Agrotóxicos em alimentos
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – USP
Disciplina Genética e questões socioambientais – ESALQ/USP
Alunas: Fernanda Francetto Juliano
Juliana Scabello Prando
Luciane Fernanda D. Sanchez
Rebeca Goes
Renata Cristina Casemiro
Profª. Dr. Silvia Maria Guerra Molina
Novembro - 2013
Definição
“Agrotóxicos são produtos e agentes de processos físicos,
químicos ou biológicos que têm finalidade de alterar a
composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da
ação danosa de seres vivos considerados nocivos”.
(Decreto n. 4.074, de 4/01/2002 - Lei n. 7.802/1989)
Um pouco da história...
• Mais antiga referência – Antiguidade Clássica
• Romanos, Gregos – enxofre e arsênio (insetos)
• Sécs. XVI-XIX – Nicotina e Piretros (Europa e EUA)
• 1939 – descoberta do DDT
• 1943 –Início da Revolução Verde
• Incrementou o uso de fertilizantes, irrigação e
agrotóxicos - produtividade aumentou.
Um pouco da história...
• Começam os impactos ambientais
• Até a 2ª GM - quantidades de agrotóxicos usadas eram
muito pequenas, equipamentos de aplicação rústicos.
• Após o final da 2ª Guerra – aumento do uso
• Anos 80 e 90 - evoluíram rapidamente
No caso do Brasil...
• Déc. 70 - Uso intensificado
• Déc. 80 – Inicio da retirada DDT
• “dos 50 agrotóxicos mais utilizados nas lavouras de nosso
país, 22 são proibidos na União Europeia” (CARNEIRO et
al., 2012).
• Maior consumidor agrotóxicos banidos por outros países.
• Nos últimos 10 anos: Mundo- aumento 93%
Brasil- aumento 190%
Figura 1: Produção agrícola e consumo de agrotóxicos e fertilizantes químicos
nas lavouras do Brasil, de 2002 a 2011. Fonte: CARNEIRO et. al. 2012.
Programas de monitoramento de
agrotóxicos em alimentos:
• Programa RAMA:
– Rastrear e monitorar produtos que abastecem
Redes de Varejo Associadas à ABRAS e à
Associações Estaduais;
– Correta identificação das origens dos produtos de
FLV e suas possíveis contaminações;
– Fornecer às empresas acesso à
informação para melhores decisões
de abastecimento de produtos de FLV
Programas de monitoramento de
agrotóxicos em alimentos:
• Programa PARA:
– Avaliar níveis de resíduos de agrotóxicos nos
alimentos in natura;
– Fortalecer a capacidade do Governo em atender à
segurança alimentar
– Evitar possíveis agravos à saúde da
População.
Agrotóxicos na produção agrícola em
2012
Fonte: ANVISA, 2013.
29 % Insatisfatório devido à:
• Presença de agrotóxicos em níveis cima do
LMR em 27 amostras  1,5 %.
• Constatação de agrotóxicos não autorizados
para a cultura em 416 amostras  25%.
• Resíduos acima do LMR e NA
simultaneamente em 40 amostras  2,5.
Alimentos insatisfatórios quanto à
presença de agrotóxicos
41 %
42 %
59 %
33 %
28 %
Apresentaram ingredientes ativos não
autorizados
39%
38% 38%
33%
26%
Apresentaram ingredientes ativos
autorizados acima do limite
1 % 1 %
1 %
2 %
6 %
Principais grupos químicos com uso
irregular detectados nas amostras
Legislações relacionadas
- Lei de Agrotóxicos e Afins nº 7.802, de 11 de julho de 1989:
“ os agrotóxicos somente podem ser utilizados no país se forem registrados
em órgão federal competente, de acordo com as diretrizes e exigências dos
órgãos responsáveis.
- Decreto nº 4.074, de 04 de janeiro de 2002, estabelece as competências
para os três órgãos envolvidos no registro:
• Anvisa vinculada ao Ministério da Saúde
• Ibama vinculado ao Ministério do Meio Ambiente
• Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
- - RDC 119/03: Programa de Análise de Resíduos
de Agrotóxicos em Alimentos (PARA)
ANVISA:
•Avaliar e classificar toxicologicamente os agrotóxicos
•calcular o parâmetro de segurança que consiste na Ingestão Diária Aceitável
(IDA) de cada ingrediente ativo(IA).
