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Química dos
alimentos Módulo III
Maurício Benine
Melissa Sofiatti
Natan Ferreira
Introdução
 Definição de agrotóxicos, função e importância na
agricultura, principais tipos, composição e o que
podem prevenir.
 Impacto dos agrotóxicos na saúde humana, presença
de resíduos em alimentos, legislação e
regulamentação
 Alternativas de redução em alimentos, impactos
ambientais, desenvolvimento tecnológico e
curiosidades
 Conclusão
Agrotóxicos são produtos
químicos sintéticos usados para
matar insetos, larvas, fungos,
carrapatos sob a justificativa de
controlar as doenças provocadas
por esses vetores e de regular o
crescimento da vegetação, tanto
no ambiente rural quanto
urbano (BRASIL, 2002; INCA,
O que são agrotóxicos
Função na agricultura
• Controle de pragas e doenças
Eliminam ou reduzem populações de insetos,
fungos, bactérias e vírus que atacam as plantas
cultivadas.
• Controle de plantas daninhas (herbicidas)
Inibem o crescimento de ervas daninhas que
competem com a cultura principal por água,
luz e nutrientes.
• Proteção da produtividade agrícola
Evitam perdas significativas na colheita,
garantindo maior rendimento e qualidade dos
alimentos.
Função na agricultura
• Facilitação do manejo agrícola.
Reduzem a necessidade de capinas manuais
ou mecânicas, economizando tempo e
recursos.
• Preservação de sementes e grãos
armazenados.
Produtos como fumigantes protegem
estoques de pragas pós-colheita.
Importância na agricultura
• Aumento da produção de alimentos.
Permitem o cultivo em larga escala e com menos perdas.
• Viabilização de monoculturas intensivas.
Em culturas como soja, milho e algodão, são fundamentais para manter a sanidade vegetal.
• Redução de custos e maximização do lucro para o produtor.
Mesmo com investimento inicial, os agrotóxicos ajudam a evitar prejuízos.
• Desenvolvimento de tecnologias agrícolas integradas.
Estão inseridos em programas como o Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Principais tipos de agrotóxicos
 Herbicidas
Eliminam plantas daninhas.
Composição comum:
Glifosato (organofosforado não
seletivo)
2,4-D (derivado de ácido
fenoxiacético)
Toxicidade: varia entre azul e
vermelha, dependendo do produto.
 Fungicidas
Combatem fungos que causam
doenças nas plantas.
Composição comum:
Mancozeb (inorgânico)
Triazóis (orgânicos sintéticos)
Toxicidade: normalmente azul ou
verde, mas alguns são mais
tóxicos.
Fórmula estrutural do Glifosato
Fórmula estrutural do
Tebuconazol
Principais tipos de agrotóxicos
 Bactericidas
Atingem bactérias patogênicas das
plantas.
Composição comum:
À base de cobre (ex: oxicloreto de
cobre).
Toxicidade: geralmente azul ou
verde, com impacto ambiental menor
Fórmula estrutural do Paration
( Inseticida organofosforado)
 Inseticidas
Atingem insetos como moscas e
lagartas
Composição comum:
Organofosforados (ex: Acetato), Carba-
matos e Piretróides (ex: Cipermetrina)
Toxicidade: normalmente vermelha ou
amarela (alta a extrema)
Fórmula estrutural do Oxicloreto de
Cobre
(Base dos principais bactericidas)
Agrotóxicos posteriores
 Rodenticidas
Matam roedores (ratos e camundongos).
Composição comum:
Anticoagulantes (ex: warfarina,
bromadiolona)
Toxicidade: altíssima para humanos e
animais domésticos – faixa vermelha.
 Acaricidas
Usados contra ácaros, que atacam folhas e
frutos.
Composição comum:
Organoclorados (menos comuns hoje por
serem persistentes)
Toxicidade: geralmente amarela
 Moluscicidas
Eliminam moluscos, como caramujos e
lesmas.
Composição comum:
Metaldeído ou sais metálicos
Toxicidade: geralmente amarela ou
vermelha, dependendo da dose e
formulação.
 Nematicidas
Eliminam nematoides, vermes
microscópicos do solo.
