de lucro real e que elas empregam cerca de 40% da mão de obra feminina do país. A maioria das companhias brasileiras está enquadrada no Simples ou pagam imposto com base no lucro presumido e, portanto, não terão benefícios tributários para prorrogar a licença-maternidade. Antes de decidir pela adesão, as companhias devem fazer uma previsão de quanto será seu lucro neste ano, afirma José Eduardo Toledo, sócio da área tributária do escritório Leite, Tosto e Barros. “A empresa precisa dessa estimativa porque se tiver prejuízo vai oferecer dois meses adicionais de licença-maternidade às funcionárias, mas não poderá recuperar esses recursos com dedução de impostos.”
  • 124.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 125 de 323 Para aderir ao Empresa Cidadã, as empresas devem preencher um requerimento no site da Receita Federal. Já as funcionárias precisam solicitar a prorrogação da licença-maternidade ao empregador até o final do primeiro mês após o parto. 22/01/2010 Manchete: Número de mortos no terremoto chega a 111 mil, diz governo do Haiti. Resumo: O número de mortos no terremoto que atingiu o Haiti em 12 de janeiro ultrapassou a barreira dos 100 mil, segundo um comunicado divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério do Interior haitiano. Segundo o governo, foram registradas 111.499 mortes O relatório anterior informava 75 mortes após o terremoto de magnitude 7 que devastou a capital haitiana e cidades vizinhas. O general americano Ken Keen, que comanda as Forças americanas enviadas ao Haiti para ajudar no auxílio às vítimas, falou em um número de mortos entre 150 mil e 200 mil, mas disse que era apenas uma hipótese de trabalho. A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que três milhões de pessoas foram afetadas pelo terremoto. O novo balanço também indica que 193.891 pessoas ficaram feridas após o terremoto, e que mais de 55 mil famílias foram afetadas, enquanto que 609.621 pessoas foram acomodadas em 500 acampamentos criados para receber desabrigados. Mais de 11 mil casas foram destruídas e cerca de 32 mil foram danificadas, de acordo com o balanço do ministério. 22/01/2010 Manchete: Unicef denuncia rapto de pelo menos 15 crianças em hospitais do Haiti. Resumo: O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) denunciou nesta sexta-feira o rapto de pelo menos 15 crianças desacompanhadas em hospitais do Haiti. Infelizmente constatamos o rapto de 15 crianças em diferentes hospitais do Haiti e suspeitamos de que foram sequestradas por redes de tráfico de pessoas por meio de Santo Domingo, afirmou em entrevista coletiva Jean-Claude Legrand, assessor de proteção da infância do Unicef. O tráfico de crianças no Haiti já existia antes do terremoto, e infelizmente, as redes que se dedicam a esta prática mantêm ligações com o mercado de adoção internacional, explicou. Já constatamos isso na época do tsunami (que deixou mais de 200 mil mortos em vários países da Ásia no dia 26 de dezembro de 2004): estas redes se aproveitam das catástrofes naturais, da fraqueza do Estado e da falta de coordenação entre os diversos atores no terreno para sequestrar crianças e enviá-las para fora do país, acrescentou Legrand. Adoção A comunidade internacional já demonstrou receio com relação a crianças abandonadas ou órfãs sendo enviadas para o exterior e, na última terça-feira, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) disse que a adoção estrangeira de crianças haitianas deveria ser considerada apenas como último recurso. A Unicef disse que crianças cujos pais estavam mortos ou desaparecidos, deveriam primeiro se reintegradas a outros membros da família. Processo acelerado A França, segundo a Agência Francesa de Adoções, é o país que mais recebe crianças haitianas em todo o mundo. Em 2008, 731 foram adotadas por famílias francesas. Outros países, no entanto, decidiram acelerar os procedimentos de adoção. A Holanda já
  • 125.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 126 de 323 retirou, na segunda-feira, as 109 crianças haitianas que estavam em processo de adoção. O governo dos Estados Unidos anunciou que irá flexibilizar os procedimentos de adoção, no caso das famílias que haviam iniciado o processo antes da catástrofe, permitindo que as crianças sejam transferidas, mesmo sem todos os documentos necessários. No dia 19, um primeiro grupo de 53 crianças haitianas embarcou para os Estados Unidos. Segundo o Departamento de Estado americano, cerca de 300 adoções estavam previstas para 2010. A Bélgica também adotou uma decisão semelhante, que envolve 14 crianças. O governo espanhol informou que vai facilitar a transferência das crianças haitianas cujos processos de adoção já foram concluídos. 13/02010 Manchete: Terremoto mais forte dos últimos 200 anos devasta capital do Haiti. O forte terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti na tarde da última terça-feira foi o tremor mais forte a afetar o país nos últimos 200 anos. Em um espaço de um minuto, o terremoto destruiu diversos edifícios e interrompeu os serviços de energia e telefonia do país. Estima-se que centenas de pessoas tenham morrido, mas dados oficiais ainda não foram divulgados. Resumo: O forte terremoto que abalou o Haiti provocou o desabamento do palácio presidencial, de favelas da capital, Porto Príncipe, e centenas de edificações na região. Um prédio de cinco andares usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) também desabou na terça-feira por conta do tremor. O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, disse que as sedes do palácio presidencial, da Receita Federal, do Ministério do Comércio e do Ministério das Relações Exteriores sofreram danos provocados pelo tremor, mas que o aeroporto da capital estava intacto. Segundo ele, o presidente René Preval escapou ileso do terremoto. As informações sobre vítimas e danos são divulgadas de forma desorganizada por conta de problemas de comunicação no país. Como país mais pobre das Américas, o Haiti não tem equipamentos suficientes para lidar com esse tipo de desastre. Epicentro O epicentro do tremor foi registrado a 16 km de Porto Príncipe, que tem uma população de cerca de 1 milhão de pessoas, e tremores que vieram depois, tão fortes quanto o inicial, atingiram a cidade ao longo da noite e já na quarta-feira. Segundo o US Geological Survey, a agência geológica americana, o terremoto ocorreu por volta das 16h53 (horário local, 19h53 de Brasília) de terça-feira. Pelo menos dois tremores secundários - de 5,9 e 5,5 graus, respectivamente, foram registrados logo após o primeiro terremoto. Cerca de cinco horas após o tremor inicial, uma testemunha disse que esses tremores secundários eram sentidos a cada dez minutos. 12/01/2010 Manchete: Brasil pode zerar miséria e se igualar a países ricos em 2016, diz Ipea. Resumo: O Brasil poderá praticamente zerar a pobreza extrema e alcançar indicadores sociais próximos aos dos países desenvolvidos em 2016, caso mantenha o ritmo de desempenho que teve entre 2003 e 2008. A conclusão é de estudo Pobreza, desigualdade e políticas públicas, divulgado nesta terça-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
  • 126.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 127 de 323 A pobreza extrema é considerada para famílias com renda de até um quarto de salário mínimo per capita --atuais R$ 127,50. Também há expectativa de alcançar uma taxa nacional de pobreza absoluta (até meio salário mínimo per capita, R$ 255) de 4% naquele ano, o que, segundo o Ipea, significa quase a sua erradicação. Em 2008, o índice estava em 28,8%. A taxa de pobreza de 4% é de país rico. Nos coloca no patamar de países desenvolvidos, afirmou Marcio Pochmann, presidente do Ipea. O Brasil reduziu o número de pobres pela combinação de elementos como o crescimento econômico e políticas públicas de distribuição de renda. Temos hoje uma estrutura social comparável aos países desenvolvidos. Desigualdade social A queda da média anual na taxa nacional de pobreza absoluta foi de 0,9% ao ano entre 1995 e 2008, enquanto a da pobreza extrema ficou em menos 0,8% ao ano. Considerando o período de 2003 a 2008, a redução na primeira foi de 3,1%, e na segunda ficou em 2,1% ao ano. O índice Gini, que varia de zero a um e é usado para medir as desigualdades sociais, deverá passar para 0,488 --era de 0,544 em 2008. Ele encontra-se, em geral, abaixo de 0,4 nos países desenvolvidos. Em 2005, ficou em 0,33 na Itália, 0,32 na Espanha, 0,28 na França, 0,27 na Holanda, 0,26 na Alemanha e 0,24 na Dinamarca. Já nos Estados Unidos está acima dos demais, em 0,46. Para o Ipea, parte significativa dos avanços alcançados pelo país no enfrentamento da pobreza e da desigualdade está relacionada a políticas públicas, a partir de 1988 -- data de elaboração da Constituição Federal. Na década atual, o instituto destaca razões como a combinação entre a continuidade da estabilidade monetária, a maior expansão econômica e o reforço de políticas públicas, como a elevação real do salário mínimo e a ampliação do crédito popular. 06/01/2010 Manchete: Brasil sobe cinco posições em ranking de qualidade de vida. O Brasil é o 38º país do mundo em qualidade de vida, segundo um ranking com quase 200 países publicado pela revista americana International Living. Resumo: A liderança do ranking, que leva em consideração nove itens - custo de vida, cultura e lazer, economia, ambiente, liberdade, saúde, infraestrutura, segurança e risco e clima - ficou com a França, pelo quinto ano consecutivo. O Brasil subiu da 43ª posição no ranking de 2009 para a 38ª neste ano. Em 2008, o País havia ficado na 39ª posição. As melhores avaliações do Brasil ficaram nos quesitos liberdade (83 pontos de 100 possíveis), risco e segurança (83) e clima (82). Os itens mais mal avaliados foram lazer e cultura (58 pontos de 100 possíveis) e infraestrutura (59). Apesar disso, entre o ranking do ano passado e o deste ano, as notas para infraestrutura passaram de 47 para 59, enquanto a avaliação para a economia foi de 45 para 65. Latino-americanos O Uruguai, na 19ª posição do ranking, foi o país latino-americano mais bem avaliado, apesar de ter caído seis posições em relação ao ranking de 2009. A Argentina, que caiu cinco posições e aparece em 26º lugar no ranking deste ano, é o segundo melhor país da região em termos de qualidade de vida, segundo a International Living.
  • 127.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 128 de 323 À frente do Brasil no ranking, entre os latino-americanos, aparecem ainda Chile (31º lugar), Costa Rica (33º) e Panamá (34º). O Equador aparece apenas uma posição atrás do Brasil (39º), enquanto o México é o 46º colocado no ranking. Entre os países mais bem avaliados, a Austrália pulou da quinta para a segunda posição no ranking entre o ano passado e este, enquanto a Alemanha subiu do oitavo para o quarto lugar. Os Estados Unidos, por outro lado, caíram da terceira para a sétima posição. O Japão, segundo país mais rico do mundo, aparece no 36º lugar, apenas duas posições acima do Brasil. O último lugar do ranking é ocupado pela Somália. Entre os 15 últimos do ranking, apenas um - Afeganistão - não é um país africano. 16/12/2009 Manchete: Trabalho infantil cai quase 50% no Brasil em 15 anos, segundo OIT. O número de crianças e adolescentes que trabalham no Brasil caiu quase 50% entre 1992 e 2007, mas ainda é alto e chega a quase 5 milhões, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Resumo: O estudo da OIT analisa a situação no país entre 1992, quando havia 8,42 milhões de crianças e adolescentes no mercado de trabalho, e 2007, quando esse número foi de 4,85 milhões. O relatório destaca que a redução maior, atribuída aos programas do Governo brasileiro para erradicar o trabalho infantil, foi entre as crianças de 10 a 14 anos. A OIT também disse ter constatado que, como em outros países, os meninos são clara maioria (66%) no universo do trabalho infantil, enquanto as meninas são 34% da mão-de-obra. O relatório destaca ainda o crescimento da taxa de desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos, que passou de 11,9% em 1992 para 17% em 2007. No entanto, o documento ressalta que, no período analisado, a percentagem de jovens que nem estudam nem trabalham caiu de 21,1% para 18,8%. Em 2007, segundo a OIT, havia 7,8 milhões de trabalhadores sem emprego no Brasil, dos quais 46,7% (3,6 milhões) tinham de 15 a 24 anos de idade. 10/12/2009 Manchete: Obama recebe Nobel e defende a guerra para alcançar a paz. Resumo: Ao receber o prêmio Nobel da Paz nesta quinta-feira, em Oslo, na Noruega, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou o papel do seu país na busca pela paz durante o século XX, lembrando que não houve uma Terceira Guerra Mundial, e alertou que nos últimos dez anos o mundo vem enfrentando novas ameaças, sobre as quais ele não pode permanecer de braços cruzados. Sou responsável pelos jovens americanos que estão lutando no Afeganistão, afirmou o líder americano, diante de mil pessoas que lotaram o auditório municipal, entre elas os reis Harald e Sonja da Noruega. Obama, ao receber a medalha e o diploma do prêmio e ser aplaudido por mais de um minuto, reconheceu a polêmica sobre a escolha de um presidente cujo país mantém uma guerra, mas argumentou que se reserva o direto de agir para proteger o seu país. Ele afirmou que o uso da força às vezes é justificado, especialmente quando estão em jogo questões humanitárias. Para o presidente americano, no caso da Al-Qaeda, negociações não levarão
  • 128.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 129 de 323 seus combatentes a depôr as armas. Também fez uma apelo por ações mais rígidas contra países que desrespeitam leis internacionais, como sanções que impõem um custo real. Sei que o diálogo com regimes repressivos carece da pureza satisfatória da indignação, disse, fazendo referência a Mianmar, Coreia do Norte e Irã. Mas também sei que as sanções sem uma aproximação e a condenação sem debate podem servir para perpetuar um 'status quo' prejudicial, acrescentou, afirmando ainda que nenhum regime repressivo pode empreender um novo caminho a menos que tenha uma porta aberta. Para Obama, esses governos não podem fazer vista grossa às normas internacionais. Os regimes que violarem as normas devem prestar contas, ressaltou. 07/12/2009 Manchete: EMPREGO - Crise cortou 20 milhões de empregos desde outubro de 2008. Resumo: Cerca de 20 milhões de postos de trabalho foram cortados desde o início da crise econômica mundial, em outubro de 2008, revela um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado nesta segunda-feira. O relatório alerta ainda que quase 43 milhões de pessoas correm o risco de serem excluídas do mercado de trabalho. O emprego nos países ricos não vai retornar aos níveis pré-crise antes de 2013. Nas economias emergentes, a recuperação dos níveis de emprego pode começar em 2010, mas não atingirá os índices anteriores à crise antes de 2011, afirma o relatório Mundo do Trabalho 2009 - A crise global do emprego e perspectivas. O relatório aponta que as reduções de empregos têm sido menores do que as previsões baseadas em crises anteriores. Mas a organização ressalta que a crise do emprego é muito mais ampla do que os números sugerem. A economia mundial está mostrando sinais encorajadores de recuperação, mas a crise do emprego está longe de ter acabado, diz o estudo. Há riscos significativos de que a crise do emprego tenha implicações sociais e econômicas negativas por um longo prazo, afirmou. Segundo a OIT, quase 43 milhões de pessoas podem ser excluídas do mercado de trabalho por um longo período ou mesmo definitivamente se programas adequados de estímulo ao crescimento econômico não forem adotados ou se os planos que já estão em andamento terminarem. Experiências em relação às crises anteriores sugerem que esse risco é crítico principalmente para pessoas com baixa qualificação, imigrantes e trabalhadores com mais idade, afirma o estudo, que analisou a situação do emprego em 51 países. Pessoas que entram agora no mercado de trabalho, incluindo jovens e mulheres, terão mais dificuldades para obter um emprego. Brasil O estudo da OIT revela que nos países em desenvolvimento empregos com alta qualificação foram perdidos e os trabalhadores afetados provavelmente migram para a economia informal. Nos países ricos, 10,2 milhões de pessoas perderam o emprego desde o último trimestre de 2008. Em países como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, os cortes dos postos de trabalho começaram até antes dessa data. Nas economias em desenvolvimento, 10,7 milhões de empregos foram cortados desde outubro de 2008, sendo quase 9 milhões apenas no primeiro trimestre deste ano. O Brasil, a China, a Rússia e África do Sul representam quase a metade do total de empregos cortados nos países em desenvolvimento. Mas a Turquia, que perdeu mais de 2 milhões de vagas entre o último trimestre de 2008 e o primeiro trimestre deste ano, também foi afetada de maneira dramática, diz a OIT. De acordo com a organização, o desemprego vem diminuindo desde o segundo trimestre de 2009 nos países em desenvolvimento. Alguns países, como o Brasil, vem mostrando um
  • 129.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 130 de 323 retorno ao crescimento do emprego, enquanto outros continuam sofrendo cortes dos postos de trabalho, diz o estudo. As tendências atuais indicam que o emprego nos países em desenvolvimento não vai retornar aos níveis pré-crise até o final de 2010. No Brasil, no entanto, a recuperação provavelmente será mais rápida, diz o estudo. A OIT afirma ainda que 5 milhões de pessoas podem perder o emprego imediatamente. Apesar da queda da demanda e da produção, as empresas mantiveram milhões de trabalhadores, frequentemente por meio de ajudas governamentais, diz o estudo. Eles correm o risco de perder o emprego se as atividades da empresa se tornarem inviáveis, se os governos retirarem as medidas de apoio ou se a retomada econômica não for forte o suficiente, afirma a OIT. 02/12/2009 Manchete: Morre Lombardi, o famoso locutor dos programas de Sílvio Santos. Resumo: Foi encontrado morto por volta das 8h desta quarta-feira (2) o locutor Lombardi, voz sempre presente nos programas de Silvio Santos. Segundo a assessoria de imprensa do SBT, a esposa de Lombardi, Eni, foi acordá-lo nesta manhã e o encontrou sem vida. Lombardi morreu aos 69 anos. Segundo o irmão Reinaldo Lombardi, 58, ele sofreu um infarto. 01/12/2009 Manchete: Esperança de vida do brasileiro aumenta para 72,86 anos, mostra IBGE. Resumo: A esperança de vida do brasileiro ao nascer aumentou mais de três anos entre 1998 e 2008, passando de 69,66 anos para 72,86 anos, mostra a Tábua de Mortalidade do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta terça-feira. O levantamento aponta que o ganho foi semelhante entre homens e mulheres, mas que a diferença entre os sexos se manteve. No ano passado, a esperança de vida ao nascer era de 69,11 anos para os homens e de 76,71 anos para as mulheres. O instituto também analisou a esperança de vida a partir de idades exatas, e constatou que, na última década, houve um aumento de 19,93 anos para 21,16 anos, para ambos os sexos. Com isso, uma pessoa que completasse 60 anos em 2008 teria como expectativa viver, em média, até os 81,16 anos. O levantamento mostra que a esperança de vida para os homens subiu de 18,49 anos para 19,46 anos e para as mulheres, de 21,26 anos para 22,70 anos. Apesar do ganho, a esperança de vida no Brasil é baixa se comparada a países como Japão, Suíça, Islândia, Austrália, França e Itália, onde a média supera os 81 anos. Mortes Em uma década, a mortalidade infantil caiu de 100 para 23,30 óbitos por mil nascidos vivos. De acordo com o instituto, entre 1998 a 2008, 68 homens jovens de 15 a 24 anos morreram diariamente devido a causas externas, em um total de 272,5 mil mortes. E.ntre os jovens de 20 a 24 anos, as mortes violentas causaram a morte de nove homens para cada mulher. As causas naturais também ocorreram em maior número entre os homens, aponta o IBGE. Levantamento Tábua Completa de Mortalidade da população brasileira é divulgada anualmente pelo IBGE, desde 1999. O instituto informou que o levantamento mostra a expectativa de vida para idades exatas até os 80 anos, e os dados têm sido usados pelo Ministério da Previdência Social como um dos parâmetros do fator previdenciário das aposentadorias sob o Regime Geral de Previdência Social.
  • 130.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 131 de 323 27/11/2009 Manchete: Brasil tem 24,6 milhões de fumantes, mostra pesquisa do IBGE. Resumo: O Brasil tem 24,6 milhões de fumantes (17,2% da população sob estudo), do total de 143 milhões de pessoas de 15 anos ou mais --estimado em 2008--, segundo a Petab (Pesquisa Especial de Tabagismo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada nesta sexta-feira. O instituto destaca que esse é o primeiro levantamento que traça um panorama detalhado e geográfico do uso de tabaco no país. O estudo dividiu os fumantes em duas categorias: aqueles que fazem o uso diário do tabaco e os que fumam ocasionalmente. A primeira categoria é formada pela maioria dos que aderiram ao fumo, 21,5 milhões (15,1%) de brasileiros e a segunda por cerca de 3 milhões (2,1%). Segundo o levantamento, tanto a categoria fumante diário quanto a de fumante ocasional alcançaram maiores proporções de homens, 21,6% (14,8 milhões), que de mulheres, 13,1% (9,8 milhões). O estudo aponta também que 71,7% da população feminina sob estudo nunca fumou, assim como 57% dos homens de 15 anos ou mais de idade. A pesquisa ainda mostra que 82,8%, totalizando 118,4 milhões de pessoas, declararam em 2008 que não fumam. Entre eles, 26 milhões afirmaram que são ex-fumantes. O levantamento afirma também que 25 milhões de pessoas (17,5%) de 15 anos ou mais de idade são usuárias de todos os produtos derivados de tabaco no país. Os produtos estão divididos em: tabaco fumado, que inclui o cigarro industrializado ou de Bali, cigarro de palha ou enrolado à mão, cachimbo, narguilé, charuto ou cigarrilha, além do tabaco não fumado, que não emite fumaça, como rapé e fumo de mascar. A maioria dos usuários estão na região Sul (19%), e o percentual mais baixo foi registrado no Sudeste e Centro-Oeste (16,9% em ambas as regiões). No entanto, os especialistas destacam que em termos de contingente de fumantes, o do Sudeste é o maior com 10,5 milhões de pessoas. Os pesquisadores afirmaram que em todas as regiões do Brasil há mais homens usuários de tabaco que mulheres. A população masculina usuária de tabaco no Norte e no Nordeste é quase o dobro da feminina. 27/11/2009 Manchete: Entenda as propostas que mudam o cálculo das aposentadorias no Brasil. Fator previdenciário, que considera expectativa de vida, pode acabar. Nova proposta do governo adota fórmula que soma idade e contribuições. Resumo: O fator previdenciário, uma fórmula usada para o cálculo das aposentadorias por tempo de serviço do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), pode estar com os dias contados. Um projeto de lei e um substitutivo tramitam na Câmara justamente com este objetivo: acabar com o fator, que ajusta o valor do benefício do trabalhador à expectativa de vida no momento da solicitação. Com a aplicação do fator previdenciário, quem se aposenta aos 55 anos, por exemplo, receberá um valor mensal inferior a quem requerer o benefício com 60 anos, pois a fórmula presume que o primeiro receberá a aposentadoria por um período de tempo mais longo. Embora defendido por especialistas em previdência, o fator previdenciário, estabelecido em 1999, é visto como o vilão do achatamento dos benefícios pelas centrais sindicais e associações de aposentados, que pedem a sua extinção. Para o especialista em previdência José Sechin, que foi ministro da Previdência em 2002,
  • 131.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 132 de 323 último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, o sistema garante justiça atuarial. Cada um terá direito de receber a contribuição que fez, acrescida de uma taxa de juros, diz. Segundo ele, o fator previdenciário faz com que, quem se aposenta mais cedo, receba um valor mensal menor porque ganhará um maior número de parcelas. Volta ao passado O projeto de lei 3299, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que acaba com o fator previdenciário e propõe a volta do sistema antigo de cálculo de benefícios – em que somente as últimas 36 contribuições da vida do trabalhador são consideradas –, é alvo de críticas tanto do governo quanto de especialistas na área. O problema, segundo Sechin, é que a proposta abre a porta para fraudes consentidas no sistema. Se a maior parte das contribuições é ignorada, o ex-ministro argumenta que uma pessoa pode contribuir por um longo tempo sobre o salário mínimo e deixar para fazer aportes mais altos, próximos ao teto do INSS (R$ 3.218,90, atualmente) somente nos últimos três anos. Do jeito que está, uma pessoa que se aposentar aos 50 anos vai ganhar o mesmo que alguém que se aposentar aos 70. Quem se aposentar cedo vai receber o dobro do que aportou (contribuiu). Isso vai incentivar com que as pessoas se aposentem cada vez mais cedo, diz Sechin. Sem algum tipo de limitação de idade, o temor é que as contas da previdência, que exibiram um rombo de R$ 42 bilhões entre janeiro e outubro deste ano, fiquem ainda mais pressionadas. Por isso, o governo federal já sinalizou que vetará as mudanças na aposentadoria caso o projeto de Paim, que já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), seja aprovado pelo plenário da Câmara. O consultor em previdência Renato Follador diz que o projeto de Paim é um retrocesso, uma volta à uma época em que a Previdência Social brasileira era tecnicamente rudimentar. Calcular o benefício somente com base nas últimas 36 contribuições era uma injustiça, especialmente para os mais pobres. Normalmente, quem depende do salário físico chega ao fim da vida ganhando menos. Muitas vezes, consegue se aposentar somente por idade, explica. Ele diz que o sistema atualmente em vigor considera a média das 80% maiores contribuições, eliminando os 20% de valor mais baixo. O objetivo é que, com o tempo, a conta leve em consideração toda a vida profissional do trabalhador (35 anos, para homens, e 30 anos, para mulheres). Por enquanto, para efeito de simplificação, o cálculo é feito a partir de 1994, desde a criação do Plano Real. Fórmula 85/95 O senador Paulo Paim admite que provavelmente seu texto será vetado pelo governo e diz que está aberto à aprovação do projeto na forma de um substitutivo que circula na Câmara, cujo relator é o deputado federal Pepe Vargas (PT-RS). “Como [o texto] está, [a sanção] é impossível”, diz. Paim afirmou que um dos objetivos do projeto era esquentar o debate contra o “mal maior” do fator previdenciário. O substitutivo de Vargas também define o fim do fator, mas estabelece uma vinculação que evita que os trabalhadores possam se aposentar muito cedo, apresentando a chamada fórmula 85/95, que tem o apoio do governo. Pelo sistema, entre idade e tempo de contribuição, um homem teria que somar 95 pontos para poder se aposentar. O sistema é flexível, permitindo que o contribuinte tenha 40 anos de contribuição e 55 anos de idade ao se aposentar; também valeria a conta de 60 anos de idade e 35 de contribuição, por exemplo. Para as mulheres, vale a mesma regra, sendo a soma necessária 85. O substitutivo adota uma regra para o cálculo de benefícios mais próxima da praticada atualmente. O texto define que o cálculo levará em conta toda a vida laboral do trabalhador, eliminando 30% das piores contribuições, em vez de 20% atuais. Desta forma, há chance de
  • 132.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 133 de 323 que o valor do benefício cresça. O deputado Vargas define o projeto como “pragmático e r e a l i s t a ” . O “realismo” do projeto está relacionado ao fato de que ele reflete um compromisso que o governo assumiu em agosto assumiu com centrais sindicais como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Força Sindical. Para o consultor Renato Follador, a fórmula 85/95 é mais equilibrada [do que o projeto de Paim], não propõe medidas retrógradas. É uma alternativa boa [para as contas da previdência] porque embute uma ideia de idade mínima, ressalta. 26/11/2009 Manchete: Desemprego no Brasil tem trajetória oposta à dos EUA e Europa. Desemprego recuou para 7,5% em outubro no país, diz IBGE. Nos países desenvolvidos, tendência ainda é de alta. Resumo: A taxa de desempregou voltou a cair em outubro no Brasil, para 7,5%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A trajetória do desemprego por aqui segue na direção contrária das grandes economias: nos EUA e na Europa, os índices seguem crescendo. Na Europa, a expectativa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de que esse indicador só volte a cair em 2011. 26/11/2009 Manchete: 95% dos pulmões para transplante são desperdiçados no Brasil. Resumo: Apenas 5% dos pulmões disponíveis para transplante no Brasil são aproveitados. O número equivale a um terço da taxa média de aproveitamento em outros centros do mundo --que é em torno de 15%. Uma das causas do desperdício é a inadequada capacitação das equipes em identificar e manter o potencial doador até a retirada do órgão. Em 2008, o Brasil realizou 53 transplantes pulmonares. A demanda por esse tipo de tratamento no país é de quase sete vezes isso, segundo dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos). Hoje, de 30% a 50% dos doentes que estão em fila de espera morrem sem receber o órgão. O pulmão é o primeiro órgão a se deteriorar no processo de morte encefálica. Em geral, o potencial doador necessita de respiração artificial, que, muitas vezes, compromete a qualidade do órgão --que também fica sujeito à contaminação direta pelo ar, tanto no caso do doador quanto no do receptor. Outro problema é a falta de treinamento das equipes cirúrgicas que fazem a captação do órgão. Por erros de avaliação do potencial do doador ou por não saber mantê-lo adequadamente até a retirada do pulmão, muitos órgãos viáveis acabam sendo inutilizados. Para tentar melhorar esse panorama no Estado de São Paulo, o InCor (Instituto do Coração), um dos principais centros de transplante de pulmão do país, criou uma rede de apoio à captação do órgão no Estado, que prevê a capacitação de médicos. O objetivo é aumentar em 20% o número de transplantes realizados. Segundo o cirurgião Fábio Jatene, diretor do Programa de Transplante de Pulmão do InCor, é comum a equipe receber notificações de potenciais doadores no interior do Estado e, quando chega ao hospital para retirar o órgão, o pulmão já não tem mais qualidade. Após a morte encefálica, o pulmão fica mais sujeito a infecções. Há um acúmulo de líquidos que pode deteriorá-lo rapidamente, explica. Jatene afirma que uma equipe treinada pode usar recursos, como a aspiração do líquido do pulmão, que aumentam as chances de preservação do órgão até a chegada da equipe de captação. No futuro teremos pessoas no interior familiarizadas com a captação e não haverá
  • 133.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 134 de 323 mais necessidade de deslocar uma equipe da capital. Para o médico Ben-Hur Ferraz Neto, vice-presidente da ABTO, melhorar a qualidade da captação em São Paulo e Porto Alegre, onde estão os dois principais centros de transplante de pulmão, é mais importante do que treinar médicos no interior. O número de doadores de órgãos na capital tem aumentado nos últimos anos, mas isso não tem se refletido no número de pulmões viáveis. Sobrevivência A sobrevida média dos pacientes transplantados de pulmão é de 80% em um ano. Ao final de cinco anos, de 50% a 55% dos pacientes continuam vivos. Segundo Jatene, é preciso difundir entre os médicos que o transplante deve ser considerado cada vez mais uma alternativa terapêutica em casos avançados de doença pulmonar obstrutiva crônica, enfisema e fibrose pulmonares, hipertensão pulmonar e fibrose cística. Hoje, por temer o risco de morte da cirurgia, muitos médicos não indicam o transplante. Ao mesmo tempo, como são poucos os centros brasileiros que fazem o procedimento, muitos pacientes não têm condições de se estabelecerem em outra cidade para o tratamento. 26/11/2009 Manchete: Queda da Aids no mundo não se reflete no Brasil. Resumo: Ao contrário da tendência mundial divulgada esta semana pelo Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), no Brasil o número de novos casos não está diminuindo. Segundo o Ministério da Saúde, está estável desde 2000, com cerca 18 casos para cada 100 mil habitantes. As mortes também estabilizaram no patamar de 6 mortos para cada grupo de 100 mil habitantes. Em números absolutos, há uma média de 11 mil óbitos pela doença a cada ano e 33 mil novos casos. De acordo com o departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, o mundo está colhendo os frutos do avanço no tratamento. “O Brasil trata a população contaminada e doente desde o início da epidemia e passamos por esses índices positivos há uma década”, avalia Mariângela Simão, diretora do departamento. Segundo ela, 10 milhões de pessoas no mundo precisam de tratamento contra a aids e apenas 4 milhões tem acesso a ele. “No Brasil, 200 mil precisam de tratamento e todos recebem”, garante. Aids migra para as cidades pequenas A epidemia de Aids no Brasil avançou para as cidades menores. Apesar dos dados do Boletim Epidemiológico da doença apontarem para a estabilização do número de novos casos, com cerca de 33 mil por ano, nos municípios com menos de 50 mil habitantes a taxa de incidência de Aids quase dobrou. Os números foram divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde. Entre 1997 e 2007, passou de 4,4 casos para cada grupo de 100 mil habitantes para uma taxa de 8,2 casos. Nas grandes cidades, o caminho é o oposto. Em São Paulo, por exemplo, a taxa de incidência caiu de 32,3 casos para 27,4 no mesmo período. O número de municípios com pelo menos um caso de Aids também cresceu. É o caso de 90% das cidades brasileiras. “A população brasileira sexualmente ativa existe em centros urbanos e no interior e é esperado que a doença comece a afetar municípios menores”, observou Mariângela Simão, diretora do Programa Nacional de DST e Aids. Mariângela destacou, no entanto, que estão no entorno dos grandes centros urbanos os municípios pequenos com altos índices de incidência de Aids. “São cidades menores e com grande influência das cidades grandes”, completa.
  • 134.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 135 de 323 Os dados mostraram também que a tendência de crescimento nas cidades menores e a queda dos casos nas menores ocorreu em todo o Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Apenas no Norte e no Nordeste, ocorreu aumento tanto nas cidades pequenas quanto grandes. “Existem características específicas em cada região. Parte do Norte, por exemplo, sofre influencia das Guianas e de grupos que migram de um lado para outro da fronteira”, observa. Em algumas cidades do Norte e do Nordeste, nos últimos 10 anos, a taxa de incidência de Aids subiu mais de 200%. É o caso de Ananindeua, no Pará, onde a taxa de incidência aumentou 380% na última década. Em São Luís, no Maranhão, o aumento foi de 272%. Já em Teresina, no Piauí, o crescimento foi de 254%. Municípios do Sul são campeões de incidência de aids Cidades do Sul do país dominam o ranking de municípios com maior incidência de aids no interior do país. E os casos mais graves estão no Rio Grande do Sul. Para se ter uma idéia, dos 15 municípios com mais de 50 mil habitantes e com as maiores taxas de incidência, 11 são gaúchos e quatro são catarinenses. “Todos os municípios do Rio Grande do Sul com altos índices estão na região metropolitana de Porto Alegre”, cita a diretora do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, em divulgação do Boletim Epidemiológico de 2009, nesta quinta-feira, em Brasília. A primeira colocada na lista de cidades com altas taxas é Porto Alegre com 111,4 casos para cada 100 mil habitantes. O número é 6 vezes maior que o nacional, de 18 casos para 100 mil habitantes. “Historicamente, o Rio Grande do Sul tem dados mais altos”, afirma Mariângela. Mas preocupa o fato dos números subirem constantemente - em 2002 eram 105 casos para cada 100 mil. As causas apontadas pelo Ministério da Saúde, preliminarmente, estão relacionadas ao uso de drogas injetáveis, que caiu menos no estado em relação ao restante do país, e também à política de combate à contaminação que poderia não estar tão eficiente no Sul. Dos casos acumulados de aids de 1980 a 2009, a região Sudeste é a que tem o maior percentual (59,3%) do total de notificações no país, com 323 mil registros da doença. Mas, quando comparada a população e os casos, é o Sul o que tem o pior cenário. Na região, moram 15% da população brasileira mas estavam concentrados 24% dos casos de Aids em 2007. No Nordeste, a relação é a metade. Lá moram 28% dos brasileiros e estão 17% dos casos da doença. QUADRO GERAL DA AIDS Estimativa de infectados pelo HIV no Brasil: 630 mil Casos novos em 2008: 34.480 Número de óbitos por aids em 2008: 11.532 18/11/2009 Manchete: Fumo. Resumo: O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de tabaco, com produção de 7 milhões de toneladas na safra 2007/08 e US$ 2,2 bilhões negociados no mercado externo. Estados Unidos e Zimbabwe ocupam a segunda e terceira colocação, respectivamente. A região Sul do país concentra 95% da produção e o Nordeste participa com 4,5%. 17/11/2009 Manchete: Depressão será a doença mais comum do planeta em 2030. Pobres são os mais atingidos pelo transtorno; stress deflagra crises. Resumo: Nos próximos 20 anos, a depressão deverá afetar mais pessoas que qualquer
  • 135.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 136 de 323 outro problema de saúde, inclusive as doenças cardiovasculares e o câncer. A estimativa é da Organização Mundial de Saúde (OMS). A entidade alerta também para os custos econômicos e sociais e para a diminuição da produtividade resultantes dos gastos com tratamento. Países pobres, onde já se registram mais casos de depressão que os desenvolvidos, serão os mais afetados nas próximas décadas. “A patologia tem diversas causas, algumas biológicas, mas parte delas vem de pressões ambientais e, obviamente, as pessoas pobres sofrem mais stress no dia a dia que as ricas, e não é surpreendente que tenham mais depressão”, disse o médico Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde Mental da OMS, na primeira Cúpula Global de Saúde Mental, em Atenas, na Grécia. Segundo ele, não devemos considerar que haja uma epidemia silenciosa, porque a depressão vem sendo cada vez mais diagnosticada. “Mas as pessoas têm o direito de ser aconselhadas e tratadas como em qualquer outro distúrbio, e é preciso mudar a mentalidade em relação à doença”, ressalta o médico. 13.11.2009 Manchete: Morre a atriz Mara Manzan, da TV Globo. Resumo: A atriz Mara Manzan ,de 57 anos, morreu às 8h15m da manhã desta sexta-feira em decorrência de um câncer de pulmão, no hospital Rios D'or , em Jacarepaguá, onde estava internada desde sábado na CTI da unidade. Segundo a assessoria do hospital, o câncer da atriz evoluiu severamente e se espalhou para outras partes do corpo. Seu último trabalho na televisão foi a indiana Ashima na novela Caminho das Índias, da TV Globo. A atriz chegou a ficar afastada das gravações por algumas semanas devido ao agravamento da doença. 07/11/2009 Manchete: Diretor e ator Anselmo Duarte morre aos 89 anos em SP. Ele estava internado após ter sofrido AVC; enterro será em Salto. Com o filme “O Pagador de promessas” (1962), foi premiado Cannes. Resumo: Morreu na madrugada deste sábado (7) o ator e diretor de cinema Anselmo Duarte, de 89 anos, informa a assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas em São Paulo. Duarte estava internado no hospital após ter tido um acidente vascular. A assessoria informou que iria apurar o caso para dar mais detalhes sobre a morte do ator e diretor. Anselmo Duarte foi um dos mais prestigiados cineastas brasileiros. Com o filme “O Pagador de Promessas” (1962), ele foi premiado no Festival de Cinema de Cannes com a Palma de Ouro – a única concedida a um filme brasileiro. 03/11/2009 Manchete: Morre aos 100 anos o antropólogo Lévi-Strauss. Resumo: O etnólogo e antropólogo estruturalista Claude Lévi-Strauss morreu na noite de sábado para domingo (1º) aos 100 anos, de acordo com um porta-voz da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris, na França. Ainda não há informações sobre a causa da morte do antropólogo. O falecimento foi divulgado pela editora Plon. Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes pensadores do século 20. Ele, que completaria 101 anos no próximo dia 28, tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris. 16/10/2009 Manchete: Tocantins lidera ranking e Rio tem menor índice de trabalho infantil no país. Segundo o IBGE, 4,5 milhões de pessoas entre 5 e 17 anos trabalham.
  • 136.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 137 de 323 Dados foram obtidos com base em informações do IBGE. Resumo: O Tocantins é o estado com maior incidência de trabalho infantil em todo o país enquanto que o Rio de Janeiro tem o menor índice, segundo dados obtidos com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cerca de 4,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalham em todo país, de acordo com o IBGE - cerca de 10% de toda a população na faixa etária. No Tocantins, o percentual da população entre 5 e 17 anos ocupada é de 15,7%. No Rio, o índice é 3,9%. A legislação brasileira permite o trabalho na condição de aprendiz a partir dos 14 anos e em qualquer caso acima dos 16, mas muitas crianças e adolescentes começam a pegar no batente mais cedo. Dados da PNAD mostram que 141 mil das crianças ocupadas têm menos de nove anos de idade e 1,3 milhão menos de 14. Acima dos 14 anos, o IBGE aponta que são R$ 2,99 milhões de ocupados. Mas, dados de 2008 do Registro Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que apenas 360 mil jovens de 16 e 17 têm emprego com carteira assinada. Outros 160 mil jovens acima dos 14 trabalham como aprendizes. Isso significa que 2,47 milhões de adolescentes trabalham sem ter seus direitos trabalhistas respeitados. O coordenador do Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil da Organização Internacional do Trabalho no Brasil (OIT), Renato Mendes, diz que o trabalho infantil está sempre atrelado a outros indicadores e à desvalorização da mão-de-obra adulta. O trabalho infantil nunca vem sozinho, vem com outros indicadores de desenvolvimento humano, educação básica, pobreza. Segundo Mendes, tradicionalmente os estados do Nordeste e Norte estão no topo do ranking por conta dos indicadores econômicos. Os estados do Sul, porém, ficam em evidência por conta do aspecto cultural, que muitas famílias educam os filhos, principalmente no campo, por meio do trabalho. A responsável pela Coordenadoria da Infância do Ministério Público do Trabalho, procuradora Mariane Josviak explica também que nas capitais é mais comum o trabalho nas ruas, na venda de produtos, exploração sexual e trabalho doméstico. No interior, segundo ela, as crianças atuam mais na agricultura. Peti Uma das formas de combate ao problema no Brasil é o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) do governo federal. Nele, os pais recebem benefício de até R$ 200 pelo Bolsa Família para que as crianças e adolescentes em situação de risco participem de ações educativas fora do horário escolar. O Peti e o Bolsa Família foram integrados em 2005 e a unificação é alvo de críticas. Especialistas da área alegam que muitas famílias passaram a receber benefícios menores e, por isso, abandonaram as atividades do Peti complementares à escola. Com isso, podem ter voltado ao trabalho. De acordo com a diretora de Proteção Social Especial da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Tocantins, essa pode ser uma das explicações para o estado estar no topo do ranking dos estados com maior incidência de trabalho infantil. Nenhum fenômeno novo ocorreu no estado para que houvesse aumento do trabalho infantil. Temos um programa de proteção básica que atende 45 mil crianças com transferência de renda e programa socioeducativo. Trata-se de um programa estadual que dá benefício de R$ 45 para os participantes que têm recreação e reforço escolar.
  • 137.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 138 de 323 Algumas cidades do estado têm o Peti, mas Aurora afirma que muitos deixaram de aplicar o projeto desde a unificação. Inclusive o governo federal está reformulando (o Peti). Com a integração com o Bolsa Família, o programa ficou enfraquecido. Algumas famílias que recebiam duas bolsas, passaram a receber uma única bolsa e como não entendem, não frequentam mais as atividades do Peti. Mesmo estando em último lugar do ranking, o estado do Rio de Janeiro também não atribui os dados positivos somente ao Peti. Temos projeto de atendimento às famílias em todas as cidades do estado e piorizamos as que têm crianças em condição de risco. Claro que a criança não faz opção de ir para o trabalho precocemente. Uma das causas é a condição socioeconômica precária da família. O Peti tem desenho interessante, mas faz intervenção na consequência, não trabalha a causa do problema, afirmou Telma de Azeredo, subsecretária de Assistência Social e Descentralização da Gestão do estado do Rio de Janeiro. Telma afirma ainda que o estado tenta mostrar aos pais a importância da educação. Tem a questão cultural dos filhos ajudarem na roça, que o trabalho enobrece e que filho de pobre precisa trabalhar cedo para não fazer coisa ruim. Mas o filho do rico não precisa, o filho do rico já ocupa o tempo com inglês, balé. Essa mentalidade precisa mudar. De acordo com o Renato Mendes, da OIT, o trabalho infantil no Brasil vem diminuindo e o Peti contribuiu muito - em 1995, o índice de crianças e adolescentes entre 5 a 17 anos no trabalho era de 18,7%. No entanto, Mendes também vê prejuízo para o Peti na integração com o Bolsa Família. O Peti nasceu de experiências de sucesso promovidas pela OIT e a Unicef, projetos de transferência de renda condicionada com participar do turno de atividade escolar e de atividades socioeducativas. Quando se integrou no Bolsa Família em 2005, o Peti não evoluiu como se havia esperado, não conseguiu mais avançar, avalia Renato Mendes. 12/10/2009 Manchete: Dois norte-americanos vão dividir Nobel de economia. Elinor Ostrom é a primeira mulher a receber o prêmio. Laureados foram escolhidos por pesquisas em governança econômica. A Real Academia de Ciências da Suécia anunciou nesta segunda-feira (12) ter atribuído o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas a dois pesquisadores norte-americanos: Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana, e Oliver E. Williamson, da Universidade da Califórnia, por suas pesquisas em governança econômica. É a primeira vez que uma mulher recebe o prêmio. O prêmio, cujo nome oficial é Prêmio Sveriges Riksbank (o banco central da Suécia) de Ciências Econômicas em Memória a Alfred Nobel, foi estabelecido em 1968, em comemoração ao 300º aniversário da autoridade monetária. Os laureados Nascida em 1933 em Los Angeles, Elinor Ostrom é professora da Universidade de Indiana. Em suas pesquisas, ela demonstrou, segundo a Academia sueca, como a propriedade comum pode ser gerenciada com sucesso por associações. “Elinor Ostrom desafiou a convenção de que propriedades comuns são mal gerenciadas e que devem ser reguladas por autoridades centrais ou privatizadas”, diz a Academia em nota. “Minha primeira reação foi de grande surpresa e apreciação. Ser escolhida para esse prêmio é uma grande honra”, disse Elinor em entrevista imediatamente após o anúncio do prêmio. Oliver E. Williamson nasceu em 1932, em Superior, no estado de Winsconsin. Ele é professor da Universidade da Califórnia. Ele desenvolveu uma teoria em que as empresas servem como estruturas para solução de conflitos. “Oliver Williamson argumentou que mercados e organizações hierárquicas, como empresas, representam estruturas alternativas
  • 138.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 139 de 323 de governança, que diferem em sua abordagem para resolver conflitos de interesse”, diz a nota. O prêmio, de 10 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,4 milhão), vai ser entregue em 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel. Em 2008, o Nobel de Economia foi atribuído ao norte-americano Paul Krugman, por sua análise dos padrões do comércio e a respeito da localização da atividade econômica. 09/10/2009 Manchete: Barack Obama ganha Nobel da Paz 2009. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, venceu o prêmio Nobel da Paz por seus esforços para reduzir os estoques de armas nucleares e por seu trabalho pela paz mundial. Primeiro presidente americano de origem africana, Obama também trabalhou para reiniciar o estagnado processo de paz no Oriente Médio desde que assumiu o cargo, em janeiro deste ano. Obama é o terceiro presidente americano em exercício a receber o prêmio Nobel da Paz, depois de Theodore Roosevelt (1901-1909), agraciado em 1906, e de Woodrow Wilson (1913-1921), vencedor em 1919. Além disso, Jimmy Carter recebeu o Nobel da Paz de 2002, 20 anos depois de seu mandato (1977-1980). As indicações são feitas por milhares de pessoas de todo o mundo, tais como parlamentares, ministros, ganhadores de anos anteriores, professores universitários e membros de organizações internacionais. Os nomes são mantidos em segredo pelo comitê, mas alguns acabam vazando. Para a edição deste ano, foram 205 indicados, entre pessoas e organizações. Trata-se de um número recorde, depois de 2005, quando foram apresentadas 199 candidaturas, informou o diretor do Instituto Nobel, Geir Lundestad. Vencedores das edições anteriores No ano passado, o prêmio Nobel da Paz foi entregue ao ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari, que esteve envolvido em várias negociações de conflitos como o de Kosovo e Iraque. Em 2007, o prêmio foi para ex-vice-presidente americano e ativista Al Gore, juntamente com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. Um ano antes o escolhido foi o bengalês Muhammad Yunus, pioneiro na implementação do microcrédito para pessoas em extrema pobreza (2006). 08/10/2009 Manchete: Herta Müller ganha Nobel de Literatura. Autora é nascida na Romênia e radicada na Alemanha desde 87. Escolha foi anunciada nesta quinta-feira (8) em Estocolmo. A escritora romena radicada na Alemanha Herta Müller foi a vencedora do Prêmio Nobel da Literatura de 2009. Müller é autora de O compromisso, lançado no Brasil em 2004 pela editora Globo. O resultado foi anunciado nesta quinta-feira (8) por um porta-voz da Academia Sueca, em Estocolmo, na Suécia. O prêmio é de US$ 1,4 milhão.
  • 139.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 140 de 323 A escolha foi justificada pela forma como Müller com a concentração de sua poesia e a franqueza de sua prosa, retrata a paisagem dos despossuídos. 05/10/2009 Manchete: ONU diz que Noruega é melhor lugar para se viver; Níger é o pior. Resumo: A Noruega continua sendo o lugar mais desejável do mundo para se viver, segundo dados divulgados pela ONU (Organização das Nações Unidas) nesta segunda-feira, em uma lista que coloca nos últimos lugares países flagelados por guerras e pela Aids, especialmente na África Subsaariana. Dados coletados antes da crise econômica mostram que os povos da Noruega, Austrália e Islândia têm o melhor padrão de vida, enquanto Níger, Afeganistão e Serra Leoa apresentam os piores resultados no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). A lista do Programa de Desenvolvimento da ONU (Pnud) usa dados de 2007 relativos a PIB per capita, educação e expectativa de vida, apontando fortes diferenças entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Apesar das significativas melhorias ao longo do tempo, o progresso tem sido desigual, disse nota do Pnud. Muitos países experimentaram reveses nas últimas décadas, diante de reviravoltas econômicas, crises relacionadas a conflitos e a epidemia de HIV/Aids, e isso foi antes que o impacto da crise econômica global fosse sentido. A expectativa de vida no Níger é de 50 anos, cerca de 30 a menos que na Noruega, segundo o índice. Em termos de renda per capita, a da Noruega é 85 vezes superior à do Níger. Os japoneses são o povo mais longevo (em média, 82,7 anos de vida), ao contrário do Afeganistão, onde a expectativa de vida, afetada pela guerra, é de apenas 43,6 anos. Nos 24 países mais pobres, metade da população é analfabeta. Nos países de médio desenvolvimento humano, a categoria seguinte na lista, esse índice já cai para 20 por cento. O pequeno principado de Liechtenstein tem o maior PIB per capita (85.383 dólares por ano), já que são 15 bancos e mais de cem firmas de gestão de capital em meio a apenas 35 mil habitantes. A menor renda per capita é a da República Democrática do Congo --US$ 298 por ano. Cinco países --China, Venezuela, Peru, Colômbia e França-- subiram três ou mais posições em relação ao ano anterior, graças a aumentos da renda e da expectativa de vida. China, Colômbia e Venezuela também tiveram melhoras graças a avanços educacionais. O Pnud, que publica o IDH anualmente desde 1990, disse que o desenvolvimento humano melhorou 15 por cento desde 1980, e que os maiores avanços foram registrados na China, no Irã e no Nepal. 05/10/2009 Manchete Três cientistas dos Estados Unidos venceram o Nobel de medicina ou fisiologia pela descoberta de como os cromossomos são copiados e protegidos contra a degradação, informou o instituto que concede o prêmio nesta segunda-feira. Elizabeth Blackburn, australiana de nascimento, Jack Szostak, britânico de nascimento, e Carol Greider conquistaram o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,42 milhão), informou o Instituto Karolinska. O instituto afirmou que os três cientistas resolveram um grande problema da biologia, ao determinarem como os cromossomos são copiados completamente durante a divisão celular e protegidos contra a degradação. O trio recebeu o prêmio por suas pesquisas sobre a telomerasa, uma enzima que protege os cromossomos contra o envelhecimento, explicou o comitê em seu comunicado.
  • 140.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 141 de 323 A descoberta pode ser a chave da juventude eterna, uma vez que a enzima determina não apenas o envelhecimento das células, mas também sua evolução no sentido do aparecimento de um câncer. Blackburn, que é cidadã americana e australiana, dá aula de Biologia na Universidade da Califórnia. Greider é professora do departamento de Biologia Molecular e Genética da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins. Já Szostak é membro da Escola de Medicina de Harvard desde 1979 e também é afiliado ao Instituto Médico Howard Hughes. Tradicionalmente a medicina é a primeira área a receber o prêmio Nobel todos os anos. Os prêmios de Física, Química e Literatura serão anunciados ainda nesta semana, enquanto o Nobel de Economia será divulgado na próxima segunda-feira. Os prêmios por conquistas nas áreas de ciência, literatura e paz foram entregues pela primeira vez em 1901, de acordo com a vontade do empresário e inventor da dinamite Alfred Nobel. 04/10/2009 Manchete Cantora Mercedes Sosa morre, aos 74 anos, em Buenos Aires. A cantora argentina Mercedes Sosa morreu hoje, aos 74 anos, no hospital em Buenos Aires onde estava internada há cerca de um mês. Sosa foi internada por conta de um problema hepático que piorou com complicações pulmonares. Nos últimos dias, ela respirava com a ajuda de aparelhos. O filho de Sosa, Fabián Matus, afirmou à imprensa argentina que o momento era de oração, mas que ainda tinha esperanças sobre a recuperação de sua mãe. Ela viveu plenamente seus 74 anos, fez praticamente tudo o que quis, não teve nenhum tipo de barreira nem medo. Viveu uma vida muito plena, que foi dolorosa, pelo exílio, disse. A cantora já havia sido hospitalizada em março deste ano, devido a um quadro de pneumonia e desidratação. A saúde frágil da cantora a impediu de lançar oficialmente seu álbum duplo Cantora, que traz participações de Caetano Veloso, Shakira e Joan Manuel Serrat, entre outros artistas. Com uma carreira de mais de quatro décadas, Mercedes Sosa foi uma das vozes mais representativas da música popular argentina e da América Latina. 02/10/09 Manchete: Rio transforma o sonho olímpico em realidade e conquista os Jogos de 2016. Resumo: Em uma sexta-feira histórica para o esporte brasileiro, candidatura carioca supera as rivais Madri, Tóquio e Chicago na disputa em Copenhague É impossível prever quais serão os maiores atletas do planeta daqui a sete anos. Possível, sim, é saber em que palco eles vão brilhar: o Rio de Janeiro. Em uma sexta-feira histórica para o esporte brasileiro, os cariocas conquistaram em Copenhague o direito de sediar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Até a cerimônia de abertura no Maracanã, serão mais de 2.400 dias. Tempo de sobra para viver intensamente cada modalidade, moldar novos ídolos e, acima de tudo, deixar a cidade ainda mais maravilhosa. Superadas as rivais Madri, Tóquio e Chicago, finalmente dá para dizer com todas as letras: a bola está com o Rio. Quando o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, abriu o envelope com os cinco anéis olímpicos e anunciou a vitória do Rio, foram duas explosões simultâneas de alegria. Na Praia de Copacabana, a multidão que aguardava o resultado soltou o grito e começou a comemorar sob uma chuva de papel picado.
  • 141.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 142 de 323 Dentro do Bella Center, os integrantes da delegação brasileira repetiram a festa de forma efusiva. Sem conter as lágrimas, Pelé comandava a celebração, abraçando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e os esportistas. Entre gritos e abraços, difícil era encontrar um brasileiro que não estivesse chorando. 02/10/2009 Manchete: Gripe A já matou 4.108 pessoas no mundo, diz OMS. Resumo: A gripe já infectou 343.298 pessoas no mundo todo e matou pelo menos 4.108, informou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados correspondem aos casos contabilizados até 27 de setembro. A agência das Nações Unidas destacou ainda que os números dizem respeito aos diagnósticos confirmados em laboratório, motivo pelo qual o total de casos pode ser maior. A América, com 3.020 mortes confirmads e 137.147 contágios, continua sendo a região mais afetada pela doença. Já no Pacífico Ocidental, foram contabilizadas 383 mortes e 96.197 casos. No Sudeste Asiático, a gripe A matou 413 pessoas e contaminou outras 33.594. Os dados mostram ainda que, na Europa, 176 pessoas morreram e outras 56.000 foram infectadas pela doença. Na área do Mediterrâneo oriental, 12.008 pessoas ficaram doentes e 74 morreram depois de contaminadas pelo vírus AH1N1. Por sua vez, a África registrou 42 mortes e 8.352 casos da doença. Segundo a OMS, a situação começou a voltar ao normal nas áreas temperadas do Hemisfério Sul - Chile, Argentina, Austrália, Nova Zelândia. Nas áreas tropicais da América, também foi identificada uma tendência de recuo em países como Brasil, Bolívia, Costa Rica, El Salvador, Panamá, Paraguai, Venezuela. Porém, o número de casos aumentou em nações como Cuba e Colômbia. Na Ásia, há uma tendência de alta em países como Índia e Camboja, embora os casos estejam diminuindo, de modo geral. Na América do Norte, a transmissão é ampla e se mantém mais elevada que a da gripe comum. Na Europa e na Ásia Ocidental, a transmissão se mantém baixa, menos no Reino Unido, na Irlanda e na França. 01/10/2009 Manchete: Terremoto na ilha indonésia de Sumatra matou mais de 460 pessoas, diz governo. Número de mortos na cidade de Padang pode subir a milhares. Na véspera, tremor seguido de tsunami abalou Samoa e Samoa Americana. Resumo: O terremoto que atingiu a costa da ilha de Sumatra, na Indonésia, nesta quarta-feira (30), matou mais de 460 pessoas, segundo novo balanço oficial divulgado pelo Ministério de Assuntos Sociais de Sumatra, nesta quinta-feira (1º). O governo, entretanto, admite que o número de vítimas fatais será ainda maior.
  • 142.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 143 de 323 Pensamos que morreram milhares de pessoas, disse o chefe da célula de emergência do Ministério da Saúde, Rustam Pakaya. O número de feridos já passa de 420, de acordo com o governo. Tsunami O tremor ocorre um dia depois de um forte terremoto seguido de tsunami ter atingido a região de Samoa Americana e Samoa, na Oceania, deixando ao menos 100 mortos. O abalo foi sentido em toda a região, e alguns edifícios comerciais altos de Cingapura, 440 km a nordeste, foram desocupados. O Serviço Geológico dos Estados Unidos apontou a magnitude do tremor como de 7,9, mas depois a revisou para 7,6, mesma magnitude apontada pela agência meteorológica da Indonésia. O epicentro do tremor foi a 50 km da costa da cidade de Padang. Um alerta regional de tsunami foi emitido, segundo o norte-americano Centro de Tsunamis do Pacífico, e retirado a seguir. A cidade de Padang, capital da província indonésia de Sumatra Ocidental, fica sobre uma das falhas geológicas mais ativas do mundo, parte do chamado Anel de Fogo do Pacífico. 18/09/2009 Manchete: Jovem que sobreviveu à raiva humana recebe alta no Recife. Segundo médicos, foi o primeiro caso de cura da doença no país. Ele foi levado para casa por ambulância. Resumo: Um adolescente de 16 anos recebeu alta médica de um hospital do Recife, nesta sexta-feira (18). Segundo os médicos, ele é o primeiro brasileiro que se curou da raiva humana. Uma ambulância do município de Floresta, onde vive a família, chegou à unidade de saúde logo cedo para fazer o transporte do paciente. O garoto contraiu a doença depois de ser mordido por um morcego, enquanto dormia. Ele estava internado na unidade de saúde desde outubro do ano passado e saiu da UTI em fevereiro deste ano, após mais de cem dias de tratamento. O pai deixou o trabalho para fazer companhia para o filho. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, ele teve algumas sequelas, não está andando, fala com dificuldade, mas vai continuar tendo acompanhamento médico. O paciente deve voltar à unidade de saúde em três semanas para nova avaliação e deve ser submetido a uma cirurgia ortopédica no quadril. O tratamento usado foi baseado Protocolo de Milwaukee, criado nos Estados Unidos em 2004. O hospital informa que foram usados antivirais, sedativos e anestésicos. 18/09/2009 Manchete: Famílias encolhem, brasileiro vive mais e fica mais pardo; país tem 5 milhões de mulheres a mais que homens. Resumo: Famílias menores, mais gente morando só e mais pessoas que se declaram de cor parda. Os brasileiros vivem cada vez mais, principalmente as mulheres, que ainda são maioria na população: há 5,1 milhões de mulheres (quase uma população do Paraguai, que é de 6 milhões de pessoas) a mais do que homens. Essas são algumas das conclusões da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A pesquisa serve como um retrato do Brasil em números. Uma boa notícia: o trabalho infantil caiu acentuadamente na faixa entre 5 e 13 anos de idade. Nesse período da vida, no qual o trabalho é considerado ilegal no Brasil, houve queda de 19,2% em um ano (de 2007 para 2008, ano em que a pesquisa divulgada hoje foi feita) na quantidade de crianças e adolescentes com ocupações remuneradas ou não remuneradas.
  • 143.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 144 de 323 Mas ainda há 993 mil crianças e adolescentes de 5 a 13 anos trabalhando no Brasil. O brasileiro está um pouco mais endinheirado. O rendimento médio dos brasileiros que têm ao menos um trabalho remunerado cresceu, em 2008, 1,7% acima da inflação e atingiu R$ 1.036, no quarto ano seguido de aumento. Em 2007, o valor estava em R$ 1.019. A média de renda vem aumentando pelo menos desde 2004, mas o ritmo de crescimento passou a diminuir a partir de 2006. No ano passado, a alta foi a menor desde 2005. O aumento da renda se reflete no acesso a bens de consumo. No Brasil, 82,1% das pessoas têm telefone. Sinal dos tempos modernos é o declínio da telefonia fixa: mais de 40% das casas de quatro regiões do Brasil têm apenas celular para fazer ligações. Computador é outro item que aparece em cada vez mais residências pelo país: já são 31,2% os domicílios com computador (um ano antes eram 26.5%), e 23,8% os que têm acesso à internet. Mas os números mostram que alguns problemas que parecem ser do passado persistem em pleno século 21: moradores 9,2 milhões de residências ainda dependem de poços, nascentes, carros-pipa ou da chuva para beber água, cozinhar e tomar banho. Já cerca de 2,2 milhões de casas não contam com nenhum tipo de escoamento para o esgoto. O índice de analfabetismo do país caiu pouco. O Brasil ainda tem 14,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais. Um em dez brasileiros com 15 anos ou mais não consegue ler ou escrever um bilhete simples. A taxa de analfabetismo divulgada neste ano na Pnad é de 10%, dado semelhante ao ano passado, quando a taxa ficou em 10,1%. 15/09/2009 Manchete: Ator Patrick Swayze é homenageado em Hollywood. Estrela na calçada da fama recebeu flores. Ator morreu na segunda-feira (14), aos 57 anos. Resumo: Fãs de Patrick Swayze, que morreu nesta segunda-feira (14), aos 57 anos, deixaram flores na estrela do ator na calçada da fama, em Hollywood. 02/09/2009 Manchete: Depressão será doença mais comum do mundo em 2030, diz OMS. Resumo: Dados divulgados nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, nos próximos 20 anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo câncer e doenças cardíacas. Segundo a OMS, a depressão será também a doença que mais gerará custos econômicos e sociais para os governos, devido aos gastos com tratamento para a população e às perdas de produção. De acordo com o órgão, os países pobres são os que mais devem sofrer com o problema, já que são registrados mais casos de depressão nestes lugares do que em países desenvolvidos. Atualmente, mais de 450 milhões de pessoas são afetadas diretamente por transtornos mentais, a maioria delas nos países em desenvolvimento, segundo a OMS. As informações foram divulgadas durante a primeira Cúpula Global de Saúde Mental, realizada em Atenas, na Grécia. Os números da OMS mostram claramente que o peso da depressão (em termos de perdas para as pessoas afetadas) vai provavelmente aumentar, de modo que, em 2030, ela será sozinha a maior causa de perdas (para a população) entre todos os problemas de saúde, afirmou o médico Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde Mental da OMS. Ainda segundo Saxena, a depressão é mais comum do que outras doenças que são mais temidas pela população, como a Aids ou o câncer. Nós poderíamos chamar isso de uma epidemia silenciosa, porque a depressão está sendo cada vez mais diagnosticada, está em toda parte e deve aumentar em termos de proporção, enquanto a (ocorrência) de outras doenças está diminuindo.
