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REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228
Volume 22 - Número 1 - 1º Semestre 2022
DESCONTINUIDADE SERIAL ASSOCIADA À POLUIÇÃO URBANA NUM TRECHO DE
UM RIO TEMPORÁRIO DO SEMIÁRIDO BRASILEIRO
Artur Henrique Freitas Florentino de Souza1
; José Ildemar Martins Moura2
; Francimário Silva Feitosa3
; Maria
Marcolina Lima Cardoso4
RESUMO
O presente estudo relata o processo de descontinuidade serial numa comunidade de zoobentos
causada por poluição urbana. Para isso, verificamos a riqueza e abundância desses animais num
trecho do rio Guaribas, Picos-PI, observando fatores ambientais que influenciam nesses Taxa. Foram
tomadas amostras de sedimento e água em nove pontos em janeiro de 2014, período chuvoso na
região. As coletas foram feitas em réplicas utilizando uma draga tipo Peterson de 400 cm². O material
obtido foi acondicionado em sacos plásticos, fixado em formol 4% e encaminhado para análise no
laboratório, onde os organismos foram triados e preservados em álcool 70%. As variáveis
limnológicas foram coletadas em campo visando correlaciona-las com os dados biológicos.
Observou-se a presença de nove Taxa, destacando-se os grupos Insecta, Gastropoda, Annelida e
Crustacea. O Melanoides tuberculatum foi a espécie mais abundante à jusante, enquanto os
Oligochaeta foram mais abundantes na área sob a influência direta do esgoto da cidade. Houve
diferenças significativas na abundância desses dois Taxa em relação às três zonas definidas no rio
quanto ao impacto da poluição, porém não houve efeito do local sobre a abundância e parâmetros de
diversidade desses animais. Entretanto, observou-se que a variabilidade nas amostras aumenta em
direção a jusante.
Palavras-Chaves: Zoobentos, Caatinga, Poluição orgânica, rio Guaribas.
ABSTRACT
The present study reports the process of serial discontinuity in a community of zoobenthos caused by
urban pollution. For this, we verified the richness and abundance of these animals in a stretch of the
Guaribas river, Picos-PI, observing environmental factors that influence these taxa. Sediment and
water samples were taken at nine points in January 2014, the rainy season in the region. The
collections were made in replicas using a 400 cm² Peterson type dredge. The material obtained was
packed in plastic bags, fixed in 4% formaldehyde and sent to the laboratory for analysis, where the
organisms were sorted and preserved in 70% alcohol. Limnological variables were collected in the
field in order to correlate them with biological data. The presence of nine taxa was observed, with
emphasis on the groups Insecta, Gastropoda, Annelida and Crustacea. Melanoides tuberculatum was
the most abundant species downstream, while Oligochaeta were most abundant in the area under
direct influence of city sewage. There were significant differences in the abundance of these two taxa
in relation to the three zones defined in the river regarding the impact of pollution, but there was no
effect of location on the abundance and diversity parameters of these animals. However, it was
observed that the variability in the samples increases in the downstream direction.
keywords: Zoobenths, Caatinga, Organic pollution, Guaribas river.
SERIAL DISCONTINUITY ASSOCIATED WITH URBAN POLLUTION IN A
STRETCH OF A TEMPORARY RIVER IN THE BRAZILIAN SEMIARID
65
INTRODUÇÃO
A maioria dos ambientes lóticos
localizados próximos aos centros urbanos sofrem
algum impacto negativo de origem antrópica
(SAUNDERS et al., 2002; FIGUEROA et al.,
2009), havendo uma espécie de “ruptura” na série
gradual do sistema hídrico. Os mais investigados
são as barragens e as fontes intermitentes de
poluição que causam uma série de efeitos diretos
que podem ou não ser cumulativos (WARD;
STANDFORD, 1995).
Os ambientes lóticos apresentam diversas
características físicas e químicas que garantem a
existência e manutenção das comunidades
biológicas aquáticas, seja pela disponibilização
de recursos de maneira gradual ao longo do curso
do rio (VANNOTE et al., 1980) ou pela própria
conformação da bacia de drenagem e outros
fatores como as relações ecológicas entre as
comunidades presentes (JUNK et al., 1989). Os
rios geralmente apresentam uma área
relativamente boa à montante do lançamento da
carga poluidora, mas após há a área de intenso
lançamento com elevada carga orgânica
biodegradável no curso hídrico (BRAGA et al.
2005). E, a partir da área de descarga se destacam
quatro zonas: a zona de degradação, zona de
decomposição ativa, zona de recuperação e zona
de águas limpas (VON SPERLING, 2007).
Segundo a teoria ecológica de Imparidade com o
Descontínuo Fluvial, apresentada por Poole
(2002), os rios são ecossistemas únicos em
estrutura e função na escala de bacia hidrográfica
e influenciados por manchas características de
cada segmento da bacia (como vegetação,
sedimentos, fluxo, solo, etc.). Além das
barragens e de outros empreendimentos, os
afluentes são um grande fator de interferência no
gradiente longitudinal do rio. Assim, cada bacia
possui seu próprio mosaico de manchas
denominados de meta-estrutura, e um rio nunca
seria um contínuo, pois as manchas se
comportam de modo bastante desigual no
contexto (BARBOSA; SPÍNDOLA, 2003).
Poole (2002), destaca que um contínuo,
desde a nascente até a foz, é uma representação
razoável para um rio, principalmente quando
analisadas as considerações feitas por Vannote et
al. (1980). No entanto, nenhum rio, quando
analisado detalhadamente, pode ser apresentado
como um contínuo.
Os despejos de origem doméstica nos
sistemas lóticos são as fontes de poluição mais
comuns e têm causado sérios prejuízos às
comunidades aquáticas, principalmente em países
em desenvolvimento onde a infraestrutura é
precária (MAGRIS et al., 2006), causando sérios
distúrbios para a qualidade da água e/ou do
sedimento, alterações no fluxo de energia desse
ecossistema, deterioração dos habitats ripários,
invasões por espécies exóticas, aumento de
temperatura da água, turbidez e contaminação por
poluentes, além de modificações na composição e
abundância de muitos organismos que ali coabitam
(MALTCHIK et al., 2006). Assim, além das
análises físicas e químicas da água, o uso de
bioindicadores são importantes para predizer o
nível de toxidade dos poluentes sobre a biota
(BARROS et al. 2006). As comunidades
biológicas, utilizadas como bioindicadoras,
sofrem alterações em densidade e riqueza com a
presença de poluentes na água, indicando o efeito
das ações antrópicas ou naturais no ambiente, o
que permite uma avaliação biológica eficiente na
identificação dos fatores atuantes (PIMENTA et
al, 2016).
