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OCIMARA OLIVEIRA REMIGIO
RESUMO DO LIVRO: eu sou Alice
Nove personalidades, uma mente torturada
Manaus - 2014
OCIMARA OLIVEIRA REMIGIO
RESUMO DO LIVRO: eu sou Alice
Nove personalidades, uma mente torturada
Resumo para curso de Bacharelado em
Direito da Universidade Nilton Lins,
desenvolvido e entregue como Avaliação
Parcial de nota, sob orientação da Mestre
e Professora Tânia Moura, a fim de
obtenção de nota da disciplina Psicologia
Jurídica.
Manaus - 2014
No prólogo, Alice fala sobre seu diagnóstico de transtorno de
personalidade múltipla, recebido em 1993, explicando que a causa do mesmo
foi a constante violência sexual, física e emocional sofridas na infância e que o
objetivo do livro é encorajar pessoas que sofrem ou sofreram abusos desse
tipo a falarem. O primeiro capítulo “Fragmentos de memória” inicia a narrativa
esclarecendo “Minha memória é como um grande vaso que foi derrubado de
uma janela. Todos os pedaços estão lá - alguns grandes, outros pequenos, e
outros reduzidos a poeira”.
A autora a todo o momento faz resgates de suas memórias, a mesma
fala que sofre de lapsos de amnésia, em um momento está num lugar fazendo
uma coisa e de repente, sem uma sequência linear de passagem do tempo, já
está em outro lugar, sem saber como chegou lá e o que a levou a fazer outra
coisa. Tem brancos, esquece-se de coisas, toma atitudes que não consegue
explicar, sua narrativa é costurada pelos fragmentos de memória que surgem e
são colados uns aos outros na tentativa de construir uma história lógica sobre a
linha do tempo que passou. Neste capítulo Alice descreve sua família,
vizinhança, sua casa e suas atividades e relata a violência sexual que seu pai a
infligia, desde tenra idade.
No capítulo dois “Correndo e Passando Fome”, Alice, na idade de
catorze anos, relata sua obsessão por manter-se ocupada, corria
obsessivamente e alimentava-se mal, estudava muito e era a melhor aluna da
sala, agia desse modo para afastar os pensamentos ruins e pesadelos que
tinha todas as noites. “Exceto quando estava com meus avós, meu sorriso era
sempre falso”, sentia-se desvinculada de si mesma, como se estivesse sempre
interpretando um papel, sorria sem querer sorrir e ficava sempre calada para
não destruir a ilusão que alimentava de uma família perfeita, feliz e equilibrada.
O capítulo três “Quatro Faces” foi assim intitulado por causa da música
“Four Faces” da banda de rock “The Who”, uma das favoritas dela. “Será que
ela via o meu verdadeiro eu? Quem era eu? Quero dizer, quem exatamente?”,
a música fala sobre a luta para descobrir o verdadeiro eu, quem está no
controle das coisas. Esse capítulo fala também sobre a maior perda da
vida de Alice: seu avô. “Eu chorei e chorei”, ele foi a figura masculina que
inspirava-lhe verdadeira confiança, afeto e proteção. O lado positivo dessa
perda foi a grande aproximação que Alice e sua mãe tiveram, o que encorajou
esta última a divorciar-se de seu esposo. “As vozes continuavam falando
comigo e sobre mim”, no capítulo seguinte, “As vozes”, Alice relata a primeira
vez em que ouviu vozes, que estas diziam-lhe para morrer e que não valia
nada, sempre em tom depreciativo e destrutivo. Seus sonhos repetitivos e
nauseantes começam a vir à tona como memórias de um passado real e suas
consultas com a psicóloga lançam-lhe questionamentos importantes que
levam-na a investigar e esquadrinhar sua própria história. “Eu passara nos
exames, na maioria com notas dez e nove.