  • 144.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 145 de 323 Pobres Segundo o médico, os custos da depressão serão sentidos de maneira mais aguda nos países em desenvolvimento, já que eles registram mais casos da doença e têm menos recursos para tratar de transtornos mentais. Nós temos dados que apontam que os países mais pobres têm (mais casos de) depressão do que os países ricos. Além disso, até mesmo as pessoas pobres que vivem em países ricos têm maior incidência de depressão do que as pessoas ricas destes mesmos países, afirma Saxena. A depressão tem diversas causas, algumas delas biológicas, mas parte dessas causas vem de pressões ambientais e, obviamente, as pessoas pobres sofrem mais estresse em seu dia-a-dia do que as pessoas ricas, e não é surpreendente que elas tenham mais depressão. Segundo o médico, o aumento nos casos de depressão e os custos econômicos e sociais da doença tornam mais urgentes uma mudança de atitude em relação ao problema. A depressão é uma doença como qualquer outra doença física, e as pessoas têm o direito de ser aconselhadas e receber o mesmo cuidado médico que é dado no caso de qualquer outra doença. 02/09/2009 Manchete: Envelhecimento da população e menor fecundidade são desafio para sistema de saúde, aponta IBGE. Resumo: Com o ritmo de crescimento populacional menor e a expectativa de vida maior, o Brasil terá de enfrentar novos desafios na saúde pública. Segundo um estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado nesta quarta-feira (2), os idosos consomem mais recursos de sistema de saúde devido às internações mais frequentes, ao maior tempo de ocupação do leito e às várias patologias que os afetam. O estudo mostra que, hoje, as doenças crônicas atingem 75,5% dos idosos - na faixa etária de 0 a 14 anos, a proporção cai para 9,3%. As principais causas de morte para pessoas acima de 60 anos são as doenças circulatórias, respiratórias e os tumores. EVOLUÇÃO DA EXPECTATIVA DE VIDA NO BRASIL 1900 33,7 anos 1910 34,1 anos 1920 34,5 anos 1930 36,5 anos 1980 62,5 anos 1991 66,9 anos 2000 70,4 anos 2005 72,1 anos Fonte: IBGE O custo de internação per capita aumenta com a idade: um paciente entre os 60 e os 69 anos custa ao sistema de saúde R$ 63. Dos 80 anos em diante, o valor sobe para R$ 179. Além disso, somente 29,4% dos idosos têm plano de saúde particular. A esperança de vida do brasileiro ao nascer atingiu os 72 anos em 2005. Já a taxa de fecundidade chegou a dois filhos por mulher em 2006 - para se ter uma ideia das mudanças ocorridas na sociedade nas últimas décadas, em 1980 este indicador apontava 4,4 filhos por mulher. Para este estudo, o IBGE analisou indicadores de população e de saúde de 1960 a 2005, incluindo as estimativas para 2006. Saúde infantil Junto com a queda na taxa de fecundidade, caiu também a mortalidade infantil nas últimas décadas. As doenças infecciosas e parasitárias perderam importância nas mortes de
  • 145.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 146 de 323 crianças, e aumentou a proporção de complicações relacionadas a enfermidades que surgem antes ou depois do parto. O dado do IBGE mostra que o crescimento da rede de saúde ainda precisa se expandir para atender as gestantes, diz o estudo. A proporção de mães que tiveram assistência pré-natal subiu de 43,7% para 54,5% entre 2000 e 2006, e a proporção de mulheres que não realizaram nenhuma consulta caiu de 4,7% para 2,1%. No entanto, em Estados mais afastados, o índice de mulheres que procuram fazer o pré-natal é bem menor à média nacional. No Amapá, somente 23,6% das mulheres grávidas passaram por sete ou mais consultas e 9,6% não passaram por nenhuma consulta em 2006. No Acre, que também é um dos Estados com maior número de nascimentos em domicílios, 11,1% das mães não tiveram nenhuma consulta pré-natal. Para se ter uma ideia, em São Paulo e no Paraná, mais de 70% das mulheres passaram por sete ou mais consultas. 02/09/2009 Manchete: IBGE: nº de filhos cai para 3 por mãe com pouco estudo. Resumo: Dados da pesquisa Indicadores Sociodemográficos e de Saúde no Brasil, divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que as mulheres com menos escolaridade apresentam taxas de fecundidade mais elevadas. Segundo o estudo, porém, essa tendência vem declinando. Entre 1970 e 2005, houve queda acentuada na taxa de fecundidade total das mulheres com até três anos de estudo, que passou de 7,2 filhos para três filhos. Com isso, a diferença no número de filhos entre as primeiras e as mães com pelo menos 8 anos de estudo caiu de 4,5 filhos por mulher, em 1970, para 1,6 filho em 2005. Desde 1980, as mulheres mais instruídas começaram a ter taxas de fecundidade total abaixo do nível de reposição, sendo que, em 2005, esse valor situava-se em 1,4 filho. Em todos os Estados do País, as mulheres com oito anos ou mais de escolaridade apresentam taxas de fecundidade total abaixo do nível de reposição. As taxas mais baixas se encontram nos Estados do Centro-Sul, onde a transição da fecundidade começou antes da dos Estados do Norte e Nordeste. O Amapá é o Estado no qual a diferença é maior e também onde a fecundidade de mulheres com menos de três anos de estudo é a mais alta: são 4,5 filhos para mulheres com pouca instrução, numa diferença de 2,7. Já Sergipe, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentam a menor taxa de fecundidade em mulheres com mais de oito anos de escolaridade: 1,3. 01/09/2009 Manchete: Morre o ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Alberto Direito. Resumo: O ministro morreu na madrugada desta terça-feira, no hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde estava internado por complicações no pâncreas. Natural de Belém (PA) e bacharel e doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ), ele completaria 67 anos no próximo dia 8. Data: 17/07/2009 Manchete: Multa inicial por descumprimento da lei antifumo chegará a R$ 1.585 em SP. Resumo: Resolução sobre a lei foi publicada nesta sexta-feira (17) no Diário Oficial. O valor mínimo da multa que pode ser aplicada é de R$ 792,50.
  • 146.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 147 de 323 A multa inicial pelo desrespeito à lei antifumo ficará entre R$ 792,50 e R$ 1.585, de acordo com resolução publicada nesta sexta-feira (17) no Diário Oficial do Estado. Na segunda irregularidade, a cobrança será dobrada e, na terceira autuação, o estabelecimento comercial poderá ser totalmente interditado por 48 horas. Caso volte a desrespeitar a lei, as outras interdições serão por 30 dias. A lei antifumo entra em vigor no dia 7 de agosto. Pela nova determinação, não será mais permitido fumar nas áreas comuns de uso coletivo. O governo determinou que as multas iniciais aplicadas pelo Procon e pelo Centro de Vigilância Sanitária devem variar entre 50 e 100 Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), cujo valor em 2009 é de R$ 15,85. A resolução publicada nesta sexta-feira (17) detalha o que são considerados recintos de uso coletivo: “aqueles total ou parcialmente fechados em qualquer dos seus lados por parede, divisória, teto ou telhado, ainda que provisórios, onde haja permanência ou circulação de pessoas”. Os responsáveis pelos estabelecimentos terão que fixar um aviso alertando os frequentadores do local sobre a regra. Este aviso deve seguir um modelo publicado no Diário Oficial. Entre os recintos onde não será mais permitido fumar, estão “os ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de culto religioso, de lazer, de esporte ou de entretenimento, áreas comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, praças de alimentação, hotéis, pousadas, centros comerciais, bancos e similares, supermercados, açougues, padarias, farmácias e drogarias, repartições públicas, instituições de saúde, escolas, museus, bibliotecas, espaços de exposições, veículos públicos ou privados de transporte coletivo, viaturas oficiais de qualquer espécie e táxis.” Briga na Justiça O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) revogou duas decisões contrárias à lei que haviam sido obtidas por entidades. Uma da Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi) e outra da Federação dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo (Fhoresp). As duas ações impetradas pelas entidades tinham o mesmo objeto, ou seja, buscavam suspender a eficácia da lei antifumo, restabelecer fumódromos e tirar dos empresários do setor a responsabilidade pela obediência dos clientes à lei. Data: 06/07/2009 Manchete: UE alerta para 2ª onda de gripe suína na Europa; criança morre em Londres. Resumo: Com mais de dez casos de gripe suína confirmados na União Europeia (UE), a organização alertou seus 27 países membros que devem se preparar para uma segunda onda do vírus A (H1N1) que pode ser ainda mais mortal que a primeira. O alerta veio no mesmo dia em que uma criança britânica de 9 anos se tornou a quinta vítima da gripe A (H1N1) no Reino Unido. Segundo o Ministério de Saúde da Suécia, país que tem a Presidência rotativa do órgão, há risco de que o vírus possa sofrer mutação e se espalhar rapidamente a medida que diversas escolas europeias reabrem suas portas após as férias de verão. A ministra sueca, Maria Larsson, fez as declarações durante uma reunião de ministros de Saúde da UE, na Suécia. Nós temos que nos planejar para o pior, e esperar o melhor, disse Larsson a repórteres, antes de uma conferência em Jonkoping, no sul da Suécia. Nós deveríamos estar preparados para lidar não apenas com uma forma leve de gripe suína, mas com uma mais forte, disse.
  • 147.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 148 de 323 A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma em relatório divulgado nesta segunda-feira que 429 pessoas morreram de gripe suína e mais de 94.400 foram infectadas pelo vírus em todo o mundo. Especialistas temem, contudo, que o número de infectados possa ser ainda maior. A agência de controle de doenças da UE afirma que quase 10.300 casos da doença foram confirmados na Europa, incluindo cerca de 7.500 no Reino Unido, o país mais afetado pelo vírus A (H1N1) no continente. A OMA registra, oficialmente, três mortes no Reino Unido e uma na Espanha. Data: 06/07/2009 Manchete: Chega a 60 número de mortos pela gripe suína na Argentina. Resumo: A Argentina confirmou neste domingo que chegaram a 60 as mortes pelo vírus Influenza A (H1N1), causador da gripe suína. O país continua com o maior número de mortes na América do Sul, enquanto o governo ainda se esforça para conter o avanço da doença. Nesta sexta-feira, o ministro da Saúde Juan Manzur assustou o mundo ao afirmar que o número de casos de infecção da doença poderiam passar dos 100 mil --mais do que todos os casos registrados no mundo pela OMS (Organização Mundial da Saúde), de 89.921 pessoas afetadas. Oficialmente, o governo confirma 2.485 doentes. Em meio à dispersão da doença, que já deixou 2.485 doentes, Manzur anunciou que o país vai unificar os critérios e protocolos para tratar a gripe suína. Segundo ele, o governo já começou a distribuir remédios para todos os casos da doença, em todas as províncias. O plano inicial é distribuir 300 mil doses, mas já na semana que vem, o governo argentino diz que estará pronto para 500 mil doses adicionais. Vamos unificar os critérios e o protocolo de tratamento, para que, ante uma suspeita da gripe A, todos possam atuar de uma mesma maneira, afirmou o ministro, de acordo com o jornal Clarín. Citando fontes do Ministério da Saúde, o jornal diz que o país teve 65 mortes desde o começo de maio. A Argentina está cada vez mais paralisada pela expansão da gripe suína, com uma chuva de suspensões de todo tipo de atividades oficiais, culturais, educativas e esportivas e a decisão de alguns municípios de se manter de portas fechadas por causa da doença. Segundo o periódico, essas paralisações são inúteis porque há uma ausência total de medidas conjuntas e coordenadas a respeito dos espaços públicos e das atividades que reúnam muitas pessoas. Isso ocorre tanto na região metropolitana de Buenos Aires quanto nas províncias --umas decretaram situação de emergência, mas outras não. Enquanto se fecha uma lanchonete por não respeitar a distância entre as mesas, a poucos quilômetros daqui tudo transcorre como quando não havia a nova gripe, diz o jornal. Foi criado um clima maluco. Os municípios parecem competir entre si, como se o que fecha mais lugares fosse o melhor, afirma o infectologista Héctor Laplumé. Hoje, o ministro se reunirá com os ministros de Saúde provinciais para analisar a situação em cada uma das regiões, avaliar o diagnóstico de situação exato e ter um relatório técnico pormenorizado da curva epidemiológica da doença. Gripe no mundo O mais recente balanço da OMS, divulgado na sexta, registrou que pessoas de 125 países e territórios já contraíram a gripe suína. Em 382 casos, os pacientes morreram. No dia 11 de junho, a organização anunciou que a doença atingiu o nível de pandemia (epidemia generalizada), devido à ampla distribuição geográfica do vírus. O ministro da Saúde do Brasil, José Gomes Temporão, afirmou ontem que mais 19 casos de gripe suína foram confirmados no Brasil. Com isso, o número de pessoas infectadas sobe para 756. De acordo com o governo, a maioria dos infectados no país, desde 8 de maio, já
  • 148.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 149 de 323 recebeu alta ou está em processo de recuperação. A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal. Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório. Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos). Data: 28/06/2009 Manchete: Ministro confirma 1ª morte por gripe suína no Brasil. Resumo: O ministro da Saúde confirmou a primeira morte causada pela gripe suína no Brasil. Segundo José Gomes Temporão, a vítima foi um gaúcho de 29 anos que foi infectado pelo vírus na Argentina e que faleceu na manhã deste domingo. O ministro afirmou também que foram confirmados mais 36 casos da doença. O número de pessoas infectadas no País sobe, então, para 627 pessoas. Os números referem-se a informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde até as 14h deste domingo. A vítima fatal esteve na Argentina por sete dias. Os sintomas começaram dia 15 de junho, ainda durante a estadia. No dia 19, voltou ao Brasil e foi internado em hospital de referencia em 20 de junho, onde teve o diagnostico positivo, com confirmação laboratorial de influenza A (H1N1). No dia 23, o paciente teve piora do quadro respiratório, que evoluiu para insuficiência respiratória. Mesmo devidamente assitido com todos os cuidados intensivos, o paciente morreu hoje pela manhã. Além da morte anunciada hoje, o Ministério da Saúde acompanha mais um caso de um paciente que expira cuidados, disse o ministro. Segundo o secretário de Vigilância na Saúde, Gerson Penna, se trata da moradora de São Gabriel (RS) de 14 anos que está internada na UTI do Hospital Universitário de Santa Maria. O estado de saúde dela felizmente vem melhorando. Tivemos um contato hoje com o hospital e ela está melhorando, diferentemente do que tínhamos noticiado antes, afirmou Penna. Segundo Temporão, a morte de um americano é investigada no Rio Grande do Sul. Apesar de a Secretaria Estadual da Saúde informar que não há evidências de que o homem estivesse infectado, exames ainda devem determinar se o paciente realmente não estava com o vírus da gripe suína. O ministro, contudo, disse que a letalidade do vírus é pequena, e está em queda. Há um percepção em todo o mundo neste momento de uma queda da letalidade do vírus, disse. Temporão falou também que, nas primeiras semanas no início da transmissão, havia registro de 2% de letalidade (...) agora se aproxima de 0,4% o que indica que a letalidade está menor. O ministro afirmou também que, apesar da baixa letalidade, como se trata de uma nova doença e como não há garantia de como vai ser o comportamento do vírus, deve-se manter a vigilância. É um momento difícil, claro, estamos comunicando o primeiro óbito, mas reafirmo que isso não muda em nada a nossa estratégia. (...) Quero reiterar que o Ministério da Saúde tem feito tudo que é necessário para conter a doença, para evitar que outros óbitos ocorram. Quero destacar que esse fato de hoje não muda em nada estratégia do governo brasileiro, vamos continuar seguindo a mesma linha traçada de conversão, tentando impedir que o vírus circule no País, disse Temporão.
  • 149.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 150 de 323 Gripe suína O Ministério da Saúde informou os casos confirmados ocorreram nos Estados de São Paulo (14), Rio de Janeiro (6), Rio Grande do Sul (5), Distrito Federal (5), Pernambuco (3), Goiás (2) e Tocantins (1). Esse número inclui os casos informados ao ministério pelos três laboratórios de referência para diagnostico da influenza - Fundação Oswaldo Cruz (RJ), Instituto Evandro Chagas (PA) e Instituto Adolfo Lutz (SP) - e pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Até 25 de junho, o Ministério da Saúde acompanhava 477 casos suspeitos no País. As amostras com secreções respiratórias dos pacientes estão em análise laboratorial. Outros 782 casos foram descartados. Na Argentina, onde o caminhoneiro teria sido infectado, a doença havia deixado, até a sexta-feira, pelo menos 26 vítimas fatais. O número de contagiados pela doença era de 1.587, segundo as fontes oficiais argentinas. Até o momento, 114 países têm casos confirmados e divulgados da doença, de acordo com informações dos governos ou da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo a OMS, além dos Estados Unidos, México, Canadá, Austrália, Chile e Argentina, o Reino Unido também é considerado um país com transmissão sustentada. Data: 25/06/2009 Manchete: Morte de Michael Jackson. O rei do pop tinha 50 anos. Resumo: Ele teve uma parada cardíaca nesta quinta (25/06/2009) na Califórnia e não resistiu. O 'rei do pop', o cantor Michael Jackson, morreu nesta quinta-feira (25), em Los Angeles, no estado americano da Califórnia, após ser socorrido e levado a um hospital com uma parada cardíaca. Ele tinha 50 anos e estava preparando uma última temporada de shows. Data: 16/05/2009 Manchete: OMS aumenta casos de gripe suína para 8.451. Resumo: A OMS (Organização Mundial de Saúde) anunciou neste sábado novo balanço da gripe suína no mundo, com 8.451 casos da doença, denominada oficialmente gripe A (H1N1), em 36 países. O balanço aponta ainda 72 mortes pelo vírus. Com isso, o número de casos oficialmente confirmados pela OMS saltou em quase mil em apenas um dia, já que na manhã de ontem o organismo registrava 7.520 casos. O México, considerado epicentro da doença, tem agora 2.895 casos, aumentando em mais de 400 de ontem para hoje, e 66 mortes --seis a mais em relação a sexta-feira. Os EUA, que passaram o México no posto de país com maior número de casos ao longo desta semana, agora registra 4.714 infectados, incluindo quatro mortes. O Canadá segue como o terceiro país com maior número de infectados, agora com 496 casos. O país mantém ainda o registro de uma vítima da doença. A Costa Rica também tem uma morte por gripe suína e nove casos confirmados. De ontem para hoje, mais dois países entraram na lista de casos confirmados: Equador e Peru, com um infectado em cada. A organização lista ainda outros casos da doença na Argentina (1), Austrália (1), Áustria (1), Bélgica (2), Brasil (8), China (4), Colômbia (11), Cuba (3), Dinamarca (1), El Salvador (4), Finlândia (2), França (14), Alemanha (14), Guatemala (3), Irlanda (1), Israel (7), Itália (9),
  • 150.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 151 de 323 Japão (4), Holanda (3), Nova Zelândia (9), Noruega (2), Panamá (43), Peru (1), Polônia (1), Portugal (1), Coreia do Sul (3), Espanha (100), Suécia (2), Suíça (1), Tailândia (2), e Reino Unido (78). Os números da OMS não incluem ainda os casos confirmados em mais dois países durante a madrugada deste sábado na Índia e na Turquia. Data: 12/05/2009 Manchete: Saúde revê números e diz que Brasil tem 32 casos suspeitos de gripe suína; há 8 confirmados . Resumo: O Ministério da Saúde confirmou na tarde desta terça-feira que o Brasil tem 32 casos suspeitos de gripe suína --ontem eram 22. O país tem oito casos confirmados da doença. Mais cedo, em audiência pública no Senado, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, informou que eram 34 os casos suspeitos. A assessoria do ministério informou que, após a declaração, dois casos foram descartados --com isso chega a 168 o número de casos desconsiderados. Os casos confirmados da doença estão no Rio de Janeiro (3), São Paulo (2), Minas Gerais (1), Rio Grande do Sul (1) e Santa Catarina (1). Dos oito, seis tiveram vínculo de viagens internacionais e dois autóctones (contaminados dentro do território nacional). Além dos casos confirmados e suspeitos, há 29 casos monitorados em dez Estados. Contágio Um estudo aponta que a gripe suína pode atingir uma em cada três pessoas no mundo, diz estudo. Outro estudo, publicado pela revista Science, aponta que o vírus da gripe suína parece se transmitir mais facilmente do que o da gripe comum. De acordo com os pesquisadores, que verificaram o padrão de disseminação da doença, o vírus A (H1N1) deve ter afetado pelo menos 23 mil mexicanos até o final de abril. A taxa de letalidade deve ser de quatro casos por mil --severidade menor do que a da pandemia de 1918. Ontem o Ministério da Saúde negocia a compra de mais 800 mil medicamentos prontos para a combater a gripe suína. Atualmente, o país tem matéria-prima para produzir medicamentos para o tratamento de até 9 milhões de pacientes contaminados. Relatório mais recente divulgado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) aponta 5.251 casos da doença em 30 países. Data: 12/05/09 Manchete: Vírus da nova gripe ainda pode sofrer mutação e causar pandemia, diz OMS. Resumo: Impacto poderia ser devastador em países com sistema de saúde frágil. Número de casos da doença passa de 5.000 pelo mundo, com 61 mortes. O novo vírus H1N1 ainda pode passar por mutações que o tornariam mais virulento e gerariam uma pandemia de gripe que poderia dar até três voltas no planeta, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira (12). O impacto da eventual pandemia seria variável, já que um vírus que causa apenas sintomas brandos em países com sistemas de saúde sólidos pode se tornar devastador nos países
  • 151.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 152 de 323 com carência de hospitais, medicamentos e profissionais da saúde, segundo a OMS. A nova doença, popularmente chamada de gripe suína, parece ser mais contagiosa do que a gripe sazonal, e quase toda a população mundial não tem imunidade contra ela, segundo documento divulgado durante a noite pela OMS, sob o título Avaliando a gravidade da pandemia de influenza. Data: 08/05/2009 Manchete: Chuva no Nordeste causou prejuízo de R$ 1 bi, diz ministro. Resumo: A chuva que atinge o Nordeste causou prejuízo de cerca de R$ 1 bilhão. O balanço, baseado em informações preliminares repassadas pelos Estados, foi apresentado nesta sexta-feira pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, durante o 10° Fórum de Governadores do Nordeste. Pelo menos 35 pessoas morreram por causa das enchentes na região. Mais chuva A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, informou nesta quinta-feira que chega a 796.878 o número de pessoas afetadas pelas chuvas fortes e enchentes em dez Estados. Segundo o órgão, 31 pessoas morreram em decorrência dos desastres no Ceará (12), Maranhão (9), Amazonas (5) Alagoas (4) e Santa Catarina (1). Segundo o balanço, o excesso de chuva atingiu 283 municípios localizados nos Estados do Ceará, Maranhão, Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia, Alagoas, Amazonas, Pará e Santa Catarina. No Nordeste, o Ceará é o Estado que tem o maior número de municípios atingidos (69), seguidos pelo Maranhão (64), Piauí (33), Paraíba (19), Rio Grande do Norte (15), Bahia (4) e Alagoas (3). São 220.002 cearenses vitimados, de alguma forma pelas enchentes, enxurradas e desabamentos. Destes, 42.721 estão desabrigados ou desalojados. No Piauí e no Rio Grande do Norte, a chuva afetou a vida de 59.745 e 44.193 pessoas, respectivamente. Na região Norte, é no Estado do Amazonas onde se encontra o maior número de municípios atingidos, 38, com 265.958 pessoas afetadas. Segundo dados da Defesa Civil, 44.609 estão desalojados e 9.629 desabrigados. No Estado do Pará são 28 municípios atingidos e 25.985 pessoas afetadas direta ou indiretamente pela chuva. A Defesa Civil do Pará registrou no fim de semana que a cheia levou o rio Tapajós ao maior nível de todos os tempos. O rio atingiu 8,94 m, 34 cm a mais do que em 2006, quando chegou a 8,6 m, considerada a maior marca até então. Em Santa Catarina, os danos causados pela chuva atingiram dez municípios e uma população de 3.550 pessoas. Data: 29/04/2009 Manchete: OMS eleva para 5 nível de alerta por gripe suína. Resumo: A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou, nesta quarta-feira, para cinco (pandemia iminente) o nível de alerta pela gripe suína. O anúncio foi feito pela diretora-geral da organização, Margaret Chan. A aparição de casos de pessoas contaminadas e que não estiveram no México - onde surgiu o vírus - foi o que motivou a organização a elevar o alerta ao nível cinco em uma escala que vai até seis. De acordo com a OMS, a transmissão de pessoa para pessoa está acontecendo em pelo menos dois países. Toda a humanidade está sob a ameaça de uma pandemia, disse Chan, que fez uma chamada a governos, indústrias farmacêuticas e comunidade de negócios para que unam
  • 152.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 153 de 323 seus esforços e recursos a fim de enfrentar esta crise. O responsável da OMS lembrou que os vírus da gripe são conhecidos por serem imprevisíveis e disse que uma pandemia com o atual vírus pode ser com doença desde leve até muito severa. Chan também afirmou que uma pandemia será muito mais devastadora e grave nos países em desenvolvimento e com menos recursos. A decisão de ativar o nível cinco de alerta significa que as ações dos governos devem passar da preparação à resposta em nível global, para tentar reduzir o impacto na sociedade. Segundo o guia que a própria instituição distribuiu entre seus Estados-membros, esta decisão implica em que se deve intensificar da fase de preparação à das ações, tanto para os países que já tiverem casos confirmados quanto os que ainda não. Após iniciado o comitê de emergência de cada país, segundo a OMS, o principal é ter bem abastecida a rede de distribuição de remédios ou tratamentos disponíveis. Além disso, os países devem avaliar de forma completa se precisam de ajuda externa, e solicitá-la se for necessário, para ajudar não só a própria população, mas evitar que a pandemia se estenda aos países vizinhos. Em nível de laboratório, também é importante que se comprove se houve mudanças genéticas nos vírus, com base nas amostras dos pacientes infectados. Diante dos cidadãos, o país deveria conseguir que se minimizem os níveis de interação fora de casa e, sobretudo, conseguir que, em caso de sinais de gripe, a pessoa seja isolada o mais rápido possível. Os países que ainda não estiverem afetados pela pandemia precisam também ativar um comitê de crise que esteja preparado para distribuir as vacinas e aplicar as medidas necessárias para contê-la. Mas, especificamente, a OMS não recomenda o fechamento das fronteiras para as pessoas e mercadorias, as desinfecções generalizadas, o uso de máscaras para as pessoas que estiverem saudáveis, a restrição de viagens no interior do país, a não ser que a zona de infecção esteja muito delimitada. A OMS disse que deve impulsionar a assistência para aqueles países severamente afetados e para os países pobres que não puderem conter a pandemia. Além disso, a agência coordenará as ações das diversas instituições internacionais e controlar a expansão da doença e as possíveis mudanças geradas pelo vírus. Também, caso seja encontrada uma vacina, a OMS deverá promover sua produção e, sobretudo, maciças campanhas de vacinação. Gripe Suína Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a gripe suína é causada por uma variante do vírus influenza tipo A, que porta a designação H1N1. O órgão teme uma pandemia caso o vírus sofra uma nova mutação que torne os humanos incapazes de combater a doença, por falta de anticorpos. A gripe suína teria matado mais de 150 pessoas no México, país mais afetado pelo surto, onde cerca de 2 mil pessoas estariam infectadas. No entanto, autoridades sanitárias do país confirmaram apenas 49 casos e 7 mortes relacionadas ao vírus AH1N1. Nos EUA, até o momento foram confirmados 91 casos de pessoas com gripe suína; uma pessoa morreu. Com suspeita de contaminação, 30 pessoas no Brasil são monitoradas pelo Ministério da Saúde. Data: 25/04/2009 Manchete: EUA dizem que nova gripe se espalhou e não pode ser contida. Resumo: Um novo vírus da gripe se espalhou extensamente e não pode ser contido, confirmou o Centro para Controle e Prevenção dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês)
  • 153.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 154 de 323 neste sábado. Está claro que isto está muito espalhado. E é por isso que temos que informá-los que não podemos conter o avanço do vírus, disse a repórteres a dra. Anne Schuchat, do CDC, durante teleconferência. Anne completou: É preciso estar preparado para o pior. A situação é muito séria e estamos muito preocupados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os surtos de gripe suína no México e nos Estados Unidos têm o potencial para causar uma pandemia mundial, mas ainda é cedo para afirmar se isso vai ocorrer. Ela tem potencial de pandemia porque está infectando pessoas, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. Os países que ainda não foram atingidos devem aumentar sua vigilância, advertiu. Suspeita-se que o surto da gripe suína tenha matado até 68 pessoas no México e infectado mais de 1.000. Oito casos foram confirmados nos EUA: seis na Califórnia e duas no Texas, de acordo com a CDC. Data: 25/04/2009 Manchete: México adota medidas drásticas para controlar gripe suína. Enquanto no México escolas são fechadas e missas são suspensas, no Japão, os aeroportos se previnem contra a doença analisando a temperatura dos passageiros. Resumo: O governo do México anunciou neste domingo algumas medidas drásticas para tentar controlar o surto de gripe suína que já matou 81 pessoas. A Organização Mundial de Saúde anunciou, no sábado, que a nova variedade do vírus identificada no México é grave e tem o potencial de virar pandemia. Além disso, a OMS classificou o surto da doença como uma emergência de saúde pública internacional. Segundo as novas medidas do governo, as escolas da capital, Cidade do México, e de outros dois Estados permanecerão fechadas por duas semanas. Além disso, todos os eventos públicos, inclusive as missas e as partidas de futebol deste domingo, foram cancelados. Cerca de 70% dos bares e restaurantes da capital também foram fechados. O governo recomenda que a população evite cumprimentos com as mãos e a Embaixada dos Estados Unidos aconselhou visitantes a permanecerem a pelo menos 1,8 metros de distância de outras pessoas. As autoridades de saúde do México também foram autorizadas a isolar pessoas contaminadas, caso seja necessário. O ministro da Saúde do México, José Córdova, afirmou que um total de 1,3 mil pessoas foram internadas com sintomas suspeitos da gripe suína desde o dia 13 de abril e que os pacientes estão sendo examinados. Preocupação internacional A epidemia de gripe suína se espalhou também para os Estados Unidos, onde 11 casos não-fatais da doença foram confirmados. Entre os casos americanos da doença sete pessoas foram contaminadas no Estado da Califórnia, duas no Texas e duas no Estado de Kansas. Em Nova York, o secretário de Saúde, Thomas Frieden, disse que exames preliminares conduzidos em alguns estudantes demonstraram também possíveis novos casos da doença.
  • 154.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 155 de 323 O ministro da Saúde da Nova Zelândia, Tony Ryall, disse que dez estudantes que voltaram recentemente do México podem estar infectados com o vírus, já que apresentaram resultados positivos no exame de influenza. A secretária da OMS, Margaret Chan, fez um apelo para que os governos ao redor do mundo fiquem em alerta. Trata-se de uma situação séria que deve ser observada atentamente, disse Chan, que interrompeu uma viagem a Washington para se reunir com um comitê especial em Genebra. Os vírus causadores das infecções em algumas partes do México e em algumas partes dos Estados Unidos são geneticamente iguais. Esta é uma variação do vírus H1N1 e tem potencial para causar uma pandemia, pois está infectando pessoas. No entanto, não podemos falar, baseados nas atuais provas de laboratório, epidemiológicas e clínicas, se teremos ou não uma pandemia, acrescentou. O vírus H1N1 é a mesma variedade que causa epidemias de influenza em humanos, mas a nova variante identificada no México contém material genético de versões da gripe que normalmente afeta porcos e pássaros. O vírus respitório - que infeta porcos e esporadicamente pode atingir humanos - é transmitido principalmente por espirros e tosses. Data: 24/04/2009 Manchete: Gripe suína mortal atinge o México e pode se espalhar. Variedade letal de gripe suína nunca antes vista já provocou 16 mortes. Governo recomendou à população evitar beijos e apertos de mão. Uma variedade letal de gripe suína nunca antes vista vem atingindo o México, onde já provocou pelo menos 16 mortes e suscita o temor de que esteja se espalhando pela América do Norte. Resumo: A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que está preocupada com o que chamou de 800 casos semelhantes a gripe no México e também com um surto confirmado de uma nova variedade de gripe suína nos Estados Unidos. A entidade anunciou na sexta-feira (24) que convocará um encontro de emergência para discutir o assunto. Foram canceladas as aulas de milhões de alunos na capital mexicana, Cidade do México, e áreas vizinhas na sexta-feira, depois de as autoridades terem observado um número de mortes acima do normal nas últimas semanas por doenças semelhantes à gripe. É um vírus suíno que sofreu uma mutação e em algum momento foi transmitido a humanos, disse à rede Televisa o ministro da Saúde mexicano, José Angel Cordova. Cordova vinculou a doença no México a um novo tipo de gripe suína que já atingiu sete pessoas na Califórnia e no Texas. Ação política O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) disse que o vírus que se manifestou nos Estados Unidos é um misto nunca antes visto de vírus típicos de suínos, aves e humanos. Os sete pacientes norte-americanos se recuperaram. Uma autoridade do governo dos EUA disse que a Casa Branca está acompanhando de perto o aparecimento da gripe suína e que o presidente Barack Obama já foi informado. O governo mexicano recomendou à população evitar beijos e apertos de mão e também evitar compartilhar alimentos, copos e talheres, para não facilitar a transmissão da gripe. Prevenção A Cidade do México, que tem cerca de 20 milhões de habitantes e é uma das maiores do mundo, esteve mais calma que o normal na manhã de sexta-feira. Na ausência de ônibus escolares nas ruas e de pais levando seus filhos à escola de carro, o trânsito normalmente pesado estava menos caótico que o normal.
  • 155.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 156 de 323 Muitas pessoas que aguardavam para entrar nas estações de metrô usavam máscaras cirúrgicas protegendo seus rostos. O vírus é um vírus de gripe A designado como H1N1. Ele contém DNA típico de vírus aviários, suínos e humanos, incluindo elementos dos vírus suínos europeus e asiáticos, disse o CDC. A OMS disse que cerca de 60 pessoas já morreram da doença no México. O organismo da ONU sediado em Genebra disse que está em contato diário com as autoridades norte-americanas, canadenses e mexicanas e que ativou seu Centro de Operações de Saúde Estratégicas (SHOC), seu centro de comando e controle usado em eventos agudos de saúde pública. A vigilância e o escrutínio da gripe vêm sendo intensificadas desde 2003, quando a gripe aviária H5N1 reapareceu na Ásia. Especialistas temem que essa ou outras variedades possam desencadear uma pandemia que poderia provocar milhões de mortes. Data: 15/04/2009 Manchete: Consumidores já podem trocar plano de saúde sem perder a carência. Portabilidade dos planos começa nesta quarta-feira. Medida vale para os contratos fechados após janeiro de 1999. Resumo: Quem não estiver satisfeito com o plano de saúde já pode, desde esta quarta-feira (15), pedir a transferência para outra operadora sem perder a carência. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a portabilidade vale para os contratos fechados após janeiro de 1999. Para pedir a transferência, o consumidor precisa fazer parte do plano antigo há pelo menos dois anos e tem que estar em dia com os pagamentos. O período para fazer a mudança é restrito: ela só pode acontecer entre o mês de aniversário do contrato e o seguinte - ou seja, apenas dois meses a cada ano. É preciso que o plano escolhido tenha as mesmas características do antigo. Para ajudar o consumidor nessa escolha, a ANS publicou, em sua página na internet, um guia que traz os planos considerados similares. Se o consumidor atender aos requisitos, a operadora não poderá recusar o novo cliente. A operadora de saúde é obrigada a aceitar o cliente que cumprir todos os requisitos no prazo de até 20 dias. Se a empresa não der uma resposta para o consumidor neste período, ele será considerado aceito automaticamente. Mas é importante ressaltar que a portabilidade vale apenas para os consumidores que têm planos de saúde individuais e familiares. Hoje, a maioria dos planos é coletiva. Data: 14/04/2009 Manchete: SEMANA DOS POVOS INDÍGENAS. Resumo: O Brasil possui 230 povos indígenas e 180 línguas, com direito a quase 14% do território nacional. A diversidade indígena brasileira vai desde aqueles sem qualquer contato em pleno século 21, até as comunidades urbanas organizadas. Após a resolução do STF com 19 recomendações sobre a demarcação das terras indígenas, os indígenas analisam esse quadro, ao chamar para si as questões indígenas diante da incapacidade do Poder Executivo em cumprir sua missão constitucional e o Legislativo, em regulamentar os direitos indígenas da Constituição de 1988.
  • 156.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 157 de 323 Com o lema Posso ser o que você é, sem deixar de ser quem sou! a Semana dos Povos Indígenas deste ano tem destaque nacional em dois eventos: em Brasília, na sede do Memorial dos Povos Indígenas, com apoio do Governo do Distrito Federal e FUNAI e presença dos Fulni-O e Pankararu (PE), Pareci e Yawalapiti (MT): Dia 15 – Celebração espiritual ao Pôr-do-Sol, com o acendimento do Fogo Sagrado pelos Pajés Xavante e Kaiwá. Dia 19 - Celebração do Nascer do Sol com 300 jovens de Brasília e indigenas, com a leitura da mensagem indigena ao homem branco. Em Bertioga, litoral de São Paulo - Festival Nacional das Culturas Indígenas: Dia 18 - Celebração Indígena Guarani Dia 19 - Dia do Índio, com a presença de 600 indígenas de nove etnias, com mostras, seminarios e feiras. Data: 08/04/2009 Manchete: Número de mortos após terremoto na Itália chega próximo a 300. Resumo: Novo forte tremor abalou L'Aquila nesta terça e foi sentido em Roma. Há 1.000 feridos e 17 mil desabrigados, segundo a Defesa Civil Data: 07/04/2009 Manchete: Mais da metade dos trabalhadores mundiais está na informalidade, diz organização. Resumo: O número de pessoas trabalhando na informalidade --sem contrato nem seguridade social-- no mundo todo atingiu 1,8 bilhão, o que representa mais da metade da força de trabalho mundial, o que pode agravar a situação dos países mais pobres, segundo estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) divulgado nesta quarta-feira. Segundo o estudo Is Informal Normal? (A Informalidade é Normal?, em tradução livre), a crise financeira está jogando muitas pessoas para fora do mercado de trabalho e, nos países em desenvolvimento sem seguro-desemprego, elas são forçadas a ficar em empregos informais com baixos salários, sem proteção e expostas a riscos. Até 2020, segundo a OCDE, esse número deve crescer em um terço, mantidas as atuais projeções de crescimento populacional e das economias dos países, segundo o estudo. O avanço na informalidade pode ser maior, no entanto, se mais empregos forem perdidos em meio à crise econômica e mais migrantes voltarem a seus países de origem para empregos informais. Mesmo durante os bons tempos, com taxas sólidas de crescimento, em muitos países em desenvolvimento o emprego informal cresceu, disse Johannes Jutting, um dos autores do estudo. Embora a Índia tenha crescido ao longo da última década acima de 5 pontos percentuais ao ano, as pessoas lá sentem que não estão sendo criados melhores empregos. Segundo ele, nove em cada dez trabalhadores na Índia --cerca de 370 milhões de pessoas-- não têm seguridade social. O avanço do emprego informal no mundo pode acarretar menores salários nos países mais pobres, justamente os que dispõem de redes de proteção social mais precárias, diz o estudo --que destaca que as mulheres, que constituem a maioria dos trabalhadores na informalidade, sofrerão um forte impacto. Baixos salários e ausência de benefícios aumentam as chances de que as Metas do Milênio, de reduzir a pobreza mundial até 2015 não sejam atingidas, diz o estudo. Ações imediatas e não convencionais são urgentemente necessárias. O estudo pede um pacote abrangente de medidas que promovam a criação de empregos de boa qualidade não
  • 157.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 158 de 323 apenas no setor formal, mas também no informal. Melhorar a infraestrutura, desenvolver habilidades, promover reformas institucionais e o acesso dos negócios informais a mais recursos são elementos-chave nessa estratégia. Data: 06/04/2009 Manchete: Terremoto no centro da Itália deixa mais de 130 mortos. Mais de 130 pessoas morreram e 50.000 ficaram desabrigadas nesta segunda-feira em um dos terremotos mais graves registrado na Itália na última década, que destruiu casas, edifícios e igrejas da histórica cidade de L'Aquila, na região central do país e ao leste de Roma. Resumo: O balanço de mortos é grande, declarou o ministro do Interior, Roberto Maroni, à imprensa. Várias pessoas ainda estão desparecidas, de acordo com a polícia. A cidade medieval de L'Aquila fica a a 110 quilômetros de Roma. Boa parte dos monumentos artísticos, campanários e cúpulas foram parcialmente destruídos. Segundo estimativas da Defesa Civil, que coordena as operações de resgate, entre 40 e 50 mil pessoas estão desabrigadas pelo tremor. Elas serão transferidas para hoteis e barracas de campanha. A Defesa Civil anunciou ainda que mais de 10.000 casas e edifícios foram danificados pelo terremoto, registrado às 3h30 locais (22h30 de Brasília, domingo) na cidade de L'Aquila, capital da região montanhosa dos Abruzzos. O tremor de 6,2 graus, segundo o novo sistema de cálculo do momento, teve o epicentro a 8,8 km de profundidade. Data: 06/04/2009 Manchete: Lista de Schindler é encontrada na Austrália. A lista preparada pelo industrial alemão Oskar Schindler, que ajudou a salvar mais de mil judeus dos campos de concentração na Segunda Guerra, foi encontrada em uma biblioteca de Sydney, na Austrália, que não sabia que estava de posse do documento. Resumo: A lista foi encontrada em meio a notas de pesquisa e recortes de jornais alemães usados pelo escritor australiano Thomas Keneally, autor do livro A arca de Schindler, em que se baseou o filme A lista de Schindler, de Steven Spielberg. A biblioteca obteve a lista quando comprou o material de pesquisa de Keneally em 1996. A lista contém 13 páginas amareladas, onde estão escritos os nomes e nacionalidades de 801 judeus e foi descrita como um dos documentos mais poderosos do século 20. Ela salvou 801 vidas das câmaras de gás... é uma peça histórica incrivelmente tocante, disse a co-curadora da biblioteca Olwen Pryke. Segundo Pryke, nem a biblioteca nem o livreiro, de quem comprou o material, se deram conta de que a lista estava entre os documentos. A lista foi datilografada apressadamente em 18 de abril de 1945, ao fim da Segunda Guerra, e compilada por Oskar Schindler. Durante a Segunda Guerra, Schindler dirigiu uma fábrica na Cracóvia, Polônia, onde usou mão de obra judia. Horrorizado com a conduta dos nazistas ele conseguiu convencer oficiais de que seus funcionários eram essenciais para os esforços de guerra e não deviam ser enviados a campos de concentração. A lista foi entregue ao escritor australiano Thomas Keneally em uma loja em Los Angeles, quase 30 anos atrás, por uma das pessoas que Schindler ajudou a escapar, Leopold Pfefferberg.
  • 158.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 159 de 323 Pfefferberg queria que o escritor contasse a história da lista. Data: 02/04/2009 Manchete: 31% das brasileiras nunca fizeram uma mamografia. Resumo: Quase um terço das brasileiras com idade entre 35 e 65 anos nunca fez uma mamografia. É o que mostra um estudo feito pelo Datafolha a pedido da entidade sem fins lucrativos Femama, que ouviu mais de 1.800 mulheres em 17 capitais do país. O exame é pouco conhecido: ele foi citado por só 47% das entrevistadas como uma forma de detecção do câncer de mama; 80% citaram o autoexame e 12%, a ultrassonografia e o toque do médico. Segundo a pesquisa, 44% delas afirmaram realizar a mamografia pelo menos uma vez ao ano e 80%, já ter realizado o autoexame. Entre as que nunca fizeram nenhum exame (7%), a maioria citou como justificativa não ter percebido sintomas ou falta de indicação do médico. Descuido com a saúde, falta de hábito e preguiça em realizar o exame foram outras razões citadas. Data: 26/03/2009 Manchete: Dona da Daslu é condenada a 94,5 anos de prisão. Eliana Tranchesi, uma das sócias da Daslu, foi condenada a uma pena de 94,5 anos de prisão. Três anos são pelo crime de formação quadrilha, 42 pelo crime de descaminho consumado (importação fraudulenta de um produto lícito), 13,5 anos por descaminho tentado e mais 36 por falsidade ideológica. Resumo: De acordo com o procurador da República Matheus Baraldi Magnani, responsável pela acusação, as fraudes, somadas às multas e juros que não foram pagos, chegam a quase R$ 1 bilhão de reais. O objetivo aparente da quadrilha era não pagar imposto nenhum, afirmou o procurador. Magnani explicou que, mesmo com a lei dizendo que o réu não deve ficar solto até que se esgotem as suas possibilidades de recurso, o caso de Eliana Tranchesi é uma exceção. Dois fundamentos principais justificam sua prisão. Um deles é que na denúncia foi imputado o crime de organização criminosa e, judicialmente, nesse caso, o réu fica proibido de recorrer em liberdade. Era uma organização criminosa muito articulada e confiante na projeção social e no poder político, disse Magnani. Além disso, enquanto estava respondendo o processo, Eliana teria reiterado a prática criminosa, segundo o procurador, o que também justificaria sua prisão. Como a ação não atinge a empresa, a boutique Daslu não deve ser fechada. O procurador disse que, na sentença proferida pela juíza Maria Isabel do Prado, da 2º Vara Federal de Guarulhos, entre os motivos para justificar penas altas estão a cobiça e um gigantesco e bilionário esquema delinquencial. Os réus não precisavam disso, esse é um argumento muito forte. Eles poderiam continuar viajando para a Europa, andando em carros importados, sem ter praticado os crimes, afirmou Magnani. O irmão de Eliana, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, também pegou 94,5 anos de prisão. Foi preso ainda Celso de Lima, ex-diretor financeiro da Daslu, condenado a 53 anos. Ao todo, sete pessoas foram condenadas, entre elas Roberto Sakhouri Júnior, da importadora Todos os Santos. Ele pegou 11,5 anos de pena e no momento está viajando.
  • 159.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 160 de 323 Os outros três condenados não foram localizados, mas não são considerados foragidos. André de Moura Beukers, da importadora Kinsberg foi condenado a 25 anos. Christian Polo, da importadora By Brasil, pegou 14 anos de prisão. Outro condenado, Rodrigo Nardy Figueiredo, também da importadora Todos os Santos, foi condenado a 11,5 anos. Data: 24/03/2009 Manchete: Execuções aumentaram 90% no mundo em 2008, diz Anistia. Cerca de 2390 condenados à morte foram executados no mundo no ano passado, um aumento de 90% em relação a 2007, aponta relatório da organização não governamental Anistia Internacional, AI, divulgado nesta terça-feira. Resumo: O documento Penas de Morte e Execuções em 2008, que é publicado anualmente, revela que a China sozinha executou mais prisioneiros do que todo o resto do mundo, sendo responsável por 72% das mortes ocorridas no ano passado. O número de mais de 1718 prisioneiros mortos na China, no entanto, é uma estimativa independente, pois o Partido Comunista não divulga estatísticas sobre o assunto. Dentre os seis países que mais utilizam a pena capital, apenas os Estados Unidos revela números. As estimativas da Anistia para os outros países são construídas com base em informações coletadas junto à mídia local, grupos de direitos humanos e familiares de condenados. Após a China, os países que mais executaram prisioneiros foram Irã (346), Arábia Saudita (102), Estados Unidos (37), Paquistão (36) e Iraque (34). Juntos, estes seis países são responsáveis por 93% de todas as execuções. De acordo com dados da AI, em 2006 cerca de 1591 execuções ocorreram no mundo todo, enquanto em 2007 esse número caiu para 1252 pessoas, subindo para 2390 no ano passado. Apesar do aumento no número de execuções em 2008, a Anistia Internacional afirma que tendências apontam para um menor uso da pena de morte, pois das 59 nações que admitem a pena capital apenas 25 fizeram uso desse tipo de punição. A boa notícia é que execuções ocorrem em um pequeno número de países, o que mostra que estamos caminhando em direção a um mundo livre da pena de morte, disse Irene Khan, secretária-geral da organização. O relatório também sugere que nos Estados Unidos somente Estados conservadores do sul, como o Texas, ainda fazem uso extensivo desse tipo de punição. O Texas foi responsável por metade de todas as execuções (18 de 37) ocorridas nos Estados Unidos em 2008 e já executou outros 12 condenados somente em 2009, informou a AI. O relatório ainda destacou que Belarus é o único país da Europa e entre as ex-repúblicas soviéticas que ainda conduz execuções de pena de morte e que, apesar de não haver números oficiais, cerca de 400 prisioneiros foram mortos no país desde 1991. Data: 21/03/2009 Manchete: Corte dos EUA condena 2 brasileiros à prisão perpétua. Sob acusação de sequestro e cárcere privado, a Corte de Santa Ana, na Califórnia (EUA), condenou no dia 6 os brasileiros Alaor do Carmo de Oliveira Junior, de 55 anos, e Reynaldo Eid Júnior, cuja idade não foi divulgada, à prisão perpétua. A alegação é de que ambos eram coiotes - levavam imigrantes ilegais para dentro do País - e teriam sequestrado e mantido em cativeiro uma brasileira com o filho.
  • 160.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 161 de 323 Resumo: O caso ocorreu em 24 de novembro de 2005 e a sentença, dada por júri popular, só foi tornada pública agora. Eid Júnior morava em Nova York, nos Estados Unidos, e nenhum parente dele foi localizado. Oliveira Junior foi criado em Araraquara, a 270 km de São Paulo, mas, ao casar com a cabeleireira Mary Aparecida de Souza Oliveira, de 49 anos, se mudou para Borborema. Ele saiu pela primeira vez do Brasil em 1998. Ficou poucos meses nos Estados Unidos e, em 2000, voltou ao país, com visto para permanecer por seis meses. ] Casado desde 1981 com Mary, ele decidiu estender a permanência nos EUA para juntar dinheiro e pagar a faculdade dos dois filhos. Ilegal, morou na cidade de Danbury, em Connecticut, e trabalhava como carpinteiro. Construiu casas entre 2000 e novembro de 2005. O plano, segundo a família, era voltar em dezembro daquele ano. Em 2005, no entanto, ele resolveu fazer um trabalho extra: transportar passageiros na fronteira, a convite de outro colega brasileiro. Na terceira viagem, pegou Ana Paula Morgado Ribeiro e o filho dela, Yago, com 5 anos na época. Eles haviam entrado ilegalmente nos EUA pelo México e iriam se encontrar com o marido dela, Jefferson Ribeiro, na Flórida. No meio do caminho, houve a acusação contra os brasileiros. Segundo Mary, Ana Paula armou uma emboscada e chamou a polícia quando eles pararam para dormir em um hotel na cidade de Costa Mesa, na Califórnia. Ela não tinha visto para ficar no país e alegou ter sido sequestrada - o resgate seria de US$ 14 mil, segundo a acusação. A polícia foi chamada e prendeu os dois brasileiros que faziam o transporte. Mary conta que só soube da prisão quando ele conseguiu telefonar para casa por alguns minutos e dar a notícia. Foi a única vez que nos ligou, comenta a mulher. Eu perdi o meu telefone fixo de tanto ligar para deputados, senadores e Itamaraty, pedindo auxílio. Eu gastei uma fortuna e não consegui nenhuma ajuda, lamenta. Segundo ela, ao serem presos, os dois brasileiros receberam a proposta de confessar o crime. Como meu pai era inocente, ele nunca poderia fazer isso, pois acreditava na Justiça, diz o filho mais novo, Flávio Augusto do Carmo Oliveira, de 22 anos. O mais velho, Alaor do Carmo de Oliveira Neto só pensa em arrumar uma forma de tirar o pai da prisão americana. Sinto uma revolta muito grande e só iria para lá (EUA) se fosse pra visitar meu pai, afirma o jovem, que também deixou a faculdade. Defesa Para a família de Oliveira Junior, o suposto golpe do sequestro veio para forçar o governo americano a dar autorização para que a mãe e o filho permanecessem no país. Ana Paula ainda mora nos EUA, mas não foi localizada. O cônsul-geral adjunto do Brasil em Los Angeles, Júlio Victor do Espírito Santo, diz que tomou conhecimento do caso há pouco tempo e afirma já ter entrado em contato com os dois brasileiros e com seus advogados. Compareci à audiência de sentenciamento e pude comprovar, pelas palavras da juíza Carla Singer, que a questão era bastante complexa. Espírito Santo afirma que não teve acesso a todos os documentos do processo, mas discorda da decisão da Justiça americana. Creio que a sentença foi extremamente severa e houve parcialidade. A juíza desconsiderou tudo que poderia ser atenuante, mas considerou todas as possíveis agravantes. Ele afirma que os advogados recorreram da decisão e a apelação está nas mãos dos defensores públicos. Data: 19/03/2009 Manchete: Cientista britânico prevê catástrofe mundial em 2030. Resumo: O aumento da população mundial e das demandas por água, energia e alimentos poderão provocar uma catástrofe em 2030, segundo previsões do principal conselheiro científico do governo britânico. John Beddington descreveu a situação como uma tempestade perfeita, termo usado quando uma combinação de fatores torna uma tempestade que, por si só, não teria tanto efeito, em algo muito mais poderoso. A analogia
  • 161.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 162 de 323 também é usada para descrever crises econômicas. Segundo Beddington, com a população mundial estimada em 8,3 bilhões de pessoas em 2030, a demanda por alimentos e energia deve aumentar em 50%, e por água potável deve aumentar em 30%. As mudanças climáticas devem piorar ainda mais a situação, vai advertir o cientista nesta quinta-feira, na conferência Desenvolvimento Sustentável RU 09, em Londres. Não vai haver um colapso total, mas as coisas vão começar a ficar realmente preocupantes se não combatermos esses problemas, afirma Beddington. Segundo ele, esta crise por recursos vai ser equivalente à atual crise no setor bancário. Minha principal preocupação é com o que vai ocorrer internacionalmente, vai haver falta de alimentos e de água, prevê o cientista. Nós somos relativamente sortudos no Reino Unido; pode não haver falta, mas podemos esperar um aumento de preço dos alimentos e de energia. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) prevê falta de água generalizada na África, Ásia e Europa até 2025. A quantia de água potável disponível por habitante deve diminuir dramaticamente neste período. A questão da segurança alimentar e energia chegou a entrar no topo da agenda política no ano passado, durante a alta do preço do petróleo e de commodities. Segundo Beddington, a preocupação agora que os preços voltaram a cair é de que essas questões saiam da agenda doméstica e internacional. Não podemos ser complacentes. Só porque os preços caíram, não significa que podemos relaxar, diz ele. Melhorar globalmente a produtividade agrícola é uma forma de combater o problema, afirma Beddington. Atualmente, se perdem entre 30% e 40% de toda a produção, antes da colheita, por causa de pragas e doenças. Temos que procurar uma solução. Precisamos de mais plantas resistentes a pragas e doenças, e de melhores práticas agrícolas e de colheita, afirma Beddington. Os alimentos transgênicos também podem ser parte da solução. Precisamos de plantas que sejam resistentes à seca e à salinidade - uma mistura de modificações genéticas e cruzamento convencional de plantas. De acordo com o cientista, também são essenciais melhorias na estocagem de água e fontes de energia mais limpas. John Beddington está à frente de um subgrupo de um novo departamento do governo criado para combater a segurança alimentar. Data: 19/03/2009 Manchete: Culpado de todas as acusações, Josef Fritzl pega prisão perpétua. 'Lamento do fundo do meu coração', disse ele antes de saber da sentença. Austríaco terá ainda de passar por um tratamento psiquiátrico. Resumo: O austríaco Josef Fritzl foi considerado culpado de todas as acusações por um tribunal da cidade de Sankt Pölten, segundo decisão unânime dos oito integrantes do júri. Ele foi condenado à prisão perpétua e ainda a passar por um tratamento psiquiátrico, segundo decisão tomada nesta quinta-feira (19). Fritzl, de 73 anos, era acusado dos crimes de estupro, incesto, coação grave, privação de liberdade e homicídio por negligência (omissão de socorro) de um dos sete filhos que teve com a própria filha, Elisabeth, a quem ele manteve preso durante 24 anos em um porão de sua casa, na cidade austríaca de Amstetten. Fritzl confessou os crimes na quarta-feira (18), depois de ter visto um depoimento em áudia de sua filha. Dois dias antes, ele havia negado culpa no homicídio de um de seus filhos-netos. O julgamento terminou após quatro dias, na pequena cidade de Sankt Pölten, a 60 km a oeste da capital austríaca, Viena.
  • 162.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 163 de 323 Confissão Eu lamento do fundo do meu coração. Infelizmente, eu não posso mudar nada agora, afirmou nesta quinta-feira (19) Josef Fritzl, antes de conhecer a sentença. Na quarta-feira, perante a afirmação da juíza de que teve 66 horas para levar o recém-nascido ao hospital, Fritzl disse que deveria ter feito algo. Simplesmente não me dei conta. Pensava que o menino ia sobreviver, contou. Anteriormente, o acusado tinha admitido apenas parcialmente sua responsabilidade nos delitos de escravidão e homicídio por omissão, enquanto tinha reconhecido sua culpa em estupro, coação grave, privação de liberdade e incesto. A reação de Fritzl pegou todos de surpresa, inclusive seu advogado, Rudolf Mayer, que disse estar surpreso e sem palavras para falar sobre a mudança de opinião de seu cliente. Mayer especulou que a mudança de atitude de Fritzl pode ter sido provocada pela exibição, na terça-feira (17), ao júri, do vídeo contendo o testemunho de Elisabeth. O advogado lembrou que esta foi a primeira vez em que Fritzl foi confrontado com o testemunho incriminativo de sua filha. Meu cliente foi responsável por seus atos, mas a personalidade dele tem anomalias psicológicas, afirmou Mayer, nesta quinta-feira.
  • 163.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 164 de 323 Da Constituição Federal Título VIII Da Ordem Social Capítulo IV Da Ciência e Tecnologia Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. § 1º A pesquisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso das ciências. § 2º A pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderantemente para a solução dos problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional. § 3º O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa e tecnologia, e concederá aos que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho. § 4º A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. § 5º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica. O desenvolvimento foi a idéia força que mobilizou as nações capitalistas pobres no Pós-Guerra. A maioria das políticas e das teorias de desenvolvimento identificou a industrialização como a via da superação da pobreza e do subdesenvolvimento. Tal identificação é resultado do entendimento de que a industrialização era o veículo da incorporação acelerada de progresso técnico ao processo produtivo e, portanto, da contínua elevação da produtividade do trabalho e da renda. Os esforços das nações que lideraram o surgimento e a consolidação industrial no mundo são completamente diferentes dos das nações de industrialização retardatária que competem nos mercados mundiais de produtos industriais já consolidados. O Brasil é um desses casos de industrialização retardatária. É uma economia cujo processo de industrialização ocorreu em um contexto de um setor industrial consolidado em outras partes do mundo para atender às necessidades de manufaturas dos mercados internacionais, inclusive de seu mercado doméstico. Essa característica marca profundamente a natureza de seu processo de mudança técnica e seu próprio estilo de desenvolvimento. Contrariamente ao que ocorreu nas economias hoje industrializadas, o Brasil não pôde e não pode contar com a vantagem de competir nos mercados (nacionais e internacionais) com produtos inovadores (e que, por isso, não têm concorrentes) ou produzidos por tecnologias inovadoras (e, portanto, mais produtivas ou eficientes do que as utilizadas pelos concorrentes). A competitividade das economias industrializadas é baseada no emprego de tecnologias inovadoras. Por isso, são adequadamente caracterizadas como Sistemas Nacionais de Inovação. Economias retardatárias, como o Brasil, no entanto, baseiam seu sistema de
  • 164.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 165 de 323 mudança técnica na absorção e no aperfeiçoamento de inovações geradas nas economias industrializadas. Por isso, são melhor caracterizadas como Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico. O fato de os processos de mudança técnica das economias retardatárias serem basicamente restritos ao aprendizado tecnológico limita profundamente a competitividade de seus produtos industriais. Essa condição estrutural obriga as economias retardatárias a recorrerem a formas especiais de compensação pela inferioridade das tecnologias que empregam em seu esforço de industrialização. Para viabilizar seus processos de industrialização, tais economias necessitam encontrar mecanismos que compensem a falta de competitividade tecnológica de seus produtos manufaturados. A competitividade inicial dos produtos industriais das economias retardatárias pode basear-se nos baixos preços locais de mão-de-obra e matérias-primas, na exploração (predatória ou não) dos recursos naturais e, ainda, na proteção ou subsídio estatal. Contudo, essas vantagens comparativas não são suficientes para assegurar o avanço do processo de industrialização, assim como não o são para garantir uma verdadeira e sustentada competitividade. A vantagem representada pela abundância relativa de matérias-primas é, em certo sentido, ilusória. Só será efetiva se as matérias-primas forem vendidas para a indústria local a preços mais baixos do que os predominantes no mercado internacional. Isso somente ocorre quando seus produtores são induzidos pelo Estado a fazê-lo. Apesar de os baixos salários terem representado uma vantagem comparativa no início do processo de industrialização das economias retardatárias, a competitividade a longo prazo jamais poderá apoiar-se nessa vantagem, por quatro razões fundamentais. A primeira, os salários tendem a subir com o avanço do processo de industrialização. A segunda, o avanço tecnológico nos demais países, certamente, elevará a produtividade do trabalho de suas economias, reduzindo ou eliminando a vantagem representada pelos baixos salários. A terceira razão, as indústrias intensivas em mão-de-obra estão sempre se deslocando para países com salários mais baixos. A última e mais importante, não vale a pena (não contribui para o desenvolvimento) participar de uma competição a ser vencida pelo país que pagar os salários mais baixos. Por tais razões, a estratégia de competitividade baseada essencialmente em baixos salários é apta a competir pela miséria e não pelo desenvolvimento. A necessária proteção ou subsídio estatal à indústria nascente tampouco será eficaz ou sustentável a longo prazo se a absorção de capacidade de produção industrial não se associar a um eficaz esforço tecnológico em benefício da progressiva elevação da produtividade da indústria local. As formas de compensação à baixa competitividade tecnológica dos produtos industriais das economias retardatárias asseguram, diretamente, apenas competitividade espúria aos produtos. Ganhos de competitividade são considerados espúrios quando são alcançados às custas da redução das condições de vida da população (atual ou futura) ou da exploração predatória dos recursos naturais. Somente a competitividade autêntica é compatível com o efetivo desenvolvimento a médio e longo prazos. Ganhos de competitividade autêntica só podem ser obtidos por intermédio da efetiva elevação da produtividade ou da qualidade da produção nacional. Somente o desenvolvimento de um esforço tecnológico eficaz das economias retardatárias pode assegurar ganhos de competitividade autêntica Todavia, o esforço tecnológico dessas economias está limitado pela natureza de seus sistemas nacionais de mudança técnica. São três as formas básicas de mudança técnica: a inovação, a absorção de inovações e o aperfeiçoamento de inovações. Os sistemas nacionais de mudança técnica característicos das economias industrializadas - os Sistemas Nacionais de Inovação - incorporam, além da simples capacitação para produzir (isto é, da capacidade de absorver tecnologias preexistentes necessárias para produzir), as capacitações tecnológicas para aperfeiçoar as tecnologias absorvidas e para inovar criando
  • 165.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 166 de 323 novas tecnologias. Essas nações seguem uma estratégia tecnológica que conjuga o esforço de dominar o processo de produção com um esforço deliberado e bem-sucedido de domínio sobre o processo de produção de tecnologias. As economias retardatárias, contudo, seguem uma estratégia tecnológica que objetiva essencialmente a absorção de capacitação para produzir produtos manufaturados. Inicialmente, seus sistemas de mudança técnica - Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico - desenvolvem apenas a capacitação para absorver tecnologias geradas em outros países. Essa capacitação é melhorada, de forma natural, com simples aquisição de experiência (em termos de tempo e volume) de produção - learning-by-doing. Contudo, o desenvolvimento de uma efetiva capacitação de aperfeiçoamento das tecnologias absorvidas só é adquirida como resultado de um esforço tecnológico deliberado. As economias retardatárias que desenvolveram simplesmente a capacitação tecnológica para produzir podem ser caracterizadas como Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico Passivo. Sua reprodução econômica depende essencialmente de mecanismos que proporcionem ganhos de competitividade não-tecnológicos (espúrios) para seus produtos. As economias retardatárias que conseguem conjugar seu esforço de capacitação para produzir com um esforço deliberado e bem-sucedido para dominar e aperfeiçoar a tecnologia de produção absorvida são mais bem caracterizadas como Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico Ativo. Tais economias podem reduzir significativamente sua dependência de mecanismos que assegurem competitividade espúria para seus produtos. A incorporação da capacidade para aperfeiçoar as tecnologias absorvidas pelos sistemas de aprendizado tecnológico representa um passo decisivo de economias retardatárias em direção à redução de sua dependência de mecanismos que asseguram ganhos espúrios de competitividade. Muitas das condições socioambientais perversas -- pobreza, miséria, desigualdade e degradação ambiental -- alimentam-se da falta de um sistema de mudança técnica que assegure uma competitividade autêntica aos produtos. O aprendizado passivo e a competitividade espúria não necessitam ser a fatalidade dos processos de industrialização retardatária. Podem constituir-se, na verdade, em uma etapa inicial de um processo mais longo de transformação de sistemas nacionais de mudança técnica. Para tanto, essa etapa precisa ser sucedida por uma trajetória de aprendizado tecnológico ativo. Essa é a lógica que justifica políticas de proteção e apoio à indústria nascente. A superação das condições perversas associadas à competitividade espúria inicia-se com a construção de um deliberado e consistente esforço tecnológico voltado para a superação dos limites do aprendizado passivo. Este primeiro passo - a adoção de uma estratégia tecnológica de aprendizado ativo - constitui-se, também, em um passo necessário (mas não suficiente) para alcançar uma estratégia efetivamente inovadora, a única capaz de assegurar o predomínio da competitividade autêntica. O Sistema Nacional de Aprendizado Tecnológico brasileiro é, no geral, um sistema de aprendizado passivo. Não é capaz de assegurar um mínimo de competitividade tecnológica para a maioria de seus produtos. Precisa afirmar grande parte de sua competitividade nos salários aviltados, na proteção ou no subsídio estatal e na exploração predatória de seus recursos naturais, pois carece do vetor de dinamismo, representado pela capacitação tecnológica, para aperfeiçoar as inovações absorvidas, além da óbvia carência da capacitação para inovar. Os baixíssimos níveis médios de educação dos trabalhadores brasileiros estão estreitamente ligados à natureza passiva de nosso sistema de aprendizado tecnológico. O nível educacional dos operários é fator chave para os sistemas ativos de aprendizado tecnológico, na medida em que dependem do aperfeiçoamento das inovações absorvidas, como em algumas economias do leste asiático. Os níveis educacionais são uma das causas da passividade de nosso sistema de mudança técnica. No passado, contudo, foram funcionais para um sistema de mudança técnica que conseguia viabilizar a reprodução da economia com a simples absorção da capacidade de produzir.
