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Quadro da psicologia evolutiva
EFA PRO BÁSICO AGENTE EM
GERIATRIA 06/2022
UFCD: 3537
VISEU, 2022
Cláudia Marques
Quadro da psicologia evolutiva
Objetivos:
• Reconhecer os princípios básicos de psicologia
evolutiva, dando particular ênfase à velhice
como etapa do desenvolvimento humano.
 Reconhecer, caracterizar e distinguir as diferentes
redes de apoio disponíveis e possíveis de serem
utilizadas junto de pessoas idosas.
 Reconhecer a importância das pessoas idosas na
forma como contribuem para uma cidadania
interveniente e responsável.
Conteúdos
 Velhice - psicologia evolutiva
 A velhice no quadro da psicologia
evolutiva
o Conceito de psicologia evolutiva
o Conceito de tarefas evolutivas
o O estudo da velhice no campo da
psicologia evolutiva
o O estudo científico do processo de
envelhecimento
 Redes de apoio
 As pessoas idosas e o meio ambiente
o A diversidade do meio ambiente
o A família e a comunidade
o As Instituições formais caracterização e
natureza das Instituições formais
o institucionalização das pessoas de
idade
o a vida quotidiana nas Instituições
 Grupos e Instituições de ajuda
• Da família aos amigos: a presença da
rede informal
• As novas formas de solidariedade
o Formais
o Informais
Psicologia evolutiva
Conceito de Psicologia Evolutiva
A psicologia evolutiva é a disciplina científica que
estuda o comportamento humano enquanto
instrumento de adaptação da nossa espécie ao meio
ambiente.
Isto significa que podemos entender os nossos
comportamentos como algo que resulta de uma
evolução sujeita a processos de seleção natural ao
longo de toda a nossa história, desde os primórdios
da existência da espécie humana.
É fácil perceber que tanto as características físicas de
um animal (tamanho, cor, força muscular, apuramento
dos sentidos, etc.) como as características
comportamentais (forma de reprodução, capacidade
para identificar o perigo e reagir adequadamente,
capacidade para escolher os alimentos, habilidade
para conceber utensílios, etc.), podem fazer a
diferença entre sobreviver ou morrer.
Um animal que morra antes de atingir a maturidade
reprodutiva não transmite os seus traços físicos e
comportamentais à descendência. Por isso, os
comportamentos que hoje podemos observar nas
espécies que existem são comportamentos que
podemos considerar “bem-sucedidos”. Pelo menos
não levaram à extinção dessa espécie.
Isso significa que o comportamento humano
que hoje conhecemos sobreviveu a milhares de
anos de pressões ambientais, pelo que o
podemos tentar compreender à luz da função
que desempenhou na nossa adaptação.
Tudo isto diz respeito a uma parte da Psicologia
Evolutiva que podemos designar de Filogenética pois
tem a ver com a nossa Filogénese, a evolução da
nossa espécie.
Ora, no mundo primitivo e selvagem era impensável
um ser humano viver tantos anos quantos hoje
vivemos. A nossa longevidade tem vindo a aumentar
muito porque, graças ao nosso cérebro e à inteligência
que desenvolvemos, conseguimos alterar as nossas
condições de vida de tal forma que já controlamos
muitas das causas que causavam a nossa morte em
idades muito mais prematuras.
Daqui resulta que a velhice é um fenómeno que
nós próprios criámos ao aumentar a longevidade da
nossa espécie (e até a dos nossos animais de
estimação).
Ou seja, a nossa existência, que nos primórdios se
diferenciava entre idade imatura (dependente dos
progenitores) e idade madura (independente e com
capacidade reprodutora), passou a ser, no presente, mais
complexa e diferenciada. Temos uma fase de imaturidade
e dependência classificada como infância, uma idade de
maior maturidade mas ainda dependente que é a
adolescência, um percurso pela maturidade e
independência que começa na idade adulta e segue pela
meia-idade e, por fim, um retorno a algum grau de
dependência na etapa que precede a morte: a velhice.
A perspetiva do desenvolvimento no ciclo vital
(psicologia evolutiva) identifica os princípios
fundamentais para o estudo do desenvolvimento
humano:
 O desenvolvimento é vitalício:
desenvolvimento não como algo que afete
somente as crianças e adolescentes, também
durante a idade adulta e a velhice, ocorrem
importantes fatos evolutivos.
Diante disso, para a psicologia evolutiva o
estudo do desenvolvimento humano tem que
começar nos primeiros anos de vida e se
estender para todo o ciclo vital.
Palácios, J. (2004)
 O desenvolvimento é multidirecional e
multidimensional: critica o conceito
universalista do modelo organicista em que o
desenvolvimento consiste no progresso em
direção a uma meta evolutiva e universal
(sensório-motor-concreto-formal).
Na perspetiva do ciclo vital o desenvolvimento
é orientado para diversas metas e nem todas as
dimensões evolutivas mudam da mesma maneira e
na mesma direção.
Algumas capacidades, como o vocabulário,
continuam a aumentar, outras, como a capacidade
de resolver problemas novos, podem diminuir;
alguns novos atributos, podem aparecer, outros
perdem-se.
 -O desenvolvimento depende de história e contexto:
critica a ênfase nas variáveis maturacionais e universais
das proposições organicistas em que o
desenvolvimento acaba quando a maturação deixa
de provocar mudanças, e dá muita importância às
variáveis de natureza histórica e cultural. Ou seja, há
desenvolvimento influenciado pelas condições
biológicas/maturacionais, mas há também aquele
influenciado pela cultura e história (o que é ser adulto,
aposentadoria, entrada no mercado de trabalho.)
 O desenvolvimento é flexível ou plástico:
temos a capacidade de modificar o nosso
desempenho. Muitas capacidades como a
memória, a força, a linguagem podem ser
significativamente aperfeiçoadas com a
prática, mesmo em idade avançada.
As sociedades do mundo inteiro reconhecem
diferenças no modo como as pessoas de
diferentes idades pensam, sentem e agem, mas
elas dividem o ciclo da vida em idades.
• Idade e influências no desenvolvimento:
 Idade cronológica: refere-se ao número de
anos que se passaram desde o nascimento
de uma pessoa.
Não é a idade em anos que me permite
dizer que a criança está apta a andar ou o
adulto a casar (maturidade, estimulação,
motivação). Este referencial é o menos
útil para analisar o desenvolvimento.
• Idade biológica: é uma estimativa do
lugar em que a pessoa se encontra em
relação ao seu potencial de vida:
relacionado com a saúde biológica –
integridade física (bem fisicamente)
• Idade psicológica: está relacionada com a
capacidade de adaptação de uma pessoa, isto é,
com as suas possibilidades para enfrentar as
necessidades do ambiente (capacidade de
utilizar recursos psicológicos em detrimento das
exigências do meio) – integridade psicológica
(funções cognitivas – linguagem, memória,
atenção, inteligência, executivas).
• Idade funcional: integra os conceitos de
idade biológica e psicológica e refere-se à
capacidade de autonomia e
independência.
Para morar sozinho a pessoa precisa
conseguir minimamente se locomover, ir e vir
e se manter (planeamento, memória,
organização)
• Idade social: está relacionada com os
papéis e as expectativas sociais
associadas a determinadas idades.
Aos 30 anos espera-se que as pessoas
estejam a trabalhar, antes dos 40 que
tenham filhos e aos 65 anos a aposentadoria
e depois que tenha netos.
Conceito de tarefas evolutivas
São aquelas que a pessoa deve cumprir
para garantir o seu desenvolvimento e
consequente ajustamento psicológico e
social.
São tarefas com as quais as pessoas satisfazem as
suas necessidades pessoais e garantem o
desenvolvimento e manutenção de padrões sociais
e culturais. Desta forma dão sustentação ao
progresso social e cultural e em consequência ao bem-
estar do indivíduo.
