Ir para o conteúdo principal
17/11/2016 14 ESTUDOS BÍBLICOS
Para meditar e praticar
Compilados e organizados por: Celso Brasil
IAPRO
14 ESTUDOS BÍBLICOS
1
ÍNDICE:
(01) Outro evangelho
(02) Culto Racional
(03) Possibilidade de comunhão de espíritos mortos com vivos.
(04) "Fofocas na Igreja"
(05) Pequenos pecados que causam grande estrago
(06) A doutrina do arrependimento
(07) "Princípios divinos para o sucesso material"
(08) Amizades
(09) A Internet e as mídias sociais - caindo na rede
(10) Relacionamento entre irmãos
(11) Como estudar a sua Bíblia
(12) Uma avaliação bíblica da vida espiritual
(13) Oração do pecador
(14) Adoração: com corações, mentes e vozes
14 ESTUDOS BÍBLICOS
2
(1) Outro evangelho
Satanás não é um inovador, mas um imitador. Deus tem seu Filho unigênito – o Senhor Jesus? Tal qual
Satanás tem “o filho da perdição” (II Tessalonicenses 2:3). Há uma Santa Trindade? Há de igual modo
uma trindade do mal (Apocalipse 20:10). Lemos sobre os “filhos de Deus”? Do mesmo modo lemos
também sobre “os filhos do maligno” (Mateus 13:38). Deus opera nestes que foram citados de modo a
determinar e fazer a Sua vontade? Então somos informados que Satanás é “o espírito que agora opera nos
filhos da desobediência” (Efésios 2:2). Há o “mistério da piedade” (I Timóteo 3:16)? Há também o
“mistério da injustiça” (II Tessalonicenses 2:7). Aprendemos que Deus através de Seus anjos “assinala”
os Seus servos nas suas testas (Apocalipse 7:3)? Assim também aprendemos que Satanás através de seus
agentes assinala nas testas os seus devotos (Apocalipse 13:16). É-nos dito que “o Espírito penetra todas
as coisas, ainda as profundezas de Deus” (I Coríntios 2:10)? Então Satanás também provê suas “coisas
profundas” (grego de Apocalipse 2:24). Cristo faz milagres? De igual modo Satanás também pode fazê-
los (II Tessalonicenses 2:9). Cristo está sentando sobre um trono? Também Satanás o está (Apocalipse
2:13). Cristo tem uma Igreja? Então Satanás tem a sua “sinagoga” (Apocalipse 2:9). Cristo é a Luz do
mundo? Então o próprio Satanás “se transfigura em anjo de luz” (II Coríntios 11:14). Cristo designou
“apóstolos”? Então Satanás tem seus apóstolos também (II Coríntios 11:13). E isto nos leva a considerar
o “Evangelho de Satanás”.
Satanás é o maior dos falsificadores. O Diabo está agora ocupado em trabalhar no mesmo campo no qual
o Senhor semeou a boa semente. Ele está buscando evitar o crescimento do trigo através de outra planta,
o joio, o qual é muito próximo do trigo em aparência. Em uma frase: por meio da falsificação ele está
buscando neutralizar a Obra de Cristo. Por essa razão, como Cristo tem um Evangelho, Satanás tem um
evangelho também; sendo este uma astuta falsificação do primeiro. O evangelho de Satanás se parece tão
proximamente com aquele que ele imita, que multidões de não salvos são enganadas por ele.
É a este evangelho de Satanás que o apóstolo se referia quando disse aos Gálatas: “Maravilho-me de que
tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é
outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo” (Gálatas 1:6-7). Este
falso evangelho estava sendo proclamado já nos dias do apóstolo, e a mais terrível maldição foi
proclamada sobre aqueles que o pregam. O apóstolo continua: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo
do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”.
Com o auxílio de Deus, nos esforçaremos agora para expor, ou melhor, para desmascarar este falso
evangelho:
O evangelho de Satanás não é um sistema de princípios revolucionários, nem ainda é um programa de
anarquia. Ele não promove a luta e a guerra, mas objetiva a paz e a unidade. Ele não busca colocar a mãe
contra sua filha, nem o pai contra seu filho, mas busca nutrir o espírito de fraternidade, por meio do qual
a raça humana deve ser considerada como uma grande “irmandade”. Ele não procura deprimir o homem
natural, mas aperfeiçoá-lo e erguê-lo. Ele advoga a educação e a cultura e apela para “o melhor que está
em nosso interior” – Ele objetiva fazer deste mundo uma habitação tão confortável e apropriada, que a
ausência de Cristo não seria sentida, e Deus não seria necessário. Ele se esforça para deixar o homem tão
ocupado com este mundo, que não tem tempo ou disposição para pensar no mundo que está por vir. Ele
propaga os princípios do auto-sacrifício, da caridade, e da boa-vontade, e nos ensina a viver para o bem
dos outros, e a sermos gentis para com todos. Ele tem um forte apelo para a mente carnal, e é popular
com as massas, porque deixa de lado o fato gravíssimo de que, por natureza, o homem é uma criatura
caída, apartada da vida com Deus, e morta em ofensas e pecados, e que sua única esperança reside em
nascer novamente.
Contradizendo o Evangelho de Cristo, o evangelho de Satanás ensina a salvação pelas obras. Ele inculca
a justificação diante de Deus em termos de méritos humanos. Sua frase sacramental é “Seja bom e faça o
bem”; mas ele deixa de reconhecer que lá na carne não reside nenhuma boa coisa. Ele anuncia a salvação
pelo caráter, o que inverte a ordem da Palavra de Deus – o caráter como fruto da salvação. São muitas as
suas várias ramificações e organizações: Temperança, Movimentos de Restauração, Ligas Socialistas
14 ESTUDOS BÍBLICOS
3
Cristãs, Sociedades de Cultura Ética, Congresso da Paz1 estão todos empenhados (talvez
inconscientemente) em proclamar o evangelho de Satanás – a salvação pelas obras. O cartão da
seguridade social substitui Cristo; pureza social substitui regeneração individual, e, política e filosofia
substituem doutrina e santidade. A melhoria do velho homem é considerada mais prática que a criação
de um novo homem em Cristo Jesus; enquanto a paz universal é buscada sem que haja a intervenção e o
retorno do Príncipe da Paz.
Os apóstolos de Satanás não são taberneiros e traficantes de escravas brancas, mas são em sua maioria
ministros do evangelho ordenados. Milhares dos que ocupam nossos modernos púlpitos não estão mais
engajados em apresentar os fundamentos da Fé Cristã, mas têm se desviado da Verdade e têm dado
ouvidos às fábulas. Ao invés de magnificar a enormidade do pecado e estabelecer suas eternas
conseqüências, o minimizam ao declarar que o pecado é meramente ignorância ou ausência do bem. Ao
invés de alertar seus ouvintes para “escaparem da ira futura”, fazem de Deus um mentiroso ao declarar
que Ele é por demais amoroso e misericordioso para enviar quaisquer de Suas próprias criaturas ao
tormento eterno. Ao invés de declarar que “sem derramamento de sangue não há remissão”, eles
meramente apresentam Cristo como o grande Exemplo e exortam seus ouvintes a “seguir os Seus passos”.
Deles é preciso que seja dito: “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a
sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” (Romanos 10:3). A mensagem deles pode soar
muito plausível e seu objetivo parecer muito louvável, mas, ainda sobre eles nós lemos: – “Porque tais
falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha,
porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se
transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras” (II Coríntios 11:13-
15).
Somando-se ao fato de que hoje centenas de igrejas estão sem um líder que fielmente declare todo o
conselho de Deus e apresente Seu meio de salvação, também temos que encarar o fato de que a maioria
das pessoas nestas igrejas está muito distante de conseguir descobrir a verdade por si mesma. O culto
doméstico, onde uma porção da Palavra de Deus era costumeiramente lida diariamente, é agora, mesmo
nos lares de Cristãos professos, basicamente uma coisa do passado. A Bíblia não é exposta no púlpito e
não é lida no banco da igreja. As demandas desta era agitada são tão numerosas, que multidões têm pouco
tempo, e ainda menos disposição, para fazer uma preparação para o encontro com Deus. Por essa razão,
a maioria, aqueles que são negligentes o bastante para não pesquisarem por si mesmos, são deixados à
mercê dos homens a quem pagam para pesquisar por eles; muitos dos quais traem a verdade deles, por
estudar e expor problemas sociais e econômicos ao invés dos Oráculos de Deus.
Em Provérbios 14:12 lemos: “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os
caminhos da morte”. Este “caminho” que termina em “morte” é a Ilusão do Diabo – o evangelho de
Satanás – um caminho de salvação através da realização humana. É um caminho que “parece direito”, o
qual, é preciso que se diga, é apresentado de um modo tão plausível que ganha a simpatia do homem
natural; é pregado de forma tão habilidosa e atrativa, que se torna recomendável à inteligência dos seus
ouvintes. Por incorporar a si mesmo terminologia religiosa, algumas vezes apela para a Bíblia como seu
suporte (sempre que isto se ajusta aos seus propósitos), mantém diante dos homens ideais elevados, e é
proclamado por pessoas que têm graduação em nossas instituições teológicas, e incontáveis multidões
são atraídas e enganadas por ele.
O sucesso de um falsificador de moedas depende em grande medida de quão proximamente a falsificação
lembra o artigo genuíno. A heresia não é uma total negação da verdade, mas sim, uma deturpação dela.
Por isto é que uma meia verdade é sempre mais perigosa que uma completa mentira. É por isso que
quando o Pai da Mentira assume o púlpito, não é seu costume claramente negar as verdades fundamentais
do Cristianismo, antes ele tacitamente as reconhece, e então procede de modo a lhes dar uma
interpretação errônea e uma falsa aplicação. Por exemplo, ele não seria tão tolo de orgulhosamente
anunciar sua descrença em um Deus pessoal; ele dá a Sua existência como certa, e então apresenta uma
falsa descrição da Sua natureza. Ele anuncia que Deus é o Pai espiritual de todos os homens, que as
Escrituras claramente nos dizem que nós somos:”filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gálatas 3:26),
e que “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (João 1:12). E mais
adiante, ele declara que Deus é por demais misericordioso para em algum momento enviar qualquer
membro da raça humana no Inferno, mesmo havendo o próprio Deus dito que: “aquele que não foi achado
escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Apocalipse 20:15). Novamente, Satanás não seria tão
14 ESTUDOS BÍBLICOS
4
tolo, a ponto de ignorar a figura central da história humana – o Senhor Jesus Cristo; ao contrário, seu
evangelho O reconhece como sendo o melhor homem que já viveu. A atenção é então levada para os Seus
feitos de compaixão e para as Suas obras de misericórdia, para a beleza de Seu caráter e a sublimidade de
Seu ensino. Sua vida é elogiada, mas Sua morte vicária é ignorada, a importantíssima obra reconciliadora
da cruz não é mencionada, enquanto Sua triunfante e corpórea ressurreição dos mortos é considerada
como uma crendice de uma época de muita superstição. É um evangelho sem sangue, e apresenta um
Cristo sem cruz, que é recebido não como Deus manifesto em carne, mas meramente como o Homem
Ideal.
Em II Coríntios 4:3 temos uma passagem que derrama muita luz sobre o nosso presente tema. Lá nos é
dito que: “se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o
deus deste século [Satanás] cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz
do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. Ele cega as mentes dos não crentes ao esconder
a luz do Evangelho de Cristo, e faz isto substituindo-o pelo seu próprio evangelho. Apropriadamente ele
é chamado de “o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo” (Apocalipse 12:9). Em meramente apelar
para “o melhor que está no homem”, e ao simplesmente exortá-lo a “seguir uma vida de retidão” ele está
criando uma plataforma genérica sobre a qual pessoas com qualquer matiz de opinião podem se unir e
proclamar uma mensagem comum.
Novamente citando Provérbios 14:12 – “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele
são os caminhos da morte”. Tem sido dito com considerável grau de verdade que o caminho para o Inferno
está pavimentado com boas intenções. Haverá muitos no Lago de Fogo que recomendaram suas vidas
com boas intenções, decisões honestas e ideais elevados – aqueles que foram justos em seus
procedimentos, corretos em suas transações e caridosos em todos os seus caminhos; homens que se
orgulharam da sua integridade, mas que buscaram justificar a si mesmos diante de Deus por sua própria
justiça; homens que foram morais, misericordiosos e generosos, mas que nunca viram a si mesmos como
culpados, perdidos, pecadores merecedores do inferno, necessitados de um Salvador. Este é o caminho
que “parece direito”. Este é o caminho que recomenda a si mesmo à mente carnal e se faz atraente às
multidões de iludidos dos dias atuais. A Ilusão do Diabo é que nós podemos ser salvos por nossas próprias
obras, e justificados por nossos próprios feitos; enquanto que, Deus nos diz em Sua Palavra: “pela graça
sois salvos, por meio da fé… Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. E também: “Não pelas obras
de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou…”
Há alguns anos atrás, conheci um homem que era um pregador leigo e um entusiasmado “obreiro
Cristão”. Por mais de sete anos este amigo esteve engajado na pregação pública e em atividades religiosas,
mas com base em certas expressões e frases que usava, eu duvidava que este amigo fosse um homem
renascido. Quando começamos a questioná-lo, descobrimos que ele foi muito mal instruído nas
Escrituras e tinha somente uma vaga concepção da Obra de Cristo pelos pecadores. Por um tempo
procuramos apresentar-lhe o caminho da salvação, de uma maneira simples e impessoal, e a encorajar
nosso amigo a estudar a Palavra por Ele mesmo, na esperança de que se ele estivesse ainda sem a salvação,
Deus se agradaria em revelar o Salvador de que necessitava.
Uma noite, para nossa alegria, aquele que tinha pregado o Evangelho (?) por tantos anos, confessou que
havia encontrado a Cristo na noite anterior. Ele admitiu (para usar suas próprias palavras) que estava
apresentando um “Cristo ideal”, mas não o Cristo da Cruz. Acredito que haja milhares como este
pregador, os quais, talvez, tenham crescido na Escola Dominical, foram instruídos sobre o nascimento, a
vida, e os ensinos de Jesus Cristo, crêem na historicidade de Sua pessoa, intermitentemente se esforçam
para praticar Seus preceitos, e pensam que isto é tudo o que é necessário para a sua salvação.
Frequentemente, estas pessoas quando atingem a maturidade vão para o mundo, e se deparam com o
ataque dos ateístas e infiéis, e lhes é dito que uma pessoa tal qual Jesus de Nazaré nunca viveu. Mas, as
impressões dos dias da mocidade não são facilmente apagadas, e eles permanecem firmes em sua
declaração de que “crêem em Jesus Cristo”. Apesar disso, quando sua fé é examinada, muito
frequentemente descobre-se que ainda que creiam em muitas coisas sobre Jesus Cristo, eles de fato não
crêem Nele. Crêem com seu intelecto que tal pessoa viveu (e, porque crêem desta forma imaginam, então,
que estão salvos), mas nunca baixaram as armas em sua luta contra Ele, rendendo-se a Ele, nem
verdadeiramente creram com seu coração Nele.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
5
A simples aceitação de uma doutrina ortodoxa sobre a pessoa de Cristo, sem o coração ter sido ganho por
Ele, e a vida ter sido devotada a Ele, é outra etapa deste caminho “que ao homem parece direito”, mas que
cujo fim “são os caminhos da morte”, ou, em outras palavras, é outro aspecto do evangelho de Satanás.
E agora, onde você está? Você está no caminho “que parece direito”, mas que termina em morte; ou, está
no Caminho Estreito que conduz à vida? Você realmente abandonou o Caminho Espaçoso que conduz à
perdição? Tem o amor de Cristo criado, em seu coração, aversão e horror a tudo o que Lhe desagrada?
Você está desejoso de que Ele possa “reinar sobre” você? (Lucas 19:14) Você está confiando inteiramente
na justiça e no sangue de Cristo para a sua aceitação junto a Deus?
Aqueles que estão confiando em uma forma exterior de religiosidade, tal qual o batismo ou a “crisma”
(confirmação), aqueles que são religiosos porque isto é considerado como uma marca de respeitabilidade;
aqueles que freqüentam alguma Igreja ou Congregação porque está na moda fazer isto; e, aqueles que se
unem a algumas Denominações porque supõem que este seja um passo que os capacitará a se tornarem
Cristãos, estão no caminho que “termina em morte” – morte espiritual e eterna. Mesmo sendo puros os
nossos motivos, mesmo sendo nobres as nossas intenções, mesmo sendo bem intencionados os nossos
propósitos, mesmo sendo sinceros os nossos esforços, Deus não nos reconhecerá como Seus filhos, até
que aceitemos o Seu Filho.
Uma forma ainda mais ilusória do Evangelho de Satanás está levando os pregadores a apresentar o
sacrifício reconciliador de Cristo, e então dizer à sua audiência que tudo o que Deus requer deles é que
“creiam” no Seu Filho. Por meio disto milhares de almas impenitentes são iludidas, e passam a pensar
que foram salvas. Mas Cristo disse: “se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lucas
13:3). “Arrepender-se” é odiar o pecado, entristecer-se por causa dele, e desviar-se dele. É o resultado do
Espírito tornando o coração contrito diante de Deus. Nada, exceto um coração quebrantado pode crer de
modo salvífico no Senhor Jesus Cristo.
Mais uma vez, milhares estão sendo enganados, ao serem levados a supor que “aceitaram a Cristo” como
seu “Salvador pessoal”, sem primeiro O terem recebido como seu SENHOR. O Filho de Deus não veio
aqui para salvar Seu povo nos seus pecados, mas “dos seus pecados” (Mateus 1:21). Para ser salvo dos
pecados, é preciso deixar de ignorar e de tentar despistar a autoridade de Deus, é abandonar o curso de
vida de acordo com a própria vontade e a satisfação pessoal, é “deixar o nosso caminho” (Isaías 55:7). É
nos render à autoridade de Deus, nos entregar ao Seu domínio, e ceder a nós mesmos para que sejamos
controlados por Ele. Aquele que nunca tomou o jugo de Cristo sobre si, que não busca verdadeira e
diligentemente agradá-Lo em todos os detalhes da vida, e ainda supõe que está “confiado na Obra
Consumada de Cristo” está iludido pelo Diabo.
No sétimo capítulo de Mateus há duas passagens que nos mostram os resultados aproximados do
Evangelho de Cristo e da falsificação de Satanás. Primeiro, nos versos 13-14: “Entrai pela porta estreita;
porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”. Depois,
nos versos 22-23: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos [pregamos] nós em
teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E
então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”.
Sim, meu caro leitor, é possível trabalhar em nome de Cristo, ou mesmo pregar em seu nome, e também
o mundo nos conhecer, e a Igreja nos conhecer, e ainda assim sermos desconhecidos ao Senhor! Quão
necessário é então descobrir onde nós estamos; examinar a nós mesmos e ver se nós estamos na fé; medir
a nós mesmos pela Palavra de Deus e ver se estamos sendo enganados por nosso astuto Inimigo, descobrir
se estamos construindo nossa casa sobre a areia, ou se ela está erigida sobre a Rocha que é Jesus Cristo.
Que o Espírito Santo examine nossos corações, quebrante nossa vontade, destrua a nossa inimizade
contra Deus, opere em nós um arrependimento profundo e verdadeiro, e fixe nosso olhar no Cordeiro de
Deus que tira o pecado do mundo.
1 NT. Estes movimentos ou já desapareceram completamente, ou não tem mais a expressão que tinham
à época em que este estudo foi escrito. Sendo hoje substituídos por estruturas como o Movimento
Ecumênico, a Nova Era, etc.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
6
Tradução: Walter Andrade Campelo
Fonte: Site Luz para o Caminho – www.luz.eti.br
Autor: Arthur Walkington Pink
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br
http://palavraprudente.com.br/biblia/outro-evangelho/
17.11.2016
(02) Culto Racional
“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo,
santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1)
O termo ‘racional’ remete a raciocínio. Parece bastante óbvio. Assim como também, por associação, se
entende que somente os seres humanos podem apresentar tal culto, visto que somente eles possuem
raciocínio. Os anjos também possuem raciocínio, porém, por natureza não possuem corpo, visto que são
espíritos (Hebreus 1:14). Paulo está falando aqui exclusivamente à igreja.
O vocábulo correspondente na versão original o grego “logikên latreian”, ou seja, ‘culto racional’, também
pode ser entendido, sem prejuízo, como ‘culto lógico’. De fato, há lógica na racionalidade e vice-versa.
Quem acha que essas coisas trazem prejuízo à fé, precisa rever seus conceitos.
O que Paulo está querendo dizer à igreja de Cristo?
Por suas colocações vemos que há uma preocupação do apóstolo em mostrar aos irmãos a necessidade de
que se realmente entenda a natureza de tudo isso, no caso, a igreja.
Por que estou aqui? Quem me trouxe aqui? O que vim fazer aqui? O que estão me ensinando é verdade?
São questionamento que todos os crentes deveriam se fazer até que encontrassem respostas racionais
para todos eles.
O contrário de culto racional é culto irracional. Ou seja, algo que é feito instintivamente, sem critérios ou
razões que justifiquem os procedimentos adotados. Em um culto assim é praticamente impossível se
seguir o que está escrito: “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (I Coríntios 14:40) . É impossível
que haja qualquer um dos dois componentes pedidos sem que se entenda a natureza de cada um. E é
preciso racionalidade para que isso aconteça. Por isso Deus nos fez diferentes das demais criaturas, ou
seja, nos criou à sua imagem e semelhança: para que o adorássemos em espírito e em verdade, conscientes
de nosso ato e de nossa missão de adoradores.