“Peças Pregadas pelo Tempo”, é o relato do início da carreira de
sucesso de Alice e o desenrolar de lembranças que tornam-se cada vez mais
fortes e que aos poucos, tornam-se fatos. “Primeiro Amor” é um trecho leve da
história da autora, a mesma viaja para um lugar bonito, de solidariedade e
partilha, um kibutz em Israel, e nele conhece seu primeiro amor. “Ele era tão
tímido quanto eu, [...] senti-me tonta enquanto estava sentada sob a luz da lua
ao lado de Patrick” (p. 100-101), um jovem com atributos semelhantes aos
seus e que também é apaixonado por corrida e leitura. De volta à sua rotina,
“minhas redações me rendiam tanto admiração quanto notas dez. Professores
tiravam fotocópias para usá-las como modelos para um ensaio bem
desenvolvido, o que me encorajou a me aproximar dos outros alunos”. Alice
muda-se para a residência na Universidade desta mesma cidade e torna-se a
aluna-modelo por seus resultados exemplares e fama de excêntrica e
inteligente.
“Estupro”. No capítulo oito Alice relata mais um episódio de violência,
depois de alguns anos longe da presença de seu pai, ela decidiu enfrentá-lo e
dizer a ele o que vinha em sua garganta. Sentindo-se confrontado com a
verdade do passado, ele a ameaça com uma faca e inflige-lhe violência sexual.
“Aquilo era inacreditável, mas era verdade, e era um alívio saber a verdade”.
Era a comprovação final de que as memórias de Alice não eram consequências
de uma mente pervertida, como assim acreditava, suas memórias provinham
de fatos reais. Em busca de refúgio para livrar-se das terríveis lembranças de
violência, agora atualizadas, uma viagem a Israel à procura de paz é o episódio
retratado no capítulo nove, “Aonde poderei ir?”. “Não estava livre do meu
passado, mas exteriormente ao menos contava com a distância”. Nos dias em
que esteve em Israel, embora livre das vozes, continuava sempre perseguida
pelos fatos atormentadores e cruéis. “Estava conversando com as vozes, mas
não era a minha voz que respondia.
O capítulo dez, “Divisão”, é um apanhado de sensações nas quais Alice
era constantemente transitada, sua carreira de pesquisadora em saúde
comunitária, policiando-se para que a espontaneidade não se tornasse um
problema social. Alice analisa os objetos que carrega em sua bolsa e são todos
infantis, uma arma de brinquedo, “um chaveiro com um macaquinho sem
chaves entre outros”.
O capítulo onze, “As Crianças”, fala um pouco sobre três das crianças
que habitavam Alice: Billy, que tem cinco anos e faz traquinagens com sua
arma de brinquedo; Kato, zangado, atormentado e violento e Shirley, adepta ao
gim e incitadora das maldades que Kato comete. “Abrindo o armário”, capítulo
doze, Alice pôde tomar conhecimento nas sessões de psicoterapia de todas as
personalidades que habitavam-na e coexistiam. “Na infância, eu bloqueara
minhas memórias a fim de não lidar com nada doloroso ou difícil de
compreender”. Como reações às vivências de abusos em casa, em círculos de
pedófilos e de amigos de seu pai, surgem: Alice bebê, que tem seis meses de
idade, Alice de dois anos, Lucy, Billy, Samuel, Eliza, J. J. ou Jimbo, Shirley e
Kato. Alice é então diagnosticada como esquizofrênica, pois possui delírios
persecutórios, alucinações auditivas e comportamentos paranoicos. O capítulo
treze, “Toque Humano”, mostra como esse processo de tentativa e erro levou a
um diagnóstico inicialmente errôneo, que não encaixava-se completamente no
caso de Alice. “Shirley”, capítulo catorze, é uma personalidade contraditória de
Alice. “Ela não era minha inimiga. Ela era eu mesma. Era ela quem tinha as
chaves para o armário trancado de emoções e memórias que eram dolorosas
demais para que eu guardasse”. Ao mesmo tempo que torna Alice confiante,
disposta, risonha e sociável, Shirley embebeda-se e droga-se constantemente
e encoraja Kato a cortar Alice, deixando-a quase sempre à beira da morte.
Esse capítulo também retrata sua primeira entrada num hospital psiquiátrico.
E dentro dele, no “Hospício” - capítulo quinze, Alice confronta-se com a
terrível rotina de um sanatório. “O problema dos hospitais é que não nos
deixam em paz. Eu estava sonhando com esculturas de pedra ou algo parecido
quando fui acordada por uma enfermeira que segurava um copinho com meu
remédio. Devia ter amanhecido”. De volta à sua rotina, depois de oito semanas
no Hospital Saint Thomas, Alice faz uma “Regressão”, capítulo dezesseis. “O
que soube, porém, naquele dia, foi que as crianças se comunicavam entre si
mais do que eu pensava”. Alice foi submetida, sem o uso de hipnose, a uma
psicoterapia regressiva com perguntas elaboradas para investigar os
acontecimentos do passado. Nesse momento chega à conclusão de que deve
enfrentar o seu passado e deixar suas crianças internas orgulhosas, conta ao
seu padrasto dos abusos que sofrera e em seguida à sua mãe. “Na verdade,
não tenho ideia do que falei; as palavras jorraram da minha boca como veneno.
