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A INVEJA DE ASAFEE
Salmo 73
Juarez Fragata
EDIÇÃO 2022
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Todos os Salmos eram cantados, e não
recitados como costumeiramente se faz hoje
em dia. Isso significa que todos tinham uma
melodia. Agora, como eram essas melodias
ninguém sabe, uma vez que não foram
registradas em partituras.
Os sistemas de notação musical existem há
milhares de anos, sendo que foram descobertas
evidências arqueológicas de escrita musical
prática no Egito e Mesopotâmia por volta do
terceiro milênio a. C. https://pt.wikipedia.org.
Acredito que naquela época as partituras
musicais não eram tão populares entre os
levitas, ou então os mesmos achavam que as
melodias não eram tão importantes quanto às
letras, por isso se perderam no transcurso das
gerações.
O Salmo (73) fora escrito por um sujeito
chamado Asafee.
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Seguramente o mesmo era um levita – e
isso me leva a crer que Asafee também fora o
autor da melodia que não chegara aos nossos
ouvidos, mas que, certamente ainda continua
ecoando em frequências que não conseguimos
acessar.
Salmo 73/1-2: Verdadeiramente bom é
Deus para com Israel, para com os limpos de
coração. Quanto a mim, os meus pés quase
que se desviaram; pouco faltou para que
escorregassem os meus passos.
Não seria demérito algum começar o Salmo
asseverando: Deus é Bom. Porém, Asafee
fizera questão de iniciá-lo afirmando que
verdadeiramente bom é Deus, não somente
para com Israel, mas também para com os
limpos de coração, dando a intender de que a
ênfase a mais no tocante a bondade de Deus
era decorrente de uma experiência prática com
o Senhor, e não de uma papagaiada teórica. Já
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no versículo (2) o mesmo se sente um homem
acanhado, rebaixado pelo peso de sua
consciência, e quando diz “quanto a mim” se
exclui até mesmo de sua nacionalidade,
julgando-se indigno de ser chamado de
israelita. Tudo isso porque os seus pés quase
tinham se desvirtuados, chegando ao ponto de
faltar pouco para que resvalassem os seus
passos. Agora, qual fora o fator preponderante
que o levara a este extremo?
A resposta está no verso seguinte.
Salmo 73/3: Pois eu tinha inveja dos
néscios, quando via a prosperidade dos
ímpios.
Como pode pessoas desprovidas de
conhecimento, de discernimento ser detentoras
da capacidade de despertar inveja em alguém?
No caso de Asafee a possibilidade mais
verossímil é de que estas pessoas tinham um
invólucro que atiçava o desejo de seus olhos.
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Muitas vezes determinados produtos alcançam
uma grande margem de vendas, não pela
qualidade, mas sim pela bela embalagem.
Usando essa simplificação – talvez nós
consigamos ter uma vaga ideia do que
acontecera com Asafee.
Na segunda parte do verso os olhos
abandonam a condição de órgãos
anfibológicos, e tornam-se agentes
cooperadores da inveja.
“Pois eu tinha inveja quando via a
prosperidade dos ímpios!”
Desde o início os olhos estavam
mancomunados com a invídia, sendo que o
resultado final dessa trilogia – fora creditado
somente a inveja – de certo modo inocentando
os olhos. De um modo mais simples, menos
complexo, sem os pormenores, podemos
afirmar que Asafee começara olhar ao seu
derredor e fazer comparações, e, é claro que
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ação deste nível sempre acaba trazendo
consequências até mesmo bastante
desagradáveis ao observador.
Salmo 73/4-5: Os maus não sofrem; eles
são fortes e cheios de saúde. Eles não sofrem
como os outros sofrem, nem têm as aflições
que os outros têm.
A constatação inicial do salmista fora de
que as pessoas de má índole não passavam por
sofrimentos como os justos. Os mesmos eram
robustos e desfrutavam de saúde perfeita,
enquanto aqueles de temperamento bondoso
recebiam como paga um processo seletivo em
que a sorte, a casualidade ou circunstâncias
negavam-lhes até mesmo as coisas mais
básicas, como alimento e saúde, por exemplo.
Enquanto o injusto vivia um processo
contínuo de pujança na área da saúde e em
outras esferas o justo definhava. Enquanto o
injusto vivia um processo contínuo de
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afloramento o justo murchava como planta em
terra árida, ressequida pela falta de água da
chuva, como que profetizando a respeito de
um lamento nordestino.
A observação seguinte era de que os
perversos não sofriam como os demais
sofriam, nem tão pouco as aflições os
acometiam, sendo que os justos, as pessoas de
boa índole – eram obrigadas a viver quase que
diariamente com essa espécie de desconforto,
chegando ao ponto de muitas vezes
acostumar-se com aquela condição anômala
aos malfazejos. O ápice assemelhava-se a
agulhas penetrando fundo na alma, e para
aqueles que tinham o dom poético o lamento
da dor transbordava em forma de versos
sapientes, e a pesar da agonia cheios de vida,
ao contrário dos versos de Augusto dos Anjos,
por exemplo, onde encontramos a sabedoria da
dor do ser humano em seu estado caído, ainda
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não gerado de semente incorruptível, pela
palavra de Deus, viva, e que permanece para
sempre (1 Pedro 1/23).
Salmo 73/6: Por isso, usam o orgulho como
se fosse um colar e a violência, como uma
capa.
A isenção de sofrimentos físicos, e de
mortificações fazia com que o núcleo de
pessoas de má índole usasse o orgulho como
se fosse uma joia em volta do pescoço, e a
bestialidade como vestimenta. As mesmas
julgavam-se acima do bem e do mal, acima de
Deus e do diabo, e, é claro que o sentimento
de supremacia – lhes outorgava uma
autorização para colocar em prática um
sistema normativo de violência para obter o
que desejavam, ou então para reprimir aqueles
que levantavam a bandeira da justiça.
Trazendo as palavras de Asafee para os nossos
dias podemos afirmar que o justo, isto é, o
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verdadeiro praticante do evangelho de Cristo,
veste-se do novo homem, que se renova para o
conhecimento, de acordo com a imagem
daquele que o criou (Colossenses 3/20),
enquanto que as pessoas de má índole usam o
orgulho como joia envolta do pescoço, e a
violência como vestimenta.
Salmo 73/7: O coração deles está cheio de
maldade, e a mente deles só vive fazendo
planos perversos.
A violência é como uma vestimenta aos
maus porque a essência dos mesmos é
maldade em estado latejante. O exterior – é
uma réplica precisa daquilo que está no
interior. Os dois lados se confundem,
tornando-se impossível – distinguir a ação
carnal da espiritual, uma vez que ambos
tornam-se uma só coisa a serviço do mal.
Talvez a definição que mais se aproxime da
realidade é: as pessoas ímpias e perversas são
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como espinheiros ambulantes ferindo a todos
que – por ventura ou infelicidade sejam alvos
de seus olhares de rapina, ou que entre no
fluxo deles. É por isso que Salomão, o homem
tido como o mais sábio do mundo dá a
seguinte recomendação: Não entres pela
vereda dos ímpios, nem ande no caminho dos
maus. Evita-o; não passes por ele; desvia-te
dele e passa de largo. Pois não dormem, se
não fizerem mal, e foge deles o sono se não
fizerem alguém tropeçar (Provérbios 4/14-16).
A segunda parte do verso (7), do Salmo
(73), está escrito que a mente dos maus e
heréticos só vive fazendo planos perversos, e o
versículo (16) de Provérbios (4) afirma que os
mesmos não dormem se não praticarem algo
de mal. Eles perdem o sono se não fizerem
alguém tropeçar. O tropeçamento do próximo
lhes causa êxtase.
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Senhores de cabelos brancos, bengalas,
olhos tortos, e outros tantos sinais marcantes.
Estes foram os primeiros presos na operação
“Lava Jato”, a maior operação anticorrupção
do Brasil. Diante daquele cenário que só
faltava pirata com perna de pau e olho de
vidro, e senhores competindo com Matusalém
no quesito idade, minha mãe voltou-se para
mim e perguntou-me: – Por que será que esses
velhos mais pra lá do que pra cá continuam
roubando?