• Prioridades / Investimento pessoal
• Expectativas quanto ao futuro/ realizações e metas
As tarefas não são estanques em cada
etapa, embora algumas sejam
preferencialmente típicas de uma determinada
fase. Em cada fase todas elas se relacionam
entre si e o prejuízo numa das tarefas pode
comprometer o desenvolvimento futuro dessa
tarefa ou de outras.
Estudo da velhice no campo da psicologia
evolutiva
“ A psicologia evolutiva (do ciclo vital) é a
disciplina que se dedica ao estudo das mudanças
psicológicas que, em uma certa relação com a
idade (período de desenvolvimento), ocorrem nas
pessoas ao longo do seu desenvolvimento, isto é,
desde a sua conceção até à sua morte” Palácios,
J. (2004, p. 14).
Para Tomaz, Melo, Pinheiro e Costa (2002)
a velhice é:
“O processo normal de envelhecimento do ser
humano implica uma série de alterações de ordem
fisiológica, biológica, psicológica e social. Essas
transformações vão-se acumulando durante toda a
trajetória de vida, de tal forma que o indivíduo na
terceira idade apresenta especificidades e
características que o distinguem das pessoas
de outros escalões etários”
De acordo com Teixeira (1999) a perspetiva
biológica do envelhecimento reúne o seu ponto
consensual na chamada teoria do declínio.
Segundo esta teoria, o envelhecimento é
caracterizado por uma lentidão que abrange
diferentes domínios do comportamento.
Na origem desta lentidão está o declínio de um
conjunto de funções orgânicas (como por
exemplo a diminuição da capacidade de
regeneração das células e consequente
envelhecimento dos tecidos).
Barreto, define envelhecimento como:
 Primário: um processo pessoal, natural,
gradual que se caracteriza por uma diminuição
das “aptidões e capacidades, tanto físicas
como mentais”, o qual se encontra relacionado
com o código genético de cada um.
 Secundário é um processo “patológico”, as
alterações físicas e/ou mentais que ocorrem de
forma imprevisível e as causas são diversas
(determinadas doenças ou lesões, fortemente
relacionadas com alterações ambientais), sendo
as suas manifestações vivenciadas de forma
distinta pelo ser humano.
Modificações externas do envelhecimento
• As bochechas enrugam-se;
• Aparecem manchas escuras na pele, perda
da tonicidade tornando-se flácida;
• Podem surgir verrugas;
• O nariz alarga-se;
• Os olhos ficam mais húmidos;
• Aumento da quantidade de pelos nas orelhas e
nariz;
• Ombros ficam mais arredondados;
• As veias destacam-se sob a pele dos
membros;
• Encurvamento postural devido a modificações
na coluna vertebral;
• Diminuição da estatura pelo desgaste das
Modificações internas do envelhecimento
• Os ossos endurecem;
• Os órgãos internos atrofiam, reduzindo o seu
funcionamento;
• O cérebro perde neurónios e atrofia-se,
tornando-se menos eficiente;
• O metabolismo fica mais lento;
• A digestão é mais difícil;
• A insónia aumenta, assim como a fadiga;
• A visão de perto piora;
• A audição piora;
• O endurecimento das artérias e seu
entupimento provocam arteriosclerose;
• O olfato e paladar diminuem.
Alterações patológicas
• Surgimento de cataratas;
• Diminuição nas sensibilidades visuais,
auditivas, térmicas e dolorosas;
• Diminuição na intensidade do reflexo;
• Modificações do apetite sexual;
• Diabetes;
• Hipertensão arterial;
• Arteriosclerose;
• Bronquite;
• Insuficiência renal aguda;
• Deformações torácicas;
• Reumatismo;
• Aparecimento de cancro nos mais variados
órgãos.
Conceito Psicológico de
Envelhecimento
O processo de envelhecimento envolve
alterações ao nível dos processos mentais, da
personalidade, das motivações, das aptidões
sociais e aos contextos biográficos do sujeito
(Oliveira, 2005).
Aspetos psicológicos do envelhecimento
• Dificuldade de se adaptar a novos papéis;
• Falta de motivação e dificuldade de planear o
futuro;
• Necessidade de trabalhar perdas orgânicas,
afetivas e sociais;
• Dificuldade de se adaptar às mudanças
rápidas;
• Baixa autoestima e autoconceito;
Aspetos psicológicos do envelhecimento
• Dificuldade de se adaptar a novos papéis;
• Falta de motivação e dificuldade de planear o
futuro;
• Necessidade de trabalhar perdas orgânicas,
afetivas e sociais;
• Dificuldade de se adaptar às mudanças
rápidas;
• Baixa autoestima e autoconceito;
• Quando se chega a uma idade avançada há
um conjunto de capacidades físicas e mentais
que se foram deteriorando ao longo dos anos.
• Naturalmente, nem todas as pessoas
envelhecem da mesma maneira, quer
fisicamente, quer psicologicamente.
• Há pessoas que mantêm as suas capacidades
durante mais anos enquanto outras apresentam
uma deterioração mais precoce.
A velocidade com que esta deterioração se dá pode
ser retardada com hábitos de vida saudáveis e com
um quotidiano ativo e estimulante:
• Fazer uma alimentação saudável
• Fazer exercício físico adequado
• Realizar atividades sociais e intelectualmente
desafiantes
• Não fumar
• Não beber álcool
• Beber muita água
• Seguir uma dieta pobre em sal e rica em cálcio
• O idoso deve também adaptar-se às falhas de
memória, às mudanças do sono, à diminuição
da força ou da agilidade para atividades que
antes eram fáceis e às dores.
Quando a pessoa se reforma sofre também uma
grande alteração nos seus hábitos de vida, algo
que requer também importantes ajustamentos. A
pessoa que se reforma não tem, necessariamente,
que ficar inativa. Pelo contrário. É muito importante
que a pessoa encontre outras atividades que a
preencham e deem uso aos seus conhecimentos e
capacidades.
À medida que envelhecemos vamos sendo
categorizados socialmente como “velhos”. A
essa categoria são associadas várias
características, quase todas negativas.
Os idosos são frequentemente percebidos como
“um fardo”, como “regressados à infância”, como
“senis”, “casmurros” e “rabugentos”, etc.
• Este ajustamento não é nada fácil e implica
encontrar formas de sentir e de comunicar
uma identidade positiva. Implica igualmente
aprender a lidar com a crescente falta de
autonomia e de liberdade que tende a ocorrer.
Com o passar dos anos, a dimensão da família
tende a alargar, mas a família nuclear vai ficando
progressivamente mais pequena à medida que os
filhos vão saindo de casa dos pais. Chega a um
ponto em que o casal tem que reaprender a
viver só.
Por outro lado, quanto mais tempo vivemos,
mais pessoas queridas perdemos. São os
familiares, os amigos e, por vezes o(a) nosso(a)
companheiro(a). Nem sempre é fácil aprender a
O estudo científico do processo de
envelhecimento
O termo envelhecimento é difícil de definir por ter
significados diferentes para os diversos
profissionais:
Envelhecimento refere-se ao grupo de
alterações morfofuncionais que ocorrem ao
longo da vida, após a maturação sexual e que,
progressivamente, comprometem a capacidade
de resposta dos indivíduos ao stress ambiental
e à manutenção da homeostasia. A entrada na
velhice depende de vários aspetos que
ultrapassam limiares de mera cronologia. Cada
indivíduo reage de forma única ao avanço
da idade.
O progressivo aumento da população idosa,
especialmente nos países em desenvolvimento,
desperta cada vez mais o interesse da
comunidade científica no estudo do processo de
envelhecimento.