Meu pai tremia, os tremores eram visíveis em seus ombros”. Com a ajuda dos
dois, decide enfrentar seu pai dizendo tudo o que tinha vontade mas não
podia/conseguia. “Finalmente me disseram que eu não era louca. As vozes das
crianças dentro da minha cabeça eram ecos de memórias dissociadas da
violência sexual e emocional que sofrera” .
No capítulo dezessete, “Memórias Físicas”, a autora fala sobre o seu
diagnóstico final, Transtorno de Personalidade Múltipla mais conhecido como
Transtorno Dissociativo de Identidade, e que graças ao crédito concedido por
sua psicoterapeuta naquele momento, foi possível chegar a esse diagnóstico.
“De fato, havia algo errado comigo - e eu sabia o que era: eu era várias
pessoas ao mesmo tempo”. Alice não tem controle sobre a personalidade que
sai e toma as rédeas de sua vida, não até que seja feita a integração entre
todas as personalidades de modo que apenas uma se sobressaia e assuma o
controle da situação. “O abuso infantil quase sempre ocorre em casa, e
geralmente há membros da família envolvidos”. No capítulo dezoito, “Casos
Complexos”, a autora fala sobre o que leu a respeito de seu transtorno e da
complexidade que possui. Fala ainda sobre os fatores que levam esse
transtorno a ser desencadeado, que são: abuso físico, sexual e emocional
sofridos durante a infância, numa frequência de 100% dos casos avaliados.
Alice retorna ao local onde os abusos coletivos ocorriam e encontra vestígios
que comprovam esses acontecimentos, mais uma vez validando suas
memórias fragmentadas.
Muitas reviravoltas ocorreram justamente no momento em que Alice
estava conseguindo assumir o controle de sua própria vida. Estava Alice
afundada em suas derrotas e em sentimento de culpa, se envolvesse com
drogas ilícitas. Transtorno de personalidade múltipla, incesto, namorados
mortos - nada importa quando se tem Charlie”. A que arruinou seu tratamento e
interrompeu seu progresso foi a cocaína, a qual chama de “Charlie”.
A essas alturas Alice estava sem dinheiro, sem carreira acadêmica, sem
perspectiva de futuro, absorta em suas variações de personalidade e com a
saúde debilitada.
Até que conheceu “O Outro Lado”, o último capítulo desta narrativa que
significa o começo de outras maiores e melhores. “Eu era a lunática que havia
se perdido no meio do caminho. [...] Aos 36, meu futuro estava selado, eu era o
que era, e não sabia ao certo quem era quando me vi sentada com tiques e
tremores na Igreja de Saint Mildred [...]”. Alice conheceu nessa igreja um
homem em que pôde confiar, que cuidava dela e a tratava com tolerância,
paciência e amor, com ele, pôde descobrir sua sexualidade de forma natural. E
mesmo quando, pelas circunstanciassem que se viu, este homem a
decepcionou, voltou atrás e corrigiu o que havia feito, decidiu seguir sua vida
com Alice e compartilhar de suas múltiplas facetas, por amor. “Não demorou
muito para que a primavera chegasse, e eu estava feliz: era amada, estava
limpa, sobrevivera”. Utilizando sua história como exemplo para que outras
pessoas nessa mesma condição possam reagir e encontrar formas de
sobrevivência aos traumas, expressar o que vivem, denunciar, falar o que
sentem, buscar socorro e ajuda.
O Ministério Público de seu país não havia achado evidências
suficientes para punir o pai de Alice por seus crimes. “Aquela era a segunda
vez que me davam a mesma notícia, e por um momento fiquei muito
desapontada”.
O que Alice conseguiu como “compensação” por seu sofrimento físico, mental
e social, tendo em vista os danos que sofreu por causa do abuso e também os
grandes ganhos que poderia ter caso tivesse concluído seu PhD, foram: uma
considerável indenização e um atestado de que seu relato denunciante foi
verdadeiro e honesto.