– Porque a essência deles é esta – respondi
de modo enfático.
Os ímpios e maus sentem prazer em fazer o
que é ruim, e se durante o dia não conseguem
prejudicar um ou dois não conseguem dormir,
assim como lhes foge o sono se não alcançam
a meta de induzir uma pessoa de boa índole ao
erro.
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Algum tempo atrás conversava eu com um
cidadão que na época era meu chefe. Como
estávamos perto do Natal à conversa
automaticamente começara girar em torno
deste dia. Conversa vai conversa vem.
– Meu pai odeia o Natal e o primeiro dia
do ano – disse eu – pois segundo o mesmo
esses dias são os dias dos hipócritas. As
pessoas dizem um feliz Natal e um feliz ano
Novo da boca pra fora. Na realidade o que eles
querem é que a grande maioria tenha um Natal
infeliz, assim como um primeiro de ano
infeliz!
A resposta do sujeito foi:
– A gente precisa tirar um dia para ser
bom!
Confesso que fiquei estupefato com a
resposta daquela pessoa que, procurava, e
creio que ainda procura levar vantagem em
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tudo; isso sem falar no autoritarismo, mas o
que esperar do ímpio?
Para o justo todo o dia é dia de praticar
boas ações para com o próximo, uma vez que
essa virtude faz parte de sua essência. Já o
ímpio precisa de um dia específico para agir
como hipócrita, como diz meu pai, visto que a
ação bondosa desencadeada pelo mesmo não é
sincera, mas sim como um ato de barganha
com Deus.
“Faço o bem no Natal, e isso vai me isentar
de punição por todas as maldades que cometi
durante o ano!”
Hipócritas, mil vezes hipócritas!
Salmo 73/8: Eles gostam de caçoar e só
falam de coisas más. São orgulhosos e fazem
planos para explorar os outros.
“Em boca fechada não entra mosca!”
Adágio como este não faz sentido algum ao
ímpio. A zombaria está em sua boca.
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Ademais, de contínuo fazem menção de coisas
desagradáveis aos verdadeiros adoradores – do
Deus único e verdadeiro. Isso sem falar no
sentimento de satisfação com os seus próprios
feitos e qualidades que os faz se sentirem
superiores as demais pessoas, vendo-as, como
apenas meras criaturas criadas – para serem
serviçais e objetos de exploração por parte
deles.
Salmo 73/ 9: Falam mal de Deus, que está
no céu, e com orgulho dão ordens às pessoas
aqui na terra.
Lex Luthor, o vilão fictício que aparece em
histórias em quadrinhos disse parodiando o
filósofo grego Epicuro: "Se deus é todo
poderoso ele não pode ser de todo bom, e se
ele é de todo bom não pode ser todo
poderoso."
A tese do filósofo é: "Ou Deus é todo-
poderoso, ou é todo-generoso. Ele não pode
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ser as duas coisas e permitir a dor e o
sofrimento".
A intenção de Epicuro fora refutar o Deus
de Israel que, obviamente, também é o Deus
dos cristãos, e por meio do mesmo fora criado,
sem dúvida alguma, um dos maiores
argumentos ateístas.
Este tipo de ambivalência é usado a todo
instante pelos ímpios com um único propósito:
confundir a cabeça das pessoas no que diz
respeito a Deus, afrontando, assim, os céus em
outras traduções, e quando a turba assume
uma coisa por outra, é imposta as
determinações ditatoriais.
Salmo 73/ 10: Assim o povo de Deus vai atrás
deles e crê no que eles dizem.
A grande massa fica como que hipnotizada,
e sem resistência vai até a esfera de controle
dos ímpios que, na maioria das vezes se
apresentam como líderes religiosos. O absurdo
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é que até mesmo o povo de Deus muitas vezes
deposita fé – nos enganos propagados pelos
mesmos.
Salmo 73/ 11: Eles afirmam: “Deus não
vai saber disso; o Altíssimo não descobrirá
nada! ”
Na Linguagem de Hoje é como se os
ímpios procurassem esconder suas más ações
de Deus, e de acordo com suas consciências o
Senhor não descobriria nada daquilo que
estavam colocando em prática. Já em outra
tradução está escrito o seguinte: E eles dizem:
Como o sabe Deus? Há conhecimento no
Altíssimo?
Nesta tradução eles questionam a sabedoria
de Deus, e em seguida é feito outro
questionamento a respeito se existe
conhecimento no Criador. Os ímpios não
passaram pelo processo do novo nascimento,
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por isso eles não têm temor de Deus, e Deus
está tão distante da realidade dos mesmos.
Salmo 73/ 12: Os maus são assim: eles têm
muito e ficam cada vez mais ricos.
Para as pessoas malfazejas os fins
justificam os meios. Não há código de ética,
assim sendo vale tudo, até mesmo assassinar
para adquirir mais e mais riquezas. O justo
olha para os perversos e fica se perguntando:
Como estas pessoas maléficas conseguem
ficar mais e mais rico, e eu, trabalho, trabalho,
me esforço, me esforço e não consigo sair do
lugar?
É que o justo segue as regras do jogo.
Trapaças não passam pela sua cabeça. Já os
malvados a todo o instante – fazem uso de
trapaças para atingir seus objetivos. Só por
isso os mesmos se enriquecem mais, e mais, e
os justos ficam estagnados, isso quando não
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regridem em decorrência de uma crise
econômica, ou outra situação quaisquer.
Salmo 73/ 13: Parece que não adiantou
nada eu me conservar puro e ter as mãos
limpas de pecado.
Aqui o salmista Asafee está prestes a jogar
a toalha, como se diz por aí. De que adiantou o
mesmo conservar-se puro, e ter as mãos
limpas de pecado, se os abençoados eram os
ímpios, apesar de todas as perversidades que
era cometida contra o próximo?
Apesar dos pesares o mesmo tinha chegado
até ali, mas agora já não havia mais esperança.
O salmista não enxergava luz no fim do túnel.
Salmo 73/ 14: Pois tu, ó Deus, me tens feito
sofrer o dia inteiro, e todas as manhãs me
castigas.
Este versículo soa um tanto estranho. A
lógica era começar com o final do verso, para
só então fazer menção do início: Pois tu, ó
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Deus, todas as manhãs me castigas, e me tens
feito sofrer o dia inteiro.
Eu acredito que esta contrariedade à lógica
é porque aquilo que Asafee sofria quando
acordava era mais ameno do que o mesmo
sofria durante o dia.
Abrir os olhos era uma punição
extremamente penosa para o salmista. Sim, já
houve momentos em minha vida em que
acordar de manhã era um castigo. Eu só não
desejava a morte quando estava dormindo, por
isso quando abria os olhos ao raiar do dia, e
ainda estava vivo, isso era uma forma cruel de
punição para mim. Acredito que um grande
número de pessoas também já – passou por
situação semelhante, no entanto, tudo indica
que a situação de Asafee não era para tanto. O
seu sofrimento era mais intenso durante o dia,
e a sensação que fica para nós é que uma
doença o acompanhava desde a tenra idade, e
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isso era uma das causas que o faziam invejar a
saúde e a prosperidade dos ímpios.
Salmo 73/ 15: Se eu tivesse falado como os
maus, teria traído o teu povo.
Asafee nos da a entender neste verso que a
sua vontade era chutar o balde, e tomar posse
das palavras da mulher de Jó: Ainda reténs a
tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre
(Jó 2/ 9).
Porém, se ele tivesse tomado posse das
palavras da mulher de Jó, e as proferido o
mesmo teria falado aquilo que era moralmente
reprovável diante do Senhor, ademais seria
uma traição ao povo de Deus, uma vez que
todos o tinham como um servo do Altíssimo, e
se dissesse algo incompatível com os
mandamentos sagrados o mesmo deixaria em
estado de perplexidade o povo do Senhor. Por
isso Asafee mediu as consequências, e tendo
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plena consciência de que poderia se igualizar
aos maus calou-se.