•Verificar LMR (Limite máximo de resíduos)
• Conferir se os agrotóxicos utilizados estão devidamente registrados no país e se
foram aplicados somente nas culturas para as quais estão autorizados.
Funcionamento do PARA:
-As coletas dos alimentos são realizadas pelas Vigilâncias Sanitárias
(Estaduais/Municipais) de acordo com princípios e guias internacionalmente
como o Codex Alimentarius
- Coletas semanais feitas nos locais em que a população adquire os
alimentos: mercado varejista, supermercados e sacolões
-Escolha dos alimentos monitorados :
• de acordo com dados de consumo obtidos nas POF
•disponibilidade dos alimentos nos supermercados das diferentes unidades da
Federação e no uso de agrotóxicos nas culturas
Método utilizado:
• multirresíduo (MRM, do inglês Multiresidue Methods)
• Análise simultanea de diferentes ingredientes ativos de agrotóxicos em
uma mesma amostra,
• Detecção de diversos metabólitos
• Técnica adotada por países como Alemanha, Austrália, Canadá, Estados
Unidos, Holanda e outros.
• Método não se aplica na análise de alguns ingredientes ativos, como no
caso dos ditiocarbamatos, precursores de dissulfeto de carbono, que
exigem o emprego de metodologias específicas
Imprevistos, reformas de
instalações físicas, quebra de
equipamentos, falta de
insumos, falta de oferta de
produtos nos pontos de venda
e amostras que chegam
deterioradas aos laboratórios
Impactos no
cumprimento do
plano de
amostragem
Lei nº 10.831 e, 2009, o Decreto nº 6.913, estabelecendo procedimentos que
aceleram a avaliação e disponibilização de produtos considerados de baixa
toxicidade no mercado.
Instrução Normativa Conjunta (INC) nº 1, de 24 de fevereiro de 2010 disciplina
o registro de produtos para Culturas com Suporte Fitossanitário Insuficiente
(CSFI), visando facilitar a inclusão de culturas agrícolas nessa categoria.
Instrução Normativa Conjunta nº 1, de 24 de maio de 2011, disciplinou os
critérios para avaliação de eficácia agronômica, ambiental e toxicológica para
fins de registro desses produtos destinados à agricultura orgânica.
• Grupo de Trabalho de Educação e Saúde sobre Agrotóxicos (GESA):
desenvolver ações educativas quanto ao uso correto de agrotóxicos visando
reduzir seus impactos na saúde da população
• implementar estratégias de incentivo aos sistemas orgânicos de produção e
sistemas alternativos
• Previsão para 2013 aumentar a coleta de amostras coletadas no ano
• Criar e coordenar, um Grupo de Trabalho, GT-Rastreabilidade, visando garantir
ao consumidor o acesso a rastreabilidade até o produtor rural dos alimentos
vegetais comercializados no mercado atacadista e/ou no varejo.
• 2012 a 2015 planejamento de monitoramento de 25 culturas agrícolas.
• Amostras de 2011 e de 2012: 36% das amostras foram rastreadas em 2012,
contra 31% em 2011, 29% em 2010 e 26% em 2009.
Efeitos sobre humanos
TOXICIDADE
TOXICIDADE
AGUDA
AGUDA
CRÔNICA
CRÔNICA
Contaminação em humanos
Contaminação em humanos
Organismo não-alvo com:
Envenenamento acidental
Resíduos em ALIMENTOS
Efeitos sobre humanos
Efeitos sobre humanos
Efeitos sobre humanos
Efeitos sobre humanos
Efeitos sobre humanos
Efeitos sobre humanos
?
Efeitos sobre humanos
Efeitos sobre humanos
Efeitos sobre humanos
Efeitos sobre humanos
Quadro 1: efeitos da exposição prolongada
Fonte: MASCARENHA, PESSOA, 2013.
