Estava uma tarde agradável na casa da Senhora Martins. Ela estava a fazer bolinhos de
canela, os favoritos da neta que ia lá lanchar.

        Quando esta chegou, toda sorridente, a avó pôs os bolinhos na mesa.

         As duas comeram os bolinhos e a avó entrega-lhe uma carta onde constava: “Querida
neta, é com muito carinho que te dou esta caixa de madeira. Ela tem um dom, consegue ser
um génio, mas não vale a pena esfregá-la, pois não irá aparecer uma “nuvem falante”, basta
abri-la e lá dentro meter um pequeno papel com um desejo, quanto mais humilde for, mais
fácil será de se concretizar.”

        -Que carta é esta avó? – perguntou

        -Foi a carta que a avó da minha avó lhe escreveu nos seus anos.

        -Então e a caixa?

      -Está aqui e a partir de agora é tua, mas estima-a muito bem e modera os desejos, pois
podem estragar tudo!

        -Está descansada, ‘vó. Eu só pedirei o que mais precisar.

       Despediu-se e levou a sua nova caixa para casa, guardou debaixo da cama e prometeu
não pedir mais de três desejos.

       Os meses foram passando e a menina continha-se para não experimentar o presente
da avó. Mas ela foi acumulando ansiedade com curiosidade até que não conseguiu resistir.
Pegou num bocado de papel e escreveu: “desejo ser famosa” e meteu na caixa.

         O dia seguinte correu-lhe tão mal, mas tão mal, que quando chegou pegou logo num
papel e escreveu: “desejo deixar de ser famosa” e meteu na caixinha. Quanto espreitou pela
janela já lá não estavam os jornalistas que a haviam perseguido, só lá estava a vizinha a brincar
com uma boneca, e a menina engraçou tanto com ela que escreveu noutro papel: “desejo ter
uma boneca igual à da vizinha. Depois, ao olhar para a sua cama, viu a boneca ali, sentada a
olhar para ela, e pensou: «Isto dos desejos não é nada mau!»

        Foi pedindo cada vez mais coisas até que pediu um cão, que entrou de rajada no
quarto e começou a roer tudo o que a rapariga pedira, até que já muito assustada grita. O cão,
furioso, vai a correr em direção a ela e começa a roer a caixa e madeira da avó, a pequena, já a
chorar, escreve: “desejo voltar ao dia em que me foi entregue a caixa”, coloca o papel na caixa
e num abrir e fechar de olhos, ela estava no sofá, a olhar para os meigos olhos da sua avó que
lhe entregava um papel.

        -Lembra-te neta, nem tudo o que mais desejamos é o melhor para nós.




Fim

A talentosa caixa de madeira

  • 1.
    Estava uma tardeagradável na casa da Senhora Martins. Ela estava a fazer bolinhos de canela, os favoritos da neta que ia lá lanchar. Quando esta chegou, toda sorridente, a avó pôs os bolinhos na mesa. As duas comeram os bolinhos e a avó entrega-lhe uma carta onde constava: “Querida neta, é com muito carinho que te dou esta caixa de madeira. Ela tem um dom, consegue ser um génio, mas não vale a pena esfregá-la, pois não irá aparecer uma “nuvem falante”, basta abri-la e lá dentro meter um pequeno papel com um desejo, quanto mais humilde for, mais fácil será de se concretizar.” -Que carta é esta avó? – perguntou -Foi a carta que a avó da minha avó lhe escreveu nos seus anos. -Então e a caixa? -Está aqui e a partir de agora é tua, mas estima-a muito bem e modera os desejos, pois podem estragar tudo! -Está descansada, ‘vó. Eu só pedirei o que mais precisar. Despediu-se e levou a sua nova caixa para casa, guardou debaixo da cama e prometeu não pedir mais de três desejos. Os meses foram passando e a menina continha-se para não experimentar o presente da avó. Mas ela foi acumulando ansiedade com curiosidade até que não conseguiu resistir. Pegou num bocado de papel e escreveu: “desejo ser famosa” e meteu na caixa. O dia seguinte correu-lhe tão mal, mas tão mal, que quando chegou pegou logo num papel e escreveu: “desejo deixar de ser famosa” e meteu na caixinha. Quanto espreitou pela janela já lá não estavam os jornalistas que a haviam perseguido, só lá estava a vizinha a brincar com uma boneca, e a menina engraçou tanto com ela que escreveu noutro papel: “desejo ter uma boneca igual à da vizinha. Depois, ao olhar para a sua cama, viu a boneca ali, sentada a olhar para ela, e pensou: «Isto dos desejos não é nada mau!» Foi pedindo cada vez mais coisas até que pediu um cão, que entrou de rajada no quarto e começou a roer tudo o que a rapariga pedira, até que já muito assustada grita. O cão, furioso, vai a correr em direção a ela e começa a roer a caixa e madeira da avó, a pequena, já a chorar, escreve: “desejo voltar ao dia em que me foi entregue a caixa”, coloca o papel na caixa e num abrir e fechar de olhos, ela estava no sofá, a olhar para os meigos olhos da sua avó que lhe entregava um papel. -Lembra-te neta, nem tudo o que mais desejamos é o melhor para nós. Fim