O salmista Asafee era um levita, deveras,
temente a Deus, e não chutou tudo para o alto
e falou como os maus, para – não trair o povo
santo, no entanto, existem muitos que se
dizem cristão que só não chutam o pau da
barraca por que tem medo de sair mal na foto
na visão do cristianismo, e não são poucos os
que ganham muito dinheiro com nicho.
É bem verdade que uma vez ou outra nós
entramos em sincronismo com a linha de
pensamento de Asafee, e nos prontificamos a
pecar de modo consciente, mas no exato
momento da consumação do pecado nos
caímos em si assim como o filho mais novo da
parábola do “Filho Pródigo”, e retrocedemos
arrependidos e pedindo perdão a Deus.
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Salmo 73/ 16: Então eu me esforcei para
entender essas coisas, mas isso era difícil
demais para mim.
Neste versículo o salmista coloca em
prática o processo de reflexão. Por que havia
aquela ambivalência entre o justo (que no caso
em questão era o mesmo), e o ímpio, mas o
seu entendimento não se abria. A dificuldade
fez com que o mesmo chegasse à conclusão de
que aquele assunto demandava um trabalho –
excessivo para que se conseguisse realizar.
De vez em quando a mesma coisa acontece
conosco. Nós pedimos entendimento ao
Senhor a respeito de determinada questão,
porém são raras às vezes em que a resposta
chega imediatamente.
Quase sempre a resposta chega depois de
um tempo, pra não dizer depois de um longo
tempo.
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Salmo 73/ 17: Porém, quando fui ao teu
Templo, entendi o que acontecerá no fim com
os maus.
Sim, eu já ouvi pastor usar este verso para
dar sustentáculo a sua afirmação de que –
frequentar a igreja é de vital importância para
o cristão. Porque é somente ali que se houve a
Palavra de Deus. É bom ressaltar que os
crentes deveriam frequentar a sua igreja, já
que segundo o mesmo quase todas as outras
apregoavam doutrinas falsas, somente ele
pregava o evangelho verdadeiro, isento de
heresias.
É bom deixar bem claro de que nos dias do
salmista Asafee não havia bíblia, ao contrário
de hoje que em todas as moradias existe uma,
duas ou mais bíblia. Naquele tempo para se
entrar em contato com a palavra de Deus era
necessário ir ao templo ouvir os sacerdotes
expor a Torá. Hoje nós podemos entrar em
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contato com a palavra viva e receber
entendimento a respeito de determinado
assunto, em casa, na igreja ou em qualquer
outro lugar, onde há disponibilidade de tempo,
e não obrigatoriamente numa igreja.
Salmo 73/ 18: Tu os pões em lugares onde
eles escorregam e fazes com que caiam
mortos.
Asafee recebeu o entendimento por meio
do Espírito Santo de que os ímpios são
inseguros, intuitivamente sabedores que
andam em terreno escorregadio, e que a
qualquer momento podem resvalar, no sentido
literal, perder tudo o que possuem. Por isso os
mesmos procuram encontrar segurança nos
bens matérias.
Certamente você já ouviu uma vez ou outra
alguém dizer: Quem mais tem, mais quer!
É a insegurança que faz com que o ímpio
queira mais e mais, pois ele acredita que os
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bens materiais lhes trarão segurança, porém a
sua meta nunca é atingida, uma vez que
somente Deus pode preencher o vazio humano
e dar segurança ao mesmo.
“E fazes com que caiam mortos!”
É óbvio que a insegurança gera
preocupações exacerbadas ao ímpio, trazendo
como consequência doenças de todas as
espécies, isso sem falar no risco de sofrer um
infarto fulminante, e cair morto, confirmando
na prática aquilo que o salmista escreveu,
segundo o seu entendimento.
Salmo 73/ 19: Eles são destruídos num
momento e têm um fim horrível.
O pobre, seja ele cristão ou não, nunca tem
muita coisa a perder, e quando perde o pouco
que tem não se desespera, visto que o pouco
que tinha e o nada quase que se equivalem.
Agora, o ímpio abastado de bens materiais,
quando é destituído de suas posses, isto é, vai
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à bancarrota – quase sempre comete o suicídio
sem pensar duas vezes, tendo como diz o
salmista um fim horrível.
Salmo 73/ 20: Quando te levantas, Senhor,
tu não lembras dos maus, pois eles são como
um sonho que a gente esquece quando acorda
de manhã.
Deus vê os maus como algo bem distante.
Como uma imagem na tela do cinema ou da
televisão. Sim, tanto a imagem de um como a
de outra não é real, assim como um sonho. Por
isso o Senhor não vê significância nos
malfazejo.
Para compreendermos um pouco melhor
este assunto vamos recorrer ao profeta Isaías.
Isaías 59/ 1-2: Eis que a mão do Senhor
não está encolhida, para que não possa
salvar; nem agravado o seu ouvido, para não
poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem
separação entre vós e o vosso Deus; e os
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vossos pecados encobrem o seu rosto de vós,
para que não vos ouça.
O profeta está falando a uma parte dos
israelitas que, estava agindo com perversidade,
assemelhando-se aos maus mencionados pelo
salmista Asafee, por isso o segundo verso
também pode ser aplicado aos mesmos. Toda
a malignidade cria uma separação entre quem
comete tal ato e Deus. É óbvio que toda a
crueldade cometida na esfera física – é um
pecado na esfera espiritual, e este pecado cria
uma espécie de muro separando Deus do
pecador, ou um manto impedindo o Senhor de
vê-lo, e ouvi-lo.
Salmo 73/21: O meu coração estava cheio
de amargura, e eu fiquei revoltado.
Antes de Asafee receber entendimento por
meio do Espírito o seu coração estava cheio de
angústia, e esta consternação fez com que o
mesmo ficasse revoltado com aquilo que já
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estava acostumado a presenciar no dia-a-dia.
Os maus se dando bem, e os justos padecendo
de toda sorte de malefícios. De tanto refletir a
respeito desta aparente injustiça o seu coração
se encheu de mágoa e revolta.
Salmo 73/22: Eu não podia compreender, ó
Deus; era um animal, sem entendimento.
Neste versículo o salmista apenas confirma
que a sua dificuldade em compreender aquele
tema é que foi responsável pelo seu coração
encher-se de amargura, trazendo como
consequência à revolta.
Na tradução João Ferreira de Almeida este
verso está escrito da seguinte maneira: Assim
me embruteci, e nada sabia; fiquei como um
animal perante ti.
Até onde sei um animal não tem
entendimento, uma vez que é irracional, por
isso o final deste versículo Na Tradução Na
Linguagem de Hoje soa um tanto estranho.
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Sim, eu deposito confiabilidade na segunda
tradução, onde Asafee afirma que naquele
estágio, no qual se encontrava o mesmo
sentia-se como um animal perante o Senhor.
Salmo 73/23: No entanto, estou sempre
contigo, e tu me seguras pela mão.
No transcurso do Salmo Asafee passa por
altos e baixos, no entanto, neste versículo o
mesmo afirma que – sempre cumpriu todas as
suas obrigações para com o Senhor, ou seja,
em momento algum o mesmo foi desleixado
em seu ministério de levita, e sua dedicação o
mantinha de contínuo ao lado do Altíssimo,
deixando bem claro que todas as suas
complicações – eram provenientes da carne, e
não do espírito.
Mateus 26/ 41: Vigiai e orai, para que não
entreis em tentação; na verdade, o espírito
está pronto, mas a carne é fraca.
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O espírito de Asafee estava pronto, porém,
sua carne era fraca, e como ele não vigiava,
nem orava o suficiente caiu em tentação,
invejando os néscios e a prosperidade dos
ímpios. Contudo, sua dedicação ao seu
ministério fazia com que Deus o segurasse
pela mão. Se os irmãos têm um ministério,
seja ele grande ou pequeno com certeza já
tiveram uma experiência semelhante à de
Asafee. Quem sabe não de proporções a do
salmista, mas certamente já vivenciaram na
prática algo de menor simetria.