O fenómeno do envelhecimento, apesar de ser um
processo natural da vida e comum a todos os
seres humanos e animais, ainda é algo bastante
desconhecido. Na tentativa de explicar os diversos
padrões de envelhecimento, os cientistas recorrem
a uma série de teorias e hipóteses.
Redes de apoio
As pessoas idosas e o meio ambiente – sua
diversidade
A questão ambiental assume um significado
especial quando relacionada ao sentido da
educação e ao papel do idoso como alguém que
vive os dilemas e as conquistas da sociedade
atual.
A questão ambiental representa uma realidade
ampla e complexa, dado que se refere a inúmeros
fatores que compõem o nosso quotidiano e dos
quais dependem o nosso bem-estar e qualidade de
vida.
Os desafios colocados em relação à questão
ambiental incluem problemas como:
• degradação do ambiente
• destruição das florestas
• esgotamento dos recursos naturais
• poluição do ar e das águas
• exterminação de espécies como os
animais e as plantas
• tratamento inadequado do lixo e
desrespeito à biodiversidade.
A família e a comunidade
É obrigação da família, da comunidade, da
sociedade e do poder público assegurar ao idoso,
com absoluta prioridade:
• Efetivação do direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, à cultura, ao
desporto, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à
liberdade, à dignidade, ao respeito e à
convivência familiar e comunitária.
O idoso tem direito a moradia digna, no seio da
família natural ou substituta, ou
desacompanhado dos seus familiares, quando
assim o desejar, ou, ainda, em instituição
pública ou privada.
O idoso é considerado, em muitas famílias, como
um peso a ser carregado, que não tem mais
utilidade. É um empecilho que atrapalha o
desenvolvimento “normal” das atividades diárias
de uma família, como passeios, programas de
finais de semana, etc.
Em contrapartida, para a maioria dos idosos, a
família tem um papel relativo na sua sobrevivência,
sendo que este papel relativo refere-se à liberdade
de decisões que o velho deseja tomar, mas a
família teme que ele não tenha autonomia
suficiente para decidir o que é melhor para si
Acompanhar o idoso, no seio da família, é
uma experiência que acarreta fortes
sentimentos de gratificação para as pessoas
que mantêm um vínculo afetivo forte com este,
nomeadamente, a família e outras pessoas
significativas, que têm oportunidade de
desempenhar um papel fundamental no apoio
ao seu ente querido.
Segundo o conceito clássico de família,
elaborado por George Murdock em 1949, a
família consiste no “(…) grupo social
caracterizado por residência em comum,
cooperação económica e reprodução. Inclui
adultos de ambos os sexos, dois dos quais,
pelo menos, mantêm uma relação sexual
socialmente aprovada, e uma ou mais crianças
dos adultos (…)”.
Sabemos que o conceito de família se mantém
válido, mas foi profundamente transformado.
Assim, a família inclui não só o nosso
agregado familiar, como os familiares mais
alargados com quem estabelecemos laços
afetivos fortes e também pessoas que, mesmo
com quem não temos laços de sangue,
desempenham uma função vital no apoio e
cuidados dos nossos entes queridos.
A imagem do idoso na sociedade tem também vindo
a sofrer profundas alterações. Se antes o idoso era
visto com respeito e o seu papel na sociedade era
determinante, no aconselhamento e decisão sobre
matérias importantes, hoje em dia, numa sociedade
onde a produtividade e a atividade profissional são
mais valorizadas e o envelhecimento é visto
exclusivamente como um conjunto de perdas de
capacidades, o idoso é tido como um fardo.
O estilo de vida atual dificulta a presença da
família no cuidado ao idoso – no entanto,
existem muitas possibilidades de conciliar estes
papéis através das diferentes estratégias
disponíveis nos serviços de saúde e quando os
elementos da família são capazes de distribuir
responsabilidades e de se ir revezando entre si.
Apesar de estas questões serem alvo da
preocupação dos profissionais de saúde e
de ciências sociais, existe, ainda hoje, na
nossa sociedade, uma grande falta de
infraestruturas, recursos humanos e
respostas sociais, capazes de satisfazer a
real dimensão das necessidades da nossa
população idosa.
Assim a família, enquanto cuidadora informal,
poderá representar a resposta mais
adequada para o cuidado ao idoso, se tiver
disponíveis os recursos e apoios indicados.
Por que institucionalizar?
 O idoso não quer morar com a família e não
tem condições de morar sozinho;
 O idoso deseja morar numa instituição;
 A família não quer cuidar do idoso;
 A família não tem condições de cuidar do
idoso.
As instituições formais
caracterização e natureza das
Instituições formais
As instituições formais pretendem dar respostas
às necessidades dos utentes e das suas famílias,
combater a solidão e garantir uma supervisão
permanente.
Os serviços podem ser temporários ou
permanentes com assistência 24 horas.
Deverão possuir vários tipos de quartos para
poder adequar-se á população que procura os
serviços.
Uma instituição de longa permanência deve
promover:
• A convivência comum com respeito,
• Promover os direitos individuais à
independência, privacidade e a individualidade,
• Incluir no quadro pessoal com técnicas
especializadas para adequar os cuidados de
saúde necessários aos utentes e elaborar um
plano de atividades para os mesmos;
• Devem incluir, atividades de animação sociais e
recreativas: sala de Tv e convívio, sala de
atividades lúdicas (pintura, teatro, música...),
ginásio, espaço para jardinagem ou horta,
fisioterapia, cabeleireiro, transportes próprios
que facilitem a organização de passeios ou
visitas culturais.
• Devem incluir, atividades de animação sociais e
recreativas: sala de Tv e convívio, sala de
atividades lúdicas (pintura, teatro, música...),
ginásio, espaço para jardinagem ou horta,
fisioterapia, cabeleireiro, transportes próprios
que facilitem a organização de passeios ou
visitas culturais.
• Devem incluir, atividades de animação sociais e
recreativas: sala de Tv e convívio, sala de
atividades lúdicas (pintura, teatro, música...),
ginásio, espaço para jardinagem ou horta,
fisioterapia, cabeleireiro, transportes próprios
que facilitem a organização de passeios ou
visitas culturais.
Institucionalização das
pessoas de idade
Uma das questões que preocupam a sociedade
diz respeito à necessidade da existência das
Instituições de Longa Permanência para Idosos,
que surgem, em função do aumento da
população idosa e das dificuldades apresentadas
pelos familiares, na tarefa de cuidar. Diante
dessa realidade, a procura por vagas tende a
aumentar, tendo como fatores responsáveis a
dependência física e/ou psíquica da pessoa
idosa.
A decisão pela institucionalização frequentemente
gera conflitos e angústias para os familiares, já
que existe uma crença de que o melhor local para
pessoas idosas é o seio da sua família, sendo
essa também a sugestão da Política Nacional do
Idoso. Porém, as políticas públicas não preveem
suporte para os familiares, no sentido de viabilizar
a manutenção da pessoa idosa na família.
As pessoas idosas devem preferencialmente
permanecer com a sua família, mas para que isso
aconteça, é necessário que os familiares recebam
suporte no cuidado a seus idosos, para que
possam proporcionar uma qualidade de vida mais
adequada para seu familiar idoso.
A permanência da pessoa idosa na família seria
possível mediante a construção de uma rede de
apoio familiar.
Para tanto, se partiria de serviços públicos em que
enfermeiros, médicos, assistentes sociais,
psicólogos, técnicos de enfermagem, entre outros
trabalhadores da saúde e cuidadores formais
pudessem dar suporte técnico para auxiliar na
resolução de problemas e também oferecer
espaço de escuta para as famílias e acolhimento
para o idoso.