  • 166.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 167 de 323 A precária formação educacional da média da população brasileira convive com a qualificação relativamente elevada do subsistema de produção de conhecimento científico, outra característica estrutural do sistema de mudança técnica brasileiro. A base de recursos humanos e laboratoriais para pesquisa e desenvolvimento existente no Brasil é relativamente boa, mas muito desvinculada das necessidades do processo produtivo. A contribuição brasileira para a produção científica mundial é vinte vezes superior a sua contribuição para a produção tecnológica mundial. Esse desequilíbrio indica a dissociação entre a capacidade brasileira de produzir conhecimentos científicos e as demandas de conhecimentos tecnológicos do processo produtivo. O Brasil conseguiu implantar um enorme e diversificado parque industrial, cuja complexidade e integração só foram alcançadas por pouquíssimos países no mundo. O processo de industrialização foi o principal responsável pelo fato de o Brasil ter sido o país de maior crescimento mundial entre 1900 e 1980. Contudo, essa expressividade foi insuficiente para assegurar o desenvolvimento econômico, como previam as antigas teorias de desenvolvimento. O modelo fracassou em seu objetivo de assegurar um padrão de vida crescente para sua população. Mostrou-se incapaz de manter seu dinamismo, a partir de fins da década de 1970. Não reduziu, antes pelo contrário, agravou a desigualdade da distribuição da renda nacional, além de não ter sido capaz de eliminar a miséria. Mostrou-se, ademais, pouco responsável do ponto de vista ambiental. Um conjunto complexo de fatores organiza a herança do estilo brasileiro de desenvolvimento. Na raiz, a incapacidade de gerar uma dinâmica própria de desenvolvimento tecnológico e, conseqüentemente, de elevação da produtividade e da competitividade (autêntica) de bens e serviços. Durante os anos 1990, o Brasil abandonou as políticas desenvolvimentistas. Desmontaram-se as políticas industrial e tecnológica. Passou-se a buscar, nas consignias hegemônicas do neoliberalismo, a abertura e a desregulamentação dos mercados internos e externos. Esperava-se que a pressão competitiva, aumentada pela abertura do mercado interno para produtos e capitais externos, mudasse o padrão tecnológico das empresas e a própria natureza do sistema de mudança técnica brasileiro. A abertura dos mercados brasileiros no processo de globalização tecnológica, a dispersão internacional da produção e o emprego de inovações criariam as condições de redução das diferenças dos sistemas nacionais de mudança técnica. O fenômeno de globalização tecnológica está se produzindo de maneira inversa ao receituário. O que está ocorrendo, nos desdobramentos do processo de globalização, é um processo de especialização e diferenciação crescentes dos sistemas de mudança técnica das nações e a consolidação de ilhas nacionais de competência cercadas por oceanos de nações, sem competência para inovar. Conceber que a simples inserção da economia brasileira nos mercados internacionais globalizados e a pressão competitiva dos mercados abertos serão a solução natural para os problemas da precariedade tecnológica não parece ser suficiente para mudar a natureza do sistema de mudança técnica brasileiro. A melhor política não é a não-política, como propõe a doutrina econômica dominante. Muito tempo já foi perdido na ilusão de que a solução dos problemas brasileiros viria do simples desmonte das políticas desenvolvimentistas e da conseqüente liberação das forças e das potencialidades do livre mercado. O desenvolvimento industrial almejado no Pós-Guerra não foi alcançado pelo Brasil, nem pela maioria das nações pobres. Todos já sabem, ademais, sobre a insustentabilidade do estilo de desenvolvimento das nações ricas e da sua impossibilidade de universalização. O desenvolvimento sustentável é uma nova idéia força que emerge neste quadro e progressivamente se vai impondo. O antigo estilo do desenvolvimento brasileiro já se encontrava comprometido pelas enormes limitações da geração e da absorção de conhecimentos científicos e tecnológicos. A ambição da idéia do desenvolvimento sustentável é alcançar essa capacidade, mediante uma também ambiciosa política de ciência e tecnologia, comprometida com a construção das bases técnicas e científicas requeridas à sustentabilidade social, ecológica, econômica, espacial,
  • 167.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 168 de 323 política e cultural. Desenvolvimentismo e desenvolvimento científico-tecnológico A promoção do desenvolvimento foi a idéia-força das políticas públicas das nações capitalistas pobres no Pós-Guerra. A industrialização foi eleita como a principal via de superação da pobreza e do subdesenvolvimento, pela sua capacidade de incorporação acelerada do progresso técnico ao processo produtivo e, portanto, pressupunha-se, da contínua elevação da produtividade do trabalho e da renda. Nos países de industrialização retardatária, como o Brasil, o processo deflagrou-se em um contexto industrial internacionalmente já consolidado e apto a atender as necessidades de manufaturas dos mercados. Nesse sentido, os países de economia retardatária situam-se estruturalmente à margem das vantagens competitivas dos produtos inovadores (sem concorrentes) e/ou produzidos por tecnologias inovadoras (mais produtivas ou eficientes que as concorrentes). A competitividade das economias industrializadas repousa no emprego de tecnologias inovadoras, configuradas em Sistemas Nacionais de Inovação. As economias retardatárias, como a brasileira, no entanto, baseiam o seu sistema de mudança técnica na absorção e no aperfeiçoamento de inovações geradas nas economias industrializadas. Nesse sentido, configuram-se como Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico (Viotti, 1997). Os processos de mudança técnica das economias retardatárias são basicamente restritos ao aprendizado tecnológico, limitando decisivamente a competitividade de seus produtos industriais. Essa condição estrutural obriga as economias retardatárias a recorrerem a formas especiais de compensação, dado a inferioridade das tecnologias empregadas nos esforços de industrialização. Em outras palavras, trata-se de economias que necessitam encontrar mecanismos de compensação para a falta de competitividade tecnológica de seus produtos manufaturados, para viabilizar os seus processos de industrialização. A competitividade inicial dos produtos industriais das economias retardatárias pode basear-se nos baixos preços locais de mão-de-obra e de matérias-primas, na exploração (mais ou menos predatória) dos recursos naturais e, ainda, na proteção ou subsídio estatal. São vantagens comparativas insuficientes para sustentar o avanço do processo de industrialização e, tampouco, asseguram uma competitividade efetivamente sustentada. A vantagem representada pela abundância relativa de matérias-primas é ilusória. Só será efetiva se as matérias-primas forem vendidas para a indústria local a preços mais baixos do que os predominantes no mercado internacional. Isso somente ocorre quando seus produtores são induzidos pelo Estado a fazê-lo. Apesar de os baixos salários representarem uma vantagem comparativa no início do processo de industrialização, a competitividade das economias retardatárias a longo prazo jamais poderá estar apoiada simplesmente nessa vantagem, basicamente, por quatro razões: •os salários tendem a subir com o avanço do processo de industrialização; •o natural avanço tecnológico dos países industrializados elevará a produtividade do trabalho, reduzindo ou eliminando as vantagens representadas pelos baixos salários; •as indústrias intensivas em mão-de-obra estão sempre se deslocando para países com salários mais baixos; •a mais importante razão: não vale a pena (ou seja, não contribui para o desenvolvimento) participar de uma competição cujo vencedor será o país que pagar os salários mais baixos. Assim, a estratégia de competitividade essencialmente estruturada sobre a compressão do custo dos salários corresponde a uma competição pela miséria e não pelo desenvolvimento. A necessária concessão de proteção ou subsídio estatal à indústria nascente somente será eficaz e durável caso a absorção da capacidade de produção industrial esteja associada a um esforço tecnológico que assegure a progressiva elevação da produtividade da indústria
  • 168.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 169 de 323 local. As práticas empregadas para compensar a falta de competitividade tecnológica dos produtos industriais das economias retardatárias têm assegurado diretamente aos produtos apenas uma competitividade espúria. Ganhos de competitividade espúrios, porque são alcançados às custas da redução das condições de vida da população e/ou da exploração predatória dos recursos naturais. São práticas de competitividade ancoradas em um tipo de dumping socioambiental. A efetividade do desenvolvimento a médio e longo prazos requer uma competitividade autêntica que lhe seja compatível. Somente a elevação da produtividade ou da qualidade da produção nacional podem levar aos ganhos de competitividade autêntica. O asseguramento dos ganhos de competitividade autêntica passa necessariamente por um efetivo esforço tecnológico das economias retardatárias; um desafio limitado pela natureza dos seus sistemas nacionais de mudança técnica. São basicamente três as formas de mudança técnica: inovação, absorção de inovações e aperfeiçoamento. Na perspectiva neo-schumpeteriana clássica corresponderiam, de maneira imprecisa, aos conceitos de inovação, difusão e inovação incremental. Além da simples capacitação para produzir, isto é, capacidade para absorver tecnologias preexistentes necessárias à produção, os sistemas nacionais de mudança técnica das economias industrializadas - os Sistemas Nacionais de Inovação - incorporam as capacitações tecnológicas para aperfeiçoamento das tecnologias absorvidas e para criação de novas tecnologias. A estratégia tecnológica conjuga o esforço de dominar o processo de produção com um bem-sucedido domínio do processo de produção de tecnologias. A estratégia tecnológica das economias retardatárias objetiva essencialmente a absorção de capacitação para produção de manufaturados. Em tese, os sistemas de mudança técnica - Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico - limitam-se à capacitação para absorção de tecnologias geradas nos países industrializados. Comumente, essa capacitação é aprimorada com a simples aquisição da experiência de produção (tempo e volume) - learning-by-doing. Contudo, o desenvolvimento da capacitação efetiva de aperfeiçoamento das tecnologias absorvidas só é adquirido como resultante de um esforço tecnológico deliberado. A simples capacitação tecnológica para produzir das economias retardatárias pode ser caracterizada como Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico Passivo. A reprodução econômica depende essencialmente de mecanismos de ganhos de competitividade não-tecnológicos (espúrios, por se tratarem de dumping socioambiental) para seus produtos. Quando as economias retardatárias conseguem conjugar seu esforço de capacitação para produzir a um esforço para dominar e aperfeiçoar a tecnologia de produção absorvida, podem ser caracterizadas como Sistemas Nacionais de Aprendizado Tecnológico Ativo. Nesse caso, podem reduzir significativamente sua dependência dos mecanismos de competitividade espúria dos seus produtos. A competitividade das economias retardatárias, respaldadas em sistemas de mudança técnica limitados ao simples aprendizado passivo, depende permanentemente da compressão dos salários reais dos trabalhadores, da exploração predatória de seus recursos naturais e/ou dos mecanismos de proteção ou subsídio estatal. A manutenção das perversidades sociais bem conhecidas no desenvolvimento dos países de economia retardatária - pobreza, miséria, desigualdade e degradação ambiental - estão imbricadas nas fragilidades de um sistema de mudança técnica que assegure uma competitividade autêntica aos seus produtos. Os países de industrialização retardatária não estão condenados a reproduzir o aprendizado passivo e a competitividade espúria. As possibilidades de constituição de um processo mais longo de transformação de sistemas nacionais de mudança técnica ainda estão abertas, desde que os países caminhem na trajetória do aprendizado tecnológico ativo. Na verdade, é
  • 169.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 170 de 323 essa lógica que justifica políticas de proteção e apoio à indústria nascente. A construção de um deliberado e consistente esforço tecnológico, comprometido com a superação dos limites do aprendizado passivo, é o primeiro passo decisivo para a superação das condições perversas emanadas da competitividade espúria, característica da maioria dos processos de desenvolvimento retardatários. A adoção de uma estratégia tecnológica de aprendizado ativo é um passo necessário (ainda que insuficiente) para a implementação de estratégias efetivamente inovadoras, as únicas capazes de assegurar o predomínio da competitividade autêntica. O Sistema Nacional de Aprendizado Tecnológico brasileiro representa um caso de sistema de aprendizado passivo, incapaz de assegurar níveis mínimos de competitividade tecnológica à maioria de seus produtos. Carece do vetor de dinamismo da capacitação tecnológica para aperfeiçoar as inovações absorvidas, como também da capacitação para inovar. Sua competitividade está, em boa medida, amparada nos salários aviltados, na proteção ou no subsídio estatal e na exploração predatória dos recursos naturais. Os baixíssimos níveis médios de educação dos trabalhadores brasileiros são conseqüências visíveis da natureza passiva do sistema de aprendizado tecnológico nacional. Para um sistema de mudança técnica orientado a viabilizar a reprodução da economia pela simples absorção da capacidade de produzir, a excelência do padrão educacional da massa dos trabalhadores é problema supérfluo. Os sistemas ativos de aprendizado tecnológico requerem um elevado nível educacional dos trabalhadores. Os exemplos de algumas economias do leste asiático mostram que o nível educacional dos operários é peça chave da economia, pois esses sistemas também dependem do aperfeiçoamento das inovações absorvidas. A relativamente elevada qualificação do sub-sistema de produção de conhecimento científico é, ao lado do baixo nível educacional médio da população brasileira, outra característica estrutural do sistema de mudança técnica nacional. Ainda que as bases brasileiras de recursos humanos e laboratoriais para pesquisa e desenvolvimento existentes sejam relativamente boas, parece funcionarem de maneira desvinculada das necessidades do processo produtivo. A TV DIGITAL O que é? A TV aberta transmitida para os televisores existentes em 90% das residências brasileiras utiliza canais analógicos com largura de banda de 6 MHz. Na TV Digital a transmissão do áudio e do vídeo passa a ser feita através de sinais digitais que, codificados, permitem um uso mais eficiente do espectro eletromagnético, devido ao aumento da taxa de transmissão de dados na banda de frequências disponível. É possível desta forma transmitir: Som e imagem de melhor qualidade viabilizando a Televisão de Alta Definição (HDTV). A resolução da imagem na TV analógica que é de 400 x 400 pixels poderá ser de até 1920 x 1080 pixels. Mais canais (até 4) no mesma faixa de frequências utilizada por um canal analógico. A TV digital apresenta algumas funcionalidades que permitem uma interatividade entre o telespectador e a emissora possibilitando: A acesso a informações adicionais como por exemplo o menu de programação. A iteração do usuário com a emissora, através de uma canal de retorno via linha telefônica por exemplo, possibilitando a este votar ou fazer compras. Implantação da TV Digital
  • 170.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 171 de 323 A implantação da TV Digital passará por um período de transição, que deve durar 10 a 15 anos, no qual as emissoras transmitirão simultaneamente dois canais de 6 MHz, sendo um analógico e o outro digital. Com a introdução da tecnologia digital na radiodifusão de TV (TV Digital Terrestre), o usuário poderá optar por uma das seguintes situações: Continuar a receber a TV aberta da forma atual utilizando a sua TV analógica. Adquirir um conversor (set top box) que permitirá receber o sinal digital e convertê-lo para um formato de vídeo e áudio disponível em seu receptor de TV Adquirir uma TV nova que já incorpore o conversor. Este processo vem ocorrendo em vários países do mundo. No Reino Unido (UK), por exemplo, o processo iniciou-se em 1998 e 65,9% das residências já tinham acesso à TV Digital em setembro de 2005. Nos Estados Unidos o início foi em 2002 e no Japão em 2003. O sucesso da implantação da TV Digital depende em grande parte da disponibilidade de conversores (set top box) com preços baixos, acessíveis para a população, o que só é possível com grandes escalas de produção. Esta é uma das justificativas para se adotar um padrão único de TV Digital para o Brasil. TV Digital no Brasil Para definir o Sistema Brasileiro de TV Digital, conforme Decreto nº 4901 de 26/11/03 , o Governo Brasileiro instituiu os seguintes comitês: Comitê de Desenvolvimento, com a participação de representantes dos vários ministérios e da Anatel. Comitê Consultivo, com a participação de entidades representativas. Grupo Gestor, com apoio técnico e administrativo da Finep e do CPqD. O grupo Gestor selecionou várias entidades para os projetos de desenvolvimento do SBTV. Os resultados de seus estudos foram apresentados em relatório apresentado ao Comitê de Desenvolvimento em 17/12/2005. O Prazo para o comitê de desenvolvimento apresentar o seu relatório contendo proposta referente: a) à definição do modelo de referência do SBTV b) ao padrão de televisão digital a ser adotado no País c) à forma de exploração do serviço de TV Digital d) ao período e modelo de transição do sistema analógico para o digital era 10 de fevereiro de 2006. (Dec. 5.393 de 10/03/05). Em 7/02/06 o Ministro das Comunicações anunciou o adiamento deste prazo. Estas definições estão gerando debates acalorados pois devem levar em consideração aspectos técnicos, de política industrial e contrapartidas oferecidas pelo defensores dos padrões disponíveis. O governo está conduzindo negociações com representantes dos padrões Japônes e Europeu procurando obter contrapartidas, como a instalação de uma fábrica de semicondutores no Brasil. Em abril de 2006 uma delegação composta pelos Ministros Celso Amorim (Relações Exteriores), Hélio Costa (Comunicações) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) visitou o
  • 171.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 172 de 323 Japão e assinaram um memorando de entendimento, o que é um indicador de que o Brasil estaria propoenso a escolher o padrão Japonês. Consulte o Em Debate do Teleco: Implantação da TV Digital no Brasil Relatório do CPqD O relatório preparado pelo CPqD ainda não foi divulgado oficialmente. O site Teletime divulgou, no entanto, uma cópia do documento em 16/02/2005. Para a escolha da solução tecnológica o documento propõe associar os critério de escolha definidos no Dec. 5.393 nos critérios apresentados a seguir com seus respectivos pesos. Decreto Critério Associado Pesos Inclusão social Baixo custo 9 Flexibidade de modelos de exploração Alto desempenho 6 Desenvolvimento sustentável Confiabilidade 4 Apesar de não ser conclusivo quanto à aplicação destes critérios o documento apresenta informações importantes, tais como: O preço de venda do Set Top Box (URD) projetado para o DVB (padrão Europeu) em 2006 está entre R$ 233,00 (Básico) e R$ 662,00 (Avançado). Os preços seriam de 10% a 8% maiores para o padrão ATSC (Americano) e de 18% a 15% no ISDB (Japonês). Estes preços são baseados nos custos dos módulos que compõe a URD sem considerar royalties de modulação e licenças de middleware. Propõe a adoção de um modelo de negócio que incorpore, entre outros pontos, a exploração da mobilidade/portabilidade, interatividade local, alta adoção da TV Digital pelos usuários e o surgimento de receitas provenientes de novos serviços, Na avaliação de desempenho para implantação deste modelo de negócio o ISDB obteve nota 3,7, o DVB nota 3,5 e o ATSC nota 2,9. A avaliação final para escolha do padrão dependerá da negociação de contrapartidas entre o governo brasileiro e os detentores das tecnologias que deve ser centrada nos atributos apresentados a seguir. Flexibidade de negociação, contemplando: · Facilidade de transferência de tecnologia · Autonomia para o Brasil incluir e modificar as características de serviços · Maior quantidade de fabricantes e de fornecedores de componentes · Universalidade do padrão · Redução ou reinvestimento no país dos royalties. · Fomento à pesquisa e linhas de crédito para digitalização · Perspectivas de mercado, para gerar maior fator de escala de produção. · Participação na evolução, garantindo, por exemplo, assento para participação efetiva do Brasil nos fóruns do padrão, e permitindo a incorporação de soluções que vierem a ser desenvolvidas no Brasil. CÉLULAS TRONCO O que são células-tronco? São células encontradas em embriões, no cordão umbilical e em tecidos adultos, como o sangue, a medula óssea e o trato intestinal, por exemplo. Ao contrário das demais células do organismo, as células-tronco possuem grande capacidade de transformação celular, e por isso podem dar origem a diferentes tecidos no organismo. Além disso, as células-tronco têm a capacidade de auto-replicação, ou seja, de gerar cópias idênticas de si mesmas.
  • 172.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 173 de 323 Que avanços as pesquisas científicas com células-tronco podem trazer para a medicina? As células-tronco podem ser utilizadas para substituir células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, ou em tecidos lesionados ou doentes. As pesquisas com células-tronco sustentam a esperança humana de encontrar tratamento, e talvez até mesmo cura, para doenças que até pouco tempo eram consideradas incontornáveis, como diabetes, esclerose, infarto, distrofia muscular, Alzheimer e Parkinson. O princípio é o mesmo, por exemplo, do transplante de medula óssea em pacientes com leucemia, método comprovadamente eficiente. As células-tronco da medula óssea do doador dão origem a novas células sangüíneas sadias. Por que permitir a pesquisa com embriões, se as células-tronco são também encontradas em tecidos adultos? Porque as células embrionárias são as únicas que têm a capacidade de se diferenciar em todos os 216 tecidos que constituem o corpo humano. As células retiradas de tecidos adultos têm capacidade de dar origem a um número restrito de tecidos. As da medula óssea, por exemplo, formam apenas as células que formam o sangue, como glóbulos vermelhos e linfócitos. O que a Lei da Biossegurança aprovada na Câmara permite? Ela autoriza as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, mas impõe uma barreira. Poderão ser pesquisados apenas os embriões estocados em clínicas de fertilização considerados excedentes, por não serem colocados em útero, ou inviáveis, por não apresentarem condições de desenvolver um feto. O comércio, produção e manipulação de embriões, assim como a clonagem de embriões, seja para fins terapêuticos ou reprodutivos, continuam vetados. Os cientistas podem adquirir os embriões diretamente nas clínicas de fertilização assistida? Sim. O cientista precisa da autorização do conselho de ética do instituto onde trabalha, como em qualquer projeto que envolva a manipulação de material humano. Uma vez autorizado, o pesquisador poderá adquirir os embriões diretamente nas clínicas. Eles deverão estar estocados há mais de três anos e só poderão ser utilizados com o consentimento dos pais, mediante doação. Atualmente, estima-se que o país tenha 30.000 embriões congelados. Qual o motivo da polêmica em torno da lei? Para explorar as células-tronco, é necessário retirar o chamado botão embrionário, provocando a destruição do embrião. Esse processo é condenado por algumas religiões - como a Católica - que consideram que a vida tem início a partir do momento da concepção. Há perspectivas de que no futuro se encontrem técnicas capazes de preservar o embrião, o que eliminaria as resistências religiosas. Qual é o tamanho do embrião quando as células são extraídas para pesquisas? Até o momento, os cientistas conseguiram obter células-tronco de blastocistos, um estágio inicial do embrião com apenas 100 células. Um grupo de pesquisadores americanos conseguiu extrair células-tronco de mórulas, que têm entre 12 e 17 células. Em qualquer caso o embrião é microscópico. As células retiradas são cultivadas em laboratório, e podem render material para diversos anos de trabalho. Em que estágio se encontram as pesquisas de tratamentos com células-tronco? Apenas no caso de leucemia e certas doenças do sangue se pode falar efetivamente em tratamento. As perspectivas ainda são a longo prazo, pois praticamente todas as terapias se encontram em fase de testes, embora alguns resultados preliminares sejam promissores. Os
  • 173.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 174 de 323 cientistas ainda têm várias questões a resolver, como a possibilidade de desenvolvimento de tumores, verificada em testes com camundongos. As dez, mais recentes, descobertas científicas PRIMEIRA PARTE Todo mês de dezembro, a revista Science publica os dez maiores avanços científicos do ano. Na primeira parte deste artigo, vamos destacar cinco das dez descobertas escolhidas em 2006. 1) A solução do problema proposto por Poincaré. Henri Poincaré foi o fundador de um ramo da Matemática conhecido como Topologia, encarregado de estudar as propriedades de superfícies que sofrem níveis arbitrários de alongamento. Em 1904, ele propôs uma conjectura sobre o tema, simples em sua concepção, mas tão difícil de provar que desafiou os matemáticos por cem anos. Em 2002, Grigori Perelman, um russo de 36 anos, colocou na internet três pré-publicações que encaminhavam a solução do problema proposto por Poincaré. Embora os especialistas tenham imediatamente percebido que se tratava de uma proposição genial, foram necessários quatro anos até que a comunidade científica se convencesse de que Perelman havia finalmente resolvido o problema. Em 2006, foram publicados separadamente três manuscritos – cada um com mais de 300 páginas – que preencheram os detalhes ainda obscuros da demonstração do autor russo, e Perelman recebeu a medalha Fields, o prêmio mais importante da Matemática. A solução das conjecturas de Poincaré foi eleita o maior avanço científico do ano. 2) O seqüenciamento do genoma do homem de Neandertal A partir do DNA recolhido em fósseis do homem de Neandertal, foram realizados dois estudos de seqüenciamento de DNA. No primeiro, um grupo de pesquisadores americanos seqüenciou 1 milhão de pares de base; no segundo, um grupo europeu seqüenciou 65 mil. Neles, foram encontradas diferenças e similaridades genéticas entre os homens modernos e os antigos, que podem revelar passagens fundamentais na evolução de nossa espécie. Os dados permitem desenhar um rascunho do mapa completo do DNA de nossos antepassados. Assim que novos fósseis se tornarem disponíveis, seus genes poderão ser inseridos em bactérias para a formação de bibliotecas de DNA dos neandertais, para pesquisas mais detalhadas. Os trabalhos sugerem que os homens de Neandertal divergiram de nossos ancestrais há 450 mil anos e que muito provavelmente houve miscigenação entre eles e o Homo sapiens, e comprovam que a Metagenômica, área que estuda o seqüenciamento de DNA de seres extintos, está em franco desenvolvimento. 3) Estudos sobre o degelo Depois de décadas de mensurações com altímetros a laser, radares em órbita e um par de satélites que estimam o volume de gelo por gravitação, ficou claro que as massas das maiores geleiras da Terra, situadas na Groenlândia e na Antártida, têm perdido água para os oceanos, gradativamente. Os pesquisadores desconhecem as razões capazes de justificar porque um aumento discreto da temperatura do ar e dos oceanos, como o dos dias atuais, pode provocar esse fenômeno. Mas, se esse ritmo de degelo persistir, áreas da Flórida, de Bangladesh e de outras regiões costeiras enfrentarão inundações em séculos, e não em milênios como se esperava. Embora haja algum desencontro a respeito da velocidade em que ocorre o degelo, todos os estudos mostram que ele tem ocorrido, tanto na Groenlândia quanto na Antártida, nos últimos cinco a dez anos. Na Groenlândia, a perda é de 100 gigatoneladas por ano; na Antártida, pelo menos de 10 gigatoneladas. As perdas atuais podem elevar os níveis dos oceanos apenas 10 cm em cada século, mas os especialistas temem que o aquecimento global seja suficiente para elevá-los um metro ou mais, num futuro próximo. Há muitas dúvidas entre os glaciologistas a respeito da evolução das geleiras. O aquecimento global persistirá ou será contrabalançado por variações climáticas naturais? As camadas de gelo poderão se ajustar ao aquecimento reduzindo a velocidade do degelo? Mais geleiras serão perdidas pelo constante aumento da temperatura?
  • 174.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 175 de 323 4) O Tiktaalik roseae, nosso ancestral que saiu do mar. Todos os vertebrados dotados de membros (tetrápodes) evoluíram a partir de alguns peixes que existiram há 370 milhões de anos. Alguns deles apresentavam modificações no esqueleto fundamentais para a adaptação à vida terrestre, como coluna vertebral mais rígida e nadadeiras mais robustas, essenciais para dar suporte aos membros na terra. Em três expedições às ilhas Ellesmere, no Canadá, realizadas em 2004, os paleontólogos encontraram o esqueleto de três peixes de cerca de três metros de comprimento, batizados como Tiktaalik roseae, fóssil que viveu há 375 milhões de anos e que preenche importante lacuna evolutiva da transição da vida nos mares para o interior dos continentes. O que diferencia o Tiktaalik roseae de outros fósseis de sua época é a existência de punhos e cotovelos nas nadadeiras da frente, importantes para dar mobilidade em terra; de um pescoço rudimentar, o primeiro encontrado entre os fósseis, capaz de permitir movimentos mais amplos da cabeça; de costelas robustas e guelras bem desenvolvidas. Nosso antepassado provavelmente se aventurou pela terra para encontrar insetos para comer e para fugir dos tubarões e de outros predadores. 5) As vestimentas invisíveis No ano passado, os físicos desenvolveram uma vestimenta em forma de anel, invisível apenas quando olhada através de microondas que incidem paralelamente ao plano do anel. O dispositivo é considerado um experimento revolucionário no campo da manipulação de ondas eletromagnéticas e um passo na direção da verdadeira invisibilidade. As bases para ele foram lançadas em maio, quando duas análises independentes previram que seria possível ancorar ondas eletromagnéticas num objeto com a finalidade de escondê-lo. Em outubro, físicos da Universidade Duke construíram um anel de um material que atravessado por microondas se tornava capaz de refleti-las de forma a tornar-se invisível. Obter uma vestimenta não visível quando iluminada pela luz natural, no entanto, ainda permanece no campo da ficção. O avanço científico está no desenvolvimento dos dispositivos empregados para obter o efeito óptico descrito, tecnologia que terá aplicações na construção das antenas e radares do futuro. SEGUNDA PARTE Na primeira parte deste artigo, destacamos cinco dos dez avanços científicos selecionados pela revista Science entre os dez mais importantes no ano de 2006. São eles: 1) solução do problema imposto por Poincaré; 2) seqüenciamento do genoma do homem de Neandertal; 3) estudo sobre o degelo; 4) Tiktaalik roseae, nosso ancestral que saiu do mar; 5) as vestimentas invisíveis. A seguir, vamos nos deter sobre os outros cinco: 6) Avanços no tratamento da degeneração macular A mácula é a região central da retina, na qual o cristalino projeta as imagens de tudo o que nos cerca. Com o passar dos anos, pequenas hemorragias e crescimento anormal dos vasos retinianos nessa região podem causar perda progressiva da visão. Degeneração macular é uma das causas mais freqüentes de cegueira nos mais velhos. Em outubro de 2006, foram publicados dois estudos clínicos no The New England Journal of Medicine, mostrando que um medicamento, o ranibizumab, melhora a acuidade visual de cerca de 30% dos portadores das formas mais graves de degeneração macular e interrompe a progressão da doença na maioria dos outros. A publicação serviu de argumento para o FDA (Food and Drug Admnistration) liberá-lo para comercialização. Ranibizumab é um anticorpo monoclonal produzido pela Genentech Inc., com o objetivo de neutralizar uma proteína (VEGF) que estimula a proliferação de vasos sangüíneos, processo envolvido na gênese da doença. Outro anticorpo monoclonal produzido pela Genentech, já aprovado para o tratamento de neoplasias malignas, tem sido testado em injeções intra-oculares nos casos de degeneração macular. Os resultados são promissores e o custo muito mais baixo do que o ranibizumab, que não sai por menos de 1.950 dólares, por dose mensal.
  • 175.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 176 de 323 7) No caminho da biodiversidade Explicar como surge uma nova espécie é uma das questões mais importantes da Biologia, porque permite entender a biodiversidade espantosa que a vida adquiriu em 4 bilhões de anos na Terra. Nos últimos doze meses, vários estudos procuraram decifrar as alterações genéticas necessárias para que um grupo de indivíduos se diferencie numa espécie nova, diferente daquela de seus ancestrais. Em julho, pesquisadores americanos demonstraram que no rato de praia da Flórida, uma mutação ocorrida numa única base de um único gene é responsável por mais de 36% da cor mais clara dos pêlos, característica que distingue esses ratos dos demais. No mês seguinte, outro grupo mostrou que, em certos pássaros, a atividade excessiva de um único gene é suficiente para provocar o aparecimento de filhotes com bicos alongados. 8) Microscópios que enxergam proteínas além da barreira da luz Microscópios comuns são incapazes de discernir pontos luminosos mais próximos do que metade do comprimento de onda da luz que os ilumina. No caso da luz visível, essa distância é de cerca de 200 nanômetros (1 nanômetro é a milionésima parte do milímetro). Por muitos anos, os físicos tentaram vencer essa barreira, conhecida como limite de difração. Técnicas atuais, que combinam corantes fluorescentes aplicados às células e iluminação com raios lazer para excitá-las, permitiram visualizar proteínas no interior de sinapses entre neurônios com níveis de resolução de algumas dezenas de nanômetros. Variações desses métodos possibilitaram mapear a posição assumida pelas proteínas no citoplasma das células com nanômetros de precisão. Identificar as acrobacias que as proteínas executam no interior das células representará um enorme avanço no entendimento de suas funções. 9) A persistência das memórias Nos anos 1970, os neurocientistas observaram que coelhos colocados diante de uma barragem elétrica, ao aprender a evitá-la, apresentavam reforço das conexões entre os neurônios localizados no hipocampo, área do cérebro crucial para a formação de memórias. Esse fenômeno foi denominado LTP (long term potentiation). Estudos posteriores mostraram que, quando o animal recebia previamente uma droga capaz de abolir a LTP, ocorria perda da capacidade de formar novas memórias. Apesar dessas evidências, a teoria de que as memórias ficam gravadas no hipocampo graças ao mecanismo de LTP tem sido difícil de comprovar experimentalmente. Em janeiro de 2006, pesquisadores espanhóis documentaram a ocorrência de LTP em ratos condicionados a piscar os olhos em resposta a um estímulo sonoro. Em agosto, outros pesquisadores verificaram que ao abolir LTP no hipocampo por meio da administração de um medicamento, ratos que haviam aprendido a evitar uma área de choque em suas gaiolas perdiam a memória de sua localização. Apesar desses experimentos reforçarem a teoria de que LTP será o mecanismo molecular envolvido na memorização, ainda falta esclarecer como as diferentes formas de LTP já identificadas no tecido cerebral estão relacionadas com os diferentes tipos de memórias. 10) Manipulações genéticas diminutas Pequenas moléculas de RNA dotadas da capacidade de impedir a expressão de determinados genes têm despertado enorme interesse em biologia. No ano passado, foi descoberta outra dessas moléculas: piRNA. Quatro grupos independentes publicaram trabalhos demonstrando que moléculas de piRNA se ligam a genes de uma família conhecida como Argonauta, cujos membros controlam outros pequenos RNAs, previamente descritos (microRNA e siRNA). Os cientistas acreditam que os genes que codificam o piRNA regulam o desenvolvimento e manutenção das células espermáticas em diversas espécies, incluindo a humana. Curiosamente, as moléculas de piRNA são muito abundantes e variadas. Em testes com ratos, foram encontradas cerca de 60 mil. Apesar de sabermos que elas têm a capacidade de silenciar genes, não conhecemos sua origem, que enzimas estão ligadas a seu aparecimento e que atividade exercem no genoma humano.
  • 176.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 177 de 323 (notíciário) 27/01/2010 Manchete: Steve Jobs apresenta o iPad, novo tablet da Apple. Resumo: Após meses de boatos e especulações, Steve Jobs mostrou ao público o iPad, o aguardado tablet da Apple. Muito parecido com um iPhone em proporções maiores, o dispositivo tem tela totalmente sensível a multitoques, ausência de teclado físico e dimensão de 9,7 polegadas. Com 1,3 cm de espessura e peso de 680 gramas, o iPad permite navegar na internet, ver e-mails, ler revistas, livros e jornais em formato digital, rodar vídeos, games e exibir fotos. O New York Times e a National Geographic, por exemplo, já anunciaram uma parceira com a Apple para oferecer versão digital de suas publicações para iPad. 05/10/2009 Manchete: DNA de brasileiro é 80% europeu, indica estudo. Resumo: Um novo retrato das contribuições de cada etnia para o DNA dos brasileiros, obtido com amostras das cinco regiões do país, indica que, em média, ancestrais europeus respondem por quase 80% da herança genética da população. A variação entre regiões é pequena, com a possível exceção do Sul, onde a contribuição europeia chega perto dos 90%. Os resultados, publicados na revista científica American Journal of Human Biology por uma equipe da Universidade Católica de Brasília, dão mais peso a resultados anteriores, os quais também mostravam que, no Brasil, indicadores de aparência física como cor da pele, dos olhos e dos cabelos têm relativamente pouca relação com a ascendência de cada pessoa. Quem vê cara não vê DNA No Brasil, a pigmentação da pele está, em grande medida, desacoplada da ancestralidade, por conta do grau de miscigenação. Em muitos casos, você percebe que há uma relação muito fraca entre a autoidentificação que a pessoa faz, dizendo-se branca ou negra, e o que os dados de DNA revelam, embora a gente não tenha levado isso em conta durante esse trabalho em particular, disse à Folha Rinaldo Wellerson Pereira, que coordenou o estudo. Embora os resultados sejam interessantes do ponto de vista histórico e antropológico, o principal objetivo de Pereira e companhia é obter uma ideia mais clara da composição genética da população como ferramenta para entender correlações entre o DNA e uma série de doenças. Sabe-se que todo tipo de moléstia pode ter relação com a ancestralidade do doente, mas os dados sobre a associação entre uma coisa e outra disponíveis hoje são, quase sempre, de populações como europeus ou norte-americanos, nas quais a mistura étnica teve importância relativamente baixa. Daí a necessidade de conseguir dados originais no Brasil. Os resultados foram obtidos com amostras de 200 pessoas, divididas em cinco grupos de mesmo tamanho, cada um deles oriundo de zonas urbanas de uma das regiões do Brasil. Os voluntários conseguiram na Justiça o direito de ter seu DNA examinado gratuitamente em investigações de paternidade e assinaram formulários aprovando o uso do material genético para a pesquisa. Como são pessoas que não podiam pagar pelo exame, é possível que a amostra contenha uma proporção maior de pardos do que a população geral, embora nós não tenhamos feito essa análise, diz Pereira. Para estimar as contribuições relativas de europeus, africanos e indígenas, os pesquisadores usaram um conjunto de 28 SNPs (pronuncia-se snips), minúsculas variantes genéticas que
  • 177.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 178 de 323 correspondem à troca de uma única letra no alfabeto químico do DNA. (Cada pessoa carrega, em seu genoma, 3 bilhões de pares dessas letras). Muitos SNPs são típicos de determinadas populações do mundo, sendo bem mais frequentes em europeus ou africanos, por exemplo. Pais postiços A segunda fase da análise é comparar a presença desses 28 SNPs no DNA dos brasileiros estudados com a distribuição deles em populações parentais, ou seja, que poderiam servir como uma versão simulada dos grupos que se miscigenaram e deram origem à população brasileira atual. Para isso, os pesquisadores recorreram a amostras de DNA de africanos (de Botsuana, Camarões, Gana e Senegal), americanos de Chicago e Baltimore com origem europeia e índios zapotecas, do México. Como os SNPs discriminam a ancestralidade em nível continental, essas populações parentais são suficientes, embora não reflitam historicamente as nossas, avalia Pereira. População mestiça Os resultados obtidos pela equipe de Brasília são mais uma prova do cuidado necessário para estudar a associação entre doenças e características genéticas numa população miscigenada como a brasileira. Já houve estudos de associação genética com grupos definidos como brasileiros brancos e brasileiros negros. No fundo, essas definições não querem dizer absolutamente nada, afirma Pereira. Em países como os EUA, conta ele, já chegaram ao mercado alguns medicamentos voltados de forma específica para os americanos de origem africana, levando em conta o fato de que o organismo de pessoas de diferentes ascendências reage de maneira variada a certas substâncias. Agora, imagine uma droga dessas no Brasil. Não adianta uma pessoa ter aparência africana para você prever se ela vai responder ao remédio. Não tem como saber se ela possui o bendito alelo [variante genética] ligado àquela resposta, explica. Poucos genes Se parece misterioso o fato de que uma pessoa com biotipo africano tenha organismo branqueado e ascendência predominantemente europeia, é preciso levar em conta o fato de que, até onde se sabe, são poucas dezenas de genes (dentre os 20 mil estimados para o genoma humano como um todo) que coordenam as diferenças de pele, cabelos e olhos. É por isso que uma contribuição pequena das outras etnias ainda caracteriza a aparência de muitos brasileiros. 01/09/2009 Manchete: Internet chega aos 40 anos com ameaças a seu crescimento. Resumo: Poucos prestavam atenção, em 2 de setembro de 1969, quando cerca de 20 pessoas se reuniram no laboratório de Kleinrock, na Universidade da Califórnia (EUA), para assistir dois computadores passando volumosos dados de teste sem sentido por meio de um cabo cinza, cujo comprimento era de mais ou menos 15 metros. Vídeos divertidos não estavam na mente de Len Kleinrock e sua equipe da Universidade da Califórnia, quando começaram os testes daquilo que, em quatro décadas, tornaria-se a internet. Tampouco as redes sociais eram pensadas, ou a maioria de outros aplicativos cujo uso fácil atrai mais de um bilhão de pessoas on-line. Em outro viés, os pesquisadores procuraram criar uma rede aberta para a troca livre de informações --uma abertura que, em última instância, estimulou a inovação que mais tarde iria criar sites como YouTube, Facebook e a própria World Wide Web. Há ainda muito espaço para inovação --mesmo que a noção de abertura esteja ruindo. Embora a internet esteja disponível de forma mais ampla e rápida do que nunca, as barreiras
  • 178.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 179 de 323 artificiais ameaçam a continuidade do seu crescimento. Em outras palavras, uma crise de meia-idade. Muitos fatores são culpados. Spam e ataques de piratas virtuais forçam os operadores de rede para erguer barreiras de segurança. Regimes autoritários bloqueiam o acesso a muitos sites e serviços dentro de suas fronteiras. Há mais liberdade ao usuário típico de internet para jogar, para se comunicar, fazer compras --mais oportunidades do que nunca, afirma Jonathan Zittrain, professor de direito e cofundador da Harvard's Berkman Center for Internet Society. Por outro lado, o que é preocupante, existem algumas tendências de longo prazo que estão fazendo com que seja muito mais possível o controle [da informação]. Retrospecto A década de 1970 trouxe comunicações por e-mail e os protocolos TCP/IP --inovações que permitiram a conexão de várias redes e que, por sua vez, formaram a internet. Os anos 1980 deram origem a um sistema de endereçamento com sufixos como .com e .org, aos endereços de rede, cujo uso é amplamente difundido. A internet não se tornou uma palavra corriqueira até os anos 1990. Porém, depois que um físico britânico Tim Berners-Lee inventou a World Wide Web (subconjunto da internet que facilita a ligação de recursos por meio de posições diferentes). Enquanto isso, prestadores de serviços como o America Online colocaram milhões de pessoas conectadas. A obscuridade ajudou com que a internet florescesse livre de restrições regulamentares e comerciais, que podem desestimular ou mesmo proibir experimentação. Durante a maior parte da história da internet, ninguém tinha ouvido falar dela, afirma Zittrain. Isso deu tempo para que ela se provasse funcional e criasse raízes. Até mesmo o fluxo livre de pornografia levou a inovações na rede, como os pagamentos de cartão de crédito, o vídeo on-line e outras tecnologias, hoje bastante difundidas no uso geral. Ao permitir o acesso ilimitado, mil flores florescem, diz Kleinrock, o inventor da rede em 1969, que é professor da Universidade da Califórnia desde 1963. Uma coisa que você pode prever sobre a internet é que você vai se surpreender com aplicativos que não esperava. Esse idealismo, entretanto, está se dissolvendo. A disputa entre Google e Apple mostra algumas dessas barreiras. A Apple, com seu iPhone, restringe os softwares que podem ser colocados no smartphone. Recentemente, a empresa de Steve Jobs bloqueou o aplicativo para o Google Voice, dizendo que ele é muito pesado para o iPhone. Céticos, contudo, sugerem que se trata de um movimento do Google para competir no serviço de celulares inteligentes. Entre desktops, o governo dos EUA trabalha com o conceito de neutralidade na internet. Na prática, significa que um provedor de serviços pode não trafegar certas formas de dados como outros. Mesmo que os prestadores de serviços não interfiram ativamente no tráfego, podem desencorajar o uso dos consumidores irrestrito da internet com limites no uso de dados mensais. Alguns provedores de acesso estão testando limites drasticamente mais baixos ---que poderiam significar um custo adicional para assistir a um filme on-line de qualidade. Você está menos propenso a experimentar as coisas, diz Vint Cerf, um dos fundadores da Internet. Porque ninguém quer uma fatura surpreendente no final do mês. 01/09/2009 Manchete: Britânicos desenvolvem escudo de proteção contra asteroides. Resumo: Cientistas britânicos surpreenderam o mundo ao anunciar que estão construindo uma espécie de escudo contra asteroides para proteger a Terra de possíveis impactos. O grande bloqueador trata-se de um trator de gravidade, com cerca de 10 t, que desviaria estes corpos celestes anos antes de uma colisão.
  • 179.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 180 de 323 O instrumento, que utilizaria a força G para seu funcionamento, está sendo desenvolvido pela empresa espacial EADS Atrium, que trabalha com base em uma ideia original de dois astronautas da Nasa, agência espacial americana. Sinceramente, pensei que fosse uma loucura. Que nunca funcionaria, afirmou o Dr. Ralph Cordey, chefe de exploração da EADS Astrium. Segundo ele, o bloqueador interceptaria o asteroide a apenas 48 m de distância e exerceria uma pequena força gravitacional sobre ele, redirecionando-o para uma rota diferente da que está a Terra. Data: 10/07/2009 Manchete: Bill Gates patenteia método de controle climático. Resumo: Bill Gates é um dos homens mais ricos do mundo e foi um dos responsáveis pela revolução tecnológica que culminou na cultura informacional de hoje. Agora, ele quer controlar o clima do planeta. Em um processo de patente datado de 2008, o ex-executivo da Microsoft está listado como um dos inventores de um projeto que poderá acabar com furacões e tempestades tropicais. O novo método prevê o uso de uma frota de navios equipada para misturar a água quente da superfície do oceano com a água fria encontrada sob grandes profundidades. Ao diminuir a temperatura da superfície, os criadores pretendem eliminar a condensação das águas quentes, grande responsável pelas tempestades. O texto do registro de patentes prevê que os governos das áreas normalmente atingidas por furacões poderão cobrar taxas de segurança para manter o projeto em atividade. Data: 08/07/2009 Manchete: Google desafia Windows e anuncia sistema operacional. A gigante de softwares Google está desenvolvendo um sistema operacional para computadores pessoais, em um desafio direto ao líder de mercado, o Windows, desenvolvido pela Microsoft. Resumo: O Google Chrome OS (operating system) será voltado inicialmente para netbooks, computadores portáteis menores, mais baratos e com menos recursos que os laptops. Máquinas equipadas com o Google Chrome OS devem estar no mercado em meados do ano que vem. A idéia é, no futuro, usar o sistema operacional também em PCs. Rapidez, simplicidade e segurança são os aspectos-chave do Google Chrome OS, anunciou a empresa em seu blog oficial. Segundo a Google, o sistema operacional será uma extensão natural do seu navegador de internet, Chrome. O novo sistema operacional será um software de código aberto (open source). Para a Microsoft, a notícia vem poucos meses antes do lançamento da nova versão do seu sistema, o Windows 7. Volta aos princípios Os autores do comunicado, Sundar Pichai, vice-presidente de produtos do Google, e Linus Upson, diretor-engenheiro da empresa, disseram que o novo sistema foi desenhado para ser rápido e leve, iniciar e levá-lo para a internet em questão de segundos. Os sistemas operacionais que os usuários têm à disposição foram desenhados em uma era em que não havia a rede, eles argumentaram, acrescentando que o Chrome OS é nossa tentativa de repensar o conceito de sistemas operacionais. A pesquisa levou os programadores de volta aos princípios, afirmaram. Estamos redesenhando completamente a arquitetura de segurança subjacente do sistema, de forma que os usuários não tenham que lidar com vírus, programas malignos e atualizações de segurança. Para a Google, um sistema operacional tem simplesmente que funcionar.
  • 180.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 181 de 323 A gigante de software já possui um sistema operacional para telefones celulares, que também pode ser usado em netbooks. O Chrome OS será voltado também para laptops e computadores de mesa de usuários que passam muito tempo conectados. Competitividade O anúncio pode mudar dramaticamente o mercado de sistemas operacionais, especialmente o nicho da Microsoft, cuja participação nele é de cerca de 90%. Este é um grande anúncio, disse um analista, Rob Enderle, presidente do grupo Enderle. É a primeira vez que temos no mercado um sistema operacional competitivo de fato. Este tem o potencial de balançar as coisas e é a primeira tentativa real de fazer frente à Microsoft. O analista disse à BBC que a Google está chegando (neste nicho) de cabeça fresca, e que o Chrome OS é o primeiro sistema operacional pós-internet, baseado em uma série de serviços da web, desenhado de baixo para cima e repensado para um mundo conectado. No ano passado, a empresa lançou seu navegador Chrome, anunciado como para pessoas que vivem na web - procurando informações, checando emails, acompanhando as noticias, comprando ou simplesmente mantendo o contato com os amigos. Para Stephen Shankland, da CNET, o lançamento tem grandes implicações. Uma é mostrar quão séria é a proposta da Google de tornar a rede uma base não apenas para páginas estáticas, mas aplicativos ativos, especialmente os seus próprios, Google Docs e G-mail, ele afirmou. Outra é iniciar uma nova competição com a Microsoft e, potencialmente, dar uma nova razão para autoridades de regulação da concorrência prestarem atenção aos passos da Google. Para outros analistas, as motivações da Google são bastante claras. Um dos principais objetivos da Google é tirar a Microsoft (do mercado), destruir sistematicamente a sua participação no mercado, disse Enderle. A Google quer eliminar a Microsoft e esta é uma batalha única. A estratégia é boa. A grande questão é: será que vai funcionar? Em um blog popular, TechCrunch, o autor de uma postagem sobre o tema, MG Siegler, disse que é preciso ser claro sobre o que isto realmente é. Isto é a Google soltando a mãe de todas as bombas sobre sua rival, a Microsoft. A companhia de Bill Gates deve lançar o seu Windows 7 no fim deste ano para substituir o Windows Vista e o Windows XP, que já tem oito anos. Segundo a empresa, hoje 96% dos netbooks funcionam com Windows. Data: 01/07/2009 Manchete: SP apresenta 1° ônibus a hidrogênio feito no Brasil . Resumo: A Empresa Metropolitana de Transportes de São Paulo (EMTU/SP) apresentou nesta quarta-feira em São Bernardo do Campo, no Grande ABC Paulista, o primeiro ônibus movido a hidrogênio montado no Brasil. O veículo irá circular nas linhas do Corredor Metropolitano ABC (São Mateus-Jabaquara). O veículo foi construído em Caxias do Sul (RS) por duas empresas: Tuttotransporti e pela Marcopolo. Outros três veículos serão adquiridos pela EMTU a partir do ano que vem. O processo de movimentação do veículo acontece quando o hidrogênio armazenado nos tanques do Ônibus é submetido a um processo eletroquímico, que produz energia elétrica por meio da fusão do hidrogênio com o oxigênio do ar, liberando água como subproduto. O combustível é considerado limpo por não liberar nenhum tipo de poluente. O veículo possui autonomia de 300 km de rodagem com o uso de hidrogênio. Caso necessário, ele poderá rodar mais 40 km utilizando energia reservada em baterias. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), esteve na apresentação do veículo e
  • 181.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 182 de 323 afirmou que considera importante que o Brasil esteja entre os cinco países que controlam sobre esse tipo de tecnologia. No nosso caso, conseguimos até avançar um pouco mais. Já que desenvolvemos um veículo com tecnologia híbrida, utilizando tanto hidrogênio quanto eletricidade, disse. De acordo com Carlos Zundt, coordenador nacional do Programa do Desenvolvimento do Ônibus Movido a Hidrogênio, diariamente o coletivo deverá rodar cerca de 250 km. Todos os teste necessários foram feitos e o veículo mostrou um bom desempenho, conta. Zundt afirmou, que por questões contratuais, não pode revelar o valor exato do veículo, mas disse que ele gira em torno de R$ 2 milhões, preço de um trolebus comum. Ainda segundo ele, com a compra de outros três coletivos, o valor unitário deve cair cerca de 20% no seu preço final. Data: 25/06/2009 Manchete: Brasil detém metade dos internautas da América Latina, diz estudo. Resumo: Um estudo conduzido pela consultoria everis e pela Escola de Negócios da Universidade de Navarra (IESE Business School) aponta que um em cada dez internautas mundiais (cujo total chega a 1,6 bilhão) está na América Latina. A metade deles dos usuários de internet na região está no Brasil. De acordo com a pesquisa, dos 44 países avaliados entre 2000 e 2008, nove aumentaram seu número de usuários em um ritmo superior a 40% por ano. Brasil, Colômbia, Cuba e Paraguai são os latinos entre eles. Mas são países como Paquistão e Marrocos que apresentaram os crescimentos mais velozes: 57,5% e 56,2% por ano, respectivamente. Os países que concentram um número maior de usuários de Internet em todo o mundo são China (285 milhões), Estados Unidos (234,4 milhões), Japão (89 milhões) e Índia (86,2 milhões). Somados à Alemanha, o país europeu de maior número de usuários (61,9 milhões), correspondem a mais da metade do total mundial, quase 833 milhões (51,4%). O Brasil é o 5º país do mundo em número total de pessoas que navegam na rede. O estudo também revelou que, em 2008, 62% dos acessos à internet no mundo foram feitos por intermédio de banda larga. Entre os países avaliados, 19 têm mais de 90% das conexões em banda larga. A Coreia tem 100%, Suíça, França, Estados Unidos e Portugal têm 99% ou mais e Espanha tem 96,8%. O Chile é o único país latino-americano dentro da alta percentagem, com 97,5% de suas conexões feitas por banda larga. A maior parte dos países da América Latina está na faixa entre 70% a 80% dos seus acessos feitos por banda larga. Em primeiro lugar, Colômbia (88,8%), seguido de Venezuela (85,4%), Brasil (84,9%), Uruguai (80,1%), México (80%) e Argentina (72,4%). Data: 02/04/2009 Manchete: Netbook, o magnífico! Ele é muito menor e mais barato do que um laptop, mais prático e potente do que um PDA e tão fácil de usar como um celular. Resumo: Originalmente concebido para ser apenas mais uma etapa do processo de miniaturização (e evolução) dos notebooks, o Netbook está se transformando na maior aposta da informática neste início de século. Trata-se de uma versão ainda menor do que o laptop e que mais parece um brinquedo, um grande PDA ou um imenso celular. Mas o que ele enseja é de fazer pensar. O equipamento, que roda Windows ou Linux (com clara vantagem para o sistema aberto, mais leve do que o da Microsoft), é um colosso de silício: graças à nanotecnologia, ele tem a
  • 182.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 183 de 323 capacidade de memória e de disco similar a de muitos computadores de mesa; pesa menos da metade de um notebook de última geração e ocupa 1/3 do espaço; além disso, sua bateria, baseada na mesma tecnologia das de celular, pode durar um dia inteiro, diferentemente das células de energia dos laptops, que aguentam umas poucas horas. Algumas empresas de telecom nos Estados Unidos e no Japão já anunciaram que venderão o Netbook por cerca de US$ 50, atrelado a um pacote de ligações telefônicas - como as operadoras costumam fazer com os modelos mais caros de telefone celular. Já será uma revolução. Mas o que está mesmo chamando a atenção dos analistas é a possibilidade de se mudar drasticamente um cenário corporativo responsável por enormes gastos anuais. O Netbook, por custar menos da metade de um notebook, tem tudo para se transformar no melhor amigo dos executivos e profissionais de campo das empresas. Companhias ao redor do mundo já fazem suas contas: quanto um funcionário rende a mais com a troca do laptop (ou palmtop) pelo Netbook. E os números são bastante animadores. Alguns senões ainda precisam ser ultrapassados, é claro. O aparelho tem tela pequena, que dificulta a visualização de imagens mais amplas, por exemplo; também não consegue “rodar” todos os programas disponíveis no mercado - principalmente editores de fotos, que precisam de mais memória. Porém, são problemas pontuais, que não devem atrasar a evolução do equipamento. A consultoria Gartner, especializada em pesquisas de mercado (com ênfase em informática), aposta que o Netbook deve fechar 2009 com uma fatia de cerca de 10% do mercado de computadores. É mais uma revolução da tecnologia, revolução que deve, inclusive, mudar o top ten das empresas mais importantes da indústria. Data: 01/04/2009 Manchete: Tela sensível revolucionará a comunicação das empresas. Destino do aparelho é aproximar ainda mais produtos e serviços do público consumidor. Totem é multimídia e 100% interativo. Resumo: A criação é da Perceptive Pixel, companhia especializada na chamada tecnologia touch screen. O homem por trás do equipamento, Jefferson Han, pesquisador da Universidade de Nova York. O primeiro cliente, a CIA; quem também se interessou foi a Nasa. Mas a grande revolução da tela concebida por Han e seus engenheiros tem a ver, isto sim, com a comunicação das empresas com seus clientes. A Perceptive inovou o touch screen, elevando-o à categoria de multitouch. Isso significa que você pode usar todos os dedos (e ao mesmo tempo) para navegar pela tela de cristal líquido. Além disso, as telas são enormes, com mais de um metro de largura e cerca de meio metro de altura (embora possa ser instalada na vertical). Imagine, agora, um monitor absolutamente interativo, em que o cliente possa escolher produtos em um shopping virtual, por exemplo. Ele tem a chance de ver o que quer comprar, “mexer” no produto, incluir características (no caso de produtos customizáveis), aumentar a imagem, enviá-la para si mesmo via e-mail. Imagine também um grande mapa (ao estilo Google Maps) na tela. O consumidor pode enxergar um trajeto inteiro, definir paradas, criar pontos de referência, descobrir lugares interessantes para visitar. Ao tocar no ícone de um restaurante, ele pode ver o lugar em 3D, reservar uma mesa depois de consultar o menu interativo. Tudo isso e muito mais torna-se possível com a criação da Perceptive Pixel. E os clientes começam a fazer fila. São aeroportos (que terão totens para venda de passagens e consulta de voos); lojas de departamentos e shopping centers (que usarão as telas para anunciar promoções, telas pelas quais os produtos podem ser comprados online, na hora, sem que o cliente precise procurar um atendente); livrarias; museus (que podem deixar à disposição dos visitantes informações adicionais a suas exposições e vender produtos relacionados às
  • 183.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 184 de 323 mostras); cinemas (com a opção de assistir a trailers de todos os filmes e comprar os ingressos sem ter de enfrentar filas). As possibilidades são infinitas. E a Perceptive Pixel sabe disso… Data: 02/04/2009 Manchete: Um poderoso aliado contra o câncer de mama. Novo (e revolucionário) exame “descobre” nível do tumor, facilita tratamento e reduz custos com quimioterapia. Resumo: Cientistas do MIT (o célebre Massachussets Institute of Technology), do Albert Einstein College of Medicine e do Weill Cornell Medical School desenvolveram um exame de sangue que ajuda os médicos a identificar, precisamente, que mulheres com câncer de mama podem (e devem), mesmo, ser submetidas a tratamentos mais agressivos. Os pesquisadores, entre eles o professor de Biologia do MIT Frank Gertler, criaram o teste baseados em uma descoberta recente: três tipos de células inerentes ao câncer e que permitem dizer, com certeza, que tumores sofrerão metástase e quais têm chance de se espalhar pelo corpo. A notícia, publicada no Clinical Cancer Research, pode significar menos internações em hospitais, menos sessões de quimioterapia e mais chance de cura para a doença. O câncer de mama é o mais comum dos cânceres em mulheres. No ano passado, 182 mil mulheres nos Estados Unidos foram diagnosticadas com a doença; destas, mais de 40 mil morreram. A cirurgia é, quase sempre, a primeira escolha para as pacientes. Já as que sofrem com um tumor mais agressivo precisam de tratamentos adicionais, com quimioterapia e radiação - para diminuir a chance de a doença se espalhar. Contudo, estudos do MIT mostram que apenas 40% das pacientes chega a desenvolver, de fato, metástase. “Isso significa que muitas dessas mulheres são expostas desnecessariamente aos tratamentos”, diz o co-autor do estudo, professor John S. Condeelis, da cadeira de Anatomia do Albert Einstein College of Medicine. “Ou seja, é possível evitar os efeitos colaterais desses tratamentos em grande parte das pacientes, efeitos que, muitas vezes, ajudam a piorar o quadro da doença”. Recentemente, Condeelis descobriu que o câncer de mama só se espalha pelo corpo quando se percebe a presença de um trio de células específicos num mesmo ponto microanatômico do seio - entre elas a célula cancerígena que produz a proteína Mena. O exame de sangue revolucionário, que está em fase de testes finais, é capaz justamente de localizar esse trio maligno e acender a luz vermelha para o médico. É questão de tempo até que as mulheres ganhem um aliado fundamental para se defender do câncer. Um aliado que diminuirá o número de vítimas e também os gastos desnecessários de pacientes, hospitais e laboratórios. Além do tempo dos médicos. Data: 31/03/2009 Manchete: Tela de LCD maior e mais econômica. Empresas do setor apostam em tecnologia ambiental para ganhar mercados. O custo em PD é alto, mas as vendas compensam. Resumo: Quanto maior a TV, mais cara ela é e mais energia ela gasta. A primeira parte dessa máxima do século 20 permanece verdadeira; a segunda, graças ao cristal líquido e ao plasma (que substituíram o tubo), não corresponde mais à realidade. O filão das telas ultrafinas cresce a taxas bastante interessantes: em 2008, 84% de todos os televisores vendidos no Brasil eram de LCD ou plasma. E a indústria investe pesado, ano após ano, para refinar a qualidade dos aparelhos e aumentar a margem de lucro. Capitalismo, claro!
