Ir para o conteúdo principal
FUNDAMENTOS HISTÓRICOS
DA EDUCAÇÃO I
Profª Me. Maria Cristina Bortolozo
Alguns exemplos de linha do tempo que vocês
podem encontrar na internet
Linha do tempo pessoal
Linha do tempo
HISTÓRIA
1500 começa a HISTÓRIA DO BRASIL
Estudo do texto de Manacorda
Educação na Antiguidade – Antigo Egito
• início da história da antiguidade clássica e o berço da cultura
• o processo educativo não era voltado exclusivamente para o ler,
escrever e calcular e nem para o aprendizado profissional, mas sim,
para a vida política e voltado aos filhos da classe dominante
(Manacorda p.17).
• A educação estava intimamente relacionada com a religião e a
cultura.
Educação no Antigo Egito era:
• Mnemônica
• Baseada na escrita
• Transmitida autoritariamente e institucionalizada.
• foco na obediência e na disciplina.
• Uso de livros e textos sapiencial.
• Processo sistemático.
• transmitida autoritariamente de pai para filho.
• Educação de classes:
• As que tinham privilégios: sacerdotes, nobres e funcionários.
• O restante da população: artesãos, camponeses e escravos.
• educação destinada às classes dominantes: basicamente educação para a vida
política, para o exercício do poder, baseada em literatura sapiciencial e com foco no
aprendizado de comportamentos e moral referentes ao exercício do poder.
* já existia a hierarquização do trabalho e para isso se fez necessário a criação de 3 tipos
de escolas:
• As escolas intelectuais: onde eram desenvolvidos os estudos de matemática, de
geometria e astronomia;
• As escolas práticas: para formação de artesãos e treinamento de guerreiros;
• As escolas esotéricas e sagradas: eram voltadas para formação de sacerdotes.
 Atenas:
democrática (época).
processo educativo: meio para
alcançar o conhecimento da verdade,
do belo e do bem.
 Esparta:
sociedade guerreira (heróis
guerreiros).
educação totalitária, militar e cívica
repressiva, interesses sacrificados à
razão do Estado
A Educação na Antiguidade:
Grécia
dois paradigmas de organização social;
duas concepções de educação.
Sócrates criou o método pedagógico do diálogo, envolvendo a ironia e a
maiêutica; pioneiro em reconhecer, como fim da educação, o valor da
personalidade humana, não a individual subjetiva, mas a de caráter
universal. Distanciava-se:
• Esparta: educação atendia aos interesses do Estado
• Sofistas: educação voltada apenas para o sucesso individual
Grécia
• os princípios da educação são difundidos por Heródoto, Platão e
Diodoro de Sicília
• houve um evidente desenvolvimento da democracia educativa,
sendo reservado, para as classes governantes, um processo
educativo para o pensar e falar (política) e o fazer com as armas
para a formação dos guerreiros.
• Para o povo a educação era o treinamento no trabalho, pela via da
imitação e observação.
• Homero é considerado “o educador de toda a Grécia”, mas Platão
projetará uma educação sistemática para os jovens (p.42).
Grécia (período clássico)
• Valorização da música e a ginástica na formação dos cidadãos
• Creta e Esparta os locais da política e da educação: surge o pedônomo, o legislador da
educação na Grécia.
• Pitágoras: criação de um Centro de educação de natureza privada, a thíasoi, cujo
princípio é valorização do único bem que se transmite, mas não se perde, a educação, a
Paidéia.
• Athenas: Sólon - escola de cultura e educação física aberta a todos os cidadãos e
controlada pelo Estado (p.47).
• O pedônomo atua na escola do Estado, no entanto, temos ainda o “pedagogo”, geralmente um
escravo ou estrangeiro trabalhando para as famílias e que acompanha as crianças na escola.
Aristóteles defende a gramática, a ginástica, a música e o desenho na escola, excluindo na educação
dos sujeitos livres toda disciplina voltada ao exercício profissional e no fim do século IV a.C. defende
na sua obra "Política", a escola pública (p.66). A escola grega no século V a.C. é o ginásio, centro de
cultura física e intelectual, presente nas cidades do Oriente mediterrâneo, conquistadas por
Alexandre, o Grande (p.68).