Por outro lado quando se fala em instituições
para idosos, o termo que logo vem à mente é
“asilo”, com as imagens correspondentes a um
lugar sombrio, malcheiroso, onde as pessoas
ficam sem atividades e vivem isoladamente.
Em vários países, os asilos nasceram como
um
Em vários países, os asilos nasceram como um
serviço para abrigar os idosos pobres e sem
família. Com o crescimento dos casos de
internação, aos poucos prevaleceu o caráter de
instituição destinada à velhice e, a partir de 1964,
ela foi definida como uma instituição geriátrica.
As limitações da velhice,
as doenças
incapacitantes e os
acidentes podem levar a
pessoa idosa à
institucionalização.
Algumas famílias escolhem os Lares, por
considerarem que o seu idoso será melhor
cuidado; outras fazem da institucionalização
uma transferência de responsabilidade em
relação aos cuidados. Nas instituições, os
residentes, muitas vezes, contam com um
espaço menor do que estavam acostumados,
convivem com diversas pessoas, e possuem
regras e horários rígidos.
A inexistência de atividades físicas e laborais, a
presença de doenças e limitações trazidas pelo
envelhecimento, podem fragilizar ainda mais sua
saúde.
Os lares são importantes na sociedade, visto
que oferecem aos seus residentes um espaço
de construção de novas relações entre os
idosos.
Porém, havendo interações entre as pessoas
idosas, isso possibilitará tanto mudanças
grupais, que minimizam os inconvenientes do
processo de envelhecimento, como também
proporcionam a construção de uma
identidade grupal relacionada à velhice e aos
mecanismos de apoio.
Exercício
 1- Apresente 2 motivos para a
institucionalização dos idosos e
justifique a sua escolha.
 2- Diga 3 atividades promovidas pelas
instituições de longa permanência.
 3- Qual o papel da família enquanto
cuidador informal.
A institucionalização pode ser uma decisão da
família por considerar a presença da pessoa
idosa uma sobrecarga. Isso pode acontecer tanto
em situações em que o vínculo afetivo é positivo,
quanto em outras com vínculos negativos.
Independentemente das razões é oportuno
que a instituição favoreça o estabelecimento
de vínculos significativos, minimizando
sentimentos de desamparo ou conflitos
anteriores à institucionalização.
A vida quotidiana nas
Instituições
São objetivos específicos das instituições
para os idosos:
• Proporcionar serviços permanentes e
adequados à problemática biopsicossocial
das pessoas idosas;
• Contribuir para a estabilização ou
retardamento do processo de
envelhecimento;
• Criar condições que permitam preservar e
incentivar a relação interfamiliar;
Para tal o funcionamento das instituições deve
garantir e proporcionar ao idoso:
• A prestação de todos os cuidados adequados à
satisfação das suas necessidades, tendo em
vista a manutenção da autonomia e
independência;
• Uma alimentação adequada, atendendo, na
medida do possível, a hábitos alimentares e
gostos pessoais e cumprindo as prescrições
médicas;
• Uma qualidade de vida que compatibilize a
vivência em comum com o respeito pela
individualidade e privacidade de cada idoso;
• A realização de atividades de animação
sociocultural, recreativa e ocupacional que visem
contribuir para um clima de relacionamento
saudável entre os idosos e para a manutenção
das suas capacidades físicas e psíquicas;
• Um ambiente calmo, confortável e humanizado;
• Os serviços domésticos necessários ao bem-
estar do idoso e destinados, nomeadamente,
à higiene do ambiente, ao serviço de
refeições e ao tratamento de roupas.
O funcionamento das instituições deve
promover:
• A convivência social, através do relacionamento
entre os idosos e destes com os familiares e
amigos, com o pessoal do lar e com a própria
comunidade, de acordo com os seus interesses;
• A participação dos familiares, ou pessoa
responsável pelo internamento, no apoio ao
idoso, sempre que possível e desde que este
apoio contribua para um maior bem-estar e
• O lar deve ainda permitir a assistência religiosa,
sempre que o idoso a solicite, ou, na
incapacidade deste, a pedido dos seus familiares.
Grupos e Instituições
de ajuda
Da família aos amigos a
presença da rede informal
A família funciona como uma rede informal de
prestação de cuidados ao idoso e a casa é o
principal lugar para sua permanência, embora
existam “asilos” ou casas de repouso para
idosos, é importante que todos os membros da
família se revezem na prestação dos cuidados do
idoso evitando a sobrecarga de uma única
pessoa.
Além da família podemos acrescentar mais
pessoas na rede de ajuda, como um profissional
cuidador capacitado para tal fim, um vizinho,
amigos, pessoas em serviço de voluntariado,
pessoas da igreja, associações e outros.
Na medida do possível deve integrar-se o idoso
no convívio familiar e social, criar condições para
que ele participe dos acontecimentos familiares
evitando assim o seu isolamento, procurar ouvi-
lo atentamente e levar em conta a sua opinião,
incluindo-o na dinâmica familiar.
A maior parte da vida, as pessoas passam o
tempo no contexto da família. É no seio familiar
que vivem os idosos saudáveis, com velhice
bem-sucedida, velhice normal e também os
idosos com algum tipo de fragilidade;
Os cuidados com idosos em casa,
principalmente quando esses se encontram mais
dependentes, frequentemente ficam sob a
responsabilidade do cônjuge, de filhas, noras,
netas.
O processo de cuidar da pessoa idosa,
depende da integração das relações familiares
da disponibilidade de tempo e recursos pessoais
e externos e da história de relacionamento com
o idoso;
Exercício
 1 – Apresente 2 objetivos das
instituições de apoio a idosos.
 2 – Apresente uma definição de saúde
segundo a OMS.
 3 – Defina o papel da família
enquanto rede informal de apoio.
 4 – Apresente 3 motivos que
explicam, atualmente, a dificuldade no
apoio aos idosos por parte das
famílias.
A família moderna está cada vez mais restrita ao
grupo conjugal e aos filhos, devido às novas
formas de união conjugal, a opção de
casamento sem filhos, filhos sem casamento,
divórcio, experiência de vários casamentos,
inserção da mulher no mercado de trabalho, etc.,
e essa configuração familiar atual tem impacto
no cuidado das pessoas idosas.
A presença da rede informal:
Família, filhos, parentes e, na falta destes, por
amigos e vizinhos.
Para Goldani (1999) são numerosos os
resultados de pesquisas internacionais que
desmistificam a ideia de que residir com os filhos
ou fazer parte de uma família extensa é garantia
para uma velhice segura ou livre de violência e
maus-tratos.
As novas formas de
solidariedade
Nos países desenvolvidos, ocorrem
investimentos sociais para a construção e
manutenção de redes de apoio a cuidadores
familiares, que armazenam o stress causado
pela atividade do cuidado, orientando os
cuidadores com relação às tarefas do cuidado e
apoiando nas questões emocionais.
Os grupos de apoio que fornecem ajuda
instrumental, cognitiva (mental) e emocional a
cuidadores e familiares favorecem o seu bem-
estar e a qualidade do cuidado aos idosos.
Esses grupos podem oferecer ajuda nas
tarefas do dia-a-dia, treinos e orientações
práticas e apoio emocional para a família que
vivencia uma situação de fragilidade,
dependência e cuidado. Nos grupos de apoio,
as famílias trocam experiências afetivas.
Isso favorece o aprendizado, o crescimento
pessoal, a solução de conflitos, a tomada de
decisões, etc.