Composição comum:
Organofosforados e fumigantes químicos
Toxicidade: muito alta — maioria com
faixa vermelha.
A classificação dos agrotóxicos utilizada para fins de registro e reavaliação pela ANVISA é baseada no grau de toxicidade
destas substâncias.
CLASSIFICAÇÃO QUANTO A CATEGORIA
CLASSIFICAÇÃO QUANTO A CLASSE DE PERIGO
Extremament
e
Tóxico
Altamente
Tóxico
Medianamen
te
Tóxico
Pouco
Tóxico
Muito
Pouco
Tóxico
Não
Classificado
LISTA DE INGREDIENTES ATIVOS DE AGROTÓXICOS COM AUTORIZAÇÃO BANIDA PELA ANVISA:
LISTA DE INGREDIENTES ATIVOS DE AGROTÓXICOS COM AUTORIZAÇÃO BANIDA PELA ANVISA:
Legislação para o uso de agrotóxicos no Brasil
Decreto nº 4.074/2002, que regulamenta a Lei nº
7.802/1989
Estabelece providências para regulamentar
a pesquisa, produção, comercialização e
uso de agrotóxicos.
Lei nº 14.785/2023, a nova Lei de
Agrotóxicos
A pesquisa, a experimentação, a
produção, a embalagem, a rotulagem,
o transporte, o armazenamento, a
comercialização, a utilização, a
importação, a exportação, o destino
final dos resíduos e das embalagens, o
registro, a classificação, o controle, a
inspeção e a fiscalização de
agrotóxicos, de produtos de controle
ambiental, de seus produtos técnicos e
afins são regidos por esta Lei de 27 de
dezembro de 2023.
A legislação e regulamentação para o uso de agrotóxicos no Brasil é composta por leis, decretos e
normas regulamentadoras (NR)
Norma Regulamentadora nº 31 (NR-31), do
Ministério do Trabalho e Emprego
Regulamenta a segurança e saúde no
trabalho rural, incluindo o uso de
agrotóxicos. A NR-31 estabelece regras
para que os trabalhadores do agronegócio
estejam seguros.
Em quais alimentos encontramos mais agrotóxicos?
Anvisa anunciou, nesta quarta-feira (11/12), os resultados do Programa de
Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) no ano de 2023. Nesta
edição, foram analisadas 3.294 amostras de alimentos, coletadas em 76
municípios. Foram analisados 338 diferentes agrotóxicos.
Nesta edição, foram analisados 14 alimentos, que representam 31% do
consumo de alimentos de origem vegetal pela população brasileira: abacaxi,
alface, alho, arroz, batata-doce, beterraba, cenoura, chuchu, goiaba, laranja,
manga, pimentão, tomate e uva.
Impacto dos agrotóxicos na saúde humana: Efeitos crônicos e agudos
Exposição crônica
A exposição contínua a agrotóxicos
pode ter efeitos a longo prazo na saúde
humana, incluindo problemas
respiratórios, neurológicos e
endócrinos.
Exposição crônica: Epidemias de doenças
Doenças relacionadas a exposição
contínua à agrotóxicos, incluem câncer
e doenças crônicas, em populações
expostas.
Exposição aguda
Os efeitos imediatos e graves de uma
exposição única a agrotóxicos, incluem
intoxicações agudas e reações
alérgicas.
Exposição aguda: Intoxicação alimentar
Intoxicação alimentar decorrente da
presença de resíduos de agrotóxicos
em produtos agrícolas.
Impacto dos agrotóxicos no sistema digestivo humano
Efeitos no trato
gastrointestinal
Resíduos de
agrotóxicos podem
irritar e danificar o
trato
gastrointestinal,
provocando diarreia,
náuseas, vômitos e
dores abdominais.
Causa de câncer
Alguns agrotóxicos
são classificados
como
carcinogênicos,
aumentando o risco
de desenvolver
câncer de cólon,
estômago e outros
órgãos.
Intoxicação crônica
Exposição contínua a
baixos níveis de
agrotóxicos pode
resultar em
intoxicação crônica,
afetando a função
renal, hepática e
imunológica.