• Necessidade do estudo individual, psicológico do aluno
(Quintiliano);
• Considera vida familiar (pai no exercício da educação);
• Preceitos Humanos: valoriza ação, vontade, reflexão e a
contemplação;
• Políticos: acentuação do poder, afã de domínio, de
império;
• Sociais: afirmação do individual e da vida familiar, ante ou
junto ao Estado;
Roma: Lorenzo Luzuriaga destaca:
Criação do primeiro sistema de
educação estatal (todo o Império).
•Culturais: falta de filosofia, de investigação desinteressada, criação
das normas jurídicas, do direito;
•Educacionais: poder volitivo (da vontade); do hábito e do exercício,
como atitude
• realista (gregos: intelectual e idealista)
Roma
• educação moral, cívica e religiosa.
• força das tradições pátrias. o primeiro educador o pater famílias - ao
contrário dos gregos, cujo mestre era um estrangeiro ou escravo
(pedagogo):
• A antiga monarquia romana era nação de patres, donos da terra e das familiae.
• a criança parava de brincar entre os 07 e 08 anos, passava, sob à tutela do pai, a
aprender as tradições pátrias e a realizar treinamento militar (Manacorda p.75-76).
• nobres se helenizavam x plebeus que necessitavam dominar a língua latina
para manifestarem-se nas Assembleias Públicas
• a escola de retórica latina, democrática e popular, foi criticada por
constituir-se numa escola de subversão política, um ludus impudentia.
• Neste período a escola de modelo grego prevalece e a cultura grega se
torna patrimônio do Império romano, e transmitida à Europa medieval e
moderna e, enfim, para a nossa civilização (Manacorda p.83).
A Educação na Idade Média
• 500 anos: Cristianismo ― Império Romano;
• educação sem escolas;
• processo educacional via comunidade cristã primitiva e se converte na
organização da Igreja de um lado e da família de outro (catequista).
• núcleos básicos fundantes do processo educacional: Igreja e família.
No século V d.C. (criação de reinos romano-bárbaros no Ocidente):
• a única autoridade política, autenticamente romana, é a Igreja e especialmente o
papado (p.111). A escola clássica perde lugar para a escola cristã e a Igreja assume a
reorganização da escola em Roma.
• Em 418 d.C. o papa Zózimo institui as primeiras escolas religiosas. Nas paróquias os
padres acolhem jovens para ensinar-lhes os salmos e as leituras divinas, para a
formação de seus sucessores.
• cultura escolástica: em vez da leitura dos clássicos helenístico-romanos, a leitura
dos clássicos da tradição bíblicoevangélica
• relação pedagógica: punições brandas e severas
• na constituição da escola cristã surge a polêmica contra a cultura e os livros
clássicos (preservados nos mosteiros, guardados pelo bibliotecário e até proibição
da sua leitura)
Período Carolíngeo (Carlos Magno): final do séc. VIII: valorização da
cultura e da escola.
• em 825, Itália, institui-se escola pública.
• França, Concílio de Paris de 829, desobriga o clero de instruir os leigos
e são criadas escolas públicas (p.133).
• a Igreja retoma a iniciativa da educação e, em Roma, permanece como
a principal fonte de instrução (p.140). Na escola do clero secular,
originariamente, o mestre era o bispo (ou, nas paróquias, o pároco),
depois esta tarefa foi transferida para um scholasticus ou magischola.
• concessão (ou venda) de uma licentia docendi, pelo magischola, para
que outro sujeito pudesse ensinar livremente - o prenúncio de uma
educação laica (p.142).
• Após o ano 1000 (em especial na Itália), organizam os centros urbanos
em forma de comunas, se libertando do poder feudal e verifica-se
grande incentivo às atividades culturais e educativas (p.143).
Após o ano 1000
• 1179 o Papa Alexandre III estende o ensino nas igrejas, aos leigos pobres e permite que os
detentores da Licentia Docendi ensinem livremente – provavelmente são os responsáveis
pelo, sob tutela da Igreja, nascimento das universidades.
• Artes Liberais, medicina e jurisprudência (direito romano ou civil e direito canônico) e mais
tarde a teologia no início do século XIII, foram as 04 faculdades das universidades
medievais, uma das heranças culturais mais significativas da Idade Média (p.146).
