Saúde na mídia                                                                   Brasília, 11 de junho de 2011
                                                                                       Correio Braziliense/BR
                                                                      Ministério da Saúde | Alexandre Padilha



                                  Três perguntas para
                                                   SAÚDE
Alexandre Padilha, Ministro da Saúde                    séria nessa área, as metas são possíveis. No caso da
                                                        transmissão para usuários de droga, essa não é uma
Quais são os principais avanços no documento apro-      questão complicada no Brasil, já que menos de 5%
vado ontem?                                             das transmissões nacionais são por essa via. Com cer-
                                                        teza, ainda há desafios, como universalizar o aten-
A declaração representa um avanço, por reconhecer       dimento médico para as gestantes, especialmente no
o direito de todas as nações do mundo a me-             interior do Brasil, mas nós temos estrutura e ca-
dicamentos de baixo custo. Já havia acordos nesse       pacidade técnica para isso.
sentido no âmbito da OMC (Organização Mundial
do Comércio), mas agora temos isso sacramentado         E do ponto de vista do financiamento? No ano pas-
em um documento da ONU. Outra questão que re-           sado, houve uma queda nos repasses internacionais
presentou uma grande vitória foi a definição do tra-    para os fundos globais de combate à doença e o re-
tamento como a melhor forma de prevenção. Não que       latório prevê queos repasses mais do que dobrem. Es-
isso elimine completamente a prevenção tradicional,     se dinheiro estará disponível?
mas abre uma nova forma de combate à doença, que
já vem sendo posta em prática no Brasil há mais de 15   Essa, para mim, é talvez a questão mais crítica. O
anos. Por fim, temos a questão da menção explícita      Brasil deve ampliar a sua participação, mas isso não é
aos grupos mais sensíveis. A partir do momento em       suficiente. Acabamos de aprovar no Congresso Na-
que, pela primeira vez, populações como ho-             cional uma lei que amplia a participação nacional no
mossexuais, trabalhadores do sexo e usuários de dro-    Fundo Global Anti-Aids. Por ela, nós vamos des-
gas injetáveis são explicitados como mais               tinar, para cada passageiro internacional que viaje ao
vulneráveis, os países estão assumindo o com-           Brasil, US$ 2 para esses fundos. Com isso, devemos
promisso de elaborar políticas para esses grupos e de   chegar acercadeUS$15 milhões em contribuição, is-
deixar de ignorar a situação.                           so tomando os padrões atuais, sem contar o aumento
                                                        dos passageiros em função da Copa de 2014 e das
A declaração propõe metas ambiciosas, como a eli-       Olimpíadas de 2016. O Brasil está disposto a au-
minação total da transmissão vertical até 2015. Esses   mentar sua contribuição, mas nós estamos de-
objetivos são possíveis de serem atingidos pelo Bra-    clarando abertamente que essa entrada não pode
sil?                                                    significar substituição de recursos. Os países ricos
                                                        precisam continuar contribuindo e precisam au-
Nós defendemos que haja metas ambiciosas. O Bra-        mentar suas cotas. Precisamos de mais ação no fi-
sil mostrou, nos últimos anos, com a ampliação do       nanciamento do combate à Aids, e essa é
acesso ao pré-natal e a diminuição drástica da trans-   provavelmente a questão mais complicada atual-
missão do HIV de mãe para filho, que é possível zerar   mente.
esse tipo de transmissão. Desde que haja uma política




Saúde na mídia                                                                                           pg.1

Três perguntas para Alexandre Padilha

  • 1.
    Saúde na mídia Brasília, 11 de junho de 2011 Correio Braziliense/BR Ministério da Saúde | Alexandre Padilha Três perguntas para SAÚDE Alexandre Padilha, Ministro da Saúde séria nessa área, as metas são possíveis. No caso da transmissão para usuários de droga, essa não é uma Quais são os principais avanços no documento apro- questão complicada no Brasil, já que menos de 5% vado ontem? das transmissões nacionais são por essa via. Com cer- teza, ainda há desafios, como universalizar o aten- A declaração representa um avanço, por reconhecer dimento médico para as gestantes, especialmente no o direito de todas as nações do mundo a me- interior do Brasil, mas nós temos estrutura e ca- dicamentos de baixo custo. Já havia acordos nesse pacidade técnica para isso. sentido no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio), mas agora temos isso sacramentado E do ponto de vista do financiamento? No ano pas- em um documento da ONU. Outra questão que re- sado, houve uma queda nos repasses internacionais presentou uma grande vitória foi a definição do tra- para os fundos globais de combate à doença e o re- tamento como a melhor forma de prevenção. Não que latório prevê queos repasses mais do que dobrem. Es- isso elimine completamente a prevenção tradicional, se dinheiro estará disponível? mas abre uma nova forma de combate à doença, que já vem sendo posta em prática no Brasil há mais de 15 Essa, para mim, é talvez a questão mais crítica. O anos. Por fim, temos a questão da menção explícita Brasil deve ampliar a sua participação, mas isso não é aos grupos mais sensíveis. A partir do momento em suficiente. Acabamos de aprovar no Congresso Na- que, pela primeira vez, populações como ho- cional uma lei que amplia a participação nacional no mossexuais, trabalhadores do sexo e usuários de dro- Fundo Global Anti-Aids. Por ela, nós vamos des- gas injetáveis são explicitados como mais tinar, para cada passageiro internacional que viaje ao vulneráveis, os países estão assumindo o com- Brasil, US$ 2 para esses fundos. Com isso, devemos promisso de elaborar políticas para esses grupos e de chegar acercadeUS$15 milhões em contribuição, is- deixar de ignorar a situação. so tomando os padrões atuais, sem contar o aumento dos passageiros em função da Copa de 2014 e das A declaração propõe metas ambiciosas, como a eli- Olimpíadas de 2016. O Brasil está disposto a au- minação total da transmissão vertical até 2015. Esses mentar sua contribuição, mas nós estamos de- objetivos são possíveis de serem atingidos pelo Bra- clarando abertamente que essa entrada não pode sil? significar substituição de recursos. Os países ricos precisam continuar contribuindo e precisam au- Nós defendemos que haja metas ambiciosas. O Bra- mentar suas cotas. Precisamos de mais ação no fi- sil mostrou, nos últimos anos, com a ampliação do nanciamento do combate à Aids, e essa é acesso ao pré-natal e a diminuição drástica da trans- provavelmente a questão mais complicada atual- missão do HIV de mãe para filho, que é possível zerar mente. esse tipo de transmissão. Desde que haja uma política Saúde na mídia pg.1