Um dos melhores bioindicadores de
qualidade das águas nos ambientes lóticos são os
Macroinvertebrados Bentônicos, por possuírem
características sésseis, ciclo de vida
relativamente longo e são de fácil visualização
(MILESI et al., 2008). Além disso, são
compostos por grande variedade de grupos
taxonômicos, caracterizados por habitarem o
sedimento aquático (BICUDO; BICUDO, 2004),
dentre eles: crustáceos, moluscos, anelídeos e
insetos adultos ou imaturos, entre outros,
geralmente maiores que 0.2mm (HENRY, 2003).
Apesar dos rios serem tratados como um
contínuo, desde a nascente até a foz (POOLE,
2002; VANNOTE et al.,1980), quando
analisados detalhadamente e na perspectiva das
ações antropogênicas, nenhum rio é contínuo. No
caso do rio Guaribas, um subafluente do rio
Parnaíba localizado na região semiárida
piauiense, dois impactos são prontamente
verificados: 1) diversas barragens interrompem o
seu canal principal visando a retenção de água
para consumo e outras atividades humanas; 2)
construções clandestinas de pontilhões que
permitem a passagem de carros de pequeno
porte, o que impede parcialmente o fluxo do rio,
formando pequenas barragens e; 3) esgoto sem
tratamento lançado pela cidade de Picos-PI (obs.
pess.), a maior da região. Dessa forma, pelo
menos dois grandes impactos causam sérios
problemas de conectividade do alto ao baixo
curso do rio Guaribas (SILVA, 2002).
Portanto, nós trabalhamos com a hipótese
de que o rio Guaribas, no entorno da cidade de
Picos-PI, é um sistema descontínuo, devido a
poluição causada pelo lançamento de esgotos da
cidade, afetando a riqueza, abundância e
diversidade da fauna de invertebrados
bentônicos. Para testar nossa hipótese, nós
realizamos coletas em 3 pontos à montante da
cidade, 3 pontos na área urbana e 3 pontos a
jusante da área urbana.
MATERIAIS E MÉTODOS
A bacia hidrográfica do rio Guaribas está
localizada no Estado do Piauí, entre as
coordenadas 06º30’S41º 30’W e 07º30’S40º
30’W (SANTOS et al., 2012) envolvendo onze
municípios, dentre eles Picos, o maior da região
(Figura 1 A). O município de Picos (com altitude
da sede a 190 m acima do nível do mar),
apresenta temperaturas mínimas de 22o
C e
máximas de 39o
C, com clima semiúmido e
quente. A precipitação pluviométrica média
anual é de 600mm, sendo os meses de janeiro,
fevereiro e março o trimestre mais úmido
(BRASIL, 2004).
Os solos da região são provenientes da
alteração de arenitos, siltitos e folhelho, com
floresta caducifólia e/ou floresta sub-
caducifólia/cerrado, com transições vegetais,
fase caatinga hiperxerófila e/ou cerrado sub-
caducifólio/floresta sub-caducifólia. (BRASIL,
2004).
Determinaram-se nove locais de coleta
em Picos (Figura 1 B), onde três foram à
montante da zona urbana, nas localidades
Cipaúba (P1 - 7° 3'52.02"S, 41°25'47"O), Baixio
de Ipueiras (P2 - 7° 4'28.42"S, 41°26'20"O) e
Ipueiras (P3 - 7° 4'25.15"S, 41°27'16"O), três
escolhidas sob a influência da zona urbana, nas
localidades Prainha (P4 - 7° 4'35.70"S,
41°27'53"O), Ponte da Prefeitura (P5 - 7°
5'4.71"S, 41°27'50"O) e Ponte da Passagem das
Pedras (P6 - 7° 5'21.87"S, 41°28'12"O), e três à
jusante, nas localidades Passagem Molhada (P7 -
7°05'50.13"S, 41°28'57.06"W), Chácara
Pinguim (P8 - 7°06'02.76"S, 41°29'8.69"W) e
Ponte de acesso a Aroeiras do Itaim (P9 -
7°06'32.98"S, 41°29'16.66"W).
Dados das variáveis ambientais e do
zoobentos foram coletados no período chuvoso
de 2014 (Janeiro) nos nove pontos acima
descritos, em amostras obtidas em réplicas para
cada ponto (R1, R2, R3) perfazendo assim um
total de 27 amostras. Ao final, fizeram-se as
médias das três réplicas de cada ponto a
montante, da Jusante e da Influência da Zona
Urbana de Picos.
Figura 1. (A) Localização do município de Picos, Piauí,
Brasil. (B) localização dos pontos de coleta no rio
Guaribas: P1, P2 e P3, à montante (M) da zona urbana; P4,
P5 e P6 dentro da influência do impacto de efluentes
domésticos da cidade (ZU); P7, P8 e P9, à jusante (J) do
perímetro urbano de Picos. Fonte: própria autoria, com
adaptação do Google Maps (2013).
Em campo, foram medidas as seguintes
variáveis limnológicas: Oxigênio Dissolvido (mg
O2.L-1
), Temperatura da água (ºC), medidos com
Oxímetro, Potencial Hidrogeniônico (pH), Total
de Sólido Dissolvido (ppm) e a Condutividade
Elétrica (µS.cm-¹), obtida com o auxílio de
Condutivímetro de bolso. A profundidade e a
transparência foram medidas com a utilização de
disco de Secchi. Ainda foram coletadas amostras
de água da superfície, em frascos plásticos, para
que fossem analisadas as variáveis Amônia,
Fósforo Total, Alcalinidade e Dureza total em
laboratório.
Para a coleta dos macroinvertebrados,
utilizou-se uma draga tipo Peterson, de 400 cm2
,
onde em cada ponto de coleta, foram realizadas
três réplicas. O sedimento coletado foi
transferido para sacos plásticos, fixado em
formol a 4% e posteriormente lavadas em água
corrente sobre peneiras com aberturas de malha
de 500 µm e 200 µm. Em laboratório, realizaram-
se a triagens do material em bandejas plásticas
com o auxílio de luminárias e os espécimes
encontrados foram acondicionados em frascos
acrílicos e preservados em álcool a 70% para
identificação, baseada em chaves de
identificação específicas (p.e. MUGNAI et al.,
2010) com o auxílio de um microscópio
estereoscópico.
Os resultados dos macroinvertebrados
bentônicos foram expressos em números
absolutos abundância relativa e densidade (por
m2
, baseado na área da Draga). Com esses dados
foram feitos o índice de diversidade alfa de
Shannon-Weaver (SHANNON; WEAVER,
1964) para a diversidade biológica, o índice de
Dominância de Berger-Parke (1970) e
Equitabilidade de Pielou (PIELOU, 1966).
Análise dos Dados
Para testar se houve efeito da zona urbana
sobre as variáveis ambientais e na abundância e
diversidade do zoobentos, nós utilizamos o teste
de anova one-way. Para a realização da anova,
nós testamos os pressupostos de normalidade e
homocedasticidade, além da autocorrelação
espacial.