O reino de Deus é um reino de decência e ordem. Não há espaço para improvisos de última hora. A
construção da arca e do tabernáculo comprovam a mensagem de organização que Deus quer nos ensinar.
Até na salvação haverá ordem (I Coríntios 15:23).
Esse é o padrão que deve ser perseguido pela igreja de Cristo. Deus se agrada de uma obra organizada.
Em dias atuais podemos identificar como grande adversário desse padrão, o excesso de emocionalismo
que tem se alastrado no meio cristão. A busca incessante pelo êxtase e pela experiência sobrenatural
extrabíblica, a incorporação de ‘anexos’ doutrinários à Palavra de Deus, como se esta não fosse suficiente
e os modismos importados recheados de técnicas mirabolantes de quebra de maldições e encontros
obscuros são os componentes deste fim de séc. XX e início de séc. XXI. O que não é uma surpresa, Paulo
já alertava que essas coisas fatalmente aconteceriam (I Timóteo 4:1).
14 ESTUDOS BÍBLICOS
7
Nesse caldeirão doutrinário sem consistência – já que não se sustentam biblicamente – as pessoas estão
se dirigindo às igrejas sem saber exatamente o que vão fazer por sua espiritualidade. Vão dançar, cantar,
aplaudir, gritar, enfim, sem entrar no mérito dessas questões, quase sempre falta o elemento principal: a
Palavra de Deus. Entram e saem alegres e exaustas. O problema é: entenderam a mensagem? A palavra
que foi pregada edificou suas vidas? Deus falou com elas através de seu evangelho? Se à maioria dessas
perguntas as respostas forem algo como “acho que sim”, algo está fora do lugar.
Cultos de estudo são sempre vistos como ‘enfadonhos’ e ‘entendiantes’. Já pensou, passar quase uma hora
apenas consultando referências na Bíblia? Que chato, não? Agora observe Neemias 8:3 “E leu no livro,
diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e
mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.” Estudo
bíblico das seis da manhã até o meio-dia. Após isso, inclinaram-se, e adoraram o Senhor com o rosto em
terra. Que lindo, não?
Uma proposta dessas nos dias de hoje seria impensável. Mas se o trabalho for uma celebração com um
nome da moda, aí somente um dia inteiro é pouco.
A questão é que não há culto racional sem o entendimento da Palavra. Os ‘avivalistas’ de plantão trocam
a bíblia por apostilas preparadas especialmente para direcionar as pessoas para a conclusão que lhes
interessa. Seguem o exemplo das testemunhas de Jeová. Alguém já viu um deles evangelizando com uma
bíblia em punho? Não, só vão às ruas com exemplares de ‘sentinela’ e ‘despertai’ ou, quando muito, com
seus livretos particulares.
Por isso Paulo fala em ‘sacrifício vivo’. Ou seja, sacrifício da vontade da carne para fazer a vontade de
Deus. E isso requer dedicação à sua Palavra e não somente àquilo que dá prazer, como por exemplo, ir
para um retiro. Requer decência e ordem. Compromisso e organização.
Autor: Missionário Neto Curvina
Fonte:
http://www.palavraprudente.com.br/estudos/neto_curvina/miscelania/cap05.html
(03) Possibilidade de comunhão de espíritos mortos com vivos.
A). Pelo aspecto sentimental ou misterioso.
B). Pessoas atormentadas com problemas sem poderem resolve-los.
Observação: Os Espíritos argumentam que a proibição de Deus é evidenciada em que havia, nos tempos
antigos, a comunhão de mortos com vivos, que a proibição só era feita porque naquele tempo os homens
não estavam desenvolvidos para poderem suportar semelhante prática.
Examinemos, então na bíblia para observar o que Deus tem mostrado a seu povo, quanto a essa prática.
Encontraremos algumas passagens que irá nos mostrar. Vejamos : Deut. 18:9-14 / Isai. 8:19e20 / Lev.
20:6.
II). Crenças dos espiritas na reencarnação
Crêem que quando a pessoa morre, seu espírito deverá voltar a seu corpo para que vai aperfeiçoando-se
e purificando-se. As várias encarnações serve de maneiras para se pagar seus pecados.
Essa crença já era pregada pelos filósofos grego Pitágoras, e foi encorporada por Allan Kardec ao
espiritismo.
A idéia da reencarnação não é bíblica: (Ecl. 12:7 e Hebr. 9:27)
Passagens em que os espíritas baseiam sua crença:
Mat. 11:10-14 -> resposta: João 1:21
14 ESTUDOS BÍBLICOS
8
João 3:1-12 -> resposta: João 3:6 e Jó 1-12e13 (então sendo assim, só teria que nascer da carne)
III). Salvação (aperfeiçoamento pela evolução espiritual), através do sofrimento e pelas boas obras
Nunca encontramos esta crença na bíblia, para eles tudo dependem do mérito pessoal acumulado em
outras encarnações.
Salvação é somente pela graça: (João 3:16 / João 6:47 / Isa. 64:6 / Atos 16:31)
IV). Existência de diferentes mundo, para habitação dos vários estágios de evolução espiritual
Conforme o aperfeiçoamento, os espíritos vão para diversos mundos. Estes mundos oferecem diversas
estâncias para se aperfeiçoarem. Alguns mundos são inferiores, e existem vida, enquanto em outras
estâncias a vida é inteiramente espiritual.
Eles se baseiam-se em João 14:2, mas como declara a palavra de Deus, só existem dois lugares para onde
vão os mortos (João 3:18 e Lucas 23:43)
V). Fora da caridade não há salvação ( vide ponto 3 )
VI). Deus existe, mas está longe demais, e só se manifesta por meio de espíritos guias.
A). Os espíritas como os deístas crêem que Deus criou o mundo e não cuida dele, deixando-o entregue as
forças próprias.
B). Na falta de orientação de Deus, os espíritos abrem caminho a necessidade do homem ser orientado
pelos espíritos.
As seguintes passagens mostra que Deus é acessível ao homem: Hebr. 1:1 / João 1:14 / Isai. 55:6e7 –
59:1e2)
Observação: Somente o pecado afasta o homem de Deus, sendo assim, eles revelam seu estado
pecaminoso.
VII). Jesus Cristo é considerado o espírito que alcançou evolução ou desenvolvimento
A). Os espíritas só aceitam Jesus como homem evoluído, sendo assim o espiritismo mostra ser um
anticristo, fazendo a obra do diabo, negando que Jesus é Deus e salvador.
Que Jesus é dividido não há dúvidas. A Bíblia mostra abundantes referências a essa verdade. Examinemos
então:
Jesus é o verbo encarnado – João 1:1
Jesus é o Cristo Filho de Deus – João 16:15-17
Jesus desceu do céu – João 6:38
Jesus e o Pai são um – João 10:30
Seu próprio nome mostra sua divindade – Mateus 1:23
VIII). O espiritismo julga-se a terceira pessoa ou terceira revelação, ser o próprio Espírito Santo
prometido por Jesus
A). O Espírito Santo, sempre é apresentado na bíblia como uma pessoa de trindade e possuindo atributos
de uma pessoa.
B). Nunca é apresentado como um movimento criado por homens.
C). Esse absurdo chega ao limite da blasfêmia contra o Espírito Santo, para qual não há perdão.
Veremos então algumas apresentações do Espírito para comprovarmos essa realidade bíblica:
Atributos do Espírito como pessoa:
14 ESTUDOS BÍBLICOS
9
Ele pensa – Romanos 8:27
Ele sente – Isaías 63:10
Ele tem vontades – Atos 16:6
O Espírito age como pessoa:
Ele ensina – João 14:26
Ele convence – João 16:8
Ele fala – Atos 8:29
Ele intercede pelos crentes – Romanos 8:26
O Espírito também é:
O espírito de Deus – Ezequiel 36:27
O espírito de Cristo – Atos 16:6e7
IX). Crença de que se deve fazer orações pelos mortos e espíritos sofredores
Para os Kardecistas são úteis, porque vendo eles que alguém lembra deles, sentem-se menos
abandonados e aumentam a coragem. Crêem eles que as preces pode abreviar seus sofrimentos.
A Bíblia não ensina isto, em passagens tais como a do Rico e Lázaro (Luc. 16:19-31), principalmente os
versículos 22 e 23.
Observação: O Rico incrédulo havia, do meio do sofrimento, pedido que Lázaro fosse minorar seu
sofrimento, molhando a língua, e recebeu essa resposta: "È possível minorar o sofrimento da alma que
pareceu condenada, é impossível modificar-lhe a condenação." (vers. 26)
X). Crença que as pessoas podem salvar-se a si próprias pelo seu esforço em praticar as boas obras (vide
ponto 3)
XI). Os espíritas negam a existência do céu, do inferno, e da condenação eterna também de satanás.
A Bíblia afirma a existência de todos eles.
A). A existência do céu – Luc. 23:43 / João 3:12e13
B). A existência do inferno e penas eternas – Mat. 25:25-30 / Mat. 10:28
C). A existência do diabo – Mat. 25:41 / Efe. 4:27 / Tia. 4:7
D). A existência de demônios. (Obs.: demônios são anjos decaídos que seguem a liderança de satanás. São
esses anjos que produzem as manifestações nas mesas espíritas e terreiros de macumba, levando os
participantes a acreditarem que estão recebendo espíritos de pessoas falecidas. Vejamos essa classe,
mencionada na bíblia: Lev. 17:7 / Mat. 25:41 / Sal. 106:37 / Luc. 4:33)
Volto assim ao nosso objetivo principal, ao qual é nossa responsabilidade como crentes de anunciar o
evangelho às almas que estão sendo assediadas pelo espiritismo, às que são simpatizantes e as que já
estão na sua malha, a fim de que alguma delas se libertem para a verdade, para a luz, e para a vida.
Bibliografia:
LIMA, Delcir de Souza. Analisando Crenças Espirituais e Umbandistas. JUERP
Autor: Pr. Elmut Rossi
Fonte: http://www.palavraprudente.com.br/estudos/elmut_r/micelanea/cap01.html
14 ESTUDOS BÍBLICOS
10
17.11.2016
(04) "Fofocas na Igreja"
Levítico 19:16-19
Penso que o motivo real porque Deus nos deixa transmitir algo sobre a "fofoca", é que esse problema de
maneira nenhuma nos é estranha. Nós não somente ouvimos fofocas, também as espalhamos e nós
mesmos fomos vítimas delas. E acreditem: Todas as três coisas doem ao Senhor da mesma maneira!
Quando conto adiante algo que eu deveria Ter ficado para mim, normalmente o justifico com as palavras:
"Precisamos de qualquer maneira orar por fulano ou sicrano, ele tem o seguinte grave problema..." Mas
então normalmente não oramos, mas falamos bastante sobre o assunto. Naturalmente sempre foi
altamente interessante ficar sabendo das últimas histórias sobre uma pessoa ou uma obra.
I). O que é fofoca?
Por ocasião da nossa conversão a Jesus, deixamos os "grandes pecados" como por exemplo, mentir,
roubar, beber, enganar, uso de drogas, etc. Começamos a passar nosso tempo com nossos novos amigos,
falando a respeito de nosso Senhor, sobre nossa vida e sobre o que acontecem à nossa volta. Complemente
inofensivo... pensamos. Mas, observemos a coisa um pouco mais de perto! Quantas vezes essas conversas
estão cheias de julgamentos, de boatos, de "ouvi dizer"... escondidos cuidadosamente atrás de um sorriso
cristão!
Já sabias que a bíblia fala muito sobre fofoca? E não se trata de um "pequeno pecado", como muitos de
nós pensamos. Na bíblia está escrito: "...a boca perversa, aborreço" (Prov. 8:13). Deus nos ordena: "Não
andarás como mexeriqueiro entre o teu povo." (Lev. 19:16). Ele também diz: "...aprendam também a viver
ociosas, andando de casa em casa; e não somente ociosas, mas ainda tagarelas e intrigantes, falando o
que não devem." (I Tim. 5:13). E no Salmo 101:5, Deus diz: "Ao que as ocultas calunias o próximo, a esse
destruirei." Deus é de opinião que pessoas tagarelas não o reconhecem, estando entregues aos seus
pensamentos corrompidos. Ele equipara pessoas difamadoras com aqueles que não merecem confiança,
como assassinos e aborrecedores de Deus. Ele continua, dizendo que aqueles que fazem tais coisas, sabem
que merecem a morte. Mas isso não os impede de continuar a faze-las e até a animar outras a pratica-las
(Rom. 1:28-32).
Além disso as fofocas não precisam ser obrigatoriamente mentirosas. Muitos pensam: "O assunto é
verdade, por isso posso contá-lo a todos." Mas isso não está certo! Dizer a verdade com falsos motivos
pode Ter efeito ainda mais funestos do que falar inverdade. A seguinte definição de "fofoca" deixa isso
claro: Falar algo de alguém é fofoca, quando o que é dito não contribui para a solução do problema da
pessoa em questão.
II). Orientação na Bíblia
Quando somos ofendidos por alguém ou vemos que alguém vive em pecado, temos que ir a essa pessoa e
a nenhuma outra! (Mat. 18:15e16). Se alguém vive em pecado, que valor teria, falar a respeito a outros? O
que os outros irão fazer a respeito? Ao invés disso, é nossa tarefa reconduzir o irmão ou a irmã à
comunhão com Deus. Poderias mostrar-lhe o ponto escuro em sua vida, que o Senhor gostaria tanto
purificar. Se a pessoa não der ouvidos, deve-se dar outros passos. "Irmãos, se alguém for surpreendido
em alguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-lo, com espirito de bradura; e guarda-te para que não
sejais também tentado." (Gal. 6.:1)
III). Envolver outros
Transmitir a outros nossas mágoas e amarguras e ouvir quando eles falam das suas, é outra área em que
devemos ser bem cuidadosos. Se alguém feriu teu amigo, e este te falar da sua dor, provavelmente ficará
ofendido por simpatia por ele. Então também te sentes ofendido e talvez ficas bravo com a pessoa que fez
tal coisa ao teu amigo. Mais tarde é possível que os dois se reconciliem, e tudo estará perdoado e
esquecido. Mas um problema permanece: Tu continuas amargurado!
14 ESTUDOS BÍBLICOS
11
Uma briga causada por um pequeno incidente, pode ter conseqüências muito amplas e estender-se por
muito tempo, dependendo de quantas pessoas tomam conhecimento dela. Vês, é complemente
injustificável envolver outros em tuas mágoas. Não temos o direito de ir a outro, exceto a Deus e aquele
que nos ofendeu.
IV). A diferença entre aconselhamento e fofoca
Muitas vezes, fofocas e difamações são camufladas como "aconselhamento espiritual". Nada existe de
condenável no aconselhamento espiritual, se realmente falar com conselheiro espiritual, um conselheiro
espiritual é um crente maduro, que te exorta numa vida espiritual e à reconciliação, que aponta seu
pecado na situação que está sendo analisada! Ele não exagera a importância da questão e não fica logo
ofendido pessoalmente. A ele interessa principalmente a vontade de Deus, não a tua.
Na maior parte das vezes, nem procuramos seriamente uma solução quando falamos com alguém sobre
um problema, mas somente um ouvinte compassivo, que também defende nosso ponto de vista. Parece-
nos indiferente, quantas divisões provocamos, enquanto pudermos atrair pessoas para o "nosso lado".
"Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que
derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal,
testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contenda entre os irmãos." (Prov. 6:16-19)
V). "Mas estou somente ouvindo!"
Muitos de nós pensamos que somente ouvir não é tão grave quanto espalha-las. Mas isso não é verdade!
Deus diz: "O malfazejo atenta para o lábio iníquo; o mentiroso inclina os ouvidos para a língua maligna."
(Prov. 17:4).
Em I Samuel 24:9, Davi exorta a Saul: "Porque dás tu ouvidos às palavras dos homens que dizem: Davi
procura fazer-te mal?" Sim, porque lhes damos ouvidos?! Porque estamos tão rapidamente dispostos a
acreditar o pior? Na bíblia está escrito: "(o amor) tudo espera" (I Cor. 13:7). Porque não respondemos
educada mas decididamente: "Desculpe, tenho a impressão que você está contando algo, que eu nem
deveria ouvir. Você deveria conta-lo ao Senhor e aquele quem se refere, mas a mim não."
Algumas exortações desse tipo, mataria em germe a maior parte das histórias de mexericos. Ao menos,
elas impedirão as pessoas de vir a ti com sua conversa fiada. Talvez, assim também as estimule uma vez
a pensar sobre coisas mais importantes que os assuntos de outras pessoas. A bíblia nos adverte
claramente sobre o envolvimento com fofocas: "O mexeriqueiro revela o segredo, portanto não te metas
com quem muito abre seus lábios." (Prov. 20:19)
VI). Um sinal de maturidade
"Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo." (Mat.
12:36). Em cada palavra que dizemos, tomamos uma decisão. Ou nos decidimos a glorificar a Deus ou a
entristecê-lo, rebelando-nos contra sua palavra; "Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim,
unicamente a que for boa para edificação." (Ef. 4:29).
Freqüentemente não levamos a sério a ordem de Deus para controlar nossa língua. Trata-se, entretanto,
de uma das características de um crente maduro. Tiago diz: "Se alguém supõe ser religioso, deixando de
refrear a sua língua, antes enganando o próprio coração, a sua religião é vã." ( Tiago 1:26). Sabemos que
o coração é enganoso mais do que todas as coisas (Jer. 17:9), e assim seria fácil justificar desse modo
nosso comportamento errado.
VII). Um pensamento final
Fofoca e difamação, são instrumentos de Satanás. Ele sabe: se consegui dividir-nos e fazer com que
lutemos entre nós, estaremos muito ocupados para lutar entra ele. Temos que parar e pensar, antes de
falar! Deveríamos decidir em nosso coração, nunca mais dar ouvidos a fofocas ou espalha-las! Isso é
possível pela graça de Deus e através da nossa decisão de fazer a escolha certa! Talvez tenhas que pedir
desculpas a alguma pessoa. Talvez será preciso revelar amarguras e curá-las. Vai primeiro a Deus e deixa
Ele ordenar teu coração! Ele também te dará forças para fazer o restante: (Apoc. 19:7)
14 ESTUDOS BÍBLICOS
12
Autor: Pr. Elmut Rossi
São Paulo, Junho de 1.987
http://www.palavraprudente.com.br/estudos/elmut_r/micelanea/cap02.html
17.11.2016
(05) Pequenos pecados que causam grande estrago
Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor.
(Cânticos 2:15)
Os filhos de Deus geralmente não caem nos grandes e bem-conhecidos pecados, mas, segundo a Palavra
de Deus, há pecados que elas cometem frequentemente. Estes pecados, são como pequenas raposas que
estragam a uva (nossas vidas), tornando-nos infrutíferos.
Mas quais são estes pecados?
Aqui estão alguns deles.
Saber fazer o bem, mas não fazê-lo (Tiago 4:17). Deus nos manda repetidamente, que devemos fazer bem
a todos, principalmente aos domésticos da fé (Gálatas 6:9,10; Tito 2:14; Mateus 25:34,35). O Senhor Jesus
foi um exemplo para nós, neste aspecto. Nós lemos em Atos 10:38 que “Ele andou fazendo bem.” Quão
devagar nós estamos no obedecer deste mandamento!
Não orar pelos próximos (falta de oração). I Samuel 12:23. Nós frequentemente oramos por nós mesmos,
pelos membros de nossa família, pela nossa igreja, mas nos esquecemos de orar para os servos do Senhor,
para os missionários, para as doentes, pelos reis e por todos que estão em autoridade, e também para
muitos outros (Efésios 6:17,18; I Timóteo 2: 1,2). Este é uma das “pequenas raposas”. Nós devemos orar
por todos.
O pecado de fazer decisões e seguir o nosso caminho sem fé (Romanos 14:23). Sim, qualquer coisa que
não esteja de acordo com a Palavra de Deus, não é de fé (Isaías 8:20). Muitos Cristãos decidem e fazem
coisas, sem olhar às Escrituras para conhecer o desejo de Deus. Outros estragam suas vidas, com jugos
desiguais ou amizades inconvenientes (II Coríntios 6:14). É uma pena!
O pecado de fazer acepção de pessoas, ou o de agradar aos homens mais de Deus (Tiago 2:1-9; Gálatas
1:10). Este pecado é comum em muitas igrejas. Mais cargos ou posições são dadas aos ricos e educados,
do que às pessoas espirituais que não são ricas ou educadas. Tenha cuidado de não fazer acepção de
pessoas.
O pecado de não ser generoso com Deus (Malaquias 3:8,10; Lucas 6:38). Este é um fato em que, o povo
de Deus não ofertam o suficiente a Deus. No tempo do Velho Testamento os Israelitas davam dízimos e
ofertas a Deus. Agora, nós não damos metade disto. Muitos roubam a Deus dizendo, “Nós não estamos
no tempo da Lei.” Se no Velho Testamento os santos davam dízimos, poderíamos dar menos? Leia Gênesis
14:20; 28:22; Mateus 23:23. Oremos para que o Senhor livra-nos deste pecado e nos ensine a dar assim
como Ele nos mandou a dar (II Coríntios 9:6).
Não buscar primeiro o Reino de Deus (Mateus 6:33). Somente temos tempo para as nossas próprias
necessidades. Trabalhamos duro para ganharmos mais, algumas vezes deixando de lado as reuniões por
isso, mas não temos tempo para o estudo da Palavra de Deus; para orar, para visitar e praticar o evangelho
diante os não salvos. Este é um outro pecado que tem arruinado muitas vidas.