É importante ressaltar que nem sempre as
famílias atuando isoladamente conseguem dar
conta dos desafios gerados pelas
circunstâncias do cuidado e, assim, seria ideal
que pudessem contar com ajuda de
profissionais especializados que as
auxiliassem nas tarefas de cuidar, visando a
melhoria da qualidade do cuidado à pessoa
idosa e ao bem-estar do cuidador
É necessário preparar e orientar quem cuida
diretamente dos nossos pacientes,
considerando a situação socioeconómica e a
dificuldade dos idosos e/ou família em manter
um profissional especializado ou pelo menos
adequado à sua situação, melhorando
significativamente sua qualidade de vida.

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  • 1. Quadro da psicologia evolutiva EFA PRO BÁSICO AGENTE EM GERIATRIA 06/2022 UFCD: 3537 VISEU, 2022 Cláudia Marques
  • 2. Quadro da psicologia evolutiva Objetivos: • Reconhecer os princípios básicos de psicologia evolutiva, dando particular ênfase à velhice como etapa do desenvolvimento humano.
  • 3.  Reconhecer, caracterizar e distinguir as diferentes redes de apoio disponíveis e possíveis de serem utilizadas junto de pessoas idosas.  Reconhecer a importância das pessoas idosas na forma como contribuem para uma cidadania interveniente e responsável.
  • 4. Conteúdos  Velhice - psicologia evolutiva  A velhice no quadro da psicologia evolutiva o Conceito de psicologia evolutiva o Conceito de tarefas evolutivas o O estudo da velhice no campo da psicologia evolutiva o O estudo científico do processo de envelhecimento
  • 5.  Redes de apoio  As pessoas idosas e o meio ambiente o A diversidade do meio ambiente o A família e a comunidade o As Instituições formais caracterização e natureza das Instituições formais o institucionalização das pessoas de idade o a vida quotidiana nas Instituições
  • 6.  Grupos e Instituições de ajuda • Da família aos amigos: a presença da rede informal • As novas formas de solidariedade o Formais o Informais
  • 8. Conceito de Psicologia Evolutiva A psicologia evolutiva é a disciplina científica que estuda o comportamento humano enquanto instrumento de adaptação da nossa espécie ao meio ambiente. Isto significa que podemos entender os nossos comportamentos como algo que resulta de uma evolução sujeita a processos de seleção natural ao longo de toda a nossa história, desde os primórdios da existência da espécie humana.
  • 9. É fácil perceber que tanto as características físicas de um animal (tamanho, cor, força muscular, apuramento dos sentidos, etc.) como as características comportamentais (forma de reprodução, capacidade para identificar o perigo e reagir adequadamente, capacidade para escolher os alimentos, habilidade para conceber utensílios, etc.), podem fazer a diferença entre sobreviver ou morrer.
  • 10. Um animal que morra antes de atingir a maturidade reprodutiva não transmite os seus traços físicos e comportamentais à descendência. Por isso, os comportamentos que hoje podemos observar nas espécies que existem são comportamentos que podemos considerar “bem-sucedidos”. Pelo menos não levaram à extinção dessa espécie.
  • 11. Isso significa que o comportamento humano que hoje conhecemos sobreviveu a milhares de anos de pressões ambientais, pelo que o podemos tentar compreender à luz da função que desempenhou na nossa adaptação.
  • 12. Tudo isto diz respeito a uma parte da Psicologia Evolutiva que podemos designar de Filogenética pois tem a ver com a nossa Filogénese, a evolução da nossa espécie.
  • 13. Ora, no mundo primitivo e selvagem era impensável um ser humano viver tantos anos quantos hoje vivemos. A nossa longevidade tem vindo a aumentar muito porque, graças ao nosso cérebro e à inteligência que desenvolvemos, conseguimos alterar as nossas condições de vida de tal forma que já controlamos muitas das causas que causavam a nossa morte em idades muito mais prematuras.
  • 14. Daqui resulta que a velhice é um fenómeno que nós próprios criámos ao aumentar a longevidade da nossa espécie (e até a dos nossos animais de estimação).
  • 15. Ou seja, a nossa existência, que nos primórdios se diferenciava entre idade imatura (dependente dos progenitores) e idade madura (independente e com capacidade reprodutora), passou a ser, no presente, mais complexa e diferenciada. Temos uma fase de imaturidade e dependência classificada como infância, uma idade de maior maturidade mas ainda dependente que é a adolescência, um percurso pela maturidade e independência que começa na idade adulta e segue pela meia-idade e, por fim, um retorno a algum grau de dependência na etapa que precede a morte: a velhice.
  • 16. A perspetiva do desenvolvimento no ciclo vital (psicologia evolutiva) identifica os princípios fundamentais para o estudo do desenvolvimento humano:  O desenvolvimento é vitalício: desenvolvimento não como algo que afete somente as crianças e adolescentes, também durante a idade adulta e a velhice, ocorrem importantes fatos evolutivos.
  • 17. Diante disso, para a psicologia evolutiva o estudo do desenvolvimento humano tem que começar nos primeiros anos de vida e se estender para todo o ciclo vital. Palácios, J. (2004)
  • 18.  O desenvolvimento é multidirecional e multidimensional: critica o conceito universalista do modelo organicista em que o desenvolvimento consiste no progresso em direção a uma meta evolutiva e universal (sensório-motor-concreto-formal).
  • 19. Na perspetiva do ciclo vital o desenvolvimento é orientado para diversas metas e nem todas as dimensões evolutivas mudam da mesma maneira e na mesma direção. Algumas capacidades, como o vocabulário, continuam a aumentar, outras, como a capacidade de resolver problemas novos, podem diminuir; alguns novos atributos, podem aparecer, outros perdem-se.
  • 20.  -O desenvolvimento depende de história e contexto: critica a ênfase nas variáveis maturacionais e universais das proposições organicistas em que o desenvolvimento acaba quando a maturação deixa de provocar mudanças, e dá muita importância às variáveis de natureza histórica e cultural. Ou seja, há desenvolvimento influenciado pelas condições biológicas/maturacionais, mas há também aquele influenciado pela cultura e história (o que é ser adulto, aposentadoria, entrada no mercado de trabalho.)
  • 21.  O desenvolvimento é flexível ou plástico: temos a capacidade de modificar o nosso desempenho. Muitas capacidades como a memória, a força, a linguagem podem ser significativamente aperfeiçoadas com a prática, mesmo em idade avançada.
  • 22. As sociedades do mundo inteiro reconhecem diferenças no modo como as pessoas de diferentes idades pensam, sentem e agem, mas elas dividem o ciclo da vida em idades. • Idade e influências no desenvolvimento:  Idade cronológica: refere-se ao número de anos que se passaram desde o nascimento de uma pessoa.
  • 23. Não é a idade em anos que me permite dizer que a criança está apta a andar ou o adulto a casar (maturidade, estimulação, motivação). Este referencial é o menos útil para analisar o desenvolvimento.
  • 24. • Idade biológica: é uma estimativa do lugar em que a pessoa se encontra em relação ao seu potencial de vida: relacionado com a saúde biológica – integridade física (bem fisicamente)
  • 25. • Idade psicológica: está relacionada com a capacidade de adaptação de uma pessoa, isto é, com as suas possibilidades para enfrentar as necessidades do ambiente (capacidade de utilizar recursos psicológicos em detrimento das exigências do meio) – integridade psicológica (funções cognitivas – linguagem, memória, atenção, inteligência, executivas).
  • 26. • Idade funcional: integra os conceitos de idade biológica e psicológica e refere-se à capacidade de autonomia e independência. Para morar sozinho a pessoa precisa conseguir minimamente se locomover, ir e vir e se manter (planeamento, memória, organização)
  • 27. • Idade social: está relacionada com os papéis e as expectativas sociais associadas a determinadas idades. Aos 30 anos espera-se que as pessoas estejam a trabalhar, antes dos 40 que tenham filhos e aos 65 anos a aposentadoria e depois que tenha netos.