Para detectar a presença de
autocorrelação espacial, nós utilizamos a análise
General Least-Squares regression (GLS) que
assume uma autocorrelação de primeira ordem
(Zuur et al., 2009), tendo os pontos como fator de
autocorrelação.
Não encontrada a autocorrelação
espacial, portanto, utilizamos uma anova one-
way simples e quando necessário os dados foram
logaritmizados para reduzir a variância. O teste
de autocorrelação foi realizado através da função
gls, e a anova através da função aov, no software
R versão 3.4.3.
A riqueza de espécies, a diversidade,
equitabilidade e dominância foram calculadas
através do pacote vegan, utilizando as funções
specnumber e vegdist todos disponíveis no
software R. Nós também calculamos o
coeficiente de varianção (CV) foi realizado para
entender se a ação antrópica poderia levar a
maior variabilidade da abundância e diversidade
dos macroinvertebrados.
RESULTADOS
Encontramos um efeito significativo das
descargas de nutrientes da zona urbana sobre a
qualidade da água (Figura 2). Houve uma
redução significativa da transparência da água,
pH e oxigênio dissolvido (Figura 2B, D e E,
Tabelas 1 e 2), aumento da temperatura, pH,
condutividade, alcalinidade, sólidos dissolvidos
totais, dureza, fósforo total, ortofosfato e amônia
(Figura 2C, F, G, H, I, J, K, L).
Figura 2- Médias das variáveis ambientais dos três pontos
estudados ao longo do trecho do Rio Guaribas à montante
(Up- Upstream), impacto dentro da zona urbana de Picos
(U – Urban Zone) e à jusante desta (Down - Downstream),
no mês de janeiro de 2014. (A) profundidade; (B)
Transparência; (C) Temperatura da água; (D) pH; (E)
Oxigênio dissolvido; (F) Condutividade; (G) Alcalinidade
total; (H) Sólidos dissolvidos totais; (I) Dureza total; (J)
Fósforo total; (K) Fosfato e (L) Amônia.
Tabela 1. Dados descritivos das variáveis Limnológicas
das três zonas estabelecidas no rio Guaribas (montante,
zona urbana e jusante).
Tabela 2. Resultados da Anova para testar o efeito da
poluição da zona urbana nos parâmetros de qualidade da
água do rio Guaribas.
*Up = upstream; UZ= Urban Zone; Down = Downstream
Após a zona urbana, não observamos uma
melhoria da qualidade da água, mas um aumento
na deterioração da água, com redução da
transparência, aumento da condutividade, sólidos
totais, dureza, e concentração de nutrientes,
embora os pontos a jusante, em geral, não
diferiram significativamente dos pontos na zona
urbana.
Em relação ao zoobentos, encontramos
nove Taxa, sendo composto por moluscos
Melanoides tuberculatum (Thiaridae), Aplexa sp.
(Physidae), Biomphalaria sp. e Drepanotrema
sp. (ambos da família Planorbidae), além do
gênero não identificado da família Sphaeridae
(Bivalvia); larvas de Chironomidae (Hexapoda),
Oligochaeta (Annelida), Nematoda e
Conchostraca (Chrustacea), como consta na
Tabela 3.
Tabela 3. Médias do número de indivíduos e da
Abundância relativa de macroinvertebrados bentônicos, à
montante da zona urbana de Picos, sob influência desta
cidade e à jusante da mesma no rio Guaribas no mês de
janeiro de 2014.
Foi registrado uma média de 1361
espécimes, sendo o maior número na zona a
Jusante, com a média de 592,67, seguido da zona
urbana, com 581,67, enquanto que na zona a
Montante, o número total médio foi de 186,67
macroinvertebrados (vide Tabela 3; Figura 3A).
Figura 3. Abundâncias de Melanoides tuberculatum (A), e
de Oligochaeta (B), nas zonas a montante, jusante e sob a
influência da zona urbana de Picos-PI em janeiro de 2014.
O gastrópode M. tuberculatum foi a
espécie com o maior número e média de
indivíduos (419,33 espécimes) e maior
abundância relativa (70,75%) à jusante da zona
urbana de Picos, enquanto à montante, o número
médio de indivíduos obtidos foi de 98,67
espécimes, embora a menor abundância tenha
sido registrada na influência da zona urbana, com
28,86% (vide Tabela 3; Tabela 4).
Tabela 4. Índice de Diversidade, Dominância e
Equitabilidade dos Macroinvertebrados Bentônicos nas
três zonas estabelecidas do Rio Guaribas (montante, zona
urbana e jusante).
Os Oligochaeta (Figura 3C),
apresentaram as maiores abundâncias médias no
trecho do rio sob a influência da zona urbana de
Picos, com 336 indivíduos e 57,77% de
abundância relativa, enquanto o seu menor
registro foi à montante, com 27,67 indivíduos e
14,82% de abundância. Observamos também
uma redução da abundância de quironomideos e
nemátodas e aumento de drepanotremos (vide
Tabela 3).
Embora tenhamos observado o aumento
da abundância total, da abundância de M.
tuberculatum e oligochaeta na zona urbana e à
jusante em relação à montate, os testes
estatísticos não indicaram diferença significativa
(vide Figura 3, Tabela 5).
Tabela 5. Resultados da Anova para testar o efeito da
poluição da zona urbana nos índices de abundância e
diversidade de macroinvertebrados no rio Guaribas em
Picos-PI
*Up = upstream; UZ= Urban Zone; Down = Downstream
Todavia, observamos um aumento na
variabilidade das amostras, maior desvio padrão
e coeficiente de variação na zona urbana e à
justante que à montante (vide Tabela 4).
Os planorbídeos Biomphalaria sp. Foram
registrados em pequeno número nos pontos de
coleta. No entanto, o molusco Drepanotrema sp.
Foi ausente à montante da cidade, porém mais
abundante dentro da zona urbana (10 indivíduos
ou 1,72% de abundância relativa), seguido da
Jusante.
A riqueza e diversidade de espécies foram
maiores à jusante e zona urbana, diminuindo à
jusante (Figura 4A, B). A equitabilidade (Figura
4C), foi maior a montante, em relação as demais
zonas, enquanto a dominância aumenta em
direção à zona a jusante. Apesar das diferenças,
estas não foram significativas.
Figura 4. Riqueza de taxa (A), Diversidade de Shannon
(B), Equitabilidade (C) e Dominância dos
macroinvertebrados bentônicos à montante, jusante e sob a
influência da zona urbana de Picos-PI.
DISCUSSÃO
Nossos resultados demostram que a zona
urbana de Picos exerce um efeito significativo na
qualidade da água do rio Guaribas que permanece
mesmo após a passagem do rio pela cidade (à
jusante). Esse efeito sobre a qualidade da água
alterou a comunidade de macroinvertebrados,
aumentando a variabilidade na abundância e
reduzindo a diversidade e riqueza de espécies,
embora não tinha sido suficiente para detectar uma
diferença significativa.