Dúvidas frequentes
Dúvidas frequentes
Lavagem de frutas e hortaliças
contra acúmulo de resíduos
Utilização da água sanitária
Cocção reduz a quantidade de
resíduos
http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/9e0b790048bc49b0a4f2af
9a6e94f0d0/Cartilha.pdf?MOD=AJPERES
Medidas de correção
-2011- 36% contaminados
-2012- 29% contaminados
-Mais encontrados – fungicidas e inseticidas
Alternativas
 Alimentos orgânicos
 Cuidado com o solo
 Planejamento de cultivo (conhecimentos
ecológicos sobre sucessão de espécies)
 Plantio de variedades nativas
 O uso de interação entre espécies (policultura)
Alternativas
Tecnologia de aplicação
Agricultura de precisão
Adição de adjuvantes - produtos químicos sintéticos, derivados de
produtos naturais
Novas formulações
Agrotóxicos naturais - baseados em plantas
Pesticidas Microbianos- (bactérias, fungos, protozoários e vírus).
Desvantagem é o alto grau de habilidade e controle ambiental exigido
para garantir que seu uso seja totalmente efetivo
Controle Biológico - uso de inimigos naturais para o controle de
pragas
Referências
Carneiro, F F; Pignati, W; Rigotto, R M; Augusto, L G S. Rizollo, A; Muller, N M;
Alexandre, V P. Friedrich, K; Mello, M S C. Dossiê ABRASCO –Um alerta sobre os
impactos dos agrotóxicos na saúde. ABRASCO, Rio de Janeiro, 1ª Parte. 98p, abril
de 2012.
Decreto 4074, de 4 de janeiro de 2002. Regulamenta a Lei n.7802, de 11 de julho
de 1989. Disponível em
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/d4074.htm. Acesso em 16
de novembro de 2013.
MASCARENHA, T. K. S. F.; PESSOA, Y. S. R. Q. Aspectos que potencializam a
contaminação do trabalhador rural com agrotóxicos: uma revisão integrativa.
Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v.22, n.2, p.87-103, mai./ago.2013.

Agrotoxicos em............ alimentos.ppt

  • 1.
    Agrotóxicos em alimentos EscolaSuperior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – USP Disciplina Genética e questões socioambientais – ESALQ/USP Alunas: Fernanda Francetto Juliano Juliana Scabello Prando Luciane Fernanda D. Sanchez Rebeca Goes Renata Cristina Casemiro Profª. Dr. Silvia Maria Guerra Molina Novembro - 2013
  • 2.
    Definição “Agrotóxicos são produtose agentes de processos físicos, químicos ou biológicos que têm finalidade de alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos”. (Decreto n. 4.074, de 4/01/2002 - Lei n. 7.802/1989)
  • 3.
    Um pouco dahistória... • Mais antiga referência – Antiguidade Clássica • Romanos, Gregos – enxofre e arsênio (insetos) • Sécs. XVI-XIX – Nicotina e Piretros (Europa e EUA) • 1939 – descoberta do DDT • 1943 –Início da Revolução Verde • Incrementou o uso de fertilizantes, irrigação e agrotóxicos - produtividade aumentou.
  • 4.
    Um pouco dahistória... • Começam os impactos ambientais • Até a 2ª GM - quantidades de agrotóxicos usadas eram muito pequenas, equipamentos de aplicação rústicos. • Após o final da 2ª Guerra – aumento do uso • Anos 80 e 90 - evoluíram rapidamente
  • 5.
    No caso doBrasil... • Déc. 70 - Uso intensificado • Déc. 80 – Inicio da retirada DDT • “dos 50 agrotóxicos mais utilizados nas lavouras de nosso país, 22 são proibidos na União Europeia” (CARNEIRO et al., 2012). • Maior consumidor agrotóxicos banidos por outros países. • Nos últimos 10 anos: Mundo- aumento 93% Brasil- aumento 190%
  • 6.
    Figura 1: Produçãoagrícola e consumo de agrotóxicos e fertilizantes químicos nas lavouras do Brasil, de 2002 a 2011. Fonte: CARNEIRO et. al. 2012.
  • 7.
    Programas de monitoramentode agrotóxicos em alimentos: • Programa RAMA: – Rastrear e monitorar produtos que abastecem Redes de Varejo Associadas à ABRAS e à Associações Estaduais; – Correta identificação das origens dos produtos de FLV e suas possíveis contaminações; – Fornecer às empresas acesso à informação para melhores decisões de abastecimento de produtos de FLV
  • 8.