  • 28. Conceito de tarefas evolutivas São aquelas que a pessoa deve cumprir para garantir o seu desenvolvimento e consequente ajustamento psicológico e social.
  • 29. São tarefas com as quais as pessoas satisfazem as suas necessidades pessoais e garantem o desenvolvimento e manutenção de padrões sociais e culturais. Desta forma dão sustentação ao progresso social e cultural e em consequência ao bem- estar do indivíduo. • Prioridades / Investimento pessoal • Expectativas quanto ao futuro/ realizações e metas
  • 30. As tarefas não são estanques em cada etapa, embora algumas sejam preferencialmente típicas de uma determinada fase. Em cada fase todas elas se relacionam entre si e o prejuízo numa das tarefas pode comprometer o desenvolvimento futuro dessa tarefa ou de outras.
  • 31. Estudo da velhice no campo da psicologia evolutiva “ A psicologia evolutiva (do ciclo vital) é a disciplina que se dedica ao estudo das mudanças psicológicas que, em uma certa relação com a idade (período de desenvolvimento), ocorrem nas pessoas ao longo do seu desenvolvimento, isto é, desde a sua conceção até à sua morte” Palácios, J. (2004, p. 14).
  • 32. Para Tomaz, Melo, Pinheiro e Costa (2002) a velhice é: “O processo normal de envelhecimento do ser humano implica uma série de alterações de ordem fisiológica, biológica, psicológica e social. Essas transformações vão-se acumulando durante toda a trajetória de vida, de tal forma que o indivíduo na terceira idade apresenta especificidades e características que o distinguem das pessoas de outros escalões etários”
  • 33. De acordo com Teixeira (1999) a perspetiva biológica do envelhecimento reúne o seu ponto consensual na chamada teoria do declínio. Segundo esta teoria, o envelhecimento é caracterizado por uma lentidão que abrange diferentes domínios do comportamento.
  • 34. Na origem desta lentidão está o declínio de um conjunto de funções orgânicas (como por exemplo a diminuição da capacidade de regeneração das células e consequente envelhecimento dos tecidos).
  • 35. Barreto, define envelhecimento como:  Primário: um processo pessoal, natural, gradual que se caracteriza por uma diminuição das “aptidões e capacidades, tanto físicas como mentais”, o qual se encontra relacionado com o código genético de cada um.
  • 36.  Secundário é um processo “patológico”, as alterações físicas e/ou mentais que ocorrem de forma imprevisível e as causas são diversas (determinadas doenças ou lesões, fortemente relacionadas com alterações ambientais), sendo as suas manifestações vivenciadas de forma distinta pelo ser humano.
  • 37. Modificações externas do envelhecimento • As bochechas enrugam-se; • Aparecem manchas escuras na pele, perda da tonicidade tornando-se flácida; • Podem surgir verrugas; • O nariz alarga-se;
  • 38. • Os olhos ficam mais húmidos; • Aumento da quantidade de pelos nas orelhas e nariz; • Ombros ficam mais arredondados; • As veias destacam-se sob a pele dos membros; • Encurvamento postural devido a modificações na coluna vertebral; • Diminuição da estatura pelo desgaste das
  • 39. Modificações internas do envelhecimento • Os ossos endurecem; • Os órgãos internos atrofiam, reduzindo o seu funcionamento; • O cérebro perde neurónios e atrofia-se, tornando-se menos eficiente; • O metabolismo fica mais lento; • A digestão é mais difícil;
  • 40. • A insónia aumenta, assim como a fadiga; • A visão de perto piora; • A audição piora; • O endurecimento das artérias e seu entupimento provocam arteriosclerose; • O olfato e paladar diminuem.
  • 41. Alterações patológicas • Surgimento de cataratas; • Diminuição nas sensibilidades visuais, auditivas, térmicas e dolorosas; • Diminuição na intensidade do reflexo; • Modificações do apetite sexual; • Diabetes; • Hipertensão arterial;
  • 42. • Arteriosclerose; • Bronquite; • Insuficiência renal aguda; • Deformações torácicas; • Reumatismo; • Aparecimento de cancro nos mais variados órgãos.
  • 44. O processo de envelhecimento envolve alterações ao nível dos processos mentais, da personalidade, das motivações, das aptidões sociais e aos contextos biográficos do sujeito (Oliveira, 2005).
  • 45. Aspetos psicológicos do envelhecimento • Dificuldade de se adaptar a novos papéis; • Falta de motivação e dificuldade de planear o futuro; • Necessidade de trabalhar perdas orgânicas, afetivas e sociais; • Dificuldade de se adaptar às mudanças rápidas; • Baixa autoestima e autoconceito;
  • 46. Aspetos psicológicos do envelhecimento • Dificuldade de se adaptar a novos papéis; • Falta de motivação e dificuldade de planear o futuro; • Necessidade de trabalhar perdas orgânicas, afetivas e sociais; • Dificuldade de se adaptar às mudanças rápidas; • Baixa autoestima e autoconceito;
  • 47. • Quando se chega a uma idade avançada há um conjunto de capacidades físicas e mentais que se foram deteriorando ao longo dos anos. • Naturalmente, nem todas as pessoas envelhecem da mesma maneira, quer fisicamente, quer psicologicamente. • Há pessoas que mantêm as suas capacidades durante mais anos enquanto outras apresentam uma deterioração mais precoce.
  • 48. A velocidade com que esta deterioração se dá pode ser retardada com hábitos de vida saudáveis e com um quotidiano ativo e estimulante: • Fazer uma alimentação saudável • Fazer exercício físico adequado • Realizar atividades sociais e intelectualmente desafiantes
  • 49. • Não fumar • Não beber álcool • Beber muita água • Seguir uma dieta pobre em sal e rica em cálcio
  • 50. • O idoso deve também adaptar-se às falhas de memória, às mudanças do sono, à diminuição da força ou da agilidade para atividades que antes eram fáceis e às dores.
  • 51. Quando a pessoa se reforma sofre também uma grande alteração nos seus hábitos de vida, algo que requer também importantes ajustamentos. A pessoa que se reforma não tem, necessariamente, que ficar inativa. Pelo contrário. É muito importante que a pessoa encontre outras atividades que a preencham e deem uso aos seus conhecimentos e capacidades.
  • 52. À medida que envelhecemos vamos sendo categorizados socialmente como “velhos”. A essa categoria são associadas várias características, quase todas negativas. Os idosos são frequentemente percebidos como “um fardo”, como “regressados à infância”, como “senis”, “casmurros” e “rabugentos”, etc.
  • 53. • Este ajustamento não é nada fácil e implica encontrar formas de sentir e de comunicar uma identidade positiva. Implica igualmente aprender a lidar com a crescente falta de autonomia e de liberdade que tende a ocorrer.
  • 54. Com o passar dos anos, a dimensão da família tende a alargar, mas a família nuclear vai ficando progressivamente mais pequena à medida que os filhos vão saindo de casa dos pais. Chega a um ponto em que o casal tem que reaprender a viver só. Por outro lado, quanto mais tempo vivemos, mais pessoas queridas perdemos. São os familiares, os amigos e, por vezes o(a) nosso(a) companheiro(a). Nem sempre é fácil aprender a
  • 55. O estudo científico do processo de envelhecimento O termo envelhecimento é difícil de definir por ter significados diferentes para os diversos profissionais:
  • 56. Envelhecimento refere-se ao grupo de alterações morfofuncionais que ocorrem ao longo da vida, após a maturação sexual e que, progressivamente, comprometem a capacidade de resposta dos indivíduos ao stress ambiental e à manutenção da homeostasia. A entrada na velhice depende de vários aspetos que ultrapassam limiares de mera cronologia. Cada indivíduo reage de forma única ao avanço da idade.
