AMEOPOEMAEdição 067 - junho de 2020 - Ouro Preto - MG
Humano é bicho estranho
Dos que não se entende
No fim diz que é gente
Assim estando crente
Que foi muito valente
Fala que venceu na vida
Mas em sua despedida
Ninguém apareceu
Toda sua fama e fortuna
Como sombra noturna
De nada lhe valeu
Pois acamado com grande mal
Daqueles que não se prevê
Adentrou algum umbral
Sem ter aprendido a viver
pequeno cidadão
Franco Felix Caldas Silva
@francofcs92
francofcs92@hotmail.com
Não consigo adormecer. Só pesadelos e sonhos
lúcidos sem adormecer ... Sinto frio. Foi pouco
antes de esquecer de uma velha e amorosa
lembrança que me é recorrente, ouvi som de
passos arrastando correntes. Só pesadelos e
sonhos lúcidos sem adormecer ... Imensurável
saudade daquele quintal alegre de minha
infância livre de dores, céu cinza e escarlate
presente em uma tarde ... Mas só pesadelos e
sonhos lúcidos sem adormecer ... E se
adormeço, sinto que não tornarei mais a me ver.
Artur da Rocha Herculano
@ _nebuloso
geor123420@gmail.com
Eu estava em jejum de minha hipocrisia
resguardando uma individualidade desvantajosa
afim de aceitar que a dor
pudesse ser menor que a vergonha lasciva.
Não vou dizer em palavras difíceis,
o que me incomoda por dentro,
basta o difícil de ser por fora
o que nenhuma máscara esconde.
Esconder o que é,
é impor a si mesmo não acolhimento,
é deixar de lado o seu lado mais acolhedor.
Não me deram as escolhas,
e eu escolhi não acolher as escolhas que eu tinha.
Por fim, me rebelo em revelar o que escolhi
não acolher.
E então, que me julguem, por eu não
julgar a mim mesmo como o réu que sempre fui.
Abrão Lima Melo
@abraopoeta
falelm@live.com
adormecer
RÉU
escrevo poesia
para ser humano.
Rômulo Ferreira
fb.com/silhuetaartzine
@studiob2mr
$
BY ND
=
NC
cc _Edição: Studio b2mr (facebook.com/studiob2mr)
Coordenação: Editora AMEOPOEMA.
Circulação: Santos, Ouro Preto, Mariana, Viçosa.
Exemplares na pRAÇA: vários exemplares. PIRATEIE!
Curadoria dessa edição: Pedro Henrique - Participantes
dessa edição: Bruna Gomes, Rômulo Ferreira, Artur da Rocha,
Abrão Lima Melo, Franco Felix Caldas Silva, Pedro Henrique.
publicação sem fins lucrativos, feita artesanalmente, com amor e
vontade de circular ideias e fomentar a produção literária em
Ouro Preto e região.
PARTICIPE, ENVIE SEU MATERIAL facebook.com/ameopoema
ameopoemaeditora@gmail.com
AMEOPO MAEE AMEOPO MAEE AMEOPO MAEE AMEOPO MAEE
Mas se for com alguém do mesmo sexo,
cuidado!
O mundo real parece ainda não conhecer a
lei, tá cheio de mente fechada.
Os meninos brincam soltos e tá permitido
correr, sorrir e pular.
Brasil, meu amado Brasil, És país de todos,
óh pátria amada! Ou talvez um dia o tenha
sido. Mas é provável, bem provável, que
isso nunca tenha acontecido.
Ou talvez um dia o tenha sido. Mas é
provável, bem provável, que isso jamais
tenha acontecido.
A mina tá se arrumando e ainda frente ao
espelho já começa o medo.
Mas nem todos, porque a quantidade de
melanina decide o alvo mais fácil que uma
bala "perdida" tende a encontrar.
Beijar na praça é muito bom e, relaxa,
Brasil, meu amado Brasil,
Assustadas caminhamos, sempre, não
importa se é noite tarde ou dia cedo.
a paquera ainda tá liberada.
És país de todos, óh pátria amada!
Se o "todos" exclui "alguns", tá errada a
teoria.
Parece que estamos há 400 anos, ou que os
de hoje sequer estudaram história.
E se o "alguns" é porcentagem maior da
população, por que é mesmo que chamam
de "minoria?’’
Olho pro agora e já não sei se é ontem, hoje
ou outrora.