O pecado de mentir (Colossenses 3:9). Muitas vezes mentimos sem saber o que fizemos. Nós cantamos
com vozes altas, “Mais de Cristo” mas não temos a consagração real. Nós cantamos, “Tudo Entregarei”
mas a oportunidade vem para ofertar e damos muito pouco. Nós pregamos mas não vivemos a mesma
mensagem. Que aprendemos a sermos fazedores da Palavra (Tiago 1:22).
14 ESTUDOS BÍBLICOS
13
O pecado de não amarmos os nossos irmãos como o Senhor nos mandou a amar (João 15:12; Tiago 2:8, I
João 3:16,18). O Senhor frequentemente nos disse, “Que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei a
vós.” (João 13:34; 15:12). Muitas vezes amamos apenas de boca, mas não pelas ações. Alguns amam
apenas aqueles que os amam ou que estão próximos a eles, mas não têm nenhum amor por aqueles que
são diferentes a eles. Que aprendemos a amar nossos irmãos como nos amamos a nós mesmos.
Meu caro irmão, mate estas pequenas raposas, para que elas não façam você infrutífero. Oremos para que
o Senhor nos guarde destes pecados, para que possamos viver a glorificar o Salvador Quem nos amou e
nos deu a Si mesmo por nós.
—
Autor: N. Nazarian (Chapel Library)
http://palavraprudente.com.br/vida-crista/pequenos-pecados-que-causam-grande-
estrago/
17.11.2016
(06) A DOUTRINA DO ARREPENDIMENTO
"...Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento." (Mat. 9:13)
I. O SIGNIFICADO DO ARREPENDIMENTO
A origem da palavra do Grego.
O verbo que dá origem a palavra, em grego, é METANOEO, e é definido assim:
" !Se arrepender? , incluindo as idéias de reflexão, contemplação, e mudança de mente, pensamento, por
exemplo, do julgamento e do sentimento, sobre aspectos morais, com referência particular ao caráter e
conduta do próprio penitente." 1
"O verbo !METANOEO? não deve restringir-se apenas à mera tristeza pelo pecado ! o arrependimento no
sentido de contrição; mas implica uma mudança de pontos de vista, de pensamento e de propósito, e uma
conseqüente mudança da predisposição - arrependimento no sentido de conversão." 2
" !mudar de idéia? por exemplo, !arrepender-se?..., de ter ofendido alguém..." 3
"O arrependimento causa uma mudança na mente ... O arrependimento causa uma mudança nas afeições
... O arrependimento opera uma mudança na vida." 4
EXPLANAÇÕES COMPLEMENTARES
A Tristeza não é arrependimento. Muitos líderes religiosos dizem ao seus seguidores que tristeza é
arrependimento, mas não é!
Paulo diz que "a tristeza segundo Deus opera arrependimento" (2 Cor. 7:10), por exemplo, a tristeza,
segundo Deus, "opera" ou "produz" arrependimento, mas não é arrependimento!
O terror judicial na consciência não é arrependimento. Muitos indivíduos, os quais foram apavorados
pela exposição verdadeira de um julgamento pessoal e eterno, têm, mesmo assim, continuado no pecado
e na rebeldia, tanto pela continuidade na sua auto justiça quanto pela rebeldia aberta.
Especialmente, esta é a verdade no caso dos pecadores no seu leito de morte. Eles viveram suas vidas na
rebelião contra o Deus do Céu, mas o pensamento do: " temor de algo aterrorizante após a morte, aquele
temor do julgamento eterno que deverá passar sobre todos ... O prospecto de responder pelas ações" 5 os
causa muito terror de consciência, mas isto é muito distante do arrependimento.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
14
Deixar de lado alguns pecados grosseiros não é arrependimento. Os Fariseus dos dias de Jesus não
viveram abertamente contra a lei moral, mas seus corações foram corruptos.
Note o julgamento de Jesus contra eles: "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pois que sois
semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão
cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia." 6
A penitência não é arrependimento. A definição desta palavra dará condições a determinar que penitência
não é arrependimento. "O sofrimento, a labuta ou a dor que alguém voluntariamente se sujeita, ou ao
qual é imposta pela autoridade como punição de suas faltas, ou como uma expressão de penitência; tais
como: o jejum, flagelação, acorrentamento, etc. "A !penitência? é um dos sete sacramentos da Igreja
Romana." 7
II O ARREPENDIMENTO É, PRIMEIRAMENTE, PARA COM DEUS.
O grande Apóstolo aos Gentios pregou "?conversão a Deus?, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo." 8
Deve ser reconhecido o direito de Deus sobre a pessoa.
Deus criou o homem, e como seu Criador, Ele tem o direito de exigir que Suas criaturas vivam para Sua
glória em verdadeira justiça.
O verbo METANOEO é "meta", após, implicando mudança, "noeo", perceber. Em outras palavras, se vem
a "enxergar" que seu processo mental, proposta e modo de viver, estão errados em relação a Deus, e o
pecador "arrepende-se" ou "muda sua mente."
O amor do pecado "morre" no coração de algum.
O pecado é descrito por Deus em Suas Inspiradas Escrituras como "a iniquidade" ou transgressão9 A
palavra Grega é ANOMIA, e é traduzida em outros lugares como "iniquidade"10 e "injustiça" 11
Não só rege a lei da nossa conduta exterior, assim como também dos nossos "corações." Jesus disse que
foram as coisas geradas no coração que contaminam o homem,12 e Paulo disse que a Lei alcançou seu
coração e ressaltou sua desobediência.13
No arrependimento, a consciência é primeiramente "mudada", por exemplo: o pecado do qual alguém
antes "usufruiu" e "se deliciava" torna-se uma abominação, e então sua conduta exterior evidencia esta
"mudança".
O pecado é renunciado.
Quando o arrependimento é exercitado, ele não é para ser arrependido. Ele, então, é um estado em que
um está, e age de uma maneira propícia.
Ninguém "ficou em cima" de José, para que ficasse longe do adultério com a amante Egípcia. Quando a
senhora Potifar propôs José ao sexo ilícito, ele disse: "Como faria eu tamanha maldade, e pecaria contra
Deus?"14 Ele renunciou ao pecado!
Ninguém "perseguiu" Moisés, para que ficasse longe dos pecados da corte de Faraó, no voluptuoso
Egito.15 Moisés renunciou ao pecado!
Ao invés de viver para satisfazer as paixões devassadas da alma, no arrependimento, o indivíduo teve
"uma mudança de mente" e agora vive para Deus.
Ilustrações da Palavra de Deus
Davi, o Ilustre Rei de Israel, cometeu adultério com Bate-Seba, a linda mulher de Urias, o heteu,16 do
exército de Israel.
Não apenas cometeu Davi o adultério, assim como enviou Urias a morrer na guerra.17
14 ESTUDOS BÍBLICOS
15
Em Salmos 51, Davi confessa, e se arrepende de seus grandes e graves pecados. Ele diz: "Contra Ti, contra
Ti somente pequei, e fiz o que é mal a Tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando
julgares."18
J. A. Alexander faz um comentário deste versículo: "Ele não substitui, portanto, direta ou indiretamente,
Deus pelo homem, este como sendo a vítima, o qual é o único sentido que pode ser deduzido através da
frase !contra ti?. Esta idéia, entretanto, está sem dúvida implícita, assim como também perfeitamente
consistente com o uso das Escrituras, no descrever do pecado contra Deus. E mesmo o homicídio, o pior
crime que possa vir a ser cometido contra o homem, é condenado e punido, como uma violação contra a
imagem de Deus (Gen. 9:6)" 19
Pedro, o Apóstolo, quem esteve entre os três mais íntimos dos apóstolos, praguejou e jurou a não conhecer
a Cristo.20 Quando Cristo olhou a ele, Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito 21, saindo
dali 22 e chorou amargamente, por ter pecado contra o Senhor da Glória.
Um caso de pseudo arrependimento
"Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe arrependido, as trinta moedas de prata
aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos." 23
Há casos iguais ao de Judas, onde o indivíduo experimenta a "mudança de pensamento", mas a
"mudança" não vem de uma mudança de atitude e emoção adequada, e portanto não produz a "mudança
de pensamento", revelando que esta mudança não é fruto da regeneração.
A palavra usada, à respeito de Judas, é METAMELOMAI. A palavra significa que Judas ficou entristecido
que fora "capturado" ou "condenado", e não significa que ele "arrependera-se" e Deus "recusou-se em
salvá-lo."24
III. O ARREPENDIMENTO AGE PARA COM OS NOSSOS PRÓXIMOS.
Se alguma pessoa teve uma "mudança de mente", a respeito de seu relacionamento com Deus, esta terá,
sem dúvida alguma, uma "mudança de mente", a respeito dos seus próximos.
Se o pecador estiver realmente arrependido de seu pecado perante de Deus, então ele estará arrependido
a respeito de seu relacionamento com seu "conterrâneo". O mesmo Deus que deu os primeiros cinco
Mandamentos, os quais eram de regulamentar a conduta de alguém para com Ele, também deu os últimos
cinco para regulamentar a conduta de alguém com seus semelhantes.
O relatório de Zaqueu testifica que o arrependido passará por uma mudança de mente para com o seu
próximo. Zaqueu foi um homem que cobrou mais do que deveria, como cobrador de impostos. Todavia,
quando ele se arrependeu de seus pecados perante Deus, ele disse: "Eis que dou aos pobres metade dos
meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado."25
O apóstolo João diz claramente que quem arrependeu-se diante de Deus (e agora ama a Deus), também
arrepender-se-á diante do povo de Deus (e agora ama o povo de Deus). 26
IV A MENSAGEM DE DEUS É UMA CHAMADA AO ARREPENDIMENTO.
Muitos líderes religiosos nos dizem que o arrependimento não é para esta época. Mas, como pode ser
observado pela Palavra de Deus, o arrependimento foi pregado durante o ministério de João o Batista 27;
durante o ministério de Jesus 28; e durante o ministério de Paulo.29
E assim disse de Paulo: "Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos
os homens, e em todo o lugar, que se arrependam."
A recusa do homem de arrepender-se meramente testifica o fato de que a mente e a alma estão em
antagonismo contra o Senhor da Glória; e, tal indivíduo está escorregando velozmente em direção ao
inferno.
É necessário arrepender-se diante de Deus e confiar em Jesus Cristo como seu único Salvador30, ou será
condenado pelos seus pecados.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
16
CONCLUSÃO
A Palavra de Deus nos ensina que Deus ordena o arrependimento no século XXI como Ele fez no primeiro.
Se a alma não se arrepender, será condenada, e esta, para a eternidade.
Para toda alma arrependida (METANOEO), haverá o perdão dos pecados. 31
VOCÊ JÁ ARREPENDEU-SE? ARREPENDER-SE-Á?
NOTAS DE RODAPÉ
ALEXANDER, J. A. THE GOSPEL OF MARK, p.15
GLOAG, P. J. A CRITICAL AND EXEGETICAL COMENTARY ON THE ACTS OF THE APOSTLES, vol.
1, p. 109.
THAYER. GREEK-ENGLISH LEXICON, p. 405
WATSON, Thomas. THE TEM COMMANDMENTS, p. 207.
SHEED, W. G. T. SERMONS TO THE NATURAL MAN, p. 221.
Mateus 23:27
WEBSTER, Noah. AMERICAN DICTIONARY, 1828 via fax.
Atos 20:21
I João 3:4
Mateus 7:23; 24:12; Romanos 6:19
II Coríntios 6:14
Marcos 7: 14-23
Romanos 7: 9-11
Gênesis 39:9
Hebreus 11:25
II Samuel 23:39
II Samuel 11:15
Salmos 51:4
THE PSALMS TRANSLATED AND EXPLAINED, p. 231
Mateus 26:74
Lucas 22:61
Marcos 14:72
Mateus 27:3
"Esta palavra expressa remorso, e pode ou não ser seguida de mudança de proposta ou conduta; muito
diferente da palavra (METANOEO) usada para denotar o arrependimento à vida." (BROADUS, J. A.
MATEUS, p. 438)." "O verbo METAMELOMAI ocorre no N. T. apenas cinco vezes (Mt. 21:29, 27:3; II Co.
7:8; Hb 7:21 de Salmos 109:4). Paulo distingue claramente o que é mera tristeza do ato do
!arrependimento?, o qual chama de METANOIAN (II Co 7:9). No caso de Judas (Mateus 27:3) foi mero
remorso" (ROBERTSON, A. T. WORD PICTURES, vol. 1, p. 170) "A palavra METAMELOMAI significa
14 ESTUDOS BÍBLICOS
17
mudança de afeição de alguém, pesar; sempre acompanhada com a idéia de tristeza." (BOYCE, J. P.
ABSTRACT OF SYSTEMATIC THEOLOGY, p. 383).
Lucas 19:8
I João 5:1
Mateus 3:8
Lucas 13:3
Atos 17:30
João 14:6
Lucas 24:47
Autor: Max Nunley foi pastor da Bible Way Baptist Church, P. O. Box 1439. Deming, NM 88031, EUA
Tradução: Gustavo Stapait 09/01
Revisão: Calvin G. Gardner 03/02
http://www.palavraprudente.com.br/estudos/max_n/micelanea/cap01.html
17.11.2016
(07) "Princípios divinos para o sucesso material"
Texto Base: Ageu 1:5, 6 e Mateus 6:31-33
Introdução
Embora pouco falemos sobre esta questão da prosperidade material do crente, não devemos encarar
esse assunto como perdido. Não vamos aderir às pregações dos neopentecostais do "evangelho da
prosperidade", pois sabemos muito bem que devemos "Buscar PRIMEIRO o Reino de Deus, e as
demais coisas nos serão acrescentadas.", conforme nos prometeu Jesus. No entanto, talvez estejamos
incorrendo em um erro grave, quando deixamos tão sem instrução este assunto, e esquecemos que a
Bíblia nos foi deixada para nossa completa instrução (II Tim. 3:16 e 17). Desta forma, vemos que
muitos irmãos, que não receberam boa orientação quanto à condução de sua vida material, padecem,
desnecessariamente, chegando mesmo a passar e causar constrangimento por não terem sabedoria e
instrução a respeito. Muitas vezes, deixamos de ser abençoados materialmente, simplesmente porque
nós estamos errados. Isto não se resume ao fato de "deixar de dar o dízimo", como muitos pensam e
ensinam. A fidelidade na contribuição na Obra é um dos muitos sérios erros que podem estar
cometendo, que nos estejam fazendo sentir que "recebemos salário em saco furado" (ou bolso furado,
para ser mais atual).
Neste estudo, baseado em sua maior parte no livro de Provérbios, que é um livro de sabedoria, vamos
buscar a instrução da Palavra de Deus através das palavras de um homem que pediu a Deus sabedoria
e recebeu Dele sabedoria e riqueza como poucos ou, talvez, ninguém mais tenha recebido, o rei
Salomão. Estudemos em oração e temor a Deus, de tal modo que possamos compreender quanto Deus
tem a nos ensinar para nossa vida material, lembrando que alguém já disse – "para o cristão não há
distinção entre o material e o espiritual – para o espiritual, tudo é espiritual!"
14 ESTUDOS BÍBLICOS
18
Este estudo se divide em três partes:
1). Cuidados no trabalho (como devemos ganhar nosso dinheiro)
2). Cuidados na aplicação da nossa fazenda (como usar nossos bens e dinheiro)
3). Cuidados pessoais (como não destruir com os pés o que fizemos com as mãos)
Temos a certeza de que esta abordagem bíblica poderá nos ajudar muito. Mas lembre-se de que isto
não é tudo. Há muito mais o que aprender a respeito, em nossa experiência diária com a Palavra de
Deus.
I. Cuidados no trabalho (como devemos ganhar nosso dinheiro)
A. Dedicação – Seja diligente (cuidadoso, caprichoso) em seu trabalho (Prov. 21:5). Quem faz o seu
serviço bem feito, certamente haverá de ser reconhecido por isto e colher os seus frutos, enquanto o
que o faz apressadamente e de qualquer maneira, trará prejuízos a seus patrões / clientes / fregueses /
e a si mesmo.
B. Disciplina – Não deixe a preguiça dominar você (prov. 6:6-11, 13:4, 20:4 e 13, 21:25, 23:33 e
34).Muitas vezes a razão de alguém não Ter as coisas, é mesmo a falta de coragem e iniciativa para
trabalhar.
C. Honestidade – Trabalhe honestamente (Prov. 20:10 e 17, 21:6 e 7, 10:22). È vaidade (engano) o
ganho desonesto. Especialmente para os verdadeiros filhos de Deus, quando trocam as bênçãos de
Deus pelos lucros ilícitos.
D. Humildade – Não "se mate" por ganância de ficar rico (Prov. 23:4). Deus pode nos abençoar a
ponto de nos tornarmos ricos, mas não devemos levar nossas vidas com este objetivo, como muitos
que sacrificam sua saúde, família e vida espiritual.
E. Integridade – Não tenha inveja da prosperidade dos ímpios, deixando-os tentar por gente
inescrupulosa (Prov. 23:17 e 18, 1:10-15). Nunca nos faltam pessoas que nos incitem a andar em seus
caminhos desenfreados, com desculpas do tipo: "isto é normal", "todo mundo faz", e "veja como
estamos nos dando bem".
II. Cuidados na aplicação da nossa fazenda (como usar nossos bens e dinheiro)
A. Satisfação/Gratidão – Contente-se com as coisas alcançadas no Senhor (em trabalho, amor e
honestidade) por mais simples que pareçam ou sejam (Prov. 15:6 e 16, 16:8, 30:7-9). Valorizando e
desfrutando corretamente daquilo que temos, estaremos mostrando nossa gratidão ao Senhor. Poucas
pessoas são sabias em ver que a felicidade não reside naquilo que temos. A vida de muitos homens
ricos nos comprovam esta verdade afirmada em Provérbios.
B. Zelo – Cuide bem daquilo que você tem e não negligencie nem desperdice (Prov. 27:23 e 18:9). A
pessoa que cuida de suas coisas e não zela por elas, costuma perde-las mais rapidamente do que as
ganhou e, por isso, está sempre deficitária. Além disso, alguém que não zela de um bem menor,
normalmente não se mostra apto e merecedor de um maior.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
19
C. Moderação – Cuide para não fazer mau uso das bênçãos que Deus te dá, para que elas não se
tornem mau para você (Prov. 25:16). Este é um erro muito comum entre os crentes. Os excessos e mau
emprego de bens que Deus nos dá, acabam por nós prejudicar.
D. Bom senso – Dê o devido valor aquilo que você tem (Prov. 20:14). Não seja bobo, permitindo que
as pessoas desmereçam ou desvalorizem aquilo que tem um determinado valor. Pessoas que, na hora
de comprar, desvalorizam tudo que você tem e na de vender, supervalorizam o que eles têm. Lembre-
se que as coisas tem um valor real e justo de acordo com a situação. Há pessoas que custam muito para
adquirir algo e depois as entregam de "mão beijada" a espertalhões.
E. Coerência/Sabedoria – Não ponha em risco sua vida material, servindo de fiador, avalista ou coisa
parecida (Prov. 6:1-5, 17:18, 20:16 e 22:26 e 27). Nós que não temos grande fortunas, dificilmente
temos a condição de servir de fiador a alguém. Se fiador ou avalista é comprometer-se com bens ou
dinheiro, dados como garantia de um contrato feito por outra pessoa caso ela não o honre. Por essa
razão, só poderíamos colocar como garantia, algo que não é imprescindível. Comprometer o nosso
patrimônio, o bem estar e sustento de nosso lar e nosso testemunho por dar em garantia de outrem,
algum bem ou dinheiro, é incoerente. Ser fiador daquele que não conhecemos direito (o estranho) ou
do que "já conhecemos muito bem", também é incoerente. Ser fiador sem Ter com o que pagar é ainda
pior. Muitas gente tem comprometido seu bom nome e arrumado problemas sérios no suprimento das
necessidades de seu lar, por não dar ouvidos à Bíblia, sentindo-se na obrigação de "por amor" ser fiador
do seu próximo.
III. Cuidados pessoais (como não destruir com os pés o que fizemos com as mãos)
A. Construa o seu reino com bons conselheiros – (Prov. 13:18-23, 12:15, 15:22, 11:14). Pessoas que
acham que acham que não precisam de ajuda e se aventuram em coisas que desconhecem, costumam
Ter grandes prejuízos. Muitos homens acham que é vergonhoso buscar a opinião de sua esposa ou de
outros homens em negócios que vão fazer. O sábio líder, governa com um rico conselho, isto é, ele
busca instrução e opinião de pessoas que ele sabe que entende do assunto ou tem interesse que ele seja
bem sucedido na empreitada. Assim, procure dentre seus amigos (irmãos e familiares), quem seja
indicado a te orientar e ajudar naquilo em que você vai fazer.
B. Tenha ou seja uma ajudadora – (Prov. 14:1, 31:10-31). Há muitas mulheres que querem fazer de
tudo, mas não cumpre a função primordial que foi dada por Deus de ajudar o seu marido. Na área
material, muitas vezes o que ele ganha ou o que eles ganham juntos ela é capaz de gastar sozinha. Uma
mulher sabia é aquela que coopera (trabalha em conjunto) para a prosperidade de sua casa, cuidando
bem e, se possível, ajudando a ganhar.
C. Seja o que você realmente é – (Prov. 13:7, 16:18). Não queira mostrar-se o que não é. Não seja
"metido a besta" e nem faça-se de "miserável e coitadinho". Um não tem com que pagar-se e o outro
esconde, com ingratidão, asa bênçãos de Deus, não as reconhecendo.