• nascimento das comunas e das corporações de artes e ofícios – nascimento da burguesia
urbana (p.161).
• TREZENTOS e QUATROCENTOS (Florença e Gênova): surge a escola de uma sociedade
mercantil, quase totalmente livre da ingerência da Igreja e do Império, que renova e
revoluciona os métodos de ensino. ESCOLA ELABORADA PELA BURGUESIA
• avança o movimento humanista: crítica à escola da Idade Média e seu sadismo pedagógico.
• Tema recorrente: necessidade de se compreender a natureza da criança e educá-la de acordo com a sua
índole - compreensão naturalizante desses sujeitos.
PATRÍSTICA (Padres da Igreja)
• destaque : Santo Agostinho. Duas fases na pedagogia:
a) valor da formação humanística;
b) Persegue o ideal do ascetismo.
• fundamental: desenvolvimento da consciência moral.
• considera o valor da cultura física, dos exercícios corporais, assim como da
eloquência e da retórica.
Criaram ao mesmo tempo uma educação para o povo
(educação catequética), dogmática, e uma educação
para o clérigo, humanista e filosófico-teológica .
Conteúdo:
- trivium (gramática, dialética e retórica);
- quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e
música).
Século IX (inspiração de Carlos Magno) organizado em três níveis:
I- Educação Elementar, ministrada pelos sacerdotes em escola paroquiais
(catequese);
II – Educação Secundária, ministrada nos conventos;
III - Educação Superior, ministrada nas Escolas Imperiais (formação dos
funcionários do Império).
Escolástica
• fim do primeiro milênio;
• conciliar a razão filosófica grega com a fé cristã;
• maior expoente: São Tomás de Aquino: a revelação divina era suprarracional,
mas não antirracional;
• Motor: embate com os seguidores de Maomé;
• elaborar uma síntese entre a educação cristã e a educação greco-romana;
• Objetivo: educação integral que favoreça o desabrochar de todas as potencialidades
do indivíduo (o ensino era uma atividade em virtude da qual os dons potenciais se
tornavam realidade)
Embora nunca tenha tratado expressamente da questão
educacional, a escolástica influiu decisivamente sobre
toda a pedagogia católica(universal)
(no Brasil pelos Jesuítas, a partir de 1549) e exerce
influência na sala de aula tradicional até hoje.
A Reviravolta Educacional Provocada
pelo Renascimento
(ANOS 1500 E 1600)
• Confiança na razão e nas aquisições culturais da Antiguidade;
• relação com os avanços da ciência da época e com as descobertas
tecnológicas;
• aprofundamento do Humanismo, só que com feição laica;
• não atinge as grandes massas que permanecem analfabetas e
incultas;
• voltada para a formação do homem burguês;
• a primeira grande revolução burguesa fora iniciada pelo monge agostiniano
Martinho Lutero (1483-1546);
• principal conseqüencia da Reforma Protestante:
- transferência da escola para as mãos do Estado nos países protestantes
- formação para o trabalho (A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo – Weber);
• escola pública defendida por Lutero não é laica, mas sim religiosa e elitista:
• destinava-se em primeiro lugar às classes superiores burguesas;
• secundariamente às classes populares, as quais deveriam ser ensinados
apenas os elementos imprescindíveis, entre os quais a doutrina cristã
reformada.
Contra-Reforma:
Deu-se no terreno cultural e educacional pela Companhia de Jesus:
manual de estudos “Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Iesus”.
A partir de 1599, esse manual passou a fornecer aos sacerdotes-
professores os planos, os programas e os métodos de educação católica
- Santo Inácio quer que seus companheiros tenham domínio de si mesmo
e que sejam homens de caráter
Idade Moderna
ANOS 1500 E 1600
• forte presença dos utopistas base para as reflexões pedagógicas dos anos Seiscentos
• Comenius:
• enciclopédia do saber, a orbis scibilium;
• Didática - pesquisa sobre as metodologias chamadas de ativas (junto com as
palavras deve chegar às crianças, senão as coisas, pelo menos as imagens das coisas
e propõe a Schola ludus (p.221).
• classes dirigentes burguesas na Inglaterra instituiem em 1660 a fundação da Royal
Society inspirada no pensamento de Locke. Preocupação com a formação do
gentleman. As necessidades das crianças seriam supridas pelas paróquias com base na
lei dos pobres e nas escolas para o trabalho.