  • 184.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 185 de 323 O problema é que os consumidores querem TVs cada vez maiores: 32, 40, 50, 70 polegadas. Verdadeiros cinemas na sala de estar. Com isso, a segunda parte da citada máxima volta a ser uma questão importante, porque o consumidor também quer um produto econômico (por causa da conta de luz no final do mês e, sobretudo, pela pressão social e ecológica destes tempos). Pensando nisso, a Samsung está lançando uma família nova de TVs de LCD. E garante que elas gastam 40% menos energia do que os LCDs convencionais. Com 40, 46 e 55 polegadas, têm pouco mais de 1 cm de espessura e vêm com painéis traseiros (os chamados backlit panels) livres de mercúrio. Evidentemente, por trás da preocupação ambiental da Samsung (que é fundamental) está um programa feroz de distanciamento do mercado regular de flat TVs, chamando a atenção do mercado consumidor para um produto novo e “responsável”. Essa é uma estratégia de muitas companhias (não apenas de tecnologia): criar uma aura mais “humana” sobre seus produtos. Os principais institutos de pesquisa (aqui e alhures) indicam que trabalhar atrelado à consciência do consumidor rende frutos no curto prazo. E é a aposta dos coreanos da Samsung, como também de dezenas de outras empresas de tecnologia ao redor do mundo. Portanto, a máxima deste terceiro milênio parece ser esta: “Companhias que percebem as mudanças de comportamento dos clientes antes das rivais de mercado ganham uma fatia especial do bolo”. Data: 30/03/2009 Manchete: Cadê o fazendeiro? Site reúne produtores dos Estados Unidos e funciona como uma espécie de Facebook ou Orkut entre eles e seus consumidores. Resumo: Chama-se Find the Farmer e está se transformando em um canal de relacionamento dos mais interessantes. A ideia é de um ex-executivo “dotcom” que se estressou com a boçalidade de sua função no mundo virtual e resolveu criar algo que afetasse positivamente o cotidiano das pessoas. Há seis anos, Josh Dorf adquiriu, da Unilever, a marca Stone-Buhr, que produz, entre outros grãos, principalmente farinha de trigo. Ele sempre tivera um pé no campo - desde menino - e queria voltar às origens da família. Pouco tempo depois, percebeu que, diferentemente do que ocorria no começo do século passado e até a década de 1950, os consumidores já não sabiam de onde vinha o alimento que serviam para seus filhos. Era preciso “apresentar” os produtores a seus clientes. Para isso, criou o site de relacionamento, que reúne dezenas de fazendeiros dos estados de Washington e Oregon. E a experiência de Dorf na Internet foi fundamental para que ele não perdesse tempo com tacadas erradas. Esse tipo de comunidade está na moda e é chamada de “traceability”. A palavra não tem um correspondente em português, mas, neste caso, representa a capacidade de rastrear um produto com o objetivo de melhorar a sua logística. Empresas de bananas, chocolates e outros tipos de alimento já experimentam o uso da tal traceability para ampliar mercados - inclusive usando Internet. Mas o que Josh Dorf fez é único: uma rede social que leva o consumidor até o fazendeiro. A partir do momento que ele compra um produto, basta entrar no site e digitar o código do lote daquele produto. Em instantes, fica-se sabendo de que fazenda ele é proveniente, quando foi colhido, quando foi ensacado, os pormenores sobre uso de implementos agrícolas antes da colheita, os conservantes, as políticas de gestão da empresa, se usa sementes transgênicas, se tem
  • 185.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 186 de 323 política de responsabilidade ambiental etc. O internauta pode fazer perguntas via e-mail para os fazendeiros e até marcar visitas monitoradas às fazendas. “Não é apenas um canal que melhora a relação do consumidor com o alimento”, diz Dorf. “Não é uma questão puramente gastronômica, mas de respeito a esse consumidor”. Ele se refere ao fato de que, quando sabem que estão sendo monitorados mais de perto, os produtores tendem a ser mais transparentes e tomar mais cuidado com toda a cadeia produtiva. O Congresso americano também está de olho nessa nova ferramenta de comunicação via Internet para um outro objetivo: diminuir o impacto que certas crises no setor agrícola podem causar. O caso mais recente de pandemônio na economia agrícola norte-americana diz respeito à chamada “Crise da Salmonella” na produção de amendoins. Os boatos a respeito da bactéria (a maioria absolutamente infundada) derrubaram as vendas e deixaram um rastro de destruição no campo. A companhia que Dorf dirige, a centenária Stone-Buhr, com base em San Francisco, quer mudar para sempre o cenário agropecuário norte-americano. Levando-se em consideração o atual crash econômico mundial e a necessidade de aumentar os níveis de emprego nos Estados Unidos (promessa de campanha do presidente, Barack Obama), parece que Dorf é o homem certo, com a ideia certa, no momento certo. Data: 28/03/2009 Manchete: O Wall-E já está entre nós? Robô trabalha 24 horas, aumenta produtividade, diminui acidentes e se torna diferencial para as empresas de distribuição. Resumo: Quem assistiu a Wall-E, um dos mais recentes blockbusters digitais da Disney/Pixar iria se identificar na hora. Nos 100 mil metros quadrados de um galpão em Denver (EUA), pertencente a uma das líderes mundiais do setor de material para escritório, a Staples, seres humanos não são bem-vindos. Pelos corredores, e atravessando as estantes do imenso warehouse - algumas com mais de 10 metros de altura -, apenas robôs alaranjados. São, ao todo, 150 e se movimentam freneticamente, buscando produtos e levando-os até a expedição. E os pedidos são enviados até esses incansáveis operadores mecânicos por e-mail, graças a uma interface que “fala” quase todos os idiomas - PC, Mac, Linux etc. Desde que foi criada, em 2005, a Kiva, empresa fabricante dos robôs (ou bots, como são chamados pelos clientes), vendeu mais de 2 mil unidades. A missão dos bots é aumentar a produtividade, evitar acidentes comuns quando pesadas máquinas são operadas por seres humanos e permitir que as empresas possam trabalhar continuadamente, o que também significa prazos menores e um incremento da capacidade de competir por novos mercados. “Os robôs da Kiva estão para a distribuição de produtos como o PC esteve para o mainframe”, sugere Laurence Plourde, vice-presidente da Staples, uma das empresas norte-americanas que mais investem em mecanização logística. A Kiva, com sede em Boston, trabalha, agora, para diminuir o tamanho de sua criação e formar uma ‘família de bots’ - capazes de cumprir tarefas que requeiram ainda mais agilidade em espaços exíguos, como centrais postais, por exemplo. Os bots da Kiva em ação no galpão de produtos da Staples, gigante norte-americana do setor de material para escritório É a realidade do mercado imitando a ficção - até na cor. Data: 28/03/2009 Manchete: O cérebro humano, gene a gene
  • 186.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 187 de 323 Pesquisadores estão desvendando neurônios específicos. Trabalho pode gerar novos medicamentos e baratear custos de pacientes, hospitais e laboratórios. Resumo: Trabalho no Allen Institute tem muita tecnologia, mas a dissecação de partes do cérebro precisa ser feita à moda antiga. O Projeto Genoma já decifrou o DNA humano há mais de cinco anos, mas a maior parte do principal órgão do corpo humano segue uma incógnita. “O cérebro é incrivelmente sangrento”, diz Jonah Lehrer, autor de uma reportagem extensa na revista Wired deste mês. Ele esteve na sala de dissecação do Allen Institute for Brain Science, em Seattle (EUA). O grupo de cientistas está realizando experiências inéditas para desvendar cada gene do córtex e definir os neurônios específicos de cada região do cérebro. É verdade que, visualmente (como a foto acima mostra), o trabalho parece coisa de açougueiro, mas cada fatia do cérebro guarda informações valiosas para que se encontrem, num futuro próximo, curas para doenças tão díspares quanto a esquizofrenia e o autismo. O que os cientistas estão fazendo é tentando descobrir as reais funções de cada gene - trabalho que resultará no Allen Brain Atlas. Orçado em mais de US$ 55 milhões, o esforço dos especialistas de Seattle pode refletir em tratamentos mais conclusivos para diversos males que afligem o ser humano - e também menos custosos para pacientes, hospitais e laboratórios. Muito do dinheiro envolvido no projeto foi alocado na aquisição, adaptação e construção de robôs (os chamados “laboratory robots”), cujo trabalho 24 horas equivale ao de uma centena de laboratoristas durante vários anos. Graças à cibernética, o trabalho dos cientistas deve demorar cerca de 20 meses para ser concluído. A cada dia o instituto produz mais de 1 terabyte de informação nova - só para comparar, todo o Projeto Genoma não produziu mais que 3Gbytes de dados. É a imensidão do cérebro humano sendo, finalmente, revelado. Data: 27/03/2009 Manchete: Computador com sexto sentido! O famoso Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) apresentou, no começo de março, um aparelho que vai mudar o mundo. Resumo: O aparelho no pescoço de seu criador: câmera integrada, headfones e minicomputador conectado à Internet O aparato ainda se parece com uma bugiganga dos anos 90, mas o que é capaz de fazer impressiona logo à primeira vista. Trata-se de um minicomputador, pendurado no pescoço, capaz de projetar e capturar imagens e que interage com os movimentos de mão do usuário. Com sensores acoplados na ponta dos indicadores e polegares é possível tirar fotos apenas enquadrando, com as mãos, o que se quer fotografar. Também é possível projetar, por exemplo, o teclado de um celular na palma da mão e fazer uma ligação – o aparelho também tem fones de ouvido. Ainda em fase de testes no MIT, o Sixth Sense Wearable Computer (em português, algo como “computador para vestir com sexto sentido”) dá ao usuário uma capacidade única de tomar decisões em seu dia-a-dia. Na palestra que reuniu estudantes e jornalistas, na sede do MIT, em Massachussets, a pesquisadora Pattie Maes, que gerencia o projeto, deu dois exemplos práticos. No primeiro, em um supermercado, Pranav Mistry, aluno indiano do MIT e o gênio por trás da tecnologia do Sixth Sense, examina produtos. Cada vez que ele pega um produto, os sensores entram em ação. A câmera ‘analisa’ o produto (graças à conexão via Internet) e ‘diz’ ao consumidor se aquela é uma boa escolha. O sistema leva em consideração uma série de
  • 187.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 188 de 323 conceitos previamente estabelecidos pelo usuário, como características físicas do produto, se ele é ecológico, se é o mais barato, se a garantia é maior que a dos concorretes etc. No novo pacote econômico de Barack Obama, surge um vídeo com o presidente falando sobre o pacote. E os vídeos podem ser projetados em qualquer lugar: uma parede, a capa de um caderno e até outra pessoa. Esta última, diga-se, é a mais polêmica função do Sixth Sense. Ao apertar a mão de um colega de MIT, Pranav projetou sobre a camiseta do amigo dados sobre ele: nome completo (caso tenha se esquecido…) e últimos posts do blog pessoal. A tecnologia é perfeita para encontros de executivos, pois o sistema captura as informações do interlocutor e cria cartões de visita virtuais. A agenda telefônica está sempre disponível e é atualizada toda vez que um novo rosto e um novo “cartão pessoal virtual” é agregado. Claro que ainda faltam ajustes no aparelho – e um pouco de cuidado com o design -, mas parece que o mundo, e a interação entre as pessoas, vai mudar bastante com a nova tecnologia do MIT. Do jeito que foi apresentado, o Sixth Sense tem preço de mercado em torno de US$ 350. E os apalusos efusivos após a palestra de Pattie já dão bem a noção do sucesso de público que o produto pode ter. Pattie Maes faz a apresentação do Sixth Sense. Na tela, aparelho projeta teclado de celular na palma da mão do usuário; é só 'discar' e falar... Data: 25/03/2009 Manchete: 2Gbytes na ponta do dedo, literalmente. Programador de computadores finlandês, que sofreu acidente de moto, criou prótese com pen drive para dedo da mão esquerda. Resumo: Trata-se, com certeza, de um finlandês amalucado. Jarry Jalava tem 29 anos de idade e, no começo de 2008, sofreu um acidente de moto que lhe rendeu, além de uma série de escoriações, a perda de parte do dedo anelar esquerdo. Programador de computadores, ele precisava de uma prótese – o mais rápido possível, evidentemente – para voltar à ativa. Mas o que podia ter se tornado apenas mais uma história de um homem e seu desafio de vida acabou se transformando em um case de tecnologia sem precedentes. Jerry resolveu aproveitar o infortúnio para criar um gadget absolutamente radical: implantou, na ponta da prótese do dedo, uma unidade flash com 2 Gbytes de capacidade. O pen drive está sempre à disposição de seu mestre, que trabalha com um notebook em parte considerável de seu tempo. Ele voltou a trabalhar e, agora, está ainda mais ágil do que de costume! Data: 24/03/2009 Manchete: Fusão a frio: energia limpa e ilimitada. A tecnologia que permite criar energia gratuita e ecológica pode sair dos almanaques de ficção e surgir na linha do horizonte. Parece que agora vai! A fusão a frio, uma pseudo-maluquice que fez as vezes de “pedra filosofal” do século 20, pode estar (mesmo) saindo da prancheta dos físicos e ganhando liberdade. Resumo: O mais curioso é que o grande momento da fusão no século passado, que aconteceu mais precisamente em 1989, teve como palco o mesmo estado norte-americano que, agora, volta a falar sobre o assunto: Utah. Naquela época, Martin Fleischmann e Stanley Pons fizeram barulho com sua teoria de energia limpa, gratuita e ilimitada finalmente ao alcance dos cientistas. Mas os resultados foram contestados (e bem contestados) por físicos nucleares, e a dupla caiu no esquecimento, foi ao limbo depois de quase atingir o paraíso.
  • 188.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 189 de 323 Agora, uma equipe da Califórnia, capitaneada pela cientista Pamela Mosier-Boss, do Space and Naval Warfare Systems Command (SPAWAR), parece ter descoberto a equação certa. O trabalho da equipe foi apresentado no último dia 23 na conferência de inverno da American Chemical Society, em Salt Lake City, Utah. Se ela estiver certa, a descoberta marcará a história da humanidade para sempre. O grande desafio para uma série de mudanças no planeta diz respeito, exatamente, à energia – seus custos, a impossibilidade de levá-la a alguns pontos fundamentais do globo, a atual escassez de várias formas de energia no começo do terceiro milênio. Energia renovável, limpa e de graça é tudo que o planeta precisa para ter esperanças de um futuro pleno. A fusão a frio significaria que a água potável do mundo estaria, finalmente, salvaguardada e deixaria de ser usada para produzir energia (seria o fim, por exemplo, das barragens de hidrelétricas, que tanto mal causam ao meio ambiente e que desviam cursos de rios indiscriminadamente). E é sabido que a grande batalha do futuro terá como um de seus elementos essenciais a luta pela água. Só por evitar um acontecimento tão apocalíptico como esse, a tecnologia da fusão já estaria mais do que paga. Data: 17/03/09 Manchete: Cientistas apresentam robô fashion no Japão. Resumo: Pesquisadores japoneses mostraram, nesta segunda-feira (16), uma robô projetada para ser usada como modelo em passarelas de desfiles de moda. A humanoide tem olhos grandes, nariz pequeno e 42 motores de movimentos programados para mimetizar os passos e expressões naturais de modelos. Olá a todos, eu sou a humana cibernética HRP-4C, diz a fashionista do futuro, abrindo a coletiva de imprensa do Instituto Nacional de Avanços Industriais em Ciência e Tecnologia. A robô fashion tem 1,58 m de altura (a média de altura das mulheres japonesas com idade entre 19 e 29 anos) e pesa 43 kg (incluindo baterias). Segundo seus criadores, ela é inspirada nos desenhos japoneses chamados mangás --ou animês. Temos inspiração deliberada no estilo animê. Seria bizarro se nós fizéssemos um robô tão similar aos humanos reais, disse um dos inventores, o pesquisador de robôs Shuji Kajita. O instituto disse que a androide foi desenvolvida essencialmente para o uso da indústria do entretenimento. No momento, entretanto, ela não está à venda. Desfilando diante dos fotógrafos e equipes de televisão, a ciborgue sedutora fez poses, sorriu para flashes e fez caras e bocas na passarela improvisada, de acordo com os comandos transmitidos via wireless por jornalistas, com intermédio do dispositivo bluetooth de celulares. Porém, num momento da apresentação a modelo confundiu as expressões faciais --um erro que os inventores afirmaram ser uma confusão no seu sistema de sensores para reconhecimento sonoro, causados pelos flashes nervosos das câmeras. A apresentação desta segunda foi uma prévia do que será a aparição da androide em um desfile de moda no dia 23 de março. Como as suas companheiras de passarela, a robô-modelo tem peso leve e preço pesado --custou US$ 2 milhões (cerca de R$ 4,6 milhões), segundo os pesquisadores.
  • 189.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 190 de 323 Da Constituição Federal Título VIII Da Ordem Social Capítulo III Da Educação, da Cultura e do Desporto Seção I Da Educação Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Um adequado grau de instrução da população é requisito essencial para o desenvolvimento do país, para garantir o exercício da cidadania e promover a igualdade de oportunidades na sociedade. O desafio de ampliar a escolaridade e a qualidade da educação no Brasil ainda se coloca de forma marcante, sobretudo em virtude da persistência de problemas de ensino-aprendizagem. O acesso ao ensino fundamental está praticamente universalizado, mas mesmo assim a escolaridade média do brasileiro, que chegou a 6,8 anos de estudo em 2004, permanece abaixo da escolaridade obrigatória no país. Deve ser destacado ainda que vários indicadores revelam a permanência de fortes desigualdades educacionais entre regiões do país, entre o campo e a cidade bem como entre brancos e negros. A prioridade atribuída ao ensino fundamental, contudo, levou à substancial redução da desigualdade no acesso ao nível fundamental de ensino. A baixa da qualidade da educação básica permanece como um dos mais graves problemas do campo educacional no Brasil, mas a ela se somam o analfabetismo, que atinge 11,2% da população brasileira e o acesso restrito aos níveis de ensino não obrigatórios: infantil, médio e, sobretudo, superior, onde apenas 10,8% da população de 18 a 24 anos chega a este nível de ensino. É com o enfrentamento desse conjunto de problemas que será possível modificar a situação atual de baixa escolaridade média da população brasileira. Analfabetismo Durante a década de 90, especificamente no período 1992-98, a taxa de analfabetismo apresentou uma média anual de redução de cerca de 1 ponto percentual. A partir de 1999, cai o ritmo anual de queda do analfabetismo, mantendo-se praticamente inalterada a taxa registrada em 2003 a 2005 (pouco acima dos 11%). Esta estabilização na taxa de analfabetismo ocorre em um nível ainda relativamente elevado, sobretudo quando comparada a de outros países da América Latina, como a Argentina (2,2%, em 2005) e o Chile (3,9%, em 2005). No Brasil, o analfabetismo é um problema que ainda atinge cerca de 14,9 milhões de pessoas. Mas esse elevado nível de analfabetismo do país é fruto de uma situação bastante desigual e diferenciada. Tomando como referência o ano de 2005, evidencia-se que a incidência do analfabetismo na área rural atinge 26,2% da população entre de 15 anos ou mais, cuja proporção é cerca de 5 vezes a da área urbana metropolitana. Se observarmos a situação do analfabetismo na área rural de diferentes Unidades da Federação, são os estados da região nordeste os que apresentam as maiores proporções de analfabetos na área rural, comparativamente aos outros estados do país. Conseqüentemente, é também a região nordeste a que apresenta a taxa mais elevada de analfabetismo, cuja proporção é mais de três vezes a do Sul. A variação das taxas de analfabetismo entre as Unidades da Federação mostra que estados em regiões menos desenvolvidas apresentam os piores indicadores, fato revelador da existência de um sistema educacional reprodutor das históricas diferenças sócio-econômicas no país. Estados como Alagoas e Piauí ainda apresentam taxas de analfabetismo próximas de 30%, muito acima da média nacional. Mesmo a menor taxa encontrada na região nordeste (19,4% em Sergipe) ainda é cerca de quase quatro vezes maior que os menores índices alcançados no restante do país (em torno
  • 190.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 191 de 323 de 5% no Distrito Federal, no Espírito Santo e em Santa Catarina). A desigualdade educacional entre brancos e negros continua elevada. O analfabetismo entre os negros (16,0%) é mais de duas vezes superior ao verificado entre os brancos (7,1%). Quando se consideram os diferentes grupos de população, confirma-se a tendência histórica de que o analfabetismo entre os mais jovens se situe num nível bem menor, registrando 3,0% na faixa etária de 15 a 24 anos e 19,3% para o grupo de idade dos mais de 40 anos. Tais diferenças nas taxas por faixa etária podem ser atribuídas, por um lado, à expansão do atendimento escolar nas últimas décadas, assegurando escola para todos na idade adequada, o que possibilitou uma acentuada redução na taxa de analfabetismo entre os jovens. Por outro, a presença de um maior número de analfabetos entre os brasileiros com 40 anos ou mais é o resultado de um acesso restrito dessas gerações à educação formal no passado. Mas é, também, um indicador de que os programas de alfabetização implementados nas últimas décadas não foram capazes de superar essa dívida educacional. Escolaridade média A escolaridade média da população vem crescendo lentamente (6,9 anos, em 2005, contra 6,4 anos, em 2001) e ainda não conseguiu chegar ao nível de escolaridade obrigatória no país, exceção feita aos residentes da área urbana metropolitana, que já em 2003 apresentavam uma média de 8 anos de estudo. No outro extremo estão os residentes da área rural, com a menor média de anos de estudo (4 anos), correspondente apenas à 1ª etapa do ensino fundamental, confirmando a grande desigualdade educacional entre o campo e a cidade. O ritmo lento de avanço na média de anos de estudo da população brasileira é influenciado, em larga medida, pela persistência de taxas ainda elevadas tanto de reprovação como de evasão escolar. Em que pese a quase universalização do acesso à escola por parte de crianças de 7 a 14 anos, 43% não conseguem concluir a 8ª série do ensino fundamental na idade adequada, o que contribui para manter baixa a média de anos de estudo da população. Quando se analisa a escolaridade média dos diferentes grupos de idade, observa-se que apenas os jovens de 18 a 24 anos apresentam uma média pouco acima do equivalente ao ensino fundamental completo, com 8,6 anos de estudo. O nível de escolaridade da população com mais de 40 anos, embora crescente no período 2001-2005, ainda está abaixo da média do país (são 5,5 contra 6,9 anos de estudo). Também entre as Unidades Federadas, existem pronunciadas disparidades, por exemplo: no Distrito Federal, a população já alcançou a escolaridade média de 8,8 anos, enquanto que na maioria dos estados do Nordeste esse índice não chega a 6 anos de estudos. Acesso aos diferentes níveis de ensino Ensino Fundamental A prioridade atribuída ao ensino fundamental na década passada levou a que a proporção de crianças e adolescentes na faixa de 7 a 14 anos que freqüentam escola se ampliasse gradativamente e se estabilizasse em torno de 97%, a partir 2002. Esse processo de universalização do acesso ao ensino fundamental praticamente eliminou as disparidades, seja entre as diferentes regiões do país, ou por raça e sexo das crianças. No entanto, ainda temos cerca de 3% fora da escola e isto, em parte, pode ser atribuído a um processo lento de inclusão de crianças com deficiência em escolas regulares. Mas não somente estas constituem o contingente fora da escola, também se convive com crianças de famílias pobres envolvidas com a mendicância, moradores de rua, absorvidas na economia familiar e aliciadas pelo crime organizado, inclusive na prostituição infantil. Educação Infantil Na faixa de 0 a 6 anos a proporção dos que são atendidos pela educação infantil é crescente, mas o atendimento permanece relativamente baixo. Para as crianças de 0 a 3 anos é significativo observar que, em 2005, apenas 13,7% freqüentavam creches. No período 2001/2005, o crescimento do atendimento de crianças em creche foi de 3,1 pontos percentuais, número que reflete um ritmo ainda insuficiente para garantir o alcance da Meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que propõe quase quadruplicar, em sete anos, o nível registrado em 2005, para chegar a 50% da população infantil em 2011. Além disso, é importante salientar que apenas 8,5% das crianças de 0 a 3 anos, oriundas de famílias com até ½ salário mínimo per capita, freqüentavam creches em 2005, representando
  • 191.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 192 de 323 cerca de um quarto da taxa de freqüência observada entre as de famílias com renda per capita superior a 3 salários mínimos. Já para a faixa etária de 4 a 6 anos, a proporção dos que freqüentam escola alcançou a 71,3%, superando a meta de 60% estabelecida pelo PNE para 2006. Por isso, estima-se que será alcançada a meta de 80% para 2011. A freqüência à escola por crianças neste grupo de idade também apresentou, em 2005, valores bem diferenciados e crescentes por faixas de renda das famílias. Contudo, diferentemente do que se observa entre as de 0 a 3 anos, na faixa de 4 a 6 anos chega a 63,1% a proporção de crianças de famílias pobres (até ½ salário mínimo per capita) freqüentando escola no ano em análise, o que ressalta a importância da atual oferta de pré-escola realizada pela rede pública de ensino. Se 71,3% de crianças de 4 a 6 anos freqüentam escola, uma parcela menor (61,5%) está na pré-escola, pois muitas crianças de 6 anos estão adiantadas e já matriculadas na 1ª série do ensino fundamental. Ensino Médio Na faixa de idade de 15 a 17 anos, em 2005, foi registrada uma pequena redução na proporção de jovens que freqüentam a escola (de 82,4%, em 2003 para 82,2% em 2005), revertendo uma tendência histórica de ampliação da freqüência escolar neste grupo de idade. Além disso, dos 82,2% que estavam na escola, em 2005, apenas 45,1% se encontravam matriculados no ensino médio, nível adequado à faixa etária considerada. Contudo, é importante salientar que esse resultado sinaliza um aumento de 2 pontos percentuais em relação ao ano anterior (era 43,1%, em 2004), o que reflete a tendência de redução da distorção idade-série, ampliando a oportunidade de mais jovens cursarem o ensino médio na idade adequada. São expressivas as desigualdades na proporção de jovens que freqüentam o ensino médio por região, raça ou sexo, revelando igualmente uma diferença de escolarização entre homens e mulheres do grupo de 15 a 17 anos que não era significativa entre os estudantes com idade até 14 anos. Nesse caso, observa-se que metade das moças de 15 a 17 anos já está no ensino médio, enquanto apenas 40,1% dos rapazes alcançaram este nível de ensino. Mas a distância mais expressiva é a que separa os jovens da área rural e urbana, onde menos da metade dos residentes no campo tem acesso ao ensino médio, comparativamente aos demais. Os jovens negros também freqüentam muito menos o ensino médio (34,3%) do que os brancos (56,5%). Dessa forma, vemos que maiores desigualdades começam a se revelar conforme se ampliam os níveis de escolarização. A situação dos jovens de 15 a 17 anos da região nordeste expõe um forte atraso escolar, já que apenas 27,9% freqüentam o ensino médio, índice muito abaixo da média nacional. O pior indicador é o apresentado por Alagoas, onde somente 20,5% dos jovens em idade adequada estão no ensino médio, enquanto no outro extremo, em São Paulo, a proporção alcança 66,5% dos jovens da mesma faixa etária. Ensino Superior Ao olharmos a situação dos jovens de 18 a 24 anos, com idade adequada para o ensino superior, vemos que o indicador de acesso é muito baixo, apenas 10,8% chega a esse nível de ensino. Já a proporção desses jovens que freqüentam a escola, que estava estabilizada em 34% no período 1999-2004, caiu para 32,4% em 2005. Uma possível explicação para essa queda na freqüência à escola é o abandono no ensino médio que, em 2005, alcançou 15% dos alunos (índice mais elevado desde 1996), uma vez que a proporção dos que freqüentam o ensino superior manteve-se inalterada entre 2004 e 2005. São marcantes as disparidades no acesso de jovens de 18 a 24 anos ao ensino superior, por região, localização do domicílio, raça/cor e sexo. A maior diferença é devida à localização do domicílio. A freqüência ao ensino superior de jovens residentes em áreas rurais é oito vezes menor que a dos habitantes das regiões urbanas metropolitanas. Também são desiguais as taxas de escolarização de brancos e negros, bem mais baixas entre estes últimos (ainda que em proporção bem menor que em relação à situação do domicílio). No entanto, deve-se ressaltar que foi identificada uma queda na diferença entre esses dois grupos étnicos. Por sua vez, a questão regional guarda certa semelhança com a desigualdade verificada no campo racial, mas, ao contrário do que foi observado sob aquele enfoque, houve aumento da diferença entre as regiões que apresentam os maiores e os menores índices de acesso ao ensino superior. Apesar de significativa, a desigualdade de gênero (favorável às mulheres) foi a menor entre
  • 192.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 193 de 323 as quatro dimensões selecionadas. Ensino Fundamental de nove anos visa a inclusão A partir do ano que vem, o Ensino Fundamental vai ganhar mais um ano. Ao invés de oito, nove. E a idade de ingresso também vai mudar. Agora, as crianças com 6 anos deverão entrar, obrigatoriamente, na 1ª série e não mais na pré-escola. Os estabelecimentos de ensino terão até 2010 para se adaptar. A proposta vem sendo implementada pelo Ministério da Educação (MEC) desde 2004, mas só em fevereiro deste ano, com a aprovação da lei de número 11.274, o projeto foi sancionado. O objetivo principal do governo federal é colocar mais crianças na escola e proporcionar maior tempo de estudo aos alunos que entram diretamente na 1ª série do Ensino Fundamental. Na época da aprovação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a lei proporcionaria às crianças pobres o direito de poder se preparar melhor. Lula fez uma referência à menor possibilidade de acesso dessas crianças ao Ensino Infantil, fase anterior ao Ensino Fundamental e que não tem uma amplitude tão grande no País. Especialistas afirmam que, se bem planejado e executado, o plano será muito positivo para os alunos. Principalmente se oferecer, nas primeiras séries, ferramentas que proporcionem um desenvolvimento essencial para o restante da vida escolar, afirma a educadora Regina de Assis. Ela acredita que um método de avaliação que respeite o ritmo do estudante e o coloque no centro das atenções trará benefícios e desenvolvimento ao ensino brasileiro. Uniformização Há também um interesse do governo em uniformizar o sistema de educação básica do Brasil. Segundo Jeanete Beauchamp, diretora de Políticas de Educação Infantil e Ensino Fundamental da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC), há Estados que já oferecem o Ensino Fundamental de nove anos, com os alunos ingressando com 6 anos de idade. No total, são 8,15 milhões de alunos estudando no Ensino Fundamental de nove anos em 25 mil estabelecimentos de ensino. Dezesseis capitais (Manaus, Belém, Teresina, Fortaleza, Natal, Maceió, Belo Horizonte, Cuiabá, Goiânia, Rio de Janeiro, São Luis, Porto Velho, João Pessoa, Recife, Curitiba e Porto Alegre) e mais o Distrito Federal já oferecem o Ensino Fundamental de nove anos. Freqüência dos alunos do Bolsa Família será reportada pela web Escolas poderão enviar pela internet informações sobre a freqüência dos alunos que integram programa ao MEC. Toda escola que tiver um computador e acesso à internet poderá enviar neste ano, diretamente para o Ministério da Educação (MEC), as informações sobre a freqüência dos alunos que participam do programa Bolsa Família, nos mais de 5.500 municípios brasileiros. Com o novo sistema, criado pelo ministério, será descentralizado o trabalho que antes era feito pelas secretarias municipais de Educação. O programa permitirá também localizar os alunos que mudaram de escola ou de município, pois as cidades estarão interligadas. Segundo a coordenadora do Programa de Freqüência Escolar do ministério, Conceição Sota, o sistema funciona desde o início do ano e corrige o anterior, com o qual alguns dos responsáveis por esse controle manifestaram dificuldade de uso. O objetivo, acrescentou, não é punir as famílias com o fim do benefício, mas acompanhar os alunos na sala de aula, ajudando a mantê-los no programa Bolsa Família. O mais importante nesse processo é acompanhar a educação das crianças inscritas e
  • 193.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 194 de 323 garantir a qualidade na educação, disse. Cada município deve indicar um gestor, responsável pelo acompanhamento da freqüência. Para conhecer melhor o sistema, o gestor encontrará o manual do usuário na internet, no endereço site do MEC. Fundeb é promulgado pelo Congresso Nacional O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) foi promulgado nesta terça-feira, 19, no Congresso Nacional. A promulgação da Emenda Constitucional nº 53 insere o Fundeb na Constituição Federal, beneficiando cerca de 48,1 milhões de estudantes após sua completa implementação. Apesar de existir legalmente a partir desta terça, o Fundeb só entrará em vigor após sua regulamentação. O ministro da Educação, Fernando Haddad, participou da sessão do Congresso Nacional e afirmou que a regulamentação do fundo trará como principal mudança a correção de desigualdades regionais na educação. “Os estados mais pobres da Federação terão recursos compatíveis com o investimento por aluno que garanta um mínimo de qualidade de ensino”, explicou. O Fundeb proporcionará mudanças graduais em toda a educação básica. A principal novidade é a inclusão da educação infantil, do ensino médio e da educação de jovens e adultos. A participação da União e os recursos de impostos municipais e estaduais aumentarão a cada ano. A estimativa é que R$ 43,1 bilhões sejam movimentados no primeiro ano e R$ 55,8 bilhões a partir do quarto ano de implementação. Nessa fase, serão beneficiados cerca de 860 mil alunos de creches; 4,1 milhões de crianças da pré-escola; 34,1 milhões de alunos do ensino fundamental; e 9 milhões de estudantes do ensino médio. Fundeb: um novo fundo de financiamento que alcança toda a educação básica O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), lança um novo olhar sobre a escola pública. Diferente do Fundef, que financia apenas o ensino fundamental, o Fundeb investirá na educação infantil, no ensino fundamental, no ensino médio e na educação de jovens e adultos. O novo fundo atenderá, em suas necessidades específicas, diversas realidades dos alunos por série, idade e locais onde estudam. O atual Fundef trabalha com quatro faixas de valores por aluno/ano. O Fundeb terá 11 faixas: educação infantil, 1ª a 4ª série urbana, 1ª a 4ª série rural, 5ª a 8ª série urbana, 5ª a 8ª série rural, ensino médio urbano, ensino médio rural, ensino médio profissionalizante, educação de jovens e adultos, educação especial, educação indígena e de quilombolas. Com a criação do Fundeb o montante de recursos aplicados pela União, estados e municípios na educação básica pública será aumentado. Pelo menos 60% dos recursos do Fundeb, inclusive da complementação da União, são destinados ao pagamento dos salários dos profissionais do magistério, em exercício. Além de garantir mais recursos para a remuneração dos professores, o Fundeb abrirá mais vagas nas escolas, especialmente na pré-escola, no ensino médio e na educação jovens e adultos; possibilitará a melhoria da infra-estrutura das escolas; e a formação continuada dos professores de toda a educação básica, não apenas do ensino fundamental, como ocorria com o Fundef. Com duração de 14 anos (2006-2019), o Fundeb será implantado de forma gradativa. Até chegar ao quarto ano de vigência, o objetivo é atender 47,2 milhões de alunos com investimentos públicos anuais de R$ 50,4 bilhões, dos quais R$ 4,3 bilhões provenientes da União. A União complementará os recursos quando o valor anual por aluno, nos estados e no Distrito Federal, não alcançar o mínimo definido nacionalmente. No atual Fundef, o Ministério da Educação investe, em média, R$ 570 milhões por ano para a complementação do fundo. Com o Fundeb, esse valor chegará a R$ 4,3 bilhões anuais em 2009 [valores de 2005].
  • 194.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 195 de 323 Composição do Fundeb A cesta de impostos dos estados, do Distrito Federal e dos municípios que vão financiar o Fundeb é composta por 20% de vários tributos: Fundo de Participação dos Estados (FPE), Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Produtos Industrializados (proporcional às exportações (IPIexp), Imposto sobre Transmissão Causa Mortis (ITCMD), Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto sobre Renda e Proventos incidentes sobre rendimentos pagos pelos municípios, Imposto sobre Renda e Proventos incidentes sobre rendimentos pagos pelos estados, cota-parte de 50% do Imposto Territorial Rural (ITR) devida aos municípios. Educação indígena cresceu 47% em quatro anos Dados do Censo Escolar de 2006 mostram que a oferta de educação escolar indígena cresceu 47% nos últimos quatro anos. Em 2002, 117.171 alunos freqüentavam escolas indígenas em 24 unidades da Federação. Hoje, esse número chega a 172.256 estudantes em cursos que vão da Educação Infantil ao Ensino Médio. Segundo o Ministério da Educação, nenhum outro segmento da população escolar no Brasil apresenta crescimento tão expressivo no período. A oferta em escolas indígenas do segundo segmento do Ensino Fundamental (quinta à oitava série) passou de 14,9%, em 2005, para 16,4%, em 2006. A do Ensino Médio foi para 4,4%, em comparação com os 2,9% do ano anterior. Aumentou também o número de escolas indígenas que oferecem o Ensino Médio - de 18 instituições, em 2002, para 91 em 2006. A quantidade de alunos nessas escolas subiu de 1.187 para 7.556. De 2002 a 2006, 709 novas escolas indígenas entraram em funcionamento, aí incluídas instituições já existentes que passaram a ser reconhecidas como indígenas, o que significa expansão de 41,6%. Cada escola indígena abriga, em média, 70 alunos, quatro professores e pelo menos um funcionário da comunidade. O crescimento no número de escolas significa, portanto, 49.630 novos alunos indígenas com acesso à formação escolar, 2.836 novos professores e 3.545 novos assalariados. O expressivo número de alunos no ensino fundamental permite às comunidades indígenas cujas escolas estejam inseridas nos sistemas estaduais e municipais de ensino ter a educação escolar mantida com recursos de R$ 149 milhões, relativos ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), em 2006. Em 2007, com a implantação do Fundo da Educação Básica (Fundeb), o valor será superior. Vinculadas aos sistemas estaduais e municipais de ensino, todas as escolas indígenas têm acesso aos programas do FNDE, tais como Dinheiro Direto na Escola, de Alimentação Escolar Indígena (investimentos superiores a R$ 12,5 milhões em 2006) e do Livro Didático (enviou às escolas indígenas, ao longo do ano, cerca de 600 mil livros, num investimento superior a R$ 3 milhões) MEC anuncia novas regras para abertura de cursos de Direito e Medicina Em visita à nova diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília, o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou , as novas regras para a abertura de cursos de direito e de medicina. A partir de segunda-feira, 5, quando será publicada portaria, sempre que houver divergência entre a comissão de avaliação e a OAB, o pedido de novo curso será enviado à Comissão Técnica de Acompanhamento da Avaliação (CTAA). Formada por doutores, a comissão segue o modelo utilizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) para autorizar ou não cursos de pós-graduação. A CTAA terá 23 membros, cinco deles do próprio Ministério da Educação.
  • 195.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 196 de 323 No caso dos cursos de direito, o recurso à CTAA será automático quando houver divergência nos pareceres. Em medicina, basta não haver manifestação do Conselho Nacional de Saúde para que o pedido de abertura do curso seja analisado pela CTAA. A decisão final será da Secretaria de Educação Superior (SESu/MEC). A mudança das regras, segundo o ministro, estabelece um marco regulatório para a abertura de cursos superiores. Desde agosto de 2005, especialistas do MEC discutem como definir regras claras, que assegurem isenção e impessoalidade na autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos nas instituições federais e privadas de nível superior. Em maio de 2006, com o Decreto nº 5.773, os pedidos de abertura passaram a incluir o parecer da OAB e o do Conselho Nacional de Saúde para direito, medicina, odontologia e psicologia. Desde então, só foram autorizados cursos de direito anteriores à lei ou que tinham parecer favorável da Ordem. A comissão de avaliação é escolhida por sorteio entre os integrantes do Banco de Avaliadores do MEC. O banco, que tinha dois mil integrantes foi ampliado para dez mil doutores em todas as áreas da graduação. Bolsa_Escola A educação garantida a todos é sinônimo de um Brasil melhor, mais produtivo e mais qualificado. E para colaborar com a solução desse problema, o Governo Federal criou o Programa Bolsa Escola. A Bolsa Escola garante uma ajuda mensal de R$ 15,00 para as crianças de 6 a 15 anos, que freqüentam e assistem às aulas. Mas atenção, o programa cobre no máximo 3 crianças por família, e a renda familiar, dividida pelo número de pessoas que a compõem, não pode ser superior a R$ 90,00. Assim, está-se trabalhando para reduzir os índices de repetência e evasão escolar, contribuindo para o progresso educacional do País. O Programa Bolsa-Escola foi inspirado em experiências bem sucedidas, desenvolvidas por Estados e Municípios em diversas regiões do Brasil, a partir de 1995. Neste ano, (2007) o objetivo é alcançar a marca de 10,7 milhões de crianças na escola, o que corresponde a 10,7 milhões de bolsas distribuídas, a cerca de 5,9 milhões de famílias em todos os Municípios brasileiros. FIES O Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior - FIES é um programa do Ministério da Educação - MEC destinado a financiar a graduação no Ensino Superior de estudantes que não têm condições de arcar integralmente com os custos de sua formação. Os alunos devem estar regularmente matriculados em instituições não gratuitas, cadastradas no Programa e com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo MEC. O FIES é operacionalizado pela Caixa Econômica Federal. Como Funciona O FIES, a partir de setembro de 2005, passou a financiar 50% do valor da mensalidade. Os outros 50% são pagos pelo aluno diretamente à Instituição de Ensino. Enquanto cursa a faculdade, o beneficiado se compromete a pagar, a cada três meses, o valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais), que é abatido do saldo devedor. A taxa de juros para os contratos firmados a partir do segundo semestre de 2006 é de 6,5% ao ano, fixa. Exclusivamente para os cursos de licenciatura, pedagogia, normal superior e cursos constantes do Catálogo de Cursos Superiores de Tecnologia, instituído pelo Decreto nº 5.773, de 09/05/06, a taxa é de 3,5% ao ano. Após a formatura, o financiamento começa a ser amortizado, no mês subseqüente ao
  • 196.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 197 de 323 encerramento do contrato. Nos doze primeiros meses (Fase I), a prestação será igual a 50% da última mensalidade financiada (o mesmo valor que o estudante já desembolsava para a IES). Depois (Fase II), o saldo devedor é dividido em prestações iguais, por um prazo de até uma vez e meia o período de utilização. O FIES, portanto, é um financiamento de longo prazo. Por exemplo, um curso de quatro anos, que tenha sido financiado desde o primeiro semestre, vai gerar após sua conclusão, prestações durante sete anos - um ano da Fase I mais seis anos da Fase II (4 x 1,5). Para se ter uma idéia concreta das condições de utilização e de pagamento, recomendamos, enfaticamente, que cada aluno faça simulações do financiamento pretendido antes de se candidatar ao FIES. Democratização do Acesso ao Ensino Superior e Transparência O FIES é, atualmente, um dos Programas de Governo que mais utiliza sistemas informatizados. Todas as operações do processo seletivo, iniciando-se pela adesão das instituições de ensino, passando pela inscrição dos estudantes e divulgação dos resultados e entrevistas, são realizados pela Internet. Isso resulta em comodidade e facilidade para todos os seus participantes, além de garantir a confiabilidade necessária a todo o processo. Os critérios de seleção, impessoais e objetivos, trazem transparência ao Programa, que tem como premissa atender aos estudantes com efetividade, destinando e distribuindo os recursos de forma justa e impessoal, garantindo a prioridade no atendimento aos estudantes de situação econômica menos privilegiada. Esta iniciativa do Governo Brasileiro é mais um passo importante para a democratização do acesso à educação de qualidade, a fim de propiciar ao maior número possível de estudantes a permanência e a conclusão do ensino superior. Universidade Aberta do Brasil A Universidade Aberta do Brasil (UAB) é fruto da convergência de esforços dos participantes do Fórum das Empresas Estatais pela Educação, entre eles da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. Visa consolidar sistema pioneiro que represente um marco histórico para a educação brasileira, articulando intenções e experiências das instituições de ensino superior, as quais, isoladamente, não teriam como ganhar a desejável escala nacional em sua atuação. O governo federal tem se destacado por sua atuação na área da educação, seja no incremento e na recuperação do parque universitário federal, seja na educação tecnológica e profissional, bem como via aporte adicional significativo de recursos na educação básica. A UAB completa a agenda do governo federal ao consolidar a educação a distância como modalidade extremamente importante para a ampliação do acesso ao ensino superior e para a formação de professores para a educação básica, de forma a buscar cumprir, com racionalidade e eficiência, no gasto público, as metas do Plano Nacional de Educação (PNE). A Lei do PNE, de janeiro de 2001, prevê, no item relativo a objetivos e metas da educação superior, três objetivos ainda por serem atingidos: “1. Prover, até o final da década, a oferta de educação superior para, pelo menos, 30% da faixa etária de 18 a 24 anos. 2. (vetado) 3. Estabelecer uma política de expansão que diminua as desigualdades de oferta existentes entre as diferentes regiões do país. 4. Estabelecer um amplo sistema interativo de educação a distância, utilizando-o, inclusive, para ampliar as possibilidades de atendimento nos cursos presenciais, regulares ou de educação continuada”. Nota-se, com isso, que a educação a distância, prevista já na própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1994, pode ser um instrumento imprescindível para ampliar o acesso ao ensino superior, reduzindo desigualdades regionais, sem prejuízo de qualidade em comparação com as modalidades tradicionais, e promovendo inclusão digital à medida em que estimula a adoção apropriada das tecnologias de informação e comunicação no processo educacional.
  • 197.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 198 de 323 A institucionalização da UAB em decreto presidencial assegurou maior perenidade e continuidade ao sistema, considerando que os cursos estão planejados para atingirem sua plenitude apenas em 2007. Neste ano de 2006 ocorre a implantação do projeto, a consolidação de instalação dos pólos nos municípios e o desenvolvimento de um projeto piloto, em conjunto com o Banco do Brasil, em 19 estados da federação e já com quase 10 mil alunos. A UAB nasce com o compromisso de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior no país e com os seguintes objetivos principais: oferecer, prioritariamente, cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada de professores da educação básica; oferecer cursos superiores para capacitação de dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica dos estados e dos municípios; oferecer cursos superiores nas diferentes áreas do conhecimento, ampliando o acesso à educação superior pública; reduzir as desigualdades de oferta de ensino superior entre as diferentes regiões do país; estabelecer um amplo sistema nacional de educação superior a distância e fomentar o desenvolvimento institucional para a modalidade de educação a distância, bem como a pesquisa em metodologias inovadoras de ensino superior apoiadas em tecnologias de informação e comunicação. Ao Edital Seed/Mec nº 01/2005 responderam 40 universidades federais, 10 centros federais de educação tecnológica e 430 proponentes de pólo, todos interessados em, de forma compartilhada, estabelecer uma rede nacional que, prioritariamente, atenda às necessidades de formar centenas de milhares de professores para a educação básica, possibilite que outro igual montante de docentes, em efetivo exercício, possa completar sua formação, atendendo ao disposto legalmente, e, em breve, reciclar milhões de professores periodicamente. Nesse sentido, a UAB será a casa do professor da educação básica e sua conexão permanente com a educação superior pública do país. (notíciário) 11/02/2010 Manchete: Inscrições às bolsas do ProUni batem recorde, diz MEC. MEC contabilizou 810 mil inscritos. Inscrições foram encerradas na noite desta quarta-feira (10/02/2010). Resumo: Terminou à meia-noite desta quarta-feira (10) o prazo das inscrições para concorrer a bolsas do ProUni que dão direito a vagas em universidades particulares para alunos de baixa renda. De acordo com o último boletim de Ministério da Educação e Cultura (MEC), divulgado às 23h, 810 mil estudantes se inscreveram para disputar as 165 mil bolsas do ProUni, o que representa um número recorde. Mas muitos estudantes reclamaram de dificuldades na hora de acessar o site do MEC. O MEC diz que não houve congestionamento no site e, sim, uma grande procura. Em nenhum momento, o site teria ficado fora do ar. O prazo para inscrição terminou e não será prorrogado. O resultado sai no dia 13, no próximo sábado. Quem for selecionado deve procurar o estabelecimento de ensino entre os dias 17 e 26 de fevereiro, e apresentar os documentos que comprovem a renda familiar e a conclusão do ensino médio. 19/01/2010 Manchete: Menos da metade dos jovens está no ensino médio, diz Ipea. Resumo: Menos da metade dos jovens de 15 a 17 anos está cursando o ensino médio, etapa de ensino adequada para esta faixa etária, e apenas 13% dos jovens de 18 a 24 anos frequentavam o ensino superior em 2007. Esses são alguns destaques da pesquisa
  • 198.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 199 de 323 Juventude e Políticas Sociais no Brasil, lançada nesta terça-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O estudo aponta que houve avanços no acesso de jovens à educação. Em 2007, 82% dos jovens de 15 a 17 anos frequentavam a escola. O problema está no atraso para concluir os estudos: apenas 48% estava no ensino médio. Para o diretor de estudos e políticas sociais do instituto, Jorge Abrahão, a educação é vista pelos jovens como uma força positiva. Os jovens entendem a educação como um caminho para melhorar a vida. Mas o jovem enfrenta no processo de escolarização problemas de desigualdades de oportunidades, aponta. A cor, o nível de renda e o local onde mora o jovem interfere nas oportunidades de acesso. Em 2007, 57% dos brasileiros de 15 a 17 anos que residiam em áreas metropolitanas frequentavam o ensino médio, contra pouco menos de 31% no meio rural. Abrahão destaca que o jovem ainda se divide entre os estudos e o mercado de trabalho e aqueles que conseguem frequentar a escola precisam lidar ainda com o problema da baixa qualidade do ensino. A escola ainda está fundamentada em uma estrutura antiquada, o que torna para o jovem pouco atraente aquele período em que ele se mantém na escola, diz. No ensino superior, entre 1996 e 2007, a taxa de frequência líquida cresceu 123%. Mas o percentual de jovens na faixa etária dos 18 aos 24 anos que têm acesso à etapa ainda é apenas de 13% --muito abaixo da meta de 30% estipulada para 2011 no Plano Nacional de Educação. A renda é fator determinante para o acesso do brasileiro à universidade: a taxa de frequência daqueles que têm renda mensal per capita de cinco salários mínimos ou mais (55%) é dez vezes maior do que entre a população que ganha até meio salário mínimo (5%). O estudo do Ipea destaca que o Brasil ainda tem 1,5 milhão de jovens analfabetos (15 a 29 anos). Segundo a pesquisa, a manutenção do número de analfabetos no país em patamar elevado está relacionada à baixa efetividade do ensino fundamental. De acordo com dados da Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, 44,8% das pessoas analfabetas com 15 anos ou mais já haviam frequentado a escola. 02/12/2009 Manchete: Apenas 38% dos que cursaram o ensino médio são plenamente alfabetizados, diz pesquisa. Entre os brasileiros que cursaram um ou mais anos do ensino médio, apenas 38% atingem o nível de alfabetização plena, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) calculado pelo Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a ONG Ação Educativa. O esperado para essa parte da população seria um índice de 100%. Resumo: A alfabetização plena também não é totalmente atingida no ensino superior: 68% dos indivíduos com este grau de instrução apresentam pleno domínio das habilidades de leitura/escrita e das habilidades matemáticas. Desde 2001, o indicador calcula os níveis de alfabetismo dos brasileiros entre 15 e 64 anos de idade, residentes em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do País. O Inaf classifica a população de acordo com suas habilidades em leitura/escrita (letramento) e em matemática (numeramento). Os indivíduos são divididos em dois grupos principais e em quatro níveis: alfabetismo e alfabetismo rudimentar (alfabetos funcionais); alfabetismo básico e alfabetismo pleno (alfabetizados funcionalmente). Ensino fundamental O quadro se agrava entre os menos escolarizados. Dentre os que cursam ou cursaram do 6º ao 9º ano do ensino fundamental (antiga 5ª a 8ª série), apenas 15% podem ser considerados plenamente alfabetizados. Além disso, 24% dos brasileiros com esta escolaridade estão no
  • 199.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 200 de 323 nível rudimentar. Outro dado relevante apurado pelo Inaf aparece entre os brasileiros que estudaram até o 5º ano do ensino fundamental (antiga 4ª série): 54% atingem, no máximo, o grau rudimentar de alfabetismo. Mais grave ainda, apontam os pesquisadores, é o fato de que, entre esses indivíduos, 10% são considerados analfabetos absolutos, apesar de terem cursado de um a quatro anos do ensino fundamental. Analfabetismo funcional O dado positivo da pesquisa é a redução do alfabetismo funcional dos brasileiros entre 15 e 64 anos. A porcentagem de “analfabetos absolutos” caiu de 9%, em 2007, para 7%, em 2009. Na comparação com 2002, a queda é mais expressiva, de 5 pontos percentuais. O nível básico continua apresentando um contínuo crescimento, passando de 34%, em 2002, para 47%, em 2009. Veja o quadro com os níveis de alfabetismo considerados pelo Inaf: An a l f a b e t o s funcionais Analfabetismo Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela consiga ler números familiares (números de telefone, preços etc.) Al fabet ismo rudimentar Corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica Alfabetizados funcionalmente Al fabet ismo básico Pessoas que já leem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, lêem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações Al fabet ismo pleno Pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar elementos usuais da sociedade letrada: leem textos mais longos, relacionando suas partes, comparam e interpretam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada mapas e gráficos 30/11/2009 Manchete: EDUCACENSO 2009: QUATRO EM DEZ CRIANÇAS AINDA ESTÃO FORA DO ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS. Resumo: Quatro em dez alunos ainda estão fora do ensino fundamental de nove anos. O prazo final para as redes de ensino se adequarem à obrigatoriedade acaba em 2010. A estatística é do Educacenso, levantamento de dados da educação básica feito anualmente
  • 200.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 201 de 323 pelo MEC (Ministério da Educação). Os dados integrais da pesquisa devem ser divulgados ainda esta semana pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Matrícula na educação básica perdeu 652.416 alunos Segundo o levantamento, há dez unidades da federação que registram mais de 60% dos alunos matriculados ainda no ensino fundamental de oito anos. São elas: São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Roraima, Pará, Amapá, Pernambuco, Bahia e Distrito Federal. Os Estados que estão mais avançados na implantação da obrigatoriedade, instituída em 2005, são: Rondônia, Acre, Amazonas e Tocantins, na região Norte; Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas, no Nordeste; Minas Gerais e Rio de Janeiro na região Sudeste; e Mato Grosso do Sul e Goiás no Centro-Oeste. As matrículas do ensino fundamental de nove anos aumentaram 12,5%, em relação ao ano anterior. Em 2008, quase metade dos estudantes estavam fora do fundamental de nove anos. Queda de matrícula Em relação a 2008, o número de matrículas na educação básica teve queda de 1,2%. A porcentagem significa 652.416 alunos. Houve diminuição de 21% da matrícula na educação especial. Segundo o Inep, a queda pode ser atribuída a um ajuste nas informações em que foram excluídos alunos sem escolarização, ou seja, que só recebem atendimento especializado. Ao se observar apenas a quantidade de matrículas de alunos com necessidades especiais incluídos em salas comuns, há 12.256 novas inscrições, um aumento de 3%. Dos 639.718 alunos da educação especial, 61% (387.031 estudantes) estuda em classes comuns do ensino regular e da educação de jovens e adultos. O restante ainda se encontra em estabelecimentos exclusivamente especializados. Eles formam um grupo de 252.687 estudantes, distribuídos em 5.590 estabelecimentos. 26/11/2009 Manchete: Educador Paulo Freire é anistiado 12 anos após sua morte. Resumo: A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça anistiou nesta quinta-feira o educador Paulo Freire, morto em 1997. Segundo o órgão, Freire foi punido durante a ditadura militar por identificar na alfabetização um processo de libertação dos oprimidos. As informações são do Ministério da Educação (MEC). De acordo com o Ministério da Justiça, o método pedagógico de Freire, criado a partir de uma experiência em Angicos (RN), em 1963, quando 300 trabalhadores foram alfabetizados em 45 dias, seria levado a todo o País no ano seguinte com o Programa Nacional de Alfabetização. Contudo, o projeto foi cancelado com a instalação do regime militar. A ditadura aposentou compulsoriamente o educador da cadeira de professor de História e Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco. Freire ainda foi preso por 70 dias em Olinda (PE) e, depois, exilado. Freire continuou desenvolvendo programas de educação no Chile, onde escreveu uma de suas principais obras: Pedagogia do Oprimido. O educador retornou ao Brasil somente 16 anos após o exílio. 18/11/2009
  • 201.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 202 de 323 Manchete: Em quatro anos, 677 mil estudantes das classes C e D entraram na universidade. Em apenas quatro anos, 350 mil jovens da classe D entraram no ensino superior. São universitários com renda inferior a três salários mínimos, ou seja, R$ 1.400. O número equivale a um crescimento de 84% entre os anos de 2004 e 2008, o maior registrado entre todas as faixas de renda. Resumo: No mesmo período, 333 mil estudantes da classe C, de três a cinco salários, também experimentaram pela primeira vez a corrida pelo diploma. Incapazes de atender a crescente demanda, as instituições gratuitas ficam à margem da democratização econômica do ensino superior. De acordo com estudo da Hoper Educacional, maior consultoria de mercado de ensino superior, 70% dos alunos do setor das instituições privadas concentram-se nas faixas de renda até 10 salários. O que parece uma ótima notícia deve ser visto com cuidado, de acordo com o professor da Faculdade de Educação da UnB, Remi Castioni. “As avaliações do Ministério da Educação mostram que são essas as instituições que concentram as notas 2 e 3 no Enade. Na minha opinião, existe uma relação entre o baixo preço da mensalidade e a qualidade do ensino. Hoje existem faculdades que cobram R$ 199, como se fossem aqueles comércios baratos de R$1,99”, completa. PREÇO A queda no valor da mensalidade é a principal explicação para a entrada dos jovens mais pobres no ensino superior. De acordo com Ryon Braga, presidente da Hoper, em 1996 as mensalidades custavam em média R$ 840 (em valores atualizados). Hoje, a média é de R$ 457. “O valor caiu pelo metade permitindo que mais alunos fizessem ensino superior”, avalia. Ryon destaca que o Programa Universidade para Todos, o ProUni, só foi responsável por 5% da expansão. O programa do governo federal troca vagas de faculdades particulares por isenção de impostos. “Mas não acredito que baixo preço queira dizer baixa qualidade. Existem ótimas instituições que cobram pouco dos alunos e instituições ruins que cobram caro.” Pelo estudo, ainda há margem para crescer. “Considerando que a média de comprometimento de renda familiar com o ensino superior está em torno de 13% da renda, podemos concluir facilmente onde está o maior obstáculo para ampliação da inserção de alunos de menor poder aquisitivo no ensino superior”, cita a conclusão da pesquisa. Vale destacar que as outras classes econômicas ainda têm grande representatividade no ensino superior mas está perdendo território. A classe A representa 23,3% do alunado do ensino superior privado no Brasil, mas já parou de crescer há quatro anos. A Classe B com 48,7% deste alunado continua a maior representante do ensino superior privado, mas apresenta crescimento de 29,3% nos últimos quatro anos, bem inferior ao crescimento da Classe C e D. “Se as taxas de crescimento forem mantidas na mesma proporção, no ano de 2012 já teremos mais pessoas das Classes C e D no ensino superior privado do que os representantes das Classes A e B”, completa Ryon. Data: 13/05/2009 Manchete: Analfabetismo no Nordeste é quase o dobro da média nacional. Resumo: As diferenças entre as regiões brasileiras também têm reflexo nas taxas de analfabetismo. Enquanto no Sul do País o percentual de analfabetos representa pouco mais da metade da taxa brasileira, atingindo 5,4% da população, no Nordeste o índice é quase o dobro da média nacional, 19,9%.Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo especialistas, a relação existente entre analfabetismo e pobreza explica a maior
  • 202.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 203 de 323 incidência do problema nos estados nordestinos. A pessoa pobre tem um acesso restrito à educação e a muitos outros direitos como saúde, habitação, saneamento básico. Então, onde há bolsões de pessoas de baixa renda, como no Nordeste, há bolsões de pessoas que não sabem ler e escrever, explica o especialista em educação de jovens e adultos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Timothy Ireland. Para tentar diminuir o contingente de analfabetos no Nordeste e, consequentemente, reduzir as disparidades regionais, o programa Brasil Alfabetizado, do Ministério da Educação (MEC), atende prioritariamente os municípios em que mais de 25% da população não sabe ler e escrever. Este ano, participam do programa 1.928 pessoas. Desse total, 84% são da Região Nordeste. Entre os estados, o que concentra o maior percentual de analfabetos é Alagoas, onde um em cada quatro habitantes com mais de 15 anos não sabe ler e escrever. No Nordeste você tem um tipo de problema, no Sul, outro. Você tem problemas muito peculiares em cada região do país. Para cada uma delas é preciso uma estratégia específica. O Norte brasileiro sofreu uma migração forte nos últimos anos, então chegaram analfabetos, aponta o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro. Para o presidente da organização não governamental Ação Educativa, Sérgio Haddad, é impossível zerar o analfabetismo no Brasil sem diminuir a exclusão social. Em nenhum país do mundo você teve a superação do analfabetismo sem superar condições de pobreza absoluta. E no Brasil há parcelas da população que vivem em situações de indigência. O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Medeiros ressalta que o analfabetismo gera um ciclo de imobilidade social que envolve não só o indivíduo, mas a sua família. É um ciclo de reprodução. Se você for analfabeto, sua chance de também ser pobre é muito alta. Quem está nessa condição não tem qualificação para ocupar um bom posto de trabalho. Então se você for uma pessoa pouco educada e pobre, tem menor chance de ir para a escola ou de ter acesso a uma educação de qualidade. Você acaba criando um ciclo por um longo período, aponta. Data: 13/05/2009 Manchete: Brasil tem mais de um terço dos analfabetos da América Latina. Resumo: Dados da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (Clade) indicam que em todo o mundo vivem 800 milhões de adultos não alfabetizados. Desse total, 35 milhões estão em nações latino-americanas. O Brasil que é o país mais populoso da região também concentra mais de um terço da população analfabeta da América Latina, 14 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantantamento da Clade, divulgado em 2007, no grupo de países da América Latina e do Caribe, Cuba apresenta a menor taxa de analfabetismo: o problema atinge 0,2% da população. Já na Guatemala, que tem os piores indicadores, o problema afeta quase um terço (30,9%) das pessoas com mais de 15 anos. Nesse ranking, o Brasil ocupa a 14ª posição, em um total de 19 países. De acordo com dados da Clade, com um percentual de 11,4% de analfabetos entre a população com mais de 15 anos de idade, a média brasileira fica atrás, por exemplo, dos índices do México (9,10%), Equador (9%), Panamá (8,10%) e da Colômbia (7%). A Clade é uma rede de organizações da sociedade civil que atua em defesa do direito ao ensino público gratuito e de qualidade. Segundo a Pnad, o índice de analfabetismo entre os brasileiros com mais de 15 anos é de 10%. Para o educador peruano e consultor internacional José Rivero, uma das explicações para a persistência do problema, tanto na América Latina quanto no Brasil, são as grandes desigualdades sociais da região.
  • 203.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 204 de 323 O Brasil é a primeira potência em matéria econômica, mas tem questões de pobreza que são incompatíveis com essa qualidade. Essa bipolaridade tem possibilitado a existência de uma camada muito grande de analfabetos, analisa. Rivero acredita que a redução do analfabetismo só ocorrerá quando houver menos injustiça social. E o enfrentamento desse problema, segundo ele, é papel do Estado e da sociedade civil. Recentemente, os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia, declararam que os dois países estão livres do analfabetismo. Para isso, utilizaram a metodologia do programa cubano de alfabetização Yo, sí Puedo, criado pelo governo de Fidel Castro. O método usa programas de rádio e de televisão para alfabetizar jovens e adultos. Há mais esperanças na medida em que há mais consciência de que não se pode seguir como era antes. Há programas muito interessantes, mas é preciso que os países se organizem sabendo quanto custa alfabetizar. Não basta o político dizer que precisa alfabetizar, é preciso saber o preço, alerta. O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para Educação, Vernor Muñoz, cita as ações da Venezuela e da Bolívia como exemplos de opções concretas. Para ele, o Brasil tem um compromisso enorme, mas as conquistas ainda não refletem esse esforço. José Rivero teme que a campanha de alfabetização encampada pelos países latino-americanos possa ser afetada pela crise financeira internacional. Essa crise está afetando a América Latina, que vai ficar mais pobre. Nesse sentido, não há como prever quando o problema realmente vai acabar. Às vezes nos esquecemos de que não pode existir um bom futuro em matéria de alfabetização se a escola pública não for fortalecida, ela é a grande alfabetizadora. E para isso é preciso dinheiro, afirma. Confira o ranking do analfabetismo nos países da América Larina e do Caribe. Taxas de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais: País Taxa 1. Cuba 0,2% 2. Uruguai 1,9% 3. Aruba 2,7% 4. Argentina 2,8% 5. Chile 4,3% 6. Costa Rica 5,1% 7. Venezuela 7,0% 8. Colômbia 7,2% 9. Panamá 8,1% 10. Equador 9,0% 11. México 9,1% 12. Paraguai 9,8% 13. Suriname 10,4% 14. Brasil 11,4% 15. Peru 12,3% 16. Bolívia 13,3% 17. Honduras 20,0% 18. Nicarágua 23,3% 19. Guatemala 30,9% F
  • 204.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 205 de 323 ENERGIA Origens A trajetória brasileira no setor de energia elétrica decorre de iniciativas ocorridas a partir de meados do século XIX, quando o carvão mineral importado era fonte básica de energia para transportes, algumas indústrias e iluminação. Dom Pedro II, que foi um homem bastante interessado nos avanços científicos de seu tempo, tratou de fazer com que as novas descobertas no campo da eletricidade na época também aportassem no Império do Brasil. Em 1879, Dom Pedro II concedeu a Thomas Edison o direito de introduzir no Brasil processos e aparelhos para a geração de eletricidade. Naquele ano foi inaugurada a iluminação da gare da Central do Brasil, à época Estrada de Ferro D. Pedro II, no Rio de Janeiro. Entre 1879 e 1890, várias usinas de pequeno porte foram instaladas para a geração de energia elétrica, como as de Ribeirão do Inferno (1883) e Marmelos (1889), ambas em Minas Gerais. No período entre 1890 e 1900 foram instaladas dez outras pequenas usinas, com capacidade de 1.200 KW. Todas essas pequenas unidades visavam, basicamente, atender à demanda da iluminação pública, mineração e atividades como beneficiamento de produtos agrícolas, indústria têxtil e serrarias. Na virada do século XIX para o século XX, o potencial de desenvolvimento das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo atraiu o capital estrangeiro para a instalação de companhias de energia elétrica no Brasil, desenvolvendo a vocação hidrelétrica brasileira. Até a década de 30, a presença do Estado no setor elétrico foi bastante limitada, resumindo-se a algumas medidas isoladas de regulamentação. Os capitalistas tinham contratos muito generosos e houve descaso com a continuidade dos serviços. A quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, levou-os à falência. Estado Patriarca Em 1934, foi promulgado o Código de Águas, que atribuiu à União o poder de autorizar ou conceder o aproveitamento de energia hidráulica e estabeleceu a distinção entre a propriedade do solo e a propriedade das quedas d'água e outras fontes de energia hidráulica para efeito de aproveitamento industrial. Todos os recursos hídricos foram incorporados ao patrimônio da União. Assegurava-se ao Estado Novo o direito de intervir nas atividades produtivas para suprir as deficiências da iniciativa privada e negava aumento da participação de estrangeiros no setor elétrico, bem como em outros setores econômicos. A década de 40 se caracterizou pelo choque entre as correntes favoráveis à nacionalização do setor elétrico e aquelas mais liberais, que defendiam a abertura ao capital estrangeiro. Após a Segunda Guerra Mundial, a demanda começou a ultrapassar a oferta de energia elétrica, em decorrência do crescimento da população urbana e do avanço da indústria, do comércio e dos serviços. Começou então um período de racionamento de energia nas principais capitais brasileiras. Nessa época, os governos federal e estaduais se aliaram na reorganização do sistema elétrico em bases estatais. Foram criadas a Comissão Estadual de Energia Elétrica (CEEE), no Rio Grande do Sul, em 1943, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), em Pernambuco, no ano de 1946, e as Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig), em Minas Gerais, em 1952, marcando o início de um novo estágio no desenvolvimento do setor elétrico brasileiro. Ao longo da década de 50, praticamente todos os Estados da federação constituíram empresas estatais de energia elétrica, a partir da absorção das empresas estrangeiras. Em 1957, o Governo Federal criou a Central Elétrica de Furnas, para atender o risco de
  • 205.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 206 de 323 demanda na Região Sudeste, e, em 1961, a Central Hidrelétrica do Vale da Paraíba. Com a constituição da Centrais Elétricas Brasileiras S/A (Eletrobrás), em 1961, foi delineada a estrutura do setor elétrico brasileiro, integralmente estatal a partir de 1979, havendo apenas alguns autoprodutores independentes. Essa estrutura vigorou até meados da década de 90, quando se deu início à reestruturação do setor, com a venda de empresas elétricas de abrangência estadual. Origem do Monopólio no Setor Elétrico O desenvolvimento do setor elétrico brasileiro, a partir da década de 60, baseou-se em estratégia formulada em níveis federal e estadual e na centralização do planejamento e financiamento do sistema. Esse modelo institucional e financeiro proporcionou a concentração do capital necessário para a construção de uma infra-estrutura de produção, transmissão e distribuição utilizando os potenciais hidrelétricos mais competitivos. As características técnicas (propiciando grande economia de escala), conjugadas com o crescimento e modernização da economia brasileira nas décadas de 50 e 60, levaram a uma situação de monopólio natural, acompanhada de uma ação reguladora do Estado. A necessidade de aumentar a capacidade de geração de energia, paralelamente ao risco de desperdício no caso de mais de um investimento em redes numa mesma área geográfica, somando-se a necessidade de coordenação das diversas partes do sistema, tudo contribuiu para fortalecer a concepção de que uma estrutura monopólica verticalizada seria a mais eficiente para o setor. Nessa concepção, o setor elétrico assumiu um caráter estratégico, sendo alvo da intervenção direta do Estado, a qual foi concretizada com a criação da Eletrobrás em 1964. Nesse modelo, a Eletrobrás, suas subsidiárias e as empresas concessionárias estaduais passaram a exercer simultaneamente as funções de poder concedente, de Estado e empresarial, criando um quadro institucional complexo, no qual a função empresarial freqüentemente era relegada a um plano secundário, com prejuízos para a sociedade. Fim da Era do Petróleo O primeiro choque do petróleo, ocorrido em 1973, marcou o fim da era do combustível barato e abundante. O embargo imposto pelos árabes aos Estados Unidos e as reduções da produção e da exportação fizeram com que o preço do barril de petróleo passasse de US$ 3 para US$ 12, entre outubro de 1973 e dezembro de 1974. Com isso os países exportadores definiram uma nova era para o resto do mundo: a do petróleo caro e escasso. No Brasil, durante o governo Ernesto Geisel, no período imediato após o primeiro choque do petróleo, as principais iniciativas coordenadas de política energética adotadas, além do estabelecimento de contratos de risco para prospecção de petróleo sob solo nacional, abertos ao capital internacional, foram: criação do Pró-Álcool, em 1975, que objetivava o desenvolvimento de tecnologia para a fabricação de álcool anidro para ser misturado à gasolina e do álcool hidratado como combustível alternativo; e o Acordo Nuclear assinado com a Alemanha, prevendo0 a instalação de oito centrais até 1990. Entre 1981 e começo de 1983, nova alta nos preços do petróleo, alcançando US$ 36 por barril. Foi o segundo choque do petróleo, que junto com o primeiro, constituem o pano de fundo do panorama energético mundial em nossos dias. Os preços do petróleo voltariam a cair, chegando em 1986 a surpreendentes US$ 10 por barril. Mas o caráter finito das reservas e a ameaça de novas altas nos preços exigiam que fossem desenvolvidas tecnologias mais econômicas. Um dos desafios foi encontrar processos substitutivos e de melhoria de eficiência energética, visando reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, em particular do petróleo. Nesse contexto, foram testadas e implementadas diversas alternativas tecnológicas: geração nuclear, uso de energias renováveis (biomassa, solar, eólica, etc.) e melhoria da eficiência no uso e produção de eletricidade.