    Programas de monitoramentode agrotóxicos em alimentos: • Programa PARA: – Avaliar níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos in natura; – Fortalecer a capacidade do Governo em atender à segurança alimentar – Evitar possíveis agravos à saúde da População.
  • 9.
    Agrotóxicos na produçãoagrícola em 2012 Fonte: ANVISA, 2013.
  • 10.
    29 % Insatisfatóriodevido à: • Presença de agrotóxicos em níveis cima do LMR em 27 amostras  1,5 %. • Constatação de agrotóxicos não autorizados para a cultura em 416 amostras  25%. • Resíduos acima do LMR e NA simultaneamente em 40 amostras  2,5.
  • 11.
    Alimentos insatisfatórios quantoà presença de agrotóxicos 41 % 42 % 59 % 33 % 28 %
  • 12.
    Apresentaram ingredientes ativosnão autorizados 39% 38% 38% 33% 26%
  • 13.
    Apresentaram ingredientes ativos autorizadosacima do limite 1 % 1 % 1 % 2 % 6 %
  • 14.
    Principais grupos químicoscom uso irregular detectados nas amostras
  • 15.
    Legislações relacionadas - Leide Agrotóxicos e Afins nº 7.802, de 11 de julho de 1989: “ os agrotóxicos somente podem ser utilizados no país se forem registrados em órgão federal competente, de acordo com as diretrizes e exigências dos órgãos responsáveis. - Decreto nº 4.074, de 04 de janeiro de 2002, estabelece as competências para os três órgãos envolvidos no registro: • Anvisa vinculada ao Ministério da Saúde • Ibama vinculado ao Ministério do Meio Ambiente • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
  • 16.
    - - RDC119/03: Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) ANVISA: •Avaliar e classificar toxicologicamente os agrotóxicos •calcular o parâmetro de segurança que consiste na Ingestão Diária Aceitável (IDA) de cada ingrediente ativo(IA). •Verificar LMR (Limite máximo de resíduos) • Conferir se os agrotóxicos utilizados estão devidamente registrados no país e se foram aplicados somente nas culturas para as quais estão autorizados.
  • 17.
    Funcionamento do PARA: -Ascoletas dos alimentos são realizadas pelas Vigilâncias Sanitárias (Estaduais/Municipais) de acordo com princípios e guias internacionalmente como o Codex Alimentarius - Coletas semanais feitas nos locais em que a população adquire os alimentos: mercado varejista, supermercados e sacolões -Escolha dos alimentos monitorados : • de acordo com dados de consumo obtidos nas POF •disponibilidade dos alimentos nos supermercados das diferentes unidades da Federação e no uso de agrotóxicos nas culturas
  • 18.
    Método utilizado: • multirresíduo(MRM, do inglês Multiresidue Methods) • Análise simultanea de diferentes ingredientes ativos de agrotóxicos em uma mesma amostra, • Detecção de diversos metabólitos • Técnica adotada por países como Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Holanda e outros. • Método não se aplica na análise de alguns ingredientes ativos, como no caso dos ditiocarbamatos, precursores de dissulfeto de carbono, que exigem o emprego de metodologias específicas Imprevistos, reformas de instalações físicas, quebra de equipamentos, falta de insumos, falta de oferta de produtos nos pontos de venda e amostras que chegam deterioradas aos laboratórios Impactos no cumprimento do plano de amostragem
  • 19.
    Lei nº 10.831e, 2009, o Decreto nº 6.913, estabelecendo procedimentos que aceleram a avaliação e disponibilização de produtos considerados de baixa toxicidade no mercado. Instrução Normativa Conjunta (INC) nº 1, de 24 de fevereiro de 2010 disciplina o registro de produtos para Culturas com Suporte Fitossanitário Insuficiente (CSFI), visando facilitar a inclusão de culturas agrícolas nessa categoria. Instrução Normativa Conjunta nº 1, de 24 de maio de 2011, disciplinou os critérios para avaliação de eficácia agronômica, ambiental e toxicológica para fins de registro desses produtos destinados à agricultura orgânica.
  • 20.