REFERÊNCIA
JAMIESON, Alice. Hoje eu sou Alice: nove personalidades, uma mente
torturada. São Paulo: Larousse do Brasil, 2010.

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  • 2. OCIMARA OLIVEIRA REMIGIO RESUMO DO LIVRO: eu sou Alice Nove personalidades, uma mente torturada Resumo para curso de Bacharelado em Direito da Universidade Nilton Lins, desenvolvido e entregue como Avaliação Parcial de nota, sob orientação da Mestre e Professora Tânia Moura, a fim de obtenção de nota da disciplina Psicologia Jurídica. Manaus - 2014
  • 3. No prólogo, Alice fala sobre seu diagnóstico de transtorno de personalidade múltipla, recebido em 1993, explicando que a causa do mesmo foi a constante violência sexual, física e emocional sofridas na infância e que o objetivo do livro é encorajar pessoas que sofrem ou sofreram abusos desse tipo a falarem. O primeiro capítulo “Fragmentos de memória” inicia a narrativa esclarecendo “Minha memória é como um grande vaso que foi derrubado de uma janela. Todos os pedaços estão lá - alguns grandes, outros pequenos, e outros reduzidos a poeira”. A autora a todo o momento faz resgates de suas memórias, a mesma fala que sofre de lapsos de amnésia, em um momento está num lugar fazendo uma coisa e de repente, sem uma sequência linear de passagem do tempo, já está em outro lugar, sem saber como chegou lá e o que a levou a fazer outra coisa. Tem brancos, esquece-se de coisas, toma atitudes que não consegue explicar, sua narrativa é costurada pelos fragmentos de memória que surgem e são colados uns aos outros na tentativa de construir uma história lógica sobre a linha do tempo que passou. Neste capítulo Alice descreve sua família, vizinhança, sua casa e suas atividades e relata a violência sexual que seu pai a infligia, desde tenra idade. No capítulo dois “Correndo e Passando Fome”, Alice, na idade de catorze anos, relata sua obsessão por manter-se ocupada, corria obsessivamente e alimentava-se mal, estudava muito e era a melhor aluna da sala, agia desse modo para afastar os pensamentos ruins e pesadelos que tinha todas as noites. “Exceto quando estava com meus avós, meu sorriso era sempre falso”, sentia-se desvinculada de si mesma, como se estivesse sempre interpretando um papel, sorria sem querer sorrir e ficava sempre calada para não destruir a ilusão que alimentava de uma família perfeita, feliz e equilibrada. O capítulo três “Quatro Faces” foi assim intitulado por causa da música “Four Faces” da banda de rock “The Who”, uma das favoritas dela. “Será que ela via o meu verdadeiro eu? Quem era eu? Quero dizer, quem exatamente?”, a música fala sobre a luta para descobrir o verdadeiro eu, quem está no controle das coisas. Esse capítulo fala também sobre a maior perda da vida de Alice: seu avô. “Eu chorei e chorei”, ele foi a figura masculina que inspirava-lhe verdadeira confiança, afeto e proteção. O lado positivo dessa
  • 4. perda foi a grande aproximação que Alice e sua mãe tiveram, o que encorajou esta última a divorciar-se de seu esposo. “As vozes continuavam falando comigo e sobre mim”, no capítulo seguinte, “As vozes”, Alice relata a primeira vez em que ouviu vozes, que estas diziam-lhe para morrer e que não valia nada, sempre em tom depreciativo e destrutivo. Seus sonhos repetitivos e nauseantes começam a vir à tona como memórias de um passado real e suas consultas com a psicóloga lançam-lhe questionamentos importantes que levam-na a investigar e esquadrinhar sua própria história. “Eu passara nos exames, na maioria com notas dez e nove. “Peças Pregadas pelo Tempo”, é o relato do início da carreira de sucesso de Alice e o desenrolar de lembranças que tornam-se cada vez mais fortes e que aos poucos, tornam-se fatos. “Primeiro Amor” é um trecho leve da história da autora, a mesma viaja para um lugar bonito, de solidariedade e partilha, um kibutz em Israel, e nele conhece seu primeiro amor. “Ele era tão tímido quanto eu, [...] senti-me tonta enquanto estava sentada sob a luz da lua ao lado de Patrick” (p. 100-101), um jovem com atributos semelhantes aos seus e que também é apaixonado por corrida e