  • 206.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 207 de 323 Em 1973, por ocasião do primeiro choque, o petróleo era o principal energético utilizado no Brasil, responsável por 43% da matriz energética brasileira. E 78% do consumo nacional era importado. Apesar da importância e da magnitude da crise de 1973, muito pouco foi feito para alterar a situação energética brasileira, tanto que, no período compreendido entre 1974 e 1979, o consumo de petróleo cresceu em média 6% ao ano, totalizando cerca de 30% do aumento no período. Até 1979, a questão energética era concentrada apenas nas próprias empresas estatais gestoras da concessão de determinados energéticos. A direção estratégica do setor era orientada apenas pelas diretrizes de suas próprias gestões. Foi nesse ano que começou uma mudança de postura por parte do governo brasileiro que, na ocasião da implantação do II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) passou a considerar as questões energéticas como peças decisivas no contexto global da estratégia do desenvolvimento nacional, redirecionando o papel do Estado. Privatização e Novo Modelo de Regulamentação O mercado brasileiro de energia elétrica foi sempre crescente, mesmo durante os períodos de crise econômica, chegando a patamares de 12% ao ano. Até um passado recente, as concessionárias atendiam ao crescimento do consumo aumentando a oferta de energia elétrica sem preocupação com o uso eficiente de seus recursos. Os recursos financeiros necessários para a expansão do setor elétrico provinham de três fontes: geração interna de recursos, a partir das tarifas; recursos do Estado e empréstimos obtidos no sistema financeiro internacional. No início de 1995, o setor elétrico brasileiro encontrava-se em profunda crise estrutural, com obras paralisadas, tarifas defasadas e falta de incentivos a novos investimentos, problemas somados à incapacidade de investimento por parte do Estado em decorrência da crise fiscal. Ao mesmo tempo o Plano Real veio incorporar novas camadas de consumidores ao mercado brasileiro, aumentando significativamente o consumo de eletro-eletrônicos como geladeiras, televisões, máquinas de lavar, chuveiros e computadores. A reestruturação do setor de energia elétrica tornou-se inadiável e foi empreendida com os objetivos de: diminuir o risco de déficit; aumentar a competição e garantir a eficiência do sistema; incentivar novos investimentos, sobretudo privados; assegurar a melhoria da qualidade dos serviços com preços mais justos ao consumidor; e implementar a diversificação da matriz geradora de energia. As empresas controladas pela Eletrobrás foram incluídas no Programa Nacional de Desestatização (criado em 1990, no governo Fernando Collor, com a Lei nº 8.031), que obrigava a privatização dos segmentos de geração e distribuição. O leilão de privatização da Escelsa, em 1995, inaugurou nova fase do setor de energia elétrica, em consonância com a política de privatização do Governo Federal. Estrutura Anterior A configuração do sistema elétrico, antes das mudanças institucionais, era baseada em três agentes de destaque: o Ministério de Minas e Energia (MME), as Centrais Elétricas Brasileiras S/A (Eletrobrás) e o Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE). O MME era o órgão responsável pela elaboração das políticas globais referentes ao setor energético. O DNAEE atuava como regulador das atividades setoriais. A Eletrobrás atuava como holding das empresas estatais elétricas e repassadora de financiamentos setoriais. Brasil Atual
  • 207.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 208 de 323 Consumo de energia Nas duas últimas décadas, o consumo de energia no Brasil cresceu a taxas superiores à evolução do PIB, basicamente como resultado do crescimento populacional urbano, dos esforços governamentais para tornar a eletricidade um bem acessível a toda a população e da modernização da economia. 2. Nesse período, o aumento do consumo residencial, comercial e na área rural foi particularmente expressivo. O setor industrial também acompanhou a tendência de crescimento, ainda que com menos intensidade. Antes da atual crise no setor energético, a previsão da taxa de crescimento do consumo de energia para os próximos anos era de 7% anuais em residências, 6% no setor comercial e 2,5 % na indústria. O Brasil dispõe da maior bacia hidrográfica do mundo, com um incomparável potencial de geração de energia elétrica. Daí a natural e histórica opção dos brasileiros por esta matriz energética. As usinas hidrelétricas proliferaram a partir da década de 50, dando sustentação ao forte impulso do país rumo à industrialização e ao desenvolvimento. Hoje o Brasil dispõe de um dos maiores parques hidrelétricos do mundo, respondendo por quase 90% do total da energia gerada no país. O sistema elétrico brasileiro foi planejado a partir de uma das piores secas enfrentadas pelo país neste século, entre os anos de 1951 e 1956. Para fazer face à eventualidade de um novo episódio como este, o sistema foi concebido de modo a funcionar a plena carga mesmo na ausência continuada de chuvas, o que é possível com a manutenção de excedentes permanentes, em grandes reservatórios, da matéria prima energética que é a água. Levando em conta os diferentes regimes pluviométricos característicos das diversas regiões brasileiras, instalou-se também, progressivamente, um regime de vasos comunicantes, que permite o aproveitamento de sobras de energia de determinadas regiões em outras onde ela eventualmente se mostre escassa. Por muitos anos o Brasil conviveu com a impressão de que suas fontes energéticas hidrológicas eram inesgotáveis. De fato, teoricamente seria ainda possível dobrar, em alguns anos, o número de hidrelétricas instaladas no país sem provocar danos intoleráveis ao meio ambiente. Também é fato, no entanto, que a população brasileira mais do que triplicou nos últimos 40 anos invertendo, paralelamente, a sua condição predominantemente agrária e rural para urbana e industrial, hoje na proporção de 80%. A demanda por energia elétrica, naturalmente, cresceu de forma exponencial, sendo atendida por meio de pesados investimentos que resultaram, entre outras, na Hidrelétrica de Itaipu, ainda a maior usina do planeta. Em meados dos anos 90, contudo, o sistema hidrelétrico instalado começou a dar sinais de esgotamento. Os excedentes de água que davam garantia de abastecimento para os cinco anos seguintes passaram a ser consumidos sem a compensação proporcional que deveria ser assegurada pelos períodos chuvosos. A partir da segunda metade da década de 90, o Brasil alcançou a estabilização da sua moeda e o fim da galopante inflação que castigou a economia e a população nas mais de duas décadas anteriores. o saldo deixado pelo regime inflacionário, no entanto, foi perverso, resultando na incapacidade física do estado de realizar os elevadíssimos investimentos necessários a uma atualização do parque energético nacional. Ainda assim, das 23 hidrelétricas cujas obras encontravam-se paralisadas em 95, 15 foram concluídas até 2000, com acréscimo de cerca de 16 mil megawatts ao total da capacidade geradora e a instalação de mais de sete mil km em linhas de transmissão. De 1996 a 2000, houve aumento anual médio da oferta de energia no país de 2.900 megawatts/ano, em contrapartida a menos da metade disso entre 1986 e 1995. Paralelamente, abriu-se o mercado energético à iniciativa privada, para que investimentos complementares viessem a assegurar o atendimento de uma demanda em constante crescimento - inclusive em função dos milhões de consumidores incorporados ao mercado a partir do Plano Real. Os desequilíbrios provocados por sucessivas crises internacionais ( russa, mexicana, asiática, argentina), no entanto, frustraram esta expectativa, provocando um
  • 208.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 209 de 323 recuo temporário dos investidores internacionais. Finalmente, em 2001, o Brasil foi submetido a um dos piores regimes pluviométricos das últimas décadas, resultando, somado todo o conjunto de fatores mencionados, no problema ora enfrentado por toda a população brasileira. Previa-se, ao final de dezembro de 2000, que as perspectivas de atendimento para o ano de 2001 eram positivas, uma vez que as afluências verificadas ao longo do ano em 2000 situaram-se em torno da média histórica nas principais bacias do País. Além do mais, os reservatórios encontravam-se, no final de 2000, mais cheios que no final de 1999. As chuvas no início de abril de 2001, no entanto, concentraram-se no sul, até são Paulo, com o deslocamento das frentes frias para o oceano. Disso resultaram escassas precipitações em Minas Gerais e Leste de Goiás, áreas onde estão situados os grandes reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste e as nascentes dos rios São Francisco e Tocantins, onde, por sua vez, situam-se as usinas que atendem ao Norte e ao Nordeste. Nos meses de março e abril houve um agravamento acentuado da situação. O armazenamento verificado no final do período úmido, em relação ao nível mínimo de segurança (que era de 49% nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e de 50% na região Nordeste), configurou um quadro crítico para o atendimento à carga no restante do ano. No histórico de Energia Natural Afluente (ENA), que abrange um período de 70 anos, no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o valor alcançado de 70% das Medições de Longo Termo (MLT) é o 11º pior, contando com 86% de ocorrência de valores superiores. Na bacia do Rio Grande, o valor de 48% da MLT é o 2º pior, com 99% de ocorrência de valores superiores. Na bacia do Rio Paranaíba, o valor de 60% da MLT é o 7º pior, com 91% de ocorrência de valores superiores. No subsistema Nordeste, o valor verificado, de 37% da MLT realizado em março/abril é o mais crítico do histórico. É evidente, portanto, que a causa primeira da presente crise energética é a baixa ocorrência de chuvas, o que acarretou reduzido nível de acumulação de reservas para enfrentar o período seco. Estrutura Atual O processo de reforma e desverticalização do setor elétrico foi iniciado pela Lei das Concessões dos Serviços Públicos (Lei nº 8.987) e pela Lei nº 9.074, que deram oportunidade ao produtor independente e à iniciativa privada de se engajarem no processo de geração e de distribuição de energia elétrica, através de processos licitatórios. O modelo estrutural do setor elétrico sofreu, então, algumas modificações. A Lei nº 1.699/96 criou a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o novo órgão regulador, cabendo a ele promover e regular a competição. A Aneel tem a incumbência de regular os serviços de eletricidade e não o uso da água - as duas atividades eram antes atribuídas ao DNAEE. A reestruturação dividiu a indústria de energia elétrica em firmas de geração que competem entre si para vender energia, a qual é transmitida por um sistema de alta tensão para firmas de distribuição independentes e consumidores livres. A indústria da energia elétrica pode ser dividida em quatro segmentos após sua reestruturação: (1) geração, (2) transmissão, (3) distribuição e (4) varejo. No novo modelo, a energia elétrica é considerada como mercadoria, sendo vendida num mercado aberto. Para isso foi criado, com a Lei 9.648/98, o Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE) e a figura do Operador Nacional do Sistema (ONS). Com isso assegurou-se uma nova funcionalidade ao setor, com redefinições importantes tanto na organização do mercado como nos mecanismos de comercialização de energia, em que foram estabelecidos limites que preservam a competição e garantem as condições necessárias à operação otimizada do nosso sistema elétrico, predominantemente de base hidráulica.
  • 209.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 210 de 323 Criou-se, também, com a Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Para o setor elétrico, a Lei traz implicação direta nos planejamentos da expansão (construção de novas plantas) e operação (otimização do uso dos reservatórios), ao determinar que a outorga e a utilização de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica sejam subordinadas à Política Nacional de Recursos Hídricos. Ao início do atual governo, a participação privada no mercado de distribuição de energia representava menos de 2%. Em vista dos resultados das privatizações efetuadas, representa hoje algo em torno de 60%. Recursos Hidrelétricos Por ocasião da elaboração do Plano Nacional de Energia Elétrica 1987/2010, que apontou a existência de recursos hidrelétricos passíveis de utilização econômica suficientes para as necessidades energéticas do país, a avaliação de nosso potencial era de 213 mil MW. O Brasil dispõe de um potencial hídrico não utilizado a um custo competitivo com todas as alternativas de geração, mesmo incluindo-se os custos de transmissão. A utilização desse potencial não é simples: impactos ambientais e sociais e concentração do potencial a ser utilizado em uma região extremamente sensível que é a Amazônia. O inventário hidrelétrico brasileiro teve grande evolução nos últimos anos, não somente do ponto de vista do potencial identificado, mas também no que concerne à metodologia de trabalho. E moldou toda uma geração de engenheiros no Brasil, que ocuparam importantes posições no setor elétrico e no cenário nacional, recomendando sempre aproveitar esse patrimônio da melhor forma possível. Hoje em dia é necessário considerar também o custo ambiental, aspecto que leva a análise de outros benefícios para a sociedade brasileira, com relação aos usos múltiplos que se possa fazer da água que será represada ou eventualmente desviada de um determinado rio para a produção de eletricidade. Nas alternativas que temos, os grandes aproveitamentos de potencial hidrelétrico estão na Amazônia. Geração de energia: os prós e os contras de cada recurso A exploração abusiva da energia originada de fontes não-renováveis, ainda maioria no planeta, traz danos irreversíveis ao meio ambiente. Com base nesse fato, a questão das fontes de energia é assunto em pauta mundialmente. No Brasil, cria polêmica a discussão sobre as usinas nucleares como possíveis elementos complementares à produção de energia das hidrelétricas, consideradas limpas. Segundo o Balanço Energético Nacional de 2003, publicado no site da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel, as hidrelétricas são responsáveis por quase 83% de toda a energia elétrica gerada no país, o que torna o Brasil o terceiro maior produtor de energia hidrelétrica do mundo, estando atrás somente do Canadá e da China, respectivamente, seguido dos Estados Unidos e da Rússia. Outras formas de geração de energia elétrica existentes e adotadas no Brasil são as termelétricas, que funcionam a partir da queima de combustíveis – como óleo combustível, gás natural, carvão, madeira e resíduos – e as usinas nucleares, que têm como fonte de calor um reator nuclear. Até o final da década de 80, 90% da produção de energia elétrica no país eram representados pelas usinas hidrelétricas situadas nos rios Paraná, São Francisco e Grande. A energia hidrelétrica apresenta um custo baixo, não polui o ar, mas exige a inundação de grandes áreas, e portanto causa alterações drásticas no meio ambiente. A partir da década de 90, começou-se a caminhar em direção à energia termelétrica. A Aneel foi criada nessa década, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, quando se procurava atrair o investimento do capital privado no setor elétrico. Conforme enfatizou o
  • 210.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 211 de 323 presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro, em palestra realizada na Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro no dia oito de dezembro último, nesse período a potência hídrica aumentou, mas a capacidade de armazenamento de água não. Ele ainda completou o alerta: há vinte anos, o país apresentava reserva de água equivalente a cinco anos de seca. Hoje a reserva equivale a menos de dois anos secos. Segundo a Aneel, cerca de 25,6% do potencial hidrelétrico nacional estimado já foram aproveitados. Para defender a importância da energia nuclear como alternativa em meio ao problema do esgotamento das reservas de água, e mais especificamente a implantação da usina de Angra 3 no Brasil, Othon enfatizou que não existe uma forma de energia melhor que a outra: é preciso utilizar todas de forma combinada, trazendo menos danos ambientais. Ainda segundo ele, o Brasil está precisando rever essa combinação, fazendo-a da maneira mais adaptada para a situação nacional. Cada país teria, explica, uma combinação ideal. Voltado para o meio ambiente e a saúde, o Greenpeace faz questão de se posicionar contra a energia nuclear, chamando a atenção para os seus pontos negativos. O aviso está no site da organização: sob um funcionamento normal, uma usina (nuclear) libera no ar, solo e água radioatividade que pode causar câncer e outras doenças. Além disso, os textos da homepage lembram que essas usinas estão freqüentemente sob o risco de acidentes – como o famoso que ocorreu em Chernobyl em 1986, matando milhares de pessoas e deixando milhões contaminadas. Em meio ao radicalismo de quem é contra e de quem é a favor, é preciso ponderar. Ao levantar a bandeira da instalação de usinas nucleares no país, e considerando que uma das críticas freqüentes a essas usinas é o risco de acidentes, o Ministério da Ciência e Tecnologia dá em seu site uma explicação dificilmente encontrada na mídia: a maneira como se deu a construção de Chernobyl conteria erros causadores da explosão. O reator é o coração de uma usina nuclear. Nele reside todo o eventual perigo. Ele deve estar envolto por um vaso de contenção feito de aço especial, com dez centímetros de espessura, que tem a finalidade de conter uma eventual explosão do reator. Esse vaso, por sua vez, deve estar protegido por uma camada de concreto armado com cerca de um metro de espessura, que tem a finalidade de agüentar um impacto direto de algo como uma bomba atômica ou um avião Jumbo. O reator de Chernobyl estava situado num simples galpão industrial, sem quaisquer dessas proteções, e portanto incapaz de conter uma possível emissão de gases. Além de não podermos negar o erro fatal de segurança que envolveu a construção de Chernobyl, o risco de acidentes não é exclusivo das usinas nucleares. Acidentes com plataformas de exploração do petróleo são freqüentes, tendo o mais grave entre os recentes ocorrido em 2001, envolvendo a P-36, da Petrobras, e matando 11 operários. Segundo relatório feito na época pela Agência Nacional do Petróleo – ANP e a Marinha, a causa foram erros de projeto, manutenção e operação. Quando não ocasionam mortes, esses acidentes podem no mínimo derramar milhares de litros de óleo no mar – como ocorreu com a plataforma P-7, da Petrobras, também em 2001. Na atividade das minas, são evidentes as desvantagens e também comuns os acidentes. Em 31 de agosto deste ano, o site da BBC Brasil noticiou que mais de 7 mil minas de carvão seriam fechadas na China para que fossem respeitados os padrões de segurança estabelecidos para os mineiros e para frear a ocorrência de acidentes fatais no setor. Dias antes, no mesmo mês, uma explosão de gás em uma mina chinesa havia deixado 62 trabalhadores mortos. Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo sobre o ocorrido, publicada em 8 de agosto de 2009, 6 mil pessoas morrem anualmente em acidentes com minas localizadas na China, ocorrências que incluem incêndios, enchentes e explosões. A matéria afirma que boa parte das minas não segue a regulação mínima para manter a segurança de seus trabalhadores, e os equipamentos usados são antigos e muitas vezes já danificados. Os responsáveis pela desobediência às leis de segurança seriam o alto consumo de energia e o preço do carvão. Então, será que o problema está nos tipos de energia explorados ou na maneira como eles são utilizados?
  • 211.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 212 de 323 Existem organizações que procuram expor os pontos favoráveis à energia nuclear, como o Wonuc – Conselho Mundial de Trabalhadores Nucleares, entidade não-governamental e sem fins lucrativos sediada em Paris. Segundo o porta-voz da Wonuc, em entrevista disponibilizada no site da organização, não faz sentido discutir a questão do uso ou não da energia nuclear no Brasil porque aqui não temos escolha: não é possível interligar todas as redes elétricas, e além disso não temos uma produção de petróleo tão grande (o texto do site, que data de 2002, fala em um milhão de barris por dia; a produção brasileira hoje chega a aproximadamente 1,7 milhão de barris por dia) e precisamos importá-lo, além de também comprarmos gás e carvão de outros países. O maior problema que as usinas nucleares trazem talvez se deva aos resíduos nucleares, estes sim uma questão de difícil resolução. Esse lixo dura centenas ou milhares de anos e precisa ser isolado de qualquer contato com o ambiente, a fim de se evitar a contaminação. Os resíduos mais radioativos, chamados de lixo de alto nível, são colocados em barris que são depositados no subsolo, a grande profundidade. E os países mais ricos, querendo livrar-se dos resíduos, procuram espaço em países mais pobres para armazená-los Energias renováveis A segunda matéria da série sobre energia no Brasil traz um panorama da energia renovável, apresentando as opções promissoras e as que já estão sendo utilizadas. Durante um evento dedicado à discussão da energia no Brasil, ocorrido na Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham-Rio) em oito de dezembro deste ano, Alexandre Strapasson, coordenador geral de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, afirmou que 40% da matriz energética primária do Brasil já se devem à participação dos combustíveis renováveis. Ele citou os que já estão em uso – o etanol (ou álcool combustível), o biodiesel, o hidrogênio e o biogás – e lembrou que a previsão é de que o mundo continuará precisando de combustíveis líquidos, haja vista a atual frota de veículos movidos a gasolina e álcool. O Plano Nacional de Agroenergia, uma ação conjunta lançada pelos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, das Minas e Energia e da Ciência e Tecnologia, surgiu a partir da necessidade de se encontrar alternativas energéticas, diante do fatal esgotamento das fontes não-renováveis e dos danos que algumas das atuais fontes de energia vêm trazendo ao meio ambiente. Energias alternativas, provenientes de restos da própria natureza e de recursos naturais duráveis, estão sendo avaliadas e discutidas. Além do petróleo, que demora milhares de anos para se reconstituir na natureza, e de seus derivados – a gasolina, o óleo diesel, o óleo combustível, o GLP ou gás de cozinha – são recursos não-renováveis outros combustíveis fósseis, como o carvão e o gás natural, e a energia produzida nas usinas nucleares. Já entre as fontes renováveis encontram-se o sol (energia solar), o vento (energia eólica), os oceanos e a biomassa (bioenergia ou agroenergia). As hidrelétricas são também consideradas energia renovável. Segundo o Greenpeace, os ventos são capazes de suprir 10% da demanda por eletricidade no mundo, a energia solar poderá suprir até 25% da demanda energética mundial em 2040 e a energia gerada a partir da biomassa, se explorada com cuidado e com os recursos tecnológicos necessários, será equivalente à que seria gerada por hidrelétricas e usinas nucleares até 2050. A organização não só é contra as usinas nucleares como defende a paralisação da construção de Angra 3, cuja instalação, até agora, já consumiu aproximadamente 2 bilhões de dólares. O Greenpeace considera essas usinas verdadeiras ameaças, graças ao lixo atômico que produzem e ao risco de acidentes que proporcionam. O fato de ser classificada como renovável, no entanto, não é suficiente para que determinada fonte se apresente como uma boa alternativa à necessidade de se obter energia. Há sempre outras questões a serem avaliadas. A mais discutida delas é a dos prejuízos que uma determinada forma de geração de energia traz ao meio ambiente. As hidrelétricas, por exemplo, apesar de estarem na categoria de renováveis e até não-poluentes, trazem complicações porque exigem o alagamento de áreas muito extensas. Com isso, a biodiversidade local fica desequilibrada e famílias precisam se desalojar. Os prejuízos para a
  • 212.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 213 de 323 agricultura também são grandes. Por essas razões o Greenpeace e outras organizações pró-natureza se opõem à construção de grandes hidrelétricas, propondo a instalação e utilização apenas de usinas desse tipo porém pequenas. O que acontece é que mesmo a alternativa energética aparentemente mais natural pode ser excelente para determinado local ou grupo de pessoas e de difícil aceitação e adaptação para outros. Enquanto a energia nuclear está atrelada à produção do lixo nuclear, danoso à saúde e que precisa ser isolado das pessoas, a instalação do a princípio inofensivo equipamento produtor de energia eólica vem originando críticas, por exemplo, na Espanha, segundo reportagem publicada na revista Exame no dia dois de dezembro último. As razões seriam o fato de as instalações serem barulhentas e poluírem visualmente o ambiente. Em artigo escrito para o jornal New York Times e divulgado pelo Opinião e Notícia em 17 de dezembro passado, o filho de Robert Kennedy chama a atenção para esse mesmo ponto. Robert Kennedy Jr. afirma que não aprovaria a construção de instalações de geração eólica em uma propriedade sua, porque centenas de luzes utilizadas para alertar aviões para que fiquem longe das turbinas irão roubar as estrelas e o visual noturno. O barulho das turbinas será audível à grande distância. Além disso, por depender do vento, essa forma de energia não tem um fornecimento garantido e estável. Combustíveis fósseis, combustíveis renováveis e o clima do planeta Os combustíveis fósseis, além de terem a desvantagem de levar milhares de anos para serem recompostos, produzem gases que intensificam o efeito estufa, um dos fatores responsáveis pelo tão comentado aquecimento global. Mesmo assim, ainda são muito utilizados porque, enquanto são abundantes, são também baratos. A substituição dos combustíveis fósseis, cujo tempo de renovação na natureza supera o tempo de vida do homem, por combustíveis que tenham um ciclo renovável mais curto está ligada diretamente ao clima da Terra. Algumas fontes renováveis, como o álcool etílico e o biodiesel, quando queimadas também eliminam os chamados GEEs – gases de efeito estufa. No entanto, neste caso o gás carbônico produzido rapidamente sai da atmosfera através da fotossíntese e é fixado na biomassa, até sofrer combustão novamente. Existem estudos do COPPE/UFRJ que afirmam que as hidrelétricas também produzem, indiretamente, gases que contribuem para o efeito estufa. De seus reservatórios seriam eliminados CO2 e metano (CH4). No entanto, essas emissões nem chegam a ser consideradas problemáticas, já que essas usinas são classificadas como produtoras de energia limpa. Se comparadas à produção de gases a partir das termoelétricas, que queimam combustíveis fósseis, as hidrelétricas são mesmo bem menos prejudiciais ao aquecimento do planeta A energia que vem dos oceanos Assim como a que se origina dos ventos e do sol, a energia vinda das águas dos oceanos é classificada como limpa e auto-sustentável. No entanto, encontra-se em fase de pesquisas e portanto não é, ainda, um recurso muito explorado. Por enquanto é utilizada principalmente no Japão, na Inglaterra e no Havaí, além da França – onde foi construída a primeira usina maremotriz do mundo, em La Rance, em 1966. As maneiras potenciais de aproveitamento da energia dos oceanos envolvem o fluxo das marés, a energia térmica, as correntes marítimas e a energia das ondas. O sistema de maremotriz é aquele que aproveita o movimento regular de fluxo do nível do mar (elevação e abaixamento). Funciona de forma semelhante a uma hidrelétrica. Uma barragem é construída, formando-se um reservatório junto ao mar. Quando a maré enche a água entra e fica armazenada no reservatório, e quando baixa a água sai, movimentando uma turbina diretamente ligada a um sistema de conversão, e assim gerando eletricidade. Existem usinas maremotrizes em construção ou sendo planejadas no Canadá, México, Reino Unido, Estados Unidos, Argentina, Austrália, Índia, Coréia e na Rússia.
  • 213.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 214 de 323 As correntes marítimas, impulsionadas pelos ventos, produzem uma energia cinética pouco densa e difícil de ser explorada. Os melhores locais para exploração desse tipo de energia são os estreitos, como o Estreito de Gibraltar. A Corrente do Golfo, na Flórida, é particularmente densa e poderia ser capaz de acionar diversos geradores. As pesquisas relacionadas a esse tipo de aproveitamento energético estão ainda em fase inicial. Existe um projeto britânico, o Seaflow, que procura desenvolver turbinas para fabricação em escala comercial. Segundo o relatório Produção de Eletricidade a partir da energia maremotriz, produzido por Wagner Marques Tavares e publicado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados em março de 2005, esse sistema parece vantajoso, devido aos baixos impactos ambientais e à facilidade de implantação. Já as ondas, resultantes do atrito do vento com a superfície oceânica, transportam grande quantidade de energia. O movimento das ondas associado ao movimento do ar pode ser usado para ativar turbinas, que têm sua energia mecânica transformada em energia elétrica através de um gerador. E as diferenças de temperatura entre a superfície e as camadas mais profundas dos oceanos é mais uma forma de aproveitamento da energia oceânica. A superfície é mais quente devido ao contato com os raios solares, enquanto as partes menos elevadas são mais frias. No entanto, é necessária uma diferença de 21 graus Celsius entre a superfície e o fundo do oceano para que se possa fazer esse aproveitamento. Incentivando a pesquisa relacionada à energia das águas marítimas, ainda pouco desenvolvidas, o MIT – Massachusetts Institute of Technology – publicou, em 2003, uma sugestão de projeto dirigida à área da engenharia oceânica. O texto dizia: Há diversos tipos e formatos de dispositivos de conversão de energia de ondas para escolher, e alguns que ainda não foram inventados! A energia hidráulica em condições normais no mar costeiro pode alcançar dezenas de kilowatts por metro quadrado: uma tecnologia eficiente para captar a energia das ondas poderia facilmente gerar um megawatt para cada quilômetro equipado. Dificuldades É necessário um conjunto de características muitos especiais para que determinado local seja apropriado para a instalação de uma usina maremotriz. As condições específicas de determinada região litorânea – como a forma da costa e o leito marinho, bem como a existência de baías e estuários – pode provocar grandes variações de nível entre as marés altas e baixas e também elevadas correntes, que podem ser aproveitadas para a geração de energia elétrica, diz o relatório publicado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados. No Brasil, apesar de certas cidades apresentarem grandes amplitudes de marés, como São Luís, no Maranhão, com 6,8 metros, e Tutóia, com 5,6 metros, a topografia do litoral não favorece a construção econômica de reservatórios, o que impede seu aproveitamento. Para se ter uma idéia, na usina de La Rance, na França, a amplitude da maré é de oito metros, e este é um dos fatores que justificam o seu aproveitamento e a sua rentabilidade. Além das necessidades físicas, é preciso analisar a viabilidade econômica um sistema que lide com o aproveitamento oceânico para a produção de energia. Para a construção de uma maremotriz, é necessário todo o investimento em obras feito para a instalação de hidrelétricas – barragens, comportas e turbinas hidráulicas -, mas levando-se em conta ainda que o aproveitamento da capacidade instalada é menor, já que depende do ciclo das marés. Além disso, a água salgada, devido a seu elevado poder de corrosão, exige a utilização de materiais especiais na construção dos equipamentos, o que encarece sobremaneira a implantação e a manutenção desse tipo de unidade geradora, ainda segundo o estudo da Câmara dos Deputados. Como toda forma de geração de energia, a maremotriz apresenta também riscos ambientais. Exerce influência sobre a qualidade da água e a cadeia alimentar de aves, peixes e invertebrados, além de ter efeitos sobre o alcance das marés, das correntes e da área intermaré. A interferência na vida dos peixes pode causar impactos econômicos também, já que em muitas regiões certas espécies representam grande importância para a pesca comercial.
  • 214.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 215 de 323 Energia eólica Existem mais de 30 mil turbinas eólicas de grande porte em operação em todo o mundo, com capacidade instalada de 13.500 MW. Essa fonte energética é utilizada para a geração de eletricidade há mais de 30 anos, e a tecnologia para o seu aproveitamento tem se desenvolvido rapidamente. As informações são do Centro Brasileiro de Energia Eólica – CBEE, sediado na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. As principais vantagens da energia eólica são o fato de esse recurso aproveitar uma fonte renovável e não poluir o meio ambiente. No início da década de 70, com a crise do petróleo, países europeus e norte-americanos se interessaram pela energia originada dos ventos como forma de diminuição da dependência do carvão e do petróleo. Outras características apontadas pelo CBEE como favoráveis à energia eólica são os custos competitivos com termelétricas, usinas nucleares e hidrelétricas, sendo que em relação a esta última adiciona-se o fato de as instalações de geração eólica não impedirem o desenvolvimento, no local, de atividades agropecuárias ou a preservação do ambiente como habitat natural. O investimento inicial na instalação de equipamento gerador de energia eólica pode ser alto, mas em compensação o custo de operação é baixo, como acontece com as hidrelétricas – já que essas duas formas de geração de energia utilizam-se de fontes naturais e gratuitas, a água e o vento. Já o custo de operação de uma usina nuclear é elevado, devido ao alto preço dos combustíveis de que ela necessita para funcionar. Apesar das vantagens ambientais, deve-se levar em consideração que cada local se apresenta mais ou menos favorável para a geração de energia a partir do vento. Segundo reportagem da revista Economist de dezembro de 2005, o fator crucial é o 'potencial do vento' de cada local; mesmo as melhores regiões para as turbinas de vento produzem energia apenas de 30 a 40% do tempo, e a média das turbinas na Alemanha, por exemplo, é de apenas 11%. Na Alemanha, por exemplo, foi adotada uma medida que visa favorecer a indústria geradora de energia eólica: as concessionárias são obrigadas por lei a comprar energia de fontes renováveis, pagando de 65 a 90% da tarifa de venda da energia ao pequeno consumidor, localizado na mesma região. Tendo comprador certo e tarifa adequada, o setor privado assumiu, sem necessidade de nenhum subsídio de parte do governo, a responsabilidade de instalar centenas de geradores eólicos, afirmou o engenheiro Caspar Erich Stemmer, ex-reitor e professor emérito da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, em entrevista ao site do CBEE. A mesma medida praticada na Alemanha vem sendo adotada na Dinamarca e na União Européia. No Brasil ainda não existe uma legislação específica, o que dificulta a implementação da energia eólica. Houve tentativas de projetos localizados, como o Prodeene – Programa Prioritário de Desenvolvimento da Energia Eólica do Nordeste, em 2001, que pretendia abranger empreendimentos destinados à produção de energia por meio de turbinas eólicas nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Quando a Câmara apresentou o projeto, declarou que nesses locais haveria isenção de impostos federais sobre as despesas de prospecção e identificação das áreas de potencial eólico e sobre a importação de material utilizado para a produção dos equipamentos e a construção das centrais. Atualmente o Ministério das Minas e Energia coordena o PROINFA – Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, que visa diversificar a matriz energética nacional
  • 215.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 216 de 323 através da contratação de 3.300 MW de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN), produzidos por fontes eólica, de biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), sendo 1.100 MW de cada fonte. Segundo a reportagem da Economist, a tecnologia que vem sendo desenvolvida para as turbinas geradoras de energia a partir do vento tem sido outro fator fundamental para a viabilidade do aproveitamento desse recurso. Nos anos 70, as turbinas tinham em média 10 metros de diâmetro, enquanto hoje chegam a ter mais de 80 metros. É importante ainda que se aproveite o potencial dos ventos no nível mais elevado possível, já que quanto mais distante do solo mais fortes e estáveis eles são. Pré-sal O Pré-Sal é um conjunto de reservatórios mais antigos que a camada de sal (principalmente halita e anidrita. Esses reservatórios podem ser encontrados do Nordeste ao Sul do Brasil (onshore e offshore) e de uma forma similar no Golfo do México e na costa Oeste africana. A área que tem recebido destaque é o trecho que se estende do Norte da Bacia de Campos ao Sul da Bacia de Santos desde o Alto Vitória até o Alto de Florianópolis respectivamente. A espessura da camada de sal na porção centro-sul da Bacia de Santos chaga a 2.000 metros, enquanto na porção norte da bacia de Campo está em torno de 200 metros. Este sal foi depositado durante a abertura do oceano Atlântico, após a quebra do Gondwana (Antigo Supercontinente formado pelas Américas e Africa) durante a fase de mar raso e de clima semi-árido/árido(1 a 7 M.a.). O termo Pré-Sal é uma definição geológica que significa que a camada foi depositada antes que o sal. Já o termo Sub-Sal, que também é uma definição geológica, significa que a rocha reservatório está abaixo do sal, não necessáriamente sendo uma camada mais antiga, pois devido o sal ser extremamente maleável, o mesmo pode ser movimentar criando línguas sobre uma camada mais jovem que ele. Este tipo de formação é conhecida como sal alóctone. Nas camadas rochas da camada pré-sal existentes no mundo, a primeira descoberta de reserva petrolífera ocorreu no litoral brasileiro, que passaram a ser conhecidas simplesmente como petróleo do pré-sal ou pré-sal. Estas também são as maiores reservas conhecidas em zonas da faixa pré-sal até o momento identificadas [1]. Depois do anúncio da descoberta de reservas na escala de dezenas de bilhões de barris, em todo o mundo começaram processos de exploração em busca de petróleo abaixo das rochas de sal nas camadas profundas do subsolo marinho. Atualmente as principais áreas de exploração petrolífera com reservas potenciais ou prováveis já identificadas na faixa pré-sal estão no litoral do Atlântico Sul. Na porção sul-americana está a grande reserva do pré-sal no litoral do Brasil, enquanto, no lado africano, existem áreas pré-sal em processo de exploração (em busca de petróleo) e mapeamento de reservas possíveis no Congo (Brazzaville)[2] e no Gabão [3]. Além do Atlântico Sul, especificamente nas áreas atlânticas da América do Sul e da África, também existem camadas de rochas pré-sal sendo mapeadas à procura de petróleo no Golfo do México e no Mar Cáspio, na zona marítima pertencente ao Cazaquistão [4]. Nestes casos, foram a ousadia e o trabalho envolvendo geração de novas tecnologias de exploração, desenvolvidas pela Petrobrás, que acabaram sendo copiadas ou adaptadas e vêem sendo utilizadas por multinacionais para procurar petróleo em camadas do tipo pré-sal em formações geológicas parecidas em outros locais do mundo. Algumas das multinacionais petrolíferas que estão procurando petróleo em camadas do tipo pré-sal no mundo, aprenderam diretamente com a Petrobrás, nos campos em que exploram como sócias da Petrobrás no Brasil. 10 perguntas para você entender o pré-sal 1. O que é o pré-sal? O termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas localizadas nas porções marinhas de grande parte do litoral brasileiro, com potencial para a geração e acúmulo de petróleo.
  • 216.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 217 de 323 Convencionou-se chamar de pré-sal porque forma um intervalo de rochas que se estende por baixo de uma extensa camada de sal, que em certas áreas da costa atinge espessuras de até 2.000m. O termo pré é utilizado porque, ao longo do tempo, essas rochas foram sendo depositadas antes da camada de sal. A profundidade total dessas rochas, que é a distância entre a superfície do mar e os reservatórios de petróleo abaixo da camada de sal, pode chegar a mais de 7 mil metros. As maiores descobertas de petróleo, no Brasil, foram feitas recentemente pela Petrobras na camada pré-sal localizada entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo, onde se encontrou grandes volumes de óleo leve. Na Bacia de Santos, por exemplo, o óleo já identificado no pré-sal tem uma densidade de 28,5º API, baixa acidez e baixo teor de enxofre. São características de um petróleo de alta qualidade e maior valor de mercado. 2. Qual o volume estimado de óleo encontrado nas acumulações do pré-sal descobertas até agora? Os primeiros resultados apontam para volumes muito expressivos. Para se ter uma ideia, só a acumulação de Tupi, na Bacia de Santos, tem volumes recuperáveis estimados entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo equivalente (óleo mais gás). Já o poço de Guará, também na Bacia de Santos, tem volumes de 1,1 a 2 bilhões de barris de petróleo leve e gás natural, com densidade em torno de 30º API. 3. As recentes descobertas na camada pré-sal são economicamente viáveis? Com base no resultado dos poços até agora perfurados e testados, não há dúvida sobre a viabilidade técnica e econômica do desenvolvimento comercial das acumulações descobertas. Os estudos técnicos já feitos para o desenvolvimento do pré-sal, associados à mobilização de recursos de serviços e equipamentos especializados e de logística, nos permitem garantir o sucesso dessa empreitada. Algumas etapas importantes dessa tarefa já foram vencidas: em maio deste ano a Petrobras iniciou o teste de longa duração da área de Tupi, com capacidade para processar até 30 mil barris diários de petróleo. Um mês depois a Refinaria de Capuava (Recap), em São Paulo, refinou o primeiro volume de petróleo extraído da camada pré-sal da Bacia de Santos. É um marco histórico na indústria petrolífera mundial. 4. Como começou essa história de superação de desafios? Em 2004 foram perfurados alguns poços em busca de óleo na Bacia de Santos. É que ali haviam sido identificadas, acima da camada de sal, rochas arenosas depositadas em águas profundas, que já eram conhecidas. Se fosse encontrado óleo, a ideia era aprofundar a perfuração até chegar ao pré-sal, onde os técnicos acreditavam que seriam encontrados grandes reservatórios de petróleo. Em 2006, quando a perfuração já havia alcançado 7.600m de profundidade a partir do nível do mar, foi encontrada uma acumulação gigante de gás e reservatórios de condensado de petróleo, um componente leve do petróleo. No mesmo ano, em outra perfuração feita na Bacia de Santos, a Companhia e seus parceiros fizeram nova descoberta, que mudaria definitivamente os rumos da exploração no Brasil. A pouco mais de 5 mil metros de profundidade, a partir da superfície do mar, veio a grande notícia: o poço, hoje batizado de Tupi, apresentava indícios de óleo abaixo da camada de sal. O sucesso levou à perfuração de mais sete poços e em todos encontrou-se petróleo. O investimento valeu a pena. 5. Com este resultado, o que muda para a Petrobras? Essas descobertas elevarão a empresa, ao longo dos próximos anos, a um novo patamar de reservas e produção de petróleo, colocando-a em posição de destaque no ranking das grandes companhias operadoras. Com a experiência adquirida no desenvolvimento de campos em águas profundas da Bacia de Campos, os técnicos da Petrobras estão preparados, hoje, para desenvolver as acumulações descobertas no pré-sal. Para isso, já estão promovendo adaptações da tecnologia e da logística desenvolvidas pela empresa ao longo dos anos. 6. Quais serão as contribuições dessas grandes descobertas para o desenvolvimento nacional? Diante do grande crescimento previsto das atividades da companhia para os próximos anos, tanto no pré-sal quanto nas demais áreas onde ela já opera, a Petrobras aumentou substancialmente os recursos programados em seu Plano de Negócios. São investimentos
  • 217.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 218 de 323 robustos, que garantirão a execução de uma das mais consistentes carteiras de projetos da indústria do petróleo no mundo. Serão novas plataformas de produção, mais de uma centena de embarcações de apoio, além da maior frota de sondas de perfuração a entrar em atividade nos próximos anos. A construção das plataformas P-55 e P-57, entre outros projetos já encomendados à indústria naval, garantirá a ocupação dos estaleiros nacionais e de boa parte da cadeia de bens e serviços offshore do país. Só o Plano de Renovação de Barcos de Apoio, lançado em maio de 2008, prevê a construção de 146 novas embarcações, com a exigência de 70% a 80% de conteúdo nacional, a um custo total orçado em US$ 5 bilhões. A construção de cada embarcação vai gerar cerca de 500 novos empregos diretos e um total de 3.800 vagas para tripulantes para operar a nova frota. 7. A Petrobras está preparada, tecnologicamente, para desenvolver a área do pré-sal? Sim. Ela está direcionando grande parte de seus esforços para a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico que garantirão, nos próximos anos, a produção dessa nova fronteira exploratória. Um exemplo é o Programa Tecnológico para o Desenvolvimento da Produção dos Reservatórios Pré-sal (Prosal), a exemplo dos bem-sucedidos programas desenvolvidos pelo seu Centro de Pesquisas (Cenpes), como o Procap, que viabilizou a produção em águas profundas. Além de desenvolver tecnologia própria, a empresa trabalha em sintonia com uma rede de universidades que contribuem para a formação de um sólido portfólio tecnológico nacional. Em dezembro o Cenpes já havia concluído a modelagem integrada em 3D das Bacias de Santos, Espírito Santo e Campos, que será fundamental na exploração das novas descobertas. 8. Como está a capacidade instalada da indústria para atender a essas demandas? Esse é outro grande desafio: a capacidade instalada da indústria de bens e serviços ainda é insuficiente para atender às demandas previstas. Diante disso, a Petrobras recorrerá a algumas vantagens competitivas já identificadas, para fomentar o desenvolvimento da cadeia de suprimentos. Graças à sua capacidade de alavancagem, pelo volume de compras, a empresa tem condições de firmar contratos de longo prazo com seus fornecedores. Uma garantia e tanto para um mercado em fase de expansão. Além disso, pode antecipar contratos, dar suporte a fornecedores estratégicos, captar recursos e atrair novos parceiros. Tudo isso alicerçado num programa agressivo de licitações para enfrentar os desafios de produção dos próximos anos. 9. Quais os trunfos da Petrobras para atuar na área do pré-sal? Em primeiro lugar, a inegável competência de seu corpo técnico e gerencial, reconhecida mundialmente; a experiência acumulada no desenvolvimento dos reservatórios em águas profundas e ultraprofundas das outras bacias brasileiras; sua base logística instalada no país; a sua capacidade de articulação com fornecedores de bens e serviços e com a área acadêmica no aporte de conhecimento; e o grande interesse econômico e tecnológico que esse desafio desperta na comunidade científica e industrial do país. 10. Que semelhanças podem ser identificadas entre o que ocorreu na década de 80, na Bacia de Campos, e agora, com o pré-sal? De fato, as descobertas no pré-sal deixam a Petrobras em situação semelhante à vivida na década de 80, quando foram descobertos os campos de Albacora e Marlim, em águas profundas da Bacia de Campos. Com aqueles campos, a Companhia identificava um modelo exploratório de rochas que inauguraria um novo ciclo de importantes descobertas. Foi a era dos turbiditos, rochas-reservatórios que abriram novas perspectivas à produção de petróleo no Brasil. Com o pré-sal da Bacia de Santos, inaugura-se, agora, novo modelo, assentado na descoberta de óleo e gás em reservatórios carbonáticos, com características geológicas diferentes. É o início de um novo e promissor horizonte exploratório. Energia nuclear renasce em todo o mundo A mudança na postura da Austrália é um dos sinais de que governos de diversos países estão repensando a energia nuclear, política e economicamente. Em 26 anos, a mineração de urânio no norte da Austrália foi palco de protestos de
  • 218.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 219 de 323 ecologistas, que não apoiavam a exploração da mina. Mas até 2008, com o fim dos recursos da mina de Ranger, a Austrália deve entrar em uma nova era nuclear, motivada – em parte— por medo das mudanças climáticas. No dia 21 de novembro, o governo afirmou que a Austrália deveria fazer mais do que vender urânio a outros países: deveria usar o material para construir a sua própria usina nuclear e, por conseguinte, diminuir as emissões de gás carbônico do país. Energia solar progredindo A energia solar nunca foi muito popular, equivalia a apenas 1% da produção de eletricidade mundial. Porém, novos programas barateiam o custo de energia sem atingir sua qualidade. O problema da expansão da energia solar é o preço do material com a qual a célula solar é feita. O silicone é caro e até é possível fazê-las com materiais mais baratos, mas a eficiência cai de 15% a 20% - com silicone – para 3% a 4%. No entanto, três novas maneiras de aumentar o potencial das células solares feitas com outros materiais foram divulgadas na reunião anual da Sociedade Química Americana, em São Francisco. Biocombustíveis vão valorizar os grãos O aumento da demanda global por biocombustíveis deverá impulsionar os preços internacionais de grãos a partir de 2008, conforme analistas que participaram do seminário Perspectivas do Agronegócio: um panorama para os próximos 5 anos, promovido pela Agrenco na sexta-feira, em Veneza. A teoria contraria previsão recente do Banco Mundial, de queda das commodities no médio prazo. Ronald Anderson, consultor internacional de agronegócios da corretora americana R.J. O'Brien, estima que os preços internacionais dos grãos se manterão em queda na safra 2006/07, por conta do aumento da safra mundial e dos altos estoques. Mas a tendência, disse, é de alta entre 2008 e 2011, motivada sobretudo pela maior demanda por esses produtos para a produção de biocombustíveis. Ele prevê que a produção mundial de biocombustíveis, hoje próxima de 6 milhões de toneladas, deverá alcançar 34 milhões de toneladas até 2011, para atender aos programas de energia alternativa de diversos países. Na União Européia, a demanda deverá crescer de 4 milhões para quase 14 milhões de toneladas no período. A UE aposta principalmente no biodiesel de canola. Nos EUA, a opção é o milho. A corretora estima que a demanda pelo grão para produção de etanol deverá passar de 50 milhões para 176 milhões de toneladas até 2011. Os americanos planejam elevar sua produção de etanol dos atuais 4 bilhões de galões (de 3,785 litros) para 7,5 bilhões por ano até 2011. Se continuarmos nesse ritmo, logo vamos usar metade da produção de milho para combustível, disse Anderson. Décio Gazzoni, pesquisador da estatal brasileira Embrapa, estima que a produção mundial de biodiesel, hoje em torno de 5 bilhões de litros, deverá alcançar 34,7 bilhões até 2010. Segundo ele, boa parte dessa demanda poderá ser abastecida pelo Brasil, mas isso dependerá da adoção de culturas mais produtivas. Hoje a maioria das culturas adotadas gera 1 tonelada de biodiesel por hectare. Isso significa que será preciso plantar 35 milhões de hectares para garantir a oferta de biocombustível, diz. Gazzoni observa que a palma (que gera 5 toneladas de óleo por hectare) é a cultura com maior potencial de oferta de óleo, mas que a expansão de sua área de plantio é limitada. Ele defende o plantio da macaúba, que produz até 8 toneladas de óleo por hectare, e o pinhão-manso, que gera 3 toneladas de óleo por hectare. Soja e mamona produzem em torno de 600 litros por hectare. Não podem ser os carros-chefes do biodiesel brasileiro no longo prazo porque demandarão enorme expansão de área, afirma. (CB)
  • 219.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 220 de 323 Horário de Verão Em outubro, ao decretar o horário de verão, o governo estimou que a economia de energia chegaria a 5% nos horários de pico de consumo. Um decreto presidencial determinou, a partir deste ano, o período exato em que o horário diferenciado vai vigorar: começará sempre no terceiro domingo de outubro e terminará sempre no terceiro domingo de fevereiro. Segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a idéia do horário de verão surgiu nos Estados Unidos, cem anos antes da Conferência de Washington de 1884, com o fim de aproveitar a luz natural o máximo possível durante os dias mais longos do ano. O Brasil começou a adotar o horário de verão em 1931/1932. Até 1967, o horário era decretado esporadicamente e sem um critério científico mais apurado. Depois, ficou 18 anos suspenso e só voltou no verão de 1985/86, motivado por um racionamento de energia em função de baixa nos reservatórios das hidrelétricas. “Outros países também fazem mudança na hora legal para aproveitar a maior luminosidade no período primavera-verão, a exemplo do que acontece na União Europeia, nos Estados Unidos, Canadá e Rússia”, informa a Aneel. Capacidade de Geração do Brasil O Brasil possui no total 2.203 empreendimentos em operação, gerando 107.240.722 kW de potência. Está prevista para os próximos anos uma adição de 37.395.190 kW na capacidade de geração do País, proveniente dos 154 empreendimentos atualmente em construção e mais 444 outorgadas. Fontes de Energia Exploradas no Brasil Atualmente no Brasil há investimentos na utilização das seguintes fontes de energia: · Eólica = Utiliza a força dos ventos para acionar uma usina elétrica. · Fotovoltaica = Aproveitamento da luz solar. · Hidrelétrica = Aproveitamento dos cursos dos rios. · Maré = Aproveitamento dos movimentos das marés. · Termelétrica = Pela queima de combustíveis fósseis. Resumo da Situação Atual dos Empreendimentos Fonte de Energia Situação Potência Associada (kW) 44 empreendimento(s) de fonte Eólica outorgada 2.125.231 8 empreendimento(s) de fonte Eólica em construção 150.150 38 empreendimento(s) de fonte Eólica em operação 709.284 1 empreendimento(s) de fonte Fotovoltaica outorgada 5.000 1 empreendimento(s) de fonte Fotovoltaica em operação 20 229 empreendimento(s) de fonte Hidrelétrica outorgada 4.337.602 89 empreendimento(s) de fonte Hidrelétrica em construção 11.292.166 838 empreendimento(s) de fonte Hidrelétrica em operação 78.800.731 1 empreendimento(s) de fonte Maré outorgada 50 169 empreendimento(s) de fonte Termelétrica outorgada 13.744.022 57 empreendimento(s) de fonte Termelétrica em construção 5.740.969
  • 220.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 221 de 323 1326 empreendimento(s) de fonte Termelétrica em operação 27.730.687 (notíciário) 03/02/2010 Manchete: Calor impulsiona recorde de consumo de energia, diz ONS. Resumo: Impulsionado pelo forte calor, o consumo de energia no país foi recorde ontem, segundo informações do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Foi identificada uma demanda de 68.761 MW (megawatts), maior nível da história, às 14h42 da última terça-feira. O recorde foi determinado principalmente pela área Sudeste/Centro-Oeste, que foi responsável por uma demanda instantânea de 42.690 MW, exatamente no horário verificado em todo o SIN (sistema Interligado nacional). Na região Sul, a demanda recorde também foi registrada ontem. Foram observados 12.727 MW, às 14h38. Para atender à alta da demanda, foram gerados 60.155 MW médios, acima dos 59.192 MW médios programados anteriormente. Deste total, 48.028 MW médio, o equivalente a 79,84% de toda a geração, vieram das usinas hidrelétricas nacionais. Itaipu, que é binacional, gerou 12,52% do total, ou 7.532 MW médios. As usinas termelétricas, que vem sendo acionadas para poupar os reservatórios, geraram 2.472 MW médios, ou 4,11% do total. As usinas nucleares de Angra foram responsáveis por 3,26% de todas a geração, o equivalente a 1.960 MW médios. Demanda Para este ano, a previsão é que o consumo de energia do setor industrial cresça 9,4%, recuperando as perdas sentidas em 2009. O consumo geral de energia deve aumentar 7,4%. As projeções da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) levam em conta um crescimento de 6% do PIB para o ano. Segundo balanço de 2009, houve uma retração de 8% no consumo de energia na indústria. O baque é explicado pela crise econômica internacional, que comprometeu principalmente as atividades da indústria voltadas para exportação. O consumo residencial e do comércio apresentaram um comportamento inverso ao da indústria, com crescimento em 2009 de 6,2% (residência) e 6,1% (comércio). O recorde no setor doméstico e do comércio atenuou a queda geral no consumo de 2009, que foi de 1,1%. Para 2010, a EPE projeta um crescimento doméstico de 5,3%, e do comércio de 6,6%. O comportamento atípico desse segmento em 2009 se explica pelo crescimento da renda do brasileiro e do elevado poder de compra conquistado pelas classes D e E, que passaram a comprar mais eletrodomésticos. 07/12/2009 Manchete: ENERGIA. “Washington Post”: Brasil caminha para ser “petropotência”. Resumo: Uma reportagem publicada nesta segunda-feira no jornal americano Washington Post afirma que o Brasil caminha para se tornar uma petropotência. Intitulado Brasil se prepara para extração maciça de petróleo, o artigo faz, no entanto, a ressalva de que os
  • 221.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 222 de 323 desafios envolvendo o desenvolvimento do pré-sal são tão gigantescos quanto a tarefa em si. Tudo neste estaleiro é colossal, escreve o repórter, durante uma visita a uma das infraestruturas da Petrobras em Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro. Os quatro mil trabalhadores, os bilhões aplicados em custos de capital, as plataformas com altura de um prédio de dez andares inconclusas. Assim também é o desafio que enfrenta a estatal brasileira de energia, a Petrobras: desenvolver um grupo de campos de petróleo recém-descobertos em mar profundo que, segundo analistas de energia, catapultarão o País para o ranking das petropotências. A reportagem cita estimativas da Petrobras, de que o País poderia chegar a 2020 com uma produção de 3,9 milhões de barris de petróleo por dia, praticamente o dobro do volume de 2 milhões de barris atualmente. As reservas comprovadas de petróleo podem passar dos atuais 14,4 bilhões de barris para mais de 30 bilhões de barris, diz o texto. Em uma era de oferta reduzida, as descobertas na costa brasileira e o aumento da envergadura da Petrobras estão mudando o equilíbrio petroleiro do mundo, diz a matéria. O artigo lembra que a estatal permanece firmemente sob o controle do Estado, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratando-a como um ícone nacional, cujo futuro está entrelaçado com o do Brasil. Apesar do otimismo que os dirigentes da Petrobras demonstram para os visitantes, eles listam os desafios: perfurar a camada de sal a 6,5 mil pés e operar campos que estão tão longe da costa que só podem ser alcançados de helicóptero, diz o texto. Além disso, a reportagem cita a associação de petroleiras estrangeiras que operam no Brasil. O grupo critica o que considera um excessivo posicionamento da Petrobras nos campos do pré-sal, afirmando que o quinhão estatal nos projetos corre o risco de limitar o desenvolvimento deles. 11/11/2009 Manchete: Depois de dez anos, País volta a parar com apagão. Resumo: Pela primeira vez na história, a usina de Itaipu teve de ser totalmente paralisada, provocando na noite de terça-feira um apagão que atingiu o Distrito Federal e dez Estados brasileiros - Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo - além do Paraguai. Itaipu responde por quase 20% do abastecimento de energia do Brasil e 87% do consumo paraguaio. O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, disse que causas atmosféricas podem ter gerado o apagão. O apagão aconteceu por volta de 22h15 e as operações em Itaipu só foram restabelecidas cerca de duas horas depois. À 0h04, Lobão anunciou a volta da transmissão de energia e que a normalização de todo o sistema poderia levar de duas a três horas. Até às 2h30 desta quarta-feira a energia não havia voltado 100% nas regiões atingidas. Pessoas presas em elevador, atendimento precário e à base de geradores em hospítais, bares com medo de calote de clientes, trânsito intenso pelo não funcionamento de semáforos, disputa por táxis e ônibus com a paralisação de trens e metrôs e até congestionamento de linhas de telefonia celular foram parte dos transtornos. A interrupção do fornecimento de energia foi a maior desde o último apagão, que aconteceu há dez anos, em 11 de março de 1999, e também atingiu dez estados e o Distrito Federal. Entre junho de 2001 e o começo de 2002, o País adotou um programa de racionamento de energia para evitar o risco de novos apagões. O ministro Lobão negou que o apagão dessa noite tenha relação com o anterior. O sistema não é frágil, é o mais seguro do mundo, afirmou. No apagão anterior não havia sistema interligado e havia ausência de linhas de transmissão, hoje não, 98% das linhas são
  • 222.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 223 de 323 interligadas. O ministro foi informado do desligamento de Itaipu durante reunião com o presidente Lula sobre a divisão dos royalties do pré-sal. O diretor-geral da Usina Elétrica de Itaipu, Jorge Samek, afirmou que duas linhas de transmissão de 765 mil volts que não estavam funcionando foram reparadas. Ainda de acordo com Samek, não há dúvidas de que o apagão foi causado por queda em linhas de transmissão de energia. Celulares Informações da reportagem do Jornal da Tarde, de São Paulo, mostravam que o apagão afetou as redes de telefonia celular. Era grande a dificuldade para fazer chamadas ou passar mensagens de texto. Segundo a reportagem, a TIM informou que o congestionamento na rede ocorreu porque muitas pessoas tentaram ligar ao mesmo tempo para saber informações sobre o apagão. Distrito Federal A falta de energia provocou o adiamento do jogo Brasiliense e São Caetano pela Série B do Campeonato Brasileiro. Mato Grosso Em Cuiabá, o centro da cidade ficou completamente apagado por cerca de 15 minutos. A Cemat, que administra a energia elétrica no Estado, confirmou que o problema ocorreu na saída da energia da hidrelétrica de Itaipu e atingiu 25% da carga do Estado. A energia foi restabelecida ainda no começo da madrugada. Mato Grosso do Sul A capital Campo Grande também ficou sem energia elétrica. Em várias partes do Mato Grosso do Sul, a energia dependia exclusivamente de geradores. Nos hospitais, os geradores foram reservados para alas de emergência. Por volta da 0h30, a energia foi restabelecida. Minas Gerais A Companhia de Energia Elétrica de Minas Gerais (Cemig) informou que alimentadores em cidades do interior do Estado deixaram de fornecer energia elétrica por volta das 17h, após fortes chuvas. A companhia informou que não houve blecaute na capital, Belo Horizonte. No fim da noite a energia começou a ser restabelecida. Paraná O Estado foi dos menos afetados. Na região de Maringá, a falta de energia não durou mais que minutos. Na região de Londrina, no distrito rural de Warta, a energia faltou por 45 minutos. Pernambuco Em Recife, bairros ficaram sem energia, mas ainda à noite ela foi restabelecida. Rio Grande do Sul No Rio Grande do Sul, a AES Sul registrou falta de energia em cidades da região metropolitana de Porto Alegre. Segundo a concessionária, 70 mil casas ficaram sem energia em Sapucaia do Sul e São Leopoldo por cinco minutos. As outras empresas que administram energia elétrica no Estado não registraram problemas. Rio de Janeiro No Rio de Janeiro, serviços de trens e metrô foram paralisados com o apagão. Os ônibus ficaram lotados e a disputa por um táxi foi acirrada nas ruas. Celulares e telefones fixos ficaram mudos em parte da cidade, principalmente nas zonas norte e sul. Segundo a Cedae, o sistema de abastecimento de água em sua área foi comprometido com a falta de luz. Os sistemas Guandu (que atende 90% da capital e da Baixada Fluminense) e Imunana Laranjal (que servem Niterói, São Gonçalo, Magé, Paquetá e Itaboraí) podem levar até o fim de semana para serem normalizados.
  • 223.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 224 de 323 São Paulo Capital, ABC, cidades da Grande São Paulo e outras cidades do interior do Estado foram atingidos. Na capital, metrô e trens pararam de circular. Sem semáforos funcionando, o trânsito ficou comprometido. Por de 0h25, a energia começou a ser restabelecida na capital. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) colocou 500 agentes nas ruas - o dobro do habitual para o horário - e suspendeu o rodízio de veículos desta quarta-feira (finais de placa 5 e 6). 25/08/2009 Manchete: Petrobras: Brasil terá uma das dez maiores reservas de petróleo no mundo Segundo Gabrielli, Brasil ficará entre a oitava e a nona posição no mundo. Para ministra Dilma, com novas reservas país se tornará exportador de petróleo. Resumo: O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse, que o Brasil terá uma dez maiores reservas de petróleo do mundo com as novas fontes anunciadas na Bacia de Santos, que podem aumentar os estoques brasileiros em até 50%. Ficaremos entre a oitava e a nona posição, afirmou - hoje, o país está na 24ª posição em quantidade de reservas. A Petrobras anunciou nessa semana ter encontrado, no campo de Tupi, na Bacia de Santos, um volume de até 8 bilhões de barris de óleo equivalente - hoje, as reservas do país são de cerca de 14 bilhões de barris do produto. Isso levou o governo federal a retirar 41 blocos em áreas de elevado potencial de petróleo e gás natural da nova rodada de licitações do setor. O objetivo da decisão é garantir que a exploração dos volumes já comprovados pela estatal e seus autais sócios. Com a mudança, o leilão passará a ter 271 blocos. Exportador A descoberta, segundo a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pode transformar o país em exportador de petróleo. Uma reserva destas transforma o País em exportador de petróleo, disse esta tarde a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Segundo ela, o Brasil era um produtor médio, com a auto-suficiência recente e agora passa para o primeiro patamar de produtores. A ministra comparou o futuro do Brasil nessa área com grandes produtores, citando os países árabes e a Venezuela. Para a ministra, o governo federal tem de proteger as reservas que possui. É a preservação da soberania do país, mas mantendo no leilão outras áreas que não tenham nenhuma interface com a descoberta, acrescentou a ministra. 25/08/2009 Manchete: Aneel aprova distribuição de internet e TV por assinatura pela rede de energia. Tomada poderá ligar liquidificador e ser, também, ponto de internet. Concessionárias terão de criar subsidiárias para entrar no negócio. Resumo: A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (25) as regras para o uso da tecnologia conhecida como Power Line Communications (PLC) no país - sistema que utiliza a rede de energia elétrica como meio de transporte de sinais de internet, vídeo e voz. Na prática, o sistema permitirá, assim que implementado, o acesso à internet, ou à TV por assinatura, por meio da rede elétrica - já presente na maior parte das residências do Brasil. Assim, um ponto de energia pode ser uma tomada para ligar o eletrodoméstico e, simultaneamente, um ponto de rede de dados para a provedora de internet ou TV por assinatura, explicou a Aneel, em nota.