    • Grupo deTrabalho de Educação e Saúde sobre Agrotóxicos (GESA): desenvolver ações educativas quanto ao uso correto de agrotóxicos visando reduzir seus impactos na saúde da população • implementar estratégias de incentivo aos sistemas orgânicos de produção e sistemas alternativos • Previsão para 2013 aumentar a coleta de amostras coletadas no ano • Criar e coordenar, um Grupo de Trabalho, GT-Rastreabilidade, visando garantir ao consumidor o acesso a rastreabilidade até o produtor rural dos alimentos vegetais comercializados no mercado atacadista e/ou no varejo. • 2012 a 2015 planejamento de monitoramento de 25 culturas agrícolas. • Amostras de 2011 e de 2012: 36% das amostras foram rastreadas em 2012, contra 31% em 2011, 29% em 2010 e 26% em 2009.
  • 21.
  • 22.
    Contaminação em humanos Contaminaçãoem humanos Organismo não-alvo com: Envenenamento acidental Resíduos em ALIMENTOS
  • 23.
  • 24.
  • 25.
  • 26.
  • 27.
    Efeitos sobre humanos Efeitossobre humanos Quadro 1: efeitos da exposição prolongada Fonte: MASCARENHA, PESSOA, 2013.
  • 28.
    Dúvidas frequentes Dúvidas frequentes Lavagemde frutas e hortaliças contra acúmulo de resíduos Utilização da água sanitária Cocção reduz a quantidade de resíduos
  • 29.
  • 32.
    Medidas de correção -2011-36% contaminados -2012- 29% contaminados -Mais encontrados – fungicidas e inseticidas
  • 33.
    Alternativas  Alimentos orgânicos Cuidado com o solo  Planejamento de cultivo (conhecimentos ecológicos sobre sucessão de espécies)  Plantio de variedades nativas  O uso de interação entre espécies (policultura)
  • 34.
    Alternativas Tecnologia de aplicação Agriculturade precisão Adição de adjuvantes - produtos químicos sintéticos, derivados de produtos naturais Novas formulações Agrotóxicos naturais - baseados em plantas Pesticidas Microbianos- (bactérias, fungos, protozoários e vírus). Desvantagem é o alto grau de habilidade e controle ambiental exigido para garantir que seu uso seja totalmente efetivo Controle Biológico - uso de inimigos naturais para o controle de pragas
  • 35.
    Referências Carneiro, F F;Pignati, W; Rigotto, R M; Augusto, L G S. Rizollo, A; Muller, N M; Alexandre, V P. Friedrich, K; Mello, M S C. Dossiê ABRASCO –Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. ABRASCO, Rio de Janeiro, 1ª Parte. 98p, abril de 2012. Decreto 4074, de 4 de janeiro de 2002. Regulamenta a Lei n.7802, de 11 de julho de 1989. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/d4074.htm. Acesso em 16 de novembro de 2013. MASCARENHA, T. K. S. F.; PESSOA, Y. S. R. Q. Aspectos que potencializam a contaminação do trabalhador rural com agrotóxicos: uma revisão integrativa. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v.22, n.2, p.87-103, mai./ago.2013.

Notas do Editor

  • #3 O uso de substancias químicas orgânicas ou inorgânicas em agricultura, remontam a antigüidade clássica. Escritos de Romanos e Gregos mencionavam o uso de certos produtos como o arsênico e o enxofre para o controle de insetos nos primórdios da agricultura. A partir do século XVI até fins do século XIX o emprego de substâncias orgânicas como a Nicotina e Piretros extraídos de plantas eram constantemente utilizados na Europa e EUA também com aquela finalidade. A partir do início do século XX iniciaram-se os estudos sistemáticos buscando o emprego de substâncias inorgânicas para a proteção de plantas, deste modo, produtos à base de Cobre, Chumbo, Mercúrio, Cádmio, etc., foram desenvolvidos comercialmente e empregados contra uma grande variedade de pragas, porém com limitada eficácia. Todavia, a partir da Segunda Guerra Mundial, com a descoberta do extraordinário poder inseticida do organoclorado DDT e, organofosforado SHARADAM, inicialmente utilizado como arma de guerra, deu-se início à grande disseminação dessas substâncias