D. Não seja "o trouxa" da mulher vil – (Prov. 6:23-26). Muitos homens têm muita cabeça para
ganhar dinheiro e até fortuna, mas, por um "rabo de saia" são capazes de entregar em uma semana o
que levam dez anos para construir. Como se já não bastassem outras razões morais para alertar os
irmãos a fugirem da mulher adúltera, esta é mais uma forte razão. O homem, depois de seduzido
(fisgado) por uma mulher interesseira, perde a noção das coisas e fica cego, pondo a perder tudo o que
tem e, como diz a Bíblia, chega a Ter que mendigar o seu pão.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
20
E. Não seja escravo dos prazeres – (Prov. 21:17, 23:20 e 21). O dinheiro, sem dúvidas, pode nos
trazer conforto e prazeres que, sem ele não poderíamos desfrutar. Porém algumas pessoas se encantam
tanto com estes tais prazeres, que se incapacitam a dar continuidade a sua vida normal, de forma que
vão dizimando os seus bens. O filho pródigo, da parábola contada por Jesus, é um excelente exemplo
disso.
F. "A ninguém devais coisa alguma..." – (Rom. 13:8). Não entre em dívidas e compromissos
desnecessários, correndo o risco de não Ter com que pagar ou ficar preso a alguém. Aprenda a viver
dentro do que você tem e ganha. Hoje, tornou-se comum as pessoas viverem sempre devendo a alguém.
Cheque especial (e outras linhas de créditos especiais oferecidas pelos bancos), cartão de crédito,
consórcio, cadernetas, cheques pré-datados, etc... tornaram-se um vício para grande maioria. Assim
tornando-se cada vez mais devedores (a Bancos, administradoras de cartões de créditos, factoring, ou
agiotas), são sem perceber, cada vez mais dominados por estes, a ponto de verem seus bens tomados
por estes, quando não conseguem contornar a dívida. Estas instruções nos oferecem créditos como se
isso fosse uma honra ou um privilégio; é assim que o gerente lhe comunica que você teve seu limite
de crédito aprovado ou aumentado, não é? Mas, na verdade, ele só está dando corda para se enforcar
(Prov. 22:7)
G. Não se contente em somar / Aprenda a dividir - (Prov. 3:27 e 28, 11:24 e 25, 14:31, 19:17). Seja
liberal e generoso, repartindo o que é direito e justo a cada um e ajudando aos necessitados com amor
e compaixão, conforme Deus te permitir e abençoar, ou seja, conforme a tua prosperidade (II Cor. 9:1
e 6-13). Quando feito isso SEM SEGUNDAS INTENÇÕES, certamente Deus retribui através da Sua
infinita misericórdia. È neste sentido que a Bíblia dez que, quando damos aos pobres estamos
emprestando a Deus. È porque Ele devolverá (talvez a mais).
H. Faça as contas antes de erguer a torre – (Prov. 13:16 e Luc. 14:28 e 29). Faça as contas e trabalhe
sua vida financeira com prudência. Não devemos viver as cegas, não sabendo o que vem pela frente.
È por esta razão que muitos caem em dívidas e sem vêem obrigados a submeter-se a empréstimos.
Nunca fazem as contas antes, para ver se vai dar para acabar a tora (ou acabar o mês). Quanto mais
apertado nosso orçamento, maior a necessidade de prever nosso caixa (receita/despesa), para que
possamos ajudá-lo ANTES QUE O DESASTRE OCORRA. Mesmo nos casos de quem, tem certa
folga de caixa, é conveniente faze-lo para NÃO INCORRER NO ERRO DO DESPERDÍCIO. (Veja
modelo de orçamento anexado e tente usá-lo, adaptando-o à sua condição)
Que os conselhos da Palavra de Deus possam fazer-nos sábios no conduzir nossas vidas materiais, de
forma que venhamos a honrá-lo dando um bom testemunho do que Ele pode fazer por nós e em nós.
AMÉM!
Modelo de orçamento mensal
Previsão Realizado
Saldo Anterior
Receitas R$
Despesas R$
Saldo do Mês R$
Saldo Total R$
14 ESTUDOS BÍBLICOS
21
DT DISCRIMINAÇÃO Valor Previsto Parciais Total
RECEITAS
Salário
Extras
R$ R$ R$
DESPESAS
Oferta igreja
Aluguel
Luz
Água
Telefone
Gás
Mercado
Feira
Padaria
Farmácia
Escola
Combustível
Manutenção carro
Taxas Banco
INSS
Impostos
Casa/Móveis
Presentes
Mesada
Roupas
Lazer
Viagem
Extra
TOTAL R$ R$ R$
Autor: Pr Waldir Ferro
Igreja Batista Betel Independente
14 ESTUDOS BÍBLICOS
22
São Paulo ! 01/2002
Fonte:
http://www.palavraprudente.com.br/estudos/waldir_f/micelanea/cap01.html
17.11.2016
(08) AMIZADES
Amizades são muito importantes em nossa vida. Elas contribuem grandemente em nossa formação e
modo de vida. Delas, surgem os relacionamentos mais profundos que definirão coisas importantes como
com quem vamos nos casar e que tipo de pessoas vamos ser. As amizades são desenvolvidas primeiro em
família e depois na convivência da igreja, escola, vizinhança, etc.
Note que nem todos os nossos conhecidos serão nossos colegas ou companheiros. Da mesma forma, nem
todos os companheiros (de classe, trabalho, etc.) serão nossos amigos de fato. Muitas vezes, aqueles que
consideramos amigos são apenas companheiros ou colegas e muitas vezes maus companheiros. Muito do
que vamos ver sobre maus amigos, aplica-se a estes também.
A Bíblia nos dá muitas orientações a respeito de amizades. Ela fala da importância dos bons amigos e nos
avisa sobre os perigos das más companhias através de várias exortações e ricos exemplos.
A IMPORTÂNCIA DAS AMIZADES
Este é um assunto de grande importância. Somos exortados por Deus, através da Bíblia, a ter sérios e
bons cuidados com relação à escolha de nossos amigos, pois eles têm muita influência em nossas vidas.
O que anda com os sábios ficará sábio, mas o companheiro dos tolos será destruído
(Provérbios 13:20).
Na verdade, a partir do momento em que escolhemos nossas amizades, não são apenas pessoas que
estamos escolhendo, mas o rumo que nossas vidas terão. Ao escolhermos a amizade de pessoas que
praticam coisas contrárias a Deus, estamos escolhendo o mundo e rejeitando a Ele.
Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto,
qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus
(Tiago 4:4).
CUIDADOS COM AS AMIZADES
A escolha de bons amigos nos ajudará em muitos aspectos, especialmente em termos espirituais.
É muito fácil fazer uma má escolha. Pessoas que não amam a Deus e não respeitam a Sua Palavra
costumeiramente nos oferecem sua amizade e, muitas vezes, parecem atrativas a nós. É certo que, se já
somos crentes em Cristo, podemos e até devemos nos relacionar com tais pessoas a fim de influenciá-las
pela nossa fé e exemplo de uma vida reta. Jesus mesmo fez questão de ter contato com pecadores, levando
a eles palavras de salvação (Lucas 15:1; Mateus 9:10-13). Porém, há grande perigo quando nos
relacionamos com tais pessoas e nos envolvemos com elas sem estarmos firmados em uma fé verdadeira.
Nesses casos, em lugar de conduzi-los a Cristo, acabamos permitindo que as suas más influências nos
corrompam.
Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes
(1 Coríntios 15:33).
Algumas pessoas querem nos afastar de Deus e nos induzir a pecar contra Ele. Devemos ter cuidado, pois
isso pode ocorrer até mesmo dentro da igreja, causando intrigas ou mesmo desvios de fé e conduta
(heresias).
14 ESTUDOS BÍBLICOS
23
Quando te incitar teu irmão, filho da tua mãe, ou teu filho, ou tua filha, ou a mulher do teu seio, ou teu
amigo, que te é como a tua alma, dizendo-te em segredo: Vamos, e sirvamos a outros deuses que não
conheceste, nem tu nem teus pais; dentre os deuses dos povos que estão em redor de vós, perto ou longe
de ti, desde uma extremidade da terra até à outra extremidade; não consentirás com ele, nem o ouvirás;
nem o teu olho o poupará, nem terás piedade dele, nem o esconderás
(Deuteronômio 13:6-8).
Por não atentarem ao que diz a Palavra de Deus, infelizmente, vemos até mesmo muitos filhos dos crentes
caindo em grande tragédia espiritual, sendo levados ao uso ou até ao tráfico de drogas e à prática de outros
crimes pela influência de "amigos".
Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas. Se disserem: Vem conosco, embosquemo-
nos para derramar sangue, espreitemos, ainda que sem motivo, os inocentes; traguemo-los vivos, como
o abismo, e inteiros, como os que descem à cova; acharemos toda sorte de bens preciosos, encheremos de
despojos a nossa casa; lança a tua sorte entre nós; teremos uma só bolsa. Filho meu, não te ponhas a
caminho com eles; guarda das suas veredas os pés; porque os seus pés correm para o mal e se apressam
a derramar sangue
(Provérbios 1:10-16).
Devemos ter cuidado com aquelas companhias que gostam de confusão e que buscam a violência. Eles
são perigosos até a si mesmos.
Não sejas companheiro do homem briguento nem andes com o colérico
(Provérbios 22:24).
Algumas amizades precisam ser totalmente evitadas. Devemos, enquanto é tempo, nos afastar daqueles
falsos amigos, que querem nos incitar para desviar do Senhor e praticar o pecado. É claro que não se
aplica a nós a ordem de matá-los como era ordenado na Lei para os israelitas, mas fica óbvio o sentido de
que eles devem ser TIRADOS da NOSSA vida e de nossos filhos, e suas más obras devem ser condenadas
e afastadas dos nossos olhos.
Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos
pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores
(Salmos 1:1).
Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a
mim
(Salmos 101:3).
Há outro tipo de falsos amigos que nos fazem mal, que são aqueles atraídos por interesses. Podemos
reconhecer esses “amigos” por observar que o que eles querem é somente usufruir daquilo que podemos
lhes oferecer, seja material ou algum outro tipo de favor. Precisamos ser sábios para enxergar em tempo
que estes não são realmente nossos amigos. Pessoas que só estão à espera do que nós temos a lhe oferecer
não são amigas em sentido algum. Um exemplo bíblico disso é o da parábola do filho pródigo. Lemos que
ele tinha “amigos” ao seu lado enquanto desfrutava da sua herança e ficou em abandono total após o
dinheiro acabar. Uma verdadeira amizade não é propriamente estabelecida no interesse em “dar e
receber”, embora esse “dar e receber” seja necessário a ela como vamos ver adiante.
As riquezas granjeiam muitos amigos, mas ao pobre, o seu próprio amigo o deixa
(Provérbios 19:4).
Devemos tomar cuidado, também, com aqueles que não mostram lealdade a outras pessoas como colegas
e familiares. Se agem assim com eles, muito provavelmente agirão conosco também.
O que rouba a seu próprio pai, ou a sua mãe, e diz: Não é transgressão, companheiro é do homem
destruidor
14 ESTUDOS BÍBLICOS
24
(Provérbios 28:24).
Sempre corremos o risco de que nossa amizade e fidelidade dedicadas a alguém, não sejam
correspondidas. Jesus mesmo sofreu a traição (embora ele já o soubesse desde sempre). Davi também
teve “amigos” que foram falsos com ele e o traíram depois (Salmos 35.11-16). Por que haveria de ser
diferente conosco?
Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra
mim o seu calcanhar
(Salmos 41:9).
Alguns dos amigos mais perigosos são aqueles que sempre concordam conosco, apoiando-nos mesmo nas
coisas erradas. Por concordarem e apoiarem nossas ideias e atitudes, eles parecem “bons amigos”, mas
poderemos observar que isso não é verdade.
Melhor é ouvir a repreensão do sábio, do que ouvir alguém a canção do tolo
(Eclesiastes 7:5).
O amigo verdadeiro está pronto tanto para nos dar apoio e palavras de aprovação amorosa quanto para
nos repreender e corrigir com palavras francas. A pessoa sábia procura ter amigos com coragem e
convicção para repreendê-la quando for necessário. Por outro lado, o insensato evita pessoas que a
corrijam e critiquem, procurando aprovação em tudo que faz. É claro que ninguém gosta de ser corrigido,
mas todos nós precisamos de amigos que nos amem tanto a ponto de ter a coragem de apontar e nos
ajudar com nossos erros.
Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto.
Leais são as feridas feitas pelo amigo, mas os beijos do inimigo são enganosos.
O óleo e o perfume alegram o coração; assim o faz a doçura do amigo pelo conselho cordial
(Provérbios 27:5, 6 e 9).
Dessa forma, devemos fazer um firme propósito como o de Davi, de buscar cercar-nos de pessoas
tementes a Deus.
Companheiro sou de todos os que te temem e dos que guardam os teus preceitos
(Salmos 119:63).
Uma vez que escolhemos TER bons amigos, devemos buscar SER bons amigos também! As Escrituras
nos aconselham sobre as responsabilidades de companheiros fiéis. Amigos contam com a presença uns
dos outros:
Como o ferro com ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo
(Provérbios 27:17).
Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe
(Provérbios 27:10).
As orientações bíblicas são valiosas para nos guiar em fazer e manter boas amizades.
EXEMPLOS DE AMIZADE
Três gerações da família de Davi nos servem de exemplos de amizades boas e más.
Davi e Jônatas - Um exemplo maravilhoso de amizade profunda e verdadeira é aquela mantida entre o
próprio Davi e Jonatas. Ela mostra como deve ser uma verdadeira amizade, firmada em nosso íntimo (na
alma), valorizando e amando aquela pessoa acima de nossos interesses pessoais.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
25
E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas
o amou, como à sua própria alma. E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua
própria alma. E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas
vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto
(1 Samuel 18:1, 3-4).
O rei Saul buscou incansavelmente matar Davi, escolhido por Deus como seu sucessor. Jônatas, da
mesma forma, poderia ter olhado para Davi com inveja ou ódio, pois se Deus não tivesse nomeado Davi,
o próprio Jônatas seria rei depois da morte de Saul. Jônatas não mostrou tal atitude mesquinha e mesmo
contrário a seu pai, manteve uma amizade especial com Davi durante toda a sua vida. Quando Saul tentou
matar Davi, Jônatas protegeu seu amigo (1 Samuel 20). Davi lamentou amargamente a morte desse amigo
tão especial (2 Samuel 1:17-27). Mesmo após a morte de Jônatas, Davi buscou exercer benignidade para
com o filho aleijado de seu amigo, Mefibosete (2 Samuel 9), em cumprimento da aliança firmada por eles.
Amnon e Jonadabe - Amnon, um dos filhos de Davi, não escolheu seus amigos do mesmo modo que seu
pai. Em lugar de cultivar boas amizades, escolheu como companheiro seu primo Jonadabe (2 Samuel
13:3). Quando Amnon falou com este amigo sobre os seus desejos errados pela própria irmã, Jonadabe
teve a oportunidade de corrigir e ajudar seu primo. Em lugar disso, ele "ajudou" Amnon a arquitetar um
plano para estuprar a própria irmã. Além de levar Amnon a humilhar e odiar a moça inocente e a magoar
profundamente seu pai (2 Samuel 13:4-21), o conselho de Jonadabe levou, afinal, à morte do próprio
Amnon (2 Samuel 13:22-36). Jonadabe ainda teve a falsidade de tentar confortar Davi depois da morte
de Amnon. Com certeza, esse não foi um bom amigo.
Roboão e seus colegas - Roboão, neto de Davi, se tornou rei depois da morte de Salomão. No início do seu
reinado, procurou conselho de várias pessoas antes de tomar uma decisão importantíssima. Ele valorizou
a amizade de seus jovens colegas acima da sabedoria dos homens mais velhos e experientes que haviam
ajudado seu pai (1 Reis 12:7-11). A "ajuda" destes amigos contribuiu para a divisão do reino e diminuiu
muito a influência de Roboão. Nossos amigos podem falar coisas que nos agradam, mas devemos dar
ouvidos à sabedoria de pessoas mais sábias.
O QUE ESPERAR DE UMA AMIZADE
O ideal de uma amizade é que ela possa ser vista como Davi bem a definiu: “Uma aliança do Senhor”. Isso
representa um pacto de fidelidade irrevogável.
Usa, pois, de misericórdia com o teu servo, porque o fizeste entrar contigo em aliança do SENHOR
(1 Samuel 20:8).
É no momento de aflição e necessidade que mais precisamos ter ou ser amigos verdadeiros. Em uma
relação de amizade, mesmo quando um se mostra fora do temor de Deus, o outro amigo deve agir com
compaixão, ajudando-o e buscando trazê-lo de volta ao bom caminho e não se fazendo companheiro dele
em seus erros.
Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-Poderoso
(Jó 6:14).
Nos piores momentos é que o amigo cresce e oferece o melhor de si. Nesse sentido é que a Escritura diz
que ele se faz mais que um amigo, tornando-se um irmão.
Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão
(Provérbios 17:17).
Todos nós precisamos de amigos verdadeiros que estejam ao nosso lado e nos auxiliem em certos
momentos da vida.
Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá
outro que o levante
14 ESTUDOS BÍBLICOS
26
(Eclesiastes 4:10).
CONCLUSÃO:
Coloque em prática aquilo que a Bíblia ensina sobre a verdadeira amizade, atentando ao seu ensino e
exemplos.
1- Escolha seus amigos com cuidado, evitando aquelas que lhe exerçam má influência para afastá-lo de
Deus.
2- Valorize amigos sinceros que te ajudem e corrijam quando erra.
3- Corte amizades que prejudicam sua vida espiritual.
4- Seja fiel e de confiança, especialmente nos momentos difíceis, quando os amigos mais precisam de
você.
5- Coloque sempre a Palavra de Deus como parâmetro para estabelecer suas amizades e
relacionamentos.
Pr Waldir Ferro
Igreja Batista Betel Independente
Rua das Flautas Transversais, 115 – Sto Amaro – São Paulo-SP
Autor: Pr Waldir Ferro
Fonte: http://www.palavraprudente.com.br/estudos/waldir_f/micelanea/cap07.html
17.11.2016
(09) A Internet e as mídias sociais - caindo na rede
Introdução:
Há algum tempo atrás, tive a oportunidade de falar em um encontro de
jovens em nossa igreja sobre esse assunto. Procurei alertar sobre certos
“probleminhas” que costumam acontecer na utilização da Internet. Chamei
aquela palestra de “Caindo na Rede”, fazendo uma brincadeira para chamar a
atenção para uma coisa séria, usando como ilustração os peixes, que enroscados
nas redes dos pescadores, acabam morrendo por isso.
Tenho visto que os pescadores de homens (não os enviados por Jesus) têm
arrastado muitos nas suas redes. Jovens e adultos também. Mas, é claro, esse
assunto atinge mais aos jovens. Essa geração teen praticamente não vive (ou
acha que não pode viver) sem os aparelhos eletrônicos de comunicação
(principalmente os computadores e celulares).
Isso tem feito alguns irmãos pensarem que é preciso voltar a esse assunto
que se tornou tão relevante nos nossos dias. Espero que os jovens, adolescentes
e pré-adolescentes de nossa igreja, assim como seus pais, compreendam a
importância desse assunto e busquem aplicar a Palavra de Deus a ele, sem
14 ESTUDOS BÍBLICOS
27
preconceitos ou paixões exacerbadas, mas com moderação, equilíbrio e temor a
Deus acima de tudo. Vamos ao assunto.
O que é uma “Rede Social”?
Quando fazemos essa pergunta, tenho a certeza de que o que vem à mente da
maioria de nós é aquilo que usamos para interagir com outras pessoas na
internet. Certo? Mas, talvez você se surpreenda ao saber que as redes sociais já
existiam antes da internet. Acreditem jovens: havia vida na terra antes da
internet! Deus criou o homem muito antes dela, e as pessoas interagiam antes
dessa grande invenção.
Uma Rede Social é, na verdade, qualquer coisa que envolva pessoas
interagindo e se relacionando. A ideia de uma rede social na Internet vem desses
outros tipos de redes sociais que já existiam. As REDES COMUNITÁRIAS que
agrupam pessoas com um mesmo interesse em favor das necessidades da
comunidade de um bairro, ou REDES PROFISSIONAIS que reúnem pessoas de
uma mesma formação profissional para discutir e defender questões técnicas ou
do interesse daquela categoria, por exemplo, são tipos de redes sociais. Os
encontros mantidos por esses grupos para discussão de determinados temas são
chamados muitas vezes de “fóruns”, o que certamente você também já viu ou
ouviu na internet.
Mas afinal, o que é a Internet?
Como vimos, redes sociais já existiam em outras formas antes de surgir a
“Arpanet”. Você pode estar perguntando: o que é essa tal de “Arpanet”?
Estranho, não é? Mas, na verdade, esse era o nome original daquilo que hoje
conhecemos como “internet” ou, simplesmente, “net”. Ela foi criada em 1969 e
ligava apenas quatro computadores de universidades dos Estados Unidos e, por
um bom tempo, serviu apenas para fins acadêmicos.
Só em 1988 (quase vinte anos depois), o Brasil conheceu a Internet, que
talvez nem pudesse ainda ser chamada de “rede mundial de computadores”,
como hoje ela é definida. Ela só era utilizada para auxiliar em pesquisas
universitárias e de uso bastante restrito. Só em 1995 a Embratel obteve
autorização para comercializar o seu uso e colocá-la à disposição da população
em geral (isso é, para os poucos que podiam pagar por isso).
E para que ela serve?
A partir daquela época (1995), aos poucos, fomos entrando para o grupo
das pessoas que são chamadas hoje de “internautas”. “Navegando” pela rede,
contatando pessoas conhecidas ou desconhecidas, do Brasil e de outras partes
do mundo (por salas de bate-papo, fóruns, e grandes redes sociais), trocando
correspondências (e-mail), explorando páginas de todo tipo, pagando contas,
fazendo compras, baixando programas, pesquisas e até trabalhando (tudo “on-
line”), nos tornamos um dos países que mais utilizam computadores e mais
14 ESTUDOS BÍBLICOS
28
apaixonados pelas mídias sociais. A pesquisa acadêmica e científica que deram
origem à internet talvez sejam os motivos que menos levam as pessoas a utilizá-
la.