Encontramos a mudança de estrutura da
comunidade, com aumento ou dominância de
oligoquetas e M. tuberculatum, aumento da
abundância de Depranotremos e redução de
Chironomideos e Nemátodas nos pontos da zona
urbana e à jusante do rio em relação à montante do
rio, resultado que tem sido também reportado em
outros trabalhos. Azrina et al. (2006), reporta que
no alto curso do rio Langat (Malásia) ocorreu uma
alta diversidade de zoobentos, enquanto que na
parte baixa haviam apenas organismos resistentes,
dominados pelos Oligochaeta, sendo estas
consideradas como bioindicadores de poluição de
ecossistemas aquáticos.
Silva-Filho (2004) aponta que nos períodos
de estiagem e no começo do regime de chuvas
(onde ocorre alteração das variáveis físicas e
químicas da água, pelo tipo de sedimento e pelo
teor de matéria orgânica) há um aumento na
abundância de Chironomidae e de Oligochaeta,
principalmente quando o teor de matéria orgânica
estava elevado. Também, a presença de caramujos
da família Planorbidae dos gêneros
Biomphalaria e Drepanotrema, nos pontos da
zona urbana e à jusante do rio demonstra uma
deterioração na qualidade da água, uma vez que
tais organismos são abundantes onde a água está
ligeiramente poluída com matéria orgânica
(BUSS et al, 2022; MIRANDA et al. 2016;
SILVA e FISHER, 2005), e o aumento dos
sólidos e redução da transparência em nossos
estudos podem ser um indicativo de aumento de
matéria orgânica. Ao contrário da maioria das
pesquisas com invertebrados límnicos em locais
poluídos, os dípteros Chironomidae não foram
abundantes no rio Guaribas, como verificado
também em KOTZIAN; AMARAL (2013).
O gastrópoda M. tuberculatum é uma
espécie Afro-Asiática resistente à dessecação que
possui distribuição pandêmica, também
encontrada em diversos corpos aquáticos do
semiárido da Paraíba (ABÍLIO et al., 2006, 2007;
SOUZA et al., 2008; SANTANA et al., 2009). É
uma espécie onívora e de reprodução
partenogenética, o que favorece alta densidade da
espécie nos ambientes em que se instalam
(ABÍLIO, 2002). Nós encontramos um aumento
na abundância de M. tuberculatum em direção à
jusante, o que pode ser um indicativo do aumento
da disponibilidade de recursos alimentares,
provocado pelo despejo de esgoto in natura na
zona urbana de Picos. Segundo Lima (2002), a
distribuição da fauna bentônica está diretamente
relacionada à disponibilidade de alimento e o tipo
de substrato, podendo interferir diretamente na
abundância e dinâmica populacional dos
invertebrados bentônicos.
De forma similar, Santana et al., (2009),
que no período de estiagem quando o teor de
matéria orgânica no sedimento era mais elevado,
M. tuberculatum foi muito abundante no rio
Aveloz, no semiárido paraibano.
A redução na riqueza e diversidade de
espécies de macroinvertebrados com o aumento
da poluição, também tem sido reportada por
outros estudos. Calisto et al. (2001) demostraram
que os locais mais poluídos geralmente possuem
baixa diversidade de espécies e elevada
densidade de organismos restritos a grupos mais
tolerantes.
Ndaruga et al. (2004) que estudaram
processo de poluição na bacia de drenagem do
Gatharaini no centro do Kênia, África, observaram
que o índice de biodiversidade de
macroinvertebrados bentônicos correlacionou
negativamente com Total de Sólidos Dissolvidos,
pH, turbidez e positivamente com oxigênio
dissolvido.
Maltchik et al. (2006) pesquisaram uma
área impactada pela expansão agrícola rural na
drenagem de alagados palustres no Rio Grande do
Sul e verificaram que o número de táxons e a
densidade de macroinvertebrados foram, em
média, menores após o evento de drenagem do que
na fase anterior à drenagem; assim, a estrutura da
comunidade de macroinvertebrados variou com a
diminuição do nível de água causada pela
drenagem, onde táxons tipicamente aquáticos
foram substituídos por táxons adaptados ou
resistentes à condição terrestre.
Spänhoff et al. (2006) estudando as
assembleias de invertebrados bentônicos em um
córrego, verificou que embora o índice de
diversidade de Shannon para o zoobentos fosse
ligeiramente mais elevada no local das descargas
de efluentes do que no local do controle, nenhuma
diferença significativa foi detectada.
Já Henriques-de-Oliveira et al., (2007),
mostrou em sua pesquisa que os valores de riqueza
taxonômica, equitatividade e diversidade de
invertebrados bentônicos foram inferiores em rios
com descarga de efluentes comparando com os
ambientes sem descarga de esgoto, mostrando que
os Oligochaeta e larvas de Chironomidae foram os
mais dominantes. No entretanto, Montanholi-
Martins e Takeda (2001), ao estudarem a
composição e a variação espacial e temporal da
comunidade de Oligochaeta em ambiente lótico e
lêntico, verificaram que os Oligochaeta foram
abundantes no local com elevado teor de matéria
orgânica no sedimento e em baixa correnteza, e
concluindo que a variação temporal da densidade
de organismos foi influenciada pelo ciclo
hidrológico, enquanto que a variação espacial foi
influenciado pelo tamanho do grão e quantidade de
sedimento de matéria orgânica no sedimento.
Embora nossos resultados tenham uma
aplicação local, eles informam os impactos na
qualidade da qualidade da água dos rios, e
reforçam a necessidade de investimento em
saneamento e educação ambiental. Nosso
trabalho demostra a alteração na qualidade da
água, e também alterações na comunidade de
macroinvertebrados, mesmo esta não sendo
significativa. A falta de resultados significativos
para a comunidade de macroinvertebrados pode
ser uma resposta a pelo menos dois fatores:
número de amostras ainda insuficiente, sendo
necessárias também amostras no tempo, e a
desestabilização provocada por impactos como a
poluição.
Observamos nos nossos dados um
aumento na variabilidade da comunidade após o
trecho poluído. O aumento da variabilidade após
o enriquecimento por nutrientes, como é o caso
dos esgotos domésticos, já é previsto pela teoria
do paradoxo do enriquecimento, podendo levar a
ciclos de grande amplitude no comportamento de
populações (Rosenzweig 1971, Abrams and Roth
1994). Todavia, nossos resultados são apenas
indicativos de variabilidade e ainda é necessário
um aumento da amostragem tanto espacial
quanto temporal.
Apesar das limitações do nosso estudo, é
imprescindível o controle da qualidade da água
no rio Guaribas através de estratégias de
saneamento.