Alergias e
sensibilidade
Pessoas alérgicas ou
sensíveis podem
desenvolver reações
alérgicas graves
após ingestão de
alimentos
contaminados com
agrotóxicos.
Consequências para a saúde fetal e neonatal
Desenvolvimento fetal
A exposição a agrotóxicos durante a gravidez pode afetar o
desenvolvimento do feto, causando malformações congênitas e
problemas de crescimento.
Risco de parto prematuro
Alguns estudos indicam que a exposição a agrotóxicos pode aumentar
o risco de parto prematuro, resultando em problemas de saúde para o
bebê.
Desafios neonatais
Bebês nascidos de mães expostas a agrotóxicos podem enfrentar
desafios neonatais, como baixo peso ao nascer e problemas
respiratórios.
Efeitos a longo prazo
A exposição a agrotóxicos durante a infância pode ter efeitos a longo
•Toda a população está
suscetível a exposições
múltiplas a agrotóxicos,
por meio de consumo
de alimentos e água
contaminados (CDC,
2009).
•Gestantes,crianças
e adolescentes
também são
considerados um grupo
de risco devido às
alterações metabólicas,
imunológicas ou
hormonais presentes
nesse ciclo de vida
(SARPA, 2010).
Somente quem aplica
agrotóxico tem risco de
adoecer?
A Organização
Internacional do
Trabalho (OIT)
afirma que os
agrotóxicos
causam 70 mil
intoxicações
agudas e crônicas
por ano e que
evoluem para
óbito, em países
em
desenvolvimento.
Outros mais de
sete milhões de
casos de doenças
agudas e crônicas
Formas de exposição e principais efeitos à
saúde
A contaminação pode ocorrer no
exercício da atividade agrícola, através
do ar, solo e água contaminados. Essas
substâncias ainda podem deslocar-se
no ambiente através dos ventos e da
água da chuva para locais distantes de
onde foram aplicados, espalhando
contaminação e matando animais e
plantas.
Principais danos ao meio ambiente:
1. Contaminação de águas
2. Contaminação do solo
3. Contaminação por volatilização
4. Impactos em organismos não alvos
5. Poluentes orgânicos persistentes
Trabalhadores
correm maior risco
de intoxicação?
Somente quem
aplica agrotóxico
tem risco de
adoecer?
Formas de exposição e principais danos ao
meio ambiente
Alternativas de redução de agrotóxicos em
alimentos
Agricultura orgânica
Cultivo sem agrotóxicos sintéticos, com
foco na saúde e no meio ambiente.
Agroecologia
Integra saberes tradicionais e técnicas
sustentáveis no cultivo de alimentos.
Controle biológico de pragas
Uso de predadores naturais para
combater pragas agrícolas.
Alternativas de redução de agrotóxicos em
alimentos
Manejo integrado de pragas (MIP)
Combinação de métodos que reduzem o
uso de agrotóxicos de forma estratégica.
Tecnologia na agricultura
Aplicação precisa de insumos com
drones e sensores para evitar excessos.
.
Uso de Bioinsumos
Inclui o uso de microrganismos, extratos
vegetais e substâncias naturais para
crescimento.
Alternativas de redução de agrotóxicos caseiras
Vinagre ou suco de limão
A acidez ajuda a reduzir resíduos químicos
e também combate micro-organismos.
Bicarbonato de sódio
Sua ação alcalina ajuda a soltar resíduos
de agrotóxicos da superfície dos
alimentos.
.
Escovinha com água corrente
O atrito remove sujeiras e resíduos de
produtos químicos, principalmente em cascas
firmes.
Preferir alimentos orgânicos ou locais
Esses alimentos têm menor uso de
agrotóxicos, reduzindo o risco de
contaminação química.
Impactos ambientais
Contaminação do solo
Resíduos químicos alteram a microbiota e a fertilidade do
solo.
Poluição de recursos hídricos
Agrotóxicos escorrem para rios e lençóis freáticos, afetando
a qualidade da água.
Desequilíbrio da biodiversidade
Afetam insetos benéficos, aves, microrganismos e outros
organismos não-alvo.
Bioacumulação na cadeia alimentar
Compostos tóxicos se acumulam em organismos e sobem
na cadeia trófica.