Até os jornais foram afetados pelo crescimento da Internet, tendo que
reduzir a impressão de jornal em papel e usar mais o meio eletrônico para fazer
o seu trabalho. Aos poucos, as próprias mídias sociais da internet foram tomando
lugar desses jornais como fonte de informação. Muitas vezes, hoje em dia, um
jornal só “repica” (repete) a informação que já foi dada por alguém, seja ele o
próprio envolvido (alguma personalidade política, um artista, atleta ou coisa
assim) por meio do Twitter ou Facebook, por exemplo.
Na Internet, tudo que podemos fazer em um computador pode ser
compartilhado com qualquer outro computador, em qualquer lugar do mundo.
Via cabos ou satélites, palavras escritas, sons e imagens podem ser transmitidos
para todo o mundo e para qualquer pessoa. Isso pode ser muito bom, mas
também deve inspirar em nós mais cuidado naquilo que vemos ou enviamos por
ela. Podemos ter muita informação nos sítios (sites) onde são armazenados
filmes, músicas, livros, estudos, artigos, fotos, jogos, notícias, etc. Encontramos
coisas engraçadas ou tristes, sérias e graves; imorais ou edificantes; úteis ou o
“suprassumo das futilidades”. Enfim, o mundo está ao nosso alcance. Muitas
vezes, basta um toque com o nosso dedo no “mouse” ou no teclado para
trazermos alguma coisa daquelas mais fantásticas ou mais grotescas do mundo
para nossa casa e nossa vida, ou para enviar algo nosso para o mundo, e que,
muitas vezes, não tem mais como ser refreado ou voltar atrás.
Por enquanto, gostaria que parássemos para pensar justamente nessa
questão que, acredito, vai dar sentido a tudo que ainda vamos estudar, e afetar
o modo como vamos agir em função disso tudo.
Como dissemos a pouco, “O MUNDO está ao nosso alcance”. Isso é uma
verdade! Vi muitos pastores, antigamente, exortando sobre a TV, porque ela
“trazia o mundo para dentro dos nossos lares”. Isso também era uma verdade e
o é ainda. Mas a internet e as suas mídias sociais não só trazem o mundo para
dentro dos nossos lares, como também levam nossos lares ao mundo. Um mundo
que nem sempre (ou quase nunca) conhecemos.
Com a TV, tínhamos que ver o que estava ali, e a família estava junto, em
boa parte do tempo, dando mais oportunidade para que alguém verificasse se
alguma coisa ali não era boa. Já, na internet, temos uma infinidade de
possibilidades, sem controle e sem censura. O uso do computador e da internet,
geralmente é individual. Crianças e jovens estão navegando trancados nos
quartos ou em algum outro lugar, e seus pais nem sabem o que eles estão vendo
ou fazendo. Com quem estão falando? O que estão lendo, ouvindo ou assistindo?
Precisamos ter um “filtro” para refrear o que há de mal nesse mundo que
está tão ao nosso alcance, para que ele não a venha nos seduzir de um modo
que sejamos arrastados por ele.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
29
Devemos nos lembrar do que a Bíblia nos diz:
“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o
mundo, o amor do Pai não está nele” (1 João 2:15).
Não podemos nos apegar ao mundo ou às coisas que ele tem a nos oferecer.
Certamente há coisas boas nesse mundo, mas nem todas elas são do agrado de
Deus. Na verdade, Satanás sabe muito bem infiltrar coisas perniciosas em quase
tudo, a fim de ofender a Deus e nos levar a fazer isso também. Quase tudo nesse
mundo está contaminado por esse veneno da serpente, lá do Éden, e a
consciência disso deve nos fazer mais alertas.
“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas
as coisas me são lícitas, mas EU NÃO ME DEIXAREI DOMINAR POR
NENHUMA” (I Coríntios 6:1).
“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas
as coisas me são lícitas, MAS NEM TODAS EDIFICAM” (I Coríntios 10:23).
As Mídias Sociais
No mundo da internet, existem variados
tipos de sites e páginas. Existem aqueles que
são de utilidade pública, destinados ao
atendimento e serviços à população (Ex:
Receita Federal, prefeituras, Previdência
Social); sites empresariais para divulgação
ou comercialização de seus produtos e
serviços; e outros que servem para divulgar
ideias ou proporcionar lazer. É nesse último tipo que encontramos as chamadas
mídias sociais. O propósito delas é de estabelecer comunicação entre pessoas
(do inglês “media” = “meio de comunicação”).
Por meio delas, as pessoas podem compartilhar ideias, através dos blogs
(publicações editoriais) e microblogs (como o Twitter); imagens, fotos e vídeos
(Flickr, Picasa, Youtube, etc), músicas (Last.fm, Youtube e outros),
conhecimentos (Wikipédia e outros Wikis), etc.
As Redes Sociais
As redes sociais são mídias sociais onde podemos ir além de compartilhar
essas coisas. Nelas, nós podemos interagir com outros, conversar e trocar
informações de forma virtual. Elas se tornaram muito populares à medida que
evoluíram, agregando cada vez mais opções como: bate-papo on-line, chats com
14 ESTUDOS BÍBLICOS
30
áudio e vídeo, compartilhamento de textos, músicas, fotos, vídeos, jogos,
formação de grupos, reuniões em videoconferência e outras novidades que vão
surgindo.
São Redes Sociais, por exemplo,
o Facebook, Google+, MySpace, Orkut,
Hi5, Badu, LinkedIn (profissional),
Last.fm (música), Flickr, Youtube,
Second Life (realidade virtual), Twitter
(rede social e microblogging), Wikis
(compartilhamento de conhecimento) e várias outras. Originalmente, elas foram
criadas com algum propósito específico, mas a maioria teve seu uso diversificado
e adulterado por conta dessa agregação de serviços ou pela má utilização dos
usuários.
Observe como pessoas fazem o uso errado de certas mídias. O Twitter, por
exemplo, que foi criado para expor ideias, pensamentos interessantes e
curiosidades, está cheio de pessoas expondo coisas sem nenhuma importância
sobre suas vidas.
Sem dúvida, as redes sociais da internet podem ser muito bem utilizadas.
Podemos encontrar e oferecer boas coisas através delas: boa literatura (inclusive
a Bíblia em diversas versões), fazer novas amizades (embora isso requeira muito
cuidado), manter contato com amigos e irmãos, trocar estudos e até evangelizar
pessoas.
Os Perigos da Internet e das Redes Sociais.
Podemos enfrentar problemas com o mau uso dessas
redes, sendo levados a incorrer em uma série de perigos. A
primeira coisa em que precisamos pensar é que qualquer
coisa comunicada por meio da Internet pode ir
bastante longe. Lembre-se disso, pois isso pode ser uma
coisa muito boa ou... muito ruim.
Outra coisa importante é considerar que qualquer
pessoa pode postar qualquer coisa na internet.
Praticamente não há meio de censurá-la. Até mesmo
grandes instituições, como bancos, governos, etc., têm dificuldades na luta
contra a astúcia de pessoas desonestas (chamados hackers) que buscam meios
de burlar os sistemas e causar danos e prejuízos.
Para nós, existem perigos de roubo de senhas de segurança e dados
pessoais, exposição de imagem, riscos com ladrões, sequestradores, pedófilos e
14 ESTUDOS BÍBLICOS
31
aproveitadores de todo tipo. Mas, além disso, os crentes (jovens e adultos) não
podem ignorar que existem também os muitos “hackers” da nossa alma, que
querem roubar a integridade do ser humano e a fidelidade dos verdadeiros filhos
de Deus.
Eu sei que você pode estar pensando a essa altura que isso tudo é bobagem
e que o risco não é tão grande assim. Mas, Deus nos ensina:
“O PRUDENTE PREVÊ O MAL, e esconde-se; mas OS SIMPLES PASSAM E
ACABAM PAGANDO” (Provérbios 22.3).
“Portanto, VEDE PRUDENTEMENTE COMO ANDAIS, não como néscios,
mas como sábios” (Efésios 5.15).
Então, fique alerta e siga em frente! Daqui por diante, vamos falar sobre alguns
desses perigos que corremos e como devemos agir, como pessoas prudentes e
tementes a Deus.
a) A mentira:
É muito comum a prática da mentira no meio das comunicações
virtuais. Pessoas mentem sobre idade, quem são, formação,
etc. Os motivos podem ser relevantes ou não, mas parece que
a “mentira virtual” não é vista como mentira e que deixou de
ser pecado. Se precisamos mentir para fazer ou ter alguma
coisa, melhor não fazer.
“Por isso DEIXAI A MENTIRA, e falai a verdade cada um com o seu
próximo; porque somos membros uns dos outros”
(Efésios 4.25).
“Vós tendes por pai ao DIABO e quereis
satisfazer os desejos de vosso pai... Quando
ele profere mentira, fala do que lhe é próprio,
porque é mentiroso, e PAI DA MENTIRA”
(João 8:44).
Isso mesmo. Praticam aquilo que é próprio de
Satanás, o próprio criador da mentira.
b) O vício:
Sempre que falamos em vício, pensamos em coisas como cigarro, bebidas e
outras drogas. Mas o vício não se prende exclusivamente a essas coisas. Na
verdade, a palavra vício vem do latim “vitius” e quer dizer “tendência habitual
para o mal”. Na Bíblia, é a palavra grega “kakia” que representa “o que é
oposto à virtude”. Sendo a virtude uma qualidade que nos leva a fazer coisas
14 ESTUDOS BÍBLICOS
32
boas, o vício é um defeito de caráter que nos leva a fazer coisas más. Assim,
todo tipo de hábito ruim deve ser visto como um vício. É a nossa
concupiscência em ação!
O uso da internet não é uma coisa ruim, mas o hábito de seu uso prolongado
(às vezes por horas) tende a se tornar um grande mal. Tempo
desnecessariamente gasto em coisas que não edificam é algo muito ruim. O
trabalho, os estudos e mesmo o estudo bíblico podem ser prejudicados por
um impulso irresistível de ficar na frente do computador fazendo outras coisas
(navegando, jogando, conversando, etc.).
Veja se você não está deixando de cumprir deveres, perdendo horas
demasiadas nisso. Se não está deixando de ter atividades físicas e
relacionamentos pessoais por causa disso. Verifique, também, se, pelo tempo
longo demais ligado ao computador (PC, Note, tablete, celular etc.), não
existem coisas que estão saindo do seu controle e tornando-se algo
irresistivelmente forte em sua vida e lhe levando a pecar.
O vício no uso da internet pode trazer outros vícios piores, que destroem a
saúde do corpo e da alma também. Jogos, filmes, pornografia, fofocas e outras
coisas podem sujar sua mente e ocupar um grau de importância sobre outras
coisas que podem destruir certas (senão todas) áreas da sua vida.
“... renunciando à IMPIEDADE e às
CONCUPISCÊNCIAS mundanas, VIVAMOS
neste presente século SÓBRIA, e JUSTA, e
PIAMENTE”
(Tito 2:12).
c) Solidão e isolamento:
Outro perigo da internet é a falsa sensação que ela
pode causar de que estamos nos relacionando
adequadamente com as pessoas. Precisamos nos
relacionar com pessoas nas nossas atividades
diárias (escola, trabalho, igreja, lazer). O problema é que alguns começam a
se isolar de pessoas “de verdade” e a se ligar somente às “amizades virtuais”.
Cuidado! Se os seus “melhores” amigos ou a maioria deles são virtuais, talvez
você não perceba o quanto está sozinho.
As redes sociais podem e devem ajudar no contato com os amigos,
especialmente com aqueles mais distantes, mas não substituem a convivência
social.
Busque boas amizades. Converse pessoalmente com elas, tenha momentos
de lazer com aquelas que você puder, influencie as que estiverem ao seu
14 ESTUDOS BÍBLICOS
33
alcance e deixe-se influenciar por aquelas que tiverem coisas boas para lhe
passar. Principalmente, procure se aproximar daquelas com quem você pode
ter comunhão espiritual e compartilhar de coisas edificantes.
A maioria dos que “curtem” suas postagens, jogam com você ou te
convidam para participar de alguma coisa na Rede não é de fato seu amigo.
Relacionamentos à distância são frios e os virtuais são os mais enganosos de
todos.
“COMPANHEIRO SOU de todos OS QUE TE TEMEM e dos que
GUARDAM OS TEUS PRECEITOS”
(Salmos 119:63).
“O AMOR seja NÃO FINGIDO. Aborrecei o MAL e apegai-vos ao BEM.
Amai-vos cordialmente uns aos outros com AMOR FRATERNAL,
preferindo-vos em honra uns aos outros”
(Romanos 12:9-10).
d) Exposição indevida:
Um perigo terrível é o da exposição indevida ou
superexposição na internet. Alguns desses riscos
podem ser evitados ou, na maioria, minimizados. Não
devemos fornecer dados pessoais (senhas, endereço,
nº de documentos, conta bancária, nome e idade) a
ninguém. É claro, que existem situações onde isso
será necessário, mas deve ser evitado e, quando isso
ocorrer, deve ser feito com muito critério. Existem
muitos roubadores de dados que podem fazer mau uso
deles (ex.: hackers e sequestradores). Cuidado com e-
mails de desconhecidos ou mesmo de pessoas conhecidas que pareçam
estranhos. Geralmente eles contêm vírus que podem vasculhar dados ou
causar danos ao computador.
Existem outros tipos mais complicados de exposição nas redes sociais. Quando
fazemos um perfil em qualquer rede social, inevitavelmente, expomos coisas
a nosso respeito. Não se deve colocar dados completos (endereço) ou deixá-
los disponível para qualquer pessoa. Para os jovens e adolescentes, também
não é bom constar escola em que estudam. Com fotos e a informação da
escola onde uma criança ou adolescente estuda, sequestradores e pedófilos,
por exemplo, têm tudo que precisam para chegar a ele ou ela.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
34
Dizer a um jovem para não postar fotos, seria uma utopia, mas não podemos
deixar de alertar para os riscos que isso traz. Todas as suas imagens, que você
ou outra pessoa postarem, estarão na rede, e qualquer pessoa poderá ter
acesso a elas. A soma do que você “publica” (fotos ou texto), “compartilha”,
“curte” ou joga na sua rede (Facebook ou outros), vai ser a sua cara na
internet. Você deve se perguntar: - O que os outros podem ver a meu respeito
é mesmo o que eu sou? - O que eu mostro ser é algo digno? – Sim,
especialmente o crente (jovem ou não) deve ter esse cuidado. Eu gosto do
Facebook porque lá eu acredito ver o verdadeiro “fulano de tal”, embora nem
sempre goste do que vejo. Alguns rapazes querem parecer “maus”, e algumas
meninas “sensuais”. Será que essa é a imagem que devemos passar para os
outros? Esse (a) é você? As famosas “fotos do espelho” (fazendo biquinho,
forçando pose, etc.) geralmente não passam uma imagem realmente boa.
Algumas garotas procuram tirar fotos para “parecer bonitas” (não se
ofendam!!!) ou mais bonitas do que são e acabam passando do ponto de uma
pequena vaidade a uma certa indecência. Cuidado. Procure parecer o que você
realmente é, mas acima de tudo, procure ser alguém realmente forte ou bonito
aos olhos de Deus. O seu “livro de rosto” deve mostrar um belo rosto (o rosto
de alguém que glorifica ao Senhor).
Devemos lembrar que a imagem que passamos vai refletir em muitas coisas
em nossa vida, pessoal ou profissional. Por ela vamos dar um bom ou mau
testemunho de Cristo, atrair um tipo ou outro de amizades e talvez futuro
namorado/cônjuge. Muita gente já perdeu boas oportunidades em função de
coisas que postaram em suas redes sociais.
“Portanto, vede PRUDENTEMENTE como andais, não como néscios,
mas como sábios”
(Efésios 5:15).
“Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o
CONFORME A TUA PALAVRA”
(Salmos 119:9).
“ENGANOSA É A BELEZA e vã a formosura, mas a mulher que teme ao
SENHOR, essa sim será louvada”
(Provérbios 31:30).
14 ESTUDOS BÍBLICOS
35
e) A corrupção da mente:
Preste atenção em como muitas mídias sociais tem grande
capacidade em utilizar técnicas de corrupção da mente. Nossa
mente é corrompida quando até certos princípios em que fomos
ensinados e o nosso próprio senso crítico das coisas passam a
ser lentamente desarmados.
“Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons
costumes.”
(1 Coríntios 15:33).
Existe uma técnica ardilosa bem usada para desarmar o nosso senso crítico
que consiste em não “romper a rocha”, mas penetrá-la lentamente. Você já
deve ter ouvido o dito popular que diz “água mole em pedra dura, tanto bate
até que fura”, não é mesmo? Pois é, sendo dia após dia deparados com certas
coisas, nossa mente pode ser lentamente minada em sua resistência ao que é
mau, errado e pecaminoso. Vencidas certas barreiras, mesmo um crente
começa a perder a consciência disso e, a partir daí, abre-se uma brecha para
que nossa mente seja suja por todo tipo de coisa.
“E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como
andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente... os quais,
havendo PERDIDO TODO O SENTIMENTO, se entregaram à
dissolução... Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o
tendes ouvido, e nele fostes ensinados... que vos despojeis do velho
homem, que se CORROMPE pelas CONCUPISCÊNCIAS DO ENGANO; E
vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo
homem, que segundo Deus é criado em verdadeira JUSTIÇA E
SANTIDADE.”
(Efésios 4:17-24).
A mente vai sendo corrompida ao ponto de achar que podemos fazer
“virtualmente” coisas que na vida real não nos é permitido, ou passamos a
“não ver mal algum” em coisas que são contra a Lei de Deus, como roubar,
matar, fornicar, etc. Devemos nos lembrar de que o padrão do que é mau ou
bom não é o nosso, mas o de Deus. Nós podemos ser corrompidos ao ponto
de passarmos a achar “bom” o que era “mau”, mas o que para Deus era “mau”
sempre será MAU.
“Todo caminho do homem é RETO AOS SEUS OLHOS, mas o SENHOR
SONDA OS CORAÇÕES.”
(Provérbios 21:2).
14 ESTUDOS BÍBLICOS
36
Tome cuidado com as coisas que são muito prontas a minar nossa resistência
ao pecado. Cuidado com jogos, os modismos, as “tribos” (isso é: as turmas –
Mesmo as religiosas), etc. Tome cuidado especial com a sensualidade e a
imoralidade, seja em palavras ou imagens. Muitas vezes ela se apresenta
disfarçada em forma de “humor” ou até em coisas infantis como desenhos e
quadrinhos. Muitos crentes estão vendo, postando, compartilhando, copiando,
curtindo isso tudo sem critério cristão algum e sem nenhuma presença de
santidade nisso. Não percebem que suas mentes estão sendo ou já foram
corrompidas.
Algumas dicas importantes.
Antes de encerrar, me permitam deixar algumas boas dicas que colecionei
sobre como devemos usar a internet:
a) Vamos passar tudo pelo filtro de Filipenses 4:8
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o
que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum
louvor, nisso pensai.”
b) Os pais devem supervisionar seus filhos jovens e crianças no uso dessas
ferramentas.
c) Mantenha o computador em lugar aberto e acessível, a fim de não se
expor à tentações desnecessárias - (Efésios 5:11-13)
E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.
Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe.
Mas todas estas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta.
d) Não seja vulgar ou não se faça parecer vulgar. Tome cuidado e examine
o conteúdo de fotos, imagens e o que escreve e compartilha (I
Tessalonicenses 5:22)
“Abstende-vos de toda a aparência do mal”.
e) Tome cuidado com senhas de segurança. Para sua segurança, em todos
os sentidos, mantenha-as muito bem guardadas.
f) Apague e-mails estranhos, com ofertas tentadoras de qualquer tipo, de
remetentes desconhecidos ou com links para acesso a coisas que não
pediu.
g) Controle seu tempo na rede para não deixar de fazer coisas mais
importantes e se relacionar pessoalmente com amigos, colegas e
familiares.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
37
h) Procure sites e páginas que edifiquem. Ocupe seu tempo com coisas
proveitosas.
i) Não aceite qualquer pessoa em sua rede de amigos. Mantenha restritos
os dados pessoais e fotos para que pessoas estranhas não tenham
acesso a eles.
“Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.
Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas sim a Deus,
que nos deu também o seu Espírito Santo.”
(1 Tessalonicenses 4:7-8)
Pr Waldir Ferro
Igreja Batista Betel Independente
Rua das Flautas Transversais, 115 – Sto Amaro – São Paulo-SP
Fonte: http://www.palavraprudente.com.br/estudos/waldir_f/micelanea/cap06.html
17.11.2016
(10) RELACIONAMENTO ENTRE IRMÃOS
TEXTO BASE: Salmo 133.1
RELACIONAMENTO ENTRE IRMÃOS
Quão bom e suave é que os irmãos vivam em união! – Salmo 133.1
Frequentemente, constatamos que Satanás procura minar a vida de crentes e da própria igreja, afetando a área
dos relacionamentos pessoais entre irmãos. Isso tem causado muitos males no meio do povo de Deus e ao seu
progresso, uma vez que tais problemas prejudicam o nosso crescimento espiritual e serviço a Deus. O que torna
ainda mais grave a questão é que muitos males acabam por vir sobre toda a igreja. Crentes que, com suas vidas
espirituais enfraquecidas, carregando mágoas, rancores, pecados não confessados e, muitas vezes, nem mesmo
reconhecidos, acabam por prejudicar todo o trabalho de suas igrejas. Nem percebem, talvez, que em razão
dessas coisas, eles mesmos não crescem e não glorificam a Deus no trabalho que fazem.