  • 57. O progressivo aumento da população idosa, especialmente nos países em desenvolvimento, desperta cada vez mais o interesse da comunidade científica no estudo do processo de envelhecimento.
  • 58. O fenómeno do envelhecimento, apesar de ser um processo natural da vida e comum a todos os seres humanos e animais, ainda é algo bastante desconhecido. Na tentativa de explicar os diversos padrões de envelhecimento, os cientistas recorrem a uma série de teorias e hipóteses.
  • 60. As pessoas idosas e o meio ambiente – sua diversidade A questão ambiental assume um significado especial quando relacionada ao sentido da educação e ao papel do idoso como alguém que vive os dilemas e as conquistas da sociedade atual.
  • 61. A questão ambiental representa uma realidade ampla e complexa, dado que se refere a inúmeros fatores que compõem o nosso quotidiano e dos quais dependem o nosso bem-estar e qualidade de vida.
  • 62. Os desafios colocados em relação à questão ambiental incluem problemas como: • degradação do ambiente • destruição das florestas • esgotamento dos recursos naturais • poluição do ar e das águas
  • 63. • exterminação de espécies como os animais e as plantas • tratamento inadequado do lixo e desrespeito à biodiversidade.
  • 64. A família e a comunidade
  • 65. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade: • Efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao desporto, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
  • 66. O idoso tem direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado dos seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada.
  • 67. O idoso é considerado, em muitas famílias, como um peso a ser carregado, que não tem mais utilidade. É um empecilho que atrapalha o desenvolvimento “normal” das atividades diárias de uma família, como passeios, programas de finais de semana, etc.
  • 68. Em contrapartida, para a maioria dos idosos, a família tem um papel relativo na sua sobrevivência, sendo que este papel relativo refere-se à liberdade de decisões que o velho deseja tomar, mas a família teme que ele não tenha autonomia suficiente para decidir o que é melhor para si
  • 69. Acompanhar o idoso, no seio da família, é uma experiência que acarreta fortes sentimentos de gratificação para as pessoas que mantêm um vínculo afetivo forte com este, nomeadamente, a família e outras pessoas significativas, que têm oportunidade de desempenhar um papel fundamental no apoio ao seu ente querido.
  • 70. Segundo o conceito clássico de família, elaborado por George Murdock em 1949, a família consiste no “(…) grupo social caracterizado por residência em comum, cooperação económica e reprodução. Inclui adultos de ambos os sexos, dois dos quais, pelo menos, mantêm uma relação sexual socialmente aprovada, e uma ou mais crianças dos adultos (…)”.
  • 71. Sabemos que o conceito de família se mantém válido, mas foi profundamente transformado. Assim, a família inclui não só o nosso agregado familiar, como os familiares mais alargados com quem estabelecemos laços afetivos fortes e também pessoas que, mesmo com quem não temos laços de sangue, desempenham uma função vital no apoio e cuidados dos nossos entes queridos.
  • 72. A imagem do idoso na sociedade tem também vindo a sofrer profundas alterações. Se antes o idoso era visto com respeito e o seu papel na sociedade era determinante, no aconselhamento e decisão sobre matérias importantes, hoje em dia, numa sociedade onde a produtividade e a atividade profissional são mais valorizadas e o envelhecimento é visto exclusivamente como um conjunto de perdas de capacidades, o idoso é tido como um fardo.
  • 73. O estilo de vida atual dificulta a presença da família no cuidado ao idoso – no entanto, existem muitas possibilidades de conciliar estes papéis através das diferentes estratégias disponíveis nos serviços de saúde e quando os elementos da família são capazes de distribuir responsabilidades e de se ir revezando entre si.
  • 74. Apesar de estas questões serem alvo da preocupação dos profissionais de saúde e de ciências sociais, existe, ainda hoje, na nossa sociedade, uma grande falta de infraestruturas, recursos humanos e respostas sociais, capazes de satisfazer a real dimensão das necessidades da nossa população idosa.
  • 75. Assim a família, enquanto cuidadora informal, poderá representar a resposta mais adequada para o cuidado ao idoso, se tiver disponíveis os recursos e apoios indicados.
  • 76. Por que institucionalizar?  O idoso não quer morar com a família e não tem condições de morar sozinho;  O idoso deseja morar numa instituição;  A família não quer cuidar do idoso;  A família não tem condições de cuidar do idoso.
  • 77. As instituições formais caracterização e natureza das Instituições formais
  • 78. As instituições formais pretendem dar respostas às necessidades dos utentes e das suas famílias, combater a solidão e garantir uma supervisão permanente. Os serviços podem ser temporários ou permanentes com assistência 24 horas. Deverão possuir vários tipos de quartos para poder adequar-se á população que procura os serviços.
  • 79. Uma instituição de longa permanência deve promover: • A convivência comum com respeito, • Promover os direitos individuais à independência, privacidade e a individualidade, • Incluir no quadro pessoal com técnicas especializadas para adequar os cuidados de saúde necessários aos utentes e elaborar um plano de atividades para os mesmos;
  • 80. • Devem incluir, atividades de animação sociais e recreativas: sala de Tv e convívio, sala de atividades lúdicas (pintura, teatro, música...), ginásio, espaço para jardinagem ou horta, fisioterapia, cabeleireiro, transportes próprios que facilitem a organização de passeios ou visitas culturais.
  • 81. • Devem incluir, atividades de animação sociais e recreativas: sala de Tv e convívio, sala de atividades lúdicas (pintura, teatro, música...), ginásio, espaço para jardinagem ou horta, fisioterapia, cabeleireiro, transportes próprios que facilitem a organização de passeios ou visitas culturais.
  • 82. • Devem incluir, atividades de animação sociais e recreativas: sala de Tv e convívio, sala de atividades lúdicas (pintura, teatro, música...), ginásio, espaço para jardinagem ou horta, fisioterapia, cabeleireiro, transportes próprios que facilitem a organização de passeios ou visitas culturais.
  • 84. Uma das questões que preocupam a sociedade diz respeito à necessidade da existência das Instituições de Longa Permanência para Idosos, que surgem, em função do aumento da população idosa e das dificuldades apresentadas pelos familiares, na tarefa de cuidar. Diante dessa realidade, a procura por vagas tende a aumentar, tendo como fatores responsáveis a dependência física e/ou psíquica da pessoa idosa.
  • 85. A decisão pela institucionalização frequentemente gera conflitos e angústias para os familiares, já que existe uma crença de que o melhor local para pessoas idosas é o seio da sua família, sendo essa também a sugestão da Política Nacional do Idoso. Porém, as políticas públicas não preveem suporte para os familiares, no sentido de viabilizar a manutenção da pessoa idosa na família.
  • 86. As pessoas idosas devem preferencialmente permanecer com a sua família, mas para que isso aconteça, é necessário que os familiares recebam suporte no cuidado a seus idosos, para que possam proporcionar uma qualidade de vida mais adequada para seu familiar idoso.
  • 87. A permanência da pessoa idosa na família seria possível mediante a construção de uma rede de apoio familiar.
  • 88. Para tanto, se partiria de serviços públicos em que enfermeiros, médicos, assistentes sociais, psicólogos, técnicos de enfermagem, entre outros trabalhadores da saúde e cuidadores formais pudessem dar suporte técnico para auxiliar na resolução de problemas e também oferecer espaço de escuta para as famílias e acolhimento para o idoso.
  • 89. Por outro lado quando se fala em instituições para idosos, o termo que logo vem à mente é “asilo”, com as imagens correspondentes a um lugar sombrio, malcheiroso, onde as pessoas ficam sem atividades e vivem isoladamente. Em vários países, os asilos nasceram como um
  • 90. Em vários países, os asilos nasceram como um serviço para abrigar os idosos pobres e sem família. Com o crescimento dos casos de internação, aos poucos prevaleceu o caráter de instituição destinada à velhice e, a partir de 1964, ela foi definida como uma instituição geriátrica.