na Agricultura. As propriedades inseticidas do DDT foram descobertas em 1939 pelo entomologista suíço Paul Müller, o que lhe valeu posteriormente o Prêmio Nobel da Medicina devido ao uso do DDT no combate à malária3. O DDT foi utilizado na Segunda Guerra Mundial para prevenção de tifo em soldados, que o utilizavam na pele para combate a piolhos. Posteriormente foi usado na agropecuária, no Brasil e no mundo, dado seu baixo preço e elevada eficiência4. A produção em grande escala iniciou-se em 1945, e foi muito utilizado na agricultura como pesticida, por cerca de 25 a 30 anos. Tanta foi a quantidade que se estimou que cada cidadão norte-americano ingeriu, através dos alimentos, uma média de 0,28 mg por dia em 19505. Outra função para seu uso foi em programas de controle de doenças tropicais, inclusive no Brasil, como malária e leishmaniose visceral6. Foi a descoberta do DDT que revolucionou os conceitos de luta contra a malária. Sua eficácia contra formas adultas dos mosquitos e seu prolongado efeito residual fizeram com que no período de 1946-1970 todos os programas de controle se apoiassem quase que totalmente em seu emprego7. Revolução verde: Segundo BRUM (1987), este programa foi elaborado e posto em prática inicialmente por volta dos anos 40 e teve duas fases: uma pioneira que se estendeu de 1943 a 1965, quando o grupo econômico ROCKFELLER patrocinou projetos-piloto em países selecionados como México, Filipinas, Brasil além dos Estados Unidos. A outra fase, a da grande expansão ocorre a partir de 1965 sob a influência das corporações transnacionais mediante uma “rearticulação da estratégia da produção de alimentos no mundo”
  • #4 Tendo esta definição como resposta ao questionamento feito, a “Revolução Verde” apresenta-se como algo novo e bom para toda a humanidade. O período histórico, durante o qual o programa foi criado, é o das novas transformações na economia mundial do pós-guerra (1939-1945) e, portanto época da “... expansão e fortalecimento das grandes corporações a caminho da transnacionalização” “Revolução Verde” serviu de carro chefe para ampliar no mundo a venda de insumos agrícolas modernos: máquinas, equipamentos, implementos, fertilizantes, defensivos, pesticidas, etc.
  • #5 O uso dos agrotóxicos no Brasil intensificou-se a partir da década de 70 com o processo de modernização agrícola que desencadeou a Revolução Verde. Esse programa, que surgiu nos Estados Unidos, teve o propósito de aumentar a produção agrícola através da utilização de máquinas no campo, do desenvolvimento de pesquisas em fertilização do solo e, principalmente, de sementes modificadas e desenvolvidas em laboratórios. O aumento da produção agrícola dependia, pois, da alta resistência das plantas aos diferentes tipos de pragas e doenças, do uso de máquinas agrícolas e de insumos agrícolas (fertilizantes, herbicidas e inseticidas), dente eles o Dicloro-Difenil-Tricloroetano (DDT). Esse agrotóxico, amplamente utilizado, só seria retirado do mercado brasileiro a partir da década de 80 compreendendo duas etapas: a primeira, em 1985, quando campanhas de saúde pública faziam exposição dos males advindos da sua utilização; e a segunda, a partir de 2009, com a promulgação da Lei 11.936/2009, quando foi então proibida a fabricação, a importação, a exportação, a manutenção em estoque, a comercialização e o uso de DDT no país. Vários outros produtos químicos, que têm sua toxidez comprovada cientificamente e são proibidos em muitos países, continuam sendo utilizados no Brasil. Conforme dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), “dos 50 agrotóxicos mais utilizados nas lavouras de nosso país, 22 são proibidos na União Europeia” (CARNEIRO et al., 2012, p.20). Essa prática confere ao Brasil, o título de maior consumidor de agrotóxicos já banidos por outros países.