Por sua vez, suas igrejas, como um corpo em Cristo que são (ou deveriam ser), sofrem, ao ver quebrada e
abandonada sua unidade interna, como se isso não fosse coisa importante e necessária aos olhos de Deus (Salmo
133.1). Por vezes, a maior parte da igreja nem se dá conta do problema até que ele cresça e, por alguma razão,
venha à tona.
Sentimentos motivados por problemas não resolvidos de relacionamento entre irmãos, invariavelmente, geram
atitudes carnais. Assim, passam a gerar facções, boicotes, disputas e coisas semelhantes, na igreja, ou mesmo
entre igrejas. Deixam de fazer certos trabalhos ou de participar deles, em função de sentimentos negativos por
algum irmão. Deixam de participar de certas áreas, na vida da igreja, onde aquela pessoa, com quem se tem
problemas, está envolvida e, principalmente, quando esta lidera aquela atividade. Surge um espírito crítico e
negativista, o que acaba, muitas vezes, contagiando a outros. Outras vezes, ainda, o trabalho acaba sendo feito
de forma carnal e motivada por disputa, tentando superar o seu “irmão inimigo”.
Dessa forma, deparamo-nos com as mais diferentes situações: membros de uma mesma igreja que não gostam
de outros e, às vezes, nem falam com eles; outros, carregando mágoas de tempos antigos e nunca tratados,
agindo falsamente como se nada houvesse, revelando, porém, seus sentimentos negativos em alguma ocasião
14 ESTUDOS BÍBLICOS
38
“oportuna”; lares, que supostamente servem a Deus, onde não existe harmonia ou comunhão, etc. Fato curioso
é que, apesar disso tudo, é comum a atitude de alegar que “não se tem raiva” daquela pessoa, procurando
justificar-se apenas com uma desculpa de que prefere manter alguma distância ou que não é obrigado a “andar
grudado na outra pessoa”.
Observando o quanto isso nos é prejudicial, somos levados a crer que é necessário termos firme em nossos
corações, o propósito de buscar e observar o cuidado de Deus a esse respeito. Esperamos que esse estudo seja
útil a muitos, não só com a finalidade de chamar a atenção para o problema, mas principalmente para nos ajudar
a encontrar direção na solução de problemas a esse respeito e forças para agirmos contra esse mal.
1- ALGUNS CUIDADOS PRELIMINARES.
Antes de estudarmos sobre como resolver biblicamente problemas de relacionamento, precisamos ver alguns
cuidados a se tomar, em nossa vida espiritual, a fim de evitar tais situações.
- Evite ofender - Em primeiro lugar, devemos evitar, com todas as nossas forças, ofender ao nosso irmão. Nem
sempre é fácil fazer isso, mas devemos nos esforçar e dedicar por ser mansos em palavras e atitudes a fim de
evitar contendas. Romanos 12.18 ensina-nos que devemos nos esforçar para ter paz com todos os homens.
Certamente, isso deve aplicar-se também a nossos irmãos. Esse esforço nos mostra que devemos ter atitudes
que levem a isso. Se, deliberadamente, formos agressivos, ofensivos ou provocativos com um irmão, não
estaremos cumprindo o ensino da Palavra de Deus e, portanto, estaremos em pecado.
- Evite ofender-se - Da mesma maneira, devemos evitar o “dar-se por ofendido”. Especialmente por motivos
banais. Conheço o caso de duas senhoras que faziam parte da mesma igreja, há muitos anos. Um dia, descobriu-
se que havia uma mágoa entre elas que remontava a tempos em que tinham seus filhos pequenos, ainda. A causa
dessa antiga mágoa: as filhas de uma delas, brincando, pisaram o jardim da outra e estragaram algumas plantas
que havia lá. A dona do jardim se indignou e se ofendeu por isso, julgando talvez algum descaso da outra, e
acabaram tendo certa discussão a respeito. Elas nunca conversaram de modo a esclarecer o assunto, e também
não houve uma reconciliação. Como é de costume entre as pessoas, elas “deixaram para lá” e não tocaram mais
no assunto. Os filhos cresceram e, possivelmente, as plantas pisadas também, mas o lado ruim foi que essa
mágoa ficou e também cresceu com o tempo, de modo que sempre foi um impedimento à comunhão entre elas.
É claro que isso tudo poderia ter sido evitado ou consertado rapidamente. Nós bem sabemos que é quase
inevitável que venhamos a nos ofender vez ou outra por alguma bobagem. Porém, quando isso ocorre, devemos
tratar a questão correta e urgentemente.
Um cuidado adicional a se tomar é observar que, quando situações como estas, onde nos ofendemos ou
ofendemos a outros, começam a ocorrer com certa frequência, isso pode estar denunciando que algo em nossa
vida espiritual não vai bem. Satanás está encontrando espaços para trabalhar em nós e por nós no meio da igreja.
Esse deve ser um sinal de alerta assustador para todo verdadeiro Cristão. Sabemos que o que estamos dizendo
parece pesado, mas se formos sinceros, vamos considerar que, de fato, isso é tão real e assustador à nossa alma,
que talvez seja justamente esse o motivo que nos leva a querer negar que isso possa estar acontecendo conosco.
Em Levítico 19.16-18, a Lei ordenava que o povo de Deus não deveria carregar, em seu coração, algum ódio
contra seu irmão, mas também não deveria deixar de repreendê-lo quando fosse ofendido por ele. É exatamente
sobre esse ponto da Lei que Jesus discorreu, ao ensinar seus discípulos sobre como tratar questões de ofensas
pessoais em Sua igreja. Isto será nosso assunto adiante, mas o que é importante ressaltar aqui é que existe uma
ORDEM de Deus para não negarmos, de modo algum, o fato de uma ofensa, carregando sentimento negativo
contra nosso irmão, seja ele quem for, guardado em nosso íntimo.
Visando esses cuidados, vejamos algumas exortações a respeito:
- Efésios 4.1-3 – Aqui, Paulo nos exorta a andar conforme nossa chamada, com frutos espirituais como
humildade, mansidão e longanimidade, a fim de guardar uma unidade espiritual, através do Amor, e preservar
a paz, no meio do povo de Deus. Nós devemos saber qual é a chamada do nosso Deus. Ele não nos chamou em
intrigas e para a intriga e o conflito, mas em Amor e para o exercício do amor verdadeiro e sacrificial. Chamou-
nos para a paz. Os frutos do Espírito não concordam com um coração carregado de ódios, rancores e mágoas.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
39
- Colossenses 3.12-16 – Suportando e perdoando nossos irmãos, uma vez que fomos chamados em UM CORPO.
Convém destacar a importância da “abundância da palavra de Cristo” em nós, para que estejamos firmes nesse
propósito.
- Tiago 3.6-18 – Embora Tiago culpe a língua de tão grandes males, devemos lembrar que isso é apenas uma
figura de linguagem. Na verdade “da abundância do coração fala a boca” (Luc. 6.45). Se não buscarmos
sabedoria na Palavra de Cristo, Satanás encherá nosso coração com a “sua sabedoria” (v. 15) que é diabólica.
Notemos que a sabedoria de Deus é “pacífica, moderada, tratável, misericordiosa, sem parcialidade e sem
hipocrisia”. Onde não há comunhão, não existe PAZ; onde não há um espírito manso, não existe MODERAÇÃO;
onde não há respeito pelo próximo, não existe TRATABILIDADE; onde não há disposição ao perdão, não existe
MISERICÓRDIA; e onde se oculta mágoas, reina a HIPOCRISIA. De fato, essas não podem ser vistas como
atitudes dignas de um filho de Deus!
- Não despreze a astúcia do diabo – Ele não só tem habilidade em provocar contendas entre irmãos, mas também
tenta convencer-nos de que não devemos dar importância a isso, ou que “não estamos chateados” com aquele
irmão. Por trás disso, ele tem a intenção de evitar que tratemos e resolvamos o caso da ofensa, e assim ela se
transforme em mágoa e rancor enraizados. Por que isso? A Palavra de Deus nos diz em Provérbios 18.19: “O
irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de
um palácio”. Ele sabe que ofensas e contendas guardadas acabam se constituindo em verdadeiras muralhas de
resistência, que se consolidam ainda mais com o passar do tempo.
Para saúde espiritual nossa e de nossas igrejas, convém examinarmos periodicamente nossos corações, a fim de
avaliar como estamos em relação a isso.
2- TRATANDO O PROBLEMA:
Após verificarmos os cuidados para evitar ou detectar possíveis problemas de relacionamento mantidos em
nossas vidas, vamos observar algumas coisas contidas na infinita sabedoria de nosso Senhor, para que possamos
sanear nosso coração. O texto não pode ser outro, se não Mateus 18.15-18. Leia, primeiramente, o texto e depois
pondere sobre os pontos que salientamos abaixo.
a) OBEDEÇA A JESUS – Se Ele é de fato nosso Senhor, devemos ouvi-Lo em tudo. Não faça como “você acha
melhor”. Faça como ELE ENSINOU. Siga cuidadosamente cada passo do que Jesus disse na passagem em
questão.
- Satanás também procura nos convencer de que obedecer a instrução de Deus “não vai dar certo”. Quantas
vezes ouvi isso em ocasiões de aconselhamento a irmãos magoados ou ofendidos. Lembre-se que nos fazer
duvidar de Deus é arma antiga do inimigo! Não foi exatamente essa a estratégia aplicada no Éden?
b) FAÇA ISSO O QUANTO ANTES – Precisamos entender o ensino de Jesus, pois é uma ordem e deve ser
obedecida com urgência. No caso, a questão se deve ao fato de que, como todo mal, também deve ser retirado o
mais cedo possível da nossa vida. Adiar ou não tratar um problema de ofensa é dar oportunidade para Satanás
fazer uso da ocasião e querer trazer nossa adoração a Deus com o coração carregado de pecado.
- Efésios 4.23-27 fala sobre a necessidade daqueles que são novas criaturas de não darem ocasião para o diabo
trabalhar em sua vida.
- Mateus 5.23-24 mostra-nos a necessidade urgente da reconciliação, antes que prestemos nosso culto e louvor
a Deus. Não importa se é o irmão que tem algo contra nós ou vice-versa. A condição é a mesma, onde sabemos
que existe algo que será impedimento para uma verdadeira e agradável adoração a Deus.
c) NÃO SEJA UM FARISEU – Obedeça à ordem de Cristo, não com hipocrisia, mecanicamente ou por pura
obrigação, mas do modo bíblico e em espírito verdadeiramente cristão. Ou seja: debaixo de oração, em amor e
com confiança na Palavra do Senhor.
d) SEJA HUMILDE – Se não estiver pronto a ser humilde, não haverá “conversa”, mas só repreensão e
CONDENAÇÃO do suposto ofensor. Lembre que a humildade é um fruto do Espírito, muito exaltado por Deus
14 ESTUDOS BÍBLICOS
40
e, no caso, extremamente necessário. Pense sempre que, em muitas ocasiões, o ofendido (você) também está
errado em algumas ou em todas as coisas.
e) SEJA BRANDO NO FALAR – Mesmo que esteja “coberto de razão”, seja brando no falar e cuidadoso com as
palavras, a fim de não suscitar a ira. Uma boa argumentação, feita em palavras doces, pode desarmar um
ferrenho opositor. Já a mesma boa argumentação com palavras ofensivas colocará um irmão na defensiva e,
mesmo que ele saiba que você tem razão, será levado pelos instintos da carne a não ceder. “A resposta (palavra)
branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Provérbios 15.1).
- Lembre que o objetivo determinado por Jesus é “ganhar O teu irmão” e não “ganhar DO teu irmão”. Quanto
mais plenos de razão estivermos, mais motivos temos para ser mansos, amáveis e cuidadosos no falar.
f) BUSQUE A PAZ! (I Pedro 3.11 – Salmo 34.14) - Não permita que a conversa degenere para discussão (briga).
Caso as coisas tomem esse rumo, seja sábio para interromper a conversa e buscar a oração e recuperação do
espírito correto para tratar a questão. Caso verifique que não há mais possibilidade de seguir com a conversa
nesse estágio, leve o caso ao próximo passo estabelecido por Jesus.
g) PERSEVERE ATÉ O FIM – Siga os passos do ensino de Jesus até o fim. Não pule etapas nem deixe a tarefa
pela metade, dizendo que não deu certo ou que “não tem jeito”. Ponha a mão no arado e não olhe para os lados
ou para trás, nessa questão também.
- Se você prestar atenção ao ensino de Jesus nessa passagem, poderá observar que, sendo cumprida
corretamente cada etapa do processo, de um jeito ou de outro, o resultado virá. SEMPRE DARÁ CERTO!
Cumprindo o ensino, na maior parte das vezes, o resultado virá antes mesmo de cumpridas todas as etapas. Ou
teremos a recuperação do irmão e a solução do problema, ou, em último caso, a igreja tratará o problema, e
aquele ou aqueles que não se sujeitarem a Deus e não tiverem verdadeiro espírito cristão acabarão sendo
disciplinados.
CONCLUSÃO: Pelas inúmeras referências relativas ao assunto do amor, comunhão e convivência entre irmãos,
contidas nas Escrituras, fica bem clara a sua importância. Fica claro o grande mal que a presença de tais pecados
no meio dos filhos de Deus representa. Nessas circunstâncias, podemos conhecer em nós mesmos, de maneira
bem nítida, a presença dos frutos da carne e os do espírito. Quais deles estamos cultivando em nossas vidas e
igrejas?
Pr. Waldir Ferro
IGREJA BATISTA BETEL INDEPENDENTE
Rua das Flautas Transversais, 115 - Jd. Sta. Zélia – Sto. Amaro – São Paulo-SP
(Estudo ministrado na Igreja Batista Boas Novas em Ourinhos-SP, na manhã de 13/11/2011).
http://www.palavraprudente.com.br/estudos/waldir_f/micelanea/cap03.html
17.11.2016
(11) COMO ESTUDAR A SUA BÍBLIA
14 ESTUDOS BÍBLICOS
41
I. Tenha Tempo Todos Os Dias Para Estudar - Salmos 1:2,3
A pessoa resoluta para fazer um voto de estudar a Bíblia logo verá que cumprirá esse voto. O estudo diário será
fato singular e fará diferença em sua vida. Pouco a pouco o estudo vai se transformando em qualidades que você
mesmo não perceberá até ter feito o estudo por muito tempo. A quantidade de tempo a ser gasta é você deve
decidir. Uma hora diária seria melhor, mas muito pode ser feito em quinze minutos. Tenha uma visão longa
sobre este estudo. Talvez cada sessão de estudo não abra maravilhas para você, mas com o correr do tempo você
verá que tem sido uma boa influência.
II. Estude Mesmo a Bíblia - João 5:39
Não fique satisfeito com um simples correr de olhas pelas páginas da Bíblia. Examine-a! Leia e releia as
passagens para que se aproveite a verdade que se esconde nas páginas. Examine-a! Faça perguntas e procure as
respostas: O que isto significa? O que isto significa para mim? Só tem isso? Procure entendimento pelas palavras
diferentes que notar. Pese cada uma. Verifique outros versículos que têm a mesma palavra. Não seja um bebê o
tempo todo. Estude você mesmo a Bíblia. Você pode atingir o significado. Forme o seu próprio pensamento
sobre o assunto.
III. Estude Pelos Tópicos - Jeremias 15:16
Essa é a maneira mais simples para se estudar a Bíblia, é o método que mostra os resultados mais rapidamente.
Procure estudar tópicos na Bíblia. Não isole o seu estudo em uma única parte. Veja o assunto por inteiro! Dessa
maneira saberá tudo o que Deus diz sobre o assunto. Compre ferramentas para ti ajudarem no estudo, tais como:
uma concordância, comentários, dicionário bíblico. Não é necessário ler um livro da Bíblia por inteiro para ter
um estudo pelos tópicos. Use as ferramentas. Procure cada versículo que menciona o seu tópico; seja de cidades
(Galiléia, Jerusalém, Palestina, etc.), de assuntos (oração, amor, arrependimento, lar, paciência, etc.) ou de
pessoas (Jesus, Moisés, Pedro, Noé, José, etc.) e logo ficará sabendo tanto mais sobre a matéria.
Mas lembre-se:
1. Seja Sistemático - Faça anteriormente uma lista dos assuntos que quer estudar e faça-os um por um. Inclua
vários para não ficar parado sempre em um só.
2. Seja Completo - Não estude só uns poucos versículos. Vá até que não possa ir mais.
3. Seja Exato - Entenda realmente as palavras. Anote-as, use um dicionário para entendê-las. Anote o que vem
antes e depois, compare outras passagens iguais.
4. Seja Organizado - A informação pode ser boa, mas muitas vezes precisa ser considerada de uma maneira útil.
Escreva em um caderno o que aprende e o que quer aprender. Faça uma lista de perguntas e anote a resposta
pelo estudo (I Coríntios 14:40).
IV. Estude Pelos Capítulos - Isaías 28:10-13
Essa maneira de estudo é o que toma o menor tempo. Selecione os capítulos que quer estudar. Não comece por
Gênesis, mas talvez João, Atos, ou Salmos. Leia o capítulo cinco vezes (uma destas vezes em voz alta). Divida o
capítulo em seções e descreva a seção com um título. Anote os fatos principais na ordem que aconteceram. Anote
as pessoas mencionadas e algo que aprendeu sobre elas. Anote as principais lições do capítulo (1, 2, 3,). Procure
uma verdade central no capítulo e anote-a. Há um versículo chave no capítulo? Qual versículo você gostou mais?
Marque-o e memorize-o. Coloque um nome no capítulo. Anote assuntos para estudos posteriores. Anote frases
ou palavras para estudos posteriores. Anote as novas verdades que aprendeu através do capítulo. Anote as coisas
que aprendeu, as verdades que já conhecia e viu no capítulo. O que mudou na sua vida através do estudo do
capítulo?
V. Estude a Bíblia Pelo que Ela É, A Palavra de Deus - I Tessalonicenses 2:13
Desenvolva um desejo maior de conhecer a Bíblia, mais do que por outro livro qualquer. Aceite o que Ela ensina,
mesmo sem entender tudo ou concordar com todo assunto que estudou. Tenha confiança no que Ela diz.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
42
Obedeça o que aprende dEla (Mateus 7:24,25). Seja atento para ouvir a Deus por Ela. O estudo da Palavra de
Deus é tempo gasto com Deus.
VI Estude Com Oração - Filipenses 4:6
Antes de começar o estudo, ore. Durante o estudo procure a Deus pela oração. Depois de estudar entre em
oração. É Deus quem explica o que vai ser estudado (I Coríntios 2:15,16). Peça graça para aceitar a verdade que
não entende. Peça a graça de Deus para eliminar da mente e da crença o que não é verdadeiro. Deus é sempre
presente.
VII. Procure Por Cristo - Lucas 24:27
No estudo da Palavra de Deus procure pelo Filho de Deus em cada página. A Bíblia tem como tema central a
exaltação de Jesus Cristo. Por Cristo, o Pai é exaltado sempre. Anote onde se acha Cristo.
VIII. Use Os Momentos Vagos - Efésios 5:16; Colossenses 4:5
Em nossa vida nem sempre é fácil estudar a Bíblia, mas podemos achar tempo nas salas de espera, filas e pontos
de ônibus, nos minutos vagos entre atividades (refeições, tomar um banho, etc.). Tenha uma Bíblia ou Novo
Testamento, ou folha com o seu estudo contigo sempre. Lê, anote um pensamento, continue a aprendizagem.
IX. Grave O Que Aprender - Salmos 119:11
Lembre-se da referência da verdade aprendida (o endereço dela). Anote o versículo principal e memorize-o.
Ensine a verdade aprendida aos outros. Use as verdades na sua vida.
Autor: Pr R. A. Torrey
Fonte: http://www.palavraprudente.com.br/estudos/variosautores/micelanea/cap09.html
17.11.2016
(12) Uma avaliação bíblica da vida espiritual
“E vê se há em mim algum caminho mau…” (Salmo 139:23, 24).
As seguintes perguntas devem ser respondidas “sim” ou “não”.
Conforme a pergunta, a resposta “sim” ou “não” poderá indicar que existe pecado na vida que deve ser
confessado, e deverá haver alguma mudança na sua vida! Não adiantará descobrir o problema se não estiver
disposto (a) para mudar! (I João 1:9 ; Prov. 28:13)
Mateus 6:12 , 14e15 -> Perdão
Você tem mágoa de alguém? (não perdoa?)
Tem inveja de alguém? (não gosta de ouvir certas pessoas elogiadas?)
Justifica as suas atitudes duras?
Mateus 6:33 -> Prioridades
Cristo vem primeiro nas decisões?
14 ESTUDOS BÍBLICOS
43
Outras coisas ou pessoas impedem sua total entrega para servir Deus? (“Eu”, ambição, prazer, familiares,
amizades, dinheiro, planos pessoais, etc…)
Marcos 16:15 -> Evangelismo
Sou boa testemunha?
Busco as almas?
Dou escândalo?
João 13:35 -> Amor
Você fica contente vendo desgraça na vida de certas pessoas?
Você costuma brigar, gritar, e exaltar-se? (participa de contendas e divisões?)
Você ignora, de propósito, certas pessoas?
Atos 20:35 -> Dinheiro, Tempo, Talento
Você costuma roubar Deus do seu dízimo, do seu tempo, dos seus talentos?
I Coríntios 4:1e2 -> Mordomia
Você é fiel aos compromissos?