AGRADECIMENTOS
À Agência de Água e Esgoto do Piauí
(AGESPISA), da cidade de Picos-PI, com as
análises de Alcalinidade, Dureza da Água,
Amônia e Fósforo total.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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______________________________________
[1] Professor do curso de Ciências Biológicas da
UFPI, Campus Senador Helvídio Nunes de
Barros, Picos-PI; ahffs@ufpi.edu.br
[2] Graduação em Licenciatura em Ciências
Biológicas pela Universidade Federal do Piauí.
ildemarmoura@hotmail.com
[3] Professor do curso de Ciências da Natureza
da UNIVASF, Campus Serra da Capivara, São
Raimundo Nonato-PI;
francimario.feitosa@univasf.edu.br
[4] Dra. em Ecologia pela Universidade Federal
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  • 1. REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 Volume 22 - Número 1 - 1º Semestre 2022 DESCONTINUIDADE SERIAL ASSOCIADA À POLUIÇÃO URBANA NUM TRECHO DE UM RIO TEMPORÁRIO DO SEMIÁRIDO BRASILEIRO Artur Henrique Freitas Florentino de Souza1 ; José Ildemar Martins Moura2 ; Francimário Silva Feitosa3 ; Maria Marcolina Lima Cardoso4 RESUMO O presente estudo relata o processo de descontinuidade serial numa comunidade de zoobentos causada por poluição urbana. Para isso, verificamos a riqueza e abundância desses animais num trecho do rio Guaribas, Picos-PI, observando fatores ambientais que influenciam nesses Taxa. Foram tomadas amostras de sedimento e água em nove pontos em janeiro de 2014, período chuvoso na região. As coletas foram feitas em réplicas utilizando uma draga tipo Peterson de 400 cm². O material obtido foi acondicionado em sacos plásticos, fixado em formol 4% e encaminhado para análise no laboratório, onde os organismos foram triados e preservados em álcool 70%. As variáveis limnológicas foram coletadas em campo visando correlaciona-las com os dados biológicos. Observou-se a presença de nove Taxa, destacando-se os grupos Insecta, Gastropoda, Annelida e Crustacea. O Melanoides tuberculatum foi a espécie mais abundante à jusante, enquanto os Oligochaeta foram mais abundantes na área sob a influência direta do esgoto da cidade. Houve diferenças significativas na abundância desses dois Taxa em relação às três zonas definidas no rio quanto ao impacto da poluição, porém não houve efeito do local sobre a abundância e parâmetros de diversidade desses animais. Entretanto, observou-se que a variabilidade nas amostras aumenta em direção a jusante. Palavras-Chaves: Zoobentos, Caatinga, Poluição orgânica, rio Guaribas. ABSTRACT The present study reports the process of serial discontinuity in a community of zoobenthos caused by urban pollution. For this, we verified the richness and abundance of these animals in a stretch of the Guaribas river, Picos-PI, observing environmental factors that influence these taxa. Sediment and water samples were taken at nine points in January 2014, the rainy season in the region. The collections were made in replicas using a 400 cm² Peterson type dredge. The material obtained was packed in plastic bags, fixed in 4% formaldehyde and sent to the laboratory for analysis, where the organisms were sorted and preserved in 70% alcohol. Limnological variables were collected in the field in order to correlate them with biological data. The presence of nine taxa was observed, with emphasis on the groups Insecta, Gastropoda, Annelida and Crustacea. Melanoides tuberculatum was the most abundant species downstream, while Oligochaeta were most abundant in the area under direct influence of city sewage. There were significant differences in the abundance of these two taxa in relation to the three zones defined in the river regarding the impact of pollution, but there was no effect of location on the abundance and diversity parameters of these animals. However, it was observed that the variability in the samples increases in the downstream direction. keywords: Zoobenths, Caatinga, Organic pollution, Guaribas river. SERIAL DISCONTINUITY ASSOCIATED WITH URBAN POLLUTION IN A STRETCH OF A TEMPORARY RIVER IN THE BRAZILIAN SEMIARID 65
  • 2. INTRODUÇÃO A maioria dos ambientes lóticos localizados próximos aos centros urbanos sofrem algum impacto negativo de origem antrópica (SAUNDERS et al., 2002; FIGUEROA et al., 2009), havendo uma espécie de “ruptura” na série gradual do sistema hídrico. Os mais investigados são as barragens e as fontes intermitentes de poluição que causam uma série de efeitos diretos que podem ou não ser cumulativos (WARD; STANDFORD, 1995). Os ambientes lóticos apresentam diversas características físicas e químicas que garantem a existência e manutenção das comunidades biológicas aquáticas, seja pela disponibilização de recursos de maneira gradual ao longo do curso do rio (VANNOTE et al., 1980) ou pela própria conformação da bacia de drenagem e outros fatores como as relações ecológicas entre as comunidades presentes (JUNK et al., 1989). Os rios geralmente apresentam uma área relativamente boa à montante do lançamento da carga poluidora, mas após há a área de intenso lançamento com elevada carga orgânica biodegradável no curso hídrico (BRAGA et al. 2005). E, a partir da área de descarga se destacam quatro zonas: a zona de degradação, zona de decomposição ativa, zona de recuperação e zona de águas limpas (VON SPERLING, 2007). Segundo a teoria ecológica de Imparidade com o Descontínuo Fluvial, apresentada por Poole (2002), os rios são ecossistemas únicos em estrutura e função na escala de bacia hidrográfica e influenciados por manchas características de cada segmento da bacia (como vegetação, sedimentos, fluxo, solo, etc.). Além das barragens e de outros empreendimentos, os afluentes são um grande fator de interferência no gradiente longitudinal do rio. Assim, cada bacia possui seu próprio mosaico de manchas denominados de meta-estrutura, e um rio nunca seria um contínuo, pois as manchas se comportam de modo bastante desigual no contexto (BARBOSA; SPÍNDOLA, 2003). Poole (2002), destaca que um contínuo, desde a nascente até a foz, é uma representação razoável para um rio, principalmente quando analisadas as considerações feitas por Vannote et al. (1980). No entanto, nenhum rio, quando analisado detalhadamente, pode ser apresentado como um contínuo. Os despejos de origem doméstica nos sistemas lóticos são