Idade MODERNA e Idade CONTEMPORÂNEA
ANOS 1700
• França:
• La Salle discute os princípios da escola cristã na qual há uma separação didática,
organizacional e cultural entre o ler e o escrever.
• ILUMINISMO: Rousseau é considerado um dos pais da pedagogia moderna ao
focalizar os objetivos no sujeito.
• Em “Emilio” a redescoberta da educação dos sentidos, a valorização do jogo, do trabalho
manual, da experiência direta com as coisas na educação.
• 1773 há uma reviravolta na escola, em decorrência da supressão da
ordem dos jesuítas (a Companhia de Jesus), passando a escola a ser coisa
do Estado (p.247).
Revolução Industrial – 1750 à 1850:
• Surge a moderna instituição escolar, sendo que fábrica e a escola moderna nascem juntas.
• A politização, democratização e laicização da instrução, tem origem na consciência dos
indivíduos e na prática dos Estados e com revoluções da América (1776) e da França
(1789), há a exigência de uma instrução universal e de uma reorganização do saber, que
acompanhará o desenvolvimento da ciência e da indústria moderna.
• EUA: proposta de uma escola elementar gratuita para todas as crianças, sendo os
melhores, selecionados para a escola secundária e, os melhores destas, encaminhados
para a universidade, sendo que estão contidos nesta proposta os elementos da pedagogia
liberal-democrática (p.250).
• França: Condorcet apresenta em 1792 a natureza e os fins da instrução pública Estatal,
voltada para o povo e inspirada num laicismo que apregoa a instrução “única, gratuita e
neutra” (p.250).
Entre os Setecentos e Oitocentos: o ensino mútuo ou monitorial, nascido na
Inglaterra, no qual adolescentes instruídos pelo mestre, ensinam outros
adolescentes - a competição dá o tom das relações nessas escolas, assim
como uma didática mecanicista baseada em repetições.
Na Suíça, Pestalozzi, a partir de Rousseau, procura juntar o homem natural
e a realidade histórica e apregoava, pela compreensão da psicologia infantil
e da didática, a nova pedagogia.
Os 1800
• A educação recebe o legado da burguesia revolucionária (liberal-democrática) e a
pedagogia ganha características políticas e natureza social (p.269).
• O novo proletário é despossuído de conhecimento, alienado.
• Os capitalistas, preocupados com o trabalho repetitivo da fábrica que aliena o trabalhador,
se preocupam com a instrução das massas, para atender as necessidades da moderna
produção e instituem as relações instrução-trabalho ou instrução técnico-profissional, que
será o tema dominante da pedagogia moderna (p.272).
Movimentos utópicos socialistas:
- Owen: realiza em sua indústria e influenciou a educação nos jardins de infância.
- Froebel: influenciado pelas ideias de Pestalozzi considera a necessidade de iniciar a
educação desde a primeira infância e no ano de 1837 funda o primeiro kindergarten
(p.283).
Entre ciência e filantropia, a escola primária avança, ganha força à escola secundária,
assim como a pesquisa universitária e, simultaneamente, há um renascimento da
universidade com Humboldt na Alemanha.
Rumo aos 2000
• Nos anos 1800 surge um novo protagonista na cena histórica, o socialismo.
• Marx e Engels: define-se como socialismo científico que apregoa uma forma de “pedagogia
social” do capital em que o tempo de trabalho excedente às necessidades vitais do operário,
que na sociedade capitalista é destinado a aumentar o capital, pode e deve tornar-se o
tempo de crescimento intelectual destinado a aumentar a riqueza social e atender
necessidades superiores de todos os seres humanos (p.296)
século XX:
- Europa: as escolas mantinham sua característica livresca e verbalística
- EUA: educação voltada para o fazer e aprender o learning by doing,
cujo protagonista é Dewey.
- Rússia de 1917, com Lênin e Kupriskja, surge uma escola politécnica
que une instrução-trabalho.
-Itália, em meados do século XX, Gramsci, em “Cadernos do Cárcere”,
analisa a crise da organização escolar, tendo como base Marx e as
contradições da experiência soviética, propõe a escola unitária (p.333).
Fundamentos historicos da educacao - Manacorda