Pode-se contar com você?
I Coríntios 6:19e20 -> Santificação Pessoal
Você cuida bem do corpo? (respeita-o como templo do Espírito Santo?)
Come ou bebe sem moderação?
Tem hábitos que prejudicam e contaminam o templo do Espírito Santo? (drogas, fumo, bebidas, e imoralidades
que contraem doenças?)
Tem hábitos mentais que contaminam seu espírito? (assistindo programas, filmes, leituras, ou ouve conversas.)
I Coríntios 10:31 ; 15:10 -> O “Eu”
Você costuma levar a honra de qualquer ação ou qualidade pessoal?
Costuma falar dos seus feitos e não do que Cristo fez por você?
Você gosta de falar mais sobre “eu”, “meu”, ou “mim”?
Você finge ser o que não é?
Efésios 4:28 ; I Tess. 4:11e12 -> Negócios
Você costuma desperdiçar o tempo do patrão? Seu próprio?
Capricha no serviço?
14 ESTUDOS BÍBLICOS
44
Procura evitar pagar dívidas? (é relaxado no pagamento?)
Efésios 4:31 -> Atitudes
Você costuma queixar-se?
Você costuma criticar e por defeito?
Você tem pavio curto?
Leva raiva e mágoa no coração?
Impacienta-se facilmente com outros? È grosseiro ou áspero?
Mostra amor mesmo quando não é retribuído?
Efésios 5:15-17 -> Tempo
Como usa o seu tempo? (Sabe valoriza-lo?)
Gasta muito tempo assistindo TV? (ou rádio, lendo revistas, e literaturas fúteis?)
Você acha necessário procurar se satisfazer por diversões mundanas?
Você ocupa seu tempo com atividades que mostra não estar satisfeitos com Cristo?
Efésios 5:20 -> Agradecimento
Dá graças a Deus por tudo mesmo?
Duvidou da bondade de Deus?
Fica angustiado, ansioso, e anda cheio de preocupações, sem confiança nos cuidados de Deus?
Filipenses 1:21 -> Objetivos
O seu viver é ocupado totalmente pelos cuidados da vida?
Você acha prazer nas “coisas” mais do que em Cristo e sua palavra?
Tem algo na sua vida mais importante do que viver para Cristo e agradá-lo em tudo?
Filipenses 2:14e15 -> Língua
Você sabe controlar a língua para não prejudicar os outros?
Fala mal dos outros por trás?
Filipenses 4:4-7 -> Louvor (Salmo 34:1)
O que é a verdadeira fonte da sua alegria?
Está revoltado quanto à maneira em que Deus conduz a sua vida?
Costuma entregar seus cuidados e motivos de preocupação a Deus?
14 ESTUDOS BÍBLICOS
45
Anda com queixas ou com louvores na boca?
Colossenses 3:9 -> Sinceridade
Você mente? (torce a verdade?)
Aumenta?
Engana? Rouba? Deixa pagar salário justo?
II Timóteo 2:20-22 -> Pureza
Você pratica hábitos que não são puros?
Abriga pensamentos impuros no coração?
Lê livros, revistas, etc… que tratam de assuntos impuros ou imorais?
Assiste ou participa de diversões impuras?
Hebreus 10:25 -> Assiduidade ou Didelidade
Você assiste todos os cultos da sua igreja?
Você conversa ou pensa em outras coisas enquanto estiver ouvindo a pregação da palavra de Deus?
Você ora, lê, e medita na Bíblia diariamente? (a palavra de Deus é-lhe interessante?)
Realiza, com a família, orações e meditações na palavra de Deus diariamente?
Tiago 1:27 -> Testemunho
Seu testemunho ficou manchado pelo mundo? (Apoc. 3:4e5)
Como está a sua maneira de vestir?
Existe qualquer coisa que manche seu testemunho diante dos incrédulos?
Hebreus 13:17 -> Submissão à Autoridade
Você aceita a liderança e direção daqueles que tem cargo na igreja?
Você é preguiçoso e indisposto a cooperar quando lhe pedem sua ajuda?
Você tem espírito teimoso que não aceita se ensinado? (se julga mais sábios do que seus líderes espirituais?)
Tiago 4:6 -> Humildade
Você se julga um crente espiritual?
Você teimosamente ensiste nos seus direitos particulares?
Tiago 4:11 -> Apoio à Obra
Você tem impedido a obra de Deus criticando os seus servos?
14 ESTUDOS BÍBLICOS
46
Deixou de orar pelos pastores e líderes?
Você se ofende pela repreensão da palavra?
Você resiste os esforços de quem procure corrigir e restaurar sua vida espiritual?
http://palavraprudente.com.br/vida-crista/uma-avaliacao-biblica-da-vida-espiritual/
17.11.2016
(13) A ORAÇÃO DO PECADOR
"O publicano, porém, estando de pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito,
dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" (Luc 18:13).
Jesus deu a parábola em Lucas 18: 9-14, a um grupo de pessoas que se autodeterminavam ser justos. Ele
comparou as ações do fariseu, que se autodenominava justo, com as do publicano, o qual representa um pecador.
No versículo 13, o publicano, ou pecador, orou, "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!", e como resultado,
foi justificado ou salvo de seus pecados.
Em muitas círculos, esta oração é conhecida como "oração do pecador", e passou a ser um meio pelo qual alguém
é salvo, quando se ora esta oração. Muitos fazem declarações, tais como, "Nós tínhamos 42 orando a oração do
pecador Domingo passado", e se referem à aqueles como salvos, por terem orado a "oração do pecador". Eles se
referem à "oração do pecador", como que atendendo os requerimentos de Romanos 10:13, "invocar o nome do
Senhor". A oração não salva, Jesus salva! Ó, você pode ter estado orando quando foi salvo, mas não foi a oração
que o salvou, foi uma obra de Deus, pois a salvação é de Deus.
Este publicano foi um Judeu, um que cresceu em um lar Judaico, onde o costume de oferecer sacrifícios era
familiar, e sendo assim, tinha conhecimento das razões pelas quais estes sacrifícios eram oferecidos. Portanto,
ele usou a palavra misericórdia, a qual no Grego é uma palavra relativa à palavra traduzida "propiciação", em
Romanos 3:25. Este versículo diz que "Ao qual [Jesus] Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue." A
expressão "propôs" significa ser observado, ou ser exposto ao público. A palavra "propiciação" é traduzida
"propiciatório", em Hebreus 9:5, e significa que Jesus foi a realização da propiciação do Velho Testamento. O
que está envolvido nisto? Sacrifício, substituto, e aspersão do sangue.
No Velho Testamento, uma vez ao ano havia o dia da expiação. Neste dia, haveriam dois bodes apresentados à
porta do tabernáculo ao sumo sacerdote. Lançariam sorte sobre os bodes para determinar qual deles seria uma
oferta pelos pecados ou sacrifício, e o outro seria um substituto, chamado de bode emissário. O sumo sacerdote
deveria então fazer o sacrifício, seguindo os procedimentos apropriados, e levar o sangue dentro do véu, ao
santuário, e aspergir o sangue sobre o propiciatório sete vezes. Então, ele pegaria o bode emissário, colocaria
ambas as mãos sobre a sua cabeça, e confessaria todas as iniquidades (pecados) dos filhos de Israel. Uma vez
que isto estivesse dado por terminado, o bode emissário seria enviado ao deserto, á terra solitária, onde seria
devorado por animais selvagens, para que nunca mais retornasse ao arraial novamente (Lev 16:1-28).
Uma vez que isto fosse terminado e aceito por Deus, os pecados do povo estariam cobertos por mais um ano.
Esta prática foi seguida ano após ano, até o aparecimento de Jesus, e João anunciou em João 1:29, "Eis o
cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." Ele era para ser, e foi, a realização destas práticas do Velho
Testamento, quando Deus o propôs para a propiciação. Isto fala de Jesus como nosso Sacrifício, Substituto
(bode emissário), e Propiciatório.
No sacrifício, foi um cordeiro inocente que morreu pela culpa. Jesus foi inocente. Ele não tinha pecados. Ele foi
sacrificado para mim, o culpado. I Pedro 3:18, "Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo
pelos injustos."
14 ESTUDOS BÍBLICOS
47
Jesus também foi meu substituto (bode emissário), quando Ele tomou meu lugar na cruz. Ele o fez
voluntariamente, pois ele disse, "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem" (Luc. 23:34). Então Deus
permitiu que o meu pecado, e o vosso, fossem postos sobre o imaculado Filho de Deus, cumprindo assim a
simbologia do bode emissário. Naquela situação, Ele exclamou, "Deus meu, Deus meu, por que me
desamparastes?" (Mat. 27:46). Aquilo foi o clamor do meu pecado. Na cruz, Deus o "propôs", exposto ao público,
ao terrível sofrimento da cruz enquanto Jesus se tornou meu sacrifício, meu substituto.
Enquanto dependurado na cruz, Jesus, através de um milagre de Deus que não posso entender nem explicar,
pagou uma eternidade de sofrimentos no inferno por mim. Quando Ele disse, "Tenho sede" (João 19:28), foi a
mesma sede que o homem rico sentiu no inferno. Quando Ele disse, "Está consumado" (João 19:30), meus
pecados já foram pagos. Finalmente, Ele morreu, e levaram o seu corpo e o enterraram em um túmulo
emprestado. Lá Ele foi escondido dos homens, realizando assim o símbolo, do bode emissário deixado em terra
solitária para nunca ser visto novamente.
Após três dias e três noites, Jesus foi ressuscitado e ascendeu ao Pai. Lá, no santuário do céu, dentro do véu,
Jesus aspergiu seu próprio sangue sobre um propiciatório não feito por mãos e sentou-se ao lado direito do Pai,
significando que o Pai aceitou o perfeito sacrifício pelo pecado. Isaías 53:11 fala do Pai sendo satisfeito, "Ele verá
o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito". O que haveria de ser um julgamento, é agora um
propiciatório.
O compositor que escreveu a música "Um Dia", resume isto muito bem: "Vivo, me amou; morrendo, me salvou;
sepultado, levou consigo meus pecados para longe; ressurgido, me justificou gratuitamente para sempre..." Este
coro revela Jesus como nosso sacrifício, substituto, e que Ele aspergiu Seu sangue sobre o propiciatório.
Não é suficiente que isto foi feito, isto deve ser apropriado para cada indivíduo, e isto é feito pela fé em Seu
sangue. (Romanos 3:25) Esta fé é mais que uma crença intelectual, tida pelos demônios (Tiago 2:19). Deve ser
crido de coração, e para isso deve haver uma obra do Espírito Santo neste indivíduo. É imperativo que o Espírito
Santo faça a abençoada obra da tristeza segundo Deus, convicção, arrependimento e fé num indivíduo, antes
que este possa invocar o nome do Senhor. I Cor. 12:3 diz, "Ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo
Espírito Santo".
Portanto, quando o publicano clamou, "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!", ele entendeu que Jesus
foi seu sacrifício, substituto e propiciatório. Ele concluiu isto pois foi criado em um lar onde lhe ensinaram
algumas coisas sobre a verdade, e um dia o Espírito Santo alvejou seu coração, e ele se expressou pelo exercício
da fé de seu coração em Seu sangue, e ele foi salvo.
Agora, rotular isto de "oração do pecador", é como limitar Deus em uma caixa, e estereotipar todas as
experiências de salvação em um pacote. Deus é um Deus de originalidade. Cada experiência de salvação de um
homem é diferente, pois é pessoal, ainda que a experiência de cada contenha os mesmos ingredientes.
Você pode ter orado esta oração e ter sido salvo, mas não foi porque você orou. Foi porque o Espírito Santo fez
uma obra em você. O problema de hoje é que muitos estão usando de uma estratégia, e pedindo aos homens
para orarem a "oração do pecador", então eles marcam pontos nos seus currículos, dizendo terem ganho "tantos"
ao Senhor, quando na verdade, tudo o que fizeram foi fazer os seus discípulos "duas vezes mais filhos do inferno"
(Mateus 23:15). Você pergunta, Por quê? Porquê muitos que repetem esta oração não têm nenhuma idéia do
que "misericórdia" significa. Eles não entendem que Jesus é seu sacrifício, substituto e propiciatório, e eles não
o saberão, até que o Espírito Santo tenha feito Sua obra Sagrada, nos seus corações.
Nós devemos sempre estar ciente de que nós estamos compactuando com as almas dos homens. Nós não somos
Deus. Só porque alguém ora, "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" não significa que estão salvos.
Portanto, nós não temos nenhum direito de informá-los que foram salvos. Só porque eles confessaram de boca,
não significa que creram de coração.
Para mim, gostaria somente de deixar com que o Espírito Santo fizesse Sua obra, e assim Deus receberá a glória,
que é como deveria ser. Pela Sua graça eu plantarei e regarei. I Coríntios 3:7 diz, "Por isso, nem o que planta é
alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento."
Minha oração é, "Pai, ajude-me a ser fiel para plantar e regar e observe o Senhor dar o crescimento. Amem."
14 ESTUDOS BÍBLICOS
48
Fonte: THE PERSUADER , Fev ! Mar, 1989 - www.ministryserver.com/thepersuader
Tradução: Gustavo Stapait, 05/01
Edição: Calvin Gene Gardner, 05/01
Igreja Batista de Catanduva, SP
Fonte: http://www.palavraprudente.com.br/estudos/variosautores/micelanea/cap18.html
17.11.2016
(14) Adoração: com corações, mentes e vozes
É evidente que a música cristã moderna, via de regra, é bem inferior aos hinos clássicos que eram escritos 200
anos atrás. Isto não é uma reclamação do estilo no qual as músicas são escritas, na maioria das vezes. Ao invés,
as letras são o que revelam mais nitidamente quão feio nossos padrões caíram.
Os hinos eram ferramentas didáticas maravilhosas, cheias da Palavra e de doutrina sólida, um meio de ensinar
e admoestar uns aos outros, como nos é ordenado em Colossenses 3.16 [A palavra de Cristo habite em vós
abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e
cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.]. Mais de cem anos atrás, a música de
igreja tomou uma direção diferente, e seu foco se tornou mais subjetivo. As músicas enfatizaram a experiência
pessoal e os sentimentos do adorador.
Os músicos modernos têm promovido essa tendência ainda mais e freqüentemente vêem a música como não
mais do que um instrumento para estimular emoções intensas. O papel didático ordenado pela Bíblia é
simplesmente esquecido.
O efeito é previsível. O que semeamos por várias gerações estamos colhendo agora em abundância assustadora.
A igreja moderna, alimentada por letras insípidas, tem pouco apetite pela Palavra e doutrina sólida.
Nós também corremos o perigo de perder a rica herança da hinódia visto que alguns dos melhores hinos da
nossa fé caem na negligência, sendo trocados por letras banais dentro de melodiazinhas que não saem da cabeça.
É uma crise, e a igreja está sofrendo espiritualmente. Tanto pastores quanto músicos devem ver a gravidade da
crise e trabalhar diligentemente para uma reforma.
Recentemente, colaborei em um livro a respeito de alguns dos maiores hinos da fé cristã. [1] Minha tarefa no
projeto era escrever uma sinopse doutrinária de cada hino selecionado. Este exercício foi fascinante e
iluminador, fazendo-me imergir na rica herança da hinologia cristã.
Na minha pesquisa, chamou-me a atenção o fato de que uma profunda mudança aconteceu na música da igreja
perto do fim do século XIX. A composição de hinos praticamente parou e foi trocada pelas “músicas gospel” –
músicas geralmente mais leves no conteúdo doutrinário, com estribilhos curtos seguidos de um refrão, um coro
ou uma linha lírica comum no final repetida após cada estribilho. As músicas gospel, de maneira geral, eram
mais evangelísticas que os hinos. A diferença principal era que a maioria das músicas gospel eram expressões
de testemunho pessoal visando a uma audiência formada de pessoas, enquanto a maioria dos hinos clássicos
eram músicas de louvor dirigidas diretamente a Deus.
CÂNTICO NOVO
O estilo e a forma da música gospel pegaram emprestados diretamente dos estilos musicais populares do final
do século XIX. O homem geralmente considerado o pai da música gospel é Ira Sankey, um cantor e compositor
14 ESTUDOS BÍBLICOS
49
dotado que galgou fama agarrado em D. L Moody. Sankey era o solista e líder de música para as campanhas
evangelísticas de Moody na América do Norte e Inglaterra.
Sankey queria uma música que fosse mais simples, mais popular e que se prestasse mais para o evangelismo
que para os hinos clássicos. Então ele escreveu músicas gospel – na maioria mais curtas, cantigas simples com
refrãos, no estilo das músicas populares da sua época. Sankey cantava cada verso como um solo e a congregação
juntava-se a ele em cada refrão. Embora a música de Sankey tenha provocado alguma controvérsia no início,
logo a forma pegou no mundo inteiro. Já no início do século XX a maioria das novas obras eram músicas gospel
no gênero que o Sankey inventou.
Devemos lembrar que na maioria dos hinários ainda hoje, o único hino bem conhecido com marca registrada
depois de 1940 é “Quão Grande És Tu” (How Great Thou Art) [2]. Classificar esta obra como um hino do século
XX é forçar a barra um pouco. Inclui um refrão, que é mais característico de músicas gospel do que hinos. E
ainda, não é bem uma obra do século XX na verdade. As primeiras três estrofes foram originalmente escritas
em 1886 por um pastor Sueco bem conhecido, Carl Boberg, e traduzido do Sueco para o Inglês pelo missionário
inglês Stuart Hine logo antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial. O Hino incluiu um quarto estribilho, que
é o único verso na versão popular em Inglês que foi escrito no século XX na verdade. [3]
Em outras palavras, por mais de 70 anos, praticamente nenhum hino foi adicionado ao repertório popular da
música cristã congregacional. Poucos hinos verdadeiros de qualidade durável estão sendo compostos.
Meus comentários não são de forma nenhuma um criticismo cego das músicas gospel. Várias músicas gospel
conhecidas são expressões ricas e maravilhosas da fé. Embora a música mais conhecida de Ira Sankey, “The
Ninety and Nine” [NT: Os Noventa e Nove] praticamente não seja mais cantada como uma música
congregacional hoje, foi o hit da era Sankey. Ele improvisou a música ao vivo em um dos grandes encontros de
Moody em Edinburgh, usando as palavras de um poema que ele havia recortado mais cedo, de tarde, de um
jornal de Glasgow. Essa letra, escrita por Elizabeth Clephane, são uma adaptação da parábola da ovelha perdida
de Lucas 15.4-7.
Uma música favorita que durou mais tempo da época áurea das música gospel é “Grace Greater than Our Sin”
[5] A música celebra o triunfo da graça sobre o pecado. Seu refrão é familiar:
Graça, graça,
Fonte de paz, de perdão e amor
Graça, graça,
Graça de Deus para o pecador
Músicas como essas enriqueceram as expressões de fé da igreja.
Na maioria das vezes, no entanto, o crescimento da música gospel no canto comunitário marcou uma
diminuição de ênfase na verdade doutrinária objetiva e um aumento da experiência subjetiva. A mudança de
foco afetou claramente o conteúdo das músicas. Devemos notar que algumas das músicas gospel originais são
tão insípidas e vazias quanto qualquer coisa que os opositores da presente geração de música cristã
contemporânea jamais poderiam reclamar legitimamente.
De fato, os críticos tradicionalistas que atacam a música contemporânea somente porque é contemporânea no
estilo – especialmente aqueles que pensam que a música antiga sempre é melhor – precisam repensar o assunto.
A preocupação que levanto tem a ver com conteúdo, não estilo somente. Considerando só as letras, algumas das
músicas de estilo antigo mais populares são até mais ofensivas do que coisas modernas. Não conheço uma
música contemporânea que é mais banal do que a velha amada “No jardim” (In the Garden):
Andando a sós no jardim,
quando o orvalho ainda brinca nas rosas,
14 ESTUDOS BÍBLICOS
50
Tua voz Senhor,
murmurando a mim,
És fonte de todos amores
E ele anda comigo, e ele fala comigo,
E ele me diz que sou dele;
E a alegria que partilhamos enquanto
permanecemos ali
Ninguém jamais conheceu.
Ele fala e o som de sua voz
É tão doce que os passarinhos diminuem seu
cantar,
E a melodia
que ele deu-me
Retine no meu coração
Eu ficaria no jardim com ele
Ainda que a noite caia
Mas ele se despede de mim
No meio da voz de lamento
Sua voz me chama
A letra não fala nada de substância real, e o que elas falam realmente não é particularmente cristão. É uma
pequena rima sentimentalista sobre a experiência e sentimentos pessoais de alguém. Enquanto os hinos
clássicos procuravam glorificar a Deus, as músicas gospel como “No Jardim” glorificavam sentimentalismo puro
e simples.
Várias músicas gospel sofrem desses fraquezas. De fato, várias das músicas favoritas “ao estilo antigo” são
praticamente isentas de qualquer substância cristã verdadeira e são carregadas de sentimentalismo barato.
“Jesus me transformou” (Love Lifted Me), “Vem, Senhor, Me Guiar” (Take My Hand, Precious Lord), “Brando
qual coro celeste” (Whispering Hope) e “Não é segredo o que Deus faz” (It Is No Secret What God Can Do) são
exemplos conhecidos.