  • #28 1 - Lavar retira os agrotóxicos dos alimentos? NÃO COMPLETAMENTE: O processo de lavagem dos alimentos contribui para a retirada de parte dos agrotóxicos. Os agrotóxicos podem ser divididos quanto ao modo de ação entre sistêmicos e de contato. Os sistêmicos são aqueles que, quando aplicados nas plantas, circulam através da seiva por todos os tecidos vegetais, de forma a se distribuir uniformemente e ampliar o seu tempo de ação. Os de contato são aqueles que agem externamente no vegetal, tendo necessariamente que entrar em contato com o alvo biológico. E mesmo estes são também, em boa parte, absorvidos pela planta, penetrando em seu interior através de suas porosidades. Uma lavagem dos alimentos em água corrente só poderia remover parte dos resíduos de agrotóxicos presentes na superfície dos mesmos. Os agrotóxicos sistêmicos e uma parte dos de contato, por terem sido absorvidos por tecidos internos da planta, caso ainda não tenham sido degradados pelo próprio metabolismo do vegetal, permanecerão nos alimentos mesmo que esses sejam lavados. Neste caso, uma vez contaminados com resíduos de agrotóxicos, estes alimentos levarão o consumidor a ingerir resíduos de agrotóxicos. 2- Água sanitária remove agrotóxicos dos alimentos? Até o momento a ANVISA não tem conhecimento de estudos científicos que comprovem a eficácia da água sanitária ou do cloro na remoção ou eliminação de resíduos de agrotóxicos nos alimentos. Soluções de hipoclorito de sódio (água sanitária ou solução de Milton) devem ser usadas para a higienização dos alimentos na proporção de uma colher de sopa para um litro de água com o objetivo apenas de matar agentes microbiológicos que possam estar presentes nos alimentos. 3-Estudos belga mostraram que uma grande parte dos resíduos de pesticidas em alimentos são simplesmente eliminados com um simples tratamento culinário, seja lavagem, descascamento ou cocção. Os pesticidas não sistêmicos são retidos na camada cuticular da superfície dos vegetais, e são removidos com a lavagem e/ou retirada da pele. A cocção pode degradar vários pesticidas, apesar de que resíduos de compostos termicamente estáveis não se alterem durante esse processo. (DEJONCKHEERE et al., 1996)
  • #32 Segundo a Anvisa, os dados “reforçam a necessidade de melhoria na formação dos produtores rurais” e o acompanhamento do uso de agrotóxicos na agricultura brasileira. A Anvisa reforça que uma difusão melhor sobre boas práticas relacionadas ao agrotóxico “podem evitar a exposição indevida aos agrotóxicos, por exemplo, quando produtores rurais utilizam agrotóxicos não autorizados para a modalidade de aplicação”.
  • #33 Os agrotóxicos são utilizados em maior quantidade quando se cultivam variedades de plantas que não são adaptadas ao clima, solo ou outras condições locais ou quando se faz uma plantação de uma só espécie (a chamada monocultura, que é praticada em larga escala nos dias atuais). Contrapondo-se a essa visão, a agroecologia, um meio ecologicamente correto e viável de se manejar e cultivar as plantas, apresenta técnicas e propostas de produção de alimentos que visam a romper com a visão atual que se tem na agricultura do Brasil (baseada na Revolução Verde). O cuidado com o solo, o planejamento de cultivo (visando os conhecimentos ecológicos sobre sucessão de espécies), o plantio de variedades nativas, o uso de interação entre espécies (policultura) estão entre as técnicas utilizadas no modelo agroecológico de produção. Assim, as plantas se desenvolvem melhor no ambiente de cultivo, ao contrário de plantas não nativas em monoculturas, que requerem maior quantidade de agrotóxicos por não estarem fortemente adaptadas às condições ambientais.
  • #34 tecnologia de aplicação - Sistemas mais modernos podem regular o tamanho das gotas para reduzir a deriva pelo ar ou superfície do solo agricultura de precisão - aplicar herbicidas, por exemplo, sobre agrupamentos de plantas daninhas e não em toda a área adição de adjuvantes, substâncias químicas inertes que afetam as propriedades físicas de um spray de pesticida. Há muitos tipos diferentes de adjuvantes, alguns são produtos químicos sintéticos (como umidificadores não-iônicos), outros são derivados de produtos naturais (como óleo de semente de mostarda emulsificado).   Novas formulações: Um outro modo de reduzir o impacto ambiental dos produtos usados como agrotóxicos é torná-los mais seguros pelo uso de formulações mais específicas para o organismo-alvo e menos persistentes.   Agrotóxicos naturais baseados em plantas é uma alternativa.   Pesticidas Microbianos- Igualmente promissores em termos de seletividade e poluição ambiental mínima são os pesticidas microbianos (bactérias, fungos, protozoários e vírus). A principal desvantagem é o alto grau de habilidade e controle ambiental exigido para garantir que seu uso seja totalmente efetivo   Controle Biológico - uso de inimigos naturais para o controle de pragas