  • 224.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 225 de 323 Segundo a Agência, os consumidores de telecomunicações serão beneficiados, uma vez que o uso de redes existentes evita custos com implantação de novas infra-estruturas ou necessita de poucos investimentos. Outro benefício, informou a Aneel, é a utilização da rede elétrica para a inclusão digital, pois a penetração do serviço de energia elétrica é maior que o de telecomunicação. O serviço não estará disponível, porém, de imediato. O início das operações em cada região depende das distribuidoras. Segundo as regras do setor elétrico, as concessionárias só podem prestar serviços de distribuição de energia. Deste modo, não podem operar diretamente os serviços de internet. Se optarem por entrar no negócio, terão de criar uma subsidiária com esta finalidade, informou a Agência Nacional de Energia Elétrica. De acordo com a Aneel, a medida representará redução de custos aos consumidores, pois estes poderão contar com a apropriação de parte dos lucros adicionais obtidos por meio da cessão das instalações de distribuição, em benefício do estabelecimento de tarifas mais baixas. Data: 13/05/2009 Manchete: Brasil perde, anualmente, quase R$ 10 bilhões em eletricidade. Para diminuir esse prejuízo, duas ações são fundamentais: conscientizar o consumidor e aumentar nossa eficiência energética. Resumo: O desperdício de energia elétrica é um grande problema brasileiro. De acordo com estimativas do Programa Nacional de Conservação de Energia (Procel), cerca de 10% da energia gerada no país são desperdiçados pelos consumidores. Isso significa uma perda de R$ 9,7 bilhões ao ano, ou o equivalente, em megawatts, ao consumo anual das residências das regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste. Quer mais? Pois o Brasil poderia economizar 60 mil gigawatts ao ano (mais da metade do consumo anual do México) se melhorasse sua eficiência energética em apenas 10%. Segundo estimativas de especialistas, essa ação demandaria aportes de US$ 6,7 bilhões, aplicados pelos consumidores e pelas empresas na aquisição, principalmente, de lâmpadas e motores elétricos mais eficientes. Caso a ação não seja adotada, a conta passa a ser de US$ 21,5 bilhões. Os números acima fazem parte de um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgado no final do ano passado. O impacto que somente os motores elétricos têm sobre a demanda mundial é enorme. Segundo pesquisas de uma das maiores fabricantes desse produto, a Asea Brown Bovery (ABB), o equipamento é responsável por cerca de 50% da demanda de energia elétrica no mundo todo. “Quando esse comparativo é feito apenas no consumo industrial, o índice salta para 65%”, explica o gerente de produtos de automação da empresa, Cláudio Puga. Esse cenário anima muito o setor das empresas que trabalham para promover um melhor uso da energia. Segundo a diretora executiva da Associação Brasileira das Empresas de Conservação de Energia (Abesco), Maria Cecília Amaral, a entidade já vem notando que o mercado para as empresas que cuidam desse setor cresce sistematicamente a um índice de 23% ao ano. De acordo com Maria Cecília, o setor fechou 2008 com um faturamento de R$ 800 milhões. “São valores ainda muito distantes do que nós sabemos que pode ser alcançado no Brasil. Mas é um começo. Estimamos o mercado de eficiência energética em cerca de R$ 11 bilhões”, explica. Data 06/03/2009 Manchete: Petrobras bate recorde de produção diária de petróleo no Brasil. Resumo: A produção da empresa no País atingiu 2.012.654 barris de petróleo na última quarta-feira dia 04, o que supera em 12.420 barris o recorde anterior, obtido em 25 de dezembro de 2007.
  • 225.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 226 de 323 O resultado se deve principalmente à entrada em operação de três novas plataformas na Bacia de Campos, em Marlim Sul e Marlim Leste. Quando alcançarem o pico de produção, estas plataformas acrescentarão 460 mil de barris de petróleo diários à capacidade instalada. Também contribuiu para o recorde, o bom desempenho das plataformas P-52, que alcançou o pico de produção no último trimestre do ano passado, e P-54, que vem registrando produção crescente nos últimos meses - ambas instaladas no campo de Roncador, na Bacia de Campos. Para este ano, a empresa ainda espera começar a extração na camada pré-sal. O consórcio formado pela Petrobras (65%), BG (25%) e Petrogal (10%) colocará em produção um navio-plataforma em maio para iniciar os testes com capacidade máxima de 15 mil barris por dia.
  • 226.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 227 de 323 Ecologia Ecologia é a parte da biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o ambiente em que vivem, bem como as suas recíprocas influências. Ecologia, também é, o ramo das ciências humanas que estuda a estrutura e o desenvolvimento das comunidades humanas em suas relações com o meio ambiente e sua conseqüente adaptação a ele, assim como novos aspectos que os processos tecnológicos ou os sistemas de organização social possam acarretar para as condições de vida do ser humano. Como podemos observar, ecologista é o cientista, o técnico, o pesquisador, o educador, enfim, um profissional que atua sobre o tema meio ambiente. Ao contrário do que muita gente pensa, a ecologia não é uma ciência da moda ou uma preocupação moderna. Ainda que seja mais recente que outras ciências milenares como a matemática ou a física, há mais de um século já havia gente preocupada em definir essa ciência que ganhava cada vez mais corpo e preocupava os habitantes das grandes cidades do planeta. A palavra Ecologia tem origem no grego “oikos que significa casa e logia, estudo, reflexão. Logo, seria o estudo da casa, ou de forma mais genérica, do lugar onde se vive. Foi o cientista alemão Ernest Haeckel, em 1869, quem primeiro usou este termo para designar a parte da biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ambiente em que vive, além da distribuição e abundância dos seres vivos no planeta. No final do século XIX e início do século XX teve início a publicação de vários publicados diversos trabalhos tratando das relações entre seres vivos e o ambiente. Mas foi partir de 1930, porém, o estudo da Ecologia ganhou um espaço independente dentro da Biologia. Hoje os danos ambientais causados pelo aumento da população humana, pela escassez de recursos naturais e pela poluição ambiental fazem com que a Ecologia seja um dos mais importantes ramos da ciência atual. Hoje a Ecologia não apenas ganhou status entre os cientistas, como também se tornou popular e alcançou visibilidade entre os grandes empresários. A escassez de recursos naturais, o aumento desenfreado da população das grandes cidades e a rarefação das florestas, vistos num primeiro momento como sintomas do desenvolvimento, hoje são problemas capazes de mobilizar governos, ONG´s, empresários e pessoas comuns. Relações ecológicas As relações ecológicas são aquelas que se manifestam em diferentes populações de um ecossistema que pode ocorrer em indivíduos de uma mesma espécie ou não. Quando esta relação acontece em indivíduos da mesma espécie denomina-se relação específica e quando ocorre em indivíduos de espécies diferentes dá-se o nome de relação interespecífica. As relações ecológicas ainda podem ser harmônicas se ambos os indivíduos obtiverem ganhos com a relação ou desarmônica se apenas um dos indivíduos é beneficiado com a relação. As relações harmônicas interespecíficas ocorrem em sociedades como as de formigas e abelhas e em colônias como as de crustáceos e protozoários enquanto as relações interespecíficas desarmônicas ocorrem quando há canibalismo, por exemplo, como é o caso da aranha viúva-negra e do louva-deus, comensalismo quando uma espécie utiliza outra como moradia como é o caso de orquídeas e bromélias. Sucessão ecológica Sucessão ecológica é o desenvolvimento de uma comunidade ou biocenose, compreendo a sua origem e o crescimento, até chegar a um estado de equilíbrio dinâmico com o ambiente. Tal dinamismo é uma característica essencial das biocenoses. Tipos de sucessões:
  • 227.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 228 de 323 Sucessões Primárias: correspondem às instalações dos seres vivos em um ambiente que nunca foi habitado. É, por exemplo, a sucessão que acontece numa rocha nua. Os organismos pioneiros são representados pelos liquens. Através de ácidos orgânicos, produzidos pelos liquens, a superfície da rocha vai sendo decomposta. A morte destes organismos, associada à decomposição da rocha, permite o aparecimento de outros vegetais, como os musgos. Estes, por sua vez, permitem, através de sua ação, o aparecimento de espécies maiores, como as bromélias e as gramíneas. Sucessões Secundárias: aparecem em um meio que já foi aprovado, mas os seres vivos foram eliminados por modificações climáticas (glaciações, incêndios), geológicas (erosão) ou pela intervenção do homem. Uma sucessão secundária leva, muitas vezes, à formação de um disclímax, diferente do clímax que existia anteriormente. Sucessões Destrutivas: são aquelas que não terminam em um clímax final. Nesse caso, as modificações são devidas a fatores bióticos, e o meio vai sendo destruído, pouco a pouco, por diferentes seres. É o que acontece com os cadáveres. Impacto de danos ecológicos Pesquisadores canadenses e norte-americanos fizeram uma pesquisa sobre danos ambientais, e concluíram que os países ricos são os que mais poluem o meio ambiente. Apesar disso, esses estragos são sentidos em todas as partes do mundo. Segundo o estudo, o crescimento econômico tem um preço, que não recai de maneira uniforme em todos envolvidos. Como o meio ambiente vai além de fronteiras políticas, o impacto de danos ecológicos é percebido nos mais diferentes locais do planeta. Foi observado também que o impacto dos danos ambientais em países mais pobres normalmente representa peso financeiro maior do que os valores de suas dívidas externas. Isso por conta de fatores como a degradação de áreas agrícolas, esgotamento de reservas naturais e poluição. Um dos principais indicadores destacados foi o da emissão de gases causadores do efeito estufa. O grupo das nações mais pobres foi responsável por 13% das emissões, apesar de contar com 32% da população mundial. Os países mais ricos, com 18% da população, responderam por 42% das emissões. Os em desenvolvimento, considerados para o estudo como de renda média, com 50% da população, ficaram com 45% das emissões. “Em uma base per capita, estimamos que os cidadãos com maior renda foram responsáveis por 5,7 vezes mais emissões do que os de menor renda, mas esses últimos acabaram com um impacto econômico por danos climáticos mais de duas vezes maior do que o valor de suas emissões”, ressaltaram. Apesar de destacarem que os valores da pesquisa não precisam ser interpretados literalmente, os autores sugerem que a globalização e o crescimento econômico devem levar em conta os custos ecológicos. Conceitos a respeito de Ecologia BIOTÓPO - Área física na qual os biótipos adaptados a ela e as condições ambientais se apresentam praticamente uniformes. BIOSFERA - Toda vida, seja ela animal ou vegetal, ocorre numa faixa denominada biosfera, que inclui a superfície da Terra, os rios, os lagos, mares e oceanos e parte da atmosfera. E a vida é só possível nessa faixa porque aí se encontram os gases necessários para as espécies terrestre e aquáticas: oxigênio e nitrogênio.
  • 228.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 229 de 323 HABITAT - É um lugar de vida de um organismo. Total de característica ecológica do lugar especifico habitado por um organismo ou população. NICHO ECOLÓGICO - Pequena habitação ecológica que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ambiente em que vivem bem como as suas recíprocas influencia, mesologia num espaço ocupado por uma espécie ou um organismo vivo. ECOSSISTEMA - Conjunto dos relacionamentos mútuos que o meio ambiente e a flora, fauna e os micros organismo que nele habitam, e que incluem fatores de equilíbrio geológico, atmosférico, meteorológico e biológico. POPULAÇÃO - Comunidade de seres vivos que se entrecruzam livremente, graças ao quê trocam, entre si material genético. ESPÉCIE - Conjunto de indivíduos muito semelhante entre si e aos ancestrais, e que se, entrecruzam. A espécie é unidade biológica fundamental. Varias espécies constituem um gênero: espécie vegetal; espécie animal e a espécie humana (gênero humano). (notíciário) 02/02/2010 Manchete: Desmatamento cai pela metade na Amazônia em um ano, aponta Inpe. Resumo: O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, divulgou nesta terça-feira (2) a redução de 49% no desmatamento da Amazônia no período de agosto a novembro de 2009, comparando com os mesmos meses de 2008. De acordo com o ministro, é uma queda acentuada sobre um ano que já tinha registrado recorde de redução de desmatamento. De agosto a novembro de 2009, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 1,14 mil km2 de desmatamento, contra 2,24 mil km2 no mesmo período de 2008. De acordo com Minc, se o país continuar com esse ritmo, a Amazônia pode fechar o ano com 3,5 mil km2 de desmatamento, cumprindo com dez anos de antecedência a meta para 2020. A meta brasileira, coordenada pela ONU, é quebrar 80% do desmatamento na Amazônia até 2020, tomando como base a média de desmatamento entre os anos de 1996 e 2006. Outubro e novembro Outubro e novembro impulsionaram os bons resultados de 2009. De acordo com as imagens registradas via satélite do Inpe, houve uma queda de 72,4% de desmatamento. Nesse período foram desmatados 247 km2 de floresta amazônica, contra 890 km2 do mesmo período de 2008. Campeões Pará ainda é o Estado onde há maior área desmatada de floresta amazônica, mas também apresentou em novembro a maior redução do desmatamento, de 82%. Em novembro de 2009 teve cerca de 40 km2 desmatados, contra 221 km2 em 2008. Em segundo lugar está o Maranhão, com uma redução no mês de novembro de 65%, passando a ter 18 km2 desmatados. Mato Grosso teve queda de 80%, passando a uma área desmatada em novembro de 8 km2. Intervenções como a operação Boi Pirata 2 e a operação Arco Verde, realizadas pelo Ibama, foram grandes responsáveis pela redução, afirmou Minc. Triplicamos as fiscalizações na região, disse o ministro. 01/02/2010
  • 229.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 230 de 323 Manchete: Ibama libera licença para Belo Monte com 40 condições. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou nesta segunda-feira a liberação da licença ambiental prévia para o projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. No documento, o órgão ambiental lista 40 condicionantes que terão que ser atendidas pelos futuros empreendedores para que a obra seja autorizada. Resumo: Logo após a liberação da licença prévia pelo Ibama, o Ministério de Minas e Energia informou, conforme antecipou o iG nesta tarde, que pretende realizar o leilão do projeto nos primeiros dias de abril. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que, junto com o combate ao desmatamento na Amazônia, o licenciamento ambiental de Belo Monte era um dos grandes desafios de sua gestão. “Belo Monte tem simbolismo muito forte, é a maior obra do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], a mais polêmica, é a terceira hidrelétrica do mundo, gera polêmica há mais de 20 anos”, avaliou. 29/01/2010 Manchete: Amazônia só tolera mais 3% de desmate, após perder 17% da extensão. Se o desmatamento da Amazônia --que já consumiu 17% da floresta-- atingir a marca de 20%, o aquecimento global se encarregará de destruir o que sobrou, afirma uma compilação de estudos sobre a região feita pelo Banco Mundial. Os cientistas identificaram que o efeito conjunto de incêndios, desmatamento e mudança climática empurra a floresta para um estado em que ela perde sua massa crítica para sobrevivência. Como as árvores tropicais são importantes para a regulação do clima e o regime de chuvas, forma-se uma espécie de efeito dominó que afeta todo o bioma. Pior cenário No pior cenário, a floresta da Amazônia encolhe 44% até 2025. O volume das precipitações tende a aumentar durante o período de chuvas e diminuir nos de seca, afetando a vazão dos rios de toda a bacia. O leste da Amazônia --que é contíguo ao Nordeste-- terá as consequências mais graves. O período de seca aumentará e o clima mais quente contribuirá para o avanço da vegetação típica do semiárido. Até 2025, a região poderá perder 74% de sua atual área de floresta. Já no sul da Amazônia, nesta previsão, pelo menos 30% dessa área de floresta tropical terá sido substituída por cerrado até 2025. Assim como a caatinga, esse tipo de vegetação tem árvores menores, que absorvem menos gás carbônico da atmosfera. Aquecimento Mais carbono no ar, então, contribui para o aquecimento global, expandindo os impactos para o resto do país. No Nordeste, por exemplo, as estiagens devem se tornar ainda mais prolongadas, prejudicando a agricultura e a geração de energia elétrica na região. É a primeira vez que um trabalho avalia esses abalos [aquecimento global, incêndios e desmatamento] conjuntamente. A situação é grave. Precisamos tomar medidas imediatas, avalia Thomas Lovejoy, presidente do Comitê Científico Consultivo Independente do relatório do Banco Mundial. Embora indique que parte das perdas na Amazônia sejam inevitáveis, o documento propõe ações de reflorestamento como solução. Estudioso da região há mais de 30 anos, Lovejoy afirma que elas são imprescindíveis e devem começar pela Amazônia oriental.
  • 230.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 231 de 323 Para Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o reflorestamento é importante, mas insuficiente. Não adianta nada se os países não diminuírem as emissões de gases-estufa, diz. 22/01/2010 Manchete: 2009 foi ano mais quente já registrado no Hemisfério Sul. O ano de 2009 foi para o Hemisfério Sul o mais quente da história, segundo dados da agência espacial Nasa. Globalmente, o ano passado perdeu em temperatura apenas para 2005, considerado o ano mais quente desde que se tem registros do tipo no planeta. Resumo: Os dados da Nasa mostram que a temperatura no parte Sul do planeta foi, no ano passado, 0,4º C superior à temperatura mais antiga de que dispõem os cientistas. A partir dessa referência, em 2005 a temperatura global foi cerca de 0,7º C mais alta. A agência informa ainda que a década passada (2000 a 2009) foi a mais quente desde 1880, quando foram desenvolvidos os primeiros equipamentos capazes de medir temperatura com precisão. O diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa (GISS, na sigla em inglês), James Hansen, explicou entretanto que o dado mais relevante é a tendência de alta nas temperaturas ao longo das décadas. Há uma substancial variação ano a ano da temperatura global que é causada pelo ciclo tropical El Niño-La Niña. Quando medimos a temperatura média ao longo de cinco ou dez anos para minimizar essa variação, descobrimos que o aquecimento global continua inabalável, disse. Aquecimento global Os dados apontam para uma clara tendência de aquecimento no planeta. Desde 1880, a temperatura subiu 0,8º C no mundo. Somente nas últimas três décadas, a alta foi de 0,2 graus. Os cientistas do GISS acreditam que o aumento da temperatura global é causada pela presença de gases causadores do efeito estufa, como gás carbônico, na atmosfera terrestre. Mas o instituto enfatiza que variações na radiação solar, oscilações na temperatura do mar dos trópicos e fenômenos como El Niño e La Niña também afetam sensivelmente a temperatura da Terra. 06/11/2009 Manchete: Entenda a importância de um novo acordo sobre mudanças climáticas. Resumo: Se emissão de gás-estufa continuar como está, temperatura sobe 3°C. Em dezembro, representantes de 193 países estarão reunidos em Copenhague para tentar chegar a um novo acordo sobre a redução das emissões de gases do efeito estufa. Projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), apontam que se as emissões continuarem a subir no ritmo atual e chegarem ao dobro do nível da época anterior à industrialização, haverá um aumento médio de temperatura de 3 graus centígrados neste século, o que pode causar sérios impactos De forma geral, o bem-estar da população e o crescimento econômico estão ameaçados se nada for empreendido. Estudo patrocinado pelas Nações Unidas publicado recentemente indica que as mudanças climáticas podem chegar a reduzir em até 19% o Produto Interno Bruto (PIB) dos países afetados por problemas climáticos em 2030. O mesmo relatório afirma que entre 40% e 68% das perdas econômicas previstas podem ser evitadas aplicando-se imediatamente as medidas de adaptação já existentes. Contraditoriamente, é justamente a perspectiva de diminuir o crescimento econômico que tem causado relutância para que os países assumam metas de redução das emissões. Países em desenvolvimento, liderados pela China e Índia, querem que as nações ricas cortem até 2020 suas emissões para pelo menos 40% a menos do que os níveis de 1990 -
  • 231.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 232 de 323 muito mais do que as reduções da lei proposta pela gestão Obama, atualmente em análise pelo Senado norte-americano, por exemplo. O princípio vigente até agora (mas muito contestado) é que são os países desenvolvidos que devem diminuir suas emissões. Aos países em desenvolvimento, que têm menores condições de investimento, caberá cuidar para que suas emissões não aumentem. Foram necessários oito anos para se negociar e ratificar o Protocolo de Kyoto, até o momento o único acordo internacional que limita as emissões, e cuja vigência acaba em 2012. Quatro questões fundamentais precisam ser respondidas na Conferência de Copenhague: · Quanto os países desenvolvidos podem emitir de gases causadores do efeito estufa a médio prazo - até 2020 e 2050? · O que nações em desenvolvimento como, por exemplo, Brasil, Índia e China vão fazer para que suas emissões não aumentem? · Quantos recursos os países desenvolvidos vão oferecer às nações pobres para ajudá-las a reduzir as emissões e apoiar programas para conter o impacto das mudanças climáticas? · Como e por quais instituições esse financiamento bilionário será administrado? As ações para resguardar as populações mais pobres dos efeitos das mudanças climáticas são um dos temas centrais da conferência porque elas são as mais gravemente afetadas e as mais vulneráveis. O IPCC aponta, por exemplo, que até 2020 as colheitas de variedades que dependem do regime de chuvas podem ser reduzidas em até 50% na África. Além disso, o desaparecimento do gelo em cordilheiras como os Andes (cujas águas correm em parte para a Amazônia), o Himalaia e o Hindu Kush pode deixar áreas em que vivem atualmente 1 bilhão de pessoas com abastecimento de água prejudicado. Calcula-se que em 2008 20 milhões de pessoas migraram por causa de desastres ligados às mudanças climáticas. Cerca de 200 milhões de pessoas podem ser deslocados como resultado dos impactos climáticos em 2050. 07/12/2009 Manchete: Veja a cronologia de conferências do clima pré-Copenhague. 1972: Estocolmo (Suécia), PNUMA Conhecida como a Primeira Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o Meio Ambiente [ou Ambiente Humano], elaborou 26 princípios para guiar os povos do mundo na preservação e melhoria do meio ambiente. É o marco para o início das discussões em nível mundial sobre questões ambientais. No mesmo ano, foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que tem sede no Quênia. 1988: Toronto (Canadá), IPCC Primeira Conferência Mundial sobre o Clima, que reuniu cientistas e alertou para a necessidade de reduzir os gases do efeito estufa. A ONU cria o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), para avaliar o risco da mudança climática devido à atividade humana. 1990: Genebra (Suíça), 1º relatório do IPCC Estabeleceu a necessidade de um tal tratado internacional climático, que acabaria sendo
  • 232.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 233 de 323 produzido em 1992. As negociações para ele começaram no mesmo ano, com a criação de um comitê para produzi-lo: o Comitê Intergovernamental de Negociação para uma Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas. O IPCC divulga seu primeiro relatório de avaliação, que mostrava que a temperatura do planeta estaria aumentando. A projeção era de cerca de 0,15 ºC e 0,3 ºC para a década seguinte. 1992: Rio de Janeiro (Brasil), Eco-92 e criação da UNFCC A Conferência das Nações Unidas Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD ou Rio-92) resulta nos tratados internacionais Agenda 21, Convenção da Biodiversidade e Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCC, na sigla em inglês). O objetivo da UNFCC é de estabilizar a concentração de gases do efeito estufa na atmosfera. 1995: Berlim (Alemanha), COP-1 Na primeira Conferência das Partes (COP-1), foram definidos os compromissos legais de redução de emissões, que fariam parte do Protocolo de Kyoto. No mesmo ano, é divulgado o segundo relatório do IPCC. 1996: Genebra (Suíça) Na COP-2, fica definido que os relatórios do IPCC nortearão as decisões futuras. 1997: Kyoto (Japão), Protocolo de Kyoto A COP-3 passa para a história como a convenção em que a comunidade internacional firmou um amplo acordo de caráter ambiental, apesar das divergências entre Estados Unidos e União Europeia: o Protocolo de Kyoto. Ele é um instrumento legal que sugere a redução de emissões de gases do efeito estufa nos países signatários e, no caso dos grandes poluidores do mundo desenvolvido, impõe metas variadas de redução, sendo 5,2% em média, tomando como parâmetro as emissões de 1990. Para que tivesse efeito, teria que ser ratificado pelos países desenvolvidos, cuja soma de emissões de CO2 representava 55% do total. São criados o MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), a partir de uma proposta brasileira, e os certificados de carbono. 1998: Buenos Aires (Argentina) Na COP-4, começam as discussões sobre um cronograma para implementar o Protocolo de Kyoto. No ano seguinte, durante a COP-5, em Bonn (Alemanha), as discussões de implementação continuam. 2000: Haia (Bélgica), EUA abandonam Kyoto A tensão entre a União Europeia e o grupo liderado pelos Estados Unidos aumenta na COP-6, levando ao impasse as negociações. No ano seguinte, o presidente George W. Bush declara que os Estados Unidos não ratificarão o Protocolo de Kyoto, um entrave para a continuidade das negociações. Com a saída do maior poluidor do mundo, o protocolo corre o risco de perder seu efeito. 2001: Bonn (Alemanha) e Marrakesh (Marrocos) O IPCC convoca uma COP extraordinária para divulgar o terceiro relatório, em que fica cada vez mais evidente a interferência do homem nas mudanças climáticas. A tensão entre os países industrializados diminui na COP-7, em Marrakesh. 2002: Nova Déli (Índia) A COP-8 pede ações mais objetivas para a redução das emissões. Os países entram em acordo sobre as regras do MDL. A questão do desenvolvimento sustentável entra em foco. 2003: Milão (Itália) Na COP-9, aprofundam-se as diferenças entre os países industrializados e o resto do mundo. Fica clara a falta de lideranças comprometidas para costurar acordos, o que é cobrado por ONGs. O assunto florestas entra em pauta. 2004: Buenos Aires (Argentina)
  • 233.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 234 de 323 Iniciam-se, durante a COP-10, discussões informais sobre novos compromissos de longo prazo a partir de 2012, quando vence o primeiro período do Protocolo de Kyoto. 2005: Montreal (Canadá) Fica clara a necessidade de um amplo acordo internacional, ajustado à nova realidade mundial: Brasil, China e Índia tornaram-se emissores importantes. Na COP-11, é proposta pelo Brasil a negociação em dois trilhos: o pós-Kyoto e outra paralela entre os grandes emissores, o que inclui os Estados Unidos. 2006: Nairóbi (Quênia), Redd Na COP-12, a vulnerabilidade dos países mais pobres fica evidente. Ainda repercute o Relatório Stern, lançado na Inglaterra no mesmo ano e considerado o estudo econômico mais complexo e abrangente sobre os prejuízos do aquecimento global. Em Nairóbi, o Brasil apresenta a proposta de um mecanismo de incentivos financeiros para a manutenção das florestas, o Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação). 2007: Bali (Indonésia), Mapa do Caminho É criado o Mapa do Caminho, com cinco pilares de discussão para facilitar a assinatura de um compromisso internacional em Copenhague: visão compartilhada, mitigação, adaptação, transferência de tecnologia e suporte financeiro. Na COP-13 ficou acertado que seriam criados um fundo de recursos para os países em desenvolvimento e as Namas (Ações de Mitigação Nacionalmente Adequadas), modelo ideal para os países em desenvolvimento que, mesmo sem obrigação legal, concordem em diminuir suas emissões. 2008: Poznan (Polônia) Continuam as costuras para um acordo amplo em Compenhague, sem muitos avanços. O Brasil lança o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), incluindo metas para a redução do desmatamento. Apresenta ainda o Fundo Amazônia, iniciativa para captar recursos para projetos de combate ao desmatamento e de promoção da conservação e uso sustentável na região. 11/12/2009 Manchete: Prévia de acordo climático busca limitar aquecimento a entre 1,5 e 2 graus. Resumo: O primeiro rascunho oficial de um acordo da conferência da ONU sobre as mudanças climáticas em Copenhague propõe a limitação da alta da temperatura do planeta a entre 1,5 a 2 graus Celsius. No entanto, não há uma opção no momento por alguma das duas possibilidades. As informações constam em cópia de documento obtido pela agência France Presse nesta sexta-feira (11). As partes devem cooperar para evitar uma mudança climática perigosa [...], reconhecendo que a alta da temperatura média global em relação aos níveis pré-industriais não deve superar essas temperaturas, afirma o documento, de sete páginas, divulgado nesta sexta-feira às 8h30 locais, e que será utilizado a partir de agora como base das negociações. A limitação a 1,5 grau é proposta pelos pequenos Estados insulares e por vários países africanos gravemente ameaçados pelo aquecimento global. A outra proposta, de uma limitação do aumento da temperatura a 2 graus, é defendida tanto pelos países ricos como pelos grandes emergentes, incluindo Brasil, China e Índia. O rascunho deve ser submetido a ministérios do Meio Ambiente pelo mundo, com o objetivo de ser endossado em encontro de cúpula da próxima sexta-feira (18). As negociações acontecem durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15).
  • 234.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 235 de 323 Se um acordo político em Copenhague for realizado, deve ser seguido por reuniões em 2010 para acertar os detalhes. 08/12/2009 Manchete: Mudança climática causará até 1 bilhão de migrações, diz relatório. Resumo: A mudança climática deve levar até 1 bilhão de pessoas a deixarem suas casas nas próximas quatro décadas, disse um estudo divulgado nesta terça-feira (8) pela Organização Internacional para a Migração (OIM). O relatório, lançado no segundo dia da conferência climática da ONU em Copenhague, estima que 20 milhões de pessoas já ficaram desabrigadas no ano passado por causa de desastres naturais, que devem se agravar devido à mudança climática. O texto alerta que poucos refugiados climáticos têm condições de deixar seus países para tentar a vida em lugares mais ricos. O que ocorre, na verdade, é que eles se deslocam para cidades já superpopuladas, aumentando a pressão sobre países pobres. Além da luta imediata diante do desastre, a migração pode não ser uma opção para os grupos mais pobres e vulneráveis, disse o texto. Ilhas Em geral, os países esperam gerir internamente a migração ambiental, à exceção de pequenos Estados insulares, nos quais em alguns casos [o aquecimento] já levou ao desaparecimento de algumas ilhas sob a água, forçando a migração internacional. As estimativas sobre a migração decorrente de fenômenos climáticos variam de 25 milhões a 1 bilhão de pessoas [...] nos próximos 40 anos. O texto, no entanto, informa que a cifra mais baixa parece já estar ultrapassada. O número de desastres naturais mais do que dobrou nos últimos 20 anos, e a OIM disse que a desertificação, a poluição da água e outros problemas tendem a tornar áreas cada vez maiores do planeta inabitáveis conforme o efeito estufa se alastrar. Uma maior mudança climática, com temperaturas globais previsivelmente subindo entre 2ºC e 5ºC até o final deste século, pode ter um grande impacto sobre o movimento das pessoas, disse o relatório, patrocinado pela Fundação Rockefeller. O estudo aponta Afeganistão, Bangladesh, a maior parte da América Central e partes da África Ocidental e do Sudeste Asiático como as áreas mais propensas às grandes migrações por fatores climáticos. Nesta semana, o alto comissário da ONU para refugiados, Antonio Guterres, alertou que metade dos refugiados do mundo já vive em cidades onde há aumento de tensões xenófobas, como Cabul, Bogotá, Abidjan e Damasco. 26/11/2009 Manchete: Gasoduto na Amazônia evitará emissão de 1,2 mi de t de CO2. Resumo: O Brasil conseguirá reduzir suas emissões anuais de gás carbônico (CO2) em 1,2 milhão de t com a inauguração nesta quinta-feira de um gasoduto construído em plena Amazônia, o qual permitirá o abastecimento de energia de Manaus com gás natural em vez de diesel. A iniciativa é mais um projeto para reduzir as emissões de gases poluentes a partir do Brasil em pelo menos 36%, objetivo anunciado no mês passado pelo governo e que será apresentado na Conferência da ONU sobre a Mudança Climática, em Copenhague, no mês que vem. Assumimos o compromisso de reduzir as emissões de poluentes entre 36,1% e 38,9% e, com obras como esta, queremos mostrar a nossos amigos americanos e europeus que aqui no Brasil falamos menos e fazemos mais, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na
  • 235.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 236 de 323 inauguração do gasoduto. Este gasoduto é uma demonstração da seriedade do compromisso claro e quantificável que apresentaremos em Copenhague, afirmou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A Amazônia consome mais de 90% do diesel para eletricidade do Brasil e, com o gás, reduziremos significativamente as emissões, acrescentou Dilma. O gasoduto Urucu-Manaus se estende por 661 km no meio da floresta amazônica e oferecerá gás para Manaus, a maior cidade da Amazônia, com 1,8 milhão de habitantes. A estrutura transportará inicialmente 4,1 milhões de m³ de gás natural diários procedentes de Urucu, uma gigantesca reserva descoberta no meio da selva. O gasoduto, que custou R$ 4,5 bilhões, permitirá que as sete usinas termoelétricas de Manaus, que atualmente usam diesel para produzir 725 megawatts de energia e abastecer uma cidade desligada do sistema elétrico nacional, passem a consumir gás natural, combustível menos poluente e mais barato. A substituição reduzirá em quase 30% as emissões de CO2 em Manaus, o que, segundo cálculos da Petrobras, corresponde a 1,2 milhão de toneladas de gases poluentes ao ano. A obra ajudará o Brasil a cumprir parte do compromisso voluntário que assumiu de reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa em entre 36,1% e 38,9% até 2020. Segundo o inventário brasileiro de carbono apresentado hoje pelo Governo, as emissões de gases poluentes do país cresceram 62% entre 1990 (1,36 bilhão de toneladas) e 2005 (2,2 bilhões de toneladas). Esses dados transformam o Brasil no gerador de quase 4,5% das emissões mundiais e situam o país no quinto lugar entre os que mais poluem. Segundo o mesmo inventário, as emissões provocadas pelo setor energético somam 16,4% do total. A principal causa das emissões brasileiras é o desmatamento da Amazônia, com 57,5% do C02 lançado na atmosfera em 2005. 26/11/2009 Manchete: China anuncia, pela 1ª vez, metas de corte de emissão de CO2. Resumo: A China, o maior emissor de gases que causam o efeito estufa, anunciou pela primeira vez uma meta de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, a duas semanas da reunião global sobre clima em Copenhague. Segundo a agência oficial Xinhua, o país cortará, até 2020, de 40% a 45% de sua intensidade de carbono comparada aos níveis de 2005. A intensidade de carbono, uma mensuração própria do país, corresponde ao montante de dióxido de carbono emitido para cada unidade de seu Produto Interno Bruto (PIB). As autoridades dizem que a meta obedece às condições nacionais da China, um país emergente que vê o corte de emissões como uma ameaça ao seu crescimento econômico. Ainda assim, especialistas fazem a ressalva de que ela não necessariamente levará a uma redução absoluta das emissões. O anúncio veio a público um dia após os Estados Unidos confirmarem que vão oferecer, no encontro na Dinamarca, um corte de 17% nas suas emissões de carbono até 2020, em comparação aos níveis de 2005 - menos do que o desejado por cientistas e os países europeus. A Casa Branca confirmou na quarta-feira que o presidente americano, Barack Obama, estará presente no encontro, assim como o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que confirmou sua ida nesta quinta-feira. A cúpula tem por objetivo chegar a um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto, que não foi ratificado pelos Estados Unidos e expira em 2012.
  • 236.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 237 de 323 Redução de emissões Entretanto, analistas creem que a meta anunciada pela China não necessariamente significará uma redução nas emissões. O cálculo chinês é o único a utilizar a mensuração de intensidade de carbono, ou seja, a quantidade de CO2 emitido por cada unidade do produto interno. O correspondente da BBC em Pequim, Quentin Sommerville, disse que o compromisso chinês é tornar as suas fábricas e sua infra-estrutura de energia mais eficientes na utilização de combustível, o que produziria menos gases causadores do efeito estufa. Mas isto não significa que os níveis absolutos de carbono seriam reduzidos, observou o correspondente. Esta é uma ação voluntária tomada pelo governo chinês com base nas suas próprias condições nacionais e uma grande contribuição com os esforços globais de combate à mudança climática, afirmou o governo chinês em um comunicado reproduzido na agência oficial. Na semana passada, o grupo de cooperação dos países da Ásia-Pacífico, Apec, liderado pela China e os EUA, havia decidido adiar para o ano que vem a definição de um acordo mundial sobre o clima. O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Rasmussen, defende que a reunião de Copenhague defina acordos políticos sobre cortes de emissões dos países ricos e ações a serem adotadas por nações pobres e emergentes, com as metas obrigatórias sendo definidas em novas negociações em 2010. 18/11/2009 Manchete: Mundo está a caminho de ficar 6º C mais quente, diz pesquisa. Resumo: Novos dados sobre as emissões mundiais de CO2 (dióxido de carbono, principal gás causador do efeito estufa) indicam que o planeta está a caminho de esquentar 6 graus Celsius neste século, se não houver um esforço concentrado para diminuir a queima de combustíveis fósseis. Existe um abismo claro entre o caminho que estamos seguindo e o que é necessário para limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius [nível considerado relativamente seguro por especialistas], diz Corinne Le Quéré, pesquisadora da Universidade de East Anglia (Reino Unido) e coautora do novo estudo na revista científica Nature Geoscience. Na atual década, a principal responsável por puxar para cima as emissões é a China, com seu crescimento industrial alimentado pelo carvão mineral. Hoje, o país é o maior emissor do planeta. No entanto, os EUA ainda respondem pelas maiores emissões per capita: 18 toneladas, contra 5,2 toneladas dos chineses (a média mundial é de 4,8 toneladas). Desde 1982, a humanidade produziu 715,3 trilhões de toneladas de gás carbônico, quantidade que equivale ao total de dióxido de carbono emitido por todas as civilizações que existiram no mundo antes disso. 12/11/2009 Manchete: Amazônia tem menor desmatamento desde 1988, diz governo. Resumo: Entre agosto de 2008 e julho de 2009, a Amazônia perdeu 7 mil km² de floresta, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo governo durante o balanço do Programa Terra Legal. É a menor taxa anual de desmate já registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início do levantamento em 1988. O menor índice registrado até agora era o de 1991, quando os satélites identificaram 11,03 km².
  • 237.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 238 de 323 O número superou as expectativas do governo, que previa 9 mil km². De acordo com o presidente do Inpe, Gilberto Câmara, essa é uma queda substancial. De longe a menor taxa desde que o Inpe começou a observação. A taxa é calculada pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), que utiliza satélites para observação das áreas que sofreram desmatamento total, o chamando corte raso. Em relação ao período anterior (agosto de 2007 a julho de 2008), quando o desmatamento atingiu 12,9 km², a queda foi de 45%. É um momento de muita alegria constatar que o esforço da sociedade brasileira de conter o desmatamento da Amazônia chegou a um nível muito satisfatório, afirmou Câmara. O Inpe registrou queda em quase todos os Estados da Amazônia. Em Mato Grosso e no Pará, tradicionalmente líderes dos rankings de desmatamento mensais, a queda foi de 65% e 35%, respectivamente. Em Rondônia, a queda foi de 55%. Apesar da redução, o Pará foi o Estado que mais desmatou no período, com 3.680 km², seguido por Mato Grosso, com 1.047 km², e Amazonas, com 980 km² desmatados.De acordo com o Inpe, a margem de erro da estimativa anual de desmatamento é de 10%, ou seja, pode resultar em uma variação de 700 km² para ou mais ou para menos quando os dados forem consolidados. 02/09/2009 Manchete: Ban Ki-moon pede acordo climático e alerta para desastre. Resumo: O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cobrou nesta quinta-feira mais empenho na negociação do novo tratado climático global, para evitar o que segundo ele seria um desastre econômico caso o nível dos mares suba até 2 metros ao longo deste século. Pagaremos um preço elevado se não agirmos, disse ele em uma conferência climática de 155 países em Genebra. A mudança climática pode provocar um desastre econômico generalizado, afirmou, defendendo um crescimento mais ambientalmente correto para o planeta. O novo tratado climático, que irá substituir o Protocolo de Kyoto após 2012, está sendo negociado em várias reuniões, para ser aprovado no encontro ministerial de Copenhague em dezembro. Até o final deste século, o nível dos mares pode subir entre meio metro e dois metros, disse ele. Isso ameaçaria pequenos países insulares, deltas de rios e cidades como Tóquio, Nova Orleans e Xangai, segundo ele. A projeção apresentada por ele está acima da previsão de aumento de 18 a 59 centímetros no nível do mar, citada em 2007 por uma comissão de especialistas da ONU. Essas estimativas, no entanto, não incluíam a possibilidade de um degelo mais acelerado da Antártida e da Groenlândia. Ele disse que as emissões de gases do efeito estufa continuam crescendo rapidamente, apesar das promessas dos governos no sentido de contê-las. Nosso pé está cravado no acelerador, e estamos rumando para o abismo, disse ele. Não podemos nos dar ao luxo de um progresso limitado. Precisamos de um progresso rápido, disse ele, afirmando que já viu os impactos da mudança climática na visita que fez nesta semana à camada de gelo do oceano Ártico na costa da Noruega. Ban disse esperar que a cúpula de líderes mundiais que ele comandará em 22 de setembro em Nova York dê um novo ímpeto para as negociações com vistas ao tratado de Copenhague. O apoio político para a ação climática está crescendo. Mas ainda não com a rapidez suficiente, disse ele a uma plateia que incluía cerca de 20 líderes mundiais, a maioria oriundos de países em desenvolvimento, como Tanzânia, Bangladesh e Moçambique, e ministros de cerca de 80 países. Os líderes de países pobres pediram mais ajuda financeira e tecnologias limpas. O
  • 238.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 239 de 323 presidente da Etiópia, Girma Woldegiorgise, afirmou que os países africanos estão sendo afetados pela mudança climática apesar de quase não terem contribuído com o problema, já que a maior parte das emissões de gases do efeito estufa é resultado da queima de combustíveis fósseis em nações industrializadas. Os países em desenvolvimento querem que os países ricos se comprometam com cortes mais profundos até 2020 e que ofereçam mais ajuda. Já os países ricos querem que as nações em desenvolvimento se comprometam com metas mais claras em relação ao clima. A conferência climática de Genebra, entre 31 de agosto e 4 de setembro, reúne cerca de 1.500 delegados. Ela aprovou formalmente a meta de criar um novo sistema para melhorar o monitoramento e informação sobre o clima, de modo a ajudar amplos setores, como a agricultura e os investidores em energia. Data: 13/05/2009 Manchete: Lixo urbano é um dos maiores problemas do século. Cenário vem melhorando, mas ainda é um desafio para as metrópoles. Cada brasileiro produz quase 360 quilos de lixo por ano. Resumo: Enquanto cada brasileiro produz em média 920 gramas de lixo sólido por dia, a quantidade de lixo reciclável que é recuperada, seja na coleta seletiva seja por catadores, chega apenas a 2,8 kg por ano, por habitante. “É um volume baixo em relação ao que é produzido porque, na verdade, a coleta seletiva atinge um percentual só do volume produzido”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil, o secretário nacional de Saneamento Ambiental, Leodegar Tiscoski. Os dados são do Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos/2007, feito pelo Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), divulgado pelo Ministério das Cidades. Apesar do baixo índice de coleta seletiva, o secretário disse que a quantidade de lixo produzido pode ser considerada boa. “Só que nos países desenvolvidos, esses volumes tendem a diminuir, uma vez que já existe uma política de redução da produção de lixo, ou seja, tanto nos domicílios quanto na indústria, o que é levado para a coleta é um volume menor, porque há uma redução na produção e também há seleção prévia desse lixo, do que não vai para o aterro, mas para a reciclagem”. O diagnóstico do SNIS obteve informações de 247 municípios, que concentram quase 50% da população brasileira. Nessas cidades, 90% dos habitantes são atendidos pelo serviço de coleta de resíduos sólidos, lixo produzido em casa e na indústria que não é enviado para o esgoto. No entanto, a coleta seletiva formal, feita com caminhões adequados, está presente em 55,9% dos municípios pesquisados, enquanto catadores de lixo trabalham em 83% dos casos. Entre os principais materiais coletados estão papel e papelão (44,3%), plásticos (27,6%) e metais (15,3%). Atualmente, segundo o secretário, existem no Brasil mais de 700 mil catadores de lixo reciclável. Cerca de 53% dos catadores dos municípios pesquisados estão ligados a alguma cooperativa. Em 160 cidades, “foram destinados [pela secretaria] R$ 50 milhões para a construção de galpões de catadores, um programa que visa a organizar essa classe”, para dar condições de trabalho melhores nas cooperativas e associações, informou Tiscoski. Na opinião do secretário, são necessárias ações tanto para conscientizar a população sobre a importância da separação do lixo em casa quanto para instrumentalizar a coleta seletiva nos municípios. “De nada adianta ter uma seleção no domicílio se é tudo jogado dentro de um volume só, se não há tratamento; o transporte e a destinação têm de ser separados”, acrescentou. Números
  • 239.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 240 de 323 Os dados mais recentes sobre reciclagem são de 2007. A taxa de recuperação de papéis recicláveis evoluiu de 30,7%, em 1980, para mais de 50%; a reciclagem de plásticos pós-consumo é da ordem de 17,5%, sendo que na Grande São Paulo o índice é de 15,8% e, no Rio Grande do Sul, de 27,6%; a reciclagem de embalagens PET cresceu de 16,25%, em 1994, para mais de 42% em 2006; a reciclagem das embalagens de vidro cresceu de 42% para cerca de 50 entre 2001 e 2006; o Brasil é o líder de reciclagem de latinhas de alumínio, entre os países onde não é obrigatória por lei a reciclagem, tendo alcançado, em 2007, o índice de 92%; já o índice de reciclagem de latas de aço para bebidas evoluiu de 43% em 2001 para 75% em 2005 - este último é o dado mais confiável disponível. Data: 02/04/2009 Manchete: Etanol emite 73% menos CO2 que a gasolina. Resumo: Um estudo feito por pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (Seropédica/RJ) concluiu que o etanol de cana é capaz de reduzir em 73% as emissões de dióxido de carbono (CO2, o principal gás causador do efeito estufa) na atmosfera se usado em substituição à gasolina. A pesquisa avaliou ainda quanto de gases de efeito estufa é produzido em cada etapa da produção tanto do etanol como da gasolina. Para este estudo, os pesquisadores da Embrapa utilizaram dados do painel de mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), além de medições feitas diretamente em campo. A avaliação levou em conta o ciclo de vida do produto, ou seja, desde a sua produção até o uso final, a queima nos motores dos veículos. Foi medido quanto de gases de efeito estufa se produz desde a preparação do solo para o plantio da cana-de-açúcar até o transporte do etanol produzido para o posto. Todo o processo foi avaliado, passando, por exemplo, pela medição da emissão de gases na fabricação e aplicação de fertilizantes no campo, na construção da usina de álcool e na fabricação das máquinas e tratores. O mesmo foi feito com a gasolina, com a emissão dos gases desde a extração do petróleo até a combustão do produto nos motores dos veículos. Os pesquisadores avaliaram quanto emite de CO2 um carro movido à gasolina num percurso de 100 quilômetros. O mesmo foi feito com um carro movido a álcool. Levando em conta as emissões da produção do combustível e as emissões próprias da combustão no carro, o resultado foi uma redução de 73% das emissões de CO2 na atmosfera quando utilizado o veículo movido a álcool. Se comparado com o automóvel a diesel, a redução é de 68%. De acordo com a pesquisa , se não houver queimada para a colheita da cana, ou seja, se a colheita for totalmente mecanizada, a vantagem do álcool é ainda maior: 82% em relação a gasolina e 78% em relação ao diesel. Uso da terra - O contraria as críticas sobre a expansão do uso da terra para a plantação de cana. Mostra, segundo os pesquisadores da Embrapa, que as emissões de CO2 evitadas com o uso de etanol em lugar da gasolina superam em muito os possíveis aumentos dos gases-estufa pela mudança de uso da terra para produção de cana-de-açúcar. Um hectare de cana produz por ano 4.420 kg de CO2, enquanto as lavouras de soja e milho, que estão sendo substituídas, emitem respectivamente1.160 kg e as pastagens emitem 2.840 kg. Mas em contrapartida, um hectare de cana, substitui 4.500 litros de gasolina, cuja combustão emite 16 toneladas de CO2 por ano para a atmosfera. O resultado é que a cada hectare de cana transformado em álcool e utilizado em substituição à gasolina, produz uma redução de 12 toneladas nas emissões de CO2 por ano. Também o uso de fertilizantes foi calculado no estudo. Cada quilo de nitrogênio na forma de fertilizante emite em sua síntese 4,50 quilos de CO2 para a atmosfera. O Brasil, no entanto, se comparado a outros países, utiliza menos adubo nitrogenado na cana. Isto é resultado da capacidade da cultura de fixar o nitrogênio do ar através da ação de bactérias que vivem no solo e no interior da planta. As informações são de Ana Lucia Ferreira, da Embrapa Agrobiologia.
  • 240.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 241 de 323 Data: 17/03/09 Manchete: Savana aumentará 170% na Amazônia até 2100, diz Inpe. Resumo: Se até 2100 a temperatura aumentar 5C e forem desmatados 60% da floresta amazônica na América do Sul, a savana crescerá 215,6% na região. Neste mesmo cenário, somente 44,2% da floresta destruída conseguirá se regenerar. Já num cenário um pouco mais otimista, em que a temperatura sobe até 3C e o desmatamento é de 40% até 2050, a savana se amplia em 170% e apenas 66,2% da área desflorestada pode voltar a brotar. Os cálculos, que acabam de ser finalizados, integram um estudo inédito do grupo liderado pelo climatologista Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Pela primeira vez, cientistas do Brasil avaliaram os efeitos conjuntos do desmatamento e do aquecimento global para a Amazônia. A pesquisa, feita usando modelos computacionais, mostra que a combinação desses dois fatores nas próximas décadas pode levar à savanização da Amazônia e à perda catastrófica de espécies. Este último cenário, o otimista, está longe de ser ficção: uma elevação de 3C na temperatura da Terra até 2100 é a previsão do IPCC, o painel do clima das Nações Unidas. E um modelo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) estima em mais de 40% o desmatamento nas próximas décadas se o desgoverno sobre a Amazônia continuar. Após o desmatamento, explica Nobre, se não houvesse nenhum impacto, a floresta poderia crescer e ocupar novamente a área desmatada. Como o clima muda, a floresta não consegue mais voltar onde o clima ficou mais seco, diz. No primeiro caso, o clima muda em 66% da floresta, a tal ponto que não é mais possível manter o ecossistema original. Aquelas áreas que foram perdendo floresta foram ganhando savana, afirma. Só que a savana que surge onde antes era floresta é pobre em espécies. Outro fator importante é que a escala de tempo normal para a migração de ecossistemas é de séculos a milênios, ou seja, a adaptação ocorre de forma mais lenta que as alterações induzidas pelo desmatamento e pela mudança do clima. Assim, esses fatores conjuntos têm o potencial de impactar profundamente a diversidade de espécies de plantas e animais numa das regiões mais biodiversas do planeta. Em 1991, Nobre e seu colega Marcos Oyama publicaram o primeiro artigo sobre a savanização na Amazônia, levando em conta só o desmatamento. O principal risco para a floresta da combinação dos efeitos de desmatamento e aquecimento é a maior sensibilidade da Amazônia a incêndios --algo com o que a floresta tropical não está acostumada e principal indutor de savanização. Inflamável Quando você tem aquecimento global, tem secas mais intensas, mais fogo. E se você tem desmatamento, você aumenta a temperatura, diminui a chuva, tem mais seca e mais fogo, afirma Nobre. Antes, se ocorria uma descarga elétrica e a floresta pegava fogo, o incêndio ficava circunscrito a algumas dezenas de metros, pois a vegetação é tão úmida que o fogo não se propaga. Mas, na medida em que a exploração de madeira cria buracos, abrem-se estradas e a floresta vai ficando mais 'ralinha', ela se torna mais suscetível. Segundo Nobre, esse estudo representa uma primeira análise. É ainda muito simplificado,
  • 241.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 242 de 323 mas serve para abrir as portas e mostrar que precisamos de análises mais realistas. Segundo ele, o novo supercomputador do Inpe ajudará nesse trabalho. Este novo supercomputador vai nos permitir fazer simulações matemáticas em que nós vamos colocar todos esses fatores juntos. Para Nobre, a cereja do bolo é conseguir ligar seus modelos físicos a modelos de dinâmica do uso da terra. Esse é um dos objetivos do recém-criado Centro de Ciência do Sistema Terrestre, do Inpe. Data: 17/03/09 Manchete: Clima pode comprometer 85% da mata amazônica. Resumo: A Amazônia está condenada a perder no mínimo 20% de sua fisionomia original com as mudanças climáticas. O impacto pode ser ainda pior e afetar 85% da floresta se as temperaturas subirem além de 4C, comparadas com níveis pré-industriais. Este foi o quadro sombrio apresentado pelo Centro Hadley, instituto de meteorologia do Reino Unido, durante o Congresso Científico Internacional sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague. O estudo sobre a resistência de ecossistemas a um nível perigoso de mudança climática usou cerca de 700 simulações em computadores para projetar o destino de florestas e geleiras. Esses modelos traçaram cenários de emissão de gases do efeito estufa e quais seriam as consequências. A partir destes dados, os pesquisadores testaram a sensibilidade da Amazônia ao calor e à seca. Os resultados, que serão publicados na revista 'Nature Geoscience', são pessimistas. Até 2100, uma elevação entre 1C e 2C causaria uma 'retração' da floresta de 20% a 40%, e os efeitos serão bem mais severos se as temperaturas romperem esse patamar. A pior hipótese testada é uma alta de 4C, que reduziria a Amazônia a apenas 15% do que é hoje. Segundo Vicky Pope, coordenadora do Hadley, em um planeta mais quente, espécies do cerrado (uma savana) avançaria rumo ao Norte. 'O que descobrimos é que mesmo a mais modesta elevação de temperatura afetará a floresta severamente', disse Pope à Folha. Projeções sobre a savanização da Amazônia já vinham sendo feitas no Brasil pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Um estudo de 2007 alertava que aumentos de temperatura de '2C a 6C' aliados a períodos de seca mais severos transformariam até 18% da maior floresta tropical do planeta em algo similar ao cerrado. O novo estudo do Hadley, entretanto, é o primeiro a mostrar, no longo prazo, a relação entre temperaturas específicas e as taxas de savanização. Os cientistas ingleses também afirmam que uma recuperação da floresta após tudo isso não ocorreria em menos de cem anos. Alguma perda haverá, pois a temperatura global não está longe de alcançar uma elevação 1C em relação a níveis do século 19. Segundo Pope, a melhor chance de evitar efeitos significativos na Amazônia é limitar a subida da temperatura a no máximo 2C. Para tanto, as emissões de gases-estufa precisariam atingir um pico em 2015 e a partir daí caírem 3% ao ano. Ainda assim, a probabilidade de o aquecimento efetivamente se estabilizar é de 50%.
  • 242.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 243 de 323 Data: 16/03/2009 Manchete: 42% de matas perdidas em 5 anos estão no Brasil, diz FAO. Resumo: O Brasil registrou a maior perda absoluta de floresta no mundo entre 2000 e 2005, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Além disso, 42% de hectares de mata cortada no planeta nesse mesmo período ocorreu dentro do território nacional. A organização destaca que os lucros com a expansão da agricultura e do etanol continuarão a predominar nos próximos anos, dificultando a tentativa de frear o desmatamento. Os dados apresentados indicam que a América do Sul continuará a perder sua cobertura florestal. No mundo, a FAO alerta que a crise internacional deve aumentar a vulnerabilidade das florestas e secar os financiamentos para projetos ambientais. Entre 2000 e 2005, 200 quilômetros quadrados de florestas foram perdidos no mundo a cada dia e o temor é de que os investimentos em manejo sustentável sejam substituídos por uma exploração ilegal de madeira. Segundo o fórum, o Brasil perdeu 3,1 milhões de hectares de florestas por ano nesse período. Isso significou uma redução anual de 0,6% na cobertura florestal. O órgão da ONU informou que o País observou uma aceleração no desmatamento em comparação ao período entre 1995 e 2000. Naqueles anos, a perda de floresta foi de 2,6 milhões de hectares por ano, o que representa 0,5% da cobertura. No mundo, a perda florestal chegou a 7,3 milhões por ano, 200 quilômetros quadrados por dia. Isso representou 0,18% do território por ano. O ritmo de desmatamento no Brasil, portanto, foi seis vezes superior à média mundial e o crescimento das exportações de grande escala de soja, biocombustíveis e carnes é considerada pela entidade como responsável pela grande parte do desmatamento da região. O levantamento conclui ainda que 75% do desmatamento na América do Sul ocorreu no Brasil. Em comparação a outros países, o Brasil lidera amplamente com a maior área desmatada no planeta, mesmo que seu território ainda esteja coberto por floresta em 57,2%. Data 16/02/2009 Manchete: Número de queimadas cresce 281% no País. Resumo: Tradicionais Estados que ainda na apareciam entre os principais em número de queimadas já começam a se destacar. O fato reforça a expectativa negativa de aumento no número de queimadas em 2009. Até hoje, queimadas cresceram 281% em relação ao mesmo período do ano passado: saltaram de 655 focos para 2.502. O Estado do Ceará lidera, de acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com 525, um aumento de 1.017%, mas Mato Grosso, com 215 focos (aumento de 2.288%), Mato Grosso do Sul, com 178 (mais 1.269%) aceleraram o número de queimadas. Estados como São Paulo e Paraná também apresentam forte crescimento, embora em números absolutos o número focos detectados seja pequeno. Em São Paulo, até de 16 de fevereiro de 2008, apenas 4 focos de queimada haviam sido registrados. Este ano, já são 47, um aumento de 1.075%. No Paraná, o crescimento alcançou 533%, de 6 para 38 focos. Em 2008, o País registrou 93 mil queimadas, praticamente o mesmo número de 2007, mas em 2009 a previsão é de aumento, já que o Inpe detectou, em levantamento preliminar do sistema Degrad, 24.932 km2 de áreas em processo de desmatamento em 2008 somente na Amazônia Legal. O número é 67% superior aos 14.915 km2 de áreas degradadas em 2007. O Inpe mapeou áreas em processo de desmatamento em toda a Amazônia Legal, o que possibilita aos órgãos de fiscalização impedir a derrubada completa da floresta. De acordo
  • 243.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 244 de 323 com o instituto, 13% das áreas identificadas como degradadas em 2007 foram convertidas para corte raso em 2008, ou seja perderam completamente a cobertura vegetal nativa. Se essa porcentagem se repetir, 2009 podem ser registrados mais 3,24 mil km2 de desmatamento raso na Amazônia Legal. No item degradação, o Mato Grosso segue imbatível, com 12.534 quilômetros quadrados, seguido pelo Pará, com 7.708, e pelo Maranhão, com 3.978. Rondônia, que sempre se destaca no ranking de desmatamento, vem em quarto, com 477 quilômetros quadrados degradados em 2008, no âmbito da Amazônia Legal. As queimadas, uma das práticas ainda recorrentes da agricultura e da pecuária, contribuem decisivamente para colocar o Brasil como um dos maiores emissores mundiais de gases que causam as mudanças climáticas. Estima-se que o uso da terra nas suas diversas formas seja responsável por 75% das emissões de gases-estufa no País.
  • 244.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 245 de 323 Relações Internacionais As Relações Internacionais são uma ciência política dedicada ao estudo das relações entre Estados, sejam elas diplomáticas, comerciais, legislativas, etc. Difere-se da história, sociologia, economia, antropologia, filosofia e do direito, ainda que se valha de diversos conceitos e noções destes. Um dos problemas básicos das Relações Internacionais, é o estudo da paz, diplomacia e guerra entre as nações como um ator internacional, assim como o estudo de inernacionais , transnacionais e ONGs no Internacional. As linhas de pesquisa dividem-se basicamente em política externa, economia política, segurança internacional, legislação internacional, instituições internacionais e o processo de globalização. Como ciência, dificilmente percebe-se um objeto de estudo restrito apenas às relações internacionais. Alguns autores propõem vagamente que os estudos limitem-se aos acordos comerciais, diplomáticos, de paz, etc., bem como declarações formais de guerra. Contra essa idéia, argumenta-se que a mera formalidade burocrática não é suficiente para configurar a relação internacional. Estas questões não impedem as relações internacionais de configurarem uma ciência própria. Cooperação Internacional A Cooperação Internacional é o mecanismo pelo qual um país ou uma instituição promove o intercâmbio de experiências exitosas e de conhecimento técnico, científico, tecnológico e cultural, mediante a implementação de programas e projetos com outros países ou organismos internacionais. A Cooperação pode ser técnica, tecnológica ou financeira. O Brasil, devido à prioridade da política externa do país de fortalecer sua presença no cenário internacional, e devido a não ser mais considerando internacionalmente um país receptor de fundos e ajuda humanitária, tem buscado, sob a coordenação da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/ MRE), explorar e aproveitar todas as potencialidades oferecidas pela Cooperação Técnica Internacional. A Cooperação Técnica é um importante instrumento de desenvolvimento para os países e instituições, visto que por meio de transferências de conhecimentos, de experiências bem sucedidas, de tecnologia e equipamentos, contribui para a capacitação dos recursos humanos e para o fortalecimento das instituições envolvidas em suas atividades e projetos. Esse tipo de cooperação é sempre implementado com uma preocupação de sustentabilidade, ou seja, que os conhecimentos, experiências e tecnologias compartilhados possam provocar mudanças locais, de caráter duradouro, como a implementação de um projeto ou atividade para as instituições participantes e impactos positivos e relevantes para os segmentos beneficiários. Relações internacionais, comércio e futuro. Com o final da Guerra Fria, a agenda internacional se tornou mais competitiva e inclusiva. Novos atores e novos temas, principalmente os assuntos referentes a comércio e desenvolvimento sustentável, ganharam destaque. A potência vencedora, os Estados Unidos da América, muito a partir do Governo Clinton, assinalou que a interdependência global seria algo atingível no médio prazo. Um mundo marcado pela cooperação e universalização de princípios e regras de convivência mútua – vide aquelas relativas às questões comerciais e sócio-ambientais –, que fundamentaria os direitos e os deveres dos Estados e dos povos. A primeira Guerra do Golfo, as questões étnico-religiosas e “civilizacionais”, a confusa geopolítica da região dos Bálcãs, entre outros fenômenos, trouxeram certa dose de pessimismo às relações internacionais. A nova postura da administração George W. Bush, principalmente após o ocorrido em 11 de
  • 245.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 246 de 323 setembro de 2001, recrudesce este “olhar” mais realista sobre o contexto mundial atual. Hoje, o sistema internacional pressupõe dois tipos de forças aglutinadoras. As que buscam uma integração em escala global - vide papel e objetivo real da Organização Mundial do Comércio (OMC) - e aquelas que, mais pragmáticas, acreditam ainda em um mundo dividido em blocos e relações específicas, com questões pontuais a administrar. As muitas Conferências da OMC demonstram que o cenário que se projeta é aquele da integração “maior” não-completa. Não foram até agora dimensionados, de forma clara, os custos e os benefícios de uma integração “aberta”, tanto no que tange a comércio como naquilo referente a desenvolvimento sustentável, combate às desigualdades, resolução de conflitos, etc. Na verdade, o que sempre se vê nas Rodadas da Organização Mundial do Comércio, são impasses, celeumas e lides estabelecidas entre países. Raramente são vistas nos jornais notícias que indiquem grandes acordos ou cooperação ‘maior’ entre as nações. Numa visão mais histórica de todo este processo, é evidente que avanços ocorreram. Todavia, as relações internacionais vivem um momento de profunda hierarquização de forças, no qual são privilegiadas, principalmente a partir dos governos de países desenvolvidos, as questões da alta política em detrimento daquelas da baixa política. Em outras palavras, percebe-se um esforço maior para a discussão de temas sensíveis, todavia particularizados, estritamente relacionados a posições relativas de poder no sistema, enquanto que outros assuntos ainda são marginalizados e/ou tratados de forma retórica nos fóruns institucionais. Neste contexto descrito, é possível que prevaleça, por ora, um “integracionismo regional fechado” em contrapartida a um “integracionismo multilateral aberto”; principalmente nas questões de comércio. Por isso, o advento do “diplomata empresarial” é algo importante para as relações internacionais, pois ele é um desbravador de mercados, um aglutinador de interesses e, consequentemente, portanto, uma figura que pode contribuir para um maior “integracionismo multilateral aberto”. Este processo irá indicar o rumo das relações entre atores - estatais e não-estatais - nos próximos anos e, por conseguinte, determinará a eficiência no tratamento de outros assuntos da agenda de negociação internacional, entre estes os temas e as estratégias relativas à proteção da biodiversidade em escala global. O Brasil no Mundo do Século XXI Como em outras oportunidades ao longo de sua história, ao iniciar o século XXI o Brasil enfrenta desafios complexos quanto ao seu posicionamento no concerto das nações. Há cem anos atrás o Barão do Rio Branco, ao enfrentar um ciclo de globalização, instrumentalizou a diplomacia brasileira para enfrentar uma situação desfavorável, obtendo sucesso ao reafirmar a soberania do país. Depois, a partir de Vargas, o desafio do desenvolvimento industrial foi lançado, com a política externa brasileira tornando-se um instrumento estratégico para a realização de tal objetivo. Ao contrário de outros países da região, a diplomacia brasileira revelou-se um dos pilares de um projeto nacional de longo prazo, servindo de salvaguarda para o mesmo em momentos em que a política interna vacilava. Graças a isto, o Brasil tornou-se o quinto país do mundo em território (com seus imensos recursos) e em população (com sua enorme potencialidade) e, ao cabo de algumas décadas, a maior e mais completa economia ao sul do Equador, cujo PIB oscilou entre a oitava e a décima posição mundial. A política externa brasileira grangeou, então, elevada respeitabilidade no cenário internacional. Ao iniciar-se um novo ciclo de globalização, nas duas últimas décadas do século XX, novos desafios se abateram sobre a posição do Brasil no mundo. O Itamaraty, como em outras oportunidades, honrou a tradição de Rio Branco, estabelecendo como alternativa o aprofundamento de nossa inserção regional, da qual resultou a criação do Mercosul. Contudo, paralelamente, a elite dirigente aceitou quase passivamente as imposições de uma
  • 246.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 247 de 323 nova agenda internacional, formulada pelas grandes potências, diluindo conceitos estratégicos da diplomacia brasileira, como o de soberania, e abandonando a noção de projeto nacional. A condição para que o país não perca definitivamente a posição internacional que adquiriu no século XX é, em primeiro lugar, pluralizar ao máximo as relações com as potências do G-7, de forma a escapar de uma dependência unilateral, como no caso da ALCA, que contribuiria para isolar o Brasil do resto do mundo. Este processo deve ser acompanhado pela recuperação do Mercosul e ampliação da integração regional para o conjunto sul-americano, implementando as acertadas propostas da Cúpula de Brasília de setembro de 2000. A criação deste espaço regional deve, contudo, ser complementada por formas de cooperação estratégica com potências médias e emergentes como a China, Índia, Rússia e África do Sul. Além dos benefícios bilaterais e multilaterais que podem acarretar, estas relações precisam ser orientadas no sentido de contribuir para a construção de um sistema mundial multipolar, que rechace novas hegemonias. Mas, finalmente, há que atentar para os aspectos sociais internos, não apenas como instrumento de geração de um mercado interno sólido (indispensável na nova conjuntura), mas porque eliminará debilidades estruturais de nossa inserção internacional, viabilizando, assim, um projeto nacional. Avanços da política externa brasileira Apesar de certas críticas, provenientes de integrantes dos governos anteriores, a política externa brasileira tem demonstrado ser consistente e logrado novos e importantes avanços. A reunião com vizinhos do norte da América do Sul, após as insinuações do Secretário da Defesa norte-americano por ocasião da sua visita ao Brasil, a presença de união nacional nos funerais do Papa, aliada à possibilidade de um candidato brasileiro, a viagem do presidente à África e a Reunião de Cúpula dos Presidentes Árabes e Sul-Americanos realizada no Brasil são prova disso. Por ocasião da visita ao Brasil do ex-Secretário Donald Rumsfeld estabeleceu-se com o governo brasileiro uma importante agenda na área da segurança e combate ao terrorismo. Contudo, Rumsfeld aproveitou a ocasião para criticar certa conivência do Brasil para com o governo Chávez, da Venezuela, e renovar as insinuações de que as FARC (Forças Armadas Revolucionária da Colômbia) teriam apoiado o partido do presidente nas eleições de 2002. Numa atitude rápida e bem calculada o presidente, sob orientação do Itamaraty, convidou os presidentes dos dois países para uma reunião na fronteira de ambos, contando ainda com a presença do primeiro ministro espanhol, Zapatero, que discutia na Venezuela a venda de equipamento militar (o que também era criticado pelos EUA). Naquela oportunidade, franco, direto e objetivo, o presidente Lula reafirmou o princípio diplomático brasileiro de não ingerência nos assuntos internos de outros países, tranqüilizando tanto o presidente Uribe da Colômbia como o da Venezuela e garantindo ainda o direito venezuelano a modernizar seu equipamento defensivo, destinado a melhor controlar suas fronteiras e águas territoriais. A Espanha, por sua vez, assegurou a venda do equipamento, dentro das normas do direito internacional. Assim, antes que um mal-estar ou uma crise fossem produzidos, o problema foi solucionado imediatamente. Ao mesmo tempo, o convite do presidente para que os ex-presidentes José Sarney, Itamar Franco e seu antigo adversário político Fernando Henrique Cardoso o acompanhassem aos funerais do Papa no AeroLula, como é chamado popularmente o avião da presidência, demonstrou ao mundo certa união nacional no que concerne à candidatura do Brasil ao Conselho de Segurança (CS) da ONU, num momento de grande exposição de mídia. Mas não apenas isso, pois o gesto não deixou de ser também uma forma sutil de apoio a Dom Cláudio Hummes, um mundialmente prestigiado Cardeal brasileiro, que foi um dos candidatos à sucessão do Papa João Paulo II. Logo em seguida, o presidente iniciou sua 46ª viagem ao exterior, desta vez à África ocidental. Camarões, Nigéria, Gana, Guiné Bissau e Senegal foram visitados, estreitando-se laços comerciais, ajudando a estabilização democrática da Guiné Bissau (um país de língua
  • 247.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 248 de 323 portuguesa) e, last but not least, reforçando os apoios ao Brasil na candidatura ao Conselho de Segurança da ONU. Vale lembrar que a Nigéria é o país mais populoso da África e um dos grandes produtores de petróleo do mundo. A estabilidade da região, os imensos mercados potenciais e o abastecimento de petróleo são estratégicos para o Brasil. Por fim, houve certo mal-estar e críticas de Israel, quando o Chanceler Celso Amorim fez, uma visita ao Oriente Médio e não incluiu Israel em seu roteiro. Ocorre que a viagem teve como objetivo principal preparar a Reunião de Cúpula dos presidentes árabes e sul-americanos em Brasília. Também é conveniente lembrar que, após a visita do presidente à região, o comércio bilateral cresceu cinco vezes e tende a aumentar. Quanto a Israel, o Brasil apóia o processo de paz e, principalmente, a normalização das relações deste país com seus vizinhos (incrementando paralelamente sua segurança), o que será um avanço notável para a integração regional. E, obviamente, o protagonismo brasileiro na região, que também visa obter apoio para a candidatura ao CS, deverá tornar o Brasil um país mais cotado para a diplomacia israelense. Assim, a política externa brasileira continua demonstrando vitalidade e logrando avanços. A Diplomacia do Governo Lula Introdução O Presidente Lula referiu-se em seu discurso de posse à energia ético-política extraordinária do atual momento nacional. Em poucas ocasiões em nossa História dispusemos de um capital político comparável ao que se expressa hoje pela voz do Presidente Lula e de seu Governo. O Brasil é um ator importante no cenário internacional por suas dimensões, por sua relevância política e econômica, pela força de sua identidade. Mas somos também uma nação em desenvolvimento que se ressente de sérias vulnerabilidades econômicas e sociais. Reconhecemos isto com objetividade e capacidade de autocrítica. Não desejamos cair, seja no ufanismo irrealista, seja num ceticismo que conduz à passividade e a posturas meramente reativas. A ação diplomática do Governo Lula está impregnada de uma perspectiva humanista, que faz com que seja, a um só tempo, instrumento de desenvolvimento nacional e defensora de valores universais. Assim, nos concentraremos tanto em projetos de interesse imediato – com ênfase na promoção da integração do MERCOSUL e da América do Sul, na articulação de uma agenda comercial afirmativa e na intensificação de parcerias bilaterais – como em objetivos de natureza mais ampla, como a redução do hiato entre ricos e pobres, a promoção e proteção dos direitos humanos, a defesa do meio ambiente e a construção de um mundo mais justo, mais seguro – e mais pacífico - com base no Direito Internacional e nos princípios do multilateralismo. A América do Sul Nossa prioridade é indiscutivelmente a América do Sul. Uma América do Sul politicamente estável, socialmente justa e economicamente próspera é um objetivo a ser perseguido não só por natural solidariedade, mas em função do nosso próprio progresso e bem-estar. O espaço econômico unificado que procuraremos construir terá como alicerces o livre comércio e projetos de infra-estrutura entre os países sul-americanos, com o indispensável reconhecimento de que há situações de assimetria a serem levadas em conta. Dispomos de uma sólida base de amizade e cooperação com cada um dos países da região, a qual se beneficia, hoje, de um forte compromisso democrático. Em todos os contatos que tenho tido, e nos que pude observar do Presidente Lula com outros Presidentes, percebo o enorme interesse em compartilhar não só os programas, mas a energia reformadora no campo social, que é a marca principal do atual Governo.