as fontes de poluição mais comuns e têm causado sérios prejuízos às comunidades aquáticas, principalmente em países em desenvolvimento onde a infraestrutura é precária (MAGRIS et al., 2006), causando sérios distúrbios para a qualidade da água e/ou do sedimento, alterações no fluxo de energia desse ecossistema, deterioração dos habitats ripários, invasões por espécies exóticas, aumento de temperatura da água, turbidez e contaminação por poluentes, além de modificações na composição e abundância de muitos organismos que ali coabitam (MALTCHIK et al., 2006). Assim, além das análises físicas e químicas da água, o uso de bioindicadores são importantes para predizer o nível de toxidade dos poluentes sobre a biota (BARROS et al. 2006). As comunidades biológicas, utilizadas como bioindicadoras, sofrem alterações em densidade e riqueza com a presença de poluentes na água, indicando o efeito das ações antrópicas ou naturais no ambiente, o que permite uma avaliação biológica eficiente na identificação dos fatores atuantes (PIMENTA et al, 2016). Um dos melhores bioindicadores de qualidade das águas nos ambientes lóticos são os Macroinvertebrados Bentônicos, por possuírem características sésseis, ciclo de vida relativamente longo e são de fácil visualização (MILESI et al., 2008). Além disso, são compostos por grande variedade de grupos taxonômicos, caracterizados por habitarem o sedimento aquático (BICUDO; BICUDO, 2004), dentre eles: crustáceos, moluscos, anelídeos e insetos adultos ou imaturos, entre outros, geralmente maiores que 0.2mm (HENRY, 2003). Apesar dos rios serem tratados como um contínuo, desde a nascente até a foz (POOLE, 2002; VANNOTE et al.,1980), quando analisados detalhadamente e na perspectiva das ações antropogênicas, nenhum rio é contínuo. No caso do rio Guaribas, um subafluente do rio Parnaíba localizado na região semiárida piauiense, dois impactos são prontamente verificados: 1) diversas barragens interrompem o seu canal principal visando a retenção de água para consumo e outras atividades humanas; 2) construções clandestinas de pontilhões que
  • 3. permitem a passagem de carros de pequeno porte, o que impede parcialmente o fluxo do rio, formando pequenas barragens e; 3) esgoto sem tratamento lançado pela cidade de Picos-PI (obs. pess.), a maior da região. Dessa forma, pelo menos dois grandes impactos causam sérios problemas de conectividade do alto ao baixo curso do rio Guaribas (SILVA, 2002). Portanto, nós trabalhamos com a hipótese de que o rio Guaribas, no entorno da cidade de Picos-PI, é um sistema descontínuo, devido a poluição causada pelo lançamento de esgotos da cidade, afetando a riqueza, abundância e diversidade da fauna de invertebrados bentônicos. Para testar nossa hipótese, nós realizamos coletas em 3 pontos à montante da cidade, 3 pontos na área urbana e 3 pontos a jusante da área urbana. MATERIAIS E MÉTODOS A bacia hidrográfica do rio Guaribas está localizada no Estado do Piauí, entre as coordenadas 06º30’S41º 30’W e 07º30’S40º 30’W (SANTOS et al., 2012) envolvendo onze municípios, dentre eles Picos, o maior da região (Figura 1 A). O município de Picos (com altitude da sede a 190 m acima do nível do mar), apresenta temperaturas mínimas de 22o C e máximas de 39o C, com clima semiúmido e quente. A precipitação pluviométrica média anual é de 600mm, sendo os meses de janeiro, fevereiro e março o trimestre mais úmido (BRASIL, 2004). Os solos da região são provenientes da alteração de arenitos, siltitos e folhelho, com floresta caducifólia e/ou floresta sub- caducifólia/cerrado, com transições vegetais, fase caatinga hiperxerófila e/ou cerrado sub- caducifólio/floresta sub-caducifólia. (BRASIL, 2004). Determinaram-se nove locais de coleta em Picos (Figura 1 B), onde três foram à montante da zona urbana, nas localidades Cipaúba (P1 - 7° 3'52.02"S, 41°25'47"O), Baixio de Ipueiras (P2 - 7° 4'28.42"S, 41°26'20"O) e Ipueiras (P3 - 7° 4'25.15"S, 41°27'16"O), três escolhidas sob a influência da zona urbana, nas localidades Prainha (P4 - 7° 4'35.70"S, 41°27'53"O), Ponte da Prefeitura (P5 - 7° 5'4.71"S, 41°27'50"O) e Ponte da Passagem das Pedras (P6 - 7° 5'21.87"S, 41°28'12"O), e três à jusante, nas localidades Passagem Molhada (P7 - 7°05'50.13"S, 41°28'57.06"W), Chácara Pinguim (P8 - 7°06'02.76"S, 41°29'8.69"W) e Ponte de acesso a Aroeiras do Itaim (P9 - 7°06'32.98"S, 41°29'16.66"W). Dados das variáveis ambientais e do zoobentos foram coletados no período chuvoso de 2014 (Janeiro) nos nove pontos acima descritos, em amostras obtidas em réplicas para cada ponto (R1, R2, R3) perfazendo assim um total de 27 amostras. Ao final, fizeram-se as médias das três réplicas de cada ponto a montante, da Jusante e da Influência da Zona Urbana de Picos. Figura 1. (A) Localização do município de Picos, Piauí, Brasil. (B) localização dos pontos de coleta no rio Guaribas: P1, P2 e P3, à montante (M) da zona urbana; P4, P5 e P6 dentro da influência do impacto de efluentes domésticos da cidade (ZU); P7, P8 e P9, à jusante (J) do perímetro urbano de Picos. Fonte: própria autoria, com adaptação do Google Maps (2013). Em campo, foram medidas as seguintes variáveis limnológicas: Oxigênio Dissolvido (mg O2.L-1 ), Temperatura da água (ºC), medidos com Oxímetro, Potencial Hidrogeniônico (pH), Total de Sólido Dissolvido (ppm) e a Condutividade Elétrica (µS.cm-¹), obtida com o auxílio de Condutivímetro de bolso. A profundidade e a