Por exemplo, minha prioridade era escrever
meu testemunho, porém, depois de um
pequeno esboço surgiu em minha mente o
Salmo (73). Eu já havia começado um estudo
deste Salmo, contudo, tinha parado no
versículo (7). Os sete versos haviam me
rendido dez laudas. Depois de dividi-las
cuidadosamente em três partes, publiquei-as
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em meu blog, e passei a escrever outras coisas,
no entanto, agora algo estava me dizendo para
terminar aquilo que havia começado há meses
atrás. A falta de vontade fizera com que eu
relutasse um pouco, mas, assim que retomei o
estudo deste Salmo senti o poder de Deus no
âmago, e meu coração começou a transbordar
de alegria, coisa que acontece sempre quando
dedico parte do meu tempo a ler e a escrever
aquilo que aprendo lendo as Escrituras
Sagradas. Se o irmão ou a irmã tem um
ministério sabe muito bem do que estou
falando. Se for louvar a Deus, este ato faz com
que seu coração se encha de poder e alegria. O
mesmo vale para pregadores e os outros
ministérios dentro da igreja. Sempre que
usamos os dons que ganhamos do Senhor – o
poder e a alegria do Espírito invadem o nosso
íntimo.
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Salmo 73/24: Tu me guias com os teus
conselhos e no fim me receberás com honras.
No tempo de Asafee os servos de Deus
recebiam a Sua direção ou conselho – por
meio da boca dos sacerdotes. Hoje nós temos
o privilégio de ter a Bíblia em casa, e – é
através daquilo que está escrito nela que o
Senhor nos guia, e se seguirmos Suas
diretrizes com diligência no fim seremos
recebidos com honras.
É bom enfatizar de que não estou
desmerecendo a função dos pastores quando
os estimulo a ler a Bíblia. Os mesmos
continuam ocupando um lugar de destaque na
igreja de Cristo. O que quero dizer é que o
irmão ou irmã não precisa ficar em total
dependência destes líderes. Vocês podem sim
estudar as Escrituras, e aprender sozinhos, sem
depender exclusivamente daquilo que é
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transmitido nos púlpitos. Vocês são
extremamente capazes disso.
Salmo 73/25: No céu, eu só tenho a ti. E, se
tenho a ti, que mais poderia querer na terra?
Aqui a mente de Asafee já está
completamente voltada para as coisas
celestiais. Tanto é verdade que as coisas
terrenas – perderam o sentido para o mesmo.
Isso não foi uma experiência nova, o
patriarca Abraão também fez isso, quando
habitou na terra da promessa, como em terra
alheia, uma vez que a sua mente estava
voltada para a cidade que tem fundamento, a
Jerusalém celestial, da qual o artífice e
construtor é Deus (Hebreus 11/9-10).
Nos dias do apóstolo Paulo havia um grupo
de pessoas o qual de antemão o apóstolo
destinou-o a perdição, uma vez que o deus
deste grupo era o estômago, e se isso não
bastasse – os membros deste grupo tinham
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orgulho daquilo que era vergonhoso, e só
pensavam nas coisas terrenas (Filipenses
3/19).
No versículo seguinte o apóstolo diz: A
nossa cidadania, porém, está nos céus, de
onde esperamos ansiosamente um Salvador, o
Senhor Jesus Cristo (Filipenses 3/20).
Já em Colossenses 3/2, Paulo recomenda:
Mantenham o pensamento nas coisas do alto,
e não nas coisas terrenas.
Na doutrina do dispensacionalismo
acredita-se que as promessas terrenas são para
o povo israelita, enquanto que as promessas
celestiais são para a igreja. Eu não sou
especialista nesta questão, contudo tenho
inteireza de fé que, tanto Abraão, assim como
o salmista Asafee criam que as promessas
celestiais também eram para eles.
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Vamos repetir as palavras de Asafee: No
céu, eu só tenho a ti. E, se tenho a ti, que mais
poderia querer na terra?
Asafee estava completamente voltado –
para as promessas celestiais, e com isso
passou a ignorar por completo as
circunstâncias terrenas.
Salmo 73/26: Ainda que a minha mente e o
meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha
força, ele é tudo o que sempre preciso.
O salmista virou a chave e a agora só Deus
lhe importava. Mesmo que o tempo ou
situações adversas ocasionassem a perda de
suas forças físicas não mais importava, por
que agora – Deus era a sua força, e tudo que
precisava em todo tempo.
Salmo 73/27: Os que se afastam de ti
certamente morrerão, e tu destruirás os que
são infiéis a ti.
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Deus disse a Adão lá no jardim do Éden:
De toda a árvore do jardim comerás
livremente, mas da árvore do conhecimento do
bem e do mal, dela não comerás; porque no
dia em que dela comeres, certamente morrerás
(Gênesis 2/16-17).
O Senhor chegou à conclusão de que não
era bom Adão viver sozinho, por isso criou
Eva da costela do mesmo, e trouxe-a, a ele
(Gênesis 2/18-22). Depois de um tempo entrou
a serpente na jogada, e fizera com que Eva
comece do fruto da árvore proibida, e por sua
vez Eva induziu Adão a também comer.
Deus havia dito a Adão que no dia em que
comece do fruto da árvore do conhecimento
do bem e do mal ele – certamente morreria.
Adão alertou Eva a este respeito, contudo a
serpente – fez a cabeça dela afirmando:
Certamente não morrereis (Gênesis 3/4).
38
Ambos comeram do fruto da árvore do
conhecimento do bem e do mal e fisicamente
nada aconteceu, ou seja, os mesmos não
morreram.
Não morreram, mas tornaram-se pessoas
vazias, porque a morte deles foi espiritual. Era
a respeito desta morte que Deus tinha alertado
o primeiro homem, e este transmitido o alerta
a sua esposa Eva.
Tessalonicenses 5/19: Não extingais o
Espírito.
O Espírito é inapagável. O que o apóstolo
Paulo quis dizer é: Não fique desconectado do
Espírito.
E isso acontece quando nos distanciamos
daquilo que Deus nos chamou para fazer. Este
distanciamento faz com que venhamos a –
morrer espiritualmente.
Quando Asafee afirmou que aqueles que se
afastam do Senhor, isto é, do seu chamado em
39
Deus morreram, o mesmo está se referindo a
morte espiritual e não física. Já no que diz
respeito àqueles que são displicentes em sua
obra serão aniquilados.
Costumo dizer que foi Deus quem me
escolheu e não eu que escolhi Deus.
Inicialmente fiquei revoltado com os escritos
bíblicos de um irmão. A revolta surgiu em
meu âmago no capítulo em que o mesmo
falava a respeito do amor, obviamente,
segundo as Escrituras. Reli todo o capítulo, e
depois de uma breve reflexão disse para
comigo mesmo: Tudo que está escrito aqui é
correto!
Assim que concordei com aquilo que estava
escrito a respeito do amor bíblico fui tomado
por algo extraordinário. O melhor exemplo
que encontrei foi um pingo d’água numa folha
de jornal. Quando um pingo d’água cai numa
página de jornal a umidade se espalha no
40
papel. Tenho inteireza de fé que naquele
momento aconteceu em mim à lavagem da
regeneração e da renovação do Espírito Santo,
que abundantemente foi derramado sobre mim
por Jesus Cristo nosso Salvador (Tito 3/5-6).
O vazio interior que sentia desapareceu.
Como poderia sentir vazio interior quando
estava tomado por uma – alegria sem igual?
Eu havia me tornado um novo homem, no
entanto, por falta de entendimento, não me
alimentava da palavra de Deus, e isso levou
aquele antigo vazio interior a dar sinais de que
retornaria. Sim, havia risco de uma morte
espiritual, porém, recusando-me a perder
aquele tesouro de valor inestimável, abri a
Bíblia na carta de Tiago, e na minha
ignorância fiz uma força tremenda – achando
que isso era fé, pois ainda não sabia que nas
coisas do Senhor nada é por força, nem por
violência, mas, sim pelo Espírito que se
41
consegue as coisas que pedimos segundo a
vontade do Senhor (Zacarias 4/6). Contudo o
Senhor não ligou para a minha atitude pueril e
não deixou que eu perdesse de vez aquele
tesouro precioso.