leitura. De volta à sua rotina, “minhas redações me rendiam tanto admiração quanto notas dez. Professores tiravam fotocópias para usá-las como modelos para um ensaio bem desenvolvido, o que me encorajou a me aproximar dos outros alunos”. Alice muda-se para a residência na Universidade desta mesma cidade e torna-se a aluna-modelo por seus resultados exemplares e fama de excêntrica e inteligente. “Estupro”. No capítulo oito Alice relata mais um episódio de violência, depois de alguns anos longe da presença de seu pai, ela decidiu enfrentá-lo e dizer a ele o que vinha em sua garganta. Sentindo-se confrontado com a verdade do passado, ele a ameaça com uma faca e inflige-lhe violência sexual. “Aquilo era inacreditável, mas era verdade, e era um alívio saber a verdade”. Era a comprovação final de que as memórias de Alice não eram consequências de uma mente pervertida, como assim acreditava, suas memórias provinham de fatos reais. Em busca de refúgio para livrar-se das terríveis lembranças de violência, agora atualizadas, uma viagem a Israel à procura de paz é o episódio retratado no capítulo nove, “Aonde poderei ir?”. “Não estava livre do meu passado, mas exteriormente ao menos contava com a distância”. Nos dias em
  • 5. que esteve em Israel, embora livre das vozes, continuava sempre perseguida pelos fatos atormentadores e cruéis. “Estava conversando com as vozes, mas não era a minha voz que respondia. O capítulo dez, “Divisão”, é um apanhado de sensações nas quais Alice era constantemente transitada, sua carreira de pesquisadora em saúde comunitária, policiando-se para que a espontaneidade não se tornasse um problema social. Alice analisa os objetos que carrega em sua bolsa e são todos infantis, uma arma de brinquedo, “um chaveiro com um macaquinho sem chaves entre outros”. O capítulo onze, “As Crianças”, fala um pouco sobre três das crianças que habitavam Alice: Billy, que tem cinco anos e faz traquinagens com sua arma de brinquedo; Kato, zangado, atormentado e violento e Shirley, adepta ao gim e incitadora das maldades que Kato comete. “Abrindo o armário”, capítulo doze, Alice pôde tomar conhecimento nas sessões de psicoterapia de todas as personalidades que habitavam-na e coexistiam. “Na infância, eu bloqueara minhas memórias a fim de não lidar com nada doloroso ou difícil de compreender”. Como reações às vivências de abusos em casa, em círculos de pedófilos e de amigos de seu pai, surgem: Alice bebê, que tem seis meses de idade, Alice de dois anos, Lucy, Billy, Samuel, Eliza, J. J. ou Jimbo, Shirley e Kato. Alice é então diagnosticada como esquizofrênica, pois possui delírios persecutórios, alucinações auditivas e comportamentos paranoicos. O capítulo treze, “Toque Humano”, mostra como esse processo de tentativa e erro levou a um diagnóstico inicialmente errôneo, que não encaixava-se completamente no caso de Alice. “Shirley”, capítulo catorze, é uma personalidade contraditória de Alice. “Ela não era minha inimiga. Ela era eu mesma. Era ela quem tinha as chaves para o armário trancado de emoções e memórias que eram dolorosas demais para que eu guardasse”. Ao mesmo tempo que torna Alice confiante, disposta, risonha e sociável, Shirley embebeda-se e droga-se constantemente e encoraja Kato a cortar Alice, deixando-a quase sempre à beira da morte. Esse capítulo também retrata sua primeira entrada num hospital psiquiátrico. E dentro dele, no “Hospício” - capítulo quinze, Alice confronta-se com a terrível rotina de um sanatório. “O problema dos hospitais é que não nos deixam em paz. Eu estava sonhando com esculturas de pedra ou algo parecido quando fui acordada por uma enfermeira que segurava um copinho com meu