Obviamente, nem quão antiga nem quão popular é uma música gospel é uma boa medida de valor. O fato de
uma música gospel ser “ao estilo antigo” com certeza não é uma garantia de adequação para a edificação da
igreja. Quando falamos de música eclesiástica, ser mais antiga não é ser necessariamente melhor. Na verdade,
essas mesmas músicas gospel, tão freqüentemente exaltadas pelos críticos da música moderna, são as que
prepararam o caminho para as próprias tendências que esses críticos algumas vezes desaprovam com razão.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
51
Não estou dando a entender que a música que Sankey introduziu não tem um papel legítimo. As músicas gospel
têm desempenhado um papel evangelístico e de testemunho efetivo e, portanto,merecem um lugar proeminente
na música eclesiástica. Mas foi uma infelicidade para a igreja que pelo início do século XIX, eram escritas
praticamente só músicas gospel. Os músicos das igrejas no final do século XIX (assim como os teólogos da
época) estavam apaixonados demais com qualquer coisa “moderna”. Eles abraçaram o novo estilo de música
congregacional com agressividade desenfreada. Infelizmente, já no século XX, a música gospel se alastrou e
desbancou os hinos clássicos. Então, o movimento que Sankey começou praticamente acabou com a rica
tradição da hinologia cristã que brotava desde a época de Martinho Lutero (1483-1546) e mesmo bem antes.
Antes de Sankey, os compositores de hinos mais conhecidos eram pastores e teólogos – homens hábeis no
manejo da Escrituras e da sólida doutrina. Com a mudança para as músicas gospel, quase que todo mundo com
uma caída por poesia se sentiu capaz de escrever música eclesiástica. Afinal de contas, a música nova devia ser
sobre testemunho pessoal, nada de tratado doutrinário rebuscado.
Antes de Sankey, os hinos eram propositadamente compostos com um propósito didático. Eram escritos para
ensinar e reforçar conceitos bíblicos e doutrinários no contexto do louvor direcionado a Deus. Esses hinos
visavam à adoração a Deus proclamando sua verdade de uma maneira que aumentava a compreensão da
verdade pelo adorador. Eles criaram um padrão de adoração que era tão racional quanto emocional. E isso era
perfeitamente bíblico. Afinal de contas, o primeiro e maior mandamento nos ensina a amar a Deus do todo o
nosso coração, alma e mente (Mat 22.37). Nunca teria passado na cabeça dos nossos ancestrais espirituais que
o louvor era algo feito com o intelecto subjugado. A adoração que Deus procura é a adoração em espírito e em
verdade (João 4.23,24).
Hoje em dia a adoração é freqüentemente caracterizada como algo que acontece bem longe do domínio do nosso
intelecto. Essa noção destrutiva têm criado vários movimentos perigosos na igreja contemporânea. Talvez tenha
chegado ao ápice no fenômeno conhecido como a Bênção de Toronto, onde risos irracionais e outras emoções
selvagens eram considerados a mais pura forma de adoração e uma prova visível da bênção divina. Essa noção
moderna de adoração como um exercício irracional tem causado muito prejuízo às igrejas, implicando em um
declínio na ênfase na pregação e ensino e uma interessante ênfase em entreter a congregação e fazer as pessoas
se sentirem bem. Tudo isso deixa o crente no banco da igreja destreinado e incapaz de discernir, e muitas vezes
jubilantemente ignorante dos perigos ao redor dele ou dela.
A ERA DOS CÂNTICOS DE LOUVOR
No final do século XX, aconteceu uma outra grande mudança. Uma nova forma sucedeu às músicas gospel: os
cânticos de louvor. Os cânticos de louvor consistem de versos em músicas fáceis, geralmente mais curtas do que
as músicas gospel e com menos estribilhos.
Os cânticos de louvor, assim como os hinos, são geralmente músicas de louvor direcionadas a Deus. Com essa
recente mudança voltou-se à pura adoração (ao invés de testemunho e evangelismo).
Ao contrário dos hinos, contudo, os corinhos geralmente não têm nenhum propósito didático. Os cânticos de
louvor são feitos para serem cantados como uma simples expressão pessoal de louvor, enquanto hinos são
geralmente expressões coletivas de louvor com uma ênfase em alguma verdade doutrinária [9]. Um hino
geralmente tem várias estrofes, cada qual construindo ou expandindo o tema introduzido na primeira estrofe
[10]. Pelo contrário, um cântico de louvor é geralmente mais curto, com um ou dois versos, e a maioria desses
cânticos deliberadamente faz repetições para prolongar o enfoque numa única idéia ou expressão de louvor.
(Obviamente, essas não são distinções absolutas. Alguns corinhos contêm instruções doutrinárias e alguns hinos
têm o objetivo de serem maravilhosas expressões de louvor [11])
Certamente não há nada de errado com o louvor simples e diretamente pessoal que caracteriza os melhores
cânticos de hoje. Também não há nada de errado com a campanha evangelística e de testemunho das músicas
gospel de ontem. É uma profunda tragédia, no entanto, que em alguns círculos, apenas cânticos
contemporâneos sejam cantados. Outras congregações limitam seus repertórios a músicas gospel
[retrocedendo, no máximo,] de até cem anos atrás. Enquanto isso, um grande e rico conjunto da hinologia
clássica cristã corre o risco de ser irreparavelmente extinto por pura negligência. [12]
SALMOS, HINOS E CÂNTICOS ESPIRITUAIS
14 ESTUDOS BÍBLICOS
52
A perspectiva bíblica para música cristã se encontra em Colossenses 3.16: “A palavra de Cristo habite em vós
abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e
cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.” Este verso simplesmente pede por uma
variedade de formas musicais – “salmos, hinos e cânticos espirituais.” Sobre o significado dessas expressões,
Charles Hodge escreveu: “Os primeiros usos das palavras psalmos, humnos e ode parecem ter sido tão livres
quanto os termos correspondentes em Inglês o são conosco, salmo, hino e cântico. Um salmo era um hino e um
hino era um cântico. Ainda, havia uma distinção entre eles.” [13]
Um salmo falava de uma música sagrada escrita para acompanhamento com instrumento musical. (Psalmos é
derivado de uma palavra que quer dizer tanger cordas com os dedos.) A palavra era usada para referir a salmos
do Antigo Testamento (Atos 1.20; 13.33), bem como canções cristãs (I Cor 14.26) [14]. Um hino falava de uma
música de louvor a Deus, um paion [hino alegre e exultante de louvor, tributo, ação de graças ou triunfo]
religioso. Um cântico, porém, podia ser música tanto sagrada quanto secular. Então o apóstolo especifica:
“canções espirituais“.
As distinções entre os termos são um tanto nebulosas, e como Hodge indicou, a nebulosidade se reflete mesmo
no nosso uso moderno dessas palavras. Não obstante, determinar as reais formas dos “salmos, hinos e canções
sagradas” não é essencial. De outra forma, as Escrituras teriam registrado essas distinções para nós.
A grande importância da expressão “salmos, hinos e cânticos espirituais” parece ser a seguinte: Paulo estava
pedindo uma variedade de formas musicais e uma variada gama de expressões espirituais que não podem ser
incorporadas em qualquer uma forma musical. A opinião apenas de salmos (que vem ganhando popularidade
em alguns círculos reformados hoje) não permite essa variedade. As opiniões dos
fundamentalistas/tradicionalistas, que parecem querer limitar a música eclesiástica às formas de músicas
gospel do início do século XX, também silenciariam a variedade que Paulo pediu. Mais importante, a corrente
reinante nas igrejas evangélicas modernas, onde as pessoas parecem querer se empanturrar de nada além de
simplistas cânticos de louvor, também destrói o princípio de variedade que Paulo determinou.
Acredito que a comunidade evangélica protestante errou cem anos atrás quando a composição de hinos foi quase
que completamente abandonada dando lugar [exclusivo] à música gospel. Os compositores crentes hoje estão
cometendo um engano similar ao não comporem hinos substanciais enquanto removem os antigos hinos do
repertório musical de nossas congregações e os trocam com corinhos triviais e músicas pop parecidas.
ENSINANDO-VOS E ADMOESTANDO-VOS UNS AOS OUTROS
Os compositores de cânticos de louvor e outras músicas modernas de igreja muitas vezes esquecem do papel
didático biblicamente ordenado da música eclesiástica. A maioria dos cânticos de louvor são escritos para atiçar
apenas as emoções. São cantados na grande maioria das vezes como um mantra místico, com o propósito
deliberado de pôr o intelecto em um estado passivo enquanto o adorador assimila o máximo de emoção possível.
O paradigma de adoração Vineyard foi praticamente construído sobre esse princípio e igrejas ao redor do mundo
adotaram esse modelo.
“A música… se limita exclusivamente a cânticos de louvor, com letras projetadas [por um retroprojetor ou um
datashow] ao invés de cantadas dos hinários, de forma que o adorador tenha total liberdade de reagir
fisicamente. Cada cântico de louvor se repete várias vezes e o único sinal de que estamos indo para o próximo
cântico é quando a transparência muda. Não há anúncio ou comentários falados entre as músicas. De fato, não
há um líder de louvor, para que o cantar tenha um sentimento de espontaneidade.
A música começa devagar e calma e vai progredindo gradual e constantemente num crescendo de 45 minutos.
Cada cântico que sucede tem uma carga emocional mais forte que a anterior. Ao longo de 45 minutos, a força
emocional da música aumenta a passos quase imperceptíveis desde calma e serena até uma intensidade forte e
impulsiva. No começo todos estão sentados. À medida que o sentimento de fervor aumenta, as pessoas reagem
quase que instintivamente, primeiro levantando as mãos, depois se levantando, depois se ajoelhando ou caindo
prostrados no chão. Ao fim do momento de louvor metade da congregação está no chão, vários estirados com a
face voltada para o chão e se torcendo de emoção. A música foi cuidadosa e propositadamente levada para esse
intenso ápice emocional…
Ainda assim, em meio a isso tudo, não há uma ênfase no conteúdo das músicas. Cantamos sobre “sentir” a
presença de Deus entre nós, como se nossas crescentes emoções fossem a principal maneira de confirmação da
14 ESTUDOS BÍBLICOS
53
sua presença e de medida da força da sua visitação. Várias das músicas dizem ao Senhor que ele é grande e digno
de louvor, mas nenhuma jamais diz realmente porque. Não importa. O objetivo, claramente, é atiçar nossas
emoções, e não focalizar nossos pensamentos num aspecto particular da grandeza de Deus. Na verdade, depois,
na pregação, o pastor nos diz para tomarmos cuidado [a fim de não] seguirmos nossas cabeças ao invés dos
nossos corações em quaisquer assuntos nossos com Deus.
Em outras palavras, o louvor aqui é intencional e propositadamente anti-intelectual. E a música reflete isso. Ao
passo que não há nada explicitamente errado com qualquer um dos cânticos que foram cantados, também não
há nada de substância na maioria deles. São escritos para serem transmissores da paixão, porque a paixão,
deliberadamente divorciada do intelecto, é o que define esse conceito de ‘louvor’.” [15]
Nem todos cultos contemporâneos vão tão longe, claro, mas as tendências mais populares estão indo nessa
direção, com certeza. Qualquer coisa muito cerebral é automaticamente suspeita, considerada não ‘louvável’ o
suficiente, porque claramente, a noção reinante de louvor não dá nenhum ou pouco lugar ao intelecto. É por
isso que no culto típico as pregações estão sendo encurtadas e ficando mais light, e mais tempo é dado para a
música. A pregação, que costumava ser o centro do culto de adoração, agora é vista como algo distinto da
adoração. Algo que se intromete no “momento de louvor e adoração”, no qual o foco é música, testemunho e
oração, mas principalmente música. E música cujo principal propósito é atiçar as emoções.
Se a função apropriada da música inclui “ensinar e admoestar”, então a música na igreja deve ser muito mais do
que um estímulo emocional. Na verdade, isso significa que a música e a pregação devem ter o mesmo alvo.
Ambas pertencem à proclamação da Palavra de Deus. O compositor deve, portanto, ser tão hábil nas Escrituras
e tão preocupado com a precisão teológica quanto o pastor. E ainda mais, porque as músicas que ele ou ela
escreve provavelmente serão cantadas vez após vez (ao contrário de uma pregação que é feita apenas uma vez).
Temo que esta perspectiva está totalmente perdida entre os músicos crentes comuns de hoje em dia. Como
observou Leonard Payton, “O quadro é tão extremo agora que qualquer um que sabe meia dúzia de acordes num
violão e consegue fazer rimas que nem cartões de lembranças é considerado qualificado para exercer esse
componente do ministério da Palavra, independentemente do treinamento e exames teológicos.” [16] Payton
afirma que os músicos líderes do Antigo Testamento – Hemã, Asafe e Etã (I Crônicas 15.19) – foram os primeiros
dentre todos os sacerdotes levitas, homens que dedicaram suas vidas ao serviço do Senhor (v. 17), homens
treinados nas Escrituras e hábeis no manejo da Palavra de Deus. Seus nomes estão registrados como autores de
alguns dos salmos inspirados (Sal 73-83; 88.1; 89.1). Payton escreve:
“Foi Asafe que proclamou que Deus é dono ‘de ‘milhares de cabeças de gado nas montanhas’ (Salmos 50.10). Se
um músico de uma igreja moderna tivesse escrito uma letra de louvor como o Salmo 50, ele provavelmente não
conseguiria publicá-la na indústria de música cristã. E ele talvez estivesse bem perto de ser demitido da sua
igreja. O Salmo 88 de Hemã é incontestavelmente o mais triste de todos os Salmos. Em suma, músicos levitas
escreveram Salmos e esses Salmos não foram subjugados às exigências emocionais e gnósticas da música
evangélica do século XX.” [17]
I Reis 4.31 escreve sobre Salomão: “E era ele ainda mais sábio do que todos os homens, e do que Etã, ezraíta, e
Hemã, e Calcol, e Darda, filhos de Maol; e correu o seu nome por todas as nações em redor.” Payton indica a
importância desta afirmação:
“Se Salomão não tivesse vivido, dois músicos teriam sido os homens mais sábios. Resumidamente, músicos
eram professores da mais alta categoria. Isto me leva a pensar que os músicos levitas, tendo sido espalhados
pela terra, serviram comoprofessores de Israel. Mais ainda, os Salmos eram seus livros-texto. E porque este
livro-texto era um livro de canto, provavelmente os músicos levitas catequizaram a nação de Israel cantando os
Salmos. [18] [ênfase no original]
Gostem ou não, compositores são professores também. Muitas das letras que escrevem serão muito mais
enraizados profunda e permanentemente nas mentes dos crentes do que qualquer coisa que pastores ensinem
do púlpito. Quantos compositores são hábeis o suficiente em teologia e nas Escrituras para se qualificarem para
tal papel fundamental na catequese do nosso povo?
14 ESTUDOS BÍBLICOS
54
A pergunta é respondida pela falta de expressão achada nos cânticos de louvor mais populares – especialmente
quando comparados a alguns dos hinos clássicos. Compare a letra de “Brilha Jesus” (Shine, Jesus, Shine) com
“Adorem o Rei, glorioso Senhor” (O Worship the King, All Glorious Above). Ou comparem “Algo Belo”
(Something Beautiful) com “Oh, Fronte Ensangüentada” (O Sacred Head Now Wounded). Escolho estes
exemplos não porque vejo algo errado ou antibíblico nestes cânticos modernos em particular, mas porque eles
são os melhores do gênero. Se o melhorque os compositores modernos conseguem fazer parece insípido
comparado à música dos nossos ancestrais espirituais, talvez seja apropriado perguntar se a igreja de hoje é
culpada coletivamente de amaldiçoar a Deus com nossos louvores fracos.
É difícil imaginar numa outra expressão de louvor mais deficiente para oferecer a Deus do que “Pai de amor
gosto tanto de ti ” (Heavenly Father We Appreciate You). Mas “Meu Deus é um Grande Deus” (Our God is an
Awesome God) chega perto. Em parte porque o adjetivo ‘awesome‘ [tremendo] foi pilhado pela presente geração
tornando-o no elogio preferido para todas as ocasiões, usado em tudo deste manobras de skate até piercings.
Na boca de um jovem “Our God is an Awesome God” é equivalente a cantar sobre como Deus é “massa”.
Ao menos “Meu Deus é um Grande Deus” faz uma rápida referência à “sabedoria, poder e amor” de Deus, dando
razões bíblicas porquê ele é grande e digno de louvor. Neste aspecto é melhor do que o monte de cânticos
modernos que expressam um louvor vago a Deus mas nunca se dão ao trabalho de mencionar o que há nele que
o faz merecedor do nosso louvor (e é certamente melhor do que o outro tipo popular de cânticos, aqueles que se
concentram quase que completamente nos sentimentos do adorador).
Agora leia a última estrofe de um hino clássico de louvor, “Deus Sábio, Invisível, Perfeito, Imortal” (Immortal,
Invisible). Depois de detalhar uma substancial lista de atributos divinos, o letrista escreveu:
És Pai glorioso, és luz a brilhar
Teus anjos não podem teu rosto mirar
Mas nós entoamos aqui teu louvor
E as frontes curvamos, humildes, Senhor. [19]
Ambos a poesia e o sentido são superiores a quase que qualquer coisa escrita hoje.
Compositores modernos claramente precisam levar suas tarefas a sério. As igrejas também devem fazer tudo
que puderem para cultivar músicos que sejam treinados no manuseio das Escrituras e capazes de discernir a
doutrina sólida. Mais importante ainda, os pastores e anciãos devem acompanhar mais de perto e mais
cuidadosamente os ministérios de música na igreja, conscientemente fixando um alto padrão para o conteúdo
bíblico e doutrinário do que cantamos. Se estas coisas forem feitas, nós começaremos a ver uma dramática
diferença qualitativa na música que vem sendo composta para a igreja.
Enquanto isso, não vamos jogar fora nossos hinos clássicos. Melhor ainda, vamos reavivar alguns dos maiores
hinos que caíram em desuso e adicioná-los novamente ao nosso repertório.
Notas
1 John MacArthur, Joni Eareckson Tada, Robert e Bobbi Wolgemuth, O Worship the King (Wheaton, IL:
Crossway, 2000).
2 Vários hinos novos foram escritos e publicados desde 1940, claro, mas poucos deles se tornaram de uso comum
das igrejas.
3 Robert K. Brown e Mark R. Norton, The One Year Book of Hymns (Wheaton, IL: Tyndale House), 1995.
4 J. C. Pollock, Moody: A Biographical Portrait of the Pacesetter in Modern Mass Evangelism (New York:
MacMillan, 1963), 132-33.
14 ESTUDOS BÍBLICOS
55
5 Escrito por Julia H. Johnston (música de Daniel B. Towner).
6 Penso sim que o estilo deve ser apropriado para o conteúdo, e por isso eu seria contra algumas músicas cristãs
contemporâneas por motivos estilísticos. Mas minha preocupação primordial está relacionada com o conteúdo
e não com o estilo.
7 Letra por C. Austin Miles (1868-1946).
8 Isaac Watts, John Rippon, Augustus Toplady e Charles Wesley são alguns poucos dos compositores de hinos
bem conhecidos, os quais foram, antes de tudo, pastores e teólogos.
9 O popular hino “Santo, Santo, Santo” (Holy, Holy, Holy), por exemplo, é uma recitação dos atributos divinos
com uma ênfase particular na doutrina da Trindade. “Jesus, Alegria dos Corações que Amam” (Jesus Thou Joy
of Loving Hearts), um hino antigo mas conhecido, é um hino de louvor a Cristo recheado de ensinamentos sobre
a suficiência de Cristo.
10 No mais conhecido hino de Lutero, “Castelo Forte é Nosso Deus” (A Mighty Fortress Is Our God), cada
estribilho constrói sobre o anterior, e as estrofes são, portanto, tão intrinsicamente ligadas que pular um verso
destrói a continuidade e a mensagem do hino em si.
11 “Quão Grande és Tu” (How Great Thou Art) é um ótimo exemplo
12 Esta preocupação foi precisamente o que fez com que Joni Tada, os Wolgemuths, e eu escrevêssemos
“Adorem o Rei” (O Worship The King) (vide n. 1).
13 Charles Hodge, Ephesians (Edinburgh: Banner of Truth, 1991, reimpressão), 302-3.
14 Aqueles que argumentam pelo uso exclusivo dos salmos (a opinião que nenhuma forma musical deve ser
empregada na igreja além das versões métricas dos Salmos do Antigo Testamento) freqüentemente afirmam
que a expressão “salmos, hinos e cânticos espirituais” é uma referência às várias categorias de salmos davídicos
na Septuaginta. Mas se a intenção do apóstolo Paulo fosse delimitar a música na igreja aos Salmos do Antigo
Testamento, existiriam muitas outras maneiras menos ambíguas que ele poderia ter usado para esclarecer seu
ponto de vista. Ao contrário, o que ele pede aqui é uma variedade de formas musicais, todas usadas para honrar
o Senhor admoestando e ensinando uns aos outros com as verdades da fé cristã. Se nós não devêssemos permitir
letras na música eclesiástica senão Salmos do Antigo Testamento, então algumas das mais gloriosas verdades
no cerne da nossa fé, como a encarnação de Cristo, morte na cruz e ressurreição, jamais poderiam ser expostos
completamente na nossa música.
15 Tomado das notas não publicadas de um amigo que estava pesquisando o crescimento de igrejas e estilos de
louvor em algumas mega-igrejas representativas.
16 Leonard R. Payton, “Congregational Singing and the Ministry of the Word,” The Highway, July 1998
(http://www.gospelcom.net/thehighway/articleJuly98.html).
17 Ibid.
18 Ibid.
19 Letra de Walter Chalmers Smith (1824-1908). Smith foi um pastor e moderador da Igreja Livre da Escócia.
Título original: With Hearts and Minds and Voices, publicado no volume 23, número 2 da revista Christian
Research Journal (O artigo está completo em http://www.equip.org/free/DM806.pdf).
http://palavraprudente.com.br/adoracao/adoracao-com-coracoes-mentes-e-vozes/
17.11.2016