Ah, meu brasileiro Brasil,
Quando é que deixastes de ser nosso?
E por preconceito, descaso e hipocrisia, alguns
mais cedo acabam a partir.
A educação também é necessária, e as duas
juntas certamente podem ajudar.
Temos muito pra falar, mas alguns não nos
querem ouvir.
Brasil, meu amado Brasil,
És país de todos, óh pátria amada! Ou talvez
um dia o tenha sido. Mas é provável, bem
provável, que isso nunca tenha acontecido.
Na bandeira vemos "ordem e progresso",
Mas quando te olho vejo tantos destroços...
As palavras tem poder e a arte é arma boa a se
utilizar.
Mas, pra isso, o devido valor os governantes
precisariam nos dar.
Brasil, meu amado Brasil,
Ou talvez um dia o tenha sido.
És país de todos, óh pátria amada!
Mas é provável, bem provável, que tu jamais
tenha nos pertencido.
Bruna Gomes.
@mundomistotextos
E-mail: bruna14gomes@outlook.com
facebook.com/studiob2mr
AMEOPO MAE
facebook.com/ameopoema
editora artesanal
UM PAÍS DE QUASE TODOS
Trazemos mais uma edição do fanzine
AMEOPOEMA, que agora apresenta poemas
escolhidos pelo autor Pedro Henrique que é
criador da página @entrelinhaspedro, nasceu
em 1995. Estuda Filosofia e é fascinado pelos
mistérios da mente humana, tendo como foco
o estudo da psiquê. É amante da arte e
cultura dentro da sua diversidade infinita,
onde dedica boa parte de seu tempo para o
teatro e a poesia, mantendo gosto para o
existencialismo, realismo sujo e romantismo.
Entende o fanzine produzido pela editora
AMEOPOEMA como uma forma de levar a
poesia a todos, essa que é uma das formas
de reinventar para uma base de auto
conhecimento, a mesma necessária à
desconstrução do capitalismo, esse que é
consequente de angústia, depressão e
desigualdade. A cultura é a ferramenta
principal para a salvação das gerações que
não são cabeças duras.
LEU TUDO, PASSE ADIANTECOMENTE OS POEMAS |
Dark - Artefacts From The Black Museum 1970.71
Dê ao homem uma máscara
e ele se tornará
quem realmente é
Oscar Wild

Ameopoema 067 junho 2020

  • 1.
    AMEOPOEMAEdição 067 -junho de 2020 - Ouro Preto - MG Humano é bicho estranho Dos que não se entende No fim diz que é gente Assim estando crente Que foi muito valente Fala que venceu na vida Mas em sua despedida Ninguém apareceu Toda sua fama e fortuna Como sombra noturna De nada lhe valeu Pois acamado com grande mal Daqueles que não se prevê Adentrou algum umbral Sem ter aprendido a viver pequeno cidadão Franco Felix Caldas Silva @francofcs92 francofcs92@hotmail.com Não consigo adormecer. Só pesadelos e sonhos lúcidos sem adormecer ... Sinto frio. Foi pouco antes de esquecer de uma velha e amorosa lembrança que me é recorrente, ouvi som de passos arrastando correntes. Só pesadelos e sonhos lúcidos sem adormecer ... Imensurável saudade daquele quintal alegre de minha infância livre de dores, céu cinza e escarlate presente em uma tarde ... Mas só pesadelos e sonhos lúcidos sem adormecer ... E se adormeço, sinto que não tornarei mais a me ver. Artur da Rocha Herculano @ _nebuloso geor123420@gmail.com Eu estava em jejum de minha hipocrisia resguardando uma individualidade desvantajosa afim de aceitar que a dor pudesse ser menor que a vergonha lasciva. Não vou dizer em palavras difíceis, o que me incomoda por dentro, basta o difícil de ser por fora o que nenhuma máscara esconde. Esconder o que é, é impor a si mesmo não acolhimento, é deixar de lado o seu lado mais acolhedor. Não me deram as escolhas, e eu escolhi não acolher as escolhas que eu tinha. Por fim, me rebelo em revelar o que escolhi não acolher. E então, que me julguem, por eu não julgar a mim mesmo como o réu que sempre fui. Abrão Lima Melo @abraopoeta falelm@live.com adormecer RÉU escrevo poesia para ser humano. Rômulo Ferreira fb.com/silhuetaartzine @studiob2mr
  • 2.