  • 6. remédio. Devia ter amanhecido”. De volta à sua rotina, depois de oito semanas no Hospital Saint Thomas, Alice faz uma “Regressão”, capítulo dezesseis. “O que soube, porém, naquele dia, foi que as crianças se comunicavam entre si mais do que eu pensava”. Alice foi submetida, sem o uso de hipnose, a uma psicoterapia regressiva com perguntas elaboradas para investigar os acontecimentos do passado. Nesse momento chega à conclusão de que deve enfrentar o seu passado e deixar suas crianças internas orgulhosas, conta ao seu padrasto dos abusos que sofrera e em seguida à sua mãe. “Na verdade, não tenho ideia do que falei; as palavras jorraram da minha boca como veneno. Meu pai tremia, os tremores eram visíveis em seus ombros”. Com a ajuda dos dois, decide enfrentar seu pai dizendo tudo o que tinha vontade mas não podia/conseguia. “Finalmente me disseram que eu não era louca. As vozes das crianças dentro da minha cabeça eram ecos de memórias dissociadas da violência sexual e emocional que sofrera” . No capítulo dezessete, “Memórias Físicas”, a autora fala sobre o seu diagnóstico final, Transtorno de Personalidade Múltipla mais conhecido como Transtorno Dissociativo de Identidade, e que graças ao crédito concedido por sua psicoterapeuta naquele momento, foi possível chegar a esse diagnóstico. “De fato, havia algo errado comigo - e eu sabia o que era: eu era várias pessoas ao mesmo tempo”. Alice não tem controle sobre a personalidade que sai e toma as rédeas de sua vida, não até que seja feita a integração entre todas as personalidades de modo que apenas uma se sobressaia e assuma o controle da situação. “O abuso infantil quase sempre ocorre em casa, e geralmente há membros da família envolvidos”. No capítulo dezoito, “Casos Complexos”, a autora fala sobre o que leu a respeito de seu transtorno e da complexidade que possui. Fala ainda sobre os fatores que levam esse transtorno a ser desencadeado, que são: abuso físico, sexual e emocional sofridos durante a infância, numa frequência de 100% dos casos avaliados. Alice retorna ao local onde os abusos coletivos ocorriam e encontra vestígios que comprovam esses acontecimentos, mais uma vez validando suas memórias fragmentadas. Muitas reviravoltas ocorreram justamente no momento em que Alice estava conseguindo assumir o controle de sua própria vida. Estava Alice afundada em suas derrotas e em sentimento de culpa, se envolvesse com
  • 7. drogas ilícitas. Transtorno de personalidade múltipla, incesto, namorados mortos - nada importa quando se tem Charlie”. A que arruinou seu tratamento e interrompeu seu progresso foi a cocaína, a qual chama de “Charlie”. A essas alturas Alice estava sem dinheiro, sem carreira acadêmica, sem perspectiva de futuro, absorta em suas variações de personalidade e com a saúde debilitada. Até que conheceu “O Outro Lado”, o último capítulo desta narrativa que significa o começo de outras maiores e melhores. “Eu era a lunática que havia se perdido no meio do caminho. [...] Aos 36, meu futuro estava selado, eu era o que era, e não sabia ao certo quem era quando me vi sentada com tiques e tremores na Igreja de Saint Mildred [...]”. Alice conheceu nessa igreja um homem em que pôde confiar, que cuidava dela e a tratava com tolerância, paciência e amor, com ele, pôde descobrir sua sexualidade de forma natural. E mesmo quando, pelas circunstanciassem que se viu, este homem a decepcionou, voltou atrás e corrigiu o que havia feito, decidiu seguir sua vida com Alice e compartilhar de suas múltiplas facetas, por amor. “Não demorou muito para que a primavera chegasse, e eu estava feliz: era amada, estava limpa, sobrevivera”. Utilizando sua história como exemplo para que outras pessoas nessa mesma condição possam reagir e encontrar formas de sobrevivência aos traumas, expressar o que vivem, denunciar, falar o que sentem, buscar socorro e ajuda. O Ministério Público de seu país não havia achado evidências suficientes para punir o pai de Alice por seus crimes. “Aquela era a segunda vez que me davam a mesma notícia, e por um momento fiquei muito desapontada”. O que Alice conseguiu como “compensação” por seu sofrimento físico, mental e social, tendo em vista os danos que sofreu por causa do abuso e também os grandes ganhos que poderia ter caso tivesse concluído seu PhD, foram: uma considerável indenização e um atestado de que seu relato denunciante foi verdadeiro e honesto. REFERÊNCIA JAMIESON, Alice. Hoje eu sou Alice: nove personalidades, uma mente torturada. São Paulo: Larousse do Brasil, 2010.