Sim, meus irmãos, se nos afastarmos do
Senhor certamente morremos espiritualmente,
pois o Senhor está conosco, enquanto nós
estivermos com Ele, e se O buscarmos, O
acharemos, porém, se O deixarmos o Senhor
nos deixará e como já disse anteriormente,
isso trará como consequência para nós – a
morte espiritual (2 Crônicas 15/2).
Salmo 73/28: Mas, quanto a mim, como é
bom estar perto de Deus! Faço do Senhor
Deus o meu refúgio e anuncio tudo o que ele
tem feito.
No segundo verso deste Salmo Asafee diz:
Quanto a mim, os meus pés quase que se
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desviaram; pouco faltou para que
escorregassem os meus passos.
Já no último versículo o mesmo diz: Mas,
quanto a mim, como é bom estar perto de
Deus!
Quanta diferença. Agora sim Asafee é um
levita. E um levita que, realmente, serve a
Deus. Com inteireza de fé ele adora o Senhor.
É no Senhor que ele encontra refúgio, e por
meio de seus louvores anuncia o que o
Altíssimo tem feito desde então. Amém!
43

A INVEJA DO SALMISTA ASAFEE

  • 2.
    1 A INVEJA DEASAFEE Salmo 73 Juarez Fragata EDIÇÃO 2022
  • 3.
  • 4.
    3 Todos os Salmoseram cantados, e não recitados como costumeiramente se faz hoje em dia. Isso significa que todos tinham uma melodia. Agora, como eram essas melodias ninguém sabe, uma vez que não foram registradas em partituras. Os sistemas de notação musical existem há milhares de anos, sendo que foram descobertas evidências arqueológicas de escrita musical prática no Egito e Mesopotâmia por volta do terceiro milênio a. C. https://pt.wikipedia.org. Acredito que naquela época as partituras musicais não eram tão populares entre os levitas, ou então os mesmos achavam que as melodias não eram tão importantes quanto às letras, por isso se perderam no transcurso das gerações. O Salmo (73) fora escrito por um sujeito chamado Asafee.
  • 5.
    4 Seguramente o mesmoera um levita – e isso me leva a crer que Asafee também fora o autor da melodia que não chegara aos nossos ouvidos, mas que, certamente ainda continua ecoando em frequências que não conseguimos acessar. Salmo 73/1-2: Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração. Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos. Não seria demérito algum começar o Salmo asseverando: Deus é Bom. Porém, Asafee fizera questão de iniciá-lo afirmando que verdadeiramente bom é Deus, não somente para com Israel, mas também para com os limpos de coração, dando a intender de que a ênfase a mais no tocante a bondade de Deus era decorrente de uma experiência prática com o Senhor, e não de uma papagaiada teórica. Já
  • 6.
    5 no versículo (2)o mesmo se sente um homem acanhado, rebaixado pelo peso de sua consciência, e quando diz “quanto a mim” se exclui até mesmo de sua nacionalidade, julgando-se indigno de ser chamado de israelita. Tudo isso porque os seus pés quase tinham se desvirtuados, chegando ao ponto de faltar pouco para que resvalassem os seus passos. Agora, qual fora o fator preponderante que o levara a este extremo? A resposta está no verso seguinte. Salmo 73/3: Pois eu tinha inveja dos néscios, quando via a prosperidade dos ímpios. Como pode pessoas desprovidas de conhecimento, de discernimento ser detentoras da capacidade de despertar inveja em alguém? No caso de Asafee a possibilidade mais verossímil é de que estas pessoas tinham um invólucro que atiçava o desejo de seus olhos.
  • 7.
    6 Muitas vezes determinadosprodutos alcançam uma grande margem de vendas, não pela qualidade, mas sim pela bela embalagem. Usando essa simplificação – talvez nós consigamos ter uma vaga ideia do que acontecera com Asafee. Na segunda parte do verso os olhos abandonam a condição de órgãos anfibológicos, e tornam-se agentes cooperadores da inveja. “Pois eu tinha inveja quando via a prosperidade dos ímpios!” Desde o início os olhos estavam mancomunados com a invídia, sendo que o resultado final dessa trilogia – fora creditado somente a inveja – de certo modo inocentando os olhos. De um modo mais simples, menos complexo, sem os pormenores, podemos afirmar que Asafee começara olhar ao seu derredor e fazer comparações, e, é claro que
  • 8.
    7 ação deste nívelsempre acaba trazendo consequências até mesmo bastante desagradáveis ao observador. Salmo 73/4-5: Os maus não sofrem; eles são fortes e cheios de saúde. Eles não sofrem como os outros sofrem, nem têm as aflições que os outros têm. A constatação inicial do salmista fora de que as pessoas de má índole não passavam por sofrimentos como os justos. Os mesmos eram robustos e desfrutavam de saúde perfeita, enquanto aqueles de temperamento bondoso recebiam como paga um processo seletivo em que a sorte, a casualidade ou circunstâncias negavam-lhes até mesmo as coisas mais básicas, como alimento e saúde, por exemplo. Enquanto o injusto vivia um processo contínuo de pujança na área da saúde e em outras esferas o justo definhava. Enquanto o injusto vivia um processo contínuo de
  • 9.
    8 afloramento o justomurchava como planta em terra árida, ressequida pela falta de água da chuva, como que profetizando a respeito de um lamento nordestino. A observação seguinte era de que os perversos não sofriam como os demais sofriam, nem tão pouco as aflições os acometiam, sendo que os justos, as pessoas de boa índole – eram obrigadas a viver quase que diariamente com essa espécie de desconforto, chegando ao ponto de muitas vezes acostumar-se com aquela condição anômala aos malfazejos. O ápice assemelhava-se a agulhas penetrando fundo na alma, e para aqueles que tinham o dom poético o lamento da dor transbordava em forma de versos sapientes, e a pesar da agonia cheios de vida, ao contrário dos versos de Augusto dos Anjos, por exemplo, onde encontramos a sabedoria da dor do ser humano em seu estado caído, ainda
  • 10.
    9 não gerado desemente incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre (1 Pedro 1/23). Salmo 73/6: Por isso, usam o orgulho como se fosse um colar e a violência, como uma capa. A isenção de sofrimentos físicos, e de mortificações fazia com que o núcleo de pessoas de má índole usasse o orgulho como se fosse uma joia em volta do pescoço, e a bestialidade como vestimenta. As mesmas julgavam-se acima do bem e do mal, acima de Deus e do diabo, e, é claro que o sentimento de supremacia – lhes outorgava uma autorização para colocar em prática um sistema normativo de violência para obter o que desejavam, ou então para reprimir aqueles que levantavam a bandeira da justiça. Trazendo as palavras de Asafee para os nossos dias podemos afirmar que o justo, isto é, o
  • 11.
    10 verdadeiro praticante doevangelho de Cristo, veste-se do novo homem, que se renova para o conhecimento, de acordo com a imagem daquele que o criou (Colossenses 3/20), enquanto que as pessoas de má índole usam o orgulho como joia envolta do pescoço, e a violência como vestimenta. Salmo 73/7: O coração deles está cheio de maldade, e a mente deles só vive fazendo planos perversos. A violência é como uma vestimenta aos maus porque a essência dos mesmos é maldade em estado latejante. O exterior – é uma réplica precisa daquilo que está no interior. Os dois lados se confundem, tornando-se impossível – distinguir a ação carnal da espiritual, uma vez que ambos tornam-se uma só coisa a serviço do mal. Talvez a definição que mais se aproxime da realidade é: as pessoas ímpias e perversas são
  • 12.
    11 como espinheiros ambulantesferindo a todos que – por ventura ou infelicidade sejam alvos de seus olhares de rapina, ou que entre no fluxo deles. É por isso que Salomão, o homem tido como o mais sábio do mundo dá a seguinte recomendação: Não entres pela vereda dos ímpios, nem ande no caminho dos maus. Evita-o; não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo. Pois não dormem, se não fizerem mal, e foge deles o sono se não fizerem alguém tropeçar (Provérbios 4/14-16). A segunda parte do verso (7), do Salmo (73), está escrito que a mente dos maus e heréticos só vive fazendo planos perversos, e o versículo (16) de Provérbios (4) afirma que os mesmos não dormem se não praticarem algo de mal. Eles perdem o sono se não fizerem alguém tropeçar. O tropeçamento do próximo lhes causa êxtase.