  • 248.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 249 de 323 Com a Argentina desejamos um aprofundamento da aliança estratégica, com vistas a transformá-la no motor da integração da América do Sul, a começar pela revitalização do MERCOSUL. O objetivo é ir além da liberalização dos fluxos de comércio intrazona, consolidar a União Aduaneira e avançar em direção ao Mercado Comum. Esperamos – mais do que isso, estamos seguros - que quem quer venha a ser eleito Presidente, no pleito que se avizinha nesse país irmão, compartilhará esta visão. No processo de integração do MERCOSUL, o Governo Lula se compromete a fazer sua parte, com vistas à eliminação de barreiras e ao fortalecimento da coesão interna. Reconhecemos que o fato de sermos a maior economia nos impõe responsabilidades especiais e exige de nós não só uma clara visão estratégica, mas até mesmo, em muitos casos, generosidade. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para impedir que o burocrático se sobreponha ao político. Ao mesmo tempo consideramos essencial a unidade do MERCOSUL em seu relacionamento externo. Esta é a essência da mensagem que levei nas viagens que fiz aos nossos três sócios, nestes primeiros meses de governo. A dimensão social da integração já está sendo revalorizada. Em última instância, a integração política demandará a criação de um Parlamento do MERCOSUL, idéia sobre a qual já começamos a trabalhar com nossos vizinhos. Os Acordos de Complementação Econômica firmados com Chile e Bolívia e o aprofundamento das relações econômicas e comerciais com os países do norte da América do Sul constituem aspectos essenciais do projeto de criação de um espaço comum de integração. O patrimônio de integração gerado pelo sistema ALADI será valorizado, em consonância com a perspectiva de pleno aproveitamento dos interesses comuns e afinidades que nos unem ao mundo latino-americano e do Caribe como um todo. A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica oferece um mecanismo para intensificarmos a coordenação política com os países da bacia Amazônica e ampliarmos a cooperação nas áreas ambiental, de educação e saúde. Para sermos capazes de contribuir de maneira efetiva para a diminuição das tensões políticas e sociais que afetam a região, precisamos desenvolver uma compreensão aprofundada tanto de suas raízes comuns, como de suas complexidades individuais. Desde que assumi minhas funções, tenho dedicado considerável tempo às tentativas de contribuir para um encaminhamento positivo da situação na Venezuela, tendo sempre presente o postulado básico da não-intervenção. Constituímos um ‘grupo de amigos’ integrado por Chile, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal, além do Brasil, para apoiar e complementar os esforços do Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos, César Gaviria. Respeitado o primado da democracia e da constitucionalidade – e, portanto, a legitimidade do Governo do Presidente Hugo Chávez - procuramos facilitar o diálogo que possa levar a um convívio construtivo e benéfico para a nação venezuelana e para a região. Nossas sugestões - e não nos furtamos a fazê-las – têm que ser vistas neste contexto: como uma contribuição ao diálogo, pois estamos convictos de que, em última instância, cabe aos venezuelanos – e somente a eles – encontrar as soluções para os seus problemas. Tudo o que podemos fazer é ajudar na criação de um clima de confiança que conduza a este objetivo. A violência política na Colômbia requer um acompanhamento igualmente atento, por seu potencial desestabilizador. A visita do Presidente Uribe ao Brasil em 7 de março permitiu um intercâmbio extremamente útil entre os líderes dos dois países. Dentre as idéias aventadas, figurou a do estabelecimento de um embargo contra todos os movimentos armados – guerrilha e para-militares - sob supervisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Acordamos também revitalizar a Comissão de Vizinhança Brasil-Colômbia, com vistas a estimular a cooperação bilateral em variados campos e, sobretudo, a uma maior sintonia entre os dois Governos em temas relacionados à fronteira comum, com ênfase no combate ao narcotráfico.
  • 249.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 250 de 323 O desejo de maior entrosamento entre os Governos da América do Sul já se espelha em uma agenda de encontros, de freqüência raramente vista, com os líderes dos países da região, além, naturalmente, do diálogo permanente entre nossas Chancelarias. Estamos imprimindo um caráter, ao mesmo tempo, substantivo e informal a estes encontros. Nos próximos dias, estão previstas visitas ao Brasil dos Presidentes Toledo, do Peru, Chávez, da Venezuela, Sánchez de Lozada, da Bolívia, e Batlle, do Uruguai. Já recebemos em Brasília os Presidentes Duhalde, da Argentina, e Uribe, da Colômbia. O Presidente Lula esteve na posse do Presidente Gutierrez do Equador e visitou o Chile como Presidente-eleito. De minha parte, estive em Buenos Aires, em Assunção e, por duas vezes, Montevidéu. A criação da Subsecretaria-Geral para a América do Sul nos fornecerá uma estrutura melhor aparelhada para esta intensa articulação diplomática com nossos vizinhos sul-americanos. O compromisso com o multilateralismo na construção da paz O 11 de setembro trouxe o combate ao terrorismo à frente da agenda internacional. A escala e o horror do atentado contra o World Trade Center em Nova York despertaram na superpotência do pós-Guerra Fria um sentimento de vulnerabilidade sem precedentes, cujo impacto sobre o ordenamento internacional continuará a se fazer sentir por muito tempo. Passado o momento inicial de apoio consensual à resposta militar norte-americana contra os fundamentalistas do Talibã e do Al Qaeda, a opção militar como forma de assegurar o desarmamento do Iraque não obteve o apoio do Conselho de Segurança, provocando cisão inédita na OTAN e polarizando a opinião pública mundial. A instabilidade inerente a um sistema de desequilíbrio de poder se viu agravada por fortes divergências na forma de avaliar as ameaças e de como lidar com elas. O Brasil defendeu com firmeza que o Iraque cumprisse plenamente suas obrigações, em particular no que tange ao trabalho dos inspetores da ONU, para garantir que as armas de destruição em massa estivessem efetivamente eliminadas. Apoiamos todas as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança e exortamos o Iraque a cumpri-las. Víamos mérito na tese de reforçar as inspeções e dar tempo para que pudessem provar sua utilidade. Sabíamos que o custo, em termos humanos, de uma ação militar seria muito alto. Lamentamos, assim, que não se tenha perseverado na busca de uma solução pacífica para a crise. Em linha com estas preocupações, o Presidente da República e eu próprio mantivemos contatos com nossos homólogos dos países da nossa região, e de fora dela, sobretudo com os atores com maior influência no processo. Em cartas endereçadas a Kofi Annan e à Sua Santidade o Papa João Paulo II – que tive a honra de entregar pessoalmente - o Presidente Lula consignou o consenso nacional em favor da paz e do respeito ao direito internacional no encaminhamento da questão do Iraque. Estas palavras abstratas não devem encobrir o sentido trágico, o espanto e a dor da guerra, que tanto nos abala, além das implicações mundiais e regionais. Ao olharmos para o futuro, continuamos a considerar que a concertação diplomática representa a melhor forma de se forjar um consenso internacional na luta contra a proliferação de armas de destruição em massa, o terrorismo e outras ameaças à paz e segurança internacionais. O tema do Iraque continua a confrontar a comunidade internacional com enormes desafios, para além das repercussões que possa ter no próprio Oriente Médio. As Nações Unidas não devem limitar-se a limpar os escombros dos conflitos que ela não tenha sido capaz de evitar. Reconhecemos e valorizamos o seu papel na prestação de assistência humanitária e na reconstrução institucional. Mas a ONU não é a Cruz Vermelha. A preservação da paz e segurança internacionais com pleno respeito aos princípios da Carta é, e deve continuar a ser, sua principal missão.
  • 250.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 251 de 323 Um mundo em que o recurso à força deixe de se fundamentar em regras multilaterais será intrinsecamente instável, estruturalmente inseguro. Privilegiamos o multilateralismo em toda a amplitude de seu sentido democrático, como a única via dotada de legitimidade para solucionar os problemas que requerem cooperação internacional, por mais que os seus debates possam parecer, por vezes, prolongados e frustrantes. Do mesmo modo que repudiamos, no plano interno, a eficácia ilusória da autocracia, tampouco desejamos, no plano das relações internacionais, decisões unilaterais que desconsideram a diversidade de opiniões e os critérios multilateralmente estabelecidos. Como disse ontem o Presidente do Senado Federal, tão urgente quanto a reconstrução do Iraque é a reconstrução das próprias Nações Unidas. De particular relevância neste contexto é a questão da reforma do Conselho de Segurança. Órgão principal do sistema da ONU, o Conselho de Segurança deve sua autoridade à sua representatividade. Seu fortalecimento requer o aperfeiçoamento de seus métodos de trabalho e sua ampliação equitativa, o que significa essencialmente contar com países em desenvolvimento entre seus membros permanentes. Este não é um objetivo deste ou daquele país. É uma necessidade do próprio sistema internacional. Em janeiro de 2004, voltaremos a integrar o Conselho de Segurança por mais um biênio, como membros não-permanentes. Será a nona vez, desde que as Nações Unidas foram criadas, que participaremos dos seus trabalhos. Para um Governo comprometido com o multilateralismo e com a paz, trata-se de uma oportunidade valiosa. A complexidade e a profundidade da crise atual impõem que nos antecipemos à nossa acessão formal ao Conselho e busquemos ativamente participar das articulações internacionais em torno do pleno restabelecimento da paz e da segurança. Em paralelo, não podemos descuidar do trabalho da Assembléia Geral na área do desarmamento e não-proliferação, que são duas faces de uma mesma moeda. Como integrantes do grupo da chamada Nova Agenda (composto também por África do Sul, Egito, Irlanda, México, Nova Zelândia e Suécia), manteremos uma ação coordenada sobre o tema da eliminação total de armas nucleares, sem a qual todos os esforços com vistas à não proliferação de armas de destruição em massa permanecerão incompletos. A História nos confronta com sérias responsabilidades na reorganização das relações internacionais. O momento exige diálogo, diplomacia, negociação, liderança política, moral e até mesmo espiritual, como disse o Presidente em sua carta ao Papa. A mesma aspiração por desenvolvimento e progresso social, que moldam a ação governamental em âmbito interno, nos mobilizará nos planos regional e global. Nossa aspiração por paz e solidariedade passa necessariamente por uma atenção detida para as carências dos menos favorecidos. Às visões da ordem internacional, que privilegiam a força e concebem o multilateralismo como apenas uma opção entre muitas, devemos contrapor um projeto de paz com justiça social, fundado em formas de concertação democrática e no direito internacional. A entrada em operação do Tribunal Penal Internacional constitui um passo encorajador nessa direção. Ao comparecer a sua inauguração, em princípios de março, pude não somente cumprimentar a brasileira Sylvia Steiner, eleita Juíza do Tribunal, como expressar o apoio do Governo brasileiro ao aparelhamento do direito internacional para reduzir a margem de impunidade para perpetradores de crimes contra a humanidade. É um instrumento importante, cuja aplicação não deve comportar restrições ou tratamentos excepcionais. Devemos preservar as conquistas conceituais que emergiram das grandes Conferências da década de noventa sobre direitos humanos, população, desenvolvimento social, situação da mulher, combate ao racismo, bem como transformá-las em ações práticas. A importância atribuída à promoção e proteção dos direitos humanos se reflete, no plano interno, na criação de Secretarias Especiais para a promoção da igualdade racial, de políticas para as mulheres, da assistência e promoção social. Juntamente com a Secretaria de Direitos Humanos, esses órgãos auxiliarão o Itamaraty em nossa atuação externa, regional e multilateral.
  • 251.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 252 de 323 A prioridade atribuída pelo Presidente da República ao combate à fome e à luta contra a pobreza cria uma expectativa de um papel protagônico do Brasil na promoção dos direitos econômicos, sociais e culturais. Esta ênfase não significa desatenção para os direitos civis e políticos, cuja valorização - para uma democracia que se consolida como a brasileira – permanece parte integral da orientação humanista da diplomacia do Governo Lula. O Fome Zero, que incorpora programas de educação, saúde, erradicação do trabalho infantil, geração de emprego e de renda, deverá agir como um projeto aglutinador em prol da inclusão social. Mas era preciso, também, levar esta mensagem ao plano global. Foi o que o Presidente Lula fez ao deslocar-se de Porto Alegre para Davos. Inseridos que estamos no Continente de maior diversidade biológica do planeta – a América do Sul – queremos consolidar os avanços logrados nas Conferências do Rio de Janeiro e de Johanesburgo, o que só será possível mediante forte engajamento político. Dispomos de uma liderança de especial ressonância neste âmbito, na pessoa da Ministra Marina Silva, cuja trajetória pessoal e política é um emblema e uma fonte de inspiração para o tratamento individual e coletivo do complexo temário ambiental. O reconhecimento de que vivemos num mundo crescentemente interligado não deve implicar renúncia a nossa capacidade de intervir na realidade para corrigir desequilíbrios e injustiças. Sem querer emprestar-lhe palavras que ele não usou, poderia dizer que a essência da mensagem do Presidente Lula aos líderes da economia e da política mundial, reunidos nos Alpes suíços, foi a de que não há sustentabilidade econômica sem sustentabilidade social. Uma agenda comercial afirmativa O Brasil responde por menos de 1% dos fluxos de comércio internacional - participação modesta para país de estrutura produtiva agrícola e industrial do porte da nossa. Os resultados já obtidos no primeiro trimestre deste ano, com um crescimento de 26,5% sobre o valor exportado em mesmo período no ano passado, podem ser vistos como encorajadores e apontam na direção de uma política comercial mais afirmativa. Parte dessa mobilização terá que se desenvolver no plano interno. Na área externa, o Governo do Presidente Lula empreenderá esforços também para abrir novos mercados e reduzir as barreiras às exportações brasileiras. É de nosso interesse atuar nos diversos tabuleiros, o da OMC, o da ALCA, o das negociações MERCOSUL-União Européia, entre outros, movidos pela busca de vantagens concretas e cientes de nosso status de país em desenvolvimento, que precisa preservar espaços para políticas sociais, tecnológicas, industriais. Dada a estrutura do comércio exterior brasileiro, com interesses econômica e geograficamente diversificados, a OMC – foro que ganha um caráter verdadeiramente universal com a adesão plena da China e, em breve, da Rússia - permanece um palco privilegiado de negociações. A atuação do Brasil na OMC se pautará pela construção de um sistema multilateral de comércio mais eqüitativo, mediante a correção de distorções e a diminuição das restrições à nossa capacidade de fomentar políticas voltadas para o desenvolvimento. Trata-se de uma verdadeira batalha pela eliminação de barreiras e subsídios e pelo nivelamento das regras do jogo que está sendo enfrentada com determinação. Todos sabemos que o comércio pode ter grande efeito gerador de crescimento econômico e riqueza. Na prática, contudo, os mais desenvolvidos não hesitam em manter sua própria lógica do livre comércio e cercar-se ao mesmo tempo de regimes de exceção para setores em que demonstram vulnerabilidades, como o agrícola, o siderúrgico, o têxtil – justamente aqueles em que os países em desenvolvimento demonstram vantagens comparativas. As anomalias do comércio agrícola constituem uma disfunção particularmente intolerável. O
  • 252.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 253 de 323 Brasil é extremamente competitivo e perde bilhões de dólares anualmente em exportações nesse setor. Temos consciência de que, independentemente das possibilidades de acesso aos mercados hemisférico e europeu que poderão advir das negociações da ALCA e de um acordo com a União Européia, a solução para o comércio agrícola passa em boa medida pela OMC - sobretudo no que se refere à eliminação dos subsídios e maior disciplina para as medidas de apoio doméstico. A persistência de impasses em agricultura, na rodada de Doha, não deixará de afetar as negociações multilaterais como um todo e os processos plurilaterais. Igualmente preocupante é a falta de progresso em outras áreas de especial interesse para o Brasil e os países em desenvolvimento, como as da Implementação dos resultados da rodada Uruguai, Tratamento Especial e Diferenciado, e a operacionalização do parágrafo 6 da Declaração sobre TRIPs e Saúde Pública. Assumimos, em 1o de novembro passado, a co-Presidência das negociações para uma Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), que ingressam em fase de definições, com o início do intercâmbio de ofertas e revisão de ofertas já apresentadas. Até o momento, o MERCOSUL apresentou ofertas em bens agrícolas e não-agrícolas. Em parte em função da natureza discriminatória da oferta norte-americana em bens, o Brasil e a Argentina decidiram deixar para outro momento a apresentação de oferta em serviços. Nenhum dos quatro sócios do MERCOSUL apresentou ofertas em investimentos ou compras governamentais. É forçoso reconhecer que as negociações em torno da ALCA suscitam expectativas e inquietações legítimas junto à opinião publica. Parlamentares, representantes do setor privado, sindicatos, organizações não- governamentais desejam conhecer os contornos específicos das negociações para poder expressar seus pontos de vista e contribuir para a definição de posições negociadoras. Paralelamente não podemos desconhecer que o mercado norte-americano e outros são potencialmente muito atraentes para vários setores de nossa indústria e do agro-negócio. Em consonância com o primado da democracia que orienta toda a ação governamental, favorecemos um amplo debate nacional sobre a ALCA, garantindo a transparência do processo em todas suas etapas. Não deixaremos que o automatismo, característico de muitos processos negociadores, prevaleça sobre a avaliação cuidadosa – e, tanto quanto possível, consensual na sociedade – do interesse brasileiro. Com a União Européia, o MERCOSUL busca formar uma associação inédita entre dois blocos econômicos. A conclusão dessa negociação em 2005 coincidirá com o término previsto para os processos da OMC e da ALCA e constitui indispensável fator de equilíbrio, sobretudo em relação a esta última. A expectativa é de que até o final do ano corrente se consiga negociar os contornos de um acordo equilibrado, capaz de atender aos interesses do MERCOSUL - que cumpriu sua parte ao apresentar oferta cobrindo 83,5% do valor do comércio para fins de desgravação em dez anos. Esperamos que a parte européia responda com uma proposta de acesso significativo, sobretudo em agricultura. Para que estes exercícios de natureza hemisférica e inter-regional se traduzam em verdadeiras vantagens para o Brasil, é necessário que as negociações comerciais multilaterais na OMC avancem concomitantemente. Na realidade, as três negociações configuram um exercício único e interligado, na medida em que nossos parceiros remetem ao contexto da rodada de Doha não só a consideração dos temas relacionados ao capítulo agrícola, como também o exame das regras (anti-dumping e subsídios, entre outros). Tenciono explorar outras possibilidades de aproximação econômico-comercial com parceiros do mundo em desenvolvimento e dedicarei atenção especial à promoção de novos entendimentos com o México, África do Sul, China, Índia, os países da Associação do Sudeste Asiático e, de modo muito especial, o mundo árabe. Os debates em curso na América Latina, Ásia e África sobre modelos de desenvolvimento mais sintonizados com as circunstâncias sócio-econômicas das populações do Sul convergirão para a XI Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, a realizar-se no Brasil em junho de 2004. A UNCTAD, que tem sido capaz de revitalizar-se como foro e como instituição, sob o comando do nosso compatriota, o Embaixador Rubens Ricupero, continuará a merecer todo o apoio do Governo brasileiro pela pertinência de sua contribuição analítica e propositiva, centrada na perspectiva do mundo em desenvolvimento.
  • 253.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 254 de 323 Parcerias diversificadas com países desenvolvidos e em desenvolvimento Definida a prioridade sul-americana, cabe traçar os elementos mais marcantes de nossa pauta diplomática com outras regiões do mundo. A preeminência econômica e militar dos Estados Unidos, no atual contexto internacional, situa o relacionamento com Washington em uma categoria à parte. Como afirmei em meu discurso de posse, nosso desejo é o de fortalecer as bases para o entendimento construtivo e a parceria madura. Os contatos iniciais entre os dois Chefes de Estado foram positivos. Continuo a trabalhar com o Secretário de Estado Colin Powell em torno da idéia de uma reunião de cúpula bilateral. Dentro de um mês, receberei pela segunda vez o Representante Especial para Comércio, Bob Zoellick. Estes contatos têm contribuído para manter a ênfase em agricultura da rodada de Doha, em sintonia com as preocupações do Brasil e demais membros do Grupo de Cairns. Tanto em âmbito multilateral, como no quadro mais estritamente bilateral, as duas maiores democracias das Américas terão interesse em aperfeiçoar os mecanismos de consulta e conhecimento recíproco de posições. O diálogo político com os EUA, respeitadas as diferenças de ponto de vista, permanece essencial. A presença dos EUA no ´grupo de amigos` da Venezuela deve ser encarada sob este prisma. Meus contatos com o Secretário de Estado têm sido freqüentes e construtivos. O atual Governo dá especial importância ao estreitamento dos laços políticos com a Europa, numa visão de mundo que privilegia a busca de uma saudável multipolaridade. Desde já, pode-se afirmar que as visitas do Presidente Lula a Berlim e Paris terão ajudado a criar uma base sólida de confiança pessoal entre os mandatários destes países, a ser valorizada e expandida. Além dos países mencionados, manteremos consultas bilaterais políticas com o Reino Unido, e o Presidente deve visitar Espanha e Portugal ainda este ano. A Comissão de Alto Nível Brasil-Rússia deverá contar, este ano, com um componente empresarial. Eu próprio já estive duas vezes, em menos de três meses, com o Chanceler Ivanov para conversas de cunho político. Juntamente com os outros membros da Tróica do Grupo do Rio, participei de densa e proveitosa reunião com o Presidente Putin. Na seqüência dos contatos do Presidente Lula com o Chanceler Schroeder e o Presidente Chirac, mantive consultas políticas com os Ministros Joschka Fischer e Dominique de Villepin para tratar de temas da atualidade e questões estruturais, como a reforma das Nações Unidas no novo contexto internacional. Também em Atenas, em reunião entre Ministros da América Latina e da União Européia, pude participar de um intercâmbio extremamente útil, e sob muitos aspectos crítico, sobre o futuro da cooperação internacional e do multilateralismo. Este debate incluiu a necessidade de repensar o sistema financeiro internacional, bem como a de refletir sobre uma nova barganha com a maior potência, que conduza a relações mais equilibradas, com reforma das Nações Unidas, em benefício de todos. Recebi em princípios do ano o Chanceler do Canadá, para um encontro produtivo de renovação do diálogo e da cooperação. A presença do México no Conselho de Segurança e seu ativo papel na OMC me têm levado a conversar freqüentemente com o Chanceler Derbez a respeito do temário internacional, político e econômico. Com o Japão desejamos estabelecer uma interação comercial mais dinâmica, compatível com a importância das duas economias e com o intenso intercâmbio humano, que marca a História das relações nipo-brasileiras. Com a África desejamos promover uma política verdadeiramente preferencial, em consonância com os interesses de amplos setores da sociedade brasileira e, particularmente, dos afro-descendentes. Em maio, o Presidente Lula abrirá um grande Fórum Brasil-África, em Fortaleza, com vistas à coleta de subsídios para a reformulação e redefinição de nossa política africana. Na presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, estamos procurando traduzir em projetos diversificados a natural afinidade e solidariedade que nutrimos pelos povos de cada um de seus membros. Em São Tomé e Príncipe deverá ser inaugurada, em breve, uma Embaixada residente do Brasil. Tenho mantido contatos também com a Ministra Azuma da África do Sul para examinar formas de impulsionar o relacionamento bilateral. O Presidente Lula tenciona realizar uma viagem à África em agosto.
  • 254.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 255 de 323 O itinerário deverá incluir Angola e África do Sul, entre outros países. O aprofundamento das relações com o Oriente Médio se processará tanto pela via bilateral como por intermédio de contatos mais sistemáticos com a Liga dos Estados Árabes, o Conselho de Cooperação do Golfo e a União do Magrebe Árabe. O contato de alto nível se inaugurará com a visita ao Brasil do Primeiro-Ministro do Líbano, Rafic Hariri – que participará do III Congresso do Conselho Empresarial Internacional Libanês, a realizar-se em São Paulo no mês de junho. Outras iniciativas estão previstas tanto no plano político quanto no econômico-comercial. Por se tratar do país da região com maior população e economia mais diversificada, o Egito retem particular relevância neste contexto. Tenho mantido interlocução intensa com os Embaixadores do Conselho de Cooperação do Golfo e demais países árabes em Brasília. De todos recebi manifestações de apreço pelos esforços do Governo brasileiro em explorar soluções pacíficas para os problemas da região. A posição brasileira em defesa da rápida implantação de um Estado Palestino independente, e do direito à segurança de Israel dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas, é apreciada. As relações com China e Índia atravessam importante período de redimensionamento. A RPC passou à condição de quarto maior importador de produtos brasileiros em 2002. A cooperação espacial prossegue com o lançamento do segundo satélite, estando prevista a construção de outros satélites inclusive de telecomunicações. Em parceria com empresa chinesa, a Embraer está presente em Harbin. O primeiro avião produzido em joint-venture ficará pronto em novembro deste ano. A parceria estratégica se completa com um diálogo político de alto nível e um cronograma intenso de visitas de parte a parte. Em telefonema ao recém-nomeado Chanceler Li Zhao Xing, pude reafirmar nosso propósito de trazer o relacionamento bilateral a patamares ainda mais elevados, conforme afirmara o Presidente Lula em jantar na Embaixada da RPC há poucas semanas. As relações com a Índia também adquirem nova relevância. Nos últimos três anos, o comércio bilateral triplicou em valor, situando-se hoje em 1,2 bilhão de dólares. Em princípios de junho, receberei a primeira visita de um Chanceler da Índia ao Brasil, estando prevista sua permanência em Brasília para um encontro trilateral com nossa homóloga sul-africana. Este encontro, que pode ser qualificado como sul-sul-sul, oferecerá oportunidade para uma concertação de certa forma inédita. O Ministro indiano da Defesa também deverá vir ao Brasil nos próximos meses. A pauta comercial continuará a merecer atenção prioritária em nossas relações com os países da ASEAN. Destaco, neste contexto, a recente visita ao Brasil do Primeiro-Ministro Mahatir Mohamed, da Malásia, e o importante encontro com o Presidente Lula. Na condição de Presidente do Movimento Não-Alinhado, Mahatir compartilhou com o Governo brasileiro suas percepções sobre a agenda internacional e o papel que podem hoje assumir os países em desenvolvimento em defesa de uma ordem internacional mais sensível a suas carências. Embora fora do âmbito estritamente político-diplomático, não posso deixar de mencionar que o crescente número de brasileiros que vivem no exterior apresenta novos desafios à atividade consular, que deve estar aparelhada para a prestação de uma assistência expedita e cada vez mais individualizada. Sempre que surgirem situações de instabilidade, como a que ora se verifica no Golfo, serão montados esquemas especiais de atendimento a nacionais que precisem de proteção ou desejem regressar ao Brasil. Não devemos esquecer que a assistência consular é a vitrine do Itamaraty no exterior. É fundamental que tenhamos uma atitude de cortesia e interesse pelos problemas e indagações daqueles que procuram um Consulado brasileiro. Conclusão Para enfrentar os desafios da hora presente será indispensável poder contar com lideranças dotadas de credibilidade e autoridade. O Brasil tem responsabilidades a assumir. Participar de sua ação diplomática deve ser visto como muito mais do que um simples emprego. Trata-se, estou seguro, de envolvimento em um esforço coletivo de ressonância histórica. Os jovens diplomatas que ingressam no Itamaraty devem ter a certeza de que o País necessita
  • 255.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 256 de 323 de seu talento e criatividade na projeção dos valores e objetivos que hoje inspiram a ação governamental no plano internacional, em defesa da Paz e do Direito e na busca do desenvolvimento e da justiça social. A título de comentário pessoal, confesso que olho para os que começam hoje a carreira diplomática com uma certa inveja. Aqueles que são da minha geração tiveram que enfrentar traumas e sofrimentos decorrentes de limitações à livre expressão de idéias – que felizmente fazem parte do passado. Não queria concluir sem uma palavra a respeito da administração interna do Ministério. A perspectiva humanista que o Presidente Lula está imprimindo à atuação do Governo deve também encontrar reflexo em nossas circunstâncias de trabalho no Itamaraty. As questões administrativas e de organização da carreira, bem como aquelas que se referem à discriminação de etnias e de gênero assumem especial importância neste contexto. Comprometi-me, em meu discurso de posse, a examinar sugestões e reivindicações. Tenho presente a necessidade de atender às justas expectativas por renovação e previsibilidade. Estou certo de que, juntos, encontraremos as melhores soluções para promover as transformações necessárias. Outros tópicos (notíciário) Brasil, Venezuela e a Disputa pela Liderança Sul-americana A relação entre os governos de Chavez e Lula no âmbito da política internacional é complexa. Para o mundo desenvolvido, ambos pertencem a um campo político comum, sendo identificados com a chegada ao poder da esquerda na América do Sul. Porém, há uma disputa clara entre os dois líderes pela liderança na região. Configura-se, assim, uma situação em que, em relação ao contexto regional, Brasil e Venezuela se definem como amigos para fora, e competidores para dentro. É nessa ambigüidade fundamental que residem as armadilhas para as políticas externas dos dois países. Desde o início de seus governos, tanto Chavez quanto Lula assumem a postura de redentores da nação, amparados em uma retórica anti-establishment e pela oferta de benefícios materiais aos menos favorecidos. Ainda que Chavez tenha um discurso muito mais contundente contra os EUA, ambos se consideram aliados em um projeto político alternativo, o qual busca a integração regional não pautada pelos centros globais de poder. Porém, na prática, a oposição à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) proposta pelos norte–americanos está fragmentada. De um lado, o Brasil, a partir do Mercosul, defende a constituição da Área de Livre Comércio Sul-Americana (ALCSA) e da Comunidade Sul-Americana de Nações, dando início a um ambicioso projeto de integração de infra-estrutura na região. Por outro, a Venezuela, ainda que em processo de ingresso como membro pleno do Mercosul, tem estreitado seus laços econômicos e políticos com Cuba, e enfatizado a necessidade de uma Alternativa Bolivariana para a América Latina e o Caribe (Alba); alternativa essa claramente contrária aos princípios do livre comércio e potencialmente perigosa à defesa dos direitos humanos. A incorporação da Bolívia no projeto regional de Chavez – demonstrada pelo apoio venezuelano à nacionalização das refinarias da Petrobrás no país – causa o primeiro choque de interesses entre Chavez e Lula. Esse episódio marca o início de uma série de conflitos que estão por vir, e desperta a diplomacia brasileira para a dinâmica da disputa entre os dois países, ainda em tempo de evitar os efeitos nocivos daí provenientes. Tais efeitos podem ser observados a partir das conseqüências de uma outra experiência de disputa regional, a saber, o processo de unificação da Alemanha, na segunda metade do século XIX. Cabe recordar que tanto a tradicional monarquia Austríaca, como a Prússia partilhavam de muitos interesses e valores comuns, entre os quais a defesa da tradição monárquica nos moldes absolutistas, a promoção e revalorização da cultura e tradição
  • 256.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 257 de 323 alemãs, e a oposição política à França. Todavia, com a ascensão de Bismarck em 1862, a Prússia põe em prática uma política externa mais assertiva em busca da hegemonia sobre os reinos teutônicos. Esse processo, a despeito da aliança entre Áustria e Prússia numa guerra imposta à Dinamarca em 1864, desembocaria em uma guerra entre Prússia e Áustria, envolvendo exatamente a partilha dos espólios obtidos no conflito anterior. Ao final dessa etapa, a Prússia havia criado a Confederação do Norte, submetendo os principados germânicos ao seu poder e expulsando a Áustria desses territórios. Posteriormente, o país avançou seu projeto à custa da França, contra quem se envolveu em um conflito para forçar os principados do sul a aceitarem sua hegemonia. Após a unificação alemã, a Áustria perdeu sua importância no cenário europeu e a Alemanha passou a ser o pólo central e desestabilizador das relações continentais, até à eclosão da Primeira Guerra Mundial. Embora o rearmamento das forças armadas venezuelanas sob o pretexto da ameaça norte-americana e algumas manifestações de Chavez sobre seus vizinhos sejam indícios inquietantes, a disputa pela hegemonia na América do Sul dificilmente envolverá conflitos armados. Contudo, práticas assertivas de política externa que visam à integração regional conduzidas por uma única liderança são desestabilizadoras em sua essência, pois afetam interesses que vão muito além do âmbito regional. Esse é o principal aprendizado da experiência alemã. Em relação à América do Sul, há o agravante de que a postura confrontacionista da Venezuela vem atraindo atenção de modo negativo e suscitando ações por vezes até retaliatórias da parte dos Estados Unidos em relação à região. Essa tendência, a se confirmar, será prejudicial aos interesses do Brasil, e, em última análise, aos próprios interesses da Venezuela. Cabe à diplomacia brasileira, mais experiente e tradicionalmente conciliadora, buscar o entendimento com a Venezuela, de modo que a estabilidade na América do Sul e os interesses da região não sejam ameaçados pelo projeto idiossincrático de um único governante. “Não há dúvida de que Brasil é o país mais poderoso da América do Sul” Em visita de dois dias ao Brasil, o subsecretário de Estado dos Estados Unidos para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, marcou o início de uma nova fase no relacionamento entre os dois países. Os EUA, segundo ele, vêem o Brasil como parceiro preferencial numa América Latina marcada pela liderança ascendente do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e seu declarado antiamericanismo. “Não há dúvida de que o Brasil é o país mais poderoso da América do Sul. Com seu tamanho, sua população e sua economia, é uma enorme força. E achamos que o Brasil está seguindo uma agenda muito responsável, muito cooperativa, muito positiva.” Nesta entrevista exclusiva, Burns diz que o interesse dos EUA na parceria com o Brasil para a produção de biocombustíveis tem como objetivo reduzir a dependência em relação ao petróleo de nações encaradas como inimigas, como Venezuela e Irã: “A energia se transformou em um grande tema diplomático e ela às vezes distorce e amplia o poder de um país além do que provavelmente ele deveria ter.” O presidente Hugo Chávez tem influência crescente na América Latina. Como os EUA vêem isso? Na América do Sul, nosso foco está nos amigos, no Brasil, na Argentina, no Chile, na Colômbia, no Peru, no Equador, em todos os países amigos que temos. Em Washington, estamos tentando ter uma agenda positiva.Temos uma agenda positiva com o presidente Lula. Temos uma agenda positiva com o presidente Uribe, da Colômbia. Não temos exatamente uma relação com Hugo Chávez, porque ele decidiu não ter uma relação. Na nossa visão, a sua política é a política do negativo, da divisão. Ele tenta criar um movimento contra os Estados Unidos. Como vamos ter conversas sobre mudanças no clima, biocombustíveis, comércio, redução da pobreza, justiça social e turismo, se não nos integrarmos e trabalharmos juntos? A agenda com o Brasil é positiva, com a Argentina é positiva, com Peru é positiva. Mas a agenda com Chávez não é. É escolha dele e ele é livre
  • 257.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 258 de 323 para fazer suas escolhas, mas não temos que segui-lo. Não pensamos todos os dias a respeito dele. Mas pensamos sobre o Brasil todos os dias, sobre a Argentina também. O governo americano acredita que países como o Brasil e a Argentina podem contrabalançar a influência de Chávez? Essa é uma questão para a América do Sul trabalhar. Não vamos interferir no Mercosul. Mas hoje há uma agenda global e temos que cooperar globalmente em todos os desafios. É importante que os países achem uma maneira de serem positivos, confiar uns nos outros e trabalhar juntos. Na nossa visão, a agenda de Chávez representa uma política do passado: nacionalização de indústrias, discurso contra os EUA. Isso é o passado, não o futuro. O Brasil não teria, na visão dos EUA, papel de tentar exercer influência positiva na América do Sul? Temos grande respeito pelo presidente Lula e pelo Brasil. E não há dúvida de que o Brasil é o país mais poderoso da América do Sul. Com seu tamanho, sua população e sua economia, é uma enorme força. E achamos que o Brasil está seguindo uma agenda muito responsável, muito cooperativa, muito positiva na América do Sul e na relação Sul-Sul. Não seria certo dar conselhos ao Brasil sobre como lidar com a Venezuela. Vocês sabem isso melhor do que nós. Posso dizer como nós nos relacionamos com a Venezuela. Admiramos o povo venezuelano e lhe desejamos todo o sucesso, mas Chávez, em todo o mundo, quando as pessoas olham para ele, dizem: “Não faz parte das soluções para os nossos problemas.” Existe uma imagem no Brasil de que os presidentes Lula e Bush têm uma boa relação pessoal. Sim, eles têm. O senhor acha que essa relação pessoal pode, de alguma forma, compensar as constantes desavenças comerciais entre os países? Sim. A política segue as regras da natureza humana. Não é impessoal. Há fatos objetivos, mas há também fatos pessoais. O fato de o presidente Bush e de o presidente Lula gostarem um do outro, confiarem um no outro, admirarem um ao outro é bom para o Brasil e bom para os EUA. Porque o sinal que é enviado para o resto de nós, que está trabalhando para eles, é que o presidente Bush acredita que o Brasil é importante, admira o presidente Lula e quer que tenhamos sucesso no Brasil. O ex-embaixador do Brasil em Washington Roberto Abdenur diz que há um sentimento antiamericano na diplomacia brasileira. Nos EUA, isso é perceptível? Bem, vou ser muito cuidadoso ao responder essa pergunta. É obviamente um assunto sensível. Tenho grande respeito pelo embaixador Abdenur. Ele fez um grande trabalho e todos gostamos dele. É um amigo. Tenho grandes amigos no Ministério das Relações Exteriores.O futuro embaixador em Washington, Antonio Patriota, é meu amigo. Sei que a secretária de Estado, Condoleezza Rice, gosta do ministro Celso Amorim. Nossos Ministérios das Relações Exteriores trabalham muito bem juntos. Eu diria que a maioria dos diplomatas brasileiros concorda com isso. A relação entre o Brasil e os EUA é boa, mas pode ser mais forte e melhor. A política externa brasileira privilegia a relação com os países menos desenvolvidos, numa linha conhecida como Sul-Sul. Isso é um bom negócio? O Brasil é um grande país e deve tomar suas próprias decisões. Parece que o Brasil está certo em ter uma orientação Sul-Sul porque é hoje um dos grandes líderes do mundo. O Brasil tem apelo para alguns países pobres porque eles vêem que o Brasil teve sucesso. O Brasil tem laços étnicos e de língua com países africanos, além de com países europeus. Então, se o Brasil pode ter uma boa relação Sul-Sul com países da América Latina e da África, é positivo. Mas não é uma situação tudo ou nada. Além disso, obviamente esperamos
  • 258.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 259 de 323 que o Brasil vá ter uma boa relação com os EUA e com a Europa. Há poucos países em condições de serem globais: Estados Unidos, China, Índia, Japão, União Européia e Brasil. Então a política exterior do Brasil deve ser Sul-Sul, mas também global. Por que os EUA se interessaram por uma parceria com o Brasil para desenvolver a produção de biocombustíveis, em especial etanol? Viemos desenvolvendo nossa indústria de etanol por uma geração, devagar, construindo. Temos um problema de energia no mundo. Somos muito dependentes do petróleo. Não é bom para nossa economia, não é bom para o meio ambiente. Então, temos que desenvolver combustíveis alternativos, temos que diminuir nosso consumo de gasolina. Produzimos etanol de milho porque temos grandes plantações de milho. Vocês produzem etanol de cana-de-açúcar. Somos os dois líderes do mundo. Temos mais de 70% do mercado mundial. Achamos que essa é uma conexão com o Brasil, é uma área em que podemos crescer juntos e podemos liderar o desenvolvimento de um mercado mundial com conseqüências muita positivas para o meio ambiente e para a economia. Quando o presidente Lula e o presidente Bush se encontrarem esse vai ser um grande tema. Os biocombustíveis vão se tornar o maior e o mais positivo ponto de conexão entre Brasil e Estados Unidos. Como deve funcionar essa associação? Nossos cientistas podem ter cooperação em pesquisa e desenvolvimento para melhorar a eficiência do etanol de milho e de cana, melhorar a produtividade. Também é preciso pensar em redes de distribuição, para chegar aos mercados. Na visão dos americanos, Brasil e EUA podem estimular a produção de etanol na América Central, no Caribe e na América do Sul. Se há um mercado global para gás e para petróleo, por que não um mercado global para etanol? Se a demanda aumentar no mundo, é bom para o Brasil e é bom para os EUA. Isso vai estimular a produção nos nossos países e trará benefícios ambientais globalmente. O fato de que entre os principais produtores de petróleo do mundo figuram Irã e Venezuela é um fator para essa decisão? Sim, é. A energia se transformou em um grande tema diplomático e ela às vezes distorce e amplia o poder de um país além do que provavelmente ele deveria ter. Em alguns casos, isso pode ser positivo. Em outros, negativo. Diríamos que é negativo no caso do Irã e da Venezuela. Então, não queremos ser dependentes desses países. E devemos nos importar com o meio ambiente e com as mudanças climáticas. Biocombustíveis têm vantagens econômicas, políticas e ambientais. Os EUA são vistos como um grande vilão do meio ambiente. Sei que a imagem dos EUA é de que não somos signatários do Protocolo de Kyoto, que somos responsáveis por uma larga porcentagem da emissão de gases. Esse é um problema para a nossa geração e para as nossas crianças. Temos a responsabilidade de ser parte de uma solução. Estivemos à frente em algumas áreas, mas ficamos para trás em outras. Temos uma obrigação de contribuir para diminuir as mudanças climáticas e podemos fazer isso diminuindo nossa dependência de petróleo, desenvolvendo outras fontes de energia limpa. Mas espero que os seus leitores venham a saber que não somos os vilões. Gastamos mais de US$ 29 bilhões em dinheiro do governo, desde 2001, em pesquisas sobre energia e tecnologias limpas, biocombustíveis, energia nuclear e tecnologia de carvão limpo. Neste ano, vamos gastar US$ 6,7 bilhões. Mais do que qualquer outro país do mundo. Não assinamos o Protocolo de Kyoto, mas isso não foi uma decisão tomada por um homem, George W. Bush. O nosso Senado optou por isso, e foi muito impopular no nosso país. Índia e China assinaram o protocolo, mas são os dois maiores emissores de gás carbônico, junto com meu país. E o Brasil? Se eu tiver que nomear um país no mundo que está liderando é o Brasil. Por causa da produção de etanol, por causa dos carros flex, o Brasil é um líder positivo e um exemplo para
  • 259.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 260 de 323 todos nós. O entrevistado Nicholas Burns, 51 anos, é desde 2005 o subsecretário para Assuntos Políticos, terceiro posto na hierarquia do Departamento de Estado dos EUA. Formado em História Européia em Boston e pela Sorbonne, em Paris, fala bem francês, árabe e grego. Foi embaixador na Grécia (1997 a 2001) e representou o governo americano na Otan.
  • 260.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 261 de 323 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Você já parou para pensar no que significa a palavra progresso? Pois então pense: estradas, indústrias, usinas, cidades, máquinas e muitas outras coisas que ainda estão por vir e que não conseguimos nem ao menos imaginar. Algumas partes desse processo todo são muito boas, pois melhoram a qualidade de vida dos seres humanos de uma forma ou de outra, como no transporte, comunicação, saúde, etc. Mas agora pense só: será que tudo isso de bom não tem nenhum preço? Será que para ter toda essa facilidade de vida nós, humanos, não pagamos nada? Você já ouviu alguém dizer que para tudo na vida existe um preço? Pois é, nesse caso não é diferente. O progresso, da forma como vem sendo feito, tem acabado com o ambiente ou, em outras palavras, destruído o planeta Terra e a Natureza. Um estudioso do assunto disse uma vez que é mais difícil o mundo acabar devido a uma guerra nuclear ou a uma invasão extraterrestre (ou uma outra catástrofe qualquer) do que acabar pela destruição que nós, humanos, estamos provocando em nosso planeta. Você acha que isso tudo é um exagero? Então vamos trocar algumas idéias. E o Desenvolvimento Sustentável? O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios; se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia. Diante desta constatação, surge a idéia do Desenvolvimento Sustentável (DS), buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e, ainda, ao fim da pobreza no mundo. Portanto, esse modelo busca satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. Ou seja: utilizar recursos naturais sem comprometer sua produção, fazer proveito da natureza sem devastá-la e buscar a melhoria da qualidade de vida. Por isso, o desenvolvimento sustentável coloca na berlinda o modelo de produção e consumo ocidentais, que ameaça o equilíbrio do planeta. Além disso, se preocupa com os problemas a longo prazo, enquanto o atual modelo de desenvolvimento fundado em uma lógica puramente econômica se centra no aqui e agora. As pessoas que trabalharam na Agenda 21 escreveram a seguinte frase: A humanidade de hoje tem a habilidade de desenvolver-se de uma forma sustentável, entretanto é preciso garantir as necessidades do presente sem comprometer as habilidades das futuras gerações em encontrar suas próprias necessidades. Ficou confuso com tudo isso? Então calma, vamos por partes. Essa frase toda pode ser resumida em poucas e simples palavras: desenvolver em harmonia com as limitações ecológicas do planeta, ou seja, sem destruir o ambiente, para que as gerações futuras tenham a chance de existir e viver bem, de acordo com as suas necessidades (melhoria da qualidade de vida e das condições de sobrevivência). Será que dá para fazer isso? Será que é possível conciliar tanto progresso e tecnologia com um ambiente saudável? Acredita-se que isso tudo seja possível, e é exatamente o que propõem os estudiosos em Desenvolvimento Sustentável (DS), que pode ser definido como: equilíbrio entre tecnologia e ambiente, relevando-se os diversos grupos sociais de uma nação e também dos diferentes países na busca da equidade e justiça social. Para alcançarmos o DS, a proteção do ambiente tem que ser entendida como parte integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente; é aqui que entra uma questão sobre a qual talvez você nunca tenha pensado: qual a diferença entre crescimento e desenvolvimento? A diferença é que o crescimento não conduz automaticamente à igualdade nem à justiça sociais, pois não leva em consideração nenhum outro aspecto da qualidade de vida a não ser o acúmulo de riquezas, que se faz nas mãos apenas de alguns indivíduos da população. O desenvolvimento, por sua vez, preocupa-se com a geração de riquezas sim, mas tem o objetivo de distribuí-las, de melhorar a qualidade
  • 261.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 262 de 323 de vida de toda a população, levando em consideração, portanto, a qualidade ambiental do planeta. O DS tem seis aspectos prioritários que devem ser entendidos como metas: I) A satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, lazer, etc.); II) A solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente de modo que elas tenham chance de viver); III) A participação da população envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal); IV) A preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc.); V) A elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações oprimidas, como por exemplo, os índios); VI) A efetivação dos programas educativos. Na tentativa de chegar ao DS, sabemos que a Educação Ambiental é parte vital e indispensável, pois é a maneira mais direta e funcional de se atingir pelo menos uma de suas metas: a participação da população. Discussões e aplicações Na Eco-92, cúpula realizada no Rio de Janeiro, e na Rio +10, encontro em Johannesburgo dez anos depois, essa expressão foi o centro das discussões. Desde então, em um extremo se situam os ecologistas radicais, que defendem o crescimento zero para pôr fim ao esgotamento dos recursos. Em outro lado, estão aqueles que acham que o progresso tecnológico permitirá resolver todos os problemas do ambiente. Essa segunda visão é utilizada para explicar atitudes como a do presidente norte-americano, George W. Bush, que não ratificou o Protocolo de Kyoto (1997), sobre a redução dos gases que produzem o efeito estufa. A primeira interpretação do termo, que considera incompatível o desenvolvimento econômico com respeito ao ambiente, foi lançada em 1972 em um informe dos universitários do chamado Clube de Roma. Mas esse enfoque é solidário apenas em relação à natureza e não aos países em vias de desenvolvimento que criticam que não podem interromper um crescimento que ainda não se iniciou. O termo desenvolvimento sustentável não facilitou as discussões tanto no Brasil quanto na África do Sul, quando os países do hemisfério Norte _que concentra os países desenvolvidos_ tentaram defender o direito a um ambiente saudável, enquanto os do Sul queriam o direito de se desenvolver. A Questão Ambiental
  • 262.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 263 de 323 Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para a presente e as futuras gerações Artigo 225 da Constituição Federal do Brasil Por cerca de 4 bilhões de anos o balanço ecológico do planeta esteve protegido. Com o surgimento do homem, meros 100 mil anos, o processo degradativo do meio ambiente tem sido proporcional à sua evolução. No Brasil, o início da influência do homem sobre o meio ambiente pode ser notada a partir da chegada dos portugueses. Antes da ocupação do território brasileiro, os indígenas que aqui habitavam (estimados em 8 milhões) sobreviviam basicamente da exploração de recursos naturais, por isso, utilizavam-nos de forma sustentável. Após a exterminação de grande parte dos índios pelos portugueses, o número de habitantes do Brasil se reduziu a três milhões no início do século XIX. Foi nesse período que começaram as intensas devastações do nosso território. À época, o homem se baseava em crenças religiosas que pregavam que os recursos naturais eram infindáveis, então, o término de uma exploração se dava com a extenuação dos recursos do local. Infelizmente, essa cultura tem passado de geração em geração e até os dias de hoje ainda predomina. Com a descoberta do petróleo em 1857 nos EUA, o homem saltou para uma nova era: o mundo industrializado, que trouxe como uma das principais conseqüências a poluição. Ou seja, além de destruirmos as reservas naturais sobrecarregamos o meio ambiente com poluentes. Os acontecimentos decorrentes da industrialização dividiram o povo em duas classes econômicas: os que espoliavam e os que eram espoliados. A primeira classe acumulava economias e conhecimento, enquanto a segunda vivia no estado mais precário possível. A segunda classe pela falta de recursos, utilizava desordenadamente as reservas naturais, causando a degradação de áreas agricultáveis e de recursos hídricos e, com isso, aumentando a pobreza. O modelo econômico atual está baseado na concentração-exclusão de renda. Ambos os modelos econômicos afetam o meio ambiente. A pobreza pelo fato de só sobreviver pelo uso predatório dos recursos naturais e os ricos pelos padrões de consumo insustentáveis. As causas das agressões ao meio ambiente são de ordem política, econômica e cultural. A sociedade ainda não absorveu a importância do meio ambiente para sua sobrevivência. O homem branco sempre considerou os índios como povos não civilizados, porém esses povos não civilizados sabiam muito bem a importância da natureza para sua vida. O homem civilizado tem usado os recursos naturais inescrupulosamente priorizando o lucro em detrimento das questões ambientais. Todavia, essa ganância tem um custo alto, já visível nos problemas causados pela poluição do ar e da água e no número de doenças derivadas desses fatores. A preocupação com o meio ambiente caminha a passos lentos no Brasil, ao contrário dos países desenvolvidos, principalmente em função de prioridades ainda maiores como, p. ex., a pobreza. As carências em tantas áreas impedem que sejam empregadas tecnologias/investimentos na área ambiental. Dessa forma, estamos sempre atrasados com relação aos países desenvolvidos e, com isso, continuamos poluindo. A única forma para evitar problemas futuros, de ainda maiores degradações do meio ambiente, é através de legislações rígidas e da consciência ecológica. PROBLEMAS AMBIENTAIS ATUAIS Embora estejam acontecendo vários empreendimentos por parte de empresas, novas leis
  • 263.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 264 de 323 tenham sido sancionadas, acordos internacionais estejam em vigor, a realidade apontada pelas pesquisas mostra que os problemas ambientais ainda são enormes e estão longe de serem solucionados. É preciso lembrar que o meio ambiente não se refere apenas as áreas de preservação e lugares paradisíacos, mas sim a tudo que nos cerca: água, ar, solo, flora, fauna, homem, etc. Cada um desses itens está sofrendo algum tipo de degradação. Em seguida serão apresentados alguns dados dessa catástrofe. FAUNA A fauna brasileira é uma das mais ricas do mundo com 10% das espécies de répteis (400 espécies) e mamíferos (600 espécies), 17% das espécies de aves (1.580 espécies) a maior diversidade de primatas do planeta e anfíbios (330 espécies); além de 100.000 espécies de invertebrados. Algumas espécies da fauna brasileira se encontram extintas e muitas outras correm o risco. De acordo com o IBGE há pelo menos 330 espécies e subespécies ameaçadas de extinção, sendo 34 espécies de insetos, 22 de répteis, 148 de aves e 84 de mamíferos. As principais causas da extinção das espécies faunísticas são a destruição de habitats, a caça/pesca predatórias, a introdução de espécies estranhas a um determinado ambiente e a poluição. O tráfico de animais silvestres movimenta cerca de 10 bilhões de dólares/ano, sendo que 10% corresponde ao mercado brasileiro, com perda de 38 milhões de espécimes. A poluição, assim como a caça predatória, altera a cadeia alimentar e dessa forma pode haver o desaparecimento de uma espécie e superpopulação de outra. P. ex., o gafanhoto serve de alimento para sapos, que serve de alimento para cobras que serve de alimento para gaviões que quando morrem servem de alimento para os seres decompositores. Se houvesse uma diminuição da população de gaviões devido à caça predatória, aumentaria a população de cobras, uma vez que esses são seus maiores predadores. Muitas cobras precisariam de mais alimentos e, conseqüentemente, o número de sapos diminuiria e aumentaria a população de gafanhotos. Esses gafanhotos precisariam de muito alimento e com isso poderiam atacar outras plantações, causando perdas para o homem. É importante lembrar que o desaparecimento de determinadas espécies de animais interrompe os ciclos vitais de muitas plantas. FLORA Desde o princípio de sua história o homem tem exercido intensa atividade sobre a natureza extraindo suas riquezas florestais, pampas e, em menor intensidade, as montanhas. As florestas têm sido as mais atingidas, devido ao aumento demográfico elas vêm sendo derrubadas para acomodar as populações, ou para estabelecer campos agricultáveis (pastagens artificiais, culturas anuais e outras plantações de valor econômico) para alimentar as mesmas. Essa ocupação tem sido realizada sem um planejamento ambiental adequado causando alterações significativas nos ecossistemas do planeta. As queimadas, geralmente praticadas pelo homem, são atualmente um dos principais fatores que contribuem para a redução da floresta em todo o mundo, além de aumentar a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, agravando o aquecimento do planeta. O fogo afeta diretamente a vegetação, o ar, o solo, a água, a vida silvestre, a saúde pública e a economia. Há uma perda efetiva de macro e micronutrientes em cada queimada que chega a ser superior a 50% para muitos nutrientes. Além de haver um aumento de pragas no meio ambiente, aceleração do processo de erosão, ressecamento do solo entre vários outros fatores. A queimada não é de todo desaconselhada desde que seja feita sob orientação (p. ex., Técnico do IBAMA) e facilmente controlada . Apesar do uso de sistemas de monitoramento via satélite, os quais facilitam a localização de focos e seu combate, ainda é grande o número de incêndios ocorridos nas florestas brasileiras. 150 mil Km2 de floresta tropical são derrubados por ano, sendo que no Brasil, são em torno de 20 mil km2 de floresta amazônica. Além desta, a mata Atlântica é a mais ameaçada no Brasil e a quinta no mundo, já tendo sido devastados 97% de sua área.