    $ BY ND = NC cc _Edição:Studio b2mr (facebook.com/studiob2mr) Coordenação: Editora AMEOPOEMA. Circulação: Santos, Ouro Preto, Mariana, Viçosa. Exemplares na pRAÇA: vários exemplares. PIRATEIE! Curadoria dessa edição: Pedro Henrique - Participantes dessa edição: Bruna Gomes, Rômulo Ferreira, Artur da Rocha, Abrão Lima Melo, Franco Felix Caldas Silva, Pedro Henrique. publicação sem fins lucrativos, feita artesanalmente, com amor e vontade de circular ideias e fomentar a produção literária em Ouro Preto e região. PARTICIPE, ENVIE SEU MATERIAL facebook.com/ameopoema ameopoemaeditora@gmail.com AMEOPO MAEE AMEOPO MAEE AMEOPO MAEE AMEOPO MAEE Mas se for com alguém do mesmo sexo, cuidado! O mundo real parece ainda não conhecer a lei, tá cheio de mente fechada. Os meninos brincam soltos e tá permitido correr, sorrir e pular. Brasil, meu amado Brasil, És país de todos, óh pátria amada! Ou talvez um dia o tenha sido. Mas é provável, bem provável, que isso nunca tenha acontecido. Ou talvez um dia o tenha sido. Mas é provável, bem provável, que isso jamais tenha acontecido. A mina tá se arrumando e ainda frente ao espelho já começa o medo. Mas nem todos, porque a quantidade de melanina decide o alvo mais fácil que uma bala "perdida" tende a encontrar. Beijar na praça é muito bom e, relaxa, Brasil, meu amado Brasil, Assustadas caminhamos, sempre, não importa se é noite tarde ou dia cedo. a paquera ainda tá liberada. És país de todos, óh pátria amada! Se o "todos" exclui "alguns", tá errada a teoria. Parece que estamos há 400 anos, ou que os de hoje sequer estudaram história. E se o "alguns" é porcentagem maior da população, por que é mesmo que chamam de "minoria?’’ Olho pro agora e já não sei se é ontem, hoje ou outrora. Ah, meu brasileiro Brasil, Quando é que deixastes de ser nosso? E por preconceito, descaso e hipocrisia, alguns mais cedo acabam a partir. A educação também é necessária, e as duas juntas certamente podem ajudar. Temos muito pra falar, mas alguns não nos querem ouvir. Brasil, meu amado Brasil, És país de todos, óh pátria amada! Ou talvez um dia o tenha sido. Mas é provável, bem provável, que isso nunca tenha acontecido. Na bandeira vemos "ordem e progresso", Mas quando te olho vejo tantos destroços... As palavras tem poder e a arte é arma boa a se utilizar. Mas, pra isso, o devido valor os governantes precisariam nos dar. Brasil, meu amado Brasil, Ou talvez um dia o tenha sido. És país de todos, óh pátria amada! Mas é provável, bem provável, que tu jamais tenha nos pertencido. Bruna Gomes. @mundomistotextos E-mail: bruna14gomes@outlook.com facebook.com/studiob2mr AMEOPO MAE facebook.com/ameopoema editora artesanal UM PAÍS DE QUASE TODOS Trazemos mais uma edição do fanzine AMEOPOEMA, que agora apresenta poemas escolhidos pelo autor Pedro Henrique que é criador da página @entrelinhaspedro, nasceu em 1995. Estuda Filosofia e é fascinado pelos mistérios da mente humana, tendo como foco o estudo da psiquê. É amante da arte e cultura dentro da sua diversidade infinita, onde dedica boa parte de seu tempo para o teatro e a poesia, mantendo gosto para o existencialismo, realismo sujo e romantismo. Entende o fanzine produzido pela editora AMEOPOEMA como uma forma de levar a poesia a todos, essa que é uma das formas de reinventar para uma base de auto conhecimento, a mesma necessária à desconstrução do capitalismo, esse que é consequente de angústia, depressão e desigualdade. A cultura é a ferramenta principal para a salvação das gerações que não são cabeças duras. LEU TUDO, PASSE ADIANTECOMENTE OS POEMAS | Dark - Artefacts From The Black Museum 1970.71 Dê ao homem uma máscara e ele se tornará quem realmente é Oscar Wild