  • 13.
    12 Senhores de cabelosbrancos, bengalas, olhos tortos, e outros tantos sinais marcantes. Estes foram os primeiros presos na operação “Lava Jato”, a maior operação anticorrupção do Brasil. Diante daquele cenário que só faltava pirata com perna de pau e olho de vidro, e senhores competindo com Matusalém no quesito idade, minha mãe voltou-se para mim e perguntou-me: – Por que será que esses velhos mais pra lá do que pra cá continuam roubando? – Porque a essência deles é esta – respondi de modo enfático. Os ímpios e maus sentem prazer em fazer o que é ruim, e se durante o dia não conseguem prejudicar um ou dois não conseguem dormir, assim como lhes foge o sono se não alcançam a meta de induzir uma pessoa de boa índole ao erro.
  • 14.
    13 Algum tempo atrásconversava eu com um cidadão que na época era meu chefe. Como estávamos perto do Natal à conversa automaticamente começara girar em torno deste dia. Conversa vai conversa vem. – Meu pai odeia o Natal e o primeiro dia do ano – disse eu – pois segundo o mesmo esses dias são os dias dos hipócritas. As pessoas dizem um feliz Natal e um feliz ano Novo da boca pra fora. Na realidade o que eles querem é que a grande maioria tenha um Natal infeliz, assim como um primeiro de ano infeliz! A resposta do sujeito foi: – A gente precisa tirar um dia para ser bom! Confesso que fiquei estupefato com a resposta daquela pessoa que, procurava, e creio que ainda procura levar vantagem em
  • 15.
    14 tudo; isso semfalar no autoritarismo, mas o que esperar do ímpio? Para o justo todo o dia é dia de praticar boas ações para com o próximo, uma vez que essa virtude faz parte de sua essência. Já o ímpio precisa de um dia específico para agir como hipócrita, como diz meu pai, visto que a ação bondosa desencadeada pelo mesmo não é sincera, mas sim como um ato de barganha com Deus. “Faço o bem no Natal, e isso vai me isentar de punição por todas as maldades que cometi durante o ano!” Hipócritas, mil vezes hipócritas! Salmo 73/8: Eles gostam de caçoar e só falam de coisas más. São orgulhosos e fazem planos para explorar os outros. “Em boca fechada não entra mosca!” Adágio como este não faz sentido algum ao ímpio. A zombaria está em sua boca.
  • 16.
    15 Ademais, de contínuofazem menção de coisas desagradáveis aos verdadeiros adoradores – do Deus único e verdadeiro. Isso sem falar no sentimento de satisfação com os seus próprios feitos e qualidades que os faz se sentirem superiores as demais pessoas, vendo-as, como apenas meras criaturas criadas – para serem serviçais e objetos de exploração por parte deles. Salmo 73/ 9: Falam mal de Deus, que está no céu, e com orgulho dão ordens às pessoas aqui na terra. Lex Luthor, o vilão fictício que aparece em histórias em quadrinhos disse parodiando o filósofo grego Epicuro: "Se deus é todo poderoso ele não pode ser de todo bom, e se ele é de todo bom não pode ser todo poderoso." A tese do filósofo é: "Ou Deus é todo- poderoso, ou é todo-generoso. Ele não pode
  • 17.
    16 ser as duascoisas e permitir a dor e o sofrimento". A intenção de Epicuro fora refutar o Deus de Israel que, obviamente, também é o Deus dos cristãos, e por meio do mesmo fora criado, sem dúvida alguma, um dos maiores argumentos ateístas. Este tipo de ambivalência é usado a todo instante pelos ímpios com um único propósito: confundir a cabeça das pessoas no que diz respeito a Deus, afrontando, assim, os céus em outras traduções, e quando a turba assume uma coisa por outra, é imposta as determinações ditatoriais. Salmo 73/ 10: Assim o povo de Deus vai atrás deles e crê no que eles dizem. A grande massa fica como que hipnotizada, e sem resistência vai até a esfera de controle dos ímpios que, na maioria das vezes se apresentam como líderes religiosos. O absurdo
  • 18.
    17 é que atémesmo o povo de Deus muitas vezes deposita fé – nos enganos propagados pelos mesmos. Salmo 73/ 11: Eles afirmam: “Deus não vai saber disso; o Altíssimo não descobrirá nada! ” Na Linguagem de Hoje é como se os ímpios procurassem esconder suas más ações de Deus, e de acordo com suas consciências o Senhor não descobriria nada daquilo que estavam colocando em prática. Já em outra tradução está escrito o seguinte: E eles dizem: Como o sabe Deus? Há conhecimento no Altíssimo? Nesta tradução eles questionam a sabedoria de Deus, e em seguida é feito outro questionamento a respeito se existe conhecimento no Criador. Os ímpios não passaram pelo processo do novo nascimento,
  • 19.
    18 por isso elesnão têm temor de Deus, e Deus está tão distante da realidade dos mesmos. Salmo 73/ 12: Os maus são assim: eles têm muito e ficam cada vez mais ricos. Para as pessoas malfazejas os fins justificam os meios. Não há código de ética, assim sendo vale tudo, até mesmo assassinar para adquirir mais e mais riquezas. O justo olha para os perversos e fica se perguntando: Como estas pessoas maléficas conseguem ficar mais e mais rico, e eu, trabalho, trabalho, me esforço, me esforço e não consigo sair do lugar? É que o justo segue as regras do jogo. Trapaças não passam pela sua cabeça. Já os malvados a todo o instante – fazem uso de trapaças para atingir seus objetivos. Só por isso os mesmos se enriquecem mais, e mais, e os justos ficam estagnados, isso quando não
  • 20.
    19 regridem em decorrênciade uma crise econômica, ou outra situação quaisquer. Salmo 73/ 13: Parece que não adiantou nada eu me conservar puro e ter as mãos limpas de pecado. Aqui o salmista Asafee está prestes a jogar a toalha, como se diz por aí. De que adiantou o mesmo conservar-se puro, e ter as mãos limpas de pecado, se os abençoados eram os ímpios, apesar de todas as perversidades que era cometida contra o próximo? Apesar dos pesares o mesmo tinha chegado até ali, mas agora já não havia mais esperança. O salmista não enxergava luz no fim do túnel. Salmo 73/ 14: Pois tu, ó Deus, me tens feito sofrer o dia inteiro, e todas as manhãs me castigas. Este versículo soa um tanto estranho. A lógica era começar com o final do verso, para só então fazer menção do início: Pois tu, ó
  • 21.
    20 Deus, todas asmanhãs me castigas, e me tens feito sofrer o dia inteiro. Eu acredito que esta contrariedade à lógica é porque aquilo que Asafee sofria quando acordava era mais ameno do que o mesmo sofria durante o dia. Abrir os olhos era uma punição extremamente penosa para o salmista. Sim, já houve momentos em minha vida em que acordar de manhã era um castigo. Eu só não desejava a morte quando estava dormindo, por isso quando abria os olhos ao raiar do dia, e ainda estava vivo, isso era uma forma cruel de punição para mim. Acredito que um grande número de pessoas também já – passou por situação semelhante, no entanto, tudo indica que a situação de Asafee não era para tanto. O seu sofrimento era mais intenso durante o dia, e a sensação que fica para nós é que uma doença o acompanhava desde a tenra idade, e
  • 22.
    21 isso era umadas causas que o faziam invejar a saúde e a prosperidade dos ímpios. Salmo 73/ 15: Se eu tivesse falado como os maus, teria traído o teu povo. Asafee nos da a entender neste verso que a sua vontade era chutar o balde, e tomar posse das palavras da mulher de Jó: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre (Jó 2/ 9). Porém, se ele tivesse tomado posse das palavras da mulher de Jó, e as proferido o mesmo teria falado aquilo que era moralmente reprovável diante do Senhor, ademais seria uma traição ao povo de Deus, uma vez que todos o tinham como um servo do Altíssimo, e se dissesse algo incompatível com os mandamentos sagrados o mesmo deixaria em estado de perplexidade o povo do Senhor. Por isso Asafee mediu as consequências, e tendo
  • 23.
