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Que barafunda, na loja chinesa! Não havia época mais trabalhosa
do que o Natal, por isso o tio tinha pedido ao pequeno Yan para
dar uma ajuda. Ninguém na família falava tão bem português.
Yan corria daqui para ali, mostrava os cartões de boas festas, as
luzinhas coloridas, os bonecos de neve, os fatos de Pai Natal. Mas,
sempre que podia, escapava-se para a secção de brinquedos. O
seu encanto era o dinossauro de pilhas que abria a boca e soltava
um ronco medonho.
Se ninguém o comprasse, podia sempre brincar com ele depois
de a loja fechar. Por isso, Yan escondera-o por trás de todos os
outros bonecos.
Mas, justamente no dia 24, apareceu uma senhora com um
menino em cadeira de rodas. Era o Zé, lá da escola.
– Ó Yan, não me arranjas um dinossauro?
– Não preferes um carro a pilhas? Temos puzzles, jogos, o
Homem-Aranha…
O Zé riu-se.
– Nem pareces tu a falar! És louco por dinossauros! Aposto que
pediste um na carta ao Pai Natal.
– Nós não festejamos o Natal…
– Não recebes prendas?!
O DINOSSAURO
Luísa Ducla Soares
CONTO DE NATAL
Yan foi buscar os dinossauros pequenos, encavalitados uns nos
outros, que escondiam o monstro rugidor…
– Não quero esses! – disse o Zé, pouco convencido. – Mostra-me
antes aquele grande. É fantástico!
– Esse é muito caro…
– Mas não gostas dele? Não davas tudo para ter um assim?
Duas lágrimas pequeninas afloraram aos olhos de Yan.
– É esse que eu levo! Mas quero convidar-te para vires jantar à
nossa casa, para conheceres a nossa forma de festejar o Natal.
À noite, junto ao pinheiro, havia um presente, muito bem
embrulhado, para o Yan.
Era o dinossauro!
O Zé tinha outro, igualzinho, que o Pai Natal tinha comprado
sabe-se lá onde e porquê.
O DINOSSAURO
Luísa Ducla Soares