  • 264.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 265 de 323 RECURSOS HÍDRICOS Já ouvimos falar muito sobre a guerra do petróleo e os países da OPEP. Como se sabe, a maior concentração de petróleo conhecida está localizada no Golfo Pérsico. Porém, o petróleo deste novo século que também causará muitas guerras é outro: a água. Mais da metade dos rios do mundo diminuíram seu fluxo e estão contaminados, ameaçando a saúde das pessoas. Esses rios se encontram tanto em países pobres quanto ricos. Os rios ainda sobreviventes são o Amazonas e o Congo. A Bacia do Amazonas é o maior filão de água doce do planeta, correspondendo a 1/5 da água doce disponível. Não é à toa que há um interesse mundial na proteção dessa região. Não é porque a Amazônia é o pulmão do mundo, isso já foi comprovado que todo o oxigênio produzido por essa floresta é consumido por ela mesma. Em um futuro próximo o mundo sedento virá buscar água na Bacia do Amazonas e o Brasil será a OPEP da água. Por isso, temos que ter muito cuidado para não sermos surpreendidos e dominados por nações mais poderosas. Apenas 2% da água do planeta é doce, sendo que 90% está no subsolo e nos pólos. Cerca de 70% da água consumida mundialmente, incluindo a desviada dos rios e a bombeada do subsolo, são utilizadas para irrigação. Aproximadamente 20% vão para a indústria e 10% para as residências. Atualmente a água já é uma ameaça a paz mundial, pois, muitos países da Ásia e do Oriente Médio disputam recursos hídricos. Relatórios da ONU apontam que 1 bilhão de pessoas não tem acesso a água tratada e com isso 4 milhões de crianças morrem devido a doenças como o cólera e a malária (DIAS, 2000). A expectativa é de que nos próximos 25 anos 2,76 bilhões de pessoas sofrerão com a escassez de água. A escassez de água se deve basicamente à má gestão dos recursos hídricos e não à falta de chuvas. Uma das maiores agressões para a formação de água doce é a ocupação e o uso desordenado do solo. Para agravar ainda mais a situação são previstas as adições de mais de 3 bilhões de pessoas que nascerão neste século, sendo a maioria em países que já tem escassez de água, como Índia, China, Paquistão. OCUPAÇÃO DO SOLO O acesso a terra continua sendo um dos maiores desafios de nosso país. O modelo urbanístico brasileiro praticamente se divide em dois: a cidade oficial (cidade legal, registrada em órgãos municipais) e a cidade oculta (ocupação ilegal do solo). A cidade fora da lei, sem conhecimento técnico e financiamento público, é onde ocorre o embate entre a preservação do meio ambiente e a urbanização. Toda legislação que pretende ordenar o uso e a ocupação do solo, é aplicada à cidade legal, mas não se aplica à outra parte, a qual é a que mais cresce. De acordo com a Profa. Ermíria Maricato (FAU/USP) (apud MEIRELLES, 2000) foram construídos no Brasil 4,4 milhões de moradias entre 1995 e 1999, sendo apenas 700 mil dentro do mercado formal. Ou seja, mais de 3 milhões de moradias foram construídas em terras invadidas ou em áreas inadequadas. Há uma relação direta entre as moradias pobres e as áreas ambientalmente frágeis (beira de córregos, rios e reservatórios, encostas íngremes, mangues, várzeas e áreas de proteção ambiental, APA). Obviamente esses dados são melhor observados nas grandes metrópoles (Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza), onde mais da metade da população mora ilegalmente. Infelizmente no Brasil a má gestão do solo, bem como, a ausência de uma política habitacional tem levado a esses fatos. Os invasores passam a ser considerados inimigos da qualidade de vida e do meio ambiente, quando na verdade eles não têm alternativas e isso ocorre devido à falta de planejamento urbano. As conseqüências dessa ocupação desorganizada já são bastante conhecidas: enchentes, assoreamento dos cursos de água devido ao desmatamento e ocupação das margens, desaparecimento de áreas verdes, desmoronamento de encostas, comprometimento dos cursos de água que viraram depósitos de lixo e canais de esgoto. Esses fatores ainda são agravados pelo ressurgimento de epidemias como dengue, febre amarela e leptospirose. O censo de 2000, realizado pelo IBGE, aponta um crescimento de 22,5% de novas favelas em 9 anos. Há 3.905 favelas no país, sendo 1.548 em São Paulo e 811 no Rio de Janeiro. Outro fator que está afetando o solo é o mau uso na agricultura. 24 milhões de toneladas de
  • 265.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 266 de 323 solo agricultável são perdidos a cada ano correspondendo, no momento, a 30% da superfície da Terra. E o pior é que a situação tende a agravar-se. Trata-se de um fenômeno mundial cujos prejuízos chegam a 26 bilhões de dólares anuais, e, com isso a sobrevivência de 1 bilhão de pessoas está ameaçada. As maiores causas da desertificação são o excesso de cultivo e de pastoreio e o desmatamento, além das práticas deficientes de irrigação. CRESCIMENTO POPULACIONAL O tema controle da natalidade ainda é um assunto que causa muita polêmica, por isso é tão pouco abordado. Há muitos aspectos a serem questionados, tanto do ponto de vista ideológico, quanto cultural e religioso. A classe média alta, por ter mais acesso a informação, faz uso de métodos anticoncepcionais, tendo em média dois filhos, semelhante à política adotada em países ricos. Já a maior parte da sociedade brasileira não tem acesso aos mesmos recursos e dispensam menor preocupação com as condições que darão a seus descendentes. Essa classe sem privilégios é onde deveria ocorrer um controle maior da natalidade, minimizando os problemas sociais para o país. A partir dessa iniciativa seriam evitados abortos indesejáveis, crianças abandonadas, exploradas, prostituídas e com um futuro quase certo para a criminalidade, que é a atual realidade das grandes cidades do Brasil e dos países pobres. O crescimento populacional é uma forma de proliferação da pobreza. A pobreza e o meio ambiente estão tão interligadas que serão o tema central da Conferência Mundial sobre o Meio ambiente (RIO+10) deste ano na África do Sul. O controle da natalidade é indispensável pois o planeta está acima de sua capacidade máxima de ocupação e há evidências de falta de alimentos e água para as próximas décadas. Como alternativa, a limitação de 2 filhos por casal, beneficiaria as condições sócio-econômicas do país, principalmente nos grandes centros onde a maior porcentagem da população carente tem muitos filhos. Com número estável de habitantes, os planos assistenciais seriam mais facilmente desenvolvidos e o meio ambiente poderia ser mantido. A idéia de um controle de natalidade não é nova. Thomas Malthus (1766-1834), um economista inglês, abordou o problema do crescimento populacional e da produção de alimentos em seus livros. De acordo com o pensamento maltusiano, a felicidade do ser humano está diretamente relacionada com os recursos naturais, ou seja, o esgotamento destes condenará a humanidade à infelicidade. Malthus assegurava que o crescimento populacional traria a miséria, então, se faz necessário conter a explosão demográfica. Para ele, o ótimo da população garantiria mais recursos por habitante, atingindo o equilíbrio entre população e produção de alimentos. Segundo SACHS os maltusianos acreditavam e ainda acreditam que o mundo já está superpovoado e, portanto, condenado ao desastre, seja pela exaustão dos recursos naturais esgotáveis, seja pela excessiva sobrecarga de poluentes nos sistemas de sustentação da vida. O Brasil é um dos países a apresentar maior crescimento populacional. O Censo realizado em 1872 (primeiro) e o de 1991 (décimo) mostraram que a população brasileira passou de 10 milhões para 150 milhões de pessoas, ou seja, um aumento de 15 vezes em 120 ano. Entre as décadas de 50-80 sua população teve um acréscimo de 67 milhões, ou seja, muito superior à população de vários países. Se no planeta com 6 bilhões de habitantes, a população já se encontra no limite, imagine-se com 10 bilhões de pessoas previstas para o ano de 2050. Países como a Índia terão um acréscimo de 519 milhões de pessoas, China 211 milhões e o Paquistão de 200 milhões até o ano de 2050. Se não for realizado um controle da natalidade, seremos todos responsáveis pela condenação de milhões de pessoas a morrer de fome ou sede. A morte por fome já é uma realidade em vários países da África e tem sido destaque na imprensa diariamente. Com base nestes dados, como se pode pensar em não fazer um controle da natalidade? LIXO Outro trágico fator ambiental é o lixo que em sua maioria ainda é lançado a céu aberto. No Brasil, cerca de 85% da população brasileira vive nas cidades. Com isso, o lixo se tornou um dos grandes problemas das metrópoles. Pela legislação vigente, cabe às prefeituras
  • 266.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 267 de 323 gerenciar a coleta e destinação dos resíduos sólidos. De acordo com o IBGE, 76% do lixo é jogado a céu aberto sendo visível ao longo de estradas e também são carregados para represas de abastecimento durante o período de chuvas. Embora muito esteja se fazendo nesta área em nível mundial, ainda são poucos os materiais aproveitados no Brasil onde é estimada uma perda de cerca de 4 bilhões de dólares por ano. Mas, há indícios de melhora na área no país onde se tem como melhor exemplo as latas de alumínio, cuja produção é 63% reciclada. O lixo industrial apresenta índices maiores de reciclagem. De acordo com a FIRJAN, no estado do Rio de Janeiro 36-70% das indústrias reciclam seus dejetos. Cada brasileiro produz 1 Kg de lixo doméstico por dia, ou seja, se a pessoa viver 70 anos terá produzido em torno de 25 toneladas. Se multiplicarmos pela população brasileira, pode-se imaginar a dimensão do problema. SANEAMENTO BÁSICO Outro fator gravíssimo para aumentar a poluição ambiental é a falta de saneamento básico. Atualmente apenas 8% do esgoto doméstico é tratado no Brasil e o restante é despejado diretamente nos cursos d' água. Um relatório da ONU revela que as regiões costeiras, sul e sudeste do Brasil, são as mais poluídas do mundo. 40 milhões de pessoas vivem no litoral lançando 150 mil litros de esgoto por dia ou 6 bilhões de litros de esgoto sem tratamento. Os poucos investimentos do governo nessa área são inexplicáveis, uma vez que, para cada dólar investido no saneamento básico, 4 dólares são economizados com a prevenção de doenças que requerem internações. A falta de saneamento básico responde por 65% das internações nos hospitais do país. CONDIÇÕES CLIMÁTICAS Em 1990, 200 cientistas participaram do primeiro painel intergovernamental de mudança do clima, organizado pelas Nações Unidas. À época eles alertaram que o mundo precisava reduzir de 60 a 80% seus gases causadores do efeito estufa, para restabelecer o equilíbrio na Terra. A partir desses dados foi criado o Protocolo de Kioto, o qual estabeleceu que os países industrializados deveriam diminuir as emissões de dióxido de carbono em 5,2% até janeiro de 2012, sobre os níveis vigentes em 1990. O Brasil já aprovou a assinatura deste Protocolo. A preocupação com as mudanças climáticas é justificada, pois afetarão todo o planeta e de forma desproporcional os países pobres que serão atingidos por ciclones tropicais, chuvas torrenciais e ventos fortes, escassez de água, doenças e erosão. Esses países são mais vulneráveis devido à falta de recursos. Além disso, poderá haver a redução de colheitas e nesse caso o Brasil seria um dos países afetados entre vários outros efeitos. Com verões mais longos e quentes aumentará a taxa de reprodução e crescimento de insetos e, com isso, aumenta a transmissão de doenças por estes vetores. O renomado cientista Stephen Hawkings já havia alertado que a espécie humana não chegaria ao final do Terceiro Milênio justamente por causa do efeito estufa. De acordo com o secretário geral da ONU, Kafi Annau, pouco se tem feito com relação ao desenvolvimento sustentável proposto na ECO-92, porque os países ricos não têm cumprido os acordos internacionais firmados à época. É pouco provável que as medidas propostas venham a ser adotados por esses governos, uma vez que, precisariam de uma mudança total no modelo de desenvolvimento econômico e social. Os EUA reconheceram que há um elo entre o efeito estufa e o homem, mesmo assim, os maiores poluidores mundiais, anunciaram oficialmente que não se sente no compromisso de colaborar com a despoluição atmosférica, prevista no Protocolo de Kioto, para que suas indústrias gastem com programa de controles de emissões sujas. Entre os possíveis danos causados pela emissão descontrolada de compostos para a atmosfera alguns já estão comprovados. Como exemplo, os poluentes lançados por usinas geradoras de energia e indústrias dos EUA, Canadá e Europa causaram
  • 267.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 268 de 323 uma das principais secas da história da humanidade. A poluição gerada nesses países teria reduzido de 20 a 50% o volume de chuvas no Sahel, afetando os países mais pobres do mundo, como a Etiópia e causando a morte de 1 milhão de pessoas por fome. Esses dados comprovam que as fronteiras geográficas do planeta não impedem que a poluição se alastre. Um novo e mais amplo estudo sobre a Terra foi realizado por 1.000 especialistas, através do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas. Esse relatório prevê um futuro sombrio para o planeta caso não sejam tomadas providências imediatas. De acordo com esse estudo metade dos rios já estão poluídos, 15% do solo estão degradados e 80 países sofrem com a escassez de água. Segundo o relatório, nas próximas três décadas 50% da população sofrerá com a falta de água; 11 mil espécies de animais e plantas estão ameaçados de extinção. O relatório alerta que essas drásticas mudanças, pelas quais o planeta está passando, agravarão o problema da fome e de doenças infecciosas e tornarão as tragédias climáticas mais freqüentes. O relatório informa que muitos desses problemas poderiam ter sido amenizados se houvessem sido cumpridos os acordos estabelecidos na RIO-92, que até agora não saíram do papel. Não devemos pensar que essas mudanças estão muito distantes de nós. É só olharmos para trás e veremos as modificações sofridas no meio ambiente nos últimos dez anos: verões mais quentes, invernos mais curtos, pouca periodicidade nas chuvas, secas e enchentes etc. Muitos outros efeitos serão somados a esses, nos próximos 10 anos, se não tomarmos providências. DESPERDÍCIO No Brasil por se ter disponibilidade de recursos, o desperdício se tornou parte de nossa cultura, isso tanto para pobres quanto ricos. 20% dos alimentos são desperdiçados (desde a colheita até a mesa da comunidade) segundo o IBGE. Essas toneladas perdidas seriam suficientes para matar a fome de toda a população carente. Além disso, jogamos fora muito material reciclável (são despejadas na natureza 125 mil toneladas de rejeitos orgânicos e materiais recicláveis por dia). A cada tonelada de papel que se recicla, 40 árvores deixam de ser cortadas. Em ambos os casos o desperdício gera poluição ambiental. 50% da água tratada é desperdiçada no país. E o pior é que essa água retorna aos mananciais após o uso, sem tratamento e, novamente, retorna a nós para consumo após vários tratamentos com custos elevadíssimos. Entre os maus hábitos estaria a lavagem de carro, calçadas, roupas, banhos demorados, louças na qual é desperdiçada mais água do que o necessário, além de vazamentos. Uma gota de água caindo o dia inteiro corresponde a 46L. Com relação à energia elétrica, os brasileiros desperdiçam meia produção anual de Itaipu ou 9,5% da média total anual. Como exemplo de desperdícios está o uso irracional de aparelhos elétricos e luzes acessas desnecessariamente. O uso racional poderá evitar a construção de novas barragens, que causam grandes impactos ambientais, apenas pela minimização dos desperdícios. OUTROS DADOS INTERESSANTES Dados recentes fornecidos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostraram que o mundo está consumindo 40% além da capacidade de reposição da biosfera (energia, alimentos, recursos naturais) e o déficit é aumentado 2,5% ao ano. Relatórios da ONU apontam que 85% de produção e do consumo no mundo estão localizados nos países industrializados que tem apenas 19% da população. O relatório da PNUD também afirma que as 3 pessoas mais ricas do mundo têm lucro superior ao PIB dos 48 países mais pobres onde vivem cerca de 600 milhões de pessoas. É estimado que sejam gastos no planeta 435 bilhões de dólares/ano em publicidade. 15 bilhões de dólares seriam suficientes para acabar com a fome do mundo, que mata 10
  • 268.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 269 de 323 milhões de crianças por ano. Nós também somos culpados por essas mortes uma vez que atendemos aos apelos da mídia e da sociedade de consumo (compre isso, compre aquilo!!!). Os EUA têm 5% da população mundial e consomem 40% dos recursos disponíveis. Se os 6 bilhões de pessoas usufruíssem o mesmo padrão de vida dos 270 milhões de americanos, seriam necessários 6 planetas. Os EUA, em 1997, emitiam 20,3 toneladas (22,7% emissões mundiais) de CO2 por habitante, a China 2,5 toneladas/habitante (13,07%), a Índia 900 Kg/habitante (3,49%) e o Brasil 1,91 toneladas/habitante (1,25%). Os EUA aumentaram em 13% (e deverá chegar a 29% até o fim da década) suas emissões poluentes nos últimos 10 anos o que equivale a um aumento conjunto da Índia, China e África, países com uma população dez vezes maior. EDUCAÇAO AMBIENTAL - ALTERNATIVA PARA UM FUTURO ECOLOGICAMENTE CORRETO A questão ambiental ainda é pouco conhecida pela população no Brasil e atinge basicamente as classes mais privilegiadas da sociedade. Poucos sabem, mas a Educação Ambiental já é lei no país. A Lei 9.795 de 27/04/1999 institui a Política Nacional de Educação Ambiental a qual reza que todos os níveis de ensino e da comunidade em geral têm direito à educação ambiental e que os meios de comunicação devem colaborar para a disseminação dessas informações. Até o momento pouco foi implantado nessa área. Embora ainda não muito familiarizados com a consciência ecológica, os brasileiros se mostram dispostos a colaborar. CRESPO (1998) comprovou esse fato quando realizou uma pesquisa sobre meio ambiente, na qual entrevistou 2.000 pessoas e 90 líderes de vários setores, em 1992 e 1997. A população citou como principais problemas ambientais, o desmatamento e as queimadas (45%) e a contaminação dos rios, mares e oceanos (26%). Já os líderes em questões ambientais no país apontaram o saneamento e o lixo, seguidos de contaminação dos recursos hídricos. Eles também se mostraram dispostos a ajudar em campanhas de separação e reciclagem de lixo (72%), contra o desperdício de água (52%) e energia (41%) e no reflorestamento (27%). Mais da metade (59%) consideram a natureza sagrada e têm noção de que os danos ambientais causados pelo homem são irreversíveis e concordaram que o controle da natalidade é indispensável para o meio ambiente. A preservação do meio ambiente depende de todos: governo, educadores, empresas, Organizações Não-Governamentais (ONGs), meios de comunicação e de cada cidadão. A educação ambiental é fundamental na resolução desses problemas, pois vai incentivar os cidadãos a conhecerem e fazerem sua parte, entre elas: evitar desperdício de água, luz e consumos desnecessários (REDUZIR, REUSAR e RECICLAR), fazer coleta seletiva, adquirir produtos de empresas preocupadas com o meio ambiente, cobrar as autoridades competentes para que apliquem a lei, tratem o lixo e o esgoto de forma correta, protejam áreas naturais, façam um planejamento da utilização do solo, incentivem a reciclagem entre outros. O maior número de leis de proteção ambiental, os grandes investimentos em pesquisas e tecnologias limpas por empresas, a criação de ONGs e a participação mais ativa da sociedade são uma realidade mundial. Todos esses avanços ainda não são suficientes para salvar o planeta e as previsões são sombrias. O tema é complexo e envolve fatores políticos, econômicos, sociais e até mesmo culturais entre todas as nações e por isto a resolução do problema não é tão simples. No Brasil, está aumentando a consciência ecológica e há leis mais rígidas, mas ainda não há uma ação política efetiva nessa área. Evidente que essas atitudes estão mudando, embora lentamente. Nas campanhas eleitorais atuais alguns partidos incluíram em seus planos de governo questões ambientais como o Tratado de Kioto. Apesar do país estar se destacando na área ambiental frente outros países da América Latina, ainda é no Brasil que ocorrem os maiores desastres ecológicos atribuídos a indústria. Sustentabilidade Corporativa.
  • 269.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 270 de 323 Responsabilidade social e ambiental está na pauta de investidores de todo o mundo. Um novo tipo de empresa tem surgido no cenário internacional. Socialmente responsável, preocupada com questões ambientais, estas organizações incluem em seus planejamentos estratégicos questões muito mais abrangentes do que as tradicionais metas econômico-financeiras. São corporações preocupadas com sua inserção no meio onde operam que buscam levar em conta necessidades e preocupações de todos os seus públicos de interesse - clientes, empregados, comunidades, governo, parceiros, fornecedores. E mais: visam a criação de valor ao acionista no longo prazo. Entre outras características podemos citar a transparência frente a investidores, padrões de governança elevados e a gestão de recursos humanos orientada pela capacitação e satisfação de seus funcionários. O sucesso deste tipo de empresa é constantemente apontado por investidores nos EUA e na Europa, que, há algum tempo, passam a analisar em suas prospecções, os índices e relatórios de sustentabilidade, além de outros indicadores, divulgados pelas Bolas de Nova York e Londres. Responsabilidade social corporativa é um projeto de estratégia, gestão corporativa e postura perante a sociedade. A ATUAL OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA O núcleo da floresta está intacto - mas há ameaças crescentes Sete de cada dez árvores cortadas na Amazônia brasileira tombam em três Estados: Mato Grosso, Pará e Rondônia. Em contraste, Amapá, Amazonas e Roraima podem se orgulhar de ter 95% de sua floresta tropical intocada. Essa é a imagem atual do mais vigiado, precioso e cobiçado tesouro ambiental do planeta por sua diversidade biológica, manancial de água potável e poder regenerador da biosfera. Grosso modo, a situação da Amazônia se assemelha a uma estufa de conteúdo bem-cuidado, mas cercada de perigo por todos os lados. O perigo maior somos nós, as pessoas, a civilização que teima em comprimir as fronteiras da mata. Em pleno século XXI, depois de décadas de conscientização ecológica, nas bordas da Amazônia ainda se vive pelo bruto ensinamento do libertador Simon Bolívar (1783-1830): Se a natureza for contra nós, seremos contra a natureza. Bolívar, que livrou Venezuela, Equador, Peru, Colômbia e Bolívia do jugo espanhol, via a natureza apenas como mais um opressor a ser subjugado. Essa mentalidade ainda impera nas fronteiras da selva, tida pelos modernos conquistadores como fonte de opressão econômica. Diz Alfredo Homma, pesquisador do Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido: A verdade é que os milhões de habitantes que vivem nas áreas preservadas da Amazônia se alimentam de produtos cultivados em Mato Grosso, no Pará e em outros Estados estigmatizados como destruidores da floresta. Em seu coração, a mata consegue manter seu metabolismo relativamente intacto - mesmo que em muitos pontos sofra a ação de garimpos ilegais e da extração cirúrgica de espécies vegetais de maior valor comercial, como o mogno, que, de 1.200 reais a tora no Brasil, depois de trabalhado, pode valer doze vezes mais no mercado internacional. Essa estufa amazônica abriga atualmente cerca de 21 milhões de brasileiros, população que cresce a taxas duas vezes maiores que a média do país. As necessidades crescentes desses moradores são um dos fatores que alimentam a vida econômica nas bordas da Amazônia. Cada um dos 750.000 pequenos agricultores queima e desmata anualmente entre 1 e 3 hectares de floresta. O que eles produzem é suficiente para sua subsistência. O pouco que sobra é vendido a moradores das regiões interioranas e protegidas da Amazônia. O exército de pequenos agricultores é apenas um dos focos de tensão. A oeste, a atividade guerrilheira e o narcotráfico estão sendo enfrentados pelo governo brasileiro com o aumento do contingente militar na região. Ao norte, a situação é melhor do ponto de vista ambiental. Os conflitos entre índios e produtores rurais em Roraima são uma séria questão social. O que seria um problema para o meio ambiente - a crescente urbanização da população - tende a ser minorado pela proximidade com a
  • 270.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 271 de 323 Venezuela e suas cidades fronteiriças, onde muitos brasileiros da Região Norte se abastecem de alimentos e outros produtos. Assim, o dinheiro deles se transfere para o país vizinho, que fica também com o ônus de desmatar e plantar. O impacto maior vem do leste, com as madeireiras e os pecuaristas. Vem também do sul, pelo vigor de um ciclo de avanço recente impulsionado pelo sucesso das plantações de soja no Centro-Oeste e sua adaptação para cultivo em regiões cada vez mais próximas da linha do Equador, o que ameaça a área de transição entre o cerrado e a floresta densa. Em suas frágeis e porosas fronteiras, a Amazônia está sendo desmatada em um ritmo muito superior ao das agressões ocorridas em seu interior. De 1990 a 2002, cerca de 22 milhões de hectares de floresta foram derrubados. A área equivale aos territórios somados de Bélgica, Dinamarca, Holanda e Portugal. Mais de 70% de tudo o que a floresta perde a cada ano é arrancado de suas bordas. CONTINENTE PERDIDO - O mais novo foco de pressão sobre a Amazônia altera o modelo tradicional do desmatamento. Seu epicentro é na fronteira sul e chama-se soja. Para entender o poder de avanço desse fenômeno é preciso retroceder aos anos 70. Naquela década, o sistema ecológico que ocupa áreas ao sul da floresta amazônica, o cerrado, era quase um deserto despovoado. A famosa estrada Belém-Brasília era um arranhão vermelho na mata, um corte limpo no então chamado continente perdido e que vez ou outra era enfrentado por um caminhoneiro mais destemido. Bem, como se sabe, o cerrado tornou-se um celeiro de grãos e a estrada poeirenta, um eixo de avanço do progresso rumo ao norte do país. O cerrado produz 46% da soja e 41% do gado de corte do país. A área plantada com o grão no Mato Grosso aumentou 400% desde 1990. A soja chegou ao Estado no fim da década de 70 e foi inicialmente cultivada em áreas desmatadas no cerrado perto de Cuiabá. Em linha reta, em vinte anos, a soja avançou 500 quilômetros ao norte em direção à floresta. A soja tem o poder de expandir a fronteira porque os produtores estão capitalizados e querem aumentar as lavouras, explica João Paulo Capobianco, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente. Hoje, planta-se soja intensivamente nos vales do Rio Araguaia e em Sinop, no norte de Mato Grosso. As fotos de satélite já flagraram plantações bem mais ao norte. A afoiteza dos agricultores de soja não seria um problema ecológico se não estivesse ligada também ao desmatamento improdutivo, muitas vezes ilegal, e à pecuária. A soja no cerrado produz cerca de 3.000 quilos por hectare - um pouco mais do que a obtida nos Estados Unidos. A produtividade do plantio do grão cresceu 70% em uma década. Graças a isso, não houve necessidade econômica premente de ampliar a fronteira agrícola. No restante do país a área plantada de soja ficou quase estável. Com dinheiro na mão, o agricultor de soja no Mato Grosso compra áreas antes ocupadas por pecuaristas que, por sua vez, compram as terras de madeireiros que se aventuram sobre terras devolutas. No sul do país, onde as terras valem até vinte vezes o que custam nas fraldas da Amazônia, o plantador de soja tem de se contentar em aumentar seus ganhos melhorando a produtividade da área plantada. Na vizinhança da floresta é diferente. Ali é mais econômico comprar mais terra dos pecuaristas. Dessa forma, o ciclo de desmatamento avança para o norte. O desmatamento é parte do processo de expansão da fronteira da Amazônia e deve ser encarado objetivamente. Torna-se um problema quando a floresta é perdida sem gerar um sistema de produção agrícola ou pecuária que sirva ao desenvolvimento econômico e social e ambiental da região, explica Daniel Nepstad, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Se a soja não alimentasse o ciclo de expansão sobre a mata, ela seria um ótimo vizinho para a mata. O problema é que a soja acaba financiando o pecuarista e este o madeireiro, que é incentivado a ir sempre mais para o norte, aumentando a área desmatada. Nos últimos anos, a iniciativa privada tomou o lugar do Estado como mola propulsora do desbravamento da Amazônia. A região integrou-se à economia global e tornou-se menos dependente dos altos e baixos da atividade no Brasil. Assim, mesmo com o país em marcha lenta, a economia amazônica tende a estar sempre aquecida. Os preços internacionais de grãos e carne são acompanhados diariamente pelos fazendeiros. Um relatório inédito intitulado Desmatamento na Amazônia: indo além da emergência crônica, feito pelo Ipam e obtido por VEJA, mostra que nos últimos dez anos a pecuária extensiva respondeu por 75% da floresta desmatada na região, especialmente nas bordas, formando um arco que abrange o Pará, o norte de Mato Grosso e parte de Rondônia. O rebanho bovino dobrou entre
  • 271.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 272 de 323 1990 e 2001. VANGUARDA DA OCUPAÇÃO - Na fronteira leste, a marcha rumo ao centro do tesouro amazônico tem outro motor, a impunidade ao corte ilegal de árvores. As primeiras grandes madeireiras da região foram instaladas na década de 70 na cidade de Paragominas, no leste do Pará. Hoje, o barulho dos tratores e das motosserras pode ser ouvido 1.000 quilômetros mais a oeste. Segundo dados do Banco Mundial e do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), metade da madeira vinda da Amazônia é retirada de maneira ilegal. O principal estímulo à derrubada das árvores é a alta rentabilidade do negócio. A exploração madeireira baseada em técnicas de manejo que conservam a floresta tem um retorno de 71%. Já a derrubada ilegal rende 122%. Além de não pagar impostos nem garantir direitos trabalhistas mínimos a seus empregados, os madeireiros ilegais retiram muito mais madeira do que permite um plano de manejo. As madeireiras são a vanguarda da ocupação desordenada da Amazônia, pois instalam a infra-estrutura mínima para a ocupação posterior e ao mesmo tempo garantem a posse da terra, na maior parte das vezes grilada, diz Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon. As estimativas mostram que, a se manter o padrão atual de ocupação da floresta, nos próximos vinte anos 15% da Amazônia terá perdido sua cobertura vegetal atual. Em números absolutos não parece nada alarmante. Mas o ritmo se acentuou muito. A civilização brasileira levou cinco séculos para desmatar uma área do mesmo tamanho da que os especialistas acreditam que vá desaparecer nas próximas duas décadas. Apesar desses dados, com base no passado recente da região amazônica e de seu presente, os preservacionistas não são totalmente pessimistas quanto a seu futuro. Os motivos de otimismo são a preservação quase total do coração da selva e o sucesso de atividades econômicas de baixo impacto ecológico, como as indústrias de alta tecnologia da Zona Franca de Manaus, as grandes mineradoras e a exploração do turismo. A constante monitoração por satélite de toda a região é outra razão de esperança. Os primeiros satélites não distinguiam uma clareira natural de outra provocada por desmatamento. Para aparecer na fotografia tirada do espaço, a área afetada deveria ter no mínimo 8 quilômetros quadrados. As fotos atuais permitem determinar que tipo de cobertura cada área tem e flagram clareiras quando ainda têm apenas 100 metros quadrados. Com a entrada em operação dos dezenove radares e dos oito aviões do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), o esquadrinhamento da região está se tornando uma operação de alta precisão que fornece aos pesquisadores dados sobre a qualidade da água dos rios e até o movimento de cardumes. Os focos de agressão podem ser detectados com toda a precisão. Agora basta aplicar a lei.
  • 272.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 273 de 323 Questões Cruciais Poluição Atmosférica A poluição atmosférica está associada, principalmente, à queima de carvão e de combustíveis derivados de petróleo. Esses dois insumos alimentam grandes setores da economia atual, como a própria geração de energia (termoelétricas), a produção industrial e o transporte, totalizando aproximadamente 90% da energia comercial utilizada no mundo. Estima-se que, entre 1960 e 1996, com o incremento das atividades industriais e de transporte (rodoviário e aéreo), a emissão de carbono (CO e CO2) resultante da queima desses combustíveis, mais que dobrou. O transporte rodoviário, uma das maiores fontes de poluentes, joga mais de 900 milhões de toneladas de CO2 por ano na atmosfera. De 1950 até 1994, a frota mundial de veículos (carros, ônibus e caminhões) cresceu nove vezes, passando de 70 milhões para 630 milhões. No Brasil, de acordo com o capítulo Cidades Sustentáveis da Agenda 21, a taxa de motorização passou de 72 habitantes por automóvel em 1960 para pouco mais de 5 em 1998, podendo chegar essa relação a 4,3 em 2005, enquanto a quantidade média diária de viagens por habitante, segundo a projeção, deve subir de 1,5 registradas em 1995 para 1,7 viagens. Os efeitos nocivos do crescimento automotivo têm aparecido continuamente em levantamentos de saúde. Uma estatística, divulgada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1999, apontou a poluição como responsável por um número maior de mortes do que o trânsito, em decorrência de problemas respiratórios ou cardíacos desencadeados pela exposição contínua ao ar poluído. Os pesquisadores europeus, que avaliaram os efeitos da poluição do ar em três países (Áustria, Suíça e França), estimam que essa seja a causa de 40 mil mortes anuais, metade das quais ligadas diretamente à poluição produzida por veículos automotores. A poluição gerada (monóxido de carbono, óxidos de enxofre e nitrogênio, material particulado) pelo transporte também é apontada como a responsável por 25 mil novos casos anuais de bronquite crônica e mais de 500 mil ataques de asma. Esses dados confirmaram informações de pesquisas anteriores, realizadas no Reino Unido, que mostraram que a poluição abrevia a vida de 12 a 24 mil pessoas por ano e provoca outras 24 mil internações. Os dados brasileiros também revelam prejuízos significativos à saúde, em particular de gestantes, crianças e idosos. Um grupo da Faculdade de Medicina da USP constatou, em 1997, que a concentração de poluentes atmosféricos em São Paulo, principalmente nos meses de inverno, pode aumentar até 12% o risco de mortes por doenças respiratórias. Os experimentos feitos com animais de laboratório indicaram que, após 3 meses de exposição aos poluentes, aparecem sintomas de rinite alérgica e crises de asma, além da redução das defesas imunológicas pulmonares, o que dobra o risco de contrair câncer. O ar de São Paulo recebe, anualmente, cerca de 3 milhões de toneladas de poluentes, 90% deles emitidos por veículos automotores. Os efeitos agudos da poluição se manifestam, sobretudo, durante o inverno, quando a procura por atendimento em pronto-socorros infantis aumenta 25% e o número de internações por problemas respiratórios sobe 15% em relação às outras estações, quando o egime mais intenso de chuvas e ventos ajuda a dispersar a poluição. Entre as crianças esse índice chega a 20% e a taxa de mortalidade de idosos acima de 65 anos, nesse período do ano, aumenta até 12%. O Efeito Estufa e o Aquecimento Global O aquecimento global é o aumento da temperatura terrestre (não só numa zona específica, mas em todo o planeta) e tem preocupado a comunidade científica cada vez mais. Acredita-se que seja devido ao uso de combustíveis fósseis e outros processos em nível industrial, que levam à acumulação na atmosfera de gases propícios ao Efeito Estufa, tais como o Dióxido de Carbono, o Metano, o Óxido de Azoto e os CFCs.
  • 273.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 274 de 323 Há muitas décadas que se sabe da capacidade que o Dióxido de Carbono tem para reter a radiação infravermelha do Sol na atmosfera, estabilizando assim a temperatura terrestre por meio do Efeito Estufa, mas, ao que parece, isto em nada preocupou a humanidade que continuou a produzir enormes quantidades deste e de outros gases de Efeito Estufa. A grande preocupação é se os elevados índices de Dióxido de Carbono que se têm medido desde o século passado, e tendem a aumentar, podem vir a provocar um aumento na temperatura terrestre suficiente para trazer graves conseqüências à escala global, pondo em risco a sobrevivência dos seus habitantes. Na realidade, desde 1850 temos assistido a um aumento gradual da temperatura global, algo que pode também ser causado pela flutuação natural desta grandeza. Tais flutuações têm ocorrido naturalmente durante várias dezenas de milhões de anos ou, por vezes, mais bruscamente, em décadas. Estes fenômenos naturais bastante complexos e imprevisíveis podem ser a explicação para as alterações climáticas que a Terra tem sofrido, mas também é possível e mais provável que estas mudanças estejam sendo provocadas pelo aumento do Efeito Estufa, devido basicamente à atividade humana. Para que se pudesse compreender plenamente a causa deste aumento da temperatura média do planeta, foi necessário fazer estudos exaustivos da variabilidade natural do clima. Mudanças, como as estações do ano, às quais estamos perfeitamente habituados, não são motivos de preocupação. Na realidade, as oscilações anuais da temperatura que se têm verificado neste século estão bastante próximo das verificadas no século passado e, tendo os séculos XVI e XVII sido frios (numa escala de tempo bem mais curta do que engloba idades do gelo), o clima pode estar ainda a se recuperar dessa variação. Desta forma os cientistas não podem afirmar que o aumento de temperatura global esteja de alguma forma relacionado com um aumento do Efeito Estufa, mas, no caso dos seus modelos para o próximo século estarem corretos, os motivos para preocupação serão muitos. Segundo as medições da temperatura para épocas anteriores a 1860, desde quando se tem feito o registro das temperaturas em várias áreas de globo, as medidas puderam ser feitas a partir dos anéis de árvores, de sedimentos em lagos e nos gelos, o aumento de 2 a 6 ºC que se prevê para os próximos 100 anos seria maior do que qualquer aumento de temperatura alguma vez registrado desde o aparecimento da civilização humana na Terra. Desta forma torna-se assim quase certo que o aumento da temperatura que estamos enfrentando é causado pelo Homem e não se trata de um fenômeno natural. No caso de não se tomarem medidas drásticas, de forma a controlar a emissão de gases de Efeito Estufa é quase certo que teremos que enfrentar um aumento da temperatura global que continuará indefinidamente, e cujos efeitos serão piores do que quaisquer efeitos provocados por flutuações naturais, o que quer dizer que iremos provavelmente assistir às maiores catástrofes naturais (agora causadas indiretamente pelo Homem) alguma vez registradas no planeta. A criação de legislação mais apropriada sobre a emissão dos gases poluentes é de certa forma complicada por também existirem fontes de Dióxido de Carbono naturais (o qual manteve a temperatura terrestre estável desde idades pré-históricas), o que torna também o estudo deste fenômeno ainda mais complexo. Há ainda a impossibilidade de comparar diretamente este aquecimento global com as mudanças de clima passadas devido à velocidade com que tudo está acontecendo. As analogias mais próximas que se podem estabelecer são com mudanças provocadas por alterações abruptas na circulação oceânica ou com o drástico arrefecimento global que levou à extinção dos dinossauros. O que existe em comum entre todas estas mudanças de clima são extinções em massa, por todo o planeta tanto no nível da fauna como da flora. Esta analogia vem reforçar os modelos estabelecidos, nos quais prevêem que tanto os ecossistemas naturais como as comunidades humanas mais dependentes do clima venham a ser fortemente pressionados e postos em perigo.
  • 274.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 275 de 323 Chuva Ácida Os principais ácidos da chuva são o sulfúrico (H2SO4) e o nítrico (HNO3), formados pela associação da água com dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de nitrogênio (NOx), produtos da queima de combustível fóssil, que podem ser carregados pelo vento por distâncias superiores a 1.000 quilômetros do ponto de emissão, ocasionando chuvas ácidas distantes da fonte primária de poluição, o que acaba se tornando um problema sem fronteiras territoriais. O dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio podem causar danos tanto pela precipitação seca, que se depõe sobre a vegetação e as estruturas (monumentos, prédios, etc.), como pela precipitação úmida, dissolvidos na chuva ou em vapores d'água atmosféricos. Para a saúde humana os principais danos causados pela ingestão de água ou alimentos contaminados por metais pesados presentes na chuva ácida são os problemas neurológicos. Há, normalmente, fluxos naturais de enxofre e nitrogênio causados pelas emissões vulcânicas, pela queima de biomassa e pela iluminação solar. São fluxos uniformemente espalhados, que não causam grandes precipitações. O fator significativo aqui também são as ações humanas porque o fluxo derivado destas é concentrado em poucas regiões industriais, porém tem a desvantagem adicional de poder se espalhar e afetar a população de outras regiões, dependendo do regime dos ventos. Por dois anos consecutivos (1999-200), pesquisadores norte-americanos, europeus e indianos do Projeto INDOEX (Indian Ocean Experiment) constataram a existência de uma mancha marrom de 10 milhões de quilômetros quadrados de extensão com 3 a 5 Km de espessura formada por resíduos poluentes - fuligem, sulfatos, nitratos, partículas orgânicas, cinzas e poeira mineral - sobre a Índia e o Oceano Índico, obstruindo a passagem da luz solar e provocando chuva ácida. Para os cientistas, a mancha resulta da alta concentração de poluentes emitidos em toda a Ásia e acumulados sobre essa região em decorrência dos padrões de circulação climática. No decorrer da década de 1990, os países asiáticos lançaram na atmosfera cerca de 34 milhões de toneladas de dióxido de enxofre ao ano, quase 40% a mais do que os Estados Unidos, até então o maior responsável pela emissão desse gás no mundo. Por causa do incremento da industrialização e da frota de veículos, além do consumo intenso de carvão como gerador de energia, esses números devem triplicar até 2010, sobretudo na China, Índia, Tailândia e Coréia do Sul. Vazamentos de Petróleo No caso brasileiro, além do lixo, dos esgotos lançados in natura e de materiais contaminados oriundos das dragagens portuárias, a ocorrência crescente de vazamentos de petróleo têm sido um fator crescente de poluição dos ecossistemas costeiros. Quando o vazamento ocorre em alto mar, existe todo um processo que pode ocorrer com a mancha provocada, fazendo com que ela se disperse antes de chegar à costa. Como o óleo é menos denso do que a água, ele tende a flutuar, atingindo uma grande superfície. Neste processo, os compostos mais nocivos evaporam, pois são muito voláteis, e as partes mais pesadas dos hidrocarbonetos, com o batimento das ondas se agregam a pequenas partículas em suspensão no oceano, sedimentando lentamente. Antes do afundamento da plataforma P-36, em março de 2001, e do acidente com a plataforma P-7, em abril, a Petrobrás somava 18 desastres causados desde março de 1975 por vazamento de óleo e gasolina ou emissão de vapores de soda caústica, nove deles somente entre 1990 e 2000. Em quatro deles (janeiro, março, junho e julho de 2000), foram lançados mais de 5 milhões de litros de petróleo na região costeira da Baía de Guanabara (RJ), em Araucária (PR) e em Tramandaí (RS). Para o ecossistema marinho, o custo desses vazamentos pode representar o comprometimento no longo prazo da diversidade biológica e genética, composta por organismos e plantas que formam a base da cadeia alimentar e são responsáveis pela dispersão intra e inter-oceânica das espécies. Uma alteração significativa do ambiente oceânico poderá agravar a diminuição dos principais estoques pesqueiros, já considerados
  • 275.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 276 de 323 sob risco uma vez que 70% deles são superexplorados ou estão em seu limite biológico de reprodução. Outro sinal visível da degradação dos ambientes oceânicos é a descoloração dos recifes de coral. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) tem observado, desde 1980, o aumento do número de formações atingidas pelo problema. Em 1998, o relatório Planeta Vivo, emitido pelo WWF, informou 100 episódios de descoloração de recifes durante a década de 1980, um índice alarmante comparado aos três registros históricos ocorridos nos cem anos anteriores. A degradação dos recifes de corais ameaça uma diversidade de espécies animais que utiliza as formações como habitat e torna as costas litorâneas desprotegidas contra a erosão provocada pelos movimentos oceânicos e o impacto das tempestades sobre a plataforma continental. A própria extração do petróleo provoca danos ambientais que ainda não foram devidamente mensurados. A lama utilizada como lubrificante para evitar o excesso de atrito do equipamento durante o processo de furo produz um montante ainda não calculado de rocha moída que é jogada no mar assim como todos os resíduos que são inerentes ao processo de extração do petróleo (gás e água com alta salinidade e concentração de metais). A bacia marítima de Campos (RJ), considerada pelos especialistas como uma das maiores fontes de petróleo do Brasil devido à sua extensão (40 mil km2), fica em uma região de grande diversidade ecológica e interesse turístico porque abriga várias lagoas costeiras, manguezais, praias arenosas e de cascalho, costões rochosos, colônias de aves marinhas, além de áreas de pescas e bancos de calcário em profundidades até 120 metros. Desmatamento e Desertificação O desmatamento promovido para obtenção de fontes energéticas (madeira e carvão) e a transformação de florestas em terrenos cultiváveis reduziram em 70% o parque florestal europeu e asiático entre os séculos XIX e início do século XX. De um total estimado em 62,2 milhões de quilômetros quadrados, restam somente 33,4 milhões de florestas. Atualmente, 46% das matas nativas do planeta estão sob o mesmo risco de destruição pelo desmatamento que consome, todo ano, 17 milhões de hectares de florestas tropicais, de acordo com o WWF e o Centro Mundial de Monitoramento e Conservação (WCMC). A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou que, entre 1980 e 1995, houve um aumento de 4% na cobertura florestal da Europa, mas as condições da mata são precárias em virtude de incêndios, secas, pragas e poluição atmosférica. Nas áreas reflorestadas mais de 25% das árvores apresentam processos de desfoliação e número de matas primárias saudáveis reduziu, no mesmo período, de 69% para 39%. As queimadas para prática de técnicas agropecuárias são a principal forma de desmatamento. A expansão de áreas urbanas, a construção de malhas viárias e a implantação de projetos hidrelétricos ou para extração de minérios, além do comércio de madeira, incluindo o ilegal, que movimenta aproximadamente U$ 6 bilhões por ano, também contribuem para a desvastação. O manejo inadequado da terra e uso excessivo de fertilizantes, somados ao desmatamento da cobertura vegetal, também são responsáveis pela desertificação de áreas extensas ao redor do planeta, particularmente na África, onde mais da metade do território são de terrenos semi-áridos, áridos ou desérticos. No Brasil, onde a perda de terras cultiváveis chega a U$ 4 bilhões ao ano, a desertificação já compromete 980 mil quilômetros quadrados. Durante a década de 1990, segundo o WRI, foram perdidos 562 milhões de hectares de terra férteis, o que representa 38% da área total plantada no mundo. As queimadas com fins agrícolas ou comerciais, além de causarem degradação ambiental, também são um grande fone de emissão de dióxido de carbono. Ao longo da década de 1980, as florestas chegaram a ser consideradas o pulmão do planeta, em virtude da absorção de dióxido de carbono e à liberação de oxigênio realizadas pelas plantas durante o processo de fotossíntese. A posteriori, algumas pesquisas apontaram que isso, na realidade, se tratava de um equívoco porque o oxigênio liberado durante a fotossíntese era absorvido pelas próprias árvores para realimentar esse processo.
  • 276.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 277 de 323 Recentemente, o projeto Experimento de Grande Escala da Biosfera - Atmosfera na Amazônia, que reúne mais de 300 pesquisadores da América Latina, Estados Unidos e Europa, comprovou que existe realmente um balanço positivo na absorção de carbono pela floresta amazônica, embora menor do que havia sido divulgado anteriormente (5 a 8 toneladas de carbono por hectare). As correções realizadas nos cálculos indicam que, somadas todas as fontes conhecidas de absorção e emissão, a floresta retira uma quantidade relativamente modesta de carbono por hectare preservado, algo entre uma e duas toneladas anuais. Considerando a sua extensão, que abrange 70% do ecossistema florestal da América Latina, a floresta ainda seria capaz de retirar uma quantidade de carbono nada desprezível, estimada entre 400 e 800 milhões de toneladas por ano, ou o eqüivalente à aproximadamente 10% das emissões globais devido à queima de combustíveis fósseis e ao desmatamento. De todo modo, a destruição das florestas por queimadas ou desmatamento acarreta um duplo impacto ambiental porque as queimadas desprendem uma grande quantidade de dióxido de carbono e os desmatamentos, ao retirar a cobertura vegetal, reduzem a quantidade de água evaporada do solo e a produzida pela transpiração das plantas, acarretando uma diminuição no ciclo das chuvas. Além de provocar os efeitos climáticos diretos, o calor adicional pode destruir o húmus (nutrientes, microorganismos e pequenos animais) que promove a fertilidade do solo. Os efeitos da destruição já são sentidos inclusive nas áreas urbanas, onde o desmatamento das margem dos rios aumenta progressivamente o grau de erosão dos terrenos ribeirinhos, reduzindo a vazão da água e a qualidade do abastecimento. Em várias cidades, como Piraciba (SP), as prefeituras têm recorrido ao reflorestamento com espécies nativas para tentar reverter o processo de degradação e conter os riscos de desabastecimento. Solo Urbano e Meio Ambiente O Brasil passou por dois fenômenos que merecem destaque quando se fala de ambientes urbanos: a rápida industrialização , experimentada a partir do pós-guerra, e a urbanização acelerada que se seguiu. No curso desse processo, reflexo das políticas desenvolvimentistas então vigentes, uma série de regras de proteção ao meio ambiente e ao cidadão foram desrespeitadas ou mesmo desconsideradas. Sem o sucesso e a estabilidade econômica de países como os Estados Unidos, Japão ou Alemanha, somente nos anos 70 o Brasil começou a voltar-se para as questões ambientais, de saneamento e de controle da poluição, logrando seu primeiro intento com o Plano Nacional de Saneamento (Planasa), ao conseguir abastecer com água tratada cerca de 80% da população urbana brasileira. A partir de então, os grandes problemas ambientais do País vêm sendo identificados e controlados, porém nem sempre com a velocidade e intensidade que merecem. Quando se pensa no meio ambiente urbano no Brasil, não se pode esquecer o que ocorreu com a cidade de Detroit (EUA), por exemplo, que durante as décadas de 20 e 30 era o município mais poluído do mundo e hoje é um modelo de controle ambiental. O auge do desastre se deu para os norte-americanos em outra época, quando construíram uma mentalidade voltada para questões relacionadas ao meio ambiente. É exemplo também para todo o mundo o esforço feito na Grã Bretanha para recuperar o Tâmisa. Os nossos Tâmisas começam a ser percebidos e tratados somente agora. Desde os anos 50, a formação das cidades brasileiras vem construindo um cenário de contrastes, típico das grandes cidades do Terceiro Mundo. A maneira como se deu a criação da maioria dos municípios acabou atropelando os modelos de organização do território e gestão urbana tradicionalmente utilizados, e mostrou-se inadequada. O resultado tem sido o surgimento de cidades sem infra-estrutura e disponibilidade de serviços urbanos capazes de comportar o crescimento provocado pelo contingente populacional que migrou para as cidades.
  • 277.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 278 de 323 Entre as décadas de 50 e 90, a parcela da população brasileira que vivia em cidades cresceu de 36% para 75%, sendo que em 1991, nove regiões metropolitanas possuíam mais de 1 milhão de habitantes cada. Não obstante os evidentes desequilíbrios ambientais decorrentes desse processo, os espaços urbanos não receberam, na mesma proporção, a devida atenção por parte da mídia e dos governantes. Quando se trata do urbano, a complexidade do que se denomina problemas ambientais exige tratamento especial e transdisciplinar. As cidades não são apenas espaços onde se evidenciam problemas sociais. O próprio ambiente construído desempenha papel preponderante na constituição do problema, que transcende ao meio físico e envolve questões culturais, econômicas e históricas. Os grandes assentamentos urbanos concentram também os maiores problemas ambientais, tais como poluição do ar, sonora e hídrica; destruição dos recursos naturais; desintegração social; desemprego; perda de identidade cultural e de produtividade econômica. Muitas vezes, as formas de ocupação do solo, o provimento de áreas verdes e de lazer, o gerenciamento de áreas de risco, o tratamento dos esgotos e a destinação final do lixo coletado deixam de ser tratados com a prioridade que merecem. Nas metrópoles com grande concentração industrial exacerbam-se os problemas de degradação ambiental, trânsito, enchentes, favelização e assentamentos em áreas inundáveis, de risco e carentes em saneamento. Como centros de produção, essas cidades mostram saturação de indústrias em áreas restritas, trazendo diversos problemas a seus habitantes, provocados pelos elevados índices de poluição que apresentam. Nas cidades costeiras com vocação para o turismo, as condições de balneabilidade das praias vêm sendo comprometidas cada vez mais pelas descargas de esgotos in natura e pelas precárias condições de limpeza pública e coleta de lixo. É nelas que os interesses especulativos imobiliários forçam a ocupação de áreas de preservação ambiental, desfigurando a paisagem e destruindo ecossistemas naturais. Cidades históricas e religiosas como Ouro Preto (Minas Gerais), Olinda (Pernambuco) e Aparecida do Norte (São Paulo) também sofrem com a especulação imobiliária, com a favelização e com o turismo indiferente à preservação do patrimônio cultural e ambiental. Na Amazônia, as atividades extrativistas e o avanço da fronteira agrícola produziram cidades de crescimento explosivo, que se tornaram paradigmas para a degradação da qualidade de vida no meio urbano. Os problemas ambientais e suas causas não são prerrogativas do Brasil. Outros países viveram problemas semelhantes e buscaram soluções que garantiram a qualidade de vida dos cidadãos e o simultâneo crescimento econômico. A diferença é que por ser um país jovem, o Brasil começou, só na virada do último milênio, a enfrentar o desafio de um desenvolvimento sócio-econômico que preserve o patrimônio natural do País para suas próximas gerações. Os brasileiros estão deixando suas antigas posições para entrar em uma nova era. A globalização dos mercados, o milagre das telecomunicações, a estabilização da economia são fatores que devem ser analisados criteriosamente se o objetivo buscado é o chamado desenvolvimento sustentado. O Brasil, através de ações governamentais e de iniciativas da população, está buscando alternativas que preservem o patrimônio natural do País e possibilitem o crescimento econômico. Na busca do equacionamento e da reversão da crise ambiental urbana, várias ações vêm sendo tomadas pela União, com a participação da sociedade civil. Políticas para saneamento e meio ambiente vêm sendo discutidas e implementadas em todo o Brasil desde os anos 70, embora não com a velocidade e efetividade compatíveis com o crescimento que o País vem experimentando nas últimas décadas. Esse diferencial criou um vácuo que começa a ser preenchido com uma melhor e mais completa compreensão por parte da população e dos administradores a respeito dos direitos, deveres e responsabilidades para com o meio ambiente. O País já reconhece seus problemas ambientais, tem instrumentos legais para resolvê-los e, acima de tudo, tenta implementá-los efetivamente.
  • 278.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 279 de 323 Alguns estados da União, por suas peculiaridades, dispõem de legislação própria e organismos especializados e os vêm implementando de forma bastante efetiva, contando com a parceria da sociedade civil na decisão de suas prioridades ambientais. Queimadas e Desmatamentos Confundidas freqüentemente com incêndios florestais, as queimadas são também associadas ao desmatamento. Na realidade, mais de 95% delas ocorrem em áreas já desmatadas, caracterizadas como queimadas agrícolas. Os agricultores queimam resíduos de colheita para combater pragas, como as provocadas pelo bicudo do algodão, para reduzir as populações de carrapatos ou para renovar as pastagens. O fogo também é utilizado para limpar algumas lavouras e facilitar a colheita, como no caso da cana-de-açúcar, cuja palha é queimada antes da safra. Áreas de pastagem extensiva, como os Cerrados, também são queimadas por agricultores e pecuaristas. Apenas uma pequena parte das queimadas detectadas no Brasil está associada ao desmatamento. No caso da Amazônia, o fogo é o único meio viável para eliminar a massa vegetal e liberar áreas de solo nu para plantio. Mesmo assim são necessários cerca de oito anos para que a área fique limpa para a prática agrícola. Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Monitoramento Ambiental NMA-Embrapa em Rondônia, revelou que apenas uma pequena parte (menos de 5%) da madeira das áreas desmatadas foi comercializada - ou seja, a finalidade da queimada não é o comércio, mas a limpeza de áreas. Degradação dos Recursos Litorâneos Devido à importância dos oceanos na economia global e no sistema climático, não atingiremos um desenvolvimento duradouro e sustentável sem litorais e oceanos sadios. Pesqueiros produtivos e bem manejados desempenham um papel significativo no desenvolvimento econômico global, segurança alimentar, alívio da pobreza e saúde humana. Mas, desde a Rio-92, a maioria dos recursos litorâneos foi alvo de ações predatórias e degradação. Os esforços atuais para a proteção de litorais e oceanos não atingirão seus objetivos caso não consigam maior integração na agenda mais abrangente de desenvolvimento social que será enfocada na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável de 2002, a ser realizada brevemente em Joanesburgo. Recursos costeiros e marinhos representam um rico patrimônio para a construção de um mundo sustentável. O valor dos bens e serviços ecológicos marinhos é estimado em US$ 21 trilhões anuais - 70 % superior aos sistemas terrestres. Um bilhão de pessoas depende de peixes como fonte primária de proteína animal, principalmente nos países em desenvolvimento. Cerca de 90 % do pescado comercial mundial é capturado em regiões costeiras e ao longo das plataformas continentais. As pressões humanas sobre os recursos costeiros estão se acelerando. Quase metade da humanidade - aproximadamente 2,8 bilhões de pessoas - vive hoje a 100 quilômetros de um litoral, contra 2 bilhões em 1992. A maioria das mega cidades mundiais (com mais de 8 milhões de habitantes) é costeira. Até meados do século, o número de habitantes costeiros deverá inchar para 6,3 bilhões de pessoas, cerca de 75 % da população mundial. As regiões costeiras também sustentam a maior concentração mundial de infra-estrutura de apoio, instalações fabris, uso de energia, turismo e produção de alimentos. Considerando seu gigantesco valor econômico e ecológico, a proteção destas áreas é fundamental. Desde a Rio-92, os cientistas reconhecem que a pesca predatória é a causa principal do colapso dos ecossistemas marinhos em muitas regiões. O volume de pescado global estagnou a partir de 1990. 70 % dos estoques pesqueiros estão hoje sobre-explorados - ou esgotados. A pesca comercial também é altamente perdulária: no processamento anual de 85 milhões de toneladas de peixes, os pescadores descartam rotineiramente, no mínimo, 20 milhões de toneladas de pescado indesejado e de espécies marinhas, que são geralmente mortas. Durante a década de 90, os recifes de coral mundiais sofreram um duro golpe. Entre 1992 e
  • 279.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 280 de 323 2000, a parcela de recifes de coral gravemente danificada por ação humana direta e pelo aquecimento global elevou-se de 10 para 27 %. Além disto, até 2030, 60 % dos recifes de coral em todo o mundo poderá desaparecer caso os oceanos continuem a se aquecer. Poluição, pesca predatória e atividades terrestres - como desmatamento, agricultura, desvios fluviais e desenvolvimento industrial - todos contribuem para a degradação de valiosos habitats costeiros. Metade das terras alagadas costeiras do mundo foi aterrada ou irremediavelmente alterada por empreendimentos imobiliários. Danos costeiros também têm efeito direto na saúde humana. Nos países em desenvolvimento, 70 % dos resíduos industriais e 90 % dos esgotos são despejados sem tratamento em águas superficiais, onde poluem aqüíferos, mananciais e áreas costeiras. Estima-se que, anualmente, 250 milhões de pessoas desenvolvem crises de gastroenterite e doenças respiratórias ao nadarem em mares contaminados. E produtos químicos tóxicos têm contribuído para o colapso reprodutivo em mamíferos marinhos e problemas de saúde nas pessoas que se alimentam de peixes. (Dois terços dos mamíferos marinhos estão hoje classificados como espécies sob ameaça de extinção, conforme o Livro Vermelho da IUCN). A piscicultura tanto aumentou a produtividade quanto prejudicou as áreas costeiras. Desde a Rio-92, a produção da aqüicultura global mais que duplicou, de 15 milhões de toneladas de peixe, em 1992, para 36 milhões de toneladas em 2000. Cerca de 40 % dos peixes cultivados são criados em áreas costeiras e marinhas. Esta atividade causou a destruição de manguezais, poluição em larga escala por antibióticos e outros produtos químicos, e deslocamento de pesqueiros tradicionais. Uma das maiores ameaças em potencial para todos os recursos marinhos e costeiros é o aquecimento global. A mudança climática mundial aquecerá as temperaturas médias oceânicas, alterará padrões de circulação marinha e afetará a produtividade biológica marinha. A mudança climática também contribuirá para a elevação do nível do mar, com o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática prevendo uma elevação de um metro nos próximos 80 anos. Níveis mais elevados do mar aumentam o impacto das ressacas, aceleram a degradação de habitats, alteram as variações das marés, modificam os padrões de circulação de sedimentos e nutrientes, e agravam as enchentes. Oceanos em elevação desabrigarão aproximadamente um bilhão de pessoas que vivem a poucos metros do nível do mar. Muitas destas pessoas vivem nos países mais pobres e mais densamente habitados do mundo. SOLUÇÕES Países negociaram vários acordos ecológicos marinhos seguros desde a reunião do Rio, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre Estoques de Peixes Trans-zonais e de Peixes Altamente Migratórios (doravante, Acordo da ONU sobre Estoques de Peixes) e o Programa de Ação Global para a Proteção do Meio Ambiente Marinho contra Atividades Terrestres. Mas ainda estamos longe da implementação plena desses acordos em nível mundial. Joanesburgo oferece uma boa oportunidade para impulsionar o cumprimento desses acordos e ressaltar a importância de oceanos sadios para lidar com a pobreza, segurança alimentar e questões populacionais. A fim de proteger recursos oceânicos e costeiros, precisaremos implementar programas de gestão costeira, incrementar o manejo da pesca, aumentar as pressões de consumidores e empresas em prol da pesca sustentável e acabar com o aquecimento global. Implementar Programas de Gestão Costeira O Capítulo 18 da Agenda 21 e o Mandato de Jacarta sobre Diversidade Marinha e Costeira da Convenção sobre Diversidade Biológica, requerem que os países implementem planos nacionais de proteção aos recursos costeiros. Embora tenha havido avanços na implantação desses planos, metade dos países costeiros mundiais ainda não promulgou qualquer tipo de legislação costeira. E a maioria dos países não dispõe de mecanismos formais para
  • 280.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 281 de 323 coordenar questões costeiras e oceânicas, sem falar da integração de questões marinhas às questões do uso do solo, urbanização e população. Para ter eficácia, uma gestão costeira integrada deverá engajar representantes locais de vários setores que afetam áreas litorâneas, inclusive turismo e agricultura, além de interessados sub-representados, particularmente as mulheres. A fim de atingir a meta da Declaração do Milênio das Nações Unidas, de reduzir pela metade o número de pessoas que vivem na pobreza, até 2015, o Banco Mundial e agências de ajuda externa deverão objetivar programas de redução da pobreza em áreas costeiras em crescimento. Conforme determinação do Mandato de Jacarta, os países deverão se empenhar na identificação de áreas de alta diversidade biológica marinha, especialmente recifes de coral e águas rasas ameaçadas, estabelecendo redes regionais de Áreas de Proteção Marinha. Os países deverão atender à convocação do Programa de Ação Global, melhorando voluntariamente a gestão municipal de saneamento e esgotamento sanitário para a proteção da saúde humana e dos recursos costeiros. Incrementar o Manejo da Pesca O Acordo da ONU sobre Estoques de Peixes entrou em vigor em dezembro de 2001, porém 15 das principais nações pesqueiras ainda não o ratificaram. É essencial que todas as nações que pescam em águas distantes ratifiquem o acordo. As nações pesqueiras deverão implementar rapidamente o Plano de Ação Internacional para Impedir a Pesca Ilegal, Não Divulgada e Não Regulamentada. Os países deverão investir para sua maior aplicação e monitoramento em águas internacionais e territoriais. Tanto a Declaração de Reykjavik sobre Pesca Responsável, de 2001, e o Código de Conduta da FAO para a Pesca Responsável, de outubro de 2001, requerem uma abordagem ao manejo de pesqueiros com base no ecossistema. A fim de atingir este objetivo, as nações pesqueiras deverão adotar os princípios do direito de saber à coleta de dados pesqueiros. Em reconhecimento ao sucesso da Moratória das Nações Unidas sobre Redes de Arrasto de Alto-Mar, os países membros deverão restringir outros tipos de equipamentos danosos de pesca, especialmente linhas longas e traineiras com altas taxas de pescado indesejável. Os países consumidores deverão pressionar as principais nações pesqueiras na análise e eliminação gradativa de US$ 15 bilhões em subsídios anuais à pesca. Muitos subsídios permitem que países industrializados comprem direitos de acesso à pesca em países em desenvolvimento, onde freqüentemente competem com pequenos pescadores. Desta forma, os países em desenvolvimento deverão negociar condições mais rígidas de acesso e proibição total onde o recurso estiver exaurido. Aumentar as Pressões de Consumidores e Empresas em prol da Pesca Sustentável A FAO, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Organização Internacional do Comércio (OIT) deverão criar um sistema pelo qual peixes certificados independentemente como ecologicamente seguros, através de grupos como o Conselho de Manejo Marinho, possam receber tratamento preferencial sob acordos bilaterais de comércio. Além das informações que já fornecem sobre contaminação química e biológica, as organizações de consumidores deverão avaliar pesqueiros em função do seu manejo sustentável. Varejistas e restaurantes de frutos do mar, além de fornecedores de aquários e
  • 281.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 282 de 323 consumidores, deverão, sempre que possível, só adquirir peixes que forem certificados como ecologicamente seguros. Lidar com o Aquecimento Global Atualmente, 25 % do fornecimento mundial de energia advém de recursos costeiros e oceânicos. A fim de ajudar a desacelerar o aumento das emissões de carbono, as empresas envolvidas em atividades energéticas marinhas deveriam receber créditos fiscais para serem aplicados em investimentos em fontes de energia renovável, como marés e oceanos, além da eólica e térmica. A Questão da Biodiversidade A Convenção da Diversidade Biológica, ratificada por 175 países em 1992, reflete pela primeira vez um consenso global sobre a importância da biodiversidade na manutenção dos ecossistemas do planeta. Como crescimento do conhecimento científico houve um avanço significativo na questão da preservação das espécies. Não temos dúvidas nos dias de hoje que para se evitar a crise da extinção em massa das espécies é necessário a manutenção dos processos ecológicos e evolutivos no planeta. Para a manutenção destes processos é necessário que a biodiversidade seja protegida em espaços maiores e exista condições aceitáveis para as populações humanas envolvidas no processo. O desenvolvimento econômico só será sustentável se conseguir manter esse equilíbrio das forças biológicas que mantém o planeta. Os recentes avanços da genética molecular associados a uma verdadeira revolução na área de informática tem mudado a cada dia o significado da palavra biodiversidade. A palavra biodiversidade tem sido empregada nos últimos anos com uma grande variedade de significados diferentes. É importante salientar aqui, que o avanço da genética desses últimos anos nos trouxe um conceito novo, ou seja da diversidade ao nível dos genes. É importante nos deter na variância das populações dentro das espécies e nas variações genéticas dentro de cada uma destas populações. Quantificar esses parâmetros tornou-se tarefa palpável, apesar de mutações e extinções induzidas alterem esses números a cada momento. Estamos longe, no entanto, de saber o número de espécies (especialmente as tropicais), e mais longe ainda dessa variância ao nível molecular. Considerando o fato de que necessitamos manter o equilíbrio mínimo para manter o balanço dos genes dentro e entre as populações para obtermos um equilíbrio dos processos ecológicos e evolutivos, certos princípios são absolutamente necessários para atingir nossos objetivos. As espécies são engrenagens dessa máquina complexa onde cada uma exerce um papel importante na cadeia como um todo e a falta de uma destas peças compromete o sistema como um todo. Estamos falando de assuntos que a ciência apenas avançou muito nas últimas décadas, mas apesar disto ainda há uma imensa dificuldade de abordar a questão de maneira a prever com precisão as conseqüências. Daí porque temos hoje grandes polêmicas sobre a conservação da biodiversidade no planeta. Aliás um debate que passa pelo uso sustentável dos recursos, qualidade de vida das populações mais carentes, mudanças climáticas e desenvolvimento. O mundo da biologia da conservação também tem evoluído de acordo com os avanços tecnológicos e da genética, no entanto a passos mais lentos. Há hoje duas grandes correntes na questão da conservação da biodiversidade: a) aqueles que acham que a conservação pode ser feita apenas em áreas intocadas, longe da influência humana. Este conceito, muito associado a preservação de espécies sem enfatizar a manutenção dos processos ecológicos e evolutivos teve mudança significativa na última década para uma corrente mais recente que considera que a conservação é possível ser realizada em espaços maiores mas para isso é necessário viabilizar uma relação mais harmoniosa com a população humana em sua área de influência. No segundo caso temos maiores chances de preservar não só a biodiversidade ao nível de espécies mas também a manutenção dos processos ecológicos. O primeiro conceito denota um pensamento que dominou os primeiros dos dois terços deste século, decorrência da pressão estabelecida pelo crescimento de grandes parques agro-industriais e o início de uma aceleração do processo de extinção em massa das
  • 282.
    Apostilas Objetiva -www.digshop.com.br - Página: 283 de 323 espécies. A segunda corrente é uma evolução mais recente e surgiu como conseqüência direta dos resultados práticos de ações executadas da primeira filosofia de ação. A divisão entre as duas estratégias é hoje tênue pois com o crescimento das populações humanas tornou-se necessário mesmo em áreas de preservação total o manejo das áreas vizinhas. Embora tenha sido grande o avanço das estratégias de conservação da biodiversidade em espaços maiores com populações humanas, muitas dificuldades tem surgido a medida que novos modelos são implementados. Há duas vertentes principais que tentam exp