    22 plena consciência deque poderia se igualizar aos maus calou-se. O salmista Asafee era um levita, deveras, temente a Deus, e não chutou tudo para o alto e falou como os maus, para – não trair o povo santo, no entanto, existem muitos que se dizem cristão que só não chutam o pau da barraca por que tem medo de sair mal na foto na visão do cristianismo, e não são poucos os que ganham muito dinheiro com nicho. É bem verdade que uma vez ou outra nós entramos em sincronismo com a linha de pensamento de Asafee, e nos prontificamos a pecar de modo consciente, mas no exato momento da consumação do pecado nos caímos em si assim como o filho mais novo da parábola do “Filho Pródigo”, e retrocedemos arrependidos e pedindo perdão a Deus.
  • 24.
    23 Salmo 73/ 16:Então eu me esforcei para entender essas coisas, mas isso era difícil demais para mim. Neste versículo o salmista coloca em prática o processo de reflexão. Por que havia aquela ambivalência entre o justo (que no caso em questão era o mesmo), e o ímpio, mas o seu entendimento não se abria. A dificuldade fez com que o mesmo chegasse à conclusão de que aquele assunto demandava um trabalho – excessivo para que se conseguisse realizar. De vez em quando a mesma coisa acontece conosco. Nós pedimos entendimento ao Senhor a respeito de determinada questão, porém são raras às vezes em que a resposta chega imediatamente. Quase sempre a resposta chega depois de um tempo, pra não dizer depois de um longo tempo.
  • 25.
    24 Salmo 73/ 17:Porém, quando fui ao teu Templo, entendi o que acontecerá no fim com os maus. Sim, eu já ouvi pastor usar este verso para dar sustentáculo a sua afirmação de que – frequentar a igreja é de vital importância para o cristão. Porque é somente ali que se houve a Palavra de Deus. É bom ressaltar que os crentes deveriam frequentar a sua igreja, já que segundo o mesmo quase todas as outras apregoavam doutrinas falsas, somente ele pregava o evangelho verdadeiro, isento de heresias. É bom deixar bem claro de que nos dias do salmista Asafee não havia bíblia, ao contrário de hoje que em todas as moradias existe uma, duas ou mais bíblia. Naquele tempo para se entrar em contato com a palavra de Deus era necessário ir ao templo ouvir os sacerdotes expor a Torá. Hoje nós podemos entrar em
  • 26.
    25 contato com apalavra viva e receber entendimento a respeito de determinado assunto, em casa, na igreja ou em qualquer outro lugar, onde há disponibilidade de tempo, e não obrigatoriamente numa igreja. Salmo 73/ 18: Tu os pões em lugares onde eles escorregam e fazes com que caiam mortos. Asafee recebeu o entendimento por meio do Espírito Santo de que os ímpios são inseguros, intuitivamente sabedores que andam em terreno escorregadio, e que a qualquer momento podem resvalar, no sentido literal, perder tudo o que possuem. Por isso os mesmos procuram encontrar segurança nos bens matérias. Certamente você já ouviu uma vez ou outra alguém dizer: Quem mais tem, mais quer! É a insegurança que faz com que o ímpio queira mais e mais, pois ele acredita que os
  • 27.
    26 bens materiais lhestrarão segurança, porém a sua meta nunca é atingida, uma vez que somente Deus pode preencher o vazio humano e dar segurança ao mesmo. “E fazes com que caiam mortos!” É óbvio que a insegurança gera preocupações exacerbadas ao ímpio, trazendo como consequência doenças de todas as espécies, isso sem falar no risco de sofrer um infarto fulminante, e cair morto, confirmando na prática aquilo que o salmista escreveu, segundo o seu entendimento. Salmo 73/ 19: Eles são destruídos num momento e têm um fim horrível. O pobre, seja ele cristão ou não, nunca tem muita coisa a perder, e quando perde o pouco que tem não se desespera, visto que o pouco que tinha e o nada quase que se equivalem. Agora, o ímpio abastado de bens materiais, quando é destituído de suas posses, isto é, vai
  • 28.
    27 à bancarrota –quase sempre comete o suicídio sem pensar duas vezes, tendo como diz o salmista um fim horrível. Salmo 73/ 20: Quando te levantas, Senhor, tu não lembras dos maus, pois eles são como um sonho que a gente esquece quando acorda de manhã. Deus vê os maus como algo bem distante. Como uma imagem na tela do cinema ou da televisão. Sim, tanto a imagem de um como a de outra não é real, assim como um sonho. Por isso o Senhor não vê significância nos malfazejo. Para compreendermos um pouco melhor este assunto vamos recorrer ao profeta Isaías. Isaías 59/ 1-2: Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os
  • 29.
    28 vossos pecados encobremo seu rosto de vós, para que não vos ouça. O profeta está falando a uma parte dos israelitas que, estava agindo com perversidade, assemelhando-se aos maus mencionados pelo salmista Asafee, por isso o segundo verso também pode ser aplicado aos mesmos. Toda a malignidade cria uma separação entre quem comete tal ato e Deus. É óbvio que toda a crueldade cometida na esfera física – é um pecado na esfera espiritual, e este pecado cria uma espécie de muro separando Deus do pecador, ou um manto impedindo o Senhor de vê-lo, e ouvi-lo. Salmo 73/21: O meu coração estava cheio de amargura, e eu fiquei revoltado. Antes de Asafee receber entendimento por meio do Espírito o seu coração estava cheio de angústia, e esta consternação fez com que o mesmo ficasse revoltado com aquilo que já
  • 30.
    29 estava acostumado apresenciar no dia-a-dia. Os maus se dando bem, e os justos padecendo de toda sorte de malefícios. De tanto refletir a respeito desta aparente injustiça o seu coração se encheu de mágoa e revolta. Salmo 73/22: Eu não podia compreender, ó Deus; era um animal, sem entendimento. Neste versículo o salmista apenas confirma que a sua dificuldade em compreender aquele tema é que foi responsável pelo seu coração encher-se de amargura, trazendo como consequência à revolta. Na tradução João Ferreira de Almeida este verso está escrito da seguinte maneira: Assim me embruteci, e nada sabia; fiquei como um animal perante ti. Até onde sei um animal não tem entendimento, uma vez que é irracional, por isso o final deste versículo Na Tradução Na Linguagem de Hoje soa um tanto estranho.
  • 31.
    30 Sim, eu depositoconfiabilidade na segunda tradução, onde Asafee afirma que naquele estágio, no qual se encontrava o mesmo sentia-se como um animal perante o Senhor. Salmo 73/23: No entanto, estou sempre contigo, e tu me seguras pela mão. No transcurso do Salmo Asafee passa por altos e baixos, no entanto, neste versículo o mesmo afirma que – sempre cumpriu todas as suas obrigações para com o Senhor, ou seja, em momento algum o mesmo foi desleixado em seu ministério de levita, e sua dedicação o mantinha de contínuo ao lado do Altíssimo, deixando bem claro que todas as suas complicações – eram provenientes da carne, e não do espírito. Mateus 26/ 41: Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.
  • 32.
    31 O espírito deAsafee estava pronto, porém, sua carne era fraca, e como ele não vigiava, nem orava o suficiente caiu em tentação, invejando os néscios e a prosperidade dos ímpios. Contudo, sua dedicação ao seu ministério fazia com que Deus o segurasse pela mão. Se os irmãos têm um ministério, seja ele grande ou pequeno com certeza já tiveram uma experiência semelhante à de Asafee. Quem sabe não de proporções a do salmista, mas certamente já vivenciaram na prática algo de menor simetria. Por exemplo, minha prioridade era escrever meu testemunho, porém, depois de um pequeno esboço surgiu em minha mente o Salmo (73). Eu já havia começado um estudo deste Salmo, contudo, tinha parado no versículo (7). Os sete versos haviam me rendido dez laudas. Depois de dividi-las cuidadosamente em três partes, publiquei-as
  • 33.