  • 91. As limitações da velhice, as doenças incapacitantes e os acidentes podem levar a pessoa idosa à institucionalização.
  • 92. Algumas famílias escolhem os Lares, por considerarem que o seu idoso será melhor cuidado; outras fazem da institucionalização uma transferência de responsabilidade em relação aos cuidados. Nas instituições, os residentes, muitas vezes, contam com um espaço menor do que estavam acostumados, convivem com diversas pessoas, e possuem regras e horários rígidos.
  • 93. A inexistência de atividades físicas e laborais, a presença de doenças e limitações trazidas pelo envelhecimento, podem fragilizar ainda mais sua saúde.
  • 94. Os lares são importantes na sociedade, visto que oferecem aos seus residentes um espaço de construção de novas relações entre os idosos.
  • 95. Porém, havendo interações entre as pessoas idosas, isso possibilitará tanto mudanças grupais, que minimizam os inconvenientes do processo de envelhecimento, como também proporcionam a construção de uma identidade grupal relacionada à velhice e aos mecanismos de apoio.
  • 96. Exercício  1- Apresente 2 motivos para a institucionalização dos idosos e justifique a sua escolha.  2- Diga 3 atividades promovidas pelas instituições de longa permanência.  3- Qual o papel da família enquanto cuidador informal.
  • 97. A institucionalização pode ser uma decisão da família por considerar a presença da pessoa idosa uma sobrecarga. Isso pode acontecer tanto em situações em que o vínculo afetivo é positivo, quanto em outras com vínculos negativos.
  • 98. Independentemente das razões é oportuno que a instituição favoreça o estabelecimento de vínculos significativos, minimizando sentimentos de desamparo ou conflitos anteriores à institucionalização.
  • 99. A vida quotidiana nas Instituições
  • 100. São objetivos específicos das instituições para os idosos: • Proporcionar serviços permanentes e adequados à problemática biopsicossocial das pessoas idosas; • Contribuir para a estabilização ou retardamento do processo de envelhecimento; • Criar condições que permitam preservar e incentivar a relação interfamiliar;
  • 101. Para tal o funcionamento das instituições deve garantir e proporcionar ao idoso: • A prestação de todos os cuidados adequados à satisfação das suas necessidades, tendo em vista a manutenção da autonomia e independência; • Uma alimentação adequada, atendendo, na medida do possível, a hábitos alimentares e gostos pessoais e cumprindo as prescrições médicas;
  • 102. • Uma qualidade de vida que compatibilize a vivência em comum com o respeito pela individualidade e privacidade de cada idoso; • A realização de atividades de animação sociocultural, recreativa e ocupacional que visem contribuir para um clima de relacionamento saudável entre os idosos e para a manutenção das suas capacidades físicas e psíquicas;
  • 103. • Um ambiente calmo, confortável e humanizado; • Os serviços domésticos necessários ao bem- estar do idoso e destinados, nomeadamente, à higiene do ambiente, ao serviço de refeições e ao tratamento de roupas.
  • 104. O funcionamento das instituições deve promover: • A convivência social, através do relacionamento entre os idosos e destes com os familiares e amigos, com o pessoal do lar e com a própria comunidade, de acordo com os seus interesses; • A participação dos familiares, ou pessoa responsável pelo internamento, no apoio ao idoso, sempre que possível e desde que este apoio contribua para um maior bem-estar e
  • 105. • O lar deve ainda permitir a assistência religiosa, sempre que o idoso a solicite, ou, na incapacidade deste, a pedido dos seus familiares.
  • 106. Grupos e Instituições de ajuda Da família aos amigos a presença da rede informal
  • 107. A família funciona como uma rede informal de prestação de cuidados ao idoso e a casa é o principal lugar para sua permanência, embora existam “asilos” ou casas de repouso para idosos, é importante que todos os membros da família se revezem na prestação dos cuidados do idoso evitando a sobrecarga de uma única pessoa.
  • 108. Além da família podemos acrescentar mais pessoas na rede de ajuda, como um profissional cuidador capacitado para tal fim, um vizinho, amigos, pessoas em serviço de voluntariado, pessoas da igreja, associações e outros.
  • 109. Na medida do possível deve integrar-se o idoso no convívio familiar e social, criar condições para que ele participe dos acontecimentos familiares evitando assim o seu isolamento, procurar ouvi- lo atentamente e levar em conta a sua opinião, incluindo-o na dinâmica familiar.
  • 110. A maior parte da vida, as pessoas passam o tempo no contexto da família. É no seio familiar que vivem os idosos saudáveis, com velhice bem-sucedida, velhice normal e também os idosos com algum tipo de fragilidade;
  • 111. Os cuidados com idosos em casa, principalmente quando esses se encontram mais dependentes, frequentemente ficam sob a responsabilidade do cônjuge, de filhas, noras, netas.
  • 112. O processo de cuidar da pessoa idosa, depende da integração das relações familiares da disponibilidade de tempo e recursos pessoais e externos e da história de relacionamento com o idoso;
  • 113. Exercício  1 – Apresente 2 objetivos das instituições de apoio a idosos.  2 – Apresente uma definição de saúde segundo a OMS.  3 – Defina o papel da família enquanto rede informal de apoio.  4 – Apresente 3 motivos que explicam, atualmente, a dificuldade no apoio aos idosos por parte das famílias.
  • 114. A família moderna está cada vez mais restrita ao grupo conjugal e aos filhos, devido às novas formas de união conjugal, a opção de casamento sem filhos, filhos sem casamento, divórcio, experiência de vários casamentos, inserção da mulher no mercado de trabalho, etc., e essa configuração familiar atual tem impacto no cuidado das pessoas idosas.
  • 115. A presença da rede informal: Família, filhos, parentes e, na falta destes, por amigos e vizinhos. Para Goldani (1999) são numerosos os resultados de pesquisas internacionais que desmistificam a ideia de que residir com os filhos ou fazer parte de uma família extensa é garantia para uma velhice segura ou livre de violência e maus-tratos.
  • 116. As novas formas de solidariedade
  • 117. Nos países desenvolvidos, ocorrem investimentos sociais para a construção e manutenção de redes de apoio a cuidadores familiares, que armazenam o stress causado pela atividade do cuidado, orientando os cuidadores com relação às tarefas do cuidado e apoiando nas questões emocionais.
  • 118. Os grupos de apoio que fornecem ajuda instrumental, cognitiva (mental) e emocional a cuidadores e familiares favorecem o seu bem- estar e a qualidade do cuidado aos idosos.
  • 119. Esses grupos podem oferecer ajuda nas tarefas do dia-a-dia, treinos e orientações práticas e apoio emocional para a família que vivencia uma situação de fragilidade, dependência e cuidado. Nos grupos de apoio, as famílias trocam experiências afetivas. Isso favorece o aprendizado, o crescimento pessoal, a solução de conflitos, a tomada de decisões, etc.
  • 120. É importante ressaltar que nem sempre as famílias atuando isoladamente conseguem dar conta dos desafios gerados pelas circunstâncias do cuidado e, assim, seria ideal que pudessem contar com ajuda de profissionais especializados que as auxiliassem nas tarefas de cuidar, visando a melhoria da qualidade do cuidado à pessoa idosa e ao bem-estar do cuidador
  • 121. É necessário preparar e orientar quem cuida diretamente dos nossos pacientes, considerando a situação socioeconómica e a dificuldade dos idosos e/ou família em manter um profissional especializado ou pelo menos adequado à sua situação, melhorando significativamente sua qualidade de vida.