  • 4. transparência foram medidas com a utilização de disco de Secchi. Ainda foram coletadas amostras de água da superfície, em frascos plásticos, para que fossem analisadas as variáveis Amônia, Fósforo Total, Alcalinidade e Dureza total em laboratório. Para a coleta dos macroinvertebrados, utilizou-se uma draga tipo Peterson, de 400 cm2 , onde em cada ponto de coleta, foram realizadas três réplicas. O sedimento coletado foi transferido para sacos plásticos, fixado em formol a 4% e posteriormente lavadas em água corrente sobre peneiras com aberturas de malha de 500 µm e 200 µm. Em laboratório, realizaram- se a triagens do material em bandejas plásticas com o auxílio de luminárias e os espécimes encontrados foram acondicionados em frascos acrílicos e preservados em álcool a 70% para identificação, baseada em chaves de identificação específicas (p.e. MUGNAI et al., 2010) com o auxílio de um microscópio estereoscópico. Os resultados dos macroinvertebrados bentônicos foram expressos em números absolutos abundância relativa e densidade (por m2 , baseado na área da Draga). Com esses dados foram feitos o índice de diversidade alfa de Shannon-Weaver (SHANNON; WEAVER, 1964) para a diversidade biológica, o índice de Dominância de Berger-Parke (1970) e Equitabilidade de Pielou (PIELOU, 1966). Análise dos Dados Para testar se houve efeito da zona urbana sobre as variáveis ambientais e na abundância e diversidade do zoobentos, nós utilizamos o teste de anova one-way. Para a realização da anova, nós testamos os pressupostos de normalidade e homocedasticidade, além da autocorrelação espacial. Para detectar a presença de autocorrelação espacial, nós utilizamos a análise General Least-Squares regression (GLS) que assume uma autocorrelação de primeira ordem (Zuur et al., 2009), tendo os pontos como fator de autocorrelação. Não encontrada a autocorrelação espacial, portanto, utilizamos uma anova one- way simples e quando necessário os dados foram logaritmizados para reduzir a variância. O teste de autocorrelação foi realizado através da função gls, e a anova através da função aov, no software R versão 3.4.3. A riqueza de espécies, a diversidade, equitabilidade e dominância foram calculadas através do pacote vegan, utilizando as funções specnumber e vegdist todos disponíveis no software R. Nós também calculamos o coeficiente de varianção (CV) foi realizado para entender se a ação antrópica poderia levar a maior variabilidade da abundância e diversidade dos macroinvertebrados. RESULTADOS Encontramos um efeito significativo das descargas de nutrientes da zona urbana sobre a qualidade da água (Figura 2). Houve uma redução significativa da transparência da água, pH e oxigênio dissolvido (Figura 2B, D e E, Tabelas 1 e 2), aumento da temperatura, pH, condutividade, alcalinidade, sólidos dissolvidos totais, dureza, fósforo total, ortofosfato e amônia (Figura 2C, F, G, H, I, J, K, L). Figura 2- Médias das variáveis ambientais dos três pontos estudados ao longo do trecho do Rio Guaribas à montante (Up- Upstream), impacto dentro da zona urbana de Picos (U – Urban Zone) e à jusante desta (Down - Downstream), no mês de janeiro de 2014. (A) profundidade; (B) Transparência; (C) Temperatura da água; (D) pH; (E)
  • 5. Oxigênio dissolvido; (F) Condutividade; (G) Alcalinidade total; (H) Sólidos dissolvidos totais; (I) Dureza total; (J) Fósforo total; (K) Fosfato e (L) Amônia. Tabela 1. Dados descritivos das variáveis Limnológicas das três zonas estabelecidas no rio Guaribas (montante, zona urbana e jusante). Tabela 2. Resultados da Anova para testar o efeito da poluição da zona urbana nos parâmetros de qualidade da água do rio Guaribas. *Up = upstream; UZ= Urban Zone; Down = Downstream Após a zona urbana, não observamos uma melhoria da qualidade da água, mas um aumento na deterioração da água, com redução da transparência, aumento da condutividade, sólidos totais, dureza, e concentração de nutrientes, embora os pontos a jusante, em geral, não diferiram significativamente dos pontos na zona urbana. Em relação ao zoobentos, encontramos nove Taxa, sendo composto por moluscos Melanoides tuberculatum (Thiaridae), Aplexa sp. (Physidae), Biomphalaria sp. e Drepanotrema sp. (ambos da família Planorbidae), além do gênero não identificado da família Sphaeridae (Bivalvia); larvas de Chironomidae (Hexapoda), Oligochaeta (Annelida), Nematoda e Conchostraca (Chrustacea), como consta na Tabela 3. Tabela 3. Médias do número de indivíduos e da Abundância relativa de macroinvertebrados bentônicos, à montante da zona urbana de Picos, sob influência desta cidade e à jusante da mesma no rio Guaribas no mês de janeiro de 2014. Foi registrado uma média de 1361 espécimes, sendo o maior número na zona a Jusante, com a média de 592,67, seguido da zona urbana, com 581,67, enquanto que na zona a Montante, o número total médio foi de 186,67 macroinvertebrados (vide Tabela 3; Figura 3A).
  • 6. Figura 3. Abundâncias de Melanoides tuberculatum (A), e de Oligochaeta (B), nas zonas a montante, jusante e sob a influência da zona urbana de Picos-PI em janeiro de 2014. O gastrópode M. tuberculatum foi a espécie com o maior número e média de indivíduos (419,33 espécimes) e maior abundância relativa (70,75%) à jusante da zona urbana de Picos, enquanto à montante, o número médio de indivíduos obtidos foi de 98,67 espécimes, embora a menor abundância tenha sido registrada na influência da zona urbana, com 28,86% (vide Tabela 3; Tabela 4). Tabela 4. Índice de Diversidade, Dominância e Equitabilidade dos Macroinvertebrados Bentônicos nas três zonas estabelecidas do Rio Guaribas (montante, zona urbana e jusante). Os Oligochaeta (Figura 3C), apresentaram as maiores abundâncias médias no trecho do rio sob a influência da zona urbana de Picos, com 336 indivíduos e 57,77% de abundância relativa, enquanto o seu menor registro foi à montante, com 27,67 indivíduos e 14,82% de abundância. Observamos também uma redução da abundância de quironomideos e nemátodas e aumento de drepanotremos (vide Tabela 3). Embora tenhamos observado o aumento da abundância total, da abundância de M. tuberculatum e oligochaeta na zona urbana e à jusante em relação à montate, os testes estatísticos não indicaram diferença significativa (vide Figura 3, Tabela 5). Tabela 5. Resultados da Anova para testar o efeito da poluição da zona urbana nos índices de abundância e diversidade de macroinvertebrados no rio Guaribas em Picos-PI *Up = upstream; UZ= Urban Zone; Down = Downstream Todavia, observamos um aumento na variabilidade das amostras, maior desvio padrão e coeficiente de variação na zona urbana e à justante que à montante (vide Tabela 4). Os planorbídeos Biomphalaria sp. Foram registrados em pequeno número nos pontos de coleta. No entanto, o molusco Drepanotrema sp. Foi ausente à montante da cidade, porém mais abundante dentro da zona urbana (10 indivíduos ou 1,72% de abundância relativa), seguido da Jusante. A riqueza e diversidade de espécies foram maiores à jusante e zona urbana, diminuindo à jusante (Figura 4A, B). A equitabilidade (Figura 4C), foi maior a montante, em relação as demais zonas, enquanto a dominância aumenta em direção à zona a jusante. Apesar das diferenças, estas não foram significativas.