    32 em meu blog,e passei a escrever outras coisas, no entanto, agora algo estava me dizendo para terminar aquilo que havia começado há meses atrás. A falta de vontade fizera com que eu relutasse um pouco, mas, assim que retomei o estudo deste Salmo senti o poder de Deus no âmago, e meu coração começou a transbordar de alegria, coisa que acontece sempre quando dedico parte do meu tempo a ler e a escrever aquilo que aprendo lendo as Escrituras Sagradas. Se o irmão ou a irmã tem um ministério sabe muito bem do que estou falando. Se for louvar a Deus, este ato faz com que seu coração se encha de poder e alegria. O mesmo vale para pregadores e os outros ministérios dentro da igreja. Sempre que usamos os dons que ganhamos do Senhor – o poder e a alegria do Espírito invadem o nosso íntimo.
  • 34.
    33 Salmo 73/24: Tume guias com os teus conselhos e no fim me receberás com honras. No tempo de Asafee os servos de Deus recebiam a Sua direção ou conselho – por meio da boca dos sacerdotes. Hoje nós temos o privilégio de ter a Bíblia em casa, e – é através daquilo que está escrito nela que o Senhor nos guia, e se seguirmos Suas diretrizes com diligência no fim seremos recebidos com honras. É bom enfatizar de que não estou desmerecendo a função dos pastores quando os estimulo a ler a Bíblia. Os mesmos continuam ocupando um lugar de destaque na igreja de Cristo. O que quero dizer é que o irmão ou irmã não precisa ficar em total dependência destes líderes. Vocês podem sim estudar as Escrituras, e aprender sozinhos, sem depender exclusivamente daquilo que é
  • 35.
    34 transmitido nos púlpitos.Vocês são extremamente capazes disso. Salmo 73/25: No céu, eu só tenho a ti. E, se tenho a ti, que mais poderia querer na terra? Aqui a mente de Asafee já está completamente voltada para as coisas celestiais. Tanto é verdade que as coisas terrenas – perderam o sentido para o mesmo. Isso não foi uma experiência nova, o patriarca Abraão também fez isso, quando habitou na terra da promessa, como em terra alheia, uma vez que a sua mente estava voltada para a cidade que tem fundamento, a Jerusalém celestial, da qual o artífice e construtor é Deus (Hebreus 11/9-10). Nos dias do apóstolo Paulo havia um grupo de pessoas o qual de antemão o apóstolo destinou-o a perdição, uma vez que o deus deste grupo era o estômago, e se isso não bastasse – os membros deste grupo tinham
  • 36.
    35 orgulho daquilo queera vergonhoso, e só pensavam nas coisas terrenas (Filipenses 3/19). No versículo seguinte o apóstolo diz: A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Filipenses 3/20). Já em Colossenses 3/2, Paulo recomenda: Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Na doutrina do dispensacionalismo acredita-se que as promessas terrenas são para o povo israelita, enquanto que as promessas celestiais são para a igreja. Eu não sou especialista nesta questão, contudo tenho inteireza de fé que, tanto Abraão, assim como o salmista Asafee criam que as promessas celestiais também eram para eles.
  • 37.
    36 Vamos repetir aspalavras de Asafee: No céu, eu só tenho a ti. E, se tenho a ti, que mais poderia querer na terra? Asafee estava completamente voltado – para as promessas celestiais, e com isso passou a ignorar por completo as circunstâncias terrenas. Salmo 73/26: Ainda que a minha mente e o meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha força, ele é tudo o que sempre preciso. O salmista virou a chave e a agora só Deus lhe importava. Mesmo que o tempo ou situações adversas ocasionassem a perda de suas forças físicas não mais importava, por que agora – Deus era a sua força, e tudo que precisava em todo tempo. Salmo 73/27: Os que se afastam de ti certamente morrerão, e tu destruirás os que são infiéis a ti.
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    37 Deus disse aAdão lá no jardim do Éden: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás (Gênesis 2/16-17). O Senhor chegou à conclusão de que não era bom Adão viver sozinho, por isso criou Eva da costela do mesmo, e trouxe-a, a ele (Gênesis 2/18-22). Depois de um tempo entrou a serpente na jogada, e fizera com que Eva comece do fruto da árvore proibida, e por sua vez Eva induziu Adão a também comer. Deus havia dito a Adão que no dia em que comece do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal ele – certamente morreria. Adão alertou Eva a este respeito, contudo a serpente – fez a cabeça dela afirmando: Certamente não morrereis (Gênesis 3/4).
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    38 Ambos comeram dofruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e fisicamente nada aconteceu, ou seja, os mesmos não morreram. Não morreram, mas tornaram-se pessoas vazias, porque a morte deles foi espiritual. Era a respeito desta morte que Deus tinha alertado o primeiro homem, e este transmitido o alerta a sua esposa Eva. Tessalonicenses 5/19: Não extingais o Espírito. O Espírito é inapagável. O que o apóstolo Paulo quis dizer é: Não fique desconectado do Espírito. E isso acontece quando nos distanciamos daquilo que Deus nos chamou para fazer. Este distanciamento faz com que venhamos a – morrer espiritualmente. Quando Asafee afirmou que aqueles que se afastam do Senhor, isto é, do seu chamado em
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    39 Deus morreram, omesmo está se referindo a morte espiritual e não física. Já no que diz respeito àqueles que são displicentes em sua obra serão aniquilados. Costumo dizer que foi Deus quem me escolheu e não eu que escolhi Deus. Inicialmente fiquei revoltado com os escritos bíblicos de um irmão. A revolta surgiu em meu âmago no capítulo em que o mesmo falava a respeito do amor, obviamente, segundo as Escrituras. Reli todo o capítulo, e depois de uma breve reflexão disse para comigo mesmo: Tudo que está escrito aqui é correto! Assim que concordei com aquilo que estava escrito a respeito do amor bíblico fui tomado por algo extraordinário. O melhor exemplo que encontrei foi um pingo d’água numa folha de jornal. Quando um pingo d’água cai numa página de jornal a umidade se espalha no
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    40 papel. Tenho inteirezade fé que naquele momento aconteceu em mim à lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente foi derramado sobre mim por Jesus Cristo nosso Salvador (Tito 3/5-6). O vazio interior que sentia desapareceu. Como poderia sentir vazio interior quando estava tomado por uma – alegria sem igual? Eu havia me tornado um novo homem, no entanto, por falta de entendimento, não me alimentava da palavra de Deus, e isso levou aquele antigo vazio interior a dar sinais de que retornaria. Sim, havia risco de uma morte espiritual, porém, recusando-me a perder aquele tesouro de valor inestimável, abri a Bíblia na carta de Tiago, e na minha ignorância fiz uma força tremenda – achando que isso era fé, pois ainda não sabia que nas coisas do Senhor nada é por força, nem por violência, mas, sim pelo Espírito que se
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    41 consegue as coisasque pedimos segundo a vontade do Senhor (Zacarias 4/6). Contudo o Senhor não ligou para a minha atitude pueril e não deixou que eu perdesse de vez aquele tesouro precioso. Sim, meus irmãos, se nos afastarmos do Senhor certamente morremos espiritualmente, pois o Senhor está conosco, enquanto nós estivermos com Ele, e se O buscarmos, O acharemos, porém, se O deixarmos o Senhor nos deixará e como já disse anteriormente, isso trará como consequência para nós – a morte espiritual (2 Crônicas 15/2). Salmo 73/28: Mas, quanto a mim, como é bom estar perto de Deus! Faço do Senhor Deus o meu refúgio e anuncio tudo o que ele tem feito. No segundo verso deste Salmo Asafee diz: Quanto a mim, os meus pés quase que se
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    42 desviaram; pouco faltoupara que escorregassem os meus passos. Já no último versículo o mesmo diz: Mas, quanto a mim, como é bom estar perto de Deus! Quanta diferença. Agora sim Asafee é um levita. E um levita que, realmente, serve a Deus. Com inteireza de fé ele adora o Senhor. É no Senhor que ele encontra refúgio, e por meio de seus louvores anuncia o que o Altíssimo tem feito desde então. Amém!
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