Resistência de pragas e doenças
Uso excessivo favorece o surgimento de organismos
resistentes.
Desenvolvimentos tecnológicos
Nanoencapsulamento de agrotóxicos
Uso de nanopartículas para liberar o princípio ativo
de forma controlada, reduzindo doses e impactos
ambientais.
Drones e pulverização de precisão
Aplicação localizada e inteligente dos defensivos,
com redução de desperdício e deriva.
Biopesticidas e bioherbicidas
Produtos à base de microrganismos ou extratos
naturais como alternativa sustentável aos químicos
sintéticos.
RNA interferente (RNA)
Tecnologia que silencia genes essenciais de pragas,
oferecendo alta especificidade e baixo impacto em
organismos não-alvo.
Curiosidades
Origem antiga
Civilizações antigas já usavam substâncias naturais
como agrotóxicos, como enxofre e cinzas.
Nem todo agrotóxico é químico
Existem agrotóxicos biológicos feitos com bactérias e
fungos que combatem pragas naturalmente.
Brasil é o maior consumidor
O país está entre os líderes mundiais no uso de
agrotóxicos na agricultura.
Agrotóxicos também passam por aprovação
rigorosa
No Brasil, eles precisam ser liberados por três
órgãos: Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura.
Conclusão
 Uso consciente é essencial
Os agrotóxicos têm papel importante na produção agrícola, mas seu uso precisa ser
controlado e responsável.
 Saúde e meio ambiente em equilíbrio
É fundamental conciliar produtividade com a preservação da saúde humana e do
meio ambiente.
 Inovação e alternativas sustentáveis
O avanço tecnológico e o incentivo a métodos menos agressivos são caminhos
promissores para o futuro da agricultura.
 Importância da fiscalização e da legislação
A atuação dos órgãos reguladores é crucial para garantir o uso seguro e legal dos
produtos.
 Consciência do consumidor faz diferença
Escolhas informadas e o consumo de alimentos com procedência conhecida ajudam a
promover uma agricultura mais segura.
Referências bibliográficas
BRASIL, 2002 (Decreto que regula agrotóxicos): Planalto – Decreto 4.074/2002
INCA, 2021: INCA – Exposição e riscos dos agrotóxicos
Embrapa – Uso de agrotóxicos e produtividade: Embrapa – MIP
ANVISA – Classificação toxicológica: ANVISA – Tabela de classificação
ANVISA – Ingredientes ativos e avaliação de risco: ANVISA – Ingredientes ativos
ANVISA – Programa PARA 2023: Relatório PARA 2023 – ANVISA
CDC (2009): CDC – Pesticide Exposure
SARPA (2010): Baseado em estudos do Núcleo Tramas/UFC: TRAMAS – Agrotóxicos, Trabalho e Saúde
OIT – Estatísticas sobre intoxicações: OIT – Pesticides and Health
Embrapa – Agrotóxicos no ambiente: Embrapa – Agrotóxicos
Referências bibliográficas
Lei nº 14.785/2023 (Nova Lei dos Agrotóxicos): Planalto – Lei 14.785/2023
NR-31 (Norma Regulamentadora do Trabalho Rural): Ministério do Trabalho – NR-31
ANVISA – Classificação de perigo: Classificação toxicológica – ANVISA
Agricultura orgânica e agroecologia – Miguel Altieri: Miguel Altieri – Agroecologia
Bioinsumos – MAPA: Mapa – Bioinsumos
Embrapa – MIP: Embrapa – Manejo Integrado de Pragas
UFSC – Eficácia de soluções para reduzir resíduos de agrotóxicos: UFSC – Alternativas de descontaminação
Poluição ambiental por agrotóxicos – EMBRAPA: Embrapa – Agrotóxicos no meio ambiente
CropLife – RNA interferente: CropLife – RNAi
Nanoencapsulamento – Embrapa: Embrapa – Nanotecnologia e DNA
História do uso de agrotóxicos – EMBRAPA: Embrapa – Agrotóxicos na história
Anvisa, Ibama, MAPA – Aprovação de agrotóxicos: ANVISA – Processo de registro
Obrigado pela atenção!