  • 7. Figura 4. Riqueza de taxa (A), Diversidade de Shannon (B), Equitabilidade (C) e Dominância dos macroinvertebrados bentônicos à montante, jusante e sob a influência da zona urbana de Picos-PI. DISCUSSÃO Nossos resultados demostram que a zona urbana de Picos exerce um efeito significativo na qualidade da água do rio Guaribas que permanece mesmo após a passagem do rio pela cidade (à jusante). Esse efeito sobre a qualidade da água alterou a comunidade de macroinvertebrados, aumentando a variabilidade na abundância e reduzindo a diversidade e riqueza de espécies, embora não tinha sido suficiente para detectar uma diferença significativa. Encontramos a mudança de estrutura da comunidade, com aumento ou dominância de oligoquetas e M. tuberculatum, aumento da abundância de Depranotremos e redução de Chironomideos e Nemátodas nos pontos da zona urbana e à jusante do rio em relação à montante do rio, resultado que tem sido também reportado em outros trabalhos. Azrina et al. (2006), reporta que no alto curso do rio Langat (Malásia) ocorreu uma alta diversidade de zoobentos, enquanto que na parte baixa haviam apenas organismos resistentes, dominados pelos Oligochaeta, sendo estas consideradas como bioindicadores de poluição de ecossistemas aquáticos. Silva-Filho (2004) aponta que nos períodos de estiagem e no começo do regime de chuvas (onde ocorre alteração das variáveis físicas e químicas da água, pelo tipo de sedimento e pelo teor de matéria orgânica) há um aumento na abundância de Chironomidae e de Oligochaeta, principalmente quando o teor de matéria orgânica estava elevado. Também, a presença de caramujos da família Planorbidae dos gêneros Biomphalaria e Drepanotrema, nos pontos da zona urbana e à jusante do rio demonstra uma deterioração na qualidade da água, uma vez que tais organismos são abundantes onde a água está ligeiramente poluída com matéria orgânica (BUSS et al, 2022; MIRANDA et al. 2016; SILVA e FISHER, 2005), e o aumento dos sólidos e redução da transparência em nossos estudos podem ser um indicativo de aumento de matéria orgânica. Ao contrário da maioria das pesquisas com invertebrados límnicos em locais poluídos, os dípteros Chironomidae não foram abundantes no rio Guaribas, como verificado também em KOTZIAN; AMARAL (2013). O gastrópoda M. tuberculatum é uma espécie Afro-Asiática resistente à dessecação que possui distribuição pandêmica, também encontrada em diversos corpos aquáticos do semiárido da Paraíba (ABÍLIO et al., 2006, 2007; SOUZA et al., 2008; SANTANA et al., 2009). É uma espécie onívora e de reprodução partenogenética, o que favorece alta densidade da espécie nos ambientes em que se instalam (ABÍLIO, 2002). Nós encontramos um aumento na abundância de M. tuberculatum em direção à jusante, o que pode ser um indicativo do aumento da disponibilidade de recursos alimentares, provocado pelo despejo de esgoto in natura na zona urbana de Picos. Segundo Lima (2002), a distribuição da fauna bentônica está diretamente relacionada à disponibilidade de alimento e o tipo de substrato, podendo interferir diretamente na abundância e dinâmica populacional dos invertebrados bentônicos. De forma similar, Santana et al., (2009), que no período de estiagem quando o teor de matéria orgânica no sedimento era mais elevado, M. tuberculatum foi muito abundante no rio Aveloz, no semiárido paraibano. A redução na riqueza e diversidade de espécies de macroinvertebrados com o aumento da poluição, também tem sido reportada por outros estudos. Calisto et al. (2001) demostraram que os locais mais poluídos geralmente possuem baixa diversidade de espécies e elevada densidade de organismos restritos a grupos mais tolerantes.
  • 8. Ndaruga et al. (2004) que estudaram processo de poluição na bacia de drenagem do Gatharaini no centro do Kênia, África, observaram que o índice de biodiversidade de macroinvertebrados bentônicos correlacionou negativamente com Total de Sólidos Dissolvidos, pH, turbidez e positivamente com oxigênio dissolvido. Maltchik et al. (2006) pesquisaram uma área impactada pela expansão agrícola rural na drenagem de alagados palustres no Rio Grande do Sul e verificaram que o número de táxons e a densidade de macroinvertebrados foram, em média, menores após o evento de drenagem do que na fase anterior à drenagem; assim, a estrutura da comunidade de macroinvertebrados variou com a diminuição do nível de água causada pela drenagem, onde táxons tipicamente aquáticos foram substituídos por táxons adaptados ou resistentes à condição terrestre. Spänhoff et al. (2006) estudando as assembleias de invertebrados bentônicos em um córrego, verificou que embora o índice de diversidade de Shannon para o zoobentos fosse ligeiramente mais elevada no local das descargas de efluentes do que no local do controle, nenhuma diferença significativa foi detectada. Já Henriques-de-Oliveira et al., (2007), mostrou em sua pesquisa que os valores de riqueza taxonômica, equitatividade e diversidade de invertebrados bentônicos foram inferiores em rios com descarga de efluentes comparando com os ambientes sem descarga de esgoto, mostrando que os Oligochaeta e larvas de Chironomidae foram os mais dominantes. No entretanto, Montanholi- Martins e Takeda (2001), ao estudarem a composição e a variação espacial e temporal da comunidade de Oligochaeta em ambiente lótico e lêntico, verificaram que os Oligochaeta foram abundantes no local com elevado teor de matéria orgânica no sedimento e em baixa correnteza, e concluindo que a variação temporal da densidade de organismos foi influenciada pelo ciclo hidrológico, enquanto que a variação espacial foi influenciado pelo tamanho do grão e quantidade de sedimento de matéria orgânica no sedimento. Embora nossos resultados tenham uma aplicação local, eles informam os impactos na qualidade da qualidade da água dos rios, e reforçam a necessidade de investimento em saneamento e educação ambiental. Nosso trabalho demostra a alteração na qualidade da água, e também alterações na comunidade de macroinvertebrados, mesmo esta não sendo significativa. A falta de resultados significativos para a comunidade de macroinvertebrados pode ser uma resposta a pelo menos dois fatores: número de amostras ainda insuficiente, sendo necessárias também amostras no tempo, e a desestabilização provocada por impactos como a poluição. Observamos nos nossos dados um aumento na variabilidade da comunidade após o trecho poluído. O aumento da variabilidade após o enriquecimento por nutrientes, como é o caso dos esgotos domésticos, já é previsto pela teoria do paradoxo do enriquecimento, podendo levar a ciclos de grande amplitude no comportamento de populações (Rosenzweig 1971, Abrams and Roth 1994). Todavia, nossos resultados são apenas indicativos de variabilidade e ainda é necessário um aumento da amostragem tanto espacial quanto temporal. Apesar das limitações do nosso estudo, é imprescindível o controle da qualidade da água no rio Guaribas através de estratégias de saneamento. AGRADECIMENTOS À Agência de Água e Esgoto do Piauí (AGESPISA), da cidade de Picos-PI, com as análises de Alcalinidade, Dureza da Água, Amônia e Fósforo total. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABÍLIO, F. J. P.; FONSECA-GESSNER, A. A.; LEITE, R. L.; RUFFO, T. L. M. 2006. Gastrópodes e outros invertebrados do sedimento e associados à macrófita Eichhornia crassipes de um açude hipertrófico do semi-árido paraibano. Revista de Biologia e Ciências da Terra 6(1) especial: 165-178. ABÍLIO, F. J. P.; RUFFO, T. L. M.; SOUZA, A. H. F. F.; FLORENTINO, H. S.; OLIVEIRA- JUNIOR, E. T.; MEIRELES, B. N. & SANTANA, A. C. D. 2007. Macroinvertebrados Bentônicos como Bioindicadores de Qualidade Ambiental de Corpos Aquáticos da Caatinga. Oecologia Brasiliense 11(3):397-409.
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